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APOSTILA ÁGUA

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INTRODUÇÃO

A existência da água é essencial para a continuidade da vida em todo o planeta, bem como para o desenvolvimento de grande parte das atividades realizadas pelo homem, sejam elas urbanas, industriais ou agropecuárias. A água é um dos principais componentes do protoplasma ,sendo responsável pelo equilíbrio térmico da Terra. Com efeito, em razão de uma série de propriedades físicas, químicas e físico-químicas que lhe são peculiares, a água pode ser considerada o bem mais caro e precioso oferecido pela natureza. No entanto, apesar da sua importância, somente no século passado é que foi atribuída maior atenção à proteção da qualidade da água, desde a captação até sua entrega ao consumidor. Esta preocupação derivou das descobertas científicas realizadas a partir de então, que apontaram relações entre a água e a transmissão de várias doenças causadas por agentes químicos e biológicos. Em virtude de sua utilidade, a água é considerada um recurso finito, escasso e dotado de valor econômico, sendo que por ser tão importante, chega a definir o desenvolvimento que uma região, país ou sociedade pode alcançar. A quantidade de água doce líquida disponível em rios e lagos é ínfima se comparada com a quantidade de água livre sobre a Terra. Porém, mesmo com essa pequena quantidade, há uma série de problemas ambientais ocasionados por atividades humanas, que acarretam em desregulação dos ciclos sazonais dos rios.

CICLO HIDROLÓGICO
O ciclo hidrológico descreve a circulação da água na Terra e as etapas deste processo são: Chuva ou precipitação. Escoamento superfi cial. Infiltração. Evapotranspiração. Chuva ou precipitação

A precipitação compreende toda a água que cai da atmosfera na superfície da Terra.

Escoamento superficial O escoamento superficial é o deslocamento sobre o terreno, por ação da gravidade, da água precipitada da atmosfera que não se infiltra no solo ou não volta diretamente à atmosfera pela evapotranspiração.

Inifiltração A infi ltração corresponde à água que atinge o subsolo os lençóis de água subterrânia Existem dois tipo de lençois de água: Lençol freático: aquele em que a água se encontra livre, com sua superfície sob a ação da pressão atmosférica. Lençol subterrânio:aquele em que a água se encontra confinada por

camadas impermeáveis do subsolo, sob ação de pressão superior à pressão atmosférica. Evapotranspiração A transferência da água para a atmosfera se dá através de dois mecanismos:

Evaporação: transferência da água superficial do estado líquido para o gasoso. Transpiração: processo onde as plantas retiram a água do solo pelas raízes. A água é transferida para as folhas e então evapora. Vimos que a água é um recurso natural necessário às diversas atividades do homem. Desta forma, o suprimento de água, na quantidade e na qualidade indicadas para os seus vários usos, deve ser objeto dos programas de controle preventivo e corretivo da poluição. O ser humano deve ter em mente que, embora exista água em abundância na Terra, a mesma é escassa em muitas áreas, devido à sua má distribuição e às perdas, como também por causa da degradação resultante das ações do homem. O manejo do solo e dos recursos hídricos deve ser feito considerando esses aspectos, de forma a sempre garantir a água na qualidade e na quantidade necessárias aos seus múltiplos usos. Em outras palavras, o manejo do solo e dos recursos hídricos deve seguir o conceito de desenvolvimento sustentável. Agora já sabemos a respeito das relações existentes entre a qualidade da água e as ações do homem. Considerando que muitas destas ações são indispensáveis para a nossa sobrevivência, como

reduzir ou mesmo eliminar os impactos negativos decorrentes das nossas ações sobre a qualidade das águas? Vimos que para o gerenciamento sustentável dos recursos hídricos é necessário o controle da poluição das águas, no entanto, para executar o mesmo é preciso entender um pouco mais sobre poluição das águas, alvo de discussão do nosso próximo conceito-chave.

Jogo das setas

ÁGUA: IMPUREZAS ENCONTRADAS, PARÂMETROS DE QUALIDADE, E LEGISLAÇÃO A quantidade de água livre sobre a Terra é de aproximadamente 1.370 milhões de Km , dos quais 0,6% é água doce líquida, o que corresponde a 8,2 milhões de Km ; sendo que deste último valor

apenas 1,2% se apresenta sob a forma de rios e lagos, de modo que os demais 98,8% são constituídos de água subterrânea, em que apenas a metade é utilizável, já que a outra parte está situada abaixo de uma profundidade de 800 metros, inviável para captação pelo homem. Dessa forma, são aproveitáveis somente 98.400 Km de água nos rios e lagos e 4.050.800 Km nos mananciais subterrâneos, o que corresponde a cerca de 0,3% do total de água livre do Planeta (SETTI, 2001). A qualidade da água é ainda uma problemática no mundo moderno. De acordo com Braga et al (2002, p. 73):

Além dos problemas relacionados à quantidade de água tais como escassez, estiagens e cheias, há também aqueles relacionados à qualidade da água. A contaminação de mananciais impede, por exemplo, seu uso para bastecimento humano. A alteração da qualidade da água agrava o problema da escassez desse recurso. A Organização Mundial de saúde (OMS) estima que 25 milhões de pessoas no mundo morram por ano devido a doenças transmitidas pela água, como cólera e diarréias. A OMS indica que nos países em desenvolvimento 70 por cento da população rural e 25 por cento da população urbana não dispõem de Abastecimento adequado de água potável.
À luz do século XXI a qualidade da água é ainda um grave problema, inclusive em países emergentes (dentre os quais o Brasil está inserido), em que cerca de um quarto da população urbana não possui abastecimento de água potável. Nas bacias hidrográficas, sobretudo as de abastecimento público, é possível perceber inúmeros problemas ambientais como as fontes de poluição difusas e pontuais, tais quais a pecuária e a agricultura, que aliadas ao uso de agrotóxicos e à falta de conservação dos solos são representativas e de mais difícil controle devido à grande quantidade e à grandes extensões das áreas na maioria das bacias hidrográficas desses mananciais. As indústrias, de modo geral são outras fontes poluidoras como granjas, frigoríficos, matadouros, curtumes e/ou qualquer atividade que gere resíduos que não tratam

seus efluentes, ou, que possuem sistemas de tratamento, mas funcionam de forma ineficiente e inadequado. Além disso, as atividades de mineração , pontos de banhistas e acondicionamento inadequado de resíduos providos de atividades humanas (domésticas, comercial, industrial e hospitalar) também são fontes de degradação dos mananciais. (COSTA, 2002). Segundo Viana (2002), toda água encontrada na natureza é considerada como água bruta, sendo que esse termo significa apenas que ela não foi trabalhada pelo homem, não denotando que ela não sirva ao consumo humano. Na maioria dos casos, a água bruta é considerada imprópria para o consumo, por ter sido exposta aos elementos e, portanto à poluição originária de atividades antrópicas como atividades agrícolas e industriais e resíduos urbanos. No entanto, mananciais de água de superfície que se mantenham convenientemente protegidos e, pois, a salvo da poluição, podem conter águas adequadas ao consumo sem tratamento prévio. Dois fatores fundamentais contribuem para que a água de superfície torne-se imprópria para o consumo: • A água é denominada pela ciência de solvente universal. Isto porque ela é capaz de dissolver praticamente tudo com o que entre em contato, sejam sólidos (rochas, minerais, partículas radioativas, etc), líquidos (biocidas, detergentes, etc) e gases (emissões gasosas industriais, de veículos, etc). • O fato da água encontrar-se-á superfície do solo e, portanto, exposta a diversas fontes poluidoras. De acordo com Von Sperling (1996), o ser humano utiliza a água para diversos fins como: abastecimento doméstico, abastecimento industrial, irrigação, dessedentação de animais, aqüicultura, preservação da fauna e da flora, recreação e lazer, harmonia paisagística, geração de energia elétrica e diluição de despejos. Destes usos, os quatros primeiros (abastecimento doméstico, abastecimento industrial, irrigação e possivelmente dessedentação de animais) provocam a retirada da água das coleções hídricas onde se encontram; enquanto isso os demais usos são desempenhados na

própria coleção de água. Apenas os dois primeiros usos (abastecimento doméstico e abastecimento industrial) estão freqüentemente associados a um tratamento prévio da água, em razão de seus requisitos de qualidade serem mais exigentes. A inter-relação entre o uso da água e a qualidade requerida para a mesma é direta. Dos usos citados acima, pode-se considerar que o uso mais nobre seja o abastecimento de água doméstico, que requer a satisfação de diversos critérios de qualidade; enquanto o uso menos nobre é o da simples diluição de despejos, que não possui nenhum quesito especial em termos de qualidade. No entanto, deve-se lembrar que diversos corpos d’água têm usos múltiplos previstos para os mesmos, decorrendo daí a necessidade da satisfação simultânea de diversos critérios de qualidade. Von Sperling (1996) assegura que a água bruta, presente nas coleções de corpos d’água, possui componentes que alteram o seu grau de pureza, que podem ser retratados, de uma maneira ampla e simplificada, em termos das suas características físicas, químicas e biológicas. Estas características podem ser manifestadas na forma de parâmetros de qualidade da água. As principais características da água podem ser expressas como: • Características físicas: as impurezas enfocadas sob a perspectiva física estão relacionadas, majoritariamente, aos sólidos presentes na água, sendo que estes sólidos podem ser em suspensão, coloidais ou dissolvidos, dependendo do tamanho. • Características químicas: as características químicas de uma água podem ser explanadas por meio de uma das duas classificações: matéria orgânica ou inorgânica. • Características biológicas: os seres presentes na água podem ser vivos ou mortos. Dentre os seres vivos, há os pertencentes aos reinos animal e vegetal, além dos protistas. Vale observar que na água pode haver a presença de sólidos e organismos.

SÓLIDOS PRESENTES NA ÁGUA. Todos os contaminantes da água, exceto os gases dissolvidos, colaboram para a carga de sólidos; por isto, os sólidos são analisados separadamente, antes de se apresentar os diversos parâmetros de qualidade da água. Em suma, os sólidos podem ser classificados de acordo com as suas características físicas (tamanho e estado) ou as suas características químicas. As características físicas podem ser classificadas como: • Sólidos em suspensão; • Sólidos coloidais; • Sólidos dissolvidos. A classificação por tamanho apresenta-se como uma divisão prática. Convencionalmente, afirma-se que as partículas de menores dimensões, capazes de passar por um papel de filtro de tamanho especificado, referem-se aos sólidos dissolvidos (diâmetro inferior a 10-3 µm); já as de maiores dimensões, retidas pelo filtro são tidas como sólidos em suspensão (diâmetro superior a 10° µm). Entretanto, segundo Von Sperling (1996), os termos sólidos filtráveis e sólidos não filtráveis são mais adequados. Numa faixa intermediária situam-se os sólidos coloidais (diâmetro entre 10-3 e 100 µm) que são importantes no tratamento da água, porém são de difíceis de serem identificados pelos métodos simplificados de filtração em papel. Nos resultados das análises de água, a maior parte dos sólidos coloidais entra como sólidos dissolvidos e o restante como sólidos em suspensão. Já no que se refere à classificação pelas características químicas, os sólidos presentes na água podem dividir-se em: sólidos orgânicos e sólidos inorgânicos. Na classificação pelas características químicas leva-se em conta que ao se submeter os sólidos a uma temperatura elevada (550°C), a fração orgânica é volatilizada, conservando depois da combustão somente a fração inorgânica; sendo que os sólidos voláteis representam uma estimativa da matéria orgânica nos sólidos, enquanto os sólidos não voláteis (fixos) configuram-se como matéria inorgânica ou mineral (VON SPERLING, 1996).

PARÂMETROS DE QUALIDADE DA ÁGUA De acordo com o supracitado Von Sperling (1996), a qualidade da água pode ser expressa por meio de vários parâmetros, que representam as suas principais características físicas, químicas e biológicas. A descrição dos principais parâmetros é descrita a seguir; valendo perceber que todos esses parâmetros são de determinação rotineira em laboratório de análises de água.

1.3.1 Parâmetros físicos
Os parâmetros físicos podem ser classificados, segundo Mota (2003), como: • Cor: resulta da existência de substâncias em solução na água, sendo responsável pela coloração desta. • Turbidez: representa o grau de interferência com a passagem da luz através da água, conferindo uma aparência turva à mesma. É provocada principalmente por sólidos em suspensão. • Sabor e odor: é a interação entre o gosto (salgado, doce, azedo e amargo) e o odor (sensação olfativa). São provocados pelos sólidos em suspensão, sólidos dissolvidos, gases dissolvidos; então provêm de causas naturais (algas; vegetação em decomposição; bactérias; fungos; compostos orgânicos) e artificiais (esgotos domésticos e industriais). • Temperatura: é a medição da intensidade de calor. É provocada pela transferência de calor por radiação, condução e convecção (atmosfera e solo), e também por águas de torres de resfriamento ou aquecimento e despejos industriais. É um parâmetro importante para o gerenciamento dos recursos hídricos por influir em propriedades da água, tais como densidade, viscosidade e oxigênio dissolvido.

Parâmetros químicos
Os parâmetros químicos podem ser classificados como: pH; alcalinidade; acidez; dureza; ferro e manganês; cloretos; nitrogênio; fósforo; oxigênio dissolvido; matéria orgânica; micropoluentes inorgânicos; e micropoluentes orgânicos.

pH
O pH é o potencial hidrogeniônico, sendo que representa a concentração de íons + hidrogênio H (em escala anti-logarítmica), indicando a condição de acidez, neutralidade ou alcalinidade da água. A faixa de pH é de 0 a 14, de modo que ele é constituído, sobretudo, por sólidos e gases dissolvidos (VON SPERLING, 1996).

Alcalinidade
A alcalinidade é a quantidade de íons na água que reagirão para neutralizar os íons de hidrogênio; tratando de uma medição da capacidade da água de neutralizar os ácidos, ou seja, a capacidade de resistir às mudanças de pH, chamada de capacidade tampão. Os principais constituintes da alcalinidade são os bicarbonatos (HCO-3 ), carbonatos (CO3²- ) e os hidróxidos (OH); sendo ela provocada mormente por sólidos dissolvidos na água (ibidem).

Acidez
A acidez trata da capacidade da água em resistir às mudanças de pH causadas pelas bases; ocorrendo em razão, sobretudo, da presença de gás carbônico livre (pH 4,5 e 8,2). É constituída principalmente por sólidos dissolvidos e gases dissolvidos (CO2 e H2S) na água (ibidem).

Dureza
Conforme Mota (2003), a dureza é resultante da presença, principalmente, de sais alcalinos terrrosos (cálcio e magnésio) e consiste na concentração de cátions multimetálicos em solução, sendo que os cátions que mais provocam a dureza são os cátions divalentes Ca²+ e Mg ²+. Em condições de supersaturação, esses cátions reagem com ânions na água, gerando precipitados. Dessa forma, a dureza pode ser classificada como dureza carbonato e dureza não carbonato, dependendo do ânion que ela se associa. A dureza correspondente à alcalinidade é denominada de dureza carbonato, ao passo que as outras formas são caracterizadas como dureza não carbonato; já a dureza carbonato é sensível ao calor, precipitando-se em elevadas temperaturas; sendo que a dureza é provocada principalmente por sólidos dissolvidos. Mota (2003) classifica as águas em termos de

dureza (em CaCO3 ), da seguinte maneira: < 50 mg/l CaCO3 – água mole entre 50 e 150 mg/l CaCO3 – água com dureza moderada entre 150 e 300 mg/l CaCO3 – água dura > 300 mg/l CaCO3 – água muito dura

Ferro e manganês
Segundo, Mota (2003), o ferro e o manganês podem originar-se da dissolução de compostos do solo ou de despejos industriais. Von Sperling (1996) complementa Mota (2003) quando afirma que o ferro e o manganês estão presentes nas formas insolúveis (Fe3+ e Mn4+ ), numa grande quantidade de tipos de solos. Na ausência de oxigênio dissolvido, como, por exemplo, em águas subterrâneas ou fundos de lagos, ele se apresenta na forma de solúvel Fe2+ e Mn2+ . Se a água, com as formas reduzidas, for exposta ao ar atmosférico (Ex: na torneira do consumidor), o ferro e o manganês voltam a se oxidar às suas formas insolúveis, podendo acarretar em coloração da água, além de manchar roupas durante a lavagem. São causados, mormente, pela dissolução de compostos do solo.

Cloretos
As águas naturais, em maior ou menor escala, contêm íons provenientes da dissolução de minerais, de forma que os cloretos (Cl-) advêm da dissolução de sais que se tornaram sólidos dissolvidos ou da intrusão de águas do mar, podendo advir ainda dos esgotos domésticos ou industriais; em altas concentrações, resultam em sabor salgado da água ou em propriedades laxativas (MOTA, 2003).

Nitrogênio
O nitrogênio pode apresentar-se em várias formas e estados de oxidação; sendo que no meio aquático, ele pode ser encontrado como: nitrogênio molecular (N2- ), escapando para atmosfera; nitrogênio orgânico dissolvido e em suspensão; amônia (NH3-); nitrito (NO2-); e nitrato (NO3-). É um elemento indispensável ao crescimento das algas,

mas em excesso pode provocar uma eutrofização (ibidem).

Fósforo
O fósforo na água existe, sobretudo, nas formas de ortofosfatos, polifosfato e fósforo orgânico. Os ortofosfatos são diretamente disponíveis para o metabolismo biológico sem necessidade de conversões a formas mais simples, de maneira essas formas podem ser PO4³- , HPO4³- , H2PO4- , H3PO4- . Já os ortofosfatos dependem do pH; ao passo que os polifosfatos são moléculas mais complexas com dois ou mais átomos de fósforo, de modo que o fósforo orgânico é geralmente de menor importância. O fósforo é composto por sólidos em suspensão e sólidos dissolvidos (VON SPERLING, 1996).

Oxigênio dissolvido
O oxigênio dissolvido (O.D.) é de fundamental importância para os organismos aeróbios, sendo que durante a estabilização da matéria orgânica, as bactérias usam o oxigênio nos seus processos respiratórios, podendo acarretar em uma diminuição da sua concentração no meio. Dependendo da magnitude deste fenômeno, vários seres aquáticos podem morrer, como os peixes. Caso o oxigênio seja totalmente consumido, têm-se as condições anaeróbias, com geração de maus odores; de forma que vale perceber que o OD é constituído por gás dissolvido (ibidem). Uma das principais causadoras da poluição das águas é a matéria orgânica, em razão do consumo do oxigênio dissolvido pelos microorganismos nos seus processos metabólicos de utilização e estabilização da matéria orgânica. Os principais componentes orgânicos são os compostos de proteína, os carboidratos, a gordura e os óleos, além de outros em menor quantidade como uréia, surfactantes, fenóis, pesticidas, ácidos solúveis. Em razão da grande dificuldade na determinação laboratorial dos diversos componentes da matéria orgânica, frente à grande variedade de formas e compostos em que a mesma pode ser apresentada, utilizam-se geralmente métodos indiretos para a quantificação da matéria orgânica, ou do seu potencial poluidor. Assim, existem duas principais categorias: medição do consumo de oxigênio, em que se destacam a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e a Demanda Química de Oxigênio (DQO); e a medição do carbono orgânico, de onde se tem o índice de Carbono

Matéria orgânica

Orgânico Total (COT). A DBO é o parâmetro tradicionalmente mais utilizado e representa a quantidade de oxigênio que seria necessário fornecer às bactérias aeróbias para consumirem a matéria orgânica presente em um líquido; enquanto a DQO consiste na quantidade de oxigênio necessária à oxidação da matéria orgânica, através de um agente químico (MOTA, 2003).

Micropoluentes Inorgânicos
Alguns componentes inorgânicos da água, entre eles os metais pesados, são tóxicos ao homem, como: arsênio, cádmio, cromo, chumbo, mercúrio, prata, cobre e zinco; além dos metais, podendo citar os cianetos que são incorporados à água através de despejos industriais, atividades agrícolas, de mineração, etc. (MOTA, 2003).

Micropoluentes Orgânicos
Von Sperling (1996) afirma que alguns materiais orgânicos são resistentes à degradação biológica, não integrando os ciclos biogeoquímicos, de modo que se acumula em certo ponto do ciclo. Enquanto isso, Braga (2002) acrescenta que alguns desses compostos estão no meio aquático em concentrações que não são perigosas ou tóxicas; porém, em razão do fenômeno da bioacumulação, sua concentração no tecido dos organismos vivos pode ser relativamente alta se não tiverem mecanismos metabólicos que eliminem estes compostos após sua ingestão. Alguns exemplos de compostos dessa natureza são: defensivos agrícolas, detergentes sintéticos e petróleo e seus derivados. Parâmetros biológicos Braga (2002) traz que alguns organismos são indicadores da qualidade biológica da água, sendo esta responsável pela transmissão de um grande número de doenças, sobretudo nas áreas menos desenvolvidas, onde o saneamento básico é precário ou inexistente. Mota (2003) complementa que os coliformes são indicadores da presença de microorganismos patogênicos na água, sendo causadores de doenças.

No conceito-chave anterior você viu a importância do manejo adequado do solo e dos recursos hídricos na preservação da qualidade da água. Contudo, para garantir os principais requisitos de qualidade da água, em função dos seus usos previstos, é necessário conhecer as principais fontes de poluição das águas, as suas conseqüências, bem como as técnicas de controle da mesma. Estes assuntos serão abordados neste conceito-chave com o intuito de proporcionar a você e a seus colegas uma visão ampla e crítica sobre os impactos da poluição das águas no meio ambiente, na saúde e na qualidade de vida da população.

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Outro conceito de poluição das águas Vamos comparar o conceito construído por você e seus colegas com o conceito de poluição das águas apresentado a seguir.

águas. Quais as semelhanças e as diferenças entre os dois conceitos? Agora que já discutimos dois conceitos, vamos explorar as fontes, as conseqüências e as técnicas de controle da poluição das águas. Fontes poluidoras das águas As fontes de poluição são várias, podendo ter origem natural ou serem resultado das atividades humanas. As principais fontes de poluição das águas são as seguintes: Esgotos domésticos. Esgotos industriais. Resíduos sólidos. Pesticidas, fertilizantes e detergentes. Carreamento de solo. Percolação do chorume dos depósitos de lixo.

Uma fonte poluidora pode atingir um curso d’água de duas formas: Poluição pontual: os poluentes atingem o curso d’água de forma concentrada (exemplo: tubulações de esgotos domésticos ou industriais).

Poluição difusa: os poluentes entram no curso d’água em toda a sua extensão (exemplo: agrotóxicos e fertilizantes utilizados em culturas agrícolas).

A identificação da forma como uma fonte poluidora atinge um curso d’água é importante na defi nição da melhor técnica de controle a ser utilizada. Conseqüências da poluição das águas Vimos que a poluição das águas é originada de diferentes fontes, mas é certo que todas trazem conseqüências negativas para o meio ambiente e para a qualidade de vida das pessoas. As principais conseqüências da poluição das águas são: Impactos sobre a qualidade de vida da população. Veiculação de doenças. Prejuízos aos usos da água. Agravamento dos problemas de escassez da água. Elevação do custo do tratamento da água. Desequilíbrios ecológicos. Degradação da paisagem. Técnicas de controle da poluição das águas Para evitar as conseqüências da poluição das águas é necessário o uso de medidas de controle, sendo as principais, apresentadas a seguir: Coleta e tratamento de esgotos domésticos e industriais. Disposição adequado dos resíduos sólidos. Aplicação controlada de fertilizantes e pesticidas. Controle de focos de erosão. Remoção de sedimentos e macrófi tas (lagos e represas). Recuperação e revitalização de cursos d’água.

Controle da retirada de água dos cursos d’água. Controle dos usos e ocupação do solo.

Vimos que dentre as fontes de poluição das águas, os esgotos domésticos são os principais responsáveis pela degradação da qualidade dos cursos d’água. Um manancial contaminado pelo lançamento de esgotos pode prejudicar os seus usos previstos e também transmitir doenças aos homens. Para tentar minimizar ou até mesmo eliminar essas conseqüências é necessário conhecermos um pouco mais sobre os esgotos domésticos, assunto do nosso próximo conceito-chave. Mas antes, vamos testar os conhecimentos adquiridos até este ponto da ofi cina de capacitação, de forma descontraída, por meio da dinâmica apresentada a seguir.

Uso industrial As indústrias respondem por cerca de 22% do consumo total de água, utilizando grandes quantidades de água limpa. O uso nos processos industriais vai desde a incorporação da água nos produtos até a lavagem de materiais, equipamentos e instalações, a utilização em sistemas de refrigeração e geração de vapor. Dependendo do ramo industrial e da tecnologia adotada, a água resultante dos processos industriais (efluentes industriais) pode carregar resíduos tóxicos, como metais pesados e restos de materiais em decomposição. Estima-se que a cada ano acumulem-se nas águas de 300 mil a 500 mil toneladas de dejetos provenientes das indústrias. Engana-se quem pensa que apenas as indústrias químicas são grandes poluidoras. Uma fábrica de salsichas, por exemplo, pode contaminar uma área considerável, se não adotar um sistema para tratar a água usada na lavagem dos resíduos de suínos. Quando a água contaminada é lançada nos rios e no mar pode provocar a morte dos peixes. Mesmo quando sobrevivem, podem acumular em seu organismo substâncias tóxicas que causam doenças, se forem ingeridos pelos seres humanos. CICLO OPERACIONAL E.T.E ( ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO) O esgoto bruto chega à ETE e nesta fase é realizada um tratamento preliminar, que consiste na remoção de materiais grosseiros (pedras, gravetos, garrafas, plásticos, etc...) através de uma grade manual e, da remoção de sólidos, tais como areia, com auxílio de um equipamento mecanizado denominado Rotamat (ver figura 1). Estes materiais são transferidos para um recipiente, que é enviado para um aterro sanitário, e a parte líquida é bombeada para o tanque de armazenamento e homogeneização (TAR - tanque de armazenamento de resíduo), que se mantém sob constante agitação e aeração, evitando o desprendimento de mau cheiro (ver figura 2).

Figura 1 – Equipamento Mecanizado, denomindado Rotamat, destinado à remoção de sólidos, tais como areia.

Figura 2 - Tanque de armazenamento e homogeneização (TAR tanque de armazenamento de resíduo), mantido sob constante agitação e aeração, evitando o desprendimento de mau cheiro. Após retirada dos sólidos, o resíduo é recalcado para os reatores aeróbios, chamados de SBR (sequência de reatores em batelada, ver figura 3). Tem início o tratamento secundário, onde o resíduo entra em contato com o lodo biológico composto principalmente por bactérias heterotróficas, quimioautótrofas, protozoários e micrometazoários, que serão responsáveis pelo tratamento. Estes microorganismos irão degradar a maior parte da matéria orgânica contida no resíduo, reduzindo consideravelmente sua carga orgânica inicial. Por se tratar

de material bacteriano, o seu crescimento é muito acentuado, devido a alta taxa de reprodução das bactérias principalmente sob temperaturas elevadas. O excesso de lodo formado no SBR descartado para um tanque de estabilização e adensamento de lodo, que após conclusão desta etapa é recalcado para os leitos de secagem, perdendo água por infiltração e evaporação.

Figura 3 - Reatores aeróbios, denomindados (sequência de reatores em batelada). O tratamento secundário possui um ciclo de trabalho composto pelo enchimento, aeração, sedimentação e descarte, definido pela qualidade desejada para o efluente, vazão média da estação, características físico-químicas do afluente, características biológicas do lodo, dentre outras. No final deste ciclo, ou seja, após sedimentação, é feito o descarte do sobrenadante, sendo recalcado até o filtro de areia (ver figura 4) com granulometria adequada para retirada dos sólidos que ainda persistam. Após a filtração, o efluente segue por gravidade para a câmara de desinfecção (ver figura 5), onde recebe hipoclorito de sódio assegurando a qualidade final do efluente que será lançado no corpo receptor.

Figura 4 – Filtro de areia com granulometria adequada para retirada de sólidos que persistam após sedimentação no SBR.

Figura 5 – Câmara de desinfecção onde é adicionado hipoclorito de sódio assegurando a qualidade final do efluente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Resolução no 20, de 18 de junho de 1986. Decreto Estadual no 8.468, de 8 de setembro de 1976 – São Paulo. Metcalf & Eddy (1977). Tratamiento y depuración de kas aguas residualis, Madrid, Editorial labor, s.a. Sperling M.V. (1997). Princípios do tratamento biológico de águas residuárias. Belo Horizonte, Departamento de Engenharia Sanitária e ambiental; Universidade Federal de Minas Gerais.

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