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ABRIGOS:

UMA MEDIDA DE PROTEÇÃO?

Ivana C. Franco Paião


Mestranda em Serviço Social e Política Social
ABRIGOS
UMA MEDIDA DE PROTEÇÃO?

OBJETIVO:
-Valorizar a pesquisa como forma de conhecimento da
realidade social;

-Apresentar o panorama dos abrigamentos na


Circunscrição de Assis e a inter-relação entre o trabalho
do Conselho Tutelar e Poder Judiciário;

-Refletir sobre a medida – abrigamento e suas


consequências às familias, crianças e adolescentes

-Refletir sobre políticas públicas destinadas a esta


demanda
Histórico
• abandono desde a colonização criação roda expostos/enjeitados (início história Abrigos)–
vigorou até 1940 – inexistência de políticas publicas
• Rodas – objetivo batizado – velar pela alma
• Continua durante fase imperial – aumento de rodas – orfanatos, asilos
• Virada século – urbanização provoca aumento pobreza – necessidade governo (ameaça
comunista) assumir política para cçs – Getulio Vargas --SAM – início políticas públicas
• SAM – centralização da assistência ao menor – inicio no DF
• Família solicita internação – situação pobreza, miserabilidade

Influência dos higienistas/juristas – valor saúde, família, higiene

= criação Código de 1927 coloca


• = abrigos subordinados aos Juízes
• = sob responsabilidade do Estado
• = menores não enquadram padrões sociedade
• = aumento das instituições – patronatos agrícolas, dispensários, colônias
correcionais, etc.
• SAM – extinto na década de 60; - escola do crime, favorecimento, desvio
verba, maus- tratos.
• início governo militar – (ameaça comunista e drogas - problema de
segurança nacional (FUNABEM e PNBEM) – objetivo era de formular e
implantar a política nacional do bem estar do menor mediante estudo do
problema e planejamento das soluções, e a orientação, e coordenação e a
fiscalização de entidades que executem esta política. No Est. S. Paulo
criou-se a FEBEM
• FUNABEM – herda patrimônio do SAM – projeto piloto RJ

• - Código de 1979 – consagra a situação do menor em situação irregular e


determina ao poder publico a criação de entidade de assistência e proteção
aos menores
- possibilita juízes ratificar a situação de irregularidade dos menores:
privação da liberdade de acordo com a subsistência à destituição do poder
familiar
- Medida aplicada de acordo com a subjetividade dos juízes

• - final ditadura – mudança de concepção – desconstruir o construído:-


rebeliões, interesse condição da cç e adol. movimentos sociais
Estatuto da Criança e do Adolescente
• ECA traz doutrina proteção integral criança e adolescentes e abrigo como medida
excepcional e provisória – aplicada pelos C. T. e Poder Judiciário
• ECA prevê equipe técnica

• Terminologia – menor – criança e adolescente

• menor incapaz – sujeito de direitos

• Asilo, orfanato, internação – abrigo (medida excepcional) ou Fundação Casa (medida


sócio educativa)

• Política social – Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente


Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA
Por Enid Rocha Andrade
589 abrigos foram pesquisados

• Aproximadamente 20.000 crianças e adolescentes em situação de abrigo

• 58% são meninos

• 80% tem famílias

• 58% mantém contato com família

• 24,1% carentes financeiramente

• 18% abandonados pelos pais

• 5,2% são órfãos

• 11,7 por violência doméstica

• 11,4% pais dependentes químicos

• 7% vivência em situação de rua


• 5,8% realizam ações de convivência familiar

• 14% incentivam a reestruturação familiar

• 6,6% participam de atividades externas ao abrigo

• 68% são abrigos governamentais

• 59% são administrados por voluntários

• 67% tem orientação e vinculo religioso


Distância entre a Lei e a Prática Social

• Pesquisa constata na realidade brasileira


• Há grande distância entre o estabelecido na lei como “direito”,
“norma” e “interesses, que rege a política de ação para criança e o
adolescente

• Segundo Paulo Freire: “ sabem todos que não é o discurso que


ajuíza a prática, mas a pratica que ajuíza o discurso”.
Circunscrição de Assis
• Comarca de Assis (7 A.S e 5 Psi)

• Comarca de Cândido Mota (3 A. S.);

• Comarca de Palmital (3 A. S.);

• Comarca de Paraguaçu Paulista (2 A. S. + 1


acumulando)

• Comarca de Maracai (2 A. S.);

• Comarca de Quatá (1 A. S.)


Abrigos das Comarcas da 26ª
Circunscrição - Assis -
Quatá

Par.Pta

Marcai
Assis Palmitall

Comarcas que possuem


abrigos
ABRIGOS DA CIRCUNSCRIÇÃO DE ASSIS

• Comarca de Assis – Casa Abrigo Antonio Meirisse; fundado em


05/07/1996; iniciativa prefeitura municipal; atende cçs. e adol.
Encaminhados pelo C. T. e P. J. – Cidade de Assis – com A. S. e
Psicólogo

• Comarca de Quatá – Lar Espírita Irmã Scheila de Quatá; fundado


em 18/08/1977; iniciativa Dr. Antonio Carlos Gonçalves Jr. –
Comarca e outras – Tarumã, Queiroz, Martinópolis, Bastos – com A.
S. e Psicólogo

• Comarca Maracai – Casa abrigo Alfa -fundado em 01/09/2006 -


atende cçs e adol. Encaminhados pelo C. T. e P. J. – Comarca – com
A. S.
• Comarca de Paraguaçu Paulista
– Lar dos Menores Cel. Juventino Pereira – fundado em
10/12/1958; atende sexo masc. – cçs de 8 a e adol. – Lutécia, Oscar Bressane,
Marília, Paraguaçu Paulista – com A. S. (voluntário) e Psicólogo (func).

- Casa Abrigo; fundada em 16/02/1977, pela Ass.


Com. Integ. P.Pta; atende cçs e adol. – Comarca e outros - com A. S. (func) e
Psicólogo (voluntário).

• Comarca de Palmital – Ibirarema: Instituto Antunes Ribeiro; fundado em


20/08/2002; iniciativa pastor; atende cçs e adol. encaminhados pelo C. T. e P. J. –
Comarca e outras - com A.S. e Psicólogo

- Pesquisa documental V. da Infan. Juventude - Palmital/SP

-período - 06/2006 a 06/2007


Data de informação ao Órgão resp. pelo Motivo do abrigamento Tempo de abrigamentoDesabrigado sob
Juízo comunicado

31/07/2006 CT Ibirarema Alcoolismo (Genitores) 5 meses Retorno com a


genitora

10/08/2006 CT Ibirarema Situação de rua e problema de 10 meses Guarda aos tios


comportamento

12/12/2006 CT Palmital Alcoolismo e abandono 6 meses Retorno com a


(Genitores); genitora
Situação de rua

18/01/2007 CT Palmital Falecimento da mãe; 8 meses Retorno com tios


Alcoolismo do pai; Sob guarda
Problema de comportamento

09/02/2007 CT Platina Problema de comportamento 5 meses Retorno com a


família

22/03/2007 CT Palmital Violência física 3 meses Retorno com a


família

30/03/2007 CT Palmital Violência física 2 meses Retorno com a


família

24/05/2007 CT Ibirarema Abandono 3 meses

15/06/2007 CT Ibirarema Alcoolismo (genitores) 2 meses


Reflexões

• Existe uma rede de atendimento à criança e o adolescente, que realmente


funcione e seja adequada na circunscrição judiciária?

• As políticas de saúde, educação, assistência social, segurança, habitação,


meio ambiente, trabalho e renda, funcionam adequadamente e conseguem
atingir o âmbito familiar?

• Como a política social poderá evitar a aplicação da medida de


abrigamento?

• O que temos feito para mudar esta realidade?