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A solido amiga

A noite chegou, o trabalho acabou, hora de voltar para casa. Lar,


doce lar? Mas a casa est escura, a televiso apagada e tudo
silncio. Ningum para abrir a porta, ningum espera. Voc est
s. Vem a tristeza da solido... O que mais voc deseja no
estar em solido... Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza no
vem da solido. Vem das fantasias que surgem na solido. Lembrome de um jovem que amava a solido: ficar sozinho, ler, ouvir,
msica... Assim, aos sbados, ele se preparava para uma
noite de solido feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que
as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas
felizes, em meio ao falatrio, os risos, a cervejinha. A a cena se
alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ningum estava
se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E
a a tristeza entrava e ele no mais podia curtir a sua amiga solido.
O remdio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a
alegria da festa. Vestia-se, saa, ia para a festa... Masna festa ele
percebia que festas reais no so iguais s festas imaginadas. Era
um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as
coisas da sua solido... A noite estava perdida