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Tuberculostáticos e hanseníase

A tuberculose apresenta aumento da sua incidência nos últimos anos,


aproximadamente 1/3 da população está Infectada.
No Brasil há aproximadamente 90 mil casos novos por ano no Brasil.
As infecções possuem característica típica de doença crônica. (perda de peso,
agressão a alguns tecidos)
Aspectos gerais
O bacilo pode causar infecção nos pulmões, trato gastrointestinal, ossos, trato
genitourinário, meninges, entre outros locais.
Possui crescimento lento. Se ele divide lentamente, qq ataque com antibiótico
também é mais lento. E alberga dentro das células.
Sintomas
• Tosse (por mais de 15 dias) com escarro
• Febre (mais comumente ao entardecer)- por causa da divisão celular
que neste momento
• Suores noturnos
• Falta de apetite
• Emagrecimento
• Cansaço fácil
• Dor nas costas e peito
Fatores que influem no crescimento da endemia
Piora das condições socioeconômicas e
migrações forçadas
Tratamento prolongado- mínimo de 4-6 meses. Isso pode levar a uma
resistência.
Necessidade de poliquimioterapia- 4 antibiot.
Adesão precária
Resistência
Co-infecção com o HIV, HTLV (hepatite)
Patogênese e formas clínicas
Tuberculose primária- a que acabou de adquirir
inicialmente tem o controle da infecção - Fase latente
Disseminação hematogênica ( sangue) ou linfática
limitada
Manifestações clínicas localizadas
– Pulmão
– Linfonodos
– Pleura
Formas extrapulmonares
Ocorre em aproximadamente 17,5% dos casos
Ocorre em:
– Linfonodos
– Pleura
– Vias urinárias- trato urinário alta até a uretra
– Ossos
– Intestinos
– Peritôneo
– Meninges ( é a mais agressiva,pq a maioria dos antibióticos Não conseguem
chegar por causa da barreira hematoencefálica) e parênquima cerebral
– Miliar- disseminada
Fatores de riscos
Idade- crianças e idosos
HIV
Desnutrição
Diabetes
Etilismo- causa falta de apetite
 tabagismo
Silicose- sílica e asbestose- amiânco
Câncer
Uso de corticóides e de outros imunosupressores como drogas anti-TNF.
Diagnóstico
Escarro induzido, lavado brônquico, lavado gástrico, biópsia transbrônquica
e pleural
Linfonodo-biopsia
Líquido cefalorraquidiano (LCR)
Líquido pleural, líquido ascítico, líquido das articulações-sinovial
Urina, pele, medula óssea, fígado, líquido articular
PPD - via intradérmica- acima de 1cm é + (tem tuberculose)

Exames complementares
– Hemograma- aumento do nº de monócitos
– VHS-prova inflamatória, não é especifico para tuberculose
– Proteína C reativa- prova inflamatória também.
– Raio X- a cicatrização as vezes deixa a mancha no pulmão pelo resto da vida
– Tomografia computadorizada
– Ressonância magnética
– USG- ultra som
-baciloscopia
Tratamento
Visa:
– Curar o doente com TB
– Prevenir a morte por TB ativa ou os seus efeitos tardios
– Prevenir recidivas de TB
– Prevenir a transmissão de TB a outros indivíduos
– Prevenir resistência adquirida às drogas

Isoniazida-Efeito Bactericida

Elimina 90% da população total de bacilos durante os primeiros dias de


tratamento. É mais eficaz contra bacilos metabolicamente ativos (na região do
pulmão) e em contínuo crescimento. Aquelas bactérias que estão no IG, TU
que estão disseminadas, elas não estão ativas e por isto este fármaco não
consegue mata-los.
Seu mecanismo de ação não é totalmente conhecido, mas pode atuar por
inibição da síntese do ácido micólico e ruptura da parede celular em
organismos sensíveis. A parede desta bactéria é muito espessa e os anticorpos
não conseguem destruir, só consegue por meio dos monócitos-macrofagos.
É o agente mais potente contra a tuberculose.
A Resistência está relacionada com a permeabilidade ao fármaco ou
alteração enzimática.
Farmacocinética: Absorção oral(intra muscular, endovenosa), distribuição
por todo organismo, sofre acetilação hepática para ser eliminada (induz a
aumento do metabolismo hepático, por isso causa hepatotoxidade), eliminação
renal.
É hidrossolúvel.
Um individuo com insuficiência renal precisa ajustar a dose para menos a
depender do clearence de creatinina. Se o valor normal é de 100-200 e ele ta
excretando 10, que é 0,1 do valor mínimo, a dose será ajustada 10x menos. Se
o clerence for 1000, a capacidade de filtração estar 5x maior do que o valor
normal, aumenta a dose para 5x mais. (isto só vale para excreção renal). Se
estiver com insuficiência hepática ou cardíaca aí muda o pensamento.

Rifampicina-Efeito Bactericida e Esterilizador

Pode eliminar os bacilos semi-dormentes não destruídos pela isoniazida. A


associação deste com a isoniazida é melhor do que a isoniazida isolada.
Antibiótico macrocíclico complexo que inibe a síntese da RNA bacteriano ao se
unir fortemente à subunidade beta do RNApolimerase dependente do DNA;
evita, assim, a união da enzima ao DNA, resultando em supressão do início da
síntese (transcrição) do RNA. Inibe a transcrição e a tradução de proteínas da
bactéria através do RNA e DNA.

Obs: quanto mais lipossolúvel mais metabolismo hepático será


necessário para ser excretado pela via renal. Se for pela bile precisa
ser mais lipossolúvel.

Ativa contra a hanseníase, agente utilizado na profilaxia ( é utilizado em


parentes da pessoa que possui a tuberculose)
Resistência através da permeabilidade e enzimática.
Efeitos adversos: fezes e urina laranja avermelhado.
Farmacocinética:
– Absorção no TGI e ampla difusão (lipossolúvel), incluindo o LCR.
– Elevada ligação as proteínas, potente indutor enzimático do sistema P450.
– Excretada nas fezes (excretado pelo bile), urina e no leite materno. Não é
acumulada em pacientes com disfunção renal, pq a bile faz o favor de eliminar.

Pirazinamida-Terceiro agente no esquema de terapia curta X Toxicidade


Hepática - 25 a 35 mg/Kg por dia
Sua característica clínica mais destacada é sua ação em meio ácido
(lesões caseosas cavitárias) e intracelular em macrófagos, contra
bactérias em crescimento lento; por isso integra o grupo (isoniazida
+ rifampicina + estreptomicina + pirazinamida) – Ação esterilizante
Destrói os bacilos encontrados num meio ácido no interior das células

Mecanismo de ação: pró-droga (precisa ser metabolizado a ácido


pirazinóico, antimetabólito da nicotinamida.
Efeito: hepatite medicamentosa (1-5% dos casos).
Justifica a entrega a de cesta básica.

Estreptomicina-Antibiótico Aminoglicosídeo- bactericida


Grupo: agente anti-micobacteriano
Injeção (pó para solução injetável): 1g (sulfato) em ampola.

Unem-se irreversivelmente a uma ou mais proteínas receptoras


específicas da subunidade 30 S dos ribossomos bacterianos e interferem
com o complexo de iniciação entre o RNA mensageiro e subunidade 30 S.

O reconhecimento códon:anticódon anormal resulta em leitura incorreta da


mensagem. Ex: aminoglicosídeos, estreptomicina, etc.
Inibição da síntese de proteína e formação de proteínas anômalas.
Farmacocinética:
– Absorção V.O. Insignificante, obrigatório uso parenteral.
– Distribui-se principalmente no líquido extracelular e em todos os tecidos do
organismo, exceto no cérebro.
– Baixa união as proteínas, não é metabolizada (bastante hidrossolúvel)
– Excretada por via renal de 80% a 98% como droga inalterada em 24 horas e,
1% pela bile.

Etambutol

1961 - Droga de escolha para se associar ao esquema com Isoniazida,


Rifampicina e Pirazinamida X Segurança maior em evitar resistência:
retratamento, tratamento em regiões com números significativos de resistência
primária à isoniazida (15 a 25 mg/Kg)
Seu mecanismo de ação não é conhecido totalmente. Difunde-se na
micobactéria e, ao que parece, suprime a multiplicação por interferir na síntese
do RNA. Síntese protéica.
Tratamento de tuberculose mais reincidivante ou disseminada.
Farmacocinética:
– Ampla e rápida absorção (75 a 80%) após sua administração oral.
– Distribuição ampla (maioria dos tecidos e líquidos, exceto o LCR).
– Sua união às proteínas é baixa.
– Metabolização hepática (até 15%) em metabólitos inativos.
– Eliminação renal em torno de 80% em 24 horas, devendo ter dose corrigida
na insuficiência renal.

Drogas Reações adversas


Isoniazida sintomas de neuropatia periférica
(formigamento, perder a capacidade de estimulo), náuseas, vômitos, icterícia.
Rifampicina Náuseas, vômitos, icterícia, asma,
urticária e manifestações hemorrágicas.
Pirazinamida Artralgia, náuseas, vômitos e icterícia.
Estreptomicina Perda de equilíbrio e diminuição da
audição
Etionamida Náuseas, vômitos, diarréia e icterícia.
Etambutol Náuseas, vômitos e alterações visuais
(perda da visão periférica, perturbações das cores, perda da acuidade visual e
até cegueira), hepatite medicamentosa.

Profilaxia
Investigação de contatos-quimioprofilaxia com rifampicina ( parentes que
tenham contato com o portador de tuberculose)
INH (isoniazida)
PZA e RIF (não recomendado)
Isolamento respiratório
Máscaras
Pressão negativa filtros (UTI) e exaustão externa
BCG- vacina

Tratamento da hanseníase
Dapsona
– Semelhante as sulfonamidas, bacteriostáticos, antagonistas do PABA.
– Provoca hemólise (G-6PD) e neuropatia periférica.
O olho fica amarelado
É associado com glicocorticóides.
Clofazimina
– Liga ao DNA e impede sua cópia. Produz radicais citotóxicos.
– Pele marrom avermelhada.
EFEITOS COLATERAIS
Rifampicina: a dose é mensal. Efeitos tóxicos não têm sido associados a
essa
administração mensal. A urina pode tornar-se levemente avermelhada por
algumas horas após sua ingestão.
Clofazimina: é a mais ativa. Sua dose é diária. É bem tolerada e, na dose
preconizada, virtualmente atóxica, embora possa causar uma coloração
acastanhada e um escurecimento da pele, que regridem em poucos meses
após
sua interrupção.
Dapsona: é muito segura na dose preconizada para o PQT/OMS. Os efeitos
colaterais são muito raros. Dentre estes, o principal é a reação alérgica, que
pode causar “rash” cutâneo, dermatite esfoliativa e hemólise.
Os pacientes sabidamente alérgicos a qualquer medicamento do
grupo
das sulfas não deve receber a dapsona!
Todos estes efeitos que podem ocorrer devem ser esclarecidos ao
paciente recém-introduzido ao tratamento!