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Batismo Infantil: Pais e filhos no pacto da graça

Batismo Infantil: Pais e filhos no pacto da graça

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Publicado porAláuli Oliveira
Monografia sobre a responsabilidade dos pais para com os filhos. A perspectiva abordada é conforme a visão reformada do batismo infantil.
Monografia sobre a responsabilidade dos pais para com os filhos. A perspectiva abordada é conforme a visão reformada do batismo infantil.

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Published by: Aláuli Oliveira on Apr 24, 2008
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A prática do batismo aparece no NT, pela primeira vez, nos Evangelhos.

Nestes, é sempre João Batista que está batizando as pessoas38

. A exceção é o

quarto evangelho onde os discípulos de Jesus também batizam39

. Percebemos

também que, nas narrativas relacionadas ao batismo de João, tal batismo goza de

grande popularidade inclusive entre os judeus40

. Contudo, a Bíblia não nos dá

nenhuma indicação a respeito do porquê de João batizar, pelas Escrituras não

temos nenhuma pista de como surgiu a prática do batismo. A profecia que fala de

João Batista – a voz do clama no deserto – o trata como um anunciador do reino de

Cristo, um pregador do arrependimento como preparação para este reino, porém de

maneira nenhuma o liga à prática do batismo. É importante salientar que no AT não

há menção de batismo. Então, por que João batizava? De onde vem a idéia de

batismo?

Conforme os escritos rabínicos o rito de recepção de prosélitos41

possuía três

partes: circuncisão, batismo e um sacrifício oferecido no templo. Testemunhos

antigos indicam que a circuncisão e o batismo faziam parte do rito de admissão na

membresia da religião judaica. A cerimônia tinha algumas características essenciais:

tinha que ser feita na presença de três testemunhas – “pais de batismo” – que

deveriam instruir o prosélito na Torah e deveria ser realizada de dia, o que lhe dá um

caráter público. Após sua admissão o prosélito era considerado como um recém-

38

Mt 3.1-17 e seus correspondentes nos sinópticos e Jo 1.

39

Jo 3.22, 26; 4.1, 2.

40

Mt 3.5-7; Mc 4.5; Lc 3.7.

41

Gentil convertido ao judaísmo.

Pais e filhos no pacto da graça

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nascido, ou seja, sua vida antes da conversão era esquecida e o que importa agora

é a sua nova vida como judeu. Este é o conceito judaico do novo nascimento42
.

“O batismo de prosélitos desenvolvido nos tempos pré-cristianismo foi um rito

para receber „aqueles não nascidos em santidade‟” (LOGOS, 1999). Por isso, ele era

aplicado às crianças já nascidas bem como aos seus pais. Há, no entanto, uma

curiosidade. Filhos nascidos após o batismo de seus pais não precisariam ser

batizados, pois já nasciam em santidade. Por exemplo, se uma mulher fosse

batizada estando grávida, o feto como parte do seu corpo não necessitaria ser

batizado depois de nascer. Ele era participante do batismo da mãe. Estes filhos de

novos convertidos ao judaísmo, batizados na infância, eram chamados de “prosélitos

convertidos abaixo de três anos e um dia”. Lê-se no Talmude que crianças muito

pequenas – menores que três anos e um dia – deveriam ser batizadas com seus

pais se este fosse convertido ou, segundo o julgamento da corte, sozinhas se não

tivessem pais.

No caso das criancinhas, a questão da decisão pessoal era tratada nos

seguintes termos “uma vantagem pode ser concedida a um homem sem seu

conhecimento43

” (LOGOS, 1999, tradução nossa), palavras do rabino Huna (?-297).

A decisão segue-se posteriormente. Outro rabino, chamado José (?-333), disse:

“uma vez que [as crianças] tenham idade podem levantar uma objeção e voltar ao

paganismo44

” (LOGOS, 1999, tradução nossa). Contudo, esta objeção só seria

valida quando a maior idade fosse atingida. Assim, o judaísmo como uma religião

missionária praticava o pedobatismo.

42

Por isso Jesus estranhar que Nicodemos, mestre da lei, não entendesse o significado de “nascer

de novo” (Jo 3.1-4, 10).

43

“an advantage may be conferred on a man without his knowledge”.

44

“Once of age, they can raise an objection (and return to paganism without being punished or treated
as apostate Jews, Rashi)”.

Batismo Infantil

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O batismo de João e também o cristão têm sua origem no batismo de

prosélitos praticado pelos judeus. Por meio deste, eles faziam discípulos e recebiam

os novos convertidos; neste o novo convertido deveria mostrar-se arrependido e

então seriam circuncidados e batizados ele e seus filhos. “O fato é que [os judeus]

recebiam êsses (sic!) prosélitos juntamente com seus filhos, circuncidando-os,

batizando-os e recebendo deles uma oferta pacífica” (LANDES, 1979, p. 53). Ainda

segundo Landes, os judeus não batizavam seus próprios filhos porque entendiam

que toda nação judaica já havia passado pelo batismo por Moisés como se lê em Ex

19.10: “Disse também o SENHOR a Moisés: Vai ao povo e purifica-o hoje e amanhã.

Lavem eles as suas vestes”. Vemos, então, que segundo o texto, o batismo para os

judeus tinha a mesma conotação que a circuncisão, a saber, purificação e admissão

na comunidade da aliança.

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