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= are) ont Wal S = Ss fa = == <= SS = a —- os ser isto: 0 nosso didlogo entre conhecimento € E que fee di at a aprender com Guerteito Ramos. EDUARDO PORTELA (09f03 oe vey Vows ECan © Cae EDITORA UFRJ Dina bieeaiente CCoonenaare de prada Jowt Henigue Viens de Dab Myran Daabeng Helos, Banque de Hallands, Lacs Cando Aas Carnie HeloesBunrgue de Hollands Prien), Carlos Lean, Fenande Labo Cars, Flor Saeknd, Gilberto Velho © Magu de Souza Never Sorte ADN ale Ryn 3. ed A Redugao Sociolégica ‘Gurnneino Ramos Eprrona UFRJ 1996 verico Bennett € Copyright by © Cldia Guerete Ramos, Hana Alberts Guerceic Ratnos Filho repesentador por AMS “Agencamento Ardtio, Cultual e Lieto Leds Ficha Catlogrifia daborada pela Dives de Processmento Técnico» SIBUUFRY Sumdério ITS: Ramos, Gusts A redugosocicgia ! Guerio Ramos. 3. Rio de Jano: Eatora UERY, 1996 216 py 4X21 em, (ere Tercera Marge) I. Sociologia Apicads 2. Bri - Sociologis 1. Ti, Dp 301.0981 ISBN 85-7108:1569 Preficio & Tercera Edigso Cini rac 7 ee Vir ron Pro & Sends aio sca Nota Introducéria AL Ir ao aoa 1 ah Conca Cited Reade Nacional 6 oe oa ‘Fatores da Conscléncia Critica do Brasil ” fee ito ! | 1 A Menalidade Colo em Liisa @ Unive Feed Ro de io | Se Defic «Desi da Redaso Soolgct = 71 rt ‘eDuas lustragées da Redugio Sociolégica 78 Pes, 28a 06 i de Jaco | “ ° er. 2333-900 © Ameceene Flo Reo Soligin 8S Teds a0 295 195 chad a 127 | ; ee i AoccedeaesScliics da Reduso Socsipca 93 1 do Comprometinsto wos ‘Apoio ve Ls do Carer Subsiditio da Produsso Wy reninso Usiveisin Jo Bonito Cienc Exrangia us Lei da Universidade dot Enunciados Gersis da Ciéncia Lei dae Fuses Gixétios de Avalagio do Desenvolvimento Apéndice 1 ‘Siiuspéo Arual de Sociologia Apéndice I CCamsidensis sare Redan Soinligin Apéndice I Corrente Socioligicas no Brasil Aptndlice IV Obreroaier Gers wbre a Reducto Socioldgia Apindice V © Papel das Patentes na Transerénia de Tecnologia pare Bales Subderenvolides Apéndice VI Anélite do Relatrio das Naples Unidas sabre a Situagto Social do Mundo 123 129 139 159 189 203 29 247 27 Prefiicio & Terceira Edicto Passadas quase quatro décadas desde que Guerreiro Ramos publicou, em 1958, a primeica edigio de A Redugtio socilégica ntrodugio a0 Estudo da Razio Sociolégica), sua veeméncia sinda se fax ouvir, Ali, mestte Guerreiro sustencava teses com sles dose de coragem intelectual. inspiradas no método cxitico sobre habitos, racionalizagSes e usurpagbes tedricas que habita- vvam (e ainda habicam) © pensar ¢ 0 fazer sobre os destinos de noite. sociedade, 1 marca inconfundivel desse cissico da sociologia o rasgur das ilusGes que embotavam of fatos socials, suas consideragbes fe pressupostos te6ricos sobre o desenvolvimenco brasileio. Em A Redugio, Guerreiro teavava, com sucesso, dois embates: ali ‘quidagio da mentaidade colonial e de todas suas decorténcias no plano das idéias e da politica ¢ a exposicio, com toda a sua incquivoca radicalidade e clarvidencia, das eazSes sobre a nova conscigncia critica da realidade, através do exame metédico € filoséfico que ele esgrimava sem parciménias e gratuidades. A Repugio Socotecie Setia A Redugdo ainda atual, aruante ¢ explicativa sobre 0 desenvolvimento brasileiro? Embors os fato: contagrados em sua pesquisa e anilie tenham sido eransformados 20 longo deseas décadas, sas argutas observagées de que “a compreensio do Brasil rio pode esultar de uma intuisfo instantines, mas do meticuloso cexame de suas paticularidades” continua sendo instrumental vi- lido ¢ insupersvel da postura critica e criativa das mais originals, jf produsidat em nosso pate A reedicio pela editora UFR] de A Reduglo socaligica vesgaca co valor ea ttmpers de toda sua obs, além de proventeae as novae geragGes de socidlogos intelectuaie brasleiros com uma conduta que deve ser adorada em todos os dominios do saber e da ati vidade humana, Clivs Brigagio i | Prefttcio @ Segunda Edigéo Tal como se encontraexposto neste lio, a edugio sociolé- proceso de indaga E certo que marca 0 amadurecimenco de uma concepsio que se encontravafragmentaiamente formulada e aplicada em estudos anteriores do autor, notadamente os reunidos em Carsilha bra- tila do aprendiz de soilogo (1954), depois tepublicada em Iniradugio erica 2 soiologia brasileira (1957). Desde 1953, 0 autor se empenhara aum esforgo cevsionista, isto ¢, se colocara em frontal dissidéncia com az coreentes doutcinirias, o& mécodos € processos dominantes no meio dos que, entre nés, se dedicavam ae crabalho socioldgico. Negivamosshes nfo somente cariter Cientfico, como ainda Funcionalidade, cm selagio As exigincias da sociedade brasileira, No Bras, disiamos, 0 trabalho sociolé- fico reflete também deficiéncia da sociedade global, 2 depen- déncia. No cato, « dependéncia se exprimia sob a forma de gica ndo representa moment final deus alienagio, visto que habirualmente 0 socislogo utilizava a pro- dusio sociolégica extrangeira, de modo mecinico, servil, sem dare conta de seus pressupostoshistSricos originas,sacificando [A Rapucko SocioLoaica seu senso crtieo ao presigo que the granjeavaexibie a0 pli [ego 0 eonhetimento de concetos «técnica importadas, "So iologa enlaads, “socologia consulc’, er om grande parte a {ue ov fzin aqui. "Nia se tem consepuido, no Bratil — datos, fm 1954 na. Carita — formar especies aptos« fee 20 Sociolgico da sociologia” A despito da resisttacia tena que, por vere com Figo agresiva, se organizou contra essa orients renovador,depre 8 ela erpolgou o pabliceinstralde que conte 0 mercado da produto socioligies. Os scilogos devel Iii, ws capase, renderame &validade da crea e, pouco pouco, adaparame se 208 novos citérios de wabulho cinco. Or menor capazcs perderam a preminéncin — de que porrentars desfatavam. E, fm 1956, jf exrevinmos no preficio de Tnrodugo erica 2s. iologia brailcira “ciclo etar superada 2 fase polémica da focilogin nacional”. A Reduséosciolgcs,publicada em 1958, tsrava implicta em todos os meus ecudos anteriores a cna data, Basta craminilos para se ter dst itretorquvel demonetragso ‘Mas ese lo, na forma e no contido de 1958, no egotara o sentido da stiude redtora, que presidia e presi 208 nosios escudos, Em 1958, 2 fundamentasio metodolégica de uma so- Ciologia nacional nos obsedavs,Preisvamos vencer o kins frgumentos a que se recoria contra cla habitulment, por ma fe, por preconcito, ou por amb a coisas, Por iso, A Redugzo sacle, em eva prmeia exposigso, foi sobretudo um método de assimilagdo erica do pain socolgicoalenigena. Ao preparar a segunda edigio dese lio, advetimos que cle apenss, focalizon aspecto parcial da redugio socilégia. Ee no se destina to 6 a habia a ransposigéo de conheciments de umm ontexto social para outro, de modo exc, mat também circ: terta modaldade superior da exisncia humans, exstncia caulta ¢ transcendente, A socialogia no € especalizagio, oficio, profitsional, senfo na fase da evolugio histérica em que nos encontramos, em que ainda perduram as barceiras sociais que vedam 0 acesso da maioria dos individuos 20 saber. A vocacio, 10 Prertcio A SECUNDA Epicko da sociologia & resgatar o homem ao homem, permiti-he ingres- 40 num plano de existéncia autoconsciente. &, no mais auténtica sentido da palavrs, romar-se um saber de salvagie. A reducio sociologica ¢ a quintesséncia do sociologiza. Quem apenas co- nheve a literatura cociol6gica universal, sem se dar conta do que chamo de “redugio sociolégica” — dizfamos em 1956 — néo ‘passa de simples “alfaberizado” em sociologia Untrodupia, p. 211). [A teducio sociolégica ¢ qualidade superior do ser humano, que Ihe habilita transcender rada sorte de condicionamentos citcuns- tanciais, Este axpecto ficou prejudicado neste liv. Este aspecto sob o nome de aticude parencétics, ocalizamos, no livro recém- publicado, Mito « verdade da revolusdo brasileira. B sb em obra fuatura pretendemos apresentar, de maneica mais analitica, © nosso conceito ampliado de redusio socilégica, como leitura inteligen- te do real em suas miltiplas expressbes, Podemos, na entanto, saliencar tés sentidos bésicos da redu- ‘io sociolégica. Tais sto: 1) redugio como método de assimilagio critica da producto sociologica estrangeira, Foi ese, como se advert anteriormente,, f tema por exceléncia do preven Livro; 2) redusio como atitude parentética, isto €, como adestramen- to cultural do individuo, que o ablita cranscender, no limite o possivel, o€ condicionamentos circustanciais que conspiram contra a sua expressfo livre e autSnoma. A culeura, notadamente 1 cultura socioldgica, € componente qualitativo da existéncia superior, em contraposigio & exiseeacia diminuida dos que, Aestivaldos de teino sistemitico, oferecem escassa resistencia & robotizagdo da conduta pelas presses socais orgenizadas. Em nosso livro Mito « verdade da revolusio bratileira, no capitulo Homem Organizagio ¢ Homem Parentéico, focalizamos an ticamente exe aspecto, que pretendemos reexaminar em outra oportunidade; 3) redugéo como superasio da sociologia nos termos insti- tucionais ¢ universtirios em que se encontra. A sociologia € cincia por fazer. Presencemente, € 0 nome de um projeto de lahnragéo de navo saber, cujos elementos estio esbocads, mas uy [A Repucho SocieLecies ainda no suficientemente incegrados. Reproduzimos em apén- dice um texto escrito em 1958, Situa¢io Atual da Sociologia, em aque discuimos exta questi, ‘Apés a publicasio deste livzo, o pensamento: redutor fer progressos ¢ teride hoje a generalise para dominios outros além do sociolégico propriamente Em primeiro lugar, deve-seincluir na relagio dos estados que se sicuam no horizonte deste liv, 2 obra de Geraldo Bast Silva, Introdusao a critica do entino secundario (Ministerio da Eductgio Cultura, Rio de Janeiro, 1959), que é uma andlise compecente do nosso sistema educacional, § lux do. procedimento ertico- sssimilativo que aplicamas em visios trabalhos © que, « partir de 1958, chamamos de "redugio sociolégiea". A obra de Geraldo Bartor Silva € indicada especialmente para aqueler que tém in- teresee pela aplicagio da nossa metodologia no campo da pesquisa. © sz Alvaro Vieira Pinto publicon Goseéncia ¢ realidade nacional (1960). Sobre esta obsa jé formule’ juleo cixcunstan- ciado, que nio deseo reptir agora. No encanto, aproveito © censejo para actescentar 20 que esctevi em Mito ¢ vedade da revolugéo brasileira algunas consderagbes. No livo dost. Alvaro Vieica Pinto hi fagmentos que represencar, nfo raro, excelente ilustragdo da atitade redurora. O autor a aplia,algumas vezes, de modo feliz, na andlise de aspectos sociis. Em seu conjunto, porém, Conciénciaerelidade nacional élamentavelmente esforG0 fruscrado em seus objtivos. Podernos resumie as principas alhas dessa obra. Nea se confunde consciénciaextica com pensamento goroso. © auror magnifica a consciéncia critica, ao pono de clevila a um plano de alta elaborasio conceitual, que ainda esté Tonge de aleancar. A consctncia crtica de que se erat em meu liv, A Reduglo ocioligica e, em seguida, por influéncia deste, em Consitncia ¢ realidade nacional, € a “consciéncia eitica da realidade nacional”. E fendmeno de psicologia coletiva. Ora, 2 conscincia coletiva, como tl, nas condigSes prevalescentes hoje, 12 Perici A SEGUNDA EDIcKo io pode ter as quilifieagBes do pensar rigoroso, sejasociolégieo, ‘ja floséfica, Eso muito longe ot dias era que as massae possam vir a adquirit um grau de ilustagio Go alto. Por isso, tivemoe co cuidado, na Redupd, de mostrar que consciéncia cx de condigots socais gersis c esrutursis, a industilizagio e seus principais efeitos, a wbanizacio e a melhoria dos hébitos popu- lares de consumo. A consciéncia critica, no caso, seri, quando ‘muito, um modo aubsltemo e elementar do pensar rigoroso. Em nosso livro, no se confunde conscigneia critica com redugio sociolégica, Mac o ar. Alvaro Vieis Pinto canfiinde reneciéncia catica com redusio filoséfica. Nest ponto, comete 0 erro grave de atbuie & “conscignca erica da relidade nacional” as cate gots do pensamento dialético, afirmando que as “induziu” da “realidad brailcica’ 0 que é, no reais tigoroso senso da palavea, uma infanilidade. Além disso, inclui a nacionalidade, com 0 carster de mxima proemingncia, entre as cateoris clisicas da dlalécca, Em conseqaéncia disso, foi levado o st. Alvaro Vieira Pinto a um fciema floséfco, com 0 qual ndo se pode pactuar. [Nao tendo assimilado a nogio de comunidade humana universal oat. Alvaro Visita Pincoexpls em Concidniaerealidade nacional © que chamnei de deformagso dircitsta da redugio sociolgica. Uma reflexdo sobre o estado da cigncia economica nos paises subdesenvolvidos, & luz da idéia redutora, que merece registro, €o estudo do st, Jilio Barbosa, publicado em mimero da Revista Brasileira de Ciéncias Sociais (noverabro de 1961), inticulado Contribuigéo & Critica da Citncia Econdimica nos Paises Sub- desenvolvidos. No México, Jorge Martinez Rios, em estudo publicado na Revista Mevicana de Sociologia (Ano 22, v. 22, 1, 2, 1960), inttulado La Reduccién Sociolégica como Tarea Metédica — Pritica de los Socislogot Latinoameticanos, mos- ‘rou as conseqincias do método apresentado neste livo para 2 ‘América Latina, Ao cerminar seu estado, afiema Marciner Rios coca a reso sci» fand, su © ment soal (qu eine dala impuionss e praia, & nob ea 1B partorsoilogsatino- americans soietdo paraaguses [ue ve eit om diet pestence a0 str ntecas Po coloniadascademiesente [No mesmo sentido, jd anteriormente, s¢ inha pronunciado outro socidloge mexicano, Oscar Uribe Villegas, na introdusio | edigéo espanhola deste live (vide La Reducci6n sociolégica México, 1959). No dominio ertético, imporca assinalac as afini- dades entre 0 conteddo dese lito ¢ os ensaios doutrinérios de poctas como Hatolda de Campos (vide a pégina intitulada In- vencio, no Correo Paulisano de 27103160) e Mério Chamie (vide Literatures praxis, revista Pravs, Ano 1, n, 1, 1962). Em entre- vista ao jornal Extado de Minar (13/08/61) afiemava Hatoldo de Campos: Como advete Gucci Rams A Radu cali, fonmare, em dada crsntincas, uma “costa er tiers que fi ao mai essa com a “imporaso" de jee caltanisaeabados, mae eda de pode outro jes nas formas come finger adeguadas 3s novas Cigtnis istics, poodugio que no € apenas de cis, mas também de ide Exe peocsso € yerificel no campo antic, onde, por exempla, a posiaconceta pero ma rerdadin “rolugo ets" com reac 3 Cntebugio de determine aware que fundanentl- nent, caborvam a lingagem do tempo, toliando-as P verulmandoes so conde rads, no mesmo Senido eon que Guerciro Remax fla de na “redo tecnolginna qua sepia acompreesio eodaminio do proceso de eaborgho de tm bjeo, que permitem tems tas aia sidora da experiénin eaca trangia”, Dai xporgso, paso media. Lembree Fines, sexe conte, a Faselema de Maishoveki "Sor fom relia no Bae revlon (© posta Métio Chamic, m seu ensaio douttinério Literatura- Praxis, referiucse ao “mal-entendido reinance em corno da redugso sotioldgica”. De fato, ele existe ¢ precisa ser discutido ¢ carac- terizado, para néo incompatbilizar 0 nosso esforgo com 0s que tém interesse pelo aperfeigoamento cientlfico da produglo so- ciolégica em nosso pals. Na verdade, a metodologia que preside ans eamdos publicadas na Cartitha, na Introducio erica © em 14 Prericio A St LUNDA Eotcko A Redusio scioligica foi tapidsmentessimilada por aqueles sos ‘qusis se desinavam esses livtos. Mat dois mal-entendidos se formaram em rorno da questo, A reducSo gonhou adept exal- tados, que dla fizeram a expresso de um naconalsmo agesivo € intansigente, expéce de revanche, no dominio ds cultura e da cidnela, contra 0 pensimentoalicnigeno. DessaadesSo, 0 repre- sentante mais quslificado € 0 s. Alvaro Vieira Pinto, que, em Consitnca erealdade nacional, promove a nasio (e até mesmo 4 nazio bral) 20 plano das extgoria geris do. conheci mento, 20 lado, por excmplo, da toaldade, da objetvidade, dis racionalidade. Sobze 0 sentido revanchisea desee obrs jé noe pronunciamos pormenorzadamente em out lve. Em suma, 4 principal reufo do “desvio" do st. Alvato Vieira Pinto foi nfo ter asimilado a ndgio de comunidade humana universal, 3 lux da qual se concila pefeitamente 0 comprometimento do cien- tista com o acu context histérico, eo critvio da univeralidade, fem 0 gual nio existe verdadcita ciéncia. Lamentamor ter que desautorizar, como desnaturacio do nosso pensamento, 0 esforgo hereileo do st. Alvaro Vieira Pinto Mas & adesio insensata corresponde, num pélo oposto, o ‘combate insensato as nossa idéias e nossa posicio. Desde 1954, com a publicacio da Caritha, surgitam, nos cfeculos que s¢ dedicam 3 citncia social em moldes convencionais, manifestages cemotivas de hostlidade, ora brutais, sob a forma de injirias € intimidagées, campanhas difamacrias, ora distarcadas e sideragBer metodolégieas. Ese tipo de ertica exacerbada, por sua intrinseca invalidade, anula-se por si mesma. Tanto assim que, hoje, em 1964, jf quase desapareceu, remanescendo, da antiga truculéncia, uma que outra expressio de ressentimento, que nfo tem como e porque deva ser obviamente levada a séio, E por falar em levar séro, devemos focalisar a mais qua lifcada erica que um repesentanteiluste de nossa socologia convencionalescreveu contra nossa ovientasso: «do sr. Floritan Femandes, no oplsculo O Padnts de trabalho centific dos cide logos brasileiro (edigio da Revita Brasilia de Etudes Polticos 1958). Este estudo consticui magnifico contraponto de nossas 1s [A Repucto SocioLocic ideas, e sua leinura © andlive seria de grande interesse para quem desejt ter um flagrante modelar da facia do que chamévamos, ‘em 1953, de “sociologia consular”, ¢ dos becos sem safda a que. eonduz mesmo personalidades bem-dotadas como 0 professor peulista, st. Florestan Fernandes, Preliminarmence resumiremos 4s principais debilidades cientficas que, a nosso ver, apresenta 6 teabalho do professor paulisa: 1) confunde a ciéncia socialigica em hdbiso com a citncia ecoligica em ato. O autor nio ultrapassou 2 érea informacional da sociologia. Por iso, o trabalho ara pata rflete wie idenlogia de professor de sociologia, antes que atitude cientfica de cardcer sociolégico diante da realidade; 2) a critica em aprego ilustra como algo mais do que a informasio ¢ a erudigio, & necesito pats habilcar ao estudioso a fauet uso socioligico dos conhecimentos sociolégicos ou, em utes palavias, para a pritica da eedusio sociolopiss 3) pressupbe a referida cia falsa nogfo das relag6es entre teoria pritiea no dominio do eabalho cientfico,e assim vende a hipostsiar « dscplina socioldgics, tomando-a um conhec ‘mento superpiviegiad. Ns Caria estevemos: Na rico da meadologia cig o oishogss deve een uct execs de prec eae tment decor doa do deter ds estas Twn © sonst Porn 08 pls aivosmeioe tes mide e proces de pans deve cose {om ot nen eon ede psa ein, bem Climo com 0 nel cul genie de sas popes em. Contra essa proposigo levantou-se enorme celeuma no cir cal de nossossocilogos convencionis, os quas a proclamaramn absurda eerténea, Amowse que n6s preconizivamos que um pals subdesenvolvido devia ter uma sociologia subdesenvolvida © tom alrainente emocional da opesgio que suscicamos invo- fncariamente impediu um debate sereno ¢ objetivo da rexe, De favo, sea recomendacto ctada forse inciamento ao dspreparo 16 Paericio A Secunoa Eoicko € 8 subcitncia, ela caitia por si e, para combattla, no seria necessrio gastarem-se tanto papel etantosesforgos, que no vera a0 caso caracterizat, contra a pessoa do autor e suas idéias. Tudo isxo foi vao, como o demonsta, além de outras circunstdncias, co acolhimento que a Carthe meteceu em duas edigbes esgotadas. © piblico compreendeu o que diziamos. Alguns socilogos, no entanto, tiveram ¢ tm dificuldade de entender @ texto em seu cexato significado, Rebatendo-o, afiemsa o st. Florestan Fernandes, com dramitica seriedade, que 0 socidlogo deve eealiaat a¢ pee quisas “de acordo com os padises mais rigorosos de trabalho cientfico” (p. 64) © que enh cents cong pb actin a erin de aa ‘comunidad, sem cbrcrar de modo forego © rigoroxo at rormar eo valores qi olan a detobrt, 2 ericnSo ca aplcagio do coneimeato cencco (p59) Ninguém contescario st. Florestan Fernandes. Mas lamen- tével que elejulgue ter apresentado argumento vilido contra nossa ‘proporigfo ¢ julgue ainda que o pblico ledor de obras sociol6- ices se convenga de que contra néscenha apresentado ponderagio pertinence. Nao merece afinal respeito quem quer que tenka a audicia de proclamar que 0 cociélogo brasileiro ngo deve “ob- servat, de modo integro ¢ rigoreso, as normas cientificas". Em. trabalho recente, A Sociologia como Afiemasio, Revista Brasileira de Gitncias Socias, n. 1, 1962, ainda esceeve: slpunr cients socis penta que devemot cabivar “im padeo deensin snpliieadoe eximal omen in stays sbre sso hiseiico- zc gba, came a ‘or compte cumin expliegbr compares Br qve 0 Conheciment do senso comum produit m8 Europ, no pelo de dexineraio da cede feudal edeinatuiso (dsocedade declae.. Temor de prepare pei que sam capzes de explore, notmamente, os modelo de breast, ane © aplicaso da rade, Forni pala edna (p12) Poderd ser considerado apropriadamente cientista social a Ou 1c exprimi,com bizara criatura a que se referem estas palav existe tl criatura, ou os. Florestan Fernandes nfo conse 7 A Repucto Socioiocics ‘exatidio, o pensamento de que discorda. No que nos diz respeito © professor paulista incorte em inexatidéo, Sustentamos, hoje, em toda linha, nossa propesicio de 1953, Ela nos foi ditada pela experitncia ¢ nio reflete nenhum culo livresco. Tinkamos, naguele ano, ultimado nossos estudos sobre © problema brasleito da mortalidade infintil. Vetifickvames, em certas repartigBes federais de sade, a tendéncia bizantina para adotar no Brasil, ¢ nisso aplicando recursos orcamentiios, x= nicas rfinadas de mediagio do fendmeno, em voga na Europa, Na Franca, BourgeoisPichat distinguia entre morralidade in- Jfanil endigena (proveniente de causss anteriores to nascimento, ‘ou do proprio eraumatismo do nascimento) © mortlidade infantil ‘exigena (Aerivada de fatores ambientas). Combatiamos essa ten- déncia. Diziamos acertadamence que, no Brasil, as causas da mortalidade infantil io groseiras c, porcanto, a sua medida nfo precisava © no podia ter a precisfo que seria compreenstvel nos paises em que os seus fatores sociais externos esivessem 13- oavelmente controlados. Havers quem se negue a teconhecer a justeza de nosso raciocinio? O st. Florestan Fernandes, em set opisculo, no discure a ilustragio concreta da Cartilba, e se compraz em consideragées sbseratat, que podem surpreender 0 Teitor dessvisado, No caso, tinhamos ou no vinhamos razéo de sconselhar que ot métedor de peequisa dever cingie- 20 “nivel de desenvolvimento das estruturas nacionais e regionais?” Claco ‘que sim. Por acaso, © diagndstico da mortalidade infantil em. nosso pals deixou de set menos cienifico, porque nfo utilizamos 10s refinador modelos de Bourgeois-Pichat! Ao contriri, nfo 36 nfo conseguirfamos, por falta de condigdes sociais adequadas, obter a preciso de um coeficiente de mortalidade infancl enddgens, como contribulmos’para conjurar imaturidade entio reinante em certos citeulos de expecilistas. Nao combaciamos a técnica etrangeita, movidos por um nacionalismo revachisea, mas 8 considerévamos em seu significado episédico, evitando que 0 seu prestigio nos levasse 2 ocupar pessoal e a gustos de dinheiro em sua ind reprodusio aqui. Praticamos a redusio sociolégica, 18 que se aplica igualmente na usiizagio de todas at tdcnicas ¢ écodos de pesquisa carscteristicas de centeos estrangeivos. Um certo provincianismo ainda muito arraigado no Brasil, mesmo entre os nossos mais eruditos socidlogos convencio- nals, os impede de distinguit entre sociolaga em habito scielogia em ato, O st, Flocestan Bernandes n't pas arrivé, como ditiam os franceses, ainda permanece no Ambito vestibular da ciéncia sociolégica. Para comprovélo,seleionamos algemas de suas af rativas. Ao invés de pensar num método rigoraso de ajustar as Adenicas catrangciras de pesquisa Se noseas condigoes, devlaia que ‘estas difcultam 0 trabalho sociolégico. Diz ele: Em face deinsfcitocia das dates nance. fo resist oportuniads de eporasn denies deiner tiesto socilgi empregads covcntmente em centre do exesior (Pai, p. 21) © verdadeiro socislogo no ideslina eéenicas de pesquisa, © cumpre até o dever de desaconselhar dotagses financeiras para 0 emprego ocioso ou predatério de ckenicas estrangeieas de inves: tigagio. Sabe que as técnicas © os métodor sio consubstancais 4 toda indagacio auténtica, O que a zocidlogos canvencionais pensar ser um problema de recurso & quase sempre um problema de atitude ciencifica genuina ‘Com elinrim a ini surasieder na madi ‘ox chnonescenticos de investiga soci sinds 0 se encantam excbleidae de manei Frme © nivel (Padete, p42, Bis uma afitmativa nfo #8 provinciana, como confuse. Que slo “clnones cientificos de investigagio sociolégica"? Se so imétodos ¢ técnicas, simplesmente, nunca esto extabelecidor “de mancirs firme ¢ universal". Se sio ot principioe gerais do salidade, mas também se encontram sujeitos & historiidade. O culeo indevido aos “cénones” leva §hipercortegio, a grave engo- do, que visimam todos 0s que nso distinguem a ciéncia em hdbito da eiéncia em ato. Temos a imagem viva do hipercorzeto naqueles cruditos brasileiros em gramécica e filologia, que julgam que ot io sociolégico tém outros atribures de firmeza ¢ univer 19 A Repucte Sociaxocien ‘elnones do nosso falar esto em Portugal, ou nos clés tugucies do século XVI. A hipercorresio em sociologia & uma ccontradisio em termos, mat dela nfo estio isentas de todo mativas como as seguinces do se. Florestan Fernandes: “Temos de formar especialttas de real compecéneia em seus campos de trabalho, que suporcem © confronto com colegas estrangeiros"(A Sociologia, p. 13); ou, “nas condigBes em que nos achamos, cemos que nos contentar com os conhecimentos importadas de outros centros de investigagio socioligica” (Padrdo, p. 79). Hi, nessas afirmativas, muito pouco de cociologis. Muito de consciéncia iistficadae alienada, O que not impée aos colegasextrangeirot io € 0 conhecimento par coeur de suas produgées, mas 0 do- inio do raciacénio que implicam, e que habilita 0s socidlogos fixer coisas diferentes em circunstincias diferentes, sem prejulz0 da objetividade cientifica. £ esdnixulo advogar ou condenar a imporeasio de conhecimentos. Todos os paises s$0 importadores de ciéacia. © que te trata — no caro — ¢ de como imporeat. (© centido da Cerslha e de sun merodologia geral, a redugio sociol6gica, no € a solerte ¢ itracional hostilidade 20 produto culeural extrangeiro. © que preconizamos € a substtuicio da atitude hipercorreea em face de eal produto pela acieude ertico- assimilaiva, Por isso esctevemos em A Redugio zocoligica 0 seguinee erecho que, apesar de longo. tanscrevo, por ser muito pertinence: icot por- A aicade doe scislogoe que, diate dx produto sodolégiaimporads, 2 comport com os degenes€ os norm fice do Figrinos das capitis da mods, amber pode ser exlicads pela wciogin da “eoqueea”. Uns € Sartor, on disoner gras, Couto, s¢ moveneam 90 Lnmbito ds consiéncis ingtus. Ora 0 soilogo genuino 4 eatamene, aguee que. por profiso, & portador do mcimo de coomitncia cies dante doe fendmence de ‘onvvdacia humana. Por coneguint, em um pus pai co, 0 srango do tao sooo nose deve avai ‘la sun produto de eater relleto, ms pla proporio fm que fe fundamenea na conscidcia dos foes inf ‘trate que o infuencam, A capacdade de waliear sodislgiauenesoconhecimens solic Go que cree: 20 PREFACIO A SEGUNDA Boicko tein oepeilita de rl exgoria O socio pt date por tema, sendo derprovido dea capacidade sta tim cao de dandmno ao dominio da sociogia. No pases perccon, a sociolgin desta de ser sraada na medida fem queselibeca do “ef depreigioe se orienta no en fido de indie ae mae sors do contest histeleoscal cm qua ier, Ene ipo de wcologi cxige do ocitlogo fam eforga mo maior gue o de mor aqui de diss de inforagio epecialinadas exige © incagso nama deers itll, tuna inci inelcaa ue pode das on rs bis ms po om eo ‘clog om hits da sacl ma, mas cepts Ho fet dor termes © que Ane chan hero clio baie ‘uma apo int, ov adgsirids pl rnamente A cada linia conesponde um hein pein, © fic € meno tua pio que tena ido muito iro de Face do que slgném apo aren dane dos fo, segundo deerminadas eget eefetacis cones. Cons smelhane se di de (galquer our centa, Drs tambin que o mero all Ueinndo em scilgia, por mais emuien que aja = 28 informass,nSo sedge. Distingundo «ar em aio (eee a irogins Jaeger Maren, em su lio Ae fe Selaigu, un eteico prenda, caps de wabalhar {uins horse por din na again do conbimen eo fdas rept de ua ate, mae no gual aber germina Ene ergo jamal fr dle um arin emo o imped de pemanece is infnitment afado da arte do que fangs ovo rages porador de um simples dom natu Redo &precaane oon de eet. A era ope ‘ilo amped pics e todo contaria a encia da tae cena, porge perde de vise 2 parla enstacv d toda stag hie, (Os nossos sociélogos convencionais nfo estio em condigbes de opinar e aconselhar acertadamence, no tocante & institucio- nalizasio do ensino sociolégico, em particular, e do ensino fem geral, por se mostrarem manifeseamence impetits na pritica da sociologia, Passamas assim 20 segundo ponto que destacamos no trabalho em exame do professor paulista. As consideragdes do st, Florestan Fernandes sobre a matéri sfo, além de ersOneas, 21 A Repuglo Socioiocics pergosa. O sr. Florestan Fernandes fa idéia muio simplifcada das rxbes do atcaso da sociologia em nosso pals. Parece serthe catranho o imperaivo preliminar de reformat a pSpriaatitude metédica do socislogo brasileco em face do patrim8nio cientico alienigena. Descurando diso, supervalorisa aspectos finan de nosso trabalho socilégio, celevances sem divida, mas sub dltios¢ adjetives. Di, taxativamense: °O conhecimento cent fico nio possui dois padeBes: uma adaptével is sciedader deconvol- vides osteo acessvel b sociedades subdeensolidal (A Soiologia, . 12). Qualquer que sea o sentido de que se entende por padres, na verdade, o st Florestan Fernandes, no que diz respito A so- iologia estrangira, é um hiperorreto. Em neahum momento 4 sina de compreender que, num pats subdesenvolvido, 0 logra catéter cient 0 trabalho socoligico,senfo quando se compadesa com ceras regras adjeivas, de natures hisérco- social, que distinguem o seu padrio do padiio slienigens. Esse regras, € ébvio, mio afetam of principios gerais do rtciocinio sociolégico. O profesor paulits no sé se proclaim como se cotgulha de ser jejuno neste campo de cogicecSer. Por iso nfo € espantoso que impute a flta de dotagées orgamentirias defi citncias cujos determinantes reais the cscapem coralmence & percepefo, De modo obsedante fale da penta nanceir: jamente nas dress do cnvino ¢ da pesquta que slo maioes sb opotunidaes de inovseo inraconal i lemenoepecturbadores stg em que nes enone teams por cata dh penis de mos nano, pe peor © hamanor (4 Social, p 10 ‘Toda sociedade subdesenvolvida é definida por um complexo sgeral de pentiria. Hi penéria de alimentos, de habitacdo, de bens « servigos de toda espécie, pemtiria de recursos para as atividades cientifias de todo género. De todos os homens de citncia 0 soc logo € justamente quem deveria particularmente compreender que 4 pentitie, s6 podendo ser etraicada pelo esforgo coletiva de producto, cabe-he subotdinar a stividade cientifica As prio- ridades socials, © que é possivel sem sactficio do rigor. Pedi cursos orgamentérios para © trabalho sociolégico, sem conscit sociol6gica. critica, do problema social global dos recursos, 22 Praskeio A StcUNDA Eoicke prova inequivoca de um delico conttaa sociologia. Na Carilha ceicreveros essa proposigio, que o sr. Florescan Fernandes con- dena com veeméncia: No exo asl de desnvlvimenta das nage ltno- mutism fae dat suse needa cada vx mates Ae invesimento em bens de producto, € deaconsliie aplca ecuros na prten de pesquss sobre deahes da ‘ia sock, devendoveeiua Formula de incerpe ‘ager gence doe pete globe parns dar exurat acon «reponse (. 16) [Nosios socidlogos convencionais s30 infinitamente alienados no tratamento desat questdcs de politica cientifica. Avaliam as necessidades do trabalho socioldgico por citéios abstratos, simé- tricot e analégicos. Na extica do st. Florestan Fernandes, nfo hi ‘© mais leve indicio de que ele enka idéia de uma politica geral do trabalho sociolbgico em nosso pais, induzida da fase atual ‘em que se encontra o seu processo de desenvolvimento. Ele fuga, que © padrio de trabalho cientifio dos socidlogos brasileiros & uma fStmula ideal, que nada tem a ver com as particularidades historias e socinis do pais. “O padsio de trabalho intelectual, explorado nos diversos ramos da investigasso cientfica — dia cle —é determinado, formalmente (0 grifo € nosso) pelas normas, valores ¢ ideas do saber cienifico” (Padrio, p. 11). Pare se ter ‘uma idéia do formaliame cm que catd vasnda a apreciagfo do or. Florestan Fernandes, é preciso ler-se 0 opisculo em exame. Nao aro tornaie dificil, senio impossivel, compreendé-lo, Além de ‘fo ilustar de modo concreto suas consideragées, nfo precisa, como seria de desejar, o sentido de certos termos. Sio, por cmplo, vagos os significados de “padto”, “normas”, "valores", lias". Na Carita todas as criticas esto ceferidas a situagées cconcretas, O et, Florestan Fernandes nio as discute. E & provivel ‘que 0 leitor do opisculo, desprevenide, ignorance do texto da Canttha, admita que n6s preconizames um nacionalismo so- iolégico incompattvel com as regras cientificas do racioctnio, Esperamos da boa f de quem ler este liv a compreensio cxata, do nosso pensamento. No plano geral do raciocinio sociolégico, ae “normat”, “valores” e “desis” tanscedem as particularidades 23 A Riputo Socoiocica historias de cada sociedade nacional. No terreno concreto, po- rém, a utllizagio pritica do saber sociolégico obedece, em cada sociedade nacional, a "normas’, “valores” e “ideas” especificos, aque refletem 2 particularidade histérica de sua situagio. Dever ser pesquisados e compzeendidos pelo saciolégo e assim torna- rem-se pontos de referencia de uma politica do trabalho cientfic. Sem essa conscincia politica, o sociélogo nio esté habilitado a tirar partido, de modo socialmente positivo, dos recursos dispo- nfveis. Pode ainda aceitat ajudas financeiras externas pata a realizagio de poaquisss « investigagies, cujo suiil propdsica € dlistsit a inteleccuslidade de tarefie ctiadoras do ponto de vista nacional, Sio justemence os sociéloges convencionais 0: mais bem pagos do Brasil, os preferidos das organizagées externas financiadoras de investigagdes. Mas todo mundo sabe que é nula a participagéo dos sociélogos convencionais no esforgo que, em nossos dias, xe vem realizando no Beal no éentido de formular um legitimo pensamento sociolégico nacional. Este pensamento cesté surgindo, &reveliae contra a resistencia deles. O sociélogo de um pais subdesenvotvido, mais do que qualquer outro indi- viduo, tem © dever de procursr meios © modos de eranseender 2 pentria financeia e fazer o seu trabalho, com o maior rigor écnico ¢ cientfico, a despeito dessa penssia. Nao 4 intligente, nem muito menos sociolégica, levar & conta de penuria finan ceita a debilidade de um trabalho cientifico, que decorre princi ppalmente de uma aienada attude metédica diante do saber e da, realidade nacional © formalismo induz o st. Florestan Fernandes a afitmagbes de gritante teor ingénuo, Diz ele Excenandose a produsio dos soidlogosesransits, que lecinara ents na, prices tentatvn de an, sacaploaio de alvoxcindfcor definido sistant «ha investigo cilia, fnem-se seni em coneibuigsee poserors 1980, de Femando de Azevedo «de Emilio Wilms (Padi. 5657). [Essa afirmativa demonstra, como temos tepisado, que pode cnincidie, to aval de informasio socio. sna meema peeens, sm 24 lgica com incapacidade crftica. Identificando © conhecimento socioldgico com a socologia em ato, o st. Flotestan Fernandes, actedita que no Brasil a sociologia s6 comega com a5 escolas de sociologia. Os autores a que se refere acima ¢ 20s quais aribui uma importincia extravagance, desproporcional is que realmente representam, so, por assim dizer, socidlogos diditicos, eseritores cexcolates, Como tal, tiveram inegivel importinca, difundinds censinamentos teis. Nunca foram, nfo so, porém, propriamente socidloges, como 0 foram, apesar de suas normais deficitncias, homens como 0 Visconde de Urugusi, Silvio Romero, Euelides dda Cunha, Alberto Térres e Oliveira Viana, em suas respectivas épocas, Esses autores so momentos ilustres da formacio de um utiizavam, como sub- pensamento sociolégico brasileiro, 4 sidios, at conteibuigbes exttangeias Todos eses homens tinham o que fazer — tarefassocioldgicas réprias ¢ larga conscitncia de que 2 medida por exceléncia do trabalho sociolégico & sua funcionalidade em relacio & realidade nacional. Por isso, piiblico nfo sabe hoje quem sio Fernando de Azevedo e Emilio Willems, mas continus & ler aqueles autores em suas obras encontrando escarecimentos ieis 4 compreen- so objesiva do passado e do presente. Os trabalhos do se. Emilio Willems 26 tém intereesecxcola. Seus ertudor sobre aculeurasio < essimilagdo constivuem competentes provas Je sua atualizaao didética, mas além de nfo conterem aenhuma contribuigae no ‘campo da teoria pura, nada mais epresencam que exetecios, Sto uum episédio ds histéria do ensino da sociologia no Brasil. Nao © povo no foi propriamente sujeizo do acontecer politico, 20 no ow narianal da expressio. A popll- ence ne eentide mo: 59 [A Repucto Socioiscica lagio brailera descobriu o politico a parti de sua integragio no imbito de inceragSessurpido no pals gragas 4 formagzo do mercado interno.’ Ordinariamente, nos patter subdesenvolvides 0 tipo rural de cxstnea, dada a prépcia narreea das clas habicuaisdorn- nantes em seu horizonte espacial, 90 favorece, em plenitude, _avidapropriamente politica Esa surge soment a patr de era “Censidade demoggifiex-No Gaso, 2 quantidade condiciona o nivel ‘qualitatvo da vida coleiva. O rurcola é por definigSo, o hax birante de zonas demogeaticamente rarefeitas, integrante de pequenss colecivdades. E justamente esta escsssez demogrifca «que, em grande pare, condiiona sa eoogia coletva. Em sia iMEREMENTE'S aie Go OF OTIS nacuas, 0 {us he imp um sitmo de exinéncia multe Jeno, afeado plo préptio ritmo da natuteza. Tem de set, portant, um individuo Pouco tenso em suas celagSes com objetos e outros indviduos, tima ver que esas sfo, em larga margemn, sjstadas A manera habitual como os fendmenos naturae transcorcemn. Em segundo lugar, a pequener relative das coltvidades rursis, em ver de cetimular acentuada ditrenciagfo dos indviduos, de diversifcar os seus objetvose sus motivaio,levando-os a adorarconduras, Foremente competivas,inega-os de modo profundo em gr pos dorados de vigorosa consciéncia coletva.'Em outras palavras, em tis coetvidaes se obtém alco grau de solidaredade social, sarantida pela semelhanga pricolégica dos individuoty Foi a compartimentagso da populagto braslia em uma pocira de pequenascoletvidadesrurais que, ei epocas anteriores, e mesmo 2é recentemente, asegurou tanto o dominio das slgarquiar quanto & pasvidade politica do elecorade. ‘Ajndustialiago vem promovendo a teanditncs de pesous do campo para as ciacese incrementando a formagio de aglo- poicoloia coletva dos Bruce, A ambitncia wana, i df tenga da rural ines indivio numa tram defeat lage tus quis se regia considerével carga de eft, (Go clagSee 60 Phrones on Consciewcin Catia. {que estimulam o individuslismo, a competicio, a capacidade de iniciaciva, o interesse pelos padeSes superiotes de existéncia, A. rensfo constitutiva da vida urbana traduz-se naturalmente em poliszagio acentuada, tornando decisiva a patticipacio popular nas vitia formas de atividedes diterivas da sociedades Alguns faros politicas podem ser aqui lembrados para mostrar a perda de sepresentatividade de quadtos politicos anacrénicos. O elei- rotado urbano, em nosso pats, desde 1950, vem retirando siste- ‘maticamente 0 seu apoio a candidatos a fung6es governamentais nos quels no reconhece propésitor sinceror de efetivar suse aspiragbes. Na histéria politica dos ilkimos anos, t8m sido fre- (ientes lutas eleitorais que se concluem, sgaificaivamente, com a dectota de eandidatas do governo, tanto na esfera federal, como na extadual ¢ municipal. Efeitos Socoligicos das Ahteragies do Consumo Popular Um cetczia fato novo, que particulaiza 2 presente erapa da cevalusio brasileira, é modificacéo que vem softendo a compo- sisio do consumo popular. Nos iiltimos decénios, gragas 20 crescimento do poder aquistivo, que o desenvolvimento sempre acarteta, no 26 se tem verifcado 0 acréscimo dos consumos ‘vegetaivos do pova (alimentacio, eas, roupa), como também (6 aque mais relevante) o aparecimento de novos hibitos de con- ‘sumo em masta, de cariter nio vegerativo. Pode-se imaginar a simplicidade do consumo popular no passado, levando-se em considerasio a estrurura de produsio no Brasil, pouco diferenciads em relasio a0 que & hoje. A falta de dados quanttativos é suprida pelo depoimento de observadores. Un deles & Tobias Barreto. Em seu Discurso em Mangas de Camisa, pronunciado em Escada no,ano de 1877, referindo-se A populacio daquele municipio, dzia Sobre east i sine, ou melhor, sobre ee es an verre, &probabiliio 0 seuine eal: or A Repucto Socio.oaies 20 demesne, ua inde, 15 goon sine 1 ee gu om bam O12 der sem et twos [Num pinouna do Bri nt pimeiadleda desea Siva Romero cbcra spreads do conumo popele Die aque nuqula oc em ger opowe guava apes oeficente sa se untae satis E bere icp nde ig edt lot qe ean ‘ona de abet e pace ban deur tor er 64 aa dt rae? Infelizmente afo se encontrar, «esse respito, informasses sfenicas que aqui possam ser referidas. Mas, a partir de 1934 comegam a aparece informagSes um tanto mais qualifcadas sobre as condigbes de vida do povo, embora de varidvel grau de abjetividade. Nequela data (1934), realizou-seem Recife pesquisa pioneiea sobre padsio de vida. Segundo os resultados da inves- Ligegio, of gastos com slimentagSo absorviam 71,6% da renda clos operigis recifenses, restando menos de 30% para as outras despesasE claro que tal orgamento apenas permitia que os Individuos se mantiversem quasetho-x6 no plano animal Outre investigagBes posterioresvieram, porém, revelar a tendéncia para 4 baixa do percentual das despesas com alimentagi. Segundo 0 Cento do Salétio Minimo de 1939, a percentagem da limentagio a despesa total de familias operiias er: em Salvador - 69,496: em Recife -68,7%; em Maceié- 70,9%; em Sio Paulo - 54.9%: ex Curitiba ~ 58,696; em Porto Alegre ~ 61,79. Em 1952, esses percentuais bsixaram ainda mais, sendo em Salvador - 58,299; em Reefe - 544%; em Maceié- 52,496: em Sao Paulo - 41,09; ‘em Cureiba - 45,996; em Porto Alege -35,4%. Note-se que em 1952, nas es kim eapitais, nos grupos populares invesigades, mais de metade da despesa total era plicada em itens diferentes da alimentagio. Por mais precirio que Fosse esse padrio de vida, 62 Fevonss 54 Consextncia Catmica, jf dia respeito 2 uma populacfo que ingressara num plano de vida, superior 20 da subsiseincia Mais ilustrativos sio ainda outror resultados das investigagées de 1939 € 19527 no seio da classe coperiria. Os gastos com alimenterde, habitagto, vestudrio, mé- ico, rendio e transporte absorviam os seguintes percentuais da despesa total: Censo do Sairio Pesquisa Nacional idades Minieno-1939 1952 Resife 1087 m9 Maceis 1044 752 Distito Feder) 95,5 174 Sio Paulo 012 79 Curitiba 95.6 788 Porto Alegre 10,9 69.6 A despeito da margem de ero que pode se fcilmente apon- tada nests informes, so consitenes do ponto de vista global ¢ atewam que est ocorendo um zefinamento dos hébitos popu lars de consumo. Epa Pesquisa de 1952 registou larga difuso de hibieos de consumo de teor elevado Das fans havea, Gs apaslly de sbi 92,09 cus Porto Alegre: 73,896 em Sto Paulo; 64,5% no Distrito Federal TTinham luz eléiea 98,0% em Poro Alegre; 95,6% em Sio Paulo; 86,2% no Diswito Federal. Tinham méquina de costar, 76,096 em Pore Alege; 52,5% em Sto Paulo: 45,8% no Distrito Federal. De uma populasio na qual se veifiquem alteages como can pdese dir ques inpmsnads ou hse Ta com sumos vem a dar fundamenco a uma prcologia coleiva de grande conteddo reivindiativo, Quanto mais uma populacio assimila hibitor de consumo nfo vegerativas, tanto malt cresce 4 sua conscincia politica ¢ maior seroma a sua presso no sentido de obser ecurtos que Ihe astegurem nivee superiors de exsténcia) Os padebes precios de existncis, mantendo a populagio em os A Repucte Sociotcics cstado de sevidio 4 natures, nfo propcim oaprofundamento ‘de ua subjetvidadel Concentrando sus forse para obter a mera Sbriténca, prems de necesidadescudimencte, nfo rt Sx populagSespauperzadasseniorestita margem para dessvolver, {aptidto dese condusitem sigiicatvamente como protagonis- tas deum destino hisricoPoderse-ia consider como expostas 1 hetrodertminasio as colevidades de cise sbjetidade, por ino que dispéem de recursos imiadoe, quate to 6 hibels ar peitia sa reproduso animal. 86 adit a posbildade fr auredrerminarao 0 povo que. lbetando-e da motivacto rossi, dos misteres puramentebiolgicos, transfer ses in- teresses para motivos cada vez mais requintados. & a autodeter- tminarfo, garantida por supostosconctetor, que leva uma popU- luego a acender do plano do exisir cident, dirseia quase espacial para o da duragi; da condigto de objero 0 coisa & ondigfo de sujeto. A atodeterminagfo et, de cet, asociada om efinamento dos motives da vida otdndia, com alibewagso progresiva dos afizereselementares! Notas (1) CE Levon, Claude, “Societe sans Histoire et Historic” abies Internatonawe de Secolgi. x. XML. 1956 (2) Op. ci. @) Op. ci. (6) Vide Conmises, Roland. Formeréo ¢ problema da cultura Jraire. Bio de Janeiro: ISEB, 1958. (5) Usando terminologia de Cast Schmit, podera diverse que “a convivénca nfo-tenst” (FJ. Conde), caacerstia de um. petiodoultapassado de noses cvalugfo demogrifie, era um puro conviver natural, "nsbrlcher Daven". Segundo Carh Schnit,€ cero grau de intensidade que distingue dois tpos de existncia humana: a natural (Dascn) © a proptiamente politica ou hiseérca (Eisen) A exsénca politica ou hise {rica supe umn conviver tengo eintenso que no se vsifica to simples modo de exe natural. Para o auto, a nacuresa transforma em espirin guanda entra em tenséo, No que 64 Parones ox Consctencia Critica dia tespeito 20 homem ¢3 sua forma de exstencia, deve ser colhada com cauela a diferenga entre o natural eo histérico, a divsto dos povos em nature hstticos podendo, muitar vezet, denunciar ums adcude etocéntrica © ideolégica. O hhomem, em suas possibildades, & sempre fundamentalmente (© mesmo, numa ow na ousrs forma de exsténcia humana 4 que se sefere C. Scheie. Todos os atos humanos sf0 “projtivos", como adver: Javier Conde, tanto no estado de satureza como no etado politica, O ineremento de inten sidade na coessténci dos homens nfo the modifica a exra- cua essencial, apenas of wena aptos 2 realizar plenamente ‘aoa das possbilidades desea etatara — a polities. De gual- quer forma, a distinggo de C. Schmite€eselarecadora Sem Aivida,o recente incremento de intensdade no &mbito dar relages de diversas ordensvigentes no espago brasiito velo darthe um conseio polcco que, em cermos comparatves, pode ser considerado nove. (@CE Romero, Silvio. O Brine primeira déada do seule XX Tisboa, 1912, p. 79.0 lio em que se enconta ete exo Silvio Romero e Arthur Guimaries. Eisudossociais.O Brasil tna prmcina dcada do rela XX. Problemas brachror, 2 BA, Lisboa, 1912. (9) Nota da 2 edifo — Vide snopse dese pesquisa no Anuitio Estatiico do Brasil, de 1954, elaborada pelo Instituto Bea- silizo de Geografia ¢Exaiica. © projecamento, a execucso «© apurario dessa pesquisa foram dirgidos pelo autor. (@) Ea exe refimamento éa motivagio que A. Toynbee chama cereale. — Nots da Segunda Edigo, Seria pertinent rexsaltar a impor: tdncia decsva que assume na promogto de consciacia cris da realidad brasileira, a imager dessa prépria relidade que 1 difende apidamente er tode populago, gragas 20s meios de comunica¢éo como o caminhio e o automével,¢ de in- Formagio, como 0 ridio, a elevsio,e especialmente 0 ap2- sebho transiscor. 6s A Mentalidade Colonial em Liquidagao A exigencia do desenvolvimento, que se imps atualmente a comunidade brasileira, exprime o projeto coletiva de uma per- sonalidade histérica, a0 menos jd esbogada, a pretensio do pais de assenhorear-se de sus reaidade, de determinar-s a si prdptio. Portanto, vive 0 Brasil uma fise de sua evolucio em que esté superando o seu antigo caréte reflexo. Até hé pouco, a nossa cstrutuca econdimica estava orgenizada como ses descent lizada da Area do capitalismo hegeménico no mundo ¢, asim, corientada para satisizer a demanda externa. Também politica, sociale culruralmente, a sua existéncia era, em sentido histrico, adjtiva e wiburitia. Na perifeia ocidencal, 0 Brasil nfo se re ‘cortava como um espaco histrico, capacicado para a aucocon- formagio. Atwalmente, porém, tendéncias centipetas estio sur- fo, em nosso meio, as quais dio suporte a um processo de personificasio histérica. Quer isto dizer que 0 espago brasileiro fe tomnou teatro de um empreendimento coletivo, mediante qual uma comnidade humana projeta a conquista de um modo significaivo de exstencia na hiseéri.t A maneiea de um princfpio [A Reougia Sociavscies configurador, © centipesiemo incide em todos os nfveis de nossa vida, eatabelecendo uma tensio dialvica entre a esru- tura anaer6nica do pais sia estrutora em gerasSo. Em termos superestcucicas, ett censio tradur um confi de duas pets pectvas: a do pais velo © ado pas novo, a da mentaldade colo nial ov reflera e da mentldade autentcamente nacional [No dominio dar citncias sociais, cas tnsfo também se ve- tific. Até agora, considerével parela de excudisos se conduziu sem se dat coaca dos pressupostoshistéricos eideolégicos do seu traballio icf, Si cone 1a teflon co submetia pensive fe mecanicamente a eritros oriundos de pales plenamente de- senvolvidos, Ors, na medida em que of nosso especalistas ex cincias sociais nfo pretendam Acar indiferentes 20 sentido centipeto que a vide brasileira exthaduirindo, eréo de acres centar 20 eaforgo de aquirigio do patsiménio cientifico universal 0 de inciagfo em tum méeoda histo de pensar que os habilte 2 paticipar ativamente do novo sentido da histéria do pats 1 assmilago lea epasiva dos produtoscenelfics impor- tados corset de opor a esimilato critica desses produtos. Por iss, propde-se aqui termo “reducio socolégia” pare designar o procedimento metédico que procura tornatsstmitca a as- milasso erica. Nio hi, porém, uma redugfo sociolégica apenas da. pro- dugfo saciolégica propriamente dita. HA também uma redugio seciol6gica do dieito, da economia, da politica, da antropo- logis culeural, da pscologia, da flosofia, das cincias da cultura cm geal Que & 4 redugio sociolégin? Nota (1) “oo tempo histcio se tanscende por nossos projetos. De fato, um momento & dito histérico quando seu desenvov memo coincide com o de ure idéa-aconterimento. O Malls inaniano vota # nacinalzagio dst companhias de peeleo ‘pur otha; na egundasfia aeguint, jena de Teer 68 A MasrrauoAoa Coton jf filam do pefodo ‘antesior 3 nacionalzago!,expliciando ‘uma experinein temporal coletvs &aleura de Histéria da Pénia,experiéncta que corresponde a apiragSes naionais de conde tira toda sua significaio histtica sua densidade. Val ap enconto da vio que 2 maioria dos iranianos possuem dd Futuro. Pela decisfo de uma mudanga — em Fangio do futuro — eransforma-se o preseate em passado". (L.A, Lahbadi, op. cit, pg, 129). 69 Definigéo e Descrigao da Redugio Socioligica ‘Antes de responder & pergunta, cumpre esclarecer 0 sentido do termo “redugio". Em seu sentido mais genético, redugio consisce na eliminacio de tudo aquilo que, pelo sew cariter ¢ secundirio, perturba o esforgo de compreensio ¢ & vbicugie do esencial de um dado, E, poreanto, a redugto, sea praticada no dominio teérico, seja no dominio das operagées empfrias, & sempre a mesma atividade. A redusio de uma idéia ‘ou de um minésio, por exemplo, consiste em desembaragé-los de suas componentes secundltias para que fe mostrem no que so acest cexeencialmente No dominio restrito da sociologis, a redusio € uma atieude metédica que tem por fim descobsir ot pressupostos referencisis de narureza hist6rica, dos objetos e fos da realidade social. A reduclo sociol6gica, porém, € ditada nfo romente pelo impera- tivo de conhecer, mas também pela necessidade social de uma comunidade que, na realizagéo de seu projeto de existenciahis- térica, tem de servir-se da experitncia de outras comunidades, [A Rapucio SociaLocies ara melhor encaminhar a exposigio e a comprensio do as sunto, € sem dvida convenient proceder a algumasconsideragSes mais minucions. Pode a redusio socioldgica ser deste. nor seguineesitens 1) E atitude metédica # manciea de ver que obedece a regras « se esforca por depurat os abjetos de elementos que difculeem a percepgto exaustiva radical do seu significado. Pretende ser © contritio da atitude espontines, que ago vai além dos aspectos externos dos fenémenos. A atitude natural nfo pe em questéo os aspectos diretos dos dados que Ihe sio ofeecidos. A atiude retédica os “pe entre parénrese", isto 4, exime-se de toda afirmagio ou accitagio desses aspects, invertendo, por assim dizer, © processo ordindvio da atitude nacura 2) Nie admite a exitinca ma realidade social de objetos sem _presupostes. A realidade social nfo é uma congétie, um conjunto Aesconexo de fatos. Ao contrétio, ésistemdtica, dotada de sen- tido, visto que sua matéria é vida humana. E 2 vida humana’se distingue das formas inferiores de vida por ser permeada de valoragées. Portanto, os fates da realidade social fazem parte necessariamente de coneases de sentido, extfo referdos wns aos ‘outros por um vinculo de signifcagf. 3) Poatula a nogto de mundo. Ico quer dizer que considers a conscincia luz da reciprocidade de perspectivas. O essencial da idéia de mundo € a admissio de que a consiénca ¢ of objetoe estio-reciprocamente relacionados. Tods consciéncia € inten- cional porque estruturalmente se refere a objetos. Todo objeto, ‘enquanto conhecido, necessariamente ests refrido & consciéncia. ‘© mundo que conhecemes ¢ em que agimos € 0 fmbito em que 6s individuos ¢ os objetos se encontram numa infinita e com- plicada trama de referéncias 4) E perpectvia. A perspective em que esto 08 objetor em parte os constitu. Poreano, se cransferidos para outta perspec- tiva, deixam de serexatamente o que eram. Nao hé possbilidade 72 Demigho # Descuclo 04 Reoucko. de regetigdes na realidade social. © sentido de um objeto jamais 4 i desigedo de um conteato determinado. 5) Sear supote so coitiver¢ nie individusir. © socslogo chega & redugio socolégiea quando torna sua uma exigéncia de autoconformacio surpida na sociedade em que vive. A redugio socilégica € um ponto de vista que tem a consciéncia de sez limieado por uma siuasioe, portant, instamento de um saber ‘operative © ndo da expeculagio pela especulagio. Por af se revela « catéter coletivo de seus suportes. Para que alguém apreenda ¢ pratique « reducHo sociolégica, careceviver numa sociedade cuja sutoconsciéncia asuima as proporsses de processo coletivo. A redugio sociolégica nfo 6, portnco, em sentido genérico, prima- amente um ato de licides individual. Fundamentise numa espécie de ligica material, imanente & sociedade. 8 E wm procedimento crtcoasimilasve da experitncia ese sangre A redo socioligica nfo implica isolaionismo, nem exaleagio romantica do local, egional ou nacional. £, 20 con- trivio, dirgida por uma aspiragio a0 univers, medistzado, porém, pelo local, regional ou nacional. Néo pretende oporse A pritica de eransplantagées, mas qucr submeté-lar a apurados ccs de seletvidade. Uma sociedade onde se desenvolve a ca- pacidade de auto-articular-se, torna-se conscientementeseletiva, Dizve aqui conscientementeseletiva, pois em todo grupo social i uma seletividade inconsciente que se incumbe de distorcer ou recinterpresar os produtos culturtis importados, congeatiando, smuitas veres, a expectativa dos que praticam ou aconselham as teansplancages liters 1) Embora seus supores colesivessejam vivtncias populares, a redusdo socioligica @ atiude altamente elaborade, A redusso so- ciolégiea de um produto cultural, de uma insticuiglo, de um. processo, nfo se alcanga sendo recorrendo a conhecimentos di- versos, principalmente de histéria. Consistindo em pe 4 mostra fos pressupostos referenciais de natuseza histérico-social dot cobjeros, a pesquisa desses pressupostos leva a indagagSes com- 73 A Repucho Socrovoctea pleras que s6 sio efetivadss, com seguranga, mediante extudo sistemético ¢ raciocinio rigoroso. A atitude redutora no & mo- dalidade de impressionismo, Para ser plenamente valida, nocampo da cidncia, precisa justficar-se, baseat-te num esforgo de reflexio, hab para demonstrat, de modo consistence, as rxaBes nas quais se furidamenta, em cada cao | | Duas Ilustragoes da Redugito Sociolégica Medianee exemplos, © sentido bésico da cedugio sociologica seri mais claramente apreendido. A fim de concretizar melhor 0 pensamento aqui exposto, proceder-se-d a redugio de um con- cexito ¢ a de uma técnica sociolégica. No livio Inmodueao ertca a sociologia brasileira, 9 auior weve o-ensejo de eplicat 0 método na critica dos conceitos de “culeura” © “aculeurisio” e, de modo geral, na andlise da antropologia, anglo-americans. Agora seri objeto de consideragio outro con- ceito —0 de “controle socal”. Pretende-se demonstaro seguinte: 1) que o conctito de “controle socal” assume funds- mental importincia na sociologia norte-americana em vireude do caréter altamente problemético da integragio social nos Extados Unidos: 2) que, naquela sociedade, a exploragio exaustiva do tema confere grande funcionalidade e pragmaticidade 20 trabalho sociol6gico;, 3) que, finalmente, para 0 sociélogo brasileiro, o con- ‘ceito de “controle social” tem baixa funcionalidade e, assim, deve A Repucto Socioxscic, ser usllzado subsidtramence nas consideragies teGrcas rl Gdonadas com os problemas expecfcos de sua realidade social © “controle social” & tema obsigntrio de todo compéndio elementar de sociologia nos Estados Unidos. Mais do que isso, 6 freqdentemente, assunto de semindrioe e curios de mono- grficos. Em nenhuma parte do mundo se publcam tanto zoe sobre a mata. E caro que iso ndo acontece fortutamente. A propria formaciohisrica daquele pats o explia. Dado 0 rau de integragio da sociedade nort-american,o controle social Somes lh aa deo qe om outen qualquer vleviddey un dlesafio permanente, que, para ser satsfioriamente conjurado, demands nfo #50 uso intensivo de meiosdieras de coaso, mas também o emprego em masa de técnica de manipula indices de condutas, tendo em visa 0 foralecimento da esabilidade social. A formasdo hisiica nacional, no caso, foi mareada por exiema aceleragio. Nio hé exemplo, no mundo, de coletvidade aque, no periodo de sua exstncia histérica, enh percorido tantos gras da evolugio econbmico-scial, Essa acleaco his- térica tem dificult a transmiaso da experincia coletiva de setagio a gerafo, Mesmo em esrutrat estes podem verifiar- a hints entre geragSes, ali, porém, tus descoatinuidedes, por rmotivos 6bvios, tem sido particularmente graves. Em virude do rime aecerado que marcos a evlugio norte: americana, cada geisfo,enfrentando inovages radials, adota necesariamente exiles de vida em grande pare disrepantes dos rodos de ver da geagfo anterior. Condisfo da extabilidade das representagéescoletivas de um grupo social é que o seu conteato tndo mude com demasiada rapider. Nao & sem motivo que of educadéres nore americanos ttm sido os mais prSdgos em es tudos sobre © problema da “educagio para uma civlizagfo em tmudanga".Além diso, durante longo pefodo, ot Estados Unidot reocberam sucessivae levas de imigeancr, consticuindo agudo problema a incegragéo dar diferentes pricologis colétivas © -morivagbs de que cram porcadaes, Sob o nome de “assimilagio", esse problema aiaisinds hoje a atengio dos socdlogo. A" timllagio” que, ne cat, afo pos de eufemizmo de “americe 76 Duns TuustRAcoes DA REDUCKO. aisagio", é tema de monograias numerosss¢ de capitlor ob trios em compéndios de sociologia nos Estador Unidos, not ‘quai, a bem pouco, eram encontradas referencias freqQentes 4 chamada “beecha cultural” entre aise flhos de imigrants, 4 delingiéncia ¢ sot derajustamentos juvenis, provecados poz conflios de avaliagio entze geagbes, E posvel aver afirmar aque, nfo se tendo formado, naguele pals, um subsrat len- tamente sedimentado de eadigdes ¢ costumes, nio existe ali propriamente sociedades existe, ants, um pablico, isto uma comporicfo socitsia desu de aributos estes, por isso, txtremamente plistica « dorda de pequena resiténca aos ext roulos de manipulages habikmente condusidas. Ademais, em sido observado nos Estados Unidos o debilitamento do papel dos tapos “primésios", bacado nos coatatosafetivos (a familia, a vizinhanga tz) e 0 ineremento da influbaca dos grupos secu dicios, baseado em contator supeficisis. Nos Estados Unidos, chegou 20 miximo a feagmentagfo da sociedade em grupos organizados arifcss,c, portant, a mecanizasio socal! ‘Como aspecto particular da mecanizacio social, pode-se citar © papel saliente dos grupos-le-pressio na vida norte-americana Compondo uma gama infinitamente varia, esses grupos luram entre si pela participagSo de vantagens de toda ordem. Finalmen- te, agravanda todo esse panorama de tensbes, hé que referie 0 sistema capitaista nore-americano que, dadas as suas proporcées excepcionais, acentua, mais do que em outra parte, o caréter compertivo das relagées sociais. Todos esses aspectos concorrem para fazer do “controle social”, nos Estados Unidos, magna questio socialégics, (Os especilists norte-americanos, dando-lhe a aten¢io que merece, tornam 2 sociologia-operativa e funcional. Assim pro- cedendo, respondem a uma exigéncia do meio, Péem a dis- pposigio da coleividade conhecimentos que pode utilizar pars fine de auropreservacdo. Num pals onde os grupos “organizados” sassumem tamanha importincia, 2 nfo divulgacéo em massa de conhecimentos sobze 0 “conttole social” poderia possibilicar © exercicio monopolizide da influtncia enhee ae devi, por parte 7 [A Repucta Sociotocies de algum ot alguns grupot privileges, em detrimento dos incoresses geri. E signiicaivo que, no referido pats, 0 prine- pio competitive, exarebando ¢ generalizand a lta pelo acesso 4 parcelas de infléncia social, tenba atingido 2 prépria vida privada, garantindo 0 éxito de obras do tipo Como fizer amigos © influenciar pesoat. As elagSes humanas cornaranise elagdes de mercado. © fame of referent &, 0 sistema de conceitosbisicos da sociologia clemeatar nore-ameriana, de que € consttutiva a toyte de “controle soa, sem como presupocto at condigSes partculazes dos Estados Unidos. usta um dos modos de apli- agio concteta do saber sociol6gico. Ao elaborar aquele sistema, oF sociélogoe foram senses aos assuntosrelevantes em sua Sociedade. No Brasil, porém, nfo se deveria conduzi prefe rencialmente @ medivasfo sociolégica para aquela ordem de assuntos. £ certo que, na sociedade brasileira, se verificam sic tuagSes que 08 sociélogos norte-americanos estudam & luz de conceitos como “contole social’, “asimilago", “acomodasio", “conflto", “solamento”, “contato” e, portanto, ees conceitos sio aqui apliciveis. Mas o importante € essinalar que tais si tuagées, na etapa atual do Brasil, nfo tém a mesma rlevincin ‘que nos Esrador Unidos. Outro é 0 esquema de prioridade de tGountos que oo indus do noses presente rralidede socal. Sobre fquelas prevalecem aqui situagSes dstntas. Nao 4, acrescente- se, uma prevalénca presuida ou subjeiva.E uma prevaléncia ‘objetiva, Na fase atual da sociedade brasileira, oferecemrse ou feos assuntos mais saientes & expeculagéo do sociogo, como os que dizem respite & transi pela qual estépassando, Existem na sociedade braleira os mesmos antagonismos que levam os socislogos norteamericanos is pormenorizadas indagagbes sobre 6 mecanismo efciente para sa contengio — 0 “controle socal” Mas, enquanto a exgencia do “contol social” spi o interese em danular as tsb, concervando a etrasura jd etabeecida, a solo dos antagonimes fandamencais da atual oiedade brasileira requer lances a madenga na qualidade de ua eruturt. Q modo de es pecilagSo sacoléges. que jstifca a preocupacio do especialsta 78 Doss Ievsraagons Ba Repucko. rore-americano com noyicr com “conflis", “acomodrio” “animlagao",“concole socal” x Tneralmente dodo pelo socislog brat, o leva a distin das qustes qe em mais inverts pra a coltvidae nacional. Or antagontmos eens da sodedade basis so aralmente os qe se exprimen na polaridad,“etagnayio"e“deenvlvimente”, epreserados pot ‘sss socks de inveressesconlane,esinda "nag" ¢ “an taco" no & um proceso cleivo de peronalarsohisrica Conta um proceso de alias, Outer contadgses que 0 fe enquadram neses termos so, no moment, secunddsse Podose imagnar 0 que devia ser umn Trstado Bravo de Seopa, ovo de sto tor de fncivnaidade eeamente Soma 4 os realidad. Deveria tau ui esforgp de con Ceituagio de mais dene ax quis etiam a eguines que fainam 2 et menconadas em preocspeo stemsies/csen- folvimento, industialngio, madenga socal, erature social, Conjuner, sistema soci, dstofa, proceso em get proceso taleurel, proceso soil proceso civizatri, inwieiio taro, exlizago, valor, modelo, funds, instiuio, evolu, tevalucao, toelidad, tanoplanaco, repo, duaidae, her ronomi, hisoricidede, temporalidade, tempo sociale suas trode, coogi, masa, consnca clei, cone Gitte exis, cosieaia Ingles, psd eitiso © pesode ofginico,devesrutuagio, recstruturgie, Fue, €P0C8, Gera, prinpia media ntagonismes soca, reiade socal, reldade toca, alinari, pls, pove, nazSo, cols, Cente, pera, pesonalzario iti, eto de prio, tfuito de dominagio, eet de demonstrat, date social, qu dr, elite, memésa soil, imi sat eis, nomes,eunomia, nomi, redugo, eto-centrismo, scuagfo,sitwao colonial Urbanite, eleva, complexe sua divi social do abel, oligarqis, ci, cientla, cornelmo, conscienia nacional, tmorfumo,vgenia soci poder, principio de lites e poss- biidades, telexo, quadios sce de populagig/ Esse Traedo sia difrente do Traade nore-ameriino, do Fancs do ngs nacional, 79 [A Repucho Sociorocten do alemfo, embora baseado em principios gers de raciocinio sociolégico, vilidos universalmence. ‘Cumpre agora proceder & redusio socioldgica de uma técnica de investigngio social, Para tanto, seri invocada ocorréncia da vida profissional do autor. No ano de 1952, teve a oportunidade de dirigic 0 planejamento e a execugio da Pesquisa Nacional de Padrio de Vida realizads em vinte e nove municipios rursis © ‘em mais de noventa cidades, inclusive todas as captais. Nessas investigagGes, a fim de apurar, nos centros urbanes, o consumo alimentar das familias operirias que constituiram as amostras selecionadas, foi utilizado © conhecido processo das cadernetas. estas, durante scis semanas, anotaram-se, diatlamente, entre foutras coisas, at despesas com alimentos de cada unidade do- méstica. Na fate de apurasio das informes coleradas, surgi: © momento em que as r2¢8es eferivas das familias deveriam ser cexpressas em unidades de consumo. ‘Como se sabe, as unidades de consumo permitem obviar os incovenientes da média per capita. Por exemplo, suponhamn-se je do gual age dependemon.t ‘Sem aceitaro idelismo de Huussetl e Heidegger, nada impede de acolher a atitude metédica por eles perfihada, a qual, em csstncia. se define por um propésito de anlice radical dae abjerae no mundo, Transpondo essa atitude para o Ambito da ciéncia social, pode-se afirmar que cada objeto implica a totalidade histrica em que se integra e, portento, € intranserivel, na ple- nitude de todos os seus ingtediences ciecunstancisis. Pode-se, no entanto, suspender, ou "por entre paténteses”, a8 notes histricas adjetivas do produto cultural ¢ apreender os scus determinantes, de tal modo que, em outro contexto, possa servir, subsidis- riamente, ¢ nfo como modelo, pats nova elaborasio. A redusso sociolégica se opée & transplantacio literal. A pritica das trans- plancagées literais, largamente tealizads nos pafses de formacio colonial como o Brasil, implica a concepeéo ingéawa de que ot produtos cultursis produzem os mesmos efeitas em qualquer contextg, Desde que. porém. se forma, na espace que deies de ser colonial, a conscitncia critica, pelo imperativo da realizasio cde um projeto comunitério, de uma tarefa substivutiva no bito da cultura — jd no mais e trata de importar os objetos culturaisacabados, e consumiclos tas quais, mas, é preciso agora, pela compreensio e pelo dominio do processo de que resultaram, produzir outros objetos nas formas e com as funsSes adequadas as novas exignciashistéricas, Por isso a redugSo socioldgica 66 locorre ¢ se faz necessria nos paltes que extio empenhadas nu- sma tarefa substtutiva, de que & mero detalhe a substicuigio de importagdes a que se referem os economistas. Neste extédio, é necessirio produsi, de acordo coin ae imposigbes do meio, © que lantes se importava, tanto at idéias quanto as coisas. 88 AnTECEDBNTES FuLosOFiCos DA REDUCKO. Notas (DCE Browet, Waley Le Concept de Monde ches Heideger ats, 1950. p. 75-6. Nolivra Phenomdnolgi et Vert (asia, 1953), A. de Waehens exp6e algumas observags sobre © ‘que seria aida de mando em Hiuscl. Chama a ate para ‘0 fto de que Hume e Husselteriam descoberto 0 substrate deft que casiria em todo ato de conbecimento.O que Hume ‘Huser chamavam sspectivamente Belief Glanbe (renea) € um dado prévio 3 nossa pereepeia dos objero. Ni atine gimos 0 conbecimenta da mundo partinda ds percep die- «retadosobjetos.O préprio Huser entendia que o mundo “precede a toda visio particular do objeto nele cootido” (Waethens,p. 52)-A. de Waelhens insite no canter radical das crengas, "A tendénca que temas para crer na realidad das “idéas' (ease “erengas” — G. R) € imposibilidade fem que nos encontramos de conduit nossa vida pscolgica, seafo na pressupoticio fual(fircell)« exrcide de nossa Insergfo de numa realdade qualquer (quatquer que sem at efinigSes que Ihe sejam dadas)” (p. 52). O mundo implica ‘uma visio que nfo ¢ produto da claborasfointeloecal si tematica, visio que, girantindo "s unidade intencional de nossa experiancia®(p. 44), “consis verdadero priori de rojegio constiuiva de toda objtvidade e fundado sabre 2 pré-compreensio do ser, caracteristica de todo existente hhumano”(p. 44). Neahum objeto se ofeece x0 nosso conhe- cimento como "totalmente indererminado", como + fsse possivel partir do seu “nfo-conhecimento absoluto” para o seu conhecimento. O sujeto do conbecimento pare sempre de um determinado “horionte mundano” do qual diz de ‘Weelhens: a nature do horizonte mundano implicado na experidaca de um objeto € al que, no momento em que esa cexperincia comes, este horzonte a prové de diverts ele- mentos esruurais” (p. 53) (2) Banas, op. city p. 148 (@) Vide Piensos, Donald. (organizador). Bauder de orgeninaio social Séo Paulo, 1949. OE Breve, op. cits p. 162. (SCE Bune op. ce, p54 89 A Rioucto Sociotocies (OCE Buna, op. ct, p. 176, Se, como diz Biemel, incrpre- rando Heidegger, "é 0 projeto que torna possivel a objeto” (p. 150), seria pestnenteindagar em que media as cgncias nurs so trbutiias de vsdes de mundo dererminadas, Hi ‘muito subedio para esa tarts nos los de Collingwood sobre a “idéin da nacutera" ea “ida da hiséia", Um cien- ‘ita, na linha do pensamento de Heidegger, ecreveu utn pequeno estudo sobre 0 “aprirismo” dar citncias natura, ‘Tratzse de Wilhem Srila, Afima ete autor que "o fic, antes de entar na consideragdo de um fenémneno qualquer, pacer m eonciea pedo do que quer dizer nacarena” (ide Qué er la Ciencia? México, 1951, p. £2). Um dos grandee avangos da ica de nossos dias coniteprecsamente em cet tomado consiéncia do relatvisme que afeea 28 suas catego Fis, pois converteu em tems os conceit implicios nas ss erguntas drgidas& natura, concitos como espa, tempo, ‘masta, 2té bem pouco aproblemiticas em sua validade aprocstia (Sula, p_ 51), Pata demonsrar 0 apricrisno da citncia da aatares, Silas cole na terminologa de Heidegger a expresio Mivinendercin, 9 “srane-conos-outtos. O “estamos juncs uns com os outs" ou, em outa pares, 4 totalidade a que perencemos, prederermina & nots visio da realidad & 0 que leva Sails a dizer sos ouvinte de uma sua ligd: "Este lea (4 sal de aula) em que nos achamos 0 que € grasas ao nosso “estar unt com outros” gracas ‘ais especialmente 4 intencionalidade atual deste estar juntos, Se preendéssemas descrevé-lo como alg diferente de uma saa de aula, elamos de basar-nos em outa stuagio, Mas erm qualquer cao, nosasituagfo real eos propésicos & cla inerentes de nosso esse reunido, de nose “estat us com ‘os outro” dererminariam de antemio a compreensio éaqulo em que aos instalisemos, Em lati, «condigo que precede, 2 condisio previa chama-se a prior. A scwagio cfeiva do “escar uns com es outros” determina a prior, em cada caso, ‘0 que do enteem que se achs inseaado nosso “extaruns com ‘os outros, nosis reunifo, Asti, pos, eta reunite cients, ‘ce “estar com os outros" com fine ientiicas determina o que rem que se 0 noseo ambico”. (Sul, pgs. 21-22). Mas ‘fo terminara ae aptiovismo da crea natural, Heidegger 90 Avracepars Furosoncos ba REDUcKo.. radial nese apsioiame, © presupost bisico das citacias ‘nataras exes 6 um peojero matemiticn de prrianataera, E este projew que trna posse 0 objeto deals eéncias, Expondo estas obseragses do filsofo,exreve Biemel: “O que € importane nese projeto nfo & tanto £ua ruta ‘matendica, mas ances © fto que rola uma estutusa prior, Esta eseotar, colocids —@ prior, ma base de toda pesquisa ulterior, € condigio que permite ao extents tot- arse objeto «segundo qual se determinamn seus caracteres “objeivos” fundamentsin. Cada eidncia posi assim seu peste pastculas,fandamcato constnutiva do oisecte que tal citncia eseuda e€ no sefo deste projeto que seus objets she vornam presents, — este proto que torna posse! caboragio de um “fico clentiic. A viagio" da "cicias de fics" no foi postive senfo no dia em que os sibios compeeenderam que nfo hé ftor pros, ito que win dado fo se eleva ao nivel defo cientfico enquanto a céncia nfo cstabelece um esquema preliminae de sex objec.” (Bimal, p. 49-151). A nacureea nfo ceria assim sentido univoco; mostrarseia sempre denco da perspectiva nosicae ainda hhsrea ou existenial em que estéo observador. Mostea-se de um modo ao grego, de outro a0 homem medieval de outro 0 renssceaista, de outro ao homiem consemporines ot Antecedentes Sociolégicos da Reducao Sociolégica A idéia de redugio se encontra em antecedentes proximos do que, stualmente, se chama de sociologia do conbecimento, Desde oF materialist fanceses, Condille, Helvétius ¢ Holbach ané Desturt de Tracy, criador da Science des Idées que, 20 ser sublinhada a origem social das ideas, posclow que 0 seu fignificado essencial no € 0 que nor di aparente ow dzcta rente, mat o inditeo, ito &, aquele que se apreende quando se pBe em suspensio os seus aspectosexternos, referido, pore, a0 comtexto de que sfo pate. A andliseidcolégic, tal como a entendem os marsstas ea sociologia do conhecimento, js fun- damenta ouma conduta eminentemente redutora. Atualmente, porém, trates de dar um paso adits, submetendo & refexio aquela aieude metédica jf implicita no trabalho sociolégico. Porque nfo se inicaram nexe principio metédico, € que até resmo socislogs, prinipalmente nos pases coloniss, anda néo fezem 20 sociolégico da sociologia. Para sssumi atieude s0- cioldgicacientfics,ndo basa informasso €o conbecimenta das ideia e dos sistemas. Nada pode supir, na formagio da atcude [A Rioucto Sociousciea sociol6giea centfics, a prtica da redusio. © sociolégo néo & zmezo alfabetizado em sociologia, nfo & somente aquele que conhece a literatura deste carago’do saber. Socolégo ¢ 0 que praca 2 redugio socilégiea. E preciso, porém, dstinguit re= dugio socioldgica e fenomenologia do seal. Esta seria 0 estudo cdo modo de er do social. 4 fenomenologia do social descreveria. como se dé o social ou mostraria a sun exséacia, o seu cidos, mediante © que Husted chama 0 proceso de variagie, Para Huser), além do eseudo da essencia do objeto em geral, ou seja, da fenomenologia tous court (verdadeiramathesis univeralis como 2 concebiam Descartes ¢ Leibniz), exstem tanta cincias

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