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Qual Palavra ?

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Publicado porJorge Phyttas-Raposo
Qual Palavra?
Tomo 08
in Taijasa, Vol. 1
by Jorge de Cantenac, XVIIº Marquêz du Sado
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Tomo 08
in Taijasa, Vol. 1
by Jorge de Cantenac, XVIIº Marquêz du Sado

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Published by: Jorge Phyttas-Raposo on Sep 06, 2007
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Qual Palavra?

Jorge de Cantenac, XVIIº Marquêz du Sado Copyright © Jorge de Cantenac, XVIIº Marquêz du Sado, Setembro 1994 Copyright © Üdançã Editora, 1994-2004

Este texto é propriedade intelectual do autor, Jorge de Cantenac [heterónimo de Jorge Phyttas-Raposo]. Em qualquer menção deverá constar o título da obra, nome do autor e endereço electrónico de onde se transferiu o texto. Obrigado.

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Volume 1.Colecção Taijasa. 2 . o fogo. Deriva de Tejas. Tomo 8 Taijasa — Palavra de origem Indiana que significa «a condição do ser que corresponde ao sonho e ao estado subtil».

. in anima memoriam… 3 ..Para Ti.

«É a minha própria casa. mas creio que vim fazer uma visita a alguém.» Maria Gabriela Llansol In «Um falcão no punho» 4 .

deito-me sobre ti. acarinhando-te.PRÓLOGO Depois do banho. cheirandote com os dedos. vou descobrindo um rasto de pêssego. sobre as tuas costas e. 5 . quando te despenhas sobre a cama.

e gritavas. e te silenciavas sentada nos cantos do quarto. 6 . fraca. Mas logo depois eras mulher.CAPÍTULO UM Escreveste na parede do quarto com o teu sangue sempre a mesma palavra. ágil. e choravas porque de algumas palavras não sabias o significado. como uma menina. Depois choravas. nessa ânsia sôfrega de te compreender a alma. sonhavas. Andavas de um lado para o outro. fundia. e sorrias das coisas que dizias. por isso repetia-la como se assim. Fazia-o sempre para te ouvir cantar o Cântico dos Segredos. Sempre a mesma. cirandando. Repetiste esse ritual sempre que nos encontrámos nesse quarto — onde tu colocavas nas paredes fotografias de pormenores do meu corpo — e fazia-lo sempre nessa loucura espontânea que te invadia quando nos afundávamos um no outro — tu à procura do significado dessa palavra e eu procurando a natureza desse esgar de dor e prazer que te surpreendia sempre mais um pouco. nas folhas de papel espalhadas desordenadamente pelo chão. E gritavas. só aí. forte. porque não sabe o que fazer. logo após esse estado de embriagues. e suor. multiplicando-a. E eras tu. ungindo o teu corpo de sangue e lambuzando-o nas paredes. fragmentando-a. Da sua verdadeira essência. Depois para te recompensar afundava-me no teu corpo e sussurrando-te chamava-te menina para te ver sorrir. a essência. nas minhas roupas. como uma menina que não sabe o que quer mas que vai fazendo para puder pensar no que fez. e choravas. e lágrimas. e sangue. E aí. Exigias de mim sempre a mesma palavra e eu dizia sempre a mesma. e sorrias. Era por isso que gritavas como uma mulher. e falavas. frágil. e gritavas de prazer. e ter prazer. Sempre o soubeste mesmo quando te escrevia no corpo o meu desejo e essa palavra que não conhecias o segredo. Sempre forte como uma mulher que queria ser menina que queria ser mulher para poder imaginar que ainda era menina. Essa Niêma das minhas estórias que consumia a alma de quem com ela se partilhava. como uma mulher com sonhos. Nunca lhe soubeste o significado. e gritar. e falavas com dor. e chorar. se lhe desprendesse um pouco da sua essência. porque não compreendias o porquê do meu esgar e do modo com te possuía. e te silenciavas sentada nos cantos do quarto. como uma mulher. de acarinhá-la com as mãos lambuzadas de sémen. nos lençóis da cama. Sempre o soubeste. nunca esquecidas porque lhe acrescentavas sempre mais algumas palavras quando te embriagavas.

Nenhuma. cruel. Que se iria manter sempre e para sempre.Disseste. depois. As tuas palavras estão encardidas com o lado branco da morte. que era a própria eternidade que te embriagava nesses momentos do tamanho da felicidade. NENHUMA. procurava cheirar-te a pele. Ou permitindo-te sentir. hábil — sempre o foste — gritavas de prazer. em sentir o odor aconchegante do teu sexo. Aparentemente envolvidos pelas mesmas águas. Que nunca mudarias. E tu. E por isso choravas e rias com a mesma intensidade hipócrita das pessoas que andam à procura fora de si dentro dos outros aquilo que são. de sentir o lume das gotas do teu suor. Usava-las como se bebe água. Nenhuma das tuas promessas — sempre o soubeste. E depois colocava a minha cabeça sobre o teu ventre. com a promessa de gritares alto quando o orgasmo de inundasse. Que eras eterna. E tu. Mas já aí eu chorava. resvalando lentamente para o teu ventre. E choravas porque te sentias a mentir — e porque te sentias embriagada — e porque sabias que nenhuma das tuas palavras era mágica. — se cumpriria. aparentemente envolvidos das mesmas águas. Ou tentavas separar-nos quando te abraçava num abraço forte. Quando a minha mão caía sobre o teu seio. 7 . E chorávamos os dois em uníssono. perguntei eu lambuzando-te os lábios. respondias-me chorando. Dizias que me sorvias a alma quando me bebias da boca a saliva e as águas que eu roubava do teu corpo. da tua pele.. Quais?. depois.. que eras feliz nesses momentos. dos teus olhos. Disseste que renascerias de dentro de mim e eu nunca acreditei. Nenhuma das palavras que dizias conhecias o significado. mesmo quando. do teu sexo. E para te recompensar empurravas-me para dentro de ti. disseste tu. choravas comovida. cravando os teus dedos na minha carne. Que sentias a sacralidade abraçando-te o corpo e a alma. E eu acompanhava-te nesse cântico. impedindo-te de te mexeres. E choravas. Como uma daquelas coisas que nunca mudam. da tua boca. O que agora faço é uma repetição para ver se lhe acho a essência.

Quando te deitaste. Só te silenciaste quando ameacei agarrar-te as ancas e ritmar-te o corpo de acordo com a minha sofreguidão. cantaste. Demoveu-me a violência dos teus olhos a fecharem-se. despenhando-te. agarrando-as com força. Gostava de lamber-te o ventre construindo um ribeiro que empurrava para o vale entre os teus seios. Quando te mordia o mamilo. Lembravas-te de mim nesses momentos mais do que em quaisquer 8 . faz amor comigo».. sorrindo. O quarto tornou-se de repente azul-saudade. a tua força a minha força. dizias. escorrendo a água mágica. deste-me a roupa (o vestido azul que usavas para sonhar) e disseste. gritavas. mas tu já dela sabias. estavas tu. as pernas. os dedos cravados no meu corpo. obrigando-as a agarrar-te o corpo. Quando me puxaste para dentro de ti. Entraste nua. Gostavas quando te agarrava o teu sexo com força. quando entrava.CAPÍTULO DOIS Escreveste na parede do quarto com o teu sangue sempre a mesma palavra. Gostava de encovar o teu seio na minha mão. ambas as tuas mãos empurrando o meu sexo para dentro de ti. sôfrega. Puxavas-me as mãos para cima de ti. disseste-me. também gritaste. da irregularidade da carne do mamilo. as nádegas erguidas. o esgar do teu rosto. duro. Aprendera há muito tempo essa forma de exorcização. sorrias. Sentir-te em cima de mim. gritaste. deitada de bruços. violentamente «preciso cantar. Depois. soluçando. magoando-te. os dedos da mão direita — a mesma que escrevia nas paredes as palavras de sangue — acariciando o sexo.. naquele desvario pungente que te abria na alma uma vontade impercebível de te maltratares. entredentes. Várias vezes. trementes. Cantavas. dizias. a tua ânsia a minha ânsia. quando te sugeri que usasses o sangue para pintar a palavra que tanto te atormentava. sentir o desprender da pele. as ancas. Às vezes já não sei se é a dor que me dói. Já usavas o teu sangue. o teu corpo fogo incandescente e as minhas mãos tornaram-se alvas. altivo. o teu ritmo o meu ritmo. latejante.

roubando a ti própria prazer. dizias.outros. O banho. na encosta do seio. no pescoço. O banho. dizias. Também não entendias porque chorava eu quando te via assim. 9 . O leite manchado de sangue. na tua perna direita. entre as pernas sobre o sexo. no ventre. O leite da celha de porcelana manchado do sangue das palavras de que não sabias o significado que te escrevia repetidamente no corpo.

Pedias-me então. para que te vendasse. com o canivete do teu avô. insaciável. Nesse quarto nunca choraste. dizias — eras sempre demasiado animalesca. como que te enfurecia. Ao entrar. na noite da Lua de Fogo. 10 . Ao sentires afastar-me. antigos.. que só muito tempo depois me desvendaste o segredo. entrando para a sala. os dentes. violenta. desassossegava-te.. ao rodar a chave. No quarto Azul faço amor contigo. interpretando os meus passos como sinal de impaciência. Lamber-te o corpo — a boca. sempre me pediste para esperar. Sorrias — quando me sentias quedar à tua frente. Só descansavas encostada à ombreira da velha porta — onde tinhas esculpido. pedias-me para esperar — sempre o fizeste. dobando infindáveis hesitações que se emaranhavam sempre umas nas outras: tu sempre assim o disseste. como se entrasses sempre num outro local num outro tempo e fosses incapaz de impedir essa violação que tu própria forçavas. o teu nome e um símbolo indecifrável que escorria em longas farripas ocupando mais de metade da placa de madeira escura. os lábios. Depois entravas — não sem antes me pedires. No outro sim. e que catapultava para ambientes estranhos. Nunca fizemos amor nesse quarto. a língua. a estranha polpa que te lambuzava a alma e te desenhava irregulares sentidos. para te obrigar a sonhar se te sentisse relutante. soubeste que o fazia para te perturbar. Sorrias.CAPÍTULO TRÊS Subias as escadas aflita — dizias depois que te cheirava a velha a madeira dos degraus. tirar a camisa «francesa» como lhe chamavas. num tom que nunca cheguei a compreender. para te obrigar a falar. agachavas-te e fechavas os olhos — murmurando antigos enleios destonados e rudes. A falar. incandescente. dizias. acariciar o teu rosto com ela. a saliva na tua pele. a sentimentos exorcizar. A minha nudez. Só muito tempo depois. sempre sorriste como se assim vedasses o caminho dos sentimentos da alma. Por isso chamei a esses quarto Vedante. a palavras dizer. que nesse quarto nunca viste apenas sentiste.

XVIIº Marquêz du Sado Setúbal.. Julho / Setembro de 1998 11 .) Yanassë..(. Jorge de Cantenac.

12 . sob o projecto gráfico de Jorge Phyttas-Raposo — fez-se uma edição electrónica (em formato pdf) de transferência e distribuição gratuita.Deste livro. de braços e pernas abertas. nu!» — primeira edição electrónica. disponível em Julho de 2004 no saite Üdançã Editora. «Estou deitado.

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