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So Paulo, a Cortes

por Alessandro de Paula


So Paulo, cidade imunda; minha imunda, vagabunda!
Cai, cidade suja... cai aos meus ps
e suja as solas de meus sapatos.
Eu, que tanto te odeio, tanto te amo...
como poderia viver sem ti, febril cidade?
Eu, que poderia encontrar sossego em outros recantos
sou fiel a ti, que me trais com todo mundo.
No que te importe meus cornos, pois tu sempre sorris,
principalmente quando noite e todos voltam para casa.
que durante o dia lambuzaste-te em orgias,
entregaste o corpo a quem quisesse,
e eu, que to pouco aproveito de ti,
odeio-te desesperadamente
e to desesperadamente te amo, minha cortes insacivel.
Ah, mas isso eu j disse e tu sabes, ris de minha desgraa.
Sim, tu sabes como poderei viver sem ti,
mesmo que outras me atraiam?
que as outras tambm possuem, como tu possuis,
os mesmos vcios, a mesma lascvia,
e ainda que um dia eu venha a am-las,
nunca ser o amor que por ti sinto.
Ah, So Paulo, tu me infectas com tuas doenas
e eu, alegre, me pergunto
como poderei viver sem teus vrus, teus bacilos,
teus caprichos de mulher mundana?
Ento cai, cidade suja... cai aos meus ps
e suja as solas de meus sapatos...