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CO ry Ce Okc) roteiro j OA a Ca Ces TOG Apresentasiio de Fernando Mel © Teereren er Cesc Meee ee tect) ruteiro, um elenco de receitas que garantam a Construgao correta, a obediéncia ao que seria Rr ene eer tne ek ree ere ent cra Cre ctin Re emcee rn através de perguatas bem escolhidas, faga 0 eta ncn octet n Rc HOO Sareea coer COM eee erin er erence ten ence cee) retin Renn terr ttn NEO eee RT acne a) Ree Ceca cy Reefer nee cers eect reo ectar Re ken RCC Te CesT) testados na vontade de dar forma a uma intui¢go Sena cee octane) Teese erie uence kese rece Leces tes Ceca Oneness Peet ke eens PES oR eee Rocca ha men osc RE KCeC RRS Cece MI ene ML eB Oat pendular entre o escrever ¢ o refletir sobre 0 Pere et nce race) de seus resultados a cada etapa do processo. reco Ce eC Re Roney Cie ec Or erate CC h LS er eee eee cnr orc) AIR ean ect eect kay liame existencial, por assim dizer. O épico, PU remade eter Rect CMe Rect aa Pere CT ec RS re mcm Pee on eoae (eC ORe TCT coe oeee TE contexto em que ganham validade e limites. Ou ROR MRCO OTe UE OM Su Rs Conan Ce eee een ree Res ite mee eC Ue L mse mice tie) eee eee eee mer cic) nao é tudo”, e os autores fazem a devida Pete ete terete ee Ce Tene nocd implicado como afirmacio do que hé de épico Peon ference ecu Ons tur) Pemeont ese CR Cones ec eke reste como instancias do olhar, este livro revigora 0 tradicional recurso aos exemplos extraidos dos filmes que conhecemos. Tais exemplos valem eee tC ee ca een ca de original, de inspirador, nao apenas 0 que Peek acne One aen eee or ec rigoroso na composicéo de uma pedagogia que eer erator tee conn Peer ect eee aca Ren err ene ece Om etre Re ere eet ren eet — ISMAIL XAVIER Professor da ECA-USP, autor de Alegorias do Subdesenvolvimento, entre outros andro Saraiva e Newton Cannito aie Tatfe] de roteiro Ca Oe ad Ce CR eA © CONRAD EDITORA DO BRASIL LTDA, Kate Souza CONRAD LIVROS DRETOR EDITORIAL Rogério de Campos Jonathan Yamakami Heda Maria Lopes Pane: 260 54 An: 3O3GA Oo “Universidade Federal de Permambuco re SENTRA CIDADE UNVERSITARIA ‘CEP 50.670001 - Recife - Pernambuco - Brasil Roy. ne 3947 = 100472007 HX, 2 CAC ROTEIRO, 0 HANGIEL,PRINO Apresentasao de Fernando Meireles Titulo: MANUAL DE « wo ‘CAPA: Denis C.¥. Takata FOTO DE CAPA: Adriano Goldman (atores: Darlan Cunha € Douglas Silva) REVISAO: Rita Narciso e Otacilio Nunes DIAGRAMACAO: Osmane Garcia Filho PRODUCAO GRAFICA: Priscila Ursula dos Santos (gerente), Leonardo Borgiani Alberto Veiga ¢ Alessandra Vieira GRAFICA: Palas Athena Dados Internaconais de Catalogagio na P (Camara Bra icagao (CIP) Saraiva, Leandro Manual de Roteiro, ou Manuel, o primo pobre dos manuais de cinema e TV [Leandro Saraiva ¢ Newton Cannito ; ~- Séo Paulo Conrad Esitora do Brasil, 2004, ISBN 85-7616-054-4 sho - Roteiras | Saraiva, Leandro. I Cannito, Newton. Il Titulo V. Titulo: Manuel, 0 primo pobre dos manuals de cinema e TV. cod-791.47 ee -791.457 dice para catélogo sistemstico: 1. Roteiros cinematograficos 791.437 para televisio 791.457 CONRAD LIVROS Rua Simdo Dias da Fonseca, 93 ~ Cambuci Séo Paulo ~ SP 01539-020 346.6088 Fax: 11 3346.6078 Agradecimentos ro como este se aperfeigoa no contato diteto com os leitores adecemos aos mais de quatrocentos alunos ¢ dezoito professo- ro qu, por quatro meses, utiizaram uma versio anterior des- lurante as aulas Workshop de Roteiro Cidade dos Homens. Essa cia foi fundamental no aperfeigoamento do método de ensino iro que propomos no Manual Fies de Roteiro, agora publicado. Devemos ainda agradecimentos especiais & equipe de realizago do idéia, e a Bel Berlink. Pela Educine, a toda a vasta & a Dolores Papa, Mauricio Cardoso e Maria Gercina Bastos. m, Fabio Dias Camarneiro ¢ 1 fim agradecemos a Eduardo B ro Maciel, que colaboraram na pesquisa necesséria para a redagio Os aurrones Dedicamos este livro a Carl Sagan ¢ Jacques Cousteau, Zosmos ¢ a0 Fundo do Mat. Apresentacéio sti escrito que este livro é um manual, mas deve ter sido um fica, Este € 0 Manuel, o primo pobre dos manuais. Pobre mas esperto, porque o Manuel nao faz lstas de regras nem dé re- smo fazer um rotciro, E mais inteligente que isso. Ele bate um mo roteirista, ajudando-o a entender sua propria histéria por di- .gulos. © Manuel foi escrito para se x de apoio a um curso de roteiros que sétie “Cidade dos Homens”, na qual estou envolvido, como Sorte minha. Através dessa leitura, pude compreender melhor nnvidamios os au res do Manuel para integrar a nossa eq E interessante ler o Mi 1 numa sentada, canforme proposto na in- ais sentido ainda ir lendo durante o processo de cria- yao de algum projeto. E ai que as questées levartadas adquirem relevin- aco, mas fa jae a leieura passa a ser realmente Para encerrar: © Manuel gosta de filmes inceligentes, mas filmes de ue o puiblico também gosta. O que mais diferencia e torna este trabalho reressante 6 0 fato de nao estar apoi lo no modelo da inchistria norte americana, mas também nao olhar essa industria com preconceito. Dziga Vercoy, Truffaut, Antonioni, David Mammet, Sydney Lumet, Mike Leigh, Guel Arracs, Jorge Furtado, Godaed, Billy Wilder. O que ha de melhor como referéncia esté aq Este camarada pode vir a se tornar seu grande amigo. O Manuel, Fernaxpo Mee Apresentagéio dos autores Fabricando formas de produsao Este livto foi escrito originalmente para o Workshop de Roteiro Cida- sie dos Homens, curso realizado pela FICs (Fabrica de Id om apoio da O2 Filmes, entre abril e julho de 2003, reunindo quase qui- ruhentos alunos de virios estados brasileiros para quatro meses de priica de toteitizagio, As aulas foram ministradas num ambient como base uma versdo anterior do texto que ago é publicado. O Work- ap possbilitou que o método de criagio de roteiro desenvolvido neste Manual fosse testado e aperfeicoado com a imensa contribuigéo de todos unos e professores envolvidos, a quem os aurores deste manual agra- ss Cinematicas), jreual e cinham © Workshop e o Man « cacao praticado pela FICS. Essa entidade atua como agéncia de iden- gio, coordenagio e potencializagao de talentos dispetsos, reunidos em fangio de uma produgio audiovisual ao mesmo tempo seriada € ex: FICs de Roteiro sio exemplos do mérodo perimental ‘A FICS acredita num modelo de c tencil individual com o melhor da organizacio coletiva cages criativas impostas pelo cligopslio das corporages . .¢20 que combina o melhor do po- rando tanto as de produgio de conteido como a atomizagso da produgio artes ‘Como Vertov, acreditamos que 0 homem se mul tanizada com os outros homens. Como Godaré, no acreditamos na dis- agio ¢ reflexio. Filmar, editas escrever, exibir, debater scat a representagao do mundo tivos através de eventos e workshops. Nossa missio éa construgao de pontes entre grupos culturais¢ so ctiativos, algo como fios que ligam pontos com diferencas de potencial, getando a corrente ral como ica da inovagio. Acteditamos na produgio cultu- rividade iconaclasta de quebra de fronteiras para criar encon- «10s, processos e produtos surpreendentes e diverso potencial cultural brasileiro, Nosso principal objetivo € contribuir para a ampliagso dos setores so- ais que realizam audiovisual no pais, criando novos canais de 0 dessas obras, incentivando 0 enraizamento regional ¢ a descentralizagio econdmica dos empree! nesse sentido que propiciario a multiplicagio de obras inovadoras Consideramos o Manual PICs de Roteiro um cesso de construgio ¢ esperamos que ele sirva para motivar realizadores jovisual brasileiro. nentos de produglo. Sio esforgos coordenados oa mais nesse pro- dispostos a contribuir com a renovagio Mais informagio sobre a FICs no site www.cinematico.com.br Bay Introdugdo. O Manual que quer ser “Manuel” Néo fornecemos receitas de bolo. Por favor, néo insista depende, basicamente, de processos subjetivos e ineransferiveis podem ser traduaidos em regras simples e absolutas. Joum prometemos algo como um basta seguir esses simples passinhos sugeridos”. Os ro americanos (Syd Field e outros dla mesma pipa) cost 0 “do i yourse nples”). Fugimos disso, ia para o roteito sem indir rotciro com culinitia ou hobbies do ti cachorto em seve passos he oferecemos é um conjunto de ferramentas para aprimorar, sua criagio, a partir da matéria-prima que sé o seu trabalho pode icter(stico dos manuais. Nosso Manual quer ser ue é “um primo pobre” dos manuais, mais humilde em sua daqueles sujeitos que, em vez de julgamentos e re- snversa sugestiva, que parte do que o interlocutor diz lo a ver as coisas sob virios angulos, de “um passo”, de paraa de um radiotelescdpio). Por isso, o melhor que o leitor pode fazer € trataro Manuel com aque- Ja sem-ceriménia que possbilita os bons papos. Pode bem ser que, is ve- 2es, 0 Manuel Ihe diga coisas que vocé ache descabidas, ou que vocé no entenda, nio aproveite. Paciény a nica coisa que importa ~ é o seu trabalho criativo. © Manuel esti vida € assim mesmo. O importante ~ para lhe servir,e servir para que voc encontre os methores caminhos e seu trabalho. Mas, repetimos, quem caminha, quem ESCREVE, é vocé. ° processo criativo ou Como e por que néo fazemos auto- ajuda nem que voce tem uma ichamos que voce sua perfomance na rea- 0. Apostamos num processo de trabalho bem of n esforgo, estudo, reflexao © em reescrevei reescrever. Inspiragio existe, sim. Eo nome do estado de q se transe que por vezes alcangamos, durante o qual tudo da certo. Co os estados de iluminacio espiritual, a inspisagio 86 rola como res de muito esforgo di ‘mente, devolvendo-nos a0 trabalho duto. E também se desmancha muito faci Nao compramas a hoje tio proclamada inutilidade da teoria. Nao acre- que “6 se aprende fazendo” e ou- nha. Nenhum arquiteto Aprende fizendo ma- ada e inde- a visio pessoal do ica’, mo dia-a-dia da criagio, amar de “reflexao") é muito 1, Se, por um lado, a criagio precede a reflexio, por gee a reorienta, num movimento pendular. se houver matéria-prima sobre a air, Se voce ouviu falar que um sujeito vende nacional sem fim, pensow um roteito por ina ¢, no meio dessa nossa larizamos com seu desespero, mas nio recomen- ro. Ou um roteiro € expres ida sob novos angulos ~ e ai podemos sugerir perguntas para ssa expressio mais eficiente — ou nao vale a pena —e af nossas per jo de uma tentativa ( cai no vazio. rgimento de idéias a partir do w com que seja necessi as em roteitos mediocres, ocando em mitidos: se vocé nao tem nada de novo a dizer, va Car, se apaixonar por idéias ¢ pessoas certas ¢ exradas, se ler coi-sas mais importantes que este Manuel, C M6 0 que temos a dizer. CO que este livro & ou “por que o Manuel é melhor que os outros” ntreranto, que nosso Manuel trazalgo de novo mesmo is acostumados & leitura cle manuais de roteio. Acredi 0” de Syd andar, ico como um casa de Top Gun, paradas tao bem planejadas como as do metré de NY. Em geral, essa concepgo dramatica ¢ apresentada como co que jd mostra que hé algo de pode nesse reino de gramados bem apara- dos. Onde esté o “terror” da tragédia? E onde esti 0 coro, que impunha a0s herdis gregos o confionto com as regras da coletividade? Mas deixando Aristoreles em paz, n esse “drama” de manual, com pretenso e nat *aristorélica”, 1 de seu merecido 1p, lizado D maiisculo, fz vis- ta grossa mesmo aos grandes dramaturgos americanos deste séc tos “erros” encontramos nos mondlogos interiores de Eugene O'Neil ou na debilidade das mulheres de Tennessee Williams! Alguns republicanos dirko que “isso € teatro”, que cinema é questo de industria e, como tal, requer aplicagio de férmulas testadas ¢ aprova- stante (esquecendo que até o sucesso industrial das. Digamos, por jengoes ousadas), que sim, Cinema, entao, é Cidadzo Kane, do & Mas que roteiro é aquele? Como alguém deu dinheiro para se fzer um filme que termina sem que compreendamos diteito o protagonista? E que confusio, que falta de unidade! se faz con Ou seja, todas essas regras de ouro (taise tis dvisGes, 0 modo corre to de construit © personagem etc. exc) So receitas para fazer uin bolo bem especifico, que até pode ser gostoso, como classicas tortas de maca, nte nio esgota as imensas possibilidades de invengiio mas que cert ulin. Anilise filmica 0 nosso instrumental Noss Manucl, em vez de tomar algum modelo narrative como defi- nitivo, lisa, do ponto de vista da escrta do rotito, vir lizados, buscando compreender seus mecanismos (muito diversos ¢ com- plexos). E como desmontar viios rel6gios para entender seu mecanismo 1 as questBes que surgem quando se quer fazer ados os elementos expressivos empregados na sta realiza~ » de cimera, foroge os, didlogos, incerpretagio, ia, mise-en-scdne, cenétios, ica é um campo de pesquisa que se desenvolveu princi- dentro das universidades (no Brasil temos, em especial, a obra cem especial a partir dos anos 1970. Mas, antes disso a textos de cineastas (com destaque para as obras tebricas de Eisenstein istas russos, escola cxtica sua contemporinca), jd indicavam a ialidade desse caminho de anélise formal. Trata-se do resultado de go para criar um: Nosso método se apéia nas conquistas desse campo de pesquisa. isso, somos capazes de orientar a redacio de um rotciro trabalhan. ‘caracteristicasinternas, ede faré-to apenas a historia contada e a encenagio, mas todo o ample le- aque de recursos que sé a natrativa audiovisual tem, e Para além do modelo dramatico para um percurso a ser realiza- Rotciro, como o nome diz, é um gu mo que escrever uma peca ou. serever um roteiro, ce. Um roteiro no é ainda uma obra, mas um plano para uma obra. detalhe, é fundamental, Escrever para \entos que vio além dos que compdem 0 drama; véo muito além do na ou video envolve © interessante € que as “regras do sucesso” dos manuais no se apli- 1 dos filmes realizados hoje, mesmo os chamados ‘a assistir Cidade de Deus ¢ Cidade dos visuais nacionais dos tikimos anos, que privilegiamos ro) para ver que 0s roteiros dessas obras nao cabem nos jigem deamitica que circulam por Basicamente, esses autores costumam trabalhar eriativamente com a ador entre a cena eo espectador. Quer dizer, a camera, ‘a montagem €@ ora contam (mostrar) para nés o que acontece, ‘como quem diz: “veja isto, agora veja este detalhe, cou dez dias antes, agora ouga o coment ‘sea cena de ago, mosttada sem som..." veja 0 que aconte: gem sobreposto a deste personagi Em termos conceituas, a presenga dessa mediagao da cam narrativa audiovisual uma co im termos priticos, noss gem audion outros (algo do tipo: “o uso da iluminagio"), mas como u pensar e escrever, que deve estar presente para 0 rotcitista o tempo tod jeito vi Propomos que se dcixe de lado a iia de que o roteto & basicamente dilogo. Essa visio, derivada da absolutizagio da forma dramética, deve set superada por uma visio mais especificamente cinematog izagio d junto do flu ode e 0. um estimulo & visu ogos ~ € as vores aff— no co ses, montagens paralelas, manipullagdes temp envolvendo 0s acto ete. rita audiovist mera formaragao d Essa defesa de uma vale a pena sublinhat, € algo bbem mais profundo que a cia didatica, percebemos certa ansiedade dos interessados em. ros com alguma precstabelecida, Isso € como a obsessfo com as classioo-dramitiea para as histérias, Esse espantalho da formatagio é uma falsa questfo. Para que no se mais nissor basta que as indie am claramente o espago a ser fil- mado, 0 que é importante pat se técnica que a produgao fari, pre- parando a flmagem. Ou seja basta que o famoso cabesalho tefsala do Fulano” seja feito com clareza, indicando cada nova mudanga de agioe interior! no’ Como ler o Manuel fa receberd wamente 10. Bi wositiva, optamos por ¢ effhleta (cap. 6), seqiiéncia (cap. 7), 6 10). Nao se trata — nas de niveis de reflex Ive como a demonseragao de um com este texto — que serviu de apostla p »s ~ sugere que um bom métodk Manual de Roteiro Ou Manuel, © primo pobre dos manuais de cinema e TV Sumario. je | ARQUITETURA C ALICERCES: DEFININDO AS BASES ) ROTEIRO, 29 Copitulo 1 - QUAIS SAO SUAS INTENCOES? EM BUSCA DO ROTEIRO, 37 megando a escrever, 33, As intengies vel lolescentes Exemplo de ans Capitulo 2 - CRIAGAO: AS TECNICAS DA ARTE, 45 © mito romintico da org Multiplicando idéias, 50 idade, 47 Repertério cultural e curiosidade icon A cxperineia da eserita: prof 0 carte zen, 53 Capitulo 3 - SER OU NAO SER DRAMATICO, 57 ica © épica, 59 Dram: wossivel, 60 a) Situagao dramsi b) Didlogo, 63 ©) Progresso, 65 4) Suspense, 66 Os limites do drama, 68 ‘Além do drama, 69 Formas nio dramaticas, 72 a) Litico, 73 b) Epico, 74 Osllimices do drama e o cinema moderno, 77 Capitule 4 ~ OS QUATRO REINOS DO DRAMA: TRAGEDIA, COMEDIA, MELODRAMA E FARSA, 79 Introdugao desconfiada, $7 640, 83 a) Melodrama, 85 b) Barsa, 87 6) Thagedlia, 91 ) Comédia, 93 Annossa class Capitulo 5 ~ PROJETO E ESTRUTURA GERAL, 97, “Tis parcest, 104 ‘A dimensio épica (ou: “solte a franga’s ou ainda: “TV Pirata € Jean-Luc Godard”), 106 Exemplo de anilise: projeto ¢ estrutura de Cidade de Dens, 108 JE TRATAMENTO DO ROTEIRO, 113 Capitulo 6 ~ CURVA DRAMATICA: ESCALETA E TOM, 115 jeu e escaleta, 117 s, 120 a) Ponto de partida, 121 co de climax, 121 Po 122 sem retorno (desenlace ou crise) d) Pontos de idencificagto e de com Bes tonal, 126 Pausas e preparagies, 128 b) Foco narrative, 129 6) Variagdes temporais (fash tos), 132 desloc: Exemplo de anilise:¢ je Cidade dos Ho) programa da s Copitulo 7 - RELACOES INTERNAS A UMA SEQUENCIA’ RITMO, 141 “Dadinho 0 caralho!”, 143 2) Movimento geral da seqiiéneia, 146 pses e manipulasao do tempo, /47 O nticleo d . 164 Acurva dacena, 165 Pequena digressio metodolégica, 165 wx de Sabrina, 167 b) Desenvolvimento, 167 ©) Climax, 168 d) “Pecho”, 168 jo cortar?, 169 2,170 Cenas com mais de uma linha de agio, 171 Anil (Cidade de Dew), 173 e: a despedida de Be a) Ponto de partida, 173 b) Desdobramento, 173 ©) Ponto de d) “Respiro?, 174 nax, mais forte que 0 pr limax, 174 f)*Fecho”, 175 Interveng6es no dramiticas nae 176 ro" de Cidade dos Exemplo de “esbogo de cena”: “O cart Homens, 178 lo 9 CENA: CARPINTARIA DA MISE-EN-SCENE, 179 Marcagao dos atores ou “quem manda na cena?”, 181 O climax de Sabrina: mise-en-scbne, 182 a) Ponto de partida, 183 b) Desenvolvimento, 83 las, 188 o “bile blema’ espec wt ©) Falando sem drama, 192 Machado, 199 os elementos visuais da cena, 204 ©) Dramacurgia plist Capitulo 10 ~ REPETICOES: SINAIS AO LONGO DO CAMINHO, 205 Antecipagies, 220 Caracterizagdo de personagens, 2/2 erizagio de relagies, 215 215 a visual”, 216 Objeros de des Digressées por Exemplo de analise: 0 vai-e-vem da Parte | ARQUITETURA E ALICERCES: DEFININDO AS BASES DO ROTEIRO Este manuel esta dividido en duas partes, Na primeira, em cinco capitulos, séa discutides idéias e procedimen- tos que ofientam 0 roteirista na tragado do “plano geral” le definigao de parte do lwo 10s que 0 ajudardo a cons- segundo mo- thar continuamente seu texto, seguindo uma pauta de questoes mais “técnicas’ Capitulo 1 QUAIS SAO SUAS INTENCOES? EM BUSCA DO ROTEIRO idade da imagern; a jos de roeiro pera cinema: «import veciparao d * Acgscrita come exercicio: contra a parolisia da “idéia genial’ tas idéias, + Em busca da "intengdo": escrever para ver relhor 0 que se anteviu # Por onde comegar® tagaa da demanda social, ncia de regras lagicas na icagGo: 0 projeto de roleico & ain Comesando a escrever Uma das perg tas mais co: or onde devo comegar? mece por por uma miisica, 0 do tipo “sejaum passo dado 0 10, nossas “lentes” ~ nosso campo focal — mu rimas visuais ¢ repetigées que atravessam 0 ica secundaria ido 0 que podemos fazer ordenagio, no esforgo de forma daquilo que VOCE teri de produit. Acredita- ‘go coordenado ¢ coletivo mel mas sabemos que na taiz.da criagdo estd o impulso indivi- .g8 medida, inconsciente. De modo pessoal ¢ intransferivel, afor ma, $6 0 que podemos fazer € ajudi-lo a lapid 33 Por que fazer esse filme? Qu: quais sé as minhas in- tengdes? Um filmeé provavel. resultado de um conjunto de es- forcos tio complexo ~ ¢ 20 caro ~ que deverfamos nos perguntar “por que tudo isso, meu Deus?”. Ser cineasta no Brasil & entéo, como resumint o-cineasta gaticho Jorge Furtado, mais ou menos como ser astronaura no ais, ndo valea pena. Por hé muitas ilu das palmas e os gemidos das mulheres” (ou dos rapazes, mogas) — que, segun- do o cincasta José Roberto Torero, S30 0s sons que movem o homem’. inceramente, pelas recompensas mat isso, se for apenas por grana e sucesso, podemos fazer cinema 6 co Para piorar um pouguinho mai ica que voc# adquira, seu negécio exi voo® arrisque o pescoco (se nao, nio vale a pena). F as pessoas esto k tanto para ver voce quebrar a cara, ali. Tal como diz Eugene Vale (provavelmente o autor do de roreiro ja escrito ~ até agora, dizem estes “modlestos” trape “convicgio audi". Ou, €0 cessirio uma certo disso?” Mas disso 0 qué? Al disso, sim... vou , do que se trata? Se voc? pensou “estou certo foi gongado. Quem mes. Vooé quer fier um filme. Por qué? Qual filme vocé realmente quer fazer? Sidney Lumer diz que a pergunta fundamental ésobre a “inteng0” fundamental “De que trata esta histéria? © que foi que voce viu? Qual foi a suain= teng&o? o que voce espera que o publico sinta, pense, viva? Com que disposigio vocé deseja que as pessoas saiam do cinema?”* Falando das intengdes de seu Um Dia de Cio (Dog Day Afternoon, 1975), umet diz o seguitnte: “ama histéria ques n ama, trataval Gerrans Estes (Star Wa batathas, ETS aude um sapaz para to George Lucas, 1977} cxas explodindo, rem. Yoda negara escrever quando smagem de so- dio de Terra Ei frase Cq » que nos pertui: (Walter Salles e Dar ‘mas fagalTodo roteiro para uma redagio “poste- como dissemos. Se nao houver o érduo trabalho paralelo de trazer a luz o material a ser lapi dado, nada acontecers. Para criar, nao espere orientagdes. Crie, de modo imediato e intuitivo. Depois, pare para pensar. icios da escrita podem ser ic de experin- nda que exige ‘Vocé nao vé e depois esereve para c ver 0 que anteviu ("Confie na fosga, Luke! sta busca algo ai inga bem, war 0 que viu. Voce escreve para ser cumpri Se um dia vocé for ar com Sidney Lumet, ele Ihe per Ele pode até discordar de sua propria inter 1 seu roreiro 6timo, Mas ele pretacio e, mesmo assim, vir a sua interpretagéo. Hé quem diga que ficar pensando sobre 0 que se querer ou nossas cripas 0 & um ato bem educado: est dle que refletir sob i, Glauber, Alea, Viscor lets — ou sea, 0 pes im, Desde que no se cata na distorgto wentares. O bom roteitisca é um ex £6 08 COLON Ponha as maos & obr as e depois reflta sobre o que fer, tal co 0 fico. Esse é um movimento continuo. E af que o uso ds téc- de roteiro se torna criativo. Provavelmente voce passa os" eompostos, basicamente, por um confit 0 tom em que 2 hist ese sobre a incengio disso tu 9. tente ultrapassar os recursos nao es s € se pergunte sobre a intengao petsonagens a revelam. Experimente estard se aproximan- As intencdes veladas dos narradores ou adolescentes e machées ea melhor a. Insinuar um im como na vida ~ q forma d No oficio do roteirista forma de dizer o que se quer ¢ nas segundo p. Um equivoco p: esse “projeto” de leitor ideal, Nao importa lescentes naci ma eralidade espe com a representagio de questées ausentes iia maioria dos filmes S6 pela escolha do recorte, © filme jé foi altamente inovador: ~ Mas esse filme precisava realmente ser feito, em termos cul- 1rais, e née apenas de mercado? O que ele tem de igual e o que tom de diferente? Por set um bom roteiro de comédia roman c oferece aos ido nto de tes algo de substancial sobre suas experiéncias, ps was de dentro dessas experiéncias. iIme parte do modelo da jornada do het Ito ico rem de pasar :équinas de fliperama esua Forga€ 0 velho Amor or ela, ele acerta no Amago de Roza, destt6i sua Estrela da Mor- me fatale, e a resgata do Lado Negro. Mas isso 6 © padréio Guerra nas Estrelas. O filme n&o oferece nada de novo? O filme empori- Oferece, Esse padréo é apenas um esquelero muito ge mas inova nos personagens. le assumir 0 ponto de vista ado- eventagio do tema. ue Dais Verses cl Baseado, sm pensar. Ble seria w saudivel como um suco tomado na praia, ia comédia ron Mas, para um olhar atento, 0 filme do que isso. Filme saucivel & 0 video de gindstica da Jane Fonda. Dentro da garrafa de su- quinho de Furtado tem dinamite. © filme € uma ode ao amour fou de ha de praia! Foda-se o bom senso, fa: ame loucamente, des- mor, pelo menos se, tho da mamae por ico c intcligente do amigo ¢ fodo preze as conver 9 merece das bandidagens, ainda for capaz de gu: ser o patrono secreto desse se aos adolescentes de hoje, em geral indivi- 1ogdes, F.sem agredir perfeito"). O dualistas e moral exer com conversar, © Chico acaba casado, como Sto dbvias |, poss talver, uma reflexdo sobre o quanto de get os cabelas ¢ o filego. De quebr rximeros de celefone ete.) nagio do “destino”. Urn bom roreiro ¢ isso, rnerosidade per sdeu da reflete [através teflexio sobre o papel do acaso na decer o precisa ser bem escrito? E claro que precisa, Mas uma boa e clara proposta dramattirgica ¢ 0 resultado final do uso criativo de todas os recursos técnicos. Na verdade uas coisas esto interligadas: rio gatante a composigio de aodo- Exemplo de andlise: “A Coroa do Imperador” ie Cidade dos Ho- “A Coroa do Imperados (Rede Globo), busca nposta pelo trifico). 0 €0 das digressoes exp fico e suas conseqtiéncias. Esse & uma “demanda documental” por fem conhecer como funciona a 10 faze a) Dando uma moldura didética a todo 0 episédio: em torno da “Co- roa", 0 filme comega e termina na sala de aula, com a professora expli- cando as guertas napolebnicas. b) Criando situagdes dramaticas que envolver a dupla, que permitam digressdesexplicativas sobre o contexto da sitagio, assim como refle- xbes sobre a sta l6gica, «) Usando « narragio (voz off) de Acerola como veiculo das digressées. ia de Acerola, Literalmente, palavras so postas na boca dee, explicando e comentando tudo com muit sar dea elaboracao desses comentirios ser meio inveros ‘cércbro” da dup. Abusa-se da int 4 apresentar o personagem cor d} Enxertam-se, no meio do filme, “cenas de documentirio ex com 05 pr em suas vidas ios atores dando depoimentos sobre casos de violencia vendo isso no meio do filme, quando o espectador “ji esté ganho”, sacia-se a vontade documental “sem cot” ¢ reveste-se todo 0 filme de autenticidade. Exercicio Esboce seu projeto Talvez voc8 ndo consiga, de inicio, formviar um projeto te acabada como 0 aptesenitado no exempla acima (sabre “A Caroa do Imperod ‘Mas tente apreseniar as linhas gerais do sev projeto, nas lermos em que yoo 0 antevé no momento, Vooé prelende tratar de algum tema (r dade dos iraficantes, por exemplol ou vacé nao sabe "sobre piojelo, mas sabe qual a niicleo apenas apeesente as suas idéias, Capitulo 2 CRIACAO: AS TECNICAS DA ARTE O mito roméntico da originalidade ‘A otiginalidade plena é uma invengao romantica datada do inicio do século XIX. O “génio”, demiurgo que fax das trevas luz, é uma expressio twansfigurada do individualismo burgués entio em ascensto. Esse super her6i respondia as anguistias dos artistas que viviam as contradigoes de um mundo que exaltava 0 individuo, a0 mesmo tempo em que submetia to- dos a0 ritmo da produgio capitalist. Nao por acaso, foi na Alemanha, economicamence atrasada e culturalmente desenvolvida, que a “ge floresceu, dando sentido & exper dlores altamente capacitados, mas que se viam impotentes diane da trans- formagio acclerada do mundo. dade romant A crenga no valor abs lidace nao € mais do que uma idéia reguladora. Ela nfo deixa de ser importante, p Jor ainda significativo em nossa cultura, Mas num mundo recoberto por camadas e camadas de as priticas cotidianas sio em sprande medida operagées com materiais, is acumuilados, apostar na criagio de obras absolutamente novas é, no minimo, duvidoso. Aliés, em épocas anteriores ao romantismo, no havia esse tipo de cobranga, E mais que sabido que Shakespeare ~ pata ficarmos num terreno acima de ica parti dos enredas de outros. De qual- te dessa cliscussoeshistnicas, o que se mann- vem ser lapidadas, fundidas ¢ por fim construidas. 0 socidlogo italiano Vilfredo Pareto aproxima-se dessa cancepsio, le de estabelecer novas relagGes ma todos''. A trefa do roeiis se tipo: dar forma nova a relagdes entre fatos supostamente desco- nexos da vida. Tomemos o exemplo de um fendmeno (0; 0 ntp. Esse ritmo, que surgiu na Jamaica na dé 1960, chegou aos guetos nova-iorg dos anos 70. Na origem, era um texto falado sobre o cotidiano das pessoas de classes so- uppers imagens culturais que slo expressdes coletivas de momentos Meng: 8) na massa de criagdes humanas. E is criagdes alheias, como os DJs que criaram, em sua pritica, 0 termo um dos mais contemp. jidades (¢ iden cenha pudores de apropriar-se 108 verbos que correm pelas in- ino Veloso e dlas relagdes criativas de um artista com seu repertério, aprendemos com @ lider ttopicalista a importaneia da lucider sobre as demandas as quais uma obra de arte responde “Hi um critério de composigio de ‘Aleg: sido adorado, ngdes © as po tencional contraste com o proce esas re rento de Alegria, alegria’, TV Record] com u sia servir como porta d ‘V, ou como massificagio da atmosfes ale [ ‘Band’. Os es primeiros versos das duas can- tives sobre as respectivas melodia, ¢ yenas por se- ira (e na poesia criativo de um artista inovador contemporineo. Multiplicando. ‘Um dos mitos que alimentai cesmitificado, &0 da Xinica boa id ideia para um comeso ¢ ainda ‘quem sabe, poders fazer um bom idéias de sonage Bons filmes nao so resul idéias. Sea pessoa diz Ime", a resposta direta € io gizante nada, Arrume out minada cena ou prol esto sempre em formular algo que real de sua c ‘tise do papel em branco” ~ és isso mesmo: comesau; apenas um primeiro passo, Se voeéficar esperando pot ack ‘more um pouco... Para esse primeizo passo, temos uma sugest2o ples: roube uma ideia, Como se diz num traque de m: qualquer uma’, spat — superar a ina ilumi- a.revelagio que o lee além de explode. Jes, um grupo de gente que, ao es ‘ids (Stagecoach, John Ford, 1939), forma s, algo assim). izet, nao era a sua “intengo". Como vai sendo descoberta conforme previamente deixado na cabeceira, Enfim, nvente as suas mandingas ci > geral do processo de criagio. A mbinagles tem uma No limite, rado fe dialoga, em maior ou menor gra, mes a que o rotit ico € de grande u intes. Se voce sente de dois anos de idade com simples que dizemos, Hemingway companheiros devi colhe ferramentas ou produtos amigos, deixa-se influenciare influencia, Fazer amigos ¢ influe legendla do trabalho de escrev mesmado eseritor. n supermercado, mas come que! E provivel que voce tag, de certo modo, \sriscos a respeito dos muito mais corporais ago. Mastigue bem es de engolit. Por vezes, contemporineo tende a nos encupir de producos. A isso, trapor uma relagao de contato hus iadas por outtos seres h disso que se trata) Ou seja, 2 ia, depende da sua histéria ¢ de de seu caminho icativos, de artistas que souberam en- ni tem profunda admiracio por o roteiro de Cidade de Deus (Fernando Mei= 2), ele estava diante do desafio de transpor; ch rrado sob 0 ieado diz que Howve wma Vee Dois Vees a comédia romantica para adolescentes brasil de teunir Romeu ¢ Falstaff num ma unidade dra A experiéncia da escrita: profissionalismo e arte zen les obras de arte do mundo foram feitas sob enco- dos est necessidacle de trabalho diligente, O amador pode se da ao lsxo das visi- «as esporidicas da musa inspitadora, O profissional trabalha todo dia e faz da musa sua parceita de trabalho. Seré que isso implica sufocar a es- ppontaneidade? Bom, ciplina de trabalho s embremos aqueles momentos de encrega sem reservas a alg de, quando 0 tempo parece no existir ¢, de repente, voc’ esti farendo livel como Bruce Lee” quando se esté jogando futebol, ricorando um blus tudo de modo “trang ‘macemaitica, Por que nao escrevendo uum rozeiro? Chamar esse transe c tivo de inspizagao ¢ apenas dar 0 nome certo as coisas. c somente com uma continua: lberar a ment caminhos como esse. Robert Pits, em Zen ea Arte da Manuitengio de Motocicletas, tt pata o mundo moderno, dizendo que “o Buda radu esse principio jo de todas as ferramentas nevessitias e, sobretudo, um exercicio permanente de c ages, durante a longa jornada de superagio de sua ignorincia ¢ inépcia (no caso, no campo das motocicletas). Lenta- mente, voce inf adquitie confianga, e engfo comesari a “rolar”. Ainda do de tranqtilidade (que Pissig chama de “brio”) vai se espalhar para outros momentos de sua vida (ou seja, voce passarda viver melhor, com menos sftimento). role de suas ansiedades e fi Jentamente, essa sen Essa experiéncia ¢ sempre repetida pelos misicos: hi um longo per 10 apenas se f fico, autor de Ser Cria- s interessante — de Free Play ~ life and the arts), diz seguicce: wecessiria & ante, ela & arte jcar exercicios macantes, mas temos de fazer al- har um excrcicio chato, nio fsja dele, mas tambéen asforme-o em algo que lhe agtade. Se voc# se petir uma escala, toque as mesmas oito notas em outra or- Depois, mude os chato ou interessante € preciso cer técnica se da técnica. Para do ¢ racional surge da longa reperigio, a ponto de poder- ar nosso trabalho até dormindo. (..) Embora possa parecer descobri que ao me preparar para io se fundem numa coisa 56.” icio Um saco de idéias de Cidade de Deus {vocé pod personagem com “vooagée de reper); 0 corle do som numa ceng de vicléncia como em Ran Akira Kurosawa, 1985); ur personagens, como no Scorsese, 1970) pode ser usado para apresentar de um beco da favela; ou uma montagem por silenciaso-babao de um primo seu que as mulheres tomam por 10, mas & s6 bobeira mesma; mesicas para titha ov quem sobs um conceto para selerdo de misicas: o ha sonora brega dos anos 1970 om Domésicas, o filme (Femando ‘0 regravacdes brasileras de clissieos do rack, coma em House uma Vez Dols Verdes; imagens religiosas do calidiano (saniinhos, Jorges, yasGira, velas etc, sel Capitulo 3 SER OU NAO SER DRAMATICO Diferencas basicas entre as formas dramética, lirica e pica so, € il que Figamos a ase de perceber ria Lirica todo poema de extensio menor, na medida ei 4 parte da Epica toda obra ~ poem ou nfo ~ de exten- «© personagens envolvidos em si- ia toda obra dialogada em que Pertenceré a Di 1s personagens sem nte norar que renhuma dessas cat pico pode estar contami corregar” em diregio a0 nas cenas). Alm disso, um 10% cos, épicos ¢ draméticos, nomentos dr cessidade de le ier que a “navureza” do m simples efeito do grau de dominio des- fe desde os tempos tica, mas essa“ sa forma, eleita pelo cinema americano como carro ostando através da consciéncia de 6 ales de eombinagao entre as trés Formas da fice Drama: um outro mundo possivel hhouvesse mesmo esse “o fossemos capares de contemp 6 personagens existem a partir de seus desejos ¢ suas int Assim, por 1 primazia das rela- tersubjeivas, isto é, sum dos mais ntes comp oes Na tragédia greg, os personag n seus destinos eragados pe- los deusese, ger dos deuses (ou do destino). Jé no drama mederno, falamos do cmbate entre o homem ea vontade d vres, que podem tomar decisbes © que, por essa em c A liberdacle d ivre arbftrio, € questio central 1a 0 drama moderno. No drama, as questées so in relagies entre os homens se dando através de uma forma privilegia mente, falava-se do embare entre © homem e a - acabarn entrando didlogo. Aagio € 0 dese tomam-se fruco das decis6es toma- das pelos personagens e da resolucio dos conflitos que se interpoem a0 motivagio, es deamit jetivas") ey fi presente para o futuro, pode ser entendida como wergindo para um mesmo fim (o so drarnitica’). ndono comple processos sociais complexes, am- a exclusio dos personagens dramatica (a a} Situagao dramatica Uma apresentagio de um: um relaxamenco. E 0 reino das poss como Apollo 13 (Ron Howard, 1995), por exemplo. ada Terra. (0s problemas na do roteiro, podendo si tuma série de tensbes e rel wer elemento: his ; Vocé pode até conceber lografias que recuer dez mas s6 terd um germe de ‘comegarem a se telacionar, E eles s6 se tor- idependentes, na medida em ;portante quando a qualidade ide que as situagies criadas pelo autor lo criativo vale a pena), tc de parecerem teaise ligica ~e io com "migi- féncia fundamental: nesse tipo de comédia te- 1 de todas os pontos de vista Isso tem le o mundo entre Pureza e Engano, Na comédia, todos si0 ceressadas”, a8 agdes devem ser ficientes (dram ntes, superando os conflitos). As intido de suspensio do peso das para serem postas em acor- » 0 interesse de quem age. Forgando um pouco a sisi pelo menos, pelo ch jas, a partir de um foco situado, nunca absolutizado, da comedia se rceber essas formas como possibilida- de escolher um malde ia — no sentido acima morfsticas explosivos da apresentado ~ poder langar mnao dos recursos ‘a momentos de melodrama, ou farsa e mesc qual paire a sombra da tragédia, a vertigem de se conftontar radicalmen- dia, melodrama e farsa. Capitulo 5 PROJETO E ESTRUTURA GERAL © Qual o projete geval do tiime't lervengies ndodamaticas (voz off, dig -as) cruzamse com 0 dra- ima? Qual sua Fungae na esttiura geral do filme? Acé aquisfizemos consideragSes geras sobre a formatagio do roreiro: a ta como exercicio de busca de uma “intencio” (capitulo da ensbesnio- erepintado. ago, com Romana Cortar oy néio cortar? E-comum que roteirstas menos experientes escrevam conas (prinip mente no primeiro tratamento) que transcortem de forma dramatica tegral. Iso nio € “pecado”, tampouco acarreta problemas na carteira de roveirist, H: todos 0s pontos canénicos (como a analisada acim). Alids, picotaras cenas lidade” a narrativa — quando feito sem critéria ~ é to para dar mais stas ¢ diretores. Enfim, cortar antes do climax so decisSes de risco, que ‘vos mais co entrar nela no devem ser tomadlas em fungio de sua “intengio”. Vejamos a cena do feijto, em Bs Nao Usaon Blaok-tie, Br ina ¢ Otivio (casal de operétios protagonista), acaba de lo. A greve acabou ¢ 0 filho deles, Tio, mostrou-se um saclos, amigo de Ror “pelego”. Os dois estéo sentados na mest da sala modesta bisbaixos. O olhos sempre baixos, coloca os Feijées sobre a mesa e comega a escolhé- los. Eles “pingam” dentro de uma bacia. Otavio levanta 0 olhat, de lev ‘yésua mulher. As maos dela continuam sew trabalho mitido. Por fim, ele pousa sua mao sobre a dela A mao para, o rutdo dos Fei Jevanta os olhos ¢ encontra as dele. Um sorrisinho, muito tfmido, esbo- 0, puxa pata si um montinho de fees © passa lencio pesa, Lentamente, Romana seca as ligrimas, de ss também. Fla garse nos dois. Ele, ct também a separi-los. Ela volta 4 tarefa, e 0 ruldo do “pinga-pinga’ retomna, agora nuum ritmo mais acelerado. Estruturalmente, temos todos os pontos “ckissicos": hii um ponte de inicio, com cada umn isolado em sua tristezas hd 0 desenvolvimento de uma reagindo, sai- do de sua prostragio para olhar a mulher, que age, enfrenta a morte ea tris- i o climax, quando Ordvio interrompe Romana e eles janclo urna catefa cotidiana ¢ Ord teza que os pat 169 os empregados, mas o ajuste entre eles. 10 essa flea até rdfculo pensar em pretensas “re- *.“Depende” —palavra que, diet, &- resposta mais pars todas as questdes, E, como depende, 0 coniirio também pode + Em Meu Nome ¢ foe (My Name is Jc, Ken Loach, 1998), hé umacena, ma’ da cena do fijao, Joe ¢ sua namorada (também um casal sem glamone, na casa dos quarenta anos) estio em casa, preparando o a colocagio dos pratos na mesa vai virando uma brincadeirinha car € enitica. Abruptamente, digamos, no meio da clevacio afetiva, a da, Por qué? Porque essa éa estratégia— als, ecortente no filme + 0 espectador “no limite” entre identificagio c observagdo, nos completamente o drama de Joe, um ex-alcodlatta desem- ‘amos semprecom, 1 dentro e outro fora”, Em Bleck-te, mergulhamos nossas mos no nos nos olhos de Romana, Aqui, estamos na soleita da porta de somos conduzidos a outro lugar, antes do climax. Mostrar ou narrar? Uma regra repetida até a exaustiio em todos os mai wena é ago. O personagem se define em asz0, por isso devemos mostré-lo agindo, em vez de narrar 0 que aconteceu por meio de ' ou de vor. aff No entanto, essa é outra regra cheia de excess, Domésticas, 0 filme ( les e Nando Olival, 2001), bom exemplo disso, Roxane decidi ser modelo forogrifica © € nada para seu primeiro trabalho. O que ela nio sabe & que esté sendo \ciada como prostituta, ¢ nSo como modelo, Roxane vai até a casa do jente pensando que ele ¢ for6grafo. Quando a situagao finalmente se e- ‘ela, ela fica tensa, sem saber 0 que fazer. O cliente chega por tris e pede ra que cla, ao menos, tome um gole de uisque. Corte. Roxane esté ago- contando 0 que aconteceu: ela se prostituiu. 1550, no en- ‘no meio, houve uma elipse desse crecho, € tomamos €0- inhecimento do que ocorreu pela nartagio de Roxane. Ero de roteiro? Ao contrério, Mostrara agio da personagem deciddin- (6, no limite, mostri-la twansando com o cliente, por |, abrir espace para julgamentos moralistas do pliblico que no srada pela pro ia perso- justificativas e para um debate racional sobre o fato, Um proce- dimento de distanelamento como esse ¢ urna boa prova de que nem sem- mem agio, Melhor é fazer, para cada si- melhor mostrar ou narrar? pre € bom const ago, a mesma perguntat Cenas com mais de uma linha de agéo ‘Assim como 0s filmes, em seu conjunco, podem ter mais de wm plot (nulsiplot, subplot, plots paralclos —vide capitulo 6), também as cenas po- dem ter mais de uma linha de ago. Cada uma dessas linhas deverd ter — tal como cada tum dos plots no filme — 0 seu desenvolvimento, ¢ estar também orquestrada com 0 desenvolvimento das outras Hinhas da cena, Pensando novamente no “nticleo” da cena, vale perguncat: a cena tem, ho espectador, que passa a aguardar uma “amarracio" lo, as sobreposicoes de linhas de aco, se for uma estratégia utt0s fins. Seo rotciista as quais em a0 mesmo tempo. As linhas de ago (dezenas) vio romadas a0 logo do filme, mas sempre com essa dispersao, © tanto, & que quando uma ‘odas acabem conver Andlise: a despedida de Bené (Cidade de Deus) Estrutura de cena (pontos principais) Prélogo: Z (Acena cur tno também quer ser amado.) frente do espelho. yueno se penteia nfo dramética, dé adica da cena que segue: Zé Peqn «@} Ponto de partida (crentes, sambista, blacks, cocotss) ae danga com todo mundo. na moga que ele convida has de agio di ida da cena da morte aga briga” com Bené: Pequeno nijo iéreafirma sua fuga da obsessso pelo po- Pequeno xingando sozinho. derqueo {As duas linhas de acio confluem na discussio entre os dois, que ex- plode ¢ acaba.) Nova linha de agio, secundéia (interpolada a pring ‘Vai maté-lo?) 0) Ponto de virada, novo climax, mais forte que o primeiro Pequeno, depois de mais um fora (0 “cia disso” de Bene), caga mais + que se negou a dangar com ele. Percebe que cla es utra pessoa (Mané Galinha). Zé Pequeno parte ” para © Mané Galinha, obrigando-o a fazer um strip, Pequeno deslocou novamente a agio, eriando um tumulto em ia, seu novo amor (Bené) e seus antigos pretendentes (Busca- hhiago), todos juntos “numa boa”. Indicagao de resolugao de confli- Enquanco Mané Galinha é humilhado, Bené ¢ Busca-Pé, que esté na cabine hiago chega oferecendo uma camera em troca de pé. Incitade por Angélica, Bené aceita, 6 para dar a cimera para o feliz Busca-P (Aqui temos um respite dramétic, ixando em suspenso a bris estaya rolando. Ao_ en . “cena sela a paz” entre Beng, 0 \quistador do coragio de Angélica, e seus ex-amores,) ¢) Climox né€o tumulto e vai tentar “segurara onda’ de Zé Pequeno. A brie 1 eles retoma, Mané é esquecido, Paralelamente, Neguinho esprei- (a. Bené € Pequeno se enga (Todas as linhas de ago confluem ¢ os contlitos si explosio final, com o tiro ea motte de Bené,) 10 vazio, grita e aira para ci (0 final matea a mudanga de situagio de Zé Pequeno ~ trata-se de ira geral do filme: ele agora est ny plor poine va estou Em tratamentos a idos desta cena estar ‘vam distribuidos em ourras: havia a cena de uma festa em que Bené era assassinado (nao era sua despedida), outra cena para oenterto de Ben. A concentragio dramitica dessas agbes resulta num aumento da “tempera ‘ura emocional” do espectador e, no uma sensagio de "fecho”, Temos, ao mesmo tempo, © Bené c Pequeno, entre Pequeno ¢ Neguinho, e resolusio dos con- icos em torno de Angélica (que desaparece do filme, mar- ores do rotcito, 0s co 1 mais geral da narrativa, produz imo confronto rativa), Todas essas confluén- cando o fim das relagdes tomnticas n: cias sto bastance funcionais para 2 marcagio d nada ser como antes. Ao mesmo tem orte de Bené coma plat sem solugio; Bi para Zé Pequeno. de desenvolvimento nao é fii Orquestrar esses vétios ni as de passar as informagies de cada uma das linhas em questio, m e ritmo, conduzindo emocional- mas de faré-lo com alternfincia d mente 0 espectador através do emaranhado de relagSes. Hai muito de ma~ nipulagio de detalhes nesta composicio. No préximo capfeulo vamos nos dedicat 3 microanalise das filigranas da construgio cénica, tratando de as- pectos como mareagio de atores, relagio entre didlogos e comportamento, € modulagées do espaco. Como exemple complementat 3 andlise estrutu- ral da cena da despedida de Bené, vale a pena let 0 conto “A sociedade” (cranscrito no final do tépico sobre espaco deste capitulo 9), no qual ‘Alcantara Machado mostra como, apenas pelo modo de escrever é possivel sugetir muito do tratamento ctnico do espa. 175 Intervengées néo dramaticas na cena «em casos nao-dramiticas, (respiragaio). No caso de uma cena dramtica, € preciso per segue qual objetivo? Qual vontade move a cena? O exe ediretor David Mammer* discute esse principio até ivios Tiés Uios da Faca © Sobre a Ditecaa Cinematognfice, em 4 im fanatismo clissico-dramatico. Cabem, entio, as perguntas bre © ponto em que a cena “se concentra’, onde a personagem se deci- gio, quais as reagties desencadeadas ete. Mas o dramético Mammet & um rei somence etm sa ilha. Aqui, como ros nivels, cabe também a pergunta: manter tudo no mesmo o melhor? Nao vale a pena, nal drae na pode haver esse deslocamenco, essa intervengio do narrad pectador dar otal passo atsis ver além (por baixo, pot 2) da quarta parede, Na cena isso pode (como ocorre entre cenas), como de modo sim doo in€o, no corpo ‘A incerpolagio ocorre quando, numa cena, coloca-se seu fluxo, como uma cunha; ocorre entio uma pequenia um flashback, por exemaplo -, como na lembranga da infincia de Peque- noc Dadinho, no meio da briga do baile (Cidade de Dens); ow nas imagi- rnagdes dos personagens de O Dia em gue Dorival Encarou a Guarda (Jor s¢ Furtado e José Pedto Goulart, 1986); ou ainda nos “clipes” digressivos das cenas de Comédia da Vide Privada (os amigos estao bebendo e entta falso-documentétio, sobte 0s usos rituallsticos da bebida). rompe as formas de distam pom com a continuidade espacial ¢ temporal, podem set de vitios tipos, rersonagem secundrio pode nos oferecer fheqtiencemente comico. Ou uma vor offpode comentat a cena revelando uniento implicitas 4 propria cena, que no rom- m outro angulo de visio, ce Horare ina Vee Dots Verdes: C jite com sua amada Roza (“com 2"). sentindo-se um mescre jedi, senhor do seu destino e do universo, tenta um lance magico, chutando a tampinha através de uma sucessio impossivel de los. Obediente 3 sua vontade, a eampinha eai, submissa, no buraco exato, Como Di Caprio, em ve cdo, Mas no tiltimo plano da cena ele aparece cdo minigolf, tal qual uma bolinha da maquina de fliperama—justamente a Roza, Como todos nés, CI ea de intervengio do aro olhar em alguma A Dace Vide do interior para viver Ela esta bébada e se presta a ser a cavalgadura de Marcelo, tenca tir~ af a festa nao pode parar. No auge da cena groresca, hi um elose em seu ros ingénuo, num terrivel contraponto, F quase coma O Auto da todas as saca desamparado, 4 uma versio em miniatura da parte do *julgamento no Compadecida (Guel Arraes, 2000): se mudamos de nagens de mundo sto dignas de eompaixao, No nivel que estamos focando neste capitulo, de pl 0 da cena, trata-se de definir quais serio as linhas gerais e que tipo de recurso W7 Exemplo de “esbogo de cena’: “O carteiro” de Cidade dos Homens voltando de sua missdo de devolusao postal no ‘com uma idia para os “gerentes’: € se eles Fizessem. um ccos da favela? O negécio deles ¢ ivrar do servico de cartei ressionar 0 pace ausent i bem, chega 0 dono da carta ho, Madrugaddo, que tem de manter a auséncia do chefe, se invoca: poe os moleques no chao e, trés- lao tem de pagar. Mas na dia de Acerol Escreva um “piojelo" para uma cena de seu ivesse contando para olguém. Ver area como se Capitulo 9 CENA: CARPINTARIA DA MISE-EN-SCENE substividos ou complerentados por ag6es dos perso- nagens? * 0 didlogo pode ser mis sulle suges! datica® Ha dives textos de coda perso © Mudar o cendirio ndo contribuiria para a riqueze da. cena? O mode de es te a decupagem do espace e de abjelos? Essa sugestio apsia 0 apd0? 0 espaco 6 publico ou privado® Ha interagao com personagens secundarios? # 0s pontos de corte contiibuem para a condugéia do calho e da emosao? * He algum momento ou elemento que, por condensat senlidos na cena, ¢ sublinhado por misica eu suges Wo de decupagem® ‘Ha sugesises de enquadramentos no estilo de es crit? * Q roleivo sugere 0 tino da cena? we Marcagéo dos atores ou “quem manda na cena?” Essa pergunta, um tanto brutal, ralvez seja a principal, a mais bisica a ser formulada a uma cena dramitica em construgo. Fla nos remete 20s pontos crucias da curva dramatic, discutidos no capitulo anterior. Mas aqui se tra- ta da realizagZo do detlhe: a pergunta se coloca a cada pass, de forma con- ccreta, Podemos reformuld instante preciso, cada personage tenta mandar na: dagagio tem 0 mérito ~€ 0 isco — de teduzira complexa gama de semtimentos,idéias eag6es dos personagensa tama “briga de tacape” envernizaa erequintada~ etalvez no undo o drama cj isso mesmo, Enfim, aqui interessa 0 jogo de cena, 0 balé do conflito entre 0s con- tendores. Antes de passarmos d vale a pena suigerit uma bibliografa espectfica sobre 0 «pico, inusual, mas ‘muito Geil para agugar nossos exercicios cotidianos de observagio (0 “pio do roterist). Trata-se das manuais de comportamento rmanuais de etiqueta si legais, mas melhor ainda 10 O Jago de Pater na Empresa ou Odeio reunite encontrar neles sistematizagdes de comportamentos que voce, certamen- te, jé percebeus comportamentos que, na vide cotidiana, tém uma l6gica de dispuca, Tomemos, como répido exemplo introdutsri proposta de empreendimento. | Voce vai Cada contendor tem seu cddigo de ago: 0 mais poderoso, que ouviré \gard a proposta, “comprando-a” ou no, de modo mais ou menos vantajoso conlorme souber jogar com seu poder, busca rebaixar 0 “pre- 8) srespostas. O p em Fangio das tivicas de guetta espaco «lo como que “perdido” em meio grande, com porta, obriga o visitante a atravessar 0 espago, en ‘espera. (Se © exemplo parece forgado, basta reparar no, na cena de Sabrina analisada no capitulo anterior — ¢ seguir) Por outro lado, o visitante precisa manobrar pa idversitio, Nao se importa com o chi de cadk at6rios ou falando no celular, Uma ver na rew wr essas tf fica erabalhan- ainda me- faz aquela “cara de Roberto D'Avila” (o entrevistador-sortiso) papo sem fim de set interlocutor-comprador, cntando obrigi-lo a a: “Entio, meu caro, o que the traz aqui?” O excmplo ¢ explicito, uma situagio marcadamente dra .c{pios valem para amplas esferas da vida, dos bancos escol is. Ese no cotidiano estamos sempre as voltas com o canhestras de jogos de ccna, t como roteiristas “temos 0 poder absol mos cada personage, c lade de “ver de fora’, dar u 1c, como aquels dupla de velhores no camarore dos Muppets. np 10s 0 espago ea miisica, sempre passo atris © comentar tudo ironica- O climax de Sabrina: mise-en-scéne Analisemos, agora, uma cena em que essa corcografia do poder € pl mente acabada, Retomemos a cena do climax de Sabrina (a seguir, re- mamos a andlise sobre curva ¢ pontos eruciais da cena, apresentada no lo 8, e acrescen -isio dos gestos ¢ posigdes reciprocas dos atores). os em negrito ~ 08 comentarios telativos & a) Ponto de partida: Linus é o “chairman’, 0 "boss"; enfim, o cara que manda jis de momentos de hesitagio, entra na sede da empresa sag para Linus, dizendo que nao vai sair com ele. Ela esté emocionada. Linus acalma, pede que ela explique tudo tranquila- mente, Ela camega, entio, a tentar se explicar, mas Linus deixao telefone sobre a mesa ~ Sabrina fica falando sozinha ~, vai até 0 sigue ¢, superan- do a fragil resisténcia dela, a conduz até sua sala, (© espectador, de inicio identificado com Sabrina, termina identift- ‘ead coum Linus.) Comentério: Sabrina inicia a cena, na porta do prédio, em frente 3s s outro, Sabemos que cla decide falar do império comandado po placas que exibem o poder anhar é hesitante, par com Limus quando sev ime, reo, para dentro do prédio. O passo a seguir dialogo, Sabrina, agitada, acaba confessando ao calmo Linus que esta no prédio. Ele a deixa falando sozinha c, a seguir, a surpreende chegando por , pelas costas. Ela ten con b) Desenvolvimento: 0 esconde-esconde do amor ov entregar os pontos?” 1.14 na sala, 0 jogo € retomado de modo um pouco mais concentrado, Sabrina ainda resiste, quer ir embora. O telefone toca, com a scereti- jyem vai nciando que estéo feitas reservas para © teatro. Linus sugere programa, mas Sabrina mostra suas roupas, que julga inadequadas (ou seja, sua determinagao de partir jé enfraqueccu). Comentario: Linus deixa (poe) Sabrina no melo da sala ~ enorme~e vai atéa sua mesa (a mesa do chefe}, Sabrina fica perdida naquela imen- sido. [4 Linus concrola tudo, como um diretor: a0 toque de um botio de comando, a porta se fecha, atris de Sabrina, A seg ego de ir embora: apy me, stias roupas inadequadas. entradas para a secretaria ¢ sugere que cles comam ali onde ele rem uma pequena cozinha ~ ele nem convida Sal apenas age. Sabrina se junta a ele, cedendo, Comentario: Linus nao dé trégua, Nem bem Sabrina recusa 0 convi- tc, ele desloca o eixo das ages para a pequena cozinha, dizendo que vai Igo para comerem ou heberem. Sabrina nfo s6 nfo protesta, como tha até ele, Caminba a passos pesados, como quem nio vem mais foxcas para resists; como quem caminha para o cadafalso. Li chegando, 1m gesto resume o movimento da cena até aqui: sem dizer nada, Linus, ia resignada, tira sua cap apenas estende sua mio. Sabi ever 3. Antes de comecar a preparagio do 1 fala de seus sentimentos, quase confessa abrtamente estar apaixo- nada por Linus, que se mantém impassivel. ina nfio 0 encara, Mexe nas coisas do armério, enquanto comega a falar de seus sentimentos. Linus, . conteatio, tem os olhos cravados nela, nio perde nenhum deralhe. Ela nio consegue mais fazer nada, para, mas ainda nao consegue encari-lo, my raiva de sua propria “frnquera” sentiment: bate de leve com a ca- lesejo € mais forte: volta-se para ele, olhos nos olhos, ¢ retira 0 pedido, dizendo que no suportaria partir, Insinua-se o momento de um beijo. “expulsa” ole ~e, alegindo que vai fazer 0 nus da cozinha, Comentdirio: cla se recompée, retoma o controle da vors Linus, ina balivel, oferece-Ihe um lengo, Reforgando sua retomada da situagio, Sabrina brinca com ele € 0 “expulsa” da cozinha, 5, Linus, sozinho, fraqueja. Percebemos que ele tambent esté abla por Sabrina. (Esse € um ponto forte de identificagéot 0 espectador com Linus.) 1, quando tudo se inverte. ra ver Linus estd com olhar perdido, nio ests agindo “para algo”. Com expressio abatida ¢ preocupada, estd perdido em sentimentos. A at neira ve, abjeto de seu ofhar. E negado, separado dele pela co o objeto de seu desejo — desejo inter tina (que, entretanto, € transparente.. a descobre, sobre a mesa de Linus, duas passagens pata Paris Radiante (ponto de identificagio), cla s achando tém frio, © acaba confessando que foi joga nos bragos del que véo viajar juntos. Linus se n tudo uma “jogada” empresatial Comentitio: Linus perdeu a condugao das agées. bre os bilhetes. E cla que vai até ele, Neste ponto, a danga de sedugio 8 controle acaba, O espago deixa de ser importante. Els ficam frente a fren- te, olho no olho: a hora da verdade, Diante do entusiasmo dela, ee se man- m inerte, tendo como tinica reagio a de confessar-the a verve ou orgulho (als, seu abatimento denota vergonha). Bla “murcha’” 18: mesa € expe ainda os “instruments lo crime”, as agbes € 0 dinheico que 1 rcccberia, Fria, ela diz que vai Rear apenas com a passagem, Ela Antes de chegara porta firme, dase vira para uma ironia final, desculpando-se por no ficar para lavar os pratos. A lkima imagem é uma inversio visual do momento da encrada ma sala: vemos Linus, ainda em sua cadeiea ce chofe, mas enquadrado num longo ¢ escuro cortedor, Sabrina sua capa, saindo de cena. ssa esvoagando Como podemos ver, cada detalhe é um “movimento de xadtez”, So- bre esses detalhes todos, hé woerteza encre o trabalho das 11 bricas do rotcirista eas decisées do diretor no ser dlesses, em que 0 roteirista eo diretor saa mesma p te ¢ saber da importincia dessas marcacbes, teito, Caberd ao dirctor seguiclas, desenvol ctiando outta mise-en-seéne, Em tctmnos bem pr frea de impor- teontar sugeri-las no 20- ws ou mesmo recusi-las, icos, o importante é que entio,a eles, a0s didlogos. Didlogos e comportamentos O chaviio “uma imagem vale mais que mil palavras” é um exagero, nas, no cinema, assim como na vida, as ages dos personagens podem dizer muito mais a respeito deles do que suas falas. Um sujeito fro e cal- ista pode repetie mil vezes ute amo” para a mogoila que deseja arras- ar para a cama, mas seu olhar distance deixa claro para o espectador que 186 cc scm motivagao. No cinema, como na is vezes é melhor ficar calado, apesar de pouco eficiente: é mui- mentir com palavras do que com gestos © ages, pois 0 m into sempre esti cartegado de intencao. © que € mais cinematogréfico? Falar que um sujeito € manco ou ide? Em Melhor E Imposseel, 0 per- atos, que € um mostté-lo caminhando com di sonagem de Jack Nicholson demonstra, através de se le ou outro personagem falassem de suas ina obsessive compulsive. nias, isso teria 0 mesmo efeito? Claro que nao! Assim como as pessoas, 0s nos aros que revehim seu carter. personagens devem agit, poi (O roteivsta tema obrigagio de fazer com que seus personagens ajam. S6 ico se idemtificari com eles, pois serio pessoas de carne e 0ss0, gem éa radi mes que mos subrexto, Os didlogos acabam tal que vocé consteua suas rubricas com cui gem podem reforgar st oferec o. As aches de u acteristic contraponto. Uma cena pode ser bastante rica se a agio de um personagem vai no sentido oposto do que ele fala. Isso contribui pata explicitar-@ contfito in- ra da Biblia que antccede a chacina, em Pulp Fiction, A cena € irdnica e idade do assassinato a sangue-fiio, Marca registrada de Tarantino, € um recurso que, por contraposigto, a um s6 tempo suaviza a violéncia sem sentido de seus personagens c escancara a crueldade de ma- tadores sem esenipulos, ‘Outro étimo exemplo de contraponto é a cena do sexo por telefone, em Short Cuts. Enquanco dix mil sacanagens ao sujeito do outto lado da 187 sos (em Parlp Fiction, a Biblia antes dk Short Guts, as sacanagens misturadas a0 tral tudo num mesma cotidiano modorzento), fala e aci0 tém em 1ento, um estranhamento que nos oferece uma perspectiva incomum sobre 0 que nos é apresentado, Nem sempre 0 me- Ihor é usar tudo no sentido do reforgo e da confluéncia (a redundancia pode resulsar em perda de forga). Como ensina Joao Gilberto, u reta dissonincia abre 0 ouvido, os coragies e as ments. } Diversidade das falas Em primeiro logar, & bom nos livrarmos da oi rotcirista, Se € fato que, num bom roteiro, cada personagem “fal um jeito diferente, também & verdade que seria pretensao dem: roteirista querer ensinar trejeitos de linguagem aos atores, sem mesmo s! No set de filmagem, & comum haver improvis de ato- subs: conhecé- tes, Palayras sfo trocadas, 3s veres frases intei tituidas, Se 0 roteiro for bom, e estiver totalmente amarrado, ou seja, se escreveu, saber de imei provisagéo funcionou ou nao. Em Cidade de Deus, que tem um dos me Ihotes roreiros do nagens tém MUITO improviso. Iso nao significa que os dislogos escrivos por Bréulio Mantovani scjam ruins. Ao contrétio: a improvisagio funcio- Wo sea nema brasileiro di anos, as falas dos perso- 12 obra transit 8 de mapa qu nhada avanga, vai se desfazendo — ou melhor, se crans pria caminhada. Dito isso, concentremo-nos no desafio do 0 personage (Figindo daquel portivel, na qual qualquer fala pode estar na boca de qualquer um). Pen- se na vida real. Cada pessoa fala de um jeito, Nao s6 0 mineiro fala dife- rence do paulistano, que fala diferente do-carioca, Voeé e seu pai usam vocabulirios diferentes, Sua namorada talver faga um uso de diminutives, 188 gado —c olhe ld.. Queremos dizer que voce “deve” co e qual? Nao, De novo. nao se trata de uma “regra espert tante: por que falamos de modo to entrecortado, lac mente tio variado (num instante, eorteto; no outto, cheio de gf outro, “meloso”)? Pore a vida, como um filme, é feita desi ine as circunstincias. Quando a fala € diflogo, nfo esté pautada por coe- réncia ¢ acabamento internos, mas pela capacidade de relagio — a reagio ~ com 0s outros. Um bom didlogo deve ser construido em inter-relagio com a E preciso recordar 0 ar duclos verbais, Talver voce pense: ersonagens em cena desejam: falar dra mavicamente € 1 exes os personagens nao saber o que querer. E verda dos os movimentos friamente c © que o personagem nio sabe, e mostrar também isso aquezas da expressio dramitica sio os sinais io conscientes de relagdese conflicos. E muito com st uma agio determinada de um persona gem corresponds uma reacio, uma descarga de energia no contro Exemplo dbvio: 0 sujeito vai fazer seu primeito assal mas as mios tremem. Exemplo mais sofisticado: em O Poderaso Chefio, ‘Don Corleone ~ assim como o Rei, numa sociedade de corte, como arma em riste, o direto. Quando os personagens sio faladores a ics de sutlezas, nosso prazer aumenta. E étimo ouvir as falas 1941), as de Charles Laughton em Tesemnn- 1a de Acusagao ow as de tantos personagens das Comédias da Vide Privada centavo. Te odeio"; ¢“Vestide novo? Mas é 86. um chur- Na segunda fase, a audigncia nio éagredida py logo, mas levada a raciocinar para chegar ao set sent. cour fator m é bastante ia, surpresa, decep- elementos da cena, bem mente de personagens e situagdes) — 0 que se obtém apurando ido, incluindo exercicios de audigéo entre os tais exetcicios de obser- vacito dos jogos do mundo, de que vs grands mestres da polifoni b] Um “problema” especi Mesmo um *bife” nao é um mal em si. Um discurso enorme pode ‘mesmo ser uma agio fundamental, um “aco de fala”, como dizéamos no ‘capitulo anterior, Afinal, € a isso que nos refetimos quando dizemos que Lenin, por exemplo, fez um “discurso hist6tico” na Estagio Finlindia. Naascas pequenas e draméticas histérias também comportam “discursos histéri co, Em Um Dia de Cio, 0 “bite imusitadas motivagées de seu assalto, ¢ guardado para @ meio do filme: quando jd estamos “com” Sonny, a seu lado dentto do banco ¢ na vida, nos é “administrada”, de uma ver sb, do petsonagem — estranha & maiozia dos espectadores e, por isso, exigindo esse cuidadoso célculo em sua expressio, que é péssimo € 0 bife explicativo, Ou melhor: qualquer didlogo explicativo, mesmo pequeno, é um “bife’, ou seja, grande demai no de de um personagem, s discurso final de Segredas e Mentiras€ altamente draméti~ de Sonny, emocionado, explicando as do e sem anestesia, a motivagio exist, Ele acontece no mau roteiro para explicar as motivagbes na boca dele mesmo, seja na de outro, Todo ‘mundo ja viu essa listima: 0 cara sai de cena e alguéin se poe a interpreté- cle... E-um homem corajoso, mas pouco pritico, Temos que |. ainda que nao possamos concordar com ele”, Sim, “temos’, roteirista-cara-plida, ¢ esse € justamente 0 seu servigo. © dilogo, como as ondas elesromagnéticas, tem de ctiar seu préprio iio pode se apoiar em muletas desse tipo. Melhor do que pensar mei «em “informagées a passar® para o piiblico € pensar: © que se apreende da inter-telago em cena? Uma pergunta interessante a se fazer & A “inten- sao", o sentido da inter-relagso, pode ser expressada substiuindo-se pat- tedo didlogo por meias palavras? 191 ¢} Falando sem drama meédio e caracterizar os personagens, 'o” como contraponto a ago que se arma. As ico © depois surpreendé-to com uma agio que estava preparada sem 0 seu conhecimento, O desfecho do didlogo sobr. wt com os dois eapangas pegando suas armas no }~ armas que serio usadas na matanga Biblia. A sacada de Tara € posstvel desviae regada a cre- nos minimos detalhes, para levar suspense a0 le nio dé bol i twata-se ainda de drama, ou s '0~ dois homens esto discutindo na garagem de uma casa jaa esquentar e... entra ¢ mulher de um deles com uma jatia de ‘omentado, izonicamente, que o calor esté pedindo um “refresco' isso pode ser feito fora da aga0, © que provoca mais distanciamento te do espectados Todos os natradotes em vor aff so desse tipo, ica da cena. Jorge Furtado, que mestte no uso mensio, Um exemplo sofisticado & 0 uso de voz off no ep imperador” 1), o objetivo do sobre as tensdes sociais que envol- natizada, O paiblico de TV mais 1 jd dissemos (vide cay imeito epis6 as partindo ta que tem como “pir sa expectativa ~ como ¢ 0 aso aqui. io, bem diferente, €a do rotci vide capitulo 1 — inrelectuais que apreciam ensaios). Num filme dramatico, o interesse do expectador esté “imantado” pelo contflivo. atengio. Se vai haver uma exposigao ras favelafasfalto”, de iso dramacizs- * (eo preciso incorpo la parce do conflito. coria das fro Espaco ji que ela detey lementos da cena (se voct transfere idade para uma feira de produtos lea pena pensar um pouco melhor). Geral: 6; no primeizo tratamento do rotciro, pensamos em espagos dbvios. (clenovelas ¢ seriados, os personagens atuam sempre nos mesmos espagos {até por limitagées de produgio). Mas uma boa pergunta que voce pode fazer & O espago de sua cena ¢ realmente o mais adequado? Aescolha do cenatio é a grande par- te dos arranjos entre os deme discussie de io de cor eréticns Em seu liveo Como Contar um Conto =, qh relara sua experigneia co- :mo professor na Escola Internacional de Cinema e Televisio de San Anco rio de los Bafios, em Cuba -, o prémio Nobel de literatura Gabriel Garcha 193 desde que faga sentido no projeto do filme. Em iz fer, uma sugestio: por que nio fazer a contissio 2 A comunicagio entre eles Ficara diffi ese- mera vista a idéia sta, descle que faga sentido precisa se prender a sposta do filme €realista, essa iia de Garcia Marquez é ‘opcio, pois quebra a verossimilha erno a0 filme, podendo despertar esttanhs © (alids, pensando dessa forma, pode ser 10 de estranhamento ~ pi rativas por exempl das regeas da no re usado como ‘o-racional quebrar 0 en ne flerta com © surre: 1 Exterminador, ima e se encaixar perfei injo Exterminador (EE exemplo, a idéia pode estilo do filme. No entanto ‘que, mesmo num filme paurado Ses realistas, € possvel ser eriativo na escolha do espago. E ‘ra Harner (The Third Man, Carol Reed, 1949), am impor arre dois personagens se di numa roda gigante. Em Doméiticas, pela primeita vez. O didlogo intcitinho sobre os nomes de ambos (Rai, por exemplo, na ver- nunda). © espago eset do também é criativo: uma xfcara 1m parque de diversdes, Enquanco eles conversam, as as giram, e dessa forma € construida o famoso jogo de olhares entre er parques de diversoes! Culpa de de Re- © espago pri de, 0 “teatro da sala de itica, sobre ag 10, didlogos como centro nev © espago protagonistas ~ 0 engoes 10 expectador participar da cena (ou observécla, de 0 Casamento de MM Amiga (My Best Friend's Wedding, PJ Hogan, 1997), uma das grandes comédias tciramente construfda pelo contli grande \dade de demonstrar amor em cla perdeu 6 bomem que amava. O asa moga est ito em expago publica; :eédico ou pintor; evidencia-se aqui como a profisso foi escolhida a iento do conflito), Nesse filme, o es} xr moderna, que confunde independé ciéncia), Ela $6 se permite a“fraqueza" de exibir seus sent da fortaleza doméstica, Em contraposigao, a personagem de Cameron Diaz, sem medo de ser feliz, “pags o mice” de cantar para o amado, horrt- indamente, num karaoke. Isso sem falar no apatedtico show do “sé igo gay” (figura recorrente nas comeédisr0 jentos dentro cas recentes) que, tes de cenas rigoro: supermercados, estacionamentos, lanchonetes, Nesses (maus) us0s, o espago apenas “inerementa’” a cena, se ou decompé-fa) de fato. Em Pracuntete Amy (Chasing Amy, 1997}, hd uma cena que brinca com esse cacoete, adi BO transcorre entre os dois, ea de d que até entao era o espago offda riya do casa, EI mence 0 tom da cena, que entio cena tem um tom dramécico. ntervém e fl de passagem, qui ‘que as cadeias, em regra, sio mantidas 1s pelos presos, como parte do rig Mas isso nao importa. Num p snhuma barteira, Cabe a vocé, rote lia de pensar diferente, de inventar relagdes. Por uma cadeia asséptica como um hospital? A ci sibilidades, devem, a seguir, ser submet . por exem- ividade, as infinivas 20 projeco geral do filme, uma portinhola, atra- vés da qual se vé um pedago do rosto de um preso, que pede para tomar strair 0 espago, reduzi acadei aos objetivos do filme, uma fibula as particular {duo e burocracia, € nao so fo espago, mais re real!™* — a impressio de que uma narrativa é verdadeira — ve aliés, sabe qualquer bom mentitoso} uum passo da abstragio mais radical. Fsse passo pode ser dado, mos a um filme teattal, alegérico, com grande potencial de ge Aspe Jagdes vio se tornar abstraras, encarnagoes de as despersonalizadas. Deus ¢ 0 Diabo na Terns do Sol (Glaube 1 farer do sertio um paleo; nagens, figuras miticas (o Cangaceiro, 0 Beato, o Matados, o Can necimentos, sinteses de vastas exper dos). ¢) Digressdo modemista sobre 0 espaco Uma dimenso fundamental do cinema modetno do pés-guerta éadis- solugio do encadeamento dramético através da exploragio plistica do espa- sma mainstrcnn de “character oriented” — 0. Os americanos chamam seu ci concentrado nos personagens (modo pritico de apon itico). No pés-guerra, os neo-realistas italianos ~ Past (Roberto Ros- 1946) ¢ Alemanha, Ane Zero (Germania Anno Zero, Robes |, 1947) sfo exemplares— recrataram o mundo devastado através de para o caniter dea rumo (sem pessonagens que perambulavam, perdidos entre rafnas, sei c fizeram também suas chimeras perambularem, tor- a mais um personagem “em busca”. Essa pes grifica do espaco floresceu no estilo abstrato,influenciado pela pincura de Mondrian, de Antonioni (O Eclipse, sobretudo), nas caminhadas da Nouvelle Vague ~ Acossado, de Godard, Os lncompreendides (Les £00 comps, ist cinemato- 1969), er oriented, que a ma, vatiow. bastante os 10” espacial. Depois de sua fase alem — Alice nas Cidades in den Stidten, 1974), No Decorrer do Tempo (lon Lauf der Zeit, 976), O Medo do Goleiro Diante do Penal (Die Angst des Tormannes beim Hfineter, 971) =, ele inda que sem abandona mes com maior teor dramitico, ¢ cestigasges lex Asa do Devejo Hinainelitber Berlin, 1987) se le compromisso, melhor representa essa nova so- mos ver as manipulags es bastante candnicos. Veja-se — um exemplo entre s— Meu Officio E Matar (Suddenly, Lewis Allen, 1954): 0 fl (ria de um bando liderado por John Baron (Frank Sinatra), que ph matar o presidente dos Escadas Unidos, cujo comboio far uma pa ferrovidria da peqy morro, de onde armam o golpe fatal, a acio se passa no exterior; a do momento em que assumem a casa, fazendo Fecurso comum ~¢ interessante ~ é alternar cenas com grande lade de descrigaes do espaco com cenas em que 0 espago nfo éim- nie, aparecendo muito pouco, Assim, o filme, mesmo parando para gie o conflito dramstico? d) A escrita cinemologréfca: um conto de Alcéntara Machado nelhor o que estamos falando, ke dle Aneénio de Aledntara Machado (vide conto a seguit) ‘cos de ditcito, mocinhas etc). O casal protagonista nos trechos de d ado em dois ps logo. A cena ate é 0 oposto dessi. Imente curta € grossa, rem sequer 0 espago. composta apenas pelas falas dos dois personage a. No rotcito, ceria- Jato; afinal, no onde eles estao € definide no CASA”), Mas podemos evitar a descrigao dos detalhes do espaga que se- entre drama ¢ espago de Alcincara Machado, sia feita nas rubrieas da cena, Com essa alte = que, como mostra a escrita “cinemarogril o conflito principal, Vejamos 0 con' ios entre colchetes, s cia ¢ efiedcia dos recursos naerativos empregados por seu autor. A Sociedade* ANTONIO DE ALCANTARA MacHaDo. inha nao casa com fillho de carcamano! [Uma brig inteiva resid no sex lance inal, Um aso coms muestra do corte de cena} 199 [Perecha-se a montagem paralela de momentos ndpidos, que descrevem a estado da situagaa dramatica depois do confronta.} © experado grito do clixon fechou o livro de Henri Atdel e trouxe Tere 1 do escri para o cerrago, {A indieugao da com de ma consegiténcia 0 movimento dle Teresa Rita sinaliza a pasager de tempo e concentra a ago.) imentou com 0 chapéu Bors: © acelerador. Na prime sou de novo, Conti nesma rua, Gostava dela, nero 259-C ja sabe: ui ira a Rua da Liberdade. Pouco an- ue voct esti fizendo no terrago, menina? 20 nem comat pouco dear eu posse mais? Lambda, vermelhinho, . verde, grudad. [Uso plstico das cores} plendente, pompeando na rua, Ves- pele, serpejando no tersago, Ente jd para dentro ou ex falo com seu pai quando ele chegar! Ah meu Deus, meu Deus, que vida, meu Deus! ano Melli passou outras vezes ainda. Estranhou, Desapontou, a Avenida Paul ta. rquestra o negro de casaco vermelho afastava 0 saxofone da ra para gritar DIZEM QUE CRISTO NASCEU EM BELEM. 0 Jo estava achando um al do Paulistano, © namorado ainda mais, fo do salio eram um nos maxixavam colados. No Dentro do citculo palerma de mamés, mogas feias © mogos enjoados. A orquestra preta tonitroava, Alegria de voues e sons, Pal- nas contentes profongaram 0 maxixe. © banjo € que titmava os passes. ~ Sua mie me fer ontem uma desfeita na cidade. —Nio! = Como nao? Sim senhora, Virom a cara quando me via. MAS A HISTORIA SE ENGANOU! As meninas de ancassalientesriam porque os rapazes contavam episédios de farra muito engragados. O professor da finho de Sob a yaia do saxofone: turururte = Mea pai quer fazer um negécio com o seu. ~Ah CRISTO NASCEU NA BAHIA, MEU BEM ar Gustave Le Bom, mas a nho de éculos comegou ate s ada do eatedrético o engasgou. Alegria de vozes ¢ sons. .. EO BAIANO CRIOU! {Cada frase sugere um plano — 1m modo sintévico e viswal que serve de inspiragiio ao roreirista, A modulagito do espaco foi comentada acima.} csse carcamano ven pedir a mao de Teresa ho da mua para cle, compreendeu? = Olhe aqui, Bonifici: o, voc® aponte 0 parao = Ja si, mulher, js [Outre “mierocena”,cortadisima, prepara o desentace.) Mas era cousa muito diversa. © Can Uff. Salvatore Mell alinhou algarismos torcendo a bigodeira ‘alou como homem de negécios que enxerga longe. Demonstrou cabal- mente as vantagens econdmicas de sua proposta. Mell ‘Non € pata ofender, Primo 0 doutor pense 4 proposca e repetiu os argumentos pré. O conselheito pos- 1os em So Caetano, Cousas de heranga. Nao the davam © Cav. Uff tinha a sua fibrica a0 lado: 1.200 teares, 36.000 fusos, Constitufam uma sociedade. O conselheiro entrava com os terrenos. O Can Uff com a capital. Arruavam oe trineealqueires c vendiaan nde parte para os operat da filbrica, Lucro certo, mais que cettoy idfsimo, Eu jf pensei isso, Mas sem capital o senbor compreende é impos Per Baceo, dowcor! Mas io tenho o capital, O capital sono io. O dous Ma como terreno, mais nada, E 0 lueto se divide no meio © capital acendew um charuto, © conselheiro cogou os joelhos d fargando a emogo. A negra de broche serviu o café ~ Dopo o doutor me dia resposta, fo 96 digo is O capital levantou-se. Deu dois passos. Pa out para um quadto. pense bem, Meio embara ~ Boni pincura, Wsoul que fosse obra de italiano. Mas era de francis, — Francese? Nao € feio nan, Serve. Embatucou, Tinha qualquer causa. Tirow 0 chacuto da boca, ficou no para a ponta acesa, Deu um balango ne corpo. Decidiu-se. 1a dimenticando de dizer, O meu filho far o gerente da sociedade. ba minha diregio, si capisce. Sei, sein. © seu filho? Si. O Adriano, O doutor.. mi pare.. mi pare que conhece ele? 'o do Conselheita desviou os olhos do Cav. Uff na diregio ica cena mais longa do Nela se fila de negdcios e € just da velagto ensreas familias que se define o destino do pac ro -Ee 0) 12 O que devo responder ao homens? E puxou o lensol A outra proposta foi feita de fraque e velo seis meses depois, 0 Consetheiro O Caw. Uff José Bonificio de Matos ¢ Arruda e Salvatore Mellie senbora senhora tém a honra de participara tém a honra de participar a ° V, Ex’ ¢ Ex. familia 0 contrato de casamento V. Bx Ex." fami contrato de casamento de sua filha de seu filho “Teresa Rita com 0 Adriano coma Sr, Adriano Melli. Srta, Teresa Rita de Matos Arruda. Rua da Liberdade, n° 259-C, Rua da Barra Funda, n° 427, No chi clo noivado o Cav. Uff Adriano Melli na frente de toda a 112 nora os bons tempinhos em que lhe ven- au portugues, quase sempre te recordou 3 mae de sua dia cebolas e baratas, fiado e até sem caderneta, io di Lucca e baca vvezes, mesmo que o roteirista nfo faga as indicagies tée- pagem, consideramos fundamental que ele pense cinemaco- Como vimos na seqléncia de Bréulio M. aqui tulo 7), iso pode ser transmitido por um trabalho de es- parte do roteirsta ceressados nessa ampliagio do roteiro para a moi través dos recursos plisticos, sugerimos leitura da tran 204 Capitulo 10 REPETICOES: SINAIS AO LONGO DO CAMINHO +H claume forma de circularidade, de retomo 0 um ponto, no rleito? Os sentidos des: forgados por retomades de gest: emscéne? *Hé antecipagies que revelam retrospectivamente pislos ou piodas? * Ha: geslos caracteristicos de personagens ou de de lerminadas siogSes? # H6 objetos que condensam om si desejos dos per sonagens? *# Como esses abjetos “circulam” pelo fime? Que no: vos sentidos filme vai adquirindo? Essas imeiarces conseguem expressar movimento dah 1 He imas visuals que civdam 0 compor ume sensa 90 de unidade lematica para AAs reperigées sie poderosas aliadas do roteirista. Como ié dissemos varias vezes, o objetivo do trabalho de escrita do roteiro € dar forma visi- vel a uma percepgao sobre algum aspecto d: ‘voce “anteviu"), Dizemos que uma coisa tem “forma” quando fica nitida alguma relagéo entre seus elementos constitutivos. Pegamos uma pedra na beita de um tio e dizemos que ela é disforme (ou a: aalargamos, sem maior interesse) se nfo percebemos 1 tre seus contornos ou stas variagées de cor. Mas, se a peda for uma per- ips, ou formar um dégradéde tons de verm ida (:ornar visivel o que dizemos nada, € sma relacio en- 0, ou sei Ki que ou- cligéncia soto estimuladas pelas relagbes entee os elementos que a compéen. Fun- cionamos, assim, buscando padres de repetigao ¢ variagao. Por isso existe a matemitica, a cerdimica marajoara ou a coreografia, Um artista & ‘um sujeito capas de criar Formas, padres que provocam o interesse de seus semelhantes. ‘As narrativassio formas temporais, como a mifsiea, O que quer dizer ‘que seus padrées formais sio perceptiveis no tempo, €ss0, por si, pro- ‘voca-nos praver, Lévi-Strauss, talvex 9 maior estuclioso de mitos que © mundo ja viu, compara as estruturas (padroes de repetiglo ¢ variagéo) dos mitos com os padsées musicais, e diz que mitos e miisica so “méqui- nas de suprimis o tempo, justamente porque recolhemos os elementos dispostos ao longo do caminho, e uma especie de cristal vai se formando «em nossa mente ‘As eseruturas narrativas até aqui discutidas, desde as grandes categorias de géneto até as consideragées sobre o ritmo de uma seqiténcia ou de uma lo de’Tchecov: se um rifle aparece com algum destaque no primeiro im da pega ele tera de disparar. io quer dizer nada) Jes elementos (segredos de Es- 1a maleta cheia de diamantes etc.) que no sto, de fito, impor- hos. Quando no em O Falco Malié), perseguido por Indiana Jones em fiudiana Jones ea Ultima cada (Indiana Jones and the Last Crusade, Steven Spielberg, 1989) & ‘cavaleizos" do Monty Python em Afonty Python ¢ 0 Cilice Sagrado, mesma forma, um objeto pode servir pa ragem: 0 arco de Rol 10 de repetigies pode parecer um “truque st les que o Dick Vigarista usava para ganhar a corrida malu ios sabemos a moral da “Corrida maluca’: 0 crime no comp ca vence. Quero dizer com isso que a repeticio, soz ada, é uma forma vazia Jocat uma cereja sobre um bolo qualquer. Ou ‘um bolo de chocolate com cerejas,¢ entio pér Na antipoda desse trabalho construtivo esti o perigo do “simbol ‘Um dos riscos maiores de se cai em (falsas) facilidades, com grandes de pouca eficicia e de mau gosto, ¢ apelar para elementos (presu 16) codificados da eto em vétias cenas, ge 40. O roteirista deve avaliar como mesmo buscar al ente) por wdlos os espectadoes. 1961), hi uma brilhante repetig itidiana, vai se enforcar, usando a dos mendigos re m, , quando u colhidos pela caridosa Viridiana avanga sobre ela, com intengio de estu- pri-la, a corda reaparece, servindo de cinto para os trapos e de arma para 1 violagio, A corda, de modo sutile orginico, serve de vefculo par sso entre desejo sexual e xegras morais, que ¢ trabalhada de véviasforn 20 longo do filme, © exemplo serve de “antidoto” contra simbolismos fi- , comumente associados a contetidos preter como o desejo sexual de fungoes que esse recurso costuma cumprit, Nunca é que esse tipo dea cm foco uma “dimen: excludentes. Als, quan- or um elemento, melhor para a impressio de uni to deve transmitit, ypactos dra iva, que provoca ou de O Resgate do Soldado ida de sua missio), ajuda a iva, Nesse exemplo, a antecipagio, mais do que um em Edipo Rei ntecipagio pode ser feitac atengio do espectador para algum detalhe, excitando sua curiosidade, que vird parando-o a reyelagio retrospectiva do sentido er também, lo. Em Testermunha de Acusag de desmonsar 0 cariter de interpretagio as verses, Para nosso foco de inceress 1a de efeito retardado” da revelagiio ectiva ~, a antecipagto pode ser cémica: em O Filho dla Noiow (El figura homens ignoram. Jno mei surgem, embasbacados, assstindo algo na’TV. yela a chave do mistério: a capa do video de sacanager anunci: ("Mas isso € a perna de uma crianga! E wi ‘oamigo, que, pela suxpresa, também no é nenhum ‘Watson, em sexo se sgarafa térmica” mos referencia as poss gens, como no caso da ci n objetos associadas é. De acordo com esse quando 0 objeto é um instrumento de aso do personagem, am- chances de enriquecimento dos signi (Bogart) em Sabrina, iagens-tipo, tao eo charge, 0 definem e estabelecem sua relagio com ico do que Carlitos, sé, seu andar caricato, do bigod s repetidos (bater, saudar com o chapéu ¢ corte). Sendo a carica- do tipo, sio esses tragos exagcrados e marcados Vio hé exemple mais ca repeti- an, Essas repetigies carica cis, de acordo com o grat mir no personagem. rotcirista de- \rto baixinho de Mura Mas tem esse Sem Chance, © ent sm chance”, De cerca maneira, so- ne"). Jd numa comédia leves, para q do “efeito do 8 personag {50es), maior a impressio de re Mas é tudo, como diss 2” (ou culindria) entre os tragos, Parte importante da gk Yor E lnsparstoct cata em estaboelecer como P: nos, uma ques que, a princi de desenho ani da ide har para nés mesmos como Melvins: s “fortalezas da so Ime. Even nos dizo . a barra ¢ tém de lidar com o namorad Em Inferno 17 (Stalag 17, Billy Wilder, 1953), 0 di parecida, reunindo sob o teto de um campo de pr hagos (com todos os tejitos; um gordo, outto magro et Esses usos no pon as escrachad ita e do ditetor, que deve harmon Caracterizasto de relacdes Um gesto ou um objeto pode, por sua repetigio, cornar-se uma esp cie de “marca” das relagdes entre personagens. No episédio da Come dia Vida Privada incivulado “Anchietanos” (que, di’, como avisa a abertura), hi um étimo exemplo. Tiata-se da hist de um jover talentoso que se deixa compra; em dois momentos cr ‘ndo é uma comé O Dia em que Dori rnente ¢ merda pra mim 6a mesma coisa’, n Howe wma Vez Dos Veros, a mesma frase ~ “ew to gravida’ ~€ Roza em diferentes situagies, mas a cada vex.com um se: ference, marcando assim a ev io com Chico ¢ sua transformagéo: na primeira vez ela é uma golpistas vém que quer fgir de uma x cr apaixonada que accita 0 (720 amorosa; na terceira, o magistral sio as role”, em Ligardes Perigosas (Dangerous Liaisons, St a alegria por se deix levar pelo amor de Madame de lo fet). Depois, querendo pr n de marcar com clareza ~ como numa espécie de exp. role de varisveis ~ 0 que exatamente se modificou no d ca nova configuracio da situagio dramética io do filme, temos Chico ¢ in, Em off. Chico diz que fim do filme, estamos de volta & mesm: estd li de novo, mas agora quem faz com inho de Roza, Chico e Roza estio as voltas com . como calvez disses Objetos de desejo sodugio, esses objetos so, em ge ‘em si mesmos desimportantes. Ninguém dé avengio as ele “encarna’ o desejo, concentra as a que as relagies ha, ou outras bem mais ges dos pers dramaticas (0 amor entre 0 mo complexas que voc’ pode fungio basica de unificagio. A 0 oda conda em Viridian, 0 s, conden- mngo do desenvolvi- es de sentido mais importan to do filme. Veja-se por exemplo, Tds Reis (Three Kies David O, Russell 1999). De inkcio, 0 de Saddam", Mas, do, adq po de soldados vai se enredando na conjuncura dk quanto a caga avanga, o sentido daquele outo v a medida que o gr yque ocupado. ficil de ser ci lade de fuga e sobreviveneia para w mpea de a mo tempo, pro m ndo novas conotagies ¢ fun grupo que busca fugir do pats; passaré por moeda de ra essa fuga e, por fim, vai se tornar prova ~ a0 m do crime de desergio e roubo cometido pelos proragi io bascado nao na identidade de um elemento, ga entre uma série, clisposta ao Longo do filme e compon do uma espécie le texto subterrineo, come uma melodia sec melodia principal, Metaforicamente, cesses elementos, semelhar pode ser de grande va dimensio de tema subjacente Liria sob a xlemos dizer que m’. ise recurso 5 sem serem idénticos, 1 comentitios As cen izagao do O plano far parce de uma sétie desse de Chico sobre as cadeins causais a parti dos tiros aos bes do momentoem Tetris, as possiveis com dente” final com a entre as quais o m jovem hersi x fintico que, sem dar vive seu amour fot por uma jover devi 216 Exemplo de anélise: O vai-e-vem da camera Q est com uma 1a forogrfica em punho. A primei a mudar a minha vis Deus. mesmo Busca-Pé portance em Cidade ‘A maquina forogeéfica surge em cena para registrar a mi ia automaticamence se transforma em objeto do desejo PE, Ao mesmo tempo em que se encerra 0 perfada “romantica” do ho que acabara tirando Busea-Pé da fav surge um indicio do ca uma cimera. Na cena da festa, essa impor trifico, nem sequer que conceda desejos para aqueles qt postamente tem sob scu comanda, A cimera torna-se instrumento que sm que Zé Pequeno ¢ Busca-Pé se Ha um momento bem marcad ram, Na ttoca de olhares (pelo fato de Busca-Pé estar caido no é Pequeno disses Serd que manda mesmo? Bené quer ir contra a vontade de Zé Peque tno. E toda a rensio da cena do baile explode quando ambos lutam pela Busca-Pé depend s wente, de Zé Pequeno. © nao desprovida de sua habitual vaidades aqui, & como se Pe- o dissesse: “Como posso tudo, posso também te dar essa maquina ida demonstra que nio possui a vaida- de Zé Pequeno. Entte as huzes da ribalta ea sobreviven~ Busca-Pé escolhe a tltima, Ele prefere publicar a foto do cadaver de 10 a se arviscar a morzer ~ desta ver, p Fosse tudo isso pouco, a tiltima fala de Busca-Pé d 0 que que ele conquistou, mais que uma de Busca-Pé, Agora eu sou Wilson Rodri- Exercicio nario et. Notas Capitulo 1 "Ser cineas Alegge: Artes © OR no Beas * — FURTADO, Jorge. Adponauta no Chipre 992 1 das mocdas..” ~ TORERO, José Roberto. O Chalaga. Riv de Jax va, 1999, * De que trata.” 1998. p. 35 “Uma hiscéria que...” — LUMET, Sidney. izendo Filmer, Rio de Jancio: Rocco, 1998. p. 37. sgor Samsa acordou...” — KAPKA, F Companhia das Letras, 2000. ‘Meu nome é Mart, Ed Mort” ~ Trata-se do refrio do personagem Ed Mort, na seguinte coletinea: VERI ras. Sao Paulo: L&PM, 1997. .” = Este € 0 argumento do filme de Luis Buriuel O ‘grupo de refina Anjo Exterminadar (El Angel Esrerminador, MEX, 1962), 997. pp. 169 ¢ 174-175. Tetra, 204 ' NACHMANOVITCH, Stephen. Ser C Capitulo 3 ROSENFELD, Anatol, Txtre Epic. OSO, Caetano, Verdade mopical. S20 Ps 1G, Robert. Zen ¢ Are da Mansrengo de Morals 0 Paulo: Perspectiva, oo. Sto Paulo: Su 1998. 2002. p. 17, liveo: MAMMET, David. Trés Usor para a Fuca aio Brasileira, 2 Assitio Alvim, 1981. pp. 1372153. STEINER, George La Murtede la Tagedin, Caracas: Monee Avila, 1991 © MARX, Karl, O Desoito Brumérto de Lait Bonaparte. Trad. Leandro Konder In: Manuccrits Bcondmico-filesificos¢ Outros Testas Excell, Selecto de ex Cauleucal, 1978 (Os Pensado numa de suas obras ‘ocorrem, por assim dizer, Uma Anatomia do Drama, Rio de June: Zaha ia. O Cinema da Retomada, Sio P wo ory", de B. Vincent), ver- encenada pela Fraternal Cia, de Arte ¢ Mi sot € nossa” refere a Frangois Rabelais & o autor de Gargansuar ¢ Pan o contesto de de de Bras 8 Verso da my Citagia retirada de um didlogo do episédio “Apenas Bons ca Comédia da Vide Privada, Ditecdo: Jorge Furta age Furtado, Guel Arracs ¢ Pedro Cardoso, a partir da ok de umm esuco anttapolégico sobre o significado doc cams: DAMATTA, Roberto A. Carnac, Malandhos ¢ Hers. Sio 1997; VAN GENNER Amold. Rito de Pesagem. Petsipolis 978. ly Wilder chamado Quanto Mais Like Ie na, A frase Editor, 1981. p. 269. 'RYE, Northrop, Anatomie de Critica. Sa0 Paul Sio Paulo: EditoraAtiea, 1993. p. 36 Capitulo 5 “ Syed Feld € autor de lvtos como: Man de Roteive (Rio de Janeiro: Fai ro de Harold Bloom A lnnentao do inciro, Objetiva, 2000), os. “A Toralizagio Dif Revista Reportage, " COMPARATO, Doe. Da Crapo #0 Rotciro. Rio de Jane’ Rocco, 1995. p, ca do Tempo Perdido F, Rio d + Bognadovich. (Afinal Quem Fas 0s Fils, 5 2000. p. 340). A ciao literal €ascguinte: rio se esforce tanto " AUSTIN, John. Quando Dizeré Fazer, Posto Alegre: Artes Médicas, 1990, ramarurgo e direto 10s como: Tiés Uios dla Face Capitulo 9 va 1979; BAKER, Stephen. Odeio 1985. Rio de Janciro: Francisco Alves, Sie Paulo: Editora Melhorame: weador’) jutor de livros como: O Proceso 5; A Sociedade de Carte, Rio de Janciro: Referéncia ao hist de Janeiro: Jorge Zaha a pena 010% sta. 98 sociedad” Novelas Sintara Machado que est 988), tanar (Belo Horizonte: Ediora Itaiaia e EDUS EISENSTEIN, “Sobre ‘o Capote’ de Gogol”. Revista USP, n 2., Segio Texto, pp. 71-84, jun.ago./89, Quem somos Leandro Saraiva Nasci em Porto Alegre, no fim dos anos 60, 0 que fez de mim « rado e petista (hoje, cu diria que sou mais colorado do que pet hei rica, concluf 0 curso de Ciéncias careca, vindo para Sao Paulo estudar cinema. Na USP, junto co o de amigos, criamos a revista Sinopse e descobrimos a duteza de te no Chipre”, como diz Jorge F teiros (Cidade dos Homens, Globo/O2 Filmes), «ral (Pebes, de Eduardo Coutinho; ¢ Brn Travuito, de Henti Gervais ente montad (Shpluft, de César Cabral) 0 adia Mesquita, Rena gum cu io (A Palma Mais Trangita, de Cl Otro ¢ Ruben Caixeta), Eserevo ct descubra meu imenso talento futebolistico. Enquanto isso nao acontece viajo no sonho circense da FICS, Newton Cannito Eu sou mais um daqueles que jé fizeram de tudo um pouco. Jé fi técnico em cletrénica, dono de botequim, promotor de shows, vended: E sigo em frente. Tenho uma mania louca de ter sempre um plano. Tenho um por dia, mas todos convergem para o mesmo: ter uma peque- As vezes penso que meu sonho é di c tal... Mas gosto de pensar que nio posso mais fazer nada, que agora é tarde, que ji estou to- mado por meu damon. Ou como diz Di sonhado”, ‘Somhou, ti COMPRA/®, CENTRAL j URPE Quem queremos ser ‘ovonho de Domingos de Oliv moa emprest Confeso minha ambigao ocultas quando ew crescer quero ser dowa de cit= co, Ter um grupo de pessoas que xe gostems muito e que se exijam pow, €4 bam fazer uns resentar ees miimeros para quo tas pessoas que se quiserem, e forem queridas, possam pasiar para o lado de cl Iso & que eu gostaria de ser, quando crescer imeros. E gue possi