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meu pai, meu homem

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Arthur deixou uma carta sobre a mesa da cozinha, sabendo que o pai adorava preparar o almoço domingueiro para ambos. Mas naquele dia o filho não queria comida síria. Arthur se preparava para ser o prato principal.
Arthur deixou uma carta sobre a mesa da cozinha, sabendo que o pai adorava preparar o almoço domingueiro para ambos. Mas naquele dia o filho não queria comida síria. Arthur se preparava para ser o prato principal.

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moa sipriano | meu pai, meu homem | 1

meu pai, meu homem
um conto da série “evangelho segundo sipriano”

Moa Sipriano
MOASIPRIANO.COM

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moa sipriano | meu pai, meu homem | 2

“Filemon, meu pai, minha vontade nesse exato momento era te jogar sobre a mesa da cozinha. Sei que hoje estou muito mais forte do que você - em todos os sentidos - e tenho certeza que agarraria seu corpo roliço com facilidade, dominando-o por completo. Com a adrenalina ultrapassando todos os limites, você apanharia a velha taça de vinho tinto do lado esquerdo da mesa. Segurando a fina haste de cristal, num movimento impensado, todo o líquido doce seria alvejado em meu rosto quente, suado, salgado. Durante a mistura dos elementos numa alquimia única, eu rasgaria teu velho calção azul com a força de apenas uma das minhas mãos. As gotas vermelhas como sangue pingariam aleatoriamente sobre a cabeça do “poderoso”, purificando-o novamente. Minha saliva ácida se misturaria ao doce néctar e minha boca louca reverenciaria o teu mastro, tua madeira de lei. Teu báculo sagrado seria acariciado pela minha língua quente, num ritual pagão, como certamente havíamos participado em tempos antigos. Como num passe de mágica, teu mastro deixaria de existir por longos segundos, perdido, escondido dentro da minha boca gulosa, insaciável. Minha garganta profunda sempre desafiara os mais céticos e mesmo você, homem experiente, provaria do prazer inigualável da minha gruta demente. Grite, grite, seu homem turrão. Seu velho, meu velho, meu homem, meu macho. Sujo-te de sangue, o sangue dos romanos. Júlio, César, Marco Antonio. Eu nunca quis trepar com meus tios (oportunidades nunca faltaram), pois sempre me guardei para fazer fazer o amor com você! Venha, venha meu pai, agarre o teu filho Arthur com o poder das tuas mãos santas. Penetre tuas unhas no meu peito coberto de pêlos fartos. Faça-me urrar de dor, de prazer, de desejo. Soco mais uma no meu quarto, pai, soco a milésima punheta, daquele jeito que você me ensinou quando eu tinha treze anos. A luz emanada pelo monitor embaça meus sentidos. Continuemos. Agora empurro-te da mesa. Jogo-te no chão. Cale a boca, não diga nada. Segure teu mastro assim, bem empinado, pois o teu filho aqui, virado um peão de rodeio, quer cavalgar por bem mais do que os oito segundos. Quero ser empalado pela lança do romano. Vamos ultrapassar os onze minutos do Paulo Coelho. Penetra-me, penetre bem fundo. Fura-me, tire a última prega do meu rabo ensandecido. Maria, Maria estava certa!

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O buraco rosado abre e fecha, sou uma cadela, não mais um peão. Foda-me, foda-me, prove-me que tu és um homem. Ai, meu rabo, ai, quero a dor, continue, não pare, rasgue meu rabo, rasgue meu peito. Deixe-me ver tuas mãos, tuas mãos estão repletas de pêlos, daqueles pêlos dourados que você costumava zombar, chamando-me de “ursinho pú”, apelido que eu sempre odiei, ah, como odiei isso desde a primeira vez, quando eu havia completado dezesseis. Pai, agarre minhas bundas, todas elas. Isso, não pare. Arranque também todos os pêlos do meu rabo macio. Não pare. Quero a dor. Quero a dor do prazer. Continue. Não pare, foda-me. Sou teu urso, tua presa, teu prêmio. Vem, vem meu caçador, meu velho caçador, e me devore. De quatro, assim, do jeito que você mais gosta.Não sou mais um urso, volto a ser uma cadela. Travo tua vara anciã dentro do meu íntimo. Força, força, tente tirar a espada se for capaz. Arthur, o rei, a Távola Redonda. A espada, sempre a espada. Força, meu pai, meu homem, meu macho. Eu não deixo, eu não deixo você sair de mim. Arthur pai devorando o Arthur filhote. Agora, o tempo chama, o tempo grita, não pare. Foda-se o teu suor. E também não me importo com as batidas descompassadas do teu coração sexagenário. Vamos, vamos meu velho experiente, meu pai-sabe-tudo. Você achava que já sabia tudo, não é mesmo? Tolo, seu tolo, eu sou único, meu rabo é único, minha boca é única. Não, você nunca comeu ninguém assim. Assim, goze, goze, seu velho babão. Ainda não acabou. Você ainda não sofreu. Eu quero a dor. Eu quero a dor do prazer. Tua porra, ah, tua porra inundou meu universo. Quero o gosto. Quero sentir o gosto. Quero o teu gozo. Agora te solto. Solto o báculo, mas agarro a espada. Não, eu não deixo, ele não vai cair. Ele, o cacete. Ela, a pica. A minha pistola apontada para mim. Abro a boca. Vamos, meu velho, mais um pouco. Quero a essência. Quero a porra ancestral. Assim, assim mesmo. Grite, esporreie na minha garganta. Ah, que delícia! Quente, pulsante, a última golfada. Eu chupo, eu limpo, eu apago todos os vestígios. Beije-me, sinta o meu, o teu, o nosso gosto. Quero vinho. Jogue o resto do vinho tinto da receita na minha cara branca. Agora. Mais uma vez. Puxo os teus cabelos cinzas. Eu quero mais, meu pai. Muito mais. Vem, vem ser meu submisso. Abra a tua boca. Entorno o resto da garrafa goela abaixo. Vem, beija minha boca.

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Cospe, cospe o vermelho. Assim, doce. Continue beijando. A carne, a carne está queimando. Não, não seu tolo, além da panela há outra carne torrando no fogo. O fogo, o fogo do inferno. Vermelho, vinho, quero o teu sangue. Venha, venha, meu macho, meu pai, meu homem. Abocanhe, sinta meu caralho. Sim, o meu ca-ra-lho. Pensou que eu não ia querer? Pensou que era só me foder? Cale a boca, engole as palavras. Abra a boca, engule a tora. Assim, desse jeito. Não, papai, não sugue, só chupe. Ah, assim. Ai que delícia. Mais rápido, mais rápido. Não, agora eu não tenho tempo para beijos românticos. Desça. Desça para o inferno, para o calor do meu bastão jovem, cheio de vida. Sim, estou lendo teus pensamentos, você já teve vinte anos muito bem vividos, eu sei. Eu sei que você comia o teu professor de francês. Eu já ouvi essa história centenas de vezes. Bêbado, sempre bêbado. Pare de pensar. Chupe, continue. Ele vem, sim, ele vem. O elixir da tua juventude. Ah, não pare. Chupe, papai. Sim, eu bato, eu esfolo a tua cara de couro vencido. Sim, eu seguro, eu seguro os teus cabelos fartos. Assim, tudo lá dentro, tua garganta não é profunda como a minha, mas você é esforçado. Vinte, vinte centímetros reais na tua boca. Pelo menos isso você me deixou de herança. Assim, não pare, não paaareeee! Não se atreva. Feche a boca, meu pai. Engula, assim, tudo, tudo. Eu sei que não foi a sua primeira vez. Abra a boca, deixe-me ver. Não, ainda não. O ritual ainda não está completo.Venha cá. Quero o beijo. Sim, o nosso beijo. Assim, gostoso, quente, intenso. Ainda está duro. A Fênix. Ressuscitou. Sim, eu quero. Nós dois. Vire, vire, põe tudo na boca. Meia nove. Que delícia. A guerra dos báculos. Os báculos sagrados brigam com as espadas saliventas. Assim, pai, no ritmo. Meia nove. Não pare. Não podemos parar. Assim, novamente. Goze, goze meu velho. No meu peito, a tua brancura espalhada bem no centro dos meus pêlos dourados. Respire, respire, busque novamente o ar. É o fim, é o fim da dor. Da dor do prazer. Agora eu quero teu abraço. Assim, juntos, bem unidos num só corpo. Venha, quero o teu romantismo. Mais vinho. Não, não se levante. Não busque outra garrafa. Venha, há mais vinho guardado na superfície dos meus lábios. Impossível, ridículo, irreal, você diz. Cale a boca, cale a boca, meu pai. Não diga nada, não há pecado original. Volte para os meus braços.

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O abraço, o abraço-urso. Assim, do nosso jeito. Vem, quero o teu amor. A dor já passou. Não, não se preocupe com a carne. Ela já queimou. Todas estão em cinzas. Vem, meu pai querido, preciso do carinho masculino. Quero o teu amor. Vem provar o vinho. Vem beijar meus lábios. Vem sentir o calor emanado do meu peito apaixonado. Quero o sonho. Quero o sonho dos amantes. Quero a carne. Quero a tua carne. Quero a carne da panela. Quero as cinzas da panela. Eu te amo!”

***

PS. Arthur Filemon, meu pai, esqueça o Fistikli. Deixe os cubos de músculo repousarem na tigela. Deixe os pistaches guardados na lata dourada. Apague o fogo. Venha para o meu quarto. Estou esperando.

*** “Filemon - Meu pai, meu homem” é um conto da série “Evangelho Segundo Sipriano”

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O AUTOR :: MOA SIPRIANO

Nasci em Jundiaí, uma próspera cidade do interior de São Paulo. Minha mãe é uma guerreira. Tenho duas irmãs fantásticas, dois cunhados bacanas, duas sobrinhas fofas, algumas primas idolatradas e uma tia que é fora-de-série. Ah, também tenho um pai... ausente. Comecei a escrever roteiros, poesias, letras de músicas e outras bobiças aos 12 anos. Eu vivia anotando meus sonhos e minhas verdades em papéis soltos que foram se perdendo pelo caminho. Sempre escrevi histórias que de alguma maneira retratavam a homossexualidade masculina. Em 1988, após uma experiência pessoal "abalante", resolvi desabafar através de uma autoterapia forçada, escrevendo em uma noite Uma carta para Hans. Foi o primeiro conto. Em 2004, ao criar a primeira versão do meu site oficial, fiquei totalmente surpreso com a polêmica, os comentários inflamados e a repercussão positiva junto aos leitores ao publicar meus primeiros artigos na Internet: Deus x Gays, Afeminado? Tô fora e Você é Ativo ou Passivo; além da série Poltrona 47 (cinco contos que retratam as experiências sexuais de um rapaz dentro de um ônibus) e o conto Filipe ou Treze homens e um destino (história que retrata de uma maneira polêmica as atitudes de um rapaz que ao saber que pode estar contaminado com o vírus da AIDS, num momento de revolta e irresponsabilidade total resolve se vingar e transar com treze homens em um único dia). Foi este incentivo que me levou a apostar no meu tipo de literatura. Desde então, nunca mais parei de escrever, procurando aprender e evoluir a cada dia como um bom contador de histórias gays. Em 2005, por causa do sucesso do conto Filipe, busquei inspiração para desenvolver o projeto 30 dias. A história de Jägger foi realmente escrita em tempo real, conforme as datas descritas no diário do personagem. Foi um desafio enorme escrever trinta capítulos em exatos trinta dias e postar um capítulo diário, em formato de blog, em meu site. E mesmo não tendo divulgado devidamente este projeto, a repercussão foi muito promissora.

Em 2007, após editar e ampliar o conto, transformando-o em um e-book e carro-chefe na divulgação do meu trabalho, resolvi disponibilizá-lo gratuitamente em meu site. Percebendo a boa receptividade de "30 dias", acabei transformando praticamente toda minha produção literária nesse formato, tonando-me assim um pioneiro na divulgação e distribuição no Brasil de livros digitais gratuitos contendo literatura gay de qualidade. Em 2008, após mais de 20 mil downloads no Brasil de todos os meus títulos publicados e também por causa da grande quantidade de comentários incentivadores dos meus leitores é que continuo me esforçando na produção constante e divulgação permanente de uma literatura "gay" de excelente entretenimento. A homossexualidade, o amor verdadeiro, os conflitos internos, a amizade e a espiritualidade são temas recorrentes no meu trabalho literário. Espero que minhas histórias e verdades proporcionem a você momentos de agradável leitura e reflexão.

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Caixa Econômica Federal (CEF) Agência: 2209 | Conta Poupança: 013.00034097-2 Nome: Moa Sipriano OBS: Qualquer tipo de ajuda será bem-vinda e, antes de tudo, vista como um SINAL DE GRATIDÃO E RECONHECIMENTO À PROPOSTA DESSE PROJETO. Os depósitos serão revertidos em amortização dos custos de hospedagem e manutenção do site, e também servirão na ajuda de custos de gráfica para que eu possa em breve - por conta própria lançar meu primeiro livro impresso. Por favor, jamais se sinta forçado a nada. E muito obrigado, de coração, por ser meu fã! MOA SIPRIANO.com - literatura gay de qualidade

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