SUMÁRIO

Calvinismo 4.5 …..…................................................................ 3
Diálogo com James White - Parte 1 …...................................... 11
Diálogo com James White - Parte 2 …...................................... 19
Diálogo com James White - Parte 3 …...................................... 29
Diálogo com James White - Parte 4............................................ 34
Diálogo com James White - Parte 5............................................ 41

CALVINISMO 4.5
Na sigla calvinista T.U.L.I.P. (Depravação total, Eleição incondicional,
Expiação Limitada, Graça irresistível e Perseverança dos santos), eu
afirmo plenamente a TUIP, rejeito o L (de expiação limitada) e o substituo
por . . . Bom, para ser honesto, eu não encontrei ainda uma boa letra que
pudesse manter o anacronismo.
Mas o ponto é que eu acredito que expiação limitada é amplamente
sustentada pelos calvinistas, porque ela é percebida como a consequência
teológica natural dos outros quatro pontos e não porque haja algum ensino
explícito sobre ela nas Escrituras. Em outras palavras, ao contrário de
todos os outros pontos do calvinismo, eu não creio que a expiação limitada
possa ser apoiada exegeticamente. Na verdade, eu acho que contraria a
exegese daqueles textos que realmente falam da questão da extensão da
expiação.
Então, como eu cheguei no calvinismo 4.5 ?
O calvinista de cinco pontos realça bem esses textos que especificam o
povo de Deus como os beneficiários da morte de Cristo:

“... e você porá nele o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo
dos pecados deles”. (Mateus 1:21)
“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.”
(João 10:11)
“Ninguém tem mais amor pelos seus amigos do que aquele que
dá a sua vida por eles” (João 15:13)

Eu concordo plenamente com os calvinistas de cinco pontos que a intenção
de Cristo ao morrer foi salvar os eleitos. Mas creio que depois se faz um
salto exegético porque a isso [expiação limitada] é totalmente não
suportada pelo próprio ponto, sem mencionar o texto. O argumento é

parecido com esse:
1. A morte de Cristo é eficaz, e ela cumpre plenamente seu objetivo
pretendido.
2. O objetivo pretendido da morte de Cristo era fazer um sacrifício
substitutivo pelos pecados.
Estou de acordo com estes dois pontos. Acredito que Cristo veio redimir os
seus eleitos. Eu realmente não acredito que a sua intenção de vir ao mundo
e morrer na cruz incluía os não-eleitos. Em outras palavras, Ele tinha
apenas os eleitos em mente quando morreu pelos nossos pecados. Mas o
calvinista de cinco pontos traz os pontos e conclusões a seguir, os quais
não podem ser provados:
3. Uma vez que a morte de Cristo é eficaz (é cumprido o objetivo que ela
intencionava cumprir), então todos por quem Ele morreu são salvos (isto é,
os seus pecados foram "tirados").
4. Portanto, se Cristo morreu pelo mundo inteiro, então o mundo inteiro foi
salvo.
5. Como sabemos que o mundo inteiro não foi salvo (nem será), então
Cristo deve ter morrido somente por aqueles que realmente serão salvos,
ou seja, os eleitos.
Permitam-me abordar todos estes primeiros pontos de uma forma geral.
Parece-me que a hipótese subjacente não provada para os pontos 3 a 5 é
que a morte de Cristo cumpriu plenamente a redenção naqueles para os
quais Ele morreu. Não só não encontro nenhuma evidência para isso no
Novo Testamento, mas há passagens que contradizem isso abertamente,
para as quais eu não tenho visto nenhum tratamento satisfatório do lado da
expiação limitada. Eu chegarei a essas passagens no momento certo.
Além disso, as passagens (acima), que parecem claramente afirmar "Cristo
morreu pelos eleitos" são erroneamente tomadas para significar "Cristo
morreu somente pelos eleitos." Esta última expressão não decorre da
anterior. Como uma ilustração, Paulo afirma em Gálatas 2:20: "A vida que
agora vivo na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se

entregou por mim." Aqui, Paulo nos diz que Cristo morreu por ele (Paulo).
No entanto, ninguém saltaria dessa declaração para a noção de que Cristo
morreu apenas por Paulo. Da mesma forma, não podemos derivar a
expiação limitada das passagens que declaram que Cristo morreu pelos
eleitos.
Tendo prefaciado meus comentários específicos com essas ressalvas, é
agora mais fácil entender porque eu poderia discordar do ponto 3. Embora
eu certamente creia que a morte de Cristo tenha sido eficaz (ela cumpriu
plenamente a sua intenção), não acredito que por isso todos cujos pecados
foram expiados pela cruz foram automaticamente salvos (mais sobre isso
abaixo).
Agora, há passagens que apresentam diferentes níveis de dificuldade para
o defensor da expiação limitada. A primeira que eu colocaria é 2 Pedro 2:1:

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim
também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão,
dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de
renegarem o Soberano Senhor que os resgatou [ou: comprou],
trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

Repare que dos “falsos mestres” que irão ser “destruídos” foi dito terem
sido “comprados” pelo Mestre. Em outras palavras, não há dúvida de que
isso se refere aos não-eleitos (eles serão destruídos), e não há dúvida de
que a linguagem redentiva está sendo empregada (eles foram
“comprados/resgatados" pelo Mestre) . A palavra "comprados" (agorazo) é
a palavra técnica para “resgatar”, que significa "comprar, adquirir, resgatar,
ou redimir." É a mesma palavra usada em 1 Coríntios 6:20:

Porque fostes comprados por bom preço. Agora, pois, glorificai a
Deus no vosso corpo.

e 1 Coríntios 7:23:

Fostes comprados por bom preço; não vos torneis escravos dos
homens

e em Apocalipse 5:9,

Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, porque
foste morto e com teu sangue compraste para Deus homens de
toda tribo, língua, povo e nação.

Eu li todas as tentativas de explicar essa passagem pelos que defendem a
expiação limitada e nenhuma delas é satisfatória, pois todas as explicações
simplesmente assumem que a redenção in toto é algo que foi totalmente
cumprido na cruz. Se alguém não começar com essa premissa, então pode
facilmente
explicar
como
alguém
pode
ser
"comprado"
(resgatado/redimido), no estágio da cruz (Cristo levou seus pecados), sem
dar o salto exegético de afirmar que se trata de alguém que foi (ou será
sempre) justificado.
"Redenção" (como a palavra "salvação" e "santificação") engloba várias
etapas, das quais apenas uma é a morte de Cristo na cruz. Aquele que foi
redimido também deve crer e ser justificado, e, então ser glorificado antes
que a completa redenção tenha ocorrido. A glorificação de nossos corpos o ponto em que Cristo "transformará o nosso corpo humilde de forma que
será como o seu corpo glorioso" é chamado de "redenção do nosso corpo"
(Rm 8:23). Em outras palavras, parte de mim ainda não foi redimida. No
entanto, ninguém contenderia que nós, que somos justificados, não
tenhamos já sido em algum sentido redimidos, reconhecendo, neste caso,
pelo menos, duas etapas da redenção. De fato, Paulo afirma em seguida
que:

“Porque, na esperança [da redenção dos nossos corpos], fomos
salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que
alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos,
com paciência o aguardamos.” (Rom 8:24-25)

Nós ainda não "tivemos" a redenção final, mesmo que já tenhamos, pelo
menos, um estágio dela. E assim, podemos reconhecer um “estágio”
anterior da redenção que teve lugar na cruz, sem postular que neste estágio
da redenção foi uma “completa” redenção que já "salvou" a todos por
quem ela foi feita. Assim, alguém pode ser "resgatado" no sentido de que
ele foi "comprado" pela morte de Cristo sem ser justificado e sem
participar da redenção final.
Outra passagem que eu creio constituir uma dificuldade exegética para os
defensores da expiação limitada é 1 João 2:2:
"E Ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos
nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.”

Tendo escrito um comentário sobre as cartas de João (ver Store NTRMin),
tenho lutado com este texto extensamente e não pude justificar a
explicação comum dos defensores da expiação limitada de que o contraste
entre "nós" e "o mundo" aqui é o contraste entre os judeus e os gentios.
Normalmente, eu concordaria com a explicação "judeu/gentio" dos textos
sobre predestinação, mas não posso neste caso. Aqui estão os comentários
diretamente de minha obra:

Esta propiciação não é pelos nossos pecados somente, mas
também pelos pecados do "mundo inteiro". No contexto "nossos
pecados" deve se referir aos pecados dos crentes (isto é, os
eleitos de Deus), e não pode se referir a uma distinção entre
diversos "tipos" de pessoas (por exemplo, o "nosso" = judeus,
enquanto o mundo "= gentios).

Há algumas evidências de que os gnósticos ensinaram a sua
própria versão de "expiação limitada", segundo a qual seu
"evangelho" seria entregue somente para aqueles iluminados.
Paulo deixa entender isso quando contendendo com os gnósticos
de Colossos, insistiu que o verdadeiro evangelho tem chegado a
"todo o mundo" (Cl 1:6), e foi proclamado "a toda criatura
debaixo do céu" (1:23), e que, por este evangelho, devemos
advertir e ensinar "a todo homem" (1:28).
Assim, não há base para a entender a palavra "mundo", em 1
João 2:2, no sentido exigido por aqueles que defendem a
expiação limitada (ou particular), segundo a qual na morte de
Jesus Ele expiou somente pelos pecados dos eleitos. João nega
essa visão quando insiste que a na morte de Jesus, Ele não só
expiou por nossos pecados, mas também pelos pecados do
mundo inteiro. O "mundo", na visão de João, consiste daqueles
que não tenham ultrapassado as filosofias anticristãs, tais como a
cobiça, o materialismo, o orgulho e falsos ensinamentos
religiosos (2:15-17; 5:4-5); daqueles que não compreendem e até
mesmo odeiam os verdadeiros cristãos (3:1,13); daqueles que
tem abraçado os falsos profetas (4:1,3), daqueles que são
controlados pelo maligno (4:4; 5:19), e tem abraçado o espírito
de erro (4:5-6). A comparação, portanto, é entre os crentes e o
resto da humanidade incrédula.
O ponto de João é que a morte de Jesus é de valor infinitamente
tão grande que não é apenas suficiente para expiar, mas de fato
tem expiado os pecados do mundo inteiro. Isto não significa que
o mundo inteiro é assim salvo. A base final sobre o qual alguém
recebe a vida eterna não é que o seu pecado foi expiado (apesar
de certamente ser uma condição necessária para a vida eterna),
mas sim que ele creu em Jesus (5:11-13), e assim aceitou
(aplicou) pela fé Sua expiação. Os verdadeiros crentes satisfazem
essa exigência (embora só porque a própria fé tenha sido
concedida a eles; Ef 2:8-9), o resto do mundo não.

Mas o verdadeiro enigma para o defensor da expiação limitada, a meu ver,
é 1 Tim 4:10:
Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo,
porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador
de todos os homens, especialmente dos crentes.

Mesmo se nós fôssemos desconsiderar 1 João 2:2 na base de que o
"mundo" na mente de João é o mundo dos gentios, por oposição aos
judeus, esse mesmo raciocínio não poderia ser aplicado neste caso . O
contraste neste versículo não é entre judeus e gentios, mas entre "todos os
homens" e "aqueles que crêem." Deus, que nos é dito, é o "salvador" (o
contexto é soteriológico) de "todos os homens."
Normalmente eu concederia que "todos" pode significar todos sem
distinção ("todos os tipos de homens" e não apenas os judeus) em vez de
todos sem exceção (todos os homens categoricamente). Mas aqui Paulo
nos diz que "todos os homens" é a maior categoria da qual "aqueles que
crêem" são tomados. Deus é em um sentido menor o salvador de "todos os
homens", e em um sentido maior ("especial"), o salvador "daqueles que
crêem." Aqueles que defendem a expiação limitada não fazem uma
distinção entre os níveis de redenção. Cristo pagou o preço completo da
redenção na cruz uma vez por todas e completamente redimiu todos os
eleitos nesse ponto. Mas aqui estamos tomando que há uma redenção
menor (para "todos os homens" em geral) e uma redenção maior (para
"especialmente aqueles que crêem”).
Então onde é que o 0.5 dos 4.5 entram? Estou de acordo com os defensores
da expiação limitada que Cristo pretendia salvar apenas os eleitos por meio
de sua morte. Ele tinha apenas os eleitos em seu coração e mente quando
deu a sua vida. Portanto, eu acredito que há intenção – e não extensão- em
todas as passagens que falam de Cristo dando sua vida por suas ovelhas.
Cristo intentava prover redenção para seu povo, e Ele cumpriu plenamente
a essa intenção. Mas o eterno valor e qualidade dessa morte foi de tão
grande envergadura que, no processo de sua morte, não poderia não pagar
pelos pecados de todos as pessoas.
Portanto, eu creio que a intenção da morte de Cristo foi pelos eleitos, mas
a extensão de sua morte incidentalmente pagou pelos pecados do mundo
inteiro. Isso me diferencia da estrita visão calvinista de quatro pontos, que
não reconhece a intenção de Cristo na expiação. Nem eu acredito que a
expiação de Cristo é uma mera possibilidade para os não-eleitos. Cristo, na
realidade, "tira os pecados do mundo." Mas ela também me diferencia dos
calvinistas de cinco pontos, que não reconhecem a extensão universal
dessa expiação. Isso me coloca em algum lugar entre os dois campos,

portanto, calvinismo 4,5.
Agora, tudo isso naturalmente levanta questões sobre como alguém pode
ser condenado, se Cristo verdadeiramente expiou por seu pecado. Eu
respondi a isso parcialmente quando fiz a distinção entre os estágios da
redenção. Algo além da cruz é necessário antes da redenção total ocorrer. É
preciso crer e ser justificado, por exemplo. Acredito que essa parte tenha
funcionado, embora eu não tenha entrado em detalhes sobre isso aqui. Mas
mesmo se eu não tivesse feito funcionar, eu ficaria muito mais feliz em
viver com a tensão teológica de algo que é resultado último da minha
satisfação em que a verdade exegética tome lugar do que viver com a
tensão exegética que fica de adaptar difíceis passagens a uma crença a
priori para satisfazer questões teológicas. Como o Dr. Murray Harris, uma
vez nos disse em uma classe sobre a Trindade, a diferença entre teologia
sistemática e exegese bíblica é a diferença entre o passeio através de uma
estufa, onde todas as plantas estão bem marcadas e bem dispostos em
fileiras, e caminhar por uma floresta, onde nada é marcado e nada está bem
arranjado, mas o que há é o estado natural das coisas. Como exegeta do
Novo Testamento, eu prefiro viver na floresta.
Fonte:http://ntrminblog.blogspot.com/2004/12/we-interrupt-thisbroadcast.html
Tradução: Emerson Campos Pinheiro.

Diálogo com James White - Parte 1
James White respondeu ao meu texto sobre calvinismo 4.5 e eu pensei em
oferecer um ou dois comentários em troca. Entretanto, eu gostaria de dizer
algumas coisas publicamente. […] Eu preciso dizer aqui que tenho um
grande respeito pelo trabalho do Dr. White e por seu ministério. Minha
discordância com ele sobre os relativos méritos exegéticos da expiação
limitada não constitui nada mais do que isso e creio que ele sabe disso.
Além disso, tenho profundo respeito pela posição calvinista de cinco
pontos. Com essas ressalvas no lugar, procederei às suas objeções:
Primeiro, em relação à 1 Timóteo 4:10. Esta passagem não está,
de fato, num contexto soteriológico e, a não ser que nós
estejamos indo lê-la numa perspectiva universalista, não somos
obrigados a sugerir que Deus é o Salvador de todos os homens
em potencial, mas realmente o Salvador somente dos que crêem?
Onde mais o termo grego "salvador" é utilizado para se referir a
uma hipotética salvação em vez de uma verdadeira? Na
realidade, esta é uma declaração geral sobre Deus (note que
Paulo especificamente não designa Cristo como o Salvador
aqui).¹

Não estou postulando algum tipo de salvação hipotética. Isso só seria
aplicável se eu não acreditasse que Jesus realmente realizou algo por toda
a humanidade (ou seja, expiou seus pecados). "Salvação hipotética" muito
mais acertadamente se aplica àqueles que afirmam (por 1 Tm 4:10) que
Deus é o salvador de todos os homens, mas depois passam a sugerir que
não há nenhum sentido em que Deus realmente agiu como salvador para
alguns homens - que ele realmente não é o salvador de todos os homens.
O dr. White sugere que a palavra "salvador" aqui não é usada num
contexto soteriológico. Confesso que não faço idéia do que isso significa e
como pode apoiar seu ponto subsequente. Em que sentido Deus é "o
salvador de todos os homens, especialmente aqueles que crêem", se não de
uma maneira “soteriológica”? A própria palavra "salvador" é “soter”, de
onde obtemos a palavra soteriológico. O Dr. White pode estar querendo
dizer aqui (embora não tenha dito) que “soter” não está sendo usada em

um sentido redentivo, mas sim num sentido geral no qual Deus liberta as
pessoas de seus problemas (como vemos em alguns contextos do Antigo
Testamento). Eu acho que nós precisamos trabalhar sobre isso um pouco
mais abaixo:
Assim como Deus é o Criador de todos, até mesmo daqueles que
não o reconhecem como Criador e Senhor de todos, mesmo sobre
aqueles que se recusam a dobrar o joelho diante dele, e assim
como Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, assim também ,
pois, Ele é o único Salvador que existe, Ele é o Salvador de todos
os homens.

Ele previamente argumentou que este não era um contexto soteriológico
(pelo qual eu tomo que ele queria dizer redentivo). Mas aqui parece
afirmar que Deus é realmente o único “soter” disponível aos homens de
uma maneira soteriológica (Ele é o único Salvador disponível). Acho que
isso é sábio dado o fato de que aparentemente não há ainda nenhum
exemplo de “soter” no Novo Testamento que claramente tem um outro
significado.
No entanto, no momento em que reconhece isso, o Dr. White não pode
escapar da ramificação de que Deus é o que ele insistiu que não era, ou
seja, um mero salvador hipotético para alguns. Em outras palavras, embora
eu certamente compreenda o seu argumento de que Deus é Salvador de
todos os homens no sentido de que não há outro Salvador disponível para
o homem, e concordo com isso, eu não creio que ele tenha compreendido
totalmente a ramificação dessa declaração, porque ela sugere que isso é a
mesma coisa que sua declaração havia rejeitado. Deus termina sendo o
Salvador real dos eleitos e o hipotético (ou meramente potencial) Salvador
dos não-eleitos.
Eu ilustrarei esse ponto, usando as mesmas analogias do Dr. White e todas
elas, eu creio, trabalham contra a sua posição:
A declaração "Deus é o criador de todos os homens" implica que todos os
homens foram realmente criados por Deus. Isso não significa que Deus é o
único criador disponível mesmo se Ele não tivesse criado alguns. Pelo
contrário, significa que Deus realmente criou o ateu que nega que foi
criado por Ele.

O título "Senhor de todos" não significa que ele é o único Senhor
disponível mesmo que alguns realmente não estejam sob o seu governo e
autoridade. Isso significa que Ele realmente governa todos os seres vivos,
inclusive aqueles que não reconhecem o Seu senhorio. Queira ou não a
criatura reconhecer esse governo não muda o fato de que Ele está sendo
governado.
Assim, quando chegamos ao título "Deus é o Salvador de todos os
homens" é incompatível com as analogias anteriores sugerir que esta
afirmação significa apenas que Deus é o único Salvador disponível para os
homens, mesmo que alguns homens realmente não participem nessa
atividade de alguma forma.
Se esse termo foi intentado em um sentido hipotético, a
expressão seguinte "mas especialmente" não faria sentido.
"Malista" não toma alguém do hipotético para o real. Em vez
disso, o ponto é que uma vez que Deus é o único Salvador que
existe, Ele é o Salvador de todos, mas apenas daqueles que
acreditam reconhecer Ele no papel de Salvador. Nada no texto
está falando da questão da expiação, seu alcance ou finalidade.

Eu mantenho que a compreensão do Dr. White desta frase acaba por
postular que Deus é apenas um hipotético Salvador para alguns homens.
Se Paulo tivesse pretendido o sentido dado por ele, ou seja, que Deus é o
único salvador disponível, mas em nenhum sentido o salvador real dos
não-eleitos, então nós poderíamos esperar que Paulo usasse a frase "Deus,
nosso Salvador" (como fez em 1 Tm 2:3), ou simplesmente dizer "Deus é
o Salvador", sem acrescentar o modificador "de todos os homens." O
modificador sugere fortemente que o papel de Deus como Salvador tenha
sido efetivamente aplicado, em certo sentido, a "todos os homens". Agora,
se Paulo tivesse, naquele momento, acrescentado a expressão
"especialmente aos judeus” (cf. Rm 2:9-10, onde faz algo semelhante),
então é claro que nós tomaríamos a frase "todos os homens" como "todos
os tipos de homens (sem distinção)" em vez de “todos os homens (sem
exceção)", e corretamente limitaríamos a aplicação aos eleitos, alguns dos
quais são judeus e outros que são gentios.
Mas não é isso que Paulo faz aqui. Em vez disso, ele introduz uma

categoria maior ("todos os homens") e uma subcategoria dentro desta
categoria maior ("aqueles que crêem"), e afirma que Deus é em um
sentido menor o Salvador da categoria principal e em um sentido maior o
Salvador da subcategoria. A declaração de Paulo faz Deus, em algum real e
aplicado sentido, o Salvador de todos os homens. Em contrapartida, a
posição do Dr. White vislumbra Deus como o Salvador da subcategoria
("aqueles que crêem") em um sentido real, verdadeiro e aplicado,
mantendo que Deus não é o Salvador da categoria principal ("todos os
homens"), em nenhum sentido real, efetivo ou aplicado. Portanto, creio
que a nomenclatura “Salvador hipotético" se aplica muito mais facilmente
à sua posição.
"Eu não concordo que toda a soteriologia Reformada ignora o
fato de que a salvação, especialmente naqueles aspectos que são
pela definição temporais na aplicação, inclui "estágios" nesse
sentido. Eu tenho consistentemente me oposto àqueles que, por
exemplo, têm promovido a "justificação eterna", baseada na idéia
de que, se os eleitos foram unidos com Cristo, então deve-se
seguir que eles nunca foram os filhos da ira (Paulo diz o
contrário, Ef 2:1-2). Deus aplica a obra perfeita de Cristo no
tempo, disso não há dúvida."

Eu fico feliz em saber disso. Meus comentários foram dirigidos para
aqueles que veem a obra expiatória de Cristo na cruz como uma redenção
concluída. Normalmente eles são facilmente identificados por uma
incapacidade de ver a distinção entre a expiação de Cristo pelos pecados
do mundo e a aplicação dessa expiação a cada indivíduo. Como o Dr.
White concorda comigo que os benefícios da expiação são aplicados a
cada indivíduo no tempo, no momento da fé, eu vou assumir que então
podemos prosseguir a partir desse fundamento.
“Mas eu não vejo como o Dr. Svendsen pode sustentar
firmemente a graça incondicional da eleição de Deus e Sua obra
de graça irresistível, pela qual Deus traz Seus eleitos à vida sem
falhar, e então ainda dizer que Cristo levou sobre Si o pecado de
um não-eleito, que não pretendia salvar, que aparentemente (isto
é onde a minha apresentação não foi abordada e, portanto, eu só
posso perguntar retoricamente) intercedeu por essa pessoa, mas
sem sucesso (já que nem o Pai nem o Filho, nem o Espírito
Santo, tem a intenção de salvar a pessoa, contra Heb. 7:24-25), e,
embora os fundamentos de uma salvação perfeita, tenham sido
estabelecidos na obra de Cristo em favor dessa pessoa e mesmo

assim o Espírito não a aplicará nele na regeneração.”

Ok, vamos tratar um ponto de cada vez. Antes de tudo, eu não vejo
qualquer dependência necessária entre (1a) a escolha incondicional dos
eleitos de Deus e a eficaz atração deles, e (2a) a extensão da obra
expiatória de Cristo na cruz. Cristo pode (2b) morrer para pagar pelos
pecados de seus eleitos, e (por força do valor incomensurável e eterno
dessa morte) incidentalmente pagar pelos pecados do mundo inteiro no
processo, e (1b) eleger incondicionalmente e atrair seus escolhidos para Si
sem fazer o mesmo para os não-eleitos. Em que a oração que Ele faz é
incompatível com isso?
Em segundo lugar, eu não acredito que haja qualquer dependência
necessária entre a extensão da expiação de Cristo e os objetos de sua
intercessão. Eu não estou sugerindo por um momento que Cristo está
intercedendo pelos não-eleitos (Hebreus 7:24-25) – ele muito
enfaticamente não está - e, se estivesse, eles seriam salvos. Creio que a
preocupação do Dr. White sobre este ponto é mal direcionada, porque eu
não creio que ele tenha entendido a distinção que estou fazendo entre
aqueles por quem Cristo intentava morrer (o eleito), e aqueles que (devido
ao valor eterno do sacrifício ) são reais beneficiários da morte de Cristo
("todos os homens"). Cristo cumpriu plenamente seu propósito salvífico
em sua morte, o qual (nas palavras do Dr. White) era "lançar o fundamento
para a salvação perfeita" para seus eleitos. Mas, no processo, o longo
alcance e eterno valor do sacrifício não podiam deixar de expiar os
“pecados do mundo”.
Isso pode ser ilustrado por um exemplo do Antigo Testamento. Quando
Deus libertou os filhos de Israel da sujeição à escravidão na terra do Egito,
sabemos que muito mais do que só Israel se beneficiaram dessa ação, pois
ficamos sabendo que muitos dos egípcios também escolheram ir com eles,
mesmo que eles próprios não estivessem em escravidão. Eu creio que
podemos fazer aqui uma distinção entre a intenção de Deus em seu ato
redentor (resgatar os filhos de Israel, cuja intenção realizou plenamente) e
o resultado incidental da ação (outros, não incluídos na intenção salvífica
de Deus, se beneficiaram de alguma forma pelo ato redentor). Aqui é onde
os “estágios de redenção" são os mais cruciais:

Os "pecados do mundo" (incluindo os dos não-eleitos) foram pagos
integralmente na cruz – todos são incluídos nesse estágio da redenção, bem
como a multidão foi comprada na terra do Egito junto com os filhos de
Israel. Mas esse estágio não é o fim e tudo que há de salvação - nem todos
que foram levados para o deserto entraram na terra prometida. Pelo
contrário, como o Dr. White reconheceu, isso "lançou os fundamentos para
a salvação perfeita". Mais informações sobre as ramificações disso em um
momento.
Eu concordo com estágios da aplicação, mas não vejo como isso
muda a realidade da substituição e o fato de que, como Sumo
Sacerdote a substituição expiatória do Filho requer ações
adicionais em favor de todos por quem Cristo morreu (visto no
"I" e no "P" da TULIP). Enquanto redenção como um termo pode
ser usado para descrever uma ampla variedade de coisas além de
apenas o resultado soteriológico da expiação em favor daqueles
que serão salvos, isso realmente não aborda a realidade de que, se
Cristo carregou os pecados do não-eleitos, não há fundamento
para a condenação deles;

Esse é o cerne da questão. Como alguém pode ainda ser condenado, se
Cristo levou sobre Si seus pecados? No entanto, a posição do Dr. White
não necessita menos responder a esta pergunta do que a minha. Como
observou com razão (contra a posição da “justificação eterna"), mesmo os
eleitos são chamados "filhos da ira" antes de crerem. Mas como assim?
Como é possível, se Cristo levou seus pecados na cruz no espaço-tempo da
história, que eles ainda possam ser chamados de "filhos da ira" depois que
Cristo morreu e ofereceu o sacrifício perfeito? Uma vez que Cristo
realizou perfeitamente o sacrifício para os eleitos "uma vez por todas",
então qual é o motivo do status continuado dos eleitos como "filhos da
ira"? Se Cristo levou seus pecados, afinal de contas, eles deveriam agora
ser livres do pecado e da condenação.
Este é o ponto no qual o Dr. White faz a coisa certa exegeticamente. Ele
rejeita uma ramificação puramente teológica da expiação, porque essa
ramificação contradiz a exegese de passagens essenciais que tratam do
assunto. Em outras palavras, o Dr. White aceita em princípio que é
realmente possível para alguém estar sob a condenação da ira (neste caso,
o eleito), apesar de Cristo já ter pago por seus pecados. E, estou certo de

que ele diria que no caso particular dos "filhos da ira", seu status é alterado
no momento da justificação mediante a fé, e que os méritos da morte de
Cristo são "retidos" e não "aplicados" até o momento da fé.
Mas, uma vez que este princípio é adotado, qualquer objeção a meu ver
pode ficar para mais tarde. Tudo o que eu estou fazendo é aplicar o mesmo
princípio aos outros "filhos da ira". E se alguns dos "filhos da ira" nunca
vierem a crer? Uma vez que nós concordamos que uma pessoa pode ainda
estar sob a condenação como um filho da ira embora Cristo já tenha
morrido e pago pelos seus pecados, e que nós concordamos que o
momento em que os benefícios da morte de Cristo são aplicados é o
momento da justificação pela fé, então tudo que é deixado em
questionamento é se alguns dos "filhos da ira" deixarão de atingir o ponto
da justificação pela fé. Eu creio que nós dois concordamos que alguns, de
fato, falharão em alcançar esse ponto.
E assim isso realmente não se resume a saber se há uma categoria de
pessoas caminhando na terra, cujos pecados foram expiados, mas que
ainda são considerados como "filhos da ira" (nós dois concordamos que
existe essa categoria). Pelo contrário, isso se resume em se a expiação é, de
alguma forma, eficaz, ou seja, que há algo sobre a expiação em si que
"trabalha a partir de si mesma", por assim dizer, na justificação de todos
por quem o pecado é expiado. Isso, creio eu, é a base para o erro de
justificação eterna. E não só rejeito a noção de que não há qualquer
necessidade teológica para essa crença, mas também acredito que ela é
contrariada pela exegese das passagens relevantes. Não há absolutamente
nenhuma evidência exegética, de que eu esteja ciente, que nos levaria à
conclusão de que todos aqueles cujos pecados foram levados por Cristo na
cruz, em última análise foram justificados.
“Eu firmemente concordo que a questão deve ser tratada a nível
exegético. Eu simplesmente aponto que aquelas passagens que
realmente precisam ser abordadas não são assim passagens muito
"extensas" como são as passagens sobre a expiação, passagens
sobre a intercessão, passagens sobre a mediação, passagens sobre
a realização. Este é o lugar onde a força do real, sólido e
inflexível calvinismo se encontra.”

Eu concordo que todas essas passagens precisam ser consideradas. Mas,
novamente, eu não encontrei nenhuma passagem que contradiga
diretamente a minha tese de que Cristo intentava morrer para lançar os
fundamentos de salvação para seus eleitos, cumpriu plenamente essa
intenção, e no processo expiou os pecados do mundo. Todas as objeções
que tenho visto são ramificações teológicas destes pontos, não exegéticas.
O Dr. White corretamente rejeita as ramificações teológicas sobre a
continuidade do fundamento para condenação dos eleitos uma vez que
Cristo morreu como sustentado pelos defensores da justificação eterna. Por
isso, ele reconhece que a exegese tem prioridade sobre a teologia. Que, em
suma, é como eu cheguei ao meu calvinismo 4.5, que ao mesmo tempo
reconhece a intenção da obra salvífica de Cristo na cruz e o fato de que
Cristo cumpriu plenamente essa intenção, mas diferencia esta das
consequências da obra de Cristo que impacta todos da humanidade.
Nota: O link da resposta do dr White aparentemente está quebrado.
Fonte:
http://ntrminblog.blogspot.com/2004/12/chofristas-calvinistsurrejoinder.html
Tradução: Emerson Campos Pinheiro.

Diálogo com James White - Parte 2
Expiação Limitada ou Intenção Limitada?

James White ofereceu seus comentários em resposta à minha última
entrada sobre o assunto. […] Ele fez alguns comentários bastante notáveis
em seu blog, mas também solicitou que eu interagisse especificamente
com sua obra “The Potter’s Freedom”. Eu dedicarei este artigo para
responder às questões sobre o seu próprio blog, e um próximo para a tarefa
de criticar os argumentos de sua obra.
Eu sinceramente ainda não havia encontrado a posição do dr.
Svendsen antes. Pelo menos não como ele a tem definido.
Assim, enquanto minha posição é um elemento conhecido, não
posso presumir nada a respeito da dele. Isso significa que eu
corro o risco de especulação, que é um veneno para qualquer
discussão significativa.

Eu realmente apreciei a classe do dr. White aqui. Ele está lidando com uma
posição que não havia encontrado antes (o que não é nenhuma surpresa,
pois eu não conheço nenhum trabalho publicado que represente minha
posição sobre isso). Isso faz com que a sua tarefa seja difícil, porque ele
deve avaliar novamente minha posição, e fazê-lo sem presumir que eu
defendo a mesma doutrina que ele pode ter encontrado no passado (tais
como o calvinismo de quatro pontos, ou o Calvinismo Modificado de
Geisler).
Eu creio que ao reconhecer este ponto terá sido percorrido um longo
caminho em direção a um diálogo construtivo. Então, enquanto irei
responder à sua pergunta específica a respeito de sua obra em outro artigo,
creio que preciso esclarecer alguns pontos que ele levantou no seu próprio
blog. Em resposta à minha afirmação de que não há dependência
necessária entre a categoria dos homens que Deus elege e atrai para Si, e a
categoria dos homens cujos pecados foram incluídos na expiação, o dr.
White escreveu:

“Isso me chamou a atenção mais do que qualquer outra coisa. Em
essência, não vejo como há consistência de propósito no ponto de
vista aqui expresso. Eu vejo uma conexão e dependência muito
forte entre a intenção da Trindade na salvação dos eleitos e a obra
do Sumo Sacerdote em favor do Seu povo. Esta é uma das
principais questões, conforme vejo, pois creio que poderíamos
examinar os textos de Hebreus e estabelecer que o Sumo
Sacerdote perfeito não falhará, como os antigos sumo sacerdotes
fizeram, em oferecer diante do trono o sangue do mesmo
sacrifício oferecido sobre o altar:”

Com isto eu posso concordar (pondo de lado a questão da consistência de
propósito). Mas eu creio que o Dr. White chega a uma conclusão
desnecessária a partir disso, a saber:

“isto é, o escopo da intercessão e da oferta eram os mesmos para
os antigos sumo sacerdotes.”

Não vejo como este ponto se encaixa com o anterior, que a extensão da
expiação esteja de alguma forma igualada a extensão da intercessão de
Cristo. Assim, como afirmar que Cristo não falhará em oferecer o seu
sangue (a sua morte sacrificial) no santo dos santos em intercessão por
seus eleitos de alguma forma necessita que a expiação de Cristo seja
limitada àqueles por quem intercede? Na minha opinião, a primeira
(aqueles incluídos na expiação) é simplesmente uma categoria maior do
que a última (aqueles incluídos na intercessão).
Este ponto é particularmente pertinente porque minha visão distingue
extensão e intenção. Se eu comprar um jornal para poder ler como o
Flamengo jogou contra o Vasco¹, eu não vou comprar só a página de
esporte, eu comprarei o jornal todo. No entanto, ao mesmo tempo, eu não
tenho absolutamente nenhuma intenção de ler o resto do jornal. Em outras

palavras, minha intenção era adquirir apenas a página de esportes, mas no
processo, eu comprei o jornal todo (extensão). Mas, uma vez que eu obtive
essa aquisição, ela é minha para fazer com ela o que eu quiser. Neste caso,
eu só vou ler a página de esportes, e jogar o resto do jornal no lixo, ou
deixá-lo numa caixa de madeira para acender o fogo de minha lareira.
Agora, pode corretamente ser dito que meu objetivo em comprar o jornal
foi de algum modo frustrado, ou que de alguma maneira eu não cumpri a
finalidade para a qual me propus, meramente porque eu comprei o jornal
todo, mas escolhi de forma última não "salvar" a maioria dele?
Eu vejo a expiação de uma maneira muito similar. Toda a humanidade está
em Adão e são herdeiros de seu pecado - mas esse é um pacote. A fim de
expiar os pecados de alguns (intenção), deve expiar os pecados de todos
(extensão). Cristo não assumiu a forma dos eleitos, Ele tomou a forma do
homem. Sua morte pode não salvar, mas expia os pecados de todos aqueles
cuja natureza Ele compartilhou – todos aqueles "em Adão" E assim, a
morte de Cristo expia pelos pecados de todos (extensão), mas Ele intercede
por e salva apenas aqueles que Ele elegeu, chamou e justificou.

Como pode o Sumo Sacerdote perfeito oferecer um sacrifício
substitutivo que "incidentalmente" paga os pecados dos nãoeleitos e, em seguida, não oferecer esse mesmo sangue, com o
qual pagou a penalidade dos seus pecados, diante do altar
(intercessão)?

Esse sacrifício é oferecido - mas não é oferecido fragmentado, como se
Cristo tivesse “fatiado” seu sacrifício em pequenos pedaços e tivesse
distribuído um pedaço do seu sacrifício pra mim, um outro pedaço para
outro dos eleitos, e assim por diante, mas retém e não oferece um pedaço
que foi divido para o não-eleito Joe Schmoe. Na minha opinião, não é
assim que se deve ver o sacrifício de Cristo.
Além disso, não é o sacrifício ou a expiação que rogam na intercessão - é
Cristo que roga. O sacrifício e expiação são apenas o fundamento para
aquele apelo, e Cristo pode interceder por aqueles que conheceu de
antemão e pode escolher não interceder por aqueles que Ele não conheceu

de antemão (João 17:9). Voltando à analogia do jornal, a minha aquisição
do jornal todo me fornece a base para a leitura da página de esportes. Se eu
disser a minha esposa: "Eu quero te mostrar a classificação do Flamengo
no Campeonato Brasileiro"² ("rogando" a ela, em certo sentido), ninguém
vai dizer: "Espere um minuto! Você comprou o jornal todo.. Portanto, você
é obrigado a mostrar a sua esposa o jornal todo e não apenas a página de
esportes!" Eu tenho a liberdade de pedir uma atenção especial (rogar) pela
página de esporte à minha esposa com base no fato de que eu comprei o
jornal – e cabe a mim fazer com ele o que me agradar, e o ato da aquisição
é a base da minha prerrogativa. Mas eu não sou dessa forma obrigado a ler
o jornal todo para ela.

“Isso fala do assunto em questão: Eu sinceramente não entendo, e
sinceramente nunca vi na minha leitura, o uso do termo
"incidentalmente" no que diz respeito ao pagamento da dívida do
pecado.”

Como mencionei no meu blog, eu ainda estou no estágio de reflexão sobre
o assunto, e isso por mais de quinze anos. O termo "incidental" é um termo
estritamente funcional usado para diferenciar entre a intenção de Cristo em
sua morte com relação aos seus eleitos para “salvar ao extremo” e os
resultados reais dessa morte para toda a raça daqueles em Adão.

“Então minha primeira pergunta basicamente é: "Como é que
uma pessoa consegue o perdão dos pecados sem substituição?"

Não consegue. Eu não creio que essa questão esteja sendo tratada aqui.

"Eu presumiria que Eric não diria que os não-eleitos estão unidos
a Cristo. Assim, se a expiação envolve a substituição, e os nãoeleitos não estão unidos a Cristo, então como são os seus pecados

"incidentalmente" pagos pela morte de Cristo?"

Realmente os não-eleitos não estão unidos a Cristo. Mas eu creio que é um
erro igualar o ato da expiação em si com a união com Cristo na sua morte.
Somente um dos eleitos pode dizer “fui crucificado com Cristo. . . . que me
amou e se entregou por mim." Em outras palavras, por um lado nós
estamos colocando direto de volta a distinção que estou fazendo entre
intenção e extensão. Uma vez que a intenção de Cristo em sua morte foi
salvar os eleitos, a união com Cristo é corretamente aplicada somente a
eles. No entanto, mesmo com essa ressalva, não vejo nenhuma evidência
no Novo Testamento de que a união com Cristo na sua morte é aplicada
antes do momento da justificação.
Assim, as palavras de Paulo em Gálatas 2:20 "Eu já estou crucificado com
Cristo" não estão separadas de "não mais sou eu que vivo, mas Cristo vive
em mim, e a vida que agora vivo na carne, vivo pela fé no Filho de Deus."
Isso não é uma afirmação que pode ser feita antes da justificação dos
eleitos. Da mesma forma, somos informados por Paulo que nossa
identificação com a morte de Cristo ocorre no momento da justificação (Gl
2:16-20) e é representada no batismo (Romanos 6:3-5). Assim, a expiação
e a substituição³ são faces opostas da mesma moeda, mas são lados
opostos, não obstante. A primeira ocorre uma vez no tempo e por todos,
enquanto a segunda é a aplicação da primeira para os eleitos no momento
da justificação.

Agora, o dr. Svendsen fala da "virtude de valor incomensurável e
eterno" da morte de Cristo como a razão pela qual todos os
homens têm, assim, a pena de seus pecados pagos. Mas o
reconhecimento de valor ilimitado não necessita a conclusão de
que os pecados dos não-eleitos já foram pagos pela morte de
Cristo?

Absolutamente certo, e eu não afirmo o contrário. Eu não comecei com
esse ponto como uma plataforma de lançamento e avancei em direção à
expiação universal. Muito pelo contrário. Comecei com as passagens que
falam da universalidade da expiação e fiz o presente ponto para explicar

como Cristo pode pretender expiar os pecados dos eleitos e no processo
expiar os pecados do mundo todo.

Da mesma forma, o reconhecimento de que os benefícios da
expiação são experimentados no tempo pelos eleitos não
significa que eles não foram verdadeiramente, especificamente, e
pessoalmente, unidos a Cristo na Sua morte?

Sim, mas quando? Certamente não quando Cristo morreu, porque a
maioria dos eleitos naquele tempo ainda estavam na incredulidade (ou nem
tinham nascido) e, portanto, eram considerados como "filhos da ira".
Portanto, é nesse ato de crer para a justificação que essas coisas são
aplicadas. Uma vez que os não-eleitos nunca chegam ao ponto da fé e da
justificação, então nunca pode ser dito de que eles foram unidos com
Cristo.

“a certeza da aplicação está fora de questão devido à cruz: nós
simplesmente experimentamos essa experiência no tempo”.

Aqui eu creio ser a a nossa discordância fundamental. Eu creio que essa
afirmação pressupõe algo como "a morte de Cristo é eficaz" - que é a
própria questão em debate, e assim a cruz (a morte de Cristo) por si só não
faz com que a aplicação esteja "fora de questão". De fato, essa é a questão.
Rejeito a idéia de que a morte de Cristo é o "poder" que atrai o eleito. Em
vez disso é o chamado de Deus baseado em sua escolha graciosa que os
atrai.
A morte de Cristo provê o fundamento necessário para o perdão, mas não é
o perdão em si. Se fosse, e se a redenção particular fosse verdade, então eu
não vejo como o proponente dessa visão poderia escapar das ramificações
teológicas que levam à postulação da eterna justificação. Nessa visão,
Cristo ao morrer, morreu apenas pelos eleitos; sua morte é eficaz e realizou
perfeita redenção na cruz. Portanto, todos os eleitos já foram perdoados, e

não há necessidade de fé como meio de justificação. Com que base poderia
ser diferente?
O Dr. White insiste que ela não é aplicada até o momento da fé, mas se não
fosse por passagens como Ef 2:1-3 eu duvido seriamente que qualquer
defensor da expiação limitada teria chegado a essa conclusão.
Teologicamente falando, se a morte de Cristo e o perdão dos pecados estão
indissociavelmente ligados, e se, de fato, a morte de Cristo realizou perdão
para todos aqueles por quem Ele morreu – e fez isso no tempo – e se a
expiação deve ser igualada com o perdão, então, não vejo nenhuma razão,
nenhuma necessidade, para "aplicar" a morte de Cristo para os eleitos em
outro momento do que na aplicação coletiva dos eleitos na cruz "uma vez
por todas". Afinal, o perdão – sendo indissociavelmente e automaticamente
vinculado a expiação - presumivelmente seria distribuído da mesma
maneira “uma vez por todas" que o próprio sacrifício foi oferecido – a não
ser que haja alguma distinção a ser feita entre a expiação de Cristo e o
perdão dos pecados.
Uma vez que tanto o dr. White quanto eu reconhecemos a distinção entre o
sacrifício de Cristo ser feito uma vez por todas e as muitas aplicações a
indivíduos ao longo da história, sugiro que prossigamos a partir desse
entendimento ao invés de ficarmos atolados em argumentos que poderiam
ser igualmente feitos contra cada uma das visões, e seriam igualmente
devastadoras para uma ou outra visão, se o outro lado, decidisse forçar
isso.

Não era a intenção de Deus que os não-eleitos experimentassem
os benefícios redentores e substitutivos da morte de Cristo,
incidentalmente ou de outra forma, e é por isso que as suas
ofensas podem ser sustentadas contra eles (2 Coríntios. 5:19).

Se o fato dos pecados dos não-eleitos ainda serem sustentados contra eles
constitui "prova" de que Cristo não pagou por seus pecados, depois de
passagens como Ef 2:3 seria igualmente "provado" que Cristo não pagou
pelos pecados dos eleitos – porque eles ainda são "filhos da ira", mesmo
após Cristo ter morrido. É por isso que eu acho que esse tipo de

argumentação é infrutífera. Ela pode ser aplicada igualmente por ambos os
lados contra a outra posição. Novamente, a menos que o Dr. White queira
se juntar ao grupo da justificação eterna, eu sugiro que cada um de nós
reconheça francamente que as duas posições fazem uma distinção entre o
sacrifício de Cristo e a aplicação desse sacrifício a cada indivíduo, e seguir
a partir daí. Passagens como 2 Cor 5:19 e Gal 2:3 realmente apenas
provam o meu ponto de que há uma distinção a ser feita entre o sacrifício
de Cristo na cruz e o perdão dos pecados - o cancelamento da dívida - que
é baseada naquele sacrifício, mas requer uma fé para a justificação ser
alcançada. O eleito infalivelmente chegará a esse ponto, o não-eleito tão
certamente não chegará.
Agora duas questões específicas do dr. White:

Então, em essência, uma vez que esta parece ser a principal
diferença entre nós, gostaria de solicitar ao dr. Svendsen que
apreciasse a minha apresentação sobre a questão da
expiação/intercessão como obras do Sumo Sacerdote, no The
Potter's Freedom, pp 241 em diante e, em particular, os
comentários sobre o texto de Hebreus oferecidos lá, e que
explique onde eu teria cometido um erro em crer que o escopo da
intercessão do Sumo Sacerdote é idêntico ao escopo da sua oferta
sacrificial.

Eu tomei a liberdade de reler o tratamento do Dr. White sobre isto durante
o fim de semana do Natal. Na verdade, eu reli 10 páginas adicionais (pp.
231 em diante) só para ter o quadro completo. A resposta curta à sua
pergunta acima é, a despeito dele corretamente distinguir entre o escopo, o
efeito e a intenção da expiação (231), eu creio que ele então passa a
ignorar essas distinções em seu tratamento da questão em Romanos 8:3134 e Hebreus 7-10. Em resumo, creio que ambos os escritores estão
pensando em intenção nestas passagens, não na extensão. Mas, se o Dr.
White desejar, elaborarei sobre esse ponto em outro artigo. Ele solicitou
que eu interagisse com o tratamento específico deste problema em sua
obra. Após esse intercâmbio, me pergunto se isso ainda é necessário. Eu
esperarei por um sinal sobre isso. Se ele ainda desejar a interação, vou

tentar publicá-la em breve.

Em segundo lugar, gostaria de saber, à luz do fato de que o Dr.
Svendsen aceita o conceito de expiação substitutiva, como os
não-eleitos podem ser considerados como tendo sido unidos a
Cristo na Sua morte.

Eles não podem. Como eu expliquei acima, a união com Cristo e a
identificação com a sua morte no Novo Testamento ocorrem no momento
da justificação (Gl 2:16-20), e é significada no batismo (Rm 6). Uma vez
que os não-eleitos jamais chegam a esse ponto, eles nunca foram unidos
com Cristo na sua morte. Novamente, eu não creio que a morte de Cristo é
fatiada e repartida na forma de pedaços. Sua morte, em termos de
extensão, expiou os pecados do mundo coletivamente - incluídos aqui são
todos aqueles "em Adão" - embora ela seja certamente aplicada
individualmente ("Eu estou crucificado com Cristo").
Finalmente, quero destacar a disposição que eu aprecio no dr. White para o
diálogo sobre este tema, especialmente porque ele não tem um corpo da
obra específico para examinar antes de dar suas respostas. Eu reconheço a
posição difícil que eu criei para ele e quero ser sensível a isso. Há muitas
pessoas que estão observando este diálogo (amigos e inimigos), e já tem
ocorrido muitos elogios dos lados “amigos” sobre a forma como o diálogo
está sendo conduzido. A última coisa que eu quero para qualquer um de
nós é pegar um elemento de surpresa em um "sacar" de armas e proclamar:
"Veja, você realmente não tem pensado essas questões com muito cuidado,
não é?" Isso vai ser firmemente evitado, eu confio, por nós dois.

Notas:
¹ O texto fala do Nuggets contra o Suns.
² Essa foi uma adaptação cultural ao leitores brasileiros.
³ O dr Svendsen usa aqui o termo “substituição” como sinônimo de união
com Cristo, mas não nos parece que ao fazer isso ele tenha negado o

caráter substitutivo da morte de Cristo.
Fonte:
http://ntrminblog.blogspot.com/2004/12/limited-atonement-orintentional.html
Tradução: Emerson Campos Pinheiro.

Diálogo com James White - Parte 3
Quando Nossa União com a Morte de Cristo Ocorre? – Parte 1
Dr. White escreveu:
Com relação a Gálatas 2:16-20, não vejo a aplicação feita pelo dr.
Svendsen. O “συνεσταυρωμαι” de Paulo ("ser crucificado junto
com") é muito difícil de entender se, de fato, está se referindo a
um evento anos após a morte de Cristo

Eu quero deixar claro que meu apontamento anterior sobre o momento
exato em que os eleitos são unidos com Cristo na Sua morte é realmente
apenas incidental ao meu apontamento maior de que somente os eleitos
são unidos com Cristo na sua morte. Eu não creio que sustentar que
somente os eleitos experimentam união com Cristo na Sua morte necessita
de uma visão específica apenas de quando essa união acontece. Dito isto,
eu creio que o Novo Testamento é comprovadamente a favor dos eleitos
experimentando a união com Cristo no momento da fé, não na eternidade
passada (exceto, talvez, em um sentido predestinariano).
Dito isto, eu não estou certo porque ver a união da visão com Cristo como
algo que ocorre no momento da fé seria mais difícil de entender do que
outras declarações semelhantes que Paulo faz. Paulo afirma que fomos
"sepultados com ele" no momento do batismo (Cl 2:12), que fomos
"ressuscitados com Ele por meio da fé" (v. 12). Nosso ser "vivificado com
Ele" (nossa ressurreição espiritual) só ocorreu depois que nós fomos
"mortos em nossas transgressões" (v. 13). Embora seja verdade que o
certificado de dívida constituído dos decretos que eram hostis a nós foi
cravado na cruz (v. 14), o cancelamento dessa dívida em termos de perdão,
que é aplicada a nós, não ocorre até que Ele "nos vivificou com Ele "(v.
13).
Assim, quando chegamos ao v. 20: "Se, pois, estais mortos com Cristo
quanto aos rudimentos do mundo” entendemos que Paulo esteja

recapitulando o que ele já explicou nos versículos 12 a 14, ou seja, que
todas as coisas que nos é dito ter sido feitas "com Cristo" são aplicações
pessoais para nós no tempo e no momento da fé, mesmo que isso tenha
acontecido historicamente com Cristo em um ponto anterior no tempo.
Paulo insiste que a nossa morte “com Cristo” também foi uma "morte
quanto aos rudimentos do mundo", isto é, “as ordenanças que eram contra
nós e que eram hostis a nós "(v. 14), sugerindo que houve um período de
tempo quando estávamos sujeitos a essas coisas (ou seja, quando
estavamos sob a lei). Em outras palavras, a nossa morte "com Cristo"
ocorre apenas após a nossa escravidão aos "rudimentos do mundo", pois
essa morte não é apenas "com" alguém (ou seja, Cristo), mas "para" algo
(ou seja, ordenanças que eram hostis a nós, ou seja, a Lei e qualquer
complementar legalismo humano). Isso indica que a nossa união com a
morte de Cristo ocorre no momento da fé e não na eternidade passada.
Paulo amplia esse ponto em 3:1: "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo,
buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de
Deus” e ele conecta esse ponto de "ser ressuscitado" ("ressurreição" esta
que, como já vimos, ocorre no momento da fé, 2:13) com o seu ponto
seguinte: “Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com
Cristo em Deus” (3:3).
Paulo faz observações muito semelhantes em sua carta aos Efésios (o que
não é nenhuma surpresa, uma vez que ele escreveu essas cartas quase
consecutivamente). Em Efésios 2 nos é dito que o nosso antigo estado era
um de pecado e de hostilidade para com Deus. Nós estávamos "mortos"
em pecado (2:1), nós "antigamente andavamos segundo o curso deste
mundo" (v. 2), nós "antigamente viviamos na luxúria da nossa carne" (v.3),
e nós eramos "por natureza filhos da ira" (v. 3), assim como o resto do
mundo. Mas Deus, por causa de seu eterno amor e misericórdia para
conosco "nos vivificou juntamente com Cristo" (v. 5), e Ele "nos
ressuscitou com Ele" (v. 6).
A questão torna-se: Quando a "vivificação com Cristo" e a "ressurreição
com Ele" ocorre? Nós sabemos a partir do contexto que foi depois do
nosso "antigo estilo de vida" (vv. 1-3). Sabemos também que Paulo
conecta essas ações com o momento da fé: "Porque pela graça sois salvos
mediante a fé.” Em outras palavras, o nosso ser "vivificado" com Ele e o
nosso ser "ressuscitado" com Ele são ambos indissociavelmente ligados ao

momento da fé. Portanto, não haveria absolutamente nenhuma dificuldade
com nossa visão de "morrer" com ele como parte e parcela desse evento,
que ocorre no tempo e no momento da fé. Isso, creio eu, é a linguagem do
Novo Testamento.
Dr. White escreve:
E note que, enquanto Paulo está certamente falando de sua vida
naquele momento, ele não tem nenhum problema em claramente
apontar para trás novamente a morte substitutiva de Cristo nas
palavras "que me amou e Se entregou por mim”.

Não, claro que não tem. Assim como Paulo, em sua insistência de que nós
fomos "ressuscitados com Ele" mediante a fé, não tem nenhum problema
em apontar para a realidade histórica da ressurreição de Cristo (Ef 1:20).
Os acontecimentos históricos servem como base da nossa união com Ele
em seu “sepultamento”, "sua ressurreição", “sua ascensão ", e sim, em sua
“morte" (a qual é pressuposta por todas as outras) e esta união ocorre por
meio da fé .
Nessa mesma linha, é claro que os não-eleitos vão ser condenados por sua
rejeição de Cristo e Seu evangelho. Por exemplo, 2 Tessalonicenses 1:8-9
diz que Cristo "punirá aqueles que não conhecem a Deus e àqueles que não
obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. E estes pagarão a pena da
destruição eterna." Jesus mesmo diz: “Quem nele crê não é julgado; o que
não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de
Deus"(João 3:18). Ou seja, aqueles que rejeitam, desobedecem e se
recusam a crer no evangelho são julgados por essa rejeição, desobediência
e recusa a crer. Mas se a oferta do evangelho não propriamente se estende
a eles em primeiro lugar, como podem ser corretamente julgados por
rejeitá-la? Um homem não pode "rejeitar" algo que não é oferecido a ele.
Na verdade, o que mais explica porque os não-eleitos que rejeitam o
evangelho após fortemente considerá-lo são ditos estar sob maior
condenação? Pedro coloca dessa forma:
Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações do

mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus
Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o
seu último estado pior que o primeiro. Pois melhor lhes fora
nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após
conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo
mandamento que lhes fora dado (2 Pedro 2:20-21)

Com isso, o escritor de Hebreus concorda:
Pois, no caso daqueles que uma vez foram iluminados, e
provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito
Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo
vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para
arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si
mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia. (Hebreus 6:416)

E também em . . .
Quem rejeitava a lei de Moisés morria sem misericórdia pelo
depoimento de duas ou três testemunhas. Quão mais severo
castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho
de Deus, que profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi
santificado, e insultou o Espírito da graça? (Hebreus 10:28-29)

Em cada caso, a pessoa em questão abraçou o cristianismo apenas por um
curto tempo. Em cada caso concreto, a pessoa é não-eleita e cai
posteriormente. Como resultado, em cada caso, a condenação é
considerada mais severa ("seria melhor para eles não terem conhecido o
caminho da justiça", "Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece
aquele...?") .
A questão permanece: Por que a punição é (e por extensão a ofensa) mais
severa do que a do descrente típico? Nos foi dito o porquê: os apóstatas em
questão "chegaram ao conhecimento da verdade" e "voltaram-se para trás,
se apartando do santo mandamento que lhes foi entregue”. Esse “santo
mandamento", é claro, é o próprio evangelho, e esse evangelho foi

"entregue a eles". O que torna a ofensa tão grande aqui é que eles,
inicialmente, abraçaram o evangelho, mas depois o rejeitaram. Mas isso
implica necessariamente que eles eram obrigados a acreditar e continuar
nele. Assim sua rejeição do evangelho é o mesmo que "de novo
crucificando para si mesmos o Filho de Deus", "expondo-o à ignomia",
"pisando aos pés o Filho de Deus", "insultar o espírito da Graça" e
"profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado", e, como
resultado, seu “último estado tornou-se pior que o primeiro".
Mas como eles podem ser obrigados a crer no evangelho, se o evangelho
não é estendido a eles e não se aplica a eles? Por que eles seriam culpados
de um crime maior do que os outros não-eleitos que simplesmente rejeitam
o evangelho imediatamente sem qualquer consideração sobre isso? Todos
os incrédulos (todos os não-eleitos) serão julgados por recusar o evangelho
(2 Ts 1:8-9, João 3:18), mas estes homens específicos serão submetidos a
uma sentença mais severa porque realmente abraçaram a verdade antes de
rejeitá-la. Nada disto faz sentido (no caso de qualquer categoria de nãoeleito), se o comando para crer no evangelho não se aplicasse a eles. Mas,
se o comando para crer no evangelho, de fato, se aplica a eles, então tem
que haver um fundamento para o comando na expiação de Cristo.
Fonte: http://ntrminblog.blogspot.com.br/2005/01/when-does-our-unionwith-christs-death.html
Tradução: Emerson Campos Pinheiro

Diálogo com James White - Parte 4
Quando Nossa União com a Morte de Cristo Ocorre? – Parte 2
Dr. White continua (sobre o tópico de Gálatas 2):
“Agora, isso não é o Calvário? E não é o amor de Cristo por
Paulo expresso aqui? Mas se esse foi um ato não diferenciado,
sem a união dos eleitos sendo considerada aí na expressão do
amor redentor, não se segue que o mesmo poderia ser dito por
Faraó? A única maneira de contornar isso seria dizer "que me
amou [na minha conversão] e Se entregou por mim [na cruz]".
Eu tenho certeza que o Dr. Svendsen afirmará que του αγαπησαντος
με και παραδοντος εαυτον υπερ εμου refere-se a um ato: os dois
aoristos particípio referem-se à auto-doação de Cristo na cruz.
Assim, se o sacrifício expiatório é a própria demonstração do
amor de Cristo por Paulo pessoalmente, como pode o sacrifício
trazer perdão para toda a humanidade?

Eu creio ter demonstrado suficientemente na parte 1 desta série que a
nossa união com Cristo é baseada na obra histórica de Cristo na cruz, mas
essa união não ocorre (isto é, nós não realmente "morremos com Cristo")
até o momento da fé, assim como nós não somos realmente "sepultados
com Ele" ou "ressuscitados com Ele" até o momento da fé - todos esses
três atos são coincidentes.
Além disso, eu não defendo que a morte de Cristo na cruz foi um ato "não
diferenciado." Está além do escopo das Escrituras sugerir que Cristo
poderia ter dois propósitos distintos na expiação, um para a eleição (para
servir como base para sua redenção) e outro para os não-eleitos (para
servir como base para sua condenação)? Eu creio que não. E ainda creio
que isso é justamente onde a evidência nos leva.
Aqui estão as questões como as vejo. Primeiro, a posição da expiação
limitada confunde o conceito de ser "escolhidos em Cristo" (en [christos])
com o conceito de união “com Cristo" (sun [christos]). O primeiro refere-

se ao locus da boa vontade de Deus e é dita ser eterna, enquanto o segundo
refere-se a união (ou "identificação com") e é dito ser aplicada no tempo.
Efésios 1 deixa claro que fomos escolhidos "Nele" antes da fundação do
mundo (Ef 1:4), e que, como resultado, estamos presentemente “Nele” . O
objetivo da linguagem usada “Nele" não é demonstrar a união em si, mas
mostrar o ponto focal da boa vontade de Deus. Qualquer pessoa - de fato,
qualquer coisa - "em Cristo" é ipso facto "abençoada com todas as bênçãos
espirituais" e tem derramado sobre si "as riquezas da Sua graça". A razão
para isso é porque Cristo é o centro do “beneplácito” e da “bondosa
intenção” de Deus. Portanto, tudo o que está "em Cristo", por extensão,
torna-se objeto da boa vontade de Deus.
Mas só no capítulo 2, que o conceito de "união com Cristo" aparece.
Quando estávamos mortos em nossos pecados, nós fomos "vivificados
juntamente com Cristo" (no tempo e no momento da fé). Naquele
momento, Deus nos ressuscitou “com Cristo" e "nos assentou juntos com
Ele". Isso ocorre também no momento da fé, e depois de Paulo já ter
mencionado a “obra” de Deus a qual “manifestou em Cristo,
ressuscitando-o dos mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” (1:19-20).
Em outras palavras, a morte, o sepultamento, a ressurreição e a ascensão
de Cristo ocorreram historicamente em um ponto no tempo, mas a nossa
“morte”, “sepultamento”, “ressurreição” e “ascensão” ocorre no momento
em que somos “salvos por meio da fé "(Ef 2:8-9).
Você recordará que também vimos este mesmo padrão em Colossenses.
Assim, quando o Dr. White afirma:
Com relação a Gálatas 2:16-20, não vejo a aplicação formulada
pelo Dr. Svendsen. O συνεσταυρωμαι de Paulo ("ser crucificado
junto com") é muito difícil de compreender como, de fato, se
referindo a um evento anos após a morte de Cristo

Quanto a isso, eu creio que o ponto oposto é estabelecido com fundamento
exegético, não só no texto de Efésios 2 e Colossenses 2-3, mas também no
texto de Gálatas 2. Para reiterar um ponto do Dr. White que anteriormente
abordei apenas brevemente, a saber:

E note que, enquanto Paulo está certamente falando de
sua vida naquele momento, ele não tem nenhum
problema em apontar para trás mais uma vez,
claramente, para a morte substitutiva de Cristo nas
palavras 'que me amou e Se entregou por mim'.
Certamente, e como mencionei antes, eu nunca iria sugerir o contrário.
Nossa união com a morte de Cristo, no momento da fé tem um referência
histórica ao ato de Cristo na cruz. Mas quando é que Paulo "morre" de
acordo com Gal 2:19? "Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei,
a fim de viver para Deus." Paulo aqui faz o mesmo ponto que já havia feito
em Colossenses 2, ou seja, que o momento da "morte" é algum tempo
depois dele ter a experiência de ser "obrigado" pela lei ("os rudimentos do
mundo"), por isso a morte é tanto "com Cristo" quanto "para a lei" (ou "os
rudimentos do mundo"; Col 2:20). O comentário de Paulo sobre o que
significa "morrer para a lei" é encontrado no versículo seguinte: "Estou
crucificado com Cristo, logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em
mim”. A frase "já não” (ouketi) sugere fortemente (se não prova
completamente), que o ponto em que Paulo deixa de "viver" (ie, "morre") e
em que Cristo começa a "viver nele" é o mesmo ponto no qual ele foi
"crucificado com Cristo; "(ie, morreu "com Cristo" e "para a lei").
Dr. White continua:
E eu não acredito que Ele, de forma substitutiva, proposital,
intencional, e aparte do amor redentivo, levou sobre Si a
penalidade devida ao pecado de Faraó.

Nem eu. Mas Ele não poderia ter suportado aquele pecado para servir
como base para a condenação do Faraó, que persistiu na incredulidade?
Dr. White continua:
Até onde eu posso ver, ou os eleitos foram unidos a Cristo na Sua

morte en toto, ou toda a idéia de substituição torna-se irrelevante.
Eu acredito que a realidade da nossa eleição em Cristo torna a
nossa união com Cristo uma realidade divina antes mesmo de
nossa existência temporal.

Mas, então, esse mesmo princípio também se aplica ao nosso
“sepultamento" com Ele, à nossa “ressurreição” com Ele, e à nossa
“ascensão”com Ele? Todas estas coisas são ditas como ocorrendo no ponto
da fé. Será que estamos predestinados a estas coisas? É claro que estamos,
mas acho que é um pouco diferente de dizer que já ocorreram ou que já
eram verdades em relação a nós antes da conversão.
Além disso, parece-me que o Dr. White pode estar sendo inconsistente
sobre este ponto. Se nós concluímos que essas coisas já aconteceram na
eleição na eternidade passada ("in toto") só porque elas estão determinadas
a tomar lugar no tempo e só porque a bondosa intenção de Cristo sempre
foi morrer pelos seus eleitos, então poderíamos fazer esse mesmo processo
também em relação a justificação e a glorificação. Aos olhos de Deus,
todos que Ele predestinou Ele já tem "justificado" e "glorificado"
(pretérito; Rom 8:30). Tudo isso é verdadeiro no sentido de que os eleitos
são certamente predestinados a estas coisas - e que isso é algo tão certo
que pode ser apresentado como algo já concluído.
Mas, tão certo como estas coisas acontecerão, o Dr. White e eu
concordamos que não se pode concluir que a justificação (muito menos a
glorificação) já foi realizada nos eleitos que ainda não creram. O Dr. White
tem registrado sua rejeição à justificação eterna. Isso significa que, tão
certo como todos os eleitos serão justificados, e tão certo como a
justificação dos eleitos está dentro do beneplácito de Sua vontade eterna,
os seus eleitos não são, no entanto, realmente justificados na eternidade
passada, mas no momento da fé. Por que então devemos concluir que a
nossa união com Cristo na sua morte teve lugar na eternidade passada,
apenas porque é certo que vamos experimentar a união com Cristo no
tempo?
Dr. White continua:
(Como mencionado acima: o eterno determina a forma do

temporal, e não vice-versa, mas nós, como criaturas vinculadas
ao tempo, olhando de "baixo”, lutamos para ver isso, e, portanto,
devemos permitir que a Palavra seja a lente através da qual
podemos contemplar esta tremenda verdade) e nascimento, de
modo que em um sentido muito real, os eleitos foram, de fato,
"crucificados com Cristo."

Sim, e em um sentido muito real, os eleitos já foram "justificados" por
Deus. Mas não podemos concluir com base nisso que nós somos
justificados da eternidade - do contrário não haveria mais razão para
sermos "justificados pela fé." Da mesma maneira, só porque a nossa união
com Cristo na Sua morte, estava na mente, na intenção e na vontade de
Cristo na eternidade passada não significa que nós realmente
experimentamos união com Cristo na Sua morte antes do momento da fé.
Dr. White continua:
Quando dizemos que a morte de Cristo provê os “fundamentos"
do perdão, mas “não é o perdão em si" a que nós nos referimos?
Tenho certeza que isso não é o mesmo que dizer que a morte de
Cristo torna o perdão uma “possibilidade”. Isso não faz, de fato,
a experiência do perdão no tempo uma certeza para todos os que
estão unidos a Cristo? Creio que sim.

Vamos colocar a questão na conversa: Se a expiação torna o perdão uma
certeza, e se nada mais está no caminho desse perdão, então porque é que
os eleitos não são perdoados imediatamente uma vez que o trabalho já foi
feito? O próprio fato de que o Dr. White rejeita a justificação eterna e
reconhece um intervalo entre a união com Cristo que ocorreu na eternidade
passada e o perdão dos pecados aplicados a cada um dos eleitos no tempo
mostra que ele também reconhece que há ainda um ato não realizado de
aplicação desse perdão para os indivíduos no tempo. O que impede a
aplicação dos benefícios da morte de Cristo para os eleitos? Nós
encontramos no Novo Testamento, que é o estado de descrença que
funciona como barreira para impedir que um homem, qualquer homem,
eleito ou não desfrute da aplicação da morte de Cristo. Porque apesar de
toda a insistência da posição da expiação limitada de que estamos unidos
com Cristo in toto na eternidade passada e que a união com Cristo é tudo o

que é necessário para o perdão dos nossos pecados, no final do dia, ambos
concordamos que os benefícios dessa expiação (ou seja, o perdão dos
pecados) não é aplicada a ninguém que esteja em um estado de
incredulidade, quer eleito ou não. Assim, há uma condição que deve ser
satisfeita antes que a expiação seja aplicada, e essa condição é a fé.
Aqui nós dois reconhecemos que os eleitos de forma inabalável satisfarão
esta condição, porque a fé é concedida a eles por Deus, e que os nãoeleitos tão certamente não satisfarão. Mas isso só prova o meu ponto
prévio de que há uma diferença a ser feita entre a expiação em si (a obra
concluída) e o perdão dos pecados que brota dessa expiação, mas é
condicionado pela fé. Assim, se até mesmo os eleitos, que são mais
seguramente incluídos no âmbito da expiação, podem ser chamados de
"filhos da ira" e continuar não perdoados enquanto permanecerem na
incredulidade, embora a obra de Cristo na cruz esteja completa, então,
obviamente, não pode haver oposição à idéia de que os não-eleitos também
estão incluídos na extensão da expiação, mas, uma vez que seu estado de
incredulidade continuará perpetuamente, então os benefícios da morte de
Cristo são proporcionalmente retidos a eles perpetuamente. Na minha
opinião, não pode haver sólida objeção para esta idéia que não resulte em
inconsistências insuperáveis.
Dr White continua:
Agora, não se segue verdadeiramente que se alguém crê que a
morte de Cristo faz o perdão dos eleitos uma certeza através da
união e da substituição, deve logicamente crer na justificação
eterna devido à expressão "filhos da ira"? Eu não creio assim.

Eu, por outro lado, penso que esta conclusão é inevitável. Se, como afirma
o Dr. White, o perdão dos pecados é "através da união com Cristo", e se
essa união com Cristo toma lugar in toto na eternidade passada, segue-se
que o perdão também ocorreu in toto na eternidade passada – ou, pelo
menos, o perdão completo dos pecados de todos os eleitos teria que
ocorrer no momento da cruz e não mais tarde. De acordo com a visão da
expiação limitada, estávamos unidos com Cristo na sua morte, na
eternidade passada, e se estar unido a Cristo na sua morte significa que
temos o perdão completo e sem restrições (como o Dr. White parece

implicar), então isso leva inevitavelmente à conclusão de que todos os
eleitos foram perdoados de todos os seus pecados e, portanto, já foram
colocados em constante retidão ("justificados") por Deus, provavelmente
na eternidade passada, ou definitivamente mais tarde no momento da cruz.
No próximo artigo nós encerraremos nossos pensamentos a respeito da
união com Cristo, abordando o significado de "reconciliação" em 1
Coríntios 5, e apontando o que poderia ser a maior fraqueza da posição da
expiação limitada, ou seja, a resposta para a questão de como um homem
pode ser condenado por rejeitar o evangelho, se o evangelho não é
oferecido a ele em primeiro lugar. Eu ainda não li uma resposta satisfatória
a esta pergunta do campo da expiação limitada.
Fonte: http://ntrminblog.blogspot.com.br/2005/01/when-does-our-unionwith-christs-death_31.html
Tradução: Emerson Campos Pinheiro

Diálogo com James White - Parte 5
Quando Nossa União com a Morte de Cristo Ocorre? – Parte 3
O dr White continua:
Mais uma vez, a realidade eterna determina os acontecimentos no
tempo e no decreto soberano de Deus, Ele escolhe nos tirar das
trevas para sua maravilhosa luz em um ponto específico no
tempo. Até esse momento, somos escravos do pecado e assim
caminhávamos como Paulo descreve.

Nada que eu possa ver no Novo Testamento nos impede de ver nossa união
com Cristo dessa mesma maneira, ou seja, como um daqueles eventos "no
tempo" que são predestinados na eternidade passada, mas não ocorrem até
o momento da fé.. Na verdade, creio que o Novo Testamento,
expressamente afirma isso:
O Dr White escreve:
No entanto, há alguma chance de que a ira de Deus possa cair
sobre tal pessoa? Não se elas foram dadas ao Filho na eternidade
passada (João 6:39), pois isso implicaria que Ele perderia um
daqueles que lhe foram dados. Assim, reconhecendo que a
regeneração, fé, arrependimento e justificação são todas coisas
experimentadas pelos eleitos no tempo em si não é o mesmo que
dizer que estas coisas são duvidosas ou incertas do ponto de vista
divino, nem que o terreno sobre o qual atua o Espírito nos
regenerando e nos concedendo a fé e o arrependimento e,
consequentemente, trazem a nossa justificação, não é
especificamente orientado somente para os eleitos, pois em tudo
isso, é o amor de Deus que dirige e completa a obra da salvação.

Como um ferrenho defensor da soberania de Deus, você não terá outra

resposta de mim sobre este ponto, exceto um caloroso "Amém!" Tudo o
que eu estou pedindo ao dr. White fazer é tomar tudo que acabou de dizer
em relação à "justificação" e aplicá-la à "união com Cristo." Eu realmente
não entendo porque deveria haver um problema em fazer isso.
Dr White escreve:
E o Dr. Svendsen e eu concordamos que esse tipo de amor
redentivo não é expresso para os não-eleitos.

Novamente, Amém!
Assim, quando falamos do eleito não-regenerado como um "filho
da ira", estamos falando de forma descritiva, e confessando que
ele viveu, agiu e pensou como todas as outras pessoas que
também estavam mortas espiritualmente.

Eu creio que a frase sugere um pouco mais do que isso. "Filhos da ira,
como também os demais", descreve o nosso estado como pessoas
"merecedoras da ira"; certamente "destinados à ira" se fossemos continuar
naquele estado.
O Dr White declara:
Não devemos, no entanto, estender isso para dizer que os eleitos
não estavam já claramente diferenciados no amor de Deus, que
foi colocado sobre eles antes da criação em si.

Concordo. Nós fomos diferenciados no amor de Deus, e isso foi feito na
eternidade passada. Mas ver a expressão "filhos da ira", como uma mera
caracterização de como nós nos comportávamos antes do momento da fé, e
sem as consequências inerentes associadas com esta condição, torna
desnecessária essa condição anêmica e torna a aplicação da expiação de
Cristo uma mera formalidade. De que outra forma poderíamos afirmar

legitimamente aos eleitos que são pecadores cativos do inferno que são
condenados pela lei e que estão em necessidade de arrependimento para
que não pereçam de acordo com passagens como Mateus 5:30? (A menos,
claro que esta passagem se aplique somente aos não-eleitos, caso em que
se cria ainda mais problemas para a visão da expiação limitada na linha de
2 Pd 2 e Hb 6, 10, ou seja, que em passagens como estas não- eleitos são
realmente ordenados a obedecer o evangelho). Por que a ameaça do
inferno na ausência do arrependimento seria emitido para os eleitos, a
menos que a condição seja real?
Eu escrevi: "Se o fato de que as transgressões dos não-eleitos ainda são
sustentadas como constituindo "prova" de que Cristo não pagou por seus
pecados, então passagens como Ef 2:3 seriam igualmente "prova" de que
Cristo não pagou pelos pecados dos eleitos. - pois eles ainda são “filhos da
ira” mesmo depois de Cristo ter morrido"
O Dr White respondeu:
Esta é uma referência a 2 Coríntios 5:19, onde se lê “a saber, que
Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não
imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a
palavra da reconciliação”. A questão-chave no texto, a meu ver, é
o fato, eu sei, de uma única outra passagem em que vemos a nãoimputação do pecado, e isso é em Romanos 4:6-8.

Eu não creio que a não-imputação do pecado deve ser equiparada a
"reconciliação" em 2 Coríntios 5:19. Na verdade, a reconciliação não deve
ser equacionada com o período da justificação. A reconciliação tem a ver
com fornecer a base sobre a qual Deus pode agora justamente perdoar
aqueles que exercem fé em Jesus Cristo. É para esses – e somente para
esses - que exercitam fé em Cristo que pode ser dito que Deus "não conta
as suas transgressões contra eles". Reconciliação não significa que Deus já
os perdoou. Significa que Ele está pronto para perdoar, com base na obra
expiatória de Cristo. A não-imputação do pecado é a aplicação dessa
reconciliação a todos aqueles que recebem a mensagem e crêem (ver
discussão de GE Ladd deste tema em sua Teologia do Novo Testamento).
Certamente, se fossemos equiparar a reconciliação com justificação e
"não-imputação de pecado", então qual é a "mensagem da reconciliação"

mencionada aqui? Que os eleitos já foram perdoados baseado
exclusivamente na obra de Cristo na cruz, antes mesmo deles crerem? Eu
não acho que o Dr. White pretende concluir isso.
Dr. White continua:
Claramente, o" mundo "aqui não pode incluir aqueles que, de
fato, terão seus pecados sustentados contra eles

Na verdade, eu acredito que é exatamente o que se está em mente. Se
tivermos em mente que após nos ser dito que "Deus estava reconciliando
consigo o mundo", somos imediatamente suplicados por Paulo
"Reconciliai-vos com Deus!", então vemos que a reconciliação efetuada
por Deus de acordo com 5:19 deve ser pessoalmente aplicada pela fé de
acordo com a 5:20 antes da imputação dos pecados ser aplicada. O pecado
ainda é sustentado contra o homem que recusa a "mensagem da
reconciliação."
O Dr White continua:
O "mundo" aqui teria de ser coextensivo com o homem
abençoado de Romanos 4:8, a quem é imputada a justiça aparte
das obras, e nós certamente sabemos quem são essas pessoas.

Se a não-imputação do pecado ocorreu na cruz, então estamos de volta à
idéia de que a justificação deve ter ocorrido para todos os eleitos, o mais
tardar no ponto da cruz. No entanto, nos foi especificamente dito que
temos de agir sobre a "mensagem de reconciliação", antes da plena
reconciliação poder ter lugar: "Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos
reconcilieis com Deus”
Em outras palavras, "reconciliação" em 2 Coríntios 5 engloba duas partes:
por um lado, Deus “reconciliou consigo o mundo” através da morte de
Cristo, e como resultado, Ele está pronto para perdoar (isto é, Ele agora
tem uma fundamento justo para o perdão). A imagem aqui é que a face de
Deus estava afastada da humanidade e agora se volta para ela.

Por outro lado, somos suplicados por Paulo, "vos reconcilieis com Deus!"
Mas por quê? Se Deus já realizou "uma completa reconciliação" e "nãoimputação do pecado" na cruz, porque a obrigação adicional de nossa parte
de nos “reconciliarmos com Deus"? A resposta é que nós não nos tornamos
totalmente reconciliados com Deus exceto por meio da fé Nele. Deus está
pronto a perdoar, mas esse perdão não é realmente aplicado a qualquer
pessoa até o momento da fé. É nesse ponto que nós experimentamos a
"não-imputação" do pecado encontrado em Rm 4: 6-8 e não antes.
Penso que esta é também a idéia por trás da declaração de Paulo sobre a
propiciação de Cristo em Romanos 3:25: "a quem Deus exibiu
publicamente como propiciação em Seu sangue pela fé" (NASB; ou "por
meio da fé em seu sangue", NVI) . A propiciação – a completa satisfação
da justiça de Deus - é aplicada a nós somente "pela fé". A propiciação de
Rom 3:25 é a "reconciliação" de 2 Coríntios 5:19-21. Mas nenhuma delas
é aplicada a qualquer pessoa, enquanto estiver em um estado de
incredulidade, quer eleito ou não-eleitos. Os eleitos e os não-eleitos são
igualmente ordenados a se reconciliarem com Deus. Os eleitos crerão
porque eles foram predestinados a isso.
Os não-eleitos tão certamente não crerão, e como resultado serão
responsabilizados por rejeitar essa "mensagem de reconciliação" ou, como
Pedro chama, o "santo mandamento que lhes foi entregue". Mais uma vez,
como podem ser responsabilizados por rejeitar algo que não foi
legitimamente oferecidos a eles em primeiro lugar? E se não há obrigação
por parte dos não-eleitos em crer (já que, per expiação limitada, eles não
são incluídos no chamado do evangelho), então como Jesus pode manter
em Mateus 22:14 que "muitos são chamados, mas poucos são escolhidos"?
O ponto de resumo dessa parábola, no contexto, é aquele que lida com a
redenção e retribuição. Em que sentido são muitos os "chamados" mas não
"escolhidos"? Certamente não no sentido eficaz. O "chamado", no
contexto, é um convite geral ao qual alguns dão ouvidos (v. 10) e outros
rejeitam (v. 5). Eu afirmo que essa passagem - e outras miríades como esta
- não faz sentido a menos que nós vejamos o evangelho como um chamado
universal; e esse apelo universal deve ter um legitimo fundamento na
expiação universal.

Há um duplo propósito na morte de Cristo; e é por isso que os defensores
da expiação limitada não podem legitimamente acusar os defensores da 4.5
com a visualização da universalidade da expiação de Cristo como um
exemplo de Cristo falhando em cumprir Sua missão. Por um lado, a morte
de Cristo provê o fundamento necessário para a redenção e o perdão por
parte de Deus dos seus eleitos. Por outro lado, a morte de Cristo oferece o
fundamento necessário para a justa condenação por parte de Deus do resto
do mundo, os quais rejeitam o comando para crer no evangelho e ser
salvos.
Certamente, se nós quissemos pressionar (não queremos), a acusação
oposta poderia ser feita contra a visão da expiação limitada; a saber, que
nessa visão, em usa intenção singular de salvar seus eleitos Cristo falha em
prover uma base suficiente para condenação do não-eleito o qual Ele
especificamente ordenou que cresse.
Se o não-eleito não foi incluído no escopo da expiação, então aqueles que
recusam crer na expiação substitutiva de Cristo por seus pecados não
podem ser legitimamente condenados por sua recusa em crer na expiação
substitutiva de por seus pecados! Porque nesse caso, eles estão meramente
agindo sobre o que é verdade para eles! E ainda assim, o Novo Testamento
torna claro que “quem quer que não crê já está condenado porque não creu
no nome unigênito Filho de Deus” (John 3:18).
A razão para o não-eleito ser condenado (ao menos de acordo com João
3:18) é porque eles não crêem. Mas como eles podem ser ordenados a crer
e ser contados como responsáveis por recusar a crer se, como a expiação
limitada sugere, o evangelho não é estendido para eles em primeiro lugar?
Eu penso que esse é um fator decisivo contra a doutrina da expiação
limitada.
Fonte:
http://ntrminblog.blogspot.com/2005/02/when-does-our-unionwith-christs-death.html
Tradução: Emerson Campos Pinheiro.

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