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Copyright © 2012, by Outcas Expresses Conslho editors: Gauéncio Frigotto, Laie Casas de Freitas, Maia ‘Viewsra de Mesquita Benevies, Paolo Ribeiro (Cunha, Rafe Lisvia Vilas Boas, Rica Antunes, Walnice Nogucia Galvio Ressho: Dukinda Pen e Marina amare Brena Diagrunasio e capa: Kr Eusidio Impress eacabamento: Inzergaf tnd. Grice Ete ute macioa e Cteocioneagie) ve ete avo sats ease) inden Zed ~SinPale Oates, 208, "0 ‘assem tev pests cameenatsed 1 Sak 2 nc 8 Tea Dietosona 4 ab Sta Tu oan a, ‘Gin Na ELRNE NS aan CREW Lodo oder reservados, [Neahuma part dese iv pode er ulinada ‘1 reprdiiida sem a auoriacio da eiora. 1 digo: sexembyn de 2012 2% edigi: mao de 2015, (OUTRAS EXPRESSOES Raa Abolisio,201 ~ Bela Vista (CEP 01319-010 — io Paulo ~ SP ‘Tel (11) 35227516 / 4063-4189 [3105-9500 cditoracxprestopopulaccom br lisraiaexpresopopularcombe swonefacebook-comfedexpresanpopular Que nals nos ete, que nada nos dina. (Que ibenéade sje « ness paris subrinci Simone de Beansoir Myrtes Cisne, minha mée, fonte constante de forga, i, ensinamentos e admiragao. juecivel Romana Bastos (ix mensorian), “filha do partin precocemente, mas, deixou sua inspiradora ls em nossos punhos. Seguiremos em marcha [com © por vocé] acé que todas sejamos livres! Aodas as mulheres “bruxas® que teimam em lutar por ude. ‘mesmo tempo excluindo a possibilidade de uma — (Mészaros, 2002, p. 301), — irtindo das anilises até ve aqui apresentadas, apreende-s: 3 : eblemstica de gnero como uma mediagdo de desse ons as expresses da “velha questo social”, uma ver que cons, edn adisyar cota ctl em theres, ceproduzem desigualdades ao serem aprepriadas crfatcoalaar pl : copia rocendo manueinsoe © fortalecimento da classe dominante. a CAPITULO 3 Divisao sexual do trabalho na ordem “sociometabélica” do capital —uma anilise necessaria para a emancipagao das mulheres ‘Acemancipasio das mulheres exige uma onder ‘socal qualcativamente diferente. Mésires ‘A diviséo sexual do erabatho & uma das formas centrais _para a exploragio do capital sobre o trabalho. Essa divisio Segmenta os trabalhos de homens © mulheres ¢ hierarqira tais trabalhos de forma a subalternizar os considerados natu ralmente femininos em elagao a0s considerados naturalmente masculinos, © acesso das mulheres &s profissbes adequadas 40 sexo feminino, todavia, nfo se descnvolve navuralmente. ‘Uma prova de quea divisio sexual do trabalho nao resulta da cexisténcia de uma esséncia feminina ou masculina, €saber que uma atividade especificamente masculina em uma sociedade pode set especificamente ferinina em outta ‘A divisio sexual do trabalho_resulta de. um sistema pa ‘riarcal captalista que por meio da diviséo hlerdrquica entre ‘os sexos, confere as mulheres um baixo prestigio social e as stubmete aos ttaballiws mais prccarizados e desvalorivadas, mulheres. Nessa perspectiva, Lobo, de ac-ordo com 0 pensa- ‘mento de ‘Thompson ¢ Lefort,afirma que : ‘Alnomogenelzago da clase, cansequéncia dee sia constrgo camo elemento estrutural, se traduz numa metodealogia de apraximacio. ‘em que uio cabea abordagem concret das situagées de trabalt. « face ao trabalho e sociedade, da vida cootiana e das rlases (que estibelecem homens e mulheres ao viweneiarer as relagoes de produso, c experimentarem situagoee gleerminadas, denteo do conjunco das relagdessocais (1991, p. 1 17) Partindo dessas consideragées, as aandlises de género nao devem descrever as classificagbes/e-ategorizacoes (ser hhomem, ser mulhes), mas identi m0 08 significados atribuidos a essas interferem e contritouem na constru- ‘gio do mundo do trabalho. E necestércio perceber que a feminizacéo do trabalho, explicita nugma anilise critica a divisio sexual do trabalho, implica gem determinacbes relevantes para a produgao ¢ para a reprondugio do capical, ‘que, para Canto, desenvolve uma supereexploragio sobre © trabalho ¢ sobre as atividades desenvolviidas por mulheres, tanto na esfera pliblica quanto privada, {Na esfera privada, pela utilizacdo/tesponsabilizacio da mutlher prla garantia da reprodugao social, 0 que possibilita :a producio social ser realizada com um custo menor; na e2sfera publica pela desvalorizagio, subordinagio, explora. cio intensificada (por exemplo, baixos salirios) ¢ desprestsigios presentes no ‘mundo produtivo, -Ricatdo Antunes, analisando a condiigao da mulher na sociedade capitalista, evidencia o nitide ccariter de classe, ou ainda, © “jogo” de interesses presentes posr tris dos modelos de géncro estabclecidas. Esses moclelos praovocam, de acordo com suas palavras, uma exploragio intensijva sobte a roulher, como se pode observar: A mulher caalhadora, em geral,realiza sua atvidade de rabalho dduplameme, dent e fora de casa ou, se qusermos, dente fora da fibrica,E, 20 fazé-lo,além da duplicidade do ao do trabalho, cla € duplamente explorada pelo capital: desde logo por exercet ‘no espace plblice seu eraalh produtive no Amita fabril. Mas, to univers da vida privada, ela consome horas decisivas no trae batho doméstico, com o que possibilia (ao mesmo capital a sua reproducso, nessa esfera do trabalho nfo diretamente mercancil, fem que se criam as condigdesindlspensiveis para a reproducio dda forga de trabalho de seus maridos,filhosias e desi prépria Sem essa esfera da reprodusio no dizeramente mercancil 35 condigses de reproduce do sistema do metabolismo social do apical estariam bastante comprometidas, s nio invibilizadas (199, p 108-105), Daniéle Kergoat aponta, na atual estrururagio da divisio. sexual do trabalho no Ambito do sistema capitalista, a sua determinagéo elon imbricagio com as relagbes de producto: ‘De um ponte de vista histico, a estrucuragso atual da divisio sesual do trabalho (tcabalho assalariado/teabalho domésticos, rca, esritdviorfamilia) apareceu simultaneamente com 0 €2- pitalismo, 1claco salarial 6 podendo surgir com a aparigio do taalho domésteo (deve-se norarde passagem que ests nocio de ‘trabalho domético nan € nem a-hisriea nem transersict: 20 contritio, sua geese & datada historicamente). Do nascimente do capitalism ao petiodo atual, as modalidades desta divisio dd ctabalho entre os sexos, santo no asslariamento quanta no tuaballo doméstico, evoluem no tempo de maneiraconcomitamte As tlagbes de produgao (1989, p, 95). A anilise da divisio sexual do trabalho permite perceber nnuangas da exploragio capitalista muitas vezes despercebidas devido & naruralizagao da subalternidade das mulheres nesta .sociedade, assim como de papéis por clas desempenhados. ‘Nao perceber o contetido de genero presente nas relagies de trabalho é produzir uma “distorefo que aproxima o discurso sociolégico da sociedade espontinea. Ambos partem da na- do trabalho: “A vontade de nio pensar isladamente, de mio imperializar uma relagéo social, mas, ao contririo, esforgarse para pensar conjuntamente, em termos de complexidade e de coextensividade as relagbes socias fundamentais de classe © de sexo” (1989, p. 93). E preciso, pois, desvendar os fatos,vistos aparentemente como naturais,analisando suas determinagées. Acategora divi- so sexual do trabalho aponta para essa perspectiva, configuran- ddo-se como um instrumento de anahsee desvelamento da real, mas precsumente das relages de exploragio desta sociedade, queso transmotadas—no aparente~ como fenémenos inatos, © que dificulta a confrontacio, i que os fatos si aceitos com ‘naturalidade. Nesse sentido, afirma Danitle Kergoat: (a prblemrca da divisio sexual do eaalho se inscreve na grande radio da soiologia que éprecisruente de ial das parincas, sgn do seso comiim, para mostrar que 0 ie € pe cid como ‘natural por uma socelade, 0 vnicamente porque acodifesgio socal forte, 0 ineroriad pelos stores. que clase wna invisivel: © cueural wrna-sea evidenca, o cultural transmuxa em natural (em, p. 96). ‘Compreende-se, porranco, que as subordinagées eexplora- ‘es softs pelas mulheres, por meio de qualificagbes adqui- ridasa partir das atividades desemvolvidas no desempenho dos ppapdissociaisa chs impatsdos, possibilitam uma imtensiicacso a produtividade, consequentemente do actimulo do capital via eriagio do excedente. ‘Como pode ser percebido, faz-se indispensivel analisar ‘6 uso diferenciado da forga de trabalho das mulheres. Para tanto, o capitalismo deve ser pensado nao tao somente por iio da ldgica econdmica restrita, mas como um sistema de dominacio social, culeural, politico, ideolégico e também econdmica (Castro ¢ Lavinas, 1992) 126 Feminizagio do mercado de trabalho ~ conquista da mulher ou estratégia do capital? Acentrada das mulheres no mercado de trabalho brasi- Ieiro configuracse, de acordo com Bruschini, como “uma das mais marcantes transformagées sociais ocorridas no pais, desde os anos 1970” (1994, p. 63). A autora aponta ainda que, mesmo com as sucessivas erises econdmicas que tém assolado 0 pais a partir da década de 1980, a presenca das mulheres no mercado de trabalho brasileito, sobretudo © uurbano, é cada vex mais intensa e diversiicada e nao mostra nenhuma tendéncia de retrocesso, Para se perceber a marcante.e massiva entrada da mulher no mercado de trabalho, Hobsbawm apresenta o seguinte dado: “Em 1940, as mutheres casadas que viviam com os maridos ¢ trabalhavam por saldrio somavam menos de 14 por eento do total da populagéo dos EUA. Em 1980, eram iais da metade: a porcentagem quase duplicou entre 1950 € 1970" (apud Netto, 1996, p. 92). No Brasil, de acordo com Bruschini, em 1990, “o né- mero de trabalhadoras brasileiras atingiu a cifra de mais de 22,9 milhies, 18 dos quais concentrados na zona urbana (0, epresentando um crescimento relative da ordem de 59.7% na década de 1980" (apud Neves, 2000, p. 173) Esse fendmeno merece, pois, uma atencao especial, em busca de perceber os impactos, avancos on continuismos em tetmos de desiguakdades sobre o trabalho das mulheres. Coma crise do capital iniciada na década de 1970, vém se desenvolvendo movimentos/estratégias/transformagdes no modo de producio e reprodugio sociais, no campo econdmico ¢ politico, dos quais se destacam a reestrutura- ‘¢40 produtiva somada ao neoliberalismo, um novo modelo para o Estado, Essas transformagoes possuem dimensbes a7 ‘grandiosas, cujo aprofundamento nao se tem, aqui, a pre- tenséo de fazer” © objetive deste item € apenas perceber os principais impactos das consequéncias destas transformagocs sobre as condigdes de trabalho das mulheres, ainda de analisar come Co capital se utiliza das mulheres trabalhadoras para assegurat a efetivagio descas transformagécs, Dessa forma, prerende-se perceber o fendmeno da feminizacio do mercado de trabalho dentro de um movimento social mais amplo, apreendendo suas smacrodeterminagoes ‘Assim, para se compreender crticamente a expansio da fe- rminizagio do mercado de trabalho, faz-se necessirioentendé la como “parte de um processo mais amplo de transformacio do capitalism, que vem sendo identificada com as processs deglo- balizaggo ede reestrusuragio produtiva® (Araijo, 2000, p. 133). ase fendmeno, por conseguinee eva necessidade de ums. anilisealém de suasingularidade, dasimples aparéncia expressa fem pensamentos como: “a mulher estd se emancipando”, “a mulher conquistou sua independéncia, liberdade e autonomia com a entrada no mercado de trabalho”. ‘Desa forma, é preciso perechero fenmeno social da fer rnizagio do mundo do trabalho na ordem. do capital, desven= dando quais os processos socizis, econdmicos ¢ politicos que a dererminam. Nessa perspectva de toralidade seengendram as condigles pata que se possa compreender os interessts ocultos ‘na aparéncia desse fendmeno, ‘Mésziros (2002) afirma que “durante o desenvolvimento histérico do capitel também sfo ativadas algumas potencial- ddades positvas para. a emancipagio das mulheres — apenas para 3 Tans ammlorapofunlameno des calories, ser dene ono Ces fle 99M: Harvey 2007, Anes 1385 6 19) New (95) 18 serem mais uma ver anuladas sob 0 peso das contradiées do sistema", Qaucor apresenta em sua anslise erica uma reflexdo desveladora desse ferémeno ao afirmar que: _ aextalmitacio do capital por mesmo em relago 3s mulheres raz forga de trabalho a um némero cada vez maior delas, sob © esorivel impalso expansionista da sistema: uma akeragio que so pode se completar sem que slevante a questao da igualdade demulheres, eliminandosa process alguns abuse barctasante- "ocmene existences. Este movimento que surge do ndispensivel Jmpuls do capital para expansio ¢ nia es mais lve inclinacto 2 uma esclarecida preocupacio emancipadara em relagios mu heres eto tee no momento aportuno. No apenas porque as rulers tm deaceicar una patel desproporcional dasooupaghcs| mais inseguras mai mal pagas no mercado de trabalho esteam 1m pésima stuago de representa srenta por conto ds pobres do mundo, mas em vieude de seu papel decsivo na Familia patie (9.304305). Observa-se assim, que as conquistas, as potencialidades positivas para emancipagéo das mulheres se encontram imbi- ‘eadas nas contradigdes do movimento do capita, que engendlra ‘estratégias, ao seu favor, travestidas de bandeiras de uta das -mutheres. Na ran, portanto, queas rnilheres, an contri dda emancipacio, se enconcram suibmetidas as condigdes mais precrias do mercado de trabalho, além de sobrecarregadas com as atividades domésticas e oda a responsabilizaco com a familia, como destacou Mésainos Ressalta-se assim, que a insergo da mulher no mercado de trabalho nio significou, em tese, uma ruptura com a sua responsablizacao com as aividades domésticas com 2 repro ducfo social, ou sej, 0 Estado permanece desresponsabilizado, ‘sem impor esse dus ao capital As atividades domésticas peemanecem sob a responsabi- Jidade direta ou indireta da mulher seja por meio ds jornada 19 intensiva e extensiva de trabalho (trabalho extradomicilias € ddomicilia), sea pelo cumprimento de sua obrigago em dar conta do trabalho domiciliar mediante a ajuda de uma subs- tituta no periodo de sua auséncia, que pose ser uma filha ou 2.avé da familia, como & comum no Brasil. Nesses termos, descaca Blay: © trabalho extademiciiarimp6e & mulher, sobretado &casada, arranjos de ordem domestica, El precisa encontrar uma subsceuta {que cuide dos lhe, po so isis os sereigos oferecos 8 c0- muni neta ies). Poeeano, mulher trabalhador pec cri la mesma a condigbes para que seus fils sear cuidados dluranesuaaustncia (.). No tipo de sociedad em vigor no Basi tecurse dese deixar ascrangas com asaws parece st mut usa, Iso éposivel porque at mulheres de meiaiade no retornaram a0 trabalho ou nfo se intgraram a ele nesa ctapa de suas vidas € podem ajuda as flhas que rabalham (1978, p. 272-273 Claro que essa dupla jornada de trabalho, asobrecarga ea cexploragio, de uma mancira getal, sio somente imputadas &s mulheres das classes subaltermas. As mulheres pertencentes & classe dominante, mesmo que exercam atividades extradon «iliares, nin realizam trabalho doméstico — que ¢ executado por outras mulheres remuneradas ¢ muitas vezes exploradlas pela propria “patroa’ sss atvidades doméstica, além de sobrecacregarem as mulheres de trabalho, ainda desenvolvem algumas habilida- des nas mesinas que, azualmente, so exigidas no mezcado de ttabalho com o advento da chamadsa fexibilizagio, Sobre as quais, Segnini esclarece: (.) nas diferentes formas de insergio na organizaio do trabalho analisadas ~ uabalho em tempo ineegral,crabalho em tempo parcial caballo ereiizado ~2 autherapresenca um clevalo potencial de produtividide, Tratase de uma nova forma de uso da forga de trabalho da mulher que revla, a0 mesmo tempo. 130 apreentio de antigas formas de disriminagio assim como 0 e- ‘nhecimento de competénciasrequridas pelo trabalho Sexive, adquridas plas mullerss a partir da reagio como o trabalho 0 Ambito privado (1994, p. 64). Bsta andlise denuncia que a feminivagéo do mercado de trabalho “nao se trata tao somente de uima conquista social das mulheres no espago piblico do trabalho assaariado mas, sobretudo, uma conquista do capital” (op. ct) “Medlante as consideraes acerca das condligoes precarias da entrada da mulher no mercado de trabalho, considera-se ‘que, mesmo com o avango do movimento feminist, 0 que se egar que as mulheres concinuam softendo es leo, cembinados da exploragio de classe e da dscriminago sexual? 2000 p. $3). Cristina Bruschini também demonstra a viokéncia de géne- ro softida pelas mulheres no mundo do trabalho, ag constatar ‘em pesquisa tealizada na década de 1990, no Brasil, as desi- gualdades a que estéo submeridas, inclusive, as tabalhadoras de nivel superior, com qualificagio profissional. Cita ainda 6 Servico Social e outras profissées consideradas femininas que permanevem & mercé das desigualdades de ganero. Com, feito, destaca Bruschinis a (astrabalhadoras comtinuam concentradasem ativdades do seror de servigos eno segmento informal e despronegid do mercado de «taba, seino empregodomestco nfo regisuado, sea maatividade por conta prdpra, na familar ndo remunerada ou na domicile. (Condigéesprociziae de trabalho ~ con bain indices de esto «em carte de contibulgio pasa a Previdéncia Social — podem ser definidas coma caracreristicas de pelo menos metade da forea de trabalho feminina, Os afizeres domésticos continuam sendo consierados como inatividade econdimies, embora mancenham ‘ocupadas boa parce das uulheres. As trabalbadoras mats quali- ficadas predominam em empreges tradicionas emininos, como ‘0 magistécio, a enfesmagem e 0 servico social. Os baixossalitios ‘eas desigualdades enue elas eos colgas continua a eer parte do seu mundo de crabalho, Nada disso pareve ter solide grands smudencas 2000, p. 56) Como se pereebe, hi uma stie de continuismds no tocante {a desvalorizagio ¢ exploragio da forga de trabalho feminina, 1a persisténcia da divisto sexual do trabalho e todas as suas implicagSes negativas para as mulheres, reprodurindo os “guetos” femininos desprestigiados no mando do trabalho, como essa Neves: ‘Confosme o eautio sobre Desenvolvisaenwo Hamano no Brasil, “as mulheres representam 48 por ceno da forga de trabalho do sero tercitio apenas cerea de 20 por cenco nos casos da agricultutae da indistia. Em 16 ocupagoes do sever formal, clas comparecer com mais de 50 por entoresakando-se alguns dels como verdadeiros guetos femininos, como: cestura, 94 por cento magistério do 1° gra, 99 por cento secrerariado, 89 por em ceefonia/telegraia, 86 por ceno enfesmagem, 84 porcenco recepgi, BI por cent (2000, p. 174) Assim, mesmo em tempos considerados avangados, © que se demonstra é a necessidade da oxganizagio e luta das mulheres, inclusive no ambito do Servico Social, por ser uma das profissées impactadas com a subordinagio da mulher no ‘mundo do trabalho ¢ na sociedade de uma forma geral 135 ‘Emancipagio das mulheres — um imperativo para a ruptusa com o capitalismo ‘A emancipagao das mulheres nfo resultard apenas da conquista da igualdade entre os géneros, Isso nao garantria, por exemplo, a climinacio da exploragso de mulheres por mulheres, como jd sugerido na discussio da relagéo entre agénero ¢ classe. Ao pensar em cmancipagao é indispensivel nfo abrir mio da luea pela abotigio do trabalho assalatiado, dda propriedade privada e do capital. Conto esclarece Tonet: Asim como a soviet capita ma gual 3 fandane compre wos do fra de abalone emancpoa, aang piel que wero bal cdo fomadetsbalo quel tml alr a prprcdade peda cai com codes ew nln Ino permit Teale a ss intensmcns sacs mana, gir, portend partis da cena mana lm Ue pon liming do tempo ness, aumunande tempo line () No srl mao cept que deo dino desis eda sociedad simon pnsindvoon Abas se pound preci oa lip, pee tal asec, os Ene torneo qos decide ‘Mem em ase ee que moto} ie prods (.) each hes pda Gegue 8c dein er thalivenceonenemesc pos ri homens, Horna ais apne omen vex ma ener Ties, Ni mais female ua mes eles guns ie dew gala A gun aol liven, arate ecxigea dena W997 p IAS. A emaneipacio, portanto, tanto dehomens quanto de mulheres, ndo ocorre sem a independésia do trabalho assa- lariado ~ relacionado & exploragao, & deminagio ¢ ao estra- tnhamento ~ que impossbilita qualquerforma de lbertagio. E preciso, em outras palavras:“(..) enfertar a questo do ‘ipo de igualdade viével para os individios em geral, € para 136 asmmulheres em particular, na base material de wma ordem de reproducio sociometabélica conteolada pelo capital” (Méseé- 10s, 2002, p. 273), ‘Acmancipagio deve ser percebidda dentro de uma dimen- sao de coralidadc, ndo apenas limitada ao género, caso haja a pretensio de que seja verdadeira © plena. Pata percebé-la dentro desse parimetro, é importante perceber que “(..) dadas as condigdes estabelecidas de hierarquia ¢ dominagio, a causa hist6rica da etmancipagio das mulheres no pode ser atingida sem se afirmar a demanda pela igualdade verdadeira ‘que desafia dirctamente a autoridade do capital, prevalecente no 'macrocosme’ abrangente da sociedade e igualmente no ‘mierocosmo' da familia nucleas” (2002, p. 271). 0 que o autor demonscra & que a desigualdade entre ho- mens e mulheres nao deixacé de exists seja no macrocosmo, s6ja no microcosmo (familia), caso no se desafiediretamente ‘capital, uma vez que esse impée a desigualdade em todas as, esferas socetitias Assim & que familia nuclear “nao defxade ser profuundamente autoriciria devido &s fngSes que lhe io auribaidas nam sistema de controle metabslico dominado pelo capital que determina a orientagéo de individuos particulares por meio de seu sistema incontestivel de valores" (idem). Dessa forma, nota-se que a demanda pot igualdade e 2 ‘posisao a0 autortarismo nfo pode ser percebida como uma “mera questio de relacionamentos pessoais mais ou menos Ihierinquicos entre os membros ce fails espectfias” (idem) A jgualdade s6 seré teal se for afirmada no mactocosmo do capital, ea faunflia~estando ale subordinada e determinada Pant asegatar as condicées de exsténcia do capital ~ no rem com romper com a desigualdade, (Caso familia rompa com esses imperativos estruturais da sociedad, afitmando a verdadeieaigualdade, estariaatingindo dizctamente a sobrevivéncia da produgio e reprodusio do capital (dem) Terese, portant, que persber a necesiade dle ruptura com esta orem para x alcangar 4 emancipasioy como brilhantemente apona Mésriros: Tmplorara um sistema de reprodusiosociometabsica profs danente perso —bascado na pericio dvistohieinquica do Ciabutho © seoncessio de ‘oportundadesigai¥ paras malheres ter pra. rabalhado) quando ele €extrratamentencapaz ce Peeriie. ranaformar em zombasia a propria nia decane Cpu, A consi peévia ssencial da verdad igualade & crema com urna etic radical a questo do modo inevitivel “fe funcionamento do sltema etabelecko c sua correspondents