Querida leitora,
Quantas vezes na vida pensamos que estamos no rumo certo, que sabemos exatamente o que
queremos e tomando todas as providências para concretizar o plano? Nós nos sentimos confortáveis
e seguros. Mas e se descobrirmos que não era nada disso que queríamos assim que o objetivo é
alcançado?
Esse é o dilema contra o qual Theron Anetakis se debate em Rebeldia. Ele está pronto para criar
raízes, começar uma família, se casar com a mulher equilibrada e apaziguadora que escolheu para ser
sua esposa. Até Isabella Caplan irromper com a força de um tornado em sua vida meticulosamente
ordenada!
Ela dá um jeito de anarquizar com os planos de Theron, e o pior, faz com que ele se questione se
era aquilo mesmo o que queria. Assim, ensina para ele uma das lições mais importantes: buscar o
que realmente desejamos, e nunca nos contentarmos com menos.
Espero que goste da história de Bella e Theron tanto quanto amei escrevê-la. É um romance
cravejado de emoções, porém, o mais importante, é que fala sobre um amor profundo e eterno.
Tomara que você suspire a cada página nessa jornada a um final feliz.
Boa leitura!
Maya Banks

REBELDIA
Tradução
Vera Vasconcellos

2014

a esposa de Chrysander. Era uma mulher mais velha. Embora nenhum dos irmãos Anetakis estivesse disposto a confiar totalmente em outro funcionário. – É melhor ter uma boa razão para telefonar a esta hora – rosnou Chrysander com voz sonolenta. Theron e os irmãos fizeram uma faxina corporativa e reformaram o quadro de funcionários. mensagens e e-mails. Chrysander não seria infiel a Marley. mas tinha esperança de que ele atendesse antes que isso acontecesse. Theron optara por trazer a própria secretária do seu escritório em Londres. Resmungando xingamentos. Sentiu uma pontada de remorso pela probabilidade de acordar Marley. contratos. por fim. A criminosa. digitou o número e esperou. quase irritado. Ao chegar de Londres. ele ainda tentava decifrar aquela bagunça. – Quem diabos é Isabella? – perguntou. fora presa após um acordo judicial. Sem se importar com a diferença de fuso horário e com a possibilidade de acordar o irmão. a ex-assistente de Chrysander. responsável e – o mais importante – leal. – Seus lábios se contraíram em uma expressão desgostosa.Capítulo 1 THERON ANETAKIS separava em pilhas a montanha de papéis de trabalho que a secretária deixara sobre sua mesa para que ele analisasse. Por conta do ocorrido. Assumir os escritórios de Nova York não fora um processo tranquilo. O que quer que aquela mulher representasse na vida do irmão. que se encontrava ao lado de seu pé. após o fiasco com Roslyn. e que se formou com sucesso. deveria ter sido antes de ele conhecer a esposa. – Isabella? – Não havia dúvidas quanto à surpresa na voz de Chrysander. que a ligação se completasse. atirava cartas para a direita e a esquerda. seja lá o que isso signifique. ela era atirada na pilha de assuntos que demandavam sua atenção. Após a descoberta de que um dos membros da equipe da empresa estava vendendo os projetos de um hotel da Anetakis para um concorrente. – Theos. – Estou diante de uma carta na qual ela o informa de seu progresso. Linhas profundas lhe vincavam a testa ao esticar a outra mão para o telefone. Essa mulher não é muito nova para estar envolvida com você? . Theron não perdeu tempo com saudações. Outras tinham como destino a lata de lixo. Mas. Não. – Está ligando a esta hora para perguntar sobre uma mulher? – Diga-me… – Theron fez um movimento negativo com a cabeça. Theron foi recebido com uma pilha de documentos. – Diga-me apenas o que preciso saber para me livrar dela – acrescentou Theron. os irmãos Anetakis se tornaram receosos em permitir acesso ilimitado às informações confidenciais da empresa a outro funcionário. E pensar que a secretária já dera conta da maior parte daquela desordem! Theron estacou diante de uma carta endereçada a Chrysander e quase a atirou no lixo. Chrysander. Quando surgia alguma que merecia mais que um olhar superficial. mas se deteve quando viu o que estava escrito. impaciente. Dois dias depois.

– A pequena Isabella? – perguntou Theron. ela irá para Nova York daqui a dois dias – disse Theron. ou quando se casar. A imagem de uma préadolescente desengonçada. Menina inteligente… – Mas por que está recebendo notícias dela? – quis saber Theron. Não levará muito tempo para que a acomode e providencie o que . De uns tempos para cá tenho estado focado em Marley e nosso filho. – Não estou gostando de sua insinuação. – Bella! Claro – murmurou ele. irmãozinho – disse Chrysander em um tom de voz frio. Chrysander soltou um xingamento. Mas preciso dos detalhes. achei que ela fosse uma ex-amante sua. – Caplan. Em seguida. O escritório de Nova York é responsabilidade minha. – Eu sabia que devia ter obrigado Piers a assumir o escritório de Nova York. a encontrara algumas vezes. Que idade ela teria naquela época? Chrysander soltou uma risada abafada. o grupo Anetakis International atua como seu curador. – E eu repito: quem é Bella? – Theron sentia a paciência se esvair. Isabella Caplan. – Bella não será problema algum. – Theron meneou a cabeça. se lhe acontecesse alguma coisa. – Isso será moleza. Desde então. não é necessária – retrucou Chrysander sem rodeios. sempre procurando passar despercebida. Theron não se lembrara dela até Chrysander mencionar o sobrenome. – Ela não está tão pequena agora. Theron não prestara atenção à jovem. Chrysander soltou uma risada. – Nosso dever para com Bella sumiu da minha mente. cuidaríamos da menina.Chrysander explodiu em uma torrente de xingamentos em grego que fez Theron afastar o fone do ouvido até que o irmão se acalmasse. Lembrava-se de que ela era tímida e modesta. surpreso. isso o torna uma espécie de tutor de Isabella. de rabo de cavalo e aparelho dentário lhe espocou na mente. É uma doce menina. – Embora sua devoção à minha esposa seja louvável. – Não posso deixar Marley agora. Claro que não estou envolvido com essa Isabella. – Claro que não. Nosso pai morreu antes do pai dela. Vou creditar isso na conta de problemas que herdei quando trocamos de filial. – Nesse caso. você deveria saber que. não conseguia conjurar a imagem de Isabella mais velha. Tudo que tem de fazer é ajudá-la a resolver seus assuntos e providenciar o que ela necessita. Isabella deve ter acabado de se formar. mas para ser sincero. E então Theron ouviu o irmão ofegar do outro lado da linha. Certamente você lembra. deixou escapar um suspiro. – Pelo amor de Deus. – Não estou conseguindo pensar com clareza a esta hora da noite. – E por que nunca ouvi esta história antes? – Nossos pais foram amigos e sócios nos negócios por muito tempo. – Que dever? – Theron se surpreendeu. Isabella só terá total controle sobre sua herança quando fizer 25 anos. e a última coisa que eu queria era vê-la causando problemas a Marley. de acordo com esta carta. focado na própria dor. – Estou casado. Isabella comparecera ao funeral de seu pai. A última coisa de que você necessita agora é de outra preocupação. Estava indo muito bem na faculdade. o que acontecer primeiro. portanto assumi a responsabilidade pelo bem-estar de Isabella quando ela ficou órfã. impaciente. mas. O pai de Isabella fez o nosso prometer que. Como agora é você o representante da Anetakis em Nova York. Theron gemeu. Portanto. irmãozinho. – Cuidarei disso. nesse meio-tempo.

Lembrava-se daquela colônia como se fosse ontem. No mesmo instante. A limusine parou em frente ao hotel.” Seria a letra de Theron? Permitindo-se um instante de tolice. fato que informara a Chrysander na carta que lhe enviara. seu motorista por hoje. passando direto pela recepção. ouviu outra batida na porta. Como se isso não bastasse. a fragrância de Theron. encaminhou-se para atender. e esses cavalheiros são membros da equipe de segurança do sr. Caplan. Anetakis. Do lado de fora. esperando sentir a fragrância daquele homem. – Uh… olá – cumprimentou Isabella. – Theron. A expressão confusa de Isabella devia ser evidente. Era óbvio que Theron ainda usava a mesma. Quando adentraram o saguão. enquanto a guiava na direção da saída. O homem lhe estendeu um envelope cor de creme. porque o chofer sorriu e disse: – Seja bem-vinda a Nova York. ao lado do chofer. Anetakis. agradeceu e fechou a porta outra vez. Suave. a bagagem foi entregue em seu quarto. acenando enquanto se aproximava.ela precisa. e tudo que Isabella desejava era se deitar e relaxar naquele assento. srta. e deparou com outro funcionário do hotel à soleira. Isabella sorriu. outros dois homens se adiantaram para ladeá-la. A porta do passageiro se abriu. Em seguida. ela se recostou. o hotel dos irmãos Anetakis. E lá estava. girou o envelope e escorregou os dedos suavemente pelas letras escritas à mão: “Isabella Caplan. e o segurança que sentara no banco da frente estendeu a mão para ajudá-la a sair. quando Isabella havia acabado de se sentar no sofá e retirar os sapatos. Dentro de dez minutos. MAL ISABELLA Caplan passou pelo controle de segurança do aeroporto. o que não ocorria com muita frequência. Anetakis? O jovem pareceu envergonhado. Aquela viagem fora planejada como uma breve parada em seu caminho para a Europa. Para sua surpresa. . Chrysander sempre lhe providenciava uma suíte quando ela visitava Nova York. Theron ainda não sabia. – Providenciei para que alguém recolhesse sua mala no terminal de bagagens – informou Henry. Quando o veículo se pôs em movimento. Resmungando baixo. Privacidade estava fora de questão. mas inegável. A limusine deixou a área de desembarque em direção ao Imperial Park. informando-a de que agora seria ele quem cuidaria de seus assuntos. com um buquê de flores e uma cesta recheada de todo tipo de sortimento de petiscos e frutas. um dos homens da segurança abriu a porta da limusine para Isabella e se sentou ao lado dela. ela ergueu a mão. – Será entregue no hotel muito em breve. – Qual dos srs. – Uma mensagem do sr. Ela ficaria em Nova York… indefinidamente. enquanto o outro se acomodava no banco da frente. mas a viagem de Isabella se tornara algo do passado. Isabella foi encaminhada imediatamente à própria suíte. avistou um homem com uniforme de chofer segurando uma placa na qual estava escrito seu nome. Sou Henry. Mas tudo mudou no instante em que recebeu uma mensagem concisa de Theron Anetakis. e a encontraria em Nova York para providenciar tudo de que ela necessitasse para sua viagem ao exterior. ela encostou o envelope no nariz. Isabella ergueu as sobrancelhas.

Finalmente. – A suíte está a seu gosto? – Sim. Não seria fácil. Caplan… Isabella. na última vez em que ela estivera ali. Enquanto ela esperava crescer para reivindicá-lo. Saber que ficaria onde Theron passava muito do seu tempo lhe causou uma emoção eletrizante. Isabella estava com apenas 18 anos. rouca. e um arrepio de prazer lhe percorreu a espinha. impaciente. Theron se tornara ainda mais desejável. enquanto agitava os pés. – Essa é minha suíte particular. Ou ter morado. O telefone tocou. Não havia necessidade de sair de sua suíte por minha causa. Mas naquela época. Isabella olhou ao redor com renovado interesse. E seu plano para seduzir Theron entrara em ação. A única suíte disponível era… a minha. No mesmo instante. – É Theron Anetakis. – Por que abriu mão de sua suíte? – O hotel está passando por reformas. como Piers estava fora do país e nunca tivera sequer uma conversa com ela. Dando-lhe ordens como se ela fosse uma criança desobediente. Estou ocupando temporariamente outro quarto. Um sorriso divertido curvou os lábios de Isabella. Isabella não esperava que ele se atirasse em seus braços. A viagem à Europa estava cancelada. Estava mais que satisfeita por aquele encontro se dar nos termos de Theron. Mais irresistível. A tornozeleira delicada faiscou com o movimento. – Então onde você está? – perguntou. Assim. – Eu poderia ter ficado em outro quarto. – Obrigada. Isabella soltou uma risada. claro. Estou telefonando para saber se fez boa viagem e se foi acomodada sem nenhum inconveniente. ele e a esposa se mudaram definitivamente para uma ilha de sua propriedade na Grécia. Ao menos Chrysander passara em sua suíte para ver como estava. Em uma caligrafia obviamente masculina. Podiam ter a mulher que quisessem. Eram implacáveis nos negócios.Isabella rasgou o selo e retirou o cartão do envelope. ela reconheceu o sotaque inglês. A beleza jovial fora substituída pela masculinidade sensual. Os irmãos Anetakis eram difíceis. mas também eram leais. e Isabella se achava tão confortável no sofá… Após se forçar a levantar. Quando Chrysander se casara. Arrogante como sempre. Theron havia se tornado ainda mais deslumbrante ao longo dos últimos anos. . Não era a voz de Chrysander e. só podia ser Theron. cambaleou para atendê-lo. e a honra era tudo. esperando não deixar transparecer o nervosismo. – Alô? Seguiu-se um breve silêncio. Está tudo ótimo. ele escrevera as instruções para que ela fosse ao seu escritório na manhã seguinte. O que a fizera se apaixonar ainda mais. Isabella se deixou afundar no sofá e pousou os pés sobre a mesa de centro. – Eu não a reservei – retrucou ele. Foi muita gentileza sua reservá-la para mim. e ele providenciara uma autêntica babá para acompanhá-la em sua visita à cidade. O que motivara sua viagem à Europa fora o fato de Theron morar lá. O que significava que Theron ficara bem mais próximo dela. – Sim – respondeu. – Srta. seria mais prazeroso deixá-lo atônito. As unhas pintadas de um vermelho vibrante lhe atraíram o olhar. O aparelho se encontrava do outro lado da sala. curiosa. arrancando-lhe um suspiro exasperado.

Isabella engoliu em seco a negativa de que iria para a Europa. então – disse Isabella. Um sorriso malicioso curvou os lábios de Isabella. Os irmãos Anetakis eram a personificação da eficiência. – Claro. Lógico. – Está bem. extasiada. antes de viajar para a Europa. srta. Theron se despediu de maneira formal. – Vejo-o amanhã. mas eu não esqueci nenhum detalhe sobre você. – Está bem… Bella – concedeu Theron. Podemos combinar às dez horas? Estou um pouco cansada e gostaria de dormir até mais tarde. Oh. embora fosse um homem educadíssimo. – Tenho certeza de que não soei tão autocrático. Caplan. Deve se lembrar do tempo em que não éramos tão formais… Sei que se passaram alguns anos. antes de acrescentar: – O que estávamos falando mesmo? Theron parecia distraído e. deixando escapar em seguida um som exasperado. Isabella percebeu que ele queria se livrar dela o mais rápido possível. Faça como for melhor para você. Era inútil deixá-lo em alerta de imediato. Ainda mais quando Theron não tinha a menor chance de convencê-la a mudar de ideia. Ela não esperava nada menos que isso. – Por favor. Theron deixou escapar uma exclamação de surpresa que lhe soou suspeitosamente como um xingamento. Isabella. Se ele ao menos soubesse… – Estávamos discutindo suas ordens autocráticas para que eu comparecesse ao seu escritório amanhã. Um sorriso lhe curvou os cantos dos lábios ao abraçar o próprio corpo.– Alguns dias não farão diferença alguma – afirmou ele. Bella. e sabia que não adiantaria argumentar. – É bom que tenha uma estada confortável. – Foi um pedido. chame-me de Isabella. pretendia lhe fazer uma visita no dia seguinte. Um sorriso lhe curvou os lábios. Solicite o serviço de quarto para o jantar. – Recebi suas ordens. Ou de Bella. Haveria muito tempo para lhe comunicar sua mudança de planos. e ela desligou o telefone. sem dúvida. Seguiu-se um silêncio constrangedor. E levavam muito a sério o que achavam ser seus deveres. – Ele começava a ficar impaciente. – Bella. por favor. . Suas despesas serão pagas. – E claro que o atenderei.

Não era necessário assustá-la. Relanceou o olhar ao relógio de pulso e fez uma careta ao se lembrar de que Isabella Caplan deveria chegar dentro de cinco minutos. Sim. Sabia que teria de levar uma vida mais regrada agora que assumira o escritório de Nova York. Franzindo a testa. Ainda bem que poderia se livrar rápido de sua obrigação para com Isabella. Ela e Theron tinham muito em comum. Alannis… Um sorriso tristonho lhe curvou os lábios. em um gesto distraído. O pai de Alannis era dono de uma empresa transportadora.Capítulo 2 THERON SE inclinou para trás na cadeira e observou a linha do horizonte através da janela do escritório. pernas desengonçadas e aparelho nos dentes. Velhos amigos de seu pai. Os pensamentos de Theron foram interrompidos por uma batida na porta. semanas antes. Alannis lhe proporcionaria uma relação de amizade e lhe daria filhos. estava na hora de se casar. Theron se erguera e caminhava na direção da porta para cumprimentá-la. Isabella entraria e sairia para sua viagem à Europa. parecia-lhe natural encontrar uma esposa e formar uma família. portanto. Talvez um acordo fosse o termo mais exato. Ela era proveniente de uma família grega íntegra. autorizando a pessoa a entrar. Não tinha certeza nem mesmo da idade que ela teria agora. – Faça-a entrar – retrucou ele. a secretária. Sua mudança para Nova York tinha toda a probabilidade de ser permanente. aguardando. Providenciaria para que ela tivesse tudo que necessitava. e tamborilou com os dedos sobre o tampo. Caplan está aqui para vê-lo – Madeline. Isso significaria que estaria com mais ou menos 22 anos? Conjurou um sorriso gentil quando a porta se escancarou. visto que Marley não desejava se mudar da ilha que ela e Chrysander haviam transformado em um lar. Sabia apenas que Isabella se formara. embora ele estivesse aberto a aprofundar aquele relacionamento. era natural que acabassem por se unir. Tentou pescar em suas lembranças a imagem daquela moça. quando estacou por um segundo. brusco. Por outro lado. a srta. Theron e Alannis tinham o que poderia ser considerado uma amizade íntima. solicitaria a alguém da Anetakis International que a encontrasse em Londres e arranjaria uma equipe de segurança para protegê-la durante sua estada naquele país. ele ergueu a cabeça. enquanto Alannis chegaria da Grécia dentro de uma semana. E ele lhe daria segurança e proteção. Theron. Sentia-se como uma porta giratória. disse ao mesmo tempo que enfiava a cabeça pelo vão da porta. Algo que discutira amigavelmente com Alannis. sentando-se ereto. aprumou a coluna. mas tudo que conseguia visualizar era uma menina de olhos grandes. E se pretendia morar definitivamente ali. conseguira finalmente alguns minutos para respirar. . Após uma manhã agitada de trabalho com reuniões e telefonemas. – Senhor. Esse era um assunto seu. Os dois formavam um belo casal e se entendiam muito bem.

Duas covinhas se formaram no rosto delicado. expunha aquela faixa de pele à sua visão. se é que aquilo poderia se chamar de blusa. junto com a cintura baixa da calça comprida. A blusa. antes que pudesse se conter. Uma garra invisível parecia lhe esmagar a garganta até fazê-lo mexer o pescoço para aliviar o desconforto. – Como sou agora. Theron se recostou à mesa e estudou a jovem tão segura de si à sua frente. Os últimos anos operaram mudanças radicais em Isabella. – Está fazendo um favor ao meu pai e é seu executor testamentário no que se refere à minha herança até que eu me case. seus olhos se fixaram naquele rosto deslumbrante. Diante dele não se encontrava uma menina. e o som fez uma corrente elétrica subir pela nuca de Theron. contemplando toda sorte de cenários medonhos. Uma insinuação de sorriso lhe curvava os lábios carnudos. tudo que Theron conseguiu fazer foi observá-la como um adolescente cheio de espinhas que experimentasse sua primeira descarga de hormônios. Em seguida. . Theron se pôs em alerta. As linhas que vincavam a testa de Theron se aprofundaram diante do tom sarcástico na voz de Isabella. – Casar? Nos termos do testamento de seu pai reza que você só terá controle sobre sua herança quando fizer 25 anos. ao mesmo tempo que deslizava as mãos pelos quadris. – Planejo estar casada antes dos 25 anos. envergonhado do fato de ter sido pego em flagrante secando-a com o olhar. – Ele era… seu tutor – disse Theron. – Quem é ele? Quero-o muito bem investigado. os olhos verdes não conseguindo disfarçar o divertimento. O cabelo longo e escuro cascateava até abaixo dos ombros. mas uma mulher estonteantemente bela. Um homem teria de ser cego. – Que diabo são esses trajes que está usando? – perguntou ele. Por um longo instante. Ela vestia um jeans justo de cintura baixa. e os dentes brancos quase lhe ofuscaram a visão. O olhar de Theron foi atraído para aquele ponto e para o brilho prateado no umbigo de Isabella. E pensar que se lembrava dela como alguém que costumava desparecer no ambiente em que estivesse presente. surdo e mudo para não notá-la. Tenho cuidado muito bem de mim mesma com uma mínima interferência de Chrysander. E então. suave. Aquele não era o tipo de mulher que pudesse passar despercebido. e isso. Isabella exibiu um sorriso hesitante que o fez sentir aquele gesto até a ponta dos pés. – Ou me casar – corrigiu Isabella. Os cílios longos emolduravam olhos verdes faiscantes. – Chrysander não tem direito de opinar sobre minha maneira de vestir. Isabella arqueou uma das sobrancelhas escuras. Isabella. Ela havia colocado um piercing no umbigo? Theron piscou. eriçando-lhe o cabelo naquela região. quando o sorriso de Isabella se alargou. Ele franziu a testa. A bainha acabava acima do umbigo. – Acredito que seja o que costumam chamar de roupas – afirmou ela com voz rouca.sentindo todo o ar se esvair dos pulmões. – Não pela lei – argumentou Bella. baixou o olhar às próprias vestes. e lhe proporcionou tanto prazer que ele se viu desejando ouvi-lo outra vez. O patrimônio que herdou atrairia uma horda de pretendentes indesejados que a querem apenas por seu dinheiro. – Esse é o tipo de coisa que Chrysander permitia que usasse na presença dele? Isabella soltou uma risada baixa. se ajustava às curvas generosas de seu corpo tão confortavelmente quanto as mãos de um homem fariam. mas está longe de ser meu tutor. Era um som quente e vibrante. Tem de ser muito cuidadosa em sua posição.

Em seguida. Faz algum tempo que não o vejo. enquanto Theron se perguntava como Bella conseguira fazer isso.Outro sorriso curvou um dos cantos dos lábios carnudos. apenas que pretendo me casar antes de completar 25 anos. – Como disse? Mais uma vez um sorriso curvou aqueles lábios sedutores. – É um prazer revê-lo também. enquanto discutimos os preparativos de sua viagem? Isabella sorriu e fez um movimento negativo com a cabeça. Simplesmente mudei de ideia. pousando as mãos em seus ombros e se inclinando para lhe beijar o rosto. em tom educado. encaminhando-se à janela. Os olhos de Theron não conseguiam se afastar daquele ponto. Foi então que um lampejo colorido na altura da cintura fina lhe chamou a atenção. – Porque ainda não tenho nenhum – afirmou ela. passou por ele. e se recostou à janela. Theron levou a mão à testa e a massageou para aliviar a tensão. A suíte é maravilhosa. e as nádegas realçadas pelo jeans muito apertado se moviam de maneira sedutora. Theron. Quando Isabella estacou diante da janela. – O homem que seu irmão contratou para supervisionar meus estudos informou a Chrysander sobre minha viagem à Europa. – Já providenciou os preparativos para sua viagem ou prefere que eu cuide deles? – perguntou ele. . – Não escrevi nada disso para Chrysander – protestou Isabella com suavidade. – Tem uma vista maravilhosa daqui – disse ela. Após limpar a garganta. – Ele deu um passo à frente. segundo a carta que enviou para Chrysander. – Não irei para a Europa. Theron pestanejou e voltou a fixar o olhar naquele ponto. – Fico feliz em saber que fez uma boa viagem e que aprovou a suíte. Nem a cumprimentara da maneira correta. certo de que havia se enganado. a bainha da blusa se moveu. – Peço-lhe desculpas. com malícia. Theron lhe sustentou o olhar. revelando as duas covinhas. – Ainda não respondeu à minha pergunta sobre seu suposto noivo. Theos!. mas o reconheceria em qualquer lugar. Tenho três anos pela frente. portanto não há necessidade de você sair dando ordens para vasculhar o passado de ninguém. – Não mencionei ter alguém em vista. Fiz uma ótima viagem. durante a tentativa dele de decifrar o desenho. Ela enfiou os dedos nos bolsos do jeans. aquela mulher era uma bomba atômica ambulante. Maldito fosse Chrysander por seguir com a própria vida e o atrelar a Isabella Caplan. Uma tatuagem? Era óbvio que Chrysander fora um fiasco como tutor daquela menina. – Sendo assim. revelando uma pequena faixa de pele tatuada. Theron pestanejou várias vezes. – Teria isso algo a ver com seu repentino desejo de se casar? – perguntou ele. Theron se forçou a erguer o olhar para não parecer que cobiçava aquela parte da anatomia de Isabella. Estava sendo rude. por que não vai para a Europa? Era esse seu plano até a semana passada. Qualquer coisa que o impedisse de se ater àqueles seios realçados pela camiseta de tecido fino. Os quadris ondulavam. Posso lhe providenciar algo para beber. A repreensão de Isabella o irritou exatamente por ser mais do que adequada. sentindo o início de uma dor de cabeça. Em que tipo de encrenca ela se metera? Tatuagens? Intenção de se casar? Theron fechou os olhos e prendeu o nariz entre o polegar e o indicador. ao girar para encará-lo. exausto. – Decidi não passar o verão na Europa.

– Vou alugar um apartamento aqui na cidade. quando Isabella voltou a falar. havia a questão da segurança de Isabella. – Nesse caso. os olhos verdes faiscaram. O pensamento começava a tomar forma em sua mente. . Se Isabella se estabelecesse em Nova York. a ideia de um casamento iminente para Isabella não o irritou mais. tenho de ir. – Acho que isso não é o tipo de coisa que deva fazer sozinha – afirmou ele. – Eu apenas afirmei que agora que nos livramos dos preparativos de minha viagem. Tenho de admitir que não estava muito animada a fazer isso sozinha. Ela estava com 22 anos. Talvez amanhã pela manhã. Podemos almoçar juntos também? – perguntou com ar inocente. – Claro que a acompanharei. Muito jovem para se casar nos dias atuais. – Não é incômodo algum. ganhando corpo. cerrou as pálpebras. mas não havia nada além de genuína apreciação e alívio na expressão de Isabella. Pedirei à minha secretária que selecione alguns bairros adequados para você e depois começaremos a procurar. teria de providenciar uma equipe de guarda-costas. e posso utilizá-la. quando se deu conta de que não captara uma só palavra do que ela dissera. Por um instante. – Claro que lhe pagarei um almoço – concordou ele com um grunhido. deixou escapar um suspiro ao constatar que estava realmente em apuros. e vou adorar procurar apartamento com você amanhã. – Desculpe… – disse Theron. – Então. Theron quase engasgou. sentindo uma enxaqueca ameaçar aflorar com toda a força. Em seguida. De repente. mas de modo algum fora da faixa etária adequada. Diabos! Poderia acabar escolhendo um bairro inadequado. sozinha e vulnerável. agradeço sua oferta. Isabella franziu a testa. Chrysander ainda possui a cobertura. A última coisa que precisava era que aquela jovem fosse sequestrada como acontecera com Marley. Alarmes soaram na mente de Theron diante da ideia de Isabella vagando por uma cidade à qual não estava acostumada. e você conhece a cidade melhor que eu. Também tenho de procurar um lugar para morar. Pode usar a suíte pelo tempo que for necessário. E depois. Theron abriu a boca para negar a ideia de que se voluntariara para fazer qualquer coisa com ela. de repente sentindo o colarinho apertado demais. Em seguida. agora que ficarei nesta cidade definitivamente. A expressão de Isabella se iluminou. iluminando-lhe todo o semblante. Preciso encontrar um apartamento. Por que se sentia como se tivesse passado por um rolo compressor? A ideia daquela menina que mal saíra da adolescência ter imposto sua vontade sem considerar sua opinião o fazia se sentir manipulado. Não permitirei que se estabeleça em um lugar qualquer. Agora que ela permaneceria em Nova York em vez de viajar para a Europa. Talvez o melhor que pudesse fazer por ela fosse apresentá-la a um homem que possuísse recursos para lhe proporcionar segurança e estabilidade. mas logo a expressão de Isabella se tornou neutra. mas a gratidão genuína estampada no rosto de Isabella o fez tornar a fechá-la.Theron escorregou a mão para a nuca. Um sorriso largo se estampou no rosto de Isabella. o que pretende fazer? – Ele quase temia a resposta que teria. Theron fez um gesto negativo com a cabeça. ele se veria obrigado a supervisionar os assuntos relacionados a ela e a manter constante vigilância sobre aquela jovem. – Mas detesto a ideia de o desalojar. – Que gentil de sua parte se oferecer para me acompanhar.

Aquilo não lhe tomaria muito tempo. mas não o questionou. Em seguida. Theron teve de firmar os pés com força no chão para não cambalear para trás. . segundos atrás.Em um impulso. e então se concentraria nas próprias núpcias. Mas talvez Alannis tivesse algumas ideias no que se relacionava a Isabella. Após falar com Madeline. e vou procurar um apartamento na cidade. – Obrigada. Madeline pareceu achar graça naquele pedido. ela se precipitou para a frente e lhe envolveu o pescoço com os braços. Isabella se viu envolta no abraço da amiga. escancarando a porta de seu apartamento. retribuindo o gesto. percebeu o corpo de Isabella se moldar ao seu. o qual retribuiu com igual intensidade. e ter de dividir sua atenção entre duas era uma receita infalível de desastre. – Obrigada – disse ela ao ouvido de Theron enquanto lhe dava um abraço apertado. e sentiu todas aquelas curvas que notara havia pouco. e lhe deu rápidas instruções para encontrar três ou quatro opções de apartamentos. e Sadie não perdeu tempo para indagar: – E então? Você o encontrou? Isabella sorriu. – Eu desisti de ir para a Europa. Entre. Se nenhum a agradasse. e mais uma vez Theron refletiu sobre a tatuagem que vira lá. Theron se afastou com delicadeza de Isabella. colidindo contra o peito musculoso. lembrou-se de que Alannis retornaria dentro de uma semana. Theron se recostou para trás na cadeira e cruzou as mãos na nuca. Gesticulando a cabeça negativamente. Quando desligou. É muito bom voltar a vê-la! – exclamou Sadie. A mão longa tocou a porção de pele que ficava exposta nas costas macias. – Acabei de sair do escritório dele. As duas se sentaram na pequena sala de estar. e gemeu. Contava não ter de se ocupar mais de Isabella quando sua futura noiva chegasse. Uma mulher era mais que suficiente. Encontraria um apartamento e um marido para Isabella. fazendo-a entrar. chamou a secretária e lhe pediu para providenciar uma lista de solteiros qualificados. – ISABELLA! – GRITOU Sadie. Apertou o botão do interfone para chamar a secretária. O fato de não saber do que se tratava o desenho o enlouquecia. Isabella lhe deu um beijo no rosto e girou na direção da porta. Theron ergueu o telefone para providenciar a equipe que faria a segurança de Isabella. com os passados verificados e com os prós e contras de cada um. Era óbvio que aquilo se devia ao fato de fazer um bom tempo que não se relacionava intimamente com uma mulher. Talvez os dois pudessem apresentá-la a rapazes qualificados que deviam estar à altura de suas exigências. Fora tão rápido em condenar Chrysander por se envolver com uma mulher tão jovem. podia ceder a cobertura de Chrysander para que ela a utilizasse. Quando ele permitiu que os braços a envolvessem. ele soltou um xingamento e contornou a mesa para se sentar. – Deixe-me chamar o chofer para levá-la de volta ao hotel. e lá estava ele desejando uma ainda mais nova. – Entre. Decidindo que aquela era mais uma tarefa para Madeline. Theron me ajudará – acrescentou com um breve sorriso. E o deixou esfregando o local onde os lábios carnudos lhe tocaram o rosto. Patético. Vejo-o amanhã de manhã. – E…? Isabella deu de ombros.

ansiosa. – Acho que Theron ficou pensando que diabos iria fazer comigo. Sadie soltou uma risada e segurou a mão de Isabella. deixando as belas feições em evidência. são gregos. mas exigem uma aparência estonteante – afirmou Sadie. conseguiu algum papel? Sadie retorceu os lábios em uma expressão tristonha. graduara-se um período antes. Acho que a partir daí verei que rumo as coisas tomarão. – Se ele nunca me vir como um ser inofensivo. – Eu não diria que recebeu bem – respondeu Isabella. Tenho certeza de que estava ansioso por me enfiar em um avião para a Europa o mais rápido possível. Você tem de entender que Theron é um homem muito… uh… tradicional. Quero ouvir todas as novidades sobre sua carreira na Broadway. o olhar faiscando de malícia. – Estou muito feliz por reencontrá-la. – Isabella deixou escapar um suspiro e se recostou para trás no sofá. – Qual é o seu plano? Isabella fez uma careta. ele não teria me dedicado um segundo olhar. Conte-me. Graças a Deus. e se mudara para Nova York para tentar uma carreira na Broadway. tenho um teste na semana que vem. Mas de repente. – Sim. Afinal. Isabella franziu a testa. – Mas servirá até que eu consiga meu grande papel. – Está conseguindo se sustentar? – Tenho um emprego. então conte-me todos os pormenores – estimulou Sadie.– Ele recebeu bem a notícia? Sadie atirou uma mecha do longo cabelo ruivo de sobre o ombro. – Exatamente – murmurou Isabella. será muito difícil me ignorar. – Como ele reagiu quando a viu? – quis saber Sadie. Poucas horas. Um ano mais velha que Isabella. depois de procurarmos um apartamento. Os irmãos Anetakis levam suas responsabilidades muito a sério. Agora. E eu sou uma grande responsabilidade da qual Theron quer se livrar. e tive de mudar todos os meus planos. chega de falar de mim. – É num clube masculino. Por falar nisso. – E então? Ele se encantou com seu charme feminino? – Sadie esboçou um sorriso largo. – Está trabalhando como stripper? . mas acho que sentiu uma mistura de interesse e espanto. – Ah. e não haveria como mudar isso. – Não sei ao certo. Muito elegante e exclusivo. – Quanto tempo fazia desde a última vez em que a viu? Quatro anos? – Argh! Sim. meu corpo está mais curvilíneo agora. e estava com saudade. – Poucos e espaçados. Fazia muito tempo que não nos víamos. – Sadie compreendeu. – Muito bem. Apenas algumas noites por semana. Planejei viajar para a Europa para fazer marcação cerrada sobre Theron lá. fazia. como Chrysander me vê. então é melhor lançar o desafio desde o início. ele se fixou em Nova York. – Que tipo de emprego é esse? Sadie exibiu um sorriso furtivo. ousada. divertida. Isabella observou a amiga com desconfiança. mas não desisti. Pagam muito bem. por fim. – Mas se eu tivesse aparecido vestida como uma jovem grega recatada. – Tenho certeza de que ele notou. Teria sido relegada ao status de irmã caçula. A boa notícia é que vamos almoçar amanhã. O queixo de Isabella pendeu.

Pode escolher qualquer homem. – Só Theron me interessa – retrucou Bella. então está morto. – Tenho total certeza de que Theron se apaixonará perdidamente por você. Theron seria obrigado a me notar se eu me despisse na frente dele. certo? – Sadie piscou. Isabella a observou por um longo instante e. . – Não é uma exigência. – Eu poderia ter umas aulas com você. – Se ele não a percebeu. nesse caso precisamos pensar em uma forma de fisgá-lo.– Nem sempre tiro a roupa – retrucou Sadie. em seguida. com um sorriso. Mas se isso não acontecer… Você é jovem e linda. – É tão bom estar aqui! Senti sua falta. porém ganho gorjetas mais polpudas quando o faço – acrescentou com um sorriso largo. Isabella se inclinou para a frente a abraçou a amiga. soltou uma risada. Sadie retribuiu o abraço de Isabella e. em seguida. e as duas riram até seus rostos estarem molhados de lágrimas. – Eu o amo há tanto tempo! – Muito bem. Sadie também explodiu em uma gargalhada. Como se isso fosse dar certo e eu pudesse fazer Theron se apaixonar por mim. com um sorriso gentil estampado no rosto. Em um impulso. se soltou. Estou tendo um bom pressentimento sobre minha estada em Nova York. com suavidade.

Com toda a certeza. e jamais ofereceria um cumprimento mais efusivo. Depois. se mostraria relutante em encorajá-lo a entrar em um casamento desprovido daquele sentimento. Afinal. Por outro lado. Baixou o olhar à virilha como se esperasse alguma resposta. conferiu a hora no relógio de pulso. Gostava dela e a respeitava. Mas a secretária ainda não havia lhe apresentado a lista dos solteiros qualificados. se preocuparia em lhe arranjar um marido. – Bom dia – ela o cumprimentou cantarolando quando parou diante da ampla mesa. sob seu corpo. Mas lhe agradava o pensamento de ser amigo de sua futura esposa e apreciar sua companhia sobre e fora da cama. Não era ingênuo a ponto de esperar que uma mulher o amasse com a mesma intensidade que Marley amava Chrysander. Alannis vivia em seu mundo de decoro. o que era mais do que sentia pela maioria das mulheres que conhecia. ele poderia aprender a amar Alannis. Com um suspiro. era virgem e seria sua função fazer brotar a paixão nela. Em seguida. Quanto antes. E se decepcionou. – Providenciei para que o jato da Anetakis a transporte da Grécia para Nova York daqui a uma semana. Theron sabia muito bem que a família de Alannis jamais permitiria que ela viajasse desacompanhada para visitar um homem solteiro. Franziu a testa ao imaginar Alannis nua na cama. Tinha certeza de que Chrysander. Quando Theron ouviu a porta do escritório se abrir. e tamborilou os dedos sobre a mesa. ergueu o olhar. fitou o telefone por um longo instante. Depois. enlevado em seu recém-descoberto amor. – Eu a esperarei ansioso – continuou ele. Do outro lado da linha soou a saudação polida. pediria para falar a sós com Alannis e lhe proporia casamento. Naquele exato instante. mais para demonstrar educação do que obter a informação.Capítulo 3 – ALANNIS – THERON a cumprimentou com voz suave. Não importava. Aquele simplesmente não era seu estilo. Era sua obrigação como marido. que fosse adiante. Piers daria de ombros e diria que aquela era sua vida e. franziu a testa quando viu Isabella entrar. A primeira providência era acomodar Isabella. todos em excelentes áreas e próximos ao Imperial Park Hotel. – Fiz reserva para uma ópera logo após a sua chegada. Madeline lhe fornecera três opções de apartamentos. o interfone tocou. Com o tempo. Alannis… ela parecia fria e extremamente rígida. Depois que interrompeu a ligação. perplexo. Sua mãe a acompanhará na viagem? Aquela era uma pergunta retórica. se desejava estragá-la. melhor. mas ele não esperava nada mais que isso. Claro que teria de informar os irmãos de suas intenções. Theron engoliu em seco e estreitou o olhar ao observar os trajes de Isabella. – Se tudo desse certo. Mas não podia culpá-la por isso. – Creio que esteja tudo bem com você. as duas famílias poderiam partir para os preparativos da festa e da cerimônia. Não eram exatamente . e a voz de Madeline anunciou em um tom seco que Isabella estava entrando. de alguma forma distante e reservada.

Tomei a liberdade de restringir as possibilidades às regiões mais adequadas para uma jovem morar sozinha. – Sim. porque se Isabella estivesse em um relacionamento. – Faz muito bem – afirmou Theron. Encaminhavam-se para fora do prédio que abrigava o centro de operações da Anetakis. e ele se descobriu perguntando por quê. se fosse ver. Porém. – Sim. no momento. Isabella. o rubor se espalhar pelo belo rosto de traços perfeitos. embora provavelmente estivesse usando um terno. E então. Suave e linda. Havia algo indômito e selvagem naquela jovem um tanto atrevida. Estonteantemente bela. – Bella – repetiu ele. encontraria os contornos daqueles dedos longos marcados a ferro em brasa em sua carne. – Está vestido de maneira informal hoje – comentou ela depois de soltar uma risada. Embora sua masculinidade não tivesse reagido à lembrança de Alannis. – Estou tão acostumada a vê-lo apenas com ternos e gravatas. Theron soltou um xingamento em seu íntimo e se forçou a erguer o olhar. não poderia reclamar. mas sem dúvida. linda. A não ser que me chamar assim o incomode. por favor. Uma onda de desgosto o invadiu. de alguma forma.indecentes e. aceitando a sugestão de utilizar o apelido. quando ele pousou a mão nas costas de Isabella. Conseguiam cobri-la. Isabella o observou com olhar curioso. – Bella. Os seios se avolumavam muito próximos do decote da camiseta. presenteando-o com um sorriso afetuoso. Theron rilhou os dentes e mudou de posição na cadeira. O contato parecia lhe queimar a pele. Combinava com ela. – E você consegue todos esses jornais na Califórnia? – questionou Theron. Nenhuma mulher merecia que o futuro noivo morresse de desejo por outra. – Quando você me viu? – perguntou ele. Sentiu a boca ressecada quando ela espalmou as mãos sobre o tampo da mesa e se inclinou para a frente. Após nutrir aquele amor platônico durante tantos anos. – Bom dia. fazendo-a sentir aquele toque mesmo através da camiseta. em tom de aprovação. Diferente dos tipos sofisticados de mulheres que gravitavam ao redor dele. e ele observou. Theron pensou nas ocasiões em que ela poderia tê-lo visto e. ele teria de abandonar o projeto de apresentá-la a maridos em potencial. aquilo não poderia servir de base para tal suposição. percebeu que tirara uma conclusão precipitada. mas também com Alannis. Bella baixou a cabeça. Isabella corou. e o movimento fez o cabelo escorregar sobre os ombros. e lá estava ele fantasiando tê-la. Há sempre fotos suas nos jornais. fascinado. se você estiver – respondeu ela. Não havia nenhuma razão para acreditar que uma mulher tão bonita e vibrante quanto ela fosse viver sozinha. ela se achava envolvida com alguém. voltara à vida. Theron se recusou a voltar atrás na afirmação ou perguntar se. ainda mais quando se pensava no significado italiano daquele nome: bela. Mas era necessário saber. Gosto de estar a par da vida de quem cuida de meu bem-estar financeiro. permitindo que ele visse os bojos rendados do sutiã meia taça que os suspendiam. Theron se ergueu da cadeira e contornou a mesa. portanto. surpreso. Não era o caso. de uma forma dolorosa. – Em fotos. Aquilo não só era desrespeitoso com Isabella. no instante em que Isabella adentrara o escritório. – Pronta para ir? Tenho uma lista com opções de apartamentos. e ela poderia jurar que. alguém que tinha de cuidar de seu bem-estar. Isabella se preparara para o . embora o apelido soasse mais íntimo. Quase. Exatamente o que ela era. Era o tutor daquela jovem.

os dois haviam visitado todos os apartamentos que constavam da lista. – Pretende transportar sua mobília para o apartamento? – perguntou ele. Theron levantaria todo o passado daquela pessoa. Theron anuiu em aprovação e deu início ao processo de garanti-lo para ela. – Sim. Isabella escorregou para o banco da limusine e o presenteou com um sorriso quando ele se . Além do motorista. Isabella arqueou uma das sobrancelhas. Aquele homem era mais. Quando estacionaram diante do primeiro prédio de apartamentos. Theron a encarou. quando retornavam à limusine. surpreso. de onde dois homens saltaram para escanear cuidadosamente as redondezas. porém agora não tenho mais necessidade disso. mas nenhuma informação adicional lhe foi dada. Isabella deu de ombros e lhe dirigiu um sorriso frouxo. – Não? Você parece a escolha lógica. – Providenciarei alguém para levá-la às compras – disse. Henry. – É um mal necessário. Isabella suprimiu uma risada e o informou em tom sério que gostou do quarto. se limitou a comprimir os lábios. Três horas mais tarde. questionadores. – Você poderia ir comigo. haviam se consolidado. Chrysander me atrelou a uma quatro anos atrás. ela percebeu que outro carro pequeno parou atrás da limusine. – Ela omitiu Sadie de propósito. Ao contrário. de má vontade. Nada disse sobre o terceiro. O desejo era suficiente por ora. Os sentimentos por ele não se dissiparam ao revê-lo. já que não conheço mais ninguém na cidade. Isabella esperou que ele acrescentasse alguma coisa. mas lhe ofereceu a escolha entre aquele e o último. Não que ela fosse obedecê-lo. mas quando os olhos verdes se fixaram nele. havia um membro da equipe de segurança de Theron sentado no banco da frente. Queria que ele necessitasse dela. sozinha – retrucou ele. mas pretendia que aquele relacionamento começasse da melhor forma possível. No instante em que Isabella o informasse sobre alguém de suas relações. Estivera tão distante da verdade que a realidade quase a sufocava. E era certo que descobriria. – Não permitirei que perambule pela cidade. Isabella sentou-se ao lado dele no banco traseiro da limusine.desapontamento. para a possibilidade de o homem que Theron se tornara não corresponder ao dos seus sonhos. Theron enrijeceu. – Não me recordo de uma segurança tão exagerada na última vez em que estive aqui – murmurou Bella. sendo que os dois primeiros Theron vetou antes que ela emitisse qualquer opinião. – Pretendo comprar tudo que preciso aqui e mandar entregar lá. Isabella fez que não. muito mais do que imaginara. Não havia razão para Theron saber sobre Sadie. Será muito divertido! Theron rosnou algo entre os dentes. e certamente a proibiria de continuar encontrando a amiga. tem razão – concordou ele com expressão contrariada. mesmo porque não aprovaria aquela amizade se soubesse que ela trabalhava em um clube de striptease. – Esqueci que você vivia na Califórnia e esteve aqui apenas de visita. ao se encaminharem para a entrada. mas queria que Theron se apaixonasse por ela. resoluto. – Posso lhe garantir que não preciso de babá.

ele a observou preguiçosamente. e Theron era um homem ocupado. por um breve instante. – O que gostaria de comer. Pensei em almoçarmos lá. No outono. – Algo errado. – Planos? – Sim. Theron a guiou. Bella? Ao girar. Bella? – quis saber Theron. Isabella perdeu o fôlego quando reconheceu. Não se importava como o local onde comeriam. – Oh. mas ela podia sentir que aquilo o incomodara. Ele era escorregadio. foram guiados à mesa de Theron no restaurante. Quando chegaram ao hotel. – Apenas um pouco cansada. não. Theron franziu a testa.acomodou ao seu lado. como se achasse aquele som encantador. mas como a mulher que o amava e o desejava desesperadamente. Aquilo a fez trincar os dentes. confusa. – Talvez seja melhor permitir que eu providencie a mobília para o seu apartamento. Planejando a forma mais fácil de se livrar dela. planejo tirar um verão sabático. Planos. – Terei de verificar se minha agenda permite isso – retrucou. Se anotar todas as suas preferências. Isabella resistiu ao impulso de revirar os olhos. – Aonde vai me levar para almoçar? – questionou Isabella. Queria apenas passar algum tempo ao lado dele. Alguns minutos depois. – Quais são seus planos. contornou a mesa para se sentar no lado oposto. quais são seus planos profissionais? – Oh! Bem. Theron a acomodou na cadeira e. Sabia que era um fardo inesperado. Theron pestanejou para encobri-lo. Era o mesmo que Theron usava quando ela estava com 13 anos. Ela sorriu e negou com a cabeça. isso será muito divertido. Ele e os irmãos tendiam a uma atitude implacável no que dizia respeito aos negócios. eu me concentrarei no futuro. como se fizessem parte da realeza. – Temos um excelente restaurante no hotel – disse Theron. quase excluída das demais. posso contratar um projetista para trabalhar com você. E excitada. Isabella sorriu em seu íntimo. deparou com o olhar preocupado de Theron. Tal atitude devia lhe causar urticária. para dentro. Não era à toa que possuíam a empresa hoteleira mais bem-sucedida do mundo. Mas tão rápido quanto o deixou transparecer. tenso. em seguida. o desejo refletido naquele olhar. Depois de deixar o corpo alto e esbelto afundar na cadeira. e ele os fixou nela. Agora que se formou. Eu o achei deslumbrante. Theron nada disse. enquanto a equipe de segurança os cercava por todos os lados. apressado. Os olhos de Theron se arregalaram. que ficava situada em um canto tranquilo. – Tenho uma mesa sempre disponível para mim. – Isso significa que fará compras comigo? Theron resmungou algo incompreensível. e dessa forma não necessitaria ir comprar tudo que precisa. Minha pequena. Isabella mordeu o lábio inferior e desviou o olhar para o tráfego que fluía além da janela do carro. e depois você poderá se recolher à sua suíte para descansar. Aquilo era estranho e um tanto surreal. Mal posso esperar para escolher tudo para o apartamento. mais para lembrá-lo daquele compromisso do que por mera curiosidade sobre o restaurante. imaginando como fazê-lo enxergá-la não como uma inconveniência. Isabella pestanejou. e ela não conseguiu mais conter a risada. Mas não podia culpá-lo. pethi mou? Isabella se encolheu em seu íntimo diante do tratamento carinhoso. Não era algo que .

Será que Theron se mostraria tão favorável àquela ideia se soubesse que ele era o noivo escolhido? Isabella suspirou. – Tomei a liberdade de fazer uma lista de possíveis candidatos. – Theron meneou a cabeça. – Meu futuro? – Ela soltou uma risada leve na tentativa de tranquilizar as batidas desgovernadas do coração. A pulsação de Isabella acelerou. Se ao menos ele soubesse! Aquilo fora tudo que ela fizera nos últimos anos: planejar seu futuro. Mas Theron… Beijá-lo seria como perseguir uma tempestade. Sentia-se tão perniciosa. – Agora. Está mesmo pretendendo se casar antes de completar 25 anos? – Estou contando com isso. – Desculpe… Perdida em pensamentos. Sentiu-se tentada. inclinando-se para trás na cadeira. enquanto deixava o olhar vagar por suas feições. Imagino que em algum momento parou para pensar nele. Excitante. Parecia à vontade. a curvatura firme e sensual da boca e a sombra escura da insinuação da barba que já lhe cobria a mandíbula. Bella – começou ele. e o garçom se apressou em partir logo em seguida. porque comparados a Theron. ao imaginar o roçar quente daquela língua na sua. Com ele. – Pensei muito sobre meu futuro. . Isabella anuiu e girou a cabeça na direção do garçom que se encontrava parado ao lado da mesa. – Vou querer o que ele sugeriu – afirmou com voz rouca. perplexa. Como se estivesse planejando um assassinato em vez de uma sedução. impaciente com alguém que não tivesse um plano incontestável. Como seria beijá-lo? Beijara vários rapazes na faculdade. sacudindo a cabeça quando percebeu que ele a chamava fazia alguns segundos. Bella. e Bella quase deixou escapar uma risada. Quente. fazendo com que cada terminação nervosa do corpo de Isabella entrasse em combustão espontânea. não passavam disso. Se dependesse dela. seu futuro estaria inexoravelmente ligado ao dele. – O que sugere? – perguntou ela. Isabella não conseguiu conter o nervosismo. Theron anuiu como se aprovasse. Theron falava com sarcasmo. Theron fez os pedidos de maneira sucinta. sem dúvida.evocava imagens dos dois enroscados na cama. – Bella? Isabella pestanejou várias vezes. Sobre o seu futuro. – Talvez possamos conversar sobre o seu futuro. Rapazes. – Isso mesmo. em seguida. Extremamente tentada a esticar a mão e escorregar a ponta dos dedos ao longo daquela aspereza e. Ofegante. sobre a maciez dos lábios de Theron. Alguns eram muito bons. – Candidatos? A quê? – Casamento. estudando os lábios de Theron. – Estava sugerindo que experimentasse o salmão – disse Theron. outros. A testa de Isabella se enrugou enquanto ela o observava. – Você mencionou casamento. – Isso é bom. desajeitados e “agradáveis”. Pretendo ajudá-la a encontrar um marido.

Aquele era o discurso mais doloroso que já escutara. – Você está procurando um marido. – Theron prosseguiu. Seria até mesmo adorável se ele não estivesse tão empenhado em casá-la com outro homem. com expressão surpresa. claro – murmurou. Uma mulher em sua posição social deve ser muito cuidadosa.Capítulo 4 ISABELLA O observou. sem dúvida. acabei achando uma boa ideia. mais uma vez. É importante que qualquer homem que permitamos que se aproxime de você seja minuciosamente avaliado por mim. jovem e bonita – retrucou ele. sem rodeios. Pelo menos. – O que acha tão engraçado? Isabella fez um movimento negativo com a cabeça. com um sorriso ainda lhe curvando os lábios. obviamente se empolgando com o assunto: – Portanto. mas ela não ousou soltar outra risada. Um calor intenso se espalhou pelo braço de Isabella quando os dedos longos lhe acariciaram a palma. O que mais poderia dizer? O que desejava de fato era se inclinar para a frente e lhe perguntar se não poderia ser ele aquele homem. – Não fique desanimada. vendo-a continuando a rir. Os caça-dotes fingirão desconhecer sua fortuna. Os lábios de Isabella tremeram. fingindo ser o que não são. por ora. – Uau! E nenhuma menção à minha inteligência. – Há muitos homens que lhe dariam o mundo. esticou o braço sobre a mesa e lhe segurou a mão. franziu a testa. É apenas uma questão de encontrar o certo. Fingirão ter sido seduzidos por sua meiguice e generosidade. Haverá homens que tentarão se aproveitar de você. tomei a liberdade de elaborar uma lista de candidatos qualificados. Dentre todos os absurdos que já escutara. Fico feliz em saber que não planejo me casar por razões superficiais. – Pretende fazer o quê? – perguntou ela. Após minha apreensão inicial. não necessariamente nessa ordem. a cereja do bolo. Theron pestanejou. esperteza e charme. e tinha de admitir que toda aquela preocupação era lisonjeira. E diga-me: o que quer dizer com “uma mulher na minha posição deve ser muito cuidadosa”? – Você é rica. aquele era. Ele estava muito sério. Não conseguiu se conter. Theron adotou uma expressão séria. Em seguida. Mas Isabella já sabia a resposta. desconfiada. – Todos os homens entre 20 e 80 anos estarão dispostos a se casar com você e levá-la para a cama. fingindo surpresa. Isabella soltou uma sonora gargalhada. imaginando se de repente ele desenvolvera um senso de humor. Theron não poderia ser aquele homem. Isabella teve de se esforçar para não se encolher na cadeira. – Estou nesta cidade há dois dias e você já planeja me casar. Isabella se recostou para trás. Não até que tivesse tempo para se acostumar à ideia. . – Tem razão. – Por isso mesmo acho que devo me envolver em sua procura por um marido. pethi mou – disse ele em tom tranquilizador.

Ela o estaria afetando ou seria ele completamente imune? Não. havia algo naquele olhar. Tivera algumas experiências com os namorados. ela imaginou ver a paixão em resposta às suas palavras. mas não era ingênua. Gostaria que ele fosse alto. calma. Antes de responder. – Não disse que não queria ter filhos – respondeu Isabella. – Quero que ele seja mais rico que eu para que minha fortuna não seja um problema. – Deixe-me adivinhar: você os quer imediatamente. Houve apenas um que quase a seduzira a se entregar por inteiro. rouca e com a voz cheia de desejo. Isabella baixou o tom de voz e se inclinou para a frente: – Quero que ele anseie por mim. Por um instante. Theron arqueou uma sobrancelha. – Então. – Descreveu o desejo de metade da população feminina. – Vejamos. a mente reunindo todos os aspectos que mais apreciava em Theron. Theron limpou a garganta e desviou o olhar por um breve instante. enquanto o estudava. que não seja capaz de passar um dia sem me tocar. lamentando a perda daquele contato. seria importante que ele concordasse com isso. Quero um homem que saiba me dar prazer – concluiu. começou a contar as qualidades nos dedos. – Isso porque não é você quem os terá – retrucou ela. ela fingiu pensar sobre o assunto. Os olhos de Theron lhe varreram a pele exposta e. ele gesticulou para que Isabella continuasse a listar as características de seu pretendente. e. Isabella podia ser jovem. – Não quer ter filhos? Theron pareceu surpreso. mas que ela deveria resguardar sua inocência para alguém que ocupasse um lugar especial em seu coração. – Não concorda que eu deveria esperar isso de um homem? – perguntou Bella. Todo o corpo de Theron emanava uma intensa energia sexual. mas sim. Devia pensar que todas as mulheres ansiavam por dar à luz uma extensa prole tão logo lhe colocavam uma aliança no dedo. fora ele a lhe dar um beijo suave e lhe dizer que ficava muito honrado com a possibilidade de ser seu primeiro homem. moreno e bonito. Em seguida. antes de se inclinar para trás na cadeira. Era capaz de identificar um flerte inocente. Tivera sua parcela de rapazes interessados. Beijos. – Gostaria também que fosse gentil e responsável. Isabella fixou um olhar pensativo nele. Ela baixou o olhar à própria mão. concordando. apalpadelas desajeitadas que a fizeram colocar o rapaz porta afora. de um modo suave. indulgente. diga-me. Bella pensou que Theron fosse soltar uma risada. me abraçar. não vejo razão para esperar. por um instante. Nunca antes Isabella sentira o intenso magnetismo que existia entre ela e Theron. quais são suas exigências em relação a um marido? – perguntou Theron. Theron revirou os olhos. e certamente não era tola no que se referia aos homens. me acariciar. Passara anos à procura de algo que ao menos se assemelhasse àquela paixão que florescera em sua adolescência. mas em seguida. Como prefiro não ter filhos de imediato. Por fim. Terá de ser um excelente amante. vivenciou também a intensidade obscura e taciturna de um homem cujas paixões fervilhavam profunda e intensamente.Theron sorriu em aprovação e lhe soltou a mão. Theron meneou a cabeça. E então. mais tarde. . – Não estamos discutindo sobre mim.

Bella. com o rosto cheio de espinhas. Travis tinha razão. Porém. Aquela pergunta ridícula estava mais apropriada a uma adolescente de 14 anos. – Seria uma lástima se um homem não tivesse ideia do que fazer com uma mulher como você. Era óbvio que Theron esperava por sua resposta. maridos. – Theron deu de ombros. – Só falta você se oferecer para comprar artigos femininos para mim – resmungou Bella. – Mas não acha que estou certa em desejar um bom amante? – insistiu ela. – Sim. atônita. – E amantes – acrescentou Isabella. que tipos de homens se revelariam os melhores maridos. ou pelo menos a um relacionamento sério. – É evidente que não seria adequado um homem que a negligenciasse em qualquer aspecto. e ela se encontrava faminta. Os olhos de Theron faiscavam com o reflexo da vela situada no centro da mesa. – Tem razão. Erguendo o garfo. Isabella interpretara aquilo como a desculpa de um homem fugindo de uma mulher que obviamente ligava o sexo ao compromisso. – Se eu responder que não. você se oferecerá a se incumbir de minha educação nesse sentido? – perguntou ela com um lampejo de sorriso. Perfeitos para beijar. Isabella o observou ingerir uma garfada da comida e limpar a boca com o guardanapo. e a garganta começou a se fechar. . – Não quer que sua futura esposa seja uma boa amante? Theron lhe dirigiu o que ela podia classificar como olhar horrorizado. Alguém conversou com você sobre essas questões. Isabella se inclinou para trás na cadeira com uma expressão desafiadora estampada no semblante. após o garçom se retirar. e. diabos. Theron pensava mesmo que ela chegara à idade de 22 anos sem nunca ter ouvido a história da cegonha? Não sabia dizer quem estava mais horrorizado. Quando o sentiu em sua língua. Theron a surpreendeu murmurando com aquele sotaque sexy: – Sua mãe morreu quando você ainda era criança. Ela engoliu em seco diante da força primitiva que irradiava de Theron em um zunido baixo e sensual. ela também. Sua virgindade era algo precioso. certo? Houve alguém com que você pudesse conversar sobre… os homens? Isabella o encarou. claro – concedeu Theron. – Apenas estava imaginando se você teria conversado com outra mulher sobre homens. Por outro lado. E é natural que queira alguém que compartilhe de sua visão sobre casamento e família. resignado. quase suspirou de prazer. sem conseguir disfarçar o constrangimento. Ele parecia constrangido e. – Suponho que isso seja um “sim”. Estava maravilhoso. Theron engasgou com o gole do vinho que engolia e se apressou a pousar a taça na mesa. Theron a encarou com expressão exasperada. Agora. – Theron ergueu o olhar. do que a uma mulher de 22. – Acho que tem razão em dar ênfase a essas… qualidades – concordou ele. aliviado com a aparição do garçom que trazia os pedidos.Na época. se ela ou Theron. claro. Mais uma vez. – Sua diabinha! Não é educado fazer alguém rir quando está bebendo. Isabella cortou um pedaço do delicioso peixe. Aquele homem tinha de fato lábios estonteantes. Isabella pestanejou ao perceber que Theron falava com ela. e devia entregá-la apenas a um homem especial. ela praguejou contra tal interrupção. A respiração de Isabel ficou presa em algum ponto de seu peito. com uma das sobrancelhas erguidas. sentiase agradecida por não ter entregado de bom grado sua inocência. – Devo lembrá-lo de que foi você quem começou esta conversa – rebateu ela.

tenso. claro que não espero que minha futura esposa seja uma boa amante. ele a questionou sobre qual o próximo passo em relação ao apartamento. Quando terminaram a refeição. – Toalhas. Isabella se concentrou em terminar a refeição. preciso de tudo – respondeu ela. Desejava desesperadamente aquelas mãos longas e elegantes sobre cada centímetro de sua pele. E lá estava a barreira outra vez. o que significava que aquela era a opinião de Theron sobre ela: uma ameaça. – Não espero que minha esposa seja sexualmente experiente quando se deitar comigo. pratos. e ela permitiu. com a voz estrangulada. mais para o final da semana. Isabella teve de se esforçar para conter um tremor que lhe varou todo o corpo. Ele podia estar lutando com unhas e dentes contra aquele sentimento. não se incomodava em fazer o papel de tutor quando lhe convinha. Ele. – Faça uma lista de gêneros alimentícios e quaisquer itens domésticos de que necessite. mas também interesse. Mandarei entregar no apartamento para que você não precise comprar. É meu dever… – Ele se calou. Havia curiosidade nos olhos de Theron. verei se consigo encaixar uma ida a alguma loja de móveis em minha agenda.– Não. Se puder ficar mais alguns dias na suíte do hotel. Então. mas o olhar não mentia. com uma leve entonação arrogante. – O que é seu dever? – Esse não é o tipo de conversa adequada para nós – respondeu ele. É meu dever lhe despertar a paixão e lhe ensinar tudo que ela precisa saber sobre… fazer amor. – Você é meu tutor. Theron se considerava um bom amante. com o ultraje estampado no rosto. . queria desesperadamente ouvir o que ele considerava ser seu dever para com a mulher que compartilharia sua cama. tomando cuidado para não erguer o olhar e encontrar o dele. animada. e a última coisa que ela desejava era semear qualquer tipo de instinto paterno no cérebro de Theron. Ao menos ele se esforçava para erguê-la a um patamar não ameaçador. – Não sei por que nossa conversa desceu a este nível. mas de modo algum é apropriada entre um tutor e sua tutela. – Não estamos discutindo minha futura esposa – acrescentou com aspereza. Theron a observou. Isabella deixou escapar um suspiro. deixando que o silêncio os envolvesse. ela pousou o queixo em uma das palmas. Nunca pensou na possibilidade de ela lhe ensinar uma ou duas coisas? Theron pousou a taça. Era óbvio que nunca lhe ocorrera que alguma mulher pudesse lhe ensinar o que quer que fosse no que se referia ao sexo. esquecendo-se da comida. Com quem mais posso conversar sobre estas questões? Theron deixou escapar um suspiro longo e desolado. Porém. Isabella enrugou o nariz. – Isso parece muito medieval. e quase revirou os olhos. – Posso lhe assegurar que há muito pouco que uma mulher possa ensinar que eu já não conheça muito bem – respondeu ele. Sem mencionar comida e itens básicos. Estava mais que disposta a ser uma pupila aplicada sob a tutela daquele homem. – Vou precisar de móveis. – Oh. antes de tomar outro gole do vinho. roupas de cama… Theron ergueu uma das mãos e sorriu. – Tão experiente assim? Theron fez uma careta. e não do tipo platônico. pelo visto. Mas a curiosidade de Isabella fora despertada. Inclinando-se para a frente. claro.

e uma descarga elétrica gravitou entre eles com uma potência equivalente aos raios de uma tempestade. As portas do elevador deslizaram para se abrir. anuiu e se levantou da cadeira. O calor que dele irradiava a envolvia como um casulo. por fim. mas também sabia que não podia monopolizar toda a manhã de Theron. Theron se lembraria de que a estava beijando. Mesmo antes de se fecharem completamente. Farei com que seja providenciada. A atmosfera pareceu explodir ao redor deles. ele assumiu o controle. Em seguida. ele era um homem ocupado. quando saíram para o saguão. Puxando-a contra o corpo até que não houvesse nenhum espaço entre ambos. O que ela não se negou a fazer. Era um beijo de dois amantes. Os dedos que a acariciavam eram como ferro em brasa contra sua pele. A mão que se encontrava espalmada na curva de sua nádega rumou para cima. ela se voltou para Theron. Os seios intumesceram e latejaram contra o peito largo. ela ofegou quando a mão de Theron fez aquele primeiro contato com sua pele. Porém. Podia sentir a fragrância cítrica da colônia masculina que Theron usava. Eles se encontraram ao contornarem a mesa. envolveu-lhe o pescoço com os braços no mesmo instante em que os lábios quentes lhe roçavam o lateral do rosto. – Obrigada por esta manhã – murmurou Isabella. E então ele a invadiu. Assim como Bella previa. conseguissem se encontrar. Theron lhe envolveu o corpo com os braços. focou a energia em fazer aquele contato durar o máximo possível. Pedirei à minha secretária que entre em contato com você sobre o apartamento e nossa ida à loja de móveis. antes de voltar a encará-la. sabendo que Theron se inclinaria e lhe daria um beijo em cada face. Afinal. Portanto. – Pronta para retornar à sua suíte? Isabella não estava. queimando-a mesmo através do jeans.– Faça uma lista detalhada. enquanto a guiava para a saída. Ela esticou a mão para segurar a dele. com um gemido rouco emergindo da garganta. Não havia hesitação ou espera por permissão. e os dois entraram. antes de fechá-la nas mechas espessas e sedosas. escorregando uma das mãos pelas costas delgadas e espalmando as nádegas firmes através do tecido da calça. aquele momento estaria perdido. Mais uma vez. Perdendo o fôlego. famintos um pelo outro. O elevador se aproximava da cobertura. A princípio. Isabella não ousava emitir nenhum som. ela encostou o corpo no dele e. Isabella se encontrava ciente de cada toque. escorregando sob a blusa e lhe pressionando a cintura com força até que Isabella se encontrasse esmagada contra a rigidez daquele corpo musculoso. Theron ficou imóvel. convidando-a a corresponder com igual intensidade. – Não há o que agradecer. – Vou acompanhá-la até seus aposentos – disse ele. pethi mou. se o fizesse. Theron se inclinou para lhe depositar um beijo rápido no rosto. resvalando no couro cabeludo. Ele enterrou a outra mão no cabelo longo e macio. Era como se tivessem estado separados por muito tempo e. Estavam tão próximos. – Theron atirou o guardanapo sobre a mesa e gesticulou para o garçom. Não era um simples beijo ou carícias efetuosas trocadas entre duas pessoas que estavam se conhecendo. . na altura da cintura. antes que ele pudesse esboçar qualquer reação. temendo que. enquanto ela o beijava de maneira ousada. O atrito quente da língua de Theron a induzia a abrir ainda mais a boca para lhe facilitar o acesso. Isabella girou a cabeça de modo que as bocas dos dois se encontrassem. provando-o e testando os contornos daquela boca sensual. Theron lhe pousou a mão nas costas. Em vez disso. travando uma batalha frenética com a língua de Isabella. Duas pessoas que se conheciam intimamente. Os lábios se fundiram.

Praguejando mais uma vez em grego. escancarou a porta com uma das mãos. autocondenação e… desejo. durante aqueles momentos ardentes no confinamento do elevador. todos os sentidos despertando após um longo inverno. Theron a afastou. Ela fechou os olhos. A única coisa que lhe restara saber era se havia compatibilidade sexual entre os dois. tudo que lhe restava era fazê-lo ver isso. Quando girou para dizer alguma coisa. um combustível avassalador. Os olhos castanhos queimavam. e um xingamento baixo escapou dos lábios de Theron. O último enigma havia sido descoberto. Em todos os outros aspectos. . Em seguida. e agora. impotente. Isabella sentiu os joelhos cederem e teve de se agarrar a ele. Não que Isabella tivesse tido alguma dúvida naquele aspecto. Isabella entrou devagar. sussurrando suavemente contra a pele sensível abaixo do lóbulo de sua orelha. A química que compartilharam. ela gemeu. sabendo que aquele momento estava perdido. incapaz de se conter. Theron provara ser o par perfeito para ela. ele fez um movimento negativo com a cabeça. Nunca sentira algo parecido com os lábios de Theron. Isabella o encarou. Um tremor lhe varou o corpo. Antes de ouvir o clique da fechadura. De repente. aquela boca macia e quente a abandonou. fechou os olhos e abraçou o próprio corpo. Isabella recostou as costas na porta. De todo modo. antes de puxála para fora do elevador até a porta da suíte. a última peça do quebra-cabeça se encaixara. que abriu inserindo o cartão com toda a força na fechadura. incapaz de dizer ao menos uma palavra. com partes iguais de raiva. A paixão entre eles fora instantânea. segurando-a com força pelos braços. ela escutou os passos apressados se afastando no corredor.Quando os lábios de Theron deixaram os dela para escorregar por sua mandíbula e pescoço. enquanto revivia aqueles momentos preciosos nos braços de Theron. Theron já estava soltando a porta para que se fechasse.

um dos quais do irmão Piers. Theron fez um movimento negativo com a cabeça. inclinando-se para trás na cadeira. ainda assim. Theos mou! Não conseguia esquecer aquele beijo. – Leia os nomes para mim – disse ele. Bella precisa de alguém mais… independente. – Muito bem. Tudo que lhe ocupava a mente era uma jovem atrevida de cabelo negro e olhos verdes tentadores. Da fragrância envolvente. – Ah. Tinha a impressão de que alguém havia martelado sua cabeça. Não importava o que fizesse. fiz. como se achasse que ele havia perdido a cabeça. a sensação dos lábios macios nos seus. E. Pelo que parecia ser a centésima vez desde que chegara ao escritório naquela manhã. Madeline lhe lançara olhares durante toda a manhã. Theron apertou o botão do interfone. estreitando o olhar observador. soltando um xingamento grosseiro e longo. segurando uma folha de papel. – Reginald Hollister. – Fez aquela lista que lhe pedi? – De qual delas está falando? – À lista de homens solteiros qualificados que solicitei. – Dormiu bem esta noite? – perguntou Madeline. . Theron gesticulou para que a secretária se sentasse na cadeira em frente à mesa. – Há rumores de que ele agredia a primeira esposa. e talvez estivesse certa. perguntando o que ele desejava. Responsável por seu bem-estar. aquela… Sim. quase a arrastara para o quarto da suíte e fizera sexo com ela. No mesmo instante. as curvas perfeitas moldadas ao seu corpo como se fossem feitas sob medida para lhe pertencer. esperando que ela desistisse e fizesse o que ele pedira. Aqueles que pretendo apresentar a Bella. não conseguia se livrar da imagem de Isabella. então. Muito mimado pelos pais. Theron fez que não com a cabeça. Madeline transpôs a soleira. Theron resmungou algo e cerrou as pálpebras. Era o tutor de Isabella. e não conseguira dormir mais que uma hora durante toda a noite. Aquela mulher estava destinada a enlouquecê-lo. Que tal Charles McFadden? Theron franziu a testa. Esquecera-se de duas reuniões e dispensara três telefonemas. – Trata-se de um idiota imaturo. – Então traga-a para mim – ordenou ele. Impaciente e um tanto agitado. O corpo ainda ansiava por fazer exatamente aquilo. Madeline riscou o primeiro nome com um movimento teatral. Instantes depois. A voz calma de Madeline se fez ouvir. Estava cansado.Capítulo 5 THERON PRENDEU o nariz entre o dedo polegar e o indicador.

Ela deu palmadas leves no braço de Isabella em seu caminho em direção à porta. E se moldava aos seios firmes de uma forma que o fazia lembrar dos concursos de camiseta molhada. Theron fez um gesto de rendição com a mão. Madeline se ergueu e sorriu para Isabella. Que lhe deixava as pernas longas e bronzeadas à mostra. Ambos são homens solteiros. Tinha vontade de se aproximar e lhe arrancar aquele short para ver o desenho. – Desculpe-me pela entrada intempestiva – disse ela com voz ofegante. e ele foi deixado a sós com Isabella. Ao que parece. Anetakis tem algum tempo para você. e aquilo o estava deixando maluco. – Tad Whitley. Theron olhou para Madeline com expressão severa. Era melhor deixar aquele assunto por conta de Madeline. Tenho certeza de que o sr. para constatar que ela usava um short. com um sorriso luminoso estampado no rosto. Ela devia saber o que agradava Isabella melhor que ele. Parecia ser uma fada ou uma borboleta. Quando lá chegou. – Paul Hedgeworth. O desenho quase faiscava. Uma tornozeleira dourada pendia frouxa sobre o pé. minha querida. belos e não estão namorando ninguém no momento. Theron franziu a testa mais uma vez e tentou imaginar uma razão para desconsiderar Paul. – Vou suspender suas ligações e anotar os recados. – Isso não será… Mas a secretária já havia se retirado. Precisamos conversar. – Não é rico o suficiente. Theron percebeu que a camiseta era curta e lhe revelava o abdome. Madeline deixou escapar um suspiro. . O olhar de Theron a varreu de cima a baixo. – Posso convidá-lo para o coquetel que o senhor oferecerá na noite de quintafeira? Theron resmungou uma afirmativa. – Não vi Madeline… Aí está você – acrescentou quando se deu conta da presença da secretária. apressada. – Ahá! – exclamou Madeline quando nenhum comentário foi feito. Os dois foram interrompidos quando a porta se escancarou e Isabella entrou. As sandálias lhe deixavam expostas as unhas pintadas de rosa. Madeline sorriu. fazendo um enorme círculo em volta daquele nome. – Fico feliz que tenha vindo. Theron limpou a garganta e gesticulou para a cadeira que Madeline deixara vaga. ele cancelou todos os seus compromissos da manhã. À medida que o olhar subia. estacou e girou. – Acho que deveríamos incluir Marcus Atwater e Colby Danforth também. Ele não sabia dizer. – A secretária baixou o olhar à lista e voltou a fixá-lo em Theron. Curto. bem como o piercing no umbigo. e apressou-se a riscar aquele também. – Ótimo. Não que aquilo parecesse intimidá-la. – Garth Moser? – Não gosto dele. Isabella girou por um instante. concedendo-lhe a visão da tatuagem que tinha nas costas. – Não tem problema.– Bradley Covington? – Um chato – retrucou Theron. Não conseguiria sobreviver àquilo. Eu estava mesmo de saída. assim Isabella ficará satisfeita.

Mas não espere que eu faça o mesmo. imaginando o que permitiria ou não que ela fizesse se lhe pertencesse. Esfregando o rosto com as mãos. Pedi para não fazer isto. Uma novidade. se desculpando. acho que poderíamos finalizar os preparativos para o apartamento e planejar nossas compras. e gostaria que não assumisse uma atitude paternalista. Como diabos poderia fazer o sermão que planejara com tanto cuidado se Isabella se mostrava desapontada com o fato de ele ter tocado no assunto? – Se você se arrependeu. Isabella se acomodou na cadeira de frente para ele. antes que Theron pudesse acrescentar qualquer coisa. Até mesmo naquele momento. Não havia sentido em macular aquele corpo. Theron resolveu se concentrar na questão presente. já que tenho certeza de que você desejará analisá-los antes. tenso. que sempre tinha algo a dizer. Providenciei para que os papéis que necessitam de minha assinatura fossem enviados por fax para cá. Podia recordar o sabor e a fragrância daquela mulher. Ele teve vontade de bater com a cabeça no tampo da mesa. A camiseta os cobria muito bem. Theos! Ali estava ele. e a surpresa o fez silenciar. enquanto Isabella o encarava com semblante calmo. – Sobre o que quer conversar? – perguntou ela. Theron pestanejou várias vezes. revivia a sensação de tê-los nos seus. – Estragar o quê? – O beijo. ainda assim. Mas Isabella não lhe pertencia. Então era isso? Isabella era capaz de varrer facilmente da mente o que acontecera na véspera. mas se colava aos volumes arredondados. como se estivessem prestes a discutir o tempo. No que se refere a beijos.Uma tatuagem. – Você tem o direito de esquecer o que houve. gostaria muito que o fizesse em silêncio – disse ela. minimizando o que aconteceu. sentado. Não podia acusá-la de usar um decote muito profundo e revelador. Isabella cruzou as pernas e juntou as mãos sobre o colo. de se arrepender e de jurar por tudo que é mais sagrado que nunca mais se repetirá. Era muito mais excitante que um decote generoso. – Aquilo não deveria ter acontecido – retrucou ele. – Você está estragando tudo. – Sobre ontem… – começou. Isabella suspirou. aquela mulher irritante o reduzira a um idiota apalermado. O fato de você afirmar o contrário não depreciará o que se deu em minha mente. Nunca pertenceria. Não estrague o que aconteceu. O que estava pensando? Se Isabella fosse sua. – Não estrague tudo – disse ela com voz rouca. realçando cada curva e elevação. o que deixava os seios perfeitos em sua linha de visão. jamais teria feito uma bobagem como aquela. Theron se descobriu a ponto de balançar a cabeça negativamente outra vez. A pulsação em sua . Theron se encontrava a ponto de perder a cabeça e o controle. Theron a encarou. Era o diplomata da família. enquanto ele se consumira durante toda a manhã? A lembrança não só o consumira como torturara. Isabella ergueu uma das mãos. sempre o mais sensato e. achei que foi próximo da perfeição. – Agora. boquiaberto. se isso era tudo que tinha em mente. Não devia sequer acalentar tal pensamento. confuso. quando olhava para aqueles lábios carnudos. Logo ele. Theron se viu sem palavras.

Naquele instante. Em seguida. Uma fada. Atirando o longo cabelo para trás. A secretária ergueu uma folha de papel e a empurrou na direção dela. Isabella se sentou na cadeira ao lado da mesa de Madeline. – Suponho que também não tenha lhe informado qual será a ocasião. O sorriso de Isabella lhe aqueceu partes do corpo que não ousaria mencionar. e fechou a porta. mordendo o lábio inferior para suprimir um sorriso. acenou com a mão para se despedir e se encaminhou na direção da porta. – Por que tenho a impressão de que estão me preparando uma armadilha? – Porque estão? – retrucou Madeline. ele enfiou a cabeça pelo vão da porta entreaberta. gostaria ao menos de ter a chance de escolher um vestido deslumbrante para a ocasião. veja se ela pode encaixar algumas horas para escolhermos sua mobília. ela se ergueu. Theron praguejou em seu íntimo e forçou a mente a se concentrar nas questões presentes. Antes que ela pudesse responder. Combinava com ela. A tatuagem era o desenho de uma fada envolta em poeira dourada faiscante. se eu estivesse sendo convidada para uma festa em que meu futuro marido estaria presente. Theron tornou a entrar. – Marido? . e gostaria que você comparecesse. Era provável que Theron ainda se encontrasse desequilibrado. portanto não estou traindo a confiança de ninguém. antes de ele começar. – Bem. Mas aquilo suscitou outro pensamento muito intrigante. Isabella ergueu o papel. Era óbvio que Theron se preparara para lhe passar um sermão infindável sobre não deverem repetir o que haviam feito no dia anterior. Aproximou-se da mesa de Madeline e perguntou educadamente se a secretária teria recebido algum fax endereçado a ela. Quando sair. Ela se congratulou em silêncio pela forma como lidara com a situação. Pedirei para meu advogado analisá-lo se você quiser. Haveria outras tatuagens? Talvez uma ou duas que só poderiam ser vistas se ela estivesse nua? O pensamento de sair em uma caçada às tatuagens. – Não. em sua cama. Nada que não estivesse esperando. Isabella girou outra vez na direção da mulher mais velha. leu o conteúdo e voltou um olhar atônito a Madeline. – Bella. Quanto às compras. animada. tendo aquele corpo como mapa. Mais uma vez. o fez experimentar uma descarga elétrica. agora ele mencionou – disse Madeline. – Conte-me. Madeline está com minha agenda da semana. Isabella deixou o escritório. esqueci-me de lhe dizer que planejei um coquetel para quinta-feira. divertida. – Ele lhe contou sobre a festa? Isabella pegou o contrato de locação e franziu a testa. Madeline providenciará para que um carro vá buscá-la no hotel. – Veja se Madeline está com o contrato. Às 19 horas em minha cobertura. Madeline pegou uma pilha de papéis em um canto da mesa e sorriu para Isabella. tentando entender o que acabara de acontecer. muito graciosa. enquanto ele se movia dentro dela. Além do mais. por isso se preparara para cortá-lo. Theron não mencionou festa alguma.masculinidade se intensificou ao imaginá-la nua. – Não me pediram segredo quanto a isto. as linhas que lhe vincavam a testa se aprofundando.

– Talvez ele esteja com pressa para poder se concentrar no próprio casamento – acrescentou a secretária em um tom de voz tranquilizador. mesmo se falasse. Anetakis não lhe contou que estava procurando um marido para você? Pensei que ele tivesse mencionado isso pelo menos uma vez. – Sente-se. mas agora? Madeline fez um gesto negativo com a cabeça e lhe deu palmadas leves na mão. – Agora. Ele tem um acordo com a família Gianopolous para se casar com a filha deles. – Bem. mas não estava muito certa de haver conseguido. Anetakis não quer um noivado longo. para todos os efeitos. Isabella obedeceu. Anetakis só pode terminar em decepção. o pensamento de Theron estar noivo. Alannis. de ter um compromisso com outra mulher… Fechou os olhos contra a repentina pontada de dor que a invadiu. – Theron está determinado a apresentá-la a rapazes com potencial para serem bons maridos. – O quê?! – Ele também não falou sobre isso? – indagou Madeline. querida! – Ofegou. conte-me. cautelosa. . então acredito que seja durante o próximo outono. Ela e a mãe chegarão a Nova York em menos de uma semana. – Não estou gostando deste olhar. então. – Bem. erguendo-se em seguida. Se Theron não fizera o pedido. Não se opusera à ideia porque achara que Theron não falava sério. – Madeline apontou uma cadeira. antes ele terá de fazer o pedido. mas pelo que entendi será mera formalidade. – Empolgação é um sentimento superficial e passageiro. O sr. Naquela ocasião até poderia ser considerada uma empolgação. Detestaria vê-la… sofrer. – Quando será o casamento? – perguntou ela com voz suave. e a mulher mais velha se acomodou ao seu lado. Theron já encontrou alguém? – Isabella tentou afastar da voz o horror que sentia. Talvez a melhor coisa a fazer seja se concentrar nos homens que Theron tem em mente para você. – O sr.As sobrancelhas da secretária se ergueram. Bella achou que lhe restava muito tempo até que ele cumprisse o prometido. – Ele vai mesmo se casar? Está noivo? Madeline pareceu confusa por um instante. Ainda assim. mas a secretária de Theron também não fazia ideia da profundidade de seus sentimentos e de sua determinação. a julgar pela expressão compassiva no olhar de Madeline. querida. – Sim. Entorpecida. – Oh. Essa fascinação pelo sr. então havia tempo para garantir que ele não o fizesse. E. Ontem mesmo. Não era de se estranhar que ele tivesse ficado tão transtornado com o beijo que trocaram no dia anterior. ele mencionou superficialmente. e contornando a mesa até onde Isabella se encontrava sentada com as costas rígidas e as mãos unidas com força no colo. há quanto tempo sente essa empolgação por Theron? – Empolgação? – perguntou Isabella com partes iguais de divertimento e devastação. Isabella sabia que Madeline tinha boas intenções. ansiosa. – Conte-me – pediu. E sussurrou: – O que acha de irmos até a sala de reuniões? Isabella permitiu que a secretária a guiasse até a outra sala e trancasse a porta. Eu o amo desde minha adolescência. Isabella se inclinou para a frente. você não ouviu de minha boca. – Então ele ainda não fez o pedido de casamento? Uma sensação de alívio se derramou sobre Isabella. Madeline franziu a testa. mas a compreensão lhe suavizou a expressão.

– Irei sozinha. não. desejo-lhe boa sorte. Preciso fazê-lo ver isso. com a mente em turbilhão pelo choque inesperado que tivera ao saber do noivado iminente de Theron. – Então. sou eu: Isabella – disse quando a amiga atendeu. está bem? – E a compra dos móveis? Para quando quer marcar? Isabella negou com a cabeça. . e tenho como filosofia não me envolver na vida pessoal dos meus chefes. Ficariam felizes em me casar com o homem que eu amasse. – Oh. Às 19 horas. girou para se retirar do escritório. – E era correspondida. Em seguida. se não tiver nenhuma objeção. Madeline negou com um gesto veemente de cabeça. Madeline. – Você me agradecerá quando ele for um homem mais feliz. Não me envolverei nisso. Quando é mesmo esse coquetel? – Na noite de quinta-feira. Ambos queriam que eu fosse feliz. – Está bem. – Tem de me ajudar. Madeline ficou de pé e a observou com certa reserva. Nenhum homem vale a perda de seu respeito próprio. – Obrigada. Estarei lá. Você está sozinha nessa empreitada. As duas deixaram a sala de reuniões. Theron cometerá um grande erro. – Minha mãe amava meu pai loucamente – disse Isabella com voz suave. – Não se engane. me enviar de volta. Isabella anuiu com um gesto lento de cabeça. Isabella. e Isabella se apressou em assinar o contrato de locação. Theron fez sua escolha. Pegou o telefone celular e digitou o número de Sadie. É urgente. – Oi. Se sua mãe fosse viva. – Peça para ele ler e. na certa lhe diria a mesma coisa. Isabella soltou as mãos de Madeline e suspirou. embora forçado.Isabella tomou as mãos da secretária. antes de devolvê-lo à secretária. – Está ocupada? Preciso encontrá-la. Isabella esboçou um sorriso.

– Oh. – Aquele discurso? – Você sabe. – Você não desistiu. não me parece uma união baseada no amor. – Ela pode não aceitar – argumentou Sadie. Pelo que me contou. – Ainda. desanimada. Precisa apenas fazer o mesmo que pretendia. O pai há de ter rios de dinheiro. Na certa tem uma linhagem impecável. antes de fixar o olhar outra vez na amiga. Portanto. Theron está noivo. – Está vendo? Eu lhe disse! – exclamou a amiga. – Não estou sendo muito gentil. precisava de todo o apoio que pudesse obter. Isabella lhe dirigiu um olhar incrédulo. mas agora via-se diante da possibilidade de não conseguir a única pessoa que desejava ao seu lado. Ou o desespero. – Isso não muda nada. Isabella se deixou ser abraçada pela amiga. a preocupação lhe distorcendo os belos traços. Ou ao menos tentou. – Não comemore ainda – retrucou Isabella. Theron não resistirá a você se passar um tempo ao seu lado. – Mas isso não significa que não conseguirá. – Ainda significa que ele tem total intenção de fazê-lo. – Agora a está fazendo parecer um poodle. . divertida. desanimada. deixando-se afundar no sofá de Sadie. – Essa mulher é sem dúvida uma boa jovem grega de uma boa família grega.” – Ah. – Que mulher excitante. A amiga se sentou ao seu lado. – Isabella suspirou. e ela haveria de preferir tomar ácido de bateria a contestar um desejo dos pais. – Você diria “não” a Theron Anetakis? – Bem… não. não acha? Isabella soltou uma risada. Não será fácil como pensou que fosse – afirmou Sadie. quando por fim Sadie a soltou. – Nem ela dirá. Esse é o problema – respondeu Isabella. – Está bem. Em seguida. não é? Ele ainda nem fez o pedido de casamento. se esforçando para esboçar um plano. para todos os efeitos. As sobrancelhas de Sadie se ergueram. fixou o olhar no teto. foi um erro. Faça-o enxergá-la como você realmente é. – Nós nos beijamos ontem – disse ela. esse… – Ao menos agora sei por quê. – Theron fez aquele discurso esta manhã. – Sadie riu. É verdade. aquele do tipo: “Isso não deve se repetir nunca mais. Isabella cobriu o rosto com as mãos e tentou não deixar que o pânico a dominasse. Ela deve ser adorável. Naquele momento. A solidão nunca a incomodara.Capítulo 6 – ISSO É um desastre! – gemeu Isabella. querida… – Sadie a envolveu nos braços.

Até eu conseguir bons papéis. Leslie conseguiu um convite. Um grupo de forasteiros ricos que vêm para a cidade uma vez por ano. Eu a faria ser despedida em dois segundos. – Tenho um teste no sábado à noite. grandes papéis. eu tenho essa festa para a qual fui convidada. Inclusive eu. Mas o que isso tem a ver comigo? Sadie lhe dirigiu um olhar suplicante. sem dúvida explodiria de raiva. a veria seminua. diga-me o que é – estimulou Isabella. – O que significa fazê-lo esquecer essa questão da tutela. não é exatamente um teste. – …quente. e Leslie vai apresentá-lo a mim. Temos a mesma altura e. eu uso uma peruca loura no clube. Todos a querem. mas poderá se transformar em um se souber jogar meus dados da maneira correta. Sadie? Este suspense está me matando. – Agora você atraiu minha atenção. se você estiver usando as minhas roupas. – Se eu não aparecer no trabalho sábado à noite. – Não pode ir direto ao ponto. maliciosos. – Quer que eu me passe por você em um clube de striptease? Sadie. Só poderá fazer o teste quem for convidado. mas poderia funcionar. Isabella soltou uma risada. Eu a conheci algumas semanas atrás. Bem. perderei o emprego. As pessoas são capazes de matar por um convite dele. com a maquiagem certa. nem ao menos nos parecemos fisicamente. Porém. sonhadora. Talvez. Não posso perder essa festa. mas ela está em alta na Broadway agora. e nos tornamos amigas. quanto mais se souber que trabalhei lá por uma noite.Isabella soltou outro suspiro. dessa forma. não posso me dar o luxo de perder o dinheiro que ganho no clube. Se ele descobrisse onde você estava. – Tenho de trabalhar neste sábado. Os olhos de Sadie faiscaram. Preciso que ele me veja como me viu naquele momento. Sadie sorriu. – Pense bem. – Eu pretendia lhe pedir isso de qualquer forma. Sou uma péssima dançarina. Ela está me fazendo um grande favor apenas em me recomendar a Howard. impaciente. – Então o que devo fazer? Sadie lhe apertou a mão e sorriu. talvez eu tenha um método meio tortuoso para fazer com que Theron a veja quase nua. – Primeiro. sem desculpas. Bem. – Vamos. O beijo foi… – Isabella respirou fundo e sorriu. – Quem é Howard? E quem é Leslie? – quis saber Isabella. na noite de sábado. . – Howard está produzindo um musical na Broadway e fará testes na próxima semana. este final de semana eles alugarão o clube por uma noite. iria até lá arrastá-la pelo cabelo e. e pode parecer meio interesseiro. Ninguém fica olhando para seu rosto em um lugar como aquele – acrescentou ela. – Faça-o se apaixonar por você. – Se me permite pensar em mim por um momento. – Está bem. Isabella girou a cabeça rapidamente na direção da amiga. – E o que isso tem a ver com Theron? Ele iria ter um ataque cardíaco se soubesse que entrei em um clube de striptease. Howard Griffin estará lá. Então. Sadie fez uma careta. pensei que você pudesse me substituir. Todas as dançarinas terão de estar presentes. apenas por algumas horas. ninguém seria capaz de notar a diferença. É algo muito importante. Sadie fez um vigoroso movimento negativo com a cabeça.

nenhum homem é digno de tanto esforço. se encaminhou naquela direção. Por fim. sim – afirmou Isabella com voz suave. Posso burlar esses guarda-costas e substituí-la no clube. está levando esse assunto de tutor longe demais. pela manhã. – Em minha opinião. Alannis e a mãe eram belíssimas de uma forma clássica e elegante. Aquela é sua equipe de segurança. Ele não saberá onde estou. – Encontrarei uma forma de burlar a equipe de segurança.– E isso não causaria sua demissão? – questionou Isabella. Entrou no elevador até o andar desejado e. – Ela apontou na direção de três homens de aparência intimidante. ISABELLA SALTOU do táxi em frente ao prédio onde ficava o escritório de Theron e caminhou apressada na direção da entrada. Seguiu até a sala de Madeline para perguntar o que estava acontecendo e encontrou o local cheio de gente. Eles comunicarão imediatamente a Theron. Franzindo a testa. – Que tal eu a substituir sem que Theron saiba? Depois pensarei em uma maneira de chamar a atenção dele. com a testa ainda mais franzida. – E os outros são pessoas relacionadas aos compromissos desta manhã. isso é ridículo. – Theron. porque aquilo era pedir demais. Encontrarei em forma de lhe atrair a atenção. Ouça. Quando alcançou a mesa da secretária. Ao que parece. Enquanto a mãe tinha o cabelo preso em um coque . eu o beijarei outra vez. Sadie franziu a testa. que se encontrava parado diante da escrivaninha. O sorriso de Isabella se alargou. – Você tem guarda-costas? – Sim. – Por que tenho a impressão de que verá essa segurança como um desafio? – Sadie meneou a cabeça. – Deixarei Theron maluco. Isabella aprumou a coluna e lançou um olhar à porta fechada do escritório de Theron. deparou com uma pilha de malas no corredor. Uma mulher mais velha também girou. Uma parte de Isabella desejava sair correndo o mais rápido e para o mais longe possível. porque Alannis e companhia limitada estão no escritório dele. Isabella se apiedou da amiga. – Sabe de uma coisa? Espero que ele valha todo esse sacrifício – disse Sadie. – Alannis e a mãe chegaram. se inclinou para sussurrar: – O que está havendo? Madeline limpou a garganta. mas outra queria ver a mulher com quem Theron pretendia se casar. – Não pensei nisso. Se o sermão for muito severo. – Droga! – resmungou. Portanto. Sem dizer uma palavra. não devo ir a lugar algum sem esses seguranças – disse ela. não acha? Terei de ir ao escritório dele bem cedo. abriu a porta e entrou. Estão aguardando. para ser apresentada a eles e. ansiosa. com um sorriso travesso a lhe curvar os lábios. de acordo com Theron. ergueu a cabeça e lhe lançou um olhar curioso. Eu sei. ele contratou um bando para me seguir por Nova York. No mesmo instante. Theron. ergueu o olhar e franziu a testa ao vê-la. Aquilo não era nada bom. Sadie se encontrava boquiaberta. mas isso lhe dará a chance de me fazer outro sermão. – Tem certeza? – perguntou Sadie. Claro que aquela mulher não seria simplória. quando adentrou os escritórios da empresa. ignorando os apelos de Madeline. aquela que deveria ser Alannis. Na minha opinião.

Eu os orientei sobre o que espero deles. ela foi dispensada. Em seguida. Sophia abandonou a postura alerta e lhe dirigiu um sorriso doce. gostaria de apresentá-la a Alannis Gianopolous e sua mãe. – Está precisando de alguma coisa? – quis saber ele. esqueci-me completamente de sua equipe de segurança. – Ele dirigiu um sorriso na direção da noiva. – Agora você a está fazendo parecer um poodle – comentou Isabella. dessa forma. sim. antes de se erguer e contornar a mesa. Um instante depois. Theron franziu a testa por um instante. Resolvi ajudá-la. Acho maravilhoso que ele esteja se incumbindo de apresentá-la a maridos em potencial. mas Isabella resolveu ignorar aquele detalhe. Estava muito ocupada tentando encontrar um defeito em Alannis. – Sophia lhe beijou as bochechas. Porém. a senhora se aproximou estendo-lhe as duas mãos. – Em seguida. Eles estão aguardando lá fora. a não ser que sua voz fosse estridente. – Madeline não lhe falou que eu estava ocupado? A reprovação era evidente em sua entonação. Bem. mas a expressão do belo semblante másculo era indecifrável. Theron nos contou tudo sobre você. Os olhos castanhos eram afetuosos e simpáticos quando ela esboçou um sorriso hesitante. Theron voltou a atenção à senhora e exibiu um sorriso tranquilizador. Senhoras. voltou a fixar o olhar em Isabella. Para sua surpresa maior. – Ah. – Mudei de ideia. Isabella se encontrou atirada para fora do escritório. ela fez o caminho de volta à mesa de Madeline. – Quem é ela? – perguntou a mãe de Alannis em um tom autoritário. esta é Isabella Caplan. Sophia. – É um prazer conhecê-la. Procurou algum indício de que ele estivesse sofrendo. – Venha comigo – disse.impecável. A secretária lhe dirigiu um rápido olhar de compaixão. minha tutelada. – É um prazer conhecê-la – disse Alannis com um sorriso tímido. E. Sophia lhe deu um abraço carinhoso. O olhar encontrou o de Theron mais uma vez. – Talvez ela tenha mencionado que você estava ocupado – murmurou Isabella. – Igualmente – respondeu Isabella com um fio de voz. Madeline pode fazer o restante com você. Sophia. Terá de me desculpar. Como um autômato. – Bella. Alannis o usava solto. Ela e Theron formavam um casal fabuloso. – Você me disse para estar aqui pela manhã. recordando-se do que lhe . Isabella se deixou guiar até a mesma sala de reuniões do dia anterior. – O que quer dizer com isto? Madeline deixou escapar um suspiro. e Isabella agradeceu. – Alannis é uma jovem adorável. No mesmo instante. – Com a agitação pela chegada de Alannis. e Alannis lhe ofereceu um sorriso simpático. quase a arrastando consigo. – Bella – disse Theron em tom de voz áspero. Theron apertou o botão do interfone e disse a Madeline que estava enviando Isabella para conhecer sua equipe de segurança. aquela mulher se aproximava da perfeição. Isabella lhe dirigiu um olhar surpreso. em uma cascata de ondas escuras sobre os ombros. – Esta é a menina sobre a qual comentei. claro. e então a recordação se refletiu em seu olhar. perplexa. aqui estou. Madeline fechou a porta e girou para encará-la. Isabella. Isabella consultou o relógio de pulso em um gesto afetado.

Madeline resfolegou. e Isabella se encolheu em seu íntimo diante da adoração que viu refletida naquele gesto. Theron deve saber também em algum lugar daquela sua cabeça dura. Alannis estava de braços dados com ele. Isabella franziu a testa. Alannis é um ratinho. em um esforço hercúleo para ser extremamente amável. exasperada. – Enquanto raciocina. – Tão cedo? – Sim. A mente girando em uma rotação absurda. onde os homens as aguardavam. o que significa que terá de agir rápido – retrucou Madeline. O sorriso de Isabella se alargou. – Isabella ergueu as sobrancelhas. a porta do escritório de Theron se abriu e os três saíram de lá. – Alannis relanceou o olhar a Theron. a aliança e toda a noite planejada.dissera Sadie. dando de ombros. Tenho a impressão de que essa mulher se transforma em uma barracuda quando se trata da filha. – A secretária girou na direção de Isabella e sorriu. – Está sendo muito óbvia. – Esse casamento será um desastre. Isabella os observou com expressão tristonha até Madeline lhe dar uma cotovelada leve nas costelas. focou a atenção em Alannis. Isabella anuiu com um gesto lento de cabeça. após a ópera. embora ela não pudesse dizer que a sutileza era o ponto forte daqueles homens. ela é verdadeiramente adorável. O sorriso da jovem de beleza clássica lhe iluminou todo o rosto. – É melhor não levantar suspeitas da mamãe ursa. – Não vou interferir. Estou lhe dando a informação. e Theron está mais para um leão. minha menina. – Sim. – A secretária suspirou. Nós duas sabemos disso. animada. com uma expressão tristonha. Em seguida. Isabella forçou um sorriso no instante em que o trio se aproximou. Mas a sutileza também não era o ponto forte de Theron. – Sim. – Então desistiu? – perguntou Madeline. Sem dúvida eles se adequavam ao papel de seguranças. Você vai. batendo o pé no chão repetidas vezes. em um gesto impaciente. – Achei que tivesse como filosofia nunca interferir na vida pessoal de seus chefes – disse Isabella. foi ótima – respondeu ela com um leve sotaque inglês. O que fará com ela é problema seu – concluiu. – Ele planeja fazer o pedido de casamento na noite de sexta-feira. – Como foi sua viagem? Espero que tenha corrido tudo bem. – Isso deve tornar as coisas interessantes para você. Percebi no instante em que pousei os olhos na mãe enérgica que ela tem. – Estou muito feliz por estar aqui. e a cabeça de Theron se achava inclinada para ouvir o que ela dizia. Isabella ouviu apenas parte das instruções. – E Madeline guiou Isabella de volta ao escritório. . – Eles têm ordens estritas de acompanhá-la para onde quer que vá. Tinha de arquear o pescoço para trás para poder enxerger os rostos dos três brutamontes. Está com os ingressos. mas não é a mulher certa para Theron. – Sua equipe de segurança está do seu agrado? – perguntou Theron em tom educado. Quando Madeline estava lhe apresentando o último guarda-costas. – Talvez ele deseje um rato – murmurou Isabella. A secretária fez um gesto negativo com a cabeça. deixe-me apresentá-la à sua equipe de seguranças.

ela se voltou na direção de Sophia com uma expressão animada. – O coquetel – esclareceu ele. Engolindo com dificuldade o nó que crescia em sua garganta. mas não por uma diferença muito grande.– Esperamos revê-la na noite de quinta-feira – disse Sophia. Sophia se mostrou muito animada. Ouvi dizer que é um país adorável para se visitar. Talvez possam me contar tudo sobre a Grécia. Talvez eu passe minha lua de mel lá quando me casar. ela se limitou a fazer um movimento positivo com a cabeça. Providenciarei para que a bagagem que trouxeram seja despachada para o hotel imediatamente. o olhar de Theron se cravava em Isabella. Talvez alguns anos? Havia uma inocência juvenil nos olhos daquela moça que fazia Isabella se sentir mais velha e experiente. Incapaz de proferir qualquer palavra por causa do nó que se encontrava alojado em sua garganta. . Quando passaram por Isabella. agarrada ao seu braço como uma alga marinha. lançando um olhar confuso a Theron. suave. – Também estou ansiosa por voltar a vê-las. enquanto a expressão de Theron se fechava. ele gesticulou com a cabeça na direção dela. – Vocês fizeram uma longa viagem. – Claro que estendi o convite às duas. Embora a noiva se encontrasse ao lado dele. – Quinta-feira? – repetiu Isabella. – É melhor irmos agora – disse ele à mãe de Alannis. – Avise-me se tiver algum problema. Theron amaria Alannis? Sentiria certa afeição por ela? Alannis era mais velha que ela. os olhos castanhos perscrutadores deixando uma trilha de sensações sobre sua pele. – Claro – concordou Isabella.

. paciente. – Que ideia maravilhosa. Sophia anuiu em aprovação.Capítulo 7 THERON NÃO conseguia tirá-la da mente. Os pensamentos se encontravam povoados por uma tentação em forma de mulher. sem nenhuma sutileza. Porém. Ele planejara meticulosamente aquela noite. Ele as levara para almoçar. mas me parece solitária. Como se a tivesse conjurado. seu plano de pedir Alannis em casamento. Isabella não teria nenhuma dificuldade nessa área. – Conseguiu encontrar candidatos qualificados para Isabella? – perguntou Sophia. sim. embora ele lhe tivesse pedido para manter os detalhes em segredo. mas o pensamento de Isabella deixando o país e se casando com alguém tão longe lhe deixava um travo na boca. – Oh. menos ele. Ele escutou Alannis repetir todos os detalhes da viagem e expressar de novo o contentamento por visitar Nova York pela primeira vez. aborrecido. todos estavam radiantes. o excitamento lhe fazendo brilhar os olhos. – Eu lhe transmitirei a ideia na próxima vez em que falar com ela. tentando se concentrar no que Alannis e Sophia diziam. em um ato irracional. Esfregou o rosto. expulsando aqueles pensamentos. antes de. sua mente não estava no presente. – Sabe de uma coisa? Adoraria me incumbir pessoalmente de Isabella. – Theron não sabia por que. Isabella caminhava ao lado da recepcionista que a guiava a uma mesa ao lado da janela. Planejo apresentá-la a alguns rapazes que foram cuidadosamente investigados. Theron ergueu o olhar e a avistou do outro lado do restaurante. Ao que parecia. Os homens fariam fila pela chance se serem escolhidos. no coquetel da noite de quinta-feira. – Eu imaginava se já conseguiu encontrar o rapaz ideal. Não. – Você comentou que estava tentando encontrar um marido para ela – explicou Sophia. Sophia estava extasiada com a intenção de Theron em propor casamento a Alannis após a ópera. após acomodá-las na suíte que ocupariam. Ela poderia voltar comigo para a Grécia. Theron tinha certeza de que Sophia insinuara para a filha. Myron ficaria muito feliz em apresentá-la a rapazes de boas famílias. de cabelo escuro e um sorriso capaz de derreter um homem. mamãe! – opinou Alannis. Sophia se inclinou para a frente. Não que o fato de ela se casar tão perto o fizesse se sentir melhor. comprara ingressos para o espetáculo favorito de Alannis. mas tudo de que conseguia se lembrar era que havia almoçado com Isabella àquela mesma mesa. Duvido que tenha dificuldades em encontrar um marido. beijá-la no elevador. Theron franziu a testa. Então por que não estava mais entusiasmado? Alannis se mostrava muito animada. – Ela é uma jovem muito bonita. com o propósito de terminar a noite com uma festa em seu hotel. claro. – Como disse? – Theron meneou a cabeça.

a ideia de firmar tal compromisso o enchia de medo. Poderia transformar a reunião insípida em sua cobertura em uma festa de boas-vindas a Isabella no hotel. O cabelo estava atado em um rabo de cavalo. Como deveria ser difícil para ela estar desacompanhada em uma cidade estranha. E se possuía amigos. quando uma semana antes via-se ansioso por uma vida ao lado de Alannis? Aquilo não fazia sentido algum. Tomou um gole de água sem desviar o olhar do ponto onde o fixara. Quando chegaram ao saguão. Afinal. Sem família. Após um instante. não lhe contara nada sobre eles. Antes que ela pudesse dar dois passos na direção do primeiro da fila. – Ouça… como é seu nome? Os guarda-costas lhe haviam sido apresentados no dia anterior. Tentando ignorá-los. Ele franziu a testa ao lê-la e voltou a fixar o olhar em Isabella. Em vez de lhe injetar consolo e contentamento. a secretária respondeu a mensagem. Theron aproveitou a oportunidade para observá-la. digitou uma mensagem para Madeline perguntando sobre o dia em que faria compras com Isabella. e o fato de ter homens em seus calcanhares para onde quer que fosse a deixava nervosa. que olhava além da janela. os dedos enroscados em uma mecha de cabelo que ela enrolava distraída. lembrando a si mesmo que. Aquela era a mulher com quem passaria o resto da vida. voltou a focar a atenção em Alannis. A mãe de Alannis estava certa. deixando escapar um suspiro exasperado. a pediria em casamento. Um sentimento de culpa o atingiu ao se lembrar da própria ansiedade em se livrar dela. O homem entrou no elevador com ela e se posicionou ao fundo.Recordando-se do comentário de Sophia sobre ela parecer solitária. Mais uma vez o olhar de Theron vagou na direção de Isabella. se juntaram a outros dois guarda-costas. dentro de alguns dias. Agora estava feliz por ter planejado o coquetel para a noite de quinta-feira. Pela primeira vez. mas ela estivera distraída com a . Ela seria sua amante e mãe de seus filhos. Uma moça naquela idade ficaria entediada com a festa que ele planejara inicialmente. Mas o sorriso não se expressava naqueles belos olhos verdes. um dos seguranças se interpôs à sua frente. Theron refletiu sobre as circunstâncias daquela jovem. Ainda não se acostumara àquela escolta. Ela de fato parecia solitária. Isabella estacou. Em seguida. barrando-lhe a passagem. digitou sua resposta a Madeline. mas ao menos ela teria um pouco mais de diversão. Ela iria sozinha? Não queria sua companhia? Com a mesma expressão contrariada estampada no rosto. não queria combinar nada com Alannis para a mesma hora. Isabella se encaminhou resoluta à porta da frente. Theron enfiou a mão no bolso e pegou o telefone celular. Uma onda gelada de pânico o invadiu até que gotículas de suor lhe brotassem na testa. e não havia nenhum vestígio do sorriso sobre o qual ele recordava havia pouco. Tão logo Isabella deixou sua suíte. Usava calça jeans e camiseta. Poderia apresentá-la aos rapazes da lista de Madeline. um homem se aproximou e começou a caminhar ao seu lado. e sorriu quando o garçom foi atendê-la. Sentindo-se um pouco melhor. Por que reagia tão mal agora. onde se encontravam os táxis. Até mesmo um pouco triste. com uma expressão pensativa. Descubra o dia em que ela pretende ir e suspenda minha agenda. Isabella se acomodou sozinha.

– Alguns dias atrás. – Presumi que. você queria minha companhia. – Temo não ser possível. Reynolds exibiu outro sorriso. Theron desceu do veículo e caminhou em sua direção. pethi mou. Não há necessidade de me seguirem em um programa tão feminino. lhe segurou a mão. ficou desapontada. retirou os óculos escuros e os guardou no bolso da camisa polo. – Poderia chamar o carro. Reynolds fez um breve gesto negativo com a cabeça. Anetakis providenciou para a senhorita. Temos ordens de acompanhá-la para todos os lugares. Porém. Caplan estava prestes a entrar no táxi. – Preciso entrar naquele táxi. que haviam surgido de repente. – Muito bem. – É importante que siga minhas instruções.notícia do noivado iminente de Theron. e por ser o guarda-costas que lhe bloqueava a passagem. os dedos longos se fechando firmemente nos dela. Se esperava por uma confirmação ou negativa daqueles dois. esperando que ele concordasse. – Ora. – Ou devo chamá-los de Huguinho. que inferno! – resmungou. já que não me é permitido tomar o táxi? Theron ergueu uma sobrancelha. – Isabella relanceou o olhar a Reynolds. Isabella franziu a testa. alternando o olhar entre Davison e Maxwell. – Claro – murmurou ela. Zezinho e Luisinho? Aquele que a encarava exibiu uma carreira de dentes brancos quando sorriu. Caplan. – Temos ordens estritas para levá-la para onde quiser ir no carro que o sr. esta manhã. Reynolds a observou com semblante sério. não teria tempo para me acompanhar. – A srta. Vou fazer compras para o meu apartamento. Reynolds. em seguida. – Não há nenhuma possibilidade de cabermos todos dentro daquele táxi – afirmou. srta. As providências que tomei são para o seu bem-estar e segurança. antes de constatar o óbvio. Tenho certeza de que está aqui para ver Alannis. impedindo-a de pegar o táxi. Para a surpresa eletrizante de Isabella. observou o carro luxuoso e lustroso parar a alguns centímetros de distância de onde estavam. – Não me encontrarei com Theron hoje. Theron aprovou a atitude e voltou a atenção a ela. Poderiam esperar no restaurante. à procura de algum perigo em potencial. – Até mesmo ao toalete? – Se necessário for… – retrucou o segurança. Vou fazer compras. – Ele gesticulou na direção dos dois outros da equipe de segurança que a ladeavam. Quando se encontrava diante dela. – Deve estar enganado – disse ela a Reynolds. Isabella xingou entre os dentes cerrados e observou a expressão divertida do guarda-costas. a senhorita terá de aguardar a chegada do sr. olhando constantemente ao redor. varrendo o sorriso do rosto de Isabella. – Esse à esquerda é Davison e ou outro é Maxwell. . Isabella o encarou. – Isabella se dirigiu a ele por parecer que aquele era o chefe do bando. Mudou de ideia? Confusa. – Algum problema? – perguntou com a testa franzida. e eu lhe explicava por que ela não deveria fazê-lo. Em seguida. como está com convidados aqui. Então aqueles brutamontes tinham outra expressão além do semblante de estátua! – Pode me chamar de Reynolds. Os guarda-costas se limitaram a permanecer imóveis. Anetakis. Reynolds confirmou a hora no relógio de pulso e. – Não quero tomar seu tempo.

não permaneceria em Nova York para ver Theron com outra mulher. – Então. como . – Bem. De vez em quando. estão vivendo lá. portanto. E então Isabella girou e sorriu. que ele tentava manter impassível. se tudo saísse como desejava. soltando uma risada. foram recepcionados por Reynolds. Embora não o estivesse mais observando. Isabella deixou o olhar vagar pelo corpo musculoso e o fixou nos olhos castanhos de Theron. ela podia sentir cada movimento de Theron. e disse isso a Theron. na época. Estava grávida. – Fico feliz que tenha vindo. Isabella se acomodou no confortável banco de couro. – Não consigo imaginar Chrysander tão apaixonado – disse ela. – Como estão Chrysander e a esposa? – indagou Isabella. – Obviamente não tem a mesma percepção de mim – retrucou Theron em tom de voz seco. antes que ele pudesse lhe dar qualquer resposta. o que o fez vir até aqui esta manhã? – perguntou. uma sensibilização contra a qual lutou. – E por que um esquema de segurança tão forte? – perguntou. Houve uma mudança na expressão de Theron. – Estão dispensados até que retornemos. – Minha percepção de você não tem nada a ver com a que tenho de Chrysander. Os dois passaram a manhã comprando os itens da lista que ela necessitava para o apartamento. porque. Se ele se mostrava tão protetor com alguém que definia como estando “sob seus cuidados”. Chrysander viaja a negócios. e perceber sua respiração como se fosse a sua. Ele sugeriu que almoçassem no hotel outra vez. Após gesticular para que ela se acomodasse no banco de trás. Caso contrário. não moraria lá por muito tempo. – Não estou tão ocupado que não possa manter uma promessa. A expressão de Theron se fechou no mesmo instante. Disse-lhe que faria compras com você. Isabella começava a se acostumar ao pequeno séquito de guarda-costas que seguiam Theron para onde quer que ele fosse. – Parece um pouco pretensioso. – Antes de se casar com Chrysander. – Quando foi a última vez que não conseguiu fazer as coisas do seu jeito? Theron lhe dirigiu um olhar surpreso. que informou a Theron que permaneceriam no restaurante enquanto eles estivessem lá. Theron parecia apreciar o fato de Isabella não demorar muito para se decidir por um produto. Marley foi sequestrada e mantida em cativeiro para exigência de resgate. puxando-a pela mão e a guiando em direção ao carro que os aguardava. Mas a verdade era que ela não se importava muito com o tipo de móveis que colocaria em sua casa. Isabella se voltou para a janela. Marley prefere morar na ilha. Aquelas emoções conflitantes se refletiam no semblante. Obrigada. Isabella se encontrava cansada e faminta. Quando retornaram ao hotel. animada. Quando o motorista colocou o veículo em movimento. – Pensei que estivesse muito ocupado no trabalho e com o entretenimento de suas… convidadas. – Ele parece tão intimidador. ela fez um gesto negativo com a cabeça e exibiu um sorriso tristonho. suave. mas você também é minha convidada – retrucou ele. Os sequestradores não foram presos. e aqui estou. exasperada. Porém. e ele se sentou ao seu lado. girou para se dirigir a Reynolds. Às 14 horas. mas não costuma deixar a esposa e o filho com muita frequência. Não arrisco a segurança daqueles que estão sob meus cuidados.– Ah. Minha equipe assumirá a segurança da srta. Caplan. O fato de ele não parecer aflito para correr para Alannis assim que acabaram de fazer compras a deixou animada.

– Você insiste em se lembrar da minha idade para não ficar tentado a fazer algo ultrajante como me beijar outra vez? Theron pestanejou várias vezes. mas nem sempre as coisas saem de acordo com nossa vontade. enquanto os dois eram guiados à mesa de Theron. contraiu a mandíbula. Ela observou Theron durante toda a refeição. – Theron. – O que quis dizer com “alguém como você”? – perguntou ele. que bom revê-lo. sorrindo. e a observou. Estava bem-vestido e exalava riqueza e refinamento. No entanto. Em seguida. Isabella terminara a refeição quando ouviu o nome de Theron ser chamado a algumas mesas de distância. Theron não era imune a ela. Bella. Não deveria andar sozinha em um lugar com o qual não está acostumada. Por que Nova York? Não prefere ficar perto de seus amigos da Califórnia? E tem pensado no que vai fazer. você pode fazer o que achar melhor. Ela ergueu . – Não há nada errado em planejar tudo com antecedência. Se tivesse de arriscar um palpite. Estou certa? – perguntou ela em um tom de voz malicioso. – Eu não concordei com nada disso. mas aquilo não pareceu intimidar o homem. Theron parecia muito insatisfeito com a interrupção. Theron lutou contra uma expressão contrariada. paciente. Nem um pouco. antes de relaxar e sorrir. Ela ergueu o olhar para deparar com um belo homem que caminhava na direção deles. Fiquei feliz ao receber seu convite para a noite de quinta-feira. – Obrigada por me acompanhar. – A voz grave lhe penetrou os pensamentos. A agitação que ele sentia ficava evidente nos movimentos bruscos e curtos enquanto comia. com uma taça de vinho na mão. Poderia conviver com aquela tendência superprotetora se isso significasse que ele a amava. – Pensei que havíamos combinado esquecer que isso aconteceu.seria com alguém que amava? Um sorriso sonhador lhe curvou os lábios. Por várias vezes. – O prazer foi meu. que agora se encontrava parado ao lado da mesa. – Parece satisfeita consigo mesma. conte-me. Havia labaredas naquelas profundezas douradas. – Tem razão. os olhos castanhos se ergueram e encontraram os dela. – Permite-me perguntar o que isso significa? – Apenas imagino que sua vida seja planejada nos mínimos detalhes e que não tenha paciência com pessoas que não são tão organizadas quanto você. – Palavras sábias para alguém tão jovem. – Minha decisão talvez deixe alguém como você enlouquecido. Tenho minha vida bem planejada. A aproximação do garçom que trazia os pedidos o poupou de uma resposta. embora não tivesse sido seu nome a ser pronunciado. Theron se recostou para trás na cadeira. diria que ele estava bastante afetado com sua presença. – Então. mas na verdade tenho um plano muito bem traçado para o meu futuro. agora que se formou na faculdade? Isabella sorriu. Após fazer os pedidos. Isabella enrugou o nariz e revirou os olhos. O verdadeiro desafio é como se readaptar quando seus planos desandam. e ela também o observava. imaginando se aquele era um dos homens da infame lista de maridos em potencial que Theron elaborara. boquiaberto. – Ficou contente com as compras que fez? Isabella anuiu. O rapaz relanceava o olhar a Isabella enquanto falava. E a olhava com indisfarçável interesse. pethi mou.

– Ele voltou a fixar o olhar em Isabella. eu irei. levou-a aos lábios e a beijou. . – Muito bem. sim. não parecendo muito satisfeito com aquilo. Marcus aceitou a mão estendida. – Eu o vi acompanhado de uma linda jovem e quis conhecêla. O olhar furioso era capaz de derreter o aço. – Um salão cheio de homens abastados e belos para que eu possa escolher. – Deseja alguma coisa. Theron parecia afrontado por ela o ter questionado. aquela em cuja homenagem a festa será dada. mas Marcus pareceu não se incomodar… ou intimidar. – Deus do céu! Não me diga que levantou a ficha médica dele! – exclamou Isabella.uma das sobrancelhas em uma expressão questionadora. mas em vez de se limitar a trocar um aperto cordial. Agora que sei que meu comparecimento me coloca na disputa. aqueles seus instintos protetores aflorassem. – Você irá? – falou Isabella. chame-me de Bella. Isabella lhe estendeu a mão. – Claro que sim. Não lhe sugeriria um homem doente ou que tivesse algum problema que pudesse ser transmitido aos seus filhos. então isso poderá ser divertido – disse ela com a expressão iluminada. – Ora. Contente. – Por favor. não possui dívidas. Bella. Isabella suprimiu uma risada e tentou adotar um semblante sério e agradecido. – Você deve ser Isabella Caplan. ótimo… Nesse caso. educado. Isabella o observou se afastar e voltou a atenção a Theron. Um lindo nome para uma igualmente linda mulher. Talvez se Theron visse outro homem flertando abertamente com ela. – Guardará a última dança da noite de quinta-feira para mim? Com um sorriso largo. Isabella se inclinou para trás na cadeira. não se importará se passarmos algum tempo juntos no coquetel? – Não – retrucou Theron entre os dentes cerrados. pousou o copo e resmungou em tom de voz baixo: – Claro que não questionei a vida sexual de seus pretendentes. – Então posso confiar que qualquer homem que estiver em sua festa foi cuidadosamente vasculhado e tem seu selo de aprovação? Theron assentiu com um gesto lento. – Claro. sorrindo diante da expressão surpresa do rapaz. antes de me decidir por um. Sou Marcus Atwater. – Que pena! Suponho que terei de descobrir por mim mesma. fingindo sussurrar de maneira conspiratória: – Descobriu se são bons amantes também? Theron engasgou com a bebida. Fico feliz por ter vindo confirmar. ela confirmou com um gesto de cabeça. É bemsucedido. Quem sabe se de repente se visse diante de certa concorrência… – Nada – respondeu Marcus. – Quase no topo – resmungou. como está a cotação dele em comparação com os outros homens que vem considerando para o cargo de meu marido? Theron lhe dirigiu um olhar de reprovação. – Soube de fonte limpa que Theron se valerá dessa festa de quinta-feira para me arranjar um marido – acrescentou. mas Theron a ignorou. oferecendo um sorriso luminoso ao rapaz. e acabou por soltar uma risada ao perceber que a carranca de Theron se tornara ainda mais intimidadora. – Isabella se inclinou para a frente. Marcus? – perguntou Theron de um jeito nada amistoso. – Diga-me. – Marcus seria uma boa escolha. incrédula. não perderia essa festa por nada deste mundo. – Oh. nunca foi casado e é saudável. E confirmar se era a misteriosa Isabella Caplan. e.

. – Terá de me desculpar. Estava mesmo pretendendo subir para minha suíte. Theron estava a ponto de explodir. Theron gesticulou para Reynolds e se ergueu da cadeira.– Não fará nada disso! – rosnou Theron. Trata-se de uma reunião importante. – Seus seguranças a acompanharão até seus aposentos. E. – Não se prenda por mim. Os olhos verdes se arregalaram com expressão inocente. da qual não posso me ausentar. Isabella deu de ombros de maneira casual. Após algumas frases concisas. Quando o celular tocou. ele pareceu aliviado antes de atendê-lo. não tente ir a lugar algum sem eles. mas preciso ir. Bella. enquanto ela lhe observava a evidente irritação. desligou e fixou o olhar em Isabella.

galerias de arte… Oh. ele afastou a lapela. Para justificar a negativa. se vocês têm de andar como três sombras atrás de mim. – Os ternos ficam – falou Davison pela primeira vez. Talvez escapar da segurança não fosse uma boa ideia. Os três homens negaram com a cabeça. Isabella ficou boquiaberta. – Não conheço Nova York muito bem. – Gostaria de fazer um tour pela cidade – respondeu ela. Mas em seu modo de pensar. Reynolds a seguiu. – Ouçam. Reynolds anuiu. e não para agradar aos homens que Theron convidara. Talvez aqueles homens pudessem lhe oferecer uma opinião masculina sobre qual vestido lhe ficava melhor. Apenas não tinha se dado conta da intensidade da preocupação de Theron quanto à sua segurança. estar acompanhada por três brutamontes a tornava mais notável do que se . Isabella fingiu refletir sobre o assunto.Capítulo 8 O AVISO de Theron ainda ecoava nos ouvidos de Isabella na manhã seguinte. Não se considerava uma ingênua. e gostaria de conhecer a Estátua da Liberdade. prefiro que usem algo menos caricato de personagens de filmes de máfia. – Bem. Tão logo saiu da suíte. Isso só servirá para chamar atenção para mim. Sem mencionar o fato de que não quero que todo mundo saiba que estou andando por aí com três guarda-costas em meu encalço. – Pelo que a senhorita se interessa? – questionou o segurança. – Para onde deseja ir esta manhã? – Reynolds retirou o telefone celular do bolso para chamar o carro. portanto terei de contar com sua ajuda. – O que sugere. com polidez. O último lhe lançou um olhar severo. com uma boa dose de mel na voz. – Bom dia – respondeu o segurança. enquanto passava as orientações ao motorista por telefone. sensível a armas. que foi recebido com um sorriso de Isabella. Eles lhes dão uma aparência de agentes do serviço secreto. Maxwell e Davison obedeceram. Isabella estacou de repente diante deles. – Algum problema? – perguntou Reynolds. Compreendia a necessidade delas. Por um instante. e os dois se juntaram a Davison e Maxwell. – Bom dia – cumprimentou ela. revelando a pistola que se encontrava em um coldre de ombro. os observou e fez um movimento negativo com a cabeça. Não que se importasse que eles a acompanhassem às compras. Queria estar com uma aparência deslumbrante na festa de quinta-feira. ela hesitou. – Museus. então? – Maxwell não pareceu muito satisfeito com aquele comentário. As portas do elevador se abriram para o saguão. enquanto engendrava um plano para burlar sua segurança. – Agora livrem-se da gravata e do blazer. poderiam começar retirando os óculos escuros.

conseguisse se esgueirar para uma loja de departamentos e procurar seu vestido.
– Está bem. Concordo com os ternos – resmungou.
Os quatro saíram do hotel para onde o carro os aguardava.
Davidson ocupou o banco da frente, enquanto Maxwell contornou o veículo para se sentar no
banco traseiro, do lado oposto. Reynolds abriu a porta do banco de trás mais próxima e esperou que
ela entrasse.
Isabella fingiu exasperação e bateu com a mão na testa.
– Espere aqui. Esqueci minha bolsa – disse ela.
– Eu a buscarei para a senhorita. Entre no carro – retrucou Reynolds.
Mas Isabella já estava se encaminhando à porta da frente. Girando, ela ergueu um dedo.
– Levará apenas um minuto.
Reynolds começou a segui-la, mas ela se esgueirou, apressada, pelo saguão na direção do toalete
masculino. Certamente ele procuraria no feminino quando se desse conta de seu desaparecimento,
mas era pouco provável que se lembrasse de vasculhar o toalete masculino.
Isabella deixou a porta entreaberta alguns milímetros para que pudesse ver o que estava
acontecendo.
Reynolds passou apressado, rosnando em um pequeno dispositivo que se encontrava preso à
camisa.
Segundos depois, Maxwell e Davison passaram correndo em frente ao toalete masculino com as
expressões tensas. Isabella aproveitou para escapar do toalete e correr, sem hesitar, na direção da
porta de entrada, esperando que os três não olhassem para trás até que tomasse um táxi.
Em seguida, escorregou para o banco do passageiro do primeiro carro da fila e prometeu pagar o
dobro da corrida se ele saísse correndo dali. Mostrando-se mais que disposto a colaborar, o
motorista se afastou imediatamente da entrada do hotel e entrou na frente de outros dois carros.
Buzinas e xingamentos ecoaram de todas as direções, mas o motorista agitou o punho e sorriu.
– Para onde vamos, senhorita?
Isabella ergueu o olhar e viu que o homem a olhava pelo espelho retrovisor.
– Não sei ao certo – admitiu ela. – Preciso comprar um vestido. Um modelo deslumbrante capaz
de fazer um homem babar.
– Conheço o lugar certo – disse o homem, com um movimento afirmativo de cabeça.
Disposta a não negligenciar nenhuma medida de precaução, Isabella perguntou se o motorista
podia esperá-la enquanto fazia compras; com o taxímetro ligado, claro.
O taxista a deixou na entrada de uma luxuosa loja de departamentos e lhe deu seu número de
celular.
– Telefone-me quando tiver concluído e eu a buscarei aqui – disse ele.
– Obrigada – agradeceu Isabella enquanto saía do veículo.
Tomando cuidado para se manter perto do fluxo de pessoas, ela entrou na loja. Não era uma
completa idiota no que se relacionava à segurança. Evitava os cantos, não se desviava dos caminhos
principais e se mantinha ao alcance das câmeras de segurança. Quando chegou o momento de
experimentar o vestido, contou com a companhia de uma vendedora muito atenciosa no provador.
Afinal, precisava de uma opinião.
Após experimentar seis modelos, Isabella encontrou o certo. O tecido tinha um caimento perfeito
em seu corpo, valorizando-lhe cada curva, como uma segunda pele. Não havia babados ou franzidos,
nada que lhe disfarçasse as formas. O tecido era delicado, tinha alças finas, e a bainha ficava cinco
centímetros acima do joelho. Com um sapato de salto, teria os homens comendo em sua mão.

Ela franziu a testa ao se dar conta de que não lhe importava o que os outros homens fizessem.
Theron era seu objetivo, e ninguém saberia dizer qual seria a reação dele.
Isabella saiu do provador para mostrar à vendedora, e o rosto da mulher se iluminou.
– Perfeito, srta. Caplan. Simplesmente perfeito. Com o sapato certo, irá arrasar!
Isabella sorriu.
– Teria algum par de sapatos pretos com salto de 7 centímetros que combine com este vestido?
A vendedora sorriu.
– Volto já.
Minutos mais tarde, Isabella girou, avaliando as próprias pernas sobre os sapatos. Os saltos eram
agulha, mas lhe emprestavam uma aparência divina.
Não satisfeita em lhe vender um vestido e um par de sapatos obscenamente caros, a vendedora
também insistiu em assessorá-la na compra das joias perfeitas, é claro, e uma bolsa de mão.
Duas horas depois de ter burlado sua equipe de segurança, Isabella se encontrava sentada no táxi
rumando de volta ao hotel. Quando o motorista estacionou, ela recolheu as sacolas e se inclinou para
a frente para pagar a corrida.
– Muito obrigada. Agradeço muito que tenha me esperado.
– Sem problemas, senhorita. Boa sorte com sua festa hoje à noite. Tenho certeza de que tirará o
fôlego de todos os presentes.
Isabella sorriu, desceu do táxi e acenou enquanto o motorista se afastava. Com um sorriso nos
lábios, ela entrou no hotel e se encaminhou ao elevador.
A ausência de sua equipe de segurança a fez hesitar, enquanto uma onda de sentimento de culpa a
atingia. Estivera tão envolvida com as compras que não se lembrara de telefonar para Reynolds para
tranquilizá-lo. Nem o segurança nem Theron tinham o número do seu celular, portanto ficaram
impedidos de fazer contato.
Ela entrou na suíte digitando o número de Reynolds, e ergueu o olhar para deparar com quatro
homens furiosos com os olhares fixos nela.
Theron se levantou do lugar que ocupava no sofá, com as pupilas faiscando de raiva, e gesticulou
para os outros três.
– Deixem-nos a sós – ordenou, conciso.
Isabella deixou que as sacolas escorregassem pelos dedos, enquanto os três passavam por ela.
Reynolds lhe dirigiu um olhar de censura, e Isabella exibiu um sorriso hesitante.
Quando os seguranças saíram, ela se concentrou em Theron, que havia fechado a distância entre os
dois, parecendo muito ameaçador, o rosto transtornado.
– Você não os demitiu, certo? – perguntou, incomodada.
– Pode ter certeza de que sei exatamente de quem é a culpa – respondeu ele, entre os dentes
cerrados.
Isabella se inclinou para recolher as sacolas, e o contornou para se dirigir ao sofá.
– Burlar sua segurança foi uma inconsequência, Bella. Não deixei clara a necessidade de seus
guarda-costas? O que estava pensando?
Isabella girou e o observou, pensativa.
– Tive minhas razões – limitou-se a responder.
Theron jogou as mãos para o alto em um gesto exasperado.
– Que razões?
Isabella sorriu.
– Nenhuma que aprovará. Não me ausentei por muito tempo, e tomei cuidado. O gentil motorista

do táxi cuidou de mim muito bem, e a vendedora da loja não me deixou sozinha um só instante. Bem,
exceto quando foi buscar os sapatos.
O rosto de Theron se tornou cinza.
– Motorista do táxi? Confiou seu bem-estar a um motorista de táxi?
– Relaxe – retrucou com um sorriso. – Ele foi um perfeito cavalheiro. Levou-me até uma loja de
departamentos e esperou por mim até eu concluir as compras.
Theron engoliu em seco, parecendo imprimir um esforço hercúleo para dominar a raiva. Hum…
Theron perdendo a calma. Aquilo poderia fazer valer a pena ter dito a verdade.
– Por que resolveu sair sem sua equipe de segurança? Isso era tão importante a ponto de se
arriscar dessa maneira?
Isabella ergueu uma das sacolas de compras.
– Precisava de um vestido para a festa desta noite.
Theron inspirou profundamente, fechou os olhos e voltou a abri-los. Em seguida, se aproximou
com passadas largas e a segurou pelos ombros.
– Um vestido? Deu-me o maior susto da minha vida por causa de um vestido?
Theron a sacudia enquanto falava, e Isabella se amparou com as duas mãos na cintura reta para não
perder o equilíbrio.
– Não era qualquer vestido – murmurou ela, se esforçando para não rir. Talvez não devesse
provocá-lo daquela maneira, mas fazê-lo perder a compostura de repente se tornou sua missão. –
Não poderia conhecer meu futuro marido trajando nada menos que um vestido deslumbrante.
– Você é a mulher mais enervante e frustrante que já conheci! – vociferou ele.
E em seguida, puxou-a com força contra o corpo, apossando-se daqueles lábios carnudos com um
beijo bruto que sequestrou todo o ar dos pulmões de Isabella. Quando as mãos fortes deslizaram para
suas costas como duas garras de ferro em brasa, ela deixou escapar um gemido de prazer.
Theron a saboreava como um homem faminto. Era como se não conseguisse se saciar dela. Um
formigamento excitante lhe percorreu a espinha, os seios pulsavam, os mamilos se tornaram rígidos
contra a parede sólida daquele peito largo.
O som das respirações aceleradas e do beijo enchia a atmosfera. Um das mãos de Theron
escorregou pelas costas macias até a altura do cós do jeans e puxou o tecido da blusa até libertá-la
da calça. Em seguida, roçou os dedos sobre a pele exposta da cintura, onde ficava localizada a
tatuagem. Theron circundou aqueles contornos como se soubesse o que havia lá.
Ansiosa por sentir o sabor daquele homem, Isabella traçou com a ponta da língua o contorno dos
lábios sensuais até que ele respondesse com uma invasão implacável em sua boca. Quente.
Extremamente másculo. Theron tinha o sabor da força e do poder.
Isabella se perdeu no círculo vertiginoso daqueles braços, derretendo-se sob a boca que a violava.
A pulsação disparava, desgovernada. Como ansiava por aquele homem!
A mão longa subiu até lhe tocar a alça do sutiã. Os dedos de Theron tatearam o fecho e
paralisaram.
Com um xingamento abafado, ele interrompeu o beijo, a respiração dificultosa e sonora. Os olhos
castanhos eram como labaredas. E então Theron afastou as mãos como se o contato com seu corpo o
queimasse.
Soltando outro xingamento em uma mistura de grego e inglês, ele passou as mãos pelo cabelo.
– Theos mou! Não podemos… não outra vez. Isto não deve acontecer de novo. Desculpe-me,
Bella.
Theron ergueu uma das mãos e se afastou. Quando alcançou a porta, estacou, os movimentos

– Sua equipe de segurança deve acompanhá-la para todos os lugares. Seu corpo todo tremia. ela esfregou os braços para atenuar os arrepios. Quando Theron saiu. – Pode negar o quanto quiser – sussurrou para o quarto vazio –. E então. . a escoltarão até mesmo ao toalete.desconexos como se estivesse bêbado. Estamos entendidos? De agora em diante. Isabella anuiu. os olhos ainda ardendo com o desejo não saciado. girou para encará-la. mas você me deseja tanto quanto o desejo. incapaz de qualquer outra reação.

Isabella. – A dança ainda não começou – retrucou ele. ofegante. O vestido preto e curto se colava a cada curva daquele corpo perfeito e terminava alguns centímetros acima do joelho. Uma melodia lenta e sensual preencheu o ambiente. Isabella ainda não chegara. e um sorriso acolhedor curvou aqueles lábios carnudos. e ele sentia partes iguais de alívio e desapontamento. No instante em que o corpo macio se moldou ao dele. e Theron os apertou para tranquilizá-la. que o soltou com um sorriso. Queria escorregar a mão por aquela massa macia e brilhante. Isabella prendera o cabelo em um coque. tocando-lhe o braço com uma das mãos. Quando aprumou a coluna. O pensamento de tê-la pressionada a si era quase uma tortura. o olhar rumou para a entrada. Os dedos trêmulos de Isabella tocaram os dele. Theron caminhou na direção da porta de entrada. enquanto a banda de jazz entoava notas suaves de cima de um palco.Capítulo 9 THERON ESFREGOU a nuca em uma tentativa de aliviar a enorme tensão que se apossara dele. veja. Theron engoliu em seco ao analisar o traje que ela usava. Olhou ao redor do salão de festas do Imperial Park Hotel. Lá está Isabella! – exclamou Sophia. observando os convidados que se movimentavam ao redor conversando e rindo. – Talvez possamos inaugurar a pista. senti-la como uma teia que lhe envolvesse as juntas dos dedos. – Oh. portanto ele resolveu ignorá-la. que anuiu. Lá estava ela. e Isabella se entregou de bom grado aos braços que a esperavam. Theron enrijeceu. e Theron perdeu o fôlego. Sophia estava ao lado da filha. e ele lhe estendeu a mão. junto com o fato de que a beijara algumas horas atrás. Como se ele não estivesse ciente do segundo em que ela pisara naquele salão… – Com licença – murmurou ele para Alannis. girando para olhar na direção da banda. e depois eu a apresentarei aos convidados. – Acho que não reservou uma dança para mim… Theron quase gemeu. Quando alcançaram o meio da pista de dança. Alannis se encontrava parada ao seu lado. Theron sentiu os dedos formigarem com o desejo de lhe soltar os fios sedosos e observá-los lhe cascatearem pelas costas. embora não se concentrasse em uma palavra sequer. Mechas do cabelo escuro escapavam do penteado de forma elegante e lhe roçavam a pele dos ombros. percorria o salão com um olhar nervoso. Ele inclinou a cabeça para escutar o que Alannis tentava lhe dizer e anuiu em um gesto educado. parada à soleira. ele girou. Os olhos verdes luminosos se fixaram nele. Theron gesticulou para o pianista. – Bella – cumprimentou estacando diante dela. – Desculpe. Não havia uma maneira fácil de lidar com a tensão sexual entre os dois. de quem não ocultava o orgulho. o que lhe evidenciava o formato do pescoço. estou atrasada – disse ela. .

Theron estreitou o olhar. Tão logo tudo estivesse acordado entre ele e Alannis e conseguisse encaminhar Isabella à segurança e estabilidade. Pela primeira vez. lembrou a si mesmo que aquela mulher não lhe pertencia e. Mas aquilo em nada ajudou para lhe abrandar a irritação quando viu a forma como vários homens dirigiam olhares cobiçosos a Isabella. – Muito bem – murmurou ele. Ele teve de lançar mão de todo seu autocontrole para não a arrastar para fora daquele salão para que mais ninguém pudesse vê-la. pethi mou. nada mais. girando-a para que ela não ficasse de frente para Alannis e a mãe. Saberia Isabella de seus planos para com Alannis? Não que ela não fosse saber dentro de pouco tempo. ergueu uma das mãos. Theron baixou o olhar quando fizeram um giro suave e engoliu em seco. qual deles é meu marido em potencial? – perguntou ela. Quando a música chegou ao fim. que nunca ficava sem uma mulher. – Não há por que. Antes de Isabella invadir sua vida. – Eu a apresentarei a eles assim que esta dança chegar ao fim – garantiu ele. estava em seus braços. Quero que se divirta. Ela não estava usando sutiã. Não havia um milímetro de sua estrutura que não estivesse ciente daquelas formas femininas. Chrysander não hesitaria em enviá-lo de volta à Grécia com um chute no traseiro por causa daquela proeza com Isabella. Isabella estampava um sorriso travesso no rosto que só servia para iluminá-la ainda mais. Um incômodo sentimento de culpa o invadiu. Deveria se sentir aliviado. O pânico lhe percorreu a espinha como o metal frio da lâmina de uma espada. Isabella se esforçou ao máximo para sorrir e permitir que ele a guiasse. Que tipo de homem se aproveitava de uma jovem estando compromissado com outra? Até mesmo Piers. Pelo menos durante aqueles momentos Isabella lhe pertencia. pethi mou. – Obrigada por planejá-la em minha homenagem. – Bem. ele estava a ponto de fazer exatamente aquilo. estava muito satisfeito com a ideia de se casar com Alannis e ter filhos. e ele não tinha a mínima urgência em atirá-la nas garras dos pretendentes que a aguardavam reunidos em torno da pista de dança como um bando de abutres. teria se negado a seduzir sua tutelada com a futura noiva aguardando uma oportunidade. e os seios firmes se encontravam pressionados ao seu peito. Soltando a respiração que estivera prendendo o mais discretamente possível. – Venha. Isabella não passava de uma distração temporária. Em seguida. portanto. Ou talvez fosse um patife que beijava uma mulher dias antes de pedir outra em casamento. mas sentia exatamente o contrário. não tinha o direito de ser possessivo. mas por alguma razão se sentia relutante em lhe revelar sobre seu iminente noivado. o que lhes realçava os contornos superiores contra o decote. tinha certeza de que seria capaz de abraçar o próprio futuro sem hesitar. olhando ao redor. E ainda assim. ele deixou pender os braços e segurou as duas mãos de Isabella.A fragrância delicada o envolveu ao mesmo tempo que o calor daquele contato lhe invadiu o corpo. enquanto olhava por sobre o ombro largo. e os acordes . abrindo caminho entre os convidados até o palco onde ficava a banda. ele se arrependeu da atitude intempestiva de procurar um marido para Isabella. Sua festa a aguarda. Não lhe faltariam pretendentes depois daquela noite. Não conseguia desfazer a expressão fechada. Ela deveria se divertir sem pensar em um compromisso para a vida toda. – Suas convidadas estão se adaptando bem à cidade? – perguntou ela em um tom inocente. – A festa está muito bonita – disse Isabella com um sorriso.

Ainda assim. O que era esperar demais. Só o levantamento do passado daqueles homens devia ter sido uma tarefa árdua. ele girou na direção de Isabella e ergueu a taça. com um sorriso . Também era fácil esquecer que. Theron lhe lançou um olhar questionador. vamos em frente.cessaram. Alannis e Sophia os observavam. considerando o tempo que consumira reunindo aquele grupo seleto de pretendentes. rindo com os assuntos em pauta. A banda recomeçou a tocar. Está na hora de apresentá-la aos convidados. – Um brinde a Isabella. em outros momentos. Bella. No mesmo instante. dança e conversas. apresentando-a a associados nos negócios e amigos. Risadas pipocaram por todo o salão. Theron soava quase esperançoso e um pouco ansioso. Isabella sabia que tinha de desempenhar seu papel. ele desviou o rosto e tomou um grande gole do champanhe. e as pessoas começaram a fluir pela pista de dança. – Venha comigo. para tanto. Um garçom se aproximou e entregou uma taça de champanhe a Isabella. o que para ela era como escolher bifes em um açougue. Sem saber o que esperar – talvez imaginasse que haveria um tumulto –. E Theron não teria deixado de remover nenhuma pedra. Ele a aceitou. o que era estranho. Isabella não estava preparada para deixar que a realidade invadisse aquele momento. e não como um homem determinado a casá-la. Meu futuro me aguarda e tudo mais – disse ela em tom leve. ele teria de sentir mais que simples desejo por ela. Era muito fácil imergir na fantasia de que ela e Theron formavam um casal e ele agia como seu par. Principalmente se houvesse alguma esperança de despertar ciúme em Theron. – Quer dizer que está na hora de eu conhecer os homens que escolheu para mim – retrucou ela. Porém. com uma expressão determinada. sem rodeios. – Isabella. o homem que se apresentara a ela no restaurante. no momento. – Agradeço a presença de todos neste evento de boas-vindas a Isabella Caplan à nossa cidade – começou Theron em um tom polido. Colou-se ao braço de Theron. dando-lhe o braço e permitindo ser guiada pela multidão. se descobriu relaxando e gostando de toda aquela festividade. era sua única esperança. porque. e os olhares dos dois se encontraram. sorrindo e. Isabella se surpreendeu com a forma civilizada com se deu o processo. Só então ele se dirigiu aos presentes. O brinde pareceu sinalizar uma volta às atividades normais. – Prefere não conhecê-los? Não tem obrigação de fazê-lo. São bem-vindos a permanecerem por quanto tempo quiserem ou até a bebida acabar – acrescentou com um sorriso. no dia anterior. Embora não tivesse o menor interesse de vaguear entre o séquito de homens qualificados que Theron convidara. Theron tocou a taça na dela. Theron a levava de grupo em grupo. e girou para oferecer outra a Theron. Após algum tempo. reconheceu Marcus Atwater. a alguns metros de distância. – A Isabella – responderam os convidados em uníssono. Em seguida. segurando-a na altura da cintura enquanto continuava a se reportar aos convidados: – Estamos reunidos para uma noite de entretenimento. Isabella ergueu o olhar quando um homem atraente se encaminhou em sua direção. Isabella quase sorriu diante do pensamento. Por um longo instante ambos se encararam. peço-lhe desculpas por meu atraso – disse ele ao estacar diante dela. – Não. Em seguida.

Isabella lhe soltou o braço para seguir Marcus. que. A expressão de Theron era glacial. e. . – Sabia que não deveria ter concordado com esta farsa. – Não posso levar a sério um homem tão charmoso. Theron lhe soltou a mão e fez um movimento negativo com a cabeça. – Deseja alguma coisa? – perguntou ela. Os olhos azuis sorridentes se fixaram nela. mesmo enquanto relanceava o olhar na direção de Alannis. e Isabella não conseguiu deixar de retribuir com um sorriso. sorrindo para encará-lo. ao aceitar a mão estendida de Marcus. provocante. fazendo-a colidir com seu peito. – Gostaria de lhe pedir Isabella emprestada. e você pode voltar para sua namorada. – Está me pedindo emprestada apenas para dançar ou para outro propósito? – perguntou ela. – Os homens não costumam correr na direção oposta quando a palavra “casamento” é mencionada? – Não se ele não se importar em ser fisgado pela mulher em questão. com um brilho brincalhão no olhar. Queria antipatizar com Alannis. mas ele lhe segurou a mão livre. e não era preciso ser um gênio para perceber a adoração dela por Theron. Os dois fluíram entre os demais casais. Prometo mantê-la em segurança. Alannis e ele dançavam na extremidade da pista. caso não saiba. Ele decidiu que é sua obrigação me casar o quanto antes. pethi mou. – Sou tão óbvia assim? – indagou. para deparar com Alannis observando os casais na pista de dança com o que podia ser interpretado como um olhar desejoso. a cada chance que tinha. Esta é a sua noite. – Tive um contratempo com um cliente – acrescentou. Se fosse mal-agradecida isso seria fácil.charmoso que a estimulou a retribuir. – Não. permita-me dizer. Não queria sentir pena da rival. suspirou. mas a verdade era que tanto a filha quanto a mãe haviam sido gentilíssimas com ela. resignada. Isabella conhecia aquele sentimento muito bem. – Que tal dançarmos primeiro e depois discutirmos os outros propósitos? – sugeriu o elegante jovem. parece ansiosa por dançar. Divirta-se. Isabella esticava o pescoço na direção de Theron. – Isabella soltou uma risada. – E então? – Marcus disse em tom casual. Isabella o encarou. A jovem grega ergueu o olhar. e a levar aos lábios. ou talvez não tivesse tido a intenção de detê-la. antes de lhe segurar a mão. mas Theron parecia sem palavras. Em seguida. que se encontrava imóvel como se tivesse uma nuvem negra pairando sobre sua cabeça. e Isabella olhou por sobre o ombro. Ele a girou em um movimento preciso. dirigiu um olhar questionador a Theron. girando-a. – Apenas para outro homem que está reconhecendo o território para competir. Marcus sorriu. Quando percebeu que não tinha a menor chance de bancar a inocente. Foi ideia de Theron. Com um último olhar na direção de Theron. ela girou e permitiu que Marcus a guiasse de volta à pista de dança. – Você é um galanteador. como fizera no restaurante. mas não refutou sua afirmativa. – Vai deixá-lo escapar? Isabella desviou um olhar cheio de culpa de Theron para encontrar o sorriso divertido de Marcus. esperando que ele dissesse algo. Theron exibiu uma carranca. Os ombros de Isabella se curvaram. – Ainda está à caça de um marido ou cheguei muito tarde para entrar na disputa? – Marcus fingia seriedade. detendo-a entre os dois.

Ele teve de trincar os dentes quando viu Marcus se inclinar na direção de Isabella. – É complicado. – Como quiser. – O olhar de Theron voltou a se fixar no casal. O rapaz a havia encurralado em um canto. – Oh. sorrindo e se afastando com as duas mãos erguidas em um gesto de rendição. – Theos mou! – rosnou Theron. Sophia e um pequeno grupo de pessoas que formavam um semicírculo ao lado da pista de dança conversavam. com um gesto de cabeça para Sophia. – Dê-me licença por um instante – disse ele. ela parecia buscar aquele toque. Marcus. – Tenho . ele engoliu em seco o rugido de raiva que lhe brotou na garganta. até a base do pescoço de Isabella. fique. Algo me diz que não sou mais bem-vindo. – Disse a Theron como se sente? Isabella relanceou um olhar ao homem em questão e fez um movimento negativo com a cabeça. Não pode nem ao menos pensar nela. – Theron. Por que não me aguarda naquele canto ali? Vou pegar uma bebida para nós e você vai me contar toda essa história. – Acho que é melhor eu ir embora. o corpo se movendo como um predador determinado a abater sua presa. – Isabella relanceou o olhar a Theron com expressão confusa. estendendo-lhe a mão. Os dedos de Marcus tocaram o ombro exposto de Isabella e se detiveram lá por mais tempo que Theron julgou apropriado. de maneira sedutora. Entendeu? Marcus o surpreendeu. – Ela parece estar se divertindo. Isabella – disparou Theron. – Em seguida. Inclinando-se na direção do rapaz. a raiva crescendo quando os avanços de Marcus se tornaram mais ousados. Quando Theron começou a falar. não. – Isto é demais. Alannis olhou na direção de Isabella antes de voltar a encará-lo. com os lábios quase lhe roçando a orelha ao lhe murmurar algumas palavras. Em seguida. e o som sedutor se ergueu acima do tilintar dos copos e o murmúrio da conversação. – Que diabos…? – Marcus se calou no meio da frase. Marcus baixou a cabeça e roçou os lábios no pescoço de Isabella. mesmo aceitando a mão estendida. – Qual é o problema? – perguntou. com olhar preocupado. – Não é nada – Theron se apressou em responder. – Não pode tocá-la. piscou para Isabella. Theron a puxou. algum problema? – Venha cá. e em seguida o deixou descer. Ele fechou a distância que os separava e segurou o homem mais jovem pelo ombro. colando-a à lateral do corpo. Isabella soltou uma risada. Ela o encarou boquiaberta. e concentrou toda a força de sua fúria em Marcus. Marcus mudou o ângulo da cabeça e pressionou os lábios suavemente contra a região abaixo da orelha de Isabella. quando Marcus escorregou um dos dedos pela lateral do rosto delicado. O OLHAR de Theron encontrou Isabella outra vez enquanto ele ouvia educadamente o que Alannis. – Vou lhe dizer o que fazer. – Mantenha suas mãos longe dela – ordenou. A raiva explodiu dentro de Theron. arrancando-o de perto de Isabella.Marcus lhe ergueu o queixo até que ela o encarasse. – Sim. – Algo errado? – Alannis lhe tocou o braço. antes de se afastar o mais calmo que pôde na direção onde se encontravam Marcus e Isabella.

Por ousar roçar os lábios naquela pele macia. – Até logo – retrucou ela. Ele a está assediando na frente de um salão cheio de convidados. – Está bem? Isabella anuiu e os dois prosseguiram. – Desculpe. O sorriso de Isabella era tenso quando fixou o olhar em Alannis. – A mulher esticou o braço e puxou a mão de Isabella que Theron segurava. – Fiquem aqui. Continuou lhe segurando os braços até ter certeza de que ela recobrara o equilíbrio. Isabella girou. – Pode nos dar licença um minuto. Alannis se aproximou de Isabella e lhe tocou o braço. – Theron quase a arrastava consigo. As narinas de Theron se dilataram ao se lembrar dos beijos que os dois haviam trocado. – Faço muitas objeções. – Vá devagar – disse ela. sra. Isabella sorriu. – Venha. e Theron girou rápido para segurá-la. – Não posso andar rápido com estes sapatos. insolente. e um sorriso lento lhe curvou os lábios. na direção de Sophia e Alannis. No meio do caminho até o local onde estava Alannis e a mãe. Sentia a cabeça latejar. querida? Fique aqui com Theron. Theos! Parecia estar fazendo amor com você diante de todos. dirigindo um olhar desafiador a ele. – Vejo-a em outra oportunidade. Gianopolous. – É assim que chamam beijar atualmente? – provocou. Theron é que exagerou – respondeu. acrescentou: – Se o vir perto de Isabella mais uma vez. ela tropeçou. e o que realmente desejava era socar Marcus por ter tocado em Isabella.certeza de que Theron não faz nenhuma objeção. – Em seguida. – Não sei como espera que eu encontre um marido quando perde as estribeiras no instante em que um homem mostra interesse por mim. Marcus se limitou a sorrir e continuar a se afastar. – Por favor. preocupada. – Você está sob minha proteção. – Tem certeza de que está bem? – perguntou com voz suave. Theron inspirou profundamente. – Tudo em ordem? – quis saber Sophia. As sobrancelhas de Isabella se arquearam. . – Sim. – Theron concedeu com voz áspera enquanto a amparava. Bella. – Não sairá do meu lado pelo restante da noite. quando eles as alcançaram. Theron se dirigiu mais uma vez a Marcus. enquanto levo Isabella para comer algo. Em um tom de voz baixo o suficiente para não ser ouvido pelos demais. Seguirá minhas orientações. – Quer que lhe traga algo para beber? Comeu alguma coisa desde que chegou? – Ela se dirigiu à filha. Theron ergueu uma das mãos para calar a verborragia de Sophia. Obrigada por perguntar. Prefiro que Isabella fique ao meu lado pelo resto da noite – acrescentou ele em tom de voz brusco. Os olhos de Sophia se arregalaram pela surpresa. com suavidade. Pedirei a um garçom que traga uma bandeja. Isabella não objetou. eu o quebro ao meio. Estava preso a uma armadilha que ele mesmo preparara. Fui claro? Theron ignorou o ofego chocado de Isabella. Para sua surpresa. – Os modos dele não eram apropriados – disse entre os dentes cerrados. – Não chamo o que aquele rapaz estava fazendo de mostrar interesse. com expressão presunçosa. puxando Isabella ainda mais para perto. chame-me de Sophia. – Estou ótima.

Theron lhe afastou as mãos e girou para que os dois ficassem posicionados lateralmente a Alannis. embora todo seu corpo zumbisse em concordância. Nem por cima de seu cadáver! Sem dizer mais uma palavra. Era difícil impedir as mãos de vagarem por aquelas curvas sensuais. e os lábios sensuais se entreabriram em um gesto sedutor. Mas a alternativa seria deixá-la dançar com aquele bando de rapazes que a cobiçavam. Amava tocá-la. Theron sentiu a boca ressecar. – E ainda assim continua me beijando – retrucou Bella com um breve sorriso. – Se fosse arriscar um palpite. – E de repente se inclinou para perto. ele relaxou ao sentir o corpo macio se amoldar suavemente ao seu. – Isabella soltou uma risada abafada. não acha? Isabella girou e se afastou. – Não quer sentir. mas não quer que outro homem me tenha. murmurando-lhe ao ouvido para que só ele pudesse escutar: – Você diz que não me deseja. Ela sorriu e lhe tocou os lábios com um dedo enquanto os dois se moviam no ritmo da música. Será que ela já estava sabendo? – O que há entre nós tem de parar – pressionou ele. – Não conseguiu resistir a me beijar. – Vamos nos casar com outras pessoas. soltando os braços nas laterais do corpo. Foi por isso que me beijou. – Theron dançará com você – sugeriu Alannis. com os lábios se curvando em um sorriso ao abrir caminho em direção a Sophia. Luta contra isso. Vou pedi-la em casamento. Theron negou com a cabeça. . erguendo o olhar para encará-lo. Tem de parar com esta provocação. – Sim. diria que você o fará. Uma sessão de tortura fora suficiente por aquela noite. Os olhos verdes se semicerraram. – Em seguida. Isabella recebeu a notícia com calma. Bella. – Providenciarei para que uma bandeja de comida esteja aqui quando voltarem.– Acho que ele cortará esse da lista de maridos em potencial. – Estou faminta. deixou escapar um suspiro dramático. vão dançar – estimulou Sophia. – Está vendo aquela jovem? Alannis. que a esperava com uma bandeja de comida. – Não farei mais isso – prometeu Theron. Você me deixa maluco. Aquilo provocava uma sensação de perfeição inata. Sem nenhuma reação aparente. – Você está cuspindo fogo – murmurou ela. ele segurou a mão de Isabella de modo brusco e quase a arrastou para a pista. antes que ele pudesse responder. – E quem disse que isto é provocação? – perguntou Isabella erguendo uma das sobrancelhas. da mesma forma que sou incapaz de resistir. – Você também sente isso – disse ela com suavidade. Pela primeira vez desde a chegada de Marcus. Theron gemeu. como deve ter percebido mais cedo. Muito estranho. girou para que ele ficasse de costas para Alannis e deixou as mãos escorregarem pelo peito largo. mas sente tudo que eu sinto. Porém. Rapazes escolhidos a dedo por ele. Isabella deu um passo atrás. enquanto Theron a tomava nos braços. – Nem ao menos consegui dançar outra vez. – É um excelente dançarino. Não sobreviveria a outra dança com aquele corpo delicioso colado ao seu. Em seguida. Em vez de aquelas palavras a intimidarem. uma faísca lhe iluminou os olhos verdes. Não quero resistir. – Não deve fazer isto.

mas estou desesperada. Isabella fechou os olhos.Capítulo 10 – ELE AINDA pretende fazer o pedido de casamento esta noite? – perguntou Isabella. Não conseguia imaginar aquilo. arrastando as palavras. Ele precisava… de alguém que o sacudisse. – Obrigada. Tinha certeza de que Theron estava disposto a me escalpelar depois de nossa pequena encenação ontem à noite. – Tenho certeza de que posso consegui-los. porque se acreditasse teria de desistir. Talvez não amor. mas com certeza resolvera ignorá-lo. escutando a secretária de Theron confirmar que. depois da noite passada. é Isabella – disse quando ele atendeu. Era como se a futura noiva fosse uma filha para Theron. mas como pretende impedi-lo de fazer o pedido? . Marcus soltou uma risada. – Isabella respirou fundo. e não estava preparada para isso. Quando desligou o telefone. – Tive notícias de que a proposta de casamento ainda está de pé. desanimada. Ele e Alannis vão à ópera. Madeline – agradeceu ela. De alguma forma. a proposta estava de pé. Não. mas pensara que ele despertaria para a atração que existia entre os dois. esta noite? Detesto ter de lhe pedir isto. como vai? – cumprimentou Marcus. Não havia fagulhas elétricas ou química entre os dois. e depois haverá uma festa no hotel. afundou ainda mais na cama. talvez Theron não fosse completamente alheio àquele sentimento. segurando o fone com força contra a orelha enquanto ouvia o que Madeline lhe dizia. Esticando mais uma vez a mão para pegar o telefone. Alannis não o desafiaria. Theron precisava de alguém igual a ela. desanimada. Isabella fez um movimento negativo com a cabeça. Talvez ele quisesse um casamento estável e enfadonho. – Ele me deixa frustrada. – Não consigo entendê-lo. nutrira a esperança de que Theron perceberia que sentia alguma coisa por ela. de acordo com o que o patrão dissera. Theron com Alannis. – Sinto muito ouvir isto. exceto quando está sozinho comigo. Não podia acreditar. – Não posso dizer que o culpo. a julgar pela atração que tinham um pelo outro. – Oi. Muito bem. Isabella deixou escapar um suspiro. digitou o número que Marcus lhe dera na véspera. Theron é tão controlado em todos os aspectos. onde ele planeja pedi-la em casamento. Tenho a impressão de que você é capaz de tentar a paciência de um santo e os votos de um padre. alguém que não lhe permitisse ser tão sério e organizado. – Será que poderia conseguir ingressos para a ópera. – Olá. Não ainda.

De repente. Isso a tornava “a outra”? Seria ela uma femme fatale tentando destruir um relacionamento? O pensamento não era muito confortador e não a fez se sentir muito bem. ele poderá nos controlar. Isso deixará Theron maluco. – Então. Telefono quando estiver chegando para que você possa descer. – Tem de mantê-la sob estrita vigilância – ordenou Theron. Mesmo que ele ainda não soubesse. precisaria de um vestido perfeito. Vou buscá-la às 19 horas. No entanto. Depois você aparece na festa e ele estará em suas mãos. Além disso. THERON ATENDEU o interfone quando Madeline o acionou e disse que Reynolds estava na linha para lhe passar o relatório diário. mas logo recobrou a compostura. nada estava resolvido. Mas. tudo era válido no amor e na guerra. Forçando-se a se levantar. – Ótimo. O que ela estava pensando? Certamente não poderia estar se sentido atraída por um homem como Marcus. E evitar que o próprio coração se partisse. – Não confio no homem com quem ela . – Acho que não é o momento de admitir que detesto óperas. Theron xingou em grego. – Marcus deu risada. – Mas e quanto à festa e os planos de Theron de pedi-la em casamento? – Farei com que chegue à festa. se estivermos na ópera. vamos – estimulou Marcus. e a assediara de maneira obscena na festa. Isabella sabia que ela e Theron eram feitos um para o outro. Isabella atirou as pernas para fora da cama. Quando desligou o telefone. Sem mencionar o fato de Marcus desfilar com uma mulher diferente a cada semana. – O divertimento se refletia na voz de Marcus. Não tenho dúvidas de que eles mantêm Theron informado regularmente. por outro lado. os dedos de Theron se fecharam com força em torno do aparelho quando Reynolds passou a relatar os planos de Isabella para aquela noite: sair com Marcus Atwater. antes de Theron. – Isso o deixará aflito por estar preso na ópera com Alannis e não ter a menor ideia do que estamos fazendo. – Também não sou muito fã do gênero. Talvez até lá você tenha conseguido traçar um plano. Ele era o tipo de sujeito escorregadio. Um sorriso frouxo curvou os cantos dos lábios de Isabella. encaminhou-se ao chuveiro. – Ora. revelando que sairá comigo. um pensamento alarmante lhe aflorou à mente. – Não sei – disse ela. Isabella quase gemeu diante do patético clichê. – Está bem – concordou Isabella. mas ao que parece. Algo deslumbrante. Mais uma vez. Tinha apenas até aquela noite para descobrir o que faria para impedir que Theron cometesse um grande erro. posso sugerir um plano alternativo? Franzindo a testa. Não sabia se as lojas vendiam vestidos para impedir pedidos de casamento. Até isso acontecer. Porém. Alannis não usava uma aliança. Ele então ouviu o chefe da equipe de segurança de Isabella listar as atividades matutinas da patroa. – O que tem em mente? – Que tal um encontro romântico? Você informa sua equipe de segurança os seus planos para esta noite. que consistiam em compras em um shopping e um almoço no hotel. essa é a favorita de Alannis. arrastando as palavras.– Não sei… – confessou Bella em tom suave. – Teremos um excelente jantar. Precisava urgentemente pensar em algo que desse certo. – Mas pensarei em alguma coisa. ela se sentou na cama com as cobertas dobradas na cintura. e nenhum compromisso fora assumido.

Com um gesto negativo de cabeça. . Theron fez uma careta. Theron se inclinou para trás na cadeira e abriu uma das gavetas da mesa. – O que pensa estar fazendo? – Piers. uma família. Theron atendeu. Estaria estabilizado. Naquela noite Theron o colocaria no dedo de Alannis. – O que há de errado no fato de eu me casar? – Theron ficou surpreso com a reação de Piers. – Que diabos pode estar passando por sua cabeça?! – O que seu irmão está tentando dizer é que fomos pegos de surpresa e gostaríamos de congratulálo. – Não há nada que me impeça de desligar – contrapôs Theron. E ainda assim sentia-se decididamente desestabilizado em relação a Alannis… a tudo. pegou-a e a abriu. Ela não tem nada a ver com você – opinou Piers. por que não se sentia entusiasmado? Por que não estava ansioso por seu futuro? Dali a um ano poderia ter até mesmo filhos. – Isso mesmo – devolveu Piers. – Estou mais interessado em saber por que você acredita que ela não é a mulher certa para mim. Seguiu-se um longo silêncio e. assim que entendermos o motivo pelo qual ficamos sabendo disso só agora – explicou Chrysander.vai se encontrar. – Dê-lhe uma chance de se explicar – interveio Chrysander. sem rodeios. Tocou-a com os dedos. no mínimo. – Depois julgaremos se ele perdeu o juízo ou não. Ela não levara em conta sua opinião em nenhum outro aspecto. e você sabe disso. Covarde. – Disseram a Madeline para não revelar que a ligação era de vocês. O anel de diamantes faiscou contra a luz enquanto ele o estudava. – Theron decidiu ignorar o comentário de Chrysander. Chrysander limpou a garganta. Theron franziu a testa. mas desligou antes que ele pudesse perguntar de quem se tratava. impaciente. – Além do fato de eu achar que qualquer pessoa disposta a entrar para a instituição do matrimônio tem os parafusos soltos. estranho para se empregar neste caso. – Sim. Theron interrompeu a ligação com os lábios comprimidos em uma linha fina. – Escolha aceitável? Este é um termo. diplomático. – Você não teria atendido se soubesse. – Está maluco? – a pergunta de Piers o fez franzir a testa. em seguida. cortou aquela conversa fiada. Então. e Madeline anunciou outra ligação importante. O som do interfone soou de novo. Se ele confirmar que vai fazer isso. – Sua cunhada quer saber por que você não lhe contou que estava pensando em se casar – disse Chrysander. – Não fale por mim. Sob nenhuma circunstância os dois devem ficar a sós. – Não é justo usar Marley para me fazer sentir culpado. – Alannis é uma escolha perfeitamente aceitável. senhor – respondeu Reynolds. Piers deixou escapar um ruído rude. embora não estivesse falando sério. há a questão de que a escolhida é Alannis Gianopolous. certo? – acusou Theron. esticando a mão para pegar uma caixinha que se encontrava em um canto. depois do que acontecera na noite anterior. só poderei lhe oferecer minhas condolências. Estaria Isabella apenas tentando enlouquecê-lo? Aquela feiticeira endiabrada devia saber que ele não aprovaria um encontro com Marcus. E talvez Isabella não se importasse com o que ele aprovava.

– Estou desligando agora. – Quem é Isabella? – quis saber Piers. – Diga-me como estão indo as coisas com Isabella – pediu Chrysander. Está tudo bem. Theron! E ela é… ela é… – O que ela é? – Theron o interrompeu. Por que ela não foi para a Europa. Como o irmão poderia refutar a verdade? Theron e Piers se opuseram veementemente a Marley. Crysander. Eu estou bem. Algo de podre. e Theron percebeu que o atingira em cheio. Chrysander deixou escapar um suspiro. desejando ter insistido com Madeline para saber quem estava ao telefone. presunçoso. irritado. Chrysander soltou uma risada abafada. – Ela não foi para a Europa – disse ele. – Ele está soando muito defensivo. E não podiam estar mais equivocados. – Pobre Theron. – Não é irônico que há pouco tempo tenhamos sido Piers e eu a ter este mesmo tipo de conversa com Chrysander sobre Marley? Estávamos errados sobre ela. Piers não estava preparado para jogar a toalha. – Você tem um hotel para construir. Theron? Onde está Isabella. – Pense no que está fazendo. Imagino o quanto tem praguejado contra mim. . em uma óbvia tentativa de mudar de assunto. Queria apenas poder estar em Nova York para ver com meus próprios olhos. – E Theron pousou o fone no gancho. Agora sabia como Chrysander se sentira quando ele e Piers o atormentaram em relação a Marley. resignado. – Providenciei o que Isabella estava precisando e a acomodei. – E não é mais tão pequena – acrescentou. e vocês também estão errados sobre Alannis. embora não entendesse a necessidade de deixar claro aquele ponto. calmo. – Desde quando se preocupa tanto com nossa opinião? – indagou Piers. então? – Está aqui. Theron escorregou uma das mãos pelo cabelo. Atrelado a mulheres por todos os lados. vocês dois podem largar do meu pé. – Aprecio sua preocupação – retrucou Theron em tom de voz seco –. mas sou capaz de tomar minhas próprias decisões. Piers. – Permaneça onde está – resmungou Theron. Agora. Ela decidiu ficar em Nova York – informou Theron. – Estou sentindo algo no ar. A risada de Piers ecoou do outro lado da linha. Marley fará questão de comparecer ao casamento. – Apenas se certifique de que é isso mesmo que deseja – respondeu Chrysander. – Estão se referindo à pequena Isabella Caplan? – Eu o colocarei a par deste assunto mais tarde. Parentes bem-intencionados sempre eram os piores. seguiu-se um longo silêncio.– Diabos! O pai dela vem tentando casá-la com um de nós três há anos. – E mantenha-nos informados de seus planos. – Você a despachou para a Europa? Mais uma vez. – Diga-nos apenas por que a repentina urgência em se casar? – pediu Chrysander. Porém. não acha? – perguntou Piers. Trata-se de algo para o resto de sua vida. – E por que preferiu informar algo tão importante por e-mail? – Provavelmente pela reação que estou recebendo agora – retrucou Theron.

se encaixava no mundo de Theron. – Tem certeza de que é isso que realmente quer? Odiaria vê-la ferida e desapontada. sabia que estava mesmo deslumbrante. etc… Um sorriso bailou nos lábios de Isabella. que mal tocara. – Tudo que pode fazer é tentar – retrucou ele. – Eu e você adoramos lançar mão de um clichê. Isabella? – Marcus levou a taça de vinho aos lábios. Beijou outra duas vezes e está lutando com todas as forças contra essa atração. . Quando Isabella ergueu o olhar. Marcus estava certo em relação a uma coisa: tudo que podia fazer era tentar. e estivesse determinado a pedir-lhe a mão. também era o dela. para o qual arrastara seus guarda-costas naquela manhã. longe do estilo usual composto de jeans. – Quem não arrisca. não? Acho que dependeria de eu realmente amar a mulher que estava pretendendo pedir em casamento. Aristocrática. enquanto lhe soltava a mão. – Temia que respondesse isto – resmungou Isabella. não petisca etc. – Deus! Você faz perguntas difíceis. Você é mesmo muito doce. mas não desejava se encaixar nesse estereótipo. Marcus esticou o braço por sobre a mesa e lhe segurou os dedos. e ele não é só uma empolgação passageira. Isabella soltou uma risada e sentiu os ombros relaxarem. inclinou-se para a frente e deixou escapar um suspiro. Relutante. gentil. camiseta e unhas pintadas com cores vibrantes. E se tivesse. Que. – Você é tão doce! – começou ela. embora nunca o tivesse adotado. nada me demoveria. – Coloque-se no lugar dele – murmurou ela. Não venho fazendo algum jogo tolo. na verdade. Sem falsa modéstia. ela fez um gesto negativo com a cabeça e baixou o olhar à entrada. A tensão lhe retesava todos os músculos do corpo. Tinha dinheiro e uma excelente linhagem. – Você está prestes a pedir uma mulher em casamento. – Deus! Os homens odeiam ouvir essas palavras dos lábios de uma mulher! É tão ruim quanto “você é como um irmão para mim”. O que acontecesse depois estaria fora de seu controle. alinhada. mas ao mesmo tempo tenho de fazê-lo ver que não o estou apenas provocando. Mas também jamais a pediria em casamento se não tivesse certeza de meus sentimentos. – Está deslumbrante esta noite – disse ele. percebeu a compaixão estampada nos olhos escuros de Marcus. – Não quero fazer papel de insistente. Aquela noite. – Obrigada. O que essa outra mulher poderia dizer para convencê-lo a não se casar com ninguém além dela? Marcus pousou a taça.Capítulo 11 – OCORREU-LHE ALGUMA ideia do que vai dizer. Isabella baixou o olhar ao vestido de noite azul-escuro que escolhera durante um tour agitado de compras.

deveria ter tentado conquistá-la. com Sophia e dois seguranças de sua equipe os seguindo. – E se meu coração já não pertencesse a Theron. mas não tinha certeza se Alannis estaria tão absorta no espetáculo a ponto de não perceber. apesar do pouco tempo em que nos conhecemos. maliciosa. ele se inquietou. O que significava não conseguir aproveitar uma noite com sua futura esposa por estar pensando em Isabella Caplan? Alannis lhe tocou o braço. Seria terrível chegar à festa e desmaiar de fome aos pés de Theron. ansiosa. Pouco antes de a ópera começar. Não havia muito o que ele pudesse fazer no momento. não importa o que acontecer. Você é um amigo maravilhoso. Perdera todo o bis? Outra cutucada de Alannis o fez se erguer. Eles têm as sobremesas mais deliciosas de Nova York aqui. Em vez disso. Ele lhe ofereceu o braço. arrancando-o dos pensamentos turbulentos. – A ópera mal começou. coma. já que estava firmemente entrincheirado nos compromissos daquela noite. com um movimento negativo de cabeça. Isabella esticou a braço por sobre a mesa e lhe segurou a mão. Ao seu lado. e encontraria uma forma de verificar suas mensagens. Reynolds telefonara para Theron para relatar que Isabella se encontrara com Marcus Atwater para jantar. enquanto a ópera se arrastava diante dele. Não conseguia controlar a pulsação acelerada ao imaginar chegar atrasada à festa. Tente relaxar e aproveitar nosso jantar. – Acabou – afirmou num sussurro. . Por fim. Se as coisas não saírem como espera com Theron… lembre-se de mim. THERON MANTINHA o cenho franzido. teria prazer em incentivá-lo nessa tentativa.– A que horas devemos partir? – perguntou. Esta é uma cidade solitária quando não se conhece ninguém. eu a levarei com bastante antecedência. Aquela mulher estava se entranhando em sua vida de uma forma que não o agradava. Agora. – Ficarei honrado. Fazia-a suar frio pensar que chegaria a tempo apenas de ver o feliz casal de noivos. – Estou quase arrependido de ter concordado em ajudá-la. Marcus soltou uma risada. Insisto. depois de um dia de compras. Sophia estava menos entusiasmada. Theron relanceou o olhar à cortina fechada. Irritava-o o fato de ser forçado a pensar no bem-estar de Isabella em uma noite em que deveria estar relaxado. ansiando pelo término do espetáculo. mas prestava atenção ao espetáculo. Ainda assim. Marcus exibiu um sorriso tranquilizador. – Seria uma forma de estragar o show – afirmou. enquanto se dirigiam à limusine que os aguardava. Espero que permaneça meu amigo. – Obrigada. dera ordens estritas para Reynolds colar em Isabella e garantir que Atwater não se aproveitasse dela. Ainda temos um bom tempo. Não se preocupe. e os dois deixaram o camarote. Tentava enviar uma mensagem de texto para Reynolds de seu telefone celular. Durante a próxima hora. o rosto brilhando de encantamento. Alannis assistia como que hipnotizada. – Isabella sorriu. – Gostou do espetáculo? – perguntou ele. em sua cadeira. – Então deixe-me lhe dizer o seguinte e não tocarei mais no assunto. e lhe prometera que não permitiria que os negócios interferissem naquela noite. mesmo que aquilo significasse uma ida ao toalete masculino. pediu que a equipe de segurança de Isabella o atualizasse com notícias.

– Foi maravilhoso – respondeu Alannis. Alannis se mostraria igualmente maravilhada quando ele a pedisse em casamento? E quanto a ele? Ou estaria cometendo o maior erro de sua vida? . e meia hora mais tarde. Theron desviou o olhar. Alannis ergueu o olhar. e Theron a ajudou a sair do veículo. curioso. que as seguia. extasiada. – Houve um tempo em que…? – estimulou Theron. Theron ergueu uma das sobrancelhas. Aquele pensamento o fez relaxar no assento do carro. Sophia sorriu e deu o braço à filha. chegaram ao hotel. Theron! – Ela ofegou. Prefere que eu faça um bom casamento e lhe dê netos. Tinha todo o seu futuro traçado. e tudo estava saindo exatamente como planejara. – Uma festa em minha homenagem? Isso parece tão excitante! – Os olhos de Allanis faiscaram de alegria. Sorrindo. enquanto se aproximavam do centro do salão. tentando segurar os diminutos pedaços de papel que despencavam em uma nevasca néon. o que o fez sentir a inquietação se avolumar. Alannis era mesmo adorável. envergonhada. – Que festa? – ela o fitou. A mão roçou o bolso em que estava a aliança. ele lhe segurou a mão. Além disso. Theron se apressou em ajudá-las a entrar na limusine e se juntou às duas. Ele considera essa uma carreira vulgar. Sentiu a caixa de joias no bolso. – Mas ele pensa que qualquer carreira que termine em um palco não é apropriada a uma jovem. e deixou a mão pender quando se certificou de que a trazia consigo. por alguma razão. As bordas da caixa de joias atritavam contra sua pele. – Oh. meu pai não permitiria. – Não era boa o suficiente. No entanto. – Amo muito a ópera. e uma chuva de confetes despencou do teto. – E por que não perseguiu esse objetivo? Alannis sorriu com um gesto negativo de cabeça. querida. – Espero que não esteja muito cansada para uma festa. Nada naquela situação deveria deixá-lo ansioso. A senhora piscou para Theron. isto é maravilhoso. O tráfego estava livre. – Oh. – Theron planejou uma festa em sua homenagem. – Não consigo imaginar tal talento ser considerado vulgar. Houve um tempo em que… Alannis baixou a cabeça. Esta é uma noite muito especial. Quando entraram. extasiada. antes de se dirigir à mãe. surpresa. mas não antes de ele perceber um leve rubor em seu rosto. Theron não conseguia afastar da mente a imagem de outra mulher quando olhava para sua futura noiva. de uma forma calma. Alannis bocejou. Com o coração descendo para os pés a cada passada. antes de o veículo se pôr em movimento a caminho do hotel. a mandíbula contraída enquanto cruzavam o saguão em direção ao salão de festas. mas logo se dissolveu na meiguice usual. serena. Algo faiscou nos olhos de Alannis. – E o que você deseja? – perguntou Theron. Orgulhava-se de seu autocontrole e calma. enquanto ele a revirava no bolso. – Gosto de crianças – ela se limitou a responder. ele a guiou para a frente. a banda começou a tocar. Tinha as mãos úmidas e se viu fazendo um movimento negativo com cabeça diante de seu aparente nervosismo. houve um tempo em que desejei ser uma cantora de ópera – disse ela.

Não tinha tempo de parar para se explicar. Isabella suspendeu a saia do vestido mais uma vez. moça! A senhorita esqueceu seus sapatos! – O homem gritou atrás dela. Nunca chegaremos a tempo. Quando conseguiu se abrigar embaixo do toldo do hotel. e você sabe disso. retirou os sapatos e continuou a correr o mais rápido que pôde. Girando. o que está fazendo?! Volte para o carro. Quando avistou um táxi desocupado. – Por que não estamos saindo do lugar? Marcus pousou a mão em seu ombro. ergueu a saia longa do vestido e começou a correr entre o tráfego. com o cabelo colado no rosto. ninguém irá a lugar algum com esse engarrafamento. Nós chegaremos lá. Isabella continuou em disparada. esticando o pescoço para ver através do vidro do para-brisa. – Ei. a água lhe escorria do corpo e da massa disforme que se encontrava o vestido. pode me dizer como faço para chegar no Imperial Park Hotel? Estou muito distante? O homem estreitou o olhar e voltou a encará-la. Não posso… – Ela engoliu em seco e desviou o olhar por um instante. Sua aparência já estava assustadora. Siga sempre em frente e após o quinto quarteirão. Isabella fechou a porta. Isabella percorrera três quarteirões quando uma chuva fina começou a cair. Ouviu os gritos de Reynolds. Theron? ISABELLA SE inclinou para a frente no banco do carro. evitando as poças de água que já haviam se formado na rua. Obrigada por tudo. observando o mar de carros parados. Recoste-se no banco. Pestanejando para dispersar a água que lhe caía nos olhos. não muito longe. estará a seis quadras do hotel. moça. dobre à esquerda e poderá vê-lo. faça com que eu chegue a tempo!. Sem saber para onde ia. Murmurando um agradecimento. Em uma explosão de frustração. Não pode sair correndo pelas ruas da cidade de Nova York! – exclamou Marcus. Acalme-se. Não que aquilo importasse. desesperada. ela o encarou com os olhos faiscando e os lábios curvados em um sorriso luminoso. Lábios que não lhe suscitavam o desejo de beijá-los. Nunca chegariam ao hotel a tempo. – Foi uma batida. quando ela saltou do veículo. Se cortar por esta rua até o próximo quarteirão. – Ouça. esticou a mão para a maçaneta da porta e a escancarou. rezou. Os pés estavam doloridos. – O que está nos detendo? – indagou. Quando girou na esquina do último quarteirão. enquanto cortava na frente dos carros que tentavam se mover naquele caos. Isabella ergueu uma das mãos. manteve-se na calçada paralela ao tráfego. – Em linha reta. – Sim. por favor. Tenho de estar lá antes que ele a peça em casamento. Por favor. Theron não fará o pedido no instante em que a festa começar. e a esperança de parecer deslumbrante quando surgisse na festa de noivado de Theron havia muito se dissipara. Quando voltou a encará-lo. – Por favor. e tinha certeza de que havia se . O motorista revirou os olhos e baixou o vidro. e olhou para trás para vê-lo correndo a toda velocidade pela rua em seu encalço. lágrimas lhe nublavam a visão. ignorando as buzinas. correu até a janela e bateu no vidro. – Preciso ir. Isabella girou a cabeça para olhar pela janela. Girando.– Alannis… – começou ele. Isabella girou e se inclinou na direção do banco onde ele estava sentado. o céu pareceu se abrir para dar passagem a um dilúvio. Bella. irritado com o tremor da própria voz. – Bella. – Tenho de ir. ela se precipitou na direção do hotel.

com um sorriso oblíquo. – Você está encharcada. Marcus entrou. tentando entrar. ergueram suas taças em um brinde. Ao redor deles. porque interrompeu o discurso. Por que Theron não poderia amá-la? Marcus retirou o cartão dos dedos trêmulos de Isabella e destrancou a porta. Quando se aproximou da entrada. o que de fato era verdade. E lá. – Ele a segurou pelos ombros e a girou para que o encarasse. Não. os convidados aplaudiam e. enquanto a guiava na direção do elevador. Bella. Ignorando os olhos inquisitivos que lhe dirigiam. Uma lágrima rolou por seu rosto. no meio do salão. – Chegou tarde demais? – perguntou desnecessariamente. Quase… como se estivessem apaixonados. Quase colidiu com Reynolds. provocando-lhe um arrepio. – Isabella. Prometi que a traria para cá a tempo. e se retirou do salão de festas. Não poderia. – Eu a levarei lá para cima. Não poderia ter chegado tarde demais. Mantendo a cabeça baixa. Quem perceberia? Seriam confundidas com os pingos de chuva que lhe escorriam do cabelo. os sons animados das risadas diminuíram. – Marcus fez um gesto curto de cabeça para Reynolds. – Não foi culpa sua – sussurrou. Isabella se deixou guiar para dentro do elevador. Transpôs a porta. você está bem? O que fez foi uma loucura. as imagens de Alannis e Theron se infiltravam em sua mente. Ambos pareciam tão felizes! Felizes. se encontravam Theron e Alannis. Escorregou no chão encerado. deixe-me levá-la até o seu quarto – disse ele. devia ter visto a tristeza em seu semblante. Lentamente. ignorando as perguntas que o segurança lhe fazia para se certificar de que ela estava bem. Isabella anuiu e cerrou as pálpebras com força. com todas as partes do corpo doloridas. que corria em sua direção. afobado. que lhe sorria. em seguida. Não era capaz de ver nada além de como Alannis parecia radiante. Não conseguia ouvir nada além do zumbido em seus ouvidos. O ar frio imediatamente a envolveu.cortado em alguma coisa. ela girou. com os olhos banhados em lágrimas. À medida que se aproximava do salão de festas. ouviu a ovação que vinha de dentro. Entorpecida. mas ela não fez nenhum esforço para limpá-la. Isabella abriu caminho entre as pessoas. Enquanto subiam. mas conseguiu se equilibrar e correu o mais rápido que pôde com o tecido molhado colado às pernas. e estacou abruptamente diante dela. enquanto dirigia um olhar apaixonado a Theron. – Corri atrás de você e fui pego pela tempestade – disse ele. . Aos poucos. Isabella prosseguiu. seguida por uma explosão de aplausos. com uma nova onda de lágrimas lhe escorrendo pelas faces. Ela brilhava de felicidade da cabeça aos pés. Compunha um espantoso contraste com a sensação de aniquilação que Isabella experimentava em seu íntimo. Marcus a envolveu nos braços. com os olhos suavizados por uma gentil compreensão. Isabella se viu sem palavras. Isabella fechou os olhos outra vez. – Venha. vasculhando com olhar frenético entre a multidão. – Sinto muito. Bem? Nunca mais nada estaria bem. E então. substituídos pelo murmúrio das conversas das pessoas que se encontravam no saguão. – Você também está encharcado – disse ela percebendo o estado em que se encontrava a camisa e a calça comprida de Marcus.

com os punhos cerrados nas laterais do corpo. – Voltandose outra vez para Theron. Quando enfim alcançou a porta do quarto de Isabella. mas em seguida espremeu o olhar. ele o percorreu de cima a baixo com o olhar e perguntou em um tom de voz que refletia enfado: – O que posso fazer por você? – Seu arrogante… – disse Theron em tom ameaçador. Um redemoinho parecia revolver seu íntimo enquanto entrava no elevador. Por que se sentia nauseado diante da perspectiva de ela ter feito sua escolha? . Franziu a testa quando leu a última mensagem não respondida. Quando estava prestes a entrar. Retirou-se do salão de festas e se dirigiu ao toalete masculino. Ele pareceu surpreso ao ver Theron parado lá.Isabella anuiu e se encaminhou ao toalete. Segundos depois. a porta foi aberta por um sorridente Marcus. Um som mais adiante no corredor fez Theron girar a cabeça para ver o carrinho de comida sendo empurrado na direção do quarto de Isabella. na direção dos três homens. – Ambos estavam molhados. calmo. Atwater – respondeu Reynolds. Franzindo a testa. – Você abandonou sua festa de noivado para vir até aqui me xingar? – indagou Marcus. sentindo como se tivesse acabado de sair de um ringue de boxe. divertido. Theron sentiu as têmporas latejarem. finalmente a comida! Se me der licença… ou deseja mais alguma coisa? – perguntou Marcus em um tom beligerante. – Na sua suíte. estreitando o olhar. pensou. – Pode permanecer na banheira por mais tempo. Certamente ele havia escutado errado. Sem dizer uma falava. Pediu licença para Alannis com um sorriso e. arrastar Marcus de lá e surrá-lo até lhe dar uma lição. trajado apenas com um robe. com o sr. Com um xingamento baixo. Theron se afastou. Atwater – respondeu o guarda-costas. saiu pisando duro. Que diabos aquele rapaz estava pensando? Sabia muito bem o que Marcus estava pensando e com quem estava pensando. A comida ainda não chegou. querida. se afastou. encharcado da cabeça aos pés. que ficava duas portas adiante. A raiva lhe percorria as veias como lava incandescente. Nada o impediria de subir até o quarto de Isabella. deixou o olhar vagar pelo corredor e avistou Reynolds parado próximo aos seus homens. com acenos curtos de cabeça para os convidados que os rodeavam. determinado. – Onde está Isabella? – quis saber Theron. – Desculpe. Reynolds ergueu o olhar quando o viu se aproximar. bateu com força. – Marcus lhe deu as costas e se encaminhou na direção do toalete. Theron girou e se encaminhou ao elevador. pensei que fosse o serviço de quarto. – Com quem? – Ela subiu minutos atrás com o sr. transtornado. Que importância tinha aquilo? Fora ele a indicar Marcus como uma escolha na busca de Isabella por um marido. – Ora. THERON ENFIOU a mão no bolso de dentro do terno e de lá retirou o telefone celular. Theron caminhou.

Theron pedira Alannis em casamento. Ela chegara tarde demais. – Oh. viu Sadie parada do lado de fora. Logo Isabella se encontrava sentada. guiando-a na direção do sofá. – O que aconteceu? Foi Theron? Isabella cerrou as pálpebras e anuiu. obrigando-a a afastar as cobertas e se levantar da cama. Levou as mãos às pálpebras inchadas e recordou que havia chorado a noite inteira. enquanto se encaminhava à porta. os olhos começaram a arder com as lágrimas que se formavam. franzindo a testa. – Será moleza. Sadie recuou e lhe afastou uma mecha de cabelo do rosto. você está aqui! – disse ela. – Vamos esquecer tudo sobre esta noite. agachada ao seu lado. Isabella anuiu contra o ombro da amiga. com aquela peruca loura lhe adornando a cabeça. Estava determinada a não derramar nem mais uma lágrima sequer. Abriu os olhos e fez uma careta diante da sensação de esgotamento. – Graças a Deus. Sadie fechou a distância entre as duas e lhe envolveu os ombros com um braço. – Sadie a puxou para um abraço. Só porque minha vida está um trapo não há razão para você perder seu emprego ou uma chance na Broadway. Bella forçou um sorriso largo. Sadie a observou com olhar indeciso. Isabella abriu a porta. Isabella fechou a porta e girou de frente para a amiga. sinto muito. – Ele pediu Alannis em casamento? Foi isso? Mais uma vez. e entreabrindo os lábios. – E então ela estacou quando observou o estado de Isabella. ela pestanejou várias vezes para dispersá-las. afobada. . – Não sei se está em condições de fazer isso. E os dois pareciam tão felizes! O que explicava o fato de ela estar se sentindo tão angustiada. – Trouxe tudo aqui na minha bolsa. – Por um instante pensei que havia esquecido o compromisso de hoje à noite. É muito importante. – Sadie continuou a tagarelar. ela o vestiu e amarrou a faixa à cintura. ou ao menos alguém parecido com ela. Recolhendo o robe que se encontrava atirado sobre o espaldar de uma cadeira a curta distância. e Sadie.Capítulo 12 ISABELLA ACORDOU com uma sonora batida na porta. querida. e temos muito tempo para prepará-la. confusa. Pediremos comida no quarto e chafurdaremos em sobremesas que contenham zilhões de calorias. e a amiga entrou. Quando perscrutou pelo olho mágico. – O que houve de errado? Esteve chorando? Para desânimo de Isabella. Era difícil dizer. A batida na porta soou outra vez. – Não pode perder sua festa. Isabella sorriu. Irritada.

sinceramente. – É assim que se fala – disse Sadie. Sadie piscou e prosseguiu: – Nós a vestiremos exatamente igual a mim. – Bem. ninguém perderia tempo observando seu rosto. Será rápido e você conservará seu emprego. Modesto não era uma delas. e você sairá rebolativa deste hotel. na direção da saída. – Ela fixou o olhar na peruca que Sadie usava. Isabella se encaminhou a um táxi que a aguardava e entrou. Quando chegaram à entrada dos fundos do clube. Tenho certeza de que Theron está muito ocupado com a noiva para dar importância ao meu paradeiro. enquanto caminhava. nem mesmo as meninas da torcida organizada do Dallas Cowboy exibiam decotes mais generosos. – Mãos à obra! ISABELLA TINHA certeza de que havia enlouquecido por concordar com aquilo. Os saltos altos das botas ecoavam contra o chão de mármore. ela lhe deu o endereço que Sadie lhe fornecera. – É isso que vou colocar para sair daqui esta noite? Sadie sorriu. Fiz questão de fazê-los me ver entrar e. O nervosismo a fazia sentir um frio na barriga. Isabella permaneceu sentada por um instante. aquilo beirava o obsceno. apressada. e tinha uma cintura tão baixa que lhe deixava o umbigo e mais uma extensa faixa de pele expostos. aqui vamos nós – murmurou. Inspirou profundamente quando o elevador parou no saguão do hotel. Embora Sadie . – É uma maneira perfeita de burlar seus seguranças. – Sem falsa modéstia. uma camada de suor lhe cobria a testa. Isabella explodiu em uma risada. – Tem certeza? Isabella anuiu. escorregando as mãos de maneira sugestiva pelas curvas do próprio corpo. Mas como Sadie dissera. Quando o motorista pôs o carro em movimento. não parecendo em nada com a mulher fatal que chegou mais cedo. atirou uma mecha comprida do cabelo louro artificial por sobre o ombro e esperou que as portas se abrissem. Estou faminta. O homem nem pestanejava – e quem podia culpá-lo. o que pode acontecer de pior? – perguntou Isabella. caminhando com passos hesitantes na direção da porta. com os trajes que ela usava? Isabella achou divertido o fato de o taxista estar presumindo que ela viera àquele hotel a “negócios”. – Bem. Embora não se importasse em exibir seus atributos em proveito próprio. O corredor do lado de dentro estava imerso em escuridão. – Desculpe – resmungou ela. dançarei um pouco e atrairei a atenção dos homens. O que era uma vantagem. – Vamos pedir algo para comer. Não com tudo aquilo à mostra. Ninguém saberá que não está mais aqui. e então me vestirei para a festa e partirei. antes entregar a quantia adequada pela corrida e saltar do táxi. quem não notaria isto? – acrescentou a amiga. olhando pela janela até que o motorista limpasse a garganta. Eu esperarei um bom tempo. E então poderá me ensinar os movimentos que preciso saber.– Que mal poderá acontecer? Eu me vestirei como você. O traje em que Sadie a aprisionara era muitas coisas. dando de ombros. Quanto ao top. enquanto o carro fluía pelo tráfego. – Sermos pegas e Reynolds ter outro ataque. O short era uma versão um pouco mais cara dos modelos tipo Daisy Duke.

tivesse garantido que ninguém perceberia as sutis diferenças entre as duas. ajustou a roupa. – Mexa-se. alongando os cílios já pretos. Ela sorriu e anuiu na direção da jovem. tudo que conseguiu captar foi a tristeza em seus olhos. Anetakis. Isabella aplicou um pouco mais de batom. Apertou o botão para atender e levou o celular ao ouvido. onde ele o havia atirado mais cedo. irritado. Ocupou um lugar no espaço destinado a Sadie no vestiário para verificar como estava a maquiagem e se certificar de que a peruca se encontrava segura. e as luzes começavam a se acender no horizonte. – Sr. Respirando fundo. caminhou até lá e o ergueu. fazendo-a se afastar do caminho para não se aproximar demais. portanto. observando seus lábios brilhando com o vermelho vivo. pôs-se imediatamente em alerta. é Reynolds. Era capaz de fazer aquilo. Quando viu o nome de Reynolds na tela de LCD. não conseguia encontrar nenhum senão no caminho que havia tomado. sabia fazer os movimentos. – O quê?! E você permitiu que ela repetisse esse feito? – Temo que desta vez seja algo pior. Com movimentos mecânicos colocou mais uma camada de rímel. no fim da tarde. Outra vez. . Caplan nos deu uma volta. Havia muita atividade no recinto. e Sadie passara toda a tarde lhe ensinado o que era preciso. Ninguém conhecia sua verdadeira identidade ali. mesmo assim. os olhos refletiam tudo que estava acontecendo. – Que tipo de problema? – Mais cedo. Isabella experimentou uma sensação gelada em seu íntimo e tratou de engolir o pânico em seco. Mesmo assim. você entrará dentro de cinco minutos – uma voz masculina soou da porta dos fundos. – Sadie. elevou os seios e se dirigiu à porta. Theron pousou o copo da bebida com um baque. Sadie – cumprimentou a outra dançarina. senhor. conciso. THERON OLHAVA pela janela da cobertura de Chrysander. e ninguém prestou atenção à sua presença. O aparelho estava pousado sobre a mesa de centro a metros de distância. Estamos com um problema. Isabella estava tão maquiada que a própria equipe de segurança não fora capaz de reconhecê-la. Não importava a quantidade de maquiagem. – Olá. – Anetakis – disse. é melhor se arrumar. Quando ela alcançou a porta identificada apenas com a palavra “meninas”. o drinque quase esquecido em uma das mãos. a srta. entrou. Outra jovem esbarrou em Isabella. Com um suspiro resignado. Embora não fosse tão gabaritada quanto a amiga. – Não sabíamos se você viria. Ao deparar com o próprio reflexo no espelho. Girou. Mais para se manter ocupada do que por real necessidade de retocar a maquiagem. Terei prazer em inteirá-lo dos detalhes mais tarde. Isabella deu uma última olhada no espelho. senhor. aquela farsa ainda a deixava extremamente nervosa. Parecia em pânico. ou como o cabelo estivesse bem penteado. seus olhos verdes ainda a encaravam sem vida. Questionara-se repetidas vezes durante o dia e. Ainda não tinha certeza se tomara a decisão certa. O crepúsculo caía sobre a cidade. quando o celular tocou. Terá de entrar logo depois de Angel. Mas agora. não tinha a menor ideia do que fazer com Isabella. E o que estava acontecendo era que perdera o único homem com quem esperara passar o resto da vida.

embora quase seminuas. – A não ser que seja sócio. Isabella estava fazendo em um clube masculino? O que estava pensando? Seria Marcus de alguma forma responsável por aquilo? Se fosse. – Íamos nos certificar agora. – Mas. em nome de Deus. o fazia se lembrar das áreas de altas apostas dos cassinos. nos fundos de alguma construção. – Seu nome. até mesmo impecável. Mas aquele estabelecimento fora criado para uma seleta clientela. apressados. e não deveria estar. – Claro que quero saber! – explodiu Theron. autoritário. onde a prostituição e as drogas corriam soltas. Caplan – afirmou Reynolds. com seus dois homens. enquanto passava pelo homem e entrava. – Alguém que conheço está aí dentro. O clube era diferente do que Theron esperava. não tinham aparência vulgar. – Seguiu-se uma breve pausa. e o chefe da equipe de segurança de Isabella abriu caminho . – Cuide disto. correndo na direção dele. desviou a atenção do grupo de homens. Era óbvio que um show estava para começar. Theron acenou para eles com um gesto discreto. quando girou na direção de Reynolds. – Achei que o senhor ia querer saber. a testa franzida pela concentração. observando cada mulher que via. concentrado em absorver aquela informação. – O senhor conhece esse clube? Theron franziu a testa. o título de sócio não é um procedimento instantân… Theron se recusou a continuar ouvindo. Theron saiu pisando duro à frente deles até a porta e estacou quando um brutamontes. – Theron Anetakis – respondeu ele. usando óculos escuros. calmo. Theron caminhou entre as mesas. Theron deixou a cobertura. Quando o motorista freou com um solavanco em frente à entrada do clube. Theron saltou do veículo e avistou Reynolds. O que. o carro o aguardava diante da porta da frente. impaciente. As garçonetes. não posso deixá-lo entrar. educado. chamando o motorista pelo celular. – Estou a caminho de lá agora. o impediu. lhe veio à mente a imagem de um lugar decadente. – Acabamos de chegar – explicou o chefe da equipe de segurança de Isabella. O interior limpo. – Não é um clube masculino? Por que diabos estão indo para lá? – Porque foi esse o destino da srta. Vou procurar Isabella. com olhar atento. mais homens se encontravam reunidos diante de uma plataforma acortinada. fumavam cigarros importados caros e bebiam o mais refinado conhaque. Os clientes estavam bemvestidos. e não pense que não exigirei todos os detalhes de como isso aconteceu. senhor.porém no momento estamos a caminho do La Belle Femmes. Quando chegou ao saguão do prédio. Quando constatou que não havia nenhuma mulher entre eles. Pague a este homem o que for necessário pelo título de sócio e me encontre lá dentro. Theron fervilhava de impaciência. Na direção da parte da frente do salão. iria matá-lo. – Ela está aqui? – Theron perguntou. Tinha certeza de que Reynolds e os demais seriam capazes de contornar quaisquer objeções que o segurança do clube tivesse em relação à sua presença. Onde diabos estaria Isabella? Teria Reynolds recebido a informação correta? Olhou para a entrada e viu Reynolds e os outros dois seguranças entrando. O tipo de lugar cuja existência Isabella não deveria sequer saber. No momento em que mencionaram clube masculino. senhor? – perguntou o homem.

Quando a fumaça se dispersou. austero. o pânico enquanto ela olhava ao redor do salão repleto de homens que a observavam como um petisco suculento. encontrou o dele. Conhecia aquele desenho. O que não era de admirar. para ver a cortina se erguer e a fumaça do palco resvalar sensualmente pelas pernas longas de uma mulher. – Soube de fonte segura que a srta. Theron encontrou os olhos verdes. O olhar de Theron foi atraído pela tatuagem nas costas.entre as mesas até onde ele estava. Postiço. Ele girou. ela ergueu os braços e segurou o mastro que se encontrava no palco. e o medo foi substituído pele choque ao reconhecêlo. Quando ela ergueu o olhar. . Theron sentiu o sangue ferver. E então. Os quadris oscilando e os braços pendendo graciosamente nas laterais do corpo. A dançarina começou a se mover no ritmo da música. antes que ela o visse. na altura da cintura. Ela usava botas de cano alto justas que apenas lhe acentuavam os contornos e chamavam atenção para suas nádegas bem torneadas. Passara muito tempo fantasiando com aquela tatuagem. – O senhor está procurando no lugar errado… O segurança foi cortado pela música que explodiu atrás de Theron. Percebeu o medo refletido neles. Muito bem. Caplan está neste local – respondeu Reynolds. – Por que acha que Isabella está aqui? – perguntou Theron. fazendo revoar uma massa de cabelo louro. ela girou. com uma careta.

De repente. Ela ergueu a cabeça para ver Reynolds. Mas antes que pudesse tomar qualquer decisão. mas foi silenciada pelo olhar severo que ele lhe dirigiu. Deitada em um ângulo incômodo no banco. Theron estacou diante do próprio carro. Um olhar ao próprio corpo a fez ofegar. Isabella soltou um grito assustado ao mesmo tempo que a música parou e o caos se instalou no salão. – Receberei uma explicação completa quando . Theron se limitou a apertá-lo contra a parte posterior de suas pernas e caminhar na direção da saída. e Isabella começou a se contorcer tentando fazer com que ele afrouxasse o braço. o que a deixou em uma posição ainda mais precária. Maxwell e Davison afastando os seguranças do clube que se precipitavam em seu socorro. O chão girou vertiginosamente quanto Theron saltou do palco. Isabella foi invadida pela ânsia de proteger os seios com os braços e correr para se esconder. sustentando-lhe o peso como se fosse uma pena. Isabella tentou erguer-se. Ela cruzou os braços sobre o peito e deslizou para trás no banco até que as costas colidissem com a porta oposta. ameaçador. ela o ouviu rosnar: – Afastem-se. enquanto ele caminhava sem nenhum esforço. Não que aquilo tivesse logrado algum êxito. – Nem uma palavra. Sem perder sequer um segundo. A força com que ele a segurava a impedia de respirar. inclinou o corpo e a atirou pela porta escancarada do veículo. Isabella abriu a boca para falar. os olhos faiscavam ao medi-la de cima a baixo. Os braços de Theron eram como cintas de ferro em torno de seu corpo. Nem uma maldita palavra – disse. Theron se aproximou. A raiva vibrava sob a superfície daquele corpo forte. quando percebeu que os seios estavam quase escapando pelo decote profundo do top.Capítulo 13 ISABELLA EMPALIDECEU quando avistou um furioso Theron. – Imperial Park – disse. E para sua surpresa. como um predador no ato da caça. Não estacou na beirada do palco. com passadas firmes e decididas na direção do palco. Bella. Malditas botas! Sentia-se desajeitada e deselegante. Não queriam arriscar arruinar seus ternos de centenas de dólares. sentou-se ao lado dela e bateu a porta com força. Isabella não fez mais nenhum esforço para se soltar. Porém. conciso. Theron transpôs a porta e saiu para a noite. Simplesmente saltou sobre a plataforma e com um único e preciso movimento a ergueu nos braços e a atirou por sobre o ombro. desanimada. nem a incitou a descer de lá. Os clientes se levantavam de suas cadeiras e olhavam para Theron. mas eram demasiados civilizados para se envolveram em um imbróglio daquele tipo. A raiva emanava de Theron em ondas carregadas de eletricidade. Em seguida. Ela é minha. boquiabertos. Ainda atordoada. mas as pernas se chocaram com as dele e ela as afastou rápido. parado um pouco atrás do grupo de homens que circundavam o palco.

– Então. Isabella fechou os olhos contra a simples verdade que a impedia de ter o homem que amava. Por um instante. e Isabella obedeceu. – Tome – ofereceu ele. exausta. – Silêncio – ordenou ele. Chutou a porta com força. abraçando o próprio corpo com mais força. Ele saltou do veículo e o contornou para abrir a porta oposta. Finalmente. O olhar que Theron lhe dirigiu sugeria que ela permanecesse onde estava. Mas Theron parecia levar aquilo como uma ofensa pessoal. alguém encarregado de cuidar de seu bem-estar. a porta se abriu e um homem que tinha o título “segurança” escrito em toda a sua estrutura corpórea os recebeu. a retirou do banco nos braços. por quê? – resmungou ele. em vez de pousá-la no chão para bater com a mão. agradecida pelo fato de o blazer ao menos cobri-la. – Está tudo bem com você? Aconteceu alguma coisa? Alguém a machucou ou ameaçou? Isabella negou com a cabeça. O orgulho a fez abrir os olhos para encontrar o olhar de preocupação com que ele a observava. mas ele não perdeu tempo tentando encontrar uma. Não podia perder sua festa. Theron a pousou de pé no chão. em seguida. Em seguida o segurou com uma das mãos e a puxou para a frente. Ela desviou o olhar. Frio e controlado. na companhia da noiva? Uma pontada aguda de dor a traspassou. sequestrando-lhe o ar dos pulmões. retirando o blazer do terno. Tão logo Theron entrou no quarto. Theron saiu e seguiu pelo corredor na direção da porta da suíte. – O que faz aqui? – sussurrou Isabella. – Sua festa. As surpresas não pararam por ali. Isabella franziu a testa. Até mesmo furioso. Com um gesto negativo de cabeça. enquanto se encaminhava à porta. incapaz de fazer o som passar pelo nó que se formara em sua garganta. Mas aquilo era uma mentira. Vários longos minutos depois. Por que não estava em algum lugar. Para a contínua surpresa de Isabella. Até lá. As portas do elevador se abriram. e refletia insegurança. Isabella puxou as lapelas para ajustá-las ainda mais ao corpo.voltarmos para o hotel. ele se inclinou para dentro. . Era o protótipo da ordem e da calma. um grito soou da outra extremidade da sala. ignorando os olhares curiosos dos transeuntes. Mas quem a abriria? Não havia ninguém lá. Para surpresa de Isabella. o carro estacionou em frente ao hotel. Ele pertencia a outra mulher. Muito bem. Isabella engoliu em seco e o encarou. que ele se importava com ela de uma forma que ia além dos deveres de um tutor. poderia imergir na fantasia de que pertencia àquele homem. Nenhum dos dois estava com a chave. no peito musculoso. – Bella? – A entonação de Theron havia mudado. emudecida. rude. fechou o blazer para que nenhum centímetro de sua pele ficasse exposto e. Tudo era uma mentira. e a amiga a envolveu em um abraço apertado. suavizara. Nunca o vira tão… irado! Ele costumava ser tão impassível. O Theron que ela conhecia não vociferava para um leão de chácara com o dobro de sua altura. Ele entrou no elevador e acionou o botão do andar da suíte que ela ocupava. já havia percebido que ele estava transtornado. – Eu posso caminhar com meus pés – protestou ela. – Bella! Você está bem? Isabella virou a cabeça para a esquerda com um gesto brusco para ver Sadie correndo em sua direção. já que houvera muitas naquela noite. não quero que diga nada. mas se recostou. para lhe envolver os ombros com o agasalho.

– Mas… – tentou argumentar Sadie. Nunca deveria ter permitido que fizesse isso por mim. Eles viram apenas você. Agradecida pela chance de desparecer. – Mas eu trabalho lá! – exclamou Sadie. – Quando saí de sua suíte para ir à festa. que ela havia ajustado com tanta força a si. Isabella se despiu e retirou as botas. se deu conta de que não . – Não quero ver Bella frequentando um clube de striptease porque a amiga trabalha lá. nunca supuseram que se tratava de você. Além disso. Bella.Sadie enrubesceu. antes de gesticular com a cabeça para o segurança. – Como ele sabia onde me encontrar? – O chefe de sua segurança me telefonou. – Foi uma atitude irresponsável e perigosa. não valia o risco que você correu. “Espalhafatosa” foi o termo que lhe veio à mente. – Sadie dirigiu um olhar furioso ao homem que permanecia parado à porta. – Vá se lavar – ordenou ele. Triste. Se o fizesse. tenso. Quase se encolheu diante da imagem que o espelho lhe devolveu. parecendo mais impaciente a cada segundo. Quando a porta de fechou. como deveria fazer – respondeu Theron com expressão fechada. Sadie exibiu um sorriso triste. com expressão culpada. – Agora. As mãos fortes de Theron se fecharam em torno dos ombros de Isabella e a puxaram contra a rigidez de seu corpo. – A festa não importa. Eles me fizeram esperar aqui enquanto iam buscá-la. No mesmo instante. – É bom saber que alguém tentou colocar juízo em sua cabeça – disparou Theron. Tive de lhes contar tudo. Um banho de banheira longo e quente era uma ideia tentadora. sabiam que a verdadeira Sadie não havia entrado em seu quarto. atirando-as para o lado. lidarei com você – disse ele em uma voz suave e ameaçadora. mas não com Theron a aguardando do lado de fora. A carranca de Theron se tornou ainda mais feroz ao esticar o braço para detê-la. – Esperarei por você aqui. sair mais cedo e. Em seguida. – Por que você ainda está aqui e… – Ela girou na direção de Theron. – Como eles ficaram sabendo? A amiga baixou o olhar e suspirou. se passando por mim. – Não mais – rosnou Theron. concordo – interveio Theron. Desculpe. mesmo sendo escoltada para fora do quarto pelo segurança. Isabella lavou o rosto. Isabella voltou a se concentrar em Sadie. um dos seus seguranças me abordou imediatamente. o que a fez recuar. O blazer. Ela se viu incapaz de lhe sustentar o olhar. Coisa que ele não fora capaz de perceber antes. escorregou para o chão. confusa. Aquele é um lugar onde nenhuma de vocês jamais deveria ter entrado. No entanto. e retirou a peruca da cabeça. veria tudo que ela desejava ocultar no momento. – Precisei suportar um sermão dele durante todo o tempo em que você esteve fora. Em seguida. Deu um passo na direção dela. – Isabella ignorou o rompante de Theron. Isabella se encaminhou ao toalete. como planejamos. soltou as presilhas de seu cabelo e passou os dedos pelos fios para domá-los. se livrando da maquiagem pesada. portanto desconfiaram. – O que aconteceu? – perguntou Isabella. Berrante. – Quanto a isso. – Certifique-se de levá-la para casa em segurança e permaneça lá para ver se ela não volta para o clube. – Haverá outras. e os seios se comprimiram de maneira obscena contra o peito largo. Theron saberia. – Mas você perdeu sua oportunidade. Theron girou para encarar Isabella com olhar severo.

e eu permaneci na . de volta à sala de estar. esticou a mão para o robe atoalhado pendurado atrás da porta e se envolveu nele. Theron escorregou uma das mãos pelo cabelo em um gesto de frustração. constrangido. É um amigo. ela adoraria responder que sim. Várias explicações lhe espiralaram na mente esgotada. e Marcus subiu para que pudessem lhe trazer uma roupa seca. – E por isso presumiu que ele estivesse dormindo comigo? – Está negando? – desafiou Theron. – Eu estive aqui. Bella. surpresa. – Um amigo?! É assim que chamam isso hoje? – retrucou ele. contrariada. enfim se recompondo. e não estava disposta a bancar a promíscua. Marcus não tem nada a ver com nada. Theron resfolgou. – Pegamos uma tempestade. fitou-a com os olhos ainda faiscando com intensa inquietação. Um longo silêncio se abateu sobre os dois. para que todos aqueles homens a devorassem com o olhar? Diga-me. vestiu um robe. antes de encará-la mais uma vez. Portanto. Isabella ficou boquiaberta. parado diante da janela que dava vista para a avenida abaixo. em vez de mim. mas não acreditava que Theron fosse acreditar em nenhuma delas. Bella. – Não está fazendo sentido algum. – Marcus sabia que você faria isso? Isabella inclinou a cabeça para trás. – Por que está aqui? – perguntou ela. mais uma vez fechando os dedos sobre os ombros de Isabella. Ele ainda tinha o controle sobre sua herança até que se casasse com outro homem. Nesse meio-tempo. Não sinto necessidade de informá-lo sobre meus passos. – E daí? – Marcus atendeu a porta. – Marcus? Por que precisaria informá-lo sobre qualquer uma de minhas ações? – Esperava que ele fosse mais protetor com o que lhe pertence ou com o que ele acredita lhe pertencer – resmungou Theron. Subi… para ver como você estava – acrescentou. – Estou dizendo que isso não é de sua conta! – explodiu Isabella. Quando a ouviu. permaneceu calada. seminua. descalça. confusa. – O que está insinuando? – Ela cruzou os braços sobre o peito. Theron aguardava. devolvendo o comentário sarcástico que Isabella fizera na festa sobre beijar. – Ousa perguntar isto. como se eu não tivesse nenhum direito? Como se você não tivesse acabado de cometer uma estupidez? Tem ideia do que pensei quando soube onde estava? O medo que senti? Ou o choque que tive ao vê-la em cima daquele palco. – Não dormi com ele – respondeu.trouxera uma roupa para trocar. o que teria feito se. tivesse sido um deles a invadir o palco? Se colocasse as mãos em você e a forçasse a ir com ele? Isabella pestanejou várias vezes diante da ferocidade e da raiva absoluta que lhe distorcia as feições. Ontem à noite. Dando de ombros. Isabella pestanejou várias vezes. trajando apenas um roupão de banho – disparou ele. Theron cortou a distância entre os dois. Oh. mas de que aquilo serviria? Theron estava noivo de Alannis. que dormira com Marcus. enquanto se mediam com o olhar. enfiando as duas mãos nos bolsos do roupão. Saiu do toalete e caminhou.

ele partiu. – Você nunca objetou antes – resmungou Theron pouco antes de lhe capturar os lábios. ele fez um movimento negativo com a cabeça. Pedimos comida no quarto e. Em um gesto inconsciente.banheira até que ele estivesse completamente vestido. Por quê? Em que aquilo podia afetá-lo? E então. – Não é o suficiente eu passar o tempo todo pensando em você? Lembrando-me da sensação de sua boca contra a minha? Theron se aproximou. – Por que você insiste em me enlouquecer? – murmurou. a respiração quente contra o rosto de Isabella. – Não deveria… me beijar – sussurrou ela. . ela umedeceu os lábios enquanto Theron inclinava a cabeça para o lado. Um lampejo de alívio brilhou nos olhos de Theron. em seguida.

Ela deixou escapar um suspiro suave. mas se não a tiver. deixando as palmas acariciarem as laterais do corpo de Isabella. Devorava-a. atritando a língua contra o bico enrijecido. Theron fechou os dedos naquele ponto. fazendo-a experimentar calafrio após calafrio. os lábios mal se apartando dos dela. mantendo-a cativa. Theron lhe mordia e sugava a pele. Talvez fosse um som de desejo. ajoelhado. Ele a segurou firme contra o peito. Ou ânsia. mesmo enquanto lhe abria o robe. – Lutei contra isto. de modo que a respiração quente lhe fustigasse os mamilos. enfraquecida contra a rigidez do corpo másculo. o cabelo negro e a pele morena em contraste com a dela. um som de capitulação? Sinceramente. Desejado tanto. não se importava. Escorregando os braços sob o robe. Theron lhe sugou o seio. os lábios exigentes nunca deixando os dela. tremendo à medida que as mãos longas rumavam por seu corpo até a nuca. Como era erótica a visão daquele homem orgulhoso e forte. A boca experiente prosseguiu em sua jornada erótica. E então ele fechou a boca sobre um deles. o lóbulo da orelha e mais abaixo. formando uma poça aos seus pés e ela se viu nua. Porém. Os lábios de Theron ficaram quase na altura dos seios empinados. Theron a arrebatava. Como se tivesse direitos exclusivos sobre sua boca e se recusasse a dividi-los com quem quer que fosse. – Eu o desejo tanto! As mãos fortes começaram a desfazer o nó do roupão que ela usava. Theos! Lutei muito contra isto. fazendo-os enrijecer. as mãos ávidas se encontravam espalmadas em sua pele exposta. Era como se Theron não suportasse a ideia de parar de beijá-la. e Isabella teve de prender a respiração quando ele se ajoelhou diante dela. envolta nos braços musculosos. – Macia.Capítulo 14 ISABELLA SENTIU os joelhos cederem e se agarrou aos ombros fortes para não escorregar pelo corpo de Theron. Nunca. pelo pescoço macio. Tão macia e linda! Como a seda – murmurou ele. com os braços fechados com força em torno de sua cintura… como se nunca fosse soltá-la. antes de movê-las para os seios firmes. Fantasiado. O corpo de Isabella se moldou ao dele. Theron os fechou em torno da cintura fina e a puxou para baixo. enquanto a boca experiente se apossava da dela. – Quero fazer amor com você – disse ele com uma ansiedade ofegante. . Como se a intenção dela fosse escapar! Isabella era uma presa espontânea. Só então abandonou os lábios carnudos para imprimir uma trilha de beijos quentes pela mandíbula delicada. ele afastou os lábios do mamilo. antes que Isabella se deixasse dissolver naquela fantasia. Não havia outra palavra para definir o que ele estava fazendo. enquanto ela saboreava a rigidez daquele peito e daquelas coxas. Aquele beijo era… diferente. enlouquecerei. E então. fazendo-a gemer e estremecer. fazendo-a soltar um gemido de protesto. Aquilo… era o que havia sonhado. forçando-a a flexionar os joelhos. O robe de Isabella escorregou para o chão. Tomava posse dos lábios carnudos como se fosse seu único dono e senhor. Loucamente. – Sim – sussurrou Bella.

ele se moveu . Após deitá-la na cama. não. Theron se deteve a lhe estimular os mamilos rígidos com a língua para. Em seguida. – Sim – o sussurro de entrega escapou dos lábios intumescidos de Isabella. Isabella esticou as mãos para desabotoá-la. Por alguns vários e longos segundos. em seguida.Theron ergueu o olhar ardente contra a luz da lâmpada. As mãos se ergueram na intenção de ocultar os seios. se expondo ainda mais àquela exploração erótica. Mas ele lhe segurou as mãos. quero-o dentro de mim. fazendo-a se contorcer sob o corpo forte. O desejo se refletia nos olhos castanhos como duas labaredas. Isabella temia dizer qualquer coisa que o fizesse recuar e dissipar aquela magia. Isabella enrijeceu quando a boca ousada lhe encontrou a essência. – Por favor. Tenho de possuí-la. descendo o próprio corpo até que os lábios lhe encontrassem os seios firmes. A pele firme colando-se à dela. brincou com o piercing que lhe adornava o umbigo. Bella mou – respondeu ele. e Isabella lhe envolveu o pescoço com os braços. – Possua-me – disse ela. frenético. – Tão excitado e sensível a uma mulher. ele se ergueu e assomou diante dela. Em seguida. repleta de paixão. No mesmo instante. quando se deitou na cama. – Você é maravilhosa. Theron lhe afastou os joelhos e se acomodou entre as coxas macias. Ele começou a empreender uma jornada excitante pelo pescoço delicado. Isabella sentia-se estranhamente vulnerável sob aquele escrutínio intenso. Isabella inspirou profundamente e prendeu o ar nos pulmões. baixando o olhar para encontrar o dele. E pretendo seduzi-la até as últimas consequências. enquanto os dedos longos se dirigiam aos botões da camisa. querendo se livrar da peça para sentir a pele de Theron contra a sua. Bella – disse com uma voz baixa e rouca. sedoso e ainda assim rígido como o aço. Theron soltou uma risada abafada e não a decepcionou. Bella. à medida que o prazer a dominava. Bella mou. Impotente. Aquelas palavras pareceram destruir o autocontrole de Theron. antes de prosseguir naquela expedição descendente. afrouxou a força com que a envolvia apenas o suficiente para se erguer. As bocas se encontraram outra vez. Você me enlouquece. A sedução ficará por minha conta. Theron a ergueu nos braços e caminhou lentamente na direção do quarto. Encorajada pela óbvia aprovação de Theron. Livrando-se da peça. o âmago de sua feminilidade. o zíper da calça. ele perdeu a paciência e os arrebentou com um puxão. enquanto deslizava um dedo sobre a pele úmida da região sensível. queimando-a. – Nunca me senti tão fora de controle – admitiu ele. úmido. prolongando aquela batalha de línguas e lábios. Ela cravou o olhar no teto. O olhar fixo no dela. desceu. libertando a masculinidade excitada. Por um breve instante. o duelo era um precursor da dança que os corpos estavam prestes a executar. ela arqueou os quadris. unindo-as com força. Quente. – Quero que esteja preparada para me receber. Tímida e um tanto insegura. A pintura intrincada enevoando diante de seus olhos. quando a calça comprida e a cueca boxer escorregaram pelas coxas musculosas. e o tecido da camisa roçou a pele dela. No meio do ato de desabotoá-los. os ombros. imprimir uma trilha úmida de beijos pelo abdome macio. Uma promessa silenciosa enquanto ele se aproximava. – Sou sua. ela deixou as mãos penderem sobre o colchão. – Oh. – Não esconda tamanha beleza de mim – sussurrou ele. Suave.

enquanto se movia entre as pernas sedosas. e no outro deslizando para dentro dela. Os lábios de Theron encontraram os dela mais uma vez em um gesto tranquilizador. permitindo que as mãos que se agarravam aos ombros de Theron escorregassem para lhe envolver o pescoço. mas ele a manteve fora de seu alcance. Em seguida. – Não. Não foi perfeito. Theron ergueu a cabeça para encará-la. retesada e sensível pelo desejo. com uma toalha umedecida. – Movimente-se comigo. Isto. Você não me machucou – respondeu ela no mesmo tom. Theron a puxou suavemente contra a rigidez de sua excitação. mesmo enquanto movia os quadris para recuar e investir outra vez. Isabella o observou caminhar até o toalete e voltar. Foi perfeito. E então ele desabou. Após lhe depositar um beijo suave nos lábios. – Enrosque suas pernas em minha cintura. Algumas. murmurando-lhe palavras contra o ouvido. – E então deixou-me violá-la. desencaixou os corpos de ambos. – Venha comigo – sussurrou ele. Ele fincou os cotovelos nas laterais da cabeça de Isabella. – Não sabia se acreditaria. Theron deixou a toalha escorregar para o chão e lhe segurou o rosto com as duas mãos. Isabella gritou ao mesmo tempo em que ele enrijeceu sobre ela. a esfregou sobre a pele macia para limpá-la. Isabella se sentou na cama e estendeu a mão para pegar a toalha. suspendendo o corpo o suficiente para que ela não precisasse suportar o seu peso. A respiração saía com dificuldade. ela lhe tocou o rosto. – Eu a machuquei? – perguntou ele. abrindo-lhe as pernas e se encaixando perfeitamente entre as coxas aveludadas. Os lábios sensuais se aproximaram dos dela e a beijaram com uma ternura que a fez experimentar . Esticando o braço. – Por que não me contou? Não havia nenhum tom de recriminação ou acusação na voz de Theron. Em seguida.sobre o corpo macio. Todo o corpo de Isabella enrijeceu com o choque. Ela ofegava. Em um segundo estava se posicionando para penetrá-la. Incapaz de fazer qualquer coisa além de seguir o turbilhão de prazer que crescia em seu ventre e se espalhava por todo o corpo. mas por pensar que a tratara de maneira rude. – Você não me machucou. – Volto já. agape mou – incitou ele. – Não. Por alguns longos segundos. soltando o peso do corpo quente sobre o dela. Embora sentisse apenas uma pontada de dor. outras eram ininteligíveis. fora a sensação daquele preenchimento que quase a sufocou. instantes depois. ela compreendia. E então Isabella relaxou sob o corpo forte. saboreando o atrito da barba de um dia. ela espalmou as mãos nos ombros largos para empurrá-lo. fundindo-os. deduziu Isabella. quando deveria ter sido conduzida com toda a suavidade? Tratada de modo carinhoso? O arrependimento estampado naquele belo rosto másculo era genuíno. de repente gentis e ternos. em um gesto instintivo. num sussurro. Uma onda de prazer doce e excitante a atingiu como fogo espalhado pelo vento. apenas o som das respirações alteradas preenchia a atmosfera. rompendo a leve resistência sem nenhuma dificuldade. A pele de Isabella pareceu despertar para a vida. Theron a observava com olhar confuso. e as bocas e os quadris de ambos executavam os passos daquela dança nova e excitante. Não por ter feito amor com ela. mas posso fazer com que seja. Os olhos verdes se arregalaram e.

E ainda assim. Mas apesar daquilo tudo. vendo-a. Dessa vez. Desejara-a e a possuíra. Enrijeceu quando Isabella deixou escapar um suspiro suave. – Melhor assim? – murmurou ele. Envolvendo os quadris em uma toalha. ela soube que jamais seria capaz de amá-lo mais do que naquele momento. Nunca antes. Não usara nem mesmo um preservativo e. Theron encostou a testa na dela. Com todo o cuidado. e não era agora que iria começar. e apenas quando os últimos espasmos de prazer lhe abandonaram o corpo foi que ele se enterrou fundo naquela maciez apertada e quente e se entregou ao próprio orgasmo. tocando-a e a amando como Bella o amava. Abriu os olhos. não conseguia atinar com uma desculpa plausível para tamanha estupidez. em muitas coisas. Os seios firmes pressionavam seu peito. As pernas se entrelaçavam nas dele. Era um homem prevenido e sempre trazia. cada palavra como terra árida que ansiasse por água. E certamente sabia o que estava prestes a fazer mesmo no calor do momento. com ela. no desejo. THERON ACORDOU com um corpo feminino macio enroscado ao seu. os lábios dos dois a apenas milímetros de distância. e. logo a realidade o atingiu e. pior. o peso do que fizera. e um dos braços o envolvia de modo possessivo. aquela fora uma decisão consciente. Porém. Isabella sorriu. e sabia muito bem disso. mas sabia a verdade. Esperara tanto tempo para tê-lo daquela forma! Focado nela. enquanto ela dormia profundamente. perdera toda a consciência durante um ato sexual. sempre mantinha várias mudas de roupa em seu escritório. cada uma aterrissando naquela região distante que ela reservara apenas para Theron em seu coração. Não fora nem mesmo por falta de não tê-lo consigo no momento. E quando Theron a penetrou lentamente. experimentava uma estranha sensação de paz em vez de uma resignação dolorosa. aflorando. em seus 32 anos. se esticando para alcançá-los. desencaixou os corpos dos dois. Isabella ergueu o queixo. temia tudo que tinha a fazer.uma pontada de dor no peito. E dizer. Ainda assim. Estava até mesmo se preparando e fazendo planos mentalmente. Aquela seria sua primeira . O desejo despertou outra vez. Poderia colocar a culpa na paixão. Isabella absorvia cada toque. saiu do toalete e recolheu o traje que usara no dia anterior. Tal sentimento de culpa e resignação não era inesperado. Inundou de beijos e carícias cada milímetro daquele corpo de curvas perfeitas. não havia sido capaz de parar o que estava fazendo para pegar um. não apenas um. mas dois preservativos em sua carteira. – Sim. mas logo ela voltou a se aninhar sob as cobertas e ficar imóvel. Insatisfeita até mesmo com aquela minúscula separação. Agora. Theron se encaminhou ao toalete para tomar uma ducha. por mais que se esforçasse. soprou uma mecha de cabelo escuro que lhe caía sobre os lábios e constatou que Isabella estava mais atirada sobre ele do que enroscada. A respiração cadenciada e suave lhe reverberava nos ouvidos. fazendo com que as bocas dos dois se encontrassem em um beijo doce que ela sentiu na própria alma. Felizmente. Murmurava palavras carinhosas e elogios. ciente de que haveria consequências para aquela escolha. Não tinha mais ninguém a culpar em toda aquela confusão a não ser a si mesmo. Theron não teve pressa. Não a protegera. ele aguardou que Isabella se entregasse por completo ao clímax.

– Agora. Recusava-se a ficar sentada naquele quarto de hotel. Sentia uma languidez incomum. Iria até lá e faria uma lista do que estava faltando. a excitação despertando cada célula viva. esperando por um homem que talvez não retornasse. que ostentava a evidência de sua virgindade perdida. e experimentou uma estranha sensação no peito. Theron sentiu o corpo tenso. srta. Partes dela estavam doloridas. pode me acompanhar até o restaurante do hotel e. cada carícia. Não queria ser a outra. . Quando estava vestindo a calça comprida. e pestanejaram várias vezes quando se concentraram nele. forçou-se a se vestir. em seguida. Reynolds exibiu um sorriso genuíno e entrou na suíte. Mas por que tinha de colocar o bem-estar da outra mulher acima do seu? Com aquela tristeza contida alojada no coração. O divertimento desapareceu do semblante do segurança. Bella. Os móveis novos que comprara haviam sido entregues. iria até seu apartamento. Coisas importantes. – Inclinando a cabeça. Também não desejava ser responsável pela tristeza de alguém. mas fracassou miseravelmente. Theron esticou a mão e lhe tocou a lateral do rosto. enrolada apenas em um lençol. Depois. está entendendo como as coisas devem ser feitas. Acho que a partir de agora me achará bem mais cordata. – Espero que nada de mal tenha lhe acontecido. cada beijo. E não conseguiu se furtar a fechar os olhos e recordar cada toque. – Tenho coisas a fazer. do qual apertava as extremidades com força. A expressão se tornou fechada. o cabelo longo envolvendo-lhe parte corpo. Permaneceu na banheira até a água amornar. Aquela ideia não a agradava. enquanto girava e esticava a mão como que a procurá-lo. – Sinto muito mesmo por ter lhe causado tantos problemas. se encaminhou ao toalete para tomar um banho quente. estremecendo de frio. ao meu novo apartamento. E então. deixou escapar um suspiro. Primeiro. Isabella exibiu uma careta. deparou de imediato com a expressão fechada de Reynolds. sem dizer mais nada. A sensação do corpo forte se movendo contra o seu. Meu serviço se torna muito mais fácil quando conheço seu destino e sei que não escapará na primeira oportunidade. Para onde teria ido Theron? Ele retornaria? Ou seria ela apenas uma tentação que se tornara insuportável. Caplan. não resolvidas. afastando-lhe uma mecha de cabelo escuro para trás. prendendo a respiração como uma tola apaixonada. Finalmente. em seguida. – É melhor você entrar para que eu possa me desculpar da maneira adequada. e ele resolvera voltar correndo para se entender com Alannis? Fechou os olhos e deixou pender o queixo até que lhe tocasse o peito.parada. ISABELLA SE encontrava parada ao lado da cama. talvez fosse melhor começar a pensar no que fazer com o resto de sua vida. e ela temia que continuassem daquela forma. sonolentos. Depois. Um sussurro suave que se avolumava enquanto a observava. enquanto a encarava com olhar questionador. Baixou o olhar à toalha molhada descartada. deu-lhe as costas e saiu do quarto. Muitas coisas permaneciam desconhecidas. ele lhe depositou um beijo suave no cabelo e. Isabella tentou sorrir. Cada vez mais desgostosa com a própria letargia. e Theron providenciara para que alguém lhe comprasse todos os itens de que necessitava. Isabella se mexeu. faria uma refeição e. Quando abriu a porta. se ergueu e enrolou-se em uma toalha. Uma dor deliciosa. Os olhos verdes se abriram.

voltou a se dirigir ao irmão: – Espere um momento para que eu possa atender esta ligação no escritório. sem rodeios. Theron esperou pacientemente. Chrysander soltou um xingamento e exalou a respiração de maneira audível. Seguiu-se um longo silêncio. esqueça o que acabei de dizer. mas precisava ter aquela conversa com Chrysander para que pudesse dar prosseguimento aos seus planos. – É melhor começar do início e me contar toda esta história – sugeriu Chrysander. É apenas Theron. a voz de Chrysander estava de volta do outro lado da linha: – Agora diga-me que não fez o que acho que fez. na cadeira atrás da mesa do escritório e ergueu o fone. Obviamente não estava pensando. THERON SE sentou. tampouco Marley se achava sob meus cuidados. – Em seguida. cansado. Volte a dormir. – Por que diabos está telefonando a esta hora? Mais uma vez. – Acho que não ouvi direito – disse Chrysander por fim. enquanto ouvia o farfalhar das cobertas da cama e o beijo que o irmão deu na esposa. E a que coisa terrível está se referindo? Está preso? Theron não pôde conter uma risada diante daquela pergunta. Aquele tipo de conversa o fazia parecer um adolescente de 16 anos confessando seus pecados ao pai. – Não. com um sorriso tristonho. Em seguida. – É óbvio que está com um problema sério nas mãos. – Não pedi Alannis em casamento. Theron o ouviu dizer alguma coisa para Marley. Estou faminta. – Então. o que há de errado? Theron esfregou o rosto com uma das mãos. Alguns minutos mais tarde. que diabos estava pensando?! Está bem. na defensiva. – Theron se encolheu. A coisa é ainda mais grave. – Ela era virgem e não usei proteção. Não estou preso. – Nai – rosnou Chrysander. – Theron? – perguntou Chrysander. Isabella permaneceu calada. – Eu tinha um relacionamento com ela – rosnou Chrysander. na Grécia seria meia-noite. agape mou. sonolento. – Droga. gesticulou na direção da porta. Theron. Mas e quanto a Alannis? Não disse a mim e a Piers que iria se casar com ela? O que estava fazendo na cama com Isabella? E Deus. sem proteção! Ficou maluco?! – E você foi muito cuidadoso com Marley? – retrucou Theron. Theron. – Vamos comer. Mais uma vez. mesmo enquanto proferia as palavras. Comece pela parte em que você não pediu Alannis em casamento. Seguiu-se outro silêncio perplexo. – Não. exausto. não há nada errado. – Não estava noivo de outra mulher. – Não posso fazer isso. – Não estou noivo de outra mulher – revelou ele num quase sussurro. . – Fiz algo terrível – disse Theron.Por um instante. mais alerta. – Seduzi Isabella. – Mais grave do que você seduzir uma jovem que está sob seus cuidados? Não consigo imaginar o que seria pior. isso ultrapassa os limites da insanidade. Marley ficou acordada até tarde da noite com o bebê. Isso é um fato. antes de se levantar.

– Isto está ficando mais absurdo a cada segundo. os confetes… – Confetes? Quem diabos providencia confetes para um pedido de casamento? – questionou Chrysander. . e eu larguei a caixa no bolso e a convidei para dançar em vez disso. – E como isso o levou a tirar a virgindade de Isabella? Sem proteção – acrescentou Chrysander em tom de voz frio. Passamos a noite celebrando a visita dela a Nova York em vez de nossas futuras núpcias. A adrenalina subiu a um nível alarmante nas veias de Theron. – Estava tudo preparado. com certo divertimento. Terá de se casar com ela.– Não consegui – confessou Theron com um suspiro. – Não tenho de me casar com ela. Isto diz tudo. Não há razão para continuar me atirando isto no rosto – retrucou Theron. – Você o quê?! – Chrysander explodiu em uma risada. – Chrysander meneou a cabeça. Após mais um silêncio prolongado. – Sim. o anel. O que importa é que. Vou me casar com ela. irritado. voltou a falar: – Ela estava sob seus cuidados. – Aconteceu depois que a retirei à força do clube de striptease. – Planejei a noite. – Fazia parte do clima festivo – Theron se defendeu. Nosso pai concordou que a família Anetakis cuidaria de Isabella se algo acontecesse ao pai dela. Dormimos juntos. Alannis me olhava. seduzi Isabella. Eu diria que sim. Será que quero saber por que alguém que está sob sua responsabilidade se encontrava em um clube de striptease? – Isto não tem importância. Ela era virgem. a festa. O momento chegou… e não consegui fazer o pedido. depois disso. meu irmão. Estava com a mão na caixa de joias. Sem proteção. – Admiti minha estupidez.

Mas não necessitará mais deste apartamento – acrescentou com voz calma. Um pequeno oásis no meio da caótica metrópole. Era bem maior que as unidades dos andares inferiores e tinha uma vista magnífica do parque do outro lado da rua. casado com outra mulher? Em um primeiro momento. Isabella olhou para o objeto com expressão desconfiada. – Bella. e . – Havia um sutil divertimento na voz grave. Gostava de fato daquele apartamento. com o qual as pessoas podiam contar para alguns momentos de lazer. mas o que a surpreendeu foram as palavras de Theron. Poderia viver ali sabendo que o homem que ela amava se encontrava tão próximo. tais como amor. pethi mou. vim correndo para cá. Em uma cidade daquele tamanho seria possível passar uma vida inteira sem esbarrar em Theron.Capítulo 15 ISABELLA AFASTOU para o lado as cortinas que cobriam a ampla janela com vista para a rua. Isabella se viu incapaz de desviar o olhar da cena que se descortinava abaixo. A mente girava em incrível velocidade. mas não tinha certeza se seria capaz de continuar ali. enquanto ele erguia a tampa e a deixava cair no chão. supervisionadas por suas mães ou babás. a promessa de uma vida tranquila. não assombrassem cada segundo de sua existência. Theron a girou de cabeça para baixo. retirou uma pequena caixa quadrada do bolso da calça. Isabella deixou escapar um suspiro. para sua surpresa. Duas mãos firmes se fecharam em seus ombros fazendo-a ofegar. Estou começando a imaginar se minha vida será uma rotina de nunca encontrá-la onde você deveria estar. outras caminhando com cachorros. ciúme ou desespero. Não faziam nenhum sentido. mas necessitava saber a que ele se referia ou o que ele não estava dizendo. O som da porta se abrindo não a assustou. quase temendo tocá-lo. Passadas firmes soaram atrás dela. – Voltei à sua suíte e não a encontrei. – Telefonei para Reynolds e. Theron lhe segurou a mão e a manteve sobre o peito. Isabella ergueu uma das mãos e a espalmou no peito musculoso. você está bem? O que faz aqui? Isabella girou e. Exceto… pelo fato de ele controlar sua herança e o contato entre os dois ser inevitável. pethi mou. – Não precisará deste apartamento. na qual as emoções agonizantes. deparou com o olhar preocupado de Theron. aquilo poderia parecer um absurdo. Deixara Reynolds a aguardando do lado de fora. alegando que só demoraria alguns minutos. O apartamento que alugara ficava localizado no último andar. Trabalhando ainda com apenas uma das mãos. e crianças brincavam. – Com a outra mão. – Vim ver se já estava tudo pronto para minha mudança – ela se limitou a responder. Talvez fosse a normalidade daquele cenário. quando ele me disse que você estava aqui. mas ainda assim. Provavelmente o guarda-costas devia ter perdido a paciência e viera buscá-la. Havia uma grande quantidade de pessoas praticando corrida.

capturando-lhe os lábios com um beijo profundo e sensual. Ninguém mais faz isso. esqueça isto. – Quer mesmo se casar comigo? Está bem. – Não estou entendendo – gaguejou. O que não era uma sensação muito boa. Em seus sonhos. E por isso lhe peço desculpas. – Você era virgem… e corre o risco de estar grávida – concluiu com suavidade. Não. A não ser que prefira ficar em minha cobertura. Com mais alguns movimentos dos dedos. – Temos de nos casar – repetiu Theron. Estivera esperando que ela argumentasse? Talvez bancasse a mártir e lhe oferecesse uma recusa chorosa e trágica. Ou melhor. Uma sensação de alívio faiscou nos olhos de Theron. ela o observou lhe erguer a mão e escorregar o anel por seu dedo anular. ele conseguiu abrir a tampa. – Acho que não… quero dizer. Isabella sacudiu a cabeça. por outro lado. Sei que não morre de desejo de se casar comigo. Ele a queria e. Não queria pensar no sofrimento de Alannis e no desapontamento de Sophia. Acho que estou tão estabelecido nesta cidade quanto você. – Está bem – concordou Bella. com duas labaredas nos olhos. Porém. Isso era um começo. Isabella tentou disfarçar o sentimento de culpa. Portanto. Podemos comprar uma casa. Theron talvez não quisesse se casar com ela. Era difícil argumentar contra aquele fato. a expressão de Theron se fechou.uma caixa de joias de veludo caiu na palma de sua mão. Aquele era um ponto nevrálgico que não devia ser explorado. Isabella ergueu um dos braços entre os corpos unidos e o afastou. Pergunta inútil. mas seu olhar não mentia. E agora Isabella se via no papel de femme fatale. mas em vez de beijá-la. Por fim. essa ideia de colocar um anel no meu dedo apenas pelo fato de que eu era virgem e de que não usamos proteção é bastante arcaica. Mas quero que saiba que não é obrigado a fazê-lo. calma. limitou-se a anuir com um gesto de cabeça. muito casual. revelando um diamante que captou a luz que incidia pela janela e faiscou contra os olhos de Isabella. Aquilo não era um sonho. alegando que ele não a amava? Theron a envolveu nos braços. sendo que dessa vez dando ênfase ao “temos”. Há providências a tomar. Mesmo que eu fique grávida. enlouquecia de desejo por ela. mas remediaremos isso. não usei proteção. não é motivo para nos obrigar a casar… Theron a silenciou. definitivamente. e aquilo lhe causou a sensação de que seus ossos estavam se derretendo. – E quanto a Alannis? No silêncio que se seguiu. Atônita. tudo que Isabella conseguia escutar eram os sons do beijo. – Temos de voltar à sua suíte. ele recuou. estava conseguindo exatamente o que desejava. lhe deu um abraço apertado. E então Isabella permitiu que um pouco de felicidade a inundasse como os raios solares que atravessam a janela. Por vários longos segundos. – Ela e a mãe retornarão à Grécia amanhã. não querendo se aprofundar no assunto. O faiscar do diamante contra a luz do sol lhe atraiu o olhar de volta ao anel estonteante que lhe adornava o dedo. . voltou a fixar o olhar em Theron. a proposta de casamento de Theron sempre fora romântica. certa de que ainda se encontrava sonhando em sua suíte. Com um sorriso hesitante. Onde você preferir. não importava a motivação do pedido. As duas mulheres haviam sido muito gentis com ela. – Nós nos casaremos o mais breve possível – disse ele.

mas ergueu a mão que ostentava o anel para que ela pudesse ver. Isabella não conseguiu ver de quem se tratava. Isabella apertou a mão da amiga. Ele precisa apenas de um tempo. Em seguida. e quanto ao amor? Ou ao menos uma razão legítima que date deste século. e ela correu na direção do sofá. Isabella olhou para a amiga e deixou escapar um suspiro. – Está feliz com isto? Isabella sorriu. Sadie projetou a cabeça para dentro. Noivo? Mas Theron estivera noivo por vários dias. vamos voltar para o hotel – disse ele. Theron se casará com Alannis. Primeiro. Isabella fez um gesto sutil com uma das mãos para que a amiga entrasse. Pela forma como o segurança segurava a porta. Um rápido olhar ao redor revelou que Theron não prestava atenção a elas. – E o que ele disse então? E quanto a Alannis? – Não muito. – Será perfeito. que estivera fazendo planos com Theron. Da extremidade oposta da sala de estar de sua suíte. – É que eu estava esperando algo mais. – Parecia tão estranha quando me telefonou. mas tenho de aproveitar qualquer oportunidade que me for dada. mas um instante depois de atendê-la. O dia em que Theron disser “eu te amo” fará valer a pena tudo que aconteceu para chegarmos a esse momento. Reynolds escancarou a porta e lhe dirigiu o olhar. Sadie exibiu uma carranca. Isabella não disse nada. Sim.– Agora. – O que está acontecendo? – perguntou a amiga. tão envolvido se encontrava com os telefonemas. – Sadie Tilton deseja vê-la. que eu poderia estar grávida e que precisávamos nos casar. – Ele a pediu em casamento? – Shh. Reynolds. – E sim… bem… mais ou menos isso. Mas seus olhos se iluminaram tão logo a avistaram. meu Deus! – exclamou Sadie. Isabella sentia a cabeça rodar. – Oh. com o olhar cauteloso. Mas se eu não me casar com ele. tem razão – concordou Sadie. se encaminhou à porta e a abriu. – Ficarei. . E vai além do simples desejo sexual. Falou apenas que havia tirado minha virgindade. Comunicou que nos casaríamos. ele falou com o proprietário do apartamento que ela havia alugado. agarrando a mão de Isabella. Apenas não com ela. mas será. Disso eu tenho certeza. se acabou com este falatório sem sentido. Theron sente algo por mim. e outras coisas que ela não entendia. Ele é tudo que eu sempre quis. onde se encontrava Isabella. e aonde isso me leva? – Tem razão. – Tem certeza de que deseja se casar com um homem por essas razões? Quero dizer. Talvez tivesse esperado que ele parecesse… não sabia dizer. Uma batida à porta interrompeu sua dissertação sobre aqueles telefonemas. Ele não pediu exatamente. Sadie franziu a testa. Agora falava sabia Deus com quem sobre voos e jatos. Você sonhou com isto durante tanto tempo. o ideal seria que ele me amasse agora e que fôssemos nos casar pelas razões certas. Talvez não imediatamente. alguns telefonemas relativos ao trabalho se sucederam. Queria que fosse algo perfeito para você. Theron está ao telefone – murmurou Isabella. – Não serei capaz de fazê-lo se apaixonar por mim se não convivermos um com o outro. rouco. THERON NÃO parecia nem um pouco diferente. Isabella o observava fazer um sem-número de ligações.

como se a estivesse negando. – A amiga sorriu. – Então. Bem… quase. Isabella segurou a mão que ele mantinha entre os corpos de ambos e a guiou ao seu peito. que parecia ter escutado a pergunta. Por um instante. o aluguel. a amiga pereceu surpresa. ele tentou afastá-la. embora aquela não fosse uma pergunta. Não precisava fazer isso. liberando-o. – O que acha de eu pedir a Reynolds que a leve até sua casa? – cochichou Isabella para Sadie. – Isabella voltou o olhar para Theron. Reynolds relanceou o olhar a Theron. em seguida. – Agora que está tudo resolvido. mas ao mesmo tempo. Se fosse uma noiva adequada. Incluindo o fato de ela não ser a mulher que Theron havia escolhido como esposa. Para que eu não tenha de voltar a trabalhar no clube. Lentamente. Os olhos escureceram quando Isabella pousou as mãos em seus joelhos e. – Mas não saia da cidade sem me avisar. escorregando pelo peito de Theron. porque anuiu com um gesto de cabeça e gesticulou com a mão. a escorregando sob o decote da blusa. As duas giraram a cabeça na direção de Theron ao mesmo tempo. fico grata. pela primeira vez desde que ele lhe pusera aquele anel no dedo. Ainda havia o telefone. Mas Bella se limitou a sorrir.Sadie sorriu. Theron cerrou o punho. e começou a lhe desabotoar a camisa de cima para baixo. suponho que também não tenha intermediado meu encontro com Howard – murmurou Sadie. quando perdeu a linha de raciocínio. Como se sentisse os olhos de Isabella fixos nele. De repente. Theron ergueu a cabeça com o fone ainda encostado ao ouvido e a encarou. Instantes depois. – Que diabos está dizendo? – O apartamento. o olhar a queimando com uma intensidade silenciosa. a conta bancária. – Você não providenciou para que meu aluguel fosse pago por um ano? – Nã… não. está bem? Isabella retribuiu o gesto. Isabella fechou a porta e. planos para o hotel. Nada daquilo a interessava tanto quanto a possibilidade de vê-lo nu. Sentindo o corpo enrijecer. finanças. Ele ergueu a cabeça. e ele chegou a se calar por duas vezes. tenho que lhe agradecer. ela o deixaria sozinho e se tornaria invisível enquanto ele conduzia . – Ergueu-se e caminhou na direção de Reynolds. tornou a sorrir. os dois ficaram sozinhos. – Você conseguiu um bom homem. mas quando seguiu o olhar de Isabella. Não que eu esteja pensando que ele fez tudo isso por outra razão que não impedi-la de ir ao clube. blá-blá-blá. tudo que Isabella desejava era que todos se retirassem daquele quarto e os deixassem a sós. montou sobre as coxas musculosas. – Não tenho a menor ideia do que está me contando – respondeu Isabella com voz suave. Isabella fez um movimento negativo com a cabeça e Sadie franziu a testa. – Pode levar Sadie para casa? – perguntou. Bella. A voz de Theron se tornou notoriamente tensa. Envolta naqueles braços fortes seria capaz de esquecer muitas das suas preocupações. enquanto continuava a conversar sobre cifras. ela se encaminhou na direção de Theron. Sadie se inclinou para a frente e lhe deu um abraço apertado. – Ele é um bom homem. – Está bem. que se encontrava sentado à mesa diante da janela. Isabella ergueu um olhar confuso para encarar a amiga.

Isabella soltou uma risada. desabotoando-lhe o zíper da calça. Hum. que caminhava na direção do quarto. Não no que se relacionava a Theron. teria de lhe dar o crédito de ser um homem controlado e duro na queda. confusa. Isabella arqueou uma das sobrancelhas. Os dedos longos lhe roçavam as costas. na altura da cintura. e manteve as mãos acima da cabeça. em seguida. – Dispa-se – sugeriu ele com voz sedutora. sentindo Theron se inclinar para a frente outra vez. – Vire-se de bruços. pethi mou. Um sorriso bailou nos lábios de Isabella. libertando-lhe a masculinidade. juntou-lhe os punhos acima da cabeça. enquanto ele quase rasgava a camisa e a calça para se livrar das peças e jogá-las longe. segurando-os com uma só mão para deixar a outra livre. Isabella o encarou. inclinou-se para a frente e pressionou os lábios no tórax musculoso. ela girou até que o abdome ficasse pressionado no colchão. Sentiu a respiração pesada e a resposta estrangulada que Theron deu a quem quer que estivesse do outro lado da linha. Os dedos longos lhe exploravam a nudez mesmo enquanto ele a instava a se virar. – Gosta dela? – murmurou. – Faça o que estou mandando. mesmo enquanto ele a segurava com força pelos braços e a erguia no colo. Bella. Ela podia ter começado aquilo tudo. Enquanto afastava as lapelas do blazer que ele usava. Uma torrente de palavras em grego escapou pela boca de Theron. Mas Isabella já provara não ser perita em suprimir os próprios desejos. – Terei de expulsá-la do meu escritório se pretende fazer isso quando eu estiver resolvendo assuntos de trabalho. e então ela se deu conta de que ele traçava o contorno de sua tatuagem. soltou-lhe as mãos. ela o ouviu rosnar uma resposta para a pessoa do outro lado da linha e. – Essa não é uma tarefa sua? Theron se inclinou para a frente. Quando concluiu a tarefa. E então começou a lhe desabotoar a blusa. Todo o corpo de Theron enrijeceu e se contraiu quando ela lhe acariciou a ereção igualmente rígida. livrando-a de cada peça de roupa.os negócios. Ignorando o olhar de desaprovação de Theron. Isabella estremeceu diante do tom autoritário. espalmando as mãos sobre seus ombros. e reapareceria depois. Isabella lhe daria mais dois minutos no máximo. Devagar. escorregou das coxas musculosas e prosseguiu sua exploração. Isabella inclinou a cabeça. encarando-a. com movimentos bruscos pela impaciência. o som inconfundível do aparelho contra a parede. Theron estava determinado a concluir. Isabella tentou suprimir um sorriso. – Esta tatuagem tem me deixado enlouquecido desde o primeiro dia em que você entrou em meu . mas ao que parecia. atirando-a sobre a cama. Isabella sorriu. Se ele continuasse a resistir por mais tempo. Em seguida. Mais um minuto. – Theos. o que está tentando fazer comigo? – perguntou ele. Quando seus lábios o tocaram.

Quando sentiu o peso do corpo de Theron relaxar contra o seu. – Onde apenas eu possa apreciá-lo. . Bella mou? – perguntou Theron. ele rolou para o lado e a puxou para o círculo seguro de seus braços. Bella. – Não deveria ter o desenho de uma fada. Os lábios de Theron encontraram os de Bella. desejava mais. e ainda assim. provocante. – Eu o desejo tanto… – Então se apodere de mim. brusco. – Aqui – murmurou. sustentando-o sobre um dos cotovelos para encará-lo. não. depositou um beijo sobre sua espinha. ele a cobriu com o corpo. – Não me provoque. E de repente se encontrava dentro dela. – Onde aprendeu tanta ousadia. sabia? – Desde que nunca decida participar com outro homem – disse ele. Ela sorveu tudo que podia daquele homem. – Ora. segurando-o firme enquanto ele investia dentro dela repetidas vezes. – Acho que pensei que não seria provável que uma pessoa inexperiente pudesse ser tão… – Boa? – perguntou ela. Tenso. Você é o único homem com quem fiz amor. Theron – sussurrou. Queria tudo que ele tivesse a lhe oferecer. Podemos obter experiência sem participação. Isabella deixou escapar uma risada. – Tive ímpetos de atirá-la ao chão e traçar o contorno deste desenho com a língua. – De fato. em seguida. Isabella sorriu. Após um instante. doces e quentes. e sim de um demônio tatuado em você. – O que quer dizer com isto? Com quem teve experiência? Isabella espalmou a mão sobre o peito largo. animada. Isabella se sobressaltou e fechou os olhos quando sentiu a língua quente fazer contato com sua pele. – Afastando-lhe as coxas. Isabella enroscou os braços e as pernas em torno dele. – E onde sugere que eu tatue esse demônio? Os lábios sensuais se curvaram em um meio-sorriso. – Nunca disse que era inexperiente – retrucou Isabella em tom de voz leve. em uma explosão que reverberou no âmago de Isabella. – Por completo. – O que quis dizer com isto? – Você era virgem e ainda assim me seduziu como alguém com vasta experiência. Theron lhe dirigiu um olhar que deixava claro sua reprovação àquela provocação. atingiram o clímax juntos. Theron parecia desconfortável em seu esforço para encontrar a resposta adequada. ele ergueu a cabeça para encará-la. Theron a marcava a fogo com uma trilha úmida em torno da tatuagem e. Isabella ergueu o tronco. – Diga-me que você não é um desses homens que igualam a presença de um hímen à total ignorância da mulher em relação ao sexo. pare com este ataque de testosterona. antes de ele inclinar a cabeça e lhe depositar um beijo sobre os cachos na junção das coxas sedosas. Dessa vez. deixou escapar um suspiro de contentamento. quando ela se aconchegou sob o arco do braço musculoso. – Eu lhe ensinarei tudo que precisa saber. – Não há nada o impedindo de fazê-lo – retrucou Isabella. sentindo os dedos longos lhe acariciarem o ombro.escritório – resmungou ele. preenchendo-a totalmente. Isabella exibiu outro sorriso e rolou para deparar com o olhar ardente de Theron.

– E talvez. então. como discutimos antes. . haverá coisas que eu possa lhe ensinar também. Bella mou. Theron a puxou contra si. fazendo-a colidir com um baque suave e os lábios a milímetros dos dele. Descobrirá que sou um aluno aplicado. fique à vontade para me ensinar. – É mesmo? Está bem.

e não conversamos – disse ela. Theron negou com a cabeça. com certa impaciência. Chrysander é um homem de sorte por tê-la. – Sua mãe o maltratava? – perguntou Isabella. Ela já conseguia avistar as luzes minúsculas no solo. sem rodeios. – Quanto à sua pergunta. pethi mou? – Piers – respondeu ela. Isabella bocejou e anuiu. agora que Chrysander se estabeleceu na ilha. Theron sorriu. mudando de posição no assento. – A expressão de Theron se fechou. tentando afastar a névoa do sono que lhe embotava a mente. – Depois. – Aquele que eu disse que não conheço. está voltando do Rio de Janeiro. Ele sempre pareceu tão… frio. Tem aversão a um envolvimento maior que a duração de um caso passageiro com qualquer mulher. – Então você gosta dela? – quis saber Isabella. – Muito. – Não tem nada a temer – afirmou Theron. – Isso parece… ótimo. – Gostará deles. – Embora faça tanto tempo que não vejo Chrysander que será como vê-lo pela primeira vez também. Neste momento. – Não foi fácil. – Como Marley é? Admito que é difícil imaginar uma mulher capaz de subjugar Chrysander com tanta facilidade. – Estou ansiosa para conhecer Piers oficialmente. – Eles passaram por muitas coisas juntos. Bella mou. – Você não é muito coerente quando acaba de acordar. – Isso não é para Piers. e a recíproca será verdadeira. Como ele é? Theron ergueu uma das sobrancelhas. pegaremos um helicóptero para a ilha. Theron anuiu. tranquilizando-a. – É o que mais viaja de todos nós. é Piers. O que realmente gostaria de perguntar era se a família ESTICOU . – É casado ou comprometido? Theron soltou uma risada. Isabella bocejou outra vez e franziu a testa. Eu o vi apenas uma vez.Capítulo 16 THERON o braço e prendeu o cinto de segurança de Isabella. Marley é boa para o meu irmão. – E Marley? – Isabella questionou à media que o jato particular iniciava a rota descendente. – Você. Suavizou-o na medida certa. onde vem supervisionando a construção de nosso novo hotel. Isabella conseguiu exibir um sorriso tenso. Acho que terei de pensar em um modo de manter essa sua boca ocupada. Piers é… bem. é muito sagaz. – Aterrissaremos em breve – informou ele. – Theron deu de ombros. que ergueu um olhar questionador e sonolento. – A qual está se referindo.

. com semblante severo. Theron apontou para um clarão a distância. – Desculpe. Instantes depois. enquanto subiam a bordo. Em seguida. Theron segurou o braço de Isabella. e Theron se limitou a anuir com um gesto de cabeça. O que achariam de ele estar se casando com outra mulher? Não sabia qual era o pensamento deles. Chrysander a encarou com óbvia surpresa e deixou escapar uma risada. certo? – Ela sorriu quando ele se acomodou ao seu lado. o homem que recolhia as bagagens do helicóptero. como você cresceu. e Isabella mal podia esperar até vê-la em plena luz do dia. esticou o braço e a ajudou a saltar. desembarcavam. – Verei quando voltarmos. junto com o bebê. mas em seguida. e os dois entraram. ele a afastou correndo pela área de pouso de concreto. Mesmo de longe. pouco antes de o jato tocar o solo. até mesmo desde sua formatura – disse ele. Está longe disso. – Marley os aguarda na sala. – Se tivesse pensado melhor. se encontrava parada próxima ao sofá. – Antes que ambos digamos algo que o deixará constrangido. mas queria ver de perto e enterrar os pés na areia.de Theron não teria gostado mais de Alannis. ele a ergueu. A viagem através da escuridão da noite era um pouco desconcertante. E a praia… Podia sentir o cheiro do sal no ar e as ondas estourando a distância. Chrysander soltou uma risada abafada e gesticulou para que os dois passassem. como Theron sem dúvida descobriu. – Como estão minha irmã favorita e meu sobrinho? – Sou sua única irmã – lembrou ela. Chrysander passou pelos dois para orientar. e o piloto gesticulou para Theron quando o desembarque poderia ser feito em segurança. Isabella não pôde evitar o rubor que se espalhou por seu rosto. Isabella permaneceu de bom grado com os dedos entrelaçados nos dele durante todo o tempo em que o avião particular taxiava na pista. você poderia observar a beleza da ilha à luz do dia – disse Theron. na direção do helicóptero que os aguardava. um homem surgiu à porta da frente. Isabella se inclinou sobre o corpo de Theron. na direção dos jardins iluminados que levavam à casa. – Por que não para de procurar o que dizer e nos deixa entrar? – perguntou Theron. O ruído dos motores se avolumou impedindo qualquer conversação. A casa era absolutamente deslumbrante. Quando se aproximaram da entrada. Isabella o reconheceu: Chrysander. teria providenciado para que pernoitássemos no continente. Com a mão pressionada às costas de Isabella para mantê-la inclinada. e Theron a guiava. em grego. mas teriam esperado que Theron se casasse com Alannis por razões financeiras? A mão longa encontrou a dela. o helicóptero baixou no bem iluminado heliporto. Ele sorriu e a fez relaxar a ponto de retribuir o sorriso. Uma mulher pequena. Dessa forma. – Isabella. em um abraço. apressado. Está ansiosa por conhecer Isabella. enquanto a envolvia em um abraço. enquanto se aproximavam da fonte de luz. quando interromperam o abraço. – Obrigada por me fazer parecer uma adolescente que acabou de aposentar o aparelho dentário e os primeiros sutiãs – brincou ela. Theron abriu a porta do helicóptero e saiu com o corpo inclinado para a frente. Com um sorriso largo. Alguns minutos depois. – Theron! – exclamou ela e se encaminhou na direção dos dois. de cabelo escuro e com um cobertor envolvendo algo nos braços. – Em seguida.

Era ruim o suficiente saber que a mulher de Chrysander estava ciente dos motivos por trás de seu noivado. Até mesmo Piers deixou a reserva de lado e entrou na roda de discussões. – E esta deve ser sua futura esposa. Theron não parecia incomodado com o comentário que ela fizera. Marley fazia perguntas genéricas a Isabella. Era de longe o mais alto dos três irmãos. Ela se apressou em baixar os cílios. – Piers já chegou? – Theron franziu a testa. O jantar transcorreu em meio à conversação casual. com uma careta. revirou os olhos e. envolvendo-lhe os ombros com um braço. porém tinha os ombros mais largos que os de Theron. O olhar de uma mulher que sabia ser amada. parecia resignado com sua espontaneidade. como se passasse muito tempo ao sol. O tom da pele também era mais escuro. Os homens nem sequer notaram quando as duas saíram à francesa. como se a estudasse. – Aí está você. O coração de Isabella se derreteu ao detectar o amor nos olhos de Chrysander. Desesperadamente. Marley sorriu. olhando ao redor. sonhadora. e lhe dirigiu o que Isabella suspeitava ser o máximo que ele conseguia se aproximar de um sorriso. como dissera. com a alma refletida no olhar. A expressão de seu rosto era suave quando dirigiu o olhar a Theron. – Fico muito feliz em conhecê-la. – Marley suspirou. – Quase não dormimos por causa dele nas últimas duas semanas. – Ele voltou o olhar a Isabella. enquanto os outros irmãos tinham olhos castanho-dourados. – É linda sob a luz da lua. – Foi trocar de roupa quando ouviu o helicóptero chegando. Era exatamente aquilo que desejava. Deixamos para jantar mais tarde. inclinando a cabeça para o lado. com você e Isabella. chame-me de Bella. – Vamos para a sala de jantar – convidou Marley. – Uma delas. os olhos azuis faiscando de afeto. minha noiva – disse ele. Piers permaneceu calado. Vá comer. Chrysander se posicionou ao lado da mulher. Não queria que mais ninguém soubesse que tramara para entrar vida de Theron. cansada. – Quer que eu o coloque para dormir para que possamos comer? – Como se ele fosse dormir. Espero que possam dormir com o barulho. esperando não ter se traído naquele momento. Por mais de uma vez. E posso dizer o mesmo. Ficarei com ele até que se acalme. em seguida. e a conversa tomou o rumo dos negócios. – Quer fazer uma caminhada na praia? – perguntou Marley. Foi um alívio quando Chrysander voltou a se juntar a eles. Theron. como seus gostos e interesses. Isabella é espirituosa. – Gostei dela. – Estará aqui dentro de alguns minutos – informou Marley. Isabella. um pouco mais magro que Chrysander. Chrysander roçou os lábios na testa da esposa. – Cólica – esclareceu ela. As sobrancelhas de Piers se arquearam diante da aspereza da resposta. entregando o bebê para Chrysander. recusando-se a se esquivar da inevitável estranheza daquela situação. girando na direção dela. mas. e já faz um . quero que conheça Isabella. quando Marley sorriu para o marido. Isabella o surpreendeu a observando como se estivesse dissecando as camadas de sua pele. gesticulou para que ela a seguisse ao deixar a mesa.– Marley. E então Marley fitou Isabella. Marley captou o olhar de Isabella. Os olhos eram escuros. – Por favor. eu diria – disse Isabella. – Não se preocupe. agape mou. Esforçou-se para não suspirar. Naquele momento. quase negros. e depois quero que descanse. um homem de cabelo escuro adentrou a sala. seguindo os diálogos com o olhar enquanto comia.

A lua alta cintilava e refletia um brilho prateado sobre a superfície do mar. – Acho que nunca vi nada tão lindo. observando-as. como se fosse meu pequeno pedaço do paraíso. Em seguida pisou na espuma que se formou. Já basta ele saber que tirei sua inocência. porém. As duas transpuseram as portas de correr. Marley sorriu quando Isabella passou por ela na direção de Theron. confusa. Theron anuiu. divertido. tudo que desejo é uma cama e um travesseiro macio. E como tal. Os lábios sensuais se comprimiram por um instante. achei tudo lindo. com as mãos enfiadas nos bolsos. Os sons do oceano aumentavam à medida que o caminho levava à areia. pethi mou.tempo que Dimitri só dorme lá pelas duas horas da manhã. ela conseguiu relaxar. enquanto ele erguia o olhar para encará-la com expressão indecifrável. – Não entendo. Por que não podemos dividir o mesmo quarto? Estamos noivos. – Minha esposa sempre se refugia nesta praia. mas não quero atrair mais atenção desnecessária para você. Isabella soltou uma risada suave e escorregou uma das mãos pelo braço forte. amando o contato formigante da água em seus pés. – Há determinadas partes de minha anatomia que podem fazer o papel de um bom travesseiro. Bella – chamou Theron. quando transpuseram a porta de entrada. Isabella caminhou até a beirada da areia molhada e esperou que outra onda avançasse. Seria possível? Seria ele capaz de amá-la? Isabella permitiu que ele a guiasse de volta pelo caminho de pedra. Qualquer hora lhe contarei. estamos. – Vamos deixar os dois pombinhos a sós. Agora. me impossibilitando qualquer passeio noturno. Isabella recuou a mão. e Marley a guiou pelo caminho de pedra. Theron a puxou para os braços. Mal posso esperar para ver tudo à luz do dia. E talvez Theron sentisse. na direção da casa. – Venha. desviando o rosto. – Adoraria. O céu estava claro e salpicado de estrelas. – Os dois têm uma história e tanto. . Theron lhe pressionou um beijo nas juntas. instando Isabella a fazer o mesmo. Marley estacou e retirou os sapatos. Ele estendeu a mão quando a viu se aproximar. Isabella sorriu. eu lhe devo o respeito de não anunciar para meu irmão e a esposa nosso relacionamento sexual. – É incrível. Seria mais fácil se Theron fingisse desejar se casar com ela. A mágoa e a humilhação a atingiram direto no peito. Pelo pouco que enxerguei. – Acho que seria melhor permanecermos em quartos separados. Isabella girou para deparar com Theron e o irmão parados. Deve estar cansada da longa viagem. – Oh! É maravilhoso… – Isabella ofegou quando se aproximaram da água. E pela primeira vez desde que chegara à ilha. e Isabella entrelaçou os dedos nos dele. – Sim. – Este é meu lugar favorito no mundo – revelou Marley com voz suave. – Eu lhe disse que a encontraríamos aqui – afirmou Chrysander. – Eles parecem tão apaixonados – comentou ela. Erguendo-os até os lábios. era quase como se sentisse algo além do desejo sexual.

determinada a não expressar nenhuma emoção. Eu sei. – Não fiz isto para magoá-la. mas ainda assim ela conseguiu esboçá-lo. . Em seguida. consequentemente.– Ele sabe? Você contou para Chrysander? Theron pestanejou várias vezes. Girando. Marley sabiam que Theron só estava se casando com ela por seu senso de honradez ultrapassado. – Bella… – chamou Theron quando ela começou a subir os degraus. Então Chrysander e. ela o encarou com coragem. – Eu sei. – Sou eu que devo me sentir envergonhado por isso. – Vou subir para o meu quarto. com serenidade. Não você. Theron. – Presumo que minha bagagem esteja lá. Posso encontrar o caminho. Isabella fechou os olhos e virou o rosto para o lado. Isabella sorriu. surpreso. voltou-se e subiu a escada à procura de seus aposentos. então – disse ela. Um sorriso hesitante e trêmulo.

deleitando-se com o amanhecer. Em seguida. O astro rei. lambendo suavemente a areia e deixando um rastro de espuma em seu encalço. portanto vestiu um short e uma camiseta. tomou uma decisão. Sem saber dizer por quanto tempo se detivera ali. Saiu para o pátio e inspirou o ar salgado e ameno. avistou um enorme tronco de madeira. e os sons do mar a embalavam. como Chrysander definira com humor. Nunca experimentara nada como aquilo. enquanto o mundo ia se tornando dourado ao seu redor. Quando cruzava o caminho acidentado naquela direção ouviu seu nome ser mencionado. esgueirou-se para fora do quarto e cruzou a escuridão do corredor a caminho da escada. e agora amargava a insônia. O que estava dizendo? Olhou rápido por sobre a cerca que se estendia pelo caminho que levava ao muro de contenção que circundava o pátio. Antes de se deitar. Isabella caminhou pela praia. Muito agitada. poderia caminhar pela praia e ver o nascer do sol. coberta por frondosa vegetação. Fechou os olhos por um breve instante e deixou que a brisa lhe soprasse o cabelo do rosto. Havia uma treliça de madeira que garantia a privacidade daquela área. A casa se encontrava silenciosa. O horizonte adotava uma tonalidade lavanda pálida. Soavam… resignadas. Com um suspiro resignado. enquanto Isabella se encaminhava na direção da sala de estar. Os pés estavam cobertos de areia. abrira a janela. Saltou a cerca e correu na direção do muro de contenção. e Isabella estacou à entrada para o caminho de pedra que cruzava o jardim para limpá-los. O céu começava a exibir os matizes do amanhecer na direção leste. Sentou-se desajeitada na madeira envelhecida e observou a beleza do cenário que se descortinava à sua frente. Estariam discutindo o casamento? Deu outro passo à frente. Um olhar ao relógio sobre o criado-mudo revelou que fazia horas que se encontrava deitada. e um sorriso lhe curvou os lábios. imersa na escuridão. Theron estava acordado. Ao que parecia. O ar que penetrava pela janela era ameno. Sem se dar o trabalho de calçar as sandálias. com as mãos entrelaçadas na nuca. deixando que as ondas lhe fustigassem os pés. A certa distância da casa. onde se agachou logo abaixo do ponto em que . ergueu-se e começou a perfazer o caminho em direção à casa. tomou o caminho de pedra que levava à areia. sem conseguir conciliar o sono. Marley e Chrysander também. De nada adiantaria perseguir o sono. jogou as cobertas para o lado e atirou as pernas pela lateral da cama. O mar estava calmo. Estava muito ferida. Era o assento de Marley. Se não fizesse barulho. um diamante contra o veludo ainda escurecido do céu. mas hesitou ao ouvir as palavras que Theron disse a seguir. Vozes soavam a uma curta distância. Podia ouvir sua risada. em seguida. Isabella apurou os ouvidos para escutar a conversa e. Dormira durante a maior parte do voo. Uma onda de excitamento a invadiu.Capítulo 17 ISABELLA CRAVOU o olhar no teto.

Ele não a queria. Seu egoísmo e a forma inconsequente com que perseguia seus objetivos e desejos o privaram da felicidade. sequestrando-lhe a respiração… e as esperanças. Ouvir o modo provocante e explícito com que ela flertara com ele pela boca de outra pessoa fazia aquilo parecer grosseiro e menos intenso do que fora. – Uma mulher e filhos… uma família. Estacou à porta e observou o heliporto por um longo instante. – E quanto a você? – quis saber ele. fechou a porta e se recostou com um baque contra a madeira maciça. Isabella lhe dirigiu um olhar suplicante. E sim a Alannis. cambaleando pela suave inclinação. Bella? – Acho que tenho muito o que consertar – respondeu ela. Isso tudo voou pela janela com uma rapidez que me deixou zonzo. Não há razão para fazer com que Theron se sinta ainda pior. como um golpe certeiro no abdome. Isabella fez uma longa e dura introspecção e não gostou do que viu. Em seguida. E então se seguiu a declaração que a atingiu em cheio. ele ainda se culpava pelo que acontecera. Queria fechar os ouvidos. em um momento de repentina clareza. e despencou no caminho mais curto que circundava os jardins. – Isso me faz lembrar aquela máxima que diz que aqueles que escutam a conversa alheia raramente ouvem elogios à sua pessoa – disse Piers. virou-se para que as costas ficassem pressionadas contra as pedras do muro e se deixou escorregar até se sentar com os joelhos comprimidos contra o peito. soltou-se das mãos que a seguravam e correu pelo jardim. incapaz de aceitar o fato de não poder ter o que mais desejava? E. Isabella se ergueu de um salto. Não passaria ela de uma menina rica e mimada. – E quanto a você. Incapaz de suportar a dor causada por aquelas palavras. Todos sabem. mas não conseguia. O irmão mais novo de Theron a segurou pelos braços e a equilibrou. Não poderia. . Theron não a amava. e ela fizera tudo aquilo que ele revelava. Não queria nem pensar na dor e no desapontamento que a outra mulher havia suportado. Amar alguém não deveria ser tão destrutivo ou ferir tantas pessoas. Seu único consolo era que Theron fazia parecer que ela não fizera aquilo de propósito. como se não tivesse planejado seduzi-lo. O casamento com Alannis. com lágrimas rolando pelo rosto. – Ao que parece. uma vida estável. quase colidindo com Piers. Algo que poderia ser interpretado como compaixão suavizou a expressão severa de Piers. Ela escutou Theron relatar sua confusão entre o desejo que sentia por ela e a vontade de tornar Alannis sua esposa. Quando entrou no próprio quarto. Isabella descansou a cabeça sobre os braços. de angústia e percepção. E por sua causa. ele vira arruinada a chance de ser feliz. uma vida ao lado de uma mulher de quem gostasse. Aquela era a dura verdade. Você já sabe de tudo. – Tem razão – concordou Isabella com um fio de voz. – Não conte a ele que ouvi essa conversa. não ouvem. observando-a com olhar perspicaz. num sussurro. Não.ficava a mesa do desjejum onde eles estavam reunidos. Porque amava Alannis. contornando a casa na direção da entrada dos fundos. Estava com tudo planejado. soube o que tinha de fazer para deixar Theron livre. Entrou. – Eu queria… ter o que você e Marley encontraram – admitiu Theron para o irmão. certificando-se de passar despercebida ao subir os degraus da escada. Enquanto escutava Theron contar em voz baixa toda a história ao irmão e a Marley.

não importava o quanto doesse. – Claro. Agora lhe restava pouco tempo para a conversa que teria com Theron. enfim encontrando coragem para encará-lo. uma lista telefônica ou algo parecido… E depois. Piers franziu a testa. passou direto. Limpando as lágrimas com o dorso de uma das mãos. porque conseguira sorrir e até mesmo soltar risadas. seguindo para o caminho de pedra. dessa vez. parecia zombar dela com sua serenidade enganosa. que nunca maculavam a superfície impecável que refletia a luz do sol. dirigindo-lhe um olhar inquisitivo. antes que o helicóptero chegasse para buscá-la. as mãos fortes se fecharam sobre seus ombros. Isabella não conseguiu conter um suspiro de alívio. O mais importante era não deixar que Theron soubesse que ela havia escutado aquela conversa. Por que não caminhamos na praia? – sugeriu Theron. se encaminhou à bagagem que se encontrava no quarto e pegou sua bolsa. mas Isabella o evitou. entregou-se ao pranto. Baixando a cabeça. Quando a culpa era toda dela. permitiu que as lágrimas lhe escorressem pelo rosto e caíssem no piso. precisava falar com Theron. A desonra. A pior parte seria fingir que não ouvira uma palavra do que ele dissera. Isabella evitou a mão que ele lhe estendeu. Quando a refeição foi concluída. Em vez disso. Tarefa nada fácil ali naquela ilha. Sob aquela superfície. Mesmo se sentindo despedaçada por dentro. Mas dessa vez. Bella mou? – perguntou ele com aquele timbre grave. pedindo desculpas com olhar para os demais. com os pés imersos na areia. se decidisse retomar seus planos de viajar para a Europa. deviam existir coisas horripilantes. erguendo-se da mesa. Theron não lhe pertence. Isabella girou no círculo dos braços musculosos. não conseguiu acalmá-la. Tinha de descobrir uma forma de consertar aquela confusão. perscrutadores e penetrantes. ISABELLA VERIFICOU as horas no relógio de pulso. Em seguida. enquanto Marley lavava os pratos. de preferência que não constasse da folha de pagamento de Chrysander. enquanto se erguia. Ao contrário. Merecia um Oscar por sua atuação. Insistira para fazer a coisa certa… de acordo com seus conceitos. o quanto lhe despedaçasse o coração. pethi mou. – O que há de errado.O que Theron lhe dissera? Que fora infiel? Era ele que estava suportando o fardo de suas ações. seria ela a fazer a coisa certa. precisava encontrar um serviço de helicópteros. Criaturas que nunca viam a luz. Quando Isabella estacou. O belo tom de azul brilhante que se estendia na direção da linha do horizonte a atormentava. após um almoço frugal servido no pátio. – Theron – disse ela. Piers a observara. – Pareceu triste durante todo o dia. Por um instante. Isabella sabia que aquela era a verdade. em um país do qual desconhecia o idioma. determinada a se recompor. Não importava que aqueles planos houvessem sido feitos para se aproximar de Theron e abandonados quando soube que ele se estabeleceria em Nova York. Sophia lhe entregara um cartão de visitas com seu endereço e telefone quando a convidara a visitá-la na Grécia. Como se seu coração não estivesse partido. Provavelmente Chrysander tinha internet em seu escritório. além de responder quando a palavra lhe era dirigida. Aquele único pensamento ecoava e fervilhava em sua mente. mas em seguida voltou a erguer a cabeça. . que. Aquilo o faria amargar um enorme sentimento de culpa. os olhos a procurando com frequência. – Poderíamos conversar? Em particular – acrescentou. Theron a seguiu até o mar. Teria de sorrir e agir como se não houvesse nada de errado.

.– Há algumas coisas que preciso lhe dizer. Planejei acabar com sua festa de noivado. meu amor crescia. raiva. girando outra vez para ficar de frente para ele. E então Theron se virou para encará-la. e inventei uma série de outras razões que me possibilitassem ficar em contato com você. – A única razão que me levou a planejar minha viagem a Londres neste verão foi pensar que você se encontrava lá. e não serei capaz de lhe contar tudo se começar a fazer perguntas. Os lábios de Theron se comprimiram até formarem uma linha fina. mas não amor. Isabella sustentou o olhar de Theron. Ele me seguiu até o hotel debaixo de chuva quando saí correndo a pé pelas ruas da cidade para tentar impedi-lo de pedir Alannis em casamento. Theron permaneceu imóvel. optando por alugar um apartamento que nem mesmo queria. com as mãos enfiadas nos bolsos da calça. Deixe-me concluir. Theron anuiu com um gesto de cabeça. e eu sabia que se sentia culpado por achar que havia me desonrado. mas cada vez que o via. Theron respirou fundo e entreabriu os lábios outra vez. porque no final eu conseguiria o que mais desejava: você. esmagando-lhe as esperanças. Nunca amor. mas estava determinada a ter uma chance de fazê-lo me amar. No dia seguinte. Apenas o brilho nos olhos castanho-dourados revelava o que ele devia estar pensando. Essa foi a razão pela qual Marcus estava em meu quarto. portanto. E sinto muito. mas cheguei atrasada. até que soube que tinha de tentar. Deixei que dissesse todas aquelas coisas. Movendose com rapidez. – Você não me ama – prosseguiu ela em um tom de voz surpreendentemente firme. mas Isabella parecia tão atordoada que ele tornou a fechá-los. Pensei que fosse apenas uma empolgação passageira. No entanto ela o silenciou rapidamente. antes que ele pudesse esboçar reação. fizemos amor em minha suíte. mas as deixara escapar como uma súplica das profundezes de sua alma. Boquiaberto. Isabella pretendia que as palavras soassem como uma pergunta. mudei meus planos. apesar do calor do sol contra sua pele. – Quando cheguei a Nova York e soube que você havia se estabelecido lá. eu o amei desde minha infância. concordei. mesmo com as lágrimas lhe escorrendo pelo rosto. disse-me que tínhamos de nos casar. – Por favor. – Sabe. sem nunca nos dar uma chance. Há muito a dizer. Havia uma miríade de emoções refletidas naqueles olhos dourados. não diga nada. e ele desviou o rosto para o oceano. Seguiu-se um silêncio pesado entre os dois. – Mas eu estava errada. Hesitante. Theron lhe dirigiu um olhar confuso. mas depois você apareceu no clube de striptease e. – Isabella esfregou as mãos nos próprios braços. em seguida. – Sabia que pretendia pedir Alannis em casamento. erguendo uma das mãos. Eu estava determinada a tentar seduzi-lo para afastá-lo dela. Confusão. – Eu o persegui incansavelmente. Sabia que você não me amava. Estraguei tudo entre você e Alannis. Isabella se inclinou para a frente e lhe depositou um beijo no rosto. Não poderia viver minha vida afastada do meu próprio sonho. os soluços silenciosos lhe sacudindo os ombros. que planejava construir sua vida ao lado de outra mulher. A expressão de Theron se tornou séria. – De que se trata? Isabella se soltou e deu um passo adiante. – Pensei que o havia perdido. – Isabella inspirou profundamente para se recompor.

– Isabella! – gritou ele também. Logo o helicóptero viria buscá-la. à soleira da porta que dava para os fundos da casa além da piscina.– Espero que um dia possa me perdoar. com um último olhar à casa. Sem dizer mais nada. Isabella a recolheu e. – Bella! Bella! – gritou Theron às suas costas. e o colocou na palma da mão de Theron. Mas ela passou correndo por Chrysander no início do caminho de pedra. na direção do heliporto. Retirou o anel do dedo. A bagagem se encontrava onde ela a deixara. saiu correndo de volta para a casa. Engolindo em seco um soluço que emergiu de sua garganta. . ignorando as mãos que ele esticou para ampará-la. saiu correndo para esperar por seu voo. ela entrou na casa.

Capítulo 18 THERON OLHOU para o anel que se encontrava na palma de sua mão e em seguida para Isabella. descendo o caminho de pedra em sua direção. – Ela acabou de me contar a história mais estapafúrdia do mundo. que corria na direção da casa. ainda tentando digerir tudo que ela lhe dissera. as compras. – Ela me devolveu o anel de noivado. Theron inclinou a cabeça para o lado. – Isabella parecia muito aborrecida – disse Chrysander. Aquilo lhe parecia muito errado. Chrysander sorriu. Parecia tão implausível. A provocação ousada. – E eu tenho de escutar uma coisa dessas! Theron contou resumidamente toda a história a Chrysander. Chrysander permaneceu em silêncio por um instante. desde o dia em que Isabella adentrara seu escritório. Chrysander não conteve uma risada. Dessa vez. surpreso. Theron cerrou o punho em torno da joia. Tudo parecia claro. antes de balançá-la em um gesto negativo. – Importa-se de me contar? Theron abriu a mão para ver o anel ainda pousado em sua palma. Teria ela o amado por tanto tempo? Aquilo lhe parecia impossível. – Algum problema? – Eu diria que sim – murmurou Theron. está furioso? – perguntou por fim. – Afirmou que a única razão que a levou a planejar uma viagem à Inglaterra foi pensar que eu ainda vivia naquela cidade. Ela deveria estar radiante de felicidade. – Ela disse que me ama desde criança – revelou Theron arrastando as palavras. Theron lhe dirigiu um olhar estranho. Nem ao menos sei o que fazer com toda essa informação. e não o fitando com lágrimas lhe escorrendo pelo rosto. O irmão estacou diante dele. Não conseguia entender tudo que ela acabara de admitir. – Ergueu o olhar para o irmão. – Isso não é tudo. – Então. – Furioso? . agora de posse da informação do que ela planejava. – E que só foi para Nova York porque eu estava lá. a procura pelo apartamento. Viu Chrysander se aproximar. Deveria estar no dedo de Isabella. Foi ela quem me seduziu. – Disse o motivo? Até mesmo um idiota com metade do cérebro perceberia que Isabella é louca por você. Theron anuiu. Chrysander arqueou as sobrancelhas. – Isabella parece uma jovem determinada.

o caminho mais curto até o heliporto. quando Piers partisse. – Tola. sentiu o sangue congelar nas veias. Mas ela nem ao menos se voltou. – Não se trata de um dos nossos – afirmou Chrysander. quer isso o agrade ou não. as portas se fecharem e. – Meu Deus. – Tenho de descobrir para onde ela foi. para o piloto. – O próximo chegaria amanhã. Consegue me enlouquecer. – Theron retornava à casa. Mesmo antes de terem visão plena daquela área. enquanto Theron se encontrava paralisado. com Chrysander em seu encalço. Isabella ilumina qualquer ambiente em que esteja. quando a perfeição estava diante de mim o tempo todo. impotente. Theron franziu a testa e fechou os dedos em torno do anel. – Durante todo esse tempo. Ela poderia ter qualquer homem que desejasse. e Theron disparou na frente dele. com Theron logo atrás. que lhe envolvia os ombros . – Isabella não me impediu. – Acho que isso define bem seu estado. – Muito bem. ganhando altura e se dirigindo ao continente. Mas ela me quer. Observou. quando chegou à margem de concreto da pista. quando Chrysander estacou. viram o helicóptero aterrissar. virando à esquerda para contornar os jardins. certo? Nada como encontrar o amor de uma boa mulher. E Isabella o impediu. e Isabella não estava presente no momento em que tomei essa decisão. Mas quando viraram a curva e Theron avistou Isabella parada diante da porta do helicóptero. Chrysander. Encontrava-se no meio do trajeto até a residência. Theron girou para se deparar com a expressão confusa do irmão. tem uma jovem transtornada que parece determinada a fazer o que julga ser melhor para você. como está se sentindo? – Lisonjeado? Perplexo? Completa e definitivamente confuso? Chrysander sorriu. cabeça-dura… – Theron seguiu pisando duro pelo caminho de pedra. A preocupação do irmão o contaminou. – O suficiente para deixá-lo de joelhos. escoltada por Piers. Marley surgiu à porta dos fundos. Chrysander sorriu. Theron apurou os ouvidos. em seguida. que se abria. Theron fez um movimento negativo com a cabeça. Chrysander xingou. disparando naquela direção. – Eu a amo – sussurrou Theron. distinguiu o ruído inconfundível de um helicóptero se aproximando. A distância. em me casar e formar uma família perfeita. – Isabella! – gritou ele. frenético. Não pedi Alannis em casamento. – Está ouvindo isto? – perguntou Chrysander. austero. Chrysander gesticulou. tentando alcançála a tempo. Mais adiante.– Você queria se casar com Alannis. Os dois saíram correndo pelo caminho. Foi uma opção minha. Elas são capazes de nos fazer perder a cabeça. – Você chamou o helicóptero? Chrysander negou com a cabeça. Absoluta e completamente. – Por que está me dizendo tudo isto? Ao que parece. ela é maravilhosa. estive focado no desejo de ter uma esposa e filhos. a aeronave se ergueu no ar. Não poderia ouvi-lo acima do ruído das hélices.

com um braço protetor.
– O que está havendo? – indagou o irmão caçula.
Theron passou por ele e Marley, enquanto Chrysander ficou para trás. Em seguida, subiu a escada
correndo na direção do quarto de Isabella, apenas para descobrir que a bagagem que ela trouxera não
se encontrava mais lá. Não havia nenhum bilhete, nenhuma pista de seu destino.
Ele correu de volta para o andar térreo e se juntou aos outros na sala de estar. Chrysander, ao
telefone, tentava descobrir o serviço de helicópteros que ela utilizara e encontrar um jeito de detê-la
assim que aterrissasse.
Piers se aproximou de Theron com expressão fechada.
– Há algo que deve saber.
Theron lhe dirigiu um olhar questionador.
– O que é?
– Esta manhã, Isabella estava na praia, bem cedo. Eu a encontrei do outro lado do pátio,
visivelmente perturbada com algo que escutou durante a conversa que você teve com Chrysander e
Marley. Suplicou para que eu não lhe dissesse nada. Alegou que não queria que você se sentisse
ainda pior.
Theron fechou os olhos; recordava-se de ter detalhado todos os seus desejos. Quando o que de fato
desejava estivera bem diante de seu nariz o tempo todo.
– Sou um completo idiota – resmungou ele.
– Quanto a isso não há argumentos. – Piers esboçou um sorriso oblíquo. – A pergunta é: o que fará
para tê-la de volta?
ISABELLA NÃO levara em consideração as repercussões de pousar em um helicóptero em uma
propriedade que parecia pertencer a uma família grega extremamente rica. Tão logo a aeronave tocou
o solo, foram cercados por uma dúzia de seguranças. Todos armados.
Talvez aquela não tivesse sido uma das suas melhores ideias.
A porta se escancarou, e Isabella se viu diante da expressão severa de um dos homens armados.
Ele rosnou algo em grego, o que a fez encará-lo com expressão confusa.
– Não falo grego – disse ela.
– O que você quer? O que a trouxe aqui? – perguntou o homem com um forte sotaque inglês.
Isabella respirou fundo e tentou ignorar o cano do revólver que se encontrava próximo ao seu
nariz.
– Estou aqui para ver Alannis Gianopolous. É um assunto importante.
– Seu nome – exigiu o segurança.
– Isabella Caplan.
O homem ergueu um pequeno fio e derramou uma torrente de palavras gregas no que ela presumiu
ser um microfone. Instantes depois, baixou o revólver e deu um passo atrás.
– Por aqui, por favor, srta. Caplan.
O homem até mesmo estendeu uma das mãos para ajudá-la a descer. Momentos depois, ela era
escoltada à propriedade palaciana, que ficava situada em um desfiladeiro que dava vista para o
oceano. Em outras circunstâncias, Isabella teria dedicado um instante a invejar um lugar tão
deslumbrante.
– Isabella, minha querida! – exclamou Sophia tão logo ela penetrou na suntuosa mansão. A senhora
a envolveu nos braços e lhe beijou as duas bochechas. – O que, em nome de Deus, faz aqui? E onde
está Theron?

Isabella baixou o olhar por um instante e voltou a erguê-lo para encará-la.
– Preciso conversar com Alannis. É muito importante.
Sophia franziu a testa de leve, preocupada.
– Claro. Está tudo bem?
Isabella exibiu um sorriso trêmulo.
– Não, mas ficará.
– Espere aqui. Vou chamar Alannis – disse Sophia.
Isabella caminhou na direção da ampla janela de vidro que descortinava o precipício que levava
ao oceano. Alannis morava em um lugar perfeito. Próximo a Chrysander e Marley. Todos podiam
formar uma família numerosa e feliz depois que Alannis se casasse com Theron.
– Isabella? – a voz suave de Alannis encheu a sala.
Girando, Bella deparou com a jovem a olhando com expressão obviamente confusa.
– Mamãe disse que você queria me ver.
Armando-se de coragem, Isabella cruzou a sala e estacou diante de Alannis.
– Vim aqui para me desculpar e consertar um erro.
As linhas que vincavam a testa de Alannis se aprofundaram.
– Não estou entendendo.
Isabella respirou fundo.
– Tramei para separar você e Theron. Sabia que ele queria se casar com você, mas eu sempre o
amei e o queria. Nunca parei para pensar no que ele queria ou se eu estava causando o sofrimento de
duas pessoas durante o processo. Você e ele.
– Mas… – começou Alannis.
– Ele quer se casar com você – prosseguiu Isabella, interrompendo-a. – É você que ele quer. Vá
ao encontro dele, Alannis. O helicóptero a está esperando para levá-la até a ilha. Theron ficará feliz
em vê-la. Terminei tudo com ele e lhe devolvi o anel de noivado. Certifique-se de que ele lhe dê um
outro. Você merece um novo começo. Um que não seja maculado por mim. Obrigue Theron a fazer
tudo da maneira certa, com toda a pompa e romance que você merece. – Lágrimas banharam os olhos
de Isabella mais uma vez. – Desculpe-me por tê-la feito sofrer. Espero que sejam felizes. – E se
virou para deixar a casa.
– Espere! – gritou Alannis. – Você não entende…
Tudo que Isabella entendia era que se não saísse dali naquele segundo iria se despedaçar.
Esperava ao menos que o táxi a estivesse aguardando, como providenciara.
– Por favor, mostre-me a saída – pediu com voz estrangulada ao segurança que a acompanhara até
ali. – Há um táxi me aguardando na porta da frente.
Tão logo o segurança abriu a porta, Isabella disparou pelo caminho que levava ao portão de ferro
forjado, que se abriu automaticamente quando ela se aproximou. Para seu alívio, o táxi a aguardava
na rua.
– Para o aeroporto – disse ela ao entrar.
Quando o veículo se pôs em movimento, Isabella viu Alannis gesticulando para que ela esperasse,
mas a ignorou e virou o rosto para o outro lado.
Nunca ninguém lhe dissera que fazer a coisa certa era tão doloroso.
– QUANTO TEMPO levará para que o maldito piloto chegue aqui? – perguntou Theron, escorregando
uma das mãos pelo cabelo, pela décima vez em uma hora.
A frustração o sufocava. Estava preso naquela ilha, até que o piloto de Chrysander chegasse.

Finalmente, agora o homem estava a caminho.
Chrysander pousou o fone e se virou na direção dele.
– O piloto de Isabella a levou à propriedade dos Gianopolous.
Theron o encarou, confuso.
– Por que diabos ela foi visitar Alannis? Não tinha ideia de que ela sabia onde os Gianopolous
moravam.
– Ela está tentando consertar as coisas – interveio Marley com voz suave. – Primeiro com você, e
agora com Alannis.
Theron pegou seu celular para conseguir o número de Alannis. Se pudesse contatá-la antes de
Isabella partir, poderia fazer com que a detivessem até que ele chegasse.
Chrysander lhe entregou seu telefone, e Theron digitou os números. Segundos depois, Sophia
atendeu.
– Graças a Deus! Isabella esteve aí? O quê? Ela partiu em um táxi?
Sophia o informou para onde Bella estava se dirigindo, e ele desligou logo depois, falando para
Chrysander:
– E agora, onde está seu maldito piloto?!
ERA IMPOSSÍVEL comprar uma passagem para deixar o país de imediato. Todos os voos que partiriam
da Grécia nas próximas horas estavam lotados. Por fim, Isabella se encaminhou ao balcão dos voos
charter e apresentou seu cartão de crédito, que ela esperava ser de fato um platinum, como estava
escrito nele, e alugou um jato particular para levá-la até Londres.
Ao menos agora estava a bordo, aguardando que o jato fosse abastecido e rumasse para a fila de
decolagem. A exaustão parecia lhe triturar os ossos. A noite insone somada ao desgaste emocional
daquele dia haviam lhe sequestrado as forças.
Recostou-se no assento e fechou os olhos. Ouviu um farfalhar a distância e supôs ser o piloto.
Porém, em seguida, sentiu o contato de lábios macios contra os seus e abriu os olhos.
Theron afastou a cabeça e lhe segurou o rosto com ambas as mãos, enquanto ela o encarava,
atônita. Ele parecia… bem, ele parecia um trapo. As roupas estavam empoeiradas e amarfanhadas, o
cabelo, despenteado, e os olhos dourados faiscavam com o fogo que refletiam.
Antes que Isabella pudesse dizer qualquer coisa, ele a beijou outra vez, esquecendo a gentileza
anterior. Puxou-a contra si, violando-lhe a boca até deixá-la sem ar.
Em seguida, afastou-se e resmungou uma ordem em grego na direção da cabine de comando. Para a
contínua surpresa de Isabella, o jato se pôs em movimento, com Theron dentro.
– Espere! – protestou ela. – Este jato está indo para Londres. Não pode ficar aqui. E quanto a
Alannis? E sua família?
Theron a ergueu do assento nos braços, se encaminhou ao sofá e se sentou com ela em seu colo.
– Não deveríamos estar em nossos assentos com os cintos de segurança atados até levantarmos
voo? – perguntou ela, atordoada, ainda incapaz de entender a presença de Theron naquele jato.
– Eu a segurarei se houver uma inesperada turbulência – garantiu ele, com voz sedosa. – Agora
que você não pode fugir para nenhum lugar e a tenho toda para mim, terá de ouvir atentamente cada
palavra que vou lhe dizer.
Os olhos verdes se arregalaram, e Isabella se viu boquiaberta. Theron lhe traçou o contornou dos
lábios carnudos, antes de substituir os dedos pela própria boca.
– Mulher tola, impetuosa, linda e frustrante – murmurou ele. – Se pensa que se livrará de mim
depois de me fisgar e prender, está muito enganada, Bella mou.

E então. enquanto lhe sustentava o olhar. Mas já havia colocado meu plano em relação a Alannis em ação. girou a cabeça para que pudesse lhe pressionar um beijo na palma da mão. . Tudo que eu desejava era você. Theron sorriu e lhe tocou o rosto. mesmo sabendo que não quero ter filhos de imediato? – Tenho a impressão de que me manterá muito ocupado para pensar em filhos tão cedo – respondeu ele com um sorriso divertido estampado no rosto. Em seguida. Lutei contra a atração que sentia por você porque tinha que desempenhar o papel de seu tutor. – Temos todo o tempo do mundo. enfeitiçada. nos dela. Quer se casar comigo e me transformar no homem mais feliz do mundo? Theron escorregou o anel de volta em seu dedo anular. apaixonado por ela? – Isabella fechou os olhos e sacudiu a cabeça. – Não a pediu em casamento? – grasniu ela. ajoelhou-se diante dela e lhe segurou a mão. Em seguida se inclinou e lhe beijou a junta dos dedos. Vi sua tatuagem e enlouqueci. Por um instante. – Nunca teria feito amor com você se pertencesse a outra mulher. – Quer se casar comigo. Sou seu desde o dia em que entrou em meu escritório. – Este anel nunca pertenceu a outra mulher. Apenas me prometa que os teremos juntos. Isabella parecia perplexa. Theron girou o corpo. através do nó que lhe apertava a garganta. minha linda Isabella. estava ansiosa para que eu a encontrasse e colocasse este anel de volta em seu dedo. Eu o escolhi para você. – Eu te amo. e não ficar pensando em uma forma de despi-la. Isabella tinha certeza de que seu sorriso seria capaz de iluminar todo o universo. Ela o observava. uma família. Tudo que eu sempre quis. Nunca pedi Alannis em casamento. quentes. Acho que soube disso no primeiro dia em que entrou no meu escritório. certa de que sonhava. amarga. sentando-a sobre o sofá. pelo qual ansiava e esperava encontrar estava bem diante de mim. Em seguida se inclinou e a beijou mais uma vez. Theron a encarou com expressão séria. – Eu também te amo – sussurrou ela. Ele fechou os olhos e inclinou o rosto para sorver mais daquele toque. e ele lhe ergueu o queixo com uma das mãos.A esperança aflorou. Tive ímpetos de arrancar cada peça de roupa de seu corpo para poder vê-la sem barreiras. Jamais coloquei um anel no dedo de Alannis. Tudo estava planejado. Pretendia pedir Alannis em casamento na noite da festa. e aquele que pretendia dar a ela foi substituído por este. Alannis não está apaixonada por mim. – Como é generosa. Havia até mesmo comprado o anel de noivado. Em seguida. – Mas eu ouvi o que disse a Chrysander sobre desejar o que ele e Marley possuem. – O que desejo é você. – Estou apaixonado por você – respondeu ele. – Case-se comigo. Bella. – Ela não está? Você não está? Quero dizer. Na verdade. a expressão de Theron se tornou séria. sem saber o que dizer. Isabella ergueu a mão trêmula e lhe tocou a lateral do rosto com a palma. – Apenas você. Um turbilhão de pensamentos lhe cruzava a mente. Não me encaixo em nenhum lugar – afirmou. agape mou. pethi mou. hesitante. meu precioso amor. Não consigo imaginar minha vida sem você. Mas só o que conseguia ver na minha frente era você. provocando um tamborilar suave no peito de Isabella. uma esposa. Eu a adoro. – Muito. com incrível suavidade. Os lábios se colando. Você virou meu mundo de cabeça para baixo e nunca mais voltou a colocá-lo no lugar.

então você já… é a época do… – Não – retrucou Isabella com uma risada breve. com o coração se tornando mais leve a cada respiração. eu me casarei com você. enquanto Theron a carregava para o pequeno quarto nos fundos do avião. já que chegamos a um acordo. – Sim. – Sua pequena feiticeira. por que não fazemos amor nas alturas? – Ele a fitava com devassidão. Eu te amo tanto! Theron se levantou e a ergueu nos braços. – Sim o quê. Isabella sorriu. – Estou usando um método contraceptivo. sussurraram seu amor um para o outro incessantemente. Theron franziu a testa e fingiu um olhar furioso. E quando os dois uniram seus corpos e almas. sem conseguir disfarçar o nervosismo. pethi mou? – Sim. – Se for capaz de perdoar minhas ações idiotas e o fato de não ter feito um pedido de casamento romântico antes. Ficará muito aborrecida se estiver? Isabella sorriu. linha e rede. – Ela lhe envolveu o pescoço com os braços. Theron soltou uma risada. o coração flutuando com a doce e inegável felicidade. – Bem. Isabella pestanejou várias vezes quando se deu conta de que havia perdido toda a decolagem. .– Você pode estar grávida. – Não estou grávida. – Está aborrecido porque não lhe contei quando me disse que tínhamos de nos casar? – perguntou Isabella. então serei capaz de perdoá-la por efetivamente me capturar com anzol. – Oh.

Epílogo OS NOIVOS compareceram descalços à cerimônia de casamento. Theron recuou enquanto ela desabotoava a sarongue e o desenrolava do corpo. Bella. E então ele esticou a mão para Isabella e a puxou na sua direção. que Theron se incumbira de pintar em uma noite quente de sexo. e Isabella se tornou sua. Uma atmosfera festiva gravitava no ambiente. – Lembra-se de ter me dito que eu deveria fazer outra tatuagem? – perguntou ela com um brilho malicioso no olhar. o doce contra o salgado. a sedosidade contra a aspereza. Um nó incômodo parecia lhe fechar a garganta ao recitar seus votos para Isabella. Simplesmente não conseguia se furtar a beijá-la. Sophia e Alannis se divertiram muito ensinando a Marley e Isabella as danças gregas tradicionais. Por fim. Theron podia até mesmo perceber o brilho das lágrimas nos olhos das mulheres. Intrigado. ostentavam um rosa brilhante. Não importava que os votos ainda não tivessem sido feitos e que o padre limpasse a garganta de maneira audível. foram declarados marido e mulher. O traje da noiva se resumia à parte superior de um biquíni e um sarongue que flutuava delicadamente por suas pernas. A beleza inigualável de Isabella lhe fazia o peito doer. Piers se encontrava ao seu lado esquerdo. diga-me que não entrou em um desses estúdios de tatuagem sozinha e . – Você não fez isso. enquanto Chrysander levava Isabella até ele. Mais tarde. Houve muita dança na praia e. Os olhos dourados se fixaram no diamante em forma de lágrima que adornava o umbigo de sua noiva. enquanto os homens as observaram com sorrisos indulgentes. mais tarde. Theron percebeu lágrimas nos olhos da noiva. o helicóptero veio buscar os noivos para a suíte nupcial que Theron providenciara. Quando por fim ele interrompeu aquele contato para que o padre pudesse dar prosseguimento à cerimônia. Alannis e Sophia se postavam do lado da noiva. Um chalé localizado em um desfiladeiro que dava vista para o mar. que ele havia comprado e se deleitado em colocar. As unhas dos pés. Isabella sussurrou que tinha um último presente de casamento para lhe dar. As palavras carregadas pela brisa soavam firmes e claras. junto de Marley. Quando ele a carregou para a cama. Theron sabia que seu nome estava gravado na placa prateada. Theron aguardava ao lado do padre. A tornozeleira captava a luz do sol e faiscava. na praia da Ilha Anetakis. Os lábios dos dois se encontraram com ansiedade ardente. Destinado apenas a ele. Mas o que lhe sequestrou o ar dos pulmões foi o sorriso radiante que ela exibia. depois de ter retornado à ilha para assistir ao casamento. e todos exibiam sorrisos largos. todos se reuniram nos jardins. Theron franziu a testa.

Theron xingou em grego. antes de descer a boca mais para baixo. exatamente no centro. um anjo segurava um tridente. Isabella encaixou os polegares nas laterais da parte de baixo do biquíni e o desceu. Em seguida se inclinou e roçou os lábios ao desenho. . Isabella soltou uma risada. – Ele fez um pequeno discurso quando entrou lá. Theron não pôde conter uma risada abafada. exasperdo. – Não fui sozinha. Lá. incrédulo. Marley me acompanhou. em linha reta abaixo do piercing do umbigo. logo acima da junção das pernas. – Minha diabinha angelical – disse ele. atrás de nós.suportou a dor de fazer outra tatuagem. – E Chrysander sabe disso? – Theron meneou a cabeça.

Vera. II. 14-12591 CDD: 813 CDU: 821. Proibidos a reprodução. Todos os personagens desta obra são fictícios. RJ — 20921-380 Contato: virginia. . ed.1.com. Rio de Janeiro. Rua Argentina. Livros eletrônicos. Maya Rebeldia [recurso eletrônico] / Maya Banks.CIP-BRASIL. 2014. Vasconcellos.Rio de Janeiro: Harlequin. 2. RJ B17r Banks. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS. tradução Vera Vasconcellos.rivera@harlequinbooks.br . 171.A.111(73)-3 PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM HARLEQUIN BOOKS S. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. no todo ou em parte. 4º andar São Cristóvão. Romance americano. . Título. recurso digital Tradução de: The tycoon's rebel bride Formato: ePub Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web ISBN 978853981566-1 (recurso eletrônico) 1. Todos os direitos reservados. o armazenamento ou a transmissão. I. Título original: THE TYCOON’S REBEL BRIDE Copyright © 2009 by Sharon Long Originalmente publicado em 2009 por Silhouette Desire Arte-final de capa: Isabelle Paiva Produção do arquivo ePub: Ranna Studio Editora HR Ltda.

Capa Querida leitora Rosto Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Capítulo 18 Epílogo Créditos .

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