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frre comer pee eee eos) fee ee ee as peat ara Pir eecit ney seme eet cic eos ec ec ann ce ee Ertan seer eres Coto eee See ee ee eee ee eee Ne ee er ee ee er ee ns OS OUTROS AeA EU ULC CURSE ery et) ‘Colegdo PASSO-A-PASSO CIENCIAS SOCIAS PASSO-A PASSO ire: Ceo Castro FLOSOFIA PASSO-A-PASSO Dine: Denis. Rosen PSICANALISEPASSO-A-PASSO Dirgaae Marco Antonio Coutinho Jorge Vertu de tals no final do volume Antonio Quinet Os outros em Lacan ZAHAR Copyright © 2012, Antonio Que Coppi deseo © 2012 Tore Zar ator Lid rus Mrgus de, Vicente 9 anda [2341-04 io de no RI el 2 259-4780] fa (2) 2509-4757 «eitorabeaarcom.br | wnsaaharcom br ‘Todor os dt reservados A reproduc no storzada des pleas. notdo em pare cost volo de des autora (Le. 61098) rai stad enpetandoo sore ‘Acordo Ortop da agua Portus Revs: ard Fai, Tamara Sender ‘Composit: Late inagenn Tit Geogr tra ‘Cpe Sérgio Campante CaP al Catalogo ft Sno Nacional don Boe de Li, Isa 97-85 a78.07934 1 Loca, gue, 1901-1981, 2 Pande. Tat sete 635 DUE 159.8642 Sumario Introdugio 7 © pequeno outro 8 O grande Outro 20 O objeto 32 © outro do ago social 46 Heteros 59 Referencias e fonts 78 Leiturasrecomendadas 79 Sobre o autor a Introdugao [A questdo da alterdade percorre toda a obra de Lacan ¢ encontramos suas diferentes modalidades tematizadas 2 cada avango de seu ensino. Para a finalidade deste livro in- toduzimos, de forma necessarament incompleta econ ddensada, cinco modialdades - que nos mostram como nfo hi sujeto sem outro. Asim, abordamos 0 pequeno outro, ‘ semelhant, igual rival, que se encontra no par do ests io do espetho, sendo, portant, do registro do imagines ‘0 grande Outro, cujodiscurso€o inconscente que se ma ifesta nos sonhos,lapsos,sintomas e chistes e que, por ser da ordem do simblico, étecido de inguagem e pode ser “encarnad’ no Outro do amor - inclusive o amor de trans- feréncia ~, a0 qual se dirigem as demandas 20 qual esti articulado 0 dese, Em seguida, apresentamos 0 objeto a, ‘© outro pulsional no registro do real, que & 0 objeto causa de desejo, que se apresenta na fantasia e que se manifesta ‘na angiista quando a falta falta ~€ 0 objeto condensador de gozo como objeto da pulsio em suas modalidades de ‘objeto oral, anal, olhare voz. No campo do gozo estruturs 4o pelos discursos que constituem os lagos soca, 0 outro ‘oma um lugar diferente conforme se eseja no discurso do 5 Antonio Quinet| reste, do capitalist, do universitrio, da histérica ou do nals, e assim pode ser tratado como escravo,consumi- dor, aluno, mestre ~ mas o nico lago social que trata 0 ‘outro fetivamente como sult € 0 dscurso do analista, E, por fim, abordamos o otto goro, Hetero, que €0 gox0 feminino para além do gozo fico masculino, que Lacan conceitualiza a partir das formulas da seruacio, Este nos oferece uma outa logica~distinta da logica fica que rege ‘ser eo tera medida ea razio — que nos abre para 0 outro como radicalmente diferente, imprevisivele sempre sut- preendente. Ea ligica do nio todo, aligica da diterenca, enquanto diferenca radical © pequeno outro ‘Quem é voce, que esti diante de mim, que é meu seme- Thante, ser humano como et ~seja voc® homem ou miu- Ther - feito & minha imagem e semelhangs, feito de uma corporalidade que me fiz rer até que somos imaost eu? Quem sou eu em relagio a outro? Que seguran- ‘tenho de que eu sou eue no um outro? Freud revo Clonou 2 subjetividade a0 mostrar que o eu nao é senhor em sua propria casa Lacan desfer a uso de totalidade, pretensio de sintese ea miragem da unidade do eu, mos- trando que 0 eu € ~ antes de mais nada ~ outro. Je est wt ‘autre, dizia Rimbaud, E aguele que vejo na minha frente, ‘como outro ~ fol a partir dle que efi feito, Eu & que sou feito & imagem esemelhanga do outro. Masque confsell! Os otros om Lacan ° isso mesmo:o eu eo outro seconfundem. Eu projto ‘no outto conteidos,intengbes e até pensamentos meus, ‘eu me vejonesse outro no qual identifica tacos meus, et ‘0 vejo como meu idea, que tanto adairo ~ como eu go {aria de ser igual a el! Ou o vefo como meu rival equero que morta! Ou 0 vejo.com tudo aquilo que eu gostaria de ter que invejat Por que ele tem eeu nao tenho? Esse prdximo que seassemelha mim ea quem me en- sinaram dever amar é, antes, um intraso, O outro é igual «rival. Consttuido pela imagem do outro, o eu esté para sempre alienado a seu outro-ideal. © que Freud descr ‘ve como 0 eu ideal, modelo imagem e a semelhanga do ‘qual o eu se constitu, é encarnado pelo outr-ideal que o neurético sempre encontea entre seus camaradas, B aguela mulher, linda, que deve saber o que € ser mulher, Ela sabe ser feminina, se vestreganhar os homens! Como ela conse: que? Bisa outra mulher da histérica que ela sempre encon- {ra na irmi, na amiga, na colega de trabalho etc. Aquele é que €o carat Tem poder, prestigio, dni, etd sempre com elas mulheres. eeu 0 que eu tenho? Eis o outro homem {do obsessivo com qual osujeito se encontra em competi «0 se compara para ver quem tem melhor desempenho no trabalho, no sexo ete. Esse outro intruso, que se manifesta como semelhante, é experimentado e percebido como aquele que invade 0 {que é meu ervaliza comigo, ou sea, compete com o mea ‘eu pelo mesmo lugar, Pis 0 eu ¢ 0 outro entram numa lta pelo reconhecimento miltuoe reciproco, Trata-se de uma lta para ver quem tem mais prestigio do que o outro, App cee 0 Antonio Qnet «© para tal & necessrio que um reconheca 0 outro, Nessa uta, descrta por Hegel como uma luta de "puto pres Bio na dialtica do senhor edo escravo, hd um desejo de ‘econhecimento de um pelo outro que se transforma em ‘uma lta mortal, pois eles entram na ligica do “ow eu ou voce" Eis alta travada no ambito do nacisismo em que lum quer ser reconhecido como um eu (ego) pelo outro. Lacan descreveo que ocorre na subjetividade da rian ‘8 quando nasce um irmo como complexo de intrusio, lao sente como um intruso que vem apropriar-se do la- {gar que 0 pequeno sujeto imagina acupar no deseo da mie (que representa uma outa alteridade, o grande Ou {ro}. Maso sujeitoidentifca-se com este outa, o irmio, ‘de modo imaginéro, ¢ © outro se torna indssociével do ‘ee, pior,o eu €indissocivel do outro. Esa biplaridade ‘aracterizao registro imaginério e constituiainfelicidade do homer, pois 0 outro, quando nio ¢ objeto de desejo,é ‘um estorvo, um inferno, Um eu nunca vem sozinho ~ ele ‘sti sempre acompanhado do outro, seu ea ideal. Eis por ‘que instancia do eu &fundamentalmente paranoica. A indissociabilidade entre 0 eu eo outro raza marca, €datada, do esto do espe. Trata-e de uma consteu- ‘fo ldgica proposta por Lacan a parti da observasio de