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Resenha:

“TEMPOS
LÍQUIDOS”
Liquid Times (Living in na Age of Uncertainty)

Zygmunt Bauman

Ed. ZAHAR – 2007


Tradução: Carlos Alberto Medeiros

(Outubro/2008)
Biografia do autor
Filho de judeus não-praticantes, Zygmunt Bauman nasceu em 1927, na cidade de
Poznan (Polônia). Aos 12 anos de idade (em 1939) Bauman e sua família mudam-se
para a União Soviética em busca de proteção contra a invasão nazista em seu país.
Posteriormente, inscreve-se no Pierwsza Armia Wojska Polskiego (unidade do exército
polonês formada no ano de 1944 em terras soviéticas), onde trabalhou como instrutor de
educação política e atuou nas batalhas de Kolberg (atual Kolobrzeg) e Berlin sendo
premiado, em maio 1945 com a Military Cross of Valour.
Em entrevista para a revista The Guardian, Bauman confirmou ter mantido um
comitê comunista durante a 2ª G. M. - sobre o qual nunca manteve segredo - da mesma
forma que admitiu que entrar para a inteligência do serviço militar, aos 19 anos foi um
erro. Entretanto, enquanto servia na KBW (Korpus Bezpieczeństwa Wewnętrznego –
Corporação de Segurança Interna), estudou primeiro sociologia na Academia de
Ciências Sociais, em Varsóvia ingressando, em seguida, no curso de filosofia na
Universidade de Varsóvia – o curso de sociologia foi temporariamente cancelado do
currículo polonês – onde teve como professores Stanislaw Ossowski (1897 – 1963) e
Julian Hochfeld (1911 – 1966).
NA KBW, chegou à patente de major, quando foi dispensado sem honrarias em
1953, após seu pai ter tentando uma aproximação com a embaixada israelita em
Varsóvia, com intenção de emigrar para Israel. Bauman não compartia da tendência
sionista de seu pai e era, de fato, um anti-sionista e sua dispensa causou um grande,
embora temporário, estranhamento com seu pai. Durante o período seguinte, que passou
desempregado, completou seu mestrado (M.A.) e, em 1954, se tornou um conferente da
Universidade de Varsóvia, onde permaneceu até 1968.
Durante sua estada na London School of Economics, tendo como supervisor o
cientista político Robert McKenzie, Bauman preparou um detalhado estudo sobre o
movimento socialista britânico; publicou em 1959 seu primeiro grande livro na Polônia,
cuja tradução revisada só conseguiu chegar à Inglaterra em 1972.
Inicialmente, permaneceu próximo à doutrina do marxismo ortodoxo, mas sob
influência de Antonio Gramsci e Georg Simmel, se tornou cada vez mais crítico sobre o
governo comunista polonês, por este motivo nunca conseguiu sua licenciatura, mesmo
após ter completado sua habilitation. Todavia, após seu professor de graduação Julian
Hochfeld tornar-se vice-diretor do Departamento de Ciências Sociais da UNESCO, em
Paris, no ano de 1962, Bauman herdou a Hochfeld´s chair.
Enfrentando uma crescente pressão política e uma campanha anti-semita,
liderada pelo ministro populista Mieczyslaw Moczar, Bauman renunciou seu cargo de
liderança no Polska Zjednoczona Partia Robotnicza (Polish United Worker´s Party) em
janeiro de 1968. Com os eventos de março de 1968, a camapanha anti-semita culminou
em uma expulsão em massa de judeus do país; inclusive muitos intelectuais que
perderam suas cadeiras na Universidade de Varsóvia, dentre eles Bauman.
Tendo de abrir mão de sua nacionalidade polonesa para poder sair do país
Bauman, foi primeiro para Israel ensinar na Tel Aviv University, e passou a reconstruir
sua carreira no Canadá, EUA e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde tornou-se,
em 1971, professor titular da University of Leeds, cargo que ocupou por 20 anos. Desde
então, ele publicou quase que exclusivamente em inglês (sua terceira língua) e sua
reputação cresceu exponencialmente.
Bauman publicou outros livros, incluindo Sicjologia na co dzień ("Sociology for
everyday life", 1964) que alcançou grande popularidade na Polônia e, posteriormente
produziu o Thinking Sociologically (1990). De fato, após os anos 90, Bauman exerceu
consideravel influência no movimento conhecido como alter-globalization.
Responsável por uma prodigiosa produção intelectual, o marido da escritora
Janina Bauman e pai de três mulheres (a pintora Lydia Bauman, a arquiteta Irena
Bauman e a professora de educação matemática Anna Sfard), recebeu os prêmios
Amalfi - 1989, por sua obra Modernidade e Holocausto - e Adorno (em 1998, pelo
conjunto de sua obra). Atualmente é professor emérito de sociologia das universidades
de Leeds e Varsóvia e tem mais de dez obras publicadas no Brasil.
Suas obras mais rescentes são: Does Ethics Have a Chance in a World of
Consumers?. Cambridge, MA: Harvard University Press e The Art of Life. Cambridge:
Polity; ambos sem previsão para chegar ao Brasil.
A OBRA
Zygmunt Bauman, neste livro, desenvolve claras elucubrações a respeito de algo
que foi, por ele anteriormente definido como “modernidade-líquida”, onde “estão
ocorrendo atualmente algumas mudanças de curso seminais e intimamente
interconectadas, as quais criam um ambiente novo e de fato sem precedentes para as
atividades da vida individual, levantando uma série de desafios inéditos” (BAUMAN,
P.7). Mudanças advindas, segundo o autor, deste momento de transição em que nos
encontramos, onde a civilização abandona sua fase “sólida”, dando lugar à uma nova
fase que por ele é definida como “líquida”, cuja compreensão deve ser feita junto de
uma analise critica de seus respectivos impactos na maneira que os indivíduos “tendem
a viver suas vidas” e ter seus resultados avaliados “em condições de incerteza
endêmica” . Desta maneira, o autor oferece-nos bases para entender o como o ser
humano está enfrentando estes desafios. São eles:
• As organizações sociais que passam a ter uma “expectativa de vida curta”;
• A separação entre poder e política, em que as funções do Estado são tornados
como “um playgroud para as forças do mercado”;
• A redução gradual da segurança comunal;
• O colapso do pensamento, planejamento e ação a longo prazo, que resulta no
desaparecimento das estruturas sociais;
• Indivíduos colocados como “free-choosers” que devem suportar plenamente
suas escolhas.
Problemas que surgem para a humanidade sob uma configuração jamais imaginada
e na qual todos os aspectos da vida humana passam a serem (diferentemente de outros
tempos) uma questão planetária. Um mundo no qual inexiste terra nulla, no qual nada
pode ser ou parecer por muito tempo indiferente a qualquer outra coisa
(intocado/intocável). Um momento em que o “bem-estar de um lugar, qualquer que
seja, nunca é inocente em relação à miséria do outro”(BAUMAN, P.12).
É interessante notar a interdisciplinaridade e diversidade quanto à nacionalidade de
fontes das quais o autor faz uso. Como, por exemplo, o intelectual tcheco Milan
Kundera, ou o economista francês e escritor profícuo Jacques Attali, assim como o
filósofo austríaco Karl Popper e até mesmo a escritora indiana Arundhati Roy. Esta
multiplicidade de disciplinas em suas fontes reforça a importância de se compreender as
manifestações humanas em escala global (fato que é defendido pelo autor de forma
veemente) em busca de dar solução ao problema do caráter seletivo desta “globalização
negativa”, em que o conceito de sociedade “aberta” - definido por Popper - acaba por
gerar o medo dentre as pessoas devido a situação de constante vulnerabilidade aos
“golpes do destino” em que nos encontramos.
Neste sentido, Bauman desenvolve extensa análise sobre o medo que “uma vez
investido sobre o mundo humano[...]adquire um ímpeto e uma lógica de
desenvolvimento próprios e precisa de poucos cuidados e praticamente nenhum
investimento adicional para crescer e se espalhar”(BAUMAN, P.15), e sua principal
característica reside em um processo de auto-gestão e reprodução cíclica, na qual “os
medos nos estimulam a assumir uma ação defensiva que, por sua vez, confere
proximidade e tangibilidade ao medo”.
Com fim de exemplificar este processo, o autor usa o fato da luta contra o
terrorismo praticada pelo governo norte-americano e analisa as manifestações das
personalidades políticas governamentais nas mídias, cuja relação encontra na
repercussão destes discursos sobre a população deste país e do mundo.
Desta maneira, o autor revela aos leitores o como o medo se estabeleceu na vida
cotidiana e de que forma este se alimenta de nossos “temores existenciais”, para revelar-
nos o como as pessoas passam a buscar, na tentativa de obter segurança pessoal, o
conforto (mesmo que temporário) para estes anseios. Assim, nos é posto de forma clara
o como a idéia de “progresso”, “que antes entusiasmou sociedades, hoje causa horror
desmedido, no qual ‘um momento de desatenção resulta na derrota irresistível e na
exclusão irrevogável’”(BAUMAN, P.17)
Bauman fala-nos sobre como o medo tornou-se hoje parte do capital comercial e é
usado, da mesma forma que o dinheiro, para obter poder. Pra melhor elucidar esta idéia,
este autor cita o professor de geografia humana da Universidade de Durhan, Stephen
Graham, que afirma que “os publicitários têm explorado deliberadamente os medos
generalizados de terrorismo catastrófico para aumentarem ainda mais as vendas de
utilitários esportivos, altamente lucrativos”. Este é apenas um exemplo sobre o como a
segurança pessoal se tornou talvez o maior ponto de venda em toda estratégia de
marketing. Fato que nos leva a compreender a atual configuração dos programas
televisivos, como esclarece-nos o professor de justiça social Ray Surette (segundo o
autor): “o mundo visto pela TV parece ser constituído de ‘cidadãos-cordeiros’
protegidos de ‘criminosos-lobos’ por um ‘polícia de cães pastores’”.
Esta prática de lucrar com o medo encontra-se bem arraigada no ser humano em
escala global e é “na verdade uma tradição que remonta aos anos iniciais do ataque
liberal ao Estado social” (BAUMAN, P.23), como comprova a tese de Victor
Grotowicz – The terrorist, friend os state Power, 1970 – que nos é apresentada pelo
autor, quando este analisa a proximidade de interesses entre o AlQaeda e o governo
norte-americano. Desta maneira, Bauman encontra relação de interesses entre a
República Federal da Alemanha e a Facção do Exército Vermelho (conforme expôs por
Grotowicz). Ao recair, uma vez mais, sobre o conceito de “globalização negativa” e o
como esta desenvolve um “processo parasitário e predatório que se alimenta da
energia sugada dos corpos dos estados-nações e de seus sujeitos”(BAUMAN, P.30) o
autor fala-nos que este “demônio do medo” não será exorcizado enquanto não formos
capaz de construir as ferramentas que possibilitem-nos alcançar a política um nível em
que o poder já se estabeleceu.
Neste sentido, o autor passa a discorrer a respeito do deslocamento/transferência
deste círculo vicioso em questão da área da segurança para a da proteção. Proteção que
o Estado já não é mais capaz de oferecer e, por esse motivo passa a buscar uma maneira
de “privatização dos problemas” (cada um por si e Deus por todos). Fato que gera algo
que o filósofo e sociólogo Jürgen Habermas define como “patriotismo constitucional”,
onde o Estado social passa a ser o “Estado da Proteção Pessoal”, cuja característica
mais forte reside em condensar todas ameaças em uma só figura que, para o autor, é
materializada no imaginário social através do ”imigrante ilegal”.
É, no capítulo seguinte, que o autor passa a trabalhar com o problema que chama de
“crise da indústria de remoção do ‘lixo humano’”(BAUMAN, P.34), o qual considera
as afirmações há muito proferidas pela filósofa polonesa Rosa Luxemburgo (1871 –
1919) - que “divisou um capitalismo morrendo por falta de alimento: morrendo de
inanição por ter devorado o último pasto de ‘alteridade’ em que se alimentava” -
extremamente coerente com a realidade atual. Sob esta ótica, Bauman vê, de forma
acertada, um capitalismo que está a “se afogar no próprio lixo”. Um fato que revela um
“efeito bumerang”, no qual os problemas anteriormente “depositados” nos países
“subdesenvolvidos” agora se voltam contra seus criadores; para tanto, o autor busca
bases nas palavras do sociólogo Claude Lèvy-Strauss: “...tanto os ‘antigos modernos’
quanto os recém-chegados à modernidade viram cada vez mais contra si mesmos o
gume afiado das práticas excludentes”(BAUMAN, P.36).
Desta forma, Bauman recai sobre o que tende a ser o cerne de sua obra; o fato de
que soluções locais jamais serão capazes de dar cabo de problemas gerados na
globalidade. E as soluções locais e excludentes, anteriormente praticadas por estes
países desenvolvidos já não são possíveis de aplicar pelos “países em
desenvolvimento”, pois não existem mais o que ele define como “terras vagas”.
Quanto aos atuais e sufocantes problemas pelo que passam os países
“desenvolvidos”, Bauman repudia totalmente a prática excludente, executada pelos
governos da Europa em relação aos “refugiados de guerra”, onde os atos do governo
inglês revelam-se os mais revoltantes. Por esse motivo, afirma que “um dos efeitos mais
sinistros da globalização é a desregulamentação das guerras”(BAUMAN, P.42), já
que temos entidades estatais que não se sujeitam a leis estatais ou convenções
internacionais. Problema que se revela agravado no momento em que os países
próximos, dotados de melhores condições econômicas, passam a negar a entrada destas
massas de refugiados em situação de desespero. São justamente estes refugiados “a
própria encarnação do ‘ lixo humano’, sem função útil a desempenhar na terra em que
chegam onde permanecerão temporariamente, e sem a intenção ou esperança realista
de serem assimilados e incluídos no novo corpo social”(BAUMAN, P.42).
Com isso, o autor vai construindo claros nexos lógicos a respeito da organização
destes grupos excluídos do convívio humano e o como os mesmos passam a buscar,
cada vez mais na identidade um fator de união e isolamento em relação ao que é por ele
definido como “elites globe-trotters”(BAUMAN, P.86), as quais buscam, cada vez
mais desenvolver um sistema eficiente de segregação dentro do ambiente urbano. Para
isso suas fontes são vastas, partindo desde o antropólogo Michel Argier, passando pelo
conceito de “gueto comunitário, de Loic Wacquant, a transição da modalidade do bem-
estar social para a modalidade penal, de David Garland; assim como o conceito de
“fortaleza regional em múltiplas camadas”, elaborado pela jornalista, escritora e ativista
canadense Naomi Klein, entre muitos outros.
Tais fatores se encontram ligados a um processo de “individualização moderna”
que Bauman coloca como “endêmico”, para explicar todo o processo de reconfiguração
do trabalho, em relação com as políticas dos Estados-nações. Partindo da era fordista e
falando, uma vez mais, do processo de exclusão, onde se formam o que ele chama de
“novas classes perigosas”(BAUMAN, P.74), caracterizadas por serem inassimiláveis.
No próximo capítulo – FORA DE ALCANCE JUNTOS – Bauman aprofunda-se em
uma longa análise sobre o distanciamento constante entre a “camada superior” (dotada
de comunicação global) e da “camada inferior” (definida por redes locais segmentadas,
tendo a identidade como recurso mais valioso para defender seus interesses). Para tanto
cita os trabalhos da brasileira Teresa Caldeira sobre a cidade de São Paulo, assim como
os de Steven Flusty – por ele definido como “aguçado crítico
arquitetônico/urbanístico” – cujo conceito de “espaços interditados” e suas respectivas
sub-divisões revelam-se “marcos da desintegração da vida comunal estabelecida
localmente e compartilhada”(BAUMAN, P.84).
Neste momento o autor fala das elites, que “como operadores globais, podem
vagar pelo ciberespaço; mas como agentes humanos, estão confinados, dia após dia,
ao espaço físico em que operam...”(BAUMAN, P.86), reforçando, novamente o fato da
desfragmentação dos Estados e da política, afirmando que “O lado reverso da relativa
perda de poder da política local é a ausência da política no ciberespaço
extraterritorial, esse playground do verdadeiro poder”(BAUMAN, P. 88). Desta
maneira, o autor chega a um dos pontos mais importantes desta obra: o momento que
define o termo “mixofobia” como um “impulso segregacionista”, ou seja, uma reação à
presença de grande diversidade em todos os âmbitos das cidades contemporâneas.
Um fato evidente que é concretizado na manifestação das “comunidades de
semelhança”, oferecendo, no máximo, um refúgio aos temores mais imediatos de um
determinado grupo. Mas este é outro fator auto-reprodutivo que alimenta e é alimentado
pelo ciclo do medo e, por esse motivo, deve ser desencorajado. De maneira contrária à
sua criação, a “mixofilia” (que podemos definir como a afinidade para as constantes
fusões culturais) que deve ser constantemente encorajada.
Para melhor explicar isso, Bauman fala a respeito da “fusão de horizontes” –
horizontes cognitivos – que foi trabalhada pelo filósofo alemão Hans Gadamer, onde
esta fusão só é possível se vinda de uma experiência compartilhada. E seria, segundo
Bauman, na mixofilia, que encontraremos o meio de tornar a vida cotidiana menos
preocupante e mais fácil de praticar; é ela que “carrega o germe da
esperança”(BAUMAN, P. 97).
Por fim o autor fala no capítulo A UTOPIA NA ERA DA INCERTEZA a respeito do
surgimento e reformulação do conceito de utopia, conforme a história do Ocidente, a
partir do período moderno, com Thomas More; passando pela perspectiva poética de
Oscar Wilde e Anatole France, chegando aos dias atuais, na qual pergunta: a utopia esta
morta?
Usufruindo de uma simples pesquisa do termo no site de busca Google, Bauman
mostra claramente a total inversão de sentido que ocorre no termo, onde “a imagem de
‘progresso’ parece ter saído do discurso do aperfeiçoamento compartilhado para o da
sobrevivência individual”(BAUMAN, P. 108). Mostrando diversas perspectivas a
respeito da busca da utopia nos tempos contemporâneos, nosso autor acaba por
encontrar na secular obra de Blaise Pascal (que ele define como profética) que “o que
as pessoas querem é ‘ser desviadas de pensar no que elas são... por uma nova e
agradável paixão que as mantenha ocupadas, como o jogo, a caça, algum espetáculo
importante...’”(BAUMAN, P. 111). Desta forma, ele compara a antiga forma de pensar
como a de um jardineiro, que desenvolve um projeto longo (no qual a utopia é o fim de
um caminho) com a forma de viver do caçador, em que a utopia se encontra no viver em
si, perdendo seu sentido de finalidade (afinal, para o caçador, chegar ao fim significa a
morte, a exclusão).
Segundo tudo que precede, podemos notar que nos atuais “tempos líquidos” a
humanidade perdeu o medo de apertar um botão, antes tão proeminente durante a
Guerra Fria e, por este motivo, as ameaças à humanidade foram tornando-se ainda
menos tangíveis e previsíveis. Quanto mais desejamos o controle do jogo desta vida
cybercultural, mais claro fica que somos apenas uma ínfima parte (elitizada e
desesperada por se alienar nesta comunicação global) de um todo que transcende em
demasia nossa capacidade cognitiva. Entretanto, são estes meios tecnológicos o palco
para o desenvolvimento de novas “ferramentas”, capazes de tornar mais concreta a
justiça em âmbito global.
Cabe à nós aprender a ler e interagir com o mundo através delas, buscando usá-las
como um catalisador de nossas ações. Para isso, é premissa de base o trabalho de uma
educação informatizada de qualidade, associada à alfabetização política das massas com
fim de preparar as gerações vindouras e, ao mesmo tempo promover a integração global
efetiva; buscando por fim a esta “globalização negativa”, por meio da “fusão de
horizontes” mixofílicos.