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Metodologias das Ciências Sociais

Primeira Aula

O que é a Ciência ?

• Conjunto organizado de conhecimentos;


• Conhecimento rigoroso, metódico e sistemático;
• Resolve problemas de origem teórica e prática;
• É um método que é aplicado a um objecto;
• Estudando um objecto através de um método chegamos ao corpo do
conehcimento próprio de cada ciência.

• Método: Conjunto de procedimentos que permite chegar a certas


conclusões.

• Objecto: Aspectos estudados pelas diferentes ciências, a sua prespectiva e


enfoques específicos.

Que tipos de conhecimentos existem ?

• Conhecimento popular ou de senso comum:

- Transmitido de geração em geração, através de educação informal;


- Baseia-se na interacção e experiências pessoais.

Características:
• Superficial;
• Sensitivo;
• Subjectivo;
• Assistemático;
• Acrítico.

• Conhecimeto Filosófico:

- Baseia-se na experiência e não na experimentação;


- Hipóteses que não podem ser submetidas à observação e experimentação.

Características:
• Valorativo;
• Racional;
• Sistemático;
• Não aplicável;
• Infalivel.
• Conhecimento Religioso:

- Teológico, místico e espiritual;


- Apoia doutrinas reveladas pelo sagrado e pelo subnatural.

Características:
• Valorativo;
• Inspiracional;
• Sistemático;
• Não verificável;
• Infalível;
• Exacto.

• Conhecimento Científico:

- Obtido de forma racional através de técicas e métodos;


- É obtido através de treino segundo um modo próprio que conduz a verdade.

Características:
• Objectivo: descreve a realidade como ela é, ou pode ser.
• Empírico: sempre baseado na experiencia, nos fenómenos e factos;
• Racional: assente na razão e na lógica, não na intuição;
• Replicável: as mesmas condições, em diferentes locais e com diferentes
experimentadores, devem replicar os resultados;
• Sistemático: conhecimento organizado, orientado, consistente e coerente;
• Metódico: procedimentos e estratégias fiáveis, planos metodológicos
rigorosos;
• Comunicável: conhecimento claro e preciso, aceite pela sua comunidade
científica.
• Analítico: procura entrar na complexidade e vai para além das aparências;
• Cumulativo: ensaia, constrói e estrutura a partir de conhecimetos
anteriores.

Conhecimento Científico e Valores Sociais:

• Etnocentrismo; • Insenção e Objectividade;


• Naturalismo; • Neutralidade;
• Individualismo. • Anti-dogmatismo;
• • Humildade Intelectual.

Procedimentos éticos

• Comuns a todos as ciências:


• Não distorcer os dados;
• Referir as diferentes prespectivas encontradas durante a investigação;
• Citar sempre as fontes;
• Respeitar todos os intervinientes na investigação.
Classificação das Ciências

• Ciências Formais:
• Estudo das idéias dividindo-se em lógica e matemática;
• Utilizam a lógica para demontrar a rigorasamente os teotemas;
• OS resultados alcançados demonstram ou provam as hipóteses.

• Ciências Factuais:
• Estudo dos factos, dividindo-se em naturais e sociais;
• Recorrem as observações e experimentações para comprovar ou refutar
hipóteses;
• Os resultados alcançados verificam, comprovam ou refutam hipóteses que
na sua maioria são provisórias.

Tipos de investigação

• Pesquisa analítica:
• Pesquisa filosófica;
• Revisões;
• Pesquisa de sínteses e meta-análise.

• Pesquisa qualitativa:
• Estudos feministas, naturalistas, históricos, individuais...

• Pesquisa Experimental

• Pesquisa Discritiva:
• Questionários;
• Entervistas;
• Estudos de casos;
• Análise de conteúdos;
• Estudos observacionais;
• Estudos correlacionais.
Investigação qualitativa vs quantitativa

Pesquisa qualitativa: Pesquisa quatitativa:


A Questão: Aspectos qualitativos da A Questão: Aspectos quantificáveis das
actividade humana e da experiencia estruturas e dos comportamentos
Expectativas: Levantar informação. Expectativas: Verificar hipóteses (e
Descrever, explicar experiência humana teórias). Prever efeitos
Comportamento da Amostra: Activo, Comportamento da Amostra:
natural e expontâneo. É o próprio Comportamento delineado e prescrito
comportamento a ser estudado pelo investigador
Tipo de Estudo: Indutivo. Orientado pelos Tipo de Estudo: Dedutivo. Guiado por
dados e reformulável permanentemente hipóteses formuladas antecipadamente.
Variáveis pré-definidas
Dados: Palavras para análise. Elevada Dados: Baixa inferência. Análise
inferência.Colecta ao longo do estudo quantitativa dos dados.
Envolvimento da Pesquisa: Dados Envolvimento da Pesquisa: Envolvimento
recolhidos ao nível natural (não altamente controlado. Variáveis
manipulados) manipuladas e variáveis controlados.
Resultados: Descrições textuais. Resultados: Descrições quantitativas.
Explicações e interpretações. Elevada fiabilidade.

Investigação fundamental vs aplicada

Pesquisa básica ou fundamental Pesquisa aplicada


- Produção do conhecimento científico Produção do conhecimento
- Centrado na teoria orientado para soluções
- Sem necessidade de demonstrar imediatas de problemas
revelância aplicativa na prática

Tipos de Investigação

• Descritiva:
• Descrever fenómenos
• Identificar variáveis
• Inventariar factos

• Correlacional:
• Relacionar variáveis
• Apreciar interacções entre variáveis
• Diferenciar grupos

• Experimental:
• Estabelecer relações de casualidade entre variáveis/fenómenos
• Predizer e controlar fenómenos
• Estabelecer leis
Modelos de Investigação

• Finalidade:
• Básica
• Aplicada

• Alcance Temporal:
• Transversal
• Longitudinal

• Amplitude:
• Micro – análise (variáveis e sujeitos)
• Macro – análise (variáveis e organizações)

• Origem dos Dados:


• Primária
• Secundária
• Mista

• Natureza:
• Empírica (dados directos não manipulados)
• Experimental ( dados manipulados/provocados)
• Documental (assenta na análise de documentos)
• Investigação – acção

Ciência e Conhecimento

• Método Científico
• Sistematização das observações;
• Condução das hipóteses;
• Clareza dos dados;
• Definição operacional das variáveis e suas condições.

• Método Indutivo (P-G)


• Cria leis mediante o generalizção dos comportamentos observados;
• É a inferência de uma regra a partir do caso e do resultado;
• Pare de uma permissa menor para uma maior;
• Ocorre quando generalizamos a partir de certo número de casos;
• Realidade dos factos para Teoria das ciências;
• Observações  Hipóteses  Téorias
• Método Dedutivo (G-P)
• Argumento que parte de certas permissas consideradas verdadeiras e
universais;
• Parte de uma permissa maior para uma menor;
• Não adicciona nada para além do que já é conhecido;
• É útil para aplicar regras gerais a casos particulares;
• Téoria das ciências para a Realidade dos factos;
• Téorias  Hipóteses  Observações.

Razões para fazer investigações

• Aumentar o conhecimento disponivel;


• Aumentar a troca de informação dentro de uma comunidade;
• Fundamentar e questionar as práticas profissionais;
• Aumentar o espírito crítico em relação ao conhecimento;
• Aumentar o reconhecimento e a credibilidade de uma área científica;
• Inovar e promover o desenvolvimento técnico.

Segunda Aula

Estrutura de um relatório científico / Trabalho de investigação

• Fases de um projecto de investigação

1º Passo:
Planeamento Execução
Formular o problema Recolher os dados
Desenvolver hipóteses
Especificar variáveis Análise de dados
Desenhar o plano de investigação
Definir termos e conceitos Avaliar processos
Identificar a população e a amostra
Conceber instrumentos Tirar conclusões
Seleccionar testes estatísticos

2º Passo

1. Definição do problema;
2. Revisão bibliográfica;
3. Formulação de hipóteses;
4. Definição das variáveis;
5. Definição da amostra;
6. Definição do plano e de procedimentos;
7. Escolha; adequação e aplicação dos instrumentos;
8. Recolha de dados;
9. Análise e discussão dos dados;
10. Conclusões;
11. Apresentação / divulgação.
Elementos de um relatório ou artigo científico

• Contém 7 secções:
• Título;
• Resumo;
• Introdução
• Revisão da literatura;
• Metodologia
• Apresentação e discussão dos resultados;
• Conclusão;
• Referências bibliográficas;
• Anexos.

Terceira Aula

Metodologias quantitativas

1. Formulação de Problemas de Investigação


1.1 Passos na definição de um problema
2. Revisão bibliográfica
2.1 Onde e como obter as fontes?
3. Formulação de hipóteses
3.1 Classificação das hipóteses
3.2 Tipo de hipóteses
4. Definição das variáveis
4.1 Estatuto das variáveis
4.2 Controlo das variáveis parasitas
4.3 Variáveis: propriedades e números
4.4 Princípios de medida
4.5 Variáveis: análises possíveis

Etapas da Investigação Científica

• Modelo 1
• A Pergunta de Partida – deve de ser o reflexo das peocupações do
investigador;
• A Exploração – fazer leituras que conduzam à elaboração de um corpo
teórico;
• A Problemática – abordagem ou prespectiva teórica que decidimos
abordar;
• Construção do Modelo de Análise – explicação teórica da forma como o
problema é abordado na prática;
• A Observação
• Análise das Informações – organizar a informação rcolhida de forma a que
possa ser realizada;
• Conclusão – descreve-se as implicações para investigações futuras e
discutem-se as limitações do estudo.
• Modelo 2
• Definição dos Objectivos – os objectivos devem de ser imediatamente
clarificados antes de qualquer outra coisa;
• Escolha e Delimitação do Tema
• Revisão da Literatura sobre o Tema – descrever, avaliar e comparar teorias
de modo a deduzirmos as nossas próprias hipóteses;
• Estabelecimento de Hipóteses – apresentação e esclarecimento da
hipótese a testar empiricamente;
• Definição do Processo de Recolha de Dados / Recolha de Dados – selecção
de métodos, técnicas de recolha de dados;
• Análise de Dados – análise qualitativa e quantitativa com auxílio de
programas informáticos;
• Conclusão - descreve-se as implicações para investigações futuras e
discutem-se as limitações do estudo.

Fases da Metodologia da Investigação

1. Definição do Problema - Identificar e descrever; estabelecer relações; apreciar


pertinência, precisar o objectivo;
Teoria existente; observação directa; investigações anteriores; problemas
anteriores.
2. Revisão Bibliográfica – Situar o problema; Precisar a metodologia.
Consulta de bases de dados; Debates; Sínteses temáticas.
3. Formulação de Hipóteses – Definir a hipótese experimental, nula e alternativa.
Explicações a testarpara os dados que se venham a obter.
4. Definições das Variáveis - Identificar as unidades a observar e a controlar;
Definir os papéis das variáveis; Precisar a mensurabilidade das variáveis.
Especificar o que se quer medir ou controlar; especificar relações, as influências
e o seu sentido; indicar as escalas de medida a usar por variável.

Definição do Problema

• O problema deve se concreto, real, delimitado (objectivo e objectável)


• O problema deve reunir as condições para ser estudado e operacionais através
de uma ou mais hipóteses
• O problema deve ser relevante de acordo com a/s teoria/s existente/s e/ou as
necessidades da prática
• Ser claramente formulado, i.e.,:
– Expressar uma relação entre duas ou mais variáveis
– Expressar-se de forma clara e de modo a apenas admitir respostas precisas
– Ser susceptível de verificação empírica

Passos na Resolução de um Problema

1. O problema deve de ser concreto ou real;


2. Reúnir condições para ser estudado, e ser operacionalizado através de uma
hipótese científica;
3. Ser relevante para a teoria e/ou para a prática;
4. Ser formulado para ser percéptivel a outros investigadores.
O Problema de Investigação

• Centra a investigação numa área ou domínio concreto;


• Organiza o projecto, dando-lhe direcção e coerência;
• Delimita o estudo, mostrando as suas fronteiras;
• Guia a revisão da literatura para a questão central;
• Fornece um referencial para a redacção do projecto;
• Aponta para os dados que será necessário obter.

Escolha do Problema

• Interesse pessoal;
• Tópico com significação (novidade, oportunidade, valor académico/prático);
• Capacidade do investigador (background, formação, recursos físicos e
financeiros, tempo disponível);
• Acessibilidade dos dados.

Critérios para avaliação de problemas

• Exequibilidade (possibilidade de ser executado): Tem de ser respondido


mediante a recolha e análise de dados;
• Relevância: O Problema tem de ser importante para o estado actual do
conhecimento;
• Clareza: O problema tem de ser formulado sem termos vagos ou confusos;
• O problema deve de dar pistas para o tipo de investigação;
• O problema deve de fazer referência à população ou à amostra;
• O problema deve de fazer referência explícita às variáveis.

Definição de um Problema

• Raciocínio Indutivo: do específico para o geral;


• Raciocínio Dedutivo: do geral para o particular.

Problemas Definidos de Forma Muito Geral

• “O propósito deste estudo é o de estudar o insucesso escolar”;


• “Esta investigação analisará a integração de alunos deficientes”;
• “O objectivo deste estudo é investigar os processos cognitivos dos estudantes”.
A Formulação de hipóteses

Definição de hipótese:
• Proposição testável, que pode vir a ser a solução do problema (McGuigan,
1976)

Enunciado, sentença ou proposição que se propõe como:


• Tentativa de explicação ou solução para um problema previamente definido
• Que estabelece uma relação entre duas ou mais variáveis
• Cuja veracidade ainda não foi comprovada

Hipóteses: formulação

• Deve de ser livre de contradições internas


• Deve de ser testável e susceptível de comprovação (i.e. aceitação ou refutação)
• Deve de ser justificável (num determinado quadro de referência) e relevante
para o problema em estudo
• As teorias existentes não respondem pelos dados empíricos existentes
Deve de apresentar uma antecipação de conhecimentos ou factos futuros
• Deve ser redigida de forma clara, concreta e concisa
• Através de um enunciado condicional ou tipo dedutivo
Formato. Se X … então Y….
(em que X é a condição antecedente e Y a consequente)
• Através de um enunciado na forma de função matemática
Formato: Y=f(X)
(em que Y é a variável em estudo e X a variável manipulada e cujo efeito em y nos
interessa analisar)
• Através de um enunciado como solução afirmativa, positiva ou assertiva para o
problema em estudo
• Através de um enunciado como solução diferencial ou alternativa para o
problema apresentado

Tipos de hipóteses

1. Hipóteses Casuísticas:
• Refere-se a casos que podem ou não ter ocorrido

2. Hipóteses que se referem à frequência de acontecimentos


• Aparecem em pesquisas descritivas, antecipam que determinada
característica ocorre num grupo, sociedade ou cultura
• Recorrente nas pesquisas sociológicas e antropológicas

3. Hipóteses que estabelecem relação de associação entre variáveis


• Variável: qualquer coisa que pode ser classificada em duas ou mais
categorias, ex.: sexo, idade, estado civil, classe social, estatura...
• Muitas hipóteses estabelecem a existência de associação entre as
Variáveis
4. Hipóteses que estabelecem relação de dependência entre duas ou mais
variáveis
• As hipóteses deste grupo estabelecem que uma variável interfere na
outra
Classificação das hipóteses (1)

Quanto ao processo:
• Dedutivas: Quando decorrem de um determinado campo teórico e
procuram comprovar deduções implícitas das mesmas teorias formato:
se… então…()
• Indutivas: Quando surgem da observação ou reflexões sobre a
realidade (formato: será que?)

Quanto ao nível de concretização:


• Estatísticas: Quando expressam uma relação esperada em termos quantitativos
entre as variáveis e análise (e.g., o coeficiente de correlação entre o auto-
conceito e a auto estima não vai para além de um valor meramente ocasional)
• Operativas: Quando nos indicam as operações necessárias para a sua
observação (e.g., os sujeitos com uma pontuação mais elevada no
questionários de auto-conceito, pontuam também de forma mais elevada no
questionário de auto-estima)
• Conceptuais: Quando estabelecem uma relação entre variáveis ou uma relação
no seio de uma ou mais teorias (e.g., interrogação a propósito da relação
esperada entre o auto-conceito e a autoestima

Hipótese: tipos

• A hipótese de pesquisa: a expectativa do investigador, incluindo as


expectativas sobre quais os resultados que serão obtidos
• A hipótese estatística: a relação formal entre variáveis de modo a poder
submete-la a questionamento estatístico
A hipótese nula H0
A hipótese alternativa H1

Hipótese de pesquisa: experimental/empírica

• Postulado que afirma a existência de diferenças nas medidas tomadas dos


sujeitos em função da manipulação da variável em investigação ou das
condições das variáveis de pertença
Ou
• postulado que afirma uma correlação entre as variáveis em estudo

Hipótese estatística: nula (H0)

• Hipótese nula (H0) – postula que dados provenientes de diferentes condições


ou grupos não se diferenciam, não se associam ou não se
• correlacionam significativamente do ponto de vista estatístico
• Podemos afirmar que tais diferenças ou relações não são maiores que aquela
que poderíamos observar devidas ao acaso
• Objectivo do investigador será o de rejeitar a verificação da hipótese nula para
viabilizar ou continuar a defender a sua hipótese experimental

Hipótese estatística: experimental (H1)

• Explicação alternativa para um fenómeno


• Contudo, a recusa da H0 não significa, de imediato, a aceitação da hipótese
experimental (H1)
• A recusa de H0 permite-nos apenas inferir que os resultados obtidos se devem
à manipulação registada ou às reais correlações entre as variáveis

Aceitação e rejeição estatísticas das hipóteses

• Confirmar ou informar, a partir de uma certa margem de probabilidade de


certeza, a aceitabilidade de uma hipótese nula fixada
• No caso da sua recusa, a probabilidade estatística considerada permitenos
assumir um determinado grau de confiança na sua infirmação ou recusa
• Se pudermos anulá-la (rejeitá-la), então podemos concluir que a variável
independente é eficiente
• Se falharmos ao tentar anulá-la, não podemos afirmar que a variável
independente é eficiente
• Não podemos provar H0 nem directamente H1
• Apenas podemos aceitar ou recusar a H0
• Nesta decisão ocorrem sempre um de dois erros possíveis
Erro de Tipo I - A probabilidade de se rejeitar a H0 quando ela é verdadeira, ou
seja, quando ela deveria ser aceite
Erro de Tipo II - A probabilidade de se aceitar a H0 quando ela é falsa, ou seja,
quando ela deveria ser rejeitada
• Probabilidade do erro de tipo I - relaciona-se com o nível de significância
estatística que utilizamos (alpha) – se a aumentarmos diminuímos a
probabilidade deste tipo de erro
• Essa probabilidade situa-se, no mínimo, a 0,05 (no caso de alpha=0,05, ou seja
temos 5% de possibilidades da H0 ser rejeitada indevidamente, ou uma
confiança de 95% de que se tome uma decisão acertada se a hipótese é
rejeitada ao nível de significância de 0,05, então a possibilidade de erro é de
0,05 ou 5%)
• Probabilidade do erro de tipo II – relaciona-se com o tamanho amostral

Variáveis
• “Alguma característica do mundo que pode ser especificada numa escala de
dois ou mais valores” (Anderson & Borkowski, 1978)
• “Propriedade que adopta diferentes valores” (Kerlinger, 1964)
• Aspectos a destacar:
– Realidade, propriedade ou constructo
– Apresenta variabilidade
– Assume-se a sua mensurabilidade ou valoração
– Os valores devem ser mutuamente exclusivos
Definição das variáveis

(i) Enunciação da variável a considerar ou a avaliar


(ii) Dedução dos aspectos ou dimensões principais e que melhor descrevem tal variável
(iii) Busca dos indicadores ou das circunstâncias empíricas concretas que
operacionalizam/viabilizam cada uma das dimensões identificadas
(iv) Construção de índices a tomar na sua medida

Estatuto das variáveis na investigação

Variável Independente (VI):


• Factores que assumem as condições do experimento (determinam e afectam…)
• O que o investigador manipula deliberadamente para conhecer o seu impacto
numa outra variável (dependente)

Variável Dependente VD):


• Expressões da conduta que reflectem os efeitos das condições ou da
manipulação da VI

Variável Moderadora/Intermédia/interveniente (VM):


• Processos mediadores entre as Vi e Vd. São variáveis organísmicas de tipo
cognitivo, emocional, motivacional, atitudinal (contaminam o experimento,
salvo se controladas)

Variável Parasita (VP):


• Factores que se associam à Vi e que contaminam o seu efeito na Vd (e.g., o tipo
de sujeitos seleccionados)

Natureza das variáveis

• Variável estímulo: Aspectos do meio físico e social que podem afectar a


conduta do sujeito.
Geralmente externas e directamente observáveis (e.g., espaço físico)

• Variáveis organísmicas: Aspectos biológicos, históricos e psicológicos que


afectam a conduta.
Geralmente próprias ao sujeito, podendo ser directa ou indirectamente
observáveis (e.g., idade, inteligência)

• Variáveis de resposta: As condutas dos sujeitos, as acções do sujeito


directamente observáveis
Variáveis: classificação

Natureza das variáveis:


• Variável estímulo
• Variáveis organísmicas
• Variáveis de resposta

Estatuto das variáveis:


• Variáveis independentes
• Variáveis dependentes
• Variáveis intermédias/intervenientes/moderadoras
• Variáveis parasitas/ estranhas

Controlo das variáveis parasitas

• Identificação: Reconhecimento e individualização das possíveis variáveis


estranhas (e.g., o tipo de vocabulário)
• Eliminação: Após identificadas, a 1º opção é eliminar as variáveis estranhas
• Constância: Das condições do experimento, quando as variáveis estranhas não
podem ser eliminadas, então devem ser mantidas constantes no experimento
(e.g., administração do teste à mesma hora do dia)
• Balanceamento: Das condições do experimento, partição equitativa das
variáveis estranhas pelas várias condições em estudo (e.g., se temos mais
mulheres do que homens no estudo, e o sexo é entendida como variável
estranha, então temos que os distribuir equitativamente)
• Contra balanceamento: Dos sujeitos nas várias condições experimentais, os
sujeitos passam por todas as condições salvaguardando o efeito da ordem,
procurando-se eliminar o efeito do treino e/ou fadiga (e.g., o professor que
realiza um teste que procura avaliar os conhecimentos dos alunos em 3
módulos e alterna a ordem da sua apresentação no teste)
• Aleatorização: Dos grupos de sujeitos nas várias condições (e.g., retirar ao
acaso os alunos das turmas para cada grupo a constituir)

Variáveis: propriedades e números

• Identidade: Um n.º é igual a si mesmo e só a si mesmo


-Permite identificar ou classificar
-Permite descrever um fenómeno através da contagem
• Ordem: Os n.ºs asseguram-nos a possibilidade de sequencializar fenómenos,
ocorrências e características de objectos
- Permite criar seriar e ordenar de acordo com as propriedades avaliadas
• Aditividade: Os n.ºs asseguram a distância e a sua magnitude, ie, dos dois n.ºs
somados dão um n.º que junta as propriedades dos dois anteriores
- Permite comparar grandezas e apreciar as respectivas distâncias (apreciações
relativas)
• Proporcionalidade: Partindo de um valor 0 real, um n.º traduz sempre uma
razão e relação a outro número
- Permite apreciar a grandezas e distâncias tomando um único ponto de origem
Escalas de medida

Nominal:
Medida ou classificação (?) de objectos medidos em diferentes categorias, usando-se
os números (poderiam ser letras) apenas para designar categorias não hierarquizáveis
(ex. sexo - 1 masculino e 2 feminino ou 1 feminino e 2 masculino)
• Estes números não podem ser usados em cálculos (ex. somar para calcular o
total de sexos…)
• O cálculo limita-se às frequências absolutas e relativas ou proporções, por
exemplo, expressas em percentagens, em cada categoria
• Cruzamentos entre variáveis nominais (tabelas de contingência) – testes de
significância como o Qui-quadrado e outros semelhantes
• Outros exemplos de variáveis medidas ao nível nominal são: a profissão
exercida, o estado civil, a filiação religiosa ou politica, a área geográfica de
nascimento ou residência, , a etnia
Ordinal:
• Relação ordinal é uma relação que respeita o princípio da transitividade: se A é
maior que B e B é maior que C, então A é maior que C
• Este nível de medição permite ordenar os indivíduos pela variável mas
determinar as distâncias existentes entre eles
Intervalar:
• Intervalar, ou melhor, aproximadamente intervalar, na avaliação psicológica
• Faz-se uma aproximação suficiente para efeitos práticos, procedendo-se a
somatórios e ao uso de coeficientes como o de correlação de Pearson ou o
teste t de Student
• O nível intervalar constitui a base essencial para a medição em Psicologia e nas
ciências do comportamento em geral
• Trata-se de uma “permissividade” da investigação psicológica sem erros
desastroso nas conclusões obtidas
Razão:
Existe um valor de origem absoluto, o zero, que corresponde à anulação da variável de
medida (ex. nas variáveis físicas mais comuns como o distância, a massa, existe o zero
absoluto)
São raras nas Ciências Sociais as medidas ao nível da razão a não ser em casos
excepcionais - o uso de medidas físicas (ex. quantidade de álcool consumido) ou das
contagem de frequências ( nº de palavras recordadas correctamente numa tarefa de
memória).
Este facto resulta da dificuldade em definir um ponto de anulação completa para
muitas das variáveis psicológicas
AULA 6

Definição do plano/design de investigação e da amostra

METODOLOGIAS QUANTITATIVAS
DEFINIÇÃO DO PLANO/DESIGN DE INVESTIGAÇÃO E DA AMOSTRA
- Validade:
interna e externa
- Momentos de avaliação
- Grupos num plano
- População e amostras
- Representatividade e significância das amostras
- Design da investigação

Uma investigação não se realiza sem um problema devidamente equacionado e sem a


definição de um plano que oriente a sua concretização
Importa saber:
– o que se vai fazer
– quando
– como vai ser feito
– junto de quem
– por quem será feito
– como vão ser os efeitos avaliados
PLANO/DESIGN DE INVESTIGAÇÃO
“o conjunto de procedimentos e orientações a que a observação de um fenómeno ou
a condução de uma investigação deve obedecer, tendo em vista o rigor e o valor
prático da informação recolhida, mormente para a testagem das hipóteses
inicialmente formuladas para o problema em estudo”

No plano de uma investigação todos os elementos metodológicos entram em


sintonia
• O investigador questiona de novo os aspectos da delimitação do problema, as
hipóteses e as variáveis em estudo
• Questiona, ao mesmo tempo, os sujeitos e as amostras a utilizar, os momentos da
avaliação e de intervenção e as análises a efectuar com os dados

Ele deve responder às seguintes questões:

o Junto de quem se vai intervir, experimentar ou meramente proceder à


observação (população, amostra, grupos, sujeitos-alvo)
o (ii) Quem vai intervir e/ou quem vai avaliar (agentes e/ou avaliadores)
o (iii) Quando se vai apresentar a condição experimental (timing na
intervenção e na avaliação)
o (iv) Como se vai proceder em concreto ao nível da intervenção e
avaliação (sequência das condições, emparelhamento dos grupos,
outras formas de controlo das variáveis parasitas)
o (v) O que vai ser efectivamente avaliado e com que meios
(comportamentos, situações, dimensões psicológicas)
• Grau de adequação entre os objectivos do estudo e o seu plano/design (i.e. rigor e
pertinência das hipóteses formuladas, condições em que vão decorrer as observações,
procedimentos adoptados na recolha e de análise dos dados, o papel do
experimentador…)
• Um plano/design pode ser assim avaliado quanto ao seu rigor, adequabilidade e
validade

ADEQUABILIDADE
• Assegurar que os procedimentos se adequam à natureza do problema e aos
objectivos do estudo
• Daí ser necessário apreciar o rigor e a pertinência das hipóteses formuladas, as
condições em que vão decorrer as observações, os procedimentos de recolha e análise
de dados ou o papel que o investigador vai desempenhar

VALIDADE
• Garantia da validade da informação recolhida Importa que o plano controle várias
fontes de erro que poderão colocar em causa quer o significado dos resultados
(VI) quer a sua generalização a outras amostras e situações (VE)
Validade interna – o grau em que, no final da investigação se
consegue atribuir resultados observados na VD à manipulação da VI.
Exprime a segurança da relação medida entre variáveis, bem como do efeito de umas
sobre as outras, e o controlo de factores estranhos
Validade externa – o grau em que, no final da investigação,
se consegue generalizar os resultados a outras amostras e à população

PRINCIPAIS FONTES DE ERRO


• Erro inerente ao avaliador
Formação
Sensibilidade
Subjectividade
Expectativas
Limitações (atenção, memória)
• Erro inerente ao sujeito
Alteração comportamental
Motivação
Fadiga
Percepção da tarefa
Variação psicofisiologica
• Erro inerente ao instrumento
Sensibilidade
Calibração
Fiabilidade
VALIDADE INTERNA: FACTORES DE ERRO
CONTEXTO
Acontecimentos externos e concomitantes ao estudo que podem influenciar a Vd para
além da Vi (e.g., assistência do programa rua sésamo durante um estudo sob a
aprendizagem da leitura e da escrita )
MATURAÇÃO DOS SUJEITOS
As mudanças operadas podem dever-se aos processos normativos de maturação
desenvolvimento humano e não à manipulação da Vi ou participação nalgum
programa da intervenção
SELECÇÃO DIFERENCIAL DOS SUJEITOS
Enviesamentos na constituição da amostra, que fazem depender os resultados mais
das suas características do que da manipulação da Vi (e.g.,
não homogeneidade dos grupos)
MORTALIDADE EXPERIMENTAL
Desaparecimento de sujeitos da amostra (tanto mais relevante quanto mais no tempo
se prolongar o estudo)
EFEITOS DE INTERACÇÕES
Quando os factores erro apontados anteriormente interagem (e.g., selecção e
interacção ou selecção e contexto )
REACTIVIDADE DA MEDIDA
Efeito nos resultados da existência de vários momentos de avaliação ao longo do
estudo
INSTRUMENTAÇÃO
Limitações/deficiências dos próprios instrumentos usados
REGRESSÃO ESTATÍSTICA
Erro probabilístico associado à tendência para os valores extremos de uma distribuição
se aproximarem da média
DIFUSÃO OU IMITAÇÃO DO TRATAMENTO
Contaminação dos resultados por efeito da comunicação dos grupos experimental e
controlo no decurso do estudo
VALIDADE EXTERNA: FACTORES DE ERRO
REACTIVIDADE EXPERIMENTAL
Alteração dos padrões de comportamentos dos sujeitos no grupo experimental devido
não à manipulação da Vi mas ao facto de
participarem no estudo (e.g., por vezes, basta o conhecimento de que participam na
investigação para que as pessoas alterem os seus
comportamentos habituais)
INTERACÇÃO TRATAMENTO – ATRIBUTOS
Efeitos de interacção registados tomando, por exemplo, aspectos relacionados com a
selecção da amostra e a Vi (e.g., alunos
voluntários – dificuldade em se generalizar os resultados a outros grupos que não
estão representados na amostra)
EFEITO REACTIVO DO PRÉ-TESTE
A existência do pré teste, pode por si mesmo, afectar a generalização dos resultados
obtidos (e.g., treino, aprendizagem de um momento para
outro)
INTERFERÊNCIAS DE TRATAMENTO
Quando os sujeitos participam/participaram em vários tratamentos (em simultâneo)
NOVIDADE DO TRATAMENTO
A curiosidade, a motivação ou a novidade do estudo podem “inflacionar” o efeito
potencial da Vi nos resultados obtidos na Vd (alunos
percepcionando a grande importância de uma experiência de inovação em que
participam, poderão ser “generosos”) na sua avaliação pós teste
GRUPOS NUM PLANO
• GRUPO EXPERIMENTAL – grupo alvo da intervenção ou das condições experimentais
delineadas pelo estudo
• GRUPO DE CONTROLO – grupo não sujeito à intervenção ou às
condições experimentais definidas pelo estudo
• GRUPO PLACEBO – grupo sujeito a uma intervenção ou
condições neutras para os objectivos do estudo
• GRUPOS EMPARELHADOS – grupos em que os sujeitos são
repartidos pelos grupos com base numa distribuição equitativa dos valores em
variáveis assumidas como relevante no estudo
• CASO ÚNICO – o sujeito ou pequeno grupo de sujeitos
passam sequencialmente por todas as condições experimentais

MOMENTOS NUM PLANO


• Pré-intervenção – pré-teste
• Pós-intervenção – pós-teste
• Follow -up

OS MOMENTOS DE AVALIAÇÃO
• Estudos de um único momento com diferentes variáveis
• Estudos de dois momentos antes/depois ou pré/post teste
• Estudos com medidas repetidas

GRUPOS E MOMENTOS NUM PLANO


• ESTUDOS TRANSVERSAIS – estudos com avaliação comparativa de vários grupos
independentes (e.g., comparação de diferentes grupos etários
e/ou escolares numa determinada variável, num dado momento)
• ESTUDOS LONGITUDINAIS – estudos onde a avaliação é feita através de medidas
repetidas numa mesma amostra ao longo do tempo
• ESTUDOS SEQUENCIAIS – estudos que consideram vários grupos independentes num
ou mais momentos do tempo
POPULAÇÃO E AMOSTRAS
• UNIVERSO: todos os sujeitos, fenómenos ou observações
passíveis de serem reunidas como obedecendo a
determinada característica
• POPULAÇÃO: conjunto dos indivíduos, casos ou observações onde se quer estudar o
fenómeno
• AMOSTRA: conjunto de situações (indivíduos, casos ou
observações) extraídos de uma população
• SUJEITO: cada um dos elementos que compõem a amostra

A selecção dos sujeitos deve ter em conta 3 questões essenciais


1. Serão os sujeitos adequados para a investigação?
2. Serão os sujeitos representativos?
3. Quantos sujeitos deverão ser utilizados?

AMOSTRAGEM
• Processo para se chegar à definição de uma amostra
• Deve possuir certos requisitos de modo a garantir a validade dos resultados e a
possibilidade dos mesmos serem generalizados à população
PRINCÍPIOS PROBABILÍSTICOS
Os procedimentos conduzem a verdadeiras amostras, assumidas estas na sua
probabilidade de representarem uma população
PRINCIPIOS NÃO - PROBABILÍSTICOS
Os procedimentos usados formam mais grupos do que verdadeiras amostras
TÉCNICAS DE AMOSTRAGEM PROBABILÍSTICAS
• Selecção das unidades que integram a amostra com base num
processo aleatório, que assegura que todas as unidades da
população alvo têm a mesma probabilidade de ser seleccionadas
(i.é., todas as possíveis amostras de “n” unidades sobre o “N” total
da população alvo têm a mesma probabilidade de ser escolhidas e
a saída de um não afecta a probabilidade de saída dos restantes –
amostra retirada ao acaso)
Exige a existência de uma base de sondagem (grelha de amostragem): lista de todas as
unidades que integram a população alvo
• A selecção das unidades que integram a amostra é feita com recurso a uma tabela de
números aleatórios

AMOSTRAGEM SISTEMÁTICA
• Baseiam-se nos mesmos pressupostos e regras de procedimento
das amostras aleatórias
• A selecção das unidades que integram a amostra é feita no entanto
de forma sistemática: calcula-se o intervalo de amostragem (k=N/n),
selecciona-se aleatoriamente a primeira unidade e depois
escolhem-se unidades de k em k casos, com base numa tabela de
números aleatórios
• Obtendo-se um coeficiente do quociente do efectivo da
população sobre o da amostra, retiram-se os sujeitos através dos
números aleatórios coincidentes com esse intervalo – N/n= intervalo
de sujeito ao longo do contínuo a retirar

AMOSTRAGEM ESTRATIFICADA
• Utilizam-se quando, à luz dos objectivos da investigação, é
possível, e recomendável, dividir a população em sub-populações
(estratos), de acordo com critérios/variáveis pertinentes para a
pesquisa
• Os estratos devem ser homogéneos no seu interior e exclusivos
entre si
• A amostra é composta por várias sub-amostras, em função dos
estratos definidos; a dimensão de cada sub-amostra pode ser
determinada de forma proporcional (sub-amostras proporcionais ao
peso do estrato na população) ou não proporcional (sub-amostras
de iguais dimensões)
• A escolha das unidades que integram cada sub-amostra é feita de
forma aleatória
AMOSTRAGEM POR GRUPOS OU CLUSTERS
• Utilizam-se quando é possível dividir a população em clusters
(cachos ou grupos); os clusters devem ser grupos de população
semelhantes entre si, de tal forma que cada cluster constitua um
microcosmos da população total
• É útil porque não necessita de base de sondagem da população
total; apenas é necessária lista dos clusters (unidades amostrais
primárias)
• Os clusters são escolhidos aleatoriamente e, dentro de cada cluster,
são seleccionadas para a amostra todas as unidades que o
compõem
• Amostra tomando não os indivíduos singulares mas grupos em que
a população se encontra organizada, por exemplo, tomando os
distritos de um país ou as turmas de um determinado ano de
escolaridade)

AMOSTRAGEM POLIETÁPICA
• Amostras definidas em várias etapas sucessivas, combinando as
técnicas da amostragem por clusters e da amostragem aleatória
• Divide-se a população em clusters e seleccionam-se
aleatoriamente os clusters que vão integrar a amostra
• Depois sub-dividem-se os clusters em sub-grupos, escolhendose uma vez mais
aleatoriamente um número limitado de grupos; dentro de cada sub-grupo,
seleccionam-se aleatoriamente as unidades que integrarão
• A amostra feita em múltiplas etapas, por exemplo: distrito,
concelho, escola e turma, havendo ou não amostragem aleatória em cada uma dessas
fases)
AMOSTRAGEM NÃO PROBABILÍSTICAS OU NÃO ALEATÓRIAS (1)
• Estes métodos não são aconselháveis quando se
pretende extrapolar para o Universo os resultados e
conclusões obtidos com a amostra, contudo, poderão
ser muito úteis no início de uma investigação, por
exemplo, para testar as primeiras versões de um
questionário
• Dentro destes métodos, os mais vulgarmente utilizados são:
- Amostragem por Conveniência
- Amostragem Intencional
- Amostragem em bola de neve
- Amostragem por Quotas
AMOSTRAGEM POR CONVENIÊNCIA
• Amostras constituídas por conjuntos de unidades especialmente
disponíveis ou acessíveis; os resultados obtidos através do inquérito
apenas são válidos para a amostra
• Utilizam-se por exemplo em contextos de pesquisa exploratória ou
de teste de instrumentos de pesquisa
• Ocorre quando a participação é voluntária ou os elementos da
amostra são escolhidos por uma questão de conveniência (muitas
vezes, os amigos e os amigos dos amigos)
• O processo amostral não garante que a amostra seja representativa,
pelo que os resultados desta só se aplicam a ela própria
• Tem a vantagem de ser rápido, barato e fácil

AMOSTRAGEM INTENCIONAL
• Amostras definidas com base em critérios teóricos, relacionados com os objectivos
da pesquisa
• A selecção das unidades que integram a amostra é feita pelo investigador
AMOSTRAGEM EM BOLA DE NEVE
• A selecção das unidades que compõem a amostra é feita sucessivamente, em bola de
neve, através de indicações fornecidas pelos inquiridos
• Utiliza-se em situações de pesquisa em que o conhecimento disponível sobre o
universo é escasso ou em que o contacto com os elementos desse universo é difícil;
pertinente apenas para algumas situações de pesquisa

AMOSTRAGEM POR QUOTAS


Este tipo de amostragem pode considerar-se análogo ao método de amostragem
estratificada, mas com um aspecto que lhe faz toda a diferença: em vez de se escolher
uma amostra aleatória dentro de cada um dos estratos da etapa final, escolhe-se uma
amostra não aleatória de tamanho determinado pela fracção de amostragem
• Desvantagens com este método de amostragem – embora o número de casos em
cada um dos estratos seja proporcional ao número de casos no mesmo estrato do
Universo, a amostra de casos dentro do estrato, por não ser escolhida ao acaso, não é
necessariamente representativa dos casos do estrato correspondente ao Universo –
não é possível extrapolar com confiança para o Universo os resultados e conclusões
tiradas a partir da amostra
Representatividade e significância das amostras
Representatividade: qualidade da amostra (o método de amostragem)
Significância: efectivos da amostra (o seu número)

REPRESENTATIVIDADE
• Para que uma amostra seja representativa (i.e. reflicta as características da
população de onde foi extraída, garantindo a sua generalização , deve salvaguardar-se
um conjunto de condições prévias)
(i) O conhecimento prévio das características da população relevantes para o estudo
em questão
(ii) O conhecimento da distribuição de tais características na população
(iii) A utilização de procedimento de amostragem adequado
SIGNIFICÂNCIA
• Para que uma amostra seja significativa (i.e. seja suficientemente grande para
garantir a sua representatividade e legitimar generalizações) deve
atender:
(i) à dimensão da população
(ii) ao nº de condições ou variáveis em estudo
(iii) ao grau de confiança e ao erro de estimativa definido
DESIGNS DE INVESTIGAÇÃO – MÉTODO EXPERIMENTAL
• Designs pré experimentais
• Designs experimentais ou verdadeiramente experimentais
• Designs quasi experimentais

DESIGNS PRÉ EXPERIMENTAIS


• A Vi não é manipulada de forma efectiva dado considerar-se
apenas o experimental
• É apenas considerado o grupo de intervenção
• Não existe pré teste, acontecendo apenas a avaliação no final da
intervenção
• Um grupo recebe um tratamento experimental seguido de medida
do seu efeito
• Características: reduzido controlo experimental; reduzida validade;
distribuição aleatória por grupos

DESIGNS EXPERIMENTAIS OU VERDADEIRAMENTE EXPERIMENTAIS


• Design de grupos aleatórios (randomized groups design)
• Características: elevado controlo experimental; elevada validade (sobretudo
interna); com composição aleatória de grupos (igualdade espectável à
partida)
• Grupo e controlo e grupo experimental aleatoriamente constituídos
• O grupo de controlo destina-se a referenciar a medida do efeito do
tratamento experimental
• Se GE e GC são equivalentes, as diferenças que se possam encontrar no
pós-teste são atribuíveis à manipulação da variável independente

Salomon group design


O efeito da avaliação inicial é controlado pela introdução de mais dois
grupos (sem avaliação pré-teste)
Permite-nos controlar o efeito da testagem (ou pré-teste),
nomeadamente os efeitos da interacção com o tratamento (comparação
do grupo 1 e grupo 3) com a avaliação de pós-tese (comparação do
grupo 2 e grupo 4)

DESIGNS QUASI EXPERIMENTAIS


• Aproximação ao plano experimental contudo não se
controla de forma adequada as Vp que podem afectar os
resultados da Vi na Vd
• Tipos de estudos:
– Recurso a um grupo de comparação (não randómico)
– Recurso a séries temporais de registo
– Plano de correlação intervalar cruzada
DESIGN DE RECURSO A UM GRUPO DE COMPARAÇÃO
O investigador considera um grupo experimental (G1) e um
grupo de comparação (G2) que, pelo facto de serem formados de forma não aleatória,
não se garante a equivalência dos grupos à partida
No final, as diferenças observadas nos resultados entre o préteste
(O1) e o pós-teste (O2) não podem ser exclusivamente
atribuídos à manipulação da variável independente X

DESIGN DE SÉRIES TEMPORAIS DE REGISTO


O investigador recolhe várias medidas da variável dependente num momento anterior
e posterior à intervenção (o número de registo deve situar-se em torno de 50 registos)
As diferenças encontradas nos resultados para os dois momentos de avaliação não
podem, contudo, serem exclusivamente atribuídos à variável independente

PLANO DE CORRELAÇÃO INTERVALAR CRUZADA


Existem no mínimo duas variáveis, obtidas no mesmo grupo de sujeitos mas em dois
momentos temporais diferentes
AULA 7
RECOLHA DOS DADOS: PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTOS
• Forma e meios como vão ser recolhidos os dados empíricos a usar na testagem
da (s) hipótese (s)
• _ A qualidade informativa de tais dados vai, depender da qualidade dos
instrumentos usados na recolha, e daí, a importância que a
questão dos instrumentos tem na avaliação e na investigação

CONSTRUÇÃO DO INSTRUMENTO

PLANEAMENTO DO INQUÉRITO POR QUESTIONÁRIO

1. Estudo preliminar, para preparação do inquérito


(entrevistas exploratórias, análise documental, revisão de literatura)
2. Elenco exaustivo e preciso da informação que é necessário
recolher, sobre:
_ As características relevantes das unidades de análise
_ As variáveis e os indicadores, resultantes da operacionalização dos conceitos e das
hipóteses
3. Elaboração das perguntas do questionário, tendo em conta:
_ A variável a que cada pergunta, ou grupo de perguntas, se
reporta
_ Os tipos de respostas e as escalas de medida adequadas ao tratamento das variáveis
a que as perguntas se reportam
_ As técnicas que serão utilizadas na análise dos dados
4. Preparação final do questionário
_ Organização do questionário em secções
_ Inserção de instruções de preenchimento e
de introdução
_ Preparação para codificação
_ Preparação final
5. Pré-teste e revisão do questionário
6 Planeamento das condições de aplicação do inquérito
DA PROBLEMÁTICA ÀS PERGUNTAS DO QUESTIONÁRIO
1. Tradução de variáveis e indicadores em perguntas
HipótesesConceitosVariáveis Perguntas
Indicadores

2. Tradução de hipóteses em perguntas: definições operacionais


Hipóteses gerais /de trabalhoHipóteses operacionaisPerguntas

TIPOS DE PERGUNTAS
Em função do formato
_ Perguntas abertas
_ Perguntas fechadas
Em função do tipo de informação pretendida
_ Sobre factos / acontecimentos / práticas / comportamentos:
únicos ou repetitivos
_ Sobre opiniões ou atitudes: de âmbito geral / abstracto ou
relativas a aspectos específicos / concretos
_ Sobre preferências
_ Sobre satisfação

AS RESPOSTAS A PERGUNTAS FECHADAS


Tipos de respostas
_ Respostas de escolha única
_ Respostas de escolha múltipla
(número de escolhas livre ou limitado)
_ Ordenação de respostas
(de acordo com grau de importância, preferência ou adequação)
_ Escalas de avaliação gerais

Duas regras de ouro nas categorias de resposta


_ Exaustivas
_ Mutuamente exclusivas
Categorias complementares de resposta
_ “Não sei”; “Sem opinião”
_ “Não se aplica”
_ “Outra – Qual?”

ASPECTOS A ATENDER NA ELABORAÇÃO DE PERGUNTAS


O paradigma TAP
_ Tópico
definição clara do tópico da pergunta (a informação pretendida é clara
para o investigador e o inquirido)
_ Aplicabilidade
pré-determinação da aplicabilidade da pergunta a cada inquirido (o
inquirido pode fornecer a informação pedida)
_ Perspectiva
esclarecimento inequívoco da perspectiva em que os inquiridos devem
responder (todos os inquiridos entendem a pergunta do mesmo modo e
respondem numa perspectiva idêntica)

ERROS A EVITAR NA ELABORAÇÃO DE PERGUNTAS


Enunciados sugestivos ou persuasivos (passíveis de orientar a
resposta)
_ Perguntas que suscitam respostas estereotipadas ou socialmente
desejáveis
_ Perguntas não neutras
_ Perguntas com pressupostos implícitos (conhecimentos ou ideias
dados como adquiridos)
_ Termos ou perguntas vagas ou ambíguas
• Frases curtas, simples e uma só ideia
• Linguagem simples ou em função dos destinatários
• Evitar frases com dupla negação
• Opção por características directamente observáveis
• Diversificar o formato (numéricas, gráficas, substantivadas…)
• Perguntas múltiplas
• Perguntas com conjunções e disjunções
• Vocabulário excessivamente técnico, especializado ou de difícil
compreensão para todos ou uma parte dos inquiridos
• Perguntas que obriguem a exercícios difíceis de rememoração

Escalas de avaliação: erros


_ Efeito halo
_ Erro tendência central
_ Efeito de desejabilidade social
_ Erros lógicos (comparação dedutiva entre os
itens)
Escalas de avaliação: desejabilidade social
Tendência a responder da forma mais aceite
socialmente
A sua ocorrência tende a ser maior:
- Fraca afirmação pessoal ou necessidade de se conformar por parte dos sujeitos
- Necessidade de auto-protecção, segurança e aprovação social
- Necessidade de atenção, obter a simpatia ou a ajuda do outro
ESCALAS DE AVALIAÇÃO: PROPRIEDADES
_ Aditividade: possibilidade de soma das respostas aos vários itens de uma subescala
ou escala
_ Medida intervalar: assumir a continuidade idêntica entre os postos da escala
_ Poder discriminativo: diferenciação de sujeitos com maior ou menor intensidade nas
características em avaliação

ESCALAS DE AVALIAÇÃO: CUIDADOS I


_ Necessidade ou evitamento da resposta central
_ Nº ideal de posições a considerar
(variabilidade dos resultados VS autoavaliação
dos sujeitos)
_ Conteúdo da escala de resposta (importância, acordo, intensidade,
frequência…)

ESCALAS DE AVALIAÇÃO: CUIDADOS II


_ Grau de consciência/auto-avaliação do respondente.
Angleither & Wiggins (1986) refere três momentos:
(i) fase de codificação – compreensão
(ii) fase da auto-avaliação – comparação do item consigo próprio
(iii) fase da resposta – coerência entre escala a usar e a imagem de si, por vezes
interferindo normas e valores sociais… acreditando não haver boas/más respostas!
_ Conteúdo e formato do item (frases ambíguas, mais que uma ideia, dupla negação,
estereótipos sociais e de género, desejabilidade social…)

ANÁLISE DOS ITENS


Estudos exploratórios qualitativos e quantitativos
Reformulações
_ Acrescentos
_ Retirada sucessiva de itens ou parâmetros comportamentais a observar

ANÁLISES QUALITATIVAS
_ Apreciar o conteúdo e a forma das itens,
nomeadamente:
_ Clareza
_ Compreensibilidade
_ Adequação aos objectivos da prova
_ Método: reflexão falada (Goldman, 1971)
_ Aplicação individual da prova e registo de todas as verbalizações dos sujeito
_ Os sujeitos são instruídos para comunicar todas as impressões em relação a cada
item, a forma como o abordam e realizam, os processos utilizados e facilidades ou
dificuldades que encontram

“Reflexão falada” dos itens


_ Principais vantagens
_ Ambiguidades no conteúdo e no formato
_ Processos cognitivos e outros usados nas respostas
_ Eficácia das várias alternativas de resposta
_ Itens mal construídos, ambiguidade de redacção
_ Respostas ocasionais, efeito de halo, erro de tendência central (…)
_ Auto-referências no desempenho, atitudes e comportamentos
_ Suficiência das instruções dadas no início
_ Estimativa da dificuldade dos itens e do tempo de Realização
Principais desvantagens
Capacidade limitada de registo, interferência de meios mecânicos
_ Capacidade de verbalização do sujeito
_ Capacidade metacognitiva e auto-reflexiva do sujeito
_ Informação essencialmente qualitativa
_ Transposição para futuras aplicações colectivas

ANÁLISES QUANTITATIVAS

4 tipos de análises estatísticas


_ Apreciação da dificuldade ou dispersão das respostas numa amostra de sujeitos
avaliados
_ Apreciação da capacidade discriminativa (validade interna) dos itens, ou seja, em que
medida o resultado num item está relacionado com as respostas aos demais itens ou
está correlacionado com o resultado final na prova
_ Apreciação da validade externa do item ou sua correlação com critérios externos
(outra prova, notas, escolares, índices de produtividade de uma empresa, entre
outros)
_ definição da “versão definitiva” do instrumento

ÍNDICE DE DIFICULDADE
Traduz a proporção de sujeitos que consegue realizar correctamente o item

Cuidados na análise do índice e dificuldade


_ Omissões de resposta - intercalares ; final do teste
_ Não faz sentido em testes de velocidade e de acuidade perceptiva
_ Escalas de avaliação (likert) – mesma proporção dos sujeitos deve repartir-se pelos
vários níveis do formato da escala

Classificação dos índices de dificuldade


Classificação % de itens Limites ID
Muito fáceis 10 >.74
Fáceis 20 .55 - .74
Médios 40 .45 - .54
Difíceis 20 .25 - .44
Muito difíceis 10 >.25

PODER DISCRIMINATIVO OU VALIDADE INTERNA


_ Grau em que o item diferencia no mesmo sentido do teste global
_ Os sujeitos melhores e piores realizadores do teste deverão também
responder de forma diferente naquele item acertando e falhando
percentualmente, respectivamente
_ É um coeficiente de correlação - varia entre -1.0 e + 1.0
- Coeficiente negativo – são os sujeitos com pior desempenho no
teste global aqueles que melhor realizam o item em causa
- Coeficiente positivo – o inverso
- .00 – ausência de correlação ou poder discriminativo nulo (idêntico
número de sujeitos bons e fracos realizadores acertam ou falham
no item)

VALIDADE EXTERNA
_ Relação que existe entre as respostas dos sujeitos a um item e o seu desempenho
num outra situação que não o próprio testes
_ Múltiplos critérios externos podem ser usados dependendo da sua disponibilidade,
construto avaliado e objectivos prosseguidos
(exemplo: notas escolares, realização profissional)
CARACTERÍSTICAS MÉTRICAS OU METROLÓGICAS DOS RESULTADOS:
_ Sensibilidade – grau em que os resultados nos permitem diferenciar os sujeitos
_ Fidelidade – confiança que podemos ter nos resultados obtidos
_ Validade – em que medida os resultados no teste estão a medir o que se quer

SENSIBILIDADE DOS RESULTADOS


Factores que afectam o coeficiente de sensibilidade
_ Tamanho da amostra e a sua representatividade não serem
suficientes para possibilitar uma melhor distribuição dos resultados nas
provas
_ Os itens nas provas apresentarem algumas particularidades como, por
exemplo, serem muito fáceis ou muito difíceis para o grupo em
causa
_ Os itens serem ambíguos, ou encontrem-se mal hierarquizados,
tornando os resultados finais pouco coesos em termos interindividuais
_ O tempo de execução ter sido demasiado longo ou curto não
permitindo uma adequada diferenciação dos desempenhos individuais
_ A aplicação da prova não ter sido a mais adequada, os sujeitos
não se envolverem na realização da prova, as condições
ambientais externas não serem adequadas ou as instruções não
terem sido devidamente respeitadas

FIDELIDADE DOS RESULTADOS


ESTABILIDADE OU CONSTÂNCIA DOS RESULTADOS:
o teste avalia o mesmo quando aplicado em dois momentos diferentes aos mesmos
sujeitos
_ Consistência interna ou homogeneidade do itens: os itens que compõe o teste
apresentam-se como um todo homogéneo
- Sentido da estabilidade
. Teste-reteste
. Teste-reteste com formas paralelas
- Sentido da consciência interna
. Bipartição dos itens
. Consistência interna dos itens

TESTE-RETESTE
_ A prova é passada mais que uma vez aos mesmo sujeitos e correlacionam-se os
resultados obtidos nas duas aplicações
_ Espera-se, no caso da fidelidade, que se obtenham nas suas aplicações os mesmos
resultados

_ Limitações:
_ Custos com a segunda aplicação
_ Justificação aos sujeitos e manutenção das mesma condições no teste e no reteste
_ Intervalo entre as aplicações
TESTE-RETESTE COM FORMAS PARALELAS
_ O reste é uma versão equivalente do teste
_ Limitações: conseguir duas versões
equivalentes do mesmo instrumento em termos de igualdade de conteúdo, dificuldade
e forma

BIPARTIÇÃO DOS ITENS


Aplicação única da prova analisando-se de seguida a correlação
entre duas metades formadas pela divisão dos seus itens
Deve assegurar equivalência das duas metades
Limitação: erros ocasionais distribuem-se por ambas as metades
podendo isso inflacionar o coeficiente final obtido

CONSISTÊNCIA INTERNA DOS ITENS


_ Grau de uniformidade e de coerência existente entre as respostas dos sujeitos a cada
um dos itens que compõem a prova
_ Única aplicação
_ Os coeficientes procuram avaliar em que grau a variância geral dos resultados na
prova se associa ao somatório da variância item a item
_ Em função das respostas aos itens serem dicotómicos ou se distribuírem por uma
escala ordinal devemos usar o coeficiente Kuder-Richardson (1937) ou o coeficiente
alpha de Cronbach (1951), respectivamente
VALIDADE DOS RESULTADOS
_ Em que medida os resultados no teste estão a medir aquilo que pretendem medir
_ Conhecimento que possuímos daquilo que o teste está a medir
_ Diz respeito aos resultados obtidos e não ao instrumento em si mesmo
_ 3 tipos de validade:
Conteúdo
Por referência a um critério
De construto ou conceito

- Validade de conteúdo – grau de adequação dos itens em relação à dimensão do


comportamento avaliada pela prova
Procura-se apreciar em que medida o conteúdo pela prova cobre
os aspectos mais relevantes do constructo
Tem dupla orientação:
Representatividade
Coerência
- Validade por referência a critério – é avaliada através do grau
de relacionamento que é possível obter entre os resultados na
prova e a realização dos sujeitos em critérios externos,
supostamente associados ou dependentes da dimensão que a
prova avalia
- Validade de conceito ou constructo – grau de consonância
entre os resultados no teste, a teoria e a prática a propósito das
dimensões em avaliação

PREPARAÇÃO FINAL DO QUESTIONÁRIO


Elementos adicionais do questionário
_ Introdução do questionário
_ Textos introdutórios a cada secção
_ Instruções de preenchimento / resposta
_ Pré-codificação das perguntas fechadas
Ordenação das perguntas e organização em secções
_ Garantir legibilidade e fluidez
_ Controlar efeitos de “halo” e de “enviesamento de consentimento”
Aplicação dos instrumentos
Aplicação do inquérito: planeamento
Modo de administração do inquérito
_ Administração directa / auto-administração
Inquérito postal
Questão das taxas de resposta
Questão das competências comunicacionais dos inquiridos
Questão do controlo sobre as condições de resposta
_ Administração indirecta
Inquérito telefónico
Questão da relação entre inquiridor e inquirido na situação de inquérito
Questão da distância social entre inquiridor e inquirido

O pré-teste do inquérito
_ Teste do questionário
_ Teste das condições de aplicação
Plano de aplicação do inquérito
_ Formação dos inquiridores
_ Definição do prazo temporal de aplicação do inquérito
_ Definição da estratégia de selecção e contacto com inquiridos, em função do plano
de amostragem
_ Organização logística do trabalho de aplicação: organização do trabalho no terreno;
coordenação e supervisão dos inquiridores e do processo de
inquirição
_ Conferência e validação dos inquéritos
_ Codificação dos inquéritos e introdução dos dados em base informática

APLICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS


_ Uso de material em boas condições: manual, a prova, a folha de respostas, lápis
_ Leitura das instruções, apresentação e resolução dos exemplos e exercícios de treino
_ Obedecer-se ao tempo de realização proposto e à sua indicação ou não aos sujeitos
_ Deve atender-se às condições físicas e ambientais (e.g., ruído, iluminação, ventilação;
disposição das cadeiras, tamanho da sala, hora do dia, dia da semana e do ano) em
que a mesma vai ocorrer
_ Deve atender-se ao estado físico (sono, fadiga, hipoglicemia e saúde em geral) e
psicológico do sujeito (motivação, mecanismos de auto-defesa,
ansiedade, expectativas de sucesso/fracasso) e própria relação entre o avaliador e o
avaliado e entre o avaliado e a situação de teste
AULA 10-A

Metodologias Qualitativas
Objectivo
Adquirir conhecimento e competências básicas
no domínio das metodologias qualitativas para a
sua utilização na investigação sobre:
- Recursos Humanos;
- Marketing;
- Informática de Gestão;
- Secretariado e Comunicação Empresarial

Temas
1. Definição de Metodologias Qualitativas (MQ)
2. Variedade de MQ
exs.
Análise de conteúdo
Análise de discurso

Porque razão os investigadores se viraram para a análise qualitativa?


- Para alguns, a manipulação da maioria dos estudos experimentais
é antiética
- Se, por exemplo, pode ser relativamente ético manipular uma
determinada substancia química, uma partícula atómica ou até um
rato branco
- O mesmo não acontece com os seres humanos: assustá-los,
persuadi-los de algo, expô-los a determinadas condições, mesmo em
nome da Ciência, pode diminuir o seu auto-respeito, a sua integridade
psicológica, o seu sentido de auto-determinação, ou até mesmo, a sua
saúde física.
Para outros, a confiança na medida não é significativa
Reduzir tudo a números poderá ser justificado pelas ciências físicas; mas, fazer o
mesmo à experiência humana pode suscitar uma desclassificação
Metodologias qualitativas e quantitativas:
diferenças apontadas

Investigação Qualitativa Investigação Quantitativa


Ênfase nos processos Menor importância do
e significados processo
Procura de natureza de Ênfase na medida e análise de
construção da realidade relações causais entre variáveis
Quantidade
Relação íntima entre
- Intensidade
investigador e investigado
- Frequência
Realidade não existe independente
do observador e não pode ser Existe uma realidade externa
completamente apreendida para ser estudada, capturada
Procura de natureza de Controla o ponto de vista
construção da Realidade individual
É descontextualizada e
raramente estuda o mundo
directamente
Menor preocupação com o
detalhe

Definição de Metodologias Qualitativas


_ Posição epistemológica não positivista, pressupostos construtivista - o conhecimento
cientifico não reflecte a realidade do mundo tal qual ela é; antes, é construído e
produzido no
contexto das relações sociais, históricas e culturais
_ Estudo descritivo inicial, exploratório, permite retirar novas ideias, colocar
questões, inventariar hipóteses para construção teórica posterior

Variedade de MQ
Exemplos:
- Análise de conteúdo
- Análise de discurso

Análise de conteúdo
_ É uma metodologia de análise de textos que parte de uma perspectiva quantitativa,
analisando numericamente a frequência de ocorrência de determinados termos,
construções e referências num dado texto

Método
1. Pré-análise
2. Exploração material
3. Tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação

1. Pré-análise (1)
a) Selecção dos documentos:
b) Leitura flutuante: estabelecer um primeiro contacto com os documentos que serão
alvo de análise, com a finalidade de se deixar emergir impressões e orientações sobre
os mesmos
c) Regra da exaustividade/não-selectividade:
Após definido o corpus de documentos submetido a análise, todos os elementos
constituintes desse corpus devem ser tidos em consideração
Isto significa que nenhum documento escrito, será retirado desta análise
d) Objectivo: definir objectivo do estudo
e) Hipóteses: partindo da análise dos documentos escritos, apreender os principais
temas que sistematicamente, vão sendo apontados
f) Índices/Indicadores:

2. Exploração do material (1)


a) Codificação: visa a transformação sistemática dos dados brutos do texto, através de
procedimentos tais como o recorte, a agregação, e a enumeração, com a finalidade de
alcançarmos uma representação exacta do seu conteúdo
Exemplo: a cada participante será atribuído um número (de 1 a 80); a cada tópico do
comentário será atribuído um número (1-5); a cada frase será atribuído um número
(com início em 1). Todos estes números são
apresentados separados por um (.). _ exemplo P32.0.1.3 (significa o sujeito número 32,
no tópico 1, na frase 3)
a.1) Unidade de análise: a frase
a.2) Unidade de contexto: a unidade de contexto dos
documentos sob análise corresponde aos tópicos
apontados nesse documento
a.3) Enumeração: corresponde ao modo de contagem Por exemplo a regra de
frequência, de acordo com a qual “a importância de uma unidade de registo aumenta
com a frequência de aparição” (Bardin, 2008, p.134).
Por outras palavras, diríamos que quanto mais vezes surgir /maior a frequência de um
determinado tema, maior a sua importância para aquela amostra de participantes, em
particular. Assenta no pressuposto de
que todos os temas que possam surgir ao longo da análise têm o mesmo valor
b) Categorização: consiste na desintegração dos tópicos de cada documento em
unidades de análises (frases) isoladas, e sua consequente reorganização e
reagrupamento, de acordo com um título genérico/categoria que apontava para um
conjunto de características comuns desses elementos. Este processo não é mais do
que procurar impor uma nova organização às mensagens analisadas O critério de
categorização da reorganização pode ser semântico, ou seja, de acordo com categorias
temáticas (ex: todas as frases associadas com o tema XX ficaram agrupadas sob a
categoria “”).

O título atribuído a cada categoria é atribuído apenas no


final destas operações. As categorias seleccionadas têm
em consideração os seguintes critérios: exclusão mútua (cada unidade de análise não
poderá ser classificada em mais do que uma categoria);
pertinência (a categoria adaptada/vai ao encontro do material de análise escolhido);
homogeneidade (só se funciona com um registo e uma dimensão da análise);
objectividade e fidelidade (as diferentes partes do
material são codificadas da mesma maneira); produtividade (associada à fertilidade
dos resultados)

3. Tratamento dos resultados obtidos e interpretação


- Recurso a estatística descritiva e ao modelo de análise factorial
- Operações de codificação:
- Ex. análise quantitativa e categorial
- Recorte: Escolha das unidades
- Enumeração: escolha das regras de contagem
- Classificação e agregação
Elementos a ter em conta:
- A unidade de registo (palavra, o tema, o objecto ou referente,
o personagem, o acontecimento, o documento)
- A unidade de contexto

EXEMPLO
MÉTODO
_ Participantes
Foram realizadas entrevistas a 106 participantes (74, 69.8% mães;
9, 8.5% pais; 21, 19.8% pai e mãe; 2, 1.9% outros) pais e
encarregados de educação de 66 raparigas (62.3%) e 40 rapazes
(37.7%), alunos do 9º ano de escolaridade, em três escolas privadas
e um centro educativo de uma instituição camarária, da região norte
de Portugal.
_ Instrumento
Foi utilizado o guião de entrevista semi-estruturada de Pinto & Soares (2000), contendo
três temas. Para cada tema as questões são duplas: a primeira de incidência descritiva
“o que…?”; a segunda de incidência explicativa “porquê”.
- Comunicação pais/filhos: De que fala com ele? Porquê?;
- Intervenção da família: O que faz ou tem feito com ele? Porquê?;
- Expectativas dos pais relativamente ao futuro dos seus filhos:
O que gostaria que o ele concretizasse? Porquê?.

Análise crítica do discurso


_ É uma abordagem interdisciplinária ao estudo dos textos, que considera a
"linguagem como uma forma de prática social" (Fairclough 1989, p. 20)
_ Pretendem "desvelar os fundamentos ideológicos do discurso que se têm feito tão
naturais ao longo do tempo que começamos a tratá-los como comuns, aceitáveis e
traços naturais do discurso" (Teo 2000)
_ Encara-se a linguagem não como uma entidade abstracta meramente composta por
regras gramaticais, mas como um meio para analisar
interacções sociais (Potter, 1997)
_ Enfatiza as formas como formas linguísticas específicas (tais como a anulação do
sujeito, passivização) podem ter efeitos sobre a maneira
como um acontecimento ou fenómeno é compreendido

Análise sociopolítica do discurso


• Análise crítica do discurso: tipo específico de análise
do discurso socio-político
• Relação entre estruturas do discurso e estruturas
sociais
• Ex: relações sociais de classe, género ou etnicidade associadas a unidades
estruturais, níveis, ou estratégias de fala e de texto incorporadas nos seus contextos
sociais, políticos e culturais

Recolha de dados
Entrevistas, excertos de cartas, material jornalístico, excertos de revistas
Em vez de se formular uma hipótese o investigador deve formular concretamente o
seu objectivo

Exemplo:
Analisar os discursos que justificam o acto de fumar:
pode interessar analisar discursos de homens e mulheres; de pessoas que deixaram de
fumar….

Características das entrevistas


_ Incentivar os participantes a falar de modo a promover a variabilidade
_ Entrevistador deve ouvir tudo cuidadosamente e fazer um trabalho interpretativo à
medida que a entrevista decorre
_ As entrevistas devem ser gravadas (com previa autorização) e cuidadosamente
transcritas (respirações, entoações, silêncios, frases sem
sentido, incorrecções gramaticais)

Tamanho da amostra
_ Generalização e representatividade da amostra não se colocam
_ Amostra é constituída pelas frases e não pelos sujeitos entrevistados

Análise crítica do discurso


Procedimentos
_ Leitura
_ Codificação
_ Análise
_ Escrita

Leitura
_ Ler as transcrições cuidadosamente. Permite perceber os efeitos discursivos do
texto, ler o texto como se fosse um leitor e sentir o “ambiente” do texto
_ Ler o texto antes da análise permite perceber o que “o texto está a fazer”
_ O objectivo da análise é perceber como o texto concretiza essa acção

Codificação
_ Consiste na selecção do material para análise.
Esta codificação é feita com base nas questões a investigar. Convém verificar que todo
a material importante foi incluído, mesmo as frases que
parecem mais vagamente identificadas com a questão em estudo
_ A necessidade de codificação indica que nunca podemos fazer uma análise de
discurso de um texto e que devemos identificar aspectos particulares que queremos
explorar de forma detalhada (microanálise).
Assim, haverá sempre muitos aspectos do discurso que não serão analisado
Análise
_ Através do processo de análise deve-se perguntar:
“Porque estou a ler esta passagem desta forma?
Que aspectos do texto conduzem a esta leitura?
O investigador deve ter em conta o contexto, a variabilidade e a construção do
discurso
Para isso, olha ao modo como o texto constrói os objectos e os sujeitos; como essas
construções variam através dos contextos discursivos e quais as consequências da sua
utilização
Para alcançar estes objectivos é preciso prestar atenção à terminologia, aos aspectos
estilísticos e gramaticais do texto, bem como a metáforas ou outras figuras de estilo
(repertórios interpretativos)
_ Diferentes repertórios são usados para construir diferentes versões dos
acontecimentos (adjectivos e metáforas que usamos para diferentes pessoas usam
para descrever a mesma pessoa
_ Mas igualmente diferentes repertórios podem ser usados pela
mesma pessoa em diferentes contextos discursivos para atingir
diferentes objectivos sociais
_ Por vezes são usados para construir versões contraditórias dos
acontecimentos
_ Estas contradições mostram que as pessoas usam recursos
discursivos que constituem dilemas
Escrita
_ A escrita da análise de discurso não é separável da análise do texto. Ao escrever o
investigador vai clarificando a análise
_ A procura de escrever um texto coerente permite ao investigador identificar
inconsistências e tensões que podem conduzir a novas análises
_ Por vezes, o analista tem que voltar aos dados para resolver problemas levantados
pela escrita

1. Identificação e selecção de discursos associados aos temas em estudo através da


identificação de temas repetitivos, frases com o mesmo significado ou significado
semelhante
2. Extracção do texto de todas as referências associadas ao comportamento escolar
(sucesso, estudo, expectativas face aos resultados escolares, ansiedades, projectos
para o futuro, etc) e organização dessas referências recorrendo a temas considerados
relevantes
3. Identificação, dentro de cada tema, de padrões de discursos semelhantes e
contrastantes
4. Identificação dos significados discursivos que lhes estão associados
5. Identificação de discursos específicos e dos efeitos ou consequências de cada um
deles
6. Escolha dos vários textos existentes, dentro de cada discurso, e das citações que
melhor ilustrem esses discursos

Exemplo
_ Noutros casos, esta constatação conduz a dúvidas sobre as escolhas a efectuar, como
se torna claro no discurso de uma aluna que tenciona enveredar por arquitectura e
antevê falta de tempo que esta actividade acarreta em termos extraprofissionais:
(…) têm muitas coisas que eu pensei que se calhar não queria ser arquitecta porque se
tiver um filho, um só, vou querer dar lhe toda a atenção, não é?
Ainda para outras a solução é adiar a vida familiar, como acontece no caso de uma
aluna cujo projecto profissional é a engenharia electrotécnica:
(…) casar, não tão cedo, tenho muito tempo para isso ainda, primeiro quero começar a
carreira e tudo e depois penso em casar...
Princípios Éticos na Investigação
Respeito pelos direitos e dignidade da pessoa
Respeito apropriado e promovem o desenvolvimento de direitos fundamentais,
dignidade e valor de toda a gente
Eles respeitam os direitos das pessoas à sua privacidade, confidencialidade,
autodeterminação e autonomia, consistente com
outras obrigações profissionais do investigador e com a lei

Competência
Os investigadores esforçam-se em garantir e manter níveis altos de competência no
seu trabalho Eles reconhecem os limites das suas próprias
competências e as limitações do seu conhecimento Eles oferecem somente aqueles
serviços para quais estão qualificados por educação, treino e experiência

Respeito geral
a) Consciencialização e respeito para com conhecimento, discernimento, experiência
e áreas de conhecimentos dos clientes, terceiros partidos
relevantes, colegas, estudantes e o público em geral
b) Consciencialização de culturas individuais e diferenças de acção incluindo aquelas
derivadas de deficiências, género, orientação sexual, raça, étnicidade, origem nacional,
idade, religião, língua e
nível socioeconómico
c) Evitar práticas que são o resultado de tendências impróprias que podem causar
discriminações injustas

Privacidade e confidencialidade
a) Restrição de procurar, e de dar para fora, informação fora
daquela que é necessária para os propósitos profissionais
b) Guardar e manusear adequadamente informação, em qualquer
forma, de maneira a assegurar confidencialidade, incluindo tomar salvaguardas
razoáveis de fazer o anonimato de dados quando necessário, e restringir o acesso a
questionários e registos só aqueles que tem necessidade legítima de os conhecer
c) A obrigação de dar a conhecer aos participantes e outros com
quem se tem uma relação profissional as limitações da manutenção de
confidencialidade perante a lei
d) A obrigação, quando o sistema legal assim o exigir, de revelar,
mas fornecer somente aquela informação que é relevante
e) Reconhecimento da tensão que pode surgir entre a confidencialidade e a protecção
do participante ou de outros terceiros partidos relevantes
f) O direito dos participantes a terem acesso a registos e relatórios acerca de eles
próprios e de receberem a necessária assistência e consultoria de maneira a dotálos
de entendimento da informação e servir os seus melhores interesses
g) Manutenção de registos e de relatórios escritos permitindo o seu acesso ao
participante e de salvaguardar a confidencialidade de informação relacionada com
outros

Consentimento informado e liberdade de consentimento


a) Clarificação e discussão contínua de acções profissionais, procedimentos e de
consequências prováveis das acções dos
investigadores para garantir que o cliente dá consentimento informado antes e
durante as intervenções
b) Clarificação ao participante do procedimento na conservação e crónica de registos
Responsabilidades
_ Responsabilidade geral
Em relação à qualidade e consequências das acções profissionais do investigador
_ Promoção de níveis altos
Promoção e manutenção de níveis altos de actividades científicas e profissionais e a
necessidade da parte dos
investigadores de organizar as suas actividades de acordo com o código de ética
_ Evitar o dano
Evitar o uso indevido de conhecimento ou prática científica e a minimização de dano
que é previsível ou inevitável

Honestidade e precisão
a) Precisão na divulgação de qualificações, educação, experiência, competência e
afiliações relevantes
b) Precisão na divulgação de informação, e responsabilidade em admitir e não omitir,
hipóteses alternativas, evidências ou explicações
c) Honestidade e precisão em relação a quaisquer implicações financeiras derivadas
das relações profissionais
d) Reconhecimento da necessidade para precisão e das limitações das conclusões e
opiniões exprimidas em relatórios e declarações profissionais

Em síntese
_ Clarifique os canais oficiais, pedindo formalmente autorização para
levar a cabo a sua investigação logo que tenha um esquema de trabalho autorizado
_ Fale com as pessoas a quem pedirá colaboração
_ Mantenha-se sempre fiel a padrões éticos rigorosos
_ Submeta o esquema de trabalho ao presidente da instituição na qual
irá recolher os dados
_ Decida o que quer dizer com anonimato e confidencialidade
_ Decida se os participante receberão um cópia do trabalho e/ou verão
as primeiras versões ou transcrições das entrevistas
_ Informe os participantes quanto ao que fará com a informação por
eles fornecida
_ Prepare um esquema das intenções e condições sob as quais o
estudo será levado a cabo para entregar aos participantes
_ Seja honesto quanto ao objectivo do estudo e quanto às condições
da pesquisa
_ Lembre-se de que as pessoas que acedem a ajudá-lo estão a fazerlhe
um favor
_ Nunca parta do principio de que tudo correrá bem. A negociação de
acessos é uma etapa importante da sua investigação
_ Se tiver dúvidas quanto à ética da sua investigação, consulte o seu
orientador e decida a atitude a tomar