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Ano lectivo de 2009/2010

Cultura, Língua e Comunicação (CLC1)

DR3: Dissertação Texto Expositivo Argumentativo

A EUTANASIA

Turma EE1B

Trabalho realizado por:

Maria José Mota Nº16

Meylin Patricia Gutierrez Nº18

Ana Rita Antunes Nº22

Susana Calado Nº23


I. A ORIGEM DO DILEMA DA EUTANÁSIA.

“Enquanto há vida há esperança”, “A vida é um bem precioso”, são lemas que aprendemos e nos
ocorrem em momentos difíceis ou alegres, mas será realmente que estes pressupostos se adequam a pessoas que
sofrem de doenças incuráveis ou se encontram numa condição irreversível?

A morte para uns pode ser um golpe fatal e terrível, para outros é meramente um bilhete para a
Liberdade, neste último ponto enquadram-se as pessoas que não querem continuar a prolongar o seu sofrimento
físico e psicológico e pedem que se lhes seja proporcionada uma morte tranquila, uma boa morte: A Eutanásia.

A palavra "EUTANÁSIA" é composta de duas palavras gregas ― "eu" e "thanatos" e significa,


literalmente, "uma boa morte". Na actualidade, entende-se geralmente que "eutanásia" significa provocar uma boa
morte, "morte misericordiosa". Temos de realçar duas características importantes para o seu entendimento.
Primeiro, que a eutanásia implica tirar deliberadamente a vida a uma pessoa; e, em segundo lugar, que a vida é
tirada para benefício da pessoa a quem essa vida pertence, normalmente porque ela ou ele sofre de uma doença
terminal ou incurável. Isto distingue a eutanásia da maior parte das outras formas de retirar a vida.

A maior parte dos historiadores da moral ocidental estão de acordo em que o judaísmo e a ascensão
do Cristianismo contribuíram enormemente para o sentimento geral de que a vida humana tem santidade e não
deve ser deliberadamente tirada. Tirar uma vida humana inocente é, nestas tradições, usurpar o direito de Deus de
dar e tirar a vida.

Aqueles que defendem a admissibilidade moral da eutanásia apresentam como principais razões a seu
favor a misericórdia para com pacientes que sofrem de doenças para as quais não há esperança e que provocam
grande sofrimento e, no caso da eutanásia voluntária, o respeito pela autonomia.

II. A ANÁLISE E ASPECTOS PRATICOS DO PROBLEMA NA SOCIEDADE MODERNA:

Para analisarmos melhor o assunto sobre a eutanásia é necessário estabelecer algumas distinções. A
eutanásia pode ter três formas: voluntária, não-voluntária e involuntária.

Há uma relação estreita entre eutanásia voluntária e suicídio assistido, em que uma pessoa ajuda
outra a acabar com a sua vida (por exemplo, quando A obtém os medicamentos que irão permitir a B que se
suicide). Um exemplo deste caso é o de Ramón Sampedro:

Ramón Sampedro era um espanhol, tetraplégico desde os 26 anos, que solicitou à justiça espanhola o
direito de morrer, por não suportar viver. Ramón Sampedro permaneceu tetraplégico por 29 anos. Com o auxílio de
amigos planejou a sua morte de maneira a não incriminar sua família ou seus amigos, porque o direito à eutanásia
activa voluntária não lhe foi concedido, pois a lei espanhola caracterizaria este tipo de acção como homicídio.

A eutanásia é não-voluntária quando a pessoa a quem se retira a vida não pode escolher entre a vida
e a morte para si, por exemplo, um recém-nascido irremediavelmente doente ou incapacitado, ou porque a doença
ou um acidente tornaram incapaz uma pessoa anteriormente capaz, sem que essa pessoa tenha previamente
indicado se sob certas circunstâncias quereria ou não praticar a eutanásia.

A eutanásia é involuntária quando é realizada numa pessoa que poderia ter consentido ou recusado a
sua própria morte, mas não o fez, seja porque não lhe perguntaram, seja porque lhe perguntaram mas não deu
consentimento, querendo continuar a viver. Embora os casos claros de eutanásia involuntária possam ser
relativamente raros, houve quem defendesse que algumas práticas médicas largamente aceites (como as de
administrar doses cada vez maiores de medicamentos contra a dor que eventualmente causarão a morte do doente,
ou a suspensão não consentida, para retirar a vida, do tratamento) equivalem a eutanásia involuntária.

Há, contudo, duas formas diferentes de provocar a morte de outro; pode-se matar administrando, por
exemplo uma injecção letal, ou pode-se permitir a morte negando ou retirando tratamento de suporte à vida. Casos
do primeiro género são vulgarmente referidos como eutanásia "activa" ou "positiva", enquanto casos do segundo
género são frequentemente referidos como eutanásia "passiva" ou "negativa". Quaisquer dos três géneros de
eutanásia indicados anteriormente ― eutanásia voluntária, não-voluntária e involuntária, tanto podem ser passivos
ou activos.

Em contrapartida à eutanásia, tem-se a distanásia que é denominada como a manutenção da vida, por
meio de tratamentos desproporcionais, levando a um processo de morte prolongada e com sofrimento físico ou
psicológico. Por exemplo os cuidados paliativos, que é a manutenção de um doente em estado terminal através de
tecnologia médica.

A nossa sociedade diverge no que respeita a este assunto. Há portanto opiniões contra e a favor.

As maiores objecções advêm da filosofia religiosa, por exemplo a cristã que defende a sacralidade da
vida, e a ética científica, por exemplo o juramento de Hipócrates, no qual os médicos se comprometem a salvar a
vida, abstendo-se de uma má acção ou corrupção voluntária. Outra seria a possibilidade de actos não inspirados em
fins altruístas, mas motivados por outras razões, nomeadamente, questões de herança, seguros de vidas e demais. O
desgaste psíquico do doente, no que respeita a sentir-se um estorvo para a sua família, leva-o também a ponderar
que a sua única saída seja a morte.

Os principais pontos de apoio para os defensores da eutanásia são: o direito à qualidade de vida e da
autonomia pessoal. A contraposição à qualidade de vida tem a ver com actos absurdos, geradores de um sofrimento
insuportável para o doente, para sustentar uma vida, que ao invés de ser uma dádiva se torna castigo, é o caso dos
doentes em fase terminal de cancro ou outra doença incuráveis. O ponto da autonomia conduz-nos para a
necessidade de que seja respeitada a liberdade de escolha do paciente, ou seja, a sua competência de decidir
autonomamente, aquilo que considera importante para viver a sua vida, incluindo nesta o processo de morrer de
acordo com os seus valores e interesses legítimos.

III. ASPECTOS LEGAIS DA PRATICA DA EUTANÁSIA.

A legislação portuguesa oferece uma clara protecção ao Direito da Vida

→ A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA, no seu Artº 1º, fala na “dignidade da pessoa humana”

→ O CÓDIGO PENAL penaliza a Eutanásia através dos:

Artºs 133º e 134º - a Eutanásia Activa é referida como um homicídio privilegiado – quem matar outra pessoa
dominado por compaixão, emoção violenta ou a pedido da vítima é punido com pena de prisão.

Artº 138º - a Eutanásia Passiva (abandono em razão da idade, doença ou deficiência física) é punido com pena de
prisão.

IV. CONCLUSÃO.

A eutanásia é um tema difícil de analisar em duas páginas, devido à sua complexidade e controvérsia.
É um fenómeno que atravessou os tempos, culturas, raças e credos. Sempre gerou na sociedade uma divisão de
opiniões sobre o fim da vida. A Igreja mantém sempre a sua posição ortodoxa e não cede a polémicas, defendendo a
vida até ao final.

Quando um paciente pede para morrer, pede para que se alivie a sua dor física, psicológica ou dor
social, reivindica a sua liberdade de decidir, se quer continuar com o seu sofrimento ou acabar com ele. Mas, não
conseguindo fazê-lo sozinho, será que tem o direito de pedir a os outros que lhe ajudem? É ai que começa o dilema.

A discussão em torno da eutanásia gera cada vez mais polémica e promete continuar.
Bibliografia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Eutan%C3%A1sia#Fam.C3.ADlia_e_sociedade

http://www.scielo.br/pdf/csc/v9n1/19821.pdf

www.ade-sergipe.com.br/.../X_A_EUTANÁSIA-Maria_José_Carneiro.ppt -

http://www.scielosp.org/pdf/csp/v21n1/13.pdf

http://www.scielo.br/pdf/prc/v16n3/v16n3a06.pdf

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