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A SUCESSÃO DO CÔNJUGE EM CONCORRÊNCIA COM OS DESCENDENTES DO FALECIDO DE ACORDO COM O CÓDIGO CIVIL DE 2002

A SUCESSÃO DO CÔNJUGE EM CONCORRÊNCIA COM OS DESCENDENTES DO FALECIDO DE ACORDO COM O CÓDIGO CIVIL DE 2002

4.63

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Procura demonstrar como é tratado a situação do cônjuge supérstite diante dos herdeiros necessários do falecido. Trata também dos demais tipos de sucessão.
Procura demonstrar como é tratado a situação do cônjuge supérstite diante dos herdeiros necessários do falecido. Trata também dos demais tipos de sucessão.

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MARCELO MACIEL MARTINS

1ª edição
Rio de Janeiro
Edição do Autor
2007
i
A SUCESSÃO DO CÔNJUGE EM CONCORRÊNCÌA
COM OS DESCENDENTES DO FALECÌDO, DE
ACORDO COM O CÓDÌGO DE 2002
ii
MARCELO MACÌEL MARTÌNS
ADVOGADO
A SUCESSÃO DO CÔNJUGE EM CONCORRÊNCÌA
COM OS DESCENDENTES DO FALECÌDO, DE
ACORDO COM O CÓDÌGO DE 2002
1ª EDÌÇÃO
RÌO DE JANEÌRO
EDÌÇÃO DO AUTOR
2007
iii
Copyright © by Marcelo Maciel Martins
Produção Editorial
Marcelo Maciel Martins
É proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio
ou processo, inclusive quanto às características gráficas
e/ou editoriais. A violação de direitos autorais constitui crime
*Código Penal, art. 184, §§, e Lei n° 6.895, de 17/12/1980,
sujeitando-se a busca e apreensão e indenizações diversas
(Lei n° 9.610/98).
CÌP ÷ Brasil. Catalogação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.
MARTÌNS. Marcelo Maciel.
A sucessão do cônjuge em concorrência com os descendentes
do falecido, de acordo com o Código de 2002. ÷ 1.ed. ÷ Rio de
Janeiro: Edição do Autor, 2007.
50p. ; 14 cm x 21cm
ÌSBN 978-85-907605-1-1
1. Direito de Família. Ì ÷ Regime de Bens. ÌÌ ÷ Vocação
Hereditária. ÌÌÌ ÷ Concorrência.
CDU -34
Todos os direitos desta edição estão reservados à
Marcelo Maciel Martins
macielmartins.adv@gmail.com / macielmartins@ig.com.br
(21) 7811-9528 / (21) 9316-1272 / (21) 3555-3409
Ìmpresso no Brasil
iv
Printed in Brazil
O surgimento deste trabalhado ocorreu
em momento em que buscava
elucidações acerca da nova dinâmica da
sistemática sucessória hereditária.
Assim, recorri aos meus preciosos livros,
artigos, jurisprudência e ao conhecimento
de colegas que militam incansavelmente
nesta seara, a que dedico este estudo, e
também, a minha querida família (Carla e
Miguelzinho) pelas concessões feitas em
razão da minha ausência.
v
A SUCESSÃO DO CÔNJUGE EM CONCORRÊNCIA
COM OS DESCENDENTES DO FALECIDO, DE
ACORDO COM O CÓDIGO DE 2002
RESUMO
O objeto deste trabalho é a discussão sobre a concorrência
do cônjuge com os descendentes do autor da herança no
que concerne à universalidade de bens por ele deixado e o
seu objetivo é produzir uma investigação sobre o novo
instituto da concorrência sucessória e sua aplicação nos
diferentes tipos de regimes de bens adotados pelos
cônjuges. Para a realização do trabalho foi necessária a
análise de autores como Giselda Hironaka, Sílvio Venosa,
Ricardo Fiúza, Maria Berenice Dias, Cláudia Nogueira entre
outros, que colocaram o tema em situação de destaque
dando uma correta aplicação à inovação trazida pelo Código
vi
Civil de 2002. Finalizam, em sua maioria, que a inovação terá
ainda
vii
que passar pelo crivo do Judiciário, em suas variadas
esferas, tendo em vista a omissão dada pelo Legislador, e
pelas diversas interpretações dada em relação à
concorrência do cônjuge supérstite aos bens deixados pelo
autor da herança.
Palavras-chaves: sucessão, cônjuge, descendentes, autor da
herança, regime de bens.
viii
SUMÁRIO
Dedicatória, v
Resumo, vii
Ìntrodução, 11
1. Dos Regimes de Bens, 13
1.1. Do Regime da Comunhão Parcial de Bens, 15
1.2. Do Regime da Comunhão Universal de Bens, 18
1.3. Do Regime da Separação Convencional de Bens e
Da Separação Obrigatória de Bens, 20
1.4. Do Regime da Participação Final nos Aqüestos, 23
2. Da Vocação Hereditária, 26
2.1. Da Ordem de Vocação Hereditária, 28
3. Da Concorrência entre Cônjuge e Herdeiros, 32
4. Dos Casos de Reserva da Quarta Parte ao Cônjuge, 39
5. Considerações Finais, 43
Referências Bibliográficas, 46
9
INTRODUÇÃO
O Novo Código Civil trouxe importantes
inovações para o segmento sucessões, dispondo uma nova
ordem para aqueles que se colocam na condição de
herdeiros necessários. O cônjuge aparece neste novo
ordenamento como herdeiro necessário e também como
concorrente dos descendentes e ascendentes, que na qual é
uma grande evolução adotada pelo Código de 2002.
A sistemática sucessória a ser discutida, sem a
intenção de esgotar o assunto, recai sobre o artigo 1.829,
inciso Ì, que em sua dialética trouxe o emprego de, talvez
desnecessário ou em local equivocado, sinais de pontuação
que geraram interpretações diversas daquela que o
legislador gostaria que produzisse ao seu destinatário.
Neste trabalho será abordado, de forma
individualizada, sobre os regimes de bens adotados pelo
10
Código Civil, indicando o não aproveitamento do regime dotal
e a inserção do regime de participação final nos aqüestos.
Mais adiante, falar-se-á sobre a vocação
hereditária, bem como a ordem que se estabelece para
aqueles que são convocados a assumirem seus quinhões
diante dos bens deixados pelo autor da herança.
A inovação sobre o novo instituto da
concorrência, em matéria sucessória, voltada para os
cônjuges, abordando-a para cada tipo de regime de bens,
pois o tipo de regime é que irá definir a existência ou não da
concorrência.
Os casos da reserva da quarta parte para o
cônjuge que possui filhos em comuns com o autor da
herança e a omissão legislativa sobre o piso da herança para
os casos de concorrência do cônjuge com os filhos
exclusivos do falecido.
11
1. DOS REGIMES DE BENS
Ao iniciarmos a realização do presente trabalho,
se faz necessário que adentremos na explanação dos
regimes de bens, que se encontram preceituados no art.
1829, inciso Ì do Código Civil, tendo em vista as suas
diferentes aplicações e resultados que podem ser produzidas
no mundo jurídico.
A finalidade de um regime de bem é preceituar a
forma e a maneira de que como serão tratados os bens dos
cônjuges após a celebração do casamento, que é uma
conseqüência jurídica decorrente do casamento
1
.
A Lei de ritos civis determina a aplicação de um
determinado regime de bens, conhecido como regime legal.
Assim, pode-se afirmar que esse regime, que será mais
adiante explanado, deixe de ser aplicado, caso os nubentes
1
VENOSA. Sílvio de Salvo. Diri!" Ci#i$ % Diri!" & F'()$i'. 3 ed. São Paulo :
Atlas. 2003. p.169.
12
venham a realizar o Pacto Antenupcial; que é celebrado de
forma solene e por instrumento público; sob pena de ser
considerado nulo.
Contudo, caso os nubentes resolvam em não
celebrar uma convenção quanto ao regime de bens ou a que
foi celebrada foi considerada nula, por não preencher os
requisitos legais, o regime de bem adotado será o legal, i.e.,
o regime da comunhão parcial de bens.
No Código Civil de Beviláqua, os regimes de
bens eram ordenados da seguinte forma, a saber: comunhão
universal de bens
2
, separação de bens e comunhão parcial
de bens e o dotal.
Já com a renovação da Lei de ritos civis em
2002, os regimes de bens passaram a ser os seguintes:
regime da comunhão parcial de bens, regulado nos artigos
1.658 a 1.666, regime da comunhão universal de bens
regulado nos artigos 1.667 a 1.671; regime da separação de
bens regulado nos artigos 1.687 a 1.688, e por fim o regime
2
Foi o regime legal até a edição da Lei n° 6.515 de 26 de dezembro de 1977.
13
da participação final dos aqüestos regulado nos artigos 1.672
a 1.686.
Vale lembrar que o regime dotal não foi
aproveitado pelo Novo Código Civil, por entenderem os
legisladores pátrios, que a própria evolução dos tempos fez
com que este tipo de regime perdesse a sua utilização em
nosso país
3
.
1.1. D" R*i( &' C"(+,-." /'r0i'$ & B,1

É o regime a ser aplicado por determinação legal,
salvo se os nubentes celebraram pacto antenupcial
acordando a modificação do regime e a forma de que ficarão
dispostas as questões patrimoniais.
O Referido regime é aquele em que os bens dos
nubentes são preservados, na sua titularidade, quando
adquiridos antes da celebração do casamento, ou seja, não
se comunicando com o outro cônjuge.
3
VENOSA. Sílvio de Salvo. Diri!" Ci#i$ % Diri!" & F'()$i'. Op. Cit. p. 171.
14
Já os bens amealhados na constância do
casamento serão partilhados em igual forma, dividindo-se a
titularidade do mesmo, por entender que houve o esforço
comum entre os cônjuges, i.e., o que é meu é meu, o que é
teu é teu e o que é nosso, metade de um
4
.
O comentário feito pela Ìlustre Des. Maria
Berenice Dias demonstra que essência do regime é o de não
enriquecimento sem causa para um dos cônjuges que chega,
em algumas situações, na relação sem nenhum bem.
Assim, poderíamos dizer que o regime da
comunhão parcial seria aquele que trata a separação total
dos bens quanto ao passado e a comunhão em relação ao
futuro
5
, salvo se não houver uma separação de fato e um dos
cônjuges possa comprovar que a aquisição do bem não
houve o empenho do outro cônjuge, como ocorre em
algumas situações.
O art. 1.658 do Código Civil dispõe que “no
regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que
4
DÌAS. Maria Berenice. M',+'$ & Diri!" & F'()$i'1. 4 ed. São Paulo :
Revista dos Tribunais. 2007, p. 218.
5
dem. bdem.
15
sobre!ierem ao casal na const"ncia do casamento, com
e#ce$%es dos artigos seguintes&.
Entretanto, a lei disporá quais as circunstâncias
em que os bens integrarão o patrimônio comum dos
cônjuges, conforme se estabelece no art. 1660 e incisos do
Código Civil de 2002
6
. Contudo, há situações em que o
patrimônio do cônjuge não se comunicará no caso de término
da vida em comum, ficando excluído da partilha
7

e 8
.
6
Art. 1.660. Entram na comunhão:
Ì - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que
só em nome de um dos cônjuges;
ÌÌ - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou
despesa anterior;
ÌÌÌ - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os
cônjuges;
ÌV - as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge;
V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge, percebidos
na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão.
7
Art. 1.659. Excluem-se da comunhão:
Ì - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na
constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu
lugar;
ÌÌ - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos
cônjuges em sub-rogação dos bens particulares;
ÌÌÌ - as obrigações anteriores ao casamento;
ÌV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do
casal;
V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão;
VÌ - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge;
VÌÌ - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes.
8
Art. 1.661. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa
anterior ao casamento.
16
1.2. D" R*i( &' C"(+,-." U,i#r1'$ & B,1
Foi o regime considerado como "legal¨ até o
advento da Lei de n° 6.515 de 26 de dezembro de 1977,
preconizado pelo Código Civil de Beviláqua.
O presente regime consiste em dar, aos
cônjuges, a comunicação de todos os bens adquiridos antes
como depois da celebração do casamento, bem como as
dívidas, salvos algumas exceções. Atualmente, para o
emprego desse regime, é necessário que os cônjuges
celebrem o pacto antenupcial, alterando o atual regime legal,
i.e.' comunhão parcial de bens.
Neste tipo de regime os cônjuges tornam-se
meeiros de todo o acervo patrimonial do outro, mesmo que
os bens adquiridos não tenha havido o esforço daquele
meeiro.
17
Sendo, assim, o regime da comunhão universal,
também há situações em que certos bens ficam excluídos da
meação, conforme dispõe o art. 1668 e incisos
9
.
Nota-se que a comunhão não será apenas de
bens, mas também de interesses, onde os cônjuges, na
separação, deverão efetuar a divisão de todo o acervo ativo e
passivo, cessando a responsabilidade, de cada um, com
possíveis credores, conforme estabelece o art. 1671 do
Código Civil
10
.
9
Art. 1.668. São excluídos da comunhão:
Ì - os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-
rogados em seu lugar; (são bens transmitidos com cláusula restritiva para
que não se comuniquem – art. 1.848 e 1.911).
ÌÌ - os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes
de realizada a condição suspensiva; (fideicomissário é aquele que é instituído
pelo testador para responder pelos bens que irão ser recebidos quando na
sua morte pelo fiduciário).
ÌÌÌ - as dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com
seus aprestos, ou reverterem em proveito comum;
ÌV - as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula
de incomunicabilidade;
V - Os bens referidos nos incisos V a VÌÌ do art. 1.659.
10
Art. 1.671. Extinta a comunhão, e efetuada a divisão do ativo e do passivo,
cessará a responsabilidade de cada um dos cônjuges para com os credores do
outro.
18
1.2. D" R*i( &' S3'r'4." C",#,0i",'$ &
5,1 D' S3'r'4." O5ri*'!6ri' & B,1
O presente regime é tratado pelo Novo Código
Civil nos artigos 1.641, para os caos de separação
obrigatória de bens; e nos artigos 1687 e 1688 para os casos
de separação convencional de bens. Neste regime, a
utilização do pacto antenupcial só poderá ser aplicado no
caso de separação de bens, onde os nubentes optarão pela
incomunicabilidade total dos bens, o que não ocorre com a
separação obrigatória.
Mister se faz demonstrar a distinção entre o
regime da separação convencional de bens do regime da
separação obrigatória de bens.
Para o regime da separação convencional de
bens, os nubentes podem convencionar, livremente, por meio
do pacto antenupcial, a separação total dos bens ou somente
quanto à administração dos bens adquiridos a título oneroso.
Já na separação obrigatória de bens o regime é imposto pela
19
norma, não podendo os nubentes convencionar de modo
contrário.
Neste regime, como um todo, o patrimônio
adquirido tanto no passado, no presente como no futuro não
se comunicam, nem durante o casamento ou depois dele, na
sua dissolução. Cada um dos cônjuges conserva a
autonomia inerente a cada bem, seja ativa ou passivamente.
É importante também mencionar que nas ações
que envolvam bens imobiliários o cônjuge casado neste
regime não lhe será exigido a sua presença na demanda,
conforme preceitua diversamente o art. 10, § 1°, inciso Ì do
Código de Processo Civil
11
.
Para não dizer que neste tipo de regime nada se
comunicam, as despesas ou empréstimos contraídos, de
ordem doméstica, serão comunicados, recaindo a
responsabilidade para ambos os cônjuges em seu
pagamento, bem como a manutenção da família
12
, na
11
DÌAS. Maria Berenice. M',+'$ & Diri!" & F'()$i'1. Op. Cit. p. 227.
12
Art. 1.688. Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do
casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens, salvo
estipulação em contrário no pacto antenupcial.
20
proporção de contribuição de cada um, conforme estabelece
os artigos 1.643
13
e 1.644
14
do novo Code#.
O Supremo Tribunal Federal, no afã de socorrer
a omissão do legislador na confecção do novo Código quanto
ao regime da separação obrigatória editou o Verbete de
Súmula n° 377
15
.
A Súmula surge ao meio da restrição da
autonomia de vontade, imposta pelo legislador em mera
reprodução do Código de Beviláqua, e dizendo que somente
os aqüestos serão comunicados por terem sido adquiridos na
constância do casamento, tendo havido esforço em comum
ou não dos cônjuges
16
. Assim, não será gerado o
enriquecimento injustificado para qualquer um dos cônjuges,
pois, o esforço em comum é presumido, salvo se a aquisição
do bem for não ocorrer durante o casamento.
13
Art. 1.643. Podem os cônjuges, independentemente de autorização um do
outro:
Ì - comprar, ainda a crédito, as coisas necessárias à economia doméstica;
ÌÌ - obter, por empréstimo, as quantias que a aquisição dessas coisas possa
exigir.
14
Art. 1.644. As dívidas contraídas para os fins do artigo antecedente obrigam
solidariamente ambos os cônjuges.
15
No regime da separação legal de bens comunicam-se os adquiridos na
constância do casamento.
16
DÌAS. Maria Berenice. M',+'$ & Diri!" & F'()$i'1. Op. Cit. p. 232.
21
Entretanto, a quem sustente que a referida
Súmula apresenta uma grande incongruência, pois, diverge
do tipo imposto pela Lei, devendo para isso ser revogada.
1.7. D" R*i( &' /'r!i0i3'4." Fi,'$ ,"1 A891!"1
O referido regime é uma inovação do novo
Código Civil, que assumiu o lugar do antigo e arcaico regime
dotal do Código de Beviláqua.
Para certos doutrinadores
17
, o regime de
participação final nos aqüestos é um regime híbrido
18
e misto
de difícil compreensão, podendo, inclusive, ser regido por um
pacto antenupcial.
No Código Civil, o regime é preceituado pelo art.
1.672, se estendendo até ao artigo 1.686. Quando se procura
realizar uma leitura dos dispositivos, verificamos que a
estrutura do regime é de grande complexidade, gerando
certas inseguranças e incertezas, além de que os cônjuges
17
Desembargadora Maria Berenice Dias.
18
Silvo de Salvo Venosa e Maria Berenice Dias.
22
deverão, ao longo do casamento, se municiar de um forte
esquema contábil para manter uma correta divisão do
patrimônio em uma eventual dissolução.
Neste regime há bens que são adquiridos de
forma particular, os sub-rogados, os recebidos por doação ou
herança e aqueles que são adquiridos em comum pelo casal.
Assim, no regime de participação final dos
aqüestos, os cônjuges durante o casamento, vivem em
verdadeira separação de bens, ou seja, cada um administra
os seus próprios bens, bem como o patrimônio adquirido na
constância do casamento passa a integrar ao monte daquele
que o adquiriu
19
.
Entretanto, no momento da dissolução da
sociedade conjugal, todos os bens adquiridos na constância
do casamento, a título oneroso, serão apurados e divididos
pela metade para cada um dos cônjuges, ou seja, o acervo
dos aqüestos que serão partilhados na dissolução da
sociedade conjugal são aqueles bens próprios adquiridos
19
NERY JUNÌOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. C6&i*" Ci#i$ A,"!'&"
L*i1$'4." E:!r'#'*',!. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 743.
23
unicamente pelo cônjuge na constância do casamento, mais
os bens que foram adquiridos com o esforço em comum, ou
seja, em conjunto pelos cônjuges.
Logo, é um regime que funciona, no decurso da
sociedade conjugal, como regime de separação de bens
20
, e
na sua dissolução assume a postura de regime da comunhão
parcial de bens
21
ou comunhão nos aqüestos
22
.
20
A grande vantagem deste regime é que não há discussão patrimonial durante o
casamento, onde a autonomia patrimonial dos cônjuges é latente.
21
HÌRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. Casamento e regime de bens.
J+1 N'#i*',&i, Teresina, ano 7, n. 65, maio 2003. Disponível em:
<http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4095>. Acesso em: 21 out. 2007.
22
VENOSA. Sílvio de Salvo. Diri!" Ci#i$ % Diri!" & F'()$i'. Op. Cit. p. 191.
24
2. DA ;OCAÇÃO <EREDITÁRIA
No passado, mas precisamente no Direito
Romano, os homens e primogênitos, no que concerne ao
direito de herança eram chamados para exercer a posição de
predominante herdeiro, ficando completamente excluída as
mulheres e demais irmãos, se houvesse.
No direito pátrio constitucional, tal desigualdade
não mais existe, pois, todos serão iguais diante da Lei,
conforme preconiza o art. 5° da CFRB de 1988.
Assim, a vocação ou, melhor dizendo,
convocação legal é o ato pelo qual alguém é chamado a
receber uma herança ou parte dela, observando a ordem
legal estipulada pelo Código Civil, no art. 1829 e incisos.
25
Na ordem de vocação hereditária serão
convocados os herdeiros que se encontram estatuídos no art.
1829, inciso Ì, conforme preleciona Ricardo Fiúza
23
, in !erbis(
Trata-se de uma ordem de preferência, que tem de
ser rigidamente obedecida, não se admitindo
desvios ou saltos. Um parente jamais será chamado
à sucessão se existe outro de classe precedente
(C). BGB, art. 1930). Os descendentes são
chamados em primeiro lugar, em concorrência do
cônjuge sobrevivente, observando o inciso Ì do art.
1.829. Não havendo nenhum descendente, são
convocados os ascendentes, em concorrência com
o cônjuge (inciso ÌÌ do art. 1.829). Não existindo
parentes em linha reta, isto é, não deixando o
falecido descendentes, nem ascendentes, o
cônjuge sobrevivente herda sozinho. Finalmente, se
não houver parentes na linha reta, nem cônjuge
sobrevivente, são chamados a herança os
colaterais, até o quarto grau (art. 1.839).
Contudo, a vocação pode se insurgir somente em
parte da herança, tendo em vista que o indivíduo poderá
23
FÌUZA, Ricardo. (Coord. Geral). N"#" C6&i*" Ci#i$ C"(,!'&". 1 ed., 9°
tiragem. São Paulo : Saraiva, 2003, p. 1647.
26
dispor, de parte, de seus bens por intermédio do testamento,
que deverá obedecer aos requisitos imposto pela Lei.

2.1. D' Or&( & ;"0'4." <r&i!=ri'
Estabelece o artigo 1.829 do Código Civil a
ordem seqüencial na vocação hereditária, como se segue, in
!erbis:
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem
seguinte:
Ì - aos descendentes, em concorrência com o
cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o
falecido no regime da comunhão universal, ou no da
separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo
único); ou se, no regime da comunhão parcial, o
autor da herança não houver deixado bens
particulares;
ÌÌ - aos ascendentes, em concorrência com o
cônjuge;
ÌÌÌ - ao cônjuge sobrevivente;
ÌV - aos colaterais.
27
Cabe mencionar que com a edição do Novo
Código Civil, as sucessões abertas antes de sua vigência
deverão ser tratadas pelo antigo diploma, ou seja, art. 2.041
do Código de Beviláqua.
Assim, ao analisar o dispositivo verifica-se que os
descendentes ocupam o topo da pirâmide, pois na abertura
da sucessão são os primeiros a serem chamados, mesmo
existindo ascendentes. Por serem herdeiros necessários, sua
parte na herança fica resguardada, também conhecida como
legítima, mesmo que o autor da herança disponha, da parte
permissível, de seus bens.
O cônjuge sobrevivente, também conhecido
como supérstite, é, como o próprio nome diz, aquele que
sobreviveu e que não se encontrava separado, no momento
da morte, ou em uma das hipóteses do artigo 1.830 do
Código Civil. Lembrando que, em certos casos, o cônjuge
supérstite não será considerado como herdeiro do falecido.
Com o advento do Código de 2002, o cônjuge
sobrevivente passou a categoria de herdeiro necessário,
28
concorrendo, em alguns casos, com os filhos em comum ou
só com os filhos do falecido, dependendo do regime de
casamento empregado.
Poderá, ainda, haver descendentes, vale lembrar
que não são somente os filhos, mas também os netos, de
diferentes graus. Nestes casos a sucessão se dará por
cabeça ou estirpe, obedecendo ao grau hierárquico.
Na sucessão por estirpe, o montante é dividido
por linhagem do falecido, em partes iguais¸ !.g., deixando o
falecido 2 (dois) filhos sendo 1 (um) pré-morto com 3 (três)
netos, a herança será dividida em partes iguais, pois todos
são descendentes. Assim, a parte que tocaria ao pré-morto
será dividida em partes iguais entre os netos, enquanto a
outra parte da herança irá para o filho vivo.
No caso de não haverem filhos vivos do falecido,
serão chamados os netos, não havendo os netos, os
bisnetos e assim sucessivamente, todos sucedendo por
cabeça, se do mesmo grau.
29
Quando ocorrer a falta dos ascendentes e
descendentes do falecido, surge a figura do cônjuge que
receberá a integralidade da herança, excetuando os casos da
participação na concorrência do inciso Ì do art. 1.829 ou no
caso de concorrer com os descendentes do falecido na
proporção de 1/3 da herança.
Contudo, é importante mencionar que qualquer
que for o regime de bens, o cônjuge concorrerá com os
ascendentes do falecido, lhe será tocado 1/3 da herança,
caso haja 2 (dois) ascendentes de primeiro grau, se houver 1
(um) ascendente de primeiro grau lhe tocará a metade e nos
casos de haver 1 (um) ou mais ascendentes de segundo
grau receberá também a metade da herança.
Na falta dos ascendentes, dos descendentes, e
do cônjuge herdam aqueles chamados de colaterais, ou seja,
aqueles parentes até o 4° (quarto) grau.
30
2. DA CONCORRÊNCIA ENTRE CÔNJUGE E
<ERDEIROS
Antes de adentrarmos neste ponto, é importante
salientar que o cônjuge, com o advento do Novo Código Civil,
passou a categoria de herdeiro necessário
24
do falecido
concorrendo diretamente com os descendentes ou com os
ascendentes, na falta daqueles. Ìsto demonstra a inovação
do Novo Código, pois, pelo Código de Beviláqua o cônjuge
ocupava a terceira posição na escala sucessória.
Preceitua o art. 1830 do Código Civil que o
cônjuge só preencherá a condição de herdeiro se na época
da abertura da sucessão, o cônjuge supérstite não se
encontrava separado judicialmente ou separado de fato do
falecido por mais de dois anos, salvo se comprovado pelo
sobrevivente que a separação de deu por culpa exclusiva do
24
Art. 1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o
cônjuge. ÷ Sendo herdeiro necessário terá resguardada a sua legítima.
31
falecido, que é quase impossível de se comprovar, tendo em
vista que o falecido não está aqui para se defender.
Analisando o artigo 1829, inciso Ì, verifica-se que
o cônjuge concorre primeiramente com os descendentes,
dependendo do regime de bens, ou seja, a concorrência se
dará se o regime for o da separação convencional de bens,
ou ainda, da comunhão parcial de bens, se houverem bens
particulares, e por final o regime de participação final nos
aqüestos.
Passemos a analise de cada regime.
Na comunhão parcial de bens, que continua
sendo o regime legal
25
e o mais usual, até pela falta de
desconhecimento das pessoas, a concorrência do cônjuge se
dará somente quando o falecido houver deixado bens
25
Art. 1.640. Não havendo convenção, ou sendo ela nula ou ineficaz, vigorará,
quanto aos bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial.
32
particulares
26
, ou seja, aqueles bens que foram trazidos para
o casamento sem a participação do cônjuge supérstite.
No caso de o autor da herança, não haver
deixado bens particulares, !.g., não trouxe nenhum bem para
o casamento, o cônjuge supérstite não participará como
concorrente, mais sim como meeira.
Para ilustrar a temática, faz-se mister reproduzir
o exemplo dado pelo Desembargador do Tribunal de Justiça
do Rio Grande do Sul, Luiz Felipe Brasil dos Santos em seu
artigo
27
, in littare(
Um singelo exemplo ajudará a compreender as
dificuldades possíveis. Ìmagine-se, primeiramente,
26
Bens particulares são aqueles, também, conhecidos de bens não comunicáveis,
conforme preceitua os artigo abaixo:
Art. 1.659. Excluem-se da comunhão:
Ì - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na
constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu
lugar;
ÌÌ - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos
cônjuges em sub-rogação dos bens particulares;
ÌÌÌ - as obrigações anteriores ao casamento;
ÌV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do
casal;
Art. 1.661. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa
anterior ao casamento.
27
SANTOS. Luiz Felipe Brasil. A S+011." &"1 C>,?+*1 ," N"#" C6&i*"
Ci#i$. IBDFAM. Publicado em 31/03/2003. Disponível em:
<http://www.ibdfam.com.br/Public/artigos.aspx?codigo=77> Acesso em: 23. out.
2007.
33
a situação de um casal, com um filho, cujo único
patrimônio seja constituído pelo apartamento onde
reside (no valor de R$ 99.000,00) adquirido na
constância do casamento. Nesse caso, falecendo o
varão, e não havendo bens particulares, a mulher
não concorrerá com o filho, recebendo apenas sua
meação (correspondente, no caso, a R$
49.500,00). Admitamos, agora, que, além desse
apartamento, o autor da herança fosse proprietário
de uma bicicleta (no valor de R$ 1.000,00), que, por
ter sido adquirida em sub-rogação de um bem pré-
existente ao casamento, constitui bem particular
(art. 1.659, ÌÌ). Nessa hipótese, existindo bem
particular, o cônjuge concorrerá com o
descendente, em igualdade de condições,
recebendo, portanto, ÷ além de sua meação sobre
o apartamento (R$ 49.500,00) ÷ a título de herança,
a metade de todos os bens deixados pelo "de
cu*us¨, ou seja, mais R$ 25.500,00. O total dos bens
que caberão ao cônjuge sobrevivente (meação +
quinhão hereditário) corresponderá, neste segundo
caso, a R$ 75.000,00, ficando o filho com R$
25.000,00. Como se vê desse exemplo, a simples
existência de uma bicicleta (na condição de bem
particular, no valor de 1% do total dos bens), faz
com que surja o direito do cônjuge de concorrer
com o descendente, aumentando
desproporcionalmente o valor que lhe caberá, que
passa de R$ 49.500,00 (na primeira situação, em
34
que recebe apenas a meação) para R$ 75.000,00
(na segunda situação, onde, por existir bem
particular, concorre com o descendente)!
Assim, percebe-se que a existência de uma
simples bicicleta, trazida pelo autor da herança, definirá a
condição de herdeiro concorrente do cônjuge sobre o total da
herança deixa pelo de cu*us, ou seja, a distribuição dos
percentuais ficará desproporcional, em virtude de um objeto
de tão irrisório valor.
No regime da separação convencional de bens, o
cônjuge também irá concorrer com os herdeiros do autor da
herança, caso o pacto antenupcial tenha previsto alguma
cláusula específica que venha contemplar a participação
daquele cônjuge em algum bem específico ou sobre um
determinado bem adquirido sem o esforço em comum, ou
seja, bens não comunicáveis (particulares).
Já no regime da participação final dos aqüestos,
por se um regime híbrido, ambos os cônjuges possuem
autonomia sobres os bens adquiridos na constância do
35
casamento, i.e., durante o casamento o regime dos cônjuges
se assemelha ao da separação de bens, só sendo alterado
quando da dissolução da sociedade conjugal, onde todos os
bens adquiridos pelo esforço próprio e os de comum esforço,
são partilhados, excetuando-se aqueles bens não
comunicáveis.
Assim, havendo a abertura de sucessão de um
dos cônjuges casado por este regime, deverá ser verificado
se há a existência de bens não comunicáveis ou não, para
em seguida determinar qual a participação do herdeiro
cônjuge nos bens do autor da herança.
Como o Código Civil permite aos nubentes a
celebração do pacto antenupcial, que visa alterar condições
determinadas pelo regime legal, seja quanto os seus bens,
ou, ainda, a escolha de um outro tipo de regime, conclui-se
que a sua presença, não sendo um daqueles previstos pelo
artigo 1829, inciso Ì, sempre ensejará ao cônjuge a condição
de concorrente com os descendentes.
36
Se o cônjuge for casado com o autor da herança
pelo regime da comunhão universal, separação obrigatória
de bens
28
e comunhão parcial de bens, sem bens não
comunicáveis, a participação nos referidos bens deixados
será apenas de meeiro(a), pela sua simples condição, não
podendo participar da herança deixada.
28
O Verbete de Súmula n° 377 do STF diz que no regime da separação legal de
bens, os bens adquiridos na constância do casamento, serão considerados como
bens comunicáveis, devendo estes serem partilhados, pois houve o esforço em
comunhão do casal, Evitando, assim, o enriquecimento ilícito de um das partes.
37
7. DOS CASOS DE RESER;A DA @UARTA /ARTE
AO CÔNJUGE
Neste ponto, o Código Civil inovou mais uma vez,
pois o cônjuge teve tratamento privilegiado quando recebeu
uma "quota¨ mínima caso venha concorrer com os
descendentes comuns com o autor da herança.
O piso da herança, por ser considerada a parte
mínima que é garantido ao cônjuge, havendo mais de três
descendentes e todos comuns, o cônjuge receberá, no
mínimo, a quarta parte da herança, sendo o restante dividido
em partes iguais com os filhos comuns.
Quando o cônjuge concorre com os
descendentes exclusivos do autor da herança, a regra
imposta pelo quarto da herança, desaparece por completo,
dando o lugar à divisão igualitária entre os herdeiros, i.e., o
cônjuge sobrevivente herdará como se fosse um filho, !.g.,
38
havendo cinco filhos exclusivos do falecido, o montante
deverá ser dividido em seis partes iguais.
Porém, o legislador não se manifestou quanto à
existência de filhos comuns e filhos exclusivos do autor da
herança, perdendo uma grande oportunidade de tratar sobre
o referido assunto, tendo em vista que já havia tratado dos
filhos comuns e dos filhos exclusivos do autor da herança.
Assim, haveria o cônjuge o direito a quarta parte
dos bens deixados pelo autor da herança se viesse a
concorrer com os descendentes comuns e os descendentes
exclusivos do falecido.
Segundo a orientação da professora Giselda
Hironaka
29
, esta situação, que por ela é chamada de híbrida,
ocorre pelo fato do artigo 1.832 do Código Civil ter concedido
esse benefício ao cônjuge sempre que ele “)or ascendente
dos herdeiros com que concorrer&.
Nota-se que o novo Código Civil não exigiu para
a concessão desse direito, que o cônjuge sobrevivente fosse
29
HÌRONAKA, Giselda Maria Fernandes Novaes. C"(,!=ri"1 '" C6&i*" Ci#i$.
D" Diri!" &'1 S+011A1. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 226.
39
ascendente de todos os herdeiros. Assim, conclui-se, por
uma interpretação literal da Lei, que ao cônjuge supérstite lhe
seria dado ao direito de um quarto da herança, nas situações
tidas como híbridas.
Analisando, pelo enfoque constitucional, a
ausência da Lei para os casos tidos como híbridos, ou seja, a
concorrência do cônjuge supérstite com os filhos comuns e,
cumulativamente, com os filhos exclusivos do autor da
herança, o cônjuge sobrevivente também deverá receber a
quarta parte dos bens deixados pelo autor da herança, tendo
em vista o pressuposto da igualdade estabelecida pela
Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e
Adolescente, que garante aos filhos qualquer tipo de
indiscriminação que possa haver entre eles
30
.
30
Principio da não distinção entre filhos consangüíneos e adotivos: Art. 227, § 6º,
CF e Art. 20, ECA.
CFRB, Ar!. 22B. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à
criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a
salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão.
§ 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os
mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias
relativas à filiação.
ECA, Ar!. 20. Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção,
terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações
discriminatórias relativas à filiação.
40
C. CONSIDERAÇDES FINAIS
Com a finalidade de concluir o presente trabalho,
verificou-se necessário abordar pontos vistos como
essenciais para o discernimento da matéria, pois, somente
assim, poderemos dar os primeiros passos rumo ao
verdadeiro entendimento da concorrência dos cônjuges com
os descendentes e ascendentes.
Verifica-se que o ordenamento jurídico produziu
uma norma de caráter contemporânea, porém, em sua grafia
deu margens a interpretações diversas, sendo, portanto,
necessários uma melhor sistematização da norma para um
melhor entendimento sobre a matéria.
Os regimes de bens alocados pelo Novo Código
Civil mantiveram-se parcialmente inalterados, ou seja, o
regime da comunhão parcial, da separação e da comunhão
universal de bens, salvo a exceção do regime dotal que fora
41
substituído pelo regime da participação final dos aqüestos,
que muitos doutrinadores entendem como sendo um regime
híbrido, por cumular duas formas de regimes implícitas em
sua essência, tais como a separação de bens e a comunhão
parcial de bens (participação final nos aqüestos nos casos de
dissolução da sociedade conjugal).
A vocação hereditária é o ato pelo qual alguém é
chamado a receber uma herança ou parte dela, observando
a ordem legal estipulada pelo Código Civil, no art. 1829 e
incisos. Quanto à nova ordem estipulada pelo Novo Código
Civil, o cônjuge saiu da terceira posição, para concorrer
diretamente com os descendentes, dependendo do regime
de bens adotado e com os ascendentes, neste caso
independerá do regime de bens adotado pelos cônjuges.
E, por final a reserva da quarta parte dada ao
cônjuge supérstite. Neste momento houve uma omissão do
legislador que pecou quando não atribuiu a quota parte para
os casos onde o cônjuge concorre simultaneamente com os
42
filhos em comum com os filhos exclusivos do autor da
herança.
Assim, entendemos que pelo princípio
constitucional estipulado no artigo 227, § 6° da Carta Magna
e do artigo 20 do Estatuto da Criança e do Adolescente,
nenhuma distinção poderá ser feita em relação aos filhos,
sendo eles legítimos ou não, devendo, para tanto, aplicar a
mesma quarta parte a qual se refere o art. 1.832 do Código
Civil, para os casos considerados como híbridos, i.e.,
cônjuges concorrendo com filhos comuns e com filhos
exclusivos do autor da herança, conforme salienta a
professara Giselda Hironaka.
43
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48

ii

Edição do Autor 2007

A SUCESSÃO DO CÔNJUGE EM CONCORRÊNCIA COM
OS

DESCENDENTES DO FALECIDO, DE ACORDO COM O CÓDIGO DE 2002

iii

MARCELO MACIEL MARTINS
ADVOGADO

A SUCESSÃO DO CÔNJUGE EM CONCORRÊNCIA COM OS DESCENDENTES DO FALECIDO, DE ACORDO COM O CÓDIGO DE 2002

1ª EDIÇÃO

RIO DE JANEIRO EDIÇÃO DO AUTOR 2007

iv

Copyright © by Marcelo Maciel Martins

Produção Editorial Marcelo Maciel Martins

É proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos autorais constitui crime *Código Penal, art. 184, §§, e Lei n° 6.895, de 17/12/1980, sujeitando-se a busca e apreensão e indenizações diversas (Lei n° 9.610/98).

CIP – Brasil. Catalogação-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ. MARTINS. Marcelo Maciel. A sucessão do cônjuge em concorrência com os descendentes do falecido, de acordo com o Código de 2002. – 1.ed. – Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2007. 50p. ; 14 cm x 21cm ISBN 978-85-907605-1-1 1. Direito de Família. I – Regime de Bens. II – Vocação Hereditária. III – Concorrência.

CDU -34

artigos.adv@gmail. jurisprudência e ao conhecimento de colegas que militam incansavelmente .br (21) 7811-9528 / (21) 9316-1272 / (21) 3555-3409 Impresso no Brasil Printed in Brazil O surgimento deste trabalhado ocorreu em momento em que buscava elucidações acerca da nova dinâmica da sistemática sucessória hereditária.com / macielmartins@ig. Assim. recorri aos meus preciosos livros.v Todos os direitos desta edição estão reservados à Marcelo Maciel Martins macielmartins.com.

Para a realização do trabalho foi necessária a análise de autores como Giselda Hironaka. a que dedico este estudo. e também. a minha querida família (Carla e Miguelzinho) pelas concessões feitas em razão da minha ausência. Sílvio Venosa. A SUCESSÃO DO CÔNJUGE EM CONCORRÊNCIA COM OS DESCENDENTES DO FALECIDO. . DE ACORDO COM O CÓDIGO DE 2002 RESUMO O objeto deste trabalho é a discussão sobre a concorrência do cônjuge com os descendentes do autor da herança no que concerne à universalidade de bens por ele deixado e o seu objetivo é produzir uma investigação sobre o novo instituto da concorrência sucessória e sua aplicação nos diferentes tipos de regimes de bens adotados pelos cônjuges.vi nesta seara.

que a inovação terá ainda . Cláudia Nogueira entre outros. Maria Berenice Dias.vii Ricardo Fiúza. Finalizam. em sua maioria. que colocaram o tema em situação de destaque dando uma correta aplicação à inovação trazida pelo Código Civil de 2002.

autor da herança. cônjuge. e pelas diversas interpretações dada em relação à concorrência do cônjuge supérstite aos bens deixados pelo autor da herança. Palavras-chaves: sucessão. em suas variadas esferas. tendo em vista a omissão dada pelo Legislador. regime de bens.viii que passar pelo crivo do Judiciário. . descendentes.

32 4. Do Regime da Comunhão Universal de Bens. 23 2. 20 1. Da Ordem de Vocação Hereditária. vii Introdução. 13 1.1.4. Dos Casos de Reserva da Quarta Parte ao Cônjuge. 28 3. 39 5. Da Concorrência entre Cônjuge e Herdeiros. Do Regime da Comunhão Parcial de Bens. Do Regime da Participação Final nos Aqüestos. 46 . 18 1.1. Da Vocação Hereditária.9 SUMÁRIO Dedicatória. Dos Regimes de Bens. Do Regime da Separação Convencional de Bens e Da Separação Obrigatória de Bens.2. 11 1. Considerações Finais. 26 2. 15 1.3. v Resumo. 43 Referências Bibliográficas.

O cônjuge aparece neste novo ordenamento como herdeiro necessário e também como concorrente dos descendentes e ascendentes. que na qual é uma grande evolução adotada pelo Código de 2002. dispondo uma nova ordem para aqueles que se colocam na condição de herdeiros necessários. sinais de pontuação que geraram interpretações diversas daquela que o legislador gostaria que produzisse ao seu destinatário. Neste trabalho será abordado.10 INTRODUÇÃO O Novo Código Civil trouxe importantes inovações para o segmento sucessões.829. inciso I. recai sobre o artigo 1. talvez desnecessário ou em local equivocado. sem a intenção de esgotar o assunto. A sistemática sucessória a ser discutida. que em sua dialética trouxe o emprego de. sobre os regimes de bens adotados pelo . de forma individualizada.

falar-se-á sobre a vocação hereditária. abordando-a para cada tipo de regime de bens. A inovação sobre o novo instituto da concorrência. Mais adiante.11 Código Civil. bem como a ordem que se estabelece para aqueles que são convocados a assumirem seus quinhões diante dos bens deixados pelo autor da herança. pois o tipo de regime é que irá definir a existência ou não da concorrência. voltada para os cônjuges. . em matéria sucessória. indicando o não aproveitamento do regime dotal e a inserção do regime de participação final nos aqüestos. Os casos da reserva da quarta parte para o cônjuge que possui filhos em comuns com o autor da herança e a omissão legislativa sobre o piso da herança para os casos de concorrência do cônjuge com os filhos exclusivos do falecido.

Sílvio de Salvo. se faz necessário que adentremos na explanação dos regimes de bens. Direito Civil : Direito de Família. 1829. p. pode-se afirmar que esse regime. que é uma conseqüência jurídica decorrente do casamento1. que será mais adiante explanado. A finalidade de um regime de bem é preceituar a forma e a maneira de que como serão tratados os bens dos cônjuges após a celebração do casamento. São Paulo : Atlas. inciso I do Código Civil. A Lei de ritos civis determina a aplicação de um determinado regime de bens. DOS REGIMES DE BENS Ao iniciarmos a realização do presente trabalho. deixe de ser aplicado. tendo em vista as suas diferentes aplicações e resultados que podem ser produzidas no mundo jurídico. 3 ed.169. conhecido como regime legal. Assim. que se encontram preceituados no art. caso os nubentes VENOSA. 2003.12 1. 1 .

667 a 1. sob pena de ser considerado nulo.671. regulado nos artigos 1. i.687 a 1.688. caso os nubentes resolvam em não celebrar uma convenção quanto ao regime de bens ou a que foi celebrada foi considerada nula.666. por não preencher os requisitos legais.. regime da separação de bens regulado nos artigos 1.13 venham a realizar o Pacto Antenupcial. regime da comunhão universal de bens regulado nos artigos 1.658 a 1. e por fim o regime 2 Foi o regime legal até a edição da Lei n° 6. os regimes de bens eram ordenados da seguinte forma. a saber: comunhão universal de bens2. o regime de bem adotado será o legal. Contudo. separação de bens e comunhão parcial de bens e o dotal. Já com a renovação da Lei de ritos civis em 2002. .e. No Código Civil de Beviláqua. que é celebrado de forma solene e por instrumento público. o regime da comunhão parcial de bens.515 de 26 de dezembro de 1977. os regimes de bens passaram a ser os seguintes: regime da comunhão parcial de bens.

não se comunicando com o outro cônjuge. O Referido regime é aquele em que os bens dos nubentes são preservados. quando adquiridos antes da celebração do casamento. salvo se os nubentes celebraram pacto antenupcial acordando a modificação do regime e a forma de que ficarão dispostas as questões patrimoniais. que a própria evolução dos tempos fez com que este tipo de regime perdesse a sua utilização em nosso país3. . Do Regime da Comunhão Parcial de Bens É o regime a ser aplicado por determinação legal. Op.672 a 1. Sílvio de Salvo. 3 VENOSA. Vale lembrar que o regime dotal não foi aproveitado pelo Novo Código Civil. por entenderem os legisladores pátrios. p.686. 171. Cit. 1. ou seja.14 da participação final dos aqüestos regulado nos artigos 1.1. na sua titularidade. Direito Civil : Direito de Família.

1.15 Já os bens amealhados na constância do casamento serão partilhados em igual forma. i. 5 Idem. Assim. comunicam-se os bens que DIAS. dividindo-se a titularidade do mesmo. Ibdem. O comentário feito pela Ilustre Des. em algumas situações.658 do Código Civil dispõe que “no regime de comunhão parcial. São Paulo : Revista dos Tribunais. o que é teu é teu e o que é nosso. como ocorre em algumas situações. 4 ed. por entender que houve o esforço comum entre os cônjuges.e. Maria Berenice. na relação sem nenhum bem. salvo se não houver uma separação de fato e um dos cônjuges possa comprovar que a aquisição do bem não houve o empenho do outro cônjuge. 218.. 4 . Maria Berenice Dias demonstra que essência do regime é o de não enriquecimento sem causa para um dos cônjuges que chega. p. 2007. o que é meu é meu. Manual de Direito de Famílias. O art. metade de um4. poderíamos dizer que o regime da comunhão parcial seria aquele que trata a separação total dos bens quanto ao passado e a comunhão em relação ao futuro5.

ainda que só em nome de um dos cônjuges.os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. 1. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento. . 1660 e incisos do Código Civil de 20026. meios-soldos. percebidos na constância do casamento. Excluem-se da comunhão: I . II .os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso. 7 Art.os frutos dos bens comuns.os bens que cada cônjuge possuir ao casar. 1. V . com exceções dos artigos seguintes”. V . e os que lhe sobrevierem.os bens adquiridos por doação. 6 Art. VII . salvo reversão em proveito do casal. há situações em que o patrimônio do cônjuge não se comunicará no caso de término da vida em comum. Entretanto. Contudo. conforme se estabelece no art.660. III . IV .os bens de uso pessoal. ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão.as obrigações anteriores ao casamento. herança ou legado.os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares. por doação ou sucessão. VI . na constância do casamento. ou dos particulares de cada cônjuge.os bens adquiridos por fato eventual. II . e os sub-rogados em seu lugar. montepios e outras rendas semelhantes. ficando excluído da partilha7 e 8.661.659. 1. IV . em favor de ambos os cônjuges.as obrigações provenientes de atos ilícitos. a lei disporá quais as circunstâncias em que os bens integrarão o patrimônio comum dos cônjuges. os livros e instrumentos de profissão. com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior. III . Entram na comunhão: I . 8 Art.16 sobrevierem ao casal na constância do casamento.as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge.as pensões.

515 de 26 de dezembro de 1977. mesmo que os bens adquiridos não tenha havido o esforço daquele meeiro. alterando o atual regime legal. Neste tipo de regime os cônjuges tornam-se meeiros de todo o acervo patrimonial do outro. a comunicação de todos os bens adquiridos antes como depois da celebração do casamento. para o emprego desse regime. i. O presente regime consiste em dar. Do Regime da Comunhão Universal de Bens Foi o regime considerado como “legal” até o advento da Lei de n° 6. aos cônjuges. preconizado pelo Código Civil de Beviláqua. bem como as dívidas.2. . é necessário que os cônjuges celebrem o pacto antenupcial.e.17 1. Atualmente.¸ comunhão parcial de bens. salvos algumas exceções.

1. 1668 e incisos9. 1671 do Código Civil10.668. 1. . 1. pelo testador.671. de cada um.as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade. conforme dispõe o art.os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário.848 e 1. conforme estabelece o art.Os bens referidos nos incisos V a VII do art. III . (são bens transmitidos com cláusula restritiva para que não se comuniquem – art.as dívidas anteriores ao casamento. para responder pelos bens que irão ser recebidos. onde os cônjuges. Extinta a comunhão. Nota-se que a comunhão não será apenas de bens. na separação. 10 Art. e efetuada a divisão do ativo e do passivo. 1. salvo se provierem de despesas com seus aprestos.659. antes de realizada a condição suspensiva. II . mas também de interesses.os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os subrogados em seu lugar. com possíveis credores. 9 Art. também há situações em que certos bens ficam excluídos da meação. assim. São excluídos da comunhão: I . quando na sua morte. (fideicomissário é aquele que é instituído.911). o regime da comunhão universal. V . cessará a responsabilidade de cada um dos cônjuges para com os credores do outro. deverão efetuar a divisão de todo o acervo ativo e passivo. pelo fiduciário). ou reverterem em proveito comum.18 Sendo. cessando a responsabilidade. IV .

Mister se faz demonstrar a distinção entre o regime da separação convencional de bens do regime da separação obrigatória de bens. livremente. para os caos de separação obrigatória de bens. a utilização do pacto antenupcial só poderá ser aplicado no caso de separação de bens. onde os nubentes optarão pela incomunicabilidade total dos bens. o que não ocorre com a separação obrigatória. os nubentes podem convencionar. por meio do pacto antenupcial.3. Do Regime da Separação Convencional de bens e Da Separação Obrigatória de Bens O presente regime é tratado pelo Novo Código Civil nos artigos 1. Para o regime da separação convencional de bens.19 1. Já na separação obrigatória de bens o regime é imposto pela . a separação total dos bens ou somente quanto à administração dos bens adquiridos a título oneroso. Neste regime. e nos artigos 1687 e 1688 para os casos de separação convencional de bens.641.

de ordem doméstica. p. Art. na DIAS. Neste regime. como um todo. inciso I do Código de Processo Civil11. Maria Berenice. 11 12 .688. 1. Manual de Direito de Famílias. não podendo os nubentes convencionar de modo contrário. conforme preceitua diversamente o art. § 1°. 227. bem como a manutenção da família12. Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens. Para não dizer que neste tipo de regime nada se comunicam.20 norma. no presente como no futuro não se comunicam. os recaindo em a seu responsabilidade para ambos cônjuges pagamento. na sua dissolução. Cada um dos cônjuges conserva a autonomia inerente a cada bem. nem durante o casamento ou depois dele. as despesas ou empréstimos contraídos. É importante também mencionar que nas ações que envolvam bens imobiliários o cônjuge casado neste regime não lhe será exigido a sua presença na demanda. 10. serão comunicados. seja ativa ou passivamente. Op. salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial. o patrimônio adquirido tanto no passado. Cit.

15 No regime da separação legal de bens comunicam-se os adquiridos na constância do casamento.64313 e 1. tendo havido esforço em comum ou não dos cônjuges16. pois. 1.644. Op. não será gerado o enriquecimento injustificado para qualquer um dos cônjuges. Podem os cônjuges. no afã de socorrer a omissão do legislador na confecção do novo Código quanto ao regime da separação obrigatória editou o Verbete de Súmula n° 37715.obter. e dizendo que somente os aqüestos serão comunicados por terem sido adquiridos na constância do casamento. p. O Supremo Tribunal Federal. salvo se a aquisição do bem for não ocorrer durante o casamento. 1.21 proporção de contribuição de cada um. 13 Art. Manual de Direito de Famílias. o esforço em comum é presumido. as coisas necessárias à economia doméstica.comprar. ainda a crédito. . as quantias que a aquisição dessas coisas possa exigir. Cit. II . Assim. por empréstimo.643.64414 do novo Codex. A Súmula surge ao meio da restrição da autonomia de vontade. conforme estabelece os artigos 1. As dívidas contraídas para os fins do artigo antecedente obrigam solidariamente ambos os cônjuges. independentemente de autorização um do outro: I . 16 DIAS. 232. imposta pelo legislador em mera reprodução do Código de Beviláqua. Maria Berenice. 14 Art.

Do Regime da Participação Final nos Aqüestos O referido regime é uma inovação do novo Código Civil. . verificamos que a estrutura do regime é de grande complexidade. ser regido por um pacto antenupcial. o regime é preceituado pelo art. que assumiu o lugar do antigo e arcaico regime dotal do Código de Beviláqua. a quem sustente que a referida Súmula apresenta uma grande incongruência. Para certos doutrinadores17.672. o regime de participação final nos aqüestos é um regime híbrido 18e misto de difícil compreensão. Quando se procura realizar uma leitura dos dispositivos. pois. devendo para isso ser revogada.4. 1. Silvo de Salvo Venosa e Maria Berenice Dias. No Código Civil. inclusive. gerando certas inseguranças e incertezas. podendo. 1.22 Entretanto. se estendendo até ao artigo 1. diverge do tipo imposto pela Lei. além de que os cônjuges 17 18 Desembargadora Maria Berenice Dias.686.

serão apurados e divididos pela metade para cada um dos cônjuges. Nelson. bem como o patrimônio adquirido na constância do casamento passa a integrar ao monte daquele que o adquiriu19. o acervo dos aqüestos que serão partilhados na dissolução da sociedade conjugal são aqueles bens próprios adquiridos NERY JUNIOR. 743. ou seja. 2003. p. a título oneroso.23 deverão. se municiar de um forte esquema contábil para manter uma correta divisão do patrimônio em uma eventual dissolução. todos os bens adquiridos na constância do casamento. os sub-rogados. Código Civil Anotado e Legislação Extravagante. Assim. 19 . Entretanto. os recebidos por doação ou herança e aqueles que são adquiridos em comum pelo casal. cada um administra os seus próprios bens. vivem em verdadeira separação de bens. Rosa Maria de Andrade. NERY. os cônjuges durante o casamento. no regime de participação final dos aqüestos. no momento da dissolução da sociedade conjugal. ao longo do casamento. Neste regime há bens que são adquiridos de forma particular. ou seja. São Paulo: Revista dos Tribunais.

Logo. Giselda Maria Fernandes Novaes. maio 2003. Acesso em: 21 out. Op.24 unicamente pelo cônjuge na constância do casamento. como regime de separação de bens20. mais os bens que foram adquiridos com o esforço em comum. em conjunto pelos cônjuges.uol. Sílvio de Salvo. ou seja. e na sua dissolução assume a postura de regime da comunhão parcial de bens21 ou comunhão nos aqüestos22.com. 22 VENOSA. Direito Civil : Direito de Família. A grande vantagem deste regime é que não há discussão patrimonial durante o casamento. Cit. ano 7. Teresina.asp?id=4095>. 20 . é um regime que funciona.br/doutrina/texto. 191. Casamento e regime de bens. onde a autonomia patrimonial dos cônjuges é latente. 21 HIRONAKA. 65. p. n. no decurso da sociedade conjugal. 2007. Disponível em: <http://jus2. Jus Navigandi.

pois. observando a ordem legal estipulada pelo Código Civil. melhor dizendo. mas precisamente no Direito Romano. .25 2. ficando completamente excluída as mulheres e demais irmãos. 5° da CFRB de 1988. se houvesse. todos serão iguais diante da Lei. os homens e primogênitos. tal desigualdade não mais existe. no que concerne ao direito de herança eram chamados para exercer a posição de predominante herdeiro. 1829 e incisos. no art. convocação legal é o ato pelo qual alguém é chamado a receber uma herança ou parte dela. a vocação ou. No direito pátrio constitucional. DA VOCAÇÃO HEREDITÁRIA No passado. Assim. conforme preconiza o art.

São Paulo : Saraiva. 1829. em concorrência do cônjuge sobrevivente. 1. que tem de ser rigidamente obedecida. BGB.. observando o inciso I do art. a vocação pode se insurgir somente em parte da herança.839). Não existindo parentes em linha reta. 9° tiragem. art. nem ascendentes. p. o cônjuge sobrevivente herda sozinho. não se admitindo desvios ou saltos.829). Finalmente. (Coord. em concorrência com o cônjuge (inciso II do art. 1930). 23 . conforme preleciona Ricardo Fiúza23. se não houver parentes na linha reta. são chamados a herança os colaterais.26 Na ordem de vocação hereditária serão convocados os herdeiros que se encontram estatuídos no art. in verbis: Trata-se de uma ordem de preferência. inciso I. 1647. 1. Novo Código Civil Comentado. nem cônjuge sobrevivente. 1 ed.829. não deixando o falecido descendentes. Os descendentes são chamados em primeiro lugar. tendo em vista que o indivíduo poderá FIUZA. Geral). isto é. são convocados os ascendentes. Não havendo nenhum descendente. Contudo. 2003. Um parente jamais será chamado à sucessão se existe outro de classe precedente (Cf. até o quarto grau (art. Ricardo. 1.

no regime da comunhão parcial. IV . 1. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I .829. de seus bens por intermédio do testamento. parágrafo único). . ou no da separação obrigatória de bens (art.829 do Código Civil a ordem seqüencial na vocação hereditária.640. II . de parte. como se segue. em concorrência com o cônjuge. o autor da herança não houver deixado bens particulares. III .ao cônjuge sobrevivente. Da Ordem de Vocação Hereditária Estabelece o artigo 1.aos colaterais. salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal.aos descendentes.1. 1.aos ascendentes. em concorrência com o cônjuge sobrevivente. que deverá obedecer aos requisitos imposto pela Lei.27 dispor. 2. in verbis: Art. ou se.

de seus bens. pois na abertura da sucessão são os primeiros a serem chamados. ou seja. mesmo existindo ascendentes.28 Cabe mencionar que com a edição do Novo Código Civil. o cônjuge sobrevivente passou a categoria de herdeiro necessário. sua parte na herança fica resguardada. o cônjuge supérstite não será considerado como herdeiro do falecido. é.830 do Código Civil.041 do Código de Beviláqua. as sucessões abertas antes de sua vigência deverão ser tratadas pelo antigo diploma. Com o advento do Código de 2002. 2. como o próprio nome diz. ao analisar o dispositivo verifica-se que os descendentes ocupam o topo da pirâmide. O cônjuge sobrevivente. Assim. ou em uma das hipóteses do artigo 1. também conhecido como supérstite. art. Lembrando que. . Por serem herdeiros necessários. da parte permissível. mesmo que o autor da herança disponha. aquele que sobreviveu e que não se encontrava separado. em certos casos. no momento da morte. também conhecida como legítima.

Na sucessão por estirpe. serão chamados os netos. mas também os netos. Nestes casos a sucessão se dará por cabeça ou estirpe. obedecendo ao grau hierárquico. não havendo os netos. Assim. Poderá. se do mesmo grau. em partes iguais¸ v. o montante é dividido por linhagem do falecido. a herança será dividida em partes iguais. No caso de não haverem filhos vivos do falecido. ainda. com os filhos em comum ou só com os filhos do falecido. deixando o falecido 2 (dois) filhos sendo 1 (um) pré-morto com 3 (três) netos. . dependendo do regime de casamento empregado. vale lembrar que não são somente os filhos. de diferentes graus. pois todos são descendentes. todos sucedendo por cabeça.g. haver descendentes. enquanto a outra parte da herança irá para o filho vivo.29 concorrendo. em alguns casos. os bisnetos e assim sucessivamente.. a parte que tocaria ao pré-morto será dividida em partes iguais entre os netos.

aqueles parentes até o 4° (quarto) grau. 1. dos descendentes. excetuando os casos da participação na concorrência do inciso I do art.30 Quando ocorrer a falta dos ascendentes e descendentes do falecido.829 ou no caso de concorrer com os descendentes do falecido na proporção de 1/3 da herança. e do cônjuge herdam aqueles chamados de colaterais. caso haja 2 (dois) ascendentes de primeiro grau. Na falta dos ascendentes. surge a figura do cônjuge que receberá a integralidade da herança. se houver 1 (um) ascendente de primeiro grau lhe tocará a metade e nos casos de haver 1 (um) ou mais ascendentes de segundo grau receberá também a metade da herança. o cônjuge concorrerá com os ascendentes do falecido. é importante mencionar que qualquer que for o regime de bens. . ou seja. lhe será tocado 1/3 da herança. Contudo.

é importante salientar que o cônjuge.845. passou a categoria de herdeiro necessário24 do falecido concorrendo diretamente com os descendentes ou com os ascendentes. Isto demonstra a inovação do Novo Código. DA CONCORRÊNCIA ENTRE CÔNJUGE E HERDEIROS Antes de adentrarmos neste ponto. São herdeiros necessários os descendentes.31 3. o cônjuge supérstite não se encontrava separado judicialmente ou separado de fato do falecido por mais de dois anos. na falta daqueles. 1. os ascendentes e o cônjuge. 1830 do Código Civil que o cônjuge só preencherá a condição de herdeiro se na época da abertura da sucessão. . Preceitua o art. pois. pelo Código de Beviláqua o cônjuge ocupava a terceira posição na escala sucessória. – Sendo herdeiro necessário terá resguardada a sua legítima. com o advento do Novo Código Civil. salvo se comprovado pelo sobrevivente que a separação de deu por culpa exclusiva do 24 Art.

tendo em vista que o falecido não está aqui para se defender.32 falecido. o regime da comunhão parcial. inciso I. a concorrência se dará se o regime for o da separação convencional de bens. verifica-se que o cônjuge concorre primeiramente com os descendentes. ou ainda. a concorrência do cônjuge se dará somente quando o falecido houver deixado bens Art. ou seja. 1.640. até pela falta de desconhecimento das pessoas. Analisando o artigo 1829. Na comunhão parcial de bens. ou sendo ela nula ou ineficaz. 25 . que continua sendo o regime legal25 e o mais usual. se houverem bens particulares. Não havendo convenção. Passemos a analise de cada regime. da comunhão parcial de bens. e por final o regime de participação final nos aqüestos. dependendo do regime de bens. vigorará. quanto aos bens entre os cônjuges. que é quase impossível de se comprovar.

na constância do casamento. III . e os sub-rogados em seu lugar. Bens particulares são aqueles. 27 SANTOS. No caso de o autor da herança.aspx?codigo=77> Acesso em: 23. IV .ibdfam.as obrigações anteriores ao casamento. Imagine-se. o cônjuge supérstite não participará como concorrente. por doação ou sucessão. primeiramente. não trouxe nenhum bem para o casamento.com.. Publicado em 31/03/2003. e os que lhe sobrevierem. também. in littare: Um singelo exemplo ajudará a compreender as dificuldades possíveis. 2007. conhecidos de bens não comunicáveis. 1.os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares. aqueles bens que foram trazidos para o casamento sem a participação do cônjuge supérstite.661. 1.as obrigações provenientes de atos ilícitos. out. 26 .g. Disponível em: <http://www. Excluem-se da comunhão: I . IBDFAM. salvo reversão em proveito do casal. ou seja. Luiz Felipe Brasil. faz-se mister reproduzir o exemplo dado pelo Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. não haver deixado bens particulares. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento. II .br/Public/artigos. Para ilustrar a temática. A Sucessão dos Cônjuges no Novo Código Civil. Luiz Felipe Brasil dos Santos em seu artigo27.33 particulares26.659. conforme preceitua os artigo abaixo: Art. mais sim como meeira.os bens que cada cônjuge possuir ao casar. v. Art.

a metade de todos os bens deixados pelo “de cujus”.500. que passa de R$ 49. – além de sua meação sobre o apartamento (R$ 49.00. o cônjuge em concorrerá de com o descendente.000. ficando o filho com R$ 25. Nessa hipótese. existindo bem particular. mais R$ 25. Como se vê desse exemplo. a mulher não concorrerá com o filho.500. cujo único patrimônio seja constituído pelo apartamento onde reside (no valor de R$ 99. no caso. Nesse caso.500. aumentando desproporcionalmente o valor que lhe caberá. constitui bem particular (art. faz com que surja o direito do cônjuge de concorrer com o descendente.00).000. e não havendo bens particulares. agora. além desse apartamento.000. no valor de 1% do total dos bens). a simples existência de uma bicicleta (na condição de bem particular.00) adquirido na constância do casamento. a R$ 75. II).00 (na primeira situação. que.00) – a título de herança. com um filho. ou seja. a R$ 49.00. o autor da herança fosse proprietário de uma bicicleta (no valor de R$ 1. que. igualdade condições. 1. por ter sido adquirida em sub-rogação de um bem préexistente ao casamento.00).00. portanto.000. em . recebendo.34 a situação de um casal. falecendo o varão. O total dos bens que caberão ao cônjuge sobrevivente (meação + quinhão hereditário) corresponderá.500. recebendo apenas sua meação (correspondente.659. Admitamos. neste segundo caso.

a distribuição dos percentuais ficará desproporcional. bens não comunicáveis (particulares).00 (na segunda situação. definirá a condição de herdeiro concorrente do cônjuge sobre o total da herança deixa pelo de cujus. em virtude de um objeto de tão irrisório valor. o cônjuge também irá concorrer com os herdeiros do autor da herança. onde. Já no regime da participação final dos aqüestos. por se um regime híbrido. ambos os cônjuges possuem autonomia sobres os bens adquiridos na constância do . caso o pacto antenupcial tenha previsto alguma cláusula específica que venha contemplar a participação daquele cônjuge em algum bem específico ou sobre um determinado bem adquirido sem o esforço em comum. ou seja. trazida pelo autor da herança. por existir bem particular.000. percebe-se que a existência de uma simples bicicleta. No regime da separação convencional de bens. ou seja. concorre com o descendente)! Assim.35 que recebe apenas a meação) para R$ 75.

que visa alterar condições determinadas pelo regime legal. onde todos os bens adquiridos pelo esforço próprio e os de comum esforço. ou. para em seguida determinar qual a participação do herdeiro cônjuge nos bens do autor da herança.36 casamento. i. Assim. conclui-se que a sua presença. são partilhados. durante o casamento o regime dos cônjuges se assemelha ao da separação de bens. . Como o Código Civil permite aos nubentes a celebração do pacto antenupcial. excetuando-se aqueles bens não comunicáveis. seja quanto os seus bens. não sendo um daqueles previstos pelo artigo 1829.. só sendo alterado quando da dissolução da sociedade conjugal. a escolha de um outro tipo de regime. inciso I. havendo a abertura de sucessão de um dos cônjuges casado por este regime. ainda. sempre ensejará ao cônjuge a condição de concorrente com os descendentes. deverá ser verificado se há a existência de bens não comunicáveis ou não.e.

sem bens não comunicáveis. pois houve o esforço em comunhão do casal. 28 . pela sua simples condição. a participação nos referidos bens deixados será apenas de meeiro(a). assim. Evitando. separação obrigatória de bens28 e comunhão parcial de bens. devendo estes serem partilhados. os bens adquiridos na constância do casamento. serão considerados como bens comunicáveis. o enriquecimento ilícito de um das partes. O Verbete de Súmula n° 377 do STF diz que no regime da separação legal de bens.37 Se o cônjuge for casado com o autor da herança pelo regime da comunhão universal. não podendo participar da herança deixada.

por ser considerada a parte mínima que é garantido ao cônjuge. .. no mínimo. DOS CASOS DE RESERVA DA QUARTA PARTE AO CÔNJUGE Neste ponto. sendo o restante dividido em partes iguais com os filhos comuns. o cônjuge sobrevivente herdará como se fosse um filho. pois o cônjuge teve tratamento privilegiado quando recebeu uma “quota” mínima caso venha concorrer com os descendentes comuns com o autor da herança. o Código Civil inovou mais uma vez. i. desaparece por completo. Quando o cônjuge concorre com os descendentes exclusivos do autor da herança.g.. O piso da herança. dando o lugar à divisão igualitária entre os herdeiros.e. a quarta parte da herança. havendo mais de três descendentes e todos comuns.38 4. a regra imposta pelo quarto da herança. v. o cônjuge receberá.

2003. o montante deverá ser dividido em seis partes iguais.832 do Código Civil ter concedido esse benefício ao cônjuge sempre que ele “for ascendente dos herdeiros com que concorrer”. 226. Segundo a orientação da professora Giselda Hironaka29. Do Direito das Sucessões. 29 . Nota-se que o novo Código Civil não exigiu para a concessão desse direito. São Paulo: Saraiva. p.39 havendo cinco filhos exclusivos do falecido. o legislador não se manifestou quanto à existência de filhos comuns e filhos exclusivos do autor da herança. ocorre pelo fato do artigo 1. Assim. haveria o cônjuge o direito a quarta parte dos bens deixados pelo autor da herança se viesse a concorrer com os descendentes comuns e os descendentes exclusivos do falecido. que por ela é chamada de híbrida. tendo em vista que já havia tratado dos filhos comuns e dos filhos exclusivos do autor da herança. Giselda Maria Fernandes Novaes. Comentários ao Código Civil. esta situação. que o cônjuge sobrevivente fosse HIRONAKA. perdendo uma grande oportunidade de tratar sobre o referido assunto. Porém.

É dever da família. havidos ou não da relação do casamento. Principio da não distinção entre filhos consangüíneos e adotivos: Art. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. havidos ou não da relação do casamento. Analisando. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. o direito à vida. Os filhos. ou por adoção. o cônjuge sobrevivente também deverá receber a quarta parte dos bens deixados pelo autor da herança. a concorrência do cônjuge supérstite com os filhos comuns e. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. violência. ou por adoção.40 ascendente de todos os herdeiros. discriminação. conclui-se. que garante aos filhos qualquer tipo de indiscriminação que possa haver entre eles30. com absoluta prioridade. que ao cônjuge supérstite lhe seria dado ao direito de um quarto da herança. ECA.Os filhos. CF e Art. à profissionalização. pelo enfoque constitucional. ao respeito. Art. Art. ECA. 20. § 6º . à dignidade. com os filhos exclusivos do autor da herança. Assim. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. à cultura. à educação. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. à alimentação. nas situações tidas como híbridas. 30 . terão os mesmos direitos e qualificações. exploração. crueldade e opressão. terão os mesmos direitos e qualificações. 227. 227. a ausência da Lei para os casos tidos como híbridos. por uma interpretação literal da Lei. à saúde. cumulativamente. CFRB. tendo em vista o pressuposto da igualdade estabelecida pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e Adolescente. ou seja. ao lazer. § 6º. 20.

em sua grafia deu margens a interpretações diversas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a finalidade de concluir o presente trabalho. da separação e da comunhão universal de bens. poderemos dar os primeiros passos rumo ao verdadeiro entendimento da concorrência dos cônjuges com os descendentes e ascendentes. porém. o regime da comunhão parcial. pois. Os regimes de bens alocados pelo Novo Código Civil mantiveram-se parcialmente inalterados. salvo a exceção do regime dotal que fora . somente assim. verificou-se necessário abordar pontos vistos como essenciais para o discernimento da matéria. Verifica-se que o ordenamento jurídico produziu uma norma de caráter contemporânea. portanto.41 5. ou seja. necessários uma melhor sistematização da norma para um melhor entendimento sobre a matéria. sendo.

tais como a separação de bens e a comunhão parcial de bens (participação final nos aqüestos nos casos de dissolução da sociedade conjugal). observando a ordem legal estipulada pelo Código Civil. por final a reserva da quarta parte dada ao cônjuge supérstite. E. por cumular duas formas de regimes implícitas em sua essência.42 substituído pelo regime da participação final dos aqüestos. Quanto à nova ordem estipulada pelo Novo Código Civil. dependendo do regime de bens adotado e com os ascendentes. o cônjuge saiu da terceira posição. no art. neste caso independerá do regime de bens adotado pelos cônjuges. A vocação hereditária é o ato pelo qual alguém é chamado a receber uma herança ou parte dela. Neste momento houve uma omissão do legislador que pecou quando não atribuiu a quota parte para os casos onde o cônjuge concorre simultaneamente com os . para concorrer diretamente com os descendentes. que muitos doutrinadores entendem como sendo um regime híbrido. 1829 e incisos.

1..43 filhos em comum com os filhos exclusivos do autor da herança. sendo eles legítimos ou não.e. Assim. nenhuma distinção poderá ser feita em relação aos filhos. i. para os casos considerados como híbridos. aplicar a mesma quarta parte a qual se refere o art.832 do Código Civil. § 6° da Carta Magna e do artigo 20 do Estatuto da Criança e do Adolescente. entendemos que pelo princípio constitucional estipulado no artigo 227. para tanto. . devendo. conforme salienta a professara Giselda Hironaka. cônjuges concorrendo com filhos comuns e com filhos exclusivos do autor da herança.

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