Querida leitora,
Quantas vezes na vida pensamos que estamos no rumo certo, que sabemos exatamente o que
queremos e tomando todas as providências para concretizar o plano? Nós nos sentimos confortáveis
e seguros. Mas e se descobrirmos que não era nada disso que queríamos assim que o objetivo é
alcançado?
Esse é o dilema contra o qual Theron Anetakis se debate em Rebeldia. Ele está pronto para criar
raízes, começar uma família, se casar com a mulher equilibrada e apaziguadora que escolheu para ser
sua esposa. Até Isabella Caplan irromper com a força de um tornado em sua vida meticulosamente
ordenada!
Ela dá um jeito de anarquizar com os planos de Theron, e o pior, faz com que ele se questione se
era aquilo mesmo o que queria. Assim, ensina para ele uma das lições mais importantes: buscar o
que realmente desejamos, e nunca nos contentarmos com menos.
Espero que goste da história de Bella e Theron tanto quanto amei escrevê-la. É um romance
cravejado de emoções, porém, o mais importante, é que fala sobre um amor profundo e eterno.
Tomara que você suspire a cada página nessa jornada a um final feliz.
Boa leitura!
Maya Banks

REBELDIA
Tradução
Vera Vasconcellos

2014

contratos. – Está ligando a esta hora para perguntar sobre uma mulher? – Diga-me… – Theron fez um movimento negativo com a cabeça. mas tinha esperança de que ele atendesse antes que isso acontecesse. Chrysander. Resmungando xingamentos. e que se formou com sucesso. – Quem diabos é Isabella? – perguntou. Theron optara por trazer a própria secretária do seu escritório em Londres. que se encontrava ao lado de seu pé. Dois dias depois. Após a descoberta de que um dos membros da equipe da empresa estava vendendo os projetos de um hotel da Anetakis para um concorrente. responsável e – o mais importante – leal. – É melhor ter uma boa razão para telefonar a esta hora – rosnou Chrysander com voz sonolenta. a ex-assistente de Chrysander. mensagens e e-mails. – Theos. Mas. ele ainda tentava decifrar aquela bagunça. seja lá o que isso signifique. Theron e os irmãos fizeram uma faxina corporativa e reformaram o quadro de funcionários. quase irritado. Theron não perdeu tempo com saudações. – Diga-me apenas o que preciso saber para me livrar dela – acrescentou Theron. atirava cartas para a direita e a esquerda. Essa mulher não é muito nova para estar envolvida com você? . – Estou diante de uma carta na qual ela o informa de seu progresso. Chrysander não seria infiel a Marley. fora presa após um acordo judicial. Outras tinham como destino a lata de lixo.Capítulo 1 THERON ANETAKIS separava em pilhas a montanha de papéis de trabalho que a secretária deixara sobre sua mesa para que ele analisasse. digitou o número e esperou. Era uma mulher mais velha. deveria ter sido antes de ele conhecer a esposa. Não. ela era atirada na pilha de assuntos que demandavam sua atenção. Embora nenhum dos irmãos Anetakis estivesse disposto a confiar totalmente em outro funcionário. E pensar que a secretária já dera conta da maior parte daquela desordem! Theron estacou diante de uma carta endereçada a Chrysander e quase a atirou no lixo. O que quer que aquela mulher representasse na vida do irmão. a esposa de Chrysander. Quando surgia alguma que merecia mais que um olhar superficial. por fim. Sentiu uma pontada de remorso pela probabilidade de acordar Marley. Theron foi recebido com uma pilha de documentos. Linhas profundas lhe vincavam a testa ao esticar a outra mão para o telefone. A criminosa. os irmãos Anetakis se tornaram receosos em permitir acesso ilimitado às informações confidenciais da empresa a outro funcionário. após o fiasco com Roslyn. impaciente. Assumir os escritórios de Nova York não fora um processo tranquilo. Por conta do ocorrido. mas se deteve quando viu o que estava escrito. – Isabella? – Não havia dúvidas quanto à surpresa na voz de Chrysander. Ao chegar de Londres. que a ligação se completasse. – Seus lábios se contraíram em uma expressão desgostosa. Sem se importar com a diferença de fuso horário e com a possibilidade de acordar o irmão.

focado na própria dor. – Cuidarei disso. sempre procurando passar despercebida. – Nosso dever para com Bella sumiu da minha mente. Isabella deve ter acabado de se formar. A imagem de uma préadolescente desengonçada. Como agora é você o representante da Anetakis em Nova York. – Caplan. mas para ser sincero. – Eu sabia que devia ter obrigado Piers a assumir o escritório de Nova York. cuidaríamos da menina. – Embora sua devoção à minha esposa seja louvável. É uma doce menina. o que acontecer primeiro. não é necessária – retrucou Chrysander sem rodeios. – E por que nunca ouvi esta história antes? – Nossos pais foram amigos e sócios nos negócios por muito tempo. – A pequena Isabella? – perguntou Theron. irmãozinho. Portanto. surpreso. Nosso pai morreu antes do pai dela. Certamente você lembra. Chrysander soltou um xingamento. mas. nesse meio-tempo. Chrysander soltou uma risada. e a última coisa que eu queria era vê-la causando problemas a Marley. – Claro que não. – Bella não será problema algum. Lembrava-se de que ela era tímida e modesta. ela irá para Nova York daqui a dois dias – disse Theron. – E eu repito: quem é Bella? – Theron sentia a paciência se esvair. – Estou casado. A última coisa de que você necessita agora é de outra preocupação. – Theron meneou a cabeça. Mas preciso dos detalhes. – Isso será moleza. – Não estou gostando de sua insinuação. Que idade ela teria naquela época? Chrysander soltou uma risada abafada. Isabella comparecera ao funeral de seu pai. – Não estou conseguindo pensar com clareza a esta hora da noite. se lhe acontecesse alguma coisa. Tudo que tem de fazer é ajudá-la a resolver seus assuntos e providenciar o que ela necessita. Isabella só terá total controle sobre sua herança quando fizer 25 anos. Desde então. Claro que não estou envolvido com essa Isabella.Chrysander explodiu em uma torrente de xingamentos em grego que fez Theron afastar o fone do ouvido até que o irmão se acalmasse. impaciente. Não levará muito tempo para que a acomode e providencie o que . Theron não se lembrara dela até Chrysander mencionar o sobrenome. você deveria saber que. portanto assumi a responsabilidade pelo bem-estar de Isabella quando ela ficou órfã. Theron gemeu. o grupo Anetakis International atua como seu curador. – Ela não está tão pequena agora. – Nesse caso. a encontrara algumas vezes. – Não posso deixar Marley agora. Menina inteligente… – Mas por que está recebendo notícias dela? – quis saber Theron. O pai de Isabella fez o nosso prometer que. não conseguia conjurar a imagem de Isabella mais velha. irmãozinho – disse Chrysander em um tom de voz frio. de rabo de cavalo e aparelho dentário lhe espocou na mente. Theron não prestara atenção à jovem. ou quando se casar. Estava indo muito bem na faculdade. deixou escapar um suspiro. De uns tempos para cá tenho estado focado em Marley e nosso filho. O escritório de Nova York é responsabilidade minha. achei que ela fosse uma ex-amante sua. de acordo com esta carta. – Pelo amor de Deus. Isabella Caplan. Em seguida. – Que dever? – Theron se surpreendeu. – Bella! Claro – murmurou ele. Vou creditar isso na conta de problemas que herdei quando trocamos de filial. E então Theron ouviu o irmão ofegar do outro lado da linha. isso o torna uma espécie de tutor de Isabella.

girou o envelope e escorregou os dedos suavemente pelas letras escritas à mão: “Isabella Caplan. Era óbvio que Theron ainda usava a mesma. a bagagem foi entregue em seu quarto. – Uh… olá – cumprimentou Isabella. Mas tudo mudou no instante em que recebeu uma mensagem concisa de Theron Anetakis. enquanto a guiava na direção da saída. com um buquê de flores e uma cesta recheada de todo tipo de sortimento de petiscos e frutas. A limusine parou em frente ao hotel. E lá estava. Aquela viagem fora planejada como uma breve parada em seu caminho para a Europa. agradeceu e fechou a porta outra vez. Como se isso não bastasse. Sou Henry. No mesmo instante. passando direto pela recepção. – Uma mensagem do sr. Dentro de dez minutos. Ela ficaria em Nova York… indefinidamente. Suave. Lembrava-se daquela colônia como se fosse ontem. seu motorista por hoje. a fragrância de Theron. Para sua surpresa. – Será entregue no hotel muito em breve. outros dois homens se adiantaram para ladeá-la. Em seguida. O homem lhe estendeu um envelope cor de creme. Quando o veículo se pôs em movimento. – Qual dos srs. Chrysander sempre lhe providenciava uma suíte quando ela visitava Nova York. Caplan. A limusine deixou a área de desembarque em direção ao Imperial Park. e deparou com outro funcionário do hotel à soleira. e o segurança que sentara no banco da frente estendeu a mão para ajudá-la a sair. informando-a de que agora seria ele quem cuidaria de seus assuntos. Anetakis. enquanto o outro se acomodava no banco da frente. Isabella foi encaminhada imediatamente à própria suíte. avistou um homem com uniforme de chofer segurando uma placa na qual estava escrito seu nome. acenando enquanto se aproximava. mas inegável. ao lado do chofer. srta. o que não ocorria com muita frequência. Isabella ergueu as sobrancelhas. porque o chofer sorriu e disse: – Seja bem-vinda a Nova York. MAL ISABELLA Caplan passou pelo controle de segurança do aeroporto.” Seria a letra de Theron? Permitindo-se um instante de tolice. ouviu outra batida na porta. – Providenciei para que alguém recolhesse sua mala no terminal de bagagens – informou Henry. Anetakis? O jovem pareceu envergonhado. A expressão confusa de Isabella devia ser evidente. ela encostou o envelope no nariz. . um dos homens da segurança abriu a porta da limusine para Isabella e se sentou ao lado dela. Quando adentraram o saguão. encaminhou-se para atender. Anetakis. Resmungando baixo. Theron ainda não sabia. e a encontraria em Nova York para providenciar tudo de que ela necessitasse para sua viagem ao exterior. quando Isabella havia acabado de se sentar no sofá e retirar os sapatos. fato que informara a Chrysander na carta que lhe enviara. A porta do passageiro se abriu. ela se recostou. ela ergueu a mão. esperando sentir a fragrância daquele homem. o hotel dos irmãos Anetakis. Do lado de fora. e tudo que Isabella desejava era se deitar e relaxar naquele assento.ela precisa. Isabella sorriu. Privacidade estava fora de questão. mas a viagem de Isabella se tornara algo do passado. e esses cavalheiros são membros da equipe de segurança do sr. – Theron.

– Srta. Enquanto ela esperava crescer para reivindicá-lo. Arrogante como sempre. – Eu não a reservei – retrucou ele. O que a fizera se apaixonar ainda mais. O que motivara sua viagem à Europa fora o fato de Theron morar lá. Saber que ficaria onde Theron passava muito do seu tempo lhe causou uma emoção eletrizante. rouca. claro. Finalmente. Estava mais que satisfeita por aquele encontro se dar nos termos de Theron. Está tudo ótimo. A viagem à Europa estava cancelada. Caplan… Isabella. e a honra era tudo. Isabella soltou uma risada. – Então onde você está? – perguntou. esperando não deixar transparecer o nervosismo. – Alô? Seguiu-se um breve silêncio. No mesmo instante. na última vez em que ela estivera ali. Ao menos Chrysander passara em sua suíte para ver como estava. A tornozeleira delicada faiscou com o movimento. ele e a esposa se mudaram definitivamente para uma ilha de sua propriedade na Grécia. – Por que abriu mão de sua suíte? – O hotel está passando por reformas. Isabella não esperava que ele se atirasse em seus braços. Ou ter morado. – Obrigada. e um arrepio de prazer lhe percorreu a espinha. Theron havia se tornado ainda mais deslumbrante ao longo dos últimos anos. O telefone tocou. Não havia necessidade de sair de sua suíte por minha causa. Estou ocupando temporariamente outro quarto. As unhas pintadas de um vermelho vibrante lhe atraíram o olhar. – Eu poderia ter ficado em outro quarto. Assim. arrancando-lhe um suspiro exasperado. mas também eram leais. – Sim – respondeu. Mas naquela época. Estou telefonando para saber se fez boa viagem e se foi acomodada sem nenhum inconveniente. Isabella se deixou afundar no sofá e pousou os pés sobre a mesa de centro. Em uma caligrafia obviamente masculina. Foi muita gentileza sua reservá-la para mim. O que significava que Theron ficara bem mais próximo dela. Podiam ter a mulher que quisessem. E seu plano para seduzir Theron entrara em ação.Isabella rasgou o selo e retirou o cartão do envelope. impaciente. Eram implacáveis nos negócios. – A suíte está a seu gosto? – Sim. – Essa é minha suíte particular. – É Theron Anetakis. e Isabella se achava tão confortável no sofá… Após se forçar a levantar. A beleza jovial fora substituída pela masculinidade sensual. e ele providenciara uma autêntica babá para acompanhá-la em sua visita à cidade. O aparelho se encontrava do outro lado da sala. Isabella estava com apenas 18 anos. Os irmãos Anetakis eram difíceis. Um sorriso divertido curvou os lábios de Isabella. curiosa. Dando-lhe ordens como se ela fosse uma criança desobediente. enquanto agitava os pés. A única suíte disponível era… a minha. ele escrevera as instruções para que ela fosse ao seu escritório na manhã seguinte. cambaleou para atendê-lo. Não era a voz de Chrysander e. Mais irresistível. Theron se tornara ainda mais desejável. ela reconheceu o sotaque inglês. como Piers estava fora do país e nunca tivera sequer uma conversa com ela. só podia ser Theron. Quando Chrysander se casara. Não seria fácil. . seria mais prazeroso deixá-lo atônito. Isabella olhou ao redor com renovado interesse.

– Bella. Ela não esperava nada menos que isso. e sabia que não adiantaria argumentar. – E claro que o atenderei. Um sorriso lhe curvou os cantos dos lábios ao abraçar o próprio corpo. Theron deixou escapar uma exclamação de surpresa que lhe soou suspeitosamente como um xingamento. extasiada. mas eu não esqueci nenhum detalhe sobre você. Seguiu-se um silêncio constrangedor. chame-me de Isabella. – Tenho certeza de que não soei tão autocrático. – Por favor. Se ele ao menos soubesse… – Estávamos discutindo suas ordens autocráticas para que eu comparecesse ao seu escritório amanhã. Lógico. . Isabella. deixando escapar em seguida um som exasperado. – Ele começava a ficar impaciente. E levavam muito a sério o que achavam ser seus deveres. Deve se lembrar do tempo em que não éramos tão formais… Sei que se passaram alguns anos. Haveria muito tempo para lhe comunicar sua mudança de planos. antes de acrescentar: – O que estávamos falando mesmo? Theron parecia distraído e. por favor. Bella. Os irmãos Anetakis eram a personificação da eficiência. Caplan. Era inútil deixá-lo em alerta de imediato. então – disse Isabella. – Recebi suas ordens. Um sorriso malicioso curvou os lábios de Isabella. Isabella percebeu que ele queria se livrar dela o mais rápido possível. Theron se despediu de maneira formal. Faça como for melhor para você. – Foi um pedido. antes de viajar para a Europa. Ou de Bella. Podemos combinar às dez horas? Estou um pouco cansada e gostaria de dormir até mais tarde. Solicite o serviço de quarto para o jantar. – Vejo-o amanhã. sem dúvida. Oh. pretendia lhe fazer uma visita no dia seguinte. e ela desligou o telefone. – Está bem. srta. Isabella engoliu em seco a negativa de que iria para a Europa. – Está bem… Bella – concedeu Theron. embora fosse um homem educadíssimo. Ainda mais quando Theron não tinha a menor chance de convencê-la a mudar de ideia. – Claro. Suas despesas serão pagas. – É bom que tenha uma estada confortável.– Alguns dias não farão diferença alguma – afirmou ele. Um sorriso lhe curvou os lábios.

Velhos amigos de seu pai. Não era necessário assustá-la. Os pensamentos de Theron foram interrompidos por uma batida na porta. Ela e Theron tinham muito em comum. brusco. a secretária. Tentou pescar em suas lembranças a imagem daquela moça. Alannis… Um sorriso tristonho lhe curvou os lábios. visto que Marley não desejava se mudar da ilha que ela e Chrysander haviam transformado em um lar. – Senhor. Esse era um assunto seu. Sua mudança para Nova York tinha toda a probabilidade de ser permanente. pernas desengonçadas e aparelho nos dentes. enquanto Alannis chegaria da Grécia dentro de uma semana. Ela era proveniente de uma família grega íntegra. Theron e Alannis tinham o que poderia ser considerado uma amizade íntima. ele ergueu a cabeça.Capítulo 2 THERON SE inclinou para trás na cadeira e observou a linha do horizonte através da janela do escritório. Relanceou o olhar ao relógio de pulso e fez uma careta ao se lembrar de que Isabella Caplan deveria chegar dentro de cinco minutos. Após uma manhã agitada de trabalho com reuniões e telefonemas. Algo que discutira amigavelmente com Alannis. portanto. solicitaria a alguém da Anetakis International que a encontrasse em Londres e arranjaria uma equipe de segurança para protegê-la durante sua estada naquele país. disse ao mesmo tempo que enfiava a cabeça pelo vão da porta. Sim. estava na hora de se casar. parecia-lhe natural encontrar uma esposa e formar uma família. Sabia apenas que Isabella se formara. Talvez um acordo fosse o termo mais exato. aguardando. embora ele estivesse aberto a aprofundar aquele relacionamento. E se pretendia morar definitivamente ali. Não tinha certeza nem mesmo da idade que ela teria agora. E ele lhe daria segurança e proteção. Alannis lhe proporcionaria uma relação de amizade e lhe daria filhos. Theron se erguera e caminhava na direção da porta para cumprimentá-la. Isso significaria que estaria com mais ou menos 22 anos? Conjurou um sorriso gentil quando a porta se escancarou. Sentia-se como uma porta giratória. aprumou a coluna. era natural que acabassem por se unir. semanas antes. em um gesto distraído. Providenciaria para que ela tivesse tudo que necessitava. O pai de Alannis era dono de uma empresa transportadora. conseguira finalmente alguns minutos para respirar. autorizando a pessoa a entrar. Sabia que teria de levar uma vida mais regrada agora que assumira o escritório de Nova York. Isabella entraria e sairia para sua viagem à Europa. e tamborilou com os dedos sobre o tampo. mas tudo que conseguia visualizar era uma menina de olhos grandes. Caplan está aqui para vê-lo – Madeline. Por outro lado. . Os dois formavam um belo casal e se entendiam muito bem. sentando-se ereto. Theron. Ainda bem que poderia se livrar rápido de sua obrigação para com Isabella. a srta. quando estacou por um segundo. – Faça-a entrar – retrucou ele. Franzindo a testa.

se ajustava às curvas generosas de seu corpo tão confortavelmente quanto as mãos de um homem fariam. suave. – Planejo estar casada antes dos 25 anos. – Que diabo são esses trajes que está usando? – perguntou ele. – Como sou agora. – Ele era… seu tutor – disse Theron. expunha aquela faixa de pele à sua visão. A blusa. contemplando toda sorte de cenários medonhos. Diante dele não se encontrava uma menina. Uma garra invisível parecia lhe esmagar a garganta até fazê-lo mexer o pescoço para aliviar o desconforto. e o som fez uma corrente elétrica subir pela nuca de Theron. – Chrysander não tem direito de opinar sobre minha maneira de vestir. Isabella arqueou uma das sobrancelhas escuras. – Está fazendo um favor ao meu pai e é seu executor testamentário no que se refere à minha herança até que eu me case. – Casar? Nos termos do testamento de seu pai reza que você só terá controle sobre sua herança quando fizer 25 anos. – Quem é ele? Quero-o muito bem investigado. Aquele não era o tipo de mulher que pudesse passar despercebido. se é que aquilo poderia se chamar de blusa. O olhar de Theron foi atraído para aquele ponto e para o brilho prateado no umbigo de Isabella. Isabella exibiu um sorriso hesitante que o fez sentir aquele gesto até a ponta dos pés. Isabella. Duas covinhas se formaram no rosto delicado. Os cílios longos emolduravam olhos verdes faiscantes. – Esse é o tipo de coisa que Chrysander permitia que usasse na presença dele? Isabella soltou uma risada baixa. mas está longe de ser meu tutor. Um homem teria de ser cego. e os dentes brancos quase lhe ofuscaram a visão. A bainha acabava acima do umbigo. envergonhado do fato de ter sido pego em flagrante secando-a com o olhar. quando o sorriso de Isabella se alargou. eriçando-lhe o cabelo naquela região. ao mesmo tempo que deslizava as mãos pelos quadris. junto com a cintura baixa da calça comprida. tudo que Theron conseguiu fazer foi observá-la como um adolescente cheio de espinhas que experimentasse sua primeira descarga de hormônios. Theron se pôs em alerta. O cabelo longo e escuro cascateava até abaixo dos ombros. baixou o olhar às próprias vestes. Ele franziu a testa. Uma insinuação de sorriso lhe curvava os lábios carnudos. E então. Em seguida. e lhe proporcionou tanto prazer que ele se viu desejando ouvi-lo outra vez. e isso. surdo e mudo para não notá-la. os olhos verdes não conseguindo disfarçar o divertimento. – Ou me casar – corrigiu Isabella. Ela vestia um jeans justo de cintura baixa. Tenho cuidado muito bem de mim mesma com uma mínima interferência de Chrysander. E pensar que se lembrava dela como alguém que costumava desparecer no ambiente em que estivesse presente. Ela havia colocado um piercing no umbigo? Theron piscou. Theron se recostou à mesa e estudou a jovem tão segura de si à sua frente. . Tem de ser muito cuidadosa em sua posição. Os últimos anos operaram mudanças radicais em Isabella. mas uma mulher estonteantemente bela. As linhas que vincavam a testa de Theron se aprofundaram diante do tom sarcástico na voz de Isabella. seus olhos se fixaram naquele rosto deslumbrante.sentindo todo o ar se esvair dos pulmões. antes que pudesse se conter. – Não pela lei – argumentou Bella. O patrimônio que herdou atrairia uma horda de pretendentes indesejados que a querem apenas por seu dinheiro. – Acredito que seja o que costumam chamar de roupas – afirmou ela com voz rouca. Era um som quente e vibrante. Por um longo instante.

Fiz uma ótima viagem. – Fico feliz em saber que fez uma boa viagem e que aprovou a suíte. A suíte é maravilhosa. Maldito fosse Chrysander por seguir com a própria vida e o atrelar a Isabella Caplan. Theos!. – Não escrevi nada disso para Chrysander – protestou Isabella com suavidade. Simplesmente mudei de ideia. encaminhando-se à janela. ao girar para encará-lo. revelando as duas covinhas. portanto não há necessidade de você sair dando ordens para vasculhar o passado de ninguém. com malícia. durante a tentativa dele de decifrar o desenho. mas o reconheceria em qualquer lugar. Uma tatuagem? Era óbvio que Chrysander fora um fiasco como tutor daquela menina. Theron se forçou a erguer o olhar para não parecer que cobiçava aquela parte da anatomia de Isabella. – Não irei para a Europa. passou por ele. em tom educado. – Decidi não passar o verão na Europa. – Peço-lhe desculpas. aquela mulher era uma bomba atômica ambulante. – O homem que seu irmão contratou para supervisionar meus estudos informou a Chrysander sobre minha viagem à Europa. e as nádegas realçadas pelo jeans muito apertado se moviam de maneira sedutora. – Ainda não respondeu à minha pergunta sobre seu suposto noivo. por que não vai para a Europa? Era esse seu plano até a semana passada. Theron pestanejou várias vezes. Faz algum tempo que não o vejo. Após limpar a garganta. – Como disse? Mais uma vez um sorriso curvou aqueles lábios sedutores. Theron pestanejou e voltou a fixar o olhar naquele ponto. Ela enfiou os dedos nos bolsos do jeans.Outro sorriso curvou um dos cantos dos lábios carnudos. Em que tipo de encrenca ela se metera? Tatuagens? Intenção de se casar? Theron fechou os olhos e prendeu o nariz entre o polegar e o indicador. exausto. Theron. Tenho três anos pela frente. – É um prazer revê-lo também. certo de que havia se enganado. revelando uma pequena faixa de pele tatuada. e se recostou à janela. – Não mencionei ter alguém em vista. – Já providenciou os preparativos para sua viagem ou prefere que eu cuide deles? – perguntou ele. Theron lhe sustentou o olhar. Estava sendo rude. Qualquer coisa que o impedisse de se ater àqueles seios realçados pela camiseta de tecido fino. – Tem uma vista maravilhosa daqui – disse ela. Foi então que um lampejo colorido na altura da cintura fina lhe chamou a atenção. sentindo o início de uma dor de cabeça. Os olhos de Theron não conseguiam se afastar daquele ponto. apenas que pretendo me casar antes de completar 25 anos. A repreensão de Isabella o irritou exatamente por ser mais do que adequada. Posso lhe providenciar algo para beber. – Teria isso algo a ver com seu repentino desejo de se casar? – perguntou ele. enquanto discutimos os preparativos de sua viagem? Isabella sorriu e fez um movimento negativo com a cabeça. enquanto Theron se perguntava como Bella conseguira fazer isso. Nem a cumprimentara da maneira correta. Quando Isabella estacou diante da janela. pousando as mãos em seus ombros e se inclinando para lhe beijar o rosto. Theron levou a mão à testa e a massageou para aliviar a tensão. – Porque ainda não tenho nenhum – afirmou ela. Em seguida. a bainha da blusa se moveu. Os quadris ondulavam. segundo a carta que enviou para Chrysander. – Sendo assim. . – Ele deu um passo à frente.

quando Isabella voltou a falar. iluminando-lhe todo o semblante. A última coisa que precisava era que aquela jovem fosse sequestrada como acontecera com Marley. Também tenho de procurar um lugar para morar. cerrou as pálpebras. mas logo a expressão de Isabella se tornou neutra. os olhos verdes faiscaram. Podemos almoçar juntos também? – perguntou com ar inocente. sentindo uma enxaqueca ameaçar aflorar com toda a força. Pode usar a suíte pelo tempo que for necessário. – Eu apenas afirmei que agora que nos livramos dos preparativos de minha viagem. Preciso encontrar um apartamento.Theron escorregou a mão para a nuca. Chrysander ainda possui a cobertura. agradeço sua oferta. e você conhece a cidade melhor que eu. O pensamento começava a tomar forma em sua mente. – Acho que isso não é o tipo de coisa que deva fazer sozinha – afirmou ele. Pedirei à minha secretária que selecione alguns bairros adequados para você e depois começaremos a procurar. Muito jovem para se casar nos dias atuais. Theron fez um gesto negativo com a cabeça. – Nesse caso. E depois. Talvez o melhor que pudesse fazer por ela fosse apresentá-la a um homem que possuísse recursos para lhe proporcionar segurança e estabilidade. deixou escapar um suspiro ao constatar que estava realmente em apuros. Em seguida. Talvez amanhã pela manhã. e posso utilizá-la. Em seguida. Theron abriu a boca para negar a ideia de que se voluntariara para fazer qualquer coisa com ela. Theron quase engasgou. – Não é incômodo algum. – Desculpe… – disse Theron. Não permitirei que se estabeleça em um lugar qualquer. mas de modo algum fora da faixa etária adequada. Tenho de admitir que não estava muito animada a fazer isso sozinha. – Claro que a acompanharei. ele se veria obrigado a supervisionar os assuntos relacionados a ela e a manter constante vigilância sobre aquela jovem. – Mas detesto a ideia de o desalojar. – Então. Por que se sentia como se tivesse passado por um rolo compressor? A ideia daquela menina que mal saíra da adolescência ter imposto sua vontade sem considerar sua opinião o fazia se sentir manipulado. Alarmes soaram na mente de Theron diante da ideia de Isabella vagando por uma cidade à qual não estava acostumada. Agora que ela permaneceria em Nova York em vez de viajar para a Europa. Por um instante. e vou adorar procurar apartamento com você amanhã. mas a gratidão genuína estampada no rosto de Isabella o fez tornar a fechá-la. De repente. havia a questão da segurança de Isabella. quando se deu conta de que não captara uma só palavra do que ela dissera. de repente sentindo o colarinho apertado demais. Um sorriso largo se estampou no rosto de Isabella. ganhando corpo. tenho de ir. Diabos! Poderia acabar escolhendo um bairro inadequado. Se Isabella se estabelecesse em Nova York. a ideia de um casamento iminente para Isabella não o irritou mais. agora que ficarei nesta cidade definitivamente. o que pretende fazer? – Ele quase temia a resposta que teria. Isabella franziu a testa. teria de providenciar uma equipe de guarda-costas. A expressão de Isabella se iluminou. – Claro que lhe pagarei um almoço – concordou ele com um grunhido. Ela estava com 22 anos. sozinha e vulnerável. mas não havia nada além de genuína apreciação e alívio na expressão de Isabella. – Vou alugar um apartamento aqui na cidade. . – Que gentil de sua parte se oferecer para me acompanhar.

– Obrigada. Gesticulando a cabeça negativamente. podia ceder a cobertura de Chrysander para que ela a utilizasse. Aquilo não lhe tomaria muito tempo. ele soltou um xingamento e contornou a mesa para se sentar. Entre. e mais uma vez Theron refletiu sobre a tatuagem que vira lá. Theron me ajudará – acrescentou com um breve sorriso. segundos atrás. Theron se recostou para trás na cadeira e cruzou as mãos na nuca. – ISABELLA! – GRITOU Sadie. Fora tão rápido em condenar Chrysander por se envolver com uma mulher tão jovem. Patético. A mão longa tocou a porção de pele que ficava exposta nas costas macias. Vejo-o amanhã de manhã. fazendo-a entrar. Madeline pareceu achar graça naquele pedido. O fato de não saber do que se tratava o desenho o enlouquecia. Decidindo que aquela era mais uma tarefa para Madeline. Theron se afastou com delicadeza de Isabella. e lhe deu rápidas instruções para encontrar três ou quatro opções de apartamentos. – E…? Isabella deu de ombros. e Sadie não perdeu tempo para indagar: – E então? Você o encontrou? Isabella sorriu. Era óbvio que aquilo se devia ao fato de fazer um bom tempo que não se relacionava intimamente com uma mulher. Encontraria um apartamento e um marido para Isabella. É muito bom voltar a vê-la! – exclamou Sadie. As duas se sentaram na pequena sala de estar. e gemeu. E o deixou esfregando o local onde os lábios carnudos lhe tocaram o rosto. Uma mulher era mais que suficiente. e vou procurar um apartamento na cidade. retribuindo o gesto. Apertou o botão do interfone para chamar a secretária. Isabella lhe deu um beijo no rosto e girou na direção da porta.Em um impulso. colidindo contra o peito musculoso. Após falar com Madeline. chamou a secretária e lhe pediu para providenciar uma lista de solteiros qualificados. e ter de dividir sua atenção entre duas era uma receita infalível de desastre. e lá estava ele desejando uma ainda mais nova. mas não o questionou. e sentiu todas aquelas curvas que notara havia pouco. Mas talvez Alannis tivesse algumas ideias no que se relacionava a Isabella. percebeu o corpo de Isabella se moldar ao seu. ela se precipitou para a frente e lhe envolveu o pescoço com os braços. . Se nenhum a agradasse. – Acabei de sair do escritório dele. Talvez os dois pudessem apresentá-la a rapazes qualificados que deviam estar à altura de suas exigências. Isabella se viu envolta no abraço da amiga. – Eu desisti de ir para a Europa. com os passados verificados e com os prós e contras de cada um. o qual retribuiu com igual intensidade. Em seguida. e então se concentraria nas próprias núpcias. Contava não ter de se ocupar mais de Isabella quando sua futura noiva chegasse. lembrou-se de que Alannis retornaria dentro de uma semana. escancarando a porta de seu apartamento. – Entre. – Obrigada – disse ela ao ouvido de Theron enquanto lhe dava um abraço apertado. Quando ele permitiu que os braços a envolvessem. Quando desligou. Theron teve de firmar os pés com força no chão para não cambalear para trás. – Deixe-me chamar o chofer para levá-la de volta ao hotel. Theron ergueu o telefone para providenciar a equipe que faria a segurança de Isabella.

mas acho que sentiu uma mistura de interesse e espanto. – É num clube masculino. – Sim. E eu sou uma grande responsabilidade da qual Theron quer se livrar. – Mas se eu tivesse aparecido vestida como uma jovem grega recatada. conseguiu algum papel? Sadie retorceu os lábios em uma expressão tristonha. – Sadie compreendeu. – Que tipo de emprego é esse? Sadie exibiu um sorriso furtivo. – Acho que Theron ficou pensando que diabos iria fazer comigo. então conte-me todos os pormenores – estimulou Sadie. – Eu não diria que recebeu bem – respondeu Isabella. então é melhor lançar o desafio desde o início. – Se ele nunca me vir como um ser inofensivo. – Não sei ao certo. graduara-se um período antes. e não haveria como mudar isso. fazia. – Mas servirá até que eu consiga meu grande papel. Tenho certeza de que estava ansioso por me enfiar em um avião para a Europa o mais rápido possível.– Ele recebeu bem a notícia? Sadie atirou uma mecha do longo cabelo ruivo de sobre o ombro. – Muito bem. Graças a Deus. – Exatamente – murmurou Isabella. Sadie soltou uma risada e segurou a mão de Isabella. – Quanto tempo fazia desde a última vez em que a viu? Quatro anos? – Argh! Sim. – Está conseguindo se sustentar? – Tenho um emprego. Muito elegante e exclusivo. A boa notícia é que vamos almoçar amanhã. Isabella franziu a testa. chega de falar de mim. Afinal. ele não teria me dedicado um segundo olhar. Isabella observou a amiga com desconfiança. por fim. Um ano mais velha que Isabella. o olhar faiscando de malícia. depois de procurarmos um apartamento. – Isabella deixou escapar um suspiro e se recostou para trás no sofá. Planejei viajar para a Europa para fazer marcação cerrada sobre Theron lá. – Tenho certeza de que ele notou. Conte-me. – Ah. Acho que a partir daí verei que rumo as coisas tomarão. será muito difícil me ignorar. ele se fixou em Nova York. meu corpo está mais curvilíneo agora. O queixo de Isabella pendeu. – E então? Ele se encantou com seu charme feminino? – Sadie esboçou um sorriso largo. tenho um teste na semana que vem. e se mudara para Nova York para tentar uma carreira na Broadway. mas exigem uma aparência estonteante – afirmou Sadie. Apenas algumas noites por semana. – Como ele reagiu quando a viu? – quis saber Sadie. deixando as belas feições em evidência. Fazia muito tempo que não nos víamos. Por falar nisso. Teria sido relegada ao status de irmã caçula. e estava com saudade. Agora. divertida. – Estou muito feliz por reencontrá-la. e tive de mudar todos os meus planos. Mas de repente. Quero ouvir todas as novidades sobre sua carreira na Broadway. Os irmãos Anetakis levam suas responsabilidades muito a sério. Poucas horas. ousada. como Chrysander me vê. ansiosa. – Poucos e espaçados. mas não desisti. – Qual é o seu plano? Isabella fez uma careta. – Está trabalhando como stripper? . Você tem de entender que Theron é um homem muito… uh… tradicional. são gregos. Pagam muito bem.

Como se isso fosse dar certo e eu pudesse fazer Theron se apaixonar por mim. com um sorriso gentil estampado no rosto. certo? – Sadie piscou. Pode escolher qualquer homem. – Não é uma exigência. e as duas riram até seus rostos estarem molhados de lágrimas. nesse caso precisamos pensar em uma forma de fisgá-lo. Em um impulso. Isabella a observou por um longo instante e. soltou uma risada. – Eu poderia ter umas aulas com você. . em seguida. – Eu o amo há tanto tempo! – Muito bem. – Só Theron me interessa – retrucou Bella. Mas se isso não acontecer… Você é jovem e linda. porém ganho gorjetas mais polpudas quando o faço – acrescentou com um sorriso largo. – Tenho total certeza de que Theron se apaixonará perdidamente por você. com um sorriso. então está morto. Sadie retribuiu o abraço de Isabella e. Estou tendo um bom pressentimento sobre minha estada em Nova York.– Nem sempre tiro a roupa – retrucou Sadie. – Se ele não a percebeu. Sadie também explodiu em uma gargalhada. Isabella se inclinou para a frente a abraçou a amiga. Theron seria obrigado a me notar se eu me despisse na frente dele. com suavidade. em seguida. – É tão bom estar aqui! Senti sua falta. se soltou.

pediria para falar a sós com Alannis e lhe proporia casamento. Quanto antes. mas ele não esperava nada mais que isso. Por outro lado. sob seu corpo. ergueu o olhar. Tinha certeza de que Chrysander. Mas lhe agradava o pensamento de ser amigo de sua futura esposa e apreciar sua companhia sobre e fora da cama. Mas não podia culpá-la por isso. Afinal. se desejava estragá-la. Baixou o olhar à virilha como se esperasse alguma resposta. E se decepcionou. e tamborilou os dedos sobre a mesa. era virgem e seria sua função fazer brotar a paixão nela. se mostraria relutante em encorajá-lo a entrar em um casamento desprovido daquele sentimento. Do outro lado da linha soou a saudação polida. Franziu a testa ao imaginar Alannis nua na cama. Depois. se preocuparia em lhe arranjar um marido. Não era ingênuo a ponto de esperar que uma mulher o amasse com a mesma intensidade que Marley amava Chrysander. conferiu a hora no relógio de pulso. o que era mais do que sentia pela maioria das mulheres que conhecia. Sua mãe a acompanhará na viagem? Aquela era uma pergunta retórica. Alannis vivia em seu mundo de decoro. franziu a testa quando viu Isabella entrar. – Eu a esperarei ansioso – continuou ele. todos em excelentes áreas e próximos ao Imperial Park Hotel. Quando Theron ouviu a porta do escritório se abrir. Com toda a certeza. Theron sabia muito bem que a família de Alannis jamais permitiria que ela viajasse desacompanhada para visitar um homem solteiro. Depois que interrompeu a ligação. perplexo. Claro que teria de informar os irmãos de suas intenções. que fosse adiante. Theron engoliu em seco e estreitou o olhar ao observar os trajes de Isabella. Gostava dela e a respeitava. Em seguida.Capítulo 3 – ALANNIS – THERON a cumprimentou com voz suave. Com um suspiro. Aquele simplesmente não era seu estilo. Com o tempo. – Providenciei para que o jato da Anetakis a transporte da Grécia para Nova York daqui a uma semana. Naquele exato instante. Não importava. A primeira providência era acomodar Isabella. – Fiz reserva para uma ópera logo após a sua chegada. melhor. Alannis… ela parecia fria e extremamente rígida. e a voz de Madeline anunciou em um tom seco que Isabella estava entrando. de alguma forma distante e reservada. – Bom dia – ela o cumprimentou cantarolando quando parou diante da ampla mesa. ele poderia aprender a amar Alannis. Depois. – Se tudo desse certo. mais para demonstrar educação do que obter a informação. fitou o telefone por um longo instante. – Creio que esteja tudo bem com você. o interfone tocou. Era sua obrigação como marido. as duas famílias poderiam partir para os preparativos da festa e da cerimônia. Madeline lhe fornecera três opções de apartamentos. Mas a secretária ainda não havia lhe apresentado a lista dos solteiros qualificados. enlevado em seu recém-descoberto amor. Piers daria de ombros e diria que aquela era sua vida e. Não eram exatamente . e jamais ofereceria um cumprimento mais efusivo.

– Bella – repetiu ele. Quase. Porém. Uma onda de desgosto o invadiu. – Bom dia. e o movimento fez o cabelo escorregar sobre os ombros. Isabella o observou com olhar curioso. de uma forma dolorosa. embora o apelido soasse mais íntimo. – Faz muito bem – afirmou Theron. presenteando-o com um sorriso afetuoso. – Quando você me viu? – perguntou ele. Conseguiam cobri-la. Os seios se avolumavam muito próximos do decote da camiseta. porque se Isabella estivesse em um relacionamento.indecentes e. Exatamente o que ela era. e ela poderia jurar que. de alguma forma. – Pronta para ir? Tenho uma lista com opções de apartamentos. surpreso. no instante em que Isabella adentrara o escritório. em tom de aprovação. no momento. ela se achava envolvida com alguém. Isabella se preparara para o . O contato parecia lhe queimar a pele. Theron rilhou os dentes e mudou de posição na cadeira. Embora sua masculinidade não tivesse reagido à lembrança de Alannis. – Em fotos. e lá estava ele fantasiando tê-la. permitindo que ele visse os bojos rendados do sutiã meia taça que os suspendiam. mas sem dúvida. Encaminhavam-se para fora do prédio que abrigava o centro de operações da Anetakis. – E você consegue todos esses jornais na Califórnia? – questionou Theron. Não era o caso. aquilo não poderia servir de base para tal suposição. alguém que tinha de cuidar de seu bem-estar. Isabella. Theron se ergueu da cadeira e contornou a mesa. – Estou tão acostumada a vê-lo apenas com ternos e gravatas. Tomei a liberdade de restringir as possibilidades às regiões mais adequadas para uma jovem morar sozinha. A não ser que me chamar assim o incomode. o rubor se espalhar pelo belo rosto de traços perfeitos. Aquilo não só era desrespeitoso com Isabella. Nenhuma mulher merecia que o futuro noivo morresse de desejo por outra. Não havia nenhuma razão para acreditar que uma mulher tão bonita e vibrante quanto ela fosse viver sozinha. aceitando a sugestão de utilizar o apelido. percebeu que tirara uma conclusão precipitada. fascinado. mas também com Alannis. Estonteantemente bela. se fosse ver. Após nutrir aquele amor platônico durante tantos anos. voltara à vida. embora provavelmente estivesse usando um terno. Suave e linda. – Bella. Theron soltou um xingamento em seu íntimo e se forçou a erguer o olhar. Havia algo indômito e selvagem naquela jovem um tanto atrevida. por favor. linda. Bella baixou a cabeça. encontraria os contornos daqueles dedos longos marcados a ferro em brasa em sua carne. Gosto de estar a par da vida de quem cuida de meu bem-estar financeiro. e ele se descobriu perguntando por quê. Theron pensou nas ocasiões em que ela poderia tê-lo visto e. – Está vestido de maneira informal hoje – comentou ela depois de soltar uma risada. Diferente dos tipos sofisticados de mulheres que gravitavam ao redor dele. Era o tutor daquela jovem. E então. Mas era necessário saber. Theron se recusou a voltar atrás na afirmação ou perguntar se. portanto. quando ele pousou a mão nas costas de Isabella. Combinava com ela. ele teria de abandonar o projeto de apresentá-la a maridos em potencial. fazendo-a sentir aquele toque mesmo através da camiseta. Isabella corou. Sentiu a boca ressecada quando ela espalmou as mãos sobre o tampo da mesa e se inclinou para a frente. – Sim. não poderia reclamar. ainda mais quando se pensava no significado italiano daquele nome: bela. – Sim. e ele observou. Há sempre fotos suas nos jornais. se você estiver – respondeu ela.

ao se encaminharem para a entrada. – Não permitirei que perambule pela cidade. Isabella esperou que ele acrescentasse alguma coisa. sendo que os dois primeiros Theron vetou antes que ela emitisse qualquer opinião. mesmo porque não aprovaria aquela amizade se soubesse que ela trabalhava em um clube de striptease. e certamente a proibiria de continuar encontrando a amiga. Isabella deu de ombros e lhe dirigiu um sorriso frouxo. mas lhe ofereceu a escolha entre aquele e o último. Três horas mais tarde. Theron levantaria todo o passado daquela pessoa. resoluto. – Ela omitiu Sadie de propósito. ela percebeu que outro carro pequeno parou atrás da limusine. Quando estacionaram diante do primeiro prédio de apartamentos. Chrysander me atrelou a uma quatro anos atrás. Nada disse sobre o terceiro. Ao contrário. porém agora não tenho mais necessidade disso. – Não me recordo de uma segurança tão exagerada na última vez em que estive aqui – murmurou Bella. Além do motorista. Henry. Isabella escorregou para o banco da limusine e o presenteou com um sorriso quando ele se . Não havia razão para Theron saber sobre Sadie. tem razão – concordou ele com expressão contrariada. mas quando os olhos verdes se fixaram nele. questionadores. Estivera tão distante da verdade que a realidade quase a sufocava. E era certo que descobriria. havia um membro da equipe de segurança de Theron sentado no banco da frente. Theron anuiu em aprovação e deu início ao processo de garanti-lo para ela. Theron a encarou. se limitou a comprimir os lábios. O desejo era suficiente por ora. Aquele homem era mais. mas pretendia que aquele relacionamento começasse da melhor forma possível. – Posso lhe garantir que não preciso de babá. muito mais do que imaginara. Isabella arqueou uma das sobrancelhas. – Pretendo comprar tudo que preciso aqui e mandar entregar lá. já que não conheço mais ninguém na cidade. Os sentimentos por ele não se dissiparam ao revê-lo. sozinha – retrucou ele. surpreso. haviam se consolidado. quando retornavam à limusine. mas queria que Theron se apaixonasse por ela. de má vontade. – É um mal necessário. – Pretende transportar sua mobília para o apartamento? – perguntou ele. Queria que ele necessitasse dela. – Você poderia ir comigo. de onde dois homens saltaram para escanear cuidadosamente as redondezas. No instante em que Isabella o informasse sobre alguém de suas relações. – Providenciarei alguém para levá-la às compras – disse. – Sim. – Esqueci que você vivia na Califórnia e esteve aqui apenas de visita. Isabella sentou-se ao lado dele no banco traseiro da limusine. para a possibilidade de o homem que Theron se tornara não corresponder ao dos seus sonhos. Isabella suprimiu uma risada e o informou em tom sério que gostou do quarto. Theron enrijeceu. Não que ela fosse obedecê-lo. Será muito divertido! Theron rosnou algo entre os dentes. – Não? Você parece a escolha lógica. Isabella fez que não. mas nenhuma informação adicional lhe foi dada. os dois haviam visitado todos os apartamentos que constavam da lista.desapontamento.

Não era algo que . por um breve instante. não. Mal posso esperar para escolher tudo para o apartamento. e depois você poderá se recolher à sua suíte para descansar. Ele era escorregadio. – Algo errado. – Planos? – Sim. pethi mou? Isabella se encolheu em seu íntimo diante do tratamento carinhoso. Se anotar todas as suas preferências. e ela não conseguiu mais conter a risada. Isabella perdeu o fôlego quando reconheceu. Sabia que era um fardo inesperado. confusa. quais são seus planos profissionais? – Oh! Bem. Pensei em almoçarmos lá. e dessa forma não necessitaria ir comprar tudo que precisa. Theron franziu a testa. Ela sorriu e negou com a cabeça. planejo tirar um verão sabático. Não se importava como o local onde comeriam. e Theron era um homem ocupado. em seguida. Planejando a forma mais fácil de se livrar dela. contornou a mesa para se sentar no lado oposto. – Talvez seja melhor permitir que eu providencie a mobília para o seu apartamento. apressado. – Temos um excelente restaurante no hotel – disse Theron. isso será muito divertido. Queria apenas passar algum tempo ao lado dele. Mas não podia culpá-lo. Minha pequena. Era o mesmo que Theron usava quando ela estava com 13 anos. Isabella pestanejou. Theron a guiou. Os olhos de Theron se arregalaram. imaginando como fazê-lo enxergá-la não como uma inconveniência. Tal atitude devia lhe causar urticária. para dentro. – Quais são seus planos. Agora que se formou. mas como a mulher que o amava e o desejava desesperadamente. posso contratar um projetista para trabalhar com você. – Oh. Theron nada disse. Theron a acomodou na cadeira e. No outono. que ficava situada em um canto tranquilo.acomodou ao seu lado. eu me concentrarei no futuro. enquanto a equipe de segurança os cercava por todos os lados. foram guiados à mesa de Theron no restaurante. Bella? – quis saber Theron. o desejo refletido naquele olhar. mas ela podia sentir que aquilo o incomodara. Ele e os irmãos tendiam a uma atitude implacável no que dizia respeito aos negócios. Planos. Theron pestanejou para encobri-lo. Eu o achei deslumbrante. deparou com o olhar preocupado de Theron. Aquilo a fez trincar os dentes. E excitada. e ele os fixou nela. – Isso significa que fará compras comigo? Theron resmungou algo incompreensível. Depois de deixar o corpo alto e esbelto afundar na cadeira. como se fizessem parte da realeza. mais para lembrá-lo daquele compromisso do que por mera curiosidade sobre o restaurante. Isabella sorriu em seu íntimo. tenso. Aquilo era estranho e um tanto surreal. – O que gostaria de comer. Quando chegaram ao hotel. como se achasse aquele som encantador. – Terei de verificar se minha agenda permite isso – retrucou. Isabella mordeu o lábio inferior e desviou o olhar para o tráfego que fluía além da janela do carro. – Apenas um pouco cansada. Bella? Ao girar. quase excluída das demais. Alguns minutos depois. – Aonde vai me levar para almoçar? – questionou Isabella. Isabella resistiu ao impulso de revirar os olhos. – Tenho uma mesa sempre disponível para mim. ele a observou preguiçosamente. Mas tão rápido quanto o deixou transparecer. Não era à toa que possuíam a empresa hoteleira mais bem-sucedida do mundo.

fazendo com que cada terminação nervosa do corpo de Isabella entrasse em combustão espontânea. Theron falava com sarcasmo. Theron fez os pedidos de maneira sucinta. Ofegante. Pretendo ajudá-la a encontrar um marido. não passavam disso. Quente. sacudindo a cabeça quando percebeu que ele a chamava fazia alguns segundos. Parecia à vontade. – Isso é bom. Bella. porque comparados a Theron. Se ao menos ele soubesse! Aquilo fora tudo que ela fizera nos últimos anos: planejar seu futuro. Mas Theron… Beijá-lo seria como perseguir uma tempestade. e Bella quase deixou escapar uma risada. Se dependesse dela. – Estava sugerindo que experimentasse o salmão – disse Theron. – Candidatos? A quê? – Casamento. Isabella anuiu e girou a cabeça na direção do garçom que se encontrava parado ao lado da mesa. desajeitados e “agradáveis”. – Você mencionou casamento. Theron anuiu como se aprovasse. e o garçom se apressou em partir logo em seguida. a curvatura firme e sensual da boca e a sombra escura da insinuação da barba que já lhe cobria a mandíbula. Sentiu-se tentada. – Pensei muito sobre meu futuro. – Agora. – Talvez possamos conversar sobre o seu futuro. seu futuro estaria inexoravelmente ligado ao dele. Será que Theron se mostraria tão favorável àquela ideia se soubesse que ele era o noivo escolhido? Isabella suspirou. Sobre o seu futuro. . Como seria beijá-lo? Beijara vários rapazes na faculdade. Alguns eram muito bons. A pulsação de Isabella acelerou. – Isso mesmo. Como se estivesse planejando um assassinato em vez de uma sedução. Está mesmo pretendendo se casar antes de completar 25 anos? – Estou contando com isso. Sentia-se tão perniciosa. sem dúvida. – Bella? Isabella pestanejou várias vezes. perplexa. – O que sugere? – perguntou ela.evocava imagens dos dois enroscados na cama. em seguida. – Desculpe… Perdida em pensamentos. impaciente com alguém que não tivesse um plano incontestável. ao imaginar o roçar quente daquela língua na sua. Extremamente tentada a esticar a mão e escorregar a ponta dos dedos ao longo daquela aspereza e. inclinando-se para trás na cadeira. Bella – começou ele. – Theron meneou a cabeça. – Vou querer o que ele sugeriu – afirmou com voz rouca. enquanto deixava o olhar vagar por suas feições. Imagino que em algum momento parou para pensar nele. A testa de Isabella se enrugou enquanto ela o observava. Excitante. Rapazes. Isabella não conseguiu conter o nervosismo. – Meu futuro? – Ela soltou uma risada leve na tentativa de tranquilizar as batidas desgovernadas do coração. estudando os lábios de Theron. Com ele. sobre a maciez dos lábios de Theron. – Tomei a liberdade de fazer uma lista de possíveis candidatos. outros.

jovem e bonita – retrucou ele. Theron pestanejou. E diga-me: o que quer dizer com “uma mulher na minha posição deve ser muito cuidadosa”? – Você é rica. com um sorriso ainda lhe curvando os lábios. não necessariamente nessa ordem. Não conseguiu se conter. – Theron prosseguiu. vendo-a continuando a rir. obviamente se empolgando com o assunto: – Portanto. Em seguida. claro – murmurou. pethi mou – disse ele em tom tranquilizador. Os lábios de Isabella tremeram. e tinha de admitir que toda aquela preocupação era lisonjeira. É importante que qualquer homem que permitamos que se aproxime de você seja minuciosamente avaliado por mim. – Há muitos homens que lhe dariam o mundo. Dentre todos os absurdos que já escutara. franziu a testa. – Não fique desanimada. Ele estava muito sério. – Pretende fazer o quê? – perguntou ela. Fico feliz em saber que não planejo me casar por razões superficiais. Mas Isabella já sabia a resposta. imaginando se de repente ele desenvolvera um senso de humor. – Por isso mesmo acho que devo me envolver em sua procura por um marido. – Uau! E nenhuma menção à minha inteligência. – O que acha tão engraçado? Isabella fez um movimento negativo com a cabeça. Pelo menos. desconfiada. Haverá homens que tentarão se aproveitar de você. Isabella se recostou para trás. – Tem razão. . esticou o braço sobre a mesa e lhe segurou a mão. Aquele era o discurso mais doloroso que já escutara. acabei achando uma boa ideia. por ora. O que mais poderia dizer? O que desejava de fato era se inclinar para a frente e lhe perguntar se não poderia ser ele aquele homem. mais uma vez. esperteza e charme. Uma mulher em sua posição social deve ser muito cuidadosa. fingindo ser o que não são. Theron adotou uma expressão séria. Os caça-dotes fingirão desconhecer sua fortuna. a cereja do bolo. tomei a liberdade de elaborar uma lista de candidatos qualificados. Isabella soltou uma sonora gargalhada. mas ela não ousou soltar outra risada. – Estou nesta cidade há dois dias e você já planeja me casar. Theron não poderia ser aquele homem. Após minha apreensão inicial. fingindo surpresa. – Todos os homens entre 20 e 80 anos estarão dispostos a se casar com você e levá-la para a cama. aquele era. Isabella teve de se esforçar para não se encolher na cadeira. com expressão surpresa. sem rodeios. Não até que tivesse tempo para se acostumar à ideia. Um calor intenso se espalhou pelo braço de Isabella quando os dedos longos lhe acariciaram a palma.Capítulo 4 ISABELLA O observou. – Você está procurando um marido. Fingirão ter sido seduzidos por sua meiguice e generosidade. sem dúvida. Seria até mesmo adorável se ele não estivesse tão empenhado em casá-la com outro homem. É apenas uma questão de encontrar o certo.

e. Como prefiro não ter filhos de imediato. por um instante. quais são suas exigências em relação a um marido? – perguntou Theron. Theron limpou a garganta e desviou o olhar por um breve instante. Nunca antes Isabella sentira o intenso magnetismo que existia entre ela e Theron. – Não concorda que eu deveria esperar isso de um homem? – perguntou Bella. enquanto o estudava. diga-me. moreno e bonito. – Deixe-me adivinhar: você os quer imediatamente. ela fingiu pensar sobre o assunto. – Então. E então. rouca e com a voz cheia de desejo. Terá de ser um excelente amante. – Gostaria também que fosse gentil e responsável. Bella pensou que Theron fosse soltar uma risada. . Houve apenas um que quase a seduzira a se entregar por inteiro. – Vejamos. Passara anos à procura de algo que ao menos se assemelhasse àquela paixão que florescera em sua adolescência. Ela baixou o olhar à própria mão. – Descreveu o desejo de metade da população feminina. seria importante que ele concordasse com isso. Theron arqueou uma sobrancelha. Isabella fixou um olhar pensativo nele. me acariciar. – Não estamos discutindo sobre mim. mas não era ingênua. Devia pensar que todas as mulheres ansiavam por dar à luz uma extensa prole tão logo lhe colocavam uma aliança no dedo. Theron meneou a cabeça. concordando. mais tarde. ele gesticulou para que Isabella continuasse a listar as características de seu pretendente. antes de se inclinar para trás na cadeira. Por fim. Por um instante. fora ele a lhe dar um beijo suave e lhe dizer que ficava muito honrado com a possibilidade de ser seu primeiro homem. começou a contar as qualidades nos dedos. Isabella podia ser jovem. mas sim. de um modo suave. Theron revirou os olhos. a mente reunindo todos os aspectos que mais apreciava em Theron. Os olhos de Theron lhe varreram a pele exposta e. Todo o corpo de Theron emanava uma intensa energia sexual.Theron sorriu em aprovação e lhe soltou a mão. – Isso porque não é você quem os terá – retrucou ela. – Não quer ter filhos? Theron pareceu surpreso. – Quero que ele seja mais rico que eu para que minha fortuna não seja um problema. indulgente. ela imaginou ver a paixão em resposta às suas palavras. Isabella baixou o tom de voz e se inclinou para a frente: – Quero que ele anseie por mim. vivenciou também a intensidade obscura e taciturna de um homem cujas paixões fervilhavam profunda e intensamente. calma. Gostaria que ele fosse alto. Tivera sua parcela de rapazes interessados. Beijos. Quero um homem que saiba me dar prazer – concluiu. havia algo naquele olhar. mas que ela deveria resguardar sua inocência para alguém que ocupasse um lugar especial em seu coração. – Não disse que não queria ter filhos – respondeu Isabella. lamentando a perda daquele contato. e certamente não era tola no que se referia aos homens. Em seguida. Tivera algumas experiências com os namorados. Era capaz de identificar um flerte inocente. Ela o estaria afetando ou seria ele completamente imune? Não. Antes de responder. mas em seguida. apalpadelas desajeitadas que a fizeram colocar o rapaz porta afora. que não seja capaz de passar um dia sem me tocar. não vejo razão para esperar. me abraçar.

Isabella cortou um pedaço do delicioso peixe. sem conseguir disfarçar o constrangimento. aliviado com a aparição do garçom que trazia os pedidos. maridos. – Seria uma lástima se um homem não tivesse ideia do que fazer com uma mulher como você. e ela se encontrava faminta. quase suspirou de prazer. certo? Houve alguém com que você pudesse conversar sobre… os homens? Isabella o encarou. . Alguém conversou com você sobre essas questões. se ela ou Theron. com uma das sobrancelhas erguidas. – Devo lembrá-lo de que foi você quem começou esta conversa – rebateu ela. – Não quer que sua futura esposa seja uma boa amante? Theron lhe dirigiu o que ela podia classificar como olhar horrorizado. e.Na época. você se oferecerá a se incumbir de minha educação nesse sentido? – perguntou ela com um lampejo de sorriso. sentiase agradecida por não ter entregado de bom grado sua inocência. ela também. claro – concedeu Theron. – Apenas estava imaginando se você teria conversado com outra mulher sobre homens. – Só falta você se oferecer para comprar artigos femininos para mim – resmungou Bella. Isabella interpretara aquilo como a desculpa de um homem fugindo de uma mulher que obviamente ligava o sexo ao compromisso. – Sim. Perfeitos para beijar. e devia entregá-la apenas a um homem especial. – Theron deu de ombros. Theron a encarou com expressão exasperada. Porém. E é natural que queira alguém que compartilhe de sua visão sobre casamento e família. Theron pensava mesmo que ela chegara à idade de 22 anos sem nunca ter ouvido a história da cegonha? Não sabia dizer quem estava mais horrorizado. Era óbvio que Theron esperava por sua resposta. Por outro lado. Travis tinha razão. – Theron ergueu o olhar. – Se eu responder que não. diabos. Agora. – E amantes – acrescentou Isabella. Ele parecia constrangido e. e a garganta começou a se fechar. Ela engoliu em seco diante da força primitiva que irradiava de Theron em um zunido baixo e sensual. Os olhos de Theron faiscavam com o reflexo da vela situada no centro da mesa. Bella. Theron engasgou com o gole do vinho que engolia e se apressou a pousar a taça na mesa. com o rosto cheio de espinhas. Sua virgindade era algo precioso. Erguendo o garfo. ou pelo menos a um relacionamento sério. – Tem razão. do que a uma mulher de 22. Isabella pestanejou ao perceber que Theron falava com ela. A respiração de Isabel ficou presa em algum ponto de seu peito. Isabella o observou ingerir uma garfada da comida e limpar a boca com o guardanapo. Aquele homem tinha de fato lábios estonteantes. após o garçom se retirar. Mais uma vez. Quando o sentiu em sua língua. Aquela pergunta ridícula estava mais apropriada a uma adolescente de 14 anos. – É evidente que não seria adequado um homem que a negligenciasse em qualquer aspecto. – Acho que tem razão em dar ênfase a essas… qualidades – concordou ele. – Suponho que isso seja um “sim”. – Mas não acha que estou certa em desejar um bom amante? – insistiu ela. Theron a surpreendeu murmurando com aquele sotaque sexy: – Sua mãe morreu quando você ainda era criança. Isabella se inclinou para trás na cadeira com uma expressão desafiadora estampada no semblante. Estava maravilhoso. atônita. resignado. claro. – Sua diabinha! Não é educado fazer alguém rir quando está bebendo. ela praguejou contra tal interrupção. que tipos de homens se revelariam os melhores maridos.

Isabella teve de se esforçar para conter um tremor que lhe varou todo o corpo. esquecendo-se da comida. Nunca pensou na possibilidade de ela lhe ensinar uma ou duas coisas? Theron pousou a taça. verei se consigo encaixar uma ida a alguma loja de móveis em minha agenda. Mandarei entregar no apartamento para que você não precise comprar. Porém.– Não. deixando que o silêncio os envolvesse. Isabella enrugou o nariz. Theron a observou. Com quem mais posso conversar sobre estas questões? Theron deixou escapar um suspiro longo e desolado. Mas a curiosidade de Isabella fora despertada. Se puder ficar mais alguns dias na suíte do hotel. – Não estamos discutindo minha futura esposa – acrescentou com aspereza. . pelo visto. Então. Desejava desesperadamente aquelas mãos longas e elegantes sobre cada centímetro de sua pele. – Oh. Sem mencionar comida e itens básicos. – Não espero que minha esposa seja sexualmente experiente quando se deitar comigo. – Toalhas. – Não sei por que nossa conversa desceu a este nível. Isabella deixou escapar um suspiro. com a voz estrangulada. – Isso parece muito medieval. e a última coisa que ela desejava era semear qualquer tipo de instinto paterno no cérebro de Theron. tenso. É meu dever… – Ele se calou. e quase revirou os olhos. – Você é meu tutor. preciso de tudo – respondeu ela. – Tão experiente assim? Theron fez uma careta. Estava mais que disposta a ser uma pupila aplicada sob a tutela daquele homem. claro. mas de modo algum é apropriada entre um tutor e sua tutela. ele a questionou sobre qual o próximo passo em relação ao apartamento. roupas de cama… Theron ergueu uma das mãos e sorriu. queria desesperadamente ouvir o que ele considerava ser seu dever para com a mulher que compartilharia sua cama. antes de tomar outro gole do vinho. E lá estava a barreira outra vez. animada. – Faça uma lista de gêneros alimentícios e quaisquer itens domésticos de que necessite. Ele. Era óbvio que nunca lhe ocorrera que alguma mulher pudesse lhe ensinar o que quer que fosse no que se referia ao sexo. não se incomodava em fazer o papel de tutor quando lhe convinha. mas também interesse. tomando cuidado para não erguer o olhar e encontrar o dele. Ele podia estar lutando com unhas e dentes contra aquele sentimento. Inclinando-se para a frente. mas o olhar não mentia. o que significava que aquela era a opinião de Theron sobre ela: uma ameaça. Ao menos ele se esforçava para erguê-la a um patamar não ameaçador. Isabella se concentrou em terminar a refeição. e ela permitiu. ela pousou o queixo em uma das palmas. e não do tipo platônico. pratos. – Vou precisar de móveis. – Posso lhe assegurar que há muito pouco que uma mulher possa ensinar que eu já não conheça muito bem – respondeu ele. – O que é seu dever? – Esse não é o tipo de conversa adequada para nós – respondeu ele. Quando terminaram a refeição. É meu dever lhe despertar a paixão e lhe ensinar tudo que ela precisa saber sobre… fazer amor. com o ultraje estampado no rosto. mais para o final da semana. com uma leve entonação arrogante. claro que não espero que minha futura esposa seja uma boa amante. Havia curiosidade nos olhos de Theron. Theron se considerava um bom amante.

Não era um simples beijo ou carícias efetuosas trocadas entre duas pessoas que estavam se conhecendo. escorregando uma das mãos pelas costas delgadas e espalmando as nádegas firmes através do tecido da calça. ela se voltou para Theron. envolveu-lhe o pescoço com os braços no mesmo instante em que os lábios quentes lhe roçavam o lateral do rosto. ele era um homem ocupado. Duas pessoas que se conheciam intimamente. enquanto ela o beijava de maneira ousada. O atrito quente da língua de Theron a induzia a abrir ainda mais a boca para lhe facilitar o acesso. – Theron atirou o guardanapo sobre a mesa e gesticulou para o garçom. aquele momento estaria perdido. Em vez disso. Eles se encontraram ao contornarem a mesa. na altura da cintura. Não havia hesitação ou espera por permissão. convidando-a a corresponder com igual intensidade. temendo que. Podia sentir a fragrância cítrica da colônia masculina que Theron usava. pethi mou. Isabella não ousava emitir nenhum som. – Obrigada por esta manhã – murmurou Isabella. Portanto. Theron lhe pousou a mão nas costas. A mão que se encontrava espalmada na curva de sua nádega rumou para cima. anuiu e se levantou da cadeira. Isabella se encontrava ciente de cada toque. Porém. enquanto a guiava para a saída. Theron se inclinou para lhe depositar um beijo rápido no rosto. Ela esticou a mão para segurar a dele. Puxando-a contra o corpo até que não houvesse nenhum espaço entre ambos. Perdendo o fôlego. Afinal. As portas do elevador deslizaram para se abrir. e os dois entraram. famintos um pelo outro. A atmosfera pareceu explodir ao redor deles. . ela encostou o corpo no dele e. Estavam tão próximos. – Pronta para retornar à sua suíte? Isabella não estava. antes que ele pudesse esboçar qualquer reação. Ele enterrou a outra mão no cabelo longo e macio. Era um beijo de dois amantes. – Não há o que agradecer. Isabella girou a cabeça de modo que as bocas dos dois se encontrassem. Em seguida. sabendo que Theron se inclinaria e lhe daria um beijo em cada face. Mais uma vez. quando saíram para o saguão. Os seios intumesceram e latejaram contra o peito largo. Era como se tivessem estado separados por muito tempo e. – Vou acompanhá-la até seus aposentos – disse ele. Assim como Bella previa. Theron lhe envolveu o corpo com os braços.– Faça uma lista detalhada. com um gemido rouco emergindo da garganta. Mesmo antes de se fecharem completamente. Theron se lembraria de que a estava beijando. mas também sabia que não podia monopolizar toda a manhã de Theron. antes de fechá-la nas mechas espessas e sedosas. se o fizesse. O calor que dele irradiava a envolvia como um casulo. Os lábios se fundiram. ela ofegou quando a mão de Theron fez aquele primeiro contato com sua pele. antes de voltar a encará-la. O elevador se aproximava da cobertura. A princípio. Farei com que seja providenciada. travando uma batalha frenética com a língua de Isabella. escorregando sob a blusa e lhe pressionando a cintura com força até que Isabella se encontrasse esmagada contra a rigidez daquele corpo musculoso. ele assumiu o controle. queimando-a mesmo através do jeans. resvalando no couro cabeludo. e uma descarga elétrica gravitou entre eles com uma potência equivalente aos raios de uma tempestade. focou a energia em fazer aquele contato durar o máximo possível. Os dedos que a acariciavam eram como ferro em brasa contra sua pele. provando-o e testando os contornos daquela boca sensual. Theron ficou imóvel. Pedirei à minha secretária que entre em contato com você sobre o apartamento e nossa ida à loja de móveis. por fim. E então ele a invadiu. conseguissem se encontrar. O que ela não se negou a fazer.

e um xingamento baixo escapou dos lábios de Theron. enquanto revivia aqueles momentos preciosos nos braços de Theron. Theron a afastou. Não que Isabella tivesse tido alguma dúvida naquele aspecto. incapaz de se conter. e agora. Praguejando mais uma vez em grego. A química que compartilharam. sussurrando suavemente contra a pele sensível abaixo do lóbulo de sua orelha. De todo modo. que abriu inserindo o cartão com toda a força na fechadura. Isabella o encarou. aquela boca macia e quente a abandonou. autocondenação e… desejo. impotente. A paixão entre eles fora instantânea.Quando os lábios de Theron deixaram os dela para escorregar por sua mandíbula e pescoço. Ela fechou os olhos. ela escutou os passos apressados se afastando no corredor. um combustível avassalador. incapaz de dizer ao menos uma palavra. Isabella recostou as costas na porta. escancarou a porta com uma das mãos. sabendo que aquele momento estava perdido. Theron provara ser o par perfeito para ela. Isabella entrou devagar. De repente. Em seguida. Os olhos castanhos queimavam. Nunca sentira algo parecido com os lábios de Theron. segurando-a com força pelos braços. durante aqueles momentos ardentes no confinamento do elevador. Theron já estava soltando a porta para que se fechasse. com partes iguais de raiva. Em todos os outros aspectos. Um tremor lhe varou o corpo. Quando girou para dizer alguma coisa. fechou os olhos e abraçou o próprio corpo. tudo que lhe restava era fazê-lo ver isso. antes de puxála para fora do elevador até a porta da suíte. a última peça do quebra-cabeça se encaixara. Antes de ouvir o clique da fechadura. Isabella sentiu os joelhos cederem e teve de se agarrar a ele. O último enigma havia sido descoberto. todos os sentidos despertando após um longo inverno. A única coisa que lhe restara saber era se havia compatibilidade sexual entre os dois. ela gemeu. ele fez um movimento negativo com a cabeça. .

Impaciente e um tanto agitado. um dos quais do irmão Piers. Instantes depois. Da fragrância envolvente. – Há rumores de que ele agredia a primeira esposa. então. – Fez aquela lista que lhe pedi? – De qual delas está falando? – À lista de homens solteiros qualificados que solicitei. segurando uma folha de papel. – Leia os nomes para mim – disse ele. aquela… Sim. Bella precisa de alguém mais… independente. soltando um xingamento grosseiro e longo. Aquela mulher estava destinada a enlouquecê-lo. No mesmo instante. – Então traga-a para mim – ordenou ele. Responsável por seu bem-estar. Madeline riscou o primeiro nome com um movimento teatral. Madeline lhe lançara olhares durante toda a manhã. quase a arrastara para o quarto da suíte e fizera sexo com ela. Theron gesticulou para que a secretária se sentasse na cadeira em frente à mesa. E. Não importava o que fizesse. Esquecera-se de duas reuniões e dispensara três telefonemas. Estava cansado. esperando que ela desistisse e fizesse o que ele pedira. . fiz. – Reginald Hollister. as curvas perfeitas moldadas ao seu corpo como se fossem feitas sob medida para lhe pertencer. Theron fez um movimento negativo com a cabeça. não conseguia se livrar da imagem de Isabella. Theron resmungou algo e cerrou as pálpebras. Que tal Charles McFadden? Theron franziu a testa. A voz calma de Madeline se fez ouvir. como se achasse que ele havia perdido a cabeça. Era o tutor de Isabella. – Trata-se de um idiota imaturo. – Muito bem. inclinando-se para trás na cadeira. estreitando o olhar observador. Tinha a impressão de que alguém havia martelado sua cabeça.Capítulo 5 THERON PRENDEU o nariz entre o dedo polegar e o indicador. a sensação dos lábios macios nos seus. O corpo ainda ansiava por fazer exatamente aquilo. perguntando o que ele desejava. Tudo que lhe ocupava a mente era uma jovem atrevida de cabelo negro e olhos verdes tentadores. Aqueles que pretendo apresentar a Bella. e talvez estivesse certa. Theron apertou o botão do interfone. Theos mou! Não conseguia esquecer aquele beijo. ainda assim. Theron fez que não com a cabeça. Pelo que parecia ser a centésima vez desde que chegara ao escritório naquela manhã. Muito mimado pelos pais. – Dormiu bem esta noite? – perguntou Madeline. e não conseguira dormir mais que uma hora durante toda a noite. Madeline transpôs a soleira. – Ah.

– Vou suspender suas ligações e anotar os recados. – Não é rico o suficiente. belos e não estão namorando ninguém no momento. Eu estava mesmo de saída. e ele foi deixado a sós com Isabella. Theron percebeu que a camiseta era curta e lhe revelava o abdome. As sandálias lhe deixavam expostas as unhas pintadas de rosa. ele cancelou todos os seus compromissos da manhã. Quando lá chegou. assim Isabella ficará satisfeita. Theron olhou para Madeline com expressão severa. – Desculpe-me pela entrada intempestiva – disse ela com voz ofegante. Curto. Ela devia saber o que agradava Isabella melhor que ele. Madeline sorriu. – Fico feliz que tenha vindo. Tinha vontade de se aproximar e lhe arrancar aquele short para ver o desenho. Uma tornozeleira dourada pendia frouxa sobre o pé. com um sorriso luminoso estampado no rosto. concedendo-lhe a visão da tatuagem que tinha nas costas. Madeline se ergueu e sorriu para Isabella. Theron franziu a testa mais uma vez e tentou imaginar uma razão para desconsiderar Paul. – Acho que deveríamos incluir Marcus Atwater e Colby Danforth também. – Tad Whitley. – Não vi Madeline… Aí está você – acrescentou quando se deu conta da presença da secretária. – Isso não será… Mas a secretária já havia se retirado. e aquilo o estava deixando maluco. O olhar de Theron a varreu de cima a baixo. Ela deu palmadas leves no braço de Isabella em seu caminho em direção à porta. Não conseguiria sobreviver àquilo. – Ahá! – exclamou Madeline quando nenhum comentário foi feito. Tenho certeza de que o sr. Anetakis tem algum tempo para você. Madeline deixou escapar um suspiro. – Paul Hedgeworth. apressada. bem como o piercing no umbigo. Ambos são homens solteiros. . – Ótimo. Não que aquilo parecesse intimidá-la. E se moldava aos seios firmes de uma forma que o fazia lembrar dos concursos de camiseta molhada. O desenho quase faiscava. Era melhor deixar aquele assunto por conta de Madeline. Os dois foram interrompidos quando a porta se escancarou e Isabella entrou. e apressou-se a riscar aquele também. Precisamos conversar. Isabella girou por um instante. Theron fez um gesto de rendição com a mão. – Garth Moser? – Não gosto dele. Que lhe deixava as pernas longas e bronzeadas à mostra. minha querida. para constatar que ela usava um short. Parecia ser uma fada ou uma borboleta. Ele não sabia dizer. – A secretária baixou o olhar à lista e voltou a fixá-lo em Theron. Theron limpou a garganta e gesticulou para a cadeira que Madeline deixara vaga. Ao que parece. estacou e girou.– Bradley Covington? – Um chato – retrucou Theron. – Posso convidá-lo para o coquetel que o senhor oferecerá na noite de quintafeira? Theron resmungou uma afirmativa. À medida que o olhar subia. – Não tem problema. fazendo um enorme círculo em volta daquele nome.

realçando cada curva e elevação. – Você tem o direito de esquecer o que houve. O fato de você afirmar o contrário não depreciará o que se deu em minha mente. e a surpresa o fez silenciar. confuso. Não estrague o que aconteceu. Isabella ergueu uma das mãos. Mas Isabella não lhe pertencia. – Agora. Ele teve vontade de bater com a cabeça no tampo da mesa. Era o diplomata da família. Isabella se acomodou na cadeira de frente para ele. revivia a sensação de tê-los nos seus. boquiaberto. de se arrepender e de jurar por tudo que é mais sagrado que nunca mais se repetirá. tenso. gostaria muito que o fizesse em silêncio – disse ela. Theos! Ali estava ele. Isabella suspirou. antes que Theron pudesse acrescentar qualquer coisa. imaginando o que permitiria ou não que ela fizesse se lhe pertencesse. Theron se descobriu a ponto de balançar a cabeça negativamente outra vez. Theron resolveu se concentrar na questão presente. O que estava pensando? Se Isabella fosse sua. sempre o mais sensato e. achei que foi próximo da perfeição. aquela mulher irritante o reduzira a um idiota apalermado. se desculpando. que sempre tinha algo a dizer. Nunca pertenceria. Providenciei para que os papéis que necessitam de minha assinatura fossem enviados por fax para cá. e gostaria que não assumisse uma atitude paternalista. – Sobre o que quer conversar? – perguntou ela. ainda assim. Então era isso? Isabella era capaz de varrer facilmente da mente o que acontecera na véspera. Mas não espere que eu faça o mesmo. Podia recordar o sabor e a fragrância daquela mulher. Uma novidade. enquanto Isabella o encarava com semblante calmo. A camiseta os cobria muito bem. já que tenho certeza de que você desejará analisá-los antes. Logo ele. No que se refere a beijos. – Aquilo não deveria ter acontecido – retrucou ele. sentado. mas se colava aos volumes arredondados.Uma tatuagem. Não havia sentido em macular aquele corpo. quando olhava para aqueles lábios carnudos. Theron se viu sem palavras. como se estivessem prestes a discutir o tempo. se isso era tudo que tinha em mente. A pulsação em sua . acho que poderíamos finalizar os preparativos para o apartamento e planejar nossas compras. Pedi para não fazer isto. Como diabos poderia fazer o sermão que planejara com tanto cuidado se Isabella se mostrava desapontada com o fato de ele ter tocado no assunto? – Se você se arrependeu. Esfregando o rosto com as mãos. – Você está estragando tudo. minimizando o que aconteceu. enquanto ele se consumira durante toda a manhã? A lembrança não só o consumira como torturara. – Estragar o quê? – O beijo. – Sobre ontem… – começou. jamais teria feito uma bobagem como aquela. Não podia acusá-la de usar um decote muito profundo e revelador. Theron a encarou. o que deixava os seios perfeitos em sua linha de visão. Era muito mais excitante que um decote generoso. Até mesmo naquele momento. Isabella cruzou as pernas e juntou as mãos sobre o colo. – Não estrague tudo – disse ela com voz rouca. Theron se encontrava a ponto de perder a cabeça e o controle. Não devia sequer acalentar tal pensamento. Theron pestanejou várias vezes.

enquanto ele se movia dentro dela. tentando entender o que acabara de acontecer. A secretária ergueu uma folha de papel e a empurrou na direção dela. Isabella se sentou na cadeira ao lado da mesa de Madeline. – Marido? . Isabella ergueu o papel. – Ele lhe contou sobre a festa? Isabella pegou o contrato de locação e franziu a testa. gostaria ao menos de ter a chance de escolher um vestido deslumbrante para a ocasião. Antes que ela pudesse responder. Mas aquilo suscitou outro pensamento muito intrigante. Pedirei para meu advogado analisá-lo se você quiser. – Não me pediram segredo quanto a isto. – Suponho que também não tenha lhe informado qual será a ocasião. Theron praguejou em seu íntimo e forçou a mente a se concentrar nas questões presentes. divertida. leu o conteúdo e voltou um olhar atônito a Madeline. Theron tornou a entrar. o fez experimentar uma descarga elétrica. ele enfiou a cabeça pelo vão da porta entreaberta. – Por que tenho a impressão de que estão me preparando uma armadilha? – Porque estão? – retrucou Madeline. ela se ergueu.masculinidade se intensificou ao imaginá-la nua. Combinava com ela. Isabella deixou o escritório. se eu estivesse sendo convidada para uma festa em que meu futuro marido estaria presente. muito graciosa. Além do mais. Haveria outras tatuagens? Talvez uma ou duas que só poderiam ser vistas se ela estivesse nua? O pensamento de sair em uma caçada às tatuagens. Nada que não estivesse esperando. Era provável que Theron ainda se encontrasse desequilibrado. Quando sair. Isabella girou outra vez na direção da mulher mais velha. e fechou a porta. Uma fada. Theron não mencionou festa alguma. O sorriso de Isabella lhe aqueceu partes do corpo que não ousaria mencionar. veja se ela pode encaixar algumas horas para escolhermos sua mobília. Mais uma vez. Era óbvio que Theron se preparara para lhe passar um sermão infindável sobre não deverem repetir o que haviam feito no dia anterior. Madeline pegou uma pilha de papéis em um canto da mesa e sorriu para Isabella. Atirando o longo cabelo para trás. – Não. em sua cama. animada. Madeline está com minha agenda da semana. – Bem. – Veja se Madeline está com o contrato. Madeline providenciará para que um carro vá buscá-la no hotel. as linhas que lhe vincavam a testa se aprofundando. Em seguida. mordendo o lábio inferior para suprimir um sorriso. Às 19 horas em minha cobertura. Naquele instante. e gostaria que você comparecesse. portanto não estou traindo a confiança de ninguém. A tatuagem era o desenho de uma fada envolta em poeira dourada faiscante. Aproximou-se da mesa de Madeline e perguntou educadamente se a secretária teria recebido algum fax endereçado a ela. – Bella. Ela se congratulou em silêncio pela forma como lidara com a situação. antes de ele começar. – Conte-me. agora ele mencionou – disse Madeline. Quanto às compras. esqueci-me de lhe dizer que planejei um coquetel para quinta-feira. por isso se preparara para cortá-lo. acenou com a mão para se despedir e se encaminhou na direção da porta. tendo aquele corpo como mapa.

Naquela ocasião até poderia ser considerada uma empolgação. Anetakis não lhe contou que estava procurando um marido para você? Pensei que ele tivesse mencionado isso pelo menos uma vez. então havia tempo para garantir que ele não o fizesse. Ele tem um acordo com a família Gianopolous para se casar com a filha deles. querida. – Ele vai mesmo se casar? Está noivo? Madeline pareceu confusa por um instante. Talvez a melhor coisa a fazer seja se concentrar nos homens que Theron tem em mente para você. – Sim. – O sr. Essa fascinação pelo sr. Isabella obedeceu. O sr. conte-me. mas a secretária de Theron também não fazia ideia da profundidade de seus sentimentos e de sua determinação. mas pelo que entendi será mera formalidade. você não ouviu de minha boca. Se Theron não fizera o pedido. mas não estava muito certa de haver conseguido. Anetakis não quer um noivado longo. então acredito que seja durante o próximo outono. Alannis. Bella achou que lhe restava muito tempo até que ele cumprisse o prometido. então. querida! – Ofegou. há quanto tempo sente essa empolgação por Theron? – Empolgação? – perguntou Isabella com partes iguais de divertimento e devastação. – Bem. Madeline franziu a testa. a julgar pela expressão compassiva no olhar de Madeline. e a mulher mais velha se acomodou ao seu lado. Isabella se inclinou para a frente. – Conte-me – pediu. mas a compreensão lhe suavizou a expressão. E. Ontem mesmo. – Empolgação é um sentimento superficial e passageiro. Theron já encontrou alguém? – Isabella tentou afastar da voz o horror que sentia. – Theron está determinado a apresentá-la a rapazes com potencial para serem bons maridos. – Agora. Não se opusera à ideia porque achara que Theron não falava sério. – Madeline apontou uma cadeira. – Quando será o casamento? – perguntou ela com voz suave. – O quê?! – Ele também não falou sobre isso? – indagou Madeline. ansiosa. ele mencionou superficialmente. Isabella sabia que Madeline tinha boas intenções. – Bem. o pensamento de Theron estar noivo. mas agora? Madeline fez um gesto negativo com a cabeça e lhe deu palmadas leves na mão. – Oh. para todos os efeitos. . Ela e a mãe chegarão a Nova York em menos de uma semana. Ainda assim. erguendo-se em seguida. mesmo se falasse. Entorpecida. Anetakis só pode terminar em decepção. Eu o amo desde minha adolescência. Não era de se estranhar que ele tivesse ficado tão transtornado com o beijo que trocaram no dia anterior. Detestaria vê-la… sofrer. – Talvez ele esteja com pressa para poder se concentrar no próprio casamento – acrescentou a secretária em um tom de voz tranquilizador. e contornando a mesa até onde Isabella se encontrava sentada com as costas rígidas e as mãos unidas com força no colo. – Então ele ainda não fez o pedido de casamento? Uma sensação de alívio se derramou sobre Isabella. – Sente-se.As sobrancelhas da secretária se ergueram. – Não estou gostando deste olhar. E sussurrou: – O que acha de irmos até a sala de reuniões? Isabella permitiu que a secretária a guiasse até a outra sala e trancasse a porta. de ter um compromisso com outra mulher… Fechou os olhos contra a repentina pontada de dor que a invadiu. antes ele terá de fazer o pedido. cautelosa.

Em seguida. – E era correspondida. – Você me agradecerá quando ele for um homem mais feliz. e Isabella se apressou em assinar o contrato de locação. – Não se engane.Isabella tomou as mãos da secretária. – Oh. Theron fez sua escolha. está bem? – E a compra dos móveis? Para quando quer marcar? Isabella negou com a cabeça. – Peça para ele ler e. Isabella soltou as mãos de Madeline e suspirou. antes de devolvê-lo à secretária. na certa lhe diria a mesma coisa. Quando é mesmo esse coquetel? – Na noite de quinta-feira. – Tem de me ajudar. Você está sozinha nessa empreitada. me enviar de volta. É urgente. – Está ocupada? Preciso encontrá-la. Às 19 horas. Isabella. se não tiver nenhuma objeção. não. Ambos queriam que eu fosse feliz. Não me envolverei nisso. – Minha mãe amava meu pai loucamente – disse Isabella com voz suave. girou para se retirar do escritório. – Está bem. Estarei lá. Nenhum homem vale a perda de seu respeito próprio. com a mente em turbilhão pelo choque inesperado que tivera ao saber do noivado iminente de Theron. Pegou o telefone celular e digitou o número de Sadie. – Irei sozinha. Se sua mãe fosse viva. Preciso fazê-lo ver isso. Isabella esboçou um sorriso. sou eu: Isabella – disse quando a amiga atendeu. Ficariam felizes em me casar com o homem que eu amasse. Isabella anuiu com um gesto lento de cabeça. – Então. – Oi. embora forçado. Theron cometerá um grande erro. Madeline. e tenho como filosofia não me envolver na vida pessoal dos meus chefes. desejo-lhe boa sorte. Madeline ficou de pé e a observou com certa reserva. . As duas deixaram a sala de reuniões. Madeline negou com um gesto veemente de cabeça. – Obrigada.

– Aquele discurso? – Você sabe. foi um erro. Ou ao menos tentou. A solidão nunca a incomodara. – Mas isso não significa que não conseguirá. – Sadie riu. Não será fácil como pensou que fosse – afirmou Sadie. – Isabella suspirou. se esforçando para esboçar um plano. Isabella cobriu o rosto com as mãos e tentou não deixar que o pânico a dominasse. . para todos os efeitos. – Nós nos beijamos ontem – disse ela. – Oh. – Está bem. não é? Ele ainda nem fez o pedido de casamento.” – Ah. – Que mulher excitante. Ou o desespero. – Isso não muda nada. As sobrancelhas de Sadie se ergueram. – Essa mulher é sem dúvida uma boa jovem grega de uma boa família grega. Isabella se deixou ser abraçada pela amiga. Naquele momento. mas agora via-se diante da possibilidade de não conseguir a única pessoa que desejava ao seu lado. esse… – Ao menos agora sei por quê. desanimada. – Ainda. – Nem ela dirá. não acha? Isabella soltou uma risada. Precisa apenas fazer o mesmo que pretendia. Esse é o problema – respondeu Isabella. – Está vendo? Eu lhe disse! – exclamou a amiga. não me parece uma união baseada no amor. a preocupação lhe distorcendo os belos traços. Theron está noivo. – Ela pode não aceitar – argumentou Sadie. – Não estou sendo muito gentil. – Theron fez aquele discurso esta manhã. Isabella lhe dirigiu um olhar incrédulo. desanimada. É verdade. Ela deve ser adorável. Theron não resistirá a você se passar um tempo ao seu lado. divertida. quando por fim Sadie a soltou. O pai há de ter rios de dinheiro. antes de fixar o olhar outra vez na amiga.Capítulo 6 – ISSO É um desastre! – gemeu Isabella. – Você não desistiu. Na certa tem uma linhagem impecável. – Ainda significa que ele tem total intenção de fazê-lo. querida… – Sadie a envolveu nos braços. Faça-o enxergá-la como você realmente é. deixando-se afundar no sofá de Sadie. e ela haveria de preferir tomar ácido de bateria a contestar um desejo dos pais. Pelo que me contou. – Você diria “não” a Theron Anetakis? – Bem… não. precisava de todo o apoio que pudesse obter. – Agora a está fazendo parecer um poodle. fixou o olhar no teto. Em seguida. – Não comemore ainda – retrucou Isabella. Portanto. A amiga se sentou ao seu lado. aquele do tipo: “Isso não deve se repetir nunca mais.

Bem. não posso me dar o luxo de perder o dinheiro que ganho no clube. – Tenho de trabalhar neste sábado. sem dúvida explodiria de raiva. não é exatamente um teste. . Ela está me fazendo um grande favor apenas em me recomendar a Howard. Howard Griffin estará lá. perderei o emprego. mas poderá se transformar em um se souber jogar meus dados da maneira correta. Inclusive eu. e nos tornamos amigas. – Quem é Howard? E quem é Leslie? – quis saber Isabella. mas poderia funcionar. É algo muito importante. se você estiver usando as minhas roupas. talvez eu tenha um método meio tortuoso para fazer com que Theron a veja quase nua. Então. – Eu pretendia lhe pedir isso de qualquer forma. apenas por algumas horas. Não posso perder essa festa. – …quente. maliciosos. iria até lá arrastá-la pelo cabelo e.Isabella soltou outro suspiro. – Então o que devo fazer? Sadie lhe apertou a mão e sorriu. Todas as dançarinas terão de estar presentes. Os olhos de Sadie faiscaram. Ninguém fica olhando para seu rosto em um lugar como aquele – acrescentou ela. diga-me o que é – estimulou Isabella. eu tenho essa festa para a qual fui convidada. – Está bem. Bem. – E o que isso tem a ver com Theron? Ele iria ter um ataque cardíaco se soubesse que entrei em um clube de striptease. sonhadora. – Faça-o se apaixonar por você. – Não pode ir direto ao ponto. Sadie? Este suspense está me matando. sem desculpas. Porém. este final de semana eles alugarão o clube por uma noite. Se ele descobrisse onde você estava. – Se eu não aparecer no trabalho sábado à noite. Sadie sorriu. na noite de sábado. As pessoas são capazes de matar por um convite dele. Isabella girou a cabeça rapidamente na direção da amiga. com a maquiagem certa. e Leslie vai apresentá-lo a mim. eu uso uma peruca loura no clube. Talvez. Sadie fez uma careta. mas ela está em alta na Broadway agora. Todos a querem. – Pense bem. a veria seminua. – Quer que eu me passe por você em um clube de striptease? Sadie. ninguém seria capaz de notar a diferença. – Vamos. e pode parecer meio interesseiro. Leslie conseguiu um convite. grandes papéis. Preciso que ele me veja como me viu naquele momento. Eu a faria ser despedida em dois segundos. – Howard está produzindo um musical na Broadway e fará testes na próxima semana. – Se me permite pensar em mim por um momento. nem ao menos nos parecemos fisicamente. Sadie fez um vigoroso movimento negativo com a cabeça. Só poderá fazer o teste quem for convidado. quanto mais se souber que trabalhei lá por uma noite. – Primeiro. Eu a conheci algumas semanas atrás. Até eu conseguir bons papéis. impaciente. – Agora você atraiu minha atenção. – O que significa fazê-lo esquecer essa questão da tutela. Mas o que isso tem a ver comigo? Sadie lhe dirigiu um olhar suplicante. Temos a mesma altura e. pensei que você pudesse me substituir. – Tenho um teste no sábado à noite. Um grupo de forasteiros ricos que vêm para a cidade uma vez por ano. dessa forma. Isabella soltou uma risada. Sou uma péssima dançarina. O beijo foi… – Isabella respirou fundo e sorriu.

Quando alcançou a mesa da secretária. Isabella aprumou a coluna e lançou um olhar à porta fechada do escritório de Theron. mas isso lhe dará a chance de me fazer outro sermão. – Por que tenho a impressão de que verá essa segurança como um desafio? – Sadie meneou a cabeça. ergueu o olhar e franziu a testa ao vê-la.– E isso não causaria sua demissão? – questionou Isabella. Ao que parece. Sem dizer uma palavra. Ele não saberá onde estou. isso é ridículo. Sadie franziu a testa. ignorando os apelos de Madeline. ansiosa. Seguiu até a sala de Madeline para perguntar o que estava acontecendo e encontrou o local cheio de gente. ele contratou um bando para me seguir por Nova York. Uma mulher mais velha também girou. Por fim. – E os outros são pessoas relacionadas aos compromissos desta manhã. Ouça. – Encontrarei uma forma de burlar a equipe de segurança. Aquela é sua equipe de segurança. deparou com uma pilha de malas no corredor. Eu sei. não acha? Terei de ir ao escritório dele bem cedo. com um sorriso travesso a lhe curvar os lábios. com a testa ainda mais franzida. – Theron. quando adentrou os escritórios da empresa. – Tem certeza? – perguntou Sadie. pela manhã. ergueu a cabeça e lhe lançou um olhar curioso. No mesmo instante. se inclinou para sussurrar: – O que está havendo? Madeline limpou a garganta. Uma parte de Isabella desejava sair correndo o mais rápido e para o mais longe possível. – Em minha opinião. porque aquilo era pedir demais. Isabella se apiedou da amiga. Na minha opinião. Claro que aquela mulher não seria simplória. Aquilo não era nada bom. aquela que deveria ser Alannis. – Deixarei Theron maluco. Se o sermão for muito severo. para ser apresentada a eles e. Franzindo a testa. porque Alannis e companhia limitada estão no escritório dele. – Alannis e a mãe chegaram. mas outra queria ver a mulher com quem Theron pretendia se casar. Encontrarei em forma de lhe atrair a atenção. abriu a porta e entrou. eu o beijarei outra vez. Alannis e a mãe eram belíssimas de uma forma clássica e elegante. Theron. – Sabe de uma coisa? Espero que ele valha todo esse sacrifício – disse Sadie. que se encontrava parado diante da escrivaninha. se encaminhou naquela direção. – Você tem guarda-costas? – Sim. – Ela apontou na direção de três homens de aparência intimidante. Estão aguardando. nenhum homem é digno de tanto esforço. Eles comunicarão imediatamente a Theron. de acordo com Theron. – Droga! – resmungou. – Não pensei nisso. Sadie se encontrava boquiaberta. – Que tal eu a substituir sem que Theron saiba? Depois pensarei em uma maneira de chamar a atenção dele. sim – afirmou Isabella com voz suave. está levando esse assunto de tutor longe demais. Enquanto a mãe tinha o cabelo preso em um coque . O sorriso de Isabella se alargou. Posso burlar esses guarda-costas e substituí-la no clube. não devo ir a lugar algum sem esses seguranças – disse ela. ISABELLA SALTOU do táxi em frente ao prédio onde ficava o escritório de Theron e caminhou apressada na direção da entrada. Portanto. Entrou no elevador até o andar desejado e.

Bem. Em seguida. perplexa. Eles estão aguardando lá fora. Um instante depois. Terá de me desculpar. – É um prazer conhecê-la. E. em uma cascata de ondas escuras sobre os ombros. Para sua surpresa maior. – Ele dirigiu um sorriso na direção da noiva. aqui estou. Senhoras. esqueci-me completamente de sua equipe de segurança. – O que quer dizer com isto? Madeline deixou escapar um suspiro. O olhar encontrou o de Theron mais uma vez. Os olhos castanhos eram afetuosos e simpáticos quando ela esboçou um sorriso hesitante. ela foi dispensada. esta é Isabella Caplan. Isabella. Theron franziu a testa por um instante. – Com a agitação pela chegada de Alannis. e então a recordação se refletiu em seu olhar. minha tutelada. Theron apertou o botão do interfone e disse a Madeline que estava enviando Isabella para conhecer sua equipe de segurança. Como um autômato. Theron voltou a atenção à senhora e exibiu um sorriso tranquilizador. e Isabella agradeceu. – Agora você a está fazendo parecer um poodle – comentou Isabella. – Venha comigo – disse. – Mudei de ideia. A secretária lhe dirigiu um rápido olhar de compaixão. Isabella se deixou guiar até a mesma sala de reuniões do dia anterior. Sophia lhe deu um abraço carinhoso. No mesmo instante. Sophia abandonou a postura alerta e lhe dirigiu um sorriso doce. gostaria de apresentá-la a Alannis Gianopolous e sua mãe.impecável. Alannis o usava solto. Theron nos contou tudo sobre você. dessa forma. sim. – Você me disse para estar aqui pela manhã. Madeline pode fazer o restante com você. – É um prazer conhecê-la – disse Alannis com um sorriso tímido. mas Isabella resolveu ignorar aquele detalhe. Isabella lhe dirigiu um olhar surpreso. Acho maravilhoso que ele esteja se incumbindo de apresentá-la a maridos em potencial. Sophia. Resolvi ajudá-la. ela fez o caminho de volta à mesa de Madeline. – Em seguida. – Esta é a menina sobre a qual comentei. claro. Ela e Theron formavam um casal fabuloso. – Sophia lhe beijou as bochechas. mas a expressão do belo semblante másculo era indecifrável. Isabella consultou o relógio de pulso em um gesto afetado. recordando-se do que lhe . – Talvez ela tenha mencionado que você estava ocupado – murmurou Isabella. a não ser que sua voz fosse estridente. aquela mulher se aproximava da perfeição. – Ah. Porém. – Madeline não lhe falou que eu estava ocupado? A reprovação era evidente em sua entonação. Procurou algum indício de que ele estivesse sofrendo. a senhora se aproximou estendo-lhe as duas mãos. – Bella. Isabella se encontrou atirada para fora do escritório. Eu os orientei sobre o que espero deles. voltou a fixar o olhar em Isabella. quase a arrastando consigo. – Alannis é uma jovem adorável. e Alannis lhe ofereceu um sorriso simpático. Estava muito ocupada tentando encontrar um defeito em Alannis. Madeline fechou a porta e girou para encará-la. – Quem é ela? – perguntou a mãe de Alannis em um tom autoritário. Sophia. – Bella – disse Theron em tom de voz áspero. antes de se erguer e contornar a mesa. – Está precisando de alguma coisa? – quis saber ele. – Igualmente – respondeu Isabella com um fio de voz.

O que fará com ela é problema seu – concluiu. minha menina. Em seguida. focou a atenção em Alannis. embora ela não pudesse dizer que a sutileza era o ponto forte daqueles homens. deixe-me apresentá-la à sua equipe de seguranças. após a ópera. – Isso deve tornar as coisas interessantes para você. – Tão cedo? – Sim. o que significa que terá de agir rápido – retrucou Madeline. – Alannis relanceou o olhar a Theron. O sorriso da jovem de beleza clássica lhe iluminou todo o rosto. em um esforço hercúleo para ser extremamente amável. – Ele planeja fazer o pedido de casamento na noite de sexta-feira. – Eles têm ordens estritas de acompanhá-la para onde quer que vá. A mente girando em uma rotação absurda. A secretária fez um gesto negativo com a cabeça. com uma expressão tristonha. Isabella forçou um sorriso no instante em que o trio se aproximou. . Theron deve saber também em algum lugar daquela sua cabeça dura. – E Madeline guiou Isabella de volta ao escritório. Alannis estava de braços dados com ele. – Talvez ele deseje um rato – murmurou Isabella. – É melhor não levantar suspeitas da mamãe ursa. Isabella franziu a testa. animada. – Estou muito feliz por estar aqui. – A secretária girou na direção de Isabella e sorriu. ela é verdadeiramente adorável. O sorriso de Isabella se alargou. – Esse casamento será um desastre. batendo o pé no chão repetidas vezes. Nós duas sabemos disso. em um gesto impaciente. a porta do escritório de Theron se abriu e os três saíram de lá. Está com os ingressos. – Como foi sua viagem? Espero que tenha corrido tudo bem. Quando Madeline estava lhe apresentando o último guarda-costas. Madeline resfolegou. Tinha de arquear o pescoço para trás para poder enxerger os rostos dos três brutamontes. exasperada. – Achei que tivesse como filosofia nunca interferir na vida pessoal de seus chefes – disse Isabella. – Não vou interferir. – Isabella ergueu as sobrancelhas.dissera Sadie. Isabella anuiu com um gesto lento de cabeça. Isabella os observou com expressão tristonha até Madeline lhe dar uma cotovelada leve nas costelas. mas não é a mulher certa para Theron. Tenho a impressão de que essa mulher se transforma em uma barracuda quando se trata da filha. – Está sendo muito óbvia. a aliança e toda a noite planejada. – Enquanto raciocina. – Sim. foi ótima – respondeu ela com um leve sotaque inglês. – Sim. – Sua equipe de segurança está do seu agrado? – perguntou Theron em tom educado. dando de ombros. Mas a sutileza também não era o ponto forte de Theron. e Isabella se encolheu em seu íntimo diante da adoração que viu refletida naquele gesto. Alannis é um ratinho. – A secretária suspirou. e a cabeça de Theron se achava inclinada para ouvir o que ela dizia. Você vai. – Então desistiu? – perguntou Madeline. Percebi no instante em que pousei os olhos na mãe enérgica que ela tem. Isabella ouviu apenas parte das instruções. Estou lhe dando a informação. e Theron está mais para um leão. Sem dúvida eles se adequavam ao papel de seguranças. onde os homens as aguardavam.

Incapaz de proferir qualquer palavra por causa do nó que se encontrava alojado em sua garganta.– Esperamos revê-la na noite de quinta-feira – disse Sophia. o olhar de Theron se cravava em Isabella. – O coquetel – esclareceu ele. – Claro que estendi o convite às duas. – Claro – concordou Isabella. Ouvi dizer que é um país adorável para se visitar. – Quinta-feira? – repetiu Isabella. Talvez possam me contar tudo sobre a Grécia. ele gesticulou com a cabeça na direção dela. Engolindo com dificuldade o nó que crescia em sua garganta. ela se limitou a fazer um movimento positivo com a cabeça. ela se voltou na direção de Sophia com uma expressão animada. Quando passaram por Isabella. suave. lançando um olhar confuso a Theron. Sophia se mostrou muito animada. os olhos castanhos perscrutadores deixando uma trilha de sensações sobre sua pele. – É melhor irmos agora – disse ele à mãe de Alannis. – Vocês fizeram uma longa viagem. Talvez alguns anos? Havia uma inocência juvenil nos olhos daquela moça que fazia Isabella se sentir mais velha e experiente. Providenciarei para que a bagagem que trouxeram seja despachada para o hotel imediatamente. Embora a noiva se encontrasse ao lado dele. agarrada ao seu braço como uma alga marinha. mas não por uma diferença muito grande. – Também estou ansiosa por voltar a vê-las. enquanto a expressão de Theron se fechava. . – Avise-me se tiver algum problema. Theron amaria Alannis? Sentiria certa afeição por ela? Alannis era mais velha que ela. Talvez eu passe minha lua de mel lá quando me casar.

– Oh. sua mente não estava no presente. no coquetel da noite de quinta-feira. Então por que não estava mais entusiasmado? Alannis se mostrava muito animada. Os homens fariam fila pela chance se serem escolhidos. Sophia estava extasiada com a intenção de Theron em propor casamento a Alannis após a ópera. comprara ingressos para o espetáculo favorito de Alannis. aborrecido. – Como disse? – Theron meneou a cabeça. seu plano de pedir Alannis em casamento. todos estavam radiantes. Os pensamentos se encontravam povoados por uma tentação em forma de mulher. paciente. – Eu imaginava se já conseguiu encontrar o rapaz ideal. com o propósito de terminar a noite com uma festa em seu hotel. Não que o fato de ela se casar tão perto o fizesse se sentir melhor. sim. mas tudo de que conseguia se lembrar era que havia almoçado com Isabella àquela mesma mesa.Capítulo 7 THERON NÃO conseguia tirá-la da mente. – Você comentou que estava tentando encontrar um marido para ela – explicou Sophia. – Que ideia maravilhosa. Porém. Ele escutou Alannis repetir todos os detalhes da viagem e expressar de novo o contentamento por visitar Nova York pela primeira vez. mamãe! – opinou Alannis. Sophia se inclinou para a frente. em um ato irracional. – Ela é uma jovem muito bonita. . mas me parece solitária. Theron franziu a testa. Não. Sophia anuiu em aprovação. beijá-la no elevador. claro. de cabelo escuro e um sorriso capaz de derreter um homem. menos ele. tentando se concentrar no que Alannis e Sophia diziam. – Sabe de uma coisa? Adoraria me incumbir pessoalmente de Isabella. Isabella não teria nenhuma dificuldade nessa área. Como se a tivesse conjurado. Isabella caminhava ao lado da recepcionista que a guiava a uma mesa ao lado da janela. antes de. – Conseguiu encontrar candidatos qualificados para Isabella? – perguntou Sophia. Ele as levara para almoçar. – Theron não sabia por que. – Eu lhe transmitirei a ideia na próxima vez em que falar com ela. expulsando aqueles pensamentos. Theron tinha certeza de que Sophia insinuara para a filha. Duvido que tenha dificuldades em encontrar um marido. Theron ergueu o olhar e a avistou do outro lado do restaurante. sem nenhuma sutileza. Ao que parecia. embora ele lhe tivesse pedido para manter os detalhes em segredo. Ele planejara meticulosamente aquela noite. Myron ficaria muito feliz em apresentá-la a rapazes de boas famílias. após acomodá-las na suíte que ocupariam. Planejo apresentá-la a alguns rapazes que foram cuidadosamente investigados. Ela poderia voltar comigo para a Grécia. o excitamento lhe fazendo brilhar os olhos. Esfregou o rosto. mas o pensamento de Isabella deixando o país e se casando com alguém tão longe lhe deixava um travo na boca.

Descubra o dia em que ela pretende ir e suspenda minha agenda. não queria combinar nada com Alannis para a mesma hora. onde se encontravam os táxis. Antes que ela pudesse dar dois passos na direção do primeiro da fila. e não havia nenhum vestígio do sorriso sobre o qual ele recordava havia pouco. Em seguida. a secretária respondeu a mensagem. se juntaram a outros dois guarda-costas. e sorriu quando o garçom foi atendê-la. Usava calça jeans e camiseta. Por que reagia tão mal agora. Mas o sorriso não se expressava naqueles belos olhos verdes. Tão logo Isabella deixou sua suíte. Tentando ignorá-los. quando uma semana antes via-se ansioso por uma vida ao lado de Alannis? Aquilo não fazia sentido algum. Poderia transformar a reunião insípida em sua cobertura em uma festa de boas-vindas a Isabella no hotel. A mãe de Alannis estava certa. Em vez de lhe injetar consolo e contentamento. Theron enfiou a mão no bolso e pegou o telefone celular. que olhava além da janela. Isabella se acomodou sozinha. mas ao menos ela teria um pouco mais de diversão.Recordando-se do comentário de Sophia sobre ela parecer solitária. Uma onda gelada de pânico o invadiu até que gotículas de suor lhe brotassem na testa. Mais uma vez o olhar de Theron vagou na direção de Isabella. um dos seguranças se interpôs à sua frente. Ele franziu a testa ao lê-la e voltou a fixar o olhar em Isabella. deixando escapar um suspiro exasperado. a pediria em casamento. Theron refletiu sobre as circunstâncias daquela jovem. Ela seria sua amante e mãe de seus filhos. não lhe contara nada sobre eles. Um sentimento de culpa o atingiu ao se lembrar da própria ansiedade em se livrar dela. dentro de alguns dias. Como deveria ser difícil para ela estar desacompanhada em uma cidade estranha. Agora estava feliz por ter planejado o coquetel para a noite de quinta-feira. Sentindo-se um pouco melhor. O homem entrou no elevador com ela e se posicionou ao fundo. Até mesmo um pouco triste. Uma moça naquela idade ficaria entediada com a festa que ele planejara inicialmente. Isabella se encaminhou resoluta à porta da frente. Poderia apresentá-la aos rapazes da lista de Madeline. um homem se aproximou e começou a caminhar ao seu lado. O cabelo estava atado em um rabo de cavalo. Theron aproveitou a oportunidade para observá-la. mas ela estivera distraída com a . com uma expressão pensativa. os dedos enroscados em uma mecha de cabelo que ela enrolava distraída. Ela de fato parecia solitária. digitou uma mensagem para Madeline perguntando sobre o dia em que faria compras com Isabella. E se possuía amigos. lembrando a si mesmo que. Tomou um gole de água sem desviar o olhar do ponto onde o fixara. Após um instante. Quando chegaram ao saguão. e o fato de ter homens em seus calcanhares para onde quer que fosse a deixava nervosa. a ideia de firmar tal compromisso o enchia de medo. digitou sua resposta a Madeline. Ela iria sozinha? Não queria sua companhia? Com a mesma expressão contrariada estampada no rosto. – Ouça… como é seu nome? Os guarda-costas lhe haviam sido apresentados no dia anterior. Isabella estacou. Afinal. Sem família. Aquela era a mulher com quem passaria o resto da vida. voltou a focar a atenção em Alannis. Ainda não se acostumara àquela escolta. barrando-lhe a passagem. Pela primeira vez.

como está com convidados aqui. impedindo-a de pegar o táxi. Theron desceu do veículo e caminhou em sua direção. Isabella xingou entre os dentes cerrados e observou a expressão divertida do guarda-costas. Isabella o encarou. Reynolds fez um breve gesto negativo com a cabeça. que haviam surgido de repente. varrendo o sorriso do rosto de Isabella. não teria tempo para me acompanhar. esta manhã. Isabella franziu a testa. – Ora. Não há necessidade de me seguirem em um programa tão feminino. Para a surpresa eletrizante de Isabella. Reynolds exibiu outro sorriso. srta. esperando que ele concordasse. olhando constantemente ao redor. – Ele gesticulou na direção dos dois outros da equipe de segurança que a ladeavam. você queria minha companhia. observou o carro luxuoso e lustroso parar a alguns centímetros de distância de onde estavam. – Temos ordens estritas para levá-la para onde quiser ir no carro que o sr. já que não me é permitido tomar o táxi? Theron ergueu uma sobrancelha. Temos ordens de acompanhá-la para todos os lugares. Tenho certeza de que está aqui para ver Alannis. – Poderia chamar o carro. Anetakis. Se esperava por uma confirmação ou negativa daqueles dois. lhe segurou a mão. Os guarda-costas se limitaram a permanecer imóveis.notícia do noivado iminente de Theron. – Temo não ser possível. retirou os óculos escuros e os guardou no bolso da camisa polo. – Algum problema? – perguntou com a testa franzida. – Preciso entrar naquele táxi. ficou desapontada. – Alguns dias atrás. Reynolds confirmou a hora no relógio de pulso e. Reynolds. alternando o olhar entre Davison e Maxwell. Vou fazer compras para o meu apartamento. pethi mou. em seguida. . – Não me encontrarei com Theron hoje. Mudou de ideia? Confusa. Reynolds a observou com semblante sério. Caplan. – A srta. antes de constatar o óbvio. Então aqueles brutamontes tinham outra expressão além do semblante de estátua! – Pode me chamar de Reynolds. – Isabella se dirigiu a ele por parecer que aquele era o chefe do bando. os dedos longos se fechando firmemente nos dela. Theron aprovou a atitude e voltou a atenção a ela. e eu lhe explicava por que ela não deveria fazê-lo. – Claro – murmurou ela. Zezinho e Luisinho? Aquele que a encarava exibiu uma carreira de dentes brancos quando sorriu. Anetakis providenciou para a senhorita. Vou fazer compras. – Ou devo chamá-los de Huguinho. Quando se encontrava diante dela. – Não há nenhuma possibilidade de cabermos todos dentro daquele táxi – afirmou. – Até mesmo ao toalete? – Se necessário for… – retrucou o segurança. a senhorita terá de aguardar a chegada do sr. As providências que tomei são para o seu bem-estar e segurança. Em seguida. – É importante que siga minhas instruções. – Deve estar enganado – disse ela a Reynolds. e por ser o guarda-costas que lhe bloqueava a passagem. que inferno! – resmungou. – Muito bem. Poderiam esperar no restaurante. – Esse à esquerda é Davison e ou outro é Maxwell. Porém. à procura de algum perigo em potencial. – Isabella relanceou o olhar a Reynolds. Caplan estava prestes a entrar no táxi. – Presumi que. – Não quero tomar seu tempo.

– Bem. portanto. Porém. Embora não o estivesse mais observando. – Fico feliz que tenha vindo. Isabella deixou o olhar vagar pelo corpo musculoso e o fixou nos olhos castanhos de Theron. Chrysander viaja a negócios.– Ah. Mas a verdade era que ela não se importava muito com o tipo de móveis que colocaria em sua casa. o que o fez vir até aqui esta manhã? – perguntou. Isabella se encontrava cansada e faminta. Se ele se mostrava tão protetor com alguém que definia como estando “sob seus cuidados”. exasperada. – Estão dispensados até que retornemos. – Então. na época. e perceber sua respiração como se fosse a sua. e disse isso a Theron. uma sensibilização contra a qual lutou. Caso contrário. mas não costuma deixar a esposa e o filho com muita frequência. que informou a Theron que permaneceriam no restaurante enquanto eles estivessem lá. Disse-lhe que faria compras com você. – Antes de se casar com Chrysander. Caplan. Estava grávida. Minha equipe assumirá a segurança da srta. E então Isabella girou e sorriu. Quando retornaram ao hotel. Marley foi sequestrada e mantida em cativeiro para exigência de resgate. O fato de ele não parecer aflito para correr para Alannis assim que acabaram de fazer compras a deixou animada. Quando o motorista colocou o veículo em movimento. Os dois passaram a manhã comprando os itens da lista que ela necessitava para o apartamento. Houve uma mudança na expressão de Theron. puxando-a pela mão e a guiando em direção ao carro que os aguardava. Ele sugeriu que almoçassem no hotel outra vez. que ele tentava manter impassível. – Pensei que estivesse muito ocupado no trabalho e com o entretenimento de suas… convidadas. – Ele parece tão intimidador. – Não estou tão ocupado que não possa manter uma promessa. Os sequestradores não foram presos. – Parece um pouco pretensioso. soltando uma risada. se tudo saísse como desejava. De vez em quando. e aqui estou. Isabella se voltou para a janela. animada. foram recepcionados por Reynolds. Após gesticular para que ela se acomodasse no banco de trás. ela fez um gesto negativo com a cabeça e exibiu um sorriso tristonho. porque. estão vivendo lá. como . A expressão de Theron se fechou no mesmo instante. e ele se sentou ao seu lado. girou para se dirigir a Reynolds. – Não consigo imaginar Chrysander tão apaixonado – disse ela. suave. Aquelas emoções conflitantes se refletiam no semblante. Theron parecia apreciar o fato de Isabella não demorar muito para se decidir por um produto. – Minha percepção de você não tem nada a ver com a que tenho de Chrysander. – Obviamente não tem a mesma percepção de mim – retrucou Theron em tom de voz seco. Às 14 horas. Isabella começava a se acostumar ao pequeno séquito de guarda-costas que seguiam Theron para onde quer que ele fosse. não moraria lá por muito tempo. Marley prefere morar na ilha. mas você também é minha convidada – retrucou ele. Obrigada. – Quando foi a última vez que não conseguiu fazer as coisas do seu jeito? Theron lhe dirigiu um olhar surpreso. não permaneceria em Nova York para ver Theron com outra mulher. – E por que um esquema de segurança tão forte? – perguntou. ela podia sentir cada movimento de Theron. antes que ele pudesse lhe dar qualquer resposta. Não arrisco a segurança daqueles que estão sob meus cuidados. – Como estão Chrysander e a esposa? – indagou Isabella. Isabella se acomodou no confortável banco de couro.

– Ficou contente com as compras que fez? Isabella anuiu. Isabella enrugou o nariz e revirou os olhos. – Permite-me perguntar o que isso significa? – Apenas imagino que sua vida seja planejada nos mínimos detalhes e que não tenha paciência com pessoas que não são tão organizadas quanto você. O rapaz relanceava o olhar a Isabella enquanto falava. enquanto os dois eram guiados à mesa de Theron. com uma taça de vinho na mão. – Palavras sábias para alguém tão jovem. Theron lutou contra uma expressão contrariada. – Tem razão. – Então. mas na verdade tenho um plano muito bem traçado para o meu futuro. paciente. antes de relaxar e sorrir. sorrindo. Fiquei feliz ao receber seu convite para a noite de quinta-feira. – Você insiste em se lembrar da minha idade para não ficar tentado a fazer algo ultrajante como me beijar outra vez? Theron pestanejou várias vezes. Nem um pouco. – O prazer foi meu. e a observou. Havia labaredas naquelas profundezas douradas. – Parece satisfeita consigo mesma. Poderia conviver com aquela tendência superprotetora se isso significasse que ele a amava. Se tivesse de arriscar um palpite. Theron não era imune a ela. que bom revê-lo. – A voz grave lhe penetrou os pensamentos. – Obrigada por me acompanhar. – Minha decisão talvez deixe alguém como você enlouquecido. E a olhava com indisfarçável interesse. pethi mou. Bella.seria com alguém que amava? Um sorriso sonhador lhe curvou os lábios. A aproximação do garçom que trazia os pedidos o poupou de uma resposta. Ela ergueu . e ela também o observava. A agitação que ele sentia ficava evidente nos movimentos bruscos e curtos enquanto comia. No entanto. Estava bem-vestido e exalava riqueza e refinamento. conte-me. os olhos castanhos se ergueram e encontraram os dela. contraiu a mandíbula. você pode fazer o que achar melhor. O verdadeiro desafio é como se readaptar quando seus planos desandam. Estou certa? – perguntou ela em um tom de voz malicioso. – Eu não concordei com nada disso. que agora se encontrava parado ao lado da mesa. Isabella terminara a refeição quando ouviu o nome de Theron ser chamado a algumas mesas de distância. Em seguida. Tenho minha vida bem planejada. imaginando se aquele era um dos homens da infame lista de maridos em potencial que Theron elaborara. embora não tivesse sido seu nome a ser pronunciado. – Theron. diria que ele estava bastante afetado com sua presença. – Pensei que havíamos combinado esquecer que isso aconteceu. Ela observou Theron durante toda a refeição. mas nem sempre as coisas saem de acordo com nossa vontade. Não deveria andar sozinha em um lugar com o qual não está acostumada. Theron se recostou para trás na cadeira. – Não há nada errado em planejar tudo com antecedência. Após fazer os pedidos. Por que Nova York? Não prefere ficar perto de seus amigos da Califórnia? E tem pensado no que vai fazer. – O que quis dizer com “alguém como você”? – perguntou ele. agora que se formou na faculdade? Isabella sorriu. Por várias vezes. boquiaberto. Theron parecia muito insatisfeito com a interrupção. mas aquilo não pareceu intimidar o homem. Ela ergueu o olhar para deparar com um belo homem que caminhava na direção deles.

não perderia essa festa por nada deste mundo. Sou Marcus Atwater. – Ele voltou a fixar o olhar em Isabella. – Quase no topo – resmungou. É bemsucedido. mas Marcus pareceu não se incomodar… ou intimidar. chame-me de Bella. Marcus? – perguntou Theron de um jeito nada amistoso. – Deus do céu! Não me diga que levantou a ficha médica dele! – exclamou Isabella. sorrindo diante da expressão surpresa do rapaz. aqueles seus instintos protetores aflorassem. – Deseja alguma coisa. . – Por favor. – Guardará a última dança da noite de quinta-feira para mim? Com um sorriso largo. oferecendo um sorriso luminoso ao rapaz. Talvez se Theron visse outro homem flertando abertamente com ela. ótimo… Nesse caso. O olhar furioso era capaz de derreter o aço. Agora que sei que meu comparecimento me coloca na disputa. e. Bella. Quem sabe se de repente se visse diante de certa concorrência… – Nada – respondeu Marcus. Theron parecia afrontado por ela o ter questionado. incrédula. não parecendo muito satisfeito com aquilo. – Ora. pousou o copo e resmungou em tom de voz baixo: – Claro que não questionei a vida sexual de seus pretendentes. – Muito bem. educado. Isabella se inclinou para trás na cadeira. levou-a aos lábios e a beijou. nunca foi casado e é saudável. ela confirmou com um gesto de cabeça. Isabella lhe estendeu a mão. – Claro que sim. Um lindo nome para uma igualmente linda mulher. como está a cotação dele em comparação com os outros homens que vem considerando para o cargo de meu marido? Theron lhe dirigiu um olhar de reprovação. – Soube de fonte limpa que Theron se valerá dessa festa de quinta-feira para me arranjar um marido – acrescentou. – Marcus seria uma boa escolha. Não lhe sugeriria um homem doente ou que tivesse algum problema que pudesse ser transmitido aos seus filhos. eu irei. sim.uma das sobrancelhas em uma expressão questionadora. – Oh. então isso poderá ser divertido – disse ela com a expressão iluminada. E confirmar se era a misteriosa Isabella Caplan. – Diga-me. Marcus aceitou a mão estendida. Fico feliz por ter vindo confirmar. – Um salão cheio de homens abastados e belos para que eu possa escolher. – Você irá? – falou Isabella. – Você deve ser Isabella Caplan. Contente. fingindo sussurrar de maneira conspiratória: – Descobriu se são bons amantes também? Theron engasgou com a bebida. antes de me decidir por um. não se importará se passarmos algum tempo juntos no coquetel? – Não – retrucou Theron entre os dentes cerrados. aquela em cuja homenagem a festa será dada. não possui dívidas. – Então posso confiar que qualquer homem que estiver em sua festa foi cuidadosamente vasculhado e tem seu selo de aprovação? Theron assentiu com um gesto lento. mas Theron a ignorou. – Eu o vi acompanhado de uma linda jovem e quis conhecêla. – Que pena! Suponho que terei de descobrir por mim mesma. mas em vez de se limitar a trocar um aperto cordial. – Claro. e acabou por soltar uma risada ao perceber que a carranca de Theron se tornara ainda mais intimidadora. Isabella o observou se afastar e voltou a atenção a Theron. Isabella suprimiu uma risada e tentou adotar um semblante sério e agradecido. – Isabella se inclinou para a frente.

Bella.– Não fará nada disso! – rosnou Theron. enquanto ela lhe observava a evidente irritação. ele pareceu aliviado antes de atendê-lo. Quando o celular tocou. Os olhos verdes se arregalaram com expressão inocente. da qual não posso me ausentar. Isabella deu de ombros de maneira casual. – Seus seguranças a acompanharão até seus aposentos. Após algumas frases concisas. E. – Terá de me desculpar. Theron estava a ponto de explodir. Trata-se de uma reunião importante. Theron gesticulou para Reynolds e se ergueu da cadeira. não tente ir a lugar algum sem eles. – Não se prenda por mim. . desligou e fixou o olhar em Isabella. mas preciso ir. Estava mesmo pretendendo subir para minha suíte.

galerias de arte… Oh. Não se considerava uma ingênua. se vocês têm de andar como três sombras atrás de mim. estar acompanhada por três brutamontes a tornava mais notável do que se . Isso só servirá para chamar atenção para mim. e os dois se juntaram a Davison e Maxwell. sensível a armas. Isabella ficou boquiaberta. – Ouçam. – Pelo que a senhorita se interessa? – questionou o segurança. Maxwell e Davison obedeceram. – O que sugere. Isabella estacou de repente diante deles. – Não conheço Nova York muito bem. As portas do elevador se abriram para o saguão. ele afastou a lapela. revelando a pistola que se encontrava em um coldre de ombro. – Bem. Os três homens negaram com a cabeça. Queria estar com uma aparência deslumbrante na festa de quinta-feira. – Bom dia – cumprimentou ela. Não que se importasse que eles a acompanhassem às compras. então? – Maxwell não pareceu muito satisfeito com aquele comentário. Sem mencionar o fato de que não quero que todo mundo saiba que estou andando por aí com três guarda-costas em meu encalço. enquanto engendrava um plano para burlar sua segurança. prefiro que usem algo menos caricato de personagens de filmes de máfia. poderiam começar retirando os óculos escuros. Apenas não tinha se dado conta da intensidade da preocupação de Theron quanto à sua segurança. ela hesitou. Reynolds anuiu. Talvez escapar da segurança não fosse uma boa ideia. portanto terei de contar com sua ajuda. que foi recebido com um sorriso de Isabella. enquanto passava as orientações ao motorista por telefone. Reynolds a seguiu. Eles lhes dão uma aparência de agentes do serviço secreto. – Agora livrem-se da gravata e do blazer. e não para agradar aos homens que Theron convidara. – Algum problema? – perguntou Reynolds. Tão logo saiu da suíte. – Gostaria de fazer um tour pela cidade – respondeu ela. os observou e fez um movimento negativo com a cabeça. Por um instante. Isabella fingiu refletir sobre o assunto. Mas em seu modo de pensar. Compreendia a necessidade delas. Talvez aqueles homens pudessem lhe oferecer uma opinião masculina sobre qual vestido lhe ficava melhor. com uma boa dose de mel na voz. O último lhe lançou um olhar severo. – Bom dia – respondeu o segurança. e gostaria de conhecer a Estátua da Liberdade. Para justificar a negativa. com polidez. – Museus.Capítulo 8 O AVISO de Theron ainda ecoava nos ouvidos de Isabella na manhã seguinte. – Para onde deseja ir esta manhã? – Reynolds retirou o telefone celular do bolso para chamar o carro. – Os ternos ficam – falou Davison pela primeira vez.

conseguisse se esgueirar para uma loja de departamentos e procurar seu vestido.
– Está bem. Concordo com os ternos – resmungou.
Os quatro saíram do hotel para onde o carro os aguardava.
Davidson ocupou o banco da frente, enquanto Maxwell contornou o veículo para se sentar no
banco traseiro, do lado oposto. Reynolds abriu a porta do banco de trás mais próxima e esperou que
ela entrasse.
Isabella fingiu exasperação e bateu com a mão na testa.
– Espere aqui. Esqueci minha bolsa – disse ela.
– Eu a buscarei para a senhorita. Entre no carro – retrucou Reynolds.
Mas Isabella já estava se encaminhando à porta da frente. Girando, ela ergueu um dedo.
– Levará apenas um minuto.
Reynolds começou a segui-la, mas ela se esgueirou, apressada, pelo saguão na direção do toalete
masculino. Certamente ele procuraria no feminino quando se desse conta de seu desaparecimento,
mas era pouco provável que se lembrasse de vasculhar o toalete masculino.
Isabella deixou a porta entreaberta alguns milímetros para que pudesse ver o que estava
acontecendo.
Reynolds passou apressado, rosnando em um pequeno dispositivo que se encontrava preso à
camisa.
Segundos depois, Maxwell e Davison passaram correndo em frente ao toalete masculino com as
expressões tensas. Isabella aproveitou para escapar do toalete e correr, sem hesitar, na direção da
porta de entrada, esperando que os três não olhassem para trás até que tomasse um táxi.
Em seguida, escorregou para o banco do passageiro do primeiro carro da fila e prometeu pagar o
dobro da corrida se ele saísse correndo dali. Mostrando-se mais que disposto a colaborar, o
motorista se afastou imediatamente da entrada do hotel e entrou na frente de outros dois carros.
Buzinas e xingamentos ecoaram de todas as direções, mas o motorista agitou o punho e sorriu.
– Para onde vamos, senhorita?
Isabella ergueu o olhar e viu que o homem a olhava pelo espelho retrovisor.
– Não sei ao certo – admitiu ela. – Preciso comprar um vestido. Um modelo deslumbrante capaz
de fazer um homem babar.
– Conheço o lugar certo – disse o homem, com um movimento afirmativo de cabeça.
Disposta a não negligenciar nenhuma medida de precaução, Isabella perguntou se o motorista
podia esperá-la enquanto fazia compras; com o taxímetro ligado, claro.
O taxista a deixou na entrada de uma luxuosa loja de departamentos e lhe deu seu número de
celular.
– Telefone-me quando tiver concluído e eu a buscarei aqui – disse ele.
– Obrigada – agradeceu Isabella enquanto saía do veículo.
Tomando cuidado para se manter perto do fluxo de pessoas, ela entrou na loja. Não era uma
completa idiota no que se relacionava à segurança. Evitava os cantos, não se desviava dos caminhos
principais e se mantinha ao alcance das câmeras de segurança. Quando chegou o momento de
experimentar o vestido, contou com a companhia de uma vendedora muito atenciosa no provador.
Afinal, precisava de uma opinião.
Após experimentar seis modelos, Isabella encontrou o certo. O tecido tinha um caimento perfeito
em seu corpo, valorizando-lhe cada curva, como uma segunda pele. Não havia babados ou franzidos,
nada que lhe disfarçasse as formas. O tecido era delicado, tinha alças finas, e a bainha ficava cinco
centímetros acima do joelho. Com um sapato de salto, teria os homens comendo em sua mão.

Ela franziu a testa ao se dar conta de que não lhe importava o que os outros homens fizessem.
Theron era seu objetivo, e ninguém saberia dizer qual seria a reação dele.
Isabella saiu do provador para mostrar à vendedora, e o rosto da mulher se iluminou.
– Perfeito, srta. Caplan. Simplesmente perfeito. Com o sapato certo, irá arrasar!
Isabella sorriu.
– Teria algum par de sapatos pretos com salto de 7 centímetros que combine com este vestido?
A vendedora sorriu.
– Volto já.
Minutos mais tarde, Isabella girou, avaliando as próprias pernas sobre os sapatos. Os saltos eram
agulha, mas lhe emprestavam uma aparência divina.
Não satisfeita em lhe vender um vestido e um par de sapatos obscenamente caros, a vendedora
também insistiu em assessorá-la na compra das joias perfeitas, é claro, e uma bolsa de mão.
Duas horas depois de ter burlado sua equipe de segurança, Isabella se encontrava sentada no táxi
rumando de volta ao hotel. Quando o motorista estacionou, ela recolheu as sacolas e se inclinou para
a frente para pagar a corrida.
– Muito obrigada. Agradeço muito que tenha me esperado.
– Sem problemas, senhorita. Boa sorte com sua festa hoje à noite. Tenho certeza de que tirará o
fôlego de todos os presentes.
Isabella sorriu, desceu do táxi e acenou enquanto o motorista se afastava. Com um sorriso nos
lábios, ela entrou no hotel e se encaminhou ao elevador.
A ausência de sua equipe de segurança a fez hesitar, enquanto uma onda de sentimento de culpa a
atingia. Estivera tão envolvida com as compras que não se lembrara de telefonar para Reynolds para
tranquilizá-lo. Nem o segurança nem Theron tinham o número do seu celular, portanto ficaram
impedidos de fazer contato.
Ela entrou na suíte digitando o número de Reynolds, e ergueu o olhar para deparar com quatro
homens furiosos com os olhares fixos nela.
Theron se levantou do lugar que ocupava no sofá, com as pupilas faiscando de raiva, e gesticulou
para os outros três.
– Deixem-nos a sós – ordenou, conciso.
Isabella deixou que as sacolas escorregassem pelos dedos, enquanto os três passavam por ela.
Reynolds lhe dirigiu um olhar de censura, e Isabella exibiu um sorriso hesitante.
Quando os seguranças saíram, ela se concentrou em Theron, que havia fechado a distância entre os
dois, parecendo muito ameaçador, o rosto transtornado.
– Você não os demitiu, certo? – perguntou, incomodada.
– Pode ter certeza de que sei exatamente de quem é a culpa – respondeu ele, entre os dentes
cerrados.
Isabella se inclinou para recolher as sacolas, e o contornou para se dirigir ao sofá.
– Burlar sua segurança foi uma inconsequência, Bella. Não deixei clara a necessidade de seus
guarda-costas? O que estava pensando?
Isabella girou e o observou, pensativa.
– Tive minhas razões – limitou-se a responder.
Theron jogou as mãos para o alto em um gesto exasperado.
– Que razões?
Isabella sorriu.
– Nenhuma que aprovará. Não me ausentei por muito tempo, e tomei cuidado. O gentil motorista

do táxi cuidou de mim muito bem, e a vendedora da loja não me deixou sozinha um só instante. Bem,
exceto quando foi buscar os sapatos.
O rosto de Theron se tornou cinza.
– Motorista do táxi? Confiou seu bem-estar a um motorista de táxi?
– Relaxe – retrucou com um sorriso. – Ele foi um perfeito cavalheiro. Levou-me até uma loja de
departamentos e esperou por mim até eu concluir as compras.
Theron engoliu em seco, parecendo imprimir um esforço hercúleo para dominar a raiva. Hum…
Theron perdendo a calma. Aquilo poderia fazer valer a pena ter dito a verdade.
– Por que resolveu sair sem sua equipe de segurança? Isso era tão importante a ponto de se
arriscar dessa maneira?
Isabella ergueu uma das sacolas de compras.
– Precisava de um vestido para a festa desta noite.
Theron inspirou profundamente, fechou os olhos e voltou a abri-los. Em seguida, se aproximou
com passadas largas e a segurou pelos ombros.
– Um vestido? Deu-me o maior susto da minha vida por causa de um vestido?
Theron a sacudia enquanto falava, e Isabella se amparou com as duas mãos na cintura reta para não
perder o equilíbrio.
– Não era qualquer vestido – murmurou ela, se esforçando para não rir. Talvez não devesse
provocá-lo daquela maneira, mas fazê-lo perder a compostura de repente se tornou sua missão. –
Não poderia conhecer meu futuro marido trajando nada menos que um vestido deslumbrante.
– Você é a mulher mais enervante e frustrante que já conheci! – vociferou ele.
E em seguida, puxou-a com força contra o corpo, apossando-se daqueles lábios carnudos com um
beijo bruto que sequestrou todo o ar dos pulmões de Isabella. Quando as mãos fortes deslizaram para
suas costas como duas garras de ferro em brasa, ela deixou escapar um gemido de prazer.
Theron a saboreava como um homem faminto. Era como se não conseguisse se saciar dela. Um
formigamento excitante lhe percorreu a espinha, os seios pulsavam, os mamilos se tornaram rígidos
contra a parede sólida daquele peito largo.
O som das respirações aceleradas e do beijo enchia a atmosfera. Um das mãos de Theron
escorregou pelas costas macias até a altura do cós do jeans e puxou o tecido da blusa até libertá-la
da calça. Em seguida, roçou os dedos sobre a pele exposta da cintura, onde ficava localizada a
tatuagem. Theron circundou aqueles contornos como se soubesse o que havia lá.
Ansiosa por sentir o sabor daquele homem, Isabella traçou com a ponta da língua o contorno dos
lábios sensuais até que ele respondesse com uma invasão implacável em sua boca. Quente.
Extremamente másculo. Theron tinha o sabor da força e do poder.
Isabella se perdeu no círculo vertiginoso daqueles braços, derretendo-se sob a boca que a violava.
A pulsação disparava, desgovernada. Como ansiava por aquele homem!
A mão longa subiu até lhe tocar a alça do sutiã. Os dedos de Theron tatearam o fecho e
paralisaram.
Com um xingamento abafado, ele interrompeu o beijo, a respiração dificultosa e sonora. Os olhos
castanhos eram como labaredas. E então Theron afastou as mãos como se o contato com seu corpo o
queimasse.
Soltando outro xingamento em uma mistura de grego e inglês, ele passou as mãos pelo cabelo.
– Theos mou! Não podemos… não outra vez. Isto não deve acontecer de novo. Desculpe-me,
Bella.
Theron ergueu uma das mãos e se afastou. Quando alcançou a porta, estacou, os movimentos

Quando Theron saiu.desconexos como se estivesse bêbado. a escoltarão até mesmo ao toalete. E então. – Sua equipe de segurança deve acompanhá-la para todos os lugares. ela esfregou os braços para atenuar os arrepios. Estamos entendidos? De agora em diante. girou para encará-la. – Pode negar o quanto quiser – sussurrou para o quarto vazio –. os olhos ainda ardendo com o desejo não saciado. Isabella anuiu. Seu corpo todo tremia. incapaz de qualquer outra reação. mas você me deseja tanto quanto o desejo. .

observando os convidados que se movimentavam ao redor conversando e rindo. estou atrasada – disse ela. Isabella prendera o cabelo em um coque. embora não se concentrasse em uma palavra sequer. tocando-lhe o braço com uma das mãos. . Sophia estava ao lado da filha. Alannis se encontrava parada ao seu lado. senti-la como uma teia que lhe envolvesse as juntas dos dedos. Theron gesticulou para o pianista. No instante em que o corpo macio se moldou ao dele.Capítulo 9 THERON ESFREGOU a nuca em uma tentativa de aliviar a enorme tensão que se apossara dele. Olhou ao redor do salão de festas do Imperial Park Hotel. ofegante. – Bella – cumprimentou estacando diante dela. Os dedos trêmulos de Isabella tocaram os dele. Quando alcançaram o meio da pista de dança. Ele inclinou a cabeça para escutar o que Alannis tentava lhe dizer e anuiu em um gesto educado. que o soltou com um sorriso. que anuiu. e Theron perdeu o fôlego. veja. – A dança ainda não começou – retrucou ele. portanto ele resolveu ignorá-la. e Isabella se entregou de bom grado aos braços que a esperavam. e ele lhe estendeu a mão. Lá está Isabella! – exclamou Sophia. Theron engoliu em seco ao analisar o traje que ela usava. Isabella. parada à soleira. Mechas do cabelo escuro escapavam do penteado de forma elegante e lhe roçavam a pele dos ombros. e um sorriso acolhedor curvou aqueles lábios carnudos. O vestido preto e curto se colava a cada curva daquele corpo perfeito e terminava alguns centímetros acima do joelho. ele girou. Theron caminhou na direção da porta de entrada. junto com o fato de que a beijara algumas horas atrás. Lá estava ela. – Acho que não reservou uma dança para mim… Theron quase gemeu. e Theron os apertou para tranquilizá-la. – Oh. o que lhe evidenciava o formato do pescoço. enquanto a banda de jazz entoava notas suaves de cima de um palco. Uma melodia lenta e sensual preencheu o ambiente. Theron sentiu os dedos formigarem com o desejo de lhe soltar os fios sedosos e observá-los lhe cascatearem pelas costas. – Desculpe. percorria o salão com um olhar nervoso. O pensamento de tê-la pressionada a si era quase uma tortura. – Talvez possamos inaugurar a pista. Quando aprumou a coluna. girando para olhar na direção da banda. Theron enrijeceu. Não havia uma maneira fácil de lidar com a tensão sexual entre os dois. o olhar rumou para a entrada. Como se ele não estivesse ciente do segundo em que ela pisara naquele salão… – Com licença – murmurou ele para Alannis. Isabella ainda não chegara. Queria escorregar a mão por aquela massa macia e brilhante. Os olhos verdes luminosos se fixaram nele. e ele sentia partes iguais de alívio e desapontamento. de quem não ocultava o orgulho. e depois eu a apresentarei aos convidados.

qual deles é meu marido em potencial? – perguntou ela. Que tipo de homem se aproveitava de uma jovem estando compromissado com outra? Até mesmo Piers. – Suas convidadas estão se adaptando bem à cidade? – perguntou ela em um tom inocente. não tinha o direito de ser possessivo. portanto. Isabella estampava um sorriso travesso no rosto que só servia para iluminá-la ainda mais. Theron estreitou o olhar. Tão logo tudo estivesse acordado entre ele e Alannis e conseguisse encaminhar Isabella à segurança e estabilidade. mas por alguma razão se sentia relutante em lhe revelar sobre seu iminente noivado. Um incômodo sentimento de culpa o invadiu. Isabella se esforçou ao máximo para sorrir e permitir que ele a guiasse. Chrysander não hesitaria em enviá-lo de volta à Grécia com um chute no traseiro por causa daquela proeza com Isabella. olhando ao redor. tinha certeza de que seria capaz de abraçar o próprio futuro sem hesitar. Theron baixou o olhar quando fizeram um giro suave e engoliu em seco. ele estava a ponto de fazer exatamente aquilo. enquanto olhava por sobre o ombro largo. – Obrigada por planejá-la em minha homenagem. e ele não tinha a mínima urgência em atirá-la nas garras dos pretendentes que a aguardavam reunidos em torno da pista de dança como um bando de abutres. Não havia um milímetro de sua estrutura que não estivesse ciente daquelas formas femininas. Ele teve de lançar mão de todo seu autocontrole para não a arrastar para fora daquele salão para que mais ninguém pudesse vê-la. – Não há por que. abrindo caminho entre os convidados até o palco onde ficava a banda. – Venha. Pelo menos durante aqueles momentos Isabella lhe pertencia. Antes de Isabella invadir sua vida. Mas aquilo em nada ajudou para lhe abrandar a irritação quando viu a forma como vários homens dirigiam olhares cobiçosos a Isabella. nada mais. Ou talvez fosse um patife que beijava uma mulher dias antes de pedir outra em casamento. mas sentia exatamente o contrário.A fragrância delicada o envolveu ao mesmo tempo que o calor daquele contato lhe invadiu o corpo. – Muito bem – murmurou ele. girando-a para que ela não ficasse de frente para Alannis e a mãe. e os seios firmes se encontravam pressionados ao seu peito. Quando a música chegou ao fim. ele deixou pender os braços e segurou as duas mãos de Isabella. Sua festa a aguarda. – Eu a apresentarei a eles assim que esta dança chegar ao fim – garantiu ele. Ela deveria se divertir sem pensar em um compromisso para a vida toda. Não lhe faltariam pretendentes depois daquela noite. Deveria se sentir aliviado. ele se arrependeu da atitude intempestiva de procurar um marido para Isabella. Isabella não passava de uma distração temporária. pethi mou. teria se negado a seduzir sua tutelada com a futura noiva aguardando uma oportunidade. Em seguida. Não conseguia desfazer a expressão fechada. O pânico lhe percorreu a espinha como o metal frio da lâmina de uma espada. o que lhes realçava os contornos superiores contra o decote. estava em seus braços. pethi mou. E ainda assim. Quero que se divirta. ergueu uma das mãos. estava muito satisfeito com a ideia de se casar com Alannis e ter filhos. Ela não estava usando sutiã. Pela primeira vez. Saberia Isabella de seus planos para com Alannis? Não que ela não fosse saber dentro de pouco tempo. – A festa está muito bonita – disse Isabella com um sorriso. lembrou a si mesmo que aquela mulher não lhe pertencia e. Soltando a respiração que estivera prendendo o mais discretamente possível. e os acordes . – Bem. que nunca ficava sem uma mulher.

Isabella sabia que tinha de desempenhar seu papel. e as pessoas começaram a fluir pela pista de dança. Era muito fácil imergir na fantasia de que ela e Theron formavam um casal e ele agia como seu par. Theron soava quase esperançoso e um pouco ansioso. O brinde pareceu sinalizar uma volta às atividades normais. Sem saber o que esperar – talvez imaginasse que haveria um tumulto –. Principalmente se houvesse alguma esperança de despertar ciúme em Theron. e não como um homem determinado a casá-la. Isabella se surpreendeu com a forma civilizada com se deu o processo. e girou para oferecer outra a Theron. Embora não tivesse o menor interesse de vaguear entre o séquito de homens qualificados que Theron convidara. ele teria de sentir mais que simples desejo por ela. Theron lhe lançou um olhar questionador. segurando-a na altura da cintura enquanto continuava a se reportar aos convidados: – Estamos reunidos para uma noite de entretenimento. se descobriu relaxando e gostando de toda aquela festividade. peço-lhe desculpas por meu atraso – disse ele ao estacar diante dela. no momento. E Theron não teria deixado de remover nenhuma pedra. Também era fácil esquecer que. – Prefere não conhecê-los? Não tem obrigação de fazê-lo. apresentando-a a associados nos negócios e amigos. – Agradeço a presença de todos neste evento de boas-vindas a Isabella Caplan à nossa cidade – começou Theron em um tom polido. Só o levantamento do passado daqueles homens devia ter sido uma tarefa árdua. porque. Está na hora de apresentá-la aos convidados. Bella. Após algum tempo. dando-lhe o braço e permitindo ser guiada pela multidão. – Não. A banda recomeçou a tocar. São bem-vindos a permanecerem por quanto tempo quiserem ou até a bebida acabar – acrescentou com um sorriso. Meu futuro me aguarda e tudo mais – disse ela em tom leve. para tanto. Porém. dança e conversas. Em seguida. ele desviou o rosto e tomou um grande gole do champanhe. no dia anterior. considerando o tempo que consumira reunindo aquele grupo seleto de pretendentes. Ainda assim. – Venha comigo. o homem que se apresentara a ela no restaurante. Risadas pipocaram por todo o salão. Ele a aceitou. – Quer dizer que está na hora de eu conhecer os homens que escolheu para mim – retrucou ela. ele girou na direção de Isabella e ergueu a taça. Alannis e Sophia os observavam. No mesmo instante. O que era esperar demais. Isabella quase sorriu diante do pensamento. – Um brinde a Isabella. – A Isabella – responderam os convidados em uníssono. com um sorriso . reconheceu Marcus Atwater. Isabella não estava preparada para deixar que a realidade invadisse aquele momento. Em seguida. – Isabella. com uma expressão determinada. Só então ele se dirigiu aos presentes. Theron a levava de grupo em grupo. sem rodeios. sorrindo e.cessaram. o que era estranho. Um garçom se aproximou e entregou uma taça de champanhe a Isabella. a alguns metros de distância. era sua única esperança. rindo com os assuntos em pauta. Por um longo instante ambos se encararam. e os olhares dos dois se encontraram. vamos em frente. Colou-se ao braço de Theron. Isabella ergueu o olhar quando um homem atraente se encaminhou em sua direção. Theron tocou a taça na dela. em outros momentos. o que para ela era como escolher bifes em um açougue.

– Não posso levar a sério um homem tão charmoso. e você pode voltar para sua namorada. Marcus sorriu. – Vai deixá-lo escapar? Isabella desviou um olhar cheio de culpa de Theron para encontrar o sorriso divertido de Marcus. Queria antipatizar com Alannis. – Isabella soltou uma risada. provocante. parece ansiosa por dançar. . sorrindo para encará-lo. caso não saiba. mas não refutou sua afirmativa. que se encontrava imóvel como se tivesse uma nuvem negra pairando sobre sua cabeça. que. Esta é a sua noite. fazendo-a colidir com seu peito. mas Theron parecia sem palavras. Isabella esticava o pescoço na direção de Theron. Foi ideia de Theron. Se fosse mal-agradecida isso seria fácil. – Gostaria de lhe pedir Isabella emprestada. para deparar com Alannis observando os casais na pista de dança com o que podia ser interpretado como um olhar desejoso. antes de lhe segurar a mão. Alannis e ele dançavam na extremidade da pista. e Isabella não conseguiu deixar de retribuir com um sorriso. Com um último olhar na direção de Theron. dirigiu um olhar questionador a Theron. e a levar aos lábios. Prometo mantê-la em segurança. girando-a. Theron lhe soltou a mão e fez um movimento negativo com a cabeça. – Os homens não costumam correr na direção oposta quando a palavra “casamento” é mencionada? – Não se ele não se importar em ser fisgado pela mulher em questão. – E então? – Marcus disse em tom casual. Em seguida. ao aceitar a mão estendida de Marcus. suspirou. permita-me dizer. Isabella o encarou. – Deseja alguma coisa? – perguntou ela. e não era preciso ser um gênio para perceber a adoração dela por Theron. a cada chance que tinha. e Isabella olhou por sobre o ombro. Ele a girou em um movimento preciso. A jovem grega ergueu o olhar. – Que tal dançarmos primeiro e depois discutirmos os outros propósitos? – sugeriu o elegante jovem. mesmo enquanto relanceava o olhar na direção de Alannis. – Sou tão óbvia assim? – indagou. como fizera no restaurante. ela girou e permitiu que Marcus a guiasse de volta à pista de dança. – Sabia que não deveria ter concordado com esta farsa. e. detendo-a entre os dois. mas a verdade era que tanto a filha quanto a mãe haviam sido gentilíssimas com ela. Isabella conhecia aquele sentimento muito bem. – Não. Quando percebeu que não tinha a menor chance de bancar a inocente. Os dois fluíram entre os demais casais. Os olhos azuis sorridentes se fixaram nela. resignada. ou talvez não tivesse tido a intenção de detê-la. Os ombros de Isabella se curvaram. com um brilho brincalhão no olhar. pethi mou. esperando que ele dissesse algo. – Apenas para outro homem que está reconhecendo o território para competir. Divirta-se. Theron exibiu uma carranca. mas ele lhe segurou a mão livre. – Você é um galanteador. Não queria sentir pena da rival. Ele decidiu que é sua obrigação me casar o quanto antes. – Ainda está à caça de um marido ou cheguei muito tarde para entrar na disputa? – Marcus fingia seriedade. Isabella lhe soltou o braço para seguir Marcus. – Está me pedindo emprestada apenas para dançar ou para outro propósito? – perguntou ela. A expressão de Theron era glacial. – Tive um contratempo com um cliente – acrescentou.charmoso que a estimulou a retribuir.

– Disse a Theron como se sente? Isabella relanceou um olhar ao homem em questão e fez um movimento negativo com a cabeça. – Ela parece estar se divertindo. – Theos mou! – rosnou Theron. – O olhar de Theron voltou a se fixar no casal. ela parecia buscar aquele toque. Ele fechou a distância que os separava e segurou o homem mais jovem pelo ombro. Ela o encarou boquiaberta. colando-a à lateral do corpo. antes de se afastar o mais calmo que pôde na direção onde se encontravam Marcus e Isabella. sorrindo e se afastando com as duas mãos erguidas em um gesto de rendição. – Não pode tocá-la. Ele teve de trincar os dentes quando viu Marcus se inclinar na direção de Isabella. mesmo aceitando a mão estendida. – Mantenha suas mãos longe dela – ordenou. de maneira sedutora. Marcus mudou o ângulo da cabeça e pressionou os lábios suavemente contra a região abaixo da orelha de Isabella. Sophia e um pequeno grupo de pessoas que formavam um semicírculo ao lado da pista de dança conversavam. – Em seguida. – É complicado. e o som sedutor se ergueu acima do tilintar dos copos e o murmúrio da conversação. O OLHAR de Theron encontrou Isabella outra vez enquanto ele ouvia educadamente o que Alannis. Alannis olhou na direção de Isabella antes de voltar a encará-lo. O rapaz a havia encurralado em um canto. o corpo se movendo como um predador determinado a abater sua presa.Marcus lhe ergueu o queixo até que ela o encarasse. – Qual é o problema? – perguntou. Os dedos de Marcus tocaram o ombro exposto de Isabella e se detiveram lá por mais tempo que Theron julgou apropriado. estendendo-lhe a mão. – Acho que é melhor eu ir embora. e concentrou toda a força de sua fúria em Marcus. – Tenho . Isabella – disparou Theron. arrancando-o de perto de Isabella. Por que não me aguarda naquele canto ali? Vou pegar uma bebida para nós e você vai me contar toda essa história. – Que diabos…? – Marcus se calou no meio da frase. – Oh. Inclinando-se na direção do rapaz. – Como quiser. Isabella soltou uma risada. Algo me diz que não sou mais bem-vindo. com um gesto de cabeça para Sophia. – Isabella relanceou o olhar a Theron com expressão confusa. não. Marcus baixou a cabeça e roçou os lábios no pescoço de Isabella. – Vou lhe dizer o que fazer. até a base do pescoço de Isabella. – Theron. – Sim. Em seguida. piscou para Isabella. a raiva crescendo quando os avanços de Marcus se tornaram mais ousados. Entendeu? Marcus o surpreendeu. quando Marcus escorregou um dos dedos pela lateral do rosto delicado. com os lábios quase lhe roçando a orelha ao lhe murmurar algumas palavras. e em seguida o deixou descer. Marcus. algum problema? – Venha cá. – Não é nada – Theron se apressou em responder. ele engoliu em seco o rugido de raiva que lhe brotou na garganta. fique. – Algo errado? – Alannis lhe tocou o braço. Quando Theron começou a falar. A raiva explodiu dentro de Theron. – Dê-me licença por um instante – disse ele. com olhar preocupado. – Isto é demais. Não pode nem ao menos pensar nela. Theron a puxou.

Theron inspirou profundamente. Isabella não objetou. – Não posso andar rápido com estes sapatos. – Não chamo o que aquele rapaz estava fazendo de mostrar interesse. – Está bem? Isabella anuiu e os dois prosseguiram. – Vejo-a em outra oportunidade. – A mulher esticou o braço e puxou a mão de Isabella que Theron segurava. . – Em seguida. – Os modos dele não eram apropriados – disse entre os dentes cerrados. Estava preso a uma armadilha que ele mesmo preparara. As sobrancelhas de Isabella se arquearam. Para sua surpresa. – Tem certeza de que está bem? – perguntou com voz suave. Sentia a cabeça latejar. e Theron girou rápido para segurá-la. – É assim que chamam beijar atualmente? – provocou. Em um tom de voz baixo o suficiente para não ser ouvido pelos demais. – Estou ótima. Por ousar roçar os lábios naquela pele macia. com suavidade. – Tudo em ordem? – quis saber Sophia. As narinas de Theron se dilataram ao se lembrar dos beijos que os dois haviam trocado. – Sim. Theos! Parecia estar fazendo amor com você diante de todos. chame-me de Sophia. – Fiquem aqui. Os olhos de Sophia se arregalaram pela surpresa. – Faço muitas objeções. com expressão presunçosa. Pedirei a um garçom que traga uma bandeja. Ele a está assediando na frente de um salão cheio de convidados. – Não sairá do meu lado pelo restante da noite. e o que realmente desejava era socar Marcus por ter tocado em Isabella. – Quer que lhe traga algo para beber? Comeu alguma coisa desde que chegou? – Ela se dirigiu à filha. Isabella girou. – Não sei como espera que eu encontre um marido quando perde as estribeiras no instante em que um homem mostra interesse por mim. Theron se dirigiu mais uma vez a Marcus. Prefiro que Isabella fique ao meu lado pelo resto da noite – acrescentou ele em tom de voz brusco. ela tropeçou. Continuou lhe segurando os braços até ter certeza de que ela recobrara o equilíbrio. Theron é que exagerou – respondeu. eu o quebro ao meio. Obrigada por perguntar. Bella. – Até logo – retrucou ela. Seguirá minhas orientações. Gianopolous. – Por favor. e um sorriso lento lhe curvou os lábios. Marcus se limitou a sorrir e continuar a se afastar. querida? Fique aqui com Theron. Alannis se aproximou de Isabella e lhe tocou o braço. – Você está sob minha proteção. dirigindo um olhar desafiador a ele.certeza de que Theron não faz nenhuma objeção. – Pode nos dar licença um minuto. – Venha. puxando Isabella ainda mais para perto. Theron ergueu uma das mãos para calar a verborragia de Sophia. quando eles as alcançaram. O sorriso de Isabella era tenso quando fixou o olhar em Alannis. Isabella sorriu. enquanto levo Isabella para comer algo. preocupada. – Theron concedeu com voz áspera enquanto a amparava. No meio do caminho até o local onde estava Alannis e a mãe. – Desculpe. insolente. sra. – Vá devagar – disse ela. acrescentou: – Se o vir perto de Isabella mais uma vez. na direção de Sophia e Alannis. – Theron quase a arrastava consigo. Fui claro? Theron ignorou o ofego chocado de Isabella.

Luta contra isso. Era difícil impedir as mãos de vagarem por aquelas curvas sensuais. enquanto Theron a tomava nos braços. . mas não quer que outro homem me tenha. – Não farei mais isso – prometeu Theron. soltando os braços nas laterais do corpo. erguendo o olhar para encará-lo. diria que você o fará. Theron sentiu a boca ressecar. uma faísca lhe iluminou os olhos verdes. Você me deixa maluco. deixou escapar um suspiro dramático. Mas a alternativa seria deixá-la dançar com aquele bando de rapazes que a cobiçavam. e os lábios sensuais se entreabriram em um gesto sedutor. mas sente tudo que eu sinto. – Providenciarei para que uma bandeja de comida esteja aqui quando voltarem. – Nem ao menos consegui dançar outra vez. – É um excelente dançarino. como deve ter percebido mais cedo. Não quero resistir. – Estou faminta. Rapazes escolhidos a dedo por ele. antes que ele pudesse responder. – Está vendo aquela jovem? Alannis. ele relaxou ao sentir o corpo macio se amoldar suavemente ao seu. ele segurou a mão de Isabella de modo brusco e quase a arrastou para a pista. Theron lhe afastou as mãos e girou para que os dois ficassem posicionados lateralmente a Alannis. Amava tocá-la. Ela sorriu e lhe tocou os lábios com um dedo enquanto os dois se moviam no ritmo da música. – Não conseguiu resistir a me beijar. – Você também sente isso – disse ela com suavidade. Será que ela já estava sabendo? – O que há entre nós tem de parar – pressionou ele. Em seguida. Theron negou com a cabeça. Uma sessão de tortura fora suficiente por aquela noite. Aquilo provocava uma sensação de perfeição inata. Bella. girou para que ele ficasse de costas para Alannis e deixou as mãos escorregarem pelo peito largo. – Theron dançará com você – sugeriu Alannis. Nem por cima de seu cadáver! Sem dizer mais uma palavra. Muito estranho. Vou pedi-la em casamento. – E quem disse que isto é provocação? – perguntou Isabella erguendo uma das sobrancelhas. vão dançar – estimulou Sophia. com os lábios se curvando em um sorriso ao abrir caminho em direção a Sophia.– Acho que ele cortará esse da lista de maridos em potencial. Tem de parar com esta provocação. Os olhos verdes se semicerraram. não acha? Isabella girou e se afastou. – Se fosse arriscar um palpite. Em vez de aquelas palavras a intimidarem. Isabella deu um passo atrás. – E de repente se inclinou para perto. Foi por isso que me beijou. da mesma forma que sou incapaz de resistir. – Não deve fazer isto. – Em seguida. murmurando-lhe ao ouvido para que só ele pudesse escutar: – Você diz que não me deseja. Isabella recebeu a notícia com calma. – Vamos nos casar com outras pessoas. – Não quer sentir. – E ainda assim continua me beijando – retrucou Bella com um breve sorriso. – Você está cuspindo fogo – murmurou ela. Não sobreviveria a outra dança com aquele corpo delicioso colado ao seu. embora todo seu corpo zumbisse em concordância. Theron gemeu. – Sim. que a esperava com uma bandeja de comida. Sem nenhuma reação aparente. Pela primeira vez desde a chegada de Marcus. – Isabella soltou uma risada abafada. Porém.

– Oi. onde ele planeja pedi-la em casamento. nutrira a esperança de que Theron perceberia que sentia alguma coisa por ela. alguém que não lhe permitisse ser tão sério e organizado. Ele precisava… de alguém que o sacudisse. porque se acreditasse teria de desistir. Não podia acreditar. Muito bem. Esticando mais uma vez a mão para pegar o telefone. a julgar pela atração que tinham um pelo outro. – Ele me deixa frustrada. Isabella fechou os olhos. Não conseguia imaginar aquilo. – Sinto muito ouvir isto. Alannis não o desafiaria. – Isabella respirou fundo. Theron é tão controlado em todos os aspectos. Tinha certeza de que Theron estava disposto a me escalpelar depois de nossa pequena encenação ontem à noite. talvez Theron não fosse completamente alheio àquele sentimento. escutando a secretária de Theron confirmar que. mas com certeza resolvera ignorá-lo. – Obrigada. Talvez ele quisesse um casamento estável e enfadonho. e depois haverá uma festa no hotel. Talvez não amor. – Será que poderia conseguir ingressos para a ópera. segurando o fone com força contra a orelha enquanto ouvia o que Madeline lhe dizia. – Tive notícias de que a proposta de casamento ainda está de pé. Isabella fez um movimento negativo com a cabeça. e não estava preparada para isso. mas como pretende impedi-lo de fazer o pedido? . de acordo com o que o patrão dissera. Theron com Alannis. arrastando as palavras. mas estou desesperada. De alguma forma. esta noite? Detesto ter de lhe pedir isto. Não ainda. – Olá. Theron precisava de alguém igual a ela. Isabella deixou escapar um suspiro. – Tenho certeza de que posso consegui-los. Madeline – agradeceu ela. Quando desligou o telefone. mas pensara que ele despertaria para a atração que existia entre os dois. depois da noite passada. a proposta estava de pé. Era como se a futura noiva fosse uma filha para Theron. Não havia fagulhas elétricas ou química entre os dois. – Não consigo entendê-lo.Capítulo 10 – ELE AINDA pretende fazer o pedido de casamento esta noite? – perguntou Isabella. – Não posso dizer que o culpo. é Isabella – disse quando ele atendeu. Marcus soltou uma risada. Não. desanimada. Ele e Alannis vão à ópera. exceto quando está sozinho comigo. afundou ainda mais na cama. Tenho a impressão de que você é capaz de tentar a paciência de um santo e os votos de um padre. digitou o número que Marcus lhe dera na véspera. como vai? – cumprimentou Marcus. desanimada.

Isabella atirou as pernas para fora da cama. Ele era o tipo de sujeito escorregadio. Mas. – Ora. Depois você aparece na festa e ele estará em suas mãos. Theron xingou em grego. Isabella quase gemeu diante do patético clichê. Sem mencionar o fato de Marcus desfilar com uma mulher diferente a cada semana. – O divertimento se refletia na voz de Marcus. Isso a tornava “a outra”? Seria ela uma femme fatale tentando destruir um relacionamento? O pensamento não era muito confortador e não a fez se sentir muito bem. Até isso acontecer. Isabella sabia que ela e Theron eram feitos um para o outro. e nenhum compromisso fora assumido. No entanto. vamos – estimulou Marcus. Telefono quando estiver chegando para que você possa descer. Forçando-se a se levantar. posso sugerir um plano alternativo? Franzindo a testa. Além disso. Não tenho dúvidas de que eles mantêm Theron informado regularmente. nada estava resolvido. Talvez até lá você tenha conseguido traçar um plano. – O que tem em mente? – Que tal um encontro romântico? Você informa sua equipe de segurança os seus planos para esta noite. – Tem de mantê-la sob estrita vigilância – ordenou Theron. – Não confio no homem com quem ela .– Não sei… – confessou Bella em tom suave. antes de Theron. Ele então ouviu o chefe da equipe de segurança de Isabella listar as atividades matutinas da patroa. mas logo recobrou a compostura. Mesmo que ele ainda não soubesse. mas ao que parece. arrastando as palavras. – Isso o deixará aflito por estar preso na ópera com Alannis e não ter a menor ideia do que estamos fazendo. essa é a favorita de Alannis. E evitar que o próprio coração se partisse. que consistiam em compras em um shopping e um almoço no hotel. e a assediara de maneira obscena na festa. ele poderá nos controlar. encaminhou-se ao chuveiro. os dedos de Theron se fecharam com força em torno do aparelho quando Reynolds passou a relatar os planos de Isabella para aquela noite: sair com Marcus Atwater. um pensamento alarmante lhe aflorou à mente. – Não sei – disse ela. – Está bem – concordou Isabella. – Mas pensarei em alguma coisa. precisaria de um vestido perfeito. por outro lado. – Mas e quanto à festa e os planos de Theron de pedi-la em casamento? – Farei com que chegue à festa. Algo deslumbrante. Alannis não usava uma aliança. THERON ATENDEU o interfone quando Madeline o acionou e disse que Reynolds estava na linha para lhe passar o relatório diário. se estivermos na ópera. Não sabia se as lojas vendiam vestidos para impedir pedidos de casamento. – Também não sou muito fã do gênero. ela se sentou na cama com as cobertas dobradas na cintura. Um sorriso frouxo curvou os cantos dos lábios de Isabella. Tinha apenas até aquela noite para descobrir o que faria para impedir que Theron cometesse um grande erro. – Ótimo. Quando desligou o telefone. De repente. Porém. – Teremos um excelente jantar. – Acho que não é o momento de admitir que detesto óperas. Isso deixará Theron maluco. O que ela estava pensando? Certamente não poderia estar se sentido atraída por um homem como Marcus. Vou buscá-la às 19 horas. tudo era válido no amor e na guerra. Mais uma vez. – Marcus deu risada. Precisava urgentemente pensar em algo que desse certo. revelando que sairá comigo. – Então.

Sob nenhuma circunstância os dois devem ficar a sós. senhor – respondeu Reynolds. estranho para se empregar neste caso. diplomático. – Escolha aceitável? Este é um termo. assim que entendermos o motivo pelo qual ficamos sabendo disso só agora – explicou Chrysander. Estaria Isabella apenas tentando enlouquecê-lo? Aquela feiticeira endiabrada devia saber que ele não aprovaria um encontro com Marcus. Covarde. Naquela noite Theron o colocaria no dedo de Alannis. – Sua cunhada quer saber por que você não lhe contou que estava pensando em se casar – disse Chrysander. Ela não tem nada a ver com você – opinou Piers. – Além do fato de eu achar que qualquer pessoa disposta a entrar para a instituição do matrimônio tem os parafusos soltos. por que não se sentia entusiasmado? Por que não estava ansioso por seu futuro? Dali a um ano poderia ter até mesmo filhos. esticando a mão para pegar uma caixinha que se encontrava em um canto. – Theron decidiu ignorar o comentário de Chrysander. – Isso mesmo – devolveu Piers. – Dê-lhe uma chance de se explicar – interveio Chrysander. – Não há nada que me impeça de desligar – contrapôs Theron. Theron franziu a testa. e Madeline anunciou outra ligação importante. no mínimo. – Não é justo usar Marley para me fazer sentir culpado. embora não estivesse falando sério. – O que há de errado no fato de eu me casar? – Theron ficou surpreso com a reação de Piers. Ela não levara em conta sua opinião em nenhum outro aspecto. pegou-a e a abriu. – Disseram a Madeline para não revelar que a ligação era de vocês. depois do que acontecera na noite anterior. E ainda assim sentia-se decididamente desestabilizado em relação a Alannis… a tudo. – O que pensa estar fazendo? – Piers. . há a questão de que a escolhida é Alannis Gianopolous. certo? – acusou Theron. Theron fez uma careta. – Alannis é uma escolha perfeitamente aceitável. e você sabe disso. Seguiu-se um longo silêncio e. – Sim. – Está maluco? – a pergunta de Piers o fez franzir a testa.vai se encontrar. Com um gesto negativo de cabeça. cortou aquela conversa fiada. – Não fale por mim. Então. – Que diabos pode estar passando por sua cabeça?! – O que seu irmão está tentando dizer é que fomos pegos de surpresa e gostaríamos de congratulálo. em seguida. Estaria estabilizado. O anel de diamantes faiscou contra a luz enquanto ele o estudava. uma família. Tocou-a com os dedos. Chrysander limpou a garganta. mas desligou antes que ele pudesse perguntar de quem se tratava. Theron interrompeu a ligação com os lábios comprimidos em uma linha fina. – Você não teria atendido se soubesse. Piers deixou escapar um ruído rude. sem rodeios. Se ele confirmar que vai fazer isso. só poderei lhe oferecer minhas condolências. – Estou mais interessado em saber por que você acredita que ela não é a mulher certa para mim. – Depois julgaremos se ele perdeu o juízo ou não. Theron se inclinou para trás na cadeira e abriu uma das gavetas da mesa. E talvez Isabella não se importasse com o que ele aprovava. impaciente. Theron atendeu. O som do interfone soou de novo.

Theron? Onde está Isabella. seguiu-se um longo silêncio. – Você a despachou para a Europa? Mais uma vez. Chrysander deixou escapar um suspiro. desejando ter insistido com Madeline para saber quem estava ao telefone. embora não entendesse a necessidade de deixar claro aquele ponto. – Desde quando se preocupa tanto com nossa opinião? – indagou Piers. – Ela não foi para a Europa – disse ele. – Estou sentindo algo no ar. . Trata-se de algo para o resto de sua vida. – E por que preferiu informar algo tão importante por e-mail? – Provavelmente pela reação que estou recebendo agora – retrucou Theron. então? – Está aqui. Agora. calmo. – Providenciei o que Isabella estava precisando e a acomodei. e vocês também estão errados sobre Alannis. Por que ela não foi para a Europa. Crysander. A risada de Piers ecoou do outro lado da linha. Parentes bem-intencionados sempre eram os piores. resignado. e Theron percebeu que o atingira em cheio. Atrelado a mulheres por todos os lados. Porém. Piers. – Pobre Theron. vocês dois podem largar do meu pé. em uma óbvia tentativa de mudar de assunto. Chrysander soltou uma risada abafada. Piers não estava preparado para jogar a toalha. – Diga-me como estão indo as coisas com Isabella – pediu Chrysander. Imagino o quanto tem praguejado contra mim. – Permaneça onde está – resmungou Theron. – Diga-nos apenas por que a repentina urgência em se casar? – pediu Chrysander. – Não é irônico que há pouco tempo tenhamos sido Piers e eu a ter este mesmo tipo de conversa com Chrysander sobre Marley? Estávamos errados sobre ela. – E Theron pousou o fone no gancho. Está tudo bem. Marley fará questão de comparecer ao casamento. – Você tem um hotel para construir. Theron escorregou uma das mãos pelo cabelo. – E não é mais tão pequena – acrescentou. – Apenas se certifique de que é isso mesmo que deseja – respondeu Chrysander. não acha? – perguntou Piers. – Quem é Isabella? – quis saber Piers. – Estou desligando agora. Queria apenas poder estar em Nova York para ver com meus próprios olhos. – Pense no que está fazendo. presunçoso. Como o irmão poderia refutar a verdade? Theron e Piers se opuseram veementemente a Marley. – E mantenha-nos informados de seus planos. Algo de podre. mas sou capaz de tomar minhas próprias decisões. Theron! E ela é… ela é… – O que ela é? – Theron o interrompeu. Agora sabia como Chrysander se sentira quando ele e Piers o atormentaram em relação a Marley.– Diabos! O pai dela vem tentando casá-la com um de nós três há anos. E não podiam estar mais equivocados. Eu estou bem. Ela decidiu ficar em Nova York – informou Theron. irritado. – Ele está soando muito defensivo. – Estão se referindo à pequena Isabella Caplan? – Eu o colocarei a par deste assunto mais tarde. – Aprecio sua preocupação – retrucou Theron em tom de voz seco –.

e estivesse determinado a pedir-lhe a mão. – Coloque-se no lugar dele – murmurou ela.Capítulo 11 – OCORREU-LHE ALGUMA ideia do que vai dizer. longe do estilo usual composto de jeans. Relutante. embora nunca o tivesse adotado. enquanto lhe soltava a mão. nada me demoveria. – Deus! Você faz perguntas difíceis. que mal tocara. – Você está prestes a pedir uma mulher em casamento. inclinou-se para a frente e deixou escapar um suspiro. gentil. Sem falsa modéstia. se encaixava no mundo de Theron. também era o dela. Tinha dinheiro e uma excelente linhagem. camiseta e unhas pintadas com cores vibrantes. A tensão lhe retesava todos os músculos do corpo. – Está deslumbrante esta noite – disse ele. e ele não é só uma empolgação passageira. – Eu e você adoramos lançar mão de um clichê. não petisca etc. Não venho fazendo algum jogo tolo. Isabella soltou uma risada e sentiu os ombros relaxarem. Aquela noite. E se tivesse. O que acontecesse depois estaria fora de seu controle. Quando Isabella ergueu o olhar. Que. não? Acho que dependeria de eu realmente amar a mulher que estava pretendendo pedir em casamento. Isabella? – Marcus levou a taça de vinho aos lábios. Você é mesmo muito doce. para o qual arrastara seus guarda-costas naquela manhã. – Temia que respondesse isto – resmungou Isabella. Marcus estava certo em relação a uma coisa: tudo que podia fazer era tentar. – Você é tão doce! – começou ela. – Quem não arrisca. etc… Um sorriso bailou nos lábios de Isabella. Beijou outra duas vezes e está lutando com todas as forças contra essa atração. – Obrigada. – Tem certeza de que é isso que realmente quer? Odiaria vê-la ferida e desapontada. sabia que estava mesmo deslumbrante. na verdade. Marcus esticou o braço por sobre a mesa e lhe segurou os dedos. – Não quero fazer papel de insistente. Mas também jamais a pediria em casamento se não tivesse certeza de meus sentimentos. alinhada. percebeu a compaixão estampada nos olhos escuros de Marcus. O que essa outra mulher poderia dizer para convencê-lo a não se casar com ninguém além dela? Marcus pousou a taça. mas ao mesmo tempo tenho de fazê-lo ver que não o estou apenas provocando. – Deus! Os homens odeiam ouvir essas palavras dos lábios de uma mulher! É tão ruim quanto “você é como um irmão para mim”. . ela fez um gesto negativo com a cabeça e baixou o olhar à entrada. Aristocrática. mas não desejava se encaixar nesse estereótipo. – Tudo que pode fazer é tentar – retrucou ele. Isabella baixou o olhar ao vestido de noite azul-escuro que escolhera durante um tour agitado de compras.

Não se preocupe. Pouco antes de a ópera começar. teria prazer em incentivá-lo nessa tentativa. apesar do pouco tempo em que nos conhecemos. Ele lhe ofereceu o braço. – Estou quase arrependido de ter concordado em ajudá-la. Reynolds telefonara para Theron para relatar que Isabella se encontrara com Marcus Atwater para jantar. deveria ter tentado conquistá-la. já que estava firmemente entrincheirado nos compromissos daquela noite. e lhe prometera que não permitiria que os negócios interferissem naquela noite. o rosto brilhando de encantamento. Não conseguia controlar a pulsação acelerada ao imaginar chegar atrasada à festa. Espero que permaneça meu amigo. O que significava não conseguir aproveitar uma noite com sua futura esposa por estar pensando em Isabella Caplan? Alannis lhe tocou o braço. enquanto a ópera se arrastava diante dele. Se as coisas não saírem como espera com Theron… lembre-se de mim. Isabella esticou a braço por sobre a mesa e lhe segurou a mão. Tentava enviar uma mensagem de texto para Reynolds de seu telefone celular. Agora. Irritava-o o fato de ser forçado a pensar no bem-estar de Isabella em uma noite em que deveria estar relaxado. – Obrigada. – Seria uma forma de estragar o show – afirmou. mas prestava atenção ao espetáculo. Em vez disso. mesmo que aquilo significasse uma ida ao toalete masculino. pediu que a equipe de segurança de Isabella o atualizasse com notícias. Ao seu lado.– A que horas devemos partir? – perguntou. Aquela mulher estava se entranhando em sua vida de uma forma que não o agradava. Durante a próxima hora. – Então deixe-me lhe dizer o seguinte e não tocarei mais no assunto. – E se meu coração já não pertencesse a Theron. Perdera todo o bis? Outra cutucada de Alannis o fez se erguer. THERON MANTINHA o cenho franzido. e os dois deixaram o camarote. com Sophia e dois seguranças de sua equipe os seguindo. – Ficarei honrado. não importa o que acontecer. Sophia estava menos entusiasmada. ele se inquietou. Tente relaxar e aproveitar nosso jantar. Você é um amigo maravilhoso. – Gostou do espetáculo? – perguntou ele. – Acabou – afirmou num sussurro. Seria terrível chegar à festa e desmaiar de fome aos pés de Theron. dera ordens estritas para Reynolds colar em Isabella e garantir que Atwater não se aproveitasse dela. depois de um dia de compras. maliciosa. Marcus soltou uma risada. Insisto. Por fim. Marcus exibiu um sorriso tranquilizador. Não havia muito o que ele pudesse fazer no momento. coma. e encontraria uma forma de verificar suas mensagens. ansiosa. – A ópera mal começou. enquanto se dirigiam à limusine que os aguardava. . Ainda assim. mas não tinha certeza se Alannis estaria tão absorta no espetáculo a ponto de não perceber. – Isabella sorriu. Ainda temos um bom tempo. eu a levarei com bastante antecedência. Fazia-a suar frio pensar que chegaria a tempo apenas de ver o feliz casal de noivos. com um movimento negativo de cabeça. Theron relanceou o olhar à cortina fechada. Eles têm as sobremesas mais deliciosas de Nova York aqui. Alannis assistia como que hipnotizada. Esta é uma cidade solitária quando não se conhece ninguém. ansiando pelo término do espetáculo. arrancando-o dos pensamentos turbulentos. em sua cadeira.

a banda começou a tocar. e deixou a mão pender quando se certificou de que a trazia consigo. – Oh. Theron se apressou em ajudá-las a entrar na limusine e se juntou às duas. Nada naquela situação deveria deixá-lo ansioso. – E por que não perseguiu esse objetivo? Alannis sorriu com um gesto negativo de cabeça. por alguma razão. ele a guiou para a frente. – Houve um tempo em que…? – estimulou Theron. Ele considera essa uma carreira vulgar. enquanto se aproximavam do centro do salão. tentando segurar os diminutos pedaços de papel que despencavam em uma nevasca néon. Theron não conseguia afastar da mente a imagem de outra mulher quando olhava para sua futura noiva. Além disso. Quando entraram. ele lhe segurou a mão. e tudo estava saindo exatamente como planejara. – Theron planejou uma festa em sua homenagem. Tinha as mãos úmidas e se viu fazendo um movimento negativo com cabeça diante de seu aparente nervosismo. enquanto ele a revirava no bolso. Alannis era mesmo adorável. Houve um tempo em que… Alannis baixou a cabeça. Com o coração descendo para os pés a cada passada. – Amo muito a ópera. Alannis ergueu o olhar. curioso. Theron desviou o olhar. surpresa. Sophia sorriu e deu o braço à filha. Orgulhava-se de seu autocontrole e calma. Alannis se mostraria igualmente maravilhada quando ele a pedisse em casamento? E quanto a ele? Ou estaria cometendo o maior erro de sua vida? . Alannis bocejou.– Foi maravilhoso – respondeu Alannis. e meia hora mais tarde. Aquele pensamento o fez relaxar no assento do carro. mas não antes de ele perceber um leve rubor em seu rosto. a mandíbula contraída enquanto cruzavam o saguão em direção ao salão de festas. A senhora piscou para Theron. – Uma festa em minha homenagem? Isso parece tão excitante! – Os olhos de Allanis faiscaram de alegria. Theron ergueu uma das sobrancelhas. – Oh. No entanto. querida. – Não consigo imaginar tal talento ser considerado vulgar. houve um tempo em que desejei ser uma cantora de ópera – disse ela. antes de o veículo se pôr em movimento a caminho do hotel. que as seguia. serena. Esta é uma noite muito especial. chegaram ao hotel. Prefere que eu faça um bom casamento e lhe dê netos. meu pai não permitiria. – Espero que não esteja muito cansada para uma festa. – E o que você deseja? – perguntou Theron. – Não era boa o suficiente. envergonhada. Tinha todo o seu futuro traçado. de uma forma calma. – Que festa? – ela o fitou. – Gosto de crianças – ela se limitou a responder. A mão roçou o bolso em que estava a aliança. extasiada. Sorrindo. o que o fez sentir a inquietação se avolumar. As bordas da caixa de joias atritavam contra sua pele. – Mas ele pensa que qualquer carreira que termine em um palco não é apropriada a uma jovem. Sentiu a caixa de joias no bolso. extasiada. mas logo se dissolveu na meiguice usual. O tráfego estava livre. antes de se dirigir à mãe. Theron! – Ela ofegou. isto é maravilhoso. e uma chuva de confetes despencou do teto. e Theron a ajudou a sair do veículo. Algo faiscou nos olhos de Alannis.

irritado com o tremor da própria voz. – Por que não estamos saindo do lugar? Marcus pousou a mão em seu ombro. Quando avistou um táxi desocupado. a água lhe escorria do corpo e da massa disforme que se encontrava o vestido. ignorando as buzinas. – Preciso ir. – O que está nos detendo? – indagou. Nunca chegaremos a tempo. ela se precipitou na direção do hotel.– Alannis… – começou ele. Ouviu os gritos de Reynolds. moça! A senhorita esqueceu seus sapatos! – O homem gritou atrás dela. – Ouça. – Tenho de ir. Recoste-se no banco. rezou. desesperada. pode me dizer como faço para chegar no Imperial Park Hotel? Estou muito distante? O homem estreitou o olhar e voltou a encará-la. ninguém irá a lugar algum com esse engarrafamento. Isabella fechou a porta. O motorista revirou os olhos e baixou o vidro. o que está fazendo?! Volte para o carro. Lábios que não lhe suscitavam o desejo de beijá-los. evitando as poças de água que já haviam se formado na rua. Quando voltou a encará-lo. e você sabe disso. Não que aquilo importasse. Isabella ergueu uma das mãos. lágrimas lhe nublavam a visão. Quando girou na esquina do último quarteirão. – Em linha reta. Não posso… – Ela engoliu em seco e desviou o olhar por um instante. Isabella girou e se inclinou na direção do banco onde ele estava sentado. Murmurando um agradecimento. Girando. – Bella. Se cortar por esta rua até o próximo quarteirão. – Foi uma batida. manteve-se na calçada paralela ao tráfego. o céu pareceu se abrir para dar passagem a um dilúvio. Tenho de estar lá antes que ele a peça em casamento. e olhou para trás para vê-lo correndo a toda velocidade pela rua em seu encalço. por favor. enquanto cortava na frente dos carros que tentavam se mover naquele caos. Por favor. e a esperança de parecer deslumbrante quando surgisse na festa de noivado de Theron havia muito se dissipara. estará a seis quadras do hotel. faça com que eu chegue a tempo!. Não pode sair correndo pelas ruas da cidade de Nova York! – exclamou Marcus. Isabella suspendeu a saia do vestido mais uma vez. ergueu a saia longa do vestido e começou a correr entre o tráfego. Em uma explosão de frustração. Não tinha tempo de parar para se explicar. com o cabelo colado no rosto. ela o encarou com os olhos faiscando e os lábios curvados em um sorriso luminoso. esticou a mão para a maçaneta da porta e a escancarou. observando o mar de carros parados. Acalme-se. Sem saber para onde ia. Isabella continuou em disparada. dobre à esquerda e poderá vê-lo. Theron não fará o pedido no instante em que a festa começar. correu até a janela e bateu no vidro. Isabella girou a cabeça para olhar pela janela. Nós chegaremos lá. moça. esticando o pescoço para ver através do vidro do para-brisa. – Por favor. – Ei. quando ela saltou do veículo. Girando. Os pés estavam doloridos. retirou os sapatos e continuou a correr o mais rápido que pôde. Pestanejando para dispersar a água que lhe caía nos olhos. e tinha certeza de que havia se . Isabella percorrera três quarteirões quando uma chuva fina começou a cair. – Sim. Sua aparência já estava assustadora. não muito longe. Siga sempre em frente e após o quinto quarteirão. Nunca chegariam ao hotel a tempo. Bella. Quando conseguiu se abrigar embaixo do toldo do hotel. Obrigada por tudo. Theron? ISABELLA SE inclinou para a frente no banco do carro.

Isabella anuiu e cerrou as pálpebras com força. Bem? Nunca mais nada estaria bem. se encontravam Theron e Alannis. E então.cortado em alguma coisa. tentando entrar. O ar frio imediatamente a envolveu. Não era capaz de ver nada além de como Alannis parecia radiante. em seguida. Por que Theron não poderia amá-la? Marcus retirou o cartão dos dedos trêmulos de Isabella e destrancou a porta. Isabella se deixou guiar para dentro do elevador. Aos poucos. com os olhos suavizados por uma gentil compreensão. que corria em sua direção. Não. afobado. com uma nova onda de lágrimas lhe escorrendo pelas faces. você está bem? O que fez foi uma loucura. Não poderia ter chegado tarde demais. Ambos pareciam tão felizes! Felizes. os convidados aplaudiam e. com um sorriso oblíquo. – Marcus fez um gesto curto de cabeça para Reynolds. – Eu a levarei lá para cima. mas conseguiu se equilibrar e correu o mais rápido que pôde com o tecido molhado colado às pernas. Marcus a envolveu nos braços. seguida por uma explosão de aplausos. enquanto dirigia um olhar apaixonado a Theron. porque interrompeu o discurso. Entorpecida. vasculhando com olhar frenético entre a multidão. Isabella fechou os olhos outra vez. o que de fato era verdade. Lentamente. Compunha um espantoso contraste com a sensação de aniquilação que Isabella experimentava em seu íntimo. Uma lágrima rolou por seu rosto. substituídos pelo murmúrio das conversas das pessoas que se encontravam no saguão. Quase… como se estivessem apaixonados. Ignorando os olhos inquisitivos que lhe dirigiam. – Venha. Isabella se viu sem palavras. Quando se aproximou da entrada. – Você está encharcada. – Não foi culpa sua – sussurrou. que lhe sorria. mas ela não fez nenhum esforço para limpá-la. Isabella abriu caminho entre as pessoas. Ao redor deles. ignorando as perguntas que o segurança lhe fazia para se certificar de que ela estava bem. Bella. Marcus entrou. e se retirou do salão de festas. – Isabella. Transpôs a porta. – Chegou tarde demais? – perguntou desnecessariamente. devia ter visto a tristeza em seu semblante. Escorregou no chão encerado. – Corri atrás de você e fui pego pela tempestade – disse ele. E lá. no meio do salão. – Ele a segurou pelos ombros e a girou para que o encarasse. os sons animados das risadas diminuíram. – Sinto muito. – Você também está encharcado – disse ela percebendo o estado em que se encontrava a camisa e a calça comprida de Marcus. deixe-me levá-la até o seu quarto – disse ele. ouviu a ovação que vinha de dentro. Prometi que a traria para cá a tempo. À medida que se aproximava do salão de festas. enquanto a guiava na direção do elevador. Isabella prosseguiu. ela girou. provocando-lhe um arrepio. Não poderia. ergueram suas taças em um brinde. Não conseguia ouvir nada além do zumbido em seus ouvidos. Quase colidiu com Reynolds. Enquanto subiam. Mantendo a cabeça baixa. as imagens de Alannis e Theron se infiltravam em sua mente. Quem perceberia? Seriam confundidas com os pingos de chuva que lhe escorriam do cabelo. Ela brilhava de felicidade da cabeça aos pés. . e estacou abruptamente diante dela. com todas as partes do corpo doloridas. com os olhos banhados em lágrimas.

THERON ENFIOU a mão no bolso de dentro do terno e de lá retirou o telefone celular. Reynolds ergueu o olhar quando o viu se aproximar. que ficava duas portas adiante. a porta foi aberta por um sorridente Marcus. sentindo como se tivesse acabado de sair de um ringue de boxe. Quando estava prestes a entrar. Nada o impediria de subir até o quarto de Isabella. encharcado da cabeça aos pés. – Na sua suíte. finalmente a comida! Se me der licença… ou deseja mais alguma coisa? – perguntou Marcus em um tom beligerante. saiu pisando duro. Um redemoinho parecia revolver seu íntimo enquanto entrava no elevador. determinado. arrastar Marcus de lá e surrá-lo até lhe dar uma lição. se afastou. deixou o olhar vagar pelo corredor e avistou Reynolds parado próximo aos seus homens. A comida ainda não chegou. Por que se sentia nauseado diante da perspectiva de ela ter feito sua escolha? . calmo. Retirou-se do salão de festas e se dirigiu ao toalete masculino. pensei que fosse o serviço de quarto. – Pode permanecer na banheira por mais tempo. – Ora. com acenos curtos de cabeça para os convidados que os rodeavam. ele o percorreu de cima a baixo com o olhar e perguntou em um tom de voz que refletia enfado: – O que posso fazer por você? – Seu arrogante… – disse Theron em tom ameaçador. – Marcus lhe deu as costas e se encaminhou na direção do toalete. Ele pareceu surpreso ao ver Theron parado lá. Theron caminhou. Atwater – respondeu Reynolds.Isabella anuiu e se encaminhou ao toalete. Certamente ele havia escutado errado. Atwater – respondeu o guarda-costas. Theron se afastou. – Com quem? – Ela subiu minutos atrás com o sr. Theron sentiu as têmporas latejarem. – Ambos estavam molhados. Quando enfim alcançou a porta do quarto de Isabella. Que diabos aquele rapaz estava pensando? Sabia muito bem o que Marcus estava pensando e com quem estava pensando. Com um xingamento baixo. Theron girou e se encaminhou ao elevador. mas em seguida espremeu o olhar. – Voltandose outra vez para Theron. pensou. com o sr. – Você abandonou sua festa de noivado para vir até aqui me xingar? – indagou Marcus. Pediu licença para Alannis com um sorriso e. Um som mais adiante no corredor fez Theron girar a cabeça para ver o carrinho de comida sendo empurrado na direção do quarto de Isabella. Sem dizer uma falava. estreitando o olhar. Segundos depois. divertido. na direção dos três homens. com os punhos cerrados nas laterais do corpo. querida. – Desculpe. transtornado. A raiva lhe percorria as veias como lava incandescente. trajado apenas com um robe. Franziu a testa quando leu a última mensagem não respondida. Franzindo a testa. bateu com força. Que importância tinha aquilo? Fora ele a indicar Marcus como uma escolha na busca de Isabella por um marido. – Onde está Isabella? – quis saber Theron.

você está aqui! – disse ela. Ela chegara tarde demais. Isabella abriu a porta. sinto muito. Logo Isabella se encontrava sentada. ou ao menos alguém parecido com ela. É muito importante. os olhos começaram a arder com as lágrimas que se formavam. obrigando-a a afastar as cobertas e se levantar da cama. viu Sadie parada do lado de fora. ela o vestiu e amarrou a faixa à cintura. – Vamos esquecer tudo sobre esta noite. – Por um instante pensei que havia esquecido o compromisso de hoje à noite. Só porque minha vida está um trapo não há razão para você perder seu emprego ou uma chance na Broadway. e temos muito tempo para prepará-la. Isabella fechou a porta e girou de frente para a amiga. Era difícil dizer. – Não pode perder sua festa. Recolhendo o robe que se encontrava atirado sobre o espaldar de uma cadeira a curta distância.Capítulo 12 ISABELLA ACORDOU com uma sonora batida na porta. Sadie a observou com olhar indeciso. Isabella sorriu. Abriu os olhos e fez uma careta diante da sensação de esgotamento. Sadie fechou a distância entre as duas e lhe envolveu os ombros com um braço. com aquela peruca loura lhe adornando a cabeça. E os dois pareciam tão felizes! O que explicava o fato de ela estar se sentindo tão angustiada. – Não sei se está em condições de fazer isso. confusa. enquanto se encaminhava à porta. Estava determinada a não derramar nem mais uma lágrima sequer. – Sadie continuou a tagarelar. – Será moleza. Isabella anuiu contra o ombro da amiga. – Oh. e Sadie. Quando perscrutou pelo olho mágico. Sadie recuou e lhe afastou uma mecha de cabelo do rosto. – O que aconteceu? Foi Theron? Isabella cerrou as pálpebras e anuiu. – Trouxe tudo aqui na minha bolsa. – E então ela estacou quando observou o estado de Isabella. Theron pedira Alannis em casamento. Irritada. – Sadie a puxou para um abraço. querida. agachada ao seu lado. . Pediremos comida no quarto e chafurdaremos em sobremesas que contenham zilhões de calorias. guiando-a na direção do sofá. – O que houve de errado? Esteve chorando? Para desânimo de Isabella. ela pestanejou várias vezes para dispersá-las. Bella forçou um sorriso largo. franzindo a testa. – Ele pediu Alannis em casamento? Foi isso? Mais uma vez. – Graças a Deus. e entreabrindo os lábios. afobada. A batida na porta soou outra vez. Levou as mãos às pálpebras inchadas e recordou que havia chorado a noite inteira. e a amiga entrou.

– É uma maneira perfeita de burlar seus seguranças. Quanto ao top. – Bem. ela lhe deu o endereço que Sadie lhe fornecera. – É isso que vou colocar para sair daqui esta noite? Sadie sorriu. ninguém perderia tempo observando seu rosto. Embora não se importasse em exibir seus atributos em proveito próprio. atirou uma mecha comprida do cabelo louro artificial por sobre o ombro e esperou que as portas se abrissem. dando de ombros. – Mãos à obra! ISABELLA TINHA certeza de que havia enlouquecido por concordar com aquilo. com os trajes que ela usava? Isabella achou divertido o fato de o taxista estar presumindo que ela viera àquele hotel a “negócios”. O traje em que Sadie a aprisionara era muitas coisas. nem mesmo as meninas da torcida organizada do Dallas Cowboy exibiam decotes mais generosos. Isabella permaneceu sentada por um instante. Tenho certeza de que Theron está muito ocupado com a noiva para dar importância ao meu paradeiro. Fiz questão de fazê-los me ver entrar e. O corredor do lado de dentro estava imerso em escuridão. Embora Sadie . Eu esperarei um bom tempo. caminhando com passos hesitantes na direção da porta. enquanto caminhava. Isabella explodiu em uma risada. – Bem. aqui vamos nós – murmurou. Inspirou profundamente quando o elevador parou no saguão do hotel. – É assim que se fala – disse Sadie. enquanto o carro fluía pelo tráfego. sinceramente. e você sairá rebolativa deste hotel. quem não notaria isto? – acrescentou a amiga. – Desculpe – resmungou ela. Será rápido e você conservará seu emprego.– Que mal poderá acontecer? Eu me vestirei como você. – Vamos pedir algo para comer. O nervosismo a fazia sentir um frio na barriga. olhando pela janela até que o motorista limpasse a garganta. e então me vestirei para a festa e partirei. – Sermos pegas e Reynolds ter outro ataque. dançarei um pouco e atrairei a atenção dos homens. Quando chegaram à entrada dos fundos do clube. Não com tudo aquilo à mostra. Quando o motorista pôs o carro em movimento. escorregando as mãos de maneira sugestiva pelas curvas do próprio corpo. Mas como Sadie dissera. apressada. Estou faminta. não parecendo em nada com a mulher fatal que chegou mais cedo. – Tem certeza? Isabella anuiu. aquilo beirava o obsceno. Isabella se encaminhou a um táxi que a aguardava e entrou. e tinha uma cintura tão baixa que lhe deixava o umbigo e mais uma extensa faixa de pele expostos. na direção da saída. O homem nem pestanejava – e quem podia culpá-lo. Ninguém saberá que não está mais aqui. Os saltos altos das botas ecoavam contra o chão de mármore. O que era uma vantagem. antes entregar a quantia adequada pela corrida e saltar do táxi. Sadie piscou e prosseguiu: – Nós a vestiremos exatamente igual a mim. – Ela fixou o olhar na peruca que Sadie usava. Modesto não era uma delas. O short era uma versão um pouco mais cara dos modelos tipo Daisy Duke. E então poderá me ensinar os movimentos que preciso saber. – Sem falsa modéstia. uma camada de suor lhe cobria a testa. o que pode acontecer de pior? – perguntou Isabella.

– Que tipo de problema? – Mais cedo. – Sadie. o drinque quase esquecido em uma das mãos. – Mexa-se. Apertou o botão para atender e levou o celular ao ouvido. irritado. E o que estava acontecendo era que perdera o único homem com quem esperara passar o resto da vida. não conseguia encontrar nenhum senão no caminho que havia tomado. – Anetakis – disse. Theron pousou o copo da bebida com um baque. Com movimentos mecânicos colocou mais uma camada de rímel. é Reynolds. Isabella aplicou um pouco mais de batom. Ninguém conhecia sua verdadeira identidade ali. portanto. Terei prazer em inteirá-lo dos detalhes mais tarde. você entrará dentro de cinco minutos – uma voz masculina soou da porta dos fundos. Com um suspiro resignado. Terá de entrar logo depois de Angel.tivesse garantido que ninguém perceberia as sutis diferenças entre as duas. Não importava a quantidade de maquiagem. mesmo assim. não tinha a menor ideia do que fazer com Isabella. Ocupou um lugar no espaço destinado a Sadie no vestiário para verificar como estava a maquiagem e se certificar de que a peruca se encontrava segura. Parecia em pânico. seus olhos verdes ainda a encaravam sem vida. Ela sorriu e anuiu na direção da jovem. Girou. elevou os seios e se dirigiu à porta. Estamos com um problema. fazendo-a se afastar do caminho para não se aproximar demais. Era capaz de fazer aquilo. entrou. sabia fazer os movimentos. – Não sabíamos se você viria. Mas agora. Mais para se manter ocupada do que por real necessidade de retocar a maquiagem. onde ele o havia atirado mais cedo. caminhou até lá e o ergueu. Caplan nos deu uma volta. Questionara-se repetidas vezes durante o dia e. e ninguém prestou atenção à sua presença. Embora não fosse tão gabaritada quanto a amiga. Mesmo assim. alongando os cílios já pretos. senhor. Havia muita atividade no recinto. quando o celular tocou. Outra jovem esbarrou em Isabella. O aparelho estava pousado sobre a mesa de centro a metros de distância. Isabella experimentou uma sensação gelada em seu íntimo e tratou de engolir o pânico em seco. observando seus lábios brilhando com o vermelho vivo. os olhos refletiam tudo que estava acontecendo. tudo que conseguiu captar foi a tristeza em seus olhos. Isabella deu uma última olhada no espelho. Ainda não tinha certeza se tomara a decisão certa. Anetakis. Quando viu o nome de Reynolds na tela de LCD. aquela farsa ainda a deixava extremamente nervosa. conciso. a srta. é melhor se arrumar. . Isabella estava tão maquiada que a própria equipe de segurança não fora capaz de reconhecê-la. Ao deparar com o próprio reflexo no espelho. senhor. – Sr. no fim da tarde. – Olá. e as luzes começavam a se acender no horizonte. Sadie – cumprimentou a outra dançarina. ou como o cabelo estivesse bem penteado. Quando ela alcançou a porta identificada apenas com a palavra “meninas”. O crepúsculo caía sobre a cidade. e Sadie passara toda a tarde lhe ensinado o que era preciso. pôs-se imediatamente em alerta. ajustou a roupa. Outra vez. – O quê?! E você permitiu que ela repetisse esse feito? – Temo que desta vez seja algo pior. THERON OLHAVA pela janela da cobertura de Chrysander. Respirando fundo.

desviou a atenção do grupo de homens. calmo. impaciente. O tipo de lugar cuja existência Isabella não deveria sequer saber. apressados. Pague a este homem o que for necessário pelo título de sócio e me encontre lá dentro. Mas aquele estabelecimento fora criado para uma seleta clientela. não posso deixá-lo entrar. – A não ser que seja sócio. As garçonetes. o título de sócio não é um procedimento instantân… Theron se recusou a continuar ouvindo. onde a prostituição e as drogas corriam soltas. – Seu nome. e não deveria estar. autoritário. Theron deixou a cobertura. Os clientes estavam bemvestidos. observando cada mulher que via. Theron fervilhava de impaciência. Theron caminhou entre as mesas. Vou procurar Isabella. – Acabamos de chegar – explicou o chefe da equipe de segurança de Isabella. Quando chegou ao saguão do prédio. educado. O interior limpo. Theron acenou para eles com um gesto discreto. correndo na direção dele.porém no momento estamos a caminho do La Belle Femmes. o impediu. – Cuide disto. No momento em que mencionaram clube masculino. o carro o aguardava diante da porta da frente. enquanto passava pelo homem e entrava. – Claro que quero saber! – explodiu Theron. concentrado em absorver aquela informação. O que. chamando o motorista pelo celular. – Ela está aqui? – Theron perguntou. – Theron Anetakis – respondeu ele. – Íamos nos certificar agora. – Achei que o senhor ia querer saber. – Estou a caminho de lá agora. senhor? – perguntou o homem. Caplan – afirmou Reynolds. Onde diabos estaria Isabella? Teria Reynolds recebido a informação correta? Olhou para a entrada e viu Reynolds e os outros dois seguranças entrando. nos fundos de alguma construção. embora quase seminuas. o fazia se lembrar das áreas de altas apostas dos cassinos. – Alguém que conheço está aí dentro. Quando o motorista freou com um solavanco em frente à entrada do clube. – Seguiu-se uma breve pausa. – O senhor conhece esse clube? Theron franziu a testa. usando óculos escuros. – Não é um clube masculino? Por que diabos estão indo para lá? – Porque foi esse o destino da srta. até mesmo impecável. Isabella estava fazendo em um clube masculino? O que estava pensando? Seria Marcus de alguma forma responsável por aquilo? Se fosse. Theron saiu pisando duro à frente deles até a porta e estacou quando um brutamontes. e o chefe da equipe de segurança de Isabella abriu caminho . em nome de Deus. Tinha certeza de que Reynolds e os demais seriam capazes de contornar quaisquer objeções que o segurança do clube tivesse em relação à sua presença. lhe veio à mente a imagem de um lugar decadente. com seus dois homens. senhor. Theron saltou do veículo e avistou Reynolds. com olhar atento. fumavam cigarros importados caros e bebiam o mais refinado conhaque. quando girou na direção de Reynolds. iria matá-lo. Quando constatou que não havia nenhuma mulher entre eles. mais homens se encontravam reunidos diante de uma plataforma acortinada. Era óbvio que um show estava para começar. Na direção da parte da frente do salão. – Mas. O clube era diferente do que Theron esperava. e não pense que não exigirei todos os detalhes de como isso aconteceu. a testa franzida pela concentração. não tinham aparência vulgar.

encontrou o dele. O que não era de admirar. com uma careta. Percebeu o medo refletido neles. – Por que acha que Isabella está aqui? – perguntou Theron. ela ergueu os braços e segurou o mastro que se encontrava no palco. O olhar de Theron foi atraído pela tatuagem nas costas. – Soube de fonte segura que a srta. antes que ela o visse. ela girou. Theron sentiu o sangue ferver. A dançarina começou a se mover no ritmo da música. na altura da cintura. – O senhor está procurando no lugar errado… O segurança foi cortado pela música que explodiu atrás de Theron. para ver a cortina se erguer e a fumaça do palco resvalar sensualmente pelas pernas longas de uma mulher. Os quadris oscilando e os braços pendendo graciosamente nas laterais do corpo. Ela usava botas de cano alto justas que apenas lhe acentuavam os contornos e chamavam atenção para suas nádegas bem torneadas. . fazendo revoar uma massa de cabelo louro. austero.entre as mesas até onde ele estava. Quando ela ergueu o olhar. Theron encontrou os olhos verdes. Muito bem. E então. Caplan está neste local – respondeu Reynolds. Postiço. Passara muito tempo fantasiando com aquela tatuagem. Ele girou. o pânico enquanto ela olhava ao redor do salão repleto de homens que a observavam como um petisco suculento. e o medo foi substituído pele choque ao reconhecêlo. Conhecia aquele desenho. Quando a fumaça se dispersou.

Capítulo 13 ISABELLA EMPALIDECEU quando avistou um furioso Theron. ameaçador. Isabella abriu a boca para falar. A força com que ele a segurava a impedia de respirar. mas eram demasiados civilizados para se envolveram em um imbróglio daquele tipo. quando percebeu que os seios estavam quase escapando pelo decote profundo do top. conciso. – Receberei uma explicação completa quando . Theron se limitou a apertá-lo contra a parte posterior de suas pernas e caminhar na direção da saída. Maxwell e Davison afastando os seguranças do clube que se precipitavam em seu socorro. Isabella soltou um grito assustado ao mesmo tempo que a música parou e o caos se instalou no salão. – Imperial Park – disse. Os clientes se levantavam de suas cadeiras e olhavam para Theron. Ela ergueu a cabeça para ver Reynolds. o que a deixou em uma posição ainda mais precária. como um predador no ato da caça. A raiva emanava de Theron em ondas carregadas de eletricidade. Sem perder sequer um segundo. mas as pernas se chocaram com as dele e ela as afastou rápido. sentou-se ao lado dela e bateu a porta com força. – Nem uma palavra. Bella. Nem uma maldita palavra – disse. Isabella tentou erguer-se. Theron transpôs a porta e saiu para a noite. boquiabertos. Ela cruzou os braços sobre o peito e deslizou para trás no banco até que as costas colidissem com a porta oposta. Porém. sustentando-lhe o peso como se fosse uma pena. ela o ouviu rosnar: – Afastem-se. E para sua surpresa. nem a incitou a descer de lá. mas foi silenciada pelo olhar severo que ele lhe dirigiu. inclinou o corpo e a atirou pela porta escancarada do veículo. Ela é minha. Isabella não fez mais nenhum esforço para se soltar. enquanto ele caminhava sem nenhum esforço. Ainda atordoada. Um olhar ao próprio corpo a fez ofegar. Mas antes que pudesse tomar qualquer decisão. com passadas firmes e decididas na direção do palco. Isabella foi invadida pela ânsia de proteger os seios com os braços e correr para se esconder. Theron se aproximou. De repente. Theron estacou diante do próprio carro. e Isabella começou a se contorcer tentando fazer com que ele afrouxasse o braço. Os braços de Theron eram como cintas de ferro em torno de seu corpo. Não que aquilo tivesse logrado algum êxito. Simplesmente saltou sobre a plataforma e com um único e preciso movimento a ergueu nos braços e a atirou por sobre o ombro. os olhos faiscavam ao medi-la de cima a baixo. Deitada em um ângulo incômodo no banco. desanimada. O chão girou vertiginosamente quanto Theron saltou do palco. A raiva vibrava sob a superfície daquele corpo forte. parado um pouco atrás do grupo de homens que circundavam o palco. Malditas botas! Sentia-se desajeitada e deselegante. Em seguida. Não queriam arriscar arruinar seus ternos de centenas de dólares. Não estacou na beirada do palco.

em vez de pousá-la no chão para bater com a mão. Mas aquilo era uma mentira. Ele saltou do veículo e o contornou para abrir a porta oposta. – Silêncio – ordenou ele. Isabella franziu a testa. no peito musculoso. Finalmente. sequestrando-lhe o ar dos pulmões. enquanto se encaminhava à porta. Tão logo Theron entrou no quarto. As portas do elevador se abriram. mas se recostou. Theron a pousou de pé no chão. a porta se abriu e um homem que tinha o título “segurança” escrito em toda a sua estrutura corpórea os recebeu. para lhe envolver os ombros com o agasalho. – Sua festa. Por um instante. Nunca o vira tão… irado! Ele costumava ser tão impassível. – Então. Mas quem a abriria? Não havia ninguém lá. – Bella! Você está bem? Isabella virou a cabeça para a esquerda com um gesto brusco para ver Sadie correndo em sua direção. Com um gesto negativo de cabeça. ignorando os olhares curiosos dos transeuntes. Theron saiu e seguiu pelo corredor na direção da porta da suíte. alguém encarregado de cuidar de seu bem-estar. Ela desviou o olhar. Até mesmo furioso. suavizara. não quero que diga nada. O orgulho a fez abrir os olhos para encontrar o olhar de preocupação com que ele a observava. já havia percebido que ele estava transtornado. um grito soou da outra extremidade da sala. Até lá. O Theron que ela conhecia não vociferava para um leão de chácara com o dobro de sua altura. emudecida.voltarmos para o hotel. Nenhum dos dois estava com a chave. Ele entrou no elevador e acionou o botão do andar da suíte que ela ocupava. exausta. a retirou do banco nos braços. – Está tudo bem com você? Aconteceu alguma coisa? Alguém a machucou ou ameaçou? Isabella negou com a cabeça. na companhia da noiva? Uma pontada aguda de dor a traspassou. O olhar que Theron lhe dirigiu sugeria que ela permanecesse onde estava. . e Isabella obedeceu. Isabella puxou as lapelas para ajustá-las ainda mais ao corpo. poderia imergir na fantasia de que pertencia àquele homem. em seguida. mas ele não perdeu tempo tentando encontrar uma. agradecida pelo fato de o blazer ao menos cobri-la. Ele pertencia a outra mulher. Para surpresa de Isabella. e a amiga a envolveu em um abraço apertado. Muito bem. e refletia insegurança. que ele se importava com ela de uma forma que ia além dos deveres de um tutor. rude. Isabella engoliu em seco e o encarou. Não podia perder sua festa. Chutou a porta com força. fechou o blazer para que nenhum centímetro de sua pele ficasse exposto e. – Bella? – A entonação de Theron havia mudado. Isabella fechou os olhos contra a simples verdade que a impedia de ter o homem que amava. já que houvera muitas naquela noite. Vários longos minutos depois. por quê? – resmungou ele. Mas Theron parecia levar aquilo como uma ofensa pessoal. As surpresas não pararam por ali. Frio e controlado. Em seguida o segurou com uma das mãos e a puxou para a frente. Por que não estava em algum lugar. – Tome – ofereceu ele. Para a contínua surpresa de Isabella. Tudo era uma mentira. retirando o blazer do terno. – O que faz aqui? – sussurrou Isabella. ele se inclinou para dentro. o carro estacionou em frente ao hotel. abraçando o próprio corpo com mais força. Era o protótipo da ordem e da calma. – Eu posso caminhar com meus pés – protestou ela. incapaz de fazer o som passar pelo nó que se formara em sua garganta.

– Precisei suportar um sermão dele durante todo o tempo em que você esteve fora. mas não com Theron a aguardando do lado de fora. – Mas… – tentou argumentar Sadie. – Sadie dirigiu um olhar furioso ao homem que permanecia parado à porta. – Como ele sabia onde me encontrar? – O chefe de sua segurança me telefonou. Eles viram apenas você. Sadie exibiu um sorriso triste. Desculpe. se passando por mim. o que a fez recuar. Ela se viu incapaz de lhe sustentar o olhar. confusa. Deu um passo na direção dela. Theron saberia. No entanto. parecendo mais impaciente a cada segundo. Tive de lhes contar tudo. O blazer. Eles me fizeram esperar aqui enquanto iam buscá-la. sair mais cedo e. – É bom saber que alguém tentou colocar juízo em sua cabeça – disparou Theron. concordo – interveio Theron. – Quanto a isso. – Isabella ignorou o rompante de Theron. Nunca deveria ter permitido que fizesse isso por mim. mesmo sendo escoltada para fora do quarto pelo segurança. No mesmo instante. Quando a porta de fechou.Sadie enrubesceu. Em seguida. – Vá se lavar – ordenou ele. Isabella lavou o rosto. Bella. Theron girou para encarar Isabella com olhar severo. – Por que você ainda está aqui e… – Ela girou na direção de Theron. – O que aconteceu? – perguntou Isabella. um dos seus seguranças me abordou imediatamente. – Mas você perdeu sua oportunidade. Coisa que ele não fora capaz de perceber antes. – Haverá outras. tenso. se livrando da maquiagem pesada. Quase se encolheu diante da imagem que o espelho lhe devolveu. soltou as presilhas de seu cabelo e passou os dedos pelos fios para domá-los. – A festa não importa. lidarei com você – disse ele em uma voz suave e ameaçadora. sabiam que a verdadeira Sadie não havia entrado em seu quarto. – Certifique-se de levá-la para casa em segurança e permaneça lá para ver se ela não volta para o clube. – Não quero ver Bella frequentando um clube de striptease porque a amiga trabalha lá. Isabella voltou a se concentrar em Sadie. que ela havia ajustado com tanta força a si. As mãos fortes de Theron se fecharam em torno dos ombros de Isabella e a puxaram contra a rigidez de seu corpo. se deu conta de que não . – Mas eu trabalho lá! – exclamou Sadie. antes de gesticular com a cabeça para o segurança. A carranca de Theron se tornou ainda mais feroz ao esticar o braço para detê-la. Um banho de banheira longo e quente era uma ideia tentadora. e retirou a peruca da cabeça. – Foi uma atitude irresponsável e perigosa. Berrante. como planejamos. – Não mais – rosnou Theron. Além disso. – Quando saí de sua suíte para ir à festa. portanto desconfiaram. atirando-as para o lado. não valia o risco que você correu. Isabella se despiu e retirou as botas. e os seios se comprimiram de maneira obscena contra o peito largo. escorregou para o chão. Se o fizesse. – Esperarei por você aqui. – Como eles ficaram sabendo? A amiga baixou o olhar e suspirou. como deveria fazer – respondeu Theron com expressão fechada. Triste. Isabella se encaminhou ao toalete. com expressão culpada. veria tudo que ela desejava ocultar no momento. – Agora. Agradecida pela chance de desparecer. “Espalhafatosa” foi o termo que lhe veio à mente. Em seguida. nunca supuseram que se tratava de você. Aquele é um lugar onde nenhuma de vocês jamais deveria ter entrado.

descalça. tivesse sido um deles a invadir o palco? Se colocasse as mãos em você e a forçasse a ir com ele? Isabella pestanejou várias vezes diante da ferocidade e da raiva absoluta que lhe distorcia as feições. vestiu um robe. – Estou dizendo que isso não é de sua conta! – explodiu Isabella. confusa. – Eu estive aqui. Várias explicações lhe espiralaram na mente esgotada. mas não acreditava que Theron fosse acreditar em nenhuma delas. – Marcus? Por que precisaria informá-lo sobre qualquer uma de minhas ações? – Esperava que ele fosse mais protetor com o que lhe pertence ou com o que ele acredita lhe pertencer – resmungou Theron. em vez de mim. enfim se recompondo. de volta à sala de estar. surpresa. Ontem à noite. Theron aguardava. seminua. esticou a mão para o robe atoalhado pendurado atrás da porta e se envolveu nele. Dando de ombros. que dormira com Marcus. Quando a ouviu. – Um amigo?! É assim que chamam isso hoje? – retrucou ele. Theron cortou a distância entre os dois. mas de que aquilo serviria? Theron estava noivo de Alannis. e eu permaneci na . Subi… para ver como você estava – acrescentou. Isabella pestanejou várias vezes. Oh. Theron escorregou uma das mãos pelo cabelo em um gesto de frustração. Isabella ficou boquiaberta. Um longo silêncio se abateu sobre os dois. ela adoraria responder que sim. e Marcus subiu para que pudessem lhe trazer uma roupa seca. mais uma vez fechando os dedos sobre os ombros de Isabella. e não estava disposta a bancar a promíscua.trouxera uma roupa para trocar. Bella. – Não dormi com ele – respondeu. enquanto se mediam com o olhar. como se eu não tivesse nenhum direito? Como se você não tivesse acabado de cometer uma estupidez? Tem ideia do que pensei quando soube onde estava? O medo que senti? Ou o choque que tive ao vê-la em cima daquele palco. – Por que está aqui? – perguntou ela. o que teria feito se. É um amigo. antes de encará-la mais uma vez. devolvendo o comentário sarcástico que Isabella fizera na festa sobre beijar. Saiu do toalete e caminhou. – O que está insinuando? – Ela cruzou os braços sobre o peito. Nesse meio-tempo. – E por isso presumiu que ele estivesse dormindo comigo? – Está negando? – desafiou Theron. contrariada. Não sinto necessidade de informá-lo sobre meus passos. – Marcus sabia que você faria isso? Isabella inclinou a cabeça para trás. constrangido. – Não está fazendo sentido algum. Portanto. – E daí? – Marcus atendeu a porta. Theron resfolgou. – Pegamos uma tempestade. Marcus não tem nada a ver com nada. fitou-a com os olhos ainda faiscando com intensa inquietação. enfiando as duas mãos nos bolsos do roupão. permaneceu calada. parado diante da janela que dava vista para a avenida abaixo. – Ousa perguntar isto. para que todos aqueles homens a devorassem com o olhar? Diga-me. Bella. Ele ainda tinha o controle sobre sua herança até que se casasse com outro homem. trajando apenas um roupão de banho – disparou ele.

ele partiu. – Você nunca objetou antes – resmungou Theron pouco antes de lhe capturar os lábios. – Por que você insiste em me enlouquecer? – murmurou. Pedimos comida no quarto e. a respiração quente contra o rosto de Isabella. – Não deveria… me beijar – sussurrou ela. Em um gesto inconsciente. ele fez um movimento negativo com a cabeça.banheira até que ele estivesse completamente vestido. Um lampejo de alívio brilhou nos olhos de Theron. – Não é o suficiente eu passar o tempo todo pensando em você? Lembrando-me da sensação de sua boca contra a minha? Theron se aproximou. . em seguida. ela umedeceu os lábios enquanto Theron inclinava a cabeça para o lado. Por quê? Em que aquilo podia afetá-lo? E então.

Tomava posse dos lábios carnudos como se fosse seu único dono e senhor. mantendo-a cativa. mas se não a tiver. os lábios mal se apartando dos dela. Theos! Lutei muito contra isto. os lábios exigentes nunca deixando os dela. Os lábios de Theron ficaram quase na altura dos seios empinados. Desejado tanto. Era como se Theron não suportasse a ideia de parar de beijá-la. envolta nos braços musculosos. as mãos ávidas se encontravam espalmadas em sua pele exposta. deixando as palmas acariciarem as laterais do corpo de Isabella. . Como era erótica a visão daquele homem orgulhoso e forte. Theron a arrebatava. ajoelhado. Ela deixou escapar um suspiro suave. enquanto ela saboreava a rigidez daquele peito e daquelas coxas. Talvez fosse um som de desejo.Capítulo 14 ISABELLA SENTIU os joelhos cederem e se agarrou aos ombros fortes para não escorregar pelo corpo de Theron. e Isabella teve de prender a respiração quando ele se ajoelhou diante dela. – Sim – sussurrou Bella. fazendo-os enrijecer. pelo pescoço macio. de modo que a respiração quente lhe fustigasse os mamilos. E então ele fechou a boca sobre um deles. Theron lhe mordia e sugava a pele. Fantasiado. – Quero fazer amor com você – disse ele com uma ansiedade ofegante. – Macia. Ele a segurou firme contra o peito. Só então abandonou os lábios carnudos para imprimir uma trilha de beijos quentes pela mandíbula delicada. fazendo-a soltar um gemido de protesto. atritando a língua contra o bico enrijecido. fazendo-a experimentar calafrio após calafrio. um som de capitulação? Sinceramente. – Eu o desejo tanto! As mãos fortes começaram a desfazer o nó do roupão que ela usava. Escorregando os braços sob o robe. com os braços fechados com força em torno de sua cintura… como se nunca fosse soltá-la. Nunca. Aquele beijo era… diferente. antes que Isabella se deixasse dissolver naquela fantasia. fazendo-a gemer e estremecer. enfraquecida contra a rigidez do corpo másculo. Ou ânsia. – Lutei contra isto. E então. formando uma poça aos seus pés e ela se viu nua. A boca experiente prosseguiu em sua jornada erótica. o cabelo negro e a pele morena em contraste com a dela. forçando-a a flexionar os joelhos. antes de movê-las para os seios firmes. Não havia outra palavra para definir o que ele estava fazendo. Aquilo… era o que havia sonhado. O corpo de Isabella se moldou ao dele. Theron os fechou em torno da cintura fina e a puxou para baixo. O robe de Isabella escorregou para o chão. enlouquecerei. enquanto a boca experiente se apossava da dela. não se importava. Theron fechou os dedos naquele ponto. tremendo à medida que as mãos longas rumavam por seu corpo até a nuca. Porém. Devorava-a. mesmo enquanto lhe abria o robe. ele afastou os lábios do mamilo. Theron lhe sugou o seio. Como se a intenção dela fosse escapar! Isabella era uma presa espontânea. Como se tivesse direitos exclusivos sobre sua boca e se recusasse a dividi-los com quem quer que fosse. Loucamente. Tão macia e linda! Como a seda – murmurou ele. o lóbulo da orelha e mais abaixo.

à medida que o prazer a dominava. Após deitá-la na cama. querendo se livrar da peça para sentir a pele de Theron contra a sua. – Quero que esteja preparada para me receber. desceu. e o tecido da camisa roçou a pele dela. úmido. fazendo-a se contorcer sob o corpo forte. No meio do ato de desabotoá-los. se expondo ainda mais àquela exploração erótica. Bella mou. Encorajada pela óbvia aprovação de Theron. Isabella sentia-se estranhamente vulnerável sob aquele escrutínio intenso. Bella – disse com uma voz baixa e rouca. As bocas se encontraram outra vez. brincou com o piercing que lhe adornava o umbigo. prolongando aquela batalha de línguas e lábios. As mãos se ergueram na intenção de ocultar os seios. imprimir uma trilha úmida de beijos pelo abdome macio. E pretendo seduzi-la até as últimas consequências. sedoso e ainda assim rígido como o aço. afrouxou a força com que a envolvia apenas o suficiente para se erguer. – Oh. – Sim – o sussurro de entrega escapou dos lábios intumescidos de Isabella. Isabella esticou as mãos para desabotoá-la. quero-o dentro de mim. ele perdeu a paciência e os arrebentou com um puxão. ela deixou as mãos penderem sobre o colchão. descendo o próprio corpo até que os lábios lhe encontrassem os seios firmes. A pele firme colando-se à dela. Theron a ergueu nos braços e caminhou lentamente na direção do quarto. em seguida. Tenho de possuí-la. – Você é maravilhosa. Em seguida. Theron soltou uma risada abafada e não a decepcionou. enquanto os dedos longos se dirigiam aos botões da camisa. o âmago de sua feminilidade. libertando a masculinidade excitada. O desejo se refletia nos olhos castanhos como duas labaredas. os ombros. No mesmo instante. frenético. A sedução ficará por minha conta. Por alguns vários e longos segundos. Isabella temia dizer qualquer coisa que o fizesse recuar e dissipar aquela magia. Ele começou a empreender uma jornada excitante pelo pescoço delicado. o duelo era um precursor da dança que os corpos estavam prestes a executar. Theron lhe afastou os joelhos e se acomodou entre as coxas macias. unindo-as com força. Aquelas palavras pareceram destruir o autocontrole de Theron. – Por favor. Por um breve instante. Você me enlouquece.Theron ergueu o olhar ardente contra a luz da lâmpada. ele se moveu . – Não esconda tamanha beleza de mim – sussurrou ele. Tímida e um tanto insegura. A pintura intrincada enevoando diante de seus olhos. Mas ele lhe segurou as mãos. baixando o olhar para encontrar o dele. ele se ergueu e assomou diante dela. e Isabella lhe envolveu o pescoço com os braços. Impotente. quando a calça comprida e a cueca boxer escorregaram pelas coxas musculosas. Isabella enrijeceu quando a boca ousada lhe encontrou a essência. O olhar fixo no dela. quando se deitou na cama. antes de prosseguir naquela expedição descendente. – Possua-me – disse ela. Bella mou – respondeu ele. – Tão excitado e sensível a uma mulher. Em seguida. Livrando-se da peça. Ela cravou o olhar no teto. enquanto deslizava um dedo sobre a pele úmida da região sensível. ela arqueou os quadris. Uma promessa silenciosa enquanto ele se aproximava. não. Suave. Isabella inspirou profundamente e prendeu o ar nos pulmões. – Sou sua. – Nunca me senti tão fora de controle – admitiu ele. Quente. repleta de paixão. Bella. o zíper da calça. Theron se deteve a lhe estimular os mamilos rígidos com a língua para. queimando-a.

Isabella se sentou na cama e estendeu a mão para pegar a toalha. Incapaz de fazer qualquer coisa além de seguir o turbilhão de prazer que crescia em seu ventre e se espalhava por todo o corpo. murmurando-lhe palavras contra o ouvido. Isto. A respiração saía com dificuldade. Em um segundo estava se posicionando para penetrá-la. Não por ter feito amor com ela. Isabella gritou ao mesmo tempo em que ele enrijeceu sobre ela. mas ele a manteve fora de seu alcance. Foi perfeito. – Não. Ela ofegava. mas por pensar que a tratara de maneira rude. deduziu Isabella. em um gesto instintivo. ela espalmou as mãos nos ombros largos para empurrá-lo. Não foi perfeito. Uma onda de prazer doce e excitante a atingiu como fogo espalhado pelo vento. rompendo a leve resistência sem nenhuma dificuldade. retesada e sensível pelo desejo. Os lábios sensuais se aproximaram dos dela e a beijaram com uma ternura que a fez experimentar . mesmo enquanto movia os quadris para recuar e investir outra vez. Algumas.sobre o corpo macio. E então Isabella relaxou sob o corpo forte. – Você não me machucou. – Não. fora a sensação daquele preenchimento que quase a sufocou. Theron deixou a toalha escorregar para o chão e lhe segurou o rosto com as duas mãos. apenas o som das respirações alteradas preenchia a atmosfera. Theron a observava com olhar confuso. ela lhe tocou o rosto. – E então deixou-me violá-la. mas posso fazer com que seja. fundindo-os. – Eu a machuquei? – perguntou ele. A pele de Isabella pareceu despertar para a vida. Após lhe depositar um beijo suave nos lábios. quando deveria ter sido conduzida com toda a suavidade? Tratada de modo carinhoso? O arrependimento estampado naquele belo rosto másculo era genuíno. Você não me machucou – respondeu ela no mesmo tom. abrindo-lhe as pernas e se encaixando perfeitamente entre as coxas aveludadas. Theron ergueu a cabeça para encará-la. permitindo que as mãos que se agarravam aos ombros de Theron escorregassem para lhe envolver o pescoço. – Movimente-se comigo. Esticando o braço. Em seguida. Todo o corpo de Isabella enrijeceu com o choque. a esfregou sobre a pele macia para limpá-la. enquanto se movia entre as pernas sedosas. outras eram ininteligíveis. Os olhos verdes se arregalaram e. Theron a puxou suavemente contra a rigidez de sua excitação. Isabella o observou caminhar até o toalete e voltar. Por alguns longos segundos. instantes depois. Os lábios de Theron encontraram os dela mais uma vez em um gesto tranquilizador. num sussurro. agape mou – incitou ele. Ele fincou os cotovelos nas laterais da cabeça de Isabella. saboreando o atrito da barba de um dia. – Enrosque suas pernas em minha cintura. de repente gentis e ternos. ela compreendia. – Volto já. e as bocas e os quadris de ambos executavam os passos daquela dança nova e excitante. e no outro deslizando para dentro dela. soltando o peso do corpo quente sobre o dela. Embora sentisse apenas uma pontada de dor. desencaixou os corpos de ambos. com uma toalha umedecida. E então ele desabou. – Não sabia se acreditaria. suspendendo o corpo o suficiente para que ela não precisasse suportar o seu peso. – Por que não me contou? Não havia nenhum tom de recriminação ou acusação na voz de Theron. – Venha comigo – sussurrou ele. Em seguida.

Theron se encaminhou ao toalete para tomar uma ducha. Theron encostou a testa na dela. Não fora nem mesmo por falta de não tê-lo consigo no momento. Inundou de beijos e carícias cada milímetro daquele corpo de curvas perfeitas. Insatisfeita até mesmo com aquela minúscula separação. desencaixou os corpos dos dois. Os seios firmes pressionavam seu peito. temia tudo que tinha a fazer. Isabella sorriu. Porém. E certamente sabia o que estava prestes a fazer mesmo no calor do momento. mas logo ela voltou a se aninhar sob as cobertas e ficar imóvel. Felizmente. soprou uma mecha de cabelo escuro que lhe caía sobre os lábios e constatou que Isabella estava mais atirada sobre ele do que enroscada. e. Murmurava palavras carinhosas e elogios. no desejo. se esticando para alcançá-los. não apenas um. os lábios dos dois a apenas milímetros de distância. THERON ACORDOU com um corpo feminino macio enroscado ao seu. em seus 32 anos. em muitas coisas. não conseguia atinar com uma desculpa plausível para tamanha estupidez. aquela fora uma decisão consciente. com ela. Abriu os olhos. por mais que se esforçasse. pior. E quando Theron a penetrou lentamente. e um dos braços o envolvia de modo possessivo. Era um homem prevenido e sempre trazia. Não tinha mais ninguém a culpar em toda aquela confusão a não ser a si mesmo. Theron não teve pressa. perdera toda a consciência durante um ato sexual. saiu do toalete e recolheu o traje que usara no dia anterior. logo a realidade o atingiu e. Mas apesar daquilo tudo. cada palavra como terra árida que ansiasse por água. E dizer. o peso do que fizera. A respiração cadenciada e suave lhe reverberava nos ouvidos. não havia sido capaz de parar o que estava fazendo para pegar um. Não a protegera. Enrijeceu quando Isabella deixou escapar um suspiro suave. Ainda assim. ela soube que jamais seria capaz de amá-lo mais do que naquele momento. vendo-a. Esperara tanto tempo para tê-lo daquela forma! Focado nela. e sabia muito bem disso. sempre mantinha várias mudas de roupa em seu escritório. fazendo com que as bocas dos dois se encontrassem em um beijo doce que ela sentiu na própria alma. e não era agora que iria começar. tocando-a e a amando como Bella o amava.uma pontada de dor no peito. Poderia colocar a culpa na paixão. Não usara nem mesmo um preservativo e. – Melhor assim? – murmurou ele. Agora. Dessa vez. Isabella ergueu o queixo. e apenas quando os últimos espasmos de prazer lhe abandonaram o corpo foi que ele se enterrou fundo naquela maciez apertada e quente e se entregou ao próprio orgasmo. Aquela seria sua primeira . Isabella absorvia cada toque. O desejo despertou outra vez. Desejara-a e a possuíra. Com todo o cuidado. ele aguardou que Isabella se entregasse por completo ao clímax. experimentava uma estranha sensação de paz em vez de uma resignação dolorosa. cada uma aterrissando naquela região distante que ela reservara apenas para Theron em seu coração. Nunca antes. enquanto ela dormia profundamente. ciente de que haveria consequências para aquela escolha. Tal sentimento de culpa e resignação não era inesperado. mas dois preservativos em sua carteira. aflorando. – Sim. mas sabia a verdade. Envolvendo os quadris em uma toalha. Estava até mesmo se preparando e fazendo planos mentalmente. E ainda assim. As pernas se entrelaçavam nas dele.

não resolvidas. prendendo a respiração como uma tola apaixonada. Theron sentiu o corpo tenso. Mas por que tinha de colocar o bem-estar da outra mulher acima do seu? Com aquela tristeza contida alojada no coração. se ergueu e enrolou-se em uma toalha. Isabella exibiu uma careta. sonolentos. esperando por um homem que talvez não retornasse. se encaminhou ao toalete para tomar um banho quente. E então. talvez fosse melhor começar a pensar no que fazer com o resto de sua vida. que ostentava a evidência de sua virgindade perdida. está entendendo como as coisas devem ser feitas. em seguida. ISABELLA SE encontrava parada ao lado da cama. Finalmente. e ele resolvera voltar correndo para se entender com Alannis? Fechou os olhos e deixou pender o queixo até que lhe tocasse o peito. Para onde teria ido Theron? Ele retornaria? Ou seria ela apenas uma tentação que se tornara insuportável. cada carícia. sem dizer mais nada. srta. deparou de imediato com a expressão fechada de Reynolds. deu-lhe as costas e saiu do quarto. . Quando abriu a porta. ao meu novo apartamento. estremecendo de frio. Coisas importantes. Reynolds exibiu um sorriso genuíno e entrou na suíte. O divertimento desapareceu do semblante do segurança. Primeiro. ele lhe depositou um beijo suave no cabelo e. e Theron providenciara para que alguém lhe comprasse todos os itens de que necessitava. Os olhos verdes se abriram. iria até seu apartamento. Recusava-se a ficar sentada naquele quarto de hotel. Iria até lá e faria uma lista do que estava faltando. Aquela ideia não a agradava. Meu serviço se torna muito mais fácil quando conheço seu destino e sei que não escapará na primeira oportunidade. – Tenho coisas a fazer. Sentia uma languidez incomum. Cada vez mais desgostosa com a própria letargia. Não queria ser a outra. Partes dela estavam doloridas. Os móveis novos que comprara haviam sido entregues. enquanto a encarava com olhar questionador. Permaneceu na banheira até a água amornar. Depois. e pestanejaram várias vezes quando se concentraram nele. Quando estava vestindo a calça comprida. Bella. E não conseguiu se furtar a fechar os olhos e recordar cada toque. enquanto girava e esticava a mão como que a procurá-lo. cada beijo. Caplan. – Espero que nada de mal tenha lhe acontecido. pode me acompanhar até o restaurante do hotel e. forçou-se a se vestir. Theron esticou a mão e lhe tocou a lateral do rosto. e ela temia que continuassem daquela forma. Acho que a partir de agora me achará bem mais cordata. Uma dor deliciosa. Isabella tentou sorrir. Baixou o olhar à toalha molhada descartada. – Sinto muito mesmo por ter lhe causado tantos problemas. mas fracassou miseravelmente. a excitação despertando cada célula viva. faria uma refeição e. – Inclinando a cabeça. afastando-lhe uma mecha de cabelo escuro para trás. Um sussurro suave que se avolumava enquanto a observava. Muitas coisas permaneciam desconhecidas. enrolada apenas em um lençol. e experimentou uma estranha sensação no peito. Também não desejava ser responsável pela tristeza de alguém.parada. Depois. A expressão se tornou fechada. – É melhor você entrar para que eu possa me desculpar da maneira adequada. em seguida. do qual apertava as extremidades com força. A sensação do corpo forte se movendo contra o seu. o cabelo longo envolvendo-lhe parte corpo. deixou escapar um suspiro. Isabella se mexeu. – Agora.

agape mou. Theron. mesmo enquanto proferia as palavras. A coisa é ainda mais grave. gesticulou na direção da porta. Volte a dormir. não há nada errado. Comece pela parte em que você não pediu Alannis em casamento. mais alerta. E a que coisa terrível está se referindo? Está preso? Theron não pôde conter uma risada diante daquela pergunta. com um sorriso tristonho. – Theron? – perguntou Chrysander. Mas e quanto a Alannis? Não disse a mim e a Piers que iria se casar com ela? O que estava fazendo na cama com Isabella? E Deus. Seguiu-se outro silêncio perplexo. mas precisava ter aquela conversa com Chrysander para que pudesse dar prosseguimento aos seus planos. na defensiva. – É óbvio que está com um problema sério nas mãos. É apenas Theron. – Seduzi Isabella. Marley ficou acordada até tarde da noite com o bebê. – É melhor começar do início e me contar toda esta história – sugeriu Chrysander. a voz de Chrysander estava de volta do outro lado da linha: – Agora diga-me que não fez o que acho que fez. – Droga. Aquele tipo de conversa o fazia parecer um adolescente de 16 anos confessando seus pecados ao pai. THERON SE sentou. – Em seguida. – Fiz algo terrível – disse Theron. Isabella permaneceu calada. esqueça o que acabei de dizer. – Não posso fazer isso. Seguiu-se um longo silêncio. Estou faminta. isso ultrapassa os limites da insanidade. enquanto ouvia o farfalhar das cobertas da cama e o beijo que o irmão deu na esposa. exausto. sonolento. – Não estava noivo de outra mulher. Em seguida. – Acho que não ouvi direito – disse Chrysander por fim. – Vamos comer. – Não. – Não. o que há de errado? Theron esfregou o rosto com uma das mãos. – Eu tinha um relacionamento com ela – rosnou Chrysander. – Ela era virgem e não usei proteção. Isso é um fato. – Não pedi Alannis em casamento. – Então. Obviamente não estava pensando. antes de se levantar. sem proteção! Ficou maluco?! – E você foi muito cuidadoso com Marley? – retrucou Theron. sem rodeios. na Grécia seria meia-noite. Theron.Por um instante. – Mais grave do que você seduzir uma jovem que está sob seus cuidados? Não consigo imaginar o que seria pior. – Theron se encolheu. na cadeira atrás da mesa do escritório e ergueu o fone. . cansado. Não estou preso. – Não estou noivo de outra mulher – revelou ele num quase sussurro. Chrysander soltou um xingamento e exalou a respiração de maneira audível. – Por que diabos está telefonando a esta hora? Mais uma vez. Theron o ouviu dizer alguma coisa para Marley. tampouco Marley se achava sob meus cuidados. Theron esperou pacientemente. que diabos estava pensando?! Está bem. Alguns minutos mais tarde. Mais uma vez. – Nai – rosnou Chrysander. voltou a se dirigir ao irmão: – Espere um momento para que eu possa atender esta ligação no escritório.

– Sim. Após mais um silêncio prolongado. . irritado. – Chrysander meneou a cabeça. Sem proteção. Dormimos juntos. Alannis me olhava. Nosso pai concordou que a família Anetakis cuidaria de Isabella se algo acontecesse ao pai dela. – Você o quê?! – Chrysander explodiu em uma risada. A adrenalina subiu a um nível alarmante nas veias de Theron. O momento chegou… e não consegui fazer o pedido. Terá de se casar com ela. Estava com a mão na caixa de joias. Eu diria que sim. os confetes… – Confetes? Quem diabos providencia confetes para um pedido de casamento? – questionou Chrysander. Passamos a noite celebrando a visita dela a Nova York em vez de nossas futuras núpcias. Isto diz tudo. Ela era virgem. – E como isso o levou a tirar a virgindade de Isabella? Sem proteção – acrescentou Chrysander em tom de voz frio. Será que quero saber por que alguém que está sob sua responsabilidade se encontrava em um clube de striptease? – Isto não tem importância. – Fazia parte do clima festivo – Theron se defendeu. – Estava tudo preparado. meu irmão. e eu larguei a caixa no bolso e a convidei para dançar em vez disso.– Não consegui – confessou Theron com um suspiro. Não há razão para continuar me atirando isto no rosto – retrucou Theron. voltou a falar: – Ela estava sob seus cuidados. seduzi Isabella. a festa. – Planejei a noite. – Isto está ficando mais absurdo a cada segundo. – Admiti minha estupidez. – Aconteceu depois que a retirei à força do clube de striptease. Vou me casar com ela. o anel. depois disso. O que importa é que. com certo divertimento. – Não tenho de me casar com ela.

mas necessitava saber a que ele se referia ou o que ele não estava dizendo. tais como amor. alegando que só demoraria alguns minutos. enquanto ele erguia a tampa e a deixava cair no chão. e crianças brincavam. Isabella ergueu uma das mãos e a espalmou no peito musculoso. aquilo poderia parecer um absurdo. Isabella deixou escapar um suspiro. casado com outra mulher? Em um primeiro momento. Estou começando a imaginar se minha vida será uma rotina de nunca encontrá-la onde você deveria estar. mas não tinha certeza se seria capaz de continuar ali. não assombrassem cada segundo de sua existência. Theron a girou de cabeça para baixo. retirou uma pequena caixa quadrada do bolso da calça. Talvez fosse a normalidade daquele cenário. Era bem maior que as unidades dos andares inferiores e tinha uma vista magnífica do parque do outro lado da rua.Capítulo 15 ISABELLA AFASTOU para o lado as cortinas que cobriam a ampla janela com vista para a rua. – Telefonei para Reynolds e. Provavelmente o guarda-costas devia ter perdido a paciência e viera buscá-la. – Não precisará deste apartamento. Um pequeno oásis no meio da caótica metrópole. Exceto… pelo fato de ele controlar sua herança e o contato entre os dois ser inevitável. – Vim ver se já estava tudo pronto para minha mudança – ela se limitou a responder. e . A mente girava em incrível velocidade. Trabalhando ainda com apenas uma das mãos. Poderia viver ali sabendo que o homem que ela amava se encontrava tão próximo. quando ele me disse que você estava aqui. deparou com o olhar preocupado de Theron. supervisionadas por suas mães ou babás. – Bella. você está bem? O que faz aqui? Isabella girou e. ciúme ou desespero. a promessa de uma vida tranquila. O apartamento que alugara ficava localizado no último andar. Isabella se viu incapaz de desviar o olhar da cena que se descortinava abaixo. vim correndo para cá. Passadas firmes soaram atrás dela. outras caminhando com cachorros. Duas mãos firmes se fecharam em seus ombros fazendo-a ofegar. pethi mou. O som da porta se abrindo não a assustou. Em uma cidade daquele tamanho seria possível passar uma vida inteira sem esbarrar em Theron. pethi mou. Gostava de fato daquele apartamento. – Havia um sutil divertimento na voz grave. para sua surpresa. mas o que a surpreendeu foram as palavras de Theron. Mas não necessitará mais deste apartamento – acrescentou com voz calma. Theron lhe segurou a mão e a manteve sobre o peito. – Voltei à sua suíte e não a encontrei. na qual as emoções agonizantes. quase temendo tocá-lo. Não faziam nenhum sentido. Havia uma grande quantidade de pessoas praticando corrida. – Com a outra mão. Deixara Reynolds a aguardando do lado de fora. Isabella olhou para o objeto com expressão desconfiada. mas ainda assim. com o qual as pessoas podiam contar para alguns momentos de lazer.

Isso era um começo. por outro lado. Aquele era um ponto nevrálgico que não devia ser explorado. limitou-se a anuir com um gesto de cabeça. Isabella ergueu um dos braços entre os corpos unidos e o afastou. não é motivo para nos obrigar a casar… Theron a silenciou. – Não estou entendendo – gaguejou. Por vários longos segundos. – Você era virgem… e corre o risco de estar grávida – concluiu com suavidade. Por fim. Ninguém mais faz isso. ele recuou. O faiscar do diamante contra a luz do sol lhe atraiu o olhar de volta ao anel estonteante que lhe adornava o dedo. não querendo se aprofundar no assunto. Theron talvez não quisesse se casar com ela. As duas mulheres haviam sido muito gentis com ela. ele conseguiu abrir a tampa. Com um sorriso hesitante. – Quer mesmo se casar comigo? Está bem. – Temos de nos casar – repetiu Theron. enlouquecia de desejo por ela. Portanto. Mesmo que eu fique grávida. não usei proteção. E por isso lhe peço desculpas. mas seu olhar não mentia. calma. Em seus sonhos. Há providências a tomar. Pergunta inútil. a expressão de Theron se fechou. revelando um diamante que captou a luz que incidia pela janela e faiscou contra os olhos de Isabella. mas remediaremos isso. Podemos comprar uma casa. Isabella sacudiu a cabeça. Onde você preferir. sendo que dessa vez dando ênfase ao “temos”. – Está bem – concordou Bella. E então Isabella permitiu que um pouco de felicidade a inundasse como os raios solares que atravessam a janela. capturando-lhe os lábios com um beijo profundo e sensual. Ou melhor. Mas quero que saiba que não é obrigado a fazê-lo. esqueça isto. essa ideia de colocar um anel no meu dedo apenas pelo fato de que eu era virgem e de que não usamos proteção é bastante arcaica. voltou a fixar o olhar em Theron. Aquilo não era um sonho. Estivera esperando que ela argumentasse? Talvez bancasse a mártir e lhe oferecesse uma recusa chorosa e trágica. Com mais alguns movimentos dos dedos. Acho que estou tão estabelecido nesta cidade quanto você. – E quanto a Alannis? No silêncio que se seguiu. Porém. Ele a queria e. certa de que ainda se encontrava sonhando em sua suíte. Sei que não morre de desejo de se casar comigo. Não queria pensar no sofrimento de Alannis e no desapontamento de Sophia. – Nós nos casaremos o mais breve possível – disse ele. Era difícil argumentar contra aquele fato. tudo que Isabella conseguia escutar eram os sons do beijo. O que não era uma sensação muito boa. lhe deu um abraço apertado. Isabella tentou disfarçar o sentimento de culpa. – Acho que não… quero dizer. – Temos de voltar à sua suíte. – Ela e a mãe retornarão à Grécia amanhã. A não ser que prefira ficar em minha cobertura.uma caixa de joias de veludo caiu na palma de sua mão. estava conseguindo exatamente o que desejava. muito casual. Uma sensação de alívio faiscou nos olhos de Theron. mas em vez de beijá-la. não importava a motivação do pedido. Atônita. . E agora Isabella se via no papel de femme fatale. com duas labaredas nos olhos. definitivamente. e aquilo lhe causou a sensação de que seus ossos estavam se derretendo. Não. alegando que ele não a amava? Theron a envolveu nos braços. ela o observou lhe erguer a mão e escorregar o anel por seu dedo anular. a proposta de casamento de Theron sempre fora romântica.

Ele não pediu exatamente. Sim. Sadie exibiu uma carranca. Reynolds. – Ficarei. Apenas não com ela. Isabella o observava fazer um sem-número de ligações. Uma batida à porta interrompeu sua dissertação sobre aqueles telefonemas. – Será perfeito. Talvez tivesse esperado que ele parecesse… não sabia dizer. – Ele a pediu em casamento? – Shh. e aonde isso me leva? – Tem razão. Mas se eu não me casar com ele. tão envolvido se encontrava com os telefonemas. que estivera fazendo planos com Theron. – Não serei capaz de fazê-lo se apaixonar por mim se não convivermos um com o outro. Reynolds escancarou a porta e lhe dirigiu o olhar. Agora falava sabia Deus com quem sobre voos e jatos. Ele precisa apenas de um tempo. Comunicou que nos casaríamos. mas tenho de aproveitar qualquer oportunidade que me for dada. agarrando a mão de Isabella. Em seguida. Um rápido olhar ao redor revelou que Theron não prestava atenção a elas. – O que está acontecendo? – perguntou a amiga. Theron sente algo por mim. E vai além do simples desejo sexual. Primeiro. Talvez não imediatamente. Isabella apertou a mão da amiga. tem razão – concordou Sadie. Mas seus olhos se iluminaram tão logo a avistaram. Você sonhou com isto durante tanto tempo. onde se encontrava Isabella. Theron se casará com Alannis. Queria que fosse algo perfeito para você. e ela correu na direção do sofá. e quanto ao amor? Ou ao menos uma razão legítima que date deste século. vamos voltar para o hotel – disse ele. o ideal seria que ele me amasse agora e que fôssemos nos casar pelas razões certas. Noivo? Mas Theron estivera noivo por vários dias. Sadie franziu a testa. Sadie projetou a cabeça para dentro. Isabella não conseguiu ver de quem se tratava.– Agora. – É que eu estava esperando algo mais. Da extremidade oposta da sala de estar de sua suíte. Pela forma como o segurança segurava a porta. mas um instante depois de atendê-la. se acabou com este falatório sem sentido. que eu poderia estar grávida e que precisávamos nos casar. Isabella fez um gesto sutil com uma das mãos para que a amiga entrasse. e outras coisas que ela não entendia. mas será. Isabella sentia a cabeça rodar. O dia em que Theron disser “eu te amo” fará valer a pena tudo que aconteceu para chegarmos a esse momento. Falou apenas que havia tirado minha virgindade. – Está feliz com isto? Isabella sorriu. alguns telefonemas relativos ao trabalho se sucederam. – Oh. Isabella não disse nada. THERON NÃO parecia nem um pouco diferente. se encaminhou à porta e a abriu. mas ergueu a mão que ostentava o anel para que ela pudesse ver. Disso eu tenho certeza. Theron está ao telefone – murmurou Isabella. Isabella olhou para a amiga e deixou escapar um suspiro. . rouco. – Tem certeza de que deseja se casar com um homem por essas razões? Quero dizer. – E o que ele disse então? E quanto a Alannis? – Não muito. com o olhar cauteloso. meu Deus! – exclamou Sadie. – Sadie Tilton deseja vê-la. – Parecia tão estranha quando me telefonou. – E sim… bem… mais ou menos isso. Ele é tudo que eu sempre quis. ele falou com o proprietário do apartamento que ela havia alugado.

tornou a sorrir. – Não tenho a menor ideia do que está me contando – respondeu Isabella com voz suave. Ainda havia o telefone. suponho que também não tenha intermediado meu encontro com Howard – murmurou Sadie. Sentindo o corpo enrijecer. e começou a lhe desabotoar a camisa de cima para baixo. planos para o hotel. o olhar a queimando com uma intensidade silenciosa. enquanto continuava a conversar sobre cifras. Mas Bella se limitou a sorrir. os dois ficaram sozinhos. Isabella fechou a porta e. Sadie se inclinou para a frente e lhe deu um abraço apertado. Isabella segurou a mão que ele mantinha entre os corpos de ambos e a guiou ao seu peito. mas ao mesmo tempo. o aluguel. escorregando pelo peito de Theron. – A amiga sorriu. Como se sentisse os olhos de Isabella fixos nele. Bem… quase. tudo que Isabella desejava era que todos se retirassem daquele quarto e os deixassem a sós. Instantes depois. Não que eu esteja pensando que ele fez tudo isso por outra razão que não impedi-la de ir ao clube. mas quando seguiu o olhar de Isabella. Ele ergueu a cabeça. – Você conseguiu um bom homem. Bella. e ele chegou a se calar por duas vezes. a escorregando sob o decote da blusa. Não precisava fazer isso. que parecia ter escutado a pergunta. Isabella ergueu um olhar confuso para encarar a amiga. ele tentou afastá-la. a conta bancária. pela primeira vez desde que ele lhe pusera aquele anel no dedo. Os olhos escureceram quando Isabella pousou as mãos em seus joelhos e. porque anuiu com um gesto de cabeça e gesticulou com a mão. finanças. fico grata. Envolta naqueles braços fortes seria capaz de esquecer muitas das suas preocupações. – Que diabos está dizendo? – O apartamento. embora aquela não fosse uma pergunta. Isabella fez um movimento negativo com a cabeça e Sadie franziu a testa. em seguida. está bem? Isabella retribuiu o gesto. – Isabella voltou o olhar para Theron. – Está bem. – Ergueu-se e caminhou na direção de Reynolds. – Agora que está tudo resolvido. – Pode levar Sadie para casa? – perguntou. Reynolds relanceou o olhar a Theron. como se a estivesse negando. – Ele é um bom homem. Se fosse uma noiva adequada. Nada daquilo a interessava tanto quanto a possibilidade de vê-lo nu. – Você não providenciou para que meu aluguel fosse pago por um ano? – Nã… não. Para que eu não tenha de voltar a trabalhar no clube. Theron cerrou o punho.Sadie sorriu. Lentamente. ela o deixaria sozinho e se tornaria invisível enquanto ele conduzia . a amiga pereceu surpresa. Incluindo o fato de ela não ser a mulher que Theron havia escolhido como esposa. A voz de Theron se tornou notoriamente tensa. Theron ergueu a cabeça com o fone ainda encostado ao ouvido e a encarou. blá-blá-blá. liberando-o. Por um instante. De repente. ela se encaminhou na direção de Theron. – Então. quando perdeu a linha de raciocínio. – O que acha de eu pedir a Reynolds que a leve até sua casa? – cochichou Isabella para Sadie. – Mas não saia da cidade sem me avisar. As duas giraram a cabeça na direção de Theron ao mesmo tempo. tenho que lhe agradecer. montou sobre as coxas musculosas. que se encontrava sentado à mesa diante da janela.

juntou-lhe os punhos acima da cabeça. livrando-a de cada peça de roupa. Isabella tentou suprimir um sorriso. encarando-a. E então começou a lhe desabotoar a blusa. Ignorando o olhar de desaprovação de Theron.os negócios. – Gosta dela? – murmurou. ela o ouviu rosnar uma resposta para a pessoa do outro lado da linha e. Em seguida. Uma torrente de palavras em grego escapou pela boca de Theron. – Faça o que estou mandando. atirando-a sobre a cama. libertando-lhe a masculinidade. Se ele continuasse a resistir por mais tempo. Quando seus lábios o tocaram. Isabella o encarou. teria de lhe dar o crédito de ser um homem controlado e duro na queda. Isabella sorriu. Bella. Mais um minuto. Os dedos longos lhe roçavam as costas. e então ela se deu conta de que ele traçava o contorno de sua tatuagem. Um sorriso bailou nos lábios de Isabella. – Dispa-se – sugeriu ele com voz sedutora. e manteve as mãos acima da cabeça. pethi mou. Mas Isabella já provara não ser perita em suprimir os próprios desejos. Não no que se relacionava a Theron. e reapareceria depois. – Vire-se de bruços. Isabella arqueou uma das sobrancelhas. Isabella estremeceu diante do tom autoritário. Isabella inclinou a cabeça. Sentiu a respiração pesada e a resposta estrangulada que Theron deu a quem quer que estivesse do outro lado da linha. Quando concluiu a tarefa. mesmo enquanto ele a segurava com força pelos braços e a erguia no colo. confusa. em seguida. Isabella soltou uma risada. espalmando as mãos sobre seus ombros. ela girou até que o abdome ficasse pressionado no colchão. Todo o corpo de Theron enrijeceu e se contraiu quando ela lhe acariciou a ereção igualmente rígida. Theron estava determinado a concluir. Devagar. – Essa não é uma tarefa sua? Theron se inclinou para a frente. que caminhava na direção do quarto. – Esta tatuagem tem me deixado enlouquecido desde o primeiro dia em que você entrou em meu . segurando-os com uma só mão para deixar a outra livre. o que está tentando fazer comigo? – perguntou ele. mas ao que parecia. com movimentos bruscos pela impaciência. – Terei de expulsá-la do meu escritório se pretende fazer isso quando eu estiver resolvendo assuntos de trabalho. Hum. Isabella lhe daria mais dois minutos no máximo. – Theos. Os dedos longos lhe exploravam a nudez mesmo enquanto ele a instava a se virar. inclinou-se para a frente e pressionou os lábios no tórax musculoso. soltou-lhe as mãos. desabotoando-lhe o zíper da calça. na altura da cintura. Enquanto afastava as lapelas do blazer que ele usava. escorregou das coxas musculosas e prosseguiu sua exploração. Ela podia ter começado aquilo tudo. sentindo Theron se inclinar para a frente outra vez. enquanto ele quase rasgava a camisa e a calça para se livrar das peças e jogá-las longe. o som inconfundível do aparelho contra a parede.

– Diga-me que você não é um desses homens que igualam a presença de um hímen à total ignorância da mulher em relação ao sexo. – Por completo. Queria tudo que ele tivesse a lhe oferecer. sustentando-o sobre um dos cotovelos para encará-lo. – Ora. pare com este ataque de testosterona. E de repente se encontrava dentro dela. – Não há nada o impedindo de fazê-lo – retrucou Isabella. Isabella ergueu o tronco. em uma explosão que reverberou no âmago de Isabella. – O que quer dizer com isto? Com quem teve experiência? Isabella espalmou a mão sobre o peito largo. – Nunca disse que era inexperiente – retrucou Isabella em tom de voz leve. Os lábios de Theron encontraram os de Bella. Isabella sorriu. quando ela se aconchegou sob o arco do braço musculoso. Theron a marcava a fogo com uma trilha úmida em torno da tatuagem e. – Afastando-lhe as coxas. Isabella se sobressaltou e fechou os olhos quando sentiu a língua quente fazer contato com sua pele. – Acho que pensei que não seria provável que uma pessoa inexperiente pudesse ser tão… – Boa? – perguntou ela. Quando sentiu o peso do corpo de Theron relaxar contra o seu.escritório – resmungou ele. Theron lhe dirigiu um olhar que deixava claro sua reprovação àquela provocação. e ainda assim. segurando-o firme enquanto ele investia dentro dela repetidas vezes. – De fato. Você é o único homem com quem fiz amor. preenchendo-a totalmente. – Eu o desejo tanto… – Então se apodere de mim. – Aqui – murmurou. Theron parecia desconfortável em seu esforço para encontrar a resposta adequada. ele ergueu a cabeça para encará-la. Isabella enroscou os braços e as pernas em torno dele. sabia? – Desde que nunca decida participar com outro homem – disse ele. ele rolou para o lado e a puxou para o círculo seguro de seus braços. depositou um beijo sobre sua espinha. Dessa vez. – Tive ímpetos de atirá-la ao chão e traçar o contorno deste desenho com a língua. Theron – sussurrou. animada. provocante. Tenso. – Onde apenas eu possa apreciá-lo. doces e quentes. – Eu lhe ensinarei tudo que precisa saber. desejava mais. não. Bella mou? – perguntou Theron. – O que quis dizer com isto? – Você era virgem e ainda assim me seduziu como alguém com vasta experiência. antes de ele inclinar a cabeça e lhe depositar um beijo sobre os cachos na junção das coxas sedosas. . Isabella deixou escapar uma risada. – Não me provoque. Podemos obter experiência sem participação. brusco. e sim de um demônio tatuado em você. sentindo os dedos longos lhe acariciarem o ombro. – Não deveria ter o desenho de uma fada. ele a cobriu com o corpo. – Onde aprendeu tanta ousadia. Bella. atingiram o clímax juntos. deixou escapar um suspiro de contentamento. Após um instante. Ela sorveu tudo que podia daquele homem. em seguida. – E onde sugere que eu tatue esse demônio? Os lábios sensuais se curvaram em um meio-sorriso. Isabella exibiu outro sorriso e rolou para deparar com o olhar ardente de Theron.

Bella mou. fique à vontade para me ensinar. fazendo-a colidir com um baque suave e os lábios a milímetros dos dele. . então. Theron a puxou contra si.– E talvez. como discutimos antes. Descobrirá que sou um aluno aplicado. haverá coisas que eu possa lhe ensinar também. – É mesmo? Está bem.

O que realmente gostaria de perguntar era se a família ESTICOU . é muito sagaz. – Muito. agora que Chrysander se estabeleceu na ilha. Neste momento. – Aquele que eu disse que não conheço. mudando de posição no assento. Theron anuiu. Ela já conseguia avistar as luzes minúsculas no solo. está voltando do Rio de Janeiro. – Eles passaram por muitas coisas juntos. e a recíproca será verdadeira. – Aterrissaremos em breve – informou ele. Marley é boa para o meu irmão. Isabella bocejou e anuiu. – É o que mais viaja de todos nós. Suavizou-o na medida certa. – Sua mãe o maltratava? – perguntou Isabella. – É casado ou comprometido? Theron soltou uma risada. Tem aversão a um envolvimento maior que a duração de um caso passageiro com qualquer mulher. é Piers. – A expressão de Theron se fechou. que ergueu um olhar questionador e sonolento. – Gostará deles. – Embora faça tanto tempo que não vejo Chrysander que será como vê-lo pela primeira vez também. Acho que terei de pensar em um modo de manter essa sua boca ocupada. – Isso parece… ótimo. pethi mou? – Piers – respondeu ela. onde vem supervisionando a construção de nosso novo hotel. – Você. Ele sempre pareceu tão… frio. – Como Marley é? Admito que é difícil imaginar uma mulher capaz de subjugar Chrysander com tanta facilidade. Piers é… bem. – Isso não é para Piers. Isabella conseguiu exibir um sorriso tenso. com certa impaciência. tentando afastar a névoa do sono que lhe embotava a mente. e não conversamos – disse ela. sem rodeios. – Não tem nada a temer – afirmou Theron. – A qual está se referindo. Bella mou. – Quanto à sua pergunta. Theron sorriu. Isabella bocejou outra vez e franziu a testa. – Não foi fácil. – Theron deu de ombros. Chrysander é um homem de sorte por tê-la. pegaremos um helicóptero para a ilha. Eu o vi apenas uma vez. – Estou ansiosa para conhecer Piers oficialmente. Theron negou com a cabeça. – Então você gosta dela? – quis saber Isabella. Como ele é? Theron ergueu uma das sobrancelhas. – E Marley? – Isabella questionou à media que o jato particular iniciava a rota descendente. tranquilizando-a.Capítulo 16 THERON o braço e prendeu o cinto de segurança de Isabella. – Você não é muito coerente quando acaba de acordar. – Depois.

junto com o bebê. Está ansiosa por conhecer Isabella. – Marley os aguarda na sala. – Antes que ambos digamos algo que o deixará constrangido. enquanto subiam a bordo. . se encontrava parada próxima ao sofá. – Desculpe. A casa era absolutamente deslumbrante. mas em seguida. – Em seguida. na direção do helicóptero que os aguardava. Com um sorriso largo. Chrysander soltou uma risada abafada e gesticulou para que os dois passassem. Theron segurou o braço de Isabella. Uma mulher pequena. Theron abriu a porta do helicóptero e saiu com o corpo inclinado para a frente. mas teriam esperado que Theron se casasse com Alannis por razões financeiras? A mão longa encontrou a dela. O ruído dos motores se avolumou impedindo qualquer conversação. Com a mão pressionada às costas de Isabella para mantê-la inclinada. pouco antes de o jato tocar o solo. o helicóptero baixou no bem iluminado heliporto. esticou o braço e a ajudou a saltar. enquanto se aproximavam da fonte de luz. Alguns minutos depois. enquanto a envolvia em um abraço. Chrysander passou pelos dois para orientar. Ele sorriu e a fez relaxar a ponto de retribuir o sorriso. – Obrigada por me fazer parecer uma adolescente que acabou de aposentar o aparelho dentário e os primeiros sutiãs – brincou ela. até mesmo desde sua formatura – disse ele. em grego. e Theron se limitou a anuir com um gesto de cabeça. e os dois entraram. E a praia… Podia sentir o cheiro do sal no ar e as ondas estourando a distância. com semblante severo. na direção dos jardins iluminados que levavam à casa. mas queria ver de perto e enterrar os pés na areia. – Verei quando voltarmos. – Como estão minha irmã favorita e meu sobrinho? – Sou sua única irmã – lembrou ela. como você cresceu. e Theron a guiava. Isabella se inclinou sobre o corpo de Theron. Isabella o reconheceu: Chrysander. certo? – Ela sorriu quando ele se acomodou ao seu lado. de cabelo escuro e com um cobertor envolvendo algo nos braços. Isabella permaneceu de bom grado com os dedos entrelaçados nos dele durante todo o tempo em que o avião particular taxiava na pista. como Theron sem dúvida descobriu. Isabella não pôde evitar o rubor que se espalhou por seu rosto. Em seguida. Está longe disso. Mesmo de longe. A viagem através da escuridão da noite era um pouco desconcertante. e Isabella mal podia esperar até vê-la em plena luz do dia.de Theron não teria gostado mais de Alannis. teria providenciado para que pernoitássemos no continente. o homem que recolhia as bagagens do helicóptero. Dessa forma. Chrysander a encarou com óbvia surpresa e deixou escapar uma risada. – Theron! – exclamou ela e se encaminhou na direção dos dois. O que achariam de ele estar se casando com outra mulher? Não sabia qual era o pensamento deles. – Por que não para de procurar o que dizer e nos deixa entrar? – perguntou Theron. ele a afastou correndo pela área de pouso de concreto. – Isabella. Instantes depois. apressado. ele a ergueu. quando interromperam o abraço. em um abraço. Quando se aproximaram da entrada. um homem surgiu à porta da frente. – Se tivesse pensado melhor. você poderia observar a beleza da ilha à luz do dia – disse Theron. e o piloto gesticulou para Theron quando o desembarque poderia ser feito em segurança. Theron apontou para um clarão a distância. desembarcavam.

E então Marley fitou Isabella. – Não se preocupe. revirou os olhos e. – Marley suspirou. um pouco mais magro que Chrysander. seguindo os diálogos com o olhar enquanto comia. e lhe dirigiu o que Isabella suspeitava ser o máximo que ele conseguia se aproximar de um sorriso. mas. Marley fazia perguntas genéricas a Isabella. eu diria – disse Isabella. chame-me de Bella. Os homens nem sequer notaram quando as duas saíram à francesa. Por mais de uma vez. Ficarei com ele até que se acalme. O coração de Isabella se derreteu ao detectar o amor nos olhos de Chrysander. E posso dizer o mesmo. com a alma refletida no olhar. Era exatamente aquilo que desejava. – E esta deve ser sua futura esposa. Piers permaneceu calado. Esforçou-se para não suspirar. Era de longe o mais alto dos três irmãos. Não queria que mais ninguém soubesse que tramara para entrar vida de Theron. esperando não ter se traído naquele momento. sonhadora. – Ele voltou o olhar a Isabella. minha noiva – disse ele. recusando-se a se esquivar da inevitável estranheza daquela situação. quero que conheça Isabella. O jantar transcorreu em meio à conversação casual. olhando ao redor. como dissera. os olhos azuis faiscando de afeto. Deixamos para jantar mais tarde. – Por favor. inclinando a cabeça para o lado. – Gostei dela. Desesperadamente. Vá comer. Foi um alívio quando Chrysander voltou a se juntar a eles. gesticulou para que ela a seguisse ao deixar a mesa. As sobrancelhas de Piers se arquearam diante da aspereza da resposta. – Aí está você. Theron não parecia incomodado com o comentário que ela fizera. quase negros. Isabella. Ela se apressou em baixar os cílios. O tom da pele também era mais escuro. – Quase não dormimos por causa dele nas últimas duas semanas. – Piers já chegou? – Theron franziu a testa. Até mesmo Piers deixou a reserva de lado e entrou na roda de discussões. girando na direção dela. Naquele momento. Marley captou o olhar de Isabella. entregando o bebê para Chrysander. e depois quero que descanse. Era ruim o suficiente saber que a mulher de Chrysander estava ciente dos motivos por trás de seu noivado. – Fico muito feliz em conhecê-la. Isabella o surpreendeu a observando como se estivesse dissecando as camadas de sua pele. – Estará aqui dentro de alguns minutos – informou Marley. um homem de cabelo escuro adentrou a sala. porém tinha os ombros mais largos que os de Theron. como seus gostos e interesses. como se passasse muito tempo ao sol. Chrysander roçou os lábios na testa da esposa. – Quer que eu o coloque para dormir para que possamos comer? – Como se ele fosse dormir. Theron. – É linda sob a luz da lua. com uma careta. parecia resignado com sua espontaneidade. em seguida. – Quer fazer uma caminhada na praia? – perguntou Marley. – Uma delas. O olhar de uma mulher que sabia ser amada. – Cólica – esclareceu ela. e já faz um . agape mou. Espero que possam dormir com o barulho. como se a estudasse. Isabella é espirituosa. A expressão de seu rosto era suave quando dirigiu o olhar a Theron. com você e Isabella. cansada. Marley sorriu. e a conversa tomou o rumo dos negócios. – Vamos para a sala de jantar – convidou Marley. quando Marley sorriu para o marido. Os olhos eram escuros. envolvendo-lhe os ombros com um braço.– Marley. – Foi trocar de roupa quando ouviu o helicóptero chegando. enquanto os outros irmãos tinham olhos castanho-dourados. Chrysander se posicionou ao lado da mulher.

Mal posso esperar para ver tudo à luz do dia. Qualquer hora lhe contarei. estamos. Isabella recuou a mão. – Não entendo. enquanto ele erguia o olhar para encará-la com expressão indecifrável. – Há determinadas partes de minha anatomia que podem fazer o papel de um bom travesseiro. Theron anuiu. Isabella girou para deparar com Theron e o irmão parados. Erguendo-os até os lábios. – É incrível. Theron a puxou para os braços. Marley estacou e retirou os sapatos. – Eles parecem tão apaixonados – comentou ela. e Marley a guiou pelo caminho de pedra. Seria possível? Seria ele capaz de amá-la? Isabella permitiu que ele a guiasse de volta pelo caminho de pedra. Theron lhe pressionou um beijo nas juntas. Pelo pouco que enxerguei. – Vamos deixar os dois pombinhos a sós. A lua alta cintilava e refletia um brilho prateado sobre a superfície do mar. com as mãos enfiadas nos bolsos. – Os dois têm uma história e tanto. na direção da casa. – Acho que seria melhor permanecermos em quartos separados. pethi mou. mas não quero atrair mais atenção desnecessária para você. As duas transpuseram as portas de correr. divertido. O céu estava claro e salpicado de estrelas. Por que não podemos dividir o mesmo quarto? Estamos noivos. ela conseguiu relaxar. A mágoa e a humilhação a atingiram direto no peito. – Acho que nunca vi nada tão lindo. . amando o contato formigante da água em seus pés. eu lhe devo o respeito de não anunciar para meu irmão e a esposa nosso relacionamento sexual. – Eu lhe disse que a encontraríamos aqui – afirmou Chrysander. E como tal. Isabella soltou uma risada suave e escorregou uma das mãos pelo braço forte. – Este é meu lugar favorito no mundo – revelou Marley com voz suave.tempo que Dimitri só dorme lá pelas duas horas da manhã. Os sons do oceano aumentavam à medida que o caminho levava à areia. Já basta ele saber que tirei sua inocência. Isabella sorriu. – Minha esposa sempre se refugia nesta praia. Os lábios sensuais se comprimiram por um instante. Marley sorriu quando Isabella passou por ela na direção de Theron. quando transpuseram a porta de entrada. – Oh! É maravilhoso… – Isabella ofegou quando se aproximaram da água. Bella – chamou Theron. – Sim. achei tudo lindo. observando-as. confusa. instando Isabella a fazer o mesmo. Em seguida pisou na espuma que se formou. porém. tudo que desejo é uma cama e um travesseiro macio. Isabella caminhou até a beirada da areia molhada e esperou que outra onda avançasse. – Adoraria. Seria mais fácil se Theron fingisse desejar se casar com ela. E talvez Theron sentisse. – Venha. Deve estar cansada da longa viagem. Ele estendeu a mão quando a viu se aproximar. me impossibilitando qualquer passeio noturno. E pela primeira vez desde que chegara à ilha. Agora. desviando o rosto. e Isabella entrelaçou os dedos nos dele. como se fosse meu pequeno pedaço do paraíso. era quase como se sentisse algo além do desejo sexual.

Então Chrysander e. Isabella fechou os olhos e virou o rosto para o lado. então – disse ela. Um sorriso hesitante e trêmulo. determinada a não expressar nenhuma emoção. – Sou eu que devo me sentir envergonhado por isso.– Ele sabe? Você contou para Chrysander? Theron pestanejou várias vezes. ela o encarou com coragem. Marley sabiam que Theron só estava se casando com ela por seu senso de honradez ultrapassado. Isabella sorriu. – Vou subir para o meu quarto. Em seguida. Posso encontrar o caminho. – Presumo que minha bagagem esteja lá. – Bella… – chamou Theron quando ela começou a subir os degraus. . com serenidade. Girando. consequentemente. surpreso. mas ainda assim ela conseguiu esboçá-lo. Eu sei. Não você. – Não fiz isto para magoá-la. Theron. voltou-se e subiu a escada à procura de seus aposentos. – Eu sei.

mas hesitou ao ouvir as palavras que Theron disse a seguir. com as mãos entrelaçadas na nuca. lambendo suavemente a areia e deixando um rastro de espuma em seu encalço. O astro rei. Isabella apurou os ouvidos para escutar a conversa e. Soavam… resignadas. portanto vestiu um short e uma camiseta. e Isabella estacou à entrada para o caminho de pedra que cruzava o jardim para limpá-los. O mar estava calmo. abrira a janela. Nunca experimentara nada como aquilo. Saiu para o pátio e inspirou o ar salgado e ameno. Havia uma treliça de madeira que garantia a privacidade daquela área. Um olhar ao relógio sobre o criado-mudo revelou que fazia horas que se encontrava deitada. enquanto Isabella se encaminhava na direção da sala de estar. Era o assento de Marley. imersa na escuridão. onde se agachou logo abaixo do ponto em que . Sem se dar o trabalho de calçar as sandálias. e os sons do mar a embalavam. Muito agitada. coberta por frondosa vegetação. Ao que parecia. Uma onda de excitamento a invadiu. Fechou os olhos por um breve instante e deixou que a brisa lhe soprasse o cabelo do rosto. Theron estava acordado. Com um suspiro resignado. O céu começava a exibir os matizes do amanhecer na direção leste. deleitando-se com o amanhecer. Quando cruzava o caminho acidentado naquela direção ouviu seu nome ser mencionado. e um sorriso lhe curvou os lábios. e agora amargava a insônia. Isabella caminhou pela praia. Estava muito ferida.Capítulo 17 ISABELLA CRAVOU o olhar no teto. Marley e Chrysander também. sem conseguir conciliar o sono. Estariam discutindo o casamento? Deu outro passo à frente. O ar que penetrava pela janela era ameno. Dormira durante a maior parte do voo. ergueu-se e começou a perfazer o caminho em direção à casa. A certa distância da casa. O horizonte adotava uma tonalidade lavanda pálida. tomou uma decisão. deixando que as ondas lhe fustigassem os pés. poderia caminhar pela praia e ver o nascer do sol. A casa se encontrava silenciosa. tomou o caminho de pedra que levava à areia. O que estava dizendo? Olhou rápido por sobre a cerca que se estendia pelo caminho que levava ao muro de contenção que circundava o pátio. De nada adiantaria perseguir o sono. Sentou-se desajeitada na madeira envelhecida e observou a beleza do cenário que se descortinava à sua frente. avistou um enorme tronco de madeira. Antes de se deitar. enquanto o mundo ia se tornando dourado ao seu redor. Em seguida. como Chrysander definira com humor. Sem saber dizer por quanto tempo se detivera ali. um diamante contra o veludo ainda escurecido do céu. Se não fizesse barulho. esgueirou-se para fora do quarto e cruzou a escuridão do corredor a caminho da escada. em seguida. Saltou a cerca e correu na direção do muro de contenção. Podia ouvir sua risada. jogou as cobertas para o lado e atirou as pernas pela lateral da cama. Os pés estavam cobertos de areia. Vozes soavam a uma curta distância.

mas não conseguia. Não há razão para fazer com que Theron se sinta ainda pior. virou-se para que as costas ficassem pressionadas contra as pedras do muro e se deixou escorregar até se sentar com os joelhos comprimidos contra o peito. Quando entrou no próprio quarto. fechou a porta e se recostou com um baque contra a madeira maciça. sequestrando-lhe a respiração… e as esperanças. Incapaz de suportar a dor causada por aquelas palavras. E sim a Alannis. e despencou no caminho mais curto que circundava os jardins. – Isso me faz lembrar aquela máxima que diz que aqueles que escutam a conversa alheia raramente ouvem elogios à sua pessoa – disse Piers. . incapaz de aceitar o fato de não poder ter o que mais desejava? E. não ouvem. uma vida estável. Ele não a queria. ele ainda se culpava pelo que acontecera. E então se seguiu a declaração que a atingiu em cheio. Estava com tudo planejado. Isabella se ergueu de um salto. Isabella lhe dirigiu um olhar suplicante. Ela escutou Theron relatar sua confusão entre o desejo que sentia por ela e a vontade de tornar Alannis sua esposa. – Não conte a ele que ouvi essa conversa. num sussurro. – E quanto a você? – quis saber ele. O irmão mais novo de Theron a segurou pelos braços e a equilibrou. Queria fechar os ouvidos. e ela fizera tudo aquilo que ele revelava. Não. com lágrimas rolando pelo rosto. certificando-se de passar despercebida ao subir os degraus da escada. Ouvir o modo provocante e explícito com que ela flertara com ele pela boca de outra pessoa fazia aquilo parecer grosseiro e menos intenso do que fora. Não poderia. Bella? – Acho que tenho muito o que consertar – respondeu ela. Não passaria ela de uma menina rica e mimada. Porque amava Alannis. cambaleando pela suave inclinação. Isso tudo voou pela janela com uma rapidez que me deixou zonzo. quase colidindo com Piers. Em seguida. em um momento de repentina clareza. Você já sabe de tudo. Isabella descansou a cabeça sobre os braços. – E quanto a você. Enquanto escutava Theron contar em voz baixa toda a história ao irmão e a Marley. Seu egoísmo e a forma inconsequente com que perseguia seus objetivos e desejos o privaram da felicidade. soube o que tinha de fazer para deixar Theron livre. Aquela era a dura verdade. como se não tivesse planejado seduzi-lo. – Tem razão – concordou Isabella com um fio de voz. Theron não a amava. Todos sabem. E por sua causa. soltou-se das mãos que a seguravam e correu pelo jardim. Não queria nem pensar na dor e no desapontamento que a outra mulher havia suportado. – Uma mulher e filhos… uma família. de angústia e percepção.ficava a mesa do desjejum onde eles estavam reunidos. Seu único consolo era que Theron fazia parecer que ela não fizera aquilo de propósito. Estacou à porta e observou o heliporto por um longo instante. observando-a com olhar perspicaz. como um golpe certeiro no abdome. ele vira arruinada a chance de ser feliz. Entrou. – Eu queria… ter o que você e Marley encontraram – admitiu Theron para o irmão. contornando a casa na direção da entrada dos fundos. – Ao que parece. O casamento com Alannis. uma vida ao lado de uma mulher de quem gostasse. Algo que poderia ser interpretado como compaixão suavizou a expressão severa de Piers. Isabella fez uma longa e dura introspecção e não gostou do que viu. Amar alguém não deveria ser tão destrutivo ou ferir tantas pessoas.

uma lista telefônica ou algo parecido… E depois. Quando a culpa era toda dela. seria ela a fazer a coisa certa. Merecia um Oscar por sua atuação. mas em seguida voltou a erguer a cabeça. Ao contrário. dirigindo-lhe um olhar inquisitivo. Isabella não conseguiu conter um suspiro de alívio. – O que há de errado. de preferência que não constasse da folha de pagamento de Chrysander. . que nunca maculavam a superfície impecável que refletia a luz do sol. Aquilo o faria amargar um enorme sentimento de culpa. pethi mou. – Pareceu triste durante todo o dia. Sob aquela superfície. Quando a refeição foi concluída. Mas dessa vez. deviam existir coisas horripilantes. Sophia lhe entregara um cartão de visitas com seu endereço e telefone quando a convidara a visitá-la na Grécia. erguendo-se da mesa. Piers franziu a testa. não importava o quanto doesse. Isabella girou no círculo dos braços musculosos. Por que não caminhamos na praia? – sugeriu Theron. enquanto Marley lavava os pratos. A pior parte seria fingir que não ouvira uma palavra do que ele dissera. Tinha de descobrir uma forma de consertar aquela confusão. mas Isabella o evitou. precisava encontrar um serviço de helicópteros. entregou-se ao pranto. – Poderíamos conversar? Em particular – acrescentou. Provavelmente Chrysander tinha internet em seu escritório. passou direto. Agora lhe restava pouco tempo para a conversa que teria com Theron. enquanto se erguia. Aquele único pensamento ecoava e fervilhava em sua mente. o quanto lhe despedaçasse o coração. porque conseguira sorrir e até mesmo soltar risadas. ISABELLA VERIFICOU as horas no relógio de pulso. Mesmo se sentindo despedaçada por dentro. perscrutadores e penetrantes.O que Theron lhe dissera? Que fora infiel? Era ele que estava suportando o fardo de suas ações. Theron não lhe pertence. Isabella evitou a mão que ele lhe estendeu. Bella mou? – perguntou ele com aquele timbre grave. em um país do qual desconhecia o idioma. dessa vez. se encaminhou à bagagem que se encontrava no quarto e pegou sua bolsa. precisava falar com Theron. A desonra. Baixando a cabeça. antes que o helicóptero chegasse para buscá-la. além de responder quando a palavra lhe era dirigida. os olhos a procurando com frequência. Por um instante. Isabella sabia que aquela era a verdade. parecia zombar dela com sua serenidade enganosa. – Theron – disse ela. após um almoço frugal servido no pátio. O belo tom de azul brilhante que se estendia na direção da linha do horizonte a atormentava. as mãos fortes se fecharam sobre seus ombros. com os pés imersos na areia. se decidisse retomar seus planos de viajar para a Europa. – Claro. permitiu que as lágrimas lhe escorressem pelo rosto e caíssem no piso. Limpando as lágrimas com o dorso de uma das mãos. Tarefa nada fácil ali naquela ilha. pedindo desculpas com olhar para os demais. O mais importante era não deixar que Theron soubesse que ela havia escutado aquela conversa. Criaturas que nunca viam a luz. não conseguiu acalmá-la. enfim encontrando coragem para encará-lo. determinada a se recompor. que. Não importava que aqueles planos houvessem sido feitos para se aproximar de Theron e abandonados quando soube que ele se estabeleceria em Nova York. Em vez disso. Em seguida. Como se seu coração não estivesse partido. Quando Isabella estacou. Teria de sorrir e agir como se não houvesse nada de errado. seguindo para o caminho de pedra. Piers a observara. Theron a seguiu até o mar. Insistira para fazer a coisa certa… de acordo com seus conceitos.

Ele me seguiu até o hotel debaixo de chuva quando saí correndo a pé pelas ruas da cidade para tentar impedi-lo de pedir Alannis em casamento. Nunca amor. disse-me que tínhamos de nos casar. e eu sabia que se sentia culpado por achar que havia me desonrado. mas as deixara escapar como uma súplica das profundezes de sua alma. – Pensei que o havia perdido. Theron anuiu com um gesto de cabeça. esmagando-lhe as esperanças. sem nunca nos dar uma chance. – Quando cheguei a Nova York e soube que você havia se estabelecido lá. E então Theron se virou para encará-la. mas cheguei atrasada. Essa foi a razão pela qual Marcus estava em meu quarto. portanto. concordei. Apenas o brilho nos olhos castanho-dourados revelava o que ele devia estar pensando. mas estava determinada a ter uma chance de fazê-lo me amar. raiva. Havia uma miríade de emoções refletidas naqueles olhos dourados. mas cada vez que o via. Boquiaberto. – Sabia que pretendia pedir Alannis em casamento. – De que se trata? Isabella se soltou e deu um passo adiante.– Há algumas coisas que preciso lhe dizer. Hesitante. e inventei uma série de outras razões que me possibilitassem ficar em contato com você. não diga nada. e não serei capaz de lhe contar tudo se começar a fazer perguntas. Theron respirou fundo e entreabriu os lábios outra vez. No dia seguinte. eu o amei desde minha infância. Movendose com rapidez. E sinto muito. . Confusão. meu amor crescia. Isabella pretendia que as palavras soassem como uma pergunta. Sabia que você não me amava. Estraguei tudo entre você e Alannis. Theron lhe dirigiu um olhar confuso. Pensei que fosse apenas uma empolgação passageira. porque no final eu conseguiria o que mais desejava: você. até que soube que tinha de tentar. optando por alugar um apartamento que nem mesmo queria. Deixe-me concluir. apesar do calor do sol contra sua pele. mudei meus planos. girando outra vez para ficar de frente para ele. No entanto ela o silenciou rapidamente. com as mãos enfiadas nos bolsos da calça. Há muito a dizer. – A única razão que me levou a planejar minha viagem a Londres neste verão foi pensar que você se encontrava lá. – Por favor. – Isabella inspirou profundamente para se recompor. Isabella sustentou o olhar de Theron. erguendo uma das mãos. – Mas eu estava errada. fizemos amor em minha suíte. mas Isabella parecia tão atordoada que ele tornou a fechá-los. mas não amor. que planejava construir sua vida ao lado de outra mulher. A expressão de Theron se tornou séria. Seguiu-se um silêncio pesado entre os dois. em seguida. mas depois você apareceu no clube de striptease e. Não poderia viver minha vida afastada do meu próprio sonho. mesmo com as lágrimas lhe escorrendo pelo rosto. e ele desviou o rosto para o oceano. Deixei que dissesse todas aquelas coisas. – Sabe. Theron permaneceu imóvel. Eu estava determinada a tentar seduzi-lo para afastá-lo dela. Isabella se inclinou para a frente e lhe depositou um beijo no rosto. – Eu o persegui incansavelmente. os soluços silenciosos lhe sacudindo os ombros. – Isabella esfregou as mãos nos próprios braços. Os lábios de Theron se comprimiram até formarem uma linha fina. antes que ele pudesse esboçar reação. – Você não me ama – prosseguiu ela em um tom de voz surpreendentemente firme. Planejei acabar com sua festa de noivado.

ela entrou na casa. Logo o helicóptero viria buscá-la. . ignorando as mãos que ele esticou para ampará-la. Isabella a recolheu e. Retirou o anel do dedo. Engolindo em seco um soluço que emergiu de sua garganta. – Isabella! – gritou ele também.– Espero que um dia possa me perdoar. A bagagem se encontrava onde ela a deixara. à soleira da porta que dava para os fundos da casa além da piscina. na direção do heliporto. com um último olhar à casa. e o colocou na palma da mão de Theron. saiu correndo para esperar por seu voo. Sem dizer mais nada. saiu correndo de volta para a casa. – Bella! Bella! – gritou Theron às suas costas. Mas ela passou correndo por Chrysander no início do caminho de pedra.

antes de balançá-la em um gesto negativo. Chrysander sorriu. surpreso. Parecia tão implausível. Aquilo lhe parecia muito errado. Theron lhe dirigiu um olhar estranho. Theron inclinou a cabeça para o lado. – Disse o motivo? Até mesmo um idiota com metade do cérebro perceberia que Isabella é louca por você. descendo o caminho de pedra em sua direção. que corria na direção da casa. Nem ao menos sei o que fazer com toda essa informação. – Afirmou que a única razão que a levou a planejar uma viagem à Inglaterra foi pensar que eu ainda vivia naquela cidade. ainda tentando digerir tudo que ela lhe dissera. – Então. desde o dia em que Isabella adentrara seu escritório. Ela deveria estar radiante de felicidade. Não conseguia entender tudo que ela acabara de admitir. Theron anuiu. Chrysander não conteve uma risada. – E eu tenho de escutar uma coisa dessas! Theron contou resumidamente toda a história a Chrysander. a procura pelo apartamento. – Algum problema? – Eu diria que sim – murmurou Theron. Theron cerrou o punho em torno da joia. Foi ela quem me seduziu. – Ela disse que me ama desde criança – revelou Theron arrastando as palavras. Tudo parecia claro. Viu Chrysander se aproximar.Capítulo 18 THERON OLHOU para o anel que se encontrava na palma de sua mão e em seguida para Isabella. A provocação ousada. – Ela acabou de me contar a história mais estapafúrdia do mundo. – Importa-se de me contar? Theron abriu a mão para ver o anel ainda pousado em sua palma. Teria ela o amado por tanto tempo? Aquilo lhe parecia impossível. – Isabella parece uma jovem determinada. Deveria estar no dedo de Isabella. Dessa vez. Chrysander permaneceu em silêncio por um instante. está furioso? – perguntou por fim. e não o fitando com lágrimas lhe escorrendo pelo rosto. – Isabella parecia muito aborrecida – disse Chrysander. – E que só foi para Nova York porque eu estava lá. – Isso não é tudo. O irmão estacou diante dele. – Ergueu o olhar para o irmão. – Furioso? . as compras. agora de posse da informação do que ela planejava. – Ela me devolveu o anel de noivado. Chrysander arqueou as sobrancelhas.

ela é maravilhosa. – Está ouvindo isto? – perguntou Chrysander. a aeronave se ergueu no ar. Mas ela nem ao menos se voltou. – Muito bem. A distância. com Theron logo atrás. certo? Nada como encontrar o amor de uma boa mulher. Foi uma opção minha. e Isabella não estava presente no momento em que tomei essa decisão. enquanto Theron se encontrava paralisado. escoltada por Piers. quer isso o agrade ou não. – Acho que isso define bem seu estado. como está se sentindo? – Lisonjeado? Perplexo? Completa e definitivamente confuso? Chrysander sorriu. austero. – Isabella! – gritou ele. Observou. em me casar e formar uma família perfeita. Chrysander sorriu. Isabella ilumina qualquer ambiente em que esteja. e Theron disparou na frente dele. quando Chrysander estacou. E Isabella o impediu. virando à esquerda para contornar os jardins. em seguida. viram o helicóptero aterrissar. Os dois saíram correndo pelo caminho. distinguiu o ruído inconfundível de um helicóptero se aproximando. quando a perfeição estava diante de mim o tempo todo. – Eu a amo – sussurrou Theron. as portas se fecharem e. – O suficiente para deixá-lo de joelhos. Chrysander. Mesmo antes de terem visão plena daquela área. – O próximo chegaria amanhã. – Tenho de descobrir para onde ela foi. Não pedi Alannis em casamento. cabeça-dura… – Theron seguiu pisando duro pelo caminho de pedra. tentando alcançála a tempo. Não poderia ouvi-lo acima do ruído das hélices. – Você chamou o helicóptero? Chrysander negou com a cabeça. impotente. quando chegou à margem de concreto da pista. ganhando altura e se dirigindo ao continente. estive focado no desejo de ter uma esposa e filhos. quando Piers partisse. Chrysander xingou. Chrysander gesticulou. para o piloto. o caminho mais curto até o heliporto. – Não se trata de um dos nossos – afirmou Chrysander. – Theron retornava à casa. com Chrysander em seu encalço. Absoluta e completamente. Mas quando viraram a curva e Theron avistou Isabella parada diante da porta do helicóptero. Marley surgiu à porta dos fundos. Ela poderia ter qualquer homem que desejasse. Elas são capazes de nos fazer perder a cabeça. Theron fez um movimento negativo com a cabeça. – Durante todo esse tempo. Theron apurou os ouvidos. Consegue me enlouquecer. – Meu Deus. – Por que está me dizendo tudo isto? Ao que parece. que lhe envolvia os ombros . Mas ela me quer. que se abria. – Tola.– Você queria se casar com Alannis. Theron girou para se deparar com a expressão confusa do irmão. Encontrava-se no meio do trajeto até a residência. tem uma jovem transtornada que parece determinada a fazer o que julga ser melhor para você. Theron franziu a testa e fechou os dedos em torno do anel. sentiu o sangue congelar nas veias. Mais adiante. frenético. disparando naquela direção. – Isabella não me impediu. A preocupação do irmão o contaminou.

com um braço protetor.
– O que está havendo? – indagou o irmão caçula.
Theron passou por ele e Marley, enquanto Chrysander ficou para trás. Em seguida, subiu a escada
correndo na direção do quarto de Isabella, apenas para descobrir que a bagagem que ela trouxera não
se encontrava mais lá. Não havia nenhum bilhete, nenhuma pista de seu destino.
Ele correu de volta para o andar térreo e se juntou aos outros na sala de estar. Chrysander, ao
telefone, tentava descobrir o serviço de helicópteros que ela utilizara e encontrar um jeito de detê-la
assim que aterrissasse.
Piers se aproximou de Theron com expressão fechada.
– Há algo que deve saber.
Theron lhe dirigiu um olhar questionador.
– O que é?
– Esta manhã, Isabella estava na praia, bem cedo. Eu a encontrei do outro lado do pátio,
visivelmente perturbada com algo que escutou durante a conversa que você teve com Chrysander e
Marley. Suplicou para que eu não lhe dissesse nada. Alegou que não queria que você se sentisse
ainda pior.
Theron fechou os olhos; recordava-se de ter detalhado todos os seus desejos. Quando o que de fato
desejava estivera bem diante de seu nariz o tempo todo.
– Sou um completo idiota – resmungou ele.
– Quanto a isso não há argumentos. – Piers esboçou um sorriso oblíquo. – A pergunta é: o que fará
para tê-la de volta?
ISABELLA NÃO levara em consideração as repercussões de pousar em um helicóptero em uma
propriedade que parecia pertencer a uma família grega extremamente rica. Tão logo a aeronave tocou
o solo, foram cercados por uma dúzia de seguranças. Todos armados.
Talvez aquela não tivesse sido uma das suas melhores ideias.
A porta se escancarou, e Isabella se viu diante da expressão severa de um dos homens armados.
Ele rosnou algo em grego, o que a fez encará-lo com expressão confusa.
– Não falo grego – disse ela.
– O que você quer? O que a trouxe aqui? – perguntou o homem com um forte sotaque inglês.
Isabella respirou fundo e tentou ignorar o cano do revólver que se encontrava próximo ao seu
nariz.
– Estou aqui para ver Alannis Gianopolous. É um assunto importante.
– Seu nome – exigiu o segurança.
– Isabella Caplan.
O homem ergueu um pequeno fio e derramou uma torrente de palavras gregas no que ela presumiu
ser um microfone. Instantes depois, baixou o revólver e deu um passo atrás.
– Por aqui, por favor, srta. Caplan.
O homem até mesmo estendeu uma das mãos para ajudá-la a descer. Momentos depois, ela era
escoltada à propriedade palaciana, que ficava situada em um desfiladeiro que dava vista para o
oceano. Em outras circunstâncias, Isabella teria dedicado um instante a invejar um lugar tão
deslumbrante.
– Isabella, minha querida! – exclamou Sophia tão logo ela penetrou na suntuosa mansão. A senhora
a envolveu nos braços e lhe beijou as duas bochechas. – O que, em nome de Deus, faz aqui? E onde
está Theron?

Isabella baixou o olhar por um instante e voltou a erguê-lo para encará-la.
– Preciso conversar com Alannis. É muito importante.
Sophia franziu a testa de leve, preocupada.
– Claro. Está tudo bem?
Isabella exibiu um sorriso trêmulo.
– Não, mas ficará.
– Espere aqui. Vou chamar Alannis – disse Sophia.
Isabella caminhou na direção da ampla janela de vidro que descortinava o precipício que levava
ao oceano. Alannis morava em um lugar perfeito. Próximo a Chrysander e Marley. Todos podiam
formar uma família numerosa e feliz depois que Alannis se casasse com Theron.
– Isabella? – a voz suave de Alannis encheu a sala.
Girando, Bella deparou com a jovem a olhando com expressão obviamente confusa.
– Mamãe disse que você queria me ver.
Armando-se de coragem, Isabella cruzou a sala e estacou diante de Alannis.
– Vim aqui para me desculpar e consertar um erro.
As linhas que vincavam a testa de Alannis se aprofundaram.
– Não estou entendendo.
Isabella respirou fundo.
– Tramei para separar você e Theron. Sabia que ele queria se casar com você, mas eu sempre o
amei e o queria. Nunca parei para pensar no que ele queria ou se eu estava causando o sofrimento de
duas pessoas durante o processo. Você e ele.
– Mas… – começou Alannis.
– Ele quer se casar com você – prosseguiu Isabella, interrompendo-a. – É você que ele quer. Vá
ao encontro dele, Alannis. O helicóptero a está esperando para levá-la até a ilha. Theron ficará feliz
em vê-la. Terminei tudo com ele e lhe devolvi o anel de noivado. Certifique-se de que ele lhe dê um
outro. Você merece um novo começo. Um que não seja maculado por mim. Obrigue Theron a fazer
tudo da maneira certa, com toda a pompa e romance que você merece. – Lágrimas banharam os olhos
de Isabella mais uma vez. – Desculpe-me por tê-la feito sofrer. Espero que sejam felizes. – E se
virou para deixar a casa.
– Espere! – gritou Alannis. – Você não entende…
Tudo que Isabella entendia era que se não saísse dali naquele segundo iria se despedaçar.
Esperava ao menos que o táxi a estivesse aguardando, como providenciara.
– Por favor, mostre-me a saída – pediu com voz estrangulada ao segurança que a acompanhara até
ali. – Há um táxi me aguardando na porta da frente.
Tão logo o segurança abriu a porta, Isabella disparou pelo caminho que levava ao portão de ferro
forjado, que se abriu automaticamente quando ela se aproximou. Para seu alívio, o táxi a aguardava
na rua.
– Para o aeroporto – disse ela ao entrar.
Quando o veículo se pôs em movimento, Isabella viu Alannis gesticulando para que ela esperasse,
mas a ignorou e virou o rosto para o outro lado.
Nunca ninguém lhe dissera que fazer a coisa certa era tão doloroso.
– QUANTO TEMPO levará para que o maldito piloto chegue aqui? – perguntou Theron, escorregando
uma das mãos pelo cabelo, pela décima vez em uma hora.
A frustração o sufocava. Estava preso naquela ilha, até que o piloto de Chrysander chegasse.

Finalmente, agora o homem estava a caminho.
Chrysander pousou o fone e se virou na direção dele.
– O piloto de Isabella a levou à propriedade dos Gianopolous.
Theron o encarou, confuso.
– Por que diabos ela foi visitar Alannis? Não tinha ideia de que ela sabia onde os Gianopolous
moravam.
– Ela está tentando consertar as coisas – interveio Marley com voz suave. – Primeiro com você, e
agora com Alannis.
Theron pegou seu celular para conseguir o número de Alannis. Se pudesse contatá-la antes de
Isabella partir, poderia fazer com que a detivessem até que ele chegasse.
Chrysander lhe entregou seu telefone, e Theron digitou os números. Segundos depois, Sophia
atendeu.
– Graças a Deus! Isabella esteve aí? O quê? Ela partiu em um táxi?
Sophia o informou para onde Bella estava se dirigindo, e ele desligou logo depois, falando para
Chrysander:
– E agora, onde está seu maldito piloto?!
ERA IMPOSSÍVEL comprar uma passagem para deixar o país de imediato. Todos os voos que partiriam
da Grécia nas próximas horas estavam lotados. Por fim, Isabella se encaminhou ao balcão dos voos
charter e apresentou seu cartão de crédito, que ela esperava ser de fato um platinum, como estava
escrito nele, e alugou um jato particular para levá-la até Londres.
Ao menos agora estava a bordo, aguardando que o jato fosse abastecido e rumasse para a fila de
decolagem. A exaustão parecia lhe triturar os ossos. A noite insone somada ao desgaste emocional
daquele dia haviam lhe sequestrado as forças.
Recostou-se no assento e fechou os olhos. Ouviu um farfalhar a distância e supôs ser o piloto.
Porém, em seguida, sentiu o contato de lábios macios contra os seus e abriu os olhos.
Theron afastou a cabeça e lhe segurou o rosto com ambas as mãos, enquanto ela o encarava,
atônita. Ele parecia… bem, ele parecia um trapo. As roupas estavam empoeiradas e amarfanhadas, o
cabelo, despenteado, e os olhos dourados faiscavam com o fogo que refletiam.
Antes que Isabella pudesse dizer qualquer coisa, ele a beijou outra vez, esquecendo a gentileza
anterior. Puxou-a contra si, violando-lhe a boca até deixá-la sem ar.
Em seguida, afastou-se e resmungou uma ordem em grego na direção da cabine de comando. Para a
contínua surpresa de Isabella, o jato se pôs em movimento, com Theron dentro.
– Espere! – protestou ela. – Este jato está indo para Londres. Não pode ficar aqui. E quanto a
Alannis? E sua família?
Theron a ergueu do assento nos braços, se encaminhou ao sofá e se sentou com ela em seu colo.
– Não deveríamos estar em nossos assentos com os cintos de segurança atados até levantarmos
voo? – perguntou ela, atordoada, ainda incapaz de entender a presença de Theron naquele jato.
– Eu a segurarei se houver uma inesperada turbulência – garantiu ele, com voz sedosa. – Agora
que você não pode fugir para nenhum lugar e a tenho toda para mim, terá de ouvir atentamente cada
palavra que vou lhe dizer.
Os olhos verdes se arregalaram, e Isabella se viu boquiaberta. Theron lhe traçou o contornou dos
lábios carnudos, antes de substituir os dedos pela própria boca.
– Mulher tola, impetuosa, linda e frustrante – murmurou ele. – Se pensa que se livrará de mim
depois de me fisgar e prender, está muito enganada, Bella mou.

certa de que sonhava. hesitante. Theron a encarou com expressão séria. provocando um tamborilar suave no peito de Isabella. Na verdade. estava ansiosa para que eu a encontrasse e colocasse este anel de volta em seu dedo. – Mas eu ouvi o que disse a Chrysander sobre desejar o que ele e Marley possuem. Mas já havia colocado meu plano em relação a Alannis em ação. – Estou apaixonado por você – respondeu ele. com incrível suavidade. Pretendia pedir Alannis em casamento na noite da festa. – Este anel nunca pertenceu a outra mulher. Ela o observava. – Ela não está? Você não está? Quero dizer. Um turbilhão de pensamentos lhe cruzava a mente. Tudo que eu sempre quis. – Apenas você. através do nó que lhe apertava a garganta. – Nunca teria feito amor com você se pertencesse a outra mulher. Não me encaixo em nenhum lugar – afirmou. Mas só o que conseguia ver na minha frente era você. – O que desejo é você. Jamais coloquei um anel no dedo de Alannis. Tive ímpetos de arrancar cada peça de roupa de seu corpo para poder vê-la sem barreiras. Nunca pedi Alannis em casamento. girou a cabeça para que pudesse lhe pressionar um beijo na palma da mão. Isabella parecia perplexa. Ele fechou os olhos e inclinou o rosto para sorver mais daquele toque. E então. Em seguida. uma família. Por um instante. pelo qual ansiava e esperava encontrar estava bem diante de mim. Sou seu desde o dia em que entrou em meu escritório. Acho que soube disso no primeiro dia em que entrou no meu escritório. – Case-se comigo. quentes. apaixonado por ela? – Isabella fechou os olhos e sacudiu a cabeça. Você virou meu mundo de cabeça para baixo e nunca mais voltou a colocá-lo no lugar. . Lutei contra a atração que sentia por você porque tinha que desempenhar o papel de seu tutor. Tudo que eu desejava era você. Theron sorriu e lhe tocou o rosto. pethi mou. Alannis não está apaixonada por mim. minha linda Isabella. enquanto lhe sustentava o olhar. Bella. a expressão de Theron se tornou séria. sentando-a sobre o sofá. – Não a pediu em casamento? – grasniu ela. Em seguida. Havia até mesmo comprado o anel de noivado. Isabella tinha certeza de que seu sorriso seria capaz de iluminar todo o universo. e ele lhe ergueu o queixo com uma das mãos. Apenas me prometa que os teremos juntos. Não consigo imaginar minha vida sem você. Os lábios se colando. Eu a adoro. Isabella ergueu a mão trêmula e lhe tocou a lateral do rosto com a palma. – Temos todo o tempo do mundo. nos dela.A esperança aflorou. Em seguida se inclinou e a beijou mais uma vez. e não ficar pensando em uma forma de despi-la. – Muito. meu precioso amor. – Como é generosa. – Eu também te amo – sussurrou ela. Eu o escolhi para você. ajoelhou-se diante dela e lhe segurou a mão. Quer se casar comigo e me transformar no homem mais feliz do mundo? Theron escorregou o anel de volta em seu dedo anular. Em seguida se inclinou e lhe beijou a junta dos dedos. Vi sua tatuagem e enlouqueci. Theron girou o corpo. enfeitiçada. amarga. – Quer se casar comigo. e aquele que pretendia dar a ela foi substituído por este. sem saber o que dizer. uma esposa. mesmo sabendo que não quero ter filhos de imediato? – Tenho a impressão de que me manterá muito ocupado para pensar em filhos tão cedo – respondeu ele com um sorriso divertido estampado no rosto. agape mou. – Eu te amo. Tudo estava planejado.

Isabella sorriu. – Oh. então você já… é a época do… – Não – retrucou Isabella com uma risada breve. linha e rede. – Bem. Isabella pestanejou várias vezes quando se deu conta de que havia perdido toda a decolagem. eu me casarei com você. o coração flutuando com a doce e inegável felicidade. Theron soltou uma risada. sussurraram seu amor um para o outro incessantemente. E quando os dois uniram seus corpos e almas. Eu te amo tanto! Theron se levantou e a ergueu nos braços. – Sim o quê. – Ela lhe envolveu o pescoço com os braços. então serei capaz de perdoá-la por efetivamente me capturar com anzol. – Está aborrecido porque não lhe contei quando me disse que tínhamos de nos casar? – perguntou Isabella. sem conseguir disfarçar o nervosismo. Ficará muito aborrecida se estiver? Isabella sorriu. – Sua pequena feiticeira. – Sim. – Não estou grávida. pethi mou? – Sim. com o coração se tornando mais leve a cada respiração. – Estou usando um método contraceptivo. . – Se for capaz de perdoar minhas ações idiotas e o fato de não ter feito um pedido de casamento romântico antes. já que chegamos a um acordo. enquanto Theron a carregava para o pequeno quarto nos fundos do avião. Theron franziu a testa e fingiu um olhar furioso.– Você pode estar grávida. por que não fazemos amor nas alturas? – Ele a fitava com devassidão.

ostentavam um rosa brilhante. Piers se encontrava ao seu lado esquerdo. Simplesmente não conseguia se furtar a beijá-la. Sophia e Alannis se divertiram muito ensinando a Marley e Isabella as danças gregas tradicionais. Mais tarde. Theron franziu a testa. O traje da noiva se resumia à parte superior de um biquíni e um sarongue que flutuava delicadamente por suas pernas. Destinado apenas a ele. As unhas dos pés. o doce contra o salgado. o helicóptero veio buscar os noivos para a suíte nupcial que Theron providenciara. na praia da Ilha Anetakis. A beleza inigualável de Isabella lhe fazia o peito doer. e Isabella se tornou sua. Bella. depois de ter retornado à ilha para assistir ao casamento. Não importava que os votos ainda não tivessem sido feitos e que o padre limpasse a garganta de maneira audível. Theron percebeu lágrimas nos olhos da noiva. enquanto Chrysander levava Isabella até ele. Theron aguardava ao lado do padre. enquanto os homens as observaram com sorrisos indulgentes. Theron podia até mesmo perceber o brilho das lágrimas nos olhos das mulheres. – Você não fez isso. As palavras carregadas pela brisa soavam firmes e claras. Intrigado. Uma atmosfera festiva gravitava no ambiente.Epílogo OS NOIVOS compareceram descalços à cerimônia de casamento. Theron recuou enquanto ela desabotoava a sarongue e o desenrolava do corpo. Houve muita dança na praia e. todos se reuniram nos jardins. junto de Marley. Quando ele a carregou para a cama. Alannis e Sophia se postavam do lado da noiva. foram declarados marido e mulher. A tornozeleira captava a luz do sol e faiscava. mais tarde. Isabella sussurrou que tinha um último presente de casamento para lhe dar. Um nó incômodo parecia lhe fechar a garganta ao recitar seus votos para Isabella. Os lábios dos dois se encontraram com ansiedade ardente. E então ele esticou a mão para Isabella e a puxou na sua direção. que Theron se incumbira de pintar em uma noite quente de sexo. a sedosidade contra a aspereza. que ele havia comprado e se deleitado em colocar. diga-me que não entrou em um desses estúdios de tatuagem sozinha e . Os olhos dourados se fixaram no diamante em forma de lágrima que adornava o umbigo de sua noiva. Mas o que lhe sequestrou o ar dos pulmões foi o sorriso radiante que ela exibia. Por fim. Um chalé localizado em um desfiladeiro que dava vista para o mar. Theron sabia que seu nome estava gravado na placa prateada. Quando por fim ele interrompeu aquele contato para que o padre pudesse dar prosseguimento à cerimônia. – Lembra-se de ter me dito que eu deveria fazer outra tatuagem? – perguntou ela com um brilho malicioso no olhar. e todos exibiam sorrisos largos.

atrás de nós. logo acima da junção das pernas. em linha reta abaixo do piercing do umbigo. – Não fui sozinha. . – Ele fez um pequeno discurso quando entrou lá. um anjo segurava um tridente. incrédulo. – Minha diabinha angelical – disse ele. antes de descer a boca mais para baixo. Marley me acompanhou. exasperdo. Isabella encaixou os polegares nas laterais da parte de baixo do biquíni e o desceu. Em seguida se inclinou e roçou os lábios ao desenho. Theron xingou em grego. exatamente no centro.suportou a dor de fazer outra tatuagem. Theron não pôde conter uma risada abafada. Lá. – E Chrysander sabe disso? – Theron meneou a cabeça. Isabella soltou uma risada.

Proibidos a reprodução. 14-12591 CDD: 813 CDU: 821. no todo ou em parte. Livros eletrônicos.1. . Título original: THE TYCOON’S REBEL BRIDE Copyright © 2009 by Sharon Long Originalmente publicado em 2009 por Silhouette Desire Arte-final de capa: Isabelle Paiva Produção do arquivo ePub: Ranna Studio Editora HR Ltda. I.A.br . recurso digital Tradução de: The tycoon's rebel bride Formato: ePub Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web ISBN 978853981566-1 (recurso eletrônico) 1. ed.111(73)-3 PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM HARLEQUIN BOOKS S. 171. Vera. Todos os personagens desta obra são fictícios. . Vasconcellos. 4º andar São Cristóvão. Romance americano. o armazenamento ou a transmissão. tradução Vera Vasconcellos.rivera@harlequinbooks. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Todos os direitos reservados. 2. II. Rio de Janeiro. 2014. RJ B17r Banks.Rio de Janeiro: Harlequin.CIP-BRASIL.com. Rua Argentina. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS. RJ — 20921-380 Contato: virginia. Maya Rebeldia [recurso eletrônico] / Maya Banks. Título.

Capa Querida leitora Rosto Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Capítulo 18 Epílogo Créditos .