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FICHA CATALOGRAFICA djairo guedes de figueiredo andlise de fourier e equacces diferenciais Parciais SEUSS 9), ed eee aie, ll Copyright © 1977, by Djairo Guedes de Figueiredo Direitos reservados, 1977, por Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnologi Av. W-3 Norte, Brasilia, DF CNP, Impresso no Brasl/Printed in Brazil Capa: Casa do Desenho — Gian Carli Projeto Euclides Comissio Editorial: Elon Lages Lima (Coordenador), Chaim Samuel Honig, Djairo Guedes de Figueiredo, Heitor Gurgulino de Souza, Jacob Palis Junior, Manfredo Perdigio do Carmo, Pedro Jesus Ferninder Titulos é publicados 1, Curso de Analise, vol. 1, Elon Lages Lima 2. Medida e Integracio, Pedro Jesus Fernindez 3. Aplicages da Topologia a Anslise, Chaim Samuel Hénig, 4, Espagos métricos, Elon Lages Lima 5. Anilise de Fourier ¢ equagves diferencias parciais, Djairo Guedes de Figueiredo Impresso e distribuide por: Editora Edgard Bhicher, Ltda (01000 Caixa Postal $450 Sio A dona Mira, minha mie, Sortiso e bondade, Em seus setenta anos. CONTEUDO PREPACIO «+++ « INTRODUGAO xu CAPITULO 1 POR QUE ESTUDAR SERIES DE FOURIER? 1 1 Condugio do ealor numa barra Sfpsoces 1 1"). ormulagso. matemitiea do problema do ‘ondugio do calor 5 CAPITULO? SERIES DE FOURIER : 2 2A FungOes periodicas 2 Fe Convergencia uniforme «+ =--+° enna Fe cnet ts oes ee 16 2a Série de Fourier «.-- 7 : v8 2 eres de Fourier de TungBes pares © AMPA «°° 2B 36 Caloulo de algunas séries de Fourier : 4 3t Integragto de série de Fourier ob WN 3h 27) Batimatvas dos eneficientes de Fouret «=~ + Ls 75 Forma complexa da sfrie de Fourier « «~~ 3 3:10 Tdentidade de Pasoval «-« : bee 38 DAL Nota historic : 40 Bxercicios 555 a CAPITULO 3 CONVERGENCIA DAS SERIES DE FOURIER 48 “31 Classes das fungBes consideradas : 48 3) Comvergincia pont da série de Fourier 33 3.3 Lema de Riemann-Lebeseve 7 Ll. $6 32) Converegnca pontual da série de Fours (Continuagio) 8 3.5 Desigualdade de Bessel = = E ey 35 Destpulades de Cauchy Schwart¢ de Minkowski <7 °> 63 ae amrcapece eakerae (0 Ge oeeel cee 8 38 Nacloos de Dirac . n 315 “Teorema da aproximagio de Weierstrass lon Bio 0 teorema de Fejét soe eererr 877 te 00) 3.11. Kdentidade de Paseval cop 18 3.12 FungGes de variaglo limited . ao 3.13 Fenomeno de Gibbs 5 LL 8 3.14 Problema Isoperimétrico ps) 3.15. Nota histrica 9 xercicios a Gpesoooaed 100 CAPITULO 4 EQUACAO DO CALOR 4.1 Conduglo do calor: barra com extremidades mantidas 2 0 °C 42 Condugdo do calor: barra sujeita a outras condigBes laterais 4.3 Condiges de fronteira ndo-homogéneas 44 Equagio do calor niohomogénes 4.5. CondugZo do calor em uma barra nio-homogénea 4.6 Unicidade de solugio do PVIF (1). . 4.7. Vasiagies da temperatura do solo Exereicios CAPITULO 5 EQUAGAO DAS ONDAS . 5.1 Equagdo da corda vibrante 5.2. Resolugdo por stries de Fourier 5.3 Energia da corda vibrante 54 Harménicos, freqiéncia, amplitude 5.5 Corda dedilhada . : 5.6 VibragBes forgadas. Ressoninc 5.7 Corda infinita 58 Corda semtinfinta 59 Linhas de transmissio 5.10 Vibragées longitudinais de uma barra elisica 5.1 Sots goad 8 Sobley Reercicios CAPITULO 6 TRANSFORMADA DE FOURIER E APLICAGOES 6.1 A guisa de motivagdo . 6.2 Definiggo da tansformada de Fourier 63° Espugo _ e transformada de Fourier em 64 Produto de convolucio 65 Teorema de Plancherel 16.6 Formula do somatério de Poisson e equagio do calor 6.1 Problema de Cauchy para a equasio do calor 68 Condugio do calor na barra semi-infinita Apéndice Fungées representadss por integrais Exercivios ff CAPITULO 7 EQUAGAO DE LAPLACE . 7.1 Problema de Dirichlet 7.2. Problema de Dirichlet no retingulo 73 Problema de Dirichlet no disco... 14, de Diet prs» eqto ‘ae Laie ‘num semiplano Bxercicos Respostas e sugesties Referéncias Indice 102 102 108 nz ua 18 120 124 7 130 130 134 139 142, 14a 146 149 160 168 m 182 191 191 196 200 207 2 213 216 220 m2 238 24s 245 249 251 287 259 PREFACIO (0 objetivo central do presente texto é a resolugio de algumas equagBes, literenciais parciais que aparecem em problemas da Fisica Matematica. Pura isso, teremos de desenvolver certos métodos, sendo que © primeiro deles é 0 Método de Fourier, cujo ingrediente essencial é4 série de Fourier. Um outro método introduzido utiliza a transformada de Fourier. Por- tanto, sendo a série ¢ a transformada de Fourier as duas ferramentas basicas usadas, dedicamos alguns capitulos 4 chamada Anilise de Fourier. © espirito que nos guiou na ordenagio da matéria do texto foi 0 de desenvolver o instrumental matemético 4 proporgdo em que ele se fazia necessdrio. Assim, decidimos iniciar o presente trabalho apresen- tando um problema da Fisica Matematica, A seguir, durante a resoluglo do mesmo, fomos motivando a introdugdo de certos conceitos © justi- ficando certos teoremas. Parece-nos que esse ponto de vista ¢ particular mente instrutivo para o estudante, Um tal procedimento responde, por si mesmo, aquela preacupagio do aluno sobre a utilidade das teorias matematicas que estuda, mostrando como e por que elas foram criadas. Procuramos também mostrar a forga dos métodos introduzidos, apli- cando-os a resolugiio de varios outros problemas da Fisica Matemitica ‘Tentamos fazer um texto que fosse utilizavel pelos alunos de graduagdo dos cursos de Engenharia, Fisica e Matematica, bem como pelos alunos do curso de Mestrado em Matematica, Visando os primeiros, pusemos como pré-requisito apenas 0 Célculo Diferencial e Integral de uma e varias variéveis. Entretanto algum material requerendo maior conhe- cimento matemético foi colocado em secgdes e observagdes isoladas a0 longo do texto, de modo a permitir que 0 leitor as omita caso desejat Fizemos isso visindo a um duplo objetivo: despertar a curiosidade do Ieitor iniciante e mostrar ao leitor mais avangado a relevancia de algumas teorias matematicas que ele estudow. [A necessidade de um texto com o enfoque escolhido se deve, a0 nosso ver, uma série de problemas atuais no ensino de Matematica, os quais cstio intimamente interligados, como passamos a expor. ‘a) Nos cursos de Engenharia e de Fisica, as disciplinas do ciclo basico ‘ministradas pelos Departamentos de Matematica contém poucas apli- cagdes, € seus programas visam pouco ao uso futuro no ciclo profissional, Neste, a Matematica utilizada de “modo diferente” daquele que 0 aluno viu no ciclo basico! Em algumas disciplinas do ciclo profissional, a Mate- mitica necessaria & desenvolvida ad hoc! Parecem faltar, no ciclo basico, algumas disciplinas de conexio, como sejam Métodos Matematicos da Fisica ou Equagoes Diferenciais Parciais, ou, até mesmo, Equagies Dife- renciais Ordinarias, apresentadas com uma forte dosagem de aplicagbes a Fisica © Engenharia, Onde anda aquela cadeita, dos antigos cursos de Engenharia, que era tdo til nesse espirito de conexdo, a qual era mi- nistrada pelos departamentos de Matematica, ¢ que trazia aquele nome Go pitoresco: “Mecdinica racional precedida de elementos de cilculo vetorial”? b) Nos cursos de graduagio em Matemética, bacharelado e licen- ciatura, quase todas as disciplinas so oferecidas pelo Departamento de Matematica, via de regra, com um enfoque pouco aplicado. A Fisica, a Quimica ¢ @ Biologia comparccem na quantidade minima para atender as exigéncias da legislagdo federal. Existe em alguns lugares a idéia bizarra de que essas matérias sio um trambolho que deve set logo superado para que © aluno possa logo se dedicar as disciplinas mateméticas, pois sio estas que realmente importam. Seré? Que vio fazer esses alunos apés se tomnarem bacharéis ou icenciados? Talvez a maior parte deles vi ensinar pessoas para as quais a Matemética € apenas uma ferramenta, Nio scria bom que esses professores tivessem aprendido um pouco da linguagem das aplicagdes para melhor motivar seus alunos? ¢) O aluno de Mestrado em Matematica & 0 bacharel ou o lcenciado formado no espiito da letra (b)acima. E, via de regra, pessoa avessa as aplicagSes, nlo porque as conhega e a julgue desagradives, mas sim por- que ndo as conhece © as teme. A maioria dos programas de Mestrado em Matematica nfo procura sinar esse problems. Talvez se julgue que seja demasiado tarde, Desse modo, os cursos de Mestrado se limitam a melhorar o nivel de conhecimento estrtamente matemitico dos alunos egressos de nossas graduagies, Mestre formados nesse esquem’ pouco poderio fazer no sentido de minorar o$ problemas das letras (a) ¢ (b) cima, Nao cremos que seja dificil fazer algo, nesse nivel de Mestrado, para atacar os problemas que expusemos anteriormente. A introdugio de certas disciplinas, como, por exemplo, Equagies Diferencais Parciais, no espirito do presente text, seria.um passo na ditesio de futuros pro- agramas mais ambiciosos. Meus ugradecimentos a todos que leram 0 manuscrito ow partes ‘os mesmo e nos deram sugestdes e apontaram incorregdes; em particular, ‘tus professores David Goldstein Costa, José Valdo Gongalves, Nelson Oriegosa da Cunha, Pedro Nowosad © Wellington Santiago. Brasilia, novembro de 1977 Djairo Guedes de Figueiredo “Returning to the question of the Conduction of Heat, we have first of all to say that the theory of it was discovered by Fourier, and given to the world through the French Academy in his Théorie analytique de la chaleur, with solutions of problems naturally arising from it, of whieh it is difficult to say whether their uniquely original quality, or their trans- cendently intense mathematical interest, or their perennially important insteuetiveness for physical science, is most to be praised.” (Kelvit clopaedia Britannica, 1878.) “Par Fimportance de ses découvertes, par Finfluence décisive qu'il a exeroé sur le développement de la Physique mathématique, Fourier méritait Phommage qui est rendu aujourd’hui & ses travaux et a same moire. Son ntom figurera dignement a cdté des noms, ilustres entre tous, dont la liste, destinge a s'accroitre avec les années, constitue dés a présent un véritable titre d'honneur pour notre pays. La Théorie analytique de la Chaleur..., que Von peut placer sans injustice & cOtt des écrits scien- tifiques les plus parfaits de tous les temps, se recommande par une expo- sition intéressante et originale des principes fondamentaux.” (Darboux, Oeuvres de Fourier, 1, 1888) “La théorie de la chaleur de Fourier est un des premiers exemples de application de l'analyse a la physique; en partant d’hypothéses simples qui ne sont autre chose des faits expérimentaux généralisés, Fourier en a déduit une série de conséquences dont Tengemble constituc une théorie complete et cohérente, Les résultats qu'il a obtenu sont certes jntéressants par eux-mémes, mais ce qui lest plus encore est la méthode qu'il a employé pour y parvenir et qui servira toujours de modéle a tous ceux qui voudront cultiver une branche queleonque de la physique mathématique. M'ajouterai aque Ie livre de Fourier a une importance capitale dans histoire des mathé- rmatiques et que analyse pure lui doit peut-étre plus encore que analyse appliquée.” (Poincaré, Théorie analyrique de la propagation de ta chalew 1891) INTRODUGAO ‘© stun das Equagdes Diferenciais comega com a eriagho do Cileulo Hitec © Integral no século XVI, & guiado, inicialmente, por suas faplicayoes si mecanica das particulas. Nessas aplicagies, 0 uso de leis Males, com as tr8s de Newton da Dinémica e a lei da gravitagdo uni- veinul, possibilita obter equagdes diferenciais ordinarias que representam tux fenoinenos em estudo, © sucesso em tratar esses problemas utilizando ¥ Chlcule Diferencial foi um enorme estimulo aos fisicos © matematicos du sécul XVITL em procurar modelos para problemas da Mecnica do Cantinuy © de outros ramos da Fisica (Termologia, por exemplo) que Jessen os fondmenos em termos de EquagSes Diferenciais. Entretanto tae equngoes resultantes, sendo equagdes diferenciais parca, trazem sérias Ulificuidiues: matematicas em sua resolugdo. As trés equagdes bisicas que {haparecens nos estudos dos matemiticos do século XVIII sfio as seguintes: » problema das vibragSes transversais de uma corda, a posigio ulx, #) ‘umn ponto x da corda, num instante ¢, deve satisfazer & equagio das ondas. tho problema da condugdo do calor em uma barra, a temperatura u(x, t) do ponte « da barra, no instante 1, deve satislazer & equagio do calor = he No problema do equilibrio de uma membrana sob a agio de certas forgas, vobtéi-se que uma certa funglo u(x, y) deve satisfazer & equagao de Laplace Meet thy na regio do plano x, » Para esses problemas, a obtengiio de solugdes satisfazendo, além da cquigio diferencial, a certas condigdes iniciais ou condigies de fronteira & uma tarefs dificil E esse & o objetivo central deste trabalho, ‘© método de resolugio desses problemas é conhecido como o método dle Fourier, © qual consiste em duas etapas, Na primeira, utiliza-se gio de variéveis para obter problemas de autovalor, para cquacdes uferenciais ordinarias, estreitamente relacionados com as equagoes dife- ‘enna parciais em estudo, Nessa ctapa, obtém-se uma familia de solugdes du equaydo diferencial parcial que satisfazem a uma parte das condigdes <7 de fromteira, A idéia basica, a seguir, & utilizé-las para compor a solugio do problema como uma série cujos termos slo produtos dessas solugSes por coeficientes adequadamente escolhidos; esst & a segunda etapa, que requer a chamada Anilise de Fourier. No Capitulo 1, aplica-se 0 método de Fourier para 0 tratamento detalhado do problema da condugdo do calor em uma barra; visamos, desse modo, motivar 0 estudo das séries de Fourier através de um exemplo de bastante significado histérico. De fato, esse & precisamente um dos problemas estudados por Fourier em seu tratado de 1822, Théorie anae Iytique de ta chaleur (Teoria analitica do calor). E nesse trabalho que o problema de representagio de uma fungio por uma série trigonométrica € colocado em termos mais claros, coneluindo uma era de estudo desse problema, marcada por diividas e controvérsias mantidas entre eminentes matematicos como d'Alembert, Euler, Daniel Bernoulli ¢ Lagrange. Re- conhega-se que 0 trabalho de Fourier carece de rigor, 0 que & absoluta- mente compreensivel porque, na época, a Anilise no estava ainda em bases s6lidas. Foram precisamente as duividas e imprecisdes em problemas como os da convergéncia da série de Fourier, cuja relevancia era indis- cutivel, que motivaram mateméticos como Cauchy, Bolzano, Dirichlet © outros, a procederem a uma formalizagao mais cuidadosa da Anilise. Os Capitulos 2 € 3 contém uma teoria das séries de Fourier, e a sepa. ragio em dois capitulos visa a atender diferentes grupos de leitores, Aqueles que tém menor interesse pelas questdes mateméticas © visam mais as aplicagdes das séries de Fourier poderiio omitir © Capitulo 3, ou, pelo menos, let apenas os resultados, deixando as demonstragdes de lado, Com 0 instrumental adquirido nos Capitulos 2 e 3, tratam-se, no Capitulo 4, varios problemas de condug2o do calor em uma barra © Capitulo 5 estuda os varios problemas para a equago unidimen- sional das ondas. Além de utilizarmos 0 método de Fourier, tratamos alguns problemas usando 0 fato de que a equacio das ondas possui uma solugdo geral, o que ja foi observado por d'Alembert. Esse capitulo contém, na Seog 5.11, um estudo detalhado da existéncia de solugio generalizada para a equagio das ondas; os leitores que no estejam familiarizados ‘com a teoria da integral de Lebesgue podem omitir essa secgdo, onde s faz uso dos chamados espagos de Sobolev. Outro instrumental bisieo introduzido neste texto é a transformada de Fourier, O Capitulo 6 versa sobre ela ¢ algumas de suas aplicagdes fs equagdes do calor ¢ das ondas Finalmente, o Capitulo 7 trata 0 problema de Dirichlet para a equagio de Laplace em regides muito simples como retangulos, discos ou coroas. atu cw regis. que tin um certo grau de simetria, o método de Fourier Auton particularmente bem. O problema de Dirichlet para regives wwwx yetits requer outras téenicas, e foge a0 objetiva deste trabalho. Hspetamos ter procedido a um desenvolvimento, suficiente para nossos Wupintios, das séries e transformadas de Fourier, bem como discutido ‘wun uninero cde exemplos que mostram a forga e a utilidade dos métodos Hivdusulos, O Autor procurou manter a um minimo os pré-requisitos utenuiticas, visindo a tornar o texto acessivel a pessoas que tenham luteiesse as aplicagdes, mas que caregam ainda de um conhecimento ‘nuns niple das modernas teorias mateméticas, Apesar disso, procurou-se, inttavés de diversas observagbes (quando marcadas com um asterisco (*),re- qucrem o conhccimento de Algebra Linear; quando marcadas com dois **), ‘exten, léin disso, familiaridade com a integral de Lebesgue), mostrar as ‘eteyses do que estudamos com outros ramos da Matematica atual: € nfo ‘emegames que boit parte dessa Matemitica foi eriada no estudo de ques- Wer cine as consideradas neste texto. Espera-se assimn motivar os leitores a uprofundaren seus conhecimentos matematicos ‘A questio central na teoria das séries de Fourier é expressir uma dad fungio como uma série de senos ou (€) co-senos, 05 quais, como veieuws no texto, so autofungdes de determinados problemas de auto- lon. A consideragio de certos problemas para as equagies diferenciais Pwicuns cin estudo conduz a necessidade de escrever-se uma dada fungo ante uma serie de autofungdes de problemas de autovalor mais gerais aan questies sio bem mais diffeeis e, para atacd-las de modo mais con- the elegante, requer-se um instrumental matematico mais poderoso: ‘810 vista disso, decidimos omiti-las do. presente trabalho, CAPITULO 1 POR QUE ESTUDAR SERIES DE FOURIER? Este capitulo, alm de responder & pergunta enunciada no titulo do capitulo, mostra como surgiu a teoria das séries de Fourier, ¢ assim se constitui em uma motivagio adequada para 0 trabalho desenvolvido ‘em parte substancial deste texto, Estudaremos o problema da condugio do calor numa barra. Na tentativa de resolvé-lo, usaremos a matematica que aprendemos nos cursos de Cileulo Dilferencial Integral e de Equagies Diferenciais, € chegaremos 4 conclusio de que ela & insuficiente. Espe- ramos convencer o leitor de que a resolugio do problema requer algo mais, € que esse algo mais € a série de Fourier. 1.1. Conduco do calor numa barra Considere uma barra de comprimento L, cuja seeglo transversal tem frea A, feita de um material condutor uniforme de calor. Suponhamos que a superficie lateral da barra esteja isolada termicamente de modo a iio permitir, através dela, transferéncias de calor com o meio ambiente. Transferéncias podem, entretanto, ocorrer através das extremidades da Zee a — Figura Lt 1 A uniformidade do material e o isolamento térmico lateral implicam que 0 fluxo de calor se dé somente na diregio longitudinal, e, portanto, estamos em presenga de um problema de condugdo do calor em uma dimensio apenas, Mais precisamente, as varias grandezas fisicas so cons- tantes em cada sec¢do transversal, podendo, obviamente, variar de uma seeeo para outra ‘A lei do resfriamento de Fourier diz o seguinte: considere duas placa P, © P,, de freus iguais a A, mantidas constantemente as temperaturas xy [captuos ] T, € T,, respectivamente; se colocadas paralelamente a uma distancia d uuma da outra, haverd passagem de calor da placa mais quente para a mais fria, ¢ a quantidade de calor, por unidade de tempo, transferida de ‘uma placa para outra é dada por e- i) onde k & a conduibilidade térmica do material entre as placas. No sistema CGS, k tem as dimensdes de cal/em-s-°C. Utilizaremos a seguir essa lei para estudar a condugio do calor na barra, Representemos por u(x, t) a temperatura de um ponto de abcissa x (imaginemos que a barra esteja colocada sobre © eixo dos x, como indica 4 Figura 1.2) no tempo 1. Observe que a temperatura independe das coor- denadas espaciais y e 2, 24 ” Figura 1.2 Tomemos duas seegies transversis da barra loclizadss em x € em x + d, Para aplicar a lei de Fourier, imaginamos essa secgSes como as placas P, e P, acima.{Enireianio[hi uma difculdade porque as tem. peraturas nessas seegdes variam com o tempo, e, portanto, alo si cons- tantes como requer a lei de Fourier, Para superar essa difculdade, vamos introduzira grandera fluo de calor através duma seogio x, num instante 1 © que ser feito do seguinte modo: fie 0 tempo rem (I. faga T, = ulx +d.) © T= Mx fhe passe ao limite quando d tende a zero, Tal limite sera KAluts, 0, Definimos, entéo, o fluro de calor na diregio positiva do eixo ¥ como uma fungdo a(x. 1 dada por lox, ) = ~kAu lx, 0, 2 O sinal menos em (2) é justficado do seguinte modo: se a temperatura u erescesse com x, u, seria positive; mas, como o calor Nuria para a esquerda, [ seegio 1] X 4 deveria ser negative. Por outro lado, se u decrescesse com x, u, seria negativo, mas, como o calor fuiria para a direita, q deveria ser positivo. Fixemos agora um elemento da barra entre x) € x5 + 6, € Vejamos qual € a quantidade de calor (g) que af entra, no periodo de tempo entre fy € ty +t. Usando 0 fluxo de calor q(x, 0), podemos ver que ou sea, [Hee + 8,0) uo, Ade % Por outro lado, sabemos que o calor especifico (c) de uma substincia 4 quantidade de calor necesstria para elevar em 1°C a temperatura de um grama dessa substancia. Portanto q pode ser também escrito como 4 la IE cue, dtp Ad ® conde p & a densidade da substancia. Usando © teorema fundamental do cileulo em (3) ¢, a seguir, igua- lando 0 valor de q assim obtido com o valor de q dado em (4), obtemos ie i hls aca i cous, Oded) Como a expressio (5) & valida para todo fo > 0, todo 0< x5 0 e 6 > 0, concluimos que ul 1) = cpp. 8, ou sei, = Kiyg, 6 onde K = hep) é a difusibilidade térmica, que, no sistema CGS, tem as ddimehsGes em?/s, Na Tabela 1.1 apresentamos os valores de K para dife- rentes substdncias. A Equagao (6) € chamada a equagao do calor, ¢ € a lei de variagdo da temperatura u(x, ) numa barra uniforme com a super- ficie lateral isokida termicamente, Obsereacdes. Na dedugao da equagio do calor, fizemos varias hipoteses, algumas ditadas pela experigncia, e, nesse caso, elas sio leis fisicas. Os fatos bisicos na dedugio foram: (j) a lei do resfriamento de Fourier e (ii) a expressao (4) da quantidade de calor em fungao do calor specifica, c, Além disso, fez-se a hipétese de que a temperatura & uma \ capitulo} fungdo cujas derivadas parciais até segunda ordem so continuas na regio do plano (x, 1 dada por 00. ‘Tabela 1-1 Valores de K para diferentes substincas Material K(ct 47 Cobre 14 Aluminio 086 Ferro fundido 0,12 Granito oon Argila 0.0038 Agua 0.00144 Anélive do que fizemos até aqui. A temperatura u(x, 1) da barra obedece & equagdo do calor (6), Entretanto tal ‘equagio tem muitas solugdes. Por exemplo, qualquer constante, u(x, 1) = constante, é uma solugo de (6), Outras solugdes triviais seriam ulx. 0 = cx, onde ¢ € uma constante, E vemos que ha muitas outras. Qual delas vai representar a distribui¢ao de temperatura na barra? Ai entram em cena informagies adicionais sobre © problema especifico em estudo. Ini= cialmente vemos que a distribuigio de temperatura deve depender da temperatura inicial ao longo da barra. Fisicamente isso € razodvel; mate- maticamente & um dado essencial na determinagio de u(x. 0, Essa dis- tribuigdo inicial da temperatura € a condi¢o inicial do problem, e esere- vemos que ux, 0) = fix). onde f: [0, L] + & uma fungio dada que desereve a tersperatura nos virios pontos da barra no instante 1 = 0. ‘Além dessa condigio, € importante saber o que se passa nas extre- midades da barra. Como elas nfo estio isoladas termicamente, pode aver entrada ou saida de calor. Isso deve, necessariamente, influir no valor de u(x. 1). Temos, pois, de enunciar as condicdes de fromira, as quais podem ser de varios tipos, CONDICOES DE FRONTEIRA. Tipo I. Suponhamos que, por algum proceso, as extremidades da barra sejam mantidas a temperaturas conhecidas. Por exemplo, tempera- { sece80 1.2 } x tura constante em cada extremidade, MO.0=T, © WL.=T, onde T, ¢ T, slo temperaturas dads. Um caso mais complexo seria aquele em que se conhece a variagao da temperatura em uma extremidade (ou em ambas), isto €, WO, = hl) & WL, onde h(f) © hit?) para t > 0, sto uma das extremidades, yl, temperaturas (conhecidas) em cada Tipo II. Suponhamos que as extremidades estejam isoladas termicamente, Isso quer dizer que os fluxos de calor através de x =e x sio nulos. Da Expressio (2) para o fluxo de ealor, vemos que as condigaes laterais nesse caso tém a forma 40, 1) =u, 0 0, Tipo III. Suponhamos que o meio ambiente tenha temperatura ty ¢ que haja transferéncias de calor, entre a barra ¢ 0 meio ambiente, regidas pela lei kus0, = e(u0, )-Uoh kul, onde ¢ € uma constante, dita emissividade, caracteristica do par constituide ppelo material da barra e pelo meio ambiente, = ell, uo} Tipo IV. Uma combinagio de duas quaisquer das condigdes acima, como, por exemplo, 0, 0) © ull.) 1.2 Formulagéo matematica do problema da condu¢ao do calor Vamos representar por @ a regiio do plano (x,t) determinada por 0 0,¢ por # a unido de # com sua fronteira que & for- mada pela semi-retas (x = 0,1>0} ¢ [x= L, 1 > 0} ¢ pelo segmento {0 0, segue-se que, se F() # 0, entio Gio) = 0 e, portanto, w= 0, E, x bem que w= 0 seja solugio da equagdo do calor © satisfuga as condigdes de fronteira, essa fungio no tem chance de satisfazer & condigio inicial u(x, 0) = fx a menos que fs) = 0. Agora procedemos no sentido de ver quais os valores de © que con- dduzem a solugdes F(x) do problema dado em (8}(9) F claro que estamos interessados apenas nas solugdes F nfo identicamente nulas, de outro modo, obteriamos u = 0, 0 que no interessa. Ha trés possibilidades para a, conforme segue i) Se 6 > 0, a solugdo geral de (8) & da forma Fix) = ee + ge. Portanto, se tal F satisizer a (9), 0 par (c, .¢;) de constantes deveri ser solucdo do sistema ete =, Mas a iinica solugdo desse sistema & ¢, = © que nfo interessa. ii) Seo = 0. E isso implica F = 0, a solugio geral de (8) & da forma Fix) = ex +6, ©, para satisfazer ais condigdes (9), devemos ter G@=0 © obte © que implica c, = ¢ = 0 ¢, portanto, F [capitis } ill) Se o <0, fazemos Fix) 22, € a solugio geral de (8) & da forma ©, 608 Ax + ¢, sem ax Para que uma tal F satisfaga (9), devemos ter %=0 e csendl=0. Como nso queremos c; = 0, devemos ter sen AL © que implica AL mm, onde n & um inteiro ndo-nulo (n= + 1 Os valores de -@ = 22 (10) So chamados 0s valores préprios ow autovalores do problema dado em (8H), © as fungdes Ff) = sen ay sio chamadas as fungdes priprias ou autofuncdes do problema (8)(9). Nao hd necessidade de considerar os valores negativos de 2, . pois isso conduziria apenas a uma autofungiio diferindo apenas no sinal de ‘uma outra obtida para um 2, positive, Mais adiante trabalharemos com expressbes da forma ¢,F,(x), com a constante ¢, a determina, ‘Vejamos agora a segunda equagio diferencial ordi solugao geral & Gt) = certs 2) Logo, para cada n= 1, 2, 3,..., temos uma fungio 16, = PHIM son TE, (3) '@ qual satisfaz @ Equacio (1) ¢ as condigSes de fronteira (3), como o leitor podera verificar sem dificuldades. Esses u, chegaram quase a resolver nosso problema dado em (1)43), A dificuldade esti em que, sendo u(x 1) 86 seria solugiio de (1), (2). (3) sea fungo dada f(x) tivesse a forma F(0) = sen [ Seexio 12 | 9 Assim, a solugdo de (1)(3) com f(x) = sen Snx/L & a fungao sos.) Suponha agora que a condigao inicial seja f(x) = 3sen Snx/L. Algo nos diz.que a solugio do problema dado em (1)-(), nesse caso, deveria ser us) E, de fato, podemos verificar isso, mostrando primeiro que tal fungdo satisfaz & Equagio (1). A seguir, fazendo x = 0 ¢ x = L, obtemos as con- digdes de fronteira (3). E, finalmente, fazendo t = 0, obtemos a condigdo inicial (2) satisfeita, ‘Vamos um passo além. Suponha que a condigio inicial dada fosse 2ex Js) = 4son = 4 3s0n 28 Algo nos diz que, nesse caso, a solugo do problema dado em (1}(3) de- ote 5 x,t) = de *RU gon AEE 4. 39°20 H gon as) E, de fato, como acima, poderemos verificar que todas as condigaes sio satisfeitas, AA verificagao de que (14) ¢ (15) satisfazem a Equagio (1) possivelmente indicou ao leitor que o seguinte fato geral & verdadeito, explicando aquele algo misterioso! “Se ulx, 1) © o(x, t) forem solugdes da Equagio (1), entéo qualquer Fungo da forma dud, 1) + Bots, 1), conde a ¢ b so constantes, ser também uma solugio de (1).” Esse fato & expresso dizendo-se que a Equagao (1) linear. Ou, ainda, uma combinagio linear de solugdes & também uma solugio, Esse é 0 chamado principio dda superposicdo, © qual vale também para combinagdes lineares de trés ou mais (qualquer nimero finito de) solugdes. Portanto qualquer expressio da forma a Y ess 0, 10 [capitate] onde os c, so constantes € 05 u, s20 as fungdes definidas em (13), €solugdo de (1) & (3). Conseqiientemente, se a condiglo inicial f(x) for da forma E c,sen entio, nesse caso, a solugo de (1)(2}(3) sera ss, 1 3 eee en TL E se f ndo tiver a forma simples acima? Ai vem a idéia de tomarmos “somas. infinitas”. A seguir apresentamos a motivagio informal para 0 estudo das séries de Fourier. Suponhiamos que a fungdo dada (x) possa ser ex- pressa em uma série da forma LT Fes) = ¥ eysen 116) Entiio © eandidato para solugio do problema dado em (1)(3) nesse caso an © método de Fourier culmina com a indicagdo desse candidato, Traba- Iharemos agora no sentido de elegé-to. © trabalho no ser trivial. Varios problemas surgem. PROBLEMA 1, Serit que a fungdo f(x) dada pode ser escrita na forma (167? Ai deveremos estudar que fungdes podem ser es- critas nessa forma, bem como a questo de obler os coeficientes ¢, , para uma dada fungio f, PROBLEMA 2. Sendo a fungio (17) definida por uma série, pae-se a questo de convergéncia da série. E,em seguida, a questio de verificar que, de fato, essa fungio satisfaz 4 equagao diferencial (1). Para resolver 0 Problema 1 vamos, nos Capitulos 2 € 3, desenvolver @ teoria das séries de Fourier. Uma vez feito isso, voltaremos, no Capi- tulo 4, ao problema da condugio do calor, para completar sua resolugdo, E estudaremos, nos capitulos posteriores, outros problemas fisicos que { Secxio 1.2 J " podem ser atacados com as téenicas desenvolvidas na resolugio do pro- blema do calor. EXERCICIO. Proceda como na Secgdo 1.2 acima e estude © problema a, para > 0, para OB podem ser expressas na forma j= hon $ (ont + tnt) ® A justficativa para }a, em vez de a, vird mais adiante, sendo essa escolha apenas por conveniéncia. 2.1. Fungées periddicas Una funsdo f: B+ RE perdica de periodo Tse fx + T) = fs) pam todo x EXEMPLOS. 1) A fungio sen.x € periédica de periodo 2r. 2) A fungao f(x) = x—[x}, onde [x] representa 0 maior inteiro menor do que ou igual a x.é periddica de periodo 1. Veja 0 grafico da Figura 21 Se Té um perlodo para a funglo f, entdo 27 também é um periodo, pois fx + 21) = foc + T) = fix { secede 2.1 } 13 Figura 2.1 E, em geral, kT'€ um periodo, onde k & um inteiro positivo, negative ou rato, Bom, k = 0, implicaria em dizer que 0 € um periodo da f, Mas isso no tem interesse pois 0€ um periodo de qualquer fungdo. Por esse motive, sempre que falamos em periodo T, consideramos T # 0. O menor periodo positivo & chamado 0 periodo fundamental, Entretanto & praxe usar apenas a expressio periodo para designar periodo fundamental. Assim, quando dizemos que 2x & o petiodo da fungio sen x, estamos nos referindo a0 periodo fundamental. E claro que 4x, ~4x, 62, etc, sio também periodos do sen. EXEMPLO 3. 0 periodo fundamental T da fungio sen nrx/L. pode ser dcterminado do seguinte modo. Devemos ter nlx nx sen a sen™=, para todo xe R, oun rmx WRT nt RT oy, MX a sen ™ cos!™E 4. cos "7 sen" = sen Para x = L/2n, obtemos ‘9 que implica nT cos 1 @ , dai, usando a identidade sen? + cos? @ = 1, obtemos 6 14 [ copteuio2 J Como estamos interessados no menor valor positive de T que satisfaga (4) ¢ (6), simultaneamente, obtemos nxT/L = 2x, isto é, 0 periodo funda- mental de sen nnx/L € T= 2Lfn. O periodo fundamental de cos nnx/L € também 2L/n, Por qué? 2.2 Convergéncia uniforme Uma série numérica EP, a, converge se a sucessio das reduzi também chamadas de somas parciais, converge. Lembremos que @ su- eessio das reduzidas € aquela cujo termo geral ¢ a, (reduzida de ordem 1), eitor esta convidado a relembrar que as séries 0S frcomas i. o£ teow lt convergem. A segunda série € chamada a série geométrica, © sua soma, que & definida como o limite da sucesso das reduzidas, 6 4/(1 2), Por outro lado, a série Ef, Ifa’, com a << I, ndo converge, ¢, entdo, diz-se {que cla diverge. Para @ = 1, essa série € conhecida como a série harménica Uma série de fungdes Ez, u,ox), onde 1: 1+ R so fungdes reais definidas em um subconjunto I de F, convergiri pontualmente se, para cada x,€T fixado, a série numérica E2_, u(x) convergir. Isso equivale fa dizer que, dados ¢ > 0.¢ x9¢/, existe um inteiro N, dependendo de « © de xp, tal que ie E upg] WN. Uma série de fungdes 7, u(x) concergird uniformemente, se, dado > 0, exist um inteiro N, dependendo apenas de « (¢ nfo de 3), tal que [27.4 u(0] <6 para todos m> n> NV EXEMPLOS. 1) A série Ey, u,0o, onde u,(x) = x/n® & considerada como, definida em [0, 1], converge uniformemente. De fato, para xe[0. 1} ¥ ups 1 sé [ seeeso 22 J 16 ©. portanto, dado « > 0, podemos determinar um inteiro N, independente de x © dependente apenas de «, tal que EP, 1/7? <6 para m> nN. 2)A série EE, ul), onde ujlx) = x, ux) = xt — 7 n> 1, € uma fungdo definida para 0 <"x < 1, converge pontualmente para cada xe [0, 1]. De fato, a reduzida de ordem, n, Ux) = x", com vergird para 0 se 0 x < Ie para I se x = I. Tal série no converge uni- formemente, pois, dados 0 <¢< 1/2. N inteiro, tomamos x = (2:)'"~ ¥ ule) =x! dai, [x <*-1] = [207-9 2e| Logo, se m for suicientemente srande, (29° < «,€ obtemos gue = upo|>s para x = (209-0, Na verificagio de que a série do Exemplo 1 acima converge unifor- ‘memente, usamos 0 artificio de majorar a série de fungdes por uma série numérica convergente. E essa idéia que esta atris do chamado teste M de Weierstrass, que enunciamos seguit. Esse eritério niio s6 assegura convergéncia uniforme, mas também convergéncia absoluta. Uma série Zu,(x) convergira absolutamente se a série E|u,(x)| dos valores absolutos convergir. Teste M de Weirstrass. “Seja Ef, u(x) uma série de fungdes u,: 1 +B de- Jinida em wm subconjunto 1 de &, Suponha que existam constantes M, > 0 tais que Ic) ® & par se f(x) = f(x), para todo xe R. Isso significa que o grafico da fungio f & simétrico com relagio ao eixo dos y. Uma fungio f: 8 B & impar se f(x) = -f(-2), para todo xe R. E isso significa que 0 grifico da f & simétrico com relagio a origem. EXEMPLOS (i) As fungbes f(x) = cos nax/L, f(x) so fungdes pares. (il) As fungdes f(x) = sen nmx/L, f(x) 1.2... Mio fungdes impares. param = 1.2... 22" para n A proposicdo seguinte, sobre fungies pares ¢ impares, & facilmente demonstravel PROPOSIGAO 24. (i) A soma de duas fungdes pares é uma fungdo par. A soma de duas funcdes impares é impar. {ii) 0 produto de duas fungdes pares & wma funedo par (ii) 0 produto de duas fungdes impares é uma fungio par. (iv) © produto de wma fionedo par por uma funcéo Jmpar é uma funso impar Para dar uma idéia de como esses fitos so provados, vamos de- monstrar (iv). Sejam f: B+ uma fungdo pare g: RR uma fungio impar. Entdo Une) = $09 909 = fl-I-9-9)] = LF) a9] = 10K © que mostra que fg impar Outro fato importante que ser’ utlizado € a proposigio exposta a sopuir. PROPOSICAO 25. (i) Seja f: & + & uma funcdo par que & integrivel em qualquer intervalo limitado, Entdo [y-a[ i) Se f: B+ & uma funcdo impar e integravel em qualquer intervalo limitado, entdio Cr 24 [copruto 2} Demonstraciio de (i). Basta observar que (lefefy eo J S(x)dx =- [rene -{ SOdy, a) onde fizemos a mudanga de varidvel y = —x, para obter a segunda integral em (21), € usamos o fato de que f € par para obter a terceira integral. De modo andlogo se demonstra (i) Agora aplicamos as duas proposigdes anteriores a0 cilculo da série de Fourier de fungses pares e impares, (a) Se f for uma fungdo par, periddica de periodo 2L, integrivel e absolutamente integrivel, ento : [roe "ats, =O, pois, em virtude da Proposigio 24. funcdo f(x) cos mnx/Lé par ea fungdo ‘J(sx) sen nax/L & impar, € 08 valores dos coeficientes a, ¢ b,, acima, si0 obtidos usando-se a Proposigdo 2S. Portanto a série de Fourier de uma Fungo par & uma série de co-senos. (b) Se f for uma fungdo impar, periédica de periodo 2L, integrivel € absolutamente integrivel, entio nets oF [mentac usando as Proposigdes 24 ¢ 2.5 como fizemos no caso de f par, em (a) cima. Assim, a série de Fourier de uma fungio impar é uma série de senos. 2.6 Calculo de algumas séries de Fourier 1) Seja f,: + periddica de periodo 2L e definida por f,(x) = x para -L< x M) Seja fz: R +R periddica de periodo 2L ¢ definida por a fb-% para O L, e de definirmos fungdo do jeito que nos convier no intervalo (L, T). Essa liberdade de escolha ser4 utilizada em problemas de aplicagio para atingir certos objetivos. Vamos ilustrar esses comentirios com os seguintes exemplos. EXEMPLO 1, Dada f(x) série de senos. % para OS x <7, escreva f como uma Resolugdo, Para obter uma série de senos, devemos definir f para outros valores de x, de modo que seja uma fungio tomemos f(x) = x, para —r 1, CBF rovsn as fis) sen 36 [ capitulo 2} ou sei | Ftarsen™ dx, a2) e, tomando os valores absolutos, lala | [reside. De modo anilogo, tem-se vi ff someone +f roan Te oe ou sin ey J(L) cos nx —f(-L) cos (-n)} + z F(x) cos, OP dx «. dai, em virude da periodicidade de f it nx bed J roves de «3 Tomando valores absolutos te alse [ [fea|de Portanto, ia hipdtese de que f seja continua ¢ que tenha derivada inte- _gcvel ¢ absolutamente integravel, concluimos que existe uma constante M [de fato, M =x" f!, | F¢a]dx}, tal que bs. para todo n= 1.2, a 1 Loom i’ | Pesos" ds eda, [£09] de. { seco 29 | 37 De modo antlog, obtemos Iral ses J [rea de La? J, |) dx. tal que para n= 1,2, 2.9 Forma complexa da série de Fourier Usamos a formula de Euler, cos para eserever cos + bysen >, 2 a ou seja, Definimos também Resumindo, mostramos que, se f: B+ ® for periddica de periodo 2L, integravel e absolutamente integrivel, entio a série de Fourier de f poder ra forma 38 [ capitate 2 onde rt inn fora pa 2.10 Identidade de Parseval Dada uma fungio f: + periédica de periodo 2L.¢ tal que fe | [| Sio integraveis, vimos, nas secgdes anteridres, que se podem ealeular seus coeficientes de Fourier a, ¢ b,. A identidade de Patseval diz que pa +E @ - + J lseoras (45) Apesar de nao a demonstrarmos de imediato, essa identidade € uma arma Yio poderosa no estudo das séries de Fourier que decidimos nao adiar sua introdugdo. Sua demonstragdo ¢ seu interessante significado geo- métrico serdo tratados na Seegio II do Capitulo 3. | ntcasa Calculo de soma de séries. Por exemplo, a Expressio (37) nos s diz que os coeficientes de Fourier da fungiio f(x) = x*—L*x, periddica de periodo 21, so a, = 0 € Aplicacdo 11. Convergéncia de alaumas séries, Por exemplo,sejaf:[0, L] +R. ‘uma fungio continuamente derivavel, tal que f(0) = /(L) = 0, e seja tio d [neta X |bal < x. “7 [ secci0 2:10 J 39 Para isso, integramos por partes em (46) cs L ax 2 mx uaF fol Lent )ac2 [rinantSa Portanto, pensando f como uma fungdo impar ¢ periédica de periodo €f* como uma fungio par e periddica de periodo 21., concluimos que a, (48) onde b, s2o os coeficientes de Fourier de fe «i, os coeficientes de Fourier de J’ Agora, usando a desigualdade ab < 4a? + 46%, obtemos, de (48), Ba «, portanto, conde a segunda série converge em virtude da identidade de Parseval, Nas aplicagoes, € importante estabelecer convergéncia de séties do tipo (47) (cf. Capitulo 4) Aplicagao III. Esta aplicagao refere-se & decisdo de que certas séries trie gonométricas no slo séries de Fourier de fungies f tais que fe |) sejam integriveis, Por exemplo, qualquer que scia # > 0, a série ae 49) converge, para todo xe R: e, além disso, a convergéneia € uniforme em todo subintervalo fechado de (0.2n). Aqui esté um exemplo de uma série convergente, e que mio converge absolutamente se a < I. Conseqiiente- ‘mente, @ convergéncia de (49) no pode ser decidida pelo teste M de Weierstrass; nevessita-se de critérios de convergéncia condicional, como 08 critérios de Abel e Dirichlet, Nesse caso & conveniente usar 0 critétio dde Abel (veja p. 212 do nosso livro de Andlise I):tome », = n-*e uy, = cos nx: a condigao (ii) & facilmente verificivel se observamos que Tee) eae Cd em virtude do teorema do valor médio, Em resumo, a série (49) define uma fungio f(s), ie. f= £0 40 [ copiiio2 | Entretanto, se x < 1/2, série (49) ndo é a série de Fourier de uma fun como especificada acima, pois, nesse caso, € a conclusdo se segue da identidade de Parseval. 2.11 Nota histérica Em cursos de/Anilise, estudam-se varios critérios de convergéncia de séries Tigados com os nomes de Dirichlet, Abel, Dedekind e outros matematicos; as condigdes envolvidas slo artficiais, se vistas de per si ¢ levain um estudante mais critico a pensar por que e para que esses emi- nnentes matematicos as criaram. E importante, sob o ponto de vista de educagdo cientifica, esse estudante compreender que a motivagio desses matematicos no foi simplesmente generalizar os critérios conhecidos. (Os matematicos do século XIX receberam de seus colegas do século an- terior, problemas dificeis ligados a quesies de Fisica, entre 0s quitis 0 mais ilustrativo & o problema de vibragio de cordas, ¢ eles tiveram de desenvolver intensamente o instrumental matematico existente, Veja a Aplicagio III da Seogio 2.10. As observagdes que apresentamos a seguir stio baseadas no excelente apanhado histérico de autoria de Carslaw. Como veremos no Capitulo 5, 0 problema de vibrago de uma corda se reduz a solugdo da equa conhecida como equagdo das ondas. As primeiras tentativas de resolvé-la foram feitas por d'Alembert (1747), Euler (1748) e Daniel Bernoulli (1753) Os dois primeiros chegaram 2 conclusio de que a solugio devia ser da forma us, Fix +e) + Goren. (a) Ja Bernoulli chegou expresso ux.) =F aysen (nx) cos (net), (6) quando a corda (de comprimento ) vibra por um deslo posi¢io de repouso, [ seoeto 2.11 } a Othando para as Expressdes (a) (b), dizemos: timo! Todos eles chegaram a expressio correta, Para entender as apaixonadas polémicas entre Fuler, d'Alembert ¢ Bernoulli, sera preciso atentar para o fato de que © conceito de funglo, como 0 que hoje entendemos, ndo estava ase sentado na época; aliés o conceito de fungio s6 foi formatizado durante «© século XIX, Na época de Euler, havia duas classes de fungoes: as fungdes ccontinuas, que eram aquelas que podiam ser expressas por uma equagio entre x ¢ J, € as fungdes geométricas, que eram todas aquelas que podiam ser tragadas & mio livre. E se admitia que, se uma fungdo continua Fosse dada por uma férmula em um pequeno intervalo, entdo a fungdo estaria determinada nos demais pontos fora desse intervalo, (Veja voc’ a confusio dda época: uma fungio com esta dima propriedade € de uma categoria muito restrita de fungdes, chamadas analiticas) Admitia-se também que 1 classe das fungdes continuas era menor que st das fungdes geometicas, porgue uma linha quebrada no era uma fungio continua, no sentido da época, e sim varias fungoes. Formalmente as solugdes de d’Alembert ¢ Euler eram as mesmas, mas, em cada caso, o significado de fungio era diferente. Euler admitia quaisquer fungdes geométricas para dados iniciais; d'Alembert tomava apenas fungSes continuas. Assim, o problema de vibrag2o da corda dedi- Ihada, com posigio inicial dada por uma poligonal, era impossivel para d'Alembert, Bernoulli sustentava que sua soluglo era absolutamente geral e que deveria conter aquelas dadas por d'Alembert ¢ Euler. Este contestava que isso era impossivel, pois, se a fungo fosse representadi or uma série de senos, isso implicaria ser ela periddica e impar; a idéia de que uma expressio analitiea representasse a fungi apenas em um. intervalo no era aceita na época, o que explica esse argumento de Euler. Em 1759, Lagrange entrou em cena e mostrou que a solugio da equagio das ondas — no caso da posigdo inicial da corda (de comprimento 1) ser flx) € a velocidade inicial ser gx) ~ € dada por st fea +20 Ef emmysen mre sen mrt ads dai ele transformou a expressio na forma prevista por Euler. & curioso notar que Lagrange no observou que, fazendo 1 = 0 em sua expressio € permutando a integral com o somatorio, obtém-se o desenvolvimento da fungio fem uma série de senos, cujos coeficientes so precisamente 0 ‘que hoje chamamos coeficientes de Fourier a2 [ capitulo 2 J Coube a Fourier (1811), em sua Théorie mathématique de la chaleur (Teoria matematica de condugio do calor), explicitar os coeficientes © escrever as séries de senos e co-senos de varias fungSes. Ele afirmou que ‘qualquer fungdo podia ser expressa pela série que hoje leva seu nome. Apesar de isso nfo ser verdade, Fourier tem o mérito de ter exphicitado claramente a forma da série que deveria representar a fungao, Dirichlet foi um dos primeitos a reconhecer que nem toda fungxo pode ser representada por sua série de Fourier, ¢ produziu os primeitas critétios para validade dessa representagdo, em 1829 © 1837. Enquanto isso, a Anélise ganhava um fundamentagio mais rigorosa com os tra bathos de Cauchy, Bolzano ¢ outros. Isso propicia as contribuigdes de Ricmann & teoria das séries de Fourier, sem esquecer que ele proprio & responsivel por parte desse trabalho da colocagio da Anélise em uma base sélida. Riemann se propds « achar condigaes necessarias e suficientes para que uma fungdo pudesse ser representada por sua série de Fourier Como obviamente essas questdes se ligam a integragdo de fungie CAlculo Integral teve de ser posto em base firme, E data dai x tor integral de Riemann que hoje estudamos ‘A esperanga de provar que toda fungio continua pudesse ser repre sentada por sua série de Fourier ruiu quando, em 1876, du Bois-Reymond construiu uma fungio continua cuja série de Fourier divergia em um dado ponto, e, mais tarde, ele construiu uma funglo continua cuja série de Fourier divergia em um conjunto denso. Exemplos mais simples foram dados, em 1909, por Fejér., Os exemplos de du Bois-Reymond motivaram a busca de novos critérios para a convergéneia da série de Fourier de uma fungde. O evi- {ério de Dini, que estudaremos no Capitulo 3, data de 1880, Outro eritéio, de autoria de Jordan, surgiu em 1881 ¢ envolvia a idéia de fungio de va. riagao limitada, por ele criado, © critério de Lipschitz (1864) € um caso particular do critério de Dini, Todas essas investigagdes conduziram da uma melhor compreensio das fungdes descontinuas propiciaram os trabalhos de Harnack, Hankel, Borel e Lebesgue, que culminaram com a introdugdo de um novo con- ceito de integral. E ai comegou a teoria moderna das séries de Fourier. EXERCICIOS DO CAPITULO 2 1.1, Defina uma fungao periédica de period 2¢ igual a x? no interval aberto (0.2) Har mais de uma resposta? E se « fungio pedi fosse igual a x? no intervalo (0.27? I ua 9. 0. 43 Se fe g forem periédicas de periodo T, mostre que f-+ 4 e fy serdo também periddicas de periodo T. Se f for periddica de periodo T, mostre que Af seri periédica de mesmo periodo, onde 2 € um nimero real dado. Se f for uma fungio diferenciavel e periddica de periodo T, mostre que a fungio derivada f” sera também periddiea de mesmo periodo, Seja f; B+ & uma fungdo periddica de periodo T, ¢ integrivel fem qualquer intervalo, Mostte que [rf onde a é um nimero real qualquer fivado. A soma de duas fungies periddi ser periédica, Dé um exemplo. 15 de periodos diferemtes pode ‘A soma de duas fungdes periddicas de periodos diferentes pode do ser periddica, Dé un exemplo. Mostre que, se f,: R-» B & periddica de periodo Ty ¢ fy: BR & periddica de periodo T). ¢ se existem inteiros me 1 tais que mT, = nT, entdo fi +f, & periddica de periodo mT, Mostre que sen ax + sen by & periddica se € $6 se a/b & racional. Seja f: RP. uma fungdo periddica de ps a fungao n= [4 € periddica (de periodo 1) se © s6 se [ree Para f: +P. periddica de periodo T, determine a constante 4 tal que a fungio abaixo seja periddica de periodo T: ray= [ras oda T. Mostre que 13, 44. 45. 6A [ copiuto 2] Sejam fe g fungdes seccionalmente continuas e periédicas de pe- riodo T. Mostre que a fungio fix) = Foe~ yan) dy 1 Th © continua e periddica de periodo T periodo fundamental de uma funglo periédica € definido como. ‘© menor T> tal que fe + T) = ftx), para todo x. Dé um exemplo de uma fungio periddica sem periodo fundamental, Mostre que, se ffor continua, periddica ¢ niio-constante, fundamental. nto cla tert periodo Demonstre as relagdes de ortogonalidade (Férmulas (9) (10) ¢ (11) do Capitulo 2), usando identidades trigonométricas, Faga 0 mesmo Exercicio 3.1, usando a formula de integr partes. Caleule a série de Fourier da fungio fis) Caleule a série de Fourier de f(x) = e0s° x Caleule a série de Fourier da onda senoidal retificada, isto €, fis) sativa do. seno (sen x)" = foenx se senx 20, 0 ve sen <0, Caleule série de Fourier da fungao Fo Fade ed Caleule a série de Fourier da fungao 110) = = Mostte que se fe +R. for uma fungio par, © f(x) #0, entio Uf & uma fungdo par. Mesmo problema para fungBes impates. cos (rsen 8), Se f: +B for uma funcdo par diferenciavel entdo J” ser impar Mostre também que, se f) R +P & impar e diferenciavel, entio f' & par. Use a série de Fourier da fungio Fix) = cosax, x real #0, 63, 64. 65: 66. 61. 68, 69. 6.10. 1 45 part mostrar que cota quando nio & inteiro. Determine a série de Fourier de f(x) = [sen ox des entre os coeficientes de Fourier da fungi (x + a), onde Quais sio as rel F(x) periédica de periodo 21, ¢ da fungdo glx) Quais sto as relagdes entre os eveficientes de Fourier da fungao Fix) © da Fungdo glx) = fle) + Quais as telagdes entte os coeficientes de Fourier das fungdes f.ge af + Ba. onde xe B sio constantes? Mostre que, se a fungio f for periédica de periodo 21, entio a fungdo glx) — f(x), onde k é uma constante positiva, sera periédiea de periodo 2L/k Qual & a rela riddica de petiodo 2L, ¢ da fungdo glx) = fx} onde k constante positiva’? 1 entre os coeficientes de Fourier da fungaio f. pe Seja f: +R uma fungio absolutamente integrivel e periddica dde periodo fundamental 2L, ¢ seja T um periodo qualquer (ndo mental) def; Mostre que necessariamente, 0 funda 2f° 2nnx 2 2nnx = xp cos “TT dx, x) sen =—— dx. an F [seco MP as by 7 | forse Escreva a série de Fourier da fungio fix)= 2x, -nSx 1 5 polindmios de Bernoulli B,(t) sio definidos pelo desenvolvimento, J ayos. Use os desenvolvimentos em séries de poténcias de xjle*—1) € de et para mostrar que suy= ag + (i)merten + (," Jaane m Mostre que By(t) = nB,. ,() € que {3 Bt primeiros polinémios de Bernoulli. 0. Caleule os trés Mostre, por indugio, ¢ via integragio, que as séries de Fourier dos polindmios de Bernoulli sto 2 year 824M an Bio = Rca § EE np al tte sen 2knt yy = Meanie SZ yma Moate axe et £1 2)"B,, 2 ay Se « nio for inteito, de Fourier das fungBes | foosax, a ex 0 € > 0, a fungao f & limitada € [ seess0.91 ] 49 integravel em [a + 8, by -5'] © os limites abaixo existem [Prose Neste caso, a integral imprépria de f & free g Pra A fungdo f sera absolitamente integnivel se 0 valor absolute | f | for imtegravel no sentido (i) ou (ii) acima, 2 [Pre Fungdes continuas. ¢. mais geralmente, fungdes seccionalmente con= tinuas no intervalo (0, b] sio Kimitadas e integrdveis no sentido (i) acima, Obvervacdes. 1) Se f for integravel ¢ limitada, enti, f seri absolutamente integravel, Entretanto a reciproca nio € verdadeira, pois, a fungio de Dirichlet [definida como f(x) = 1, se x for racional, ¢ f(x) = —1, se x for ieracional]. nao é integrivel em [0, 1], mas a fungio valor abso- luto de f resulta identicamente I, e €. obviamente, integrivel. 2) Se f ndo for limitada, a integrabilidade de f nfo implica em sua integrabilidade absoluta. Por exemplo, fungi fi (0,1) +R definida por f(x) = (-1)'n, para In + 1) ® for wma funcdo £1, emao os coeficientes de Fourier de f estarao bem definidos Para provar a assertiva precedente, sera born dar uma espiada nos Exercicios 1 4 6, deste Capitulo, e por que nao os resolver? Obserrugdo**. A integral de que vimos fakindo & aquela estudada no Cileulo, e € chamada integral de Riemann. Existe uma ogo mais geral de integral: a integral de Lebesgue, Fla € mais geral no sentido de que toda fune2o absolutamente integravel (4 Riemann) em 50 [ capitulo 3} [a,b] € integrivel & Lebesgue e as duas integrais de tal fungio tém o mesmo valor. E. além disso, existem fungoes integraveis & Lebesgue que nao 0 Jo 1 Riemann, como. por exemplo, a fungio de Dirichlet definida acima. Gostariamos de enfatizar que uma fungio nfo-limitada e integrivel & Riemann, sem ser absolutamente integrivel 4 Riemann, ndo € integrivel i Lebesgue. Isso decorre de uma propriedade da integral de Lebesgue: 'f seri integravel a Lebesgue se. ¢ $6 se, |] for.” Finalmente, observamos, que se f for integravel & Lebesgue. os coeficientes de Fourier de f estardo bein definidos, se entendermos aquelas integrais nas expresses de 4, € b, como integrais de Lebesgue. resultado seguinte seri de grande valin nas demonstragdes: dos resultados deste capitulo. TEOREMA 3A. Scie f5 [a8] + 8 uma fincio ". Ennio, dado «> 0 existe wna fngdo continua yi: [4.6] R, tal que | [flor Woo]de <6 Wa) = hy = 0. Demonstracdo. (i) Suponha inicialmente que f seja limitada e imegravel Logo. dado # > 0, existe uma partigdo exceed tal que [rede F mpay-xyd< 02 a) onde m, = inf {fix x) ¢ SxS xj}. Agora designe 71x) definida A= mj, para x SKS 2 Entio 0 somatério em (1) €a integral de 7(x) ein [ab © (1) pode ser escrito Anics de prosseguirmos vamos ilustrar com uns grficos simples a idéia que seri explorada para concluir 1 demonstragaio. Suponha que a partiglo {enha quatro pontos e o grafico de 70x) seat o da Figura 3.1, e. para cad 1 consideremos a fungio wp, obtida. substituindo-se na Figura 3.1 os “re ingulos” por ion. Usando saapézios, cujos kudos inclinados tém inelina\ [ secsso 3] . 51 ssi idaia para ume fung2o 71x) qualquer, como « definida em (3), temos [ia woodx= YB (4) sign gu. Soja M > 0 tal que | fixi] 0, existe uma fungio continua 42 [ab] +R, com la) = yb) = 0 tal que [ins seo|de 0, existe 5 > 0 tal que Firat i [fs] dx Como f € limitada ¢ integravel em fa + 6, b- 5], existe uma fungdo con- tinua Ys [a+ 6, 6-8] +B com Wu + 5) = Ylb—d) = 0 tal que <2 0 f [Fe Wed] dx < 072. (8) Considere a fungio J: [a,b] 8 definida a Wixi para a +b Sx Sb vex) 0. para asxsatd, © b-d 0 tal que dh < 3) aso ' cio es) 0, om seo. ss) [fx + 0) + fe O12, quando. n+ 20 A demonstragio desse resultado sera fella na Seegdo 3.4, usando o tema de Riemann-Lebeszue, o quill seri: nosso préximo objetivo, 3.3 Lema de Riemann-Lebesgue © enunciado desse lema €: seja f+ [a, b] +R uma funciio 2" em wm in- tervalo [a, b]. Endo Demonstrasdo. (a) Suponharnos. inicialmente, que f seja limitada, isto & que exists M> 0 tal que | /()] 0, existe uma partigio x do intervalo fa, 8] ae oes al que am SUG ADs] 0, tome n tal que essa diferenga sajt menor que 2 a seguir, com esse fixado, tome t, tal que 2M /fg < 2. Logo, dado 2 0, temos que HM SM mtss-x kD [rorsnenas para todo 1 > t),€ isso completa a demonsteagdo de (17). A demonstragio de (17) se faz de modo anilogo. (b) Suponhamos agora que f seja uma fungio, %" qualquer. Dado > 0, tome uma fungio continua ye: [a,b] > ® tal que Fireo-wota<. 2, (2) usando para tal o Teorema 3.1. Agora, como toda fungdo continua num compacto é limitada ¢ integravel, podemos aplicar a parte (a) da demons- tragio ¢ coneluir que existe ¢,. tal que, para ¢ > 1, se tem [eersntnia vooyentnas + FL) oslsn tas, < 4/2. 23) N [revseninnac= J, [ capiuto 3] tem-se [reosnwnar| < Logo, basta usar as estimati Ff seosenenas + [1109 voala 22) 6 (2 pars concur que, dado > 0 ta que pe 12 gs 6 em “io do Tema de Riemann-Lebespue. <6 © que completa a demonstr; 3.4 Convergéncia pontual da série de Fourier (continuagao) Inicislmente vamos demonstrar o teste de Dini, A idéia & decompor 6,(8) e1m dus partes: cg = [roger + [sen {ln LE) ay = [n,n : wef [+3)z] a 2 sen A primeira integral sera feta pequena tomando-se 5 convenientemente pequenio € usando (16). Quanto segunda integral. usaremos o lema de Riemann-Lebesgue. Vejamos os detalhes: como 0 <—t (24) dhsen St «¢ como a fungio no segunda membra de (24) € continua [0.1]. obtemos a estimativa e erescente em [Din s4> para ret Logo, dado ¢ > 0, tome 6 < min(..) tal que * tale L [mel ye & [lomestal} [#2 [ucg- ‘© que & possivel em virtude da Hipotese (16). Agora com esse 5 fixado, lhe segunda integral, Para aplicar 0 lems de Riemann-Lebesgue. bast ee [ secso 34 | 89 verifiear se fungao ny = 8D [ath & integriivel, Mas isso € imediato porque o denominador nunca se anula em [8,L] ¢ @ € integravel, Logo, para i suficientemente grande 2 mt 4 wale] II [ * Jon sent ba © 0 teste de Dini fiea provado. © teste de Dini pode ser utilizado para obter condigdes suficientes para convergéncia da série de Fourier, condigdes que sejam mais facil- mente verificveis. (A) Suponha que f seja Holder continua na vicinhanga do pono x, ito é (que existam constantes «> 0, 3 > 0.¢ K > 0 tals que | f0)-f09)| s K ts (2s) para t, se [x 8.x + 8], A desigualdade (25) implica que f seja con- tinua em x, ¢, portanto. fix + 0) = f(x 0) = fis). Isso juntamente com (25) implica Jax, 0] < | foe + feo] + [flx- 0 -Fl0| < 2KP. “f e vé-se que a condigo (16) do teste de Dini se verific. ax.) sak [ota 7 8) Suponha que f enka derieada no ponto x. Neste caso, pode-se provar que uma desigualdade como (25) se verifi Eo resultado se segue de (A) ira Suponha que f sea eecionalmente continua e que as razBes Inerementas A+ O-ME +O. fle--fee-O) 7 t seiam limitados. para > 0. suficientemente pequeno. Em particular, isso € verdade se as derivadas laterais em x existem: fet 0. P91 tim rem tg, 60 [ captute 3} Nessas condigdes € fil ver que a condigio de Dini se verifiea. Por- tanto isso estabelece a validade do teorema de Fourier, enunciado sna Seogio 4 do Capitulo 2 3.5 Desigualdade de Bessel Uma fungio f: [a,b] +R & chamada de quadrado integrivel se f © [fF forem integraveis. Usiremos a nomenclatura funedo 2? para de- signar uma tal fungio. Observaydes. 1) Se f for limitada ¢ integrével a Riemann (ef. Seegdo 3.1), entdo f ser de quadrado integrivel. { [seoP ar < Mb—a) onde M = sup {| /tx)f: xe [a.b]} 2) No caso de f nao ser limitada. pode acontecer que f seja ', mas no £7. Veja o exemplo: f(x) = x", para 0< x B. que sto de quadrado integrivel. Mostraremos na Sccqio 36 que se fe g forem de quadrado integravel enti f+ g também seri, ¢ isso € precisamente o significado da desigualdade de Minkowski. Além disso, af seri de quadrado inteerivel se f também o for € se 2 for uma constants. Portanto concluimos que #? € um espago vetorial, As fungdes 1, cos mxx/L, sen nax/L. para n = 1,2. sito de 2, Para cada n, as funedes 1, c0s jrx/L. sen jnxjl, para j geram um subespaco vetorial E, de, Observe que tanto s,(x) como {,(0) pertencem aE, No espago 2? [J Para ver que isso realmenie € uma norma, usa-se desigualdade de Minkowski. Assim, 0 2? se torna um espago normado e, dai. podemos falar om distancia entre duas fungdes fe y de ¥?: || f= ally. Portanto 0 que provamos acima & que s, & 0 elemento de E, que esti mais proximo de f: Podemos i mais além nas consideragbes geométricas. De fato, ein 22, temos ums nogio de ortogonalidadg: Fe g em 2? sto ortayonats se podemos definir uma norma pela Wil iseor as] Found sind ess noo. definimos a poo ortagonal def sob Ey. como sendo o elemento ye Fy, ta que fg € stop 4 todo he E,. Alt Inaoos gore, que 4 rojego ortogonal de sabre B,- Para al basta oberar ue temos fitve=o 1. cos jn/b. sen fee/l. pars j= 1.2... para [ seess0 36 | 63 fi, Figun 3.3 Para estabelecer « desigualdade de Bessel, desigualdade (29) abaixo, amos que &, & > 0, para qualquer escotha dos coeficientes ¢, € dy bse Portanto { {peo ax 481 (af + 28) «. Se Sa@smst ff fooP ae ZT TST Como esst desigualdade vale para todo nm, coneluimos que Sy Fagetst [ [popes (29) roa) uj, 3.6 Desigualdades de Cauchy-Schwarz e de Minkowski Antes de proceder ao estabelecimento das desigualdades (31) © (23) abaixo, vamos mostrar ao leitor que ele ja comhece una desigualdide desse tipo. Considere dois yetores a = (2.23) © f= (Bi, i) com come ponentes ndo-negativas, O produto escular & definido pela expressio tay +P. 18) * 4 norma do vetor x € de 0 0 Angulo 64 [capitate 3] De modo semelhante, = ((ploosd, — |p|sen dy (Olhe a Figura 3.4) lal il y Figura 34 Logo, © produto escalar pode ser escrito como af = |x| |B] (cos cos.) + sen0 send) B= |2| [ploos (0a). (e) Juntando (e)¢ fe} obtemos a8, + 2.) 2S Jal Bl By + a8, < Oo} + a2) BE + BBE”. (30) ‘Agora, se (a, a3) € (by. bg) so dois vetores quaisquer de 8, temos Jayby + aabo| < Jay] [by] + fesl [ba] e,aplicando a desigualdade (30) aos vetores (a, ||, ))¢ (1 fh obtemos Dib + oy, que & a desigualdade de Cauchy-Schwarz para vetores do R? Sejam, agora, a= (a, .....4,) € B = (by .....b,) dois vetores do RN A desigualdade de Cauchy-Schwars para vetores do BY tem & seguinte Para demonstri-la, considere & expresso {aby + aybs| << (a + 3)! |S as, Saemp- Fagen hans Sn 6) Othando © primeito membro de (32), vemos que essa expresso & sempre > 0 pura todo ¢ real. Othando o segundo membro de (32), reconheceinos lum trindmio do segundo grau em 1. O fato de que esse trindmio é sempre [ secrd0 36} 65 % 0, implica que seu discriminante deva ser <0. Isto & CS ny-(Eanjec © que implica, imadiatamente, a desigualdade (31). Sejam agora f: [a, b] > ® e g: [2,6] -+ R duas fungies de quadrado integravel. A desigualdade de Cauehy-Schwars para fungaes de quadrado fms] [ore [vee A demonstragio & aniloga ao caso anterior, Busta considerar & expresso [U9 + wear € proceder como no caso dos vetores do Re Uma outra desigualdade, bastante ail, € a seguinte: [z (a+ or] < (% ay my (§ xy * conhecida como a desigualdade do triangulo ou desigualdade de Minkowski © nome desiguakdade do tritngulo provém do fato de que (Z}., a?! €0 médulo do vetor a = (a, ,....d,) em RY, que vamos representar, como cima, por Jal, Logo, a desigualdade do triingulo pode ser eserita como Ja +b] sla] + [a Veja Figura 3.5, para 0 caso do R? y Figura 35 Demonstragdo da desigualdade do tridngulo no BY Na identidade Ce ee 66 [ copiuio 3 | use a desigualdade de Cauchy-Schwarz e obtenhia Lu roes Lage (3, “(8 wy" + So observe que o ido direito da desigualdade acima &0 quadrado de |a| + |b) Dai, se segue, imediatamente, a desigualdade do triangulo. De modo anilogo, poderemos demonstrar a desigualdade de Minkowski para fungdes de quadrado integeavel, que € a seguinte: [fim sara] s [fi rosa] + [firs] Basta, na identidade {i fea) + aol dx finsres + 2 [ reaanan + flares usar a desigualdade de Cauchy-Schwarz, e proceder como no caso do R PROPOSIGAO 3.1. Seja f: [a.b]-+% uma fungdo de quadrado ime. grivel. Entdo existe uma sucesso de_fungies. cone tinuas qi [4,5] +B. com Ysa) = Yb) = 0, tal que i) WO? dx = 0. Demonstracdo,() Suponha inicisimente que J sca limitada, Como f & de quadrado dntegrivel, sgue-se que f € absolutamente integrvel. em virtude da desgualdade [fi reaps] que é uma consegiiéncia da desigualdade de Cauchy-Schwarz, Agora, usi- mos 0 Teorema 3.1. Dado x > 0, existe uma funco continua p: [ab] -» R, ‘com ya) = 4b) = 0 tal que fim Wade <6 Uma othada na demonstragdo do Teorema 3.1 deverii convencéslo de que |Weo] 0, escolha 6 > 0, tal que if [foPde< 5 [eras Agora, usamos a parte (a) do teorema, ja provada, para determinar uma fungdo y: [a + 6, 6-4] +R continua, com Ha + 4) = Yb— Portanto, definindo : _ (0, © asxsats, Gor={ ¥en se at dsxsb-s, 0. © b-dsxsh [io Hof dx <6 © que conclui a demonstragio, QED. Observacao. Suponha que f: 2 -+ scja uma funcio periédica de periodo 2e de quadrado integrivel em [-L, L] Entio existe uma sucesso (¥,) de fungSes continuas y,: Rr R. periédicas de periods 2L [de fato, pode-se tomar ¥(-L) = Y,(L) = 0, para todo ni] e tal que tim [ [fo #00)? dx = 0. Obsernacio**, Se usarinos a integral de Lebesgue, segue-se, da desigual- dade de Cauchy-Schwarz, que toda fungio de quadrado imtegrivel (& Lebesgue) & do espago E'[u,b]. Designando por E[a.b] ‘0 espago das fungdes de quadrado integriveis 4 Lebesgue, temos que Plab]e [4.6] 68 [ capitulo 3 ] 3.7. Convergéncia uniforme da série de Fourier Nesta secgdo estudaremos condigdes suficientes sobre a fungio f (peridica de perfodo 21) que garantam a convergéncia uniforme de su série de Fourier. A idéia & aplicar o teste M de Weierstrass dado na Secgao 2.2. Como b,sen™| < [ah a,c08 ee eee ee eee E lal + [54D eH converse Observamos, em primeiro lugar, ulilizando © que se provou em ti) da Scego 28 que, caso a fungio f tenha derivada primeira continua e a derivada segunda seja uma fungio ¥*, entio a série (34) € majorada pela série MEP, In, a qual converge. Entretanta poderemos provar « convergéneia de (34) sob condigées menos restritivas em f¢ De fat, suponha apenas que fseja continua ¢ que a derivada primeira seja uma fungio %. Entao, usando as Relagdes (42) € (43) do Capitulo 2, concluimos que oe a. as) ‘onde dj 6, designam os coeficientes de Fourier de J. Portanto a reduzida de ordem n da série (34) & « neo Eats top= eS Faas + ip 69) 4 qual & majorada por £ (3 [Seats we] en conde usamos a desigualdade de Cauchy-Schwarz. para vetores do 2* (cf. Secgdo 36). A seguir use a desigualdade (\a| + |b)? < 2a? + 8), que € a desigualdade de Cauchy-Schwarz em 8, no segundo somatério de (37), Obtemos, entio, a seguinte majoraglo de (36) (5 8)"L&urvo [ seexi0 37 |] 69 Portanto a série (34) € majorada por SE 3) [Ever ‘onde ambas as séries convergem, a segunda convergindo em virtude da desigualdade de Bessel. Resumindo, provamos o resultado exposto a seguir, TEOREMA 33 (Primeiro Teorema sobre a Convergéncia Uniforme da Série de Fourier. Seja f uma funcao periédica de periodo 2L, continua com derivada primeira integrivel e absolutamente integrivel Ent, a série de Fourier de f converge uniformemente para f. Observe que no teorema acima pede-se que a funclo seja continua fem toda a rea. E quanto a derivada primeira permitimos que ela seja descontinua, » mesmo que se torne ilimitada nas vizinhangas de uns tantos pontos isolados. Se f for descontinua em um ponto xo, série de Fourier ndo pode convergir uniformemente para fem nenhum intervalo que contenhia x,. Iss0 porque sabemos (cf. Proposigio 2.1 do Capitulo 2) que © limite uniforme de uma sucessio de fungdes continuas (no caso, as reduzidas »,(x) da série de Fourier de f) & uma fungio continua (no caso, seria f). Logo, para se ter a convergéncia uniforme da série de Fourier em toda a reta, a fungdo f deve ser necessariamente continua. Mas ai surge a seguinte indagagio: e se f for continua em um intervalo fechado [a,b], ser verdade que a série de Fourier da f converge uniformemente para f neste intervalo [a,b]? A resposta € sim, isto é, vale o resultado seguinte. TEOREMA 344. (Segundo Teorema sobre Convergéncia Uniforme da Série de Fourier) Seja f periédica de periodo 21, seccionalmente continua e tal que a derivada primeira é integrivel e absohuamente inte- grivel. Emido, a série de Fourier de f converge uniformemente para em todo imervalo fechado que ndo contenha pontos de descontinuidade de A demonstragdo utiliza o lema enunciado a seguir. LEMA 34. Seja ya func peribdica de periodo 21. assim definide: Msp -Lsx<0 wy =} 0 x=0 38) Mu-p 0 0, 4 série acima converge uniformemente para 0< 5 < |x| < L. Para tal basta mostrar que a série oe (49) converge uniformemente, para O¢ [e, x], > 0 qualquer, pois a série (39) obtida tomandovse a parte imaginaria de (40) fazendo 0 = ns, Soja £0) = 5 ol a Logo, ey es 2 = & _O- 6-00) (a) ©. como — a cobtemos B/D Nan en EG FET) BO + eB Leg dk 43) Por outro lado, usando um argumento semelhante aiquele usado na Sogo 3.2 para obter 0 valor de $0), temos, para 0 < 0-< 2n, inst £0 = 2 ine LEAS gay = Jem emp — Portanto segue-se de (43) que wHlEG ir)tratt a) oes k 2 n [captuto 3 | 6, dai, temos, para 0 < es 0 < x, que Jae ot el [ek © que implica, pelo critério de Cauchy, a convergéncia uniforime de (40). E a demonstragdo do lema esti completa, QED. Observagdo. A passagem de (42) para (43) € um artificio conhecide como a “formula de Abel de adigdo por partes”. Fm geral, se (a,) © (b,) sio duas sucessdes e B, = Ef_, by. temos EF aG-80= F440 + + ww, mn oe nT Be 3.8 Nucleos de Dirac A fungao impulso unitério, chamada também de funedo 5 de Dirac, € “definida” como tendo us seguintes propriedades: f Stade = (43) Pode pasmar! Nao ha erro de impressio! Mas, como & possivel? Bom, rigorosamente nao é. O tal 5 ndio€ uma fungzo, pois, se fosse, deveria associar a cada nimero real, um outro real, co ndo & nimero. Além disso, como 6 & zero em toda a reta, com excegiio de um tinico ponto, a integral deveria ser zero, ¢ niio um, Entretanto, para malestar dos matemiticos, essa coisa funciona bem em Meciinica Ondulatéria, Fm verdade, a pro- priedade importante do 6 & seguinte: se y(x) for uma fungdo real con- timua que se anule fora de um intervalo limitado, entéo f eax) dx = WO), (46) Criticas, igualmente, se levantam contra a Expresso (46). © integrando ndo & uma fungio, ¢, portanto, nfo pode ser integrado! Que fazer para dar um sentido matematicamente correto a Expres So (46)? Isso é feito de modo satisfatério pela Teoria das Distribuigaes, [ secese 38 ] 73 criada por Laurent Schwartz, que também explica outras expressies formais como (46) envolvendo inclusive derivadas de 3. Nesta. secs, faremos algo menos ambicioso, mas que serviré para justfiar (46) de modo rigoroso. A idéia & a seguinte: tomamos uma sucessio de fangBes continuas k,: B+, com as seguintes propriedades: (Db) Ao 2 0; (D2) ff, Keddx = 1 (D3) dados e > 0. m > 0, existe ny tal que, para n> ny, [soos hein ks Ve Figur 3.7 (Como voot vé as dreas debaixo de k,(x) se acumulam junto a0 eixo dos y. Essas funges podem ser entendiclas, de modo intuitivo, como aproximaglo de 3). E 0 primeiro membro de (46) pode ser definido como [ aower= tin FT apmend a Serfi nosso objetivo a seguir mostrar que, com a defini ressio (46) € correta. DEFINICAO. Uma sucessio de funcdes ky: % +B seccionalmente cone tinwas ¢ satisfazendo ds condigées (D1), (D2) e (D3) acima € chamada uma sucessiia de nicleos de Dirac EXEMPLO. Seja k: R-+R uma funglo seccionalmente continua, nao- ~negativa e tal que 0 < f*,, kix)dx < oo. Em particular, essa integral sera, de fato,finita se k(x) se anular fora de um intervalo limitado 74 [ capitulo 3] Seja a , Mx)dxs entido as fungdes koe) = 2 kin) formam uma sucessiio de niieleos de Dirac. De fato, (D1) ¢ (D2) sto vistas facilmente, Para demonstrar (D3), veja f kode ston Por outro tnd, 0 fito de que j, kis)ds-< oo implica que exista r > 0 tal que [Modes haine Logo, (D3) se verifiea, caso tomemos 1, > rin A propriedade basica dos micleos de Dirac esta contida no resultado enunciado a seguir. EL wode= 2 fava TEOREMA 35. Sejam (k,) uma sucessiio de micleos de Dirac e f: B+ B tuna fun¢do seccionalmente continua limitada, Entdo (a) as fans f,abaico esto bem defies, So = f kx ~syfteyds: 4s) (b) supondo que, sia uma func par, tems, para cada x, fin fe) = LEO FEO, (6) a sueessdo (f,) converge, uniformemente, para { em todo imervalo Imitadofochado t que ndo conenta pontor de descntinidade de 7. Observagiio. A fungdo f,. definida em (48), & chamada 0 produto de con- volusdo de k, © f.€ usa-se a notagdo f, = k, +f. Obviamente, © produto de convolugao pode ser definido para classes mais amplas de fungdes. Por exemplo, se f: B Re g: RR forem fungies absoluta- mente integeiveis ¢ uma delas for limitada, entio o produto fg estara bbem definido. Uma propriedade importante do produto de convolugio € a seguinte: _ Sram anh [ fle sway = f Posatx~s)ds, 9) [ Seccto 38 J 75 cuja demonstragio é imediata, através de uma mudanga da varidvel de imtegragao. EXERCICIO. Se fe g forem de quadrado integrivel, entio feg estar bbem definido, Demonsiracao do Teorema 3.5. A parte (a) imediata, pois 0 integrando em (48) ¢ uma fungdo seccionalmente con- tina, para cada x fixado, e integravel. De fato, [ kas sfiords ei Avid, onde M=[fook para todo xeR Demonstremos (b). Para facilitar a eserita (por alguns momentos!) fagamos Fes) = $f + 0) + fe 0], Devemos obter uma ma- joracio de fe) fix). Comecemos escrevendo f, na forma absixo, em vista de (49) Usando isso © a condiglo (D2) dos nicleos de Dirac, Koo) Fo f KILI 0e~ 9) —Fixi] ds (50) AA idéia, agora, para fazer a majoragdo da integral em ($0) € quebri-la em duas partes. Com um 5 > 0 a ser escolhide mais adiante, temos feo)-Fee) = [ KI fox -9) Fee} ds + of melon Fede 144 use Lembrando que k, & uma fungdo par, e 0 que é f, temos que Ksfee+ yds + fas flesh ds— = [Horie + 01+ see 7 [ capital 3 ] Dai, obtemos Ins [reals 9 For # olds+ [ Aga te-s-s8 0) Agora, usando 0 fato de que f & seccionalmente continua, temos que, dado c> 0, existe 5 > 0 tal que [f+ )-fx+O] 0, existe ny tal que, para n> my, temos Sge0)-Fis)] < (1 + 2M, © que prova a parte (b). Demonstremos (c) A exemplo do que se fez na parte (b) desta demons- . vamnos decompor a integral de (50) em duas Partes. Sejam a-¢ b as extremidades do intervalo 1, isto 6 1 = (a, 6}. E claro que podemos tomar um 1 > 0, tal que o intervalo fechado 1’ = = [a-n, b +m] também no contenha pontos de descontinuidade de f. Dado ¢ > 0, existe 5 > 0 tal que se x,, xz€T' e |x, ~x3] <6, entio | fx.) flx,)] < 2. (Isso & a continuidade uniforme da f no intervalo fechado imitado 1), Bom, agora vamos i decomposigdo da integral em (50): sf) = f RAIL fs) Fea] ds + +f kis fer s)-fted) ds sn nis , dat, [idea] 200 [ kina [ kisses) fea}. 62) J ass [ secsi0 39 | 7 Tomando 6 0 dado, e 0 correspondente 5 > 0, dewerminamos ng tal que & primeira integral seja <6, para todos 1 = My Concluimos que [A -f9| <2Me + « para todo x€ 1 ¢ todo n > 1. Isso daa convergéncia uniforme de ({,) em 1 © Teorema 35 esti demonstrade, QED. Volta wo 5 de Dirac ¢ & explicagao de (46), Sendo yy continua ¢ limitada, se- ‘gue-se do teorema acima que wo) = tf A-isyds Portanto, se os nicleos forem também fungdes pares, isto é ki-s) = ks), cobteremos exatamente a Expresso (47) 3.9 Teorema da aproximacgao de Weierstrass Os polindmios so fungdes continuas muito simples, porque cles io determinados pelo conhecimento de um ndmero finito de pardmetros, seus coeficientes. Por outro lado, para que uma fungdo continua qual- quer seja considerada conhecida, devemos saber os seus valores em todos. os pontos do seu campo de definigdo. Em muitos casos, necessitamos, entretanto, apenas de valores aproximados. © teorema de Weierstrass da aproximagio por polindmios é bastante Gil nessa linha de idéias TEOREMA 36. (0 teorema de Weierstrass). Seja f:[a, 6] —+ Puma fiend real continua, definida no in tervalo [a,b], Entdo existe uma sucessio de polindmios P, que converge aniformemente para f em [a,b] 8 [-cepiuio 3 1 Demonstragdo. Vamos usar 0 Teorema 35 da Secgio 3.8, tomando um tipo especial de niicleos de Dirac, conhecidos como os micleos de Landau: 1x4) oT, para [xl sh, Lo) = 0. para |x| > 1, f (xp dx. F imediato que (1) satistar ds propriedades (DI) ¢ (D2) dos nicleos de Dirac: demonstremos que também satisiaz @ (D3), Em primeino lugar observamos que (53) onde * 2 e, como (1~x?V" é decrescente em x, vem 1-877 4) f bode < (n+ IL-8)" 8), (53) Sendo 5 < 1, vé-se que, dado ¢ > 0, 0 segundo membro de (55) ser. < para n maior do que um certo n, . assim, (D3) esti veriieada, Demonstremos inicialmente, o eorema no caso em que [a,b] = [0, 1] © (0) = (1) = 0. Defina a fungio ay = ff se xe[0.1} Caley ee 4 qual & continua € limitada em toda a reta. A seguir, defina as fungdes Foo Foor Pelo Teorema 3.5 da Secgo 3.8, essas lunges convergem uniformemente para f(x) em (0, 1], Resta, pa concluir a demonstragio nesse caso. provar [ seecs0 39 | 79 que F,(x) € um polindmio em x, quando x [0, 1]. Isso serd feito obser- vandorse, primeiramente, que y= (1pe-avon E, para xe [0,1], temse [xs] <1, 0 que implica que, para tais x, Fao [ [te 9 FV. Desenvolvendo a poténcia do integrand, obtém-se que F(x) € uma soma de integrais da forma 9) ds, para j = 0, 1,....2n.0 que acarreta que F, scja um polindmio de grau 2n Se [a,b] # [0.1], considere a fungao a) = f{b-a]y + a, qual & continua para ye[0, 1}, Portanto, se tivermos uma sucessio de polindmios P,(y) convergindo uniformemente para g(y), ento os po- linémios convergirio uniformemente pata f(x) em [a,b] Finalmente, se f(0) e/ou (1) nao forem iguais a 0. considere a fungao Bix) = F(x) FO) XL) 01]. 4 qual é continua em [0,1] ¢ 4(0) = h(I) = 0. Portanto, se tivermos uma sucessio de polindmios R,(x) aproximando uniformemente ix), entio ‘8 polindmios S50) = Rox) + £00) + Lf) —f0)] aproximario uniformemente f(xi QED. Observacdo, Quem ja estudou a teoria das fungdes analiticas deve ter ficado intrigado com uma assertiva feita durante a demons- tragio do teorema acima, Dissemos que deviamos provar que F,(x) & tum polindmio em x para xe[0.1}. Por que ndo para todo x em? A respasta reside no fato de que F, nio & analitica em todos os pontos da reta. De fato, sendo L, ¢ / apenas fungdes continuas, segue-se apenas que a convolugdo L, « ft qual & a fungao F,, € continua em toda a ret 80 [cepitulo 3] Notu. O Teorema 3.6, desde sua primeira demonstragdo por K. Weierstrass, fem 1885, recebeu varias outras provas usando métodos diferentes. A demonstragio acima parece dever-se a Landau, e pode ser vista tam- bém no livro Methods of Mathematical Physies, Volume 1, de R. Courant © D. Hilbert, Uma outra demonstragio usando poligonais € devida a H, Lebesgue, ¢ pode ser vista no Cours d Analyse de F. Goursat. Ainda outra demonstragio clissica usa os chamados polindmios de Bernstein, e esti cexposta no livro Analise I, do presente autor. O teorema da aproximagao de Weierstrass possui uma importante e extremamente itil generalizagiio, devida a M.H. Stone, a qual pode ser vista no livro Aplicagdes da Topo- logia d Anilise, de C.S. Hinig, publicado nesta colegio do Projeto Eu- clides. 3.10 0 teorema de Fejér Pode parecer & pessoa que inicia seus estudos de Analise que somente as séries convergentes sio diteis, ¢ que as séries divergentes sio uma espécie de desmancha prazer. Entretanto, isso nao é verdade. Séries divergentes tém sido utilizadas € muito se pode fazer com elas. Nesta seogio daremos ‘um exemplo dessa situagio. Quando se tem uma série |» suit convergéneia € um conceito definido de um modo bem particular. Veja como se faz. Tomamos a st- cessio das reduzidas 4, = 3, a, € dizemos que a série converge, se a sucesso (4,) converge. Se voce pensar bem, voc mesmo podera se per- guntar por que é feito assim? A resposta é simples ¢ esth dentro de um procedimento geral em Matematica: faz-se assim, porque 0 concsito resultante € ati. Se houver necessidade ¢ uso de um outro tipo de con- vergéncia de série, por que no introduzi-lo? Por exemplo, a série Ef, (If?! = 1-14 1-1 +--- diverge no sentido da definigio acima, Entretanto Euler € outros matematicos obser- varam que a média aritmética da sucessio das reduzidas converge para 1/2 De fato, as reduzidas dessa série sio Ay = 1, Ay = 0, Ay= Le Ag = 0, © as médias aritmeticas so mT que formam obviamente uma sucessio (9, a qual converge para 1/2 Quando uma série converge no sentido de que as médias aritméticas das { Seceio 310 J a1 reduridas converge, dizemos que ela & Cesiro-somivel. © leitor podera provar sem dificuldade que toda série convergente no sentido comum & Cesiro-somivel, e a soma da série (no sentido comum) & igual ao limite da sucesso das médias aritméticas das reduzidas. Isso mostra que © conceit de somabilidade & Cesiro & bom, porque ele torna somaveis séries que divergem, sem perturbar aquelas que jé convergem. Vejamos agora © que a somabilidade 4 Cesiro faz com as séries de Fourier. Ja vimos que uma fungao continua f: R + R, periédica de periodo 2L, tem sua série de Fourier. E vimos, também, que essa série nem sempre converge no sentido comum, Entusiasmados c inspirados, pelo que aca bamos de ver sobre a somabilidade & Cesiro, perguntamos se ela ndo seria Cesiro-somivel. Fejér respondeu afirmativamente essa questio, em 1904, Como veremos abaixo, 0 teorema de Fejér também diz algo sobre ‘4 convergéncia nos pontos de descontinuidade. Consideremos, pois, uma fungdo f: R= B scccionalmente continua © periddica de periodo 21. Representemos por s,(x) 4 reduzida de ordem 1 cok sp gan BAS spe to+ ¥ («cos + bysen t) ©. por oyu més avtméticn de 39. 5, 1 _ Css Como vimos na Secgio 32 sie f Dye sfonde. onde oun = (5+ 5 ott) sent para x40, 421, -£4L,... Logo, as médias aritméticas tém também uma representagio integral aunt = [ Fy aber vndr. (58) onde a Fld ET 2, Oh 69) que & chamado um micleo de Fejér 80 [ cepiuto 3 1 Nota. O Teorema 36, desde sua primeira demonstragio por K. Weierstrass, em 1885, ecebeu varias outras provas usando métodos diferentes. [A demonstragio acima parece dever-se a Landau, © pode ser vista tam- bbém no livro Methods of Mathematical Physics, Volume I, de R. Courant € D. Hilbert, Uma outra demonstragio usando poligonais ¢ devida aH Lebesgue, ¢ pode ser vista no Cours d Analyse de F. Goursat. Ainda outra demonstragio clissica usa os chamados polindmios de Bernstein, ¢ esti exposta no livro Anilise , do presente autor. O teorema da aproximaio de Weierstrass possui uma importante ¢ exiremamente itil generalizaglo, devida a M.H, Stone, a qual pode ser vista no livro Aplicagdes da Topo- logia a Andlise, de C.S. Hinig, publicado nesta eolegaio do Projeto Eu- clides. 3.10 0 teorema de Fejér Pode parecer & pessoa que inicia scus estudos de Analise que somente as séries convergentes sio iteis, e que as séries divergentes so uma espécie de desmancha prazer. Entretanto, isso no & verdade. Séries divergentes {ém sido utilizadas © muito se pode fazer com elas. Nesta secgio daremos tum exemplo dessa situagio, ‘Quando se tem uma série Ef, a,. sua convergéncia & um conceito definido de um modo bem particular. Veja como se faz. Tomamos a sue cessio. dus reduzidas 4, = E5_, 4, ¢ dizemos que a série converge, se a sucesso (4,) converge. Se voce pensar bem, voc€ mesmo poderi se per- guntar por que é feito assim? A resposta simples ¢ esté dentro de um procedimento geral em Matemética: faz-se assim, porque 0 conceito resultante & util, Se houver necessidade ¢ uso de um outro tipo de con- vereéncia de série, por que ndo introduzi-lo? Por exemplo, a série Zp. (-1f'?! = 1-14 1-14 ++ diverge no sentido da definigdo acima. Entretanto Euler e outros matematicos obser- varam quea média aritmética da sucessio das reduzidas converge para 1/2. De fato, as reduridas dessa série sio 4, = 1, A, = 0, 4s = 1, Ay = 0, © as médias aritméticas que formam obviamente uma sucessio (a,), a qual converge para 1/2 Quando uma série converge no sentido de que as médias aritméticas das [ Seeri0 3:10 ] 31 reduzidas converge, dizemos que cla & Cesiro-somavel. O leitor poder provar sem dificuldade que toda série convergente no sentido comum € Cestiro-somavel, ¢ & soma da série (no sentido comum) é igual ao limite da sucessiio das médias aritméticas das reduzidas. Isso mostra que 0 conceito de somabilidade & Cesiro € bom, porque ele torna somaveis séries que divergem, sem perturbar aquelas que ja convergem. ‘Vejamos agora 0 que a somabilidade Cesiro faz com as séries de Fourier, Ja vimos que uma fungiio continua f: R + R, periddica de periodo 2E, tem sua série de Fourier. E vimos, também, que essa série nem sempre converge no sentido comum, Entusiasmados ¢ inspirados, pelo que aca- amos de ver sobre a somabilidade & Cesiro, perguntamos se ela no seria Cesiro-somavel. Fejér respondeu afirmativamente essa questo, em 1904, Como veremos abaixo, o teorema de Fejér também diz algo sobre fa convergéncia nos pontos de descontinuidade. Consideremos, pois, uma fungdo f: + R seccionalmente continua « periddica de periodo 2L. Representemos por s,(x) a reduzida de ordem m = 5 Ho+ > (asco + by ser ot) 2 595 Stee por gy... 31 media aritmét (oy t+ SD tu) =] Como vimos na Secgio 3.2 so = { DAx- fray, onde 7 “] on para x #0, $2L, 442,... Logo, as médias aritméticas tém também tama eepresentagdo integral ome i(be gett) 4 Fy j F,.sb- fords, 8) onde Feast ty 3 es 9) que & chamado um micleo de Fejér. - [ capitue 3 } LEMA 322. 0 micteo F,,. (x) de Fejér é wma fangiio par, continua, peribdica de periodo 2L, que pode ser expressa como (60) para x #0, € tal que mtd F.10) = (0) Demonsracao, Sexue-se, diretamente da definigio, que F,,, € continua, par e periédica de periodo 2L, pois D, tem essas mesmas propriedades. De (57) ¢ (59) temos P= ay Portanto devemos obter uma expressio para AO) = $ sentk + he Observe que A(@)& parte imaginéria de $ eeviaw a ge go a que é igual a Toei gine page sen 02 (nt ww) Logo, secre wo [5 A) a a sen sen onde tudo isso vale para 0, £2r.,... Fazendo @ = rx/L, obtemos & Expressio (60), Para obter (61), observamos que D0) = L-'j+ 2, € 0 ema esti demonstrado. QED. AAs inforinagdes dadas pelo lema acima s2o essenciais para demonstrat © teorema abaixo. TEOREMA 32 (Teorema de Fejér). Seja f: ® -+ ® uma funcao secciona- mente continua. periidica de periodo [ secai0 3:10 ] 83 2L. Endo, i) para cada x , tim ox) = 5 [fle + 0) + fee OF} i a sucesso (o,) converge uniformemente para f em todo intervalo fechado I que no contenka pontos de descontinuidade de f Demonstracio. Comecemos observando que, em virtude de (58), temos Ba) | F,.1fle- yay Agora, definimos as fungdes Fath -Lexsh ee) {tr x|>b. e, portante, temos GW = | DIM le—v)dy (62) Para aplicar 0 Teorema 35 da Secgiio 38, devemos provar que (®,.;) € uma sucesso de niicleos.de Dirac. A propriedade (DI) & imediata. Ve- Jamos agora a propriedade (D2): : : Lat Fi mcmra= fi rato ia § [ene [owed [ [bx Rowton segue-se que” 2 [i sewer Para verificar a propriedade (D3), sejam dados ¢>0 6 > 0. Temos euimpenn af Aasnees TT Oe ‘onde usamos a majoragio (nt Dax 2 sng 84 [ ceptute 3 | que € valida para x, no intervalo de integragao [8, L]. Logo. Lob f des — PG leis n+ rf 037) e, dat, para 1 sufiientemente grande, a condigio (D3) dos niceos de Dirac est saiseta, Portanto 0 Teorema 3.5 se uplica imediatamente, para terminar a demonstragdo do teorema de Fejér. QED 3.11 Identidade de Parseval Volte & Seogdo 35, ¢ olhe a Relaglo (28) Voce enti concordari que as duas assertivas absixo sio equivalentes lime, = 0 (63) #Ferm=t | [fea dx, (64) tm f |s,00-fta dx = 0, 6) para toda fungdo f'de quadrado-integrivel em [-L, L]. Seguir-se-4, como conseqiléncia, que a identidade de Parseval & valida para tais f. A Ex- press (65) & também eserita assim wor tin + & (aso + ent!) onde Lim, so as iniciais da expresso inglesa limit in (the) mean, TEOREMA 38. Sefa f: B+ Ruma funcdo periddica de periodo 2L, « de ‘quadrado integrivel em [-L, L]. Endo a série de Fourier da f converge em média quadritica para f, ow seja, a relacdo (65) & valida, Demonstragdo no caso de f continua, Pelo teorema de Fejér, (a,) das médias dhuridas s, converge uniformemente para fem [-L, L]. ie, eas das re- me Josefa] +0. quando n+ Como fois) feof dx < 24f mar ots) fel [ secgio 3.11 ] 85 temos que, Jee) —fl9p2dx+0, quando n+. (66) Por outro lado, como o,(x} & um polindmio trigonométrico de ordem m temos, pelos resultados da Seegio 35 [ se roo de < j Jo,o0)-foa) ds, au juntamente com (66) d& (68), ou Sela a assertva do teorema Demonstracdio no caso geral, Vimos na Secgio 36 que toda fungio f de quadrado integravel pode ser aproximada ‘em média quadritica por fungSes continuas y. E, além disso, se J for pe- riddica de periodo 2£, entio y também o sera. Procedamos a demons- tragio do teorema, Dado © > 0, devemos provar que existe my tal que J [o)-fOoFde 0 tin fF srms.ndr= [(+2)t] 24-0 seni je de Fourier para stx) é equivalente a Logo. a convergéncia da sé tin [ esnts.nde = 0 3) para algum 2>0. Agora, comidere a fungio m-+_-4 mm eaaks 2 4 qual & continua, para 0<1< 2< L. E, além disso, it) 0, quando 1+ 0+. Logo, tim Ef senfor + 97 |innts.nde = 0 76) wee 2b Dez Moat. erm virtude do Jema de Riemann-Lebesgue. E, finalmente, de (75) ¢ (76) segue-se o resultado. Q.E.D. 90 { copteuto 3 } LEMA 33 (Segundo Teorema do Valor Médio). Sejam q: [a,b] -+ & uma Fungiio nio-negativa em (4.6) e ndoedecrescente ¢ f: [a,b] +R uma fungio #%. Entdo, existe 6 em [a,b] ral que f= 0+ 0 [a a0 fs a) Demonstracdo. Basta demonstrar (77, para o caso em que gla + 0) Pos o caso geral se seguir deste, aplicando-o & fungdo als) gla + 0). A fungi F= fm é continua em [u,b], € sejam M em, respectivamente, 0 miximo e o mi imo de F em [a,b]. Assim g(b- 0)F() € continua em [a,b], ¢ vé-se que © resultado seri, conseqiiéncia do teorema do valor intermedidrio, se mostrarmos que mglb-0) < [om < Mglb-0), (78) Dado 1 > 0 intero, construimos a seguinte partgao do intervalo [a, 6} conde A = b-0): d= mS Se Ss, sup {re fa, b}: at <24 Obviamente of! [ath ato i rely x)= UA 0 tal que (81) para quaisquer a a> 1, Pelo Lema 33, existe >a tal que 1 Pancts+ (leona de onde se segue 0 resultado, Demonstragio do Teorema 3.11, Vamos usar o Teorema 3.12, com A60= fle t DE Mele + O-L0e-0) Observe que, para cada x fxado, g & de variagio limitada em 1 e, conse- ajiientemente, existem fungSes nao-negativas monétonas nio-decrescentes galt © 9310 tais que glx.) = g(t) galt) © 9y(0 + 0) = 940 + 0) = 0. Em virtude do Teorema 3.12 basta demonstrar que a sen] (n+ VE tim | —L ade (82) 92 [ copiete 3 } Portanto, dado « > 0, tomemos 0 < i < Lal que |g (ti| < « para 1 (0.2) «, assim, a integral em (82) se decompoe na soma das dus imtegrais pod “ ina a { sen [ : Don AA segunda tende a zero, quando n+ co, em virtude do lema de Riemann- -Loesaue, Para fazer extimativas da primeira integta,usamos o Sepundo TTeoreia do Valor Médio: existe 8 em (0.4), tal que aquelt integral & igual a a0) [ soln 9] ] (2-0) Shay, ‘a qual é menor que eM, onde M & a constante em (81). E, dai, o resultado, QED. Exemplo de uma funydo & qual 0 teste de Jordan se aplica, mas ndo 0 de Dini fey = « periddica de periodo 1. ficl ver que /€ continua e monétona em cid intervalo [0.4]. [ 4.0], © que acarreta f ser de variagdo limitada, A nfo- -aplicabilidade do teste de Dini se prende ao fato de que a integral abaixo diverse ea |, cogs Exemplo de wma funcao & qual se aplica o teste de Dink, mas ndo o de Jordan: 1 Isfsengpe O 0, quando 1 +0; logo, o integrando dda segunda integral de ($3) € imitado nas vizinhangas de x = 0. Portanto a segunda integral tende a zero quando x 0, uniformemente em 1 Para tratar a primeira intexral, fazemos uma mudanga de varidvel Independente: z = (n+ 2)/L. © obtemos sent [ Seogdo 3.13] ae [Antes de prosseguir, tzemos a seguinte afirmagio, cuja demonstragao & simples: dado 2, -c0 0, tal que, para qualquer partigio a <1,< 4, <-" 1 Voltando as Expressdes (92) ¢ (93), podemos ver que (x(0), yt) & a repre sentagio paramétrica de um circulo, Finalmente, o caso geral de uma curva retifcivel pode ser tratado aproximando-a por curvas seccional- mente diferenciaveis, que podemos tomar como poligonais. Deixamos ao leitor completar os detalhes. Q.E.D. 3.15 Nota historica © aparecimento da integral de Lebesgue, no comego deste século, possibilitou um estudo mais profundo © mais elegante da teoria da con- vergéncia de séries de Fourier. ‘As dificuldades com a convergéncia pontual, indicadas nos exemplos de du Bois-Reymond, tornaram-se mais dramaticas quando Kolmogorov, cem 1926, mostrou a existéncia de fungdes integraveis, cuja série de Fourier diverge em rodos os pontos. Em 1915, Lusin propés 0 seguinte problema: se f 6 tal que ay Saen par Laehicn, entio, & verdade que a série de Fourier converge quase sempre, ie, a menos de um conjunto de medida de Lebesgue zero? A questo tem um 100 [ cepreute 2] significado especial se lembrarmos que, alguns anos antes, F. Riese ¢ Fischer haviam mostrado que a condigdo (a) € necessiria ¢ suficiente para ‘que a série de Fourier convirja em média quadratica para f. Este resultado, hhoje conhecido como o Teorema de Riesz-Fischer, & dos mais marcantes na teoria da Série de Fourier. Sua validade se liga & completicidade do espaco L? das fungdes de quadrado integrivel & Lebesgue. © problema de Lusin resistiu meio século aos esforgos de grandes pesquisadores, ¢ foi, finalmente, respondido na alirmativa por Carleson, em 1966, Como conseqiiéncia obtém-se que a série de Fourier de uma fungdo continua converge em quase todos os pontos. [sso mostra que 0 exemplo de du Bois-Reymond de uma série de Fourier, de uma fungio continua, que diverge em um conjunto denso, & de certo modo, 0 melhor que se pode obter em matéria de contra-exemplo. A introdugao da integral de Lebesgue e os sucessos de Riesz e Fischer, no tratamento do, contribuiram para a sistematizagio do estudo de espagos de fungaes € para um intenso desenvolvimento da Anilise Fun- ional. Desde os trabahos de Cantor, se evidenciara a possibilidade de se tratar conjuntos abstratos ¢, no comego deste século, as nogies topo- logicas tomaram um aspecto sistematico, principalmente com Fréchet. As técnicas criadas so to poderosuis que resolvem problemas di natu- reza do enunciado a seguir. Weierstrass, em 1872, construiu uma fungio continua, sem derivada em nenhum ponto, Com o surgimento de tenicas topoldgicas (mais pre- cisamente, 0 teorema da Categoria de Baire) foi possivel mostrar que, na classe de todas as fungSes continuds, hi “mais” fungdes sem derivadas em nenfium ponto do que fungdes com derivada em pelo menos um ponto! Um enunciado preciso desse resultado requer as de primeira ¢ de segunda categoria, Usando técnicas andlogas, & possivel mostrar a existéncia de fungdes reais continuas cuja série de Fourier diverge em um conjunto P, com a poténcia do continuo (ef. K. Yosida, Functional Analysis, Springer Verlag. 1974) reforgando os exemplos de du Bois-Reymond ¢ Fejér. nogdes de conjuntos EXERCICIOS DO CAPITULO 3 1A. Se fe g séo fungdes integriveis em [a,b], entio f+ g & integrivel também, 1.2. Dé um exemplo mostrando que, se fe y forem absolutamente inte- graves em [uh]. ndo se seguira que s+ g seja absolutamente in- tegrivel Qo s/h a 1 Ba B2. 141 142. 143 101 Mostee que se fe g forem fungies “* entio f+ g sera também 27 Se fre g forem integriveis ¢ limitadas em [a,b]. entio fg ser inte- agrivel Dé umn exemplo mostrando que se fe g forem integraveis em (a. bh mas uma delas nio for limitada, entdo fg poder’ nilo ser integrivel, Mostre que se f for uma fungio "em [a,b] € g for limitada ¢ ine tegravel.entio. fy sera 2" Sejm fg: B+ fungies periésicas de periodo 21, ¢ de quadrado intogravel em [-L, L]. Sejam a, (resp.: 4) © b, (resp. B,) 08 coe ficientes de Fourier de f (resp. g). Entdo soto 4 § =f [ seomeae. 4S la + ba) = 7 fn gtx) Mostre que « integral da fungao (vlog x) ' no intervalo (0.1/2) € divergente Mostre que a fungio definida em (84) € tal que g(t)» 0. quando t+ 0 Dado 1 << op, mostre que existe uma sucessio x, +0 tal aque nx, + Mostre que o comprimento de uma curva seecionalmente diferen- wel C & dada pela Expressio (88}.Comente o fato dessa formula independer da parametrizagio, Most que a dren de uma curva fechada simples secconalmente Giferencdvel € dada pela Expressio (90), ou ands pea expressio 4 [born vena 2 Prove que 5¢ a, = f,, by = ~2, € 4 =f, = a, = 5, = 0, entio as fungdes sites) definidas em (92) (93) so as equagdes paramétricas de um circulo centrado em (a, 9) € raio (a3 + 3)". CAPITULO 4 EQUAGAO DO CALOR Neste capitulo retomamos andlise do problema da condugio de calor em uma barra, estudo esse iniciado no Capitulo 1, onde ficou evi- denciada a necessidade de estudar séries de Fourier. Com o estudo que se fez da teoria dessas séries nos dois capitulos precedentes, poderemos agora analisar varios problemas de valores inicial e de fronteira para a equagio do calor. Mostraremos como obter formalmente expressdes que devem ser solusies, e a seguir, usando os resultados mais delicados de convergéncia do Capitulo 3, provaremos que essas expresses so, de fato, solugdes, 4.1 Conducao do calor: barra com extremidades mantidas a 0 °C No Capitulo 1 comegamos 0 estudo do problema da condugaio do calor em uma barra com extremidades mantidas & temperatura zero, Matematicamente, o problema consiste em determinar uma fungdo «1, definida para r> 0. 0< xs L, tal que Ku, 120 O0, « ux, 0) = fle Osxsk onde a constante K€ a fungio f sio dadas. Um problema desse tipo & chamado um problema dle ralores inicial e de fronteira, para o qual usamos 1 sight PVIF, num epidémico costume dos dias de hoje, Pelo método de separagio de varidveis chegamos, no Capitulo 1,a uma expresso que nos parece ser razodvel candidato a solugio do PVIF (1), A expressio foi 2 seguinte Eye PH en, 2) onde os coefcentes c deviam ser escolhidos de modo que fre $ sn a [ seceio 41 J 103 Portanto nao ha escolha, os c, devem ser os coeficientes de Fourier da fungao f dada em [0,1], ¢ estendida para o resto de ® de modo a ser impar © periédica de periodo 2L. Assim 2¢t max “FT [ fx)sen "ds 4 Lembramos ao leitor que a igualdade (3) no se verifiea para uma fungio f arbitriria, Portanto a distribuigdo inicial de temperatura deve satisfazer 8 certas condigaes. Pelo teorema de Fourier vé-se que (3) se verificara, para todo x em [0,L], caso f seja continua, f(0) = f(L)=0 © f” seja seccionalmente continua. Resumindo — Pelo nosso procedimento no Capitulo I e pelas observagdes aacima somos levados a crer que a Expressio (2). onde os coeficientes ¢, si dados em (4), seit a soluglo do PVIF (1), F de fato é Isso, porém, deve ser demonstrado cuidadosamente e seri objeto do resto desta seegio, Antes de prosseguir, devemos definir 9 que se entende por solugdo do PVIF (1). Isso realmente deve ser feito, pois a funcio fy. t=0 © O0 € x=0 ou x WO, 1>0 © O 0, no tém nenhuma relagdo is f(x}, nem com as condigies de fronteira nulas, Nao serd insensato requerer que os valores da fungi u(x, 1), ma regido ‘com os valores ini Fa lineReOcxch, 150) estejam ligados com os dados iniciale de frontera. Com isso em mente ddamos a definiglo enunciada a seguir, onde usamos a notagio F = (news 0sv0) Observe que se quisermos tratar problemas com condigies iniviais desse {ipo devemos abrir mio da igualdade (3). Mesmo sem ter (3) podemos calcular 0s cocficientes c, para uma classe muito grande de fungdes. f (por exemple, fe |/| integraveis,e, em particular, f seccionalmente con- Uinua), €, portanto, escrever a Expressio (2) que ainda tem chances de ser solugao do PVIF em um sentido eventualmente mais fraco, E isso & © que fazemos na definigio que se segue. DEFINICAO (Il) DE SOLUGAO DO PVIF (1), Uma funcdo continua us BR 6 uma solve cio do PVIF (1), se Ku. O0, 0,1) = WL.) 120, lim i ex. delddx = [food dx. 0 para toda funcdo @ seccionalmente continua em (0, L]. Por que uma tal definigéo? O que significa (5)? Como veremos a segui quer dizer que a condigio inicial & satisfeita num certo sentido mi cuja razoabilidade & justificada pelo fato de que & mais proprio falar em temperatura média na vizinhanga V de um ponto x. do que propriamente em (emperatura no ponto x. Se a vizinhanga V no fosse um continuo, € sim um conjunto com m pontos x, ,...%q. tal temperatura média seria 8 mélia aritméticn oy Db + uly 8 4 [ Secggo a | 105 Sendo V um continuo, tomamos & versdo continua da médiaaritmética, para definr a temperatura média, [uw ists wlede, onde 7 & a fungfo caracteristica da vizinhanga V, isto & aylx) = 1, se xe¥, © ists) =0, se x4. Como fungdes caractersticas de qualquer vizinhanga de pontos x de [0,.] sio fungdes seccionalmente continuas, (5) implica em dizer que a temperatura média evolua continuamente @ partir de t= 0. ‘A Definigdo (II) & uma extensdo da Defnigdo (0. isto & se 0 PVIF (1) tiver uma solugdo no sentido (D, entio essa solugio & também no sen- tido (HD). De fato, basta verificar que (5) se verfica,Seja pois, uma fungéo ots) seocionalmente continua e jam 1, = Te-+-+k:inervalos dsjuntos, formando uma partigdo de (0, L]¢tais que g sea continua em cada um deles. Assim, para provar (5), basta observar que inf sods [ soe para cada 1), decorréncia do fato de que a fungdo u(x, a(x) & uniforme- mente continua no conjunto {(x,1): xe1,, 0<¢< 1} TEOREMA 41. Se f for de quadrado integrivel em [0,L], entdo a Ex- pressdo (2) define wna fungdo em # que é solugio do PVIF (1) no sentido (ID. Demonstragdo. (i) As series ee PP son EF nce sen de 7c convergem uniformemente em qualquer sub-retingulo de 2 4.= (0: 05%, sx2x,5L0< 0, onde usamos a convergéncia uniforme (em x) da série Bern cg tema Gye sen (nzx/Lio(x), para ¢ > O fixado. Assim, de (7) obtemos. [mob Serio ew Finalmente observamos que =2[3 4+ Za]<=o para 120, onde usamos a desigualdade Jal || < a? +f) eonse- aiiéncin imediata de (|2| |) > 0. Portanto a desigualdade (9) implica que a série no lado esquerdo de (9) convirja uniformemente em t > 0. Conseqilentemente ela define uma fungdo continua de t, 0 que implica tin Be PR hm Fey [ seecso 4.1 J] 107 Isso, juntamente com (6) ¢ (8), implica (5). A demonstragio do Teorema 4.1 esta concluida. QED. Observagio. Como séries da forma EP, wee" P"" sen nnx/L, para j= 0,1,2,...cconvergem uniformemente em sub- retangulos #,,, segue-se que a Expresso (2) define uma fungo u(x,t) que & infini- tamente diferencidvel em yi, Isso mostra que o fendmeno da condugio do calor é altamente regularizador ou suavizador, nomenctatura inspirada hha expresso smoothing process. Praticamente, isso quer dizer que a dis- tribuigio de temperature de uma barra, dada por uma fungio (quase!) arbitearia, tende rapidamente, ou seja, com velocidade infinita, a se uni- formizar e ser descrita por uma fungio C*. Por exemplo, duas barras com temperaturas diferentes, postas em contacto em uma das extremidades, para formar um sistema dnico, tém imediatamente (para qualquer t > 0) uma distribuigdo de temperatura descrita por uma funglo continua (e até mesmo infinitamente diferencifvel) mesmo no ponto de contacto, onde hi uma descontinuidade no instante t = 0. TEOREMA 42. Sejaf:[0, L] — B wma finco continua com f(0) = tal que a derivada f*exista em [0,1] € seja de quadrado imegrivel. Entdo a Expressdo (2) define uma funcdo cominua em 3, que € solusio do. PVIF (1) n0 sentido (D, Demonstrasiio. A continuidade de f, hipétese no presente teorema, im- plica que el seja de quadrado integravel e, conseqiiente- mente, pode-se aplicar 0 Teorema 4.1 para concluir que a Expresso (2) €solugo do PVIF (1) no sentido (11). Portanto sera sufieiente provar que (2) define uma fungao continua em ¢ > 0. A série de (2) € majorada por Ec, para todo (x.1)€. Se mostrarmos que esta tltima série (numérica) con- verge, concluiremos que a série em (2) converge uniformemente em 2, pelo teste M de Weierstrass, e, dai, que a referida série define uma funcé continua em , Para a convergéncia de E|cy| necessitamos de uma ex- pressio ligrndo c, com coefiiente de Fourier def’, 4 qual serh obtida como se segue, wsando integraglo por pares “ max a. mmx 4 AX 4, feosen tS =F Stoeos e+ 2 [onl a a= za, (10) 108 [ capitulo 4 } onde os d, sio os coeficientes de Fourier de f(x) estendida como uma fungio pat e periddica de periodo 21. Obtemos da Equacko (10) |¢,| <
    0, 412) x,0)= fx), para OS <1 elo método de sepa as equagdes 10 de variiveis, fazendo u(x, 1) = FIxjG(0, obtemos GW) = okGW, 120, us F'Q)-oF) = 0, OSes 1, aay onde & um pardmetro a ser determinado, de modo que as solugdes de (14) satisfagam as condigdes de fronteira F(O)= Fil) 0, sy as quais foram obtidas das condigdes de fronteira do PVIF (12). Os auto- valoresa do problema de autovalores (14){15) so dados por 6, = -n?x°/L2, [ seceso.42 J 109 0.1,2...., € @ cada autovalor 6, corresponde a autofungdo F,(x) = cosmnx/L. Correspondendo a cada ¢, obtemos uma solugio de (13) dada por Gt) = MP8". Resumindo ~ Pelo processo de separagio de variaveis obtemos a seguinte familia (enumeravel) de solugdes da equagio do calor que satisfazem também as condigies de fronteira do PVIF (12): u(x.0 = 8 cos nax/L. A idéia, como no caso do PVIF (1), € obter coe- ficientes c, tais que for) = egeos™, 6) vé-se, pois, que eles devem ser os coeficientes de Fourier da f, dada em [0.1] eestendida de modo a ser uma fungio par e periédica de periodo 2L, isto & 1 com Ze | Soids, UN), 2¢ nex Portanto a solugio do PVIF (12) deve ser dada por sor cos (1g) onde os coeficientes , so dados em (17),,,. De fato, a Expressiio (18) define uma fungIo u continua em # e infinitamente diferencivel em 2, Além disso, u satisfaz & equagao do calor e as condigdes de fronteira do PVIF (12). E a condigio inicial? Fm primeiro lugar, observe que (16) sé se verificaré para todo x em (0, L} se exigirmos algo da f; por exemplo, continuidade e existéncia da derivada f(x) como fungao seccionalmente con- tinua (ef teorema de Fourier, na Sece20 2.4), Nessas hipdteses.o leitor poder’ Provar, usando integracio por partes, que y= Lim dyy = 12vesve onde d, = 2/L{} /"asen (mx/L) ds, Portanto +i speen, (19) onde a convergéncia da ultima série & consegiiéncia da desigualdade de Bessel. (19) entdo implica que a fungdo w definida em (18) seja continua em Fe, portanto, que tal u satisfaga também ai condiedo inicial. 110 [ copiwo 4 | E se f niio for continua? Como no PVIF (1) pode-se mostrar que, sob @ hipétese de f ser de quadrado integrivel, (18) satisfaz & condigao inicial no sentido tin Fusoords = [stoma para toda fungo @ seccionalmente continua, EXEMPLO 2, Barra com uma extremidade isolada termicamente © a outra mantida a 0°C, Matematicamente tem-se 0 pro- bblema de determinar uma fungio u(x,1) definida em 2 tal que u= Ku, em 0.1) = ufL1)= 0, para > 0, 20) us.0) =f para OSx0, QD "2 [ coptlo | Por separagio de variiveis chegamos ao problema de autovalores P(x) oF (x)= 0 F (0) + KPO) = PUL) = 0. Deixamos ao leitor provar o seguinte: (i) ¢ = 0 € um autovalor se kL. = 1 €, nesse caso, a autofungio € F(x) = x~L: (i) existe um autovalor pos tivo o, se k > 1, €, nesse caso, 0 autovalor o & a solugdo da equacio (e+ yk) 2, 08) 2%, (ii) no caso de @ <0, tome ¢ = ~#, € mostre que 0s autovalores «, = 22 sio obtidos das solugdes 4, da equagio kigaL.= 2. Portanto os autovalores formam uma sucesso 0, ,-* -2, € para n grande 0, ~-(2n-+ 1)?n?/4L2. O leitor pode ver que. s¢ Lk > 1, entlo, 4, esta entte 0 n/2, ¢ se Lk < I, entdo, 2, esté entre n/2 © 34/2 As autofungies correspondentes si0 F(x} = 4,05 4x + Bysen yx, onde 4, € b, Sio solugies do sistema linear Como nos casos anteriores, 0 candidato & solugio do PVIF (27) & ¥ ee (a, c08 Ax + b, sem 40, ‘onde os c, devem ser determinados de modo que fis) = ¥ e,fa,cos Ax +b, sen 2%) E agora? Como se véfomos automaticamentelevados i questo de eserever {como uma série de autofungies de um problema de autovalores. Observe que ela ndo € uma série de Fourier, pois os 4, ndo sto, necessariamente, da forma pr/qL, onde p e q sio intros. Bom, 2 matemitica desenvolvida até aqui insuficiente para resolver esse problema. Entretanto no nos desesperemos! Os matemiticos do passado tiveram cigncia desse pro- blema, ¢ jé 0 resolveram para nés. Eles produziram uma teoria elegante © poderosa, chamada a Teoria de Sturm-Liowille, que sera estudada no Volume I 4.3 Condigées de fronteira nao-homogéneas Consideremos, agora, 0 problema da condugio do calor numa barra submetida « temperaturas no-nulas nas extremidades. O problema [ secs50.43 J 13 matico seria determinar u(x, ) tal que = Ku, em, 0,0) = hy, Lat) = ht, para > 0, 9) xO) = fx, para O 0, 29), w(x, 0) = fO)-x.0, para O0, w(x) f0y-a FFs, pura O 0, 60) ux,0)= fl), para O 0, a fungdo g(x,1) seja representavel por sua série de Fourier (de senos) est E ansen 03) Logo, de (32) e (33), obtemos a equagdo diferencial Kent a0 Ae) 10, G4) para a fungio c,(0), que, em virtude da condigdo inicial do PVIF (30), deve satisfazer & condigao inicial <0) = f fexysen a 05) 116 [ copitlo 4 | Portanto os coeficientes «,(t) serZo obtides como a solugie do problema de valor inicial (34)(35), @ qual € nace rem semen f aiaeere a 06 Resumindo ~ A solugio do PVIF (30) deve ser dada pela expressio (31) com 0s coelicientes dados por (36). E agora se colocam as questdes delicadas de convergéncia da série em (31), de que ela define realmente uma solugdo da equagio do calor niio homogénea, ¢,finalmente, 8 questo de como é a condigZo inicial satiseita, Vamos estudar, no teo- rema abaixo, essas questdes no caso particular de g ser fungio apenas de x. TEOREMA 4.3, Suponha que f(x) € glx) sejam fungdes continuas com derivadas continuas por partes em [0,L] ¢ tals que {10 = f(L) = 0) = aL) = 0. Entdio o PVIF u,= Ki, + th em WO.) = Wht 0, para 10, on ux,0)= fis), para O 0. Uma andlise das varias séries obtidas tomando derivadas primeiras ¢ segundas com relagio a x ¢ f, leva-nos a concluir que a nica dificuldade esta na convergéncia uniforme de Eg, sen nnx/L. Isso é porém, conseqiiéncia das hipdteses feitas sobre g { Socedo 44 ] "7 {cf Teorema 3.3 do Capitulo 3). Finalmente, vemos que (31) define uma fungdo continua em & (e conseqiientemente a condigdo inicial sera satis- feita) se a série Z| J, convergir. E isso, novamente ¢ verdade, como con- seqligncia das hipdteses sobre Temperatura de equilibrio. Suponhamos que o PVIF gg + gs). em, 0,)-= hy), Lt) = hy. para 1> 0. ix.0)= fx), para << L, tenha por soluglo um funglo u(x, 1}. Uma fungdo Ux.1) & wna solucdo sim (UC. 0)—Ws.2} = 0 Se existir uma solugdo assintética independente det, isto € uma funeio Ub) tal que sing eds) UO] = 0, entdo ela & chamada a remperatura de equilibrio,¢ a fangho v(x, 0) = ux.) — U(x) & chamada a parte transiente da solucdo. EXEMPLO 1. Consideremos o PVIF Ku para > 0, Oex 0, ux,0)= f(x), para O 0, ofx,0) = flax) Ul), cuja solugdo tem a forma De fato, a fungdo o(x, ox) = Eee ren onde 0s ¢, slo 08 coeficientes de Fourier (de senos) da fungao f(x)~ U(x). Logo. lim. .[alx,0)—Utx)] = lim, o0x.1) = 0. 4.5 Conducdo do calor em uma barra n&o-homogénea YVoltemos i dedugio da equago da condugio de calor na Seegdo 1, € suponhamos que a condutividade térmica seja uma Fungo K(x), Sue pondo também a presenga de uma fonte interna de calor que produza calor na razio de h(x. ,u) por unidade de volume ¢ por unidade de tempo, 4 Equagio (5) da Secgio 1.1 se tornard fe PP tomes nets =P Penis oases + cf [acne ‘0 que nos levaré a uma equago da forma 1 HH) + an { seo 48 J 9 Como se vé a Equagio (41) podera ser ndo-linear se fluxo de calor produzido pela fomte interna depender da temperatura. Entretanto, nés ros limitaremos a estudar a Equagdo (41), no caso em que g(x, t,u) € a da forma a(x, tu + B(x, 0 que dé origem apenas a uma equa Mesmo nesse caso, 0 estudo do PVIF para a equagio € dificil. Vamos considerar um caso, ainda mais simples (g = 0), € mostrar o aparecimento de questes novas, part as quais no temos ainda o preparo suficiente, Considere 0 PVIF em & para > 0, para O 0, 4 ux0)=0, para OSx me soja (xp, fo) um ponto de #, Me, Ud, U2,), onde uw assume seu valor maximo. Defina a fungio M-m 1) = ust) + MP mg) (45) Como em £,U4;U 45 temos M-m); wo < m+ MA 0 fixado, a fungo u(x,t) & continua ¢ derivavel para x em [0.1}. Logo, ta.n= ¥ boson 0x 0. onde ‘i bf =F | us.nsen "dx Dai, bo) s fn 2Kntx? nnx 122 [copreute 4} ou seit, de onde se obtém 16> 0. i as.) E BerPenl sen ME, 0. x < by 10 Resta demonstrar que f, = e,- Para tal usamos (3), com glx) = sen mest, vemos que Passer ac= [he MPR go? ME Lg eminent? [ Fhe, tende para $c... 0 que mostra que f Obsercacdo, F ficil ver que o Teorema 44 implica também a unicidade de solugdo, no sentido (1), do PVIF niio-homogéneo 0,2) = hg), Lt) = byt, para 1 > 0, us, 0) = Kuz + ofx.0, em at, fits). TEOREMA 42. (Continuidade da solucdo com os dados iniciais) Sejam AAs) € fl) fedex continuas em (0, L]. para as quais os PVIF {i gs em 0,1) =WL.t)=0, para 1 > 0, ux,0) =f, para O 0. A idéia central da demonstragdo consiste em aproximar a fungdo f(x) por uma sucessio de fungdes continuamente diferenciaveis f(x), com 40) = fll) =0. A aproximagao aqui deve ser entendida no sentido uniforme, ic, maxy <1) f(s) -fs}] +0, quando k~ oo, Para cada k, © PVIF t= Ku. om #. WO.) = ult = 0, para 1> 0, x.0) =f, para OS XSL, tem una solugdo 1, continua em em vista do Teorema 42 Tal so- lugio pode ser expressa como ss = Fats sagen om ©) 124 [ capreute 4 Aplicando o Teorema 4.7, temos ima is.) at. ] mar | 690) k, imteitos, o gue implica exist uma fung’ jo continua r(x, sem # tal que fim uff) = 8.0. (50) ax Conseqiientemente, (48) © (51) implicam que w(x,1) = vox.1), em #. Além disso, (50) implica que o(x,0) = f(s), Logo, a fungio x(x, 9), continua em &. & 4 solugio do PVIF (1) no sentido (I). QLE.D. 4.7 Variagées da temperatura do solo Deve-se a Fourier, Poisson e Kelvin, 0 estudo, que apresentamos a seguir, das variagdes da temperatura do sole, como conseqiiéncia das mudangas de temperatura na superficie decorrentes do calor recebido ou cedido, através de radiagio, pela Terra; ignoram-se as influéncias, {que possam vit a ter nessa temperatura 0s processos radioativos no in- terior da Terra. A discussio a seguir baseia-se no livro de Sommerfeld, Partial Differential Equations. O modelo trata a Tetra como um semi cespago de B®, digamos x > 0, € supde que os pardimetros dependam apenas da profundidade x. Portanto 0 problema pode ser considerado como 0 da condugdo do calor em uma barra semisinfinita, isolada termi- camente nas laterais, com a extremidade x= 0 submetida a uma tem- peratura periddica /(0). O periodo T dessa fungio seri o dia ou o ano, de acordo com o que se queira estudar em datalhe, Matematicamente, temos © problema de determinar fungdo u(x, 1) que satisfaz & equagio do calor = Kuyy, TER, x20. (60) bem como a condigio de fronteira WON =f), reR (ot) Observe que nao se impie condicio inicial [ secis0 47 J 125 1 iia da esnugio do problema dado em (MSI) & 2 spun niy= Seer, (6) onde \ ff norma, wo ot a2 sendo o petiodo T igual a umn dia ou um ano, A solugio de (60) é entao, procurads na forma wx) = Sent 2" 63) Substituindo ma Equacdo (60) ¢ usando a condigio de fronteira (61), ob- temos o seguinte problema de valor inicial para a determinagio de 1, x20, (4) 440) = (65) bem como a informagio adicional (fisicamente plausivel!) de que u(x) seja uma fungao limitada em x > 0, Nessas condigies, a solugiio de (64}(65)& etal, (66) ‘onde os sinais + ou—correspondem, respectivamente, a n positivo ou negative. Lembrando que ¢_, = &,, part n> 0, e chamando de 7, 0 ar- ‘aumento (principal) do niimero Complexo c,, temos, substituindo (66) em (63), 409) = waned efialemmnran(te ne [Es o T thy ET* Uma andlise da Expressdo (67) mostra que u(x.) & uma superposicto de ondas correspondendo aos harménices de f wry CE cos (A rth Assim, cada onda tem sua amplitude amortecida exponencialmente pelo ator eT @ cada uma delas esti defasada de (na/KT)?x. Para termos uma idéia quantitativa, vamos tomar K = 0,002 em?/se 5 x x 24 x 60 x 60 = 315 x 107s: €, dai, obtemos (n/KT}*? = 0,00706, O amortecimento de cada onda cresce quando n aumenta; portanto a pri- 126 [ coptute meira onda predomina, como podemos concluir dos seguintes nimeros: 2 500cm 0 fator de amortecimento da primeira onda (n= 1) & 0,03 e da segunda onda (n = 2) & 0,006. Vamos, pois, concentrar nossa atengio no caso em que f(t) = cos 2nt/T & apenas o primeiro harménico. Nesse caso cy = 0 ¢, dai, eee ae ee ux, = 6 on dl mr) Para x = 445 em, essa onda est defasada de 000706 x 485 2 1 e amore tecida por um fitor 004 Pondo na mesma figura 0s grificos de ft) © vast) para x= 445cm, temos o resultado na Figura 1. Dai, vemos que a temperatura do solo a 44Sem esta completamente defasada da temperatura na superficie. Assim, a 445m de profundidade tem-severdo, enquanto na superficie € inverno! E vice-versi, Alem disso, a Mutuagd das tomperaturas a ess profundiade & apenas 4% do que acontese na supefce { i | i emo {Primavera Verio Qutono_} Inv iru 41 Se considerarmos T= 24 x 60 x 60 = 86.4005, poderemos estudar as vaviagSes de temperatura ao longo do dia. Neste caso, (1/KT)!? = 0,135 e @ completa defasagem ocorre a 23cm, € © amortecimento na [ secst0 47 J 127 temperatura se da por um fator de 0,04. Portanto as variagdes de tempe- ratura a superficie penetsam pouco no solo, ¢ afetam apenas uma camada relativamente superficial do. mesmo. EXERCICIOS DO CAPITULO 4 2.1, Resolva (formalmente) 0 PVIF = Kuz, em 0.) = uJL.t) + kul.) = 0, para 1 > 0, uxO}= 0, para O 0, ux,0)=0. para O 0, ux0)= fl), para Ox eh, ‘num outro em que as condigdes de fronteira sejam homogéneas, supondo que gp € g, sejam diferenciaveis 33, Transforme 0 problema 4, = Ku. em 0,1) = helt), para > 0, UAL.) + autL,t) = hyit), para 1 > 0, x0) = f(x, para O 0, 4x,0)=/ 0), para O 0, ux, 0) = fl) no tem solugio de equilibrio, Determine a condigio a que neces sariamente 2, B. K, ge Ldevem satisfazer, para que exista a solugdo de equilibro. 45. Considere 0 PVIF wa Ku ty em & Woe x e wLd=f t>0, u(x.) = 0, onde a, fe 7 sio constantes, Caleule a solugio U(x) de equilibrio. Determine a solugdo desse PVIF 46, Considere 0 PVIF = Ku,, +a, em & HO.) = utLn= 0, 1> 0 lx, 0) = fh Mostre que a fungio © = w+ G(0, onde Gl) € uma primitiva de glt) ‘com G{0) = 0, satisfaz a um PVIF do tipo do Exemplo I da Secgo 4.2 Esereva a solugio do PVIF acima. Dé explicitamente ess solucdo ‘no caso git) = cos we € fx) = 0. Determine uma solugio assintética (a mais simples que voo® consigal) do PVIF acima. 477. Obtenha a solugio do problema w= Ku, +e em ot, 10.1) = wll.) = 0, para > 0. ux,0)=0. para Os 0.15) = HL 90 1 >, Ox, 55) = gle.) CAPITULO 5 EQUACAO DAS ONDAS Neste capitulo, discutimos alguns problemas fisicos que sio regidos pela equagio das ondas, A fisica desses problemas & apresentada em de- talhe, visando um duplo objetivo. Primeiro, motivar os alunos de Fisica © Engenharia para as questes matematicas que tratamos aqui, Segundo, rocurar incutir nos alunos de Matematica um certo interesse pelas re- Jagies da matemitica, que ele estuda, com problemas de outras areas como ele vera, essas conexdes sio extremamente interessantes, € nio si0 diffceis de serem entendidas, requerendo apenas um conhecimento limi- lado de Fisi Estudamos também a resolugio de varios problemas para a equagao das ondas, entre eles o problema de Cauchy e problemas de valores inicial de fronteira, Para estes Gltimos utilizamos a teo1 estudadas nos Capitules 2 ¢ 3 das séries de Fourier, 5.1 Equacao da corda vibrante Nesta seegio estudamos o problema das pequens vibragdes trans- versais de uma corda perfeitamente flexivel. O fendmeno, tem lugar numa plano (x, 1) € supde-se que a corda vibre em torno da posigao de repouso a0 longo do cixo x. Faz-se a hipétese de que as particulas constituintes da corda se desloquem apenas na diego do eixo u,¢ dai vem a termi- nologia de vibragdo transversal. Supde-se também que a corda nao ofereca resisténcia a ser dobrada, (isto & resisténcia a Mlexio) ¢ dai vem © nome Peexivel, Para deduzir a equacao diferencial, a qual deve satisfazer a fungao ux.) que representa a posi¢fo do ponto x da cords no instante t, uti- lizamos a lei de Newton: “A derivada com relago a0 tempo da quantidade de movimento do corpo é igual & soma das forgas aplicadas”, As grandezas envolvidas nessa lei so vetoriais, de modo que ao aplicé-la, um cuidado especial deve ser tomado coma ditegdo e a orientagdo de forgas, velocidades, accleragies, ete. Vamos aplicar essa lei ao sistema mecdnico constituido Por um trecho da corda entre dois pontos arbitrdrios, x =a © x = b. Designando por pix.t) a densidade da corda, veinos. inicialmente, que a hipétese das particulas se deslocarem apenas em diregio normal a x, [ Seeaio 5.1] 131 Figura 5.1 1 : implica que, de fato, a densidade independa de 1. Portanto vamos de- signa-la por p(x). Assim, a quantidade de movimento da corda entte a eb é dada por Mi = [romosnas a onde (x1) designa a velocidade do ponto x da corda no instante t. Observe que a hipétese de vibragdo transversal implica que no haja componente dda velocidade na diregio x, mas apenas na diregao u. HA dois tipos de forgas a serem considerados. Primeiro, a ago do testo da corda sobre 0 echo entre ac b, que € representads por forgas de tensdo na diego das tangentes, as forgas F, e F,, indicadas na Figura 5.1. Representemos por fut) © ((b,0), tespectivamente, as intensidades dessas forcas. Sejam 4, € 0, 08 Aingulos das tangentes a corda com 0 eixo dos x nos pontos de aabcissa «@ ¢ b, respectivamente, Usando a lei de Newton, acima enunciada, ¢ lembrando que no ha quantidade de movimento na diregio x: Jb. 1) 008 4, = fla,t)c0s 0, de onde se conclui que a componente horizontal da tensdo & independente do ponto x € € fungio apenas do tempo t; usemos para ela a notagdo 2(). Assim a resultante vertical das forgas de tensio atuando sobre 0 trecho da corda entre os pontos de abcissa ue b & ited, te, = clown {et [sontsinas @ Alem das forgas de tensZo, 0 sistema pode estar sujeito & ago de forcas externas como gravidade, resisténcia ao movimento oposta pelo meio onde esta a corda, ou forgas tendentes a restaurar a posigo de equilibrio da corda. Designando por iiy(x.t.u) a densidade linear dessas forgas a0 longo da corda e utilizando a lei de Newton, acima enunciada, bem como 132 | Cepituo S } as Expressies (1) © (2), temos Supondo que u,(x.1) seit continua, podemos levar a derivada dja para dentro da integral em (3), E como a e b sto arbitrarios, obtém-se de (3) a equacio das ondas: plo, Og + Bylo), on ee ty = tu, + Wes) “ onde efx, 1)? = c(eipls) © Mx. t,u) = hx, tulip Um pouco de Anilise Dimensional. x1) tem a dimensio de forga, isto é, MLT-?, onde M € massa, L & com- primento © T € tempo. Por outro lado, p(x), que & uma densidade linear, tem a dimensio ML”', Logo, «ix.¢) tem a dimensio LT™', isto & a dic mensio de uma velocidade. Mais adiante veremos que essa velocidade tem um sentido fisico. F fiil ver que a Equagao (4) esta, como no poderia deixar de ser, dimensionalmente correta, De fato, uy tem a dimensio de uma aceleracao, isto & LT"*, © uz, tem a dimensio L~', Além disso, hn(t.x,1) tem @ dimensio de forga por unidade de comprimento, isto & MT-* Logo, h= hy/p tem dimensio LT~2 Exemplos da Equasio (4), de acordo com o tipo de forcas externas. AYO caso das vibragdes lieres. Suponha que as inicasforgas atuantes se- jam as de tensio, A Equagio (4) se toma = co) conde se pode supor ¢ como constante, caso a corda seja homogénea (p(x) = constante) ¢ caso as vibragdes tenham amplitude muito pequena (x(t) = = constante). 2) Vibragdes forcadas. Suponha que a corda esteja sujeita a uma forea exterior, que pode variar com x ¢ & Entfio, a Equae fo (4) se torna lg + MX 6 3) Vibracdes amortecidas. Suponha que a corda esteja imersa em um. luido (0 ar, por exemplo}, o qual opde uma resistencia ao movimento, Nesse caso, hi uma forga externa dependendo, { Seegio 5:1 | 133 da velocidade, que suporemos ser da forma h(x.) = —bulx, b> 0. sinal negativo se explica, pois essa & uma forga de resisténcia no movie mento, Assim, a Equagio (4) se torna ag = Cd, buy, o A orga de amortecimento pode depender, de modo ndo-linear, da velo- cidade, e, ai, 0 problema bem mais complicado, Nao trataremos de problemas ndo-lineares neste trabalho. 4) Vibragaes sob ago de uma forca restauradora, Suponba que exista um dispositive que produza uma forga tendente a trazer a corda para a posigao w= 0, e que essa forga seja dada por (x, 1) = ~au(x,1). Entdo, obtém-se My = Pg ® Resumindo ~ Provamos que uma corda, vibrando em torno da posigéo = 0, tem sua posigao u(x, 1) governada pela equagio das ondas, a Equagiio (4), A deserigio do fendmeno fisico no esta completa ainda, Falta dizer algo sobre a extensio da corda, sobre o tipo de culagdo das extremidades e, finalmente, sobre © que provocou o inicio do processo vibratério. Vamos considerar alguns casos, | 1) Corda finita com extremidades fixas. Suponhamos que a corda tenha : comprimento L, ¢ que, quando em sua posigao de repouso, ela ocupe a poredo do eixo dos x (no plano x, u) entre Oe L. Assim, a hipétese de extremidades fixas implica que 0,1) = u(L,1)=0, para 120, 0) que so chamadas condigdes de fronteira, Sob o ponto de vista matematico ndo interessa a natureza do processo que provoca 0 inicio das vibragies. © que importa, e isso ficara claro mais adiante, € o deslocamento inicial da corda, representado por u(x, 0}, ¢ 0 modo como a corda & abandonada nesta posigao, 0 que € traduzido pela velocidade inicial u(x, 0). Assim, devem ser dados u(x, 0) ufx, 0) fo, para OSxsL, (10) ax), para OSxsL, ay que sfio chamadas condigdes iniciais. Vemos, pois, que 0 problema da corda vibrante finita, com extremidades fixas, consiste em determinar uma fungdo u(x, 1), para 0 < x < Le t 2 0, que satisfaga & equagdo das ondas (4), as condigdes de fronteira (9) e as condigées iniciais (10) e (11). Um 134 [ captute § } problema desse tipo & conhecido como um problema de valores inicial e de fromteira, ow abreviadamente, um PVIF. Esse problema inclui, como ccaso especial, as vibragdes das cordas de uma harpa ou de um cravo, onde a corda é deslocada e depois solta para comegar sua vibragdo; neste caso, f(x) #0 © glx) = 0. O outro caso especial é o das vibragdes das cordas do claviedrdio ou do piano, onde a corda, em repouso, & percutida Por um golpe de martelo; neste caso, f(x) = 0-€ gx) # 0 |2.conda frita com extremiades lores. Neste caso, a corda, de compri- mento L, tem suas extremidades forsadas a ndo se afastarem de wilhos colocados perpendicularmente a eorda, no plano (x, 1) de vibragdo. Iso implica 40,1) = u(L,t) = 0, (12) que so as condigdes de fronteira deste problema, Supomes a5 mesmas condigées inicias do caso anterior Portanto o problema de valores inicial € de frontera, em consideragio, &0 da determinagao de urna fungio ust satisfazendo a equagdo (4), as condigdes iniciais (10) (11) ¢ as condigoes de fronteira (12), 3) Outras condigdes de fronteira, Podemos ter 0 caso de vibragBes de uma corda cujas extremidades se_movem, transversalmente, de acordo com leis conhecidas. Por exemplo, 0,1) = ald, WL.) = He), para 130. Outra possibilidade seria aquela em que uma das extremidades, digamos, x= 0, tenha uma conexio elastica implicando na condigio de fronteira 10,1) + hu(0,) = 0. 5.2 Resolucdo por séries de Fourier ‘Vamos mostrar como 0 método de separagio de variiveis e a teoria das séries de Fourier sio utilizados para resolver 0 problema da corda vibrante com extremidades fixas: 4, = Cu., em 0,1) = WL.) =0, para 130, (13) x,0) = f(x), ufx.0) = gx), para OSS, ‘onde supomos ¢ constante, e & designa a semifaixa {(x, 1) €R2:0 0}, [ seceio 52 ] 135 Resolucio formal. Utilizamos © método de Fourier usado nos Capitulos Ted para tratar a equagio do calor. Relembramos que esse método consiste, inicialmente, em usar separagdo de variaveis para determinar fungSes u(x,t) = Flx}G(*) que satisfagam a equagao das ondas e as condigdes de fronteira, Isso feito, usamos essas fungdes para compor uma fungio que satisfaga, também, as condigGes iniciais. Vamos ver como ‘coneretizar esse projeto, Substituindo na equagio das ondas temos FG FOG © Iado esquerdo de (14) depende somente de x, ¢ 0 lado direito depende apenas de t. Isso implica que eles, em verdade independam de x ¢ de t. Logo, sio iguais @ um pardmetro « (independente de x € de 1), 0 qual seré determinado de modo que as condigdes de fronteira sejam satisfeitas por Wx.) = F(9G(e). Portanto, de (14), obtemos 0, as) 6. (16) [As condigdes de fronteira (O)G() © O = WL 1) = FULIGU), implicam que F(O) = Fil.) = 0, pois, de outro modo, (4) = 0, para todo t Isso acarretaria u(x,t) = 0, para todo x € todo t, 0 que, evidentemente, indo interessa. Assim, chegamos ao seguinte problema de autovalores: determinar os valores @ (que so chamados autovalores), para os quais © problema ayy FoF =0, 0 0, 06) Ux.0)= fix, ue O= ge), O 0, u(x,0)= fox para OS XSL, HX) =f para OS XSL 69) Como em outras ocasides, vamos proceder informalmente para descobrir tum candidato solugio. A idéia € tentar solugées na forma den= F etouen 0) [ secto 86 J 147 com coeficientes e,(t) a determinar, Supondo que, para cada t, @ fungdo a(e.1} possa ser escrita como uma série de Fourier do tipo atx. = ¥ g,t)sen™™ ay ¢, agindo sem ceriménias (!) quanto a derivagdes de séries, termo a termo, obtemos E, dai, se segue que ou seia, + Onm,*c, (2) para todo 1 > 0, onde «= ne/2L a freqiéncia do mésimo harmonico 4a corda livre (ef. Seegio 5.4), Além disso, usando as condig&es iniciis do PVIF (39), coneluimos fea) = 3, 60)sen (43) fs) = ¥ e40)sen * (44) © que mostra que devemos ter af mx 10) = 7, | fledsen "Td, (5) ele nx 0) = { Jylv)sen de (46) Assim, ¢,(@)&a solugio de um problema de valor inicial para uma equagio diferencial ordinaria de segunda ordem, dido em (42), (45) e (46). A solugao geral da Equagio (42) € da forma (0 onde 4, ¢ b, so constantes arbitrarias que serio determinadas, de modo que as condigdes iniciais (45) ¢ (46) sejam satisfeitas; e é,) & uma solugio Particular dx Equcto (42) que pode ver obtde pelo mitodo de vrigio los pardmetros. 1,608 2rangt + By sen 2neo,t + E,(, 148 [ capite6 J Resumindo ~ Determina-se ¢,(t) peta resolugaio do problema de valor inicial dado em (42), (45) € (46), €, entdo, a Expresso (40) deve ser a solugio do PVIF (39), Hipéteses sobre a diferenciabilidade de g. fy €.f, devem ser feitas para que se possa realmente provar que a série em (40) converge © que, de fato, define uma solugio do PVIF (38). Omitiremos essa discussio, pois outras semelhantes j foram feitas ante- riormente, Vamos ilustrar com alguns casos particulares. EXEMPLO 1, Suponha que g(x.) seia igual a uma constante A, em todo 2, Nesse caso 6(0) = 0,008 220, + b,sen 2r09,0 + (2n0,) 7A , dal : 40) = 4, + Qrmy)2A, (0) Portanto 60) = 60)e082r04 + sen Pra + s(t —e08 200 ©. da wena tnt gs So sen? rngtsen a onde o(x,1) € a solugio do PVIF correspondente a corda livre, isto & com g = 0, EXEMPLO 2. Suponha que g(x.1) = Asen (2a. isto & que a cords vibre sujeita a uma forga periddica de freqiiéncia «», Ento, uma solugio particular da Equagio (42) € dada por A sen 2nut a oF-aF ss oo, se ate, A eos. s© w= 0, en iy 608 280 he de onde se segue . 4 cs) 0+ gaan [ Seceio 57 | 149 (0 = 2) + (sen 2next — 1 00825 can = 29+ By ( hse re2ner)» se =. E40) = ef0)e08 2r04 + 2°) sen 2 fa oda Vemos, pois, que se a freqii das freqiléncias préprias da corda livre. de wu(x.t) um termo da forma forga externa for igual a uma _} aparecerd na expresso gy 1008 Dror sen © qual nio € limitado quando 1+ 2c. Como 0 resto da expressio de u € limitada, concluimos que as amplitudes de w crescem ilimitadamente. Neste caso, dizemos que existe ressondncia Por outro lado, se a freqiiéncia a» da forga externa dilferir de todas as freqiiéncias préprias da corda livre, a expresso de w ser da forma u(x,t) = = Hx) + wet onde H(x.1) € & solugio do PVIF correspondente a corda livre & wish fb Saat (senszar- @sen2rag) sen" 4a ©, if que define uma fungio limitada, pois @, se comporta como n, Conse lientemente, as vibragdes se mantém fimitadas: ndo ha, pois, ressondinca, sew #o,, para todo A |A ressoniincia no easo da corda vibrante, ou em outros sistemas meciinicos em vibragio, pode ser considerada uma tragédia, algo a se cvitar, pois, praticamente, implica em que o sistema se quebre. Ja no caso de sistemas elétricos, a ressonaneia pode ser explorada beneficamente: © processo de sintonizagio consiste em por em ressondncia um circuito elétrico com um impulso externa, 6.7 Corda infinita ‘Vamos agora estudar 0 problema de vibragdo de uma corda de com- primento infinite. Como o Ieitor vé, esse problema & uma idealizagao rmatemiitica para 0 caso de uma corda muito longa (!). Neste caso, no ha condigdes de fronteira a satisfuzer, ¢, assim, © problema consiste em buscar uma fungio u(x, definida no semiplano fechado, xeB ¢ 12 0,