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» normalizagdo técnica Aparelhos de apoio estruturais HISTORICO lo séoulo XIX, epoca da revolu- \ fen ita, a can ‘das pontes do fero funcido ha registros de que iniciaimente algumas sofferam problemas pela falta de consi- deragao dos efeitos térmices ou da ro: tagao nos apoios. Com a descoberta do 890 @ @ chogada das ferovias @ radovas, as estruturas passaram a ter que resistr a cargas mais pesadas, bem coro pas: ‘sarem a ter vos maicres, 0 que impunha elevades cargas conceniradas nos pila- Fes @ a obvigatariedacie da consideracdo ‘precisa dos deslocamentos e rotages da superestnutura em relagao a infaestratura, Durante algum tempo, a escola de apa- ralhos de apoio de maior responsabilidad ficou centrada em aparalhos metaicos de ‘midtiplos tipos, alguns até bastante ea borades, Dessa época, sobrevivem até hoje 0s “rocker bearings’, ou apoios em péndUo, € 0s “aller besvings’, ou apoios sobre roltes figuras 1 62) Foram também utizadas solugdes como 08 pandulos dle conersto ou ago, ‘apoios sobre placas de chumibo, apoios de chapa graftada ou com papel aica troado, ete A grande revolugao na tecnologia dos aparethos de anoio coorreu apés & escoberta pela Dupont dos polimeros policloropreno (neoprene - 1936) e do Polttrauoretiono (PTFE - teflon - 1944), Os aparethos de elastérnero simples, {ue levar em sua composi¢ao 0 potilo- opreno, permitem tensoes relatvamen- te baixas de compressao € S80 05 mais Utlzados em editicagdes © pré-fabricados MILTON EMILIO VIVAN - Dicer Va Exes Line Rocker Bearing Roller Bearing pb “| I —— = a > Figura 1 ‘Apoio em péndulo @ apoio sobre rolete Jeves. Aumentando-se a tenso de com- presséo, a borracha escoa lateralmente, ‘to mais facimente quanto maior for a espessura do elastémero, a rlagao pert ‘Motro/érea em planta © 0 cosficiente de Poisson do elastémero. O passo seguinte {oi 0 surgimento de aparehos com uma camada de elastémero vuleanizada sol- ariamente entre duas chapas de ago. A tendéncia da boracha de escoar lateral ‘mente sob compressa é impedida pelo 890, que resulta tracionado, comprimindo © elastémero, Dai 0 nome de “fretado" “cintado’, “armado" ou “arrinado”, este Utimo preterido dos europeus. A efetiv dade da ligagdo elastémero-ago fol con ‘Seguidda com 0 prévio prepara das cha pas de a0 com jatos de areia e com @ ‘aplcagdo de colantes quimicos antes da vuleanizacdo. Alguns denominaram esse aparelhos de “tipo sanduiche” Para atender aos requisitos de rots (Go © acomodacao de destocamentos (08 aparehos eram empihados uns sobre © outros. A geornetia em planta era ob: tida a parti de uma placa mae, serrando: -a nas dimensSes requerdas, Pinturas especiais foram desenvoWvidas para pro tego das chapas. Eniretanto, conch -88 que vulcanizando todo 0 conjunto das chapas intercatadas com a massa de elastémero, o aparelho resuitava com uma aparéncia de monabloco, dispen: ssando pinturas e resultando melhor pro: tegido contra @ agressividade ambiental, © conjunto de chapas @ elastémero & posicionado alternadamente em formas com dimensées indviduaizadas confor me © projeto © prensadas a temperatura © pressdo adequadas através de vuicani- za¢&0 (fig. 3). > Figura 2 Apoio articulado mével: apoio em péndulo sobre apoio com dois roletes > Figura 3 Aparelho de apoio de elastomero fretado «Jase passaram quase 40 anos, sendo esta a forna que 08 aparehos de east mero larinado 880 producidos até hole, cu soja, atesancimante. Anda hoje a di fioukdade meior dos facantes 6 manter ‘as chapas paralclas nesse processo @ de “gerantirigagdo acequada entre as chapas de ago @ 0 elastOmaro quando solctadas a distorgio, apesar da existéncia atv mente de colantes mais efcientes dosen: volidos pela indistia qumica. ‘Aparehos desizantes 80 obtidos ‘com supericie de ago inowicvet pola 20 fespatho ligada a uma chapa de ago fica na superestrtura, desteando contra su- perce de tel ligada a0 aparehno (9.4). Cbserve-se que a posigao da carga vert al ofunda da superestrtura ndo se mo- vimenta como nos 0fes, 2, AABNTNBR9783 - ACEITACAO Dé APARELHOS DE APOIO DE ELASTOMERO FRETADO Artes da_vgéncia da ABNT NBR 9783:1987, muitos engenneiros est tureis evtaram @ concepgo de apare- thos de dast6mero palo reosio de que a febricagdo no apresentasse qualidade adequad, Usou-se @ abusou-se das ar- tculagdes em concrto, Boa parte dessa preoeunagéo ocorreu gum tempo aps a entrada em servo da pista ascendente ava Irigraes. Uma grande quantida- de aparehos de apdio teve que ser substiuida pelos mais diversas motives, Em 1975, 0s engenheios Luiz Emilio So ares de Gouvéa Horta, James Campanha ‘Akim e Aredo Pinto da Conceigao Neto elaboraram a publicagdo 1062, pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnolégicas de ‘S80 Paulo). © objetivo fo! apresentar re- sultados de ensaios reaizados om 59 apoio de diversas obras, entre as @ RO- dovia dos Imigrantes © Ponte Rio-Nter «© comparé-ios com valores previstos em [projeto por vérias normas estrangeires, ‘coma intengao de fomnecer suibsidios para laboragao de uma futura norma brasil ra. Essa pubbleagdo @ obras, como a Fer- rovia do Ago, controtada pelo IPT dentro das instalagées dos proprios fabricantes, permitram significativas mehorias na fa- bricagdo @ projeto de aparethos de apoio de elastOmero fretado. Cada engenhero envohido com 0 projeto de eparetnos de ancio nessa épo: ca pode ter uma histérla semelhante a que compartiho, © fato ocorreu na The ‘mag, em 1976. Nesse ano, a empresa re- ccebau a incumbéncia de ajustar 0 projeto da superestrutura em concrato protendido da Ponte sobre 0 Canal de Moxot6, obra ‘continua com 234 m de extensdo, altura vatidvele vaos de@4 m, 52m, 62m, 52m, 34 m, sucessivamente, J estavam con- cretadas as fundapdes, apciadas em 1o- cha, ¢ também os pilates altos © esbaltos ‘com forma hidrodindmica em falsa eliose para resistr& corentaza do canal. A pro- tensdo havia so prevista com cabos de 112 ios de 8 mm, que daveriam ser redu- zidos em quanlidade para cabos de meior potinda, com 12 cordoahas de 12,7 mm. Os aparethos de epcio calcuados pela projtista orignal ja estavarn fabrica- dos quando chegaram os resultados dos ‘ensaios reaizados no IPT. Nenhumn dos 6 ap010s fol aprovado. Foi obtido coeticlente de atrto dos apcios extrernos desizantes de 8%, quando daveria ser 43%, Os altos enconitos nao resistiiam. Os apcies de elastémero fretado ndo desizantes dos demais plates ndo satisizeram a varios re ‘quisitos nos ensaios. Além disso, tiveram ‘que ser completamente recimensionados porque havia falta de armadura de igagao {nie os aparethos no topo dos plares e, ‘20 aumentar o nimero de aparethos sob 2 transversinas, no havia armadura de fretagem localizada sob 0 novo aparelho. Enlao, os aparethos foram dimensiona- dos cor a maior cimensao na dirego do ‘eho da obra e foram limtadas as tenses deo trago &s admissiveis pelo concreto simples, © projeto desses aparelhos foi realzado com as recomendacdes do UIC-CODE 772 de 1969 ("Code for the use of rubber bearings for rai bridges da Intemational Union of Raiways’), sob a corentagao do Eng. Lothar Korbmacher, fentdo chefe do departamento de estu- turas da Themag. Os aparelhos foram reprojetados e especiicados detahada- mente para que a Stup, na época sob a diego do Eng. Eugenio Cauduro, os fabricasse, Para 0 ago inox, foi especti- ‘cado grau de polmento que resultava su poricie espehada, Ao final, os aparelhas foram fabricades, tastacos no IPT pelo Eng, anisio Lima de Oliveira sob nosso acompanhamenio, ¢ todos aprovados, ‘sendo alcangado cooficente de atrto de 2% nos aparelhos dasizantes. Com esse pano de fundo sobre a qualidade exeoutva dos aparehos de elastomer fretado, criou-se, em mea- dos da década de 80, a Comissio de Estudo responsével pela elaboragao da ABNT NER 9783 - Aparethos de apoio de > Figura 4 Aparelho de apoio de elastémero fretado deslizante elastomero tetado ~ Especificagao. Inicslmente com sede ne cidade do Rio de Janeito, regio onde se localiza vvam as maiores fabricas, com reunides mensais. Posteriormente, a Comisso ppassou @ realizar as reuniGes em So Paulo, onde foi finalizado 0 trabalho de normalzagao, na época. ‘Come a fabricagao dos aparethas de ancio era anda 8) artesanal ¢ havia um grande nimero de ensaios quiricos, fs os @ mecdnicos com requistos espect- cos a serem atingios, a grande dificuda- Ge fol como & quando considerar que um lote de aparehos pudesse ser aprovaco ou rejetado, Andis mutos debates, a so- lugd0 fo’ adotaro sistema de amostragem por atrbutos @ lmtar 0 tamanho do lote a 20 aparehos ou a uma quantidace maior aoordadia entre 0 consumidor @o ernecs- dor. Assim, foram cassiicados os defetos em artcos, graves e tlds, Deletes crcos impacem o funciona: mento do apereho de apcio coro projet Jo, podendo reduc a seguranca da est ‘ura. Ondo atenciento de requistos para ‘a espessura mécia da carada elemeriay, pera coeficiente de tito ago nax-efone ara 0 mécuio de deformagdo transversal io exemple de defeos cricos. Defetos graves reduzem a vida cl do apareno de apoio, O nao atencimento de requistos para o valor da doformagéo par- manente & compresséo, para a variagao da tensto au elongamento de rupture ou da cureza apd ernehecimento e para 0 Cobrimento das chapas de ago séo exem- pos de defetos graves. Deletos tofréves s80 08 que no re- Figura s Aparelho tipo “pot bearing” esté caminhando para que sejam re- editadas as mesmas normas, com 0 mesmo contetido e alustes apenas de forma, Essa solugdo manteria em vi- Parte 1: Regras gerais de projeto > Parto 2: Elamentos deslzantes > Parte 3: Apoios eastomérioos > Parte 4: Apcios com raletes metiicos > Parte &: Aparehos tino “pot bearings" > Parte: Aparehos de apoio em péndu- lo “tocker bearings” > Parte 7: Aparelhos clindticos @ estér- cos com PTFE > Parte 8: Apareihos guiados @ com bloqueio > Parte 9: Protegao > Parte 10: Inspego Manutengao > Parte 11: Tiensporte, armazenamento einstalagao ‘A comisséo da Euronorma 1837 ‘riciou-se em 1989 encerrau os traba |hos em 2004, apés 15 anos, Segundo © chairman da EN 1337, 0 italano Eng, ‘Agostino Marion, foram ervolvides mais ‘de 60 experts na elaboragéo do texto, que incluram harmonicamente a cultura téori- ca de alemaes, tranceses, ingles, ita os, espanheis, ete. Em 2004, quando da ‘inalzagao dos trabathos de normalzagao, (© Projeto de Noma foi votaclo por 28 pei- ses, 25 membros da comunidade e Suiga, Notuega e Dinamarca e aprovado para ser ppublicacio coma Norma Europeia. Os principals aspectos inovadores dessa Noma séo: 1}0 projeto dos aparelnos 6 feito de acarddo €or o conesito dos estados I- mites, com particular reteréncia 20 Es: tado Limite Uttimo, de modo coerente com as normas ullizadas no projeto de estruturas raat e ee eeky ala [01] The exopan tarda 1337 en Sct Bestigs~Agetin Marin Chman N 1337 {02} uc co0e 7728 1953 {03} Catogs oo fabrearts:Protondo, uo Neopre, Maurer Magee [04] PubiagSe 1062 cor > Figura 6 Aparelho esférico com MSM (material de aparéncia negra, com maior tensd0 admissivel de compressi0 e menor coeficiente de atrito, est sendo utilizado ‘como substituto do PTFE em aparelhos de apoio) para 22.000 tf sob 400 kgf/cm’ de compressio 2) A avalagao da conformidace dos apa- rolhos 6 reaizada através de testes em protétipos e testes de rotina: os testes de protdtipo sao realzados antes do inicio da produgao ou em qualquer mo: ‘mento que haja moditicagao no projeto dos aparelhos; 0s testes de rotina sz0, realzados durante a fabricagao dos pares, principalmente nas matérias, pprimas e componentes. ‘AComisséo de Estudos Brasileira est fem formagaio € planejamento. Como 0 trabaino é extenso, a Comissdo seré.com: pposta por um Coordanador, um Secreta ‘ioe pelo menos dois Relatores para cada um dos Grupos de Trabalho das 11 partes que deve conter a nova Noma Brasiera (em correspondéncia com a Norma Eu- ropeial. Como em outvas Comissies de Estudo da ABNT, a pattcipagao nas reu- rides 6 lve a todos 0s interessades. AS reunides sero mensais @ a reund inical ssaré na sade do Sinduscon em Sao Pauio. Nessa reuniéo seré defnida a ecuipe res- pponsével pela condugao dos trebathas & o cronograra das reunides, o qual estaré permianentemente 4 cisposiggo na secre~ taria do ABNTICE-02. ©