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6a.

EUVOUPROCURARMEUPAISOZINHA

DIM-DOM: Voc tinha que falar, no ? Convid-lo para entrar, no ? Servir ch


pra ele! Faz-lo sentar no trono do amo!

LUMIERE: Ora, eu s quis ser hospitaleiro.

DIM-DOM: Maluquice!

LUMIERE: Ah, Dim-Dom, voc no pode me culpar por tentar preservar o mnimo
de humanidade que nos resta. Olhe pra ns. Olhe pra voc.

DIM-DOM: O que que eu tenho?

LUMIERE: Sempre foi insuportvel, mas a cada dia que passa se torna mais rgido,
mais fechado, mais mecnico.

DIM-DOM: No quero ouvir as suas piadinhas bobas!

LUMIERE: Pelo menos, no estamos to maus quantos os outros. Voc viu o que
aconteceu com Michelle?

DIM-DOM: Sempre muito vaidosa se transformou naquilo que gosta.

LUMIERE: Uma penteadeira.

DIM-DOM: Com espelhos, gavetas, aquelas coisas

LUMIERE: E o coitado do Jean-Claude?

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DIM-DOM: Quem?

LUMIERE: Jean-Claude. Voc se lembra? Sempre muito lento, pesado como

DIM-DOM: Um tijolo!

LUMIERE: Uma parede completa.

DIM-DOM: Jean-Claude uma parede de tijolos?

LUMIERE: L na cozinha, atrs do fogo. Voc se lembra de Guillaume, o pajem?

DIM-DOM: Aquele puxa-saco insuportvel! Jamais gostei dele! Sempre se


arrastando aos ps do amo.

LUMIERE: Agora um capacho.

DIM-DOM: Perfeito.

LUMIERE: Com alguns acontece mais rpido do que com outros, mas ns no
estamos atrs. A cada dia que passa, vamos nos transformando em em coisas.

DIM-DOM: No sei porqu nos incluram nesse feitio. Ns no deixamos aquela


pobre mendiga na neve.

LUMIERE: No, mas por acaso, no somos responsveis tambm por permitir que
ele se tornasse to mau?

DIM-DOM: Suponho que sim.

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LUMIERE: S sei que mais cedo ou mais tarde, eu vou acabar me derretendo todo.
Espero que reste alguma coisa de mim, se o amo quebrar o feitio.

DIM-DOM: nimo, homem, nimo. Temos que seguir em frente.

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