Querida leitora,
Quantas vezes na vida pensamos que estamos no rumo certo, que sabemos exatamente o que
queremos e tomando todas as providências para concretizar o plano? Nós nos sentimos confortáveis
e seguros. Mas e se descobrirmos que não era nada disso que queríamos assim que o objetivo é
alcançado?
Esse é o dilema contra o qual Theron Anetakis se debate em Rebeldia. Ele está pronto para criar
raízes, começar uma família, se casar com a mulher equilibrada e apaziguadora que escolheu para ser
sua esposa. Até Isabella Caplan irromper com a força de um tornado em sua vida meticulosamente
ordenada!
Ela dá um jeito de anarquizar com os planos de Theron, e o pior, faz com que ele se questione se
era aquilo mesmo o que queria. Assim, ensina para ele uma das lições mais importantes: buscar o
que realmente desejamos, e nunca nos contentarmos com menos.
Espero que goste da história de Bella e Theron tanto quanto amei escrevê-la. É um romance
cravejado de emoções, porém, o mais importante, é que fala sobre um amor profundo e eterno.
Tomara que você suspire a cada página nessa jornada a um final feliz.
Boa leitura!
Maya Banks

REBELDIA
Tradução
Vera Vasconcellos

2014

Assumir os escritórios de Nova York não fora um processo tranquilo. Theron e os irmãos fizeram uma faxina corporativa e reformaram o quadro de funcionários. Chrysander não seria infiel a Marley. O que quer que aquela mulher representasse na vida do irmão. responsável e – o mais importante – leal. Quando surgia alguma que merecia mais que um olhar superficial. – Seus lábios se contraíram em uma expressão desgostosa. a ex-assistente de Chrysander. Mas. Sentiu uma pontada de remorso pela probabilidade de acordar Marley. Theron foi recebido com uma pilha de documentos. Linhas profundas lhe vincavam a testa ao esticar a outra mão para o telefone. – Theos. contratos. que se encontrava ao lado de seu pé. Chrysander. deveria ter sido antes de ele conhecer a esposa. quase irritado. mensagens e e-mails. por fim. – É melhor ter uma boa razão para telefonar a esta hora – rosnou Chrysander com voz sonolenta. Era uma mulher mais velha. atirava cartas para a direita e a esquerda. Embora nenhum dos irmãos Anetakis estivesse disposto a confiar totalmente em outro funcionário. E pensar que a secretária já dera conta da maior parte daquela desordem! Theron estacou diante de uma carta endereçada a Chrysander e quase a atirou no lixo. a esposa de Chrysander. e que se formou com sucesso. seja lá o que isso signifique. – Diga-me apenas o que preciso saber para me livrar dela – acrescentou Theron. após o fiasco com Roslyn. Dois dias depois. os irmãos Anetakis se tornaram receosos em permitir acesso ilimitado às informações confidenciais da empresa a outro funcionário. – Estou diante de uma carta na qual ela o informa de seu progresso. Essa mulher não é muito nova para estar envolvida com você? . impaciente. Outras tinham como destino a lata de lixo. – Está ligando a esta hora para perguntar sobre uma mulher? – Diga-me… – Theron fez um movimento negativo com a cabeça. ele ainda tentava decifrar aquela bagunça. – Quem diabos é Isabella? – perguntou. Não. mas se deteve quando viu o que estava escrito. mas tinha esperança de que ele atendesse antes que isso acontecesse. – Isabella? – Não havia dúvidas quanto à surpresa na voz de Chrysander. que a ligação se completasse. Sem se importar com a diferença de fuso horário e com a possibilidade de acordar o irmão. Theron não perdeu tempo com saudações. fora presa após um acordo judicial.Capítulo 1 THERON ANETAKIS separava em pilhas a montanha de papéis de trabalho que a secretária deixara sobre sua mesa para que ele analisasse. Resmungando xingamentos. Por conta do ocorrido. Ao chegar de Londres. A criminosa. Theron optara por trazer a própria secretária do seu escritório em Londres. Após a descoberta de que um dos membros da equipe da empresa estava vendendo os projetos de um hotel da Anetakis para um concorrente. ela era atirada na pilha de assuntos que demandavam sua atenção. digitou o número e esperou.

isso o torna uma espécie de tutor de Isabella. Theron não se lembrara dela até Chrysander mencionar o sobrenome. mas. deixou escapar um suspiro. Isabella deve ter acabado de se formar. Menina inteligente… – Mas por que está recebendo notícias dela? – quis saber Theron. surpreso. – Bella! Claro – murmurou ele. Tudo que tem de fazer é ajudá-la a resolver seus assuntos e providenciar o que ela necessita. Como agora é você o representante da Anetakis em Nova York. – Eu sabia que devia ter obrigado Piers a assumir o escritório de Nova York. De uns tempos para cá tenho estado focado em Marley e nosso filho. Portanto. A última coisa de que você necessita agora é de outra preocupação. Vou creditar isso na conta de problemas que herdei quando trocamos de filial. Theron não prestara atenção à jovem. mas para ser sincero. Lembrava-se de que ela era tímida e modesta. irmãozinho – disse Chrysander em um tom de voz frio. Mas preciso dos detalhes. ela irá para Nova York daqui a dois dias – disse Theron. focado na própria dor. achei que ela fosse uma ex-amante sua. cuidaríamos da menina. – A pequena Isabella? – perguntou Theron. de acordo com esta carta. – Não estou conseguindo pensar com clareza a esta hora da noite. o grupo Anetakis International atua como seu curador. – Theron meneou a cabeça. Não levará muito tempo para que a acomode e providencie o que . Que idade ela teria naquela época? Chrysander soltou uma risada abafada. Nosso pai morreu antes do pai dela. você deveria saber que. Desde então. Chrysander soltou um xingamento. Theron gemeu. – Cuidarei disso. – Bella não será problema algum. – E por que nunca ouvi esta história antes? – Nossos pais foram amigos e sócios nos negócios por muito tempo. Certamente você lembra. – Que dever? – Theron se surpreendeu. e a última coisa que eu queria era vê-la causando problemas a Marley. Isabella só terá total controle sobre sua herança quando fizer 25 anos. – Não estou gostando de sua insinuação. a encontrara algumas vezes. ou quando se casar. – Caplan. Em seguida. não é necessária – retrucou Chrysander sem rodeios. E então Theron ouviu o irmão ofegar do outro lado da linha. Estava indo muito bem na faculdade. – Nesse caso. o que acontecer primeiro. O escritório de Nova York é responsabilidade minha. Isabella comparecera ao funeral de seu pai. Chrysander soltou uma risada. – Isso será moleza. Claro que não estou envolvido com essa Isabella. não conseguia conjurar a imagem de Isabella mais velha. de rabo de cavalo e aparelho dentário lhe espocou na mente. – Ela não está tão pequena agora. É uma doce menina. – Estou casado. – Não posso deixar Marley agora. O pai de Isabella fez o nosso prometer que. – Claro que não.Chrysander explodiu em uma torrente de xingamentos em grego que fez Theron afastar o fone do ouvido até que o irmão se acalmasse. impaciente. – Pelo amor de Deus. Isabella Caplan. – Nosso dever para com Bella sumiu da minha mente. portanto assumi a responsabilidade pelo bem-estar de Isabella quando ela ficou órfã. sempre procurando passar despercebida. irmãozinho. A imagem de uma préadolescente desengonçada. – E eu repito: quem é Bella? – Theron sentia a paciência se esvair. nesse meio-tempo. – Embora sua devoção à minha esposa seja louvável. se lhe acontecesse alguma coisa.

Mas tudo mudou no instante em que recebeu uma mensagem concisa de Theron Anetakis. Caplan. ela se recostou.ela precisa. o que não ocorria com muita frequência. srta. Como se isso não bastasse. Suave. o hotel dos irmãos Anetakis. a fragrância de Theron. – Providenciei para que alguém recolhesse sua mala no terminal de bagagens – informou Henry. quando Isabella havia acabado de se sentar no sofá e retirar os sapatos. e a encontraria em Nova York para providenciar tudo de que ela necessitasse para sua viagem ao exterior. E lá estava. enquanto a guiava na direção da saída. Isabella ergueu as sobrancelhas. Anetakis? O jovem pareceu envergonhado. girou o envelope e escorregou os dedos suavemente pelas letras escritas à mão: “Isabella Caplan. enquanto o outro se acomodava no banco da frente. – Uh… olá – cumprimentou Isabella. . agradeceu e fechou a porta outra vez. mas inegável. Do lado de fora. encaminhou-se para atender. ao lado do chofer. esperando sentir a fragrância daquele homem. e deparou com outro funcionário do hotel à soleira. Sou Henry. Era óbvio que Theron ainda usava a mesma. MAL ISABELLA Caplan passou pelo controle de segurança do aeroporto. A porta do passageiro se abriu. Resmungando baixo. seu motorista por hoje. – Qual dos srs. A limusine parou em frente ao hotel. Lembrava-se daquela colônia como se fosse ontem. com um buquê de flores e uma cesta recheada de todo tipo de sortimento de petiscos e frutas. porque o chofer sorriu e disse: – Seja bem-vinda a Nova York. avistou um homem com uniforme de chofer segurando uma placa na qual estava escrito seu nome. Privacidade estava fora de questão. Dentro de dez minutos. Aquela viagem fora planejada como uma breve parada em seu caminho para a Europa. passando direto pela recepção. Em seguida. ouviu outra batida na porta. O homem lhe estendeu um envelope cor de creme. e tudo que Isabella desejava era se deitar e relaxar naquele assento. ela ergueu a mão. Isabella sorriu. Para sua surpresa.” Seria a letra de Theron? Permitindo-se um instante de tolice. A limusine deixou a área de desembarque em direção ao Imperial Park. acenando enquanto se aproximava. No mesmo instante. A expressão confusa de Isabella devia ser evidente. Anetakis. Theron ainda não sabia. Ela ficaria em Nova York… indefinidamente. – Será entregue no hotel muito em breve. Anetakis. e esses cavalheiros são membros da equipe de segurança do sr. – Theron. Quando o veículo se pôs em movimento. a bagagem foi entregue em seu quarto. Chrysander sempre lhe providenciava uma suíte quando ela visitava Nova York. mas a viagem de Isabella se tornara algo do passado. – Uma mensagem do sr. Isabella foi encaminhada imediatamente à própria suíte. Quando adentraram o saguão. fato que informara a Chrysander na carta que lhe enviara. informando-a de que agora seria ele quem cuidaria de seus assuntos. outros dois homens se adiantaram para ladeá-la. ela encostou o envelope no nariz. e o segurança que sentara no banco da frente estendeu a mão para ajudá-la a sair. um dos homens da segurança abriu a porta da limusine para Isabella e se sentou ao lado dela.

Isabella rasgou o selo e retirou o cartão do envelope. ela reconheceu o sotaque inglês. ele escrevera as instruções para que ela fosse ao seu escritório na manhã seguinte. e Isabella se achava tão confortável no sofá… Após se forçar a levantar. e a honra era tudo. – Obrigada. impaciente. Isabella olhou ao redor com renovado interesse. Não era a voz de Chrysander e. O aparelho se encontrava do outro lado da sala. A viagem à Europa estava cancelada. O que motivara sua viagem à Europa fora o fato de Theron morar lá. Theron havia se tornado ainda mais deslumbrante ao longo dos últimos anos. Estava mais que satisfeita por aquele encontro se dar nos termos de Theron. – Srta. A tornozeleira delicada faiscou com o movimento. Os irmãos Anetakis eram difíceis. Quando Chrysander se casara. como Piers estava fora do país e nunca tivera sequer uma conversa com ela. O telefone tocou. Estou ocupando temporariamente outro quarto. Eram implacáveis nos negócios. – Alô? Seguiu-se um breve silêncio. na última vez em que ela estivera ali. Isabella soltou uma risada. rouca. enquanto agitava os pés. – A suíte está a seu gosto? – Sim. Ao menos Chrysander passara em sua suíte para ver como estava. cambaleou para atendê-lo. Podiam ter a mulher que quisessem. Caplan… Isabella. Isabella estava com apenas 18 anos. claro. Não havia necessidade de sair de sua suíte por minha causa. Saber que ficaria onde Theron passava muito do seu tempo lhe causou uma emoção eletrizante. – Eu poderia ter ficado em outro quarto. – É Theron Anetakis. – Essa é minha suíte particular. O que a fizera se apaixonar ainda mais. O que significava que Theron ficara bem mais próximo dela. ele e a esposa se mudaram definitivamente para uma ilha de sua propriedade na Grécia. – Sim – respondeu. Ou ter morado. mas também eram leais. . Não seria fácil. e ele providenciara uma autêntica babá para acompanhá-la em sua visita à cidade. e um arrepio de prazer lhe percorreu a espinha. Em uma caligrafia obviamente masculina. Arrogante como sempre. Isabella não esperava que ele se atirasse em seus braços. As unhas pintadas de um vermelho vibrante lhe atraíram o olhar. Foi muita gentileza sua reservá-la para mim. No mesmo instante. E seu plano para seduzir Theron entrara em ação. arrancando-lhe um suspiro exasperado. Mas naquela época. Mais irresistível. Isabella se deixou afundar no sofá e pousou os pés sobre a mesa de centro. Dando-lhe ordens como se ela fosse uma criança desobediente. – Eu não a reservei – retrucou ele. Theron se tornara ainda mais desejável. Está tudo ótimo. – Por que abriu mão de sua suíte? – O hotel está passando por reformas. Enquanto ela esperava crescer para reivindicá-lo. – Então onde você está? – perguntou. A única suíte disponível era… a minha. curiosa. Um sorriso divertido curvou os lábios de Isabella. A beleza jovial fora substituída pela masculinidade sensual. Estou telefonando para saber se fez boa viagem e se foi acomodada sem nenhum inconveniente. seria mais prazeroso deixá-lo atônito. Assim. só podia ser Theron. esperando não deixar transparecer o nervosismo. Finalmente.

extasiada. e ela desligou o telefone. – Por favor. E levavam muito a sério o que achavam ser seus deveres. e sabia que não adiantaria argumentar. Bella. Theron deixou escapar uma exclamação de surpresa que lhe soou suspeitosamente como um xingamento. Haveria muito tempo para lhe comunicar sua mudança de planos. Deve se lembrar do tempo em que não éramos tão formais… Sei que se passaram alguns anos.– Alguns dias não farão diferença alguma – afirmou ele. – Está bem… Bella – concedeu Theron. deixando escapar em seguida um som exasperado. Lógico. chame-me de Isabella. Ou de Bella. Um sorriso lhe curvou os cantos dos lábios ao abraçar o próprio corpo. antes de viajar para a Europa. – E claro que o atenderei. Faça como for melhor para você. – Recebi suas ordens. Theron se despediu de maneira formal. Solicite o serviço de quarto para o jantar. – Está bem. Ela não esperava nada menos que isso. Era inútil deixá-lo em alerta de imediato. mas eu não esqueci nenhum detalhe sobre você. . – Bella. Os irmãos Anetakis eram a personificação da eficiência. Isabella engoliu em seco a negativa de que iria para a Europa. Oh. – Tenho certeza de que não soei tão autocrático. – Foi um pedido. por favor. Um sorriso lhe curvou os lábios. Isabella. embora fosse um homem educadíssimo. – Vejo-o amanhã. Podemos combinar às dez horas? Estou um pouco cansada e gostaria de dormir até mais tarde. – Claro. Um sorriso malicioso curvou os lábios de Isabella. Se ele ao menos soubesse… – Estávamos discutindo suas ordens autocráticas para que eu comparecesse ao seu escritório amanhã. pretendia lhe fazer uma visita no dia seguinte. Caplan. Isabella percebeu que ele queria se livrar dela o mais rápido possível. antes de acrescentar: – O que estávamos falando mesmo? Theron parecia distraído e. srta. Ainda mais quando Theron não tinha a menor chance de convencê-la a mudar de ideia. Seguiu-se um silêncio constrangedor. – É bom que tenha uma estada confortável. – Ele começava a ficar impaciente. sem dúvida. então – disse Isabella. Suas despesas serão pagas.

O pai de Alannis era dono de uma empresa transportadora. Providenciaria para que ela tivesse tudo que necessitava.Capítulo 2 THERON SE inclinou para trás na cadeira e observou a linha do horizonte através da janela do escritório. Sabia apenas que Isabella se formara. Isso significaria que estaria com mais ou menos 22 anos? Conjurou um sorriso gentil quando a porta se escancarou. Theron e Alannis tinham o que poderia ser considerado uma amizade íntima. Os dois formavam um belo casal e se entendiam muito bem. Theron. enquanto Alannis chegaria da Grécia dentro de uma semana. visto que Marley não desejava se mudar da ilha que ela e Chrysander haviam transformado em um lar. Não tinha certeza nem mesmo da idade que ela teria agora. conseguira finalmente alguns minutos para respirar. Tentou pescar em suas lembranças a imagem daquela moça. – Senhor. parecia-lhe natural encontrar uma esposa e formar uma família. – Faça-a entrar – retrucou ele. autorizando a pessoa a entrar. Alannis… Um sorriso tristonho lhe curvou os lábios. sentando-se ereto. aguardando. Sim. estava na hora de se casar. . Após uma manhã agitada de trabalho com reuniões e telefonemas. brusco. E ele lhe daria segurança e proteção. aprumou a coluna. portanto. a secretária. embora ele estivesse aberto a aprofundar aquele relacionamento. Ainda bem que poderia se livrar rápido de sua obrigação para com Isabella. Theron se erguera e caminhava na direção da porta para cumprimentá-la. em um gesto distraído. era natural que acabassem por se unir. Franzindo a testa. solicitaria a alguém da Anetakis International que a encontrasse em Londres e arranjaria uma equipe de segurança para protegê-la durante sua estada naquele país. Relanceou o olhar ao relógio de pulso e fez uma careta ao se lembrar de que Isabella Caplan deveria chegar dentro de cinco minutos. pernas desengonçadas e aparelho nos dentes. ele ergueu a cabeça. Ela e Theron tinham muito em comum. E se pretendia morar definitivamente ali. mas tudo que conseguia visualizar era uma menina de olhos grandes. Sabia que teria de levar uma vida mais regrada agora que assumira o escritório de Nova York. Velhos amigos de seu pai. Sentia-se como uma porta giratória. disse ao mesmo tempo que enfiava a cabeça pelo vão da porta. Os pensamentos de Theron foram interrompidos por uma batida na porta. semanas antes. Não era necessário assustá-la. Por outro lado. Algo que discutira amigavelmente com Alannis. Caplan está aqui para vê-lo – Madeline. quando estacou por um segundo. Sua mudança para Nova York tinha toda a probabilidade de ser permanente. Isabella entraria e sairia para sua viagem à Europa. a srta. Alannis lhe proporcionaria uma relação de amizade e lhe daria filhos. Talvez um acordo fosse o termo mais exato. e tamborilou com os dedos sobre o tampo. Ela era proveniente de uma família grega íntegra. Esse era um assunto seu.

contemplando toda sorte de cenários medonhos. – Que diabo são esses trajes que está usando? – perguntou ele. envergonhado do fato de ter sido pego em flagrante secando-a com o olhar. O patrimônio que herdou atrairia uma horda de pretendentes indesejados que a querem apenas por seu dinheiro. E pensar que se lembrava dela como alguém que costumava desparecer no ambiente em que estivesse presente. Duas covinhas se formaram no rosto delicado. suave. Tenho cuidado muito bem de mim mesma com uma mínima interferência de Chrysander. – Ou me casar – corrigiu Isabella. e isso. Diante dele não se encontrava uma menina. se é que aquilo poderia se chamar de blusa. Uma insinuação de sorriso lhe curvava os lábios carnudos. Os últimos anos operaram mudanças radicais em Isabella. O cabelo longo e escuro cascateava até abaixo dos ombros. Em seguida. – Chrysander não tem direito de opinar sobre minha maneira de vestir. baixou o olhar às próprias vestes. surdo e mudo para não notá-la. e os dentes brancos quase lhe ofuscaram a visão. E então. Aquele não era o tipo de mulher que pudesse passar despercebido. Os cílios longos emolduravam olhos verdes faiscantes. expunha aquela faixa de pele à sua visão. antes que pudesse se conter. quando o sorriso de Isabella se alargou. A blusa. eriçando-lhe o cabelo naquela região. Por um longo instante. os olhos verdes não conseguindo disfarçar o divertimento. – Acredito que seja o que costumam chamar de roupas – afirmou ela com voz rouca. Isabella exibiu um sorriso hesitante que o fez sentir aquele gesto até a ponta dos pés. O olhar de Theron foi atraído para aquele ponto e para o brilho prateado no umbigo de Isabella. A bainha acabava acima do umbigo. Um homem teria de ser cego. Uma garra invisível parecia lhe esmagar a garganta até fazê-lo mexer o pescoço para aliviar o desconforto. – Não pela lei – argumentou Bella. Theron se pôs em alerta. – Quem é ele? Quero-o muito bem investigado. Ela vestia um jeans justo de cintura baixa. seus olhos se fixaram naquele rosto deslumbrante. – Casar? Nos termos do testamento de seu pai reza que você só terá controle sobre sua herança quando fizer 25 anos. Tem de ser muito cuidadosa em sua posição. Era um som quente e vibrante. Isabella arqueou uma das sobrancelhas escuras. – Como sou agora. – Esse é o tipo de coisa que Chrysander permitia que usasse na presença dele? Isabella soltou uma risada baixa. – Está fazendo um favor ao meu pai e é seu executor testamentário no que se refere à minha herança até que eu me case. mas está longe de ser meu tutor. e lhe proporcionou tanto prazer que ele se viu desejando ouvi-lo outra vez. tudo que Theron conseguiu fazer foi observá-la como um adolescente cheio de espinhas que experimentasse sua primeira descarga de hormônios. Isabella. Theron se recostou à mesa e estudou a jovem tão segura de si à sua frente. . – Planejo estar casada antes dos 25 anos. – Ele era… seu tutor – disse Theron. junto com a cintura baixa da calça comprida. ao mesmo tempo que deslizava as mãos pelos quadris. se ajustava às curvas generosas de seu corpo tão confortavelmente quanto as mãos de um homem fariam. e o som fez uma corrente elétrica subir pela nuca de Theron. As linhas que vincavam a testa de Theron se aprofundaram diante do tom sarcástico na voz de Isabella. Ele franziu a testa.sentindo todo o ar se esvair dos pulmões. Ela havia colocado um piercing no umbigo? Theron piscou. mas uma mulher estonteantemente bela.

mas o reconheceria em qualquer lugar. Foi então que um lampejo colorido na altura da cintura fina lhe chamou a atenção. Uma tatuagem? Era óbvio que Chrysander fora um fiasco como tutor daquela menina. Tenho três anos pela frente. A suíte é maravilhosa. encaminhando-se à janela.Outro sorriso curvou um dos cantos dos lábios carnudos. A repreensão de Isabella o irritou exatamente por ser mais do que adequada. Em seguida. e se recostou à janela. passou por ele. em tom educado. Maldito fosse Chrysander por seguir com a própria vida e o atrelar a Isabella Caplan. Theron. Simplesmente mudei de ideia. enquanto Theron se perguntava como Bella conseguira fazer isso. enquanto discutimos os preparativos de sua viagem? Isabella sorriu e fez um movimento negativo com a cabeça. – Peço-lhe desculpas. – Ele deu um passo à frente. – Fico feliz em saber que fez uma boa viagem e que aprovou a suíte. Theron levou a mão à testa e a massageou para aliviar a tensão. – Ainda não respondeu à minha pergunta sobre seu suposto noivo. Nem a cumprimentara da maneira correta. Theron se forçou a erguer o olhar para não parecer que cobiçava aquela parte da anatomia de Isabella. durante a tentativa dele de decifrar o desenho. Theron pestanejou várias vezes. – É um prazer revê-lo também. – Não irei para a Europa. – Tem uma vista maravilhosa daqui – disse ela. Theos!. portanto não há necessidade de você sair dando ordens para vasculhar o passado de ninguém. exausto. Estava sendo rude. – O homem que seu irmão contratou para supervisionar meus estudos informou a Chrysander sobre minha viagem à Europa. segundo a carta que enviou para Chrysander. – Não mencionei ter alguém em vista. Após limpar a garganta. Faz algum tempo que não o vejo. apenas que pretendo me casar antes de completar 25 anos. e as nádegas realçadas pelo jeans muito apertado se moviam de maneira sedutora. Posso lhe providenciar algo para beber. – Porque ainda não tenho nenhum – afirmou ela. – Teria isso algo a ver com seu repentino desejo de se casar? – perguntou ele. Os quadris ondulavam. Quando Isabella estacou diante da janela. com malícia. revelando uma pequena faixa de pele tatuada. pousando as mãos em seus ombros e se inclinando para lhe beijar o rosto. Qualquer coisa que o impedisse de se ater àqueles seios realçados pela camiseta de tecido fino. por que não vai para a Europa? Era esse seu plano até a semana passada. – Já providenciou os preparativos para sua viagem ou prefere que eu cuide deles? – perguntou ele. revelando as duas covinhas. Fiz uma ótima viagem. – Decidi não passar o verão na Europa. Em que tipo de encrenca ela se metera? Tatuagens? Intenção de se casar? Theron fechou os olhos e prendeu o nariz entre o polegar e o indicador. – Não escrevi nada disso para Chrysander – protestou Isabella com suavidade. Ela enfiou os dedos nos bolsos do jeans. . sentindo o início de uma dor de cabeça. aquela mulher era uma bomba atômica ambulante. Theron lhe sustentou o olhar. – Como disse? Mais uma vez um sorriso curvou aqueles lábios sedutores. Theron pestanejou e voltou a fixar o olhar naquele ponto. a bainha da blusa se moveu. – Sendo assim. ao girar para encará-lo. Os olhos de Theron não conseguiam se afastar daquele ponto. certo de que havia se enganado.

Pedirei à minha secretária que selecione alguns bairros adequados para você e depois começaremos a procurar. A expressão de Isabella se iluminou. e você conhece a cidade melhor que eu. – Mas detesto a ideia de o desalojar. e posso utilizá-la. sozinha e vulnerável. – Claro que lhe pagarei um almoço – concordou ele com um grunhido. – Vou alugar um apartamento aqui na cidade. – Acho que isso não é o tipo de coisa que deva fazer sozinha – afirmou ele. deixou escapar um suspiro ao constatar que estava realmente em apuros. Um sorriso largo se estampou no rosto de Isabella. Talvez o melhor que pudesse fazer por ela fosse apresentá-la a um homem que possuísse recursos para lhe proporcionar segurança e estabilidade. – Desculpe… – disse Theron. mas não havia nada além de genuína apreciação e alívio na expressão de Isabella. Ela estava com 22 anos. quando Isabella voltou a falar. – Que gentil de sua parte se oferecer para me acompanhar. mas de modo algum fora da faixa etária adequada. tenho de ir. Isabella franziu a testa. De repente. teria de providenciar uma equipe de guarda-costas. o que pretende fazer? – Ele quase temia a resposta que teria. a ideia de um casamento iminente para Isabella não o irritou mais. Theron abriu a boca para negar a ideia de que se voluntariara para fazer qualquer coisa com ela. Podemos almoçar juntos também? – perguntou com ar inocente. mas a gratidão genuína estampada no rosto de Isabella o fez tornar a fechá-la. Por um instante. Preciso encontrar um apartamento. cerrou as pálpebras. ganhando corpo. Chrysander ainda possui a cobertura. ele se veria obrigado a supervisionar os assuntos relacionados a ela e a manter constante vigilância sobre aquela jovem. Talvez amanhã pela manhã. Não permitirei que se estabeleça em um lugar qualquer.Theron escorregou a mão para a nuca. Theron quase engasgou. agora que ficarei nesta cidade definitivamente. Em seguida. A última coisa que precisava era que aquela jovem fosse sequestrada como acontecera com Marley. Diabos! Poderia acabar escolhendo um bairro inadequado. Muito jovem para se casar nos dias atuais. de repente sentindo o colarinho apertado demais. – Nesse caso. Alarmes soaram na mente de Theron diante da ideia de Isabella vagando por uma cidade à qual não estava acostumada. agradeço sua oferta. Pode usar a suíte pelo tempo que for necessário. e vou adorar procurar apartamento com você amanhã. – Claro que a acompanharei. – Então. – Não é incômodo algum. sentindo uma enxaqueca ameaçar aflorar com toda a força. quando se deu conta de que não captara uma só palavra do que ela dissera. . Se Isabella se estabelecesse em Nova York. O pensamento começava a tomar forma em sua mente. Também tenho de procurar um lugar para morar. Theron fez um gesto negativo com a cabeça. Tenho de admitir que não estava muito animada a fazer isso sozinha. iluminando-lhe todo o semblante. Agora que ela permaneceria em Nova York em vez de viajar para a Europa. E depois. os olhos verdes faiscaram. Por que se sentia como se tivesse passado por um rolo compressor? A ideia daquela menina que mal saíra da adolescência ter imposto sua vontade sem considerar sua opinião o fazia se sentir manipulado. havia a questão da segurança de Isabella. – Eu apenas afirmei que agora que nos livramos dos preparativos de minha viagem. mas logo a expressão de Isabella se tornou neutra. Em seguida.

Theron ergueu o telefone para providenciar a equipe que faria a segurança de Isabella. Theron teve de firmar os pés com força no chão para não cambalear para trás. lembrou-se de que Alannis retornaria dentro de uma semana. segundos atrás. Gesticulando a cabeça negativamente. Madeline pareceu achar graça naquele pedido. Theron se recostou para trás na cadeira e cruzou as mãos na nuca. – Acabei de sair do escritório dele. ele soltou um xingamento e contornou a mesa para se sentar. Apertou o botão do interfone para chamar a secretária. Mas talvez Alannis tivesse algumas ideias no que se relacionava a Isabella. escancarando a porta de seu apartamento. Quando ele permitiu que os braços a envolvessem. Isabella se viu envolta no abraço da amiga. Quando desligou. Encontraria um apartamento e um marido para Isabella. fazendo-a entrar. As duas se sentaram na pequena sala de estar. Era óbvio que aquilo se devia ao fato de fazer um bom tempo que não se relacionava intimamente com uma mulher. mas não o questionou. Decidindo que aquela era mais uma tarefa para Madeline. – Obrigada – disse ela ao ouvido de Theron enquanto lhe dava um abraço apertado. e então se concentraria nas próprias núpcias. É muito bom voltar a vê-la! – exclamou Sadie. o qual retribuiu com igual intensidade. Patético. Em seguida. e ter de dividir sua atenção entre duas era uma receita infalível de desastre. Talvez os dois pudessem apresentá-la a rapazes qualificados que deviam estar à altura de suas exigências. E o deixou esfregando o local onde os lábios carnudos lhe tocaram o rosto. Contava não ter de se ocupar mais de Isabella quando sua futura noiva chegasse. Vejo-o amanhã de manhã. Theron se afastou com delicadeza de Isabella. Uma mulher era mais que suficiente. Após falar com Madeline. chamou a secretária e lhe pediu para providenciar uma lista de solteiros qualificados. retribuindo o gesto. Se nenhum a agradasse. – Obrigada. colidindo contra o peito musculoso. e vou procurar um apartamento na cidade. O fato de não saber do que se tratava o desenho o enlouquecia. e Sadie não perdeu tempo para indagar: – E então? Você o encontrou? Isabella sorriu. Isabella lhe deu um beijo no rosto e girou na direção da porta. – Deixe-me chamar o chofer para levá-la de volta ao hotel. – Entre. ela se precipitou para a frente e lhe envolveu o pescoço com os braços. Fora tão rápido em condenar Chrysander por se envolver com uma mulher tão jovem. . Theron me ajudará – acrescentou com um breve sorriso. e mais uma vez Theron refletiu sobre a tatuagem que vira lá. – ISABELLA! – GRITOU Sadie. – Eu desisti de ir para a Europa. percebeu o corpo de Isabella se moldar ao seu.Em um impulso. Aquilo não lhe tomaria muito tempo. e sentiu todas aquelas curvas que notara havia pouco. e gemeu. A mão longa tocou a porção de pele que ficava exposta nas costas macias. – E…? Isabella deu de ombros. com os passados verificados e com os prós e contras de cada um. podia ceder a cobertura de Chrysander para que ela a utilizasse. e lhe deu rápidas instruções para encontrar três ou quatro opções de apartamentos. Entre. e lá estava ele desejando uma ainda mais nova.

– E então? Ele se encantou com seu charme feminino? – Sadie esboçou um sorriso largo. – Muito bem. chega de falar de mim. Um ano mais velha que Isabella. – Exatamente – murmurou Isabella. – Está trabalhando como stripper? . – Mas servirá até que eu consiga meu grande papel. Você tem de entender que Theron é um homem muito… uh… tradicional. Por falar nisso. ele se fixou em Nova York. Agora. – Mas se eu tivesse aparecido vestida como uma jovem grega recatada. Quero ouvir todas as novidades sobre sua carreira na Broadway. – Acho que Theron ficou pensando que diabos iria fazer comigo. então conte-me todos os pormenores – estimulou Sadie. Conte-me. Poucas horas. Pagam muito bem. – Não sei ao certo. Fazia muito tempo que não nos víamos. mas acho que sentiu uma mistura de interesse e espanto. e estava com saudade. fazia. e se mudara para Nova York para tentar uma carreira na Broadway. por fim. depois de procurarmos um apartamento. então é melhor lançar o desafio desde o início. A boa notícia é que vamos almoçar amanhã. ansiosa. – Eu não diria que recebeu bem – respondeu Isabella. – Sim. graduara-se um período antes. – Quanto tempo fazia desde a última vez em que a viu? Quatro anos? – Argh! Sim. deixando as belas feições em evidência. como Chrysander me vê.– Ele recebeu bem a notícia? Sadie atirou uma mecha do longo cabelo ruivo de sobre o ombro. Afinal. meu corpo está mais curvilíneo agora. – É num clube masculino. divertida. e tive de mudar todos os meus planos. mas exigem uma aparência estonteante – afirmou Sadie. – Como ele reagiu quando a viu? – quis saber Sadie. Graças a Deus. – Que tipo de emprego é esse? Sadie exibiu um sorriso furtivo. conseguiu algum papel? Sadie retorceu os lábios em uma expressão tristonha. E eu sou uma grande responsabilidade da qual Theron quer se livrar. Isabella franziu a testa. – Tenho certeza de que ele notou. – Estou muito feliz por reencontrá-la. – Poucos e espaçados. Apenas algumas noites por semana. – Se ele nunca me vir como um ser inofensivo. Sadie soltou uma risada e segurou a mão de Isabella. o olhar faiscando de malícia. – Ah. são gregos. Teria sido relegada ao status de irmã caçula. – Está conseguindo se sustentar? – Tenho um emprego. será muito difícil me ignorar. Acho que a partir daí verei que rumo as coisas tomarão. tenho um teste na semana que vem. ele não teria me dedicado um segundo olhar. – Qual é o seu plano? Isabella fez uma careta. e não haveria como mudar isso. O queixo de Isabella pendeu. mas não desisti. ousada. – Sadie compreendeu. Mas de repente. Planejei viajar para a Europa para fazer marcação cerrada sobre Theron lá. Os irmãos Anetakis levam suas responsabilidades muito a sério. – Isabella deixou escapar um suspiro e se recostou para trás no sofá. Isabella observou a amiga com desconfiança. Tenho certeza de que estava ansioso por me enfiar em um avião para a Europa o mais rápido possível. Muito elegante e exclusivo.

Sadie retribuiu o abraço de Isabella e. – Não é uma exigência. então está morto. em seguida. porém ganho gorjetas mais polpudas quando o faço – acrescentou com um sorriso largo. – É tão bom estar aqui! Senti sua falta. soltou uma risada. certo? – Sadie piscou.– Nem sempre tiro a roupa – retrucou Sadie. Mas se isso não acontecer… Você é jovem e linda. – Só Theron me interessa – retrucou Bella. Theron seria obrigado a me notar se eu me despisse na frente dele. Em um impulso. com um sorriso gentil estampado no rosto. – Se ele não a percebeu. Isabella a observou por um longo instante e. com um sorriso. em seguida. Como se isso fosse dar certo e eu pudesse fazer Theron se apaixonar por mim. – Eu poderia ter umas aulas com você. e as duas riram até seus rostos estarem molhados de lágrimas. . se soltou. Estou tendo um bom pressentimento sobre minha estada em Nova York. Sadie também explodiu em uma gargalhada. – Tenho total certeza de que Theron se apaixonará perdidamente por você. – Eu o amo há tanto tempo! – Muito bem. com suavidade. Isabella se inclinou para a frente a abraçou a amiga. nesse caso precisamos pensar em uma forma de fisgá-lo. Pode escolher qualquer homem.

Quando Theron ouviu a porta do escritório se abrir. – Providenciei para que o jato da Anetakis a transporte da Grécia para Nova York daqui a uma semana. que fosse adiante. de alguma forma distante e reservada.Capítulo 3 – ALANNIS – THERON a cumprimentou com voz suave. Com um suspiro. E se decepcionou. franziu a testa quando viu Isabella entrar. Depois. Franziu a testa ao imaginar Alannis nua na cama. – Fiz reserva para uma ópera logo após a sua chegada. Sua mãe a acompanhará na viagem? Aquela era uma pergunta retórica. Aquele simplesmente não era seu estilo. Madeline lhe fornecera três opções de apartamentos. Naquele exato instante. e tamborilou os dedos sobre a mesa. e jamais ofereceria um cumprimento mais efusivo. Não era ingênuo a ponto de esperar que uma mulher o amasse com a mesma intensidade que Marley amava Chrysander. Quanto antes. Depois. Baixou o olhar à virilha como se esperasse alguma resposta. se mostraria relutante em encorajá-lo a entrar em um casamento desprovido daquele sentimento. mas ele não esperava nada mais que isso. Alannis vivia em seu mundo de decoro. Em seguida. Não importava. – Eu a esperarei ansioso – continuou ele. pediria para falar a sós com Alannis e lhe proporia casamento. Alannis… ela parecia fria e extremamente rígida. Piers daria de ombros e diria que aquela era sua vida e. fitou o telefone por um longo instante. se desejava estragá-la. ergueu o olhar. ele poderia aprender a amar Alannis. Com o tempo. melhor. Mas a secretária ainda não havia lhe apresentado a lista dos solteiros qualificados. Theron sabia muito bem que a família de Alannis jamais permitiria que ela viajasse desacompanhada para visitar um homem solteiro. Theron engoliu em seco e estreitou o olhar ao observar os trajes de Isabella. Depois que interrompeu a ligação. Não eram exatamente . e a voz de Madeline anunciou em um tom seco que Isabella estava entrando. – Creio que esteja tudo bem com você. todos em excelentes áreas e próximos ao Imperial Park Hotel. Tinha certeza de que Chrysander. enlevado em seu recém-descoberto amor. A primeira providência era acomodar Isabella. sob seu corpo. – Bom dia – ela o cumprimentou cantarolando quando parou diante da ampla mesa. Era sua obrigação como marido. mais para demonstrar educação do que obter a informação. Por outro lado. as duas famílias poderiam partir para os preparativos da festa e da cerimônia. o interfone tocou. Mas não podia culpá-la por isso. conferiu a hora no relógio de pulso. Mas lhe agradava o pensamento de ser amigo de sua futura esposa e apreciar sua companhia sobre e fora da cama. Afinal. perplexo. – Se tudo desse certo. Com toda a certeza. era virgem e seria sua função fazer brotar a paixão nela. Gostava dela e a respeitava. Claro que teria de informar os irmãos de suas intenções. Do outro lado da linha soou a saudação polida. o que era mais do que sentia pela maioria das mulheres que conhecia. se preocuparia em lhe arranjar um marido.

Mas era necessário saber. – Sim. linda. quando ele pousou a mão nas costas de Isabella. O contato parecia lhe queimar a pele.indecentes e. portanto. A não ser que me chamar assim o incomode. Exatamente o que ela era. – E você consegue todos esses jornais na Califórnia? – questionou Theron. e ele se descobriu perguntando por quê. – Estou tão acostumada a vê-lo apenas com ternos e gravatas. Isabella. Isabella o observou com olhar curioso. Após nutrir aquele amor platônico durante tantos anos. Nenhuma mulher merecia que o futuro noivo morresse de desejo por outra. – Quando você me viu? – perguntou ele. Combinava com ela. fazendo-a sentir aquele toque mesmo através da camiseta. Gosto de estar a par da vida de quem cuida de meu bem-estar financeiro. Estonteantemente bela. – Bella – repetiu ele. ele teria de abandonar o projeto de apresentá-la a maridos em potencial. Havia algo indômito e selvagem naquela jovem um tanto atrevida. e o movimento fez o cabelo escorregar sobre os ombros. Theron se recusou a voltar atrás na afirmação ou perguntar se. – Bella. presenteando-o com um sorriso afetuoso. o rubor se espalhar pelo belo rosto de traços perfeitos. de alguma forma. Tomei a liberdade de restringir as possibilidades às regiões mais adequadas para uma jovem morar sozinha. Uma onda de desgosto o invadiu. voltara à vida. permitindo que ele visse os bojos rendados do sutiã meia taça que os suspendiam. Não havia nenhuma razão para acreditar que uma mulher tão bonita e vibrante quanto ela fosse viver sozinha. e ela poderia jurar que. e lá estava ele fantasiando tê-la. embora o apelido soasse mais íntimo. no instante em que Isabella adentrara o escritório. Isabella se preparara para o . Theron pensou nas ocasiões em que ela poderia tê-lo visto e. porque se Isabella estivesse em um relacionamento. Suave e linda. aquilo não poderia servir de base para tal suposição. e ele observou. ela se achava envolvida com alguém. embora provavelmente estivesse usando um terno. – Sim. Porém. por favor. de uma forma dolorosa. Embora sua masculinidade não tivesse reagido à lembrança de Alannis. Bella baixou a cabeça. surpreso. Encaminhavam-se para fora do prédio que abrigava o centro de operações da Anetakis. Sentiu a boca ressecada quando ela espalmou as mãos sobre o tampo da mesa e se inclinou para a frente. aceitando a sugestão de utilizar o apelido. Theron soltou um xingamento em seu íntimo e se forçou a erguer o olhar. encontraria os contornos daqueles dedos longos marcados a ferro em brasa em sua carne. Theron rilhou os dentes e mudou de posição na cadeira. alguém que tinha de cuidar de seu bem-estar. – Está vestido de maneira informal hoje – comentou ela depois de soltar uma risada. ainda mais quando se pensava no significado italiano daquele nome: bela. Não era o caso. mas sem dúvida. – Faz muito bem – afirmou Theron. Era o tutor daquela jovem. mas também com Alannis. Há sempre fotos suas nos jornais. em tom de aprovação. percebeu que tirara uma conclusão precipitada. – Em fotos. Os seios se avolumavam muito próximos do decote da camiseta. Aquilo não só era desrespeitoso com Isabella. não poderia reclamar. Isabella corou. Quase. se fosse ver. fascinado. E então. Conseguiam cobri-la. no momento. Theron se ergueu da cadeira e contornou a mesa. – Pronta para ir? Tenho uma lista com opções de apartamentos. – Bom dia. se você estiver – respondeu ela. Diferente dos tipos sofisticados de mulheres que gravitavam ao redor dele.

– Sim. – Esqueci que você vivia na Califórnia e esteve aqui apenas de visita. Henry. Quando estacionaram diante do primeiro prédio de apartamentos. – Você poderia ir comigo. – Pretendo comprar tudo que preciso aqui e mandar entregar lá. Não que ela fosse obedecê-lo. ela percebeu que outro carro pequeno parou atrás da limusine. Isabella fez que não. Ao contrário. Theron anuiu em aprovação e deu início ao processo de garanti-lo para ela. sendo que os dois primeiros Theron vetou antes que ela emitisse qualquer opinião. mas quando os olhos verdes se fixaram nele. havia um membro da equipe de segurança de Theron sentado no banco da frente. questionadores. Chrysander me atrelou a uma quatro anos atrás. se limitou a comprimir os lábios. Isabella arqueou uma das sobrancelhas. Será muito divertido! Theron rosnou algo entre os dentes. mesmo porque não aprovaria aquela amizade se soubesse que ela trabalhava em um clube de striptease. – Providenciarei alguém para levá-la às compras – disse. Estivera tão distante da verdade que a realidade quase a sufocava. Isabella suprimiu uma risada e o informou em tom sério que gostou do quarto. mas nenhuma informação adicional lhe foi dada. Além do motorista. Três horas mais tarde. os dois haviam visitado todos os apartamentos que constavam da lista. de onde dois homens saltaram para escanear cuidadosamente as redondezas. resoluto. tem razão – concordou ele com expressão contrariada. E era certo que descobriria. Theron a encarou. Isabella escorregou para o banco da limusine e o presenteou com um sorriso quando ele se . porém agora não tenho mais necessidade disso. mas lhe ofereceu a escolha entre aquele e o último. – É um mal necessário. ao se encaminharem para a entrada. surpreso. – Não permitirei que perambule pela cidade. Não havia razão para Theron saber sobre Sadie. – Pretende transportar sua mobília para o apartamento? – perguntou ele. Theron enrijeceu. Theron levantaria todo o passado daquela pessoa. sozinha – retrucou ele. de má vontade. Os sentimentos por ele não se dissiparam ao revê-lo. muito mais do que imaginara. quando retornavam à limusine. – Não me recordo de uma segurança tão exagerada na última vez em que estive aqui – murmurou Bella. mas queria que Theron se apaixonasse por ela. Aquele homem era mais. No instante em que Isabella o informasse sobre alguém de suas relações. e certamente a proibiria de continuar encontrando a amiga. Nada disse sobre o terceiro. – Ela omitiu Sadie de propósito. mas pretendia que aquele relacionamento começasse da melhor forma possível. – Posso lhe garantir que não preciso de babá. O desejo era suficiente por ora. Queria que ele necessitasse dela. para a possibilidade de o homem que Theron se tornara não corresponder ao dos seus sonhos. Isabella sentou-se ao lado dele no banco traseiro da limusine. Isabella deu de ombros e lhe dirigiu um sorriso frouxo. Isabella esperou que ele acrescentasse alguma coisa. haviam se consolidado. já que não conheço mais ninguém na cidade.desapontamento. – Não? Você parece a escolha lógica.

– Oh. e depois você poderá se recolher à sua suíte para descansar. Isabella pestanejou. Theron a acomodou na cadeira e. Pensei em almoçarmos lá. Queria apenas passar algum tempo ao lado dele. o desejo refletido naquele olhar. que ficava situada em um canto tranquilo. Isabella perdeu o fôlego quando reconheceu. Isabella mordeu o lábio inferior e desviou o olhar para o tráfego que fluía além da janela do carro. Theron franziu a testa. Não era à toa que possuíam a empresa hoteleira mais bem-sucedida do mundo. posso contratar um projetista para trabalhar com você. – Quais são seus planos. eu me concentrarei no futuro. Bella? Ao girar. planejo tirar um verão sabático. Não era algo que . – Terei de verificar se minha agenda permite isso – retrucou. – Aonde vai me levar para almoçar? – questionou Isabella. como se achasse aquele som encantador. Eu o achei deslumbrante. para dentro. isso será muito divertido. – Algo errado. Theron a guiou. apressado. Ele e os irmãos tendiam a uma atitude implacável no que dizia respeito aos negócios. Se anotar todas as suas preferências. E excitada. Sabia que era um fardo inesperado. – Apenas um pouco cansada. – Tenho uma mesa sempre disponível para mim. Theron nada disse. Mas tão rápido quanto o deixou transparecer. – Temos um excelente restaurante no hotel – disse Theron. imaginando como fazê-lo enxergá-la não como uma inconveniência. Minha pequena. Não se importava como o local onde comeriam. – Talvez seja melhor permitir que eu providencie a mobília para o seu apartamento. por um breve instante. Planos. – Planos? – Sim. Aquilo a fez trincar os dentes. Isabella sorriu em seu íntimo. confusa. Aquilo era estranho e um tanto surreal. deparou com o olhar preocupado de Theron.acomodou ao seu lado. mas ela podia sentir que aquilo o incomodara. Mas não podia culpá-lo. Os olhos de Theron se arregalaram. Tal atitude devia lhe causar urticária. tenso. contornou a mesa para se sentar no lado oposto. No outono. Ela sorriu e negou com a cabeça. Mal posso esperar para escolher tudo para o apartamento. Bella? – quis saber Theron. como se fizessem parte da realeza. Ele era escorregadio. quais são seus planos profissionais? – Oh! Bem. não. Planejando a forma mais fácil de se livrar dela. ele a observou preguiçosamente. Theron pestanejou para encobri-lo. e ele os fixou nela. – O que gostaria de comer. e ela não conseguiu mais conter a risada. Isabella resistiu ao impulso de revirar os olhos. Alguns minutos depois. mais para lembrá-lo daquele compromisso do que por mera curiosidade sobre o restaurante. Quando chegaram ao hotel. – Isso significa que fará compras comigo? Theron resmungou algo incompreensível. e Theron era um homem ocupado. Agora que se formou. Era o mesmo que Theron usava quando ela estava com 13 anos. Depois de deixar o corpo alto e esbelto afundar na cadeira. e dessa forma não necessitaria ir comprar tudo que precisa. mas como a mulher que o amava e o desejava desesperadamente. enquanto a equipe de segurança os cercava por todos os lados. foram guiados à mesa de Theron no restaurante. em seguida. quase excluída das demais. pethi mou? Isabella se encolheu em seu íntimo diante do tratamento carinhoso.

Ofegante. perplexa. Isabella não conseguiu conter o nervosismo. inclinando-se para trás na cadeira. A pulsação de Isabella acelerou. impaciente com alguém que não tivesse um plano incontestável. e Bella quase deixou escapar uma risada. desajeitados e “agradáveis”. sacudindo a cabeça quando percebeu que ele a chamava fazia alguns segundos. Extremamente tentada a esticar a mão e escorregar a ponta dos dedos ao longo daquela aspereza e. enquanto deixava o olhar vagar por suas feições. e o garçom se apressou em partir logo em seguida. Está mesmo pretendendo se casar antes de completar 25 anos? – Estou contando com isso. A testa de Isabella se enrugou enquanto ela o observava. Mas Theron… Beijá-lo seria como perseguir uma tempestade. – Você mencionou casamento. – Agora. Se ao menos ele soubesse! Aquilo fora tudo que ela fizera nos últimos anos: planejar seu futuro. Theron falava com sarcasmo. – Bella? Isabella pestanejou várias vezes. Isabella anuiu e girou a cabeça na direção do garçom que se encontrava parado ao lado da mesa. – Pensei muito sobre meu futuro. estudando os lábios de Theron. Imagino que em algum momento parou para pensar nele. Se dependesse dela. . – Desculpe… Perdida em pensamentos. – O que sugere? – perguntou ela. – Tomei a liberdade de fazer uma lista de possíveis candidatos. – Isso é bom.evocava imagens dos dois enroscados na cama. sobre a maciez dos lábios de Theron. Como seria beijá-lo? Beijara vários rapazes na faculdade. Theron fez os pedidos de maneira sucinta. – Theron meneou a cabeça. outros. ao imaginar o roçar quente daquela língua na sua. Theron anuiu como se aprovasse. porque comparados a Theron. Será que Theron se mostraria tão favorável àquela ideia se soubesse que ele era o noivo escolhido? Isabella suspirou. não passavam disso. Excitante. Alguns eram muito bons. Bella – começou ele. – Candidatos? A quê? – Casamento. a curvatura firme e sensual da boca e a sombra escura da insinuação da barba que já lhe cobria a mandíbula. Como se estivesse planejando um assassinato em vez de uma sedução. Sentiu-se tentada. – Isso mesmo. – Meu futuro? – Ela soltou uma risada leve na tentativa de tranquilizar as batidas desgovernadas do coração. sem dúvida. seu futuro estaria inexoravelmente ligado ao dele. Bella. Quente. – Estava sugerindo que experimentasse o salmão – disse Theron. – Talvez possamos conversar sobre o seu futuro. Sentia-se tão perniciosa. Pretendo ajudá-la a encontrar um marido. em seguida. Com ele. – Vou querer o que ele sugeriu – afirmou com voz rouca. Parecia à vontade. Sobre o seu futuro. fazendo com que cada terminação nervosa do corpo de Isabella entrasse em combustão espontânea. Rapazes.

Seria até mesmo adorável se ele não estivesse tão empenhado em casá-la com outro homem. Os lábios de Isabella tremeram. a cereja do bolo. pethi mou – disse ele em tom tranquilizador. Fingirão ter sido seduzidos por sua meiguice e generosidade. mais uma vez. Theron adotou uma expressão séria. – Há muitos homens que lhe dariam o mundo. por ora. – Você está procurando um marido. jovem e bonita – retrucou ele. – Estou nesta cidade há dois dias e você já planeja me casar. fingindo surpresa. Theron pestanejou. Um calor intenso se espalhou pelo braço de Isabella quando os dedos longos lhe acariciaram a palma. sem dúvida. obviamente se empolgando com o assunto: – Portanto. Theron não poderia ser aquele homem.Capítulo 4 ISABELLA O observou. – Uau! E nenhuma menção à minha inteligência. O que mais poderia dizer? O que desejava de fato era se inclinar para a frente e lhe perguntar se não poderia ser ele aquele homem. – Por isso mesmo acho que devo me envolver em sua procura por um marido. Isabella se recostou para trás. Não conseguiu se conter. Após minha apreensão inicial. imaginando se de repente ele desenvolvera um senso de humor. com expressão surpresa. com um sorriso ainda lhe curvando os lábios. – Todos os homens entre 20 e 80 anos estarão dispostos a se casar com você e levá-la para a cama. Os caça-dotes fingirão desconhecer sua fortuna. claro – murmurou. Aquele era o discurso mais doloroso que já escutara. Dentre todos os absurdos que já escutara. – Pretende fazer o quê? – perguntou ela. Uma mulher em sua posição social deve ser muito cuidadosa. acabei achando uma boa ideia. esperteza e charme. tomei a liberdade de elaborar uma lista de candidatos qualificados. Fico feliz em saber que não planejo me casar por razões superficiais. franziu a testa. E diga-me: o que quer dizer com “uma mulher na minha posição deve ser muito cuidadosa”? – Você é rica. Isabella teve de se esforçar para não se encolher na cadeira. É importante que qualquer homem que permitamos que se aproxime de você seja minuciosamente avaliado por mim. e tinha de admitir que toda aquela preocupação era lisonjeira. Ele estava muito sério. Mas Isabella já sabia a resposta. Pelo menos. – Não fique desanimada. Não até que tivesse tempo para se acostumar à ideia. esticou o braço sobre a mesa e lhe segurou a mão. Haverá homens que tentarão se aproveitar de você. mas ela não ousou soltar outra risada. vendo-a continuando a rir. – O que acha tão engraçado? Isabella fez um movimento negativo com a cabeça. – Tem razão. fingindo ser o que não são. sem rodeios. Em seguida. aquele era. . Isabella soltou uma sonora gargalhada. desconfiada. É apenas uma questão de encontrar o certo. – Theron prosseguiu. não necessariamente nessa ordem.

mas não era ingênua. Devia pensar que todas as mulheres ansiavam por dar à luz uma extensa prole tão logo lhe colocavam uma aliança no dedo. mas em seguida. ele gesticulou para que Isabella continuasse a listar as características de seu pretendente. me abraçar. – Então. – Deixe-me adivinhar: você os quer imediatamente. Todo o corpo de Theron emanava uma intensa energia sexual. Os olhos de Theron lhe varreram a pele exposta e. lamentando a perda daquele contato. quais são suas exigências em relação a um marido? – perguntou Theron. Bella pensou que Theron fosse soltar uma risada. ela fingiu pensar sobre o assunto. – Quero que ele seja mais rico que eu para que minha fortuna não seja um problema. moreno e bonito. Beijos. mas sim. Gostaria que ele fosse alto. de um modo suave. Por um instante. vivenciou também a intensidade obscura e taciturna de um homem cujas paixões fervilhavam profunda e intensamente. Por fim. a mente reunindo todos os aspectos que mais apreciava em Theron. Em seguida. me acariciar. havia algo naquele olhar. Tivera algumas experiências com os namorados. concordando. começou a contar as qualidades nos dedos. fora ele a lhe dar um beijo suave e lhe dizer que ficava muito honrado com a possibilidade de ser seu primeiro homem. – Vejamos. diga-me. Theron meneou a cabeça. Isabella fixou um olhar pensativo nele. indulgente. não vejo razão para esperar. Houve apenas um que quase a seduzira a se entregar por inteiro. mais tarde. – Não quer ter filhos? Theron pareceu surpreso. – Não concorda que eu deveria esperar isso de um homem? – perguntou Bella. – Gostaria também que fosse gentil e responsável. Theron revirou os olhos. seria importante que ele concordasse com isso.Theron sorriu em aprovação e lhe soltou a mão. e certamente não era tola no que se referia aos homens. ela imaginou ver a paixão em resposta às suas palavras. . – Isso porque não é você quem os terá – retrucou ela. – Não estamos discutindo sobre mim. Theron arqueou uma sobrancelha. – Não disse que não queria ter filhos – respondeu Isabella. Antes de responder. Passara anos à procura de algo que ao menos se assemelhasse àquela paixão que florescera em sua adolescência. Ela baixou o olhar à própria mão. que não seja capaz de passar um dia sem me tocar. Como prefiro não ter filhos de imediato. Theron limpou a garganta e desviou o olhar por um breve instante. antes de se inclinar para trás na cadeira. Tivera sua parcela de rapazes interessados. Terá de ser um excelente amante. Ela o estaria afetando ou seria ele completamente imune? Não. enquanto o estudava. rouca e com a voz cheia de desejo. e. – Descreveu o desejo de metade da população feminina. mas que ela deveria resguardar sua inocência para alguém que ocupasse um lugar especial em seu coração. Isabella baixou o tom de voz e se inclinou para a frente: – Quero que ele anseie por mim. calma. Era capaz de identificar um flerte inocente. Nunca antes Isabella sentira o intenso magnetismo que existia entre ela e Theron. Isabella podia ser jovem. por um instante. Quero um homem que saiba me dar prazer – concluiu. apalpadelas desajeitadas que a fizeram colocar o rapaz porta afora. E então.

maridos. Theron engasgou com o gole do vinho que engolia e se apressou a pousar a taça na mesa. sentiase agradecida por não ter entregado de bom grado sua inocência. Isabella cortou um pedaço do delicioso peixe. – Mas não acha que estou certa em desejar um bom amante? – insistiu ela. Perfeitos para beijar. claro. . aliviado com a aparição do garçom que trazia os pedidos. Os olhos de Theron faiscavam com o reflexo da vela situada no centro da mesa. Travis tinha razão. você se oferecerá a se incumbir de minha educação nesse sentido? – perguntou ela com um lampejo de sorriso. Theron a surpreendeu murmurando com aquele sotaque sexy: – Sua mãe morreu quando você ainda era criança. Isabella o observou ingerir uma garfada da comida e limpar a boca com o guardanapo. – Seria uma lástima se um homem não tivesse ideia do que fazer com uma mulher como você. Bella. – Se eu responder que não.Na época. Estava maravilhoso. A respiração de Isabel ficou presa em algum ponto de seu peito. do que a uma mulher de 22. – E amantes – acrescentou Isabella. Por outro lado. que tipos de homens se revelariam os melhores maridos. E é natural que queira alguém que compartilhe de sua visão sobre casamento e família. Agora. – Sim. quase suspirou de prazer. – Acho que tem razão em dar ênfase a essas… qualidades – concordou ele. e ela se encontrava faminta. após o garçom se retirar. – Apenas estava imaginando se você teria conversado com outra mulher sobre homens. Aquele homem tinha de fato lábios estonteantes. Erguendo o garfo. – É evidente que não seria adequado um homem que a negligenciasse em qualquer aspecto. Quando o sentiu em sua língua. com o rosto cheio de espinhas. ela também. – Tem razão. certo? Houve alguém com que você pudesse conversar sobre… os homens? Isabella o encarou. Alguém conversou com você sobre essas questões. Ela engoliu em seco diante da força primitiva que irradiava de Theron em um zunido baixo e sensual. se ela ou Theron. e devia entregá-la apenas a um homem especial. Ele parecia constrangido e. e a garganta começou a se fechar. ou pelo menos a um relacionamento sério. Aquela pergunta ridícula estava mais apropriada a uma adolescente de 14 anos. resignado. Isabella pestanejou ao perceber que Theron falava com ela. – Devo lembrá-lo de que foi você quem começou esta conversa – rebateu ela. – Theron deu de ombros. Mais uma vez. Isabella interpretara aquilo como a desculpa de um homem fugindo de uma mulher que obviamente ligava o sexo ao compromisso. atônita. diabos. – Não quer que sua futura esposa seja uma boa amante? Theron lhe dirigiu o que ela podia classificar como olhar horrorizado. claro – concedeu Theron. – Theron ergueu o olhar. Era óbvio que Theron esperava por sua resposta. com uma das sobrancelhas erguidas. Theron pensava mesmo que ela chegara à idade de 22 anos sem nunca ter ouvido a história da cegonha? Não sabia dizer quem estava mais horrorizado. – Sua diabinha! Não é educado fazer alguém rir quando está bebendo. Sua virgindade era algo precioso. – Só falta você se oferecer para comprar artigos femininos para mim – resmungou Bella. ela praguejou contra tal interrupção. Porém. – Suponho que isso seja um “sim”. sem conseguir disfarçar o constrangimento. Theron a encarou com expressão exasperada. e. Isabella se inclinou para trás na cadeira com uma expressão desafiadora estampada no semblante.

Ao menos ele se esforçava para erguê-la a um patamar não ameaçador. – Oh. E lá estava a barreira outra vez. verei se consigo encaixar uma ida a alguma loja de móveis em minha agenda. Estava mais que disposta a ser uma pupila aplicada sob a tutela daquele homem. Sem mencionar comida e itens básicos. Inclinando-se para a frente. – Toalhas. com uma leve entonação arrogante. ela pousou o queixo em uma das palmas. – Você é meu tutor. Isabella deixou escapar um suspiro. Desejava desesperadamente aquelas mãos longas e elegantes sobre cada centímetro de sua pele. Isabella teve de se esforçar para conter um tremor que lhe varou todo o corpo. É meu dever lhe despertar a paixão e lhe ensinar tudo que ela precisa saber sobre… fazer amor. Isabella se concentrou em terminar a refeição. pratos. mais para o final da semana. – O que é seu dever? – Esse não é o tipo de conversa adequada para nós – respondeu ele. tenso. – Tão experiente assim? Theron fez uma careta. e a última coisa que ela desejava era semear qualquer tipo de instinto paterno no cérebro de Theron. – Não espero que minha esposa seja sexualmente experiente quando se deitar comigo. roupas de cama… Theron ergueu uma das mãos e sorriu. com a voz estrangulada. e quase revirou os olhos. Havia curiosidade nos olhos de Theron. Nunca pensou na possibilidade de ela lhe ensinar uma ou duas coisas? Theron pousou a taça. Era óbvio que nunca lhe ocorrera que alguma mulher pudesse lhe ensinar o que quer que fosse no que se referia ao sexo. – Posso lhe assegurar que há muito pouco que uma mulher possa ensinar que eu já não conheça muito bem – respondeu ele. ele a questionou sobre qual o próximo passo em relação ao apartamento. antes de tomar outro gole do vinho. É meu dever… – Ele se calou. e ela permitiu. com o ultraje estampado no rosto. o que significava que aquela era a opinião de Theron sobre ela: uma ameaça. e não do tipo platônico. mas também interesse. Theron a observou. esquecendo-se da comida. Isabella enrugou o nariz. – Não sei por que nossa conversa desceu a este nível. Ele. – Não estamos discutindo minha futura esposa – acrescentou com aspereza. animada. preciso de tudo – respondeu ela.– Não. . pelo visto. Então. Porém. Ele podia estar lutando com unhas e dentes contra aquele sentimento. Se puder ficar mais alguns dias na suíte do hotel. claro que não espero que minha futura esposa seja uma boa amante. mas o olhar não mentia. Mandarei entregar no apartamento para que você não precise comprar. – Isso parece muito medieval. Theron se considerava um bom amante. tomando cuidado para não erguer o olhar e encontrar o dele. não se incomodava em fazer o papel de tutor quando lhe convinha. Com quem mais posso conversar sobre estas questões? Theron deixou escapar um suspiro longo e desolado. queria desesperadamente ouvir o que ele considerava ser seu dever para com a mulher que compartilharia sua cama. – Vou precisar de móveis. claro. deixando que o silêncio os envolvesse. Quando terminaram a refeição. Mas a curiosidade de Isabella fora despertada. – Faça uma lista de gêneros alimentícios e quaisquer itens domésticos de que necessite. mas de modo algum é apropriada entre um tutor e sua tutela.

escorregando uma das mãos pelas costas delgadas e espalmando as nádegas firmes através do tecido da calça. Em seguida. Perdendo o fôlego. Portanto. – Theron atirou o guardanapo sobre a mesa e gesticulou para o garçom. Os lábios se fundiram. Eles se encontraram ao contornarem a mesa. provando-o e testando os contornos daquela boca sensual. Theron lhe pousou a mão nas costas. Era um beijo de dois amantes. Theron ficou imóvel. temendo que. antes de voltar a encará-la. antes de fechá-la nas mechas espessas e sedosas. na altura da cintura. A mão que se encontrava espalmada na curva de sua nádega rumou para cima. Theron lhe envolveu o corpo com os braços. antes que ele pudesse esboçar qualquer reação. Não era um simples beijo ou carícias efetuosas trocadas entre duas pessoas que estavam se conhecendo. escorregando sob a blusa e lhe pressionando a cintura com força até que Isabella se encontrasse esmagada contra a rigidez daquele corpo musculoso. pethi mou. quando saíram para o saguão. sabendo que Theron se inclinaria e lhe daria um beijo em cada face. Não havia hesitação ou espera por permissão. Porém. E então ele a invadiu. Farei com que seja providenciada. e os dois entraram. Theron se lembraria de que a estava beijando. Podia sentir a fragrância cítrica da colônia masculina que Theron usava. Isabella se encontrava ciente de cada toque. com um gemido rouco emergindo da garganta. ela se voltou para Theron. – Vou acompanhá-la até seus aposentos – disse ele. anuiu e se levantou da cadeira. famintos um pelo outro. O elevador se aproximava da cobertura. ela encostou o corpo no dele e. ela ofegou quando a mão de Theron fez aquele primeiro contato com sua pele. O que ela não se negou a fazer. enquanto ela o beijava de maneira ousada. Ele enterrou a outra mão no cabelo longo e macio. . Theron se inclinou para lhe depositar um beijo rápido no rosto. travando uma batalha frenética com a língua de Isabella. – Obrigada por esta manhã – murmurou Isabella. aquele momento estaria perdido. ele era um homem ocupado. Mais uma vez. Puxando-a contra o corpo até que não houvesse nenhum espaço entre ambos. Afinal. por fim. Era como se tivessem estado separados por muito tempo e. envolveu-lhe o pescoço com os braços no mesmo instante em que os lábios quentes lhe roçavam o lateral do rosto. A atmosfera pareceu explodir ao redor deles. Mesmo antes de se fecharem completamente. Isabella não ousava emitir nenhum som. resvalando no couro cabeludo. convidando-a a corresponder com igual intensidade. Assim como Bella previa. Em vez disso. A princípio. ele assumiu o controle. As portas do elevador deslizaram para se abrir. queimando-a mesmo através do jeans. enquanto a guiava para a saída. Ela esticou a mão para segurar a dele. O calor que dele irradiava a envolvia como um casulo. conseguissem se encontrar. – Pronta para retornar à sua suíte? Isabella não estava. Os seios intumesceram e latejaram contra o peito largo. O atrito quente da língua de Theron a induzia a abrir ainda mais a boca para lhe facilitar o acesso. Pedirei à minha secretária que entre em contato com você sobre o apartamento e nossa ida à loja de móveis. Estavam tão próximos. e uma descarga elétrica gravitou entre eles com uma potência equivalente aos raios de uma tempestade. Isabella girou a cabeça de modo que as bocas dos dois se encontrassem. – Não há o que agradecer.– Faça uma lista detalhada. focou a energia em fazer aquele contato durar o máximo possível. mas também sabia que não podia monopolizar toda a manhã de Theron. Duas pessoas que se conheciam intimamente. Os dedos que a acariciavam eram como ferro em brasa contra sua pele. se o fizesse.

Quando os lábios de Theron deixaram os dela para escorregar por sua mandíbula e pescoço. ela escutou os passos apressados se afastando no corredor. Praguejando mais uma vez em grego. a última peça do quebra-cabeça se encaixara. Não que Isabella tivesse tido alguma dúvida naquele aspecto. com partes iguais de raiva. impotente. autocondenação e… desejo. Isabella o encarou. fechou os olhos e abraçou o próprio corpo. Theron provara ser o par perfeito para ela. antes de puxála para fora do elevador até a porta da suíte. aquela boca macia e quente a abandonou. Ela fechou os olhos. ela gemeu. ele fez um movimento negativo com a cabeça. Quando girou para dizer alguma coisa. e um xingamento baixo escapou dos lábios de Theron. A química que compartilharam. Um tremor lhe varou o corpo. A paixão entre eles fora instantânea. Theron a afastou. Os olhos castanhos queimavam. Theron já estava soltando a porta para que se fechasse. Isabella recostou as costas na porta. Nunca sentira algo parecido com os lábios de Theron. sussurrando suavemente contra a pele sensível abaixo do lóbulo de sua orelha. enquanto revivia aqueles momentos preciosos nos braços de Theron. O último enigma havia sido descoberto. um combustível avassalador. e agora. escancarou a porta com uma das mãos. segurando-a com força pelos braços. que abriu inserindo o cartão com toda a força na fechadura. . Isabella entrou devagar. todos os sentidos despertando após um longo inverno. Em seguida. A única coisa que lhe restara saber era se havia compatibilidade sexual entre os dois. durante aqueles momentos ardentes no confinamento do elevador. tudo que lhe restava era fazê-lo ver isso. De todo modo. Antes de ouvir o clique da fechadura. incapaz de se conter. incapaz de dizer ao menos uma palavra. Em todos os outros aspectos. De repente. sabendo que aquele momento estava perdido. Isabella sentiu os joelhos cederem e teve de se agarrar a ele.

E. Não importava o que fizesse.Capítulo 5 THERON PRENDEU o nariz entre o dedo polegar e o indicador. Bella precisa de alguém mais… independente. um dos quais do irmão Piers. Da fragrância envolvente. Madeline lhe lançara olhares durante toda a manhã. Que tal Charles McFadden? Theron franziu a testa. inclinando-se para trás na cadeira. Theron resmungou algo e cerrou as pálpebras. O corpo ainda ansiava por fazer exatamente aquilo. Madeline transpôs a soleira. Muito mimado pelos pais. – Então traga-a para mim – ordenou ele. – Fez aquela lista que lhe pedi? – De qual delas está falando? – À lista de homens solteiros qualificados que solicitei. não conseguia se livrar da imagem de Isabella. Theron fez que não com a cabeça. – Leia os nomes para mim – disse ele. Tudo que lhe ocupava a mente era uma jovem atrevida de cabelo negro e olhos verdes tentadores. Madeline riscou o primeiro nome com um movimento teatral. Esquecera-se de duas reuniões e dispensara três telefonemas. então. e não conseguira dormir mais que uma hora durante toda a noite. quase a arrastara para o quarto da suíte e fizera sexo com ela. segurando uma folha de papel. e talvez estivesse certa. as curvas perfeitas moldadas ao seu corpo como se fossem feitas sob medida para lhe pertencer. A voz calma de Madeline se fez ouvir. Aqueles que pretendo apresentar a Bella. como se achasse que ele havia perdido a cabeça. perguntando o que ele desejava. Tinha a impressão de que alguém havia martelado sua cabeça. – Dormiu bem esta noite? – perguntou Madeline. Pelo que parecia ser a centésima vez desde que chegara ao escritório naquela manhã. Theron fez um movimento negativo com a cabeça. ainda assim. esperando que ela desistisse e fizesse o que ele pedira. – Muito bem. Era o tutor de Isabella. Impaciente e um tanto agitado. a sensação dos lábios macios nos seus. Aquela mulher estava destinada a enlouquecê-lo. Instantes depois. estreitando o olhar observador. Theron apertou o botão do interfone. – Há rumores de que ele agredia a primeira esposa. No mesmo instante. – Trata-se de um idiota imaturo. Theos mou! Não conseguia esquecer aquele beijo. Theron gesticulou para que a secretária se sentasse na cadeira em frente à mesa. Responsável por seu bem-estar. – Ah. aquela… Sim. soltando um xingamento grosseiro e longo. Estava cansado. . fiz. – Reginald Hollister.

Madeline deixou escapar um suspiro. Theron olhou para Madeline com expressão severa. Ela devia saber o que agradava Isabella melhor que ele. e apressou-se a riscar aquele também. Madeline se ergueu e sorriu para Isabella. concedendo-lhe a visão da tatuagem que tinha nas costas. Tenho certeza de que o sr. – Ótimo. Isabella girou por um instante.– Bradley Covington? – Um chato – retrucou Theron. fazendo um enorme círculo em volta daquele nome. Parecia ser uma fada ou uma borboleta. e ele foi deixado a sós com Isabella. e aquilo o estava deixando maluco. Quando lá chegou. – Isso não será… Mas a secretária já havia se retirado. estacou e girou. . bem como o piercing no umbigo. Era melhor deixar aquele assunto por conta de Madeline. Ambos são homens solteiros. À medida que o olhar subia. – Tad Whitley. Os dois foram interrompidos quando a porta se escancarou e Isabella entrou. Precisamos conversar. Ela deu palmadas leves no braço de Isabella em seu caminho em direção à porta. Theron fez um gesto de rendição com a mão. Não que aquilo parecesse intimidá-la. O desenho quase faiscava. – Acho que deveríamos incluir Marcus Atwater e Colby Danforth também. Eu estava mesmo de saída. minha querida. – Não é rico o suficiente. Não conseguiria sobreviver àquilo. belos e não estão namorando ninguém no momento. com um sorriso luminoso estampado no rosto. Tinha vontade de se aproximar e lhe arrancar aquele short para ver o desenho. Ele não sabia dizer. – Não tem problema. – Não vi Madeline… Aí está você – acrescentou quando se deu conta da presença da secretária. ele cancelou todos os seus compromissos da manhã. Theron percebeu que a camiseta era curta e lhe revelava o abdome. O olhar de Theron a varreu de cima a baixo. Theron franziu a testa mais uma vez e tentou imaginar uma razão para desconsiderar Paul. Anetakis tem algum tempo para você. apressada. – Posso convidá-lo para o coquetel que o senhor oferecerá na noite de quintafeira? Theron resmungou uma afirmativa. Madeline sorriu. – Fico feliz que tenha vindo. As sandálias lhe deixavam expostas as unhas pintadas de rosa. Que lhe deixava as pernas longas e bronzeadas à mostra. – A secretária baixou o olhar à lista e voltou a fixá-lo em Theron. E se moldava aos seios firmes de uma forma que o fazia lembrar dos concursos de camiseta molhada. Uma tornozeleira dourada pendia frouxa sobre o pé. Ao que parece. Theron limpou a garganta e gesticulou para a cadeira que Madeline deixara vaga. para constatar que ela usava um short. – Vou suspender suas ligações e anotar os recados. – Paul Hedgeworth. assim Isabella ficará satisfeita. Curto. – Garth Moser? – Não gosto dele. – Desculpe-me pela entrada intempestiva – disse ela com voz ofegante. – Ahá! – exclamou Madeline quando nenhum comentário foi feito.

Uma tatuagem. minimizando o que aconteceu. tenso. antes que Theron pudesse acrescentar qualquer coisa. Theos! Ali estava ele. Como diabos poderia fazer o sermão que planejara com tanto cuidado se Isabella se mostrava desapontada com o fato de ele ter tocado no assunto? – Se você se arrependeu. Esfregando o rosto com as mãos. – Não estrague tudo – disse ela com voz rouca. achei que foi próximo da perfeição. gostaria muito que o fizesse em silêncio – disse ela. Então era isso? Isabella era capaz de varrer facilmente da mente o que acontecera na véspera. de se arrepender e de jurar por tudo que é mais sagrado que nunca mais se repetirá. A pulsação em sua . aquela mulher irritante o reduzira a um idiota apalermado. jamais teria feito uma bobagem como aquela. Logo ele. – Aquilo não deveria ter acontecido – retrucou ele. Não estrague o que aconteceu. Até mesmo naquele momento. Theron a encarou. e gostaria que não assumisse uma atitude paternalista. se isso era tudo que tinha em mente. o que deixava os seios perfeitos em sua linha de visão. – Estragar o quê? – O beijo. – Você tem o direito de esquecer o que houve. Isabella ergueu uma das mãos. Isabella se acomodou na cadeira de frente para ele. boquiaberto. Theron se descobriu a ponto de balançar a cabeça negativamente outra vez. realçando cada curva e elevação. Mas não espere que eu faça o mesmo. ainda assim. mas se colava aos volumes arredondados. Theron se encontrava a ponto de perder a cabeça e o controle. O fato de você afirmar o contrário não depreciará o que se deu em minha mente. – Sobre o que quer conversar? – perguntou ela. – Você está estragando tudo. já que tenho certeza de que você desejará analisá-los antes. Não devia sequer acalentar tal pensamento. como se estivessem prestes a discutir o tempo. – Agora. O que estava pensando? Se Isabella fosse sua. se desculpando. Theron se viu sem palavras. Não podia acusá-la de usar um decote muito profundo e revelador. quando olhava para aqueles lábios carnudos. Era o diplomata da família. sentado. – Sobre ontem… – começou. Isabella cruzou as pernas e juntou as mãos sobre o colo. Mas Isabella não lhe pertencia. A camiseta os cobria muito bem. No que se refere a beijos. imaginando o que permitiria ou não que ela fizesse se lhe pertencesse. Providenciei para que os papéis que necessitam de minha assinatura fossem enviados por fax para cá. Isabella suspirou. Uma novidade. e a surpresa o fez silenciar. acho que poderíamos finalizar os preparativos para o apartamento e planejar nossas compras. que sempre tinha algo a dizer. sempre o mais sensato e. revivia a sensação de tê-los nos seus. Podia recordar o sabor e a fragrância daquela mulher. Theron pestanejou várias vezes. Era muito mais excitante que um decote generoso. enquanto ele se consumira durante toda a manhã? A lembrança não só o consumira como torturara. Nunca pertenceria. Ele teve vontade de bater com a cabeça no tampo da mesa. Theron resolveu se concentrar na questão presente. enquanto Isabella o encarava com semblante calmo. confuso. Não havia sentido em macular aquele corpo. Pedi para não fazer isto.

– Não me pediram segredo quanto a isto. esqueci-me de lhe dizer que planejei um coquetel para quinta-feira.masculinidade se intensificou ao imaginá-la nua. veja se ela pode encaixar algumas horas para escolhermos sua mobília. o fez experimentar uma descarga elétrica. e fechou a porta. divertida. gostaria ao menos de ter a chance de escolher um vestido deslumbrante para a ocasião. ela se ergueu. Mas aquilo suscitou outro pensamento muito intrigante. por isso se preparara para cortá-lo. Isabella ergueu o papel. – Suponho que também não tenha lhe informado qual será a ocasião. Quando sair. Além do mais. A secretária ergueu uma folha de papel e a empurrou na direção dela. leu o conteúdo e voltou um olhar atônito a Madeline. Madeline pegou uma pilha de papéis em um canto da mesa e sorriu para Isabella. – Ele lhe contou sobre a festa? Isabella pegou o contrato de locação e franziu a testa. A tatuagem era o desenho de uma fada envolta em poeira dourada faiscante. Pedirei para meu advogado analisá-lo se você quiser. – Não. tentando entender o que acabara de acontecer. Antes que ela pudesse responder. enquanto ele se movia dentro dela. Atirando o longo cabelo para trás. as linhas que lhe vincavam a testa se aprofundando. O sorriso de Isabella lhe aqueceu partes do corpo que não ousaria mencionar. – Por que tenho a impressão de que estão me preparando uma armadilha? – Porque estão? – retrucou Madeline. acenou com a mão para se despedir e se encaminhou na direção da porta. Isabella se sentou na cadeira ao lado da mesa de Madeline. Uma fada. tendo aquele corpo como mapa. mordendo o lábio inferior para suprimir um sorriso. muito graciosa. Ela se congratulou em silêncio pela forma como lidara com a situação. Theron não mencionou festa alguma. Em seguida. Quanto às compras. – Bella. Isabella girou outra vez na direção da mulher mais velha. – Veja se Madeline está com o contrato. Era óbvio que Theron se preparara para lhe passar um sermão infindável sobre não deverem repetir o que haviam feito no dia anterior. – Bem. Haveria outras tatuagens? Talvez uma ou duas que só poderiam ser vistas se ela estivesse nua? O pensamento de sair em uma caçada às tatuagens. Às 19 horas em minha cobertura. Madeline está com minha agenda da semana. em sua cama. agora ele mencionou – disse Madeline. ele enfiou a cabeça pelo vão da porta entreaberta. Isabella deixou o escritório. Theron tornou a entrar. Theron praguejou em seu íntimo e forçou a mente a se concentrar nas questões presentes. se eu estivesse sendo convidada para uma festa em que meu futuro marido estaria presente. Mais uma vez. Combinava com ela. Aproximou-se da mesa de Madeline e perguntou educadamente se a secretária teria recebido algum fax endereçado a ela. – Conte-me. Madeline providenciará para que um carro vá buscá-la no hotel. Naquele instante. portanto não estou traindo a confiança de ninguém. Era provável que Theron ainda se encontrasse desequilibrado. animada. Nada que não estivesse esperando. – Marido? . e gostaria que você comparecesse. antes de ele começar.

ansiosa. o pensamento de Theron estar noivo. Ela e a mãe chegarão a Nova York em menos de uma semana. então havia tempo para garantir que ele não o fizesse. e a mulher mais velha se acomodou ao seu lado. Essa fascinação pelo sr. Eu o amo desde minha adolescência. – Bem. Anetakis não quer um noivado longo. para todos os efeitos. mas a secretária de Theron também não fazia ideia da profundidade de seus sentimentos e de sua determinação. Naquela ocasião até poderia ser considerada uma empolgação. conte-me. – Theron está determinado a apresentá-la a rapazes com potencial para serem bons maridos. . há quanto tempo sente essa empolgação por Theron? – Empolgação? – perguntou Isabella com partes iguais de divertimento e devastação. – Sente-se. Não era de se estranhar que ele tivesse ficado tão transtornado com o beijo que trocaram no dia anterior. – Quando será o casamento? – perguntou ela com voz suave. Talvez a melhor coisa a fazer seja se concentrar nos homens que Theron tem em mente para você. – Sim. Detestaria vê-la… sofrer. mesmo se falasse. querida. – O quê?! – Ele também não falou sobre isso? – indagou Madeline. erguendo-se em seguida. – Bem. cautelosa. – Madeline apontou uma cadeira. e contornando a mesa até onde Isabella se encontrava sentada com as costas rígidas e as mãos unidas com força no colo. Não se opusera à ideia porque achara que Theron não falava sério. então. Ele tem um acordo com a família Gianopolous para se casar com a filha deles. a julgar pela expressão compassiva no olhar de Madeline. – Não estou gostando deste olhar. Isabella sabia que Madeline tinha boas intenções. então acredito que seja durante o próximo outono. Anetakis não lhe contou que estava procurando um marido para você? Pensei que ele tivesse mencionado isso pelo menos uma vez. – Agora. querida! – Ofegou. – Oh. Se Theron não fizera o pedido. Isabella se inclinou para a frente. Theron já encontrou alguém? – Isabella tentou afastar da voz o horror que sentia. – Então ele ainda não fez o pedido de casamento? Uma sensação de alívio se derramou sobre Isabella. – O sr. – Talvez ele esteja com pressa para poder se concentrar no próprio casamento – acrescentou a secretária em um tom de voz tranquilizador. Ainda assim. Entorpecida. Alannis. mas a compreensão lhe suavizou a expressão. – Empolgação é um sentimento superficial e passageiro. Anetakis só pode terminar em decepção. de ter um compromisso com outra mulher… Fechou os olhos contra a repentina pontada de dor que a invadiu. ele mencionou superficialmente. mas não estava muito certa de haver conseguido. mas agora? Madeline fez um gesto negativo com a cabeça e lhe deu palmadas leves na mão. – Ele vai mesmo se casar? Está noivo? Madeline pareceu confusa por um instante. – Conte-me – pediu. Madeline franziu a testa. E. E sussurrou: – O que acha de irmos até a sala de reuniões? Isabella permitiu que a secretária a guiasse até a outra sala e trancasse a porta. mas pelo que entendi será mera formalidade. O sr. Ontem mesmo. você não ouviu de minha boca. Isabella obedeceu.As sobrancelhas da secretária se ergueram. Bella achou que lhe restava muito tempo até que ele cumprisse o prometido. antes ele terá de fazer o pedido.

Madeline negou com um gesto veemente de cabeça. desejo-lhe boa sorte. está bem? – E a compra dos móveis? Para quando quer marcar? Isabella negou com a cabeça. – Então. As duas deixaram a sala de reuniões. Estarei lá. – Não se engane.Isabella tomou as mãos da secretária. Pegou o telefone celular e digitou o número de Sadie. e tenho como filosofia não me envolver na vida pessoal dos meus chefes. Se sua mãe fosse viva. Não me envolverei nisso. Isabella soltou as mãos de Madeline e suspirou. – Irei sozinha. sou eu: Isabella – disse quando a amiga atendeu. Isabella. – Minha mãe amava meu pai loucamente – disse Isabella com voz suave. embora forçado. – Está bem. antes de devolvê-lo à secretária. É urgente. . não. me enviar de volta. – Tem de me ajudar. Ficariam felizes em me casar com o homem que eu amasse. – Peça para ele ler e. Você está sozinha nessa empreitada. – Oh. – Oi. se não tiver nenhuma objeção. Quando é mesmo esse coquetel? – Na noite de quinta-feira. Madeline ficou de pé e a observou com certa reserva. Madeline. na certa lhe diria a mesma coisa. – Você me agradecerá quando ele for um homem mais feliz. Ambos queriam que eu fosse feliz. girou para se retirar do escritório. Em seguida. com a mente em turbilhão pelo choque inesperado que tivera ao saber do noivado iminente de Theron. Às 19 horas. Nenhum homem vale a perda de seu respeito próprio. Theron cometerá um grande erro. – E era correspondida. – Está ocupada? Preciso encontrá-la. Theron fez sua escolha. Isabella esboçou um sorriso. Preciso fazê-lo ver isso. – Obrigada. e Isabella se apressou em assinar o contrato de locação. Isabella anuiu com um gesto lento de cabeça.

Ou o desespero. – Não comemore ainda – retrucou Isabella. – Nós nos beijamos ontem – disse ela. A amiga se sentou ao seu lado. querida… – Sadie a envolveu nos braços. – Você diria “não” a Theron Anetakis? – Bem… não. Precisa apenas fazer o mesmo que pretendia. não me parece uma união baseada no amor. É verdade. não é? Ele ainda nem fez o pedido de casamento. Theron está noivo. Na certa tem uma linhagem impecável. A solidão nunca a incomodara. Em seguida. Pelo que me contou. Ela deve ser adorável. Esse é o problema – respondeu Isabella. Isabella cobriu o rosto com as mãos e tentou não deixar que o pânico a dominasse. desanimada. – Nem ela dirá. – Está bem. e ela haveria de preferir tomar ácido de bateria a contestar um desejo dos pais. mas agora via-se diante da possibilidade de não conseguir a única pessoa que desejava ao seu lado. – Oh. quando por fim Sadie a soltou. – Ainda. se esforçando para esboçar um plano. – Isso não muda nada.Capítulo 6 – ISSO É um desastre! – gemeu Isabella. – Sadie riu. Isabella lhe dirigiu um olhar incrédulo. – Está vendo? Eu lhe disse! – exclamou a amiga. desanimada. O pai há de ter rios de dinheiro. Theron não resistirá a você se passar um tempo ao seu lado. . esse… – Ao menos agora sei por quê. precisava de todo o apoio que pudesse obter. As sobrancelhas de Sadie se ergueram. – Que mulher excitante. – Mas isso não significa que não conseguirá. – Você não desistiu. Naquele momento. antes de fixar o olhar outra vez na amiga.” – Ah. – Theron fez aquele discurso esta manhã. Ou ao menos tentou. para todos os efeitos. Faça-o enxergá-la como você realmente é. não acha? Isabella soltou uma risada. – Agora a está fazendo parecer um poodle. – Ainda significa que ele tem total intenção de fazê-lo. divertida. – Ela pode não aceitar – argumentou Sadie. foi um erro. aquele do tipo: “Isso não deve se repetir nunca mais. – Essa mulher é sem dúvida uma boa jovem grega de uma boa família grega. fixou o olhar no teto. – Aquele discurso? – Você sabe. deixando-se afundar no sofá de Sadie. – Não estou sendo muito gentil. Isabella se deixou ser abraçada pela amiga. Portanto. – Isabella suspirou. Não será fácil como pensou que fosse – afirmou Sadie. a preocupação lhe distorcendo os belos traços.

Só poderá fazer o teste quem for convidado. grandes papéis. Bem. – Está bem. Isabella girou a cabeça rapidamente na direção da amiga. não é exatamente um teste. na noite de sábado. ninguém seria capaz de notar a diferença. talvez eu tenha um método meio tortuoso para fazer com que Theron a veja quase nua. Bem. Sadie sorriu. dessa forma. – Agora você atraiu minha atenção. Todos a querem. pensei que você pudesse me substituir. Sadie fez uma careta. e Leslie vai apresentá-lo a mim. – Quer que eu me passe por você em um clube de striptease? Sadie. apenas por algumas horas. Então. Ela está me fazendo um grande favor apenas em me recomendar a Howard. Não posso perder essa festa. Leslie conseguiu um convite. – Vamos. – Faça-o se apaixonar por você. Eu a conheci algumas semanas atrás. mas poderá se transformar em um se souber jogar meus dados da maneira correta. Ninguém fica olhando para seu rosto em um lugar como aquele – acrescentou ela. O beijo foi… – Isabella respirou fundo e sorriu. Howard Griffin estará lá.Isabella soltou outro suspiro. Todas as dançarinas terão de estar presentes. maliciosos. – Pense bem. sem desculpas. impaciente. – Se me permite pensar em mim por um momento. Sadie? Este suspense está me matando. e pode parecer meio interesseiro. – Quem é Howard? E quem é Leslie? – quis saber Isabella. Um grupo de forasteiros ricos que vêm para a cidade uma vez por ano. – Então o que devo fazer? Sadie lhe apertou a mão e sorriu. Inclusive eu. Até eu conseguir bons papéis. este final de semana eles alugarão o clube por uma noite. – O que significa fazê-lo esquecer essa questão da tutela. – Não pode ir direto ao ponto. – …quente. a veria seminua. – Se eu não aparecer no trabalho sábado à noite. e nos tornamos amigas. com a maquiagem certa. Se ele descobrisse onde você estava. sonhadora. quanto mais se souber que trabalhei lá por uma noite. mas poderia funcionar. – Howard está produzindo um musical na Broadway e fará testes na próxima semana. iria até lá arrastá-la pelo cabelo e. Mas o que isso tem a ver comigo? Sadie lhe dirigiu um olhar suplicante. As pessoas são capazes de matar por um convite dele. Talvez. Sou uma péssima dançarina. . não posso me dar o luxo de perder o dinheiro que ganho no clube. eu uso uma peruca loura no clube. diga-me o que é – estimulou Isabella. sem dúvida explodiria de raiva. É algo muito importante. Porém. – Primeiro. – Tenho um teste no sábado à noite. Isabella soltou uma risada. nem ao menos nos parecemos fisicamente. se você estiver usando as minhas roupas. mas ela está em alta na Broadway agora. perderei o emprego. – E o que isso tem a ver com Theron? Ele iria ter um ataque cardíaco se soubesse que entrei em um clube de striptease. Sadie fez um vigoroso movimento negativo com a cabeça. – Tenho de trabalhar neste sábado. eu tenho essa festa para a qual fui convidada. Temos a mesma altura e. Os olhos de Sadie faiscaram. Preciso que ele me veja como me viu naquele momento. – Eu pretendia lhe pedir isso de qualquer forma. Eu a faria ser despedida em dois segundos.

Ao que parece. eu o beijarei outra vez. porque Alannis e companhia limitada estão no escritório dele. ergueu a cabeça e lhe lançou um olhar curioso. Sadie franziu a testa. nenhum homem é digno de tanto esforço. Encontrarei em forma de lhe atrair a atenção. mas isso lhe dará a chance de me fazer outro sermão. – Droga! – resmungou.– E isso não causaria sua demissão? – questionou Isabella. Claro que aquela mulher não seria simplória. quando adentrou os escritórios da empresa. – Ela apontou na direção de três homens de aparência intimidante. se inclinou para sussurrar: – O que está havendo? Madeline limpou a garganta. Alannis e a mãe eram belíssimas de uma forma clássica e elegante. O sorriso de Isabella se alargou. – Que tal eu a substituir sem que Theron saiba? Depois pensarei em uma maneira de chamar a atenção dele. Isabella se apiedou da amiga. Posso burlar esses guarda-costas e substituí-la no clube. ansiosa. – Não pensei nisso. Na minha opinião. pela manhã. Sadie se encontrava boquiaberta. Isabella aprumou a coluna e lançou um olhar à porta fechada do escritório de Theron. – Sabe de uma coisa? Espero que ele valha todo esse sacrifício – disse Sadie. – Encontrarei uma forma de burlar a equipe de segurança. Ele não saberá onde estou. Enquanto a mãe tinha o cabelo preso em um coque . aquela que deveria ser Alannis. se encaminhou naquela direção. ele contratou um bando para me seguir por Nova York. não acha? Terei de ir ao escritório dele bem cedo. mas outra queria ver a mulher com quem Theron pretendia se casar. que se encontrava parado diante da escrivaninha. Eu sei. Seguiu até a sala de Madeline para perguntar o que estava acontecendo e encontrou o local cheio de gente. – Por que tenho a impressão de que verá essa segurança como um desafio? – Sadie meneou a cabeça. abriu a porta e entrou. está levando esse assunto de tutor longe demais. Uma mulher mais velha também girou. No mesmo instante. com um sorriso travesso a lhe curvar os lábios. Aquela é sua equipe de segurança. para ser apresentada a eles e. Eles comunicarão imediatamente a Theron. – Alannis e a mãe chegaram. ISABELLA SALTOU do táxi em frente ao prédio onde ficava o escritório de Theron e caminhou apressada na direção da entrada. deparou com uma pilha de malas no corredor. isso é ridículo. Entrou no elevador até o andar desejado e. Ouça. Se o sermão for muito severo. Portanto. Aquilo não era nada bom. – Em minha opinião. não devo ir a lugar algum sem esses seguranças – disse ela. – E os outros são pessoas relacionadas aos compromissos desta manhã. Franzindo a testa. com a testa ainda mais franzida. Uma parte de Isabella desejava sair correndo o mais rápido e para o mais longe possível. Quando alcançou a mesa da secretária. Estão aguardando. porque aquilo era pedir demais. – Deixarei Theron maluco. Theron. Por fim. de acordo com Theron. – Você tem guarda-costas? – Sim. Sem dizer uma palavra. ergueu o olhar e franziu a testa ao vê-la. – Tem certeza? – perguntou Sadie. ignorando os apelos de Madeline. sim – afirmou Isabella com voz suave. – Theron.

– Bella – disse Theron em tom de voz áspero. voltou a fixar o olhar em Isabella. O olhar encontrou o de Theron mais uma vez. antes de se erguer e contornar a mesa. e Alannis lhe ofereceu um sorriso simpático. Sophia. – Venha comigo – disse. recordando-se do que lhe . ela fez o caminho de volta à mesa de Madeline. Resolvi ajudá-la. Eu os orientei sobre o que espero deles. Isabella lhe dirigiu um olhar surpreso. claro. aqui estou. Theron apertou o botão do interfone e disse a Madeline que estava enviando Isabella para conhecer sua equipe de segurança. Um instante depois. – Esta é a menina sobre a qual comentei. – Alannis é uma jovem adorável. – Em seguida. Estava muito ocupada tentando encontrar um defeito em Alannis. – Ah. esqueci-me completamente de sua equipe de segurança. – Igualmente – respondeu Isabella com um fio de voz. sim. E. em uma cascata de ondas escuras sobre os ombros. a não ser que sua voz fosse estridente. – O que quer dizer com isto? Madeline deixou escapar um suspiro. Alannis o usava solto. ela foi dispensada. – Quem é ela? – perguntou a mãe de Alannis em um tom autoritário. mas a expressão do belo semblante másculo era indecifrável. Sophia. quase a arrastando consigo. No mesmo instante.impecável. esta é Isabella Caplan. – Mudei de ideia. Os olhos castanhos eram afetuosos e simpáticos quando ela esboçou um sorriso hesitante. Madeline fechou a porta e girou para encará-la. Sophia lhe deu um abraço carinhoso. Ela e Theron formavam um casal fabuloso. Isabella se deixou guiar até a mesma sala de reuniões do dia anterior. a senhora se aproximou estendo-lhe as duas mãos. Porém. – Madeline não lhe falou que eu estava ocupado? A reprovação era evidente em sua entonação. Sophia abandonou a postura alerta e lhe dirigiu um sorriso doce. Isabella se encontrou atirada para fora do escritório. Eles estão aguardando lá fora. – Bella. – É um prazer conhecê-la – disse Alannis com um sorriso tímido. e Isabella agradeceu. Para sua surpresa maior. Em seguida. dessa forma. – Com a agitação pela chegada de Alannis. – Ele dirigiu um sorriso na direção da noiva. Theron franziu a testa por um instante. Isabella. Terá de me desculpar. aquela mulher se aproximava da perfeição. – Talvez ela tenha mencionado que você estava ocupado – murmurou Isabella. Isabella consultou o relógio de pulso em um gesto afetado. – Sophia lhe beijou as bochechas. e então a recordação se refletiu em seu olhar. A secretária lhe dirigiu um rápido olhar de compaixão. Bem. Acho maravilhoso que ele esteja se incumbindo de apresentá-la a maridos em potencial. Theron voltou a atenção à senhora e exibiu um sorriso tranquilizador. – Você me disse para estar aqui pela manhã. Procurou algum indício de que ele estivesse sofrendo. Madeline pode fazer o restante com você. – Agora você a está fazendo parecer um poodle – comentou Isabella. Senhoras. gostaria de apresentá-la a Alannis Gianopolous e sua mãe. Theron nos contou tudo sobre você. Como um autômato. – Está precisando de alguma coisa? – quis saber ele. perplexa. – É um prazer conhecê-la. mas Isabella resolveu ignorar aquele detalhe. minha tutelada.

Você vai. exasperada. – Como foi sua viagem? Espero que tenha corrido tudo bem. embora ela não pudesse dizer que a sutileza era o ponto forte daqueles homens. – Sim. A mente girando em uma rotação absurda. – A secretária suspirou. deixe-me apresentá-la à sua equipe de seguranças. Isabella os observou com expressão tristonha até Madeline lhe dar uma cotovelada leve nas costelas. Tinha de arquear o pescoço para trás para poder enxerger os rostos dos três brutamontes. Sem dúvida eles se adequavam ao papel de seguranças. e Theron está mais para um leão. O que fará com ela é problema seu – concluiu. Em seguida. minha menina. – E Madeline guiou Isabella de volta ao escritório. Isabella ouviu apenas parte das instruções. Madeline resfolegou. Alannis estava de braços dados com ele. Percebi no instante em que pousei os olhos na mãe enérgica que ela tem. Mas a sutileza também não era o ponto forte de Theron. – Eles têm ordens estritas de acompanhá-la para onde quer que vá. Isabella franziu a testa. animada. – É melhor não levantar suspeitas da mamãe ursa. – Estou muito feliz por estar aqui. – Achei que tivesse como filosofia nunca interferir na vida pessoal de seus chefes – disse Isabella. mas não é a mulher certa para Theron. – Não vou interferir. – Sua equipe de segurança está do seu agrado? – perguntou Theron em tom educado. foi ótima – respondeu ela com um leve sotaque inglês. Está com os ingressos. O sorriso de Isabella se alargou. focou a atenção em Alannis. Nós duas sabemos disso. após a ópera. Tenho a impressão de que essa mulher se transforma em uma barracuda quando se trata da filha. batendo o pé no chão repetidas vezes. Estou lhe dando a informação. Alannis é um ratinho. em um esforço hercúleo para ser extremamente amável. Quando Madeline estava lhe apresentando o último guarda-costas. Isabella anuiu com um gesto lento de cabeça. – Isabella ergueu as sobrancelhas. – Então desistiu? – perguntou Madeline. – Enquanto raciocina. e Isabella se encolheu em seu íntimo diante da adoração que viu refletida naquele gesto. – Talvez ele deseje um rato – murmurou Isabella. – Tão cedo? – Sim. Theron deve saber também em algum lugar daquela sua cabeça dura. o que significa que terá de agir rápido – retrucou Madeline. ela é verdadeiramente adorável. Isabella forçou um sorriso no instante em que o trio se aproximou. em um gesto impaciente. A secretária fez um gesto negativo com a cabeça. onde os homens as aguardavam. e a cabeça de Theron se achava inclinada para ouvir o que ela dizia. – Ele planeja fazer o pedido de casamento na noite de sexta-feira. a aliança e toda a noite planejada. – Está sendo muito óbvia.dissera Sadie. – A secretária girou na direção de Isabella e sorriu. dando de ombros. – Isso deve tornar as coisas interessantes para você. O sorriso da jovem de beleza clássica lhe iluminou todo o rosto. com uma expressão tristonha. – Alannis relanceou o olhar a Theron. – Esse casamento será um desastre. . a porta do escritório de Theron se abriu e os três saíram de lá. – Sim.

ela se limitou a fazer um movimento positivo com a cabeça. Talvez eu passe minha lua de mel lá quando me casar. – Claro – concordou Isabella. – Claro que estendi o convite às duas. – O coquetel – esclareceu ele. Quando passaram por Isabella. Ouvi dizer que é um país adorável para se visitar. ela se voltou na direção de Sophia com uma expressão animada. Talvez possam me contar tudo sobre a Grécia. o olhar de Theron se cravava em Isabella. os olhos castanhos perscrutadores deixando uma trilha de sensações sobre sua pele. Theron amaria Alannis? Sentiria certa afeição por ela? Alannis era mais velha que ela. mas não por uma diferença muito grande. Incapaz de proferir qualquer palavra por causa do nó que se encontrava alojado em sua garganta. ele gesticulou com a cabeça na direção dela. – Avise-me se tiver algum problema. Embora a noiva se encontrasse ao lado dele.– Esperamos revê-la na noite de quinta-feira – disse Sophia. – É melhor irmos agora – disse ele à mãe de Alannis. Talvez alguns anos? Havia uma inocência juvenil nos olhos daquela moça que fazia Isabella se sentir mais velha e experiente. Engolindo com dificuldade o nó que crescia em sua garganta. – Também estou ansiosa por voltar a vê-las. suave. Providenciarei para que a bagagem que trouxeram seja despachada para o hotel imediatamente. lançando um olhar confuso a Theron. . – Quinta-feira? – repetiu Isabella. – Vocês fizeram uma longa viagem. agarrada ao seu braço como uma alga marinha. Sophia se mostrou muito animada. enquanto a expressão de Theron se fechava.

Theron ergueu o olhar e a avistou do outro lado do restaurante. Sophia se inclinou para a frente. Myron ficaria muito feliz em apresentá-la a rapazes de boas famílias. Então por que não estava mais entusiasmado? Alannis se mostrava muito animada. expulsando aqueles pensamentos. todos estavam radiantes. – Que ideia maravilhosa. Sophia estava extasiada com a intenção de Theron em propor casamento a Alannis após a ópera. Porém. tentando se concentrar no que Alannis e Sophia diziam. – Theron não sabia por que. Os homens fariam fila pela chance se serem escolhidos. após acomodá-las na suíte que ocupariam. – Como disse? – Theron meneou a cabeça. – Oh. mas o pensamento de Isabella deixando o país e se casando com alguém tão longe lhe deixava um travo na boca. o excitamento lhe fazendo brilhar os olhos. comprara ingressos para o espetáculo favorito de Alannis. – Sabe de uma coisa? Adoraria me incumbir pessoalmente de Isabella. mas tudo de que conseguia se lembrar era que havia almoçado com Isabella àquela mesma mesa. aborrecido. Ele as levara para almoçar. Planejo apresentá-la a alguns rapazes que foram cuidadosamente investigados. Ele escutou Alannis repetir todos os detalhes da viagem e expressar de novo o contentamento por visitar Nova York pela primeira vez. Ele planejara meticulosamente aquela noite. sua mente não estava no presente. – Conseguiu encontrar candidatos qualificados para Isabella? – perguntou Sophia. com o propósito de terminar a noite com uma festa em seu hotel. Não. no coquetel da noite de quinta-feira. mamãe! – opinou Alannis. claro. Esfregou o rosto. Como se a tivesse conjurado.Capítulo 7 THERON NÃO conseguia tirá-la da mente. – Eu lhe transmitirei a ideia na próxima vez em que falar com ela. menos ele. Theron franziu a testa. sim. . sem nenhuma sutileza. Theron tinha certeza de que Sophia insinuara para a filha. – Eu imaginava se já conseguiu encontrar o rapaz ideal. Os pensamentos se encontravam povoados por uma tentação em forma de mulher. Isabella não teria nenhuma dificuldade nessa área. Sophia anuiu em aprovação. embora ele lhe tivesse pedido para manter os detalhes em segredo. seu plano de pedir Alannis em casamento. de cabelo escuro e um sorriso capaz de derreter um homem. Isabella caminhava ao lado da recepcionista que a guiava a uma mesa ao lado da janela. em um ato irracional. – Ela é uma jovem muito bonita. paciente. beijá-la no elevador. Não que o fato de ela se casar tão perto o fizesse se sentir melhor. antes de. Ela poderia voltar comigo para a Grécia. Ao que parecia. mas me parece solitária. Duvido que tenha dificuldades em encontrar um marido. – Você comentou que estava tentando encontrar um marido para ela – explicou Sophia.

mas ao menos ela teria um pouco mais de diversão. Sem família. Sentindo-se um pouco melhor. Agora estava feliz por ter planejado o coquetel para a noite de quinta-feira. quando uma semana antes via-se ansioso por uma vida ao lado de Alannis? Aquilo não fazia sentido algum. Um sentimento de culpa o atingiu ao se lembrar da própria ansiedade em se livrar dela. E se possuía amigos. com uma expressão pensativa.Recordando-se do comentário de Sophia sobre ela parecer solitária. digitou sua resposta a Madeline. e o fato de ter homens em seus calcanhares para onde quer que fosse a deixava nervosa. um dos seguranças se interpôs à sua frente. O cabelo estava atado em um rabo de cavalo. Ela seria sua amante e mãe de seus filhos. Afinal. a secretária respondeu a mensagem. deixando escapar um suspiro exasperado. Theron refletiu sobre as circunstâncias daquela jovem. Pela primeira vez. Isabella estacou. – Ouça… como é seu nome? Os guarda-costas lhe haviam sido apresentados no dia anterior. não lhe contara nada sobre eles. Uma moça naquela idade ficaria entediada com a festa que ele planejara inicialmente. os dedos enroscados em uma mecha de cabelo que ela enrolava distraída. Usava calça jeans e camiseta. A mãe de Alannis estava certa. Antes que ela pudesse dar dois passos na direção do primeiro da fila. que olhava além da janela. um homem se aproximou e começou a caminhar ao seu lado. barrando-lhe a passagem. O homem entrou no elevador com ela e se posicionou ao fundo. Mais uma vez o olhar de Theron vagou na direção de Isabella. Uma onda gelada de pânico o invadiu até que gotículas de suor lhe brotassem na testa. mas ela estivera distraída com a . Tentando ignorá-los. Isabella se encaminhou resoluta à porta da frente. Aquela era a mulher com quem passaria o resto da vida. lembrando a si mesmo que. onde se encontravam os táxis. se juntaram a outros dois guarda-costas. Após um instante. Mas o sorriso não se expressava naqueles belos olhos verdes. Ela de fato parecia solitária. Quando chegaram ao saguão. Em seguida. Em vez de lhe injetar consolo e contentamento. Tomou um gole de água sem desviar o olhar do ponto onde o fixara. Poderia transformar a reunião insípida em sua cobertura em uma festa de boas-vindas a Isabella no hotel. Theron aproveitou a oportunidade para observá-la. Ainda não se acostumara àquela escolta. Ele franziu a testa ao lê-la e voltou a fixar o olhar em Isabella. não queria combinar nada com Alannis para a mesma hora. dentro de alguns dias. a ideia de firmar tal compromisso o enchia de medo. voltou a focar a atenção em Alannis. a pediria em casamento. Ela iria sozinha? Não queria sua companhia? Com a mesma expressão contrariada estampada no rosto. e não havia nenhum vestígio do sorriso sobre o qual ele recordava havia pouco. Isabella se acomodou sozinha. Como deveria ser difícil para ela estar desacompanhada em uma cidade estranha. Até mesmo um pouco triste. e sorriu quando o garçom foi atendê-la. Poderia apresentá-la aos rapazes da lista de Madeline. Tão logo Isabella deixou sua suíte. Descubra o dia em que ela pretende ir e suspenda minha agenda. Theron enfiou a mão no bolso e pegou o telefone celular. digitou uma mensagem para Madeline perguntando sobre o dia em que faria compras com Isabella. Por que reagia tão mal agora.

impedindo-a de pegar o táxi. Anetakis. você queria minha companhia. – Temos ordens estritas para levá-la para onde quiser ir no carro que o sr. – Presumi que. e por ser o guarda-costas que lhe bloqueava a passagem. lhe segurou a mão. – Ele gesticulou na direção dos dois outros da equipe de segurança que a ladeavam. srta. pethi mou. Theron aprovou a atitude e voltou a atenção a ela. em seguida. Anetakis providenciou para a senhorita. Poderiam esperar no restaurante. – Esse à esquerda é Davison e ou outro é Maxwell. Se esperava por uma confirmação ou negativa daqueles dois.notícia do noivado iminente de Theron. retirou os óculos escuros e os guardou no bolso da camisa polo. Vou fazer compras para o meu apartamento. – Alguns dias atrás. já que não me é permitido tomar o táxi? Theron ergueu uma sobrancelha. Isabella o encarou. Reynolds. – A srta. Mudou de ideia? Confusa. – Deve estar enganado – disse ela a Reynolds. – Isabella se dirigiu a ele por parecer que aquele era o chefe do bando. – Claro – murmurou ela. – É importante que siga minhas instruções. Tenho certeza de que está aqui para ver Alannis. – Muito bem. Quando se encontrava diante dela. Theron desceu do veículo e caminhou em sua direção. Os guarda-costas se limitaram a permanecer imóveis. esta manhã. Caplan. – Não quero tomar seu tempo. antes de constatar o óbvio. – Não há nenhuma possibilidade de cabermos todos dentro daquele táxi – afirmou. Para a surpresa eletrizante de Isabella. – Preciso entrar naquele táxi. Caplan estava prestes a entrar no táxi. que haviam surgido de repente. – Algum problema? – perguntou com a testa franzida. Reynolds confirmou a hora no relógio de pulso e. Não há necessidade de me seguirem em um programa tão feminino. – Isabella relanceou o olhar a Reynolds. – Ou devo chamá-los de Huguinho. Reynolds exibiu outro sorriso. que inferno! – resmungou. esperando que ele concordasse. como está com convidados aqui. – Ora. . os dedos longos se fechando firmemente nos dela. observou o carro luxuoso e lustroso parar a alguns centímetros de distância de onde estavam. Temos ordens de acompanhá-la para todos os lugares. Isabella xingou entre os dentes cerrados e observou a expressão divertida do guarda-costas. alternando o olhar entre Davison e Maxwell. – Temo não ser possível. Vou fazer compras. Então aqueles brutamontes tinham outra expressão além do semblante de estátua! – Pode me chamar de Reynolds. Em seguida. ficou desapontada. – Poderia chamar o carro. – Até mesmo ao toalete? – Se necessário for… – retrucou o segurança. olhando constantemente ao redor. – Não me encontrarei com Theron hoje. Porém. Isabella franziu a testa. varrendo o sorriso do rosto de Isabella. Zezinho e Luisinho? Aquele que a encarava exibiu uma carreira de dentes brancos quando sorriu. Reynolds fez um breve gesto negativo com a cabeça. à procura de algum perigo em potencial. a senhorita terá de aguardar a chegada do sr. Reynolds a observou com semblante sério. não teria tempo para me acompanhar. As providências que tomei são para o seu bem-estar e segurança. e eu lhe explicava por que ela não deveria fazê-lo.

– Não estou tão ocupado que não possa manter uma promessa. como . e disse isso a Theron. – E por que um esquema de segurança tão forte? – perguntou. Caplan. puxando-a pela mão e a guiando em direção ao carro que os aguardava. estão vivendo lá. – Pensei que estivesse muito ocupado no trabalho e com o entretenimento de suas… convidadas. Os sequestradores não foram presos. Isabella começava a se acostumar ao pequeno séquito de guarda-costas que seguiam Theron para onde quer que ele fosse. foram recepcionados por Reynolds. se tudo saísse como desejava. Isabella se acomodou no confortável banco de couro. girou para se dirigir a Reynolds. – Então. Estava grávida. Obrigada. O fato de ele não parecer aflito para correr para Alannis assim que acabaram de fazer compras a deixou animada. porque. Isabella se encontrava cansada e faminta. portanto. – Ele parece tão intimidador. – Bem. não permaneceria em Nova York para ver Theron com outra mulher. mas não costuma deixar a esposa e o filho com muita frequência. Minha equipe assumirá a segurança da srta. Houve uma mudança na expressão de Theron. Quando o motorista colocou o veículo em movimento. – Como estão Chrysander e a esposa? – indagou Isabella. animada. ela fez um gesto negativo com a cabeça e exibiu um sorriso tristonho. Porém. Após gesticular para que ela se acomodasse no banco de trás. ela podia sentir cada movimento de Theron. que informou a Theron que permaneceriam no restaurante enquanto eles estivessem lá. na época. Ele sugeriu que almoçassem no hotel outra vez. Theron parecia apreciar o fato de Isabella não demorar muito para se decidir por um produto. Às 14 horas. – Quando foi a última vez que não conseguiu fazer as coisas do seu jeito? Theron lhe dirigiu um olhar surpreso. e ele se sentou ao seu lado. Isabella se voltou para a janela. exasperada. Mas a verdade era que ela não se importava muito com o tipo de móveis que colocaria em sua casa. Se ele se mostrava tão protetor com alguém que definia como estando “sob seus cuidados”. A expressão de Theron se fechou no mesmo instante. E então Isabella girou e sorriu. uma sensibilização contra a qual lutou. De vez em quando. Disse-lhe que faria compras com você. e aqui estou. – Obviamente não tem a mesma percepção de mim – retrucou Theron em tom de voz seco. Não arrisco a segurança daqueles que estão sob meus cuidados. que ele tentava manter impassível. – Não consigo imaginar Chrysander tão apaixonado – disse ela. Caso contrário. – Parece um pouco pretensioso. – Minha percepção de você não tem nada a ver com a que tenho de Chrysander. Marley prefere morar na ilha. – Fico feliz que tenha vindo. soltando uma risada. antes que ele pudesse lhe dar qualquer resposta. Quando retornaram ao hotel. Aquelas emoções conflitantes se refletiam no semblante. Isabella deixou o olhar vagar pelo corpo musculoso e o fixou nos olhos castanhos de Theron. – Antes de se casar com Chrysander.– Ah. não moraria lá por muito tempo. mas você também é minha convidada – retrucou ele. suave. e perceber sua respiração como se fosse a sua. o que o fez vir até aqui esta manhã? – perguntou. Chrysander viaja a negócios. Embora não o estivesse mais observando. Marley foi sequestrada e mantida em cativeiro para exigência de resgate. – Estão dispensados até que retornemos. Os dois passaram a manhã comprando os itens da lista que ela necessitava para o apartamento.

– Minha decisão talvez deixe alguém como você enlouquecido. você pode fazer o que achar melhor. mas aquilo não pareceu intimidar o homem. – Permite-me perguntar o que isso significa? – Apenas imagino que sua vida seja planejada nos mínimos detalhes e que não tenha paciência com pessoas que não são tão organizadas quanto você. boquiaberto.seria com alguém que amava? Um sorriso sonhador lhe curvou os lábios. imaginando se aquele era um dos homens da infame lista de maridos em potencial que Theron elaborara. Estou certa? – perguntou ela em um tom de voz malicioso. O rapaz relanceava o olhar a Isabella enquanto falava. – Então. – Palavras sábias para alguém tão jovem. Theron lutou contra uma expressão contrariada. enquanto os dois eram guiados à mesa de Theron. conte-me. – Theron. Ela ergueu o olhar para deparar com um belo homem que caminhava na direção deles. Ela ergueu . que agora se encontrava parado ao lado da mesa. – O prazer foi meu. – Obrigada por me acompanhar. Estava bem-vestido e exalava riqueza e refinamento. diria que ele estava bastante afetado com sua presença. pethi mou. – Não há nada errado em planejar tudo com antecedência. mas nem sempre as coisas saem de acordo com nossa vontade. A aproximação do garçom que trazia os pedidos o poupou de uma resposta. agora que se formou na faculdade? Isabella sorriu. – A voz grave lhe penetrou os pensamentos. Poderia conviver com aquela tendência superprotetora se isso significasse que ele a amava. – Você insiste em se lembrar da minha idade para não ficar tentado a fazer algo ultrajante como me beijar outra vez? Theron pestanejou várias vezes. Por várias vezes. – Pensei que havíamos combinado esquecer que isso aconteceu. com uma taça de vinho na mão. Tenho minha vida bem planejada. Em seguida. Bella. que bom revê-lo. – Eu não concordei com nada disso. Isabella terminara a refeição quando ouviu o nome de Theron ser chamado a algumas mesas de distância. Nem um pouco. O verdadeiro desafio é como se readaptar quando seus planos desandam. A agitação que ele sentia ficava evidente nos movimentos bruscos e curtos enquanto comia. mas na verdade tenho um plano muito bem traçado para o meu futuro. e a observou. Se tivesse de arriscar um palpite. Theron se recostou para trás na cadeira. Isabella enrugou o nariz e revirou os olhos. embora não tivesse sido seu nome a ser pronunciado. Após fazer os pedidos. E a olhava com indisfarçável interesse. – Parece satisfeita consigo mesma. Havia labaredas naquelas profundezas douradas. sorrindo. os olhos castanhos se ergueram e encontraram os dela. Não deveria andar sozinha em um lugar com o qual não está acostumada. Ela observou Theron durante toda a refeição. – Ficou contente com as compras que fez? Isabella anuiu. – O que quis dizer com “alguém como você”? – perguntou ele. Por que Nova York? Não prefere ficar perto de seus amigos da Califórnia? E tem pensado no que vai fazer. – Tem razão. Theron não era imune a ela. Fiquei feliz ao receber seu convite para a noite de quinta-feira. Theron parecia muito insatisfeito com a interrupção. No entanto. paciente. e ela também o observava. contraiu a mandíbula. antes de relaxar e sorrir.

sorrindo diante da expressão surpresa do rapaz. e acabou por soltar uma risada ao perceber que a carranca de Theron se tornara ainda mais intimidadora. e. ótimo… Nesse caso. oferecendo um sorriso luminoso ao rapaz. – Isabella se inclinou para a frente. – Ele voltou a fixar o olhar em Isabella. não possui dívidas. sim. – Que pena! Suponho que terei de descobrir por mim mesma. educado. O olhar furioso era capaz de derreter o aço. mas em vez de se limitar a trocar um aperto cordial. Bella. levou-a aos lábios e a beijou. – Marcus seria uma boa escolha. . Fico feliz por ter vindo confirmar. mas Theron a ignorou. – Você deve ser Isabella Caplan. Isabella o observou se afastar e voltou a atenção a Theron. – Você irá? – falou Isabella. como está a cotação dele em comparação com os outros homens que vem considerando para o cargo de meu marido? Theron lhe dirigiu um olhar de reprovação. – Um salão cheio de homens abastados e belos para que eu possa escolher. não perderia essa festa por nada deste mundo. Não lhe sugeriria um homem doente ou que tivesse algum problema que pudesse ser transmitido aos seus filhos. aqueles seus instintos protetores aflorassem. – Deus do céu! Não me diga que levantou a ficha médica dele! – exclamou Isabella. antes de me decidir por um. E confirmar se era a misteriosa Isabella Caplan. – Diga-me. – Claro que sim. Contente. – Quase no topo – resmungou. fingindo sussurrar de maneira conspiratória: – Descobriu se são bons amantes também? Theron engasgou com a bebida. Marcus? – perguntou Theron de um jeito nada amistoso. – Oh. mas Marcus pareceu não se incomodar… ou intimidar. nunca foi casado e é saudável.uma das sobrancelhas em uma expressão questionadora. Talvez se Theron visse outro homem flertando abertamente com ela. Quem sabe se de repente se visse diante de certa concorrência… – Nada – respondeu Marcus. – Guardará a última dança da noite de quinta-feira para mim? Com um sorriso largo. – Muito bem. Marcus aceitou a mão estendida. chame-me de Bella. pousou o copo e resmungou em tom de voz baixo: – Claro que não questionei a vida sexual de seus pretendentes. Um lindo nome para uma igualmente linda mulher. Isabella se inclinou para trás na cadeira. aquela em cuja homenagem a festa será dada. – Então posso confiar que qualquer homem que estiver em sua festa foi cuidadosamente vasculhado e tem seu selo de aprovação? Theron assentiu com um gesto lento. não se importará se passarmos algum tempo juntos no coquetel? – Não – retrucou Theron entre os dentes cerrados. Isabella lhe estendeu a mão. – Deseja alguma coisa. – Eu o vi acompanhado de uma linda jovem e quis conhecêla. Theron parecia afrontado por ela o ter questionado. não parecendo muito satisfeito com aquilo. – Por favor. Agora que sei que meu comparecimento me coloca na disputa. eu irei. ela confirmou com um gesto de cabeça. Sou Marcus Atwater. – Soube de fonte limpa que Theron se valerá dessa festa de quinta-feira para me arranjar um marido – acrescentou. então isso poderá ser divertido – disse ela com a expressão iluminada. – Claro. Isabella suprimiu uma risada e tentou adotar um semblante sério e agradecido. É bemsucedido. – Ora. incrédula.

– Seus seguranças a acompanharão até seus aposentos. – Terá de me desculpar. – Não se prenda por mim. Após algumas frases concisas. Theron gesticulou para Reynolds e se ergueu da cadeira. E. Estava mesmo pretendendo subir para minha suíte. Trata-se de uma reunião importante. enquanto ela lhe observava a evidente irritação. ele pareceu aliviado antes de atendê-lo. Theron estava a ponto de explodir. desligou e fixou o olhar em Isabella. . mas preciso ir. Bella.– Não fará nada disso! – rosnou Theron. Isabella deu de ombros de maneira casual. da qual não posso me ausentar. Os olhos verdes se arregalaram com expressão inocente. não tente ir a lugar algum sem eles. Quando o celular tocou.

Compreendia a necessidade delas. Eles lhes dão uma aparência de agentes do serviço secreto. Não se considerava uma ingênua. – Os ternos ficam – falou Davison pela primeira vez. Sem mencionar o fato de que não quero que todo mundo saiba que estou andando por aí com três guarda-costas em meu encalço. se vocês têm de andar como três sombras atrás de mim. Maxwell e Davison obedeceram. Isabella fingiu refletir sobre o assunto. – Algum problema? – perguntou Reynolds. Reynolds anuiu. – Pelo que a senhorita se interessa? – questionou o segurança. – Agora livrem-se da gravata e do blazer. galerias de arte… Oh.Capítulo 8 O AVISO de Theron ainda ecoava nos ouvidos de Isabella na manhã seguinte. Tão logo saiu da suíte. Apenas não tinha se dado conta da intensidade da preocupação de Theron quanto à sua segurança. enquanto engendrava um plano para burlar sua segurança. com polidez. que foi recebido com um sorriso de Isabella. – Para onde deseja ir esta manhã? – Reynolds retirou o telefone celular do bolso para chamar o carro. ele afastou a lapela. estar acompanhada por três brutamontes a tornava mais notável do que se . – O que sugere. Queria estar com uma aparência deslumbrante na festa de quinta-feira. O último lhe lançou um olhar severo. e não para agradar aos homens que Theron convidara. Para justificar a negativa. sensível a armas. Talvez aqueles homens pudessem lhe oferecer uma opinião masculina sobre qual vestido lhe ficava melhor. poderiam começar retirando os óculos escuros. enquanto passava as orientações ao motorista por telefone. Por um instante. os observou e fez um movimento negativo com a cabeça. com uma boa dose de mel na voz. e gostaria de conhecer a Estátua da Liberdade. – Ouçam. Isabella ficou boquiaberta. portanto terei de contar com sua ajuda. então? – Maxwell não pareceu muito satisfeito com aquele comentário. Isso só servirá para chamar atenção para mim. – Bom dia – cumprimentou ela. revelando a pistola que se encontrava em um coldre de ombro. – Não conheço Nova York muito bem. Não que se importasse que eles a acompanhassem às compras. As portas do elevador se abriram para o saguão. – Gostaria de fazer um tour pela cidade – respondeu ela. – Bom dia – respondeu o segurança. Mas em seu modo de pensar. Talvez escapar da segurança não fosse uma boa ideia. prefiro que usem algo menos caricato de personagens de filmes de máfia. Reynolds a seguiu. – Bem. Isabella estacou de repente diante deles. – Museus. e os dois se juntaram a Davison e Maxwell. ela hesitou. Os três homens negaram com a cabeça.

conseguisse se esgueirar para uma loja de departamentos e procurar seu vestido.
– Está bem. Concordo com os ternos – resmungou.
Os quatro saíram do hotel para onde o carro os aguardava.
Davidson ocupou o banco da frente, enquanto Maxwell contornou o veículo para se sentar no
banco traseiro, do lado oposto. Reynolds abriu a porta do banco de trás mais próxima e esperou que
ela entrasse.
Isabella fingiu exasperação e bateu com a mão na testa.
– Espere aqui. Esqueci minha bolsa – disse ela.
– Eu a buscarei para a senhorita. Entre no carro – retrucou Reynolds.
Mas Isabella já estava se encaminhando à porta da frente. Girando, ela ergueu um dedo.
– Levará apenas um minuto.
Reynolds começou a segui-la, mas ela se esgueirou, apressada, pelo saguão na direção do toalete
masculino. Certamente ele procuraria no feminino quando se desse conta de seu desaparecimento,
mas era pouco provável que se lembrasse de vasculhar o toalete masculino.
Isabella deixou a porta entreaberta alguns milímetros para que pudesse ver o que estava
acontecendo.
Reynolds passou apressado, rosnando em um pequeno dispositivo que se encontrava preso à
camisa.
Segundos depois, Maxwell e Davison passaram correndo em frente ao toalete masculino com as
expressões tensas. Isabella aproveitou para escapar do toalete e correr, sem hesitar, na direção da
porta de entrada, esperando que os três não olhassem para trás até que tomasse um táxi.
Em seguida, escorregou para o banco do passageiro do primeiro carro da fila e prometeu pagar o
dobro da corrida se ele saísse correndo dali. Mostrando-se mais que disposto a colaborar, o
motorista se afastou imediatamente da entrada do hotel e entrou na frente de outros dois carros.
Buzinas e xingamentos ecoaram de todas as direções, mas o motorista agitou o punho e sorriu.
– Para onde vamos, senhorita?
Isabella ergueu o olhar e viu que o homem a olhava pelo espelho retrovisor.
– Não sei ao certo – admitiu ela. – Preciso comprar um vestido. Um modelo deslumbrante capaz
de fazer um homem babar.
– Conheço o lugar certo – disse o homem, com um movimento afirmativo de cabeça.
Disposta a não negligenciar nenhuma medida de precaução, Isabella perguntou se o motorista
podia esperá-la enquanto fazia compras; com o taxímetro ligado, claro.
O taxista a deixou na entrada de uma luxuosa loja de departamentos e lhe deu seu número de
celular.
– Telefone-me quando tiver concluído e eu a buscarei aqui – disse ele.
– Obrigada – agradeceu Isabella enquanto saía do veículo.
Tomando cuidado para se manter perto do fluxo de pessoas, ela entrou na loja. Não era uma
completa idiota no que se relacionava à segurança. Evitava os cantos, não se desviava dos caminhos
principais e se mantinha ao alcance das câmeras de segurança. Quando chegou o momento de
experimentar o vestido, contou com a companhia de uma vendedora muito atenciosa no provador.
Afinal, precisava de uma opinião.
Após experimentar seis modelos, Isabella encontrou o certo. O tecido tinha um caimento perfeito
em seu corpo, valorizando-lhe cada curva, como uma segunda pele. Não havia babados ou franzidos,
nada que lhe disfarçasse as formas. O tecido era delicado, tinha alças finas, e a bainha ficava cinco
centímetros acima do joelho. Com um sapato de salto, teria os homens comendo em sua mão.

Ela franziu a testa ao se dar conta de que não lhe importava o que os outros homens fizessem.
Theron era seu objetivo, e ninguém saberia dizer qual seria a reação dele.
Isabella saiu do provador para mostrar à vendedora, e o rosto da mulher se iluminou.
– Perfeito, srta. Caplan. Simplesmente perfeito. Com o sapato certo, irá arrasar!
Isabella sorriu.
– Teria algum par de sapatos pretos com salto de 7 centímetros que combine com este vestido?
A vendedora sorriu.
– Volto já.
Minutos mais tarde, Isabella girou, avaliando as próprias pernas sobre os sapatos. Os saltos eram
agulha, mas lhe emprestavam uma aparência divina.
Não satisfeita em lhe vender um vestido e um par de sapatos obscenamente caros, a vendedora
também insistiu em assessorá-la na compra das joias perfeitas, é claro, e uma bolsa de mão.
Duas horas depois de ter burlado sua equipe de segurança, Isabella se encontrava sentada no táxi
rumando de volta ao hotel. Quando o motorista estacionou, ela recolheu as sacolas e se inclinou para
a frente para pagar a corrida.
– Muito obrigada. Agradeço muito que tenha me esperado.
– Sem problemas, senhorita. Boa sorte com sua festa hoje à noite. Tenho certeza de que tirará o
fôlego de todos os presentes.
Isabella sorriu, desceu do táxi e acenou enquanto o motorista se afastava. Com um sorriso nos
lábios, ela entrou no hotel e se encaminhou ao elevador.
A ausência de sua equipe de segurança a fez hesitar, enquanto uma onda de sentimento de culpa a
atingia. Estivera tão envolvida com as compras que não se lembrara de telefonar para Reynolds para
tranquilizá-lo. Nem o segurança nem Theron tinham o número do seu celular, portanto ficaram
impedidos de fazer contato.
Ela entrou na suíte digitando o número de Reynolds, e ergueu o olhar para deparar com quatro
homens furiosos com os olhares fixos nela.
Theron se levantou do lugar que ocupava no sofá, com as pupilas faiscando de raiva, e gesticulou
para os outros três.
– Deixem-nos a sós – ordenou, conciso.
Isabella deixou que as sacolas escorregassem pelos dedos, enquanto os três passavam por ela.
Reynolds lhe dirigiu um olhar de censura, e Isabella exibiu um sorriso hesitante.
Quando os seguranças saíram, ela se concentrou em Theron, que havia fechado a distância entre os
dois, parecendo muito ameaçador, o rosto transtornado.
– Você não os demitiu, certo? – perguntou, incomodada.
– Pode ter certeza de que sei exatamente de quem é a culpa – respondeu ele, entre os dentes
cerrados.
Isabella se inclinou para recolher as sacolas, e o contornou para se dirigir ao sofá.
– Burlar sua segurança foi uma inconsequência, Bella. Não deixei clara a necessidade de seus
guarda-costas? O que estava pensando?
Isabella girou e o observou, pensativa.
– Tive minhas razões – limitou-se a responder.
Theron jogou as mãos para o alto em um gesto exasperado.
– Que razões?
Isabella sorriu.
– Nenhuma que aprovará. Não me ausentei por muito tempo, e tomei cuidado. O gentil motorista

do táxi cuidou de mim muito bem, e a vendedora da loja não me deixou sozinha um só instante. Bem,
exceto quando foi buscar os sapatos.
O rosto de Theron se tornou cinza.
– Motorista do táxi? Confiou seu bem-estar a um motorista de táxi?
– Relaxe – retrucou com um sorriso. – Ele foi um perfeito cavalheiro. Levou-me até uma loja de
departamentos e esperou por mim até eu concluir as compras.
Theron engoliu em seco, parecendo imprimir um esforço hercúleo para dominar a raiva. Hum…
Theron perdendo a calma. Aquilo poderia fazer valer a pena ter dito a verdade.
– Por que resolveu sair sem sua equipe de segurança? Isso era tão importante a ponto de se
arriscar dessa maneira?
Isabella ergueu uma das sacolas de compras.
– Precisava de um vestido para a festa desta noite.
Theron inspirou profundamente, fechou os olhos e voltou a abri-los. Em seguida, se aproximou
com passadas largas e a segurou pelos ombros.
– Um vestido? Deu-me o maior susto da minha vida por causa de um vestido?
Theron a sacudia enquanto falava, e Isabella se amparou com as duas mãos na cintura reta para não
perder o equilíbrio.
– Não era qualquer vestido – murmurou ela, se esforçando para não rir. Talvez não devesse
provocá-lo daquela maneira, mas fazê-lo perder a compostura de repente se tornou sua missão. –
Não poderia conhecer meu futuro marido trajando nada menos que um vestido deslumbrante.
– Você é a mulher mais enervante e frustrante que já conheci! – vociferou ele.
E em seguida, puxou-a com força contra o corpo, apossando-se daqueles lábios carnudos com um
beijo bruto que sequestrou todo o ar dos pulmões de Isabella. Quando as mãos fortes deslizaram para
suas costas como duas garras de ferro em brasa, ela deixou escapar um gemido de prazer.
Theron a saboreava como um homem faminto. Era como se não conseguisse se saciar dela. Um
formigamento excitante lhe percorreu a espinha, os seios pulsavam, os mamilos se tornaram rígidos
contra a parede sólida daquele peito largo.
O som das respirações aceleradas e do beijo enchia a atmosfera. Um das mãos de Theron
escorregou pelas costas macias até a altura do cós do jeans e puxou o tecido da blusa até libertá-la
da calça. Em seguida, roçou os dedos sobre a pele exposta da cintura, onde ficava localizada a
tatuagem. Theron circundou aqueles contornos como se soubesse o que havia lá.
Ansiosa por sentir o sabor daquele homem, Isabella traçou com a ponta da língua o contorno dos
lábios sensuais até que ele respondesse com uma invasão implacável em sua boca. Quente.
Extremamente másculo. Theron tinha o sabor da força e do poder.
Isabella se perdeu no círculo vertiginoso daqueles braços, derretendo-se sob a boca que a violava.
A pulsação disparava, desgovernada. Como ansiava por aquele homem!
A mão longa subiu até lhe tocar a alça do sutiã. Os dedos de Theron tatearam o fecho e
paralisaram.
Com um xingamento abafado, ele interrompeu o beijo, a respiração dificultosa e sonora. Os olhos
castanhos eram como labaredas. E então Theron afastou as mãos como se o contato com seu corpo o
queimasse.
Soltando outro xingamento em uma mistura de grego e inglês, ele passou as mãos pelo cabelo.
– Theos mou! Não podemos… não outra vez. Isto não deve acontecer de novo. Desculpe-me,
Bella.
Theron ergueu uma das mãos e se afastou. Quando alcançou a porta, estacou, os movimentos

Isabella anuiu. – Sua equipe de segurança deve acompanhá-la para todos os lugares. a escoltarão até mesmo ao toalete. Quando Theron saiu. ela esfregou os braços para atenuar os arrepios. mas você me deseja tanto quanto o desejo. os olhos ainda ardendo com o desejo não saciado. incapaz de qualquer outra reação.desconexos como se estivesse bêbado. girou para encará-la. Seu corpo todo tremia. Estamos entendidos? De agora em diante. . E então. – Pode negar o quanto quiser – sussurrou para o quarto vazio –.

Como se ele não estivesse ciente do segundo em que ela pisara naquele salão… – Com licença – murmurou ele para Alannis. Isabella ainda não chegara. Não havia uma maneira fácil de lidar com a tensão sexual entre os dois. portanto ele resolveu ignorá-la. O vestido preto e curto se colava a cada curva daquele corpo perfeito e terminava alguns centímetros acima do joelho. o olhar rumou para a entrada. de quem não ocultava o orgulho. – Oh. Sophia estava ao lado da filha. Quando alcançaram o meio da pista de dança. Queria escorregar a mão por aquela massa macia e brilhante. – A dança ainda não começou – retrucou ele. veja. enquanto a banda de jazz entoava notas suaves de cima de um palco. observando os convidados que se movimentavam ao redor conversando e rindo. Olhou ao redor do salão de festas do Imperial Park Hotel. – Bella – cumprimentou estacando diante dela. No instante em que o corpo macio se moldou ao dele. Ele inclinou a cabeça para escutar o que Alannis tentava lhe dizer e anuiu em um gesto educado. e Theron perdeu o fôlego. Theron sentiu os dedos formigarem com o desejo de lhe soltar os fios sedosos e observá-los lhe cascatearem pelas costas. Theron engoliu em seco ao analisar o traje que ela usava. percorria o salão com um olhar nervoso. e ele sentia partes iguais de alívio e desapontamento. Os olhos verdes luminosos se fixaram nele. que anuiu. Alannis se encontrava parada ao seu lado. tocando-lhe o braço com uma das mãos. o que lhe evidenciava o formato do pescoço.Capítulo 9 THERON ESFREGOU a nuca em uma tentativa de aliviar a enorme tensão que se apossara dele. . que o soltou com um sorriso. junto com o fato de que a beijara algumas horas atrás. – Desculpe. senti-la como uma teia que lhe envolvesse as juntas dos dedos. estou atrasada – disse ela. Theron gesticulou para o pianista. Theron caminhou na direção da porta de entrada. e um sorriso acolhedor curvou aqueles lábios carnudos. Lá estava ela. parada à soleira. ele girou. Quando aprumou a coluna. girando para olhar na direção da banda. Mechas do cabelo escuro escapavam do penteado de forma elegante e lhe roçavam a pele dos ombros. – Acho que não reservou uma dança para mim… Theron quase gemeu. O pensamento de tê-la pressionada a si era quase uma tortura. e Isabella se entregou de bom grado aos braços que a esperavam. Theron enrijeceu. Isabella. Uma melodia lenta e sensual preencheu o ambiente. ofegante. Isabella prendera o cabelo em um coque. e ele lhe estendeu a mão. embora não se concentrasse em uma palavra sequer. Os dedos trêmulos de Isabella tocaram os dele. Lá está Isabella! – exclamou Sophia. e Theron os apertou para tranquilizá-la. e depois eu a apresentarei aos convidados. – Talvez possamos inaugurar a pista.

Chrysander não hesitaria em enviá-lo de volta à Grécia com um chute no traseiro por causa daquela proeza com Isabella. Deveria se sentir aliviado. Ou talvez fosse um patife que beijava uma mulher dias antes de pedir outra em casamento. ele se arrependeu da atitude intempestiva de procurar um marido para Isabella. Isabella não passava de uma distração temporária. ele deixou pender os braços e segurou as duas mãos de Isabella. abrindo caminho entre os convidados até o palco onde ficava a banda. estava muito satisfeito com a ideia de se casar com Alannis e ter filhos. teria se negado a seduzir sua tutelada com a futura noiva aguardando uma oportunidade. Isabella estampava um sorriso travesso no rosto que só servia para iluminá-la ainda mais.A fragrância delicada o envolveu ao mesmo tempo que o calor daquele contato lhe invadiu o corpo. – Venha. Não lhe faltariam pretendentes depois daquela noite. – Bem. girando-a para que ela não ficasse de frente para Alannis e a mãe. estava em seus braços. mas por alguma razão se sentia relutante em lhe revelar sobre seu iminente noivado. Theron estreitou o olhar. Saberia Isabella de seus planos para com Alannis? Não que ela não fosse saber dentro de pouco tempo. – Suas convidadas estão se adaptando bem à cidade? – perguntou ela em um tom inocente. tinha certeza de que seria capaz de abraçar o próprio futuro sem hesitar. olhando ao redor. – Não há por que. e ele não tinha a mínima urgência em atirá-la nas garras dos pretendentes que a aguardavam reunidos em torno da pista de dança como um bando de abutres. o que lhes realçava os contornos superiores contra o decote. Não conseguia desfazer a expressão fechada. Soltando a respiração que estivera prendendo o mais discretamente possível. – Obrigada por planejá-la em minha homenagem. Ela não estava usando sutiã. mas sentia exatamente o contrário. Pelo menos durante aqueles momentos Isabella lhe pertencia. – Muito bem – murmurou ele. – A festa está muito bonita – disse Isabella com um sorriso. Em seguida. nada mais. Ele teve de lançar mão de todo seu autocontrole para não a arrastar para fora daquele salão para que mais ninguém pudesse vê-la. e os seios firmes se encontravam pressionados ao seu peito. Mas aquilo em nada ajudou para lhe abrandar a irritação quando viu a forma como vários homens dirigiam olhares cobiçosos a Isabella. O pânico lhe percorreu a espinha como o metal frio da lâmina de uma espada. ergueu uma das mãos. – Eu a apresentarei a eles assim que esta dança chegar ao fim – garantiu ele. lembrou a si mesmo que aquela mulher não lhe pertencia e. e os acordes . Pela primeira vez. Que tipo de homem se aproveitava de uma jovem estando compromissado com outra? Até mesmo Piers. Não havia um milímetro de sua estrutura que não estivesse ciente daquelas formas femininas. Theron baixou o olhar quando fizeram um giro suave e engoliu em seco. pethi mou. Ela deveria se divertir sem pensar em um compromisso para a vida toda. Tão logo tudo estivesse acordado entre ele e Alannis e conseguisse encaminhar Isabella à segurança e estabilidade. qual deles é meu marido em potencial? – perguntou ela. portanto. ele estava a ponto de fazer exatamente aquilo. Isabella se esforçou ao máximo para sorrir e permitir que ele a guiasse. que nunca ficava sem uma mulher. enquanto olhava por sobre o ombro largo. pethi mou. Quero que se divirta. Um incômodo sentimento de culpa o invadiu. Antes de Isabella invadir sua vida. Quando a música chegou ao fim. não tinha o direito de ser possessivo. Sua festa a aguarda. E ainda assim.

reconheceu Marcus Atwater. Isabella se surpreendeu com a forma civilizada com se deu o processo. porque. Embora não tivesse o menor interesse de vaguear entre o séquito de homens qualificados que Theron convidara. o que para ela era como escolher bifes em um açougue. apresentando-a a associados nos negócios e amigos. dando-lhe o braço e permitindo ser guiada pela multidão. – Prefere não conhecê-los? Não tem obrigação de fazê-lo. São bem-vindos a permanecerem por quanto tempo quiserem ou até a bebida acabar – acrescentou com um sorriso. segurando-a na altura da cintura enquanto continuava a se reportar aos convidados: – Estamos reunidos para uma noite de entretenimento. considerando o tempo que consumira reunindo aquele grupo seleto de pretendentes. com uma expressão determinada. O brinde pareceu sinalizar uma volta às atividades normais. Por um longo instante ambos se encararam. – A Isabella – responderam os convidados em uníssono. no dia anterior. para tanto. dança e conversas. ele desviou o rosto e tomou um grande gole do champanhe. e os olhares dos dois se encontraram. e girou para oferecer outra a Theron. Principalmente se houvesse alguma esperança de despertar ciúme em Theron. O que era esperar demais. no momento. ele girou na direção de Isabella e ergueu a taça. em outros momentos. Theron tocou a taça na dela. No mesmo instante. Isabella não estava preparada para deixar que a realidade invadisse aquele momento. Um garçom se aproximou e entregou uma taça de champanhe a Isabella. ele teria de sentir mais que simples desejo por ela. – Isabella. sorrindo e. Após algum tempo. – Não. vamos em frente. era sua única esperança. Sem saber o que esperar – talvez imaginasse que haveria um tumulto –. Colou-se ao braço de Theron. e as pessoas começaram a fluir pela pista de dança. Só então ele se dirigiu aos presentes. Isabella quase sorriu diante do pensamento. – Um brinde a Isabella. Também era fácil esquecer que. se descobriu relaxando e gostando de toda aquela festividade. sem rodeios. – Venha comigo. Theron soava quase esperançoso e um pouco ansioso.cessaram. com um sorriso . Está na hora de apresentá-la aos convidados. Theron a levava de grupo em grupo. a alguns metros de distância. Só o levantamento do passado daqueles homens devia ter sido uma tarefa árdua. Era muito fácil imergir na fantasia de que ela e Theron formavam um casal e ele agia como seu par. o que era estranho. Ele a aceitou. Em seguida. – Quer dizer que está na hora de eu conhecer os homens que escolheu para mim – retrucou ela. e não como um homem determinado a casá-la. Alannis e Sophia os observavam. peço-lhe desculpas por meu atraso – disse ele ao estacar diante dela. rindo com os assuntos em pauta. Isabella ergueu o olhar quando um homem atraente se encaminhou em sua direção. Meu futuro me aguarda e tudo mais – disse ela em tom leve. Isabella sabia que tinha de desempenhar seu papel. A banda recomeçou a tocar. Ainda assim. Porém. Em seguida. o homem que se apresentara a ela no restaurante. Bella. Theron lhe lançou um olhar questionador. – Agradeço a presença de todos neste evento de boas-vindas a Isabella Caplan à nossa cidade – começou Theron em um tom polido. Risadas pipocaram por todo o salão. E Theron não teria deixado de remover nenhuma pedra.

e Isabella olhou por sobre o ombro. – Apenas para outro homem que está reconhecendo o território para competir. e Isabella não conseguiu deixar de retribuir com um sorriso. antes de lhe segurar a mão. Isabella esticava o pescoço na direção de Theron. – Isabella soltou uma risada. sorrindo para encará-lo. e não era preciso ser um gênio para perceber a adoração dela por Theron. Alannis e ele dançavam na extremidade da pista. e. Em seguida. Os ombros de Isabella se curvaram. que. Os dois fluíram entre os demais casais. Queria antipatizar com Alannis. Isabella o encarou. – E então? – Marcus disse em tom casual. permita-me dizer. provocante. Theron exibiu uma carranca. que se encontrava imóvel como se tivesse uma nuvem negra pairando sobre sua cabeça. – Deseja alguma coisa? – perguntou ela. – Você é um galanteador. Ele decidiu que é sua obrigação me casar o quanto antes. Isabella lhe soltou o braço para seguir Marcus. mas não refutou sua afirmativa. Se fosse mal-agradecida isso seria fácil. pethi mou. mesmo enquanto relanceava o olhar na direção de Alannis. – Gostaria de lhe pedir Isabella emprestada. resignada. como fizera no restaurante. – Sabia que não deveria ter concordado com esta farsa. Esta é a sua noite. mas Theron parecia sem palavras.charmoso que a estimulou a retribuir. Os olhos azuis sorridentes se fixaram nela. Com um último olhar na direção de Theron. esperando que ele dissesse algo. mas ele lhe segurou a mão livre. – Vai deixá-lo escapar? Isabella desviou um olhar cheio de culpa de Theron para encontrar o sorriso divertido de Marcus. a cada chance que tinha. – Está me pedindo emprestada apenas para dançar ou para outro propósito? – perguntou ela. caso não saiba. – Não posso levar a sério um homem tão charmoso. com um brilho brincalhão no olhar. – Sou tão óbvia assim? – indagou. – Que tal dançarmos primeiro e depois discutirmos os outros propósitos? – sugeriu o elegante jovem. e você pode voltar para sua namorada. . Theron lhe soltou a mão e fez um movimento negativo com a cabeça. Prometo mantê-la em segurança. ela girou e permitiu que Marcus a guiasse de volta à pista de dança. suspirou. – Tive um contratempo com um cliente – acrescentou. Divirta-se. detendo-a entre os dois. mas a verdade era que tanto a filha quanto a mãe haviam sido gentilíssimas com ela. – Não. ou talvez não tivesse tido a intenção de detê-la. Foi ideia de Theron. Não queria sentir pena da rival. fazendo-a colidir com seu peito. – Ainda está à caça de um marido ou cheguei muito tarde para entrar na disputa? – Marcus fingia seriedade. parece ansiosa por dançar. A expressão de Theron era glacial. – Os homens não costumam correr na direção oposta quando a palavra “casamento” é mencionada? – Não se ele não se importar em ser fisgado pela mulher em questão. Isabella conhecia aquele sentimento muito bem. A jovem grega ergueu o olhar. dirigiu um olhar questionador a Theron. Quando percebeu que não tinha a menor chance de bancar a inocente. Ele a girou em um movimento preciso. ao aceitar a mão estendida de Marcus. e a levar aos lábios. girando-a. Marcus sorriu. para deparar com Alannis observando os casais na pista de dança com o que podia ser interpretado como um olhar desejoso.

– Theos mou! – rosnou Theron. – Não pode tocá-la. sorrindo e se afastando com as duas mãos erguidas em um gesto de rendição. – Isabella relanceou o olhar a Theron com expressão confusa. o corpo se movendo como um predador determinado a abater sua presa. Marcus mudou o ângulo da cabeça e pressionou os lábios suavemente contra a região abaixo da orelha de Isabella. – O olhar de Theron voltou a se fixar no casal. – Como quiser. estendendo-lhe a mão. – Mantenha suas mãos longe dela – ordenou. com olhar preocupado. Ela o encarou boquiaberta. O OLHAR de Theron encontrou Isabella outra vez enquanto ele ouvia educadamente o que Alannis. Entendeu? Marcus o surpreendeu. Isabella soltou uma risada. com um gesto de cabeça para Sophia. – Tenho . Sophia e um pequeno grupo de pessoas que formavam um semicírculo ao lado da pista de dança conversavam. Algo me diz que não sou mais bem-vindo. arrancando-o de perto de Isabella. e o som sedutor se ergueu acima do tilintar dos copos e o murmúrio da conversação. a raiva crescendo quando os avanços de Marcus se tornaram mais ousados. – Vou lhe dizer o que fazer. ela parecia buscar aquele toque. – Ela parece estar se divertindo. – Em seguida. – É complicado. com os lábios quase lhe roçando a orelha ao lhe murmurar algumas palavras. – Isto é demais. quando Marcus escorregou um dos dedos pela lateral do rosto delicado. e concentrou toda a força de sua fúria em Marcus. Marcus. e em seguida o deixou descer. Ele fechou a distância que os separava e segurou o homem mais jovem pelo ombro. fique. – Não é nada – Theron se apressou em responder. Inclinando-se na direção do rapaz. ele engoliu em seco o rugido de raiva que lhe brotou na garganta. Theron a puxou. Por que não me aguarda naquele canto ali? Vou pegar uma bebida para nós e você vai me contar toda essa história. – Dê-me licença por um instante – disse ele. Isabella – disparou Theron. – Oh. Os dedos de Marcus tocaram o ombro exposto de Isabella e se detiveram lá por mais tempo que Theron julgou apropriado. não. – Acho que é melhor eu ir embora. de maneira sedutora. Ele teve de trincar os dentes quando viu Marcus se inclinar na direção de Isabella. – Que diabos…? – Marcus se calou no meio da frase. piscou para Isabella. Marcus baixou a cabeça e roçou os lábios no pescoço de Isabella. Alannis olhou na direção de Isabella antes de voltar a encará-lo. – Qual é o problema? – perguntou.Marcus lhe ergueu o queixo até que ela o encarasse. – Algo errado? – Alannis lhe tocou o braço. A raiva explodiu dentro de Theron. – Disse a Theron como se sente? Isabella relanceou um olhar ao homem em questão e fez um movimento negativo com a cabeça. Quando Theron começou a falar. O rapaz a havia encurralado em um canto. mesmo aceitando a mão estendida. – Theron. até a base do pescoço de Isabella. Em seguida. colando-a à lateral do corpo. algum problema? – Venha cá. – Sim. Não pode nem ao menos pensar nela. antes de se afastar o mais calmo que pôde na direção onde se encontravam Marcus e Isabella.

Estava preso a uma armadilha que ele mesmo preparara. Os olhos de Sophia se arregalaram pela surpresa. – Pode nos dar licença um minuto. – Venha. Pedirei a um garçom que traga uma bandeja. Bella. – A mulher esticou o braço e puxou a mão de Isabella que Theron segurava. Gianopolous. – Sim. – É assim que chamam beijar atualmente? – provocou. – Não chamo o que aquele rapaz estava fazendo de mostrar interesse. e o que realmente desejava era socar Marcus por ter tocado em Isabella. Theos! Parecia estar fazendo amor com você diante de todos. – Por favor. com expressão presunçosa. No meio do caminho até o local onde estava Alannis e a mãe. – Até logo – retrucou ela. quando eles as alcançaram. Ele a está assediando na frente de um salão cheio de convidados. – Não sairá do meu lado pelo restante da noite. insolente. – Fiquem aqui. – Tudo em ordem? – quis saber Sophia. Theron inspirou profundamente. Para sua surpresa. enquanto levo Isabella para comer algo. Continuou lhe segurando os braços até ter certeza de que ela recobrara o equilíbrio. Theron se dirigiu mais uma vez a Marcus. – Faço muitas objeções. chame-me de Sophia. As narinas de Theron se dilataram ao se lembrar dos beijos que os dois haviam trocado. Por ousar roçar os lábios naquela pele macia. eu o quebro ao meio. Theron é que exagerou – respondeu. dirigindo um olhar desafiador a ele. – Vá devagar – disse ela. na direção de Sophia e Alannis. – Está bem? Isabella anuiu e os dois prosseguiram. Sentia a cabeça latejar. Seguirá minhas orientações. – Theron concedeu com voz áspera enquanto a amparava. ela tropeçou. querida? Fique aqui com Theron. Isabella sorriu. – Quer que lhe traga algo para beber? Comeu alguma coisa desde que chegou? – Ela se dirigiu à filha. Fui claro? Theron ignorou o ofego chocado de Isabella. Obrigada por perguntar. – Em seguida. – Os modos dele não eram apropriados – disse entre os dentes cerrados. preocupada. com suavidade. Isabella não objetou. – Vejo-a em outra oportunidade. puxando Isabella ainda mais para perto. e um sorriso lento lhe curvou os lábios. – Você está sob minha proteção. acrescentou: – Se o vir perto de Isabella mais uma vez. Prefiro que Isabella fique ao meu lado pelo resto da noite – acrescentou ele em tom de voz brusco. – Desculpe. Isabella girou. – Não posso andar rápido com estes sapatos. e Theron girou rápido para segurá-la. Alannis se aproximou de Isabella e lhe tocou o braço. – Theron quase a arrastava consigo. Em um tom de voz baixo o suficiente para não ser ouvido pelos demais. Marcus se limitou a sorrir e continuar a se afastar. – Estou ótima. sra. Theron ergueu uma das mãos para calar a verborragia de Sophia. O sorriso de Isabella era tenso quando fixou o olhar em Alannis. As sobrancelhas de Isabella se arquearam. – Não sei como espera que eu encontre um marido quando perde as estribeiras no instante em que um homem mostra interesse por mim.certeza de que Theron não faz nenhuma objeção. . – Tem certeza de que está bem? – perguntou com voz suave.

ele segurou a mão de Isabella de modo brusco e quase a arrastou para a pista. Theron sentiu a boca ressecar. Tem de parar com esta provocação. Mas a alternativa seria deixá-la dançar com aquele bando de rapazes que a cobiçavam. Isabella recebeu a notícia com calma. Aquilo provocava uma sensação de perfeição inata. girou para que ele ficasse de costas para Alannis e deixou as mãos escorregarem pelo peito largo. – Você também sente isso – disse ela com suavidade. Não quero resistir. com os lábios se curvando em um sorriso ao abrir caminho em direção a Sophia. Foi por isso que me beijou. . Uma sessão de tortura fora suficiente por aquela noite. Você me deixa maluco. – Não farei mais isso – prometeu Theron. – Nem ao menos consegui dançar outra vez. Em vez de aquelas palavras a intimidarem. – Você está cuspindo fogo – murmurou ela. – Não conseguiu resistir a me beijar. Muito estranho. Os olhos verdes se semicerraram. Nem por cima de seu cadáver! Sem dizer mais uma palavra. soltando os braços nas laterais do corpo. – Está vendo aquela jovem? Alannis. – É um excelente dançarino. murmurando-lhe ao ouvido para que só ele pudesse escutar: – Você diz que não me deseja. – Se fosse arriscar um palpite. enquanto Theron a tomava nos braços. Rapazes escolhidos a dedo por ele. ele relaxou ao sentir o corpo macio se amoldar suavemente ao seu. Isabella deu um passo atrás. – E de repente se inclinou para perto. Era difícil impedir as mãos de vagarem por aquelas curvas sensuais. – Não quer sentir. – Theron dançará com você – sugeriu Alannis. como deve ter percebido mais cedo. da mesma forma que sou incapaz de resistir. – Em seguida. mas sente tudo que eu sinto. deixou escapar um suspiro dramático. Bella. Porém. Vou pedi-la em casamento. – E ainda assim continua me beijando – retrucou Bella com um breve sorriso. uma faísca lhe iluminou os olhos verdes. Será que ela já estava sabendo? – O que há entre nós tem de parar – pressionou ele. – E quem disse que isto é provocação? – perguntou Isabella erguendo uma das sobrancelhas. – Estou faminta. Não sobreviveria a outra dança com aquele corpo delicioso colado ao seu. – Isabella soltou uma risada abafada. erguendo o olhar para encará-lo. – Não deve fazer isto. Ela sorriu e lhe tocou os lábios com um dedo enquanto os dois se moviam no ritmo da música. – Sim. Theron gemeu.– Acho que ele cortará esse da lista de maridos em potencial. antes que ele pudesse responder. embora todo seu corpo zumbisse em concordância. Luta contra isso. – Vamos nos casar com outras pessoas. e os lábios sensuais se entreabriram em um gesto sedutor. Theron negou com a cabeça. mas não quer que outro homem me tenha. Sem nenhuma reação aparente. – Providenciarei para que uma bandeja de comida esteja aqui quando voltarem. vão dançar – estimulou Sophia. que a esperava com uma bandeja de comida. Amava tocá-la. Theron lhe afastou as mãos e girou para que os dois ficassem posicionados lateralmente a Alannis. diria que você o fará. Em seguida. Pela primeira vez desde a chegada de Marcus. não acha? Isabella girou e se afastou.

nutrira a esperança de que Theron perceberia que sentia alguma coisa por ela. Quando desligou o telefone. mas como pretende impedi-lo de fazer o pedido? . a julgar pela atração que tinham um pelo outro. Theron com Alannis. – Tenho certeza de que posso consegui-los. esta noite? Detesto ter de lhe pedir isto. desanimada. e depois haverá uma festa no hotel. Tinha certeza de que Theron estava disposto a me escalpelar depois de nossa pequena encenação ontem à noite. talvez Theron não fosse completamente alheio àquele sentimento. – Não posso dizer que o culpo. De alguma forma. – Olá. Não ainda. a proposta estava de pé. Não conseguia imaginar aquilo. – Isabella respirou fundo. Não podia acreditar. e não estava preparada para isso. Marcus soltou uma risada. – Sinto muito ouvir isto. porque se acreditasse teria de desistir. – Tive notícias de que a proposta de casamento ainda está de pé. desanimada. afundou ainda mais na cama. arrastando as palavras. alguém que não lhe permitisse ser tão sério e organizado. Ele precisava… de alguém que o sacudisse. – Será que poderia conseguir ingressos para a ópera. digitou o número que Marcus lhe dera na véspera. onde ele planeja pedi-la em casamento. mas pensara que ele despertaria para a atração que existia entre os dois. – Ele me deixa frustrada. de acordo com o que o patrão dissera. – Não consigo entendê-lo. mas com certeza resolvera ignorá-lo. Não. – Obrigada. Alannis não o desafiaria. Tenho a impressão de que você é capaz de tentar a paciência de um santo e os votos de um padre. segurando o fone com força contra a orelha enquanto ouvia o que Madeline lhe dizia. Esticando mais uma vez a mão para pegar o telefone.Capítulo 10 – ELE AINDA pretende fazer o pedido de casamento esta noite? – perguntou Isabella. depois da noite passada. é Isabella – disse quando ele atendeu. Não havia fagulhas elétricas ou química entre os dois. exceto quando está sozinho comigo. – Oi. escutando a secretária de Theron confirmar que. mas estou desesperada. Isabella fechou os olhos. Muito bem. como vai? – cumprimentou Marcus. Talvez não amor. Era como se a futura noiva fosse uma filha para Theron. Talvez ele quisesse um casamento estável e enfadonho. Theron é tão controlado em todos os aspectos. Isabella fez um movimento negativo com a cabeça. Isabella deixou escapar um suspiro. Madeline – agradeceu ela. Ele e Alannis vão à ópera. Theron precisava de alguém igual a ela.

Não tenho dúvidas de que eles mantêm Theron informado regularmente. – Marcus deu risada. Não sabia se as lojas vendiam vestidos para impedir pedidos de casamento. – Tem de mantê-la sob estrita vigilância – ordenou Theron. No entanto. precisaria de um vestido perfeito. O que ela estava pensando? Certamente não poderia estar se sentido atraída por um homem como Marcus. encaminhou-se ao chuveiro. os dedos de Theron se fecharam com força em torno do aparelho quando Reynolds passou a relatar os planos de Isabella para aquela noite: sair com Marcus Atwater. mas logo recobrou a compostura. por outro lado. – O divertimento se refletia na voz de Marcus. – Mas pensarei em alguma coisa. mas ao que parece. – Ótimo. Depois você aparece na festa e ele estará em suas mãos. Forçando-se a se levantar. Vou buscá-la às 19 horas. Mesmo que ele ainda não soubesse. Mas. – Acho que não é o momento de admitir que detesto óperas. – Teremos um excelente jantar. Um sorriso frouxo curvou os cantos dos lábios de Isabella. Precisava urgentemente pensar em algo que desse certo. antes de Theron. – Está bem – concordou Isabella. Theron xingou em grego. essa é a favorita de Alannis. e a assediara de maneira obscena na festa. que consistiam em compras em um shopping e um almoço no hotel. se estivermos na ópera. – O que tem em mente? – Que tal um encontro romântico? Você informa sua equipe de segurança os seus planos para esta noite. nada estava resolvido. – Não sei – disse ela. Isabella atirou as pernas para fora da cama. Talvez até lá você tenha conseguido traçar um plano. – Também não sou muito fã do gênero. Telefono quando estiver chegando para que você possa descer. tudo era válido no amor e na guerra. Ele era o tipo de sujeito escorregadio. Sem mencionar o fato de Marcus desfilar com uma mulher diferente a cada semana. Mais uma vez. – Não confio no homem com quem ela . Quando desligou o telefone. arrastando as palavras. vamos – estimulou Marcus. – Então. Isso deixará Theron maluco. – Ora. Isso a tornava “a outra”? Seria ela uma femme fatale tentando destruir um relacionamento? O pensamento não era muito confortador e não a fez se sentir muito bem. De repente. THERON ATENDEU o interfone quando Madeline o acionou e disse que Reynolds estava na linha para lhe passar o relatório diário. ele poderá nos controlar. Isabella sabia que ela e Theron eram feitos um para o outro. Além disso. revelando que sairá comigo. Ele então ouviu o chefe da equipe de segurança de Isabella listar as atividades matutinas da patroa. um pensamento alarmante lhe aflorou à mente. Alannis não usava uma aliança. E evitar que o próprio coração se partisse. – Mas e quanto à festa e os planos de Theron de pedi-la em casamento? – Farei com que chegue à festa. Até isso acontecer. Tinha apenas até aquela noite para descobrir o que faria para impedir que Theron cometesse um grande erro. e nenhum compromisso fora assumido. Porém. Algo deslumbrante. posso sugerir um plano alternativo? Franzindo a testa. ela se sentou na cama com as cobertas dobradas na cintura.– Não sei… – confessou Bella em tom suave. Isabella quase gemeu diante do patético clichê. – Isso o deixará aflito por estar preso na ópera com Alannis e não ter a menor ideia do que estamos fazendo.

Chrysander limpou a garganta. – Escolha aceitável? Este é um termo. E ainda assim sentia-se decididamente desestabilizado em relação a Alannis… a tudo. Theron interrompeu a ligação com os lábios comprimidos em uma linha fina. Theron fez uma careta. Ela não levara em conta sua opinião em nenhum outro aspecto. – Não fale por mim. Estaria Isabella apenas tentando enlouquecê-lo? Aquela feiticeira endiabrada devia saber que ele não aprovaria um encontro com Marcus. embora não estivesse falando sério. Theron se inclinou para trás na cadeira e abriu uma das gavetas da mesa. esticando a mão para pegar uma caixinha que se encontrava em um canto.vai se encontrar. diplomático. Covarde. – Isso mesmo – devolveu Piers. – Que diabos pode estar passando por sua cabeça?! – O que seu irmão está tentando dizer é que fomos pegos de surpresa e gostaríamos de congratulálo. cortou aquela conversa fiada. – Disseram a Madeline para não revelar que a ligação era de vocês. Piers deixou escapar um ruído rude. – Além do fato de eu achar que qualquer pessoa disposta a entrar para a instituição do matrimônio tem os parafusos soltos. uma família. – Dê-lhe uma chance de se explicar – interveio Chrysander. O anel de diamantes faiscou contra a luz enquanto ele o estudava. Estaria estabilizado. – Estou mais interessado em saber por que você acredita que ela não é a mulher certa para mim. – Sim. estranho para se empregar neste caso. Naquela noite Theron o colocaria no dedo de Alannis. em seguida. e Madeline anunciou outra ligação importante. por que não se sentia entusiasmado? Por que não estava ansioso por seu futuro? Dali a um ano poderia ter até mesmo filhos. impaciente. certo? – acusou Theron. Sob nenhuma circunstância os dois devem ficar a sós. e você sabe disso. há a questão de que a escolhida é Alannis Gianopolous. depois do que acontecera na noite anterior. sem rodeios. O som do interfone soou de novo. – Não é justo usar Marley para me fazer sentir culpado. – O que pensa estar fazendo? – Piers. Theron franziu a testa. E talvez Isabella não se importasse com o que ele aprovava. Então. assim que entendermos o motivo pelo qual ficamos sabendo disso só agora – explicou Chrysander. – Theron decidiu ignorar o comentário de Chrysander. no mínimo. – Você não teria atendido se soubesse. senhor – respondeu Reynolds. só poderei lhe oferecer minhas condolências. – Está maluco? – a pergunta de Piers o fez franzir a testa. – Não há nada que me impeça de desligar – contrapôs Theron. – Depois julgaremos se ele perdeu o juízo ou não. – O que há de errado no fato de eu me casar? – Theron ficou surpreso com a reação de Piers. – Alannis é uma escolha perfeitamente aceitável. mas desligou antes que ele pudesse perguntar de quem se tratava. Ela não tem nada a ver com você – opinou Piers. Tocou-a com os dedos. – Sua cunhada quer saber por que você não lhe contou que estava pensando em se casar – disse Chrysander. pegou-a e a abriu. Se ele confirmar que vai fazer isso. Seguiu-se um longo silêncio e. Com um gesto negativo de cabeça. Theron atendeu. .

E não podiam estar mais equivocados. Porém. Parentes bem-intencionados sempre eram os piores. – Estou sentindo algo no ar. – Estão se referindo à pequena Isabella Caplan? – Eu o colocarei a par deste assunto mais tarde. – E por que preferiu informar algo tão importante por e-mail? – Provavelmente pela reação que estou recebendo agora – retrucou Theron. Como o irmão poderia refutar a verdade? Theron e Piers se opuseram veementemente a Marley. embora não entendesse a necessidade de deixar claro aquele ponto. – Pense no que está fazendo. – Aprecio sua preocupação – retrucou Theron em tom de voz seco –. Crysander. – Você a despachou para a Europa? Mais uma vez. – Diga-me como estão indo as coisas com Isabella – pediu Chrysander. mas sou capaz de tomar minhas próprias decisões. Atrelado a mulheres por todos os lados. Ela decidiu ficar em Nova York – informou Theron. desejando ter insistido com Madeline para saber quem estava ao telefone. e Theron percebeu que o atingira em cheio. Chrysander deixou escapar um suspiro. – Não é irônico que há pouco tempo tenhamos sido Piers e eu a ter este mesmo tipo de conversa com Chrysander sobre Marley? Estávamos errados sobre ela. – Providenciei o que Isabella estava precisando e a acomodei. – Permaneça onde está – resmungou Theron. – E Theron pousou o fone no gancho. Está tudo bem. Theron? Onde está Isabella. e vocês também estão errados sobre Alannis.– Diabos! O pai dela vem tentando casá-la com um de nós três há anos. – Quem é Isabella? – quis saber Piers. calmo. presunçoso. Marley fará questão de comparecer ao casamento. Queria apenas poder estar em Nova York para ver com meus próprios olhos. Theron! E ela é… ela é… – O que ela é? – Theron o interrompeu. Imagino o quanto tem praguejado contra mim. – Diga-nos apenas por que a repentina urgência em se casar? – pediu Chrysander. – E não é mais tão pequena – acrescentou. vocês dois podem largar do meu pé. – Desde quando se preocupa tanto com nossa opinião? – indagou Piers. resignado. em uma óbvia tentativa de mudar de assunto. – Pobre Theron. então? – Está aqui. – Você tem um hotel para construir. A risada de Piers ecoou do outro lado da linha. – Ele está soando muito defensivo. Piers não estava preparado para jogar a toalha. Theron escorregou uma das mãos pelo cabelo. Piers. irritado. não acha? – perguntou Piers. Algo de podre. seguiu-se um longo silêncio. Agora. – Estou desligando agora. Por que ela não foi para a Europa. – Ela não foi para a Europa – disse ele. Agora sabia como Chrysander se sentira quando ele e Piers o atormentaram em relação a Marley. – Apenas se certifique de que é isso mesmo que deseja – respondeu Chrysander. – E mantenha-nos informados de seus planos. Eu estou bem. . Trata-se de algo para o resto de sua vida. Chrysander soltou uma risada abafada.

que mal tocara. Quando Isabella ergueu o olhar. para o qual arrastara seus guarda-costas naquela manhã. Aristocrática. – Tudo que pode fazer é tentar – retrucou ele. não petisca etc. Isabella soltou uma risada e sentiu os ombros relaxarem. sabia que estava mesmo deslumbrante. – Temia que respondesse isto – resmungou Isabella. e estivesse determinado a pedir-lhe a mão. Relutante. camiseta e unhas pintadas com cores vibrantes. – Está deslumbrante esta noite – disse ele.Capítulo 11 – OCORREU-LHE ALGUMA ideia do que vai dizer. nada me demoveria. . Isabella? – Marcus levou a taça de vinho aos lábios. Que. Você é mesmo muito doce. – Deus! Os homens odeiam ouvir essas palavras dos lábios de uma mulher! É tão ruim quanto “você é como um irmão para mim”. Mas também jamais a pediria em casamento se não tivesse certeza de meus sentimentos. – Tem certeza de que é isso que realmente quer? Odiaria vê-la ferida e desapontada. Beijou outra duas vezes e está lutando com todas as forças contra essa atração. mas não desejava se encaixar nesse estereótipo. – Obrigada. longe do estilo usual composto de jeans. embora nunca o tivesse adotado. na verdade. Marcus esticou o braço por sobre a mesa e lhe segurou os dedos. inclinou-se para a frente e deixou escapar um suspiro. A tensão lhe retesava todos os músculos do corpo. Sem falsa modéstia. também era o dela. – Não quero fazer papel de insistente. – Deus! Você faz perguntas difíceis. e ele não é só uma empolgação passageira. ela fez um gesto negativo com a cabeça e baixou o olhar à entrada. Não venho fazendo algum jogo tolo. – Você é tão doce! – começou ela. – Eu e você adoramos lançar mão de um clichê. E se tivesse. – Quem não arrisca. enquanto lhe soltava a mão. Isabella baixou o olhar ao vestido de noite azul-escuro que escolhera durante um tour agitado de compras. não? Acho que dependeria de eu realmente amar a mulher que estava pretendendo pedir em casamento. alinhada. Tinha dinheiro e uma excelente linhagem. etc… Um sorriso bailou nos lábios de Isabella. gentil. se encaixava no mundo de Theron. – Você está prestes a pedir uma mulher em casamento. percebeu a compaixão estampada nos olhos escuros de Marcus. mas ao mesmo tempo tenho de fazê-lo ver que não o estou apenas provocando. Aquela noite. Marcus estava certo em relação a uma coisa: tudo que podia fazer era tentar. O que acontecesse depois estaria fora de seu controle. – Coloque-se no lugar dele – murmurou ela. O que essa outra mulher poderia dizer para convencê-lo a não se casar com ninguém além dela? Marcus pousou a taça.

Em vez disso. THERON MANTINHA o cenho franzido. Marcus soltou uma risada. Não havia muito o que ele pudesse fazer no momento.– A que horas devemos partir? – perguntou. enquanto se dirigiam à limusine que os aguardava. Eles têm as sobremesas mais deliciosas de Nova York aqui. Theron relanceou o olhar à cortina fechada. – Acabou – afirmou num sussurro. e encontraria uma forma de verificar suas mensagens. – Ficarei honrado. Não se preocupe. o rosto brilhando de encantamento. Aquela mulher estava se entranhando em sua vida de uma forma que não o agradava. em sua cadeira. Tentava enviar uma mensagem de texto para Reynolds de seu telefone celular. e os dois deixaram o camarote. Ele lhe ofereceu o braço. teria prazer em incentivá-lo nessa tentativa. Ao seu lado. – Isabella sorriu. dera ordens estritas para Reynolds colar em Isabella e garantir que Atwater não se aproveitasse dela. – Gostou do espetáculo? – perguntou ele. e lhe prometera que não permitiria que os negócios interferissem naquela noite. Por fim. Esta é uma cidade solitária quando não se conhece ninguém. Alannis assistia como que hipnotizada. Isabella esticou a braço por sobre a mesa e lhe segurou a mão. Durante a próxima hora. ansiando pelo término do espetáculo. – Obrigada. – Estou quase arrependido de ter concordado em ajudá-la. – Então deixe-me lhe dizer o seguinte e não tocarei mais no assunto. eu a levarei com bastante antecedência. Insisto. arrancando-o dos pensamentos turbulentos. com um movimento negativo de cabeça. Ainda temos um bom tempo. Pouco antes de a ópera começar. Perdera todo o bis? Outra cutucada de Alannis o fez se erguer. Ainda assim. Sophia estava menos entusiasmada. mas não tinha certeza se Alannis estaria tão absorta no espetáculo a ponto de não perceber. Seria terrível chegar à festa e desmaiar de fome aos pés de Theron. Não conseguia controlar a pulsação acelerada ao imaginar chegar atrasada à festa. . Reynolds telefonara para Theron para relatar que Isabella se encontrara com Marcus Atwater para jantar. mas prestava atenção ao espetáculo. Irritava-o o fato de ser forçado a pensar no bem-estar de Isabella em uma noite em que deveria estar relaxado. Marcus exibiu um sorriso tranquilizador. coma. não importa o que acontecer. maliciosa. Tente relaxar e aproveitar nosso jantar. depois de um dia de compras. – Seria uma forma de estragar o show – afirmou. Espero que permaneça meu amigo. apesar do pouco tempo em que nos conhecemos. – E se meu coração já não pertencesse a Theron. com Sophia e dois seguranças de sua equipe os seguindo. Fazia-a suar frio pensar que chegaria a tempo apenas de ver o feliz casal de noivos. – A ópera mal começou. pediu que a equipe de segurança de Isabella o atualizasse com notícias. Se as coisas não saírem como espera com Theron… lembre-se de mim. Você é um amigo maravilhoso. ansiosa. já que estava firmemente entrincheirado nos compromissos daquela noite. deveria ter tentado conquistá-la. enquanto a ópera se arrastava diante dele. mesmo que aquilo significasse uma ida ao toalete masculino. Agora. ele se inquietou. O que significava não conseguir aproveitar uma noite com sua futura esposa por estar pensando em Isabella Caplan? Alannis lhe tocou o braço.

– E por que não perseguiu esse objetivo? Alannis sorriu com um gesto negativo de cabeça. mas logo se dissolveu na meiguice usual. Sentiu a caixa de joias no bolso. serena. enquanto ele a revirava no bolso. – Que festa? – ela o fitou. Quando entraram. mas não antes de ele perceber um leve rubor em seu rosto. Tinha todo o seu futuro traçado. Algo faiscou nos olhos de Alannis. – E o que você deseja? – perguntou Theron. chegaram ao hotel. – Não consigo imaginar tal talento ser considerado vulgar. envergonhada. e tudo estava saindo exatamente como planejara. Esta é uma noite muito especial. Theron! – Ela ofegou. ele lhe segurou a mão. ele a guiou para a frente. surpresa. e deixou a mão pender quando se certificou de que a trazia consigo. antes de o veículo se pôr em movimento a caminho do hotel. Theron não conseguia afastar da mente a imagem de outra mulher quando olhava para sua futura noiva. A mão roçou o bolso em que estava a aliança. Ele considera essa uma carreira vulgar. e Theron a ajudou a sair do veículo. extasiada. o que o fez sentir a inquietação se avolumar. No entanto. querida. Prefere que eu faça um bom casamento e lhe dê netos. – Amo muito a ópera. houve um tempo em que desejei ser uma cantora de ópera – disse ela. Sophia sorriu e deu o braço à filha. Theron ergueu uma das sobrancelhas. Tinha as mãos úmidas e se viu fazendo um movimento negativo com cabeça diante de seu aparente nervosismo. A senhora piscou para Theron. – Não era boa o suficiente. Theron desviou o olhar. a banda começou a tocar. tentando segurar os diminutos pedaços de papel que despencavam em uma nevasca néon. Houve um tempo em que… Alannis baixou a cabeça. Com o coração descendo para os pés a cada passada. e uma chuva de confetes despencou do teto. – Oh. enquanto se aproximavam do centro do salão. Alannis ergueu o olhar. – Theron planejou uma festa em sua homenagem. Nada naquela situação deveria deixá-lo ansioso. O tráfego estava livre. isto é maravilhoso. – Houve um tempo em que…? – estimulou Theron. extasiada. Alannis era mesmo adorável. Orgulhava-se de seu autocontrole e calma. Alannis bocejou. antes de se dirigir à mãe. Sorrindo. a mandíbula contraída enquanto cruzavam o saguão em direção ao salão de festas. e meia hora mais tarde. – Oh.– Foi maravilhoso – respondeu Alannis. – Espero que não esteja muito cansada para uma festa. de uma forma calma. meu pai não permitiria. que as seguia. Theron se apressou em ajudá-las a entrar na limusine e se juntou às duas. Além disso. Alannis se mostraria igualmente maravilhada quando ele a pedisse em casamento? E quanto a ele? Ou estaria cometendo o maior erro de sua vida? . por alguma razão. As bordas da caixa de joias atritavam contra sua pele. – Gosto de crianças – ela se limitou a responder. curioso. Aquele pensamento o fez relaxar no assento do carro. – Mas ele pensa que qualquer carreira que termine em um palco não é apropriada a uma jovem. – Uma festa em minha homenagem? Isso parece tão excitante! – Os olhos de Allanis faiscaram de alegria.

e a esperança de parecer deslumbrante quando surgisse na festa de noivado de Theron havia muito se dissipara. Isabella percorrera três quarteirões quando uma chuva fina começou a cair. Tenho de estar lá antes que ele a peça em casamento. Nunca chegariam ao hotel a tempo. – Bella. e tinha certeza de que havia se . Em uma explosão de frustração. Isabella fechou a porta. desesperada. rezou. – Em linha reta. – Por que não estamos saindo do lugar? Marcus pousou a mão em seu ombro. Girando. evitando as poças de água que já haviam se formado na rua. lágrimas lhe nublavam a visão. ela se precipitou na direção do hotel. Se cortar por esta rua até o próximo quarteirão. Quando conseguiu se abrigar embaixo do toldo do hotel. Não posso… – Ela engoliu em seco e desviou o olhar por um instante. por favor. Nunca chegaremos a tempo. ergueu a saia longa do vestido e começou a correr entre o tráfego. O motorista revirou os olhos e baixou o vidro. – Ei. Siga sempre em frente e após o quinto quarteirão. correu até a janela e bateu no vidro. Não pode sair correndo pelas ruas da cidade de Nova York! – exclamou Marcus. com o cabelo colado no rosto. Não tinha tempo de parar para se explicar. – Preciso ir. e você sabe disso. – Foi uma batida. Acalme-se. faça com que eu chegue a tempo!. – Sim. quando ela saltou do veículo. Isabella girou a cabeça para olhar pela janela. enquanto cortava na frente dos carros que tentavam se mover naquele caos. Isabella girou e se inclinou na direção do banco onde ele estava sentado. Não que aquilo importasse. Quando voltou a encará-lo. Lábios que não lhe suscitavam o desejo de beijá-los. Theron não fará o pedido no instante em que a festa começar.– Alannis… – começou ele. Por favor. Theron? ISABELLA SE inclinou para a frente no banco do carro. Murmurando um agradecimento. Pestanejando para dispersar a água que lhe caía nos olhos. Quando girou na esquina do último quarteirão. Sem saber para onde ia. Isabella suspendeu a saia do vestido mais uma vez. moça. – Ouça. ninguém irá a lugar algum com esse engarrafamento. esticou a mão para a maçaneta da porta e a escancarou. Bella. Recoste-se no banco. – O que está nos detendo? – indagou. Obrigada por tudo. não muito longe. – Por favor. Girando. ignorando as buzinas. moça! A senhorita esqueceu seus sapatos! – O homem gritou atrás dela. observando o mar de carros parados. Os pés estavam doloridos. Isabella ergueu uma das mãos. Sua aparência já estava assustadora. a água lhe escorria do corpo e da massa disforme que se encontrava o vestido. estará a seis quadras do hotel. ela o encarou com os olhos faiscando e os lábios curvados em um sorriso luminoso. irritado com o tremor da própria voz. o céu pareceu se abrir para dar passagem a um dilúvio. Quando avistou um táxi desocupado. e olhou para trás para vê-lo correndo a toda velocidade pela rua em seu encalço. retirou os sapatos e continuou a correr o mais rápido que pôde. dobre à esquerda e poderá vê-lo. pode me dizer como faço para chegar no Imperial Park Hotel? Estou muito distante? O homem estreitou o olhar e voltou a encará-la. manteve-se na calçada paralela ao tráfego. – Tenho de ir. Ouviu os gritos de Reynolds. o que está fazendo?! Volte para o carro. Isabella continuou em disparada. Nós chegaremos lá. esticando o pescoço para ver através do vidro do para-brisa.

. seguida por uma explosão de aplausos. ignorando as perguntas que o segurança lhe fazia para se certificar de que ela estava bem. Aos poucos. Isabella fechou os olhos outra vez. deixe-me levá-la até o seu quarto – disse ele. Marcus a envolveu nos braços. Bella. E lá. Mantendo a cabeça baixa. E então. substituídos pelo murmúrio das conversas das pessoas que se encontravam no saguão. Ao redor deles. Quase colidiu com Reynolds. Não conseguia ouvir nada além do zumbido em seus ouvidos. Quando se aproximou da entrada. Não. e estacou abruptamente diante dela. O ar frio imediatamente a envolveu. com os olhos suavizados por uma gentil compreensão. Isabella se deixou guiar para dentro do elevador. Enquanto subiam. Lentamente. que lhe sorria. Prometi que a traria para cá a tempo. Ignorando os olhos inquisitivos que lhe dirigiam. provocando-lhe um arrepio. Ela brilhava de felicidade da cabeça aos pés. com os olhos banhados em lágrimas. que corria em sua direção. devia ter visto a tristeza em seu semblante. Isabella se viu sem palavras. Entorpecida. ergueram suas taças em um brinde. Ambos pareciam tão felizes! Felizes. com um sorriso oblíquo. – Não foi culpa sua – sussurrou.cortado em alguma coisa. – Sinto muito. as imagens de Alannis e Theron se infiltravam em sua mente. – Isabella. À medida que se aproximava do salão de festas. afobado. Escorregou no chão encerado. – Chegou tarde demais? – perguntou desnecessariamente. enquanto dirigia um olhar apaixonado a Theron. Uma lágrima rolou por seu rosto. mas conseguiu se equilibrar e correu o mais rápido que pôde com o tecido molhado colado às pernas. mas ela não fez nenhum esforço para limpá-la. se encontravam Theron e Alannis. Isabella abriu caminho entre as pessoas. – Eu a levarei lá para cima. Isabella prosseguiu. enquanto a guiava na direção do elevador. Marcus entrou. – Corri atrás de você e fui pego pela tempestade – disse ele. vasculhando com olhar frenético entre a multidão. no meio do salão. – Venha. os convidados aplaudiam e. ela girou. Não poderia. você está bem? O que fez foi uma loucura. ouviu a ovação que vinha de dentro. com uma nova onda de lágrimas lhe escorrendo pelas faces. e se retirou do salão de festas. em seguida. Isabella anuiu e cerrou as pálpebras com força. – Você também está encharcado – disse ela percebendo o estado em que se encontrava a camisa e a calça comprida de Marcus. porque interrompeu o discurso. – Marcus fez um gesto curto de cabeça para Reynolds. Transpôs a porta. Quase… como se estivessem apaixonados. os sons animados das risadas diminuíram. Quem perceberia? Seriam confundidas com os pingos de chuva que lhe escorriam do cabelo. o que de fato era verdade. tentando entrar. com todas as partes do corpo doloridas. – Ele a segurou pelos ombros e a girou para que o encarasse. Por que Theron não poderia amá-la? Marcus retirou o cartão dos dedos trêmulos de Isabella e destrancou a porta. Bem? Nunca mais nada estaria bem. Não poderia ter chegado tarde demais. Compunha um espantoso contraste com a sensação de aniquilação que Isabella experimentava em seu íntimo. – Você está encharcada. Não era capaz de ver nada além de como Alannis parecia radiante.

Com um xingamento baixo. Segundos depois. com os punhos cerrados nas laterais do corpo. Por que se sentia nauseado diante da perspectiva de ela ter feito sua escolha? . na direção dos três homens. finalmente a comida! Se me der licença… ou deseja mais alguma coisa? – perguntou Marcus em um tom beligerante. ele o percorreu de cima a baixo com o olhar e perguntou em um tom de voz que refletia enfado: – O que posso fazer por você? – Seu arrogante… – disse Theron em tom ameaçador. – Voltandose outra vez para Theron. Franziu a testa quando leu a última mensagem não respondida. Theron sentiu as têmporas latejarem. pensei que fosse o serviço de quarto. com o sr. estreitando o olhar. Atwater – respondeu o guarda-costas. THERON ENFIOU a mão no bolso de dentro do terno e de lá retirou o telefone celular. – Onde está Isabella? – quis saber Theron. – Com quem? – Ela subiu minutos atrás com o sr. determinado. – Pode permanecer na banheira por mais tempo. Franzindo a testa. Que diabos aquele rapaz estava pensando? Sabia muito bem o que Marcus estava pensando e com quem estava pensando. Sem dizer uma falava. com acenos curtos de cabeça para os convidados que os rodeavam. encharcado da cabeça aos pés. saiu pisando duro. arrastar Marcus de lá e surrá-lo até lhe dar uma lição. pensou.Isabella anuiu e se encaminhou ao toalete. A comida ainda não chegou. trajado apenas com um robe. Pediu licença para Alannis com um sorriso e. Quando enfim alcançou a porta do quarto de Isabella. mas em seguida espremeu o olhar. calmo. Um som mais adiante no corredor fez Theron girar a cabeça para ver o carrinho de comida sendo empurrado na direção do quarto de Isabella. – Na sua suíte. Retirou-se do salão de festas e se dirigiu ao toalete masculino. deixou o olhar vagar pelo corredor e avistou Reynolds parado próximo aos seus homens. Que importância tinha aquilo? Fora ele a indicar Marcus como uma escolha na busca de Isabella por um marido. Theron se afastou. Atwater – respondeu Reynolds. Ele pareceu surpreso ao ver Theron parado lá. – Desculpe. – Você abandonou sua festa de noivado para vir até aqui me xingar? – indagou Marcus. sentindo como se tivesse acabado de sair de um ringue de boxe. Theron caminhou. bateu com força. Theron girou e se encaminhou ao elevador. Um redemoinho parecia revolver seu íntimo enquanto entrava no elevador. Reynolds ergueu o olhar quando o viu se aproximar. que ficava duas portas adiante. transtornado. se afastou. a porta foi aberta por um sorridente Marcus. Certamente ele havia escutado errado. querida. Quando estava prestes a entrar. A raiva lhe percorria as veias como lava incandescente. – Ora. Nada o impediria de subir até o quarto de Isabella. – Marcus lhe deu as costas e se encaminhou na direção do toalete. divertido. – Ambos estavam molhados.

– Não sei se está em condições de fazer isso. ou ao menos alguém parecido com ela. Sadie fechou a distância entre as duas e lhe envolveu os ombros com um braço. – Ele pediu Alannis em casamento? Foi isso? Mais uma vez. Logo Isabella se encontrava sentada. você está aqui! – disse ela. franzindo a testa.Capítulo 12 ISABELLA ACORDOU com uma sonora batida na porta. Sadie a observou com olhar indeciso. e entreabrindo os lábios. Era difícil dizer. viu Sadie parada do lado de fora. ela o vestiu e amarrou a faixa à cintura. Quando perscrutou pelo olho mágico. Estava determinada a não derramar nem mais uma lágrima sequer. agachada ao seu lado. ela pestanejou várias vezes para dispersá-las. Isabella anuiu contra o ombro da amiga. – Será moleza. Irritada. sinto muito. – O que aconteceu? Foi Theron? Isabella cerrou as pálpebras e anuiu. os olhos começaram a arder com as lágrimas que se formavam. e Sadie. Recolhendo o robe que se encontrava atirado sobre o espaldar de uma cadeira a curta distância. com aquela peruca loura lhe adornando a cabeça. – Sadie continuou a tagarelar. – Sadie a puxou para um abraço. obrigando-a a afastar as cobertas e se levantar da cama. Ela chegara tarde demais. É muito importante. Levou as mãos às pálpebras inchadas e recordou que havia chorado a noite inteira. Só porque minha vida está um trapo não há razão para você perder seu emprego ou uma chance na Broadway. – Graças a Deus. – E então ela estacou quando observou o estado de Isabella. afobada. Isabella sorriu. Isabella abriu a porta. . – Por um instante pensei que havia esquecido o compromisso de hoje à noite. Theron pedira Alannis em casamento. – Oh. E os dois pareciam tão felizes! O que explicava o fato de ela estar se sentindo tão angustiada. A batida na porta soou outra vez. confusa. e temos muito tempo para prepará-la. – Trouxe tudo aqui na minha bolsa. – Vamos esquecer tudo sobre esta noite. guiando-a na direção do sofá. querida. – O que houve de errado? Esteve chorando? Para desânimo de Isabella. – Não pode perder sua festa. enquanto se encaminhava à porta. Bella forçou um sorriso largo. Isabella fechou a porta e girou de frente para a amiga. e a amiga entrou. Abriu os olhos e fez uma careta diante da sensação de esgotamento. Sadie recuou e lhe afastou uma mecha de cabelo do rosto. Pediremos comida no quarto e chafurdaremos em sobremesas que contenham zilhões de calorias.

O que era uma vantagem. na direção da saída. – Tem certeza? Isabella anuiu. – Mãos à obra! ISABELLA TINHA certeza de que havia enlouquecido por concordar com aquilo. – Desculpe – resmungou ela. Embora Sadie . sinceramente. quem não notaria isto? – acrescentou a amiga. uma camada de suor lhe cobria a testa. O short era uma versão um pouco mais cara dos modelos tipo Daisy Duke. E então poderá me ensinar os movimentos que preciso saber. – É uma maneira perfeita de burlar seus seguranças. aquilo beirava o obsceno. Quanto ao top. e tinha uma cintura tão baixa que lhe deixava o umbigo e mais uma extensa faixa de pele expostos. ninguém perderia tempo observando seu rosto. o que pode acontecer de pior? – perguntou Isabella. ela lhe deu o endereço que Sadie lhe fornecera. Quando o motorista pôs o carro em movimento.– Que mal poderá acontecer? Eu me vestirei como você. escorregando as mãos de maneira sugestiva pelas curvas do próprio corpo. aqui vamos nós – murmurou. – Ela fixou o olhar na peruca que Sadie usava. enquanto caminhava. O corredor do lado de dentro estava imerso em escuridão. – Sermos pegas e Reynolds ter outro ataque. – Bem. dançarei um pouco e atrairei a atenção dos homens. atirou uma mecha comprida do cabelo louro artificial por sobre o ombro e esperou que as portas se abrissem. O nervosismo a fazia sentir um frio na barriga. e você sairá rebolativa deste hotel. – É isso que vou colocar para sair daqui esta noite? Sadie sorriu. Inspirou profundamente quando o elevador parou no saguão do hotel. – Bem. caminhando com passos hesitantes na direção da porta. Tenho certeza de que Theron está muito ocupado com a noiva para dar importância ao meu paradeiro. Ninguém saberá que não está mais aqui. Será rápido e você conservará seu emprego. enquanto o carro fluía pelo tráfego. Isabella se encaminhou a um táxi que a aguardava e entrou. Isabella explodiu em uma risada. Sadie piscou e prosseguiu: – Nós a vestiremos exatamente igual a mim. Mas como Sadie dissera. dando de ombros. Os saltos altos das botas ecoavam contra o chão de mármore. apressada. não parecendo em nada com a mulher fatal que chegou mais cedo. Isabella permaneceu sentada por um instante. Quando chegaram à entrada dos fundos do clube. com os trajes que ela usava? Isabella achou divertido o fato de o taxista estar presumindo que ela viera àquele hotel a “negócios”. nem mesmo as meninas da torcida organizada do Dallas Cowboy exibiam decotes mais generosos. antes entregar a quantia adequada pela corrida e saltar do táxi. Fiz questão de fazê-los me ver entrar e. – É assim que se fala – disse Sadie. Embora não se importasse em exibir seus atributos em proveito próprio. – Vamos pedir algo para comer. Eu esperarei um bom tempo. olhando pela janela até que o motorista limpasse a garganta. e então me vestirei para a festa e partirei. – Sem falsa modéstia. Estou faminta. O traje em que Sadie a aprisionara era muitas coisas. O homem nem pestanejava – e quem podia culpá-lo. Não com tudo aquilo à mostra. Modesto não era uma delas.

Isabella experimentou uma sensação gelada em seu íntimo e tratou de engolir o pânico em seco. aquela farsa ainda a deixava extremamente nervosa. – Não sabíamos se você viria. Questionara-se repetidas vezes durante o dia e. pôs-se imediatamente em alerta. Embora não fosse tão gabaritada quanto a amiga. não conseguia encontrar nenhum senão no caminho que havia tomado. THERON OLHAVA pela janela da cobertura de Chrysander. portanto. é Reynolds. – Anetakis – disse. Mais para se manter ocupada do que por real necessidade de retocar a maquiagem. ou como o cabelo estivesse bem penteado. Estamos com um problema. Apertou o botão para atender e levou o celular ao ouvido. Ainda não tinha certeza se tomara a decisão certa. irritado. o drinque quase esquecido em uma das mãos. O aparelho estava pousado sobre a mesa de centro a metros de distância. Ninguém conhecia sua verdadeira identidade ali. caminhou até lá e o ergueu. senhor. quando o celular tocou. tudo que conseguiu captar foi a tristeza em seus olhos. seus olhos verdes ainda a encaravam sem vida. Era capaz de fazer aquilo. alongando os cílios já pretos. Anetakis. não tinha a menor ideia do que fazer com Isabella. Isabella deu uma última olhada no espelho. Com movimentos mecânicos colocou mais uma camada de rímel. Sadie – cumprimentou a outra dançarina. conciso. a srta. O crepúsculo caía sobre a cidade. e as luzes começavam a se acender no horizonte. Parecia em pânico. Mas agora. sabia fazer os movimentos. – Sr. . Ao deparar com o próprio reflexo no espelho. e ninguém prestou atenção à sua presença. Outra jovem esbarrou em Isabella.tivesse garantido que ninguém perceberia as sutis diferenças entre as duas. observando seus lábios brilhando com o vermelho vivo. E o que estava acontecendo era que perdera o único homem com quem esperara passar o resto da vida. Quando ela alcançou a porta identificada apenas com a palavra “meninas”. Respirando fundo. Outra vez. ajustou a roupa. Terá de entrar logo depois de Angel. Ocupou um lugar no espaço destinado a Sadie no vestiário para verificar como estava a maquiagem e se certificar de que a peruca se encontrava segura. no fim da tarde. os olhos refletiam tudo que estava acontecendo. – Mexa-se. Theron pousou o copo da bebida com um baque. Havia muita atividade no recinto. – Que tipo de problema? – Mais cedo. – O quê?! E você permitiu que ela repetisse esse feito? – Temo que desta vez seja algo pior. você entrará dentro de cinco minutos – uma voz masculina soou da porta dos fundos. Ela sorriu e anuiu na direção da jovem. mesmo assim. senhor. Mesmo assim. e Sadie passara toda a tarde lhe ensinado o que era preciso. – Olá. onde ele o havia atirado mais cedo. Não importava a quantidade de maquiagem. – Sadie. Girou. Isabella aplicou um pouco mais de batom. é melhor se arrumar. Terei prazer em inteirá-lo dos detalhes mais tarde. elevou os seios e se dirigiu à porta. Com um suspiro resignado. Isabella estava tão maquiada que a própria equipe de segurança não fora capaz de reconhecê-la. Quando viu o nome de Reynolds na tela de LCD. fazendo-a se afastar do caminho para não se aproximar demais. Caplan nos deu uma volta. entrou.

Theron acenou para eles com um gesto discreto. – Íamos nos certificar agora. e não deveria estar. O que. o impediu. – Não é um clube masculino? Por que diabos estão indo para lá? – Porque foi esse o destino da srta. usando óculos escuros. Os clientes estavam bemvestidos. observando cada mulher que via. nos fundos de alguma construção. a testa franzida pela concentração. onde a prostituição e as drogas corriam soltas. – Acabamos de chegar – explicou o chefe da equipe de segurança de Isabella. o carro o aguardava diante da porta da frente. Vou procurar Isabella. não posso deixá-lo entrar. Theron saiu pisando duro à frente deles até a porta e estacou quando um brutamontes. Isabella estava fazendo em um clube masculino? O que estava pensando? Seria Marcus de alguma forma responsável por aquilo? Se fosse. Quando o motorista freou com um solavanco em frente à entrada do clube. O interior limpo. Tinha certeza de que Reynolds e os demais seriam capazes de contornar quaisquer objeções que o segurança do clube tivesse em relação à sua presença. No momento em que mencionaram clube masculino. O tipo de lugar cuja existência Isabella não deveria sequer saber. e o chefe da equipe de segurança de Isabella abriu caminho . O clube era diferente do que Theron esperava. senhor. – Seguiu-se uma breve pausa. até mesmo impecável. com seus dois homens. As garçonetes. Theron caminhou entre as mesas. chamando o motorista pelo celular. e não pense que não exigirei todos os detalhes de como isso aconteceu. não tinham aparência vulgar. – Achei que o senhor ia querer saber. fumavam cigarros importados caros e bebiam o mais refinado conhaque. – Mas. embora quase seminuas. mais homens se encontravam reunidos diante de uma plataforma acortinada. enquanto passava pelo homem e entrava. – Alguém que conheço está aí dentro. autoritário. quando girou na direção de Reynolds. – Theron Anetakis – respondeu ele. o título de sócio não é um procedimento instantân… Theron se recusou a continuar ouvindo. – Seu nome. impaciente. desviou a atenção do grupo de homens. Quando chegou ao saguão do prédio. Era óbvio que um show estava para começar. – A não ser que seja sócio. educado. Onde diabos estaria Isabella? Teria Reynolds recebido a informação correta? Olhou para a entrada e viu Reynolds e os outros dois seguranças entrando. Quando constatou que não havia nenhuma mulher entre eles. iria matá-lo. Theron saltou do veículo e avistou Reynolds. – O senhor conhece esse clube? Theron franziu a testa. apressados.porém no momento estamos a caminho do La Belle Femmes. – Cuide disto. – Claro que quero saber! – explodiu Theron. Pague a este homem o que for necessário pelo título de sócio e me encontre lá dentro. em nome de Deus. Na direção da parte da frente do salão. correndo na direção dele. com olhar atento. Theron deixou a cobertura. lhe veio à mente a imagem de um lugar decadente. – Estou a caminho de lá agora. Mas aquele estabelecimento fora criado para uma seleta clientela. calmo. o fazia se lembrar das áreas de altas apostas dos cassinos. Caplan – afirmou Reynolds. senhor? – perguntou o homem. – Ela está aqui? – Theron perguntou. Theron fervilhava de impaciência. concentrado em absorver aquela informação.

. fazendo revoar uma massa de cabelo louro. antes que ela o visse. E então. ela ergueu os braços e segurou o mastro que se encontrava no palco. Theron sentiu o sangue ferver. Percebeu o medo refletido neles. para ver a cortina se erguer e a fumaça do palco resvalar sensualmente pelas pernas longas de uma mulher. austero. Quando a fumaça se dispersou. encontrou o dele. Caplan está neste local – respondeu Reynolds. Ela usava botas de cano alto justas que apenas lhe acentuavam os contornos e chamavam atenção para suas nádegas bem torneadas. Postiço. A dançarina começou a se mover no ritmo da música. O que não era de admirar. – O senhor está procurando no lugar errado… O segurança foi cortado pela música que explodiu atrás de Theron. na altura da cintura. o pânico enquanto ela olhava ao redor do salão repleto de homens que a observavam como um petisco suculento. ela girou. Os quadris oscilando e os braços pendendo graciosamente nas laterais do corpo. Passara muito tempo fantasiando com aquela tatuagem.entre as mesas até onde ele estava. Quando ela ergueu o olhar. Muito bem. Ele girou. Theron encontrou os olhos verdes. com uma careta. e o medo foi substituído pele choque ao reconhecêlo. – Soube de fonte segura que a srta. – Por que acha que Isabella está aqui? – perguntou Theron. Conhecia aquele desenho. O olhar de Theron foi atraído pela tatuagem nas costas.

os olhos faiscavam ao medi-la de cima a baixo. Theron estacou diante do próprio carro. boquiabertos. Maxwell e Davison afastando os seguranças do clube que se precipitavam em seu socorro. ela o ouviu rosnar: – Afastem-se. – Imperial Park – disse. De repente. e Isabella começou a se contorcer tentando fazer com que ele afrouxasse o braço. sustentando-lhe o peso como se fosse uma pena. desanimada. como um predador no ato da caça. Deitada em um ângulo incômodo no banco. conciso. Mas antes que pudesse tomar qualquer decisão. Theron transpôs a porta e saiu para a noite. Porém. mas as pernas se chocaram com as dele e ela as afastou rápido. Isabella tentou erguer-se. Simplesmente saltou sobre a plataforma e com um único e preciso movimento a ergueu nos braços e a atirou por sobre o ombro. A raiva vibrava sob a superfície daquele corpo forte. inclinou o corpo e a atirou pela porta escancarada do veículo. o que a deixou em uma posição ainda mais precária. Isabella abriu a boca para falar.Capítulo 13 ISABELLA EMPALIDECEU quando avistou um furioso Theron. Um olhar ao próprio corpo a fez ofegar. A raiva emanava de Theron em ondas carregadas de eletricidade. Isabella soltou um grito assustado ao mesmo tempo que a música parou e o caos se instalou no salão. Theron se aproximou. Não estacou na beirada do palco. Os clientes se levantavam de suas cadeiras e olhavam para Theron. E para sua surpresa. Malditas botas! Sentia-se desajeitada e deselegante. sentou-se ao lado dela e bateu a porta com força. mas eram demasiados civilizados para se envolveram em um imbróglio daquele tipo. Bella. A força com que ele a segurava a impedia de respirar. Ela é minha. com passadas firmes e decididas na direção do palco. Isabella foi invadida pela ânsia de proteger os seios com os braços e correr para se esconder. nem a incitou a descer de lá. O chão girou vertiginosamente quanto Theron saltou do palco. enquanto ele caminhava sem nenhum esforço. Os braços de Theron eram como cintas de ferro em torno de seu corpo. mas foi silenciada pelo olhar severo que ele lhe dirigiu. – Nem uma palavra. – Receberei uma explicação completa quando . parado um pouco atrás do grupo de homens que circundavam o palco. quando percebeu que os seios estavam quase escapando pelo decote profundo do top. Ela ergueu a cabeça para ver Reynolds. Em seguida. Não que aquilo tivesse logrado algum êxito. Ela cruzou os braços sobre o peito e deslizou para trás no banco até que as costas colidissem com a porta oposta. Theron se limitou a apertá-lo contra a parte posterior de suas pernas e caminhar na direção da saída. Não queriam arriscar arruinar seus ternos de centenas de dólares. ameaçador. Sem perder sequer um segundo. Isabella não fez mais nenhum esforço para se soltar. Ainda atordoada. Nem uma maldita palavra – disse.

que ele se importava com ela de uma forma que ia além dos deveres de um tutor. Ela desviou o olhar. Mas Theron parecia levar aquilo como uma ofensa pessoal. O orgulho a fez abrir os olhos para encontrar o olhar de preocupação com que ele a observava. a retirou do banco nos braços. Isabella puxou as lapelas para ajustá-las ainda mais ao corpo. no peito musculoso. As portas do elevador se abriram. Em seguida o segurou com uma das mãos e a puxou para a frente. alguém encarregado de cuidar de seu bem-estar. abraçando o próprio corpo com mais força. Mas quem a abriria? Não havia ninguém lá. Por que não estava em algum lugar. – Está tudo bem com você? Aconteceu alguma coisa? Alguém a machucou ou ameaçou? Isabella negou com a cabeça. na companhia da noiva? Uma pontada aguda de dor a traspassou. Isabella fechou os olhos contra a simples verdade que a impedia de ter o homem que amava. – Sua festa. Para a contínua surpresa de Isabella. em vez de pousá-la no chão para bater com a mão. já que houvera muitas naquela noite. Nenhum dos dois estava com a chave. – Eu posso caminhar com meus pés – protestou ela. Theron a pousou de pé no chão. Para surpresa de Isabella. Theron saiu e seguiu pelo corredor na direção da porta da suíte. por quê? – resmungou ele. fechou o blazer para que nenhum centímetro de sua pele ficasse exposto e. exausta. o carro estacionou em frente ao hotel. Vários longos minutos depois. já havia percebido que ele estava transtornado. sequestrando-lhe o ar dos pulmões. Isabella engoliu em seco e o encarou. – Então. mas ele não perdeu tempo tentando encontrar uma. O olhar que Theron lhe dirigiu sugeria que ela permanecesse onde estava. Ele saltou do veículo e o contornou para abrir a porta oposta.voltarmos para o hotel. Não podia perder sua festa. Finalmente. As surpresas não pararam por ali. rude. . retirando o blazer do terno. emudecida. Com um gesto negativo de cabeça. agradecida pelo fato de o blazer ao menos cobri-la. e Isabella obedeceu. Mas aquilo era uma mentira. e a amiga a envolveu em um abraço apertado. Chutou a porta com força. Ele entrou no elevador e acionou o botão do andar da suíte que ela ocupava. poderia imergir na fantasia de que pertencia àquele homem. um grito soou da outra extremidade da sala. incapaz de fazer o som passar pelo nó que se formara em sua garganta. Frio e controlado. Por um instante. em seguida. Era o protótipo da ordem e da calma. O Theron que ela conhecia não vociferava para um leão de chácara com o dobro de sua altura. ele se inclinou para dentro. – Bella? – A entonação de Theron havia mudado. Tudo era uma mentira. para lhe envolver os ombros com o agasalho. Tão logo Theron entrou no quarto. – O que faz aqui? – sussurrou Isabella. Até mesmo furioso. – Silêncio – ordenou ele. – Tome – ofereceu ele. Isabella franziu a testa. Nunca o vira tão… irado! Ele costumava ser tão impassível. e refletia insegurança. mas se recostou. Muito bem. não quero que diga nada. ignorando os olhares curiosos dos transeuntes. enquanto se encaminhava à porta. Ele pertencia a outra mulher. – Bella! Você está bem? Isabella virou a cabeça para a esquerda com um gesto brusco para ver Sadie correndo em sua direção. a porta se abriu e um homem que tinha o título “segurança” escrito em toda a sua estrutura corpórea os recebeu. Até lá. suavizara.

Triste. Em seguida. – Foi uma atitude irresponsável e perigosa. como deveria fazer – respondeu Theron com expressão fechada. – Sadie dirigiu um olhar furioso ao homem que permanecia parado à porta. – Certifique-se de levá-la para casa em segurança e permaneça lá para ver se ela não volta para o clube. Se o fizesse. Isabella se encaminhou ao toalete. soltou as presilhas de seu cabelo e passou os dedos pelos fios para domá-los. e retirou a peruca da cabeça. Tive de lhes contar tudo. A carranca de Theron se tornou ainda mais feroz ao esticar o braço para detê-la. – Não mais – rosnou Theron. – Quando saí de sua suíte para ir à festa. Em seguida. se livrando da maquiagem pesada. Aquele é um lugar onde nenhuma de vocês jamais deveria ter entrado. Quando a porta de fechou. – Mas eu trabalho lá! – exclamou Sadie. Coisa que ele não fora capaz de perceber antes. mas não com Theron a aguardando do lado de fora. se deu conta de que não . Além disso. Isabella se despiu e retirou as botas. confusa. com expressão culpada. – Vá se lavar – ordenou ele. sair mais cedo e. Berrante. não valia o risco que você correu. O blazer. como planejamos. veria tudo que ela desejava ocultar no momento. Bella. – Mas… – tentou argumentar Sadie. lidarei com você – disse ele em uma voz suave e ameaçadora. mesmo sendo escoltada para fora do quarto pelo segurança. escorregou para o chão. Agradecida pela chance de desparecer. – Por que você ainda está aqui e… – Ela girou na direção de Theron. – É bom saber que alguém tentou colocar juízo em sua cabeça – disparou Theron. portanto desconfiaram. As mãos fortes de Theron se fecharam em torno dos ombros de Isabella e a puxaram contra a rigidez de seu corpo. Deu um passo na direção dela. o que a fez recuar. parecendo mais impaciente a cada segundo.Sadie enrubesceu. – A festa não importa. Eles viram apenas você. e os seios se comprimiram de maneira obscena contra o peito largo. tenso. – Como eles ficaram sabendo? A amiga baixou o olhar e suspirou. – Isabella ignorou o rompante de Theron. atirando-as para o lado. Eles me fizeram esperar aqui enquanto iam buscá-la. Sadie exibiu um sorriso triste. sabiam que a verdadeira Sadie não havia entrado em seu quarto. “Espalhafatosa” foi o termo que lhe veio à mente. Theron girou para encarar Isabella com olhar severo. Quase se encolheu diante da imagem que o espelho lhe devolveu. nunca supuseram que se tratava de você. – Esperarei por você aqui. – O que aconteceu? – perguntou Isabella. Isabella lavou o rosto. que ela havia ajustado com tanta força a si. um dos seus seguranças me abordou imediatamente. se passando por mim. Um banho de banheira longo e quente era uma ideia tentadora. – Quanto a isso. No entanto. – Agora. No mesmo instante. Desculpe. Theron saberia. – Como ele sabia onde me encontrar? – O chefe de sua segurança me telefonou. – Mas você perdeu sua oportunidade. – Precisei suportar um sermão dele durante todo o tempo em que você esteve fora. Isabella voltou a se concentrar em Sadie. Ela se viu incapaz de lhe sustentar o olhar. Nunca deveria ter permitido que fizesse isso por mim. concordo – interveio Theron. – Haverá outras. – Não quero ver Bella frequentando um clube de striptease porque a amiga trabalha lá. antes de gesticular com a cabeça para o segurança.

e não estava disposta a bancar a promíscua. em vez de mim. enfim se recompondo. devolvendo o comentário sarcástico que Isabella fizera na festa sobre beijar. enquanto se mediam com o olhar. Portanto. mas não acreditava que Theron fosse acreditar em nenhuma delas. antes de encará-la mais uma vez. contrariada. Theron resfolgou. – Por que está aqui? – perguntou ela. Várias explicações lhe espiralaram na mente esgotada. parado diante da janela que dava vista para a avenida abaixo. esticou a mão para o robe atoalhado pendurado atrás da porta e se envolveu nele. confusa. – Um amigo?! É assim que chamam isso hoje? – retrucou ele. seminua. Subi… para ver como você estava – acrescentou. Ele ainda tinha o controle sobre sua herança até que se casasse com outro homem. – Estou dizendo que isso não é de sua conta! – explodiu Isabella. e eu permaneci na . – Pegamos uma tempestade. – E por isso presumiu que ele estivesse dormindo comigo? – Está negando? – desafiou Theron. constrangido.trouxera uma roupa para trocar. trajando apenas um roupão de banho – disparou ele. Theron escorregou uma das mãos pelo cabelo em um gesto de frustração. surpresa. enfiando as duas mãos nos bolsos do roupão. – Não dormi com ele – respondeu. Marcus não tem nada a ver com nada. como se eu não tivesse nenhum direito? Como se você não tivesse acabado de cometer uma estupidez? Tem ideia do que pensei quando soube onde estava? O medo que senti? Ou o choque que tive ao vê-la em cima daquele palco. descalça. Saiu do toalete e caminhou. É um amigo. Um longo silêncio se abateu sobre os dois. mais uma vez fechando os dedos sobre os ombros de Isabella. Bella. mas de que aquilo serviria? Theron estava noivo de Alannis. ela adoraria responder que sim. o que teria feito se. Theron cortou a distância entre os dois. Dando de ombros. – Ousa perguntar isto. de volta à sala de estar. – Marcus sabia que você faria isso? Isabella inclinou a cabeça para trás. – E daí? – Marcus atendeu a porta. Não sinto necessidade de informá-lo sobre meus passos. Bella. – Não está fazendo sentido algum. Theron aguardava. Nesse meio-tempo. que dormira com Marcus. vestiu um robe. – Eu estive aqui. Oh. e Marcus subiu para que pudessem lhe trazer uma roupa seca. Quando a ouviu. Ontem à noite. Isabella ficou boquiaberta. – O que está insinuando? – Ela cruzou os braços sobre o peito. Isabella pestanejou várias vezes. para que todos aqueles homens a devorassem com o olhar? Diga-me. – Marcus? Por que precisaria informá-lo sobre qualquer uma de minhas ações? – Esperava que ele fosse mais protetor com o que lhe pertence ou com o que ele acredita lhe pertencer – resmungou Theron. tivesse sido um deles a invadir o palco? Se colocasse as mãos em você e a forçasse a ir com ele? Isabella pestanejou várias vezes diante da ferocidade e da raiva absoluta que lhe distorcia as feições. permaneceu calada. fitou-a com os olhos ainda faiscando com intensa inquietação.

ele partiu. em seguida. a respiração quente contra o rosto de Isabella. Em um gesto inconsciente. . Um lampejo de alívio brilhou nos olhos de Theron. Pedimos comida no quarto e. – Não deveria… me beijar – sussurrou ela. – Por que você insiste em me enlouquecer? – murmurou. ela umedeceu os lábios enquanto Theron inclinava a cabeça para o lado. – Você nunca objetou antes – resmungou Theron pouco antes de lhe capturar os lábios. ele fez um movimento negativo com a cabeça. Por quê? Em que aquilo podia afetá-lo? E então.banheira até que ele estivesse completamente vestido. – Não é o suficiente eu passar o tempo todo pensando em você? Lembrando-me da sensação de sua boca contra a minha? Theron se aproximou.

mesmo enquanto lhe abria o robe. Escorregando os braços sob o robe. Porém. Tomava posse dos lábios carnudos como se fosse seu único dono e senhor. Tão macia e linda! Como a seda – murmurou ele. Como era erótica a visão daquele homem orgulhoso e forte. as mãos ávidas se encontravam espalmadas em sua pele exposta. ajoelhado. forçando-a a flexionar os joelhos. O robe de Isabella escorregou para o chão. . mantendo-a cativa. Não havia outra palavra para definir o que ele estava fazendo. mas se não a tiver. Era como se Theron não suportasse a ideia de parar de beijá-la. – Lutei contra isto. Como se a intenção dela fosse escapar! Isabella era uma presa espontânea. de modo que a respiração quente lhe fustigasse os mamilos. os lábios exigentes nunca deixando os dela. os lábios mal se apartando dos dela. – Macia. fazendo-os enrijecer. Theron lhe sugou o seio. formando uma poça aos seus pés e ela se viu nua. Ou ânsia. Fantasiado. Só então abandonou os lábios carnudos para imprimir uma trilha de beijos quentes pela mandíbula delicada. antes que Isabella se deixasse dissolver naquela fantasia. Ele a segurou firme contra o peito. – Quero fazer amor com você – disse ele com uma ansiedade ofegante. fazendo-a experimentar calafrio após calafrio. enquanto ela saboreava a rigidez daquele peito e daquelas coxas. – Eu o desejo tanto! As mãos fortes começaram a desfazer o nó do roupão que ela usava. antes de movê-las para os seios firmes. ele afastou os lábios do mamilo. enlouquecerei. Talvez fosse um som de desejo. e Isabella teve de prender a respiração quando ele se ajoelhou diante dela. tremendo à medida que as mãos longas rumavam por seu corpo até a nuca. com os braços fechados com força em torno de sua cintura… como se nunca fosse soltá-la. envolta nos braços musculosos. o lóbulo da orelha e mais abaixo. pelo pescoço macio. o cabelo negro e a pele morena em contraste com a dela. Theos! Lutei muito contra isto. O corpo de Isabella se moldou ao dele. não se importava. fazendo-a gemer e estremecer. um som de capitulação? Sinceramente. Aquilo… era o que havia sonhado. Nunca. – Sim – sussurrou Bella. Theron a arrebatava. Loucamente. E então ele fechou a boca sobre um deles. Como se tivesse direitos exclusivos sobre sua boca e se recusasse a dividi-los com quem quer que fosse. fazendo-a soltar um gemido de protesto. enfraquecida contra a rigidez do corpo másculo. Ela deixou escapar um suspiro suave. A boca experiente prosseguiu em sua jornada erótica. deixando as palmas acariciarem as laterais do corpo de Isabella. Theron os fechou em torno da cintura fina e a puxou para baixo. Os lábios de Theron ficaram quase na altura dos seios empinados. E então. Theron lhe mordia e sugava a pele. enquanto a boca experiente se apossava da dela. atritando a língua contra o bico enrijecido.Capítulo 14 ISABELLA SENTIU os joelhos cederem e se agarrou aos ombros fortes para não escorregar pelo corpo de Theron. Aquele beijo era… diferente. Devorava-a. Theron fechou os dedos naquele ponto. Desejado tanto.

O olhar fixo no dela.Theron ergueu o olhar ardente contra a luz da lâmpada. Bella mou. se expondo ainda mais àquela exploração erótica. Após deitá-la na cama. o âmago de sua feminilidade. Suave. No meio do ato de desabotoá-los. Em seguida. descendo o próprio corpo até que os lábios lhe encontrassem os seios firmes. Por alguns vários e longos segundos. As bocas se encontraram outra vez. fazendo-a se contorcer sob o corpo forte. enquanto os dedos longos se dirigiam aos botões da camisa. Theron a ergueu nos braços e caminhou lentamente na direção do quarto. – Você é maravilhosa. – Não esconda tamanha beleza de mim – sussurrou ele. Livrando-se da peça. libertando a masculinidade excitada. Theron se deteve a lhe estimular os mamilos rígidos com a língua para. Theron soltou uma risada abafada e não a decepcionou. Isabella temia dizer qualquer coisa que o fizesse recuar e dissipar aquela magia. quero-o dentro de mim. Isabella enrijeceu quando a boca ousada lhe encontrou a essência. unindo-as com força. Theron lhe afastou os joelhos e se acomodou entre as coxas macias. afrouxou a força com que a envolvia apenas o suficiente para se erguer. – Sou sua. Ela cravou o olhar no teto. E pretendo seduzi-la até as últimas consequências. Por um breve instante. Bella. e Isabella lhe envolveu o pescoço com os braços. Impotente. Aquelas palavras pareceram destruir o autocontrole de Theron. Bella – disse com uma voz baixa e rouca. – Por favor. o duelo era um precursor da dança que os corpos estavam prestes a executar. repleta de paixão. úmido. queimando-a. – Oh. Tenho de possuí-la. desceu. ele se moveu . o zíper da calça. querendo se livrar da peça para sentir a pele de Theron contra a sua. imprimir uma trilha úmida de beijos pelo abdome macio. Bella mou – respondeu ele. ela deixou as mãos penderem sobre o colchão. ele se ergueu e assomou diante dela. No mesmo instante. – Possua-me – disse ela. O desejo se refletia nos olhos castanhos como duas labaredas. A sedução ficará por minha conta. e o tecido da camisa roçou a pele dela. Tímida e um tanto insegura. quando a calça comprida e a cueca boxer escorregaram pelas coxas musculosas. – Sim – o sussurro de entrega escapou dos lábios intumescidos de Isabella. A pele firme colando-se à dela. não. – Quero que esteja preparada para me receber. Ele começou a empreender uma jornada excitante pelo pescoço delicado. prolongando aquela batalha de línguas e lábios. Encorajada pela óbvia aprovação de Theron. As mãos se ergueram na intenção de ocultar os seios. os ombros. Mas ele lhe segurou as mãos. baixando o olhar para encontrar o dele. à medida que o prazer a dominava. – Nunca me senti tão fora de controle – admitiu ele. A pintura intrincada enevoando diante de seus olhos. em seguida. enquanto deslizava um dedo sobre a pele úmida da região sensível. quando se deitou na cama. Quente. brincou com o piercing que lhe adornava o umbigo. Uma promessa silenciosa enquanto ele se aproximava. antes de prosseguir naquela expedição descendente. sedoso e ainda assim rígido como o aço. Você me enlouquece. Isabella sentia-se estranhamente vulnerável sob aquele escrutínio intenso. ele perdeu a paciência e os arrebentou com um puxão. ela arqueou os quadris. frenético. Isabella inspirou profundamente e prendeu o ar nos pulmões. Isabella esticou as mãos para desabotoá-la. Em seguida. – Tão excitado e sensível a uma mulher.

mesmo enquanto movia os quadris para recuar e investir outra vez. ela lhe tocou o rosto. permitindo que as mãos que se agarravam aos ombros de Theron escorregassem para lhe envolver o pescoço. Theron ergueu a cabeça para encará-la. ela compreendia. – Você não me machucou. E então ele desabou. Theron a observava com olhar confuso. Os lábios sensuais se aproximaram dos dela e a beijaram com uma ternura que a fez experimentar . Em um segundo estava se posicionando para penetrá-la. Esticando o braço. deduziu Isabella. – Não. Não por ter feito amor com ela. Não foi perfeito. Theron a puxou suavemente contra a rigidez de sua excitação. fundindo-os. suspendendo o corpo o suficiente para que ela não precisasse suportar o seu peso. A pele de Isabella pareceu despertar para a vida. Ela ofegava. abrindo-lhe as pernas e se encaixando perfeitamente entre as coxas aveludadas. outras eram ininteligíveis. retesada e sensível pelo desejo. em um gesto instintivo. – Por que não me contou? Não havia nenhum tom de recriminação ou acusação na voz de Theron. rompendo a leve resistência sem nenhuma dificuldade. desencaixou os corpos de ambos. Ele fincou os cotovelos nas laterais da cabeça de Isabella. e no outro deslizando para dentro dela. – Enrosque suas pernas em minha cintura. Todo o corpo de Isabella enrijeceu com o choque. Uma onda de prazer doce e excitante a atingiu como fogo espalhado pelo vento. E então Isabella relaxou sob o corpo forte. soltando o peso do corpo quente sobre o dela. de repente gentis e ternos. mas ele a manteve fora de seu alcance. – Não sabia se acreditaria. Após lhe depositar um beijo suave nos lábios. Isabella o observou caminhar até o toalete e voltar. – E então deixou-me violá-la. Algumas. A respiração saía com dificuldade. Theron deixou a toalha escorregar para o chão e lhe segurou o rosto com as duas mãos. Em seguida. instantes depois. Incapaz de fazer qualquer coisa além de seguir o turbilhão de prazer que crescia em seu ventre e se espalhava por todo o corpo. ela espalmou as mãos nos ombros largos para empurrá-lo. – Não. – Eu a machuquei? – perguntou ele. mas posso fazer com que seja. Os olhos verdes se arregalaram e. – Volto já. com uma toalha umedecida. Embora sentisse apenas uma pontada de dor. num sussurro. saboreando o atrito da barba de um dia. apenas o som das respirações alteradas preenchia a atmosfera. murmurando-lhe palavras contra o ouvido. Isto. Em seguida. Foi perfeito. – Venha comigo – sussurrou ele. quando deveria ter sido conduzida com toda a suavidade? Tratada de modo carinhoso? O arrependimento estampado naquele belo rosto másculo era genuíno. a esfregou sobre a pele macia para limpá-la. Isabella gritou ao mesmo tempo em que ele enrijeceu sobre ela. enquanto se movia entre as pernas sedosas. agape mou – incitou ele. Você não me machucou – respondeu ela no mesmo tom. Os lábios de Theron encontraram os dela mais uma vez em um gesto tranquilizador. Isabella se sentou na cama e estendeu a mão para pegar a toalha. Por alguns longos segundos. mas por pensar que a tratara de maneira rude.sobre o corpo macio. fora a sensação daquele preenchimento que quase a sufocou. e as bocas e os quadris de ambos executavam os passos daquela dança nova e excitante. – Movimente-se comigo.

Não a protegera. Não tinha mais ninguém a culpar em toda aquela confusão a não ser a si mesmo. Theron se encaminhou ao toalete para tomar uma ducha. Murmurava palavras carinhosas e elogios. Theron encostou a testa na dela. sempre mantinha várias mudas de roupa em seu escritório. Porém. ciente de que haveria consequências para aquela escolha. Tal sentimento de culpa e resignação não era inesperado. não conseguia atinar com uma desculpa plausível para tamanha estupidez. temia tudo que tinha a fazer. em muitas coisas. Enrijeceu quando Isabella deixou escapar um suspiro suave. e apenas quando os últimos espasmos de prazer lhe abandonaram o corpo foi que ele se enterrou fundo naquela maciez apertada e quente e se entregou ao próprio orgasmo. Aquela seria sua primeira . Não usara nem mesmo um preservativo e. se esticando para alcançá-los. Mas apesar daquilo tudo. vendo-a. A respiração cadenciada e suave lhe reverberava nos ouvidos. O desejo despertou outra vez. desencaixou os corpos dos dois. o peso do que fizera. mas logo ela voltou a se aninhar sob as cobertas e ficar imóvel. E quando Theron a penetrou lentamente. não apenas um. com ela. Poderia colocar a culpa na paixão. perdera toda a consciência durante um ato sexual. As pernas se entrelaçavam nas dele. cada uma aterrissando naquela região distante que ela reservara apenas para Theron em seu coração. tocando-a e a amando como Bella o amava. E dizer. não havia sido capaz de parar o que estava fazendo para pegar um. fazendo com que as bocas dos dois se encontrassem em um beijo doce que ela sentiu na própria alma. Com todo o cuidado. saiu do toalete e recolheu o traje que usara no dia anterior. Abriu os olhos. mas dois preservativos em sua carteira. e sabia muito bem disso. mas sabia a verdade. Nunca antes. E certamente sabia o que estava prestes a fazer mesmo no calor do momento. por mais que se esforçasse. Era um homem prevenido e sempre trazia. E ainda assim. em seus 32 anos. e não era agora que iria começar. enquanto ela dormia profundamente. Dessa vez. Isabella ergueu o queixo. Agora. Ainda assim. Envolvendo os quadris em uma toalha.uma pontada de dor no peito. experimentava uma estranha sensação de paz em vez de uma resignação dolorosa. Esperara tanto tempo para tê-lo daquela forma! Focado nela. Inundou de beijos e carícias cada milímetro daquele corpo de curvas perfeitas. Insatisfeita até mesmo com aquela minúscula separação. Felizmente. – Sim. pior. Desejara-a e a possuíra. – Melhor assim? – murmurou ele. Não fora nem mesmo por falta de não tê-lo consigo no momento. soprou uma mecha de cabelo escuro que lhe caía sobre os lábios e constatou que Isabella estava mais atirada sobre ele do que enroscada. os lábios dos dois a apenas milímetros de distância. aflorando. cada palavra como terra árida que ansiasse por água. Os seios firmes pressionavam seu peito. aquela fora uma decisão consciente. Theron não teve pressa. Isabella sorriu. ela soube que jamais seria capaz de amá-lo mais do que naquele momento. e. ele aguardou que Isabella se entregasse por completo ao clímax. logo a realidade o atingiu e. THERON ACORDOU com um corpo feminino macio enroscado ao seu. Isabella absorvia cada toque. Estava até mesmo se preparando e fazendo planos mentalmente. e um dos braços o envolvia de modo possessivo. no desejo.

do qual apertava as extremidades com força. faria uma refeição e. Caplan. e ele resolvera voltar correndo para se entender com Alannis? Fechou os olhos e deixou pender o queixo até que lhe tocasse o peito. Acho que a partir de agora me achará bem mais cordata. Primeiro. sonolentos. – É melhor você entrar para que eu possa me desculpar da maneira adequada. Permaneceu na banheira até a água amornar. Recusava-se a ficar sentada naquele quarto de hotel. o cabelo longo envolvendo-lhe parte corpo. Uma dor deliciosa. deixou escapar um suspiro. – Agora. Não queria ser a outra. ISABELLA SE encontrava parada ao lado da cama.parada. está entendendo como as coisas devem ser feitas. – Tenho coisas a fazer. se encaminhou ao toalete para tomar um banho quente. Também não desejava ser responsável pela tristeza de alguém. Sentia uma languidez incomum. Aquela ideia não a agradava. Quando abriu a porta. O divertimento desapareceu do semblante do segurança. Reynolds exibiu um sorriso genuíno e entrou na suíte. pode me acompanhar até o restaurante do hotel e. cada carícia. deparou de imediato com a expressão fechada de Reynolds. Quando estava vestindo a calça comprida. Meu serviço se torna muito mais fácil quando conheço seu destino e sei que não escapará na primeira oportunidade. enquanto a encarava com olhar questionador. Um sussurro suave que se avolumava enquanto a observava. a excitação despertando cada célula viva. Os olhos verdes se abriram. e Theron providenciara para que alguém lhe comprasse todos os itens de que necessitava. E não conseguiu se furtar a fechar os olhos e recordar cada toque. iria até seu apartamento. mas fracassou miseravelmente. Os móveis novos que comprara haviam sido entregues. que ostentava a evidência de sua virgindade perdida. deu-lhe as costas e saiu do quarto. enrolada apenas em um lençol. esperando por um homem que talvez não retornasse. Muitas coisas permaneciam desconhecidas. Partes dela estavam doloridas. Depois. e ela temia que continuassem daquela forma. em seguida. Depois. não resolvidas. sem dizer mais nada. srta. se ergueu e enrolou-se em uma toalha. enquanto girava e esticava a mão como que a procurá-lo. E então. Isabella tentou sorrir. Mas por que tinha de colocar o bem-estar da outra mulher acima do seu? Com aquela tristeza contida alojada no coração. prendendo a respiração como uma tola apaixonada. – Espero que nada de mal tenha lhe acontecido. e experimentou uma estranha sensação no peito. Coisas importantes. Theron sentiu o corpo tenso. ao meu novo apartamento. Finalmente. Bella. em seguida. Iria até lá e faria uma lista do que estava faltando. – Sinto muito mesmo por ter lhe causado tantos problemas. afastando-lhe uma mecha de cabelo escuro para trás. A expressão se tornou fechada. e pestanejaram várias vezes quando se concentraram nele. estremecendo de frio. forçou-se a se vestir. Para onde teria ido Theron? Ele retornaria? Ou seria ela apenas uma tentação que se tornara insuportável. – Inclinando a cabeça. Cada vez mais desgostosa com a própria letargia. ele lhe depositou um beijo suave no cabelo e. Isabella se mexeu. . A sensação do corpo forte se movendo contra o seu. cada beijo. Isabella exibiu uma careta. talvez fosse melhor começar a pensar no que fazer com o resto de sua vida. Theron esticou a mão e lhe tocou a lateral do rosto. Baixou o olhar à toalha molhada descartada.

– Não. . É apenas Theron. antes de se levantar. mesmo enquanto proferia as palavras. – Nai – rosnou Chrysander. que diabos estava pensando?! Está bem. na defensiva. Comece pela parte em que você não pediu Alannis em casamento. – Theron? – perguntou Chrysander.Por um instante. – Theron se encolheu. enquanto ouvia o farfalhar das cobertas da cama e o beijo que o irmão deu na esposa. – Não pedi Alannis em casamento. Theron. – Eu tinha um relacionamento com ela – rosnou Chrysander. – Droga. esqueça o que acabei de dizer. a voz de Chrysander estava de volta do outro lado da linha: – Agora diga-me que não fez o que acho que fez. o que há de errado? Theron esfregou o rosto com uma das mãos. tampouco Marley se achava sob meus cuidados. com um sorriso tristonho. mas precisava ter aquela conversa com Chrysander para que pudesse dar prosseguimento aos seus planos. – Então. – Não. – Vamos comer. Obviamente não estava pensando. Seguiu-se outro silêncio perplexo. – Ela era virgem e não usei proteção. sem proteção! Ficou maluco?! – E você foi muito cuidadoso com Marley? – retrucou Theron. não há nada errado. voltou a se dirigir ao irmão: – Espere um momento para que eu possa atender esta ligação no escritório. – Não estava noivo de outra mulher. – Não estou noivo de outra mulher – revelou ele num quase sussurro. cansado. na Grécia seria meia-noite. gesticulou na direção da porta. na cadeira atrás da mesa do escritório e ergueu o fone. sonolento. – Por que diabos está telefonando a esta hora? Mais uma vez. – Fiz algo terrível – disse Theron. Theron. agape mou. Marley ficou acordada até tarde da noite com o bebê. Mais uma vez. Não estou preso. mais alerta. Volte a dormir. – Em seguida. – É óbvio que está com um problema sério nas mãos. Isso é um fato. THERON SE sentou. Isabella permaneceu calada. – Mais grave do que você seduzir uma jovem que está sob seus cuidados? Não consigo imaginar o que seria pior. Estou faminta. – É melhor começar do início e me contar toda esta história – sugeriu Chrysander. Chrysander soltou um xingamento e exalou a respiração de maneira audível. sem rodeios. – Não posso fazer isso. A coisa é ainda mais grave. – Acho que não ouvi direito – disse Chrysander por fim. Theron esperou pacientemente. isso ultrapassa os limites da insanidade. – Seduzi Isabella. Alguns minutos mais tarde. E a que coisa terrível está se referindo? Está preso? Theron não pôde conter uma risada diante daquela pergunta. Seguiu-se um longo silêncio. Mas e quanto a Alannis? Não disse a mim e a Piers que iria se casar com ela? O que estava fazendo na cama com Isabella? E Deus. Em seguida. exausto. Theron o ouviu dizer alguma coisa para Marley. Aquele tipo de conversa o fazia parecer um adolescente de 16 anos confessando seus pecados ao pai.

Ela era virgem. com certo divertimento. Nosso pai concordou que a família Anetakis cuidaria de Isabella se algo acontecesse ao pai dela. – Sim. Será que quero saber por que alguém que está sob sua responsabilidade se encontrava em um clube de striptease? – Isto não tem importância. Após mais um silêncio prolongado. – Chrysander meneou a cabeça. – Fazia parte do clima festivo – Theron se defendeu. – E como isso o levou a tirar a virgindade de Isabella? Sem proteção – acrescentou Chrysander em tom de voz frio. seduzi Isabella. A adrenalina subiu a um nível alarmante nas veias de Theron. – Planejei a noite. meu irmão.– Não consegui – confessou Theron com um suspiro. depois disso. a festa. e eu larguei a caixa no bolso e a convidei para dançar em vez disso. – Estava tudo preparado. – Aconteceu depois que a retirei à força do clube de striptease. Estava com a mão na caixa de joias. os confetes… – Confetes? Quem diabos providencia confetes para um pedido de casamento? – questionou Chrysander. Terá de se casar com ela. Vou me casar com ela. – Isto está ficando mais absurdo a cada segundo. o anel. Não há razão para continuar me atirando isto no rosto – retrucou Theron. Isto diz tudo. Dormimos juntos. Alannis me olhava. irritado. Passamos a noite celebrando a visita dela a Nova York em vez de nossas futuras núpcias. – Você o quê?! – Chrysander explodiu em uma risada. – Não tenho de me casar com ela. O momento chegou… e não consegui fazer o pedido. Eu diria que sim. . Sem proteção. O que importa é que. – Admiti minha estupidez. voltou a falar: – Ela estava sob seus cuidados.

Não faziam nenhum sentido. Isabella ergueu uma das mãos e a espalmou no peito musculoso. Poderia viver ali sabendo que o homem que ela amava se encontrava tão próximo. alegando que só demoraria alguns minutos. quase temendo tocá-lo. – Bella. O apartamento que alugara ficava localizado no último andar. Isabella deixou escapar um suspiro. Talvez fosse a normalidade daquele cenário. – Não precisará deste apartamento. Duas mãos firmes se fecharam em seus ombros fazendo-a ofegar. – Havia um sutil divertimento na voz grave. A mente girava em incrível velocidade. Mas não necessitará mais deste apartamento – acrescentou com voz calma. quando ele me disse que você estava aqui. – Com a outra mão. Exceto… pelo fato de ele controlar sua herança e o contato entre os dois ser inevitável. Estou começando a imaginar se minha vida será uma rotina de nunca encontrá-la onde você deveria estar. casado com outra mulher? Em um primeiro momento. – Vim ver se já estava tudo pronto para minha mudança – ela se limitou a responder. vim correndo para cá. Provavelmente o guarda-costas devia ter perdido a paciência e viera buscá-la. Deixara Reynolds a aguardando do lado de fora. não assombrassem cada segundo de sua existência. Theron lhe segurou a mão e a manteve sobre o peito. você está bem? O que faz aqui? Isabella girou e. supervisionadas por suas mães ou babás. Trabalhando ainda com apenas uma das mãos. Passadas firmes soaram atrás dela. Isabella se viu incapaz de desviar o olhar da cena que se descortinava abaixo. e crianças brincavam. enquanto ele erguia a tampa e a deixava cair no chão. Theron a girou de cabeça para baixo. com o qual as pessoas podiam contar para alguns momentos de lazer. aquilo poderia parecer um absurdo. para sua surpresa. Gostava de fato daquele apartamento. ciúme ou desespero. Isabella olhou para o objeto com expressão desconfiada. Em uma cidade daquele tamanho seria possível passar uma vida inteira sem esbarrar em Theron. mas ainda assim. na qual as emoções agonizantes. mas o que a surpreendeu foram as palavras de Theron.Capítulo 15 ISABELLA AFASTOU para o lado as cortinas que cobriam a ampla janela com vista para a rua. e . deparou com o olhar preocupado de Theron. Um pequeno oásis no meio da caótica metrópole. O som da porta se abrindo não a assustou. tais como amor. mas necessitava saber a que ele se referia ou o que ele não estava dizendo. retirou uma pequena caixa quadrada do bolso da calça. – Voltei à sua suíte e não a encontrei. – Telefonei para Reynolds e. Havia uma grande quantidade de pessoas praticando corrida. mas não tinha certeza se seria capaz de continuar ali. pethi mou. outras caminhando com cachorros. a promessa de uma vida tranquila. pethi mou. Era bem maior que as unidades dos andares inferiores e tinha uma vista magnífica do parque do outro lado da rua.

. – Está bem – concordou Bella. Aquilo não era um sonho. O que não era uma sensação muito boa. essa ideia de colocar um anel no meu dedo apenas pelo fato de que eu era virgem e de que não usamos proteção é bastante arcaica. – Temos de voltar à sua suíte. estava conseguindo exatamente o que desejava. Onde você preferir. Isabella sacudiu a cabeça. – Quer mesmo se casar comigo? Está bem. não é motivo para nos obrigar a casar… Theron a silenciou. – Não estou entendendo – gaguejou. mas remediaremos isso. Porém. voltou a fixar o olhar em Theron. Isabella ergueu um dos braços entre os corpos unidos e o afastou. tudo que Isabella conseguia escutar eram os sons do beijo. Estivera esperando que ela argumentasse? Talvez bancasse a mártir e lhe oferecesse uma recusa chorosa e trágica. revelando um diamante que captou a luz que incidia pela janela e faiscou contra os olhos de Isabella. Há providências a tomar. Pergunta inútil. Isso era um começo. enlouquecia de desejo por ela. – Ela e a mãe retornarão à Grécia amanhã. Com mais alguns movimentos dos dedos. a proposta de casamento de Theron sempre fora romântica. E por isso lhe peço desculpas. lhe deu um abraço apertado. ele conseguiu abrir a tampa. Em seus sonhos. sendo que dessa vez dando ênfase ao “temos”. Uma sensação de alívio faiscou nos olhos de Theron. e aquilo lhe causou a sensação de que seus ossos estavam se derretendo. Ele a queria e. muito casual. mas seu olhar não mentia. por outro lado. – Acho que não… quero dizer. Atônita. – Temos de nos casar – repetiu Theron. Aquele era um ponto nevrálgico que não devia ser explorado. definitivamente. não usei proteção. certa de que ainda se encontrava sonhando em sua suíte. Com um sorriso hesitante. Theron talvez não quisesse se casar com ela. Mas quero que saiba que não é obrigado a fazê-lo. O faiscar do diamante contra a luz do sol lhe atraiu o olhar de volta ao anel estonteante que lhe adornava o dedo. esqueça isto. Mesmo que eu fique grávida. E agora Isabella se via no papel de femme fatale. ela o observou lhe erguer a mão e escorregar o anel por seu dedo anular. Sei que não morre de desejo de se casar comigo. As duas mulheres haviam sido muito gentis com ela. – Nós nos casaremos o mais breve possível – disse ele. Portanto. – Você era virgem… e corre o risco de estar grávida – concluiu com suavidade. Não queria pensar no sofrimento de Alannis e no desapontamento de Sophia.uma caixa de joias de veludo caiu na palma de sua mão. Podemos comprar uma casa. não importava a motivação do pedido. A não ser que prefira ficar em minha cobertura. Ou melhor. com duas labaredas nos olhos. limitou-se a anuir com um gesto de cabeça. não querendo se aprofundar no assunto. capturando-lhe os lábios com um beijo profundo e sensual. ele recuou. Por fim. mas em vez de beijá-la. Isabella tentou disfarçar o sentimento de culpa. – E quanto a Alannis? No silêncio que se seguiu. Ninguém mais faz isso. alegando que ele não a amava? Theron a envolveu nos braços. Era difícil argumentar contra aquele fato. Acho que estou tão estabelecido nesta cidade quanto você. Por vários longos segundos. calma. E então Isabella permitiu que um pouco de felicidade a inundasse como os raios solares que atravessam a janela. a expressão de Theron se fechou. Não.

– Não serei capaz de fazê-lo se apaixonar por mim se não convivermos um com o outro. Uma batida à porta interrompeu sua dissertação sobre aqueles telefonemas. – Será perfeito. alguns telefonemas relativos ao trabalho se sucederam. Talvez tivesse esperado que ele parecesse… não sabia dizer. Ele não pediu exatamente. Isabella não disse nada. se encaminhou à porta e a abriu. Da extremidade oposta da sala de estar de sua suíte. Ele precisa apenas de um tempo. Queria que fosse algo perfeito para você. meu Deus! – exclamou Sadie. Isabella apertou a mão da amiga. Theron sente algo por mim. Comunicou que nos casaríamos. Você sonhou com isto durante tanto tempo. Isabella não conseguiu ver de quem se tratava. – Está feliz com isto? Isabella sorriu. Isabella sentia a cabeça rodar. – Ficarei. ele falou com o proprietário do apartamento que ela havia alugado. Agora falava sabia Deus com quem sobre voos e jatos. tem razão – concordou Sadie. Disso eu tenho certeza. que eu poderia estar grávida e que precisávamos nos casar. mas ergueu a mão que ostentava o anel para que ela pudesse ver. Sim. – Sadie Tilton deseja vê-la. Theron se casará com Alannis. com o olhar cauteloso. – Parecia tão estranha quando me telefonou. Mas se eu não me casar com ele. – O que está acontecendo? – perguntou a amiga. E vai além do simples desejo sexual. Theron está ao telefone – murmurou Isabella. Ele é tudo que eu sempre quis. tão envolvido se encontrava com os telefonemas. Isabella olhou para a amiga e deixou escapar um suspiro. Falou apenas que havia tirado minha virgindade. e quanto ao amor? Ou ao menos uma razão legítima que date deste século. Sadie projetou a cabeça para dentro. O dia em que Theron disser “eu te amo” fará valer a pena tudo que aconteceu para chegarmos a esse momento. rouco. o ideal seria que ele me amasse agora e que fôssemos nos casar pelas razões certas.– Agora. vamos voltar para o hotel – disse ele. agarrando a mão de Isabella. Isabella o observava fazer um sem-número de ligações. Sadie exibiu uma carranca. – E o que ele disse então? E quanto a Alannis? – Não muito. Apenas não com ela. e outras coisas que ela não entendia. THERON NÃO parecia nem um pouco diferente. Em seguida. Reynolds. – E sim… bem… mais ou menos isso. mas será. Noivo? Mas Theron estivera noivo por vários dias. e ela correu na direção do sofá. se acabou com este falatório sem sentido. e aonde isso me leva? – Tem razão. Primeiro. que estivera fazendo planos com Theron. Talvez não imediatamente. Sadie franziu a testa. – Oh. Pela forma como o segurança segurava a porta. Isabella fez um gesto sutil com uma das mãos para que a amiga entrasse. . onde se encontrava Isabella. – Tem certeza de que deseja se casar com um homem por essas razões? Quero dizer. mas tenho de aproveitar qualquer oportunidade que me for dada. Reynolds escancarou a porta e lhe dirigiu o olhar. – É que eu estava esperando algo mais. mas um instante depois de atendê-la. – Ele a pediu em casamento? – Shh. Mas seus olhos se iluminaram tão logo a avistaram. Um rápido olhar ao redor revelou que Theron não prestava atenção a elas.

mas ao mesmo tempo. Ele ergueu a cabeça. Sentindo o corpo enrijecer. Bella. Reynolds relanceou o olhar a Theron. – Mas não saia da cidade sem me avisar. porque anuiu com um gesto de cabeça e gesticulou com a mão. – Pode levar Sadie para casa? – perguntou. enquanto continuava a conversar sobre cifras. suponho que também não tenha intermediado meu encontro com Howard – murmurou Sadie. os dois ficaram sozinhos. – Ergueu-se e caminhou na direção de Reynolds. Nada daquilo a interessava tanto quanto a possibilidade de vê-lo nu. – Ele é um bom homem. Mas Bella se limitou a sorrir. ele tentou afastá-la. a escorregando sob o decote da blusa. Theron ergueu a cabeça com o fone ainda encostado ao ouvido e a encarou. fico grata. – Não tenho a menor ideia do que está me contando – respondeu Isabella com voz suave. – A amiga sorriu. pela primeira vez desde que ele lhe pusera aquele anel no dedo. Incluindo o fato de ela não ser a mulher que Theron havia escolhido como esposa. embora aquela não fosse uma pergunta. – Está bem. que se encontrava sentado à mesa diante da janela. – Então. planos para o hotel. está bem? Isabella retribuiu o gesto. a conta bancária. Instantes depois. Sadie se inclinou para a frente e lhe deu um abraço apertado. Bem… quase. De repente. Envolta naqueles braços fortes seria capaz de esquecer muitas das suas preocupações. Ainda havia o telefone. Isabella fechou a porta e. Não precisava fazer isso. escorregando pelo peito de Theron. – O que acha de eu pedir a Reynolds que a leve até sua casa? – cochichou Isabella para Sadie. ela se encaminhou na direção de Theron. ela o deixaria sozinho e se tornaria invisível enquanto ele conduzia . e começou a lhe desabotoar a camisa de cima para baixo. o olhar a queimando com uma intensidade silenciosa. – Você conseguiu um bom homem. Por um instante. a amiga pereceu surpresa. finanças. Não que eu esteja pensando que ele fez tudo isso por outra razão que não impedi-la de ir ao clube.Sadie sorriu. Theron cerrou o punho. Lentamente. tornou a sorrir. Isabella segurou a mão que ele mantinha entre os corpos de ambos e a guiou ao seu peito. A voz de Theron se tornou notoriamente tensa. o aluguel. Se fosse uma noiva adequada. mas quando seguiu o olhar de Isabella. como se a estivesse negando. Como se sentisse os olhos de Isabella fixos nele. montou sobre as coxas musculosas. blá-blá-blá. liberando-o. As duas giraram a cabeça na direção de Theron ao mesmo tempo. Os olhos escureceram quando Isabella pousou as mãos em seus joelhos e. tenho que lhe agradecer. e ele chegou a se calar por duas vezes. Isabella fez um movimento negativo com a cabeça e Sadie franziu a testa. – Você não providenciou para que meu aluguel fosse pago por um ano? – Nã… não. – Agora que está tudo resolvido. que parecia ter escutado a pergunta. – Isabella voltou o olhar para Theron. tudo que Isabella desejava era que todos se retirassem daquele quarto e os deixassem a sós. quando perdeu a linha de raciocínio. Para que eu não tenha de voltar a trabalhar no clube. – Que diabos está dizendo? – O apartamento. em seguida. Isabella ergueu um olhar confuso para encarar a amiga.

e reapareceria depois. mas ao que parecia. Devagar. juntou-lhe os punhos acima da cabeça. – Esta tatuagem tem me deixado enlouquecido desde o primeiro dia em que você entrou em meu . – Faça o que estou mandando. Todo o corpo de Theron enrijeceu e se contraiu quando ela lhe acariciou a ereção igualmente rígida. Os dedos longos lhe exploravam a nudez mesmo enquanto ele a instava a se virar. Se ele continuasse a resistir por mais tempo. inclinou-se para a frente e pressionou os lábios no tórax musculoso. Ignorando o olhar de desaprovação de Theron. ela o ouviu rosnar uma resposta para a pessoa do outro lado da linha e. Enquanto afastava as lapelas do blazer que ele usava. enquanto ele quase rasgava a camisa e a calça para se livrar das peças e jogá-las longe. Mas Isabella já provara não ser perita em suprimir os próprios desejos. – Terei de expulsá-la do meu escritório se pretende fazer isso quando eu estiver resolvendo assuntos de trabalho. Os dedos longos lhe roçavam as costas. pethi mou. ela girou até que o abdome ficasse pressionado no colchão. o som inconfundível do aparelho contra a parede. e manteve as mãos acima da cabeça. Hum. e então ela se deu conta de que ele traçava o contorno de sua tatuagem. Bella. que caminhava na direção do quarto. Isabella inclinou a cabeça. libertando-lhe a masculinidade. o que está tentando fazer comigo? – perguntou ele. Quando concluiu a tarefa. Sentiu a respiração pesada e a resposta estrangulada que Theron deu a quem quer que estivesse do outro lado da linha. Uma torrente de palavras em grego escapou pela boca de Theron. Isabella soltou uma risada. Isabella estremeceu diante do tom autoritário. na altura da cintura. Isabella sorriu. desabotoando-lhe o zíper da calça. espalmando as mãos sobre seus ombros. E então começou a lhe desabotoar a blusa. Isabella lhe daria mais dois minutos no máximo. em seguida. segurando-os com uma só mão para deixar a outra livre. com movimentos bruscos pela impaciência. livrando-a de cada peça de roupa. escorregou das coxas musculosas e prosseguiu sua exploração. Ela podia ter começado aquilo tudo. – Dispa-se – sugeriu ele com voz sedutora. atirando-a sobre a cama. Theron estava determinado a concluir. encarando-a.os negócios. Isabella arqueou uma das sobrancelhas. Um sorriso bailou nos lábios de Isabella. sentindo Theron se inclinar para a frente outra vez. confusa. mesmo enquanto ele a segurava com força pelos braços e a erguia no colo. Quando seus lábios o tocaram. – Theos. teria de lhe dar o crédito de ser um homem controlado e duro na queda. – Gosta dela? – murmurou. – Essa não é uma tarefa sua? Theron se inclinou para a frente. soltou-lhe as mãos. Não no que se relacionava a Theron. Mais um minuto. Isabella tentou suprimir um sorriso. – Vire-se de bruços. Em seguida. Isabella o encarou.

– Diga-me que você não é um desses homens que igualam a presença de um hímen à total ignorância da mulher em relação ao sexo. ele rolou para o lado e a puxou para o círculo seguro de seus braços. Isabella enroscou os braços e as pernas em torno dele. Os lábios de Theron encontraram os de Bella. Você é o único homem com quem fiz amor. Queria tudo que ele tivesse a lhe oferecer. em seguida. – Não deveria ter o desenho de uma fada. – Acho que pensei que não seria provável que uma pessoa inexperiente pudesse ser tão… – Boa? – perguntou ela. sabia? – Desde que nunca decida participar com outro homem – disse ele. – O que quer dizer com isto? Com quem teve experiência? Isabella espalmou a mão sobre o peito largo. Isabella deixou escapar uma risada. atingiram o clímax juntos. antes de ele inclinar a cabeça e lhe depositar um beijo sobre os cachos na junção das coxas sedosas. doces e quentes. e sim de um demônio tatuado em você. depositou um beijo sobre sua espinha. preenchendo-a totalmente. Isabella exibiu outro sorriso e rolou para deparar com o olhar ardente de Theron. – O que quis dizer com isto? – Você era virgem e ainda assim me seduziu como alguém com vasta experiência. ele a cobriu com o corpo. Bella mou? – perguntou Theron. Theron – sussurrou. quando ela se aconchegou sob o arco do braço musculoso. – Eu o desejo tanto… – Então se apodere de mim. Após um instante. animada. Tenso. brusco. – Tive ímpetos de atirá-la ao chão e traçar o contorno deste desenho com a língua. – Aqui – murmurou. provocante. Podemos obter experiência sem participação. pare com este ataque de testosterona. deixou escapar um suspiro de contentamento. Isabella ergueu o tronco. – De fato. – E onde sugere que eu tatue esse demônio? Os lábios sensuais se curvaram em um meio-sorriso. – Nunca disse que era inexperiente – retrucou Isabella em tom de voz leve. Ela sorveu tudo que podia daquele homem. – Eu lhe ensinarei tudo que precisa saber. Theron lhe dirigiu um olhar que deixava claro sua reprovação àquela provocação. Dessa vez. em uma explosão que reverberou no âmago de Isabella. Theron a marcava a fogo com uma trilha úmida em torno da tatuagem e.escritório – resmungou ele. não. Bella. – Onde apenas eu possa apreciá-lo. Quando sentiu o peso do corpo de Theron relaxar contra o seu. . – Onde aprendeu tanta ousadia. – Não há nada o impedindo de fazê-lo – retrucou Isabella. desejava mais. sustentando-o sobre um dos cotovelos para encará-lo. – Ora. E de repente se encontrava dentro dela. segurando-o firme enquanto ele investia dentro dela repetidas vezes. Isabella se sobressaltou e fechou os olhos quando sentiu a língua quente fazer contato com sua pele. e ainda assim. Isabella sorriu. – Afastando-lhe as coxas. ele ergueu a cabeça para encará-la. Theron parecia desconfortável em seu esforço para encontrar a resposta adequada. – Por completo. sentindo os dedos longos lhe acariciarem o ombro. – Não me provoque.

. – É mesmo? Está bem.– E talvez. Descobrirá que sou um aluno aplicado. então. Theron a puxou contra si. fazendo-a colidir com um baque suave e os lábios a milímetros dos dele. Bella mou. haverá coisas que eu possa lhe ensinar também. como discutimos antes. fique à vontade para me ensinar.

Isabella bocejou outra vez e franziu a testa. – Isso não é para Piers. – Depois.Capítulo 16 THERON o braço e prendeu o cinto de segurança de Isabella. – Você. onde vem supervisionando a construção de nosso novo hotel. – A expressão de Theron se fechou. Piers é… bem. Marley é boa para o meu irmão. – Aquele que eu disse que não conheço. Isabella conseguiu exibir um sorriso tenso. Acho que terei de pensar em um modo de manter essa sua boca ocupada. tranquilizando-a. – Como Marley é? Admito que é difícil imaginar uma mulher capaz de subjugar Chrysander com tanta facilidade. – Você não é muito coerente quando acaba de acordar. agora que Chrysander se estabeleceu na ilha. mudando de posição no assento. Eu o vi apenas uma vez. Chrysander é um homem de sorte por tê-la. – E Marley? – Isabella questionou à media que o jato particular iniciava a rota descendente. com certa impaciência. Neste momento. é muito sagaz. – Quanto à sua pergunta. – Não tem nada a temer – afirmou Theron. – É casado ou comprometido? Theron soltou uma risada. – Muito. sem rodeios. – Então você gosta dela? – quis saber Isabella. – Estou ansiosa para conhecer Piers oficialmente. O que realmente gostaria de perguntar era se a família ESTICOU . e a recíproca será verdadeira. pegaremos um helicóptero para a ilha. Como ele é? Theron ergueu uma das sobrancelhas. – Gostará deles. – Embora faça tanto tempo que não vejo Chrysander que será como vê-lo pela primeira vez também. Ela já conseguia avistar as luzes minúsculas no solo. – Theron deu de ombros. Theron anuiu. Tem aversão a um envolvimento maior que a duração de um caso passageiro com qualquer mulher. Theron negou com a cabeça. – Sua mãe o maltratava? – perguntou Isabella. Bella mou. é Piers. Suavizou-o na medida certa. – Não foi fácil. e não conversamos – disse ela. – Aterrissaremos em breve – informou ele. Isabella bocejou e anuiu. – É o que mais viaja de todos nós. – Eles passaram por muitas coisas juntos. tentando afastar a névoa do sono que lhe embotava a mente. que ergueu um olhar questionador e sonolento. Theron sorriu. Ele sempre pareceu tão… frio. – Isso parece… ótimo. pethi mou? – Piers – respondeu ela. – A qual está se referindo. está voltando do Rio de Janeiro.

um homem surgiu à porta da frente. Chrysander a encarou com óbvia surpresa e deixou escapar uma risada. mas em seguida. na direção dos jardins iluminados que levavam à casa. Alguns minutos depois. O que achariam de ele estar se casando com outra mulher? Não sabia qual era o pensamento deles. A viagem através da escuridão da noite era um pouco desconcertante. esticou o braço e a ajudou a saltar. . – Verei quando voltarmos. Chrysander soltou uma risada abafada e gesticulou para que os dois passassem. com semblante severo. Isabella permaneceu de bom grado com os dedos entrelaçados nos dele durante todo o tempo em que o avião particular taxiava na pista.de Theron não teria gostado mais de Alannis. na direção do helicóptero que os aguardava. você poderia observar a beleza da ilha à luz do dia – disse Theron. – Antes que ambos digamos algo que o deixará constrangido. Com um sorriso largo. certo? – Ela sorriu quando ele se acomodou ao seu lado. como Theron sem dúvida descobriu. Em seguida. enquanto a envolvia em um abraço. enquanto se aproximavam da fonte de luz. mas teriam esperado que Theron se casasse com Alannis por razões financeiras? A mão longa encontrou a dela. ele a ergueu. o homem que recolhia as bagagens do helicóptero. Isabella o reconheceu: Chrysander. Quando se aproximaram da entrada. Com a mão pressionada às costas de Isabella para mantê-la inclinada. quando interromperam o abraço. – Por que não para de procurar o que dizer e nos deixa entrar? – perguntou Theron. ele a afastou correndo pela área de pouso de concreto. Chrysander passou pelos dois para orientar. teria providenciado para que pernoitássemos no continente. o helicóptero baixou no bem iluminado heliporto. Ele sorriu e a fez relaxar a ponto de retribuir o sorriso. em grego. Uma mulher pequena. – Em seguida. e o piloto gesticulou para Theron quando o desembarque poderia ser feito em segurança. – Theron! – exclamou ela e se encaminhou na direção dos dois. – Como estão minha irmã favorita e meu sobrinho? – Sou sua única irmã – lembrou ela. Theron segurou o braço de Isabella. desembarcavam. até mesmo desde sua formatura – disse ele. Theron abriu a porta do helicóptero e saiu com o corpo inclinado para a frente. e Theron a guiava. e Theron se limitou a anuir com um gesto de cabeça. Dessa forma. enquanto subiam a bordo. – Marley os aguarda na sala. em um abraço. Instantes depois. e Isabella mal podia esperar até vê-la em plena luz do dia. – Se tivesse pensado melhor. – Desculpe. Mesmo de longe. Isabella se inclinou sobre o corpo de Theron. – Isabella. de cabelo escuro e com um cobertor envolvendo algo nos braços. Isabella não pôde evitar o rubor que se espalhou por seu rosto. – Obrigada por me fazer parecer uma adolescente que acabou de aposentar o aparelho dentário e os primeiros sutiãs – brincou ela. Theron apontou para um clarão a distância. apressado. mas queria ver de perto e enterrar os pés na areia. Está ansiosa por conhecer Isabella. Está longe disso. E a praia… Podia sentir o cheiro do sal no ar e as ondas estourando a distância. e os dois entraram. pouco antes de o jato tocar o solo. se encontrava parada próxima ao sofá. A casa era absolutamente deslumbrante. junto com o bebê. O ruído dos motores se avolumou impedindo qualquer conversação. como você cresceu.

recusando-se a se esquivar da inevitável estranheza daquela situação. agape mou. – Quer que eu o coloque para dormir para que possamos comer? – Como se ele fosse dormir. – Estará aqui dentro de alguns minutos – informou Marley. Isabella é espirituosa. porém tinha os ombros mais largos que os de Theron. Isabella. – É linda sob a luz da lua. – E esta deve ser sua futura esposa. e lhe dirigiu o que Isabella suspeitava ser o máximo que ele conseguia se aproximar de um sorriso. cansada. quero que conheça Isabella. Foi um alívio quando Chrysander voltou a se juntar a eles. – Foi trocar de roupa quando ouviu o helicóptero chegando. seguindo os diálogos com o olhar enquanto comia. Esforçou-se para não suspirar. Deixamos para jantar mais tarde. O jantar transcorreu em meio à conversação casual. como se a estudasse. – Por favor. O tom da pele também era mais escuro. inclinando a cabeça para o lado. Os olhos eram escuros. A expressão de seu rosto era suave quando dirigiu o olhar a Theron. – Gostei dela. Marley fazia perguntas genéricas a Isabella. olhando ao redor. revirou os olhos e. Chrysander roçou os lábios na testa da esposa. – Marley suspirou. – Aí está você. – Quer fazer uma caminhada na praia? – perguntou Marley. um pouco mais magro que Chrysander. – Não se preocupe. – Vamos para a sala de jantar – convidou Marley. girando na direção dela. – Quase não dormimos por causa dele nas últimas duas semanas. Isabella o surpreendeu a observando como se estivesse dissecando as camadas de sua pele. Era de longe o mais alto dos três irmãos. em seguida. gesticulou para que ela a seguisse ao deixar a mesa. – Cólica – esclareceu ela. mas. O coração de Isabella se derreteu ao detectar o amor nos olhos de Chrysander. eu diria – disse Isabella. Theron não parecia incomodado com o comentário que ela fizera. Vá comer. como seus gostos e interesses. e a conversa tomou o rumo dos negócios. Ficarei com ele até que se acalme. Desesperadamente. entregando o bebê para Chrysander. O olhar de uma mulher que sabia ser amada. Piers permaneceu calado. Marley captou o olhar de Isabella. minha noiva – disse ele. sonhadora. quando Marley sorriu para o marido. com uma careta. Ela se apressou em baixar os cílios. Naquele momento. Theron. Chrysander se posicionou ao lado da mulher. Era ruim o suficiente saber que a mulher de Chrysander estava ciente dos motivos por trás de seu noivado. Não queria que mais ninguém soubesse que tramara para entrar vida de Theron. – Uma delas. um homem de cabelo escuro adentrou a sala. Por mais de uma vez. com a alma refletida no olhar. quase negros. enquanto os outros irmãos tinham olhos castanho-dourados. como se passasse muito tempo ao sol. e depois quero que descanse. esperando não ter se traído naquele momento. E posso dizer o mesmo. os olhos azuis faiscando de afeto. envolvendo-lhe os ombros com um braço. Os homens nem sequer notaram quando as duas saíram à francesa. e já faz um . Até mesmo Piers deixou a reserva de lado e entrou na roda de discussões. Marley sorriu. E então Marley fitou Isabella. As sobrancelhas de Piers se arquearam diante da aspereza da resposta. parecia resignado com sua espontaneidade. com você e Isabella. – Fico muito feliz em conhecê-la. – Piers já chegou? – Theron franziu a testa. como dissera. Era exatamente aquilo que desejava. chame-me de Bella. – Ele voltou o olhar a Isabella.– Marley. Espero que possam dormir com o barulho.

A mágoa e a humilhação a atingiram direto no peito. . – É incrível. E como tal. Marley sorriu quando Isabella passou por ela na direção de Theron. Ele estendeu a mão quando a viu se aproximar. As duas transpuseram as portas de correr. e Marley a guiou pelo caminho de pedra. – Venha. e Isabella entrelaçou os dedos nos dele. Theron anuiu. Os sons do oceano aumentavam à medida que o caminho levava à areia. me impossibilitando qualquer passeio noturno. Bella – chamou Theron. Qualquer hora lhe contarei. O céu estava claro e salpicado de estrelas. Isabella sorriu. divertido. estamos. A lua alta cintilava e refletia um brilho prateado sobre a superfície do mar.tempo que Dimitri só dorme lá pelas duas horas da manhã. quando transpuseram a porta de entrada. Theron lhe pressionou um beijo nas juntas. – Os dois têm uma história e tanto. era quase como se sentisse algo além do desejo sexual. – Eu lhe disse que a encontraríamos aqui – afirmou Chrysander. confusa. na direção da casa. – Acho que seria melhor permanecermos em quartos separados. – Há determinadas partes de minha anatomia que podem fazer o papel de um bom travesseiro. Os lábios sensuais se comprimiram por um instante. Isabella soltou uma risada suave e escorregou uma das mãos pelo braço forte. Erguendo-os até os lábios. Por que não podemos dividir o mesmo quarto? Estamos noivos. – Oh! É maravilhoso… – Isabella ofegou quando se aproximaram da água. – Eles parecem tão apaixonados – comentou ela. Agora. Em seguida pisou na espuma que se formou. – Vamos deixar os dois pombinhos a sós. – Acho que nunca vi nada tão lindo. E pela primeira vez desde que chegara à ilha. instando Isabella a fazer o mesmo. – Adoraria. observando-as. – Minha esposa sempre se refugia nesta praia. Mal posso esperar para ver tudo à luz do dia. mas não quero atrair mais atenção desnecessária para você. E talvez Theron sentisse. tudo que desejo é uma cama e um travesseiro macio. desviando o rosto. enquanto ele erguia o olhar para encará-la com expressão indecifrável. achei tudo lindo. Isabella girou para deparar com Theron e o irmão parados. – Não entendo. porém. Isabella recuou a mão. Seria mais fácil se Theron fingisse desejar se casar com ela. Pelo pouco que enxerguei. Já basta ele saber que tirei sua inocência. Seria possível? Seria ele capaz de amá-la? Isabella permitiu que ele a guiasse de volta pelo caminho de pedra. com as mãos enfiadas nos bolsos. Marley estacou e retirou os sapatos. Deve estar cansada da longa viagem. pethi mou. – Este é meu lugar favorito no mundo – revelou Marley com voz suave. amando o contato formigante da água em seus pés. como se fosse meu pequeno pedaço do paraíso. eu lhe devo o respeito de não anunciar para meu irmão e a esposa nosso relacionamento sexual. Isabella caminhou até a beirada da areia molhada e esperou que outra onda avançasse. Theron a puxou para os braços. – Sim. ela conseguiu relaxar.

Em seguida. com serenidade. Isabella sorriu. – Vou subir para o meu quarto. Então Chrysander e. – Sou eu que devo me sentir envergonhado por isso. Marley sabiam que Theron só estava se casando com ela por seu senso de honradez ultrapassado. Posso encontrar o caminho. então – disse ela. surpreso. Um sorriso hesitante e trêmulo. ela o encarou com coragem. – Presumo que minha bagagem esteja lá. – Eu sei. Theron.– Ele sabe? Você contou para Chrysander? Theron pestanejou várias vezes. – Bella… – chamou Theron quando ela começou a subir os degraus. mas ainda assim ela conseguiu esboçá-lo. determinada a não expressar nenhuma emoção. Não você. Girando. Isabella fechou os olhos e virou o rosto para o lado. – Não fiz isto para magoá-la. Eu sei. consequentemente. voltou-se e subiu a escada à procura de seus aposentos. .

ergueu-se e começou a perfazer o caminho em direção à casa. portanto vestiu um short e uma camiseta. Sem se dar o trabalho de calçar as sandálias. e Isabella estacou à entrada para o caminho de pedra que cruzava o jardim para limpá-los. um diamante contra o veludo ainda escurecido do céu. como Chrysander definira com humor. Dormira durante a maior parte do voo. Havia uma treliça de madeira que garantia a privacidade daquela área. com as mãos entrelaçadas na nuca. Era o assento de Marley. mas hesitou ao ouvir as palavras que Theron disse a seguir. e um sorriso lhe curvou os lábios. tomou uma decisão. Saltou a cerca e correu na direção do muro de contenção. enquanto Isabella se encaminhava na direção da sala de estar. enquanto o mundo ia se tornando dourado ao seu redor. Estava muito ferida. onde se agachou logo abaixo do ponto em que . Vozes soavam a uma curta distância. O céu começava a exibir os matizes do amanhecer na direção leste. avistou um enorme tronco de madeira. Quando cruzava o caminho acidentado naquela direção ouviu seu nome ser mencionado. De nada adiantaria perseguir o sono. tomou o caminho de pedra que levava à areia. e os sons do mar a embalavam. Muito agitada. Um olhar ao relógio sobre o criado-mudo revelou que fazia horas que se encontrava deitada. Marley e Chrysander também. coberta por frondosa vegetação. Sem saber dizer por quanto tempo se detivera ali. Theron estava acordado. deixando que as ondas lhe fustigassem os pés. em seguida. abrira a janela. esgueirou-se para fora do quarto e cruzou a escuridão do corredor a caminho da escada. Saiu para o pátio e inspirou o ar salgado e ameno. Ao que parecia. lambendo suavemente a areia e deixando um rastro de espuma em seu encalço. O mar estava calmo. Antes de se deitar. Sentou-se desajeitada na madeira envelhecida e observou a beleza do cenário que se descortinava à sua frente. Estariam discutindo o casamento? Deu outro passo à frente. Isabella apurou os ouvidos para escutar a conversa e. Com um suspiro resignado. Em seguida. A certa distância da casa. Uma onda de excitamento a invadiu. Se não fizesse barulho. e agora amargava a insônia. O horizonte adotava uma tonalidade lavanda pálida. Isabella caminhou pela praia. Os pés estavam cobertos de areia.Capítulo 17 ISABELLA CRAVOU o olhar no teto. imersa na escuridão. Podia ouvir sua risada. O que estava dizendo? Olhou rápido por sobre a cerca que se estendia pelo caminho que levava ao muro de contenção que circundava o pátio. Fechou os olhos por um breve instante e deixou que a brisa lhe soprasse o cabelo do rosto. poderia caminhar pela praia e ver o nascer do sol. Soavam… resignadas. O astro rei. A casa se encontrava silenciosa. sem conseguir conciliar o sono. jogou as cobertas para o lado e atirou as pernas pela lateral da cama. O ar que penetrava pela janela era ameno. deleitando-se com o amanhecer. Nunca experimentara nada como aquilo.

Enquanto escutava Theron contar em voz baixa toda a história ao irmão e a Marley. Seu único consolo era que Theron fazia parecer que ela não fizera aquilo de propósito. Todos sabem. ele ainda se culpava pelo que acontecera. . – Tem razão – concordou Isabella com um fio de voz. soube o que tinha de fazer para deixar Theron livre. Não queria nem pensar na dor e no desapontamento que a outra mulher havia suportado. Isabella fez uma longa e dura introspecção e não gostou do que viu. virou-se para que as costas ficassem pressionadas contra as pedras do muro e se deixou escorregar até se sentar com os joelhos comprimidos contra o peito. – Isso me faz lembrar aquela máxima que diz que aqueles que escutam a conversa alheia raramente ouvem elogios à sua pessoa – disse Piers. Isabella lhe dirigiu um olhar suplicante. Isabella descansou a cabeça sobre os braços. Estacou à porta e observou o heliporto por um longo instante. contornando a casa na direção da entrada dos fundos. O irmão mais novo de Theron a segurou pelos braços e a equilibrou. ele vira arruinada a chance de ser feliz. Seu egoísmo e a forma inconsequente com que perseguia seus objetivos e desejos o privaram da felicidade. Estava com tudo planejado. com lágrimas rolando pelo rosto. Não. como se não tivesse planejado seduzi-lo. de angústia e percepção. – Uma mulher e filhos… uma família. uma vida ao lado de uma mulher de quem gostasse. mas não conseguia. e despencou no caminho mais curto que circundava os jardins. Theron não a amava. Ouvir o modo provocante e explícito com que ela flertara com ele pela boca de outra pessoa fazia aquilo parecer grosseiro e menos intenso do que fora. soltou-se das mãos que a seguravam e correu pelo jardim. quase colidindo com Piers. em um momento de repentina clareza. não ouvem. Não há razão para fazer com que Theron se sinta ainda pior. E sim a Alannis. Entrou. E por sua causa. Não passaria ela de uma menina rica e mimada. Em seguida. Ela escutou Theron relatar sua confusão entre o desejo que sentia por ela e a vontade de tornar Alannis sua esposa. – Não conte a ele que ouvi essa conversa. Ele não a queria. e ela fizera tudo aquilo que ele revelava. Queria fechar os ouvidos. Bella? – Acho que tenho muito o que consertar – respondeu ela. Quando entrou no próprio quarto. Isso tudo voou pela janela com uma rapidez que me deixou zonzo. O casamento com Alannis. fechou a porta e se recostou com um baque contra a madeira maciça. Não poderia. uma vida estável. sequestrando-lhe a respiração… e as esperanças. certificando-se de passar despercebida ao subir os degraus da escada. – Ao que parece.ficava a mesa do desjejum onde eles estavam reunidos. Você já sabe de tudo. cambaleando pela suave inclinação. Algo que poderia ser interpretado como compaixão suavizou a expressão severa de Piers. – E quanto a você. E então se seguiu a declaração que a atingiu em cheio. Amar alguém não deveria ser tão destrutivo ou ferir tantas pessoas. como um golpe certeiro no abdome. Incapaz de suportar a dor causada por aquelas palavras. observando-a com olhar perspicaz. – Eu queria… ter o que você e Marley encontraram – admitiu Theron para o irmão. incapaz de aceitar o fato de não poder ter o que mais desejava? E. Porque amava Alannis. num sussurro. Aquela era a dura verdade. Isabella se ergueu de um salto. – E quanto a você? – quis saber ele.

Piers a observara. perscrutadores e penetrantes. Quando a refeição foi concluída. – Pareceu triste durante todo o dia. Em seguida. – Theron – disse ela. O mais importante era não deixar que Theron soubesse que ela havia escutado aquela conversa. dessa vez. enfim encontrando coragem para encará-lo. Aquele único pensamento ecoava e fervilhava em sua mente. uma lista telefônica ou algo parecido… E depois. Sophia lhe entregara um cartão de visitas com seu endereço e telefone quando a convidara a visitá-la na Grécia. Agora lhe restava pouco tempo para a conversa que teria com Theron. erguendo-se da mesa. pethi mou. mas em seguida voltou a erguer a cabeça. . Isabella girou no círculo dos braços musculosos. A pior parte seria fingir que não ouvira uma palavra do que ele dissera. ISABELLA VERIFICOU as horas no relógio de pulso. precisava falar com Theron. Criaturas que nunca viam a luz. Como se seu coração não estivesse partido. que. Provavelmente Chrysander tinha internet em seu escritório. antes que o helicóptero chegasse para buscá-la. precisava encontrar um serviço de helicópteros. em um país do qual desconhecia o idioma. o quanto lhe despedaçasse o coração. Mesmo se sentindo despedaçada por dentro. se encaminhou à bagagem que se encontrava no quarto e pegou sua bolsa. além de responder quando a palavra lhe era dirigida. Insistira para fazer a coisa certa… de acordo com seus conceitos. de preferência que não constasse da folha de pagamento de Chrysander. A desonra. Aquilo o faria amargar um enorme sentimento de culpa. – Poderíamos conversar? Em particular – acrescentou. Não importava que aqueles planos houvessem sido feitos para se aproximar de Theron e abandonados quando soube que ele se estabeleceria em Nova York. Em vez disso. dirigindo-lhe um olhar inquisitivo. permitiu que as lágrimas lhe escorressem pelo rosto e caíssem no piso. não conseguiu acalmá-la. Quando Isabella estacou. – Claro. Ao contrário. Baixando a cabeça. Tinha de descobrir uma forma de consertar aquela confusão. Por que não caminhamos na praia? – sugeriu Theron. deviam existir coisas horripilantes. com os pés imersos na areia. mas Isabella o evitou. se decidisse retomar seus planos de viajar para a Europa. Tarefa nada fácil ali naquela ilha. porque conseguira sorrir e até mesmo soltar risadas. Isabella sabia que aquela era a verdade. Sob aquela superfície. Isabella não conseguiu conter um suspiro de alívio. passou direto. que nunca maculavam a superfície impecável que refletia a luz do sol. determinada a se recompor. Teria de sorrir e agir como se não houvesse nada de errado. os olhos a procurando com frequência. Bella mou? – perguntou ele com aquele timbre grave. – O que há de errado. Mas dessa vez. seria ela a fazer a coisa certa. pedindo desculpas com olhar para os demais. Limpando as lágrimas com o dorso de uma das mãos. seguindo para o caminho de pedra. entregou-se ao pranto. as mãos fortes se fecharam sobre seus ombros. parecia zombar dela com sua serenidade enganosa. Merecia um Oscar por sua atuação. não importava o quanto doesse. Isabella evitou a mão que ele lhe estendeu. enquanto se erguia. Theron não lhe pertence. após um almoço frugal servido no pátio. O belo tom de azul brilhante que se estendia na direção da linha do horizonte a atormentava. enquanto Marley lavava os pratos. Piers franziu a testa. Theron a seguiu até o mar. Por um instante. Quando a culpa era toda dela.O que Theron lhe dissera? Que fora infiel? Era ele que estava suportando o fardo de suas ações.

os soluços silenciosos lhe sacudindo os ombros. e ele desviou o rosto para o oceano. Isabella se inclinou para a frente e lhe depositou um beijo no rosto. – Sabia que pretendia pedir Alannis em casamento. – Pensei que o havia perdido. Essa foi a razão pela qual Marcus estava em meu quarto. – Sabe. – Isabella inspirou profundamente para se recompor. até que soube que tinha de tentar. – De que se trata? Isabella se soltou e deu um passo adiante. e inventei uma série de outras razões que me possibilitassem ficar em contato com você. mas Isabella parecia tão atordoada que ele tornou a fechá-los.– Há algumas coisas que preciso lhe dizer. Os lábios de Theron se comprimiram até formarem uma linha fina. A expressão de Theron se tornou séria. mesmo com as lágrimas lhe escorrendo pelo rosto. Nunca amor. – Você não me ama – prosseguiu ela em um tom de voz surpreendentemente firme. mas cheguei atrasada. Planejei acabar com sua festa de noivado. Hesitante. em seguida. – Eu o persegui incansavelmente. E então Theron se virou para encará-la. Movendose com rapidez. Boquiaberto. Estraguei tudo entre você e Alannis. Pensei que fosse apenas uma empolgação passageira. Há muito a dizer. Havia uma miríade de emoções refletidas naqueles olhos dourados. concordei. Apenas o brilho nos olhos castanho-dourados revelava o que ele devia estar pensando. Theron anuiu com um gesto de cabeça. Não poderia viver minha vida afastada do meu próprio sonho. Eu estava determinada a tentar seduzi-lo para afastá-lo dela. que planejava construir sua vida ao lado de outra mulher. mas estava determinada a ter uma chance de fazê-lo me amar. antes que ele pudesse esboçar reação. apesar do calor do sol contra sua pele. Confusão. mas cada vez que o via. com as mãos enfiadas nos bolsos da calça. porque no final eu conseguiria o que mais desejava: você. Deixei que dissesse todas aquelas coisas. – Isabella esfregou as mãos nos próprios braços. raiva. eu o amei desde minha infância. portanto. e eu sabia que se sentia culpado por achar que havia me desonrado. mas não amor. esmagando-lhe as esperanças. . Isabella sustentou o olhar de Theron. optando por alugar um apartamento que nem mesmo queria. mas depois você apareceu no clube de striptease e. – A única razão que me levou a planejar minha viagem a Londres neste verão foi pensar que você se encontrava lá. erguendo uma das mãos. Theron respirou fundo e entreabriu os lábios outra vez. – Quando cheguei a Nova York e soube que você havia se estabelecido lá. Sabia que você não me amava. e não serei capaz de lhe contar tudo se começar a fazer perguntas. Isabella pretendia que as palavras soassem como uma pergunta. Ele me seguiu até o hotel debaixo de chuva quando saí correndo a pé pelas ruas da cidade para tentar impedi-lo de pedir Alannis em casamento. disse-me que tínhamos de nos casar. mas as deixara escapar como uma súplica das profundezes de sua alma. girando outra vez para ficar de frente para ele. meu amor crescia. – Mas eu estava errada. No entanto ela o silenciou rapidamente. Theron permaneceu imóvel. fizemos amor em minha suíte. Deixe-me concluir. No dia seguinte. Theron lhe dirigiu um olhar confuso. Seguiu-se um silêncio pesado entre os dois. E sinto muito. mudei meus planos. sem nunca nos dar uma chance. não diga nada. – Por favor.

saiu correndo para esperar por seu voo. e o colocou na palma da mão de Theron. Sem dizer mais nada. ignorando as mãos que ele esticou para ampará-la. .– Espero que um dia possa me perdoar. – Bella! Bella! – gritou Theron às suas costas. à soleira da porta que dava para os fundos da casa além da piscina. na direção do heliporto. – Isabella! – gritou ele também. Isabella a recolheu e. com um último olhar à casa. A bagagem se encontrava onde ela a deixara. Mas ela passou correndo por Chrysander no início do caminho de pedra. ela entrou na casa. Retirou o anel do dedo. saiu correndo de volta para a casa. Engolindo em seco um soluço que emergiu de sua garganta. Logo o helicóptero viria buscá-la.

Chrysander arqueou as sobrancelhas. Foi ela quem me seduziu. O irmão estacou diante dele. agora de posse da informação do que ela planejava. que corria na direção da casa. – Ela me devolveu o anel de noivado. Teria ela o amado por tanto tempo? Aquilo lhe parecia impossível.Capítulo 18 THERON OLHOU para o anel que se encontrava na palma de sua mão e em seguida para Isabella. Theron inclinou a cabeça para o lado. – Algum problema? – Eu diria que sim – murmurou Theron. – Ergueu o olhar para o irmão. – Isso não é tudo. A provocação ousada. – Ela acabou de me contar a história mais estapafúrdia do mundo. Ela deveria estar radiante de felicidade. e não o fitando com lágrimas lhe escorrendo pelo rosto. antes de balançá-la em um gesto negativo. Nem ao menos sei o que fazer com toda essa informação. descendo o caminho de pedra em sua direção. Tudo parecia claro. a procura pelo apartamento. Aquilo lhe parecia muito errado. – E que só foi para Nova York porque eu estava lá. surpreso. Parecia tão implausível. – Importa-se de me contar? Theron abriu a mão para ver o anel ainda pousado em sua palma. – Então. Viu Chrysander se aproximar. Theron lhe dirigiu um olhar estranho. – Isabella parece uma jovem determinada. Dessa vez. ainda tentando digerir tudo que ela lhe dissera. Chrysander sorriu. está furioso? – perguntou por fim. – Isabella parecia muito aborrecida – disse Chrysander. Theron cerrou o punho em torno da joia. – Disse o motivo? Até mesmo um idiota com metade do cérebro perceberia que Isabella é louca por você. as compras. Não conseguia entender tudo que ela acabara de admitir. Chrysander não conteve uma risada. – Afirmou que a única razão que a levou a planejar uma viagem à Inglaterra foi pensar que eu ainda vivia naquela cidade. – Furioso? . – Ela disse que me ama desde criança – revelou Theron arrastando as palavras. – E eu tenho de escutar uma coisa dessas! Theron contou resumidamente toda a história a Chrysander. Chrysander permaneceu em silêncio por um instante. desde o dia em que Isabella adentrara seu escritório. Theron anuiu. Deveria estar no dedo de Isabella.

impotente. escoltada por Piers. Ela poderia ter qualquer homem que desejasse. viram o helicóptero aterrissar. Theron apurou os ouvidos. Não pedi Alannis em casamento. quer isso o agrade ou não. Mas ela nem ao menos se voltou. – O suficiente para deixá-lo de joelhos. a aeronave se ergueu no ar. Mas quando viraram a curva e Theron avistou Isabella parada diante da porta do helicóptero. – Eu a amo – sussurrou Theron. virando à esquerda para contornar os jardins. Consegue me enlouquecer. e Isabella não estava presente no momento em que tomei essa decisão. e Theron disparou na frente dele. que lhe envolvia os ombros . Isabella ilumina qualquer ambiente em que esteja. Mesmo antes de terem visão plena daquela área. em seguida. quando Chrysander estacou. Elas são capazes de nos fazer perder a cabeça. – Não se trata de um dos nossos – afirmou Chrysander. para o piloto. – Você chamou o helicóptero? Chrysander negou com a cabeça. frenético. – Acho que isso define bem seu estado. cabeça-dura… – Theron seguiu pisando duro pelo caminho de pedra. disparando naquela direção. quando chegou à margem de concreto da pista. Chrysander xingou. que se abria. Chrysander. como está se sentindo? – Lisonjeado? Perplexo? Completa e definitivamente confuso? Chrysander sorriu. tentando alcançála a tempo. – Isabella! – gritou ele. – Por que está me dizendo tudo isto? Ao que parece. Encontrava-se no meio do trajeto até a residência. Chrysander gesticulou. – Muito bem. A preocupação do irmão o contaminou. tem uma jovem transtornada que parece determinada a fazer o que julga ser melhor para você. Não poderia ouvi-lo acima do ruído das hélices. – O próximo chegaria amanhã. – Tola. – Está ouvindo isto? – perguntou Chrysander. as portas se fecharem e. certo? Nada como encontrar o amor de uma boa mulher. distinguiu o ruído inconfundível de um helicóptero se aproximando. austero.– Você queria se casar com Alannis. – Meu Deus. Os dois saíram correndo pelo caminho. – Isabella não me impediu. enquanto Theron se encontrava paralisado. Mais adiante. Chrysander sorriu. – Tenho de descobrir para onde ela foi. Theron girou para se deparar com a expressão confusa do irmão. – Durante todo esse tempo. Theron fez um movimento negativo com a cabeça. Theron franziu a testa e fechou os dedos em torno do anel. Foi uma opção minha. com Theron logo atrás. A distância. estive focado no desejo de ter uma esposa e filhos. – Theron retornava à casa. quando a perfeição estava diante de mim o tempo todo. quando Piers partisse. E Isabella o impediu. Observou. Absoluta e completamente. em me casar e formar uma família perfeita. o caminho mais curto até o heliporto. Marley surgiu à porta dos fundos. Mas ela me quer. ela é maravilhosa. com Chrysander em seu encalço. ganhando altura e se dirigindo ao continente. sentiu o sangue congelar nas veias.

com um braço protetor.
– O que está havendo? – indagou o irmão caçula.
Theron passou por ele e Marley, enquanto Chrysander ficou para trás. Em seguida, subiu a escada
correndo na direção do quarto de Isabella, apenas para descobrir que a bagagem que ela trouxera não
se encontrava mais lá. Não havia nenhum bilhete, nenhuma pista de seu destino.
Ele correu de volta para o andar térreo e se juntou aos outros na sala de estar. Chrysander, ao
telefone, tentava descobrir o serviço de helicópteros que ela utilizara e encontrar um jeito de detê-la
assim que aterrissasse.
Piers se aproximou de Theron com expressão fechada.
– Há algo que deve saber.
Theron lhe dirigiu um olhar questionador.
– O que é?
– Esta manhã, Isabella estava na praia, bem cedo. Eu a encontrei do outro lado do pátio,
visivelmente perturbada com algo que escutou durante a conversa que você teve com Chrysander e
Marley. Suplicou para que eu não lhe dissesse nada. Alegou que não queria que você se sentisse
ainda pior.
Theron fechou os olhos; recordava-se de ter detalhado todos os seus desejos. Quando o que de fato
desejava estivera bem diante de seu nariz o tempo todo.
– Sou um completo idiota – resmungou ele.
– Quanto a isso não há argumentos. – Piers esboçou um sorriso oblíquo. – A pergunta é: o que fará
para tê-la de volta?
ISABELLA NÃO levara em consideração as repercussões de pousar em um helicóptero em uma
propriedade que parecia pertencer a uma família grega extremamente rica. Tão logo a aeronave tocou
o solo, foram cercados por uma dúzia de seguranças. Todos armados.
Talvez aquela não tivesse sido uma das suas melhores ideias.
A porta se escancarou, e Isabella se viu diante da expressão severa de um dos homens armados.
Ele rosnou algo em grego, o que a fez encará-lo com expressão confusa.
– Não falo grego – disse ela.
– O que você quer? O que a trouxe aqui? – perguntou o homem com um forte sotaque inglês.
Isabella respirou fundo e tentou ignorar o cano do revólver que se encontrava próximo ao seu
nariz.
– Estou aqui para ver Alannis Gianopolous. É um assunto importante.
– Seu nome – exigiu o segurança.
– Isabella Caplan.
O homem ergueu um pequeno fio e derramou uma torrente de palavras gregas no que ela presumiu
ser um microfone. Instantes depois, baixou o revólver e deu um passo atrás.
– Por aqui, por favor, srta. Caplan.
O homem até mesmo estendeu uma das mãos para ajudá-la a descer. Momentos depois, ela era
escoltada à propriedade palaciana, que ficava situada em um desfiladeiro que dava vista para o
oceano. Em outras circunstâncias, Isabella teria dedicado um instante a invejar um lugar tão
deslumbrante.
– Isabella, minha querida! – exclamou Sophia tão logo ela penetrou na suntuosa mansão. A senhora
a envolveu nos braços e lhe beijou as duas bochechas. – O que, em nome de Deus, faz aqui? E onde
está Theron?

Isabella baixou o olhar por um instante e voltou a erguê-lo para encará-la.
– Preciso conversar com Alannis. É muito importante.
Sophia franziu a testa de leve, preocupada.
– Claro. Está tudo bem?
Isabella exibiu um sorriso trêmulo.
– Não, mas ficará.
– Espere aqui. Vou chamar Alannis – disse Sophia.
Isabella caminhou na direção da ampla janela de vidro que descortinava o precipício que levava
ao oceano. Alannis morava em um lugar perfeito. Próximo a Chrysander e Marley. Todos podiam
formar uma família numerosa e feliz depois que Alannis se casasse com Theron.
– Isabella? – a voz suave de Alannis encheu a sala.
Girando, Bella deparou com a jovem a olhando com expressão obviamente confusa.
– Mamãe disse que você queria me ver.
Armando-se de coragem, Isabella cruzou a sala e estacou diante de Alannis.
– Vim aqui para me desculpar e consertar um erro.
As linhas que vincavam a testa de Alannis se aprofundaram.
– Não estou entendendo.
Isabella respirou fundo.
– Tramei para separar você e Theron. Sabia que ele queria se casar com você, mas eu sempre o
amei e o queria. Nunca parei para pensar no que ele queria ou se eu estava causando o sofrimento de
duas pessoas durante o processo. Você e ele.
– Mas… – começou Alannis.
– Ele quer se casar com você – prosseguiu Isabella, interrompendo-a. – É você que ele quer. Vá
ao encontro dele, Alannis. O helicóptero a está esperando para levá-la até a ilha. Theron ficará feliz
em vê-la. Terminei tudo com ele e lhe devolvi o anel de noivado. Certifique-se de que ele lhe dê um
outro. Você merece um novo começo. Um que não seja maculado por mim. Obrigue Theron a fazer
tudo da maneira certa, com toda a pompa e romance que você merece. – Lágrimas banharam os olhos
de Isabella mais uma vez. – Desculpe-me por tê-la feito sofrer. Espero que sejam felizes. – E se
virou para deixar a casa.
– Espere! – gritou Alannis. – Você não entende…
Tudo que Isabella entendia era que se não saísse dali naquele segundo iria se despedaçar.
Esperava ao menos que o táxi a estivesse aguardando, como providenciara.
– Por favor, mostre-me a saída – pediu com voz estrangulada ao segurança que a acompanhara até
ali. – Há um táxi me aguardando na porta da frente.
Tão logo o segurança abriu a porta, Isabella disparou pelo caminho que levava ao portão de ferro
forjado, que se abriu automaticamente quando ela se aproximou. Para seu alívio, o táxi a aguardava
na rua.
– Para o aeroporto – disse ela ao entrar.
Quando o veículo se pôs em movimento, Isabella viu Alannis gesticulando para que ela esperasse,
mas a ignorou e virou o rosto para o outro lado.
Nunca ninguém lhe dissera que fazer a coisa certa era tão doloroso.
– QUANTO TEMPO levará para que o maldito piloto chegue aqui? – perguntou Theron, escorregando
uma das mãos pelo cabelo, pela décima vez em uma hora.
A frustração o sufocava. Estava preso naquela ilha, até que o piloto de Chrysander chegasse.

Finalmente, agora o homem estava a caminho.
Chrysander pousou o fone e se virou na direção dele.
– O piloto de Isabella a levou à propriedade dos Gianopolous.
Theron o encarou, confuso.
– Por que diabos ela foi visitar Alannis? Não tinha ideia de que ela sabia onde os Gianopolous
moravam.
– Ela está tentando consertar as coisas – interveio Marley com voz suave. – Primeiro com você, e
agora com Alannis.
Theron pegou seu celular para conseguir o número de Alannis. Se pudesse contatá-la antes de
Isabella partir, poderia fazer com que a detivessem até que ele chegasse.
Chrysander lhe entregou seu telefone, e Theron digitou os números. Segundos depois, Sophia
atendeu.
– Graças a Deus! Isabella esteve aí? O quê? Ela partiu em um táxi?
Sophia o informou para onde Bella estava se dirigindo, e ele desligou logo depois, falando para
Chrysander:
– E agora, onde está seu maldito piloto?!
ERA IMPOSSÍVEL comprar uma passagem para deixar o país de imediato. Todos os voos que partiriam
da Grécia nas próximas horas estavam lotados. Por fim, Isabella se encaminhou ao balcão dos voos
charter e apresentou seu cartão de crédito, que ela esperava ser de fato um platinum, como estava
escrito nele, e alugou um jato particular para levá-la até Londres.
Ao menos agora estava a bordo, aguardando que o jato fosse abastecido e rumasse para a fila de
decolagem. A exaustão parecia lhe triturar os ossos. A noite insone somada ao desgaste emocional
daquele dia haviam lhe sequestrado as forças.
Recostou-se no assento e fechou os olhos. Ouviu um farfalhar a distância e supôs ser o piloto.
Porém, em seguida, sentiu o contato de lábios macios contra os seus e abriu os olhos.
Theron afastou a cabeça e lhe segurou o rosto com ambas as mãos, enquanto ela o encarava,
atônita. Ele parecia… bem, ele parecia um trapo. As roupas estavam empoeiradas e amarfanhadas, o
cabelo, despenteado, e os olhos dourados faiscavam com o fogo que refletiam.
Antes que Isabella pudesse dizer qualquer coisa, ele a beijou outra vez, esquecendo a gentileza
anterior. Puxou-a contra si, violando-lhe a boca até deixá-la sem ar.
Em seguida, afastou-se e resmungou uma ordem em grego na direção da cabine de comando. Para a
contínua surpresa de Isabella, o jato se pôs em movimento, com Theron dentro.
– Espere! – protestou ela. – Este jato está indo para Londres. Não pode ficar aqui. E quanto a
Alannis? E sua família?
Theron a ergueu do assento nos braços, se encaminhou ao sofá e se sentou com ela em seu colo.
– Não deveríamos estar em nossos assentos com os cintos de segurança atados até levantarmos
voo? – perguntou ela, atordoada, ainda incapaz de entender a presença de Theron naquele jato.
– Eu a segurarei se houver uma inesperada turbulência – garantiu ele, com voz sedosa. – Agora
que você não pode fugir para nenhum lugar e a tenho toda para mim, terá de ouvir atentamente cada
palavra que vou lhe dizer.
Os olhos verdes se arregalaram, e Isabella se viu boquiaberta. Theron lhe traçou o contornou dos
lábios carnudos, antes de substituir os dedos pela própria boca.
– Mulher tola, impetuosa, linda e frustrante – murmurou ele. – Se pensa que se livrará de mim
depois de me fisgar e prender, está muito enganada, Bella mou.

Jamais coloquei um anel no dedo de Alannis. Em seguida se inclinou e lhe beijou a junta dos dedos. através do nó que lhe apertava a garganta. Sou seu desde o dia em que entrou em meu escritório. Não consigo imaginar minha vida sem você. Na verdade. Quer se casar comigo e me transformar no homem mais feliz do mundo? Theron escorregou o anel de volta em seu dedo anular. sem saber o que dizer. mesmo sabendo que não quero ter filhos de imediato? – Tenho a impressão de que me manterá muito ocupado para pensar em filhos tão cedo – respondeu ele com um sorriso divertido estampado no rosto. – Temos todo o tempo do mundo. Eu a adoro. uma família. minha linda Isabella. Tudo que eu desejava era você. Você virou meu mundo de cabeça para baixo e nunca mais voltou a colocá-lo no lugar. – Eu te amo. Nunca pedi Alannis em casamento. Em seguida. e não ficar pensando em uma forma de despi-la. sentando-a sobre o sofá. – Quer se casar comigo. Tive ímpetos de arrancar cada peça de roupa de seu corpo para poder vê-la sem barreiras. – Muito. certa de que sonhava. Theron sorriu e lhe tocou o rosto. estava ansiosa para que eu a encontrasse e colocasse este anel de volta em seu dedo. apaixonado por ela? – Isabella fechou os olhos e sacudiu a cabeça. – Este anel nunca pertenceu a outra mulher. e aquele que pretendia dar a ela foi substituído por este. hesitante. Isabella tinha certeza de que seu sorriso seria capaz de iluminar todo o universo. pelo qual ansiava e esperava encontrar estava bem diante de mim. – Estou apaixonado por você – respondeu ele. Eu o escolhi para você. Ele fechou os olhos e inclinou o rosto para sorver mais daquele toque. Os lábios se colando. enfeitiçada. Havia até mesmo comprado o anel de noivado. – Apenas você. Um turbilhão de pensamentos lhe cruzava a mente. Acho que soube disso no primeiro dia em que entrou no meu escritório. – Como é generosa.A esperança aflorou. Por um instante. agape mou. – Nunca teria feito amor com você se pertencesse a outra mulher. Ela o observava. amarga. . – Case-se comigo. e ele lhe ergueu o queixo com uma das mãos. Em seguida se inclinou e a beijou mais uma vez. Tudo que eu sempre quis. Theron a encarou com expressão séria. Mas já havia colocado meu plano em relação a Alannis em ação. pethi mou. ajoelhou-se diante dela e lhe segurou a mão. Bella. Lutei contra a atração que sentia por você porque tinha que desempenhar o papel de seu tutor. Isabella ergueu a mão trêmula e lhe tocou a lateral do rosto com a palma. Alannis não está apaixonada por mim. provocando um tamborilar suave no peito de Isabella. – Ela não está? Você não está? Quero dizer. E então. Mas só o que conseguia ver na minha frente era você. Apenas me prometa que os teremos juntos. girou a cabeça para que pudesse lhe pressionar um beijo na palma da mão. uma esposa. Em seguida. – Eu também te amo – sussurrou ela. Pretendia pedir Alannis em casamento na noite da festa. a expressão de Theron se tornou séria. meu precioso amor. Isabella parecia perplexa. – Mas eu ouvi o que disse a Chrysander sobre desejar o que ele e Marley possuem. Tudo estava planejado. – Não a pediu em casamento? – grasniu ela. enquanto lhe sustentava o olhar. quentes. Theron girou o corpo. Vi sua tatuagem e enlouqueci. – O que desejo é você. Não me encaixo em nenhum lugar – afirmou. nos dela. com incrível suavidade.

o coração flutuando com a doce e inegável felicidade. – Sim. – Oh. Theron soltou uma risada. eu me casarei com você. por que não fazemos amor nas alturas? – Ele a fitava com devassidão. – Sim o quê. – Se for capaz de perdoar minhas ações idiotas e o fato de não ter feito um pedido de casamento romântico antes. . já que chegamos a um acordo. E quando os dois uniram seus corpos e almas. pethi mou? – Sim. – Sua pequena feiticeira.– Você pode estar grávida. Isabella sorriu. – Estou usando um método contraceptivo. sussurraram seu amor um para o outro incessantemente. Theron franziu a testa e fingiu um olhar furioso. Eu te amo tanto! Theron se levantou e a ergueu nos braços. linha e rede. – Não estou grávida. – Está aborrecido porque não lhe contei quando me disse que tínhamos de nos casar? – perguntou Isabella. então serei capaz de perdoá-la por efetivamente me capturar com anzol. com o coração se tornando mais leve a cada respiração. sem conseguir disfarçar o nervosismo. Ficará muito aborrecida se estiver? Isabella sorriu. Isabella pestanejou várias vezes quando se deu conta de que havia perdido toda a decolagem. – Ela lhe envolveu o pescoço com os braços. então você já… é a época do… – Não – retrucou Isabella com uma risada breve. enquanto Theron a carregava para o pequeno quarto nos fundos do avião. – Bem.

Bella. e Isabella se tornou sua. Theron recuou enquanto ela desabotoava a sarongue e o desenrolava do corpo. Uma atmosfera festiva gravitava no ambiente. o doce contra o salgado. As palavras carregadas pela brisa soavam firmes e claras. Theron podia até mesmo perceber o brilho das lágrimas nos olhos das mulheres. Theron percebeu lágrimas nos olhos da noiva. enquanto os homens as observaram com sorrisos indulgentes. Isabella sussurrou que tinha um último presente de casamento para lhe dar. foram declarados marido e mulher. A beleza inigualável de Isabella lhe fazia o peito doer. e todos exibiam sorrisos largos. mais tarde. todos se reuniram nos jardins. Houve muita dança na praia e.Epílogo OS NOIVOS compareceram descalços à cerimônia de casamento. diga-me que não entrou em um desses estúdios de tatuagem sozinha e . – Você não fez isso. depois de ter retornado à ilha para assistir ao casamento. Mais tarde. – Lembra-se de ter me dito que eu deveria fazer outra tatuagem? – perguntou ela com um brilho malicioso no olhar. Quando por fim ele interrompeu aquele contato para que o padre pudesse dar prosseguimento à cerimônia. Theron aguardava ao lado do padre. que ele havia comprado e se deleitado em colocar. ostentavam um rosa brilhante. junto de Marley. que Theron se incumbira de pintar em uma noite quente de sexo. Mas o que lhe sequestrou o ar dos pulmões foi o sorriso radiante que ela exibia. Um chalé localizado em um desfiladeiro que dava vista para o mar. Não importava que os votos ainda não tivessem sido feitos e que o padre limpasse a garganta de maneira audível. Simplesmente não conseguia se furtar a beijá-la. O traje da noiva se resumia à parte superior de um biquíni e um sarongue que flutuava delicadamente por suas pernas. enquanto Chrysander levava Isabella até ele. Intrigado. Um nó incômodo parecia lhe fechar a garganta ao recitar seus votos para Isabella. na praia da Ilha Anetakis. Os olhos dourados se fixaram no diamante em forma de lágrima que adornava o umbigo de sua noiva. E então ele esticou a mão para Isabella e a puxou na sua direção. Theron franziu a testa. Piers se encontrava ao seu lado esquerdo. As unhas dos pés. A tornozeleira captava a luz do sol e faiscava. o helicóptero veio buscar os noivos para a suíte nupcial que Theron providenciara. Sophia e Alannis se divertiram muito ensinando a Marley e Isabella as danças gregas tradicionais. Os lábios dos dois se encontraram com ansiedade ardente. a sedosidade contra a aspereza. Por fim. Theron sabia que seu nome estava gravado na placa prateada. Destinado apenas a ele. Alannis e Sophia se postavam do lado da noiva. Quando ele a carregou para a cama.

– Ele fez um pequeno discurso quando entrou lá. Em seguida se inclinou e roçou os lábios ao desenho.suportou a dor de fazer outra tatuagem. Theron xingou em grego. Marley me acompanhou. Lá. exatamente no centro. Theron não pôde conter uma risada abafada. Isabella soltou uma risada. exasperdo. . Isabella encaixou os polegares nas laterais da parte de baixo do biquíni e o desceu. em linha reta abaixo do piercing do umbigo. – Minha diabinha angelical – disse ele. um anjo segurava um tridente. incrédulo. antes de descer a boca mais para baixo. logo acima da junção das pernas. atrás de nós. – Não fui sozinha. – E Chrysander sabe disso? – Theron meneou a cabeça.

. tradução Vera Vasconcellos.A. 171. Romance americano. Vasconcellos. 4º andar São Cristóvão.Rio de Janeiro: Harlequin. I. recurso digital Tradução de: The tycoon's rebel bride Formato: ePub Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web ISBN 978853981566-1 (recurso eletrônico) 1.rivera@harlequinbooks. 2.1. Todos os direitos reservados.br . Proibidos a reprodução.CIP-BRASIL.111(73)-3 PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM HARLEQUIN BOOKS S. RJ — 20921-380 Contato: virginia. o armazenamento ou a transmissão. Rua Argentina. Maya Rebeldia [recurso eletrônico] / Maya Banks.com. ed. Livros eletrônicos. . CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS. Título original: THE TYCOON’S REBEL BRIDE Copyright © 2009 by Sharon Long Originalmente publicado em 2009 por Silhouette Desire Arte-final de capa: Isabelle Paiva Produção do arquivo ePub: Ranna Studio Editora HR Ltda. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Rio de Janeiro. no todo ou em parte. RJ B17r Banks. Vera. Todos os personagens desta obra são fictícios. 14-12591 CDD: 813 CDU: 821. Título. 2014. II.

Capa Querida leitora Rosto Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Capítulo 18 Epílogo Créditos .

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