Querida leitora,
Quantas vezes na vida pensamos que estamos no rumo certo, que sabemos exatamente o que
queremos e tomando todas as providências para concretizar o plano? Nós nos sentimos confortáveis
e seguros. Mas e se descobrirmos que não era nada disso que queríamos assim que o objetivo é
alcançado?
Esse é o dilema contra o qual Theron Anetakis se debate em Rebeldia. Ele está pronto para criar
raízes, começar uma família, se casar com a mulher equilibrada e apaziguadora que escolheu para ser
sua esposa. Até Isabella Caplan irromper com a força de um tornado em sua vida meticulosamente
ordenada!
Ela dá um jeito de anarquizar com os planos de Theron, e o pior, faz com que ele se questione se
era aquilo mesmo o que queria. Assim, ensina para ele uma das lições mais importantes: buscar o
que realmente desejamos, e nunca nos contentarmos com menos.
Espero que goste da história de Bella e Theron tanto quanto amei escrevê-la. É um romance
cravejado de emoções, porém, o mais importante, é que fala sobre um amor profundo e eterno.
Tomara que você suspire a cada página nessa jornada a um final feliz.
Boa leitura!
Maya Banks

REBELDIA
Tradução
Vera Vasconcellos

2014

Theron não perdeu tempo com saudações. mensagens e e-mails. Ao chegar de Londres. – Isabella? – Não havia dúvidas quanto à surpresa na voz de Chrysander. Após a descoberta de que um dos membros da equipe da empresa estava vendendo os projetos de um hotel da Anetakis para um concorrente. a esposa de Chrysander. e que se formou com sucesso. mas tinha esperança de que ele atendesse antes que isso acontecesse. – Seus lábios se contraíram em uma expressão desgostosa. responsável e – o mais importante – leal. por fim. que se encontrava ao lado de seu pé.Capítulo 1 THERON ANETAKIS separava em pilhas a montanha de papéis de trabalho que a secretária deixara sobre sua mesa para que ele analisasse. impaciente. Theron e os irmãos fizeram uma faxina corporativa e reformaram o quadro de funcionários. Linhas profundas lhe vincavam a testa ao esticar a outra mão para o telefone. Assumir os escritórios de Nova York não fora um processo tranquilo. Chrysander não seria infiel a Marley. Mas. – Quem diabos é Isabella? – perguntou. – Theos. – Diga-me apenas o que preciso saber para me livrar dela – acrescentou Theron. contratos. Essa mulher não é muito nova para estar envolvida com você? . Outras tinham como destino a lata de lixo. digitou o número e esperou. Sentiu uma pontada de remorso pela probabilidade de acordar Marley. O que quer que aquela mulher representasse na vida do irmão. – Está ligando a esta hora para perguntar sobre uma mulher? – Diga-me… – Theron fez um movimento negativo com a cabeça. Quando surgia alguma que merecia mais que um olhar superficial. – Estou diante de uma carta na qual ela o informa de seu progresso. Dois dias depois. Resmungando xingamentos. mas se deteve quando viu o que estava escrito. ele ainda tentava decifrar aquela bagunça. Theron optara por trazer a própria secretária do seu escritório em Londres. E pensar que a secretária já dera conta da maior parte daquela desordem! Theron estacou diante de uma carta endereçada a Chrysander e quase a atirou no lixo. após o fiasco com Roslyn. seja lá o que isso signifique. Chrysander. Embora nenhum dos irmãos Anetakis estivesse disposto a confiar totalmente em outro funcionário. atirava cartas para a direita e a esquerda. Por conta do ocorrido. – É melhor ter uma boa razão para telefonar a esta hora – rosnou Chrysander com voz sonolenta. quase irritado. Era uma mulher mais velha. Não. que a ligação se completasse. os irmãos Anetakis se tornaram receosos em permitir acesso ilimitado às informações confidenciais da empresa a outro funcionário. A criminosa. Theron foi recebido com uma pilha de documentos. fora presa após um acordo judicial. Sem se importar com a diferença de fuso horário e com a possibilidade de acordar o irmão. ela era atirada na pilha de assuntos que demandavam sua atenção. a ex-assistente de Chrysander. deveria ter sido antes de ele conhecer a esposa.

Theron não prestara atenção à jovem. – Não estou gostando de sua insinuação. Isabella deve ter acabado de se formar. e a última coisa que eu queria era vê-la causando problemas a Marley. portanto assumi a responsabilidade pelo bem-estar de Isabella quando ela ficou órfã. Não levará muito tempo para que a acomode e providencie o que . Chrysander soltou um xingamento. Mas preciso dos detalhes. Estava indo muito bem na faculdade. Theron não se lembrara dela até Chrysander mencionar o sobrenome. – Pelo amor de Deus. Isabella só terá total controle sobre sua herança quando fizer 25 anos. Em seguida. – Theron meneou a cabeça. Menina inteligente… – Mas por que está recebendo notícias dela? – quis saber Theron.Chrysander explodiu em uma torrente de xingamentos em grego que fez Theron afastar o fone do ouvido até que o irmão se acalmasse. – Cuidarei disso. – Estou casado. Vou creditar isso na conta de problemas que herdei quando trocamos de filial. Portanto. Nosso pai morreu antes do pai dela. – Caplan. focado na própria dor. irmãozinho – disse Chrysander em um tom de voz frio. – Ela não está tão pequena agora. – Nesse caso. achei que ela fosse uma ex-amante sua. surpreso. E então Theron ouviu o irmão ofegar do outro lado da linha. mas. sempre procurando passar despercebida. ela irá para Nova York daqui a dois dias – disse Theron. O escritório de Nova York é responsabilidade minha. deixou escapar um suspiro. Como agora é você o representante da Anetakis em Nova York. de rabo de cavalo e aparelho dentário lhe espocou na mente. – Bella não será problema algum. – Que dever? – Theron se surpreendeu. não conseguia conjurar a imagem de Isabella mais velha. Lembrava-se de que ela era tímida e modesta. nesse meio-tempo. O pai de Isabella fez o nosso prometer que. – Não posso deixar Marley agora. A imagem de uma préadolescente desengonçada. irmãozinho. – Não estou conseguindo pensar com clareza a esta hora da noite. – Claro que não. – Embora sua devoção à minha esposa seja louvável. Que idade ela teria naquela época? Chrysander soltou uma risada abafada. A última coisa de que você necessita agora é de outra preocupação. impaciente. de acordo com esta carta. não é necessária – retrucou Chrysander sem rodeios. o que acontecer primeiro. Desde então. isso o torna uma espécie de tutor de Isabella. ou quando se casar. Tudo que tem de fazer é ajudá-la a resolver seus assuntos e providenciar o que ela necessita. É uma doce menina. Certamente você lembra. De uns tempos para cá tenho estado focado em Marley e nosso filho. a encontrara algumas vezes. o grupo Anetakis International atua como seu curador. Theron gemeu. Isabella comparecera ao funeral de seu pai. Claro que não estou envolvido com essa Isabella. – E eu repito: quem é Bella? – Theron sentia a paciência se esvair. cuidaríamos da menina. – Bella! Claro – murmurou ele. se lhe acontecesse alguma coisa. – E por que nunca ouvi esta história antes? – Nossos pais foram amigos e sócios nos negócios por muito tempo. – Nosso dever para com Bella sumiu da minha mente. – Isso será moleza. – Eu sabia que devia ter obrigado Piers a assumir o escritório de Nova York. Chrysander soltou uma risada. você deveria saber que. Isabella Caplan. – A pequena Isabella? – perguntou Theron. mas para ser sincero.

e o segurança que sentara no banco da frente estendeu a mão para ajudá-la a sair. e tudo que Isabella desejava era se deitar e relaxar naquele assento. Isabella foi encaminhada imediatamente à própria suíte. A limusine parou em frente ao hotel. encaminhou-se para atender. Mas tudo mudou no instante em que recebeu uma mensagem concisa de Theron Anetakis. girou o envelope e escorregou os dedos suavemente pelas letras escritas à mão: “Isabella Caplan. – Theron. ela encostou o envelope no nariz. agradeceu e fechou a porta outra vez. ela se recostou. a bagagem foi entregue em seu quarto. avistou um homem com uniforme de chofer segurando uma placa na qual estava escrito seu nome. mas a viagem de Isabella se tornara algo do passado. Como se isso não bastasse. Isabella sorriu. Privacidade estava fora de questão. Suave. e esses cavalheiros são membros da equipe de segurança do sr. ouviu outra batida na porta. outros dois homens se adiantaram para ladeá-la. – Qual dos srs. seu motorista por hoje. e a encontraria em Nova York para providenciar tudo de que ela necessitasse para sua viagem ao exterior. Anetakis. Lembrava-se daquela colônia como se fosse ontem. e deparou com outro funcionário do hotel à soleira. O homem lhe estendeu um envelope cor de creme. passando direto pela recepção. Quando adentraram o saguão. – Uma mensagem do sr. o hotel dos irmãos Anetakis. ao lado do chofer. com um buquê de flores e uma cesta recheada de todo tipo de sortimento de petiscos e frutas. A porta do passageiro se abriu. ela ergueu a mão. um dos homens da segurança abriu a porta da limusine para Isabella e se sentou ao lado dela. Isabella ergueu as sobrancelhas. . Chrysander sempre lhe providenciava uma suíte quando ela visitava Nova York. – Será entregue no hotel muito em breve. acenando enquanto se aproximava. Do lado de fora. mas inegável. A expressão confusa de Isabella devia ser evidente.ela precisa. porque o chofer sorriu e disse: – Seja bem-vinda a Nova York. No mesmo instante. E lá estava. Sou Henry.” Seria a letra de Theron? Permitindo-se um instante de tolice. MAL ISABELLA Caplan passou pelo controle de segurança do aeroporto. o que não ocorria com muita frequência. Theron ainda não sabia. Em seguida. enquanto a guiava na direção da saída. informando-a de que agora seria ele quem cuidaria de seus assuntos. Para sua surpresa. srta. Quando o veículo se pôs em movimento. Resmungando baixo. Era óbvio que Theron ainda usava a mesma. Dentro de dez minutos. Anetakis? O jovem pareceu envergonhado. A limusine deixou a área de desembarque em direção ao Imperial Park. – Uh… olá – cumprimentou Isabella. esperando sentir a fragrância daquele homem. – Providenciei para que alguém recolhesse sua mala no terminal de bagagens – informou Henry. Ela ficaria em Nova York… indefinidamente. Aquela viagem fora planejada como uma breve parada em seu caminho para a Europa. Anetakis. Caplan. enquanto o outro se acomodava no banco da frente. quando Isabella havia acabado de se sentar no sofá e retirar os sapatos. fato que informara a Chrysander na carta que lhe enviara. a fragrância de Theron.

Mas naquela época. enquanto agitava os pés. Eram implacáveis nos negócios. No mesmo instante. rouca. O que significava que Theron ficara bem mais próximo dela. – Sim – respondeu. impaciente. e um arrepio de prazer lhe percorreu a espinha. Isabella se deixou afundar no sofá e pousou os pés sobre a mesa de centro. A tornozeleira delicada faiscou com o movimento. – Eu não a reservei – retrucou ele. Isabella olhou ao redor com renovado interesse. Isabella não esperava que ele se atirasse em seus braços. mas também eram leais. Enquanto ela esperava crescer para reivindicá-lo. na última vez em que ela estivera ali. cambaleou para atendê-lo. Finalmente. . A beleza jovial fora substituída pela masculinidade sensual. Dando-lhe ordens como se ela fosse uma criança desobediente. curiosa. – Srta. e Isabella se achava tão confortável no sofá… Após se forçar a levantar. Não seria fácil. Isabella soltou uma risada. seria mais prazeroso deixá-lo atônito. Está tudo ótimo. e a honra era tudo. Caplan… Isabella. Podiam ter a mulher que quisessem. Um sorriso divertido curvou os lábios de Isabella. As unhas pintadas de um vermelho vibrante lhe atraíram o olhar. esperando não deixar transparecer o nervosismo. – Por que abriu mão de sua suíte? – O hotel está passando por reformas. A viagem à Europa estava cancelada. O que a fizera se apaixonar ainda mais. Os irmãos Anetakis eram difíceis. – A suíte está a seu gosto? – Sim. Mais irresistível. arrancando-lhe um suspiro exasperado. Isabella estava com apenas 18 anos. Assim. ele e a esposa se mudaram definitivamente para uma ilha de sua propriedade na Grécia. – É Theron Anetakis. A única suíte disponível era… a minha. Ou ter morado. Arrogante como sempre. Não havia necessidade de sair de sua suíte por minha causa. Quando Chrysander se casara. – Essa é minha suíte particular. O telefone tocou. – Obrigada. O aparelho se encontrava do outro lado da sala. Foi muita gentileza sua reservá-la para mim. e ele providenciara uma autêntica babá para acompanhá-la em sua visita à cidade. ele escrevera as instruções para que ela fosse ao seu escritório na manhã seguinte. Theron havia se tornado ainda mais deslumbrante ao longo dos últimos anos. Não era a voz de Chrysander e. Theron se tornara ainda mais desejável. O que motivara sua viagem à Europa fora o fato de Theron morar lá. – Alô? Seguiu-se um breve silêncio.Isabella rasgou o selo e retirou o cartão do envelope. Estou ocupando temporariamente outro quarto. Estava mais que satisfeita por aquele encontro se dar nos termos de Theron. Em uma caligrafia obviamente masculina. – Eu poderia ter ficado em outro quarto. claro. Saber que ficaria onde Theron passava muito do seu tempo lhe causou uma emoção eletrizante. – Então onde você está? – perguntou. só podia ser Theron. E seu plano para seduzir Theron entrara em ação. ela reconheceu o sotaque inglês. Estou telefonando para saber se fez boa viagem e se foi acomodada sem nenhum inconveniente. Ao menos Chrysander passara em sua suíte para ver como estava. como Piers estava fora do país e nunca tivera sequer uma conversa com ela.

– Está bem… Bella – concedeu Theron. Oh. e sabia que não adiantaria argumentar. – Vejo-o amanhã. – Recebi suas ordens. embora fosse um homem educadíssimo. Um sorriso lhe curvou os lábios. Bella. Isabella engoliu em seco a negativa de que iria para a Europa. Ela não esperava nada menos que isso. antes de viajar para a Europa. Os irmãos Anetakis eram a personificação da eficiência. deixando escapar em seguida um som exasperado. por favor. Deve se lembrar do tempo em que não éramos tão formais… Sei que se passaram alguns anos. mas eu não esqueci nenhum detalhe sobre você. – Ele começava a ficar impaciente. Theron se despediu de maneira formal. Um sorriso malicioso curvou os lábios de Isabella. – Claro. – Foi um pedido. – Tenho certeza de que não soei tão autocrático. Seguiu-se um silêncio constrangedor. – E claro que o atenderei.– Alguns dias não farão diferença alguma – afirmou ele. Solicite o serviço de quarto para o jantar. Lógico. Haveria muito tempo para lhe comunicar sua mudança de planos. Caplan. Isabella. chame-me de Isabella. antes de acrescentar: – O que estávamos falando mesmo? Theron parecia distraído e. Suas despesas serão pagas. Isabella percebeu que ele queria se livrar dela o mais rápido possível. extasiada. Ainda mais quando Theron não tinha a menor chance de convencê-la a mudar de ideia. Podemos combinar às dez horas? Estou um pouco cansada e gostaria de dormir até mais tarde. então – disse Isabella. – Por favor. – Bella. pretendia lhe fazer uma visita no dia seguinte. Theron deixou escapar uma exclamação de surpresa que lhe soou suspeitosamente como um xingamento. e ela desligou o telefone. sem dúvida. Se ele ao menos soubesse… – Estávamos discutindo suas ordens autocráticas para que eu comparecesse ao seu escritório amanhã. srta. – É bom que tenha uma estada confortável. – Está bem. E levavam muito a sério o que achavam ser seus deveres. Faça como for melhor para você. Era inútil deixá-lo em alerta de imediato. . Um sorriso lhe curvou os cantos dos lábios ao abraçar o próprio corpo. Ou de Bella.

Tentou pescar em suas lembranças a imagem daquela moça. a srta. Franzindo a testa. O pai de Alannis era dono de uma empresa transportadora. visto que Marley não desejava se mudar da ilha que ela e Chrysander haviam transformado em um lar. – Senhor. ele ergueu a cabeça. Algo que discutira amigavelmente com Alannis. Os dois formavam um belo casal e se entendiam muito bem. Sim. Ainda bem que poderia se livrar rápido de sua obrigação para com Isabella. Por outro lado. Providenciaria para que ela tivesse tudo que necessitava. brusco. autorizando a pessoa a entrar. Isabella entraria e sairia para sua viagem à Europa. Os pensamentos de Theron foram interrompidos por uma batida na porta. Velhos amigos de seu pai. Ela e Theron tinham muito em comum.Capítulo 2 THERON SE inclinou para trás na cadeira e observou a linha do horizonte através da janela do escritório. E ele lhe daria segurança e proteção. conseguira finalmente alguns minutos para respirar. Sabia apenas que Isabella se formara. enquanto Alannis chegaria da Grécia dentro de uma semana. . Theron e Alannis tinham o que poderia ser considerado uma amizade íntima. estava na hora de se casar. Caplan está aqui para vê-lo – Madeline. Relanceou o olhar ao relógio de pulso e fez uma careta ao se lembrar de que Isabella Caplan deveria chegar dentro de cinco minutos. embora ele estivesse aberto a aprofundar aquele relacionamento. Isso significaria que estaria com mais ou menos 22 anos? Conjurou um sorriso gentil quando a porta se escancarou. a secretária. Alannis… Um sorriso tristonho lhe curvou os lábios. Esse era um assunto seu. Theron. em um gesto distraído. era natural que acabassem por se unir. aguardando. Alannis lhe proporcionaria uma relação de amizade e lhe daria filhos. Não era necessário assustá-la. Sentia-se como uma porta giratória. Sua mudança para Nova York tinha toda a probabilidade de ser permanente. E se pretendia morar definitivamente ali. semanas antes. sentando-se ereto. disse ao mesmo tempo que enfiava a cabeça pelo vão da porta. – Faça-a entrar – retrucou ele. Sabia que teria de levar uma vida mais regrada agora que assumira o escritório de Nova York. solicitaria a alguém da Anetakis International que a encontrasse em Londres e arranjaria uma equipe de segurança para protegê-la durante sua estada naquele país. pernas desengonçadas e aparelho nos dentes. parecia-lhe natural encontrar uma esposa e formar uma família. portanto. Não tinha certeza nem mesmo da idade que ela teria agora. Talvez um acordo fosse o termo mais exato. e tamborilou com os dedos sobre o tampo. Theron se erguera e caminhava na direção da porta para cumprimentá-la. mas tudo que conseguia visualizar era uma menina de olhos grandes. Após uma manhã agitada de trabalho com reuniões e telefonemas. aprumou a coluna. Ela era proveniente de uma família grega íntegra. quando estacou por um segundo.

– Está fazendo um favor ao meu pai e é seu executor testamentário no que se refere à minha herança até que eu me case. – Casar? Nos termos do testamento de seu pai reza que você só terá controle sobre sua herança quando fizer 25 anos. Theron se pôs em alerta. tudo que Theron conseguiu fazer foi observá-la como um adolescente cheio de espinhas que experimentasse sua primeira descarga de hormônios. Os cílios longos emolduravam olhos verdes faiscantes. – Que diabo são esses trajes que está usando? – perguntou ele. Em seguida. Uma garra invisível parecia lhe esmagar a garganta até fazê-lo mexer o pescoço para aliviar o desconforto. – Como sou agora.sentindo todo o ar se esvair dos pulmões. e lhe proporcionou tanto prazer que ele se viu desejando ouvi-lo outra vez. e isso. expunha aquela faixa de pele à sua visão. Era um som quente e vibrante. Os últimos anos operaram mudanças radicais em Isabella. se é que aquilo poderia se chamar de blusa. – Ou me casar – corrigiu Isabella. Isabella exibiu um sorriso hesitante que o fez sentir aquele gesto até a ponta dos pés. A bainha acabava acima do umbigo. A blusa. Uma insinuação de sorriso lhe curvava os lábios carnudos. antes que pudesse se conter. Ela vestia um jeans justo de cintura baixa. Theron se recostou à mesa e estudou a jovem tão segura de si à sua frente. se ajustava às curvas generosas de seu corpo tão confortavelmente quanto as mãos de um homem fariam. O cabelo longo e escuro cascateava até abaixo dos ombros. contemplando toda sorte de cenários medonhos. Tem de ser muito cuidadosa em sua posição. – Esse é o tipo de coisa que Chrysander permitia que usasse na presença dele? Isabella soltou uma risada baixa. e os dentes brancos quase lhe ofuscaram a visão. Aquele não era o tipo de mulher que pudesse passar despercebido. – Ele era… seu tutor – disse Theron. – Chrysander não tem direito de opinar sobre minha maneira de vestir. Tenho cuidado muito bem de mim mesma com uma mínima interferência de Chrysander. junto com a cintura baixa da calça comprida. Isabella. – Quem é ele? Quero-o muito bem investigado. . O patrimônio que herdou atrairia uma horda de pretendentes indesejados que a querem apenas por seu dinheiro. Isabella arqueou uma das sobrancelhas escuras. surdo e mudo para não notá-la. Um homem teria de ser cego. Ele franziu a testa. Por um longo instante. mas uma mulher estonteantemente bela. envergonhado do fato de ter sido pego em flagrante secando-a com o olhar. E então. eriçando-lhe o cabelo naquela região. As linhas que vincavam a testa de Theron se aprofundaram diante do tom sarcástico na voz de Isabella. e o som fez uma corrente elétrica subir pela nuca de Theron. – Acredito que seja o que costumam chamar de roupas – afirmou ela com voz rouca. baixou o olhar às próprias vestes. ao mesmo tempo que deslizava as mãos pelos quadris. – Planejo estar casada antes dos 25 anos. – Não pela lei – argumentou Bella. mas está longe de ser meu tutor. seus olhos se fixaram naquele rosto deslumbrante. E pensar que se lembrava dela como alguém que costumava desparecer no ambiente em que estivesse presente. Ela havia colocado um piercing no umbigo? Theron piscou. Diante dele não se encontrava uma menina. suave. O olhar de Theron foi atraído para aquele ponto e para o brilho prateado no umbigo de Isabella. quando o sorriso de Isabella se alargou. Duas covinhas se formaram no rosto delicado. os olhos verdes não conseguindo disfarçar o divertimento.

– Teria isso algo a ver com seu repentino desejo de se casar? – perguntou ele. – Não mencionei ter alguém em vista. Simplesmente mudei de ideia. Theron levou a mão à testa e a massageou para aliviar a tensão. revelando as duas covinhas. Em seguida. em tom educado. Quando Isabella estacou diante da janela. com malícia. segundo a carta que enviou para Chrysander. – É um prazer revê-lo também. Theron pestanejou várias vezes. Theos!. passou por ele. – O homem que seu irmão contratou para supervisionar meus estudos informou a Chrysander sobre minha viagem à Europa. A repreensão de Isabella o irritou exatamente por ser mais do que adequada. A suíte é maravilhosa. Theron lhe sustentou o olhar. Maldito fosse Chrysander por seguir com a própria vida e o atrelar a Isabella Caplan. – Ele deu um passo à frente. Foi então que um lampejo colorido na altura da cintura fina lhe chamou a atenção. Faz algum tempo que não o vejo. portanto não há necessidade de você sair dando ordens para vasculhar o passado de ninguém. e as nádegas realçadas pelo jeans muito apertado se moviam de maneira sedutora. Qualquer coisa que o impedisse de se ater àqueles seios realçados pela camiseta de tecido fino. exausto. – Porque ainda não tenho nenhum – afirmou ela. enquanto discutimos os preparativos de sua viagem? Isabella sorriu e fez um movimento negativo com a cabeça. – Sendo assim. – Não escrevi nada disso para Chrysander – protestou Isabella com suavidade. – Já providenciou os preparativos para sua viagem ou prefere que eu cuide deles? – perguntou ele. Ela enfiou os dedos nos bolsos do jeans. durante a tentativa dele de decifrar o desenho. – Tem uma vista maravilhosa daqui – disse ela. sentindo o início de uma dor de cabeça. Posso lhe providenciar algo para beber. Theron pestanejou e voltou a fixar o olhar naquele ponto. Tenho três anos pela frente. encaminhando-se à janela. . a bainha da blusa se moveu.Outro sorriso curvou um dos cantos dos lábios carnudos. aquela mulher era uma bomba atômica ambulante. – Fico feliz em saber que fez uma boa viagem e que aprovou a suíte. – Não irei para a Europa. Theron se forçou a erguer o olhar para não parecer que cobiçava aquela parte da anatomia de Isabella. Uma tatuagem? Era óbvio que Chrysander fora um fiasco como tutor daquela menina. enquanto Theron se perguntava como Bella conseguira fazer isso. Theron. Fiz uma ótima viagem. e se recostou à janela. Estava sendo rude. – Ainda não respondeu à minha pergunta sobre seu suposto noivo. Após limpar a garganta. certo de que havia se enganado. pousando as mãos em seus ombros e se inclinando para lhe beijar o rosto. Os olhos de Theron não conseguiam se afastar daquele ponto. Os quadris ondulavam. – Peço-lhe desculpas. – Como disse? Mais uma vez um sorriso curvou aqueles lábios sedutores. mas o reconheceria em qualquer lugar. ao girar para encará-lo. Em que tipo de encrenca ela se metera? Tatuagens? Intenção de se casar? Theron fechou os olhos e prendeu o nariz entre o polegar e o indicador. apenas que pretendo me casar antes de completar 25 anos. por que não vai para a Europa? Era esse seu plano até a semana passada. – Decidi não passar o verão na Europa. Nem a cumprimentara da maneira correta. revelando uma pequena faixa de pele tatuada.

– Mas detesto a ideia de o desalojar. – Claro que a acompanharei. Se Isabella se estabelecesse em Nova York. A última coisa que precisava era que aquela jovem fosse sequestrada como acontecera com Marley. quando se deu conta de que não captara uma só palavra do que ela dissera. Tenho de admitir que não estava muito animada a fazer isso sozinha. mas não havia nada além de genuína apreciação e alívio na expressão de Isabella. – Nesse caso. e você conhece a cidade melhor que eu. – Não é incômodo algum. teria de providenciar uma equipe de guarda-costas. De repente. Por que se sentia como se tivesse passado por um rolo compressor? A ideia daquela menina que mal saíra da adolescência ter imposto sua vontade sem considerar sua opinião o fazia se sentir manipulado. cerrou as pálpebras. sentindo uma enxaqueca ameaçar aflorar com toda a força. o que pretende fazer? – Ele quase temia a resposta que teria. Podemos almoçar juntos também? – perguntou com ar inocente. Pode usar a suíte pelo tempo que for necessário. tenho de ir. Theron quase engasgou. mas logo a expressão de Isabella se tornou neutra. deixou escapar um suspiro ao constatar que estava realmente em apuros.Theron escorregou a mão para a nuca. e vou adorar procurar apartamento com você amanhã. – Então. Um sorriso largo se estampou no rosto de Isabella. Theron fez um gesto negativo com a cabeça. havia a questão da segurança de Isabella. iluminando-lhe todo o semblante. ele se veria obrigado a supervisionar os assuntos relacionados a ela e a manter constante vigilância sobre aquela jovem. A expressão de Isabella se iluminou. os olhos verdes faiscaram. mas a gratidão genuína estampada no rosto de Isabella o fez tornar a fechá-la. O pensamento começava a tomar forma em sua mente. Muito jovem para se casar nos dias atuais. Em seguida. Agora que ela permaneceria em Nova York em vez de viajar para a Europa. quando Isabella voltou a falar. – Desculpe… – disse Theron. Não permitirei que se estabeleça em um lugar qualquer. . Theron abriu a boca para negar a ideia de que se voluntariara para fazer qualquer coisa com ela. Talvez amanhã pela manhã. Talvez o melhor que pudesse fazer por ela fosse apresentá-la a um homem que possuísse recursos para lhe proporcionar segurança e estabilidade. – Eu apenas afirmei que agora que nos livramos dos preparativos de minha viagem. – Acho que isso não é o tipo de coisa que deva fazer sozinha – afirmou ele. de repente sentindo o colarinho apertado demais. Ela estava com 22 anos. Alarmes soaram na mente de Theron diante da ideia de Isabella vagando por uma cidade à qual não estava acostumada. – Vou alugar um apartamento aqui na cidade. Chrysander ainda possui a cobertura. sozinha e vulnerável. Diabos! Poderia acabar escolhendo um bairro inadequado. agora que ficarei nesta cidade definitivamente. Por um instante. Pedirei à minha secretária que selecione alguns bairros adequados para você e depois começaremos a procurar. E depois. mas de modo algum fora da faixa etária adequada. Preciso encontrar um apartamento. a ideia de um casamento iminente para Isabella não o irritou mais. e posso utilizá-la. Isabella franziu a testa. Também tenho de procurar um lugar para morar. ganhando corpo. Em seguida. agradeço sua oferta. – Que gentil de sua parte se oferecer para me acompanhar. – Claro que lhe pagarei um almoço – concordou ele com um grunhido.

o qual retribuiu com igual intensidade. Vejo-o amanhã de manhã. Theron se recostou para trás na cadeira e cruzou as mãos na nuca. Patético. – Deixe-me chamar o chofer para levá-la de volta ao hotel. lembrou-se de que Alannis retornaria dentro de uma semana. Era óbvio que aquilo se devia ao fato de fazer um bom tempo que não se relacionava intimamente com uma mulher.Em um impulso. com os passados verificados e com os prós e contras de cada um. ele soltou um xingamento e contornou a mesa para se sentar. Madeline pareceu achar graça naquele pedido. e mais uma vez Theron refletiu sobre a tatuagem que vira lá. ela se precipitou para a frente e lhe envolveu o pescoço com os braços. Contava não ter de se ocupar mais de Isabella quando sua futura noiva chegasse. Em seguida. Theron me ajudará – acrescentou com um breve sorriso. Decidindo que aquela era mais uma tarefa para Madeline. – Entre. Isabella lhe deu um beijo no rosto e girou na direção da porta. Apertou o botão do interfone para chamar a secretária. Encontraria um apartamento e um marido para Isabella. Entre. Theron ergueu o telefone para providenciar a equipe que faria a segurança de Isabella. Theron teve de firmar os pés com força no chão para não cambalear para trás. – Acabei de sair do escritório dele. e lá estava ele desejando uma ainda mais nova. escancarando a porta de seu apartamento. A mão longa tocou a porção de pele que ficava exposta nas costas macias. retribuindo o gesto. . e lhe deu rápidas instruções para encontrar três ou quatro opções de apartamentos. – E…? Isabella deu de ombros. As duas se sentaram na pequena sala de estar. segundos atrás. – Eu desisti de ir para a Europa. fazendo-a entrar. Theron se afastou com delicadeza de Isabella. – Obrigada – disse ela ao ouvido de Theron enquanto lhe dava um abraço apertado. Após falar com Madeline. podia ceder a cobertura de Chrysander para que ela a utilizasse. colidindo contra o peito musculoso. mas não o questionou. Quando desligou. O fato de não saber do que se tratava o desenho o enlouquecia. percebeu o corpo de Isabella se moldar ao seu. – ISABELLA! – GRITOU Sadie. Quando ele permitiu que os braços a envolvessem. Se nenhum a agradasse. Aquilo não lhe tomaria muito tempo. e então se concentraria nas próprias núpcias. e sentiu todas aquelas curvas que notara havia pouco. Fora tão rápido em condenar Chrysander por se envolver com uma mulher tão jovem. Uma mulher era mais que suficiente. chamou a secretária e lhe pediu para providenciar uma lista de solteiros qualificados. e vou procurar um apartamento na cidade. e ter de dividir sua atenção entre duas era uma receita infalível de desastre. Talvez os dois pudessem apresentá-la a rapazes qualificados que deviam estar à altura de suas exigências. – Obrigada. e Sadie não perdeu tempo para indagar: – E então? Você o encontrou? Isabella sorriu. E o deixou esfregando o local onde os lábios carnudos lhe tocaram o rosto. Isabella se viu envolta no abraço da amiga. e gemeu. Mas talvez Alannis tivesse algumas ideias no que se relacionava a Isabella. É muito bom voltar a vê-la! – exclamou Sadie. Gesticulando a cabeça negativamente.

Poucas horas. Afinal. – Quanto tempo fazia desde a última vez em que a viu? Quatro anos? – Argh! Sim. será muito difícil me ignorar. divertida. ansiosa. – Isabella deixou escapar um suspiro e se recostou para trás no sofá. Planejei viajar para a Europa para fazer marcação cerrada sobre Theron lá. Apenas algumas noites por semana. – Se ele nunca me vir como um ser inofensivo. o olhar faiscando de malícia. e estava com saudade. são gregos. – Sim. deixando as belas feições em evidência. – Tenho certeza de que ele notou. e se mudara para Nova York para tentar uma carreira na Broadway. – Ah. Muito elegante e exclusivo. ousada. – Sadie compreendeu. A boa notícia é que vamos almoçar amanhã. então é melhor lançar o desafio desde o início. mas exigem uma aparência estonteante – afirmou Sadie. Um ano mais velha que Isabella. – Não sei ao certo. meu corpo está mais curvilíneo agora.– Ele recebeu bem a notícia? Sadie atirou uma mecha do longo cabelo ruivo de sobre o ombro. Graças a Deus. então conte-me todos os pormenores – estimulou Sadie. Por falar nisso. – E então? Ele se encantou com seu charme feminino? – Sadie esboçou um sorriso largo. – Como ele reagiu quando a viu? – quis saber Sadie. Acho que a partir daí verei que rumo as coisas tomarão. ele se fixou em Nova York. – Mas se eu tivesse aparecido vestida como uma jovem grega recatada. Sadie soltou uma risada e segurou a mão de Isabella. – Está trabalhando como stripper? . ele não teria me dedicado um segundo olhar. – Mas servirá até que eu consiga meu grande papel. depois de procurarmos um apartamento. Conte-me. por fim. Mas de repente. – Exatamente – murmurou Isabella. Tenho certeza de que estava ansioso por me enfiar em um avião para a Europa o mais rápido possível. E eu sou uma grande responsabilidade da qual Theron quer se livrar. Agora. graduara-se um período antes. como Chrysander me vê. – Poucos e espaçados. – Acho que Theron ficou pensando que diabos iria fazer comigo. – Qual é o seu plano? Isabella fez uma careta. – Muito bem. chega de falar de mim. conseguiu algum papel? Sadie retorceu os lábios em uma expressão tristonha. – Que tipo de emprego é esse? Sadie exibiu um sorriso furtivo. mas não desisti. Os irmãos Anetakis levam suas responsabilidades muito a sério. e não haveria como mudar isso. Isabella observou a amiga com desconfiança. Isabella franziu a testa. fazia. mas acho que sentiu uma mistura de interesse e espanto. O queixo de Isabella pendeu. – Está conseguindo se sustentar? – Tenho um emprego. – Estou muito feliz por reencontrá-la. Teria sido relegada ao status de irmã caçula. – Eu não diria que recebeu bem – respondeu Isabella. – É num clube masculino. Quero ouvir todas as novidades sobre sua carreira na Broadway. e tive de mudar todos os meus planos. Você tem de entender que Theron é um homem muito… uh… tradicional. Pagam muito bem. Fazia muito tempo que não nos víamos. tenho um teste na semana que vem.

então está morto. Como se isso fosse dar certo e eu pudesse fazer Theron se apaixonar por mim. nesse caso precisamos pensar em uma forma de fisgá-lo. – Tenho total certeza de que Theron se apaixonará perdidamente por você. Sadie retribuiu o abraço de Isabella e. em seguida. Estou tendo um bom pressentimento sobre minha estada em Nova York. Pode escolher qualquer homem. Isabella a observou por um longo instante e. – É tão bom estar aqui! Senti sua falta. com suavidade. se soltou. Sadie também explodiu em uma gargalhada. Theron seria obrigado a me notar se eu me despisse na frente dele. – Eu poderia ter umas aulas com você. com um sorriso. – Eu o amo há tanto tempo! – Muito bem. em seguida.– Nem sempre tiro a roupa – retrucou Sadie. . com um sorriso gentil estampado no rosto. Isabella se inclinou para a frente a abraçou a amiga. – Só Theron me interessa – retrucou Bella. soltou uma risada. – Se ele não a percebeu. – Não é uma exigência. porém ganho gorjetas mais polpudas quando o faço – acrescentou com um sorriso largo. certo? – Sadie piscou. Mas se isso não acontecer… Você é jovem e linda. Em um impulso. e as duas riram até seus rostos estarem molhados de lágrimas.

Era sua obrigação como marido. Madeline lhe fornecera três opções de apartamentos. e a voz de Madeline anunciou em um tom seco que Isabella estava entrando. – Creio que esteja tudo bem com você. ergueu o olhar. franziu a testa quando viu Isabella entrar. mas ele não esperava nada mais que isso. Claro que teria de informar os irmãos de suas intenções. Alannis vivia em seu mundo de decoro. Em seguida. Quando Theron ouviu a porta do escritório se abrir. se desejava estragá-la. Depois. Quanto antes. o que era mais do que sentia pela maioria das mulheres que conhecia. E se decepcionou. Mas não podia culpá-la por isso. – Fiz reserva para uma ópera logo após a sua chegada. Theron sabia muito bem que a família de Alannis jamais permitiria que ela viajasse desacompanhada para visitar um homem solteiro. Theron engoliu em seco e estreitou o olhar ao observar os trajes de Isabella. melhor. Por outro lado. fitou o telefone por um longo instante. todos em excelentes áreas e próximos ao Imperial Park Hotel. Com toda a certeza. – Bom dia – ela o cumprimentou cantarolando quando parou diante da ampla mesa. que fosse adiante. sob seu corpo. pediria para falar a sós com Alannis e lhe proporia casamento. mais para demonstrar educação do que obter a informação. Com o tempo. – Providenciei para que o jato da Anetakis a transporte da Grécia para Nova York daqui a uma semana. se preocuparia em lhe arranjar um marido. de alguma forma distante e reservada. Franziu a testa ao imaginar Alannis nua na cama. Alannis… ela parecia fria e extremamente rígida. – Eu a esperarei ansioso – continuou ele. Afinal. Depois que interrompeu a ligação. Naquele exato instante. as duas famílias poderiam partir para os preparativos da festa e da cerimônia. Gostava dela e a respeitava. conferiu a hora no relógio de pulso. enlevado em seu recém-descoberto amor. Mas a secretária ainda não havia lhe apresentado a lista dos solteiros qualificados. Baixou o olhar à virilha como se esperasse alguma resposta. Mas lhe agradava o pensamento de ser amigo de sua futura esposa e apreciar sua companhia sobre e fora da cama. Depois. Piers daria de ombros e diria que aquela era sua vida e. A primeira providência era acomodar Isabella. Não eram exatamente . e tamborilou os dedos sobre a mesa. Sua mãe a acompanhará na viagem? Aquela era uma pergunta retórica.Capítulo 3 – ALANNIS – THERON a cumprimentou com voz suave. o interfone tocou. era virgem e seria sua função fazer brotar a paixão nela. Tinha certeza de que Chrysander. se mostraria relutante em encorajá-lo a entrar em um casamento desprovido daquele sentimento. ele poderia aprender a amar Alannis. – Se tudo desse certo. perplexo. Do outro lado da linha soou a saudação polida. Não importava. Com um suspiro. e jamais ofereceria um cumprimento mais efusivo. Não era ingênuo a ponto de esperar que uma mulher o amasse com a mesma intensidade que Marley amava Chrysander. Aquele simplesmente não era seu estilo.

Sentiu a boca ressecada quando ela espalmou as mãos sobre o tampo da mesa e se inclinou para a frente. e ele observou. Theron se recusou a voltar atrás na afirmação ou perguntar se. surpreso. linda. – Pronta para ir? Tenho uma lista com opções de apartamentos. Há sempre fotos suas nos jornais. Theron rilhou os dentes e mudou de posição na cadeira. ele teria de abandonar o projeto de apresentá-la a maridos em potencial. – Em fotos. – E você consegue todos esses jornais na Califórnia? – questionou Theron. – Bom dia. e ela poderia jurar que. encontraria os contornos daqueles dedos longos marcados a ferro em brasa em sua carne. por favor. se fosse ver. Aquilo não só era desrespeitoso com Isabella. Conseguiam cobri-la. Após nutrir aquele amor platônico durante tantos anos. ela se achava envolvida com alguém. no instante em que Isabella adentrara o escritório. Bella baixou a cabeça. Porém. – Está vestido de maneira informal hoje – comentou ela depois de soltar uma risada. e lá estava ele fantasiando tê-la. percebeu que tirara uma conclusão precipitada. – Quando você me viu? – perguntou ele. A não ser que me chamar assim o incomode. aquilo não poderia servir de base para tal suposição. o rubor se espalhar pelo belo rosto de traços perfeitos. em tom de aprovação. permitindo que ele visse os bojos rendados do sutiã meia taça que os suspendiam. – Sim. Isabella. Encaminhavam-se para fora do prédio que abrigava o centro de operações da Anetakis. Embora sua masculinidade não tivesse reagido à lembrança de Alannis. Era o tutor daquela jovem. Mas era necessário saber. fazendo-a sentir aquele toque mesmo através da camiseta. mas também com Alannis. voltara à vida. O contato parecia lhe queimar a pele. de alguma forma. alguém que tinha de cuidar de seu bem-estar. Theron pensou nas ocasiões em que ela poderia tê-lo visto e. Theron se ergueu da cadeira e contornou a mesa. – Faz muito bem – afirmou Theron. Suave e linda. se você estiver – respondeu ela. Diferente dos tipos sofisticados de mulheres que gravitavam ao redor dele. porque se Isabella estivesse em um relacionamento. Tomei a liberdade de restringir as possibilidades às regiões mais adequadas para uma jovem morar sozinha. Uma onda de desgosto o invadiu. E então. Os seios se avolumavam muito próximos do decote da camiseta. de uma forma dolorosa. Nenhuma mulher merecia que o futuro noivo morresse de desejo por outra. embora provavelmente estivesse usando um terno. Isabella se preparara para o . Quase. fascinado. Theron soltou um xingamento em seu íntimo e se forçou a erguer o olhar. portanto. presenteando-o com um sorriso afetuoso. ainda mais quando se pensava no significado italiano daquele nome: bela. não poderia reclamar. Isabella o observou com olhar curioso. embora o apelido soasse mais íntimo. – Bella – repetiu ele. quando ele pousou a mão nas costas de Isabella. e o movimento fez o cabelo escorregar sobre os ombros. Estonteantemente bela. Exatamente o que ela era. e ele se descobriu perguntando por quê. Combinava com ela.indecentes e. Gosto de estar a par da vida de quem cuida de meu bem-estar financeiro. aceitando a sugestão de utilizar o apelido. – Estou tão acostumada a vê-lo apenas com ternos e gravatas. Não havia nenhuma razão para acreditar que uma mulher tão bonita e vibrante quanto ela fosse viver sozinha. Não era o caso. – Bella. – Sim. Isabella corou. no momento. mas sem dúvida. Havia algo indômito e selvagem naquela jovem um tanto atrevida.

– Não me recordo de uma segurança tão exagerada na última vez em que estive aqui – murmurou Bella. Isabella escorregou para o banco da limusine e o presenteou com um sorriso quando ele se . – Você poderia ir comigo. Henry. Isabella sentou-se ao lado dele no banco traseiro da limusine. E era certo que descobriria. resoluto. os dois haviam visitado todos os apartamentos que constavam da lista. Além do motorista. Não havia razão para Theron saber sobre Sadie. Theron a encarou. e certamente a proibiria de continuar encontrando a amiga. já que não conheço mais ninguém na cidade. Isabella esperou que ele acrescentasse alguma coisa. para a possibilidade de o homem que Theron se tornara não corresponder ao dos seus sonhos. Será muito divertido! Theron rosnou algo entre os dentes. Chrysander me atrelou a uma quatro anos atrás. Três horas mais tarde. de má vontade. mas queria que Theron se apaixonasse por ela. de onde dois homens saltaram para escanear cuidadosamente as redondezas. ela percebeu que outro carro pequeno parou atrás da limusine. – Pretende transportar sua mobília para o apartamento? – perguntou ele. – Ela omitiu Sadie de propósito. – Não permitirei que perambule pela cidade. Theron enrijeceu. – Sim. Nada disse sobre o terceiro. – É um mal necessário. ao se encaminharem para a entrada. Isabella arqueou uma das sobrancelhas. – Posso lhe garantir que não preciso de babá. mas pretendia que aquele relacionamento começasse da melhor forma possível. mesmo porque não aprovaria aquela amizade se soubesse que ela trabalhava em um clube de striptease. Isabella suprimiu uma risada e o informou em tom sério que gostou do quarto. Queria que ele necessitasse dela. Theron anuiu em aprovação e deu início ao processo de garanti-lo para ela. Estivera tão distante da verdade que a realidade quase a sufocava. Isabella fez que não. O desejo era suficiente por ora. mas quando os olhos verdes se fixaram nele. havia um membro da equipe de segurança de Theron sentado no banco da frente. Quando estacionaram diante do primeiro prédio de apartamentos. mas nenhuma informação adicional lhe foi dada.desapontamento. Theron levantaria todo o passado daquela pessoa. Isabella deu de ombros e lhe dirigiu um sorriso frouxo. muito mais do que imaginara. – Não? Você parece a escolha lógica. surpreso. tem razão – concordou ele com expressão contrariada. – Esqueci que você vivia na Califórnia e esteve aqui apenas de visita. – Pretendo comprar tudo que preciso aqui e mandar entregar lá. No instante em que Isabella o informasse sobre alguém de suas relações. – Providenciarei alguém para levá-la às compras – disse. sozinha – retrucou ele. se limitou a comprimir os lábios. mas lhe ofereceu a escolha entre aquele e o último. Aquele homem era mais. Ao contrário. Não que ela fosse obedecê-lo. questionadores. quando retornavam à limusine. Os sentimentos por ele não se dissiparam ao revê-lo. haviam se consolidado. sendo que os dois primeiros Theron vetou antes que ela emitisse qualquer opinião. porém agora não tenho mais necessidade disso.

Não se importava como o local onde comeriam. não. contornou a mesa para se sentar no lado oposto. Ele e os irmãos tendiam a uma atitude implacável no que dizia respeito aos negócios. Ela sorriu e negou com a cabeça. Isabella pestanejou. – Talvez seja melhor permitir que eu providencie a mobília para o seu apartamento. e Theron era um homem ocupado. eu me concentrarei no futuro. Queria apenas passar algum tempo ao lado dele. Eu o achei deslumbrante. ele a observou preguiçosamente. deparou com o olhar preocupado de Theron. – Apenas um pouco cansada. Planos. planejo tirar um verão sabático. mas ela podia sentir que aquilo o incomodara. e ele os fixou nela. Pensei em almoçarmos lá. – Isso significa que fará compras comigo? Theron resmungou algo incompreensível. e depois você poderá se recolher à sua suíte para descansar. – Tenho uma mesa sempre disponível para mim. posso contratar um projetista para trabalhar com você. Mas tão rápido quanto o deixou transparecer. Não era algo que . Aquilo era estranho e um tanto surreal. confusa. – Terei de verificar se minha agenda permite isso – retrucou. Theron a acomodou na cadeira e. mais para lembrá-lo daquele compromisso do que por mera curiosidade sobre o restaurante. enquanto a equipe de segurança os cercava por todos os lados. para dentro. Mal posso esperar para escolher tudo para o apartamento. Theron pestanejou para encobri-lo. Alguns minutos depois. Isabella resistiu ao impulso de revirar os olhos. – Algo errado. Planejando a forma mais fácil de se livrar dela. como se achasse aquele som encantador. – Oh. isso será muito divertido. imaginando como fazê-lo enxergá-la não como uma inconveniência. – Planos? – Sim. que ficava situada em um canto tranquilo. Theron nada disse. Bella? – quis saber Theron. Quando chegaram ao hotel. foram guiados à mesa de Theron no restaurante. Theron franziu a testa. pethi mou? Isabella se encolheu em seu íntimo diante do tratamento carinhoso. quais são seus planos profissionais? – Oh! Bem. mas como a mulher que o amava e o desejava desesperadamente. e ela não conseguiu mais conter a risada. Mas não podia culpá-lo. Se anotar todas as suas preferências. Ele era escorregadio. e dessa forma não necessitaria ir comprar tudo que precisa. quase excluída das demais. apressado. Agora que se formou. o desejo refletido naquele olhar. Theron a guiou. Isabella mordeu o lábio inferior e desviou o olhar para o tráfego que fluía além da janela do carro. No outono. Isabella sorriu em seu íntimo. Bella? Ao girar. como se fizessem parte da realeza. Isabella perdeu o fôlego quando reconheceu. Não era à toa que possuíam a empresa hoteleira mais bem-sucedida do mundo.acomodou ao seu lado. – O que gostaria de comer. Era o mesmo que Theron usava quando ela estava com 13 anos. por um breve instante. Os olhos de Theron se arregalaram. Aquilo a fez trincar os dentes. – Quais são seus planos. – Temos um excelente restaurante no hotel – disse Theron. Sabia que era um fardo inesperado. Tal atitude devia lhe causar urticária. E excitada. Minha pequena. em seguida. tenso. Depois de deixar o corpo alto e esbelto afundar na cadeira. – Aonde vai me levar para almoçar? – questionou Isabella.

sobre a maciez dos lábios de Theron. Se ao menos ele soubesse! Aquilo fora tudo que ela fizera nos últimos anos: planejar seu futuro. – Tomei a liberdade de fazer uma lista de possíveis candidatos. em seguida. fazendo com que cada terminação nervosa do corpo de Isabella entrasse em combustão espontânea. – Desculpe… Perdida em pensamentos. Parecia à vontade. – Agora. A pulsação de Isabella acelerou. Bella. porque comparados a Theron. Está mesmo pretendendo se casar antes de completar 25 anos? – Estou contando com isso. Mas Theron… Beijá-lo seria como perseguir uma tempestade. Isabella não conseguiu conter o nervosismo.evocava imagens dos dois enroscados na cama. Theron anuiu como se aprovasse. Sentiu-se tentada. sacudindo a cabeça quando percebeu que ele a chamava fazia alguns segundos. Como seria beijá-lo? Beijara vários rapazes na faculdade. Sentia-se tão perniciosa. enquanto deixava o olhar vagar por suas feições. Alguns eram muito bons. seu futuro estaria inexoravelmente ligado ao dele. – Pensei muito sobre meu futuro. Bella – começou ele. Sobre o seu futuro. Pretendo ajudá-la a encontrar um marido. – Bella? Isabella pestanejou várias vezes. Quente. – Talvez possamos conversar sobre o seu futuro. estudando os lábios de Theron. Com ele. . – Meu futuro? – Ela soltou uma risada leve na tentativa de tranquilizar as batidas desgovernadas do coração. – Vou querer o que ele sugeriu – afirmou com voz rouca. não passavam disso. a curvatura firme e sensual da boca e a sombra escura da insinuação da barba que já lhe cobria a mandíbula. – Candidatos? A quê? – Casamento. e Bella quase deixou escapar uma risada. Rapazes. Será que Theron se mostraria tão favorável àquela ideia se soubesse que ele era o noivo escolhido? Isabella suspirou. Theron fez os pedidos de maneira sucinta. e o garçom se apressou em partir logo em seguida. – Theron meneou a cabeça. – Você mencionou casamento. A testa de Isabella se enrugou enquanto ela o observava. outros. Extremamente tentada a esticar a mão e escorregar a ponta dos dedos ao longo daquela aspereza e. – Estava sugerindo que experimentasse o salmão – disse Theron. inclinando-se para trás na cadeira. sem dúvida. desajeitados e “agradáveis”. – Isso é bom. impaciente com alguém que não tivesse um plano incontestável. Ofegante. Como se estivesse planejando um assassinato em vez de uma sedução. Se dependesse dela. perplexa. – O que sugere? – perguntou ela. ao imaginar o roçar quente daquela língua na sua. – Isso mesmo. Excitante. Imagino que em algum momento parou para pensar nele. Isabella anuiu e girou a cabeça na direção do garçom que se encontrava parado ao lado da mesa. Theron falava com sarcasmo.

Os caça-dotes fingirão desconhecer sua fortuna. claro – murmurou. sem dúvida. Não até que tivesse tempo para se acostumar à ideia. esticou o braço sobre a mesa e lhe segurou a mão. . Isabella teve de se esforçar para não se encolher na cadeira. – Tem razão. imaginando se de repente ele desenvolvera um senso de humor. Uma mulher em sua posição social deve ser muito cuidadosa. – Estou nesta cidade há dois dias e você já planeja me casar. aquele era. – Por isso mesmo acho que devo me envolver em sua procura por um marido. – Não fique desanimada. não necessariamente nessa ordem. O que mais poderia dizer? O que desejava de fato era se inclinar para a frente e lhe perguntar se não poderia ser ele aquele homem. Após minha apreensão inicial. Pelo menos. a cereja do bolo. – Theron prosseguiu. Dentre todos os absurdos que já escutara. pethi mou – disse ele em tom tranquilizador. Fingirão ter sido seduzidos por sua meiguice e generosidade. Haverá homens que tentarão se aproveitar de você. É apenas uma questão de encontrar o certo. Theron não poderia ser aquele homem. – Há muitos homens que lhe dariam o mundo. – Você está procurando um marido. fingindo surpresa. Ele estava muito sério.Capítulo 4 ISABELLA O observou. desconfiada. e tinha de admitir que toda aquela preocupação era lisonjeira. Aquele era o discurso mais doloroso que já escutara. Isabella soltou uma sonora gargalhada. Um calor intenso se espalhou pelo braço de Isabella quando os dedos longos lhe acariciaram a palma. com expressão surpresa. mais uma vez. – Todos os homens entre 20 e 80 anos estarão dispostos a se casar com você e levá-la para a cama. Não conseguiu se conter. tomei a liberdade de elaborar uma lista de candidatos qualificados. Seria até mesmo adorável se ele não estivesse tão empenhado em casá-la com outro homem. E diga-me: o que quer dizer com “uma mulher na minha posição deve ser muito cuidadosa”? – Você é rica. vendo-a continuando a rir. Em seguida. Os lábios de Isabella tremeram. É importante que qualquer homem que permitamos que se aproxime de você seja minuciosamente avaliado por mim. Mas Isabella já sabia a resposta. Fico feliz em saber que não planejo me casar por razões superficiais. sem rodeios. com um sorriso ainda lhe curvando os lábios. – Uau! E nenhuma menção à minha inteligência. mas ela não ousou soltar outra risada. franziu a testa. – Pretende fazer o quê? – perguntou ela. – O que acha tão engraçado? Isabella fez um movimento negativo com a cabeça. Theron adotou uma expressão séria. jovem e bonita – retrucou ele. fingindo ser o que não são. obviamente se empolgando com o assunto: – Portanto. acabei achando uma boa ideia. esperteza e charme. Isabella se recostou para trás. Theron pestanejou. por ora.

mais tarde. – Vejamos. Theron limpou a garganta e desviou o olhar por um breve instante. Quero um homem que saiba me dar prazer – concluiu. – Não quer ter filhos? Theron pareceu surpreso. Terá de ser um excelente amante. Os olhos de Theron lhe varreram a pele exposta e. a mente reunindo todos os aspectos que mais apreciava em Theron. ele gesticulou para que Isabella continuasse a listar as características de seu pretendente. Por um instante. Tivera algumas experiências com os namorados. Gostaria que ele fosse alto. calma. fora ele a lhe dar um beijo suave e lhe dizer que ficava muito honrado com a possibilidade de ser seu primeiro homem. Em seguida. Isabella podia ser jovem. de um modo suave. seria importante que ele concordasse com isso. ela fingiu pensar sobre o assunto. Bella pensou que Theron fosse soltar uma risada. me abraçar. me acariciar. antes de se inclinar para trás na cadeira. – Então. quais são suas exigências em relação a um marido? – perguntou Theron. – Quero que ele seja mais rico que eu para que minha fortuna não seja um problema. Theron revirou os olhos. começou a contar as qualidades nos dedos. apalpadelas desajeitadas que a fizeram colocar o rapaz porta afora. Nunca antes Isabella sentira o intenso magnetismo que existia entre ela e Theron. Devia pensar que todas as mulheres ansiavam por dar à luz uma extensa prole tão logo lhe colocavam uma aliança no dedo. havia algo naquele olhar. e. enquanto o estudava. – Deixe-me adivinhar: você os quer imediatamente. Isabella fixou um olhar pensativo nele. mas não era ingênua. indulgente. – Descreveu o desejo de metade da população feminina. Beijos. Isabella baixou o tom de voz e se inclinou para a frente: – Quero que ele anseie por mim. ela imaginou ver a paixão em resposta às suas palavras. Tivera sua parcela de rapazes interessados. Todo o corpo de Theron emanava uma intensa energia sexual. – Isso porque não é você quem os terá – retrucou ela. mas em seguida. Antes de responder. Como prefiro não ter filhos de imediato. . mas sim.Theron sorriu em aprovação e lhe soltou a mão. – Não concorda que eu deveria esperar isso de um homem? – perguntou Bella. rouca e com a voz cheia de desejo. mas que ela deveria resguardar sua inocência para alguém que ocupasse um lugar especial em seu coração. diga-me. vivenciou também a intensidade obscura e taciturna de um homem cujas paixões fervilhavam profunda e intensamente. Passara anos à procura de algo que ao menos se assemelhasse àquela paixão que florescera em sua adolescência. Era capaz de identificar um flerte inocente. Theron arqueou uma sobrancelha. – Não estamos discutindo sobre mim. E então. que não seja capaz de passar um dia sem me tocar. moreno e bonito. Por fim. – Não disse que não queria ter filhos – respondeu Isabella. por um instante. – Gostaria também que fosse gentil e responsável. não vejo razão para esperar. e certamente não era tola no que se referia aos homens. Ela o estaria afetando ou seria ele completamente imune? Não. Ela baixou o olhar à própria mão. Theron meneou a cabeça. lamentando a perda daquele contato. Houve apenas um que quase a seduzira a se entregar por inteiro. concordando.

Sua virgindade era algo precioso. ela praguejou contra tal interrupção. e devia entregá-la apenas a um homem especial. Mais uma vez. – Apenas estava imaginando se você teria conversado com outra mulher sobre homens. Os olhos de Theron faiscavam com o reflexo da vela situada no centro da mesa. ela também. se ela ou Theron. Quando o sentiu em sua língua. e. – É evidente que não seria adequado um homem que a negligenciasse em qualquer aspecto. com uma das sobrancelhas erguidas. – Suponho que isso seja um “sim”. Isabella interpretara aquilo como a desculpa de um homem fugindo de uma mulher que obviamente ligava o sexo ao compromisso. Erguendo o garfo. A respiração de Isabel ficou presa em algum ponto de seu peito. Agora. – E amantes – acrescentou Isabella. Theron a encarou com expressão exasperada. – Só falta você se oferecer para comprar artigos femininos para mim – resmungou Bella. você se oferecerá a se incumbir de minha educação nesse sentido? – perguntou ela com um lampejo de sorriso. Isabella se inclinou para trás na cadeira com uma expressão desafiadora estampada no semblante. . quase suspirou de prazer. maridos. – Se eu responder que não. Isabella cortou um pedaço do delicioso peixe. – Acho que tem razão em dar ênfase a essas… qualidades – concordou ele. que tipos de homens se revelariam os melhores maridos. Isabella o observou ingerir uma garfada da comida e limpar a boca com o guardanapo.Na época. Bella. Theron a surpreendeu murmurando com aquele sotaque sexy: – Sua mãe morreu quando você ainda era criança. Aquele homem tinha de fato lábios estonteantes. Alguém conversou com você sobre essas questões. Travis tinha razão. – Theron ergueu o olhar. – Devo lembrá-lo de que foi você quem começou esta conversa – rebateu ela. Theron engasgou com o gole do vinho que engolia e se apressou a pousar a taça na mesa. Porém. Isabella pestanejou ao perceber que Theron falava com ela. e a garganta começou a se fechar. Theron pensava mesmo que ela chegara à idade de 22 anos sem nunca ter ouvido a história da cegonha? Não sabia dizer quem estava mais horrorizado. Ele parecia constrangido e. Ela engoliu em seco diante da força primitiva que irradiava de Theron em um zunido baixo e sensual. Era óbvio que Theron esperava por sua resposta. – Theron deu de ombros. Estava maravilhoso. resignado. certo? Houve alguém com que você pudesse conversar sobre… os homens? Isabella o encarou. sem conseguir disfarçar o constrangimento. diabos. com o rosto cheio de espinhas. ou pelo menos a um relacionamento sério. – Sua diabinha! Não é educado fazer alguém rir quando está bebendo. atônita. – Não quer que sua futura esposa seja uma boa amante? Theron lhe dirigiu o que ela podia classificar como olhar horrorizado. Por outro lado. do que a uma mulher de 22. após o garçom se retirar. Aquela pergunta ridícula estava mais apropriada a uma adolescente de 14 anos. – Tem razão. claro. – Mas não acha que estou certa em desejar um bom amante? – insistiu ela. – Sim. e ela se encontrava faminta. aliviado com a aparição do garçom que trazia os pedidos. Perfeitos para beijar. sentiase agradecida por não ter entregado de bom grado sua inocência. – Seria uma lástima se um homem não tivesse ideia do que fazer com uma mulher como você. claro – concedeu Theron. E é natural que queira alguém que compartilhe de sua visão sobre casamento e família.

– Não estamos discutindo minha futura esposa – acrescentou com aspereza. Ele. e ela permitiu. Theron se considerava um bom amante. queria desesperadamente ouvir o que ele considerava ser seu dever para com a mulher que compartilharia sua cama. animada. e não do tipo platônico. – Tão experiente assim? Theron fez uma careta. tomando cuidado para não erguer o olhar e encontrar o dele. claro que não espero que minha futura esposa seja uma boa amante. Ele podia estar lutando com unhas e dentes contra aquele sentimento. Inclinando-se para a frente. com o ultraje estampado no rosto. não se incomodava em fazer o papel de tutor quando lhe convinha. Mas a curiosidade de Isabella fora despertada. e a última coisa que ela desejava era semear qualquer tipo de instinto paterno no cérebro de Theron. com a voz estrangulada. esquecendo-se da comida. pelo visto. – O que é seu dever? – Esse não é o tipo de conversa adequada para nós – respondeu ele. Quando terminaram a refeição. – Oh. tenso. – Posso lhe assegurar que há muito pouco que uma mulher possa ensinar que eu já não conheça muito bem – respondeu ele. É meu dever… – Ele se calou. ele a questionou sobre qual o próximo passo em relação ao apartamento. pratos. mas também interesse. preciso de tudo – respondeu ela. – Vou precisar de móveis. verei se consigo encaixar uma ida a alguma loja de móveis em minha agenda. – Faça uma lista de gêneros alimentícios e quaisquer itens domésticos de que necessite. deixando que o silêncio os envolvesse. mas de modo algum é apropriada entre um tutor e sua tutela. ela pousou o queixo em uma das palmas. com uma leve entonação arrogante. E lá estava a barreira outra vez. mais para o final da semana. . – Isso parece muito medieval. Isabella se concentrou em terminar a refeição. Com quem mais posso conversar sobre estas questões? Theron deixou escapar um suspiro longo e desolado. Havia curiosidade nos olhos de Theron. e quase revirou os olhos.– Não. Se puder ficar mais alguns dias na suíte do hotel. – Você é meu tutor. Então. Sem mencionar comida e itens básicos. Nunca pensou na possibilidade de ela lhe ensinar uma ou duas coisas? Theron pousou a taça. Porém. Mandarei entregar no apartamento para que você não precise comprar. Desejava desesperadamente aquelas mãos longas e elegantes sobre cada centímetro de sua pele. – Não sei por que nossa conversa desceu a este nível. Ao menos ele se esforçava para erguê-la a um patamar não ameaçador. Isabella enrugou o nariz. roupas de cama… Theron ergueu uma das mãos e sorriu. mas o olhar não mentia. – Toalhas. claro. É meu dever lhe despertar a paixão e lhe ensinar tudo que ela precisa saber sobre… fazer amor. Theron a observou. – Não espero que minha esposa seja sexualmente experiente quando se deitar comigo. Isabella deixou escapar um suspiro. Estava mais que disposta a ser uma pupila aplicada sob a tutela daquele homem. antes de tomar outro gole do vinho. Era óbvio que nunca lhe ocorrera que alguma mulher pudesse lhe ensinar o que quer que fosse no que se referia ao sexo. o que significava que aquela era a opinião de Theron sobre ela: uma ameaça. Isabella teve de se esforçar para conter um tremor que lhe varou todo o corpo.

– Theron atirou o guardanapo sobre a mesa e gesticulou para o garçom. Mais uma vez. – Obrigada por esta manhã – murmurou Isabella. pethi mou. convidando-a a corresponder com igual intensidade. e os dois entraram. Eles se encontraram ao contornarem a mesa. e uma descarga elétrica gravitou entre eles com uma potência equivalente aos raios de uma tempestade. Pedirei à minha secretária que entre em contato com você sobre o apartamento e nossa ida à loja de móveis. ele era um homem ocupado. Ele enterrou a outra mão no cabelo longo e macio.– Faça uma lista detalhada. Duas pessoas que se conheciam intimamente. Perdendo o fôlego. Farei com que seja providenciada. – Não há o que agradecer. Portanto. Isabella girou a cabeça de modo que as bocas dos dois se encontrassem. ela se voltou para Theron. Podia sentir a fragrância cítrica da colônia masculina que Theron usava. Em vez disso. Os lábios se fundiram. por fim. Ela esticou a mão para segurar a dele. na altura da cintura. anuiu e se levantou da cadeira. Porém. enquanto ela o beijava de maneira ousada. Isabella se encontrava ciente de cada toque. provando-o e testando os contornos daquela boca sensual. antes de voltar a encará-la. enquanto a guiava para a saída. focou a energia em fazer aquele contato durar o máximo possível. . – Pronta para retornar à sua suíte? Isabella não estava. Era um beijo de dois amantes. Estavam tão próximos. escorregando uma das mãos pelas costas delgadas e espalmando as nádegas firmes através do tecido da calça. O elevador se aproximava da cobertura. Theron se lembraria de que a estava beijando. Puxando-a contra o corpo até que não houvesse nenhum espaço entre ambos. Os dedos que a acariciavam eram como ferro em brasa contra sua pele. Afinal. conseguissem se encontrar. E então ele a invadiu. sabendo que Theron se inclinaria e lhe daria um beijo em cada face. Não era um simples beijo ou carícias efetuosas trocadas entre duas pessoas que estavam se conhecendo. se o fizesse. A atmosfera pareceu explodir ao redor deles. ele assumiu o controle. Não havia hesitação ou espera por permissão. As portas do elevador deslizaram para se abrir. Era como se tivessem estado separados por muito tempo e. temendo que. Assim como Bella previa. Theron ficou imóvel. antes que ele pudesse esboçar qualquer reação. A mão que se encontrava espalmada na curva de sua nádega rumou para cima. A princípio. resvalando no couro cabeludo. Os seios intumesceram e latejaram contra o peito largo. famintos um pelo outro. Em seguida. Theron lhe pousou a mão nas costas. Isabella não ousava emitir nenhum som. mas também sabia que não podia monopolizar toda a manhã de Theron. envolveu-lhe o pescoço com os braços no mesmo instante em que os lábios quentes lhe roçavam o lateral do rosto. aquele momento estaria perdido. quando saíram para o saguão. Theron se inclinou para lhe depositar um beijo rápido no rosto. queimando-a mesmo através do jeans. Theron lhe envolveu o corpo com os braços. ela ofegou quando a mão de Theron fez aquele primeiro contato com sua pele. travando uma batalha frenética com a língua de Isabella. com um gemido rouco emergindo da garganta. ela encostou o corpo no dele e. – Vou acompanhá-la até seus aposentos – disse ele. Mesmo antes de se fecharem completamente. O que ela não se negou a fazer. antes de fechá-la nas mechas espessas e sedosas. escorregando sob a blusa e lhe pressionando a cintura com força até que Isabella se encontrasse esmagada contra a rigidez daquele corpo musculoso. O calor que dele irradiava a envolvia como um casulo. O atrito quente da língua de Theron a induzia a abrir ainda mais a boca para lhe facilitar o acesso.

antes de puxála para fora do elevador até a porta da suíte. Isabella o encarou. e agora. impotente. Em seguida. Nunca sentira algo parecido com os lábios de Theron. De repente. enquanto revivia aqueles momentos preciosos nos braços de Theron. sabendo que aquele momento estava perdido. Isabella sentiu os joelhos cederem e teve de se agarrar a ele. incapaz de se conter. Theron a afastou. De todo modo. Theron já estava soltando a porta para que se fechasse. ela gemeu. A única coisa que lhe restara saber era se havia compatibilidade sexual entre os dois. O último enigma havia sido descoberto. A paixão entre eles fora instantânea. durante aqueles momentos ardentes no confinamento do elevador. tudo que lhe restava era fazê-lo ver isso. escancarou a porta com uma das mãos. com partes iguais de raiva. um combustível avassalador. sussurrando suavemente contra a pele sensível abaixo do lóbulo de sua orelha. Isabella entrou devagar. a última peça do quebra-cabeça se encaixara. Quando girou para dizer alguma coisa. incapaz de dizer ao menos uma palavra. todos os sentidos despertando após um longo inverno. Os olhos castanhos queimavam. Um tremor lhe varou o corpo. ela escutou os passos apressados se afastando no corredor. Theron provara ser o par perfeito para ela. fechou os olhos e abraçou o próprio corpo. Ela fechou os olhos. Não que Isabella tivesse tido alguma dúvida naquele aspecto. aquela boca macia e quente a abandonou.Quando os lábios de Theron deixaram os dela para escorregar por sua mandíbula e pescoço. Em todos os outros aspectos. ele fez um movimento negativo com a cabeça. autocondenação e… desejo. A química que compartilharam. Antes de ouvir o clique da fechadura. que abriu inserindo o cartão com toda a força na fechadura. Praguejando mais uma vez em grego. . e um xingamento baixo escapou dos lábios de Theron. segurando-a com força pelos braços. Isabella recostou as costas na porta.

ainda assim. . – Reginald Hollister. fiz. Theron fez um movimento negativo com a cabeça. Da fragrância envolvente. Tinha a impressão de que alguém havia martelado sua cabeça. Muito mimado pelos pais. – Então traga-a para mim – ordenou ele. e não conseguira dormir mais que uma hora durante toda a noite. – Fez aquela lista que lhe pedi? – De qual delas está falando? – À lista de homens solteiros qualificados que solicitei. Esquecera-se de duas reuniões e dispensara três telefonemas. Aqueles que pretendo apresentar a Bella. Theron apertou o botão do interfone. inclinando-se para trás na cadeira. O corpo ainda ansiava por fazer exatamente aquilo. Aquela mulher estava destinada a enlouquecê-lo. não conseguia se livrar da imagem de Isabella. – Dormiu bem esta noite? – perguntou Madeline. Não importava o que fizesse. perguntando o que ele desejava. como se achasse que ele havia perdido a cabeça. Theron resmungou algo e cerrou as pálpebras.Capítulo 5 THERON PRENDEU o nariz entre o dedo polegar e o indicador. aquela… Sim. as curvas perfeitas moldadas ao seu corpo como se fossem feitas sob medida para lhe pertencer. – Muito bem. Theron gesticulou para que a secretária se sentasse na cadeira em frente à mesa. Theron fez que não com a cabeça. Tudo que lhe ocupava a mente era uma jovem atrevida de cabelo negro e olhos verdes tentadores. – Há rumores de que ele agredia a primeira esposa. E. quase a arrastara para o quarto da suíte e fizera sexo com ela. A voz calma de Madeline se fez ouvir. Madeline transpôs a soleira. Madeline riscou o primeiro nome com um movimento teatral. e talvez estivesse certa. Estava cansado. Pelo que parecia ser a centésima vez desde que chegara ao escritório naquela manhã. segurando uma folha de papel. Theos mou! Não conseguia esquecer aquele beijo. – Trata-se de um idiota imaturo. um dos quais do irmão Piers. estreitando o olhar observador. Era o tutor de Isabella. – Leia os nomes para mim – disse ele. esperando que ela desistisse e fizesse o que ele pedira. Responsável por seu bem-estar. Bella precisa de alguém mais… independente. Impaciente e um tanto agitado. soltando um xingamento grosseiro e longo. No mesmo instante. Madeline lhe lançara olhares durante toda a manhã. a sensação dos lábios macios nos seus. Que tal Charles McFadden? Theron franziu a testa. então. Instantes depois. – Ah.

– Isso não será… Mas a secretária já havia se retirado. bem como o piercing no umbigo. – Ahá! – exclamou Madeline quando nenhum comentário foi feito. para constatar que ela usava um short. – Desculpe-me pela entrada intempestiva – disse ela com voz ofegante. Ele não sabia dizer. Theron limpou a garganta e gesticulou para a cadeira que Madeline deixara vaga. apressada. Ela deu palmadas leves no braço de Isabella em seu caminho em direção à porta. Ela devia saber o que agradava Isabella melhor que ele. estacou e girou. Uma tornozeleira dourada pendia frouxa sobre o pé. e ele foi deixado a sós com Isabella. Quando lá chegou. Madeline se ergueu e sorriu para Isabella. e apressou-se a riscar aquele também. concedendo-lhe a visão da tatuagem que tinha nas costas. e aquilo o estava deixando maluco. – Vou suspender suas ligações e anotar os recados. – Não é rico o suficiente. Não conseguiria sobreviver àquilo. – Ótimo. – Não vi Madeline… Aí está você – acrescentou quando se deu conta da presença da secretária. fazendo um enorme círculo em volta daquele nome. – Não tem problema. Precisamos conversar. Isabella girou por um instante. com um sorriso luminoso estampado no rosto. – Tad Whitley. As sandálias lhe deixavam expostas as unhas pintadas de rosa. Tinha vontade de se aproximar e lhe arrancar aquele short para ver o desenho. O olhar de Theron a varreu de cima a baixo. Não que aquilo parecesse intimidá-la. – Garth Moser? – Não gosto dele. O desenho quase faiscava. – Acho que deveríamos incluir Marcus Atwater e Colby Danforth também. Curto. Theron olhou para Madeline com expressão severa. Theron percebeu que a camiseta era curta e lhe revelava o abdome. Madeline sorriu. ele cancelou todos os seus compromissos da manhã. Ambos são homens solteiros.– Bradley Covington? – Um chato – retrucou Theron. Era melhor deixar aquele assunto por conta de Madeline. E se moldava aos seios firmes de uma forma que o fazia lembrar dos concursos de camiseta molhada. . Anetakis tem algum tempo para você. belos e não estão namorando ninguém no momento. minha querida. assim Isabella ficará satisfeita. Ao que parece. – A secretária baixou o olhar à lista e voltou a fixá-lo em Theron. Theron fez um gesto de rendição com a mão. Theron franziu a testa mais uma vez e tentou imaginar uma razão para desconsiderar Paul. – Paul Hedgeworth. Os dois foram interrompidos quando a porta se escancarou e Isabella entrou. – Posso convidá-lo para o coquetel que o senhor oferecerá na noite de quintafeira? Theron resmungou uma afirmativa. Eu estava mesmo de saída. Madeline deixou escapar um suspiro. Que lhe deixava as pernas longas e bronzeadas à mostra. Tenho certeza de que o sr. – Fico feliz que tenha vindo. À medida que o olhar subia. Parecia ser uma fada ou uma borboleta.

Providenciei para que os papéis que necessitam de minha assinatura fossem enviados por fax para cá. jamais teria feito uma bobagem como aquela. – Sobre o que quer conversar? – perguntou ela. acho que poderíamos finalizar os preparativos para o apartamento e planejar nossas compras. sempre o mais sensato e. Isabella cruzou as pernas e juntou as mãos sobre o colo. quando olhava para aqueles lábios carnudos. aquela mulher irritante o reduzira a um idiota apalermado. Isabella se acomodou na cadeira de frente para ele. A pulsação em sua . Esfregando o rosto com as mãos. boquiaberto. Não estrague o que aconteceu. Isabella ergueu uma das mãos. o que deixava os seios perfeitos em sua linha de visão. Theron resolveu se concentrar na questão presente. O fato de você afirmar o contrário não depreciará o que se deu em minha mente. Theron pestanejou várias vezes. e a surpresa o fez silenciar. – Sobre ontem… – começou. – Você tem o direito de esquecer o que houve. Podia recordar o sabor e a fragrância daquela mulher. imaginando o que permitiria ou não que ela fizesse se lhe pertencesse. que sempre tinha algo a dizer. Então era isso? Isabella era capaz de varrer facilmente da mente o que acontecera na véspera. enquanto Isabella o encarava com semblante calmo. de se arrepender e de jurar por tudo que é mais sagrado que nunca mais se repetirá. O que estava pensando? Se Isabella fosse sua. se desculpando. No que se refere a beijos. Não devia sequer acalentar tal pensamento. – Aquilo não deveria ter acontecido – retrucou ele. Theron se viu sem palavras. revivia a sensação de tê-los nos seus. Era muito mais excitante que um decote generoso. Logo ele. Não havia sentido em macular aquele corpo. Como diabos poderia fazer o sermão que planejara com tanto cuidado se Isabella se mostrava desapontada com o fato de ele ter tocado no assunto? – Se você se arrependeu. e gostaria que não assumisse uma atitude paternalista. gostaria muito que o fizesse em silêncio – disse ela. Isabella suspirou. Theron a encarou. Theos! Ali estava ele. como se estivessem prestes a discutir o tempo. sentado. já que tenho certeza de que você desejará analisá-los antes. A camiseta os cobria muito bem. Uma novidade. Nunca pertenceria. Mas não espere que eu faça o mesmo. achei que foi próximo da perfeição. Até mesmo naquele momento. Ele teve vontade de bater com a cabeça no tampo da mesa. enquanto ele se consumira durante toda a manhã? A lembrança não só o consumira como torturara. antes que Theron pudesse acrescentar qualquer coisa. – Estragar o quê? – O beijo. realçando cada curva e elevação. se isso era tudo que tinha em mente. – Você está estragando tudo. minimizando o que aconteceu. Mas Isabella não lhe pertencia. Não podia acusá-la de usar um decote muito profundo e revelador. Pedi para não fazer isto. mas se colava aos volumes arredondados. Era o diplomata da família. Theron se descobriu a ponto de balançar a cabeça negativamente outra vez. Theron se encontrava a ponto de perder a cabeça e o controle. – Não estrague tudo – disse ela com voz rouca.Uma tatuagem. – Agora. ainda assim. tenso. confuso.

Pedirei para meu advogado analisá-lo se você quiser. – Não me pediram segredo quanto a isto. se eu estivesse sendo convidada para uma festa em que meu futuro marido estaria presente. Em seguida. enquanto ele se movia dentro dela. Mais uma vez. mordendo o lábio inferior para suprimir um sorriso.masculinidade se intensificou ao imaginá-la nua. tentando entender o que acabara de acontecer. – Por que tenho a impressão de que estão me preparando uma armadilha? – Porque estão? – retrucou Madeline. agora ele mencionou – disse Madeline. Uma fada. Isabella ergueu o papel. – Bella. – Veja se Madeline está com o contrato. A tatuagem era o desenho de uma fada envolta em poeira dourada faiscante. veja se ela pode encaixar algumas horas para escolhermos sua mobília. – Ele lhe contou sobre a festa? Isabella pegou o contrato de locação e franziu a testa. Theron não mencionou festa alguma. Combinava com ela. Isabella girou outra vez na direção da mulher mais velha. acenou com a mão para se despedir e se encaminhou na direção da porta. – Conte-me. Era óbvio que Theron se preparara para lhe passar um sermão infindável sobre não deverem repetir o que haviam feito no dia anterior. Isabella se sentou na cadeira ao lado da mesa de Madeline. – Marido? . O sorriso de Isabella lhe aqueceu partes do corpo que não ousaria mencionar. animada. antes de ele começar. o fez experimentar uma descarga elétrica. Madeline pegou uma pilha de papéis em um canto da mesa e sorriu para Isabella. – Bem. – Suponho que também não tenha lhe informado qual será a ocasião. Madeline está com minha agenda da semana. Theron praguejou em seu íntimo e forçou a mente a se concentrar nas questões presentes. A secretária ergueu uma folha de papel e a empurrou na direção dela. Naquele instante. Às 19 horas em minha cobertura. Isabella deixou o escritório. divertida. e gostaria que você comparecesse. gostaria ao menos de ter a chance de escolher um vestido deslumbrante para a ocasião. portanto não estou traindo a confiança de ninguém. as linhas que lhe vincavam a testa se aprofundando. Mas aquilo suscitou outro pensamento muito intrigante. tendo aquele corpo como mapa. leu o conteúdo e voltou um olhar atônito a Madeline. Theron tornou a entrar. muito graciosa. Antes que ela pudesse responder. Nada que não estivesse esperando. Além do mais. Madeline providenciará para que um carro vá buscá-la no hotel. Era provável que Theron ainda se encontrasse desequilibrado. Aproximou-se da mesa de Madeline e perguntou educadamente se a secretária teria recebido algum fax endereçado a ela. Haveria outras tatuagens? Talvez uma ou duas que só poderiam ser vistas se ela estivesse nua? O pensamento de sair em uma caçada às tatuagens. Ela se congratulou em silêncio pela forma como lidara com a situação. – Não. e fechou a porta. ele enfiou a cabeça pelo vão da porta entreaberta. Quando sair. esqueci-me de lhe dizer que planejei um coquetel para quinta-feira. em sua cama. ela se ergueu. por isso se preparara para cortá-lo. Quanto às compras. Atirando o longo cabelo para trás.

Theron já encontrou alguém? – Isabella tentou afastar da voz o horror que sentia. – Talvez ele esteja com pressa para poder se concentrar no próprio casamento – acrescentou a secretária em um tom de voz tranquilizador. mesmo se falasse. Não era de se estranhar que ele tivesse ficado tão transtornado com o beijo que trocaram no dia anterior. – Bem. Talvez a melhor coisa a fazer seja se concentrar nos homens que Theron tem em mente para você. O sr. a julgar pela expressão compassiva no olhar de Madeline. E sussurrou: – O que acha de irmos até a sala de reuniões? Isabella permitiu que a secretária a guiasse até a outra sala e trancasse a porta. há quanto tempo sente essa empolgação por Theron? – Empolgação? – perguntou Isabella com partes iguais de divertimento e devastação. erguendo-se em seguida. – Oh. Naquela ocasião até poderia ser considerada uma empolgação. então havia tempo para garantir que ele não o fizesse. mas a secretária de Theron também não fazia ideia da profundidade de seus sentimentos e de sua determinação. – Sim. Eu o amo desde minha adolescência. Isabella se inclinou para a frente. querida! – Ofegou. Entorpecida. – Não estou gostando deste olhar. mas não estava muito certa de haver conseguido. Anetakis só pode terminar em decepção. . Ainda assim. de ter um compromisso com outra mulher… Fechou os olhos contra a repentina pontada de dor que a invadiu. – Empolgação é um sentimento superficial e passageiro. Não se opusera à ideia porque achara que Theron não falava sério.As sobrancelhas da secretária se ergueram. Anetakis não quer um noivado longo. Essa fascinação pelo sr. Ele tem um acordo com a família Gianopolous para se casar com a filha deles. ele mencionou superficialmente. para todos os efeitos. Ontem mesmo. você não ouviu de minha boca. Isabella obedeceu. – Madeline apontou uma cadeira. – Quando será o casamento? – perguntou ela com voz suave. Ela e a mãe chegarão a Nova York em menos de uma semana. – O quê?! – Ele também não falou sobre isso? – indagou Madeline. Madeline franziu a testa. mas agora? Madeline fez um gesto negativo com a cabeça e lhe deu palmadas leves na mão. conte-me. e a mulher mais velha se acomodou ao seu lado. – Agora. – Ele vai mesmo se casar? Está noivo? Madeline pareceu confusa por um instante. mas pelo que entendi será mera formalidade. querida. e contornando a mesa até onde Isabella se encontrava sentada com as costas rígidas e as mãos unidas com força no colo. E. – Conte-me – pediu. antes ele terá de fazer o pedido. Alannis. cautelosa. Se Theron não fizera o pedido. Anetakis não lhe contou que estava procurando um marido para você? Pensei que ele tivesse mencionado isso pelo menos uma vez. Isabella sabia que Madeline tinha boas intenções. Detestaria vê-la… sofrer. então acredito que seja durante o próximo outono. ansiosa. – O sr. – Então ele ainda não fez o pedido de casamento? Uma sensação de alívio se derramou sobre Isabella. – Theron está determinado a apresentá-la a rapazes com potencial para serem bons maridos. – Sente-se. mas a compreensão lhe suavizou a expressão. então. o pensamento de Theron estar noivo. – Bem. Bella achou que lhe restava muito tempo até que ele cumprisse o prometido.

Ficariam felizes em me casar com o homem que eu amasse.Isabella tomou as mãos da secretária. se não tiver nenhuma objeção. Nenhum homem vale a perda de seu respeito próprio. Em seguida. desejo-lhe boa sorte. – Minha mãe amava meu pai loucamente – disse Isabella com voz suave. – Oh. na certa lhe diria a mesma coisa. Quando é mesmo esse coquetel? – Na noite de quinta-feira. – E era correspondida. embora forçado. – Não se engane. não. É urgente. – Peça para ele ler e. Isabella anuiu com um gesto lento de cabeça. com a mente em turbilhão pelo choque inesperado que tivera ao saber do noivado iminente de Theron. Pegou o telefone celular e digitou o número de Sadie. Às 19 horas. Madeline ficou de pé e a observou com certa reserva. Madeline. Preciso fazê-lo ver isso. – Está ocupada? Preciso encontrá-la. Theron cometerá um grande erro. Se sua mãe fosse viva. está bem? – E a compra dos móveis? Para quando quer marcar? Isabella negou com a cabeça. As duas deixaram a sala de reuniões. Você está sozinha nessa empreitada. Estarei lá. Isabella. me enviar de volta. – Tem de me ajudar. – Obrigada. antes de devolvê-lo à secretária. e Isabella se apressou em assinar o contrato de locação. Isabella esboçou um sorriso. . Theron fez sua escolha. Madeline negou com um gesto veemente de cabeça. – Oi. – Então. Não me envolverei nisso. Ambos queriam que eu fosse feliz. – Irei sozinha. girou para se retirar do escritório. – Está bem. Isabella soltou as mãos de Madeline e suspirou. sou eu: Isabella – disse quando a amiga atendeu. e tenho como filosofia não me envolver na vida pessoal dos meus chefes. – Você me agradecerá quando ele for um homem mais feliz.

quando por fim Sadie a soltou.Capítulo 6 – ISSO É um desastre! – gemeu Isabella. Esse é o problema – respondeu Isabella. Na certa tem uma linhagem impecável. foi um erro. precisava de todo o apoio que pudesse obter.” – Ah. mas agora via-se diante da possibilidade de não conseguir a única pessoa que desejava ao seu lado. – Isabella suspirou. Pelo que me contou. e ela haveria de preferir tomar ácido de bateria a contestar um desejo dos pais. Naquele momento. – Essa mulher é sem dúvida uma boa jovem grega de uma boa família grega. antes de fixar o olhar outra vez na amiga. – Mas isso não significa que não conseguirá. se esforçando para esboçar um plano. – Aquele discurso? – Você sabe. Ou ao menos tentou. Não será fácil como pensou que fosse – afirmou Sadie. As sobrancelhas de Sadie se ergueram. É verdade. Portanto. aquele do tipo: “Isso não deve se repetir nunca mais. fixou o olhar no teto. Precisa apenas fazer o mesmo que pretendia. Ou o desespero. Isabella se deixou ser abraçada pela amiga. – Que mulher excitante. A solidão nunca a incomodara. – Nós nos beijamos ontem – disse ela. – Não estou sendo muito gentil. – Sadie riu. a preocupação lhe distorcendo os belos traços. O pai há de ter rios de dinheiro. Faça-o enxergá-la como você realmente é. Ela deve ser adorável. – Theron fez aquele discurso esta manhã. Theron não resistirá a você se passar um tempo ao seu lado. A amiga se sentou ao seu lado. – Ainda significa que ele tem total intenção de fazê-lo. deixando-se afundar no sofá de Sadie. – Você diria “não” a Theron Anetakis? – Bem… não. Isabella lhe dirigiu um olhar incrédulo. não acha? Isabella soltou uma risada. – Você não desistiu. – Agora a está fazendo parecer um poodle. para todos os efeitos. não me parece uma união baseada no amor. não é? Ele ainda nem fez o pedido de casamento. – Nem ela dirá. – Isso não muda nada. esse… – Ao menos agora sei por quê. desanimada. – Ainda. – Ela pode não aceitar – argumentou Sadie. – Oh. divertida. Theron está noivo. – Está vendo? Eu lhe disse! – exclamou a amiga. – Não comemore ainda – retrucou Isabella. – Está bem. desanimada. Isabella cobriu o rosto com as mãos e tentou não deixar que o pânico a dominasse. querida… – Sadie a envolveu nos braços. Em seguida. .

– …quente. – Agora você atraiu minha atenção. Sou uma péssima dançarina. As pessoas são capazes de matar por um convite dele. sem desculpas. e pode parecer meio interesseiro. Bem. Talvez. eu tenho essa festa para a qual fui convidada. Até eu conseguir bons papéis. Mas o que isso tem a ver comigo? Sadie lhe dirigiu um olhar suplicante. ninguém seria capaz de notar a diferença. mas ela está em alta na Broadway agora. – Vamos. com a maquiagem certa. Temos a mesma altura e. Isabella girou a cabeça rapidamente na direção da amiga. na noite de sábado. – Se me permite pensar em mim por um momento. Howard Griffin estará lá. não é exatamente um teste. iria até lá arrastá-la pelo cabelo e. – Howard está produzindo um musical na Broadway e fará testes na próxima semana. pensei que você pudesse me substituir. e nos tornamos amigas. se você estiver usando as minhas roupas. Porém. Bem. Sadie fez um vigoroso movimento negativo com a cabeça. sonhadora. – Quem é Howard? E quem é Leslie? – quis saber Isabella. Leslie conseguiu um convite. a veria seminua. mas poderia funcionar. maliciosos. – Se eu não aparecer no trabalho sábado à noite. sem dúvida explodiria de raiva. perderei o emprego. Todas as dançarinas terão de estar presentes. Os olhos de Sadie faiscaram. diga-me o que é – estimulou Isabella. . Se ele descobrisse onde você estava. Só poderá fazer o teste quem for convidado. – Faça-o se apaixonar por você. e Leslie vai apresentá-lo a mim. É algo muito importante. – Tenho um teste no sábado à noite. dessa forma. Sadie sorriu. – O que significa fazê-lo esquecer essa questão da tutela. – Então o que devo fazer? Sadie lhe apertou a mão e sorriu. – Pense bem. mas poderá se transformar em um se souber jogar meus dados da maneira correta. eu uso uma peruca loura no clube. – Tenho de trabalhar neste sábado. Eu a faria ser despedida em dois segundos. – E o que isso tem a ver com Theron? Ele iria ter um ataque cardíaco se soubesse que entrei em um clube de striptease. grandes papéis. Isabella soltou uma risada. – Não pode ir direto ao ponto. – Eu pretendia lhe pedir isso de qualquer forma. – Está bem. Sadie? Este suspense está me matando. Sadie fez uma careta. Todos a querem. nem ao menos nos parecemos fisicamente. Eu a conheci algumas semanas atrás. Então. quanto mais se souber que trabalhei lá por uma noite. Ninguém fica olhando para seu rosto em um lugar como aquele – acrescentou ela. apenas por algumas horas. Ela está me fazendo um grande favor apenas em me recomendar a Howard. talvez eu tenha um método meio tortuoso para fazer com que Theron a veja quase nua. Um grupo de forasteiros ricos que vêm para a cidade uma vez por ano. impaciente. Inclusive eu. – Primeiro.Isabella soltou outro suspiro. – Quer que eu me passe por você em um clube de striptease? Sadie. O beijo foi… – Isabella respirou fundo e sorriu. este final de semana eles alugarão o clube por uma noite. Não posso perder essa festa. não posso me dar o luxo de perder o dinheiro que ganho no clube. Preciso que ele me veja como me viu naquele momento.

Seguiu até a sala de Madeline para perguntar o que estava acontecendo e encontrou o local cheio de gente. ele contratou um bando para me seguir por Nova York. Ouça. – Alannis e a mãe chegaram. deparou com uma pilha de malas no corredor. abriu a porta e entrou. eu o beijarei outra vez. com a testa ainda mais franzida. para ser apresentada a eles e. Eu sei. ansiosa. sim – afirmou Isabella com voz suave. Estão aguardando. – Droga! – resmungou. Isabella se apiedou da amiga. de acordo com Theron. com um sorriso travesso a lhe curvar os lábios. Eles comunicarão imediatamente a Theron. que se encontrava parado diante da escrivaninha. – Encontrarei uma forma de burlar a equipe de segurança. Sem dizer uma palavra. – Você tem guarda-costas? – Sim. não acha? Terei de ir ao escritório dele bem cedo. porque Alannis e companhia limitada estão no escritório dele. Entrou no elevador até o andar desejado e. isso é ridículo. Theron. Posso burlar esses guarda-costas e substituí-la no clube. Sadie se encontrava boquiaberta. – Theron. Ele não saberá onde estou. se inclinou para sussurrar: – O que está havendo? Madeline limpou a garganta. Alannis e a mãe eram belíssimas de uma forma clássica e elegante. pela manhã. – Deixarei Theron maluco. Claro que aquela mulher não seria simplória. Enquanto a mãe tinha o cabelo preso em um coque . Quando alcançou a mesa da secretária. Uma mulher mais velha também girou. Por fim. ISABELLA SALTOU do táxi em frente ao prédio onde ficava o escritório de Theron e caminhou apressada na direção da entrada. não devo ir a lugar algum sem esses seguranças – disse ela. porque aquilo era pedir demais. – Por que tenho a impressão de que verá essa segurança como um desafio? – Sadie meneou a cabeça. quando adentrou os escritórios da empresa. Encontrarei em forma de lhe atrair a atenção. Aquilo não era nada bom. aquela que deveria ser Alannis. Uma parte de Isabella desejava sair correndo o mais rápido e para o mais longe possível. Aquela é sua equipe de segurança. mas isso lhe dará a chance de me fazer outro sermão. Ao que parece. Portanto. Na minha opinião. Franzindo a testa. – Sabe de uma coisa? Espero que ele valha todo esse sacrifício – disse Sadie. – Não pensei nisso. – Tem certeza? – perguntou Sadie. Sadie franziu a testa.– E isso não causaria sua demissão? – questionou Isabella. – Ela apontou na direção de três homens de aparência intimidante. – E os outros são pessoas relacionadas aos compromissos desta manhã. está levando esse assunto de tutor longe demais. Isabella aprumou a coluna e lançou um olhar à porta fechada do escritório de Theron. No mesmo instante. ergueu a cabeça e lhe lançou um olhar curioso. ignorando os apelos de Madeline. – Em minha opinião. mas outra queria ver a mulher com quem Theron pretendia se casar. O sorriso de Isabella se alargou. nenhum homem é digno de tanto esforço. Se o sermão for muito severo. se encaminhou naquela direção. ergueu o olhar e franziu a testa ao vê-la. – Que tal eu a substituir sem que Theron saiba? Depois pensarei em uma maneira de chamar a atenção dele.

– Madeline não lhe falou que eu estava ocupado? A reprovação era evidente em sua entonação. a não ser que sua voz fosse estridente. Acho maravilhoso que ele esteja se incumbindo de apresentá-la a maridos em potencial. Os olhos castanhos eram afetuosos e simpáticos quando ela esboçou um sorriso hesitante. No mesmo instante. Porém. Madeline fechou a porta e girou para encará-la. – É um prazer conhecê-la – disse Alannis com um sorriso tímido. dessa forma. e Isabella agradeceu. E. voltou a fixar o olhar em Isabella. – Alannis é uma jovem adorável. e então a recordação se refletiu em seu olhar. Um instante depois. Eles estão aguardando lá fora. ela foi dispensada. – Bella. Isabella se encontrou atirada para fora do escritório. Resolvi ajudá-la. antes de se erguer e contornar a mesa. – Venha comigo – disse. claro. Ela e Theron formavam um casal fabuloso. Alannis o usava solto. minha tutelada. – Quem é ela? – perguntou a mãe de Alannis em um tom autoritário. – Está precisando de alguma coisa? – quis saber ele. Theron apertou o botão do interfone e disse a Madeline que estava enviando Isabella para conhecer sua equipe de segurança. – Mudei de ideia. esta é Isabella Caplan. – Ah. – Talvez ela tenha mencionado que você estava ocupado – murmurou Isabella. Isabella consultou o relógio de pulso em um gesto afetado. mas a expressão do belo semblante másculo era indecifrável. Para sua surpresa maior. aquela mulher se aproximava da perfeição. a senhora se aproximou estendo-lhe as duas mãos. em uma cascata de ondas escuras sobre os ombros. Como um autômato. Theron nos contou tudo sobre você. – Você me disse para estar aqui pela manhã. Procurou algum indício de que ele estivesse sofrendo. Senhoras. esqueci-me completamente de sua equipe de segurança. Sophia abandonou a postura alerta e lhe dirigiu um sorriso doce. quase a arrastando consigo. – Em seguida. Sophia. – Sophia lhe beijou as bochechas. – Ele dirigiu um sorriso na direção da noiva. mas Isabella resolveu ignorar aquele detalhe. – Com a agitação pela chegada de Alannis. – Agora você a está fazendo parecer um poodle – comentou Isabella. e Alannis lhe ofereceu um sorriso simpático. Theron voltou a atenção à senhora e exibiu um sorriso tranquilizador. Sophia. Em seguida. aqui estou. Isabella se deixou guiar até a mesma sala de reuniões do dia anterior. Terá de me desculpar. gostaria de apresentá-la a Alannis Gianopolous e sua mãe. – É um prazer conhecê-la.impecável. – Bella – disse Theron em tom de voz áspero. Eu os orientei sobre o que espero deles. ela fez o caminho de volta à mesa de Madeline. – O que quer dizer com isto? Madeline deixou escapar um suspiro. recordando-se do que lhe . Isabella. Isabella lhe dirigiu um olhar surpreso. Theron franziu a testa por um instante. – Esta é a menina sobre a qual comentei. A secretária lhe dirigiu um rápido olhar de compaixão. Bem. Estava muito ocupada tentando encontrar um defeito em Alannis. Madeline pode fazer o restante com você. O olhar encontrou o de Theron mais uma vez. perplexa. – Igualmente – respondeu Isabella com um fio de voz. sim. Sophia lhe deu um abraço carinhoso.

em um gesto impaciente. O sorriso da jovem de beleza clássica lhe iluminou todo o rosto. – Esse casamento será um desastre. – Talvez ele deseje um rato – murmurou Isabella. – Não vou interferir. Tenho a impressão de que essa mulher se transforma em uma barracuda quando se trata da filha. – A secretária girou na direção de Isabella e sorriu. Isabella forçou um sorriso no instante em que o trio se aproximou. Você vai. em um esforço hercúleo para ser extremamente amável. dando de ombros. Sem dúvida eles se adequavam ao papel de seguranças. animada. A secretária fez um gesto negativo com a cabeça. foi ótima – respondeu ela com um leve sotaque inglês. – Achei que tivesse como filosofia nunca interferir na vida pessoal de seus chefes – disse Isabella. – Como foi sua viagem? Espero que tenha corrido tudo bem. deixe-me apresentá-la à sua equipe de seguranças. Alannis estava de braços dados com ele. – Alannis relanceou o olhar a Theron. . a aliança e toda a noite planejada.dissera Sadie. Quando Madeline estava lhe apresentando o último guarda-costas. – A secretária suspirou. – É melhor não levantar suspeitas da mamãe ursa. – Sim. Mas a sutileza também não era o ponto forte de Theron. – E Madeline guiou Isabella de volta ao escritório. ela é verdadeiramente adorável. a porta do escritório de Theron se abriu e os três saíram de lá. Isabella os observou com expressão tristonha até Madeline lhe dar uma cotovelada leve nas costelas. onde os homens as aguardavam. Isabella franziu a testa. – Está sendo muito óbvia. – Enquanto raciocina. – Sim. – Isabella ergueu as sobrancelhas. Isabella anuiu com um gesto lento de cabeça. – Então desistiu? – perguntou Madeline. e Isabella se encolheu em seu íntimo diante da adoração que viu refletida naquele gesto. O que fará com ela é problema seu – concluiu. com uma expressão tristonha. O sorriso de Isabella se alargou. Alannis é um ratinho. Tinha de arquear o pescoço para trás para poder enxerger os rostos dos três brutamontes. – Eles têm ordens estritas de acompanhá-la para onde quer que vá. Em seguida. Percebi no instante em que pousei os olhos na mãe enérgica que ela tem. embora ela não pudesse dizer que a sutileza era o ponto forte daqueles homens. mas não é a mulher certa para Theron. – Tão cedo? – Sim. Isabella ouviu apenas parte das instruções. batendo o pé no chão repetidas vezes. minha menina. – Sua equipe de segurança está do seu agrado? – perguntou Theron em tom educado. – Estou muito feliz por estar aqui. exasperada. Está com os ingressos. A mente girando em uma rotação absurda. e a cabeça de Theron se achava inclinada para ouvir o que ela dizia. Nós duas sabemos disso. Madeline resfolegou. – Isso deve tornar as coisas interessantes para você. o que significa que terá de agir rápido – retrucou Madeline. Theron deve saber também em algum lugar daquela sua cabeça dura. focou a atenção em Alannis. após a ópera. – Ele planeja fazer o pedido de casamento na noite de sexta-feira. e Theron está mais para um leão. Estou lhe dando a informação.

os olhos castanhos perscrutadores deixando uma trilha de sensações sobre sua pele. Ouvi dizer que é um país adorável para se visitar. ela se limitou a fazer um movimento positivo com a cabeça. mas não por uma diferença muito grande. Quando passaram por Isabella. Embora a noiva se encontrasse ao lado dele. Incapaz de proferir qualquer palavra por causa do nó que se encontrava alojado em sua garganta. Talvez possam me contar tudo sobre a Grécia. – Claro – concordou Isabella. lançando um olhar confuso a Theron. Talvez alguns anos? Havia uma inocência juvenil nos olhos daquela moça que fazia Isabella se sentir mais velha e experiente. – Vocês fizeram uma longa viagem. – Quinta-feira? – repetiu Isabella. suave. agarrada ao seu braço como uma alga marinha. – Avise-me se tiver algum problema. enquanto a expressão de Theron se fechava. o olhar de Theron se cravava em Isabella. ela se voltou na direção de Sophia com uma expressão animada. – É melhor irmos agora – disse ele à mãe de Alannis. Providenciarei para que a bagagem que trouxeram seja despachada para o hotel imediatamente. Theron amaria Alannis? Sentiria certa afeição por ela? Alannis era mais velha que ela. Sophia se mostrou muito animada. .– Esperamos revê-la na noite de quinta-feira – disse Sophia. Engolindo com dificuldade o nó que crescia em sua garganta. ele gesticulou com a cabeça na direção dela. – Claro que estendi o convite às duas. Talvez eu passe minha lua de mel lá quando me casar. – Também estou ansiosa por voltar a vê-las. – O coquetel – esclareceu ele.

de cabelo escuro e um sorriso capaz de derreter um homem. beijá-la no elevador. – Eu imaginava se já conseguiu encontrar o rapaz ideal. o excitamento lhe fazendo brilhar os olhos. em um ato irracional. Ele planejara meticulosamente aquela noite. comprara ingressos para o espetáculo favorito de Alannis. Theron tinha certeza de que Sophia insinuara para a filha. Não. – Sabe de uma coisa? Adoraria me incumbir pessoalmente de Isabella. – Como disse? – Theron meneou a cabeça. – Conseguiu encontrar candidatos qualificados para Isabella? – perguntou Sophia. mamãe! – opinou Alannis. aborrecido. claro. – Theron não sabia por que.Capítulo 7 THERON NÃO conseguia tirá-la da mente. no coquetel da noite de quinta-feira. após acomodá-las na suíte que ocupariam. todos estavam radiantes. – Oh. Theron franziu a testa. – Eu lhe transmitirei a ideia na próxima vez em que falar com ela. Ele escutou Alannis repetir todos os detalhes da viagem e expressar de novo o contentamento por visitar Nova York pela primeira vez. Não que o fato de ela se casar tão perto o fizesse se sentir melhor. Theron ergueu o olhar e a avistou do outro lado do restaurante. sua mente não estava no presente. embora ele lhe tivesse pedido para manter os detalhes em segredo. . Os homens fariam fila pela chance se serem escolhidos. mas o pensamento de Isabella deixando o país e se casando com alguém tão longe lhe deixava um travo na boca. Ela poderia voltar comigo para a Grécia. tentando se concentrar no que Alannis e Sophia diziam. Os pensamentos se encontravam povoados por uma tentação em forma de mulher. mas me parece solitária. paciente. Esfregou o rosto. Ele as levara para almoçar. Como se a tivesse conjurado. Isabella não teria nenhuma dificuldade nessa área. com o propósito de terminar a noite com uma festa em seu hotel. – Que ideia maravilhosa. Sophia se inclinou para a frente. Porém. – Ela é uma jovem muito bonita. Ao que parecia. antes de. sem nenhuma sutileza. Isabella caminhava ao lado da recepcionista que a guiava a uma mesa ao lado da janela. Sophia anuiu em aprovação. seu plano de pedir Alannis em casamento. Duvido que tenha dificuldades em encontrar um marido. mas tudo de que conseguia se lembrar era que havia almoçado com Isabella àquela mesma mesa. Então por que não estava mais entusiasmado? Alannis se mostrava muito animada. expulsando aqueles pensamentos. – Você comentou que estava tentando encontrar um marido para ela – explicou Sophia. Sophia estava extasiada com a intenção de Theron em propor casamento a Alannis após a ópera. menos ele. Planejo apresentá-la a alguns rapazes que foram cuidadosamente investigados. sim. Myron ficaria muito feliz em apresentá-la a rapazes de boas famílias.

Afinal. Poderia transformar a reunião insípida em sua cobertura em uma festa de boas-vindas a Isabella no hotel. Aquela era a mulher com quem passaria o resto da vida. Após um instante. Em seguida. Sentindo-se um pouco melhor. barrando-lhe a passagem. a secretária respondeu a mensagem. Isabella se encaminhou resoluta à porta da frente. Sem família. a pediria em casamento. quando uma semana antes via-se ansioso por uma vida ao lado de Alannis? Aquilo não fazia sentido algum. O cabelo estava atado em um rabo de cavalo. Ainda não se acostumara àquela escolta. E se possuía amigos. Theron refletiu sobre as circunstâncias daquela jovem.Recordando-se do comentário de Sophia sobre ela parecer solitária. Em vez de lhe injetar consolo e contentamento. Mais uma vez o olhar de Theron vagou na direção de Isabella. – Ouça… como é seu nome? Os guarda-costas lhe haviam sido apresentados no dia anterior. e o fato de ter homens em seus calcanhares para onde quer que fosse a deixava nervosa. Por que reagia tão mal agora. e não havia nenhum vestígio do sorriso sobre o qual ele recordava havia pouco. não queria combinar nada com Alannis para a mesma hora. A mãe de Alannis estava certa. Isabella se acomodou sozinha. digitou sua resposta a Madeline. digitou uma mensagem para Madeline perguntando sobre o dia em que faria compras com Isabella. Theron enfiou a mão no bolso e pegou o telefone celular. e sorriu quando o garçom foi atendê-la. os dedos enroscados em uma mecha de cabelo que ela enrolava distraída. Ele franziu a testa ao lê-la e voltou a fixar o olhar em Isabella. a ideia de firmar tal compromisso o enchia de medo. Mas o sorriso não se expressava naqueles belos olhos verdes. lembrando a si mesmo que. Uma onda gelada de pânico o invadiu até que gotículas de suor lhe brotassem na testa. dentro de alguns dias. Theron aproveitou a oportunidade para observá-la. Até mesmo um pouco triste. Isabella estacou. Antes que ela pudesse dar dois passos na direção do primeiro da fila. Como deveria ser difícil para ela estar desacompanhada em uma cidade estranha. Quando chegaram ao saguão. com uma expressão pensativa. mas ela estivera distraída com a . Agora estava feliz por ter planejado o coquetel para a noite de quinta-feira. Tão logo Isabella deixou sua suíte. Pela primeira vez. deixando escapar um suspiro exasperado. onde se encontravam os táxis. Um sentimento de culpa o atingiu ao se lembrar da própria ansiedade em se livrar dela. O homem entrou no elevador com ela e se posicionou ao fundo. Uma moça naquela idade ficaria entediada com a festa que ele planejara inicialmente. não lhe contara nada sobre eles. voltou a focar a atenção em Alannis. Poderia apresentá-la aos rapazes da lista de Madeline. Ela seria sua amante e mãe de seus filhos. Tentando ignorá-los. que olhava além da janela. se juntaram a outros dois guarda-costas. Ela iria sozinha? Não queria sua companhia? Com a mesma expressão contrariada estampada no rosto. mas ao menos ela teria um pouco mais de diversão. um dos seguranças se interpôs à sua frente. Descubra o dia em que ela pretende ir e suspenda minha agenda. um homem se aproximou e começou a caminhar ao seu lado. Usava calça jeans e camiseta. Ela de fato parecia solitária. Tomou um gole de água sem desviar o olhar do ponto onde o fixara.

lhe segurou a mão. – Presumi que. retirou os óculos escuros e os guardou no bolso da camisa polo. varrendo o sorriso do rosto de Isabella. Caplan estava prestes a entrar no táxi. como está com convidados aqui. Anetakis. Isabella franziu a testa. – Alguns dias atrás. Isabella xingou entre os dentes cerrados e observou a expressão divertida do guarda-costas. em seguida. Se esperava por uma confirmação ou negativa daqueles dois. – Esse à esquerda é Davison e ou outro é Maxwell. – Muito bem. – Isabella se dirigiu a ele por parecer que aquele era o chefe do bando. esta manhã. – Deve estar enganado – disse ela a Reynolds.notícia do noivado iminente de Theron. Então aqueles brutamontes tinham outra expressão além do semblante de estátua! – Pode me chamar de Reynolds. que haviam surgido de repente. Os guarda-costas se limitaram a permanecer imóveis. observou o carro luxuoso e lustroso parar a alguns centímetros de distância de onde estavam. à procura de algum perigo em potencial. antes de constatar o óbvio. . – A srta. – Até mesmo ao toalete? – Se necessário for… – retrucou o segurança. – É importante que siga minhas instruções. alternando o olhar entre Davison e Maxwell. e por ser o guarda-costas que lhe bloqueava a passagem. Theron aprovou a atitude e voltou a atenção a ela. Anetakis providenciou para a senhorita. – Ou devo chamá-los de Huguinho. esperando que ele concordasse. Quando se encontrava diante dela. não teria tempo para me acompanhar. – Ora. – Não quero tomar seu tempo. pethi mou. Tenho certeza de que está aqui para ver Alannis. Vou fazer compras para o meu apartamento. Em seguida. – Temo não ser possível. Theron desceu do veículo e caminhou em sua direção. – Isabella relanceou o olhar a Reynolds. Zezinho e Luisinho? Aquele que a encarava exibiu uma carreira de dentes brancos quando sorriu. – Claro – murmurou ela. Reynolds a observou com semblante sério. que inferno! – resmungou. Poderiam esperar no restaurante. você queria minha companhia. Não há necessidade de me seguirem em um programa tão feminino. Reynolds confirmou a hora no relógio de pulso e. As providências que tomei são para o seu bem-estar e segurança. – Algum problema? – perguntou com a testa franzida. – Não me encontrarei com Theron hoje. Mudou de ideia? Confusa. Reynolds fez um breve gesto negativo com a cabeça. e eu lhe explicava por que ela não deveria fazê-lo. – Temos ordens estritas para levá-la para onde quiser ir no carro que o sr. impedindo-a de pegar o táxi. Temos ordens de acompanhá-la para todos os lugares. ficou desapontada. Reynolds exibiu outro sorriso. Vou fazer compras. Para a surpresa eletrizante de Isabella. Caplan. – Poderia chamar o carro. – Preciso entrar naquele táxi. – Ele gesticulou na direção dos dois outros da equipe de segurança que a ladeavam. – Não há nenhuma possibilidade de cabermos todos dentro daquele táxi – afirmou. a senhorita terá de aguardar a chegada do sr. os dedos longos se fechando firmemente nos dela. olhando constantemente ao redor. Reynolds. srta. já que não me é permitido tomar o táxi? Theron ergueu uma sobrancelha. Isabella o encarou. Porém.

Theron parecia apreciar o fato de Isabella não demorar muito para se decidir por um produto. e ele se sentou ao seu lado. – Então. Marley prefere morar na ilha. – Fico feliz que tenha vindo. – Antes de se casar com Chrysander. e perceber sua respiração como se fosse a sua. Isabella se encontrava cansada e faminta. Quando o motorista colocou o veículo em movimento. estão vivendo lá. – Minha percepção de você não tem nada a ver com a que tenho de Chrysander. De vez em quando. foram recepcionados por Reynolds. se tudo saísse como desejava. porque. E então Isabella girou e sorriu. Isabella se voltou para a janela. como .– Ah. Houve uma mudança na expressão de Theron. antes que ele pudesse lhe dar qualquer resposta. Quando retornaram ao hotel. Minha equipe assumirá a segurança da srta. – Obviamente não tem a mesma percepção de mim – retrucou Theron em tom de voz seco. Se ele se mostrava tão protetor com alguém que definia como estando “sob seus cuidados”. Isabella se acomodou no confortável banco de couro. e disse isso a Theron. puxando-a pela mão e a guiando em direção ao carro que os aguardava. Os dois passaram a manhã comprando os itens da lista que ela necessitava para o apartamento. suave. portanto. – E por que um esquema de segurança tão forte? – perguntou. – Não estou tão ocupado que não possa manter uma promessa. Após gesticular para que ela se acomodasse no banco de trás. mas você também é minha convidada – retrucou ele. não moraria lá por muito tempo. exasperada. – Bem. Ele sugeriu que almoçassem no hotel outra vez. Marley foi sequestrada e mantida em cativeiro para exigência de resgate. Estava grávida. Isabella deixou o olhar vagar pelo corpo musculoso e o fixou nos olhos castanhos de Theron. A expressão de Theron se fechou no mesmo instante. – Como estão Chrysander e a esposa? – indagou Isabella. Disse-lhe que faria compras com você. Aquelas emoções conflitantes se refletiam no semblante. Porém. não permaneceria em Nova York para ver Theron com outra mulher. animada. O fato de ele não parecer aflito para correr para Alannis assim que acabaram de fazer compras a deixou animada. – Quando foi a última vez que não conseguiu fazer as coisas do seu jeito? Theron lhe dirigiu um olhar surpreso. na época. Às 14 horas. que ele tentava manter impassível. uma sensibilização contra a qual lutou. – Estão dispensados até que retornemos. – Parece um pouco pretensioso. – Não consigo imaginar Chrysander tão apaixonado – disse ela. – Ele parece tão intimidador. Caso contrário. Chrysander viaja a negócios. que informou a Theron que permaneceriam no restaurante enquanto eles estivessem lá. Mas a verdade era que ela não se importava muito com o tipo de móveis que colocaria em sua casa. ela fez um gesto negativo com a cabeça e exibiu um sorriso tristonho. o que o fez vir até aqui esta manhã? – perguntou. Caplan. Embora não o estivesse mais observando. Obrigada. mas não costuma deixar a esposa e o filho com muita frequência. Isabella começava a se acostumar ao pequeno séquito de guarda-costas que seguiam Theron para onde quer que ele fosse. soltando uma risada. – Pensei que estivesse muito ocupado no trabalho e com o entretenimento de suas… convidadas. Os sequestradores não foram presos. Não arrisco a segurança daqueles que estão sob meus cuidados. ela podia sentir cada movimento de Theron. girou para se dirigir a Reynolds. e aqui estou.

E a olhava com indisfarçável interesse. Tenho minha vida bem planejada. – Minha decisão talvez deixe alguém como você enlouquecido. com uma taça de vinho na mão. Ela ergueu . – Permite-me perguntar o que isso significa? – Apenas imagino que sua vida seja planejada nos mínimos detalhes e que não tenha paciência com pessoas que não são tão organizadas quanto você. embora não tivesse sido seu nome a ser pronunciado. enquanto os dois eram guiados à mesa de Theron. mas nem sempre as coisas saem de acordo com nossa vontade. – Theron. que agora se encontrava parado ao lado da mesa. – Eu não concordei com nada disso. – Você insiste em se lembrar da minha idade para não ficar tentado a fazer algo ultrajante como me beijar outra vez? Theron pestanejou várias vezes. O verdadeiro desafio é como se readaptar quando seus planos desandam. Ela ergueu o olhar para deparar com um belo homem que caminhava na direção deles. – O prazer foi meu. contraiu a mandíbula. – Tem razão. e ela também o observava. – O que quis dizer com “alguém como você”? – perguntou ele. você pode fazer o que achar melhor. Ela observou Theron durante toda a refeição.seria com alguém que amava? Um sorriso sonhador lhe curvou os lábios. paciente. – Palavras sábias para alguém tão jovem. Bella. antes de relaxar e sorrir. e a observou. Theron se recostou para trás na cadeira. Por várias vezes. Theron lutou contra uma expressão contrariada. agora que se formou na faculdade? Isabella sorriu. Em seguida. Theron não era imune a ela. mas na verdade tenho um plano muito bem traçado para o meu futuro. Havia labaredas naquelas profundezas douradas. Se tivesse de arriscar um palpite. – Pensei que havíamos combinado esquecer que isso aconteceu. os olhos castanhos se ergueram e encontraram os dela. Poderia conviver com aquela tendência superprotetora se isso significasse que ele a amava. Nem um pouco. A aproximação do garçom que trazia os pedidos o poupou de uma resposta. Theron parecia muito insatisfeito com a interrupção. Estou certa? – perguntou ela em um tom de voz malicioso. A agitação que ele sentia ficava evidente nos movimentos bruscos e curtos enquanto comia. que bom revê-lo. – Parece satisfeita consigo mesma. boquiaberto. Estava bem-vestido e exalava riqueza e refinamento. – Obrigada por me acompanhar. O rapaz relanceava o olhar a Isabella enquanto falava. No entanto. diria que ele estava bastante afetado com sua presença. mas aquilo não pareceu intimidar o homem. sorrindo. – Então. Por que Nova York? Não prefere ficar perto de seus amigos da Califórnia? E tem pensado no que vai fazer. Não deveria andar sozinha em um lugar com o qual não está acostumada. Fiquei feliz ao receber seu convite para a noite de quinta-feira. Isabella terminara a refeição quando ouviu o nome de Theron ser chamado a algumas mesas de distância. imaginando se aquele era um dos homens da infame lista de maridos em potencial que Theron elaborara. pethi mou. conte-me. Após fazer os pedidos. – Não há nada errado em planejar tudo com antecedência. – Ficou contente com as compras que fez? Isabella anuiu. – A voz grave lhe penetrou os pensamentos. Isabella enrugou o nariz e revirou os olhos.

aqueles seus instintos protetores aflorassem. É bemsucedido. – Você deve ser Isabella Caplan. – Que pena! Suponho que terei de descobrir por mim mesma. – Oh. então isso poderá ser divertido – disse ela com a expressão iluminada. – Marcus seria uma boa escolha. E confirmar se era a misteriosa Isabella Caplan. Um lindo nome para uma igualmente linda mulher. Sou Marcus Atwater. Marcus aceitou a mão estendida. mas Theron a ignorou. – Então posso confiar que qualquer homem que estiver em sua festa foi cuidadosamente vasculhado e tem seu selo de aprovação? Theron assentiu com um gesto lento. e. Fico feliz por ter vindo confirmar. – Isabella se inclinou para a frente. Agora que sei que meu comparecimento me coloca na disputa.uma das sobrancelhas em uma expressão questionadora. Isabella lhe estendeu a mão. não se importará se passarmos algum tempo juntos no coquetel? – Não – retrucou Theron entre os dentes cerrados. como está a cotação dele em comparação com os outros homens que vem considerando para o cargo de meu marido? Theron lhe dirigiu um olhar de reprovação. Quem sabe se de repente se visse diante de certa concorrência… – Nada – respondeu Marcus. – Ora. eu irei. fingindo sussurrar de maneira conspiratória: – Descobriu se são bons amantes também? Theron engasgou com a bebida. – Guardará a última dança da noite de quinta-feira para mim? Com um sorriso largo. – Eu o vi acompanhado de uma linda jovem e quis conhecêla. mas em vez de se limitar a trocar um aperto cordial. educado. Isabella suprimiu uma risada e tentou adotar um semblante sério e agradecido. não perderia essa festa por nada deste mundo. pousou o copo e resmungou em tom de voz baixo: – Claro que não questionei a vida sexual de seus pretendentes. não parecendo muito satisfeito com aquilo. – Diga-me. ótimo… Nesse caso. – Muito bem. e acabou por soltar uma risada ao perceber que a carranca de Theron se tornara ainda mais intimidadora. ela confirmou com um gesto de cabeça. – Quase no topo – resmungou. O olhar furioso era capaz de derreter o aço. – Soube de fonte limpa que Theron se valerá dessa festa de quinta-feira para me arranjar um marido – acrescentou. Talvez se Theron visse outro homem flertando abertamente com ela. sorrindo diante da expressão surpresa do rapaz. levou-a aos lábios e a beijou. – Deseja alguma coisa. oferecendo um sorriso luminoso ao rapaz. – Deus do céu! Não me diga que levantou a ficha médica dele! – exclamou Isabella. Marcus? – perguntou Theron de um jeito nada amistoso. . Theron parecia afrontado por ela o ter questionado. – Você irá? – falou Isabella. Isabella se inclinou para trás na cadeira. nunca foi casado e é saudável. aquela em cuja homenagem a festa será dada. – Ele voltou a fixar o olhar em Isabella. – Por favor. – Um salão cheio de homens abastados e belos para que eu possa escolher. Não lhe sugeriria um homem doente ou que tivesse algum problema que pudesse ser transmitido aos seus filhos. Bella. Contente. antes de me decidir por um. não possui dívidas. – Claro. chame-me de Bella. mas Marcus pareceu não se incomodar… ou intimidar. Isabella o observou se afastar e voltou a atenção a Theron. incrédula. sim. – Claro que sim.

da qual não posso me ausentar. não tente ir a lugar algum sem eles.– Não fará nada disso! – rosnou Theron. mas preciso ir. Os olhos verdes se arregalaram com expressão inocente. – Não se prenda por mim. Theron gesticulou para Reynolds e se ergueu da cadeira. enquanto ela lhe observava a evidente irritação. – Seus seguranças a acompanharão até seus aposentos. Trata-se de uma reunião importante. desligou e fixou o olhar em Isabella. Quando o celular tocou. Theron estava a ponto de explodir. . Estava mesmo pretendendo subir para minha suíte. Após algumas frases concisas. – Terá de me desculpar. E. Isabella deu de ombros de maneira casual. ele pareceu aliviado antes de atendê-lo. Bella.

– Algum problema? – perguntou Reynolds. prefiro que usem algo menos caricato de personagens de filmes de máfia. Sem mencionar o fato de que não quero que todo mundo saiba que estou andando por aí com três guarda-costas em meu encalço. poderiam começar retirando os óculos escuros. – Os ternos ficam – falou Davison pela primeira vez. Talvez escapar da segurança não fosse uma boa ideia. que foi recebido com um sorriso de Isabella.Capítulo 8 O AVISO de Theron ainda ecoava nos ouvidos de Isabella na manhã seguinte. ela hesitou. enquanto engendrava um plano para burlar sua segurança. revelando a pistola que se encontrava em um coldre de ombro. Apenas não tinha se dado conta da intensidade da preocupação de Theron quanto à sua segurança. Não que se importasse que eles a acompanhassem às compras. – O que sugere. – Para onde deseja ir esta manhã? – Reynolds retirou o telefone celular do bolso para chamar o carro. Compreendia a necessidade delas. – Agora livrem-se da gravata e do blazer. Isabella fingiu refletir sobre o assunto. Queria estar com uma aparência deslumbrante na festa de quinta-feira. Os três homens negaram com a cabeça. Talvez aqueles homens pudessem lhe oferecer uma opinião masculina sobre qual vestido lhe ficava melhor. – Bom dia – respondeu o segurança. e não para agradar aos homens que Theron convidara. portanto terei de contar com sua ajuda. Por um instante. sensível a armas. Isabella estacou de repente diante deles. se vocês têm de andar como três sombras atrás de mim. – Não conheço Nova York muito bem. Para justificar a negativa. – Bom dia – cumprimentou ela. então? – Maxwell não pareceu muito satisfeito com aquele comentário. Mas em seu modo de pensar. ele afastou a lapela. Reynolds a seguiu. Reynolds anuiu. Maxwell e Davison obedeceram. e os dois se juntaram a Davison e Maxwell. enquanto passava as orientações ao motorista por telefone. As portas do elevador se abriram para o saguão. Não se considerava uma ingênua. galerias de arte… Oh. e gostaria de conhecer a Estátua da Liberdade. Eles lhes dão uma aparência de agentes do serviço secreto. com uma boa dose de mel na voz. – Museus. os observou e fez um movimento negativo com a cabeça. – Bem. Tão logo saiu da suíte. – Ouçam. – Pelo que a senhorita se interessa? – questionou o segurança. Isso só servirá para chamar atenção para mim. estar acompanhada por três brutamontes a tornava mais notável do que se . com polidez. – Gostaria de fazer um tour pela cidade – respondeu ela. O último lhe lançou um olhar severo. Isabella ficou boquiaberta.

conseguisse se esgueirar para uma loja de departamentos e procurar seu vestido.
– Está bem. Concordo com os ternos – resmungou.
Os quatro saíram do hotel para onde o carro os aguardava.
Davidson ocupou o banco da frente, enquanto Maxwell contornou o veículo para se sentar no
banco traseiro, do lado oposto. Reynolds abriu a porta do banco de trás mais próxima e esperou que
ela entrasse.
Isabella fingiu exasperação e bateu com a mão na testa.
– Espere aqui. Esqueci minha bolsa – disse ela.
– Eu a buscarei para a senhorita. Entre no carro – retrucou Reynolds.
Mas Isabella já estava se encaminhando à porta da frente. Girando, ela ergueu um dedo.
– Levará apenas um minuto.
Reynolds começou a segui-la, mas ela se esgueirou, apressada, pelo saguão na direção do toalete
masculino. Certamente ele procuraria no feminino quando se desse conta de seu desaparecimento,
mas era pouco provável que se lembrasse de vasculhar o toalete masculino.
Isabella deixou a porta entreaberta alguns milímetros para que pudesse ver o que estava
acontecendo.
Reynolds passou apressado, rosnando em um pequeno dispositivo que se encontrava preso à
camisa.
Segundos depois, Maxwell e Davison passaram correndo em frente ao toalete masculino com as
expressões tensas. Isabella aproveitou para escapar do toalete e correr, sem hesitar, na direção da
porta de entrada, esperando que os três não olhassem para trás até que tomasse um táxi.
Em seguida, escorregou para o banco do passageiro do primeiro carro da fila e prometeu pagar o
dobro da corrida se ele saísse correndo dali. Mostrando-se mais que disposto a colaborar, o
motorista se afastou imediatamente da entrada do hotel e entrou na frente de outros dois carros.
Buzinas e xingamentos ecoaram de todas as direções, mas o motorista agitou o punho e sorriu.
– Para onde vamos, senhorita?
Isabella ergueu o olhar e viu que o homem a olhava pelo espelho retrovisor.
– Não sei ao certo – admitiu ela. – Preciso comprar um vestido. Um modelo deslumbrante capaz
de fazer um homem babar.
– Conheço o lugar certo – disse o homem, com um movimento afirmativo de cabeça.
Disposta a não negligenciar nenhuma medida de precaução, Isabella perguntou se o motorista
podia esperá-la enquanto fazia compras; com o taxímetro ligado, claro.
O taxista a deixou na entrada de uma luxuosa loja de departamentos e lhe deu seu número de
celular.
– Telefone-me quando tiver concluído e eu a buscarei aqui – disse ele.
– Obrigada – agradeceu Isabella enquanto saía do veículo.
Tomando cuidado para se manter perto do fluxo de pessoas, ela entrou na loja. Não era uma
completa idiota no que se relacionava à segurança. Evitava os cantos, não se desviava dos caminhos
principais e se mantinha ao alcance das câmeras de segurança. Quando chegou o momento de
experimentar o vestido, contou com a companhia de uma vendedora muito atenciosa no provador.
Afinal, precisava de uma opinião.
Após experimentar seis modelos, Isabella encontrou o certo. O tecido tinha um caimento perfeito
em seu corpo, valorizando-lhe cada curva, como uma segunda pele. Não havia babados ou franzidos,
nada que lhe disfarçasse as formas. O tecido era delicado, tinha alças finas, e a bainha ficava cinco
centímetros acima do joelho. Com um sapato de salto, teria os homens comendo em sua mão.

Ela franziu a testa ao se dar conta de que não lhe importava o que os outros homens fizessem.
Theron era seu objetivo, e ninguém saberia dizer qual seria a reação dele.
Isabella saiu do provador para mostrar à vendedora, e o rosto da mulher se iluminou.
– Perfeito, srta. Caplan. Simplesmente perfeito. Com o sapato certo, irá arrasar!
Isabella sorriu.
– Teria algum par de sapatos pretos com salto de 7 centímetros que combine com este vestido?
A vendedora sorriu.
– Volto já.
Minutos mais tarde, Isabella girou, avaliando as próprias pernas sobre os sapatos. Os saltos eram
agulha, mas lhe emprestavam uma aparência divina.
Não satisfeita em lhe vender um vestido e um par de sapatos obscenamente caros, a vendedora
também insistiu em assessorá-la na compra das joias perfeitas, é claro, e uma bolsa de mão.
Duas horas depois de ter burlado sua equipe de segurança, Isabella se encontrava sentada no táxi
rumando de volta ao hotel. Quando o motorista estacionou, ela recolheu as sacolas e se inclinou para
a frente para pagar a corrida.
– Muito obrigada. Agradeço muito que tenha me esperado.
– Sem problemas, senhorita. Boa sorte com sua festa hoje à noite. Tenho certeza de que tirará o
fôlego de todos os presentes.
Isabella sorriu, desceu do táxi e acenou enquanto o motorista se afastava. Com um sorriso nos
lábios, ela entrou no hotel e se encaminhou ao elevador.
A ausência de sua equipe de segurança a fez hesitar, enquanto uma onda de sentimento de culpa a
atingia. Estivera tão envolvida com as compras que não se lembrara de telefonar para Reynolds para
tranquilizá-lo. Nem o segurança nem Theron tinham o número do seu celular, portanto ficaram
impedidos de fazer contato.
Ela entrou na suíte digitando o número de Reynolds, e ergueu o olhar para deparar com quatro
homens furiosos com os olhares fixos nela.
Theron se levantou do lugar que ocupava no sofá, com as pupilas faiscando de raiva, e gesticulou
para os outros três.
– Deixem-nos a sós – ordenou, conciso.
Isabella deixou que as sacolas escorregassem pelos dedos, enquanto os três passavam por ela.
Reynolds lhe dirigiu um olhar de censura, e Isabella exibiu um sorriso hesitante.
Quando os seguranças saíram, ela se concentrou em Theron, que havia fechado a distância entre os
dois, parecendo muito ameaçador, o rosto transtornado.
– Você não os demitiu, certo? – perguntou, incomodada.
– Pode ter certeza de que sei exatamente de quem é a culpa – respondeu ele, entre os dentes
cerrados.
Isabella se inclinou para recolher as sacolas, e o contornou para se dirigir ao sofá.
– Burlar sua segurança foi uma inconsequência, Bella. Não deixei clara a necessidade de seus
guarda-costas? O que estava pensando?
Isabella girou e o observou, pensativa.
– Tive minhas razões – limitou-se a responder.
Theron jogou as mãos para o alto em um gesto exasperado.
– Que razões?
Isabella sorriu.
– Nenhuma que aprovará. Não me ausentei por muito tempo, e tomei cuidado. O gentil motorista

do táxi cuidou de mim muito bem, e a vendedora da loja não me deixou sozinha um só instante. Bem,
exceto quando foi buscar os sapatos.
O rosto de Theron se tornou cinza.
– Motorista do táxi? Confiou seu bem-estar a um motorista de táxi?
– Relaxe – retrucou com um sorriso. – Ele foi um perfeito cavalheiro. Levou-me até uma loja de
departamentos e esperou por mim até eu concluir as compras.
Theron engoliu em seco, parecendo imprimir um esforço hercúleo para dominar a raiva. Hum…
Theron perdendo a calma. Aquilo poderia fazer valer a pena ter dito a verdade.
– Por que resolveu sair sem sua equipe de segurança? Isso era tão importante a ponto de se
arriscar dessa maneira?
Isabella ergueu uma das sacolas de compras.
– Precisava de um vestido para a festa desta noite.
Theron inspirou profundamente, fechou os olhos e voltou a abri-los. Em seguida, se aproximou
com passadas largas e a segurou pelos ombros.
– Um vestido? Deu-me o maior susto da minha vida por causa de um vestido?
Theron a sacudia enquanto falava, e Isabella se amparou com as duas mãos na cintura reta para não
perder o equilíbrio.
– Não era qualquer vestido – murmurou ela, se esforçando para não rir. Talvez não devesse
provocá-lo daquela maneira, mas fazê-lo perder a compostura de repente se tornou sua missão. –
Não poderia conhecer meu futuro marido trajando nada menos que um vestido deslumbrante.
– Você é a mulher mais enervante e frustrante que já conheci! – vociferou ele.
E em seguida, puxou-a com força contra o corpo, apossando-se daqueles lábios carnudos com um
beijo bruto que sequestrou todo o ar dos pulmões de Isabella. Quando as mãos fortes deslizaram para
suas costas como duas garras de ferro em brasa, ela deixou escapar um gemido de prazer.
Theron a saboreava como um homem faminto. Era como se não conseguisse se saciar dela. Um
formigamento excitante lhe percorreu a espinha, os seios pulsavam, os mamilos se tornaram rígidos
contra a parede sólida daquele peito largo.
O som das respirações aceleradas e do beijo enchia a atmosfera. Um das mãos de Theron
escorregou pelas costas macias até a altura do cós do jeans e puxou o tecido da blusa até libertá-la
da calça. Em seguida, roçou os dedos sobre a pele exposta da cintura, onde ficava localizada a
tatuagem. Theron circundou aqueles contornos como se soubesse o que havia lá.
Ansiosa por sentir o sabor daquele homem, Isabella traçou com a ponta da língua o contorno dos
lábios sensuais até que ele respondesse com uma invasão implacável em sua boca. Quente.
Extremamente másculo. Theron tinha o sabor da força e do poder.
Isabella se perdeu no círculo vertiginoso daqueles braços, derretendo-se sob a boca que a violava.
A pulsação disparava, desgovernada. Como ansiava por aquele homem!
A mão longa subiu até lhe tocar a alça do sutiã. Os dedos de Theron tatearam o fecho e
paralisaram.
Com um xingamento abafado, ele interrompeu o beijo, a respiração dificultosa e sonora. Os olhos
castanhos eram como labaredas. E então Theron afastou as mãos como se o contato com seu corpo o
queimasse.
Soltando outro xingamento em uma mistura de grego e inglês, ele passou as mãos pelo cabelo.
– Theos mou! Não podemos… não outra vez. Isto não deve acontecer de novo. Desculpe-me,
Bella.
Theron ergueu uma das mãos e se afastou. Quando alcançou a porta, estacou, os movimentos

incapaz de qualquer outra reação. os olhos ainda ardendo com o desejo não saciado. . ela esfregou os braços para atenuar os arrepios. Quando Theron saiu. – Pode negar o quanto quiser – sussurrou para o quarto vazio –. mas você me deseja tanto quanto o desejo. a escoltarão até mesmo ao toalete. girou para encará-la. – Sua equipe de segurança deve acompanhá-la para todos os lugares. Isabella anuiu. Estamos entendidos? De agora em diante. E então.desconexos como se estivesse bêbado. Seu corpo todo tremia.

Lá está Isabella! – exclamou Sophia. que anuiu. – Desculpe. enquanto a banda de jazz entoava notas suaves de cima de um palco. e Theron perdeu o fôlego. Isabella ainda não chegara. parada à soleira. Ele inclinou a cabeça para escutar o que Alannis tentava lhe dizer e anuiu em um gesto educado. portanto ele resolveu ignorá-la. o que lhe evidenciava o formato do pescoço. Alannis se encontrava parada ao seu lado. o olhar rumou para a entrada. O vestido preto e curto se colava a cada curva daquele corpo perfeito e terminava alguns centímetros acima do joelho. – Talvez possamos inaugurar a pista. O pensamento de tê-la pressionada a si era quase uma tortura. veja. junto com o fato de que a beijara algumas horas atrás. Como se ele não estivesse ciente do segundo em que ela pisara naquele salão… – Com licença – murmurou ele para Alannis. – Bella – cumprimentou estacando diante dela. de quem não ocultava o orgulho. e um sorriso acolhedor curvou aqueles lábios carnudos. Theron caminhou na direção da porta de entrada. Uma melodia lenta e sensual preencheu o ambiente. Os olhos verdes luminosos se fixaram nele. – Acho que não reservou uma dança para mim… Theron quase gemeu. Theron engoliu em seco ao analisar o traje que ela usava. tocando-lhe o braço com uma das mãos. observando os convidados que se movimentavam ao redor conversando e rindo. Theron enrijeceu. Os dedos trêmulos de Isabella tocaram os dele. percorria o salão com um olhar nervoso.Capítulo 9 THERON ESFREGOU a nuca em uma tentativa de aliviar a enorme tensão que se apossara dele. e ele sentia partes iguais de alívio e desapontamento. Theron sentiu os dedos formigarem com o desejo de lhe soltar os fios sedosos e observá-los lhe cascatearem pelas costas. Queria escorregar a mão por aquela massa macia e brilhante. embora não se concentrasse em uma palavra sequer. e depois eu a apresentarei aos convidados. ele girou. que o soltou com um sorriso. ofegante. Isabella prendera o cabelo em um coque. e Isabella se entregou de bom grado aos braços que a esperavam. Theron gesticulou para o pianista. Olhou ao redor do salão de festas do Imperial Park Hotel. Não havia uma maneira fácil de lidar com a tensão sexual entre os dois. senti-la como uma teia que lhe envolvesse as juntas dos dedos. estou atrasada – disse ela. girando para olhar na direção da banda. Quando alcançaram o meio da pista de dança. Sophia estava ao lado da filha. Isabella. No instante em que o corpo macio se moldou ao dele. Lá estava ela. e Theron os apertou para tranquilizá-la. – A dança ainda não começou – retrucou ele. Quando aprumou a coluna. – Oh. e ele lhe estendeu a mão. . Mechas do cabelo escuro escapavam do penteado de forma elegante e lhe roçavam a pele dos ombros.

Saberia Isabella de seus planos para com Alannis? Não que ela não fosse saber dentro de pouco tempo. olhando ao redor. ele se arrependeu da atitude intempestiva de procurar um marido para Isabella. estava em seus braços. Sua festa a aguarda. ele deixou pender os braços e segurou as duas mãos de Isabella. – Venha. Ele teve de lançar mão de todo seu autocontrole para não a arrastar para fora daquele salão para que mais ninguém pudesse vê-la. nada mais. Ou talvez fosse um patife que beijava uma mulher dias antes de pedir outra em casamento.A fragrância delicada o envolveu ao mesmo tempo que o calor daquele contato lhe invadiu o corpo. mas por alguma razão se sentia relutante em lhe revelar sobre seu iminente noivado. e os seios firmes se encontravam pressionados ao seu peito. pethi mou. E ainda assim. Isabella se esforçou ao máximo para sorrir e permitir que ele a guiasse. – Eu a apresentarei a eles assim que esta dança chegar ao fim – garantiu ele. Não conseguia desfazer a expressão fechada. que nunca ficava sem uma mulher. – Bem. Que tipo de homem se aproveitava de uma jovem estando compromissado com outra? Até mesmo Piers. Theron estreitou o olhar. o que lhes realçava os contornos superiores contra o decote. enquanto olhava por sobre o ombro largo. Em seguida. Quando a música chegou ao fim. Chrysander não hesitaria em enviá-lo de volta à Grécia com um chute no traseiro por causa daquela proeza com Isabella. Mas aquilo em nada ajudou para lhe abrandar a irritação quando viu a forma como vários homens dirigiam olhares cobiçosos a Isabella. Deveria se sentir aliviado. ergueu uma das mãos. Ela não estava usando sutiã. girando-a para que ela não ficasse de frente para Alannis e a mãe. Tão logo tudo estivesse acordado entre ele e Alannis e conseguisse encaminhar Isabella à segurança e estabilidade. – A festa está muito bonita – disse Isabella com um sorriso. – Suas convidadas estão se adaptando bem à cidade? – perguntou ela em um tom inocente. abrindo caminho entre os convidados até o palco onde ficava a banda. qual deles é meu marido em potencial? – perguntou ela. – Não há por que. ele estava a ponto de fazer exatamente aquilo. Antes de Isabella invadir sua vida. Ela deveria se divertir sem pensar em um compromisso para a vida toda. e os acordes . e ele não tinha a mínima urgência em atirá-la nas garras dos pretendentes que a aguardavam reunidos em torno da pista de dança como um bando de abutres. – Obrigada por planejá-la em minha homenagem. mas sentia exatamente o contrário. Theron baixou o olhar quando fizeram um giro suave e engoliu em seco. Isabella não passava de uma distração temporária. – Muito bem – murmurou ele. Pela primeira vez. não tinha o direito de ser possessivo. Quero que se divirta. estava muito satisfeito com a ideia de se casar com Alannis e ter filhos. O pânico lhe percorreu a espinha como o metal frio da lâmina de uma espada. Um incômodo sentimento de culpa o invadiu. Pelo menos durante aqueles momentos Isabella lhe pertencia. pethi mou. Não lhe faltariam pretendentes depois daquela noite. tinha certeza de que seria capaz de abraçar o próprio futuro sem hesitar. teria se negado a seduzir sua tutelada com a futura noiva aguardando uma oportunidade. Isabella estampava um sorriso travesso no rosto que só servia para iluminá-la ainda mais. Soltando a respiração que estivera prendendo o mais discretamente possível. portanto. Não havia um milímetro de sua estrutura que não estivesse ciente daquelas formas femininas. lembrou a si mesmo que aquela mulher não lhe pertencia e.

O brinde pareceu sinalizar uma volta às atividades normais. – Isabella. sorrindo e. Theron soava quase esperançoso e um pouco ansioso. Isabella se surpreendeu com a forma civilizada com se deu o processo. Isabella não estava preparada para deixar que a realidade invadisse aquele momento. Isabella sabia que tinha de desempenhar seu papel. Risadas pipocaram por todo o salão. – Um brinde a Isabella. o homem que se apresentara a ela no restaurante. rindo com os assuntos em pauta. – Prefere não conhecê-los? Não tem obrigação de fazê-lo. porque. Ele a aceitou. ele teria de sentir mais que simples desejo por ela. e as pessoas começaram a fluir pela pista de dança. vamos em frente. peço-lhe desculpas por meu atraso – disse ele ao estacar diante dela. Meu futuro me aguarda e tudo mais – disse ela em tom leve. – Agradeço a presença de todos neste evento de boas-vindas a Isabella Caplan à nossa cidade – começou Theron em um tom polido. Só então ele se dirigiu aos presentes. considerando o tempo que consumira reunindo aquele grupo seleto de pretendentes. sem rodeios. Isabella ergueu o olhar quando um homem atraente se encaminhou em sua direção. o que era estranho. apresentando-a a associados nos negócios e amigos. A banda recomeçou a tocar. dando-lhe o braço e permitindo ser guiada pela multidão. no momento. Bella. – Não. era sua única esperança. E Theron não teria deixado de remover nenhuma pedra. e não como um homem determinado a casá-la. Porém. reconheceu Marcus Atwater. se descobriu relaxando e gostando de toda aquela festividade. Ainda assim. Theron a levava de grupo em grupo. O que era esperar demais. ele desviou o rosto e tomou um grande gole do champanhe. No mesmo instante. Só o levantamento do passado daqueles homens devia ter sido uma tarefa árdua. – Quer dizer que está na hora de eu conhecer os homens que escolheu para mim – retrucou ela. segurando-a na altura da cintura enquanto continuava a se reportar aos convidados: – Estamos reunidos para uma noite de entretenimento. Theron lhe lançou um olhar questionador.cessaram. Está na hora de apresentá-la aos convidados. Um garçom se aproximou e entregou uma taça de champanhe a Isabella. ele girou na direção de Isabella e ergueu a taça. Em seguida. a alguns metros de distância. Em seguida. São bem-vindos a permanecerem por quanto tempo quiserem ou até a bebida acabar – acrescentou com um sorriso. Após algum tempo. e girou para oferecer outra a Theron. Era muito fácil imergir na fantasia de que ela e Theron formavam um casal e ele agia como seu par. Alannis e Sophia os observavam. Também era fácil esquecer que. Principalmente se houvesse alguma esperança de despertar ciúme em Theron. o que para ela era como escolher bifes em um açougue. com um sorriso . Colou-se ao braço de Theron. Por um longo instante ambos se encararam. dança e conversas. e os olhares dos dois se encontraram. Theron tocou a taça na dela. – A Isabella – responderam os convidados em uníssono. – Venha comigo. Embora não tivesse o menor interesse de vaguear entre o séquito de homens qualificados que Theron convidara. no dia anterior. com uma expressão determinada. Isabella quase sorriu diante do pensamento. em outros momentos. para tanto. Sem saber o que esperar – talvez imaginasse que haveria um tumulto –.

a cada chance que tinha. mesmo enquanto relanceava o olhar na direção de Alannis. – E então? – Marcus disse em tom casual. Ele decidiu que é sua obrigação me casar o quanto antes. pethi mou. e Isabella não conseguiu deixar de retribuir com um sorriso. Foi ideia de Theron. – Ainda está à caça de um marido ou cheguei muito tarde para entrar na disputa? – Marcus fingia seriedade. Com um último olhar na direção de Theron. Isabella conhecia aquele sentimento muito bem. sorrindo para encará-lo. Os ombros de Isabella se curvaram. Queria antipatizar com Alannis. Ele a girou em um movimento preciso.charmoso que a estimulou a retribuir. e. Os olhos azuis sorridentes se fixaram nela. ao aceitar a mão estendida de Marcus. caso não saiba. – Não posso levar a sério um homem tão charmoso. Alannis e ele dançavam na extremidade da pista. Se fosse mal-agradecida isso seria fácil. antes de lhe segurar a mão. mas Theron parecia sem palavras. e a levar aos lábios. girando-a. que. permita-me dizer. mas a verdade era que tanto a filha quanto a mãe haviam sido gentilíssimas com ela. e não era preciso ser um gênio para perceber a adoração dela por Theron. – Apenas para outro homem que está reconhecendo o território para competir. – Está me pedindo emprestada apenas para dançar ou para outro propósito? – perguntou ela. – Os homens não costumam correr na direção oposta quando a palavra “casamento” é mencionada? – Não se ele não se importar em ser fisgado pela mulher em questão. para deparar com Alannis observando os casais na pista de dança com o que podia ser interpretado como um olhar desejoso. suspirou. – Não. Quando percebeu que não tinha a menor chance de bancar a inocente. provocante. A jovem grega ergueu o olhar. Isabella esticava o pescoço na direção de Theron. e Isabella olhou por sobre o ombro. Isabella lhe soltou o braço para seguir Marcus. Theron lhe soltou a mão e fez um movimento negativo com a cabeça. com um brilho brincalhão no olhar. Marcus sorriu. . dirigiu um olhar questionador a Theron. – Vai deixá-lo escapar? Isabella desviou um olhar cheio de culpa de Theron para encontrar o sorriso divertido de Marcus. como fizera no restaurante. ela girou e permitiu que Marcus a guiasse de volta à pista de dança. que se encontrava imóvel como se tivesse uma nuvem negra pairando sobre sua cabeça. – Sabia que não deveria ter concordado com esta farsa. Não queria sentir pena da rival. – Que tal dançarmos primeiro e depois discutirmos os outros propósitos? – sugeriu o elegante jovem. Prometo mantê-la em segurança. detendo-a entre os dois. – Deseja alguma coisa? – perguntou ela. Esta é a sua noite. A expressão de Theron era glacial. Theron exibiu uma carranca. Em seguida. – Tive um contratempo com um cliente – acrescentou. – Gostaria de lhe pedir Isabella emprestada. Isabella o encarou. e você pode voltar para sua namorada. mas ele lhe segurou a mão livre. parece ansiosa por dançar. esperando que ele dissesse algo. ou talvez não tivesse tido a intenção de detê-la. Os dois fluíram entre os demais casais. Divirta-se. – Você é um galanteador. – Isabella soltou uma risada. mas não refutou sua afirmativa. fazendo-a colidir com seu peito. – Sou tão óbvia assim? – indagou. resignada.

Inclinando-se na direção do rapaz. – Algo errado? – Alannis lhe tocou o braço. a raiva crescendo quando os avanços de Marcus se tornaram mais ousados. antes de se afastar o mais calmo que pôde na direção onde se encontravam Marcus e Isabella. – Qual é o problema? – perguntou. – Theron. até a base do pescoço de Isabella. Quando Theron começou a falar. – Ela parece estar se divertindo. – Theos mou! – rosnou Theron. com olhar preocupado. e o som sedutor se ergueu acima do tilintar dos copos e o murmúrio da conversação. não. – O olhar de Theron voltou a se fixar no casal. Marcus baixou a cabeça e roçou os lábios no pescoço de Isabella. – Isto é demais. A raiva explodiu dentro de Theron. Ele fechou a distância que os separava e segurou o homem mais jovem pelo ombro. Isabella – disparou Theron.Marcus lhe ergueu o queixo até que ela o encarasse. Por que não me aguarda naquele canto ali? Vou pegar uma bebida para nós e você vai me contar toda essa história. – Mantenha suas mãos longe dela – ordenou. Sophia e um pequeno grupo de pessoas que formavam um semicírculo ao lado da pista de dança conversavam. – Disse a Theron como se sente? Isabella relanceou um olhar ao homem em questão e fez um movimento negativo com a cabeça. – Acho que é melhor eu ir embora. sorrindo e se afastando com as duas mãos erguidas em um gesto de rendição. Os dedos de Marcus tocaram o ombro exposto de Isabella e se detiveram lá por mais tempo que Theron julgou apropriado. Entendeu? Marcus o surpreendeu. – Em seguida. de maneira sedutora. Alannis olhou na direção de Isabella antes de voltar a encará-lo. com os lábios quase lhe roçando a orelha ao lhe murmurar algumas palavras. – Não é nada – Theron se apressou em responder. O rapaz a havia encurralado em um canto. e concentrou toda a força de sua fúria em Marcus. Algo me diz que não sou mais bem-vindo. Isabella soltou uma risada. arrancando-o de perto de Isabella. mesmo aceitando a mão estendida. – Como quiser. – Que diabos…? – Marcus se calou no meio da frase. algum problema? – Venha cá. piscou para Isabella. Marcus. – Tenho . colando-a à lateral do corpo. Não pode nem ao menos pensar nela. com um gesto de cabeça para Sophia. e em seguida o deixou descer. Theron a puxou. – Isabella relanceou o olhar a Theron com expressão confusa. Marcus mudou o ângulo da cabeça e pressionou os lábios suavemente contra a região abaixo da orelha de Isabella. fique. estendendo-lhe a mão. ele engoliu em seco o rugido de raiva que lhe brotou na garganta. o corpo se movendo como um predador determinado a abater sua presa. – Não pode tocá-la. Ela o encarou boquiaberta. quando Marcus escorregou um dos dedos pela lateral do rosto delicado. – Sim. Em seguida. – Oh. O OLHAR de Theron encontrou Isabella outra vez enquanto ele ouvia educadamente o que Alannis. – Vou lhe dizer o que fazer. – Dê-me licença por um instante – disse ele. Ele teve de trincar os dentes quando viu Marcus se inclinar na direção de Isabella. ela parecia buscar aquele toque. – É complicado.

– Não chamo o que aquele rapaz estava fazendo de mostrar interesse. . – Por favor. – Sim. – Faço muitas objeções. – Está bem? Isabella anuiu e os dois prosseguiram. – Não sei como espera que eu encontre um marido quando perde as estribeiras no instante em que um homem mostra interesse por mim. chame-me de Sophia. As narinas de Theron se dilataram ao se lembrar dos beijos que os dois haviam trocado. – Vá devagar – disse ela. Theron é que exagerou – respondeu. – É assim que chamam beijar atualmente? – provocou. na direção de Sophia e Alannis. querida? Fique aqui com Theron. Theos! Parecia estar fazendo amor com você diante de todos. e um sorriso lento lhe curvou os lábios. enquanto levo Isabella para comer algo. – Desculpe. e Theron girou rápido para segurá-la. eu o quebro ao meio. quando eles as alcançaram. Alannis se aproximou de Isabella e lhe tocou o braço. Seguirá minhas orientações. As sobrancelhas de Isabella se arquearam. Isabella sorriu. – Estou ótima. ela tropeçou. Por ousar roçar os lábios naquela pele macia. – Os modos dele não eram apropriados – disse entre os dentes cerrados. dirigindo um olhar desafiador a ele. Para sua surpresa. Isabella girou. – Em seguida. – Vejo-a em outra oportunidade. Gianopolous. acrescentou: – Se o vir perto de Isabella mais uma vez. – Você está sob minha proteção. – Theron quase a arrastava consigo. – Tudo em ordem? – quis saber Sophia. – Fiquem aqui. – Não posso andar rápido com estes sapatos. – A mulher esticou o braço e puxou a mão de Isabella que Theron segurava. – Venha. Estava preso a uma armadilha que ele mesmo preparara. Continuou lhe segurando os braços até ter certeza de que ela recobrara o equilíbrio. Fui claro? Theron ignorou o ofego chocado de Isabella. Bella.certeza de que Theron não faz nenhuma objeção. – Pode nos dar licença um minuto. com suavidade. Marcus se limitou a sorrir e continuar a se afastar. e o que realmente desejava era socar Marcus por ter tocado em Isabella. Em um tom de voz baixo o suficiente para não ser ouvido pelos demais. – Tem certeza de que está bem? – perguntou com voz suave. preocupada. Theron se dirigiu mais uma vez a Marcus. – Quer que lhe traga algo para beber? Comeu alguma coisa desde que chegou? – Ela se dirigiu à filha. – Não sairá do meu lado pelo restante da noite. O sorriso de Isabella era tenso quando fixou o olhar em Alannis. Isabella não objetou. Theron ergueu uma das mãos para calar a verborragia de Sophia. sra. Prefiro que Isabella fique ao meu lado pelo resto da noite – acrescentou ele em tom de voz brusco. com expressão presunçosa. Sentia a cabeça latejar. Pedirei a um garçom que traga uma bandeja. – Theron concedeu com voz áspera enquanto a amparava. puxando Isabella ainda mais para perto. – Até logo – retrucou ela. Os olhos de Sophia se arregalaram pela surpresa. insolente. No meio do caminho até o local onde estava Alannis e a mãe. Theron inspirou profundamente. Ele a está assediando na frente de um salão cheio de convidados. Obrigada por perguntar.

– Não farei mais isso – prometeu Theron. Theron gemeu. Amava tocá-la. murmurando-lhe ao ouvido para que só ele pudesse escutar: – Você diz que não me deseja. – E quem disse que isto é provocação? – perguntou Isabella erguendo uma das sobrancelhas. Luta contra isso. embora todo seu corpo zumbisse em concordância. – Em seguida. com os lábios se curvando em um sorriso ao abrir caminho em direção a Sophia. Muito estranho. Ela sorriu e lhe tocou os lábios com um dedo enquanto os dois se moviam no ritmo da música. uma faísca lhe iluminou os olhos verdes. mas não quer que outro homem me tenha. Mas a alternativa seria deixá-la dançar com aquele bando de rapazes que a cobiçavam. Pela primeira vez desde a chegada de Marcus. Nem por cima de seu cadáver! Sem dizer mais uma palavra. ele relaxou ao sentir o corpo macio se amoldar suavemente ao seu. soltando os braços nas laterais do corpo. – Não deve fazer isto. Não quero resistir. girou para que ele ficasse de costas para Alannis e deixou as mãos escorregarem pelo peito largo. da mesma forma que sou incapaz de resistir. – Theron dançará com você – sugeriu Alannis. – Vamos nos casar com outras pessoas. ele segurou a mão de Isabella de modo brusco e quase a arrastou para a pista. Isabella recebeu a notícia com calma. Será que ela já estava sabendo? – O que há entre nós tem de parar – pressionou ele. – É um excelente dançarino. – Providenciarei para que uma bandeja de comida esteja aqui quando voltarem. Você me deixa maluco. – Estou faminta. Isabella deu um passo atrás. Vou pedi-la em casamento. como deve ter percebido mais cedo. vão dançar – estimulou Sophia. Theron lhe afastou as mãos e girou para que os dois ficassem posicionados lateralmente a Alannis. – Você está cuspindo fogo – murmurou ela. Bella. enquanto Theron a tomava nos braços. Aquilo provocava uma sensação de perfeição inata. Theron negou com a cabeça. e os lábios sensuais se entreabriram em um gesto sedutor. Era difícil impedir as mãos de vagarem por aquelas curvas sensuais. antes que ele pudesse responder. – Não quer sentir. Não sobreviveria a outra dança com aquele corpo delicioso colado ao seu. Em vez de aquelas palavras a intimidarem. – Não conseguiu resistir a me beijar. – Você também sente isso – disse ela com suavidade. diria que você o fará. Sem nenhuma reação aparente. não acha? Isabella girou e se afastou. Rapazes escolhidos a dedo por ele. Porém. mas sente tudo que eu sinto. – Nem ao menos consegui dançar outra vez. Foi por isso que me beijou. Em seguida. – Sim.– Acho que ele cortará esse da lista de maridos em potencial. Tem de parar com esta provocação. Os olhos verdes se semicerraram. deixou escapar um suspiro dramático. – E ainda assim continua me beijando – retrucou Bella com um breve sorriso. – Isabella soltou uma risada abafada. que a esperava com uma bandeja de comida. erguendo o olhar para encará-lo. – E de repente se inclinou para perto. Theron sentiu a boca ressecar. – Se fosse arriscar um palpite. – Está vendo aquela jovem? Alannis. Uma sessão de tortura fora suficiente por aquela noite. .

Theron precisava de alguém igual a ela. Quando desligou o telefone. Ele e Alannis vão à ópera. digitou o número que Marcus lhe dera na véspera. porque se acreditasse teria de desistir. Talvez ele quisesse um casamento estável e enfadonho. alguém que não lhe permitisse ser tão sério e organizado. como vai? – cumprimentou Marcus. – Não consigo entendê-lo. Não havia fagulhas elétricas ou química entre os dois. esta noite? Detesto ter de lhe pedir isto. nutrira a esperança de que Theron perceberia que sentia alguma coisa por ela. de acordo com o que o patrão dissera. – Tive notícias de que a proposta de casamento ainda está de pé. – Obrigada. Não. Esticando mais uma vez a mão para pegar o telefone. a proposta estava de pé. desanimada. De alguma forma. e não estava preparada para isso. Isabella fechou os olhos. afundou ainda mais na cama. Não podia acreditar. – Olá. onde ele planeja pedi-la em casamento. – Será que poderia conseguir ingressos para a ópera.Capítulo 10 – ELE AINDA pretende fazer o pedido de casamento esta noite? – perguntou Isabella. Alannis não o desafiaria. e depois haverá uma festa no hotel. Isabella deixou escapar um suspiro. – Tenho certeza de que posso consegui-los. segurando o fone com força contra a orelha enquanto ouvia o que Madeline lhe dizia. a julgar pela atração que tinham um pelo outro. Madeline – agradeceu ela. mas estou desesperada. Tenho a impressão de que você é capaz de tentar a paciência de um santo e os votos de um padre. Não conseguia imaginar aquilo. mas pensara que ele despertaria para a atração que existia entre os dois. – Oi. depois da noite passada. Muito bem. Ele precisava… de alguém que o sacudisse. mas com certeza resolvera ignorá-lo. – Sinto muito ouvir isto. – Isabella respirou fundo. Isabella fez um movimento negativo com a cabeça. Theron é tão controlado em todos os aspectos. escutando a secretária de Theron confirmar que. Tinha certeza de que Theron estava disposto a me escalpelar depois de nossa pequena encenação ontem à noite. exceto quando está sozinho comigo. Era como se a futura noiva fosse uma filha para Theron. Marcus soltou uma risada. talvez Theron não fosse completamente alheio àquele sentimento. arrastando as palavras. Theron com Alannis. mas como pretende impedi-lo de fazer o pedido? . é Isabella – disse quando ele atendeu. Talvez não amor. desanimada. – Não posso dizer que o culpo. Não ainda. – Ele me deixa frustrada.

Quando desligou o telefone. ela se sentou na cama com as cobertas dobradas na cintura. os dedos de Theron se fecharam com força em torno do aparelho quando Reynolds passou a relatar os planos de Isabella para aquela noite: sair com Marcus Atwater. No entanto. vamos – estimulou Marcus. Algo deslumbrante. O que ela estava pensando? Certamente não poderia estar se sentido atraída por um homem como Marcus. – Está bem – concordou Isabella. – Mas pensarei em alguma coisa. um pensamento alarmante lhe aflorou à mente. tudo era válido no amor e na guerra. – Não sei – disse ela. – Tem de mantê-la sob estrita vigilância – ordenou Theron.– Não sei… – confessou Bella em tom suave. essa é a favorita de Alannis. Alannis não usava uma aliança. De repente. que consistiam em compras em um shopping e um almoço no hotel. antes de Theron. – Não confio no homem com quem ela . Mas. Mesmo que ele ainda não soubesse. arrastando as palavras. Isabella sabia que ela e Theron eram feitos um para o outro. mas ao que parece. Até isso acontecer. Isso deixará Theron maluco. Isso a tornava “a outra”? Seria ela uma femme fatale tentando destruir um relacionamento? O pensamento não era muito confortador e não a fez se sentir muito bem. Não sabia se as lojas vendiam vestidos para impedir pedidos de casamento. – O divertimento se refletia na voz de Marcus. revelando que sairá comigo. encaminhou-se ao chuveiro. – Ora. Precisava urgentemente pensar em algo que desse certo. Além disso. por outro lado. e nenhum compromisso fora assumido. – Isso o deixará aflito por estar preso na ópera com Alannis e não ter a menor ideia do que estamos fazendo. Tinha apenas até aquela noite para descobrir o que faria para impedir que Theron cometesse um grande erro. Porém. Theron xingou em grego. ele poderá nos controlar. Depois você aparece na festa e ele estará em suas mãos. Talvez até lá você tenha conseguido traçar um plano. Ele então ouviu o chefe da equipe de segurança de Isabella listar as atividades matutinas da patroa. posso sugerir um plano alternativo? Franzindo a testa. – Mas e quanto à festa e os planos de Theron de pedi-la em casamento? – Farei com que chegue à festa. nada estava resolvido. – Então. – Marcus deu risada. – Ótimo. THERON ATENDEU o interfone quando Madeline o acionou e disse que Reynolds estava na linha para lhe passar o relatório diário. Não tenho dúvidas de que eles mantêm Theron informado regularmente. Vou buscá-la às 19 horas. Um sorriso frouxo curvou os cantos dos lábios de Isabella. Ele era o tipo de sujeito escorregadio. precisaria de um vestido perfeito. – Teremos um excelente jantar. Isabella atirou as pernas para fora da cama. Isabella quase gemeu diante do patético clichê. Forçando-se a se levantar. Mais uma vez. – O que tem em mente? – Que tal um encontro romântico? Você informa sua equipe de segurança os seus planos para esta noite. – Acho que não é o momento de admitir que detesto óperas. Telefono quando estiver chegando para que você possa descer. E evitar que o próprio coração se partisse. – Também não sou muito fã do gênero. se estivermos na ópera. Sem mencionar o fato de Marcus desfilar com uma mulher diferente a cada semana. mas logo recobrou a compostura. e a assediara de maneira obscena na festa.

senhor – respondeu Reynolds. – Disseram a Madeline para não revelar que a ligação era de vocês. O som do interfone soou de novo. Tocou-a com os dedos. Naquela noite Theron o colocaria no dedo de Alannis. – Que diabos pode estar passando por sua cabeça?! – O que seu irmão está tentando dizer é que fomos pegos de surpresa e gostaríamos de congratulálo. mas desligou antes que ele pudesse perguntar de quem se tratava. Covarde. sem rodeios. – O que pensa estar fazendo? – Piers. estranho para se empregar neste caso. Piers deixou escapar um ruído rude. Estaria Isabella apenas tentando enlouquecê-lo? Aquela feiticeira endiabrada devia saber que ele não aprovaria um encontro com Marcus. – O que há de errado no fato de eu me casar? – Theron ficou surpreso com a reação de Piers. cortou aquela conversa fiada. Se ele confirmar que vai fazer isso. e Madeline anunciou outra ligação importante. . em seguida. – Sim. Theron fez uma careta. Theron franziu a testa. Seguiu-se um longo silêncio e. – Está maluco? – a pergunta de Piers o fez franzir a testa. há a questão de que a escolhida é Alannis Gianopolous. Theron se inclinou para trás na cadeira e abriu uma das gavetas da mesa. pegou-a e a abriu. – Dê-lhe uma chance de se explicar – interveio Chrysander. – Além do fato de eu achar que qualquer pessoa disposta a entrar para a instituição do matrimônio tem os parafusos soltos. – Isso mesmo – devolveu Piers. – Escolha aceitável? Este é um termo. Sob nenhuma circunstância os dois devem ficar a sós. impaciente. E ainda assim sentia-se decididamente desestabilizado em relação a Alannis… a tudo. Chrysander limpou a garganta. certo? – acusou Theron. Então.vai se encontrar. embora não estivesse falando sério. – Depois julgaremos se ele perdeu o juízo ou não. – Theron decidiu ignorar o comentário de Chrysander. só poderei lhe oferecer minhas condolências. O anel de diamantes faiscou contra a luz enquanto ele o estudava. uma família. – Estou mais interessado em saber por que você acredita que ela não é a mulher certa para mim. Theron atendeu. diplomático. – Sua cunhada quer saber por que você não lhe contou que estava pensando em se casar – disse Chrysander. – Alannis é uma escolha perfeitamente aceitável. Estaria estabilizado. Theron interrompeu a ligação com os lábios comprimidos em uma linha fina. no mínimo. E talvez Isabella não se importasse com o que ele aprovava. Ela não tem nada a ver com você – opinou Piers. esticando a mão para pegar uma caixinha que se encontrava em um canto. depois do que acontecera na noite anterior. Com um gesto negativo de cabeça. – Não é justo usar Marley para me fazer sentir culpado. – Não há nada que me impeça de desligar – contrapôs Theron. – Não fale por mim. Ela não levara em conta sua opinião em nenhum outro aspecto. – Você não teria atendido se soubesse. por que não se sentia entusiasmado? Por que não estava ansioso por seu futuro? Dali a um ano poderia ter até mesmo filhos. e você sabe disso. assim que entendermos o motivo pelo qual ficamos sabendo disso só agora – explicou Chrysander.

Chrysander deixou escapar um suspiro. – E por que preferiu informar algo tão importante por e-mail? – Provavelmente pela reação que estou recebendo agora – retrucou Theron. Eu estou bem. Como o irmão poderia refutar a verdade? Theron e Piers se opuseram veementemente a Marley. E não podiam estar mais equivocados. Piers não estava preparado para jogar a toalha. Porém. Ela decidiu ficar em Nova York – informou Theron. Theron! E ela é… ela é… – O que ela é? – Theron o interrompeu. Por que ela não foi para a Europa. – Estão se referindo à pequena Isabella Caplan? – Eu o colocarei a par deste assunto mais tarde. Marley fará questão de comparecer ao casamento.– Diabos! O pai dela vem tentando casá-la com um de nós três há anos. – Pense no que está fazendo. – Ela não foi para a Europa – disse ele. Queria apenas poder estar em Nova York para ver com meus próprios olhos. Piers. – Você a despachou para a Europa? Mais uma vez. – Apenas se certifique de que é isso mesmo que deseja – respondeu Chrysander. – Você tem um hotel para construir. – Pobre Theron. . Trata-se de algo para o resto de sua vida. – Quem é Isabella? – quis saber Piers. mas sou capaz de tomar minhas próprias decisões. Theron? Onde está Isabella. – E Theron pousou o fone no gancho. resignado. – Não é irônico que há pouco tempo tenhamos sido Piers e eu a ter este mesmo tipo de conversa com Chrysander sobre Marley? Estávamos errados sobre ela. calmo. seguiu-se um longo silêncio. vocês dois podem largar do meu pé. Crysander. presunçoso. – E não é mais tão pequena – acrescentou. Atrelado a mulheres por todos os lados. – Desde quando se preocupa tanto com nossa opinião? – indagou Piers. Theron escorregou uma das mãos pelo cabelo. Agora. A risada de Piers ecoou do outro lado da linha. – Providenciei o que Isabella estava precisando e a acomodei. Está tudo bem. Imagino o quanto tem praguejado contra mim. desejando ter insistido com Madeline para saber quem estava ao telefone. – E mantenha-nos informados de seus planos. – Aprecio sua preocupação – retrucou Theron em tom de voz seco –. – Estou sentindo algo no ar. irritado. Agora sabia como Chrysander se sentira quando ele e Piers o atormentaram em relação a Marley. – Diga-me como estão indo as coisas com Isabella – pediu Chrysander. não acha? – perguntou Piers. Algo de podre. – Permaneça onde está – resmungou Theron. Parentes bem-intencionados sempre eram os piores. e vocês também estão errados sobre Alannis. e Theron percebeu que o atingira em cheio. então? – Está aqui. – Estou desligando agora. Chrysander soltou uma risada abafada. – Ele está soando muito defensivo. em uma óbvia tentativa de mudar de assunto. embora não entendesse a necessidade de deixar claro aquele ponto. – Diga-nos apenas por que a repentina urgência em se casar? – pediu Chrysander.

Marcus estava certo em relação a uma coisa: tudo que podia fazer era tentar. – Eu e você adoramos lançar mão de um clichê. também era o dela. mas não desejava se encaixar nesse estereótipo. A tensão lhe retesava todos os músculos do corpo. . Aristocrática. Marcus esticou o braço por sobre a mesa e lhe segurou os dedos. etc… Um sorriso bailou nos lábios de Isabella. para o qual arrastara seus guarda-costas naquela manhã. percebeu a compaixão estampada nos olhos escuros de Marcus. que mal tocara. – Não quero fazer papel de insistente. Tinha dinheiro e uma excelente linhagem. Você é mesmo muito doce. Isabella baixou o olhar ao vestido de noite azul-escuro que escolhera durante um tour agitado de compras.Capítulo 11 – OCORREU-LHE ALGUMA ideia do que vai dizer. e ele não é só uma empolgação passageira. mas ao mesmo tempo tenho de fazê-lo ver que não o estou apenas provocando. O que essa outra mulher poderia dizer para convencê-lo a não se casar com ninguém além dela? Marcus pousou a taça. – Tem certeza de que é isso que realmente quer? Odiaria vê-la ferida e desapontada. Não venho fazendo algum jogo tolo. – Coloque-se no lugar dele – murmurou ela. Sem falsa modéstia. O que acontecesse depois estaria fora de seu controle. não? Acho que dependeria de eu realmente amar a mulher que estava pretendendo pedir em casamento. enquanto lhe soltava a mão. – Temia que respondesse isto – resmungou Isabella. Aquela noite. – Obrigada. – Tudo que pode fazer é tentar – retrucou ele. na verdade. Isabella? – Marcus levou a taça de vinho aos lábios. – Deus! Você faz perguntas difíceis. gentil. – Deus! Os homens odeiam ouvir essas palavras dos lábios de uma mulher! É tão ruim quanto “você é como um irmão para mim”. sabia que estava mesmo deslumbrante. – Você é tão doce! – começou ela. – Você está prestes a pedir uma mulher em casamento. inclinou-se para a frente e deixou escapar um suspiro. Beijou outra duas vezes e está lutando com todas as forças contra essa atração. se encaixava no mundo de Theron. Quando Isabella ergueu o olhar. longe do estilo usual composto de jeans. Isabella soltou uma risada e sentiu os ombros relaxarem. Que. embora nunca o tivesse adotado. Relutante. alinhada. E se tivesse. – Quem não arrisca. ela fez um gesto negativo com a cabeça e baixou o olhar à entrada. Mas também jamais a pediria em casamento se não tivesse certeza de meus sentimentos. não petisca etc. camiseta e unhas pintadas com cores vibrantes. e estivesse determinado a pedir-lhe a mão. – Está deslumbrante esta noite – disse ele. nada me demoveria.

mesmo que aquilo significasse uma ida ao toalete masculino. deveria ter tentado conquistá-la. coma. – A ópera mal começou. Durante a próxima hora. já que estava firmemente entrincheirado nos compromissos daquela noite. e os dois deixaram o camarote. Por fim.– A que horas devemos partir? – perguntou. Marcus exibiu um sorriso tranquilizador. – Isabella sorriu. – Ficarei honrado. Irritava-o o fato de ser forçado a pensar no bem-estar de Isabella em uma noite em que deveria estar relaxado. depois de um dia de compras. – Seria uma forma de estragar o show – afirmou. THERON MANTINHA o cenho franzido. Ainda temos um bom tempo. – E se meu coração já não pertencesse a Theron. Se as coisas não saírem como espera com Theron… lembre-se de mim. Sophia estava menos entusiasmada. Reynolds telefonara para Theron para relatar que Isabella se encontrara com Marcus Atwater para jantar. – Acabou – afirmou num sussurro. teria prazer em incentivá-lo nessa tentativa. arrancando-o dos pensamentos turbulentos. com Sophia e dois seguranças de sua equipe os seguindo. Espero que permaneça meu amigo. Insisto. dera ordens estritas para Reynolds colar em Isabella e garantir que Atwater não se aproveitasse dela. – Obrigada. Eles têm as sobremesas mais deliciosas de Nova York aqui. mas não tinha certeza se Alannis estaria tão absorta no espetáculo a ponto de não perceber. Não se preocupe. enquanto a ópera se arrastava diante dele. Em vez disso. – Estou quase arrependido de ter concordado em ajudá-la. e lhe prometera que não permitiria que os negócios interferissem naquela noite. e encontraria uma forma de verificar suas mensagens. eu a levarei com bastante antecedência. – Então deixe-me lhe dizer o seguinte e não tocarei mais no assunto. mas prestava atenção ao espetáculo. em sua cadeira. maliciosa. Aquela mulher estava se entranhando em sua vida de uma forma que não o agradava. Seria terrível chegar à festa e desmaiar de fome aos pés de Theron. Ainda assim. Tentava enviar uma mensagem de texto para Reynolds de seu telefone celular. pediu que a equipe de segurança de Isabella o atualizasse com notícias. ansiosa. Theron relanceou o olhar à cortina fechada. Você é um amigo maravilhoso. Perdera todo o bis? Outra cutucada de Alannis o fez se erguer. Esta é uma cidade solitária quando não se conhece ninguém. Não havia muito o que ele pudesse fazer no momento. . o rosto brilhando de encantamento. Marcus soltou uma risada. Agora. não importa o que acontecer. Tente relaxar e aproveitar nosso jantar. ansiando pelo término do espetáculo. Alannis assistia como que hipnotizada. Pouco antes de a ópera começar. com um movimento negativo de cabeça. Ao seu lado. – Gostou do espetáculo? – perguntou ele. enquanto se dirigiam à limusine que os aguardava. ele se inquietou. Ele lhe ofereceu o braço. Não conseguia controlar a pulsação acelerada ao imaginar chegar atrasada à festa. Isabella esticou a braço por sobre a mesa e lhe segurou a mão. Fazia-a suar frio pensar que chegaria a tempo apenas de ver o feliz casal de noivos. O que significava não conseguir aproveitar uma noite com sua futura esposa por estar pensando em Isabella Caplan? Alannis lhe tocou o braço. apesar do pouco tempo em que nos conhecemos.

ele lhe segurou a mão. extasiada. – E o que você deseja? – perguntou Theron. Houve um tempo em que… Alannis baixou a cabeça. – Oh. antes de o veículo se pôr em movimento a caminho do hotel. Sophia sorriu e deu o braço à filha. e Theron a ajudou a sair do veículo. que as seguia. curioso. a banda começou a tocar. e meia hora mais tarde.– Foi maravilhoso – respondeu Alannis. Theron não conseguia afastar da mente a imagem de outra mulher quando olhava para sua futura noiva. – Amo muito a ópera. meu pai não permitiria. Theron ergueu uma das sobrancelhas. Algo faiscou nos olhos de Alannis. o que o fez sentir a inquietação se avolumar. extasiada. chegaram ao hotel. e deixou a mão pender quando se certificou de que a trazia consigo. Aquele pensamento o fez relaxar no assento do carro. No entanto. enquanto ele a revirava no bolso. Nada naquela situação deveria deixá-lo ansioso. mas logo se dissolveu na meiguice usual. envergonhada. Tinha as mãos úmidas e se viu fazendo um movimento negativo com cabeça diante de seu aparente nervosismo. – Gosto de crianças – ela se limitou a responder. querida. Alannis bocejou. Quando entraram. Tinha todo o seu futuro traçado. surpresa. Prefere que eu faça um bom casamento e lhe dê netos. Sorrindo. Theron se apressou em ajudá-las a entrar na limusine e se juntou às duas. Theron! – Ela ofegou. As bordas da caixa de joias atritavam contra sua pele. tentando segurar os diminutos pedaços de papel que despencavam em uma nevasca néon. antes de se dirigir à mãe. Alannis ergueu o olhar. e uma chuva de confetes despencou do teto. – Oh. isto é maravilhoso. a mandíbula contraída enquanto cruzavam o saguão em direção ao salão de festas. por alguma razão. enquanto se aproximavam do centro do salão. O tráfego estava livre. de uma forma calma. Ele considera essa uma carreira vulgar. Esta é uma noite muito especial. e tudo estava saindo exatamente como planejara. – Espero que não esteja muito cansada para uma festa. – Houve um tempo em que…? – estimulou Theron. – Uma festa em minha homenagem? Isso parece tão excitante! – Os olhos de Allanis faiscaram de alegria. serena. Alannis se mostraria igualmente maravilhada quando ele a pedisse em casamento? E quanto a ele? Ou estaria cometendo o maior erro de sua vida? . Alannis era mesmo adorável. – Theron planejou uma festa em sua homenagem. Orgulhava-se de seu autocontrole e calma. – Não era boa o suficiente. Além disso. – Que festa? – ela o fitou. Theron desviou o olhar. – Mas ele pensa que qualquer carreira que termine em um palco não é apropriada a uma jovem. Com o coração descendo para os pés a cada passada. – E por que não perseguiu esse objetivo? Alannis sorriu com um gesto negativo de cabeça. Sentiu a caixa de joias no bolso. A mão roçou o bolso em que estava a aliança. houve um tempo em que desejei ser uma cantora de ópera – disse ela. – Não consigo imaginar tal talento ser considerado vulgar. ele a guiou para a frente. A senhora piscou para Theron. mas não antes de ele perceber um leve rubor em seu rosto.

Isabella girou e se inclinou na direção do banco onde ele estava sentado. – Foi uma batida. dobre à esquerda e poderá vê-lo. rezou. Nunca chegariam ao hotel a tempo. Theron? ISABELLA SE inclinou para a frente no banco do carro.– Alannis… – começou ele. Sua aparência já estava assustadora. Isabella fechou a porta. Isabella percorrera três quarteirões quando uma chuva fina começou a cair. – Tenho de ir. Sem saber para onde ia. enquanto cortava na frente dos carros que tentavam se mover naquele caos. observando o mar de carros parados. desesperada. Quando voltou a encará-lo. ignorando as buzinas. moça. e tinha certeza de que havia se . O motorista revirou os olhos e baixou o vidro. – O que está nos detendo? – indagou. Acalme-se. Isabella girou a cabeça para olhar pela janela. ergueu a saia longa do vestido e começou a correr entre o tráfego. – Sim. – Ei. Quando conseguiu se abrigar embaixo do toldo do hotel. e você sabe disso. Girando. Quando avistou um táxi desocupado. irritado com o tremor da própria voz. Isabella ergueu uma das mãos. moça! A senhorita esqueceu seus sapatos! – O homem gritou atrás dela. manteve-se na calçada paralela ao tráfego. esticou a mão para a maçaneta da porta e a escancarou. quando ela saltou do veículo. com o cabelo colado no rosto. ela se precipitou na direção do hotel. Por favor. Recoste-se no banco. faça com que eu chegue a tempo!. esticando o pescoço para ver através do vidro do para-brisa. Isabella suspendeu a saia do vestido mais uma vez. Se cortar por esta rua até o próximo quarteirão. Nunca chegaremos a tempo. – Ouça. Não posso… – Ela engoliu em seco e desviou o olhar por um instante. por favor. Quando girou na esquina do último quarteirão. – Em linha reta. ninguém irá a lugar algum com esse engarrafamento. Lábios que não lhe suscitavam o desejo de beijá-los. Pestanejando para dispersar a água que lhe caía nos olhos. Tenho de estar lá antes que ele a peça em casamento. lágrimas lhe nublavam a visão. Murmurando um agradecimento. Bella. Girando. Isabella continuou em disparada. não muito longe. Ouviu os gritos de Reynolds. ela o encarou com os olhos faiscando e os lábios curvados em um sorriso luminoso. Siga sempre em frente e após o quinto quarteirão. – Bella. o céu pareceu se abrir para dar passagem a um dilúvio. evitando as poças de água que já haviam se formado na rua. estará a seis quadras do hotel. Theron não fará o pedido no instante em que a festa começar. Não pode sair correndo pelas ruas da cidade de Nova York! – exclamou Marcus. pode me dizer como faço para chegar no Imperial Park Hotel? Estou muito distante? O homem estreitou o olhar e voltou a encará-la. retirou os sapatos e continuou a correr o mais rápido que pôde. Nós chegaremos lá. – Preciso ir. Os pés estavam doloridos. o que está fazendo?! Volte para o carro. Em uma explosão de frustração. Não que aquilo importasse. e olhou para trás para vê-lo correndo a toda velocidade pela rua em seu encalço. a água lhe escorria do corpo e da massa disforme que se encontrava o vestido. correu até a janela e bateu no vidro. – Por que não estamos saindo do lugar? Marcus pousou a mão em seu ombro. e a esperança de parecer deslumbrante quando surgisse na festa de noivado de Theron havia muito se dissipara. Obrigada por tudo. – Por favor. Não tinha tempo de parar para se explicar.

porque interrompeu o discurso. enquanto dirigia um olhar apaixonado a Theron. Bella. – Você também está encharcado – disse ela percebendo o estado em que se encontrava a camisa e a calça comprida de Marcus. Quem perceberia? Seriam confundidas com os pingos de chuva que lhe escorriam do cabelo. E então. Isabella abriu caminho entre as pessoas. Aos poucos. tentando entrar. Não. que lhe sorria. Isabella anuiu e cerrou as pálpebras com força. Marcus a envolveu nos braços. Isabella prosseguiu. os sons animados das risadas diminuíram.cortado em alguma coisa. Não era capaz de ver nada além de como Alannis parecia radiante. no meio do salão. Quase… como se estivessem apaixonados. com todas as partes do corpo doloridas. vasculhando com olhar frenético entre a multidão. Isabella se viu sem palavras. os convidados aplaudiam e. mas conseguiu se equilibrar e correu o mais rápido que pôde com o tecido molhado colado às pernas. provocando-lhe um arrepio. Marcus entrou. Lentamente. – Chegou tarde demais? – perguntou desnecessariamente. Isabella se deixou guiar para dentro do elevador. Isabella fechou os olhos outra vez. enquanto a guiava na direção do elevador. que corria em sua direção. e estacou abruptamente diante dela. Ela brilhava de felicidade da cabeça aos pés. com os olhos banhados em lágrimas. Quando se aproximou da entrada. Não poderia. deixe-me levá-la até o seu quarto – disse ele. Mantendo a cabeça baixa. com um sorriso oblíquo. Uma lágrima rolou por seu rosto. ouviu a ovação que vinha de dentro. Ambos pareciam tão felizes! Felizes. afobado. Compunha um espantoso contraste com a sensação de aniquilação que Isabella experimentava em seu íntimo. – Ele a segurou pelos ombros e a girou para que o encarasse. – Corri atrás de você e fui pego pela tempestade – disse ele. em seguida. ela girou. o que de fato era verdade. Bem? Nunca mais nada estaria bem. com uma nova onda de lágrimas lhe escorrendo pelas faces. Ignorando os olhos inquisitivos que lhe dirigiam. – Sinto muito. Não poderia ter chegado tarde demais. ergueram suas taças em um brinde. Não conseguia ouvir nada além do zumbido em seus ouvidos. – Eu a levarei lá para cima. com os olhos suavizados por uma gentil compreensão. – Você está encharcada. devia ter visto a tristeza em seu semblante. – Marcus fez um gesto curto de cabeça para Reynolds. . Quase colidiu com Reynolds. Escorregou no chão encerado. – Venha. – Não foi culpa sua – sussurrou. Por que Theron não poderia amá-la? Marcus retirou o cartão dos dedos trêmulos de Isabella e destrancou a porta. mas ela não fez nenhum esforço para limpá-la. Ao redor deles. se encontravam Theron e Alannis. as imagens de Alannis e Theron se infiltravam em sua mente. seguida por uma explosão de aplausos. você está bem? O que fez foi uma loucura. ignorando as perguntas que o segurança lhe fazia para se certificar de que ela estava bem. O ar frio imediatamente a envolveu. e se retirou do salão de festas. substituídos pelo murmúrio das conversas das pessoas que se encontravam no saguão. – Isabella. À medida que se aproximava do salão de festas. Enquanto subiam. Transpôs a porta. Entorpecida. E lá. Prometi que a traria para cá a tempo.

estreitando o olhar. Que diabos aquele rapaz estava pensando? Sabia muito bem o que Marcus estava pensando e com quem estava pensando. Quando estava prestes a entrar. na direção dos três homens. Reynolds ergueu o olhar quando o viu se aproximar. trajado apenas com um robe. Theron se afastou. Por que se sentia nauseado diante da perspectiva de ela ter feito sua escolha? . com acenos curtos de cabeça para os convidados que os rodeavam. – Você abandonou sua festa de noivado para vir até aqui me xingar? – indagou Marcus. Franzindo a testa. arrastar Marcus de lá e surrá-lo até lhe dar uma lição. querida. Um som mais adiante no corredor fez Theron girar a cabeça para ver o carrinho de comida sendo empurrado na direção do quarto de Isabella. pensou. com o sr. – Marcus lhe deu as costas e se encaminhou na direção do toalete. – Com quem? – Ela subiu minutos atrás com o sr. – Ambos estavam molhados. que ficava duas portas adiante. Certamente ele havia escutado errado.Isabella anuiu e se encaminhou ao toalete. Theron girou e se encaminhou ao elevador. Nada o impediria de subir até o quarto de Isabella. – Pode permanecer na banheira por mais tempo. – Ora. determinado. – Desculpe. finalmente a comida! Se me der licença… ou deseja mais alguma coisa? – perguntou Marcus em um tom beligerante. THERON ENFIOU a mão no bolso de dentro do terno e de lá retirou o telefone celular. A comida ainda não chegou. – Voltandose outra vez para Theron. a porta foi aberta por um sorridente Marcus. Theron sentiu as têmporas latejarem. se afastou. deixou o olhar vagar pelo corredor e avistou Reynolds parado próximo aos seus homens. pensei que fosse o serviço de quarto. ele o percorreu de cima a baixo com o olhar e perguntou em um tom de voz que refletia enfado: – O que posso fazer por você? – Seu arrogante… – disse Theron em tom ameaçador. Franziu a testa quando leu a última mensagem não respondida. encharcado da cabeça aos pés. Um redemoinho parecia revolver seu íntimo enquanto entrava no elevador. divertido. bateu com força. Com um xingamento baixo. saiu pisando duro. Atwater – respondeu o guarda-costas. Segundos depois. mas em seguida espremeu o olhar. sentindo como se tivesse acabado de sair de um ringue de boxe. Atwater – respondeu Reynolds. – Na sua suíte. com os punhos cerrados nas laterais do corpo. A raiva lhe percorria as veias como lava incandescente. calmo. Retirou-se do salão de festas e se dirigiu ao toalete masculino. Ele pareceu surpreso ao ver Theron parado lá. – Onde está Isabella? – quis saber Theron. Theron caminhou. transtornado. Sem dizer uma falava. Quando enfim alcançou a porta do quarto de Isabella. Pediu licença para Alannis com um sorriso e. Que importância tinha aquilo? Fora ele a indicar Marcus como uma escolha na busca de Isabella por um marido.

– Sadie continuou a tagarelar. . – Ele pediu Alannis em casamento? Foi isso? Mais uma vez. – O que aconteceu? Foi Theron? Isabella cerrou as pálpebras e anuiu. Levou as mãos às pálpebras inchadas e recordou que havia chorado a noite inteira. – O que houve de errado? Esteve chorando? Para desânimo de Isabella. Ela chegara tarde demais. – Não sei se está em condições de fazer isso. Pediremos comida no quarto e chafurdaremos em sobremesas que contenham zilhões de calorias. os olhos começaram a arder com as lágrimas que se formavam. É muito importante. – Por um instante pensei que havia esquecido o compromisso de hoje à noite. Sadie fechou a distância entre as duas e lhe envolveu os ombros com um braço. confusa. – Não pode perder sua festa. E os dois pareciam tão felizes! O que explicava o fato de ela estar se sentindo tão angustiada. Quando perscrutou pelo olho mágico. Isabella sorriu. Logo Isabella se encontrava sentada. Sadie recuou e lhe afastou uma mecha de cabelo do rosto. – Trouxe tudo aqui na minha bolsa. Era difícil dizer. e Sadie. – Será moleza. com aquela peruca loura lhe adornando a cabeça. Bella forçou um sorriso largo. Isabella fechou a porta e girou de frente para a amiga. – Sadie a puxou para um abraço. – Oh. franzindo a testa. você está aqui! – disse ela. afobada. sinto muito. Theron pedira Alannis em casamento. e a amiga entrou. – Graças a Deus. e temos muito tempo para prepará-la. ela o vestiu e amarrou a faixa à cintura. Recolhendo o robe que se encontrava atirado sobre o espaldar de uma cadeira a curta distância. querida. enquanto se encaminhava à porta. Isabella anuiu contra o ombro da amiga. Estava determinada a não derramar nem mais uma lágrima sequer. agachada ao seu lado.Capítulo 12 ISABELLA ACORDOU com uma sonora batida na porta. – Vamos esquecer tudo sobre esta noite. ela pestanejou várias vezes para dispersá-las. guiando-a na direção do sofá. Isabella abriu a porta. obrigando-a a afastar as cobertas e se levantar da cama. – E então ela estacou quando observou o estado de Isabella. e entreabrindo os lábios. Só porque minha vida está um trapo não há razão para você perder seu emprego ou uma chance na Broadway. A batida na porta soou outra vez. Sadie a observou com olhar indeciso. viu Sadie parada do lado de fora. ou ao menos alguém parecido com ela. Irritada. Abriu os olhos e fez uma careta diante da sensação de esgotamento.

escorregando as mãos de maneira sugestiva pelas curvas do próprio corpo. apressada. – Sermos pegas e Reynolds ter outro ataque. – Ela fixou o olhar na peruca que Sadie usava. dançarei um pouco e atrairei a atenção dos homens. Isabella permaneceu sentada por um instante. não parecendo em nada com a mulher fatal que chegou mais cedo. olhando pela janela até que o motorista limpasse a garganta. Isabella se encaminhou a um táxi que a aguardava e entrou. enquanto caminhava. O homem nem pestanejava – e quem podia culpá-lo. e você sairá rebolativa deste hotel. O nervosismo a fazia sentir um frio na barriga. Não com tudo aquilo à mostra. Eu esperarei um bom tempo. – É assim que se fala – disse Sadie. sinceramente. dando de ombros. – Bem. antes entregar a quantia adequada pela corrida e saltar do táxi. ela lhe deu o endereço que Sadie lhe fornecera. O traje em que Sadie a aprisionara era muitas coisas. aqui vamos nós – murmurou. ninguém perderia tempo observando seu rosto. Fiz questão de fazê-los me ver entrar e. Quando chegaram à entrada dos fundos do clube. O short era uma versão um pouco mais cara dos modelos tipo Daisy Duke. Ninguém saberá que não está mais aqui. Tenho certeza de que Theron está muito ocupado com a noiva para dar importância ao meu paradeiro. – Vamos pedir algo para comer.– Que mal poderá acontecer? Eu me vestirei como você. nem mesmo as meninas da torcida organizada do Dallas Cowboy exibiam decotes mais generosos. – Sem falsa modéstia. Será rápido e você conservará seu emprego. com os trajes que ela usava? Isabella achou divertido o fato de o taxista estar presumindo que ela viera àquele hotel a “negócios”. – Mãos à obra! ISABELLA TINHA certeza de que havia enlouquecido por concordar com aquilo. atirou uma mecha comprida do cabelo louro artificial por sobre o ombro e esperou que as portas se abrissem. caminhando com passos hesitantes na direção da porta. quem não notaria isto? – acrescentou a amiga. e tinha uma cintura tão baixa que lhe deixava o umbigo e mais uma extensa faixa de pele expostos. Modesto não era uma delas. Quanto ao top. e então me vestirei para a festa e partirei. aquilo beirava o obsceno. Mas como Sadie dissera. uma camada de suor lhe cobria a testa. na direção da saída. – É uma maneira perfeita de burlar seus seguranças. Quando o motorista pôs o carro em movimento. enquanto o carro fluía pelo tráfego. Embora Sadie . Estou faminta. E então poderá me ensinar os movimentos que preciso saber. Inspirou profundamente quando o elevador parou no saguão do hotel. Os saltos altos das botas ecoavam contra o chão de mármore. Isabella explodiu em uma risada. Embora não se importasse em exibir seus atributos em proveito próprio. – Desculpe – resmungou ela. o que pode acontecer de pior? – perguntou Isabella. O corredor do lado de dentro estava imerso em escuridão. – Tem certeza? Isabella anuiu. – É isso que vou colocar para sair daqui esta noite? Sadie sorriu. O que era uma vantagem. – Bem. Sadie piscou e prosseguiu: – Nós a vestiremos exatamente igual a mim.

Estamos com um problema. Ainda não tinha certeza se tomara a decisão certa. – Anetakis – disse. – O quê?! E você permitiu que ela repetisse esse feito? – Temo que desta vez seja algo pior. Outra vez. Caplan nos deu uma volta. alongando os cílios já pretos. Respirando fundo. – Não sabíamos se você viria. Mais para se manter ocupada do que por real necessidade de retocar a maquiagem. Quando ela alcançou a porta identificada apenas com a palavra “meninas”. e Sadie passara toda a tarde lhe ensinado o que era preciso. Embora não fosse tão gabaritada quanto a amiga. – Sr. senhor. sabia fazer os movimentos. portanto. Parecia em pânico. tudo que conseguiu captar foi a tristeza em seus olhos. Quando viu o nome de Reynolds na tela de LCD. – Mexa-se. ou como o cabelo estivesse bem penteado. senhor. Theron pousou o copo da bebida com um baque.tivesse garantido que ninguém perceberia as sutis diferenças entre as duas. Ela sorriu e anuiu na direção da jovem. Ocupou um lugar no espaço destinado a Sadie no vestiário para verificar como estava a maquiagem e se certificar de que a peruca se encontrava segura. a srta. mesmo assim. Isabella deu uma última olhada no espelho. irritado. Com movimentos mecânicos colocou mais uma camada de rímel. O crepúsculo caía sobre a cidade. entrou. Havia muita atividade no recinto. você entrará dentro de cinco minutos – uma voz masculina soou da porta dos fundos. não tinha a menor ideia do que fazer com Isabella. Terá de entrar logo depois de Angel. observando seus lábios brilhando com o vermelho vivo. O aparelho estava pousado sobre a mesa de centro a metros de distância. Era capaz de fazer aquilo. Terei prazer em inteirá-lo dos detalhes mais tarde. Mas agora. E o que estava acontecendo era que perdera o único homem com quem esperara passar o resto da vida. aquela farsa ainda a deixava extremamente nervosa. ajustou a roupa. Questionara-se repetidas vezes durante o dia e. e as luzes começavam a se acender no horizonte. caminhou até lá e o ergueu. THERON OLHAVA pela janela da cobertura de Chrysander. não conseguia encontrar nenhum senão no caminho que havia tomado. Ao deparar com o próprio reflexo no espelho. seus olhos verdes ainda a encaravam sem vida. Isabella experimentou uma sensação gelada em seu íntimo e tratou de engolir o pânico em seco. é melhor se arrumar. conciso. Anetakis. é Reynolds. onde ele o havia atirado mais cedo. elevou os seios e se dirigiu à porta. . os olhos refletiam tudo que estava acontecendo. Isabella aplicou um pouco mais de batom. Ninguém conhecia sua verdadeira identidade ali. o drinque quase esquecido em uma das mãos. Outra jovem esbarrou em Isabella. quando o celular tocou. Com um suspiro resignado. e ninguém prestou atenção à sua presença. Sadie – cumprimentou a outra dançarina. Não importava a quantidade de maquiagem. pôs-se imediatamente em alerta. – Que tipo de problema? – Mais cedo. Isabella estava tão maquiada que a própria equipe de segurança não fora capaz de reconhecê-la. – Sadie. no fim da tarde. – Olá. Girou. Mesmo assim. fazendo-a se afastar do caminho para não se aproximar demais. Apertou o botão para atender e levou o celular ao ouvido.

impaciente. Theron acenou para eles com um gesto discreto. e não pense que não exigirei todos os detalhes de como isso aconteceu. Quando chegou ao saguão do prédio. – Alguém que conheço está aí dentro. Isabella estava fazendo em um clube masculino? O que estava pensando? Seria Marcus de alguma forma responsável por aquilo? Se fosse. embora quase seminuas. No momento em que mencionaram clube masculino. Theron saltou do veículo e avistou Reynolds. – Theron Anetakis – respondeu ele. – Achei que o senhor ia querer saber. Na direção da parte da frente do salão. com seus dois homens. apressados. observando cada mulher que via. não posso deixá-lo entrar. Era óbvio que um show estava para começar. – Seu nome. Theron saiu pisando duro à frente deles até a porta e estacou quando um brutamontes. o título de sócio não é um procedimento instantân… Theron se recusou a continuar ouvindo. até mesmo impecável. e não deveria estar. a testa franzida pela concentração. o fazia se lembrar das áreas de altas apostas dos cassinos. O que. senhor. As garçonetes. Theron fervilhava de impaciência. Theron caminhou entre as mesas. o impediu. – O senhor conhece esse clube? Theron franziu a testa. – Ela está aqui? – Theron perguntou. – Estou a caminho de lá agora. – Seguiu-se uma breve pausa. concentrado em absorver aquela informação. O tipo de lugar cuja existência Isabella não deveria sequer saber. – Mas. Mas aquele estabelecimento fora criado para uma seleta clientela. mais homens se encontravam reunidos diante de uma plataforma acortinada. – Acabamos de chegar – explicou o chefe da equipe de segurança de Isabella. – Claro que quero saber! – explodiu Theron. iria matá-lo. Pague a este homem o que for necessário pelo título de sócio e me encontre lá dentro. Quando o motorista freou com um solavanco em frente à entrada do clube. Vou procurar Isabella. Caplan – afirmou Reynolds. – Íamos nos certificar agora. educado. O clube era diferente do que Theron esperava. correndo na direção dele. senhor? – perguntou o homem. O interior limpo. o carro o aguardava diante da porta da frente. – Cuide disto. – Não é um clube masculino? Por que diabos estão indo para lá? – Porque foi esse o destino da srta. desviou a atenção do grupo de homens. Onde diabos estaria Isabella? Teria Reynolds recebido a informação correta? Olhou para a entrada e viu Reynolds e os outros dois seguranças entrando.porém no momento estamos a caminho do La Belle Femmes. não tinham aparência vulgar. em nome de Deus. nos fundos de alguma construção. Os clientes estavam bemvestidos. quando girou na direção de Reynolds. Tinha certeza de que Reynolds e os demais seriam capazes de contornar quaisquer objeções que o segurança do clube tivesse em relação à sua presença. Quando constatou que não havia nenhuma mulher entre eles. fumavam cigarros importados caros e bebiam o mais refinado conhaque. e o chefe da equipe de segurança de Isabella abriu caminho . calmo. Theron deixou a cobertura. usando óculos escuros. – A não ser que seja sócio. com olhar atento. enquanto passava pelo homem e entrava. lhe veio à mente a imagem de um lugar decadente. autoritário. chamando o motorista pelo celular. onde a prostituição e as drogas corriam soltas.

O olhar de Theron foi atraído pela tatuagem nas costas. ela ergueu os braços e segurou o mastro que se encontrava no palco. A dançarina começou a se mover no ritmo da música. Muito bem. Quando ela ergueu o olhar. – Soube de fonte segura que a srta. fazendo revoar uma massa de cabelo louro. – Por que acha que Isabella está aqui? – perguntou Theron. Conhecia aquele desenho. Caplan está neste local – respondeu Reynolds. Postiço. Os quadris oscilando e os braços pendendo graciosamente nas laterais do corpo. encontrou o dele. o pânico enquanto ela olhava ao redor do salão repleto de homens que a observavam como um petisco suculento. Theron sentiu o sangue ferver. Ele girou. ela girou. e o medo foi substituído pele choque ao reconhecêlo. Quando a fumaça se dispersou. para ver a cortina se erguer e a fumaça do palco resvalar sensualmente pelas pernas longas de uma mulher. Ela usava botas de cano alto justas que apenas lhe acentuavam os contornos e chamavam atenção para suas nádegas bem torneadas. austero.entre as mesas até onde ele estava. E então. Theron encontrou os olhos verdes. antes que ela o visse. na altura da cintura. O que não era de admirar. Passara muito tempo fantasiando com aquela tatuagem. . com uma careta. – O senhor está procurando no lugar errado… O segurança foi cortado pela música que explodiu atrás de Theron. Percebeu o medo refletido neles.

Um olhar ao próprio corpo a fez ofegar. quando percebeu que os seios estavam quase escapando pelo decote profundo do top. Isabella foi invadida pela ânsia de proteger os seios com os braços e correr para se esconder. Os braços de Theron eram como cintas de ferro em torno de seu corpo. enquanto ele caminhava sem nenhum esforço. – Receberei uma explicação completa quando . desanimada. Porém. boquiabertos. Isabella não fez mais nenhum esforço para se soltar. Ela é minha. parado um pouco atrás do grupo de homens que circundavam o palco. nem a incitou a descer de lá. ameaçador. – Imperial Park – disse.Capítulo 13 ISABELLA EMPALIDECEU quando avistou um furioso Theron. Em seguida. Theron transpôs a porta e saiu para a noite. Ainda atordoada. ela o ouviu rosnar: – Afastem-se. sustentando-lhe o peso como se fosse uma pena. com passadas firmes e decididas na direção do palco. Bella. A força com que ele a segurava a impedia de respirar. Nem uma maldita palavra – disse. Simplesmente saltou sobre a plataforma e com um único e preciso movimento a ergueu nos braços e a atirou por sobre o ombro. Theron se aproximou. o que a deixou em uma posição ainda mais precária. Isabella abriu a boca para falar. Ela ergueu a cabeça para ver Reynolds. O chão girou vertiginosamente quanto Theron saltou do palco. Deitada em um ângulo incômodo no banco. Não estacou na beirada do palco. Maxwell e Davison afastando os seguranças do clube que se precipitavam em seu socorro. Malditas botas! Sentia-se desajeitada e deselegante. Não que aquilo tivesse logrado algum êxito. De repente. mas eram demasiados civilizados para se envolveram em um imbróglio daquele tipo. mas foi silenciada pelo olhar severo que ele lhe dirigiu. Theron se limitou a apertá-lo contra a parte posterior de suas pernas e caminhar na direção da saída. mas as pernas se chocaram com as dele e ela as afastou rápido. E para sua surpresa. os olhos faiscavam ao medi-la de cima a baixo. Os clientes se levantavam de suas cadeiras e olhavam para Theron. – Nem uma palavra. A raiva emanava de Theron em ondas carregadas de eletricidade. Mas antes que pudesse tomar qualquer decisão. A raiva vibrava sob a superfície daquele corpo forte. inclinou o corpo e a atirou pela porta escancarada do veículo. sentou-se ao lado dela e bateu a porta com força. Isabella tentou erguer-se. conciso. Isabella soltou um grito assustado ao mesmo tempo que a música parou e o caos se instalou no salão. e Isabella começou a se contorcer tentando fazer com que ele afrouxasse o braço. Não queriam arriscar arruinar seus ternos de centenas de dólares. Theron estacou diante do próprio carro. Ela cruzou os braços sobre o peito e deslizou para trás no banco até que as costas colidissem com a porta oposta. Sem perder sequer um segundo. como um predador no ato da caça.

Ele entrou no elevador e acionou o botão do andar da suíte que ela ocupava. suavizara. – Então. – Eu posso caminhar com meus pés – protestou ela. O olhar que Theron lhe dirigiu sugeria que ela permanecesse onde estava. mas se recostou. – Tome – ofereceu ele. mas ele não perdeu tempo tentando encontrar uma. a retirou do banco nos braços. que ele se importava com ela de uma forma que ia além dos deveres de um tutor. Muito bem. no peito musculoso. Em seguida o segurou com uma das mãos e a puxou para a frente. Theron a pousou de pé no chão. rude. Para surpresa de Isabella. por quê? – resmungou ele. Tudo era uma mentira. . Não podia perder sua festa. Mas quem a abriria? Não havia ninguém lá. a porta se abriu e um homem que tinha o título “segurança” escrito em toda a sua estrutura corpórea os recebeu. ignorando os olhares curiosos dos transeuntes. Ele saltou do veículo e o contornou para abrir a porta oposta. Para a contínua surpresa de Isabella. Isabella franziu a testa. Frio e controlado. e a amiga a envolveu em um abraço apertado. Até lá. O Theron que ela conhecia não vociferava para um leão de chácara com o dobro de sua altura. alguém encarregado de cuidar de seu bem-estar. Por que não estava em algum lugar. As surpresas não pararam por ali. – Silêncio – ordenou ele. agradecida pelo fato de o blazer ao menos cobri-la. Nunca o vira tão… irado! Ele costumava ser tão impassível. exausta. Por um instante. sequestrando-lhe o ar dos pulmões. na companhia da noiva? Uma pontada aguda de dor a traspassou. retirando o blazer do terno. o carro estacionou em frente ao hotel. Mas Theron parecia levar aquilo como uma ofensa pessoal. em vez de pousá-la no chão para bater com a mão. Finalmente. Chutou a porta com força. Com um gesto negativo de cabeça. para lhe envolver os ombros com o agasalho. enquanto se encaminhava à porta. fechou o blazer para que nenhum centímetro de sua pele ficasse exposto e. ele se inclinou para dentro. Isabella puxou as lapelas para ajustá-las ainda mais ao corpo. Theron saiu e seguiu pelo corredor na direção da porta da suíte. um grito soou da outra extremidade da sala. Ela desviou o olhar. Até mesmo furioso. já havia percebido que ele estava transtornado. Vários longos minutos depois. Nenhum dos dois estava com a chave. e refletia insegurança. – Bella! Você está bem? Isabella virou a cabeça para a esquerda com um gesto brusco para ver Sadie correndo em sua direção. Era o protótipo da ordem e da calma. – Está tudo bem com você? Aconteceu alguma coisa? Alguém a machucou ou ameaçou? Isabella negou com a cabeça. em seguida. emudecida.voltarmos para o hotel. Isabella engoliu em seco e o encarou. As portas do elevador se abriram. já que houvera muitas naquela noite. Tão logo Theron entrou no quarto. incapaz de fazer o som passar pelo nó que se formara em sua garganta. Isabella fechou os olhos contra a simples verdade que a impedia de ter o homem que amava. O orgulho a fez abrir os olhos para encontrar o olhar de preocupação com que ele a observava. e Isabella obedeceu. Ele pertencia a outra mulher. poderia imergir na fantasia de que pertencia àquele homem. abraçando o próprio corpo com mais força. Mas aquilo era uma mentira. – O que faz aqui? – sussurrou Isabella. – Sua festa. não quero que diga nada. – Bella? – A entonação de Theron havia mudado.

– Quanto a isso. Berrante. – Foi uma atitude irresponsável e perigosa. Quase se encolheu diante da imagem que o espelho lhe devolveu. tenso. Eles me fizeram esperar aqui enquanto iam buscá-la. o que a fez recuar. – Sadie dirigiu um olhar furioso ao homem que permanecia parado à porta. se passando por mim. No mesmo instante. Nunca deveria ter permitido que fizesse isso por mim. não valia o risco que você correu. lidarei com você – disse ele em uma voz suave e ameaçadora. mas não com Theron a aguardando do lado de fora. – Isabella ignorou o rompante de Theron. O blazer. parecendo mais impaciente a cada segundo. como planejamos. Desculpe. – Como eles ficaram sabendo? A amiga baixou o olhar e suspirou. Coisa que ele não fora capaz de perceber antes. Em seguida. e os seios se comprimiram de maneira obscena contra o peito largo. Theron saberia. Deu um passo na direção dela. Ela se viu incapaz de lhe sustentar o olhar. – Mas você perdeu sua oportunidade. – Vá se lavar – ordenou ele. confusa. Sadie exibiu um sorriso triste. Isabella voltou a se concentrar em Sadie. veria tudo que ela desejava ocultar no momento. – Haverá outras. e retirou a peruca da cabeça. um dos seus seguranças me abordou imediatamente. soltou as presilhas de seu cabelo e passou os dedos pelos fios para domá-los. sair mais cedo e. Eles viram apenas você. – O que aconteceu? – perguntou Isabella. “Espalhafatosa” foi o termo que lhe veio à mente. – Certifique-se de levá-la para casa em segurança e permaneça lá para ver se ela não volta para o clube. que ela havia ajustado com tanta força a si. Um banho de banheira longo e quente era uma ideia tentadora. Isabella se encaminhou ao toalete. escorregou para o chão. atirando-as para o lado. – É bom saber que alguém tentou colocar juízo em sua cabeça – disparou Theron. se deu conta de que não . concordo – interveio Theron. – Precisei suportar um sermão dele durante todo o tempo em que você esteve fora. se livrando da maquiagem pesada. – Esperarei por você aqui. Triste. portanto desconfiaram. As mãos fortes de Theron se fecharam em torno dos ombros de Isabella e a puxaram contra a rigidez de seu corpo. A carranca de Theron se tornou ainda mais feroz ao esticar o braço para detê-la. – Agora. – Não quero ver Bella frequentando um clube de striptease porque a amiga trabalha lá. Se o fizesse. Theron girou para encarar Isabella com olhar severo. antes de gesticular com a cabeça para o segurança. Aquele é um lugar onde nenhuma de vocês jamais deveria ter entrado. – Mas eu trabalho lá! – exclamou Sadie. como deveria fazer – respondeu Theron com expressão fechada. – Não mais – rosnou Theron. Agradecida pela chance de desparecer. – Por que você ainda está aqui e… – Ela girou na direção de Theron. nunca supuseram que se tratava de você. Além disso.Sadie enrubesceu. com expressão culpada. mesmo sendo escoltada para fora do quarto pelo segurança. Quando a porta de fechou. Em seguida. – Como ele sabia onde me encontrar? – O chefe de sua segurança me telefonou. Isabella lavou o rosto. No entanto. – Mas… – tentou argumentar Sadie. – A festa não importa. sabiam que a verdadeira Sadie não havia entrado em seu quarto. – Quando saí de sua suíte para ir à festa. Tive de lhes contar tudo. Isabella se despiu e retirou as botas. Bella.

– Por que está aqui? – perguntou ela. mas não acreditava que Theron fosse acreditar em nenhuma delas. – E daí? – Marcus atendeu a porta. Portanto. Isabella pestanejou várias vezes. Um longo silêncio se abateu sobre os dois. como se eu não tivesse nenhum direito? Como se você não tivesse acabado de cometer uma estupidez? Tem ideia do que pensei quando soube onde estava? O medo que senti? Ou o choque que tive ao vê-la em cima daquele palco. É um amigo. para que todos aqueles homens a devorassem com o olhar? Diga-me. enfiando as duas mãos nos bolsos do roupão. contrariada. e Marcus subiu para que pudessem lhe trazer uma roupa seca. Subi… para ver como você estava – acrescentou. enfim se recompondo. fitou-a com os olhos ainda faiscando com intensa inquietação. Não sinto necessidade de informá-lo sobre meus passos. – Marcus? Por que precisaria informá-lo sobre qualquer uma de minhas ações? – Esperava que ele fosse mais protetor com o que lhe pertence ou com o que ele acredita lhe pertencer – resmungou Theron. Marcus não tem nada a ver com nada. – Eu estive aqui. Várias explicações lhe espiralaram na mente esgotada. Isabella ficou boquiaberta. Quando a ouviu. vestiu um robe. – Não está fazendo sentido algum. Ontem à noite. Dando de ombros. surpresa. Nesse meio-tempo.trouxera uma roupa para trocar. – Estou dizendo que isso não é de sua conta! – explodiu Isabella. ela adoraria responder que sim. e eu permaneci na . – Não dormi com ele – respondeu. Theron cortou a distância entre os dois. confusa. – Pegamos uma tempestade. tivesse sido um deles a invadir o palco? Se colocasse as mãos em você e a forçasse a ir com ele? Isabella pestanejou várias vezes diante da ferocidade e da raiva absoluta que lhe distorcia as feições. – Um amigo?! É assim que chamam isso hoje? – retrucou ele. permaneceu calada. Theron escorregou uma das mãos pelo cabelo em um gesto de frustração. em vez de mim. Bella. mais uma vez fechando os dedos sobre os ombros de Isabella. Ele ainda tinha o controle sobre sua herança até que se casasse com outro homem. esticou a mão para o robe atoalhado pendurado atrás da porta e se envolveu nele. Theron resfolgou. Saiu do toalete e caminhou. – E por isso presumiu que ele estivesse dormindo comigo? – Está negando? – desafiou Theron. parado diante da janela que dava vista para a avenida abaixo. – O que está insinuando? – Ela cruzou os braços sobre o peito. Theron aguardava. Oh. o que teria feito se. trajando apenas um roupão de banho – disparou ele. descalça. – Marcus sabia que você faria isso? Isabella inclinou a cabeça para trás. de volta à sala de estar. e não estava disposta a bancar a promíscua. enquanto se mediam com o olhar. antes de encará-la mais uma vez. – Ousa perguntar isto. que dormira com Marcus. mas de que aquilo serviria? Theron estava noivo de Alannis. Bella. constrangido. devolvendo o comentário sarcástico que Isabella fizera na festa sobre beijar. seminua.

– Não é o suficiente eu passar o tempo todo pensando em você? Lembrando-me da sensação de sua boca contra a minha? Theron se aproximou. Um lampejo de alívio brilhou nos olhos de Theron. . – Não deveria… me beijar – sussurrou ela. em seguida. – Por que você insiste em me enlouquecer? – murmurou. – Você nunca objetou antes – resmungou Theron pouco antes de lhe capturar os lábios. ele fez um movimento negativo com a cabeça. ela umedeceu os lábios enquanto Theron inclinava a cabeça para o lado. Pedimos comida no quarto e. Por quê? Em que aquilo podia afetá-lo? E então. ele partiu. Em um gesto inconsciente. a respiração quente contra o rosto de Isabella.banheira até que ele estivesse completamente vestido.

O corpo de Isabella se moldou ao dele. Talvez fosse um som de desejo. fazendo-a gemer e estremecer. Os lábios de Theron ficaram quase na altura dos seios empinados. enlouquecerei. – Sim – sussurrou Bella. fazendo-os enrijecer. Theron lhe sugou o seio. tremendo à medida que as mãos longas rumavam por seu corpo até a nuca. . formando uma poça aos seus pés e ela se viu nua. os lábios mal se apartando dos dela. – Eu o desejo tanto! As mãos fortes começaram a desfazer o nó do roupão que ela usava. Só então abandonou os lábios carnudos para imprimir uma trilha de beijos quentes pela mandíbula delicada. ele afastou os lábios do mamilo. Nunca. ajoelhado. E então. Como era erótica a visão daquele homem orgulhoso e forte. os lábios exigentes nunca deixando os dela. antes de movê-las para os seios firmes. antes que Isabella se deixasse dissolver naquela fantasia. mesmo enquanto lhe abria o robe. as mãos ávidas se encontravam espalmadas em sua pele exposta. o lóbulo da orelha e mais abaixo. – Quero fazer amor com você – disse ele com uma ansiedade ofegante. – Lutei contra isto. não se importava. o cabelo negro e a pele morena em contraste com a dela. de modo que a respiração quente lhe fustigasse os mamilos. Aquele beijo era… diferente. Fantasiado. Theron fechou os dedos naquele ponto. mantendo-a cativa. Não havia outra palavra para definir o que ele estava fazendo. um som de capitulação? Sinceramente. O robe de Isabella escorregou para o chão. com os braços fechados com força em torno de sua cintura… como se nunca fosse soltá-la. Desejado tanto. Ela deixou escapar um suspiro suave. Como se a intenção dela fosse escapar! Isabella era uma presa espontânea. Porém. fazendo-a experimentar calafrio após calafrio. atritando a língua contra o bico enrijecido. enfraquecida contra a rigidez do corpo másculo. Aquilo… era o que havia sonhado. Tomava posse dos lábios carnudos como se fosse seu único dono e senhor. enquanto a boca experiente se apossava da dela. pelo pescoço macio. Era como se Theron não suportasse a ideia de parar de beijá-la. Theron lhe mordia e sugava a pele. Ele a segurou firme contra o peito. Theos! Lutei muito contra isto. Tão macia e linda! Como a seda – murmurou ele. Loucamente. Devorava-a. Ou ânsia. forçando-a a flexionar os joelhos. Escorregando os braços sob o robe. envolta nos braços musculosos. A boca experiente prosseguiu em sua jornada erótica. E então ele fechou a boca sobre um deles.Capítulo 14 ISABELLA SENTIU os joelhos cederem e se agarrou aos ombros fortes para não escorregar pelo corpo de Theron. fazendo-a soltar um gemido de protesto. Como se tivesse direitos exclusivos sobre sua boca e se recusasse a dividi-los com quem quer que fosse. Theron os fechou em torno da cintura fina e a puxou para baixo. mas se não a tiver. Theron a arrebatava. e Isabella teve de prender a respiração quando ele se ajoelhou diante dela. enquanto ela saboreava a rigidez daquele peito e daquelas coxas. deixando as palmas acariciarem as laterais do corpo de Isabella. – Macia.

quando se deitou na cama. Bella mou. desceu. As mãos se ergueram na intenção de ocultar os seios. enquanto os dedos longos se dirigiam aos botões da camisa. – Possua-me – disse ela. quando a calça comprida e a cueca boxer escorregaram pelas coxas musculosas. Ele começou a empreender uma jornada excitante pelo pescoço delicado. Impotente. Isabella inspirou profundamente e prendeu o ar nos pulmões. e Isabella lhe envolveu o pescoço com os braços. em seguida. querendo se livrar da peça para sentir a pele de Theron contra a sua. – Não esconda tamanha beleza de mim – sussurrou ele. O desejo se refletia nos olhos castanhos como duas labaredas. à medida que o prazer a dominava. Ela cravou o olhar no teto. – Oh. A pintura intrincada enevoando diante de seus olhos. ela deixou as mãos penderem sobre o colchão. unindo-as com força. repleta de paixão. fazendo-a se contorcer sob o corpo forte. Isabella enrijeceu quando a boca ousada lhe encontrou a essência. Isabella esticou as mãos para desabotoá-la. Tímida e um tanto insegura. Bella mou – respondeu ele. Theron a ergueu nos braços e caminhou lentamente na direção do quarto. quero-o dentro de mim. Theron se deteve a lhe estimular os mamilos rígidos com a língua para. o âmago de sua feminilidade. – Nunca me senti tão fora de controle – admitiu ele.Theron ergueu o olhar ardente contra a luz da lâmpada. – Tão excitado e sensível a uma mulher. os ombros. prolongando aquela batalha de línguas e lábios. baixando o olhar para encontrar o dele. Uma promessa silenciosa enquanto ele se aproximava. Isabella temia dizer qualquer coisa que o fizesse recuar e dissipar aquela magia. – Sim – o sussurro de entrega escapou dos lábios intumescidos de Isabella. Theron soltou uma risada abafada e não a decepcionou. imprimir uma trilha úmida de beijos pelo abdome macio. se expondo ainda mais àquela exploração erótica. Por alguns vários e longos segundos. Aquelas palavras pareceram destruir o autocontrole de Theron. Bella. – Quero que esteja preparada para me receber. úmido. Quente. A pele firme colando-se à dela. afrouxou a força com que a envolvia apenas o suficiente para se erguer. No mesmo instante. o zíper da calça. Em seguida. não. Tenho de possuí-la. antes de prosseguir naquela expedição descendente. ela arqueou os quadris. queimando-a. Após deitá-la na cama. ele se moveu . Em seguida. Encorajada pela óbvia aprovação de Theron. – Você é maravilhosa. Theron lhe afastou os joelhos e se acomodou entre as coxas macias. – Por favor. frenético. No meio do ato de desabotoá-los. ele perdeu a paciência e os arrebentou com um puxão. o duelo era um precursor da dança que os corpos estavam prestes a executar. Mas ele lhe segurou as mãos. libertando a masculinidade excitada. e o tecido da camisa roçou a pele dela. Bella – disse com uma voz baixa e rouca. E pretendo seduzi-la até as últimas consequências. Isabella sentia-se estranhamente vulnerável sob aquele escrutínio intenso. ele se ergueu e assomou diante dela. Você me enlouquece. sedoso e ainda assim rígido como o aço. enquanto deslizava um dedo sobre a pele úmida da região sensível. A sedução ficará por minha conta. – Sou sua. brincou com o piercing que lhe adornava o umbigo. descendo o próprio corpo até que os lábios lhe encontrassem os seios firmes. O olhar fixo no dela. Livrando-se da peça. As bocas se encontraram outra vez. Por um breve instante. Suave.

Esticando o braço. – Você não me machucou. mas por pensar que a tratara de maneira rude. ela espalmou as mãos nos ombros largos para empurrá-lo. – Não sabia se acreditaria. deduziu Isabella. permitindo que as mãos que se agarravam aos ombros de Theron escorregassem para lhe envolver o pescoço. Embora sentisse apenas uma pontada de dor. Isabella se sentou na cama e estendeu a mão para pegar a toalha. Os lábios sensuais se aproximaram dos dela e a beijaram com uma ternura que a fez experimentar . Ela ofegava. instantes depois. com uma toalha umedecida. de repente gentis e ternos. A respiração saía com dificuldade. – Por que não me contou? Não havia nenhum tom de recriminação ou acusação na voz de Theron. Por alguns longos segundos. Isabella o observou caminhar até o toalete e voltar. Theron a puxou suavemente contra a rigidez de sua excitação. – Venha comigo – sussurrou ele. quando deveria ter sido conduzida com toda a suavidade? Tratada de modo carinhoso? O arrependimento estampado naquele belo rosto másculo era genuíno. E então Isabella relaxou sob o corpo forte. Os lábios de Theron encontraram os dela mais uma vez em um gesto tranquilizador. Não foi perfeito. a esfregou sobre a pele macia para limpá-la. Em seguida.sobre o corpo macio. fora a sensação daquele preenchimento que quase a sufocou. Não por ter feito amor com ela. – Não. – Enrosque suas pernas em minha cintura. suspendendo o corpo o suficiente para que ela não precisasse suportar o seu peso. enquanto se movia entre as pernas sedosas. Theron a observava com olhar confuso. soltando o peso do corpo quente sobre o dela. outras eram ininteligíveis. Algumas. abrindo-lhe as pernas e se encaixando perfeitamente entre as coxas aveludadas. saboreando o atrito da barba de um dia. ela lhe tocou o rosto. – E então deixou-me violá-la. rompendo a leve resistência sem nenhuma dificuldade. fundindo-os. – Movimente-se comigo. e no outro deslizando para dentro dela. – Não. Em seguida. Os olhos verdes se arregalaram e. em um gesto instintivo. agape mou – incitou ele. Incapaz de fazer qualquer coisa além de seguir o turbilhão de prazer que crescia em seu ventre e se espalhava por todo o corpo. Isto. num sussurro. mas posso fazer com que seja. Theron deixou a toalha escorregar para o chão e lhe segurou o rosto com as duas mãos. desencaixou os corpos de ambos. Após lhe depositar um beijo suave nos lábios. Em um segundo estava se posicionando para penetrá-la. mas ele a manteve fora de seu alcance. Você não me machucou – respondeu ela no mesmo tom. Isabella gritou ao mesmo tempo em que ele enrijeceu sobre ela. Todo o corpo de Isabella enrijeceu com o choque. ela compreendia. A pele de Isabella pareceu despertar para a vida. Foi perfeito. Theron ergueu a cabeça para encará-la. E então ele desabou. – Eu a machuquei? – perguntou ele. apenas o som das respirações alteradas preenchia a atmosfera. Uma onda de prazer doce e excitante a atingiu como fogo espalhado pelo vento. murmurando-lhe palavras contra o ouvido. Ele fincou os cotovelos nas laterais da cabeça de Isabella. e as bocas e os quadris de ambos executavam os passos daquela dança nova e excitante. retesada e sensível pelo desejo. mesmo enquanto movia os quadris para recuar e investir outra vez. – Volto já.

E quando Theron a penetrou lentamente. desencaixou os corpos dos dois. perdera toda a consciência durante um ato sexual. com ela. Era um homem prevenido e sempre trazia. ele aguardou que Isabella se entregasse por completo ao clímax. e não era agora que iria começar. os lábios dos dois a apenas milímetros de distância. não apenas um. não conseguia atinar com uma desculpa plausível para tamanha estupidez. logo a realidade o atingiu e. fazendo com que as bocas dos dois se encontrassem em um beijo doce que ela sentiu na própria alma. Não fora nem mesmo por falta de não tê-lo consigo no momento. Ainda assim. As pernas se entrelaçavam nas dele. por mais que se esforçasse. THERON ACORDOU com um corpo feminino macio enroscado ao seu. Theron se encaminhou ao toalete para tomar uma ducha. em seus 32 anos. Dessa vez. Porém. A respiração cadenciada e suave lhe reverberava nos ouvidos. Isabella absorvia cada toque. Agora. enquanto ela dormia profundamente. e. – Sim. temia tudo que tinha a fazer. Felizmente. pior. aflorando.uma pontada de dor no peito. não havia sido capaz de parar o que estava fazendo para pegar um. aquela fora uma decisão consciente. – Melhor assim? – murmurou ele. Os seios firmes pressionavam seu peito. Tal sentimento de culpa e resignação não era inesperado. o peso do que fizera. mas logo ela voltou a se aninhar sob as cobertas e ficar imóvel. E certamente sabia o que estava prestes a fazer mesmo no calor do momento. Murmurava palavras carinhosas e elogios. ciente de que haveria consequências para aquela escolha. Com todo o cuidado. E ainda assim. e apenas quando os últimos espasmos de prazer lhe abandonaram o corpo foi que ele se enterrou fundo naquela maciez apertada e quente e se entregou ao próprio orgasmo. tocando-a e a amando como Bella o amava. Desejara-a e a possuíra. Não usara nem mesmo um preservativo e. E dizer. cada uma aterrissando naquela região distante que ela reservara apenas para Theron em seu coração. experimentava uma estranha sensação de paz em vez de uma resignação dolorosa. ela soube que jamais seria capaz de amá-lo mais do que naquele momento. se esticando para alcançá-los. Poderia colocar a culpa na paixão. mas dois preservativos em sua carteira. Theron não teve pressa. e sabia muito bem disso. Isabella sorriu. soprou uma mecha de cabelo escuro que lhe caía sobre os lábios e constatou que Isabella estava mais atirada sobre ele do que enroscada. Estava até mesmo se preparando e fazendo planos mentalmente. Theron encostou a testa na dela. Não a protegera. Envolvendo os quadris em uma toalha. sempre mantinha várias mudas de roupa em seu escritório. e um dos braços o envolvia de modo possessivo. Esperara tanto tempo para tê-lo daquela forma! Focado nela. Insatisfeita até mesmo com aquela minúscula separação. vendo-a. Mas apesar daquilo tudo. no desejo. saiu do toalete e recolheu o traje que usara no dia anterior. Isabella ergueu o queixo. mas sabia a verdade. Abriu os olhos. Enrijeceu quando Isabella deixou escapar um suspiro suave. Aquela seria sua primeira . Nunca antes. em muitas coisas. cada palavra como terra árida que ansiasse por água. Não tinha mais ninguém a culpar em toda aquela confusão a não ser a si mesmo. Inundou de beijos e carícias cada milímetro daquele corpo de curvas perfeitas. O desejo despertou outra vez.

Quando estava vestindo a calça comprida. e ele resolvera voltar correndo para se entender com Alannis? Fechou os olhos e deixou pender o queixo até que lhe tocasse o peito. em seguida. que ostentava a evidência de sua virgindade perdida.parada. Recusava-se a ficar sentada naquele quarto de hotel. Uma dor deliciosa. e experimentou uma estranha sensação no peito. esperando por um homem que talvez não retornasse. não resolvidas. Caplan. ele lhe depositou um beijo suave no cabelo e. o cabelo longo envolvendo-lhe parte corpo. faria uma refeição e. Coisas importantes. Iria até lá e faria uma lista do que estava faltando. a excitação despertando cada célula viva. A expressão se tornou fechada. A sensação do corpo forte se movendo contra o seu. srta. sonolentos. Theron sentiu o corpo tenso. Partes dela estavam doloridas. se ergueu e enrolou-se em uma toalha. Cada vez mais desgostosa com a própria letargia. Baixou o olhar à toalha molhada descartada. Theron esticou a mão e lhe tocou a lateral do rosto. Os olhos verdes se abriram. Para onde teria ido Theron? Ele retornaria? Ou seria ela apenas uma tentação que se tornara insuportável. Depois. sem dizer mais nada. e ela temia que continuassem daquela forma. Depois. Acho que a partir de agora me achará bem mais cordata. Primeiro. prendendo a respiração como uma tola apaixonada. deparou de imediato com a expressão fechada de Reynolds. Permaneceu na banheira até a água amornar. cada beijo. e pestanejaram várias vezes quando se concentraram nele. Um sussurro suave que se avolumava enquanto a observava. talvez fosse melhor começar a pensar no que fazer com o resto de sua vida. Isabella exibiu uma careta. ao meu novo apartamento. deixou escapar um suspiro. Também não desejava ser responsável pela tristeza de alguém. – É melhor você entrar para que eu possa me desculpar da maneira adequada. E então. Reynolds exibiu um sorriso genuíno e entrou na suíte. – Inclinando a cabeça. O divertimento desapareceu do semblante do segurança. Bella. mas fracassou miseravelmente. Mas por que tinha de colocar o bem-estar da outra mulher acima do seu? Com aquela tristeza contida alojada no coração. Muitas coisas permaneciam desconhecidas. estremecendo de frio. iria até seu apartamento. e Theron providenciara para que alguém lhe comprasse todos os itens de que necessitava. pode me acompanhar até o restaurante do hotel e. ISABELLA SE encontrava parada ao lado da cama. está entendendo como as coisas devem ser feitas. Sentia uma languidez incomum. – Espero que nada de mal tenha lhe acontecido. deu-lhe as costas e saiu do quarto. Isabella se mexeu. enquanto a encarava com olhar questionador. Finalmente. afastando-lhe uma mecha de cabelo escuro para trás. em seguida. se encaminhou ao toalete para tomar um banho quente. – Tenho coisas a fazer. . – Sinto muito mesmo por ter lhe causado tantos problemas. Quando abriu a porta. Aquela ideia não a agradava. Não queria ser a outra. Meu serviço se torna muito mais fácil quando conheço seu destino e sei que não escapará na primeira oportunidade. Isabella tentou sorrir. – Agora. Os móveis novos que comprara haviam sido entregues. enquanto girava e esticava a mão como que a procurá-lo. enrolada apenas em um lençol. do qual apertava as extremidades com força. E não conseguiu se furtar a fechar os olhos e recordar cada toque. cada carícia. forçou-se a se vestir.

na cadeira atrás da mesa do escritório e ergueu o fone. – Fiz algo terrível – disse Theron. Theron esperou pacientemente. – Theron? – perguntou Chrysander. . Alguns minutos mais tarde. E a que coisa terrível está se referindo? Está preso? Theron não pôde conter uma risada diante daquela pergunta. não há nada errado. Comece pela parte em que você não pediu Alannis em casamento. – Eu tinha um relacionamento com ela – rosnou Chrysander. enquanto ouvia o farfalhar das cobertas da cama e o beijo que o irmão deu na esposa. sonolento. Theron. – Acho que não ouvi direito – disse Chrysander por fim. – Então. na Grécia seria meia-noite. o que há de errado? Theron esfregou o rosto com uma das mãos. com um sorriso tristonho. – Theron se encolheu. – Nai – rosnou Chrysander. Isabella permaneceu calada. voltou a se dirigir ao irmão: – Espere um momento para que eu possa atender esta ligação no escritório. Mais uma vez. – Não estava noivo de outra mulher. – Não estou noivo de outra mulher – revelou ele num quase sussurro. – É óbvio que está com um problema sério nas mãos. mas precisava ter aquela conversa com Chrysander para que pudesse dar prosseguimento aos seus planos. THERON SE sentou. A coisa é ainda mais grave. Não estou preso. – Por que diabos está telefonando a esta hora? Mais uma vez. Aquele tipo de conversa o fazia parecer um adolescente de 16 anos confessando seus pecados ao pai. – Não. antes de se levantar. mais alerta. gesticulou na direção da porta. É apenas Theron. – Ela era virgem e não usei proteção. – É melhor começar do início e me contar toda esta história – sugeriu Chrysander. Marley ficou acordada até tarde da noite com o bebê. – Não posso fazer isso. Chrysander soltou um xingamento e exalou a respiração de maneira audível. Seguiu-se outro silêncio perplexo. Em seguida. que diabos estava pensando?! Está bem. tampouco Marley se achava sob meus cuidados. agape mou. Mas e quanto a Alannis? Não disse a mim e a Piers que iria se casar com ela? O que estava fazendo na cama com Isabella? E Deus. – Seduzi Isabella. Seguiu-se um longo silêncio. – Não pedi Alannis em casamento. Obviamente não estava pensando. esqueça o que acabei de dizer. cansado. isso ultrapassa os limites da insanidade. Theron o ouviu dizer alguma coisa para Marley. mesmo enquanto proferia as palavras. – Vamos comer. na defensiva. – Não. – Em seguida. Theron. sem proteção! Ficou maluco?! – E você foi muito cuidadoso com Marley? – retrucou Theron. – Droga. – Mais grave do que você seduzir uma jovem que está sob seus cuidados? Não consigo imaginar o que seria pior. Isso é um fato. exausto. sem rodeios.Por um instante. Volte a dormir. Estou faminta. a voz de Chrysander estava de volta do outro lado da linha: – Agora diga-me que não fez o que acho que fez.

irritado. . Estava com a mão na caixa de joias. Nosso pai concordou que a família Anetakis cuidaria de Isabella se algo acontecesse ao pai dela. a festa. voltou a falar: – Ela estava sob seus cuidados. Dormimos juntos. – Estava tudo preparado. depois disso.– Não consegui – confessou Theron com um suspiro. – Fazia parte do clima festivo – Theron se defendeu. – Chrysander meneou a cabeça. – Planejei a noite. Vou me casar com ela. Ela era virgem. A adrenalina subiu a um nível alarmante nas veias de Theron. – Admiti minha estupidez. Sem proteção. O momento chegou… e não consegui fazer o pedido. Alannis me olhava. Após mais um silêncio prolongado. meu irmão. os confetes… – Confetes? Quem diabos providencia confetes para um pedido de casamento? – questionou Chrysander. – E como isso o levou a tirar a virgindade de Isabella? Sem proteção – acrescentou Chrysander em tom de voz frio. Isto diz tudo. Não há razão para continuar me atirando isto no rosto – retrucou Theron. com certo divertimento. Será que quero saber por que alguém que está sob sua responsabilidade se encontrava em um clube de striptease? – Isto não tem importância. – Não tenho de me casar com ela. Terá de se casar com ela. e eu larguei a caixa no bolso e a convidei para dançar em vez disso. Passamos a noite celebrando a visita dela a Nova York em vez de nossas futuras núpcias. – Aconteceu depois que a retirei à força do clube de striptease. O que importa é que. – Você o quê?! – Chrysander explodiu em uma risada. – Isto está ficando mais absurdo a cada segundo. Eu diria que sim. o anel. seduzi Isabella. – Sim.

Estou começando a imaginar se minha vida será uma rotina de nunca encontrá-la onde você deveria estar. Isabella deixou escapar um suspiro. tais como amor. a promessa de uma vida tranquila. Provavelmente o guarda-costas devia ter perdido a paciência e viera buscá-la. e crianças brincavam. Gostava de fato daquele apartamento. mas o que a surpreendeu foram as palavras de Theron. pethi mou. Deixara Reynolds a aguardando do lado de fora. Havia uma grande quantidade de pessoas praticando corrida. quando ele me disse que você estava aqui. aquilo poderia parecer um absurdo. – Havia um sutil divertimento na voz grave.Capítulo 15 ISABELLA AFASTOU para o lado as cortinas que cobriam a ampla janela com vista para a rua. O som da porta se abrindo não a assustou. Um pequeno oásis no meio da caótica metrópole. vim correndo para cá. Passadas firmes soaram atrás dela. não assombrassem cada segundo de sua existência. Isabella ergueu uma das mãos e a espalmou no peito musculoso. O apartamento que alugara ficava localizado no último andar. Exceto… pelo fato de ele controlar sua herança e o contato entre os dois ser inevitável. Duas mãos firmes se fecharam em seus ombros fazendo-a ofegar. – Voltei à sua suíte e não a encontrei. ciúme ou desespero. – Com a outra mão. Talvez fosse a normalidade daquele cenário. enquanto ele erguia a tampa e a deixava cair no chão. quase temendo tocá-lo. e . Theron lhe segurou a mão e a manteve sobre o peito. A mente girava em incrível velocidade. mas necessitava saber a que ele se referia ou o que ele não estava dizendo. para sua surpresa. Isabella se viu incapaz de desviar o olhar da cena que se descortinava abaixo. outras caminhando com cachorros. supervisionadas por suas mães ou babás. Não faziam nenhum sentido. na qual as emoções agonizantes. Era bem maior que as unidades dos andares inferiores e tinha uma vista magnífica do parque do outro lado da rua. – Vim ver se já estava tudo pronto para minha mudança – ela se limitou a responder. deparou com o olhar preocupado de Theron. alegando que só demoraria alguns minutos. mas ainda assim. Trabalhando ainda com apenas uma das mãos. mas não tinha certeza se seria capaz de continuar ali. retirou uma pequena caixa quadrada do bolso da calça. Mas não necessitará mais deste apartamento – acrescentou com voz calma. – Não precisará deste apartamento. pethi mou. casado com outra mulher? Em um primeiro momento. Theron a girou de cabeça para baixo. com o qual as pessoas podiam contar para alguns momentos de lazer. – Telefonei para Reynolds e. você está bem? O que faz aqui? Isabella girou e. Em uma cidade daquele tamanho seria possível passar uma vida inteira sem esbarrar em Theron. – Bella. Isabella olhou para o objeto com expressão desconfiada. Poderia viver ali sabendo que o homem que ela amava se encontrava tão próximo.

uma caixa de joias de veludo caiu na palma de sua mão. Não queria pensar no sofrimento de Alannis e no desapontamento de Sophia. . mas seu olhar não mentia. E agora Isabella se via no papel de femme fatale. – Nós nos casaremos o mais breve possível – disse ele. não importava a motivação do pedido. a expressão de Theron se fechou. Ninguém mais faz isso. capturando-lhe os lábios com um beijo profundo e sensual. Com um sorriso hesitante. Por vários longos segundos. não usei proteção. Não. E por isso lhe peço desculpas. Theron talvez não quisesse se casar com ela. Acho que estou tão estabelecido nesta cidade quanto você. Aquilo não era um sonho. Ou melhor. Em seus sonhos. Portanto. Podemos comprar uma casa. Mas quero que saiba que não é obrigado a fazê-lo. – Está bem – concordou Bella. ele recuou. ele conseguiu abrir a tampa. estava conseguindo exatamente o que desejava. – Quer mesmo se casar comigo? Está bem. ela o observou lhe erguer a mão e escorregar o anel por seu dedo anular. – Ela e a mãe retornarão à Grécia amanhã. – Temos de nos casar – repetiu Theron. limitou-se a anuir com um gesto de cabeça. Ele a queria e. As duas mulheres haviam sido muito gentis com ela. Era difícil argumentar contra aquele fato. – Acho que não… quero dizer. não querendo se aprofundar no assunto. enlouquecia de desejo por ela. lhe deu um abraço apertado. revelando um diamante que captou a luz que incidia pela janela e faiscou contra os olhos de Isabella. E então Isabella permitiu que um pouco de felicidade a inundasse como os raios solares que atravessam a janela. definitivamente. A não ser que prefira ficar em minha cobertura. O faiscar do diamante contra a luz do sol lhe atraiu o olhar de volta ao anel estonteante que lhe adornava o dedo. – Temos de voltar à sua suíte. a proposta de casamento de Theron sempre fora romântica. e aquilo lhe causou a sensação de que seus ossos estavam se derretendo. com duas labaredas nos olhos. Uma sensação de alívio faiscou nos olhos de Theron. mas remediaremos isso. tudo que Isabella conseguia escutar eram os sons do beijo. O que não era uma sensação muito boa. Com mais alguns movimentos dos dedos. Isabella sacudiu a cabeça. Atônita. – Não estou entendendo – gaguejou. Sei que não morre de desejo de se casar comigo. voltou a fixar o olhar em Theron. – E quanto a Alannis? No silêncio que se seguiu. Isabella ergueu um dos braços entre os corpos unidos e o afastou. Aquele era um ponto nevrálgico que não devia ser explorado. mas em vez de beijá-la. essa ideia de colocar um anel no meu dedo apenas pelo fato de que eu era virgem e de que não usamos proteção é bastante arcaica. Porém. Isabella tentou disfarçar o sentimento de culpa. muito casual. Por fim. não é motivo para nos obrigar a casar… Theron a silenciou. Mesmo que eu fique grávida. certa de que ainda se encontrava sonhando em sua suíte. Isso era um começo. alegando que ele não a amava? Theron a envolveu nos braços. sendo que dessa vez dando ênfase ao “temos”. Há providências a tomar. calma. Pergunta inútil. por outro lado. Estivera esperando que ela argumentasse? Talvez bancasse a mártir e lhe oferecesse uma recusa chorosa e trágica. – Você era virgem… e corre o risco de estar grávida – concluiu com suavidade. Onde você preferir. esqueça isto.

Agora falava sabia Deus com quem sobre voos e jatos. agarrando a mão de Isabella. Disso eu tenho certeza. . tem razão – concordou Sadie. Isabella apertou a mão da amiga. – Não serei capaz de fazê-lo se apaixonar por mim se não convivermos um com o outro. que eu poderia estar grávida e que precisávamos nos casar. mas ergueu a mão que ostentava o anel para que ela pudesse ver. mas um instante depois de atendê-la. Isabella sentia a cabeça rodar. mas será. Mas seus olhos se iluminaram tão logo a avistaram. Você sonhou com isto durante tanto tempo. Theron está ao telefone – murmurou Isabella. mas tenho de aproveitar qualquer oportunidade que me for dada. THERON NÃO parecia nem um pouco diferente. Isabella o observava fazer um sem-número de ligações. – Está feliz com isto? Isabella sorriu. O dia em que Theron disser “eu te amo” fará valer a pena tudo que aconteceu para chegarmos a esse momento. E vai além do simples desejo sexual. Talvez não imediatamente. Talvez tivesse esperado que ele parecesse… não sabia dizer. que estivera fazendo planos com Theron. meu Deus! – exclamou Sadie. onde se encontrava Isabella. Pela forma como o segurança segurava a porta. vamos voltar para o hotel – disse ele. com o olhar cauteloso. Isabella não disse nada. tão envolvido se encontrava com os telefonemas. Da extremidade oposta da sala de estar de sua suíte. se encaminhou à porta e a abriu. – Oh. – Parecia tão estranha quando me telefonou. se acabou com este falatório sem sentido. Mas se eu não me casar com ele. – E sim… bem… mais ou menos isso. ele falou com o proprietário do apartamento que ela havia alugado. – O que está acontecendo? – perguntou a amiga. Comunicou que nos casaríamos. Reynolds. Theron se casará com Alannis. rouco. Em seguida. – Será perfeito. – É que eu estava esperando algo mais. Sadie projetou a cabeça para dentro. Um rápido olhar ao redor revelou que Theron não prestava atenção a elas. Isabella fez um gesto sutil com uma das mãos para que a amiga entrasse. Isabella não conseguiu ver de quem se tratava. Sim. – Sadie Tilton deseja vê-la. Reynolds escancarou a porta e lhe dirigiu o olhar. Uma batida à porta interrompeu sua dissertação sobre aqueles telefonemas. – Ficarei. Noivo? Mas Theron estivera noivo por vários dias. Sadie exibiu uma carranca. – Ele a pediu em casamento? – Shh. Theron sente algo por mim. e quanto ao amor? Ou ao menos uma razão legítima que date deste século. Falou apenas que havia tirado minha virgindade. Ele é tudo que eu sempre quis. o ideal seria que ele me amasse agora e que fôssemos nos casar pelas razões certas. – Tem certeza de que deseja se casar com um homem por essas razões? Quero dizer. e outras coisas que ela não entendia. Primeiro. Apenas não com ela. Sadie franziu a testa.– Agora. Isabella olhou para a amiga e deixou escapar um suspiro. Ele precisa apenas de um tempo. – E o que ele disse então? E quanto a Alannis? – Não muito. Ele não pediu exatamente. alguns telefonemas relativos ao trabalho se sucederam. Queria que fosse algo perfeito para você. e aonde isso me leva? – Tem razão. e ela correu na direção do sofá.

ele tentou afastá-la. Bella. Isabella ergueu um olhar confuso para encarar a amiga. escorregando pelo peito de Theron. – Mas não saia da cidade sem me avisar. As duas giraram a cabeça na direção de Theron ao mesmo tempo. que se encontrava sentado à mesa diante da janela. – Que diabos está dizendo? – O apartamento. Nada daquilo a interessava tanto quanto a possibilidade de vê-lo nu. – Agora que está tudo resolvido. Isabella fechou a porta e. Ele ergueu a cabeça. montou sobre as coxas musculosas. Sentindo o corpo enrijecer. enquanto continuava a conversar sobre cifras. Os olhos escureceram quando Isabella pousou as mãos em seus joelhos e. a escorregando sob o decote da blusa. Lentamente. – Você não providenciou para que meu aluguel fosse pago por um ano? – Nã… não. ela o deixaria sozinho e se tornaria invisível enquanto ele conduzia . De repente. – Ergueu-se e caminhou na direção de Reynolds. Theron ergueu a cabeça com o fone ainda encostado ao ouvido e a encarou. suponho que também não tenha intermediado meu encontro com Howard – murmurou Sadie. Isabella fez um movimento negativo com a cabeça e Sadie franziu a testa. – A amiga sorriu. tornou a sorrir. Ainda havia o telefone. Isabella segurou a mão que ele mantinha entre os corpos de ambos e a guiou ao seu peito. embora aquela não fosse uma pergunta. Para que eu não tenha de voltar a trabalhar no clube. Incluindo o fato de ela não ser a mulher que Theron havia escolhido como esposa. Como se sentisse os olhos de Isabella fixos nele. Mas Bella se limitou a sorrir. tudo que Isabella desejava era que todos se retirassem daquele quarto e os deixassem a sós. quando perdeu a linha de raciocínio. A voz de Theron se tornou notoriamente tensa. – Está bem.Sadie sorriu. e começou a lhe desabotoar a camisa de cima para baixo. Se fosse uma noiva adequada. está bem? Isabella retribuiu o gesto. – Pode levar Sadie para casa? – perguntou. fico grata. – Você conseguiu um bom homem. Não precisava fazer isso. Por um instante. Envolta naqueles braços fortes seria capaz de esquecer muitas das suas preocupações. – Isabella voltou o olhar para Theron. como se a estivesse negando. Bem… quase. os dois ficaram sozinhos. porque anuiu com um gesto de cabeça e gesticulou com a mão. pela primeira vez desde que ele lhe pusera aquele anel no dedo. ela se encaminhou na direção de Theron. – O que acha de eu pedir a Reynolds que a leve até sua casa? – cochichou Isabella para Sadie. planos para o hotel. – Ele é um bom homem. o olhar a queimando com uma intensidade silenciosa. finanças. Não que eu esteja pensando que ele fez tudo isso por outra razão que não impedi-la de ir ao clube. – Então. tenho que lhe agradecer. mas ao mesmo tempo. liberando-o. – Não tenho a menor ideia do que está me contando – respondeu Isabella com voz suave. o aluguel. em seguida. Sadie se inclinou para a frente e lhe deu um abraço apertado. mas quando seguiu o olhar de Isabella. a amiga pereceu surpresa. Theron cerrou o punho. Instantes depois. blá-blá-blá. que parecia ter escutado a pergunta. Reynolds relanceou o olhar a Theron. e ele chegou a se calar por duas vezes. a conta bancária.

mesmo enquanto ele a segurava com força pelos braços e a erguia no colo. Em seguida. Ela podia ter começado aquilo tudo. Os dedos longos lhe roçavam as costas. mas ao que parecia. libertando-lhe a masculinidade. ela o ouviu rosnar uma resposta para a pessoa do outro lado da linha e. Isabella soltou uma risada. soltou-lhe as mãos. Bella. livrando-a de cada peça de roupa. E então começou a lhe desabotoar a blusa. escorregou das coxas musculosas e prosseguiu sua exploração. – Gosta dela? – murmurou. e manteve as mãos acima da cabeça. – Essa não é uma tarefa sua? Theron se inclinou para a frente. o som inconfundível do aparelho contra a parede. Mais um minuto. espalmando as mãos sobre seus ombros. Enquanto afastava as lapelas do blazer que ele usava. desabotoando-lhe o zíper da calça. Devagar. atirando-a sobre a cama. enquanto ele quase rasgava a camisa e a calça para se livrar das peças e jogá-las longe. Theron estava determinado a concluir. e então ela se deu conta de que ele traçava o contorno de sua tatuagem. segurando-os com uma só mão para deixar a outra livre. Todo o corpo de Theron enrijeceu e se contraiu quando ela lhe acariciou a ereção igualmente rígida. Ignorando o olhar de desaprovação de Theron.os negócios. Não no que se relacionava a Theron. – Theos. o que está tentando fazer comigo? – perguntou ele. Hum. Quando seus lábios o tocaram. que caminhava na direção do quarto. Sentiu a respiração pesada e a resposta estrangulada que Theron deu a quem quer que estivesse do outro lado da linha. – Dispa-se – sugeriu ele com voz sedutora. Uma torrente de palavras em grego escapou pela boca de Theron. Isabella inclinou a cabeça. – Terei de expulsá-la do meu escritório se pretende fazer isso quando eu estiver resolvendo assuntos de trabalho. juntou-lhe os punhos acima da cabeça. Mas Isabella já provara não ser perita em suprimir os próprios desejos. pethi mou. na altura da cintura. inclinou-se para a frente e pressionou os lábios no tórax musculoso. Isabella tentou suprimir um sorriso. em seguida. Isabella sorriu. encarando-a. – Faça o que estou mandando. e reapareceria depois. sentindo Theron se inclinar para a frente outra vez. teria de lhe dar o crédito de ser um homem controlado e duro na queda. Isabella lhe daria mais dois minutos no máximo. Um sorriso bailou nos lábios de Isabella. com movimentos bruscos pela impaciência. Isabella o encarou. confusa. Isabella estremeceu diante do tom autoritário. Quando concluiu a tarefa. Isabella arqueou uma das sobrancelhas. – Vire-se de bruços. – Esta tatuagem tem me deixado enlouquecido desde o primeiro dia em que você entrou em meu . ela girou até que o abdome ficasse pressionado no colchão. Os dedos longos lhe exploravam a nudez mesmo enquanto ele a instava a se virar. Se ele continuasse a resistir por mais tempo.

pare com este ataque de testosterona. Theron – sussurrou. quando ela se aconchegou sob o arco do braço musculoso. desejava mais. – Diga-me que você não é um desses homens que igualam a presença de um hímen à total ignorância da mulher em relação ao sexo. Ela sorveu tudo que podia daquele homem. sabia? – Desde que nunca decida participar com outro homem – disse ele. segurando-o firme enquanto ele investia dentro dela repetidas vezes. Após um instante. Theron lhe dirigiu um olhar que deixava claro sua reprovação àquela provocação. – Não deveria ter o desenho de uma fada. Isabella enroscou os braços e as pernas em torno dele. – Não há nada o impedindo de fazê-lo – retrucou Isabella. deixou escapar um suspiro de contentamento. – Ora. ele ergueu a cabeça para encará-la. – Não me provoque. – Acho que pensei que não seria provável que uma pessoa inexperiente pudesse ser tão… – Boa? – perguntou ela. Quando sentiu o peso do corpo de Theron relaxar contra o seu. e ainda assim. Podemos obter experiência sem participação. atingiram o clímax juntos. – Tive ímpetos de atirá-la ao chão e traçar o contorno deste desenho com a língua. – Afastando-lhe as coxas. animada. – O que quer dizer com isto? Com quem teve experiência? Isabella espalmou a mão sobre o peito largo. sentindo os dedos longos lhe acariciarem o ombro. – Eu lhe ensinarei tudo que precisa saber. – Onde apenas eu possa apreciá-lo. Dessa vez. Você é o único homem com quem fiz amor. Isabella exibiu outro sorriso e rolou para deparar com o olhar ardente de Theron. ele a cobriu com o corpo. não. em uma explosão que reverberou no âmago de Isabella. – Onde aprendeu tanta ousadia. antes de ele inclinar a cabeça e lhe depositar um beijo sobre os cachos na junção das coxas sedosas. Bella. e sim de um demônio tatuado em você. ele rolou para o lado e a puxou para o círculo seguro de seus braços. sustentando-o sobre um dos cotovelos para encará-lo. brusco. – De fato. provocante. Isabella ergueu o tronco. depositou um beijo sobre sua espinha. – Por completo. Tenso. Queria tudo que ele tivesse a lhe oferecer. Theron a marcava a fogo com uma trilha úmida em torno da tatuagem e. preenchendo-a totalmente. Theron parecia desconfortável em seu esforço para encontrar a resposta adequada. – Eu o desejo tanto… – Então se apodere de mim. – Aqui – murmurou. Isabella se sobressaltou e fechou os olhos quando sentiu a língua quente fazer contato com sua pele. Bella mou? – perguntou Theron. – O que quis dizer com isto? – Você era virgem e ainda assim me seduziu como alguém com vasta experiência. Os lábios de Theron encontraram os de Bella. Isabella deixou escapar uma risada. – E onde sugere que eu tatue esse demônio? Os lábios sensuais se curvaram em um meio-sorriso. – Nunca disse que era inexperiente – retrucou Isabella em tom de voz leve. Isabella sorriu.escritório – resmungou ele. E de repente se encontrava dentro dela. . doces e quentes. em seguida.

fazendo-a colidir com um baque suave e os lábios a milímetros dos dele. fique à vontade para me ensinar. Theron a puxou contra si. então. Descobrirá que sou um aluno aplicado. Bella mou.– E talvez. – É mesmo? Está bem. como discutimos antes. haverá coisas que eu possa lhe ensinar também. .

– Estou ansiosa para conhecer Piers oficialmente. Isabella conseguiu exibir um sorriso tenso. O que realmente gostaria de perguntar era se a família ESTICOU . – Aquele que eu disse que não conheço. Theron sorriu. – Então você gosta dela? – quis saber Isabella. pethi mou? – Piers – respondeu ela. Eu o vi apenas uma vez. – Isso não é para Piers. – Como Marley é? Admito que é difícil imaginar uma mulher capaz de subjugar Chrysander com tanta facilidade. – Não foi fácil. Piers é… bem. – Não tem nada a temer – afirmou Theron. Theron anuiu. – Você. mudando de posição no assento. – É casado ou comprometido? Theron soltou uma risada. está voltando do Rio de Janeiro. Neste momento.Capítulo 16 THERON o braço e prendeu o cinto de segurança de Isabella. Theron negou com a cabeça. Marley é boa para o meu irmão. onde vem supervisionando a construção de nosso novo hotel. é muito sagaz. – Aterrissaremos em breve – informou ele. – É o que mais viaja de todos nós. Bella mou. – A expressão de Theron se fechou. – Sua mãe o maltratava? – perguntou Isabella. Como ele é? Theron ergueu uma das sobrancelhas. tranquilizando-a. – Embora faça tanto tempo que não vejo Chrysander que será como vê-lo pela primeira vez também. e a recíproca será verdadeira. tentando afastar a névoa do sono que lhe embotava a mente. pegaremos um helicóptero para a ilha. – Isso parece… ótimo. Suavizou-o na medida certa. – Eles passaram por muitas coisas juntos. é Piers. – Quanto à sua pergunta. Isabella bocejou outra vez e franziu a testa. – Muito. – Theron deu de ombros. Acho que terei de pensar em um modo de manter essa sua boca ocupada. com certa impaciência. – Depois. Ela já conseguia avistar as luzes minúsculas no solo. sem rodeios. agora que Chrysander se estabeleceu na ilha. e não conversamos – disse ela. – E Marley? – Isabella questionou à media que o jato particular iniciava a rota descendente. que ergueu um olhar questionador e sonolento. Isabella bocejou e anuiu. – A qual está se referindo. – Você não é muito coerente quando acaba de acordar. – Gostará deles. Tem aversão a um envolvimento maior que a duração de um caso passageiro com qualquer mulher. Chrysander é um homem de sorte por tê-la. Ele sempre pareceu tão… frio.

Theron apontou para um clarão a distância. ele a afastou correndo pela área de pouso de concreto. enquanto a envolvia em um abraço. mas queria ver de perto e enterrar os pés na areia. até mesmo desde sua formatura – disse ele. um homem surgiu à porta da frente. o homem que recolhia as bagagens do helicóptero. O ruído dos motores se avolumou impedindo qualquer conversação. mas teriam esperado que Theron se casasse com Alannis por razões financeiras? A mão longa encontrou a dela. Isabella se inclinou sobre o corpo de Theron. e Theron se limitou a anuir com um gesto de cabeça. – Isabella. Isabella não pôde evitar o rubor que se espalhou por seu rosto. você poderia observar a beleza da ilha à luz do dia – disse Theron. Em seguida. – Como estão minha irmã favorita e meu sobrinho? – Sou sua única irmã – lembrou ela. e os dois entraram. Está ansiosa por conhecer Isabella. como você cresceu. desembarcavam. . Dessa forma. Com a mão pressionada às costas de Isabella para mantê-la inclinada. – Theron! – exclamou ela e se encaminhou na direção dos dois. com semblante severo. Chrysander soltou uma risada abafada e gesticulou para que os dois passassem. O que achariam de ele estar se casando com outra mulher? Não sabia qual era o pensamento deles. enquanto subiam a bordo. – Se tivesse pensado melhor. Com um sorriso largo. Está longe disso. – Verei quando voltarmos. ele a ergueu. Quando se aproximaram da entrada. se encontrava parada próxima ao sofá. – Marley os aguarda na sala. – Antes que ambos digamos algo que o deixará constrangido. o helicóptero baixou no bem iluminado heliporto. certo? – Ela sorriu quando ele se acomodou ao seu lado. de cabelo escuro e com um cobertor envolvendo algo nos braços. apressado. – Desculpe. em um abraço. Isabella permaneceu de bom grado com os dedos entrelaçados nos dele durante todo o tempo em que o avião particular taxiava na pista. quando interromperam o abraço. e Theron a guiava. Theron abriu a porta do helicóptero e saiu com o corpo inclinado para a frente. na direção do helicóptero que os aguardava. A viagem através da escuridão da noite era um pouco desconcertante. Chrysander a encarou com óbvia surpresa e deixou escapar uma risada. A casa era absolutamente deslumbrante. Alguns minutos depois. Instantes depois. mas em seguida. teria providenciado para que pernoitássemos no continente. Ele sorriu e a fez relaxar a ponto de retribuir o sorriso. e Isabella mal podia esperar até vê-la em plena luz do dia. – Por que não para de procurar o que dizer e nos deixa entrar? – perguntou Theron. na direção dos jardins iluminados que levavam à casa.de Theron não teria gostado mais de Alannis. e o piloto gesticulou para Theron quando o desembarque poderia ser feito em segurança. pouco antes de o jato tocar o solo. Isabella o reconheceu: Chrysander. esticou o braço e a ajudou a saltar. – Obrigada por me fazer parecer uma adolescente que acabou de aposentar o aparelho dentário e os primeiros sutiãs – brincou ela. E a praia… Podia sentir o cheiro do sal no ar e as ondas estourando a distância. junto com o bebê. como Theron sem dúvida descobriu. – Em seguida. Uma mulher pequena. Theron segurou o braço de Isabella. Mesmo de longe. em grego. enquanto se aproximavam da fonte de luz. Chrysander passou pelos dois para orientar.

e lhe dirigiu o que Isabella suspeitava ser o máximo que ele conseguia se aproximar de um sorriso. um pouco mais magro que Chrysander. Marley captou o olhar de Isabella. Piers permaneceu calado. Esforçou-se para não suspirar. quando Marley sorriu para o marido. um homem de cabelo escuro adentrou a sala. Era de longe o mais alto dos três irmãos. revirou os olhos e. O tom da pele também era mais escuro. esperando não ter se traído naquele momento. inclinando a cabeça para o lado. e depois quero que descanse. porém tinha os ombros mais largos que os de Theron. – E esta deve ser sua futura esposa. recusando-se a se esquivar da inevitável estranheza daquela situação. Desesperadamente. enquanto os outros irmãos tinham olhos castanho-dourados. Os homens nem sequer notaram quando as duas saíram à francesa. e a conversa tomou o rumo dos negócios. cansada. como dissera. – Quer que eu o coloque para dormir para que possamos comer? – Como se ele fosse dormir. – Não se preocupe. sonhadora. seguindo os diálogos com o olhar enquanto comia. em seguida. Marley fazia perguntas genéricas a Isabella. Até mesmo Piers deixou a reserva de lado e entrou na roda de discussões. Isabella é espirituosa. minha noiva – disse ele. – Fico muito feliz em conhecê-la. O jantar transcorreu em meio à conversação casual. quase negros. parecia resignado com sua espontaneidade. com a alma refletida no olhar. com você e Isabella. quero que conheça Isabella. Theron. e já faz um . mas. Os olhos eram escuros. entregando o bebê para Chrysander. – Quase não dormimos por causa dele nas últimas duas semanas. como se passasse muito tempo ao sol. – Aí está você. – Por favor. gesticulou para que ela a seguisse ao deixar a mesa. O coração de Isabella se derreteu ao detectar o amor nos olhos de Chrysander. – Quer fazer uma caminhada na praia? – perguntou Marley. Theron não parecia incomodado com o comentário que ela fizera. Não queria que mais ninguém soubesse que tramara para entrar vida de Theron. – Uma delas. E posso dizer o mesmo. Naquele momento. – Ele voltou o olhar a Isabella. E então Marley fitou Isabella. como se a estudasse. A expressão de seu rosto era suave quando dirigiu o olhar a Theron.– Marley. – Estará aqui dentro de alguns minutos – informou Marley. envolvendo-lhe os ombros com um braço. As sobrancelhas de Piers se arquearam diante da aspereza da resposta. como seus gostos e interesses. – Piers já chegou? – Theron franziu a testa. – Vamos para a sala de jantar – convidou Marley. agape mou. olhando ao redor. Por mais de uma vez. Era exatamente aquilo que desejava. os olhos azuis faiscando de afeto. Chrysander se posicionou ao lado da mulher. Era ruim o suficiente saber que a mulher de Chrysander estava ciente dos motivos por trás de seu noivado. girando na direção dela. Ficarei com ele até que se acalme. O olhar de uma mulher que sabia ser amada. – Cólica – esclareceu ela. Isabella o surpreendeu a observando como se estivesse dissecando as camadas de sua pele. Foi um alívio quando Chrysander voltou a se juntar a eles. com uma careta. chame-me de Bella. Ela se apressou em baixar os cílios. Isabella. Deixamos para jantar mais tarde. eu diria – disse Isabella. Espero que possam dormir com o barulho. – Foi trocar de roupa quando ouviu o helicóptero chegando. Vá comer. Marley sorriu. Chrysander roçou os lábios na testa da esposa. – Marley suspirou. – Gostei dela. – É linda sob a luz da lua.

Erguendo-os até os lábios. Isabella sorriu. estamos. – Adoraria. Theron a puxou para os braços. Marley estacou e retirou os sapatos. com as mãos enfiadas nos bolsos. quando transpuseram a porta de entrada. O céu estava claro e salpicado de estrelas. – Venha. era quase como se sentisse algo além do desejo sexual. confusa. – Eles parecem tão apaixonados – comentou ela. Qualquer hora lhe contarei. – Oh! É maravilhoso… – Isabella ofegou quando se aproximaram da água. tudo que desejo é uma cama e um travesseiro macio. Isabella recuou a mão. Em seguida pisou na espuma que se formou. porém. observando-as. Agora. Por que não podemos dividir o mesmo quarto? Estamos noivos. – Os dois têm uma história e tanto. amando o contato formigante da água em seus pés. – Não entendo.tempo que Dimitri só dorme lá pelas duas horas da manhã. Mal posso esperar para ver tudo à luz do dia. Isabella caminhou até a beirada da areia molhada e esperou que outra onda avançasse. Ele estendeu a mão quando a viu se aproximar. Theron anuiu. . enquanto ele erguia o olhar para encará-la com expressão indecifrável. eu lhe devo o respeito de não anunciar para meu irmão e a esposa nosso relacionamento sexual. achei tudo lindo. desviando o rosto. – Vamos deixar os dois pombinhos a sós. Os lábios sensuais se comprimiram por um instante. me impossibilitando qualquer passeio noturno. ela conseguiu relaxar. – É incrível. Já basta ele saber que tirei sua inocência. E talvez Theron sentisse. e Isabella entrelaçou os dedos nos dele. – Sim. instando Isabella a fazer o mesmo. Seria mais fácil se Theron fingisse desejar se casar com ela. A lua alta cintilava e refletia um brilho prateado sobre a superfície do mar. Bella – chamou Theron. como se fosse meu pequeno pedaço do paraíso. – Este é meu lugar favorito no mundo – revelou Marley com voz suave. na direção da casa. – Eu lhe disse que a encontraríamos aqui – afirmou Chrysander. Seria possível? Seria ele capaz de amá-la? Isabella permitiu que ele a guiasse de volta pelo caminho de pedra. Theron lhe pressionou um beijo nas juntas. Marley sorriu quando Isabella passou por ela na direção de Theron. – Minha esposa sempre se refugia nesta praia. E como tal. – Acho que nunca vi nada tão lindo. A mágoa e a humilhação a atingiram direto no peito. – Acho que seria melhor permanecermos em quartos separados. As duas transpuseram as portas de correr. Os sons do oceano aumentavam à medida que o caminho levava à areia. divertido. Isabella girou para deparar com Theron e o irmão parados. Deve estar cansada da longa viagem. Pelo pouco que enxerguei. Isabella soltou uma risada suave e escorregou uma das mãos pelo braço forte. e Marley a guiou pelo caminho de pedra. pethi mou. mas não quero atrair mais atenção desnecessária para você. – Há determinadas partes de minha anatomia que podem fazer o papel de um bom travesseiro. E pela primeira vez desde que chegara à ilha.

– Vou subir para o meu quarto. voltou-se e subiu a escada à procura de seus aposentos. mas ainda assim ela conseguiu esboçá-lo. com serenidade. Um sorriso hesitante e trêmulo. Eu sei. determinada a não expressar nenhuma emoção. .– Ele sabe? Você contou para Chrysander? Theron pestanejou várias vezes. Então Chrysander e. ela o encarou com coragem. Theron. Isabella fechou os olhos e virou o rosto para o lado. – Presumo que minha bagagem esteja lá. Isabella sorriu. então – disse ela. Girando. Posso encontrar o caminho. – Eu sei. Em seguida. – Sou eu que devo me sentir envergonhado por isso. – Bella… – chamou Theron quando ela começou a subir os degraus. consequentemente. – Não fiz isto para magoá-la. Marley sabiam que Theron só estava se casando com ela por seu senso de honradez ultrapassado. surpreso. Não você.

O que estava dizendo? Olhou rápido por sobre a cerca que se estendia pelo caminho que levava ao muro de contenção que circundava o pátio. A casa se encontrava silenciosa. Marley e Chrysander também.Capítulo 17 ISABELLA CRAVOU o olhar no teto. Sem se dar o trabalho de calçar as sandálias. Um olhar ao relógio sobre o criado-mudo revelou que fazia horas que se encontrava deitada. com as mãos entrelaçadas na nuca. tomou uma decisão. Sem saber dizer por quanto tempo se detivera ali. em seguida. Os pés estavam cobertos de areia. Fechou os olhos por um breve instante e deixou que a brisa lhe soprasse o cabelo do rosto. Estariam discutindo o casamento? Deu outro passo à frente. Podia ouvir sua risada. ergueu-se e começou a perfazer o caminho em direção à casa. jogou as cobertas para o lado e atirou as pernas pela lateral da cama. Em seguida. Era o assento de Marley. De nada adiantaria perseguir o sono. O mar estava calmo. enquanto o mundo ia se tornando dourado ao seu redor. O céu começava a exibir os matizes do amanhecer na direção leste. coberta por frondosa vegetação. avistou um enorme tronco de madeira. Muito agitada. onde se agachou logo abaixo do ponto em que . Dormira durante a maior parte do voo. Saiu para o pátio e inspirou o ar salgado e ameno. um diamante contra o veludo ainda escurecido do céu. Soavam… resignadas. abrira a janela. Theron estava acordado. Ao que parecia. Havia uma treliça de madeira que garantia a privacidade daquela área. Se não fizesse barulho. sem conseguir conciliar o sono. Isabella apurou os ouvidos para escutar a conversa e. como Chrysander definira com humor. lambendo suavemente a areia e deixando um rastro de espuma em seu encalço. e um sorriso lhe curvou os lábios. imersa na escuridão. poderia caminhar pela praia e ver o nascer do sol. O ar que penetrava pela janela era ameno. Uma onda de excitamento a invadiu. e os sons do mar a embalavam. Quando cruzava o caminho acidentado naquela direção ouviu seu nome ser mencionado. Isabella caminhou pela praia. mas hesitou ao ouvir as palavras que Theron disse a seguir. Saltou a cerca e correu na direção do muro de contenção. portanto vestiu um short e uma camiseta. Nunca experimentara nada como aquilo. tomou o caminho de pedra que levava à areia. e agora amargava a insônia. Com um suspiro resignado. Sentou-se desajeitada na madeira envelhecida e observou a beleza do cenário que se descortinava à sua frente. A certa distância da casa. Vozes soavam a uma curta distância. O horizonte adotava uma tonalidade lavanda pálida. Antes de se deitar. deixando que as ondas lhe fustigassem os pés. deleitando-se com o amanhecer. O astro rei. esgueirou-se para fora do quarto e cruzou a escuridão do corredor a caminho da escada. e Isabella estacou à entrada para o caminho de pedra que cruzava o jardim para limpá-los. enquanto Isabella se encaminhava na direção da sala de estar. Estava muito ferida.

quase colidindo com Piers. ele vira arruinada a chance de ser feliz. ele ainda se culpava pelo que acontecera. O casamento com Alannis. – E quanto a você? – quis saber ele. soube o que tinha de fazer para deixar Theron livre. soltou-se das mãos que a seguravam e correu pelo jardim. – Ao que parece. Quando entrou no próprio quarto. Estava com tudo planejado. Amar alguém não deveria ser tão destrutivo ou ferir tantas pessoas. em um momento de repentina clareza. Isso tudo voou pela janela com uma rapidez que me deixou zonzo. Não passaria ela de uma menina rica e mimada. de angústia e percepção. certificando-se de passar despercebida ao subir os degraus da escada. Você já sabe de tudo.ficava a mesa do desjejum onde eles estavam reunidos. Estacou à porta e observou o heliporto por um longo instante. Em seguida. como se não tivesse planejado seduzi-lo. – Isso me faz lembrar aquela máxima que diz que aqueles que escutam a conversa alheia raramente ouvem elogios à sua pessoa – disse Piers. Não. e ela fizera tudo aquilo que ele revelava. com lágrimas rolando pelo rosto. uma vida estável. Algo que poderia ser interpretado como compaixão suavizou a expressão severa de Piers. Queria fechar os ouvidos. – Não conte a ele que ouvi essa conversa. Ouvir o modo provocante e explícito com que ela flertara com ele pela boca de outra pessoa fazia aquilo parecer grosseiro e menos intenso do que fora. Isabella descansou a cabeça sobre os braços. Enquanto escutava Theron contar em voz baixa toda a história ao irmão e a Marley. E sim a Alannis. fechou a porta e se recostou com um baque contra a madeira maciça. – E quanto a você. uma vida ao lado de uma mulher de quem gostasse. mas não conseguia. – Uma mulher e filhos… uma família. Theron não a amava. observando-a com olhar perspicaz. contornando a casa na direção da entrada dos fundos. e despencou no caminho mais curto que circundava os jardins. Todos sabem. Seu egoísmo e a forma inconsequente com que perseguia seus objetivos e desejos o privaram da felicidade. Não há razão para fazer com que Theron se sinta ainda pior. E por sua causa. Bella? – Acho que tenho muito o que consertar – respondeu ela. cambaleando pela suave inclinação. incapaz de aceitar o fato de não poder ter o que mais desejava? E. – Eu queria… ter o que você e Marley encontraram – admitiu Theron para o irmão. Seu único consolo era que Theron fazia parecer que ela não fizera aquilo de propósito. como um golpe certeiro no abdome. não ouvem. E então se seguiu a declaração que a atingiu em cheio. Isabella se ergueu de um salto. Isabella fez uma longa e dura introspecção e não gostou do que viu. Incapaz de suportar a dor causada por aquelas palavras. Aquela era a dura verdade. virou-se para que as costas ficassem pressionadas contra as pedras do muro e se deixou escorregar até se sentar com os joelhos comprimidos contra o peito. Ela escutou Theron relatar sua confusão entre o desejo que sentia por ela e a vontade de tornar Alannis sua esposa. . Isabella lhe dirigiu um olhar suplicante. Porque amava Alannis. Não queria nem pensar na dor e no desapontamento que a outra mulher havia suportado. – Tem razão – concordou Isabella com um fio de voz. O irmão mais novo de Theron a segurou pelos braços e a equilibrou. sequestrando-lhe a respiração… e as esperanças. num sussurro. Entrou. Não poderia. Ele não a queria.

Criaturas que nunca viam a luz. precisava encontrar um serviço de helicópteros. Em seguida. Isabella sabia que aquela era a verdade. erguendo-se da mesa. antes que o helicóptero chegasse para buscá-la. – Theron – disse ela. Piers franziu a testa. não conseguiu acalmá-la. dessa vez. Limpando as lágrimas com o dorso de uma das mãos. Mesmo se sentindo despedaçada por dentro. se decidisse retomar seus planos de viajar para a Europa. perscrutadores e penetrantes. de preferência que não constasse da folha de pagamento de Chrysander. Merecia um Oscar por sua atuação. Tinha de descobrir uma forma de consertar aquela confusão. Isabella não conseguiu conter um suspiro de alívio. parecia zombar dela com sua serenidade enganosa. Teria de sorrir e agir como se não houvesse nada de errado. Theron não lhe pertence. em um país do qual desconhecia o idioma. Sob aquela superfície. Por um instante. Baixando a cabeça. Isabella evitou a mão que ele lhe estendeu.O que Theron lhe dissera? Que fora infiel? Era ele que estava suportando o fardo de suas ações. se encaminhou à bagagem que se encontrava no quarto e pegou sua bolsa. enfim encontrando coragem para encará-lo. Agora lhe restava pouco tempo para a conversa que teria com Theron. seguindo para o caminho de pedra. dirigindo-lhe um olhar inquisitivo. após um almoço frugal servido no pátio. com os pés imersos na areia. Não importava que aqueles planos houvessem sido feitos para se aproximar de Theron e abandonados quando soube que ele se estabeleceria em Nova York. Quando a culpa era toda dela. seria ela a fazer a coisa certa. mas Isabella o evitou. o quanto lhe despedaçasse o coração. A desonra. O mais importante era não deixar que Theron soubesse que ela havia escutado aquela conversa. precisava falar com Theron. não importava o quanto doesse. Por que não caminhamos na praia? – sugeriu Theron. determinada a se recompor. Ao contrário. deviam existir coisas horripilantes. Insistira para fazer a coisa certa… de acordo com seus conceitos. A pior parte seria fingir que não ouvira uma palavra do que ele dissera. Em vez disso. permitiu que as lágrimas lhe escorressem pelo rosto e caíssem no piso. enquanto Marley lavava os pratos. os olhos a procurando com frequência. Aquele único pensamento ecoava e fervilhava em sua mente. Sophia lhe entregara um cartão de visitas com seu endereço e telefone quando a convidara a visitá-la na Grécia. Theron a seguiu até o mar. O belo tom de azul brilhante que se estendia na direção da linha do horizonte a atormentava. Piers a observara. pedindo desculpas com olhar para os demais. Quando a refeição foi concluída. Quando Isabella estacou. Provavelmente Chrysander tinha internet em seu escritório. – Claro. uma lista telefônica ou algo parecido… E depois. enquanto se erguia. que nunca maculavam a superfície impecável que refletia a luz do sol. – Pareceu triste durante todo o dia. as mãos fortes se fecharam sobre seus ombros. além de responder quando a palavra lhe era dirigida. Aquilo o faria amargar um enorme sentimento de culpa. Isabella girou no círculo dos braços musculosos. passou direto. – Poderíamos conversar? Em particular – acrescentou. Bella mou? – perguntou ele com aquele timbre grave. – O que há de errado. mas em seguida voltou a erguer a cabeça. Tarefa nada fácil ali naquela ilha. Mas dessa vez. que. porque conseguira sorrir e até mesmo soltar risadas. Como se seu coração não estivesse partido. ISABELLA VERIFICOU as horas no relógio de pulso. . entregou-se ao pranto. pethi mou.

e ele desviou o rosto para o oceano. Isabella se inclinou para a frente e lhe depositou um beijo no rosto. portanto. mas não amor. Pensei que fosse apenas uma empolgação passageira. – Você não me ama – prosseguiu ela em um tom de voz surpreendentemente firme. os soluços silenciosos lhe sacudindo os ombros. Ele me seguiu até o hotel debaixo de chuva quando saí correndo a pé pelas ruas da cidade para tentar impedi-lo de pedir Alannis em casamento. porque no final eu conseguiria o que mais desejava: você. meu amor crescia. sem nunca nos dar uma chance. – Sabe. Deixei que dissesse todas aquelas coisas. com as mãos enfiadas nos bolsos da calça. e eu sabia que se sentia culpado por achar que havia me desonrado. – A única razão que me levou a planejar minha viagem a Londres neste verão foi pensar que você se encontrava lá. Movendose com rapidez. optando por alugar um apartamento que nem mesmo queria. não diga nada. – Eu o persegui incansavelmente.– Há algumas coisas que preciso lhe dizer. e não serei capaz de lhe contar tudo se começar a fazer perguntas. Confusão. girando outra vez para ficar de frente para ele. E então Theron se virou para encará-la. – Mas eu estava errada. e inventei uma série de outras razões que me possibilitassem ficar em contato com você. – De que se trata? Isabella se soltou e deu um passo adiante. apesar do calor do sol contra sua pele. mudei meus planos. até que soube que tinha de tentar. Seguiu-se um silêncio pesado entre os dois. Não poderia viver minha vida afastada do meu próprio sonho. mas cada vez que o via. esmagando-lhe as esperanças. No entanto ela o silenciou rapidamente. Nunca amor. – Isabella inspirou profundamente para se recompor. que planejava construir sua vida ao lado de outra mulher. Isabella pretendia que as palavras soassem como uma pergunta. Há muito a dizer. concordei. Theron anuiu com um gesto de cabeça. Theron permaneceu imóvel. antes que ele pudesse esboçar reação. raiva. Theron respirou fundo e entreabriu os lábios outra vez. E sinto muito. Planejei acabar com sua festa de noivado. Eu estava determinada a tentar seduzi-lo para afastá-lo dela. Hesitante. Isabella sustentou o olhar de Theron. – Pensei que o havia perdido. fizemos amor em minha suíte. disse-me que tínhamos de nos casar. Apenas o brilho nos olhos castanho-dourados revelava o que ele devia estar pensando. mas as deixara escapar como uma súplica das profundezes de sua alma. mas depois você apareceu no clube de striptease e. em seguida. A expressão de Theron se tornou séria. mas cheguei atrasada. – Por favor. erguendo uma das mãos. Estraguei tudo entre você e Alannis. Boquiaberto. Havia uma miríade de emoções refletidas naqueles olhos dourados. No dia seguinte. mas Isabella parecia tão atordoada que ele tornou a fechá-los. – Isabella esfregou as mãos nos próprios braços. Theron lhe dirigiu um olhar confuso. Sabia que você não me amava. Essa foi a razão pela qual Marcus estava em meu quarto. eu o amei desde minha infância. mesmo com as lágrimas lhe escorrendo pelo rosto. Os lábios de Theron se comprimiram até formarem uma linha fina. – Sabia que pretendia pedir Alannis em casamento. Deixe-me concluir. . – Quando cheguei a Nova York e soube que você havia se estabelecido lá. mas estava determinada a ter uma chance de fazê-lo me amar.

Mas ela passou correndo por Chrysander no início do caminho de pedra. na direção do heliporto. Isabella a recolheu e. à soleira da porta que dava para os fundos da casa além da piscina. Retirou o anel do dedo. ignorando as mãos que ele esticou para ampará-la. Sem dizer mais nada. – Isabella! – gritou ele também. saiu correndo de volta para a casa. com um último olhar à casa. e o colocou na palma da mão de Theron. . A bagagem se encontrava onde ela a deixara. ela entrou na casa. Logo o helicóptero viria buscá-la. saiu correndo para esperar por seu voo. – Bella! Bella! – gritou Theron às suas costas.– Espero que um dia possa me perdoar. Engolindo em seco um soluço que emergiu de sua garganta.

– Isabella parecia muito aborrecida – disse Chrysander. Theron cerrou o punho em torno da joia. – Ela disse que me ama desde criança – revelou Theron arrastando as palavras. – Disse o motivo? Até mesmo um idiota com metade do cérebro perceberia que Isabella é louca por você. Deveria estar no dedo de Isabella. – Afirmou que a única razão que a levou a planejar uma viagem à Inglaterra foi pensar que eu ainda vivia naquela cidade. A provocação ousada. Theron lhe dirigiu um olhar estranho. Chrysander arqueou as sobrancelhas. as compras. e não o fitando com lágrimas lhe escorrendo pelo rosto. – Ergueu o olhar para o irmão. Ela deveria estar radiante de felicidade. – Algum problema? – Eu diria que sim – murmurou Theron. desde o dia em que Isabella adentrara seu escritório. Chrysander sorriu. antes de balançá-la em um gesto negativo. O irmão estacou diante dele. – Furioso? . Foi ela quem me seduziu. que corria na direção da casa. Não conseguia entender tudo que ela acabara de admitir. Chrysander permaneceu em silêncio por um instante. está furioso? – perguntou por fim. Viu Chrysander se aproximar. – Ela me devolveu o anel de noivado. – Isabella parece uma jovem determinada. ainda tentando digerir tudo que ela lhe dissera. Parecia tão implausível. – E que só foi para Nova York porque eu estava lá. descendo o caminho de pedra em sua direção. – Ela acabou de me contar a história mais estapafúrdia do mundo. Teria ela o amado por tanto tempo? Aquilo lhe parecia impossível. – Isso não é tudo. surpreso. Aquilo lhe parecia muito errado.Capítulo 18 THERON OLHOU para o anel que se encontrava na palma de sua mão e em seguida para Isabella. Dessa vez. – Importa-se de me contar? Theron abriu a mão para ver o anel ainda pousado em sua palma. Chrysander não conteve uma risada. agora de posse da informação do que ela planejava. Theron inclinou a cabeça para o lado. a procura pelo apartamento. Theron anuiu. – E eu tenho de escutar uma coisa dessas! Theron contou resumidamente toda a história a Chrysander. Nem ao menos sei o que fazer com toda essa informação. Tudo parecia claro. – Então.

Theron apurou os ouvidos. tentando alcançála a tempo. Mas quando viraram a curva e Theron avistou Isabella parada diante da porta do helicóptero. Theron fez um movimento negativo com a cabeça. Marley surgiu à porta dos fundos. em me casar e formar uma família perfeita. para o piloto. ganhando altura e se dirigindo ao continente. com Chrysander em seu encalço. a aeronave se ergueu no ar. Chrysander sorriu. distinguiu o ruído inconfundível de um helicóptero se aproximando. escoltada por Piers. Mas ela nem ao menos se voltou. A distância. quando chegou à margem de concreto da pista. – Por que está me dizendo tudo isto? Ao que parece. – Está ouvindo isto? – perguntou Chrysander. estive focado no desejo de ter uma esposa e filhos. – Tenho de descobrir para onde ela foi. quando a perfeição estava diante de mim o tempo todo. – Durante todo esse tempo. Absoluta e completamente. Elas são capazes de nos fazer perder a cabeça. E Isabella o impediu. e Isabella não estava presente no momento em que tomei essa decisão. Theron franziu a testa e fechou os dedos em torno do anel. e Theron disparou na frente dele. Ela poderia ter qualquer homem que desejasse. austero. Não pedi Alannis em casamento. cabeça-dura… – Theron seguiu pisando duro pelo caminho de pedra. Chrysander gesticulou. A preocupação do irmão o contaminou. quando Piers partisse. – Eu a amo – sussurrou Theron. em seguida. Não poderia ouvi-lo acima do ruído das hélices. Foi uma opção minha. quando Chrysander estacou. – Acho que isso define bem seu estado. Os dois saíram correndo pelo caminho. as portas se fecharem e. disparando naquela direção. – O suficiente para deixá-lo de joelhos. que se abria. – Isabella! – gritou ele. – Theron retornava à casa. sentiu o sangue congelar nas veias. ela é maravilhosa. Consegue me enlouquecer. Mesmo antes de terem visão plena daquela área. – O próximo chegaria amanhã. certo? Nada como encontrar o amor de uma boa mulher. Chrysander xingou. – Muito bem. – Meu Deus. que lhe envolvia os ombros . com Theron logo atrás. viram o helicóptero aterrissar. o caminho mais curto até o heliporto. Mas ela me quer. Theron girou para se deparar com a expressão confusa do irmão. quer isso o agrade ou não. Encontrava-se no meio do trajeto até a residência.– Você queria se casar com Alannis. frenético. Chrysander. como está se sentindo? – Lisonjeado? Perplexo? Completa e definitivamente confuso? Chrysander sorriu. – Isabella não me impediu. – Não se trata de um dos nossos – afirmou Chrysander. Observou. Mais adiante. virando à esquerda para contornar os jardins. enquanto Theron se encontrava paralisado. – Tola. tem uma jovem transtornada que parece determinada a fazer o que julga ser melhor para você. impotente. – Você chamou o helicóptero? Chrysander negou com a cabeça. Isabella ilumina qualquer ambiente em que esteja.

com um braço protetor.
– O que está havendo? – indagou o irmão caçula.
Theron passou por ele e Marley, enquanto Chrysander ficou para trás. Em seguida, subiu a escada
correndo na direção do quarto de Isabella, apenas para descobrir que a bagagem que ela trouxera não
se encontrava mais lá. Não havia nenhum bilhete, nenhuma pista de seu destino.
Ele correu de volta para o andar térreo e se juntou aos outros na sala de estar. Chrysander, ao
telefone, tentava descobrir o serviço de helicópteros que ela utilizara e encontrar um jeito de detê-la
assim que aterrissasse.
Piers se aproximou de Theron com expressão fechada.
– Há algo que deve saber.
Theron lhe dirigiu um olhar questionador.
– O que é?
– Esta manhã, Isabella estava na praia, bem cedo. Eu a encontrei do outro lado do pátio,
visivelmente perturbada com algo que escutou durante a conversa que você teve com Chrysander e
Marley. Suplicou para que eu não lhe dissesse nada. Alegou que não queria que você se sentisse
ainda pior.
Theron fechou os olhos; recordava-se de ter detalhado todos os seus desejos. Quando o que de fato
desejava estivera bem diante de seu nariz o tempo todo.
– Sou um completo idiota – resmungou ele.
– Quanto a isso não há argumentos. – Piers esboçou um sorriso oblíquo. – A pergunta é: o que fará
para tê-la de volta?
ISABELLA NÃO levara em consideração as repercussões de pousar em um helicóptero em uma
propriedade que parecia pertencer a uma família grega extremamente rica. Tão logo a aeronave tocou
o solo, foram cercados por uma dúzia de seguranças. Todos armados.
Talvez aquela não tivesse sido uma das suas melhores ideias.
A porta se escancarou, e Isabella se viu diante da expressão severa de um dos homens armados.
Ele rosnou algo em grego, o que a fez encará-lo com expressão confusa.
– Não falo grego – disse ela.
– O que você quer? O que a trouxe aqui? – perguntou o homem com um forte sotaque inglês.
Isabella respirou fundo e tentou ignorar o cano do revólver que se encontrava próximo ao seu
nariz.
– Estou aqui para ver Alannis Gianopolous. É um assunto importante.
– Seu nome – exigiu o segurança.
– Isabella Caplan.
O homem ergueu um pequeno fio e derramou uma torrente de palavras gregas no que ela presumiu
ser um microfone. Instantes depois, baixou o revólver e deu um passo atrás.
– Por aqui, por favor, srta. Caplan.
O homem até mesmo estendeu uma das mãos para ajudá-la a descer. Momentos depois, ela era
escoltada à propriedade palaciana, que ficava situada em um desfiladeiro que dava vista para o
oceano. Em outras circunstâncias, Isabella teria dedicado um instante a invejar um lugar tão
deslumbrante.
– Isabella, minha querida! – exclamou Sophia tão logo ela penetrou na suntuosa mansão. A senhora
a envolveu nos braços e lhe beijou as duas bochechas. – O que, em nome de Deus, faz aqui? E onde
está Theron?

Isabella baixou o olhar por um instante e voltou a erguê-lo para encará-la.
– Preciso conversar com Alannis. É muito importante.
Sophia franziu a testa de leve, preocupada.
– Claro. Está tudo bem?
Isabella exibiu um sorriso trêmulo.
– Não, mas ficará.
– Espere aqui. Vou chamar Alannis – disse Sophia.
Isabella caminhou na direção da ampla janela de vidro que descortinava o precipício que levava
ao oceano. Alannis morava em um lugar perfeito. Próximo a Chrysander e Marley. Todos podiam
formar uma família numerosa e feliz depois que Alannis se casasse com Theron.
– Isabella? – a voz suave de Alannis encheu a sala.
Girando, Bella deparou com a jovem a olhando com expressão obviamente confusa.
– Mamãe disse que você queria me ver.
Armando-se de coragem, Isabella cruzou a sala e estacou diante de Alannis.
– Vim aqui para me desculpar e consertar um erro.
As linhas que vincavam a testa de Alannis se aprofundaram.
– Não estou entendendo.
Isabella respirou fundo.
– Tramei para separar você e Theron. Sabia que ele queria se casar com você, mas eu sempre o
amei e o queria. Nunca parei para pensar no que ele queria ou se eu estava causando o sofrimento de
duas pessoas durante o processo. Você e ele.
– Mas… – começou Alannis.
– Ele quer se casar com você – prosseguiu Isabella, interrompendo-a. – É você que ele quer. Vá
ao encontro dele, Alannis. O helicóptero a está esperando para levá-la até a ilha. Theron ficará feliz
em vê-la. Terminei tudo com ele e lhe devolvi o anel de noivado. Certifique-se de que ele lhe dê um
outro. Você merece um novo começo. Um que não seja maculado por mim. Obrigue Theron a fazer
tudo da maneira certa, com toda a pompa e romance que você merece. – Lágrimas banharam os olhos
de Isabella mais uma vez. – Desculpe-me por tê-la feito sofrer. Espero que sejam felizes. – E se
virou para deixar a casa.
– Espere! – gritou Alannis. – Você não entende…
Tudo que Isabella entendia era que se não saísse dali naquele segundo iria se despedaçar.
Esperava ao menos que o táxi a estivesse aguardando, como providenciara.
– Por favor, mostre-me a saída – pediu com voz estrangulada ao segurança que a acompanhara até
ali. – Há um táxi me aguardando na porta da frente.
Tão logo o segurança abriu a porta, Isabella disparou pelo caminho que levava ao portão de ferro
forjado, que se abriu automaticamente quando ela se aproximou. Para seu alívio, o táxi a aguardava
na rua.
– Para o aeroporto – disse ela ao entrar.
Quando o veículo se pôs em movimento, Isabella viu Alannis gesticulando para que ela esperasse,
mas a ignorou e virou o rosto para o outro lado.
Nunca ninguém lhe dissera que fazer a coisa certa era tão doloroso.
– QUANTO TEMPO levará para que o maldito piloto chegue aqui? – perguntou Theron, escorregando
uma das mãos pelo cabelo, pela décima vez em uma hora.
A frustração o sufocava. Estava preso naquela ilha, até que o piloto de Chrysander chegasse.

Finalmente, agora o homem estava a caminho.
Chrysander pousou o fone e se virou na direção dele.
– O piloto de Isabella a levou à propriedade dos Gianopolous.
Theron o encarou, confuso.
– Por que diabos ela foi visitar Alannis? Não tinha ideia de que ela sabia onde os Gianopolous
moravam.
– Ela está tentando consertar as coisas – interveio Marley com voz suave. – Primeiro com você, e
agora com Alannis.
Theron pegou seu celular para conseguir o número de Alannis. Se pudesse contatá-la antes de
Isabella partir, poderia fazer com que a detivessem até que ele chegasse.
Chrysander lhe entregou seu telefone, e Theron digitou os números. Segundos depois, Sophia
atendeu.
– Graças a Deus! Isabella esteve aí? O quê? Ela partiu em um táxi?
Sophia o informou para onde Bella estava se dirigindo, e ele desligou logo depois, falando para
Chrysander:
– E agora, onde está seu maldito piloto?!
ERA IMPOSSÍVEL comprar uma passagem para deixar o país de imediato. Todos os voos que partiriam
da Grécia nas próximas horas estavam lotados. Por fim, Isabella se encaminhou ao balcão dos voos
charter e apresentou seu cartão de crédito, que ela esperava ser de fato um platinum, como estava
escrito nele, e alugou um jato particular para levá-la até Londres.
Ao menos agora estava a bordo, aguardando que o jato fosse abastecido e rumasse para a fila de
decolagem. A exaustão parecia lhe triturar os ossos. A noite insone somada ao desgaste emocional
daquele dia haviam lhe sequestrado as forças.
Recostou-se no assento e fechou os olhos. Ouviu um farfalhar a distância e supôs ser o piloto.
Porém, em seguida, sentiu o contato de lábios macios contra os seus e abriu os olhos.
Theron afastou a cabeça e lhe segurou o rosto com ambas as mãos, enquanto ela o encarava,
atônita. Ele parecia… bem, ele parecia um trapo. As roupas estavam empoeiradas e amarfanhadas, o
cabelo, despenteado, e os olhos dourados faiscavam com o fogo que refletiam.
Antes que Isabella pudesse dizer qualquer coisa, ele a beijou outra vez, esquecendo a gentileza
anterior. Puxou-a contra si, violando-lhe a boca até deixá-la sem ar.
Em seguida, afastou-se e resmungou uma ordem em grego na direção da cabine de comando. Para a
contínua surpresa de Isabella, o jato se pôs em movimento, com Theron dentro.
– Espere! – protestou ela. – Este jato está indo para Londres. Não pode ficar aqui. E quanto a
Alannis? E sua família?
Theron a ergueu do assento nos braços, se encaminhou ao sofá e se sentou com ela em seu colo.
– Não deveríamos estar em nossos assentos com os cintos de segurança atados até levantarmos
voo? – perguntou ela, atordoada, ainda incapaz de entender a presença de Theron naquele jato.
– Eu a segurarei se houver uma inesperada turbulência – garantiu ele, com voz sedosa. – Agora
que você não pode fugir para nenhum lugar e a tenho toda para mim, terá de ouvir atentamente cada
palavra que vou lhe dizer.
Os olhos verdes se arregalaram, e Isabella se viu boquiaberta. Theron lhe traçou o contornou dos
lábios carnudos, antes de substituir os dedos pela própria boca.
– Mulher tola, impetuosa, linda e frustrante – murmurou ele. – Se pensa que se livrará de mim
depois de me fisgar e prender, está muito enganada, Bella mou.

Theron girou o corpo. Theron sorriu e lhe tocou o rosto. amarga. Quer se casar comigo e me transformar no homem mais feliz do mundo? Theron escorregou o anel de volta em seu dedo anular. Havia até mesmo comprado o anel de noivado. sentando-a sobre o sofá. Tudo estava planejado. – Quer se casar comigo. Isabella ergueu a mão trêmula e lhe tocou a lateral do rosto com a palma. – Eu também te amo – sussurrou ela. através do nó que lhe apertava a garganta. Theron a encarou com expressão séria. uma família. Apenas me prometa que os teremos juntos. Ela o observava. pethi mou. apaixonado por ela? – Isabella fechou os olhos e sacudiu a cabeça. – Muito. pelo qual ansiava e esperava encontrar estava bem diante de mim. Vi sua tatuagem e enlouqueci. Em seguida. Tive ímpetos de arrancar cada peça de roupa de seu corpo para poder vê-la sem barreiras. Os lábios se colando. – Apenas você. – Estou apaixonado por você – respondeu ele. – Eu te amo. Bella. certa de que sonhava. . Na verdade. Pretendia pedir Alannis em casamento na noite da festa. girou a cabeça para que pudesse lhe pressionar um beijo na palma da mão. Eu o escolhi para você. Não me encaixo em nenhum lugar – afirmou.A esperança aflorou. mesmo sabendo que não quero ter filhos de imediato? – Tenho a impressão de que me manterá muito ocupado para pensar em filhos tão cedo – respondeu ele com um sorriso divertido estampado no rosto. Tudo que eu desejava era você. Ele fechou os olhos e inclinou o rosto para sorver mais daquele toque. ajoelhou-se diante dela e lhe segurou a mão. – Ela não está? Você não está? Quero dizer. Isabella parecia perplexa. Acho que soube disso no primeiro dia em que entrou no meu escritório. estava ansiosa para que eu a encontrasse e colocasse este anel de volta em seu dedo. – Este anel nunca pertenceu a outra mulher. Não consigo imaginar minha vida sem você. e ele lhe ergueu o queixo com uma das mãos. a expressão de Theron se tornou séria. uma esposa. sem saber o que dizer. – Temos todo o tempo do mundo. Eu a adoro. Em seguida. e não ficar pensando em uma forma de despi-la. nos dela. Em seguida se inclinou e a beijou mais uma vez. hesitante. quentes. – Como é generosa. meu precioso amor. Tudo que eu sempre quis. – Case-se comigo. Nunca pedi Alannis em casamento. Um turbilhão de pensamentos lhe cruzava a mente. – Não a pediu em casamento? – grasniu ela. enquanto lhe sustentava o olhar. Isabella tinha certeza de que seu sorriso seria capaz de iluminar todo o universo. – Mas eu ouvi o que disse a Chrysander sobre desejar o que ele e Marley possuem. Lutei contra a atração que sentia por você porque tinha que desempenhar o papel de seu tutor. com incrível suavidade. provocando um tamborilar suave no peito de Isabella. Alannis não está apaixonada por mim. – Nunca teria feito amor com você se pertencesse a outra mulher. Jamais coloquei um anel no dedo de Alannis. e aquele que pretendia dar a ela foi substituído por este. Em seguida se inclinou e lhe beijou a junta dos dedos. minha linda Isabella. Sou seu desde o dia em que entrou em meu escritório. Por um instante. enfeitiçada. Você virou meu mundo de cabeça para baixo e nunca mais voltou a colocá-lo no lugar. agape mou. – O que desejo é você. E então. Mas já havia colocado meu plano em relação a Alannis em ação. Mas só o que conseguia ver na minha frente era você.

pethi mou? – Sim. – Está aborrecido porque não lhe contei quando me disse que tínhamos de nos casar? – perguntou Isabella. já que chegamos a um acordo. sem conseguir disfarçar o nervosismo. – Não estou grávida. Eu te amo tanto! Theron se levantou e a ergueu nos braços. com o coração se tornando mais leve a cada respiração. Isabella pestanejou várias vezes quando se deu conta de que havia perdido toda a decolagem. o coração flutuando com a doce e inegável felicidade. sussurraram seu amor um para o outro incessantemente. . – Sim. – Oh. então serei capaz de perdoá-la por efetivamente me capturar com anzol. – Se for capaz de perdoar minhas ações idiotas e o fato de não ter feito um pedido de casamento romântico antes. enquanto Theron a carregava para o pequeno quarto nos fundos do avião.– Você pode estar grávida. por que não fazemos amor nas alturas? – Ele a fitava com devassidão. – Ela lhe envolveu o pescoço com os braços. Ficará muito aborrecida se estiver? Isabella sorriu. – Estou usando um método contraceptivo. – Bem. Theron franziu a testa e fingiu um olhar furioso. Isabella sorriu. eu me casarei com você. então você já… é a época do… – Não – retrucou Isabella com uma risada breve. linha e rede. Theron soltou uma risada. E quando os dois uniram seus corpos e almas. – Sua pequena feiticeira. – Sim o quê.

Theron percebeu lágrimas nos olhos da noiva. A tornozeleira captava a luz do sol e faiscava. que ele havia comprado e se deleitado em colocar. – Você não fez isso. Um nó incômodo parecia lhe fechar a garganta ao recitar seus votos para Isabella. a sedosidade contra a aspereza. e todos exibiam sorrisos largos. Bella. o doce contra o salgado. o helicóptero veio buscar os noivos para a suíte nupcial que Theron providenciara. Theron sabia que seu nome estava gravado na placa prateada. junto de Marley. Quando ele a carregou para a cama. O traje da noiva se resumia à parte superior de um biquíni e um sarongue que flutuava delicadamente por suas pernas. Um chalé localizado em um desfiladeiro que dava vista para o mar. Sophia e Alannis se divertiram muito ensinando a Marley e Isabella as danças gregas tradicionais. Alannis e Sophia se postavam do lado da noiva. Piers se encontrava ao seu lado esquerdo. ostentavam um rosa brilhante. A beleza inigualável de Isabella lhe fazia o peito doer.Epílogo OS NOIVOS compareceram descalços à cerimônia de casamento. Simplesmente não conseguia se furtar a beijá-la. Houve muita dança na praia e. Os olhos dourados se fixaram no diamante em forma de lágrima que adornava o umbigo de sua noiva. Mas o que lhe sequestrou o ar dos pulmões foi o sorriso radiante que ela exibia. As unhas dos pés. diga-me que não entrou em um desses estúdios de tatuagem sozinha e . Quando por fim ele interrompeu aquele contato para que o padre pudesse dar prosseguimento à cerimônia. Theron aguardava ao lado do padre. Os lábios dos dois se encontraram com ansiedade ardente. enquanto os homens as observaram com sorrisos indulgentes. Não importava que os votos ainda não tivessem sido feitos e que o padre limpasse a garganta de maneira audível. mais tarde. foram declarados marido e mulher. Mais tarde. enquanto Chrysander levava Isabella até ele. Theron podia até mesmo perceber o brilho das lágrimas nos olhos das mulheres. Intrigado. Uma atmosfera festiva gravitava no ambiente. As palavras carregadas pela brisa soavam firmes e claras. na praia da Ilha Anetakis. e Isabella se tornou sua. que Theron se incumbira de pintar em uma noite quente de sexo. Por fim. depois de ter retornado à ilha para assistir ao casamento. Theron recuou enquanto ela desabotoava a sarongue e o desenrolava do corpo. – Lembra-se de ter me dito que eu deveria fazer outra tatuagem? – perguntou ela com um brilho malicioso no olhar. Theron franziu a testa. Destinado apenas a ele. todos se reuniram nos jardins. E então ele esticou a mão para Isabella e a puxou na sua direção. Isabella sussurrou que tinha um último presente de casamento para lhe dar.

exatamente no centro.suportou a dor de fazer outra tatuagem. Isabella soltou uma risada. Theron não pôde conter uma risada abafada. Lá. em linha reta abaixo do piercing do umbigo. exasperdo. – Minha diabinha angelical – disse ele. atrás de nós. – Ele fez um pequeno discurso quando entrou lá. – E Chrysander sabe disso? – Theron meneou a cabeça. um anjo segurava um tridente. Theron xingou em grego. – Não fui sozinha. Em seguida se inclinou e roçou os lábios ao desenho. logo acima da junção das pernas. antes de descer a boca mais para baixo. incrédulo. . Isabella encaixou os polegares nas laterais da parte de baixo do biquíni e o desceu. Marley me acompanhou.

Todos os personagens desta obra são fictícios.111(73)-3 PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM HARLEQUIN BOOKS S. II. Rio de Janeiro. Livros eletrônicos. no todo ou em parte. Título. Título original: THE TYCOON’S REBEL BRIDE Copyright © 2009 by Sharon Long Originalmente publicado em 2009 por Silhouette Desire Arte-final de capa: Isabelle Paiva Produção do arquivo ePub: Ranna Studio Editora HR Ltda. o armazenamento ou a transmissão. Vera.com. ed. RJ B17r Banks. Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução. Vasconcellos. 14-12591 CDD: 813 CDU: 821. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.Rio de Janeiro: Harlequin. 4º andar São Cristóvão. Maya Rebeldia [recurso eletrônico] / Maya Banks.1.br . I.CIP-BRASIL. recurso digital Tradução de: The tycoon's rebel bride Formato: ePub Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web ISBN 978853981566-1 (recurso eletrônico) 1. 2. RJ — 20921-380 Contato: virginia. tradução Vera Vasconcellos. 171.A.rivera@harlequinbooks. Romance americano. CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS. 2014. . Rua Argentina. .

Capa Querida leitora Rosto Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Capítulo 18 Epílogo Créditos .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful