Você está na página 1de 67
C gor ie 73/94 / Psicossomatica Reichiana e Metodologia da Orgonoterapia a Ernani Eduardo Trotta Capa: Ilustragdo adaptada de Luiz Trimano (Cortesia Raizes) Este texto, que foi editado pela primeira vez em Outubro de 1992 por ocasitio do Ill Ciclo Reich no Rio de Janeiro, é uma sintese introdutoria do livro de mesmo nome que estou escrevendo, O tema central do livro é a descrigio dos mecanismos de encou- Tagamento dos 7 segmentos e patologias associadas; a descri¢lo das técnicas de de- sencouragamento, de sua fundamentagao ¢ dos critérios que orientam sua utilizagéo segundo a metodologia da Orgonoterapia, Arrazilo de antecipar a edigao desta sintese, em vez de aguardar a conclusto do li- vwro todo, deve-se essencialmente a urgéncia que senti em divulgar algumas idéias aqui contidas. Nos tltimos anos tenho vigjado a algumas cidades de outros estados para tministrar cursos e vivéncias sobre terapia Reichiana, E principalmente nestas ocasides que percebo a necessidade de textos que discutam de uma forma sintética e atualizada 0s aspectos fundamentais, por vezes polémicos, da orgonoterapia. A orgonoterapia é geralmente pouco conhecida ¢ muito frequentemente mal compreendida ¢ mal inter- Pretada, o que se deve em parte a escassez de producio teérica. Nos Reichianos, rineipalmente no Brasil, escrevemos muito pouco... Em Porto Alegre ¢ no Rio de Janeiro, onde coordeno grupos de formagio em te- rapia Reichiana, através do Raizes, ¢ supervisiono as atividades clinicas de varios Profissionais, tenho me esforgado por documentar, sistematizar e divulgar a orgonote- Tapia para tomar possivel sua real insergio entre as especialidades terapéuticas e mé- dicas. Esta no é uma tarefa solitéria. Ela s6 ¢ possivel gragas a colaboragio € ao en- tusiasmo de virios companheiros muito estimados, com destaque a todo o pessoal do "Movimento Reichiano Gaticho”, da Associago Gaticha de Medicina Psicossomética € 205 meus alunos de formago. Com todos eles compartilho estas realizagGes, ¢ tam bém as responsabilidades. A2* edigao deste texto ¢ também resultado da dedicagio de varias pessoas muito queridas. Agradego ao Ralph por ter me estimulado a escrever e por todas as inimeras “forgas’, a Roselene pela intuigdo, afeto e perspicécia nas sugestdes transformadoras, a0 Fabiano pelo esméro artistico ¢ interesse na produgio dos desenhos, ao Amadeu ¢ ‘Nair por tanto me estimularem a tantos empreendimentos, a Ménica pela arte edito- rial, €@ Silvia pela datilografia e pela dedicagao .... Como é bom tet amigos Emani Eduardo Trotwa Rio, Outubro 1993, A Wilhelm Reich (1897 - 1957) na época de sua mudanga para os EUA (a direita), e com seu filho Peter em Orgonon (abaixo) 1. Introdugao .. 2. Orgone e Fungées Biopsiquicas .. 3. Pulsio, Emogao e Couraga . 4, Prazer, Orgasmo e Afetividade . 5, Sistema Nervoso e Couraga 6. Carkter ¢ Couraga .. 7. Encouragamento ¢ os 7 Segmentos ... 8. Dindmica Biopsiquica dos Segmentos .. 9. Técnicas de Desencouragamento ¢ seus Fundamentos ... 10. Exemplo de uma Técnica de Desencouragamento ... 11. Sindromes Psicossométicas . 12. 0 Conceito de Biopatia ... 13, Abordagens Terapéuticas de Base Reichiana ... 14, Metodologia da Orgonoterapia ... - Reflexdo Historic: Descrigo da Metodologia ....... 15. P6s-Reichianos e Neo-Reichianos .. . A Vegetoterapia de Federico Navarro .. . ABioenergética de Alexander Lowen .. 16. Bibliografia — s J. Introdugéo A idéia que o ser humano ¢ uma unidade corpo/mente indissociével é ‘muito antiga. Hipécrates, figura simbolo da medicina ocidental, jé se preocu- ava com o ser humano como um todo, buscando entender as doengas em seus aspectos organicos ¢ psicolégicos. Mais recentemente, muitos dados cientificos confirmam a estreita correlagao entre as fungdes psiquica e somitica. O que observamos na atualidade porém, é que embora todos concordem teoricamente com estas idéias, as diferentes abordagens terapéuticas, em sua prética clinica, ‘ocupam-se isoladamente do corpo, ou isoladamente da mente. A chamada "Medicina Psicossomética’, pela sua simples existéncia como disciplina, funciona como simbolo ou baluarte de uma concepgio integrada, 0 que em si ja tem certa importancia. Ela procura compreender ¢ valorizar 0s fatores psico-emocionais associados as doengas, funcionando como suporte as diferentes especialidades médicas. Porém a medicina psicossomitica no pos- sui uma metodologia clinica prépria. A sua proposta de tratamento consiste na combinago dos recursos médicos tradicionais com as psicoterapias verbais, Particularmente a psicandlise. Logo, além de conservar, na pritica, a dicotomia corpo/mente, ela nfo apresenta nenhum novo recurso de tratamento, nenhuma nova técnica de intervencEo clinica, no podendo ser considerada uma especia- lidade terapéutica. Este € 0 seu panorama atual. Porém se retomarmos no tempo veremos que as pesquisas pioneiras neste campo apresentavam contribuigées de grande valor que tiveram uma evolugio independente. E dentre essas contribuigdes pionei- ras, destacam-se as de Wilhelm Reich, médico ¢ psicanalista austriaco, Suas Pesquisas clinicas e experimentais sobre a dinémica biopsiquica das emogdes Ihe permitiram elaborar o que podemos considerar a mais abrangente e bem fundamentada teoria psicossomética. A teoria Reichiana, além de explicar o funcionamento integrado do corpo ¢ da mente na saide e na doenga, também Propée uma metodologia terapéutica que atua diretamente ¢ conjuntamente sobre as fungdes anatémico-fisiolégicas e psico-emocionais do paciente, Esta metodologia foi denominada inicialmente Vegetoterapia Caréctero-analitica ¢ posteriormente Orgonoterapia. 8 / Psicossomatica Reichiana e ‘Talvez poucas pessoas saibam que Theodore Wolfe, professor da Univer- sidade da Cohimbia (que junto com F. Dumbar ¢ F. Alexander foi um dos principais pioneiros ¢ fundadores da medicina psicossomatica) foi a Oslo estu- dar com Reich e traduziu para o inglés varias de suas obras. Reich mudou-se para os Estados Unidos a convite de Wolfe em 1939, ano que foi fundada a Sociedade Americana de Medicina Psicossomatica. Apesar da importincia de -Reich neste campo de conhecimentos, suas teorias ¢ sua metodologia evoluiram como uma especialidade terapéutica independente, que geralmente nfo é sequer conhecida nem mencionada pela medicina psicossomatica oficial. ‘Segundo a concepgfo Reichiana o ser humano é uma unidade biops{quica cujo funcionamento é expresso simultaneamente em emogBes € fungies fisiol6- gicas. As contengSes emocionais associadas aos impulsos instintivos privados de satisfagdo cronificam-se perturbando o funcionamento organico € psicolé- gico; sendo esta a origem de todas as patologias. Uma decorréncia natural des- ses conceitos ¢ que todas as doengas devem ser consideradas como bio-psiqui- cas, ou psicossomiiticas, sejam seus sintomas predominantemente psiquicos (depressiio, ansiedade, fobias, delirios) ou sejam cles predominantemente so- miéticos (cefaléias, cardiopatias, alergias, disfungdes hormonais, etc). Indo mais além Reich demonstrou que todos os distiirbios psiquicos estéo associados a distirbios sométicos, mesmo que esses no se manifestem como sintomas, e vice-versa. Ao conjunto de disfuncdes anatimico-fisiolégicas, as- sociados as perturbacbes psico-emocionais ele denominou Couraca. A cou- raga inclui grande nimero de disfungdes (musculares, viscerais, hormonais, etc) desenvolvidas para conter emogdes que na historia de vida do individuo foram vivenciadas como ameagadoras. A couraga corresponde a um conjunto de rea- Ges somiticas de defesa que, ao cronificar-se, passam a limitar as expressGes emocionais, 0 relacionamento humano, 0 contato afetivo, o prazer de viver, gerando mal funcionamento de vérias fungées fisiolégicas como respiracfo, circulagdo, digestio, senso-percepgao, ténus muscular, etc. E embora nfo se manifestem de imediato como doengas (como sintomas evidentes), essas dis- fungées formam a base para que com o pasar do tempo se desenvolvam os diferentes tipos de doengas. ‘A concepsdo psicossomética Reichiana tem portanto grandes diferengas em relagio a medicina psicossomitica cléssica. Além de propor uma metodo- Metodologie da Orgonoterapia / 9 logia terapéutica,! ela entende que no é o psiquismo que produz as disfuncdes sométicas nem 0 somético que produz disfungdes psfquicas. Ambos adoecem em conjunto, sem relagdo de causa ¢ efeito. Outra diferenga importante é a de identificagdo e tratamento das disfungdes organicas pré-sintomaticas (couraga), Com todas essas diferengas, seria conveniente utilizar um outro termo para designar a parte da teoria Reichiana que explica o funcionamento biopsiquico integrado, distinguindo-a da psicossomética cléssica. Recentemente Federico Navarro utilizou o termo Somatopsicodinémica para designar esta parte da teoria Reichiana. Este termo é mais apropriado, pois passa melhor a idéia de inter-relagao dinémica entre soma e psiquismo, Porém, como ele passou a ficar fortemente identificado com o tipo peculiar de leitura que este autor faz da teoria Reichiana ¢ com o tipo peculiar de metodologia terapéutica por ele pro- posta, evitamos utilizé-lo. Decidimos assim preservar 0 termo clissico, Psi- cossomética, para ressaltar o papel pioneiro de Reich nesse campo de conhe- cimento e também para enfatizar que a teoria ¢ prética Reichiana tem um objeto de estudo semelhante ao da medicina psicossomética, com a diferenga que pos- sui uma metodologia de intervengdo clinica. 2. Orgone e Fungées Biopsiquicas Reich verificou através de mumerosas pesquisas descritas no livro "Biopatia do Cancer”, que em nosso organismo existe uma energia especifica, de natureza diferente das formas de energia descritas pela fisica cléssica. A essa modalidade de energia denominou bienergia ou orgone. A bioenergia corres- ponde de certa forma aos conceitos Freudianos de libido e energia psiquica e também aos conceitos orientais e esotéricos de energia vital. Sendo que Reich demonstrou que essa energia de fato existe no mundo real, no mundo fisico; ¢ que pode set medida, visualizada, e mesmo utilizada como recurso terapéutico. ‘A matéria orgnica em geral tem a propriedade de armazenar o orgone; até mesmo a matéria organica ndo viva (como um pedago de madeira). A diferenga 1 Os principios metodolégicos ¢ técnicas da Orgonoterapia estio comentadas em maiores detalhes nos itens 9, 10, 14 € 15, 10 / Psicossomatica Reichiana e eS entre um corpo qualquer formado de matéria orgénica e um organismo vivo, é que neste o orgone circula; ou seja, existe um fluxo interno de energia orgéni- ca que acompanka as funcBes emocionais e fisioldgicas. Qualquer fator que rejudique estas fungSes vai funcionar como um fator que interrompe ou pre~ judica esse movimento energético. A couraga construida para conter as emo- ges tem como resultado uma contencdo desse fluxo de energia. Enquanto a couraga contém energia, os sintomas representam uma descarga energética deslocada. Por esse motivo sempre que se dissolve uma parte da couraga é de Se esperar que surja um sintoma transitério (suores, néuseas, tremores) ou uma expresso emocional (riso, choro, grito). Sendo que a expresso emocional é aquela que de fato tem pleno efeito terapéutico - as outras preparam caminho para ela. Baseando-se na propriedade que tem a matéria orginica de armazenar a bioenergia, ¢ a matéria inorgiinica de refleti-la, Reich criou um equipamento a que chamou acumudlador de orgone. © acumulador é uma caixa cujas paredes so construidas com diversas camadas de material orgénico ¢ inorganico alter- nados, criando em seu interior uma concentragdo de orgone superior a do meio exten, Sua utilizagdo clinica de rotina é atualmente restrita; sendo um recurso auxiliar ou complementar ao processo terapéutico, que geralmente é usado em casos de biopatias crénicas graves, ou agudas e debilitantes. Os efeitos tera- péuticos do acumulador devem-se as propriedades vitalizadoras do orgone.? A energia orgénica favorece todas as fungies fisiolégicas vitais; favorece porlanto © estado de sanidade e de bom funcionamento celular dos tecidos. Por outro lado a deficiéncia orgondtica prejudica as fungdes vitais e metabélicas predis- pondo a regido afetada a diferentes tipos de doengas Reich observou também que quando a bioenergia é condensada e hiper- excitada, suas propriedades se alteram, particularmente sua propriedade vitali- zadora. Esse estado super excitado de energia orgénica vai funcionar de manei- ta prejudicial, de uma maneira letal, e por isso Reich 0 chamou de energia DOR. (“deadly orgone” ou orgone mortifero). E possivel que as disfungdes energéti- 2 0 eftito terapéutico do acummuladoresté hoje amplamente comprovado tanto com base em dados clinicos com pacientes humanos como através de resultados experimentais em animais de Inboratérios. A experiéncia descrita no tépico “Biopatias" ¢ na figura anexa serve de exemplo Metodologia da Orgonoterapia / 11 cas que acompanham 0 proceso de encouragamento fagam surgir em nosso corpo regides em que a energia orgénica se transforme nessa modalidade pre- judicial, energia DOR. A desvitalizacio de uma parte do corpo, ou seja, uma inibigdo das sensa- Ges, dos impulsos nervosos, das fungées vegetativas ¢ da irrigagdo sanguinea resultam numa deficiéncia energética nessa regio. Isso corresponde a um tipo de couraga ou de Bloqueios chamado hipe-orgonéticos. Pot outro lado um excesso crdntico de excitagdo nervosa acompanhado de congestio liquida ¢ ten- ses musculares em uma regio seria acompanhado de uma estase energética nessa regio. Isso corresponde aos bloqueias hiper-orgondticos. De um modo geral as regiées hiper-orgonéticas sio intumescidas, hipersensiveis, quentes € doloridas; as regides hipo-orgonéticas tendem a ser frias, pélidas, desvitaliza- | das, pouco sensiveis. E evidente que no organismo encouracado vo ocorrer sempre regides hiper-orgondticas e regides hipo-orgondticas. F. exatamente o j trabalho de desencouragamento terapéutico que vai permitir nfo s6 uma redis- | tribuigdo mas também uma livre circulagdo de energia pelo corpo. 3. Pulsdo, Emocéo e Couraca Durante toda a sua vida o ser humano vé-se impulsionado a buscar no meio externo a satisfagio de suas necessidades instintivas. Por exemplo, uma pessoa, com calor e sede, vé uma cachoeira e é impulsionada a encontrar ncla a satisfagdo de saciar a sede ¢ refrescar-se; em outro momento é impulsionada a buscar contato com um parceiro sexual; mais adiante ¢ impulsionada a ingestio de um alimento. E assim, a vida é uma sucessio de impulsos. A este impulso ("Trieb","drive") denomina-se Pulsiio impuiso em ago suseITO. —— OS __, avo OBJETO (mogao pulsionaly Pulaso (axcitagaa) Tensio, carga 12 / Psicossomitica Reichiana e ‘A pulsio est sempre associada a uma excitagdo corporal, um aumento de carga energética, € por sua vez, gera um movimento (uma ago) denominado mogo pulsional, que impulsiona o sujeito em diregdo a um alvo, que é a satis facio num objeto. O objeto é aquilo em que a pulsio busca atingir 0 seu alvo, que & um certo tipo de satisfagdo. O desejo corresponde a um processo intra- psiquico no qual a pulsio se faz representar e que orienta a escolha de um ob- “jeto externo a partir de um objeto intemo gravado na meméria. ‘Atingindo-se e relacionando-se adequadamente com 0 objeto, 0 sujeito vai experimentar uma descarga energética prazerosa, acompanhada de relaxamento. Este mecanismo bisico de funcionamento obedece ao Principio do Prazer, ¢ em termos de economia energética pode ser representado pela formula: tenslo - carga - descarga - relaxamento. E por mais complexo ¢ sofisticado que possa parecer, todo o funcionamento do individuo é a expresso deste mecanismo basico. Toda atividade do individuo tem por objetivo a busca do prazer ¢ a evita glo do desprazer"; este é 0 "Principio do Prazer", definido por Freud como lum dos processos centrais do psiquismo, e que também se constitui num dos postulados mais fundamentais da teoria Reichiana. Os impulsos instintivos em diregdo ao prazer, expresso das pulsdes de vida, manifestam-se no corpo como movimentos fisiolégicos, como emogdes. Emogio quer dizer movimento para fora, ex-mogo (mogo = movimento), ou movimento da pulsdo ("mogao pulsi- onal"), As emocées so fendmenos de naturexa psicossomética, continua- ‘mente atuantes, ¢ que envolvem 0 padrio de funcionamento do sistema nervo- 50, sua atuagdo sobre as fungdes organicas, ¢ seu significado psiquico. As emogdes s#o eventos fisiol6gicos associados as pulsdes e percebidos como uma determinada qualidade de afeto, e que buscam expressio. Quando a mogo pulsional dirigida a um objeto é interrompida ou interdi- tada pelo meio extemno, opera-se uma clivagem do impulso primério, sendo gerado um impulso secundério dirigido para remover a interdig#o ou afastar ¢ destruir a figura interditora; um impulso de hostilidade, portanto. Se a figura de interdig&o é mais forte, nfo pode ser removida, ou se 0 sujeito percebe que a livre expresso de seu impulso agressivo pode colocar em risco sua prépria integridade, este impulso sera transformado ¢ redirecionado no sentido de desviar ou reprimir 0 impulso primério, defendendo assim o sujeito; ele assim o Metodologia da Orgonoterapia / 13 faz em legitima defesa, legitima OBJETO defesa do Ego. Reich descreveu este mecanismo em sua tltima conferéncia, na Associago Psicanalitica Internacional contato substtuto (1934), com o titulo "Contato ea eeirmenso Psiquico @ Corrente Vegeta- tiva’. No mecanismo defensivo impulgo escrito acima, o alvo passa a secundério ser a preservacao da integridade do sujeito. Ele renuncia a0 prazer (seu alvo original) em prol da sobrevivéncia; a pulsfo € colocada a servigo do Ego, toma-se uma Pulséo do Ego. A repetigio de experiéncias frustrantes e ameagadoras (geradoras de medo) como a descrita acima, resulta na internalizago da interdigdo e na fixaglo do mecanismo defensivo. O conflito entre impulso primério © a defesa repressora gera angistia ¢ novos mecanismos de defesa sfo construidos para controlé-la. Com o tempo, estes mecanismos de defesa cronificam-se; integram-se ao Ego, a estrutura de caréter do sujeito, passando a determinar seu padrio psico-emocional e sua conduta em relagdo ao mundo e as diferentes situages da vida. Como as emogdes ¢ 0s impulsos s4o fendmenos de natureza psicossomatica, os mecanismos de defesa também tero que ser. Os conflitos intra-psiquicos inconscientes irdo manifes- tar-se também no corpo sob a forma de "conflitos sométicos". Assim, surgiréo no corpo um conjunto de disfung6es anatomo-fisiolégicas, que Reich denominou couraga, que representam 0 componente corporal dos mecanismos de defesa, ou seja, mecanismos de contengo da expresso das emogdes, de repressio dos impulsos. SUJEITO © esquema seguinte resume as etapas do processo de formagao da couraca, suas relagdes com a estrutura de cardter, e 0 circulo vicioso ou sistema de re- troalimentagdo (feed-back) que se estabelece com 0 represamento (estase) da energia instintiva, ¢ a descarga substituta desta energia em estase sob a forma de sintomas. 14 / Psicossomatica Reichiana e Contito entre o impuiso reprimido @ a defesa ai roreeora gordo angst | + ‘Mecanismos de detesa Fonte {mantém o "equiltbrio de energia neurético") para a SSS neurose Componente ‘Componente somatico: psico-atetivo: eines Couraga (distung5es Caréter Neurético - “——_anatémico-tistol6gicas) (patologia crénica t 0 Ego) Bloqueio emocional Impoténcia orgastica (estase da libido) Estase bioenergética global 4 ‘Sintomas {psiquicos ou sométicos) As patologias orginicas so a expresso deslocada de emogdes bloqueadas ¢ nio identificadas pelo sujeito como uma qualidade de sentimento; ou seja, existe sempre uma emogo "escondida” por detrés de uma doenga, dor ou qual- quer sintoma, Se o sujeito toma-se capaz. de perceber ¢ expressar esta emogdo, © sintoma desaparece. Perceber uma emogo no ¢ descobrir seu significado psiquico (isto néo é suficiente, nem mesmo necessério), ¢ sim transmuté-la em lum impulso capaz de ser expresso, Por isso as interpretagdes de conteido, mesmo que entendidas racionalmente ndo resultam em cura, a menos que con- ‘sigam deflagrar os afetos associados. Por isso, as emogdes sfo a questio-chave, central, da abordagem Reichiana Metodologia da Orgonoterapia / 15 4. Prazer, Orgasmo e Afetividade prazer € um estado biopsiquico subsequente a satisfago de um impulso de natureza erética-fisioldgica-afetiva ou, em outras palavras, subsequente uma descarga energética ou expresso emocional plena. O estado de prazer se caracteriza Biologicamente por um estado de relaxamento muscular, aumento da amplitude e dimimuiggo da frequéncia respiratéria e cardiaca, vasodilatagao periférica, aquecimento corporal, aumento do peristaltismo de toda musculatura lisa, aumento das secregdes ex6crinas, parassimpaticotonia, aumento dos niveis plasméticos de endorfinas, diminuigdo dos niveis plasméticos de adrenalina ¢ cortisol, ete. Psico-emocionalmente por uma sensacio subjetiva de bem-estar, auséncia de outras preméncias pulsionais, diminuigdo da atividade mental racional, ¢ da atividade psicomotora, estado de elevaco do humor (alegria), sensages subje- tivas de paz, tranquilidade e harmonia com a natureza. Energeticamente por um estado de expansio do campo orgonstico ¢ flui- dez orgonética (intra-organismica e transorganismica). Como vemos, 0 prazer engloba um grande nimero de fung6es vitais, e por isso mesmo, adquire uma importancia fundamental para a preservagdo da saiide do individuo. Na verdade todas as patologias podem ser entendidas como uma perturbacdo central do principio do prazer, toda a patologia tem a sua origem ‘uma incapacidade de obtengio de uma dose adequada de prazer. Reich explicou detalhadamente o envolvimento do sistema nervoso auténo- mo nos estados de prazer e desprazer (angistia) a sua importincia na preser- vaso do bom funcionamento da fungées fisiolégicas. Nos iltimos anos novas descobertas tém acrescentado dados adicionais a respeito dessa relagdo do pra- zet com 0 funcionamento somético. Entre essas descobertas uma das mais im- ortantes, sem diivida, & a descoberta da endorfina. A endorfina (Beta-endorfina) ¢ um neuro-horménio produzido pelo SNC, € 0 principal de um conjunto de substancias denominados genericamente de Opidceos endégenos. Essas substincias funcionam como neuro-transmissores 16 / Psicossomitica Reichiana e em sistemas neuronais relacionados com 0 comportamento emocional, com a afetividade, com o mecanismo da dor, ¢ com o mecanismo de aprendizado meméria. O exercicio fisico, as expressSes emocionais, a atividade sexual, a sxavidez sadia, ¢ de uma forma geral todas as experiéncias prazerosas resultamn num aumento da produgdo de endorfina; que vai produzir no organismo uma sensagdo geral de bem-cstar, um efeito calmante sobre a atividade cerebral ¢ também um aumento da eficiéncia da todo o sistema imunolégico. Esse efeito sobre o sistema imunolégico ¢ particularmente importante e tem sido objeto de um grande mimero de pesquisas nos iltimos anos. E sabido que o stress, as crises emocionais, as situagdes de depressio ¢ Iuto e outros abalos a integridade psico-afetiva do individuo predispée a pessoa a um grande nfimero de doengas nas quais o sistema imunolégico esta particu larmente envolvido. Entre elas a alegria, a artrite, as doengas auto-imunes, a Teucemia, o céncer, varias doengas infecciosas. Por outro lado se sabe que ex- periéncias psico-afetivas gratificantes (amor, alegria, acolhimento afetivo, satis- fagfo, prazer sexual, etc) aumentam a resisténcia do individuo a essa doengas, podendo inclusive desencadear um répido processo de cura. Hoje sabemos que os linfécitos T (um dos principais tipos de glbulo branco componente do sistema imunolégico) tem 0 seu funcionamento grande- ‘mente influenciado pelos horménios. Horménios ligados ao stress ¢ & ansiedade como, por exemplo, a adrenalina ¢ 0 cortisol, tendem a enfraquecer a ago dos linfécitos T, enquanto os horménios ligados ao prazer, principalmente a endor- fina, tendem a aumentar a funcionalidade dos linfécitos T. Experiéncias recentes (descritas no t6pico Biopatias ¢ na figura anexa) su- gerem que o acumulador de orgone aumente os niveis de secreyéo de endorfina, € que seu efeito "curativo” sobre os tumores cancerosos esteja ligado a0 au- mento da produgo de uma linfocina chamada TNF (tumor necrosing factor), por estes glébulos brancos. Varias so as experiéncias que podem gerar prazer, porém, 0 orgasmo genital sadio é aquele que propicia a mais intensa experiéncia prazerosa, pois & a mais intensa estimulagdo energética ¢ a mais intensa possibilidade de descar- ‘Metodologia da Ongonoterapia / 17 ———— re EE A fangao do orgasmo & portanto a regulagao do equilibrio bioenergético (carga-descarga ¢ fluidez energética), psico-emocional (como principal fonte de razer estimula as "Pulses de Vida") ¢ anatémico-fisiolégico (tonus simpético © parassimpético, tonicidade muscular ¢ regulagéo vegetativa, hormonal imunolégica) do individuo, adquirindo para o adulto uma importincia equiva- lente a da amamentagio para o bebé. Por este motivo, Reich correlaciona todas as patologias a incapacidade de obtengiio de um orgasmo satisfat6rio (impoténcia orgéstica); e coloca como im- Portante meta do processo terapéutico a recuperagao desta capacidade - recupe- ago da poténcia orgastica, Mas além do orgasmo existem outras qualidades genuinas ¢ fundamentais de prazer. Uma delas ¢ a afetividade, Talvez uma das caracteristicas mais singulares do ser humano seja a sua capacidade de conectar-se afetivamente com seus semelhantes ¢ com a natureza de forma mais geral, isto é, a sua ca- pacidade de ter sentimentos. Uma das consequéncias do processo de encoura- ‘gamento é 0 embotamento dos sentimentos que esté relacionada a um bloqueio do fluxo de energia ¢ sensapSes no peito (um bloqueio de 4° segmento). A me- dida que se dissolve este bloqueio o individuo vai recuperando sua afetividade. E isto vem acompanhado de uma sensagio de prazer referida ao peito, que 0 centro afetivo de nosso corpo. As consequéncias deste sentimento séo uma atitude amorosa natural ¢ expontinea em relagdo as pessoas; um tipo de amor mais amplo ¢ universal, que pode ser dirigido a varias pessoas e no s6 especi- ficamente a uma delas, e que dé prazer ao individuo Podemos especular um pouco sobre qual o mecanismo que desvia ¢ com- pensa este prazer afetivo no homem neurético encouragado. Talvez o principal deles seja a oralidade. O "prazer" oral é no homem civilizado a forma mais pre- sente, mais estimulada de prazer, envolvendo uma atitude geral em relagdo a vida e as pessoas que ¢ a marca do que se chama sociedade de consumo. O prazer de ser ¢ de sentir é substituido pelo de ter e de consumir. O vinculo com as pessoas passa a ser dominado pelo interesse consumista: 0 que esta pessoa pode me dar, o que ela tem que me serve que eu posso aproveitar, usar, con- sumir. E com isso se perde uma grande fonte de prazer que é a troca afetiva, 0 encontro com um outro. ser que ao mesmo tempo um mundo semelhante e desconhecido do nosso. 18/ Psicossomética Reichiana e Este interesse em conhecer um outro ser humano, visitar seu mundo interi- or e deixé-lo conhecer também 0 nosso intimo, é também um dos aspectos mais importantes do desejo sexual sadio. E um tipo de desejo que reconhece € pre- Serva a autonomia ¢ a individuatidade do outro. A descoberta do outro é uma aventura sexual ¢ afetiva. Este impulso de violar ¢ desvendar a intimidade cor- . poral do outro, e de t8-lo como ciimplice deste ato, talvez seja a esséncia do ‘erotismo. © “alimento” afetivo do homem adulto deveria ser seu prazer de sentir Corporalmente isto entvolve a elaboracdo das fixagdes orais e a aquisicdo de um bom funcionamento da fungdo respiratéria, desbloqueio do 4° segmento, possibilitando a evolugdo de uma "organizagéo alimentar do ego", para uma “organizago respiratéria do ego". Uma linda frase de Benjamin Franklin sinte- tiza bem isto "The heart of the foo! is in his mouth, but the mouth of the wise man is his heart”. 5. Sistema Nervoso e Couraca Sistema Nervoso é 0 centro integrador de todas as fiungdes psicolégicas do individuo (percepeo, afetividade, comportamentos instintivos, expresses emocionais) incluindo as fungdes psiquicas "superiores” (cogni¢ao, conceitua- 40, linguagem, etc.). Todas as fungSes corporais, incluindo fungSes motoras, sensoriais, vegetativas, endécrinas e metabélicas s4o também comandadas pelo sistema nervoso; que desta forma atua como um elo de ligag&o entre o resto do corpo € 0 psiquismo. Segundo MacLean o sistema nervoso pode ser subdividido em 3 sistemas funcionais integrados: Neocdrtex responsavel pela integragio mais complexa da senso-percepgio ¢ da motricidade ¢ pela elaboragio das chamadas fungdes psi- quicas superiores; 0 Sistema Limbico responsdvel pela regulacfo das expres- s6es emocionais, afetividade e comportamento instintivo; e um conjunto de estruturas que incluem 0 diencéfalo, o tronco encefélico e certos micleos da base que se denominam “cérebro reptiliano” e que so os responséveis diretos pelo controle motor e vegetativo. Metodologia da Orgonoterapia / 19 Quando se diz que 0 neocértex ¢ 0 responsével pela elaboragio das fun- ges psiquicas superiores, néo estamos dizendo que o psiquismo ests no neo- cértex. O psiquismo ¢ um conjunto de representagdes simbélicas inter-relacio- nados, parte consciente ¢ parte inconsciente. O psiquismo no tem concretude somética, é de natureza abstrata, imaterial. Logo, nio esté localizado em lugar nenhum. Dialeticamente, o psiquismo esta associado a todas as partes do corpo, pois todos os contetidos psiquicos s4o constituidos a partir de sensagdes sométicas. Podemos até dizer que os contetidos recalcados no inconsciente sejam a representagdo de sensagdes sométicas de nafureza emocional com as 4quais 0 individuo perden 0 contato consciente. Desde que a crianga nasce, os estimulos que recebe do meio extemno e suas experiéncias de vida, particularmente aquelas relacionadas com suas relagdes humanas mais significativas, vo sendo armazenados em sua meméria como uma base de "programagdo psiquica’. As perturbagdes psiquicas correspondem 4 uma programagio ruim ou “errada”. De forma semelhante, se um computador recebe programas ¢ informagdes erradas (assim como a sabotagem conhecida como virus do computador) ele id elaborar comandos incorretos sem que isso envolva qualquer defeito em seu sistema eletrénico: 0 defeito esté no programa e no nas conexdes eletrénicas. Assim as perturbagbes psiquicas na maioria dos casos nilo so consequéncia de defeitos anatémico-fisiol6gicos no cérebro. Porém, embora o psiquismo tenha natureza abstrata ele esta intimamente associado ao SNC ¢ as emogées, ¢ estes a todas as fungdes anatémico-fisiol6- gicas do individuo. Ou seja, as perturbagdes psiquicas esto associadas a altera- ‘Ges funcionais nos "comandos" cerebrais, que vio causar perturbagdes emo- cionais ¢ comportamentais (carter neurético ou neuroses sintométicas) ¢ dis- fiangGes corporais, pré-sintométicas (couraga) ou sintomiticas (doenga pro- priamente ditas) Sendo SNC o centro regulador de todas as fungbes corporais, ¢ evidente que ele € 0 responsdvel pela manutencdo da couraca, ¢ que 0 trabalho de dissolugdo da couraca vai envolver uma reorganizacdo funcional no SNC. Por exemplo, quando se trabalha terapeuticamente uma tensio muscular 0 objetivo, na verdade, é atingir o processo encefélico que mantém esse miisculo tensio nado. 20 / Psicossomética Reichiana ¢ Os receptores sensoriais (olhos, ouvidos, receptores titeis, etc...) recebem estimulos e decodificam-nos sob a forma de impulsos nervosos que so levados pelos nervos sensitivos ao Sistema Nervoso Central. © SNC integra as informa: ges recebidas ¢ elabora mensagens (comandos) vo ser transmitidas pelos ner- Vos motores aos érgios efetuadores ou efetores que sfo misculos estriados, lisos ¢ glandulas. O encouragamento manifesta-se a nfvel dos érgios efetuado- res ¢ de outros tecidos influenciados por eles ¢ é uma consequéncia direta de mensagens "distorcidas" (pelos mecanismos de defesa) que so enviadas a es- ses efetuadores devido a perturbagdes no processo integrativo do Sistema Ner- voso Central. O encouragamento também pode se manifestar nos érgios recep- tores sensoriais resultando em bloqueios ou distorgdes senso-perceptivas. Embora Reich tenha utilizado apenas o termo couraca muscular, ele cha- mou atencdo para 0 fato de que além de afetar a musculatura estriada esquelé- tica 0 encouragamento também envolvia perturbagdes do sistema nervoso au- ténomo como um todo, que resultavam em disfungdes glandulares ¢ da muscu- latura lisa de diferentes visceras. Este tipo de encouragamento corresponde a0 que Gerda Boyessen propés chamar couraga visceral. Reich também descreveu que 0 encouragamento poderia ainda manifestar-se por distrofias ¢ displasias em diferentes tecidos do corpo, isto ¢, perturbagées da proliferagio, diferenciagio e metabolismo celular além de alteragdes locais ou sistémicas da comunicagdo intercelular, da dinémica dos liquidos e materiais intersticiais e das fungdes imunolégicas. A este tipo de encouragamento podemos denominar couraca issular, termo sugerido também por 3 0 termo vegetativo ou visceral € muito usado ns teoria Reichiana, vale a pena revisar este conceito. Costume-se, em fisiologia, dividir as fungSes orgfinicas em duas categorias, que so as fungbes vegetativas ¢ as fingSes de relago. As fungdes vegetativas sio todas aquelas fungdes que estio ligadas @ conservago da homeostasia do meio intemo, ou seja, aquelas fungdes que servem para manter 0 individuo vivo, entre elas: nutriglo, respiragio, circulago ‘excregio, sono, imunidade, regulate do metabolism, etc. As fungdes de relagdo seriam ‘aquelas que esto ligadas & relagio do individuo como meio extemo. Costuma-se denominat sistema nervoso vegetativo ou visceral 20 conjunto das estruturas do sistema nervoso que regulam essas fungSes vegetativas. Ao conjunto de nervos eferentes do sistema nervoso vegetative denomina-se sistema nervoso auténomo, que se divide em simpitico € parassimptico. NEOCORTEX uw SISTIOMA LIMAICO At le ‘onifojounun ewoysis ou sogdesoy1V Sooii9Te souatioUD (eaSS0 opbvotsoqeasop ‘Ssomuuap 99 ‘somosnu-omou 5305 ‘op sworpus “spepiagnd > Soigmuspp ‘wuapa “epepisoqo) suns 9 Soojoqeiau “Stevowi0y aYTASsIL VSvENOD 1 (opsunfsic) D sozojposay sreuozeu 9 sopriby sop ORIPU 8 opumppu! sOp!o} sop wiBO}ONy v 9 no opSeuasaND 9 opbesapoud v wnquies 2 ‘seof@ojoumuu seayoquiat sogSury urejniog ? (sre00] 9 sreanau ‘sazeinpwy(3) ‘seuLizopug sgSa129g ‘7 ‘seombuoag ‘sazemo0 ‘srenxas sopSury sup 9 suuooxa sogieias sep sogSeqmuiad ‘(zeInq-oveday vio: ma uayady no ody ‘sieuoias semaxod) sets -pyeInaND 2 seoRIpzeD sagseso}fe sto MINS “21 oopudussesed 2 conpduns op semoysict ‘ayaaosia vovaNOD ft (opsunfsiq) 1 ‘2 ‘sommoo (opsemnons 9 opsase) srenxas ‘seuuooxo ‘seoeipreo ‘seomnbugig (opdoi008 2 agjisued) seansodip “(ojowosea snuo}) Suge sesoosiA soghy uBR + ssered 9 ootyedus) CMY OSOAIDN HUDISIS 48299814 s9s0}0]y S0AI9N, ‘09889 2 soxemonze ‘stemysod soiqmusia “~RI01 HxIB vu sogb ~eiaye 9 setovesidsox sogSumysicy “w0), ow opseuepioce 2 apepiiqny ‘epep ~yyenwoo 2p soghesaye ‘sosejnosnn sowsedse 9 seuoyady ‘souoiodyy ¢’VINOsAW VoVANOD t (opsunfsicy ir sexau searunnso 9 (Sougyendses sojnosnit so opamou) sootjanbso sojnom sop opepir ws 9 apepyenod “snuo) © usoy i wsoopgpenbsg,, Sa10)074 SOKO, oe ee Se hs EF ODITYAIONT OONOUL it OD1ENTT VNAISIS it XELIODIOIN 22 / Psicossomatica Reichiana Gerda Boyessen. Embora também envolva perturbagdes em padrdes de ¢s- timulagdo nervosa, este tipo de couraga esth mais diretamente relacionada com disfungdes das secregdes internas. Estas secreydes internas compreendem todos 0s horménios secretados por todas as glindulas endécrinas do corpo, pelo sis- tema nervoso central (neuro-horménios) por certas secregdes locais ou de tecidos especializados, além de todas as substincias produzidas pelo sistema imunoldgico. As secregdes locais ou teciduais mencionadas acima inchiem varias substincias como: eritropoetina, renina, angiotensina, prostaglandinas, bradicinina, histamina, ete. A utilizagio dos termos, couraga muscular, visceral ¢ tissular ¢ til para ressaltar as diferengas entre estes 3 tipos de encouragamento. Por exemplo, a hipertrofia gordurosa dos tecidos conjuntivos subcutneos na obesidade é reco- nhecidamente uma forma de couraga; no entanto, & evidente que este tipo de encouragamento (actimulo de gordura em tecido) no poderia ser chamado nem de couraga muscular nem de couraga visceral. Outro tipo de encouragamento em que o termo couraga tissular pode ser adequadamente empregado é 0 encou- ragamento cerebral, sugerido empiricamente por Reich, ¢ que hoje pode ser explicado por alteragdes nas proteinas contracteis cerebrais (neurina ¢ stenina) ¢ nas conexdes sinépticas. 6. Cardter e Couraga A couraga é componente somatico dos mecanismos de defesa do Ego ou 0 componente somético dos tragos neuréticos de cardter. O carater se estrutura durante a inffincia ¢ a adolescéncia, como resultado de um conjunto de expe- rigncias afetivas, senso-perceptivas cognitivas provenientes dos vinculos hu- manos que se estabelece. E evidente que as experiéncias peculiares pelas quais uma crianga vai pas- sar durante a sua vida sfo imprevisiveis e absolutamente singulares para cada individuo. Porém existem episédios fundamentais durante o processo de desen- volvimento que séo comuns a todos individuos. Sao "episddios chave" do pro- cesso de estruturacdo biopsiquica, ¢ que correspondem as fases do desenvol- © genital) suger organizacio da um outro aspecas: mais importante? dalidade de ideativo. Sob 0 ponto acima, Porém as respondentes a complexo de "complexos orais™ sucedem durante # quica priméria da sucedem nas fases sexual do sujeito. 4 libidinais naturais, a & A aquisigio do ox vel, isenta de fixapSes complexos orais ¢ de « cardter neurdtico exes das (ndo resolvides) & tempo envolvem uma ; tivos, associada a mec 4 Melanie Klein descreves complexos ideativos incom fungdes orais basicas, Ble duas modalidades de relay especificas respectivarnens um ano de idade, podends ‘momento da vida Metodologia da Orgonoterapia / 23 Se ee vimento libidinal, ou fases da evolugo do Ego descritas originalmente por Freud. O termo fase libidinal e a propria classificagao delas (fases oral, anal, félica € genital) sugere que elas se caracterizem basicamente por uma determinada ‘organizaco da libido sob o primado de uma determinada zona erdgena. Porém um outro aspecto tio importante (ou sob 0 ponto de vista psicodinamico até/ mais importante) da caracterizagdo de cada fase é a predominancia de uma mo-} dalidade de relagio objetal, a qual vai se associar um determinado complexo) ideativo, Sob o ponto de vista da organizacao libidinal existem quatro fases, citadas “ acima, Porém as modalidades de relacdo objetal ¢ os complexos ideativos cor- Tespondentes a essas fases podem ser agrupados em dois grandes conjuntos: 0 complexo de Edipo © os complexos da fase oral. Aqui denominamos “complexos orais" aos diferentes complexos ideativos e relagdes objetais que se sucedem durante 2 fase oral# ¢ que resultam na constituicdo da identidade psi- quica priméria da crianga; ¢ complexo de Edipo aos complexos ideativos que se sucedem nas fases filica e genital e que resultam na constituigo da identidade sexual do sujeito, Assim Reich sugere que existem essencialmente duas fascs libidinais naturais, a fase oral ¢ a fase genital A aquisigao do cardter genital, isto ¢, da estrutura biopsiquica adulta saudé- vel, isenta de fixagdes pré-genitais, pressupde uma adequada claboracao dos complexos orais ¢ do complexo de Edipo. Por outro lado, os diferentes tipos de cardter neurético envolvem sempre fixages complexas em etapas nao elabora- das (ndo resolvidas) tanto da fase oral quanto da "fase edipica”, ¢ ao mesmo tempo envolvem uma permanente tentativa de resolugdo destes conflitos instin- tivos, associada a mecanismos de defesa contra a angistia resultante deles. O 4 Melanie Klein descreveu as modalidades de relagdo objetal tipicas da fase oral ¢ que moldam complexos ideativos inconscientes a partir das senso-percepges visuais ¢ ties associadas a fungSes ora basicas. Ela conceituow a posigio esquizo-parandide e a posigio depressiva como duas modalidades de relago objetal e consequentemente de estrutura psico-afetiva, que sto especificas respectivamente dos primeiros quatro meses de vida e do periodo que se segue até tum ano de idade, podendo o individuo regredir a estas organizagSes primitivas em qualquer momento da vida 24 / Psicossomatica Reichiana e caréter & 0 produto final dos processos de constituig#o da identidade psiquica e de escolha objetal; logo todos estio relacionados ao Edipo, que ¢ a etapa final ou etapa-sintese desses processos, ¢ também a fase oral, que ¢ a etapa priméria deles. O individuo ingressa no Edipo levando toda uma bagagem de conflitos orais nao resolvidos, que passam a ficar impregnados de conotagdes edipicas e também a impregné-las. Por isso sempre existe um grau significativo de confli- tos orais subjacentes aos conflitos edipicos. As concepgdes Reichianas ¢ neo-Reichianas atuais comumente definem um tipo de caréter neurético chamado “cardter oral", o que, dentro de um enfo- que descritivo, tem validade. Porém, é interessante notar que Reich, em seu livro Anilise do Carter, ndo menciona o carater oral dentre as formas de caré- ter neurético. Nao o faz pela mesma raz4o que nfo denomina nenhum caréter como caréter edipico. Porque todos os caracteres neurdticos so ao mesmo tempo orais ¢ edipicos. Todos envolvem fixagdes orais, ¢ a0 mesmo tempo, todos sao circunscritos, isto é, fixados em sua forma final pelo Edipo. Por isso Reich fala nas diferentes formas de caréter circunscritos ("circunscribed", ver Anélise do Carter). As concepgdes Reichianas atuais geralmente classificam os tragos neuréticos de carter em sete tipos bésicos: esquizdide, oral, maso- quista, compulsivo, passivo-feminino, filico narcisista ¢ histérico. O carkter sadio, isento de tragos neurdticos é denominado carditer genital, Este texto nfo tem como objetivo fazer uma descrigao detalhada da carac- terologia Reichiana. Estes aspectos foram mencionados apenas para enfatizar que a estrutura de carter de cada individuo é um mosaico complexo de confli- {0s instintivos relacionados com todas as fases de estruturaglo do ego. Logo 0 encouragamento de qualquer segmento também envolve sempre um entrelaga- ‘mento complexo de defesas relacionadas com todas as fases: 7. Encouracgamento e os 7 Segmentos As primeiras observagdes de Reich sobre as manifestagdes da couraga in- cluem distarbios como: respiragdo curta e presa, diafragma contraido, atitude inspiratéria crdnica, tens#o abdominal, tensdes na musculatura da face respon- savel pelas expressies faciais, tensdéo da musculatura dos olhos, da testa da Como couraga, que ee donde ele diz: “am: Tei que governa, fem segmentos que" atrés, como um em 7 segmentos 0, 5°) diafré Um segmente 2 rentes naturezas que cessariamente de oa ‘camente relacionadas ragamento causa pe as estruturas. comp “unidade de encow Iho terapéutico de ¢ do segmento tings Metodologia da Orgonoterapia / 28 cabeza, do pescogo, da boca ¢ garganta, tenses na regio pétvica ¢ na muscula- tura dos membros inferiores. Sendo que 0 conjunto dessas tenses musculares esta sempre relacionado com a contengao da expresso de emogdes ¢ a supres- so das sensagdes sexuais-genitais, Reich descreveu ainda que a dissolugdo da couraga produzia um fluxo de sensagdes, movimentos musculares involuntarios ¢ movimentos vegetativos + elo corpo (movimentos plasméticos) que ocorriam da cabeca até as pemas ¢ que terminavam se fundindo num movimento reflexo pulsétil de todo o corpo a que ele denominou Reflexo do Orgasmo. Esse reflexo seria a expresso plena de um bom funcionamento do organismo; ¢ assim passou a constituir-se na meta terapéutica, Como vemos, as primeiras observagdes de Reich sobre a couraga dizem respeito a espasmos de grandes grupos musculares. Com a continuidade de suas pesquisas clinicas, Reich passou a observar e descrever em maiores deta- Ihes aspectos mais sutis, mais especificos e mais variados do encouragamento. A evolugdo do seu trabalho levou-o ento a descobrir a ordem segmentaria da couraga, que ele descreve em seu texto "A Linguagem Expressiva da Vida" onde ele diz: "ao examinar varios casos tipicos de varias doengas a procura da lei que governa esses bloqueios descobri que a couraga muscular est4 ordenada } em segmentos que funcionam circularmente no corpo, a frente, dos lados atrés, como um anel". Assim ele descreveu que a couraga se disp6e no corpo em 7 segmentos ou anéis que séo: 1°) ocular, 2°) oral, 3°) cervical, 4°) tordxi- co, 5°) diafragmético, 6°) abdominal, 7°) pétvico. | Um segmento corresponde a um conjunto de estruturas orgénicas de dife- rentes naturezas que guardam entre si relagdes de vizinhanga, embora no ne- | _cessariamente de conexio anatémica, ¢ cujo funcionamento integrado esté basi- camente relacionado com os sentimentos ¢ as expresses emocionais. O encou- ragamento causa perturbagdes funcionais que terminam afetando em conjunto } as estruturas componentes do segmento. Cada segmento ¢ portanto uma “unidade de encouragamento". Este conceito tem aplicagdes préticas no traba- Iho terapéutico de desencouragamento: intervengdes sobre uma das estruturas do segmento atingem também as demais. Por exemplo, certas patologias de | — Ze Wh 1 26 / Psicossomatica Reichiana ¢ 1° SEGMENTO. 6° SEGMENTO. PELVICO 7° SEGMENTO. Inclui pernas e pés Metodologia da Orgonoterapia / 27 ouvido ¢ de aparetho vestibular podem ser curadas com intervengées sobre os olhos. Ao definir a ordem segmentéria da couraga Reich formulou também um principio metodolégico basico da orgonoterapia que consiste em trabalhar a dis- solucdo da couraca a partir de cima para baixo, isto é, comecando pelo 1° segmento € terminando pelo 7° segmento, Essa regra é bastante importante pois em muitos casos 0 desencouragamento precoce de alguns segmentos, principalmente 3° ¢ 5°, antes de ser feito um trabalho adequado de desencoura- gamento de 1° ¢ 2° segmentos podem causar problemas graves. Isso é particu- larmente evidente em relago a0 pescogo. O bloqueio de pescogo tem muitas vezes uma forte correlagdo com o bloqueio ocular. Em individuos que tém o 1° _-Seemento fortemente encouragado, um trabalho precoce de desencouragamento do pescogo pode intensificar 0 bloqueio ocular por um mecanismo compensa- torio. E esse bloqueio pode ficar tdo intensamente instaurado que serd de dificil dissolugdo posterior, formando 0 que se chama um anzol ou um gancho. Em pacientes psicdticos um trabalho de desencouragamento de pescogo feito antes de um bom desencouragamento ocular pode, inclusive, gerar surtos. Desde que Reich definiu a estrutura segmentria da couraca, todo o enten- dimento orgonémico e a metodologia terapéutica tem sido orientada pelo traba- tho de desencouragamento segmentar. No entanto é conveniente ressaltar que alguns aspectos do encouragamento abarcam disfungdes anatémico-fisiolégicas mais amplas que o terapeuta precisa avaliar paralelamente a avaliagio segmen- tar. Por exemplo, ao se observar a estrutura corporal de um paciente, uma das Primeiras coisas que chama atengdo e que devem ser analisadas so as dimen- sdes corporais ¢ o estado geral da musculatura. © paciente pode ter uma apa- réncia exageradamente magra ou exageradamente gorda; a aparéncia de ser "gordo" pode refletir diferentes tipos de disfung6es. Pode representar um gran- de actimulo de gordura nos tecidos conjuntivos subcutineos (adiposidade), uma hipertrofia geral da musculatura, um actimulo de liquido nos espagos interstici- ais (edema generalizado) ou ainda uma grande dilatag#o de certas cavidades comporais como, por exemplo, a cavidade torécica ou a cavidade abdominal Cada uma dessas disfuncdes reflete um tipo de patologia psico-emocional dife- rente. 28 / Psicossomatica Reichiana e Quanto a musculatura, pode-se observar uma hipertonia ¢ hipertrofia gene- ralizada de toda a musculatura ou inversamente uma hipotonia e hipotrofia go- neralizada que vao ter diferentes significados caracteroligicos. Em outros casos 6 paciente exibe basicamente uma alteragio no eixo de sustentagéo do corpo (coluna vertebral) gerando diferentes perturbages posturais. Em outros casos patologia manifesta-se basicamente na lateralidade, estando um dos lados do ‘corpo, direito ou esquerdo, todo cle comprometido. Em outros casos a disfun- iio anatémico-fisiologica atua basicamente em todo um aparelho ou sistema: € 0 caso de pacientes que apresentam perturbagdes em todo 0 seu aparclho di- gestivo da boca até 0 anus ou outros pacientes apresentam patologias generali- zadas, ou da pele, ou das articulagSes, ou das veies (estrutura varicosa), etc. Es- ses aspectos mais amplos devem ser avaliados paralelamente a avaliagdo seg- mentar. 8. Dinémica Biopsiquica dos Segmentos Cada bloqueio, isto é, cada elemento da couraga corresponde a0 compo- nente somético de mecanismos de defesa. Um determinado bloqueio pode es- tar associado a conteiidos psico-afetivos ligados a varias fases do desenvolvi- mento ontogenético. Isto porque, uma vez criado um bloqueio através de um primeiro evento traumético, esse bloqueio vai ser posteriormente intensificado por ocasiiio de novos traumas encerrando novos contetidos psico-afetivos. Eos diferentes bloqucios se entrelagam, se inter-relacionam, como Reich descreveu sobre a denominagéo de entrelagamento das defesas instintivas. Os eventos iniciais de encouragamento geralmente ocorrem em fases muito precoces do desenvolvimento, atingindo primeiro os segmentos superiores ¢ depois os infe- riores. Por outro lado, a defesa contra a “anguistia genital da puberdade” reforga de baixo para cima 0 encouragamento dos segmentos, conferindo a todos cles um contetido sexual-genital, consolidando a couraca em sua versio final ¢ inter- relacionando de forma complex os diferentes bloqueios. Por todas essas razSes Reich prope que o desencouragamento seja feito de cima para baixo, Assim, embora seja prética comum correlacionar determinados bloqueios com determinados contetidos psico-afetivos ¢ determinadas fases de desenvol- vimento, essa pratica pode levar a erros interpretativos. Por exemplo, um blo- complexos, que: segmento, com a figura mento). Nao é “furar os ohos” pelos olhos ¢ é Metodologia da Orgonoterapia /29 queio de 2° segmento sempre vai estar de alguma forma conectado a conteiidos psico-afetivos da fase oral. Porém estes contetidos jé podem estar grandemente influenciados por outros contedidos mais evoluidos. Por exemplo, 0 erotismo oral que remonta a fase de amamentagao constitui-se no ponto de partida para, no s6 a constituicdo do narcisismo primério e da auto-estima, como também para formas mais evoluidas de vinculo erético estando portanto associado a to- dos estes conteiidos. Por outro lado, a chamada raiva oral que primitivamente se associa a posiao depressiva, ao desmame, frequentemente se associa tam- bém a conteiidos edipicos. Por outro lado, nem todos os conflitos ligados a fase oral manifestam-se predominantemente no 2° segmento. E muito conhecido 0 fato de que varios bloqueios de 4° segmento e 5° segmento ¢ patologias associ- adas (asma, gastrite, diabete, colecistite, etc) envolvem um niicleo oral. Ou seja, quando se fala de oralidade como um processo psico-afetivo, esse, como todos 08 outros, esté localizado no corpo todo e nfo pode ser restrito regido da boca. E sabido, por exemplo, que a fixagdo em tragos de cardter oral, envolve sempre uma dificuldade de manutengo da postura ereta, O individuo tende a apresentar uma postura curvada por hipotonia da musculatura para-vertebral ¢ uma abasia funcional, termo empregado por Reich para designar uma hipotonia da musculatura antigravitéria das pernas. Muitas vezes a oralidade manifesta-se a nivel metabolico, por uma hipoglicemia (a chamada hipoglicemia idiopatica) que corresponde a uma imaturidade do sistema hormonal de manutengdo da glicemia durante 0 jejum (déficit de cortisol, glucagon), Da mesma forma ndo é correto dizer, por exemplo, que o narcisismo esta no pescogo, 0 masoquismo no diafragma ¢ a histeria na peive. Narcisismo, ma- soquismo ¢ histeria sdo termos que designam processos psico-afetivos bastante complexos, que abarcam a totalidade da estrutura caracterologica do individuo ¢, portanto, a totalidade de sua estrutura corporal, estando ligados a bloqueios de varios segments. A histeria, por exemplo, além de envolver angiistia genital associada a pelve ¢ ao diafragma, envolve sempre problemas com a identidade ("reconhecimento” da identidade sexual adulta) que & uma problemética de 4° segmento, problemas ligados 4 emancipagio em relagio ao vinculo primério com a figura materna (2° segmento) e também bloqueios a nivel ocular (1° seg mento). Nao é por acaso que no mito de Edipo o castigo a que ele se impoe “furar os olhos”; claro, a atragdo sexual na espécie humana se da basicamente pelos olhos e ¢ neles que vao se instaurar importantes mecanismos de defesa (a 30 / Psicossomética Reichiana e nivel somético, encouragamento) ligados & repressiio da sexualidade. Assim, as fungdes dos 7 segmentos séo muito complexas e precisam ser analisadas em profundidade, 0 que néo pretendo fazer neste artigo ¢ sim no livro que estou escrevendo. Porém, para dar uma idéia inicial aqueles que comegam a travar contato com a teoria Reichiana, apresentamos a seguir um breve resumo sobre os 7 segmentos: 1° SEGMENTO - OCULAR COMPONENTES | Encéfalo (cérebro, cerebelo, tronco encefélico), olhos ¢ sistema Visual, ouvidos ¢ sistema auditivo, aparelho vesti- bular, sistema olfativo, todos os misculos do erénio (occipitais, frontal, préce- ro, temporais, auriculares, etc) FUNGOES | Semtso-percepeto, atengio, consciéncia, cogni¢fo, linguagem, conceituagio, meméria, regulagdo emocional, controle do siste- ‘ma motor, regulagdo do sistema hormonal e vegetativo. Por sediar o encéfalo, centro integrador de todas as fungGes somaticas, este segmento possui impor- tantes conexées funcionais com todos os outros. ENCOURACAMENTO | Resulta da utilizagéo repetida de distorgdes ¢ inibi- ‘g®es senso-perceptivas como recursos defensivos (mecanismos de defesa) ¢ da fixagdo de padrées emocionais, vegetativos ¢ motores. O encouragamento pode manifestar-se a nivel mais superficial (afetando olhos, ouvidos, nariz. e mésculos superficiais), ou a nivel mais pro- fundo, neste caso afetando o proprio cérebro. O encouragamento envolve dis- tirbios da fungio visual (mobilidade, estigmatizagao, convergéncia binocular, campo visual, acomodagdo, reflexos, expressividade, fotofobia, etc), auditiva, olfativa; distarbios do sono, falta de contato (desligamento, desatengo, intro- verso, confusdo mental, desorientago), tonteiras, vertigens, auséncias, disfa- sias, distirbios do equilibrio ¢ da coordenagao motora, disfungdes emocionais, vegetativas ¢ hormonais ¢ suas consequéncias, cronificagio de determinadas expresses faciais (franzir ou soerguer as sobrancelhas, contrair ou arregalar as palpebras), tensdes nos miisculos do crénio, congestio Kiquida ¢ nevralgias re- sultando em dores de cabega. oe com a figura maiz No adulto genitaii tabélicas. Expressi no adulto indica fi 0 2° segmento tex ganta (por funcion da boca), com tod penharem as etapa genitais (por repres ENCOURACAMEN nal (IS) ¢ Impulso tes, mesclando den Metodologia da Orgonoterapia (31 as m PaToLocias | Sindromes psicéticas em geral, cefaléias intra-cranianas ¢ ou ‘ASsOCIADAS | &tTa-cranianas, epilepsia, certos tipos de cegueira, miopia, =r | hipermetropia, estrabismo, glaucomas, astigmatismo, presbi- re + Pia, rinites, sinusites, certas formas de surdez, otites, sindrome de Meniere, etc, De certa forma, a maioria das doengas organicas envolvem em sua etiologia * _ oencouragamento do 1° segmento. ‘ 2° SEGMENTO - ORAL e i- ‘COMPONENTES | Todas as estruturas componentes da boca ¢ seus anexos c [COMPONENTES | (tibios, denies, gengiva, bochech, lingua, palato, sistema gustativo), glindulas salivares, mandibula, masséteres ¢ pterigdides, todos os misculos da mimica facial, miisculos supra-hidideos, orofarinfe ¢ nasofaringe. n, c FUNGOEs ] Durante a fase oral: principal érgio erdtico; fiungdo erética asso- 0, ciada aos labios ¢ parte anterior da lingua ¢ palato (fungdo de Ir suogo). Nutrigdo (envolvendo as fungdes de sucgio, reconhecimento tétil e gustativo, mastigagdo ¢ degluticio). Contato tétil, reconhecimento e sustenta- do. Expressdo da agressividade (morder). Expresso afetiva (mimica facial), i Vocalizagao ¢ fala. Estando estas funcdes vinculadas a relagfo psico-afetiva com a figura materna. No adulto genitalizado: Nutrigdo dirigida ao suprimento das necessidades me- tabélicas. Expresso facial. Vocalizagdo e fala, A retenglo das demais fungdes no adulto indica fixagdo ou regressao a fase oral s- © 2° segmento tem conexdes importantes com os olhos, nariz, ouvidos ¢ gar- ganta (por funcionarem acopladamente), com as mios (por "herdarem” fungdes da boca), com todo o segmento diafragmético e aparelho digestivo (por desem- penharem as etapas seguintes do proceso alimentar iniciado na boca), com os genitais (por representarem o segundo grande "polo libidinal"). COURACAMENTO | Resulta de transtornos (inibigo ou exacerbagdo créni- ca) dos dois impulsos orais bésicos: Impulso Succio- e nal (IS) ¢ Impulso de Morder (IM). Os sentimentos associados so ambivalen- tes, mesclando demanda afetiva-erdtica (ligada ao IS) e raiva reativa (ligada a0 TRa a ee = | 32./ Psicossomética Reichiana IM). Podemos considerar quatro tipos: Oral Insatisfeito (IS exacerbado, IM inibido), Oral Reativo (IS inibido, IM exacerbado), Oral Inibido (ambos inibi- dos), ¢ um tipo oral "perverso" (ambos exacerbados). O crescimento das man- dibulas, arcadas, dentes ¢ labios depende de seu uso durante 0 crescimento, ¢ este uso depende do padréo psico-emocional. O encouragamento vai se mani- festar por alteragdes anatémicas ¢ funcionais da boca, envolvendo musculatura labial, oclusdo ¢ insergo dos dentes, salivagdo, deglutig&o, articulagdo temporo- ‘mandibular (cada uma delas com um significado psico-emocional especifico) ¢ cronificasdo de diferentes tipos de expressio facial ¢ estados habituais da boca. As perturbagées alimentares (anorexia, bulimia, certas preferéncias ou aver- ses) e compulsdes orais (fumar, mascar, roer) também estio relacionadas a0 encouragamento. [ pavorocias ) Diversas formas de Depressio e sindromes maniacas; nicleo Kssoctabas. | ofal-depressivo associado a diversas psicopatologias e certas patologias orginicas (como gastrite, ilcera, bronquite asma- tica, colites, tuberculose, psoriase, enxaqueca), certos distirbios da fungio se- xual (frigidez, impoténcia, ninfomania, vaginismo), e todas as patologias odontolégicas (cries, abcessos, gengivites, periodontites, etc). 3° SEGMENTO - CERVICAL ‘Vértebras cervicais, misculos do pescogo e de ligagdo COMPONENTES | deste com a cabeca e com a cintura escapular (esternocleidomastéideo, escalenos, paravertebrais cervicais, hidideos, platisma, trapézio, clevador da escépula). lingua e garganta (faringe, laringe ¢ cordas vo- ais), glandulas tiredide e paratiredides. FUNCOrS | Sustentagio da cabega, auto-controle, orientagdo, direcionamento ocular, equilibrio e postura (no sentido literal e no figurado), Expresso das emogdes (diretamente ligada a expresso sonora). Expresso da identidade, nao s6 pela voz (principal instrumento de expresso da Identidade), mas também pela "apresentagdo da face”. Instinto de auto-conservagao, pela re- gulagio do fluxo aéreo (defesa contra sufocamento), pela fungao secretora da glandula tiredide (a tiroxina ¢ ativadora geral do metabolismo) e também pelo papel regulador das deos). © conceito de psiquico de Spitz) as auto-proibiges e com o super-ego Este segmento apr equilibrio) e ouvidos continuidade anatémi torcicolos, episédios neurético), sensago distarbios de degiu (grito, choro, riso, Padrdes de condute cerimoniosidade, i | PATOLOGIAS | [ASsociaDas | de! rebides (distirbios ficagio, ciclo sono-s Metodologia da Orgonoterapia / 33 papel regulador das fungdes cardiaca e respiratéria (seios e corpitsculos carotf- deos). O conceito de ndo (base dos cédigos inter-subjetivos, 3° organizador psiquico de Spitz) envolvendo maneio de pescoyo, conecta este segmento como as auto-proibigdes ¢ medo do castigo, ou seja, com o complexo de castracao e com o super-ego Este segmento apresenta conexdes importantes com: olhos (grande angular e equilibrio) e ouvidos (som interno e equilibrio), com o 2° ¢ 4° segmentos por continuidade anatémica: com 0 5° segmento pela origem anatdmica dos nervos frénicos e ligamentos do diafragma e pela fiungfo dos escalenos, ¢ com 0 7° segmento pelas relagdes com a sexualidade (pelve) ¢ com o embasamento pos tural (pemas). = Envolve espasmos da garganta, hipo ou hipertonias de LEXCOURACAMENTO|]) ferereajanda caksay. ctatdOpiemion basscamcnic A ansiedade de queda, repressdo sexual, angisstia de felagdo ¢ contengao emocio- nal generalizada. A principal expresso contida ¢ o grito, e secundariamente 0 choro. O encouragamento envolve ainda: alteragdes relacionadas com a voz (vor. fa- nha, rouca, cavernosa, "easguita", pagueira) tiques maneirismos de pescoyo, torcicolos, episédios de engasgos, sufocamento, edeme de glote (edema angio- neurético), sensag&o de né, bolo ou coceira na garganta (angistia de felagao), distirbios de deglutig#o, néuseas e vomitos, incapacidade de expresso sonora (ito, chor, rso, vocalizagio),tosse,pigarro. Padres de conduta como: rigidez, obstinagio (obsessividade, compulsividade), cerimoniosidade, descontrole, inseguranga e incapacidade de posicionar-se. Faringites, laringites, amigdalites, acne ¢ outras dermatoses de face e pescogo, artrose cervical, nevralgia cérvico-bran- quial, sintomas associados a disfungdes de tirdide ¢ parati- rebides (distirbios de crescimento, amadurecimento sexual, metabolismo, ossi- ficagdo, ciclo sono-vigilia), ete. 34 / Psicossomatica Reichiana e 4° SEGMENTO - TORAXICO | coMPoNENTES ] Caixa tordxica © rgéos internos: coragao, pulmées, timo: Inclui costelas, estemno, mitsculos intercostais, peitorais, deltdides, rombéides ¢ os paravertebrais dorsais. Inclui também as mamas ¢ todas as estruturas componentes dos bragos ¢ das maos.. [Funcoes | Setundo Reich ¢ a parte central da couraca, pois a contengio das J sensagdes sempre envolve contengdo respiratéria. O inicio da fungiio pulmonar no nascimento ¢ precedido de angistia respiratéria (toda an- guistia é basicamente uma angistia respiratéria). Segundo Freud, a fungdo do Ego ¢ identificar e atenuar a angistia; e a separagio da mic € 0 prototipo de toda angistia. Logo, a respiragdo é a fungdo corporal mais diretamente associ- ada ao Bgo. O Ego primordial é essencialmente toréxico (¢ essencialmente um conjunto de mecanismos respiratérios). Por isso, o térax € considerado a sede de nossa Identidade, 04° segmento é a sede da Identidade, no sé por conter os érpios vitais, cora- so e pulmo, mas também por conter 0 Timo, que é 0 responsével por nossa identidade imunolégica (linfécitos T), logo por nossa identidade biopsiquica global. Além disso, a timopoictina regula a diferenciag&o sexual, o que reforga a correlagdo com a identidade sexual Devido a estreita correlago que existe entre as emogdes e sentimentos ¢ as fungdes cardiaca e respiratoria, 0 segmento toraxico também é considerado 0 centro de nossa Afetividade e Emocionalidade. A base organica para esta corre- lacdo talvez esteja ligada a0 plexo cardiaco e aos visceroceptores pulmonares, Os impulsos de vida (desejo de viver) estimulam a inspiragiio, ¢ sua inibigao restringe a inspiragao (tendéncia ao minimo de excitacao; principio do nirvana), A expiragio envolve agressividade, entrega ou desisténcia O térax tem suas conexdes mais importantes com os olhos, 0 diafragma, e com todo o segmento cervical; sendo dificil estabelecer uma fronteira entre ambos As maos tém ainda uma importante conexo com a boca e com os genitais, s bragos e as maos, componentes deste segmento, slo ainda responsaveis pelo contato afetivo, discerimento tatil, agressividade, sustentago, auto-erotismo (objeto transicional e masturbacdo), e operacionalidade. Guarda ainda relagdes Metodologia da Orgonoterapia /35 com identidade ¢ narcisismo primério, sincronizagao direito-esquerdo, angistia de castragdo, ritmicidade respiratéria ¢ peristaltismo digestivo. Envolve perturbagGes na mobilidade respiratoria [snd ne Se ae amplitude ventilatéria (volume corrente) e da capacidade vital; b) alteragdes na frequéncia ventilatéria; c) aumento ou diminuigao da capacidade pulmonar total (volume toréxico); d) aumento ou diminuigéo da resisténcia toréxica. E importante lembrar que a contengao da respiragdo é um mecanismo genético de Supressio das emoyées. Os exemplos mais comuns de perturbagdo respiratéria so @ atitude inspiratéria crénica de individuos com tragos impulsivos, ¢ a diminuig&o da capacidade inspiratéria (tipica dos deprimidos, e de individuos com fortes tragos de inibigao). A emogo principal contida neste segmento ¢ o choro, ¢ secundariamente raiva e os impulsos afetivos. O choro, uma intensificagao tanto da inspiracio quanto da expiragio, € originalmente um mecanismo de defesa contra a asfixia, diferenciando-se depois em uma reagdo contra as frustragdes afetivas. O blo. queio do choro relaciona-se com resignacao, medo de viver (de desejar) ¢ de morrer, Os ombros estilo geralmente clevados ¢ voltados para frente ou para tris, ¢ 0 relevo da parte central do peito apresenta alteragdes como, por exemplo, afun- damento ou protuberdncia do ester. Observa-se ainda dores retro-estemnais, nevralgia intercostais, estreitamento dos espagos intercostais ¢ sensagdes de opressio tordixica ¢ falta de ar com suspiros intercalados. Conflitos de identidade sexual geram uma condigdo denominada ambivaléncia tordxica na qual se observam nitidas diferengas morfologicas e funcionais entre 0s lados direito e esquerdo do peito. Nas mulheres, a identidade sexual esta ainda mais fortemente ligada ao 4° segmento, pela presenga das mamas, que sio o principal distintivo externo da feminilidade IFS Bronquite asmatica, angina pectoris e enfarte do miocérdio, | PATOLOGIAS 8 fea . ASSOCIADAS | insuficiéncia cardiaca, "neurose cardiaca", tuberculose, Pneumopatias, nevralgia braquial, artroses e doengas reu- miticas dos bragos e maos, mal de Reynolds, mastites, displasias ¢ tumores da vlandula maméria A 36 / Psicossomatica Reichiana ¢ 5° SEGMENTO - DIAFRAGMATICO COMPONENTES | Diafragma ¢ iltimas costelas, estOmago, duodeno, figadé, vesicula biliar, pancreas, bago, plexo solar, glindulas supra- renais, os rins ¢ diversos misculos da regio t6raco-lombar e do abdémem (paravertebrais, grande dorsal, obliquos, transverso, seto abdominal, psoas, quadrado lomber, etc.). Respiragio, fonagio, vomito, _nutrigio _(armazenamento, LEE | digestio, assimilagio ¢ controle metabélico), regulagdo circulatéria (bombeamento, volemia, renovagdo sanguinea, t6nus vasomotor geral e regional), fungdes associadas a pressio intra-abdominal (evacuagdo, vémito, miceio, liquido peritoneal), regulagao sutondmica-visceral. Os érgios componentes deste segmento desempenham um grande mimero de fungdes. O figado ¢ porta de entrada dos alimentos no meio interno e principal centro metabélico do organismo. A medula das supra-renais produz adrenalina noradrenalina que preparam o sistema neuro-muscular para a luta ou para a fuga (medo, raiva). © cértex supra-renal produz aldosterona, responsével pela retengdo de sal e regulagdo da pressio, e cortisol, responsével pela resisténcia 0 jejum e ao "stress". Além do suco pancredtico (fungao digestiva) o pancreas produz. insulina (anabolizante, responsével pela assimilagdo ¢ armazenamento dos alimentos) glucagon (adaptago ao jejum). Os rins, além de depurarem 0 sangue de substéncias de excregdo, controlam 0 volume de sangue circulante ¢ a pressio arterial. Este segmento tem relagio com os othos (0 nascimento € 0 inicio da fungio diafragmética e ocular), com a boca (0 estémago como armazenador de alimen- tos funciona como o "fundo da boca”), © pescogo (inspiragio compensatéria ‘com escalenos), peito (hipertonia compensatéria dos intercostais, elevago do ‘ombro). Com 0 6° segmento: 0 diafragma ¢ os misculos abdominais apresen- tam uma relagdo de oponéncia que vai determinar a pressio intra-abdominal, reflexos digestivos (gastrocélico, duodenocélico, etc), com 0 7° segmento: rela- do com o diafragma pélvico ¢ sensagdes genitais, além de participagao na de- fecagiio e micgio. FUNCOES ‘Metodologia da Orgonoterapia / 37 Os bloqueios do 5° segmento envolvem sempre uma [RGU Sete alternados) do diafragma. Porém podemos distinguir duas modalidades de bloqueio: a) hipoténico - diafragma flécido, incapaz de contrair-se, ¢ b) hiperténico - diafragma tenso, espastico. A principal emogao bloqueada neste segmento ¢ a raiva, associada ao medo, obviamente. O medo primitivo ligado 4 sobrevivéncia conecta-se com a frustra- go afetiva de fundo oral-depressivo e raiva oral. O medo da punigdo (angistia de castragdo) envolve medo da sexualidade ¢ hostilidade-revolta dirigida as fi- guras repressoras. O encouragamento costuma associar-se ainda a dores lomba- res, lordose proeminéncia das itimas costelas. E as atitudes de submeter-se, desistir, tolerar, esforgar-se, culpar-se (trago masoquista). Ulceras, gastrite, diabete, pancreatite, congest&o hepato- ‘ASSOCIADAS | biliar, diversas hepatopatias, célculos de vesicula, insufici- | encia pancreética, hipoglicemia, insuficiéncia supra-renal (Addison) ou hiperfungo supra-renal (Cushing), piloro-espasmo, obesidade, neurose de angiistia, insuficiéncia renal, célculos renais, et. | PATOLOGIAS 6° SEGMENTO - ABDOMINAL Intestino delgado e grosso, cavidade peritoneal e estruturas associadas, umbigo, misculos abdominais (reto, transver- s0s, obliquos...), paravertebrais lombares, iliocostal, grande dorsal COMPONENTES © canal alimentar, e de modo particular o intestino, comesa a funcionar a partir da primeira mamada; assim, suas fungdes guardam uma correlagdo muito proxima com a fase neo-natal. As contribuiydes de Gerda Boyesen (couraga visceral, psico-peristalse, etc) ressaltam a impor- tancia do canal intestinal (endoderma) por sua conexo com emoges muito rimitivas (sob o ponto de vista ontogenético) ou muito profundas (sob 0 ponto de vista da I* t6pica). As fungdes intestinais de digestio, absorgdo, reconheci- mento imunol6gico (placas de Peyers) e propulsdo peristaltica guardam evidente correlagdo com o estado emocional (relagdo com a figura materna ¢ identidade FUNCOES: 38 / Psicossomatica Reichiana e priméria), A barriga é uma regido de grande sensibilidade, o medo sempre vai acarrctar disfungdes de 6° segmento. a regio do umbigo guarda memérias liga- ddas & vida intra-uterina (¢ por isso conexes emocionais como 0 ouvido). ‘A fungio do 6° segmento reflete de um modo geral o estado de vitalidade, dis- ponibilidade para o prazer, prontidao, determinagao, nogo de centramento ¢ de limite. “Este segmento é uma zona de transigao entre 0 5° ¢ 0 7°, estabelecendo impor- tantes conexdes anatémicas ¢ funcionais com ambos. A pressfo intra-abdomi- nal é determinada pela tonicidade relativa do diafragma ¢ da musculatura da parede abdominal; a drenagem sanguinea ¢ linfatica da cavidade peritoneal de~ pende da fungéo hepitica (sistema porta) ¢ diafragmética (bombeamento de linfa no ducto tordxico). Os varios reflexos mediados pelos plexos autondmicos viscerais conectam funcionalmente todo o canal alimentar, desde a boca até 0 anus. encouragamento do 6° segmento geralmente est as- sociado ao medo neo-natal ou ao medo das sensagdes pélvicas (contedidos histéricos ¢ angéstia de castragéo). A musculatura abdomi- nal pode estar hipert6nica ou flécida; a barriga pode estar insensivel ou hiper- sensivel. Cécegas nos flancos indicam estase acentuada, em conexo com blo- queio do diafragma, ¢ o riso denota excitagio intolerével, A distensdo da barri- ga pode ser devida a distensto da cavidade intestinal (por inibigo do peristal- tismo, flatuléncia ou obstrugio), acimulo de gorduras, actimulo de Kquidos na cavidade peritoneal, flacidez muscular ou actimulo de gordura subcutdnea (este {ltimo frequentemente associado a0 medo das sensagdes sexuais). A fungio de defecacdo pode estar alterada de varias maneiras: lembrar que no 2°/3° ano de vida as fezes sio identificadas como uma posse (a primeira posse), @ capaci- dade de controlé-las como um ato de independéncia e 0 controle da defecayao como uma decisio entre “dar* e "reter" Diarréias, pris de ventre, colites, diverticulites, FATOLOGIAS | ohstrugdes, ascite, hémias, lombalgias, etc. A prisio de ventre geralmente reflete uma constituigéo depressiva ou ENCOURACAMENTO ‘Metodologia da Orgonoterapia /39 obsessiva com tragos de inibigdo, dependéncia, medo de agir, de expressar. A diarréia ¢ geralmente a expresso somética de uma raiva reativa com frustraglo oral de fundo envolvendo desejo de emancipagao em relag&o a figura mate. 7° SEGMENTO - PELVICO ‘res | Todas as estruturas do baixo ventre ¢ da cintura pélvica’ Oreos genitais (pénis, vagina, iitero, préstata, testiculos, ovirios e seus anexos), bexiga, uretra, ampola retal, anus, regio sacra, miscu- los do diafragma pélvico; ¢ todas as estruturas componentes dos membros in- feriores. coMro! Tpuncors | APresenta duas fungdes fundamentais: genitalidade e embasa- | Foxcors | mento postural. Reich dane ‘orgasmo genital sadio tem como fungao a regulagio do equilibrio bioenergético (carga-descarga ¢ fluidez energética), psico-emocional (como principal fonte de prazer, mantém ativas as pulses de vida, a motivagio, a “capacidade desejante") ¢ anatémico-fisiol6gico (t6nus simpético ¢ parassim- patico, tonicidade muscular ¢ regulago vegetativa, hormonal ¢ imunoldgica) do individuo. O ato sexual envolve, a nivel fisiolégico, uma forte estimulaglo parassimpética, Tesponsével pelo intumescimento dos tecidos eréteis, seguida de uma descarga simpética, responsdvel pela ejaculago (e seu equivalente na mulher). A nivel ‘energético, um incremento da carga energética de superficie, seguida de descar- ga ‘© Embasamento Postural (corresponde ao que Lowen posteriormente denomi- nou "Grounding") consiste na capacidade de manter-se firme ¢ equilibradamen- te apoiado ao solo, 0 que requer um adequado funcionamento de toda a muscu- latura antigravitaria, principalmente das peas. Este segmento possui conexdes com o 1° pela relagdo com a atragio sexual (visdo ¢ olfagdo) e equilibrio postural (aparelho vestibular ¢ visio); com 0 2°, a boca ¢ o primeiro érgio sexual ¢ os genitais so seus herdeiros na transigfo da oralidade a genitalidade; com o 3°, a repressio da sexualidade e a ansiedade de queda sempre envolvem encouragamento da musculatura do pescogo; com o 4° 40 / Psicossomitica Reichiana ¢ ee pela sua vinculagdo com identidade sexual e com a afetividade ¢ também com © contato titil e 0 auto-erotismo (mos); com o 5°, a angéstia de castracfo, a ansiedade pré-orgastica e a ansiedade de queda sempre envolve encouragamen~ to do diaftagma; com 0 6°, a conteng&o das sensages genitais sempre envolve encouragamento abdominal; inclusive a regiéo abaixo do umbigo, na fronteira entre 0 6° ¢ 0 7° segmento, é um ponto importante no fluxo da energia sexual (correspondendo ao "HARA" ou "TAN-TIEN"). > ‘A musculatura ¢ demais estruturas da pelve podem ecu apresentar diferentes alteragées de tonicidade, inclu- indo diversas formas de hipo ¢ hipertonias. O encouragamento da parte supe- rior das pemnas (coxas) tem conexio direta com contetidos ligados a sexualidade genital, enquanto o encouracamento da parte inferior (joelho para baixo, inclu- indo os pés) geralmente esté ligado também ou principalmente a perturbagies no embasamento postural ¢ ansiedade de queda. No adulto neurético (ndo genitalizado), além de ficar impregnada de contetidos psico-afetivos pré-penitais, a descarga orgistica fica bloqueada em graus varid- veis pelas repressdes psico-afetivas cuja expresso somética ¢ a couraga. Esta condigdo é denominada impoténcia orgastica, ¢ gera uma estase bioenergética crénica (estase da libido), que se constitui na base de todos os processos neu- roticos ¢ biopiticos. ‘A intolerancia as sensagdes de excitagio dos genitais (angistia genital) ¢ 0 medo de castrago associados (angisstia de castragio ¢ de perfuracao) resultam numa conteng&o muscular, vegetativa e energética em toda a regio pélvica, as- sociada a raiva bloqueada de intensidade proporcional (raiva félica). Esta con- digdo além de afetar a pelve, afeta também todos os membros inferiores até os és, prejudicando o embasamento postural (abssia funcional) ¢ a circulacdo energética (condigao de anorgonia), Os principais contetidos associados: ansiedade de queda, angistia de castragao, ansiedade pré-orgéstica ¢ sado-masoquismo anal ¢ félico. Em casos graves es- tes contesdos podem gerar sintomas de impoténcia ¢ frigidez, ¢ diversos tipos de perversdes sexuais. Cistites, dismenorréias, sindrome pré-menstrual, vaginites, cistos, varizes nas pemas, artroses nas articulagdes da } PATOLOGIAS: . 7 } rac crapas | uretrites, hemorréidas, varicocele, polipos, tumores ¢ As nicas que vis beragdo de corporal sada ceptiva ou de fisiolbgicas i percepgo e nas Existem segmentos. A como exemplo, das para des cessario fazer umn genético de funcse cas de desencourag A capacidade 4 ¢ acompanhé-lo qua ‘um recém-nascido destaques especiais por algumas delas ¢ nas nos poucos mo de sonoléncia, ritm cimento do ritmo b fixar objetos, sendc olho humano (1°, boca humana e dep recimento evolui at “pestalt visual” ‘Metodologia da Orgonoterapia / 41 Virilha, joclho ¢ tomozclo, lumbago, convulsées e desmaios _ histéricos, “sindrome das pemnas irrequietas", distirbios da micgfo, esterilidade, nevralgia do ciético (podendo levar a paralisias), etc. 9. Técnicas de Desencouragamento e seus Fundamentos As intervengdes terapéuticas corporais incluem um grande nimero de téc- nicas que visam a dissolugdo da couraga (desencouragamento) resultando na li- beraco de impulsos e emogées reprimidas e na restaurago da funcionalidade corporal sadia. Estas intervengGes incluem técnicas de estimulago senso-per- ceptiva ou de agdes corporais voluntérias (“actings") que reproduzem fungies fisiolégicas importantes no desenvolvimento ontogenético, nos processos de percepgdo ¢ nos processos de expressio afetivos. Existem dezenas de técnicas de desencouragamento para cada um dos 7 segmentos. A descrigao de todas elas seria objeto de um extenso livro. Apenas como exemplo, vamos descrever, no préximo t6pico, uma das técnicas utiliza- das para desencouragamento ocular (1° segmento). Antes porém torna-se ne- cessario fazer uma répida revisio de alguns aspectos do desenvolvimento onto- genético de funcio visual que servem de fundamentacdo tedrica para as técni- cas de desencouragamento ocular. A capacidade de fixar os olhos ¢ a atenyo em um objeto (estigmatiza¢ao) € acompanhé-lo quando em movimento ndo é inata; é desenvolvida. O olhar de um recém-nascido vaga aleatoriamente por um cendrio de cores ¢ formas sem destaques especiais (sem distingao figura-fundo), sendo eventualmente atraido por algumas delas como objetos de cores vivas ou muito brilhantes. E isto ape- has nos poucos momentos em que ele consegue emergir de um estado crénico de sonoléncia, ritmo alfa ou sono (estagio 1, 2, 3, 4 e REM). Com 0 amadure- cimento do ritmo beta (vigilia verdadeira) ele adquire capacidade de comegar a fixar objetos, sendo que uma das primeiras coisas capaz de atrair sua atengo é 0 olho humano (1° percepto visual). A este seguem-se outros: 0 vulto do seio, a boca humana e depois a face como um todo, as mos. Este progressivo amadu- recimento evolui até que seja capaz de integrar figuras mais complexas, obter a “gestalt visual” 42./ Psicossomitica Reichiana ¢ Um foco de atengao visual particularmente importante € 0 vulto do seio para o qual a crianga dirige o olhar durante a mamada, ¢ que se confunde com 0 ‘vulto do proprio nariz da crianga ¢ de seus labios. E provavel que de inicio o bebé nao discrimine essa coisas; ou seja, a sensagio da mamada fica associada 4 focalizagdo visual de uma regido bem préxima em frente a boca, onde se confundem 0 vulto do seio ¢ do nariz. Por volta dos 3 ou 4 meses a crianga vai adquitindo a capscidade de focali- zar com nifidez essas estruturas, distinguir com clareza 0 vulto do nariz ¢ 0 vulto do seio. Esse fenémeno de distingdo visual estaria associado ao fendmeno intracpsiquico de desfusio com primeiro objeto libidinal que caracteriza = transigdo da posicdo esquizo-parandide para a posiglo depressiva. O pleno in- gresso na posigdo depressiva envolve a integragao do seio a figura matena que assim se torna objeto libidinal total. Em muitas pessoas observa-se que as percepgdes visuais descritas acima esto comprometidas em graus varidveis devido, muitas vezes, a diferentes cir- cunstncias emocionais e relacionais dessa fase, e que se constituem na base de fantasias intra-psiquicas ansiogénicas. Observa-se que dentro do processo tera- péutico as primeiras vezes que se pede ao paciente que focalize seu proprio na-~ fiz ou um ponto muito préximo a cle, com muita frequéncia surgem reagdes femocionais fortes. Muitas pessoas apresentam reagbes de medo, tristeza, an- iistia ou raiva associadas a focalizagdo de um ponto muito proximo. Como se existisse ali um "fantasma perceptivo” cuja origem remonta a fase de amamen- tagto; ¢ os efeitos desse "fantasma perceptivo” estio na base de um grande ni- mero de sintomas esquizo-parandides e depressivos. ‘A partir do 6° ou 8° més 0 campo de atengo visual se expande em distin- cia ¢ lateralidade, principalmente com o fenémeno da introduce do terceiro (segundo organizador psiquico). Nesse momento, ao foco principal de atengdo visual que é 0 rosto matemo, acrescenta-se um outro foco secundério associado a visio lateral, que representa o que se denomina "o terceiro", que na verdade é ‘um fenémeno subjetivo intra-ps{quico ao qual se incorporam a imagem de figi- ras com as quais a crianca partilha o interesse e a atenco da mie, Com o advento do processo de engatinhar, ¢ depois de andar, o sistema vi- sual completa o seu amadurecimento funcional. A crianga adquire a capacidade de equilibrio, associada a orientacto espago-temporal, pela capacidade de foca- lizagdo de lar, Adquire avaliar a disti ado ao seu tagdo ocular neurolégico de processos funci meiros anos de vad corporal ¢ de suas Nessa mesmas | de suas sensagSes « tato com suas sens edipico. Por esse m mana se dar basics associadas a todo © Complexo de Edips identidade sexual fenémenos psico-c os fundamentos de to. s olhos nao timulos. Eles tamb conhecido que a tr nas regides anexas bém uma estimula predispdem o indi uma estimulagdo « (pela contragao do tho de acomodags promove alteragde sangue (dando ao: aumento na press estado de alheame por uma diminuiga Metodologia da Ongonoterapia / 43 ee lizago de atengao em todos os pontos de seu campo visual com visio binocu- lar. Adquire assim visdo estereoscépia (visio em profundidade) que lhe permite avaliar a distincia e altura dos objetos e de seu proprio corpo ¢ 0 tempo associ- ado ao seu deslocamento entre um ponto e outro. Essa capacidade de movimen- taco ocular voluntiria e consciente esta associada também a todo um sistema neurolégico de manutengéo da postura, do equilibrio e da locomogdo. Esses processos funcionais vo se aperfeigoando ¢ se consolidando durante os pri- meiros anos de vida, & medida que a crianga adquire 0 controle do seu esquema corporal ¢ de sua coordenagdo motora. Nessa mesma fase da vida a crianga vai adquirindo uma maior consciéncia de suas sensagdes corporais, com énfase na aquisigao da consciéncia ¢ do con- tato com suas sensages genitais. Essa fase coincide com o ingresso no periodo edipico. Por esse motivo, ¢ também pelo fato da atragdo sexual na espécie hu- mana se dar basicamente pelos olhos, essas fungdes oculares ficam fortemente associadas a todo 0 conjunto de fatores ideativos emocionais que compdem 0 ‘Complexo de Edipo, incluindo a escolha do objeto de desejo e a constituiggo da identidade sexual. O conhecimento desses processos permite entender os fenémenos psico-emocionais subjacentes ao encouragamento ocular, ¢ também s fiundamentos das técnicas terapéuticas de desencouragamento de 1° segmen- to. Os olhos no so apenas um érgio sensorial, um érgio de captagio de es- timulos. Eles também funcionam como érgio de expresso de emogdes. E fato conhecido que a tristeza promove uma congestifo de liquidos no globo ocular ¢ nas regides anexas incluindo os seios paranasais. Este mecanismo, envolve tam- bém uma estimulagio da secrego de ligrimas, e de outros mecanismos que predispdem o individuo a expresso do choro. Por outro lado, o medo produz uma estimulagao do ténus simpético, tomando os olhos secos arregalados (Pela contrago do miisculo palpebral superior), as pupilas dilatadas e 0 apare- lho de acomodagdo visual se ajusta para visio a distancia. A raiva também promove alteragdes no globo ocular, como aumento da pressdo ¢ do fluxo de sangue (dando aos olhos um aspecto avermelhado) ¢ também por vezes um aumento na pressio do liquido dentro das cémaras oculares. Por outro lado um estado de alheamento, se traduz por uma queda no masculo palpebral, miose, ¢ Por uma diminuigdo do afluxo sanguineo e da secrego lacrimal. 44 / Psicossomitica Reichiana e E facil de entender que se houverem emogdes cronicamente contidas a ni- vel do globo ocular, esses mecanismos fisiolégicos estardo cronicamente acio- nados, produzindo as adaptagdes fisiolégicas correspondentes, que porém, nestes casos nao terdo oportunidade de descarga. Este estado crénico de altera- ¢do fisiolégica pode predispor o individuo a diferentes patologias. «© psiquismo do sujeito ¢ constituido a partir de suas sensagdes e percep- Bes, sendo que de todos os érgios dos sentidos, os olhos tém um papel pre- ponderante. Podemos até dizer que 0 nosso psiquismo é construido em grande parte em fungio do que se vé. Popularmente, por exemplo, costumamos nos referir ao modo de pensar de uma pessoa como sendo o seu "ponto de vista” Assim 0 desencouragamento ocular favorece uma melhor percepgdo da reali- dade e conduz a uma reorganizagao do funcionamento psiquico. ‘Um outro aspecto muito importante a considerar é que as intervengbes te- rapéuticas sobre os olhos, tém efeito terapéutico indireto sobre as demais estru- turas do 1° segmento, incluindo encéfalo como um todo. Por este motivo 0 de- sencouragamento ocular favorece as fungdes de coordenagfo motora, equilibrio postural, as fiungdes vegetativas e hormonais 10. Exemplo de uma Técnica de Desencouracamento Dentre as diversas técnicas de desencouracamento de 1° segmento esco- Themos para descrever a técnica de estimulacdo luminosa ou técnica da lan- terninka, por ser muito abrangente, podendo ser utilizada para diferentes tipos de bloqueio ocular. Para os colegas terapeutas, a utilidade dessa descrigio é de apresentar alguns novos dados sobre sua fundamentagdo ¢ utilizago. Para os leigos ¢ iniciantes serve de exemplo de técnica corporal em orgonoterapia, mos- trando como elas se fundamentam em dados clinico-cientificos. A técnica da “lanterninha” foi descrita por Barbara Goldenberg Koopman € se tomou cléssica como uma das mais importantes técnicas de desbloqueio cular. Consiste em propor ao paciente que acompanhe com os olhos a luz de uma lanterna que o terapeuta movimenta a uma disténcia aproximada de 25 om 4 frente do olhos usando uma sala escura, © tempo de duragio do trabalho é de 15 a 25 minutos. Barbara faz! que ela fornes parénguima de material nada encouracades: total. Em dois sempenho académ primeira vez fee enxaqueca ficarame anos classificado oa ges apés 12 anos 4 que apresentam ins eftito terapéutico ps rebral propriament estimulo visual de m ocular” Explicagao dos Provavelmente dev feito vitalizador sob Tatura lisa e esquelé Tanto que um dos s larmente, a simples « queante explicando, de bem estar ¢ aum assam a expor-se a a lanterninha os olho evidente em paciente olhos fundos, opacos nham maior fluxo si com maior lacrimejas A luz em movin do a sua manutengac mada, ¢ consequente associado a ele, Metodologia da Orgonoterapia / 45 $e nce Barbara faz os seguintes comentirios a respeito dessa técnica: "... acredito que ela fornega uma oportunidade para atingir 0 nivel profundo da couraca no parénquima cerebral. Apés cerca de 15 minutos sempre se observa a liberagao de material inconsciente associado a respostas afetivas. Em pacientes pouco ou nada encouragados poderé, inclusive, eliciar um reflexo do orgasmo parcial ou total. Em dois estudantes essa téonica favoreceu uma marcante diferenga no de- sempenho académico. Outro paciente, um esquizofrénico intemnado disse: "pela primeira vez fez-se um claro na minha cabega". Dois pacientes que sofriam de enxaqueca ficaram livres desse mal apos poucas sessdes. Um paciente de 63 anos classificado como passivo feminino sentiu vibragdes de prazer ¢ teve ere~ g6es apds 12 anos de impoténcia. E stil também em criangas esquizofrénicas que apresentam incapacidade de dissociar os movimentos olho-cabega. Seu efeito terapéutico parece ser devido a estimulago da luz sobre a substiincia ce- Tebral propriamente dita e ao fato de forgar o paciente a ultrapassar o limiar do estimulo visual de modo que ele seja assim obrigado a abandonar sua contengo ocular” Explicagio dos efeitos: Os efeitos terapéuticos da lanterninha resultam Provavelmente de vérios fatores. O estimulo luminoso por si s6 jé tem um efeito vitalizador sobre as funges oculares, aliviando as contengdes de muscu- latura lisa ¢ esquelética, aumentando a vascularizagio e a drenagem liquida. Tanto que um dos sinais mais comuns de bloqueio ocular é a fotofobia. Simi- larmente, a simples exposigdo a claridade da luz solar jé tem um efeito desblo- queante explicando, por exemplo, a melhora do estado emocional, a sensagio de bem estar ¢ aumento de libido que muitas pessoas relatam sentir quando Passam a expor-se a maior luminosidade. Observa-se que apés o trabalho com a lanterninha os olhos ganham vitalidade e vivacidade. E isso é particularmente evidente em pacientes com bloqueio ocular hipo-orgonético que apresentam os olhos fundos, opacos ¢ sem vida. Apds o trabalho com lanterninha os olhos ga nham maior fluxo sanguinco, maior reflexo pupilar ficam mais brilhantes, com maior lacrimejamento. A luz em movimento é ainda um forte estimulo de estigmatizagdo, forgan- do a sua manutengéo por um tempo mais longo do que a pessoa esté acostu- mada, e consequentemente estimulando o contato e a manutengo do ritmo beta associado a ele. oor 46 / Psicossomatica Reichiana e Com a lanteminha podemos explorar diferentes pontos do campo visual, particularmente aqueles que sabidamente estio associados 4 marcas de meméria € contetidos ideativos de maior importincia psico-emocional, como por exem- plo a regido a frente do nariz.¢ da boca, os pontos de visio lateral monocular, ¢ 08 pontos laterais diagonais de visio binocular. Se ela é utilizada em movimen- tos lentos ¢ curtos, estimula a manutengdo continua da visio binocular em dife- rentes pontos do campo visual que € um dos aspectés mais importantes do desbloqueio ocular. Em muitas pessoas embora ambos os olhos sejam capazes de enxergar normalmente ¢ embora néo haja estrabismo evidente, apenas um deles esté, a nivel de senso-percepedo, plenamente atuante, quando se fixa um objeto para- do. A movimentagio do objeto-foco de visio estimula a plena fungao de ambos os olhos, ¢ a fusdo de suas imagens. Este procedimento é importante para 0 tratamento dos bloqueios oculares associados a niéicleos psicéticos, que se ca- racterizam pela auséncia da capacidade de percepgdo binocular. Os contetidos psicéticos correspondem marcas de memiéria (memeéria senso-perceptiva) sem significado simbélico, isto é, nfo integrados a0 psiquismo como idéias associa tivas, por um mecanismo de defesa conhecido como rejeigéo ("Verwerfung" - cf. Freud). A desfusio binocular esté relacionada com perturbagées nas cone- xes funcionais entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro, que muitas veres sio 0 mecanismo de defesa neurofisioligico associado ao mecanismo de rejeigfo. Isto porque a atribuigao de significado psiquico as percepgées envolve © funcionamento integrado de diversos setores dos 2. hemisférios, como a area interpretativa de Wernicke nos lobos temporais, as areas de associago senso- rial, area de fala, etc. trabalho com a lanterninha permite ainda auxiliar o paciente e recuperar a capacidade de coordenacio dos movimentos oculares, favorecendo a recupe- ragdo da orientagdo espaco-temporal e a reorganizagio das fungSes psiquicas associadas. Esta técnica, através da estimulacdo dos niacleos oculo-motores, que estio diretamente conectados aos niicleos vestibulares, atua indiretamente sobre as fungdes auditivas e sobre varios mecanismos de coordenagao das atividades motoras. & também til para ampliar o campo visual em todo o seu perimetro, que encontra-se retraido em algumas patologias, como por exemplo na histeria. Assim, de um modo geral, esta técnica esté indicada sempre que o paciente cal. Hoje se sabe como restaurador ‘Ocorrem ness¢ peri tes esquizofrénicos peratividade dopam mento de sono REM dois fatores estio imam sintomatologia psico-z sono REM duram ex trabalho com a lansezm que o trabalho com al de sonhos, em nimeze ciente que emerge), sum ‘Alguns autores pea deva a inibigdo da pe quéncia da estimulacie sabe-se que a secre; vista pelos olhos diariam Ou seja, esta explicasl quando fala em “lirniar Luzes coloridas: A gumas experiéncias for vel devido a importinca forte relagdo com as fi utilizando, além da luz § ee Metodologia da Orgonoterapia / 47 apresenta um grau pronunciado de bloqueio ocular, como em psicéticos, de- primidos, toxicémanos ¢ em todas as sindromes psicossomiéticas. Descobertas recentes no campo da neurofisiologia permitem que se pro- Pponha novas hipéteses para explicar o efeito terapéutico da lanterninha. E bas- tante provavel que a movimentagdo ocular continua, estimulando os nicleos oculo-motores, reproduza a estimulagdo pontogeniculocciptal (ondas PGO do cletroencefalograma) tipica de periodos de sono paradoxal ou sono REM (Rapid Eye Moviment), associada com a atividade cerebral cortical e subcorti- cal. Hoje se sabe que 0 sono REM tem um papel de fundamental importancia como restaurador das fungdes psico-emocionais, ndo sé pelos sonhos que ‘ocorrem nesse periodo, mas também pelas intensas alteragOes na fungdo de si- napses dopaminérgicas mesolimbicas e mesocorticais. Sabemos que os pacien- tes esquizofrénicos apresentam periodos encurtados de sono REM ¢ uma hi- peratividade dopaminérgica, enquanto os pacientes deprimidos apresentam au- mento de sono REM ¢ uma hipoatividade dopaminérgica central, ¢ que esses dois fatores estio intimamente relacionados no que diz. respeito & produgo da sintomatologia psico-emocional. E interessante notar ainda que os perfodos do sono REM duram em média 15 a 25 minutos, que ¢ 0 tempo que deve durar o trabalho com a lanterninha, Observa-se clinicamente com bastante frequéncia que o trabalho com a lanterninha induz, nas noites subsequentes, a ocorréncia de sonhos, em nimero e qualidade (pela clareza e riqueza do conteiido incons- ciente que emerge), superiores a habitual Alguns autores propdem também que o efeito terapéutico da lanterninha se deva a inibigéo da produgio de melatonina pela glandula pineal como conse- quéncia da estimulagdo luminosa que, como se sabe, tem esse efeito. Porém, sabe-se que a secregio da glindula pineal ¢ regulada pela quantidade de luz vista pelos olhos diariamente, ¢ ndo pela intensidade momentanea do estimulo. Ou seja, esta explicagéo ¢ diferente daquela proposta por Barbara Koopman quando fala em “limiar do estimulo visual”. Luzes coloridas: A técnica original propde o uso da luz branca. Porém al- gumas experiéncias foram feitas com luzes de outras cores, o que parece cabi- vel devido a importincia significativa da visfo a cores para o homem e pela sua forte relagdo com as fungdes afetivas. Tenho obtido bons resultados clinicos utilizando, além da luz branca, luzes de cor azul, verde ¢ vermelha, O funda- 48 / Psicossomitica Reichiana e mento neurofisiolégico dessa modificago da técnica esté no fato de existirem {és tipos de cones retinianos para percepgdo de cores (azul, verde e vermelho), havendo indicagdes de que o amadurecimento da percepefo visual as cores seja diferenciado para os diversos comprimentos de onda. Observei em varios paci- entes que o trabalho com a luz azul dé muitos bons resultados na elaboragao de contetidos ligados a fase oral (elaboragéo da chamada posigdo depressiva). In- ‘clusive é fato conhecido que, apés alguns trabalhos terapéuticos de desbloqueio ocular, certos pacientes com tragos predominantemente psicéticos ou depressi- vos, relatam um aumento da percep¢o da cor azul © trabalho com a lantema vermelha, por outro lado, tem dado muitos bons resultados na elaboragao de conteidos mais diretamente associados a0 com- plexo de Edipo. A luz verde parece ter um efeito intermediério entre azul ¢ a -vermelha, assemelhando-se mais a esta ‘altima, A luz verde é particularmente “itil para casos em que se observam bloqueios de determinadas fungdes fi- siolégicas, principaimente em funcdes reguladas por horménios do eixo hipotélamo-hipéfise; como por exemplo, ame- norréia, retardo de puberdade associado a obesidade, nanismo hipofisério, in- ferrupgao de trabalho de parto ou de lactagio, doenga de Addison verdadeira (ow a chamada deficiéncia cértico-supra-renal do adolescente), ovarios policist cos, ete. 11. Sindromes Psicossomdticas termo "sindromes psicossométicas" é usado aqui no sentido mais amplo possivel, englobando virtualmente todos os tipos de patologias, com excegao apenas daquelas de natureza genética ¢ daquelas cuja etiologia esté ligada a agressdes externas claramente identificéveis como as intoxicagGes € certas in- fecgtes e parasitoses. uum organismo altcea / patologicos que term 0 individuo a morte? plo, uma perda afetiva disso produzem, por berculose? Por que z misturado a0 desejo d asmitica? Por que raz a produzir uma tilcera Praticamente tods pressio de condigBes conflitos.psico-emoci muito banais demons vomito, so mecanism ou irritantes respective podem ser utilizados de natureza psico-emo ou pelo vémito neste | uma tosse seca, néo p de insatisfagao. Um ot vezes no se conseguc Metodologia da Orgonoterapia / 49 Conforme descrito por Reich, o inicio do processo de encouracamento pode ocorrer na fase embrionaria, fetal, neo-natal ou pés-natal. Porém, isto 6 apenas um inicio. Os bloqueios inaugurados em uma determinada fase sero depois reforgados, intensificados, em fases posteriores; sendo que os diversos tipos de bloqueios se conectam pelo mecanismo de entrelagamento das defesas instintivas. Muitas vezes os eventos que reforcam os bloqueios siio mais in- tensos ainda que aqueles que os inauguram. Por isso Reich atribui tanta im- portincia a vinculagdo entre encouragamento ¢ represso da sexualidade. As doencas sto uma consequéncia tardia e secundaria aos processos de encou- racamento. Sio 0 resultado final de um processo complexo que abarca a totali- dade da estrutura de caréter e da couraga. Logo, no é possivel pretender clas- sificé-las em fungo do evento inicial de encouragamento, Uma das questies mais intrigantes a respeito do ser humano ¢ 0 meca- nismo da produgdo de patologias sométicas. Por que razdo num dado momento um organismo altera suas fungGes fisiolégicas produzindo estados funcionais patolégicos que terminam causando lesGes orginicas que podem inclusive levar © individuo a morte? Por que motivo algumas pessoas ao sofrerem, por exem- plo, uma perda afetiva, em vez de reagirem com tristeza, ou depressio, em vez disso produzem, por exemplo, uma retocolite iilcero-hemorragica ou uma tu- berculose? Por que razdo um sentimento de dependéncia ¢ frustragio afetiva misturado ao desejo de emancipagio faz um individuo produzir uma bronquite asmética? Por que razio uma raiva contida, um rancor crdnico, leva o individuo a produzir uma iilcera gistrica e assim sucessivamente? Praticamente todas as fuungées orgdnicas podem ser "usadas" para a ex- pressio de condigdes psico-emocionais. E muito facil a tradugdo de impulsos e conflitos psico-emocionais para uma linguagem somética. Alguns exemplos muito banais demonstram isso. © mecanismo da tosse, por exemplo, ou o Vémito, sio mecanismos fisiolégicos destinados a expulsar substincias nocivas ou inritantes respectivamente das vias aéreas e do estémago, Esses mecanismos podem ser utilizados para expressar uma aversio, uma expulsio de contetidos de natureza psico-emocional. Aquilo que esté querendo ser expelido pela tosse ‘ou pelo vémito neste caso no tem concretude. A chamada "tosse nervosa’ é ‘uma tosse seca, nfo produtiva, muitas vezes um ato de rebeldia, de afirmagéio de insatisfagéo. Um outro mecanismo de aversio a0 contato ¢ a alergia, Muitas vezes nio se consegue identificar a substancia alergénica. Mas mesmo quando 50 / Psicossomatica Reichiana ¢ ela existe concretamente, 0 mecanismo que deflagrou a intolerdncia tem causa emocional. A alergia esti sendo dirigida contra determinadas situagdes de vida ou determinados vinculos humanos, representados por aquela substincia. O ato de comer, por exemplo, muitas vezes ndo visa satisfazer uma neces- sidade nutricional ¢ sim uma necessidade afetiva. Da mesma forma ¢ por exten- + so, as atividades intestinais refletem uma determinada dinémica psiquica no que diz respeito a dar e a receber, reter ou eliminar. Uma imaturidade emocio- nal, um estado de dependéncia crdnica que gera no individuo um sentimento de incapacidade de manter-se por conta propria, pode se repercutir a nivel meta- bélico numa baixa da produgo de horménios que mantém a glicemia como 0 cortisol, o glucagon, somatotrofina (os horménios do jejum). O resultado é que 0 individuo néo ¢ capaz de sobreviver sem o alimento permanente, como 0 be- bé que precisa mamar a cada 3 ou 4 horas. Se o alimento néo vem, o individuo entra num estado de hipoglicemia idiopética. Uma mobilizagio crénica e exagerada do instinto de auto-conservagio pode levar a tirdide a produzir quantidades exageradas de tiroxina. Muito fre- quentemente o individuo com estado depressivo Iatente manifesta sua depres- so com sintomas sométicos como 0 cansago crdnico, pressio baixa, etc. Mui- tas vezes uma patologia manifesta em um determinado érgio esté ligada a im- pulsos originariamente associados a um outro érgio que foram deslocados para © dro doente. Um dos exemplos mais comuns disso so patologias que repre- sentam o deslocamento para outros érgios de um contflito instintivo associado a oralidade ¢ portanto a boca. O impulso de raiva oral sendo deslocado para 0 estémago dé origem a uma contragdo e hiper-secrego gistrica que pode levar a uma gastrite ou cera. Impulsos associados a um estado emocional que mescla frustragoes erética-afetiva, ¢ raiva contida por culpa, podem concentrar-se nos genitais causando uma hiperexcitago nervosa crénica no iitero ou na préstata, que podem levar ao desenvolvimento de um mioma ou de um adenoma, © funcionamento do corpo esté subordinado a0 SNC e aos processos emocionais. Conhecendo-se bem os mecanismos fisiolégicos podemos perce- ber com muita clareza que as manifestagSes somiticas so uma expressio muito coerente e "légica” dos processos psico-emocionais; basta decodificar 0 significado da manifestagdo somitica que a partir disso podemos intuir 0 com- ponente psfquico associado. 12. O Concetta Biopatia é um um distirbio crim cos. A descrigdo de: de cincer e outras 4 poderfamos dizer sempre precedids pe Uma condigio de « dos interesses sexes por um estado de m biopatias envoivem melhos do sangue, mento de metabolis sular a0 desenvohia Warburg, Prémio sas células uma defi uma alta producio 4 Reich chamou muitas vezes se site intra-uterina, embor casos. Alguns auton cuja origem esté ant tas) e biopatia secun ceito de biopatia € existe a tendéncia pa doengas sistémicas o $0 ¢ profundo das fi aquelas doengas qué Entre essas doengas trite reumatdide, dis generativas do sistem emprega-se o nome caso de pessoas que 1 ) : . Metodologia da Orgonoterapia / S1 12. O Conceito de Biopatia Biopatia ¢ um termo criado por Reich para designar doengas resultantes de um distarbio crénico na pulsagdo biolégica, ou seja, nos movimentos plasmiti- cos. A descrigdo de Reich a respeito das biopatias foi feita com base em casos de cancer e outras doencas. Ampliando um pouco mais 0 conceito de biopatia, poderiamos dizer que ¢ uma patologia do organismo como um todo, que é sempre precedida por um estado geral de contragio biofisica ¢ caracterolégica Uma condiclo de estase bioenengética global, que se manifesta pela retragio dos interesses sexuais, auséncia crénica de satisfagio, ¢ caracterologicamente por um estado de resignagao ¢ de vazio emocional. Reich demonstrou que as biopatias envolvem ainda: deficiéncia respiratoria, alteragdes nos glébulos ver- melhos do sangue, ¢ diminuigéo da oxigenago tecidual, que induz o surgi- mento de metabolismo anaerdbico. As idéias de Reich, associando a andxia tis- sular a0 desenvolvimento do cfincer slo confirmadas pelos trabalhos de Otto Warburg, Prémio Nobel de Fisiologia e Medicina, que demonstrou haver nes- sas células uma deficiéncia local de oxigénio, um excesso de gés carbénico, ¢ uma alta produgiio de acido litico devido ao metabolismo oxidativo anaerdbico Reich chamou a atengdo para 0 fato de que a causa origindria das biopatias muitas vezes se situava antes do nascimento, por condigées indspitas da vida intra-uterina, embora cle ndo tenha restringido 0 conceito de biopatias a estes casos. Alguns autores propdem a denominagto de biopatia priméria Aquelas cuja origem esth antes do nascimento (seria 0 caso de muitas doengas congéni- tas) e biopatia secundéria aquelas cujo evento originério seria pés-natal. O con- ceito de biopatia é portanto, muito amplo e dificil de delimitar. Atualmente existe a tendéncia para utilizar o termo biopatias especificamente para designar doengas sistémicas ou degenerativas que envolvem um comprometimento difu- 50 € profundo das fungdes orgénicas ¢ cuja etiologia ndo é conhecida, ou seja, aquelas doengas que a medicina oficial denomina essenciais ou idiopéticas. Entre essas doengas estariam incluidas, por exemplo, o lupus eritematoso, ar- trite reumatdide, distrofias musculares, esclerose miltipla, outras doengas de- generativas do sistema nervoso ¢ a maioria das neoplasias. De um modo geral emprega-se o nome condigéo biopética ou estrutura biopética para designar 0 caso de pessoas que apresentam um comprometimento difuso das fuungOes teci- 52 / Psicossomatica Reichiana e duais, mas muitas vezes no chegam a apresentar sindromes patolgicas bem definidas. Reich postulou que um dos fatores na transformagio de uma célula normal em célula cancerosa seria a estase bioenergética dentro da célula, que a tornaria ‘uma célula com energia DOR. Reich afirma que, a nivel biolégico mais profun- do, 0 crescimento tumoral devido a répida divisio mitética das células cancero- sas pode representar uma tentativa localizada de descarga energética, substi- tuindo a descarga orgastica natural do organismo como um todo. A biopatia do cincer sempre leva 0 organismo a uma condigo hipo-orgonética devido a mobilizagdo energética necesséria para suprimir o tumor, os bacilos T ¢ os subprodutos da desintegragao das células. Consequentemente o tratamento com © acumulador de orgone é sempre indicado como recurso auxiliar na orgonote- apia de caso de cancer. Nesse caso o suprimento extra de energia orgdnica fomecida pelo acumulador auxilia a restauragdo das fungdes fisiolégicas vitais contribuindo para a regressio do tumor. Reich descreveu varios casos de tratamento de pacientes cancerosos com acumulador, com resultados bastantes promissores. E esses resultados no po- dem ser atribuidos a fatores transferenciais ou outros fatores psicoldgicos en- volvidos, pois também se observa experimentalmente em animais de laboraté- rio. Reich demonstrou, em camundongos com adenocarcinoma esponténeo de glindula maméria, que 0 tempo de sobrevivéncia desses animais poderia, com 0 uso do acumulador, ser aumentado de uma média de 3,9 para 11,1 semanas. Os resultados de pesquisas experimentais, descritos na figura anexa, de- ‘monstram que 0 tratamento com o acumulador, aumenta significativamente a curva de sobrevivéncia de animais com tumor sarcoma induzido, O fato mais interessante observado nesta pesquisa é que 0 tratamento orgonémico promove a dissolugio do tumor, o que se deve provavelmente ao aumento da produgio de um fator imunolégico conhecido como "tumor necrosing factor", pelos gl6- bulos brancos do organismo. Exames anétomo-patoldgicos "post-mortem" nio evidenciaram metéstases, porém evidenciaram vasculite hepatica ¢ glomerulo- meffite difusa, Estes resultados morte de sujeitos cam tumor em si mas a ¢ desintegragdo tumor tumor for grande, experiéncia & que o | fisiolégicas vitais, a4 comportamentais, © plasmiticos de endow 13. Abordagens Existem atualmes radas como "abordag em grau maior ou me concepgdo teérica e m — a s C ° \- 0 a Metodologia da Orgonoterapia / $3 A figura mostra resultados do trabalho de pesquisa "The orgonotic ‘treatment of transplanted ‘tumors and associated {mrmunological functions” de E, E, Trotta ¢ E, Merer, publicado no Joumal of Orgonomy (1990), n.1, 24, do "American College ‘of Orgonomy*. A curva de sobrevivencia assinalada com simbolos escutos diz respeito aos animais submetidos 20 tratamento com 0 ‘scumulador, a curva com se wet) simbolos claros corresponde ao grupo controle. Estes resultados confirmam as hipéteses de Reich que indicavam que a morte de sujeitos cancerosos apés tratamento com o acumulador no se deve ao tumor em si mas a deficiéncia renal e hepética causada pelos subprodutos da desintegragtio tumoral. Assim sendo o tratamento nfo dispensa a cirurgia se 0 tumor for grande, mas previne metéstases. Outro efeito observado nesta experiéncia € que o tratamento com o acumulador favorece todas as fungées fisiolégicas vitais, a atividade locomotora, a interago social e outras respostas comportamentais, 0 que provavelmente se deva ao aumento dos niveis plasméticos de endorfinas. 13. Abordagens Terapéuticas de Base Reichiana Existem atualmente varias abordagens terapéuticas que podem ser conside- radas como “abordagens terapéuticas de base Reichiana", porque se baseiam em grau maior ou menor, nos prinefpios mais gerais ou mais fundamentais da concepcao teérica e metodolégica de Reich, que sto: 54 / Psicossomitica Reichiana e 4) a idéia que, sendo o ser humano uma unidade biopsiquica indissociével, as intervengées terapéuticas devem atuar simultaneamente sobre as fungdes psico-emocionais ¢ anatémico-fisiolégicas do paciente. b) sua compreensio sobre a estrutura psicolégica do paciente ¢ interven¢o terapéutica estio fundamentadas teGrica e tecnicamente na Anilise do Cardter, _ desenvolvida por Reich a partir da Psicandlise. c) 0 entendimento que todas as perturbagées psico-emocionais esto intrin- secamente associadas a perturbagées corporais, isto é a um conjunto de dis- fung6es anatémico-fisiolégicas a que Reich denominou Couraca. 4) 0 entendimento que no organismo vivo circula uma energia, denominada bioenergia ou orgone, ¢ que a couraga interrompe 0 fiuxo normal desta bio- energia. €) © processo terapéutico tem como objetivo a dissolugéo da couraca ¢ a recuperago do fluxo bioenergético sadio, associado a recuperagio da plena capacidade de expresso emocional e da poténcia orgéstica E claro que poderiamos citar outras questdes importantes, porém, parece que a nivel clinico sdo estes os aspectos mais fundamentais. ‘As “abordagens terapéuticas de base Reichiana” em geral, podem ser sub- divididas em dois grandes grupos: 1) as terapias Reichianas propriamente ditas, , 2) as chamadas terapias neo-Reichianas, Terapias Reichianas propriamente ditas sho aquclas que, embora tenham acrescentado novas contribuigdes técnicas ou tedricas 4 concepco original de Reich, procuram continuar seguindo de uma forma mais ampla ¢ mais rigorosa ‘a sua metodologia terapéutica, Os terapeutas que seguem esta orientagio cos- tumam, mais frequentemente, denominar-se Orgonoterapeutas. Alguns prefe- rem denominar-se Vegetoterapeutas ou simplesmente Terapeutas Reichianos. Como explicado na nota abaixo, vegetoterapia e orgonoterapia sio dois termos que Reich ufilizou em épocas distintas para designar a sua abordagem terapéu- ticaS 5 Vegetoterapia caractero-analitica foi 0 termno inicial usado por Reich para designar sua ‘metodologia terapéutica. Mais tarde ele prope substituir esse termo por Orgonoterapia. Os motivos dessa nova denominagao seriam incur a palavra orgone ressaltando a importincia da mobilizagéo das "correntes energéticas", evitar aidéia de dualismo corpo-mente que o termo que se dem nas) sto aquelas postulados mais & modificagdes em s técnicas de interve original de Reich os ta ou mais precisa energética de A. L Boadella. Nos pars fundamentais da ms 14. Metodolog Descrever a m ficil, pois além de s ¢ nflo por recomend dutivel a roteiros ¢ fungo de cada pack ‘ura corporal do ps emergentes, ¢ focal terol6gica e as peca detalhar mais esta d Reflexiio Historie Reich clinicou, pia até o final da dé anterior poderia sugeriz termos que foram usad ual, é claro, soften e sis ‘ou nfo os acumuladore acabamos de dizer, 6 cox metodologias de desbloc aintervengdes terapéutic ce b- tas HULU Metodologia da Orgonoterapia / 55 © que se denomina Terapias neo-Reichianas (ou as vezes pis-Reichia- nas) so aquelas abordagens terapéuticas que, embora estejam baseadas nos postulados mais fundamentais da teoria e pritica Reichianas, introduziram modificagdes em sua metodologia clinica, principalmente no que diz respeito as ‘técnicas de intervengao corporal, de modo que se diferenciam da abordagem original de Reich ou das abordagens que derivam dela de uma forma mais dire- ta ou mais precisa. Alguns exemplos de abordagens neo-Reichianas sio: a Bio- energética de A. Lowen, a Biodinimica de G. Boyesen ¢ a Biossintese de D. Boadella, Nos pardgrafos seguintes vamos tentar descrever os aspectos mais fundamentais da metodologia terapéutica de Reich. 14. Metodologia da Orgonoterapia Descrever a metodologia da Orgonoterapia ¢ uma tarefa relativamente di- ficil, pois além de ser bastante complexa, ela se orienta por mecanismos globais € ndlo por recomendagdes técnicas fixas e sistematizadas. Na verdade ela ¢ irre- dutivel a roteiros clinicos padronizados, porque & muito individuslizada em fungo de cada paciente. Orienta-se pela dindmica psico-emocional e pela estru- tura corporal do paciente, abordando tanto os aspectos estruturais quanto os emergentes, ¢ focalizando simultaneamente a totalidade de sua estrutura carac- terolégica e as peculiaridades de seu mecanismo de encouragamento. Antes de detalhar mais esta descricdo, ¢ interessante fazer uma rapida reflexao histérica. Reflexdo Histérica Reich clinicou, pesquisou e escreveu sobre a metodologia da Orgonotera- pia até o final da década de 40. De lé para cé, obviamente, esta metodologia foi - anterior poderia sugerir. Logo, vegetoterapia e orgonoterapia ndo sto coisas diferentes, sia termos que foram usados em époces distintas para designar a mesma conceps8o terapéutica, 8 ual, é claro, soften ninda softe um aperftigoamento constante. A orgonoterapia pode utilizar ou no os acumuladores de orgone como recurso terapéutico complementar. Apesar do que acabamos de dizer, é comum as pessoas utlizarem o termo vegetoterapia quando se reférem as metodologias de desbloqueio segmentar, e utilizarem o termo orgonoterapia quando se referem 4 intervengdes terapéuticas mais amplas. 56 / Psicossomética Reichiana ¢ grandemente aperfeigoada gragas as contribuigdes de varios de seus discipulos. ‘Algumas destas contribuigdes foram escritas e sistematizadas, outras foram transmitidas verbalmente, Quando Reich escrevia sobre sua abordagem terapéutica cle se preocupava mais em discutir e exemplificar, através de casos clinicos, a evolugdo de suas “descobertas ¢ os princfpios gerais de sua aplicagfo, dé que em fornecer uma sistematizagdo simples e clara que orientasse sua aplicago. Talvez ele tenha optado por esta forma por acreditar que o mais importante no é ter um roteiro clinico (cuja aplicagio pode tomar-se mecénica) e sim compreender a esséncia, o nexo geral da orgonoterapia. Talvez nfo tenha feito isso por falta de tempo. De qualquer forma, existe uma lacuna bibliogrAfica que algumas vezes gera mal-entendidos ou deturpagdes tendenciosas que tentam dizer que Reich nfo chegou a formular uma metodologia clinica para a orgonoterapia. Esta afirma- ho é equivocada, pois a maior preocupacio de Reich, desde seu tempo de psi- canalista, sempre foi o aperfeigoamento da metodologia ¢ das técnicas clinicas. © que aconteceu foi que o saber Reichiano, além de pouco documentado em livros, no se institucionalizou, também por razdes historicas. Em outras pala- ‘ras; nfo existe nem uma Biblia nem um Vaticano da terapia Reichiana. A maioria dos discipulos diretos de Reich, liderados por Elsworth Baker, a quem Reich pessoalmente incumbiu da transmissio de seus ensinamentos ¢ da formago de novos terapeutas, continuaram juntos, inicialmente em Nova York onde fumdaram o "American College of Orgonomy". Alguns deles posterior- mente se desligaram constituindo novos nicleos. A metodologia terapéutica Reichiana disseminou-se por varios paises do mundo através dos escritos de Reich ¢ de seus colaboradores, através dos artigos publicados no Journal of Orgonomy, publicagio oficial do “American College’ ¢ principalmente por transmissio direta em cursos, terapias ¢ vivencias. Diferentemente da Psicandlise, que durante muitos anos teve seu saber € sua prética centralizada pela "Associago Psicanalitica Internacional”, que man- tinha no mundo inteiro sua hegemonia, formando ¢ credenciando profissionais, ¢ instituigles afiliadas, a Terapia Reichiana difundiu-se pelo mundo de uma forma ndo-institucionalizada. Varios discipulos diretos de Reich desligaram-se, ou nunca chegaram a pertencer ao “American College”. E trabalhando indepen- dentemente, inicialmente nos EUA ¢ na Europa, por vezes constituindo peque- ‘NOS grupos ow metodologia multiplicadora, resultado nhum pais do tante ou "porta desvantagem & uma espécie de ficil controlar e: gem é que a rofissionais deste -versétil e sempre Se a institucioms restrigdo dos pons © outros vicios perm a grande preocupacs Reich a se destigar da podia assimilar as sa com o tempo se des mente justificado pek (muitas vezes 36 sag corporativista que res Descrigdo da Mes A Orgonoterapia quanto corporais, sen portincia aos aspect com grande énfase ac pretacio psicodinémi: seia-se na Anélise do que conserva essencis As intervengées dissolugio da couray ‘Matodologia da Orgonoterapia / $7 ‘os grupos ou instituigBes, passaram a transmitir o pensamento Reichiano e sua ‘metodologia clinica, inclusive viajando a outros paises nesta tarefa pedagogica multiplicadora, por vezes até "missionéria". O resultado disto é que atualmente, nenhum grupo ow instituig#o em ne- nhum pais do mundo pode pretender considerar-se o mais qualificado represen- tante ou "porta voz" do saber Reichiano. Isso tem vantagens e desvantagens. A desvantagem & que, no havendo possibilidade de se normatizar e formalizar uma espécie de credenciamento para a pritica desta especialidade, toma-se di- ficil controlar e regulamentar a capacitagao de profissionais nesta drea. A vanta- gem é que a grande diversificacio de experiéncias clinicas e cientificas, dos profissionais desta especialidade, a tornam um campo de conhecimentos muito versétil ¢ sempre aberto a criatividade e ao aprimoramento. Se a institucionalizagdo permite maior controle, por outro lado favorece a restrigo dos pontos de vista, a consolidagao dos erros, a rigidez de pensamento © outros vicios pemniciosos ao aprimoramento clinico-cientifico que sempre foi 1 grande preocupagdo de Reich. Foram exatamente estes vicios que levaram Reich a se desligar da Associagdo Psicanalitica que, pela sua rigidez formal nio podia assimilar as suas novas descobertas. Todo saber que se institucionaliza, com o tempo se descaracteriza ¢ se empobrece. O poder institucional, geral- mente justificado pelos seus dirigentes como consequéncia de um suposto saber (muitas vezes s6 suposto), termina se transformando numa meta narcisica e corporativista que resulta num anti-saber. Descrigdo da Metodologia A Orgonoterapia utiliza técnicas de intervencdo terapéutica tanto verbais, quanto corporais, sendo que dentro do “setting” terapéutico & dada grande im- ortincia aos aspectos vivenciais que permeiam o vinculo cliente/terapeuta, com grande énfase a0 manejo clinico do fenémeno da Transferéncia. A inter- pretagdo psicodinémica, que orienta todas as etapas do trabalho terapéutico, ba- seia-se na Anilise do Carter desenvolvida por Reich a partir da psicandlise ¢ que conserva essencialmente todos os postulados fundamentais da psicandlise. As intervenges corporais envolvem um conjunto de técnicas que visam a dissolugio da couraga, acompanhada da liberacfo de impulsos ¢ emogdes re- 58 / Psicossomatica Reichiana e primidas ¢ da restauragiio da funcionalidade corporal sadia. Envolvem também a reorganizagao da percepco das sensacdes, o que resulta numa reorganizagio da estruturagdo psiquica ¢ caracterolégica do individuo. Os trabalhos corporais cca apne ato 5 655 CorpOFS"Gusce- produzem fungées fisiolégicas importantes no processo de desenvolvimento _ ontogenético, e/ou nos processos de percepglo e expressio afetivos. Esses tra- balhos atuam sobre memérias neuro-musculares ¢ seus correspondentes psico- afetivos diretamente através de uma estimulagio neurofisiolégica. Desta forma ‘les permitem atuar-se também sobre conflitos instintivos ¢ mecanismos de defesa relacionados com fases muito primitives (fases pré-verbais) do desen- volvimento ontogenético. Permitem ainda conectar ¢ elaborar conteiidos psiqui- cos inconscientes ou até mesmo marcas de meméria ainda nfo integradas 20 psiquismo como idéias associativas, isto é, ainda sem significado psiquico (contetidos psicéticos). Outras caracteristicas mais especificas desta metodologia so: ‘Trabalho de desencouragamento, que se orienta pela dindmica psico- 1 emocional do paciente, 6 conduzido de forma associada ao trabalho de dissoluglo das defesas caracterolégicas. Embora o trabalho de desencoura- ‘gamento tenha um enfoque eminentemente estrutural, isto é, tem como objetivo 2 dissolugdo dos bloqueios cronicamente instaurados na estrutura corporal do sujeito, eles sio levados i efeito levando-se sempre em conta 08 aspectos emer- gentes, a nivel somftico e psico-emocional © terapeuta, « partir de uma hip6tese diagnéstica mais geral clabora um “plano de trabalho" de desencouragamento. Este, em cada sessio é ajustado ou adaptado aos fendmenos emergentes (que correspondem a agudizagées de as- pectos setoriais da couraca). Desta forma o plano de trabalho de cada sessio, visando o progressivo abrandamento da couraga, é formulado com base em 85- pectos emergentes ¢ estruturais. Por exemplo, pode acontecer que numa de- terminada sesso, em consequéncia de acontecimentos especificos da vida atual, 0 paciente traz uma problemética emocional intensa relacionada com sua identidade secundéria (identidade sexual/social adult) associada a uma agudi- zagHo dos seus bloqueios de 4° segmento. Neste caso mesmo que, dentro de sen plano de desencouracamento cle estivesse trabalhando 1° ¢ 2° segmentos, nesta sessiio sera a) quais os tes ou reprimidas) e: raiva reativa 5 ‘Ultima que sera b) como as emo gicas do paciente, eg qui 0s signficados a ©) como isto tad cada segmento que, a na contengiio destas detectada uma determi ada nos olhos, ou ma‘ enti, orientado por « corpo ao paciente. 2, Otabaiho 4 se pelos segs ‘0s segmentos infericx ao sétimo segmento. Porém esta regra no capitulo 8 da Fung’ damento de bloqueios Dloqueios mais acima. ser encarada muito quentemente um espas pois de irromperem casos um espasmo née nifo se tenha dissolvid mento esté tho fortem issolugdo s6 € possive a couraca ¢ feita de ci Metodologia da Orgonoterapia / 59 nesta sessdo seré provavelmente prioritério e mais proveitoso trabalhar também (ou principalmente) o 4° segmento. Em cada sessdo o terapeuta busca inicialmente compreender: 4) quais os sentimentos e emogdes presentes (principalmente aquelas laten- tes ou reprimidas) e qual a sua estratificagao? - Por exemplo, pode haver uma raiva reativa superficial, escondendo uma tristeza de fundo... neste caso, é esta ‘altima que seré eliciada. ) como as emogdes reprimidas se relacionam com as defesas caracterolé- gicas do paciente, e qual o seu significado psiquico, histérico e atual (incluindo aqui os significados transferenciais) ¢) como isto tudo se manifesta no corpo? Ou seja, quais os bloqueios de cada segmento que, naquele momento, funcionam como mecanismos de defesa na contenglo destas emogGes e na obnubilacdo de sua percep? Por exemplo, detectada uma determinada qualidade de emogdo, resta saber se ela esth bloque- ada nos olhos, ou na boca ¢ garganta, ou nas mios © bragos ou na pelve. Sé entio, orientado por estas conclusdes, 0 terapeuta vai propor um trabalho de corpo ao paciente. 2, © trabalho de desencouragamento sistemstico dos segment, inicia- se pelos segmentos superiores e progressivamente avanga em diregdo ‘aos segmentos inferiores; ou seja, é conduzido de cima para baixo, do primeiro 0 sétimo segmento. Porém esta regra é seguida de uma forma nfo rigida, pois como Reich diz no capitulo 8 da Fungo do Orgasmo, as vezes & necessério trabalhar o abran- damento de bloqueios mais para baixo, para poder fazer aparecer ¢ dissolver bloqueios mais acima, Reich afirma textualmente que "essa deserig&o nfo deve ser encarada muito esquematicamente, pois ....., também & verdade que fre- quentemente um espasmo de garganta s6 pode ser dissolvido por completo de~ pois de irromperem no abdémem fortes impulsos vegetativos ..... em muitos casos um espasmo nfo é descoberto enquanto a excitagéo vegetativa na pélvis no se tenha dissolvido até certo ponto". Muitas vezes um bloqueio de 1° seg- mento esté tio fortemente associado a um bloqueio de 4° segmento, que sua dissoluco s6 é possivel com intervengdes sobre o térax. Ou seja, a dissolugio da couraca ¢ feita de cima para baixo, mas, as vezes, para poder trabalhar efici- 60 / Psicossomética Reichiana e entemente 0 desencouragamento de segmentos superiores & necesséirio fazer estimulagées e obter abrandamentos de bloqueios muito intensos situados em segmentos inferiores. 3, Ums outa rare sequencial de desbloqueio ¢ regra de seguir se- quéncia do desenvolvimento ontogenético. Mas também esta regra é “seguida de forma nfo rigida. Por exemplo, & verdade-que, no desencouraga- ‘mento de 2° segmento, por exemplo, deve-se trabalhar primeiro o impulso suc- ional e depois o impulso de morder, pois no desenvolvimento da crianga (fase oral) é nesta sequéncia que eles se apresentam. Porém, muitas vezes, se houver um forte bloqueio do segundo, é necessério trabalhé-lo antes um pouco para enfio ser possivel um bom resultado no desbloqueio do primeiro. Este é 0 caso de pacientes melancélicos que apresentam uma grave hipotonia da musculatura da mandibula, ¢ uma inibigdo do erotismo oral e do impulso succional. Neste caso, geralmente 36 ¢ possfvel recuperar 0 auto-erotismo oral (base da auto-es- tima) ap6s uma relativa recuperagao da agressividade oral associada ao impulso de morder. Além disto (como Reich descreveu sob a denominago de entrelagamento das defesas instintivas), em cada paciente, os bloqueios dos diferentes segmen- tos guardam entre si uma conexio complexa ¢ altamente especifica, que tem uma relago com sua historia de vida, e que logo requerem uma abordagem in- dividualizada, Por este motivo a metodologia de desencouragamento no é re- dutivel a nenhum roteiro padronizado de técnicas a serem utilizadas em uma determinada sequéncia, 4 Uilizam-se uma grande variedade de téenicas de trabalho corpora, que incluem movimentos desbloqueantes (“actings"), estimulagdes sensoriais, téonicas de massage Reichiana, trabalhos de expressividade, de relaxamento ou tonificag4o muscular, de respirago, de postura, além de traba- hos sobre os reflexos fisiolégicos, ¢ trabalhos ‘vivenciais" conduzidos a partir do vinculo cliente/terapeuta. Devido a grande importincia que ¢ atribuida a0 ‘manejo da transferéncia, intrinsecamente associado a anilise do caréter, 0 tera- peuta busca nos diferentes trabalhos presentificar 0 vinculo; nfo s6 como agente de intervengdes diretas mas também como figura de referéncia para ma- nutengio do contrato e como figura auxiliar em certos trabalhos expressivos ¢ de interagao. A utilizagao de portante porque: a) 0 encourapam fungdes corporais b) a existincas bloqueio, permite qx ente, em funy das ©) a possibilidad que aumenta bastem volva defesas ¢ resis 5 Noinicie nicamente: queios estruturais, a utilizam-se abordage multineas sobre vis de se obter a mobil na recuperagio do ra 15, Pés-Reichie Ao fazerem uma Tica ou técnica a term uma nova abordages nome, como € 0 case tumam receber 8 de novas concep6es, ox que esto apenas cris por este motivo preé exemplo, da Vegetos dade que adquiriram Janeiro, serio comeni Metodologia da Orgonoterapia / 61 A utilizago de um grande nimero de técnicas corporais diferentes ¢ im- portante porque: 4) 0 encouraamento também se manifesta por um grande niimero de dis- fung6es corporais diferentes, e cada uma delas requer um trabalho espesifico. b) a existéncia de mais de uma técnica para trabalhar um mesmo tipo de bloqueio, permite que se escolha a mais indicada, naquele dia, para aquele cli- ente, em fungdo das razBes expostas nos itens anteriores. ©) a possibilidade de alternar diferentes técnicas garante o “fator surpresa” que aumenta bastante a eficdcia da intervengZo, evitando que o paciente desen- volva defesas ¢ resisténcias contra cada técnica. 5 Noinicio do trtamento & dada énfase na dissohupo da couraga cro- nicamente instalada em cada segmento, isto é, na dissolugao dos blo- queios estruturais, associada @ andlise do caréter. Mais para o final da terapia, utilizam-se abordagens terapéuticas mais amplas, envolvendo intervengdes si- multineas sobre varios segmentos ¢ estimulagio da respiragdo profunda, a fim de se obter a mobilizagio dos fluxos energéticos no corpo todo; o que resultaré na recuperago do reflexo do orgasmo. 15. Pés-Reichianos e Neo-Reichianos ‘Ao fazerem uma nova leitura ou apresentarem uma nova contribuigdo te6- rica ou técnica a terapia Reichiana, alguns autores entendem que estio criando uma nova abordagem terapéutica, optando inclusive por atribuir-Ihe um outro nome, como é 0 caso, por exemplo, da Bioenergética de A. Lowen. Estes cos- tumam receber a denominagéo de Neo-Reichianos. Outros, ao introduzirem novas concepgdes, ou mesmo alteragbes metodologicas significativas, entendem que esto apenas criando uma nova sistematizacto para a terapia Reichiana, ¢ por este motivo preferem denominar-se pos-Reichianos, como é 0 caso, por exemplo, da Vegetoterapia de Navarro, Estas duas abordagens, pela populari- dade que adquiriram em nossos meios terapéuticos, principalmente no Rio de Janeiro, sero comentadas individualmente. 62 / Psicossomatica Reichiana e . A Vegetoterapia de Federico Navarro Discipulo de Ola Raknes, que difundiu a terapia Reichiana na Europa, Fe- derico Navarro (que depois passou a presidir a Escola Européia de Orgonot pia), desenvolveu um trabalho de sistematizagéo ¢ padronizacao de certas técni- cas corporais Reichianas, criando uma nova concepgao metodolégica a qual *decidiu continuar denominando Vegetoterapia Caractero-Analitica. Apesar do nome, sua metodologia é bastante diferente da abordagem terapéutica que Reich utilizava na época que criou o termo Vegetoterapia para designé-la. ‘A metodologia terapéutica proposta por Navarro est descrita em detalhes ‘em varias publicagdes ¢ divulgagdes de seu autor (por exemplo, no artigo "A sistemética, a semiologia e a seméntica da vegetoterapia caractero-analitica", publicado na revista Energia, Cardter e Sociedade, n. 1, 1990). Sua concepgao metodol6gica orienta-se pelo trabalho de desbloqueio seg- mentar, seguindo rigorosamente a sequéncia dos segmentos, ¢ utilizando um ro- teiro clinico padronizado que consiste na aplicagéo sequencial de cerca de 15 a 20 técnicas bésicas. O terapeuta utiliza uma sequéncia de 3 ou 4 "actings” basi- cos, em média, para o desbloqueio de cada segmento. Cada “acting” é proposto 40 paciente sistematicamente sesso apés sesso, até que o terapeuta julgue, por determinados critérios especificos, que o cliente atingiu o nivel satisfatério de desbloqueio para aquele trabalho, passando entio para o "acting" seguinte. De- pois do paciente ter passado por todos os 3 ou 4 "actings" daquele segmento, iniciam-se 0s "actings" do segmento seguinte e assim sucessivamente, tendo 0 terapeuta 0 cuidado de sempre reapresentar os “actings” iniciais de 1° e 2° seg- ‘mento. ‘As inovagdes metodolégicas de Navarro representam sem divida uma con- tribuico a0 entendimento e aprimoramento de certos aspectos do trabalho cor- poral Reichiano. Seu valor & testemmunhado pelo fato de que, quase todos os te- Tapeutas que tiveram @ oportunidade de conhecé-las, as tenham incorporado a seu trabalho, em grau maior ou menor. Em minha experiéncia pesssoal, o aprendizado destas contribuigdes metodolégicas foi de grande valor para um maior rigor ¢ preciso de minha atuago clinica. Por exemplo, os 4 "actings" para desencouragamento conjunto de 1° ¢ 2° segmento, hoje amplamente utili- [=a zados pela maicried discutivelmente deg Alguns aspects sio: a) chamar ateag segmento no inicaa: uma sequéncia coca 0 1° ano de vida; 3). Propiciarem a disse tentes, também. pra necessitando assim Por ser uma obviamente mais six grau de padronizacie no que diz respeito entre os diferentes ti dos emergentes, ¢ Se por um lado a si outro lado, pode rest A rigidez com segmentos e a restri tidos no tépico ante repeticio do mesmo levar & habituagio e a cle; ¢ assim, a aqu no ser garantia de Em qualquer abe abrangente dos iniim dade biopsiquica do de acontecimentos abordagem muito ver verbais; ¢ isso pode fixado em seguir um 08 € pontos vulneré kes, Metodologia da Orgonoterapia / 63 zados pela maioria dos orgonoterapeutas, ao lado das técnicas clissicas so in- discutivelmente de grande valor terapéutico. Alguns aspectos que considero importantes da metodologia de Navarro sio: a) chamar atengdo para a importincia dos trabalhos conjuntos sobre 1° ¢ 2° segmento no inicio do processo terapéutico; ¢ de levé-los a efeito dentro de uma sequéncia coerente com a evolugdo da funcionalidade ocular e oral durante 0 1° ano de vida; b) chamar atengo para o fato dos trabalhos de corpo, além de propiciarem a dissolugdo de mecanismos de defesa e a eclosio das emogGes Ia- tentes, também promoverem a recuperago da funcionalidade neuro-muscular, necessitando assim serem repetidos até que este objetivo seje atingido. Por ser uma metodologia rigorosamente sistematizada sua aplicagao ¢ obviamente mais simples. Porém (sempre existe um porém), 0 risco de 0 alto grau de padronizagdo fazer-se perder de vista as peculiaridades de cada paciente no que diz respeito ao tipo particular de encouragamento (conexio especifica ‘entre os diferentes bloqueios) ¢ quanto ao manejo da transferéncia, dos conted- dos emergentes, e da anélise do cardter - impde algumas reflexes ¢ reservas. Se por um lado a simplificagio de uma metodologia facilita sua aplicago, por outro lado, pode restringi-la e tomé-la mecénica. A rigidez com que sto seguidos os critérios de desbloqueio sequencial dos segmentos ¢ a restrigdo do ntimero de técnicas, incorrem nos problemas discu- tidos no t6pico anterior ("Metodologia da Orgonoterapia"). Por outro lado, a repetigio do mesmo trabalho, sesso apés sesso por um periodo longo, pode evar a habituagdo ¢ ao desenvolvimento de resisténcias especificas em relagdo a cle; ¢ assim, a aquisigdo da capacidade de executé-lo "sem problemas" pode ndo ser garantia de dissolugdo da couraca. Em qualquer abordagem terapéutica é necessario uma percepgio agucada e abrangente dos iniimeros aspectos, por vezes sutis, que envolvem a complexi- dade biopsiquica do paciente, a qual esté em permanente alteragio em funcio de acontecimentos especificos da vida cotidiana. Isto exige do terapeuta uma abordagem muito versétil, alternando diferentes técnicas corporais, vivenciais verbais; ¢ isso pode ficar prejudicado caso 0 terapeuta esteja exageradamente fixado em seguir um roteiro de actings. Toda abordagem tem aspectos polémi- 20s ¢ pontos vulneriveis que precisam ser apontados para se evitar incidir ne- les. 64 / Psicossomitica Reichiana e A Bioenergética de Alexander Lowen A Bioenergética é talvez a mais “famosa” de todas as terapias de base Rei- chiana, 0 que se deve em grande parte aos muitos livros publicados, por seu! criador. Alexander Lowen foi paciente e aluno de Reich afastando-se dele de- pois, quando criou esta "nova" abordagem terapéutica em colaboragéo. com John Pierrakos, outro discipulo de Reich. A bioenergética se baseia essencial- mente nas concepyOes tedricas e metodolégicas de Reich, com as modificagées (algumas pequenas, outras mais profundas, ou mais "graves") introduzidas por Lowen, principalmente no que diz respeito ao enfoque clinico corporal. As principais diferengas, em relagio a Orgonoterapia, que a abordagem Bicenergética apresenta so: 1) nfo segue a sequéncia de desencouragamento dos segmentos de cima para baixo; 2) dé menos atengfo aos trabalhos de de- sencouragamento do 1° e 2° segmento; 3) utiliza muitos trabalhos com o paciente em pé, principalmente os chamados trabalhos de "grounding". Outros aspectos que algumas vezes so citados como criticas a esta abordagem sfo a utilizagio de rauitos trabalhos de descarga emocional, de reforgo de identidade de expresso de agressividade. Sem divida a Bioenergética é diferente da Orgonoterapia, porém as dife- rengas de enfoque que cada terapeuta utiliza, so as vezes mais variéveis do que s prinepios gerais da abordagem que cada um segue. Por exemplo, 0 critério de um desbloqueio sequencial do 1° ao 7° segmento é seguido com graus muito varidveis de rigor (ou de rigidez) pelos proprios orgonoterapeutas. Na verdade ‘as diferencas entre as concepgdes metodoldgicas européia ¢ americana sio tio grandes quanto as diferencas entre elas ¢ a Bioenergética. Por outro lado, ela apresenta algumas propostas que so apenas uma énfase ou uma redescoberta de certos trabalhos criados pelo proprio Reich. Um exemplo disto so os traba- thos de "grounding" Sob a denominago de “grounding” esto englobados um conjunto de tra- balhos que visam ajudar o individuo a recuperar uma boa capacidade de susten- tagdo do corpo sobre as pemas e de manutengo da postura ereta. Esses traba- thos so tio importantes na abordagem da Bioenergética que muitos pensam que sto uma criagdo de Lowen. (Aliés, este autor por vezes fala de teorias ¢ préticas Reichianas sem deixar claro que foram formulados por Reich). nergética, Porém, capitulo 9 Reich que apresentava © disfungdo dam da sua interveng3o na recuperagéo. de ansiedade de conectando-se depass tica) mostra sua anorgonia. O conces portanto formulado coberta nem uma O bebé de todos rar-se ao corpo da mile dade s6 se manifesta mm co, devendo ser compe mentagdo satisfatoria. & isto nfo é um acontecm forte significado psics ‘importante na emancips tactar novos objetivos : por si proprio. O equilibrio na pos com 0 1° segmento, des tegram os olhos (niicies tura postural, Assim, 0 plementar ao trabalho se Outra coisa a lembs cia de certas funedes di genitais, 0 contato tétil sorver para o respirer (inicialmente a mae) ps pertengam ao 7° segmes Metodologia da Orgonoterapia / 65 Sem diivida a énfase dada a esse tipo de trabalho é uma inovagio da Bioe- nergética. Porém, quem ler cuidadosamente « Biopatia do Cancer veré que no capitulo 9 Reich descreve 0 caso clinico de um paciente com cancer de préstata que apresentava o que ele chama de abasia funcional (falta da base) por uma disfungdo da musculatura antigravitéria das pernas. E cle ressalta a importincia da sua intervengdo terapéutica sobre as pernas e sobre o embasamento postural na recuperagdo deste paciente. Neste mesmo capitulo Reich amplia conceito de ansiedade de queda (sintoma que se instaura nos primeiros meses de vida, conectando-se depois com outros contetidos, inclusive a ansiedade pré-orgiis- tica) ¢ mostra sua conexdo com o embasamento postural ¢ com a condigao de anorgonia. O conceito de "grounding" (0 conceito, néo 0 termo, é claro) foi portanto formulado por Reich, nfo sendo, como alguns pensam, nem uma des- coberta nem uma heresia de Lowen O bebé de todos os primatas, desde que nasce, tem a capacidade de agar- rar-se ao corpo da mie com as méos ¢ os pés. No bebé humano, esta capaci- dade s6 se manifesta um pouco no inicio da vida, como um vestigio filogenéti- co, devendo ser compensada por um adequado acolhimento ¢ por uma ama- mentagio satisfatoria, Por volta do 1° ano de vida a crianga comega a andar; ¢ isto no & um acontecimento sem importincia. Ao contrario, reveste-se de um forte significado psico-emocional: aquisicdo de mobilidade auténoma (passo importante na emancipago em relago a figura materna), autonomia para con- tactar novos objetivos e explorar o mundo, enfim, capacidade de sustentar-se por si préprio. © equilibrio na postura ereta ¢ a ambulacdo tem ainda uma forte conexio com o 1° segmento, devido aos diversos reflexos motores e cinestésicos que in- tegram os olhos (niicleo oculomotor) ¢ o aparetho vestibular com toda muscula- fura postural. Assim, o trabalho sobre a consciéncia postural auxilia, e ¢ com- plementar ao trabalho sobre o 1° segmento. Outra coisa a lembrar é que a superago da oralidade envolve a transferén- cia de certas fungdes da boca para outras partes do corpo: o erotismo para os genitais, o contato tétil ¢ a operacionalidade (agressividade) para as mos, 0 sorver para o respirar, € 0 contato com a base de apoio e sustentago (inicialmente a mde) para a sustentagdo nas pemas e pés. E embora as pernas pertengam ao 7° segmento, sua fungio de sustentagdo do corpo no esta neces- 66 / Psicossomatica Reichiana ¢ sariamente em conexdo direta com a sexualidade genital. Inclusive o uso das pernas para a sustentagdo, em tomo do 1° ano de vida, é anterior a0. "amadurecimento” da genitalidade. Logo, estes trabalhos de embasamento pos- tural ndo precisam aguardar 0 desbloqueio dos seis segmentos superiores © & concentragao da energia vegetativa nos genitais, para serem iniciados. Ao con- | trio, a tonificagdo ¢ o abrandamento da couraga da musculstura das pernas pode favorecer a dissoluglo de bloqueios hiper-orgondticos de segmentos su- periores por permitir 0 escoamento e a distribuigio do fluxo energético no corpo. E verdade que Reich no dava aos trabalhos de embasamento postural uma importincia tio grande, talvez exagerada, que ¢ atribufda aos trabalhos de “grounding” na abordagem Bioenergética. De qualquer forma, feitos na medida certa, principalmente depois de jé se ter obtido um bom desbloqueio de 1° ¢ 2° segmentos, eles so bastante ‘ites. hk kk ke Penso que a competéncia de um terapeuta esté acima das especificidades da metodologia que cle utiliza, ¢ que todas as abordagens terapéuticas tém con- tribuigdes importantes a fazer. O mais essencial é que o terapeuta esteja emoci- onalmente apto para o desempenho de sua fungdo (0 que pressupde um traba- Iho terapéutico pessoal), e possua um conhecimento sélido e profundo de uma determinada abordagem que Ihe sirva de referencial te6rico metodoldgico. A partir daf & vélido cle agregar outras técnicas e contribuig6es desde que no se confrontem com este referencial. O que pode ser perigoso € juntar um pouqui- nho de cada coisa sem conhecer bem nenhuma delas. As terapias de base reichiana tém uma grande contribuigHo a dar, inclusive em termos de satide pablica. Seria importante que os profissionais destas dife- rentes abordagens se unissem na tarefa de propiciar sua maior insergAo entre as demais especialidades terapéuticas médico-psicoligicas. Laplanche, J., Pontal Lowen, A. - © Corpo Bioenergética - Sur Mello Filho, J. - Conc Miller de Paiva, L. -| — a ~ “Metodologia da Orgonoterapia / 67 16. Bibliografia Baker, E. - O Labirinto Humano - Summus Ed. Blumberg, et al - Possible Relationship between Psychological Factor and Human Cancer - Psychosomatic Medicine 16:278. Boadella, D. - Nos Caminhos de Reich - Summus Ed. Boyesen, G. - Entre Psiqué ¢ Soma - Summus Ed. Cadernos de Psicologia Biodindmica - n° 1, 2, 3 - Summus Ed. Davson, Eggleton - Principles of Human Physiology - Churchill Energia, Cardter e Sociedade, n° 1 ¢ 2 - Dumara Freud, S. - Inibigdo, Sintoma ¢ Angéstia ‘As Neuropsicoses de Defesa ‘Trés Ensaios sobre a Sexualidade Interpretagdo dos Sonhos OFgoe old - Ed. Delta Gaiarsa, J.A. - Respiragdo e Circulagdo - Ed. Brasiliense Guir, J. - Psicossomitica na Clinica Lacaniana - Jorge Zahar Guyton, A. - Tratado de Fisiologia Médica - Guanabara Koogan. Herz, A. - Developments in Opiate Research - Marcel Dekker Keleman, S. - Emotional Anatomy - Center Press Konia, C. - "Orgonoterapia: A Relagio Psicossomitica’, trad. J. Orgonomy 192 Laplanche, J., Pontalis, B. - Vocabulirio da Psicandlise - Martins Fontes, Ed. Lowen, A. - © Corpo em Terapia - Summus Ed. Bioenergética - Summus Ed. Mello Filho, J. - Concepgao Psicossomética: Visto Atual - Tempo Brasileiro Miller de Paiva, L. - Medicina Psicossomatica 68 / Psicossomitica Reichiana e Navarro, F. - Terapia Reichiana J, Il- Summus Ed, Somatopsicodindmica das Biopatias - Relume Dumaré Raknes, ©. - Wilhelm Reich e a Orgonomia - Summus Ed Reich, W. - A Fungo do Orgasmo - Ed. Brasilierise Character Analysis - Farrar, Straus & Giroux ‘The Cancer Biopathy - Farrar, Straus & Giroux ‘The Impulsive Character - New American Library The Basic Antithesis of Vegetative Life Functions - New American Library “The Orgone Energy Accumulator its Scientific and Medical Use - WR. Foundation Ether, God and Devil - Farrar, Straus & Giroux Reich, L. et al - Sleep Disturbance in Schizophrenia - Arch. Gen. Psychiatry 32, 51 Ruch, Patton - Physiology and Biophysics - Saunders Sandler, Dare, Holder - © Paciente ¢ 0 Analista - Imago Segal, H. - Introdugo a Obra de Melanie Klein - Imago Spitz, R. - © Primeiro Ano de Vida - Martins Fontes ‘Trotta, E.E, e Marer, E. - The Orgonotic Treatment of Transplanted Tumors and Associated Immunological Functions - J. Orgonomy 24, 39 Vogel, G.- A Review of REM Sleep Deprivation REM Sleep Reduction Effects on Depression Syndromes ‘Arch, Gen. Psychiatry 32, 765 / 32, 749 Weiss E., English, O. - Psychosomatic Medicine - Saunders | Winnicott, D.W. - O Brincar ¢ a Realidade - Imago ‘Woodworth, M. - Psicologia - Cia. Ed. Nacional

Você também pode gostar