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Algumas regras ortográficas


 Escreve -se com S e não com C/Ç as palavras substantivadas derivadas de
verbos com radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent.

Ex.: pretender - pretensão / expandir - expansão / ascender - ascensão / inverter -


inversão / aspergir aspersão / submergir - submersão / divertir - diversão /
impelir - impulsivo / compelir - compulsório / repelir - repulsa / recorrer -
recurso / discorrer - discurso / sentir - sensível / consentir - consensual

 Escreve -se com S e não com Z


o nos sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é substantivo, ou em
gentílicos e títulos nobiliárquicos.

Ex.: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa, etc.

o nos sufixos gregos: ase, ese, ise e ose.

Ex.: catequese, metamorfose.

o nas formas verbais pôr e querer.

Ex.: pôs, pus, quisera, quis, quiseste.

o nomes derivados de verbos com radicais terminados em d.

Ex.: aludir - alusão / decidir - decisão / empreender - empresa / difundir -


difusão

o no diminutivos cujos radicais terminam com s

Ex.: Luís - Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis - lapisinho

o após ditongos

Ex.: coisa, pausa, pouso

o em verbos derivados de nomes cujo radical termina com s.

Ex.: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar - pesquisar

 Escreve-se com SS e não com C e Ç.


o os nomes derivados dos verbos cujos radicais terminem em gred, ced,
prim ou com verbos terminados por tir ou meter

Ex.: agredir - agressivo / imprimir - impressão / admitir - admissão /


ceder - cessão / exceder - excesso / percutir - percussão / regredir -
regressão / oprimir - opressão / comprometer - compromisso / submeter -
submissão
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o quando o prefixo termina com vogal que se junta com a palavra iniciada
por s

Ex.: a + simétrico - assimétrico / re + surgir - ressurgir

o no pretérito imperfeito simples do subjuntivo

Ex.: ficasse, falasse

 Escreve -se com C ou Ç e não com S e SS.


o nos vocábulos de origem árabe

cetim, açucena, açúcar

o nos vocábulos de origem tupi, africana ou exótica

Ex.: cipó, Juçara, caçula, cachaça, cacique

o nos sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu.

Ex.: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço, esperança,


carapuça, dentuço

o nomes derivados do verbo ter.

Ex.: abster - abstenção / deter - detenção / ater - atenção / reter - retenção

o após ditongos

Ex.: foice, coice, traição

o palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r)

Ex.: marte - marciano / infrator - infração / absorto - absorção

 Escreve -se com Z e não com S.


o nos sufixos ez e eza das palavras derivadas de adjetivo

Ex.: macio - maciez / rico - riqueza

o nos sufixos izar (desde que o radical da palavra de origem não termine
com s)

Ex.: final - finalizar / concreto - concretizar

o como consoante de ligação se o radical não terminar com s.

Ex.: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ≠ lápis + inho - lapisinho

 Escreve -se com G e não com J


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o nas palavras de origem grega ou árabe

Ex.: tigela, girafa, gesso.

o estrangeirismo, cuja letra G é originária.

Ex.: sargento, gim.

o nas terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com poucas exceções)

Ex.: imagem, vertigem, penugem, bege, foge.

Observação
Exceção: pajem

o nas terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio.

Ex.: sufrágio, sortilégio, litígio, relógio, refúgio.

o nos verbos terminados em ger e gir.

Ex.: eleger, mugir.

o depois da letra “r” com poucas exceções.

emergir, surgir.

o depois da letra a, desde que não seja radical terminado com j.

Ex.: ágil, agente.

 Escreve -se com J e não com G


o nas palavras de origem latinas

Ex.: jeito, majestade, hoje.

o nas palavras de origem árabe, africana ou exótica.

Ex.: alforje, jibóia, manjerona.

o nas palavras terminada com aje.

Ex.: laje, ultraje

 Escreve -se com X e não com CH.


o nas palavras de origem tupi, africana ou exótica.

Ex. abacaxi, muxoxo, xucro.


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o nas palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J).

Ex.: xampu, lagartixa.

o depois de ditongo.

Ex.: frouxo, feixe.

o depois de en.

Ex.: enxurrada, enxoval

Observação
Exceção: quando a palavra de origem não derive de outra iniciada
com ch - Cheio - enchente)

 Escreve -se com CH e não com X.

Nas palavras de origem estrangeira

Ex.: chave, chumbo, chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.

A fim ou afim?

Escrevemos afim, quando queremos dizer semelhante. (O gosto dela era afim ao da
turma.)

Escrevemos a fim (de), quando queremos indicar finalidade. (Veio a fim de conhecer os
parentes. / Pensemos bastante, a fim de que respondamos certo. / Ela não está a fim do
rapaz.)

A par ou ao par?

A expressão ao par significa sem ágio no câmbio. Portanto, se quisermos utilizar esse
tipo de expressão, significando ciente, deveremos escrever a par.

Fiquei a par dos fatos. / A moça não está a par do assunto.

A cerca de, acerca de ou há cerca de?

A cerca de significa a uma distância. (Teresópolis fica a cerca de uma hora de carro do
Rio.)
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Acerca de - significa sobre. (Conversamos acerca de política.)

Há cerca de - significa que faz ou existe(m) aproximadamente. (Mudei-me para este


apartamento há cerca de oito anos. / Há cerca de doze mil candidatos, concorrendo às
vagas.)

Ao encontro de ou de encontro a?

Ao encontro de - quer dizer favorável a, para junto de. (Vamos ao encontro dos nossos
amigos. / Isso vem ao encontro dos anseios da turma.)

De encontro a - quer dizer contra. (Um automóvel foi de encontro a outro. / Este ato
desagradou aos funcionários, porque veio de encontro às suas aspirações.)

Há ou a?

Quando nos referimos a um determinado espaço de tempo, podemos escrever há ou a,


nas seguintes situações:

Há - quando o espaço de tempo já tiver decorrido. (Ela saiu há dez minutos.)

A - quando o espaço de tempo ainda não transcorreu. (Ela voltará daqui a dez minutos.)

Haver ou ter?

Embora usado largamente na fala diária, a gramática não aceita a substituição do verbo
haver pelo ter. Deve-se dizer, portanto, não havia mais leite na padaria.

Se não ou senão?

Emprega-se o primeiro, quando o se pode ser substituído por caso ou na hipótese de


que.

Se não chover, viajarei amanhã (= caso não chova - ou na hipótese de que não chova,
viajarei amanhã).

Se não se tratar dessa alternativa, a expressão sempre se escreverá com uma só palavra:
senão.

Vá de uma vez, senão você vai se atrasar. (senão = caso contrário). / Nada mais havia a
fazer senão conformar-se com a situação (senão = a não ser). / "As pedras achadas pelo
bandeirante não eram esmeraldas, senão turmalinas, puras turmalinas" (senão = mas). /
Não havia um senão naquele rapaz. (senão = defeito).
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Haja vista ou haja visto?

Apenas a primeira opção é correta, porque a palavra "vista", nessa expressão, é


invariável.

Haja vista o trágico acontecimento... (hajam vista os acontecimentos...)

Em vez de ou ao invés de?

A expressão em vez de significa em lugar de. (Hoje, Pedro foi em vez de Paulo. / Em
vez de você, vou eu para Petrópolis.)

A expressão ao invés de significa ao contrário de. (Ao invés de proteger, resolveu não
assumir. / Ao invés de melhorar, sua atitude piorou a situação.)

Significado das palavras


Para estudarmos o significado das palavras devemos conhecer os sinônimos, antônimos,
homônimos e parônimos.

 Palavras sinônimas - duas ou mais palavras identificam-se exatamente ou


aproximadamente quanto ao significado. As que se identificam exatamente se
dizem sinônimas perfeitas (cara e rosto). As que se identificam por
aproximadamente se dizem sinônimas imperfeitas (esperar e aguardar).
 Palavras antônimas - duas ou mais palavras têm significados contrários, como
amor e ódio vitorioso e derrotado
 Palavras homônimas - duas ou mais palavras apresentam identidade de sons ou
de forma, mas de significado diferente.

As palavras homônimas se apresentam como:

o perfeitas - mesma grafia e mesma pronúncia, mas com classes diferentes

Ex.: caminho (substantivo) e caminho (do verbo caminhar) / cedo


(advérbio) e cedo (do verbo ceder) / for (do verbo ser) e for (do verbo ir)
/ livre (adjetivo) e livre (do verbo livrar) / são (adjetivo) e são (do verbo
ser) / serrar (substantivo) e serra (do verbo serrar)

o homógrafas - mesma grafia e pronúncia diferente

Ex.: colher (substantivo) e colher (do verbo colher) / começo


(substantivo) e começo (do verbo começar) / gelo (substantivo) e gelo
(do verbo gelar) / torre (substantivo) e torre (verbo torrar)
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o homófonas - grafia diferente e mesma pronúncia

Ex.: acender (pôr fogo) e ascender (subir) / acento (tonicidade de


palavras) e assento (lugar para sentar-se) / apreçar (avaliar preços) e
apressar (acelerar) / caçar (perseguição e morte de seres vivos) e cassar
(anular) / cela (quarto pequeno), sela (arreio de animais) e sela (do verbo
selar) / cerrar (fechar) e serrar (cortar) / cessão (doação), seção (divisão)
e sessão (tempo de duração de uma apresentação ou espetáculo) /
concerto (apresentação musical) e conserto (arrumação) / coser (costurar)
e cozer (cozinhar) / sinto (do verbo sentir) e cinto (objeto de vestuário) /
taxa (imposto) e tacha (prego pequeno)

Observação
não se deve confundir os homônimos perfeitos com o conceito de
polissemia em que as palavras têm mesma grafia, som e classe
(ponto de ônibus, ponto final, ponto de vista, ponto de encontro etc.)

 Palavras parônimas - duas ou mais palavras quando apresentam grafia e


pronúncia parecidas, mas significado diferente.

Ex.: área (superfície) e ária (melodia) / comprimento (extensão) e cumprimento


(saudação) / deferir (conceder) e diferir (adiar) / descrição (ato de descrever) e
discrição (reserva em atos e atitudes) / despercebido (desatento) e desapercebido
(despreparado) / emergir (vir a tona, despontar) e imergir (mergulhar) /
emigrante (quem sai voluntariamente de seu próprio país para se estabelecer em
outro) e imigrante (quem entra em outro país a fim de se estabelecer) / eminente
(destacado, elevado) e iminente (prestes a acontecer) / fla grante (evidente) e
fragrante (perfumado, aromático) / fluir (correr em estado fluido ou com
abundância) e fruir (desfrutar, aproveitar) / inflação (desvalorização da moeda) e
infração (violação da lei) / infringir (transgredir) e infligir (aplicar) / ratificar
(confirmar) e retificar (corrigir) / tráfego (trânsito de veículos em vias públicas)
e tráfico (comércio desonesto ou ilícito) / vultoso (que faz vulto, volumoso ou de
grande importância) e vultuoso (acometido de congestão da face)

Encontro vocálico
Seqüência de sons vocálicos (vogais e/ou semivogais) que pode ocorrer numa mesma
sílaba ou em sílabas separadas. As vogais serão as pronunciadas mais fortes, enquanto
as semivogais serão mais fracas na emissão e sempre átonas. São três tipos de encontros
vocálicos: hiatos, ditongos e tritongos.

 hiatos

seqüência de duas vogais em sílabas diferentes. (saúde, cooperar, ruim, crêem)

 ditongos
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vogal e semivogal pronunciadas numa só sílaba, independente da ordem destas.


Estes podem ser classificados em decrescentes ou crescentes e orais ou nasais.

o dit. crescente - SV + V (glória, qual, freqüente, tênue)


o dit. decrescente - V + SV (pai, chapéu, muito, mãe)
o dit. nasal - com índices claros de nasalidade: a presença de ~ e as letras
m ou n em fim de sílaba (mão, quando, também [~ei])
o dit. oral - os ditongos não nasais são ditos orais.
 tritongos

uma vogal entre duas semivogais numa só sílaba. (Uruguai, saguões, enxaguou,
delinqüem [ueim])

Também podem ser classificados em nasais ou orais, seguindo os mesmos


princípios dos ditongos.

Observações
o a é sempre vogal e se estiver acompanhada de outra(s)
"vogal" na mesma sílaba, esta será semivogal.
o i e u geralmente funcionam como semivogais, mas e e o
podem também desempenhar este papel.
o am / em, em fim de palavra, correspondem aos ditongos ao /
ei nasalisados
o falsos ditongos - quando átonos finais, os encontros (ia, ie,
io, oa e ua) são normalmente ditongos crescentes, mas também
podem ser hiatos. Se esses grupos não forem finais nem átonos, só
podem ser hiatos. (his-tó-ria ou ri-a, geo-gra-fi-a, di-e-ta, di-á-li-se,
pi-ru-á - marcadas as sílabas tônicas).
o encontros instáveis - além dos falsos ditongos, são os
encontros de i ou u (átonos) com a vogal seguinte (piaga, fel, prior,
muar, suor, crueldade, violento, persuadir). Tais encontros, na fala
do RJ, tendem a hiatos, segundo Rocha Lima.
o os encontros de palavras como praia, maio, feio, goiaba e
baleia são separados de forma a criar um ditongo e uma vogal
sozinha depois.

Encontro consonantal
Seqüência de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediária, desde que não
constituam dígrafo. Podem ocorrer na mesma sílaba ou não (perfeitos/próprios ou
imperfeitos/impróprios) - pe-dra, cla-ro, por-ta, lis-ta.

Os encontros (gn, mn, pn, ps, pt e tm) não são muito comuns. Quando iniciais, são
inseparáveis. Quando mediais, criam uma pronúncia mais difícil. (gnomo/digno,
ptialina/apto). No uso coloquial, há uma tendência a destruir esse encontro, inserindo
uma vogal epentética i.

Observação
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quando x corresponde a cs, há um encontro consonantal fonético. Nesse caso, x é


chamado de dífono.

Dígrafo
Grupo de duas letras, representando um só fonema. São dígrafos em língua portuguesa:
lh, nh, ch, rr, ss, qu (+e ou i), gu (+e ou i), sc, sç, xc, além das vogais nasais (V+m ou n
- chamados dígrafos vocálicos)

Os encontros gu e qu ,se forem usados com trema ou acento, não serão dígrafos, uma
vez que o u será pronunciado. (quilo ≠ tranqüilo, enxágüe, averigúe)

Observações
 letra diacrítica - segunda letra do dígrafo e não é fonema (membro - 1º m é
fonema; o segundo, letra diacrítica). Letra h no início de palavra não é
fonema nem forma dígrafo e classifica-se como letra etimológica.
 o trema é usado nos grupos qu e gu (antes de E ou I), quando esse u, átono,
soa. Dessa maneira, o trema é responsável por desfazer o dígrafo, uma vez
que o u é pronunciado e, portanto, fonema.

Frase, oração e período


Frase - todo enunciado de sentido completo, capaz de estabelecer comunicação. Podem
ser nominais ou verbais.

Oração - enunciado que se estrutura em torno de um verbo ou locução verbal.

Período - constitui-se de uma ou mais orações. Podem ser simples ou compostos.

Observação
haverá num período tantas orações quanto forem os verbos, considerando locuções
verbais e tempos compostos como um só verbo.

Sujeito
O verbo mantém relação de concordância com seu sujeito. A composição do sujeito
explícito pode ser uma única palavra ou um conjunto de palavras (onde se deve
determinar o núcleo ou núcleos), incluindo também as orações substantivas subjetivas.

Podem ser núcleo do sujeito: substantivo ou um equivalente dele (pronomes


substantivos, numerais substantivos ou palavras substantivadas).
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Tipos de sujeito

Os tipos de sujeito são basicamente dois, segundo Pasquale e Ulisses, determinado


(simples, composto e oculto) e indeterminado (indeterminado e oração sem sujeito).

 simples - possui um núcleo.

Ex.: Maria esteve aqui / Alguém me viu / Duas vieram

Observação
o pronome oblíquo átono pode funcionar como suj. de um verbo no
infinitivo. Isso ocorre quando se tem na 1ª oração um verbo causativo
(deixar, mandar, fazer...) ou sensitivos (ver, ouvir, sentir...) - o chefe
mandou-o trabalhar / não o vimos entrar

 composto - possui mais de um núcleo, independente de sua ordem na frase.

Ex.: João e eu visitamos a moça / Jessé ou José casará com ela? / Estão aqui o
seu dinheiro e sua bolsa!

Observação
nos casos de inversão do suj. a verbos intransitivos (aparecer, chegar, correr,
restar, surgir...), pode-se confundi-lo com objeto. Deve-se sempre examinar
a natureza do verbo, para não se deixar enganar - apareceu, enfim, o cortejo
real

 sujeito oculto, elíptico ou desinencial - determinado, mas implícito na desinência


verbal (DNP) ou subentendido através de uma frase anterior. Deve-se atentar
para a 3ª pessoa do plural, onde não há sujeito oculto eles ou elas e sim um caso
de sujeito indeterminado.

Ex.: Vivemos felizes / "Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela
divisão do trabalho" - G. Ramos / Beba esse leite, menino!

 indeterminado - quando não se pode (ou não se quer) precisar que elemento é o
sujeito. Ocorre de duas maneiras: verbo na 3ª pessoa do plural, sem sujeito
explícito ou 3ª pessoa do singular (exceto VTD) + SE. (Nunca lhe ofereceram
emprego / Precisa-se de empregados)

Observação
a oração de suj. indeterminado com a partícula se não pode ser transformada
em voz pass. analítica. Havendo essa possibilidade, a palavra se deve ser
interpretada como pronome apassivador - celebrou-se a missa - a missa foi
celebrada

 oração sem sujeito - o processo verbal encerra-se em si mesmo, sem atribuição a


nenhum ser. Ocorre sempre com verbos impessoais nos seguintes casos: verbos
que exprimem fenômenos da natureza; verbos fazer, ser, ir e estar indicando
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tempo cronológico ou clima (no caso do ser, também distância); verbo haver =
existir ou em referência a tempo decorrido.

Ex.: Choveu demais / São três anos de solidão / Há cem voluntários / Há muitos
anos não o vejo / Vai para dois meses de espera

Observação
os verbos impessoais não apresentam sujeito e devem permanecer na 3ª
pessoa do singular (exceto o verbo ser, que também admite a 3ª pessoa do
plural). Quando um verbo auxiliar se junta a um verbo impessoal, a
impessoalidade é transmitida a ele.

Predicado
4.3.1. Verbos
4.3.2. Predicado nominal
4.3.3. Predicado verbal
4.3.4. Predicado verbo-nominal

Apresenta-se em três tipos:

 verbal - núcleo é um verbo significativo, nocional que traz uma idéia nova ao
sujeito (transitivo ou intransitivo)
 nominal - núcleo do predicado é um nome (predicativo). O verbo não é
significativo, funcionando apenas como ligação entre o sujeito e o predicativo
 verbo-nominal - contém dois núcleos: verbo significativo e um predicativo

Observação
Quando houver verbo de ligação, o predicado será necessariamente nominal e
quando houver predicativo do objeto, o predicado será verbo-nominal sempre.

Para se classificar o predicado, torna-se indispensável o estudo dos tipos de verbos


(transitivos, intransitivos e de ligação).

Verbos

 ligação - expressam estado permanente ou transitório, mudança ou continuidade


de estado, aparência de estado (ser, estar, permanecer, ficar, continuar, parecer,
andar = estar). Deve-se entender que estes verbos não serão mais de ligação se
não estabelecerem relação entre sujeito e seu predicativo. (Ando preocupado /
Andei cem metros, Fiquei triste / Fiquei na sala, Permaneceu suspensa /
Permaneceu no cargo)
 intransitivo - quando a significação verbal está inteiramente contida no verbo,
não necessitando de complementação.
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 transitivo - pedem complementos verbais para completarem a sua significação.


Podem ser transitivos diretos, indiretos e diretos e indiretos, dependendo do
complemento.

Predicado nominal

É formado por um verbo de ligação acrescido de um nome (substantivo, adjetivo ou


pronome), dito predicativo do sujeito. O núcleo deste predicado é o predicativo, uma
vez que o verbo somente estabelece ligação.

Ex.: O rapaz estava apreensivo. / Ela caiu de cama. / A mãe virou bicho naquele dia.

Predicado verbal

É formado por um verbo transitivo ou intransitivo, isto é, um verbo que não seja de
ligação. Neste caso, o verbo será sempre significativo, constituindo o núcleo do
predicado verbal

Ex.: Os passageiros desceram. / Comprei flores. / Comprei-lhe flores.

Predicado verbo-nominal

Encerra em si mesmo uma união de predicados. Apresenta um verbo significativo


(núcleo do predicado verbal) e um predicativo (núcleo do predicado nominal), portanto
dois núcleos.

Ex.: Ela entrou risonha na sala. / João abaixou os olhos pensativo. / Considero
inexeqüível o projeto exposto.

A regência verbal é importante para se compreender que os verbos devem ser


classificados em função do contexto em que se apresentam. Há casos de verbos que
aparecem com transitividades diferentes se os contextos foram trocados.

Ex.: Perdoai sempre. - intransitivo / Perdoai as ofensas - transitivo direto / Perdoai aos
inimigos - transitivo indireto / Perdoai as ofensas aos inimigos. - transitivo direto e
indireto

Observação
verbos transobjetivos: julgar, chamar, nomear, eleger, proclamar, designar,
considerar, declarar, adotar, ter, fazer, tornar, encontrar, deixar, ver, coroar, sagrar,
achar etc.
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Predicativo
Expressa um estado ou qualidade do sujeito ou do objeto. Pode ser representado por:
substantivo ou expressão substantivada, adjetivo ou locução adjetiva, pronome, numeral
ou oração subordinada substantiva predicativa.

Ex.: Os filhos são frutos / Ela era chata e sem utilidade / Os próximos seremos nós /
Todos eram um / O difícil era que ele viesse

O predicativo pode referir-se ao objeto, sendo mais raramente ao objeto indireto.


Exprime, às vezes, a conseqüência do fato indicado pelo predicado verbal.

Ex.: Elegeram o macaco Tião governador / Todos lhe chamavam ladrão

Observação
O predicativo pode vir precedido de preposição (de, em, para, por), de locução
prepositiva ou da palavra como (Ele formou-se de advogado / Considerei-o como
um farsante

Observe alguns predicativos do objeto: Todos nos julgam culpados / Considero uma
verdade isso / As paixões tornam os homens cegos / Acho razoáveis suas pretensões / O
maior desprazer de um homem é ver a amada triste / O governador nomeou a professora
reitora / O juiz julgou o recurso improcedente.

Complementos verbais
4.5.1. Objeto direto
4.5.2. Objeto indireto
4.5.3. Objeto representado por pronome oblíquo
4.5.4. Objeto pleonástico

São termos que complementam a significação de um verbo transitivo, isto é, de sentido


incompleto. Podem ser diretos ou indiretos em função de se ligarem ou não ao verbo
por preposição necessária.

Objeto direto
4.5.1.1. Objeto direto preposicionado
4.5.1.2. Objeto direto interno

Completa um verbo transitivo direto sem se ligar a ele por preposição necessária.
Representa-se por: substantivo, pronome substantivo, numeral, palavra ou expressão
substantivada ou oração subordinada substantiva objetiva direta.

Ex.: Amava a mulher / Não direi nada / Ele deixou cinco caídos / Use aquele i
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Pode indicar: o ser sobre o qual recai a ação verbal, o resultado da ação ou o conteúdo
da ação.

Ex.: Castigou o filho / Construiu uma bela casa / Contestou sua reeleição

Objeto direto preposicionado

Completa o sentido de um verbo transitivo direto, com o uso de uma preposição não
regida pelo verbo. Alguns casos deste emprego são indicados pela gramática:

 com as formas tônicas dos pronomes pessoais - Ele conquistou a mim com
sabedoria
 com o pronome quem com antecedente expresso - Perdi meu pai a quem muito
amava
 com o nome Deus - Ame a Deus
 quando se coordenam pronome pessoal átono e substantivo - Ele o esperava e
aos convidados.
 com verbo trans. direto usado impessoalmente + se - Aos pais ama-se com
carinho
 para evitar ambigüidade - "Vence o mal ao remédio" (A. Ferreira)

Objeto direto interno


Construído em cima de um pleonasmo, traz um complemento que já tem sua idéia
semanticamente expressa pelo verbo (Viverei a vida intensamente. / Choramos um
pranto sentido).

Objeto indireto

Complemento ligado a um verbo transitivo indireto, ligado a ele por meio de uma
preposição necessária (a, mais raramente para), regida pelo verbo.

Pode ser representado por: substantivo ou expressão substantivada, pronome


substantivo, numeral ou oração subordinada substantiva objetiva indireta.

Ex.: Ele divergiu do rapaz / A moça apresentou-o a elas / A mãe gostava de ambos

Objeto representado por pronome oblíquo

Os pronomes pessoais oblíquos, como foi visto no estudo da morfologia, são indicados
para uso sintático de objetos.
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Os pronomes o, a, os, as são utilizados para substituir o objeto direto. Já os pronomes


lhe, lhes substituem o objeto indireto. Os demais pronomes oblíquos átonos (me, te, se,
nos e vos) tanto podem ser empregados para substituir objeto direto quanto indireto.
Neste último caso, deve-se analisar a transitividade verbal para classificar o
complemento.

Ex.: Emprestei-o / O assunto interessa-lhe / Telefonou-me / Convidaram-nos

Cabe também destacar que com a utilização dos pronomes como objeto indireto a
preposição não aparece, dificultando um pouco a análise.

Ex.: Comprei um presente a ela = comprei-lhe um presente

Objeto pleonástico

Recurso utilizado para chamar a atenção para o objeto, que antecede o verbo. O objeto
deslocado é repetido através de um pronome pessoal átono.

Ex.: Estas obras, já as li no ano passado / Ao avarento, nada lhe satisfaz

Agente da passiva
Nas orações de voz passiva analítica, é o elemento que pratica a ação verbal, daí seu
nome de agente, uma vez que o sujeito é paciente. Seu emprego na forma analítica não é
obrigatório, podendo ser omitido em função de ter menor importância.

O agente da passiva vem precedido de preposição (de, per, por).

Ex.: A casa foi construída com esforço (Por quem?) / Vários exércitos foram vencidos
pelos romanos

Complemento nominal
Tanto o CN como o OI vêm precedidos de preposição obrigatória, mas a palavra que
rege esta preposição é diferente nos dois casos: nome (substantivo, adjetivo ou
advérbio) no CN e verbo no OI.

Ex.: ofensivo à honra, contrariamente aos nossos anseios, compreensão do mundo ¹


obedecer aos princípios, precisar de auxílio

Deve-se marcar que há uma relação de regência nominal envolvendo o emprego do CN,
que é termo regido. Muitas vezes o nome cuja significação o CN integra tem raiz verbal
(amar o trabalho - amor ao trabalho / confiar em Deus - confiança em Deus). Quando
um termo preposicionado se liga a um advérbio ou adjetivo, não há dúvida de que o
termo regido é um CN.
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No entanto, quando um termo preposicionado liga-se a um substantivo, deve-se fazer


uma análise mais criteriosa. Esse substantivo deve apresentar uma transitividade em si
mesmo, para ser caracterizado como CN. São casos de substantivos ditos transitivos:

 substantivo abstrato de ação, correspondente a verbo cognato que seja transitivo


ou que peça complementação adverbial de circunstância

Ex.: inversão da ordem - onde o verbo de "inverter a ordem" é trans. direto /


obediência aos pais - onde o verbo de "obedecer aos pais" é trans. indireto / ida a
Roma - onde o verbo de "ir a Roma" pede adjunto adverbial

 substantivo abstrato de qualidade, derivado de adjetivo que se possa usar


transitivamente

Ex.: certeza da vitória - onde se pode construir "certo da vitória" / fidelidade aos
amigos - onde se pode construir "fiel aos amigos"

Observação
se perderem o caráter abstrato, os substantivos deixam de reger CN

Adjunto adnominal
Acompanha um substantivo, núcleo de uma função sintática qualquer, procurando
caracterizá-lo, determiná-lo ou individualizá-lo

O adj. adnominal pode ser expresso por: artigos, numerais ou pronomes adjetivos,
adjetivos e locuções adjetivas. A um mesmo núcleo podem-se subordinar adjuntos
adnominais de naturezas diferentes.

O adj. adnominal constituído de artigo ou pronomes adjetivo pode aparecer combinado


ou contraído com uma preposição, que não possui função sintática.

Ex.: Naquele dia (aquele é adj. adnominal, mas em não possui função sintática)

São considerados adjuntos adnominais os pronomes oblíquos com valor possessivo


(pisou-me o pé = o meu pé / tirou-nos até a roupa = até a nossa roupa). Neste caso,
alguns autores divergem entendendo-o como OI.

Quando é representado por um loc. adjetiva, é comum confundir o adj. adnominal com
o CN, por causa da preposição.

CN X Adj. adnominal
 Adj. adnominal qualifica, especifica, enquanto CN integra a significação
antecedente e nunca indica posse
 CN pode referir-se a um substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio, mas o
adjunto adnominal só se refere ao substantivo
18

 CN são exigidos pela transitividade do nome a que se ligam. Um grande número


de nomes que pedem complemento são substantivos abstratos derivados de
verbos significativos

Ex.: Matou os mosquitos - matança de mosquitos, onde "de mosquitos" é o CN

 CN é paciente ou alvo da noção expressa pelo nome (sentido passivo)


 Adj. adnominal indica agente ou o possuidor da noção expressa pelo substantivo
(sentido ativo), além de também poder expressar especificação. (Pegue esse
prato de porcelana / Esta é a casa de Paulo)

Assim como em qualquer análise sintática, deve-se considerar o contexto frasal para
este tipo de distinção. Um mesmo substantivo pode aparecer em uma frase com CN e
noutra com adj. adnominal.

A invenção de palavras caracteriza a obra de Guimarães Rosa. (CN - "palavras" é


paciente da ação contida no substantivo "invenção")

A invenção de Santos Dumont abriu caminho para o futuro. (Adj. adnominal - "Santos
Dumont" é o agente da ação expressa pelo substantivo "invenção")

A plantação de cana enriqueceu a economia do país. (CN - pois "plantação" tem valor
abstrato da ação de plantar cujo objeto/paciente é "cana")

O fogo destruiu toda a plantação de cana. (Adj. adnominal - porque "plantação" aqui é
concreto, logo intransitivo)

Adjunto adverbial
Apesar poder se referir ao verbo, o adj. adverbial não é complemento verbal, mas um
termo acessório que acrescenta determinada circunstância ao que se refere.

Pode ser representado por um advérbio ou uma locução adverbial, indicando alguma
circunstância. Quando expresso por um advérbio, pode modificar um adjetivo ou outro
advérbio. Incluem-se como adj. adverbiais também as palavras e expressões denotativas

Ex.: Costumava falar em altos brados (modo), Aonde você vai? (lugar), Ele é muito
bom goleiro (intensidade), Retirou a terra com a pá (instrumento)

Observação
não confundir predicativo do sujeito com adj. adverbial de modo. Este último é
invariável e se refere ao verbo, enquanto o predicativo é variável e concorda com o
suj. a que se refere.
19

Aposto
Termo ou expressão de caráter individualizador ou de esclarecimento, que acompanha
um elemento da oração, qualquer que seja a função deste.

Conforme o sentido que empresta a seu referente, pode ser analisado como:

 explicativo - Mariovaldo, meu primo, esteve aqui.


 enumerativo - Eis os três rapazes: José, Ruan e Sérgio
 recapitulativo ou resumitivo - Os pais, os netos e as primas, todos estavam
radiantes
 distributivo - Matemática e Biologia são ciências, aquela exata e esta humana
 aposto de oração - A resposta foi ríspida, sinal de ignorância / Foi rápido nos
exercícios, fato que me surpreendeu
 especificativo - O poeta Olavo Bilac / O estado de Tocantins / A serra de
Teresópolis

Observação
o aposto especificativo não se confunde com adj. adnominal pois, no caso do
aposto, ambos os termos designam o mesmo ser. Ex.: A cidade de Londres ¹ A
neblina de Londres

Caso faça referência a OI, CN ou adj. adverbial, pode aparecer precedido de preposição.

De maneira geral, o aposto explicativo é destacado por pausas, podendo ser


representadas por vírgulas, dois pontos ou travessões. Pode vir precedido de expressões
explicativas do tipo: a saber, isto é, quer dizer etc.

Observação
aposto especificativo não se separa de seu referente por nenhum sinal de pontuação.
Neste caso, pode o aposto vir precedido de preposição.

Cabe observar o aposto nestas proposições: Ele salvou-se do naufrágio, porém jóias,
roupas, documentos, o mais naufragou com o navio / (...) porém, o mais - jóias, roupas,
documentos - naufragou com o navio

Vocativo
Termo ou expressão de natureza exclamativa que tem função de invocar ou destacar
alguém ou ente personificado. Não mantém relação sintática com qualquer outro
elemento da oração, por isso não faz parte do sujeito ou do predicado.

Virá sempre marcado por pontuação e admite a anteposição de interjeição de


chamamento.
20

Ex.: Ei!, amigo, espere por mim / "Pai, afasta de mim esse cálice" / "Gosto muito de
você, leãozinho"

Tipos de oração
absoluta - é a que forma um período simples

coordenada - mantém com outra uma relação sintática de independência

subordinada - é aquela que depende sintaticamente de outra oração (OP)

principal - é aquela da qual a oração subordinada depende

intercalada - é independente e de cunho esclarecedor ("Meu pai - Deus o guarde -


mostrou-me o caminho do bem")

Coordenação
5.2.1. Tipos de orações coordenadas

Sindéticas X Assindéticas - em função da presença ou não do síndeto (conjunção)

São as orações coordenadas sindéticas que serão classificadas em função da idéia


expressa pela conjunção que as une. Essas orações, sejam elas sindéticas ou não,
mantêm o mesmo valor sintático, sendo a primeira o ponto de partida para a relação
semântica estabelecida (para RL, coordenada culminante).

Tipos de orações coordenadas

 Aditivas - relacionam pensamentos similares - e e nem, a primeira une duas


afirmações; a segunda (+e não), une duas negações (Não veio nem telefonou).
 Adversativas - relacionam pensamentos contrastantes - mas (adversativa por
excelência), porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto (marcam uma
espécie de concessão atenuada) (A estrada era perigosa, entretanto todos
queriam visitá-la).
 Alternativa - relacionam pensamentos que se excluem - ou, ora ... ora, quer ...
quer, já ... já, seja ... seja (Ora chama pela mãe, ora procura o pai)
 Conclusiva - relacionam pensamentos tais, que o segundo encerra a conclusão
do enunciado do primeiro - logo, portanto, pois, por conseguinte,
conseqüentemente etc. (Falta carne no mercado, portanto conheça a comida
vegetariana).
21

 Explicativa - relacionam pesnamentos em seqüência justificativa, de tal forma


que a segunda frase explica a razão de ser da primeira - que, pois, porque,
porquanto (Vou sair, que aqui está muito abafado).

Observações
 A conjunção aditiva e pode aparecer com valor adversativo("É ferida que
dói e não se sente.") e conclusivo (Ele estudou muito e passou no concurso)
 A conjunção mas (adversativa) pode aparecer com valor aditivo (Era um
homem trabalhador, mas principalmente honesto).
 A conclusão de uma premissa deve vir em último lugar e é frase que não se
pode inverter como as demais coordenadas ("Penso; logo, existo.").
 São chamadas fórmulas correlativas: não só ... mas também / não só ... mas
ainda / não só ... senão também).
 As conjunções de valor adversativo podem ser deslocadas, exceto MAS, que
se usa em começo de oração.
 A conjunção POIS pode ter valor explicativo (iniciando a oração) ou
conclusivo (deslocada).

Subordinação
5.3.1. Substantiva
5.3.2. Adjetiva
5.3.3. Adverbial

As orações subordinadas podem ser classificadas quanto à sua função em substantivas,


adjetivas e adverbiais.

Substantiva

Tem função sintática própria dos substantivos; introduzida, basicamente, pelas


conjunções integrantes que e se. Além das conjunções integrantes, podem ser
introduzidas, também, por pronomes ou advérbios interrogativos.

Ex.: Você sabe quem fez isso?, Ignora-se quantos são os responsáveis, Não sei quando
voltarei.

A função da or. sub. substantiva depende da estrutura da oração principal.

Tipos de orações substantivas:

 subjetiva - sujeito do verbo da oração principal (É necessário que ele viaje)

Tem-se or. sub. subjetiva se, na OP, tiver:


22

o verbos do tipo - convém, urge, ocorre, importa, acontece, parece, consta,


corre, cumpre, dói... na 3ª pessoa do singular (Convém que estudes)
o verbos na voz pass. sintética - verbo + SE (Sabe-se que tudo vai bem)
o verbo na voz pass. analítica - ser, estar, ficar + particípio do VP (Foi
avisado que ele viria)
o verbos ser, estar, ficar + subs. ou adj. (Seria conveniente que nós
voltássemos / É bom que estejamos juntos)
 objetiva direta - OD do verbo da oração principal, necessita da presença de um
verbo trans. direto na or. principal (Espero que ele volte)
 objetiva indireta - OI do verbo da oração principal, necessita de um verbo trans.
direto ou trans. direto e indireto na or. principal (Necessito de que ele volte)
 completiva nominal - CN de um subs. ou adj. da oração principal (Tenho
necessidade de que ele volte)
 predicativa - predicativo da oração principal. Funciona como predicativo do
sujeito da or. principal com verbo de ligação (Minha esperança é que ele volte)
 apositiva - aposto de um termo da oração principal (Espero somente isto: que ele
volte)

Observação
Não há referência à oração que teria papel de ag. da passiva na NGB. Estas seriam
introduzidas por pronomes indefinidos (quem, quantos, qualquer...) precedidos de
preposição por ou de. (A equipe será formada por quem souber ao menos ler)- RL
nem menciona, mas F e M o fazem.

Adjetiva
5.3.2.1. Função sintática dos pronome relativo

Exerce a função sintática de adjunto adnominal de um termo da OP, sendo introduzida


por pronome relativo (que, qual/s, como, quanto/a/s, cujo/a/s, onde). Estes pronomes
relativos podem ser precedidos de preposição.

Tipos de oração subordinada adjetiva


Restritiva Explicativa
restringe o sentido da OP explica o sentido da OP
é indispensável é dispensável
sentido particularizante do antecedente sentido universalizante do antecedente

Ex.: Grande Sertão: Veredas, que foi publicado em 1956, causou muito impacto.(O. S.
S. adjetiva explicativa) / O professor castigava os alunos que se comportavam mal. (O.
S. S. adjetiva restritiva)

Observação
Geralmente, as orações explicativas vêm separadas da OP por vírgulas ou
travessões.
23

Função sintática dos pronome relativo

Os pronomes relativos que introduzem as or. sub. adjetivas desempenham funções


sintáticas. Para esse tipo de análise, deve-se substituir o pronome relativo por seu
antecedente e proceder a análise como se fosse um período simples.

O homem, que é um ser racional, aprende com seus erros - sujeito

Os trabalhos que faço me dão prazer - objeto direto

Os filmes a que nos referimos são italianos - objeto indireto

O homem rico que ele era hoje passa por dificuldades - pred. do sujeito

O filme a que fizeram referência foi premiado - complemento nominal

O filme cujo artista foi premiado não fez sucesso - adj. adnominal

O bandido por quem fomos atacados fugiu - ag. da passiva

A escola onde estudamos foi demolida - adj. adverbial

Observações
 cujo sempre funciona como adj. adnominal; onde como adj. adverbial de
lugar e como será adj. adverbial de modo.
 relativo preposicionado - OI, CN, Adj. adverbial, Agente da passiva /
relativo não preposicionado - Sujeito, OD, Predicativo do sujeito

Adverbial

Correspondem sintaticamente a um adjunto adverbial, sendo introduzidas por conj.


subordinativas adverbiais. A ordem direta do período é OP + oração subordinada
adverbial, entretanto muitas vezes a oração adverbial vem antes da OP.

Tipos de orações adverbiais:

 Causal - fator determinante do acontecimento relatado na OP. (Saí apressado,


porque estava atrasado)

Principais conjunções: porque, porquanto, desde que, já que, visto que, uma vez
que, como, que...

Observação
a oração causal introduzida por como fica obrigatoriamente antes da
principal.
24

 Consecutiva - resultado ou efeito da ação manifesta na OP. (Saímos tão


distraídos, que esquecemos os ingressos)

Principais conjunções: que (precedido de tão, tal, tanto, tamanho), de maneira


que, de forma que...

 Comparativa - comparação com o que aparece expresso na OP, buscando entre


elas semelhanças ou diferenças. Pode aparecer com o verbo elíptico. (Naquele
lugar chovia, como chove em Belém)

Principais conjunções: assim como, tal qual, que, do que, como, quanto...

 Condicional - circunstância da qual depende a realização do fato expresso na


OP. (Sairei, se você der autorização)

Principais conjunções: se (=caso), caso, contanto que, dado que, desde que, uma
vez que, a menos que, sem que, salvo se, exceto se...

 Conformativa - idéia de adequação, de não contradição com o fato relatado na


OP. (Saímos na hora, conforme havíamos combinado)

Principais conjunções: conforme, como, segundo, consoante...

 Concessiva - admissão de uma circunstância ou idéia contrária, a qual não


impede a realização do fato manifesto na OP. (Saímos cedo, embora o
espetáculo fosse mais tarde)

Principais conjunções: embora, ainda que, se bem que, mesmo que, apesar de
que, conquanto, sem que...

Observação
sempre com verbo no subjuntivo.

 Temporal - circunstância de tempo em que ocorreu o fato relatado na OP.


(Saímos de casa, assim que amanheceu)

Principais conjunções: quando, assim que, logo que, tão logo, enquanto, mal,
sempre que...

 Final - objetivo ou destinação do fato relatado na OP. (Fomos embora, para que
não houvesse confusão)

Principais conjunções: para que, para, a fim de que, com a finalidade de...

 Proporcional - relação existente entre dois elementos, de modo que qualquer


alteração em um deles implique alteração também no outro. (Os alunos saíram, à
medida que terminavam a prova)
25

Principais conjunções: à medida que, à proporção que, enquanto, ao passo que,


quanto...

Observações
 uma oração pode ser subordinada a uma principal e, ao mesmo tempo,
principal em relação a outra (ele age / como você / para estar em evidência)
 a NGB não faz referência às orações adverbiais modais e locativas
(introduzida por onde) - Falou sem que ninguém notasse / Estaciona-se
sempre onde é proibido.

Reduzida
Apresenta duas características básicas:

 não é introduzida por conectivos, mas equivale a uma or. desenvolvida


 apresenta verbo numa das três formas nominais.

Observação
Não é a falta de conectivo que determina a existência de uma or. reduzida, e sim a
forma nominal do verbo.

Classificam-se em reduzida de particípio, gerúndio ou infinitivo, em função da forma


verbal que apresentam.

 reduzidas de infinitivo - podem vir ou não precedidas de preposição e,


geralmente, são substantivas ou adverbiais, raramente adjetivas. As or.
adverbiais, em geral, vêm precedidas de preposição. Entretanto, as proporcionais
e as comparativas são sempre desenvolvidas.

Observação
algumas or. reduzidas de infinitivo merecem atenção: vem depois dos
verbos deixar, mandar, fazer, ver, ouvir, olhar, sentir e outros verbos
causativos e sensitivos. Deixei-os fugir (= que eles fugissem) - or. sub. subs.
objetiva direta. Este é o único caso em que o pronome oblíquo exerce
função sintática de sujeito (caso de sujeito de infinitivo).

 reduzidas de gerúndio - geralmente adverbial, raramente adjetiva e coord.


aditiva. A maioria das adverbiais são temporais. Não há consecutiva,
comparativa e final reduzida de gerúndio.

Observação
Segundo Rocha Lima, as or. sub. adv. modais só aparecem sob a forma
reduzida de gerúndio, uma vez que não existem conj. modais. (A disciplina
não se aprende na fantasia, sonhando, ou estudando)
26

 reduzida de particípio - geralmente adjetiva ou adverbial, também sendo mais


comuns as temporais. Eventualmente, uma or. coordenada pode vir como
reduzida de gerúndio.

Observação
as adj. reduzidas de particípio são ponto de discussão entre os gramáticos. A
tendência atual é considerar estes particípios simples adjetivos (adj.
adnominais).

Análise das or. reduzidas:

 desenvolver a or. reduzida, atribuindo-lhe conectivo e conjugando o verbo no


indicativo ou subjuntivo
 classificar a or. desenvolvida
 usar esta classificação, acrescentando a expressão "reduzida de ..." (infinitivo,
gerúndio ou particípio)
 Dependendo do contexto, as orações reduzidas podem permitir mais de um tipo
de desenvolvimento.
 O infinitivo, gerúndio e o particípio não constituem or. reduzidas quando fazem
parte de uma locução verbal. (estamos viajando ¹ acabado de fazer)
 Os particípios apresentam-se em muitos casos como simples adjuntos
adnominais e predicativos, não representando uma oração.

Estudo da palavra SE
5.5.1. Classificação
5.5.2. Função sintática

Classificação

 substantivo - determinado por artigo ou pronome adjetivo (O se é uma palavra


interessante / Nenhum se apareceu nesta festa)
 conj. subordinativa integrante - liga or. subordinadas substantivas (Não sei se ele
chegará tarde / Veja se os convidados já chegaram)
 conj. subordinativa condicional - equivale a caso - necessitando adaptações de
tempos verbais, mas sem alteração do sentido da frase (Se vocês forem, também
vou / Ele ficará reprovado, se não estudar)
 pronome integrante do verbo -parte de verbos pronominais - arrepender-se,
queixar-se, suicidar-se, apiedar-se, dignar-se, zangar-se, debater-se (=agitar-se)
etc. (O prisioneiro se ajoelhou na igreja / Maria queixou-se ao professor)
 pronome reflexivo - aparece na voz reflexiva = a si mesmo/a, a si próprio/ª (O
menino feriu-se com a faca / O médico trancou-se no consultório)
 pronome reflexivo recíproco - aparece na voz reflexiva, com idéia de
reciprocidade = a si mesmos/as, a si próprios/as. (Mãe e filha se beijaram / Os
deputados se cumprimentaram amigavelmente.)
27

 pronome apassivador - aparece na voz passiva sintética, com verbo TD, na 3ª


pessoa. Neste caso, haverá sujeito paciente e não OD, estando o verbo
concordando em número com o sujeito. (Aluga-se uma linda casa = uma linda
casa é alugada / Alugam-se lindas casas = lindas casas são alugadas)
 índice de indeterminação do suj. - aparece na voz ativa. Neste caso, haverá
sujeito indeterminado.

Dicas para identificação:

o com verbo TI na 3ª pessoa do singular (Precisa-se de bons alunos)


o com verbo TD na 3ª pessoa do singular + OD preposicionado (Ama-se
muito a Deus)
o com verbo intransitivo na 3ª pessoa do singular (Vive-se muito bem
neste país)
o com verbo de ligação na 3ª pessoa do singular (Quando se é jovem, as
preocupações não existem)
 partícula expletiva ou de realce - pode ser retirada da oração sem prejuízo de
sentido. Neste caso, é comum aparecer com verbo intransitivo; havendo,
também, sujeito expresso na frase. (Ninguém ainda se foi embora)

Função sintática

Se = pronome reflexivo:

 OD - acompanha verbo TD (O homem jogou-se do quarto andar / O diretor e o


professor cumprimentaram-se)
 OI - acompanha verbo TD e I - se = para si mesmo (a/s), um ao outro. (O rapaz
dá-se ares de importância / Os namorados deram-se as mãos)
 sujeito de infinitivo - acompanha verbo no infinitivo. (A empregada deixou-se
ficar à janela - sujeito do verbo ficar)

Estudo da palavra QUE


Classificação:

 substantivo comum - é acentuado; determinado por artigo ou pronome adjetivo


(Ele tem um quê encantador)
 interjeição - acentuado, indicando emoção. Geralmente, acompanhado do ponto
de exclamação (Quê! Ele conseguiu vencer ?!)
 pronome relativo substantivo - que = o/a qual (s). (O homem que é bom deve ser
respeitado por todos)
 pronome indefinido adjetivo - antecede substantivo, determinando-o = quanto
a/s. (Que saudades tenho da minha terra!)
 pronome indefinido substantivo - antecede preposição de + substantivo (Que de
encanto há em seu olhar)
28

 pronome interrogativo adjetivo - introduz interrogação, acompanhando


substantivo (Que promessas ele fez? / Ignoramos que horas são.)
 pronome interrogativo substantivo - em oração interrogativa direta ou indireta.
(Que queres? / Desconheço que queres.)
 advérbio de intensidade - antecede adjetivo e equivale a quão. (.Que bondosa ela
era.)
 preposição acidental - que = de. (Tenho que estudar muito.)
 palavra expletiva ou de realce - dispensável, sem alterar o sentido. Locução
expletiva - é que (Que saudade que tenho da aurora da minha vida ! / vocês é
que são os mais felizes.)
 conj. coord. aditiva - que = e (A mulher reclama que reclama.)
 conj. coord. adversativa - que = mas, porém... (Outro, que não eu, viajará com
você.)
 conj. coord. alternativa - idéias alternadas - que ... que = quer ... quer (Que
perca, que ganhe, a sua indiferença é sempre a mesma.)
 conj. coord. explicativa - idéia de explicação - que = porque (Não grite, que não
resolverá o problema.)
 conj. sub. integrante - inicia as or. sub. substantivas (Convém que obedeças ao
regulamento / Esperamos que vocês façam boa viagem.)
 conj. sub. causal - idéia de causa - que = porque (Não sairás que chove muito.)
 conj. sub. comparativa - idéia de comparação - que = do que (És mais inteligente
que pareces.)
 conj. sub. consecutiva - idéia de conseqüência - que geralmente precedido de
tão, tal, tanto, tamanho. (Comeu tanto que passou mal)
 conj. sub. concessiva - idéia de concessão - que = embora. (Ricos que são, hão
de aguardar a vez. / Mil anos que eu vivesse, não esqueceria aquela mágoa.)
 conj. sub. conformativa - idéia de conformidade - que = segundo (A faxineira,
que eu saiba, é muito humilde)
 conj. sub. final - idéia de finalidade - que = para que (Fazemos votos que
descubra o caminho.)
 conj. sub. temporal - idéia de tempo - que = desde que (Chegados que fomos,
começamos a trabalhar.)

Estudo da palavra COMO


 pronome relativo - precedido da palavra modo, maneira, jeito (O modo como o
tratou, surpreendeu a todos.)
 palavra denotativa de explicação - equivale às expressões a saber, isto é, por
exemplo. (Certas frutas como limão e laranja são ácidas.)
 preposição acidental - equivale às expressões na qualidade de, na condição de.
(Como representante da turma, peço silêncio.)
 adv. de intensidade - equivale aos advérbios muito, bastante, demais. (Como
você fala!)
 adv. interrogativo de modo - em or. interrogativa direta ou indireta. (Como ele
conseguiu vencer? / Não sabemos como conseguiu vencer)
 conj. coord. aditiva - idéia de adição. (Tanto a moça como o rapaz foram
selecionados.)
29

 conj. sub. causal - idéia de causa = porque, inicia período (Como estava doente,
ficou em casa.)
 conj. sub. conformativa - idéia de conformidade - como = conforme. (Como fora
combinado, o encontro será amanhã)
 conj. sub. comparativa - idéia de comparação - como = que nem, tal qual (Ela é
burra como uma porta!)

Estudo da palavra PORQUE


 conj. sub. causal - idéia de causa (Ele faltou porque estava doente / Estou
contente porque vocês puderam vir)
 conj. coord. explicativa - idéia de explicação, sem denotar causalidade (Não
grite, porque será pior.)
 conj. sub. final - idéia de finalidade - = para que (Orai, porque não entreis em
tentação.)
 advérbio interrogativo - estrutura pergunta direta ou indireta. (Não sei por que
ele não veio hoje.)

Concordância nominal
Na concordância nominal, os determinantes do substantivo (adjetivos, numerais,
pronomes adjetivos e artigos) alteram sua terminação (gên. e nº) para se adequarem a
ele, ou a pronome substantivo ou numeral substantivo, a que se referem na frase.

O problema da concordância nominal ocorre quando o adjetivo se relaciona a mais de


um substantivo, e surgem palavras ou expressões que deixam em dúvida.

 Observe estas frases:


o Aquele beijo foi dado num inoportuno lugar e hora.
o Aquele beijo foi dado num lugar e hora inoportuna.
o Aquele beijo foi dado num lugar e hora inoportunos. (aqui fica mais
claro que o adj. refere-se aos dois subst.)
 regra geral - a partir desses exemplos, pode-se formular o princípio de que o
adjetivo anteposto concorda com o substantivo mais próximo. Mas, se o adjetivo
estiver depois do substantivo, além da possibilidade de concordar com o mais
próximo, ele pode concordar com os dois termos, ficando no plural, indo para o
masculino se um dos substantivos for masculino.

Observação
um adjetivo anteposto em referência a nomes de pessoas deve estar sempre
no plural (As simpáticas Joana e Marta agradaram a todos)

 quando o adj. tiver função de predicativo, concorda com todos os núcleos a que
se relaciona. (São calamitosos a pobreza e o desamparo / Julguei insensatas sua
atitude e suas palavras)
30

 quando um substantivo determinado por artigo é modificado por dois ou mais


adjetivos, podem ser usadas as seguintes construções:

Exs.: estudo a cultura brasileira e a portuguesa / estudo as culturas brasileira e


portuguesa / os dedos indocador e médio estavam feridos / o dedo indicador e o
médio estavam feridos

Observação
a construção: Estudo a cultura brasileira e portuguesa, embora provoque
incerteza, é aceita por alguns gramáticos.

 no caso de numerais ordinais que se referem a um único subst. composto, podem


ser usadas as seguintes construções: Falei com os moradores do primeiro e
segundo andar / (...) do primeiro e segundo andares.
 adjetivos regidos pela preposção de, que se referem a pron. indefinidos, ficam
normalmente no masculino singular, podendo surgir concordância atrativa

Exs.: sua vida não tem nada de sedutor / os edifícios da cidade nada têm de
elegantes

 anexo, incluso, obrigado, mesmo, próprio - são adjetivos ou pronomes adjetivos,


devendo concordar com o substantivo a que se referem

Exs.: O livro segue anexo / A fotografia vai inclusa / As duplicatas seguem


anexas / Elas mesmas resolveram a questão

Observação
mesmo = até, inclusive é invariável (mesmo eles ficaram chateados) /
expressão "em anexo" é invariável.

 meio, bastante, menos - meio e bastante, quando se referem a um substantivo,


devem concordar com esse substantivo. Quando funcionarem como advérbios,
permanecerão invariáveis. "Menos" é sempre invariável.

Exs.: Tomou meia garrafa de vinho / Ela estava meio aborrecida / Bastantes
alunos foram à reunião / Eles falaram bastante / Eram alunas bastante simpáticas
/ Havia menos pessoas vindo de casa

 muito, pouco, longe, caro, barato - podem ser palavras adjetivas ou advérbios,
mantendo concordância se fizerem referência a substantivos

Exs.: Compraram livros caros / Os livros custaram caro / Poucas pessoas tinham
muitos livros / Leram pouco as moças muito vivas / Andavam por longes terras /
Eles moram longe da cidade / Eram mercadorias baratas / Pagaram barato
aqueles livros

 é bom, é proibido, é necessário - expressões formadas do verbo ser + adjetivo


Não variam se o sujeito não vier determinado, caso contrário a concordância
será obrigatória.
31

Exs.: Água é bom / A água é boa / Bebida é proibido para menores / As bebidas
são priobidas para menores / Chuva é necessário / Aquela chuva foi necessária

 só = sozinho (adjetivo - var.) / só = somente, apenas (não flexiona)

Exs.: Só elas não vieram / Vieram só os rapazes.

Observação
forma a expressão "a sós" (sozinhos)

 locução adverbial "a olhos vistos" (= visivelmente) - invariável (ela crescia a


olhos vistos)
 conforme = conformado (adj. - var.) / conforme = como (não flexiona)

Exs.: Eles ficaram conformes com a decisão / Dançam conforme a música

 o (a) mais possível (invar.) / as, os mais possíveis (é uma moça a mais bela
possível / são moças as mais belas possíveis)
 particípios - concordam como adjetivos.

Exs.: A refém foi resgatada do bote / Os materiais foram comprados a prazo / As


juízas tinham iniciado a apuração

 haja vista - não se flexiona, exceto por concordância atrativa antes de


substantivo no plural sem preposição

Exs.: Haja vista (hajam vistas) os comentários feitos / Haja vista dos recados do
chefe

 pseudo, salvo (=exceto) e alerta não se flexionam

Exs.: Eles eram uns pseudo-sábios / Salvo nós dois, todos fugiram / Eles ficaram
alerta.

 adjetivos adverbializados são invariáveis (vamos falar sério / ele e a esposa raro
vão ao cinema)
 silepse com expressões de tratamento - usa-se adjetivo masculino em
concordância ideológica com um homem ao qual se relaciona a forma de
tratamento que é feminina

Exs.: Vossa Majestade, o rei, mostrou-se generoso / Vossa Excelência é injusto

Concordância verbal
 sujeito simples - verbo concorda com o suj. simples em pessoa e número
32

Ex.: uma boa Constituição é desejada por todos os brasileiros / de paz


necessitam as pessoas

 sujeito coletivo (sing. na forma com idéia de pl) - verbo fica no singular,
concordando com a palavra escrita não com a idéia

Ex.: o pessoal já saiu

Observação
quando o verbo se distanciar do suj coletivo, o verbo poderá ir para o pl
concordando com a idéia de quantidade (silepse de número) - a turma
concordava nos pontos essenciais, discordavam apenas nos pormenores

 sujeito é um pron de tratamento - verbo fica na 3ª pess

Ex.: Vossa Senhoria não é justo / Vossas Senhorias estão de acordo comigo

 expressão mais de + numeral - verbo concorda com o numeral

Ex.: mais de um candidato prometeu melhorar o país / mais de duas pessoas


vieram à festa

Observações
mais de um + se (idéia de reciprocidade) - verbo no plural (mais de um
sócio se insultaram)

mais de um + mais de um - verbo no plural (mais de um candidato, mais de


um representante faltaram à reunião)

 expressões perto de, cerca de, mais de, menos de + suj. no pl. - verbo no plural

Ex.: perto de quinhentos presos fugiram / cerca de trezentas pessoas ganharam o


prêmio / mais de mil vozes pediam justiça / manos de duas pessoas fizeram isto

 nomes só usados no plural - a concordância depende da presença ou não de


artigo
o sem artigo - verbo no singular (Minas Gerais produz muito leite / férias
faz bem)
o precedidos de artigo plural - verbo no plural ("Os Lusíadas" exaltam a
grandeza do povo português / as Minas Gerais produzem muito leite)

Observação
para nomes de obras literárias, admite-se também a concordância ideológica
(silepse) com a palavra obra implícita na frase ("Os Lusíadas" exalta a
grandeza do povo português)
33

 expressões a maior parte, grande parte, a maioria de (= suj. coletivo partitivo) +


adj. adnominal no pl. - verbo concorda com o núcleo do sujeito ou com o
especificador (AA)

Ex.: a maior parte dos constituintes se retirou (retiraram) / grande parte dos
torcedores aplaudiu (aplaudiram) a jogada / a maioria dos constituintes votou
(votaram)

Observação
quando a ação só pode ser atribuída à totalidade e não separadamente aos
indivíduos, usa-se o singular (um bando de soldados enchia o pavimento
inferior)

 quem (pronome relativo sujeito) - verbo na 3ª pessoa do sing. concordando com


o pronome quem ou concorda com o antecedente

Ex.: fui eu quem falou (falei) / fomos nós quem falou (falamos)

 que ( pronome relativo sujeito) - verbo concorda sempre com o antecedente

Ex.: fomos nós que falamos

 sujeito é pron. interrogativo ou indefinido (núcleo) + de nós ou de vós - depende


do pron. núcleo
o pronome-núcleo no sing. - verbo no singular

Ex.: qual de nós votou conscientemente? / nenhum de vós irá ao cinema

o pronome-núcleo no pl. - verbo na 3ª pessoa do plural ou concordando


com o pronome pessoal

Ex.: quais de nós votaram (votamos) conscientemente? / muitos de vós


foram (fostes) insultados

 sujeito composto anteposto ao verbo - verbo no plural

Ex.: o anel e os brincos sumiram da gaveta

 com núcleos sinônimos - verbos no singular ou plural (o rancor e o ódio cegou o


amante / o desalento e a tristeza abalaram-me)
 com núcleos em gradação - verbo sing. ou plural (um minuto, uma hora, um dia
passa/passam rápido)
 dois infinitivos como núcleos - verbo no singular (estudar e trabalhar é
importante
 dois infinitivos exprimindo idéias opostas - verbo no plural (rir e chorar se
alternam)
 sujeito composto posposto - concordância normal ou atrativa (com o núcleo
mais próximo)
34

Ex.: discutiram/discutiu muito o chefe e o funcionário

Observação
se houver idéia de reciprocidade, verbo vai para o plural (estimam-se o
chefe e o funcionário)

quando o verbo ser está acompanhado de substantivo plural, o verbo


também se pluraliza (foram vencedores Pedro e Paulo)

 sujeito composto de diferentes pessoas gramaticais - depende da pessoa


prevalente
o eu + outros pronomes - verbo na 1ª pessoa plural (eu, tu e ele sairemos)
o tu + eles - verbo na 2ª pessoa do plural (preferência) ou 3ª pessoa do
plural (tu e teu colega estudastes/estudaram?)

Observação
se o sujeito estiver posposto, também vale a concordância atrativa
(saímos/saí eu e tu)

 sujeito composto resumido por um pronome-síntese (aposto) - concordância com


o pronome

Ex.: risos, gracejos, piadas, nada a alegrava

 expressão um e outro - verbo no singular ou no plural (um e outro


falava/falavam a verdade)

Observação
com idéia de reciprocidade - verbo no plural (um e outro se agrediram)

 expressão um ou outro - verbo no singular (um ou outro rapaz virava a cabeça


para nos olhar)
 sujeito composto ligado por nem - verbo no plural (nem o conforto, nem a glória
lhe trouxeram a felicidade)

Observação
aparecendo pronomes pessoais misturados, leva-se em conta a prioridade
gramatical (nem eu, nem ela fomos ao cinema)

 expressão nem um nem outro - verbo no singular (nem um nem outro comentou
o fato)
 sujeito composto ligado por ou - faz-se em função da idéia transmitida pelo ou
o idéia de exclusão - verbo no singular (José ou Pedro será eleito para o
cargo / um ou outro conhece seus direitos)
o idéia de inclusão ou antinomia - verbo no plural (matemática ou física
exigem raciocínio lógico / riso ou lágrimas fazem parte da vida)
o idéia explicativa ou alternativa - concordância com sujeito mais próximo
(ou eu ou ele irá / ou ele ou eu irei)
35

 expressão um dos que - verbo no singular (um) ou plural (dos que)

Ex.: ele foi um dos que mais falou/falaram

Observação
se a expressão significar apenas um, verbo no singular (é uma das peças de
Nelson Rodrigues que será apresentada)

 sujeito é número percentual - observar a posição do número percentual em


relação ao verbo
o verbo concorda com termo posposto ao número (80% da população tinha
mais de 18 anos / dez por cento dos sócios saíram da empresa)
o o verbo concorda com o número quando estiver anteposto a ele
(perderam-se 40% da lavoura)
o verbo no plural, se o número vier determinado por artigo ou pronome no
plural (os 87% da produção perderam-se / aqueles 30% do lucro obtido
desapareceram)
 sujeito é número fracionário - verbo concorda com o numerador

Ex.: 1/4 da turma faltou ontem / 3/5 dos candidatos foram reprovados

 sujeito composto antecedido de cada ou nenhum - verbo na 3ª pessoa do singular

Ex.: cada criança, cada adolescente, cada adulto ajudava como podia / nenhum
político, nenhuma cidade, nenhum ser humano faria isso

 sujeito composto ligado por como, assim como, bem como (formas correlativas)
- deve-se preferir o plural, sendo mas raro o singular

Ex.: Rio de Janeiro como Florianópolis são belas cidades / tanto uma, como a
outra, suplicava-lhe o perdão

 sujeito composto ligado por com - observar presença ou não de vírgulas


o verbo no plural sem vírgulas (eu com outros amigos limpamos o quintal)
o verbo no singular com vírgulas, idéia de companhia (o presidente, com
os ministros, desembarcou em Brasília)
 sujeito indeterminado + SE (IIS) - verbo no singular

Ex.: assistiu-se à apresentação da peça

 sujeito paciente ao lado de um verbo na voz passiva sintética - verbo concorda


com o sujeito

Ex.: discutiu-se o plano / discutiram-se os planos

 locução verbal constituída de: parecer + infinitivo - verbo parecer varia ou o


infinitivo
36

Ex.: as pessoas pareciam acreditar em tudo / as pessoas parecia acreditarem em


tudo

Observação
com o infinitivo pronominal, flexiona-se apenas o infinitivo (elas parece
zangarem-se com a moça)

 verbos dar, bater e soar + horas - verbos têm como sujeito o número que indica
as horas

Ex.: deram dez horas naquele momento / meio-dia soou no velho relógio da
igreja

 verbos indicadores de fenômenos da natureza - verbo na 3ª pessoa singular por


serem impessoais, extensivo aos auxiliares se estiverem em locuções verbais

Ex.: geia muito no Sul / choveu por muitas noites no verão

Observação
em sentido figurado deixam de ser impessoais (choveram vaias para o
candidato)

o haver = existir ou acontecer, fazer (tempo decorrido) é impessoal

Ex.: havia vários alunos na sala (=existiam) / houve bastantes acidentes


naquele mês (=aconteceram) / não a vejo faz uns meses (=faz) / deve
haver muitas pessoas na fila (devem existir)

Observações
considera-se errado o emprego do verbo ter por haver quando tiver
sentido de existir ou acontecer (J há um lugar ali / L tem um lugar
ali)

os verbos existir e acontecer são pessoais e concordam com seu


sujeito (existiam sérios compromissos / aconteceram bastantes
problemas naquele dia)

o verbo fazer indicando tempo decorrido ou fenômeno da natureza


(impessoal)

Ex.: fazia anos que não vínhamos ao Rio / faz verões maravilhosos nos
trópicos

 verbo ser - impessoal quando indica data hora e distância, concordando com a
expressão numérica ou a palavra a que se refere (eram seis horas / hoje é dia
doze / hoje é ou são doze / daqui ao centro são treze quilômetros)
37

o se estiver entre dois núcleos das classes a seguir, em ordem, concordará,


preferencialmente, com a classe que tiver prioridade, independente de
função sintática.

pronome pessoal > pessoa > subst. concreto > subst. abstrato > pronome
indef, demonstr ou interrog

Ex.: Tu és Maria / Maria és tu / Tu és minhas alegrias / Minhas alegrias


és tu / Maria é minhas alegrias / Minhas alegrias é Maria / As terras são a
riqueza / A riqueza são as terras / Tudo são flores / Emoções são tudo

Observação
RL registra que o singular também aparecem ("Tudo é flores no
presente" Gonçalves Dias)

o se o sujeito é palavra coletiva, o verbo concorda com o predicativo (a


maoria eram adolescentes / a maior parte eram problemas)
o sujeito indica peso, medida, quantidade + é pouco, é muito, é bastante, é
suficiente, é tanto, verbo ser no singular (três mil reais é pouco pelo
serviço / dez quilômetros já é bastante para um dia)
 silepse de pessoa - verbo concorda com um elemento implícito

Ex.: a formosura de Páris e Helena foram causa da destruição de Tróia / os


brasileiros somos improvisadores (idéia de inclusão de quem fala entre os
brasileiros)

Regência Nominal
Substantivos, adjetivos e advérbios podem, por regência nominal, exigir
complementação para seu sentido precedida de preposição.

Segue uma lista de palavras e as preposições exigidas. Merecem atenção especial as


palavras que exigirem preposição A, por serem passíveis de emprego de crase.

 acostumado a, com
 afável com, para
 afeiçoado a, por
 aflito com, por
 alheio a, de
 ambicioso de
 amizade a, por, com
 amor a, por
 ansioso de, para, por
 apaixonado de, por
 apto a, para
 atencioso com, para
 aversão a, por
 ávido de, por
 conforme a
38

 constante de, em
 constituído com, de, por
 contemporâneo a, de
 contente com, de, em, por
 cruel com, para
 curioso de
 desgostoso com, de
 desprezo a, de, por
 devoção a, por, para, com
 devoto a, de
 dúvida em, sobre, acerca de
 empenho de, em, por
 falta a, com, para
 imbuído de, em
 imune a, de
 inclinação a, para, por
 incompatível com
 junto a, de
 preferível a
 propenso a, para
 próximo a, de
 respeito a, com, de, por, para
 situado a, em, entre
 último a, de, em
 único a, em, entre, sobre

Regência verbal
Dá-se quando o termo regente é um verbo e este se liga a seu complemento por uma
preposição ou não. Aqui é fundamental o conhecimento da transitividade verbal.

A preposição, quando exigida, nem sempre aparece depois do verbo. Às vezes, ela pode
ser empregada antes do verbo, bastando para isso inverter a ordem dos elementos da
frase (Na rua dos Bobos, residia um grande poeta). Outras vezes, ela deve ser
empregada antes do verbo, o que acontece nas orações iniciadas pelos pronomes
relativos (O ideal a que aspira é nobre).

 Alguns verbos e seu comportamento:


o ACONSELHAR (TD e I)

Ex.: Aconselho-o a tomar o ônibus cedo / Aconselho-lhe tomar o ônibus


cedo

o AGRADAR

No sentido de acariciar ou contentar (pede objeto direto - não tem


preposição).

Ex.: Agrado minhas filhas o dia inteiro / Para agradar o pai, ficou em
casa naquele dia.
39

No sentido de ser agradável, satisfazer (pede objeto indireto - tem


preposição "a").

Ex.: As medidas econômicas do Presidente nunca agradam ao povo.

o AGRADECER

TD e I, com a prep. A. O objeto direto sempre será a coisa, e o objeto


indireto, a pessoa.

Ex.: Agradecer-lhe-ei os presentes / Agradeceu o presente ao seu


namorado

o AGUARDAR (TD ou TI)

Ex.: Eles aguardavam o espetáculo / Eles aguardavam pelo espetáculo.

o ASPIRAR

No sentido sorver, absorver (pede objeto direto - não tem preposição)

Ex.: Aspiro o ar fresco de Rio de Contas.

No sentido de almejar, objetivar (pede objeto indireto - tem preposição


"a")

Ex.: Ele aspira à carreira de jogador de futebol

Observação
não admite a utilização do complemento lhe. No lugar, coloca-se a
ele, a ela, a eles, a elas. Também observa-se a obrigatoriedade do
uso de crase, quando for TI seguido de substantivo feminino (que
exija o artigo)

o ASSISTIR

No sentido de ver ou ter direito (TI - prep. A).

Ex.: Assistimos a um bom filme / Assiste ao trabalhador o descanso


semanal remunerado.

No sentido de prestar auxílio, ajudar (TD ou TI - com a prep. A)

Ex.: Minha família sempre assistiu o Lar dos Velhinhos. / Minha família
sempre assistiu ao Lar dos Velhinhos.

No sentido de morar é intransitivo, mas exige preposição EM.

Ex.: Aspirando a um cargo público, ele vai assistir em Brasília..


40

Observação
não admite a utilização do complemento lhe, quando significa ver.
No lugar, coloca-se a ele, a ela, a eles, a elas. Também observa-se a
obrigatoriedade do uso de crase, quando for TI seguido de
substantivo feminino (que exija o artigo)

o ATENDER

Atender pode ser TD ou TI, com a prep. a.

Ex.: Atenderam o meu pedido prontamente. / Atenderam ao meu pedido


prontamente.

No sentido de deferir ou receber (em algum lugar) pede objeto direto

No sentido de tomar em consideração, prestar atenção pede objeto


indireto com a preposição a

Observação
se o complemento for um pronomes pessoal referente a pessoa, só se
emprega a forma objetiva direta (O diretor atendeu os interessados
ou aos interessados / O diretor atendeu-os)

o CERTIFICAR (TD e I)

Admite duas construções: Quem certifica, certifica algo a alguém ou


Quem certifica, certifica alguém de algo.

Observação
observa-se a obrigatoriedade do uso de crase, quando o OI for um
substantivo feminino (que exija o artigo)

Certifico-o de sua posse / Certifico-lhe que seria empossado /


Certificamo-nos de seu êxito no concurso / Certificou o escrivão do
desaparecimento dos autos

o CHAMAR

TD, quando significar convocar.

Ex.: Chamei todos os sócios, para participarem da reunião.

TI, com a prep. POR, quando significar invocar.

Ex.: Chamei por você insistentemente, mas não me ouviu.

TD e I, com a prep. A, quando significar repreender.


41

Ex.: Chamei o menino à atenção, pois estava conversando durante a aula


/ Chamei-o à atenção.

Observação
A expressão "chamar a atenção de alguém" não significa repreender,
e sim fazer se notado (O cartaz chamava a atenção de todos que por
ali passavam)

Pode ser TD ou TI, com a prep. A, quando significar dar qualidade. A


qualidade (predicativo do objeto) pode vir precedida da prep. DE, ou
não.

Ex.: Chamaram-no irresponsável / Chamaram-no de irresponsável /


Chamaram-lhe irresponsável / Chamaram-lhe de irresponsável.

o CHEGAR, IR (Intrans.)

Aparentemente eles têm complemento, pois quem vai, vai a algum lugar
e quem chega, chega de. Porém a indicação de lugar é circunstância
(adjunto adverbial de lugar), e não complementação.

Esses verbos exigem a prep. A, na indicação de destino, e DE, na


indicação de procedência.

Observação
quando houver a necessidade da prep. A, seguida de um substantivo
feminino (que exija o artigo a), ocorrerá crase (Vou à Bahia)

no emprego mais freqüente, usam a preposição A e não EM

Ex.: Cheguei tarde à escola. / Foi ao escritório de mau humor.

se houver idéia de permanência, o verbo ir segue-se da preposição


PARA.

Ex.: Se for eleito, ele irá para Brasília.

quando indicam meio de transporte no qual se chega ou se vai, então


exigem EM.

Ex.: Cheguei no ônibus da empresa. / A delegação irá no vôo 300.

o COGITAR

Pode ser TD ou TI, com a prep. EM, ou com a prep. DE.

Ex.: Começou a cogitar uma viagem pelo litoral / Hei de cogitar no caso
/ O diretor cogitou de demitir-se.
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o COMPARECER (Intrans.)

Ex.: Compareceram na sessão de cinema. / Compareceram à sessão de


cinema.

o COMUNICAR (TD e I)

Admite duas construções alternando algo e alguém entre OD e OI.

Ex.: Comunico-lhe meu sucesso / Comunico meu sucesso a todos.

o CUSTAR

No sentido de ser difícil será TI, com a prep. A. Nesse caso, terá como
sujeito aquilo que é difícil, nunca a pessoa, que será objeto indireto.

Ex.: Custou-me acreditar em Hipocárpio. / Custa a algumas pessoas


permanecer em silêncio.

No sentido de causar transtorno, dar trabalho será TD e I, com a prep. A.

Ex.: Sua irresponsabilidade custou sofrimento a toda a família

No sentido de ter preço será intransitivo

Ex.: Estes sapatos custaram R$50,00.

o DESFRUTAR E USUFRUIR (TD)

Ex.: Desfrutei os bens de meu pai / Pagam o preço do progresso aqueles


que menos o desfrutam

o ENSINAR - TD e I

Ex.: Ensinei-o a falar português / Ensinei-lhe o idioma inglês

o ESQUECER, LEMBRAR

quando acompanhados de pronomes, são TI e constroem-se com DE.

Ex.: Ela se lembrou do namorado distante. Você se esqueceu da caneta


no bolso do paletó

constroem-se sem preposição (TD), se desacompanhados de pronome

Ex.: Você esqueceu a caneta no bolso do paletó. Ela lembrou o


namorado distante

o FALTAR, RESTAR E BASTAR


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Podem ser intransitivos ou TI, com a prep. A.

Ex.: Muitos alunos faltaram hoje / Três homens faltaram ao trabalho hoje
/ Resta aos vestibulandos estudar bastante.

o IMPLICAR

TD e I com a prep. EM, quando significar envolver alguém.

Ex.: Implicaram o advogado em negócios ilícitos.

TD, quando significar fazer supor, dar a entender; produzir como


conseqüência, acarretar.

Ex.: Os precedentes daquele juiz implicam grande honestidade / Suas


palavras implicam denúncia contra o deputado.

TI com a prep. COM, quando significar antipatizar.

Ex.: Não sei por que o professor implica comigo.

Observação
Emprega-se preferentemente sem a preposição EM (Magistério
implica sacrifícios)

o INFORMAR (TD e I)

Admite duas construções: Quem informa, informa algo a alguém ou


Quem informa, informa alguém de algo.

Ex.: Informei-o de que suas férias terminou / Informei-lhe que suas férias
terminou

o MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE (Intrans.)

Seguidos da preposição EM e não com a preposição A, como muitas


vezes acontece.

Ex.: Moro em Londrina / Resido no Jardim Petrópolis / Minha casa situa-


se na rua Cassiano.

o NAMORAR (TD)

Ex.: Ela namorava o filho do delegado / O mendigo namorava a torta que


estava sobre a mesa.

o OBEDECER, DESOBEDECER (TI)

Ex.: Devemos obedecer às normas. / Por que não obedeces aos teus pais?
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Observação
verbos TI que admitem formação de voz passiva

o PAGAR, PERDOAR

São TD e I, com a prep. A. O objeto direto sempre será a coisa, e o


objeto indireto, a pessoa.

Ex.: Paguei a conta ao Banco / Perdôo os erros ao amigo

Observação
as construções de voz passiva com esses verbos são comuns na fala,
mas agramaticais

o PEDIR (TD e I)

Quem pede, pede algo a alguém. Portanto é errado dizer Pedir para que
alguém faça algo.

Ex.: Pediram-lhe perdão / Pediu perdão a Deus.

o PRECISAR

No sentido de tornar preciso (pede objeto direto).

Ex.: O mecânico precisou o motor do carro.

No sentido de ter necessidade (pede a preposição de).

Ex.: Preciso de bom digitador.

o PREFERIR (TD e I)

Não se deve usar mais, muito mais, antes, mil vezes, nem que ou do que.

Ex.: Preferia um bom vinho a uma cerveja.

o PROCEDER

TI, com a prep. A, quando significar dar início ou realizar.

Ex.: Os fiscais procederam à prova com atraso. / Procedemos à feitura


das provas.

TI, com a prep. DE, quando significar derivar-se, originar-se ou provir.

Ex.: O mau-humor de Pedro procede da educação que recebeu. / Esta


madeira procede do Paraná.
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Intransitivo, quando significar conduzir-se ou ter fundamento.

Ex.: Suas palavras não procedem! / Aquele funcionário procedeu


honestamente.

o QUERER

No sentido de desejar, ter a intenção ou vontade de, tencionar (TD)

Ex.: Quero meu livro de volta / Sempre quis seu bem

No sentido de querer bem, estimar (TI - prep. A).

Ex.: Maria quer demais a seu namorado. / Queria-lhe mais do que à


própria vida.

o RENUNCIAR

Pode ser TD ou TI, com a prep. A.

Ex.: Ele renunciou o encargo / Ele renunciou ao encargo

o RESPONDER

TI, com a prep. A, quando possuir apenas um complemento.

Ex.: Respondi ao bilhete imediatamente / Respondeu ao professor com


desdém.

Observação
nesse caso, não aceita construção de voz passiva.

TD com OD para expressar a resposta (respondeu o quê?)

Ex.: Ele apenas respondeu isso e saiu.

o REVIDAR (TI)

Ex.: Ele revidou ao ataque instintivamente.

o SIMPATIZAR E ANTIPATIZAR (TI)

Com a prep. COM. Não são pronominais, portanto não existe simpatizar-
se, nem antipatizar-se.

Ex.: Sempre simpatizei com Eleodora, mas antipatizo com o irmão dela.

o SOBRESSAIR (TI)
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Com a prep. EM. Não é pronominal, portanto não existe sobressair-se.

Ex.: Quando estava no colegial, sobressaía em todas as matérias.

o VISAR

No sentido de ter em vista, objetivar (TI - prep. A)

Ex.: Não visamos a qualquer lucro. / A educação visa ao progresso do


povo.

No sentido de apontar arma ou dar visto (TD)

Ex.: Ele visava a cabeça da cobra com cuidado / Ele visava os contratos
um a um.

Observação
se TI não admite a utilização do complemento lhe. No lugar, coloca-
se a ele (a/s)

 Sinopse:
o São estes os principais verbos que, quando TI, não aceitam LHE/LHES
como complemento, estando em seu lugar a ele (a/s) - aspirar, visar,
assistir (ver), aludir, referir-se, anuir.
o Avisar, advertir, certificar, cientificar, comunicar, informar, lembrar,
noticiar, notificar, prevenir são TD e I, admitindo duas construções:
Quem informa, informa algo a alguém ou Quem informa, informa
alguém de algo.
o Os verbos transitivos indiretos na 3ª pessoa do singular, acompanhados
do pronome se, não admitem plural. É que, neste caso, o se indica sujeito
indeterminado, obrigando o verbo a ficar na terceira pessoa do singular.
(Precisa-se de novas esperanças / Aqui, obedece-se às leis de ecologia)
o Verbos que podem ser usados como TD ou TI, sem alteração de sentido:
abdicar (de), acreditar (em), almejar (por), ansiar (por), anteceder (a),
atender (a), atentar (em, para), cogitar (de, em), consentir (em), deparar
(com), desdenhar (de), gozar (de), necessitar (de), preceder (a), precisar
(de), presidir (a), renunciar (a), satisfazer (a), versar (sobre) - lista de
Pasquale e Ulisses.