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ue voc8 esquematize modelos diagra! thar cada problema, 202, InnobuGto A eNSEW4RIA ~ CONCEITOS, FERRAMENTAS COMPORTENENTOS experiéncia e bom senso. Mais que isso! Dé vazao a sua imaginacéo criadora na busca de algo novo que possa atender as necessidades da sociedade. Por isso, podemos considerar que o projeto ¢ a esséncia da engenhatia, Como SER UM:80M PROJETISTA Em alguma medida, para projetar, devemos identificar, formular ¢ problema. Da habilidade de compor esses passos vai depender 880 sucesso na acéo projetual. ‘Além das qualidades registradas acima, para ser um bom projetista devemos também saber empregar dois processos muito importantes na elaboragao de um trabalho: anallise e sintese. Ambos fazem parte de qualquer plano de pesquisa, seja el ‘a. A anilise envolve a livisdo do sistema fisico real em componentes mais simples, para que possamos estudéos separadamente com maior profundidade, Como sistema fracionado em subsistemas, podemos construir modelos teéricos de estudo de cada uma dessas partes. E como se dissecdssemos o problema maior até identificarmos os fendmenos fundamentais envolvidos. Depois dessa investigacéo mais detalhada, reunimos todas as conclusdes e propostas de solugao, sintetizando uma composicéo unificada dos resultados obtidos. Temos entéo em maos uma solucao global para o problema, uma resposta conclusiva. Di nte conseguimos sistematizar todas as nuangas que uma atividade de projeto envolve. Apenas lermos ou assistitmos a aulas sobre 10 nos garante uma boa formacdo na Area. Vivenciar com dedicacdo as tarefas propostas nos cursos formais, desenvolver os trabalhos sugeridos por pessoas mais experientes e estar sempre em contato com leituras, as mais diversas, é uma boa orientacao para quem quer ser um bom projetista. Neste capitulo vamos tracar algumas orientagées relativas ao processo de projeto em engenharia. As linhas gerais aqui apresentadas ~ procedimentos comuns & maioria dos processos de solugao de problemas — devem servir como orientagéo para trabalho dos profissionais da engenharia. Mas nao substituem nema. prética da aprendizagem continua nem a experiéncia particular de cada um, que, Julgamos, so partes integrantes de um bom proceso de projeto. O Que & proseto? a aes reel a Canes Ti eral eel, eee dale Castro 9 ~ Prover> 203 consideremos de alguma forma projetistas. Organizat uma festa para o final de semana, conceber a construgéo de uma prateleira para organizar livros ot reparar uma experiéncia para uma feira de ciéncias sao exemplos de projetos afinal, exigem experiéncia, bom senso, criatividade, habilidade, acdo. Aqui nés vamos falar de um outro tipo de projeto, mais técnico e que cexige — além dos aspectos acima lembrados ~ técnica, rearas e roteito de acdo Projeto ~ em engenharia - é uma atividade que envolve ciéncia e arte Envolve também conhecimentos dos mais diversos assuntos do saber humano © que implica experiéncia de quem o desenvolve. Nés (auitores) pensamo: assim: a ciéncia pode ser aprendida através do exercicio do uso de técnicas, da formagao basica e da realizacéo de cursos especificos. Mas a arte procise ser aprimorada com experiéncia, dedicacdo e forca de vontade pessoal. Deve ser exatamente por isso que a atividade de projetar tanto fascina, pois estimula © nosso desenvolvimento intelectual em varias dreas. Una cangarto de agbes para dehnigio restlver um pare 9 problema processo de Projeto é um plano de execugéo, é um planejamento para se alcanca objetivos dentro de metas de orcamento e tempo; é 0 conjunto de atividades que precede a execucio de um produto, sistema, processo ou servigo. Podemos realizar, por exemplo, um projeto de viabilidade econémico-financeira, um Projeto editorial, um projeto de um equipamento para extracao de dleo de ‘mamona, um projeto de pesquisa ou um projeto de trabalho académico. Assim, projetar é estabelecer um conjunto de procedimentos ¢ especificagées que, se postos em pratica, resultam em algo concreto ou em um conjunto de informagSes. Portanto, 0 processo do projeto é a aplicacac specifica de uma metodologia de trabalho a resolucao de problemas. Mas néio devemos confundir projetar com descobrir, nem tampouco projeto com invengao, posto que sao coisas diferentes. Descoberta ou invencao podem estar presentes num projeto, mas no fazem, necessariamente, parte dele, Descobrir é ter a primeita viséo ou o primeiro conhecimento relacionado com algum assunto. O projeto é produto de um plano e de um trabalho dalibseelatnenie sitiadne cose antietere alearrs toneenile FA a 204 InrnoouGo A ENGENWAIA ~ CONCEITOS,FERRAMENTAS € CONPORTAMENTOS De forma geral podemos identificar dois tipos de projeto: + PROJETO PoR EvOLUGKO ~¢ aquele que surge da adaptago ou variagso de um projeto anterior. Esta variago pode ficar restrita, por exemplo, a forma ou as dimensées do produto. Este tipo de projeto pode jue permitern novas exploracdes Ingo, tém-se cada vez mais condigées de melhorar produtos existentes. Por se ter conhecimento do desempenho do sistema anterior, 0 projeto por evalucdo apresenta menores riscos de falhas, tendo, entretanto, menores possi de icdo, por apresentar poucas novidades ao consumidor. + Proveto Por tNovacao ~ & aquele que surge da aplicagéo de conhecimentos anteriormente dos. Normalmente é adicionais. Este tipo de projeto resulta em novos produtos que, por falta de conhecimento do desempenho de produtos anélogos, correm maior isco de apresentar erres. PROCESSO DE PROJETO im projeto ndo comega com um profissional postado a frente de um dor ou de uma mesa, munido de papel, calculadora, manuais ou nsilios, como imaginam aqueles que nao trabalham na érea. Os as, esbocos, tomadas de decisdes etc. sdo atividades neras outras tarefas, algumas de ordem técnica, outras ras ainda jé determinadas anteriormente. fruto de pal O projeto também nao se encerra quando a respesta final do problema € proposta. A solucgéo deve ser ainda comunicada, de forma clata, correta e concisa, Por isso a comunicacéo é uma tarefa de muita responsabilidade e de extrema importancia para a engenharia. (Infelizmente ha quem afirme - de maneira simplista e equivocada — que engenheiro no precisa saber escrover!) sucesso do projeto tem forte ligacéo com a adogo de um bom processo solucionador, como bons profissionais e professores de engenhatia reconhecem. Naturalmente que apenas o emprego de um bom método de trabalho, por si 86, no garante tal sucesso; mas 6 um fator determinante para isso. nbora em muitos casos possa ser entendido como mais amplo e ‘cornnlemk o recente aaa eT Oe Crvtruwe 9 — Prosera 20 Esquema do processo de projeto enticacao de uma necessidade Definisdo do problema Colete de informacées Concepsio Avaliagfo Especificacio da solugao Comunicagao Mesmo sem se dar conta disso, quem resolve um problema estaré executando esses passes. Eles nao estarao necessariamente naquela ordem ou nem mesmo precisam estar cronologicamente bem delimitados, mas quas¢ sempre poderdo ser identificados. Nao obstante o fato de diferentes autores ¢ projetistas sugeriter abordagens diversas para este trabalho, acteditamos que a aplicacéo de um método seja sempre vantajosa. Por isso, sugerimos que uma determinade linha de solugdo de proble seja aprendida e exercitada, porque sistematize ¢ facilta o trabalho do engenheiro. As técnicas de projeto tém evoluido continuamente, sendo aprimorada: a partir de experiéncias particulates. [sso explica por que nao existe um padrac tinico e absoluto para o proceso de projeto e nem uma seqiiéncia de passos aceita universalmente. AcAo ctenririca £ AGAO TECNOLOGICA Na educagéo formal universitéria aprende-se 0 método cientifico identificado como sendo a progressao Idgica de eventos que conduzem & solugao de problemas cientificos. E fundamental a aplicagéo de um método. € nao obrigatoriamente a obediéncia a um método fechado ¢ absoluto, come se fosse um roteiro a ser empregado em qualquer caso. A solugéo de problemas de engenhatia, embora semelhante para vatiz situacées, apresenta algumas diferengas quando comparada a solugéo de epee aseienes: seleainti oa = 206 InrR00uG%0 A ENGSIAGRLA ~ CONCEITS, FEMAMENTAS CONPORTAMENTOS Acie tecnolégica Asio cientifica Estado da arte Conhecimentos Necessidade Curiosidade Viabilidade andlise Produsao Prova ica ¢ iniciada com um conjunto de conhecimentos existentes. fica provoca a argiigéo das leis da ciéncia e dos fendmenos itureza em gerale, como resultado desse questionamente, o cientista formula hip6tese formulada, ela pode ser ‘iefeita através de um processo iterative, Finalmente, quando a nova idéia é confirmada ~satisfazendo a hipstese A.acao tecnolégica é muito si da com o conhecimento do estado da arte, que inclui o conhecimento cientifico todo visa a soluucionar problemas préticos, que so, néo rarame exptessos através de fatores econémicos. E importante ressaltar novamente que, apesar de uma preocupagéo com 0 lucto sempre estar presente, os novos tempos do comportamento social Aveis importantes que ostdo relacionadas aos aspectos de ordem ambiental e social com bastante énfase. Este fator é extremamente cobrado hoje, principalmente pela acdo de cidadéos que comecam cada vez mais a ter contato com as possibilidades de impactos ecolégicos, como resultado do uso de tecnologias agressivas ao meio ambiente. Quando uma necessidade ¢ identificada, deve ser conceitualizada como um modelo de pensamento. Ato continuo, a concepgéo do projeto deve ser de viabilidade, quase sempre usando do iteracdes sucessivas, até que um produto ou processo aceitavel seja consequido, 0u 0 projeto seja abandonado. Quando o projeto entra na fase de producao e comercializacao, ele inicia a competicéo no mercado. O ciclo 6 entao fechado Piette pei eee eo Cooirno 9 ~ Fr Fases Do PROJETO Diversas fases comp3em o processo solucionador de problemas. cada uma delas, vétias informacées so necessarias para que se alean sucesso do projeto. Estas informagées sao, basicamente, de dois tipos: g © especificas. As informagées ge: engenheiros quanto dos leigos no assunto. J as informagées especifica as referentes a assuntos técnicos perlinentes ao projeto. em pauta. N Ultimas 6 que se enquadram, por exemplo, informagées referente propriedades dos materiais, processos de fabricacao, desempenho de sist anteriores ou técnicas experimentais, e que podem ser encontradas referéncias especializadas e em cattilogos de fabric: Além dessas informagées, outras podem ser necessérias para 0 andamento de um projeto. Embora de cunho especifico, estas informa so referentes a dreas de conhecimentos nao tipicamente de engenharia, como: estudo de mercado, finangas, pessoal, ecoldgicas, sociais ete Em seu trabalho o enger deve transformar as inform: disponiveis, e que a principio néo estio ordenadas ou selecionadas, n saida titil para 0 processo do projeto. Desde que armado das informagées necessarias, o engenheito proj — ou a equipe de projeto — inicia a operagéo de projeto através do us ‘écnicas apropriadas e ferramentas computacionais ou experimeniais. N estégio, pode ser necessétio construir um modelo matematico e procec uma simulacéo do funcionamento dos componentes, usando pata issc computador ou testes, apés a construgéo de um prototipo. Embora o resultado final de um processo solucionador seja normal um produto ou um sistema, muitos projetos podem objetivar a gera: novas informagées. A propésito, muitos projetos, pot ndo demonstr Viabilidade técnica, econémica ou apresentarem problemas de ordem s ¢ ambiental hoje isso é cada vez mais cobrado pela sociedade -, interrompidos no transcorrer do seu desenvolvimento. Nestes casos, no mi muitas informagées terao sido geradas e, se forem adequadamente registr poderao ser de grande valia no futuro. Por outro lado, é bom lembrar que nenhum projeto ¢ iniciado se estiverem garantidos os recursos financeiros e as questées legais ~ com se governamentais e érgéos fiscalizadores. Na realidade, raros sao os proble de engenharia que nao se complicam por consideracées econdmica quest6es de prazo ou legislaciies vigentes, diferenciadas para oe diversas ve 208 COUGAO A ENGENYARIA~ CORCENS, FERRANENTS E COMPORTAMENTOS isso para empresas privadas — ou uma relacdo custo/beneficio compensadora — quando o cliente é uma entidade publica. O resultado de um projeto nao tem vida infinita, e em algum momento poderd ocorrer o seu obsoletismo, que pode se dar quando algo novo e mais eficaz aparece para cumprir a mesma fung&o, ou as necessidades do deotiicacto de uma necessiade acao de uma necessidade, que pode fas maneitas. O mais comum 6 Defra do problera Cola de ncrmastes coneensa0 Expense ca elugo produto ou mudou de As vezes um projeto tem quando o préprio projetista identifica uma necessidade ¢ decide abordé-la num trabalho. Mas isso nem sempre acontece. Durante a propria formacéo do engenheiro, os problemas a sete resolvidos geralmente surgem por orientagéo de um professor, que indica um tema ser desenvolvido por um determinado método. Nesta ocasio se estaré perfazendo um caminho que conduz a aprendizagem do processo solucionador de problemas, e que mais tarde sera aplicado a situagSes praticas. Poxém 1 na vida profissional, esta forma de aparecimento de icao é comum, O engenheiro de uma empresa estaré as volias com a solugéo de problemas que Ihe serio dos por outros profissionais. Apesar de que, quando o engenheito tem a capacidade de estar constantemente identificando necessidades, isso seré de grande valia nao sé para a empresa na qual trabalha, mas para toda eserielals Crome 9 ~ Provero 20 Muitas organizacdes tém equipes de pesquisadores que ost encarregados de gerar idéias que sejam titeis para as suas necessidades. Esta podem ser identificadas como resposta da entrada em operacao equipamentos, servicos pessoais ou ainda de operacées comuns de vend: Outras necessidades séo geradas por consultores externas, agentes de compra agentes overnamentais, associacdes de emprego, ou por atitudes ou decisée do piiblico em geral. Ao contrério do que pode parecer & primeira vista, o reconheciment de uma necessidade nao é um trabalho facil ou corriqueito e constitui, n verdade, um ato altamente ctiativo. O engenheiro deveré estar constantem tento ao que acontece sua volta para poder captar, com preciso, aqui clama por uma solucac Isto, por sis6, j justficaria a importancia da engenhatia perante a sociedad posto que séo exatamente os seus profissionais que transformam em realidad pelos melhores meios disponiveis, novas estruturas, dispositivos, méquinas | Processos que contribuem para o homem se relacionar com o seu mei ambiente @ viver com dignidade, r Muitas vezes, uma necessidade pode nao estar evidente e se enconta ofuscada por outra, exigindo, para a sua descoberta, um arduo trabalho, 0 mesmo um vislumbramento. Por exemplo: o projeto de um automével ma ‘seguro pode nascer da necessidade de se produzir um veiculo mais econdmicc com menor nivel de ruido interno ou com menor possibilidade de causar poluiga ambiental; 0 projeto arquiteténico de um edificio residencial pode, em fur de suas linhas arrojadas, apontar a necessidade de pesquisas de novos materiai novos métodos de calculo e altemnativas para economia de energia. DeFINICAO DO PROBLEMA Podemos estabelecer pelo menos uma diferenca bésica entre a identificagao de uma necessidade ¢ a formulagéo do problema. © problema é mais especifico, objetivo, e diz respeito a uma questéo concreta. A necessidade Dafinicdo do problems € mais geral e abrangente, indicando um tema expo mais amplo. Se a necessidade for melhorar 0 ‘ escoamento de tréfego num entroncamento ee entre rodovias, o problema poderé ser a construgéo de um viaduto; se a necessidade 0 a sourdo 210 TWrRODUCKO A ENGENHARIA ~ CONCEITOS, FERRAMENTAS € CONPORTANENTOS edificios, o problema podera ser a construcdo de escadas de seguranca; se a necessidade for armazenar um produto quimico inflamavel, o problema podera ser a construgao de tanques esféricos. Um dos passos mais criticos do proceso solucionador é a definigéo do problema. Nao que identificar uma necessidade seja tarefa facil ou de menor importancia. Mas definir de forma clara e objetiva o problema a resolver tem ial em todo o processo solucionador, pois é esta definicao ra tesposta, que vai facilitar ou complicar a busca de solucées, ou reduzir 0 universo de possiveis solugées. Além do mais, se mal formulado, todo 0 trabalho seguinte poderé por se ter resolvido algo sem utilidade. Uma anélise criteriosa das condicionantes do problema também deve 6 logicos. Este indo, ainda, 0 processo c80, que consiste em voltas sucessivas de uma determinada fase @ sua precedente para reavaliacao e tomada de decisio. Nao se deve cometer o erro de confundir a solugdo com o proprio problema. Fste al necessario porque é comum, ao se tentar resolver enfativas de aperfeicoar a situagéo atual, Para |, sugerimos que 0 projeto seja iniciado pela formulacao ‘mais clara possivel do problema. Dessa forma evitamos também a tendéncia. de nos emaranharmos, de inicio, com tentativas de apresentar solugSes que 86 deverdo ser tratadas mais adiante. Essa tendéncia de ficarmos presos pela solugéo atual pode ser mais ‘bem visualizada através de uma interpretagéo do esquema abaixo apresentado. E comum que se cometa 0 equivoco de dar voltas ao redor da solugéo atual, sem perceber que intimeras outras solugdes poderiam, perfeitamente, cumprir 0s objetivos pretendidos. aperfeigoamantos da solugéo atual ‘Geum probleme Trivareo de woos E sempre vantajoso definir o problema da maneira mais ampla possivel. Se a definicao for ampla, termos mais chance de encontrar solucdes nao conver- Carirae 9 Preset 2 conseqiiéncias altamente gratificantes. Entretanto, o grau com que se vai alar a formulacéo de um problema depende de fatores que muitas vezes estao f do controle do projetista. A busca da formulacéo genérica pode conduzi um conflito direto com decisées do empregador ou cliente, ou pode, ainda remeté-lo para dteas de responsabilidade de outras pessoas numa organizagac E muito titil nesta fase 0 uso do conceito da caixa-preta. Durante « formulagéo do problema, através deste conceito, apenas 0s estados inicial final so importantes e, portanto, identificados, O que vai acontecer entre un estado e outro — ou seja, como vai ocorrer a transformacéo das varidveis d entrada na resposta da saida ~ é algo que se vai definir posteriormente. técnica da caixa-preta consiste em desconsiderar, pre processo necessétio para transformar o estado inicial no estado transformacao é substituida por uma caixa preta que, mais tarde, quando problema jé estiver suficientemente definido, serd estudada e definida nari Estado inicial v um problema oe Comets) Caixa-preta Em muitos casos, 0 grau de generalizagao na formulacao do problem: dependeré da sua importancia, dos limites de tempo e recursos disponiveis da posigao do projetista na hierarquia da empresa. Entretanto, o engenhein no pode furtar-se da responsabilidade da formulacdo mais ampla possivel Isto s6 vird em seu ben io e da prépria sociedade A definicéo do problema envolve descrevé-lo pormenorizadamente especificando os seus estados formais — dados iniciais e caracteristicas finais d sistema ~e 0s objetivos a serem alcangados. A definicao também deve identifica os principais termos técnicos e, em especial, as restricSes impostas ~ condicio nantes além dos citérios que serao utlizados para avaliar o resultado final Estes critétios, obviamente, deverdo estar dlefinidos antes que se tenha um con junto de solugGes provisérias, dentre as quais vai ser escolhida a mais apropriada Talvez o melhor procedimento nesta fase soja estabelecer uma definicé prévia do problema e, numa segunda iteracao, depois de reunir varia 212 IurRooucKo & ENGEIAREA ~ CONCETTOS, FERRAMENTAS E COMPORTAMENTOS. Sendo a formulagéo uma viséo ampla do problema, devemos, nesta fase, concentrar nossa atencéo na identificagéo dos estados inicial e final. Num outro momento, tetemos oportunidade para encontrar uma solucéo, que consiste na busca de uma estrutura material ou de informacées — na forma de sistemas ou subsistemas ~ que viabilize a transformagao pretendida do estado inicial para o fin lo de como esta formulacdo pode ser ampliada é mostrado nde, usando a técnica da caixa-prota, séo definidos os n ordem crescente de abrangéncia, de 1 até 5. As linhas desse quadro nao identificam necessariamente os estados inicial¢ final de uma formulagao particular. Por exemplo, & sittagao final 2 pode corresponder o estado inicial 1, ou 5, ou 3... A necessidade que gerou o problema ali formulado ~ em diversas graus de amplitude -, foi a de tomar dispon rica nas residéncias de uma cidade. Podemos facilmente percober que o grau de abrangéncia da formulagio cresce, e que a tiltima formulagde permite outras solucées além da geracéo de energia através de na hidrelétrica. Estado ini Estado final ‘i Energia elétrica gerada na usina Lampada acesa na residéncia ‘do consumidor 2 Energla cinética produzida Energia elétrica disponivel pel bina na residéncia eo Energia potencial Energia elétrica disponivel (égua represada) ara consumo 4 Fluxe livre da dgua deum rio Energia eltrica disponivel 5 Recursos da natureza Energia para consumo las formulagdes de um problema CoLETA DE INFORMACOES A grande frustragéo que se tem ao efetuar © primeito projeto costuma ser fruto da escassez de informagées. Se a érea de atuacéo do projetista nao for exatamente a do projeto, ele terd pouco material sobre o trabalho a ser desenvolvido ~ referéncias bibliograficas, formulagées anélogas, modelos, enderecos de fabricantes. Alao parecido acontece com vrinciniantes na arte Cooirwe 9 ~ Prostro 21: praticamente iniciaro trabalho esquematizando a solugdo, ou desenvolvendo as informacées disponiveis pertinentes & solugio do problema. |dantiearSo de uns nacesade Defi do pret As informacées necessarias num projeto normalmente sao diferentes daquelas associa- das aos cursos académicos. Em geral, as informagées contidas em livras textos nao s80 de emprego direto, pois a necessidade é sempre de dados mais especificos do que os publicados na literatura técnica. Porém, sao eles que fornecem os conhecimentos basicos para o ‘Communicaso dominio dos fenémenos que compaem todo e qualquer problema, spucfeage da saurzo Artigos publicados como resultados de pesquisa e desenvolvimento d jas governamentais e de i fabricantes, patentes, manuais e literatura técnica, paginas disponiveis ni internet, em geral, sao importantes fontes de consulta. Discussées con especialistas, internos ou externos & organizacéo a que pertence o projetista também sdo de grande vali. Nesta fase devemos coletar informagées de acordo com: + DADOS DE ENTRADA E SAIDA —levantamento dos pardmetros dispor antes e apés a transformacao desejada, bem como das stias post variagées. * Conoicronanres DE ENTRADA E SAiDA —especificagéo dos valores qui podem assumir cade 1a das varidveis de entrada e saida, com eso, volume e formato, por exemplo. * Carrérios ~ base de preferéncia a ser aplicada para avaliar o mé relativo das varias solugdes encontradas, o que orientara, ainda, concepcao do projeto; por exemplo, se ficar estabelecido que ¢ principal critério é a sequranga, a procura de solucées devera se encaminhada neste sentido. + Uniuzacho ~ é importante que seja estimada com a maior precisé possivel a utilizacdo que teré o sistema a ser projetado. Com est dado, podemos concentrar a procura considerando os aspecto relacionados com os custos de produgao e utilizagéo. Se o sistem: fiver uma pequena vida titi, pouca responsabilidade ou pequeno grat de utilizagéo, naturalmente que 0 projeto nao exigira o mesm ‘tratamen om que een cencheblicn ncenliancd 214 Tneooupfo A ENGENHARIA ~ CONCEIOS, FERRAMENTAS E COMPORTANENTOS. implicaré um custo mais elevado ~ dos materiais empregados, por exemplo ~ e os lucros sé viréo em fungéo de uma utilizagéo mais intensa ou mais duradoura. Exemplo: se a travessia de um tio s6 serd iada raras vezes num certo local, é evidente que a solicao que izaré o custo total —a soma dos custos de projeto, da construgéo 2 da‘traivessia ~ nao seré uma ponte. Ao contrétio, se milhares de pessoas tiverem que cruzar com freqiéncia o rio naquele lugar, certamente que um barco a remo no deve ser a melhor solugéo. Vouume DE PRoDUGKO — esta caracteristica teré forte influéncia na escolha do sistema de fabricagéo. Este fator teré uma importancia decisiva no custo final da produgao. Se apenas de2 unidades de um determinado equipa devem ser fabricadas, os instrumentos para a sua producdo deverdo ser diferentes dos empregados no caso em que ele fosse fabricado em larga escala. Podemos lembrat, por exemplo, que os precos relativamente acessiveis dos equipamentos 08, hoje em dia, devem-se a utilizagéo de processos de {abricagao automatizados, Muitos componentes, devido ao set grau de precisao exigido e ao tamanho reduzido, 6 tém podido ser fabricados gragas a modernos processos de produgao e montagem. min ConcepcAo DA soLucio Um projeto é um procedimento individualizado, néo havendo tegras para se ensinar 0 seu sucesso, Talvez por isso, poutco se tem escrito sobre a fase da concepeao, que 6 0 coracao deste processo. ortcagSo de ua necassdade Colt de teres ‘Apés ter definido 0 problema e coletado concent as informagbes necess4rias para iniciar 0 projeto, © projetista pode se empenhar ativamente na canted busca de solugGes, sem, necessariamente, ee preocupar-se com detalhamentos de todas elas. Entretanto, em determinados casos pode ser omunicarzo ia de uma solugéo proposta, ou mesmo para esclarecer algumas caracteristicas desta solucdo. Uma boa revisao bibliografica, realizada na fase anterior, e 0 uso de métodos que estimulem a criatividade sao de grande valia para a concepcéo allied Cavity 9 ~ Prosero 2] Nesta fase, séo especificacios os elementos, os mecanismos, os process ou as configuragées que resullam no produto final, e que satisfaze! necessidades identificadas. Talvez seja esta a fase mais atraente do proces: do projeto, por permitir que coloquemos em pratica todo 0 nosso acervo ¢ conhecimentos técnicos e cientificos. Ai também podemos, de maneira ma intensa, dar vazao & nossa imaginagio criadora. Em muitos casos, a fase da concepeao envolve a formulagio de u modelo, que pode ser analitico ou experimental. Em algumas disciplinas ¢ um curso de engenharia, muita énfase tem sido dada ao desenvolvimento ¢ modelos analiticos baseados em principios fisicos, deixando de fornecer devida importancia aos modelos experimentais. O inverso também te ocorrido, Nao devemos, no entanto, perder de vista sua importancia para vida profissional futura, pois ambos tém seus méritos. Raramente esta fase culmina com um conjunto de solugées complet mutuamente excludentes. Ao contr Imente as solugées séo parcia € a resposia final poderd ser uma combinacéo de diversas delas. 216 Iniz00ugie & ENGateiehtA ~ CONCEITES,FERRAMENTES E COMORTAMENTOS ‘Sao vitais para o bom desempenho desta fase os processos de andlise @ de sintese. Desmembrar cada possivel solucao, elemento a olemento, e apés rearranjé-las apropriadamente, é uma excelente forma de conseguirmos ter boas solugdes. Mas a solucao final s6 poderé ser concluida apés a fase de avaliagao, quando esta seré otimizada e, posteriormente, detalhada para a especificagao final Umaspecto que merece ser tessaltado ¢ a importincia das idéias simples, que, a0 contrério do que alguns imaginam, séo de muita utilidade pratica Nao s6 por serem mais econémicas de produzir e de usar ou por terem um. funcionamento que inspira maior confianga, mas, também, pela satisfagéo que zem a quem as criou. O bom engenheiro nao se sente efetivamente fo antes de otimizar e simplificar as suas idéias até onde for possivel. Mecanismos, circuitos, processos de fabricagdo, métodes de operacao e manutencao sempre podem ser simplificados ¢ off Um exemplo valioso da fase da coincepcao de um projeto de engenharia pode ser acompanhado através da figura anterior. Consiste aquele esquema na especificagao preliminar de um veiculo urbano recreativo. AVALIACAO DO PROJETO 0 termo avaliagéo é aqui usado rio sentido de julgamento, e envolve uma andlise completa do projeto. Desta fase constam Daigo de robe culos detalhados do desempenho do ma. Iguns casos, a avaliagao pode eta ca itoracten wolver extensos testes de simulagéo com modelos experimentais, em escala reduzida ou leentiiago de ue necesscae as Como 0 projeto é um processo iterativo, muitas vezes erros cometidos séo uma boa fonte de dados para trabalhos futuros. Por isso comes devem ser devidamente registrados para consultas posteriores, pois um acerto é dependente de outro nao to preciso, ‘ou mesmo de um erro anterior. Espectlacio ca eolugto Num processo de projeto cada etapa requer uma avaliagdo, sendo comum que ~ para se considerar cumprida uma determinada fase — se recorra a um procedimento repetido de tentativas ou iteracdes. A necessidade de voltar de uma fase para a anterior, e tentar outra vez, nao deve ser considerada pees carries Galbes. vervince veetiates. 4 vis aie ont Crvirw 9 ~ Proxr0 2 resultado de um processo de maturacéo. Por isso o projetista deve adquit ‘uma alfa tolerancia para falhas, além de tenacidade e determinacao par conduzir 0 seu trabalho até o éxito. A natureza iterativa do projeto conduz a melhores resultados técnicos permitindo que se cheque a sistemas de desempenhos mais eficientes, con minimo peso ou custo, por exemplo. Através de um fluxograma, este process pode ser esquematizado conforme mostrado na proxima figura. Fluxograma epresentando © processo iterative A avaliagio é um importante procedimento para cada fase do proj mais especificamente, quando se esté chegando ao seu final. Em gera tipos de conferéncias sao utilizadas: a verificacéo matematica e | verificagao através do uso do que se convencionou chamar born senso. verificagao matemitica é realizada por meio de equagées usadas em modelo mais é do que experiéncia acumulada aliada a aplicacéo de um métod empitico confidvel na abordagem do problema EspEciFICAGAO DA SOLUCAO FINAL Se a concepedo foi aprovada na fase da avaliacéo, ¢ estando garantidas sua viabilidade lidade, partimos para o projeto cagées de engenharia da solucéo escolhida, definindo-a pormenorizadamente. cones Nesta fase é proparado o memorial des- Bs tage titivo do projeto, que consiste na descrigéo Especfcacso da colucso memorial costuma conter vatios itens, confor- me sugerido na tabela abaixo. 218 Tnri0uGKo A ENGENWARIA ~ CONCEITOS, FERGAMENTAS E COMPORTAMENTOS: Contetido geral de um memorial descritivo Odjetivos, Funcdes 2 localizagio de cada uma ddas partes componentes do projeto 5 basicas da solugzo final @ ropriedades dos materials espectficados Valores previstos para os pardmetros e variéveis, ‘envolvidas, com referéncie as particuleridades a serem observadas quando da recepcao de is © componentes Datalhes construtivos e operacionais, Desenhas detalhados ce componentes, sistemas @ subsisteras Comunicacio Do PROJETO O propésito de um projeto é satisfazer alguma necessidade especifica do cliente ou consumidot, Assim, 0 projeto pronto deve ser apropriadamente com to do impacto ou signi or melhor que seja, se nado for bem ‘ada, perdera muito do seu valor. Concapsse A comunicacéo pode ser oral ou escrita on Relatérios técnicos, esquemas detalhades, gens de programas computacionais e modelos Jcénicos freqlientemente fazem parte do trabalho ‘comunicasso final de comunicagao do projeto. S40 comuns, ainda, rodadas de diélogos entre os projetistas e quem encomendou o trabalho. Devemos portanto encarar esta atividace como parte integrante do projeto. Uma aiencao especial deve ser dada ao relatério final, pois, na maioria das vezes, é apenas esse resultado final o que ficaré de um trabalho, ¢ ele precisa historiar com preciso e clareza tudo 0 que foi realizado, Ei comunicages dos trabalhos dos engenheiros: * MEMORIAL DEScRITIVo ~ contendo as caracteristicas bésicas anbieago de ume necesdade Delis do pate Cole de nformacts soeciear ca sougso linhas gerais, as sequintes informagées costumam fazer parte das. Carinae 9 ~ Proiero MEMORIAL DE CALCULO ~ apresentando os calculos realizados para dimensionamento; é recomendavel referenciar as normas utilizada nestes célculos; LSTA DE MATERIALS ~ indicando os materiais a serem empregados n produgao do sistema projetado, bem como qui especificacoes comerciais; lades CRONOGRAMA ~ apresentando os prazos de execucdo do projeto o da obra, ou de desembolso de recursos financeiros; objetivam este cronogramas mostrar a distribuigdo, por exemplo, das atividade durante 0 desenrolar das operagées; + ORGAMENTO DO PROJETO — relacionando os custos, para demonstrar moniante dos recursos envolvidos na elaboracao do projeto e da obr devem ser discriminados os custos com pesquisas, servicos especi lizados de terceiros, consultorias técnicas, materiais ¢ equipamente adquiridos ou alugados, honorérios do projetista — ou equipe etc. Atividades eile] s le preparacio do terreno estaqueamento baldrame levantamento dos tijoles laje | tubulagio de esgoto | ‘gua ¢ eletricidade aberturas reboco tethado acabamento pintura ‘Grenagrama geral de execugie de uma casa + INFoRMAGES GeRals — caracteristicas basicas da solugdo proposte SSSESSE SETS aR ASSESSES