Querida leitora,
Quantas vezes na vida pensamos que estamos no rumo certo, que sabemos exatamente o que
queremos e tomando todas as providências para concretizar o plano? Nós nos sentimos confortáveis
e seguros. Mas e se descobrirmos que não era nada disso que queríamos assim que o objetivo é
alcançado?
Esse é o dilema contra o qual Theron Anetakis se debate em Rebeldia. Ele está pronto para criar
raízes, começar uma família, se casar com a mulher equilibrada e apaziguadora que escolheu para ser
sua esposa. Até Isabella Caplan irromper com a força de um tornado em sua vida meticulosamente
ordenada!
Ela dá um jeito de anarquizar com os planos de Theron, e o pior, faz com que ele se questione se
era aquilo mesmo o que queria. Assim, ensina para ele uma das lições mais importantes: buscar o
que realmente desejamos, e nunca nos contentarmos com menos.
Espero que goste da história de Bella e Theron tanto quanto amei escrevê-la. É um romance
cravejado de emoções, porém, o mais importante, é que fala sobre um amor profundo e eterno.
Tomara que você suspire a cada página nessa jornada a um final feliz.
Boa leitura!
Maya Banks

REBELDIA
Tradução
Vera Vasconcellos

2014

– Seus lábios se contraíram em uma expressão desgostosa. – Estou diante de uma carta na qual ela o informa de seu progresso. Theron não perdeu tempo com saudações. impaciente. Sentiu uma pontada de remorso pela probabilidade de acordar Marley. Chrysander não seria infiel a Marley. contratos. – Diga-me apenas o que preciso saber para me livrar dela – acrescentou Theron. Resmungando xingamentos. por fim. seja lá o que isso signifique. Não. que a ligação se completasse. – É melhor ter uma boa razão para telefonar a esta hora – rosnou Chrysander com voz sonolenta. Essa mulher não é muito nova para estar envolvida com você? . responsável e – o mais importante – leal. Era uma mulher mais velha. e que se formou com sucesso. Sem se importar com a diferença de fuso horário e com a possibilidade de acordar o irmão. a ex-assistente de Chrysander. mensagens e e-mails. a esposa de Chrysander. A criminosa. ele ainda tentava decifrar aquela bagunça. após o fiasco com Roslyn. Theron optara por trazer a própria secretária do seu escritório em Londres. Após a descoberta de que um dos membros da equipe da empresa estava vendendo os projetos de um hotel da Anetakis para um concorrente. mas se deteve quando viu o que estava escrito. os irmãos Anetakis se tornaram receosos em permitir acesso ilimitado às informações confidenciais da empresa a outro funcionário. – Está ligando a esta hora para perguntar sobre uma mulher? – Diga-me… – Theron fez um movimento negativo com a cabeça. atirava cartas para a direita e a esquerda. E pensar que a secretária já dera conta da maior parte daquela desordem! Theron estacou diante de uma carta endereçada a Chrysander e quase a atirou no lixo. ela era atirada na pilha de assuntos que demandavam sua atenção. Por conta do ocorrido. – Quem diabos é Isabella? – perguntou. Embora nenhum dos irmãos Anetakis estivesse disposto a confiar totalmente em outro funcionário. deveria ter sido antes de ele conhecer a esposa. O que quer que aquela mulher representasse na vida do irmão. Chrysander.Capítulo 1 THERON ANETAKIS separava em pilhas a montanha de papéis de trabalho que a secretária deixara sobre sua mesa para que ele analisasse. Linhas profundas lhe vincavam a testa ao esticar a outra mão para o telefone. Theron e os irmãos fizeram uma faxina corporativa e reformaram o quadro de funcionários. Quando surgia alguma que merecia mais que um olhar superficial. Theron foi recebido com uma pilha de documentos. mas tinha esperança de que ele atendesse antes que isso acontecesse. – Isabella? – Não havia dúvidas quanto à surpresa na voz de Chrysander. Mas. Outras tinham como destino a lata de lixo. Assumir os escritórios de Nova York não fora um processo tranquilo. fora presa após um acordo judicial. Ao chegar de Londres. digitou o número e esperou. que se encontrava ao lado de seu pé. – Theos. quase irritado. Dois dias depois.

– Embora sua devoção à minha esposa seja louvável. mas. Em seguida. o grupo Anetakis International atua como seu curador. Theron não prestara atenção à jovem. impaciente. – E por que nunca ouvi esta história antes? – Nossos pais foram amigos e sócios nos negócios por muito tempo. E então Theron ouviu o irmão ofegar do outro lado da linha. – Não estou conseguindo pensar com clareza a esta hora da noite. se lhe acontecesse alguma coisa. – Nesse caso. Menina inteligente… – Mas por que está recebendo notícias dela? – quis saber Theron. você deveria saber que. isso o torna uma espécie de tutor de Isabella. Isabella deve ter acabado de se formar. – Que dever? – Theron se surpreendeu. Isabella comparecera ao funeral de seu pai. mas para ser sincero. Chrysander soltou um xingamento. Não levará muito tempo para que a acomode e providencie o que . Mas preciso dos detalhes. deixou escapar um suspiro. cuidaríamos da menina. – Ela não está tão pequena agora. portanto assumi a responsabilidade pelo bem-estar de Isabella quando ela ficou órfã. De uns tempos para cá tenho estado focado em Marley e nosso filho. Como agora é você o representante da Anetakis em Nova York. focado na própria dor. – Não posso deixar Marley agora. Tudo que tem de fazer é ajudá-la a resolver seus assuntos e providenciar o que ela necessita. nesse meio-tempo. – Caplan. – A pequena Isabella? – perguntou Theron. – Bella não será problema algum. Nosso pai morreu antes do pai dela. Isabella só terá total controle sobre sua herança quando fizer 25 anos. a encontrara algumas vezes. Lembrava-se de que ela era tímida e modesta.Chrysander explodiu em uma torrente de xingamentos em grego que fez Theron afastar o fone do ouvido até que o irmão se acalmasse. – Estou casado. o que acontecer primeiro. – Bella! Claro – murmurou ele. – Eu sabia que devia ter obrigado Piers a assumir o escritório de Nova York. Portanto. – Theron meneou a cabeça. não é necessária – retrucou Chrysander sem rodeios. Desde então. Isabella Caplan. – Pelo amor de Deus. A imagem de uma préadolescente desengonçada. e a última coisa que eu queria era vê-la causando problemas a Marley. irmãozinho – disse Chrysander em um tom de voz frio. surpreso. não conseguia conjurar a imagem de Isabella mais velha. – E eu repito: quem é Bella? – Theron sentia a paciência se esvair. – Não estou gostando de sua insinuação. irmãozinho. de acordo com esta carta. Chrysander soltou uma risada. – Isso será moleza. É uma doce menina. – Nosso dever para com Bella sumiu da minha mente. Theron gemeu. de rabo de cavalo e aparelho dentário lhe espocou na mente. Que idade ela teria naquela época? Chrysander soltou uma risada abafada. Estava indo muito bem na faculdade. Vou creditar isso na conta de problemas que herdei quando trocamos de filial. Claro que não estou envolvido com essa Isabella. – Claro que não. achei que ela fosse uma ex-amante sua. O pai de Isabella fez o nosso prometer que. ela irá para Nova York daqui a dois dias – disse Theron. A última coisa de que você necessita agora é de outra preocupação. sempre procurando passar despercebida. O escritório de Nova York é responsabilidade minha. ou quando se casar. – Cuidarei disso. Theron não se lembrara dela até Chrysander mencionar o sobrenome. Certamente você lembra.

A limusine deixou a área de desembarque em direção ao Imperial Park. ela se recostou. enquanto o outro se acomodava no banco da frente. Caplan. – Uma mensagem do sr. Quando adentraram o saguão. srta. MAL ISABELLA Caplan passou pelo controle de segurança do aeroporto. e a encontraria em Nova York para providenciar tudo de que ela necessitasse para sua viagem ao exterior. No mesmo instante. . girou o envelope e escorregou os dedos suavemente pelas letras escritas à mão: “Isabella Caplan. ela ergueu a mão. Para sua surpresa. outros dois homens se adiantaram para ladeá-la. – Será entregue no hotel muito em breve. esperando sentir a fragrância daquele homem. quando Isabella havia acabado de se sentar no sofá e retirar os sapatos. – Uh… olá – cumprimentou Isabella. encaminhou-se para atender. Privacidade estava fora de questão. – Providenciei para que alguém recolhesse sua mala no terminal de bagagens – informou Henry. com um buquê de flores e uma cesta recheada de todo tipo de sortimento de petiscos e frutas. ela encostou o envelope no nariz. Ela ficaria em Nova York… indefinidamente. A porta do passageiro se abriu. fato que informara a Chrysander na carta que lhe enviara. e esses cavalheiros são membros da equipe de segurança do sr. Dentro de dez minutos. Resmungando baixo. mas inegável. a fragrância de Theron. o hotel dos irmãos Anetakis. O homem lhe estendeu um envelope cor de creme. e deparou com outro funcionário do hotel à soleira. um dos homens da segurança abriu a porta da limusine para Isabella e se sentou ao lado dela. E lá estava. Do lado de fora. Isabella sorriu. e tudo que Isabella desejava era se deitar e relaxar naquele assento. Isabella ergueu as sobrancelhas. Aquela viagem fora planejada como uma breve parada em seu caminho para a Europa. Como se isso não bastasse. Lembrava-se daquela colônia como se fosse ontem. Chrysander sempre lhe providenciava uma suíte quando ela visitava Nova York. Theron ainda não sabia. Anetakis? O jovem pareceu envergonhado. avistou um homem com uniforme de chofer segurando uma placa na qual estava escrito seu nome. Quando o veículo se pôs em movimento. agradeceu e fechou a porta outra vez. ouviu outra batida na porta. passando direto pela recepção. A limusine parou em frente ao hotel. – Qual dos srs. Em seguida. o que não ocorria com muita frequência. Era óbvio que Theron ainda usava a mesma. informando-a de que agora seria ele quem cuidaria de seus assuntos. A expressão confusa de Isabella devia ser evidente. Suave. a bagagem foi entregue em seu quarto. ao lado do chofer. Anetakis. seu motorista por hoje. acenando enquanto se aproximava. – Theron. enquanto a guiava na direção da saída. Sou Henry. e o segurança que sentara no banco da frente estendeu a mão para ajudá-la a sair. Mas tudo mudou no instante em que recebeu uma mensagem concisa de Theron Anetakis.ela precisa. mas a viagem de Isabella se tornara algo do passado. Anetakis. Isabella foi encaminhada imediatamente à própria suíte.” Seria a letra de Theron? Permitindo-se um instante de tolice. porque o chofer sorriu e disse: – Seja bem-vinda a Nova York.

– Eu poderia ter ficado em outro quarto. Mais irresistível. e a honra era tudo. Mas naquela época. Finalmente. curiosa. Theron se tornara ainda mais desejável. Estou ocupando temporariamente outro quarto. Enquanto ela esperava crescer para reivindicá-lo. como Piers estava fora do país e nunca tivera sequer uma conversa com ela. rouca. só podia ser Theron. Isabella se deixou afundar no sofá e pousou os pés sobre a mesa de centro. e Isabella se achava tão confortável no sofá… Após se forçar a levantar. – Eu não a reservei – retrucou ele. Não havia necessidade de sair de sua suíte por minha causa. Isabella não esperava que ele se atirasse em seus braços. A única suíte disponível era… a minha. A viagem à Europa estava cancelada. – Por que abriu mão de sua suíte? – O hotel está passando por reformas. arrancando-lhe um suspiro exasperado. O que motivara sua viagem à Europa fora o fato de Theron morar lá. na última vez em que ela estivera ali. Quando Chrysander se casara. Não seria fácil. – Então onde você está? – perguntou. A tornozeleira delicada faiscou com o movimento. – Sim – respondeu. Os irmãos Anetakis eram difíceis. mas também eram leais. Foi muita gentileza sua reservá-la para mim. O aparelho se encontrava do outro lado da sala. E seu plano para seduzir Theron entrara em ação. seria mais prazeroso deixá-lo atônito. Caplan… Isabella. Dando-lhe ordens como se ela fosse uma criança desobediente.Isabella rasgou o selo e retirou o cartão do envelope. Estou telefonando para saber se fez boa viagem e se foi acomodada sem nenhum inconveniente. – Obrigada. As unhas pintadas de um vermelho vibrante lhe atraíram o olhar. Um sorriso divertido curvou os lábios de Isabella. Theron havia se tornado ainda mais deslumbrante ao longo dos últimos anos. Isabella soltou uma risada. – É Theron Anetakis. No mesmo instante. – Srta. – Essa é minha suíte particular. Isabella estava com apenas 18 anos. Está tudo ótimo. e um arrepio de prazer lhe percorreu a espinha. claro. ele escrevera as instruções para que ela fosse ao seu escritório na manhã seguinte. Em uma caligrafia obviamente masculina. A beleza jovial fora substituída pela masculinidade sensual. Não era a voz de Chrysander e. O que a fizera se apaixonar ainda mais. enquanto agitava os pés. Podiam ter a mulher que quisessem. esperando não deixar transparecer o nervosismo. Arrogante como sempre. impaciente. Isabella olhou ao redor com renovado interesse. cambaleou para atendê-lo. – Alô? Seguiu-se um breve silêncio. – A suíte está a seu gosto? – Sim. O telefone tocou. . O que significava que Theron ficara bem mais próximo dela. e ele providenciara uma autêntica babá para acompanhá-la em sua visita à cidade. ele e a esposa se mudaram definitivamente para uma ilha de sua propriedade na Grécia. ela reconheceu o sotaque inglês. Assim. Ao menos Chrysander passara em sua suíte para ver como estava. Ou ter morado. Eram implacáveis nos negócios. Estava mais que satisfeita por aquele encontro se dar nos termos de Theron. Saber que ficaria onde Theron passava muito do seu tempo lhe causou uma emoção eletrizante.

– Vejo-o amanhã. antes de acrescentar: – O que estávamos falando mesmo? Theron parecia distraído e. e ela desligou o telefone. – Está bem. – Está bem… Bella – concedeu Theron. Haveria muito tempo para lhe comunicar sua mudança de planos. Deve se lembrar do tempo em que não éramos tão formais… Sei que se passaram alguns anos. – Recebi suas ordens. Isabella. Um sorriso malicioso curvou os lábios de Isabella. Podemos combinar às dez horas? Estou um pouco cansada e gostaria de dormir até mais tarde. Faça como for melhor para você. Solicite o serviço de quarto para o jantar. Era inútil deixá-lo em alerta de imediato. – É bom que tenha uma estada confortável. . Se ele ao menos soubesse… – Estávamos discutindo suas ordens autocráticas para que eu comparecesse ao seu escritório amanhã. Seguiu-se um silêncio constrangedor. Ou de Bella. Lógico. mas eu não esqueci nenhum detalhe sobre você. deixando escapar em seguida um som exasperado.– Alguns dias não farão diferença alguma – afirmou ele. Um sorriso lhe curvou os lábios. Theron se despediu de maneira formal. então – disse Isabella. e sabia que não adiantaria argumentar. – Claro. – Tenho certeza de que não soei tão autocrático. embora fosse um homem educadíssimo. Oh. – Bella. Bella. Ainda mais quando Theron não tinha a menor chance de convencê-la a mudar de ideia. antes de viajar para a Europa. – Ele começava a ficar impaciente. Isabella engoliu em seco a negativa de que iria para a Europa. Ela não esperava nada menos que isso. pretendia lhe fazer uma visita no dia seguinte. – Por favor. por favor. E levavam muito a sério o que achavam ser seus deveres. srta. Suas despesas serão pagas. Um sorriso lhe curvou os cantos dos lábios ao abraçar o próprio corpo. – E claro que o atenderei. Caplan. Isabella percebeu que ele queria se livrar dela o mais rápido possível. Theron deixou escapar uma exclamação de surpresa que lhe soou suspeitosamente como um xingamento. – Foi um pedido. sem dúvida. chame-me de Isabella. Os irmãos Anetakis eram a personificação da eficiência. extasiada.

quando estacou por um segundo. Ela era proveniente de uma família grega íntegra. Sentia-se como uma porta giratória. estava na hora de se casar. semanas antes. embora ele estivesse aberto a aprofundar aquele relacionamento. em um gesto distraído. conseguira finalmente alguns minutos para respirar. Caplan está aqui para vê-lo – Madeline. Os dois formavam um belo casal e se entendiam muito bem. . Sabia apenas que Isabella se formara. Alannis… Um sorriso tristonho lhe curvou os lábios. O pai de Alannis era dono de uma empresa transportadora. Algo que discutira amigavelmente com Alannis. Esse era um assunto seu. Providenciaria para que ela tivesse tudo que necessitava. era natural que acabassem por se unir. Não tinha certeza nem mesmo da idade que ela teria agora. Isso significaria que estaria com mais ou menos 22 anos? Conjurou um sorriso gentil quando a porta se escancarou. Theron. Franzindo a testa. Alannis lhe proporcionaria uma relação de amizade e lhe daria filhos.Capítulo 2 THERON SE inclinou para trás na cadeira e observou a linha do horizonte através da janela do escritório. – Senhor. visto que Marley não desejava se mudar da ilha que ela e Chrysander haviam transformado em um lar. Velhos amigos de seu pai. – Faça-a entrar – retrucou ele. Sabia que teria de levar uma vida mais regrada agora que assumira o escritório de Nova York. Sim. Isabella entraria e sairia para sua viagem à Europa. Tentou pescar em suas lembranças a imagem daquela moça. aprumou a coluna. Theron e Alannis tinham o que poderia ser considerado uma amizade íntima. portanto. E ele lhe daria segurança e proteção. enquanto Alannis chegaria da Grécia dentro de uma semana. e tamborilou com os dedos sobre o tampo. brusco. E se pretendia morar definitivamente ali. Theron se erguera e caminhava na direção da porta para cumprimentá-la. ele ergueu a cabeça. Ela e Theron tinham muito em comum. pernas desengonçadas e aparelho nos dentes. solicitaria a alguém da Anetakis International que a encontrasse em Londres e arranjaria uma equipe de segurança para protegê-la durante sua estada naquele país. Por outro lado. Após uma manhã agitada de trabalho com reuniões e telefonemas. parecia-lhe natural encontrar uma esposa e formar uma família. a secretária. Talvez um acordo fosse o termo mais exato. mas tudo que conseguia visualizar era uma menina de olhos grandes. autorizando a pessoa a entrar. disse ao mesmo tempo que enfiava a cabeça pelo vão da porta. Não era necessário assustá-la. Sua mudança para Nova York tinha toda a probabilidade de ser permanente. Ainda bem que poderia se livrar rápido de sua obrigação para com Isabella. aguardando. a srta. Relanceou o olhar ao relógio de pulso e fez uma careta ao se lembrar de que Isabella Caplan deveria chegar dentro de cinco minutos. Os pensamentos de Theron foram interrompidos por uma batida na porta. sentando-se ereto.

Uma garra invisível parecia lhe esmagar a garganta até fazê-lo mexer o pescoço para aliviar o desconforto. A blusa. contemplando toda sorte de cenários medonhos. O olhar de Theron foi atraído para aquele ponto e para o brilho prateado no umbigo de Isabella. Isabella arqueou uma das sobrancelhas escuras. . – Esse é o tipo de coisa que Chrysander permitia que usasse na presença dele? Isabella soltou uma risada baixa. Isabella exibiu um sorriso hesitante que o fez sentir aquele gesto até a ponta dos pés. – Está fazendo um favor ao meu pai e é seu executor testamentário no que se refere à minha herança até que eu me case. – Casar? Nos termos do testamento de seu pai reza que você só terá controle sobre sua herança quando fizer 25 anos. junto com a cintura baixa da calça comprida. Ela havia colocado um piercing no umbigo? Theron piscou. baixou o olhar às próprias vestes. – Ele era… seu tutor – disse Theron. surdo e mudo para não notá-la. quando o sorriso de Isabella se alargou. seus olhos se fixaram naquele rosto deslumbrante. Uma insinuação de sorriso lhe curvava os lábios carnudos. Isabella. Em seguida. tudo que Theron conseguiu fazer foi observá-la como um adolescente cheio de espinhas que experimentasse sua primeira descarga de hormônios. – Que diabo são esses trajes que está usando? – perguntou ele. – Não pela lei – argumentou Bella. – Como sou agora. expunha aquela faixa de pele à sua visão. eriçando-lhe o cabelo naquela região. e o som fez uma corrente elétrica subir pela nuca de Theron. – Chrysander não tem direito de opinar sobre minha maneira de vestir. O cabelo longo e escuro cascateava até abaixo dos ombros. antes que pudesse se conter.sentindo todo o ar se esvair dos pulmões. Theron se recostou à mesa e estudou a jovem tão segura de si à sua frente. mas uma mulher estonteantemente bela. mas está longe de ser meu tutor. – Ou me casar – corrigiu Isabella. suave. os olhos verdes não conseguindo disfarçar o divertimento. O patrimônio que herdou atrairia uma horda de pretendentes indesejados que a querem apenas por seu dinheiro. envergonhado do fato de ter sido pego em flagrante secando-a com o olhar. Ele franziu a testa. Um homem teria de ser cego. Diante dele não se encontrava uma menina. e isso. Era um som quente e vibrante. – Quem é ele? Quero-o muito bem investigado. ao mesmo tempo que deslizava as mãos pelos quadris. As linhas que vincavam a testa de Theron se aprofundaram diante do tom sarcástico na voz de Isabella. – Planejo estar casada antes dos 25 anos. Por um longo instante. Duas covinhas se formaram no rosto delicado. E então. e os dentes brancos quase lhe ofuscaram a visão. Os cílios longos emolduravam olhos verdes faiscantes. se é que aquilo poderia se chamar de blusa. Theron se pôs em alerta. Tenho cuidado muito bem de mim mesma com uma mínima interferência de Chrysander. A bainha acabava acima do umbigo. – Acredito que seja o que costumam chamar de roupas – afirmou ela com voz rouca. Ela vestia um jeans justo de cintura baixa. Aquele não era o tipo de mulher que pudesse passar despercebido. e lhe proporcionou tanto prazer que ele se viu desejando ouvi-lo outra vez. Os últimos anos operaram mudanças radicais em Isabella. E pensar que se lembrava dela como alguém que costumava desparecer no ambiente em que estivesse presente. se ajustava às curvas generosas de seu corpo tão confortavelmente quanto as mãos de um homem fariam. Tem de ser muito cuidadosa em sua posição.

Em seguida. Faz algum tempo que não o vejo. revelando as duas covinhas. exausto. Em que tipo de encrenca ela se metera? Tatuagens? Intenção de se casar? Theron fechou os olhos e prendeu o nariz entre o polegar e o indicador. .Outro sorriso curvou um dos cantos dos lábios carnudos. Posso lhe providenciar algo para beber. por que não vai para a Europa? Era esse seu plano até a semana passada. com malícia. Após limpar a garganta. Theos!. Theron pestanejou várias vezes. Quando Isabella estacou diante da janela. enquanto Theron se perguntava como Bella conseguira fazer isso. – O homem que seu irmão contratou para supervisionar meus estudos informou a Chrysander sobre minha viagem à Europa. – Não escrevi nada disso para Chrysander – protestou Isabella com suavidade. apenas que pretendo me casar antes de completar 25 anos. – Ainda não respondeu à minha pergunta sobre seu suposto noivo. Theron levou a mão à testa e a massageou para aliviar a tensão. Foi então que um lampejo colorido na altura da cintura fina lhe chamou a atenção. Theron. segundo a carta que enviou para Chrysander. – Ele deu um passo à frente. Tenho três anos pela frente. Maldito fosse Chrysander por seguir com a própria vida e o atrelar a Isabella Caplan. Nem a cumprimentara da maneira correta. Qualquer coisa que o impedisse de se ater àqueles seios realçados pela camiseta de tecido fino. portanto não há necessidade de você sair dando ordens para vasculhar o passado de ninguém. – Sendo assim. – Já providenciou os preparativos para sua viagem ou prefere que eu cuide deles? – perguntou ele. aquela mulher era uma bomba atômica ambulante. – Peço-lhe desculpas. Estava sendo rude. A repreensão de Isabella o irritou exatamente por ser mais do que adequada. Theron lhe sustentou o olhar. Ela enfiou os dedos nos bolsos do jeans. – Decidi não passar o verão na Europa. passou por ele. e se recostou à janela. Fiz uma ótima viagem. Uma tatuagem? Era óbvio que Chrysander fora um fiasco como tutor daquela menina. sentindo o início de uma dor de cabeça. – Teria isso algo a ver com seu repentino desejo de se casar? – perguntou ele. Theron se forçou a erguer o olhar para não parecer que cobiçava aquela parte da anatomia de Isabella. Theron pestanejou e voltou a fixar o olhar naquele ponto. – Não irei para a Europa. revelando uma pequena faixa de pele tatuada. Os quadris ondulavam. – Não mencionei ter alguém em vista. Os olhos de Theron não conseguiam se afastar daquele ponto. – Como disse? Mais uma vez um sorriso curvou aqueles lábios sedutores. A suíte é maravilhosa. – Tem uma vista maravilhosa daqui – disse ela. ao girar para encará-lo. – Porque ainda não tenho nenhum – afirmou ela. Simplesmente mudei de ideia. e as nádegas realçadas pelo jeans muito apertado se moviam de maneira sedutora. mas o reconheceria em qualquer lugar. – Fico feliz em saber que fez uma boa viagem e que aprovou a suíte. – É um prazer revê-lo também. encaminhando-se à janela. pousando as mãos em seus ombros e se inclinando para lhe beijar o rosto. a bainha da blusa se moveu. durante a tentativa dele de decifrar o desenho. certo de que havia se enganado. em tom educado. enquanto discutimos os preparativos de sua viagem? Isabella sorriu e fez um movimento negativo com a cabeça.

de repente sentindo o colarinho apertado demais. Talvez amanhã pela manhã. Podemos almoçar juntos também? – perguntou com ar inocente. Pode usar a suíte pelo tempo que for necessário. e posso utilizá-la. – Nesse caso. e vou adorar procurar apartamento com você amanhã. Theron abriu a boca para negar a ideia de que se voluntariara para fazer qualquer coisa com ela. deixou escapar um suspiro ao constatar que estava realmente em apuros. Tenho de admitir que não estava muito animada a fazer isso sozinha. Alarmes soaram na mente de Theron diante da ideia de Isabella vagando por uma cidade à qual não estava acostumada. tenho de ir. mas logo a expressão de Isabella se tornou neutra. Pedirei à minha secretária que selecione alguns bairros adequados para você e depois começaremos a procurar. sentindo uma enxaqueca ameaçar aflorar com toda a força. sozinha e vulnerável. Theron quase engasgou. o que pretende fazer? – Ele quase temia a resposta que teria. Isabella franziu a testa. Agora que ela permaneceria em Nova York em vez de viajar para a Europa. Ela estava com 22 anos. mas a gratidão genuína estampada no rosto de Isabella o fez tornar a fechá-la. – Desculpe… – disse Theron. – Não é incômodo algum. mas não havia nada além de genuína apreciação e alívio na expressão de Isabella. O pensamento começava a tomar forma em sua mente. quando Isabella voltou a falar. ganhando corpo. Em seguida. Muito jovem para se casar nos dias atuais. Não permitirei que se estabeleça em um lugar qualquer. Por que se sentia como se tivesse passado por um rolo compressor? A ideia daquela menina que mal saíra da adolescência ter imposto sua vontade sem considerar sua opinião o fazia se sentir manipulado. e você conhece a cidade melhor que eu. Chrysander ainda possui a cobertura. iluminando-lhe todo o semblante. Diabos! Poderia acabar escolhendo um bairro inadequado. A expressão de Isabella se iluminou. – Mas detesto a ideia de o desalojar. . – Acho que isso não é o tipo de coisa que deva fazer sozinha – afirmou ele. cerrou as pálpebras. – Que gentil de sua parte se oferecer para me acompanhar. Por um instante. – Claro que a acompanharei. – Eu apenas afirmei que agora que nos livramos dos preparativos de minha viagem. – Então. Theron fez um gesto negativo com a cabeça. agradeço sua oferta. De repente. a ideia de um casamento iminente para Isabella não o irritou mais. – Claro que lhe pagarei um almoço – concordou ele com um grunhido. Também tenho de procurar um lugar para morar. Se Isabella se estabelecesse em Nova York. ele se veria obrigado a supervisionar os assuntos relacionados a ela e a manter constante vigilância sobre aquela jovem. Um sorriso largo se estampou no rosto de Isabella. quando se deu conta de que não captara uma só palavra do que ela dissera. teria de providenciar uma equipe de guarda-costas. A última coisa que precisava era que aquela jovem fosse sequestrada como acontecera com Marley. Talvez o melhor que pudesse fazer por ela fosse apresentá-la a um homem que possuísse recursos para lhe proporcionar segurança e estabilidade. havia a questão da segurança de Isabella.Theron escorregou a mão para a nuca. E depois. mas de modo algum fora da faixa etária adequada. os olhos verdes faiscaram. Em seguida. – Vou alugar um apartamento aqui na cidade. Preciso encontrar um apartamento. agora que ficarei nesta cidade definitivamente.

Theron se recostou para trás na cadeira e cruzou as mãos na nuca. e ter de dividir sua atenção entre duas era uma receita infalível de desastre. Encontraria um apartamento e um marido para Isabella. . podia ceder a cobertura de Chrysander para que ela a utilizasse. As duas se sentaram na pequena sala de estar. Se nenhum a agradasse. escancarando a porta de seu apartamento. Quando desligou. e lhe deu rápidas instruções para encontrar três ou quatro opções de apartamentos. Decidindo que aquela era mais uma tarefa para Madeline. Mas talvez Alannis tivesse algumas ideias no que se relacionava a Isabella. mas não o questionou. ela se precipitou para a frente e lhe envolveu o pescoço com os braços. – Obrigada. e mais uma vez Theron refletiu sobre a tatuagem que vira lá. percebeu o corpo de Isabella se moldar ao seu. fazendo-a entrar. – Acabei de sair do escritório dele. Quando ele permitiu que os braços a envolvessem. Patético. – Eu desisti de ir para a Europa. Talvez os dois pudessem apresentá-la a rapazes qualificados que deviam estar à altura de suas exigências. – Entre. – Deixe-me chamar o chofer para levá-la de volta ao hotel. Entre. e Sadie não perdeu tempo para indagar: – E então? Você o encontrou? Isabella sorriu. segundos atrás. lembrou-se de que Alannis retornaria dentro de uma semana. e gemeu. o qual retribuiu com igual intensidade. Vejo-o amanhã de manhã. retribuindo o gesto. Era óbvio que aquilo se devia ao fato de fazer um bom tempo que não se relacionava intimamente com uma mulher. Isabella lhe deu um beijo no rosto e girou na direção da porta. e lá estava ele desejando uma ainda mais nova. Theron me ajudará – acrescentou com um breve sorriso. Theron se afastou com delicadeza de Isabella. Uma mulher era mais que suficiente. e vou procurar um apartamento na cidade. chamou a secretária e lhe pediu para providenciar uma lista de solteiros qualificados. Em seguida. Theron teve de firmar os pés com força no chão para não cambalear para trás.Em um impulso. colidindo contra o peito musculoso. É muito bom voltar a vê-la! – exclamou Sadie. ele soltou um xingamento e contornou a mesa para se sentar. Aquilo não lhe tomaria muito tempo. Madeline pareceu achar graça naquele pedido. com os passados verificados e com os prós e contras de cada um. E o deixou esfregando o local onde os lábios carnudos lhe tocaram o rosto. Após falar com Madeline. A mão longa tocou a porção de pele que ficava exposta nas costas macias. Apertou o botão do interfone para chamar a secretária. Isabella se viu envolta no abraço da amiga. Theron ergueu o telefone para providenciar a equipe que faria a segurança de Isabella. e sentiu todas aquelas curvas que notara havia pouco. Contava não ter de se ocupar mais de Isabella quando sua futura noiva chegasse. – ISABELLA! – GRITOU Sadie. Gesticulando a cabeça negativamente. Fora tão rápido em condenar Chrysander por se envolver com uma mulher tão jovem. e então se concentraria nas próprias núpcias. O fato de não saber do que se tratava o desenho o enlouquecia. – E…? Isabella deu de ombros. – Obrigada – disse ela ao ouvido de Theron enquanto lhe dava um abraço apertado.

então conte-me todos os pormenores – estimulou Sadie. mas acho que sentiu uma mistura de interesse e espanto. o olhar faiscando de malícia. Um ano mais velha que Isabella.– Ele recebeu bem a notícia? Sadie atirou uma mecha do longo cabelo ruivo de sobre o ombro. – Se ele nunca me vir como um ser inofensivo. Graças a Deus. como Chrysander me vê. Tenho certeza de que estava ansioso por me enfiar em um avião para a Europa o mais rápido possível. – Qual é o seu plano? Isabella fez uma careta. e se mudara para Nova York para tentar uma carreira na Broadway. Teria sido relegada ao status de irmã caçula. ele se fixou em Nova York. – Quanto tempo fazia desde a última vez em que a viu? Quatro anos? – Argh! Sim. – Mas se eu tivesse aparecido vestida como uma jovem grega recatada. e estava com saudade. – Como ele reagiu quando a viu? – quis saber Sadie. Poucas horas. Conte-me. – Estou muito feliz por reencontrá-la. – Ah. – Poucos e espaçados. Fazia muito tempo que não nos víamos. – Isabella deixou escapar um suspiro e se recostou para trás no sofá. – É num clube masculino. conseguiu algum papel? Sadie retorceu os lábios em uma expressão tristonha. – Exatamente – murmurou Isabella. Mas de repente. são gregos. – Sim. Por falar nisso. meu corpo está mais curvilíneo agora. Isabella observou a amiga com desconfiança. tenho um teste na semana que vem. Quero ouvir todas as novidades sobre sua carreira na Broadway. chega de falar de mim. ele não teria me dedicado um segundo olhar. ansiosa. fazia. Afinal. – Que tipo de emprego é esse? Sadie exibiu um sorriso furtivo. Você tem de entender que Theron é um homem muito… uh… tradicional. – Mas servirá até que eu consiga meu grande papel. – Eu não diria que recebeu bem – respondeu Isabella. – Sadie compreendeu. e não haveria como mudar isso. Acho que a partir daí verei que rumo as coisas tomarão. Isabella franziu a testa. – Está conseguindo se sustentar? – Tenho um emprego. por fim. mas não desisti. – Não sei ao certo. mas exigem uma aparência estonteante – afirmou Sadie. – E então? Ele se encantou com seu charme feminino? – Sadie esboçou um sorriso largo. E eu sou uma grande responsabilidade da qual Theron quer se livrar. Os irmãos Anetakis levam suas responsabilidades muito a sério. A boa notícia é que vamos almoçar amanhã. graduara-se um período antes. – Está trabalhando como stripper? . ousada. será muito difícil me ignorar. deixando as belas feições em evidência. Muito elegante e exclusivo. Agora. – Muito bem. Apenas algumas noites por semana. – Tenho certeza de que ele notou. – Acho que Theron ficou pensando que diabos iria fazer comigo. e tive de mudar todos os meus planos. Pagam muito bem. Planejei viajar para a Europa para fazer marcação cerrada sobre Theron lá. O queixo de Isabella pendeu. então é melhor lançar o desafio desde o início. depois de procurarmos um apartamento. divertida. Sadie soltou uma risada e segurou a mão de Isabella.

Isabella a observou por um longo instante e. – É tão bom estar aqui! Senti sua falta. se soltou. com um sorriso. Como se isso fosse dar certo e eu pudesse fazer Theron se apaixonar por mim. Pode escolher qualquer homem.– Nem sempre tiro a roupa – retrucou Sadie. Estou tendo um bom pressentimento sobre minha estada em Nova York. – Tenho total certeza de que Theron se apaixonará perdidamente por você. com suavidade. Isabella se inclinou para a frente a abraçou a amiga. Mas se isso não acontecer… Você é jovem e linda. – Eu o amo há tanto tempo! – Muito bem. com um sorriso gentil estampado no rosto. então está morto. – Não é uma exigência. em seguida. – Se ele não a percebeu. Sadie também explodiu em uma gargalhada. Theron seria obrigado a me notar se eu me despisse na frente dele. e as duas riram até seus rostos estarem molhados de lágrimas. – Só Theron me interessa – retrucou Bella. nesse caso precisamos pensar em uma forma de fisgá-lo. Sadie retribuiu o abraço de Isabella e. em seguida. . porém ganho gorjetas mais polpudas quando o faço – acrescentou com um sorriso largo. – Eu poderia ter umas aulas com você. soltou uma risada. certo? – Sadie piscou. Em um impulso.

Era sua obrigação como marido. sob seu corpo. Depois. todos em excelentes áreas e próximos ao Imperial Park Hotel. Piers daria de ombros e diria que aquela era sua vida e. melhor. – Se tudo desse certo. perplexo. – Providenciei para que o jato da Anetakis a transporte da Grécia para Nova York daqui a uma semana. o interfone tocou. Sua mãe a acompanhará na viagem? Aquela era uma pergunta retórica. Baixou o olhar à virilha como se esperasse alguma resposta. franziu a testa quando viu Isabella entrar. conferiu a hora no relógio de pulso. Mas lhe agradava o pensamento de ser amigo de sua futura esposa e apreciar sua companhia sobre e fora da cama. Por outro lado. ergueu o olhar.Capítulo 3 – ALANNIS – THERON a cumprimentou com voz suave. – Creio que esteja tudo bem com você. era virgem e seria sua função fazer brotar a paixão nela. que fosse adiante. Não importava. Mas a secretária ainda não havia lhe apresentado a lista dos solteiros qualificados. pediria para falar a sós com Alannis e lhe proporia casamento. o que era mais do que sentia pela maioria das mulheres que conhecia. Madeline lhe fornecera três opções de apartamentos. E se decepcionou. Não eram exatamente . Alannis vivia em seu mundo de decoro. Franziu a testa ao imaginar Alannis nua na cama. – Bom dia – ela o cumprimentou cantarolando quando parou diante da ampla mesa. Mas não podia culpá-la por isso. e a voz de Madeline anunciou em um tom seco que Isabella estava entrando. Quando Theron ouviu a porta do escritório se abrir. mais para demonstrar educação do que obter a informação. Do outro lado da linha soou a saudação polida. Com um suspiro. Theron sabia muito bem que a família de Alannis jamais permitiria que ela viajasse desacompanhada para visitar um homem solteiro. Em seguida. Tinha certeza de que Chrysander. mas ele não esperava nada mais que isso. Theron engoliu em seco e estreitou o olhar ao observar os trajes de Isabella. e jamais ofereceria um cumprimento mais efusivo. se mostraria relutante em encorajá-lo a entrar em um casamento desprovido daquele sentimento. enlevado em seu recém-descoberto amor. as duas famílias poderiam partir para os preparativos da festa e da cerimônia. fitou o telefone por um longo instante. de alguma forma distante e reservada. Com toda a certeza. Afinal. A primeira providência era acomodar Isabella. – Fiz reserva para uma ópera logo após a sua chegada. – Eu a esperarei ansioso – continuou ele. Naquele exato instante. Não era ingênuo a ponto de esperar que uma mulher o amasse com a mesma intensidade que Marley amava Chrysander. Aquele simplesmente não era seu estilo. Gostava dela e a respeitava. Quanto antes. e tamborilou os dedos sobre a mesa. se desejava estragá-la. Claro que teria de informar os irmãos de suas intenções. Depois. Com o tempo. se preocuparia em lhe arranjar um marido. ele poderia aprender a amar Alannis. Depois que interrompeu a ligação. Alannis… ela parecia fria e extremamente rígida.

Havia algo indômito e selvagem naquela jovem um tanto atrevida. – Estou tão acostumada a vê-lo apenas com ternos e gravatas. Encaminhavam-se para fora do prédio que abrigava o centro de operações da Anetakis. de uma forma dolorosa. Porém. se você estiver – respondeu ela. se fosse ver. ele teria de abandonar o projeto de apresentá-la a maridos em potencial. fazendo-a sentir aquele toque mesmo através da camiseta. mas também com Alannis. Conseguiam cobri-la. Suave e linda. – Pronta para ir? Tenho uma lista com opções de apartamentos. Isabella. alguém que tinha de cuidar de seu bem-estar. permitindo que ele visse os bojos rendados do sutiã meia taça que os suspendiam. Theron pensou nas ocasiões em que ela poderia tê-lo visto e. ela se achava envolvida com alguém.indecentes e. – Sim. linda. surpreso. A não ser que me chamar assim o incomode. O contato parecia lhe queimar a pele. Theron se ergueu da cadeira e contornou a mesa. o rubor se espalhar pelo belo rosto de traços perfeitos. Estonteantemente bela. e ele observou. Isabella o observou com olhar curioso. quando ele pousou a mão nas costas de Isabella. Theron rilhou os dentes e mudou de posição na cadeira. Os seios se avolumavam muito próximos do decote da camiseta. Mas era necessário saber. – Bom dia. Diferente dos tipos sofisticados de mulheres que gravitavam ao redor dele. – Faz muito bem – afirmou Theron. aquilo não poderia servir de base para tal suposição. Theron se recusou a voltar atrás na afirmação ou perguntar se. – Bella – repetiu ele. Exatamente o que ela era. Era o tutor daquela jovem. e o movimento fez o cabelo escorregar sobre os ombros. ainda mais quando se pensava no significado italiano daquele nome: bela. Sentiu a boca ressecada quando ela espalmou as mãos sobre o tampo da mesa e se inclinou para a frente. Não havia nenhuma razão para acreditar que uma mulher tão bonita e vibrante quanto ela fosse viver sozinha. Quase. Bella baixou a cabeça. Theron soltou um xingamento em seu íntimo e se forçou a erguer o olhar. – Sim. – Bella. – Quando você me viu? – perguntou ele. Embora sua masculinidade não tivesse reagido à lembrança de Alannis. de alguma forma. no momento. Não era o caso. – E você consegue todos esses jornais na Califórnia? – questionou Theron. não poderia reclamar. Nenhuma mulher merecia que o futuro noivo morresse de desejo por outra. Após nutrir aquele amor platônico durante tantos anos. mas sem dúvida. – Em fotos. Aquilo não só era desrespeitoso com Isabella. fascinado. Tomei a liberdade de restringir as possibilidades às regiões mais adequadas para uma jovem morar sozinha. E então. – Está vestido de maneira informal hoje – comentou ela depois de soltar uma risada. percebeu que tirara uma conclusão precipitada. Uma onda de desgosto o invadiu. Gosto de estar a par da vida de quem cuida de meu bem-estar financeiro. por favor. encontraria os contornos daqueles dedos longos marcados a ferro em brasa em sua carne. e ela poderia jurar que. embora provavelmente estivesse usando um terno. Isabella corou. e lá estava ele fantasiando tê-la. em tom de aprovação. embora o apelido soasse mais íntimo. porque se Isabella estivesse em um relacionamento. no instante em que Isabella adentrara o escritório. Isabella se preparara para o . presenteando-o com um sorriso afetuoso. e ele se descobriu perguntando por quê. Combinava com ela. Há sempre fotos suas nos jornais. portanto. aceitando a sugestão de utilizar o apelido. voltara à vida.

Nada disse sobre o terceiro. porém agora não tenho mais necessidade disso. – Sim. – Providenciarei alguém para levá-la às compras – disse. – Não? Você parece a escolha lógica. mas queria que Theron se apaixonasse por ela. – É um mal necessário. Theron anuiu em aprovação e deu início ao processo de garanti-lo para ela. Isabella suprimiu uma risada e o informou em tom sério que gostou do quarto. mas quando os olhos verdes se fixaram nele. mesmo porque não aprovaria aquela amizade se soubesse que ela trabalhava em um clube de striptease. – Não me recordo de uma segurança tão exagerada na última vez em que estive aqui – murmurou Bella. Além do motorista. Ao contrário. – Esqueci que você vivia na Califórnia e esteve aqui apenas de visita. E era certo que descobriria. Queria que ele necessitasse dela. muito mais do que imaginara. sendo que os dois primeiros Theron vetou antes que ela emitisse qualquer opinião. Aquele homem era mais. – Não permitirei que perambule pela cidade. se limitou a comprimir os lábios. de má vontade. – Pretendo comprar tudo que preciso aqui e mandar entregar lá. Isabella arqueou uma das sobrancelhas. Não havia razão para Theron saber sobre Sadie. ela percebeu que outro carro pequeno parou atrás da limusine. Isabella fez que não. – Você poderia ir comigo. Os sentimentos por ele não se dissiparam ao revê-lo. resoluto. Theron levantaria todo o passado daquela pessoa. Quando estacionaram diante do primeiro prédio de apartamentos. Três horas mais tarde. – Posso lhe garantir que não preciso de babá. Estivera tão distante da verdade que a realidade quase a sufocava. os dois haviam visitado todos os apartamentos que constavam da lista. O desejo era suficiente por ora. de onde dois homens saltaram para escanear cuidadosamente as redondezas. mas pretendia que aquele relacionamento começasse da melhor forma possível. questionadores. – Pretende transportar sua mobília para o apartamento? – perguntou ele. havia um membro da equipe de segurança de Theron sentado no banco da frente. ao se encaminharem para a entrada. mas lhe ofereceu a escolha entre aquele e o último. Henry. sozinha – retrucou ele. Isabella escorregou para o banco da limusine e o presenteou com um sorriso quando ele se . já que não conheço mais ninguém na cidade. e certamente a proibiria de continuar encontrando a amiga. – Ela omitiu Sadie de propósito. Chrysander me atrelou a uma quatro anos atrás. Não que ela fosse obedecê-lo. tem razão – concordou ele com expressão contrariada. No instante em que Isabella o informasse sobre alguém de suas relações. Isabella deu de ombros e lhe dirigiu um sorriso frouxo. Isabella esperou que ele acrescentasse alguma coisa. surpreso. Theron enrijeceu. Theron a encarou. Será muito divertido! Theron rosnou algo entre os dentes. haviam se consolidado. quando retornavam à limusine. mas nenhuma informação adicional lhe foi dada. para a possibilidade de o homem que Theron se tornara não corresponder ao dos seus sonhos. Isabella sentou-se ao lado dele no banco traseiro da limusine.desapontamento.

– Oh. Theron a guiou. Isabella perdeu o fôlego quando reconheceu. contornou a mesa para se sentar no lado oposto. foram guiados à mesa de Theron no restaurante. Isabella mordeu o lábio inferior e desviou o olhar para o tráfego que fluía além da janela do carro. ele a observou preguiçosamente. deparou com o olhar preocupado de Theron. em seguida. o desejo refletido naquele olhar. No outono. tenso. como se fizessem parte da realeza. Minha pequena. Isabella pestanejou. – Apenas um pouco cansada. e ela não conseguiu mais conter a risada. enquanto a equipe de segurança os cercava por todos os lados. Isabella resistiu ao impulso de revirar os olhos. Os olhos de Theron se arregalaram. Tal atitude devia lhe causar urticária. e ele os fixou nela. Mal posso esperar para escolher tudo para o apartamento. Era o mesmo que Theron usava quando ela estava com 13 anos. – Planos? – Sim. quase excluída das demais. por um breve instante. quais são seus planos profissionais? – Oh! Bem. – Isso significa que fará compras comigo? Theron resmungou algo incompreensível. como se achasse aquele som encantador. – O que gostaria de comer. que ficava situada em um canto tranquilo.acomodou ao seu lado. posso contratar um projetista para trabalhar com você. para dentro. Eu o achei deslumbrante. – Quais são seus planos. Ele e os irmãos tendiam a uma atitude implacável no que dizia respeito aos negócios. Agora que se formou. Quando chegaram ao hotel. Bella? – quis saber Theron. Theron nada disse. mas como a mulher que o amava e o desejava desesperadamente. Planos. Não era algo que . confusa. Planejando a forma mais fácil de se livrar dela. Theron a acomodou na cadeira e. – Terei de verificar se minha agenda permite isso – retrucou. Theron franziu a testa. Ela sorriu e negou com a cabeça. Mas não podia culpá-lo. – Temos um excelente restaurante no hotel – disse Theron. E excitada. Ele era escorregadio. Isabella sorriu em seu íntimo. Theron pestanejou para encobri-lo. Não se importava como o local onde comeriam. não. Sabia que era um fardo inesperado. Pensei em almoçarmos lá. mais para lembrá-lo daquele compromisso do que por mera curiosidade sobre o restaurante. Queria apenas passar algum tempo ao lado dele. pethi mou? Isabella se encolheu em seu íntimo diante do tratamento carinhoso. Aquilo era estranho e um tanto surreal. Não era à toa que possuíam a empresa hoteleira mais bem-sucedida do mundo. e depois você poderá se recolher à sua suíte para descansar. imaginando como fazê-lo enxergá-la não como uma inconveniência. Aquilo a fez trincar os dentes. Alguns minutos depois. mas ela podia sentir que aquilo o incomodara. – Algo errado. e Theron era um homem ocupado. Bella? Ao girar. isso será muito divertido. Se anotar todas as suas preferências. Mas tão rápido quanto o deixou transparecer. Depois de deixar o corpo alto e esbelto afundar na cadeira. planejo tirar um verão sabático. – Talvez seja melhor permitir que eu providencie a mobília para o seu apartamento. e dessa forma não necessitaria ir comprar tudo que precisa. apressado. – Aonde vai me levar para almoçar? – questionou Isabella. eu me concentrarei no futuro. – Tenho uma mesa sempre disponível para mim.

não passavam disso. Theron fez os pedidos de maneira sucinta. – Theron meneou a cabeça. Isabella anuiu e girou a cabeça na direção do garçom que se encontrava parado ao lado da mesa. – Desculpe… Perdida em pensamentos. Ofegante. Pretendo ajudá-la a encontrar um marido. – O que sugere? – perguntou ela. sobre a maciez dos lábios de Theron. Se dependesse dela. porque comparados a Theron. Alguns eram muito bons. Sentia-se tão perniciosa. Bella. fazendo com que cada terminação nervosa do corpo de Isabella entrasse em combustão espontânea. perplexa. – Talvez possamos conversar sobre o seu futuro. – Isso é bom. – Pensei muito sobre meu futuro. Quente. Extremamente tentada a esticar a mão e escorregar a ponta dos dedos ao longo daquela aspereza e. desajeitados e “agradáveis”. – Candidatos? A quê? – Casamento. – Bella? Isabella pestanejou várias vezes. inclinando-se para trás na cadeira. – Agora. outros. Como seria beijá-lo? Beijara vários rapazes na faculdade. seu futuro estaria inexoravelmente ligado ao dele. . estudando os lábios de Theron. Parecia à vontade. Excitante. – Isso mesmo. Rapazes. Mas Theron… Beijá-lo seria como perseguir uma tempestade. ao imaginar o roçar quente daquela língua na sua. Imagino que em algum momento parou para pensar nele. – Você mencionou casamento. Está mesmo pretendendo se casar antes de completar 25 anos? – Estou contando com isso. Com ele. Como se estivesse planejando um assassinato em vez de uma sedução. Isabella não conseguiu conter o nervosismo. Se ao menos ele soubesse! Aquilo fora tudo que ela fizera nos últimos anos: planejar seu futuro. Theron falava com sarcasmo. – Tomei a liberdade de fazer uma lista de possíveis candidatos. – Meu futuro? – Ela soltou uma risada leve na tentativa de tranquilizar as batidas desgovernadas do coração. A testa de Isabella se enrugou enquanto ela o observava. a curvatura firme e sensual da boca e a sombra escura da insinuação da barba que já lhe cobria a mandíbula. enquanto deixava o olhar vagar por suas feições. Sobre o seu futuro. Bella – começou ele. em seguida. – Vou querer o que ele sugeriu – afirmou com voz rouca. Será que Theron se mostraria tão favorável àquela ideia se soubesse que ele era o noivo escolhido? Isabella suspirou. e Bella quase deixou escapar uma risada. sacudindo a cabeça quando percebeu que ele a chamava fazia alguns segundos. Sentiu-se tentada.evocava imagens dos dois enroscados na cama. sem dúvida. e o garçom se apressou em partir logo em seguida. – Estava sugerindo que experimentasse o salmão – disse Theron. A pulsação de Isabella acelerou. Theron anuiu como se aprovasse. impaciente com alguém que não tivesse um plano incontestável.

jovem e bonita – retrucou ele. . – Por isso mesmo acho que devo me envolver em sua procura por um marido. Isabella teve de se esforçar para não se encolher na cadeira. desconfiada. esticou o braço sobre a mesa e lhe segurou a mão. sem rodeios. – Você está procurando um marido. Fingirão ter sido seduzidos por sua meiguice e generosidade. Em seguida. claro – murmurou. – Tem razão. Seria até mesmo adorável se ele não estivesse tão empenhado em casá-la com outro homem. acabei achando uma boa ideia. a cereja do bolo. vendo-a continuando a rir. Os lábios de Isabella tremeram. Ele estava muito sério. Após minha apreensão inicial. aquele era. pethi mou – disse ele em tom tranquilizador. tomei a liberdade de elaborar uma lista de candidatos qualificados. Uma mulher em sua posição social deve ser muito cuidadosa. – Estou nesta cidade há dois dias e você já planeja me casar. – Pretende fazer o quê? – perguntou ela. Um calor intenso se espalhou pelo braço de Isabella quando os dedos longos lhe acariciaram a palma. Isabella se recostou para trás. e tinha de admitir que toda aquela preocupação era lisonjeira. O que mais poderia dizer? O que desejava de fato era se inclinar para a frente e lhe perguntar se não poderia ser ele aquele homem. mais uma vez. Não até que tivesse tempo para se acostumar à ideia. Fico feliz em saber que não planejo me casar por razões superficiais. É importante que qualquer homem que permitamos que se aproxime de você seja minuciosamente avaliado por mim. Aquele era o discurso mais doloroso que já escutara. mas ela não ousou soltar outra risada. sem dúvida. com expressão surpresa. esperteza e charme. Dentre todos os absurdos que já escutara. Theron não poderia ser aquele homem. Pelo menos. – Uau! E nenhuma menção à minha inteligência. Mas Isabella já sabia a resposta. franziu a testa. não necessariamente nessa ordem. Isabella soltou uma sonora gargalhada. Os caça-dotes fingirão desconhecer sua fortuna. – Há muitos homens que lhe dariam o mundo. por ora.Capítulo 4 ISABELLA O observou. fingindo surpresa. – Todos os homens entre 20 e 80 anos estarão dispostos a se casar com você e levá-la para a cama. – Theron prosseguiu. imaginando se de repente ele desenvolvera um senso de humor. E diga-me: o que quer dizer com “uma mulher na minha posição deve ser muito cuidadosa”? – Você é rica. Não conseguiu se conter. – Não fique desanimada. Theron adotou uma expressão séria. É apenas uma questão de encontrar o certo. Haverá homens que tentarão se aproveitar de você. fingindo ser o que não são. obviamente se empolgando com o assunto: – Portanto. Theron pestanejou. – O que acha tão engraçado? Isabella fez um movimento negativo com a cabeça. com um sorriso ainda lhe curvando os lábios.

Todo o corpo de Theron emanava uma intensa energia sexual.Theron sorriu em aprovação e lhe soltou a mão. e certamente não era tola no que se referia aos homens. Theron meneou a cabeça. – Então. Quero um homem que saiba me dar prazer – concluiu. Por um instante. Isabella podia ser jovem. Bella pensou que Theron fosse soltar uma risada. fora ele a lhe dar um beijo suave e lhe dizer que ficava muito honrado com a possibilidade de ser seu primeiro homem. mas em seguida. havia algo naquele olhar. rouca e com a voz cheia de desejo. não vejo razão para esperar. e. ela fingiu pensar sobre o assunto. Theron limpou a garganta e desviou o olhar por um breve instante. Passara anos à procura de algo que ao menos se assemelhasse àquela paixão que florescera em sua adolescência. Theron revirou os olhos. – Não disse que não queria ter filhos – respondeu Isabella. Devia pensar que todas as mulheres ansiavam por dar à luz uma extensa prole tão logo lhe colocavam uma aliança no dedo. Terá de ser um excelente amante. que não seja capaz de passar um dia sem me tocar. Tivera sua parcela de rapazes interessados. – Não estamos discutindo sobre mim. quais são suas exigências em relação a um marido? – perguntou Theron. a mente reunindo todos os aspectos que mais apreciava em Theron. – Não concorda que eu deveria esperar isso de um homem? – perguntou Bella. seria importante que ele concordasse com isso. vivenciou também a intensidade obscura e taciturna de um homem cujas paixões fervilhavam profunda e intensamente. Houve apenas um que quase a seduzira a se entregar por inteiro. Isabella baixou o tom de voz e se inclinou para a frente: – Quero que ele anseie por mim. Ela o estaria afetando ou seria ele completamente imune? Não. apalpadelas desajeitadas que a fizeram colocar o rapaz porta afora. mas sim. enquanto o estudava. Por fim. – Não quer ter filhos? Theron pareceu surpreso. me acariciar. Theron arqueou uma sobrancelha. moreno e bonito. concordando. Isabella fixou um olhar pensativo nele. calma. . indulgente. Beijos. me abraçar. ela imaginou ver a paixão em resposta às suas palavras. Os olhos de Theron lhe varreram a pele exposta e. – Quero que ele seja mais rico que eu para que minha fortuna não seja um problema. lamentando a perda daquele contato. antes de se inclinar para trás na cadeira. Nunca antes Isabella sentira o intenso magnetismo que existia entre ela e Theron. Antes de responder. – Deixe-me adivinhar: você os quer imediatamente. por um instante. Tivera algumas experiências com os namorados. Como prefiro não ter filhos de imediato. – Vejamos. de um modo suave. ele gesticulou para que Isabella continuasse a listar as características de seu pretendente. mais tarde. diga-me. – Isso porque não é você quem os terá – retrucou ela. E então. Em seguida. Era capaz de identificar um flerte inocente. – Gostaria também que fosse gentil e responsável. Gostaria que ele fosse alto. mas não era ingênua. começou a contar as qualidades nos dedos. – Descreveu o desejo de metade da população feminina. Ela baixou o olhar à própria mão. mas que ela deveria resguardar sua inocência para alguém que ocupasse um lugar especial em seu coração.

Alguém conversou com você sobre essas questões. – Theron deu de ombros. Porém. – Seria uma lástima se um homem não tivesse ideia do que fazer com uma mulher como você. Era óbvio que Theron esperava por sua resposta. com o rosto cheio de espinhas. Bella. Ela engoliu em seco diante da força primitiva que irradiava de Theron em um zunido baixo e sensual. sem conseguir disfarçar o constrangimento. ela praguejou contra tal interrupção. e ela se encontrava faminta. do que a uma mulher de 22. atônita. . – Mas não acha que estou certa em desejar um bom amante? – insistiu ela. – Apenas estava imaginando se você teria conversado com outra mulher sobre homens. e devia entregá-la apenas a um homem especial. – É evidente que não seria adequado um homem que a negligenciasse em qualquer aspecto. A respiração de Isabel ficou presa em algum ponto de seu peito. – Suponho que isso seja um “sim”. Estava maravilhoso. maridos. Theron pensava mesmo que ela chegara à idade de 22 anos sem nunca ter ouvido a história da cegonha? Não sabia dizer quem estava mais horrorizado. – Sua diabinha! Não é educado fazer alguém rir quando está bebendo. Ele parecia constrangido e. E é natural que queira alguém que compartilhe de sua visão sobre casamento e família. Sua virgindade era algo precioso. Perfeitos para beijar. Theron engasgou com o gole do vinho que engolia e se apressou a pousar a taça na mesa. Theron a encarou com expressão exasperada. aliviado com a aparição do garçom que trazia os pedidos. ela também. Isabella interpretara aquilo como a desculpa de um homem fugindo de uma mulher que obviamente ligava o sexo ao compromisso. – Tem razão. com uma das sobrancelhas erguidas. – E amantes – acrescentou Isabella. – Sim. – Só falta você se oferecer para comprar artigos femininos para mim – resmungou Bella. e a garganta começou a se fechar. que tipos de homens se revelariam os melhores maridos. – Theron ergueu o olhar. Erguendo o garfo. Agora. certo? Houve alguém com que você pudesse conversar sobre… os homens? Isabella o encarou. sentiase agradecida por não ter entregado de bom grado sua inocência. Isabella pestanejou ao perceber que Theron falava com ela. Isabella cortou um pedaço do delicioso peixe. Os olhos de Theron faiscavam com o reflexo da vela situada no centro da mesa. quase suspirou de prazer. Theron a surpreendeu murmurando com aquele sotaque sexy: – Sua mãe morreu quando você ainda era criança.Na época. Mais uma vez. Quando o sentiu em sua língua. – Devo lembrá-lo de que foi você quem começou esta conversa – rebateu ela. Aquele homem tinha de fato lábios estonteantes. Por outro lado. – Acho que tem razão em dar ênfase a essas… qualidades – concordou ele. claro – concedeu Theron. você se oferecerá a se incumbir de minha educação nesse sentido? – perguntou ela com um lampejo de sorriso. – Se eu responder que não. e. resignado. claro. Aquela pergunta ridícula estava mais apropriada a uma adolescente de 14 anos. Isabella o observou ingerir uma garfada da comida e limpar a boca com o guardanapo. diabos. Isabella se inclinou para trás na cadeira com uma expressão desafiadora estampada no semblante. – Não quer que sua futura esposa seja uma boa amante? Theron lhe dirigiu o que ela podia classificar como olhar horrorizado. se ela ou Theron. Travis tinha razão. ou pelo menos a um relacionamento sério. após o garçom se retirar.

Ao menos ele se esforçava para erguê-la a um patamar não ameaçador. Se puder ficar mais alguns dias na suíte do hotel. E lá estava a barreira outra vez. Havia curiosidade nos olhos de Theron. – Isso parece muito medieval. – Toalhas. claro que não espero que minha futura esposa seja uma boa amante. É meu dever… – Ele se calou. ela pousou o queixo em uma das palmas. Ele podia estar lutando com unhas e dentes contra aquele sentimento. – Faça uma lista de gêneros alimentícios e quaisquer itens domésticos de que necessite. o que significava que aquela era a opinião de Theron sobre ela: uma ameaça. Ele. Com quem mais posso conversar sobre estas questões? Theron deixou escapar um suspiro longo e desolado. mas de modo algum é apropriada entre um tutor e sua tutela. pratos. Desejava desesperadamente aquelas mãos longas e elegantes sobre cada centímetro de sua pele. Porém. É meu dever lhe despertar a paixão e lhe ensinar tudo que ela precisa saber sobre… fazer amor. Isabella deixou escapar um suspiro. tenso. mas também interesse. tomando cuidado para não erguer o olhar e encontrar o dele. preciso de tudo – respondeu ela. Estava mais que disposta a ser uma pupila aplicada sob a tutela daquele homem. roupas de cama… Theron ergueu uma das mãos e sorriu. – Posso lhe assegurar que há muito pouco que uma mulher possa ensinar que eu já não conheça muito bem – respondeu ele. pelo visto. esquecendo-se da comida. deixando que o silêncio os envolvesse. mas o olhar não mentia. Isabella se concentrou em terminar a refeição. e a última coisa que ela desejava era semear qualquer tipo de instinto paterno no cérebro de Theron. – Vou precisar de móveis. – O que é seu dever? – Esse não é o tipo de conversa adequada para nós – respondeu ele. ele a questionou sobre qual o próximo passo em relação ao apartamento. antes de tomar outro gole do vinho. com o ultraje estampado no rosto. não se incomodava em fazer o papel de tutor quando lhe convinha. – Oh. Mandarei entregar no apartamento para que você não precise comprar. Mas a curiosidade de Isabella fora despertada. com uma leve entonação arrogante. – Não sei por que nossa conversa desceu a este nível. claro. verei se consigo encaixar uma ida a alguma loja de móveis em minha agenda. – Não espero que minha esposa seja sexualmente experiente quando se deitar comigo. animada. Inclinando-se para a frente. e quase revirou os olhos. Era óbvio que nunca lhe ocorrera que alguma mulher pudesse lhe ensinar o que quer que fosse no que se referia ao sexo. Então. e ela permitiu. mais para o final da semana. queria desesperadamente ouvir o que ele considerava ser seu dever para com a mulher que compartilharia sua cama. . Sem mencionar comida e itens básicos. – Você é meu tutor. Isabella teve de se esforçar para conter um tremor que lhe varou todo o corpo. Quando terminaram a refeição. Nunca pensou na possibilidade de ela lhe ensinar uma ou duas coisas? Theron pousou a taça.– Não. – Tão experiente assim? Theron fez uma careta. e não do tipo platônico. Isabella enrugou o nariz. Theron a observou. Theron se considerava um bom amante. – Não estamos discutindo minha futura esposa – acrescentou com aspereza. com a voz estrangulada.

Portanto. As portas do elevador deslizaram para se abrir. Theron lhe pousou a mão nas costas. O elevador se aproximava da cobertura. E então ele a invadiu. antes de fechá-la nas mechas espessas e sedosas. Farei com que seja providenciada. Isabella não ousava emitir nenhum som. – Obrigada por esta manhã – murmurou Isabella. Theron se lembraria de que a estava beijando. anuiu e se levantou da cadeira. Em vez disso. Theron ficou imóvel. e uma descarga elétrica gravitou entre eles com uma potência equivalente aos raios de uma tempestade. Eles se encontraram ao contornarem a mesa. A mão que se encontrava espalmada na curva de sua nádega rumou para cima. famintos um pelo outro. com um gemido rouco emergindo da garganta. Podia sentir a fragrância cítrica da colônia masculina que Theron usava. Os lábios se fundiram. antes que ele pudesse esboçar qualquer reação. enquanto ela o beijava de maneira ousada. Mais uma vez. provando-o e testando os contornos daquela boca sensual. Não era um simples beijo ou carícias efetuosas trocadas entre duas pessoas que estavam se conhecendo. Duas pessoas que se conheciam intimamente. Assim como Bella previa. Estavam tão próximos. convidando-a a corresponder com igual intensidade. ela encostou o corpo no dele e. antes de voltar a encará-la. Era como se tivessem estado separados por muito tempo e. enquanto a guiava para a saída. envolveu-lhe o pescoço com os braços no mesmo instante em que os lábios quentes lhe roçavam o lateral do rosto. conseguissem se encontrar. Isabella se encontrava ciente de cada toque. Theron se inclinou para lhe depositar um beijo rápido no rosto. Em seguida. Afinal. escorregando uma das mãos pelas costas delgadas e espalmando as nádegas firmes através do tecido da calça. ela ofegou quando a mão de Theron fez aquele primeiro contato com sua pele. Porém. queimando-a mesmo através do jeans. quando saíram para o saguão. . ele era um homem ocupado. Mesmo antes de se fecharem completamente. A atmosfera pareceu explodir ao redor deles. Não havia hesitação ou espera por permissão. Puxando-a contra o corpo até que não houvesse nenhum espaço entre ambos. O atrito quente da língua de Theron a induzia a abrir ainda mais a boca para lhe facilitar o acesso.– Faça uma lista detalhada. Theron lhe envolveu o corpo com os braços. Perdendo o fôlego. O que ela não se negou a fazer. por fim. resvalando no couro cabeludo. mas também sabia que não podia monopolizar toda a manhã de Theron. temendo que. – Theron atirou o guardanapo sobre a mesa e gesticulou para o garçom. – Pronta para retornar à sua suíte? Isabella não estava. Pedirei à minha secretária que entre em contato com você sobre o apartamento e nossa ida à loja de móveis. Ele enterrou a outra mão no cabelo longo e macio. – Não há o que agradecer. Isabella girou a cabeça de modo que as bocas dos dois se encontrassem. ele assumiu o controle. na altura da cintura. Os seios intumesceram e latejaram contra o peito largo. e os dois entraram. ela se voltou para Theron. – Vou acompanhá-la até seus aposentos – disse ele. travando uma batalha frenética com a língua de Isabella. escorregando sob a blusa e lhe pressionando a cintura com força até que Isabella se encontrasse esmagada contra a rigidez daquele corpo musculoso. A princípio. O calor que dele irradiava a envolvia como um casulo. focou a energia em fazer aquele contato durar o máximo possível. aquele momento estaria perdido. Os dedos que a acariciavam eram como ferro em brasa contra sua pele. sabendo que Theron se inclinaria e lhe daria um beijo em cada face. Ela esticou a mão para segurar a dele. pethi mou. se o fizesse. Era um beijo de dois amantes.

Em todos os outros aspectos. De todo modo. um combustível avassalador. enquanto revivia aqueles momentos preciosos nos braços de Theron. O último enigma havia sido descoberto. segurando-a com força pelos braços. todos os sentidos despertando após um longo inverno. fechou os olhos e abraçou o próprio corpo. ele fez um movimento negativo com a cabeça. incapaz de dizer ao menos uma palavra. a última peça do quebra-cabeça se encaixara. Os olhos castanhos queimavam. Praguejando mais uma vez em grego. Em seguida. sussurrando suavemente contra a pele sensível abaixo do lóbulo de sua orelha. Ela fechou os olhos. ela escutou os passos apressados se afastando no corredor. . e um xingamento baixo escapou dos lábios de Theron. aquela boca macia e quente a abandonou. e agora. escancarou a porta com uma das mãos. De repente. A paixão entre eles fora instantânea. Isabella entrou devagar. autocondenação e… desejo. Isabella o encarou. que abriu inserindo o cartão com toda a força na fechadura. Antes de ouvir o clique da fechadura. A única coisa que lhe restara saber era se havia compatibilidade sexual entre os dois. ela gemeu. antes de puxála para fora do elevador até a porta da suíte. Não que Isabella tivesse tido alguma dúvida naquele aspecto. A química que compartilharam. incapaz de se conter. Theron a afastou. Isabella sentiu os joelhos cederem e teve de se agarrar a ele.Quando os lábios de Theron deixaram os dela para escorregar por sua mandíbula e pescoço. tudo que lhe restava era fazê-lo ver isso. Um tremor lhe varou o corpo. Isabella recostou as costas na porta. Theron já estava soltando a porta para que se fechasse. impotente. Nunca sentira algo parecido com os lábios de Theron. sabendo que aquele momento estava perdido. Theron provara ser o par perfeito para ela. com partes iguais de raiva. Quando girou para dizer alguma coisa. durante aqueles momentos ardentes no confinamento do elevador.

inclinando-se para trás na cadeira. A voz calma de Madeline se fez ouvir. – Ah. Não importava o que fizesse. No mesmo instante. Muito mimado pelos pais. estreitando o olhar observador. quase a arrastara para o quarto da suíte e fizera sexo com ela. esperando que ela desistisse e fizesse o que ele pedira. E.Capítulo 5 THERON PRENDEU o nariz entre o dedo polegar e o indicador. O corpo ainda ansiava por fazer exatamente aquilo. – Reginald Hollister. Da fragrância envolvente. Tudo que lhe ocupava a mente era uma jovem atrevida de cabelo negro e olhos verdes tentadores. Estava cansado. então. Esquecera-se de duas reuniões e dispensara três telefonemas. as curvas perfeitas moldadas ao seu corpo como se fossem feitas sob medida para lhe pertencer. perguntando o que ele desejava. Tinha a impressão de que alguém havia martelado sua cabeça. Madeline transpôs a soleira. Madeline lhe lançara olhares durante toda a manhã. Que tal Charles McFadden? Theron franziu a testa. a sensação dos lábios macios nos seus. soltando um xingamento grosseiro e longo. – Fez aquela lista que lhe pedi? – De qual delas está falando? – À lista de homens solteiros qualificados que solicitei. como se achasse que ele havia perdido a cabeça. Responsável por seu bem-estar. Impaciente e um tanto agitado. e talvez estivesse certa. – Dormiu bem esta noite? – perguntou Madeline. . fiz. e não conseguira dormir mais que uma hora durante toda a noite. Theron resmungou algo e cerrou as pálpebras. Theos mou! Não conseguia esquecer aquele beijo. Theron fez um movimento negativo com a cabeça. – Leia os nomes para mim – disse ele. ainda assim. – Trata-se de um idiota imaturo. segurando uma folha de papel. Bella precisa de alguém mais… independente. Era o tutor de Isabella. aquela… Sim. Instantes depois. um dos quais do irmão Piers. – Há rumores de que ele agredia a primeira esposa. Aquela mulher estava destinada a enlouquecê-lo. não conseguia se livrar da imagem de Isabella. Madeline riscou o primeiro nome com um movimento teatral. Theron fez que não com a cabeça. Aqueles que pretendo apresentar a Bella. Theron apertou o botão do interfone. Theron gesticulou para que a secretária se sentasse na cadeira em frente à mesa. – Muito bem. – Então traga-a para mim – ordenou ele. Pelo que parecia ser a centésima vez desde que chegara ao escritório naquela manhã.

minha querida. Theron franziu a testa mais uma vez e tentou imaginar uma razão para desconsiderar Paul. – Paul Hedgeworth. – Ótimo. – Garth Moser? – Não gosto dele. Theron limpou a garganta e gesticulou para a cadeira que Madeline deixara vaga. E se moldava aos seios firmes de uma forma que o fazia lembrar dos concursos de camiseta molhada. – Posso convidá-lo para o coquetel que o senhor oferecerá na noite de quintafeira? Theron resmungou uma afirmativa. Parecia ser uma fada ou uma borboleta. Os dois foram interrompidos quando a porta se escancarou e Isabella entrou. Tinha vontade de se aproximar e lhe arrancar aquele short para ver o desenho. estacou e girou. ele cancelou todos os seus compromissos da manhã. O desenho quase faiscava. Precisamos conversar. Ambos são homens solteiros. – Fico feliz que tenha vindo. Theron percebeu que a camiseta era curta e lhe revelava o abdome. – Isso não será… Mas a secretária já havia se retirado. apressada. Isabella girou por um instante. Uma tornozeleira dourada pendia frouxa sobre o pé. – A secretária baixou o olhar à lista e voltou a fixá-lo em Theron. belos e não estão namorando ninguém no momento. – Acho que deveríamos incluir Marcus Atwater e Colby Danforth também. Madeline deixou escapar um suspiro. . Que lhe deixava as pernas longas e bronzeadas à mostra. Ela devia saber o que agradava Isabella melhor que ele. – Ahá! – exclamou Madeline quando nenhum comentário foi feito. – Não é rico o suficiente. Não conseguiria sobreviver àquilo. – Vou suspender suas ligações e anotar os recados. bem como o piercing no umbigo. Tenho certeza de que o sr. Ela deu palmadas leves no braço de Isabella em seu caminho em direção à porta. com um sorriso luminoso estampado no rosto. para constatar que ela usava um short. As sandálias lhe deixavam expostas as unhas pintadas de rosa. Anetakis tem algum tempo para você. – Tad Whitley. fazendo um enorme círculo em volta daquele nome. À medida que o olhar subia. Madeline sorriu. O olhar de Theron a varreu de cima a baixo. e ele foi deixado a sós com Isabella. assim Isabella ficará satisfeita.– Bradley Covington? – Um chato – retrucou Theron. Theron olhou para Madeline com expressão severa. Eu estava mesmo de saída. Quando lá chegou. Theron fez um gesto de rendição com a mão. Não que aquilo parecesse intimidá-la. concedendo-lhe a visão da tatuagem que tinha nas costas. e apressou-se a riscar aquele também. Era melhor deixar aquele assunto por conta de Madeline. – Não vi Madeline… Aí está você – acrescentou quando se deu conta da presença da secretária. Ao que parece. – Não tem problema. Curto. Ele não sabia dizer. e aquilo o estava deixando maluco. – Desculpe-me pela entrada intempestiva – disse ela com voz ofegante. Madeline se ergueu e sorriu para Isabella.

Theos! Ali estava ele. – Estragar o quê? – O beijo. Era muito mais excitante que um decote generoso. e gostaria que não assumisse uma atitude paternalista. Podia recordar o sabor e a fragrância daquela mulher. Mas não espere que eu faça o mesmo. Isabella suspirou. mas se colava aos volumes arredondados. que sempre tinha algo a dizer. o que deixava os seios perfeitos em sua linha de visão. Isabella cruzou as pernas e juntou as mãos sobre o colo. A pulsação em sua . enquanto Isabella o encarava com semblante calmo. Não estrague o que aconteceu. Theron resolveu se concentrar na questão presente. – Agora. – Sobre ontem… – começou. No que se refere a beijos. Ele teve vontade de bater com a cabeça no tampo da mesa. ainda assim. se isso era tudo que tinha em mente. Esfregando o rosto com as mãos. – Não estrague tudo – disse ela com voz rouca. Então era isso? Isabella era capaz de varrer facilmente da mente o que acontecera na véspera. tenso. Theron pestanejou várias vezes. Uma novidade. gostaria muito que o fizesse em silêncio – disse ela. enquanto ele se consumira durante toda a manhã? A lembrança não só o consumira como torturara. – Você está estragando tudo. Não podia acusá-la de usar um decote muito profundo e revelador. imaginando o que permitiria ou não que ela fizesse se lhe pertencesse. boquiaberto. aquela mulher irritante o reduzira a um idiota apalermado. Não devia sequer acalentar tal pensamento. quando olhava para aqueles lábios carnudos. Logo ele. Providenciei para que os papéis que necessitam de minha assinatura fossem enviados por fax para cá. Mas Isabella não lhe pertencia. Theron a encarou. acho que poderíamos finalizar os preparativos para o apartamento e planejar nossas compras. Theron se viu sem palavras. como se estivessem prestes a discutir o tempo. e a surpresa o fez silenciar. jamais teria feito uma bobagem como aquela. achei que foi próximo da perfeição. – Aquilo não deveria ter acontecido – retrucou ele. Isabella se acomodou na cadeira de frente para ele. A camiseta os cobria muito bem. confuso. Nunca pertenceria. Até mesmo naquele momento. – Você tem o direito de esquecer o que houve. sempre o mais sensato e. minimizando o que aconteceu. de se arrepender e de jurar por tudo que é mais sagrado que nunca mais se repetirá. se desculpando. Theron se encontrava a ponto de perder a cabeça e o controle. já que tenho certeza de que você desejará analisá-los antes. Pedi para não fazer isto.Uma tatuagem. sentado. O que estava pensando? Se Isabella fosse sua. O fato de você afirmar o contrário não depreciará o que se deu em minha mente. Theron se descobriu a ponto de balançar a cabeça negativamente outra vez. Era o diplomata da família. revivia a sensação de tê-los nos seus. Não havia sentido em macular aquele corpo. antes que Theron pudesse acrescentar qualquer coisa. realçando cada curva e elevação. – Sobre o que quer conversar? – perguntou ela. Isabella ergueu uma das mãos. Como diabos poderia fazer o sermão que planejara com tanto cuidado se Isabella se mostrava desapontada com o fato de ele ter tocado no assunto? – Se você se arrependeu.

Ela se congratulou em silêncio pela forma como lidara com a situação. – Marido? .masculinidade se intensificou ao imaginá-la nua. gostaria ao menos de ter a chance de escolher um vestido deslumbrante para a ocasião. – Bella. Uma fada. Isabella se sentou na cadeira ao lado da mesa de Madeline. portanto não estou traindo a confiança de ninguém. se eu estivesse sendo convidada para uma festa em que meu futuro marido estaria presente. mordendo o lábio inferior para suprimir um sorriso. – Não me pediram segredo quanto a isto. Isabella ergueu o papel. Quando sair. – Conte-me. Mais uma vez. Às 19 horas em minha cobertura. – Suponho que também não tenha lhe informado qual será a ocasião. por isso se preparara para cortá-lo. acenou com a mão para se despedir e se encaminhou na direção da porta. Nada que não estivesse esperando. Mas aquilo suscitou outro pensamento muito intrigante. Theron praguejou em seu íntimo e forçou a mente a se concentrar nas questões presentes. – Veja se Madeline está com o contrato. Theron não mencionou festa alguma. ele enfiou a cabeça pelo vão da porta entreaberta. enquanto ele se movia dentro dela. A tatuagem era o desenho de uma fada envolta em poeira dourada faiscante. – Por que tenho a impressão de que estão me preparando uma armadilha? – Porque estão? – retrucou Madeline. divertida. animada. as linhas que lhe vincavam a testa se aprofundando. – Bem. ela se ergueu. A secretária ergueu uma folha de papel e a empurrou na direção dela. tentando entender o que acabara de acontecer. esqueci-me de lhe dizer que planejei um coquetel para quinta-feira. o fez experimentar uma descarga elétrica. Atirando o longo cabelo para trás. veja se ela pode encaixar algumas horas para escolhermos sua mobília. Além do mais. O sorriso de Isabella lhe aqueceu partes do corpo que não ousaria mencionar. Madeline está com minha agenda da semana. leu o conteúdo e voltou um olhar atônito a Madeline. muito graciosa. e fechou a porta. Combinava com ela. – Não. agora ele mencionou – disse Madeline. Madeline pegou uma pilha de papéis em um canto da mesa e sorriu para Isabella. – Ele lhe contou sobre a festa? Isabella pegou o contrato de locação e franziu a testa. Madeline providenciará para que um carro vá buscá-la no hotel. Haveria outras tatuagens? Talvez uma ou duas que só poderiam ser vistas se ela estivesse nua? O pensamento de sair em uma caçada às tatuagens. Era óbvio que Theron se preparara para lhe passar um sermão infindável sobre não deverem repetir o que haviam feito no dia anterior. Aproximou-se da mesa de Madeline e perguntou educadamente se a secretária teria recebido algum fax endereçado a ela. e gostaria que você comparecesse. tendo aquele corpo como mapa. Naquele instante. Pedirei para meu advogado analisá-lo se você quiser. Em seguida. Era provável que Theron ainda se encontrasse desequilibrado. Isabella deixou o escritório. antes de ele começar. em sua cama. Theron tornou a entrar. Antes que ela pudesse responder. Isabella girou outra vez na direção da mulher mais velha. Quanto às compras.

então. Isabella obedeceu. – Conte-me – pediu. E. Ontem mesmo. querida! – Ofegou. – Sim. Ele tem um acordo com a família Gianopolous para se casar com a filha deles. – O quê?! – Ele também não falou sobre isso? – indagou Madeline. Isabella sabia que Madeline tinha boas intenções. erguendo-se em seguida. Anetakis não lhe contou que estava procurando um marido para você? Pensei que ele tivesse mencionado isso pelo menos uma vez. Talvez a melhor coisa a fazer seja se concentrar nos homens que Theron tem em mente para você. há quanto tempo sente essa empolgação por Theron? – Empolgação? – perguntou Isabella com partes iguais de divertimento e devastação. – Então ele ainda não fez o pedido de casamento? Uma sensação de alívio se derramou sobre Isabella. então havia tempo para garantir que ele não o fizesse. – Empolgação é um sentimento superficial e passageiro. Anetakis só pode terminar em decepção. mas pelo que entendi será mera formalidade. Isabella se inclinou para a frente. E sussurrou: – O que acha de irmos até a sala de reuniões? Isabella permitiu que a secretária a guiasse até a outra sala e trancasse a porta. Eu o amo desde minha adolescência. Theron já encontrou alguém? – Isabella tentou afastar da voz o horror que sentia. querida. – Agora. – Sente-se. antes ele terá de fazer o pedido. Detestaria vê-la… sofrer. a julgar pela expressão compassiva no olhar de Madeline. mas não estava muito certa de haver conseguido. Entorpecida. mas a secretária de Theron também não fazia ideia da profundidade de seus sentimentos e de sua determinação. Não era de se estranhar que ele tivesse ficado tão transtornado com o beijo que trocaram no dia anterior. então acredito que seja durante o próximo outono. e contornando a mesa até onde Isabella se encontrava sentada com as costas rígidas e as mãos unidas com força no colo. – Não estou gostando deste olhar. de ter um compromisso com outra mulher… Fechou os olhos contra a repentina pontada de dor que a invadiu. ansiosa. mas a compreensão lhe suavizou a expressão. O sr. Naquela ocasião até poderia ser considerada uma empolgação. Madeline franziu a testa. – O sr. para todos os efeitos. Não se opusera à ideia porque achara que Theron não falava sério. – Theron está determinado a apresentá-la a rapazes com potencial para serem bons maridos. – Talvez ele esteja com pressa para poder se concentrar no próprio casamento – acrescentou a secretária em um tom de voz tranquilizador. mesmo se falasse. Ela e a mãe chegarão a Nova York em menos de uma semana. . e a mulher mais velha se acomodou ao seu lado. cautelosa. Se Theron não fizera o pedido. Anetakis não quer um noivado longo. – Ele vai mesmo se casar? Está noivo? Madeline pareceu confusa por um instante. conte-me. mas agora? Madeline fez um gesto negativo com a cabeça e lhe deu palmadas leves na mão. Ainda assim. – Bem. Bella achou que lhe restava muito tempo até que ele cumprisse o prometido. – Madeline apontou uma cadeira. Essa fascinação pelo sr. – Oh. você não ouviu de minha boca. – Bem. – Quando será o casamento? – perguntou ela com voz suave. Alannis. o pensamento de Theron estar noivo.As sobrancelhas da secretária se ergueram. ele mencionou superficialmente.

É urgente. sou eu: Isabella – disse quando a amiga atendeu. – Não se engane. – Está bem. Estarei lá. Nenhum homem vale a perda de seu respeito próprio. Isabella. Theron cometerá um grande erro. não. com a mente em turbilhão pelo choque inesperado que tivera ao saber do noivado iminente de Theron. Isabella anuiu com um gesto lento de cabeça. me enviar de volta. – Está ocupada? Preciso encontrá-la. – Então. se não tiver nenhuma objeção. Não me envolverei nisso. Theron fez sua escolha. – Oh. desejo-lhe boa sorte. e tenho como filosofia não me envolver na vida pessoal dos meus chefes. Ficariam felizes em me casar com o homem que eu amasse. Ambos queriam que eu fosse feliz. Em seguida. – Obrigada. Pegou o telefone celular e digitou o número de Sadie. Quando é mesmo esse coquetel? – Na noite de quinta-feira. Madeline ficou de pé e a observou com certa reserva. Você está sozinha nessa empreitada. Madeline. . Isabella esboçou um sorriso. – Minha mãe amava meu pai loucamente – disse Isabella com voz suave. Às 19 horas. – Tem de me ajudar.Isabella tomou as mãos da secretária. – Irei sozinha. As duas deixaram a sala de reuniões. Madeline negou com um gesto veemente de cabeça. embora forçado. – E era correspondida. antes de devolvê-lo à secretária. na certa lhe diria a mesma coisa. – Oi. – Peça para ele ler e. Preciso fazê-lo ver isso. e Isabella se apressou em assinar o contrato de locação. girou para se retirar do escritório. está bem? – E a compra dos móveis? Para quando quer marcar? Isabella negou com a cabeça. Se sua mãe fosse viva. – Você me agradecerá quando ele for um homem mais feliz. Isabella soltou as mãos de Madeline e suspirou.

– Nem ela dirá. – Aquele discurso? – Você sabe. . – Ainda significa que ele tem total intenção de fazê-lo. – Theron fez aquele discurso esta manhã. – Ainda. não é? Ele ainda nem fez o pedido de casamento. – Mas isso não significa que não conseguirá. quando por fim Sadie a soltou. para todos os efeitos. As sobrancelhas de Sadie se ergueram.” – Ah. se esforçando para esboçar um plano. Ela deve ser adorável. Faça-o enxergá-la como você realmente é. – Isso não muda nada. – Você não desistiu. Ou ao menos tentou. a preocupação lhe distorcendo os belos traços. A solidão nunca a incomodara. – Está bem. precisava de todo o apoio que pudesse obter. Não será fácil como pensou que fosse – afirmou Sadie. Isabella lhe dirigiu um olhar incrédulo.Capítulo 6 – ISSO É um desastre! – gemeu Isabella. É verdade. divertida. não me parece uma união baseada no amor. desanimada. Theron está noivo. A amiga se sentou ao seu lado. Isabella se deixou ser abraçada pela amiga. – Sadie riu. – Que mulher excitante. antes de fixar o olhar outra vez na amiga. Naquele momento. – Essa mulher é sem dúvida uma boa jovem grega de uma boa família grega. Portanto. Ou o desespero. mas agora via-se diante da possibilidade de não conseguir a única pessoa que desejava ao seu lado. não acha? Isabella soltou uma risada. Pelo que me contou. desanimada. Esse é o problema – respondeu Isabella. – Está vendo? Eu lhe disse! – exclamou a amiga. – Você diria “não” a Theron Anetakis? – Bem… não. – Agora a está fazendo parecer um poodle. e ela haveria de preferir tomar ácido de bateria a contestar um desejo dos pais. querida… – Sadie a envolveu nos braços. O pai há de ter rios de dinheiro. esse… – Ao menos agora sei por quê. – Não comemore ainda – retrucou Isabella. Isabella cobriu o rosto com as mãos e tentou não deixar que o pânico a dominasse. – Isabella suspirou. Precisa apenas fazer o mesmo que pretendia. Na certa tem uma linhagem impecável. – Não estou sendo muito gentil. foi um erro. deixando-se afundar no sofá de Sadie. fixou o olhar no teto. Em seguida. – Ela pode não aceitar – argumentou Sadie. aquele do tipo: “Isso não deve se repetir nunca mais. – Oh. Theron não resistirá a você se passar um tempo ao seu lado. – Nós nos beijamos ontem – disse ela.

mas poderá se transformar em um se souber jogar meus dados da maneira correta. Então. – Então o que devo fazer? Sadie lhe apertou a mão e sorriu. – Primeiro. eu tenho essa festa para a qual fui convidada. Howard Griffin estará lá. Sadie sorriu. – Tenho um teste no sábado à noite. e pode parecer meio interesseiro. Preciso que ele me veja como me viu naquele momento. Todas as dançarinas terão de estar presentes. – Se eu não aparecer no trabalho sábado à noite. maliciosos. sonhadora. – Quer que eu me passe por você em um clube de striptease? Sadie. Se ele descobrisse onde você estava. – E o que isso tem a ver com Theron? Ele iria ter um ataque cardíaco se soubesse que entrei em um clube de striptease. Isabella girou a cabeça rapidamente na direção da amiga. quanto mais se souber que trabalhei lá por uma noite. pensei que você pudesse me substituir. não é exatamente um teste. ninguém seria capaz de notar a diferença. a veria seminua. com a maquiagem certa. eu uso uma peruca loura no clube. Ninguém fica olhando para seu rosto em um lugar como aquele – acrescentou ela. Eu a faria ser despedida em dois segundos. perderei o emprego. na noite de sábado. Temos a mesma altura e. – Quem é Howard? E quem é Leslie? – quis saber Isabella. Até eu conseguir bons papéis. Não posso perder essa festa. Bem. Um grupo de forasteiros ricos que vêm para a cidade uma vez por ano. dessa forma. As pessoas são capazes de matar por um convite dele. iria até lá arrastá-la pelo cabelo e. – O que significa fazê-lo esquecer essa questão da tutela. diga-me o que é – estimulou Isabella. Porém. Leslie conseguiu um convite. não posso me dar o luxo de perder o dinheiro que ganho no clube. Talvez. Eu a conheci algumas semanas atrás. talvez eu tenha um método meio tortuoso para fazer com que Theron a veja quase nua. este final de semana eles alugarão o clube por uma noite. mas poderia funcionar. sem dúvida explodiria de raiva. Isabella soltou uma risada. – Não pode ir direto ao ponto. impaciente. – Agora você atraiu minha atenção. Todos a querem. Os olhos de Sadie faiscaram. – Está bem. Sou uma péssima dançarina.Isabella soltou outro suspiro. nem ao menos nos parecemos fisicamente. grandes papéis. – Pense bem. Bem. e Leslie vai apresentá-lo a mim. Só poderá fazer o teste quem for convidado. – Howard está produzindo um musical na Broadway e fará testes na próxima semana. sem desculpas. – Tenho de trabalhar neste sábado. Ela está me fazendo um grande favor apenas em me recomendar a Howard. – Se me permite pensar em mim por um momento. Mas o que isso tem a ver comigo? Sadie lhe dirigiu um olhar suplicante. Sadie fez um vigoroso movimento negativo com a cabeça. O beijo foi… – Isabella respirou fundo e sorriu. É algo muito importante. e nos tornamos amigas. – Eu pretendia lhe pedir isso de qualquer forma. – …quente. se você estiver usando as minhas roupas. mas ela está em alta na Broadway agora. – Vamos. – Faça-o se apaixonar por você. apenas por algumas horas. . Sadie? Este suspense está me matando. Sadie fez uma careta. Inclusive eu.

Aquilo não era nada bom. Portanto. – Em minha opinião. Se o sermão for muito severo. mas outra queria ver a mulher com quem Theron pretendia se casar. Sadie franziu a testa. Uma mulher mais velha também girou. – Theron. No mesmo instante. pela manhã. Sadie se encontrava boquiaberta. Encontrarei em forma de lhe atrair a atenção.– E isso não causaria sua demissão? – questionou Isabella. – E os outros são pessoas relacionadas aos compromissos desta manhã. quando adentrou os escritórios da empresa. eu o beijarei outra vez. está levando esse assunto de tutor longe demais. – Encontrarei uma forma de burlar a equipe de segurança. ergueu o olhar e franziu a testa ao vê-la. para ser apresentada a eles e. Ouça. Isabella se apiedou da amiga. se inclinou para sussurrar: – O que está havendo? Madeline limpou a garganta. com um sorriso travesso a lhe curvar os lábios. Na minha opinião. – Por que tenho a impressão de que verá essa segurança como um desafio? – Sadie meneou a cabeça. O sorriso de Isabella se alargou. não acha? Terei de ir ao escritório dele bem cedo. Ele não saberá onde estou. Theron. ergueu a cabeça e lhe lançou um olhar curioso. – Que tal eu a substituir sem que Theron saiba? Depois pensarei em uma maneira de chamar a atenção dele. – Ela apontou na direção de três homens de aparência intimidante. Eu sei. sim – afirmou Isabella com voz suave. porque Alannis e companhia limitada estão no escritório dele. mas isso lhe dará a chance de me fazer outro sermão. Franzindo a testa. – Droga! – resmungou. Claro que aquela mulher não seria simplória. aquela que deveria ser Alannis. Seguiu até a sala de Madeline para perguntar o que estava acontecendo e encontrou o local cheio de gente. se encaminhou naquela direção. Uma parte de Isabella desejava sair correndo o mais rápido e para o mais longe possível. – Não pensei nisso. Isabella aprumou a coluna e lançou um olhar à porta fechada do escritório de Theron. porque aquilo era pedir demais. abriu a porta e entrou. Entrou no elevador até o andar desejado e. Sem dizer uma palavra. com a testa ainda mais franzida. ele contratou um bando para me seguir por Nova York. Ao que parece. – Você tem guarda-costas? – Sim. Posso burlar esses guarda-costas e substituí-la no clube. não devo ir a lugar algum sem esses seguranças – disse ela. – Deixarei Theron maluco. Quando alcançou a mesa da secretária. Estão aguardando. isso é ridículo. Eles comunicarão imediatamente a Theron. ignorando os apelos de Madeline. Enquanto a mãe tinha o cabelo preso em um coque . Alannis e a mãe eram belíssimas de uma forma clássica e elegante. – Tem certeza? – perguntou Sadie. de acordo com Theron. ISABELLA SALTOU do táxi em frente ao prédio onde ficava o escritório de Theron e caminhou apressada na direção da entrada. nenhum homem é digno de tanto esforço. – Sabe de uma coisa? Espero que ele valha todo esse sacrifício – disse Sadie. – Alannis e a mãe chegaram. deparou com uma pilha de malas no corredor. que se encontrava parado diante da escrivaninha. Por fim. Aquela é sua equipe de segurança. ansiosa.

dessa forma. – O que quer dizer com isto? Madeline deixou escapar um suspiro. No mesmo instante. – Quem é ela? – perguntou a mãe de Alannis em um tom autoritário. A secretária lhe dirigiu um rápido olhar de compaixão. Sophia. Procurou algum indício de que ele estivesse sofrendo. Eles estão aguardando lá fora. Como um autômato. Sophia. – Está precisando de alguma coisa? – quis saber ele. Theron franziu a testa por um instante. ela foi dispensada. perplexa. Senhoras. Um instante depois. O olhar encontrou o de Theron mais uma vez. Bem. e Isabella agradeceu. Isabella lhe dirigiu um olhar surpreso. em uma cascata de ondas escuras sobre os ombros. – Mudei de ideia. – Em seguida. a não ser que sua voz fosse estridente. sim. aqui estou. Resolvi ajudá-la.impecável. Alannis o usava solto. Theron nos contou tudo sobre você. recordando-se do que lhe . – É um prazer conhecê-la – disse Alannis com um sorriso tímido. Sophia lhe deu um abraço carinhoso. Eu os orientei sobre o que espero deles. esqueci-me completamente de sua equipe de segurança. Isabella se deixou guiar até a mesma sala de reuniões do dia anterior. Para sua surpresa maior. mas Isabella resolveu ignorar aquele detalhe. Os olhos castanhos eram afetuosos e simpáticos quando ela esboçou um sorriso hesitante. Terá de me desculpar. – Agora você a está fazendo parecer um poodle – comentou Isabella. – Alannis é uma jovem adorável. e Alannis lhe ofereceu um sorriso simpático. – Bella – disse Theron em tom de voz áspero. – Esta é a menina sobre a qual comentei. gostaria de apresentá-la a Alannis Gianopolous e sua mãe. mas a expressão do belo semblante másculo era indecifrável. antes de se erguer e contornar a mesa. e então a recordação se refletiu em seu olhar. Em seguida. – Bella. Isabella consultou o relógio de pulso em um gesto afetado. Ela e Theron formavam um casal fabuloso. Sophia abandonou a postura alerta e lhe dirigiu um sorriso doce. – Igualmente – respondeu Isabella com um fio de voz. esta é Isabella Caplan. Theron apertou o botão do interfone e disse a Madeline que estava enviando Isabella para conhecer sua equipe de segurança. – Sophia lhe beijou as bochechas. a senhora se aproximou estendo-lhe as duas mãos. – Venha comigo – disse. Theron voltou a atenção à senhora e exibiu um sorriso tranquilizador. Acho maravilhoso que ele esteja se incumbindo de apresentá-la a maridos em potencial. quase a arrastando consigo. Isabella. Estava muito ocupada tentando encontrar um defeito em Alannis. – Talvez ela tenha mencionado que você estava ocupado – murmurou Isabella. – Ah. – Com a agitação pela chegada de Alannis. Isabella se encontrou atirada para fora do escritório. voltou a fixar o olhar em Isabella. minha tutelada. Madeline fechou a porta e girou para encará-la. claro. Porém. aquela mulher se aproximava da perfeição. – É um prazer conhecê-la. ela fez o caminho de volta à mesa de Madeline. Madeline pode fazer o restante com você. E. – Ele dirigiu um sorriso na direção da noiva. – Madeline não lhe falou que eu estava ocupado? A reprovação era evidente em sua entonação. – Você me disse para estar aqui pela manhã.

após a ópera. focou a atenção em Alannis. – Achei que tivesse como filosofia nunca interferir na vida pessoal de seus chefes – disse Isabella. – Alannis relanceou o olhar a Theron. – Sim. Isabella ouviu apenas parte das instruções. – E Madeline guiou Isabella de volta ao escritório. embora ela não pudesse dizer que a sutileza era o ponto forte daqueles homens. animada. – É melhor não levantar suspeitas da mamãe ursa. Sem dúvida eles se adequavam ao papel de seguranças. – Eles têm ordens estritas de acompanhá-la para onde quer que vá. – A secretária suspirou. com uma expressão tristonha. – Sim. . onde os homens as aguardavam. – Como foi sua viagem? Espero que tenha corrido tudo bem. exasperada. dando de ombros. foi ótima – respondeu ela com um leve sotaque inglês. Você vai. O que fará com ela é problema seu – concluiu. Theron deve saber também em algum lugar daquela sua cabeça dura. – Estou muito feliz por estar aqui. e Isabella se encolheu em seu íntimo diante da adoração que viu refletida naquele gesto. Mas a sutileza também não era o ponto forte de Theron. – Enquanto raciocina. – Isso deve tornar as coisas interessantes para você. minha menina. – Então desistiu? – perguntou Madeline.dissera Sadie. O sorriso de Isabella se alargou. Tinha de arquear o pescoço para trás para poder enxerger os rostos dos três brutamontes. – Tão cedo? – Sim. Madeline resfolegou. – Sua equipe de segurança está do seu agrado? – perguntou Theron em tom educado. Estou lhe dando a informação. – Ele planeja fazer o pedido de casamento na noite de sexta-feira. a aliança e toda a noite planejada. deixe-me apresentá-la à sua equipe de seguranças. Tenho a impressão de que essa mulher se transforma em uma barracuda quando se trata da filha. Alannis é um ratinho. Isabella os observou com expressão tristonha até Madeline lhe dar uma cotovelada leve nas costelas. – Não vou interferir. – A secretária girou na direção de Isabella e sorriu. e a cabeça de Theron se achava inclinada para ouvir o que ela dizia. o que significa que terá de agir rápido – retrucou Madeline. Isabella anuiu com um gesto lento de cabeça. em um esforço hercúleo para ser extremamente amável. O sorriso da jovem de beleza clássica lhe iluminou todo o rosto. Quando Madeline estava lhe apresentando o último guarda-costas. em um gesto impaciente. Alannis estava de braços dados com ele. – Talvez ele deseje um rato – murmurou Isabella. – Está sendo muito óbvia. Está com os ingressos. Isabella forçou um sorriso no instante em que o trio se aproximou. Percebi no instante em que pousei os olhos na mãe enérgica que ela tem. Isabella franziu a testa. Em seguida. – Esse casamento será um desastre. mas não é a mulher certa para Theron. ela é verdadeiramente adorável. A secretária fez um gesto negativo com a cabeça. a porta do escritório de Theron se abriu e os três saíram de lá. e Theron está mais para um leão. – Isabella ergueu as sobrancelhas. Nós duas sabemos disso. batendo o pé no chão repetidas vezes. A mente girando em uma rotação absurda.

Sophia se mostrou muito animada. Talvez eu passe minha lua de mel lá quando me casar. Incapaz de proferir qualquer palavra por causa do nó que se encontrava alojado em sua garganta. mas não por uma diferença muito grande. Engolindo com dificuldade o nó que crescia em sua garganta. – Quinta-feira? – repetiu Isabella. Providenciarei para que a bagagem que trouxeram seja despachada para o hotel imediatamente. Theron amaria Alannis? Sentiria certa afeição por ela? Alannis era mais velha que ela. o olhar de Theron se cravava em Isabella. – O coquetel – esclareceu ele.– Esperamos revê-la na noite de quinta-feira – disse Sophia. suave. – É melhor irmos agora – disse ele à mãe de Alannis. ela se limitou a fazer um movimento positivo com a cabeça. – Vocês fizeram uma longa viagem. – Avise-me se tiver algum problema. Ouvi dizer que é um país adorável para se visitar. agarrada ao seu braço como uma alga marinha. lançando um olhar confuso a Theron. enquanto a expressão de Theron se fechava. Talvez possam me contar tudo sobre a Grécia. . ele gesticulou com a cabeça na direção dela. ela se voltou na direção de Sophia com uma expressão animada. – Claro que estendi o convite às duas. Talvez alguns anos? Havia uma inocência juvenil nos olhos daquela moça que fazia Isabella se sentir mais velha e experiente. – Claro – concordou Isabella. Quando passaram por Isabella. – Também estou ansiosa por voltar a vê-las. os olhos castanhos perscrutadores deixando uma trilha de sensações sobre sua pele. Embora a noiva se encontrasse ao lado dele.

– Eu lhe transmitirei a ideia na próxima vez em que falar com ela. Isabella não teria nenhuma dificuldade nessa área. comprara ingressos para o espetáculo favorito de Alannis. – Você comentou que estava tentando encontrar um marido para ela – explicou Sophia. mas o pensamento de Isabella deixando o país e se casando com alguém tão longe lhe deixava um travo na boca. Planejo apresentá-la a alguns rapazes que foram cuidadosamente investigados. – Conseguiu encontrar candidatos qualificados para Isabella? – perguntou Sophia. claro. Theron franziu a testa.Capítulo 7 THERON NÃO conseguia tirá-la da mente. Não que o fato de ela se casar tão perto o fizesse se sentir melhor. Ele escutou Alannis repetir todos os detalhes da viagem e expressar de novo o contentamento por visitar Nova York pela primeira vez. todos estavam radiantes. – Ela é uma jovem muito bonita. – Oh. mamãe! – opinou Alannis. após acomodá-las na suíte que ocupariam. sua mente não estava no presente. beijá-la no elevador. Isabella caminhava ao lado da recepcionista que a guiava a uma mesa ao lado da janela. paciente. Ela poderia voltar comigo para a Grécia. em um ato irracional. – Que ideia maravilhosa. antes de. com o propósito de terminar a noite com uma festa em seu hotel. Os homens fariam fila pela chance se serem escolhidos. mas me parece solitária. menos ele. o excitamento lhe fazendo brilhar os olhos. seu plano de pedir Alannis em casamento. Os pensamentos se encontravam povoados por uma tentação em forma de mulher. Então por que não estava mais entusiasmado? Alannis se mostrava muito animada. tentando se concentrar no que Alannis e Sophia diziam. – Sabe de uma coisa? Adoraria me incumbir pessoalmente de Isabella. Esfregou o rosto. – Eu imaginava se já conseguiu encontrar o rapaz ideal. de cabelo escuro e um sorriso capaz de derreter um homem. Como se a tivesse conjurado. Theron ergueu o olhar e a avistou do outro lado do restaurante. Não. sim. Theron tinha certeza de que Sophia insinuara para a filha. Porém. Sophia se inclinou para a frente. Sophia anuiu em aprovação. no coquetel da noite de quinta-feira. Ele as levara para almoçar. expulsando aqueles pensamentos. – Como disse? – Theron meneou a cabeça. . Ele planejara meticulosamente aquela noite. Ao que parecia. aborrecido. – Theron não sabia por que. Sophia estava extasiada com a intenção de Theron em propor casamento a Alannis após a ópera. sem nenhuma sutileza. Duvido que tenha dificuldades em encontrar um marido. mas tudo de que conseguia se lembrar era que havia almoçado com Isabella àquela mesma mesa. Myron ficaria muito feliz em apresentá-la a rapazes de boas famílias. embora ele lhe tivesse pedido para manter os detalhes em segredo.

voltou a focar a atenção em Alannis. um dos seguranças se interpôs à sua frente. Em vez de lhe injetar consolo e contentamento. Tomou um gole de água sem desviar o olhar do ponto onde o fixara. e sorriu quando o garçom foi atendê-la. a secretária respondeu a mensagem. Ela seria sua amante e mãe de seus filhos. Quando chegaram ao saguão. Isabella se encaminhou resoluta à porta da frente. Pela primeira vez. Após um instante. Poderia transformar a reunião insípida em sua cobertura em uma festa de boas-vindas a Isabella no hotel. Ainda não se acostumara àquela escolta. Mais uma vez o olhar de Theron vagou na direção de Isabella. Tentando ignorá-los. a ideia de firmar tal compromisso o enchia de medo. mas ela estivera distraída com a .Recordando-se do comentário de Sophia sobre ela parecer solitária. Sem família. digitou sua resposta a Madeline. quando uma semana antes via-se ansioso por uma vida ao lado de Alannis? Aquilo não fazia sentido algum. não lhe contara nada sobre eles. Theron refletiu sobre as circunstâncias daquela jovem. digitou uma mensagem para Madeline perguntando sobre o dia em que faria compras com Isabella. mas ao menos ela teria um pouco mais de diversão. deixando escapar um suspiro exasperado. Até mesmo um pouco triste. um homem se aproximou e começou a caminhar ao seu lado. lembrando a si mesmo que. que olhava além da janela. Por que reagia tão mal agora. Isabella se acomodou sozinha. dentro de alguns dias. – Ouça… como é seu nome? Os guarda-costas lhe haviam sido apresentados no dia anterior. Ela de fato parecia solitária. os dedos enroscados em uma mecha de cabelo que ela enrolava distraída. Agora estava feliz por ter planejado o coquetel para a noite de quinta-feira. Usava calça jeans e camiseta. Um sentimento de culpa o atingiu ao se lembrar da própria ansiedade em se livrar dela. Aquela era a mulher com quem passaria o resto da vida. E se possuía amigos. Em seguida. Uma moça naquela idade ficaria entediada com a festa que ele planejara inicialmente. Mas o sorriso não se expressava naqueles belos olhos verdes. Tão logo Isabella deixou sua suíte. Descubra o dia em que ela pretende ir e suspenda minha agenda. A mãe de Alannis estava certa. O homem entrou no elevador com ela e se posicionou ao fundo. O cabelo estava atado em um rabo de cavalo. Antes que ela pudesse dar dois passos na direção do primeiro da fila. a pediria em casamento. Theron enfiou a mão no bolso e pegou o telefone celular. com uma expressão pensativa. barrando-lhe a passagem. Ele franziu a testa ao lê-la e voltou a fixar o olhar em Isabella. Uma onda gelada de pânico o invadiu até que gotículas de suor lhe brotassem na testa. Afinal. Ela iria sozinha? Não queria sua companhia? Com a mesma expressão contrariada estampada no rosto. Sentindo-se um pouco melhor. Theron aproveitou a oportunidade para observá-la. onde se encontravam os táxis. se juntaram a outros dois guarda-costas. Como deveria ser difícil para ela estar desacompanhada em uma cidade estranha. Poderia apresentá-la aos rapazes da lista de Madeline. e não havia nenhum vestígio do sorriso sobre o qual ele recordava havia pouco. não queria combinar nada com Alannis para a mesma hora. e o fato de ter homens em seus calcanhares para onde quer que fosse a deixava nervosa. Isabella estacou.

As providências que tomei são para o seu bem-estar e segurança. Caplan estava prestes a entrar no táxi. à procura de algum perigo em potencial. Isabella o encarou. observou o carro luxuoso e lustroso parar a alguns centímetros de distância de onde estavam. Não há necessidade de me seguirem em um programa tão feminino. impedindo-a de pegar o táxi. olhando constantemente ao redor. esperando que ele concordasse. Então aqueles brutamontes tinham outra expressão além do semblante de estátua! – Pode me chamar de Reynolds. – Deve estar enganado – disse ela a Reynolds. – Até mesmo ao toalete? – Se necessário for… – retrucou o segurança. Reynolds fez um breve gesto negativo com a cabeça. que inferno! – resmungou. que haviam surgido de repente. em seguida. Reynolds exibiu outro sorriso. pethi mou. Vou fazer compras. – Temo não ser possível. . lhe segurou a mão. Caplan. – A srta. Porém. você queria minha companhia. já que não me é permitido tomar o táxi? Theron ergueu uma sobrancelha. não teria tempo para me acompanhar. Em seguida. Reynolds. – Ora. Isabella xingou entre os dentes cerrados e observou a expressão divertida do guarda-costas. Poderiam esperar no restaurante. – Claro – murmurou ela. Reynolds confirmou a hora no relógio de pulso e. – Presumi que. – Isabella se dirigiu a ele por parecer que aquele era o chefe do bando. Quando se encontrava diante dela. srta. e por ser o guarda-costas que lhe bloqueava a passagem. – Não quero tomar seu tempo. antes de constatar o óbvio. Reynolds a observou com semblante sério. Vou fazer compras para o meu apartamento. a senhorita terá de aguardar a chegada do sr. Temos ordens de acompanhá-la para todos os lugares. – Poderia chamar o carro. Para a surpresa eletrizante de Isabella. Mudou de ideia? Confusa. varrendo o sorriso do rosto de Isabella. – Algum problema? – perguntou com a testa franzida. – É importante que siga minhas instruções. e eu lhe explicava por que ela não deveria fazê-lo. – Esse à esquerda é Davison e ou outro é Maxwell. Theron aprovou a atitude e voltou a atenção a ela. Anetakis. – Temos ordens estritas para levá-la para onde quiser ir no carro que o sr. – Não me encontrarei com Theron hoje. os dedos longos se fechando firmemente nos dela. Os guarda-costas se limitaram a permanecer imóveis. como está com convidados aqui. Zezinho e Luisinho? Aquele que a encarava exibiu uma carreira de dentes brancos quando sorriu. – Alguns dias atrás. alternando o olhar entre Davison e Maxwell. – Ou devo chamá-los de Huguinho. Theron desceu do veículo e caminhou em sua direção. – Preciso entrar naquele táxi.notícia do noivado iminente de Theron. – Muito bem. Tenho certeza de que está aqui para ver Alannis. esta manhã. ficou desapontada. – Ele gesticulou na direção dos dois outros da equipe de segurança que a ladeavam. Isabella franziu a testa. Anetakis providenciou para a senhorita. – Isabella relanceou o olhar a Reynolds. retirou os óculos escuros e os guardou no bolso da camisa polo. – Não há nenhuma possibilidade de cabermos todos dentro daquele táxi – afirmou. Se esperava por uma confirmação ou negativa daqueles dois.

ela podia sentir cada movimento de Theron. – E por que um esquema de segurança tão forte? – perguntou. mas não costuma deixar a esposa e o filho com muita frequência. suave. – Como estão Chrysander e a esposa? – indagou Isabella. e disse isso a Theron. soltando uma risada. – Não consigo imaginar Chrysander tão apaixonado – disse ela. girou para se dirigir a Reynolds. – Antes de se casar com Chrysander. Quando o motorista colocou o veículo em movimento. antes que ele pudesse lhe dar qualquer resposta. na época. Após gesticular para que ela se acomodasse no banco de trás. Minha equipe assumirá a segurança da srta. Isabella se voltou para a janela. Embora não o estivesse mais observando.– Ah. animada. uma sensibilização contra a qual lutou. Houve uma mudança na expressão de Theron. – Então. O fato de ele não parecer aflito para correr para Alannis assim que acabaram de fazer compras a deixou animada. Chrysander viaja a negócios. puxando-a pela mão e a guiando em direção ao carro que os aguardava. Porém. que ele tentava manter impassível. Marley foi sequestrada e mantida em cativeiro para exigência de resgate. Os sequestradores não foram presos. se tudo saísse como desejava. não permaneceria em Nova York para ver Theron com outra mulher. que informou a Theron que permaneceriam no restaurante enquanto eles estivessem lá. porque. Se ele se mostrava tão protetor com alguém que definia como estando “sob seus cuidados”. A expressão de Theron se fechou no mesmo instante. mas você também é minha convidada – retrucou ele. Theron parecia apreciar o fato de Isabella não demorar muito para se decidir por um produto. Ele sugeriu que almoçassem no hotel outra vez. – Fico feliz que tenha vindo. Não arrisco a segurança daqueles que estão sob meus cuidados. Caplan. De vez em quando. não moraria lá por muito tempo. e ele se sentou ao seu lado. Mas a verdade era que ela não se importava muito com o tipo de móveis que colocaria em sua casa. – Parece um pouco pretensioso. estão vivendo lá. Aquelas emoções conflitantes se refletiam no semblante. – Bem. – Não estou tão ocupado que não possa manter uma promessa. o que o fez vir até aqui esta manhã? – perguntou. e perceber sua respiração como se fosse a sua. Às 14 horas. Obrigada. Os dois passaram a manhã comprando os itens da lista que ela necessitava para o apartamento. ela fez um gesto negativo com a cabeça e exibiu um sorriso tristonho. E então Isabella girou e sorriu. Isabella se encontrava cansada e faminta. – Estão dispensados até que retornemos. Caso contrário. Isabella deixou o olhar vagar pelo corpo musculoso e o fixou nos olhos castanhos de Theron. Isabella começava a se acostumar ao pequeno séquito de guarda-costas que seguiam Theron para onde quer que ele fosse. e aqui estou. – Quando foi a última vez que não conseguiu fazer as coisas do seu jeito? Theron lhe dirigiu um olhar surpreso. Quando retornaram ao hotel. Marley prefere morar na ilha. foram recepcionados por Reynolds. exasperada. Isabella se acomodou no confortável banco de couro. portanto. – Pensei que estivesse muito ocupado no trabalho e com o entretenimento de suas… convidadas. Estava grávida. – Ele parece tão intimidador. – Obviamente não tem a mesma percepção de mim – retrucou Theron em tom de voz seco. – Minha percepção de você não tem nada a ver com a que tenho de Chrysander. Disse-lhe que faria compras com você. como .

– Parece satisfeita consigo mesma. – A voz grave lhe penetrou os pensamentos. – Obrigada por me acompanhar. – O prazer foi meu. agora que se formou na faculdade? Isabella sorriu. Isabella enrugou o nariz e revirou os olhos. Fiquei feliz ao receber seu convite para a noite de quinta-feira. paciente. Havia labaredas naquelas profundezas douradas. você pode fazer o que achar melhor. mas aquilo não pareceu intimidar o homem. – Então. Se tivesse de arriscar um palpite. O verdadeiro desafio é como se readaptar quando seus planos desandam. – Permite-me perguntar o que isso significa? – Apenas imagino que sua vida seja planejada nos mínimos detalhes e que não tenha paciência com pessoas que não são tão organizadas quanto você. Por que Nova York? Não prefere ficar perto de seus amigos da Califórnia? E tem pensado no que vai fazer. e ela também o observava. Após fazer os pedidos. mas nem sempre as coisas saem de acordo com nossa vontade. que agora se encontrava parado ao lado da mesa. diria que ele estava bastante afetado com sua presença. Theron lutou contra uma expressão contrariada. os olhos castanhos se ergueram e encontraram os dela. boquiaberto. – Não há nada errado em planejar tudo com antecedência. – Tem razão. Ela ergueu o olhar para deparar com um belo homem que caminhava na direção deles. Isabella terminara a refeição quando ouviu o nome de Theron ser chamado a algumas mesas de distância. Em seguida. sorrindo. enquanto os dois eram guiados à mesa de Theron. Theron parecia muito insatisfeito com a interrupção. mas na verdade tenho um plano muito bem traçado para o meu futuro. Estava bem-vestido e exalava riqueza e refinamento. A agitação que ele sentia ficava evidente nos movimentos bruscos e curtos enquanto comia. que bom revê-lo. E a olhava com indisfarçável interesse. com uma taça de vinho na mão. – Você insiste em se lembrar da minha idade para não ficar tentado a fazer algo ultrajante como me beijar outra vez? Theron pestanejou várias vezes. O rapaz relanceava o olhar a Isabella enquanto falava. – Pensei que havíamos combinado esquecer que isso aconteceu. Estou certa? – perguntou ela em um tom de voz malicioso. embora não tivesse sido seu nome a ser pronunciado. Por várias vezes. – O que quis dizer com “alguém como você”? – perguntou ele. Ela ergueu . Tenho minha vida bem planejada. A aproximação do garçom que trazia os pedidos o poupou de uma resposta. – Minha decisão talvez deixe alguém como você enlouquecido. pethi mou. Poderia conviver com aquela tendência superprotetora se isso significasse que ele a amava. Theron não era imune a ela.seria com alguém que amava? Um sorriso sonhador lhe curvou os lábios. No entanto. conte-me. – Palavras sábias para alguém tão jovem. Theron se recostou para trás na cadeira. Bella. Nem um pouco. – Ficou contente com as compras que fez? Isabella anuiu. – Theron. Não deveria andar sozinha em um lugar com o qual não está acostumada. e a observou. Ela observou Theron durante toda a refeição. imaginando se aquele era um dos homens da infame lista de maridos em potencial que Theron elaborara. – Eu não concordei com nada disso. contraiu a mandíbula. antes de relaxar e sorrir.

O olhar furioso era capaz de derreter o aço. oferecendo um sorriso luminoso ao rapaz. – Ele voltou a fixar o olhar em Isabella. não se importará se passarmos algum tempo juntos no coquetel? – Não – retrucou Theron entre os dentes cerrados. mas Theron a ignorou. E confirmar se era a misteriosa Isabella Caplan. aquela em cuja homenagem a festa será dada. – Isabella se inclinou para a frente. – Um salão cheio de homens abastados e belos para que eu possa escolher. – Marcus seria uma boa escolha. sim. Bella. chame-me de Bella. – Ora. Sou Marcus Atwater. – Você deve ser Isabella Caplan. aqueles seus instintos protetores aflorassem. nunca foi casado e é saudável.uma das sobrancelhas em uma expressão questionadora. – Eu o vi acompanhado de uma linda jovem e quis conhecêla. Theron parecia afrontado por ela o ter questionado. pousou o copo e resmungou em tom de voz baixo: – Claro que não questionei a vida sexual de seus pretendentes. então isso poderá ser divertido – disse ela com a expressão iluminada. Um lindo nome para uma igualmente linda mulher. – Claro. e. – Soube de fonte limpa que Theron se valerá dessa festa de quinta-feira para me arranjar um marido – acrescentou. Isabella se inclinou para trás na cadeira. ela confirmou com um gesto de cabeça. sorrindo diante da expressão surpresa do rapaz. – Diga-me. não parecendo muito satisfeito com aquilo. Marcus aceitou a mão estendida. mas Marcus pareceu não se incomodar… ou intimidar. antes de me decidir por um. – Então posso confiar que qualquer homem que estiver em sua festa foi cuidadosamente vasculhado e tem seu selo de aprovação? Theron assentiu com um gesto lento. ótimo… Nesse caso. educado. Marcus? – perguntou Theron de um jeito nada amistoso. Isabella suprimiu uma risada e tentou adotar um semblante sério e agradecido. Agora que sei que meu comparecimento me coloca na disputa. – Oh. eu irei. Não lhe sugeriria um homem doente ou que tivesse algum problema que pudesse ser transmitido aos seus filhos. – Muito bem. não possui dívidas. Isabella lhe estendeu a mão. fingindo sussurrar de maneira conspiratória: – Descobriu se são bons amantes também? Theron engasgou com a bebida. – Você irá? – falou Isabella. Fico feliz por ter vindo confirmar. Isabella o observou se afastar e voltou a atenção a Theron. É bemsucedido. não perderia essa festa por nada deste mundo. – Deseja alguma coisa. – Claro que sim. – Por favor. – Quase no topo – resmungou. – Que pena! Suponho que terei de descobrir por mim mesma. Quem sabe se de repente se visse diante de certa concorrência… – Nada – respondeu Marcus. – Deus do céu! Não me diga que levantou a ficha médica dele! – exclamou Isabella. Talvez se Theron visse outro homem flertando abertamente com ela. . mas em vez de se limitar a trocar um aperto cordial. Contente. como está a cotação dele em comparação com os outros homens que vem considerando para o cargo de meu marido? Theron lhe dirigiu um olhar de reprovação. levou-a aos lábios e a beijou. incrédula. – Guardará a última dança da noite de quinta-feira para mim? Com um sorriso largo. e acabou por soltar uma risada ao perceber que a carranca de Theron se tornara ainda mais intimidadora.

Os olhos verdes se arregalaram com expressão inocente. da qual não posso me ausentar. desligou e fixou o olhar em Isabella. mas preciso ir. ele pareceu aliviado antes de atendê-lo. enquanto ela lhe observava a evidente irritação. Após algumas frases concisas. Estava mesmo pretendendo subir para minha suíte. E. Theron estava a ponto de explodir. – Seus seguranças a acompanharão até seus aposentos. Trata-se de uma reunião importante. – Não se prenda por mim. Theron gesticulou para Reynolds e se ergueu da cadeira. – Terá de me desculpar. . Isabella deu de ombros de maneira casual. Quando o celular tocou.– Não fará nada disso! – rosnou Theron. Bella. não tente ir a lugar algum sem eles.

Maxwell e Davison obedeceram. Não se considerava uma ingênua. e não para agradar aos homens que Theron convidara. se vocês têm de andar como três sombras atrás de mim. Isabella fingiu refletir sobre o assunto. poderiam começar retirando os óculos escuros. Reynolds anuiu. Não que se importasse que eles a acompanhassem às compras. – Gostaria de fazer um tour pela cidade – respondeu ela. então? – Maxwell não pareceu muito satisfeito com aquele comentário. com uma boa dose de mel na voz. – Os ternos ficam – falou Davison pela primeira vez. ela hesitou. Isabella estacou de repente diante deles. Talvez escapar da segurança não fosse uma boa ideia. – Não conheço Nova York muito bem. portanto terei de contar com sua ajuda. O último lhe lançou um olhar severo. Queria estar com uma aparência deslumbrante na festa de quinta-feira. Por um instante. – Para onde deseja ir esta manhã? – Reynolds retirou o telefone celular do bolso para chamar o carro. – Agora livrem-se da gravata e do blazer. Eles lhes dão uma aparência de agentes do serviço secreto. – Pelo que a senhorita se interessa? – questionou o segurança. e gostaria de conhecer a Estátua da Liberdade. estar acompanhada por três brutamontes a tornava mais notável do que se . revelando a pistola que se encontrava em um coldre de ombro. sensível a armas. prefiro que usem algo menos caricato de personagens de filmes de máfia. Isso só servirá para chamar atenção para mim. Reynolds a seguiu. – Bom dia – cumprimentou ela. – Bom dia – respondeu o segurança. – Bem. – O que sugere. e os dois se juntaram a Davison e Maxwell. – Museus. enquanto engendrava um plano para burlar sua segurança. Isabella ficou boquiaberta. – Ouçam. Os três homens negaram com a cabeça. Mas em seu modo de pensar. Compreendia a necessidade delas. Talvez aqueles homens pudessem lhe oferecer uma opinião masculina sobre qual vestido lhe ficava melhor. – Algum problema? – perguntou Reynolds. com polidez. galerias de arte… Oh. que foi recebido com um sorriso de Isabella. Para justificar a negativa. Apenas não tinha se dado conta da intensidade da preocupação de Theron quanto à sua segurança. As portas do elevador se abriram para o saguão. Sem mencionar o fato de que não quero que todo mundo saiba que estou andando por aí com três guarda-costas em meu encalço. Tão logo saiu da suíte. enquanto passava as orientações ao motorista por telefone. ele afastou a lapela.Capítulo 8 O AVISO de Theron ainda ecoava nos ouvidos de Isabella na manhã seguinte. os observou e fez um movimento negativo com a cabeça.

conseguisse se esgueirar para uma loja de departamentos e procurar seu vestido.
– Está bem. Concordo com os ternos – resmungou.
Os quatro saíram do hotel para onde o carro os aguardava.
Davidson ocupou o banco da frente, enquanto Maxwell contornou o veículo para se sentar no
banco traseiro, do lado oposto. Reynolds abriu a porta do banco de trás mais próxima e esperou que
ela entrasse.
Isabella fingiu exasperação e bateu com a mão na testa.
– Espere aqui. Esqueci minha bolsa – disse ela.
– Eu a buscarei para a senhorita. Entre no carro – retrucou Reynolds.
Mas Isabella já estava se encaminhando à porta da frente. Girando, ela ergueu um dedo.
– Levará apenas um minuto.
Reynolds começou a segui-la, mas ela se esgueirou, apressada, pelo saguão na direção do toalete
masculino. Certamente ele procuraria no feminino quando se desse conta de seu desaparecimento,
mas era pouco provável que se lembrasse de vasculhar o toalete masculino.
Isabella deixou a porta entreaberta alguns milímetros para que pudesse ver o que estava
acontecendo.
Reynolds passou apressado, rosnando em um pequeno dispositivo que se encontrava preso à
camisa.
Segundos depois, Maxwell e Davison passaram correndo em frente ao toalete masculino com as
expressões tensas. Isabella aproveitou para escapar do toalete e correr, sem hesitar, na direção da
porta de entrada, esperando que os três não olhassem para trás até que tomasse um táxi.
Em seguida, escorregou para o banco do passageiro do primeiro carro da fila e prometeu pagar o
dobro da corrida se ele saísse correndo dali. Mostrando-se mais que disposto a colaborar, o
motorista se afastou imediatamente da entrada do hotel e entrou na frente de outros dois carros.
Buzinas e xingamentos ecoaram de todas as direções, mas o motorista agitou o punho e sorriu.
– Para onde vamos, senhorita?
Isabella ergueu o olhar e viu que o homem a olhava pelo espelho retrovisor.
– Não sei ao certo – admitiu ela. – Preciso comprar um vestido. Um modelo deslumbrante capaz
de fazer um homem babar.
– Conheço o lugar certo – disse o homem, com um movimento afirmativo de cabeça.
Disposta a não negligenciar nenhuma medida de precaução, Isabella perguntou se o motorista
podia esperá-la enquanto fazia compras; com o taxímetro ligado, claro.
O taxista a deixou na entrada de uma luxuosa loja de departamentos e lhe deu seu número de
celular.
– Telefone-me quando tiver concluído e eu a buscarei aqui – disse ele.
– Obrigada – agradeceu Isabella enquanto saía do veículo.
Tomando cuidado para se manter perto do fluxo de pessoas, ela entrou na loja. Não era uma
completa idiota no que se relacionava à segurança. Evitava os cantos, não se desviava dos caminhos
principais e se mantinha ao alcance das câmeras de segurança. Quando chegou o momento de
experimentar o vestido, contou com a companhia de uma vendedora muito atenciosa no provador.
Afinal, precisava de uma opinião.
Após experimentar seis modelos, Isabella encontrou o certo. O tecido tinha um caimento perfeito
em seu corpo, valorizando-lhe cada curva, como uma segunda pele. Não havia babados ou franzidos,
nada que lhe disfarçasse as formas. O tecido era delicado, tinha alças finas, e a bainha ficava cinco
centímetros acima do joelho. Com um sapato de salto, teria os homens comendo em sua mão.

Ela franziu a testa ao se dar conta de que não lhe importava o que os outros homens fizessem.
Theron era seu objetivo, e ninguém saberia dizer qual seria a reação dele.
Isabella saiu do provador para mostrar à vendedora, e o rosto da mulher se iluminou.
– Perfeito, srta. Caplan. Simplesmente perfeito. Com o sapato certo, irá arrasar!
Isabella sorriu.
– Teria algum par de sapatos pretos com salto de 7 centímetros que combine com este vestido?
A vendedora sorriu.
– Volto já.
Minutos mais tarde, Isabella girou, avaliando as próprias pernas sobre os sapatos. Os saltos eram
agulha, mas lhe emprestavam uma aparência divina.
Não satisfeita em lhe vender um vestido e um par de sapatos obscenamente caros, a vendedora
também insistiu em assessorá-la na compra das joias perfeitas, é claro, e uma bolsa de mão.
Duas horas depois de ter burlado sua equipe de segurança, Isabella se encontrava sentada no táxi
rumando de volta ao hotel. Quando o motorista estacionou, ela recolheu as sacolas e se inclinou para
a frente para pagar a corrida.
– Muito obrigada. Agradeço muito que tenha me esperado.
– Sem problemas, senhorita. Boa sorte com sua festa hoje à noite. Tenho certeza de que tirará o
fôlego de todos os presentes.
Isabella sorriu, desceu do táxi e acenou enquanto o motorista se afastava. Com um sorriso nos
lábios, ela entrou no hotel e se encaminhou ao elevador.
A ausência de sua equipe de segurança a fez hesitar, enquanto uma onda de sentimento de culpa a
atingia. Estivera tão envolvida com as compras que não se lembrara de telefonar para Reynolds para
tranquilizá-lo. Nem o segurança nem Theron tinham o número do seu celular, portanto ficaram
impedidos de fazer contato.
Ela entrou na suíte digitando o número de Reynolds, e ergueu o olhar para deparar com quatro
homens furiosos com os olhares fixos nela.
Theron se levantou do lugar que ocupava no sofá, com as pupilas faiscando de raiva, e gesticulou
para os outros três.
– Deixem-nos a sós – ordenou, conciso.
Isabella deixou que as sacolas escorregassem pelos dedos, enquanto os três passavam por ela.
Reynolds lhe dirigiu um olhar de censura, e Isabella exibiu um sorriso hesitante.
Quando os seguranças saíram, ela se concentrou em Theron, que havia fechado a distância entre os
dois, parecendo muito ameaçador, o rosto transtornado.
– Você não os demitiu, certo? – perguntou, incomodada.
– Pode ter certeza de que sei exatamente de quem é a culpa – respondeu ele, entre os dentes
cerrados.
Isabella se inclinou para recolher as sacolas, e o contornou para se dirigir ao sofá.
– Burlar sua segurança foi uma inconsequência, Bella. Não deixei clara a necessidade de seus
guarda-costas? O que estava pensando?
Isabella girou e o observou, pensativa.
– Tive minhas razões – limitou-se a responder.
Theron jogou as mãos para o alto em um gesto exasperado.
– Que razões?
Isabella sorriu.
– Nenhuma que aprovará. Não me ausentei por muito tempo, e tomei cuidado. O gentil motorista

do táxi cuidou de mim muito bem, e a vendedora da loja não me deixou sozinha um só instante. Bem,
exceto quando foi buscar os sapatos.
O rosto de Theron se tornou cinza.
– Motorista do táxi? Confiou seu bem-estar a um motorista de táxi?
– Relaxe – retrucou com um sorriso. – Ele foi um perfeito cavalheiro. Levou-me até uma loja de
departamentos e esperou por mim até eu concluir as compras.
Theron engoliu em seco, parecendo imprimir um esforço hercúleo para dominar a raiva. Hum…
Theron perdendo a calma. Aquilo poderia fazer valer a pena ter dito a verdade.
– Por que resolveu sair sem sua equipe de segurança? Isso era tão importante a ponto de se
arriscar dessa maneira?
Isabella ergueu uma das sacolas de compras.
– Precisava de um vestido para a festa desta noite.
Theron inspirou profundamente, fechou os olhos e voltou a abri-los. Em seguida, se aproximou
com passadas largas e a segurou pelos ombros.
– Um vestido? Deu-me o maior susto da minha vida por causa de um vestido?
Theron a sacudia enquanto falava, e Isabella se amparou com as duas mãos na cintura reta para não
perder o equilíbrio.
– Não era qualquer vestido – murmurou ela, se esforçando para não rir. Talvez não devesse
provocá-lo daquela maneira, mas fazê-lo perder a compostura de repente se tornou sua missão. –
Não poderia conhecer meu futuro marido trajando nada menos que um vestido deslumbrante.
– Você é a mulher mais enervante e frustrante que já conheci! – vociferou ele.
E em seguida, puxou-a com força contra o corpo, apossando-se daqueles lábios carnudos com um
beijo bruto que sequestrou todo o ar dos pulmões de Isabella. Quando as mãos fortes deslizaram para
suas costas como duas garras de ferro em brasa, ela deixou escapar um gemido de prazer.
Theron a saboreava como um homem faminto. Era como se não conseguisse se saciar dela. Um
formigamento excitante lhe percorreu a espinha, os seios pulsavam, os mamilos se tornaram rígidos
contra a parede sólida daquele peito largo.
O som das respirações aceleradas e do beijo enchia a atmosfera. Um das mãos de Theron
escorregou pelas costas macias até a altura do cós do jeans e puxou o tecido da blusa até libertá-la
da calça. Em seguida, roçou os dedos sobre a pele exposta da cintura, onde ficava localizada a
tatuagem. Theron circundou aqueles contornos como se soubesse o que havia lá.
Ansiosa por sentir o sabor daquele homem, Isabella traçou com a ponta da língua o contorno dos
lábios sensuais até que ele respondesse com uma invasão implacável em sua boca. Quente.
Extremamente másculo. Theron tinha o sabor da força e do poder.
Isabella se perdeu no círculo vertiginoso daqueles braços, derretendo-se sob a boca que a violava.
A pulsação disparava, desgovernada. Como ansiava por aquele homem!
A mão longa subiu até lhe tocar a alça do sutiã. Os dedos de Theron tatearam o fecho e
paralisaram.
Com um xingamento abafado, ele interrompeu o beijo, a respiração dificultosa e sonora. Os olhos
castanhos eram como labaredas. E então Theron afastou as mãos como se o contato com seu corpo o
queimasse.
Soltando outro xingamento em uma mistura de grego e inglês, ele passou as mãos pelo cabelo.
– Theos mou! Não podemos… não outra vez. Isto não deve acontecer de novo. Desculpe-me,
Bella.
Theron ergueu uma das mãos e se afastou. Quando alcançou a porta, estacou, os movimentos

mas você me deseja tanto quanto o desejo. Estamos entendidos? De agora em diante. girou para encará-la. Quando Theron saiu. a escoltarão até mesmo ao toalete. os olhos ainda ardendo com o desejo não saciado. . – Pode negar o quanto quiser – sussurrou para o quarto vazio –. incapaz de qualquer outra reação. E então.desconexos como se estivesse bêbado. ela esfregou os braços para atenuar os arrepios. Seu corpo todo tremia. Isabella anuiu. – Sua equipe de segurança deve acompanhá-la para todos os lugares.

e Theron os apertou para tranquilizá-la. ele girou. Os olhos verdes luminosos se fixaram nele. e depois eu a apresentarei aos convidados. Isabella prendera o cabelo em um coque. o que lhe evidenciava o formato do pescoço. Olhou ao redor do salão de festas do Imperial Park Hotel. que anuiu. No instante em que o corpo macio se moldou ao dele. girando para olhar na direção da banda. – Oh. Isabella ainda não chegara. observando os convidados que se movimentavam ao redor conversando e rindo. Theron sentiu os dedos formigarem com o desejo de lhe soltar os fios sedosos e observá-los lhe cascatearem pelas costas. Mechas do cabelo escuro escapavam do penteado de forma elegante e lhe roçavam a pele dos ombros. Quando alcançaram o meio da pista de dança. – Desculpe. – Acho que não reservou uma dança para mim… Theron quase gemeu. parada à soleira. ofegante. Ele inclinou a cabeça para escutar o que Alannis tentava lhe dizer e anuiu em um gesto educado. veja. O vestido preto e curto se colava a cada curva daquele corpo perfeito e terminava alguns centímetros acima do joelho. O pensamento de tê-la pressionada a si era quase uma tortura. tocando-lhe o braço com uma das mãos. portanto ele resolveu ignorá-la. de quem não ocultava o orgulho. – Bella – cumprimentou estacando diante dela. Quando aprumou a coluna. Sophia estava ao lado da filha. – Talvez possamos inaugurar a pista. Alannis se encontrava parada ao seu lado. Lá está Isabella! – exclamou Sophia. Queria escorregar a mão por aquela massa macia e brilhante.Capítulo 9 THERON ESFREGOU a nuca em uma tentativa de aliviar a enorme tensão que se apossara dele. estou atrasada – disse ela. Lá estava ela. Como se ele não estivesse ciente do segundo em que ela pisara naquele salão… – Com licença – murmurou ele para Alannis. embora não se concentrasse em uma palavra sequer. e Theron perdeu o fôlego. e ele lhe estendeu a mão. Não havia uma maneira fácil de lidar com a tensão sexual entre os dois. Theron engoliu em seco ao analisar o traje que ela usava. junto com o fato de que a beijara algumas horas atrás. Os dedos trêmulos de Isabella tocaram os dele. enquanto a banda de jazz entoava notas suaves de cima de um palco. percorria o salão com um olhar nervoso. – A dança ainda não começou – retrucou ele. e um sorriso acolhedor curvou aqueles lábios carnudos. Theron enrijeceu. . o olhar rumou para a entrada. Isabella. e Isabella se entregou de bom grado aos braços que a esperavam. que o soltou com um sorriso. Uma melodia lenta e sensual preencheu o ambiente. Theron caminhou na direção da porta de entrada. senti-la como uma teia que lhe envolvesse as juntas dos dedos. Theron gesticulou para o pianista. e ele sentia partes iguais de alívio e desapontamento.

– Eu a apresentarei a eles assim que esta dança chegar ao fim – garantiu ele. Quero que se divirta. Sua festa a aguarda. Chrysander não hesitaria em enviá-lo de volta à Grécia com um chute no traseiro por causa daquela proeza com Isabella. e os seios firmes se encontravam pressionados ao seu peito. Ele teve de lançar mão de todo seu autocontrole para não a arrastar para fora daquele salão para que mais ninguém pudesse vê-la. Ela deveria se divertir sem pensar em um compromisso para a vida toda. – Obrigada por planejá-la em minha homenagem. – Suas convidadas estão se adaptando bem à cidade? – perguntou ela em um tom inocente. estava em seus braços. Que tipo de homem se aproveitava de uma jovem estando compromissado com outra? Até mesmo Piers. abrindo caminho entre os convidados até o palco onde ficava a banda. teria se negado a seduzir sua tutelada com a futura noiva aguardando uma oportunidade. Quando a música chegou ao fim. não tinha o direito de ser possessivo. E ainda assim. Mas aquilo em nada ajudou para lhe abrandar a irritação quando viu a forma como vários homens dirigiam olhares cobiçosos a Isabella. O pânico lhe percorreu a espinha como o metal frio da lâmina de uma espada. ele estava a ponto de fazer exatamente aquilo. – Muito bem – murmurou ele. Pelo menos durante aqueles momentos Isabella lhe pertencia. Deveria se sentir aliviado. girando-a para que ela não ficasse de frente para Alannis e a mãe. Ela não estava usando sutiã. pethi mou. Theron baixou o olhar quando fizeram um giro suave e engoliu em seco. ergueu uma das mãos. portanto. – Não há por que. pethi mou. estava muito satisfeito com a ideia de se casar com Alannis e ter filhos. mas por alguma razão se sentia relutante em lhe revelar sobre seu iminente noivado. Theron estreitou o olhar. olhando ao redor. nada mais. e ele não tinha a mínima urgência em atirá-la nas garras dos pretendentes que a aguardavam reunidos em torno da pista de dança como um bando de abutres. mas sentia exatamente o contrário. Tão logo tudo estivesse acordado entre ele e Alannis e conseguisse encaminhar Isabella à segurança e estabilidade. qual deles é meu marido em potencial? – perguntou ela. Em seguida. Isabella se esforçou ao máximo para sorrir e permitir que ele a guiasse. Não havia um milímetro de sua estrutura que não estivesse ciente daquelas formas femininas. Não conseguia desfazer a expressão fechada. Saberia Isabella de seus planos para com Alannis? Não que ela não fosse saber dentro de pouco tempo. Antes de Isabella invadir sua vida. o que lhes realçava os contornos superiores contra o decote. Isabella não passava de uma distração temporária. que nunca ficava sem uma mulher. – Bem. ele se arrependeu da atitude intempestiva de procurar um marido para Isabella. Soltando a respiração que estivera prendendo o mais discretamente possível. Isabella estampava um sorriso travesso no rosto que só servia para iluminá-la ainda mais. e os acordes . Não lhe faltariam pretendentes depois daquela noite.A fragrância delicada o envolveu ao mesmo tempo que o calor daquele contato lhe invadiu o corpo. – A festa está muito bonita – disse Isabella com um sorriso. Um incômodo sentimento de culpa o invadiu. tinha certeza de que seria capaz de abraçar o próprio futuro sem hesitar. enquanto olhava por sobre o ombro largo. Pela primeira vez. Ou talvez fosse um patife que beijava uma mulher dias antes de pedir outra em casamento. ele deixou pender os braços e segurou as duas mãos de Isabella. – Venha. lembrou a si mesmo que aquela mulher não lhe pertencia e.

porque. Porém. Colou-se ao braço de Theron. Está na hora de apresentá-la aos convidados. Isabella se surpreendeu com a forma civilizada com se deu o processo. Também era fácil esquecer que. Theron tocou a taça na dela. segurando-a na altura da cintura enquanto continuava a se reportar aos convidados: – Estamos reunidos para uma noite de entretenimento. Isabella quase sorriu diante do pensamento. peço-lhe desculpas por meu atraso – disse ele ao estacar diante dela. se descobriu relaxando e gostando de toda aquela festividade. Theron soava quase esperançoso e um pouco ansioso. – Um brinde a Isabella. Alannis e Sophia os observavam. Era muito fácil imergir na fantasia de que ela e Theron formavam um casal e ele agia como seu par. rindo com os assuntos em pauta. considerando o tempo que consumira reunindo aquele grupo seleto de pretendentes. O que era esperar demais. Embora não tivesse o menor interesse de vaguear entre o séquito de homens qualificados que Theron convidara. Isabella não estava preparada para deixar que a realidade invadisse aquele momento. Por um longo instante ambos se encararam. no momento. sorrindo e. para tanto. Só o levantamento do passado daqueles homens devia ter sido uma tarefa árdua. Isabella ergueu o olhar quando um homem atraente se encaminhou em sua direção. Theron a levava de grupo em grupo. – Prefere não conhecê-los? Não tem obrigação de fazê-lo. dança e conversas. Principalmente se houvesse alguma esperança de despertar ciúme em Theron. e as pessoas começaram a fluir pela pista de dança. Em seguida. o homem que se apresentara a ela no restaurante. O brinde pareceu sinalizar uma volta às atividades normais. Meu futuro me aguarda e tudo mais – disse ela em tom leve. ele desviou o rosto e tomou um grande gole do champanhe. Após algum tempo. – Não. reconheceu Marcus Atwater. A banda recomeçou a tocar. Ele a aceitou. Em seguida. apresentando-a a associados nos negócios e amigos. – Quer dizer que está na hora de eu conhecer os homens que escolheu para mim – retrucou ela. em outros momentos. – Agradeço a presença de todos neste evento de boas-vindas a Isabella Caplan à nossa cidade – começou Theron em um tom polido. Um garçom se aproximou e entregou uma taça de champanhe a Isabella. Sem saber o que esperar – talvez imaginasse que haveria um tumulto –. e os olhares dos dois se encontraram. dando-lhe o braço e permitindo ser guiada pela multidão. sem rodeios. no dia anterior. vamos em frente. – A Isabella – responderam os convidados em uníssono. No mesmo instante. Ainda assim. a alguns metros de distância. ele teria de sentir mais que simples desejo por ela.cessaram. Só então ele se dirigiu aos presentes. e girou para oferecer outra a Theron. – Isabella. Isabella sabia que tinha de desempenhar seu papel. Bella. Risadas pipocaram por todo o salão. – Venha comigo. era sua única esperança. E Theron não teria deixado de remover nenhuma pedra. São bem-vindos a permanecerem por quanto tempo quiserem ou até a bebida acabar – acrescentou com um sorriso. Theron lhe lançou um olhar questionador. o que para ela era como escolher bifes em um açougue. e não como um homem determinado a casá-la. o que era estranho. com uma expressão determinada. ele girou na direção de Isabella e ergueu a taça. com um sorriso .

charmoso que a estimulou a retribuir. . Isabella esticava o pescoço na direção de Theron. Os dois fluíram entre os demais casais. girando-a. Isabella lhe soltou o braço para seguir Marcus. mas ele lhe segurou a mão livre. e a levar aos lábios. – Sou tão óbvia assim? – indagou. antes de lhe segurar a mão. fazendo-a colidir com seu peito. – Não. e você pode voltar para sua namorada. caso não saiba. Theron exibiu uma carranca. como fizera no restaurante. Prometo mantê-la em segurança. – Deseja alguma coisa? – perguntou ela. A jovem grega ergueu o olhar. esperando que ele dissesse algo. com um brilho brincalhão no olhar. Theron lhe soltou a mão e fez um movimento negativo com a cabeça. Alannis e ele dançavam na extremidade da pista. A expressão de Theron era glacial. Os ombros de Isabella se curvaram. Esta é a sua noite. Quando percebeu que não tinha a menor chance de bancar a inocente. ou talvez não tivesse tido a intenção de detê-la. Se fosse mal-agradecida isso seria fácil. que se encontrava imóvel como se tivesse uma nuvem negra pairando sobre sua cabeça. – Não posso levar a sério um homem tão charmoso. Isabella conhecia aquele sentimento muito bem. mas não refutou sua afirmativa. – Você é um galanteador. e Isabella não conseguiu deixar de retribuir com um sorriso. Não queria sentir pena da rival. parece ansiosa por dançar. – E então? – Marcus disse em tom casual. que. resignada. Ele decidiu que é sua obrigação me casar o quanto antes. mas Theron parecia sem palavras. e não era preciso ser um gênio para perceber a adoração dela por Theron. a cada chance que tinha. provocante. – Os homens não costumam correr na direção oposta quando a palavra “casamento” é mencionada? – Não se ele não se importar em ser fisgado pela mulher em questão. – Sabia que não deveria ter concordado com esta farsa. – Ainda está à caça de um marido ou cheguei muito tarde para entrar na disputa? – Marcus fingia seriedade. Os olhos azuis sorridentes se fixaram nela. mesmo enquanto relanceava o olhar na direção de Alannis. Queria antipatizar com Alannis. Com um último olhar na direção de Theron. Em seguida. – Isabella soltou uma risada. Foi ideia de Theron. – Vai deixá-lo escapar? Isabella desviou um olhar cheio de culpa de Theron para encontrar o sorriso divertido de Marcus. permita-me dizer. – Gostaria de lhe pedir Isabella emprestada. Isabella o encarou. e Isabella olhou por sobre o ombro. detendo-a entre os dois. para deparar com Alannis observando os casais na pista de dança com o que podia ser interpretado como um olhar desejoso. suspirou. e. ela girou e permitiu que Marcus a guiasse de volta à pista de dança. – Que tal dançarmos primeiro e depois discutirmos os outros propósitos? – sugeriu o elegante jovem. mas a verdade era que tanto a filha quanto a mãe haviam sido gentilíssimas com ela. dirigiu um olhar questionador a Theron. ao aceitar a mão estendida de Marcus. sorrindo para encará-lo. Ele a girou em um movimento preciso. – Está me pedindo emprestada apenas para dançar ou para outro propósito? – perguntou ela. Divirta-se. Marcus sorriu. – Apenas para outro homem que está reconhecendo o território para competir. pethi mou. – Tive um contratempo com um cliente – acrescentou.

colando-a à lateral do corpo. a raiva crescendo quando os avanços de Marcus se tornaram mais ousados. – Não é nada – Theron se apressou em responder. e o som sedutor se ergueu acima do tilintar dos copos e o murmúrio da conversação. Entendeu? Marcus o surpreendeu. Ele fechou a distância que os separava e segurou o homem mais jovem pelo ombro. – Ela parece estar se divertindo. – Que diabos…? – Marcus se calou no meio da frase. Marcus. Alannis olhou na direção de Isabella antes de voltar a encará-lo. – Disse a Theron como se sente? Isabella relanceou um olhar ao homem em questão e fez um movimento negativo com a cabeça. sorrindo e se afastando com as duas mãos erguidas em um gesto de rendição. – Isto é demais. – Dê-me licença por um instante – disse ele. mesmo aceitando a mão estendida. Inclinando-se na direção do rapaz. Ela o encarou boquiaberta. Não pode nem ao menos pensar nela. – Tenho . – Em seguida. – Oh. arrancando-o de perto de Isabella. Isabella – disparou Theron. Theron a puxou. até a base do pescoço de Isabella. o corpo se movendo como um predador determinado a abater sua presa. e em seguida o deixou descer. – Qual é o problema? – perguntou. e concentrou toda a força de sua fúria em Marcus. – Acho que é melhor eu ir embora. – Sim. – Theos mou! – rosnou Theron. Quando Theron começou a falar. antes de se afastar o mais calmo que pôde na direção onde se encontravam Marcus e Isabella. O rapaz a havia encurralado em um canto. – Não pode tocá-la. – Como quiser. Em seguida. quando Marcus escorregou um dos dedos pela lateral do rosto delicado. Por que não me aguarda naquele canto ali? Vou pegar uma bebida para nós e você vai me contar toda essa história. – Isabella relanceou o olhar a Theron com expressão confusa. Algo me diz que não sou mais bem-vindo. Marcus mudou o ângulo da cabeça e pressionou os lábios suavemente contra a região abaixo da orelha de Isabella. com os lábios quase lhe roçando a orelha ao lhe murmurar algumas palavras. de maneira sedutora. – Theron. não. A raiva explodiu dentro de Theron. – É complicado. piscou para Isabella. – Algo errado? – Alannis lhe tocou o braço. Isabella soltou uma risada. ele engoliu em seco o rugido de raiva que lhe brotou na garganta. Os dedos de Marcus tocaram o ombro exposto de Isabella e se detiveram lá por mais tempo que Theron julgou apropriado. – Vou lhe dizer o que fazer.Marcus lhe ergueu o queixo até que ela o encarasse. – O olhar de Theron voltou a se fixar no casal. – Mantenha suas mãos longe dela – ordenou. fique. algum problema? – Venha cá. com olhar preocupado. com um gesto de cabeça para Sophia. Ele teve de trincar os dentes quando viu Marcus se inclinar na direção de Isabella. Marcus baixou a cabeça e roçou os lábios no pescoço de Isabella. Sophia e um pequeno grupo de pessoas que formavam um semicírculo ao lado da pista de dança conversavam. estendendo-lhe a mão. O OLHAR de Theron encontrou Isabella outra vez enquanto ele ouvia educadamente o que Alannis. ela parecia buscar aquele toque.

Isabella girou. As sobrancelhas de Isabella se arquearam. Os olhos de Sophia se arregalaram pela surpresa. Theron é que exagerou – respondeu. As narinas de Theron se dilataram ao se lembrar dos beijos que os dois haviam trocado. – Estou ótima. na direção de Sophia e Alannis. com expressão presunçosa. Estava preso a uma armadilha que ele mesmo preparara. Isabella não objetou. e o que realmente desejava era socar Marcus por ter tocado em Isabella. – Venha. – Não chamo o que aquele rapaz estava fazendo de mostrar interesse. – Sim. puxando Isabella ainda mais para perto. Isabella sorriu. Bella. – Tudo em ordem? – quis saber Sophia. e Theron girou rápido para segurá-la. – Os modos dele não eram apropriados – disse entre os dentes cerrados. sra. – Vá devagar – disse ela. Seguirá minhas orientações. Gianopolous. – Está bem? Isabella anuiu e os dois prosseguiram. eu o quebro ao meio.certeza de que Theron não faz nenhuma objeção. Theron se dirigiu mais uma vez a Marcus. Para sua surpresa. – Até logo – retrucou ela. – Tem certeza de que está bem? – perguntou com voz suave. – Theron quase a arrastava consigo. – Faço muitas objeções. com suavidade. – Você está sob minha proteção. – Theron concedeu com voz áspera enquanto a amparava. Marcus se limitou a sorrir e continuar a se afastar. e um sorriso lento lhe curvou os lábios. Obrigada por perguntar. dirigindo um olhar desafiador a ele. querida? Fique aqui com Theron. – Desculpe. – Por favor. – Não sei como espera que eu encontre um marido quando perde as estribeiras no instante em que um homem mostra interesse por mim. insolente. Theron inspirou profundamente. Continuou lhe segurando os braços até ter certeza de que ela recobrara o equilíbrio. Prefiro que Isabella fique ao meu lado pelo resto da noite – acrescentou ele em tom de voz brusco. – Não sairá do meu lado pelo restante da noite. Theron ergueu uma das mãos para calar a verborragia de Sophia. – Fiquem aqui. chame-me de Sophia. ela tropeçou. No meio do caminho até o local onde estava Alannis e a mãe. Alannis se aproximou de Isabella e lhe tocou o braço. enquanto levo Isabella para comer algo. acrescentou: – Se o vir perto de Isabella mais uma vez. Fui claro? Theron ignorou o ofego chocado de Isabella. Por ousar roçar os lábios naquela pele macia. preocupada. Sentia a cabeça latejar. Em um tom de voz baixo o suficiente para não ser ouvido pelos demais. – Quer que lhe traga algo para beber? Comeu alguma coisa desde que chegou? – Ela se dirigiu à filha. Pedirei a um garçom que traga uma bandeja. quando eles as alcançaram. – Vejo-a em outra oportunidade. – Em seguida. . – É assim que chamam beijar atualmente? – provocou. – Não posso andar rápido com estes sapatos. Ele a está assediando na frente de um salão cheio de convidados. – Pode nos dar licença um minuto. Theos! Parecia estar fazendo amor com você diante de todos. O sorriso de Isabella era tenso quando fixou o olhar em Alannis. – A mulher esticou o braço e puxou a mão de Isabella que Theron segurava.

– Você está cuspindo fogo – murmurou ela. não acha? Isabella girou e se afastou. Rapazes escolhidos a dedo por ele. – Em seguida. Theron lhe afastou as mãos e girou para que os dois ficassem posicionados lateralmente a Alannis. Os olhos verdes se semicerraram. Bella. Você me deixa maluco. Sem nenhuma reação aparente. Aquilo provocava uma sensação de perfeição inata. Era difícil impedir as mãos de vagarem por aquelas curvas sensuais. Porém. – E quem disse que isto é provocação? – perguntou Isabella erguendo uma das sobrancelhas. Em seguida. vão dançar – estimulou Sophia. Não sobreviveria a outra dança com aquele corpo delicioso colado ao seu. Nem por cima de seu cadáver! Sem dizer mais uma palavra. embora todo seu corpo zumbisse em concordância. – Não conseguiu resistir a me beijar. Não quero resistir. ele segurou a mão de Isabella de modo brusco e quase a arrastou para a pista. soltando os braços nas laterais do corpo. enquanto Theron a tomava nos braços. Vou pedi-la em casamento. girou para que ele ficasse de costas para Alannis e deixou as mãos escorregarem pelo peito largo. Isabella recebeu a notícia com calma. Uma sessão de tortura fora suficiente por aquela noite. – Não quer sentir. – Sim. e os lábios sensuais se entreabriram em um gesto sedutor. com os lábios se curvando em um sorriso ao abrir caminho em direção a Sophia. Theron sentiu a boca ressecar. – Estou faminta. deixou escapar um suspiro dramático. Theron negou com a cabeça. – E ainda assim continua me beijando – retrucou Bella com um breve sorriso. Isabella deu um passo atrás. – Theron dançará com você – sugeriu Alannis. – Você também sente isso – disse ela com suavidade. diria que você o fará. Será que ela já estava sabendo? – O que há entre nós tem de parar – pressionou ele. Luta contra isso. Foi por isso que me beijou. – Vamos nos casar com outras pessoas. erguendo o olhar para encará-lo.– Acho que ele cortará esse da lista de maridos em potencial. – Providenciarei para que uma bandeja de comida esteja aqui quando voltarem. – Não deve fazer isto. Ela sorriu e lhe tocou os lábios com um dedo enquanto os dois se moviam no ritmo da música. – E de repente se inclinou para perto. que a esperava com uma bandeja de comida. – Está vendo aquela jovem? Alannis. . uma faísca lhe iluminou os olhos verdes. Pela primeira vez desde a chegada de Marcus. Muito estranho. mas não quer que outro homem me tenha. ele relaxou ao sentir o corpo macio se amoldar suavemente ao seu. – Isabella soltou uma risada abafada. antes que ele pudesse responder. murmurando-lhe ao ouvido para que só ele pudesse escutar: – Você diz que não me deseja. – Se fosse arriscar um palpite. Mas a alternativa seria deixá-la dançar com aquele bando de rapazes que a cobiçavam. – Não farei mais isso – prometeu Theron. – Nem ao menos consegui dançar outra vez. da mesma forma que sou incapaz de resistir. Theron gemeu. mas sente tudo que eu sinto. Amava tocá-la. Tem de parar com esta provocação. como deve ter percebido mais cedo. Em vez de aquelas palavras a intimidarem. – É um excelente dançarino.

Isabella fez um movimento negativo com a cabeça. Marcus soltou uma risada. digitou o número que Marcus lhe dera na véspera. De alguma forma. desanimada. esta noite? Detesto ter de lhe pedir isto. alguém que não lhe permitisse ser tão sério e organizado. – Oi. – Sinto muito ouvir isto. Theron precisava de alguém igual a ela. Não. Tenho a impressão de que você é capaz de tentar a paciência de um santo e os votos de um padre. depois da noite passada. Talvez não amor. Quando desligou o telefone. Talvez ele quisesse um casamento estável e enfadonho. onde ele planeja pedi-la em casamento. – Tive notícias de que a proposta de casamento ainda está de pé. afundou ainda mais na cama. porque se acreditasse teria de desistir. talvez Theron não fosse completamente alheio àquele sentimento. Ele precisava… de alguém que o sacudisse.Capítulo 10 – ELE AINDA pretende fazer o pedido de casamento esta noite? – perguntou Isabella. a julgar pela atração que tinham um pelo outro. – Tenho certeza de que posso consegui-los. Isabella fechou os olhos. mas pensara que ele despertaria para a atração que existia entre os dois. como vai? – cumprimentou Marcus. Theron com Alannis. de acordo com o que o patrão dissera. Theron é tão controlado em todos os aspectos. e não estava preparada para isso. Não ainda. mas como pretende impedi-lo de fazer o pedido? . Não podia acreditar. e depois haverá uma festa no hotel. Não havia fagulhas elétricas ou química entre os dois. – Não posso dizer que o culpo. a proposta estava de pé. – Ele me deixa frustrada. exceto quando está sozinho comigo. – Não consigo entendê-lo. segurando o fone com força contra a orelha enquanto ouvia o que Madeline lhe dizia. Isabella deixou escapar um suspiro. mas estou desesperada. – Olá. – Isabella respirou fundo. Ele e Alannis vão à ópera. é Isabella – disse quando ele atendeu. – Obrigada. nutrira a esperança de que Theron perceberia que sentia alguma coisa por ela. escutando a secretária de Theron confirmar que. desanimada. mas com certeza resolvera ignorá-lo. Tinha certeza de que Theron estava disposto a me escalpelar depois de nossa pequena encenação ontem à noite. Madeline – agradeceu ela. arrastando as palavras. Não conseguia imaginar aquilo. Era como se a futura noiva fosse uma filha para Theron. – Será que poderia conseguir ingressos para a ópera. Muito bem. Esticando mais uma vez a mão para pegar o telefone. Alannis não o desafiaria.

Tinha apenas até aquela noite para descobrir o que faria para impedir que Theron cometesse um grande erro. Ele então ouviu o chefe da equipe de segurança de Isabella listar as atividades matutinas da patroa. nada estava resolvido. que consistiam em compras em um shopping e um almoço no hotel. e nenhum compromisso fora assumido. Sem mencionar o fato de Marcus desfilar com uma mulher diferente a cada semana. e a assediara de maneira obscena na festa. – Tem de mantê-la sob estrita vigilância – ordenou Theron. Vou buscá-la às 19 horas. precisaria de um vestido perfeito. por outro lado. E evitar que o próprio coração se partisse. Porém. Não sabia se as lojas vendiam vestidos para impedir pedidos de casamento. Forçando-se a se levantar. arrastando as palavras. Isso a tornava “a outra”? Seria ela uma femme fatale tentando destruir um relacionamento? O pensamento não era muito confortador e não a fez se sentir muito bem. De repente. Telefono quando estiver chegando para que você possa descer. – Também não sou muito fã do gênero. THERON ATENDEU o interfone quando Madeline o acionou e disse que Reynolds estava na linha para lhe passar o relatório diário. Isabella atirou as pernas para fora da cama. – Ora. – O divertimento se refletia na voz de Marcus. – Não sei – disse ela. – Teremos um excelente jantar. Talvez até lá você tenha conseguido traçar um plano. Até isso acontecer. – Não confio no homem com quem ela . Quando desligou o telefone.– Não sei… – confessou Bella em tom suave. Depois você aparece na festa e ele estará em suas mãos. posso sugerir um plano alternativo? Franzindo a testa. essa é a favorita de Alannis. Além disso. um pensamento alarmante lhe aflorou à mente. No entanto. – Mas e quanto à festa e os planos de Theron de pedi-la em casamento? – Farei com que chegue à festa. ele poderá nos controlar. se estivermos na ópera. os dedos de Theron se fecharam com força em torno do aparelho quando Reynolds passou a relatar os planos de Isabella para aquela noite: sair com Marcus Atwater. mas logo recobrou a compostura. Ele era o tipo de sujeito escorregadio. Mesmo que ele ainda não soubesse. Isabella sabia que ela e Theron eram feitos um para o outro. – Mas pensarei em alguma coisa. – Isso o deixará aflito por estar preso na ópera com Alannis e não ter a menor ideia do que estamos fazendo. Isso deixará Theron maluco. Mais uma vez. mas ao que parece. – Então. Precisava urgentemente pensar em algo que desse certo. O que ela estava pensando? Certamente não poderia estar se sentido atraída por um homem como Marcus. Algo deslumbrante. – O que tem em mente? – Que tal um encontro romântico? Você informa sua equipe de segurança os seus planos para esta noite. revelando que sairá comigo. Mas. – Acho que não é o momento de admitir que detesto óperas. – Marcus deu risada. Alannis não usava uma aliança. – Está bem – concordou Isabella. Isabella quase gemeu diante do patético clichê. Um sorriso frouxo curvou os cantos dos lábios de Isabella. Não tenho dúvidas de que eles mantêm Theron informado regularmente. – Ótimo. Theron xingou em grego. encaminhou-se ao chuveiro. vamos – estimulou Marcus. antes de Theron. tudo era válido no amor e na guerra. ela se sentou na cama com as cobertas dobradas na cintura.

– O que pensa estar fazendo? – Piers. Estaria estabilizado. Sob nenhuma circunstância os dois devem ficar a sós. Theron interrompeu a ligação com os lábios comprimidos em uma linha fina. – Está maluco? – a pergunta de Piers o fez franzir a testa. – Dê-lhe uma chance de se explicar – interveio Chrysander. depois do que acontecera na noite anterior. – Sim. – Theron decidiu ignorar o comentário de Chrysander. há a questão de que a escolhida é Alannis Gianopolous. assim que entendermos o motivo pelo qual ficamos sabendo disso só agora – explicou Chrysander. . só poderei lhe oferecer minhas condolências. cortou aquela conversa fiada. – Não fale por mim.vai se encontrar. estranho para se empregar neste caso. E ainda assim sentia-se decididamente desestabilizado em relação a Alannis… a tudo. Chrysander limpou a garganta. – O que há de errado no fato de eu me casar? – Theron ficou surpreso com a reação de Piers. e você sabe disso. – Alannis é uma escolha perfeitamente aceitável. Estaria Isabella apenas tentando enlouquecê-lo? Aquela feiticeira endiabrada devia saber que ele não aprovaria um encontro com Marcus. O anel de diamantes faiscou contra a luz enquanto ele o estudava. – Disseram a Madeline para não revelar que a ligação era de vocês. Seguiu-se um longo silêncio e. uma família. sem rodeios. e Madeline anunciou outra ligação importante. por que não se sentia entusiasmado? Por que não estava ansioso por seu futuro? Dali a um ano poderia ter até mesmo filhos. Se ele confirmar que vai fazer isso. – Não há nada que me impeça de desligar – contrapôs Theron. senhor – respondeu Reynolds. – Escolha aceitável? Este é um termo. Theron franziu a testa. Piers deixou escapar um ruído rude. – Sua cunhada quer saber por que você não lhe contou que estava pensando em se casar – disse Chrysander. Naquela noite Theron o colocaria no dedo de Alannis. Theron atendeu. Com um gesto negativo de cabeça. mas desligou antes que ele pudesse perguntar de quem se tratava. certo? – acusou Theron. Ela não levara em conta sua opinião em nenhum outro aspecto. embora não estivesse falando sério. E talvez Isabella não se importasse com o que ele aprovava. pegou-a e a abriu. – Estou mais interessado em saber por que você acredita que ela não é a mulher certa para mim. – Você não teria atendido se soubesse. Ela não tem nada a ver com você – opinou Piers. em seguida. no mínimo. diplomático. Theron se inclinou para trás na cadeira e abriu uma das gavetas da mesa. impaciente. O som do interfone soou de novo. – Além do fato de eu achar que qualquer pessoa disposta a entrar para a instituição do matrimônio tem os parafusos soltos. esticando a mão para pegar uma caixinha que se encontrava em um canto. Theron fez uma careta. Então. Tocou-a com os dedos. – Depois julgaremos se ele perdeu o juízo ou não. Covarde. – Que diabos pode estar passando por sua cabeça?! – O que seu irmão está tentando dizer é que fomos pegos de surpresa e gostaríamos de congratulálo. – Não é justo usar Marley para me fazer sentir culpado. – Isso mesmo – devolveu Piers.

irritado. – Apenas se certifique de que é isso mesmo que deseja – respondeu Chrysander. Chrysander soltou uma risada abafada. – Permaneça onde está – resmungou Theron. – E mantenha-nos informados de seus planos. Está tudo bem. Theron! E ela é… ela é… – O que ela é? – Theron o interrompeu. – E Theron pousou o fone no gancho. Imagino o quanto tem praguejado contra mim. Crysander. Agora. Ela decidiu ficar em Nova York – informou Theron. vocês dois podem largar do meu pé. e Theron percebeu que o atingira em cheio. . – E por que preferiu informar algo tão importante por e-mail? – Provavelmente pela reação que estou recebendo agora – retrucou Theron. presunçoso.– Diabos! O pai dela vem tentando casá-la com um de nós três há anos. E não podiam estar mais equivocados. – Diga-nos apenas por que a repentina urgência em se casar? – pediu Chrysander. Atrelado a mulheres por todos os lados. – Estão se referindo à pequena Isabella Caplan? – Eu o colocarei a par deste assunto mais tarde. Parentes bem-intencionados sempre eram os piores. mas sou capaz de tomar minhas próprias decisões. – Ela não foi para a Europa – disse ele. Queria apenas poder estar em Nova York para ver com meus próprios olhos. então? – Está aqui. Theron escorregou uma das mãos pelo cabelo. desejando ter insistido com Madeline para saber quem estava ao telefone. calmo. e vocês também estão errados sobre Alannis. – Desde quando se preocupa tanto com nossa opinião? – indagou Piers. Theron? Onde está Isabella. Por que ela não foi para a Europa. em uma óbvia tentativa de mudar de assunto. Eu estou bem. Trata-se de algo para o resto de sua vida. – Estou sentindo algo no ar. – Diga-me como estão indo as coisas com Isabella – pediu Chrysander. resignado. – Não é irônico que há pouco tempo tenhamos sido Piers e eu a ter este mesmo tipo de conversa com Chrysander sobre Marley? Estávamos errados sobre ela. – Você tem um hotel para construir. – Você a despachou para a Europa? Mais uma vez. Piers não estava preparado para jogar a toalha. – E não é mais tão pequena – acrescentou. – Pobre Theron. A risada de Piers ecoou do outro lado da linha. – Quem é Isabella? – quis saber Piers. Marley fará questão de comparecer ao casamento. – Estou desligando agora. Chrysander deixou escapar um suspiro. – Providenciei o que Isabella estava precisando e a acomodei. Agora sabia como Chrysander se sentira quando ele e Piers o atormentaram em relação a Marley. Porém. Como o irmão poderia refutar a verdade? Theron e Piers se opuseram veementemente a Marley. embora não entendesse a necessidade de deixar claro aquele ponto. – Aprecio sua preocupação – retrucou Theron em tom de voz seco –. – Pense no que está fazendo. não acha? – perguntou Piers. – Ele está soando muito defensivo. Algo de podre. seguiu-se um longo silêncio. Piers.

O que essa outra mulher poderia dizer para convencê-lo a não se casar com ninguém além dela? Marcus pousou a taça. inclinou-se para a frente e deixou escapar um suspiro. e estivesse determinado a pedir-lhe a mão. longe do estilo usual composto de jeans. . Aquela noite. – Não quero fazer papel de insistente. – Deus! Você faz perguntas difíceis. que mal tocara. – Deus! Os homens odeiam ouvir essas palavras dos lábios de uma mulher! É tão ruim quanto “você é como um irmão para mim”. na verdade. Tinha dinheiro e uma excelente linhagem. camiseta e unhas pintadas com cores vibrantes. não petisca etc. Quando Isabella ergueu o olhar. – Obrigada. – Tem certeza de que é isso que realmente quer? Odiaria vê-la ferida e desapontada. – Está deslumbrante esta noite – disse ele. – Coloque-se no lugar dele – murmurou ela. – Você está prestes a pedir uma mulher em casamento. Marcus estava certo em relação a uma coisa: tudo que podia fazer era tentar. e ele não é só uma empolgação passageira. – Eu e você adoramos lançar mão de um clichê. – Quem não arrisca. Relutante. para o qual arrastara seus guarda-costas naquela manhã. O que acontecesse depois estaria fora de seu controle. E se tivesse. não? Acho que dependeria de eu realmente amar a mulher que estava pretendendo pedir em casamento. Mas também jamais a pediria em casamento se não tivesse certeza de meus sentimentos. Isabella soltou uma risada e sentiu os ombros relaxarem. – Você é tão doce! – começou ela. A tensão lhe retesava todos os músculos do corpo. mas ao mesmo tempo tenho de fazê-lo ver que não o estou apenas provocando. Que. Isabella? – Marcus levou a taça de vinho aos lábios. também era o dela. Isabella baixou o olhar ao vestido de noite azul-escuro que escolhera durante um tour agitado de compras. embora nunca o tivesse adotado. enquanto lhe soltava a mão. se encaixava no mundo de Theron. Você é mesmo muito doce. sabia que estava mesmo deslumbrante.Capítulo 11 – OCORREU-LHE ALGUMA ideia do que vai dizer. – Temia que respondesse isto – resmungou Isabella. Aristocrática. percebeu a compaixão estampada nos olhos escuros de Marcus. nada me demoveria. Marcus esticou o braço por sobre a mesa e lhe segurou os dedos. gentil. Não venho fazendo algum jogo tolo. etc… Um sorriso bailou nos lábios de Isabella. – Tudo que pode fazer é tentar – retrucou ele. Sem falsa modéstia. alinhada. mas não desejava se encaixar nesse estereótipo. Beijou outra duas vezes e está lutando com todas as forças contra essa atração. ela fez um gesto negativo com a cabeça e baixou o olhar à entrada.

em sua cadeira. e os dois deixaram o camarote. – Obrigada. Pouco antes de a ópera começar. mesmo que aquilo significasse uma ida ao toalete masculino. Ele lhe ofereceu o braço. Durante a próxima hora. pediu que a equipe de segurança de Isabella o atualizasse com notícias. enquanto a ópera se arrastava diante dele. e encontraria uma forma de verificar suas mensagens. ele se inquietou. Por fim. . teria prazer em incentivá-lo nessa tentativa. coma. Alannis assistia como que hipnotizada. Insisto.– A que horas devemos partir? – perguntou. Ainda temos um bom tempo. Isabella esticou a braço por sobre a mesa e lhe segurou a mão. maliciosa. deveria ter tentado conquistá-la. Theron relanceou o olhar à cortina fechada. – Gostou do espetáculo? – perguntou ele. e lhe prometera que não permitiria que os negócios interferissem naquela noite. Tentava enviar uma mensagem de texto para Reynolds de seu telefone celular. Você é um amigo maravilhoso. Não havia muito o que ele pudesse fazer no momento. Tente relaxar e aproveitar nosso jantar. – Acabou – afirmou num sussurro. ansiando pelo término do espetáculo. já que estava firmemente entrincheirado nos compromissos daquela noite. Perdera todo o bis? Outra cutucada de Alannis o fez se erguer. ansiosa. com Sophia e dois seguranças de sua equipe os seguindo. Não se preocupe. Se as coisas não saírem como espera com Theron… lembre-se de mim. – Isabella sorriu. com um movimento negativo de cabeça. Sophia estava menos entusiasmada. Agora. mas não tinha certeza se Alannis estaria tão absorta no espetáculo a ponto de não perceber. Marcus exibiu um sorriso tranquilizador. Ao seu lado. – E se meu coração já não pertencesse a Theron. Seria terrível chegar à festa e desmaiar de fome aos pés de Theron. Em vez disso. – Seria uma forma de estragar o show – afirmou. eu a levarei com bastante antecedência. – Estou quase arrependido de ter concordado em ajudá-la. THERON MANTINHA o cenho franzido. Marcus soltou uma risada. – Ficarei honrado. Irritava-o o fato de ser forçado a pensar no bem-estar de Isabella em uma noite em que deveria estar relaxado. dera ordens estritas para Reynolds colar em Isabella e garantir que Atwater não se aproveitasse dela. enquanto se dirigiam à limusine que os aguardava. – Então deixe-me lhe dizer o seguinte e não tocarei mais no assunto. depois de um dia de compras. Reynolds telefonara para Theron para relatar que Isabella se encontrara com Marcus Atwater para jantar. Não conseguia controlar a pulsação acelerada ao imaginar chegar atrasada à festa. Eles têm as sobremesas mais deliciosas de Nova York aqui. não importa o que acontecer. arrancando-o dos pensamentos turbulentos. Aquela mulher estava se entranhando em sua vida de uma forma que não o agradava. Ainda assim. mas prestava atenção ao espetáculo. apesar do pouco tempo em que nos conhecemos. o rosto brilhando de encantamento. Esta é uma cidade solitária quando não se conhece ninguém. Espero que permaneça meu amigo. O que significava não conseguir aproveitar uma noite com sua futura esposa por estar pensando em Isabella Caplan? Alannis lhe tocou o braço. – A ópera mal começou. Fazia-a suar frio pensar que chegaria a tempo apenas de ver o feliz casal de noivos.

A senhora piscou para Theron. Orgulhava-se de seu autocontrole e calma. surpresa. Sophia sorriu e deu o braço à filha. – Não era boa o suficiente. e Theron a ajudou a sair do veículo. As bordas da caixa de joias atritavam contra sua pele. mas logo se dissolveu na meiguice usual. Tinha as mãos úmidas e se viu fazendo um movimento negativo com cabeça diante de seu aparente nervosismo. Alannis ergueu o olhar. extasiada. A mão roçou o bolso em que estava a aliança. ele lhe segurou a mão. e deixou a mão pender quando se certificou de que a trazia consigo. – Espero que não esteja muito cansada para uma festa. – Uma festa em minha homenagem? Isso parece tão excitante! – Os olhos de Allanis faiscaram de alegria. Alannis bocejou. Prefere que eu faça um bom casamento e lhe dê netos. de uma forma calma. envergonhada. meu pai não permitiria. Além disso. Houve um tempo em que… Alannis baixou a cabeça. Theron se apressou em ajudá-las a entrar na limusine e se juntou às duas.– Foi maravilhoso – respondeu Alannis. Theron! – Ela ofegou. isto é maravilhoso. antes de o veículo se pôr em movimento a caminho do hotel. ele a guiou para a frente. Alannis era mesmo adorável. e meia hora mais tarde. e tudo estava saindo exatamente como planejara. chegaram ao hotel. – Mas ele pensa que qualquer carreira que termine em um palco não é apropriada a uma jovem. tentando segurar os diminutos pedaços de papel que despencavam em uma nevasca néon. – Oh. curioso. Nada naquela situação deveria deixá-lo ansioso. O tráfego estava livre. – E o que você deseja? – perguntou Theron. enquanto se aproximavam do centro do salão. Theron não conseguia afastar da mente a imagem de outra mulher quando olhava para sua futura noiva. Tinha todo o seu futuro traçado. – Que festa? – ela o fitou. No entanto. Quando entraram. a banda começou a tocar. extasiada. Com o coração descendo para os pés a cada passada. Esta é uma noite muito especial. mas não antes de ele perceber um leve rubor em seu rosto. Aquele pensamento o fez relaxar no assento do carro. o que o fez sentir a inquietação se avolumar. – E por que não perseguiu esse objetivo? Alannis sorriu com um gesto negativo de cabeça. Theron ergueu uma das sobrancelhas. serena. Theron desviou o olhar. enquanto ele a revirava no bolso. antes de se dirigir à mãe. Ele considera essa uma carreira vulgar. e uma chuva de confetes despencou do teto. – Não consigo imaginar tal talento ser considerado vulgar. querida. – Gosto de crianças – ela se limitou a responder. – Theron planejou uma festa em sua homenagem. por alguma razão. – Houve um tempo em que…? – estimulou Theron. Alannis se mostraria igualmente maravilhada quando ele a pedisse em casamento? E quanto a ele? Ou estaria cometendo o maior erro de sua vida? . houve um tempo em que desejei ser uma cantora de ópera – disse ela. que as seguia. Algo faiscou nos olhos de Alannis. a mandíbula contraída enquanto cruzavam o saguão em direção ao salão de festas. Sorrindo. Sentiu a caixa de joias no bolso. – Oh. – Amo muito a ópera.

retirou os sapatos e continuou a correr o mais rápido que pôde. por favor. Murmurando um agradecimento. Obrigada por tudo. manteve-se na calçada paralela ao tráfego. ninguém irá a lugar algum com esse engarrafamento. Quando avistou um táxi desocupado. e você sabe disso. Não tinha tempo de parar para se explicar. Bella. e olhou para trás para vê-lo correndo a toda velocidade pela rua em seu encalço. Girando. esticando o pescoço para ver através do vidro do para-brisa. Lábios que não lhe suscitavam o desejo de beijá-los. faça com que eu chegue a tempo!. Isabella girou e se inclinou na direção do banco onde ele estava sentado. esticou a mão para a maçaneta da porta e a escancarou. e tinha certeza de que havia se . Ouviu os gritos de Reynolds. Isabella girou a cabeça para olhar pela janela. a água lhe escorria do corpo e da massa disforme que se encontrava o vestido. Sua aparência já estava assustadora. Não que aquilo importasse. Theron não fará o pedido no instante em que a festa começar. Não posso… – Ela engoliu em seco e desviou o olhar por um instante. Quando voltou a encará-lo. evitando as poças de água que já haviam se formado na rua. – Ei. Isabella percorrera três quarteirões quando uma chuva fina começou a cair. Quando conseguiu se abrigar embaixo do toldo do hotel. – O que está nos detendo? – indagou. e a esperança de parecer deslumbrante quando surgisse na festa de noivado de Theron havia muito se dissipara. Não pode sair correndo pelas ruas da cidade de Nova York! – exclamou Marcus. enquanto cortava na frente dos carros que tentavam se mover naquele caos. pode me dizer como faço para chegar no Imperial Park Hotel? Estou muito distante? O homem estreitou o olhar e voltou a encará-la. – Por que não estamos saindo do lugar? Marcus pousou a mão em seu ombro. Isabella continuou em disparada. moça. ignorando as buzinas. ela o encarou com os olhos faiscando e os lábios curvados em um sorriso luminoso. Por favor. Isabella suspendeu a saia do vestido mais uma vez. quando ela saltou do veículo. desesperada. Os pés estavam doloridos. Nunca chegariam ao hotel a tempo. estará a seis quadras do hotel. Em uma explosão de frustração. Nós chegaremos lá. – Em linha reta. Girando. ela se precipitou na direção do hotel. correu até a janela e bateu no vidro. – Sim. observando o mar de carros parados. Nunca chegaremos a tempo. o céu pareceu se abrir para dar passagem a um dilúvio. irritado com o tremor da própria voz. Siga sempre em frente e após o quinto quarteirão. Acalme-se. não muito longe. Pestanejando para dispersar a água que lhe caía nos olhos. rezou. Quando girou na esquina do último quarteirão. Recoste-se no banco. – Foi uma batida. Theron? ISABELLA SE inclinou para a frente no banco do carro. com o cabelo colado no rosto. Se cortar por esta rua até o próximo quarteirão. Tenho de estar lá antes que ele a peça em casamento. lágrimas lhe nublavam a visão. – Preciso ir. – Tenho de ir. Isabella fechou a porta. Sem saber para onde ia. moça! A senhorita esqueceu seus sapatos! – O homem gritou atrás dela. – Ouça. o que está fazendo?! Volte para o carro. dobre à esquerda e poderá vê-lo.– Alannis… – começou ele. ergueu a saia longa do vestido e começou a correr entre o tráfego. – Bella. Isabella ergueu uma das mãos. O motorista revirou os olhos e baixou o vidro. – Por favor.

Isabella se viu sem palavras. ouviu a ovação que vinha de dentro. o que de fato era verdade. tentando entrar. enquanto a guiava na direção do elevador. Quando se aproximou da entrada. Isabella abriu caminho entre as pessoas. – Venha. Quem perceberia? Seriam confundidas com os pingos de chuva que lhe escorriam do cabelo. – Isabella. você está bem? O que fez foi uma loucura. e estacou abruptamente diante dela. afobado. Bella. E então. – Você também está encharcado – disse ela percebendo o estado em que se encontrava a camisa e a calça comprida de Marcus. com os olhos suavizados por uma gentil compreensão. Marcus a envolveu nos braços. que corria em sua direção. com uma nova onda de lágrimas lhe escorrendo pelas faces. com os olhos banhados em lágrimas. devia ter visto a tristeza em seu semblante. Ignorando os olhos inquisitivos que lhe dirigiam. – Você está encharcada. e se retirou do salão de festas. em seguida. Ela brilhava de felicidade da cabeça aos pés. Escorregou no chão encerado. Marcus entrou. Ao redor deles. – Eu a levarei lá para cima. se encontravam Theron e Alannis. deixe-me levá-la até o seu quarto – disse ele. Ambos pareciam tão felizes! Felizes. Não. – Corri atrás de você e fui pego pela tempestade – disse ele. Quase… como se estivessem apaixonados. Não poderia ter chegado tarde demais. seguida por uma explosão de aplausos. ignorando as perguntas que o segurança lhe fazia para se certificar de que ela estava bem. Enquanto subiam. os convidados aplaudiam e. – Não foi culpa sua – sussurrou. Isabella prosseguiu. – Ele a segurou pelos ombros e a girou para que o encarasse. Isabella fechou os olhos outra vez. O ar frio imediatamente a envolveu. Uma lágrima rolou por seu rosto. porque interrompeu o discurso. Transpôs a porta. ergueram suas taças em um brinde.cortado em alguma coisa. ela girou. Prometi que a traria para cá a tempo. Não era capaz de ver nada além de como Alannis parecia radiante. Por que Theron não poderia amá-la? Marcus retirou o cartão dos dedos trêmulos de Isabella e destrancou a porta. Aos poucos. À medida que se aproximava do salão de festas. Compunha um espantoso contraste com a sensação de aniquilação que Isabella experimentava em seu íntimo. enquanto dirigia um olhar apaixonado a Theron. substituídos pelo murmúrio das conversas das pessoas que se encontravam no saguão. – Sinto muito. Não conseguia ouvir nada além do zumbido em seus ouvidos. E lá. Lentamente. – Chegou tarde demais? – perguntou desnecessariamente. que lhe sorria. Bem? Nunca mais nada estaria bem. Isabella se deixou guiar para dentro do elevador. Quase colidiu com Reynolds. mas conseguiu se equilibrar e correu o mais rápido que pôde com o tecido molhado colado às pernas. com todas as partes do corpo doloridas. Isabella anuiu e cerrou as pálpebras com força. no meio do salão. . Entorpecida. mas ela não fez nenhum esforço para limpá-la. – Marcus fez um gesto curto de cabeça para Reynolds. com um sorriso oblíquo. Mantendo a cabeça baixa. vasculhando com olhar frenético entre a multidão. as imagens de Alannis e Theron se infiltravam em sua mente. Não poderia. os sons animados das risadas diminuíram. provocando-lhe um arrepio.

Theron sentiu as têmporas latejarem. querida. Quando enfim alcançou a porta do quarto de Isabella. ele o percorreu de cima a baixo com o olhar e perguntou em um tom de voz que refletia enfado: – O que posso fazer por você? – Seu arrogante… – disse Theron em tom ameaçador. determinado. – Na sua suíte. A comida ainda não chegou. arrastar Marcus de lá e surrá-lo até lhe dar uma lição. – Desculpe. sentindo como se tivesse acabado de sair de um ringue de boxe. com os punhos cerrados nas laterais do corpo. – Ora. Franziu a testa quando leu a última mensagem não respondida. na direção dos três homens. Pediu licença para Alannis com um sorriso e. – Você abandonou sua festa de noivado para vir até aqui me xingar? – indagou Marcus. encharcado da cabeça aos pés. Um redemoinho parecia revolver seu íntimo enquanto entrava no elevador. calmo. A raiva lhe percorria as veias como lava incandescente.Isabella anuiu e se encaminhou ao toalete. bateu com força. deixou o olhar vagar pelo corredor e avistou Reynolds parado próximo aos seus homens. – Onde está Isabella? – quis saber Theron. pensei que fosse o serviço de quarto. a porta foi aberta por um sorridente Marcus. Com um xingamento baixo. com acenos curtos de cabeça para os convidados que os rodeavam. Nada o impediria de subir até o quarto de Isabella. Um som mais adiante no corredor fez Theron girar a cabeça para ver o carrinho de comida sendo empurrado na direção do quarto de Isabella. estreitando o olhar. pensou. Theron girou e se encaminhou ao elevador. THERON ENFIOU a mão no bolso de dentro do terno e de lá retirou o telefone celular. mas em seguida espremeu o olhar. – Pode permanecer na banheira por mais tempo. Atwater – respondeu Reynolds. Retirou-se do salão de festas e se dirigiu ao toalete masculino. transtornado. Quando estava prestes a entrar. Atwater – respondeu o guarda-costas. que ficava duas portas adiante. – Voltandose outra vez para Theron. Que diabos aquele rapaz estava pensando? Sabia muito bem o que Marcus estava pensando e com quem estava pensando. Franzindo a testa. saiu pisando duro. trajado apenas com um robe. – Com quem? – Ela subiu minutos atrás com o sr. com o sr. – Marcus lhe deu as costas e se encaminhou na direção do toalete. se afastou. Theron caminhou. Que importância tinha aquilo? Fora ele a indicar Marcus como uma escolha na busca de Isabella por um marido. Reynolds ergueu o olhar quando o viu se aproximar. Sem dizer uma falava. finalmente a comida! Se me der licença… ou deseja mais alguma coisa? – perguntou Marcus em um tom beligerante. Ele pareceu surpreso ao ver Theron parado lá. divertido. Segundos depois. Por que se sentia nauseado diante da perspectiva de ela ter feito sua escolha? . Theron se afastou. – Ambos estavam molhados. Certamente ele havia escutado errado.

com aquela peruca loura lhe adornando a cabeça. e temos muito tempo para prepará-la. Bella forçou um sorriso largo. e entreabrindo os lábios. – Não pode perder sua festa. E os dois pareciam tão felizes! O que explicava o fato de ela estar se sentindo tão angustiada. – Trouxe tudo aqui na minha bolsa. – Sadie a puxou para um abraço. Recolhendo o robe que se encontrava atirado sobre o espaldar de uma cadeira a curta distância. Abriu os olhos e fez uma careta diante da sensação de esgotamento. – Ele pediu Alannis em casamento? Foi isso? Mais uma vez. e a amiga entrou. Theron pedira Alannis em casamento. Quando perscrutou pelo olho mágico. Só porque minha vida está um trapo não há razão para você perder seu emprego ou uma chance na Broadway. ela o vestiu e amarrou a faixa à cintura. . Isabella sorriu. os olhos começaram a arder com as lágrimas que se formavam. – Vamos esquecer tudo sobre esta noite. e Sadie. enquanto se encaminhava à porta. – O que houve de errado? Esteve chorando? Para desânimo de Isabella. Irritada. É muito importante. A batida na porta soou outra vez. Estava determinada a não derramar nem mais uma lágrima sequer. – O que aconteceu? Foi Theron? Isabella cerrou as pálpebras e anuiu. Sadie a observou com olhar indeciso. guiando-a na direção do sofá. Isabella anuiu contra o ombro da amiga. Logo Isabella se encontrava sentada. afobada. ela pestanejou várias vezes para dispersá-las. Era difícil dizer.Capítulo 12 ISABELLA ACORDOU com uma sonora batida na porta. obrigando-a a afastar as cobertas e se levantar da cama. Pediremos comida no quarto e chafurdaremos em sobremesas que contenham zilhões de calorias. Levou as mãos às pálpebras inchadas e recordou que havia chorado a noite inteira. sinto muito. – E então ela estacou quando observou o estado de Isabella. Ela chegara tarde demais. querida. viu Sadie parada do lado de fora. Sadie recuou e lhe afastou uma mecha de cabelo do rosto. – Sadie continuou a tagarelar. agachada ao seu lado. confusa. Isabella abriu a porta. Isabella fechou a porta e girou de frente para a amiga. Sadie fechou a distância entre as duas e lhe envolveu os ombros com um braço. – Por um instante pensei que havia esquecido o compromisso de hoje à noite. – Não sei se está em condições de fazer isso. – Será moleza. franzindo a testa. – Oh. ou ao menos alguém parecido com ela. – Graças a Deus. você está aqui! – disse ela.

aqui vamos nós – murmurou. – Vamos pedir algo para comer. enquanto caminhava. atirou uma mecha comprida do cabelo louro artificial por sobre o ombro e esperou que as portas se abrissem. Isabella explodiu em uma risada. apressada. Modesto não era uma delas. e então me vestirei para a festa e partirei. Sadie piscou e prosseguiu: – Nós a vestiremos exatamente igual a mim. ela lhe deu o endereço que Sadie lhe fornecera. – Bem. – Tem certeza? Isabella anuiu. – É assim que se fala – disse Sadie. Eu esperarei um bom tempo. e você sairá rebolativa deste hotel. enquanto o carro fluía pelo tráfego. olhando pela janela até que o motorista limpasse a garganta.– Que mal poderá acontecer? Eu me vestirei como você. – Sem falsa modéstia. O short era uma versão um pouco mais cara dos modelos tipo Daisy Duke. – Ela fixou o olhar na peruca que Sadie usava. – Desculpe – resmungou ela. não parecendo em nada com a mulher fatal que chegou mais cedo. aquilo beirava o obsceno. caminhando com passos hesitantes na direção da porta. – Mãos à obra! ISABELLA TINHA certeza de que havia enlouquecido por concordar com aquilo. Isabella permaneceu sentada por um instante. Embora Sadie . Mas como Sadie dissera. quem não notaria isto? – acrescentou a amiga. Fiz questão de fazê-los me ver entrar e. e tinha uma cintura tão baixa que lhe deixava o umbigo e mais uma extensa faixa de pele expostos. – É isso que vou colocar para sair daqui esta noite? Sadie sorriu. Embora não se importasse em exibir seus atributos em proveito próprio. sinceramente. Será rápido e você conservará seu emprego. Não com tudo aquilo à mostra. Ninguém saberá que não está mais aqui. Inspirou profundamente quando o elevador parou no saguão do hotel. – Sermos pegas e Reynolds ter outro ataque. Quanto ao top. Os saltos altos das botas ecoavam contra o chão de mármore. – É uma maneira perfeita de burlar seus seguranças. uma camada de suor lhe cobria a testa. E então poderá me ensinar os movimentos que preciso saber. O que era uma vantagem. nem mesmo as meninas da torcida organizada do Dallas Cowboy exibiam decotes mais generosos. antes entregar a quantia adequada pela corrida e saltar do táxi. Quando chegaram à entrada dos fundos do clube. O nervosismo a fazia sentir um frio na barriga. Isabella se encaminhou a um táxi que a aguardava e entrou. dançarei um pouco e atrairei a atenção dos homens. Quando o motorista pôs o carro em movimento. escorregando as mãos de maneira sugestiva pelas curvas do próprio corpo. O homem nem pestanejava – e quem podia culpá-lo. O traje em que Sadie a aprisionara era muitas coisas. – Bem. na direção da saída. Estou faminta. o que pode acontecer de pior? – perguntou Isabella. com os trajes que ela usava? Isabella achou divertido o fato de o taxista estar presumindo que ela viera àquele hotel a “negócios”. dando de ombros. Tenho certeza de que Theron está muito ocupado com a noiva para dar importância ao meu paradeiro. ninguém perderia tempo observando seu rosto. O corredor do lado de dentro estava imerso em escuridão.

caminhou até lá e o ergueu. Apertou o botão para atender e levou o celular ao ouvido. Outra jovem esbarrou em Isabella. Ninguém conhecia sua verdadeira identidade ali. e Sadie passara toda a tarde lhe ensinado o que era preciso. elevou os seios e se dirigiu à porta. senhor. Com um suspiro resignado. portanto. Quando viu o nome de Reynolds na tela de LCD. pôs-se imediatamente em alerta. Sadie – cumprimentou a outra dançarina. quando o celular tocou. não conseguia encontrar nenhum senão no caminho que havia tomado. . a srta. fazendo-a se afastar do caminho para não se aproximar demais. Ainda não tinha certeza se tomara a decisão certa. alongando os cílios já pretos. Outra vez. Mas agora. não tinha a menor ideia do que fazer com Isabella. O aparelho estava pousado sobre a mesa de centro a metros de distância. seus olhos verdes ainda a encaravam sem vida. Isabella experimentou uma sensação gelada em seu íntimo e tratou de engolir o pânico em seco. no fim da tarde. sabia fazer os movimentos. – Anetakis – disse. E o que estava acontecendo era que perdera o único homem com quem esperara passar o resto da vida. Respirando fundo. Ela sorriu e anuiu na direção da jovem. ou como o cabelo estivesse bem penteado. entrou. O crepúsculo caía sobre a cidade. Theron pousou o copo da bebida com um baque. – Não sabíamos se você viria. mesmo assim. Era capaz de fazer aquilo. Isabella estava tão maquiada que a própria equipe de segurança não fora capaz de reconhecê-la. Terá de entrar logo depois de Angel. é Reynolds. Com movimentos mecânicos colocou mais uma camada de rímel. aquela farsa ainda a deixava extremamente nervosa. Estamos com um problema. – Sr. – Sadie. Terei prazer em inteirá-lo dos detalhes mais tarde. e ninguém prestou atenção à sua presença. e as luzes começavam a se acender no horizonte. Mesmo assim. Não importava a quantidade de maquiagem. irritado. Isabella deu uma última olhada no espelho. Ao deparar com o próprio reflexo no espelho. Parecia em pânico. Havia muita atividade no recinto. Caplan nos deu uma volta. o drinque quase esquecido em uma das mãos. – Que tipo de problema? – Mais cedo. Mais para se manter ocupada do que por real necessidade de retocar a maquiagem. você entrará dentro de cinco minutos – uma voz masculina soou da porta dos fundos. Anetakis. senhor.tivesse garantido que ninguém perceberia as sutis diferenças entre as duas. onde ele o havia atirado mais cedo. – O quê?! E você permitiu que ela repetisse esse feito? – Temo que desta vez seja algo pior. – Mexa-se. Questionara-se repetidas vezes durante o dia e. Ocupou um lugar no espaço destinado a Sadie no vestiário para verificar como estava a maquiagem e se certificar de que a peruca se encontrava segura. ajustou a roupa. THERON OLHAVA pela janela da cobertura de Chrysander. tudo que conseguiu captar foi a tristeza em seus olhos. os olhos refletiam tudo que estava acontecendo. observando seus lábios brilhando com o vermelho vivo. é melhor se arrumar. Quando ela alcançou a porta identificada apenas com a palavra “meninas”. – Olá. Girou. Embora não fosse tão gabaritada quanto a amiga. conciso. Isabella aplicou um pouco mais de batom.

Pague a este homem o que for necessário pelo título de sócio e me encontre lá dentro. – Claro que quero saber! – explodiu Theron. – A não ser que seja sócio. calmo. Theron saltou do veículo e avistou Reynolds. – Seu nome. Theron saiu pisando duro à frente deles até a porta e estacou quando um brutamontes. senhor? – perguntou o homem. Tinha certeza de que Reynolds e os demais seriam capazes de contornar quaisquer objeções que o segurança do clube tivesse em relação à sua presença. observando cada mulher que via. e o chefe da equipe de segurança de Isabella abriu caminho . – Seguiu-se uma breve pausa. concentrado em absorver aquela informação. – Mas. Theron caminhou entre as mesas. – Estou a caminho de lá agora. com seus dois homens. Era óbvio que um show estava para começar. Caplan – afirmou Reynolds. não tinham aparência vulgar. chamando o motorista pelo celular. usando óculos escuros. quando girou na direção de Reynolds. Onde diabos estaria Isabella? Teria Reynolds recebido a informação correta? Olhou para a entrada e viu Reynolds e os outros dois seguranças entrando. educado. lhe veio à mente a imagem de um lugar decadente. Vou procurar Isabella. em nome de Deus. Theron deixou a cobertura. Quando chegou ao saguão do prédio. autoritário. com olhar atento. impaciente. enquanto passava pelo homem e entrava. Quando o motorista freou com um solavanco em frente à entrada do clube. Na direção da parte da frente do salão. O clube era diferente do que Theron esperava. nos fundos de alguma construção. Mas aquele estabelecimento fora criado para uma seleta clientela. o título de sócio não é um procedimento instantân… Theron se recusou a continuar ouvindo. desviou a atenção do grupo de homens. – Achei que o senhor ia querer saber. – Acabamos de chegar – explicou o chefe da equipe de segurança de Isabella. iria matá-lo. – O senhor conhece esse clube? Theron franziu a testa. correndo na direção dele. e não pense que não exigirei todos os detalhes de como isso aconteceu. o carro o aguardava diante da porta da frente. O tipo de lugar cuja existência Isabella não deveria sequer saber. Theron acenou para eles com um gesto discreto. No momento em que mencionaram clube masculino. – Não é um clube masculino? Por que diabos estão indo para lá? – Porque foi esse o destino da srta. não posso deixá-lo entrar. e não deveria estar. fumavam cigarros importados caros e bebiam o mais refinado conhaque. O que. senhor. – Cuide disto. – Alguém que conheço está aí dentro. O interior limpo. As garçonetes. apressados. até mesmo impecável.porém no momento estamos a caminho do La Belle Femmes. Os clientes estavam bemvestidos. onde a prostituição e as drogas corriam soltas. embora quase seminuas. o impediu. Quando constatou que não havia nenhuma mulher entre eles. – Ela está aqui? – Theron perguntou. Isabella estava fazendo em um clube masculino? O que estava pensando? Seria Marcus de alguma forma responsável por aquilo? Se fosse. – Íamos nos certificar agora. – Theron Anetakis – respondeu ele. mais homens se encontravam reunidos diante de uma plataforma acortinada. Theron fervilhava de impaciência. o fazia se lembrar das áreas de altas apostas dos cassinos. a testa franzida pela concentração.

fazendo revoar uma massa de cabelo louro. Conhecia aquele desenho. ela girou. Ele girou. Muito bem. com uma careta. Passara muito tempo fantasiando com aquela tatuagem. antes que ela o visse. o pânico enquanto ela olhava ao redor do salão repleto de homens que a observavam como um petisco suculento. Theron encontrou os olhos verdes. Caplan está neste local – respondeu Reynolds. Postiço. e o medo foi substituído pele choque ao reconhecêlo. A dançarina começou a se mover no ritmo da música. O que não era de admirar. Quando a fumaça se dispersou. – Soube de fonte segura que a srta. – O senhor está procurando no lugar errado… O segurança foi cortado pela música que explodiu atrás de Theron. Ela usava botas de cano alto justas que apenas lhe acentuavam os contornos e chamavam atenção para suas nádegas bem torneadas. O olhar de Theron foi atraído pela tatuagem nas costas. – Por que acha que Isabella está aqui? – perguntou Theron. encontrou o dele. ela ergueu os braços e segurou o mastro que se encontrava no palco. . Quando ela ergueu o olhar. austero. para ver a cortina se erguer e a fumaça do palco resvalar sensualmente pelas pernas longas de uma mulher. na altura da cintura. E então. Theron sentiu o sangue ferver.entre as mesas até onde ele estava. Percebeu o medo refletido neles. Os quadris oscilando e os braços pendendo graciosamente nas laterais do corpo.

Ela é minha. Ela cruzou os braços sobre o peito e deslizou para trás no banco até que as costas colidissem com a porta oposta. A raiva vibrava sob a superfície daquele corpo forte. De repente. – Nem uma palavra. Isabella soltou um grito assustado ao mesmo tempo que a música parou e o caos se instalou no salão. mas as pernas se chocaram com as dele e ela as afastou rápido. Theron se limitou a apertá-lo contra a parte posterior de suas pernas e caminhar na direção da saída. Deitada em um ângulo incômodo no banco. sentou-se ao lado dela e bateu a porta com força. Maxwell e Davison afastando os seguranças do clube que se precipitavam em seu socorro. quando percebeu que os seios estavam quase escapando pelo decote profundo do top.Capítulo 13 ISABELLA EMPALIDECEU quando avistou um furioso Theron. boquiabertos. o que a deixou em uma posição ainda mais precária. Nem uma maldita palavra – disse. Isabella foi invadida pela ânsia de proteger os seios com os braços e correr para se esconder. nem a incitou a descer de lá. parado um pouco atrás do grupo de homens que circundavam o palco. mas foi silenciada pelo olhar severo que ele lhe dirigiu. como um predador no ato da caça. Bella. A força com que ele a segurava a impedia de respirar. O chão girou vertiginosamente quanto Theron saltou do palco. – Receberei uma explicação completa quando . Ainda atordoada. Os braços de Theron eram como cintas de ferro em torno de seu corpo. A raiva emanava de Theron em ondas carregadas de eletricidade. Em seguida. Não estacou na beirada do palco. Os clientes se levantavam de suas cadeiras e olhavam para Theron. ameaçador. Ela ergueu a cabeça para ver Reynolds. Isabella tentou erguer-se. Não que aquilo tivesse logrado algum êxito. Simplesmente saltou sobre a plataforma e com um único e preciso movimento a ergueu nos braços e a atirou por sobre o ombro. Sem perder sequer um segundo. conciso. Um olhar ao próprio corpo a fez ofegar. E para sua surpresa. Isabella não fez mais nenhum esforço para se soltar. e Isabella começou a se contorcer tentando fazer com que ele afrouxasse o braço. enquanto ele caminhava sem nenhum esforço. mas eram demasiados civilizados para se envolveram em um imbróglio daquele tipo. Theron transpôs a porta e saiu para a noite. Malditas botas! Sentia-se desajeitada e deselegante. Isabella abriu a boca para falar. Theron se aproximou. Porém. Theron estacou diante do próprio carro. – Imperial Park – disse. Não queriam arriscar arruinar seus ternos de centenas de dólares. inclinou o corpo e a atirou pela porta escancarada do veículo. ela o ouviu rosnar: – Afastem-se. os olhos faiscavam ao medi-la de cima a baixo. Mas antes que pudesse tomar qualquer decisão. desanimada. sustentando-lhe o peso como se fosse uma pena. com passadas firmes e decididas na direção do palco.

Nenhum dos dois estava com a chave. já havia percebido que ele estava transtornado. – Eu posso caminhar com meus pés – protestou ela. um grito soou da outra extremidade da sala. na companhia da noiva? Uma pontada aguda de dor a traspassou. – Então. Em seguida o segurou com uma das mãos e a puxou para a frente. Com um gesto negativo de cabeça. e Isabella obedeceu. Por que não estava em algum lugar. Mas Theron parecia levar aquilo como uma ofensa pessoal. Frio e controlado. – Está tudo bem com você? Aconteceu alguma coisa? Alguém a machucou ou ameaçou? Isabella negou com a cabeça. – O que faz aqui? – sussurrou Isabella. Para surpresa de Isabella. o carro estacionou em frente ao hotel. Para a contínua surpresa de Isabella. sequestrando-lhe o ar dos pulmões. Mas quem a abriria? Não havia ninguém lá. já que houvera muitas naquela noite. enquanto se encaminhava à porta. que ele se importava com ela de uma forma que ia além dos deveres de um tutor.voltarmos para o hotel. abraçando o próprio corpo com mais força. Até mesmo furioso. para lhe envolver os ombros com o agasalho. Muito bem. Ele entrou no elevador e acionou o botão do andar da suíte que ela ocupava. – Bella? – A entonação de Theron havia mudado. rude. Até lá. Mas aquilo era uma mentira. Vários longos minutos depois. incapaz de fazer o som passar pelo nó que se formara em sua garganta. O orgulho a fez abrir os olhos para encontrar o olhar de preocupação com que ele a observava. alguém encarregado de cuidar de seu bem-estar. fechou o blazer para que nenhum centímetro de sua pele ficasse exposto e. agradecida pelo fato de o blazer ao menos cobri-la. por quê? – resmungou ele. poderia imergir na fantasia de que pertencia àquele homem. retirando o blazer do terno. As portas do elevador se abriram. – Bella! Você está bem? Isabella virou a cabeça para a esquerda com um gesto brusco para ver Sadie correndo em sua direção. em vez de pousá-la no chão para bater com a mão. Finalmente. Tudo era uma mentira. e refletia insegurança. Ele saltou do veículo e o contornou para abrir a porta oposta. – Tome – ofereceu ele. Ela desviou o olhar. Theron a pousou de pé no chão. a retirou do banco nos braços. Isabella puxou as lapelas para ajustá-las ainda mais ao corpo. ignorando os olhares curiosos dos transeuntes. Isabella engoliu em seco e o encarou. e a amiga a envolveu em um abraço apertado. – Sua festa. suavizara. O Theron que ela conhecia não vociferava para um leão de chácara com o dobro de sua altura. As surpresas não pararam por ali. Isabella franziu a testa. a porta se abriu e um homem que tinha o título “segurança” escrito em toda a sua estrutura corpórea os recebeu. mas ele não perdeu tempo tentando encontrar uma. não quero que diga nada. Theron saiu e seguiu pelo corredor na direção da porta da suíte. no peito musculoso. Isabella fechou os olhos contra a simples verdade que a impedia de ter o homem que amava. Por um instante. mas se recostou. em seguida. Chutou a porta com força. Ele pertencia a outra mulher. . Nunca o vira tão… irado! Ele costumava ser tão impassível. Não podia perder sua festa. Tão logo Theron entrou no quarto. O olhar que Theron lhe dirigiu sugeria que ela permanecesse onde estava. exausta. ele se inclinou para dentro. emudecida. – Silêncio – ordenou ele. Era o protótipo da ordem e da calma.

concordo – interveio Theron. que ela havia ajustado com tanta força a si. – Foi uma atitude irresponsável e perigosa. Se o fizesse. com expressão culpada. se passando por mim. e retirou a peruca da cabeça. Um banho de banheira longo e quente era uma ideia tentadora. – Certifique-se de levá-la para casa em segurança e permaneça lá para ver se ela não volta para o clube. e os seios se comprimiram de maneira obscena contra o peito largo. – Esperarei por você aqui. Quase se encolheu diante da imagem que o espelho lhe devolveu. Eles viram apenas você. – Vá se lavar – ordenou ele. Agradecida pela chance de desparecer. sabiam que a verdadeira Sadie não havia entrado em seu quarto. Sadie exibiu um sorriso triste. se deu conta de que não . Quando a porta de fechou. “Espalhafatosa” foi o termo que lhe veio à mente. – Mas você perdeu sua oportunidade. veria tudo que ela desejava ocultar no momento. – Por que você ainda está aqui e… – Ela girou na direção de Theron. como planejamos. – Sadie dirigiu um olhar furioso ao homem que permanecia parado à porta. No entanto. Nunca deveria ter permitido que fizesse isso por mim. – Como ele sabia onde me encontrar? – O chefe de sua segurança me telefonou. Theron saberia. Theron girou para encarar Isabella com olhar severo. – É bom saber que alguém tentou colocar juízo em sua cabeça – disparou Theron. Berrante. escorregou para o chão. – Quanto a isso. Em seguida. mesmo sendo escoltada para fora do quarto pelo segurança. No mesmo instante. – Não mais – rosnou Theron. sair mais cedo e. se livrando da maquiagem pesada. nunca supuseram que se tratava de você. Isabella lavou o rosto. antes de gesticular com a cabeça para o segurança. – Não quero ver Bella frequentando um clube de striptease porque a amiga trabalha lá. como deveria fazer – respondeu Theron com expressão fechada. – Quando saí de sua suíte para ir à festa. portanto desconfiaram. Triste. – O que aconteceu? – perguntou Isabella. confusa. O blazer. soltou as presilhas de seu cabelo e passou os dedos pelos fios para domá-los. mas não com Theron a aguardando do lado de fora. Eles me fizeram esperar aqui enquanto iam buscá-la. Tive de lhes contar tudo. – Como eles ficaram sabendo? A amiga baixou o olhar e suspirou. Coisa que ele não fora capaz de perceber antes. – A festa não importa. Em seguida. Aquele é um lugar onde nenhuma de vocês jamais deveria ter entrado.Sadie enrubesceu. – Isabella ignorou o rompante de Theron. não valia o risco que você correu. As mãos fortes de Theron se fecharam em torno dos ombros de Isabella e a puxaram contra a rigidez de seu corpo. um dos seus seguranças me abordou imediatamente. tenso. Isabella se encaminhou ao toalete. lidarei com você – disse ele em uma voz suave e ameaçadora. Bella. Além disso. parecendo mais impaciente a cada segundo. – Mas eu trabalho lá! – exclamou Sadie. Isabella se despiu e retirou as botas. – Precisei suportar um sermão dele durante todo o tempo em que você esteve fora. Isabella voltou a se concentrar em Sadie. Ela se viu incapaz de lhe sustentar o olhar. – Haverá outras. Desculpe. – Agora. A carranca de Theron se tornou ainda mais feroz ao esticar o braço para detê-la. atirando-as para o lado. Deu um passo na direção dela. – Mas… – tentou argumentar Sadie. o que a fez recuar.

fitou-a com os olhos ainda faiscando com intensa inquietação. Dando de ombros. Não sinto necessidade de informá-lo sobre meus passos. – Eu estive aqui. Subi… para ver como você estava – acrescentou. Bella. de volta à sala de estar. como se eu não tivesse nenhum direito? Como se você não tivesse acabado de cometer uma estupidez? Tem ideia do que pensei quando soube onde estava? O medo que senti? Ou o choque que tive ao vê-la em cima daquele palco. o que teria feito se. Quando a ouviu. – Marcus sabia que você faria isso? Isabella inclinou a cabeça para trás. trajando apenas um roupão de banho – disparou ele. Theron resfolgou. – Marcus? Por que precisaria informá-lo sobre qualquer uma de minhas ações? – Esperava que ele fosse mais protetor com o que lhe pertence ou com o que ele acredita lhe pertencer – resmungou Theron. devolvendo o comentário sarcástico que Isabella fizera na festa sobre beijar. para que todos aqueles homens a devorassem com o olhar? Diga-me. que dormira com Marcus. enfiando as duas mãos nos bolsos do roupão. – O que está insinuando? – Ela cruzou os braços sobre o peito. e Marcus subiu para que pudessem lhe trazer uma roupa seca. enfim se recompondo. confusa. Várias explicações lhe espiralaram na mente esgotada. Marcus não tem nada a ver com nada. Ontem à noite. – Não dormi com ele – respondeu. Bella. – Não está fazendo sentido algum.trouxera uma roupa para trocar. Isabella ficou boquiaberta. mais uma vez fechando os dedos sobre os ombros de Isabella. em vez de mim. Oh. Ele ainda tinha o controle sobre sua herança até que se casasse com outro homem. Portanto. – Um amigo?! É assim que chamam isso hoje? – retrucou ele. – Ousa perguntar isto. descalça. Saiu do toalete e caminhou. Theron escorregou uma das mãos pelo cabelo em um gesto de frustração. É um amigo. mas de que aquilo serviria? Theron estava noivo de Alannis. seminua. contrariada. vestiu um robe. Theron cortou a distância entre os dois. e não estava disposta a bancar a promíscua. permaneceu calada. tivesse sido um deles a invadir o palco? Se colocasse as mãos em você e a forçasse a ir com ele? Isabella pestanejou várias vezes diante da ferocidade e da raiva absoluta que lhe distorcia as feições. – E daí? – Marcus atendeu a porta. mas não acreditava que Theron fosse acreditar em nenhuma delas. – Estou dizendo que isso não é de sua conta! – explodiu Isabella. ela adoraria responder que sim. – Pegamos uma tempestade. constrangido. Nesse meio-tempo. enquanto se mediam com o olhar. parado diante da janela que dava vista para a avenida abaixo. esticou a mão para o robe atoalhado pendurado atrás da porta e se envolveu nele. Isabella pestanejou várias vezes. Um longo silêncio se abateu sobre os dois. – E por isso presumiu que ele estivesse dormindo comigo? – Está negando? – desafiou Theron. e eu permaneci na . – Por que está aqui? – perguntou ela. surpresa. antes de encará-la mais uma vez. Theron aguardava.

. – Não é o suficiente eu passar o tempo todo pensando em você? Lembrando-me da sensação de sua boca contra a minha? Theron se aproximou. a respiração quente contra o rosto de Isabella. Em um gesto inconsciente. em seguida. Por quê? Em que aquilo podia afetá-lo? E então.banheira até que ele estivesse completamente vestido. – Você nunca objetou antes – resmungou Theron pouco antes de lhe capturar os lábios. ele partiu. Pedimos comida no quarto e. – Por que você insiste em me enlouquecer? – murmurou. ele fez um movimento negativo com a cabeça. Um lampejo de alívio brilhou nos olhos de Theron. – Não deveria… me beijar – sussurrou ela. ela umedeceu os lábios enquanto Theron inclinava a cabeça para o lado.

enfraquecida contra a rigidez do corpo másculo. A boca experiente prosseguiu em sua jornada erótica. O robe de Isabella escorregou para o chão. deixando as palmas acariciarem as laterais do corpo de Isabella. tremendo à medida que as mãos longas rumavam por seu corpo até a nuca. Theron fechou os dedos naquele ponto. antes que Isabella se deixasse dissolver naquela fantasia. Ou ânsia. não se importava. Como se tivesse direitos exclusivos sobre sua boca e se recusasse a dividi-los com quem quer que fosse. – Lutei contra isto. – Quero fazer amor com você – disse ele com uma ansiedade ofegante. o lóbulo da orelha e mais abaixo. Theron a arrebatava. Fantasiado. Como se a intenção dela fosse escapar! Isabella era uma presa espontânea. Escorregando os braços sob o robe. enquanto a boca experiente se apossava da dela. – Eu o desejo tanto! As mãos fortes começaram a desfazer o nó do roupão que ela usava. Era como se Theron não suportasse a ideia de parar de beijá-la. e Isabella teve de prender a respiração quando ele se ajoelhou diante dela. Desejado tanto. Só então abandonou os lábios carnudos para imprimir uma trilha de beijos quentes pela mandíbula delicada. envolta nos braços musculosos. um som de capitulação? Sinceramente. mantendo-a cativa. Aquele beijo era… diferente. Theron os fechou em torno da cintura fina e a puxou para baixo. os lábios mal se apartando dos dela. fazendo-a experimentar calafrio após calafrio. enlouquecerei. atritando a língua contra o bico enrijecido. antes de movê-las para os seios firmes. os lábios exigentes nunca deixando os dela. pelo pescoço macio. Aquilo… era o que havia sonhado. com os braços fechados com força em torno de sua cintura… como se nunca fosse soltá-la. E então ele fechou a boca sobre um deles. Theron lhe sugou o seio. o cabelo negro e a pele morena em contraste com a dela.Capítulo 14 ISABELLA SENTIU os joelhos cederem e se agarrou aos ombros fortes para não escorregar pelo corpo de Theron. Devorava-a. Talvez fosse um som de desejo. ele afastou os lábios do mamilo. enquanto ela saboreava a rigidez daquele peito e daquelas coxas. O corpo de Isabella se moldou ao dele. Não havia outra palavra para definir o que ele estava fazendo. E então. ajoelhado. as mãos ávidas se encontravam espalmadas em sua pele exposta. – Macia. – Sim – sussurrou Bella. de modo que a respiração quente lhe fustigasse os mamilos. Como era erótica a visão daquele homem orgulhoso e forte. Porém. Loucamente. formando uma poça aos seus pés e ela se viu nua. Tão macia e linda! Como a seda – murmurou ele. Ela deixou escapar um suspiro suave. Os lábios de Theron ficaram quase na altura dos seios empinados. Ele a segurou firme contra o peito. mesmo enquanto lhe abria o robe. fazendo-a gemer e estremecer. Tomava posse dos lábios carnudos como se fosse seu único dono e senhor. Theos! Lutei muito contra isto. forçando-a a flexionar os joelhos. Nunca. . fazendo-a soltar um gemido de protesto. Theron lhe mordia e sugava a pele. fazendo-os enrijecer. mas se não a tiver.

E pretendo seduzi-la até as últimas consequências. – Você é maravilhosa. Ele começou a empreender uma jornada excitante pelo pescoço delicado. – Por favor. Tímida e um tanto insegura. As bocas se encontraram outra vez. querendo se livrar da peça para sentir a pele de Theron contra a sua. desceu. e Isabella lhe envolveu o pescoço com os braços. Theron a ergueu nos braços e caminhou lentamente na direção do quarto. A sedução ficará por minha conta. fazendo-a se contorcer sob o corpo forte. se expondo ainda mais àquela exploração erótica. enquanto os dedos longos se dirigiam aos botões da camisa. descendo o próprio corpo até que os lábios lhe encontrassem os seios firmes. – Quero que esteja preparada para me receber. Tenho de possuí-la. unindo-as com força. o zíper da calça. quando a calça comprida e a cueca boxer escorregaram pelas coxas musculosas. Em seguida. No mesmo instante. Por um breve instante. brincou com o piercing que lhe adornava o umbigo. enquanto deslizava um dedo sobre a pele úmida da região sensível. Bella. o duelo era um precursor da dança que os corpos estavam prestes a executar. A pele firme colando-se à dela. úmido. queimando-a. No meio do ato de desabotoá-los. Após deitá-la na cama. Impotente. – Sou sua. As mãos se ergueram na intenção de ocultar os seios. – Nunca me senti tão fora de controle – admitiu ele. Suave. frenético. quero-o dentro de mim. Você me enlouquece. O desejo se refletia nos olhos castanhos como duas labaredas. libertando a masculinidade excitada. Theron soltou uma risada abafada e não a decepcionou.Theron ergueu o olhar ardente contra a luz da lâmpada. Isabella sentia-se estranhamente vulnerável sob aquele escrutínio intenso. Bella mou – respondeu ele. os ombros. Encorajada pela óbvia aprovação de Theron. imprimir uma trilha úmida de beijos pelo abdome macio. ele perdeu a paciência e os arrebentou com um puxão. – Sim – o sussurro de entrega escapou dos lábios intumescidos de Isabella. afrouxou a força com que a envolvia apenas o suficiente para se erguer. não. quando se deitou na cama. Livrando-se da peça. sedoso e ainda assim rígido como o aço. e o tecido da camisa roçou a pele dela. ela arqueou os quadris. – Não esconda tamanha beleza de mim – sussurrou ele. antes de prosseguir naquela expedição descendente. – Possua-me – disse ela. – Oh. Isabella enrijeceu quando a boca ousada lhe encontrou a essência. Por alguns vários e longos segundos. Bella mou. em seguida. Bella – disse com uma voz baixa e rouca. o âmago de sua feminilidade. Isabella inspirou profundamente e prendeu o ar nos pulmões. repleta de paixão. Isabella esticou as mãos para desabotoá-la. ela deixou as mãos penderem sobre o colchão. baixando o olhar para encontrar o dele. prolongando aquela batalha de línguas e lábios. Em seguida. Quente. Aquelas palavras pareceram destruir o autocontrole de Theron. O olhar fixo no dela. Mas ele lhe segurou as mãos. A pintura intrincada enevoando diante de seus olhos. ele se ergueu e assomou diante dela. Ela cravou o olhar no teto. – Tão excitado e sensível a uma mulher. Uma promessa silenciosa enquanto ele se aproximava. Isabella temia dizer qualquer coisa que o fizesse recuar e dissipar aquela magia. Theron se deteve a lhe estimular os mamilos rígidos com a língua para. Theron lhe afastou os joelhos e se acomodou entre as coxas macias. à medida que o prazer a dominava. ele se moveu .

outras eram ininteligíveis. Isto. em um gesto instintivo. enquanto se movia entre as pernas sedosas. mas posso fazer com que seja. – E então deixou-me violá-la. – Você não me machucou. num sussurro. Theron a puxou suavemente contra a rigidez de sua excitação. deduziu Isabella. Em seguida. permitindo que as mãos que se agarravam aos ombros de Theron escorregassem para lhe envolver o pescoço. – Eu a machuquei? – perguntou ele. ela lhe tocou o rosto. Todo o corpo de Isabella enrijeceu com o choque. – Não sabia se acreditaria. instantes depois. Por alguns longos segundos. ela compreendia. quando deveria ter sido conduzida com toda a suavidade? Tratada de modo carinhoso? O arrependimento estampado naquele belo rosto másculo era genuíno. – Enrosque suas pernas em minha cintura. fora a sensação daquele preenchimento que quase a sufocou. Você não me machucou – respondeu ela no mesmo tom. Ela ofegava. Isabella se sentou na cama e estendeu a mão para pegar a toalha. Os lábios de Theron encontraram os dela mais uma vez em um gesto tranquilizador. Foi perfeito. Theron deixou a toalha escorregar para o chão e lhe segurou o rosto com as duas mãos. – Movimente-se comigo. murmurando-lhe palavras contra o ouvido. – Não. Algumas. de repente gentis e ternos. apenas o som das respirações alteradas preenchia a atmosfera. mesmo enquanto movia os quadris para recuar e investir outra vez. abrindo-lhe as pernas e se encaixando perfeitamente entre as coxas aveludadas. Os olhos verdes se arregalaram e. rompendo a leve resistência sem nenhuma dificuldade. fundindo-os. Os lábios sensuais se aproximaram dos dela e a beijaram com uma ternura que a fez experimentar . E então ele desabou. – Volto já. – Por que não me contou? Não havia nenhum tom de recriminação ou acusação na voz de Theron. Ele fincou os cotovelos nas laterais da cabeça de Isabella. Theron a observava com olhar confuso. Incapaz de fazer qualquer coisa além de seguir o turbilhão de prazer que crescia em seu ventre e se espalhava por todo o corpo. Não por ter feito amor com ela. A respiração saía com dificuldade. Isabella o observou caminhar até o toalete e voltar.sobre o corpo macio. Não foi perfeito. com uma toalha umedecida. retesada e sensível pelo desejo. – Venha comigo – sussurrou ele. Theron ergueu a cabeça para encará-la. Esticando o braço. suspendendo o corpo o suficiente para que ela não precisasse suportar o seu peso. soltando o peso do corpo quente sobre o dela. e no outro deslizando para dentro dela. A pele de Isabella pareceu despertar para a vida. E então Isabella relaxou sob o corpo forte. saboreando o atrito da barba de um dia. mas por pensar que a tratara de maneira rude. a esfregou sobre a pele macia para limpá-la. mas ele a manteve fora de seu alcance. agape mou – incitou ele. desencaixou os corpos de ambos. ela espalmou as mãos nos ombros largos para empurrá-lo. – Não. Isabella gritou ao mesmo tempo em que ele enrijeceu sobre ela. e as bocas e os quadris de ambos executavam os passos daquela dança nova e excitante. Em um segundo estava se posicionando para penetrá-la. Em seguida. Embora sentisse apenas uma pontada de dor. Após lhe depositar um beijo suave nos lábios. Uma onda de prazer doce e excitante a atingiu como fogo espalhado pelo vento.

Com todo o cuidado. Ainda assim. E certamente sabia o que estava prestes a fazer mesmo no calor do momento. Não tinha mais ninguém a culpar em toda aquela confusão a não ser a si mesmo. aquela fora uma decisão consciente. – Sim. Nunca antes. Não fora nem mesmo por falta de não tê-lo consigo no momento. e não era agora que iria começar.uma pontada de dor no peito. E quando Theron a penetrou lentamente. se esticando para alcançá-los. As pernas se entrelaçavam nas dele. aflorando. com ela. Envolvendo os quadris em uma toalha. Isabella sorriu. temia tudo que tinha a fazer. sempre mantinha várias mudas de roupa em seu escritório. perdera toda a consciência durante um ato sexual. Aquela seria sua primeira . Dessa vez. A respiração cadenciada e suave lhe reverberava nos ouvidos. e sabia muito bem disso. pior. não conseguia atinar com uma desculpa plausível para tamanha estupidez. em seus 32 anos. Tal sentimento de culpa e resignação não era inesperado. no desejo. por mais que se esforçasse. cada uma aterrissando naquela região distante que ela reservara apenas para Theron em seu coração. e. Insatisfeita até mesmo com aquela minúscula separação. em muitas coisas. Desejara-a e a possuíra. não havia sido capaz de parar o que estava fazendo para pegar um. mas logo ela voltou a se aninhar sob as cobertas e ficar imóvel. Theron se encaminhou ao toalete para tomar uma ducha. fazendo com que as bocas dos dois se encontrassem em um beijo doce que ela sentiu na própria alma. saiu do toalete e recolheu o traje que usara no dia anterior. não apenas um. Abriu os olhos. Poderia colocar a culpa na paixão. Estava até mesmo se preparando e fazendo planos mentalmente. enquanto ela dormia profundamente. Não a protegera. Os seios firmes pressionavam seu peito. Mas apesar daquilo tudo. E ainda assim. – Melhor assim? – murmurou ele. Theron não teve pressa. e um dos braços o envolvia de modo possessivo. experimentava uma estranha sensação de paz em vez de uma resignação dolorosa. tocando-a e a amando como Bella o amava. cada palavra como terra árida que ansiasse por água. Agora. Enrijeceu quando Isabella deixou escapar um suspiro suave. Isabella absorvia cada toque. mas sabia a verdade. Murmurava palavras carinhosas e elogios. desencaixou os corpos dos dois. soprou uma mecha de cabelo escuro que lhe caía sobre os lábios e constatou que Isabella estava mais atirada sobre ele do que enroscada. E dizer. Inundou de beijos e carícias cada milímetro daquele corpo de curvas perfeitas. vendo-a. ele aguardou que Isabella se entregasse por completo ao clímax. Era um homem prevenido e sempre trazia. ciente de que haveria consequências para aquela escolha. THERON ACORDOU com um corpo feminino macio enroscado ao seu. o peso do que fizera. Esperara tanto tempo para tê-lo daquela forma! Focado nela. mas dois preservativos em sua carteira. O desejo despertou outra vez. ela soube que jamais seria capaz de amá-lo mais do que naquele momento. Theron encostou a testa na dela. Não usara nem mesmo um preservativo e. Felizmente. e apenas quando os últimos espasmos de prazer lhe abandonaram o corpo foi que ele se enterrou fundo naquela maciez apertada e quente e se entregou ao próprio orgasmo. os lábios dos dois a apenas milímetros de distância. logo a realidade o atingiu e. Isabella ergueu o queixo. Porém.

talvez fosse melhor começar a pensar no que fazer com o resto de sua vida. a excitação despertando cada célula viva. E então. pode me acompanhar até o restaurante do hotel e. em seguida. Depois. sem dizer mais nada. Sentia uma languidez incomum. o cabelo longo envolvendo-lhe parte corpo. Cada vez mais desgostosa com a própria letargia. – Sinto muito mesmo por ter lhe causado tantos problemas. Para onde teria ido Theron? Ele retornaria? Ou seria ela apenas uma tentação que se tornara insuportável. não resolvidas. enquanto girava e esticava a mão como que a procurá-lo. Acho que a partir de agora me achará bem mais cordata. e pestanejaram várias vezes quando se concentraram nele. Theron esticou a mão e lhe tocou a lateral do rosto. e ela temia que continuassem daquela forma. A sensação do corpo forte se movendo contra o seu. Partes dela estavam doloridas. Também não desejava ser responsável pela tristeza de alguém. Baixou o olhar à toalha molhada descartada. Theron sentiu o corpo tenso. faria uma refeição e. forçou-se a se vestir. está entendendo como as coisas devem ser feitas. e ele resolvera voltar correndo para se entender com Alannis? Fechou os olhos e deixou pender o queixo até que lhe tocasse o peito. Uma dor deliciosa. afastando-lhe uma mecha de cabelo escuro para trás. srta. prendendo a respiração como uma tola apaixonada. cada carícia. ISABELLA SE encontrava parada ao lado da cama. – Inclinando a cabeça. enrolada apenas em um lençol. cada beijo. Iria até lá e faria uma lista do que estava faltando. iria até seu apartamento. deixou escapar um suspiro. sonolentos. Caplan. Bella. ele lhe depositou um beijo suave no cabelo e. Isabella tentou sorrir. Muitas coisas permaneciam desconhecidas. Isabella exibiu uma careta. esperando por um homem que talvez não retornasse. Meu serviço se torna muito mais fácil quando conheço seu destino e sei que não escapará na primeira oportunidade. Os olhos verdes se abriram. se ergueu e enrolou-se em uma toalha. Coisas importantes. Primeiro. Finalmente. Os móveis novos que comprara haviam sido entregues. ao meu novo apartamento. – Espero que nada de mal tenha lhe acontecido. Quando abriu a porta. Permaneceu na banheira até a água amornar. se encaminhou ao toalete para tomar um banho quente. Depois. e experimentou uma estranha sensação no peito. A expressão se tornou fechada. mas fracassou miseravelmente. O divertimento desapareceu do semblante do segurança. do qual apertava as extremidades com força. e Theron providenciara para que alguém lhe comprasse todos os itens de que necessitava. Não queria ser a outra. Mas por que tinha de colocar o bem-estar da outra mulher acima do seu? Com aquela tristeza contida alojada no coração. que ostentava a evidência de sua virgindade perdida. – É melhor você entrar para que eu possa me desculpar da maneira adequada. Quando estava vestindo a calça comprida. enquanto a encarava com olhar questionador. – Agora. E não conseguiu se furtar a fechar os olhos e recordar cada toque. deu-lhe as costas e saiu do quarto. deparou de imediato com a expressão fechada de Reynolds. Reynolds exibiu um sorriso genuíno e entrou na suíte. Recusava-se a ficar sentada naquele quarto de hotel.parada. Aquela ideia não a agradava. Isabella se mexeu. em seguida. . – Tenho coisas a fazer. Um sussurro suave que se avolumava enquanto a observava. estremecendo de frio.

– Fiz algo terrível – disse Theron. o que há de errado? Theron esfregou o rosto com uma das mãos. sonolento. Comece pela parte em que você não pediu Alannis em casamento. – Seduzi Isabella. – Então. Estou faminta. Alguns minutos mais tarde. – Por que diabos está telefonando a esta hora? Mais uma vez. Seguiu-se um longo silêncio. tampouco Marley se achava sob meus cuidados. voltou a se dirigir ao irmão: – Espere um momento para que eu possa atender esta ligação no escritório. mais alerta. – Não. Volte a dormir. sem proteção! Ficou maluco?! – E você foi muito cuidadoso com Marley? – retrucou Theron. – Theron? – perguntou Chrysander. mesmo enquanto proferia as palavras. Mais uma vez. Aquele tipo de conversa o fazia parecer um adolescente de 16 anos confessando seus pecados ao pai. não há nada errado. que diabos estava pensando?! Está bem. Seguiu-se outro silêncio perplexo. isso ultrapassa os limites da insanidade. – Não pedi Alannis em casamento. cansado. Isso é um fato. Theron. – Em seguida. – Não. Chrysander soltou um xingamento e exalou a respiração de maneira audível. Isabella permaneceu calada. Não estou preso. – Nai – rosnou Chrysander. Em seguida. – É óbvio que está com um problema sério nas mãos. A coisa é ainda mais grave. na cadeira atrás da mesa do escritório e ergueu o fone. – Eu tinha um relacionamento com ela – rosnou Chrysander. THERON SE sentou. antes de se levantar. esqueça o que acabei de dizer. gesticulou na direção da porta. E a que coisa terrível está se referindo? Está preso? Theron não pôde conter uma risada diante daquela pergunta. na Grécia seria meia-noite. – Mais grave do que você seduzir uma jovem que está sob seus cuidados? Não consigo imaginar o que seria pior. enquanto ouvia o farfalhar das cobertas da cama e o beijo que o irmão deu na esposa. exausto. – Não estava noivo de outra mulher. a voz de Chrysander estava de volta do outro lado da linha: – Agora diga-me que não fez o que acho que fez. É apenas Theron. Theron o ouviu dizer alguma coisa para Marley. Marley ficou acordada até tarde da noite com o bebê. Theron. – Theron se encolheu. . – Ela era virgem e não usei proteção.Por um instante. Theron esperou pacientemente. na defensiva. agape mou. Obviamente não estava pensando. – Droga. sem rodeios. – Acho que não ouvi direito – disse Chrysander por fim. Mas e quanto a Alannis? Não disse a mim e a Piers que iria se casar com ela? O que estava fazendo na cama com Isabella? E Deus. com um sorriso tristonho. – Não posso fazer isso. – Não estou noivo de outra mulher – revelou ele num quase sussurro. – É melhor começar do início e me contar toda esta história – sugeriu Chrysander. mas precisava ter aquela conversa com Chrysander para que pudesse dar prosseguimento aos seus planos. – Vamos comer.

Após mais um silêncio prolongado. os confetes… – Confetes? Quem diabos providencia confetes para um pedido de casamento? – questionou Chrysander. a festa. voltou a falar: – Ela estava sob seus cuidados. A adrenalina subiu a um nível alarmante nas veias de Theron. Alannis me olhava. – Estava tudo preparado. o anel. e eu larguei a caixa no bolso e a convidei para dançar em vez disso. Passamos a noite celebrando a visita dela a Nova York em vez de nossas futuras núpcias. Terá de se casar com ela. – Aconteceu depois que a retirei à força do clube de striptease. Vou me casar com ela. Sem proteção. meu irmão. O momento chegou… e não consegui fazer o pedido. O que importa é que. Estava com a mão na caixa de joias. – Você o quê?! – Chrysander explodiu em uma risada. Dormimos juntos. – E como isso o levou a tirar a virgindade de Isabella? Sem proteção – acrescentou Chrysander em tom de voz frio. . Será que quero saber por que alguém que está sob sua responsabilidade se encontrava em um clube de striptease? – Isto não tem importância. seduzi Isabella. irritado. – Sim. Isto diz tudo.– Não consegui – confessou Theron com um suspiro. depois disso. – Não tenho de me casar com ela. – Isto está ficando mais absurdo a cada segundo. Nosso pai concordou que a família Anetakis cuidaria de Isabella se algo acontecesse ao pai dela. Eu diria que sim. Ela era virgem. – Fazia parte do clima festivo – Theron se defendeu. – Admiti minha estupidez. Não há razão para continuar me atirando isto no rosto – retrucou Theron. com certo divertimento. – Chrysander meneou a cabeça. – Planejei a noite.

aquilo poderia parecer um absurdo. outras caminhando com cachorros. Isabella deixou escapar um suspiro. para sua surpresa. Talvez fosse a normalidade daquele cenário. – Voltei à sua suíte e não a encontrei. Havia uma grande quantidade de pessoas praticando corrida. casado com outra mulher? Em um primeiro momento. A mente girava em incrível velocidade. Trabalhando ainda com apenas uma das mãos. retirou uma pequena caixa quadrada do bolso da calça. Gostava de fato daquele apartamento. com o qual as pessoas podiam contar para alguns momentos de lazer. – Não precisará deste apartamento. alegando que só demoraria alguns minutos. O som da porta se abrindo não a assustou. Um pequeno oásis no meio da caótica metrópole. quando ele me disse que você estava aqui. pethi mou. mas ainda assim. Isabella olhou para o objeto com expressão desconfiada. Não faziam nenhum sentido. deparou com o olhar preocupado de Theron. – Vim ver se já estava tudo pronto para minha mudança – ela se limitou a responder. – Havia um sutil divertimento na voz grave. Poderia viver ali sabendo que o homem que ela amava se encontrava tão próximo. e crianças brincavam. enquanto ele erguia a tampa e a deixava cair no chão. e . – Com a outra mão. quase temendo tocá-lo. Theron lhe segurou a mão e a manteve sobre o peito. Isabella ergueu uma das mãos e a espalmou no peito musculoso.Capítulo 15 ISABELLA AFASTOU para o lado as cortinas que cobriam a ampla janela com vista para a rua. Exceto… pelo fato de ele controlar sua herança e o contato entre os dois ser inevitável. você está bem? O que faz aqui? Isabella girou e. pethi mou. Passadas firmes soaram atrás dela. – Telefonei para Reynolds e. Mas não necessitará mais deste apartamento – acrescentou com voz calma. Deixara Reynolds a aguardando do lado de fora. ciúme ou desespero. Provavelmente o guarda-costas devia ter perdido a paciência e viera buscá-la. Theron a girou de cabeça para baixo. supervisionadas por suas mães ou babás. Era bem maior que as unidades dos andares inferiores e tinha uma vista magnífica do parque do outro lado da rua. Em uma cidade daquele tamanho seria possível passar uma vida inteira sem esbarrar em Theron. Duas mãos firmes se fecharam em seus ombros fazendo-a ofegar. mas não tinha certeza se seria capaz de continuar ali. não assombrassem cada segundo de sua existência. – Bella. Isabella se viu incapaz de desviar o olhar da cena que se descortinava abaixo. mas o que a surpreendeu foram as palavras de Theron. mas necessitava saber a que ele se referia ou o que ele não estava dizendo. O apartamento que alugara ficava localizado no último andar. Estou começando a imaginar se minha vida será uma rotina de nunca encontrá-la onde você deveria estar. a promessa de uma vida tranquila. na qual as emoções agonizantes. tais como amor. vim correndo para cá.

estava conseguindo exatamente o que desejava. . não usei proteção. Sei que não morre de desejo de se casar comigo. e aquilo lhe causou a sensação de que seus ossos estavam se derretendo. – Quer mesmo se casar comigo? Está bem. Não queria pensar no sofrimento de Alannis e no desapontamento de Sophia. ele recuou. E por isso lhe peço desculpas. Isabella ergueu um dos braços entre os corpos unidos e o afastou. Em seus sonhos. Isabella tentou disfarçar o sentimento de culpa. – E quanto a Alannis? No silêncio que se seguiu. Isabella sacudiu a cabeça. ele conseguiu abrir a tampa. a proposta de casamento de Theron sempre fora romântica. Mesmo que eu fique grávida. – Você era virgem… e corre o risco de estar grávida – concluiu com suavidade. – Temos de nos casar – repetiu Theron. calma. Ninguém mais faz isso. alegando que ele não a amava? Theron a envolveu nos braços. Acho que estou tão estabelecido nesta cidade quanto você. com duas labaredas nos olhos. esqueça isto. – Não estou entendendo – gaguejou. Com um sorriso hesitante. Por vários longos segundos. Uma sensação de alívio faiscou nos olhos de Theron. mas remediaremos isso. Com mais alguns movimentos dos dedos. definitivamente. por outro lado. enlouquecia de desejo por ela. Atônita. mas seu olhar não mentia. Portanto. essa ideia de colocar um anel no meu dedo apenas pelo fato de que eu era virgem e de que não usamos proteção é bastante arcaica. Onde você preferir. Aquilo não era um sonho. Não. Theron talvez não quisesse se casar com ela. voltou a fixar o olhar em Theron. capturando-lhe os lábios com um beijo profundo e sensual. E agora Isabella se via no papel de femme fatale. revelando um diamante que captou a luz que incidia pela janela e faiscou contra os olhos de Isabella. Aquele era um ponto nevrálgico que não devia ser explorado. E então Isabella permitiu que um pouco de felicidade a inundasse como os raios solares que atravessam a janela. não é motivo para nos obrigar a casar… Theron a silenciou. Podemos comprar uma casa. não importava a motivação do pedido. – Está bem – concordou Bella. Por fim. O faiscar do diamante contra a luz do sol lhe atraiu o olhar de volta ao anel estonteante que lhe adornava o dedo. Porém. não querendo se aprofundar no assunto. muito casual. As duas mulheres haviam sido muito gentis com ela. Pergunta inútil. sendo que dessa vez dando ênfase ao “temos”. limitou-se a anuir com um gesto de cabeça. – Acho que não… quero dizer. – Ela e a mãe retornarão à Grécia amanhã. O que não era uma sensação muito boa. A não ser que prefira ficar em minha cobertura. lhe deu um abraço apertado. Ele a queria e. Estivera esperando que ela argumentasse? Talvez bancasse a mártir e lhe oferecesse uma recusa chorosa e trágica. – Nós nos casaremos o mais breve possível – disse ele. Ou melhor. mas em vez de beijá-la.uma caixa de joias de veludo caiu na palma de sua mão. Era difícil argumentar contra aquele fato. tudo que Isabella conseguia escutar eram os sons do beijo. Há providências a tomar. – Temos de voltar à sua suíte. Isso era um começo. a expressão de Theron se fechou. ela o observou lhe erguer a mão e escorregar o anel por seu dedo anular. Mas quero que saiba que não é obrigado a fazê-lo. certa de que ainda se encontrava sonhando em sua suíte.

Em seguida. THERON NÃO parecia nem um pouco diferente. Sim. que estivera fazendo planos com Theron. Isabella não conseguiu ver de quem se tratava. Ele precisa apenas de um tempo. o ideal seria que ele me amasse agora e que fôssemos nos casar pelas razões certas. – Parecia tão estranha quando me telefonou. meu Deus! – exclamou Sadie. – Sadie Tilton deseja vê-la. alguns telefonemas relativos ao trabalho se sucederam. – E sim… bem… mais ou menos isso. Talvez tivesse esperado que ele parecesse… não sabia dizer. Disso eu tenho certeza. vamos voltar para o hotel – disse ele. e aonde isso me leva? – Tem razão. – Está feliz com isto? Isabella sorriu. mas será. com o olhar cauteloso. se encaminhou à porta e a abriu. rouco. Primeiro. Noivo? Mas Theron estivera noivo por vários dias. Da extremidade oposta da sala de estar de sua suíte. e outras coisas que ela não entendia. Isabella o observava fazer um sem-número de ligações. – É que eu estava esperando algo mais. Theron se casará com Alannis. onde se encontrava Isabella. ele falou com o proprietário do apartamento que ela havia alugado. Isabella apertou a mão da amiga. tão envolvido se encontrava com os telefonemas. agarrando a mão de Isabella. Comunicou que nos casaríamos. – E o que ele disse então? E quanto a Alannis? – Não muito. Isabella olhou para a amiga e deixou escapar um suspiro. – Será perfeito. Queria que fosse algo perfeito para você. Ele é tudo que eu sempre quis. Sadie franziu a testa. Mas se eu não me casar com ele. Pela forma como o segurança segurava a porta. Um rápido olhar ao redor revelou que Theron não prestava atenção a elas. – Ele a pediu em casamento? – Shh. e ela correu na direção do sofá. Agora falava sabia Deus com quem sobre voos e jatos. Theron sente algo por mim. Isabella fez um gesto sutil com uma das mãos para que a amiga entrasse. Apenas não com ela. Ele não pediu exatamente. Você sonhou com isto durante tanto tempo. mas tenho de aproveitar qualquer oportunidade que me for dada. Sadie exibiu uma carranca. que eu poderia estar grávida e que precisávamos nos casar. Reynolds. – Tem certeza de que deseja se casar com um homem por essas razões? Quero dizer. Sadie projetou a cabeça para dentro. – O que está acontecendo? – perguntou a amiga. . E vai além do simples desejo sexual. se acabou com este falatório sem sentido. Isabella sentia a cabeça rodar. – Não serei capaz de fazê-lo se apaixonar por mim se não convivermos um com o outro. tem razão – concordou Sadie. Reynolds escancarou a porta e lhe dirigiu o olhar. Uma batida à porta interrompeu sua dissertação sobre aqueles telefonemas. Mas seus olhos se iluminaram tão logo a avistaram.– Agora. mas ergueu a mão que ostentava o anel para que ela pudesse ver. O dia em que Theron disser “eu te amo” fará valer a pena tudo que aconteceu para chegarmos a esse momento. Isabella não disse nada. Theron está ao telefone – murmurou Isabella. mas um instante depois de atendê-la. – Oh. e quanto ao amor? Ou ao menos uma razão legítima que date deste século. Falou apenas que havia tirado minha virgindade. – Ficarei. Talvez não imediatamente.

enquanto continuava a conversar sobre cifras. e começou a lhe desabotoar a camisa de cima para baixo. a amiga pereceu surpresa. Os olhos escureceram quando Isabella pousou as mãos em seus joelhos e. ela se encaminhou na direção de Theron. Mas Bella se limitou a sorrir. Reynolds relanceou o olhar a Theron. embora aquela não fosse uma pergunta. o aluguel. De repente. liberando-o. Como se sentisse os olhos de Isabella fixos nele. Isabella ergueu um olhar confuso para encarar a amiga. quando perdeu a linha de raciocínio. – Ele é um bom homem. Bem… quase. como se a estivesse negando. tenho que lhe agradecer. escorregando pelo peito de Theron.Sadie sorriu. os dois ficaram sozinhos. Instantes depois. A voz de Theron se tornou notoriamente tensa. – Mas não saia da cidade sem me avisar. – Então. mas ao mesmo tempo. Para que eu não tenha de voltar a trabalhar no clube. – Está bem. Envolta naqueles braços fortes seria capaz de esquecer muitas das suas preocupações. – Isabella voltou o olhar para Theron. Não que eu esteja pensando que ele fez tudo isso por outra razão que não impedi-la de ir ao clube. Bella. mas quando seguiu o olhar de Isabella. a escorregando sob o decote da blusa. – Que diabos está dizendo? – O apartamento. ela o deixaria sozinho e se tornaria invisível enquanto ele conduzia . – Ergueu-se e caminhou na direção de Reynolds. Lentamente. fico grata. – Agora que está tudo resolvido. em seguida. Theron cerrou o punho. Isabella segurou a mão que ele mantinha entre os corpos de ambos e a guiou ao seu peito. As duas giraram a cabeça na direção de Theron ao mesmo tempo. – Pode levar Sadie para casa? – perguntou. Isabella fez um movimento negativo com a cabeça e Sadie franziu a testa. ele tentou afastá-la. que se encontrava sentado à mesa diante da janela. tudo que Isabella desejava era que todos se retirassem daquele quarto e os deixassem a sós. pela primeira vez desde que ele lhe pusera aquele anel no dedo. – Você conseguiu um bom homem. tornou a sorrir. Incluindo o fato de ela não ser a mulher que Theron havia escolhido como esposa. Nada daquilo a interessava tanto quanto a possibilidade de vê-lo nu. que parecia ter escutado a pergunta. Isabella fechou a porta e. finanças. Ainda havia o telefone. – O que acha de eu pedir a Reynolds que a leve até sua casa? – cochichou Isabella para Sadie. planos para o hotel. Sadie se inclinou para a frente e lhe deu um abraço apertado. Sentindo o corpo enrijecer. – Você não providenciou para que meu aluguel fosse pago por um ano? – Nã… não. suponho que também não tenha intermediado meu encontro com Howard – murmurou Sadie. a conta bancária. blá-blá-blá. montou sobre as coxas musculosas. Theron ergueu a cabeça com o fone ainda encostado ao ouvido e a encarou. o olhar a queimando com uma intensidade silenciosa. Não precisava fazer isso. porque anuiu com um gesto de cabeça e gesticulou com a mão. está bem? Isabella retribuiu o gesto. Ele ergueu a cabeça. – A amiga sorriu. – Não tenho a menor ideia do que está me contando – respondeu Isabella com voz suave. Se fosse uma noiva adequada. Por um instante. e ele chegou a se calar por duas vezes.

desabotoando-lhe o zíper da calça. Theron estava determinado a concluir. que caminhava na direção do quarto. e então ela se deu conta de que ele traçava o contorno de sua tatuagem. – Terei de expulsá-la do meu escritório se pretende fazer isso quando eu estiver resolvendo assuntos de trabalho. na altura da cintura. Hum. mesmo enquanto ele a segurava com força pelos braços e a erguia no colo. mas ao que parecia. Se ele continuasse a resistir por mais tempo. segurando-os com uma só mão para deixar a outra livre. Enquanto afastava as lapelas do blazer que ele usava. Os dedos longos lhe exploravam a nudez mesmo enquanto ele a instava a se virar. E então começou a lhe desabotoar a blusa. enquanto ele quase rasgava a camisa e a calça para se livrar das peças e jogá-las longe. Isabella sorriu. Um sorriso bailou nos lábios de Isabella. Mas Isabella já provara não ser perita em suprimir os próprios desejos. o que está tentando fazer comigo? – perguntou ele. Mais um minuto. – Essa não é uma tarefa sua? Theron se inclinou para a frente. Ela podia ter começado aquilo tudo. ela o ouviu rosnar uma resposta para a pessoa do outro lado da linha e. com movimentos bruscos pela impaciência. Em seguida. sentindo Theron se inclinar para a frente outra vez. escorregou das coxas musculosas e prosseguiu sua exploração. Devagar. libertando-lhe a masculinidade. soltou-lhe as mãos. Bella. – Dispa-se – sugeriu ele com voz sedutora. Os dedos longos lhe roçavam as costas. o som inconfundível do aparelho contra a parede. e reapareceria depois. Isabella estremeceu diante do tom autoritário. Isabella tentou suprimir um sorriso. Uma torrente de palavras em grego escapou pela boca de Theron. em seguida. – Gosta dela? – murmurou. Isabella inclinou a cabeça. – Vire-se de bruços. Ignorando o olhar de desaprovação de Theron. Todo o corpo de Theron enrijeceu e se contraiu quando ela lhe acariciou a ereção igualmente rígida. encarando-a. – Theos. e manteve as mãos acima da cabeça. confusa.os negócios. inclinou-se para a frente e pressionou os lábios no tórax musculoso. Não no que se relacionava a Theron. Quando concluiu a tarefa. teria de lhe dar o crédito de ser um homem controlado e duro na queda. juntou-lhe os punhos acima da cabeça. ela girou até que o abdome ficasse pressionado no colchão. – Faça o que estou mandando. Isabella lhe daria mais dois minutos no máximo. pethi mou. livrando-a de cada peça de roupa. Isabella arqueou uma das sobrancelhas. – Esta tatuagem tem me deixado enlouquecido desde o primeiro dia em que você entrou em meu . Sentiu a respiração pesada e a resposta estrangulada que Theron deu a quem quer que estivesse do outro lado da linha. Isabella o encarou. Isabella soltou uma risada. Quando seus lábios o tocaram. espalmando as mãos sobre seus ombros. atirando-a sobre a cama.

atingiram o clímax juntos. Theron – sussurrou. ele rolou para o lado e a puxou para o círculo seguro de seus braços. ele ergueu a cabeça para encará-la. sentindo os dedos longos lhe acariciarem o ombro. Theron parecia desconfortável em seu esforço para encontrar a resposta adequada. – Onde apenas eu possa apreciá-lo. Podemos obter experiência sem participação. doces e quentes. em seguida. desejava mais. – Aqui – murmurou. não. provocante. depositou um beijo sobre sua espinha. Você é o único homem com quem fiz amor. – Não me provoque. Theron lhe dirigiu um olhar que deixava claro sua reprovação àquela provocação. brusco. Quando sentiu o peso do corpo de Theron relaxar contra o seu. Após um instante. animada. – Afastando-lhe as coxas. quando ela se aconchegou sob o arco do braço musculoso. – E onde sugere que eu tatue esse demônio? Os lábios sensuais se curvaram em um meio-sorriso. – Diga-me que você não é um desses homens que igualam a presença de um hímen à total ignorância da mulher em relação ao sexo. – De fato. Isabella ergueu o tronco. – Não há nada o impedindo de fazê-lo – retrucou Isabella. – Por completo. E de repente se encontrava dentro dela. preenchendo-a totalmente. Isabella sorriu. Dessa vez. deixou escapar um suspiro de contentamento. e sim de um demônio tatuado em você.escritório – resmungou ele. Theron a marcava a fogo com uma trilha úmida em torno da tatuagem e. – Não deveria ter o desenho de uma fada. sustentando-o sobre um dos cotovelos para encará-lo. Os lábios de Theron encontraram os de Bella. Queria tudo que ele tivesse a lhe oferecer. segurando-o firme enquanto ele investia dentro dela repetidas vezes. – Nunca disse que era inexperiente – retrucou Isabella em tom de voz leve. pare com este ataque de testosterona. antes de ele inclinar a cabeça e lhe depositar um beijo sobre os cachos na junção das coxas sedosas. – Acho que pensei que não seria provável que uma pessoa inexperiente pudesse ser tão… – Boa? – perguntou ela. ele a cobriu com o corpo. Isabella exibiu outro sorriso e rolou para deparar com o olhar ardente de Theron. – Eu lhe ensinarei tudo que precisa saber. – Onde aprendeu tanta ousadia. Isabella se sobressaltou e fechou os olhos quando sentiu a língua quente fazer contato com sua pele. Bella. – O que quis dizer com isto? – Você era virgem e ainda assim me seduziu como alguém com vasta experiência. – O que quer dizer com isto? Com quem teve experiência? Isabella espalmou a mão sobre o peito largo. em uma explosão que reverberou no âmago de Isabella. . e ainda assim. Ela sorveu tudo que podia daquele homem. Tenso. – Tive ímpetos de atirá-la ao chão e traçar o contorno deste desenho com a língua. sabia? – Desde que nunca decida participar com outro homem – disse ele. Isabella deixou escapar uma risada. – Ora. – Eu o desejo tanto… – Então se apodere de mim. Isabella enroscou os braços e as pernas em torno dele. Bella mou? – perguntou Theron.

Bella mou. então.– E talvez. fique à vontade para me ensinar. haverá coisas que eu possa lhe ensinar também. como discutimos antes. . – É mesmo? Está bem. Theron a puxou contra si. fazendo-a colidir com um baque suave e os lábios a milímetros dos dele. Descobrirá que sou um aluno aplicado.

– Então você gosta dela? – quis saber Isabella. – Muito. Ele sempre pareceu tão… frio. Ela já conseguia avistar as luzes minúsculas no solo. – Não tem nada a temer – afirmou Theron. com certa impaciência. – A qual está se referindo. Chrysander é um homem de sorte por tê-la. Suavizou-o na medida certa. é muito sagaz. – E Marley? – Isabella questionou à media que o jato particular iniciava a rota descendente. – Você não é muito coerente quando acaba de acordar.Capítulo 16 THERON o braço e prendeu o cinto de segurança de Isabella. pethi mou? – Piers – respondeu ela. Marley é boa para o meu irmão. – Quanto à sua pergunta. e não conversamos – disse ela. Neste momento. – Aterrissaremos em breve – informou ele. Piers é… bem. Isabella conseguiu exibir um sorriso tenso. agora que Chrysander se estabeleceu na ilha. e a recíproca será verdadeira. – Isso parece… ótimo. – Embora faça tanto tempo que não vejo Chrysander que será como vê-lo pela primeira vez também. mudando de posição no assento. Theron sorriu. – Theron deu de ombros. pegaremos um helicóptero para a ilha. Isabella bocejou e anuiu. Acho que terei de pensar em um modo de manter essa sua boca ocupada. – Depois. – Eles passaram por muitas coisas juntos. sem rodeios. Tem aversão a um envolvimento maior que a duração de um caso passageiro com qualquer mulher. O que realmente gostaria de perguntar era se a família ESTICOU . tranquilizando-a. – Como Marley é? Admito que é difícil imaginar uma mulher capaz de subjugar Chrysander com tanta facilidade. Theron anuiu. – Não foi fácil. – Aquele que eu disse que não conheço. Bella mou. – Sua mãe o maltratava? – perguntou Isabella. – É casado ou comprometido? Theron soltou uma risada. – É o que mais viaja de todos nós. onde vem supervisionando a construção de nosso novo hotel. Theron negou com a cabeça. Eu o vi apenas uma vez. – Gostará deles. – Você. – Estou ansiosa para conhecer Piers oficialmente. – Isso não é para Piers. é Piers. – A expressão de Theron se fechou. Como ele é? Theron ergueu uma das sobrancelhas. tentando afastar a névoa do sono que lhe embotava a mente. está voltando do Rio de Janeiro. Isabella bocejou outra vez e franziu a testa. que ergueu um olhar questionador e sonolento.

– Isabella. Uma mulher pequena. certo? – Ela sorriu quando ele se acomodou ao seu lado. o helicóptero baixou no bem iluminado heliporto. na direção dos jardins iluminados que levavam à casa. na direção do helicóptero que os aguardava. Instantes depois. e os dois entraram. Chrysander soltou uma risada abafada e gesticulou para que os dois passassem. Theron segurou o braço de Isabella. e Theron se limitou a anuir com um gesto de cabeça. Em seguida. você poderia observar a beleza da ilha à luz do dia – disse Theron. mas teriam esperado que Theron se casasse com Alannis por razões financeiras? A mão longa encontrou a dela. Dessa forma. – Em seguida. – Desculpe. enquanto a envolvia em um abraço. Theron apontou para um clarão a distância. Está ansiosa por conhecer Isabella. e Isabella mal podia esperar até vê-la em plena luz do dia. Chrysander a encarou com óbvia surpresa e deixou escapar uma risada. de cabelo escuro e com um cobertor envolvendo algo nos braços. esticou o braço e a ajudou a saltar. – Por que não para de procurar o que dizer e nos deixa entrar? – perguntou Theron. – Como estão minha irmã favorita e meu sobrinho? – Sou sua única irmã – lembrou ela. E a praia… Podia sentir o cheiro do sal no ar e as ondas estourando a distância. até mesmo desde sua formatura – disse ele. A viagem através da escuridão da noite era um pouco desconcertante. O que achariam de ele estar se casando com outra mulher? Não sabia qual era o pensamento deles. – Se tivesse pensado melhor. em um abraço. junto com o bebê. Alguns minutos depois. com semblante severo. ele a ergueu. Mesmo de longe. Isabella permaneceu de bom grado com os dedos entrelaçados nos dele durante todo o tempo em que o avião particular taxiava na pista.de Theron não teria gostado mais de Alannis. Com a mão pressionada às costas de Isabella para mantê-la inclinada. – Theron! – exclamou ela e se encaminhou na direção dos dois. como você cresceu. Está longe disso. Com um sorriso largo. em grego. e Theron a guiava. enquanto subiam a bordo. se encontrava parada próxima ao sofá. e o piloto gesticulou para Theron quando o desembarque poderia ser feito em segurança. Theron abriu a porta do helicóptero e saiu com o corpo inclinado para a frente. enquanto se aproximavam da fonte de luz. – Verei quando voltarmos. o homem que recolhia as bagagens do helicóptero. Isabella o reconheceu: Chrysander. Chrysander passou pelos dois para orientar. . mas em seguida. Ele sorriu e a fez relaxar a ponto de retribuir o sorriso. – Obrigada por me fazer parecer uma adolescente que acabou de aposentar o aparelho dentário e os primeiros sutiãs – brincou ela. como Theron sem dúvida descobriu. desembarcavam. pouco antes de o jato tocar o solo. apressado. quando interromperam o abraço. Isabella não pôde evitar o rubor que se espalhou por seu rosto. mas queria ver de perto e enterrar os pés na areia. – Marley os aguarda na sala. Isabella se inclinou sobre o corpo de Theron. Quando se aproximaram da entrada. ele a afastou correndo pela área de pouso de concreto. O ruído dos motores se avolumou impedindo qualquer conversação. teria providenciado para que pernoitássemos no continente. – Antes que ambos digamos algo que o deixará constrangido. um homem surgiu à porta da frente. A casa era absolutamente deslumbrante.

– Piers já chegou? – Theron franziu a testa. Isabella. inclinando a cabeça para o lado. – Uma delas. e depois quero que descanse. Ela se apressou em baixar os cílios. Isabella é espirituosa. como dissera. – É linda sob a luz da lua. quase negros. Não queria que mais ninguém soubesse que tramara para entrar vida de Theron. Theron. Era de longe o mais alto dos três irmãos. – Quer fazer uma caminhada na praia? – perguntou Marley. Chrysander se posicionou ao lado da mulher. envolvendo-lhe os ombros com um braço. Marley sorriu. – Aí está você. revirou os olhos e. os olhos azuis faiscando de afeto. Naquele momento. Vá comer. mas. Era exatamente aquilo que desejava. Marley captou o olhar de Isabella. e a conversa tomou o rumo dos negócios. – Foi trocar de roupa quando ouviu o helicóptero chegando. – E esta deve ser sua futura esposa. gesticulou para que ela a seguisse ao deixar a mesa. – Vamos para a sala de jantar – convidou Marley. O tom da pele também era mais escuro. O olhar de uma mulher que sabia ser amada. sonhadora. – Ele voltou o olhar a Isabella. olhando ao redor. O jantar transcorreu em meio à conversação casual. seguindo os diálogos com o olhar enquanto comia. As sobrancelhas de Piers se arquearam diante da aspereza da resposta. como se passasse muito tempo ao sol. recusando-se a se esquivar da inevitável estranheza daquela situação. Era ruim o suficiente saber que a mulher de Chrysander estava ciente dos motivos por trás de seu noivado. – Por favor. Desesperadamente. parecia resignado com sua espontaneidade. – Cólica – esclareceu ela. e já faz um . Os olhos eram escuros. E posso dizer o mesmo. – Estará aqui dentro de alguns minutos – informou Marley. girando na direção dela. porém tinha os ombros mais largos que os de Theron. O coração de Isabella se derreteu ao detectar o amor nos olhos de Chrysander. – Marley suspirou. e lhe dirigiu o que Isabella suspeitava ser o máximo que ele conseguia se aproximar de um sorriso.– Marley. Chrysander roçou os lábios na testa da esposa. agape mou. – Quase não dormimos por causa dele nas últimas duas semanas. A expressão de seu rosto era suave quando dirigiu o olhar a Theron. Marley fazia perguntas genéricas a Isabella. chame-me de Bella. Ficarei com ele até que se acalme. Por mais de uma vez. Foi um alívio quando Chrysander voltou a se juntar a eles. enquanto os outros irmãos tinham olhos castanho-dourados. esperando não ter se traído naquele momento. cansada. – Gostei dela. Piers permaneceu calado. com você e Isabella. – Não se preocupe. quero que conheça Isabella. eu diria – disse Isabella. um pouco mais magro que Chrysander. com uma careta. – Fico muito feliz em conhecê-la. Esforçou-se para não suspirar. com a alma refletida no olhar. Isabella o surpreendeu a observando como se estivesse dissecando as camadas de sua pele. Theron não parecia incomodado com o comentário que ela fizera. um homem de cabelo escuro adentrou a sala. em seguida. entregando o bebê para Chrysander. – Quer que eu o coloque para dormir para que possamos comer? – Como se ele fosse dormir. Até mesmo Piers deixou a reserva de lado e entrou na roda de discussões. como se a estudasse. E então Marley fitou Isabella. minha noiva – disse ele. Espero que possam dormir com o barulho. Deixamos para jantar mais tarde. Os homens nem sequer notaram quando as duas saíram à francesa. quando Marley sorriu para o marido. como seus gostos e interesses.

– Não entendo. O céu estava claro e salpicado de estrelas. Seria mais fácil se Theron fingisse desejar se casar com ela. – Venha. Erguendo-os até os lábios. Deve estar cansada da longa viagem. era quase como se sentisse algo além do desejo sexual. Theron lhe pressionou um beijo nas juntas. Isabella sorriu. Seria possível? Seria ele capaz de amá-la? Isabella permitiu que ele a guiasse de volta pelo caminho de pedra. Agora. instando Isabella a fazer o mesmo. – Minha esposa sempre se refugia nesta praia. estamos.tempo que Dimitri só dorme lá pelas duas horas da manhã. Por que não podemos dividir o mesmo quarto? Estamos noivos. E pela primeira vez desde que chegara à ilha. enquanto ele erguia o olhar para encará-la com expressão indecifrável. E como tal. quando transpuseram a porta de entrada. – Oh! É maravilhoso… – Isabella ofegou quando se aproximaram da água. me impossibilitando qualquer passeio noturno. Marley estacou e retirou os sapatos. Marley sorriu quando Isabella passou por ela na direção de Theron. – Os dois têm uma história e tanto. eu lhe devo o respeito de não anunciar para meu irmão e a esposa nosso relacionamento sexual. . Ele estendeu a mão quando a viu se aproximar. As duas transpuseram as portas de correr. – Este é meu lugar favorito no mundo – revelou Marley com voz suave. – Acho que seria melhor permanecermos em quartos separados. – Sim. A mágoa e a humilhação a atingiram direto no peito. Bella – chamou Theron. confusa. – Adoraria. porém. – Acho que nunca vi nada tão lindo. observando-as. Já basta ele saber que tirei sua inocência. mas não quero atrair mais atenção desnecessária para você. e Isabella entrelaçou os dedos nos dele. amando o contato formigante da água em seus pés. – Há determinadas partes de minha anatomia que podem fazer o papel de um bom travesseiro. Theron a puxou para os braços. com as mãos enfiadas nos bolsos. – Vamos deixar os dois pombinhos a sós. A lua alta cintilava e refletia um brilho prateado sobre a superfície do mar. Theron anuiu. achei tudo lindo. como se fosse meu pequeno pedaço do paraíso. Pelo pouco que enxerguei. – É incrível. Em seguida pisou na espuma que se formou. ela conseguiu relaxar. Isabella girou para deparar com Theron e o irmão parados. Isabella soltou uma risada suave e escorregou uma das mãos pelo braço forte. Os lábios sensuais se comprimiram por um instante. Qualquer hora lhe contarei. Mal posso esperar para ver tudo à luz do dia. – Eu lhe disse que a encontraríamos aqui – afirmou Chrysander. Isabella caminhou até a beirada da areia molhada e esperou que outra onda avançasse. tudo que desejo é uma cama e um travesseiro macio. pethi mou. – Eles parecem tão apaixonados – comentou ela. desviando o rosto. divertido. E talvez Theron sentisse. Os sons do oceano aumentavam à medida que o caminho levava à areia. na direção da casa. Isabella recuou a mão. e Marley a guiou pelo caminho de pedra.

– Vou subir para o meu quarto. – Sou eu que devo me sentir envergonhado por isso. Isabella sorriu. Um sorriso hesitante e trêmulo. – Presumo que minha bagagem esteja lá. Eu sei. determinada a não expressar nenhuma emoção. – Bella… – chamou Theron quando ela começou a subir os degraus. voltou-se e subiu a escada à procura de seus aposentos. ela o encarou com coragem. Não você. Então Chrysander e. . consequentemente. Posso encontrar o caminho. Marley sabiam que Theron só estava se casando com ela por seu senso de honradez ultrapassado. Em seguida. Theron. então – disse ela. Isabella fechou os olhos e virou o rosto para o lado. com serenidade. Girando. – Não fiz isto para magoá-la. surpreso. – Eu sei. mas ainda assim ela conseguiu esboçá-lo.– Ele sabe? Você contou para Chrysander? Theron pestanejou várias vezes.

Estariam discutindo o casamento? Deu outro passo à frente. Ao que parecia. deixando que as ondas lhe fustigassem os pés. com as mãos entrelaçadas na nuca. Um olhar ao relógio sobre o criado-mudo revelou que fazia horas que se encontrava deitada. Vozes soavam a uma curta distância. poderia caminhar pela praia e ver o nascer do sol. tomou o caminho de pedra que levava à areia. Isabella caminhou pela praia. e agora amargava a insônia. Soavam… resignadas. onde se agachou logo abaixo do ponto em que . como Chrysander definira com humor. Era o assento de Marley. imersa na escuridão. Quando cruzava o caminho acidentado naquela direção ouviu seu nome ser mencionado. em seguida. abrira a janela. Muito agitada. Sem se dar o trabalho de calçar as sandálias. Sentou-se desajeitada na madeira envelhecida e observou a beleza do cenário que se descortinava à sua frente. Podia ouvir sua risada. lambendo suavemente a areia e deixando um rastro de espuma em seu encalço. Uma onda de excitamento a invadiu.Capítulo 17 ISABELLA CRAVOU o olhar no teto. A certa distância da casa. mas hesitou ao ouvir as palavras que Theron disse a seguir. O astro rei. O horizonte adotava uma tonalidade lavanda pálida. jogou as cobertas para o lado e atirou as pernas pela lateral da cama. deleitando-se com o amanhecer. Com um suspiro resignado. Nunca experimentara nada como aquilo. Se não fizesse barulho. De nada adiantaria perseguir o sono. O mar estava calmo. Dormira durante a maior parte do voo. sem conseguir conciliar o sono. e os sons do mar a embalavam. esgueirou-se para fora do quarto e cruzou a escuridão do corredor a caminho da escada. Fechou os olhos por um breve instante e deixou que a brisa lhe soprasse o cabelo do rosto. Saiu para o pátio e inspirou o ar salgado e ameno. O que estava dizendo? Olhou rápido por sobre a cerca que se estendia pelo caminho que levava ao muro de contenção que circundava o pátio. e um sorriso lhe curvou os lábios. O ar que penetrava pela janela era ameno. Isabella apurou os ouvidos para escutar a conversa e. Marley e Chrysander também. avistou um enorme tronco de madeira. portanto vestiu um short e uma camiseta. Sem saber dizer por quanto tempo se detivera ali. Antes de se deitar. ergueu-se e começou a perfazer o caminho em direção à casa. Saltou a cerca e correu na direção do muro de contenção. Theron estava acordado. A casa se encontrava silenciosa. O céu começava a exibir os matizes do amanhecer na direção leste. Em seguida. tomou uma decisão. Os pés estavam cobertos de areia. um diamante contra o veludo ainda escurecido do céu. enquanto Isabella se encaminhava na direção da sala de estar. coberta por frondosa vegetação. Havia uma treliça de madeira que garantia a privacidade daquela área. enquanto o mundo ia se tornando dourado ao seu redor. Estava muito ferida. e Isabella estacou à entrada para o caminho de pedra que cruzava o jardim para limpá-los.

Seu único consolo era que Theron fazia parecer que ela não fizera aquilo de propósito. Aquela era a dura verdade. Amar alguém não deveria ser tão destrutivo ou ferir tantas pessoas. – Isso me faz lembrar aquela máxima que diz que aqueles que escutam a conversa alheia raramente ouvem elogios à sua pessoa – disse Piers. Incapaz de suportar a dor causada por aquelas palavras. Em seguida. com lágrimas rolando pelo rosto. Todos sabem. ele ainda se culpava pelo que acontecera. virou-se para que as costas ficassem pressionadas contra as pedras do muro e se deixou escorregar até se sentar com os joelhos comprimidos contra o peito. não ouvem. contornando a casa na direção da entrada dos fundos. cambaleando pela suave inclinação. – E quanto a você. O irmão mais novo de Theron a segurou pelos braços e a equilibrou. Queria fechar os ouvidos. – Tem razão – concordou Isabella com um fio de voz. – Não conte a ele que ouvi essa conversa. Ouvir o modo provocante e explícito com que ela flertara com ele pela boca de outra pessoa fazia aquilo parecer grosseiro e menos intenso do que fora. certificando-se de passar despercebida ao subir os degraus da escada. Quando entrou no próprio quarto. ele vira arruinada a chance de ser feliz. sequestrando-lhe a respiração… e as esperanças. Ele não a queria. Estacou à porta e observou o heliporto por um longo instante. como um golpe certeiro no abdome. incapaz de aceitar o fato de não poder ter o que mais desejava? E. Theron não a amava.ficava a mesa do desjejum onde eles estavam reunidos. Isabella fez uma longa e dura introspecção e não gostou do que viu. e ela fizera tudo aquilo que ele revelava. como se não tivesse planejado seduzi-lo. Não poderia. – Eu queria… ter o que você e Marley encontraram – admitiu Theron para o irmão. soube o que tinha de fazer para deixar Theron livre. Isabella descansou a cabeça sobre os braços. E por sua causa. Enquanto escutava Theron contar em voz baixa toda a história ao irmão e a Marley. quase colidindo com Piers. E então se seguiu a declaração que a atingiu em cheio. observando-a com olhar perspicaz. Isabella se ergueu de um salto. . Porque amava Alannis. Não. Seu egoísmo e a forma inconsequente com que perseguia seus objetivos e desejos o privaram da felicidade. uma vida ao lado de uma mulher de quem gostasse. O casamento com Alannis. de angústia e percepção. Entrou. em um momento de repentina clareza. mas não conseguia. Ela escutou Theron relatar sua confusão entre o desejo que sentia por ela e a vontade de tornar Alannis sua esposa. Não passaria ela de uma menina rica e mimada. Estava com tudo planejado. e despencou no caminho mais curto que circundava os jardins. Isso tudo voou pela janela com uma rapidez que me deixou zonzo. uma vida estável. fechou a porta e se recostou com um baque contra a madeira maciça. num sussurro. Você já sabe de tudo. Não queria nem pensar na dor e no desapontamento que a outra mulher havia suportado. E sim a Alannis. – Ao que parece. Isabella lhe dirigiu um olhar suplicante. Algo que poderia ser interpretado como compaixão suavizou a expressão severa de Piers. – Uma mulher e filhos… uma família. soltou-se das mãos que a seguravam e correu pelo jardim. Não há razão para fazer com que Theron se sinta ainda pior. – E quanto a você? – quis saber ele. Bella? – Acho que tenho muito o que consertar – respondeu ela.

enfim encontrando coragem para encará-lo. Piers franziu a testa. passou direto. Agora lhe restava pouco tempo para a conversa que teria com Theron. Theron a seguiu até o mar. que. Theron não lhe pertence. Aquele único pensamento ecoava e fervilhava em sua mente. Como se seu coração não estivesse partido. . mas Isabella o evitou.O que Theron lhe dissera? Que fora infiel? Era ele que estava suportando o fardo de suas ações. Isabella evitou a mão que ele lhe estendeu. seria ela a fazer a coisa certa. Mas dessa vez. O mais importante era não deixar que Theron soubesse que ela havia escutado aquela conversa. Quando Isabella estacou. Aquilo o faria amargar um enorme sentimento de culpa. Provavelmente Chrysander tinha internet em seu escritório. Por um instante. Não importava que aqueles planos houvessem sido feitos para se aproximar de Theron e abandonados quando soube que ele se estabeleceria em Nova York. dirigindo-lhe um olhar inquisitivo. determinada a se recompor. enquanto se erguia. entregou-se ao pranto. precisava falar com Theron. Em seguida. uma lista telefônica ou algo parecido… E depois. O belo tom de azul brilhante que se estendia na direção da linha do horizonte a atormentava. Em vez disso. as mãos fortes se fecharam sobre seus ombros. se encaminhou à bagagem que se encontrava no quarto e pegou sua bolsa. Bella mou? – perguntou ele com aquele timbre grave. Criaturas que nunca viam a luz. perscrutadores e penetrantes. os olhos a procurando com frequência. deviam existir coisas horripilantes. Mesmo se sentindo despedaçada por dentro. – Poderíamos conversar? Em particular – acrescentou. porque conseguira sorrir e até mesmo soltar risadas. em um país do qual desconhecia o idioma. – Claro. – O que há de errado. Limpando as lágrimas com o dorso de uma das mãos. Isabella girou no círculo dos braços musculosos. não conseguiu acalmá-la. Sophia lhe entregara um cartão de visitas com seu endereço e telefone quando a convidara a visitá-la na Grécia. Tinha de descobrir uma forma de consertar aquela confusão. antes que o helicóptero chegasse para buscá-la. Piers a observara. que nunca maculavam a superfície impecável que refletia a luz do sol. pedindo desculpas com olhar para os demais. Baixando a cabeça. além de responder quando a palavra lhe era dirigida. Isabella não conseguiu conter um suspiro de alívio. dessa vez. erguendo-se da mesa. Sob aquela superfície. Insistira para fazer a coisa certa… de acordo com seus conceitos. com os pés imersos na areia. mas em seguida voltou a erguer a cabeça. Ao contrário. o quanto lhe despedaçasse o coração. seguindo para o caminho de pedra. A pior parte seria fingir que não ouvira uma palavra do que ele dissera. precisava encontrar um serviço de helicópteros. Quando a culpa era toda dela. permitiu que as lágrimas lhe escorressem pelo rosto e caíssem no piso. se decidisse retomar seus planos de viajar para a Europa. enquanto Marley lavava os pratos. de preferência que não constasse da folha de pagamento de Chrysander. ISABELLA VERIFICOU as horas no relógio de pulso. parecia zombar dela com sua serenidade enganosa. após um almoço frugal servido no pátio. Isabella sabia que aquela era a verdade. Quando a refeição foi concluída. Por que não caminhamos na praia? – sugeriu Theron. – Pareceu triste durante todo o dia. pethi mou. – Theron – disse ela. Teria de sorrir e agir como se não houvesse nada de errado. não importava o quanto doesse. Merecia um Oscar por sua atuação. Tarefa nada fácil ali naquela ilha. A desonra.

Nunca amor. – Sabia que pretendia pedir Alannis em casamento. Sabia que você não me amava. portanto. – Isabella inspirou profundamente para se recompor. mas Isabella parecia tão atordoada que ele tornou a fechá-los. meu amor crescia. Os lábios de Theron se comprimiram até formarem uma linha fina. – Sabe. sem nunca nos dar uma chance. E sinto muito. mas cada vez que o via. com as mãos enfiadas nos bolsos da calça. A expressão de Theron se tornou séria. No dia seguinte. Planejei acabar com sua festa de noivado. disse-me que tínhamos de nos casar. E então Theron se virou para encará-la. Ele me seguiu até o hotel debaixo de chuva quando saí correndo a pé pelas ruas da cidade para tentar impedi-lo de pedir Alannis em casamento. apesar do calor do sol contra sua pele.– Há algumas coisas que preciso lhe dizer. – Você não me ama – prosseguiu ela em um tom de voz surpreendentemente firme. não diga nada. erguendo uma das mãos. em seguida. e ele desviou o rosto para o oceano. Deixei que dissesse todas aquelas coisas. mas não amor. Theron permaneceu imóvel. esmagando-lhe as esperanças. mas as deixara escapar como uma súplica das profundezes de sua alma. fizemos amor em minha suíte. – Por favor. Isabella sustentou o olhar de Theron. Eu estava determinada a tentar seduzi-lo para afastá-lo dela. Essa foi a razão pela qual Marcus estava em meu quarto. Movendose com rapidez. Hesitante. Estraguei tudo entre você e Alannis. Seguiu-se um silêncio pesado entre os dois. optando por alugar um apartamento que nem mesmo queria. Pensei que fosse apenas uma empolgação passageira. antes que ele pudesse esboçar reação. – A única razão que me levou a planejar minha viagem a Londres neste verão foi pensar que você se encontrava lá. Boquiaberto. que planejava construir sua vida ao lado de outra mulher. raiva. mudei meus planos. mas estava determinada a ter uma chance de fazê-lo me amar. – Mas eu estava errada. Confusão. mas cheguei atrasada. porque no final eu conseguiria o que mais desejava: você. e inventei uma série de outras razões que me possibilitassem ficar em contato com você. Há muito a dizer. os soluços silenciosos lhe sacudindo os ombros. – Pensei que o havia perdido. Deixe-me concluir. concordei. Havia uma miríade de emoções refletidas naqueles olhos dourados. eu o amei desde minha infância. Theron lhe dirigiu um olhar confuso. Theron anuiu com um gesto de cabeça. . – Quando cheguei a Nova York e soube que você havia se estabelecido lá. e eu sabia que se sentia culpado por achar que havia me desonrado. Isabella pretendia que as palavras soassem como uma pergunta. Apenas o brilho nos olhos castanho-dourados revelava o que ele devia estar pensando. – Isabella esfregou as mãos nos próprios braços. e não serei capaz de lhe contar tudo se começar a fazer perguntas. Não poderia viver minha vida afastada do meu próprio sonho. girando outra vez para ficar de frente para ele. No entanto ela o silenciou rapidamente. – De que se trata? Isabella se soltou e deu um passo adiante. Theron respirou fundo e entreabriu os lábios outra vez. mesmo com as lágrimas lhe escorrendo pelo rosto. até que soube que tinha de tentar. mas depois você apareceu no clube de striptease e. Isabella se inclinou para a frente e lhe depositou um beijo no rosto. – Eu o persegui incansavelmente.

saiu correndo para esperar por seu voo. com um último olhar à casa. e o colocou na palma da mão de Theron. – Bella! Bella! – gritou Theron às suas costas. A bagagem se encontrava onde ela a deixara. Isabella a recolheu e. saiu correndo de volta para a casa. Engolindo em seco um soluço que emergiu de sua garganta. na direção do heliporto. Logo o helicóptero viria buscá-la. Mas ela passou correndo por Chrysander no início do caminho de pedra. – Isabella! – gritou ele também. à soleira da porta que dava para os fundos da casa além da piscina. . Sem dizer mais nada. Retirou o anel do dedo. ela entrou na casa. ignorando as mãos que ele esticou para ampará-la.– Espero que um dia possa me perdoar.

desde o dia em que Isabella adentrara seu escritório. – Ergueu o olhar para o irmão. que corria na direção da casa. Chrysander permaneceu em silêncio por um instante. – Então.Capítulo 18 THERON OLHOU para o anel que se encontrava na palma de sua mão e em seguida para Isabella. Deveria estar no dedo de Isabella. Dessa vez. – Furioso? . Não conseguia entender tudo que ela acabara de admitir. Chrysander sorriu. – Algum problema? – Eu diria que sim – murmurou Theron. ainda tentando digerir tudo que ela lhe dissera. Foi ela quem me seduziu. as compras. – Afirmou que a única razão que a levou a planejar uma viagem à Inglaterra foi pensar que eu ainda vivia naquela cidade. Viu Chrysander se aproximar. Tudo parecia claro. Parecia tão implausível. – Isabella parece uma jovem determinada. Chrysander arqueou as sobrancelhas. a procura pelo apartamento. – Disse o motivo? Até mesmo um idiota com metade do cérebro perceberia que Isabella é louca por você. – Ela me devolveu o anel de noivado. – Importa-se de me contar? Theron abriu a mão para ver o anel ainda pousado em sua palma. e não o fitando com lágrimas lhe escorrendo pelo rosto. antes de balançá-la em um gesto negativo. – Isabella parecia muito aborrecida – disse Chrysander. Theron inclinou a cabeça para o lado. descendo o caminho de pedra em sua direção. – E que só foi para Nova York porque eu estava lá. Aquilo lhe parecia muito errado. está furioso? – perguntou por fim. Nem ao menos sei o que fazer com toda essa informação. – Ela disse que me ama desde criança – revelou Theron arrastando as palavras. A provocação ousada. – Isso não é tudo. O irmão estacou diante dele. – E eu tenho de escutar uma coisa dessas! Theron contou resumidamente toda a história a Chrysander. Teria ela o amado por tanto tempo? Aquilo lhe parecia impossível. Ela deveria estar radiante de felicidade. Theron cerrou o punho em torno da joia. agora de posse da informação do que ela planejava. surpreso. Theron lhe dirigiu um olhar estranho. Chrysander não conteve uma risada. – Ela acabou de me contar a história mais estapafúrdia do mundo. Theron anuiu.

Os dois saíram correndo pelo caminho. tentando alcançála a tempo. Theron girou para se deparar com a expressão confusa do irmão. o caminho mais curto até o heliporto. impotente. – Tola. Observou. disparando naquela direção. quando a perfeição estava diante de mim o tempo todo. escoltada por Piers. viram o helicóptero aterrissar. distinguiu o ruído inconfundível de um helicóptero se aproximando. Ela poderia ter qualquer homem que desejasse. Mesmo antes de terem visão plena daquela área. Chrysander. e Theron disparou na frente dele. – Por que está me dizendo tudo isto? Ao que parece. que se abria. Mas quando viraram a curva e Theron avistou Isabella parada diante da porta do helicóptero. – Tenho de descobrir para onde ela foi.– Você queria se casar com Alannis. – Está ouvindo isto? – perguntou Chrysander. Foi uma opção minha. – O suficiente para deixá-lo de joelhos. – Theron retornava à casa. – Você chamou o helicóptero? Chrysander negou com a cabeça. Theron franziu a testa e fechou os dedos em torno do anel. com Theron logo atrás. – Isabella não me impediu. enquanto Theron se encontrava paralisado. quando Piers partisse. – Eu a amo – sussurrou Theron. – Durante todo esse tempo. Chrysander gesticulou. frenético. Não poderia ouvi-lo acima do ruído das hélices. estive focado no desejo de ter uma esposa e filhos. A distância. Elas são capazes de nos fazer perder a cabeça. Chrysander xingou. – Muito bem. em me casar e formar uma família perfeita. ganhando altura e se dirigindo ao continente. como está se sentindo? – Lisonjeado? Perplexo? Completa e definitivamente confuso? Chrysander sorriu. com Chrysander em seu encalço. que lhe envolvia os ombros . Theron apurou os ouvidos. Marley surgiu à porta dos fundos. quando chegou à margem de concreto da pista. sentiu o sangue congelar nas veias. Absoluta e completamente. Mais adiante. – Não se trata de um dos nossos – afirmou Chrysander. E Isabella o impediu. Chrysander sorriu. austero. Mas ela me quer. Theron fez um movimento negativo com a cabeça. Mas ela nem ao menos se voltou. para o piloto. Consegue me enlouquecer. em seguida. Isabella ilumina qualquer ambiente em que esteja. Não pedi Alannis em casamento. – Isabella! – gritou ele. tem uma jovem transtornada que parece determinada a fazer o que julga ser melhor para você. ela é maravilhosa. cabeça-dura… – Theron seguiu pisando duro pelo caminho de pedra. quando Chrysander estacou. virando à esquerda para contornar os jardins. certo? Nada como encontrar o amor de uma boa mulher. e Isabella não estava presente no momento em que tomei essa decisão. – Acho que isso define bem seu estado. a aeronave se ergueu no ar. – O próximo chegaria amanhã. quer isso o agrade ou não. A preocupação do irmão o contaminou. Encontrava-se no meio do trajeto até a residência. – Meu Deus. as portas se fecharem e.

com um braço protetor.
– O que está havendo? – indagou o irmão caçula.
Theron passou por ele e Marley, enquanto Chrysander ficou para trás. Em seguida, subiu a escada
correndo na direção do quarto de Isabella, apenas para descobrir que a bagagem que ela trouxera não
se encontrava mais lá. Não havia nenhum bilhete, nenhuma pista de seu destino.
Ele correu de volta para o andar térreo e se juntou aos outros na sala de estar. Chrysander, ao
telefone, tentava descobrir o serviço de helicópteros que ela utilizara e encontrar um jeito de detê-la
assim que aterrissasse.
Piers se aproximou de Theron com expressão fechada.
– Há algo que deve saber.
Theron lhe dirigiu um olhar questionador.
– O que é?
– Esta manhã, Isabella estava na praia, bem cedo. Eu a encontrei do outro lado do pátio,
visivelmente perturbada com algo que escutou durante a conversa que você teve com Chrysander e
Marley. Suplicou para que eu não lhe dissesse nada. Alegou que não queria que você se sentisse
ainda pior.
Theron fechou os olhos; recordava-se de ter detalhado todos os seus desejos. Quando o que de fato
desejava estivera bem diante de seu nariz o tempo todo.
– Sou um completo idiota – resmungou ele.
– Quanto a isso não há argumentos. – Piers esboçou um sorriso oblíquo. – A pergunta é: o que fará
para tê-la de volta?
ISABELLA NÃO levara em consideração as repercussões de pousar em um helicóptero em uma
propriedade que parecia pertencer a uma família grega extremamente rica. Tão logo a aeronave tocou
o solo, foram cercados por uma dúzia de seguranças. Todos armados.
Talvez aquela não tivesse sido uma das suas melhores ideias.
A porta se escancarou, e Isabella se viu diante da expressão severa de um dos homens armados.
Ele rosnou algo em grego, o que a fez encará-lo com expressão confusa.
– Não falo grego – disse ela.
– O que você quer? O que a trouxe aqui? – perguntou o homem com um forte sotaque inglês.
Isabella respirou fundo e tentou ignorar o cano do revólver que se encontrava próximo ao seu
nariz.
– Estou aqui para ver Alannis Gianopolous. É um assunto importante.
– Seu nome – exigiu o segurança.
– Isabella Caplan.
O homem ergueu um pequeno fio e derramou uma torrente de palavras gregas no que ela presumiu
ser um microfone. Instantes depois, baixou o revólver e deu um passo atrás.
– Por aqui, por favor, srta. Caplan.
O homem até mesmo estendeu uma das mãos para ajudá-la a descer. Momentos depois, ela era
escoltada à propriedade palaciana, que ficava situada em um desfiladeiro que dava vista para o
oceano. Em outras circunstâncias, Isabella teria dedicado um instante a invejar um lugar tão
deslumbrante.
– Isabella, minha querida! – exclamou Sophia tão logo ela penetrou na suntuosa mansão. A senhora
a envolveu nos braços e lhe beijou as duas bochechas. – O que, em nome de Deus, faz aqui? E onde
está Theron?

Isabella baixou o olhar por um instante e voltou a erguê-lo para encará-la.
– Preciso conversar com Alannis. É muito importante.
Sophia franziu a testa de leve, preocupada.
– Claro. Está tudo bem?
Isabella exibiu um sorriso trêmulo.
– Não, mas ficará.
– Espere aqui. Vou chamar Alannis – disse Sophia.
Isabella caminhou na direção da ampla janela de vidro que descortinava o precipício que levava
ao oceano. Alannis morava em um lugar perfeito. Próximo a Chrysander e Marley. Todos podiam
formar uma família numerosa e feliz depois que Alannis se casasse com Theron.
– Isabella? – a voz suave de Alannis encheu a sala.
Girando, Bella deparou com a jovem a olhando com expressão obviamente confusa.
– Mamãe disse que você queria me ver.
Armando-se de coragem, Isabella cruzou a sala e estacou diante de Alannis.
– Vim aqui para me desculpar e consertar um erro.
As linhas que vincavam a testa de Alannis se aprofundaram.
– Não estou entendendo.
Isabella respirou fundo.
– Tramei para separar você e Theron. Sabia que ele queria se casar com você, mas eu sempre o
amei e o queria. Nunca parei para pensar no que ele queria ou se eu estava causando o sofrimento de
duas pessoas durante o processo. Você e ele.
– Mas… – começou Alannis.
– Ele quer se casar com você – prosseguiu Isabella, interrompendo-a. – É você que ele quer. Vá
ao encontro dele, Alannis. O helicóptero a está esperando para levá-la até a ilha. Theron ficará feliz
em vê-la. Terminei tudo com ele e lhe devolvi o anel de noivado. Certifique-se de que ele lhe dê um
outro. Você merece um novo começo. Um que não seja maculado por mim. Obrigue Theron a fazer
tudo da maneira certa, com toda a pompa e romance que você merece. – Lágrimas banharam os olhos
de Isabella mais uma vez. – Desculpe-me por tê-la feito sofrer. Espero que sejam felizes. – E se
virou para deixar a casa.
– Espere! – gritou Alannis. – Você não entende…
Tudo que Isabella entendia era que se não saísse dali naquele segundo iria se despedaçar.
Esperava ao menos que o táxi a estivesse aguardando, como providenciara.
– Por favor, mostre-me a saída – pediu com voz estrangulada ao segurança que a acompanhara até
ali. – Há um táxi me aguardando na porta da frente.
Tão logo o segurança abriu a porta, Isabella disparou pelo caminho que levava ao portão de ferro
forjado, que se abriu automaticamente quando ela se aproximou. Para seu alívio, o táxi a aguardava
na rua.
– Para o aeroporto – disse ela ao entrar.
Quando o veículo se pôs em movimento, Isabella viu Alannis gesticulando para que ela esperasse,
mas a ignorou e virou o rosto para o outro lado.
Nunca ninguém lhe dissera que fazer a coisa certa era tão doloroso.
– QUANTO TEMPO levará para que o maldito piloto chegue aqui? – perguntou Theron, escorregando
uma das mãos pelo cabelo, pela décima vez em uma hora.
A frustração o sufocava. Estava preso naquela ilha, até que o piloto de Chrysander chegasse.

Finalmente, agora o homem estava a caminho.
Chrysander pousou o fone e se virou na direção dele.
– O piloto de Isabella a levou à propriedade dos Gianopolous.
Theron o encarou, confuso.
– Por que diabos ela foi visitar Alannis? Não tinha ideia de que ela sabia onde os Gianopolous
moravam.
– Ela está tentando consertar as coisas – interveio Marley com voz suave. – Primeiro com você, e
agora com Alannis.
Theron pegou seu celular para conseguir o número de Alannis. Se pudesse contatá-la antes de
Isabella partir, poderia fazer com que a detivessem até que ele chegasse.
Chrysander lhe entregou seu telefone, e Theron digitou os números. Segundos depois, Sophia
atendeu.
– Graças a Deus! Isabella esteve aí? O quê? Ela partiu em um táxi?
Sophia o informou para onde Bella estava se dirigindo, e ele desligou logo depois, falando para
Chrysander:
– E agora, onde está seu maldito piloto?!
ERA IMPOSSÍVEL comprar uma passagem para deixar o país de imediato. Todos os voos que partiriam
da Grécia nas próximas horas estavam lotados. Por fim, Isabella se encaminhou ao balcão dos voos
charter e apresentou seu cartão de crédito, que ela esperava ser de fato um platinum, como estava
escrito nele, e alugou um jato particular para levá-la até Londres.
Ao menos agora estava a bordo, aguardando que o jato fosse abastecido e rumasse para a fila de
decolagem. A exaustão parecia lhe triturar os ossos. A noite insone somada ao desgaste emocional
daquele dia haviam lhe sequestrado as forças.
Recostou-se no assento e fechou os olhos. Ouviu um farfalhar a distância e supôs ser o piloto.
Porém, em seguida, sentiu o contato de lábios macios contra os seus e abriu os olhos.
Theron afastou a cabeça e lhe segurou o rosto com ambas as mãos, enquanto ela o encarava,
atônita. Ele parecia… bem, ele parecia um trapo. As roupas estavam empoeiradas e amarfanhadas, o
cabelo, despenteado, e os olhos dourados faiscavam com o fogo que refletiam.
Antes que Isabella pudesse dizer qualquer coisa, ele a beijou outra vez, esquecendo a gentileza
anterior. Puxou-a contra si, violando-lhe a boca até deixá-la sem ar.
Em seguida, afastou-se e resmungou uma ordem em grego na direção da cabine de comando. Para a
contínua surpresa de Isabella, o jato se pôs em movimento, com Theron dentro.
– Espere! – protestou ela. – Este jato está indo para Londres. Não pode ficar aqui. E quanto a
Alannis? E sua família?
Theron a ergueu do assento nos braços, se encaminhou ao sofá e se sentou com ela em seu colo.
– Não deveríamos estar em nossos assentos com os cintos de segurança atados até levantarmos
voo? – perguntou ela, atordoada, ainda incapaz de entender a presença de Theron naquele jato.
– Eu a segurarei se houver uma inesperada turbulência – garantiu ele, com voz sedosa. – Agora
que você não pode fugir para nenhum lugar e a tenho toda para mim, terá de ouvir atentamente cada
palavra que vou lhe dizer.
Os olhos verdes se arregalaram, e Isabella se viu boquiaberta. Theron lhe traçou o contornou dos
lábios carnudos, antes de substituir os dedos pela própria boca.
– Mulher tola, impetuosa, linda e frustrante – murmurou ele. – Se pensa que se livrará de mim
depois de me fisgar e prender, está muito enganada, Bella mou.

Mas só o que conseguia ver na minha frente era você. Pretendia pedir Alannis em casamento na noite da festa. . Alannis não está apaixonada por mim. Por um instante. certa de que sonhava. – Muito. e não ficar pensando em uma forma de despi-la. Você virou meu mundo de cabeça para baixo e nunca mais voltou a colocá-lo no lugar. uma família.A esperança aflorou. Não consigo imaginar minha vida sem você. Não me encaixo em nenhum lugar – afirmou. e aquele que pretendia dar a ela foi substituído por este. Em seguida se inclinou e a beijou mais uma vez. provocando um tamborilar suave no peito de Isabella. amarga. Tudo que eu sempre quis. com incrível suavidade. – Estou apaixonado por você – respondeu ele. – Temos todo o tempo do mundo. Havia até mesmo comprado o anel de noivado. Em seguida. estava ansiosa para que eu a encontrasse e colocasse este anel de volta em seu dedo. Em seguida. Theron sorriu e lhe tocou o rosto. Tive ímpetos de arrancar cada peça de roupa de seu corpo para poder vê-la sem barreiras. Theron a encarou com expressão séria. através do nó que lhe apertava a garganta. apaixonado por ela? – Isabella fechou os olhos e sacudiu a cabeça. Mas já havia colocado meu plano em relação a Alannis em ação. Jamais coloquei um anel no dedo de Alannis. agape mou. sem saber o que dizer. – Ela não está? Você não está? Quero dizer. e ele lhe ergueu o queixo com uma das mãos. – Quer se casar comigo. Eu o escolhi para você. mesmo sabendo que não quero ter filhos de imediato? – Tenho a impressão de que me manterá muito ocupado para pensar em filhos tão cedo – respondeu ele com um sorriso divertido estampado no rosto. – Não a pediu em casamento? – grasniu ela. Tudo estava planejado. nos dela. Um turbilhão de pensamentos lhe cruzava a mente. – Eu também te amo – sussurrou ela. Os lábios se colando. – Como é generosa. – Nunca teria feito amor com você se pertencesse a outra mulher. hesitante. uma esposa. Apenas me prometa que os teremos juntos. Sou seu desde o dia em que entrou em meu escritório. Em seguida se inclinou e lhe beijou a junta dos dedos. – Eu te amo. Vi sua tatuagem e enlouqueci. Ela o observava. Isabella tinha certeza de que seu sorriso seria capaz de iluminar todo o universo. enfeitiçada. Isabella ergueu a mão trêmula e lhe tocou a lateral do rosto com a palma. – Apenas você. a expressão de Theron se tornou séria. quentes. girou a cabeça para que pudesse lhe pressionar um beijo na palma da mão. meu precioso amor. Nunca pedi Alannis em casamento. E então. pelo qual ansiava e esperava encontrar estava bem diante de mim. – Este anel nunca pertenceu a outra mulher. – Case-se comigo. Tudo que eu desejava era você. Eu a adoro. Theron girou o corpo. sentando-a sobre o sofá. Acho que soube disso no primeiro dia em que entrou no meu escritório. ajoelhou-se diante dela e lhe segurou a mão. – Mas eu ouvi o que disse a Chrysander sobre desejar o que ele e Marley possuem. Bella. enquanto lhe sustentava o olhar. Lutei contra a atração que sentia por você porque tinha que desempenhar o papel de seu tutor. Na verdade. – O que desejo é você. Quer se casar comigo e me transformar no homem mais feliz do mundo? Theron escorregou o anel de volta em seu dedo anular. Isabella parecia perplexa. Ele fechou os olhos e inclinou o rosto para sorver mais daquele toque. minha linda Isabella. pethi mou.

– Está aborrecido porque não lhe contei quando me disse que tínhamos de nos casar? – perguntou Isabella. Isabella pestanejou várias vezes quando se deu conta de que havia perdido toda a decolagem.– Você pode estar grávida. – Sim. – Ela lhe envolveu o pescoço com os braços. – Sua pequena feiticeira. – Oh. enquanto Theron a carregava para o pequeno quarto nos fundos do avião. linha e rede. por que não fazemos amor nas alturas? – Ele a fitava com devassidão. – Não estou grávida. o coração flutuando com a doce e inegável felicidade. Ficará muito aborrecida se estiver? Isabella sorriu. eu me casarei com você. sussurraram seu amor um para o outro incessantemente. – Sim o quê. . – Estou usando um método contraceptivo. – Se for capaz de perdoar minhas ações idiotas e o fato de não ter feito um pedido de casamento romântico antes. Isabella sorriu. com o coração se tornando mais leve a cada respiração. já que chegamos a um acordo. pethi mou? – Sim. então serei capaz de perdoá-la por efetivamente me capturar com anzol. – Bem. Eu te amo tanto! Theron se levantou e a ergueu nos braços. E quando os dois uniram seus corpos e almas. Theron franziu a testa e fingiu um olhar furioso. sem conseguir disfarçar o nervosismo. então você já… é a época do… – Não – retrucou Isabella com uma risada breve. Theron soltou uma risada.

As palavras carregadas pela brisa soavam firmes e claras. Por fim. que ele havia comprado e se deleitado em colocar. enquanto Chrysander levava Isabella até ele. Sophia e Alannis se divertiram muito ensinando a Marley e Isabella as danças gregas tradicionais. enquanto os homens as observaram com sorrisos indulgentes. Os olhos dourados se fixaram no diamante em forma de lágrima que adornava o umbigo de sua noiva. Bella. Mas o que lhe sequestrou o ar dos pulmões foi o sorriso radiante que ela exibia. depois de ter retornado à ilha para assistir ao casamento. Houve muita dança na praia e. Alannis e Sophia se postavam do lado da noiva. Simplesmente não conseguia se furtar a beijá-la. O traje da noiva se resumia à parte superior de um biquíni e um sarongue que flutuava delicadamente por suas pernas. Um nó incômodo parecia lhe fechar a garganta ao recitar seus votos para Isabella. Quando por fim ele interrompeu aquele contato para que o padre pudesse dar prosseguimento à cerimônia.Epílogo OS NOIVOS compareceram descalços à cerimônia de casamento. – Você não fez isso. A tornozeleira captava a luz do sol e faiscava. o doce contra o salgado. Theron recuou enquanto ela desabotoava a sarongue e o desenrolava do corpo. Os lábios dos dois se encontraram com ansiedade ardente. Uma atmosfera festiva gravitava no ambiente. todos se reuniram nos jardins. mais tarde. a sedosidade contra a aspereza. As unhas dos pés. – Lembra-se de ter me dito que eu deveria fazer outra tatuagem? – perguntou ela com um brilho malicioso no olhar. Theron percebeu lágrimas nos olhos da noiva. E então ele esticou a mão para Isabella e a puxou na sua direção. que Theron se incumbira de pintar em uma noite quente de sexo. Quando ele a carregou para a cama. ostentavam um rosa brilhante. e Isabella se tornou sua. Isabella sussurrou que tinha um último presente de casamento para lhe dar. diga-me que não entrou em um desses estúdios de tatuagem sozinha e . Theron aguardava ao lado do padre. na praia da Ilha Anetakis. Theron sabia que seu nome estava gravado na placa prateada. Piers se encontrava ao seu lado esquerdo. Destinado apenas a ele. e todos exibiam sorrisos largos. Intrigado. Theron franziu a testa. Não importava que os votos ainda não tivessem sido feitos e que o padre limpasse a garganta de maneira audível. foram declarados marido e mulher. o helicóptero veio buscar os noivos para a suíte nupcial que Theron providenciara. junto de Marley. Um chalé localizado em um desfiladeiro que dava vista para o mar. A beleza inigualável de Isabella lhe fazia o peito doer. Mais tarde. Theron podia até mesmo perceber o brilho das lágrimas nos olhos das mulheres.

exasperdo. – E Chrysander sabe disso? – Theron meneou a cabeça. atrás de nós. exatamente no centro. Isabella soltou uma risada. logo acima da junção das pernas. um anjo segurava um tridente. incrédulo. – Ele fez um pequeno discurso quando entrou lá. – Minha diabinha angelical – disse ele. Isabella encaixou os polegares nas laterais da parte de baixo do biquíni e o desceu. . Theron não pôde conter uma risada abafada.suportou a dor de fazer outra tatuagem. em linha reta abaixo do piercing do umbigo. antes de descer a boca mais para baixo. Em seguida se inclinou e roçou os lábios ao desenho. Theron xingou em grego. – Não fui sozinha. Marley me acompanhou. Lá.

. Livros eletrônicos.rivera@harlequinbooks.1. Proibidos a reprodução. o armazenamento ou a transmissão. II. ed. recurso digital Tradução de: The tycoon's rebel bride Formato: ePub Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web ISBN 978853981566-1 (recurso eletrônico) 1. Romance americano. RJ B17r Banks.A. Todos os direitos reservados. 4º andar São Cristóvão. . RJ — 20921-380 Contato: virginia. no todo ou em parte. 2. Rio de Janeiro.111(73)-3 PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM HARLEQUIN BOOKS S.Rio de Janeiro: Harlequin. Vasconcellos. Todos os personagens desta obra são fictícios. 2014. Rua Argentina. Título. Título original: THE TYCOON’S REBEL BRIDE Copyright © 2009 by Sharon Long Originalmente publicado em 2009 por Silhouette Desire Arte-final de capa: Isabelle Paiva Produção do arquivo ePub: Ranna Studio Editora HR Ltda. 171. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. 14-12591 CDD: 813 CDU: 821. Maya Rebeldia [recurso eletrônico] / Maya Banks. I. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS.com. Vera. tradução Vera Vasconcellos.CIP-BRASIL.br .

Capa Querida leitora Rosto Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Capítulo 18 Epílogo Créditos .

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