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meu filho, meu amante

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Tito sempre se envolvia emocionalmente com os homens errados. Na intimidade só havia lugar para frustrações e mágoas dilacerantes, em noitadas de sexo sem amor. Mas o tempo mostrou que o companheiro ideal estava mais próximo do que ele podia imaginar. Hoje, eu sou pai e amante do meu próprio filho.
Tito sempre se envolvia emocionalmente com os homens errados. Na intimidade só havia lugar para frustrações e mágoas dilacerantes, em noitadas de sexo sem amor. Mas o tempo mostrou que o companheiro ideal estava mais próximo do que ele podia imaginar. Hoje, eu sou pai e amante do meu próprio filho.

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moa sipriano | meu filho, meu amante | 1

meu filho, meu amante
um conto da série “evangelho segundo sipriano”

Moa Sipriano
MOASIPRIANO.COM

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Meu nome é Raimundo. Raimundo Nonato. Sou um pernambucano simples, matuto e honesto. Vivo da terra e do que ela pode me oferecer, com a ajuda do Pai e a força dos meus braços e mãos calejadas na brutalidade do manejo de uma enxada. Moro no sertão de Pernambuco, numa comunidade perdida pra lá de deus-me-livre. Dora, minha eterna Dorinha, morreu vítima de infecção nas partes baixas da mulher, onze meses depois de dar a luz ao nosso único rebento. Sozinho e abalado, foi difícil criar Tito nos primeiros anos de vida. Mas o Pai me ajudou e todo suor derramado, além das lágrimas da solidão e da tristeza pela falta da minha Dorinha, foi recompensado com o maior presente que Ele poderia me dar: um filho saudável, inteligente, estudioso e bonito, muito bonito. Recordar as imensas dificuldades que Tito passou na infância, tendo que caminhar quilômetros debaixo de sol forte, tudo pela dedicação solitária aos estudos. Recordar que em muitos verões (muitos verões?) tínhamos somente um resto de feijão e alguns sacos de farinha de milho – doados por missionários evangélicos que se aventuravam por essas bandas – para saciar nossa fome e sustentar nossos corpos sem energia. Mas deixemos isso de lado. O que eu quero desabafar com você tem a ver com meu filho Tito. Afora todas as dificuldades normais a que estivemos destinados, meu filho sempre foi um garoto feliz, onde estampava um sorriso lindo no rosto em qualquer situação, em qualquer lugar. Reparei que na sua adolescência, quando ele saía de casa para se encontrar com os amiguinhos na praça ou ir aos bailes de forró que sacudiam nossas noites de sábado, dificilmente uma fêmea o acompanhava onde quer que ele fosse. Notei que muitas vezes meu menino vinha para casa na companhia de rapazes mais velhos, geralmente montado em Hondas em petição de miséria, uma “febre” entre os jovens mais abastados (abastados?) da cidade. Como todo mundo conhecia todo mundo, jamais desconfiei que meu Tito era “diferente” dos demais e que suas companhias masculinas escondiam mais do que uma simples carona ou amizade juvenil. Mas tudo passou a fazer sentido quando numa noite, ao voltar da lida um pouco mais tarde do que o usual, encontrei meu menino com os olhos inchados, vermelhos, lacrimejantes, sentado num canto do seu quartinho, segurando uma amassada folha de papel de embrulhar pão. Nunca houve segredos entre nós. Tudo era revelado no tempo certo. Dependíamos de nós mesmos para superar as vicissitudes da vida. Havia muito mais do que laços de sangue que nos unia. Éramos, acima de qualquer coisa, amigos de verdade um do outro.

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No que se refere ao lado “bicha” de Tito, quero acreditar que nunca havíamos tocado no assunto por uma simples questão de falta de diálogo profundo sobre esse tema. Acho que fugíamos um do outro, tentando esconder nossas verdades. Perdoe-me se pareço confuso. Sem palavras, ajoelhei-me diante de Tito e peguei com a máxima delicadeza possível o pedaço de papel que jazia em suas mãos frias. Li a carta. Era uma desculpa de despedida, escrita em linhas tortas por um covarde que teve a coragem de descartar meu filho, sem motivo concreto, numa atitude infeliz. Mesmo confuso em ter que aceitar, daquela maneira, que meu filho era realmente diferente dos outros homens que eu conhecia, levei apenas alguns minutos para jogar o preconceito para longe e assumir minha posição de pai-protetor, dando o apoio reconfortante através de um caloroso abraço naquele que era a razão da minha vida. Permanecemos em silêncio por longo tempo. Quando meu filho encontrou forças para falar, desandou a relatar tudo o que havia acontecido com ele e seu último amante. Senti pena ao descobrir que meu Tito costumava se entregar totalmente aos homens que acenavam-lhe com promessas de amor eterno, quando na verdade o que mais queriam era degustar aquela carne farta e macia e depois descartá-lo como um vagabundo qualquer, como faziam com as mulheres de vida fácil (vida fácil?) da rua Azul, o ponto de putaria mais famoso da nossa região, conhecido até no Exterior. A revolta martelava meu peito. Meu filho chorava e contava suas desventuras. Acabei reconhecendo alguns dos machos que haviam se deitado com ele desde os treze anos de idade. O da padaria, que foi o primeiro. Depois veio o cantador, em seguida foi a vez do vereador e por último, o cafajeste do frentista, que comeu Tito por quase cinco anos, mesmo meu filho sabendo que o canalha era casado e pai de família. Promessas infundadas de amores não concretizados. A ingenuidade do meu filho feria minha alma cansada. Enquanto ele declamava quase sete anos de casos assim, na lata, diante do seu velho pai, minha cabeça rodava lentamente para lugar algum e um peso forçava o meu pescoço a dobrar meus pensamentos para frente e para trás. Tudo veio rápido demais.

***

Levei uma semana para compreender tudo o que havia se passado naquele dia. Foram

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noites sem dormir, matutando, queimando o resto dos meus neurônios sadios, tentando encontrar a solução mágica para contornar aquela situação inusitada, sem paralelo, totalmente fora da minha realidade. Tito jamais demostrara que gostava de queimar a rosca. Não interprete como pejorativa essa minha colocação, mas era assim que eu pensava naqueles dias de confusão mental. Quantas horas não perdi rezando para que o Pai me desse uma luz, me indicasse um caminho. Mas Ele devia estar passando as férias de dezembro na Europa, esquecendo por completo seu fiel calango nordestino. Meu filho era um garoto normal. Um moreno de profundos olhos verdes, dono de um corpo sem excessos, onde um sorriso de dentes perfeitos – o maior patrimônio de um homem – emoldurava seu rosto redondo, coberto por uma pele divina, daquelas que muitas mulheres se matariam para poder conquistar nem que fosse por um único dia. O possível traço de “viado” que eu as vezes notava em meu rebento era que ele adorava dançar umas coreografias estranhas, geralmente passos que ele via à exaustão em nosso velho videocassete, de uma louca platinada, cheia de crucifixos e pouca roupa, embrenhada no meio de rapazes sarados, esbanjando saúde. Madonna, isso, é essa a maluca que desvirtuou meu filho! Quantas e quantas vezes eu não o pegava dançando e rebolando junto com a Maria e a Madalena, nossas vizinhas, onde o trio cantava num inglês que não era inglês e pulava, ensandecido, diante das performances exaustivamente produzidas da cantora estrangeira. José, o pai das meninas amigas do meu filho, um dia me disse que “homem que gostava da Madonna era viado”. Ameacei furá-lo com minha faca afiada e o assunto nunca mais veio à tona.

***

Após aquela noite em que eu havia socorrido meu filho, tentando libertá-lo da dor da separação (o frentista maldito tinha se mudado com mulher e filhos para Garanhuns), não tocamos mais no assunto e tudo aparentemente voltou à rotina de sempre. Alguns meses depois, me ausentei de casa por algumas horas, numa tarde de um domingo tedioso. Tito estava na casa de suas amigas, estudando feito louco para um concurso que era promovido pela prefeitura.

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Passei a tarde toda na companhia de amigos, no bar dos irmãos Antunes, bebendo cerveja e comemorando a safrinha que finalmente tinha sido boa após anos de prejuízo e trabalho em vão. Ao voltar pra casa, quando a lua já se encontrava no centro do firmamento, ouvi murmúrios e sons de movimentos ritmados vindos de um matagal que ficava bem atrás da minha propriedade. O som da violência de um tapa e o grito abafado do que julguei ser uma vítima de estupro ferveu o meu sangue. Cabra que tenta violentar uma mulher aqui onde eu moro é punido com a morte, pode apostar! Entrei de supetão no mato espesso e com a faca em punho ia partindo para a ignorância diante daquele que eu imaginava ser um tremendo marginal, safado, sem-vergonha. A luz azul que iluminava parcamente a clareira recém descoberta, mostrou-me uma cena nunca antes sequer imaginada: meu Tito estava sendo currado por um monstro. Comer meu filho por prazer eu até podia aceitar, mas usar de violência com meu menino era inaceitável! Bastou um único movimento certeiro para que minha faca fizesse um rasgo na pele do maluco. Uma bela talha no antebraço fez com que o animal urrasse de dor, cambaleando em disparada mato adentro. Apanhei meu filho nos braços, como se apanha um animal ferido e assustado. Juntei mal-emal suas poucas roupas e o levei para casa, ambos encobertos pelo silêncio de uma noite abafada. Eu não fiz perguntas e não esperei respostas sobre o que havia ocorrido. Na manhã seguinte, antes de ir para a lida, acordei Tito por volta das quatro da manhã. Mesmo sonolento, segurei firmemente em seus braços e lhe sapequei uma única pergunta: “Você precisa de um homem para ser feliz, certo?”, eu disse, num tom de voz que misturava a compaixão com uma raiva incontida. Meu filho, confuso, fez um “sim” com a cabeça. Minha resposta foi cobrir aquele corpo trêmulo com meus braços fortes. Instintivamente meus lábios procuraram os dele e meu bigode sentiu o ar quente que exalava daquelas narinas miúdas, onde nossas bocas foram unidas num contato que selava de vez o nosso amor único. Minha razão foi abandonada na cozinha. Naquele quarto, àquela hora, eu queria beijar meu filho e com o meu beijo proteger-lhe da maldade exterior; de todos os homens que haviam usado o seu corpo e destruído o que havia de belo em seu coração.

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Daquele instante em diante, eu seria o seu homem, seu pai, seu protetor e seu amante. Meu filho, experiente, conduziu nosso ato de amor e em minutos eu estava sentindo o meu sexo sagrado vivo novamente. Desde a morte da minha Dorinha jamais havia penetrado outro corpo sequer. Sei que muitos não acreditam que um homem seja capaz de esquecer do sexo. Mas eu havia renascido. Eu estava invadindo o interior da minha própria carne. Eu chorava, as lágrimas encharcavam o meu rosto marcado pelo tempo, correndo soltas por todos os sulcos da minha cara enrugada. Eu penetrava meu filho, meu próprio filho, e um misto de amor, de prazer incubado, de pavor, de medo e de alegrias inenarráveis invadiam a minha alma. Eu não estava fazendo sexo, entenda isso. Eu estava fazendo amor, amor de verdade! Gozei como jamais havia gozado na vida. Completamente molhados de suor, trocamos mais um beijo apaixonado e acabei dormindo sobre o corpo que agora seria só meu, cuidado por mim, amado pela pureza do meu ser por toda a minha eternidade. Esqueci do trabalho do dia e Tito também não saiu para os seus estudos naquela manhã. Permanecemos na cama por longas horas. A casa toda fechada e o calor beirando o insuportável em nada abalou o nosso desejo de permanecer juntos, grudados, um só corpo numa só carne. Havia uma velha banheira onde Dora costumava banhar-se no passado distante. Eu e meu filho a limpamos e enchemos o seu interior com um pouco de água. Era um luxo que nós merecíamos usufruir. E mais uma vez fizemos amor no meio das águas da nossa paixão recém descoberta. Meu filho ensinou-me a arte da felação. Jogados no chão da sala, com os corpos ainda molhados, eu descobria o sabor do sexo do meu filho, enquanto ele degustava a carne rígida do seu pai amado. Gozamos juntos e sorvemos juntos, pela primeira de muitas e muitas vezes futuras, a nossa própria essência abençoada pelos céus.

***

Hoje completo 58 anos. Sou amante do meu filho há exatamente oito anos. Ainda vivemos aqui na terra fumegante pra lá de deus-me-livre. Tito trabalha na biblioteca municipal. Eu continuo cuidando da minha pequena plantação de qualquer coisa que pegue nesse solo árido.

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O nosso amor segue intacto, inabalável. Um amor que transcende (transcende?) os frígidos anseios da carne. No meu filho eu encontrei a paz de espírito. Com a cabeça repousada em meu peito, Tito encontrou seu porto seguro. Tudo o que precisamos na vida é da companhia um do outro. Somos felizes. Somos realizados. Já não desejamos ou queremos mais nada dessa existência, a não ser o prazer do toque das nossas mãos em nossos corpos morenos, da união dos nossos lábios formando o laço da nossa união eterna, e dos nossos sexos disputando espaço em todos os nossos orifícios do prazer, onde unimos nossas almas naquilo que é mais sagrado: a amplitude do amor completo entre pai e filho.

“Tito - Meu filho, meu amante” é um conto da série “Evangelho Segundo Sipriano”

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O AUTOR :: MOA SIPRIANO

Nasci em Jundiaí, uma próspera cidade do interior de São Paulo. Minha mãe é uma guerreira. Tenho duas irmãs fantásticas, dois cunhados bacanas, duas sobrinhas fofas, algumas primas idolatradas e uma tia que é fora-de-série. Ah, também tenho um pai... ausente. Comecei a escrever roteiros, poesias, letras de músicas e outras bobiças aos 12 anos. Eu vivia anotando meus sonhos e minhas verdades em papéis soltos que foram se perdendo pelo caminho. Sempre escrevi histórias que de alguma maneira retratavam a homossexualidade masculina. Em 1988, após uma experiência pessoal "abalante", resolvi desabafar através de uma autoterapia forçada, escrevendo em uma noite Uma carta para Hans. Foi o primeiro conto. Em 2004, ao criar a primeira versão do meu site oficial, fiquei totalmente surpreso com a polêmica, os comentários inflamados e a repercussão positiva junto aos leitores ao publicar meus primeiros artigos na Internet: Deus x Gays, Afeminado? Tô fora e Você é Ativo ou Passivo; além da série Poltrona 47 (cinco contos que retratam as experiências sexuais de um rapaz dentro de um ônibus) e o conto Filipe ou Treze homens e um destino (história que retrata de uma maneira polêmica as atitudes de um rapaz que ao saber que pode estar contaminado com o vírus da AIDS, num momento de revolta e irresponsabilidade total resolve se vingar e transar com treze homens em um único dia). Foi este incentivo que me levou a apostar no meu tipo de literatura. Desde então, nunca mais parei de escrever, procurando aprender e evoluir a cada dia como um bom contador de histórias gays. Em 2005, por causa do sucesso do conto Filipe, busquei inspiração para desenvolver o projeto 30 dias. A história de Jägger foi realmente escrita em tempo real, conforme as datas descritas no diário do personagem. Foi um desafio enorme escrever trinta capítulos em exatos trinta dias e postar um capítulo diário, em formato de blog, em meu site. E mesmo não tendo divulgado devidamente este projeto, a repercussão foi muito promissora.

Em 2007, após editar e ampliar o conto, transformando-o em um e-book e carro-chefe na divulgação do meu trabalho, resolvi disponibilizá-lo gratuitamente em meu site. Percebendo a boa receptividade de "30 dias", acabei transformando praticamente toda minha produção literária nesse formato, tonando-me assim um pioneiro na divulgação e distribuição no Brasil de livros digitais gratuitos contendo literatura gay de qualidade. Em 2008, após mais de 20 mil downloads no Brasil de todos os meus títulos publicados e também por causa da grande quantidade de comentários incentivadores dos meus leitores é que continuo me esforçando na produção constante e divulgação permanente de uma literatura "gay" de excelente entretenimento. A homossexualidade, o amor verdadeiro, os conflitos internos, a amizade e a espiritualidade são temas recorrentes no meu trabalho literário. Espero que minhas histórias e verdades proporcionem a você momentos de agradável leitura e reflexão.

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Caixa Econômica Federal (CEF) Agência: 2209 | Conta Poupança: 013.00034097-2 Nome: Moa Sipriano OBS: Qualquer tipo de ajuda será bem-vinda e, antes de tudo, vista como um SINAL DE GRATIDÃO E RECONHECIMENTO À PROPOSTA DESSE PROJETO. Os depósitos serão revertidos em amortização dos custos de hospedagem e manutenção do site, e também servirão na ajuda de custos de gráfica para que eu possa em breve - por conta própria lançar meu primeiro livro impresso. Por favor, jamais se sinta forçado a nada. E muito obrigado, de coração, por ser meu fã! MOA SIPRIANO.com - literatura gay de qualidade

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