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JOAO JOSE SADY Mestre em Direito do Trabalho pela PUG/SP. Professor de ical na Faculdade de Direito ‘da ide de Sao Francisco CURSO DE DIREITO SINDICAL ‘Sady, Joao José ‘Curso de diel lo: LT, 1998, sindieal / Joo José Sady. — Sao Pau: Bibliogratia, ISBN 85-7322-526-2 1. Sindicatos 2 legisiacao — Brasil indicatos — Brasil 3. Sindicatos — Leis, 98-3981 cDu-34:331.88(81) 24) indices pa logo sistematico: 4. Brasil: Leis: Sindioatos : Di '34:331.88(81 (084) (Cod. 1835.4) ©Todos os direitos reservados LE R EDITORA LTDA. ua Apa, 165 - CEP 01201-904 - Fone (011) 826-2788 - Fax (011) 826-9180 ‘S40 Paulo, SP - Brasil - wwyw.itr.com.br 1998, INDICE INTRODUGAO 0... . CAPITULO 1 —A presenca inguictante CAPITULO 2 — Sindicato como pessoa juridica. CAPITULO 3 — Os sindicatos como instrumento de poder ... CAPITULO 4 — A Doutrina do Dieta Sindnal e © problema do poder : CAPITULO 5 — Sindicatos e contlito econdmico .. CaPiTULo 6 — A regulagao do conflto.pela Ordem Juridica. CAPITULO 7 — Liberdade econdmiea e liberdade politica ... CAPITULO 8 — Sindicato como instrumento de resisténcia a OXPIOFAGAO ween CAPITULO 9 — O paulatino Teconhecimento da intiuigao CAPITULO 10 — A evolugao da ingtituigéo sindigato no cen- tro do capitalismo.. CAPITULO 11 — Sindicalismo no Brasil: os primérdios CAPITULO 12 — A matriz do sistema sindical brasileiro: 0 mo- delo corporativista .. CapiTULO 13 — A estrutura sindigal na fase do pés-guerra até 0 Golpe Militar de 1964 CAPITULO 14 — A estrutura sindical durante a ditadura mi tarde 1964/1985 CAPITULO 15 — Sistema de Rela¢ses'Coletivas de Trabalho no Brasi seh CAPITULO 16 — Poder Normative da Justiga do Trabalho CAPITULO 17 — Os limites do Poder Normativo... CAPITULO 18 — A fundagdo de sindicata.no regime da CF/68 CaPiTULO 19 — Categoria econémica e profissional CAPITULO 20 — Conceito de categoria na vigéncia da CF/88 16 19 22 25 29 32 35 39 42 44 47 50 53 86 60 63 67 CaPITULO 21 — Categoria e representagao CAPITULO 22 — Registro no 6rgao competente : o és CAPITULO 23 — Unicidade sindical - : A enue ne - a sindicatos e o problema da liberdade : Hs =O panorama couttndrio CAPITULO 26 — Conceito de iberdade negativa .... fe CaPiTULO 27 — Al. \gumas abordagens douttinari ma daliberdade sindieal ne Ogg Capi - a do si ITULO 28 — A protegao da Ordem Juridica a ago sindical 93 CapiTULO 29 — Direito & ago sindical e direito a disputa d a disputa do CAPITULO 30 — Liberdade sindical como fonte produtora 3 o Produtora de CAPITULO 31 — A estrutura corporativa e 0 futuro das rela. vi ges de trabalho....... 04 ees iTULO 32 — ‘As mudangas em marcha no mundo do tra- alho @ a proposta de desregulamentagao ... 104 Sarno 8 Substituigéo Processual ... samerromrnente 108 — Aevolu a 7 ore Sa shan ccna AP pi emma a fees Processual cAPma.o a6 Aavesituao processes Eranota CAPITULO 37 — A resisténcia a substi 0 5 l6gica endo, juridiea ne CAPITULO 38 — Direito de greve a CAPITULO 39 — Limites ao direito de greve Ea CaPiTULo 40 — Greve de servidores publicos sm CAPITULO 41 — Greve por motivos juridices...... = CAPITULO 42 — Greve inovadora.. a CAPITULO 43 — Grove de solidariedade...... fas CAPITULO 44 — Em conclusao . te BIBLIOGRAFIA..... a 131 6 INTRODUGAO (© fendmeno sindicato ocupa ¢ horizonte dos observadores gados ao mundo do trabalho, de uma forma lluminada pela questo filosética atinente ao problema da ‘a Ordem Ju- ridiea sempre permitiu amplas opgbes para a organizagao e a ativ dade das associagées, mas, os sindicatos, muito embora tidos pela Doutrina como constituindo uma espécie de tal género, foram enges- sados em rigidas regulamentagdes que vern se perpetuando ha pour co mais de meio século. : ‘Os que pugnaram pela Democragia @ formaram sua conscién- cia politica e juridica nos anos de resisiéncia a ditadura militar, acos- tumatam-se a pensar que o problema da liberdade sindical repumia- senna intervengao do Estado que limitava as possibilidades de esco- Ia de tais associagoes. ' Para tais combatentes, a caminhada para a restauragao demo- cratica, desaguava numa encruzilhada entre a reguiamentagao e a desregulamentagao. Ao aportar neste, destino, todavia, estes mes- mos agentes comegaram a perceber que o problema era mais com- plexo do que o cenério que vinha sendo descrito até ali em termos retéricos e emocionais. A verdadeira contradica0 estava eptre regulamentagao justa ou injusta. Entre intervengao do Estado adaquada aos interesses da so- ciedade, ou, contraria a tais interesses; Jab.colocagao parte de um problema e desembarca em outro:O primairoproblema esté.em que & Egencia sindicato tem de ser, necessariamatte, tratadaide forma dito rente pela Ordem Juridica, porque apresenta peculiaridade que a tor- ha radicalmente distinta das demais espécies do génerovassociagao. Este 6 0 ponto de partida. Os sinditatés sao organizacdes erigidas com 0 intuito de construir uma fonte de poder que preten- de originar normas gerais de carater abstrato, obtidas @ aplicadas Gtravés da coagao contra outros agentes que operam dentro da mesma sociedade. Em fungao de tal finalidade, entram em conflito fom a norma basica do estado democratico, na medida em que intentam tornar-se em fontes de Direito, num regime.onde se pres supde que a Unica fonte de Direito o Estado: E mais: num regime 7 oeconomicus”. Assimila todo homem ao comerciante e constr6i para todos os homens um Direito que é adequado apenas aos comercian- tes, Cifram-se no conoeito de pessoa, a igualdade juridica, a liberda- de de ser proprietario, igual para todos, e a liberdade igual de contra- tagao; mas, na realidade, a liberdade de ser proprietario se converte nas maos do mais forte em uma liberdade para dispor de coisas e ‘em uma liberdade para dispor de homens, pois quem manda sobre (0 meios de produgao tem nas maos a sorte dos trabalhadores” Apenas introduzindo no Ordenamento a possibilidade de com- pensar tais desigualdades, é que o Direito contribuiré para construir um mundo mais justo e fraterno. Nesta caminhada, a instituigao da legitimagao extraordinaria aos sindicatos seria mais um passo em diregao & verdadeira Justiga. 118 CAPITULO 38 DIREITO DE GREVE © diteito positivo define como legitimo exercicio de direito de greve “a suspensao coletiva, temporaria e pacifica, parcial ou total, de prestagao pessoal de servicos a empregador’ (artigo 2° da Lei n. 7.783/89). Advirta-se, contudo, que em vozes doutrindrias, faz-se a restrigdo para apontar que ‘em sentido sociolégico descritivo é insu- ficiente definir a greve como uma simples paralisagao de trabalho coletivo. A realidade social 6 muito mais rica. Por greve, deve-se en- tender, em sentido amplo, qualquer perturbagao no processo produ- tivo, cam abstengao tempordria do trabalho ou sem ela™™ Esta amplitude, todavia, é objeto de controvérsia em doutrina onde outras vertentes tendem a denominar como coalizao ou autotu- tela, as outras formas de pressao no conflito coletivo de trabalho que nao’sejam a paralisagao do trabalho, Tal direito & exercido mediante decisao dos trabalhadores ma- nifestada em assembléia do sindicato. A lei no exige formalidades especificas para tal deliberacao que sao tidas como problema inter- na corporis do sindicato. As exigéncias cabiveis so aquelas estipu- ladas nos estatutos da entidade, mas, somente podem ser arguidas por associados, razo pela quai, o destespeito 8s mesmas nao in- duz & abusividade da greve A greve é recurso a ser utilizado ante o impasse em alguma negoviagao. Assim, os trabalhadores néo podem langar mao de tal direito sem ter antes, dado noticia ao empregador quanto as reivindi- cages pretendidas. Inatendidas as reivindicagées formuladas, os assalariados po- dem cessar 0 trabalho, mas, devem, antes, notificar 0 empregador "© Lépez-Monis, Carlos.“O Direito de Greve. Experiéncias Internacionais e Doutrina da OIT", LTr Edit, 1986, pag. 11 119 quanto a tal intengao, com a anterioridade de 48 horas nas ativida- des comuns e de 72 horas nas atividades essenciais. Nestas, além disto, é necessdrio pré-avisar os usudrios em idéntico prazo. Durante a greve, nos servicos comuns, os trabalhadores so obrigados apenas a manter em funcionamento aqueles servigos de “cuja paralisagao resultem em prejuizo irreparavel pela deterioragao irreversivel de bens e equipamentos, bem como manutengao daque- les essenciais a retomada das atividades da empresa quando da cessagao do movimento” (artigo 9° da Lei n. 7.783/89) Nas atividades essenciais, devem, também, em comum acordo com os patroes, organizar esquema de emergéncia que atenda as necessidades inadidveis da populagao. Necessidades inadiaveis a0 aquelas que, inatendidas, “coloquem em perigo iminente a sobrevi- véncia, a salide ou a seguranga da populagao’. Tal defini¢ao seria muito ampla, se a lei de greve nao houvesse editado um rol exausti- vo das atividades que o legislador ordinario identifica como sendo enquadraveis em tal rubrica (art. 10 da Lei n. 7.783/89). 120 CAPITULO 39 LIMITES AO DIREITO DE GREVE Os ventos progressistas que perpassaram pola sociedade bra- sileira quando da Assembiéia Nacional Constituinte, inspiraram a que expresso greve ilegal, tose varrida dos livros de direito. Admite- se agora que as greves podem ocorrer em abuso de diréito, caso em que Se podera falar de greve abusiva. A greve da-se com abuso dé direito: a) quando exercida sem a observancia de formalidade: b) quando caracteriza manutengao da paralisagdo apés a cele- brago de acordo, convengao ou julgamento pela Justiga do Trabalho; c) quando praticada durante vigéncia de norma coletiva, sem que tenha por objetivo o cumprimento da norma ou seja causada Pela superveniéncia de fato novo. problema das formalidades tornou-se algo extremamente bru- tal nos Ultimos anos, em face das reviravoltas jurisprudenciais do Tribunal Superior do Trabalho. O Constituinte havia deliberado em estipular uma autorizagao ampla pata 0 direito de greve e o legisla- dor ordindrio pautou-se em certa medida por este trago programatico, estabelecendo, apenas, certas vigas mestras. A leitura correta da Lei n. 7.783/89 admite, apenas, aé formalidades do aviso-prévio ao empregador e, quando cuidar-se de servigos essenciais, também, & populagao. Tribunal Superior do Trabatho, todavia, entendeu por legistar ‘em matéria de dissidio coletivo, estiputarido regras formais para a ne- gociaeao coletiva que deverd, a seu ver, preceder a instauracao de instancia. Dai, foi apenas mais um passo perverso, transportar esta imensa piramide de formalidades para emascular® direito de greve. Enquanto a jurisprudéncia, num primeiro momento, encarava o cumprimento de formalidades como assunto interna corporis das 421 entidades sindicais, esta jurisprudéncia caudalosa do Tribunal Supe- rior do Trabalho passou a transformar este patamar como um enor- me monumento burocratico. E mais: passou a considerar que naquela Cérte nao vigora 0 principio da inércia da Jurisdigdo e sustenta que é licito ao Poder Jurisdicional conhecer de offcio o descumprimento de formalidades, ainda que nao alegadas nos autos. Nesta linha, os bastides pretorianos atiraram numa vala comum todos os movimentos grevistas, exigindo-Ihes prévias atas de nego- ciagao, atas de assembiéia, listas de presenga, quorum, etc...A natu- reza de tais exigéncias mostra-se tao hipertrofiada que nao basta a0 sindicato demonstrar que havia quorum na assembléia, eis que, se aquele Tribunal entender que era muito pouca gente na assembiéia em face do tamanho da categoria, ira extinguir 0 dissidio coletivo sem o conhecimento do mérito. E, neste passo, paradoxalmente, de- clarar a abusividade do movimento grevista. ‘© cumprimento das formalidades para a instauragao do dissi- dio coletivo transfigurou-se no conjunto das exigéncias formais para a decretacao da greve. ‘A greve suspende 0 contrato de trabalho e durante a mesma no pode haver rescisao do ajuste laboral e nem contratagao de subs- titutos para os grevistas. Ando ser quando for necessario para man- ter os servigos inadiaveis ou, no caso de greve abusiva. E vedado 0 lock-out (paralisagao das atividades por iniciativa ‘do empregador com 0 objetivo de frustrar negociagao ou dificultar 0 atendimento de reivindicagdes). Existe um largo rol de restrigdes doutrinarias ao direito de greve. Tais visées limitativas podem ser vislumbradas em Carnelutti: “nega ‘G80 do direito por tratar-se de arma coercitiva, ou mais ainda, 6 a lei da forga”. De outro lado, afirma-se que a greve produz custos econd- micos @ Sociais tao elevados que nao traz vantagens para ninguém.'" A tal objegao, a doutrina riposta com agudez que ‘a diferenga esté entre uma coercitividade concreta e aparente — a da greve dos trabalhadores — e uma coercitividade latente ou encoberta — a que 0 sistema capitalista proporciona aos empresarios em relagéo aos trabalhadores™. ” Lépez-Mon's, Carios."O Dieito de Greve. Experiéncias Internacionais @ Doutrina dda OIT", LTr Edit, 1986, pag. 14. “ Lépez-Monis, Carlos.“O iret de Greve. Experiéncias Internacionais e Doutrina dda OIT", LTr Edit, 1986, pag. 14 122 Outra restrigao invoca os custos gerados pelas paredes e po- dem ser respondidas sob a seguinte argumentagao: a) 0 custo das. groves ¢ relativo se comparado a outros como os acidentes, os feria- dos, ma organizagao da empresa, etc.; b) os custos sociais como 0 transtorno & populacao 6 algo com que se precisa conviver pois séo “custo necessario para a defesa dos direitos dos trabalhadores num sistema capitalista, por um.caminho através do qual nao se tem en- Contrado solugdo"®; c) a sociedade capitalista é uma sociedade Pluralista onde existem basicamente dois interesses de classe em conflito. Esta abordagem sobre'a greve “a conicebe como um instrumen- to de luta de classes @ de consecugéo da igualdade substancial (Du- ran), isto 6, sua razao de ser se encontra na necessidade de conse- guir maior democracia material no.interior de uma democracia formal, tanto em nivel de empresa quanto em nivel de sociedade global" "© Léjpes-Monis, Caras. “0 Direto do Greve. Exporéncias Intemnacionais« Bout da OIT, LTr Edit., 1986, pag. 15. nae " Pouring '** Lépez-Monis, Carlos."O Direto de Greve. Expetiéncias Internacionsis © Do. da OIT*, LTr Edit, 1986, pag. 17, m at Doutrina 123 CAPITULO 40 GREVE DE SERVIDORES PUBLICOS Ha uma tendéncia contraria sob “a alegagao de que esta afeta ‘a necesséria continuidade da prestagao dos servigos publicos, a0 dolocar em questo os interesses gerais remanescentes"™ A Carta Magna, todavia, assumiu tal possibilidade e 0 fez alinhando-se & boa doutrina que responde a tais objegoes. {Ajurisprudéncia do Supremo Tribunal Federal, todavia, ver pro- cio de tal direito exigira prévia regulamentacao . Nos Tribunais do Trabalho, todavia, referido pe tencimento ainda desperta resisténcias, como se vé, por exemplo, fa seguinte ementa: “Direito de Greve do Servidor Publico — Nao ha fegulamentagao do direito de greve do servidor, mas o que incontrc™ verso, 6 que tal direito se encontra assegurado pela lel maior (artigo 3° caput, CIC artigo 37, Vil, da CF/88). (Proc. TRT/SP n. 02950028726 RE 07 JCJ Guarulhos Ac.02960205860 Relator: Gualdo Amaury Formica. Publicado in D.0.E.S.P. de 25 de abril de 1996 J’ ‘A carta politica, com efeito, assegura 0 direito de greve, tam- bem, ao servidor piblico, na medida em que faz tal autorizagdo a todos os trabalhadores. Disp6e o artigo 37, Vil da Carta, por outro lado, que para 0 servidor ‘o direito de greve sera exercido nos ter- eee hos limites definidos em lei complementar”. Dai, a melhor dou- tina extrai a conclusao de que até que seja editada tal limitagao, 0 ireito pode ser exercido regularmente, como se vé da ementa act. se" fato, contudo, 6 que a tese contraria, ou seja, no sentido de que somente poder ser exercido quando da edi¢ao desta anunciay er sPcomplementar, 6 a vencedora no Supremo Tribunal Federal que | a proclamou em decisao de Tribunal Pleno Te Lopex Monts, Carlos.*0 Diteito de Greve, Experiéncias nternacionals @ Douting dda OMT”, LTr Edit, 1986, pag. 19. 124 CAPITULO 41 GREVE POR MOTIVOS JURIDICOS Em que pese tais posicionamentos, i . legalidade da grove que ser eomo objetivo invest conta. descumprimeno. da norma cole: iva, € agasalnada pela legslagdo da maioria dos paises civiizados. Na Franca, por exemplo, segundo Lopes-Mon/s'# : , 8 oart.L-135- 3 do Cédigo de Trabalho “impde apenas um dever de paz relative que impede unicamente a modificagao do convénio (greve inovado- ra). Isto supde, segundo a interpretagao doutrinal:...b) que sao lici- tas as greves decretadas por uma a io por parte violagao do conve 9% fenio por pa’ Na Italia informa Gino Giugni*” que a jurisprudéncia aceita modalldage deforma assontadar-eonsiderando sempre que a geve 6 legitima mesmo quando realizada para fins contratvais e, portanto, para sustentar pretensdes em relagdo ao empresario com 0 qual mantém relagao, a Corte Constitucional.. __No Brasil, alias, a jurisprudéncia seguia pelo mesm até pouvo lompe atts: ha Gpoca orn que TST invocavao espera. va a este respeito, a Lei de Greve: “No constitul abuso do exercicio do direito de greve a paralisagdo que tenha por objetivo exigir o cum- primento de clausula de acordo, convengao ou sentenga coletiva (art. 3’, pardgrato Unico, da Lei n, 7,783/89)". Proc. TST-RO-DC 56 671.92.9 Rel. Min, Francisco Fausto Paula d aaa je Medeiros, publicado in LTr 58- E intrigante porque o Trib i 1unal Superior do Trabalho abandonou © que proclama nesta ementa e optou por contrariar de forma osten- siva e gritante a norma legal expressa. Com efeito, dispde o pardgra~ “ Lopes-Monis, Carlos. In “0 Dito de Greve. Expriéncas Int Doutrina da OIT", LTr Edit., 1986, pag. 66. Exper Ineracionais © & "© Giugri, Gino, “Dirato Sindical, LT, 1991, pag. 192. 125 a “na vigéncia de acordo, {fo tinico do artigo 14 da Lei n. 7.783/89 que “na vigér convengao ou sentenga normativa nao constitui abuso do direito de greve 2 paralisagao que: | — tenha por objetivo exigir o cumprimento de cléusula ou condigao”. 4 a titui abuso de Se a lei 6 expressa em considerar que ndo const direito 0 exercicio do direito de greve para exigir o cumprimento de elausula, parece ébvio que a jurisprudéncia contraria viola o princi pio da legalidade e, neste passo, afronta a Constituigdo Federal 126 CapiTULo 42 GREVE INOVADORA A doutrina favorece a expresso “greve inovadora” para referit- se & hipdtese do movimento paredista que venha a eclodir durante a vigéncia de uma norma coletiva, ostentando como reivindicagao, a pretensdo de alterar as condig6es ajustadas. Tal reviravolta seria uma afronta a uma pressuposta obrigagdo de cumprir a convencdo, ou seja, a violagao do dever de paz. Presume-se que hé um dever de paz relativo, préprio da contra- taco coletiva. E a obrigagao de nao recorrer a gteve $e 0 motivo do conflito é uma questao resolvida’no contrato coletivo. Admitir-se-ia a greve téo-somente no caso, de Uma significativa modificagao na si tuagao de fato, existente no momento de firmar o contrato (rebus sic stantibus). : Com efeito, 0 pacto coletiva 6.uma,relagao juridica de carater continuativo. As cléusulas que o integram correspondem as condigées de fato vigentes,& época em que:i firmado. Destarte, se tais condi- goes vérn a modificar-se na vi da avenga, Iicito que a com- ensagdo de tal alteracdo venha @ ser renegociada pelas partes. Numa certa medida, todavia, um tantofarisaica a postura da Doutrina e da Jurisprudéncia sobre esse temaina realidade brasi ra. AS greves que irromperam naicurso do contratoresultaram da reivindicagao de reposigao salarial da‘intlagao havida desde a assi natura do contrato. Nos contratos, todavia, s6 estava estipulada a reposigao da intlagao havida até’o momento em que foram tirmados. Inexistindo'clausula de indexagao dos salérios durante a vigéncia do ajuste, nao se pode falar que a greve que pretendia a reposigao da perda inflacionaria constitu(sse infracao do dever de paz. 127 CaPiTULo 43 GREVE DE SOLIDARIEDADE E a realizada, aparentemente, em defesa do interesse de ou- tros. A doutrina salienta que o problema reside em aferir se o interes- se defendido concerne reaimente aos trabalhadores envolvidos: “Em sintese, quando veriticavel o interesse dos trabalhadores na greve, ainda que nao sejam préprias as reivindicagoes em disputa, ha que se admitir a conformidade da greve com o ordenamento juridico, e sua protegao pelo direito"™. ‘A exiensao de tal limitacdo, todavia, é algo bastante sujeito as agruras da textura aberta da linguagem. Dai por que, iniciamos 0 pa- ragrato falando utilizando a expressao, aparentemente. A redagao do artigo 3° da lei de greve atualmente em vigor (Lei n. 7.7783/89) cer- ceia 0 uso da parede com tal finalidade, na medida em que toma como pressuposto que “rustrada a negociagao ou verificada a impossibilidade Go recurso a via arbitral, 6 facultada a cessagao coletiva do trabalho”. ‘A doutrina, todavia, aponta que “o art. 3? da atual lei de greve é inconstitucional porque faz restrigdes a greve de solidariedade © a Greve politica, a0 mesmo tempo em que se choca contra a disposi- ‘pao da constituigéo que confere aos préprios trabalhadores a com- peténcia para decidir sobre a oportunidade (momento ou convenién- Cia) do exercicio do diteito de greve™®. Parece-nos que tais vozes apontam para a solugao correta, na medida em que a Carta Magna deixou ao alvedrio dos obreiros a escolha dos interesses que haverao de defender por meio da greve. ‘Assim, nao poderia o legislador infraconstitucional recortar a amp! tude de tal disposigao, imputando como pressupostos necessarios & preexisténcia de uma negociagao coletiva. " De Luca, Carlos Moreira, In“Cutso de Direito Col genor de Sousa Franco Filho, LT, 1998, pg. 487, Iacir.“As inconstituclonalidades da Lei de arev ive do Trabalho", Coord. Geor- in “Sutispeudén- CAPITULO 44 EM CONCLUSAO O estudo da questao sindical por nés até aqui palmithado reve- la.um aparente paradoxo. No campo genérico da Liberdade, nao se pode pensar em normas permissivas, eis que, a capacidade de fazer tudo aquilo que nao é proibido é um direito publico subjetivo contra 0 Estado. A Ordem Juridica intervém, genericamente, apenas para pro- teger tal direito, impedindo que um agente imponha sua vontade pela forga ante a vontade do outro, apenas pela prossao direta. No que tange aos sindicatos, todavia, a situagao se inverte. A Ordem Juridica intervém para: a) criar um espaco onde os trabalha- dores podem fazer aquilo que é, como regra, proibido, ou seja, exer- cer a coagao contra a liberdade de comércio dos patrées; b) proteger e estipular tais agdes, mediante os chamados direitos positivos cole- tivos;c) dotar os trabalhadores do poder de produzir normas gerais de carater abstrato, que, como regra, seriam monopolio do Estado. © Ordenamento estimula 0 florescimento desta fonte de poder paralela & do Estado, incentivando os trabalhadores @ autotutela de seus interesses. Tal politica, aparentemente esdrixula ante o princi- pio da reserva legal, fundamenta-se na existéncia de uma forga de autotutela muito mais poderosa, embutida no poder empresarial de comandar a produgao. A verdade & que a mao invisivel do mercado, cuja existéncia foi tao proclamada pelos cissicos, constitui mecanismo muito mais pode- 1080 do que a forga dos sindicatos e, tal poderio, legitima social e p camente, que o Ordenamento induza o florescimento, como contrapon- to, de uma fonte de poder na outra margem do conflto industrial Assim, a concessao deste espago de imunidade para a agéo sindical 6 um instrumento que o Estado Democratico de Direito uti Za para a protegao aos trabalhadores, com tanta legitimidade como a legisiacao do trabalho. 129