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Robert W.

Gill

Desenho
Para
Apresentação
de Projetos
(Rendering with Pen and Ink)

Para
Arquitetos, Engenheiros,
Projetistas Industriais,
Decoradores, Publicitários,
Jardinistas e Artistas em Geral

Tradução de:
Roberto Raposo
Título do original:
Rendering with Pen and Ink

® 1973 by Thames and Hudson Ltd., London

® Da tradução — Editora Tecnoprint Ltda-, 1981

As nossas edições reproduzem.


integralmente os textos originais

Da mesma Editora:
• Como Utilizar Corretamente a Perspectiva no Desenho (AG-8435)
• Como Desenhar Paisagens (AG-8151)
• Como Desenhar Flores e Frutas, Plantas e Árvores (CR-8157)
• Desenho de Concreto Armado (LE-20)
• Desenho Técnico (LE-1039)
• Signos, Símbolos e Ornamentos (320)
• Ornamentos Gráficos (471)
• Manual de Símbolos Gráficos (396)
• Aprenda a Desenhar Figuras Cômicas e Bichos (PL-8043)
• Como Fazer Caricaturas (LÊ-8171)
• Como Dar Movimento aos Desenhos (LÊ-8042)
• Como Desenhar a Bico-de-Pena (CR-8109)
• Como Sombrear Desenhos (CR-8045)
• Como Desenhar Modas (CR-8015)
• Desenho a Creiom (AG-227)
• Manual de Designs (PL-110)
• Manual de Desenho de Letras (AG-8044)
• Mil Modelos e Idéias Para Desenho de Letras (PL-8559)
• Desenho de Propaganda (PL-8443)
• Elementos e Normas Para Desenhos e Projetos de Arquitetura (LE-8415)
• Arquivo de Desenho Para Arquitetos e Designers (2PL-247)

EDITORA TECNOPRINT LTDA.


Desenho em
Perspectiva
A perspectiva está presente em tudo o que vemos:
trata-se de um efeito ótico através do qual os objetos
mais próximos de nós parecem maiores que os mais
distantes. É este efeito que transmite um senso de
distância e solidez à representação gráfica de um
objeto. Um dos melhores exemplos é o dos trilhos de
uma ferrovia, que parecem convergir à medida que se
afastam. O mesmo efeito está presente quando as
pessoas vistas à distância parecem menores que as que
estão mais próximas. A partir destes exemplos,
podemos concluir que os trilhos da ferrovia, da mesma
forma que linhas imaginárias que atravessassem a
cabeça e os pés das pessoas, tendem a convergir para
um ponto, o chamado "ponto de fuga". Esse ponto fica
situado na linha dos olhos do observador, que é também
a linha do horizonte.
Quando um objeto está perto de nós, percebemos
um número maior de detalhes e minúcias do que
quando está longe. Por outro lado, as cores e
tonalidades também diminuem em intensidade à
medida que se afastam do observador. Mas, enquanto
o desaparecimento de detalhes minúsculos e a redução
de cor e tonalidade só podem ser avaliados pelos olhos
e dependem da sensibilidade do observador, a
recessão linear pode ser calculada com precisão. Não
obstante, a fórmula da perspectiva é monocular: não
nos dá a sensação de espaço e afastamento
experimentada por uma pessoa de visão normal. A
visão humana, que é binocular, pode ser reproduzida
aproximadamente pela fotografia esteroscópica.
As leis matemáticas da perspectiva foram
estabelecidas em começos do século XV por um
arquiteto florentino de nome Filippo Brunelleschi (1377-
1446). Os novos conceitos espaciais adotados pelos
pintores italianos tinham base científica, e foi sobre
essa base que se desenvolveu a técnica da
perspectiva. Masaccio, Piero della Francesca, Alberti e
Uccello estudaram a fundo a base matemática da arte;
e tanto Uccello como Piero della Francesca formularam
teorias da perspectiva.
Há várias maneiras de se construir um desenho em
perspectiva, mas a exposição verbal das teorias em
que elas se baseiam seria demasiado longa e
complicada. É nossa intenção, portanto, deixar de lado
a explicação detalhada dos diversos métodos e
concentrar-nos aqui nos dois métodos principais que
atendem à maioria das necessidades que normalmente
se apresentam aos desenhistas.
Nenhum profissional poderia iniciar um desenho
em perspectiva sem antes receber — ou preparar ele
mesmo — plantas, elevações e, se necessário, cortes
transversais do objeto ou edifício. Essas plantas,
elevações e cortes são desenhados mediante um
método conhecido como projeção ortogonal.

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Projeção Ortogonal
A projeção ortogonal é o método de desenhar
objetos tridimensionais em duas dimensões, a partir de
Figura 1 Como obter a aspectos correlatos chamados plantas, elevações e
projeção ortogonal de um cortes. Na prática, todos eles significam simplesmente
objeto sólido simples uma projeção paralela ou perpendicular. É desta forma
que se prepara a maioria dos projetos de edifícios,
móveis e instalações. Mas, antes que nos envolvamos
demais com o método da perspectiva, convém ter em

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Plano vertical II

As linhas pontilhadas
indicam o objeto

Diagrama mostrando como os croquis se relacionam com o objeto

mente que, em grande número de casos, não é necessário nem


desejável utilizar a projeção em perspectiva na representação
de objetos ou partes de objetos tridimensionais. Quando se trata
de diagramas de montagem, detalhes de conexões e muitos
outros casos nos quais, por motivos técnicos, é necessária uma
representação tridimensional do objeto, geralmente é vantajoso
permitir a obtenção de medições precisas a partir do desenho.
Em tais casos, é preferível lançar mão de projeções
métricas.
Projeção axonométrica
Projeção isométrica
(com 45°- 45º)

Círculos em projeção isométrica,


Aparecem como elipses (35º- 16)

A
B

Projeção isométrica Projeção axonométrica


(com 60º - 30º)
Figura 2 Os três métodos Projeções Métricas
mais usados de projeções
métricas e suas variações As projeções .métricas são métodos de desenhar
edifícios ou objetos de modo a dar-lhes um aspecto
tridimensional, ao mesmo tempo em que se permite a
medição de suas dimensões (comprimento, largura e
altura) a partir do desenho. São preparadas mediante
projeções ortogonais e podem ser desenhadas na escala
que se deseje. As mais usadas são as projeções
isométricas, axonométricas e oblíquas.
A projeção isométrica é especialmente adequada a
desenhos destinados à montagem mecânica, desenhos
de peças complicadas e cortes transversais de
objetos, uma vez que o efeito final é suficientemente
realista. O desenho é feito com
As distâncias são medidas na metade da escala ao longo das linhas oblíquas

(1) 45º

Projeção oblíqua (45°)

As distâncias são medidas na mesma escala ao longo das linhas oblíquas

(2)

Projeção obliqua (30°)

uma régua "T" e um esquadro de 30°. As linhas da base


do objeto são traçadas a um ângulo de 30° em relação à
horizontal. O comprimento, a largura e a altura são
traçados na escala real, compondo o aspecto
tridimensional do objeto.
A projeção axonométrica tem a vantagem de conter
uma planta exata do objeto e é, portanto, mais fácil de
desenhar a partir de desenhos existentes. É
especialmente adequada à representação diagramática
de interiores de edifícios. As projeções axonométricas
podem ser feitas a qualquer ângulo em relação à
horizontal mas, por uma questão de conveniência, são
geralmente desenhadas a ângulos de 45°/45° ou 30°/60°.
(A figura 2b mostra a projeção axonométrica de um
objeto simples, em ângulos de 45°/45° e 30°/60°.)
Localização final
Linha central escolhida para
Cone de visão ou linha direta o objeto
de visão

Amplitude do cone
de visão no plano
de projeção

Linha do horizonte

Figura 3 Cone de visão l

Na projeção oblíqua, como na projeção


isométrica, a planta é distorcida. Há duas variantes do
método: (1) as linhas oblíquas são traçadas a um
ângulo de 45° em relação à horizontal, sendo as
distâncias medidas ao longo dessas linhas numa
escala equivalente à metade da escala utilizada para
as linhas horizontais e verticais; (2) as linhas oblíquas
são traçadas a um ângulo de 30° em relação à
horizontal, sendo as distâncias medidas ao longo
dessas linhas na mesma escala empregada para as
linhas horizontais e verticais.
O emprego de projeções métricas é limitado e,
geralmente, inaceitável, por diversos motivos,
para um arquiteto ou projetista, ou para o
cliente, cujo principal interesse é poder ver o
Cubos de tamanho igual parecem tornar-se menores e mais
próximos uns dos outros à medida que recuam na distância
aspecto real do edifício ou objeto acabado. Para tanto,
seria necessário fazer uma projeção em perspectiva.
Antes de entrar no assunto, porém, devemos ter uma boa
noção de alguns dos termos utilizados. As próximas
quatro ilustrações destinam-se a ajudar a explicá-los ao
leitor.

Cone de Visão

É através do cone de visão que se determinam os


limites do desenho. Como se sabe, o campo visual
abrange mais de 180°, mas não podemos ver
com clareza em toda essa extensão. De
modo geral, vemos com nitidez e facilidade qualquer
Croqui do objeto visto do ponto "S"

Croqui do objeto visto do ponto "S1"

(Objetos ou partes de objetos fora do cone de visão ficam sujeitos a distorção)

Figura 4 Cone de visão II


objeto situado a um ângulo de 90° em relação a
nós, mas o campo visual raramente é reproduzido
com mais de 60°. Para fins de desenho em
perspectiva, esse ângulo geralmente é limitado a
60° ou menos. Isto quer dizer que qualquer objeto,
ou parte dele, que normalmente não veríamos
com clareza por estar situado fora do cone de
visão, resultará distorcido se tentarmos desenhá-
lo.
Se pretendemos abranger um campo maior
com o cone de visão, temos de recuar em relação
ao objeto; meramente alargar o cone de visão não
é suficiente. As figuras 3 e 4 dão uma idéia gráfica
de como utilizar o cone de visão no preparo de
uma projeção em perspectiva.
Ao escolher-se a posição na qual se vai visualizar o
edifício ou objeto, é necessário enquadrar o todo — ou a
parte que se pretende incluir no desenho — dentro do
cone de visão. É este fato que determina a distância à
qual se vai visualizar o objeto. A linha que divide ao meio
esse cone é chamada linha central de visão ou linha
direta de visão. Na planta, essa linha é representada por
uma vertical; na elevação por uma horizontal. Isto
significa que a linha central de visão é paralela ao plano
de terra (também chamado geometral). O ápice do cone
de visão é o ponto de vista ou ponto de observação.
Objeto visto de "S 1" Objeto visto de "S 2”

A localização do ponto de vista deve ser sempre


escolhida em relação à natureza do assunto. Normalmente,
um grande edifício ou uma paisagem ocupa toda a extensão
Figura 5 Ponto de vista do cone de visão, ao passo que um objeto pequeno, como
um móvel ou uma máquina de pequenas dimensões, não
seria suficiente para encher todo o campo de visão, a não
ser quando observado a pequena distância. Assim, deve-se
escolher aquele ponto de vista que resulte numa imagem
convincente. Quando o ponto de vista é escolhido
demasiadamente perto de um objeto pequeno, sua
representação em perspectiva assume proporções
dramáticas. Por outro lado, quando o ponto de vista é
situado demasiadamente perto de um objeto grande,
Nota:
A escolha do ponto de vista é uma questão de
opção, dependendo do aspecto do objeto que
se deseje mostrar no desenho final.

Objeto visto de “S3" Objeto visto de "S4"

parte do objeto fica distorcido na perspectiva, como


se vê pela figura 4. Para que se corrija a
distorção, basta recuar em relação ao objeto (ver
fig. 5), embora isto altere o aspecto deste último.
De modo geral, convenciona-se que o ponto de
vista se localiza à altura normal dos olhos de uma
pessoa, o que, para fins de perspectiva, significa
1,50 m acima do chão. Essa altura, porém, pode
variar para atender exigências especiais do objeto
ou do desenhista, contanto que o objeto permaneça
dentro do cone de visão.
A escolha do ponto de vista adequado é
uma questão de critério e experiência, e cada
assunto deve ser estudado individualmente.
Ponto de vista s’

Nível de terra

Diagrama mostrando o plano de projeção


Nota: A localização do plano de projeção é uma
questão de escolha ou conveniência,
dependendo do tamanho final do
desenho que se deseja.

A-A B-B C-C

Perspectivas do objeto a partir de um ponto de vista fixo

Figura 6 Plano de Projeção


a escolha da posição

Plano de Projeção
O plano de projeção, ou plano da imagem, é
um plano imaginário no qual é desenhada a
perspectiva. A figura 6 mostra um desenho teórico
de um objeto que está sendo projetado no plano de
projeção. Para compreender como este plano se
relaciona com a projeção em perspectiva, o
estudante deve lembrar que o mesmo é
representado por uma linha na planta, e está
sempre em ângulo reto com a linha central de
visão. Geralmente, numa vista lateral do objeto, o
plano de projeção é também indicado por uma linha
perpendicular ao plano de terra. A exceção a esta
regra é indicada pela figura 16.
Diagrama mostrando as várias posições Planos de projeção
do plano necessários Para produzir os
desenhos abaixo

Vista lateral do diagrama acima

D-D E-E F-F G-G

e diferentes posições do plano de projeção

Como se vê pelo diagrama da figura 6, a


localização do plano de projeção determina o tamanho
final da imagem: quanto mais próximo do observador
estiver esse plano, menor será o desenho em
perspectiva.
Essa proximidade, porém, afeta somente o
tamanho do desenho: o aspecto do objeto permanece
constante. Compreendendo perfeitamente este ponto, o
desenhista poderá controlar o tamanho do desenho
desde o início e ajustar, sem dificuldade, qualquer
perspectiva a qualquer tamanho desejado. O local da
folha de papel onde se pretende desenhar a perspectiva
é o plano de projeção. O leitor verificará este ponto
consultando a figura 6, onde se pode ver a construção da
perspectiva no plano de projeção atrás do objeto.
Plano
de

Projeção
Figura 7 Perspectiva de Linha de Altura
dois pontos de fuga
Na projeção em perspectiva, a linha de altura é
aquela utilizada para todas as alturas verticais, que são
medidas usando-se a mesma escala da planta a partir da
qual se está fazendo a projeção. Localiza-se esta linha
traçando-se o prolongamento de um dos lados do objeto
representado pela planta, até atingir o plano de projeção. A
partir do ponto em que esse prolongamento intercepta o
plano de projeção, traça-se uma vertical até o nível visual
ou linha do horizonte: essa vertical é
a linha de altura. Geralmente, considera-se q
a linha de altura é mais exata quando situada sobre
o lado da planta cuja distância até o ponto de fuga é
maior.

Nível Visual ou Linha do Horizonte


O nível visual, que coincide com a linha do
horizonte na projeção em perspectiva, é uma linha
horizontal traçada a um ponto conveniente
localizado acima ou abaixo do plano de projeção. A
localização desta linha no papel fica inteiramente a
critério do desenhista, dependendo principalmente do
espaço e do equipamento à sua disposição. Uma vez
que todas as linhas projetadas na planta devem ser
projetadas num sentido vertical em relação a esta
linha, convém escolher uma posição na qual isto
possa ser feito com o menor esforço. Essa linha
representa a altura dos olhos do observador, sendo
todas as alturas medidas em relação a ela.

Linha de Terra
Na projeção em perspectiva, a linha de terra é a
linha do solo em relação.ao nível visual. Em
circunstâncias normais, como já dissemos,
convenciona-se que essa linha fica 1,50 m abaixo do
nível visual ou linha do horizonte. Localiza-se a linha
de terra na projeção vertical medindo-se, em escala,
uma distância de 1,50 m ao longo da linha de altura,
abaixo da linha do horizonte. Este ponto, ligado ao
ponto de fuga e projetado através do desenho,
compõe a linha de terra geral do objeto em
perspectiva. Convém lembrar que todas as alturas do
objeto devem ser medidas da linha de terra para
cima.

Pontos de Fuga
Os pontos de fuga são pontos localizados no
plano de projeção e na linha do horizonte para os
quais devem convergir as linhas da projeção em
perspectiva do objeto. Todas as linhas traçadas na
planta numa direção convergem para o ponto de fuga
localizado na mesma direção. Na projeção em
perspectiva, o número de pontos de fuga vai de um
(fig. 8) a dois, na perspectiva "de dois pontos" de um
objeto retangular simples (fig. 7), ou a mais, no caso
de um objeto complicado. Localizam-se os pontos de
fuga traçando-se linhas, a partir do ponto de
observação, paralelas aos lados do objeto retangular
simples, até atingir o plano de projeção. O ponto para
o qual essas linhas convergem é o ponto de fuga. O
ângulo entre as duas linhas que ligam o ponto de
observação ao ponto de fuga deve sempre ser de
90°. Quando as faces do objeto não formam entre si
um ângulo de 90°, é necessário primeiro escolher
uma das faces e traçar uma linha paralela a esse
lado; a outra linha pode então ser traçada a um
ângulo de 90° com a primeira. Repete-se o processo
para a outra face, gerando-se assim um novo par de
pontos de fuga para essa segunda face. Dito assim,
isto parece complicado, mas, quando executado na
ordem certa, é bem mais fácil do que parece. Não
obstante, a melhor maneira de construir perspectivas
é estudar os princípios essenciais a partir dos
exemplos dados, e praticar a aplicação dos mesmos.
Provavelmente, o método mais satisfatório para
uso geral é aquele ilustrado pela figura 7. Esse
método de projeção é conhecido pelo nome de
"perspectiva de dois pontos", e é largamente usado
para exteriores de edifícios. Para usá-lo, o leitor deve
proceder como segue:
1. Empregando uma escala conveniente,
desenhe a planta e elevações do objeto — neste
caso, um prisma ou bloco retangular.
2. Escolha o ponto do qual deseja visualizar o
objeto. Esse ponto é a posição do olho do
observador, ponto S. A posição do ponto S é uma
questão de critério à base da experiência, mas, com
um pouco de imaginação, o principiante poderá
localizar aproximadamente a posição desejada.
3. Posicione a planta e o ponto S de modo que
eles se situem numa linha vertical, linha esta que
representa a linha central de visão. A esta altura,
convém verificar se o objeto visualizado a partir do
ponto S está dentro do cone de visão de 60°
comumente aceito. Qualquer parte do objeto que
fique fora desse cone geralmente fica sujeito a
distorções.
4. Selecione, em algum ponto do prolongamento
da linha central de visão, o ponto através do qual
será traçado o plano de projeção, perpendicular a
esse prolongamento. O plano de projeção é um
plano imaginário, vertical, no qual se projeta o croqui
desejado do objeto.
5. A partir do ponto S, trace linhas paralelas aos
lados do objeto até o plano de projeção. Os pontos
nos quais essas linhas interceptam o plano de
projeção são PF1 e PF2. Estes são os pontos de
fuga ao longo do nível visual para os quais, na
perspectiva, o traçado dos lados do objeto
convergirá.
6. Trace outra linha (pontilhada na figura 7) no
prolongamento de um dos lados do objeto até o
plano de projeção. Com isto, obtém-se um ponto no
plano de projeção para localização da linha de altura.
7. A uma distância conveniente acima do plano
de projeção, trace uma linha horizontal; esta linha
representa o nível de visão do observador, ou linha
do horizonte. A partir desta linha, trace as
perpendiculares do plano de projeção passando por
PF1 e PF2 e pelo ponto determinado para a linha de
altura.
8. Trace a linha de terra; esta linha representa o
nível normal do solo abaixo do nível visual do
observador, e fica a cerca de 1,50 m abaixo desse
nível visual para o observador que olha o objeto a
partir do nível do solo. A altura varia quando o
espectador se posiciona acima ou abaixo do objeto.
9. Localize os pontos do objeto no plano de
projeção. Esses pontos são localizados traçando-se
linhas, a partir do ponto S, que passem pelos vários
pontos do objeto até atingir o plano de projeção. A
partir desses pontos, projete perpendiculares até
quase a altura do nível visual ou linha do horizonte.
10. Localize a base do objeto, traçando uma
linha a partir de PF1 que atravesse o ponto em que
as linhas de altura e de terra se cruzem,
prolongando-a até que ela intercepte as
perpendiculares traçadas a partir dos dois pontos
frontais do objeto. Essa linha determina o
comprimento do objeto na perspectiva.
11. Determine a altura do objeto na perspectiva.
A partir da linha de terra, meça, ao longo da linha da
altura, a altura do objeto, na mesma escala utilizada
para o preparo da planta e das elevações. A partir de
PF1, trace uma reta que cruze as mesmas
perpendiculares mencionadas no item anterior; essa
reta dará a linha superior da frente do objeto em
perspectiva.
12. Ligue as várias linhas com PF1 e PF2 para
mostrar o objeto em perspectiva.
Outro método de projeção, mais adequado a croquis
de interiores ou para edifícios desenhados numa
elevação frontal, é conhecido como perspectiva de um
Figura 8 Perspectiva só ponto, ou paralela, ou de interior, e é ilustrado pelas
paralela ou de um só ponto figuras 8 e 9. O método se baseia nos mesmos
de fuga princípios já descritos para a perspectiva de dois pontos.
Na figura 8, AD, BC, EH, FG é a planta ou planta
parcial de uma sala, e S é a posição do olho do
observador, voltado diretamente para a sala. O plano de
projeção passa a ser o mesmo plano da parede do
fundo da sala, ou seja, o plano ABCD. Traçam-se linhas
que passem pelo ponto S e pelas extremidades
fronteiras da sala, EH e FG, até o plano de projeção.
Traça-se agora, em escala, a elevação da parede do
fundo, ABCD, exatamente acima da planta; determina-
se a altura do nível visual, traçando-se em seguida a
reta que a ele corresponde.
Na interseção da linha direta de visão com o nível visual,
Figura 9 Método de fica o ponto de fuga PF1 para todas as linhas paralelas à
localização de pontos linha direta de visão. Portanto, traçando-se linhas de
no piso ou teto PF1 através de A, B, C e D até as projeções de EH e FG
no plano de projeção, localizam-se os lados, piso e teto
da sala em perspectiva.
A figura 8 mostra como traçar linhas verticais e
horizontais nas paredes laterais. Na planta, os pontos L
e M representam linhas verticais na parede lateral
esquerda da sala, ou sejam, colunas ou painéis.
Traçando-se linhas através desses pontos, a partir de S
até o plano de projeção, e projetando-se perpendiculares
para cima, as linhas podem ser traçadas em sua posição
correta na parede lateral em perspectiva. KJ é uma linha
horizontal na mesma parede. A altura da linha em
relação ao solo ou sua distância do teto é conhecida, e é
marcada em escala ao longo da quina da sala, AD, no
plano de projeção; em seguida, a linha pode ser traçada
em perspectiva a partir de PF1.
A figura 9 mostra a localização de dois pontos O e P
no piso e no teto, respectivamente. A posição de ambos
é indicada na planta e, a partir delas, traçam-se retas a
um ângulo de 45° em relação ao plano de projeção; por
uma questão de conveniência, tomamos um à esquerda
e outro à direita. Examinando a figura 9, o leitor verá
como se obtêm os PF2 e PF3 para linhas que cruzam a
planta a ângulos de 45°. A partir do ponto no qual a reta
traçada de O, na planta, corta o plano de projeção,
traça-se uma vertical que vai interceptar o
prolongamento da linha inferior da parede do fundo. Em
seguida, traça-se uma reta a partir de PF2, passando
por essa intersecção, até encontrar outra reta que,
partindo de PF1, cruza a linha inferior da parede do
fundo no mesmo ponto em que uma perpendicular,
erguida do ponto O na planta, intercepta essa linha.
Fica assim localizado o ponto O na perspectiva. O ponto
P é localizado de forma semelhante, utilizando-se a
linha do teto da parede de fundo em lugar da linha do
piso.
No desenho em perspectiva, as linhas de
construção devem ser traçadas bem de leve, mas com
clareza e exatidão. O menor erro pode resultar
fortemente exagerado na perspectiva e pôr a perder
todo o desenho. Deve-se sempre estabelecer, em
primeiro lugar, as linhas principais do edifício ou objeto,
e ir traçando progressivamente os detalhes maiores até
chegar aos menores.

Perspectiva de Sombras
Os desenhos de projeto e de perspectiva podem
ser "finalizados", ou seja, coloridos ou tratados de várias
maneiras diferentes, mediante vários meios e técnicas,
com o objetivo de apresentar o projeto com maior
clareza do que seria possível a um mero desenho de
traços. Neste particular, um dos primeiros recursos é o
desenho de sombras, que põe em evidência as formas
tridimensionais e a relação entre os vários planos do
edifício ou objeto que se deseja mostrar.
De modo geral, pode-se dizer que existem duas
fontes de luz, cada uma das quais produz tipos
diferentes de sombras. A primeira é a luz do Sol que,
para fins práticos, se admite propagar em retas
paralelas, e a luz artificial, que, em sua forma mais
simples, parte de um único ponto. As sombras
projetadas pela luz artificial geralmente são maiores que
aquelas projetadas pelo sol, e têm um efeito mais
dramático.

Sombras Projetadas Pelo Sol


Uma vez que os raios do Sol são considerados
paralelos, as linhas de luz devem ter um ponto de fuga
comum em perspectiva. A fim de determinar a forma
das sombras em perspectiva, precisamos primeiro
encontrar o ponto de fuga das linhas de luz e das linhas
que representam seus planos. O ponto de fuga das
linhas dos planos ocorre na linha do horizonte. Uma vez
encontrados esses pontos de fuga, é relativamente
simples desenhar as sombras, embora esse processo
seja, às vezes, demorado.
Ponto de fuga
para
linhas de luz à
frente
do observador

Ponto de fuga para linhas


de luz em planta

PF1 PF2

PF2

Ponto de fuga para


linhas de luz atrás
do observador

x = ângulo formado pelos raios de luz com o plano de projeção

z = ângulo formado pelos raios de luz com o plano de terra

Figura 10 Determinação
de pontos de fuga para
construção de sombras

Geralmente a direção dos raios de luz é dada pelo


ângulo que os mesmos fazem com o plano de projeção em
planta e sua inclinação verdadeira em relação ao plano de
terra. O método mais direto é o que damos aqui (fig. 10).
A fim de localizar o ponto de fuga das linhas de luz que
incidem por trás do observador na direção do objeto,
suponhamos que os raios de luz formam um ângulo x com o
plano de projeção e um ângulo z com o plano de terra.
Para localizar o ponto de fuga das linhas de luz V2 em
perspectiva, traça-se uma linha do ponto de observação S
que intercepte o plano de projeção a um ângulo x no ponto
V1. Projeta-se então o ponto V1 até a linha do horizonte da
maneira usual; este é agora o ponto de fuga das linhas dos
planos
de raios de luz. Localiza-se o ponto Y no plano de
projeção fazendo-se a distância V1S igual à distância
V1Y. A partir do ponto Y no plano de projeção, traça-se
uma reta a um ângulo z que intercepte uma vertical
contendo V1 a fim de localizar V2: o ponto V2 é o ponto
de fuga para as linhas de luz. Os pontos V1 e V2 são
agora os pontos de fuga desejados, que nos permitem
desenhar as sombras projetadas por raios paralelos de
sol que incidem por trás do observador a um ângulo x em
relação ao plano de projeção e a um ângulo z em relação
ao plano de terra.
O ponto V3 pode ser localizado da mesma forma,
para determinação do ponto de fuga das linhas de luz
cuja origem está agora à frente do observador. A partir
do ponto Y, traça-se uma reta a um ângulo z que
intercepte o prolongamento da vertical que passa por V1
e V2 no ponto V3. Este ponto V3 é o ponto de fuga das
linhas de luz, e V1 é o ponto de fuga das linhas de plano
dos raios de luz. V1 e V3 são agora os dois pontos de luz
desejados, que nos permitem desenhar as sombras
projetadas por raios paralelos de sol cuja origem está à
frente do observador e que incidem a um ângulo x em
Figura 10d

relação ao plano de projeção e a um ângulo z em relação ao


plano de terra.
Utilizando o método já descrito para a localização de V1
e V3, podemos agora construir as sombras projetadas por
um objeto simples como o da figura 10b. Quando os raios de
luz provêm de um ponto situado à frente do observador, as
sombras do objeto são projetadas na direção do observador.
A figura 10c mostra a sombra projetada por um objeto
quando os raios de luz provêm de um ponto situado atrás do
observador. A figura 10d mostra a sombra projetada por um
poste ou objeto semelhante sobre a superfície vertical do
objeto. A figura 10e mostra a sombra projetada na superfície
vertical do objeto por uma extensão do mesmo. A partir
destes exemplos simples, poderemos construir, dados os
ângulos necessários, as sombras corretas de edifícios e
objetos.
O método empregado para determinar os pontos de fuga
das linhas de luz numa perspectiva de um só ponto é
exatamente o mesmo utilizado no caso de uma perspectiva
de dois pontos: por este motivo, julgamos desnecessário
entrar em maiores detalhes.
PF2

PF2

Figura 11 Sombras
projetadas por luz
artificial

A construção para o desenho de sombras projetadas


por luz artificial é muito semelhante àquela descrita
anteriormente para a luz do Sol, com a exceção de que os
pontos de fuga são substituídos por dois pontos que
representam a posição real da fonte de luz e sua posição em
planta no plano de terra. A figura 11 mostra exemplos típicos
de sombras projetadas por fontes de luz artificial. O ponto A
representa a fonte de luz, e o ponto A1 representa sua
posição em planta no plano de terra. Nos exemplos dados,
as sombras são construídas traçando-se retas do ponto A1
no plano de terra através dos pontos da planta do objeto, ou
sejam, as linhas de plano da luz. Em seguida, traçam-se
retas a partir do ponto A, que é a fonte de luz, através de
pontos do objeto de modo a interceptar as linhas de plano da
luz. A sombra é desenhada interligando-se esses pontos de
intersecção.

Perspectiva de Reflexos
Neste caso, o principal detalhe a ter em mente é que,
não importa qual a posição ocupada pela superfície refletora,
o reflexo de cada ponto do objeto parecerá estar à mesma
distância dessa superfície, e exatamente na direção oposta.
Este fato é ilustrado graficamente pela figura 12, e é tudo o
que precisamos saber no tocante ao desenho de reflexos em
perspectiva. O princípio do uso de diagonais que vemos na
figura 12b é exposto em maior detalhe nas figuras 18 e 19.

PF2

PF1 PF2

Método de localização da base da


superfície refletora mediante diagonais para
obtenção de retângulos iguais em perspectiva

PF2

Figura 12 Reflexos em
perspectiva
A

Pontos de Fuga de Linhas


Inclinadas

A fim de localizar os pontos de fuga de linhas


inclinadas em relação aos planos de terra e de projeção,
Figura 13 Pontos de fuga como linhas de telhado, etc., devemos primeiro escolher
de linhas inclinadas um ponto conveniente no plano de projeção e traçar aí
uma perpendicular a ser usada como linha de terra (fig.
13a). Usando-se a planta, projeta-se a elevação indicada
na figura.
Paralela à linha BC do telhado, traça-se uma reta, a
partir do ponto de observação S, que intercepte o plano
de projeção em V2. A partir do mesmo ponto S, traça-se
uma reta paralela à linha do telhado BD que intercepte o
plano de projeção em V1. Em seguida, traça-se uma
perpendicular através de PF1 e localiza-se V3 que dista
de PF1 o mesmo que V2 dista de X (sendo X o ponto em
que a linha central de visão intercepta o plano
de projeção). Da mesma forma, localiza-se V4, que
B

Método alternativo
B

dista de PF1 o mesmo que V1 dista de X. V3 e V4 são


agora os pontos de fuga para as linhas inclinadas do
telhado.
Quando existe um número de linhas inclinadas
paralelas, convém adotar o método demonstrado na
figura 13a; mas, quando o desenhista precisa somente
de uma ou duas, pode localizar os pontos da
extremidade da linha e traçar a linha inclinada entre
esses dois pontos, como se vê na figura 13£>. Neste
caso, a altura da cumeeira do telhado é medida na
elevação e marcada na linha de altura da perspectiva.
Localiza-se a posição do topo da cumeeira como se vê
na figura. Projeta-se uma reta a partir de PF1, através
do ponto B, para localizar o ponto E. Ligam-se os pontos
E-F e E-G, prolongando-se as retas até que elas
interceptem uma perpendicular que passa em PF1. Os
pontos nos quais EF e EG, em seus prolongamentos,
interceptam a perpendicular são V3 e V4,
respectivamente. Como no método anterior, estes são
os pontos de fuga para as linhas inclinadas do telhado.
Elevação Vista lateral

Planta.

Perspectivas com Mais de


Figura 14 Determinação de
dois ou mais conjuntos de
um Conjunto de Pontos de
pontos de fuga Fuga
Quando os objetos ou partes de objetos ficam
situados a ângulos diferentes entre si no plano de terra,
como se vê na figura 14a, é às vezes necessário usar
mais de um conjunto de pontos de fuga para a
construção de uma perspectiva correta. O objeto
ilustrado pela figura 14a pode ser tratado como dois
objetos separados, cada um dos quais tem seu próprio
conjunto de pontos de fuga. PF1 e PF2 são os pontos de
fuga da parte anterior do objeto, e PF3 e PF4 são os
pontos de fuga da parte posterior. Uma vez determinados
esses pontos, basta aplicar o método básico de
perspectiva já descrito anteriormente.
A figura 14b mostra o método empregado para
desenhar a perspectiva de um hexágono. Cada par de
lados tem seu próprio conjunto de pontos de fuga. Neste
caso particular, não indicamos PF6, pois este ponto de
fuga situa-se muito além dos limites do diagrama e, para
o exemplo em questão, basta-nos usar PF5.
Elevação Vista lateral

Planta.

Objetos Inclinados em Relação ao Plano de Terra


Nas construções anteriores, lidamos com
perspectivas que requerem somente dois pontos de fuga.
Se, porém, o objeto estiver inclinado em relação ao plano
de terra, será necessário localizar um terceiro ponto de
fuga para as linhas verticais, como mostra a figura 15a.
Utilizando um objeto retangular simples, podemos
demonstrar esse fato sem que a demonstração fique muito
complicada. O plano e a elevação foram preparados de
forma a mostrar os lados do objeto inclinados, tanto em
relação ao plano de terra como em relação ao plano de
projeção. A partir do ponto S1, traça-se uma reta paralela
ao lado do objeto que intercepte o plano de projeção no
ponto V4, e outra reta, perpendicular à primeira, que vá do
ponto S1 até o plano de projeção, que é interceptado em
V3. A partir do ponto S, traça-se uma vertical e, num ponto
conveniente, traça-se uma linha de terra perpendicular a
essa vertical. A uma distância a abaixo da linha de terra,
traça-se uma segunda reta paralela à linha de terra, sobre
a qual são projetados os pontos V1
e V2 para se obter os pontos PF1 e PF2,
Li
Li
i
L

i
L

Figura 15 Objetos
inclinados em relação ao
plano de terra

respectivamente. Acima da linha de terra, marca-se a


distância b para obter PF3. Os pontos PF1, PF2 e PF3
são os pontos de fuga necessários para desenhar a
perspectiva do objeto inclinado em relação ao plano de
terra e ao plano de projeção.
Em primeiro lugar, precisamos localizar os vários
pontos do objeto no plano de projeção, traçando linhas
que liguem esses vários pontos a SI. Na primeira
intersecção da linha de terra vertical com a linha de terra
horizontal, traça-se uma reta a 45°. A partir dos vários
pontos do plano de projeção, baixam-se perpendiculares
que interceptarão essa linha a um ângulo de 45°. A partir
desses pontos, traçam-se linhas horizontais até a
perpendicular que passa por S. Usando os pontos
Vista aérea ou "de pássaro”
PF1, PF2 e PF3, podemos agora completar o croqui do
objeto em perspectiva. Quando pronto, o desenho mostra
o objeto visto por baixo, o que, na linguagem adotada por
certos desenhistas, é conhecido como "vista de
minhoca".
Para produzir o desenho de um objeto visto de cima
— uma vista de "vôo de pássaro" — o princípio utilizado
é semelhante. A figura 15b ilustra esse método, que
difere do anterior apenas na localização do ponto de
observação acima do objeto. Uma vez preparadas a
planta e a elevação, as projeções são semelhantes à da
figura 15a e, pela união dos pontos obtidos, pode-se
traçar o croqui do objeto.
L

Figura 16 Vista
aérea alternativa
PF3

No exemplo ilustrado pela figura 16, é possível


trabalhar diretamente a partir de uma planta e
elevação normais. Precisamos, primeiro, localizar o
ponto de observação, tanto na planta como na
elevação (S e S1, respectivamente). Traça-se a linha
de visão a partir do ponto de vista ou
de observação (S1) até o objeto, de modo
que o centro de visão incida sobre a
perspectiva conforme indicado. Em seguida, traça-se o
plano de projeção na posição escolhida, perpendicular à
linha de visão (na elevação), de modo a interceptar a
linha de terra no ponto X. A linha X-X representa o plano
de projeção em planta no ponto em que ele intercepta a
linha de terra.
Uma vez que as linhas paralelas a AB e BC no
objeto são horizontais, seus pontos de fuga estarão
contidos na linha do horizonte. Para determinar a posição
da linha do horizonte, traça-se uma linha horizontal de S1
na elevação, que intercepte o plano de projeção em Y e,
de Y, traça-se uma reta Y-Y paralela ao plano de
projeção na planta. Agora, a partir do ponto de
observação S, traça-se SV1 e SV2, paralelas a AB e BC,
respectivamente, linhas estas que interceptam Y-Y em VI
e V2.
Para encontrar o ponto de fuga das linhas verticais
do objeto, traça-se uma reta através de S1 perpendicular
à linha de terra na elevação, e que intercepte o plano de
projeção produzido em V3. Agora, no croqui da
perspectiva, traça-se uma linha de terra numa posição
conveniente. O ponto de fuga V3 das linhas verticais do
objeto estará situado numa reta que passa em S,
perpendicular ao plano de projeção. Traçamos esta reta,
de modo a interceptar a linha de terra no croqui da
perspectiva. Localiza-se V3 a uma distância XV3 abaixo
da linha de terra, e projetam-se retas a partir de V1 e V2
que interceptem a horizontal em PF1 e PF2, que são os
pontos de fuga de todas as linhas paralelas a AB e BC.
Podemos agora traçar o croqui em perspectiva do
objeto, usando os três pontos de fuga e localizando os
pontos necessários por mera projeção. A fim de localizar
estes pontos, será necessária mais uma construção. Para
localizar o ponto C em perspectiva, temos que ligar S1 a
C na elevação, interceptando o plano de projeção em C1.
Agora, traçamos uma horizontal a partir de C1, para
representar o plano de projeção em planta ao nível de
C1, e ligar SC de modo a interceptar esta reta. A partir da
intersecção, projeta-se uma reta até a linha de terra no
croqui em perspectiva, e mede-se uma distância igual a
ZCT acima da linha de terra. Este ponto será a posição
de C na perspectiva. Cada um dos outros pontos
necessários podem ser determinados da mesma forma.

Perspectivas de Círculos e Cilindros


Para desenhar a perspectiva de um círculo, temos de
construir um quadrado em torno do círculo (fig. 17).
Usando o método descrito anteriormente para a
perspectiva de dois pontos, é possível construir o
quadrado que contém o círculo na posição que se
desejar. A seguir, traçam-se na planta as linhas AC, FH,
BD, etc., como mostra a figura 17. Essas linhas são
projetadas no plano de projeção pelo método usual, de
modo a ficarem localizadas na perspectiva. A partir do
ponto S, projeta-se no plano de projeção o ponto em que
o círculo intercepta a linha AC, determinando-se-o na
perspectiva. Todos os outros pontos de intersecção
podem ser determinados da mesma maneira. Uma vez
determinados todos os pontos necessários, é possível
desenhar, à mão livre, o croqui do círculo visto em
perspectiva.
PF2

Se
for necessário traçar um círculo maior ou mais
perfeito em perspectiva, usa-se um número maior de
diagonais. Estas são obtidas da mesma maneira
antes indicada e, a partir do exemplo dado, no qual
somente oito pontos foram usados para orientar o
traçado, o leitor verá que, quanto maior for o número
de pontos determinados na projeção, mais exata
será a perspectiva.
Figura 17 Perspectivas Mediante o mesmo método, podemos construir
de círculos e cilindros perspectivas de cilindros. A base é a mesma: um
círculo em planta é projetado para que se obtenha
um croqui em perspectiva. Em seguida, medindo-se
a altura necessária ao longo da linha de altura,
pode-se determinar a localização do plano superior
do cilindro. O contorno do círculo em perspectiva pode
agora ser traçado, pelo mesmo método já descrito, ou
projetando-se os pontos a partir da base.
Há muitas maneiras de poupar tempo quando se
quer desenhar a perspectiva de um objeto mas, antes
que o estudante lance mão de um desses recursos,
deve estar pelo menos familiarizado com as regras; do
contrário, poderá facilmente perder-se a meio caminho.
Embora este capítulo não pretenda ser um estudo
completo do desenho em perspectiva, contém a
informação de que normalmente se precisa, na prática,
para o preparo de perspectivas arquitetônicas,
perspectivas de interiores, perspectivas utilizadas em
engenharia civil, e perspectivas de móveis, acessórios e
a maioria dos objetos que o artista geralmente tem a
ocasião de incluir em seus desenhos.

Métodos de Aproximação
Com alguma experiência, o estudante descobrirá
que certos detalhes podem, muitas vezes, ser
aproximadamente reproduzidos em perspectiva, dentro
da estrutura geral de um desenho em perspectiva
corretamente construído. Quando aplicadas com
inteligência, essas aproximações podem poupar muito
tempo e produzir resultados igualmente satisfatórios. O
objetivo do desenho em perspectiva é produzir a
imagem mais fiel possível do objeto. Somente a prática
e a experiência podem nos transmitir o conhecimento
necessário para lançar mão dessas improvisações.
Um dos expedientes mais úteis no desenho em
perspectiva é o uso de diagonais quando se quer dividir
um objeto em partes iguais em perspectiva. Qualquer
objeto dividido em um número de seções ou partes
iguais pode ser rápida e corretamente construído
projetando-se o objeto inteiro e, em seguida, usando-se
uma diagonal que ligue o ponto A ao ponto B, como se
vê na figura 18a. Divide-se a vertical AC em um número
de partes igual ao número de seções que se deseja, e
projetam-se linhas na direção do ponto de fuga. Nos
pontos em que essas linhas interceptam a diagonal,
traçam-se então perpendiculares, que dividem o objeto,
neste caso, em quatro seções iguais em perspectiva.
Um outro método, ilustrado pela figura 18í>, é
construir inicialmente somente uma das seções. A partir
do centro da primeira vertical, traça-se uma reta até
PF2, como mostra o desenho. Traça-se então a
diagonal AB, cujo prolongamento irá interceptar a linha
do topo do objeto no ponto C. A partir de C, baixa-se
uma vertical, e repete-se o processo para determinar os
pontos D e E. O leitor verá pelos desenhos que o
resultado obtido é o mesmo da figura 18a.
O uso de diagonais para representar ladrilhos em
perspectiva poupará ao desenhista muito tempo e
trabalho. A figura 19a ilustra o método de construir um
piso ladrilhado numa perspectiva de um só ponto de
fuga. DCGH é o perímetro da área do piso. Como já
vimos antes, DC é uma linha de comprimento
determinado pela planta, de modo que podemos marcar
nela o tamanho dos ladrilhos que, neste exemplo, têm
30 cm de do lado. Divide-se DC em seções de 30 cm e
projetam-se linhas a partir de PF1, passando por cada
uma dessas divisões, até interceptar GH. Pela planta,
Figura 18 Método de podemos determinar o tamanho do lado HD que, no
aproximação caso em questão, é 3,30 m. Determina-se assim o ponto
X, sendo DX o comprimento, em planta, do lado HD.
Traça-se a linha XH e, através de cada intersecção,
traçam-se as horizontais, conforme se vê no desenho.
Uma simples contagem nos dirá se incluímos no
desenho o número certo de ladrilhos.
O método alternativo ilustrado pela figura 19b não é
tão preciso quanto o anterior, mas presta-se a muitos
fins. Divide-se a linha inferior no número desejado de
partes iguais e traçam-se linhas na direção de PF1. Em
seguida, localiza-se a grosso modo uma segunda reta
CD paralela à linha inferior AB, de modo a representar a
primeira fileira de ladrilhos. Escolhendo-se o ladrilho que
nos for mais conveniente, traçamos a reta EF, cujo
prolongamento irá interceptar todas as retas que ligam
AB a PF1. Através de cada intersecção, traçamos
À

linhas horizontais. Usando este método, veremos que os


ladrilhos aparecem na perspectiva correia no desenho.
Qualquer um dos dois métodos pode ser utilizado nos
figura 19 Outro método de casos em que não é essencial construir o piso a partir
aproximação de detalhes contidos em planta. Os exemplos que
demos aqui são muito simples, mas o leitor verá que o
uso da diagonal pode simplificar muitos problemas e
poupar horas de trabalho desnecessário.
Há uma quantidade de outros recursos que o
estudante irá descobrindo por si mesmo, à medida que
for se familiarizando com o desenho em perspectiva;
cada um deles, porém, deve ser cuidadosamente
examinado antes de serem adotados para uso geral, e
verificados a partir dos métodos de construção usuais.
Quaisquer erros tendem a parecer extremamente
ampliados no desenho em perspectiva, e podem causar
resultados catastróficos e considerável perda de tempo
quando não verificados e corrigidos à medida que o
trabalho prossegue.