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O povo

Era um bar agitado


num fim de semana
depois do trabalho
de sbado.
Parei.
Era um bar popular
e estava lotado.
Nas caixas, alto, um samba
quando eu tinha
a fome de sbado.
Havia um povo
feio, suado, malandro,
cansado da vida
e querendo brincar.
Por isso,
eram lindos
enquanto esperava
meu prato popular.
Uma cerveja mesa.
Depois do calor
do sbado, chovia.
Tambm por isso parara.
Chega o prato.
De costas ao todo,
saciava a fome
enquanto saciavam-se
de sbado.
Uma mulher danava.
O samba no p
no era meu espetculo,
mas aplaudi.
Porque era um povo cansado
de sbado
calorento-depois-chuvoso
no oeste da cidade,
quando voltava pra casa.
Era um povo
to feio e suado quanto lindo
e me encantava.

Eu j partia
quando a mulher que danava
pediu um cigarro.
Cedi, no havia importncia.
Conversamos,
eu e esta mulher do povo,
que havia me notado, disse,
desde que eu chegara.
Fumamos juntos,
sada do bar,
eu e o povo,
falando de coisas comuns
e j no chovia mais.
Ento parti.
Fui pra casa
contente
porque era parte do povo
na frente daquele bar.
Sim, eu sou o povo
tambm.
Dividimos o momento
de um modo
to surpreendente
quanto imcompreensvel
pra quem no
o povo.
E eu, que no era o povo,
que cheguei ningum,
gostei de estar.