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o clube dos ursos

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Aquela deveria ser uma monótona viagem de volta para casa. Mas o destino mudou os planos de Fons, obrigando-o a pernoitar, contra vontade, em um bar de beira de estrada. O que parecia um simples contratempo, acabou se revelando uma insana aventura onde o sexo imperava, onipresente, no interior de um salão de madeira.

Homens rústicos, todos caminhoneiros, comemoravam de tempos em tempos um encontro repleto de fortes emoções. Seguindo um líder experiente, esses homens praticavam um ritual sagrado, onde a união de corpos másculos e sedentos de sexo selvagem era a regra máxima de um jogo de força e poder.

Fons era o prêmio inusitado daquela noite. A oferenda perfeita aos delírios de um prazer coletivo. Acompanhe os acontecimentos de uma noite inesquecível, onde Fons se entrega de corpo e alma a uma orgia sem precedentes com dezenas de homens insaciáveis.
Aquela deveria ser uma monótona viagem de volta para casa. Mas o destino mudou os planos de Fons, obrigando-o a pernoitar, contra vontade, em um bar de beira de estrada. O que parecia um simples contratempo, acabou se revelando uma insana aventura onde o sexo imperava, onipresente, no interior de um salão de madeira.

Homens rústicos, todos caminhoneiros, comemoravam de tempos em tempos um encontro repleto de fortes emoções. Seguindo um líder experiente, esses homens praticavam um ritual sagrado, onde a união de corpos másculos e sedentos de sexo selvagem era a regra máxima de um jogo de força e poder.

Fons era o prêmio inusitado daquela noite. A oferenda perfeita aos delírios de um prazer coletivo. Acompanhe os acontecimentos de uma noite inesquecível, onde Fons se entrega de corpo e alma a uma orgia sem precedentes com dezenas de homens insaciáveis.

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o clube dos ursos
um conto da série “poltrona 47”

Moa Sipriano
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Sou muito cuidadoso com meu equipamento de trabalho. Naquela tarde amarela de uma terça-feira monótona, eu me perdia na melodia etérea de Elisabeth Fraser, que tocava no aparelho de som pela enésima vez enquanto eu lustrava com um pano seco o corpo de minha fiel Canon. O telefone tocou por volta das quatro. Sem pressa, após o quinto toque, debrucei-me no sofá para alcançar o aparelho. Meia hora depois eu já preparava minha mochila. Um novo trabalho estava à minha espera. Coisas de última hora, como sempre. Eu precisava partir naquela noite. Dezoito minutos antes do embarque, cheguei calmo e sereno ao terminal rodoviário da ilha de Lovland. Recebi minha passagem, conferi o troco, retribui um sorriso cansado para o rapaz do guichê número cinco, que me encarou com terceiras intenções, mais uma vez. Entrei no Pássaro de Prata e caminhei a passos lentos até a poltrona 47, meu lugar cativo. Depositei a velha mochila de lona no bagageiro superior, acomodando em seguida o meu corpo lesmódico no couro vermelho, macio. Joguei o tempo fora, apreciando o embarque dos demais passageiros. Assim que partimos, ganhando as ruas de asfalto perfeito da minha querida Lovland, comecei a elaborar a criação mental do que me aguardava ao sul de Stephground, a terra dos escritores. Eu iria documentar uma exposição de arte contemporânea e o lançamento de um livro de poesias, frutos da criatividade de Dimitri e Carlson, um casal gay muito conhecido, influente e respeitado naquela cidade. Estranhei o fato do evento ter sido marcado para as sete e meia da manhã do dia seguinte. Mas uma de minhas filosofias de trabalho é jamais questionar as excentricidades dos meus clientes. Chego no local, faço o que devo fazer com maestria e perfeição; entrego o material para o cliente dias depois e saio com meu polpudo cheque dentro da carteira. Simples assim. A noite seguia o seu curso natural. Estrelas piscavam aleatoriamente no manto negro. Não vi o pedaço da lua crescente, mas sentia a sua presença. Adormeci. Duas paradas estavam programadas para aquela ligeira viagem. Eu deveria chegar a Stephground em pouco mais de três horas. Deixamos a ilha pontualmente as oito da noite. Eu esperava que Henrich estivesse me aguardando ao chegar na cidade, conforme havíamos combinado pelo telefone. Acordei com um foco de luz amarela queimando os meus sentidos ao chegarmos na primeira parada. A cabeça latejava pelo mau jeito que meu corpo adormecera amarfanhado na poltrona. Abri os olhos lentamente. Ouvi algumas pessoas como que discutindo no interior do ônibus.

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Levantei-me com certa dificuldade e caminhei para o mundo exterior, ignorando os outros passageiros, um comportamento típico de minha parte. Notei algo estranho ao desembarcar. Eu já havia feito dezenas de vezes aquele mesmo itinerário e aquele não era o local costumeiro de nossa parada. No lugar do elegante e confortável Giant, aquilo mais parecia um posto de gasolina tamanho gigante, com bombas da Shell espalhadas em duas fileiras excessivamente iluminadas de luz fluorescente e uma casinha tosca pintada de algo que um dia fora branco, que imaginei ser a lanchonete do local. Vi caminhões de variados tipos e tamanhos estacionados diante da casa-lanchonete. Acredito que o mesmo pensamento de espanto passou pela cabeça dos outros passageiros, pois muitos estavam cercando o motorista, exigindo explicações. Ao chegar mais próximo do tumulto formado, ouvi as desculpas do coitado do homem: “Haverá uma troca de veículos”, disse com voz firme o bigode baixinho. “Por favor, queiram retirar suas bagagens e pertences do interior do ônibus. Dentro de vinte minutos chegará o outro carro”. Não gosto de tumultos. Notei que no meio daquele protesto improvisado havia o famoso encrenqueiro: um homem com pinta de pseudo-advogado, debaixo de um terno surrado, o tecido gasto nos cotovelos, que exigia explicações mais detalhadas do infortúnio causado por um problema mecânico com o nosso transporte. O motorista o deixou tagarelando enquanto falava via rádio com sua empresa. Entrei no Pássaro de Prata, pequei minha companheira de viagens, certificando-me que tudo estava em ordem e saí o mais rápido possível, afastando-me inclusive daquela confusão desnecessária. Como havia um tempo disponível e minha garganta começava a implorar por sua dose diária de coca-cola gelada, resolvi tomar coragem e entrar naquilo que deveria servir de refúgio para caminhoneiros mal encarados. Ao entrar no recinto pouco iluminado, recebi as boas vindas de uma nuvem de Marlboro que cobriu o meu corpo e enevoava os meus sentidos. Quase veio ao mundo o resto do lanche da tarde que ainda fermentava em meu estômago diante daquele cheiro horrível. Tapei a boca num movimento involuntário e segui até o balcão para tentar a compra do meu líquido precioso. Um ser carrancudo, vestindo uma camisa verde-amarela da seleção brasileira de futebol me encarou e percebi pelo seu olhar amarelo que era alguém de poucas palavras. Não consegui definir-lhe o sexo: peitos enormes, buço proeminente, braços que certamente esmagariam meu corpo num abraço nada cordial e sobrancelhas unidas que mais pareciam uma taturana entupida de anabolizantes, protegendo olhos assustadores.

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Pedi o meu refrigerante e fui prontamente atendido, mas com tremenda frieza. A coca lavava minha alma e após satisfazer meu vício comecei a apreciar com um pouco mais de ânimo as pessoas daquele lugar. No fundo do salão, alguns homens jogavam baralho numa mesa. Notei que eram caminhoneiros versus seus respectivos auxiliares. Divertiam-se num jogo barulhento, cheio de sinais e malícias que não consegui compreender. Outros dois sujeitos me encaravam com firmeza. Um deles era alto e muito forte, quase uma porta de músculos e gordura. Os pêlos loiros acinzentados do peito saltavam por entre a camisa desabotoada. O outro era um pouco mais baixo, pele queimada de sol, com uma barriga proeminente e uma barba desalinhada, que me causou certo desprezo. Notei sexo no olhar de ambos. Algo estava para acontecer. Um cochichou algo no cangote do outro. Um sorriso malicioso surgiu no rosto do Barriga. Ele veio em minha direção. “Perdido nesse fim de mundo, rapaz!”, disse Barriga e notei algo preso dançando na barba grisalha, enquanto ele fazia voltas com o dedo indicador nos pêlos do meu peito. “Houve um problema mecânico com meu ônibus, acho que vão trocar de veículo”, respondi secamente, e meu olhar não desgrudava da sujeira aparente naquela barba. “Eu fiz uma aposta com meu amigo ali”, disse Barriga, aproximando seu hálito absinto do meu rosto. “Ele acha que você não agüenta o instrumento dele inteiro na sua boca”, a mistura de excitação e medo ao ouvir tamanha audácia quase parou o meu coração. “Diga ao seu amigo que eu só transo com homens... de verdade”, fulminei meu pretendente do outro lado com um olhar nervoso. “E que não estou interessado em qualquer coisa que possa existir debaixo daquele jeans imundo”. “Então eu tenho chances de te possuir, certo?”, disse Barriga, visivelmente excitado, acariciando o membro que latejava embaixo do trapo de pano que lhe cobria as partes baixas do corpo. “Pois eu sou um homem de verdade e posso fazer você urrar de prazer quantas vezes eu quiser”. Voltei minha atenção ao resto de coca quente que ainda existia na garrafa, desprezando assim o sujeito que me causava nojo e excitação. Joguei uma nota de dois sobre o balcão, apanhei minha mochila e meu instinto sexual me levou ao banheiro. O local era sujo, cheirando a urina milenar. Desagüei o que devia no vaso sanitário imundo. Ouvi um barulho de porta sendo aberta. Eu não estava mais sozinho. Barriga e seu amigo entraram juntos. O Porta ficou na porta, visivelmente impedindo a minha retirada daquele cubículo.

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“Nós quer você!”, senti novamente o hálito agora azedo do meu admirador barrigudo. “A questão é que talvez eu não queira voc...”, sua boca invadiu a minha, impedindo-me de terminar a frase. Senti a língua quente me possuindo, enquanto mãos fortes e firmes seguravam com força minhas nádegas. Barriga virou-me violentamente e meu rosto encontrou a frieza dos azulejos azuis daquele banheiro fétido. O sexo volumoso brigava com a barriga enorme pelo direito de possuir meu corpo. Virei o rosto em direção à saída. Porta deliciava-se com a cena, massageando por sobre o jeans gasto o seu instrumento de prazer. Não sei por quanto tempo ficamos naquela esfregação. De repente, Barriga afastou-se do meu corpo, mas permaneceu segurando com firmeza um de meus braços. “Venha, rapaz”, ele disse, quase que num grito, transpirando em bicas. “Vamos mostrar a você o que é o prazer!”, notei o brilho do pecado em seu olhar, quando consegui virar meu corpo de frente àquele que desejava me possuir. Vi o sorriso malicioso do Porta, que ajeitava o seu membro por dentro da calça. Barriga e Porta trocaram um sinal incompreensível para mim. Porta abriu a porta, deixando a passagem livre para nós. Segurando em minha mão, sem nenhum constrangimento, Barriga e eu saímos para o salão. Nova troca de olhares, agora em direção aos homens que jogavam baralho. Todos se levantaram em perfeita sincronia, seguindo em fila indiana para uma outra porta nos fundos daquela espelunca. O ser que cuidava do balcão apenas sorria. Notei em seu rosto que a festa estava só começando, era o que certamente aquilo pensava. Entramos todos em uma ampla sala, iluminada somente com uma luz vermelho-alaranjada. Havia uma grande mesa baixa ao centro e um rapaz gordinho estava sentado num banco de madeira ao lado da mesa, o olhar baixo, evitando o meu olhar confuso. Notei à minha direita uma outra sala, essa bem iluminada, e ouvi som de água corrente. Nesse momento Porta havia retornado, estampando um sorriso de satisfação. Chegou o seu rosto próximo ao meu e o hálito de alcatrão disse em meu ouvido: “Agora poderemos ficar a noite toda no prazer, meu rapaz, pois o seu ônibus - ele ria - o último veículo que certamente passaria por aqui esta noite, já partiu”. Um misto de pânico e satisfação passou pela minha mente. Barriga abraçou-me e sussurrou lentamente, agora para dentro de minha alma: “Ele disse que você não estava passando bem e que ele iria levar você a um posto médico próximo daqui.” Os dois trocaram uma seqüência de

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sinais com o olhar. Aquilo deveria ser comum entre eles. Eu não quis questionar tudo aquilo. Travei a minha razão e deixei meu corpo e minhas sensações tomarem conta daquele momento confuso, porém mágico. Como num ritual, Barriga e Porta afastaram-se de mim e com sinais feitos com as mãos, prontamente dois homens ursos ficaram ao meu lado, agarrando meus braços e conduzindome para a sala da água corrente. Enfiaram-me debaixo de um chuveiro, onde jatos de água fria acima do limite tolerável despertaram o meu corpo tenso, preparando-me para o que estava por vir. Mãos pesadas e peludas ensaboavam-me com uma pedra de sabão azul. Em minutos eu estava debaixo de uma espessa camada de espuma. Quatro mãos ágeis acariciavam minhas coxas e subiam em direção ao meu peito peludo, passando rapidamente pelas minhas costas lisas e terminando os movimentos sensuais na minha cabeça, ensaboando meus cabelos. Um novo jato de água levou embora toda a espuma. Sentia-me como que purificado, pronto para o sacrifício, pronto para ser consumido por todos aqueles homens, naquela noite. Meu corpo não foi enxugado. Molhado, frio e quente, exalando sensualidade, fui conduzido para o salão do sacrifício. A visão que preencheu os meus olhos não poderia ser mais excitante. Todos os homens estavam nus. Uma montanha de pêlos e músculos e coxas e barrigas rígidas rodeavam a mesa de madeira escura. Os dois homens que me haviam banhado levantaram o meu corpo, colocando-me sobre a mesa. Uma nuvem espessa de nicotina e alcatrão dava um toque lúdico ao local. Nove homens estavam estrategicamente espalhados em volta da mesa de madeira maciça. Os dois que prepararam o meu corpo juntaram-se a nós. Todos trajavam somente meias brancas e botinas escuras, a maioria pretas. Barriga e Porta ficaram como que guardiões da entrada, assistindo de um ângulo privilegiado tudo o que viria a acontecer. Ao comando de um urso mais velho, que estava literalmente aos meus pés, mãos truculentas começaram a acariciar todo meu corpo, menos o meu sexo. Gemidos e palavras baixas e sem sentido algum eram ditas. A excitação misturava-se ao ar pesado e cinzento. O ursinho que eu havia visto tomando conta da mesa quando entrei, estava ao meu lado, acariciando meus cabelos e secando o suor do meu rosto com um tecido amarelo. Era um garoto pequeno e notei em seus lábios o desejo de se juntar aos meus. Dei-lhe o beijo. E sua boca delicada e quente preencheu o meu vazio. O chefe dos ursos, aquele que aparentava ser o mais velho, subiu na grande mesa baixa, engatinhando lentamente até chegar ao meu sexo. Segurou-o com muita delicadeza, beijandolhe a base, o corpo, a cabeça. Os outros continuavam a acariciar meu corpo com uma das mãos, enquanto com a outra balançavam os seus sexos em movimentos lentos e sincronizados.

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O chefe dos ursos engoliu meu sexo, apertando com força as minhas bolas, endurecendo ainda mais o membro grosso que explodia em sua esplêndida rigidez. O ritual continuava. De repente várias bocas caíram sobre meu corpo. Línguas e dentes e saliva quente corriam por toda extensão do meu ser. O ursinho virava minha cabeça com força, buscando novamente a minha boca e sufocando-me com seus beijos. Presumi que aquela era sua especialidade, pois jamais eu havia experimentado um beijo tão perfeito. Sob um estalar de dedos, meu corpo foi virado por muitas mãos. O urso velho puxou-me pela cintura. Eu fiquei de quatro, aguardado um novo comando. Ele rapidamente entrou em mim com sua língua experiente. Mordia e chupava e lambia minha porta do prazer. Todos apreciavam a cena, socando com mais força os seus membros para cima e para baixo. Pude notar que Barriga e Porta também tocavam suas vigas expostas, encantados com o espetáculo. Enquanto o urso velho me possuía com a boca, ninguém ousou chegar perto de mim. Todos apreciavam o momento a uma respeitosa distância. Ursinho saiu do seu posto, abrindo uma embalagem de preservativo, colocando a borracha com maestria em seu mestre. Fui penetrado sem dó, em uma única estocada. A dor misturava-se ao prazer. O urso velho urrava e me possuía. E todos assistiam calados, gemidos ocultos, vidrados com a performance do homem mais experiente. Entrei no jogo. Comecei a urrar e a gemer com aquele velho dentro de mim. O suor dos nossos corpos selava a nossa união. Em pouco tempo senti o calor do seu jorro dentro do meu paraíso. Enquanto gozava, ele batia vigorosamente em minhas nádegas com mãos calejadas de um trabalhador braçal. E eu mordia seu sexo com meu ânus. Essa era a minha especialidade. O velho urso saiu do meu corpo. Saltou da mesa para o chão. Tirou o preservativo cheio da essência, jogando-o num canto escuro qualquer. Ele sentou-se no chão úmido, ao lado de Barriga e Porta. Um novo estalar de dedos e os outros homens começaram o serviço. Meu corpo foi empurrado com certa violência sobre a madeira escura. Varas batiam em meu rosto, procurando minha boca. Vigas batiam em minhas nádegas, procurando a porta de um prazer coletivo. Fui penetrado, chupado e acariciado centenas de vezes. Num rodízio infinito, cada um invadia o meu espaço à sua maneira. Estocadas leves e carinhosas eram trocadas a todo o momento por outras mais vigorosas. Sexos grossos e enormes davam lugar a outros sexos finos e compridos. Eu assumia posições inimagináveis diante daqueles homens. Dois ou três sexos ao mesmo tempo disputavam todos os orifícios do meu corpo. Enlouqueci. Saí de mim. Entrei no transe. Fui possuído de todas as maneiras fisicamente possíveis.

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Horas se passaram. Suores, pêlos e odores se misturavam na fumaça dos cigarros. Eu estava exausto. Mas eu queria mais. Eu podia mais. Eu resistiria muito mais. Um novo estalo de dedos. O chefe dos ursos levantou-se do chão e veio em nossa direção. Todos pararam de me tocar, inclusive o húngaro delicioso que me usava retirou com pressa o seu mastro de dentro de mim. O velho homem juntou-se a nós. Todos rodeavam a grande mesa baixa. Porta e Barriga permaneceram grudados na entrada do salão. O velho iniciou uma punheta e foi logo seguido por seus companheiros. Meu rosto foi virado à esquerda com certa agressividade. Ursinho se masturbava, puxando minha cabeça para os seus lábios. Dei o beijo mais longo da minha existência. Com diferença de segundos, todos os ursos jorraram o sêmen sobre mim. O prazer coletivo dava o seu grito. O prazer urrava na sala escura. Meu corpo foi lavado pela mais pura essência humana, deliciosamente quente e pegajosa. Ursinho parou de me beijar, levantando-se depressa e jorrando seu líquido quente em meu rosto. Eu não havia gozado. Todos se afastaram de mim, exceto um negro rígido, compenetrado, que com suas mãos incrivelmente belas e fortes acariciava o meu corpo em movimentos lentos e circulares, espalhando litros de sêmen sobre meu peito peludo e minha barriga sem barriga. Com a massagem erótica, exausto, quase adormeci. O corpo clamava por um banho quente. Meu desejo foi satisfeito. Porta aconchegou o meu corpo em seus braços, levando-me para o banheiro iluminado. Vi os ursos fumando, uns deitados e outros sentados, ainda em transe, nos cantos da sala. Ursinho deitou-se na mesa onde eu havia passado as últimas horas e manipulava os próprios mamilos, a boca a gemer frases difusas em alemão. Barriga entrou conosco no banheiro. Sentou na privada amarela sobre o tampo de cor rosa, enquanto Porta me dava um banho especial. Suas mãos ensaboavam o meu corpo cansado e sua boca fazia maravilhas em minhas orelhas. Procurou minha boca e prontamente retribui seus beijos. O bigode molhado fazia cócegas em meu rosto e na minha boca. Segurou com firmeza minha mão direita, fazendo-a agarrar o seu sexo. Era monstruoso de tão grande. Algo quase que descomunal. Fiquei com medo de ser penetrado por ele naquele momento. Mas Porta não dava sinais de querer me possuir ali. Continuamos os nossos beijos. Ele forçou a minha cabeça em direção ao seu sexo. Com dificuldade, abocanhei a tora menos que a metade, abrindo o máximo que meu maxilar agüentava. O gosto daquele membro era especial. A água agora quente amaciava a carne. Barriga socava lentamente sua punheta e sorria com malícia para mim. Porta puxou minha cabeça, fazendo com que eu subisse minha língua pelo caminho da felicidade até encontrar novamente sua boca e seu bigode. Virou o enorme corpo em direção da parede, abrindo com as mãos as nádegas rosadas. Lubrifiquei meu sexo com o sabão azul. E sem proteção alguma entrei em seu interior nórdico.

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Barriga se levantou e procurou o caminho certo para entrar em mim. O sanduíche humano estava formado. Três ursos unidos em sincronia dentro de um metro quadrado. Os pêlos loiros, castanhos e negros contrastavam com a cor de nossas peles quase brancas. Após alguns minutos, retiramos os nossos sexos de nossos corpos. Trocamos um beijo a três e ejaculamos juntos quase que ao mesmo tempo. Nossos filhos escorriam tristes pela parede branca. *** Barriga e Porta me levaram em seu caminhão até Stephground. Adormeci no ombro de Barriga, mas sua barba estranha produzia cócegas em meu rosto, despertando-me em ligeiros sobressaltos durante o trajeto. Cheguei em Stephground pouco depois das cinco da manhã. Na porta do pequeno hotel, onde se podia observar que não havia ninguém na recepção, troquei um abraço-urso com meus novos amigos-amantes. Eles seguiriam viagem até Portija, a duzentos quilômetros de onde estávamos. Barriga me entregou um pequeno cartão, onde havia anotado os números de seu telefone em Portija. Porta esticou o braço para fora da cabine, entregando-me também um cartão junto com minha mochila. Nele havia uma espécie de código. “Os primeiros números indicam as datas em que nos encontramos no ‘clube’”, disse Porta. “E logo abaixo está o meu telefone, para confirmação da sua presença em nossas reuniões mensais”, um sorriso excitante invadiu o rosto marcado pelo tempo. Despedimo-nos com uma troca de olhares e sorrisos abertos. Entrei no hotel e vi um homem cochilando atrás do balcão. Um toque sonoro com a palma da minha mão sobre uma pilha de papéis o fez despertar de seus sonhos eróticos. Enquanto eu preenchia o cadastro de minha curta permanência no local, o homem alemão aguardava para me entregar as chaves do quarto. “Preciso tomar um banho e descansar um pouco. Foi uma longa viagem ”, eu disse ao recepcionista. “O senhor poderia me acordar por volta das sete?”, demonstrei o meu melhor sorriso ao sonolento amigo. Um sinal de positivo foi tudo o que recebi em troca, seguido de um sorriso jocoso. Ao entrar no quarto simples e aconchegante, depositei minha mochila na cama dura. Deixei cair meu corpo sobre o colchão de molas. Tirei do meu bolso os dois cartões que me foram entregues por aqueles homens de verdade. Notei um relevo discreto no cartão que Porta havia me dado. O relevo tinha a forma de uma pata de urso. Sorri em silêncio, relembrando os momentos vividos durante a exótica noite. Em outubro haverá nova reunião. E agora eu fazia parte do seleto clube. O Clube dos Ursos.

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O AUTOR :: MOA SIPRIANO

Nasci em Jundiaí, uma próspera cidade do interior de São Paulo. Minha mãe é uma guerreira. Tenho duas irmãs fantásticas, dois cunhados bacanas, duas sobrinhas fofas, algumas primas idolatradas e uma tia que é fora-de-série. Ah, também tenho um pai... ausente. Comecei a escrever roteiros, poesias, letras de músicas e outras bobiças aos 12 anos. Eu vivia anotando meus sonhos e minhas verdades em papéis soltos que foram se perdendo pelo caminho. Sempre escrevi histórias que de alguma maneira retratavam a homossexualidade masculina. Em 1988, após uma experiência pessoal "abalante", resolvi desabafar através de uma autoterapia forçada, escrevendo em uma noite Uma carta para Hans. Foi o primeiro conto. Em 2004, ao criar a primeira versão do meu site oficial, fiquei totalmente surpreso com a polêmica, os comentários inflamados e a repercussão positiva junto aos leitores ao publicar meus primeiros artigos na Internet: Deus x Gays, Afeminado? Tô fora e Você é Ativo ou Passivo; além da série Poltrona 47 (cinco contos que retratam as experiências sexuais de um rapaz dentro de um ônibus) e o conto Filipe ou Treze homens e um destino (história que retrata de uma maneira polêmica as atitudes de um rapaz que ao saber que pode estar contaminado com o vírus da AIDS, num momento de revolta e irresponsabilidade total resolve se vingar e transar com treze homens em um único dia). Foi este incentivo que me levou a apostar no meu tipo de literatura. Desde então, nunca mais parei de escrever, procurando aprender e evoluir a cada dia como um bom contador de histórias gays. Em 2005, por causa do sucesso do conto Filipe, busquei inspiração para desenvolver o projeto 30 dias. A história de Jägger foi realmente escrita em tempo real, conforme as datas descritas no diário do personagem. Foi um desafio enorme escrever trinta capítulos em exatos trinta dias e postar um capítulo diário, em formato de blog, em meu site. E mesmo não tendo divulgado devidamente este projeto, a repercussão foi muito promissora.

Em 2007, após editar e ampliar o conto, transformando-o em um e-book e carro-chefe na divulgação do meu trabalho, resolvi disponibilizá-lo gratuitamente em meu site. Percebendo a boa receptividade de "30 dias", acabei transformando praticamente toda minha produção literária nesse formato, tonando-me assim um pioneiro na divulgação e distribuição no Brasil de livros digitais gratuitos contendo literatura gay de qualidade. Em 2008, após mais de 20 mil downloads no Brasil de todos os meus títulos publicados e também por causa da grande quantidade de comentários incentivadores dos meus leitores é que continuo me esforçando na produção constante e divulgação permanente de uma literatura "gay" de excelente entretenimento. A homossexualidade, o amor verdadeiro, os conflitos internos, a amizade e a espiritualidade são temas recorrentes no meu trabalho literário. Espero que minhas histórias e verdades proporcionem a você momentos de agradável leitura e reflexão.

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