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A. E. Fitzgerald Charles Kingsley, Jr. oo Stephen D. Umans SUMARIO RESUMIDO CAPITULO 1 —_Circuitos Magnéticos e Materiais Magnéticos 19 CAPITULO 2 _Transformadores 69 CAPITULO3 _ Principios de Convers4o Eletromecanica de Energia 119 CAPITULO 4 _Introdugdo as Maquinas Rotativas 174 CAPITULOS — Maquinas Sincronas 239 CAPITULO 6 _ Maquinas Polifasicas de Indugao_295 CAPITULO7 — MaquinasCC_ 343 CAPITULO8 _Maquinas de Relutancia Varidvel e Motores de Passo_390 itAsi CAPITULO 10 Introdugao a Eletrénica de Poténcia 470 CAPITULO 11 Controle de Velocidade e de Conjugado 529 Apéndice A Circuitos Trifasicos 593 Apéndice B_ Tensdes, Campos Magnéticos e Indutancias de F Apéndice C A Transformagao dq0 620 Apéndice D Aspectos Praticos de Engenharia sobre Desempenho e a Operagao de Maquinas Elétricas 630 Apéndice E Tabela de Constantes ¢ Fatores de Conversao para Unidades do SI 642 Indice 643 CAPITULO 1 Circuitos Magnéticos e Materiais Magnéticos 19 1.1 Introdugio aos Cireuitos Magneticos 20 1.2. Fluxo Concatenado, Indutiincia e Energia 28 1.3. Proptiedades dos Materiais Magnéticos. 35 14 Excitagao CA 39 1.5 Imis Permanentes 43 1.6 Aplicagdes de Imis Permanentes. 50 LT Resumo 56 1.8 Problemas 56 CAPITULO 2 Transformadores 69 2.1 Intradugao aos Transformadores 69 2.2 Condigéies sem Carga TI 2.3 Efeito da Corrente do Secundério; ‘Transformador Ideal 75 24 Reatincias no Transformador ¢ Cireuitos Equivalentes 79 2S Aspectos de Engenharia da Andlise de Transformadores 84 2.6 Autotransformadores, Transformadores de Miuiltiplos Enrolamentos 91 2.7 Transformadores em Circuitos Trifisicos. 95 2.8 Transformadores de Tensio ¢ Corrente 99 2.9 O Sistema por Unidade 104 2.10 Resumo 111 2.11 Problemas 113 CAPITULO 3 Principios de Conversao Eletromecanica de Energia 119 3.1. Forcas e Conjugados em Sistemas de Campo Magnético 120 3.2 Balanco Energético 123 3.3 Energia em Sistemas de Campo Magnético de Exeitagao Unica 125 3.4 Determinagdo da Forga e do Conjugado Magnéticos a partir da Energia 128 3.5. Determinagao da Forga ¢ do Conjugado Magnéticos a partir da Co-energia 134. SUMARIO 3.6 Sistemas de Campo Magnético Multi- excilado 140 3.7 Forgas ¢ Conjugadas em Sistemas com Imas Permanentes 146 3.8 Equagdes Dindmicas 154 3.9 ‘Técnicas Analiticas 158 3.10 Resumo 160 3.L1 Problemas 161 CAPITULO 4 Introdugao 4s Méquinas Rotativas 174 4.1 Conceitos Elementares. 174 4.2 Introdugao as Maquinas CA.¢ CC. 177 4.3. FMM de Enrolamentas Distrituidos 187 4.4 Campos Magnéticos em Maquinas Rotativas 196 4.5. Ondas Girantes de FMM em Maquinas CA 199 4.6 Tensio Gerada 206 4.7 Conjugado em Maquinas de Pélos Nio Salientes 212 4.8 Miiquinas Lineares 223 4.9 Saturago Magnética 225 4.10 Fluxos Dispersivos 228 4.11 Resumo 230 4.12 Problemas 232 CAPITULO 5 Maquinas Sincronas 239 $8.1 Introdugtio as Méquinas Sineronas Polifisieas 239 $.2 Indutncias das Maquinas Sincronas; Circuitos Equivalentes 242 5.3. Caracteristicas a Wazio ¢ de Curto- Circuito 249 $.4 Caracteristicas de Angulo de Carga em Regime Permaneme 258 5.3. Caracteristicas de Operagdo em Regime Permanente 266 5.6 Efeitos dos Pélos Salientes; Introdugio 4 Teoria dos Eixos Direto e em Quadratura. 272 16 PREFACIO 5.7 Caracteristicas de Angulo de Carga das Maquinas de Pélos Salientes 279 5.8 Motores CA de Ima Permanente 283 5.9 Resumo 285 5.10 Problemas 287 CAPITULO 6 M4quinas Polifasicas de Indugao 295 6.1 Introdugiio as Maquinas de Indugiio Polifésicas 295 6.2, Correntes ¢ Fluxos em Maquinas de Indusdo Polifaisicas 300 6.3 Circuito Equivalente do Motor de Indugao 302 64 Anilise do Circuito Equivalente 305 6.5 Conjugado e Poténcia Usando o Teorema de Thévenin 310 6.6 Determinagao de Parametros a partir de Ensaios a Vazio ¢ com Rotor Bloqucado 318 6.7 Efeitos da Resistencia do Rotor; Rotores Bobinados e de Dupla Gaiola. de Esquilo 327 6.8 Resumo 334 6.9 Problemas 335 CAPITULO 7 Maquinas CC 343 7.1 Introdugiio 43 gio do Comutador 350 1 FMM da Armadura 352 7.4 Fundamentos Analiticos: Aspectos do Circuito Elétrica 35 7.5. Fundamentos Analiticos: Aspeetos da Circuito Magnético 359 7.6 Anilise de Desempenho em Estado Permanente 363 CC de ima Permanente 369 i ¢ Interpolos 374 7.9 Enrolamentos de Compensagio 377 7.10 Motores Série Universais 379 7.11 Resumo 380 7.12 Problemas 38) CAPITULO 8 Maquinas de Relutancia Variavel e Motores de Passo 390 8.1 Fundamentos da Andilise MRV 390 8.2. Configurages MRV Priticas 398 8.3. Formas de Onda na Produgio de Conjugado 403 84 Anilise Nao-linear 412 8.5 Motores de Passo 418 8.6 Resumo 426 8.7 Problemas 428 CAPITULO 9 Motores Mono e Bifdsicos 432 9.1 Motores de Indugao Monofisicos: um Exame Qualitative 432 9.2, Desempenhos de Partida ¢ de Funcionamento dos Motores Monofisicos de Indugaioe Sincronos 433 9.3 Teoria do Campo Girante de Motores de Inducio Monofiisicos 443 94 Motores de Indugdo Bifasicos 449 9.5 Resumo 466 9.6 Problemas 467 CAPITULO 10 Introducao 4 Eletrénica de Poténcia 470 10.1 Chaves de Poténcia 470, 10.2 Retificagiio: Canversiio CA-CC 482 10.3 Inversio: Conversiio CC-CA 510 10.4 Resumo 521 10.5 Bibliografia 523 10.6 Problemas 523 CAPITULO 41 Controle de Velocidade e Conjugade 529 11.1 Controle de Motores CC 529 11.2 Controle de Motores Sincronos 547 11.3 Controle de Moiores de Indugao 563 11.4 Controle de Motores de Relutancia Varidvel $79 11S Resumo 582 11.6 Bibliografia 583 11.7 Problemas 584 APENDICE A Circuitos Trifasicos 593 A.1 Geracio de Tensdes Trifiisicas 593 A.2 Tenses, Correntes € Poténcias Trifdsicas 595 A.3 Circuitos com Ligacdes em Y eA 599 AA Anilise de Circuitos Trifisicos Equilibrados; Diagramas Unifitares. 604 A.5 Outros Sistemas Polifisicos 606 APENDICE B Tensdes, Campos Magnéticos e Indutancias de Enrolamentos CA Distribuides 608 B.i Tensées Geradas 608 B.2 Ondas de FMM de Armadura 614 B.3 Indutancias de Entreferro de Enrolamentos Distribuidos 616 Prericio 17 APENDICE C ATransformacao dq0 620 Cul Transformagao para Variéveis de Eixo Direto ¢ em Quadratura 620 C.2 Relagdes ys das Maquinas Sfncronas com Varidveis dq 622 C3 Relagdes Basicas das Maquinas de Indugiio em Varidveis dq0- 626 APENDICE D Aspectos de Engenharia sobre o Desempenho e a Operagao Pratica de Maquinas Elétricas 630 Dal Perdas 630 D.2 Caracteristicas Nominais-¢ Aquecimento 632 D3 Métodos de Refrigeragio das Maquinas iéncia Energética das Maquinas Elétricas 640 APENDICE E Tabela de Constantes e Fatores de Conversao para Unidades SI 642 INDICE 643 CAPITULO Circuitos Magnéticos e Materiais Magnéticos objetivo deste livro é o estudo dos dispositives usados na interconversio eletromecdnica ‘de energia. E dada énfase As miquinas rotativas eletromagnéticas, pois é através delas que ocorre « maior parte dessa conversio, No entanto, as téenicas desenvolvidas aplicam-se genericamente a uma larga faixa de outros dispositives, ineluindo-se maquinas lineares, atua- dores ¢ sensores. Mesma nia sendo um dispositive de conversfio eletromecdiniea de energia, o tansfor- mador ¢ um importante componente do processo global de conversiio energética ¢ sera dis- cutido no Capitulo 2. As técnicas desenvolvidas na andlise dos transformadores formam a base da discussdo sobre maquinas elétricas que se seguird ap6s. Praticamente todos 0s transformadores ¢ méquinas elétricas usam material ferromag- nético para direcionar e dar forma a campos magnéticos, os quais atuam como meio de transferéneia e conversiio de energia. Materiais magnéticos permanentes, au imis, também sdo largamente usados. Sem esses materiais, nio seriam possiveis as implementacdes prai- ticas da maioria dos dispositivas eletromecdnicos de conversio de energia, A capacidade de analisar e descrever sistemas que contenham esses materials é essencial ao projeto ¢ en- tendimento desses dispositivos, Este capitulo desenvolvers algumas ferramentas biisicas para a andlise de sistemas que usam campos magnéticos. Dara também uma breve introdugdo 4s propriedades dos materiais magnéticos usados ma pritica, Entio, no Capitulo 2, esses resultados serdo apli- cados 3 andlise de transformadores ¢, nos capitulos seguintes, serio usados na andlise de méquinas rotativas. Neste livro, assume-se que o leitor tenha um conhecimento basico da teoria de cam- pos magnéticos ¢ €létricos, tal como é dada em disciplinas bésicas de fisica para estudan- tes de engenharia. E possivel que alguns leitores j4 tenham tido uma disciplina sobre a teoria do campo eletromagnético com base nas equagdes de Maxwell. Entretanto, uma compreensio profunda das equagées de Maxwell nao & um pré-requisito para o estudo deste livro. As téenicas de anilise de circuitas magnéticos representam aproximagdes al- gébricas das solugdes exatas da teoria de campo, Sao largamente usadas no estudo dos dispositivas eletromeciinicos de conversao de energia, e formam a base da maioria das andlises apresentadas aqui. 20 MAouinas ELeTRICAS 1.1 INTRODUGAO AOS CIRCUITOS MAGNETICOS Em engenharia, a solugdo completa e detalhada dos campos magnéticos da maioria das apli- cacdes de inieresse pratico envolve a solugao das equacdes de Maxwell, juntamente com vie rias relagdes constitutivas que descrevem as propriedades dos materiais, Embora, na prilica, solugdes exatas niio sejam freqilentemente alcancaveis, diversas suposigdes simplificadoras permitem obter solugées Gtcis em engenharia.' Comegamos supondo que, para os sistemas considerados neste livro, as freqiiéncias ¢ os tamanhos envolvides si tais que o termo-da corrente de deslocamento das equagdes de Max- well pode ser desconsiderado. Esse termo, associado & radiagao eletromagnética, é responsd- vel pelos campos magnéticos que ocorrem no espago ¢ so produzidos por campos elétricos varidveis no tempo. Desprezando esse termo, obtém-se a forma magnética quase-estatica das equagdes de Maxwell, relacionando os campos magnéticos As correntes que os produzem a= f J-aa (dy Ic Is f-aa=o a2) A A Equacdo 1.1 afirma que a integral de linha da componente tangencial da intensidade de campo magnético Hao longo de um contorno fechado C € igual 4 corrente total que passa através de qualquer superficie 5 de ida por esse contorno. Na Equagio. 1.1, vemos que a origem de H é a densidade de corrente J. A Equacio 1.2 afirma que a densidade de fluxo magnética B.é conservada, isto é, em uma superficie fechada, nfo hd entrada nem saida liqui- da de fluxo (isso equivale a afirmar que cargas magnéticas monopolares de campos magnéti- Cos nio existem). Dessas equagdes, vernos que as grandezas de um campo magnético podem ser determinadas usando apenas os valores instantineos das correntes que the dio origem, € que as variagdes no tempo dos campos magnéticos resultam diretamente das variagdes no tempo das fontes, Uma segunda suposigio que produz simplificagdes envolve 0 canceito de cirewita magnético, A solugio geral da intensidade de campo magnética H, e da densidade de fluxo magnético B, em uma estrutura de geometria complexa, é extremamente dificil. No entan- to, um problema de campo tridimensional pode freqiientemente ser reduzide ao que ¢ es- sencialmente um circuito equivalente unidimensional, dando solugdes de exatidio aceitivel em engenharia, ‘Um circuit magneético consiste em uma estrutura que, em sua maior parte, é composta por material magnético de permeabilidade elevada, A presenga de um material de alta permea~ bilidade tende a fazer com que o fluxo magnétice seja confinado aos caminhos delimitados pela estrutura, do mesmo modo que, em um circuito elétrice, as correntes sdo confinadas aos condutores. O uso desse coneeite de cirevito magnético seré ilustrado nesta seco e, ao longo do livro, veremos como ele se aplica muito bem a diversas situagdes.” ' Embora solugies analiticas exatas-nio sejam possiveis de se obter, as solugies muméricas bascadas em computador (como as dos métodos dos elementos finitos ou des elementos de contomo, que embasam uma série de programas comerciais) sio bem comuns ¢ tornaram-se ferramentasindispensdveis de andlise e projeto, No entanto, essts Wenicas so melhor utilizadas para re- finar as andlises baseadas em métoros analticos tais come as enconiradas neste livro, © seu uso pouco cantribai para uma com: preensilo dos prineipios fundamentais « do desempenho bisico das miquinas elduicas e. par essa rario, nde serdo discutidas neste live. * Para um tratamento mais amplo dos citeuitos magnéiicos. veja A.E.Fitagerald, DLE. Higgenbotham, e A. Grabel, Basie Eee trical Engincering. 5 ed.. MeGraw-Hill, 1981, Capitulo 13; tarabém E-E, Staff, MLT., Magnetic Circuits and Transf MLLT, Press, 1965, Capitulos a 3 Capiuto 1_CincuiTOs MAGNETICOs E MATERIAIs MaGNeTiCos 21 Um exemplo simples de um circuito magnético est mostrado na Fig. 1.1. Assume-se que o nticleo seja composto de material magnético cuja permeabilidade é muito maior que ado ar (41 >> 1,). O niicleo tem segao reta uniforme ¢ é excitado por um enralamento de N espiras conduzindo uma corrente de i amperes. Esse enrolamento produz um campo mag- nético no nticleo, como mostrado na figura. Devido alta permeabilidade do nicleo magnético, uma soluge exata mastraria que fluxa magnético estd confinada quase que inteiramente ao nticleo, Mostraria também que as linhas de campo seguem o caminho definido pelo ndcleo, e que basicamente a densidade de fluxo ¢ uniforme em uma segio reta qualquer. porque a drea desta é uniforme. O campo mag- nético pode ser visualizado em termos de linhas de fluxa formanda lagos fechados interliga- dos com 0 enrolamento. No casa do circuito magnético da Fig. 1.1, a fonte do campo magnético do nicleo é 0 produto Ni, em ampéres-espiras (A.c). Na terminologia dos circuitos magnéticos, Ni é a for- ga magnetomotriz (FMM) F que atua no circuito magnético. Embora a Fig, 1.1 mostre ape- nas uma tinica bobina, os transformadores ¢ a maioria das méquinas rotativas tém no minimo dois enrolamentos, e Ni deve ser substituido pela soma algébrica dos ampires-espiras de to dos os enrolamentas. O fluxo magnético @ que atravessa uma superficie 5 ¢a integral de superficie da compo- nente normal de B; assim o= [8 da (1.3) Em unidades SI, a unidade de ¢ & 0 weber (Wb). A Equacdo 1.2 afirma que o fluxo magnético liquido que entra ou sai de uma superficie fechada (igual & integral de superficie de B sobre a superficie fechada) é zero. Isso equivale a dizer que qualquer fluxo que entrar em uma superficie que delimita um volume devera deixar esse volume passando por uma outra regidio dessa superficie porque as linhas de fluxo mag- nético formam lagas fechados. Esses fatos podem ser usados para justificar a suposigdo de que a densidade de fluxo magnético é uniforme em uma segio reta de um circuito magnético, como no nticleo da Fig. IL. Nesse aso, a Equagdo 1.3 reduz-se & equacao escalar simples* be = BoAe (1.4) onde ¢ = fluxo no nucleo B_ = densidade de fluxo no nucleo A, = drea da seco reta do niicleo ‘Caminho medio feo ndcleo Area da segio: eis A, Permeabilidade der riicleo magnétivo yu Figura 1.1. Circuito magnético simples. Nido Tr O subserito © nefere-se a ndelee(core em inglés) 22 Maquinas ELeTmicas Da Equagdo |. 1, a relagdo entre a FMM que atua em um circuito magnético e a intensi- dade de campo magnético naquele circuito & Fawi= fiat (5) ‘As dimensées do niicleo so tais que 0 comprimenta do camino de qualquer linha de fluxo é aproximadamente igual ao comprimento média do micleo /.. Como resultado, a integral de li- nha da Equaco 1.5 toma-se simplesmente o produto escalar H,!. do médulo de H yezes 0 comprimento médio /, do caminho de fluxo, Assim, a relagio entre a FMM e a intensidade de campo magnético poxde ser escrita, na terminologia dos circuitos magnéticos, como F=Ni= Hele 6) onde H_é 0 médulo médio de H no niicleo. O sentido de H, no nticleo pode ser encontrado a partir da regra da mdo direita, que pode ser enunciada de dois modos equivalentes. (1) Imagine uma corrente sendo transpor- tada em um condutor segurado por uma mio, com ¢ polegar apontando no sentido da cor- rente, EntZo, os demais dedos apontardo no sentido do campo magnétice criado por essa corrente. (2) De forma equivalente, se a bobina da Fig. I.1 for segura na mao direita (falan- do figurativamente), com os dedos apontando no semico da corrente, entdo o polegar apon- tard no sentido do campo magnético. A relagiio entre a intensidade de campo magnético H ¢ a densidade de fluxo magnético B € uma propriedade do material em que se encontra o campo magnético. Costuma-se supor uma relagao linear; assim B= ,H «7 onde ys € conhecida como permeabilidade magnética, Em unidades do SI, H é medida em amperes por metro, B em webers por metho quadrado ou, como também € conhecida, em tes Jas (T), ¢ ys em webers por ampére-espira-meiro ou, de forma equivalente, em henrys por me- tro. Em unidades do SI, a permeabilidade do vécuo € jt = 42 x 10” henrys por metro. A per- meabilidade dos materiais magnéticos lineares pode ser expressa em termos de ,, seu valor relativo ao do vacuo, ou 11 = 4,44, Valores tipicos de j, variam de 2,000 a 80,000 para os ma- teriais usados em transformadores ¢ miquinas rotativas, As caracteristicas dos materiais fer- romagnéticos estio deseritas nas SegGes 1.3 ¢ |_4. Por enquanto, vamos assumir que p1, seja uma constante conhecida, embora na realidade varie apreciavelmente em fungiio do valor da densidade de fluxo magnético. ‘Os transformadores sio enrolados em nticleas fechados como a da Fig. |. No entanto, os dispositives de conversio de energia que contém um elementa mével devem ineluir entre- ferros de ar em seus circuitos magnélicos, Um eireuito magnético com um entreferro de ar es td mostrado na Fig. 1.2. Quando o comprimento da entreferro g* for muito menor do que as dimensdes das faces adjacentes do micleo, © fluxa magnético ¢ seguird o caminho definido pelo nticlco ¢ pelo entreferro, Nesse caso, as técnicas de andlise de circuitos magnéticos pa- detio ser usadas, Quando © comprimento do entreferro toma-se excessivamente grande, ob- Scrva-se que o fluxo “dispersa-se” pelos lados do entreferro, ¢ as Wenicas de andlise de cire tos magneticos nao sao mais estritamente aplicaivei “Em geral, a queda de FMM ao longo de qualquer seymento-de um circuito magnétice pode ser calculada como sendo f Hal snaquele trecho do-circuito magnética *N.de T: ¢ de inglés gap. entrefeer. Capituvo 1_ Cincurros MAGNETICOS.€ MATERIAIS MAGNETICOS Caminho médio dor niicleo I Entreferro, permeabilidade pp ‘rea Ay Permeabilidate do cleo magnetic ye rea A, Figura 1.2 Circuito magnético com entreterra de ar. Assim, desde que 0 comprimento do enireferro g seja suficientemente pequeno, a con- figuragtio da Fig. |.2 pode ser analisada com dois componentes em série: um niicleo magné- tico de permeabilidade 1, drea de seco reta A, ¢ comprimento médio /., € um entreferro de permeabilidade 1, drea de seco reta A, e comprimento g. No nticleo, a densidade de fluxo pode ser suposta uniforme: assim B= (8) €.no entreferro, o Bes (1.9) e Ay onde ¢ = fluxo no circuita magnético. Aaplicagio da Equagio 1.5 a esse circuito magnético produz F= Hae + Hyg (1.10) e, usando a relagiio linear B-H da Equagao 1.7, obtém-se B, B, Fothe wo” p08 ian) Aqui a ¥ = Ni€éa FMM aplicada ao circuito magnético. Da Equagio 1.10, vemos que uma parte da FMM, #, = H,1., é necessiria para produzir campo magnético no néicleo, wo pas- 80 que o restamte, F, = Hg, produz campo magnético no entreferro. magneéticos da pritica (como foi discutido nas Segdes 1.3 ¢ 1.4), B, ¢ H nem sempre s¢ relacionam entre si de maneira simples através de uma permeabilidade constante conhecida jz, como descrito pela Equagio 1.7. De fato, B. € freqiientemente um ma- peamento ndo-linear plurivaco* de H,. Assim, embora a Equagio 1.10 continue sendo verda- deira, ela no conduz diretamente a uma expressiio simples que relacione a FMM com as den- sidades de fluxa, camo na Equagao 1.11. Ao invés disso, deve-se usar, gréfica ou analitica- mente, os detalhes especificos da relagdo néo-linear B.-H,. No entanto, em muitos casos, 0 conceito de permeabilidade constante aplicada a um material dé resultados de exatidio acei- tavel em engenharia, sendo usado freqlemtemente. * Node Ts No sentido de um para muitos (24 Maouinas ELeTricas: Das Equagées 1.8 ¢ 1,9,a Equagdo 1.11 pode ser reescrita em terms do fluxo total ¢ como 8 Fs ¢ (ict em) (LA2) Os termos que multiplicam o fluxo nessa equagiio so conhecids como sendo as refi- tincias R do nécleo ¢ do entreferro, respectivamente, © ods €, assim, FHO(Re+Rp) Finalmente, pode-se isolar o fluxo da Equagio 1.15 F T RAR, —__ mat ia, 3H (13) (Ld4) (1.15) (1.16) (L.17) Em geral, para qualquer circuito magnético de relutincia total 7,0 fluxo pode ser encontrado par F o=— (1.18) ‘O termo que multiplica a FMM é conhecido como permedncia P e é 0 inverso da relu- tiincia; assim, por exemplo, a permedncia total de um circuito magnético & (119) ‘Observe que as Equagdes 1.15 ¢ 1.16 so andlogas as relagies entre corrente ¢ tensdo,em um circuito elétrico, Essa analogia esta ilustrada na Fig. 1.3. A Fig. 1.3a mostra um circu stores Rye Ry. A trico em que uma (ensio V impulsiona uma corrente / através dos re: elé- 1.3b mostra a representagio esquemdtica equivalente do circuito magnético da Fig, 1.2. Vemos aqui que a FMM (andloga a tensio no cireuito elétrico) estabelece um fluxo ¢ (andlogo a corren- te no circuito elétrico) através da combinagiia das relutincias do nicleo R, edo entreferro R,. Freqiientemente essa analogia entre as solugdes de circuitos magnéticos ¢ elétricos pode ser ex- plorada para se obter as solugdes dos fluxos em circuitos magnéticos de grande complexidade. ‘A fragdo de FMM necessaria para impulsionar o fluxo através de cada parte do circuito magnético, comumente referida como gueda de FMM naquela parte do circuito magnético, varia proporcionalmente & sua relutancia (em analogia direta com a queda de tensio em um elemento resistivo de um circuito elétrico), Da Equagao 1.13, vemos que uma alta permeabi- lidade no material pode resultar em uma baixa relutdncia de nicleo, esta pode ser tornada muito inferior & do entreferro: isto é, para (WAJI,) 3 (A/a), R, & Re assim R= Ry, Nesse caso, a relutincia do nicleo pode ser desprezada e o fluxo, e portanto B, podem ser ob- tidos da Equago 1.16 em termos de apenas F e das propriedades do entreferra: F Fads _ Rs oe = yi Hote & (1.20) Cariruro 1_ Cincyrtos MAGNETICOS © MATERIAIS MAGNETICOS 25, F RR) (a) oy i-—*_ ~ RR) Figura 1.3. Analogia entre circuitos eléirica e magnético. (a) Circuito elétrica, (b) circuito magnético. ‘Como sera visto na Segdo 1.3, na pritica, as materiais magnéticos tm permeabilidades que no sio canstantes mas que variam de acordo com o nivel do fluxo. Das Equagdes 1.13 a 1.16, vemos que, enquanto essa permeabilidade permanecer suficientemente elevada, a sua variagdo ndo afetaré de forma significativa o desempenho do cireuito magnético. Nos sistemas reais, as linhas de campo magnético “espraiam-se” um pouco para fora quando cruzam o entreferro, coma ilustrado na Fig. 1.4. Se esse efeito de espraiamento nfo for excessivo, 0 conceito de circuito magnético continua aplicdvel. O efeito desses campas de es- praiamento & aumentar a érea efetiva A, da segdo reta do entreferro, Diversos métodos emp cos foram desenvolvides para levar em conta esse efeito. Em entreferros delgados, uma corre- 40 para esses campos de espraiamento pode ser feita acrescentando-se © comprimento do en- tweferro a cada uma de suas duas dimensbes, alterando-se assim a dea de sua segiio reta. Neste livro, © efeito dos campos de espraiamenta ¢ usualmente ignorada ¢, nesse caso, entio A, =A. Geralmemte, os cireuitos magnéticos podem eonsistir em miiltiplos clementos em série © em paralelo, Para completar a analogia entre circuitos elétricos e magnéticos, podemos ge- neralizar a Equagio 1.5 para Fa pHa =D A= wh (21) 7 ¥ onde F é a FMM (total em ampéres-espiras) que atua impulsionando o fluxo em um lago fe- chado de um circuito magnético, Fe fs da (1.22) s € F,= Hy) €a queda de FMM no k-€simo clemento daquele lago. Isso est em analogia dire- a.com a lei das tensdes de Kirchhoff aplicada a circuitos ¢létricos constituidos por fontes de tensiio e resistores v= Lia 23) onde V € a fonte de tensio que impulsiona a corrente em uma malha ¢ R,i, € a queda de ten- sia no k-ésimo elemento resistivo daquele lao. 26 Méounas EveTricas Linhas de fuse ‘Campos de espraiamenta Enurefeero Figura 1.4 Campos de espraiamento no entreferro, De modo semethante, a equago da lei das correntes de Kirchhoff Sin =O (1.24) a qual afirma que a soma das correntes em um né de um cireuito elétrice € zero, tem como andlogo a equagao So =0 (1.25) 7 a qual afirma que a soma dos fluxos em um né de um cireuito magnético € zero. ‘Assim, descrevemos os principios hisiens para se reduzir um problema de campo magné- tico quase-estético de geometria simples a um modelo de circwito magnético. O objetivo limita do desta segdo ¢ introduzir a terminologia ¢ alguns dos conceitos usados pelos engenheiros para resolver problemas praticos de projec. Devemos enfatizar que esse tipo de pensamento depende fortemente do raciocinio ¢ da intuicdo proprios de engenharia. Por exemplo, deixames implicito a suposigio de que a permeabilidade das partes de “ferro” do circuito magnético seja uma quan- tidade conhecida constante, embora geralmente isso nio seja verdadeiro ( veja a Segdo 1.3), e que © campo magnético esteja confinado unicamente a0 nécleo ¢ @ seus entreferros, Embora trate-se de uma boa suposi¢do para muitas sitwagdes, também é verdadeiro que as correntes do enrola- ‘mento produzem.campos magnéticos fora do miclea. Como veremos, quando dois ou mais enro- Jamentos sao colocados em um campo magnético, como ocorre no caso-de transformadores.¢ ma- quinas rotativas, esses campos externos ao niicleo, conhecidos como campos de dispersdo, nio podem ser ignorados ¢ afetam de forma signi 0 desempenho do dispositivo. O circuito magnético mostrado na Fig. 1.2 tem as dimensbes A, = A, =9 em’, g = 0,050 em, 1. = 30 cme N= 500 espiras. Suponha o valor 1, = 70.000 para o material do nucleo, (a) En- contre as relutineias R, ¢ R,. Dada a condigdo de que o circuito magnético esteja operando com B, = 1,0T, encantre (b) 0 fluxo @ e (¢) a corrente i § Solugao a. A relutincia pode ser obtida das Equagdes 1.13 ¢ 1.14: ke 03 Hite, T0000 Gx x 10779 x 10>) Ae R= 3,79 x 10" Capitulo 1 CiRCUITOS MAGNETICOS E MATERIAIS MaGneTiCos 27 so vs R= ea oney TAI A b. Da Equagao 14, = BA, 1,00 x 107) = 9% 107 Wb ¢. Das Equagées 1.66 1.15, FF o@(R,+R,) _ 9x 10% (446 x 10°) 130A == Encontre 0 fluxo ¢ ¢ a corrente para o Exempla I.1 se (a) 0 niimero de espiras for duplicado para N= 1000 espiras, mantendo-se as mesmas dimensdes, e (b) se o ntimero de espiras for N = 500 ¢ 0 entreferro for reduzido a 0,040 cm. S00 i Solugao a. @=9x 10" Wheis040A bb =9x 107 Whei=0.64.A Aestrutura magnética de uma maquina sincrona esté mostrada esquematicamente na Fig. 1.5. Supondo que 0 ferro do rotor e do estator tenham permeabilidade infinita (2 —+ 90), encontre o fluxo ¢ do entreferro e a densidade de fluxo B,. Neste exemplo, /= 10.4, N= 1000 espiras, g=lemed, = 2000 em 1 Solugao Observe que hd dois entrefertos em série, com comprimento total de 2g. ¢ por simetria a den- sidade de fluxo € igual em ambos. Como se supée que a permeabilidade do ferro seja infini- Estator ‘Smprimente de entrefere ‘Linhas de fluse imagnética Figura 1.8 Maquina sincrona simples. 28 MaAauinas ELeTaicas: 1.2 ta, sua relutincia é desprezivel e pade-se usar a Equagilo 1.20 (com g substituide pelo com- primento total de entreferro 2g) para abter 0 fluxa NiyivA, — LO00(O4 x 10°°)(0,2) a @ = 013 Wb Para a estrutura magnética da Fig. 1.5, com as dimensdes dadas na Exemplo 1.2, observa-se que a densidade de fluxo do entreferro é B, = 0.9'T. Encontre o fluxo de enteeferra @ e, para ‘uma bobina de N= 500 espiras, a corrente necessdria para produzir esse valor de fluxo no en- treferro, i Solugao . 20,18 Whe i= 286A FLUXO CONCATENADO, INDUTANCIA E ENERGIA Quando um campo magnético varia no tempo, produz-se um campo elétrico no espago de acordo com a lei de Faraday: f E-ds ec A Equagio 1.26 afirma que a integral de linha da invensidade de campo elétrica E ao longo de um contorno fechade C ¢ igual & razio, ne tempo, da variagio de fluxo magnético que concatena (isto &, passa através) aquele contorno, Em estruturas magnéticas, com enrola- mentos de alta condutividade elétrica, come na Fig. 1.2, pode-se mostrar que o campo E no fio € extremamente pequeno podenda ser desprezado, de modo que o primeiro membro da Equagiio 1.26 reduz-se ao negativo da ensdo induzida’ e nos terminais do enrolamento. Além disso, no segundo membro da Equagao 1.26 predamina o fluxo do niicleo ¢. Camo 0 enrolamento (¢ portanto o contorna C) concatena a fluxo do micleo N vezes, a Equagao 1.26 reduz-se a d < [tas (1.26) dy dd =n%L% 27 e=N dr dt (1.27) onde } € 0 fluxo concatenade do enrolamento definido como ha No (1.28) O fluxo concatenado ¢ medido em webers (ou de forma equivalente em webers-espiras). O simbalo yé usado para indicat o valor instantineo de um fluxo varidvel no tempo. Em geral, 6 fluxo coneatenado de uma bobina € igual & integral de superficie da compo- nente normal de densidade do fluxo magnético. A integragio € realizada sobre qualquer super- “O:termo forga elerromouri: (FEM) ¢ usado fregllentemente ao inves de tensa incluzida para tepresentar aquele componente ide tensio devido 3 variagio, no tempo, de fluxo-eoncaienade, Carimuo 1 Cincuitos MAGNETICOS & MATERIAIS MAGNETICOS_ 29 ficie delimitada pelas espiras daquela bobina, Observe que o sentido da tensdo induzida, e. € definido pela Equagao 1.26 de mado que, se os terminais do enrolamentos fossem curto-circui tados, uma corrente iria fluir em um sentido tal que se oporia A variagtio do fluxo concatenado. Em um circuito magnético, composto de material magnético de permeabilidade cons- tante ou que inclua um entreferro dominante, a relagdo entre ei sera linear e poderemos de- finir a induréncia L como (1.29) A substituigdo das Equagdes 1.5, 1.18 ¢ 1,28 na Equagio 1.29 da wt L=,- (1,30) Ru , Dessa equagdo, podemos ver que a indutancia de um enrolamento em um circuito magneético € proporcional ao quadrado das espiras ¢ inversamente proporcional a reluténcia do circuito magnético associado a esse enrolamento, Por exemplo, a partir da Equagiio 1.20, supondo que a relutiincia do micleo seja despre- zivel em comparagio com a do entreferra, a indutdincia do enrolamento da Fig. 1.2 sera igual a N? AZo oe 131 (g/ito4s) 8 en A indutincia é medida em henrys (H) ou webers-espiras por ampere. A Equagao 1.31 mostra aestrutura dimensional das expressdes de indutiincia, Ela € proporcional ao quadrado do. nu- ‘mero de espiras, a uma permeabilidade magnética, a uma direa de segio reta, ¢ inversamente Proporcional a um comprimento, Deve-se enfatizar que, estritamente falando, o conceito de indutdncia requer uma relagio linear entre fluxo-¢ FMM, Assim, ela niio pode ser aplicada ri- gorosamente a situagdes em que as caracterfsticas ndo-lineares dos materiais magnéticos, co- mo discutido nas Secées 1.3 ¢ 1.4, predominem no desempenho do sistema magnético. No en- tanto, em muitas situagdes de interesse priitico, a relutancia do sistema é dominada pela do en- treferro (que naturalmente € linear), ¢ 08 efeitos ndo-lineares dos materiais magnéticos podem ser ignorados. Em outros casos, pode ser perfeitamente accitdvel assumir um valor médio pa- ra a permeabilidade magnética do material do miclea, Para tanto, calcula-se uma indutincia média correspondente, que pode ser usada com exatidiio razoavel em céleulos de engenharia. ‘© Exemplo 1.3 ilustra o primeiro caso ¢ 0 Exemplo 1.4, 0 ditimo, O circuito magnético da Fig. 1.6a € constituido por uma bobina de N espiras enroladas em um niicleo magnético, de permeabilidade infinita, com dois entreferros paralelos de comprimen- tos g, © g,, € dreas A, ¢ Ay, respectivamente. Encontre (@) a indutincia do enrolamento e (b) a densidade de fluxo B, no entreferro | quando o enrolamento esté conduzindo uma correnie i. Despreze os efeitos de espraiamento no entreferro, '§ Solugdo a. O circuito equivalente da Fig. |.Gb mostra que a relutncia total ¢ igual & combinagao em paralelo das relutdncias dos dois entreferros, Assim, 30__MéAouinas Evernicas: im Figura 1.6 (a) Circuito magnétice e (b) circuito equivalente para o Exempla 1.3. onde Da Equagiio 1.29, e, assim, No Exemplo 1.1, assume-se que a permeabilidade relativa do material do nticleo do circuito magnético da Fig. 1.2 seja 4, = 70.000, para uma densidade de fluxo de 1,07. a. Para esse valor de y.,, calcule a indutincia do enrolamento, b, Em um dispositive real, o micleo poderia ser construfde de aco elétrico, como o de tipo M- Sdiscutido na Se¢do 1.3, Esse material ¢ altamente ndo-linear € sua permeabilidade relati- va (definida como sendo a razao B/ H, para os objetivos deste cxemplo) varia entre um va- for de aproximadamente 4, = 72.300 para uma densidade de fluxo de B= 1,0 T, ¢ um va- for da ordem de ja, = 2.900, 4 medida que a densidade de fluxo eleva-se até 1,8 T. (a) Cal- cule a indutincia supondo que a permeabilidade relativa do ago do micleo seja 72.300. (b) Calcule a indutancia supondo que a permeabilidade relativa seja 2.900, & Solugdo. a. Das Equagdes 1.13 ¢ 1.14 © baseando-se nas dimensdes dadas no Exemplo 1.1, abtém-se f 03 Ace = —— = —_________—____ 4.3, y Re Tok TER00 GE & ONG TO) ~ HOT FOG, Capiruo 1 Ciacuros MaGNeTicos & Materials MAGNeTiCcos 31 ao paso que ®, permanece inalterada, mantendo-se o valor caleulado no Exemplo 1.1 de Ace Ry = 42 « tot Assim, a relutincia total do nicleo e do entreferro é «Ace Raa = Re + Ry = 446 x 10 ¢, portanto, da Equagiia 1.30 L 0.561H ne AG x b, Para je, = 2,900, a relutncia do ndcleo aumenta de um valor de 3,79}% 10° 975 para k 03 Ace = Se iis x dirttnly 2.900 (dere 10-7)(9 xe 104) 15x 10" Wh Ace ©, portanto, a relutincia total aumenta de 4,46 x 10° sim, da Equagao 1.30, a indutincia diminui de 0,561 H para ne 500° Rea 534 x 10° Esse exemplo ilustra o efeito da linearizagdio de um entreferro dominante em um circuit magnético. Apesar da redugdo de permeabilidade do ferro por um fator de 72.300¥2,900 = 25, i inui apenas de 0,468/0,561 = 0,83, simplesmente porque a relutancia do en- ativamente maior que a do nicleo. Em muitas situagdes, é comum supor que a indutancia seja constante, 0 que corresponde a uma permeabilidade de niicleo de valor fini- toe constante (ou, como em muitos casos, supor simplesmente que ft, -* 00). Anilises basea- das nessa forma de representar um indutor levam frequentemente a resultados que esto bem dentro da faixa de exatido aceitavel em engenharia, Isso evita a enorme complicagaio decor- rente da modelagem da niio-linearidade do material do nicleo. para 5,34 10" A‘® as. Wb L 1468 H Repita 0 cdlculo de indutancia do Exemplo 1.4 para uma permeabilidade relativa de 1, = 30.000, @ Solugao L=0554H Usando MATLAB’, faga um grafico da indutdncia do circuito magnético do Exempla 1.1 ¢ da. Fig, 1.2, em fungao da permeabilidade do micleo no intervalo 100 5 j4, 5 100,000, ™@ Solugaio Aqui estdo script para MATLAB: cle clear % Permeabilidade do vacuo mdepitd.e~ MATLAB é uma marca registrada da The MathWorks, lnc. 32__MAouinas ELeTricas Todas as dimensSes expressas em metros. AcsSe-4; Ag=9e-4; g=Se-4; le=0,3; N=500; Relutancia do entreferro Rg=g/ (mad*Ag) ; for n=1:101 mur(n} = 100 + (100000 - 100)*(n-1)/100; ‘Relutancia do nicleo Re (n) =1e/ (mur (n) *mud*Ac) ; Reot=RgRe (n) ; ‘Indutancia L(n) =N*2/Rtot ; end plot (mur, L) xlabel (‘Permeabilidade relativa de nicleo'} ylabel ("Indut&ncia [H]*) O grifico resultante est mostrado na Fig. 1.7. Observe que a figura confirma claramente que, no circuito magnético deste exemplo, a indutncia ¢ bastante insensfvel 4 permeabilidade re- lativa enquanto esta ndio baixar até a ordem de 1.000, Assim, enquanto a permeabilidade rela- tiva efetiva do ndcleo for “elevada’” (neste easo, superior a 1.000), qualquer ndo-linearidade nas propriedades do nicleo terd um efeito pequeno nas propriedades finais do indutor, ME if Esereva um seript de MATLAB para plotar a indutincia do circuito magnética do Exemplo 1.1, no qual 1, = 70.000, em fungiia do comprimento do entreferra, quanda este varia de 0,01 em até 0.10.em, or o6 i ? oT 2 3 4 $6 7 & 9 Permeabilidade relativa do ndcleo- x tot Figura 1.7 Grafico de MATLAB da indutancia versus a permeabilidade retativa do Exemplo 1.5, Capituca 1__Cincurtos MaGnericos € Mareriais Macnenicos 33 A Fig. 1.8 mostra um circuit magnético com um entrefeerro ¢ dois enrolamentos. Nes- se caso, observe que a FMM da circuito magnético ¢ dada pelo coral de ampéres-espiras que atua no cireuito magnético (isto é, © total Ifquida de ampéres-espiras de ambos os enrolamen- tos) € que 0s sentidos de referéncia das correntes foram escolhidos de modo a produzirem flu- xos no mesmo sentido, A FMM total &, portanto, Fan tn. 3 €, da Equagio 1.20, desprezando a relutancia do niicleo e assumindo que A, = A,,0 fluxo do niicleo $ € Ae = (Mii + Nata) (1.33) & Na Equagio 1.33, $ € 0 fluxo resulfante no micteo, produzido pela FMM total dos dois enro- lamentos, E esse resultante que determina o ponto de operagiio do material do nucleo, ‘Se a Equago 1.33 for decomposta em termos relacionados individualmente com cada corrente, 0 fluxo concatenado resultante da bobina I pode ser expresso coma are mie =m (M4) i + mins (24) is 134 @ . (1.34) que pode ser escrita como Ay = Luis + Linir (1.38) onde 2MoAe by = Nee 1.36 w= wees (1.36) € indutancia prépria* da bobina 1 ¢ Lyi, €0 fluxo coneatenado da bobina | devido & sua propria corrente i,. A induidncia mitue entre as bobinas |e 2 & HoAe = NN, EO (1.37) J+ Permeshilidade magnética ddo-micleo 2, comprimento. medio do-micleo f. rea da segdo rete A, Figura 1.8 Circuito magnético com dois enrotamentos *N.deT: ‘Também conhecida came auto-indutancia. 34__Maouinas Evernicas ¢ Liiy€ 0 fluxo concatenade da bobina I devido a carrente j, na outra bobina, Do mesma mo- do, 0 fluxo concatenado da bobina 2 é dy = Nad = Mina (24) i ne (MAE) i 8 & (1.38) ou 42 = Lui + baiz (1.39) onde L,, = L, €a indutincia mitua bay = weeds «(.40) €a induldncia propria da bobina 2. E importante observar que a decomposigiio dos fluxos concatenados resultantes em duas componente produzidas por i, ¢ /, baseia-se na superposicdo dos efeitos individuais e, por- tanto, implica uma relagdo linear fluxo-FMM (caracteristica de materiais de permeabilidade -constante), A substituigdo da Equagao 1,29 na Equagio 1.27 resulta em ad. e= Gti) aah para o caso de um circuite magnética com um nico enrolamento, Em um circuito magnético estdtico, a indutincia fixa (supondo que as niio-linearidades do material nio causem varia- ‘ges na indutiincia), Entdo, essa equagdo reduz-se & forma familiar da teoria de circuitos =L— e=Le (1.42) Freqiientemente, no entanto, em dispositivos de conversio eletromeciinica de energia, as in- dutncias variam no tempo ¢ a Equagdo 1.41 deve ser escrita como (1.43) Observe que, nos casos de cnrolamentos miltiplos, © fuxo concatenado total de cada enro- lamento deve ser usado na Equagdo |.27, para se encontrar a tensdo nos terminais do enrolamento, Em um circuito magnético, a poténcia nes terminais de um enrolamento ¢ uma medida da taxa com que o fluxo de energia flui para dentro do circuit naquele enrolamento em par- ticular. A poréncia, p, & determinada pelo produto da tensdo pela corrente . dd =ie=i— P ae (144) © sua unidade é warts (W), ou joules por segundo. Assim, a variagio da energia magnética ar- mazenada AW no circuito magnético, durante o intervalo de tempo de 4a 1. & aw= [°par= [ida (45) Em unidades $I, a energia magnética armazenada W é medida em joules (J). No caso de um sistema com um Gnico-enrolamento de indutincia constante, a variagdo da energia magnética armazenada, quando o nivel do fluxo varia de A, a A, pode ser escrita como Ay Ay aw= [ id= das (a3 47 (1.46) ay ay L Capituco 1 Circuitos MaGnenions € MaTeRiais MAGNeTICos 35, A energia magnética total armazenada, para qualquer valor de A, pode ser obtida fazen- do-se A, igual a zero: (ayy No circuito magnético do Exemplo 1.1 (Fig. magnética armazenada W quando B, = 1,0 cleo, que varia no tempo a 64) Hz, dado por B, i Solugo enconire (a) a indutancia L, (b) a energia ¢ (c) a tensdo induzida e para um fluxo de ni- 1,0 sen eof T em que w = (21)(60) = 377 a. Das Equagées 1.16 ¢ 1.29¢ do Exempla 1.1, A Ne Ne L RR, =0,56H ~ 4.46 x 10° Observe que a relutincia do micleo € muito menor que a do entreferro (R,, © R,). Assim, den- trode uma boa aproximacdo, a indutincia € dominada pela relutdncia do entreferro, isto €, Ne Le —=057H x =o b. No Exempla 1.1, encontramas que, quando B, = 1,0T, entiio slo |.47, 80 A. Portanto, da Equa- w (0.36)(0,80)" = 0.18 di dr = 500 x (9 x 10) x (377 x 100s (3771) = 110008 (377)¥ Repita o Exemplo 1.6 para 8, = 0,8 T, supondo que o fluxo do nticleo varie a 50 Hz, ao invés de 60 Hz. 1 Solugdo a. A indutfincia L permanece inalterada b. W=O115F ©. = 113 cos3140V 1.3 PROPRIEDADES DOS MATERIAIS MAGNETICOS No contexto dos dispositivos de conversio cletromecdiica de energia, a importincia dos ma teriais magnéticos dupla. Com seu uso, € possfvel obter densidades clevadas de fluxo mag- 36__Méouinas Evetricas nético com niveis relativamente baixos de forga magnetizante. Como as forgas magnéticas & a densidade de energia clevam-se com o-aumento da densidade de fluxo, esse efeito exerce um papel enorme no desempenho dos dispositivos de conversio de energia. Além disso, os materiais magnéticos podem ser usados para delimitar e direcionar os campos magnéticas, denira de caminhos bem definidas, Em transformadores, sd0 usados pa- ra maximizar o acoplamento entre os enrolamentos, assim como para diminuir a corrente de excitagdo requerida para operar o transformador. Em méquinas elétricas, os matcriais magn¢- ticos so usados para dar forma aos campos de modo que © conjugado desejado seja produzi- do © as caracteristicas elétricas especificas nos terminais sejam obtidas, Os materiais ferromagneéticos, tipicamente compostos de ferro ¢ de ligas de ferro com cobalto, tungsténio, niquel, aluminio ¢ outros metais, s30 de longe os materiais magnéticos mais comuns. Ainda que esses materiais sejam caracterizados por uma ampla faixa de pro- priedades, os fendmenos biisicos respanstiveis por suas propriedades sdio comuns a todas eles. Observa-se que os materiais ferromagnéticos so compastos por um grande nimero de dominios, isto €, regides nas quais 0s momentos magnéticos de todos os dtomos estiio em pa- ralelo, dando origem a um momento magnético resultante naquele dominio. Em uma amostra nio magnetizada do material, os momentos magnéticos esto orientados aleatoriamente eo fluxo magnética liquido resultante no material é zero. ‘Quando uma forga magnetizante extema ¢ aplicada a esse material, os momentos das do- minios magnéticas tendem a se alinhar com a campo magnético aplicado, Como resultado, os ‘momentos magnéticos dos dominios somam-se ao campo aplicado, produzindo um valor muito mais clevado de densidade de fluxo do que aquele que existiria devido apenas & forga magneti- zante, Assim, a permeabilidade efetiva 1, igual 4 razio-entre a densidade de fluxo magnético to- tal ¢a intensidade do campo magnético aplicado, é-clevada em comparagao com a permeabilida- de do vicuo jp, A medida que a forga magnetizamte aumenta, esse comportamento continua até que todos os momentos magnéticos estejam alinhados com o campo aplicado. Nesse ponto, eles niio podem mais contribuir para © aumento da densidade do fluxo magnético, e diz-se que 0 ma- terial est completamente sawurado. Na auséneia de uma forga magnetizante externamente aplicada, os momentos magnéticos tendem a se alinhar natural mente de acordo com certas diregGes associadas & estrutura cristali- na dos dominios, conhecidas como eixos de mais facil magnetizagdo, Assim, se a forga magne- tizante for reduzida, os momentos dos dominios magnéticos relaxam-se indo para as diregdes de mais ffcil magnetizagao proximas da direcdo do campo aplicado, Entretanto, no final, quando campo aplicado ¢ reduzido até zero, 0s momentos dos dipoles magnéticos, embora tendendo a relaxar e a assumir suas orientages iniciais, ndo sia mais totalmente aleatérios em suas orien- tages. Eles agora retém uma componente de magnetizagdo liquida na diregio do campo aplica- do, Esse efeito € responsével pelo fenémeno conhecido come histerese magnétic. Devido a esse efeito de histerese, a relagao entre B e H em um material ferromagnético € nio-linear ¢ plurivoca. Em geral, as caracteristicas do material no podem ser descritas de forma analitica, Comumente, sio apresentadas cm forma de grificos constituides por conjun- tos de curvas determinadas empiricamente, a partir de amostras de ensaios com os materiais, seguindo as métodos prescritos pela American Society for Testing and Materials (ASTM). ‘A-curva mais comum usada para deserever um material magnético é a curva B-H ou la~ go de histerese. O primeiro e segundo quadrantes (correspandendo a B > 0) de um conjunto “Dados numéricas de uma ampla variedacle de materiais magnéticns estio-disponibilizagos pelos fubricantes de materiais maz~ néticos. Um problema com o uso de tais dados vem da diversidade dos sistemas de unidades usades. Por exemple, a magne- i2a¢0 pode ser dada ei ocrsteds ou em ampéres-cspiras por metro, ¢ adensidade de Nuxo magnético em gauss, quilogayss ‘ou teslas, Alguns fatores ieis de conversdo sio dados no Apéndice E. O leitor deve lembrar-se de que as equagdes desse li- ‘veo basciam-se em uaidades SI Capitulo 1 CiRcuITOS MAGNETICOS & MATERIAIS MAGNETICOS 37 E 3 S08 06 oa ¢ % 02 Be 2 =o 0 COSC HTT EB 130 TO H.Ascim Figura 1.9 Lagos B-H para ago elétrico de grado orientado, tipo M-S, de 0,012 polegadas de espessura. Apenas as metades superiores dos lagos so mostrados aqui. (Armco Inc.) de lagos de histerese esto mostrados na Fig. 1.5 para o ago M-5, um tipico ago elétrico de gro orientado, usado-em equipamentos elétricos. Esses lagos mostram a relagao entre aden= sidade de fluxo magnético B ¢ a forga magnetizante H. Cada curva € obtida variando-se cicli- camente a forga magnetizante aplicada entre valores iguais positives ¢ negativos de magnitu: de constante. A histerese faz com que essas curvas sejam plurivocas. Depois de diversos ci- clos, as curvas B-H formam lagos fechados como se mostra na figura. As setas indicam as tra- jetérias seguidas por B quando H cresce ¢ decresce. Observe que, com um valor crescente de H, as curvas comecam a ficar horizontais & medida que o material tende & saturaco. Para uma densidade de fluxo em torno de 1,7 T, pode-se ver que o material estd fortemente saturado. Observe que, quando H deeresce desde seu valor miximo até zero, a densidade de flu- xo decresce mas niio até zero, Isso resulta do relaxamento das orientagdes dos momentos magnéticos dos dominios, como recém descrito. O resultado é que, quando H é zero, uma magnetizagda remanescente estd presente. Felizmente, para muitas aplicagdies em engenharia, é suficiente descrever o material por uma curva univoca, obtida pela plotagem dos lugares de valores miximos de Be H nas extre- midades dos lagos de histerese. Essa curva é conhecida como curva de magnetizacia CC ott normal. Uma curva de magnetizagio CC para o ago elétrico de grao orientado do tipo M-5 es- td mostrada na Fig, 1.10. A curva de magnetizagdo CC despreza a natureza histerética do ma- terial mas exibe claramente as suas caracterfsticas ndo-lineares Suponha que 0 material do niicleo do Exemplo 1.1 seja ago elétrico de gro orientado do tipo M.S, 0 qual tem a curva de magnetizacio CC da Fig. 1.10. Encontre a corrente i necesséria para produzir B, = | T. (38 Mégumias Evetaicas 8. Wom? ' 0 100 1000 10,000 100,000 HAcein Figura 1.10 Curva de magnetizagao CC para 0 ago elétrico de grac orientado M-S de 0,012 polegadas de espessura. (Armco inc.) m Solugdo (O valor de H, para B, = 1 T pode ser lida da Fig. 1.10 como He=lA.elm A queda de FMM no caminho do nticleo é Fs Hi, = 11(0,3) = 3.3 A€ A queda de FMM no entreferro é Acorrente necessdria é Repita o Exemple 1.7 encontrando a corrente é para que B, = 1,6. De quanto a corrente de- ve ser aumentada para resultar nesse aumento de 1,6 vezes na densidade de fluxo? ® Solugdo Pode-se mostrar que a carrente # deve ser 1,302 A. Assim, a corrente deve ser aumentada de 1,302/0,8 = 1,63, Devido ao predominio da reluténcia do entreferro, esse valor ¢ ligeiramen- te maior do que o aumento fracionério na densidade de fluxo, apesar de que © niicleo comece «a saturar de forma significativa quando a densidade de fluxo atinge 1,6. Capiru.o 1_CincuITOs MAGNETICOS E MATERIAIS MaGNETICOS 39. 1.4 EXCITAGAO CA Em sistemas de poténcia CA. as formas de onda de tensio e de fluxo sf bastante: préximas de fungdes senoidais de tempo, Para tais condigies, esta segdo descreverd as caracter‘sticas da excitago e das perdas associadas & operagdo CA, em regime permanente, dos materiais mag- néticos. Como modelo, usaremos um circuit magnético de micleo fechado, isto é, sem entre- ferro, tal como o mostrado na Fig. 1.1 ow o transformador da Fig. 2.4, © comprimento do ca- minho magnético ¢ [,, ¢ a drea da segdo reta € A,, ao longo do comprimento do nicleo. Além disso, supomos uma variago senoidal para o fluxo y(#) do nticleo, assim P(t) = bmay SEM Ct = Ay Brgy SCN Cot (1.48) onde plitude do fluxo do niicleo g em webers Buy, = amplitude da densidade de fluxo B, em teslas @ = fregiiéncia angular = 21 f f = freqiéncia em Hz Da Equagao 1.27, a tensio induzida no enrolamento de N espiras € (1) = ON dinar COS (2) = Ejpax COS WF (1.49) onde Emax = ON Gwax = If NAc Boas (1.50) Na operagio CA, em regime permanente, usual mente estamos mais interessados nos va- lores eficazes* das tensdes ¢ correntes do que nos valores instantaneos ou miiximos. Em ge- ral, 0 valor eficaz de uma fungao periédica de tempo, fli), de periade T definido coma 1 ne-yl(t A partir da Equago 1.51, pode-se mostrar que o valor eficaz de uma onda senoidal é 1 ve- “es 0 seu valor de pica, Assim, 0 valor eficaz da tensfio induzida é fi dr) (Ls1) Ea = FF EN AGBaas = Vix PNA. Bax v2 (1.52) Para se produzir fluxo magnético no nticleo, é necessério que uma corrente, conhecida como corrente de excitacdo, i,, esteja presente no enrolamento de excitagéio." As propriedades mag- neéticas ndo-lineares do niiclea requerem que a forma de onda da corrente de excitagiio seja di- ferente da forma de onda senoidal do fluxo. A curva da corrente de excitagio em fungae do tempo pode ser obtida graficamente a partir das caracteristicas magnéticas do material do mi- cleo, coma se ilustra na Fig. 1.1 1a. Como B, ¢ H, se relacionam com y¢ i, por canstantes geo- meétricas conhecidas, a laga de histerese CA da Fig. 1.1 1b fai desenhado em termos de g = BA, ¢ i, = HJJN. As andas senoidais da tensdo induzida, e, e do fluxo, y, de acordo.com as Equagées 1.48 ¢ 1.49, esto mostradas na Fig. 1.1 la. Em um instante dado qualquer, © valor de i, correspondente a um valor dado de fluxo pode ser obtido diretamente do lago de histerese. Por exemplo, no tempa r',o fluxo € ye a corrente € ",; no tempo 1", os valores correspondentes sop" e i. Observe que, como 0 1ago *Nade Ti: Do inglés roov-mean-square (raiz do valor médio quadrético ov, simplesmente, valor médio quadritico). “Mais genericamente, em um sistema com mulkiplos earalamentos, a FMM de excitagio¢ o total liquide de armperes-espiras ‘que alua para produzir fluxo no-circuito magnético, 40 Miouinas Evétricas: (a) (by Figura 1.11 Fendmenos de excitagao. (a) Tensao, fluxo e corrente de excitagao; (b) lago de: histerese correspondente, de histerese é plurivoco, deve-se ter cuidado buscando os valores de fluxo crescente (’ na fi- gura) na parte de fluxo-crescente do lago de histerese, e, do mesmo mode, a parte do fluxo de~ crescente do lago de histerese deve ser escolhida quando se buscam os valores de fluxo de- crescente (y" na figura), ‘Como 0 lago de histerese “achata-se” devido aos efeitos da saturagio, observe que a far- ma de onda da corrente de excitagiio apresenta picos acenuados. Seu valor eficaz J, 4, € deli- nido pela Equagao 1.51, onde Té 0 periodo de um ciclo. Esta relacionado com 0 valor eficaz (ef) correspondente H,,, de H, pela equagio Iyot = (1.53) (Het N As caracteristicas de excitagdo CA dos materiais usados em micleos sao descritas freqiiente- mente em termos de volts-amperes eficazes, ao invés de uma curva de magnetizagZo que rela- cione B com #-A teoria que fundamenta essa representagio pode ser explicada combinando as Equagées 1.52 ¢ 1.53, Assim, das Equagdes |.52 e 1.53, os volts-ampéres eficazes necessdrios para excitar o micleo da Fig. 1.1, com uma densidade de fluxo especificada, ¢ igual a Eutlyt = MBs NA Bra = V2 BruxHeelActe) (1.54) Na Equagio 1.54, pode-se ver que 0 produto AJ. € igual a0 volume do nicleo e, assim, 9 valor necessiria de excitagdo, em volts-amperes eficazes, para excitar 0 niicleo com uma onda senoidal ¢ proporcional & freqiiéncia de excitagdo, ao valume do miicleo e ao produto da densidade do fluxo de pico vezes a intensidade eficaz. do-campo magnético. Para um material magnético com densidade de massa p,,a massa do nicleo € A, ,p, € 0 valor dos volts-ampéres eficazes de excitagdo por unidade de massa, P,, pode ser expresso como vIn Eecly.t massa Brax Het (1.55) Cariuto 1 Cincuitos MAGNETICOS & MATERIAIS MAGNETICOS 41 Observe que, com essa forma de normalizacao, o valor dos volts-ampéres é uma pro- priedade apenas do material, Além disso, observe que esse valor depende apenas de B,,,. por que H,,€ uma fungiio dnica de B,,,, determinada pela forma do lago de histerese do material em uma frequéncia dada f qualquer. Como resultado, as condigdes de excitagio CA de um material magnético sio forecidas freqiientemente pelos fabricantes em termos de volts-am- péres cficazes por unidade de peso, Esscs valores sfio determinados por meio de ensaios de la- boralétio realizados com amostras de nucleo fechado do material. Esses resultados estdio ilus- trados na Fig, 1.12 para o ago elétrico de griio orientado do tipo M-5, A corrente de excitagio fornece a FMM necessiiria para produzir 0 fluxo no micleo ¢ 0 ingresso da poténcia associada com a cnergia do campo magnético do niicleo. Parte dessa energia € dissipada como perdas das quais resulta 0 aquecimento do nucleo. O restante apare- ce como poténcia reativa associada ao armazenamento de energia no campo magnético, Essa poténcia reativa nao é dissipada no mticleo; ciclicamente ela € fornecida ¢ absorvida pela fon- te de excitacio. Em materiais magnéticos, dois sio os mecanismos de perdas associados a fMuxos varid- ‘veis no tempo. O primeiro é o aquecimento éhmico JR devido as correntes induzidas no ma- terial do nucleo. Pela lei de Faraday (Equacao 1.26), vemos que os campos magnéticos varid- veis no tempo dio origem a campos elétricos. Em materiais magnéticos, esses campos elétri- cos resultam em correntes induzidas, comumente referidas como corrertes parasitas, que cir- culam no material do niicleo ¢ opdem-se as mudangas de densidade de fluxo do material. Pa- ra contrabalangar o efeite de desmagnetizacho correspondente, a corrente do enrolamento de excitacio deve aumentar. Assim, o laco B-H“dinamico”, resultante da operagio em CA, é um pouco mais “cheio" do que o lago de histerese, para condigdes que variem lentamente. Esse efeito se intensifica & medida que a frequéncia de excitagio aumenta. Por essa razio, as carac- leristicas dos agos elétricos variam com a fregiigncia, ¢ usualmente so fomecidas pelos fabri- cantes para o valor de freqiiéncia esperada de operagdo de cada ago elétrico em particular. Ob- serve, por exemplo, que 0 valor eficaz dos volts-amperes de excitagao da Fig. 1.12 esti espe- cificado para a freqiéncia de 60 Hz. a 9001 ir) Ot 1 10 100 P,, VAlkg efieazes Ficura 1.12 Volts-amperes eficazes de excitagaa por quilograma a 60 Hz para o.aco elétri- co de grao orientado do tipo M-5 de 0.012 polegadas de espessura. (Armea Inc.) 42_ MAQUINAS ELETRICAS Para reduzir os efeitos das correntes parasitas, as estruturas magnéticas sfio construfdas ustalmente com chapas delgadas de material magnético, Essas chapas, alinhadas na diregio das linkas de campo, esto isoladas entre si por uma camada de éxido em suas superficies, ou por uma fina cobertura de esmalte ou verniz. de isolagdo. Isso reduz grandemente a magnitu- de das correntes parasitas porque as camadas de isolagiio interrompem os caminhos de cor- rente: quanto mais delgadas as.chapas, menores as perdas. Em geral, as perdhas por correntes parasitas tendem a aumentar com o quadrado da freqiiéneia de excitagio, e também com o quadrado da densidade de fluxo de pico. O segundo mecanismo de perdas ¢ devide & natureza histerética do material magneético, Em um circuito magnético como o da Fig. 1.1 ou o transformador da Fig. 2.4, uma excitagio varidvel no tempo faré com que o material magnético seja submetido a uma variagio cfelica descrita por um lago de histerese como @ mostrado na Fig, 1.13. ‘A Equagiio 1.45 pode ser usada para calcular o ingressa de energia W no micleo magné- tico da Fig. 1.1, quando o material ¢ submetido a um dinico ciclo, Obtém-se w = frdn= f (AE) aavasy = Ade fH dB, (1.56) Verificando que AJ, & 0 volume do nticleo ¢ que a integral ¢ a drea do lago de histerese CA, vemos que hd um fornecimento liquide de energia para dentro do material, a cada vez que 0 material ¢ submetido a um ciclo. Essa energia ¢ requerida para girar os dipolos do material e € dissipada como calor no material, Assim, para um dada ciclo, as perdas par histerese cor- respondentes sio proporcionais 2 sirea do ciclo de histerese e ao volume total de material. Ca- mo ha uma perda de energia a cada ciclo, a poténcia das perdas por histerese € proporcional & freqliéncia da excitagiio aplicada, Em geral, essas perdas dependem do aspecto metalirgico do material, assim como da densidade de fluxo e da frequéncia. Os dados sobre perdas no niicleo* sio apresentados ti- picamente em forma de graficos. $do plotadas em termos de watis por unidade de massa em Figura 1.13 Laco de histerese; a perda por histerese proporcional a area do laco (som- breado). "Node Ts Conhecidas também como “perdas no ferro". CAPITULO 1_CIRCUITOS MAGNETICOS € MATERIAIS MaGNETiCOs 43 0 0.0001 001 00 10 P,, Whkg Figura 1.14 Perdas no nucleo a 60 Hz em watts por quilograma para 0 ago elétrico de grao orientado do tipo M-S de 0,012 polegadas de espessura. (Armco inc.) fungdo da densidade de fluxo, Muitas vezes, é fornecida uma familia de curvas para dife~ rentes freqiéncias. A Fig, 1,14 mostra as perdas P, no nucleo para o ago elétric de grio orientado do tipo M-5 a 60 Hz. Quase todos os transformadores ¢ certas partes de maquinas elétricas wsam material & ba- se de chapas de ago, Essas apresentam direcdes altamente favordveis de magnetizagdo, ao lon- 0 das quais as perdas no micleo sdo baixas, ¢ a permeabilidade ¢ alta, Esse material é chama- do ago de grdo orientado. A rarao dessa propriedade est na estrutura atémica clbica de cor- po centrado dos cristais da liga de silicio ¢ ferro. Cada cubo tem um dtomo em cada vértice, as- sim como um Outro no seu centro. No cubo, a aresta ¢ 0 ¢ixo mais facil de ser magnetizado, a diagonal da face € um eixo mais dificil, ¢ a diagonal do cubo ¢ 0 mais dificil de todos, Usando técnicas adequadas de fabricaciio, a maioria das arestas dos cubos dos cristais € alinhada na di- reco de laminagio, Desse modo, essa torna-se a diregio favordvel de magnetizagio, Em rela- ‘gio as perdas no niicleo e & permeabilidade, © comportamento nessa diregao € superior ao dos acas ndo orientados, nos quais 0s cristais estio orientados aleatoriamente, produzindo um ma- terial de caracteristicas uniformes em todas as diregdes. Como resultado, os aos orientados podem operar, em relagio aos no orientados, com densidades de fluxo mais clevadas. Os agos elétricos nao orientados sio usados em aplicagdes onde © Muxo nia segue um caminho que pode ser orientado na direcdo de laminagao, ou em que o baixo custo é impor- lante, Nesses acos, as perdas so maiores ¢ a permeabilidade é muito menor do que nos agos de griio orientado. Onticleo magnético da Fig. 1.15 € feito de chapas de ago elétrico de grao orientado M-5. O enrolamento € excitado com uma tensao de 60 Hz produzindo no ago uma densidade de flu- xo de B= 1,5 sen wt T, onde © = 2n60 = 377 rad/s. O ago ocupa 0,94 da drea da seco reta. A densidade de massa do ago ¢ 7,65 gem’, Encontre (a) a tensa aplicada, (b) a corrente de pico, (c) a corrente eficuz de excitagio ¢ (d) as perdas no micleo, 44 Maoumnas Evetricas: N= 200 espira| Figura 1.15 Nucleo de chapas de ago com um enrolamento para o Exempla 1.8. m Solugao a. Da Equago 1.27, a tensdo € dy dB wt awa = 200 x 4 pol? x09 «( } x LS x B77 cos (377) pol, = 24e08 (3771) V b. A intensidade de campo magnético correspondente a B,,,, = 1.3 T estd dada na Fig. 1.10 valenda H,,., = 36 A.c/m. Observe que, como esperada, a permeabilidade relativa yt, = Baa lily Ha! = 33.000 para um fluxo de 1,5 T ¢ inferior ao valor de jt, = 72.300, eneon- trado no Exempla 1.4 e correspondente ao valor de 1,0, significativamente maior mesmo assim do que 0 valor de 2,900 correspondente a.um fluxo de 1,8 T, = (oro 8+pi( A corrente de pico é ¢. A corrente eficaz é obtida do valor de P, da Fig. 1.12 para B,,,= 1,57. P, = LS VArkg. O volume do nicleo ¢ a massa so V, = (4 pol”)(0,94)(28 pol) =105,5 pol’ Ww, = tans po (252) ( ‘Os volts-ampéres ¢ a corrente totais eficazes sao P, = (1,5 WAlkg)(13,2 kg) = 20 VA, 20 as(a,707) ~ 010% Ion CariTuLO 1 CIRCUITOS MAGNETICOS E MATERIAIS MaGNETICOs 45, d, Adensidade das perdas no nticleo é obtida da Fig. 1.14. como P, = 1,2 Wikg. As perdas to- tais no nticleo so P= (1,2 Wrkg (13.2 kg) = 16 W | Prosicus Pe) 7 1.5 Repita o Exemplo 1.8 para um tensdo de 60 Hz dada por B= 1,0sen wt T. i Solugdo a. V= 185 cos 377¢V D,04 A IMAS PERMANENTES ‘A Fig. 1.16a mostra o segundo quadrante de um lago de histerese do Alnico 5, um material magnético permanente (ima) t{pico, ao paso que a Fig. 1.16b mostra o segundo quadrante de sum lago de histerese para ago da tipo M-S.’ Observe que as curvas tém naturezas semelhan- tes. No entanto, o lao de histerese do Alnico 5 ¢ caracterizada por um alto valor de densida- de de fluxo residual ou magnetizagao remanescente, B,, (aproximadamente | 22 T) assim co- moum alto valor de coercitividade, H., (aproximadamente 49 kA/m). ‘A magnetizacio remanescente, B,, corresponde & densidade de fluxo que permanece atuando em uma estrutura magnética fechada desse material, como ma Fig. 1.1, quando a FMM aplicada (¢ portanto a intensidade de campo magnético H) € reduzida a zeto. No entan- 10, embora o ago elétrico de gro orientado M-5 tena também um alto valor de magnetizagio remanescente (aproximadamente 1.4 T), ele tem um valor muito menor de coercitividade {aproximadamente ~6 A/m, menor por um fator superior a 7.500). A coercitividade H. corres- ponde & intensidade de campo magnético (proporcional i FMM) requerida para reduzir a den- sidade de fluxo do material a zero. O significado da magnetizacio remanescente é que ela pode produzir fluxo magnético ‘em um circuit magnético na auséncia de uma excitaco externa (come correntes nos enrola- mentos). Esse é um fenémeno conhecido de qualquer um que jé afixou bilhetes em um refri- gerador usando ims. Esses so usados largamente em dispositivos como alto-falantes € mo- tores de imiis permanentes. A partir da Fig. 1.16, poderia parecer que © Alnico 5 ¢ 0 ago elétrico de grdo orientado M5 seriam dteis na produgio de fluxo em circuitos magnéticos desprovidos de excitago, ja que ambos tém valores altos de magnetizagio remanescente, Esse niio é 0 caso, como se po- de ilustrar melhor por meio de um exemplo. Como mostrado na Fig. 1.17, um circuito magnético € constituido por um niicleo de alta per- meabilidade (jc 00), um entreferro de comprimento g = 0.2 cm ¢ uma segiio de material mag- " Para se obter 0 valor maiselevado de magnetizagio remanescente, os lagos de histerese da Fig. 1.16 s80 os obstidos quando 0. ‘maleriais so exeitados por uma FMM suficiente para assegurar que sejam colocados fortemente em saturagio. Isso € discu tido com mais detathes na Seeo 1.6. 46 Maauinas EveTricas: Prodtuto energéticn, klim* Panto de imiime produto" snergético Reta de carga ~ para o Exempio 119 BT 4s 5, BT 10 ax urt N, \. Reta de carga ‘para o Exemplo 1.9 ‘. N, os prt He ism 0 5 0 Alm 6 0 () ©) Figura 1.16 (a) Segundo quadrante de um lago de histerese do Alnica 5: (b) segundo qua- drante de um laco de histerese do aco elétrico de grao orientado M-5, (Cc) lage de histerese da ago elétrico M-5 para valores pequenos de B: (Armco Inc.) CAPITULO 1 CIRCUITOS MAGNETICOS E MATERIAIS MaGNETICos 47 nético de comprimento /,, = 1,0 cm. A dea da seo reta do niicleo e do entreferro € igual aA, =A,=4 em", Calcule a densidade de fuxo B, no enireferro, quando o material magnético é(a) Alnico 5 e (b) ago elétrico M-5. lm Solugao a, Como se supde que a permeabilidade do niicleo seja infinita, entio a intensidade MW no nd- cleo é desprezivel. Verificando que a FMM que atua no circuito magnético da Fig. 1.17 € zero, podemos escrever FH0= Hyg + Hale - () Hy onde H, ¢ H,, sio as intensidades de campo magnétice no entreferro ¢ no material magnético, respectivamente. Como o fluxo deve ser continuo ao longo da circuito magnético, entdio O= AB, = AnBa ou ou onde B, ¢ B_ sio as densidades de fluxo magnético no entreferro.¢ no material magné- tico, respectivamente, Essas equagdes podem ser resolvidas fornecendo uma relagio linear para B,, em termos de H., room(s Para resolver em relagio a B,,. verificamos que, para 0 Alnico 5, B_ ¢ H,, esti relacio- nados também pela curva da Fig. 1. 16a. Assim, essa relagao linear, também conhecida como reta de carga, pode ser plotada como na Fig. 1.16a ¢ a solugao.obtida por meios grifices. Ob- tém-se 6.28 x 10H =030T Material + ~ magnésico Weed emnetemo.—- fe TREE veimesblitade Hoe frea Ay n> 20 Figura 1.17 Circuito magnético do Exemplo 1.9 48 Maoumas ELeTnIcas b. A solugdo para 0 ago elétrico M-5 ¢ feita exatamente como na parte (a). A reta de carga ¢ amesma da parte (a) porque ela é determinada apenas pela permeabilidade do entreferro ¢ pelas geometrias do ima e do entreferro. Assim, da Equagao 1.16c, B, = 38 x WOT = 0.38 gauss que € muito inferior ao valor obtido com o Alnico 5. © Exemplo 1.9 mostra que hé uma imensa diferenca entre materiais magnéticos perma nentes, ou imas, (freqticntemente referidas como materiais magnéticos duros), tais como © Alnico 5, e materiais magnéticas moles, como 0 aco elétrico de grio orientado M-5. Essa dis- Lingo € caracterizada em grande parte pela imensa diferenga entre as suas coercitividades 4, A coercvitividade pode ser entendida como uma medida da magnitude da FMM requerida pa- ra desmagnetizar o material. Como visto no Exempla 1.9, ela também é uma medida da capa- cidade do material para produzir fluxo em um circuito magnético que apresenta um entrefer- ro. Vemos assim que os materiais capazes de produzir bons imas permanentes sto caracteri- zadlos por valores elevados de coercitividade 7, (bem acima de | kA/m). Uma medida Gtil da capacidade de desempenho de um ima permanente ¢ 0 chamado produto energético mdximo, Corresponde ao maior produto B-H (B - #),,.. € est localizado em um ponto do segundo quadrante do lago de histerese, Como se pode ver na Equagaio 1.56, © produto de 8 vezes A tem as dimensdes de densidade de energia (joules por metro cubico). ‘Mostraremos agora que a operagdo de um dado ima permanente neste ponto resulta no menor volume de material necessdrio para se produzir uma dada densidade de fluxo no entreferro. Como resultado, a escolha de um material, cam 0 maior produto energético disponivel, pode resultar no menor volume magnético requerido. No Exemplo 1.9, encontramos uma expressiio para a densidade de fluxo no entreferro do circuito magnético da Fig. 1.17: By = Bn (1.57) Encontramos também que a razdo entre as quedas de FMM no imal e no-entreferro é igual a —I: Higby Hyg A Equagiio 1.58 pode ser resolvida em relagao a H, ¢ © resultado pode ser multiplicade Por pty para se obter B, = /1;#1,. Multiplicando pela Equagiia |.57 obtém-se tate =H (HB) o( BA, -I (1.58) Nolo = na ere HB) «1.59 ou Vohsueten B2 Vian BE 1.60) Volest = Tal HaBn) (160) onde Vol,,,, € 0 volume do im, Vol.jucem ¢ 0 Volume do entreferro ¢ o sinal negativo surge parque, no ponto de operagtio do circuito magnético, o valor de H do ima (H.,) é negative. A Equagio 1.60 € o resultado desejado. Ela indica que, para se obter uma densidade de- sejada de fluxo, @ valume necessirio do ima pode ser minimizado, operando o ima no ponto do maior valor possivel do produto B-H, H.,B,,. isto é, no ponta de miximo produto energéti- co. Além disso, quanto maior for o valor desse produto, menor ser o tamanho do ima neces Capituco 1 Cincuitos Macnénicos € Mareriais MaGNéricos 49. sirio para produzir a densidade de fluxo desejada. Assim, o produto energético maximo € uma medida Gtil do desempenho de um material magnético, ¢ freqiientemente € encontrado tabu- lado como “figura de mérito” em folhas de dados de especificagdes de imis permanentes, Observe que a Equagiio 1.59 pode sugerir que seja possivel obter uma densidade de flu- Xo fo entreferro arbitrariamente elevada simplesmente reduzindo o seu volume. Isso nio é verdadeiro na pratica porque, & medida que a densidade de fluxo do circuito magnético au- menta, um ponto sera atingido a partir do qual o material magnético do ndicleo comegard a sa- turar e a suposigao de permeabilidade infinita nao sera mais verdadcira, invalidando assim a deduciio que leva 4 Equagio 1.59. Observe também que uma curva de produto B-Af constante é uma hipérbole. Um conjun- to de tais hipérboles para valores diferemtes do produto B-H est plotada na Fig, 1,16a. A par- tir dessas curvas, vemos que o produto energético mdximo para 0 Alnico 5 40 ki/m’, e que isso ocorre no ponto B= 1,0 Te H =—40 kA/m, id O circuito magnético da Fig. 1.17 é modificado de modo que a drea do entreferro seja reduzi- da aA, =2,0.cm’, como mostrade na Fig. 1.18, Encontre o volume minimo de ima necessario para produzir uma densidade de fluxo de 0,8 T no entreferro, 1 Solugo © volume m{nimo de imi seri obtido com o ima operando em seu ponto de maximo produto ener- gético, como mostrado na Fig. 1.16a, Nesse ponto de operagio. B,, = 1,0 Te H,, =—40 kA/m. Assim, da Equagao 1.57, woa(B) ©, da Equagio 1.58, (8) 08 = lem (= x 1040 am) =3,18cm Portanto, o volume minimo de ima ¢ igual a 16cm? x 3,18 cm = 5,09 cm’, i a — E a ne ge 02cm Enureferro, permeabilidade 1, area Ay = 2om? Figura 1.18 Circuito magnético do Exemplo 1.10, 50__Maouinas Evermicas. MESES 16 Repita o Exempla 1.10 supondo que a drea do entreferro seja novamente reduzida até A, = 1.8 om’,¢ que a densidade de fluxo desejada no entreferro seja 0.6 T. Solugao Volume minimo de ima = 2,58 em’. APLICAGOES DE IMAS PERMANENTES Os Exemplos 1.9 ¢ 1.10 examinaram a operagio de imas permanentes suponde que 0 ponte de operagdio possa ser determinado simplesmente a partir do conhecimento da geometria do circuito magneético e das propriedades dos vérios materiais magnéticos envalvidos. Na reali- dade, a situagdo é mais complexa. Esta segio ird ampliar essas questiies. A Fig. 1.19 mostra as caracteristicas de magnetizagfio de alguns iméis permanentes co- muns. O Alnico 5 é uma liga amplamente utilizada de ferro, niguel, aluminio e cobalto. origi- nalmente descoberta em 1931, Apresenta uma densidad de fluxo residual relativamente ele- vada. O Alnico 8 tem uma densidade de fluxo residual menor ¢ uma coercitividade maior do que a do Alnico 3, Como conseqiiéncia, é menos sujeito & desmagnetizagao do que o Alnica 5. As desvantagens dos materiais do tipa Alnico so a coercitividade relativamente baixa e a fragilidade mecanica. 1s —— peodimio-Ferra-boro T 14 Alico 5 1 — amiriv-cobale ===> Alnico 8 += CerieicnT 1000-900 8M 700 —600 S00 _—400 300 20) 1000 A kAlm Figura 1.19 Curvas de magnetizagao para imas permanentes comuns, "Para uma discussie adicional sobre os ims permanentes ¢ suas aplicagies, veja P; Campbell, Permanent Magiet Materials «and Their Application, Cambridge University Press, 1994; R Parker. Advances in Permanent Maguetism. John Wiley & Sons, 1990;.A. Bosak, Permanent-Magnet DC Linear Motors, Claredon Press-Onford, 1996; G, R, Slemon ¢ A. Straughen, Blectric Machines, Kddison-Wesley, 1980, Sexes 1,201.25; ¢T. J. E. Miller, Brushless Permanent Magnet and Rei nce Motor Drives, Clarendon Press-Oxford, 1989, Capitulo 3 CAPITULO 1 CincuTTos MAGNETICOS & Mareniais MaGNericos 81 Os imas permanentes de cerimica (também conhecidos como imds de ferrite) sio feitos de pés de dxido de ferro ¢ carbonato de bario ou estrdncio ¢ tém densidades de fluxo residual inferiores &s.dos materiais do tipo Alnico, mas suas coercitividades so significativamente maio- res. Como resultado, so menos propensos & desmagnetizacao. Um desses materiais, a Ceriimi- ca tipo 7, est mostradona Fig, 1.19, onde sua caracteristica de magnetizago ¢ quase uma linha reta, Os ims de cerimica tém boas caracteristicas mecdnicas e sua fabricago ¢ de baixo custo, ‘Como resultado, sd largamente usados em muitas aplicagdes de imas permanentes, O samério-cobalto representa um avango significativo da tecnologia de imas permanen- tes, que comecou na década de 1960 com a descoberta de mis permanentes de terras raras. Na Fig, 1.19, pode-se ver que ele tem uma clevada densidade de fluxo residual, tal como ocor- Fe com 0s materiais de Alnico, ¢ a0 mesmo tempo apresenta coercitividade e produto energé- tico maximo muito maiores. O mais novo dos materiais magnéticos de terras raras é neodi- mio-ferro-boro. Caracteriza-se por valores de densidade de fluxo residual, coercitividade ¢ produto energético miximo maiores ainda que os do samério-cobalto. ‘Considere o circuito magnético da Fig. 1.20. Compreende uma seco de material mag- nético duro (ima permanente) em série com um niicleo de material magnético mole alamen- te permedvel, no qual também hé um enrolamento de excitagio com N espiras. Em relagio & Fig. 1.21, supondo que inicialmente o material magneético esteja desmagnetizado (correspon dendo ao ponto a da figura), considere 0 que acontece quando a corrente € aplicada ao enro- lamento de excitagaio. Como se supde que o ntécleo tenha permeabilidade infinita, o eixo ho- rizontal da Fig. 1.21 pode ser considerado como sendo tanto uma medida da corrente aplica- da i= HI,/N, como uma medida da intensidade # no material magnético. A medida que a corrente # cresce em diregio a seu valor maxima, a trajetéria sobre a curva B-H sobe do ponto a da Fig. 1.21 até seu valor maximo no ponte #, Para magnetizar completamente 0 material, supomos que a corrente € aumentada até um valor j,,,, Suficiente- mente elevado para que o material esteja fortemente saturado no ponto b. Em seguida, quan- do a corrente ¢ diminuida em direcao a zero, a curva B-H comeca a formar um Lago de histe- rese atingindo © ponto.c, onde a corrente € zero. No ponto c, observe que H no material é ze~ ro mas B esti no seu valor remanescente B,, A seguir, quando a corrente torna-se negativa, a curva B-H continua a seguit 0 tragado de um lago de histerese. Na Fig. |.21, isso € visto como a trajetéria entre 08 pontos ce d. Se a corrente for mantida no valor -/, 0 ponto de operagio do ima serd o ponto d, Observe que, como no Exemplo 1.9, esse mesmo ponta de operagaio poderia ser alcangado se, mantendo ni- laa excitagio e estando o material no ponto c, fosse entiio inserido um entreferro de compri- mento g = 1,(AJA,) (-Hy Hf? 1B") no micleo. Niicleo, jp» 20 Figura 1.20 Circuito magnético constituide por um ima permanente e um enrolamento de: excitagao, $2 Maoumas Evétricas: Hw 0 Hynes RAI iw i iA Figura 1.21 Parte de uma curva 8-H mostrando um lago menor e uma reta de recuo, Tomando a corrente ainda mais negativa, a trajetdria continuard a seguir 0 traguda do lago de histerese em diregio ao ponto e. Se, entretanto, pelo contririo, a corrente voltar a zero, em geral a trajetéria no seguird a rajetéria de volta ao ponto e. Ae invés, ela seguird o tragade de um lage me- nor de hisierese, e atingiré.o ponto f quando a corrente chegar a zero. Se agora a corrente for varia- da entre zera e—/, a curva B-H seguird 0 wragado do lago menor como mostrado na figura. ‘Como pode-se ver da Fig. 1.21, a trajetéria da curva B-H entre os pontos de f pode ser representada por uma linha reta, conhecida como refa de recuo. A inclinagao dessa linha é chamada permeabilidade de recuo jy. Uma vez desmagnetizado o material até o ponto d,ve~ mos que a magnetizagdo remanescente efetiva do material magnético sera a do ponto f. Essa magnetizacdo ¢ inferior & remanescente B, que seria esperada de acordo com 0 lago de histe- rese, Observe que, se a desmagnetizagao livesse sido levada para além do ponto d, como, por exemplo, até o ponte e da Fig, 1.21, entio seria criado um novo lago menor, com nowas linha. ¢ permeabilidade de recuo, Os efeitos de desmagnetizagao devidos a uma excilagao negativa, como acabaram de ser discutidos, so equivalentes aos de um entreferto no circuito magnético. E claro, por exer plo, que 0 circuito magnético da Fig. 1.20 poderia ter sido usado para magnetizar materi duros. O processo seria simplesmente aplicar uma excitacdo elevada ao enrolamento, seguida de uma redugdo a zero, Isso deixaria o material com uma magnetizagdo remanescente B, (pon= tocna Fig. 1.21). Seguindo esse processo de magnetizacdo, a remogao de material do ndcleo equivale a abrir um grande entreferro no circuito magnético, desmagnetizando o material de modo simi- Jar ao visto no Exemplo 1.9. Nesse ponto, o ima foi efetivamente enfraquecido, porque se fos se colocado de volta no niicleo magnético, ele seguiria uma reta de recuo ¢ apresentaria uma, magnetizagao remanescente menor que &,. Como resultado, ox materiais magnéticos duros, como 6 Alnico da Fig. 1.19, freqiientemente nao operam de mancira estdvel em situagdes de FMM e geometria varidveis e, também freqientemente, hii risco de que uma operagiio impré= pria possa desmagnetizé-los significativamente. Uma vantagem importante de materiais co- mo a Cerdmica 7, 0 samério-cobalto e 0 neodimio-ferra-boro é que, devido 4 caracteristica de “finha reta” no segundo quadrante (com inclinagdio préxima de j4,), suas retas de recuo igua- Jam-se de perta as suas curvas caracteristicas de magnetizagéio. Como resultado, nesses mate- Node Ts Recoil line, em ingles. CAPITULO 1 CIRCUITOS MAGNETICOS & MATERIAIS MaGnenicos 53. rriais, os efeitos de desmagnetizacio sao significativamente reduzidos e freqiientemente po- dem ser ignorados, As custas de uma redugdo no valor da magnetizagiio remanescente, os materiais ticos duros podem ser estabilizados para operarem dentro de uma regio espe Procedimento, baseado na reta de recuo mostrada na Fig. 1.21, pode ser melhor meio de um exemplo, A Fig, 1.22 mostra umcircuito magnético que contém um ima, um ndcleoe um émbolode permea- bilidade elevada (supostamente infinita), Um dnico enrolamento sera usado para magnetizar 0 ima. Depois da magnetizacdo do sistema, o enrolamento seré retirado. Como mastrado, 0 émbolo mo- ve-se na diregio x, com o resultado de que a drea do entreferro varia (2.cm’ 02) ¢ despreze os efeitos dos campos de fluxo disperso ¢ os de espraiamento no entreferro, (a) Calcule a relu- tincia do micleo R, ¢ a do entreferro ,, Para uma corrente de i= 1,5 A, calcule (b) 0 fluxo total @ (c) @ fluxo concatenade da bobina e (d) a indutéincia L da bobina. Repita o Problema 1.1 para uma permeabilidade finita no niicleo de ja = 2500p1,. Considere o circuito magnético da Fig. 1.24 com as mesmas dimensées do Problema 1.1. Supondo uma permeabilidade de micleo infinita, calcule (a) © mimero necessirio de espiras para obter uma indutincia de 12 mH ¢ (b) acorrente no indutor que resulta- rem uma densidade de fluxo de 1,0 T. Repita o Problema 1.3 para uita permeabilidade de nucleo de a = 1300. circuito. magneético do Problema 1.1 tem um nucleo constituide de material niio-li- near cuja permeabilidade, em fungao de B,,, é dada por _ 14 3499 BSN Fis 008TRS) onde B., € a densidade de fluxo do material. a. Usando © MATLAB, faca o grafico de uma curva de magnetizagaio CC para esse material (B,, versus H,), n0 intervalo 0 B, £2.27. b. Encontre a corrente necesséria para se obter uma densidade de fluxo de 2.2 T na niicleo. c. Novamente, usando.o MATLAB. faga o gréfico do fluxo concatenada da bobina em Fungo da corrente de bobina, quando essa ¢ variada de 0 até o valor encontrado na parte (b). O circuito magnético da Fig. 1.25 consiste em um niicleo ¢ um émbolo mével de lar- gura /,, ambos de permeabilidade 4.. O nicleo tem uma drea de segiio reta Ae um comprimento médio I. A drea da sobreposigdo entre os dois entreferros é uma fungao da posigao x do émbolo, e pode-se assumir que varie de acordo. com x aaa (1-Z) Voe8 pade desconsiderar os campos de espraiamento no entreferro ¢ usar aproxima- ‘ges consistentes com a andlise de cireuitos magnéticos. 58 _Maguinas ELeTRICAS Niclea: camino médio I, “rea Ay. Figura 1.25 Circuito magnético do Problema 1.6. 2 18 19 a. Supondo que ps > 00, deduza uma expressiio que fornega a densidade de fluxo mag- nético B, no entreferro, em fungiio da corrente de enrolamento Fe da posico varivel do émbolo (0S x $ 0,8X,). Qual é a densidade de fluxo correspondente no nticleo? b. Repita a parte (a) para uma permeabilidade finita j.. Ocireuito magnético da Fig. 1.25 e do Problema 1.6 tem as seguintes dimensdes: A, =82cm? f= 23cm 2.8m 0,8 mm Sem N= 430 espiras Xo a. Supondo uma permeabilidade constante de p= 2800u,, calcule a corrente requeri- da para se obter uma densidade de fluxo de 1,3 T no entreferre quando o émbolo es- td completamente retraido (x= 0). b. Repita os célculos da parte (a) para o caso em que o nticleo ¢ 0 ¢mbolo silo consti- tufdos de um material nao-linear cuja permeabilidade ¢ dada por w= no(14 onde 8,, 6a densidade de fluxo do material. ‘¢, Para o material nio-linear da parte (b), use o MATLAB para plotar a densidade de fluxo do entreferro em fungio da carrente de enrolamento para x= ¢ 0.5%), Um indutor com a forma da Fig. 1.24 tem as dimensdes: Area da segio reta A, = 3.6 em* Comprimento médio do miclea J, = 15.cm N= 7S espiras Supondo uma permeabilidade de nicleo de jt = 21001, ¢ desprezando 0s efeitas do fluxe disperso-e dos campos de espraiamento, calcule o comprimento de entreferro ne~ cessirio para se obter uma indutiincia de 6,0 mH. O circuito magnético da Fig. 1.26 consiste em angis de material magnético dispostos ‘em uma pitha de altura h. Os anéis tém raios interno &, € externo R,, Suponha que o ferro tenha permeabilidade infinita (2 + 00), e despreze 0s efeitos de dispersiio e de expraiamento magnéticos. Para: CapiTULO 1_CiRCUITOS MAGNETICOS E MaTERIAIs Macnenicos 59 calcule: a. o.comprimento médio do nticleo I. ¢ a érea da segdo reta A. b. arelutiincia do nécleo R, e a do entreferro R,. Para N = 65 espiras, calcule ©. a indutncia L. d. a corrente i requerida para que se opere com uma densidade de fluxo no entreferra de B= 1,357. e. 0 fluxo concatenado correspondente 4 da bobina. 1.10 Repita o Problema 1.9 para uma permeabilidade de niicleo de jz = 750 pty, 1.11 Usando o MATLAB, faga o grafico da indutincia do indutor do Problema 1.9 em fun- do da permeabilidade relativa do miicleo quando essa varia de j1, = 100 até 2, jote a indutancia versus o logaritmo da permeabilidade relativa.) idade relativa minima do néicleo para assegurar que a indutancia es- teja a menos de 5 por cento do valor ealculado, supondo que a permeabilidade do ni- cleo seja infinita? O indutor da Fig. 1.27 tem um niicleo de segio reta circular uniforme de drea A,, eom- primento media /,, permeabilidade relativa pz,, e um enrolamenta de N espiras. Esere- va uma expressiio para a indutiincia L. 1.13 © indutor da Fig. 1.27 tem as seguintes dimensdes: LL 5 g=0,8 mm ‘N= 430 espiras Desprezando os campos de espraiamento e de dispersio e supondo 41, = 1,000, calcu- le a indutancia, 1.14 0 indutor do Problema 1.13 deve operar com uma fante de tensio de 60 Hz. (a) Supondo uma resisténcia de bobina despreaivel, calcule a tensdo eficaz no indu- tor que corresponde a uma densidade de fluxo de pico no micleo de 1,5 T. (b) Sob essa condicZo de operacZo, calcule a corrente eficaz e a energia armazena- da de pico. Nespicas Figura 1.26 Circuito magnético da Problema 1.9. NAS ELETRICAS Nuicleo: Bobina de aminho métio J espiras rea A, peemeabilidade velativa y., 4 s = Figura 1.27 Indutor do Problema 1.12. 1.15 Considere 0 circuito magnético da Fig. 1.28. Essa estrutura, conhecida como por-core, € constituida tipicamente de duas metades cilindricas. A bobina de N espiras é enrola- da em um earretel ¢, quando as duas metades sfio montadas, ela pode ser facilmente in- serida na coluna disposta no cixo central do micleo. Como o entreferro esta no interior do nuicleo e se este niio entrar em saturagio excessiva, um fluxo magnético relativa- mente baixo se “dispersari” do nucleo. Isso faz com que essa estrutura tenha uma con- figuraciio particularmente atraente para uma ampla variedade de aplicagdes em indu- tores, como o da Fig. 1.27, ¢ também em transformadores. Suponha que a permeabilidade do nucleo seja = 250,14 ¢ que N= 200 espiras. As seguintes dimensdes sio especificadas: R= tSem Ry=4em [= 25cm h=075em g=0,5mm a. Encontre o valor de R, para o qual a densidade de fluxo na parede externa do nicleo ¢ igual Aquela no interior do cilindro central. b. Na realidade, a densidade de fluxo diminui com o raio nas segaes radiais do nucleo (as segdes de espessura h). Mesmo assim, suponha que essa densidade de fluxe per- manega constante. (i) Escreva uma expressiio para a indutincia da bobina ¢ (i) cal- cule-a para as dimensdes dadas. }~ Enrolamente. de Nespiras Figura 1.28 Indutor pot-core do Problema 1.15. 1.16 if 1.18 CapITULO 1 CiRCUITOs MAGNETICOS € MATERIAIS MaGneTicos 61 ¢. O nticleo deve operar com uma densidade de fluxo de pico de 0,8 T, em uma fre- quéncia de 60 Hz. Encontre (i) valor eficaz da tenso induzida no enrolamento, (ii) acorrente eficaz na bobina, ¢ (ii) a energia armazenada de pico. d. Repita a parte (c) para uma freqiiéncia de 50 Hz. Uma forma de onda quadrada de tensdo, com freqiiéncia fundamental de 60 Hz ¢ se- clos positivos ¢ negativos iguais de amplitude £, ¢ aplicada a um enrolamento de 1000 espiras em um niicleo fechado de ferro de segdo reta igual a 1,25 x 10° m*. Des- preze a resisténcia do enrolamento e todos 0s efeitos de fluxo disperso. a. Faga um esbogo da tensdo, do fluxa concatenado no enrolamento ¢ da fluxo no nii- cleo, em fungio do tempo. b. Encontre o valor méximo admissivel para E se a densidade méxima de fluxo nao puder ser superior a 1,15 T. Um indutor deve ser projetado usando um nticleo magnético com a forma dada na Fig. 1.29. O niicleo tem segao reta uniforme de 4rea A, = 5,0 em’ ¢ comprimento mé- dio J, = 25 em. a. Calcule o comprimento do entreferro g ¢ 0 niimero de espiras N tais que a indutdncia seja 1.4 mH ede modo que 0 indutor possa operar com correntes de pico de 6 A sem sa turagdo. Suponha que a saturagiio acorra quando a densidade de fluxo de pico do niicleo exceda a 1,7 Te que, abaixo da saturagdo, o nticleo tenha permeabilidade jc = 32001. b. Para uma corrente de indutor de 6A, use a Equagio 3.21 para calcular (#) a energia magnética armazenada no entreferro ¢ (ii) a energia magnética armazenada no-ndé- cleo, Mostre que a energia magnética armazenada total é dada pela Equagio 1.47, Considere o indutor do Problema 1.17. Escreva um programa simples para projeto par computador, na forma de um scrips de MATLAB, que calcule 0 ntimere de espiras ¢ 0 comprimenta do entreferro em fungdo da indutineia desejada. O seripr deve ser escri- to de modo que um valor de indutancia (em mH) seja solicitada do usuario e que as da seja 0 comprimento do entreferro (em milimetras) ¢ o mimero de espiras. O indutor deve operar com uma corrente senoidal de 60 Hz e deve ser projetado de modo que a densidade do fluxo de pico do niicleo seja 1,7°T. quando a corrente eficaz do indutor for igual a 4,5 A. Escreva o seu scripi de modo que rejeite os projetos nos quais o comprimento do entreferro esteja fora do intervalo de 0,05 mm a 5,0 mm, ou para os quais © niimera de espiras seja menor do que 5. Nictea: Bobina de caminho médio Nespiras fea A. permeabilidade p LJ, t Figura 1.29 Indutor do Problema 1.17. 62 Maournas Evetricas: Figura 1.30 Enrolamento toroidal do Problema 1.19, 119 1.20 Usando o seu programa, obtenha as indutncias (a) minima e (b) maxima (com o valor mais préximo em mH) que satisfaga &s especificagies dadas. Para cada um des- ses valores, determine o comprimento de entreferro necessdria, o mimero de espiras e a tensio eficaz correspondent ao fluxo de pico do nticleo. Um mecanismo proposte para armazenar energia consiste em uma bobina de N espiras, enrolada em torno de um grande nicleo toroidal de material niio magnético (jt = tg). CO- mo mastrado na Fig. 1.30. Como se pode ver na figura, © miicleo tem uma segiio reta cir- cular de raio @ e um raio toroidal r, medido até o centro da segdo reta. A geometria desse dispositiva ¢ tal que-o campo magnético pade ser considerado nulo em qualquer ponto fo- rado toro, Supondoque a