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Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno

Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno

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Mapeamento feito pelo Instituto de Economia da UFRJ e pela Faperj sobre desenvolvimento econômico local da zona oeste do Rio de Janeiro.
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Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno

Encadeamento da Cadeia do Aço Inox no Rio de Janeiro: Perspectivas e Possibilidades da Zona Oeste (Versão Final)

Projeto FAPERJ no E-26/110.644/2007

Eduardo Henrique da Cunha (Consultor)

Junho/2009

2

ÍNDICE 1. Introdução............................................................................................................................. 7 1.1. Um Comparativo de Crescimento entre as Diversas Matérias Primas ............................ 7 1.2. A Definição de Aço Inox ................................................................................................. 8 1.3. Formas do Aço Inox......................................................................................................... 8 1.4. Tipos de Aço Inox.......................................................................................................... 10 1.5. Aplicações do Aço Inox................................................................................................. 14 1.6. Tecnologias de Materiais ............................................................................................... 16 2. O Aço Inox no Mundo........................................................................................................ 17 2.1. A Evolução na Produção Mundial ................................................................................. 17 2.2. Os Principais Produtores Mundiais................................................................................ 18 2.3. O Mercado Mundial por País/Continente ...................................................................... 20 2.4. O Mercado Mundial por Tipo ........................................................................................ 20 2.5. A Previsão Futura do Mercado Mundial por País/Continente ....................................... 21 2.6. A Previsão Futura do Mercado Mundial por Tipo......................................................... 22 3. O Aço Inox no Brasil.......................................................................................................... 23 3.1. A Evolução da Produção Brasileira ............................................................................... 23 3.2. Os Produtores Brasileiros .............................................................................................. 24 3.3. A Cadeia Produtiva Brasileira ....................................................................................... 25 3.4. A Evolução do Consumo Aparente Brasileiro............................................................... 26 3.5. A Evolução do Consumo Aparente Brasileiro Per Capita ............................................. 27 3.6. Um Comparativo do Consumo Brasileiro Per Capita com Outros Países ..................... 28 3.7. O Mercado Brasileiro de Aço Inox por Aplicação ........................................................ 29 4. O Aço Inox no Estado do Rio de Janeiro ......................................................................... 30 4.1. Unidades Industriais no Estado do Rio de Janeiro......................................................... 31 4.3. O Mercado Aparente de Aço Inox no Estado do Rio de Janeiro ................................... 32 5.1. Necessidades do Pólo..................................................................................................... 34 5.2. A Mão de Obra na ZO MRJ........................................................................................... 35 5.3. Análise Geral ................................................................................................................. 36 5.3.1. Crescimento da Matéria Prima ................................................................................ 36 5.3.2 Crescimento do Mercado.......................................................................................... 36 5.3.3. Segmentos de Mercado............................................................................................ 36 5.3.4. Infra Estrutura Real em Relação à Ideal.................................................................. 36 5.3.5. Possibilidades de Organização do Pólo ................................................................... 37 Referências Bibliográficas ..................................................................................................... 38

3

ANEXO 1: COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS AÇOS INOXIDÁVEIS AUSTENÍTICOS .................................................................................................................................................. 40 ANEXO 2: COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS AÇOS INOXIDÁVEIS FERRÍTICOS ... 43 ANEXO 3: COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS AÇOS INOXIDÁVEIS MARTENSÍTICOS................................................................................................................ 44 ANEXO 4: COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS AÇOS INOXIDÁVEIS DUPLEX............ 45 ANEXO 5:COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS AÇOS INOXIDÁVEIS ENDURECÍVEIS POR PRECIPITAÇÃO.......................................................................................................... 45 ANEXO6: PIB POR ESTADO EM 2.006 ............................................................................ 46 ANEXO7: PIB INDUSTRIAL POR ESTADO EM 2.006 .................................................. 47 ANEXO 8: DESCRIÇÃO DETALHADA DE SEGMENTOS CONSUMIDORES ........ 48 ANEXO 9: TEC DE 20/12/2.008 DOS PRODUTOS DE AÇO INOX............................... 49 ANEXO 10: CORRELAÇÃO DAS NORMAS DE INOX ................................................. 51 ANEXO 11: COMPARATIVO DO NÚMERO DE UNIDADES INDUSTRIAIS BRASIL x RIO DE JANEIRO EM 2.005 ............................................................................................ 55

ÍNDICE DE FIGURAS, FOTOGRAFIAS, GRÁFICOS E TABELAS Fluxograma 1: Cadeia Produtiva Brasileira do Aço Inox ........................................................ 26 Fluxograma 2: Configuração de um Pólo ................................................................................ 35 Fotografia 1: Fotos de Planos e Longos ..................................................................................... 9 Fotografia 2: Estrutura Típica Austenítica ............................................................................... 12 Fotografia 3: Estrutura Típica Ferrítica.................................................................................... 12 Fotografia 4: Estrutura Típica Martensítica ............................................................................. 13 Fotografia 5: Estrutura Típica Duplex ..................................................................................... 13 Gráfico 1 - Terminologia dos Produtos Siderúrgicos................................................................. 9 Gráfico 2 - Visualização dos Tipos de Aço Inox considerando o percentual de Cr e Ni......... 11 Gráfico 3 - Evolução da Produção Mundial de Aço Inox em Milhões de t ............................. 18 Gráfico 4 - O Mercado Mundial de Aço Inoxidável por Tipo ................................................. 21 Gráfico 5 - A Evolução da Produção Brasileira....................................................................... 24 Gráfico 6 - A Evolução do Consumo Aparente Brasileiro....................................................... 27 Gráfico 7 - A Evolução do Consumo Aparente Per Capita...................................................... 27 Gráfico 8 - Comparativo de Consumo Per Capita por País........................................................ 1 Gráfico 9 - Mercado Brasileiro por Segmento – 2.008 (Estimativa) ....................................... 29 Mapa 1 - Localização das Usinas Siderúrgicas Brasileiras...................................................... 25 Mapa 2 - Corrosão Atmosférica Brasileira .............................................................................. 31

4

Quadro 1 - Taxa Média de Crescimento do Consumo Mundial dos Materiais Metálicos ......... 7 Quadro 2 - Principais Elementos de Liga e Impurezas dos Aços ............................................ 10 Quadro 3 - Nível de Desenvolvimento Científico dos Materiais ............................................. 17 Quadro 4 - Principais Produtores Mundiais de Aço Inoxidável Plano .................................... 18 Quadro 5 - Principais Produtores Mundiais de Aço Inoxidável Longo ................................... 19 Quadro 6 - O Mercado Mundial por País/Continente em Milhões de t ................................... 20 Quadro 7 - A Previsão Futura do Mercado Mundial por País/Continente em Milhões de t .... 22 Quadro 8 - A Previsão Futura do Mercado Mundial por Tipo................................................. 23 Quadro 8 - Consumo Aparente Brasileiro por Estado em 2.007.............................................. 33 Tabela 1: Tolerância de Corte dos Respectivos Equipamentos de Corte................................. 37

5

ÍNDICE

1 1.1

INTRODUÇÃO UMA COMPARAÇÃO DO CRESCIMENTO ENTRE AS DIVERSAS MATÉRIAS PRIMAS

4 4

1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 2 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5

A DEFINIÇÃO DE AÇO INOX AS FORMAS DO AÇO INOX OS TIPOS DE AÇO INOX AS APLICAÇÕES DO AÇO INOX AS TECNOLOGIAS DE MATERIAIS O AÇO INOX NO MUNDO A EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO MUNDIAL OS PRINCIPAIS PRODUTORES MUNDIAIS O MERCADO MUNDIAL POR CONTINENTE/PAÍS O MERCADO MUNDIAL POR TIPO A PREVISÃO FUTURA DO MERCADO MUNDIAL POR

5 5 7 14 19 21 21 22 24 25 26

CONTINENTE/PAÍS 2.6 3 3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 A PREVISÃO FUTURA DO MERCADO MUNDIAL POR TIPO O AÇO INOX NO BRASIL A EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO BRASILEIRA OS PRODUTORES BRASILEIROS A CADEIA PRODUTIVA BRASILEIRA A EVOLUÇÃO DO CONSUMO APARENTE BRASILEIRO A EVOLUÇÃO DO CONSUMO APARENTE BRASILEIRO PER CAPITA 3.6 UM COMPARATIVO DO CONSUMO PER CAPITA BRASILEIRO 34 27 29 29 31 31 33 34

6

3.7 4 4.1 4.2 4.3

O MERCADO BRASILEIRO DE AÇO INOX POR APLICAÇÃÕ O AÇO INOX NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO AS UNIDADES INDUSTRIAIS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO UM COMPARATIVO ENTRE O PIB CARIOCA E O PIB NACIONAL

36 39 40 41

O MERCADO APARENTE DE AÇO INOX NO ESTADO DO RIO DE 41 JANEIRO

5 5.1 5.2 5.3 5.3.1 5.3.2 5.3.3 5.3.4 5.3.5

CONSIDERAÇÕES FINAIS AS NECESSIDADES DO PÓLO A MÃO DE OBRA NA ZO MRJ ANÁLISE GERAL O Crescimento da Matéria Prima O Crescimento do Mercado Os Segmentos de Mercado Infra Estrutura Real em Relação à Ideal Possibilidades de Organização do Pòlo REFERÊNCIAS ANEXOS

44 44 46 46 46 46 47 47 48 50 52

7

1. Introdução Este trabalho é fruto da experiência vivida no setor siderúrgico conjugado com a vontade de contribuir para estudos de desenvolvimento e implantação de pólos de aço inox em cidades com vocação no Brasil, bem como ajudar no aprofundamento da pesquisa desenvolvida no Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenada pela Profa Dra. Renata Lèbre La Rovere. Um agradecimento especial à importante contribuição do Mário Cordeiro de Carvalho Júnior à este trabalho. Este trabalho tem por objetivo principal analisar as potencialidades do Estado do Rio de Janeiro no que se refere às condições mercadológicas em relação ao aço inox e a possibilidade de instalação de um pólo de empresas que trabalhem com aço inox na Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro. 1.1. Um Comparativo de Crescimento entre as Diversas Matérias Primas Entre as diversas matérias primas metálicas utilizadas pela indústria mundial destacam-se: Aço Carbono, Alumínio, Cobre, Zinco, Aço Inoxidável e Chumbo. O Quadro 1 apresenta a evolução de consumo dos principais materiais metálicos utilizados pela indústria no mundo.

Quadro 1: Taxa Média de Crescimento do Consumo Mundial dos Materiais Metálicos
Taxa Média de Crescimento do Consumo Mundial dos Materiais entre 1990 e 2005

Chumbo Zinco Cobre Aço Carbono Alumínio Aço Inoxidável

0

1

2

3 %

4

5

6

7

Fonte: ThyssenKrupp Nirosta

Embora não esteja indicado no Quadro 1 a taxa média de crescimento dos plásticos, segundo a Associação de Produtores Plastics Europe, no período de 1950-2005 é de 9,9%. Algumas características dos plásticos são interessantes: baixa densidade com capacidade de assumir formas diversas e resistência a corrosão. Por outro lado, possui baixa resistência mecânica em geral, baixa rugosidade, e sua matéria prima atualmente advém do petróleo – com reservas finitas. Porém, já pode ser fabricado através do álcool. Conforme se pode observar no quadro acima e levando-se em consideração os dados relativos aos plásticos - a matéria prima da indústria mundial com maior possibilidade de alcançar as maiores taxas de crescimento futuro é o aço inox (de 1.950 até aqui esteve em 2º lugar), ou

8

seja, é o material que vem apresentando ótima relação custo benefício aliado a versatilidade para uso nas mais diversas aplicações. 1.2. A Definição de Aço Inox Segundo a TEC – Tarifa Externa Comum o aço inoxidável é definido como as ligas de aço 1 contendo, em peso, 1,2% ou menos de carbono e 10,5% ou mais de cromo, com ou sem outros elementos. 1.3. Formas do Aço Inox A siderurgia fornece materiais classificados como Planos e Longos Segundo a classificação estabelecida por Araújo os aços longos são caracterizados por terem largura inferior a 300 mm. Portanto, as chapas são materiais planos e as barras e fio máquina são materiais longos. Nos materiais Longos – a forma que predomina é o comprimento, ou seja, comprimento é extremamente superior a maior dimensão da seção. Elas podem ser redondas, quadradas, retangulares, sextavadas e cantoneiras. Nos materiais Planos – a forma que predomina é a largura, ou seja, largura é extremamente superior a espessura. Elas podem ser chapas e tiras. As folhas são materiais planos com espessura menor que 0,3 mm. As tiras possuem espessura entre 0,3 e 6,0 mm, porém, largura inferior ou igual a 500 mm. As chapas finas possuem espessura entre 0,3 e 6,0 mm com largura superior a 500 mm. O Gráfico 1 fornece a diferença entre planos e longos.

1

Segundo Chiaverini (1996), aço é uma liga ferro-carbono contendo geralmente 0,0008% até aproximadamente 2,11% de carbono, além de certos elementos residuais, resultantes dos processos de fabricação.

9

Gráfico1: Terminologia dos Produtos Siderúrgicos

Barra chata E 6,0 S P E S S U R A (mm) Tira

Chapa Grossa

Chapa Fina

0,3 Folha 0 0,1 0,3 0,5 LARGURA (mm) 0,7

Fonte: Araujo, L. A. Manual de Siderurgia vol. 2

A Fotografia 1 mostra a forma de aços planos e longos.

Fotografia 1: Fotos de Planos e Longos

Planos

Longos

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1.4. Tipos de Aço Inox O nome dos tipos de aço inox deriva do nome da estrutura interna do material. Cada estrutura interna determina propriedades específicas. A formação da estrutura interna do material é influenciada pelos elementos químicos que compõem o material. No caso do aço inoxidável, o Quadro 2 apresenta a atuação dos elementos químicos. Quadro 2 - Principais Elementos de Liga e Impurezas dos Aços
ELEMENTO QUÍMICO Alumínio Al DESCRIÇÃO . Forte formador de ferrita. Pode ser usado em aços inoxidáveis ferríticos para estabilizar a ferrita; . Aumenta a resistência à formação de carepa a alta temperatura; . Usado em conjunto com o Ti pode causar endurecimento por precipitação; . Forte formador de nitreto. Carbono C . Forte formador de austenita; . Aumenta fortemente a resistência mecânica e dureza, particularmente nos aços martensíticos; . Afeta negativamente a resistência à corrosão e tenacidade a baixa temperatura. Cobalto Cobre Manganês Co Cu Mn . Aumenta a resistência mecânica e à fluência a temperatura elevada. . Aumenta a resistência à corrosão em meios líquidos redutores. . Formador de austenita; . Aumenta a resistência à fissuração da solda com estrutura completamente austenítica. Molibdênio Mo . Formador de ferrita e de carboneto; . Aumenta a resistência mecânica e à fluência em temperatura elevada; . Melhora a resistência à corrosão geral em meios não oxidantes e a resistência à corrosão puntiforme Níquel Ni . Formador de austenita; . Aumenta a resistência a corrosão geral em meios não oxidantes; . Em pequenas quantidades, melhora a tenacidade e a soldabilidade de ligas ferríticas e martensíticas. Nitrogênio N . Forte formador de austenita; . Aumenta a resistência mecânica; . Degrada fortemente a soldabilidade de ligas ferríticas. Silício Si . Formador de ferrita; . Melhora a resistência à formação de carepa e à carburização a alta temperatura. Titânio Ti . Forte formador de carboneto e nitreto;

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. Forte formador de ferrita; . Melhora a resistência mecânica à alta temperatura. Tungstênio W . Aumenta a resistência e à fluência a temperatura elevada; . Forte formador de ferrita. Enxofre, Fósforo S e Selênio P . Aumenta a sensibilidade à fissuração; . Melhora a usinabilidade. Geralmente usados em conjunto com Mo ou Zr

Se Fonte: Modenesi, P. J. (2001) p. 13

Estas propriedades específicas vão indicar a melhor aplicação para cada tipo de aço inox. Por isso, conhecer a estrutura interna do material determina seu tipo e suas propriedades. Os aços inoxidáveis possuem cinco tipos básicos: • • • • • Austeníticos; Ferríticos; Martensíticos; Austeno-ferríticos (duplex); Endurecíveis por Precipitação.

Os nomes dos três primeiros tipos é uma homenagem aos descobridores das estruturas internas. Portanto, o Sr. Austen, o Sr. Ferri e o Sr. Marten emprestaram seus nomes para definir os tipos de aços inox. Por meio do Gráfico2 é possível visualizar os tipos de aço inox levando-se em consideração o percentual de Cromo (abscissa) e o percentual de Níquel (ordenada).

Gráfico 2: Visualização dos Tipos de Aço Inox considerando o percentual de Cr e Ni

N I Q U E Martensítico L Ferrítico End Precip Duplex Austenítico

CROMO Fonte: Núcleo Inox

12

Segundo Modenesi (2001), o aço inoxidável austenítico inclui, principalmente, ligas Fe-NiCr, embora existam ligas em que parte ou todo o níquel foi substituído por manganês e nitrogênio. Apresentam estrutura predominantemente austenítica, não sendo endurecíveis por tratamento térmico. Estes aços formam o grupo mais numeroso e utilizado dos aços inoxidáveis no mundo. Contém entre cerca de 6 e 26% de níquel, 16 e 30% de cromo e menos de 0,30% de carbono, com um teor total de elementos de liga de, pelo menos, 26%. Apresentam, à temperatura ambiente, um baixo limite de escoamento, limite de resistência alto e uma elevada dutilidade. São, entre os aços inoxidáveis, os materiais de melhor soldabilidade e resistência geral à corrosão. Várias normas identificam os aços inoxidáveis. As principais são a AISI, ABNT e DIN. A Fotografia2 é a imagem de uma estrutura típica austenítica. Fotografia2: Estrutura Típica Austenítica

Fonte: Núcleo Inox

No anexo 1, os aço inoxidáveis austeníticos segundo a ABNT. Segundo Modenesi (2001), os aços inoxidáveis ferríticos são ligas Fe-Cr predominantemente ferríticas em qualquer temperatura até a sua fusão. Tem entre 12 e 30% de cromo e um baixo teor de carbono, em geral, bem inferior a 0,1%. Como não podem ser completamente austenitizados, estes aços não são endurecíveis por têmpera e sua granulação só pode ser refinada por uma combinação adequada de trabalho mecânico e recozimento de recristalização. Apresenta um baixo coeficiente de expansão térmica e uma boa resistência à corrosão e à oxidação, inclusive a alta temperatura. No estado recozido, com uma granulação fina, sua dutilidade e tenacidade à temperatura ambiente podem ser consideradas satisfatórias. A Fotografia3 mostra a imagem de uma estrutura típica ferrítica. Fotografia 3: Estrutura Típica Ferrítica

Fonte: Núcleo Inox

13

No anexo 2, os aço inoxidáveis ferríticos segundo a ABNT. Segundo Modenesi (2001), os aços inoxidáveis martensíticos são essencialmente ligas Fe-CrC que contêm entre 12 e 18% de cromo e entre 0,1 e 0,5% de carbono (embora em alguns casos, pode-se chegar até 1%C) e que podem ser austenitizadas se forem aquecidas a uma temperatura adequada. Devido ao seu elevado teor de liga, estes aços apresentam uma elevada temperabilidade e podem apresentar uma estrutura completamente martensítica em peças de grande espessura mesmo após um resfriamento ao ar calmo. São, desta forma, ligas facilmente endurecíveis por tratamento térmico, sendo usadas, em geral, no estado temperado e revenido. Sua resistência à corrosão tende a ser inferior a dos outros tipos, sendo, contudo, satisfatória para meios mais fracamente corrosivos. A Fotografia4 apresenta a imagem de uma estrutura típica martensítica. Fotografia 4: Estrutura Típica Martensítica

Fonte: Núcleo Inox

No anexo 3 está descrito os aço inoxidáveis martensíticos segundo a ABNT. Segundo Modenesi (2001), os aços inoxidáveis duplex contêm 18 a 30% de Cr, 1,5 a 4,5% de Mo e adições de elementos formadores e estabilizantes da austenita, principalmente o níquel (3,5 a 8%) e o nitrogênio (0 a 0,35%), de forma a ter uma microestrutura, à temperatura ambiente, formada de partes aproximadamente iguais de ferrita e austenita. Estes aços são caracterizados por uma elevada resistência à corrosão, inclusive em ambientes nos quais os aços inoxidáveis austeníticos são deficientes, elevada resistência mecânica e boa soldabilidade. A Fotografia 5 mostra a imagem de uma estrutura típica duplex. Fotografia5: Estrutura Típica Duplex

Fonte: Núcleo Inox

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No anexo 4 está descrito os aço inoxidáveis duplex segundo a ABNT Segundo Modenesi (2001), os aços inoxidáveis endurecíveis por precipitação são capazes de desenvolver elevados níveis de resistência mecânica pela formação de finos precipitados, em alguns casos, junto com uma microestrutura martensítica, com ductilidade e tenacidade superiores a outros aços de resistência similar em conjunção com boa resistência à corrosão e oxidação. O endurecimento por precipitação é conseguido através da adição de elementos de liga como cobre, titânio, nióbio e alumínio. De acordo com a estrutura do aço antes do tratamento de precipitação, estes podem ser divididos em martensíticos, semi-austeníticos e austeníticos. 1.5. Aplicações do Aço Inox Segundo Mansur Neto (2000) e Tebecherani, C.T. P., as aplicações mais comuns dos aços inoxidáveis considerando as várias ligas são: • • • • AISI 405: tubos irradiadores, caldeiras, recipientes para indústria petrolífera, etc; AISI 406: resistências elétricas; AISI 409: escapamentos de automóveis; AISI 430: calhas, máquinas de lavar roupa, coifas, revestimento de câmara de combustão de motor diesel, equipamentos para fabricação de ácido nítrico, fixadores, aquecedores, portas para cofres, moedas, pias, cubas, baixelas, utensílios domésticos, equipamento para indústria química, equipamento de restaurantes, cozinhas, adornos de automóveis, decorações arquitetônicas interiores, peças para fornos, revestimento de elevadores, etc; AISI 430F: fabricação de parafusos, porcas, ferramentas; AISI 442: partes de fornos; AISI 443: equipamento químico, partes de fornos; AISI 444: caixas d água, tanques AISI 446: peças de fornos, queimadores, radiadores. AISI 301: fins estruturais, correias transportadoras, utensílios domésticos, ferragens, diafragmas, adornos de automóveis, equipamentos para transporte, aeronaves, ferragens para postes, fixadores (grampos, fechos, estojos), carros ferroviários. AISI 302: gaiolas de animais, garrafas térmicas e esterilizadores, equipamentos domésticos, tanques de gasolina, equipamentos para fabricação de sorvetes, dobradiças, equipamentos para laticínios, maquinaria para engarrafamento, tanques de fermentação,fins estruturais, equipamento para indústria química; AISI 302B: elementos de aquecimento de tubos radiantes, partes de fornos, seções de queimadores, abafadores de cozimento; AISI 303: eixos, parafusos, porcas, pregos, eixos, cabos, fechaduras, componentes de aeronaves, buchas, peças de carburador; AISI 304: portões, portas, grades, utensílios domésticos, fins estruturais, equipamentos para indústria química, naval, farmacêutica, têxtil, papel e celulose, refinaria de

• • • • • •

• • •

15

petróleo, permutadores, de calor, válvulas e peças de tubulações, indústria frigorífica, instalações criogênicas, depósitos de cerveja, tanques de fermentação de cerveja, equipamentos para refino de produtos de milho, equipamentos para leiteria, cúpula para casa de reator de usina atômica, tubos de vapor, peças para depósito de algumas bebidas carbonatadas, condutores descendentes de águas pluviais, carros ferroviários, calhas, revestimentos de prédios, tanques para indústria alimentícia, • • • • AISI 304L: revestimento para trajas de carvão, tanque de pulverização de fertilizantes líquidos, tanque para estoque de massa de tomate, carros ferroviários; AISI 305: peças fabricadas por meio de severas deformações a frio; AISI 308: fornos industriais, válvulas, soluções de sulfeto à alta temperatura, eletrodos de solda; AISI 309: suportes de tubos, abafadores, caixas de fermentação, depósito de bebidas, partes de queimadores a óleo, refinarias, equipamentos para fábrica de produtos químicos, partes de bombas, revestimentos de fornos, componentes de caldeiras, componentes para fornalhas de máquinas a vapor, aquecedores, trocadores de calor, peças para motores a jato, estufas; AISI 310: aquecedores de ar, caixas de recozimento, estufa de secagem, anteparos de caldeira a vapor, caixa de decantação, equipamentos para fábrica de tinta, suportes para abóbada de forno, fornos de fundição, transportadores e suportes de fornos, revestimento de fornos, componentes de turbinas a gás, trocadores de calor, incineradores, componentes de queimadores a óleo, equipamentos de refinaria de petróleo, recuperadores, cilindros para fornos de rolos transportadores, tubulação de soprador de fuligem, chapas para fornalha, chaminés e comportas de chaminés de fornos, conjuntos de diafragmas dos bocais para motores turbo-jatos, panelas de cristalização de nitratos, equipamentos para indústria de papel, química e estufas; AISI 316: portões, portas e grades de ambientes marinhos, equipamentos de indústrias químicas, farmacêutica, têxtil, petróleo, papel, celulose, borracha, nylon e tintas, peças e componentes diversos da construção naval, equipamentos criogênicos, equipamentos para processamento de filme fotográfico, cubas de fermentação, instrumentos cirúrgicos; AISI 316L: peças de válvulas, bombas, tanques, evaporadores e agitadores, equipamentos têxteis, condensadores, peças expostas a atmosfera marinha, adornos, tanques soldados para estocagem de produtos químicos e orgânicos, bandejas, revestimentos para fornos de calcinação AISI 317: equipamentos de secagem, equipamentos para fábrica de tintas; AISI 321: anéis coletores de aeronaves, revestimentos de caldeiras, aquecedores de cabines, parede corta fogo, vasos pressurizados, sistema de exaustão de óleo sob alta pressão, revestimento de chaminés, componentes de aeronaves, super aquecedor radiante, foles, equipamentos de refinaria de petróleo, aplicações decorativas; AISI 347: tubos para super aquecedores radiantes, tubo de exaustão de motor de combustão interna, tubulação de vapor a alta pressão, tubos de caldeiras, tubos de destilação de refinaria de petróleo, ventilador, revestimento de chaminé, tanques soldados para revestimento de produtos químicos, anéis coletores, juntas de expansão, resistores térmicos;

• •

16

• • • •

AISI 403: anéis de jatos, seções altamente tensionadas em turbinas a gás, lâminas forjadas ou usinadas de turbina e compressor; AISI 405: caixas de recozimento; AISI 409: sistema de exaustão de veículos automotores, tanques de combustível, AISI 410: válvulas, bombas, parafusos, fechaduras, tubos de controle de aquecimento, chapas para molas, cutelaria (facas, canivetes) mesa de prancha, instrumentos de medida, peneiras, eixos, acionadores, maquinaria de mineração, ferramentas manuais, chaves, partes de fornos, queimadores, equipamentos rodoviários, sedes de válvulas de segurança de locomotivas, plaquetas tipográficas, apetrechos de pesca, peças de calibradores, fixadores; AISI 414: molas, lâminas de faca; AISI 416: parafusos usinados, porcas, engrenagens, tubos, eixos, fechaduras, hastes de válvulas; AISI 420: cutelaria, instrumentos hospitalares, cirúrgicos e dentários, réguas, medidores, engrenagens, eixos, pinos, bolas de milho, discos de freio, mancal de esfera, assentos de válvulas; AISI 420F: eixos, porcas e parafusos; AISI 431: peças de bombas, esteiras transportadoras, eixos de hélice marítima, peças de maquinário da indústria de laticínios. AISI 440A/440B/440C: eixos, pinos, instrumentos cirúrgicos e dentários, cutelaria, anéis, válvulas, mancais anti-fricção; AISI 442: componentes de fornos, câmara de combustão; AISI 446: caixas de recozimento, chapas grossas para abafadores, queimadores, aquecedores, tubos para pirômetros, recuperadores, válvulas e conexões.

• • •

• • • • •

1.6. Tecnologias de Materiais Conforme Padilha (1994), o cientista de materiais Erhard Hornbogen classifica os materiais em quatro níveis, conforme o grau de conhecimento científico utilizado no seu desenvolvimento: 1. Materiais naturais; 2. Materiais desenvolvidos por meio de sistemática experimentação empírica; 3. Materiais desenvolvidos com auxílio de conhecimentos científicos, isto é, considerações científicas orientaram seus descobrimentos e suas propriedades foram qualitativamente interpretadas; e 4. Materiais projetados (novos ou aperfeiçoados) quase que exclusivamente a partir de conhecimentos científicos e suas propriedades podem ser quantitativamente previstas. Segundo Padilha (1994), o descobrimento dos aços inoxidáveis é enquadrado no nível 3, o que de certa forma oferece a possibilidade de modificações e projeto de novas ligas, baseados em conhecimentos científicos e exigências atuais. O Quadro 3 apresenta o nível de desenvolvimento científico dos materiais.

17

Quadro 3 - Nível de Desenvolvimento Científico dos Materiais Nivel de Desenvolvimento Científico

Caracterização

1

2

Materiais naturais Materiais desenvolvidos empiricamente, praticamente sem conhecimento científico prévio Materiais desenvolvidos com auxílio de conhecimentos científicos

Exemplos Pedra, cobre, meteorito madeira, couro, borracha, diamante bronze, aço, latão, ferro fundido, vidro, concreto Al e ligas, Ti e ligas, Mg e ligas, metal duro, aços inoxidáveis, durômetros, termoplásticos, elatômeros, cerâmicas vítreas, ferrite Superligas, ligas de efeito memória, aços de alta resistência, vidros metálicos, cerâmicas do tipo SiAlON, cerâmicas de corte Al2O3 e ZrO2, semicondutores, alguns materiais para reatores nucleares (UO2, ligas de urânio, ligas de Ag-Cd-In, ligas de zircônio)

3 Materiais projetados, desenvolvidos quase que exclusivamente a partir de fundamentos científicos

4
Fonte: Padilha (1994)

2. O Aço Inox no Mundo 2.1. A Evolução na Produção Mundial A primeira corrida de aço inox em escala industrial foi feita na Alemanha pela Krupp em 1.917 para atender a indústria química. À partir de 1.950 a produção mundial é medida e é de 500 mil t neste ano. Pode ser destacada no Gráfico 3:

18

Gráfico 3: Evolução da Produção Mundial de Aço Inox em Milhões de t

Fonte: ISSF

Desde o início da produção de aço inox em escala industrial a produção mundial cresceu em torno de 5,7% a.a. de 1.950 à 2.008. A produção mundial de aço inox em 2.007 atingiu 27.850 mil t de lingotes equivalentes. Considerando o rendimento médio de 87% para transformar lingotes em produtos (longos e planos), temos, um total mundial de 24.300 mil t no valor aproximado de US$ 130 bilhões. Os produtos planos representam 78%, ou seja, 19.050 mil t. Portanto, os produtos longos representam 22% do total mundial, isto é, 5.250 mil t. 2.2. Os Principais Produtores Mundiais Os 15 principais produtores mundiais de aço inoxidável plano em 2.007 estão apresentados no Quadro 4: Quadro 4: Principais Produtores Mundiais de Aço Inoxidável Plano EMPRESA TK STAINLESS GROUP ACERINOX GROUP SHANXI TAIGANG POSCO GROUP YUSCO GROUP ARCELORMITTAL STAINLESS GROUP OUTOKUMPU STAINLESS GROUP BAOSTEEL STAINLESS STEEL BRANCH/ NBSS JINDAL STAINLESS NSSC (NIPPON STEEL) NISSHIN STEEL AK STEEL JFE NIPPON METAL (NIKKINKO) ALLEGHENY LUDLUM (ATI)
Fonte: Steel & Metals Market Research - SMR

PAÍS Alemanha Espanha China Coréia do Sul Taiwan Índia Finlândia China Índia Japão Japão EUA Japão Japão EUA

CAP. PRODUÇÃO 3,30 2,70 2,60 2,30 2,20 1,90 1,60 1,60 1,40 0,90 0,70 0,65 0,50 0,40 0,35

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A capacidade dos 15 produtores citados no Quadro3 é de 23,10 milhões de toneladas e representa 85% da capacidade mundial de produção de aço inoxidável plano. A ARCELORMITTAL INOX BRASIL (Ex-ACESITA) pertence ao grupo ARCELORMITTAL STAINLESS GROUP e é a única produtora de aço inoxidável plano no Brasil. A antiga ACESITA era monopolista e concentrou-se em produzir aços inoxidáveis das famílias austeníticos, ferríticos e martensíticos. Após a privatização a linha de produtos não se alterou e continuam a produzir as famílias acima. Os 15 principais produtores mundiais de aço inoxidável longo em 2.007 estão apresentados no Quadro 5: Quadro 5: Principais Produtores Mundiais de Aço Inoxidável Longo CAP. PRODUÇÃO 0,43 0,42 0,35 0,33 0,31 0,25 0,22 0,20 0,19 0,18 0,17 0,17 0,17 0,15 0,14

EMPRESA WALSIN LIHWA TSINGSHAN SCHMOLZ + BICKENBACH DONGBEI SPECIAL STEEL VIRAJ ROLDAN + NAS COGNE PSS OUTOKUMPU SANDVIK DAIDO STEEL SMI (SUMITOMO METALS) VALBRUNA GROUP NSSC (NIPPON STEEL) BAOSTEEL SPECIAL STEEL BRANCH
Fonte: SMR

PAÍS Taiwan China Alemanha China India Itália Itália China Finlândia Suécia Japão Japão Itália Japão China

A capacidade dos 15 produtores citados no Quadro 5 é de 5,24 milhões de toneladas e representa apenas 58% da capacidade mundial de produção de aço inoxidável longo. Os dois produtores com fábricas no Brasil VILLARES METALS – que pertence ao grupo VOEST ALPINE da Aústria e a PIRATINI que pertence ao grupo nacional GERDAU possuem capacidade de produção pequena quando comparado aos maiores produtores mundiais. Em relação à linha de produtos a VILLARES METALS produz todos os tipos existentes: austeníticos, ferríticos, martensíticos, duplex e endurecíveis por precipitação. A GERDAU só produz a linha comercial, ou seja, linha austenítica, ferrítica e martensítica.

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2.3. O Mercado Mundial por País/Continente O Quadro 6 mostra os 10 principais mercados mundiais em 2.007. A União Européia2 é a única exceção, não é um país, e, sim um continente. Quadro 6: O Mercado Mundial por País/Continente em Milhões de t PLANOS LONGOS TOTAL 5,30 1,50 6,80 4,00 1,70 1,70 1,20 1,00 0,70 0,25 0,27 0,15 1,20 0,70 0,30 0,20 0,20 0,20 0,10 0,03 0,05 5,20 2,40 2,00 1,40 1,20 0,90 0,35 0,30 0,20

CHINA UNIÃO EUROPÉIA JAPÃO EUA ÍNDIA CORÉIA DO SUL TAIWAN TAILÂNDIA BRASIL CANADÁ
Fonte: SMR

2.4. O Mercado Mundial por Tipo Considerando os tipos: austeníticos, ferríticos, martensíticos, duplex e endurecíveis por precipitação expostos anteriormente, a classificação disponível no mercado é um pouco diferente baseado nas normas AISI 300, 200, 400 e duplex. A correspondência entre os tipos e as normas é a seguinte: • • • • • Austeníticos: linha 300 e 200; Ferríticos: linha 400; Martensíticos: linha 400; Duplex: duplex; Endurecíveis por Precipitação: linha 600.

Fazendo uma correspondência com os tipos definidos pela literatura, temos: • • • • • Os austeníticos representam 72% do mercado mundial; Os ferríticos representam 20%; Os martensíticos representam 7%; Os duplex representam 1%; Os endurecíveis por precipitação são desprezíveis

2

A União Européia é composta por 27 países: Alemanha, Aústria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Roménia, Suécia.

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O Gráfico 43 mostra o mercado mundial por tipo de aço inoxidável em 2.007: Gráfico 4: O Mercado Mundial de Aço Inoxidável por Tipo

Fonte: SMR

Pode-se notar a grande predominância de utilização de aços inoxidáveis austeníticos sobre os demais. 2.5. A Previsão Futura do Mercado Mundial por País/Continente Levando-se em consideração taxas médias de crescimento por país para os próximos 6 anos baseado em estimativas de órgãos econômicos mundiais e sua larga experiência a Steel & Metals Market Research - SMR fez a seguinte previsão para o mercado mundial por país/continente em 2.014. O Quadro 7 apresenta esta previsão.

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Quadro 7: A Previsão Futura do Mercado Mundial por País/Continente em Milhões de t PLANOS LONGOS TOTAL 8,50 2,10 10,60 5,20 2,50 2,30 1,70 1,30 0,90 0,40 0,35 0,35 1,60 0,50 0,40 0,60 0,20 0,30 0,10 0,05 0,05 6,80 3,00 2,70 2,30 1,50 1,20 0,50 0,40 0,40

CHINA UNIÃO EUROPÉIA ÍNDIA EUA JAPÃO CORÉIA DO SUL TAIWAN TAILÂNDIA TURQUIA BRASIL
Fonte: SMR

Podemos notar algumas mudanças em relação a 2.007. A Ìndia terá um bom crescimento e ultrapassará os EUA e o Japão. Os EUA ultrapassarão o Japão. A Turquia ultrapassará o Brasil e o Canadá. A Turquia não aparecia entre os 10 maiores em 2.007. 2.6. A Previsão Futura do Mercado Mundial por Tipo A SMR fez uma previsão de como deve ser o mercado mundial por tipo em 2.014. As variáveis que implicam nas mudanças de tipo de aço inoxidável são: o preço do níquel (que é utilizado nos tipos austeníticos e duplex) e as exigências da aplicação. Para esta previsão, a SMR estabeleceu o preço médio da tonelada do níquel em US$ 17.500/t. O níquel possui cotação na LME e é muito volátil. O Quadro 8 apresenta a previsão futura do Mercado Mundial por tipo.

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Quadro 8 - A Previsão Futura do Mercado Mundial por Tipo

Fonte: SMR

As taxas de crescimento dos tipos considerados foram: • Linha 300 = 3,7% a.a. • Linha 200 = 0,7% a.a. • Linha 400 = 6,1% a.a. • Linha Duplex = 9,5% a.a.

3. O Aço Inox no Brasil 3.1. A Evolução da Produção Brasileira A evolução da produção brasileira também apresenta um sólido crescimento, porém, o volume não é significativo quando comparado com a produção mundial. O Gráfico 5 apresenta a evolução da produção brasileira mostrando a participação dos planos e longos.

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Gráfico 5: A Evolução da Produção Brasileira

Fonte: Núcleo Inox

O volume produzido no Brasil em 2.007 representa 1,9% da produção de produtos acabados de planos e longos. Outra diferença em relação ao mercado mundial é que a produção de longos no Brasil representa 9% do total. Enquanto que no mundo, a produção de longos representa 22% do total.

3.2. Os Produtores Brasileiros Três siderúrgicas no Brasil produzem aço inox: ArcelorMittal Inox Brasil, Gerdau e Villares Metals. A ArcelorMittal Inox Brasil produz aço inoxidável plano.A Villares Metals e a Gerdau produzem somente aço inoxidável longo. O Mapa1 apresenta a localização das usinas siderúrgicas brasileiras que produzem aço inox.

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Mapa 1 - Localização das Usinas Siderúrgicas Brasileiras

Fonte: Núcleo Inox

A capacidade de produção de aço inox plano da ArcelorMittal Inox Brasil situada em Timóteo-M.G.para três turnos é de 600 mil t/ano.A capacidade de produção de aço inox longo da Villares Metals situada em Sumaré- S.P. para três turnos é de 30 mil t/ano. A capacidade de produção de aço inox longo da Gerdau situada em Charqueadas- R.S. para três turnos é de 50 mil t/ano. 3.3. A Cadeia Produtiva Brasileira A produção de aço inox inicia-se na extração das matérias-primas principais: minério de ferro, cromo e níquel. A partir daí, é processado os aços inoxidáveis planos com a matéria primas citadas acima ou utilizando-se sucata no lugar do minério de ferro, no caso, dos aços inoxidáveis longos. A distribuição dos aços inoxidáveis é feita via venda direta de usina para o fabricante de máquinas, equipamentos e produtos finais ou via distribuição para atendimento das pequenas indústrias fabricantes.

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O Fluxograma1 apresenta a cadeia produtiva brasileira do aço inox. Fluxograma1: Cadeia Produtiva Brasileira do Aço Inox F M A Á B Q R U I I C N A A N S T E E S Q U D I E P

P R O D U T O R E S Ni Cr Fe P R A O Ç D O U T I O N R O E X S D I S T R I B R E V

Ind. Alimentícia Ind. Bebidas Ind. Papel Celulose Ind. Farmacêutica Ind. Cosmética Ind. Sucro Alcooleira Ind. Petróleo Ind. Química Ind. Petroquímica Ind. Transportes Ind. Construção Civil P F R Ind. Metalúrgica I O N D A Ind. Mecânica L

D E

Mobiliário Urbano Baixelas/Cutelaria Cubas/Pias Linha Branca

M P

3.4. A Evolução do Consumo Aparente Brasileiro O Gráfico 6 apresenta a consistente evolução do consumo aparente brasileiro nos últimos 12 anos.

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Gráfico 6 - A Evolução do Consumo Aparente Brasileiro

Fonte: Núcleo Inox

O consumo do mercado brasileiro evoluiu de 145.000 t/ano em 1.996 para 369.130 t/ano em 2.008. Neste período (1.996-2.008) a taxa de crescimento do mercado brasileiro foi de 8,1%. O mercado brasileiro cresce a uma taxa acima da média mundial. A participação por tipo no mercado brasileiro é diferente do mercado mundial. No Brasil, a linha 400 representa 50% do consumo nacional. Comparando-se com o mercado mundial (linha 400 = 20%) a diferença é muito expressiva. Isto se deve ao fato da escolha dos produtores em oferecer uma matéria-prima com preço mais competitivo devido o mercado brasileiro ser altamente comprador de “preço baixo”. 3.5. A Evolução do Consumo Aparente Brasileiro Per Capita O Gráfico 7 mostra a evolução do consumo aparente per capita de aço inox no Brasil nos últimos 12 anos. Gráfico 7 - A Evolução do Consumo Aparente Per Capita

Fonte: Núcleo Inox

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Nota-se uma evolução constante no consumo per capita. Em 1.980 eram 0,87 kg/hab/ano e em 2.008 foram 1,95 kg/hab/ano. 3.6. Um Comparativo do Consumo Brasileiro Per Capita com Outros Países Através da comparação do consumo per capita podemos estimar o potencial de crescimento dos diversos mercados. Os dez maiores PIB mundiais em 2.006 foram: EUA, Japão, Alemanha, China, Reino Unido, França, Itália, Canadá, Espanha e Brasil. Os dez maiores PIB per capita mundiais em 2.006 foram: Taiwan, Itália, Coréia do Sul, Alemanha, Japão, Espanha, França, Canadá, EUA, China. Portanto, somente Taiwan e Coréia do Sul estão entre os maiores PIB per capita e não estão entre os dez maiores PIB mundiais. Somente o Brasil e o Reino Unido estavam entre os dez maiores PIB mundiais e não estavam entre os dez maiores PIB per capita mundiais. Mas, o Reino Unido era o 11º. Taiwan possuía em 2.006 o maior consumo per capita mundial de 44,9 kg/hab/ano. Os países mais desenvolvidos economicamente e industrialmente também possuem o maior consumo per capita. O Gráfico 8 apresenta o comparativo de consumo per capita entre os principais países mundiais. Gráfico 8: Comparativo de Consumo Per Capita por País

Fonte: ValeInco

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Concluindo, no caso do Brasil, pode-se notar que o potencial é enorme já que o consumo per capita ainda é muito baixo e o PIB é enorme. 3.7. O Mercado Brasileiro de Aço Inox por Aplicação A análise dividiu-se em aço inox plano e longo. Dentro dos aços inoxidáveis planos - uma parte vai para tubos, distribuidores e reprocessadores. Estes três segmentos foram estudados para chegarmos ao demandante final do aço. No caso do aço inox longo, existe uma primeira divisão barras e fio máquina. Dentro de barras, a maioria vai para os distribuidores. Para chegarmos ao demandante final tivemos que pesquisar com os distribuidores. No caso do fio máquina, a maior parte do consumo destinase aos trefiladores - que transformam a bitola de 5,5 mm em bitolas menores para as mais diversas aplicações. Também foi necessário pesquisar com os trefiladores o destino final do material. O Gráfico 9 apresenta o mercado brasileiro por segmento em 2.008: Gráfico 9 - Mercado Brasileiro por Segmento – 2.008 (Estimativa)

A idéia da divisão do segmento consumidor nos remete ao fato de que necessitamos prever movimentos futuros, e estes segmentos possuem acompanhamentos detalhados feito pelo IBGE.

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O segmento transportes refere-se a partes e peças para indústria automobilística, indústria ferroviária e indústria aeronáutica. Além disso, o segmento de autopeças está incluso. O segmento de saúde engloba os equipamentos médicos, dentários e hospitalares. A indústria de alimentos é extensa e compõe-se de: equipamentos para a indústria de laticínios, carne, alimentos em geral. A indústria de bebidas engloba a fabricação de equipamentos para produzir vinho, cachaça, água mineral, sucos, refrigerantes e cerveja. O segmento baixelas/cutelaria inclui facas, canivetes e utilidades domésticas, dentre elas baixelas. O segmento de papel e celulose possui máquinas e equipamentos utilizados para processamento de papel e celulose. O segmento construção civil engloba revestimento de elevadores, revestimento de colunas, escadas rolantes, corrimãos, pias, cubas, válvulas, etc. O segmento da indústria química possui máquinas e equipamentos utilizados no processamento e condução de produtos químicos e petroquímicos. O segmento da linha branca é composto de geladeira, freezer, fogão, máquina de lavar roupas, máquina de lavar louças, coifas, microondas, etc. O segmento do açúcar e álcool engloba os equipamentos utilizados para processamento e condução do açúcar e álcool. O segmento petróleo compõe-se de peças e equipamentos utilizados no processamento e refino do petróleo. O mobiliário urbano é composto de produtos utilizados nas cidades, tais como: ponto de ônibus, bancos, lixeiras, caixas de correio, protetores de jardim e brinquedos de praças.

4. O Aço Inox no Estado do Rio de Janeiro O estado do Rio de Janeiro é litorâneo e possui um grau de corrosão extremamente severo conforme podemos ver no mapa abaixo:

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Mapa 2 - Corrosão Atmosférica Brasileira

Fonte: Núcleo Inox

O custo benefício do aço inox é mais favorável em aplicações onde o grau de corrosão é mais severo. Isto se deve ao fato de que a corrosão severa reduz de forma drástica o ciclo de vida de produtos feitos com material menos nobres. Em um dos segmentos consumidores – mobiliário urbano – a utilização de aço inox deveria ser mais intensa. O consumo nos segmentos restantes depende do tipo da indústria instalada em cada local, e não do grau de corrosão do ar atmosférico. 4.1. Unidades Industriais no Estado do Rio de Janeiro Utilizando com base os números do IBGE referente às unidades industriais instaladas no estado do Rio de Janeiro podemos salientar que todos os segmentos importantes consumidores de aço inox estão presentes conforme listagem a seguir: • Extração de Petróleo

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• • • • • • • • • • • • •

Fabricação de Produtos Alimentícios e Bebidas Fabricação de Celulose, Papel e Produtos de papel; Fabricação de Produtos Derivados do Petróleo; Elaboração de Combustíveis Nucleares; Produção de Álcool; Fabricação de Produtos Químicos; Fabricação de Tanques, Caldeiras e Reservatórios Metálicos; Fabricação de Artigos de Cutelaria, de Serralheria e Ferramentas Manuais; Fabricação de Máquinas e Equipamentos Fabricação de Equipamentos e Instrumentação Médico-Hospitalares; Fabricação e Montagem de Veículos Automotores; Fabricação de Outros Equipamentos de Transporte; Fabricação de Móveis e Indústrias Diversas;

4.2. Um Comparativo entre o PIB Carioca e o PIB Nacional Utilizando análise de regressão linear o IBS realizou vários estudos relacionando o comportamento do PIB, bem como do Produto Industrial (PI) com o desempenho do mercado do aço, inclusive do aço inox. Para o IBS, os resultados das análises de regressão permitem concluir que existe uma fortíssima correlação entre a variável dependente (consumo de aço) e as variáveis explicativas (PIB e PI). Permitem também concluir que a correlação com o Produto Industrial é ligeiramente mais forte que com o PIB. Em 2.006 o PIB carioca representou 11,4 % do PIB nacional. O PIB industrial carioca representou 7,7% do PIB nacional. 4.3. O Mercado Aparente de Aço Inox no Estado do Rio de Janeiro Analisar os dados disponíveis e comparar com os outros estados levando-se em consideração vários indicadores constitui o início de uma avaliação profunda sobre as potencialidades do estado. O Quadro 9 apresenta o consumo aparente brasileiro por Estado em 2.007:

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Quadro 9 - Consumo Aparente Brasileiro por Estado em 2.007 FIO MÁQUINA t % 0,0 0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0

ESTADOS NORTE ( AM/PA/RO/AP/RR/AC/TO)

BARRAS t % 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0

LONGOS t % 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0

CHAPAS t % 3.315 7.340 675 4.124 2.203 338 794 436 358 1,1 2,5 0,2 1,4 0,8 0,1 0,3 0,2 0,1

TOTAL t % 3.315 7.340 675 4.124 2.203 338 794 436 358 1,0 2,2 0,2 1,3 0,7 0,1 0,2 0,1 0,1 79,7 3,8 3,5 1,1 71,4 16,8 2,6 2,2 11,9

NORDESTE 0 BA CE PE MA/PI/RN/PB/AL/SE CENTRO OESTE MT/MS GO/DF SUDESTE MG ES RJ SP SUL PR SC RS TOTAL 0

0

25.123 2.801 1 241 22.080 2.816 119 246 2.451

89,9 10.550 10,0 0,0 0,9 79,0 10.550 10,1 0,4 0,9 8,8 54

99,5 35.673 0,0 2.801 0,0 1 0,0 241 99,5 32.630 0,5 0,0 0,0 0,5 2.870 119 246 2.505

92,6 225.067 7,3 9.515 0,0 11.460 0,6 3.321 84,7 200.771 7,4 0,3 0,6 6,5 51.944 8.364 7.046 36.534

78,0 260.740 3,3 12.316 4,0 11.461 1,2 3.562 69,6 233.401 18,0 2,9 2,4 12,7 54.814 8.483 7.292 39.039

54

27.939 100,0 10.604 100,0 38.543 100,0 288.460 100,0 327.003 100,0

Fonte: IBS – Instituto Brasileiro de Siderurgia

O quadro anterior é uma informação referente à venda das usinas aos distribuidores. Porém, todos os grandes distribuidores estão em São Paulo e possuem filiais em outros estados. Assim, compram em São Paulo e reenviam o material para o estado onde estão as filiais. Portanto, existe distorção na informação acima. Exemplificando: - Inoxtech: filiais no Rio de Janeiro –R.J. Belo Horizonte – M.G. Porto Alegre – R.S. Salvador – BA Recife – PE - Acesita Serviços: filiais em Campinas – S.P. Caxias do Sul – R.S. - Aços Artex: filial no Rio de Janeiro – R.J.

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- Jati: filial em Curitiba – PR - Elinox: filial em São Paulo – S.P. Quatro distribuidores de aço inoxidável atuam fortemente no Estado do R.J.: Elinox, Artex, Inoxtech e Cavallo Aços. Através de consulta aos distribuidores (informação verbal) que trabalham no Estado do R.J calculamos em torno de 5.000 t de aço inoxidável em estoque e um mercado total de 4.000 t/ano.

5. Considerações Finais 5.1. Necessidades do Pólo Um pólo metalúrgico possui as seguintes necessidades: • • • • disponibilidade de matéria-prima com qualidade, preço competitivo e prazo de entrega; escola que forme profissional em design; escolas que formem técnicos nas áreas de corte/dobra/conformação/ soldagem/usinagem; empresas que fabriquem produtos finais para atendimento do mercado local e que se capacitem para exportação.

O valor do impacto da matéria prima no custo do produto final pode variar entre 40% e 70% dependendo da capacidade de compra da empresa e do mercado em que atua. A disponibilidade da matéria prima na forma, qualidade e preço necessário para dar competitividade ao produto final fabricado é o primeiro passo para o sucesso do pólo. Equipamentos de alta tecnologia na área de corte/dobra/conformação conseguem fornecer produtos com alta velocidade de processamento, boa qualidade, pequena tolerância e preço competitivo.

O Fluxograma 2 apresenta um esboço da configuração de um pólo

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Fluxograma 2: Configuração de um Pólo

Escolas Design

Indústrias segmentos: Prestador Distribuidor de Serviço de Corte Empresas que processam produtos - Linha Branca - Serralheria - Petróleo e Gás - Naval

dos

- Mobiliário Urbano

Insturmentos

Cirurgicos

Escolas |Técnicas

5.2. A Mão de Obra na ZO MRJ A mão de obra carioca necessitará de um centro tecnológico que possa formar adequadamente a mão de obra abundante nesta área nas funções e segmentos que o pólo irá demandar.

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5.3. Análise Geral 5.3.1. Crescimento da Matéria Prima O aço inox possui uma estimativa de crescimento no mercado mundial de 5,7% a.a. e no mercado brasileiro é de 6% a.a. nos próximos 6 anos. Estes números são altamente promissores. 5.3.2 Crescimento do Mercado O mercado brasileiro possui um consumo per capita muito baixo (ao redor de 1,95 kg/hab/ano em 2.008). O índice de distribuição de renda vem melhorando no Brasil- o que deve contribuir para melhorar o consumo per capita de forma mais efetiva do que o aumento da renda. Além disso, mercados similares ao do Brasil – caso da África do Sul - já possuem consumo per capita em torno de 3 kg/hab/ano. Analisando os dados do mercado brasileiro e carioca podemos concluir que: • o consumo de aço inox pela indústria instalada no Rio de Janeiro (1,1% do mercado) é muito inferior ao consumo de produtos de aço inox pela população (o Rio de Janeiro corresponde em torno de 11,4% do PIB brasileiro e 7,4% do PI brasileiro), ou seja, grande parte dos produtos em aço inox consumidos no estado do Rio de Janeiro é proveniente de outro estado ou país.

Portanto, mercado consumidor no estado existe, mas, é suprido por outros estados. O material aço inox é mais competitivo (em relação à preço) em locais onde o ambiente seja mais corrosivo, caso, de locais litorâneos ou com alta concentração de indústrias poluidoras. 5.3.3. Segmentos de Mercado O segmento de mercado mais promissor para o aumento de consumo em larga escala é o de PETRÓLEO e GÁS. Segmento este, muito importante para a economia carioca. 5.3.4. Infra Estrutura Real em Relação à Ideal Distribuição: o interessante seria ter uma filial dos produtores com preço competitivo. Contudo, o município do RJ já possui um distribuidor independente com estoque suficiente para atender inicialmente o pólo, porém o importante é a negociação de preços. Prestador de Serviço de Corte e Conformação: Dependendo do tipo de produto a ser produzido pelas empresas processadoras haverá necessidade de precisão da máquina de corte conforme Tabela 1. Na região, existe uma empresa que pode fazer o serviço de corte/dobra com precisão. Para uma situação de início de pólo, uma empresa é suficiente.

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Tabela 1: Tolerância de Corte dos Respectivos Equipamentos de Corte Tolerância Equipamento de Corte (mm) Máquina a Laser 0,01 a 0,2 Corte a Plasma de alta definição 0,2 a 0,5 Guilhotina CNC 0,5 a 1,0 Guilhotina Hidráulica/Pneumática 0,5 a 1,0 Guilhotina manual 0,5 a 1,0 Corte a Plasma convencional 1,0 a 3,0 Escolas de Design: para alcançar mercados de alto valor agregado é necessário conhecimento nesta área. Escolas Técnicas Profissionalizantes: a formação da mão de obra em metalurgia no que se refere à corte/conformação/soldagem/caldeiraria é fundamental para abastecer o pólo com mão de obra adequada. Portanto, embora alguns pontos do pólo devam ser aperfeiçoados, as condições básicas para o início do projeto estão presentes. 5.3.5. Possibilidades de Organização do Pólo O foco principal é o segmento de Petróleo e Gás. Duas configurações são possíveis: • A configuração radial prevê uma grande empresa com competência técnica para receber a demanda do cliente e transformá-lo num projeto viável técnica e economicamente. A configuração linear prevê pequenas empresas encadeadas cada uma fazendo uma função específica. Pode ser desenvolvido via incubadora.

Para um aprofundamento neste tema, ou seja, qual a melhor configuração para o pólo em estudo é necessário fazer vários levantamentos que não são o foco deste trabalho.

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Referências Bibliográficas ARAÚJO, L. A (1997) Manual de Siderurgia, volume 2, Ed. Arte & Ciência, São Paulo, 1997. CHIAVERINI, V. (1996) Aços e Ferros Fundidos, Ed. ABM, São Paulo, 1996. IBGE. Produto Interno Bruto. WWW.ibge.gov.br acessado em 12/11/2008. IBS (2008) Anuário Estatístico, Rio de Janeiro. IBS (2008) Mercado Brasileiro de Aço – Análise Setorial e Regional, Rio de Janeiro. IBS (2008) A Siderurgia em Números, Rio de Janeiro. IBS (2007) Anuário Estatístico, Rio de Janeiro. IBS (2007) Mercado Brasileiro de Aço – Análise Setorial e Regional, Rio de Janeiro. IBS (2006) Anuário Estatístico, Rio de Janeiro. IBS (2006) Investimentos e Capacidade Instalada, Rio de Janeiro. IBS (2005) Anuário Estatístico, Rio de Janeiro. IBS (2004) Anuário Estatístico, Rio de Janeiro. IBS (2003) Anuário Estatístico, Rio de Janeiro. IBS (2002) Anuário Estatístico, Rio de Janeiro. IBS (2001) Anuário Estatístico, Rio de Janeiro. IBS (2001) Mercado Brasileiro de Aço – Análise Setorial e Regional, Rio de Janeiro. IBS (2000) Anuário Estatístico, Rio de Janeiro. IBS (1998) Mercado Brasileiro de Aço – Análise Setorial e Regional, Rio de Janeiro. IBS (1991) Empresas Siderúrgicas do Brasil, Rio de Janeiro. MANSUR NETO, E. (2000) O Que é Aço Inoxidável, Belo Horizonte, 2000. MODENESI (2001) PADILHA, A. F. & GUEDES, L. C. (1994) Aços Inoxidáveis Austeníticos, Hemus Editora, São Paulo, 1994. TEBECHERANI, C. T. P. Artigo: Aço Inoxidável. TEC (2008) Tarifa Externa Comum, Ed. Aduaneiras, 2008. WORLD STAINLESS STEEL STATISTICS (2007), Ed. Inco, Canadá, 2007.

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ANEXOS

40

ANEXO 1: COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS AÇOS INOXIDÁVEIS AUSTENÍTICOS
Tipo de aço ABNT 201 202 205 301 302 302B 303 303 Se 304 304 L 304 N 305 C 0,15 0,15 0,12 0,25 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,08 0,030 0,08 0,12 Mn 5,50 7,50 7,50 10,00 14,00 15,50 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 Si 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 2,00 3,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 P 0,060 0,060 0,060 0,045 0,045 0,045 0,20 0,20 0,045 0,045 0,045 0,045 S 0,030 0,030 0,030 0,030 0,030 0,030 0,15 mín. 0,060 0,030 0,030 0,030 0,030 Cr 16,00 18,00 17,00 19,00 16,50 18,00 16,00 18,00 17,00 19,00 17,00 19,00 17,00 19,00 17,00 19,00 18,00 20,00 18,00 20,00 18,00 20,00 17,00 Ni 3,50 5,50 4,00 6,00 1,00 1,75 6,00 8,00 .8,00 10,00 8,00 10,00 5,00 10,00 8,00 10,00 8,00 10,50 8,00 12,00 8,00 10,50 10,50 Outros N 0,25 N 0,25 N 0,32/0,40

M0 (A) 0,60 Se 0,15 mín.

N 0,10/0,16

41

308 309 3095 310 3105 314 316 316 L 316 F 316 N 317 317 L 321

0,08 0,20 0,08 0,25 0,08 0,25 0,08 0,030 0,08 0,08 0,08 0,030 0,08

2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00

1,00 1,00 1,00 1,50 1,50 1,50 3,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00

0,045 0,045 0,045 0,045 0,045 0,045 0,045 0,045 0,20 0,045 0,045 0,045 0,045

0,030 0,030 0,030 0,030 0,030 0,030 0,030 0,030 0,10 mín, 0,030 0,030 0,030 0,030

19,00 19,00 21,00 22,00 24,00 22,00 24,00 24,00 26,00 24,00 26,00 23,00 26,00 16,00 18,00 16,00 18,00 16,00 18,00 16,00 18,00 18,00 20,00 18,00 20,00 17,00 19,00

13,00 10,00 12,00 12,00 15,00 12,00 15,00 19,00 22,00 19,00 22,00 19,00 22,00 10,00 14,00 10,00 14,00 10,00 14,00 10,00 14,00 11,00 15,00 11,00 15,00 9,00 12,00

M0 2,00/3,00 M0 2,00/3,00 M0 1,75/2,50 M0 2,00/3,00 N 0,10/0,16 M0 3,00/4,00 M0 3,00/4,00 Ti >= 5xC

42

329 330 347 348

0,10 0,08 0,08 0,08

2,00 2,00 2,00 2,00

1,00 0,75 1,50 1,00 1,00

0,040 0,040 0,045 0,045

0,030 0,030 0,030 0,030

25,00 30,00 17,00 20,00 17,00 19,00 17,00 19,00 15,00 17,00

384

0,08

2,00

1,00

0,045

0,030

3,00 6,00 34,00 37,00 9,00 13,00 9,00 13,00 I 17,00 19,00

M0 1,00/2,00

Nb + Ta >= 10 x C Nb + Ta>= 10 x C Ta 0,10 máx. C0 0,20 máx.

Fonte: Tebecherani, C.T.P. artigo Aço Inoxidável

43

ANEXO 2: COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS AÇOS INOXIDÁVEIS FERRÍTICOS
Tipo de aço ABNT 409 429 430 430F 430FSe 434 436 442 446 C 0.08 0.12 0.12 0.12 0.12 0.12 0.12 0.20 0.20 Mn 1.00 1.00 1.00 1.25 1.25 1.00 1.00 1.00 1.50 Si 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00 P 0.045 0.040 0.040 0.060 0.060 0.040 0.040 0.040 0.040 S 0.045 0.030 0.030 0.15 min 0.060 0.030 0.030 0.030 0.030 Cr 10.50 11.75 14.00 16.00 16.00 18.00 16.00 18.00 16.00 18.00 16.00 18.00 16.00 18.00 13.00 23.00 23.00 27.00 Ni Outros Ti>=6xC Ti 0.75 máx

0.60 (A) Se 0.15 min

0.75 1.25 0.75 1.25

Nb+Ta>=5xC 0.70 máx

N 0.25

(A)Opcional Fonte: Tebecherani, C.T.P. artigo Aço Inoxidável

44

ANEXO 3: COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS AÇOS INOXIDÁVEIS MARTENSÍTICOS
TTipo de aço ABNT

403 405 410 414 416 416Se 420(B) 420F 422

C 0,15 0,08 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 min 0,15 min 0,20 0,25 0,20 0,60 0,75 0,75 0,95 0,95

Mn 1,00 1,00 1,00 1,00 1,25 1,25 1,00 1,25 1,00

Si 0,50 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 0,75

P 0,040 0,040 0,040 0,040 0,060 0,060 0,040 0,060 0,025

S 0,030 0,030 0,030 0,030 0,15 min. 0,060 0,030 0,15 min. 0,025

Cr 11,50 13,00 11,50 14,50 11,50 13,50 11,50 13,50 12,00 14,00 12,00 14,00 12,00 14,00 12,00 14,00 11,00 13,00 15,00 17,00 16,00 18,00 16,00 18,00 16,00

Ni

Outros

Al 0,10/0,30

Ni 1,25/2,50 0,60 (A) Se 0,15 min.

0,60 (A) 0,75 1,25

431 440 A 440 B 440 C

1,00 1,00 1,00 1,00

1,00 1,00 1,00 1,00

0,040 0,040 0,040 0,040

0,030 0,030 0,030 0,030

Ni 0,50/1,00 V 0,15/0,30 W 0,75/1,25 Ni 1,25/2,50

0,75 0,75 0,75

45

501 502

1,20 0,10 min 0,10

1,00 1,00

1,00 1,00

0,040 0,040

0,030 0,030

18,00 4,00 6,00 4,00 6,00

0,40 0,65 0,40 0,65

(A)Opcional (B) O aço tipo ABNT 420 pode ser solicitado objetivando carbono nas faixas O,15/0,35 e O,35/0,45 caso se destine a uso geral ou aplicação em cutelaria respectivamente,http://www.pipesystem.com.br/Artigos_Tecnicos/Aco_Inox/ TOP Fonte: Tebecherani, C.T.P. artigo Aço Inoxidável

ANEXO 4: COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS AÇOS INOXIDÁVEIS DUPLEX
Três aços são mais conhecidos neste tipo: 2205, 1.4462 e 1.4501, porém, não estão detalhados nas normas brasileiras. Somente na ASTM ou DIN.

ANEXO 5:COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS AÇOS INOXIDÁVEIS ENDURECÍVEIS POR PRECIPITAÇÃO
AABNT 6630 C Mn Si P S Cr Ni 15,0 a 17,0 Outros <= 0,60 Ni 3,0 a 5,0 Outros Cu 3,0 a 5,0 Nb 5xC ate 0,45 6631 <= 0,09 <= 0,70 <= 1,00 <= 0,040 <= 0,015 16,0 a 18,0 6,5 a 7,8 Al 0,7 a 1,5

<= 0,07 <= 0,70 <= 1,50 <= 0,040 <= 0,015

46

ANEXO6: PIB POR ESTADO EM 2.006
PIB POR ESTADO - 2.006 ESTADOS ACRE ALAGOAS AMAPÁ AMAZONAS BAHIA CEARÁ DISTRITO FEDERAL ESPÍRITO SANTO GOIÁS MARANHÃO MATO GROSSO MATO GROSSO DO SUL MINAS GERAIS PARÁ PARAÍBA PARANÁ PERNAMBUCO PIAUÍ RIO DE JANEIRO RIO GRANDE DO NORTE RIO GRANDE DO SUL RONDÔNIA RORAIMA SANTA CATARINA SÃO PAULO SERGIPE TOCANTINS TOTAL Fonte: IBGE www.igbe.gov.br Valor R$ 1.000,00 4.835.747 15.763.636 5.260.535 39.766.086 136.681.933 46.310.492 89.630.682 52.782.914 57.091.081 28.621.860 35.284.137 24.355.772 214.814.905 44.376.461 19.953.193 136.681.993 55.505.760 12.790.892 275.363.060 20.557.263 156.883.171 13.110.169 3.660.611 93.193.324 802.552.824 15.126.169 9.607.624 2.410.562.294 % 0,20 0,65 0,22 1,65 5,67 1,92 3,72 2,19 2,37 1,19 1,46 1,01 8,91 1,84 0,83 5,67 2,30 0,53 11,42 0,85 6,51 0,54 0,15 3,87 33,29 0,63 0,40 100,00

47

ANEXO7: PIB INDUSTRIAL POR ESTADO EM 2.006
PIB INDUSTRIAL POR ESTADO - 2.006 ESTADOS ACRE ALAGOAS AMAPÁ AMAZONAS BAHIA CEARÁ DISTRITO FEDERAL ESPÍRITO SANTO GOIÁS MARANHÃO MATO GROSSO MATO GROSSO DO SUL MINAS GERAIS PARÁ PARAÍBA PARANÁ PERNAMBUCO PIAUÍ RIO DE JANEIRO RIO GRANDE DO NORTE RIO GRANDE DO SUL RONDÔNIA RORAIMA SANTA CATARINA SÃO PAULO SERGIPE TOCANTINS TOTAL Valor R$ 1.000,00 195.908 4.698.419 309.819 50.067.715 64.436.446 12.809.289 2.640.638 26.391.643 25.947.041 6.378.916 14.236.838 9.362.024 132.055.547 19.721.862 4.570.594 89.295.343 16.314.246 1.894.536 98.297.323 5.327.170 104.513.505 2.165.844 75.835 58.184.157 513.503.823 4.588.040 1.269.346 1.269.251.867 % 0,02 0,37 0,02 3,94 5,08 1,01 0,21 2,08 2,04 0,50 1,12 0,74 10,40 1,55 0,36 7,04 1,29 0,15 7,74 0,42 8,23 0,17 0,01 4,58 40,46 0,36 0,10 100,00

48

ANEXO 8: DESCRIÇÃO DETALHADA DE SEGMENTOS CONSUMIDORES
O segmento transporte: 1. Automotivo (Setores 1,2,5 e 19) Setor 1: Automobilístico: - ônibus e caminhões; - veículos comerciais leves; - automóveis de passeio. Setor 2: Autopeças e Acessórios: - autopeças mecânicas; - silenciosos e escapamentos; - filtros para óleo e ar; - outras peças ou partes estampadas; - carrocerias para ônibus, caminhões, basculantes e frigoríficos; - containers; - rolamentos; - molas; - freios; - parafusos e porcas. Setor 5: Bicicletas e Motocicletas Setor 19: Forjaria de Matriz Fechada 2. Ferroviário: Setor 3: Ferroviário - material rodante, locomotivas - rodas ferroviárias 3. Naval Setor 4: Naval: - plataformas marítimas móveis 4. Agrícola/Rodoviário Setor 6: Agrícola/Rodoviário: - tratores; - máquinas e implementos rodoviários; - máquinas e implementos agrícolas; - utensílios para pecuária e avicultura 5. Eletro-Eletrônico 6. Mecânico Setor 8:

49

ANEXO 9: TEC DE 20/12/2.008 DOS PRODUTOS DE AÇO INOX
III.- AÇO INOXIDÁVEL TEC 72.18 7218.10.00 7218.9 7218.91.00 7218.99.00 DESCRIÇÃO Aço inoxidável em lingotes ou outras formas primárias; produtos semimanufaturados de aço inoxidável. -Lingotes e outras formas primárias -Outros: --De seção transversal retangular --Outros 8 8 8 II

72.19 7219.1 7219.11.00 7219.12.00 7219.13.00 7219.14.00 7219.2 7219.21.00 7219.22.00 7219.23.00 7219.24.00 7219.3 7219.31.00 7219.32.00 7219.33.00 7219.34.00 7219.35.00 7219.90 7219.90.10

Produtos laminados planos de aço inoxidável, de largura igual ou superior a 600mm. -Simplesmente laminados a quente, em rolos: --De espessura superior a 10mm --De espessura igual ou superior a 4,75mm mas não superior a 10mm --De espessura igual ou superior a 3mm mas inferior a 4,75mm --De espessura inferior a 3mm -Simplesmente laminados a quente, não enrolados: --De espessura superior a 10mm --De espessura igual ou superior a 4,75mm mas não superior a 10mm --De espessura igual ou superior a 3mm mas inferior a 4,75mm --De espessura inferior a 3mm -Simplesmente laminados a frio: --De espessura igual ou superior a 4,75mm --De espessura igual ou superior a 3mm mas inferior a 4,75mm --De espessura superior a 1mm mas inferior a 3mm --De espessura igual ou superior a 0,5mm mas não superior a 1mm --De espessura inferior a 0,5mm -Outros De espessura inferior a 4,75mm e dureza superior ou igual a 42 HRC 2 14 14 14 14 14 14 14 14 14 14 14 14 14

50

7219.90.90

Outros

14

72.20 7220.1 7220.11.00 7220.12 7220.12.10 7220.12.20 7220.12.90 7220.20 7220.20.10 7220.20.90 7220.90.00

Produtos laminados planos de aço inoxidável, de largura inferior a 600mm. -Simplesmente laminados a quente: --De espessura igual ou superior a 4,75mm --De espessura inferior a 4,75mm De espessura inferior ou igual a 1,5mm De espessura superior a 1,5mm, mas inferior ou igual a 3mm Outros -Simplesmente laminados a frio De largura inferior ou igual a 23mm e espessura inferior ou igual a 0,1mm Outros -Outros 2 14 14 14 14 14 14

7221.00.00

Fio-máquina de aço inoxidável.

14

72.22 7222.1 7222.11.00 7222.19 7222.19.10 7222.19.90 7222.20.00 7222.30.00 7222.40 7222.40.10 7222.40.90

Barras e perfis, de aço inoxidável. -Barras simplesmente laminadas, estiradas ou extrudadas, a quente: --De seção circular --Outras De seção transversal retangular Outras -Barras simplesmente obtidas ou acabadas a frio -Outras barras -Perfis De altura superior ou igual a 80mm Outros 2 14 14 14 14 14 14

7223.00.00

Fios de aço inoxidável.

14

51

ANEXO 10: CORRELAÇÃO DAS NORMAS DE INOX

Nome EM X12CrMnNiN17-7-5 X12CrMnNiN 18-9-5

No EN 1.4372 1.4373

AISI/ASTM 201 202

ABNT 201 202 205

X10CrNiN18-8

1.4310

301 301L

301

X12CrNiN18-7

1.4318

301LN (301L) 302 302 302B

X8CrNiS18-9

1.4305

303

303 303Se

X5CrNi18-10 X2CrNiN18-10 X6CrNi18-10 X2CrNi18-9 X2CrNi19-11

1.4301 1.4311 1.4948 1.4307 1.4306

304 304LN 304H 304L 304L 304N

304

304L

304N 305 308

X4CrNi18-12

1.4303

305

X15CrNiSi20-12 X12CrNi23-13

1.4828 1.4833 309 309 309S 310

X8CrNi25-21 X15CrNiSi25-21 X5CrNiMo17-12-2 X3CrNiMo17-13-3

1.4845 1.4841 1.4401 1.4436

310S 314 316 316

310S 314 316

316F 316N 316H X2CrNiMo17-12-2 X2CrNiMo18-14-3 X2CrNiMo17-12-3 1.4404 1.4435 1.4432 316L 316L 316L 316L 316N

52

X2CrNiMo17-11-2 X2CrNiMoN17-13-3 X6CrNiMoTi17-12-2 X6CrNiMoNb17-12-2

1.4406 1.4429 1.4571 1.4580

316LN 316LN 316Ti 316Cb 317 317 317L

X2CrNiMo18-15-4 X2CrNiMoN18-12-4 X2CrNiMoN17-13-5 X6CrNiTi18-10 X8CrNiTi18-10

1.4438 1.4434 1.4439 1.4541 1.4878

317L 317LN 317LMN 321 321H

321

329 X6CrNiNb18-10 1.4550 347 347H 348 384 X1CrNi25-21 X1CrNiMoN25-22-2 Nome EN X1CrNiSi18-15-4 X1NiCrMoCu31-27-4 X1NiCrMoCu25-20-5 X1CrNiMoCuN20-18-7 X1NiCrMoCuN25-20-7 X12NiCrSi35-16 X9CrNiSiNCe21-11-2 X10NiCrAlTi32-21 X6NiCrNbCe32-27 X6CrNiSiNCe19-10 X6NiCrSiNCe35-25 X2CrNiMoCuN22-5-3 X2CrNiN23-4 X2CrNiMoN25-7-4 X2CrNiMoCuN25-6-3 X2CrNiMoCuWN25-7-4 X6CrAl13 X2CrNi12 1.4335 1.4466 Número EN 1.4361 1.4563 1.4539 1.4547 1.4529 1.4864 1.4835 1.4876 1.4877 1.4818 1.4854 1.4462 1.4362 1.4410 1.4507 1.4501 1.4002 1.4003 405 330 330 904L 310MoLN AISI/ASTM ABNT 347

53

X2CrTi12 X6Cr13

1.4512 1.4000

409 410S 429

409

429 430 430F 430FSe

X6Cr17

1.4016

430

X2CrTi17 X3CrNb17 X6CrNi17-1 X6CrMo17-1 X3CrTi17 X6CrNiTi12 X2CrMoTi17-1 X2CrMoTi18-2 X6CrMoNb17-1 X2CrTiNb18 X18CrN28 X10CrAlSi7 X10CrAlSi13 X10CrAlSi25

1.4520 1.4511 1.4017 1.4113 1.4510 1.4516 1.4513 1.4521 1.4526 1.4509 1.4749 1.4713 1.4724 1.4762 442 403 405 446 446 444 436 436 434 439 434

X12Cr13

1.4006

410

410 414 416 416Se

X20Cr13 X30Cr13 X39Cr13 Nome EN

1.4021 1.4028 1.4031 Número EN

420 420 420 AISI/ASTM

420

ABNT 420F 422 431 440A 440B

54

440C X50CrMov15 X39CrMo17-1 X3CrNiMo13-4 X4CrNiMo16-5-1 1.4116 1.4122 1.4313 1.4418 501 502 X5CrNiCuNb16-4 X7CrNiAl17-7 Fonte: Euronorm 1.4542 1.4568 630 631

55

ANEXO 11: COMPARATIVO DO NÚMERO DE UNIDADES INDUSTRIAIS BRASIL x RIO DE JANEIRO EM 2.005
NÚMERO DE UNIDADES INDUSTRIAIS LOCAIS - 2.005 Códigos da CNAE 1.0 Classe de atividades Número de unidades locais RJ 53 265 9 530 % 18

BRASIL Total.................................................................................................

C 10 10.0 10.00 11 11.1 11.10 11.2

Indústrias Extrativas............................................................... Extração de carvão mineral............................................................................ Extração de carvão mineral........................................................................ Extração de carvão mineral................................................................. Extração de petróleo e serviços relacionados................................................ Extração de petróleo e gás natural.......................................................... Extração de petróleo e gás natural.......................................................... Atividades de serviços relacionados com extração de petróleo e gás - exceto a prospecção realizada por terceiros.................................................................................

1 637 34 34 34 121 17 17

274 2 2

57 2

47

104

55

53

11.20

Atividades de serviços relacionados com extração de petróleo e gás - exceto a prospecção realizada por terceiros ....................................................... 104 273 9

13

Extração de minerais metálicos .............................................................

56

13.1 13.10 13.2 13.21 13.22 13.23 13.24 13.25 13.29

Extração de minério de ferro......................................................................... Extração de minério de ferro.................................................................... Extração de minerais metálicos não-ferrosos ........................................... Extração de minério de alumínio................................................................ Extração de minério de estanho.............................................................. Extração de minério de manganês........................................................ Extração de minério de metais preciosos................................................. Extração de minerais radioativos............................................................ Extração de outros minerais metálicos nãoferrosos.................................................................................

142 142 131 84 1 12 16 2

7

2

16 1 209 922 922 287 21 206 185

14 14.1 14.10 14.2 14.21

Extração de minerais não-metalicos ..................................................... Extração de pedra, areia e argila ....................................................... Extração de pedra, areia e argila...................................................... Extração de outros minerais não-metalicos .............................................. Extração de minerais para fabricação de adubos, fertilizantes químicos................................................................................. e produtos

31 67 189 51 628 9 138 9 256 1 348 18 15

14.22 14.29 D 15 15.1

Extração e refino de sal marinho e sal-gema.......................................... Extração de outros minerais não-metálicos............................................ Indústrias de transformação ............................................. Fabricação de produtos alimentícios e bebidas ........................................... Abate e preparação de produtos de carne e de pescado..............................................................................

1 459

87

6

15.11

Abate de reses, preparação de produtos de

57

carne................................................................................. 15.12 Abate de aves e outros pequenos animais e preparação de produtos de carne............................................................................. 15.13 Preparação de carne, banha e produtos de salsicharia não associadas .............................................................................. 15.14 Preparação e preservação do pescado e fabricação de conservas de peixes, crustáceos e moluscos............................................................ 15.2 Processamento, preservação e produção de conservas de frutas, legumes e outros vegetais............................................................................ 15.21 Processamento, preservação e produção de conservas de frutas...................................................... 15.22 Processamento, preservação e produção de conservas de legumes e outros vegetais................................................................... 15.23 15.3 Produção de sucos de frutas e de legumes............................................. Produção de óleos e gorduras vegetais e animais ................................................................................... 15.31 15.32 15.33 Produção de óleos vegetais em bruto................................................... Refino de óleos vegetais......................................................................... Preparação de margarina e outras gorduras vegetais e de óleos de origem animal não comestíveis............................................................. ao abate

691

445

169

155

496

40

8

203

68 225

782 710 40

7

1

32

58

15.4 15.41 15.42 15.43 15.5

Laticínios ................................................................................. Preparação do leite......................................................................... Fabricação de produtos do laticínio................................................... Fabricação de sorvetes..................................................................... Moagem, fabricação de produtos amiláceos e de rações balanceadas para animais......................................................................

1 535 516 903 116

144

9

1 186

45

4

15.51

Beneficiamento de arroz e fabricação de produtos do arroz.......................................................................... 259 181

15.52 15.53

Moagem de trigo e fabricação de derivados............................................ Fabricação de farinha de mandioca e derivados..........................................................................

21 170

15.54 15.55

Fabricação de farinha de milho e derivados.................................................... Fabricação de amidos e féculas de vegetais e fabricação de óleos de milho......................................

75

15.56

Fabricação de rações balanceadas para animais.............................................................................. 391

15.59

Beneficiamento, moagem e preparação de outros produtos vegetal.................................................................................... de origem 88 418 328 90 240 217 47 20 17 4

15.6 15.61 15.62 15.7 15.71

Fabricação e refino de açúcar ......................................................... Usinas de açúcar.................................................................................. Refino e moagem de açúcar................................................................ Torrefação e moagem de café .......................................................... Torrefação e moagem de café..............................................................

59

15.72 15.8 15.81

Fabricação de café solúvel.................................................................. Fabricação de outros produtos alimentícios .......................................... Fabricação de produtos de padaria, confeitaria e pastelaria.......................................................................

23 2 257 847 38

662 216

15.82 15.83

Fabricação de biscoitos e bolachas..................................................... Produção de derivados do cacau e elaboração de chocolates, balas, gomas de mascar...........................

313 312

15.84 15.85

Fabricação de massas alimentícias......................................................... Preparação de especiarias, molhos, temperos e condimentos.................................................................

104

15.86

Preparação de produtos dietéticos, alimentos para crianças e outros alimentos conservados..................................................................... 10 640 764 115 15

15.89 15.9 15.91

Fabricação de outros produtos alimentícios.............................................. Fabricação de bebidas ..................................................... Fabricação, retificação, homogeneização e mistura de aguardentes e outras bebidas destiladas........................................................................

119 60 117

15.92 15.93 15.94

Fabricação de vinho..................................................................... Fabricação de malte, cervejas e chopes.............................................. Engarrafamento e gaseificação de águas minerais............................................................................

178 289

15.95

Fabricação de refrigerantes e refrescos...................................................

60

16 16.0 16.00 17 17.1 17.11 17.19

Fabricação de produtos do fumo ........................................................... Fabricação de produtos do fumo......................................................... Fabricação de produtos do fumo........................................................ Fabricação de produtos têxteis ............................................................ Beneficiamento de fibras têxteis naturais ............................................... Beneficiamento de algodão............................................................. Beneficiamento de outras fibras têxteis naturais...........................................................................

178 178 178 2 138 71 40

10 10

6 6

216 4

30 272 129 12

17.2 17.21 17.22

Fiação ..................................................................................... Fiação de algodão.......................................................................... Fiação de outras fibras têxteis naturais - exceto algodão.......................................................................

45 62

17.23 17.24

Fiação de fibras artificiais ou sintéticas............................................... Fabricação de linhas e fios para costurar e bordar............................................................................

36 343 184 27

17.3 17.31 17.32

Tecelagem - inclusive fiação e tecelagem ............................................ Tecelagem de algodão...................................................................... Tecelagem de fios de fibras têxteis naturais - exceto algodão..........................................................................

25

17.33

Tecelagem de fios e filamentos contínuos artificiais ou sintéticos................................................................... 135

17.4

Fabricação de artefatos têxteis, incluindo tecelagem............................................................................ 152 10

61

17.41

Fabricação de artigos de tecido de uso doméstico, incluindo tecelagem....................................................... 60

17.49

Fabricação de outros artefatos têxteis, incluindo tecelagem......................................................................... 92

17.5

Acabamentos em fios, tecidos e artigos têxteis, para terceiros................................................................................ 505 31

17.50

Acabamentos em fios, tecidos e artigos têxteis, para terceiros.......................................................................... 505

17.6

Fabricação de artefatos têxteis a partir de tecidos - exceto vestuário e de outros artigos têxteis ................................................................. 576 109

17.61

Fabricação de artefatos têxteis a partir de tecidos - exceto vestuário......................................................................... 221 45 52

17.62 17.63 17.64

Fabricação de artefatos de tapeçaria.................................................. Fabricação de artefatos de cordoaria.................................................. Fabricação de tecidos especiais - inclusive artefatos............................................................................

120

17.69

Fabricação de outros artigos têxteis - exceto vestuário......................................................................... 138 219 146 39 23

17.7 17.71 17.72 17.79

Fabricação de tecidos e artigos de malha ............................................ Fabricação de tecidos de malha........................................................ Fabricação de meias............................................................................... Fabricação de outros artigos do vestuário

62

produzidos em malharias (tricotagens)........................................................... 18 18.1 18.11 Confecção de artigos do vestuário e acessórios............................................ Confecção de artigos do vestuário ......................................................... Confecção de roupas íntimas, blusas, camisas e semelhantes.................................................................... 18.12 Confecção de peças do vestuário - exceto roupas íntimas, blusas, semelhantes.................................................................... 18.13 18.2 camisas e

34 4 807 4 577 1 793 1 742

1 072

3 318 188

Confecção de roupas profissionais...................................................... Fabricação de acessórios do vestuário e de segurança profissional - exceto calçados......................................................................

229 138

51

18.21 18.22

Fabricação de acessórios do vestuário................................................ Fabricação de acessórios para segurança industrial e pessoal.........................................................................

91

19

Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e calçados ..................................................................... 3 319 290 290 131 5

19.1 19.10 19.2

Curtimento e outras preparações de couro .............................................. Curtimento e outras preparações de couro.......................................... Fabricação de artigos para viagem e de artefatos diversos de couro.............................................................

283

87

19.21

Fabricação de malas, bolsas, valises e outros artefatos para viagem, de qualquer material......................................................................... 152 130

19.29

Fabricação de outros artefatos de couro................................................

63

19.3 19.31 19.32 19.33 19.39 20 20.1 20.10 20.2

Fabricação de calçados .................................................................. Fabricação de calçados de couro.......................................................... Fabricação de tênis de qualquer material............................................... Fabricação de calçados de plástico..................................................... Fabricação de calçados de outros materiais.......................................... Fabricação de produtos de madeira ........................................................ Desdobramento de madeira .............................................................. Desdobramento de madeira............................................................. Fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado .................................................................................. exceto móveis

2 746 2 136 149 242 219 2 394 1 210 1 210

39

159 21

1 184

137

20.21

Fabricação de madeira laminada e de chapas de madeira compensada, prensada ou aglomerada.................................................... 551

20.22

Fabricação de esquadrias de madeira, de casas de madeira pré-fabricadas, de estruturas de madeira e artigos de carpintaria.................................................. 238

20.23

Fabricação de artefatos de tanoaria e embalagens de madeira........................................................................ 199

20.29

Fabricação de artefatos diversos de madeira, palha, cortiça e material trançado - exceto móveis................................................................................. 196

21

Fabricação de celulose, papel e produtos de papel........................................................................................ . 1 481 151 10

64

21.1

Fabricação de celulose e outras pastas para a fabricação de papel........................................................... 63 -

21.10

Fabricação de celulose e outras pastas para a fabricação de papel........................................................ 63

21.2

Fabricação de papel, papelão liso, cartolina e cartão ................................................................................. 514 466 11 2

21.21 21.22

Fabricação de papel................................................................................. Fabricação de papelão liso, cartolina e cartão.................................................................................

48

21.3

Fabricação de embalagens de papel ou papelão .............................................................................. 499 141 84

21.31 21.32

Fabricação de embalagens de papel........................................................ Fabricação de embalagens de papelão inclusive a fabricação de papelão corrugado...............................................................................

358

21.4

Fabricação de artefatos diversos de papel, papelão, cartolina e cartão................................................................ 405 57

21.41

Fabricação de artefatos de papel, papelão, cartolina e cartão para escritório................................................. 114

21.42

Fabricação de fitas e formulários contínuos - impressos ou não...................................................................... 75

21.49

Fabricação de outros artefatos de pastas, papel, papelão, cartolina e cartão........................................... 216

65

22 22.1 22.14

Edição, impressão e reprodução de gravações ............................................ Edição; edição e impressão ................................................................... Edição de discos, fitas e outros materiais gravados.........................................................................

1 800 1 098

895 502

14 131 249 352 68

22.15 22.16 22.17 22.18 22.19

Edição de livros, revistas e jornais................................................... Edição e impressão de livros....................................................... Edição e impressão de jornais............................................................................. Edição e impressão de revistas............................................................................. Edição; edição e impressão de outros produtos gráficos............................................................................

284 668 97 369

22.2 22.21 22.22

Impressão e serviços conexos para terceiros ......................................... Impressão de jornais, revistas e livros..................................................... Serviço de impressão de material escolar e de material para usos comercial......................................................................... industrial e

407 165 33 30 2 1 23

22.29 22.3 22.31 22.32 22.34 23

Execução de outros serviços gráficos................................................... Reprodução de materiais gravados ....................................................... Reprodução de discos e fitas........................................................... Reprodução de fitas de vídeos....................................................... Reprodução de software em discos e fitas.................... Fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis nucleares e produção de álcool .......................................................................................

318 4

28 -

9

23.1

Coquerias ....................................................................................

66

23.10 23.2 23.21 23.29

Coquerias................................................................................. Fabricação de produtos derivados do petróleo................................................................. Refino de petróleo........................................................................ Outras formas de produção de derivados do petróleo.......................................................

4 111 28 23 21

83 6 6 196 196 3 582 783 12 569 57 16 7 3 2 2 33

23.3 23.30 23.4 23.40 24 24.1 24.11 24.12

Elaboração de combustíveis nucleares.............................................. Elaboração de combustíveis nucleares...................................... Produção de álcool ...................................................................... Produção de álcool....................................................................... Fabricação de produtos químicos ....................................................... Fabricação de produtos químicos inorgânicos ............................... Fabricação de cloro e álcalis....................................................... Fabricação de intermediários para fertilizantes.........................................................................

24

24.13

Fabricação de fertilizantes fosfatados, nitrogenados e potássicos............................................................ 404 177 166 458 26 6

24.14 24.19 24.2 24.21

Fabricação de gases industriais............................................................... Fabricação de outros produtos inorgânicos.......................................... Fabricação de produtos químicos orgânicos ............................................ Fabricação de produtos petroquímicos básicos.............................................................................

28

24.22

Fabricação de intermediários para resinas e fibras............................................................................... 44

67

24.29

Fabricação de outros produtos químicos orgânicos.......................................................................... 386 161 103 41 17 9 6

24.3 24.31 24.32 24.33 24.4

Fabricação de resinas e elastômeros ..................................................... Fabricação de resinas termoplásticas................................................ Fabricação de resinas termofixas...................................................... Fabricação de elastômeros............................................................... Fabricação de fibras, fios, cabos e filamentos contínuos artificiais e sintéticos .............................................................................

27

1

24.41

Fabricação de fibras, fios, cabos e filamentos contínuos artificiais......................................................... -

24.42

Fabricação de fibras, fios, cabos e filamentos contínuos sintéticos......................................................... 27 671 24 147 22

24.5 24.51 24.52

Fabricação de produtos farmacêuticos .................................................. Fabricação de produtos farmoquímicos.............................................. Fabricação de medicamentos para uso humano..............................................................................

483

24.53

Fabricação de medicamentos para uso veterinário...................................................................... 70

24.54

Fabricação de materiais para usos médicos, hospitalares e odontológicos....................................... 93 128 44 15 9 7

24.6 24.61 24.62

Fabricação de defensivos agrícolas ...................................................... Fabricação de inseticidas.................................................................... Fabricação de fungicidas....................................................................

68

24.63 24.69 24.7

Fabricação de herbicidas.................................................................... Fabricação de outros defensivos agrícolas........................................... Fabricação de sabões, detergentes, produtos de limpeza e artigos de perfumaria ................................................................................

25 44

535

179

33

24.71

Fabricação de sabões, sabonetes e detergentes sintéticos........................................................................... 224

24.72

Fabricação de produtos de limpeza e polimento.................................................................... 89

24.73

Fabricação de artigos de perfumaria e cosméticos..................................................................... 222

24.8

Fabricação de tintas, vernizes, esmaltes, lacas e produtos afins..................................................................... 359 64 18

24.81

Fabricação de tintas, vernizes, esmaltes e lacas................................................................................ 284 30

24.82 24.83

Fabricação de tintas de impressão............................................................ Fabricação de impermeabilizantes, solventes e produtos afins.................................................................

45

24.9

Fabricação de produtos e preparados químicos diversos................................................................................. 460 48 70 12 101 76 17

24.91 24.92 24.93 24.94

Fabricação de adesivos e selantes......................................................... Fabricação de explosivos..................................................................... Fabricação de catalisadores.................................................................. Fabricação de aditivos de uso industrial..................................................

69

24.95

Fabricação de chapas, filmes, papéis e outros materiais e produtos químicos para fotografia.......................................................... 29 1

24.96 24.99

Fabricação de discos e fitas virgens........................................................ Fabricação de outros produtos químicos não especificados anteriormente..................................................................................

198

25

Fabricação de artigos de borracha e material plástico ...................................................................... 2 862 703 467 76

25.1 25.11

Fabricação de artigos de borracha ........................................................ Fabricação de pneumáticos e de câmaras-de-ar..................................................................................

83 225

25.12 25.19

Recondicionamento de pneumáticos.................................................. Fabricação de artefatos diversos de borracha.........................................................................

395 2 160 391

25.2 25.21

Fabricação de produtos de material plástico ........................................................ Fabricação de laminados planos e tubulares de material plástico..............................................................................

173

25.22

Fabricação de embalagem de material plástico...................................................................................... 835

25.29

Fabricação de artefatos diversos de material plástico....................................... 1 152 794 3 939

26

Fabricação de produtos de minerais não-metálicos .................................................................................

70

26.1 26.11 26.12 26.19 26.2 26.20 26.3

Fabricação de vidro e de produtos do vidro ............................................ Fabricação de vidro plano e de segurança.......................................... Fabricação de embalagens de vidro...................................................... Fabricação de artigos de vidro........................................................... Fabricação de cimento .................................................................... Fabricação de cimento....................................................................... Fabricação de artefatos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e estuque ..................................................................................

201 71 26 104 412 412

20

25

1 434

293

26.30

Fabricação de artefatos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e estuque.................................... 1 434 1 308 206

26.4 26.41

Fabricação de produtos cerâmicos ........................................................ Fabricação de produtos cerâmicos não-refratários para uso estrutural na construção civil..................................................................

1 088 98

26.42 26.49

Fabricação de produtos cerâmicos refratários......................................... Fabricação de produtos cerâmicos não-refratários para usos diversos.........................................................

122

26.9

Aparelhamento de pedras e fabricação de cal e de outros produtos metalicos....................................................................... de minerais não584 251

26.91

Britamento, aparelhamento e outros trabalhos em pedras (não associados à extração).......................................................... 275

26.92

Fabricação de cal virgem, cal hidratada e gesso............................................................................... 90

71

26.99

Fabricação de outros produtos de minerais não-metálicos.......................................................................... 219 1 424 153 106 47 478 125 52 134 28 121 -

27 27.1 27.13 27.14 27.2 27.23 27.24 27.25 27.26

Metalurgia básica ................................................................................ Produção de ferro-gusa e de ferroligas.................................................................. Produção de ferro-gusa........................................................ Produção de ferroligas............................................................... Siderurgia..................................................................................................................................... Produção de semi-acabados aço................................................................................... Produção de laminados planos de aço................................... Produção de laminados longos de aço................................................................... Produção de relaminados, trefilados e perfilados de aço................................................................ de

167 124 94 30 386 256 18 40 9

27.3 27.31 27.39 27.4 27.41 27.42 27.49

Fabricação de tubos - exceto em siderúrgicas.......................... Fabricação de tubos de aço com costura................................................. Fabricação de outros tubos de ferro e aço................................................ Metalurgia de metais não-ferrosos ......................................................... Metalurgia do alumínio e suas ligas.......................................................... Metalurgia dos metais preciosos............................................................... Metalurgia de outros metais não-ferrosos e suas ligas...................................................................................

112 283 44

27.5 27.51

Fundição ......................................................................................... Fabricação de peças fundidas de ferro

72

e aço................................................................................... 27.52 Fabricação de peças fundidas de metais não-ferrosos e suas ligas............................................................... 28 Fabricação de produtos de metal - exceto máquinas e equipamentos........................................................................... 28.1 Fabricação de estruturas metálicas e obras de caldeiraria pesada............................................................... 28.11 Fabricação de estruturas metálicas para edifícios, pontes, torres de transmissão, andaimes e outros fins..................................................................................... 28.12 28.13 28.2 Fabricação de esquadrias de metal........................................................... Fabricação de obras de caldeiraria pesada.............................................. Fabricação de tanques, caldeiras e reservatórios metálicos............................................................................. 28.21 Fabricação de tanques, reservatórios metálicos e caldeiras central........................................................................ 28.22 Fabricação de caldeiras geradoras de vapor exceto para aquecimento central e para veículos....................................................... 28.3 Forjaria, estamparia, metalurgia do pó e serviços de tratamento de metais ....................................................... 28.31 28.32 Produção de forjados de aço................................................................. Produção de forjados de metais nãopara aquecimento

220

63

3 882

896

23

552

302

55

305 184 63 0

120

35

29

94

26

1 570 34

188

73

-ferrosos e suas ligas................................................................................... 28.33 Fabricação de artefatos estampados de metal.................................................................................. 28.34 28.39 Metalurgia do pó.................................................................................. Têmpera, cementação e tratamento térmico do aço, serviços de usinagem, galvanotécnica e solda................................................................. 28.4 Fabricação de artigos de cutelaria, de serralheria e ferramentas manuais ........................................................... 28.41 28.42 Fabricação de artigos de cutelaria........................................................... Fabricação de artigos de serralheria - exceto esquadrias............................................................................ 28.43 28.8 Fabricação de ferramentas manuais...................................................... Manutenção e reparação de tanques, caldeiras e reservatórios metálicos................................................................. 28.81 Manutenção e reparação de tanques, reservatórios metálicos e caldeiras para aquecimento central.............................................................................. 28.82 Manutenção e reparação de caldeiras geradoras de vapor - exceto para aquecimento central e para veículos.............................................................................. 28.9 28.91 Fabricação de produtos diversos de metal ............................................... Fabricação de embalagens metálicas.....................................................

20

213 16

1 286

371 43

121

33

175 153

26

4

15

19

6 1 244 129 245 20

74

28.92 28.93

Fabricação de artefatos de trefilados................................................... Fabricação de artigos de funilaria e de artigos de metal para usos doméstico e pessoal.......................................................................

366

180

28.99

Fabricação de outros produtos elaborados de metal.................................................................................. 568 3 369 389 12

29 29.1

Fabricação de máquinas e equipamentos ................................................... Fabricação de motores, bombas, compressores e equipamentos de transmissão ...................................................................

527

62

12

29.11

Fabricação de motores estacionários de combustão interna, turbinas e outras máquinas motrizes não-elétricas - exceto para aviões e veículos rodoviários...................................................................... 44

29.12

Fabricação de bombas e carneiros hidráulicos..................................................................... 139 205 36

29.13 29.14 29.15

Fabricação de válvulas, torneiras e registros............................................ Fabricação de compressores.................................................................. Fabricação de equipamentos de transmissão para fins industriais rolamentos.......................................................................... inclusive

103

29.2

Fabricação de máquinas e equipamentos de uso geral................................................................................. 976 124 13

29.21

Fabricação de fornos industriais, aparelhos e equipamentos não-elétricos para

75

instalações térmicas................................................... 29.22 Fabricação de estufas e fornos elétricos para fins industriais........................................................................... 29.23 Fabricação de máquinas, equipamentos e aparelhos para transporte e elevação de cargas e pessoas................................................................. 29.24 Fabricação de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação de usos industrial e comercial.................................................................................................. 29.25 Fabricação de aparelhos de ar-condicionado.................................................................. 29.29 Fabricação de outras máquinas e equipamentos de uso geral............................................................................ 29.3 Fabricação de tratores e de máquinas e equipamentos para a agricultura, avicultura e obtenção de produtos animais.................................................................................. 29.31 Fabricação de máquinas e equipamentos para agricultura, avicultura e obtenção de produtos animais......................................................... 29.32 29.4 29.40 29.5 Fabricação de tratores agrícolas............................................................. Fabricação de máquinas-ferramenta ..................................................... Fabricação de máquinas-ferramenta...................................................... Fabricação de máquinas e equipamentos de

50

15

150

252

31

478

314

15

5

292 22 173 173 16 9

76

usos na extração mineral e construção........................................... 29.51 Fabricação de máquinas e equipamentos para a prospecção e extração de petróleo................................ 29.52 Fabricação de outras máquinas e equipamentos de uso na extração mineral e construção............................. 29.53 Fabricação de tratores de esteira e tratores de uso na extração construção.................................................................................... 29.54 Fabricação de máquinas e equipamentos de terraplanagem e pavimentação........................................ 29.6 Fabricação de outras máquinas e equipamentos de uso específico ....................................................................... 29.61 Fabricação de máquinas para a indústria metalúrgica - exceto máquinas-ferramenta................................... 29.62 Fabricação de máquinas e equipamentos para as indústrias alimentar, de bebida e fumo.................................................................... 29.63 Fabricação de máquinas e equipamentos para a indústria têxtil................................................................... 29.64 Fabricação de máquinas e equipamentos para as indústrias do vestuário e de couro e calçados.............................................................. 29.65 Fabricação de máquinas e equipamentos para as indústrias de celulose, papel e mineral e

149

27

18

32

69

17

32

569

56

10

44

103

34

42

77

papelão e artefatos............................................................. 29.69 Fabricação de outras máquinas e equipamentos de uso específico.................................................................. 29.7 Fabricação de armas, munições e equipamentos militares................................................................................ 29.71 29.72 29.8 29.81 Fabricação de armas de fogo e munições................................................ Fabricação de equipamento bélico pesado............................................ Fabricação de eletrodomésticos ............................................................. Fabricação de fogões, refrigeradores e máquinas de lavar e doméstico...................................................................... 29.89 Fabricação de outros aparelhos eletrodomésticos............................................................. 29.9 Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos........................................................................................................ 29.91 Manutenção e reparação de motores, bombas, compressores e equipamentos de transmissão............................................................................. 29.92 Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos de uso geral................................................... 29.93 Manutenção e reparação de tratores e de máquinas e equipamentos para agricultura, avicultura e obtenção animais........................................................................... de produtos secar para uso

30

316

15 9 6 190

-

15

8

77

113

455

74

16

24

221

9

78

29.94

Manutenção e reparação de máquinas-ferramenta................................................................................ 2

29.95

Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos de uso na extração mineral e construção.......................................................................... 12

29.96

Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos de uso específico................................................... 188

30

Fabricação de máquinas para escritório e equipamentos de informática........................................................................... 258 14 18 6

30.1 30.11

Fabricação de máquinas para escritório ................................................... Fabricação de máquinas de escrever e calcular, copiadoras e outros equipamentos não-eletrônicos para escritório................................................................

6

30.12

Fabricação de máquinas de escrever e calcular, copiadoras e outros equipamentos eletrônicos destinados à automação gerencial e comercial.................................... 8

30.2

Fabricação de máquinas e equipamentos de sistemas eletrônicos para processamento de dados .......................................................................... 244 79 12

30.21 30.22

Fabricação de computadores................................................................. Fabricação de equipamentos periféricos para máquinas eletrônicas para trata-

79

mento de informações..................................................... 31 Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos................................................................................. 31.1 Fabricação de geradores, transformadores e motores elétricos................................................................................. 31.11 Fabricação de geradores de corrente contínua ou alternada........................................................................... 31.12 Fabricação de transformadores, indutores, conversores, sincronizadores e semelhantes.................................................................. 31.13 31.2 Fabricação de motores elétricos............................................................... Fabricação de equipamentos para distribuição e controle de energia elétrica ..................................................................... 31.21 Fabricação de subestações, quadros de comando, reguladores de voltagem e outros aparelhos e equipamentos para distribuição e controle de energia .............................................................................. 31.22 Fabricação de material elétrico para instalações em circuito de consumo...................................................... 31.3 Fabricação de fios, cabos e condutores elétricos isolados.............................................................................. 31.30 Fabricação de fios, cabos e condutores elétricos isolados..........................................................................

166

1 193

148

225

15

43

117 64

266

42

150

117

161

12

161

80

31.4

Fabricação de pilhas, baterias e acumuladores elétricos....................................................................................... 53 -

31.41

Fabricação de pilhas, baterias e acumuladores elétricos - exceto para veículos........................................................................ 15

31.42

Fabricação de baterias e acumuladores para veículos............................................................................. 38

31.5

Fabricação de lâmpadas e equipamentos de iluminação.................................................................... 153 56 26

31.51 31.52

Fabricação de lâmpadas........................................................................ Fabricação de luminárias e equipamentos de iluminação - exceto para veículos..........................................................................

97

31.6

Fabricação de material elétrico para veículos - exceto baterias........................................................................ 146 8

31.60

Fabricação de material elétrico para veículos - exceto baterias .................................................................... 146

31.8

Manutenção e reparação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos................................................................................................ 62 15

31.81

Manutenção e reparação de geradores, transformadores e motores elétricos.......................................... 31

31.82

Manutenção e reparação de baterias e acumuladores elétricos - exceto para veículos..................................................................... -

31.89

Manutenção e reparação de máquinas,

81

aparelhos e materias elétricos não especificados anteriormente................................................................................... 31.9 Fabricação de outros equipamentos e aparelhos elétricos................................................................................ 31.91 Fabricação de eletrodos, contatos e outros artigos de carvão e grafita para uso elétrico, eletroimãs e isoladores.......................................................................... 31.92 Fabricação de aparelhos e utensílios para sinalização e alarme......................................................... 31.99 Fabricação de outros aparelhos ou equipamentos elétricos.............................................................................. 32 Fabricação de material eletrônico e de aparelhos e equipamentos de comunicações ............................................................... 32.1 32.10 32.2 Fabricação de material eletrônico básico ................................................... Fabricação de material eletrônico básico.................................................. Fabricação de aparelhos e equipamentos de telefonia e radiotelefonia e de transmissores de televisão e rádio................................................................................... 32.21 Fabricação de equipamentos transmissores de rádio e televisão e de equipamentos para estações telefônicas, para radiotelefonia e radiotelegrafia - inclusive de microondas e repetidoras.............................................. 78 155 29 464 168 168 60 18 71 38 17 126 30 31

82

32.22

Fabricação de aparelhos telefônicos, sistemas de intercomunicação e semelhantes..................................................................................... 76

32.3

Fabricação de aparelhos receptores de rádio e televisão e de reprodução, gravação ou amplificação de som e vídeo....................................................................... 117 8

32.30

Fabricação de aparelhos receptores de rádio e televisão e de reprodução, gravação ou amplificação de som e vídeo............................... 117

32.9

Manutenção e reparação de aparelhos e equipamentos de telefonia e radiotelefonia e de transmissores de televisão e rádio - exceto telefones................................................................................ 23 4

32.90

Manutenção e reparação de aparelhos e equipamentos de telefonia e radiotelefonia e de transmissores de televisão e rádio - exceto telefones................................................................ 23

33

Fabricação de equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, instrumentos de precisão e ópticos, equipamentos para automação industrial, cronômetros e relógios .................................................................................. 570 126 22

33.1

Fabricação de aparelhos e instrumentos para usos médico-hospitalares, odontológicos e

83

de laboratórios e aparelhos ortopédicos............................................. 33.10 Fabricação de aparelhos e instrumentos para usos médico-hospitalares, odontológicos e de laboratórios e aparelhos ortopédicos................................................................... 33.2 Fabricação de aparelhos e instrumentos de medida teste e controle - exceto equipamentos para controle de processos industriais.......................................................................... 33.20 Fabricação de aparelhos e instrumentos de medida, teste e controle - exceto equipamentos para controle de processos industriais.................................................... 33.3 Fabricação de máquinas, aparelhos e equipamentos de sistemas eletrônicos dedicados à automação industrial e controle do processo ................................................................................................. 33.30 Fabricação de máquinas, aparelhos e equipamentos de sistemas eletrônicos dedicados à automação industrial e controle do processo produtivo........................................................................ 33.4 Fabricação de aparelhos, instrumentos e materiais ópticos, fotográficos e produtivo

202

63

31

202

111

15

111

88

11

88

84

cinematográficos ................................................................ 33.40 Fabricação de aparelhos, instrumentos e materiais ópticos, fotográficos e cinematográficos............................................................................ 33.5 33.50 33.9 Fabricação de cronômetros e relógios ..................................................... Fabricação de cronômetros e relógios..................................................... Manutenção e reparação de equipamentos médico-hospitalares, instrumentos de precisão e ópticos e equipamentos para automação industrial.............................................................................. 33.91 Manutenção e reparação de equipamentos médico-hospitalares, odontológicos e de laboratório............................................................... 33.92 Manutenção e reparação de aparelhos e instrumentos de medida, teste e controle - exceto equipamentos de controle de processos industriais...................................................... 33.93 Manutenção e reparação de máquinas, aparelhos e equipamentos de sistemas eletrônicos dedicados à automação industrial e controle do processo produtivo........................................... 33.94 Manutenção e reparação de instrumentos ópticos e cinematográficos........................................................................

84

24

84 48 48 6

37

6

16

10

9

18

-

85

34

Fabricação e montagem de veículos automotores, reboques e carrocerias ............................................................ 1 375 164 12

34.1

Fabricação de automóveis, camionetas e utilitários............................................................................. 120 9 8

34.10

Fabricação de automóveis, camionetas e utilitários............................................................................. 120 26 26 6 23

34.2 34.20 34.3

Fabricação de caminhões e ônibus ..................................................... Fabricação de caminhões e ônibus ..................................................... Fabricação de cabines, carrocerias e reboques .........................................................................

220

31

14

34.31

Fabricação de cabines, carrocerias e reboques para caminhão.......................................................................... 149 22

34.32 34.39

Fabricação de carrocerias para ônibus..................................................... Fabricação de cabines, carrocerias e reboques para outros veículos.................................................................

49

34.4

Fabricação de peças e acessórios para veículos automotores ......................................................................... 901 47 5

34.41

Fabricação de peças e acessórios para o sistema motor................................................................................. 164

34.42

Fabricação de peças e acessórios para os sistemas de marcha e transmissão............................................... 73

34.43

Fabricação de peças e acessórios para o sistema de freios.............................................................................. 78

86

34.44

Fabricação de peças e acessórios para o sistema de direção e suspensão................................................. 118

34.49

Fabricação de outras peças e acessórios para veículos automotores não especificadas anteriormente................................................................................. 468

34.5

Recondicionamento ou recuperação de motores para veículos automotores...................................................... 108 71 66

34.50

Recondicionamento ou recuperação de motores para veículos automotores........................................ 108

35

Fabricação de outros equipamentos de transporte.............................................................................. 391 105 164 105 42 100

35.1 35.11

Construção e reparação de embarcações ................................................... Construção e reparação de embarcações e estruturas flutuantes........................................................

82

35.12

Construção e reparação de embarcações para esporte e lazer................................................................. 23

35.2

Construção, montagem e reparação de veículos ferroviários .......................................................................... 60 15 25

35.21

Construção e montagem de locomotivas, vagões e outros materiais rodantes.............................. 11

35.22

Fabricação de peças e acessórios para veículos ferroviários.............................................................................. 22 27

35.23

Reparação de veículos ferroviários.........................................................

87

35.3

Construção, montagem e reparação de aeronaves................................................................................ .......................................... 89 25 64 18 20

35.31 35.32 35.9

Construção e montagem de aeronaves................................................... Reparação de aeronaves........................................................................... Fabricação de outros equipamentos de transporte.................................................................................................................

137 55

8

6

35.91 35.92

Fabricação de motocicletas.................................................................... Fabricação de bicicletas e triciclos não-motorizados......................................................................

59

35.99

Fabricação de outros equipamentos de transporte....................................................................... 23 2 585 1 857 566 342 22 18

36 36.1 36.11

Fabricação de móveis e indústrias diversas .................................................. Fabricação de artigos do mobiliário .......................................................... Fabricação de móveis com predominância de madeira.....................................................................................

1 341

36.12

Fabricação de móveis com predominância de metal............................................................................. 244 109 164 728 224

36.13 36.14 36.9 36.91

Fabricação de móveis de outros materiais.................................................. Fabricação de colchões............................................................................ Fabricação de produtos diversos .............................................................. Lapidação de pedras preciosas e semipreciosas, fabricação de artefatos de ourivesaria e joalheria.............................................................

156

88

36.92 36.93

Fabricação de instrumentos musicais.......................................................... Fabricação de artefatos para caça, pesca e esporte.......................................................................

21

43

36.94

Fabricação de brinquedos e de jogos recreativos..................................................................... 103

36.95

Fabricação de canetas, lápis, fitas impressoras para máquinas e outros artigos para escritório ................................................................... 29 47 48 280 161 62 62 99 99 25 44 19

36.96 36.97 36.99 37 37.1 37.10 37.2 37.20

Fabricação de aviamentos para costura................................................... Fabricação de escovas, pincéis e vassouras............................................... Fabricação de produtos diversos.............................................................. Reciclagem ............................................................................................. Reciclagem de sucatas metálicas ............................................................ Reciclagem de sucatas metálicas............................................................ Reciclagem de sucatas não-metalicas ..................................................... Reciclagem de sucatas não-metálicas.................................................... Fonte: IBGE

Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno
Zona Oeste 1 : Proposta de Agenda para Desenvolvimento (Versão Final)

Projeto FAPERJ n. E-26/110.644/2007

Mauro Osório da Silva (professor, FND/UFRJ) Renata Lèbre La Rovere (coordenadora do projeto e professora, IE/UFRJ

1

Neste trabalho considera-se como Zona Oeste apenas a área das regiões administrativas de Realengo, Bangu, Campo Grande e Santa Cruz. Para diferenciá-la do traçado oficial da Zona Oeste do Rio de Janeiro, que inclui também as regiões de Guaratiba, Jacarepaguá e Barra da Tijuca, seu nome, doravante, será sempre grafado em itálico.

2

ÍNDICE 1. Apresentação do Estudo ...................................................................................................... 4 2. Contextualização do Problema de Pesquisa....................................................................... 4 3. Justificativa ........................................................................................................................... 5 4. Metodologia........................................................................................................................... 6 5. Quadro geral......................................................................................................................... 7 6. Diagnóstico da Região.......................................................................................................... 8 7. Desafios ao Crescimento Econômico da Região .............................................................. 10 8. Estudos Qualitativos sobre a Região ................................................................................ 11 8.1. Potencialidades da região para um pólo metal-mecânico ............................................. 11 8.2. Comércio Exterior ......................................................................................................... 13 8.3. Logística e desenvolvimento econômico ...................................................................... 14 8.4. Uso e ocupação do solo................................................................................................. 16 8.5. Segurança Pública ......................................................................................................... 18 8.6. Educação ....................................................................................................................... 20 8.7. Governança da Zona Oeste ........................................................................................... 22 9. Pontos discutidos no Workshop ........................................................................................ 25 9.1 Desenvolvimento Econômico, Pólo Metal-Mecânico e Comércio Exterior .................. 25 9.2. Logística e Desenvolvimento ........................................................................................ 28 9.3. Segurança Pública e Uso do Solo.................................................................................. 29 9.4. Educação ....................................................................................................................... 30 9.5. Governança.................................................................................................................... 31 10. Agenda de ações................................................................................................................ 33 10.1. Desenvolvimento Econômico, Pólo Metal-Mecânico e Comércio Exterior ............... 33 10.2. Logística e Desenvolvimento ...................................................................................... 34 10.3. Segurança Pública, Ocupação e Uso do Solo.............................................................. 34 10.4. Educação ..................................................................................................................... 35 10.5. Governança.................................................................................................................. 36 Referências bibliográficas...................................................................................................... 38 ANEXO I - LISTA DE CONVIDADOS DO WORKSHOP DO DIA 15 DE MAIO DE 2009.......................................................................................................................................... 51 ANEXO II - APLICAÇÕES DO AÇO INOX ..................................................................... 53

3

ÍNDICE DE TABELAS TABELA 1 - Participação das Capitais Unidades Federativas no Produto Interno Bruto Nacional a Custo de Fatores e Variação Percentual da participação entre 1970 e 2006.......... 40 TABELA 2 - Participação das Unidades Federativas no Produto Interno Bruto Nacional a Custo de Fatores e Variação Percentual da participação entre 1970 e 2006............................ 41 TABELA 3 - Variação porcentual do total de empregos formais segundo Setores do IBGE por Grandes Regiões e Unidades Federativas entre 1985 e 2007 ............................................ 42 TABELA 4 - Variação porcentual do total de empregos formais segundo Setores do IBGE por Capitais das Unidades Federativas entre 1985 e 2007....................................................... 43 TABELA 5 - Total e variação do número de empregos segundo setores na Zona Oeste e no município do Rio de Janeiro entre 1998 e 2006....................................................................... 44 TABELA 6 - Total e variação do número de empregos segundo setores em São Paulo e Belo Horizonte entre 1998 e 2006 .................................................................................................... 46 TABELA 7 - População e variação percentual entre 1991, 2000 e 2008 no Brasil, municípios de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro e nas áreas de planejamento e bairros da AP5 .................................................................................................................................................. 47 TABELA 8 - Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia nos bairros selecionados, 2006 ....................................................................................................... 48 TABELA 9 - Número de empregos e participação relativa por setor da economia nos bairros selecionados, 2006 ................................................................................................................... 49 TABELA 10 - Total de empregados, população estimada e razão percentual entre empregados e população nas Regiões Administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz e no município do Rio de Janeiro em 2006................................................................................. 50

4

1. Apresentação do Estudo Visando ampliar as reflexões e conhecimentos sobre a cidade do Rio de Janeiro e, particularmente, as Regiões Administrativas de Campo Grande, Bangu, Santa Cruz e Realengo, o Grupo de Economia da Inovação do Instituto de Economia, sob demanda de forças empresariais locais, apresentou uma proposta de pesquisa à FAPERJ dentro do programa Pensa Rio, tendo a mesma sido aprovada e os trabalhos iniciados em novembro de 2007. A pesquisa envolveu uma equipe multidisciplinar da UFRJ, composta de professores do Instituto de Economia, da Faculdade Nacional de Direito e da Escola de Serviço Social. Além desta equipe, técnicas da FAETEC e um consultor em aço inox do Núcleo Inox, colaboraram na reflexão através do desenvolvimento de estudos em suas respectivas áreas de competência 2 . O esforço de pesquisa coordenado pelo IE/UFRJ tem por objetivo contribuir para a possibilidade de inversão da tendência de crise ocorrida na cidade nas últimas décadas e sugerir uma agenda que permita a geração de desenvolvimento sustentável na Zona Oeste com base não apenas nos macroinvestimentos e na expansão imobiliária e populacional que ocorrem na região, mas com a proposição de ações que incorporem as demandas locais.

2. Contextualização do Problema de Pesquisa O processo de desenvolvimento no Brasil nas últimas duas décadas do século XX foi marcado pela opção de abandonar um modelo de desenvolvimento coordenado em prol do fortalecimento das forças de mercado, vistas à época como suficientemente dinâmicas para liderar e impulsionar este processo. Por conta desta opção, o investimento público em infraestrutura foi praticamente paralisado, restando aos estados e às municipalidades atuar como agentes autônomos na tentativa de usar as isenções do imposto sobre circulação de mercadorias - ICMS como base de suas políticas para atração dos poucos investimentos privados em curso, levando a uma verdadeira guerra fiscal. No caso do Rio de Janeiro, tanto o estado quanto a cidade apresentaram neste período uma trajetória bastante abaixo da média nacional. Entre 1970 e 2006, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE, a cidade e o estado apresentaram uma perda de participação no PIB nacional de respectivamente 62,5% e 31,1% (tabelas 1 e 2 anexas). Na mesma direção, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais - RAIS, quando se analisa a série mais longa disponível com a mesma metodologia, verifica-se que entre 1985 e 2007 o estado do Rio de Janeiro é a unidade da federação onde o emprego formal menos cresce. Nesse período ocorre um crescimento no estado do Rio de Janeiro de 37,1%, contra um crescimento no estado de São Paulo de 64,0%, em Minas Gerais de 119,8% e no país de 83,5% (tabela 3 anexa). Da mesma forma, a cidade do Rio de Janeiro apresenta uma evolução do emprego formal entre 1985 e 2007 de apenas 11,4%, contra um crescimento na cidade de São Paulo de 31,7%, na cidade de Belo Horizonte de 68,9%, e que é o menor entre todas as capitais brasileiras
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A lista completa da equipe, incluindo temas de pesquisa de cada professor e nomes dos assistentes de pesquisa, encontra-se no final deste documento.

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(tabela 4 anexa). Nesse cenário de escassez e de ausência de coordenação, como repensar um projeto nacional que inclua os desafios das cidades e das regiões, como é o caso da cidade do Rio de Janeiro e em particular da Zona Oeste? Algumas reflexões mais gerais são fundamentais. Primeiro se coloca a questão da sustentabilidade desse desenvolvimento. O desenvolvimento sustentável passa pela definição de um horizonte de planejamento de longo prazo que inclui não apenas o fomento ao crescimento econômico como também a definição de políticas sociais que garantam o bem-estar das gerações futuras. Para alcançar este desenvolvimento há que se recuperar a capacidade de investimento público em infra-estrutura e recriar mecanismos mínimos de regulação e governança capazes de induzir os investimentos privados. Além disso, é necessário desvendar que conjunto de setores exerce dominância e quais os outros que lhe são subordinados. Nesse caso, pensar esse conjunto de setores para as áreas metropolitanas é mais complexo porque envolve uma mistura de atividades industriais e de serviços que dificulta a idéia de polarização do desenvolvimento nessas áreas, como é o caso da Zona Oeste. Nesta região, o tipo de atividade na área de serviços predominantes são os serviços de baixa qualidade e com poucos efeitos de encadeamento industrial e efeitos polarizadores do desenvolvimento local. Cabe também analisar se a região está em uma trajetória de crescimento ou de estagnação e compreender as causas desse processo. Observa-se que a Zona Oeste constitui-se hoje em uma área de expansão, devido a uma série de fatores. O fato da região ter se apresentado nas últimas eleições como uma força política capaz de definir o novo prefeito da cidade, os grandes investimentos industriais que aí têm se localizado, a atração de investimentos imobiliários e sua localização estratégica para os fluxos de carga logística a colocam em destaque. É importante deixar claro que a expansão da Zona Oeste não é independente da substância do conjunto de atividades e da dinâmica da população locais, ambas se retroalimentando pela dinâmica econômica, ainda que os investimentos industriais e em logística sejam, por sua natureza, de iniciativa federal e estadual. A definição de uma agenda de desenvolvimento passa assim pela proposição de políticas de identificação dos setores motrizes da dinâmica econômica local e das possibilidades de complementaridade entre empresas locais e empresas de fora da região. Devem também ser pensadas ações de modernização das funções econômicas da coordenação local dos investimentos públicos (prefeitura e sub-prefeitura), e de concatenação dos investimentos de infra-estrutura e logística a nível federal com os interesses locais.

3. Justificativa A importância da definição de uma agenda para essa região da cidade se reveste de importância quando verifica-se que ao lado da possibilidade de dinamização econômica existem importantes problemas do ponto de vista da infra-estrutura urbana e da situação social. A necessidade de realizar pesquisas e propor estratégias para a cidade e para suas regiões destaca-se também quando observa-se que no Rio, por sua história de centro nacional e capital

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do país até 1960 3 , ocorre uma forte predominância em suas universidades e centros de pesquisa da temática nacional e internacional vis a vis a reflexão local. Na década de 1950 e início dos anos 1960 ocorre o auge da segunda revolução industrial, com a ampliação do porte das empresas nas metrópoles dos países que se industrializam, ocorrendo um “derramamento” da instalação de indústrias do núcleo central das metrópoles para regiões periféricas. No Brasil, por exemplo, ocorre o surgimento do chamado ABC paulista na região que compreende os municípios de Santo André, São Bernardo e São Caetano. Com base nesse argumento - e no fato de que enquanto nos anos 50 a indústria no antigo estado do Rio crescia acima da média brasileira, a indústria na cidade do Rio de Janeiro crescia abaixo da média do país - definiu-se uma política econômica centrada em distritos industriais, visando ofertar terrenos baratos com infra-estrutura e reter o parque industrial na Guanabara 4 . . Para tanto, foram canalizados recursos e foi criada uma instituição denominada Companhia Industrial da Guanabara (COPEG) 5 . Essa política criada no primeiro governo da Guanabara e mantida nos dois seguintes 6 não levou em consideração, pela carência de reflexões, que o crescimento industrial na periferia da metrópole do Rio e na Velha Província, ao contrário de em outras regiões, não ocorria pelo efeito derramamento, mas sim por investimentos estatais no antigo Estado do Rio como os relacionados à CSN, REDUC, Álcalis e FNM. Como não havia significativamente indústrias querendo migrar da cidade do Rio de Janeiro, a política de distritos industriais nos anos 70 não cumpriu seus objetivos, sendo que em 1973 em todo o bairro de Santa Cruz – onde foi criado o maior distrito industrial da Guanabara – existiam apenas quinze indústrias, o que representa apenas 0,6% do total de estabelecimentos existentes na cidade 7 . Ou seja, fomentar o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro e de suas regiões, no caso particular a Zona Oeste, passa pela ampliação das reflexões e pesquisas sobre a realidade local e pela criação de fóruns, como o que está sendo constituído pela integração deste grupo de pesquisa com entidades empresariais e atores locais existentes na Zona Oeste.

4. Metodologia O trabalho se desdobrou em várias etapas. Inicialmente, foi feito um diagnóstico da região com base em diversas estatísticas e informações de fontes secundárias 8 . A partir deste
Sobre o assunto ver Lessa (2001) e Osório (2005). Até 1960 existiam no atual território do estado do Rio de Janeiro o Distrito Federal e o antigo estado do Rio de Janeiro e entre 1960 e 1974 passam a existir duas unidades federativas, o que se modifica a partir de 1974 com a fusão entre a Guanabara e a chamada Velha Província. 5 Sobre o assunto ver Osório (2005) e Perez (2007). 6 Nos quatorze anos de existência da Guanabara os governadores foram Carlos Lacerda, Negrão de Lima e Chagas Freitas. 7 Sobre o assunto ver Osório (2005) e Barros (1975). 8 As fontes utilizadas foram estatísticas e informações das seguintes instituições: Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz (AEDIN); Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN); Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);Instituto Fecomércio; Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP);Instituto Pereira
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diagnóstico, foi definido um questionário que foi distribuído a 262 empresas da região. Em seguida, foram realizados diversos estudos qualitativos sobre temas pertinentes ao desenvolvimento da região. O diagnóstico, os resultados dos questionários e os estudos qualitativos geraram um texto de agenda de governança e desenvolvimento e uma lista de ações de fomento ao desenvolvimento que foram discutidos por todas as partes interessadas (lideranças locais, representantes de instituições públicas e privadas) num workshop no dia 15 de maio do corrente. A lista de presentes ao workshop encontra-se em anexo. Após esta reunião, os resultados foram consolidados e divulgados ao público em geral. Espera-se que este trabalho contribua para mobilizar as lideranças locais em torno de ações que promovam o desenvolvimento econômico sustentável da região e de seu entorno.

5. Quadro geral Entre 1998 e 2006, a cidade do Rio de Janeiro manteve um crescimento pífio. Do ponto de vista do emprego formal, por exemplo, ocorre um crescimento para o total de todos os setores de atividade econômica de apenas 11,6%, contra um crescimento na cidade de São Paulo de 23,7% e em Belo Horizonte de 17,1%. Na mesma direção, para o total da indústria extrativa de transformação, a evolução do emprego na cidade do Rio foi negativa em 1,5%, contra um crescimento na cidade de São Paulo de 7,4% e na cidade de Belo Horizonte de 20,1%. (tabelas 5 e 6 anexas). Entre 1998 e 2006 a Zona Oeste – devido ao crescimento populacional bastante superior ao ocorrido na cidade do Rio de Janeiro (tabela 7 anexa) e da ampliação dos investimentos ocorridos na região - apresenta um crescimento para o total das atividades econômicas e para a indústria extrativa e de transformação bem mais consistente que o da cidade do Rio de Janeiro, de respectivamente 29,5% e 12,0% (tabela 5 anexa). Em período mais recente, a cidade e o estado do Rio de Janeiro vêm apresentando sinais de incremento do dinamismo econômico, fruto da ampliação de investimentos privados no estado e de investimentos públicos, como aqueles vinculados aos gastos para o Panamericano realizado em 2007 e os mais recentes vinculados ao Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal (PAC). No ano de 2008, por exemplo, o estado do Rio de Janeiro e sua capital apresentaram um crescimento do emprego formal de respectivamente 5,48% e 5,28%, contra um crescimento para o total do país de 5,01%. Na Zona Oeste, da mesma forma, ocorre uma significativa dinamização tendo em vista os investimentos imobiliários ocorridos e investimentos privados, como a obra da Thyssen-Krupp- Companhia Siderúrgica do Atlântico (TK-CSA), as ampliações da Gerdau e da Michelin e a chegada de novos empreendimentos nos distritos e zonas industriais de Campo Grande e Palmares 9 .

Passos (IPP); Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (InvesteRio); Associação de Empresas Fabricantes de Aço Inox (Nucleoinox); Ministério do Trabalho e Emprego (MTE0- Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) ; Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) -.Relação Nacional de Investimentos (RENAI) 9 Sobre o assunto ver documento do Instituto Pereira Passos Área de Planejamento 5: caracterização da região, diretrizes, propostas e projetos.

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6. Diagnóstico da Região No diagnóstico realizado fica claro que a Zona Oeste vem apresentando um significativo crescimento econômico e populacional e que é a região da cidade com maior densidade industrial, possuindo forte potencial para o desenvolvimento industrial e tecnológico, ainda que as atividades comerciais sejam bastante relevantes pela ótica do número de estabelecimentos e empregos locais, conforme podemos verificar através das tabelas 8 e 9 anexas. As quatro regiões administrativas (RAs) têm origens e vocações econômicas bastante variadas. A mais antiga delas é Santa Cruz, fundada a partir da sesmaria criada em 1567. Bangu e Campo Grande foram fundados em 1673 e Realengo em 1814. As atividades industriais em todas as RAs iniciaram-se somente no final do século XIX: Bangu em atividades têxteis, Campo Grande em atividades ferroviárias e de bondes, Santa Cruz como um importante centro de frigoríficos para abate de bois e Realengo com fábrica de cartuchos. Uma fotografia da região entre 1998 e 2006 mostra um quadro completamente distinto em relação às suas vocações econômicas e históricas. Em termos de número de estabelecimentos e empregos, a Zona Oeste mostra uma predominância das atividades comerciais e de serviços, indicando que a dinâmica populacional de taxas de crescimento bastante mais elevada do que as do MRJ acabaram desenvolvendo o comércio local e os serviços voltados para a população em detrimento das atividades industriais locais que se reduziram. Em síntese, os principais dados econômicos da Zona Oeste revelam o seguinte cenário: (i) em termos de número de estabelecimentos os principais setores de atividade são: comércio (49%); serviços (40%) e indústria extrativa e de transformação (7,5%), construção civil (2,4%); agricultura (0,4%) e serviços industriais de utilidade pública (0,2%); em termos de empregos os principais setores são: serviços (48%); comércio (32%); industria extrativa e de transformação (17,5%); construção civil (2,1%); serviços industriais de utilidade pública (0,3%); agricultura (0,1%) ; as principais vocações industriais da Zona Oeste e suas potencialidades em relação ao município do Rio de Janeiro (MRJ), em termos de Valor Adicionado Fiscal, são: indústria metalúrgica (89%); produtos alimentícios e bebidas (51%); têxtil e vestuário (27%); mecânica (25%). Em termos de emprego: metalúrgica (27,5%); minerais não metálicos (19%); produtos alimentícios e bebidas (15%); borracha e outros (13%). Em termos de estabelecimentos: minerais não metálicos (19%); alimentos e bebidas (15%); indústria metalúrgica (13%); química e farmacêutica (8%).

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Entretanto, quando se compara a importância da Zona Oeste em relação ao MRJ, em termos de estabelecimentos e empregos, observa-se que a Zona Oeste é mais especializada em atividades industriais do que em atividades comerciais e de serviços, tendo aumentado esta especialização relativa entre 1998 e 2006. Essa especialização mostra também que a Zona Oeste tem sido uma região com uma expansão industrial superior ao do MRJ. Em outras palavras, sua vantagem relativa em relação ao MRJ é industrial e não nas atividades voltadas ao setor terciário.

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Em 2006, há uma maior relevância dos micro, pequenos e médios estabelecimentos (96%) no tecido empresarial da Zona Oeste, perfil semelhante ao observado para o MRJ. Em 1998, os micro e pequenos estabelecimentos eram mais representativos. De uma forma geral as atividades econômicas localizadas na Zona Oeste são menos intensivas em emprego do que as atividades do MRJ, refletindo características de maior intensidade de capital das atividades executadas na Zona Oeste. Os estabelecimentos de médio e grande porte são os principais geradores de emprego da região, tendo reduzido ligeiramente sua importância entre 1998 e 2006 (de 58,3% para 55,4%). A faixa etária dos empregados formais da Zona Oeste é inferior ao do MRJ. Mas os empregados, ainda que tenham melhorado no período entre 1998 e 2006, apresentam um grau de qualificação e faixas de remuneração inferiores aos do MRJ. As informações levantadas apontam para a predominância da atividade industrial na Zona Oeste, ainda que essa especialização não se reflita em trabalhadores mais qualificados, especializados e bem remunerados, como é típico em regiões industriais. Entre as atividades industriais mais relevantes destacam-se em termos de Valor Adicionado Fiscal (VAF) absoluto: produtos alimentícios e bebidas (Campo Grande), a metalúrgica (Santa Cruz), química e farmacêutica (Santa Cruz), papel e gráfica (Santa Cruz), mecânica (Santa Cruz), borracha e outros (Santa Cruz). Os principais setores industriais da Zona Oeste são responsáveis por 23,3% do VAF gerado no MRJ. Em termos de VAF relativo, as principais especialidades da região quando comparadas com o MRJ são couro peles e assemelhados, metalúrgica, bebidas, velas, sabões e produtos para limpeza, têxtil, mecânica, editorial e gráfica. Se for levada em conta uma visão de cadeias produtivas (conjunto de setores relacionados por relações de compra e venda) e não de setores, percebe-se que a Zona Oeste tem forte representação na cadeia produtiva metal-mecânica, que abrange a produção de matéria prima (minério de ferro, cromo e níquel), o processamento de semi-acabados, laminados planos e longos, relaminados, trefilados e perfilados, a fabricação de máquinas e equipamentos e a produção de artigos de metal para uso doméstico. Pode-se dizer que essa cadeia produtiva, além de estar bem representada do ponto de vista produtivo com as indústrias metalúrgicas e mecânicas na Zona Oeste, tem entre as demais indústrias locais importantes setores industriais demandantes do aço inox, tais como os setores de alimentos e bebidas, químico e farmacêutico, editorial e gráfica. Além disso, as exportações locais são realizadas principalmente pelas grandes empresas e pelo setor de metalurgia. As exportações são facilitadas pela proximidade de localização dessas empresas com os portos de Itaguaí e do Rio de Janeiro. A região dispõe assim de atributos interessantes para a instalação de um pólo metal-mecânico. Ao lado desse potencial econômico, existem sérios problemas do ponto de vista da qualificação da mão de obra empregada na Zona Oeste, dos indicadores sociais, da infraestrutura urbana da ocupação e uso do solo e da segurança pública. Um outro dado também fundamental é que aonde existem hegemonicamente as maiores empresas industriais é exatamente onde ocorrem os piores indicadores sociais e de renda. Isso reforça a necessidade de ampliação da articulação na região entre as grandes empresas e os demais setores da sociedade civil da Zona Oeste visando gerar encadeamentos empresariais,

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novos empregos e um desenvolvimento sustentável. A política de geração de encadeamentos e de atração de novas empresas com base nos macroinvestimentos reforça-se também em importância quando se verifica no diagnóstico que os grandes estabelecimentos da Zona Oeste geram, em média, menos empregos que os grandes estabelecimentos do município. Além disso, ao realizarmos uma comparação entre o número de habitantes e de empregos na Zona Oeste e na cidade do Rio de Janeiro, verificamos que enquanto na cidade do Rio de Janeiro 33,2% da população encontram-se trabalhando em empregos formais, na Zona Oeste esse número é de apenas 7,3% (tabela 10 anexa). Ou seja, a Zona Oeste vem por um lado apresentando crescimento populacional, mas por outro gera poucos empregos locais, o que decorre dos investimentos intensivos em capital 10 . Um último aspecto relevante revelado pelo diagnóstico é que ao lado do crescimento populacional na Zona Oeste em período recente, ocorre entre 1998 e 2006 uma queda do número de servidores públicos existentes na região, de 6.489 para 2.426. Ainda que estes dados possam indicar uma subnotificação de servidores públicos, de toda forma, é um dado importante não só pelo crescimento populacional que tem ocorrido e pelas carências de infraestrutura pública existentes, mas também por sabermos que na região existe uma forte área militar que está em processo de desmobilização. Na RA de Realengo, onde há a maior densidade militar, ocorreu entre 1998 e 2006 uma queda do número de servidores públicos de 73,0%.

7. Desafios ao Crescimento Econômico da Região As informações coletadas pelo diagnóstico e pelos questionários permitem identificar uma série de desafios ao crescimento econômico da região. Um dos principais desafios é o próprio tamanho das empresas que as impede de especializarem-se e adotarem padrões de gestão mais modernos. Da mesma forma a atividade exportadora torna-se um desafio maior para as pequenas e médias empresas do que para as grandes, devido aos altos custos fixos envolvidos nesta atividade. A maior parte das micro e pequenas empresas concorre por custo, o que coloca limites à sua capacidade de qualificação e de crescimento. Este limite é reforçado pelo baixo acesso ao financiamento do capital de giro ou do investimento no caso das micro e pequenas empresas. Além disso, são escassos os canais de intermediação de vendas internas e externas disponíveis para as empresas locais. As condições deterioradas da malha rodoviária, a escassez da oferta de transporte ferroviário, a precariedade da infra-estrutura portuária e os entraves burocráticos locais e direcionados para a exportação são outros desafios importantes a serem superados. A Zona Oeste não é o principal ambiente econômico das empresas, pois os seus principais concorrentes localizam-se fora do local e até mesmo do estado do Rio de Janeiro. O MRJ, entretanto, é um entorno importante para as micro e pequenas empresas, seja no fornecimento de máquinas e equipamentos seja no fornecimento de outros insumos. O MRJ também se
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Nesse tipo de análise usa-se normalmente a relação entre a População em Idade Ativa e o número de empregos existentes. No entanto, esse dado só existe com base nos censos. O último censo disponível é o de 2000 e na Zona Oeste na atual década ocorre um forte crescimento populacional.

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revela o principal local das vendas das micro e pequenas empresas da Zona Oeste. As principais relações entre as empresas são estabelecidas entre as empresas fornecedoras e os clientes por motivos comerciais. Outros tipos de relação ou cooperação, como a parceria com órgãos técnicos ou universidades, não são muito comuns ou até mesmo inexistentes. Constatou-se também que a capacitação técnica da mão-de-obra empregada é inadequada e que há um baixo comprometimento das empresas com inovação. A inserção local das empresas entrevistadas é muito pequena e os entrevistados avaliaram como a principal vantagem de estar localizado na Zona Oeste a infra-estrutura física disponível, representada pelo baixo valor dos terrenos e pela grande disponibilidade de galpões, e como principal desvantagem a questão da segurança.

8. Estudos Qualitativos sobre a Região O conteúdo dos estudos qualitativos foi definido em duas etapas. Na elaboração do projeto, os estudos foram definidos a partir da percepção que a equipe do IE/UFRJ tinha a respeito das principais questões envolvendo a região. Nesta etapa, foi identificada a necessidade de realizar estudos sobre comércio exterior; logística e infra-estrutura; ocupação e uso do solo; e governança. Após o diagnóstico, foi constatada a necessidade de realizar mais três estudos qualitativos: um sobre aço inox, tendo em vista o potencial de encadeamento desta cadeia; um sobre educação, tendo em vista os desafios relativos à qualificação; e um estudo sobre a questão da segurança, que afeta a atratividade da região. Os temas dos estudos qualitativos evidentemente se entrelaçam, sendo a seqüência de apresentação deles neste documento arbitrária; em linhas gerais, os temas podem ser agrupados em aspectos econômicos e aspectos sociais do desenvolvimento. No que se refere aos aspectos econômicos serão apresentados, inicialmente, os resultados do estudo sobre o aço inox, dado o potencial desta cadeia produtiva constatado pelo diagnóstico. Em seguida, serão apresentados os resultados do estudo sobre o comércio exterior, que poderá se tornar uma atividade importante no futuro caso seja levada adiante a proposta de implantação de um pólo metal-mecânico na região. O pleno aproveitamento da atividade de comércio exterior depende porém de uma melhoria nas condições de logística. Finalmente, o estudo do uso do solo é fundamental para identificar possíveis áreas de expansão das atividades produtivas na região. No que se refere aos aspectos sociais, a apresentação dos resultados começa com a questão da segurança pública que, além de afetar a atratividade da região e a sustentabilidade de seu desenvolvimento, tem interfaces importantes com a questão do uso do solo, como será visto neste documento. Em seguida, serão apresentadas questões relativas à educação, que afeta a geração de emprego e de renda na região. Finalmente, todas as ações propostas por estes estudos só podem se viabilizar se forem acordadas e dialogadas com as lideranças locais, daí a necessidade da identificação das condições de governança local. 8.1. Potencialidades da região para um pólo metal-mecânico O diagnóstico realizado apontou uma significativa presença do setor metal-mecânico na Zona Oeste. Tendo em vista gerar encadeamentos com base nessa presença e analisar a possibilidade de diversificação das relações da região com o mundo exterior, seja do ponto de

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vista territorial na Zona Oeste – hoje muito concentrada em Santa Cruz –, seja do ponto de vista da diversificação dos setores industriais, realizou-se um estudo mais aprofundado sobre a cadeia produtiva metal-mecânica tendo, como produto unificador entre os dois setores, o aço inox. O estudo sobre aço inoxidável tem como objetivo avaliar e sugerir uma agenda para a criação de um pólo metal-mecânico com ênfase na produção deste metal na Zona Oeste do município do Rio de Janeiro. De acordo com a descrição do produto apresentada na Tarifa Externa Comum (TEC), o aço inoxidável é definido com a liga de aço contendo, em peso, 1,2% ou menos de carbono e 10,5% ou mais de cromo, com ou sem mais elementos. Existem diversas aplicações em termos de geração de produtos com base nos aços inoxidáveis, apresentadas no Anexo II. A utilização em escala industrial do aço inox passou a ocorrer no início do século XX para atender à indústria química, tendo como a principal base a Alemanha e a empresa Krupp. No período entre 1950 e 2008 a produção mundial de aço inox cresceu em torno de 5,7% ao ano. O volume de aço inox produzido no Brasil representa em torno de 2% da produção mundial. Três siderúrgicas no Brasil produzem aço inox: ArcelorMittal Inox Brasil, Gerdau e Villares Metals. A primeira localizada em Minas Gerais, a segunda no Rio Grande do Sul e a terceira em São Paulo. Do ponto de vista do consumo, a taxa de crescimento no Brasil entre 1996 e 2008 foi de 8,1% ao ano. Os principais mercados para o aço inox são transportes, construção civil, linha branca, metal-mecânica, baixelas e cutelaria, açúcar e álcool, papel e celulose, saúde e alimentação, química, petróleo e mobiliário urbano. Essa lista engloba setores que já apresentam proeminência na região como a indústria de alimentos e bebidas, que utiliza equipamentos fabricados com base no aço inox. Um ponto que confere vantagem comparativa ao consumo de aço inox no estado do Rio de Janeiro é que o custo-benefício do aço inox é mais favorável em aplicações onde o grau de corrosão é mais severo. No estado do Rio de Janeiro já existem quatro distribuidores de aço inox, que atuam fortemente: Elinox, Artex, Inoxtech e Cavallo Aços. Um ponto interessante é verificar onde estão instalados e se seria possível atraí-los para a Zona Oeste. Entre as considerações finais para a construção de um pólo metal-mecânico, coloca-se para discussão as seguintes necessidades: • • • • disponibilidade de matéria prima com qualidade, preço competitivo e prazo de entrega; escola que forme profissional em design; escolas que formem técnicos na área de corte/dobra/conformação/soldagem/usinagem; empresas que fabriquem produtos finais para atendimento do mercado local e que se capacitem para a exportação.

Aponta ainda que o segmento de mercado mais promissor para o aumento de consumo em

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larga escala é o de petróleo e gás. Isso traz a necessidade de realizar, como desdobramento deste trabalho, uma pesquisa junto à Petrobras sobre uma estratégia visando atingir esse mercado. 8.2. Comércio Exterior O estudo sobre comércio exterior adotou uma dupla abordagem. Em primeiro lugar foi realizado um diagnóstico quantitativo da inserção internacional da região com base em informações sobre o universo empresarial exportador e importador, identificado a partir dos dados primários da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Em segundo lugar, foi entrevistada uma amostra das empresas representativas do conjunto dos estabelecimentos exportadores da Zona Oeste. Uma primeira constatação é que ocorreu na Zona Oeste um aumento significativo das exportações, sendo que entre 2005 e 2007 houve um crescimento trienal de 196%. Um segundo ponto é que a Zona Oeste é exportadora líquida de bens. Um terceiro ponto é que a expansão das vendas externas e das importações revela uma tendência de aumento da integração comercial da Zona Oeste com o resto do mundo. Um quarto ponto é que ocorre uma predominância da RA de Santa Cruz como pólo dinâmico do comércio exterior da Zona Oeste. Um quinto ponto é a inexistência de vínculos comerciais significativos da RA de Bangu e, portanto, das empresas ali estabelecidas com o resto do mundo. Esse aspecto pode sofrer modificações pela ampliação de exportações que estão ocorrendo em empresas como a FALMEC e também pela possibilidade de implantação de um pólo de metal-mecânica na região, que pode vir a ser implementado na RA de Bangu. Um sexto ponto do trabalho aponta que as grandes empresas são as principais protagonistas do comércio exterior da Zona Oeste; elas foram responsáveis, na média do triênio 2005-2007, por 83% das exportações e metade das importações. Um sétimo ponto que acreditamos caber destacar é que no triênio 2005-2006-2007 o setor de metalurgia básica respondeu por 81% das vendas externas da Zona Oeste. Esses números podem cair pela queda do preço desse setor no mercado internacional, ao menos no curto prazo, tendo em vista a crise comercial. No entanto, por outro lado serão incrementados pelo início de operação ao final deste ano da empresa Thyssen Krupp. São apontados também gargalos e potencialidades como propostas de discussão para a agenda. Uma primeira questão é a vantagem de localização apontada pelas empresas da região, pela proximidade da Zona Oeste dos portos de Itaguaí e do Rio de Janeiro. Por outro lado, as empresas apontam que essa vantagem de localização fica prejudicada pelas condições precárias da malha rodoviária, combinada com a escassez da oferta de transporte ferroviário. A precariedade da infra-estrutura portuária, notadamente no porto do Rio, e os entraves burocráticos gerados pelos procedimentos da Receita Federal deve ser um ponto de pauta, visando buscar soluções. Esse ponto para a agenda também é mencionado no estudo sobre logística, como será visto a seguir. Isso traz a necessidade de se pensar uma estratégia integrada para os dois portos localizados na região do MRJ e a logística de acesso a ambos. Um outro ponto no que se refere à política de emprego, as empresas por um lado preferem utilizar mão de obra local, mas por outro encontram dificuldades pela falta de qualificação no

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nível exigido. Deve-se ressaltar, no entanto, que nas entrevistas feitas por membros da equipe, empresas de grande porte da região afirmam utilizar hegemonicamente mão de obra residente na própria Zona Oeste. Destaca-se também um grave problema no que diz respeito ao transporte coletivo para a classe trabalhadora. Grandes empresas na região via de regra – principalmente as localizadas nos distritos industriais – oferecem integralmente transporte aos seus empregados. Esse ponto é fundamental para a agenda de desenvolvimento, como será visto nas seções relativas à governança e segurança pública, pois a ausência de uma correta política de transportes é o que gera o crescimento das vans de forma caótica, possibilitando também a geração de renda para manutenção das milícias. A proximidade do Aeroporto Internacional do Galeão constitui de fato uma vantagem locacional e que o resultado das entrevistas com as empresas sugere que não há obstáculos burocráticos relevantes. Por último observa-se que há uma pequena participação das pequenas e médias empresas na atividade exportadora, o que a literatura mostra que não é um problema exclusivo da Zona Oeste. Sugere-se para a agenda de desenvolvimento a possibilidade de articulação de um programa e uma governança organizada pelas associações empresariais e pelo SEBRAE, visando mobilizar as empresas para as atividades exportadoras e a execução de programas de capacitação, considerando-se inclusive as especificidades e carências das empresas locais. Propõe-se que na agenda, visando estimular a ampliação da participação das pequenas e médias empresas da Zona Oeste no comércio exterior, estejam contidas as seguintes questões: (i) a eliminação das restrições de natureza quantitativa e qualitativa à oferta exportável; (ii) o controle dos fatores internos à empresa, que tornam a operação de exportação mais custosa e menos rentável do que as vendas no mercado doméstico; (iii) a identificação de oportunidades de negócios no mercado internacional; (iv) a projeção internacional de uma imagem de qualidade da empresa e de seus produtos. 8.3. Logística e desenvolvimento econômico O estudo que articula logística com políticas industriais e infra-estrutura para a Zona Oeste mostra que a infra-estrutura tem se tornado uma variável decisiva nas modernas abordagens de desenvolvimento local e regional. A maior velocidade e capacidade dos computadores em processar a informação e a sua integração com a rede de telecomunicações reduziram bastante os custos de transação. Ainda de acordo com ele, a conectividade das redes de processamento da informação também atua sob as redes clássicas de logística, como os modais de transporte (rodoviário, ferroviário, portuário e aeroviário) e devem ser construídas integradas a um plano urbanístico capaz de induzir a ocupação do solo, visando atender a critérios de política pública. Assim, o desempenho empresarial depende e é o resultado de fatores situados fora do âmbito das empresas e da estrutura industrial da qual fazem parte, como a ordenação macroeconômica, as infra-estruturas, o sistema político e institucional, e as características sócio-econômicas dos mercados nacionais. Todos esses fatores são específicos a cada contexto nacional e regional. Eles devem ser explicitamente considerados nas ações, públicas ou privadas, de indução de competitividade.

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Do ponto de vista de uma agenda para políticas de apoio direcionadas para a Zona Oeste, deve ser discutido e aprofundado em uma segunda etapa da pesquisa o exame das atuais políticas desenvolvidas por instituições, como a CODIN, Investe Rio, BNDES e SEBRAE, e as que podem vir a ser articuladas dentro de uma política de aprofundamento dos estudos e da criação de uma governança para a região, conforme proposto pelo trabalho que veremos a seguir. Aponta-se ainda uma proposta de se realizar uma articulação entre um programa para o desenvolvimento econômico na Zona Oeste com as possibilidades existentes na Avenida Brasil, com base nos espaços urbanos abandonados. Dessa forma, dever-se-ia avaliar formas de utilização dos vários galpões industriais existentes e que poderiam abrigar atividades de design, informática, software, artesanato, metalurgia, mecânica e outras. Esses galpões poderiam ser os locais para a aglomeração de micro e pequenas empresas e projetos de empreendedorismo. As políticas para apoio a essas aglomerações industriais, serviços, arranjos ou sistemas locais de produção, teriam que ser articuladas pelas associações empresariais locais em parceria com a prefeitura e o governo do estado. Essas aglomerações de pequenos empreendimentos seriam um importante fator para um aproveitamento da mão de obra da Zona Oeste, bem como para a sua fixação local. Um esquema de incentivos fiscais poderia ser elaborado para atração desses investimentos. Com relação à questão portuária, é de fundamental importância trazer para a pauta a questão do porto de Itaguaí como hubport brasileiro e latino-americano. Isto está em consonância com o proposto por Carlos Lessa em Rio de Todos os Brasis, onde afirma que o passado do Rio seria o porto do Rio e que o futuro seria Itaguaí (antigo porto de Sepetiba). Além disso, a agenda de desenvolvimento deve incluir a constituição de uma política integrada entre os dois grandes portos existentes na RMRJ: porto do Rio e Itaguaí. O primeiro deveria ser dedicado a produtos de menor volume e maior volume agregado e para o turismo. Não deveria ser um porto concentrador e distribuidor de cargas, dado o impacto dessas atividades na infra-estrutura urbana, de transportes e o meio-ambiente. O segundo deveria ser dedicado para produtos como minério, grãos e outras commodities, ou seja, maior volume e carga geral (contêineres). Funcionar como centro concentrador e distribuidor de cargas. Um hub-port. Observa-se ainda a pouca racionalidade de atividades econômicas localizadas na Zona Oeste utilizarem predominantemente o porto do Rio e não Itaguaí. A distância, por exemplo, do porto do Rio a Santa Cruz é cerca de 3,2 vezes maior do que a distância de Santa Cruz ao porto de Itaguaí. Deve-se levar em consideração, inclusive, que empresas como a Gerdau atualmente exportam sua produção de commodities pelo porto do Rio e não por Itaguaí. Dessa forma, propõe-se como agenda de discussão junto ao setor privado e ao governo estadual e federal a análise da possibilidade de uso de Itaguaí como hubport, mesmo com todas as utilizações que hoje lá já são efetuadas, tendo em vista a área ainda disponível, como também o detalhamento e a implantação de uma política de acesso ao porto de Itaguaí. Há também necessidade de implementação de uma política com a prefeitura e a CET-Rio que procure separar a logística de transportes internos a cada RA e à Zona Oeste da logística de transporte de passagem pela região.

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A proposta é que se defenda junto à prefeitura o desenho e a implantação de uma estratégia de transportes para cada RA conforme a já desenhada pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande em parceria com a CET-Rio. 8.4. Uso e ocupação do solo O estudo sobre uso e ocupação do solo teve por preocupação central apresentar os principais aspectos de caráter normativo e de oferta potencial de espaços capazes de influir no desenvolvimento das atividades de interesse do projeto. Como visto nas seções anteriores, é necessário para uma política integrada de desenvolvimento econômico-social, pensar as questões de forma sistêmica e em como integrar políticas de mobilidade social com políticas de uso e ocupação do solo. Para a análise da situação da ocupação e uso do solo foram usadas as tipologias residencial, não-residencial e territorial do mercado imobiliário formal. A Zona Oeste é caracterizada pela existência de extensas áreas onde predominam assentamentos que podem ser classificados de várias maneiras – irregulares, clandestinos, ilegais, precários ou inapropriados. As profundas alterações na dinâmica econômica da cidade, com a transferência para a Zona Oeste de atividades de comércio e serviços não foram acompanhadas na velocidade e na qualidade de mudanças necessárias na legislação de uso e ocupação do solo, especialmente no que diz respeito à competição com os usos residencial e industrial. Ou seja, trazer para a pauta a questão do planejamento e ordenamento urbano na região é de fundamental importância. No que diz respeito ao serviço de transporte coletivo, a Zona Oeste caracteriza-se pela falta de integração e complementaridade entre os modos atualmente existentes com forte participação do chamado transporte alternativo (parte dele regulamentado e parte não regulamentado). Quanto à rede viária, sua hierarquia não é preservada e o tráfego de carga e de passageiros de passagem se mistura ao tipicamente local, provocando congestionamentos, desestruturando e despersonificando ruas e bairros, conforme já apontado em outros textos da equipe. Observa-se como desafio para a agenda de desenvolvimento o estabelecimento de uma governança local capaz de transformar o destino da Zona Oeste, fazendo com que ela se liberte de um processo de crescimento subsidiário e caótico e passe a contribuir para o desenvolvimento sustentável do município e do estado do Rio de Janeiro de forma mais autônoma e regular. Com relação à atividade econômica, os dados levantados no cadastro do IPTU indicam oferta abundante de terrenos na Zona Oeste. A instalação de 800 novas empresas geraria 5 mil novos empregos e demandaria 800 mil metros quadrados, equivalente a 5% da área dos terrenos da região. Porém, para atrair empresas para a região, os seguintes atributos da malha urbana são necessários: • • • possibilidade de acesso rápido, fácil e conveniente para transporte de carga, incluindo ferrovias, rodovias, portos e aeroportos; suprimento adequado de mão de obra, fontes de matérias primas e mercados; quantidade adequada de terra apropriada, livre de problema de fundações, drenagem e outros riscos, que aumentem o custo da construção, com reserva suficiente para

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crescimento futuro; • • suprimento adequado e confiável de utilidades: água, energia, combustíveis, disposição de resíduos sólidos e líquidos, telecomunicações; facilidades tecnicamente compatíveis às demandadas pela atividade industrial, como sistema viário apropriado, estacionamento, pátio de carga e descarga, serviços comerciais, sociais e jurídicos para empresas; regularização fundiária, definição clara e adequada quanto ao uso dos terrenos, ao tamanho dos lotes, às limitações de emissão de ruído, fumaça, odores, luz, vibrações, calor e outros impactos indicados na regulamentação; gerenciamento integrado da área de localização das firmas, possibilitando a criação de sinergias, com redução do custo das matérias primas e componentes e utilização da escala do volume de carga movimentada; incentivos para a atração, implantação, desenvolvimento e expansão das atividades industriais, na forma de redução de impostos, de oferta de tecnologia, de capital e de infra-estrutura; custos adequados para a terra e competitivos para as tarifas por serviços prestados; proteção contra o desrespeito às regras estabelecidas, tais como interferências de residências e outros usos do solo não compatíveis; localização de maneira a minimizar efeitos externos indesejáveis nas vizinhanças nãoindustriais e reduzir o risco de acidentes.

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Propõe-se ainda que seja atualizada e simplificada a legislação urbanística vigente para a área, visando permitir o desenho de um claro planejamento e estratégia. Com base nisso, detalha propostas que foram discutidas no seminário do dia 15 de maio, conforme apresentamos abaixo: Mudança da legislação Mudança da legislação, pelo menos nas áreas que continuam regidas pelo Decreto 322/76, quanto à flexibilização do uso e ocupação com a criação de áreas classificadas como ZR, passando a permitir algumas atividades próprias de Zonas de Uso Misto e Zonas Comerciais e de Serviços e Pequenas Indústrias. Abertura de Logradouros A abertura de logradouros em terrenos de grandes dimensões a fim de modernizar a malha viária local e também facilitar seu aproveitamento, com a criação de novos acessos. Criação de Aglomerações de Pequenas Indústrias Telheiros, Galpões e Terrenos abandonados ou subutilizados podem hospedar firmas de micro e pequeno porte, voltadas para as atividades de indústria e comércio de produtos de acordo com a legislação a ser aprovada. A circulação de pessoas nos galpões, e de pessoas e veículos no entorno, amplia a oferta de trabalho regular e melhora a ambiência, conferindo maior visibilidade às grandes vias, como a Avenida Brasil. Tal iniciativa permitirá a ocupação de espaços com área em torno de mil metros quadrados.

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Revisão de Parâmetros de Uso e Ocupação do Solo Quanto aos parâmetros de uso e ocupação do solo a serem adotados, sugere-se a localização de indústrias de micro e pequeno porte, com adensamento limitado pelas restrições associadas à fragilidade do meio ambiente mas que, por outro lado, não ignore o processo desordenado de adensamento em andamento. Parcelamento Sugere-se, ainda, o parcelamento de grandes terrenos ociosos que reduza o tamanho dos lotes em algumas áreas, assim evitando a ocupação irregular, pois seu uso passa a ser produtivo, além do efeito decorrente do aumento do emprego da população local. Criação de Faixas Intermediárias de Uso A diversidade de usos deve ser facilitada. A flexibilização dos parâmetros, propondo um parcelamento em lotes menores do que permitido no local e a admissão de outros usos além do comercial e do residencial ampliam as condições de preservar a área, ao invés de degradála. Utilização dos Instrumentos Previstos no Estatuto da Cidade para a Obtenção de Recursos de Financiamento da Infra-Estrutura Local 8.5. Segurança Pública A Zona Oeste é uma das áreas do município com maior incidência de crimes contra a vida e mostram um acentuado crescimento dos crimes contra o patrimônio nos últimos anos. A forte presença de milícias, a ausência de policiamento e o ambiente de proliferação de ilegalidades geram na população moradora e no empresariado local o temor de prejuízo às suas atividades devido à insegurança da região. A análise quantitativa com base nas estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostra que a Zona Oeste teve uma taxa de homicídios superior à média do município em 28% em 2008. Quando se considera a RA de Santa Cruz esta diferença sobe para 79%. Oito dos 17 bairros da Zona Oeste concentraram 85% dos homicídios dolosos da região registrados de janeiro de 2004 a julho de 2008 (este é o período coberto pelos microdados do ISP. Nesse período, registraram-se homicídios dolosos em 902 diferentes ruas ou logradouros da Zona Oeste. As maiores frequências foram na Avenida Brasil e na Avenida Cesário de Melo. A Zona Oeste registra uma relação de 50 civis mortos para cada policial morto em serviço, o dobro da verificada no conjunto do município e 63% a mais que no estado como um todo durante o mesmo período. O total de roubos (assaltos) registrados aumentou entre 2000 e 2008 na região, acompanhando o crescimento havido no município e no estado como um todo. Na RA de Bangu, porém, o aumento dos assaltos foi bem superior à média. As modalidades mais numerosas na Zona Oeste foram roubo de veículos e roubo a transeunte. A CPI da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro que investigou a ação das milícias, concluída em novembro de 2008, identificou no Município do Rio de Janeiro 128 áreas dominadas por esses grupos criminosos armados, em 48 bairros. De acordo com a CPI, os bairros da cidade com maiores números de locais nessa condição ficam na Zona Oeste:

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Campo Grande (16 áreas), Santa Cruz (15) e Realengo (10). Embora com quantidades menores, três outros bairros da região também figuram na lista: Bangu (3 áreas dominadas), Inhoaíba (2) e Sepetiba (1) 11 . Nas entrevistas qualitativas feitas na Zona Oeste, a falta de segurança aparece como um dos principais problemas da região, junto ou logo atrás de logística, transporte público e educação/capacitação. As lideranças ouvidas nas quatro RAs enfatizaram quase sempre os assassinatos e os assaltos a pedestres e a motoristas como indicadores mais evidentes da insegurança na área, o que é confirmado pelas estatísticas do ISP. Nas entrevistas, ficou claro que, embora as milícias possam ter sido de início percebidas como fator positivo para a segurança, ou como “mal menor”, face à ausência do poder público nas áreas carentes, hoje prevalece o entendimento de que se trata de grupos criminosos, cujo principal objetivo não é a “autodefesa comunitária”, mas o lucro, por meio da exploração ilegal do comércio e dos serviços destinados às camadas populares. Também há a percepção de que tais grupos possuem projeto político, empenhando-se na criação e manutenção de “currais” eleitorais, e na eleição de chefes ou aliados para cargos legislativos do estado e do município. Em suma, tudo indica que as milícias não são mais pensadas como possível solução, mas sim como obstáculo – e dos mais sérios – para a melhoria da segurança pública e para o desenvolvimento sócioeconômico da Zona Oeste. Forte presença de milícias, interferindo na atividade econômica; ausência de policiamento ostensivo; corrupção policial; falta de regulação pública do uso do solo e das atividades de comércio e serviços; informalidade generalizada; proliferação de favelas e carência de serviços urbanos como pavimentação das ruas e iluminação pública foram os elementos mais enfatizados nas entrevistas para definir o ambiente favorecedor da violência na região. De forma mais detalhada, apontaram-se como causas ou elementos que contribuem para a situação de insegurança: • • • multiplicação de favelas, sem infraestrutura, sem presença do poder público, que se tornam presas fáceis de grupos criminosos armados; o próprio crescimento econômico da região, que atrai muitas pessoas sem recursos e com baixa qualificação, não absorvidas pelo mercado de trabalho local; falta absoluta de policiamento ostensivo, por grave insuficiência de efetivo nos batalhões da PM da região (foi lembrado que o de Campo Grande também presta serviços de policiamento montado a outras partes da cidade); altos níveis de corrupção policial; promiscuidade entre polícia e milícias, entre polícia e crime; carência aguda de transporte coletivo público, abrindo espaço para a proliferação do alternativo (ônibus piratas, kombis, vans, mototaxis), inicialmente como atividade informal, hoje como principal fonte de lucro de grupos criminosos armados;

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Fonte: Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar a ação de milícias no estado do Rio de Janeiro. (Resolução nº 433/2008). Rio de Janeiro, 2008.

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ampla informalidade no setor de pequenas e microempresas de comércio e serviços, favorecendo a captura de várias atividades por traficantes e milicianos, como no caso da venda de botijões de gás e da segurança privada; conivência social com a ilegalidade e a informalidade, manifesta, por exemplo, no uso de “gatonet” pela classe média, que poderia pagar o serviço legalizado, e no amplo emprego de vigilantes privados informais por condomínios e estabelecimentos comerciais; degradação das instituições locais pela generalização da informalidade e das ilegalidades; falta de regulação da ocupação e do uso do solo, possibilitando não só a multiplicação de comunidades residenciais irregulares, desassistidas, exploradas por grupos criminosos, como o surgimento de inúmeras fontes de conflitos oriundas, por exemplo, da presença de oficinas mecânicas em áreas de moradia ou de grandes casas de show nos centros comerciais; atuação de políticos no incentivo às invasões e grilagens, com o propósito de criar currais eleitorais; graves deficiências de iluminação pública e calçamento/asfaltamento das ruas, que facilitam a prática de assaltos; prisão dos bicheiros no início dos anos 1990, abrindo espaço para a ascensão dos traficantes de drogas e das milícias na região; acirramento dos conflitos entre milícias após a prisão de importantes chefes de uma das facções, em meados de 2008; impossibilidade de combate às milícias com os policiais que trabalham na Zona Oeste, na maioria moradores da região; política de confronto e de projetos pontuais de policiamento comunitário do atual governo, que estaria gerando “vazamento” de bandidos para outras áreas e deslocamento das atividades criminosas do tráfico de drogas para os assaltos.

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8.6. Educação O diagnóstico e as propostas na área de educação revelam a ausência de uma maior correlação entre as necessidades e potencialidades da região e os cursos técnicos e profissionalizantes de nível médio e superiores existentes. Na verdade os cursos em funcionamento visam muito mais a atender a demanda existente na cidade do Rio de Janeiro do que a local, ou ainda foram implantados levando-se em consideração também o custo de cada curso vis a vis a capacidade de pagamento dos alunos no que tange à participação do setor privado. Uma análise puramente técnica dos cursos oferecidos sugere que não houve uma preocupação com o atendimento às demandas econômicas locais, e nem uma relação mais direta com o parque industrial já instalado. No entanto, essas conclusões devem ser sustentadas por um trabalho de pesquisa mais profundo, com a preocupação de investigar o processo de criação dos cursos e os fatores que nortearam suas escolhas. Os cursos existentes não contemplam todas as áreas industriais, principalmente a indústria de transformação. Deveriam ser criados na região novos cursos como os de técnico em química,

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técnico em plásticos, técnico em mecânica, técnico em metalurgia e técnico em siderurgia, de modo a atender a demanda do setor industrial. Entre os cursos oferecidos verifica-se uma predominância de cursos de saúde. Isto, no entanto, não traz para a região uma oferta de serviços de saúde adequada. Dessa forma, cabe refletir como os profissionais que se formam na área de saúde na região podem ser inseridos num processo de desenvolvimento sustentável. Um outro ponto destacado é a carência de cursos técnicos de nível médio em área de forte importância econômica na região, como comércio varejista, administração de imóveis e serviços de alojamento, pois há pouca ou nenhuma oferta de cursos técnicos vinculados a essas atividades tais como: técnico em comércio, técnico em vendas, técnico em logística e técnico em hospedagem. No que diz respeito aos cursos superiores existentes, um primeiro aspecto que salta aos olhos é a carência de cursos de bacharelado em engenharia na Zona Oeste. O documento do grupo da educação destaca também a predominância da área de saúde na oferta de cursos de nível superior. Uma outra área de concentração é a área ligada às carreiras do magistério. Na área de cursos superiores é importante avaliar a necessidade de gerar a formação na região de graduados em áreas como logística, finanças, comércio exterior e vendas, dentre outros, para atender ao setor de serviços. Frisa ainda a inexistência de cursos superiores na área de transportes. Na área industrial verifica-se que a oferta de cursos superiores na Zona Oeste é reduzida e pouco variada, não atendendo às demandas, principalmente no que tange à indústria de transformação. Recentemente, numa ação importante para a região, o governo do estado do Rio de Janeiro criou o Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO), que já oferta desde 2005 12 graduação tecnológica em Produção em Siderurgia, Polímeros, Gestão da Construção Naval e Offshore, Produção de Fármacos, Biotecnologia e Sistemas de Informação. Para contribuir com a expansão do parque industrial da Zona Oeste é fundamental que as instituições de ensino repensem seus cursos e contemplem as áreas de plásticos, siderurgia, metalurgia, automação e instrumentação. A seção relativa às condições de governança da Zona Oeste menciona a existência do Conselho das Instituições de Ensino Superior da Zona Oeste – CIEZO. Este conselho é uma sociedade civil sem fins econômicos que se propõe a atuar no terceiro setor, buscando continuamente a melhoria das condições de vida no exercício pleno de cidadania. Formado pela união das sete instituições de Ensino Superior originárias da Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro, a saber, Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos, Faculdade Bezerra de Araújo, Faculdade Machado de Assis, Faculdades São José, Faculdades Integradas Simonsen e Universidade Castelo Branco, tem como missão atuar em todo território nacional com foco na Zona Oeste do Rio de Janeiro, disponibilizando, sob a forma de projetos em parceria, todo o conhecimento técnico-científico e cultural e a força de trabalho acumulada nas sete Instituições de ensino que o compõem. Acredita-se que um ponto importante para uma agenda de desenvolvimento da Zona Oeste é a criação de um fórum na área educacional pela UEZO, CIEZO e demais instituições de ensino instaladas na região, com participação das entidades empresariais e de representantes das escolas técnicas, tanto públicas quanto privadas. Isso permitirá detalhar uma agenda que dê
Sob o assunto ver o relatório de pesquisa Questões de Governança: Alternativas para Criar uma Câmara de Desenvolvimento da Zona Oeste do Rio de Janeiro.
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suporte a uma política de desenvolvimento sustentado para a Zona Oeste. O diagnóstico realizado sobre a Zona Oeste, apontou com clareza a existência de baixa qualificação da mão de obra, de baixos salários e menor faixa etária no total de trabalhadores, vis-à-vis o quadro existente na cidade do Rio. No entanto, entende-se que essas características devem-se não só às carências, mas também às características exigidas nas atividades hegemônicas na região em exame. Atividades como as vinculadas ao comércio varejista, que permitem via de regra a utilização de profissionais com menor qualificação, menor faixa salarial e menor faixa etária, empregam na Zona Oeste 32,1% dos trabalhadores, contra um percentual de empregados nessa atividade relativamente ao total de trabalhadores na cidade do Rio de Janeiro de 16,6% (tabela 8 anexa). Além disso, os dados da RAIS não mostram o nível educacional das pessoas em idade ativa que residam na Zona Oeste, mas sim das que lá trabalham. Como existe uma importante parcela de moradores da Zona Oeste que trabalham em outras regiões da cidade do Rio de Janeiro, é importante verificar nos desdobramentos da pesquisa a qualificação dos que lá moram e que poderão vir a ser aproveitados na própria região, na medida em que as atividades econômicas dentro da política proposta venham a ser amplificadas. Ou seja, a definição de uma agenda educacional para a Zona Oeste deve levar em consideração as atividades já existentes; as que podem vir a ser atraídas para a região dentro da estratégia definida; as ofertas na área educacional existentes; e a qualificação disponível na região, seja com relação aos que lá já trabalham, seja com relação aos que atualmente apenas residem na região. 8.7. Governança da Zona Oeste Os estudos citados anteriormente tornam claro que a alavancagem das ações propostas só será vitoriosa com forte protagonismo e articulação das lideranças locais, construindo uma governança para a região em exame. Se a Zona Oeste por um lado possui forte densidade populacional e força eleitoral, por outro lado, conforme apontado no diagnóstico geral do trabalho, possui precários indicadores de desenvolvimento e qualidade de vida 13 . É extremamente importante encontrar alguma forma de organização institucional local que possa ajudar a reverter esse quadro. Do ponto de vista populacional e territorial, a maior densidade populacional encontra-se nas RAs de Bangu e Realengo e as menores em Campo Grande e Santa Cruz. Dessa forma, ainda existiria uma importante reserva de terras em Campo Grande e Santa Cruz, sendo a Zona Oeste considerada a principal fronteira de expansão da cidade do Rio de Janeiro. Visando gerar um processo de desenvolvimento econômico com melhoria dos indicadores sociais e ampliação da cidadania, é necessário desenharem-se mecanismos de governança
A Revista da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande, chamada “Suce$$o Comercial & Empresarial”, no número de setembro e outubro de 2008 aponta, também, a importância da Área de Planejamento 5 no total de ICMS arrecadado na cidade do Rio. De acordo com os dados existentes na revista,, no primeiro semestre de 2008 a região foi responsável por 22,1% do total de ICMS arrecadado pelo governo do estado com base no valor adicionado na cidade do Rio.
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para a região. O caso de Santa Cruz atualmente é, no mínimo, bastante paradoxal. Por um lado concentra um conjunto de médias e grandes empresas de alta produtividade e geração de riqueza, e por outro um dos piores IDHs entre todas as Regiões Administrativas da cidade do Rio de Janeiroe o pior entre as quatro RAs da Zona Oeste. Isso reforça também a necessidade de serem pensadas, do ponto de vista econômico, políticas de encadeamento econômico e geração de emprego a partir das grandes e médias empresas ali instaladas. Esse ponto é também reforçado pelo fato de que, conforme apontado no diagnóstico, as grandes empresas da Zona Oeste geram menos empregos relativamente ao que ocorre nas grandes empresas da cidade do Rio de Janeiro. Ou seja, são mais intensivas em capital. Com relação ao assunto vale lembrar que a TK-CSA, que está em término de construção e preparação do início da operação, hoje possui em torno de 25 mil pessoas trabalhando cotidianamente em seu território sob as mais diversas modalidades e que partir do final deste ano passará a gerar apenas em torno de 3,5 mil empregos diretos. Dessa forma, na medida em que seja organizada uma governança, é de fundamental importância ampliar a participação das grandes empresas instaladas na Zona Oeste no cotidiano da população residente, gerando formas de atuação em diversas modalidades que permitam propiciar de fato uma melhoria da qualidade de vida e do emprego na região. Os macroinvestimentos privados e projetos, como o do Arco Metropolitano, trarão importantes modificações para a Zona Oeste. Nesse cenário, a Zona Oeste é um dos territórios que deverá se posicionar. Nesse sentido, a Secretaria Municipal de Urbanismo da prefeitura do Rio de Janeiro – SMU/RJ foi encarregada de elaborar uma proposta tendo como premissa: a) os investimentos públicos e privados previstos para a região; b) a provável realização das Olimpíadas de 2016. Em termos institucionais, um dos elementos extremamente positivos da proposta da SMU/RJ é o fato dela ter sido elaborada por um grupo de trabalho ad-hoc, com participação não apenas das diferentes secretarias da prefeitura, como também do governo do estado, um tipo de colaboração pouco freqüente entre diferentes departamentos e órgãos do governo. Contudo, as limitações do estudo da SMU/RJ relativos ao posicionamento da Zona Oeste são evidentes. Trata-se, em primeiro lugar, de uma proposta de ordenamento urbano funcional e preventivo alinhada [principalmente] com as possíveis demandas dos empreendimentos industriais associados ao Arco Metropolitano vinculadas à RA de Santa Cruz. Falta, sobretudo, uma visão de conjunto mais abrangente, que poderia ter sido feita, por exemplo, através de um amplo debate sobre os destinos da Avenida Brasil, principal eixo articulador da Zona Oeste a ser afetada pela construção do Arco Metropolitano. Em segundo lugar, a perspectiva parece corresponder melhor a de um território que deve ser posicionado, do que a de um território que deve posicionar-se. Não se depreende das conclusões do relatório a necessidade de ampliar o debate com os atores locais (com exceção das grandes empresas sediadas nos distritos industriais). Dessa maneira, mantém-se o círculo vicioso de grandes investimentos que geram escasso desenvolvimento local. Os pontos elencados parágrafo anterior já haviam sido apontados na seção sobre logística, no que diz respeito a uma estratégia para a Avenida Brasil, e na seção de ocupação e uso do solo, sobre o protagonismo e capacidade de iniciativa que a Zona Oeste deve buscar.

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A SMU/RJ faz propostas também para Realengo, tendo em vista as Olimpíadas militares de 2011, já confirmadas, e a possível realização das Olimpíadas de 2016 na cidade do Rio de Janeiro. É importante trazer o caso de Realengo para a agenda, pois a estratégia atual das Forças Armadas é de diminuir a presença militar na região e na cidade do Rio de Janeiro. Quando os dados de Realengo são analisados tomando-se como base as estatísticas da RAIS, verifica-se uma significativa redução do número de funcionários públicos nessa RA. Por outro lado, por conta dos Jogos Pan-Americanos de 2007 já foram realizados diversos investimentos, construindo instalações permanentes relativas à prática de hipismo, tiro esportivo, tiro com arco e prática de hóquei sobre grama. Além disso, no curto prazo essas instalações serão aproveitadas para a realização das Olimpíadas Militares de 2011, já confirmadas. Essas Olimpíadas mobilizaram no último evento em torno de 6 mil atletas de 87 países. O investimento estimado para o evento no Rio de Janeiro é de R$ 1,27 bilhões, a serem distribuídos na adequação das infra-estruturas e dos equipamentos esportivos, na construção de uma (nova) vila olímpica, e no desenvolvimento de software de comando e interligação de sistema esportivos, de arbitragem, mídia, divulgação e homologação dos resultados. Esses investimentos poderão ainda ser utilizados caso a cidade do Rio de Janeiro venha a ser vitoriosa na conquista da sede das Olimpíadas de 2016. Com relação a esse ponto, o desafio é engendrar negociações com o governo federal, estadual e municipal de forma a estabelecer uma estratégia que permita que a região venha a se beneficiar dos investimentos realizados, minorando os efeitos da desmobilização militar. Com relação à agenda de desenvolvimento para a Zona Oeste, o estudo sobre governança destaca iniciativas já existente vinculadas a instituições como SEBRAE, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro, Caixa Econômica Federal, NUCLEP, FIRJAN, FECOMÉRCIO-RJ, PETROBRAS, ELETRONUCLEAR, MICHELIN, LIGHT e TK-CSA. Aponta, no entanto, que é necessário sistematizar uma política que integre a vida das grandes empresas ao cotidiano da Zona Oeste, conforme já apontado, visando gerar encadeamentos, empregos e maior dinamismo econômico endógeno na região. Destaca ainda que a política não pode se limitar ao aspecto econômico stricto sensu. É preciso lembrar que hoje a Zona Oeste é não apenas a principal fronteira de expansão das atividades industriais na cidade do Rio de Janeiro, como também é a principal fronteira de expansão das favelas. De acordo com dados obtidos em exposição de Sergio Besserman Viana, os dez bairros com maior crescimento absoluto em área de favela entre 1999 e 2004 são, pela ordem, Guaratiba (com uma ampliação de 0,3 km2, o que corresponde a 22,7% da sua área de favela em 1991), Senador Camará, Santa Cruz, Acari, Jacarepaguá, Paciência, Campo Grande, Recreio dos Bandeirantes, Pavuna e Bangu. Além disso, os investimentos que atualmente ocorrem provavelmente reforçarão essa tendência. A Zona Oeste, do ponto de vista institucional apresenta importantes problemas, como o crescimento das milícias na região, já mostrado na seção sobre segurança pública, e uma lógica política marcadamente clientelista.

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Como ponto positivo, cabe observar que engana-se quem acredita que a Zona Oeste seja uma região sem história, sem identidade e sem laços sociais fortes por parte das suas comunidades. Finalmente, tendo em vista os elementos supra mencionados, cabe indagar “Por que não considerar a alternativa de constituir uma Câmara de Desenvolvimento da Zona Oeste do Rio de Janeiro?”.

9. Pontos discutidos no Workshop Os resultados do diagnóstico e dos estudos qualitativos mostram a complexidade da montagem de uma agenda de desenvolvimento, portanto os convidados da reunião do dia 15 de maio do corrente foram divididos em grupos para discutir a proposição de ações nos seguintes temas: Desenvolvimento Econômico, Pólo Metal-Mecânico e Comércio Exterior; Logística e Desenvolvimento; Segurança, uso e ocupação do solo; Educação; e Governança. Os grupos receberam uma síntese dos resultados dos estudos referentes aos temas e uma lista preliminar de ações que foram complementadas e debatidas na reunião. 9.1. Desenvolvimento Econômico, Pólo Metal-Mecânico e Comércio Exterior 1. Entre os participantes ficou claro que levando em conta uma visão de cadeias produtivas (conjunto de setores relacionados por relações de compra e venda) e não de setores, percebese que a Zona Oeste tem forte representação na cadeia produtiva de metal-mecânica: compreende da produção de matéria prima (minério de ferro, cromo e níquel), processamento de semi-acabados, laminados planos e longos, relaminados, trefilados e perfilados, até fabricação de máquinas e equipamentos e artigos de metal para uso doméstico. Pode-se dizer que essa cadeia produtiva, além de estar bem representada do ponto de vista produtivo com as indústrias metalúrgicas e mecânicas na Zona Oeste, tem entre as demais indústrias locais importantes setores industriais demandantes do aço inox, tais como os setores de alimentos e bebidas, químico e farmacêutico, editorial e gráfica. Dessa forma pode-se identificar a cadeia produtiva de metal mecânica é capaz de provocar efeitos de encadeamentos fortes nas demais indústrias locais ou como fornecedora de equipamentos que precisem de proteção contra a corrosão ou como fornecedora de insumos. Na discussão ficou claro entre os participantes que a consideração da abrangência da cadeia produtiva (considerar o foco metal mecânica e não o aço inox) é básica para o sucesso do projeto. Para corroborar a relevância desse ponto foi relatado, pelo representante do governo estadual, o insucesso da implantação do pólo de alumínio capitaneado pela Vale Sul e hoje totalmente desativado. Outras indústrias que poderiam ter forte encadeamento na cadeia produtiva de metalmecânica, mas que hoje ainda são incipientes na Zona Oeste, seriam a indústria de construção civil (infra-estrutura urbana e uso em imóveis residenciais) e a indústria do petróleo (principalmente através da indústria naval), ambas tem um potencial futuro de expansão que eventualmente mereceriam ser estudados. Em relação à indústria de construção civil, devido a ausência de representantes da mesma, não foi apresentada nenhuma proposta. Contatos realizados durante o evento confirmam a importância de detalhamento de alguma ação voltada para a indústria de construção civil, que ainda que não esteja localizada na Zona Oeste, pois essa vem fazendo vários lançamentos nessa região. Em relação ao detalhamento das ações para a indústria do petróleo, principalmente através da indústria naval, que é forte no estado do Rio de Janeiro, chamou-se atenção para o amplo

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leque de requerimentos feitos pela Petrobrás, principal demandante da indústria do petróleo, e da indústria naval por ser fornecedora global, para qualificar as empresas como suas fornecedoras. Desta forma o nível de qualificação técnica e empresarial das empresas locais que se candidatarem para serem fornecedoras terá que atingir esses requerimentos. Foi sugerido que o Prominp – Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás, programa do governo federal, coordenado pelo Ministério das Minas e Energia, e do qual participam as associações empresariais ABINEE, ABIMAQ, ABDIB, ABITAM, fosse contatado. Em especial, o estreitamento da relação com a ABIMAQ para a cadeia produtiva de metal-mecânica seria desejável. Uma outra sugestão na direção de atingir os requerimentos desejados foi estabelecer contato com a Rede de Tecnologia que congrega várias instituições relacionadas com normatização e padrões exigidos em cada indústria, inclusive o Inmetro. A Firjan e o Sebrae realizaram um estudo sobre os fornecedores da cadeia siderúrgica onde os principais problemas apontados convergem para a necessidade de capacitação empresarial das micro e pequenas empresas nas áreas de organização interna, gestão de conhecimento de contratos, qualidade e conformidade dos produtos e serviços. Foi também apresentada a idéia de procurar um maior estreitamento das relações com o Centro Tecnológico do Exército, instalado na região. Eles são também importantes demandantes de aço inox como insumo industrial. Propostas: Para todos os setores demandantes da cadeia produtiva de metal mecânica, composta pelas grandes empresas, seria interessante ter-se uma idéia mais aprofundada das demandas específicas das indústrias localizadas na região ou com forte potencial de exercer uma pressão de demanda sobre a cadeia de metal mecânica. O estudo já realizado pelo IE/UFRJ detalha a lista de produtos e seus potenciais usos. O desafio agora seria fazer um estudo de demanda de cada produto por empresas da região. Seria também interessante especular-se sobre outros produtos novos ainda não listados pelo estudo. Do lado dos fornecedores (oferta de bens e serviços) seria interessante um mapeamento das competências ou da ausência de competências para se desenhar um programa de capacitação empresarial local envolvendo aspectos técnicos e gerenciais. Como o universo de fornecedores da cadeia produtiva de metal-mecânica é muito grande (90% composto de micro e pequenas empresas) e o universo de demandantes bem menor, seria mais interessante começar pelo estudo de demandas por indústrias. 2. O próximo ponto discutido foi como aproximar as micro, pequenas e médias empresas das grandes de forma que estas empresas possam ser fornecedoras das grandes empresas da cadeia de metal-mecânica da região. Existe, segundo os participantes, um problema importante de visibilidade dessas empresas por parte do comprador. O pequeno empresário não consegue se fazer visível também porque não tem acesso aos fornecedores. A maior parte dos fornecedores e dos departamentos de compra das grandes empresas localiza-se fora da região de estudo. Já existe um estudo feito pelo grupo do Plano Estratégico, que está disponível para atualização, sobre a disponibilidade de oferta de produtos e serviços. O principal centro fornecedor é São Paulo. Neste sentido foram identificados dois níveis de problemas: um primeiro nível que diz respeito à formalização e legalização fiscal das empresas que as impede de se candidatar aos programas de capacitação e financiamento. É importante ressaltar que sem este trabalho o oferecimento de programas de capacitação e financiamento para essas empresas serão inacessíveis, pois elas não apresentam os requisitos mínimos exigidos: estar legalizada e estar com as obrigações fiscais em dia.

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Proposta: criar um centro de serviços capaz de esclarecer as empresas em como atingir esses objetivos (legalização jurídica e fiscal) nos moldes do que está sendo feito no “poupa tempo”, programa apoiado pelo Sebrae e pelo governo de estado, focado no cidadão. Esse centro poderia ser abrigado pelas associações comerciais/industriais da região. A vantagem seria permitir ao empresário dispor de todas as informações reunidas em um só local através do uso de tecnologia de informação. Poderiam também ser planejados por esses centros várias semanas legais, onde os Bancos presentes na reunião (Banco do Brasil e Caixa Econômica) poderiam prestar assistência aos interessados sobre, por exemplo, os aspectos fiscais necessários para a legalização das empresas. O Sebrae poderia contribuir com a s informações necessárias para a formalização jurídica das micro e pequenas empresas. O segundo nível de problemas diz respeito à capacitação empresarial das micro, pequenas e médias empresas. Todas as empresas que querem ser fornecedoras de grandes empresas, ou fornecedoras de empresas que exportam, ou exportadoras precisam estar produzindo de acordo com as exigências de uma empresa de classe mundial. Essas exigências envolvem instrumentos de gestão (qualidade e iso’s) e instrumentos técnicos (metrologia e tecnologia). Proposta: criação de um centro de inovação empresarial de metal-mecânica na região. O papel desse centro seria mapear os cursos de capacitação já disponíveis nas instituições, tais como Senai, Inmetro, Rede de Tecnologia, Sebraetec, Escolas Técnicas e outras instituições que interessam à capacitação das empresas locais, baseado nos diagnósticos propostos no primeiro ponto. Mapeadas essas competências organizar cursos para serem oferecidos na região. As experiências anteriores indicam que muitas vezes os cursos existentes não atendem as demandas locais. A vantagem do centro seria poder indicar quais são as demandas reais da região baseado em evidência empírica clara de quais são as competências ausentes nos potenciais fornecedores de bens e serviços locais. 3. O terceiro ponto discutido refere-se às políticas e incentivos necessários para atrair boas empresas para a região, inclusive os fornecedores. Entre os pontos mais importantes destacados foi a importância da criação de áreas industriais específicas para a instalação de empresas e a mudança que isso acarretaria no código de urbanismo das regiões administrativas envolvidas. Em relação aos incentivos fiscais foi constatado que existem incentivos fiscais específicos para a cadeia produtiva de metal-mecânica que poderiam ser buscados pelas empresas locais. Um outro ponto importante seria o apoio governamental na criação de infra-estruturas, como os centros acima propostos. O uso de incentivos fiscais para atração de empresas, na visão de alguns participantes, é menos importante do que o desempenho econômico de uma região. A pujança econômica de uma região é um forte atrativo para outras empresas. É importante ressaltar que essa não é uma visão liberal de aversão à participação do estado, mas a crença de que políticas voltadas para a consolidação e modernização das empresas são mais eficazes do que a concessão de incentivos fiscais, ainda que a isonomia tributária precise ser assegurada. Um outro ponto importante foi o aumento da oferta de crédito local. Os bancos presentes podem desenhar, quando solicitados, uma política específica para o financiamento das empresas atuais e das potenciais investidoras. 4. Aspectos propostos, mas não discutidos: o perfil das empresas industriais e de serviços industriais a serem criadas e as qualificações necessárias para ampliar o número de empresas exportadoras e das regiões administrativas que exportam. Acredita-se que o primeiro ponto seja dependente do mapeamento das atuais empresas industriais e de serviços e de suas competências atuais. A demanda das empresas para a contratação de fornecedores tanto atual

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como futura, estudo ainda a ser realizado, também auxiliará na construção desse perfil de micro e pequenas empresas desejadas. Em relação a ampliação das exportações além das necessidades acima apontadas que poderão ser preenchidas com as propostas apresentadas de legalização e capacitação, seria necessário se discutir um serviço de inteligência competitiva de visibilidade do mercado externo. Contatos com a Apex são muito importantes. 9.2. Logística e Desenvolvimento As ações discutidas pelo grupo de logística e desenvolvimento envolveram vários aspectos. 1. Em primeiro lugar, foi considerado o aspecto da infra-estrutura de transportes. Houve consenso entre os participantes do grupo que o transporte ferroviário, tanto de massa quanto de carga, deve ser priorizado na região, pois o escoamento pela Av. Brasil é ineficiente e traz danos à população e às empresas. Proposta: Modernizar e recuperar a malha ferroviária 2. Foi discutida também a necessidade de integração dos modais de transporte (ferroviário, rodoviário, hidroviário e aeroviário). A disponibilidade de terrenos na região facilita a estratégia de construção de plataformas logísticas que permitiriam maior eficiência no transporte e na distribuição de mercadorias. Proposta: Elaboração de um plano de logística de cargas com plataformas de distribuição intermodais, prevendo incentivos fiscais municipais e estaduais (ISS, ICMS, IPTU, ITBI,IPI). 3. O grupo também considerou importante discutir os benefícios que o porto de Itaguaí poderia trazer à região; a proximidade da Zona Oeste com este porto constitui uma vantagem cuja materialização depende da melhoria da acessibilidade do porto. Proposta: Melhorar o acesso ao porto de Itaguaí desenvolvendo um plano integrado de logística que o conecte ao arco metropolitano. 4. Ainda sobre portos, considerou-se relevante definir ações visando à integração dos portos do estado do Rio de Janeiro – Itaguaí, centro do Rio e Açu – de forma a propiciar ganhos de eficiência no transporte e distribuição de mercadorias. Proposta: Desenvolver uma política integrada dos portos do Rio de Janeiro. 5. O grupo também discutiu intervenções na malha viária dos bairros, como por exemplo o plano que a CET-Rio fez para Campo Grande. Estas intevenções devem considerar a melhoria da circulação dentro dos bairros e o aumento de eixos norte-sul. Proposta: articular planos de transporte viário do município e do estado. 6. Finalmente, foram discutidas as condições da Av. Brasil e suas possibilidades de melhorias. O grupo entende que a instalação de galpões para arranjos produtivos locais e centrais logísticas consorciadas seria importante para a revitalização da Av. Brasil.

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Proposta: Instalação de galpões para abrigar arranjos produtivos locais, prevendo incentivos fiscais municipais e estaduais (ISS, ICMS, IPTU, ITBI, IPI). 9.3. Segurança Pública e Uso do Solo 1. O primeiro ponto discutido pelo grupo foi o da questão ambiental em relação à ocupação e uso do solo. Em primeiro lugar, foi mencionada a pressão urbana exercida principalmente sobre as unidades de conservação dos Maciços da Pedra Branca e do Mendanha e sobre os mangues de Guaratiba. Em segundo lugar foi levantada a questão dos passivos ambientais; e da falta de uma política de ocupação industrial que evite os prejuízos sobre a saúde da população. Foi citado como exemplo o caso da determinação governamental de promover a destinação dos resíduos nos bairros de Paciência e Bangu. Tal decisão reflete o fato de a regulamentação do uso do solo se dar sem que seja do conhecimento e da participação das comunidades, pois os EIA e RIMA não chegam à população. Foi relatado também que ocorreu no dia primeiro de maio um protesto contra a fábrica da Thyssen, em razão da ausência de um plano de controle ambiental. Foram ainda mencionados estudos que comprovam a migração da ilha de calor de Bangu para Campo Grande. Na discussão destes aspectos pelos componentes do grupo, foi informado que o estado do Rio de Janeiro possui um diagnóstico específico sobre os resíduos industriais. Propostas: Criação de Grupo Executivo de análise do licenciamento de projetos de natureza residencial, comercial e industrial na Zona Oeste e revisão de parâmetros de uso e ocupação do solo. Sugere-se a localização de indústrias de micro e pequeno porte, com adensamento limitado pelas restrições associadas à fragilidade do meio ambiente, mas que, por outro lado, não ignore o processo desordenado de adensamento em andamento. 2. O segundo ponto discutido pelo grupo foi a necessidade de soluções de caráter sistêmico para a região. O grupo concorda que há abundância de espaços disponíveis, faltando a articulação entre os espaços, sendo necessários a criação e expansão de logradouros e investimentos em infra-estrutura viária para permitir a reversão do processo de transporte de baixa qualificação. Foi observado que, nos planos de estruturação urbana da região (Bangu e Campo Grande), a preocupação da Secretaria de Urbanismo é a de permitir a mistura de usos, com predomínio da ocupação residencial e menor índice de uso para comércio e serviços. Não houve até o momento uma política de desenvolvimento econômico e de transporte específica para a região, o que empurrou as empresas na direção do cinturão agrícola, onde havia terrenos de baixo custo. Não houve uma política de oferta de empregos, nem a identidade da população com o ambiente, nem um elo cultural. Um dos exemplos desse choque foi a expulsão das colônias de agricultores japoneses, decorrente da mudança veloz e sem critério do padrão de ocupação agrícola para o industrial. Todo esse processo gerou uma cultura de ocupação irregular, de expulsão com decréscimo da qualidade de vida. O Conjunto Nova Sepetiba é um exemplo desse tipo de processo danoso, no qual a integração com as demais áreas é feita de maneira desarticulada. Todos esses aspectos contribuem para a expansão da violência. Programas federais como o Minha Casa Minha Vida podem contribuir de maneira negativa para a região, pois replica o mesmo padrão do Nova Sepetiba. Foi apontada também a necessidade da revisão da legislação. O grupo considera importante a participação da população nos instrumentos de planejamento, tais como o PPA e o Orçamento Participativo. Propostas: Revisão do Plano Diretor do Município do Rio de Janeiro, com utilização dos

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Instrumentos Previstos no Estatuto da Cidade para a Obtenção de Recursos de Financiamento da Infra-Estrutura Local; Estabelecimento efetivo de uma política habitacional para os segmentos de baixa renda e regularização dos espaços e construções já habitados em comunidades populares da região, reduzindo a ampla margem de ilegalidade que favorece o controle territorial armado dessas áreas, seja pelo tráfico seja pelas milícias. 3. A discussão dos problemas de segurança gerados pela ocupação irregular mostra que o binômio desenvolvimento econômico e segurança pública deve ser estudado de maneira mais aprofundada. Quando não há desenvolvimento as necessidades de segurança pública aumentam. È gerado então, um círculo vicioso, no qual as atividades que podem contribuir para a redução do problema da violência não são atraídas para o local. O planejamento da ocupação e o uso do solo se reveste de importância fundamental, a fim de que o desenvolvimento econômico não faça aumentar a criminalidade. Além disso, é necessário definir ações que antevejam o problema da segurança. Foi observado que existe um preconceito contra os residentes da Zona Oeste que prejudica a oferta de emprego e força os residentes a percorrerem grandes distâncias até o local de trabalho. Dessa forma, o transporte passa a ser moeda de negociação originando conflitos entre as milícias, assim como a distribuição de gás e o chamado “gatonet”. Sobre a questão específica do transporte, foi observada a necessidade de se avaliar o impacto do Arco Metropolitano na região, uma vez que a AP 5 está incluída como cabeceira oeste do arco. assim como o COMPERJ é a cabeceira leste. Os EIA e RIMAS desta área foram estudados de forma parcial, cabendo avançar nos pontos que os dois estudos se integram. Propostas: Definição de uma política de transporte integrada que leve em consideração as necessidades de cargas e de passageiros, as necessidades internas a cada bairro e RA e as necessidades de integração da Zona Oeste com a cidade, a estrutura portuária e aeroviária e as formas de acesso ao Rio. Nesta política se inclui a fiscalização rigorosa do transporte dito “alternativo” usualmente explorado por grupos criminosos, seja de forma direta ou mediante extorsão; Criação de um Forum Permanente de Segurança Pública para a Zona Oeste; Ampliação dos efetivos das Polícias Militar e Civil e da Guarda Municipal nas unidades da Zona Oeste; Gestões junto à ANP e ao Sindigás, ao Detro e às operadoras de TV por assinatura para coibirem a exploração ilegal, respectivamente, da distribuição de botijões de gás, do transporte alternativo e do chamado “gatonet”. 9.4. Educação 1. As discussões em torno das propostas de educação tiveram início com a constatação de que havia a necessidade de recolher informações e definir ações visando ao planejamento de médio e de longo prazos. Propostas: Levantamento de terrenos disponíveis para a construção de escolas; definição de indicadores de capacitação e aplicação destes indicadores aos dados disponíveis; mapeamento das cadeias produtivas existentes na região visando à proposição de novos cursos de capacitação técnica e profissionalizante; avaliação da ampliação da oferta de cursos em capacitações com expressiva demanda de empresas (como, por exemplo, segurança do trabalho). 2. Além disso, foi mencionado que as ações de capacitação necessitavam contemplar todos os níveis de educação, uma vez que a má qualidade da educação básica tinha implicações danosas ao desempenho da mão de obra. Foram mencionadas ações da TK-CSA em parceria

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com o SENAI (projetos Transformar e Articular) que incluíam, além da capacitação técnica e profissional, o reforço da escolaridade dos participantes. Proposta: Identificar ações integradas de fomento à qualidade da educação que possam ser desenvolvidas na região. 3. Foi também observado que as ações de capacitação deveriam se dirigir não apenas aos trabalhadores como também aos empresários, visto que a maior parte dos micro e pequenos empresários têm baixa escolaridade e consequentemente problemas de gestão. Proposta: Política de certificação de saberes industriais e de treinamento e capacitação dos micro e pequenos empresários. 4. O fomento ao empreendedorismo também se coloca como ação importante na medida em que permite desenvolver novas empresas na região. A UEZO tem um projeto de criação de incubadora que pode ser um passo importante nesta direção. Outra questão colocada pelo grupo foi a necessidade de incentivo aos cursos de pós-graduação na região, em particular aqueles que gerem conhecimento que possa ser aproveitado pelas empresas. Proposta: Definir ações de criação de novas empresas que integrem o conhecimento gerado nas instituições de ensino superior às necessidades locais. 5. Foi consenso entre os participantes do grupo que o processo de capacitação exige uma articulação entre instituições e empresas. Além disso, há que se conciliar a oferta de cursos de ensino médio com a demanda. Uma dificuldade apontada é que há uma demanda reprimida por ensino médio diurno, mas a maioria das novas vagas que vem sendo ofertada pelo governo do Estado é de cursos noturnos. Propostas: Implementação de um programa de estágios nas empresas da região; constituição de um fórum de educação envolvendo representantes das instituições de ensino técnico, profissional e superior, das empresas e do poder público. Finalmente, a duplicidade de ações deve ser evitada; portanto, o grupo chegou à conclusão que o primeiro passo mais importante para começar a desenvolver as ações seria a constituição de um fórum de educação, ligado ao conselho de desenvolvimento da região, que envolvesse todas as partes interessadas no assunto. O diálogo deste fórum com regiões do entorno que dispõem de iniciativas de capacitação de mão de obra, como por exemplo Itaguaí, é fundamental. 9.5. Governança Nos depoimentos dos participantes do grupo “Governança”, com relação à pauta elaborada pela coordenação, foram levantadas as seguintes questões: 1. Há consenso de que a importância econômica, social e política da Zona Oeste do Rio de Janeiro não coincide com sua capacidade de mobilização. Predominam ainda na região práticas fisiologistas (e clientelistas) que neutralizam as iniciativas de organização das forças locais. Por outro lado, apesar de ter em conta as oportunidades abertas pela histórica circunstância do alinhamento político entre a nova gestão municipal e o governo do Estado,

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há a percepção de que muito pouco pode ser esperado das instituições publicas – como, aliás, tem sido a tradição. 2. Contudo, há também o reconhecimento de que, pela natureza e envergadura dos investimentos que estão sendo realizados, bem como pelos desafios colocados à região em termos de logística, inovação, qualificação de mão-de-obra e emprego, entre outros, a participação do Estado – e das instituições públicas de um modo geral – resulta indispensável. O problema que se coloca, portanto, é o de saber como se canaliza essa participação, e em quais termos. 3. Nesse sentido, pondera-se que a elaboração de uma agenda de problemas regionais é um elemento estratégico. A questão seria como elaborar essa agenda para que atenda efetivamente às demandas locais. 4. A constituição de alguma forma de representação empresarial local (Conselho, Câmara de Desenvolvimento, Agencia de Desenvolvimento) é considerada necessária. Dessa maneira, o diálogo sobre o desenvolvimento local poderia se tornar mais produtivo, desde que mais próximo do conjunto dos problemas locais (principalmente sociais, ambientais e de segurança). 5. Com relação às grandes empresas da região, principalmente a CSA, em processo de implantação, constata-se que a Zona Oeste não está preparada para receber esse tipo de empreendimento, sobretudo no que diz respeito à qualificação da mão-de-obra. Porém, a preocupação diz respeito também aos problemas sociais das “comunidades do entorno”. 6. A velocidade com que os investimentos estão acontecendo é um fator que torna ainda mais premente a necessidade de se organizar para atender os problemas regionais. Estima-se que logo outras empresas de grande porte venham se instalar na Zona Oeste. 7. Para as grandes empresas, uma “aliança” empresarial regional reforçaria a capacidade de ação dos atores locais frente ao Estado, além de facilitar o desenvolvimento de projetos sociais de forma coordenada. 8. Deveria ser também considerada a possibilidade de que as grandes empresas invistam diretamente na rede privada de ensino da região, no caso dos cursos de qualificação, e de que seja desenvolvida uma ampla rede de fornecedores. Nesse sentido, um conhecimento mais aprofundado das cadeias produtivas dos grandes empreendimentos torna-se imprescindível. 9. O diagnóstico realizado pelo Instituto de Economia da UFRJ, representa, na visão dos participantes do grupo, um significativo aporte ao processo de articulação e mobilização das lideranças locais da Zona Oeste. Espera-se, entretanto, que ele possa ter desdobramentos e continuidade. Esse último aspecto, em particular, é enxergado como um dos mais críticos, tendo em conta o histórico de iniciativas de mobilização que não conseguiram ganhar fôlego – em parte explicado pela excessiva dependência (dessas iniciativas) dos governos de turno. 10. Como suporte para a definição de uma agenda e o desenho de estratégias, é necessário gerar massa crítica na região. Nesse sentido, acreditamos ser importante uma articulação da governança com a Faperj, a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia e universidades e centros de pesquisa.

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11. Houve também o reconhecimento de elementos culturais a serem mobilizados em prol do desenvolvimento regional, tais como a tradição industrial de Bangu e sua disseminação posterior através da construção da Avenida Brasil. 12. Por outro lado, os PEUs foram assinalados como iniciativas públicas que mereceriam ser recuperadas. No caso de Bangu e Campo Grande, eles já existem, mas nas outras áreas ainda deveriam ser desenvolvidos. 13. Por último, foi levantada a questão do Uso do Solo, que resta ainda como um elemento bastante crítico para a instalação de grandes empreendimentos na Zona Oeste. Proposta: Constituição de um grupo de trabalho composto principalmente por lideranças locais (empresariais) que teria como tarefa o desenho de uma estratégia de mobilização através da criação de um Conselho de Desenvolvimento da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

10. Agenda de ações 10.1. Desenvolvimento Econômico, Pólo Metal-Mecânico e Comércio Exterior Foco principal: Adensar a cadeia produtiva de metal mecânica Ações Prioritárias: • Facilitar a formalização e legalização da micro-empresa através da criação de centros de serviços que envolvam informações sobre: legalização de empresas (semana legal); informação sobre financiamentos; informações sobre serviços prestados por outras instituições (capacitação empresarial); Atualizar e simplificar o Código de Zoneamento da Zona Oeste com possível criação de áreas especiais para abrigar novas empresas (distrito industrial de Bangu); Avaliação de políticas (Incentivos Fiscais, Fomento, Instrumentos de Indução do Desenvolvimento) para o desenvolvimento local que possam ser implementadas na região; Discutir como integrar o Centro Tecnológico do Exército ao Pólo Metal Mecânico; Avaliar as condições requeridas pelas grandes empresas para que as empresas da região se tornem fornecedoras; Criar um Centro de Inovação Empresarial de Metal Mecânica na Zona Oeste Dar visibilidade à oferta (bens e serviços) das pequenas e médias empresas estabelecidas na região; Integrar-se ao portal de fornecedores da indústria de petróleo e gás (Promimp/Abimaq/MME); Criar programas de capacitação na área de Qualidade/Conformidade/Prazo de entrega, muitas vezes mais importante que preço.

• • • • • •

SÍNTESE: Estratégia clara de desenvolvimento de capacitação empresarial e inteligência estratégica para a realização de negócios

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10.2. Logística e Desenvolvimento Foco principal: Propor uma política integrada de intervenções de logística na região Ações Prioritárias: • • • • • • • • • • • Transporte ferroviário (de massas e cargas) deve ser considerado prioritário Necessidade de modernizar e recuperar a malha ferroviária. Necessidade de integração dos modais de transporte (ferroviário; rodoviário; hidroviário e aeroviário). Deve ser realizado um plano de logística de cargas – plataformas de distribuição intermodais Integração do porto de Itaguaí por plano logístico à região Integração do arco metropolitano à região Necessidade de desenvolvimento de uma política de integração dos portos do Rio de Janeiro Necessidade de intervenções na malha viária dos bairros a exemplo do plano para Campo Grande desenvolvido em conjunto por ACIG e CET-Rio Pensar a Av. Brasil como local de centrais logística consorciadas Utilizar galpões vazios na região para instalação de micro e pequenas empresas Articular planos com município e ERJ a exemplo da P3 (incentivos fiscais)

SÍNTESE: Desenvolvimento de ações na área de logística passa por ações integradas de utilização da infra-estrutura e de melhoria das condições de acesso à região

10.3. Segurança Pública, Ocupação e Uso do Solo Foco principal: propor ações de melhoria das condições de segurança e de uso do solo. Ações Prioritárias: • • Criação de Grupo Executivo de análise do licenciamento de projetos de natureza residencial, comercial e industrial na Zona Oeste. Revisão do Plano Diretor do Município do Rio de Janeiro e Utilização dos Instrumentos Previstos no Estatuto da Cidade para a Obtenção de Recursos de Financiamento da Infra-Estrutura Local Definição de uma política de transporte integrada que leve em consideração as necessidades de cargas e de passageiros, as necessidades internas a cada bairro e RA e as necessidades de integração da Zona Oeste com a cidade, a estrutura portuária e aeroviária e as formas de acesso ao Rio. Nesta política se inclui a fiscalização rigorosa do transporte dito “alternativo” usualmente explorado por grupos criminosos, seja de

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forma direta ou mediante extorsão. • Revisão de parâmetros de uso e ocupação do solo. Sugere-se a localização de indústrias de micro e pequeno porte, com adensamento limitado pelas restrições associadas à fragilidade do meio ambiente, mas que, por outro lado, não ignore o processo desordenado de adensamento em andamento. Estabelecimento efetivo de uma política habitacional para os segmentos de baixa renda e regularização dos espaços e construções já habitados em comunidades populares da região, reduzindo a ampla margem de ilegalidade que favorece o controle territorial armado dessas áreas, seja pelo tráfico seja pelas milícias. Criação de um Forum Permanente de Segurança Pública para a Zona Oeste. Ampliação dos efetivos das Polícias Militar e Civil e da Guarda Municipal nas unidades da Zona Oeste. Gestões junto à ANP e ao Sindigás, ao Detro e às operadoras de TV por assinatura para coibirem a exploração ilegal, respectivamente, da distribuição de botijões de gás, do transporte alternativo e do chamado “gatonet”.

• • •

SÍNTESE: Estratégia integrada de habitação, transportes e segurança é fundamental para a promoção do desenvolvimento.

10.4. Educação Foco principal: propor uma estratégia de educação integrada visando ao desenvolvimento da região. Ações Prioritárias: • • Realizar um mapeamento das cadeias produtivas da região (incluindo cadeias de fornecedores) e das competências necessárias para o trabalho nestas cadeias Desenvolver um planejamento estratégico na área de educação, que contemple todos os níveis de educação (básico, médio, técnico, superior) e integrado com demais áreas do projeto (desenvolvimento econômico, acessibilidade/logística, segurança, uso do solo, governança) Promover o aumento da escolaridade Fomento às atividades culturais Fomento ao empreendedorismo Promover iniciativas educacionais visando conscientização da cidadania e da responsabilidade social e ambiental Organizar um Fórum Regional de Educação ligado a Conselho de Desenvolvimento

• • • • •

SÍNTESE: O desenvolvimento dos indivíduos da região em todos os aspectos deve ser promovido através de um diálogo permanente entre instituições de ensino, empresas, instituições de governo e sociedade civil.

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10.5. Governança Foco principal: promover ações visando à articulação da governança da região Ações Prioritárias • Criação de um Conselho de Desenvolvimento com comitê organizador composto por: ACERB (Associação Comercial e Empresarial da Região de Bangu), ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), ACIRA (Associação Comercial e Industrial de Realengo e Adjacências), AEDIN (Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz), ADEDI (Associação das Empresas do Distrito Industrial de Campo Grande), Peri Cozer, Moacyr Bastos O Conselho tem como tarefas principais: Contribuir na discussão do Plano Diretor e do Plano de Estruturação Urbana e estratégia de ocupação da região Promover a cultura e a auto-estima Promover ações de integração entre economia, desenvolvimento de infra-estrutura e políticas sociais Fomentar a integração entre grandes empresas, MPEs e sociedade civil SÍNTESE: As empresas necessitam se envolver na promoção de ações visando ao desenvolvimento da região, mantendo um diálogo constante com o setor público e a sociedade civil

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Equipe de Pesquisa Coordenação Renata Lèbre La Rovere (professora, IE/UFRJ e pesquisadora do INCT Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento do CNPq) Diagnóstico da Região Lia Hasenclever (professora, IE/UFRJ) Rodrigo Lopes (assistente de pesquisa, IE/UFRJ) Vitor Pimentel e Luiza Lins (bolsistas, IE/UFRJ) Questionários Thiago Rodrigues Cabral, Aline Godoy e Raphael Rolim - Ayra Consultoria (Empresa Junior da UFRJ) Estudos Qualitativos Educação Márcia Pimentel, Márcia Farinazo e Risomar Guedes (FAETEC) Pólo metal-mecânico Eduardo Cunha (Núcleo Inox) com a colaboração de Mario Cordeiro (FALMEC) Comércio Exterior: João Bosco Machado (professor, IE/UFRJ) Camila Monteiro (estagiária, IE/UFRJ) Logística e Infra-Estrutura Luiz Martins de Melo (professor, IE/UFRJ) Vinicius Dominato (estagiário, IE/UFRJ) Ocupação e Uso do Solo Nelson Chalfun (professor, IE/UFRJ) Governança Giuseppe Cocco (professor, ESS/UFRJ) Gerardo Silva (pesquisador, LABTEC/UFRJ) Segurança Pública Leonarda Musumeci (professora, IE/UFRJ) Agenda de Desenvolvimento Mauro Osório da Silva (professor, FND/UFRJ) Fernando Scofano (estagiário, IE/UFRJ)

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Referências bibliográficas BARROS, F. R. Economia Industrial do Novo Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: APEC; IDEG, 1975. CHALFUN, N. Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno: diagnóstico sobre o uso e a ocupação do solo. Rio de Janeiro: IE/UFRJ, 2009 (Relatório de Pesquisa). CHALFUN, N. “Tipologia de Distritos Industriais. O Caso da Cidade Industrial de Curitiba”. Archétypon. Ano 6, nº 18. pp. 89-94. set-dez (1998). COCCO, G. Trabalho e Cidadania. Produção e direitos na era da globalização. São Paulo: Cortez, 2000. CUNHA, E. H. Encadeamento da cadeia do aço inox no Rio de Janeiro: perspectivas e possibilidades da Zona Oeste. São Paulo: IE/UFRJ, 2009 (Relatório de Pesquisa). FAURÉ Y.-A. HASENCLEVER L. (org.), O Desenvolvimento Local no Estado do Rio de Janeiro. Estudos Avançados nas Realidades Municipais, Rio de Janeiro, Editora E-Papers, 2005. HASENCLEVER, L.; LOPES, R. Análise dos dados da PIM-PF, 1996-2008. O município do Rio de Janeiro ainda mergulhado em resultados medíocres. Relatório de Pesquisa. Rio de Janeiro: IE/UFRJ e IUPERJ, 2009. HASENCLEVER, L. et. al. Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno: diagnóstico sócio-econômico do local. Rio de Janeiro: IE/UFRJ, 2009 (Relatório de Pesquisa). LESSA, C. O Rio de todos os Brasis. [Uma reflexão em busca de auto-estima]. Rio de Janeiro: Record, 2001. MACHADO, J. B. M. A Zona Oeste e o Comércio Internacional. Relatório para o Projeto Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno. Rio de Janeiro: IE/UFRJ, 2009 (Relatório de Pesquisa). MACHADO, M. P. et. al. Contribuições da Educação Profissional para o Desenvolvimento da Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro: subsídios para fundamentar novas propostas em consonância com o contexto econômico da região. Rio de Janeiro: IE/UFRJ, 2009 (Relatório de Pesquisa). MELO, L. M. Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno: trabalho sobre logística, políticas industriais e de apoio. Rio de Janeiro: IE/UFRJ, 2009 (Relatório de Pesquisa). MOTTA VEIGA, P.; MACHADO, J.B.; CARVALHO, M. Estudo do Universo Exportador Brasileiro. Brasília: MICT, 1998.

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TABELA 1 Participação das Capitais Unidades Federativas no Produto Interno Bruto Nacional a Custo de Fatores e Variação Percentual da participação entre 1970 e 2006 Part.% 1970 0,22 0,67 2,09 0,03 1,26 0,19 0,10 1,36 0,21 0,83 0,44 0,19 0,11 0,29 0,50 0,24 2,46 0,09 1,50 0,07 12,84 1,45 0,24 21,23 0,13 0,44 100,00 Part.% 2006 0,21 0,51 1,34 0,12 3,94 0,31 0,29 1,29 0,27 0,93 0,65 0,25 0,15 0,29 1,28 0,31 0,08 1,20 0,15 0,73 0,11 4,82 0,96 0,46 11,58 0,25 0,53 100,00 Var.% 70-06 -3,5 -23,2 -36,2 260,1 211,2 63,6 200,1 -4,7 29,1 11,8 47,0 30,3 40,1 3,0 155,0 27,2 -51,4 59,7 -51,4 56,7 -62,5 -33,9 86,8 -45,4 91,9 19,8 -

Capitais Aracaju Belém Belo Horizonte Boa Vista Brasília Campo Grande Cuiabá Curitiba Florianópolis Fortaleza Goiânia João Pessoa Macapá Maceió Manaus Natal Palmas Porto Alegre Porto Velho Recife Rio Branco Rio de Janeiro Salvador São Luís São Paulo Teresina Vitória Brasil

Fonte: IBGE, Produto Interno Bruto dos Municípios 2003-2006 e IPEAData (acesso em 7 de janeiro de 2008). Observação: para o ano de 2006, somatório dos Valores Adicionados dos setores agropecuário, industrial e de serviços.

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TABELA 2 Participação das Unidades Federativas no Produto Interno Bruto Nacional a Custo de Fatores e Variação Percentual da participação entre 1970 e 2006

Part.% Unidades Federativas Acre Alagoas Amapá Amazonas Bahia Ceará Distrito Federal Espírito Santo Goiás Maranhão Mato Grosso Mato Grosso do Sul Minas Gerais Pará Paraíba Paraná Pernambuco Piauí Rio de Janeiro Rio Grande do Norte Rio Grande do Sul Rondônia Roraima Santa Catarina São Paulo Sergipe Tocantins Brasil 1970 0,13 0,68 0,11 0,69 3,80 1,44 1,26 1,18 1,52 0,82 1,09 8,28 1,10 0,71 5,43 2,91 0,37 16,67 0,54 8,60 0,10 0,03 2,68 39,43 0,43 100,00

Part.% 2006 0,22 0,69 0,24 1,62 4,06 2,00 3,94 2,10 2,47 1,26 1,52 1,02 9,22 1,96 0,88 5,88 2,34 0,56 11,49 0,89 6,67 0,57 0,17 4,01 33,15 0,66 0,43 100,00

Var.% 70-06 65,9 2,0 118,8 134,9 6,8 38,6 212,3 77,6 62,8 54,1 39,7 11,4 78,0 23,7 8,2 -19,5 51,3 -31,1 64,2 -22,5 467,6 454,0 49,6 -15,9 54,2 -

Fonte: IBGE, Contas Regionais do Brasil, e IPEAData. Observação: para o ano de 2006, somatório dos Valores Adicionados Brutos dos setores agropecuário, industrial e de serviços.

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TABELA 3 Variação porcentual do total de empregos formais segundo Setores do IBGE por Grandes Regiões e Unidades Federativas entre 1985 e 2007

Unidade Territorial

Agropecuária 787,1 3.161,2 1.829,4 199,9 1.860,0 518,5 9.533,3 342,0 723,2 511,3 186,7 495,0 941,9 209,0 72,6 551,2 572,1 248,5 403,7 506,2 161,6 186,5 248,2 250,5 233,0 254,7 849,3 804,3 900,3 1.051,6 202,1 314,4

Ind. Ext. Mineral -14,8 -80,1 1.833,3 -60,3 33,7 -10,2 69,7 -53,7 73,3 83,9 164,9 107,4 61,7 96,4 984,6 27,6 26,2 11,3 -2,4 101,6 5,5 -34,0 -0,8 -54,7 -13,4 46,9 90,1 30,6 39,8 179,4 18,6

Ind. de Transf. 126,7 436,0 221,5 91,5 474,8 103,7 32,6 72,2 104,4 139,0 142,0 96,9 107,1 6,0 121,6 52,4 79,9 8,3 84,5 84,0 -27,5 2,1 76,7 148,7 98,9 30,3 309,3 277,7 494,3 313,3 129,4 35,8

Serv. Ind. Util. Púb. 59,9 25,3 9,0 30,5 146,1 36,8 80,6 10,6 32,3 -5,2 -4,1 60,6 70,1 1,9 47,3 38,3 -14,2 28,0 36,7 73,8 -1,1 43,5 29,7 46,8 35,5 13,0 7,0 -10,9 7,0 10,7 10,9 24,5

Construção Civil 131,0 25,7 305,4 152,1 1.481,1 68,6 264,0 67,2 21,7 27,6 113,1 188,7 63,9 42,6 42,4 89,7 76,8 83,3 95,5 167,4 50,4 85,7 108,3 25,6 398,5 151,5 127,2 150,6 193,7 59,1 221,0 88,4

Comércio 331,1 478,7 534,3 200,4 475,1 250,7 759,7 188,5 317,8 254,1 164,0 344,2 234,8 151,7 183,1 182,9 165,0 144,2 202,8 264,2 81,7 149,4 137,5 162,5 248,1 79,5 252,2 193,0 440,6 227,3 227,4 160,8

Serviços 153,9 197,0 162,3 174,8 281,8 86,9 624,5 114,4 140,1 141,9 147,2 181,7 112,6 92,5 41,2 209,6 101,6 86,5 95,5 147,9 52,3 98,0 101,9 100,9 153,5 82,1 132,4 120,9 165,1 143,5 118,9 97,3

Admin. Pública 202,8 141,0 108,3 175,6 89,8 166,0 260,4 102,3 150,7 110,4 84,6 108,7 77,8 87,8 104,1 90,3 120,5 74,5 140,1 96,6 40,1 68,2 42,1 85,8 73,0 0,6 101,0 120,1 289,2 111,5 61,4 86,4

Total 184,4 200,3 166,3 143,0 210,5 137,3 302,5 109,5 147,5 128,3 120,7 149,6 104,1 74,2 92,5 128,8 114,5 68,6 119,8 137,3 37,1 64,0 88,2 116,1 128,4 50,6 157,1 169,9 303,7 166,4 100,5 83,5

Região Norte
Rondonia Acre Amazonas Roraima Para Amapa Tocantins Região Nordeste Maranhao Piaui Ceara Rio Grande do Norte Paraiba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Região Sudeste Minas Gerais Espirito Santo Rio de Janeiro Sao Paulo Região Sul Parana Santa Catarina Rio Grande do Sul Região Centro-Oeste Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goias Distrito Federal BRASIL

Fonte: RAIS/MTE.

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TABELA 4 Variação porcentual do total de empregos formais segundo Setores do IBGE por Capitais das Unidades Federativas entre 1985 e 2007
Unidade Territorial Região Norte Porto Velho Rio Branco Manaus Boa Vista Belém Macapá Palmas Região Nordeste São Luis Teresina Fortaleza Natal João Pessoa Recife Maceió Aracaju Salvador Região Sudeste Belo Horizonte Vitória Rio de Janeiro São Paulo Região Sul Curitiba Florianópolis Porto Alegre Região Centro-Oeste Campo Grande Cuiabá Goiânia Brasília Total das capitais BRASIL Agropecuária 193,7 1.579,3 1.373,5 61,7 1.150,9 65,4 2.580,0 9,0 -48,8 275,4 -43,9 259,6 220,7 73,0 26,3 64,7 -17,1 35,5 148,0 157,6 -45,9 26,7 -32,2 54,3 -84,8 -18,7 198,5 583,3 97,3 83,6 202,1 53,1 314,4 156,8 -3,7 -75,8 -42,1 3.306,5 -79,7 762,2 -34,1 1.383,6 296,0 -31,9 -43,0 -71,7 49,0 -44,4 -35,6 2,0 -40,7 -48,3 -6,3 -50,9 -12,1 -55,0 179,4 -34,3 18,6 -92,4 -98,0 26,5 55,2 127,9 25,0 77,3 79,9 -7,6 66,4 -15,6 6,8 -39,4 21,5 63,3 -48,5 -41,0 12,0 34,3 145,3 -18,8 156,4 208,1 312,1 139,2 129,4 -19,3 35,8 Ind. Ext. Mineral -94,6 -98,1 1.277,8 -98,2 Ind. de Transf. 63,8 220,2 182,7 93,1 403,8 -26,8 -17,1 -6,4 -14,7 -12,1 -29,5 25,2 153,4 -7,1 38,0 17,6 -35,0 -8,4 28,8 55,8 -22,4 -15,1 17,2 35,9 -15,4 9,8 -12,9 -33,5 -32,8 -17,0 10,9 -2,7 24,5 Serv. Ind. Util. Púb. 36,3 7,2 47,4 14,7 146,1 -10,5 70,3 37,9 34,3 13,5 71,7 133,6 73,2 21,1 18,1 52,2 18,7 19,6 22,4 43,3 2,8 25,6 14,2 -8,9 95,9 42,4 100,8 138,7 92,2 17,8 221,0 33,4 88,4 Construção Civil 101,5 -27,7 258,0 143,5 1.448,6 25,2 142,2 128,5 232,6 215,1 118,6 268,3 243,3 76,7 172,3 153,1 86,0 77,0 105,0 89,4 42,8 92,7 81,0 137,0 217,8 24,3 201,6 183,0 234,6 166,2 227,4 102,4 160,8 Comércio 206,9 303,0 451,9 190,9 452,9 109,1 645,8 87,4 126,2 163,9 124,3 180,5 145,8 39,0 36,2 234,6 59,9 60,6 85,9 89,0 28,2 77,8 88,1 98,0 108,4 76,9 116,5 152,2 124,7 94,7 118,9 75,7 97,3 Serviços 144,7 208,7 154,2 177,1 287,4 69,0 526,6 22,1 28,7 42,1 10,4 38,4 29,9 19,5 39,1 4,2 14,5 34,2 73,7 42,4 13,4 35,7 -5,0 53,7 10,9 -47,6 66,7 68,0 173,2 45,9 61,4 35,4 86,4 Admin. Pública 108,4 62,7 79,9 120,8 56,0 47,7 193,3 54,0 68,9 88,1 58,4 97,1 71,6 30,9 50,6 81,6 37,7 30,1 68,9 55,0 11,4 31,7 41,5 72,1 52,8 15,3 100,2 116,7 146,5 78,0 100,5 40,1 83,5 Total 113,4 89,0 133,9 125,5 183,1 48,8 223,8

Fonte: RAIS/MTE (1985 e 2007).

44 TABELA 5 Total e variação do número de empregos segundo setores na Zona Oeste e no município do Rio de Janeiro entre 1998 e 2006

Setor 1998 Indústria extrativa e de transformação Extrativa mineral Ind. Da borracha, fumo, couro, peles, similares, ind. Diversas Ind. Química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria… Ind. Da madeira e do mobiliário Ind. De calçados Ind. De produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Ind. De produtos minerais não metálicos Ind. Do material de transporte Ind. Do material elétrico e de comunicações Ind. Do papel, papelão, editorial e gráfica Ind. Mecânica Ind. Metalúrgica Ind. Têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Serviços Industriais de Utilidade Pública Construção Civil Comércio 17.708 213 3.706 2.368 423 33 4.308 767 284 236 2.362 751 1.476 781 1.139 3.759 24.676

Zona Oeste 2006 19.838 88 1.462 2.829 512 1 5.334 910 566 54 2.518 995 3.452 1.117 314 2.391 36.507 Var. % 12,0 -58,7 -60,6 19,5 21,0 -97,0 23,8 18,6 99,3 -77,1 6,6 32,5 133,9 43,0 -72,4 -36,4 47,9

Município do Rio de Janeiro 1998 169.096 2.058 13.429 32.374 4.214 410 29.226 5.697 3.323 8.142 24.944 8.794 14.308 22.177 35.250 70.325 258.295 2006 166.616 13.318 11.346 24.444 2.742 571 34.796 4.744 6.719 4.338 20.121 10.694 12.530 20.253 31.425 72.978 326.497 Var. % -1,5 547,1 -15,5 -24,5 -34,9 39,3 19,1 -16,7 102,2 -46,7 -19,3 21,6 -12,4 -8,7 -10,9 3,8 26,4

45 Comércio atacadista Comércio varejista Serviços Administração pública direta e autárquica Com. E administração de imóveis, valores mobiliários, serv. Técnico… Ensino Instituições de crédito, seguros e capitalização Serv. De alojamento, alimentação, reparação, manutenção, redação… Serviços médicos, odontológicos e veterinários Transportes e comunicações Agricultura, silvicultura, criação de animais, extrat. Vegetal… Total Fonte: RAIS/MTE. 1.770 22.906 40.251 6.489 4.311 7.101 1.214 7.885 4.914 8.337 152 87.685 3.710 32.797 54.404 2.426 6.848 11.520 1.573 13.303 6.119 12.615 107 113.561 109,6 43,2 45.167 213.128 58.103 268.394 28,6 25,9 11,5 3,6 36,2 22,5 -10,3 16,8 0,5 -4,3 -0,4 11,6

35,2 1.222.204 1.362.737 -62,6 58,8 62,2 29,6 68,7 24,5 51,3 -29,6 405.904 232.165 79.315 65.391 217.556 80.192 141.681 1.768 420.553 316.120 97.165 58.652 254.129 80.573 135.545 1.761

29,5 1.757.366 1.962.014

46 TABELA 6 Total e variação do número de empregos segundo setores em São Paulo e Belo Horizonte entre 1998 e 2006

Setor 1998 Indústria extrativa e de transformação Serviços Industriais de Utilidade Pública Construção Civil Comércio Serviços e Administração Pública Agricultura, silvicultura, criação de animais, extrat. Vegetal… Ignorado Total Fonte: RAIS/MTE. 492.331 40.516 159.734 463.966

São Paulo 2006 528.559 29.437 161.315 676.352 Var. % 7,4 -27,3 1,0 45,8 25,5 27,0 -100,0 23,7 1998

Belo Horizonte 2006 70.663 24.652 97.705 151.030 727.552 7.642 0 1.079.244 Var. % 20,1 38,4 34,3 48,2 9,2 115,1 -100,0 17,1

58.850 17.814 72.773 101.906 666.493 3.553 130 921.519

1.997.080 2.505.804 2.862 242 3.634 0

3.156.731 3.905.101

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TABELA 7 População e variação percentual entre 1991, 2000 e 2008 no Brasil, municípios de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro e nas áreas de planejamento e bairros da AP5

Unidade Territorial Brasil Belo Horizonte São Paulo Rio de Janeiro AP1 AP2 AP3 AP4 AP5 XVll RA Bangu XVlll RA Campo Grande XlX RA Santa Cruz XXVl RA Guaratiba XXXlll RA Realengo AP5 exclusive Guaratiba 1991

População 2000 2008 91-00 15,6 10,8 8,2 6,9 -12,6 -3,5 1,4 29,6 20,5 13,3 27,1 22,3 66,5 6,4 18,2

Variação % 00-08 13,0 8,8 5,3 1,5 -18,8 -10,1 -5,6 24,2 13,1 5,1 17,9 13,5 55,3 -1,3 10,1 91-08 30,7 20,5 13,9 8,4 -29,1 -13,2 -4,3 60,9 36,2 19,1 49,9 38,9 158,6 5,0 30,2

146.825.475 169.799.170 191.869.683 2.020.161 9.646.185 5.480.768 306.867 1.033.595 2.321.828 526.302 1.292.176 371.172 380.942 254.500 60.774 224.788 1.231.402 2.238.526 10.434.252 5.857.904 268.280 997.478 2.353.590 682.051 1.556.505 420.503 484.362 311.289 101.205 239.146 1.455.300 2.434.642 10.990.249 5.943.087 217.711 896.904 2.221.658 846.949 1.759.864 442.145 571.075 353.465 157.145 236.033 1.602.719

Fonte: IBGE e IPP. Observação: as estimativas de 2008 para a cidade do Rio de Janeiro e suas áreas de planejamento e bairros foram obtidas no IPP através da planilha Tabela 697 - Projeção da população, segundo as Regiões Administrativas - Hipótese 2 - 2001-2020.

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TABELA 8 Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia nos bairros selecionados, 2006

Indústria Extrativa e de Transformação Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria da madeira e do mobiliário Indústria metalúrgica Indústria de calçados Extrativa mineral Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria do material de transporte Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Indústria mecânica Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Ensino Serviços médicos, odontológicos e veterinários Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Transportes e comunicaçoes Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Administraçao pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total

Bangu 164 10 42 8 26 1 3 16 0 17 8 11 3 19 3 50 1.056 954 102 1.022 133 184 357 78 26 244 0 3 2.298

Campo Grande 230 22 56 14 30 2 5 22 3 37 10 7 3 19 6 82 1.857 1.726 131 1.419 193 294 479 82 52 318 1 18 3.612 Campo Grande 6,4 1,6 0,8 1,0 0,6 0,5 0,6 0,4 0,2 0,3 0,1 0,1 0,1 0,1 0,2 2,3 51,4 47,8 3,6 39,3 13,3 8,8 8,1 5,3 2,3 1,4 0,0 0,5 100,0

Realengo 121 1 30 5 23 0 0 8 4 22 7 10 3 8 1 19 572 514 58 465 80 46 202 18 18 99 2 1 1.179

Santa Cruz 112 11 35 7 10 0 1 17 4 8 5 5 0 9 5 50 617 598 19 464 98 80 149 43 15 78 1 15 1.263

Total (1) 627 44 163 34 89 3 9 63 11 84 30 33 9 55 15 201 4.102 3.792 310 3.370 504 604 1.187 221 111 739 4 37 8.352

Total MRJ (2) 6.744 236 1.097 254 708 33 106 754 133 1.110 409 599 176 1.129 168 2.745 37.173 32.267 4.906 68.567 3.110 8.675 17.556 4.088 2.605 32.230 303 333 115.730 Total MRJ (%) 5,8 0,9 0,6 1,0 0,7 1,0 0,2 0,2 0,5 0,4 0,1 0,2 0,1 0,0 0,1 2,4 32,1 27,9 4,2 59,2 15,2 27,8 7,5 2,7 3,5 2,3 0,3 0,3 100,0

Participação % (1) / (2) 9,3 18,6 14,9 13,4 12,6 9,1 8,5 8,4 8,3 7,6 7,3 5,5 5,1 4,9 8,9 7,3 11,0 11,8 6,3 4,9 16,2 7,0 6,8 5,4 4,3 2,3 1,3 11,1 7,2

%
Indústria Extrativa e de Transformação Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria metalúrgica Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria da madeira e do mobiliário Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria mecânica Indústria do material de transporte Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Extrativa mineral Indústria de calçados Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Serviços médicos, odontológicos e veterinários Ensino Transportes e comunicaçoes Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Administraçao pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total Bangu 7,1 1,8 1,1 0,7 0,7 0,8 0,4 0,3 0,5 0,3 0,0 0,1 0,1 0,0 0,1 2,2 46,0 41,5 4,4 44,5 15,5 10,6 8,0 5,8 3,4 1,1 0,0 0,1 100,0 Realengo 10,3 2,5 2,0 1,9 0,7 0,7 0,1 0,4 0,8 0,6 0,3 0,3 0,0 0,0 0,1 1,6 48,5 43,6 4,9 39,4 17,1 8,4 3,9 6,8 1,5 1,5 0,2 0,1 100,0 Santa Cruz Total (%) 8,9 7,5 2,8 2,0 0,8 1,1 0,6 1,0 1,3 0,8 0,7 0,7 0,9 0,5 0,6 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,3 0,1 0,0 0,1 0,1 0,1 0,0 0,0 0,4 0,2 4,0 2,4 48,9 49,1 47,3 45,4 1,5 3,7 36,7 40,3 11,8 14,2 6,2 8,8 6,3 7,2 7,8 6,0 3,4 2,6 1,2 1,3 0,1 0,0 1,2 0,4 100,0 100,0

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006.

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TABELA 9 Número de empregos e participação relativa por setor da economia nos bairros selecionados, 2006
Campo Grande 5.174 433 505 152 1.531 367 143 1.159 242 136 450 30 25 1 131 1.244 17.514 15.174 2.340 21.516 5.799 4.171 2.499 5.585 685 2.475 302 51 45.630 Campo Grande 11,3 3,4 0,9 2,5 0,3 0,8 1,0 0,5 1,1 0,3 0,3 0,1 0,1 0,0 0,3 2,7 38,4 33,3 5,1 47,2 12,2 9,1 12,7 5,4 5,5 0,7 1,5 0,1 100,0 Santa Realengo Cruz 2.399 7.361 169 2.711 25 223 143 153 211 569 1.001 54 55 1.976 303 744 53 431 112 318 308 180 19 0 0 2 0 0 6 171 282 442 5.491 4.560 5.097 4.420 394 140 9.276 9.257 1.919 1.594 888 3.130 932 1.090 2.303 1.328 255 282 2.091 597 888 1.236 1 52 17.455 21.843 Total MRJ (2) 166.616 12.530 4.744 2.742 34.796 11.346 20.121 24.444 10.694 6.719 20.253 4.338 13.318 571 31.425 72.978 326.497 268.394 58.103 1.362.737 97.165 135.545 80.573 254.129 58.652 316.120 420.553 1.761 1.962.014 Total MRJ (%) 8,5 1,8 0,6 1,2 1,0 0,6 1,0 0,5 0,2 0,3 0,1 0,7 0,2 0,0 1,6 3,7 16,6 13,7 3,0 69,5 13,0 6,9 5,0 16,1 4,1 21,4 3,0 0,1 100,0 Participação % (1) / (2) 11,9 27,5 19,2 18,7 15,3 12,9 12,5 11,6 9,3 8,4 5,5 1,2 0,7 0,2 1,0 3,3 11,2 12,2 6,4 4,0 11,9 9,3 7,6 5,2 2,7 2,2 0,6 6,1 5,8

Bangu Indústria Extrativa e de Transformação 4.904 Indústria metalúrgica 139 Indústria de produtos minerais nao metálicos 157 Indústria da madeira e do mobiliário 64 Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico 3.023 Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas 40 Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica 344 Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... 623 Indústria mecânica 269 Indústria do material de transporte 0 Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos 179 Indústria do material elétrico e de comunicaçoes 5 Extrativa mineral 61 Indústria de calçados 0 Serviços industriais de utilidade pública 6 Construçao civil 423 Comércio 8.942 Comércio varejista 8.106 Comércio atacadista 836 Serviços 14.355 Ensino 2.208 Transportes e comunicaçoes 4.426 Serviços médicos, odontológicos e veterinários 1.598 Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r. 4.087 Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao 351 Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... 1.685 Administraçao pública direta e autárquica 0 Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... 3 Total 28.633

Total (1) 19.838 3.452 910 512 5.334 1.462 2.518 2.829 995 566 1.117 54 88 1 314 2.391 36.507 32.797 3.710 54.404 11.520 12.615 6.119 13.303 1.573 6.848 2.426 107 113.561

%
Bangu Indústria Extrativa e de Transformação 17,1 Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico 10,6 Indústria metalúrgica 0,5 Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... 2,2 Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica 1,2 Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas 0,1 Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos 0,6 Indústria mecânica 0,9 Indústria de produtos minerais nao metálicos 0,5 Indústria do material de transporte 0,0 Indústria da madeira e do mobiliário 0,2 Extrativa mineral 0,2 Indústria do material elétrico e de comunicaçoes 0,0 Indústria de calçados 0,0 Serviços industriais de utilidade pública 0,0 Construçao civil 1,5 Comércio 31,2 Comércio varejista 28,3 Comércio atacadista 2,9 Serviços 50,1 Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r. 14,3 Transportes e comunicaçoes 15,5 Ensino 7,7 Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... 5,9 Serviços médicos, odontológicos e veterinários 5,6 Administraçao pública direta e autárquica 0,0 Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao 1,2 Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... 0,0 Total 100,0 Realengo 13,7 1,2 1,0 1,7 0,3 5,7 1,8 0,3 0,1 0,6 0,8 0,0 0,1 0,0 0,0 1,6 31,5 29,2 2,3 53,1 13,2 5,1 11,0 12,0 5,3 5,1 1,5 0,0 100,0 Santa Cruz Total (%) 33,7 17,5 2,6 4,7 12,4 3,0 3,4 2,5 9,0 2,2 0,2 1,3 0,8 1,0 2,0 0,9 1,0 0,8 1,5 0,5 0,7 0,5 0,0 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,8 0,3 2,0 2,1 20,9 32,1 20,2 28,9 0,6 3,3 42,4 47,9 6,1 11,7 14,3 11,1 7,3 10,1 2,7 6,0 5,0 5,4 5,7 2,1 1,3 1,4 0,2 0,1 100,0 100,0

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006

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TABELA 10 Total de empregados, população estimada e razão percentual entre empregados e população nas Regiões Administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz e no município do Rio de Janeiro em 2006

Unidade Territorial Cidade do Rio de Janeiro RAs Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz RA XVII - Bangu RA XVIII - Campo Grande RA XIX - Santa Cruz RA XXXIII - Realengo

Empregados Empregados População /População 1.962.014 113.561 28.633 45.630 21.843 17.455 5.906.533 1.553.468 435.341 541.494 339.290 237.343 33,2 7,3 6,6 8,4 6,4 7,4

Fonte: RAIS/MTE e IPP.

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ANEXO I: LISTA DE CONVIDADOS DO WORKSHOP DO DIA 15 DE MAIO DE 2009
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. 46. 47. 48. 49. 50. 51. Adenil Moreira da Costa – Ex-Subprefeito Alberto Balão – Assessor Adenil Costa Ana Claudia C – Assessora Jurídica da Câmara dos Vereadores Ana Marçal – Secretaria Estadual de Educação Andréa Costa – Assessora Regional ABINEE RJ/ES Antonio Batista R. Neto - Gerente de Des. Ter. do SEBRAE-RJ – Antônio José Miranda - Coordenador da CET-Rio 5.2 em Campo Grande Antonio Zaib - Faculdade São José Arturo Chao Maceiras – Núcleo Inox (SP) Cassiana Maria Arruda Ferreira – Pedagoga do Senai/Paciência Cecilia Castro Célio Murilo - Simonsen Celso Antonio Barbosa – Gerente de Pesquisa Villar Metals Danilo Monjardim Annechini - Analista de Negócios da ArcelorMittal Inox Durval Neves – CIEZO Edimar Teixeira – Subprefeito da Zona Oeste Eduardo Cunha – Consultor do Núcleo Inox Eduardo Duprat – Superint. Logística de Cargas – Sec.Estadual Transp. Eduardo Marques –Coord. de Treinamento e Des. da TKCSA. Fabiana Duarte Mendes – Analista da área de desenvolvimento territorial do SEBRAE Fabiano Carvalho – HM3 - Diretor da ACICG Fernando de Castro da Costa Barros (Codin) Fernando Queiroga - Gerente de Suprimentos da TKCSA Flávia Costa Barros – Espec. em Infra e Inv. e Ass. do F. Metal-Mecânico da Firjan Geraldo Gomes Marques – Gerente regional da Caixa Gonçalo Ferreira - Colégio Ferreira Alves Guilherme Eisenlohr - Presidente da ACICG Hélcio de Medeiros Júnior – Gerente de Economia do IPP Inácio Limeira – Ass. Das empresas do Dist. Indust. de Campo Grande Iza de Bragança - Diretora Pedagógica da ETERJ Jacob Gribbler Neto – superintendente CIEZO Jair Cordeiro Neto – (Prof.) - Faculdade Bezerra de Araújo FABA Jesse Cardoso - ACIRA Jéssica Oliveira (Delegada) – Subs. de Ensino e Prevenção da Sec. Seg. Pública João Carlos Renault – Gerente da Michelin Jorge Fernandes da Cunha Filho (Sec. de Des. Econômico) Jorge José Ferreira da Rocha - Diretor ACERB Jorge Ricardo Menezes – Supervisor do E. Médio e Área Técnica da ETERJ José Augusto Costa e Silva – Ind. Peri José Jacques – presidente da AEDIN – Diretor Gerdau José Luiz Dutra - Diretor da ACICG José Zaib – diretor da FAMA – Machado de Assis Josilda R.S. Moura (Prof. UFRJ) Leonardo Paris – Estatístico - (equipe Leonarda) Lúcia Helena Domingos – Gerente de Rel. Governamentais da TKCSA Luiz Carlos Santos – representando o superintendente do Banco do Brasil Marcelo Araújo - Diretor da ACICG Marcelo Henrique da Costa – Secretário Munic. de Des. Econômico Solidário Márcia Pimentel – Coordenadora Técnica da FAETEC. Maria Alice Martins de Souza – IPP Maria José – (prof.) presidente da FABA

52 52. 53. 54. 55. 56. 57. 58. 59. 60. 61. 62. 63. 64. 65. 66. 67. 68. 69. 70. 71. 72. 73. 74. 75. 76. 77. 78. 79. 80. 81. Mário Cordeiro - Falmec Marisa Valente – 5ª Insp.da SMU Max - padre Moacyr Bastos - (prof.), presidente do Banco de Alimentos Osvaldo - (prof. da UniMSB) Otilia Camelo - Diretor da ACICG Pablo Bielchowsky (Prof.) - Representante da Universidade Castelo Branco Paulo Augusto Souza Teixeira (Tenente Coronel Teixeira) – ISP Paulo Gomes – Reitor da Castelo Branco Paulo Sérgio Galvão - Gerente Regional RJ/ES da Abinee Pedro Ivan Ferreira dos Reis – Dir. Adm. da Embramonti Pedro Paulo de Bragança Pimentel Junior – Dir. G. da ETERJ/NOVO RIO Pedro Teixeira – Diretor Jurídico da TKCSA. Peri Cozer – Diretor-presidente da FALMEC Rafael Alves Pereira - Gerente de Projetos do F. Des. da ALERJ Renato Reis (jornal Atual) Ricardo Barradas - Advogado (ind. Peri) Roberto Aibinder – diretor de Urbanismo do IPP Roberto Soares de Moura - Reitor UEZO(Prof.) Robson Rodrigues da Silva (TEN CEL PM) - Vice-Presidente do ISP. Sérgio Messias – representando ger. geral do Banco do Brasil de CG Sérgio Poubel - Chefe de Gabinete da Vice-Governadoria e Sec. Obras Teresa Trinckquel – Gerente de projetos da Rede de Tecnologia Valdir Monteiro - Diretor de RH TKCSA Velcenir Gonçalves – Investe Rio Vera Gissoni (Castelo Branco) Vitor Paiva Pimentel – aluno da graduação do Instituto de Economia Wagner Julio Reis Ferreira - Presidente ACERB Walter Lamenza Filho – rep.– Diretor Inox-Tech William Nogueira - Analista de Relaç Gov. Sênior da TKCSA

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ANEXO II APLICAÇÕES DO AÇO INOX AISI 405: tubos irradiadores, caldeiras, recipientes para indústria petrolífera, etc; AISI 406: resistências elétricas; AISI 409: escapamentos de automóveis; AISI 430: calhas, máquinas de lavar roupa, coifas, revestimento de câmara de combustão de motor diesel, equipamentos para fabricação de ácido nítrico, fixadores, aquecedores, portas para cofres, moedas, pias, cubas, baixelas, utensílios domésticos, equipamento para indústria química, equipamento de restaurantes, cozinhas, adornos de automóveis, decorações arquitetônicas interiores, peças para fornos, revestimento de elevadores, etc; AISI 430F: fabricação de parafusos, porcas, ferramentas; AISI 442: partes de fornos; AISI 443: equipamento químico, partes de fornos; AISI 444: caixas d água, tanques AISI 446: peças de fornos, queimadores, radiadores. AISI 301: fins estruturais, correias transportadoras, utensílios domésticos, ferragens, diafragmas, adornos de automóveis, equipamentos para transporte, aeronaves, ferragens para postes, fixadores (grampos, fechos, estojos), carros ferroviários. AISI 302: gaiolas de animais, garrafas térmicas e esterilizadores, equipamentos domésticos, tanques de gasolina, equipamentos para fabricação de sorvetes, dobradiças, equipamentos para laticínios, maquinaria para engarrafamento, tanques de fermentação,fins estruturais, equipamento para indústria química; AISI 302B: elementos de aquecimento de tubos radiantes, partes de fornos, seções de queimadores, abafadores de cozimento; AISI 303: eixos, parafusos, porcas, pregos, eixos, cabos, fechaduras, componentes de aeronaves, buchas, peças de carburador; AISI 304: portões, portas, grades, utensílios domésticos, fins estruturais, equipamentos para indústria química, naval, farmacêutica, têxtil, papel e celulose, refinaria de petróleo, permutadores, de calor, válvulas e peças de tubulações, indústria frigorífica, instalações criogênicas, depósitos de cerveja, tanques de fermentação de cerveja, equipamentos para refino de produtos de milho, equipamentos para leiteria, cúpula para casa de reator de usina atômica, tubos de vapor, peças para depósito de algumas bebidas carbonatadas, condutores descendentes de águas pluviais, carros ferroviários, calhas, revestimentos de prédios, tanques para indústria alimentícia, AISI 304L: revestimento para trajas de carvão, tanque de pulverização de fertilizantes líquidos, tanque para estoque de massa de tomate, carros ferroviários;

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AISI 305: peças fabricadas por meio de severas deformações a frio; AISI 308: fornos industriais, válvulas, soluções de sulfeto à alta temperatura, eletrodos de solda; AISI 309: suportes de tubos, abafadores, caixas de fermentação, depósito de bebidas, partes de queimadores a óleo, refinarias, equipamentos para fábrica de produtos químicos, partes de bombas, revestimentos de fornos, componentes de caldeiras, componentes para fornalhas de máquinas a vapor, aquecedores, trocadores de calor, peças para motores a jato, estufas; AISI 310: aquecedores de ar, caixas de recozimento, estufa de secagem, anteparos de caldeira a vapor, caixa de decantação, equipamentos para fábrica de tinta, suportes para abóbada de forno, fornos de fundição, transportadores e suportes de fornos, revestimento de fornos, componentes de turbinas a gás, trocadores de calor, incineradores, componentes de queimadores a óleo, equipamentos de refinaria de petróleo, recuperadores, cilindros para fornos de rolos transportadores, tubulação de soprador de fuligem, chapas para fornalha, chaminés e comportas de chaminés de fornos, conjuntos de diafragmas dos bocais para motores turbo-jatos, panelas de cristalização de nitratos, equipamentos para indústria de papel, química e estufas; AISI 316: portões, portas e grades de ambientes marinhos, equipamentos de indústrias químicas, farmacêutica, têxtil, petróleo, papel, celulose, borracha, nylon e tintas, peças e componentes diversos da construção naval, equipamentos criogênicos, equipamentos para processamento de filme fotográfico, cubas de fermentação, instrumentos cirúrgicos; AISI 316L: peças de válvulas, bombas, tanques, evaporadores e agitadores, equipamentos têxteis, condensadores, peças expostas a atmosfera marinha, adornos, tanques soldados para estocagem de produtos químicos e orgânicos, bandejas, revestimentos para fornos de calcinação AISI 317: equipamentos de secagem, equipamentos para fábrica de tintas; AISI 321: anéis coletores de aeronaves, revestimentos de caldeiras, aquecedores de cabines, parede corta fogo, vasos pressurizados, sistema de exaustão de óleo sob alta pressão, revestimento de chaminés, componentes de aeronaves, super aquecedor radiante, foles, equipamentos de refinaria de petróleo, aplicações decorativas; AISI 347: tubos para super aquecedores radiantes, tubo de exaustão de motor de combustão interna, tubulação de vapor a alta pressão, tubos de caldeiras, tubos de destilação de refinaria de petróleo, ventilador, revestimento de chaminé, tanques soldados para revestimento de produtos químicos, anéis coletores, juntas de expansão, resistores térmicos; AISI 403: anéis de jatos, seções altamente tensionadas em turbinas a gás, lâminas forjadas ou usinadas de turbina e compressor; AISI 405: caixas de recozimento; AISI 409: sistema de exaustão de veículos automotores, tanques de combustível, AISI 410: válvulas, bombas, parafusos, fechaduras, tubos de controle de aquecimento, chapas para molas, cutelaria (facas, canivetes) mesa de prancha, instrumentos de

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medida, peneiras, eixos, acionadores, maquinaria de mineração, ferramentas manuais, chaves, partes de fornos, queimadores, equipamentos rodoviários, sedes de válvulas de segurança de locomotivas, plaquetas tipográficas, apetrechos de pesca, peças de calibradores, fixadores; AISI 414: molas, lâminas de faca; AISI 416: parafusos usinados, porcas, engrenagens, tubos, eixos, fechaduras, hastes de válvulas; AISI 420: cutelaria, instrumentos hospitalares, cirúrgicos e dentários, réguas, medidores, engrenagens, eixos, pinos, bolas de milho, discos de freio, mancal de esfera, assentos de válvulas; AISI 420F: eixos, porcas e parafusos; AISI 431: peças de bombas, esteiras transportadoras, eixos de hélice marítima, peças de maquinário da indústria de laticínios. AISI 440A/440B/440C: eixos, pinos, instrumentos cirúrgicos e dentários, cutelaria, anéis, válvulas, mancais anti-fricção; AISI 442: componentes de fornos, câmara de combustão; AISI 446: caixas de recozimento, chapas grossas para abafadores, queimadores, aquecedores, tubos para pirômetros, recuperadores, válvulas e conexões.

Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno

Apresentação da Pesquisa

Projeto FAPERJ no E-26/110.644/2007

Renata Lèbre La Rovere
(professora, IE/UFRJ e coordenadora do projeto)

Junho/2009

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Introdução Com uma área de 43.909,7 quilômetros quadrados (km2), que corresponde a cerca de 0,5% do território nacional, e com uma população superior a 14 milhões de habitantes (8,6% da população brasileira), o Rio de Janeiro é o Estado da Federação de maior densidade demográfica, com 315 habitantes por km2. Apesar de sua área relativamente pequena, o desenvolvimento das atividades produtivas na cidade do Rio de Janeiro tem sido favorecido por uma série de vantagens locacionais. Ainda que desde 1999 a cidade do Rio de Janeiro tenha apresentado um crescimento de suas atividades industriais muito menos importante do que o estado do Rio de Janeiro, fenômeno este que não é distinto das demais grandes cidades brasileiras, a exemplo de São Paulo. Entretanto, várias iniciativas governamentais e locais têm procurado alterar esta realidade com o objetivo de mudar esse quadro desfavorável ao desenvolvimento industrial. Entre essas iniciativas estaremos iluminando o caso da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, principalmente as iniciativas situadas no espaço geográfico formado pelas Regiões Administrativas de Bangu, Campo Grande e de Santa Cruz. Esta região, doravante grafada como Zona Oeste para distingui-la da Zona Oeste, que também inclui as regiões administrativas de Guaratiba, Jacarepaguá e Barra da Tijuca, conta com um total de aproximadamente 380 km2 - cerca de 30% da área da Cidade do Rio de Janeiro – e uma população de 1,5 milhão de pessoas, apresenta facilidades de infra-estrutura e disponibilidade de terrenos adequados às atividades produtivas, além de economia de aglomeração em razão das indústrias nelas instaladas. Na região encontram-se localizados os Distritos Industriais de Campo Grande, Palmares, Paciência e Santa Cruz, implantados pelo Estado em áreas de uso estritamente industrial do ponto de vista do Zoneamento Ambiental, onde 130 empresas de médio e grande porte estão operando, destacando-se a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA, do grupo Thyssen-Krupp), a Gerdau, a Fábrica Carioca de Catalisadores, a Casa da Moeda do Brasil e a Panamericana, dentre outras. No momento, novos investimentos de porte estão sendo implementados na região em áreas adjacentes por empresas nacionais e multinacionais, como a CSA, voltadas para a exportação, sendo motivadas a se instalarem pela existência, no município vizinho de Itaguaí, do Porto de Sepetiba, e pelo programa de incentivos fiscais criados pelo Governo do Estado. Além disso, a Zona Oeste possui uma população adulta com uma taxa de alfabetização de 95%, e conta com várias instituições de ensino técnico, profissional e superior, além de instalações do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI. Vale lembrar que a Zona Oeste é a região de maior densidade industrial da Cidade do Rio de Janeiro, ainda que a mesma ao longo dos últimos decênios venha cada vez mais agregando serviços à sua estrutura produtiva. As vantagens potenciais de localização da região e dos municípios do seu entorno geográfico podem se ampliar e até mesmo se consolidar caso se atraia um conjunto de empresas para desenvolver um pólo de metal-mecânica na região, aproveitando a especialização produtiva das empresas já localizadas. Cabe assim a realização de estudos para a promoção do desenvolvimento local desta região.

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Objetivos gerais e específicos Os objetivos gerais do projeto são o diagnóstico das atividades econômicas locais e a realização de um workshop sobre possibilidades de desenvolvimento econômico local da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro e de seu entorno. O diagnóstico pretende contribuir com elementos que fortaleçam os encadeamentos da cadeia metal-mecânica e o workshop iniciará os debates sobre as ações de governança necessárias para que o desenvolvimento local seja provocado. Os objetivos específicos são: (a) diagnosticar a região da Zona Oeste do município de Rio de Janeiro e o seu entorno: quais as atividades econômicas principais; que outras atividades econômicas não estão instaladas mas seriam importantes para fortalecer a competitividade das atuais; (b) levantar as necessidades adicionais de infra-estrutura físicas e tecnológicas para o funcionamento do pólo de metal-mecânica; (c) levantar quais as restrições de caráter normativo e regulamentar que impedem a ocupação industrial; (d) pesquisar o estado atual dos Planos Diretores dos municípios envolvidos, nível de efetividade e implementação; (e) levantar as potencialidades de comércio exterior e as condições econômicas de sua realização; (f) realizar um diagnóstico das condições de logística necessárias ao desenvolvimento da região (g) desenvolver um estudo sobre a oferta de cursos de capacitação e suas possibilidades de contribuição ao desenvolvimento da região (h) analisar as condições de segurança pública, que afetam diretamente a atratividade da região (i) pesquisar as iniciativas já realizadas para estabelecimento de uma governança local e indicar os pontos fortes e fracos dessas iniciativas; (j) propor uma agenda de desenvolvimento local para a Zona Oeste e seu entorno; (k) organizar um workshop para discutir a agenda de desenvolvimento local com as lideranças políticas e econômicas locais e de seu entorno; (l) propor uma compatibilização, após o workshop, entre as diretrizes e metas propostas para o desenvolvimento econômico das atividades locais com os Planos Diretores dos municípios envolvidos, incluindo a proposição para o desenvolvimento de consórcios municipais.

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Metodologia O trabalho se desdobrou em várias etapas. Inicialmente, foi feito um diagnóstico da região com base em diversas estatísticas e informações de fontes secundárias. As fontes utilizadas foram estatísticas e informações das seguintes instituições: Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz (AEDIN); Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN); Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);Instituto Fecomércio; Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP);Instituto Pereira Passos (IPP); Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (InvesteRio); Associação de Empresas Fabricantes de Aço Inox (Nucleoinox); Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)- Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) ; Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) -.Relação Nacional de Investimentos (RENAI). A partir deste diagnóstico, foi definido um questionário estruturado que foi distribuído a 262 empresas da região. Em seguida, foram realizados diversos estudos qualitativos sobre temas pertinentes ao desenvolvimento da região. A definição dos temas dos estudos qualitativos foi feita a partir do entendimento, pela equipe de pesquisa, de que o processo de desenvolvimento local é dinâmico e resulta da interação entre empresas e instituições locais inseridas num determinado território. Por instituições, entende-se não apenas aquelas do setor público como também as instituições de ensino e pesquisa e as demais formas de representação coletiva dos agentes locais. Assim, os temas dos estudos envolveram aspectos econômicos e aspectos sociais. Os estudos centrados em aspectos econômicos se debruçaram sobre o potencial da constituição de um pólo metal-mecânico, sobre o potencial de comércio exterior, sobre as condições de logística e de infra-estrutura e sobre as condições e uso e ocupação do solo. Os estudos centrados nos aspectos sociais envolveram as condições de segurança pública, o potencial de oferta de cursos de capacitação e as condições de governança da região. O diagnóstico, os resultados dos questionários e os estudos qualitativos geraram um texto de agenda de governança e desenvolvimento e uma lista de ações de fomento ao desenvolvimento que foram discutidos por todas as partes interessadas (lideranças locais, representantes de instituições públicas e privadas) num workshop no dia 15 de maio do corrente. Após esta reunião, os resultados foram consolidados e divulgados ao público em geral. Espera-se que este trabalho contribua para mobilizar as lideranças locais em torno de ações que promovam o desenvolvimento econômico sustentável da região e de seu entorno.

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Equipe de Pesquisa Coordenação Renata Lèbre La Rovere (professora, IE/UFRJ e pesquisadora do INCT Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento do CNPq) Diagnóstico da Região Lia Hasenclever (professora, IE/UFRJ) Rodrigo Lopes (assistente de pesquisa, IE/UFRJ) Vitor Pimentel e Luiza Lins (bolsistas, IE/UFRJ) Questionários Thiago Rodrigues Cabral, Aline Godoy e Raphael Rolim - Ayra Consultoria (Empresa Junior da UFRJ)

Estudos Qualitativos Educação Márcia Pimentel, Márcia Farinazo e Risomar Guedes (FAETEC) Pólo metal-mecânico Eduardo Cunha (Núcleo Inox) com a colaboração de Mario Cordeiro (FALMEC) Comércio Exterior: João Bosco Machado (professor, IE/UFRJ) Camila Monteiro (estagiária, IE/UFRJ) Logística e Infra-Estrutura Luiz Martins de Melo (professor, IE/UFRJ) Vinicius Dominato (estagiário, IE/UFRJ) Ocupação e Uso do Solo Nelson Chalfun (professor, IE/UFRJ) Governança Giuseppe Cocco (professor, ESS/UFRJ) Gerardo Silva (pesquisador, LABTEC/UFRJ) Segurança Pública Leonarda Musumeci (professora, IE/UFRJ) Agenda de Desenvolvimento Mauro Osório da Silva (professor, FND/UFRJ) Fernando Scofano (estagiário, IE/UFRJ)

   

 

 

 

 

Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno

A Zona Oeste e o Comércio Internacional: diagnóstico e desafios (Versão Final)

Projeto FAPERJ no E-26/110.644/2007

João Bosco Mesquita Machado (professor, IE/UFRJ Camila Monteiro (estagiária, IE/UFRJ)

Junho/2009 

 

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ÍNDICE 1. Introdução............................................................................................................................... 3 2. Desempenho Comercial ......................................................................................................... 3 3. Avaliação das Entrevistas..................................................................................................... 13 4. Recomendações para o Aperfeiçoamento da Inserção Internacional da Zona Oeste........... 16 A N E X O................................................................................................................................ 18

ÍNDICE DE GRÁFICOS E QUADROS Gráfico 1 - Zona Oeste: Total de Firmas Exportadoras e Importadoras .................................... 4 Gráfico 2 - Zona Oeste: Participação no Total de Firmas Exportadoras e Importadoras do Município do Rio de Janeiro (%) ............................................................................................... 4 Gráfico 3 - Zona Oeste: Evolução do Comércio Exterior (US$ milhões) ................................. 6 Gráfico 4 - Participação da Zona Oeste no Comércio Exterior do Município do Rio de Janeiro (%).............................................................................................................................................. 6 Quadro 1 - Zona Oeste: Firmas Exportadoras e Importadoras Segundo RÃS........................... 5 Quadro 2 - Zona Oeste: Exportações e Importações Segundo RAs Selecionadas..................... 8 Quadro 3 - Zona Oeste: Estabelecimentos Exportadores e Importadores por Tamanho ........... 9 Quadro 4 - Zona Oeste: Exportação e Importação Segundo o Tamanho do Estabelecimento 10 Quadro 5 - Zona Oeste: Exportação e Importação Segundo o Tamanho do Estabelecimento 11 Quadro 6 - Zona Oeste: setores exportadores selecionados..................................................... 12 Quadro 7 - Zona Oeste: setores importadores selecionados .................................................... 12 Quadro 8 - Zona Oeste: síntese das entrevistas realizadas junto a empresas exportadoras/importadoras ....................................................................................................... 15

 

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A Zona Oeste e o comércio internacional: diagnóstico e desafios 1

1. Introdução Neste capítulo avalia-se o desempenho do comércio internacional da Zona Oeste. A pesquisa adotou uma dupla abordagem. Em primeiro lugar, foi realizado um diagnóstico quantitativo da inserção internacional da região com base em informações sobre o universo empresarial exportador e importador identificado a partir dos dados primários da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Em segundo lugar, foi entrevistada uma amostra de empresas representativas do conjunto dos estabelecimentos exportadores da Zona Oeste. Nestas entrevistas foram avaliados o histórico exportador da empresa, as oportunidades e obstáculos com que ela se defronta no comércio internacional, bem como a integração da empresa com a economia da Zona Oeste. O conjunto das informações levantadas a partir da análise quantitativa do comércio exterior e das entrevistas com as empresas selecionadas serviu de referência para avaliar os desafios associados ao aperfeiçoamento da inserção internacional da Zona Oeste.

2. Desempenho Comercial A avaliação do desempenho comercial da Zona Oeste apresentada nesta seção foi desenvolvida com base nas informações sobre o comércio exterior brasileiro disponibilizadas pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex-MIDC) e processadas pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Considerando-se os estabelecimentos localizados nas regiões administrativas (RAs) de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz (doravante denominada “Zona Oeste”) e as transações externas realizadas no triênio 2005-2007, foram identificadas sessenta e uma empresas exportadoras e oitenta e cinco empresas importadoras 2 (Gráfico 1).
   

                                                            
1

Esta seção foi elaborada pelo prof. João Bosco M. Machado. Camila Monteiro colaborou na elaboração dos quadros e no processamento das informações coletadas nas entrevistas.

As informações cadastrais (razão social endereço, bairro, região administrativa, CEP e CNPJ) das empresas exportadoras e importadoras estão disponibilizadas, respectivamente, nos Quadro A.1 e A.2 do Anexo. Em relação ao cadastro da FIRJAN, apresentado no primeiro relatório deste estudo, a pesquisa de empresas exportadoras realizada a partir das informações coletadas junto à Secex/MIDC representou uma ampliação considerável do universo de estabelecimentos exportadores da Zona Oeste, de quinze para 61 empresas.

2

 

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Gráfico 1 Zona Oeste: Total de Firmas Exportadoras e Importadoras

 
Fonte: Secex/MIDC. 

 

As empresas exportadoras da Zona Oeste representam, na média do triênio, 6,9% do total das empresas exportadoras do município do Rio de Janeiro e 5,5% do total das empresas importadoras (Gráfico 2).
 

Gráfico 2 Zona Oeste: Participação no Total de Firmas Exportadoras e Importadoras do Município do Rio de Janeiro (%)
 

Fonte: Secex/MIDC.

 

No Quadro 1 apresenta-se a distribuição das firmas importadoras segundo as distintas regiões administrativas. Considerando-se as unidades empresariais importadoras e exportadoras, as RAs de Campo Grande, Realengo e Santa Cruz respondem, cada uma, por cerca de 1/3 a ¼ das empresas da Zona Oeste inseridas no comércio internacional. No conjunto, as três RAs abrigam em média 90% dos estabelecimentos exportadores e importadores da Zona Oeste. Portanto, Bangu é a RA da Zona Oeste com menor número de

 

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empresas inseridas no comércio internacional, abrigando em média cerca de 10% dos estabelecimentos exportadores e importadores 3. Quadro 1 Zona Oeste: Firmas Exportadoras e Importadoras Segundo RÃS
Exportação 2006 US$ milhões 4 17 16 13 50 Importação 2006 US$ milhões 7 25 20 15 67

RA Bangu Campo Grande Realengo Santa Cruz Total RA Bangu Campo Grande Realengo Santa Cruz Total
Fonte: Secex/MIDC.

2005 US$ milhões 4 16 13 12 45 2005 US$ milhões 7 21 14 12 54

% 8,9 35,6 28,9 26,7 100,0

% 8,0 34,0 32,0 26,0 100,0

2007 US$ milhões 4 18 14 12 48 2007 US$ milhões 9 27 19 15 70

% 8,3 37,5 29,2 25,0 100,0

% 13,0 38,9 25,9 22,2 100,0

% 10,4 37,3 29,9 22,4 100,0

% 12,9 38,6 27,1 21,4 100,0

As exportações da Zona Oeste aumentaram significativamente no triênio considerado; totalizavam US$226 milhões em 2005, pularam para US$626 milhões em 2006 e para US$671 milhões em 2007, o que representa um crescimento trienal de 196% (Gráfico 3).

                                                            
As informações geradas pela Secex sobre a base exportadora e importadora e, portanto, sobre os montantes exportados e importados podem apresentar desvios relacionados com a presença de unidades produtivas, cujas compras ou vendas externas são realizadas por unidade administrativa com domicílio não localizado na Zona Oeste. No conjunto das informações analisadas neste estudo, um caso notório que ilustra o evento é a unidade produtiva da Michelin (fabricante de pneumáticos), localizada na RA de Santa Cruz, cujas exportações são atribuídas ao escritório administrativo da empresa localizado na Barra da Tijuca.
3

 

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Gráfico 3 Zona Oeste: Evolução do Comércio Exterior (US$ milhões)

Fonte: Secex/MIDC.

Não obstante este aumento, a participação das exportações da Zona Oeste no total das vendas externas do município do Rio de Janeiro é pouco significativa, variando de 1,2% em 2005 para 2,4% em 2007 (Gráfico 4). Evidentemente, é importante destacar que esse aumento da participação das exportações da Zona Oeste nas vendas do município do Rio de Janeiro resultou da expansão das exportações da Zona Oeste a taxas duas vezes maiores que o crescimento das vendas externas do município.

Gráfico 4 Participação da Zona Oeste no Comércio Exterior do Município do Rio de Janeiro (%)

Fonte: Secex/MIDC.

 

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As importações também cresceram consideravelmente no triênio; de US$159 milhões em 2005, alcançaram US$269 milhões em 2007, embora tenha havido um pequeno recuo em relação ao ano de 2006, quando as compras externas atingiram US$272 milhões (ver o Gráfico 3 acima). Na média do triênio, as importações da Zona Oeste representaram 1,6% das compras externas realizadas pelas empresas estabelecidas no município do Rio de Janeiro. Dado o comportamento das exportações e importações no triênio, a Zona Oeste opera como exportadora líquida de bens, gerando um saldo comercial positivo de US$67 milhões em 2005, US$354 milhões em 2006 e US$401 milhões em 2007. Com isso, a participação da região na geração líquida de divisas do município do Rio de Janeiro saltou de 0,9% em 2005 para 4,5% em 2007. No Quadro 2 estão disponibilizadas informações relativas às vendas externas segundo as distintas RAs. Santa Cruz é responsável por parcela expressiva e crescente das exportações da Zona Oeste: 71% em 2005, 88% em 2006 e 86% em 2007. Em contrapartida, Realengo e Campo Grande perderam participação relativa nas vendas externas da Zona Oeste. Na média do triênio, as exportações de Realengo e Campo Grande responderam, respectivamente, por 12% e 7% das vendas externas da Zona Oeste. Por fim, as exportações realizadas por empresas estabelecidas em Bangu são desprezíveis. No que respeita às importações, Santa Cruz foi responsável, na média do triênio, por 47% das compras externas da Zona Oeste; as participações relativas de Campo Grande, Realengo e Bangu foram de 33%, 19% e 1%, respectivamente. Quanto ao saldo comercial, Santa Cruz é a região administrativa que contribui significativamente para a geração do superávit comercial nas transações externas da Zona Oeste, respondendo na média do triênio por 124% deste montante.

 

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Quadro 2 Zona Oeste: Exportações e Importações Segundo RAs Selecionadas
 
RA Bangu Campo Grande Realengo Santa Cruz Total RA Bangu Campo Grande Realengo Santa Cruz Total RA Bangu Campo Grande Realengo Santa Cruz Total
Fonte: Secex/MIDC.

2005 US$ milhões 0,02 25,1 41,3 159,3 225,7 2005 US$ milhões 1,84 56,44 39,66 60,57 158,51 2005 US$ milhões (1,8) (31,4) 1,6 98,7 67,1

% 0,0 11,1 18,3 70,6 100,0

% 1,2 35,6 25,0 38,2 100,0

% (2,7) (46,7) 2,4 147,0 100,0

Exportação 2006 US$ milhões % 0,7 0,1 28,2 4,5 44,7 7,1 552,8 88,3 626,3 100,0 Importação 2006 US$ milhões % 1,91 0,7 80,51 29,6 38,57 14,2 151,13 55,5 272,12 100,0 Saldo Comercial 2006 US$ milhões % (1,2) (0,3) (52,3) (14,8) 6,1 1,7 401,6 113,4 354,2 100,0

2007 US$ milhões 0,7 28,23 66,3 575,4 670,7 2007 US$ milhões 3,48 89,54 52,17 123,99 269,18 2007 US$ milhões (2,8) (61,3) 14,2 451,4 401,5

% 0,1 4,2 9,9 85,8 100,0

% 1,3 33,3 19,4 46,1 100,0

% (0,7) (15,3) 3,5 112,4 100,0

A expansão das vendas externas e das importações revela uma tendência de aumento da integração comercial da Zona Oeste com o resto do mundo, com destaque para as empresas estabelecidas na região administrativa de Santa Cruz, que foram responsáveis por parcela crescente dos fluxos de comércio e pela geração do saldo comercial positivo alcançado pela Zona Oeste. No Quadro 3 é apresentado o perfil das empresas exportadoras da Zona Oeste segundo o tamanho (número de empregados) 4. Os estabelecimentos de médio porte são aqueles que apresentam maior participação relativa, tanto entre as empresas exportadoras, quanto entre as importadoras. Na média do triênio 2005-2007, 37% das empresas exportadoras e 40% das empresas importadoras são de porte médio. O segundo grupo com maior participação relativa entre as empresas exportadoras e importadoras é formado pelas empresas de pequeno porte, que representam aproximadamente 30% dos estabelecimentos da Zona Oeste que mantiveram
                                                            
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Os estabelecimentos exportadores e importadores são classificados, segundo os critérios definidos pela RAISMTb, em cinco categorias: (i) microempresas – empresas industriais com até 19 empregados ou comerciais e de serviços com até 9 empregados; (ii) pequenas empresas – empresas industriais que têm entre 20-99 empregados ou comercias e de serviços que têm entre 10-49 empregados; (iii) médias empresas – empresas industriais que têm entre 100-499 empregados ou comercias e de serviços que têm entre 50-99 empregados; (iv) grandes empresas – empresas industriais que têm mais de 500 empregados ou comerciais e de serviços que têm mais de 100 empregados; e (v) empresas especiais – micro e pequenas empresas industriais, comerciais e de serviços que realizem exportações ou importações superiores a US$1,2 milhão/ano.

 

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relações comerciais com o exterior. 14% dos estabelecimentos exportadores e importadores são formados por empresas de grande porte. As microempresas e aquelas classificadas na categoria “especial” constituem os dois grupos com menor participação relativa entre os estabelecimentos exportadores e importadores da Zona Oeste 5. Quadro 3 Zona Oeste: Estabelecimentos Exportadores e Importadores por Tamanho
Tamanho Qtdd. Micro Pequena Especial Média Grande Total Tamanho Qtdd. Micro Pequena Especial Média Grande Total
Fonte: Secex/MIDC

2005 % 6 13 3 17 6 45 2005 % 4 13 3 26 8 54 7,4 24,1 5,6 48,1 14,8 100,0 13,3 28,9 6,7 37,8 13,3 100,0

Empresas Exportadoras 2006 Qtdd. % 4 8,0 17 34,0 3 6,0 19 38,0 7 14,0 50 100,0 Empresas Importadoras 2006 Qtdd. % 3 4,5 23 34,3 6 9,0 25 37,3 10 14,9 67 100,0

2007 Qtdd. 5 16 3 17 7 48 2007 Qtdd. 7 20 7 25 11 70 % 10,0 28,6 10,0 35,7 15,7 100,0 % 10,4 33,3 6,3 35,4 14,6 100,0

No Quadro 4 são apresentadas informações relativas ao desempenho comercial da Zona Oeste, segundo o tamanho do estabelecimento 6. A grande empresa é a principal protagonista do comércio exterior da Zona Oeste. De fato, não obstante representarem apenas 14% dos estabelecimentos exportadores (ver Quadro 3), as grandes empresas são responsáveis, na média do triênio 2005-2007, por 83% das exportações. As empresas de grande porte também respondem pela maior fatia das importações, 50% na média do triênio considerado. As empresas de médio porte também apresentam inserção relevante no comércio internacional, mais especificamente na qualidade de importadoras. No triênio 2205-2007, 38% das compras externas da Zona Oeste foram realizadas por médias empresas. Os estabelecimentos especiais respondem em média por 13% das exportações. No caso das importações, esta classe de empresa mais do que dobrou sua participação no triênio considerado, de 15% para 34% das compras externas. Por fim, as categorias representadas pelas micro e pequenas empresas não desempenham papel relevante no comércio exterior da Zona Oeste.

                                                            
5

No Quadro A.3 do Anexo estão disponibilizadas informações relativas ao número de estabelecimentos exportadores e importadores, segundo o tamanho do estabelecimento, para as distintas RAs da Zona Oeste. 6 No Quadro A.4 do Anexo estão disponibilizadas informações relativas às exportações e importações, segundo o tamanho do estabelecimento, para as distintas RAs da Zona Oeste.

 

10

Quadro 4 Zona Oeste: Exportação e Importação Segundo o Tamanho do Estabelecimento
RA Micro Pequena Especial Média Grande Total RA Micro Pequena Especial Média Grande Total
Fonte: Secex/MIDC

2005 US$ milhões 0,0 1,5 10,5 51,0 162,6 225,7 2005 US$ milhões 0,1 3,3 14,7 69,3 71,2 185,5

% 0,02 0,68 4,65 22,6 72,04 100,00

% 0,07 2,08 9,25 43,70 44,91 100,0

Exportação 2006 US$ milhões 0,0 3,8 14,7 51,3 556,7 626,3 Importação 2006 US$ milhões 0,1 4,0 19,5 87,3 161,3 272,1

% 0,00 0,60 2,34 8,18 88,88 100,0

2007 US$ milhões 0,1 4,2 14,0 48,8 603,7 670,7 2007 US$ milhões 0,1 5,3 34,1 101,9 127,8 269,2

% 0,01 0,62 2,08 7,27 90,01 100,0

% 0,03 1,45 7,16 32,1 59,26 100,0

% 0,05 1,96 12,65 37,85 47,48 100,0

As exportações e importações da Zona Oeste por setor de atividade são apresentadas no Quadro 5. Destaque-se o fato de que, nos três anos considerados, a totalidade das vendas externas ter sido realizada pelo setor industrial. Este também responde por uma grande fatia das importações, 86% na média do triênio 2005-2007, enquanto o setor de comércio foi responsável, em média, por 13% das compras externas da Zona Oeste 7.

                                                            
7

No Quadro A.5 do Anexo estão disponibilizadas informações relativas às exportações e importações, segundo o setor de atividade, para as distintas RAs da Zona Oeste.

 

11

Quadro 5 Zona Oeste: Exportação e Importação Segundo o Tamanho do Estabelecimento
Exportação 2006 US$ milhões % --0,6 0,1 0,1 -625,6 99,9 0,0 0,0 --626,3 100,0 Importação 2006 US$ milhões % --29,5 10,8 0,3 0,1 241,7 88,8 0,7 0,3 --272,1 100,0

RA Agricultura Comércio Serviços Indústria Construção Civil Demais Total RA Agricultura Comércio Serviços Indústria Construção Civil Demais Total
Fonte: Secex/MIDC

2005 US$ milhões -0,1 -225,4 0,2 -225,7 2005 US$ milhões -27,0 -131,4 0,1 -158,5

% -0,0 -99,9 0,1 -100,0

2007 US$ milhões -0,9 0,0 669,7 0,0 -670,7 2007 US$ milhões -35,8 0,1 231,4 1,8 0,1 269,2

% -0,1 0,0 99,9 0,0 -100,0

% -17,0 -82,9 0,1 -100,0

% -13,3 0,0 86,0 0,7 0,0 100,0

Avaliado sob a ótica setorial, o desempenho exportador da Zona Oeste apresentado no Quadro 6 mostra que as vendas externas estão concentradas em pouquíssimos setores. As exportações de produtos de metalurgia básica atingiram na média do triênio 2005-2007 US$408 milhões e respondem por 81% das vendas externas da Zona Oeste. Seguem-se os produtos químicos e os produtos de metalurgia de minerais não metálicos que representaram, respectivamente, 3,5% e 2,6% das vendas externas no período considerado. Os demais setores exportaram, cada um, valores anuais médios inferiores a US$5 milhões e responderam, no conjunto, por menos de 3% da vendas totais 8. Apresentado no Quadro 7, a avaliação setorial do desempenho importador da Zona Oeste mostra a elevada concentração das compras externas. Três setores – produtos químicos, metalurgia básica e produtos de metalurgia de minerais não metálicos são responsáveis, na média do triênio 2005-2007, por 86% das importações. Os setores de produtos químicos e metalurgia básica realizaram importações de US$ 90 milhões e US$ 81 milhões, respectivamente, montantes que representam 39% e 35% das compras externas da Zona Oeste 9.

                                                            
No Quadro A.6 do Anexo estão disponibilizadas informações relativas às exportações, segundo o setor CNAE2, para as distintas RAs da Zona Oeste. No Quadro A.8 são listados os produtos do sistema harmonizado (NCM a 6 dígitos) exportados pelas empresas. Informações adicionais sobre os produtos produzidos e exportados pelas empresas podem ser obtidos nos respectivos endereços eletrônicos, também disponibilizados no Quadro. 9 No Quadro A.7 do Anexo estão disponibilizadas informações relativas às importações, segundo o setor CNAE2, para as distintas RAs da Zona Oeste.
8

 

12

Quadro 6 Zona Oeste: setores exportadores selecionados
Classificação CNAE2 Metalurgia básica Produtos químicos Produtos de metalurgia de minerais não-metálicos Equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, instrumentos de precisão e ópticos, equipamentos para automação industrial, cronômetros e relógios Máquinas e equipamentos Couros preparados e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e calçados Edição, impressão e reprodução de gravações Minerais não-metálicos Artigos do vestuário e acessórios Produtos alimentícios e bebidas Veículos automotores, reboques e carrocerias Total
Fonte: Secex/MIDC US$ milhões (média 2005-2007) 407,55 55,63 17,72 Participação % 80,5 11,0 3,5

13,14 4,74 2,12 1,84 1,00 0,96 0,84 0,79

2,6 0,9 0,4 0,4 0,2 0,2 0,2 0,2

506,33

100,0

Quadro 7 Zona Oeste: setores importadores selecionados
 
Classificação CNAE2 Produtos químicos Metalurgia básica Produtos diversos (importados pelo comércio por atacado e intermediários do comércio) Produtos de metalurgia de minerais não-metálicos Edição, impressão e reprodução de gravações Equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, instrumentos de precisão e ópticos, equipamentos para automação industrial, cronômetros e relógios Produtos têxteis Máquinas e equipamentos Produtos diversos (importados pelo comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos) Artigos de borracha e plástico Material eletrônico e de aparelhos e equipamentos de comunicações Couros preparados e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e calçados Total
Fonte: Secex/MIDC US$ milhões (média 2005-2007) 89,27 80,66 29,08 12,84 5,70 Participação % 38,8 35,0 12,6 5,6 2,5

4,14 1,89 1,71 1,67 1,35 0,99 0,84 230,14

1,8 0,8 0,7 0,7 0,6 0,4 0,4 100,0

 

13

Em resumo, a avaliação quantitativa do desempenho do comércio exterior da Zona Oeste revela alguns aspectos importantes: (i) o aumento significativo das exportações, que totalizavam US$226 milhões em 2005, pularam para US$626 milhões em 2006 e para US$671 milhões em 2007, o que representou um crescimento trienal de 196%; o aumento também considerável das importações no triênio: de US$159 milhões em 2005, alcançaram US$269 milhões em 2007, o que significou uma expansão de 69% no período; a Zona Oeste opera como exportadora líquida de bens, gerando um saldo comercial positivo e crescente: de US$67 milhões em 2005, para US$354 milhões em 2006 e US$401 milhões em 2007. Com isso, a participação da região na geração líquida de divisas do município do Rio de Janeiro saltou de 0,9% em 2005 para 4,5% em 2007; a expansão das vendas externas e das importações, fato que revela uma tendência de aumento da integração comercial da Zona Oeste com o resto do mundo; a predominância da RA de Santa Cruz como pólo dinâmico do comércio exterior da Zona Oeste: as empresas ali estabelecidas foram responsáveis por parcela crescente dos fluxos de comércio e pela geração do saldo comercial positivo alcançado pela Zona Oeste; a inexistência de vínculos comerciais significativos da RA de Bangu e, portanto, das empresas ali estabelecidas com o resto do mundo; a grande empresa é a principal protagonista do comércio exterior da Zona Oeste; elas foram responsáveis, na média do triênio 2005-2007, por 83% das exportações e por metade das importações; a totalidade das vendas externas da Zona Oeste foi realizada pelo setor industrial; este setor também responde por uma grande fatia das importações, 86% na média do triênio 2005-2007; as vendas externas estão concentradas em pouquíssimos setores: produtos de metalurgia básica tiveram exportações de US$408 milhões no triênio 2005-2007 e responderam por 81% das vendas externas da Zona Oeste; produtos químicos, metalurgia básica e produtos de metalurgia de minerais não metálicos foram responsáveis, na média do triênio 2005-2007, por 86% das importações da Zona Oeste.

(ii)

(iii)

(iv) (v)

(vi) (vii)

(viii)

(ix)

(x)

3. Avaliação das Entrevistas Entre as empresas da Zona Oeste que apresentam inserção relevante no comércio internacional seis foram selecionadas para a realização de entrevistas. Esta amostra representa aproximadamente 10% firmas exportadoras e importadoras identificadas a partir das informações do banco de dados da Secex-MIDC. A avaliação qualitativa do desempenho exportador/importador das empresas da Zona Oeste procurou abordar as seguintes questões: (i) a inserção Internacional e histórico exportador/importador da empresa; (ii) a participação da exportação/importação na produção; (iii) a demanda internacional dos produtos exportados, principais mercados e estratégias de

 

14

comercialização; (iv) as vantagens específicas da empresa exportadora; (v) os obstáculos à exportação/importação: financiamento, tributos, logística, burocracia, apoio institucional, condições de acesso a mercados; (vi) impactos do “ativo locacional” zona oestes sobre a atividade importadora/exportadora; e (vii) o uso de fatores locais (mão-de-obra e insumos) e os encadeamentos da empresa com a economia da Zona Oeste. Um traço comum a todas as empresas entrevistadas que são importadoras ou exportadoras de grande ou médio porte é que a suposta vantagem de localização propiciada pela existência de infra-estrutura portuária – dois portos, o do Rio de Janeiro e o de Itaguaí estão próximos a essas unidades produtivas – é comprometida pelas precárias condições de acessibilidade para transporte de grandes quantidades de cargas, em função dos permanentes problemas de trânsito, tanto da Avenida Brasil, quanto das rodovias que servem à região. Mesmo quanto se trata da questão da distribuição da produção local, a proximidade dos maiores mercados consumidores do país não é apontada como uma vantagem locacional pelas empresas estabelecidas na Zona Oeste. Novamente, as condições precárias da malha rodoviária, combinada com a escassez da oferta de transporte ferroviário, operam como fatores que comprometem a competitividade das empresas. Embora não esteja relacionado com a localização das unidades produtivas, outro problema mencionado por todas as empresas exportadoras/importadoras de grande e médio porte entrevistadas é a precariedade da infra-estrutura portuária, notadamente no porto do Rio de Janeiro e os entraves burocráticos gerados pelos procedimentos da Receita Federal em todos os portos. A excessiva demora no despacho de mercadorias obriga as empresas a ampliar o estoque de matéria-prima e insumos nas fábricas, como medida para evitar a paralisação da produção, o que acaba aumentando o custo do capital de giro das empresas. No caso das empresas exportadoras/importadores de pequeno porte, as operações comerciais de compra ou venda são, via de regra, realizadas por intermédio do modal aéreo e com o apoio de despachantes. Nestas circunstâncias, as empresas entrevistadas sugerem que a não há obstáculos burocráticos relevantes e a proximidade do aeroporto internacional do Galeão constitui de fato uma vantagem locacional. Todas as empresas entrevistadas, independentemente do porte, demonstraram preferência pelo emprego de mão-de-obra local, seja na produção, seja nas atividades administrativas. Todavia, quando se trata de mão-de-obra de menor qualificação, as empresas se vêm comprometidas a investir em treinamento e qualificação. Outra dificuldade apontada pelas empresas, especialmente aquelas cujas unidades produtivas estão localizadas no distrito industrial de Santa Cruz é a inexistência de sistema de transporte coletivo na região. Por isso, as empresas são obrigadas a manter serviços de transporte próprio ou contratado junto a terceiros, fator que eleva o custo da mão-de-obra. No Quadro 8 abaixo é apresentada uma síntese das informações coletadas nas entrevistas 10.

                                                            
10

Um levantamento pormenorizado das informações obtidas nas entrevistas está disponível no Anexo.

 

15 

Quadro 8 Zona Oeste: síntese das entrevistas realizadas junto a empresas exportadoras/importadoras
Vantagens e problemas na operação do comércio internacional Exportação escoada via porto do Rio e prejudicada por problemas de tráfego na avenida Brasil. grande porte grande porte Importação de insumos via porto de Sepetiba é uma vantagem locacional, embora a empresa Valesul metalurgia de (exportação anual de (importação anual de incorra em custos extras para assegurar a operação do porto; importação de pequenos lotes de alumínio cerca de US$100 cerca de US$100 produtos via porto do Rio enfrenta obstáculos em razão das deficiências da estrutura portuária e da milhões) milhões) burocracia aduaneira que oneram o custo de importação em 10%. prod. médico médio porte pequeno porte Exportação via modal aéreo; localização da fábrica próxima ao aeroporto do Galeão é apontada Silimed hospitalares (exportação anual de (importação anual de como uma vantagem. Importação de matéria-prima; parte das compras externas é realizada pelo implantes US$13 milhões) US$5 milhões) sistema de drawback. Exportação preferencial para os países da América Latina; a empresa se beneficia dos acordos de acesso a mercados do Mercosul e aqueles negociados pelo Brasil no âmbito da Aladi. Exportações Michelin (*) e importações dificultadas por problemas de circulação viária, pelo congestionamento dos pneumáticos grande porte grande porte terminais portuários e pelo aparato burocrático da Receita Federal. A demora na liberalização das importações aumenta o custo do capital de giro. A empresa utiliza o sistema de drawback para a importação de insumos e matérias-primas. Competitividade das exportações comprometida pelas condições do trânsito rodoviário até o porto e por problemas relacionados com a operação portuária. Importações são efetuadas pela corporação e não pela unidade fabril; mesmo assim, os operadores da unidade de Santa Cruz apontam que o médio porte Gerdau-Cosigua custo de importação é onerado pela burocracia da Receita Federal. A demora no despacho de médio porte siderurgia (exportação anual de insumos importados obriga a empresa a aumentar o estoque na fábrica, como medida para evitar a US$23 milhões) paralisação da produção. Os custos de produção da fábrica também são onerados pela escassez de mão-de-obra qualificada na região e pela inexistência de serviços de transporte urbano em Santa Cruz. Exportação eventual devido à insuficiência de capacidade instalada – toda a produção é destinada pultrudados de para o mercado interno. 60% da matéria-prima consumida pela empresa é importada, em função do fibra de vidro e Cogumelo eventual - pequenos menor custo do produto importado, quando comparado com o similar fabricado no país. A empresa pequeno porte produtos lotes utilizada armazém alfandegado para reduzir o custo do capital de giro empregado na compra de plásticos insumos. Exporta desde 1996 para a Argentina e se beneficia do acordo do Mercosul. Despacho da pequeno porte confecção mercadoria em geral por via aérea. Importação de tecidos constitui uma opção recente de compra (exportação anual de eventual FredVic em relação aos fornecedores domésticos e visa a reduzir os custos de produção das confecções. As US$350 mil) atividades de exportação e importação são geridas por despachante. Fonte: informações fornecidas pelas empresas; classificação do exportador/importador, segundo o porte: (i) grande porte: exportação/importação anual superior a US$ 50 milhões; (ii) médio porte: exportação/importação anual superior a US$ 10 milhões e inferior a US$ 50 milhões; (iii) pequeno porte: exportação/importação anual inferior a US$ 10 milhões; e (iv) eventual: estabelecimento que registra exportações/importações de pequenos valores, mas não exporta ou importa todos os anos. (*) as exportações e importações da Michelin não são registradas como operações da unidade fabril de Santa Cruz; são contabilizadas pelo escritório comercial da empresa localizado na Barra da Tijuca, que para efeitos fiscais é o estabelecimento exportador/importador. Empresa Setor/atividade Exportador Importador

 

 

16

4. Recomendações para o Aperfeiçoamento da Inserção Internacional da Zona Oeste O diagnóstico desenvolvido nesta seção com base na avaliação quantitativa e qualitativa do processo de inserção internacional das empresas da Zona Oeste permite definir algumas medidas ou ações que podem propiciar uma melhor inserção internacional da região. Sem a pretensão de esgotar a pauta de problemas que as empresas enfrentam é preciso atentar para o fato de que as entrevistas revelam a preocupação recorrente das grandes empresas com a infra-estrutura de transporte que serve à região. Em razão de seu porte, estas empresas transportam grandes quantidades tanto de insumos, quanto de produtos acabados. A precariedade da conservação das vias de acesso, notadamente a Avenida Brasil, os problemas de tráfego e a falta de investimentos em novas vias tornam custosas as operações de logística, aumentam o custo do capital de giro pela necessidade de manter estoques elevados e, portanto, comprometem a competitividade da grande empresa. É óbvio que a superação destes problemas depende da realização de investimentos públicos que melhorem as condições de operação da Avenida Brasil e propiciem outras opções de acesso à região, a exemplo, do Anel Rodoviário. Além dos problemas de acessibilidade, todas as empresas de grande porte denunciaram as condições precárias da infra-estrutura no porto do Rio de Janeiro e a demora no despacho das mercadorias que resulta dos procedimentos adotados pela Receita Federal. Do ponto de vista da infra-estrutura portuária, é preciso definir um plano de investimentos que melhore as condições de operação dos portos, especialmente o do Rio de Janeiro que não atende a contento as empresas que utilizam suas instalações. No que respeita aos obstáculos burocráticos às importações de produtos, a introdução de mudanças que permitam a agilização do processo de despacho aduaneiro depende da implantação de medidas a nível federal voltadas para a melhora da qualidade de gestão e para a revisão dos procedimentos adotados pela Receita Federal. Todas as empresas entrevistadas, independentemente do seu tamanho manifestaram preferência pelo uso de mão-de-obra local nas suas fábricas. Todavia, as empresas estabelecidas no Distrito Industrial de Santa Cruz denunciaram a inexistência de linhas de transporte público que liguem o Distrito aos bairros circunvizinhos. Desnecessário salientar que é preciso que a prefeitura ofereça uma solução capaz de garantir uma oferta eficiente de transporte coletivo nesta área da Zona Oeste. Ainda com relação à mão-de-obra local é notória a falta de qualificação do pessoal empregado. Dado este problema, algumas empresas sugerem que a ação pública na área educacional deveria estar voltada para a criação de uma oferta local de cursos de formação e capacitação de mão-de-obra, que levasse em conta o perfil dos trabalhadores e as especificidades das unidades produtivas que operam na região. Há se considerar também a questão da pequena participação da PMEs na atividade exportadora. Este não é um problema enfrentado apenas pelas PMEs da Zona Oeste. São vários os estudos e os diagnósticos 11 que apontam para as dificuldades de inserção da PMEs no comércio exterior, notadamente na atividade exportadora. Quando se trata de definir um plano de ação para as PMEs é necessário considerar que qualquer iniciativa exitosa nessa área depende de instituições capazes de liderar as iniciativas, criando motivações e conduzindo o processo de capacitação das empresas. No caso da Zona Oeste é preciso avaliar a
                                                            
Ver a propósito o trabalho de MOTTA VEIGA, P.; MACHADO, J.B.; CARVALHO, M. (1998), Estudo do Universo Exportador Brasileiro. Mict. Brasília.
11

 

17

possibilidade de desenvolver programas a partir das associações comerciais locais com o apoio técnico do Sebrae que, com é sabido, dispõe de larga experiência na implementação desse tipo de iniciativa. Às associações caberá a mobilização das empresas, onde o elemento motivacional deverá funcionar como a principal arma de cooptação das PMEs. Ao Sebrae caberá a execução dos programas de capacitação, considerando-se inclusive as especificidades e carências das empresas locais. As exigências de capacitação e de estrutura de gerenciamento relacionadas com a inserção da PME no comércio internacional são abrangentes e, via de regra, geram uma elevação dos custos, mesmo quando a percepção de que os riscos associados à atividade exportadora são baixos. O principal obstáculo à inserção internacional da PME está relacionado com a inexistência de oferta exportadora, que se manifesta tanto pela insuficiência de recursos para ampliar e modernizar a capacidade produtiva, quanto pela carência de recursos gerenciais especializados para lidar com as práticas de comercialização exigidas nas operações com mercados externos. Existem, portanto, alguns objetivos que devem compor a estratégia de capacitação das PMEs, a destacar: (i) a eliminação das restrições de natureza quantitativa e qualitativa à oferta exportável; (ii) o controle dos fatores internos à empresa que tornam a operação de exportação mais custosa e menos rentável do que as vendas no mercado doméstico; (iii) a identificação de oportunidades de negócios no mercado internacional, e (iv) a projeção internacional de uma imagem de qualidade da empresa e de seus produtos. Um programa que cumpra esses objetivos deve realizar, por intermédio de consultoria gerencial e tecnológica, uma avaliação dos recursos das empresas, bem como da capacidade destas de responder às iniciativas implementadas no âmbito do programa. A prestação de diversos tipos de serviços diretamente relacionados às diferenças etapas de uma operação de exportação ajudarão as empresas a superar os entraves específicos, permitindo a elaboração de um planto consistente de negócios, a gestão adequada do processo, tanto no aspecto fiscal quanto financeiro, e também a obtenção de condições favoráveis de transporte e de financiamento.
 

       

18

ANEXO

 

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QUADRO A.1 Zona Oeste: Empresas Exportadoras (informações cadastrais)
RAZAO SOCIAL Consuldent Equipamentos Medico-Odontologicos Ltda Rudel Ravasco Servicos Ltda Casa Publicadora Das Assembleias de Deus Ivsom Instrumentos Musicais Ltda ENDERECO Rua Agricola 686 Estrada do Engenho 888 Avenida Brasil 34401 Travessa Santo Agostinho 29 BAIRRO Bangu Bangu Bangu Padre Miguel Bangu Bangu Bangu Bangu RA CEP 21810090 21840000 21863000 21721500 CNPJ 04363307000108 02402487000164 33608332000102 07613471000114

Empresa Brasileira de Solda Elétrica S.A. - Ebse Grafica Irmaos Leal Ltda Long Beach Confeccoes Ltda Me

Av. Santa Cruz, 10.280 Albino de Paiva 238 Rua Olinda Ellis 661

Santíssimo Senador Camara Campo Grande

Bangu Bangu Campo Grande

23520-243 21830490 23017120

33220880000160 27020098000103 03233807000162

Fredvic Ind. de Roupas Ltda. Nucon - Rio Comercial e Distribuidora Ltda

Av. Brasil, 49.389, Km 50 Rua Camaipi 670

Campo Grande Campo Grande

Campo Grande Campo Grande

23065-480 23052320

33883448000150 04666078000109

Giemac Mineração Ltda.

Av. Brasil, 41432

Campo Grande

Campo Grande

23095-700

28350304001099

Vesúvios Refratários Ltda.

Av. Brasil, 49550 Distr. Indl. de Palmares

Campo Grande

Campo Grande

23065-480

30511844000168

Technew Com. e Ind. Ltda. Epp

Rua Mario Mendes, 435

Campo Grande

Campo Grande

23013-530

31258478000140

 

20 

Sh Industria de Metalurgia e Servicos Ltda Quaker Chemical Industria e Comercio Ltda C. A. Wille Industria e Comercio de Roupas Artesanato Lameirao Pequeno Ltda

Rua Azhaury Mascarenhas 155 Avenida Brasil 44178 Estrada da Posse 3027 Estrada Lameirao Pequeno 78

Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande

Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande

23078520 23078001 23088000 23017325

07525932000105 00999042000188 07796403000138 07601268000128

Recouro Ind. de Couro Reconstituído Ltda M.M.Relax Acessorios Ltda

Av. Brasil, 50340 Osvino Ferreira Alves 195

Campo Grande Campo Grande

Campo Grande Campo Grande

23065-480 23090790

87193728000165 06068841000117

Primus Processamento de Tubos S.A. Protubo Superpesa Industrial Ltda

Rua Campo Grande, 3.760 Avenida Brasil 42301

Campo Grande Campo Grande

Campo Grande Campo Grande

23063-000 23095700

42416792000120 30038152000144

Cogumelo Ind. e Com. Ltda. Art Latex Ind e Com de Artefatos de Latex Ltda

Av. Brasil, 44879 Estr Rio Sao Paulo 255

Campo Grande Campo Grande

Campo Grande Campo Grande

23078-000 21853480

42200550000102 31908825000132

Cloral Ind. de Produtos Químicos Ltda. Carreteiro Alimentos Ltda Brasil Stone Ltda. Delly Kosmetic Com. e Ind. Ltda.

Estr. do Pedregoso, 4000 Avenida Brasil 51000 Av. Brasil, 50.500 Estr. do Pedregoso, 3.229

Campo Grande Campo Grande Campo Grande Cpo. Grande

Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande

23078-450 23065480 23065-480 23078-450

42593855000113 02892934000100 3952200000132 1567613000178

 

21 

Metal Sales Schlenk do Brasil Com. e Ind. de Metais Ltda. Transnova Comercio Internacional Ltda Mitjavila do Brasil- Componentes Para Toldos, Importaca V.34 Alimentos Ltda Me

Estr. do Pedregoso, 3129 Rua Jornalista Geraldo Roch Rua Jornalista Geraldo Roch Rodovia Presidente Dutra 70

Distrito Industrial Campo Grand Jardim America Jardim America Jardim America

Campo Grande Realengo Realengo Realengo

23078-450 21240080 21240080 21240001

42564351000175 06935991000180 03559301000148 03452108000103

Natec Equipamentos Ltda.

Av. Meriti, 4940

Jd. América

Realengo

21241-730

30457311000145

Procosa Produtos de Beleza Ltda.

Rod. Pres. Dutra, 2611 e 2671

Jd. América

Realengo

21535-500

33306929000445

Filipac Industrial e Comercial Ltda. - Me Thermadyne Victor Ltda. Setha Industria Eletronica Ltda Diz Ferramentaria e Estamparia Ltda Camargo Soares Industria e Comercio de Madeiras Ltda Brasilcraft Comercio de Artefatos de Couro Ltda G. Moretti Confecção Ltda. Vertical do Ponto Industria e Com de Para Quedas Ltda Marleous Equipamentos Ltda.

Rua Monsaras, 19 Av. Brasil, 13629 Rua Alvaro de Macedo 134 Avenida Brasil 16699 Rua Bernerdo de Vasconcelos Estrada da Agua Branca 3826 Rua Nilópolis, 120 Av G Benedito da Silveira S Rua Otranto 1097

Magalhães Bastos Parada de Lucas Parada de Lucas Parada de Lucas Realengo Realengo Realengo V Militar Deodoro Vigario Geral

Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo

21735-050 21012-351 21250620 21241051 21715252 21720161 21720-040 21853480 21241090

40392698000152 2580640000143 30316830000193 73794158000154 07165462000108 06088958000162 2900440000120 36111755000100 32113664000153

 

22 

Comercio e Industria Medifar Ltda Never Industria e Comercio Ltda

Rua Gregorio de Matos Etr Vigario Geral 371

Vigario Geral Vigario Geral

Realengo Realengo

21240670 21241100

34121970000167 31199029000178

Jolimode Roupas S.A.

Rua Fernandes da Cunha, 326

Vigário Geral

Realengo

21241-300

33016494000151

Silimed-Silicone e Instr. Méd. Cirurg. e Hospitalares Ltda.

Rua Figueiredo Rocha, 374

Vigário Geral

Realengo

21240-660

29503802000104

Sicpa Brasil Ltda. M. A. T. Gomes Bazar Lacca S/A Industria e Comercio de Moveis

Rua Echaponã, 328 Rua Lucio Cardoso 317 Av Cesario de Melo 11572

Distrito Industrial Sta. Cruz Paciencia Paciencia

Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz

23565-150 23580000 23585126

42596973000185 02039631000140 42300616000128

Manufatura Zona Oeste S.A. Liarte Metalquimica Ltda Siegwerk Brasil Industria de Tintas Ltda Avanti-Carpet Industria Textil Ltda. Casa da Moeda do Brasil Cmb Gerdau Acos Longos S.A.

Rua Pistoia, 102 Rua Darcy Pereira 164 Rua Echapora 328 Rua Agai 1861 Rua Rene Bittencourt 371 Avenida Joao Xxiii 6.777

Paciência Santa Cruz Santa Cruz Santa Cruz Santa Cruz Santa Cruz

Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz

23590-000 23565190 23565150 23065620 23565200 23560900

29708492000156 17750886000193 07495017000106 29471364000131 34164319000506 07358761000169

Pan-Americana S.A. Indústrias Químicas

Rua Nelson da Silva, 288

Sta. Cruz

Sta. Cruz

23565-160

50142223000323

 

23 

Fábrica Carioca de Catalisadores S.A.

Rua Nelson da Silva, 663

Sta. Cruz

Sta. Cruz

23565-160

28944734000148

Valesul Alumínio S.A.

Estr. Aterrado do Leme, 1225

Sta. Cruz

Sta. Cruz

23579-900

42590364000119

Sociedade Marmífera Brasileira Ltda. Ecolab Química Ltda.

Av. Brasil, 49527 Rua Nelson da Silva, 375

Sta. Cruz Sta. Cruz

Sta. Cruz Sta. Cruz

23065-480 23565-160

33151630000116 536772000223

Hazafer do Brasil Ind. e Com. Ltda. Focal Engenharia e Manutencao Ltda Fonte: Secex/MIDC

Rua Macapá, 273 Avenida Marechal Fontenelle

Sta. Cruz

Sta. Cruz

23550-260 21740001

33430463000142 02068570000300

Campo Dos Afonsos Realengo

 

24 

QUADRO A.2 Zona Oeste: Empresas Importadoras (informações cadastrais)
RAZAO SOCIAL Glass Temper Bazar e Vidracaria Ltda. Epp Rudel Ravasco Servicos Ltda Angio Vita Servicos Medicos Ltda Redecine - Rio Cinematografica Ltda Tourall Tecnologia De Veiculos Eletricos Ltda Oilequip Produtos e Serviços Ltda. Falmec Do Brasil Industria E Comercio Sa Vidraçaria Bangu Ltda. Dalbani Comercial De Tecidos Ltda - Epp Nargetec Industria E Comercio Ltda Empresa Brasileira De Solda Eletrica S A Ebse Casa Publicadora das Assembleias de Deus Superpesa Industrial Ltda Pietra-2003 Comercio Industria Importacao E Exportacao Technew Com. e Ind. Ltda. Epp ENDERECO Rua da Chita 235 Estrada Do Engenho 888 Rua Silva Cardoso 711 Rua Fonseca 240 Rua Teceloes 119 Av. Brasil, 33.050, Esq. C, Estr. do Gerici Rua Araquem 333 Rua Sul América, 1.878-A Rua Francisco Real 862 Estrada Sete Riachos 3213 Avenida Santa Cruz 10280 Av.Brasil, 34401 Avenida Brasil 42301 Estrada Do Encanamento 511 Rua Mario Mendes, 435 BAIRRO Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Padre Miguel Santissimo Santissio Senador Camara Campo Grande Campo Grande Campo Grande Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Bangu Campo Grande Campo Grande Campo Grande RA CEP 00000 21840000 21810031 21820020 21820130 21852-001 21853480 21875-011 21810042 23097710 23520243 21852-002 23095700 23060000 23013-530 CNPJ 03622733000156 02402487000164 00724052000100 07524011000209 05493923000146 31639701000107 04747159000125 27938828000141 74238064000242 31625361000157 33220880000160 33608332000102 30038152000144 05961013000140 31258478000140

 

25 

Cloral Industria de Produtos Quimicos Ltda Fredvic Industria De Roupas Ltda Amalu Industria E Comercio Ltda. Brasil Stone Ltda. Recouro Ltda. Ind. de Couro Reconstituído Sh Formas Andaimes E Escoramentos Ltda Craft Engenharia Ltda W W Ind e Com de Ferramentas e Pecas Plasticas Ltda Me Refrigerantes Convencao Rio Ltda Silbene Industria E Comercio Ltda Quaker Chemical Indústria e Comércio S.A. Sh Industria De Metalurgia E Servicos Ltda Art Latex Ind. e Com. de Artefatos de Látex Ltda. Dancor S.A. Ind. Mecânica Vke 80 Industria E Comercio De Cosmeticos Ltda.Me Inpal S.A. Indústrias Químicas Plasser do Brasil Comercio Ind e Representacoes Ltda

Est do Pedregoso 4000 Avenida Brasil 49389 Estrada Rio Do A 1104 Av. Brasil, 50.500 Av. Brasil, 50340 Avenida Brasil 45208 Estrada Do Pedregoso 2689 Est do Mendanha 576 Avenida Brasil 44148 Rua Coronel Agostinho 52 Av. Brasil, 44178 Rua Azhaury Mascarenhas 155 Estr. Rio-São Paulo, 255 Av. Brasil, 49.259 Rua Sao Germano 80 Av. Brasil, 42.401 R Campo Grande 3050

Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande

Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande

23078450 23065480 23080300 23065-480 23065-480 23078001 23078450 23097003 23078001 23050360 23078-001 23078520 21853-480 23078-001 23080570 23095-700 23085360

42593855000113 33883448000150 02645774000103 3952200000132 87193728000165 42292292000395 29513405000105 29926771000196 28293066000136 33606435000133 00999042000188 07525932000105 31908825000132 33561853000151 07649178000107 33413527000105 42284562000154

 

26 

Giemac Mineração Ltda. Dime Ltda Vesúvios Refratários Ltda. Carreteiro Alimentos Ltda Cogumelo Ind. e Com. Ltda. Superpesa Cia De Transportes Especiais E Intermodais Carreteiro Alimentos Ltda. C M E Comercio De Maquinas E Equipamentos Ltda Trade Box Importacao E Exportacao Ltda Primus Processamento De Tubos Sa Protubo Zzbn Importacao e Exportacao Ltda Delly Kosmetic Com. e Ind. Ltda. Metal Sales Schlenk do Brasil Com. e Ind. de Metais Ltda. Geomax Equipamentos Ltda. Procosa Produtos de Beleza Ltda. Manufatura Produtos King Ltda Emco Ike Industria e Comercio Ltda

Av. Brasil, 41432 Estrada do Mendanha 1051 Av. Brasil, 49550 Distr. Indl. de Palmares Avenida Brasil 51000 Av. Brasil, 44879 Avenida Brasil 42.301 Av. Brasil, 51000 Avenida Brasil 38500 Avenida Cesario De Melo 3311 Rua Campo Grande 3760 Rua Coronel Agostinho 76 Estr. do Pedregoso, 3.229 Estr. do Pedregoso, 3129 Rua Gen. Correa e Castro, 305 Rod. Pres. Dutra, 2611 e 2671 Estrada Gal Canrobert Da Co 9 Rua Coruripe 475

Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Cpo. Grande Distrito Industrial Campo Grand Jd. América Jd. América Magalhaes Bastos Marechal Hermes

Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Campo Grande Realengo Realengo Realengo Realengo

23095-700 00000 23065-480 23065480 23078-000 23095700 23065-480 23095700 23050101 23063000 00000 23078-450 23078-450 21240-030 21535-500 21710400 21550000

28350304001099 04938495000155 30511844000168 02892934000100 42200550000102 42415810000159 14109664000106 32300758000131 06226873000101 42416792000120 06168811000182 1567613000178 42564351000175 33012253000134 33306929000445 33479445000155 03278416000164

 

27 

Creimex-Comercial Importacao E Exportacao Ltda Tussor Confeccoes Ltda Thermadyne Victor Ltda. Flexopack Embalagens Ltda Setha Ind. Eletrônica Ltda. Terasaki Do Brasil Ltda Brasilcraft Comercio De Artefatos De Couro Ltda Vertical Do Ponto Industria E Com De Para Quedas Ltda Jolimode Roupas S A Sulatlantica Importadora e Exportadora Ltda. Fornox Brasil Industria E Comercio Ltda Manchester Distribuidora De Ferro E Aco Ltda Lys Electronic Ltda Marleous Equipamentos Ltda. Qualyglass Industria e Comercio de Vidros Ltda Marfreis Industria E Comercio De Bolsas Ltda Porto De Mar Comercio De Generos Alimenticios Ltda

Rua Aurelio Valporto 47 Rua Mauro 150 Av. Brasil, 13629 Avenida Brasil 13741 Rua Álvaro de Macedo, 134/144 Rua Cordovil 259 Estrada Da Agua Branca 3826 Av G Benedito Da Silveira S/N Rua Fernandes Da Cunha 326 Rua Furquim Mendes, 100 Rua Otranto C/Entr/Supl/R.M 1 Avenida Meriti 5230 Rua Saturno 45 Rua Otranto 1097 Avenida Brasil 15846 Rua Gregorio De Mattos 159 Rua Martinica 41

Marechal Hermes Parada De Lucas Parada de Lucas Parada de Lucas Parada de Lucas Parada De Lucas Realengo V Militar Deodoro Vigario Geral Vigario Geral Vigario Geral Vigario Geral Vigario Geral Vigario Geral Vigario Geral Vigario Geral Vigario Geral

Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo Realengo

21555560 21241110 21012-351 21010000 21250-620 21250450 21720161 21853480 21241300 21241-340 21241090 21240732 21241150 21241090 21241050 21240670 21241081

68746346000177 07681643000197 2580640000143 30707749000134 30316830000193 42416784000183 06088958000162 36111755000100 33016494000151 33375692000101 06038191000167 36072635000141 33469867000140 32113664000153 07114732000151 02357505000133 02895077000100

 

28 

Silimed-Silicone e Instr. Méd. Cirurg. e Hospitalares Ltda. Happy Confecções Ltda. Sicpa Brasil Ltda. Santa Cruz Melting S/A Lacca S/A Industria E Comercio De Moveis Manufatura Zona Oeste S.A. Ecoparts Com. e Ind. Ltda. Gerdau Acos Longos S.A. Avanti-Carpet Industria Textil Ltda. Siegwerk Brasil Industria De Tintas Ltda Thyssenkrupp Csa Companhia Siderurgica Molecular Brasil Limitada Casa da Moeda do Brasil Cmb Ecolab Química Ltda. Fábrica Carioca de Catalisadores S.A. Liarte Metalquímica Ltda. Hazafer do Brasil Ind. e Com. Ltda.

Rua Figueiredo Rocha, 374 Rua Otranto, 1.322 Rua Echaponã, 328 Estrada Urucania 1356 Av Cesario De Melo 11572 Rua Pistoia, 102 Rua Pistóia, 102, Parte Avenida Joao Xxiii 6.777 Rua Agai 1861 Rua Echapora 328 Avenida Joao Xxiii S/N Avenida Padre Guilherme Dec 2 R Rene Bittencourt, 371 Rua Nelson da Silva, 375 Rua Nelson da Silva, 663 Rua Darcy Pereira, 164 Rua Macapá, 273

Vigário Geral Vigário Geral Distrito Industrial Sta. Cruz Paciencia Paciencia Paciência Paciência Santa Cruz Santa Cruz Santa Cruz Santa Cruz Santa Cruz Santa Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz

Realengo Realengo Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz Sta. Cruz

21240-660 21241-090 23565-150 23580140 23585126 23590-000 23590-300 23560900 23065620 23565150 23560352 23575000 23565-200 23565-160 23565-160 23565-190 23550-260

29503802000104 28227650000193 42596973000185 29978806000130 42300616000128 29708492000156 03577587000194 07358761000169 29471364000131 07495017000106 07005330000208 03122996000287 34164319000506 536772000223 28944734000148 17750886000193 33430463000142

 

29 

Pan-Americana S.A. Indústrias Químicas Valesul Alumínio S.A. Fonte: Secex/MIDC

Rua Nelson da Silva, 288 Estr. Aterrado do Leme, 1225

Sta. Cruz Sta. Cruz

Sta. Cruz Sta. Cruz

23565-160 23579-900

50142223000323 42590364000119

 

30 

QUADRO A.3 Zona Oeste: estabelecimentos exportadores e importadores por RA, segundo o tamanho
RA Bangu Micro Pequena Especial Média Grande Demais Campo Grande Micro Pequena Especial Média Grande Demais Realengo Micro Pequena Especial Média
Exportação (no. de estabelecimentos) 2005 2006 2007 4 2 1 1 16 2 4 2 8 13 1 7 2 4 1 1 1 1 17 2 7 2 6 16 9 4 4 2 1 1 18 2 7 2 6 1 14 7 4 Importação (no. de estabelecimentos) 2005 2006 2007 7 3 1 3 21 2 5 1 11 2 14 2 4 1 4 7 4 1 1 1 25 11 1 10 3 20 3 6 2 6 9 2 4 1 1 1 27 2 9 1 11 4 19 2 5 3 6 Exportação (em %) 2006 8,0 2,0 2,0 2,0 2,0 34,0 4,0 14,0 4,0 12,0 32,0 18,0 8,0 Importação (em %) 2006 13 5,6 1,9 5,6 38,9 3,8 9.3 1,9 20,4 3,8 25,9 3,8 7,4 1,9 7,4 10,4 6 1,5 1,5 1,5 37,3 16,4 1,5 14,9 4,5 29,9 4,5 9 3 9

2005 8.9 4.5 2.2 2.2 35.6 4.5 8.9 4.5 17.8 28.9 2.2 15,6 4.5

2007 8,3 4,2 2,1 2,1 37,5 4,2 14,6 4,2 12,5 2,1 29,2 14,6 8,3

2005

2007 12,9 2,9 5,7 1,4 1,4 1,4 38,6 2,9 12,9 1,4 15,7 5,7 27,1 2,9 7,1 4,3 8,6

 

31 

Grande Demais Sta. Cruz Micro Pequena Especial Média Grande Demais Total
Fonte: Secex/MIDC

3 12 1 1 1 6 3 45

3 13 1 1 8 3 50

3 12 1 1 1 6 3 48

3 12 1 8 3 54

3 15 2 2 8 3 67

3 15 1 2 2 7 3 70

6,7 26.7 2.2 2.2 2.2 13,3 6,7 100,0

6,0 26,0 2,0 2,0 16,0 6,0 100,0

6,3 25 2,1 2,1 2,1 12,5 6,3 100,0

5,6 22,2 1,9 14,8 5,6 100,0

3 22,4 3 3 11,9 4,5 100,0

4,3 21,4 1,4 2,9 2,9 10,0 4,3 100,0

 

32 

QUADRO A.4 Zona Oeste: exportação e importação por RA, segundo o tamanho
Exportação (US$milhões) Importação (US$milhões) 2007 0,7 0,0 0,0 0,6 28,2 0,0 1,7 11,6 14,9 0,0 66,3 2,5 15,1 2005 1,8 0,1 1,1 0,6 56,4 0,0 0,8 2,0 40,5 13,1 39,7 0,1 2,2 11,6 5,9 2006 1,9 0,6 1,2 0,1 0,0 80,5 1,2 1,8 62,0 15,6 38,6 0,1 1,5 12,8 4,9 2007 3,5 0,1 1,2 1,6 0,1 0,4 89,5 0,0 1,4 3,3 66,0 18,8 52,2 0,0 1,3 17,2 6,4 2005 0,0 0,0 0,0 0,0 11,2 0,0 0,2 4,0 6,9 18,3 0,0 0,4 8,4 Exportação (em %) 2006 0,1 0,0 0,0 0,0 0,1 4,5 0,0 0,3 2,0 2,3 7,2 0,4 2.7 2007 0,1 0,0 0,0 0,1 4,2 0,0 0,3 1,7 2,2 0,0 9,9 0,4 2,3 2005 1,1 0,1 0,7 0,4 35,6 0,0 0,5 1,3 25,6 8,3 25,0 0,1 1,4 7,3 3,7 Importação (em %) 2006 0,7 0,2 0,4 0,0 0,0 29,6 0,4 0,7 22,8 5,7 14,2 0,0 0,6 4,7 1,8 2007 1.3 0,0 0,4 0,6 0,0 0,1 33,2 0,0 0,5 1,2 24,5 7,0 19,4 0,0 0,5 6,4 2,4

RA Bangu Micro Pequena Especial Média Grande Demais Campo Grande Micro Pequena Especial Média Grande Demais Realengo Micro Pequena Especial Média

2005 0,0 0,0 0,0 0,0 25,1 0,0 0,5 9,1 15,5 41,3 0,0 0,9 19,0

2006 0,7 0,0 0,0 0,1 0,5 28,2 0,0 1,5 12,7 14,1 44,7 2,3 16,6

 

33 

Grande Demais Sta. Cruz Micro Pequena Especial Média Grande Demais total
Fonte: Secex/MIDC

21,3 159,3 0,0 0,1 1,4 16,5 141,3 225,7

25,8 552,8 0,0 2,0 20,5 530,3 626,3

48,7 575,4 0,0 0,0 2,4 18,1 554,9 670,7

19,9 60,6 0,2 22,3 38,2 158,5

19,3 151,1 0,7 3,6 20,4 126,4 272,1

27,2 124,0 0,0 1,4 11,9 29,4 81,3 269,2

9,4 70,9 0,0 0,0 0,6 7,3 62,6 100,0

4,1 88,3 0,0 0,3 3,3 84,7 100,0

7,3 85,8 0,0 0,0 0,4 2,7 82,7 100,0

12,6 38,2 0,1 14,1 24,1 100,0

7,1 55,5 0,3 1,3 7,5 46,5 100,0

10,1 46,1 0,0 0,5 4,4 10,9 30,2 100,0

 

34 

QUADRO A.5 Zona Oeste: exportação e importação das distintas RAs, segundo o setor de atividade
Exportação (US$milhões) Importação (US$milhões) 2007 0,7 0,0 0,6 0,0 28,2 0,0 28,2 66,3 0,8 0,0 2005 1,8 1,2 0,6 0,0 56,4 13,1 43,2 0,1 39,7 12,7 2006 1,9 1,4 0,3 0,3 80,5 15,3 0,3 64,6 0,4 38,6 12,8 2007 3,5 2,5 0,7 0,2 0,1 89,5 17,3 0,1 70,5 1,6 52,2 16,0 2005 0,0 0,0 0,0 0,0 11,1 0,0 11,1 18,3 0,0 Exportação (em %) 2006 0,1 0,0 0,1 0,0 4,5 4,5 7,1 0,1 0,0 2007 0,1 0,0 0,1 0,0 4,2 0,0 4,2 9,9 0,1 0,0 2005 1,1 0,8 0,4 0,0 35,6 8,3 27,3 0,1 25,0 8,0 Importação (em %) 2006 0,7 0,5 0,1 0,1 29,6 5,6 0,1 23,7 0,1 14,2 4,7 2007 1,3 0,9 0,3 0,1 0,0 33,2 6,4 0,0 26,2 0,6 19,4 5,9 -

RA Bangu Agricultura Comércio Serviços Indústria Cons. Civil Demais Campo Grande Agricultura Comércio Serviços Indústria Cons. Civil Demais Realengo Agricultura Comércio Serviços Indústria

2005 0,0 0,0 0,0 0,0 25,1 0,0 25,1 41,3 0,1 -

2006 0,7 0,0 0,7 0,0 28,2 28,2 44,7 0,6 0,1

 
41,0 44,0 552,8 0,0 552,8 626,3 65,5 575,4 0,0 575,4 670,7 27,0 60,6 60,6 158,5 25,7 151,1 151,1 272,1 36,2 124,0 124,0 0,0 269,2 18,2 0,1 70,6 0,0 70,6 100,0 7,0 88,3 0,0 88,3 100,0 9,8 85,6 0,0 85,6 100,0 17,0 38,2 38,2 100,0 9,4 55,5 55,5 100,0 13,4 46,1 124,0 0,0 100,0

35 

Cons. Civil Demais Sta. Cruz Agricultura Comércio Serviços Indústria Cons. Civil Demais Total
Fonte: Secex/MIDC

0,2 159,3 0,0 159,3 225,7

 

36 

QUADRO A.6 Zona Oeste: exportações das distintas RAs, ordenadas segundo o setor CNA2 (US$milhões)
Bangu Edição, impressão e reprodução de gravações Média 2005-2007 Campo Grande Média 2005-2007 Realengo Média 2005-2007 Sta. Cruz Média 2005-2007 407,28

Fabricação de produtos de 0,26 minerais não-metálicos

Metalurgia básica

Fabricação de produtos 0,17 químicos

Fabricação de produtos 15,81 químicos Fabricação de equipamentos de instrumentação médicohospitalares, instrumentos de precisão e ópticos, equipamentos para automação industrial, 7,15 cronômetros e relógios

31,79 Metalurgia básica

Fabricação de produtos 13,14 químicos

16,69

Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos

Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e 0,01 calçados

Fabricação de máquinas e 1,99 equipamentos

Fabricação de produtos de 4,74 minerais não-metálicos

1,91

Atividades anexas e auxiliares do transporte e agências de viagem

Extração de minerais não0,01 metálicos

Comércio por atacado e 1,00 intermediários do comércio

Edição, impressão e 0,49 reprodução de gravações

1,58

Confecção de artigos do vestuário e acessórios

Confecção de artigos do 0,64 vestuário e acessórios

Fabricação de produtos 0,32 alimentícios e bebidas

0,84

 

37 

Fabricação de produtos de metal - exclusive máquinas e equipamentos

Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e 0,36 calçados

Fabricação e montagem de veículos automotores, 0,13 reboques e carrocerias

0,79

Fabricação de artigos de borracha e plástico Metalurgia básica

Serviços prestados 0,11 principalmente às empresas 0,10 Construção

Fabricação de móveis e 0,06 indústrias diversas 0,03

0,05

Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos

Fabricação de material eletrônico e de aparelhos e equipamentos de 0,01 comunicações Fabricação de produtos de metal - exclusive máquinas e equipamentos Fabricação de produtos têxteis Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos

0,03

0,02 0,01

0,01 50,77 429,14 507,53

Sub-total Total % de participação de cada região Fonte: Secex/MIDC

0,45

27,17

0,09

5,35

10,00

84,55

 

38 

QUADRO A.7 Zona Oeste: importações das distintas RAs, ordenadas segundo o setor CNA2 (US$milhões)
Bangu Média Campo Grande Média 2005-2007 Realengo Média 2005-2007 Sta. Cruz Média 2005-2007

Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos

Fabricação de produtos 1,67 químicos

Fabricação de produtos 43,77 químicos

21,77 Metalurgia básica

80,34

Metalurgia básica

Comércio por atacado e 0,22 intermediários do comércio

Edição, impressão e reprodução de gravações

Fabricação de produtos de 0,16 minerais não-metálicos

Comércio por atacado e 15,23 intermediários do comércio Fabricação de equipamentos de instrumentação médicohospitalares, instrumentos de precisão e ópticos, equipamentos para automação industrial, 12,82 cronômetros e relógios

Fabricação de produtos 13,84 químicos

23,72

Edição, impressão e 4,14 reprodução de gravações

5,54

Fabricação de máquinas e equipamentos

Fabricação de artigos de 0,15 borracha e plástico

Fabricação de máquinas e 1,35 equipamentos

Fabricação de produtos 1,43 têxteis

1,62

Saúde e serviços sociais

Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e 0,10 calçados

Fabricação de material eletrônico e de aparelhos e equipamentos de 0,64 comunicações

Fabricação e montagem de veículos automotores, 0,99 reboques e carrocerias

0,33

 

39 

Atividades anexas e auxiliares do transporte e agências de viagem

Aluguel de veículos, máquinas e equipamentos sem condutores ou operadores e de objetos pessoais e 0,05 domésticos

Fabricação de máquinas, 0,60 aparelhos e materiais elétricos

Fabricação de produtos 0,41 alimentícios e bebidas

0,30

Atividades recreativas, culturais e desportivas

Fabricação de produtos de metal - exclusive máquinas e 0,03 equipamentos

Confecção de artigos do 0,33 vestuário e acessórios

Fabricação de móveis e 0,38 indústrias diversas

0,05

Não classificadas

Fabricação de produtos 0,02 alimentícios e bebidas

0,25 Fabricação de produtos têxteis

0,27

Comércio por atacado e intermediários do comércio Fabricação de produtos de metal - exclusive máquinas e equipamentos

Fabricação de máquinas e 0,01 equipamentos

Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e 0,13 calçados Fabricação de produtos de 0,13 minerais não-metálicos 0,10

0,20

0,01 Construção Metalurgia básica

0,02

 

40 

Atividades anexas e auxiliares do transporte e agências de viagem Sub-total Total % de participação de cada região Fonte: Secex/MIDC 1,03 2,41

0,10 75,44 43,46 111,90 233,21 32,35 18,64 47,98

 

41 

QUADRO A.8 Empresas Exportadoras e Produtos Sistema Harmonizado (NCM a 6 dígitos) Produto Nome da empresa SH
Consuldent Equipamentos MedicoOdontologicos Ltda Rudel Ravasco Servicos Ltda 380991 350790 340290 283911 380290 291570 380910 320414 320419 282739 282731 Casa Publicadora Das Assembleias de Deus 490199 490290 490591 491110 Outros agentes de apresto ou acabamento, aceleradores de tingimento ou de fixação e outros produtos para a indústria têxtil ou indústrias similares Outras enzimas preparadas Outras preparações tensoativas e preparações para lavagem e limpeza Metassilicatos de sódio Outras matérias minerais naturais ativadas; negros de origem animal Ácidos palmítico, ácido esteárico, seus sais e ésteres Preparações à base de matérias amiláceas Corantes diretos e suas preparações Outras matérias corantes orgânicas sintéticas e suas preparações Outros cloretos Cloreto de magnésio

Website

www.rudelravasco.com.br

www.cpad.com.br Outros livros, brochuras e impressos semelhantes Outros jornais e publicações periódicas ou impressos, mesmo ilustrados Obras cartográficas, impressas sob a forma de livros ou brochuras Impressos publicitários, catálogos comerciais e semelhantes

 
852340 852380 491199 482010 847290 852329 482090 490599 847170 Ivsom Instrumentos Musicais Ltda Empresa Brasileira de Solda Elétrica S.A. - Ebse Grafica Irmaos Leal Ltda Long Beach Confeccoes Ltda Me 621112 392321 490110 420222 621120 620463 621111 Maiôs e biquínis, de banho, exceto de malha, de uso feminino Sacos, bolsas, cartuchos, de polímeros de etileno Livros, brochuras, impressos semelhantes, em folhas soltas, mesmo dobradas Bolsas, mesmo com tiracolo ou sem alças, com a superfície exterior de plástico ou de matérias têxteis Macacões e conjuntos, de esqui, exceto de malha Calças, jardineiras, bermudas e shorts, de fibras sintéticas, de uso feminino Shorts e sungas, de banho, exceto de malha, de uso masculino 920600 730900 Suportes ópticos, para gravação e reprodução Outros suportes para gravação de som ou semelhantes Outros impressos Livros de registro, de contabilidade, blocos de notas, agendas e artigos semelhantes Outras máquinas e aparelhos de escritório, máquinas para uso bancário e semelhantes Discos, fitas e outros suportes magnéticos para gravação Outros artigos de papel ou cartão, para escritório ou papelaria Outros obras cartográficas, impressas Unidades de memória Instrumentos musicais de percussão (tambores, caixas, xilofones, pratos, castanholas e maracas) Reservatório, tonéis, cubas e recipientes semelhantes, de ferro fundido, ferro ou aço, de capacidade > 300 litros, sem dispoditivos mecânicos nem térmicos www.ebse.com.br

42 

 
Calças, jardineiras, bermudas e shorts, de fibras sintéticas, de uso masculino Vestidos de algodão, de uso feminino Corpetes, calcinhas, penhoares e artefatos semelhantes, de fibras sintéticas ou artificiais Impressos publicitários, catálogos comerciais e semelhantes Vestidos de fibras sintéticas, de uso feminino Camisas, blusas, blusas chemisiers, de fibras sintéticas ou artificiais, de uso feminino Calças, jardineiras, bermudas e shorts, de malha, de algodão, de uso feminino Camisas, blusas, blusas chemisier, de malha, de fibras sintéticas ou artificiais, de uso feminino Camisas de algodão, de uso masculino Camisas, blusas, blusas chemisiers, de algodão, de uso feminino Tortas e outros resíduos sólidos da extração do óleo de soja Concentrados de proteínas e substâncias protéicas texturizadas Camisas de outras matérias têxteis, de uso masculino Camisas, blusas, blusas chemisiers, de outras matérias têxteis, de uso feminino Vestidos de outras matérias têxteis, de uso feminino Saias e saias-calças, de outras matérias têxteis, de uso femini www.fredvic.com.br

43 

620343 620442 620892 491110 620443 620640 610462 610620 Fredvic Ind. de Roupas Ltda. 620520 620630 230400 210610 620590 620690 620449 620459 Nucon - Rio Comercial e Distribuidora Ltda Giemac Mineração Ltda. 680223

Granito, talhado ou serrado, de superfície plana ou lisa

www.giemac.com.br

 

44 

251612 680293 Vesúvios Refratários Ltda. 690320

Granito, cortado em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular Granitos trabalhados de outro modo e suas obras Outros produtos cerâmicos refratários, contendo em peso > 50% de alumina ou alumina e sílica Tijolos, placas, ladrilhos e peças cerâmicas semelhantes, para construção, refratários, contendo > 50% em peso de alumina e/ou sílica, ou de uma mistura destes produtos Outros produtos cerâmicos refratários Partes de conversores, lingoteiras e máquinas de vazar, para metalurgia, aciaria ou fundição Máquinas de vazar (moldar), para metalurgia, aciaria ou fundição Outros tijolos, placas, ladrilhos e peças cerâmicas, para construção, refratários Outras obras forjadas ou estampadas, de ferro ou aço Obras de grafita ou de outros carbonos, para usos não elétricos Cimentos, argamassas, concretos e composições semelhantes, refratários Motores hidráulicos, de movimento retilíneo (cilindros) Outros mós de diamante natural ou sintético, aglomerado Molas helicoidais de ferro ou aço Lãs de escórias de altos-fornos, de outras escórias, lã de rocha e lãs minerais semelhantes, mesmo misturadas entre si, em massa, em folhas ou rolos Calendários impressos, inclusive blocos-calendário para desfolhar Outras obras de mica trabalhada

690220 690390 845490 845430 690290 732619 681510 381600 841221 680421 732020

680610 491000 681490

 

45 

Technew Com. e Ind. Ltda. Epp

382490 901849

Outros produtos e preparações das indústrias químicas e conexas não incluídos em outras posições Outros instrumentos e aparelhos para odontologia Categutes esterilizados e materiais esterilizados semelhantes para suturas cirúrgicas; laminárias esterilizadas, hemostáticos absorvíveis esterilizados, barreiras antiaderentes esterilizadas, para cirugia ou odontologia. Cimentos e outros produtos para obturação dentária e para reconstituição óssea Pastas para modelar, ceras para dentistas e outras composições para dentistas à base de gesso Outras pedras preciosas ou semipreciosas, trabalhadas de outro modo Outras preparações para higiene bucal ou dentária Silicones, em formas primárias Outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 39.01 a 39.04 Outros catalisadores em suporte Pincéis e escovas para artistas, pincéis de escrever e semelhantes para aplicação de produtos cosméticos Outras obras de alumínio Artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas, inclusive partes e acessórios Outros instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia ou veterinária Outras preparações químicas (fixadores, reveladores) para usos fotográficos, exceto vernizes, colas ou adesivos, dosados ou acondicionados para venda a retalho

www.technewindustria.com.br

300610 300640 340700 710399 330690 391000 392690 381519

960330 761699 902110 901890

370790

 

46 

Sh Industria de Metalurgia e Servicos Ltda

730840 392590 761090

Material para andaimes, armações e escoramentos, de ferro fundido, ferro ou aço Outros artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos Outros, chapas, barras, tubos e semelhantes, de alumínio, para construções Agentes orgânicos de superfície, não iônicos, mesmo acondicionados para venda a retalho Outras preparações contendo óleos de petróleo ou de minerais betuminosos Outros ácidos monocarboxílicos acíclicos saturados, seus anidridos, peróxidos e perácidos e seus derivados Outros óleos de petróleo ou de minerais betuminosos e preparações, exceto desperdícios Outras preparações tensoativas e preparações para lavagem e limpeza Outros ácidos policarboxílicos acíclicos, seus anidridos, halogenetos, peróxidos, perácidos e seus derivados Outros poliéteres, em formas primárias Vestidos de outras matérias têxteis, de uso feminino Saias e saias-calças, de outras matérias têxteis, de uso feminino Camisas, blusas, blusas chemisiers, de outras matérias têxteis, de uso feminino Camisetas (t-shirts) e camisetas interiores, de malha, de algodão Saias e saias-calças, de fibras sintéticas, de uso feminino Cintos e coletes salva-vidas www.quakerchem.com

Quaker Chemical Industria e Comercio Ltda

340213 340319

291590 271019 340290

291719 390720 C. A. Wille Industria e Comercio de Roupas 620449 620459 620690 610910 620453 630720

 

47 

620640 620630 620442 620462 621710 620292 620299 620419 610459 Artesanato Lameirao Pequeno Ltda 711790 650400 681599 711620 711320

Camisas, blusas, blusas chemisiers, de fibras sintéticas ou artificiais, de uso feminino Camisas, blusas, blusas chemisiers, de algodão, de uso feminino Vestidos de algodão, de uso feminino Calças, jardineiras, bermudas e shorts, de algodão, de uso feminino Outros acessórios de vestuário, confeccionados Outros mantôs, anoraques e semelhantes, de algodão, de uso feminino Outros mantôs, anoraques e semelhantes, de outras matérias têxteis, de uso feminino Tailleurs (fatos de saia-casaco), de outras matérias têxteis, de uso feminino Saias e saias-calças, de malha, de outras matérias têxteis, de uso feminino Outras bijuterias Chapéus e outros artefatos de uso semelhante, entrançados por tiras, de qualquer matéria Outras obras de pedras ou de outras matérias minerais Outras obras de pedras preciosas ou semipreciosas, ou de pedras sintéticas ou reconstituídas Artefatos de joalharia, de metais comuns folheados ou chapeados de metais preciosos - jóias Artigos do tipo dos normalmente levados nos bolsos ou bolsas, com a superfície exterior de outras matérias Agarbate e outras preparações odoríferas que atuem por combustão Artefatos de madeira, para mesa ou cozinha

420239 330741 441900

 

48 

711719 420222 570500 Recouro Ind. de Couro Reconstituído Ltda 411510 960350

Outras bijuterias de metais comuns Bolsas, mesmo com tiracolo ou sem alças, com a superfície exterior de plástico ou de matérias têxteis Outros tapetes e revestimentos para pavimentos, de matérias têxteis Couro reconstituído, à base de couro ou de fibras de couro, em placas, folhas ou tiras, mesmo enroladas Outras escovas que constituam partes de máquinas, aparelhos ou de veículos Outros agentes de apresto ou acabamento, aceleradores de tingimento ou de fixação e outros produtos para a indústria têxtil ou indústrias similares Outros acessórios para soldar topo a topo, de ferro fundido, ferro ou aço Volantes e polias, incluídas as cadernais Outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 39.01 a 39.04 Outros artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos Outras obras de alumínio Esteiras (mats) de fibras de vidro, não tecidos Moldes para moldagem de borracha ou plásticos, por injeção ou compressão Outros ácidos monocarboxílicos acíclicos saturados, seus anidridos, peróxidos e perácidos e seus derivados www.cogumelo.com.br www.recouro.com.br

380991 M.M.Relax Acessorios Ltda Primus Processamento de Tubos S.A. Protubo Superpesa Industrial Ltda Cogumelo Ind. e Com. Ltda. 730793 848350 392690 392590 761699 701931 848071

www.protubo.com.br

291590

 

49 

Art Latex Ind e Com de Artefatos de Latex Ltda Cloral Ind. de Produtos Químicos Ltda. Carreteiro Alimentos Ltda Brasil Stone Ltda. Delly Kosmetic Com. e Ind. Ltda.

950300 282732 71333 100620 680293 330590 330510 284700 491110 330520 841939

Triciclos, patinetes, carros de pedais e outros brinquedos semelhantes de rodas; carrinhos para bonecos; bonecos; outros brinquedos; modelos reduzidos e modelos semelhantes para divertimento, mesmo animados; quebra-cabeças (“puzzles”) de qualquer tipo. Cloreto de alumínio Feijão comum, seco, em grão, mesmo pelado ou partido Arroz (cargo ou castanho), descascado Granitos trabalhados de outro modo e suas obras Outras preparações capilares Xampus para os cabelos Peróxido de hidrogênio (água oxigenada), mesmo solidificado com uréia Impressos publicitários, catálogos comerciais e semelhantes Preparações para ondulação ou alisamento permanentes dos cabelos Outros secadores Partes de aparelhos e dispositivos para tratamento de matérias por meio de operações que impliquem mudança de temperatura Vestuário e seus acessórios, inclusive luvas, mitenes e semelhantes, de plásticos Outros artigos de higiene ou de toucador, de plásticos Outros monoálcoois saturados Roupas de toucador ou de cozinha, de tecidos atoalhados, de algodão

http://www.artlatex.com.br

www.cloral.com.br

www.brasilstone.com www.alfaparf.com

841990 392620 392490 290519 630260

 

50 

481940 491191

Outros sacos, bolsas e cartuchos, de papel ou cartão Estampas, gravuras e fotografias Pincéis e escovas para artistas, pincéis de escrever e semelhantes para aplicação de produtos cosméticos Bolsas, mesmo com tiracolo ou sem alças, com a superfície exterior de plástico ou de matérias têxteis Pós de estrutura lamelar; escamas, de alumínio Outros papéis para cigarros Outros papéis, cartões, pasta de celulose e mantas de fibras de celulose, cortados em forma própria, e suas obras Outros móveis de madeira Quadros, pinturas e desenhos, feitos inteiramente à mão Maiôs e biquínis, de banho, de malha, de fibras sintéticas, de uso feminino Esquis aquáticos e outros equipamentos para prática de esportes aquáticos Louças, outros artigos de uso da espécie doméstica e de higiene ou de toucador, de cerâmica, exceto de porcelana Sucos de outras frutas ou de produtos hortícolas, não fermentados Copos com pé, de cristal de chumbo Calçados de borracha ou plástico, com parte superior em tiras ou correias, com saliências (espigões) que se encaixam na sola - sapatos Calças, jardineiras, bermudas e shorts, de fibras sintéticas, de uso masculino

960330 420222 Metal Sales Schlenk do Brasil Com. e Ind. de Metais Ltda. Transnova Comercio Internacional Ltda 760320 481390

482390 940360 970110 611241 950629

691200 200980 701322

640220 620343

 

51 

950699 620520 732393 340600 Mitjavila do Brasil- Componentes Para Toldos, Importaca

Artigos e equipamentos para outros esportes ou jogos ao ar livre; piscinas, incluídas as infantis Camisas de algodão, de uso masculino Outros artefatos de uso doméstico e suas partes, de aços inoxidáveis Velas, pavios, círios e artigos semelhantes

V.34 Alimentos Ltda Me Natec Equipamentos Ltda.

530500 847989 843110 842839

Cairo (fibras de coco), abacá (cânhamo-de-manilha ou Musa textilis Nee), rami e outras fibras têxteis vegetais não especificadas nem compreendidas noutras posições, em bruto ou trabalhados, mas não fiados; estopas e desperdícios destas fibras (incluídos Outras máquinas e aparelhos mecânicos com função própria Partes das máquinas e aparelhos da posição 8425 Outros aparelhos elevadores ou transportadores, de ação contínua, para mercadorias Outras preparações capilares Outros produtos de beleza ou de maquilagem preparados Xampus para os cabelos Desodorantes corporais e antiperspirantes Preparações para ondulação ou alisamento permanentes dos cabelos Sabões, produtos ou preparações tensoativos de toucador, incluídos os de uso medicinal Outros politerpenos, polissulfetos, polissulfonas, em formas primárias www.loreal.com.br www.natec.com.br

Procosa Produtos de Beleza Ltda.

330590 330499 330510 330720 330520 340111 391190

 

52 

481920 340120 330290 392350

Caixas e cartonagens, dobráveis, de papel ou cartão, não ondulados Sabões sob outras formas Outras misturas de substâncias odoríferas utilizadas como matéria básica para a indústria Rolhas, tampas, cápsulas e outros dispositivos para fechar recipientes, de plástico Recipientes tubulares, flexíveis, de alumínio, de capacidade <= 300 litros, sem dispositivos mecânicos ou térmicos Agentes orgânicos de superfície, não iônicos, mesmo acondicionados para venda a retalho Garrafões, garrafas, frascos, artigos semelhantes, de plásticos Outros sacos, bolsas e cartuchos, de papel ou cartão Outras máquinas e aparelhos para empacotar ou embalar mercadorias Partes de máquinas e aparelhos da posição 8422 Outros fios de alumínio não ligado Outras máquinas e aparelhos a gás, para têmpera superficial Partes de máquinas e aparelhos para soldar e de máquinas e aparelhos a gás para têmpera superficial Válvulas redutoras de pressão Maçaricos de uso manual Torneiras e outros dispositivos semelhantes para canalizações, caldeiras, reservatórios, cubas e outros recipientes Aparelhos de ozonoterapia, de oxigenoterapia, de aerossolterapia e outros de terapia respiratória Partes de válvulas, torneiras e outros dispositivos semelhantes www.thermadyne.com.br

761210 340213 392330 481940 Filipac Industrial e Comercial Ltda. - Me 842240 842290 760519 Thermadyne Victor Ltda. 846820 846890 848110 846810

848180 901920 848190

 

53 

902620 830710

Instrumentos e aparelhos para medida ou controle da pressão dos líquidos ou gases Tubos flexíveis de ferro ou aço, mesmo com acessórios Micrômetros, paquímetros; calibres e semelhantes (instrumentos de medida de distância, de uso manual) Acessórios para tubos de ligas de cobre Arruelas de pressão e de segurança, não roscadas, de ferro fundido, ferro ou aço Válvulas de retenção Outros artefatos de vidro, para laboratório, higiene e farmácia Tubos flexíveis de outros metais comuns Alto-falante único montado no seu próprio receptáculo Partes e acessórios para contadores de gases, líquidos ou de eletricidade www.sethaeletronica.com.br

901730 741220 731821 848130 701790 830790 Setha Industria Eletronica Ltda Diz Ferramentaria e Estamparia Ltda Camargo Soares Industria e Comercio de Madeiras Ltda Brasilcraft Comercio de Artefatos de Couro Ltda 851821 902890

420221 420222

Bolsas, mesmo com tiracolo ou sem alças, com a superfície exterior de couro natural, reconstituído ou envernizado Bolsas, mesmo com tiracolo ou sem alças, com a superfície exterior de plástico ou de matérias têxteis Artigos do tipo dos normalmente levados nos bolsos ou bolsas, com a superfície exterior de couro natural, reconstituído ou envernizado Artigos do tipo dos normalmente levados nos bolsos ou bolsas, com a superfície exterior de folhas de plástico ou de matérias têxteis

420231

420232

 

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420212 420330

Malas, maletas, pastas e artefatos semelhantes, com a superfície exterior de plástico ou de matérias têxteis Cintos, cinturões, bandoleiras ou talabartes de couro natural ou reconstituído Malas, maletas, pastas e artefatos semelhantes, com a superfície exterior de couro natural ou reconstituído ou de couro envernizado Outros calçados com solas exteriores de borracha ou plástico - sapatos Outras bijuterias de metais comuns Artefatos de ourivesaria e suas partes, de outros metais preciosos, mesmo revestidos, folheados ou chapeados de metais preciosos - jóias Outros fechos, fivelas e artefatos semelhantes, de metais comuns, para vestuário, calçados, bolsas Maiôs e biquínis, de banho, de malha, de fibras sintéticas, de uso feminino Abrigos (fatos de treino) para esporte e outro vestuário não classificado em outra parte, de outras matérias têxteis, de uso feminino Outro vestuário de malha, de fibras sintéticas ou artificiais Vestidos de malha, de fibras sintéticas, de uso feminino Calças, jardineiras, bermudas e shorts, de malha, de fibras sintéticas, de uso feminino Estatuetas e outros objetos, de madeira, para ornamentação Camisas, blusas, blusas chemisier, de malha, de fibras sintéticas ou artificiais, de uso feminino Manequins e artigos semelhantes; autômatos e cenas animadas, para vitrines e mostruários

420211 640590 711719

711419 830890 G. Moretti Confecção Ltda. 611241

621149 611430 610443 610463 442010 610620 961800

 

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610453 481940 Vertical do Ponto Industria e Com de Para Quedas Ltda Marleous Equipamentos Ltda. 420229 390210 392690 390290 711719 890399 390220 950629 Comercio e Industria Medifar Ltda Never Industria e Comercio Ltda 330590 330510 330610 330520 Jolimode Roupas S.A. 621210 610822 621230 610821 621220 621290

Saias e saias-calças, de malha, de fibras sintéticas, de uso feminino Outros sacos, bolsas e cartuchos, de papel ou cartão Bolsas, mesmo com tiracolo ou sem alças, com a superfície exterior de outras matérias Polipropileno, em forma primária Outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 39.01 a 39.04 Outros polímeros de propileno ou de outras olefinas, em formas primárias Outras bijuterias de metais comuns Outros barcos e embarcações de recreio ou de esporte; barcos a remo e canoas Polisobutileno, em forma primária Esquis aquáticos e outros equipamentos para prática de esportes aquáticos

Outras preparações capilares Xampus para os cabelos Dentifrícios Preparações para ondulação ou alisamento permanentes dos cabelos Sutiãs e bustiers (soutiens de cós alto) Calcinhas de malha, de fibras sintéticas ou artificiais Modeladores de torso inteiro (cintas soutiens) Calcinhas de malha de algodão Cintas e cintas-calças Espartilhos, suspensórios, ligas, e artefatos semelhantes, e suas partes www.duloren.com.br

 

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Silimed-Silicone e Instr. Méd. Cirurg. e Hospitalares Ltda.

902131

Próteses articulares Válvulas cardíacas, lentes intra-oculares e outros artigos e aparelhos de prótese, inclusive partes e acessórios Outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 39.01 a 39.04 Outras tintas de impressão Tintas de impressão pretas Outras tintas e vernizes; pigmentos a água preparados, utilizados para acabamento de couros Outras bijuterias Outras pedras sintéticas ou reconstituídas, em bruto ou simplesmente serradas ou desbastadas Metais comuns folheados ou chapeados de prata, em formas brutas ou semimanufaturadas Metais comuns ou prata, folheados ou chapeados de ouro, em formas brutas ou semimanufaturadas Móveis de madeira para quartos de dormir Móveis de madeira para escritórios Assentos estofados, com armação de madeira

902139 392690 Sicpa Brasil Ltda. 321519 321511 321000 M. A. T. Gomes Bazar 711790 710420 710700 710900 Lacca S/A Industria e Comercio de Moveis 940350 940330 940161 Manufatura Zona Oeste S.A. Liarte Metalquimica Ltda Siegwerk Brasil Industria de Tintas Ltda 321519 293499

Outras tintas de impressão Outros ácidos nucleicos e seus sais e outros compostos heterocíclicos Outros produtos e preparações das indústrias químicas e conexas não incluídos em outras posições

382490

 

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Avanti-Carpet Industria Textil Ltda. Casa da Moeda do Brasil Cmb

570320 711890 491110 481190

Tapetes e outros revestimentos para pavimentos, de náilon ou de outras poliamidas, tufados, mesmo confeccionados Outras moedas Impressos publicitários, catálogos comerciais e semelhantes Outros papéis, cartões, pasta de celulose e mantas de fibras de celulose, em rolos ou folhas Perfis de ferro ou aços não ligados, em L, laminados, estirados ou extrudados a quente, de altura < 80 mm - siderúrgicos Barras de ferro ou aços não ligados, laminadas a quente, de seção transversal retangular siderúrgicos Fio-máquina de ferro ou aços não ligados, de seção circular de diâmetro < 14 mm - siderúrgicos Barras de ferro ou aços não ligadas, laminadas a quente, dentadas, com nervuras, sulcos ou relevos, obtidos durante a laminagem, ou torcidas após a laminagem - siderúrgicos Fios de ferro ou aços não ligados, galvanizados siderúrgicos Fio-máquina de ferro ou aços não ligados, dentados, com nervuras, sulcos ou relevos, obtidos durante a laminagem - siderúrgicos Produtos semimanufaturados, de ferro ou aços, não ligados, contendo em peso < 0,25% de carbono, de seção transversal quadrada ou retangular e largura < 2 vezes a espessura - siderúrgicos Perfis de ferro ou aços não ligados, em L ou T, laminados, estirados ou extrudados a quente, altura => 80 mm - siderúrgicos Tachas, pregos, percevejos e artefatos semelhantes, de ferro fundido, ferro ou aço www.acominas.com.br

www.casadamoeda.com.br

Gerdau Acos Longos S.A.

721621

721491 721391

721420 721720

721310

720711

721640 731700

 

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721610 731300

Perfis de ferro ou aços não ligados, em U, I ou H, laminados, estirados ou extrudados a quente, de altura < 80 mm - siderúrgicos Arame farpado, arames ou tiras retorcidos, de ferro ou aço, dos tipos utilizados em cercas Perfis de ferro ou aços não ligados, em U, laminados, estirados ou extrudados a quente, altura => 80 mm - siderúrgicos Perfis de ferro ou aços não ligados, em I, laminados, estirados ou extrudados a quente, altura => 80 mm siderúrgicos Fios de ferro ou aços não ligados, não revestidos, mesmo polidos - siderúrgicos Outras barras de ferro ou aços não ligados, estiradas ou extrudadas a quente - siderúrgicos Outras resinas amínicas, em formas primárias Outras preparações catalíticas Catalisador em suporte, tendo como substância ativa um metal precioso ou um composto de metal precioso Ligas de alumínio, em formas brutas Alumínio não ligado em forma bruta Granito, talhado ou serrado, de superfície plana ou lisa Granito, cortado em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular Outros artigos de transporte ou de embalagem, de plásticos Outras preparações tensoativas e preparações para lavagem e limpeza Outros hipocloritos, cloritos e hipobromitos www.marmifera.com.br www.valesul.com.br www.panamericana.com.br www.fccsa.com.br

721631

721632 721710 721499 Pan-Americana S.A. Indústrias Químicas Fábrica Carioca de Catalisadores S.A. 390930 381590

381512 Valesul Alumínio S.A. Sociedade Marmífera Brasileira Ltda. 760120 760110 680223 251612 Ecolab Química Ltda. 392390 340290 282890

 

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340130

Produtos e preparações orgânicos tensoativos destinados à lavagem de pele, acondicionados para venda a retalho Malas, maletas, pastas e artefatos semelhantes, com a superfície exterior de plástico ou de matérias têxteis Desinfetantes Outros acessórios para tubos, de ferro fundido, ferro ou aço Outros produtos e preparações das indústrias químicas e conexas não incluídos em outras posições Outros tubos de aços inoxidáveis, soldados, de seção circular Acessórios para tubos de ligas de cobre Porcas de ferro fundido, ferro ou aço Outras obras de ferro ou aço Outros parafusos e pinos ou pernos, mesmo com as porcas e arruelas, de ferro fundido, ferro ou aço Outras obras forjadas ou estampadas, de ferro ou aço Outros tubos de ferro ou aço, rebitados, de seção circular, de diâmetro exterior > 406,4 mm

420212 380894 730799

382490 730640 741220 731816 732690 731815 732619 730590 Hazafer do Brasil Ind. e Com. Ltda. Focal Engenharia e Manutencao Ltda 841112 841191

Turborreatores, de empuxo > 25 kN Partes de turborreatores ou de turbopropulsores Engrenagens e rodas de fricção, eixos de esferas ou de roletes; caixas de transmissão, redutores, multiplicadores e variadores de velocidade Rolamentos de roletes cilíndricos

848340 848250

 

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730690 731816 401693 731829 731815 731822
Fonte: Secex/MIDC

Outros tubos e perfis ocos, de ferro ou aço, soldados, rebitados, agrafados Porcas de ferro fundido, ferro ou aço Juntas, gaxetas e semelhantes de borracha vulcanizada não endurecida Outros artefatos não roscados, de ferro fundido, ferro ou aço Outros parafusos e pinos ou pernos, mesmo com as porcas e arruelas, de ferro fundido, ferro ou aço Outras arruelas de ferro fundido, ferro ou aço

 

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Entrevistas
Valesul – Empresa de produção de alumínio do grupo Vale, localizada em Campo Grande A Valesul produz e comercializa alumínio primário e cerca de 250 ligas de alumínio para a indústria de transformação. Iniciou suas operações produtivas em 1982. A empresa ocupa um terreno de 800.000 m² e oferece cerca de 1100 postos de trabalho no total (600 funcionários e 500 terceiros permanentes). Produz cerca de 100 mil toneladas de alumínio primário por ano e exporta principalmente para os Estados Unidos e para a Europa (Portugal, Suíça). Localizada no bairro de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, a Valesul está estrategicamente situada próxima aos portos de Sepetiba (onde possui terminal próprio para o desembarque das principais matérias-primas utilizadas em seu processo produtivo) e do Rio de Janeiro e do maior complexo rodo-ferroviário do país. No escoamento de produtos para o mercado interno a Valesul se benefiicia de vantagens locacionais, uma vez que os seus principais clientes têm unidades produtiva situadas no eixo Rio-São Paulo. A Valesul produz ligas de alumínio para toda a indústria automobilística, bem como para outros segmentos industriais. A transformação da alumina (produzida a partir da bauxita) em alumínio é altamente intensiva em energia elétrica. Como se trata de um insumo estratégico, a produção de energia elétrica foi praticamente internalizada à cadeia produtiva da empresa. Para atender a sua demanda de energia elétrica, a empresa opera seis centrais hidrelétricas que juntas fornecem 90% da energia consumida no processo. Atualmente, a Valesul consome 1,5 milhão de kW/h, o equivalente à demanda de duas cidades de 700 mil pessoas. A empresa destina 20% da sua produção para exportação e 80% desta ao mercado interno. No momento prioriza a venda no mercado interno devido a maior rentabilidade destas operações quando comparada com a das vendas internacionais. O diferencial de valor das vendas no mercado doméstico resulta também da capacidade que a empresa tem de atender à demanda por ligas especiais, diferenciando seu produto do alumínio commoditie. Nos últimos dois anos, com o aquecimento da demanda no mercado doméstico, o prêmio pela venda no mercado doméstico cresceu. Portanto, mesmo com os benefícios fiscais que a empresa pode usufruir no comércio exterior, tem valido mais a pena destinar parcela crescente da produção para o mercado doméstico. A Vale sul exporta cerca de 25.000 toneladas/ano de alumínio. Como algumas ligas de alumínio são fabricadas com matéria-prima importada, em suas exportações a empresa usufrui do sistema de drawback. Com relação à exportação, a empresa vende a custo FOB estivado. Já no mercado interno, 100% das vendas são feitas a custo de frete (CIF Custo, Seguro e Frete). Os pagamentos relativos às vendas externas são feitos à vista e o produto é despachado em containeres exclusivamente pelo porto do Rio de Janeiro, o que é apontado como uma desvantagem para a empresa, já que o trajeto até o porto do Rio de Janeiro é prejudicado pelas condições de tráfego na Avenida Brasil. Os produtos importados pela empresa são, na quase totalidade, insumos e matérias-primas, e outros materiais, como ligas de fundição, material de revestimento das cubas aonde o alumínio é produzido, além de peças de uma maneira geral.

 

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Nas operações de importação, a empresa trabalha com o sistema just in time. Como o custo de armazenagem no porto é mais alto do que a desova de mercadoria, a empresa opta por internar imediatamente o que importa. Os insumos importados pela empresa são alumina, coque de petróleo, magnésio (cujos únicos fornecedores são a Rússia e a China) e manganês (a China é o único fornecedor). A Valesul tem um contrato de longo prazo com um antigo sócio, a BHP Billiton, válido até 2013, de parte do fornecimento da alumina. A BHP fornece alumina de uma refinaria localizada no Suriname, por opção contratual própria. 100% da importação de alumina e coque de petróleo entram pelo porto de Sepetiba (por ser granel). A importação dos produtos e insumos listados acima representa 25% dos custos de produção da empresa. Somente a alumina importada representa 18% deste custo de produção da empresa, levando em conta que a alumina representa 40% do custo de produção, e que 45% da alumina é importada. Algumas das dificuldades listadas pela empresa com relação à importação são: o alto custo do frete marítimo, a estrutura portuária brasileira, deficitária, e problemas de frete rodoviário. Basicamente, no que se refere à estrutura portuária, os problemas estão associados à burocracia dos procedimentos junto à Receita Federal, o que aumenta os custos da empresa. A importação de coque de petróleo e alumina não apresenta problemas para a empresa, já que estes são descarregados no próprio terminal da Valesul em Sepetiba. A proximidade do porto de Sepetiba (localizado a cerca de 25 quilômetros da fábrica é uma vantagem para a empresa. Todavia, a empresa enfrenta dificuldades relacionadas com a importação de produtos e insumos comprados em pequenos lotes, cujo transporte é feito em containeres. Nestes casos, os terminais portuários do Rio de Janeiro demoram em média de 15 a 20 dias para desovar os containeres. Os procedimentos que necessitam de mão-de-obra de terceiros, como armazenagem, estocagem, liberação, também são lentos e invariavelmente sofrem atrasos. Como solução para estes problemas a Valesul tem tentado agregar outras empresas, criando um player no mercado para viabilizar a prestação destes serviços. Para o transporte da carga do porto do Rio de Janeiro até a fábrica em Santa Cruz, a empresa opera com frota própria de caminhões. Todos os problemas relacionados à importação listados acima, fora impostos e tributos, oneram o custo do produto importado em torno de 10% (dos quais 5% do valor FOB de demurras de container, 1,5% de armazenagem - a empresa tem pagado de dois a três períodos de armazenagem - dentre outros custos). As iniciativas Valesul voltadas para a redução dos custos de comercialização são a manutenção de um porto privado em Sepetiba e a operação de transporte terrestre com frota própria. Apesar de todas as dificuldades, quando se trata da importação de insumos e matérias-primas, a empresa consegue fazer com que a mercadoria chegue à sua fábrica sem comprometer o processo produtivo. Como medida de precaução, para evitar uma custosa paralisação da produção, a empresa opera com níveis de estoque de matériasprimas e insumos mais elevados do que o desejável, o que aumenta o capital de giro da empresa. A Valesul incorre, também, em custos de manutenção extraordinários relativos às operações no porto de Sepetiba. Mesmo pagando um valor fixo para as Docas (para a utilização de toda a área portuária) e um valor variável por tonelada descarregada nos portos, ainda assim a empresa deve prover grande parte da estrutura pela qual ela paga: faz a manutenção das vias de acesso (asfalto, iluminação), fornece computadores e impressoras para a Receita Federal, realiza a conservação das Docas como, por

 

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exemplo, a manutenção do sistema de balizamento do canal, dentre outros serviços. Isso ocorre, segundo a empresa, devido à ineficiência do sistema administrativo da área portuária. Com relação à importação de alumina e coque de petróleo, a proximidade do porto de Sepetiba é uma vantagem para a empresa. O escoamento de produtos para o mercado interno também apresenta uma vantagem já que os principais clientes da Valesul estão no eixo Rio-São Paulo.

Silimed – Silicone e Instrumental Médico-Cirúrgico e Hospitalar Ltda Empresa do setor de produtos médicos hospitalares, fabricante de implantes de silicone, localizada em Realengo

Criada em 1978, como uma empresa dedicada à comercialização de implantes de silicone mamários importados da França, a Silimed - Silicone e Instrumental Médico-Cirúrgico e Hospitalar Ltda passou em 1981 a fabricar seus produtos no Brasil. Um ano depois, já exportava para outros países da América Latina. Hoje é a terceira maior fabricante do mundo de implantes de silicone e atende cerca de 70% da demanda do mercado doméstico. A empresa funciona a 18 anos em Vigário Geral (RA de Realengo) e emprega aproximadamente 500 funcionários, dos quais 15% moram na própria comunidade ou nas cercanias. Fabrica e exporta uma ampla gama de produtos para mais de cinqüenta países. As vendas externas anuais da empresa são de aproximadamente US$ 13 milhões (2007) e representam cerca de 40% do faturamento da empresa. O maior mercado importador é a Argentina. O marketing da empresa é direcionado especialmente para a comunidade médica durante a realização de congressos ou em eventos de demonstração dos produtos, feitos por médicos com atuação de destaque na área e direcionados para uma platéia de médicos e cirurgiões interessados na utilização dos produtos. No exterior, a comunidade médica é assistida por representantes comerciais devidamente treinados e qualificados para informar as características técnicas dos produtos e divulgar as técnicas cirúrgicas que podem ser utilizadas pelos médicos no processo de colocação dos implantes. Como a empresa comercializa especialidades que podem afetar a saúde humana, a realização de vendas nos diversos países depende da obtenção da certificação/homologação dos produtos pelas autoridades de saúde locais. A empresa dispõe de um departamento de assuntos regulatórios que trata exclusivamente do processo de certificação de seus produtos no Brasil e no exterior. Não obstante ter logrado êxito na colocação de seus produtos em algumas dezenas de países, a Silimed não consegue vender livremente seus produtos no mercado dos EUA. Há mais de dez anos, a empresa tenta obter, sem sucesso, a certificação de seus produtos junto a FDA. Atualmente, a empresa consegue garantir a liberação de licenças de exportação apenas para pequenos lotes e sob estreito monitoramento das autoridades de saúde daquele país. Como se tratam de produtos de alto valor unitário e que requerem cuidados especiais no transporte (de tal forma a garantir suas condições de esterilidade), as exportações da empresa só são realizadas através do modal aéreo. As vendas externas da Silimed são, em geral, realizadas pelo sistema de carta de crédito. Não há obstáculos burocráticos à exportação, embora a empresa tenha chamado a atenção para o fato de o despacho aduaneiro estar centralizado em apenas um técnico da receita federal. A empresa aponta,

 

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no entanto, para a existência de complicações burocráticas na aduana nos casos em que teve de internar produtos devolvidos pelos clientes do exterior. Ainda em relação à burocracia, no âmbito doméstico, a empresa reclama da demora, em alguns casos de até seis meses, no processo de registro ou revalidação dos produtos pela Anvisa. Além disso, a empresa alega que o custo para a obtenção dos certificados é bastante elevado, cerca de R$12 mil. Isto onera os gastos de produção da empresa, especialmente quando se leva em consideração o fato de a empresa contar com uma linha de produtos com algumas centenas de itens. Como os implantes são fabricados com matéria-prima importada (gel de silicone e elastômeros, procedentes majoritariamente dos EUA), em suas exportações a empresa usufrui do sistema de drawback, geralmente na modalidade isenção. A empresa também obtém desoneração de parcela do ICMS devido, através da recuperação de créditos fiscais gerados com as exportações. A empresa considera a localização de sua fábrica nas proximidades do Aeroporto Internacional do Galeão uma vantagem locacional importante, mas considera um obstáculo a proibição do tráfego de caminhões pela Linha Vermelha. Em razão da proximidade com o aeroporto, a Silimed consegue despachar um pedido de exportação num curto espaço de tempo, em até dois dias na maior parte dos casos. Todavia, nos últimos anos, a jornada de trabalho da empresa teve de ser interrompida algumas vezes para que os empregados pudessem deixar a unidade de produção e os escritórios mais cedo, em razão de problemas de segurança na comunidade vizinha de Vigário Geral.

Michelin – Empresa fabricante de pneumáticos com duas unidades produtivas instaladas no Distrito Industrial de Santa Cruz O Grupo Michelin é o líder no mercado mundial de pneus, com 17,1% de participação no setor. Os pneus Michelin atendem praticamente todos os segmentos de mercado; são utilizados em automóveis, caminhões, motos, bicicletas, tratores, veículos de terraplenagem, aviões e ônibus espaciais da NASA. A Michelin é agrupada por unidades de negócio (cada fábrica e suas respectivas linhas de produto são consideradas uma unidade de negócios), que são atendidas por serviços geridas em nível corporativo, como o financeiro, pessoal e de logística. A empresa opera com dezesseis diferentes nomes para as unidades de negócio do grupo localizadas em diferentes regiões do mundo. Na América do Sul, as unidades industriais estão localizadas na Colômbia (em Bogotá existe uma fábrica de pneus de carga e em Cali uma de pneus de passeio) e no Brasil com três unidades industriais todas operando no Estado do Rio de Janeiro. As ações e diretrizes da empresa para a América do Sul são coordenadas do Brasil. A Michelin Brasil produz e comercializa diferentes tipos de pneus, câmaras de ar e protetores, exportando seus produtos principalmente para outros países da América do Sul, como Argentina, Colômbia, Chile, Venezuela e Peru. O faturamento anual global da Michelin é de 16,9 bilhões de euros. A América do Sul representa 5% deste total, o que corresponde a cerca de 800 milhões de euro/ano. Em 1979 foi instalada a primeira fábrica Michelin em território nacional, localizada em Itatiaia, Rio de Janeiro. Em 1981, foi inaugurada, na região oeste do município do Rio de Janeiro, a Unidade Industrial de Campo Grande. Hoje, o Complexo Industrial de Itatiaia compreende uma recauchutadora, uma fábrica de pneus de automóveis e uma fábrica de cabos de aço. Já o Parque Industrial de Campo Grande, compreende duas unidades

 

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produtivas que operam em áreas contíguas, uma fábrica de pneus de carga e uma para veículos pesados do setor de engenharia civil, esta última inaugurada em 2008. As duas unidades produtivas de Campo Grande respondem a 80% do volume total de produção dos ativos industriais do Brasil. A principal vantagem específica do Complexo de Campo Grande para o grupo Michelin é a escala de produção. As fábricas produzem 100.000 toneladas/ano, o que coloca este complexo entre as cinco maiores unidades produtivas da Michelin. Dentre os diferentes tipos de produtos produzidos pela Michelin Brasil estão: pneus de carga, pneus de turismo, pneus de engenharia civil, pneus agrícola e pneus ‘duas rodas’. A distribuição dos produtos é feito com frota terceirizada. O insumo mais importante utilizado pela empresa é a mistura conhecida como massa de borracha. Seis grupos de produção de massa de borracha instalados no Brasil fabricam e fornecem mistura para as fábricas de Campo Grande, de Itatiaia e certa quantidade é exportada para a Colômbia. A Michelin possui ainda dois grandes seringais, um na Bahia e um no Mato Grosso, os quais destinam 90% da borracha extraída para consumo próprio da empresa. São 10.000 hectares de plantação de seringueira. A Michelin gera 4.000 empregados diretos no Brasil dos quais 2.500 na área industrial e comércio e 1.500 nas plantações de seringueiras. A contratação de pessoal para as unidades produtivas se baseia no critério de localização da mão-de-obra. A grande maioria dos empregados das fábricas de Campo Grande mora próxima às fábricas ou em regiões de seu entorno. Há cerca de três anos atrás, a empresa criou o Projeto Ouro Verde, que incentiva a agricultura familiar, gerando benefícios para o pequeno agricultor e para a empresa. Como é difícil realizar a supervisão do trabalho nos seringais, a Michelin optou pelo modelo de terceirização da produção. Dividiu a fazenda situada na Bahia em quatro partes, loteou duas dessas partes e vendeu lotes para os funcionários mais produtivos. Forneceu um pacote de assistência técnica e garantiu a compra de todo o látex extraído. Permitiu também que o pequeno agricultor operasse com culturas compartilhadas, ou seja, além das seringueiras são admitidas nos lotes plantações de outros produtos, o que garante ao produtor uma renda mais elevada. O processo de terceirização da produção replica exatamente o modelo de produção de fumo e frango no Brasil e também é utilizado na Malásia para a produção de borracha. O Complexo Industrial de Campo Grande exporta 80% da produção (EUA, Ásia e América do Sul) e os outros 20% são destinados ao mercado interno. Grande parte das exportações é destinada ao usuário direto, uma pequena quantidade vai para as montadoras. A fábrica que produz pneus de carga destina uma parcela maior da sua produção - 70% - para o mercado interno. A parcela da produção destinada aos mercados externos é vendida quase que integralmente para os países da América do Sul. Uma vantagem específica do Complexo de Campo Grande para o grupo Michelin é a escala de produção. Com relação às vantagens de exportação, a empresa destaca os acordos de acesso a mercados, notadamente o acordos bilateral entre o Brasil e a Colômbia e a isenção de tarifas negociadas no âmbito do MERCOSUL. A empresa aponta também a proximidade com o Porto de Sepetiba um fator que confere diferencial competitivo à empresa. Com relação aos obstáculos enfrentadas na exportação, a empresa destaca os seguintes fatores: os problemas de circulação viária, de acesso aos portos e dificuldades operacionais existentes no mesmos. Estas estão geradas pelo congestionamento dos terminais portuários, pelo extenso aparato burocrático e pelos critérios de atribuição de canais de liberação aduaneira. Como conseqüência desses obstáculos à exportação, os

 

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custos do capital de giro crescem significativamente, especialmente em razão do longo período de tempo (em média dezesseis dias) gasto no processo de liberação das cargas nos portos. A Michelin usufrui do sistema de drawback. Não financia seus clientes externos, basicamente, porque grande parte das exportações é feita a nível grupo. 100% da exportação para a Venezuela, por exemplo, é feita para a subsidiária da Michelin da Venezuela. A empresa importa 40% de matéria-prima e 60% de equipamentos utilizados na produção. Os insumos importados são: borracha natural, diferentes tipos de borracha sintética e produtos químicos variados. A borracha natural é importada da Malásia, os equipamentos da França e os insumos dos EUA, da Europa e do Egito. Com relação à importação, a Michelin trabalha com fornecedores homologados. Existem contratos mundiais negociados pelo grupo que garantem o fornecimento de determinados insumos para todas as unidades produtivas, inclusive as instaladas no Brasil.

Gerdau-Cosigua – Empresa do setor siderúrgico, localizada no Distrito Industrial de Santa Cruz A Gerdau é um dos maiores produtores de aço do mundo e é líder no segmento de aços longos nas Américas. Fornece aço para os setores da construção civil, indústria, setor automotivo e agropecuário. O grupo Gerdau produz aço no Rio desde 1972, quando construiu a unidade Gerdau Cosigua no Distrito Industrial de Santa Cruz. Esta unidade é proveniente de uma negociação entre o governo, a Gerdau e a ThyssenKrupp Steel. A última, inicialmente, queria manter uma unidade de auto-forno, embora fosse um processo muito caro. Nessa época a Gerdau começou a crescer, expandiu as suas unidades no Brasil, e achava que não era um bom negócio manter essa atividade. Através de um acordo com a Thyssen, a Gerdau passou a ser a única empreendedora da Cosigua. Com o crescimento do grupo e a compra da Açominas, a Gerdau Cosigua passou a atender, prioritariamente, o mercado regional (Sudeste e Nordeste – sul da Bahia – e norte do Paraná). A Açominas passou a ser a grande exportadora do grupo no Brasil. A Gerdau Cosigua produz desde o vergalhão de aço até o prego, passando por toda a linha de produção. Produz produtos bem similares aos produzidos pelas grandes unidades do Sul e do Nordeste, com pequenas diferenças em algumas linhas de pregos (por características regionais). A unidade fatura em torno de 150 milhões de dólares e produz cerca de 1.200.000 toneladas/ano de aço. A unidade exporta em torno de 15% da sua produção. Grande parte dessa exportação é feita intrafirma. A Cosigua exporta tanto para as suas fábricas na América Latina (Argentina e no Uruguai, pela maior facilidade de transporte) quanto nos EUA. A unidade de Santa Cruz exporta produtos acabados para revenda. Os principais produtos exportados são: vergalhões, barras, perfis e pregos. Cerca de 50% das exportações saem pelo porto de Angra, 30% pelo porto do Rio de Janeiro e 20% pelo porto de Sepetiba. A Cosigua possui algumas facilidades no Porto de Angra, por exportar metade da sua produção por lá e pelo histórico que a empresa construiu com o porto (a Cosigua investiu bastante no Porto de Angra). Provavelmente, em pouco tempo, a unidade será beneficiada com a construção de um terminal marítimo pela Açominas. A logística interna e a estrutura do terminal serão destinadas a atender a Açominas, mas como empresa do grupo, e devido a sua proximidade, a Gerdau também se beneficiará

 

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dessa construção. O serviço de transporte rodoviário utilizado pela unidade para exportação e importação de mercadorias é terceirizado. Dentre os produtos importados pela empresa estão equipamentos, sucata e materiais de processo: eletrodos, cilindros, roletes e guias de laminação. A importação de equipamentos e material de reposição ocorre, geralmente, quando a unidade faz um upgrade em alguma de suas linhas. Existe a necessidade de importar tais equipamentos, os quais geralmente são comprados na Alemanha, na Itália ou na China. A Cosigua importa sucata da Venezuela, mas em pouca quantidade. Embora seja a grande matériaprima da empresa, a sucata de indústria utilizada é, basicamente, paulista. O grupo Gerdau opera as importações em nível corporativo, ou seja, a importação é feita pela unidade administrativa localizada em São Paulo e os produtos são distribuídos para outras unidades do grupo. Por isso, a Gerdau Cosigua não enfrenta grandes problemas com relação à burocracia na importação. Outra vantagem observada pela empresa é a sua localização, a proximidade do mercado interno, para onde destina maior parte de sua produção, embora as deficiências da infraestrutura de transporte no entorno da fábrica e também na região Sudeste (seu principal mercado consumidor) comprometam estas vantagens locacionais. A unidade de Santa Cruz aponta fatores que comprometem sua comepetitividade, entre eles: os problemas portuários, o trânsito rodoviário, a escassez de mão-de-obra qualificada e a inexistência de transporte urbano na região de Santa Cruz (o que dificulta o acesso dos funcionários à fábrica e obriga a empresa a manter serviço de transporte exclusivo, contratado junto a prestadores de serviços). Os custos de importação também são onerados pela burocracia (notadamente da Receita Federal), o que obriga a unidade a aumentar o estoque de insumos utilizados no processo de produção. Os estoques de cilindros tiveram de ser aumentados em torno de 50%, como medida para evitar a paralisação do processo produtivo. A Cosigua emprega aproximadamente de 1.800 trabalhadores próprios e 1.200 terceirizados. Desses 1.800, cerca de 70% dos trabalhadores é formado por contingente de mão-de-obra local (residente, em sua maioria em Bangu, Campo Grande e Santa Cruz). Existe uma escassez de mão de obra qualificada nesta região. A empresa notou que quanto menor a escolaridade do empregado, mais sujeito a fugir das regras e padrões de segurança estabelecidos pela empresa ele estava. Por isso, há cerca de quatro anos, a empresa fez um movimento interno para que todos os empregados completassem o ensino médio. Desde então, é proibida a contratação de funcionários com um nível de escolaridade inferior ao ensino médio. A empresa também faz uso de treinamento para melhor capacitar os seus funcionários. Conforme salientado anteriormente, devido à inexistência de transporte urbano de pessoas em Santa Cruz, os custos da Gerdau Cosigua aumentam consideravelmente. A unidade busca todos os seus funcionários em suas residências com serviços de ônibus contratado pela empresa, além de usufruir de taxis terceirizados para o transporte dos funcionários que fazem horas extras. São 100 ônibus e cerca de 120 taxis destinados para este fim. Os custos da manutenção desses ônibus alcançam 10 milhões por ano para a empresa. Outro problema enfrentado pela Cosigua são as péssimas condições rodoviárias. Com o grande movimento de caminhões, dado o início da construção do complexo siderúrgico pela ThyssenKrupp CSA no Distrito Industrial de Santa Cruz, as condições das estradas pioraram consideravelmente. A unidade tentou exigir da Prefeitura a assistência que havia sido prometida à região quando a ThyssenKrupp chegou. Mas nada foi cumprido pelo poder público municipal. Para não agravar ainda mais a situação, a Gerdau Cosigua tem

 

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investido recursos na conservação e recuperação do piso asfáltico das vias do Distrito Industrial.

Cogumelo – Fabricante de produtos pultrudados, a base de fibra de vidros, localizada em Campo Grande A Cogumelo nasceu em 1972 com o nome de Indústria de Componentes de Tratores Ltda e com a proposta de fabricar, no Brasil, peças que precisavam ser importadas até então. Inovou ao fabricar os primeiros tetos de fibra para trator. Na virada dos anos 80, os tratores nacionais começaram a sair de fábrica equipados com tetos similares feitos por grandes marcas. A Cogumelo se viu diante da contingência de diversificar a produção. Trouxe então para o Brasil a tecnologia de ponta para a fabricação de perfis pultrudados em fibra de vidro utilizados pela indústria em geral. Em 1990, um acordo tecnológico com a líder de mercado americana, Creative Pultrusions, Inc., para atender a América do Sul, permitiu o aperfeiçoamento do processo de pultrusão e trouxe a possibilidade de ampliação da linha de produtos Cogumelo. Este Acordo de licenciamento de tecnologia já acabou. Hoje a empresa tem a sua própria tecnologia e fabrica as suas máquinas. É uma empresa familiar, de capital fechado. Tem capacidade de produção de 200 toneladas por mês. Dessa capacidade total, cerca de 120 toneladas produzidas são produtos fabricados a partir de fibra de vidro. Hoje a empresa processa em torno de 170 toneladas da sua capacidade e tem um faturamento de aproximadamente seis milhões de reais por mês. A empresa atua no segmento de soluções, em torres de resfriamento, plataformas, refinarias de petróleo; fornece também torres, pisos e escadas marinheiro, dentre outros produtos. Cerca de 30% do faturamento da empresa relativo ao mercado interno é representado pela venda de escadas, 50% pela oferta de soluções, e 20% pela venda de serviços. A empresa conta com um total de 220 funcionários na fábrica de Campo Grande dos quais 50 estão na área administrativa. A mão-de-obra é basicamente local. 60% do administrativo reside no entorno da unidade fabril. Existe uma van que transporta 18 pessoas de Jacarepaguá para a empresa em Campo Grande. Grande parte das importações da Cogumelo é de matéria-prima, notadamente de fibra de vidro. Isso ocorre devido à vantagem de preço do mercado externo. Recentemente, as empresas Owens Corning e a Vidraçaria Vitrotex que fabricam o produto no Brasil se uniram. A fusão dessas empresas ainda não foi autorizada pelo CAD, mas o preço da fibra no mercado interno aumentou. Hoje a Cogumelo importa 60% da sua matéria-prima. O preço da tonelada de fibra de vidro produzida internamente é 20% maior do que o preço da tonelada de fibra de vidro importada. Há um ano e meio a empresa entreposta o material importado em um EADI (Estação Aduaneira Interior). A Cogumelo importa sempre grandes volumes, por vantagens de preço, com vistas a garantir matéria-prima para a empresa sempre que necessário. Em geral são adquiridos cinco containeres de matéria-prima por importação, quantidade que a empresa leva dois meses e meio para consumir. Se todo esse material importado fosse internado o custo com impostos (cerca de 70% do valor da mercadoria- II, IPI, Marinha Mercante, PIS, COFINS, ICMS) seria muito alto. Mesmo incorrendo em custos decorrentes do uso do armazém alfandegário, a utilização da EADI reduz significativamente o capital de giro da empresa.

 

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Cada container importado pela Cogumelo comporta vinte e uma toneladas de matériaprima. A empresa importa o produto principalmente dos EUA e, marginalmente, da China e da Índia. O despacho da mercadoria importada no porto não é um problema para a empresa. Esta utiliza somente o Porto do Rio de Janeiro. Embora o Porto de Itaguaí esteja com melhores condições de frete, o Porto do Rio é mais próximo do EADI (em Nova Iguaçu). A empresa terceiriza o transporte das importações e não enfrenta problemas com trânsito e condições rodoviárias na Avenida Brasil. Prefere pagar um preço viável pela terceirização do transporte por empresas confiáveis do que arriscar o material importado, seguindo a política de risco zero adotada pela Cogumelo. A Cogumelo não tem realizado exportações regulares. No ano de 2008, a maior exportação que a empresa fez foi de 100.000 reais para a Angola. O pequeno valor das exportações decorre da insuficiência de capacidade instalada, uma vez que basicamente toda a produção visa a atender ao mercado doméstico. Isso ocorre devido ao fato de a empresa trabalhar com venda de produtos e serviços, vinculada à execução de grandes projetos de construção. Recentemente, a Cogumelo comprou uma fábrica na Argentina, de onde pretende exportar os seus produtos para a América do Sul. O acesso a uma estrutura de comercialização com pessoas que têm o domínio da língua espanhola pesou muito sobre a decisão de compra. Muitos países da América do sul não importam produtos da Cogumelo devido a problemas de negociação gerado pela diferença de idioma. A Cogumelo destaca algumas vantagens em relação à localização de sua unidade fabril: (i) estar localizada em área rural, o que garante a empresa grande extensão de terreno e a possibilidade de expandir, a baixo custo, a área destinada à produção; (ii) estar situada às margens da Avenida Brasil, um dos mais importantes eixos viários da cidade do Rio do Janeiro, o que propicia rápido acesso às rodovias que ligam a fábrica aos principais mercados consumidores do país.

FredVic Indústria de Roupas – empresa do setor de confecções, localizada em Campo Grande
Empresa tradicional do setor de confecções do estado do Rio de Janeiro, há mais de quarenta anos opera com uma unidade fabril em Campo Grande. Este ano, a empresa produzirá 330 mil peças de roupa e terá um faturamento de R$10 milhões. A FredVic também dispõe de outra unidade de produção localizada no município de Rio Pomba (MG), onde emprega cerca de duzentos funcionários. Nos últimos três anos, a empresa vem passando por um processo de reestruturação e enxugamento. A unidade industrial de Campo Grande empregava 400 funcionários em 2007 e ao final desse ano (2008) o quadro de pessoal será reduzido para 290 funcionários. A expectativa é de que até o primeiro semestre de 2009, a fábrica esteja operando com 220 trabalhadores. A redução das vendas, provocada pelo câmbio valorizado e pela competição de produtos importados no mercado interno, obrigou a empresa a redimensionar a produção nos últimos anos. Em relação a 2007, quando a FredVic fabricou 400 mil peças de roupa, a produção em 2008 encolheu quase 20%. As diversas crises que a indústria de confecção

 

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enfrentou ao longo dos últimos dez anos, reduziu em 80% o número de estabelecimentos do setor no estado. Mesmo com todas essas dificuldades, a empresa consegue exportar. Atualmente, 98% das vendas externas da FredVic são direcionadas para o mercado argentino. O produto brasileiro ainda consegue ser competitivo naquele país, graças às preferências tarifárias do Mercosul. No presente ano, a empresa exportará 22.000 peças, o que representa 7% de sua produção. O pico de exportações da empresa ocorreu em 2006, quando 50.000 peças (13% da produção) foram vendidas para o mercado externo. As exportações para a Argentina começaram em 1996, quando a empresa identificou a oportunidade de trabalhar com um representante local, a Esteban Riguetto, grande distribuidor multimarcas no mercado daquele país. Todavia, as vendas cessaram durante o período 2001-2003, em razão da crise econômica local. Em 2004, as exportações para a Argentina foram retomadas, depois que um dos fornecedores brasileiros de matériaprima, apresentou à FredVic outro distribuidor, a Cotton Trader. Com a nova parceria e o crescimento do mercado consumidor argentino, o objetivo fixado pela empresa era destinar 25% da produção para aquele mercado. Em 2006, a empresa chegou a fechar um container para a Argentina com 150 mil peças de roupas. Entretanto, a valorização do real, notadamente a partir de 2007, frustou as expectativas da FredVic e desde então ela perdeu clientes importantes naquele mercado, entre eles a La Martina, a Wrangler/Lee e a UFO. Neste ano, quando a cotação do dólar atingiu R$1,55, a Etiqueta Negra, o maior cliente argentino da FredVic, anunciou que passaria a comprar sua coleção masculina de fabricantes chineses. Uma camisa da FredVic tem um preço de comercialização FOB-fábrica de US$19,00 (dos quais US$12,00 correspondem a custos de mão-de-obra. Um produto com o mesmo padrão de qualidade fabricado na China é vendido por US$14,00 (dos quais apenas US$5,00 correspondem a custos de mão-de-obra). A recente desvalorização do real frente ao dólar levou a empresa a refazer seus planos de exportação para a Argentina. Com uma cotação na casa de R$2,00/dólar, a FredVic acredita que, em 2010, estará vendendo cerca de 50 mil peças de roupas para aquele mercado. Atualmente, os produtos vendidos na Argentina são despachados por via aérea, que constitui o modal de transporte preferencial para a exportação. Por exigência da empresa, os produtos vendidos no mercado externo são pagos antecipadamente pelos clientes. Recentemente, também como resultado da valorização do real frente ao dólar, a empresa passou a importar o seu principal insumo – tecidos – como forma de reduzir os custos de produção. Nos últimos dois anos, a FredVic comprou tecidos confeccionados na Turquia e na China. Embora represente uma mudança de comportamento, dado que a empresa sempre privilegiou os fornecedores nacionais, essas compras totalizaram US$58 mil e foram suficientes para produzir apenas 11.400 camisas. Com as recentes mudanças das cotações cambiais, a empresa não sabe se continuará adquirindo matéria-prima no exterior. A empresa manifestou não enfrentar obstáculos burocráticos ou de outra natureza nas atividades de exportação ou importação. O departamento comercial da empresa não dispõe de pessoal qualificado para operar com o comércio internacional e, por isso, a FredVic utiliza os serviços de despachantes. A empresa emprega preferencialmente mão-de-obra que mora nas proximidades da fábrica. Todavia, a empresa alega que a região é pobre em mão-de-obra qualificada e que raros são os empregados trabalhando na produção que têm segundo grau completo.

Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno: diagnóstico sócio econômico do local
(versão final) Projeto FAPERJ n. E-26/110.644/2007

Renata Lèbre La Rovere (coord.)
Lia Hasenclever (pesquisadora) Rodrigo Lopes (assist. de pesquisa) Vitor Pimentel (iniciação científica) Luiza Lins (iniciação científica)

Junho/2009

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ÍNDICE Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno: diagnóstico sócio econômico do local...................................................................................... 5 1. Introdução......................................................................................................................... 5 1.1. Objetivos gerais e específicos ................................................................................... 10 2. Identificação da região de estudo e sua evolução histórica ........................................ 11 2.1. Campo Grande........................................................................................................... 13 2.2. Santa Cruz ................................................................................................................. 14 2.3. Bangu ........................................................................................................................ 15 2.4. Realengo.................................................................................................................... 15 3. Principais atividades econômicas locais na ótica dos estabelecimentos e dos empregos: uma predominância das atividades comerciais e de serviços com uma especialização relativa na indústria quando comparada com o MRJ ........................... 16 3.1. Retrospectiva das atividades econômicas locais na ótica dos estabelecimentos e empregos: 1998, 2003 e 2006 .......................................................................................... 26 3.2. A atividade industrial e seus principais desafios: uma visão pela ótica fiscal .......... 45 3.2.1.Cadastro de empresas ....................................................................................... 47 3.3. A atividade comercial e os seus principais desafios ................................................. 48 3.3.1. Características da Amostra.............................................................................. 49 3.3.2. Problemas e Soluções...................................................................................... 50 4. Indicadores sócio-econômicos e as instituições de formação profissional................. 53 5. Iniciativas de governança e principais investimentos atuais...................................... 55 6. Considerações Finais...................................................................................................... 58 Referências Bibliográficas ................................................................................................. 60 Anexo 1 - Localização da região estudada e regiões administrativas do MRJ ........................ 62 Anexo 2 – Cadastro FIRJAN de Empresas da Zona Oeste do MRJ – 2007/2008 ................... 67 Anexo 3 – Análise do Cadastro de Empresas .......................................................................... 85 Anexo 4 – Instituições de Ensino nas Regiões Administrativas Pesquisadas.......................... 90 Anexo 5 – Empresas Associadas à AEDIN (Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz) .......................................................................................................................... 93 Anexo 6 – Análise dos Dados da RAIS por Região Administrativa Pesquisada – Bangu ..... 95 Anexo 7 – Análise dos Dados da RAIS por Região Administrativa Pesquisada – Campo Grande .................................................................................................................................... 102 Anexo 8 – Análise dos Dados da RAIS por Região Administrativa Pesquisada – Realengo 110

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Anexo 9 – Análise dos Dados da RAIS por Região Administrativa Pesquisada – Santa Cruz ................................................................................................................................................ 118

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ÍNDICE DE QUADROS E TABELAS Quadro 1 – Configuração da Zona Oeste do MRJ ................................................................... 12 Tabela 1 – Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia nos bairros selecionados, 2006 ....................................................................................................... 18 Tabela 2 – Número de empregos e participação relativa por setor da economia nos bairros selecionados, 2006 ................................................................................................................... 20 Tabela 3 – Número e distribuição dos estabelecimentos por tamanho para os bairros selecionados, 2006 ................................................................................................................... 22 Tabela 4 – Número e distribuição dos empregos segundo tamanho dos estabelecimentos para os bairros selecionados, 2006................................................................................................... 23 Tabela 5 – Número de empregos segundo grau de instrução do empregado, para os bairros selecionados, 2006 ................................................................................................................... 24 Tabela 6 – Número de empregos segundo faixa etária do empregado nos bairros selecionados, 2006.......................................................................................................................................... 25 Tabela 7 – Número de empregos segundo faixa de remuneração do empregado nos bairros selecionados, 2006 ................................................................................................................... 26 Tabela 8 – Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia no MRJ, 1998, 2003 e 2006 .......................................................................................................... 29 Tabela 9 – Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia nas regiões administrativas selecionadas e no MRJ, 1998, 2003 e 2006 (%) ................................ 30 Tabela 10 – Número de empregos e participação relativa por setor da economia no MRJ, 1998, 2003 e 2006 .................................................................................................................... 33 Tabela 11 – Número de empregos e participação relativa por setor da economia nas regiões administrativas selecionadas e no MRJ, 1998, 2003 e 2006 (%)............................................. 34 Tabela 12 – Número e distribuição dos estabelecimentos por tamanho para os bairros selecionados, 1998, 2003 e 2006.............................................................................................. 38 Tabela 13 – Número e distribuição dos empregos segundo tamanho dos estabelecimentos para os bairros selecionados, 1998, 2003 e 2006 ............................................................................. 39 Tabela 14 – Número de empregos segundo grau de instrução do empregado, para os bairros selecionados, 1998, 2003 e 2006.............................................................................................. 41

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Tabela 15 – Número de empregos segundo faixa etária do empregado nos bairros selecionados, 1998, 2003 e 2006.............................................................................................. 42 Tabela 16 – Número de empregos segundo faixa de remuneração do empregado nos bairros selecionados, 1998, 2003 e 2006.............................................................................................. 44 Tabela 17 – Principais atividades industriais por região administrativa selecionados segundo VAF, estabelecimentos e empregos ......................................................................................... 45 Tabela 18 – Principais atividades industriais por região administrativa selecionada segundo VAF, 2004................................................................................................................................ 46 Tabela 19 – Correspondência entre os setores do VAF e da CNAE........................................ 47 Tabela 20 – Representatividade das amostras, perfil das empresas e parceiros de pesquisa ... 49 Tabela 21 – Principais problemas identificados nos bairros selecionados (%)........................ 51 Tabela 22 – Principais soluções identificadas nos municípios pesquisados (%) ..................... 52 Tabela 23 – Indicadores de desenvolvimento social das regiões administrativas selecionadas, do MRJ e do ERJ, 2000............................................................................................................ 53 Tabela 24 – Comparativo dos APLs identificados na microrregião do Rio de Janeiro e que envolvem a região selecionada e sua participação no VAF industrial..................................... 57 Tabela 25 - Investimentos realizados na Zona Oeste do MRJ, 2004-2009.............................. 58

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Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno: diagnóstico sócio econômico do local

Lia Hasenclever, Rodrigo Lopes, Vitor Pimentel e Luíza Lins

1. Introdução O estado do Rio de Janeiro (ERJ) corresponde à cerca de 0,5% do território nacional e tem uma população superior a 14 milhões de habitantes (8,6% da população brasileira), o que lhe confere a colocação do Estado de maior densidade demográfica, com 315 habitantes por quilômetro quadrado. As tendências do desenvolvimento da atividade econômica do ERJ estão em consonância com as evoluções da conjuntura macro do país, mas esboçam trajetórias que são naturalmente ligadas a sua própria história e enfrenta problemas que são específicos a sua estrutura produtiva. Sabe-se, principalmente via Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que a contribuição do setor industrial nacional na formação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tendeu a decrescer sensivelmente: esta parcela passou, entre 1990 e 1998, de 38,7% a 34%, ou seja, uma queda de 12% em oito anos. Este fenômeno se traduziu em nítidas modificações na organização espacial da produção industrial, como será visto no período mais recente adiante. Os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, pilares do setor secundário brasileiro, perderam peso no conjunto nacional, com quedas respectivas de 50% e 40% no longo período de 19701997. O estado fluminense, que realizava 15,6% da produção industrial brasileira em 1970, vê sua participação cair para 7,8% em 1997. Esta queda de participação relativa atinge as três grandes categorias de bens (bens de consumo, bens intermediários e bens duráveis). Observase ainda a queda da contribuição do ERJ ao PIB brasileiro em todas as suas componentes, da ordem de 29% no mesmo período (passa de 16,1% para 11,4%). Tudo isto sublinha a amplitude das modificações observadas no aparelho industrial do ERJ e em seu entorno. A interpretação do conjunto destas evoluções foi analisada por vários autores. Pacheco (1999) observa um primeiro processo de desconcentração regional que se manifesta por uma maior disseminação das atividades industriais pelo território nacional. Este fenômeno, segundo o autor, deve-se a vários fatores, mas os principais parecem estar ligados, de um lado, aos deslocamentos de atividades movidos pela busca de redução de custos de produção, de outro lado, pelas políticas da União, dos estados e das municipalidades, de multiplicação das medidas de atração dos investimentos das empresas, deslocando investimentos para outras unidades da federação. Sabe-se que esta tendência, visível no Brasil nestes últimos anos, e que se traduz na criação de externalidades positivas por parte do poder público, foi tão expressiva que justifica a designação corrente de uma verdadeira guerra fiscal. Uma outra grande tendência concomitante diz respeito à concentração regional dos investimentos em setores de forte crescimento. Finalmente, o autor destaca a acentuação da heterogeneidade interna das regiões brasileiras, com a formação ou a manutenção de ilhas de prosperidade (fenômenos observáveis, por exemplo, nas periferias das grandes cidades), o crescimento do poderio econômico das cidades médias em descompasso com muitas áreas metropolitanas.

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Com a preocupação específica de relacionar, para o longo período, a dinâmica transformadora do conjunto das atividades econômicas, sua inserção espacial, os movimentos populacionais e finalmente as mudanças que afetam a estrutura urbana do Brasil, o economista Campolina Diniz chega a conclusões muito próximas. A desconcentração industrial, que recolocou em questão, principalmente, a polarização das atividades na metrópole paulista, foi favorecida pelo governo federal – através de investimentos produtivos diretos, incentivos fiscais e financiamento de infra-estruturas. A modernização tecnológica assim como os processos concomitantes de globalização, abertura comercial e de construção do mercado regional (Mercosul), incentivaram a emergência de novas e ativas áreas de produção (Campinas, Curitiba, Florianópolis, entre outras). Ou seja, a perda de peso relativo das grandes metrópoles nacionais ocorreu em benefício de centros urbanos e industriais de tamanho intermediário (Diniz, 2000). As análises econômicas realizadas a partir de dados da contabilidade nacional, assim como os trabalhos realizados a partir da evolução do emprego (Maciel, 2003 e Sabóia, 2001, respectivamente) também mostraram um processo lento mas constante de desconcentração da economia brasileira. Desta forma, por exemplo, foi que a região Sudeste que contribuía com um pouco mais de 60% do PIB brasileiro em 1985 passou a produzir apenas 55% da riqueza nacional em 2004. Esta evolução geral realizou-se favorecendo as regiões Centro-oeste e Norte do país. Esta perda relativa da região Sudeste, progressiva, mas inexorável, diz respeito em primeiro lugar ao estado de São Paulo que continua a liderar as atividades econômicas entre os estados da federação, porém cuja participação no PIB caiu de 36,1% em 1985 para 31% em 2004. Apesar do peso estrutural da economia paulista e de seu crescimento em termos absolutos, nota-se que a perda relativa de sua posição é constante depois de 1988, quando o Estado produziu 38,1% do PIB brasileiro. Isto mostra que o fenômeno de recomposição espacial das atividades econômicas é definitivo e que ele resulta de modificações de fatores de ordem estrutural. A posição relativa das outras unidades federativas da região Sudeste - Minas Gerais e Espírito Santo - parece ter se estabilizado durante o mesmo período (1985-2004), em torno de um pouco menos de 9,5% e 2%, respectivamente. Os desafios de desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro A exploração dos dados do IBGE realizada por Fauré e Hasenclever (2005) e atualizados para fins desta análise 1 permite dizer que de 1985 a 2004 a parte relativa do ERJ na criação da riqueza nacional parece, a primeira vista, relativamente estável, tendo passado de 12,7% a 12,6% do PIB em 19 anos 2. Porém, esta visão é enganosa. Inicialmente é preciso relembrar que em 1970 o ERJ produzia 16,1% do PIB brasileiro. De outro lado, é preciso sublinhar que o ERJ foi o estado da federação que apresentou o crescimento mais lento entre 1985 e 2001: quando a taxa média de crescimento era de 4,9% para o Brasil, ela foi apenas de 2,7% para o ERJ. Esta situação passa a ser um pouco melhor no período 1994-2003 quando o Estado cresce a uma taxa média de 3,3% e o Brasil a uma taxa de 2,3%.
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Os dados analisados do IBGE não dizem respeito a nova metodologia de cálculo do PIB que foi criada em 2007, mas trabalha com os dados de PIB anteriores. Optou-se por utilizar a metodologia antiga para a realização desta contextualização devido ao interesse de se trabalhar com uma série mais longa. A nova metodologia restringisse a uma série de dados entre 2002 e 2006. Outros trabalhos da equipe procurarão analisar as implicações recentes das novas estatísticas no município do Rio de Janeiro. 2 É importante destacar que as estatísticas do IBGE sobre o estado do Rio de Janeiro não levam em conta desde há alguns anos a produção do setor naval, que está, desde os anos 2000, em processo de revitalização, e subestimam a contribuição do setor têxtil/confecções, subestimativas estas que já foram reconhecidas publicamente pelo Instituto e pela Federação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

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De fato o período 1985-2004, para o estado do Rio de Janeiro, pode ser caracterizado por dois períodos distintos. O primeiro, de 1985 a 1998, foi marcado por uma crise da economia fluminense e uma perda gradativa de seu dinamismo, conforme já apresentado. A partir de 1998, assiste-se à recuperação das atividades, principalmente devida a uma forte aceleração da cadeia petrolífera. A posição relativa do Estado na formação do PIB brasileiro ilustra perfeitamente estas tendências: em 1998, a contribuição fluminense para a riqueza nacional era de 11%, tendo ultrapassado os 12% após este ano. Mas esta recuperação é frágil: por um lado, repousa essencialmente sobre um setor – o petróleo - e, por outro, alguns Estados e regiões do país obtêm melhores desempenhos e melhores resultados em outros numerosos setores de atividade. Decorrente desta dinâmica diferenciada, no conjunto do país, pode-se dizer que somente a retomada das atividades fluminenses em si não é suficiente para que o Estado retorne a sua posição relativa dos anos 1970 ou mesmo da metade dos anos 1980. É importante registrar, rapidamente, que em termos de renda per capita o Rio de Janeiro continua a ter uma posição boa (R$ 14.639,00), que o coloca somente atrás do Distrito Federal (R$ 19.071,00) e um pouco acima do estado de São Paulo (R$13.725,00), em 2004. Como sabido, o poder de compra real deve ser levado em conta na análise dos fatores de crescimento. Se examinarmos a participação fluminense no PIB brasileiro em função dos componentes setoriais pode-se sublinhar que o setor de indústria de transformação, assim como outros setores, perderam posição relativa entre 1985 e 2004: agropecuária, serviços industriais de utilidade pública (eletricidade, água e gás), construção civil, comércio, atividades de alojamento e alimentação, transportes e armazenagem, comunicações, intermediação financeira, imobiliária e prestações de serviços às empresas. Estas numerosas perdas setoriais mostram que o declínio relativo do estado fluminense é bastante generalizado e apresenta-se em quase todos os setores das atividades econômicas. Deve-se, sobretudo, notar o desenvolvimento da indústria extrativa mineral, com o espetacular crescimento da cadeia do petróleo, que representava, em 2004, 78% dessa indústria à escala nacional. No período 2001-2004, observa-se que entre os estados da federação brasileira apenas a Bahia apresentou aumento de sua participação relativa maior que um ponto percentual no PIB do setor da indústria de transformação. Os estados do Rio de Janeiro e do Paraná registraram queda de 1,5 pontos percentuais, enquanto os demais estados ficaram próximos à estabilidade. Esta abordagem comparativa da participação relativa do setor industrial entre os estados não é suficiente. É também necessário observar as demais evoluções setoriais fluminenses em absoluto e em comparação com a dos outros estados. Esta leitura de dados estatísticos oferece um panorama um pouco diferente, complementar e mostra dinamismos variados. Dois setores se destacam pelo crescimento espetacular: a indústria extrativa (cujo coeficiente foi multiplicado por 3,71 de 1985 a 2004) e as comunicações (x 3,67). Os demais setores em crescimento apresentam um menor dinamismo (outros serviços coletivos: x 1,59, imobiliário e serviços às empresas: x 1,46, alojamento e alimentação: x 1,45, agropecuária: x 1,37). Constata-se, ao contrário, um declínio da indústria de transformação, passando do índice 100 em 1985 ao índice 94,2 em 2004. Mas não se trata de um fenômeno tipicamente fluminense já que, neste setor, o Estado praticamente manteve a sua posição em relação ao país entre 1985 e 2004. Em resumo, percebe-se três tendências marcantes a partir do exame destas estatísticas. Inicialmente o declínio da economia fluminense é bastante geral porque ele se observa sobre

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vários setores de atividades. Em seguida nota-se que o essencial da menor deterioração e ou da recuperação econômica do Estado é devida ao setor do petróleo que é responsável por mais de 60% da nova retomada estadual, constatada depois de 1998. Enfim, como a economia fluminense faz parte do conjunto nacional, as dinâmicas estaduais de certos setores podem ser importantes, mas não suficientes. Emblemático, sob este aspecto, é o caso do setor de comunicações, onde o índice indicando o crescimento no Estado elevou-se fortemente, passando de 100 a 367 em 19 anos, porém o crescimento à escala estadual foi ultrapassado em outros estados da federação já que a contribuição fluminense a este setor, no conjunto nacional, caiu de 28,3% para 10,8% durante o período 1985-2004. Em relação à indústria do MRJ, tomando-se as variáveis da Pesquisa Industrial Anual (PIA) e da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), no período de 1996-2005, observou-se que o setor secundário do ERJ perdeu peso na indústria brasileira seguindo a tendência apontada por vários autores de desconcentração da indústria das metrópoles para as cidades médias. A partir de 1998 observa-se uma retomada do crescimento da indústria do ERJ, mas ela foi mais intensa no interior do que no Município. De fato, o movimento de retomada da indústria do ERJ a partir de 1998 não foi capaz de reverter a tendência de queda da economia do MRJ. Duas causas podem ser apontadas para explicar este desempenho econômico negativo: o pequeno número de setores industriais do MRJ que apresentaram taxas positivas de crescimento no período e a não importância do setor extrativo do petróleo no MRJ, setor que explica essencialmente a retomada do crescimento no ERJ. Em termos de evolução e participação relativa dos setores na economia do MRJ não se registrou mudanças substantivas. Com efeito, os seis setores que apresentaram evoluções positivas no período em termos de algumas das variáveis analisadas na PIA são os setores de extração de petróleo e produtos correlatos; têxtil; refino de petróleo e produção de álcool; montagem de veículos automotores; outros equipamentos de transporte; e reciclagem. Da mesma forma, a participação relativa dos setores alterou-se muito pouco no período, apresentando um movimento geral de ligeira desconcentração da indústria de transformação e uma possível diversificação da mesma em direção aos setores que apresentaram taxas de crescimento positivas no período. Percebeu-se também uma redução generalizada do tamanho das empresas e da produção física no período. Os setores que mais se destacam na indústria carioca tanto em termos de emprego quanto em termos de resultados monetários (receita líquida de vendas, valor bruto da produção e valor de transformação industrial) são os setores de fabricação de produtos químicos; fabricação de produtos alimentícios e bebidas; e edição, impressão e reproduções. O setor de confecções também se encontra entre os quatro mais importantes geradores de emprego e o setor de borracha e plástico entre os quatro maiores geradores de resultados monetários. A atividade comercial do MRJ, por sua vez, sofre o impacto de perda de importância da região metropolitana, retraindo-se até o ano de 1996, quando atingiu sua menor participação no PIB do comércio nacional pelos dados do IBGE. Tomando os dados da Pesquisa Anual do Comércio (PAC), pode-se inferir a volta do crescimento da atividade comercial, tanto no ERJ quanto no MRJ, a partir do ano de 2003, ainda que ele tenha sido mais vigoroso para o primeiro do que para o segundo. Mas é somente a partir de 2004 que os resultados se apresentam superiores à média do resultado observado para o período 2001-2005. De fato, para todas as variáveis analisadas da PAC os desempenhos, mensurados através de suas taxas de crescimento acumuladas no período 2001-2005, foram positivos e superiores a cerca de 15% para o ERJ e a cerca de 10% para o MRJ. A participação relativa do MRJ por

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sua vez, apesar de ter se reduzido, apresentou perdas pouco significativas. Assim o desempenho do Município não ficou muito aquém do desempenho do Estado no que diz respeito às atividades de comércio, diferentemente do constatado para as atividades industriais. Entretanto, este desempenho positivo foi mais vigoroso em outras regiões do Brasil, não permitindo que o Rio se destacasse na atividade comercial em termos nacionais. A fotografia desse desempenho da atividade comercial foi confirmada pelos dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC). As receitas dos setores, com exceção de combustíveis e lubrificantes, cresceram no período entre 2000-2007. Em resumo, não foram registradas mudanças marcantes na participação relativa entre as divisões de comércio, apenas dinamismo diferenciado entre os grupos. A divisão de comércio mais dinâmica no período foi a do setor atacadista no que diz respeito à geração de valor (receita líquida de revenda e salários). Já no que diz respeito à geração de empregos, destaca-se o comércio varejista. Estas dinâmicas diferenciadas, por sua vez, estão relacionadas com a natureza dos setores e transformações ocorridas (Plano Real, introdução de tecnologias de informação e automação, e crédito). Todas essas considerações definem o quadro de problemas encontrados atualmente pela economia do ERJ e de seu Município capital e os termos de sua equação. O esvaziamento relativo de seu dinamismo industrial e as modificações impostas ao seu aparelho produtivo são acompanhados de um processo de esgotamento do crescimento urbano da capital e de sua área metropolitana, cuja densidade gera deseconomias externas que tendem a anular os efeitos positivos da aglomeração 3. Torna-se, então, imperativo, em um contexto de quase estagnação econômica e elevada concorrência, sustentar e impulsionar a atividade econômica para novos tipos de produção, para novas organizações produtivas, para áreas geográficas situadas fora da zona demográfica mais importante do Estado. Esta sustentação e novo impulso à atividade econômica são dependentes de políticas industriais que integrem o município do Rio de Janeiro (MRJ) ao ERJ. Várias iniciativas governamentais e locais têm procurado alterar esta realidade com o objetivo de mudar esse quadro desfavorável de desenvolvimento industrial e comercial do ERJ. Entre essas iniciativas iluminar-se-á o caso da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro e o seu entorno. De fato, na última década, constata-se uma expansão industrial intensa na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, em função de projetos industriais em execução, mas também uma crescente renovação imobiliária. Há possibilidade de expansão da atividade industrial na região pelo fato de que os Distritos Industriais implantados pelo governo do Estado na Região, ao dotar áreas previamente planejadas de toda infra-estrutura básica à instalação de indústrias, facilita o processo de atração das indústrias para a região. Toma-se como pressuposto que tal desenvolvimento abrangente não pode ser feito com base em uma empresa solitária. Requer uma visão sistêmica que aplique metodologias baseadas em abordagens do tipo de adensamento ou cadeias de valores, capaz de integrar estágios de produção de matérias primas, produção de bens e serviços e consumo final e, sobretudo, uma interação intensa entre as atividades econômicas locais e as instituições provedoras de serviços e suporte ao desenvolvimento local.

Convém aqui lembrar que se as taxas de crescimento das grandes cidades brasileiras foram elevadas até os anos 1950-60 – com taxas anuais situadas entre 4 e 6% - elas caíram nitidamente em seguida. Esta evolução é ainda mais verdadeira tratando-se da área metropolitana carioca, cuja taxa de crescimento passou de 3,7% no período 1940-70 para 2,4% nos anos 1970-80 e para 1% na seqüência 1980-91. Ao mesmo tempo, um outro fenômeno importante, e que se verifica amplamente no ERJ, é que a taxa de crescimento das metrópoles brasileiras tornouse inferior à taxa de crescimento da população urbana, o que significa a emergência de cidades de médio porte.

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Adicionalmente, pressupõe-se que quanto maior for o adensamento de cadeias produtivas formadas por indústrias inter-relacionadas através de relações de compra e venda, mas também de outras atividades correlatas de prestação de serviços e comércio locais, mais se estará desenvolvendo uma região. 1.1. Objetivos gerais e específicos Os objetivos gerais do projeto são o diagnóstico das atividades econômicas locais e a realização de um seminário sobre possibilidades de desenvolvimento econômico local da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro e de seu entorno. O objetivo específico deste diagnóstico sócio econômico local, objeto deste documento, é mapear elementos que identifiquem a região de estudo, as suas principais atividades econômicas locais, os seus indicadores sociais e as iniciativas de governança já existentes a partir de dados secundários discriminados ao longo do texto. A construção deste diagnóstico permitirá a construção de uma visão compartilhada dos principais desafios e problemas da região. Esta visão compartilhada das principais atividades sócio-econômicas da região entre os pesquisadores os ajudará a buscar novas informações relevantes para o entendimento do funcionamento sócio-econômico local junto aos vários atores locais – empresários, responsáveis por projetos de apoio e administrações públicas envolvidas com a região. Também foram elaborados cadastros com o perfil das empresas locais e das principais instituições de ensino locais (formação profissional e universitária) com o objetivo de ampliar este diagnóstico, baseado em dados secundários, muitas vezes defasados no tempo e não capturando dinâmicas importantes, com dados primários que expressem a opinião dos principais empresários já localizados na região. A coleta destas opiniões será feita com a ajuda da empresa Ayra Consultoria – empresa Junior dos alunos de administração, ciências contábeis e economia da UFRJ, orientada por questionário elaborado pelo conjunto da equipe de pesquisadores. A este diagnóstico se juntarão outros, realizados pelos demais pesquisadores da equipe, visando fortalecer os encadeamentos da cadeia de aço inox ou outros encadeamentos, os principais planejamentos urbanos previstos e os aspectos administrativos da região, as possibilidades de exportação, a situação tributária local e as demais políticas públicas orientadas para a região, as infra-estruturas e as instituições locais, com vista a se constituir um Parque Tecnológico e um Pólo Industrial de aço inox na Zona Oeste do MRJ. O documento final contendo os diferentes diagnósticos será discutido com as lideranças locais em um seminário visando iniciar os debates sobre as ações de governança necessárias para que o desenvolvimento local seja provocado a partir da junção de atores chaves para o desenvolvimento da região. Essas vantagens de localização na Região e nos municípios do seu entorno geográfico poderiam ser ampliadas e até mesmo consolidadas, caso se atraia um conjunto de novas empresas (nacionais e estrangeiras) que trabalhem com a cadeia produtiva do aço inox ou em outras cadeias produtivas a se instalarem e, concomitantemente, se desenvolva uma maior capacitação técnica de produto e processo em aço inox, bem como se estimule a criação de pequenas e médias empresas especializadas na prestação de serviços de montagem e acabamento de produtos finais. Para alcançar estes propósitos de desenvolvimento local é necessário apoiar o desenvolvimento competitivo das empresas que passa pelo

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desenvolvimento das pessoas, de conhecimento, processos, incorporação de novos equipamentos e boas condições de trabalho.

2. Identificação da região de estudo e sua evolução histórica A região delimitada para estudo é constituída por quatro regiões administrativas, das 34 do MRJ, todas pertencentes à Zona Oeste, uma das 11 zonas do MRJ. Ela representa cerca de 30% da área do MRJ (aproximadamente 380 km²) e tem uma população de 1,5 milhão de pessoas, apresenta facilidades de infra-estrutura e disponibilidade de terrenos adequados às atividades produtivas, além de potenciais economias de aglomeração em razão das indústrias nelas já instaladas, como desenvolvido adiante. A Zona Oeste é composta por 41 bairros e 10 regiões administrativas, das quais quatro fazem parte da delimitação do estudo: Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz (sombreado de cinza no Quadro 1). Cada região possui um bairro sede (em negrito no Quadro 1), que concentra a maior parte das atividades econômicas daquela região, e outros bairros menos relevantes. Apesar de a região delimitada para estudo ser menos abrangente do que a Zona Oeste, a denominaremos, neste trabalho, de Zona Oeste. Consultar Anexo 1 com a localização geográfica e descrição completa das regiões administrativas e bairros do MRJ.

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Quadro 1 – Configuração da Zona Oeste do MRJ
XVI Região Administrativa Jacarepaguá Bairros Anil Curicica Freguesia Gardênia Azul Jacarepaguá Pechincha Praça Seca Tanque Taquara Vila Valqueire Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Cosmos Santíssimo Senador Vasconcelos Inhoaíba Paciência Santa Cruz Sepetiba Barra da Tijuca Camorim Grumari Itanhangá Joá Recreio dos Bandeirantes Vargem Grande Vargem Pequena Barra de Guaratiba Guaratiba Pedra de Guaratiba Rocinha Colônia Juliano Moreira Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhães Bastos Realengo Vila Militar Cidade de Deus

XVII

Bangu

XVIII

Campo Grande

XIX

Santa Cruz

XXIV

Barra da Tijuca

XXVI

Guaratiba

XXVII XXXII XXXIII

Rocinha Colônia Juliano Moreira¹ Realengo

XXXIV

Cidade de Deus

¹ Sua criação foi aprovada em 1996 pelo PL 446/96, mas não chegou a ir para votação, as regiões criadas depois saltaram o número 32. Fonte: Instituto Pereira Passos

Os quatro grandes bairros que compõem a Zona Oeste – e tomam os mesmos nomes das regiões – tem suas origens e explorações econômicas bastante variadas. O mais antigo deles é o bairro de Santa Cruz, fundado a partir da sesmaria criada em 30 de dezembro de 1567. Bangu e Campo Grande foram fundados bem mais tarde, em 1673. Realengo tem sua origem em 1814. Entretanto, o desenvolvimento das atividades industriais e outras atividades, em todos os bairros, iniciou-se no final do século XIX: Bangu em atividades têxteis, Campo Grande em

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atividades ferroviárias e de bondes, assim como grande produtor de laranja e Santa Cruz como um importante entreposto de abate de bois, conforme resumo por bairros a seguir. 2.1. Campo Grande Inicialmente, o território correspondente a Campo Grande era habitado por índios Picinguaba. Segundo Fróes e Gelabert (2004), em 1569 esse território passou a pertencer à grande Sesmaria de Gericinó, que foi doada a João de Bastos e Gonçalo D’Aguiar. Desmembrada desta pouco antes de 1670, a área foi doada pelo governo colonial a Barcelos Domingues e, em 1673, foi criada a Paróquia de Nossa Senhora do Desterro, marco histórico da ocupação territorial do local. O cultivo da cana-de-açúcar e a criação de gado bovino foram as primeiras atividades econômicas locais. Do final do século XVI até meados do XVIII, a ocupação territorial foi lenta, apesar do intenso trabalho dos jesuítas, realizado no território vizinho de Santa Cruz. Os religiosos deixaram obras de engenharia de vulto como estradas, pontes e inúmeros canais de captação de água para irrigação, drenagem e contenção da planície, sempre sujeita às enchentes dos rios Guandu e Itaguaí. Durante todo o século XVIII a ocupação territorial mais efetiva ocorreu em Santa Cruz, por causa do engenho dos jesuítas, e nas proximidades do centro de Campo Grande, cujas terras compreendem hoje as regiões de Bangu e Jacarepaguá. Essas terras eram atravessadas pela Estrada dos Jesuítas, mais tarde Estrada Real de Santa Cruz e pelas vias hidrográficas da extensa Freguesia de Irajá. Toda a área, na verdade, era uma única região, um imenso sertão pontilhado por alguns núcleos nos pontos de encontro das vias de acesso, em torno dos engenhos e nos pequenos portos fluviais. A característica nitidamente rural levou, durante quase três séculos, à aglomeração humana restrita às proximidades das fazendas e engenhos e às pequenas vilas de pescadores, ao longo da costa. Já no final do século XVIII, a Freguesia de Campo Grande começou a prosperar. Seu desenvolvimento urbano ocorreu a partir do núcleo formado no entorno da Igreja de N. Sa. do Desterro. A partir da segunda metade do século XIX, a área começou a progredir com a implantação, em 1878, de uma estação da Estrada de Ferro D. Pedro II, em Campo Grande. O transporte ferroviário foi, então, o vetor que transformou esta região tipicamente rural em urbana, ao facilitar o acesso ao centro da Cidade. Em 1894, a empresa particular Companhia de Carris Urbanos ganhou a concessão para explorar a linha de bondes à tração animal, possibilitando que as localidades mais distantes fossem alcançadas, o que favoreceu o seu desenvolvimento urbano interno. A partir de 1915, os bondes à tração animal foram substituídos pelos elétricos, permitindo maior mobilidade e integração entre os núcleos semi-urbanos já formados. Este evento acentuou o adensamento do bairro central de Campo Grande e estimulou o florescimento de um intenso comércio interno, de certa forma, independente. O bairro que historicamente já era o ponto de atração do crescimento da região, tornava-se agora sua mola propulsora adquirindo características tipicamente urbanas. Com as crises da cultura do café, iniciadas no final do século XIX e persistindo no século seguinte até 1929, a região voltou-se para uma nova atividade: a citricultura. Desde os primeiros anos do século XX e até os anos 40, Campo Grande foi considerada a grande região

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produtora de laranjas, o que lhe rendeu o nome de "Citrolândia". Ao lado de Realengo, Jacarepaguá e Santa Cruz, Campo Grande figurava, até 1939, entre os maiores produtores de laranja, chegando a exportar 144.557 toneladas do produto. Durante o governo do presidente Washington Luis, na década de 1930, a Estrada Real foi incorporada à antiga Estrada Rio-São Paulo. Esse fato integrou Campo Grande ao tecido urbano da Cidade, acentuando seu adensamento. Em 1946, a abertura da grande Avenida Brasil aproximou ainda mais a Região do restante da Cidade. Criada para escoar a produção das indústrias cariocas, a nova via não teve o fluxo esperado, durante a década de 1950. A criação da rodovia Presidente Dutra, ligando o Rio a São Paulo, desviou o fluxo de mercadorias para outra direção e a região ficou estagnada, em termos de adensamento e desenvolvimento industrial. A partir da década de 1960, surgiram os distritos industriais em Campo Grande e Santa Cruz, resultando na instalação de grandes empresas, como a siderúrgica Cosigua-Gerdau, a Michelin e a Vale-Sul, entre outras. Hoje, o comércio no bairro é auto-suficiente, exercendo atração sobre outras regiões. O setor industrial também está em alta. Campo Grande possui um Distrito Industrial localizado no quilômetro 43 da Avenida Brasil, abrangendo ainda a Estrada do Pedregoso. 2.2. Santa Cruz A antiga terra de Piracema, ocupada até o início do século XVI por índios da Nação TupiGuarani, passou a ser denominada Santa Cruz em 30 de dezembro de 1567, com a chegada dos colonizadores portugueses, tendo à frente o primeiro Ouvidor-Mor da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, Cristóvão Monteiro e sua esposa, a senhora Marquesa Ferreira. Aos padres Jesuítas da Companhia de Jesus que receberam a antiga sesmaria como doação, coube a árdua tarefa da medição do latifúndio e todo o processo de beneficiamento das férteis terras, desde o final do século XVI até o ano de 1759, quando foram expulsos do Brasil pelo Marquês de Pombal. Santa Cruz foi uma das mais prósperas fazendas brasileiras, destacandose a produção agro-pastoril em todo o século XVIII, onde o escravo africano contribuiu decisivamente para o sucesso do empreendimento da Companhia. A fazenda dos jesuítas era tão importante para o governo colonial que suas terras não foram postas em leilão, após a expropriação, tendo sido incorporadas ao patrimônio oficial e depois transformadas por D. João VI em Fazenda Real de Santa Cruz, após a transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808. Com a chegada da comitiva real, a cidade do Rio de Janeiro modificou-se muito e todas as regiões tipicamente rurais sofreram sua influência. As atividades econômicas e culturais aceleraram-se e a zona rural voltou-se para o abastecimento da Cidade e para os benefícios trazidos pela corte. Não houve, porém, uma aceleração do desenvolvimento da região, que continuou a manter suas características rurais. Com a chegada de D. João VI e de toda a nobreza portuguesa em 1808, Santa Cruz recebeu a denominação de Fazenda Real e, depois, Imperial, acolhendo por longas temporadas o Rei, os Imperadores e todos os seus herdeiros, no prédio do antigo convento jesuítico, já ampliado e transformado em Palácio. A partir de 1881, o Matadouro de Santa Cruz passou a servir como centro irradiador do desenvolvimento sócio-econômico, cultural e político da região que hoje é identificada como Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro.

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Na década de 1930, o governo Getúlio Vargas desencadeou grandes empreendimentos em obras de saneamento, visando trazer de volta a salubridade e a conseqüente valorização das terras, tentando recuperar assim, o dinamismo econômico da região, a partir da criação das Colônias Agrícolas. Com o intenso desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro, ocorrendo em todas as direções, é criada em Santa Cruz, a Zona Industrial, provocando igualmente a sua urbanização, a exemplo da construção dos conjuntos habitacionais populares. 2.3. Bangu A origem do bairro Bangu remonta a meados do século XVII, mais exatamente em 1673, quando o nome "Bangu" foi registrado oficialmente em documentos oficiais de propriedade, como o da Fazenda Bangu, que foi grande produtora de açúcar e seus derivados. A palavra Bangu tem dois significados distintos: uma com significado de "anteparo negro, paredão negro" (origem Tupi), a outra vem do africano bangüê, nome dado pelos escravos a local do engenho onde se guardava o bagaço da cana-de-açúcar. Inicialmente com atividades econômicas principalmente rurais, inciou sua industrialização a partir das atividades têxteis, quando, no ano de 1889, foi fundada a Companhia Progresso Industrial do Brasil (Fábrica Bangu). A partir da fundação da Fábrica, o espaço rural foi se transformando rapidamente em urbano, contribuindo para um povoamento acelerado, devido à necessidade de operários para a Companhia, sendo também responsável por trazer para a região importantes obras, entre elas a Estação Ferroviária de Bangu, em 1890; o ramal ferroviário de Santa Cruz, em 1892; a fundação da Paróquia de São Sebastião e Santa Cecília, em 1908, viabilizando um progressivo processo de urbanização e desenvolvimento. Sendo uma das regiões que mais cresce na Zona Oeste, a região de Bangu conta com uma população estimada em 240.000 habitantes, e setores em pleno desenvolvimento, como o habitacional, comercial, cultural, etc. Não podemos deixar de falar do Calçadão de Bangu, que é o pólo do comércio local, e também palco de grandes eventos como o aniversário da XVII região administrativa, que anualmente é realizado com o tradicional corte do bolo de aniversário, que a cada ano aumenta um metro, em referência a idade da Administração Regional. 2.4. Realengo O território entre as Serras do Pedra Branca e Serra do Mendanha deve seu nome, segundo a tradição popular, a corruptela do termo “Real Eng°” (abreviação de Real Engenho) que vinha afixado sobre as placas no topo dos bondes, o que com o passar do tempo, se tornou popularmente Realengo. Recentemente pesquisadores defendem a idéia de que a verdadeira origem do nome do bairro deriva de "terras realengas" que quer dizer “terras distantes do rei”. Comprovadamente as denominadas Terras Realengas têm sua origem, segundo alguns historiadores, pela Carta Régia de 27 de Junho de 1814, através da qual o príncipe-regente a concedeu em sesmaria ao Senado da Câmara do Rio de Janeiro os terrenos situados em Campo Grande, chamados de realengos. A concessão das terras onde hoje é o bairro Realengo, central e periferia, foi destinada apenas para servir de pastagem de gado bovino, fornecendo carne aos talhos (açougues) da cidade. Estas terras foram proibidas de venda ou quaisquer outras formas de

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alienação, obrigando-se a Câmara, a fazer a medição e trazê-las limpas em condições de servir ao fim para que foram doadas pela mencionada carta régia. O povoado de Realengo foi delimitado territorialmente pelo Senado da Câmara do Rio de Janeiro, através da provisão de 18 de julho de 1814, tomando a Coroa posse das terras testadas pela Estrada de Santa Cruz e com fundos de vinte braças no máximo. Apesar da proibição expressa de arrendamento, vendas ou quaisquer outras formas de alienação, a Câmara, a partir de certa época, valendo-se da carta régia de 27 de junho passou a aforar todos os terrenos concedidos. O bairro teve seus primeiros povoadores, escravos e emigrantes portugueses da Ilha dos Açores, por ordem do príncipe-regente. Ao chegarem se dedicaram à agricultura para pastagem levando produtos como açúcar, rapadura, álcool e cachaça, pelo porto de Guaratiba. Pelas pesquisas, ao contrário das regiões limítrofes, não houve só um engenho em Realengo; tudo era levado para sofrer processo de transformação em outras propriedades. Durante o Primeiro Reinado, o imperador Dom Pedro I costumava ir para a Fazenda de Santa Cruz pela Estrada Real de Santa Cruz, que passava pelo Real Engenho, onde muitas vezes pernoitou. No final do século XIX foi inaugurada a Fábrica de Cartuchos de Realengo, e a partir dos anos 1930 vieram os conjuntos habitacionais do IAPI (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários), conhecido por "Coletivo", que serviria para os operários da fábrica. A partir da década de 1970 inicia-se a ocupação efetiva da região que perde o aspecto mais rural. São criados diversos Conjuntos Habitacionais para população de baixa renda, dentre eles destaca-se a Companhia de Habitação, referência ao plano de habitação popular do Banco Nacional de Habitação (BNH). Tradicionalmente na historiografia, Realengo está associado à escola de formação de oficiais que se situa neste bairro, a Escola Militar de Realengo que teve papel importante à época do Tenentismo. Célebre na canção "Aquele Abraço" do cantor Gilberto Gil, o bairro ficou nacionalmente conhecido. Na verdade, mais que uma homenagem ao bairro, faz referência velada aos quartéis onde ele e outros artistas, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, estiveram presos durante a Ditadura Militar.

3. Principais atividades econômicas locais na ótica dos estabelecimentos e dos empregos: uma predominância das atividades comerciais e de serviços com uma especialização relativa na indústria quando comparada com o MRJ Uma análise dos dados sobre o número de estabelecimentos e empregos formais da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) por bairros e regiões selecionados da Zona Oeste foi elaborada por atividade econômica e encontra-se nas Tabelas 1 e 2 4. Analisando os estabelecimentos da região segundo as atividades econômicas, destaca-se o setor de comércio varejista com 45% dos estabelecimentos da região. Em seguida encontram-se os setores de serviços de alojamento, alimentação, reparação e manutenção com 14,2% dos estabelecimentos. Finalmente, na terceira posição, registra-se o setor de comércio e administração de imóveis com 8,8%. O principal setor da indústria de transformação em número de estabelecimentos é a indústria de alimentos e bebidas que aparece na nona posição,
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Este procedimento tornou-se possível graças a abertura das informações da RAIS por bairros. A equipe agradece ao Ministério do Trabalho e Emprego por facilitar este acesso.

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com apenas 2% do número de estabelecimentos (ver segunda parte, penúltima coluna, da Tabela 1). Em comparação com o MRJ (ver primeira parte, última coluna, da Tabela 1), os setores com maior participação relativa são diferentes daqueles com o maior número absoluto de estabelecimentos. Neste caso, 4 dos 5 principais setores encontram-se na indústria de transformação, em ordem decrescente de importância: minerais não metálicos; alimentos e bebidas; madeira e mobiliário; e metalurgia. Esses setores apresentam participação relativa em relação ao mesmo setor no Município, respectivamente, de 18,6, 14,9, 13,4, 12,6%, o que significa quase o dobro da participação relativa do número de estabelecimentos da região no MRJ (7,2%). Analisando a distribuição dos estabelecimentos por atividade econômica e região administrativa, observa-se que o comércio varejista também é a atividade que ocupa a primeira posição em todas as quatro regiões administrativas pesquisadas. Em segundo lugar aparece a atividade de serviços de alojamento, alimentação e reparação. A partir daí, aparecem algumas diferenças; a principal delas é a presença do setor de ensino em terceiro lugar na região de Santa Cruz (com 7,8% dos estabelecimentos da região) enquanto nas demais ocupa a quarta ou quinta posição, com participações variando entre 5,3%, em Campo Grande, e 6,8%, em Realengo (ver Tabela 1). Em relação à representatividade dos estabelecimentos das regiões administrativas pesquisadas no Município, o setor de produtos minerais não metálicos aparece como o mais representativo em três regiões: Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, sendo responsáveis por respectivamente 4,2%, 9,3% e 4,7% dos estabelecimentos do setor no Município. Na região administrativa de Bangu o setor de ensino aparece empatado com o de produtos minerais não metálicos em primeiro lugar. O setor de ensino também aparece bem representado na região de Campo Grande (6,2%) onde aparece em segundo lugar. Apenas na região administrativa de Realengo aparece a indústria metalúrgica como a mais representativa da região em relação ao Município, com 3,2% dos estabelecimentos do setor. Já na região de Santa Cruz, destaca-se a representatividade do setor agrícola e extrativo vegetal que aparece na segunda posição com 4,5% dos estabelecimentos Municipais.

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Tabela 1 – Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia nos bairros selecionados, 2006
Indústria Extrativa e de Transformação Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria da madeira e do mobiliário Indústria metalúrgica Indústria de calçados Extrativa mineral Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria do material de transporte Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Indústria mecânica Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Ensino Serviços médicos, odontológicos e veterinários Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Transportes e comunicaçoes Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Administraçao pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total Bangu 164 10 42 8 26 1 3 16 0 17 8 11 3 19 3 50 1.056 954 102 1.022 133 184 357 78 26 244 0 3 2.298 Campo Grande 230 22 56 14 30 2 5 22 3 37 10 7 3 19 6 82 1.857 1.726 131 1.419 193 294 479 82 52 318 1 18 3.612 Campo Grande 6,4 1,6 0,8 1,0 0,6 0,5 0,6 0,4 0,2 0,3 0,1 0,1 0,1 0,1 0,2 2,3 51,4 47,8 3,6 39,3 13,3 8,8 8,1 5,3 2,3 1,4 0,0 0,5 100,0 Realengo 121 1 30 5 23 0 0 8 4 22 7 10 3 8 1 19 572 514 58 465 80 46 202 18 18 99 2 1 1.179 Santa Cruz 112 11 35 7 10 0 1 17 4 8 5 5 0 9 5 50 617 598 19 464 98 80 149 43 15 78 1 15 1.263 Total (1) 627 44 163 34 89 3 9 63 11 84 30 33 9 55 15 201 4.102 3.792 310 3.370 504 604 1.187 221 111 739 4 37 8.352 Total MRJ (2) 6.744 236 1.097 254 708 33 106 754 133 1.110 409 599 176 1.129 168 2.745 37.173 32.267 4.906 68.567 3.110 8.675 17.556 4.088 2.605 32.230 303 333 115.730 Total MRJ (%) 5,8 0,9 0,6 1,0 0,7 1,0 0,2 0,2 0,5 0,4 0,1 0,2 0,1 0,0 0,1 2,4 32,1 27,9 4,2 59,2 15,2 27,8 7,5 2,7 3,5 2,3 0,3 0,3 100,0 Participação % (1) / (2) 9,3 18,6 14,9 13,4 12,6 9,1 8,5 8,4 8,3 7,6 7,3 5,5 5,1 4,9 8,9 7,3 11,0 11,8 6,3 4,9 16,2 7,0 6,8 5,4 4,3 2,3 1,3 11,1 7,2

%
Indústria Extrativa e de Transformação Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria metalúrgica Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria da madeira e do mobiliário Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria mecânica Indústria do material de transporte Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Extrativa mineral Indústria de calçados Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Serviços médicos, odontológicos e veterinários Ensino Transportes e comunicaçoes Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Administraçao pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total Bangu 7,1 1,8 1,1 0,7 0,7 0,8 0,4 0,3 0,5 0,3 0,0 0,1 0,1 0,0 0,1 2,2 46,0 41,5 4,4 44,5 15,5 10,6 8,0 5,8 3,4 1,1 0,0 0,1 100,0 Realengo 10,3 2,5 2,0 1,9 0,7 0,7 0,1 0,4 0,8 0,6 0,3 0,3 0,0 0,0 0,1 1,6 48,5 43,6 4,9 39,4 17,1 8,4 3,9 6,8 1,5 1,5 0,2 0,1 100,0 Santa Cruz Total (%) 8,9 7,5 2,8 2,0 0,8 1,1 0,6 1,0 1,3 0,8 0,7 0,7 0,9 0,5 0,6 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,3 0,1 0,0 0,1 0,1 0,1 0,0 0,0 0,4 0,2 4,0 2,4 48,9 49,1 47,3 45,4 1,5 3,7 36,7 40,3 11,8 14,2 6,2 8,8 6,3 7,2 7,8 6,0 3,4 2,6 1,2 1,3 0,1 0,0 1,2 0,4 100,0 100,0

Fonte : Elaboração própria com base na RAIS 2006

Analisando os empregos da região segundo as atividades econômicas (Tabela 2), destaca-se o setor de comércio varejista com 29% dos 113.561 empregos da região. Em seguida encontram-se os setores de serviços de alojamento, alimentação, reparação e manutenção com

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11,7% dos empregos e transporte e comunicação com 11,1%, mostrando-se um pouco menos concentrado que a distribuição dos estabelecimentos. O principal setor da indústria de transformação é ainda a indústria de alimentos e bebidas, que aparece apenas na sétima posição geral com 4,7% dos empregos, ou seja, sua participação nos empregos é superior a participação no número de estabelecimentos. Entretanto, a indústria não se destaca nas atividades econômicas da região mais geradoras de emprego. Da mesma forma que no caso das participações relativas dos estabelecimentos, se compararmos a participação relativa do número de empregos da Zona Oeste com o MRJ, os setores com maior participação relativa são diferentes daqueles com maior número absoluto de estabelecimentos. Neste caso, os seis principais setores encontram-se na indústria de transformação, em ordem decrescente de participação relativa: metalurgia; minerais não metálicos; madeira e mobiliário; alimentos e bebidas; fumos, couro e peles; e papelão e gráfica. Esses setores possuem participação relativa, respectivamente, de 27,5, 19,2, 18,7, 15,3, 12,9 e 12,5%, apresentando quase o triplo da participação relativa do número de empregos da região no município (5,8%), ou seja, ainda que a indústria não se destaque por número de empregos gerados na região pesquisada, comparando-a com o MRJ, percebe-se uma especialização relativa da região nas atividades industriais, refletida nos dados. O primeiro setor não industrial em ordem de participação relativa do número de empregos no MRJ é o setor de comércio varejista que aparece em sétimo lugar com 12,2% dos estabelecimentos municipais do setor. Além dos setores industriais já citados, também aparecem acima da média de participação relativa os setores de: mecânica; material de transporte; comércio atacadista; transporte e comunicação; serviços médicos; ensino; e agricultura e extrativismo vegetal. Os setores de mecânica, de material de transportes e as demais atividades industriais evidenciam uma concentração de estabelecimentos industriais nesta região do Município.

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Tabela 2 – Número de empregos e participação relativa por setor da economia nos bairros selecionados, 2006
Bangu Indústria Extrativa e de Transformação 4.904 Indústria metalúrgica 139 Indústria de produtos minerais nao metálicos 157 Indústria da madeira e do mobiliário 64 Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico 3.023 Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas 40 Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica 344 Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... 623 Indústria mecânica 269 Indústria do material de transporte 0 Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos 179 Indústria do material elétrico e de comunicaçoes 5 Extrativa mineral 61 Indústria de calçados 0 Serviços industriais de utilidade pública 6 Construçao civil 423 Comércio 8.942 Comércio varejista 8.106 Comércio atacadista 836 Serviços 14.355 Ensino 2.208 Transportes e comunicaçoes 4.426 Serviços médicos, odontológicos e veterinários 1.598 Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r. 4.087 Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao 351 Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... 1.685 Administraçao pública direta e autárquica 0 Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... 3 Total 28.633 Campo Grande 5.174 433 505 152 1.531 367 143 1.159 242 136 450 30 25 1 131 1.244 17.514 15.174 2.340 21.516 5.799 4.171 2.499 5.585 685 2.475 302 51 45.630 Campo Grande 11,3 3,4 0,9 2,5 0,3 0,8 1,0 0,5 1,1 0,3 0,3 0,1 0,1 0,0 0,3 2,7 38,4 33,3 5,1 47,2 12,2 9,1 12,7 5,4 5,5 0,7 1,5 0,1 100,0 Santa Realengo Cruz 2.399 7.361 169 2.711 25 223 143 153 211 569 1.001 54 55 1.976 303 744 53 431 112 318 308 180 19 0 0 2 0 0 6 171 282 442 5.491 4.560 5.097 4.420 394 140 9.276 9.257 1.919 1.594 888 3.130 932 1.090 2.303 1.328 255 282 2.091 597 888 1.236 1 52 17.455 21.843 Total (1) 19.838 3.452 910 512 5.334 1.462 2.518 2.829 995 566 1.117 54 88 1 314 2.391 36.507 32.797 3.710 54.404 11.520 12.615 6.119 13.303 1.573 6.848 2.426 107 113.561 Total MRJ (2) 166.616 12.530 4.744 2.742 34.796 11.346 20.121 24.444 10.694 6.719 20.253 4.338 13.318 571 31.425 72.978 326.497 268.394 58.103 1.362.737 97.165 135.545 80.573 254.129 58.652 316.120 420.553 1.761 1.962.014 Total MRJ (%) 8,5 1,8 0,6 1,2 1,0 0,6 1,0 0,5 0,2 0,3 0,1 0,7 0,2 0,0 1,6 3,7 16,6 13,7 3,0 69,5 13,0 6,9 5,0 16,1 4,1 21,4 3,0 0,1 100,0 Participação % (1) / (2) 11,9 27,5 19,2 18,7 15,3 12,9 12,5 11,6 9,3 8,4 5,5 1,2 0,7 0,2 1,0 3,3 11,2 12,2 6,4 4,0 11,9 9,3 7,6 5,2 2,7 2,2 0,6 6,1 5,8

%
Bangu Indústria Extrativa e de Transformação 17,1 Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico 10,6 Indústria metalúrgica 0,5 Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... 2,2 Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica 1,2 Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas 0,1 Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos 0,6 Indústria mecânica 0,9 Indústria de produtos minerais nao metálicos 0,5 Indústria do material de transporte 0,0 Indústria da madeira e do mobiliário 0,2 Extrativa mineral 0,2 Indústria do material elétrico e de comunicaçoes 0,0 Indústria de calçados 0,0 Serviços industriais de utilidade pública 0,0 Construçao civil 1,5 Comércio 31,2 Comércio varejista 28,3 Comércio atacadista 2,9 Serviços 50,1 Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r. 14,3 Transportes e comunicaçoes 15,5 Ensino 7,7 Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... 5,9 Serviços médicos, odontológicos e veterinários 5,6 Administraçao pública direta e autárquica 0,0 Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao 1,2 Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... 0,0 Total 100,0 Realengo 13,7 1,2 1,0 1,7 0,3 5,7 1,8 0,3 0,1 0,6 0,8 0,0 0,1 0,0 0,0 1,6 31,5 29,2 2,3 53,1 13,2 5,1 11,0 12,0 5,3 5,1 1,5 0,0 100,0 Santa Cruz Total (%) 33,7 17,5 2,6 4,7 12,4 3,0 3,4 2,5 9,0 2,2 0,2 1,3 0,8 1,0 2,0 0,9 1,0 0,8 1,5 0,5 0,7 0,5 0,0 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,8 0,3 2,0 2,1 20,9 32,1 20,2 28,9 0,6 3,3 42,4 47,9 6,1 11,7 14,3 11,1 7,3 10,1 2,7 6,0 5,0 5,4 5,7 2,1 1,3 1,4 0,2 0,1 100,0 100,0

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006

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Analisando a distribuição dos empregos por atividade econômica e por região administrativa, observa-se que o setor de comércio varejista é também o principal, variando sua participação relativa entre 20% e 33%, dependendo da região estudada. As demais posições ocupadas pelos setores de atividade econômica variam conforme a região administrativa. O setor de transporte e comunicação aparece em segundo lugar nas regiões de Bangu e Santa Cruz (15,5% e 14,3%, respectivamente), o de ensino aparece em segundo na região de Campo Grande (12,7%) e o de serviços de alojamento, alimentação e reparação em Realengo (13,2%). Destaca-se ainda a indústria metalúrgica e de papel, editorial e gráfica, como o terceiro e o quarto maior empregador da região de Santa Cruz com 12,4% e 9,1% dos empregos dessa região, respectivamente. Em relação à representatividade das regiões administrativas pesquisadas no Município, não se repete a ordem setorial observada na região como um todo. Apenas na região de Santa Cruz, a indústria metalúrgica possui a maior representatividade setorial no município, sendo responsável por 21,6% dos empregos do setor no município, em segundo lugar está o setor de papel, editorial e gráfica com 9,8%. Em Bangu, a maior representatividade está no setor de alimentos e bebidas, com 8,7% dos empregos municipais do setor, seguido pelo setor de serviços de transporte e comunicação e a indústria de produtos de minerais não-metálicos, com 3,3% de participação relativa para cada um deles. Em Campo Grande, o setor mais representativo é o de produtos de minerais não-metálicos com 10,6%, seguido do setor de ensino com 6% dos empregos municipais. Em Realengo, a maior representatividade está na indústria de borracha, couro e peles, com 8,8%, seguido de madeira e mobiliário, com 5,2%.
Estabelecimentos e empregos formais: pequena expressão em relação ao MRJ, salvo para a participação relativa importante de alguns setores industriais na atividade econômica local; relevância maior dos micros, pequenos e médios estabelecimentos no tecido empresarial, assemelhando-se ao perfil do MRJ; atividades da Zona Oeste são menos intensivas em emprego do que as atividades do MRJ

A região de estudo tem uma pequena expressão econômica quando comparada com o conjunto das atividades econômicas do MRJ por números de estabelecimentos e empregos formais, conforme Tabelas 3 e 4. Como já mencionado, a Zona Oeste representa em termos de estabelecimentos 7,2% e em termos de empregos 5,8%, respectivamente dos estabelecimentos e empregos do MRJ. Os bairros-sede (que dão nome a cada região administrativa) são exatamente aqueles que apresentam o maior número de estabelecimentos e empregos e são os quatro primeiros entre os 17 pesquisados, conforme detalhado abaixo. Em termos de distribuição de estabelecimentos, a região administrativa que aparece com maior concentração é Campo Grande com 43,2% dos estabelecimentos da região estudada, seguido pelos bairros de Bangu com 27,5% dos estabelecimentos, Santa Cruz com 15% e Realengo 14,1%. Já em relação ao MRJ, as participações relativas dos estabelecimentos são de 3,1%, 2%, 1,1% e 1%, respectivamente, somando os 7,2% (ver Tabela 3, última coluna). O número de empregos é mais bem distribuído entre os bairros sede do que o número de estabelecimentos, apesar de a ordem dos bairros não se alterar. Campo Grande aparece em primeiro lugar com 40,2% dos empregos formais, seguido por Bangu, Santa Cruz e Realengo que apresentam participação de 25%, 19,2% e 15,5%, respectivamente. Em relação ao Município, os percentuais são, respectivamente, 2,3%, 1,5%, 1,1% e 0,9% dos empregos formais, somando 5,8% (ver Tabela 4, última coluna).

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Tabela 3 – Número e distribuição dos estabelecimentos por tamanho para os bairros selecionados, 2006
Micro (0 a 9) 1.786 1.343 287 156 2.773 2.389 73 90 94 127 906 25 30 151 58 624 18 971 173 720 78 6.436 90.745 7,1 Pequeno Médio (10 a 49) (50 a 249) 420 77 333 62 60 10 27 5 689 131 586 116 21 3 28 4 25 4 29 4 228 36 7 2 15 1 35 4 14 0 153 28 4 1 243 40 44 6 185 32 14 2 1.580 284 20.553 3.608 7,7 7,9 Grande (> 250) 15 12 2 1 19 16 2 0 1 0 9 1 0 1 0 7 0 9 1 8 0 52 824 6,3 Total MRJ (%) (%) Total 2.298 27,5 2,0 1.750 21,0 1,5 359 4,3 0,3 189 2,3 0,2 3.612 43,2 3,1 3.107 37,2 2,7 99 1,2 0,1 122 1,5 0,1 124 1,5 0,1 160 1,9 0,1 1.179 14,1 1,0 35 0,4 0,0 46 0,6 0,0 191 2,3 0,2 72 0,9 0,1 812 9,7 0,7 23 0,3 0,0 1.263 15,1 1,1 224 2,7 0,2 945 11,3 0,8 94 1,1 0,1 8.352 100,0 7,2 115.730 - 100,0 7,2 -

Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Santa Cruz Paciência Santa Cruz Sepetiba Total Zona Oeste (1) Total MRJ (2) Participação % - (1) / (2)

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 * Utilizou-se a variável emprego para tamanho, conforme intervalos indicados na Tabela

O predomínio dos estabelecimentos de micro e pequeno porte é observado nas 4 regiões administrativas, 96% dos 8.352 estabelecimentos da região estudada se enquadram nesse tamanho. Analisando o porte segundo as regiões administrativas, o mesmo percentual é observado em todas elas. Comparando com o MRJ, observa-se que a participação dos grandes estabelecimentos é menor do que a participação dos estabelecimentos em geral, 6,3% contra 7,2%. Isto demonstra que a região apresenta proporcionalmente menos estabelecimentos de maior porte que o restante do Município. Os principais geradores de empregos na região estudada são os estabelecimentos de médio e grande porte, apesar de representarem apenas 4% do número de estabelecimentos, eles são responsáveis por 25% e 30,5% dos 113.561 empregos da região, respectivamente. A distribuição dos empregos segundo o porte dos estabelecimentos apresenta-se, de maneira semelhante, independente da região administrativa, com exceção da região de Campo Grande onde os pequenos estabelecimentos detêm 30% da força de trabalho formal, frente a 27% dos médios e 24% dos estabelecimentos grandes. Nas demais regiões os médios e grandes estabelecimentos são os principais responsáveis pela geração de empregos. Comparando os dados com os do MRJ, observa-se que a participação relativa dos empregos gerados nos micros, pequenos e médios estabelecimentos da região pesquisada têm mais ou menos a mesma participação sobre o total do município que os estabelecimentos do mesmo porte sobre o total de estabelecimentos. Isto mostra que os estabelecimentos micro, pequenos

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e médios da região estudada e do MRJ possuem uma capacidade de geração de empregos semelhantes. Porém, os empregos gerados nos estabelecimentos de grande porte da região pesquisada, ao contrário dos estabelecimentos dos demais portes, apresentam uma participação muito menor: apenas 3,7%. Isso significa que os grandes estabelecimentos da região estudada geram, em média, menos empregos que os grandes estabelecimentos do Município. Uma hipótese para explicar esta constatação seria de que as principais atividades econômicas da região são pouco intensivas em mão-de-obra e mais intensivas em capital.

Tabela 4 – Número e distribuição dos empregos segundo tamanho dos estabelecimentos para os bairros selecionados, 2006
Micro (0 a 9) 5.431 4.153 777 501 8.600 7.437 221 287 281 374 2.800 48 118 479 168 1.922 65 3.052 252 521 2.279 19.883 264.104 7,5 Pequeno Médio (50 (10 a 49) a 249) 8.095 7.021 6.421 5.423 1191 834 483 764 13.534 12.490 11.669 11.162 370 197 507 322 497 366 491 443 4.405 4.086 95 133 405 166 629 459 271 0 2.907 3.259 98 69 4.683 4.793 288 115 878 781 3.517 3.897 30.717 28.390 405.826 356.440 7,6 8,0 Grande (> 250) 8.086 7.175 647 264 11.006 7.189 2.508 0 1.309 0 6.164 766 0 299 0 5.099 0 9.315 0 528 8.787 34.571 935.644 3,7 Total (%) 25,2 20,4 3,0 1,8 40,2 33,0 2,9 1,0 2,2 1,2 15,4 0,9 0,6 1,6 0,4 11,6 0,2 19,2 0,6 2,4 16,3 100,0 MRJ (%) 1,5 1,2 0,2 0,1 2,3 1,9 0,2 0,1 0,1 0,1 0,9 0,1 0,0 0,1 0,0 0,7 0,0 1,1 0,0 0,1 0,9 5,8 100,0 -

Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Santa Cruz Sepetiba Paciencia Santa Cruz Total Zona Oeste (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2)

Total 28.633 23.172 3.449 2.012 45.630 37.457 3.296 1.116 2.453 1.308 17.455 1.042 689 1.866 439 13.187 232 21.843 655 2.708 18.480 113.561 1.962.014 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 * Utilizou-se a variável emprego para tamanho, conforme intervalos indicados na Tabela

Qualificação, faixa etária e remuneração dos empregos: empregados mais jovens do que os do MRJ; grau de qualificação e faixa de remuneração inferiores às do MRJ A qualificação dos empregados da região apresenta um quadro bastante grave, com 41% dos empregados apenas com até o nível fundamental de ensino (oito anos de estudo), quando hoje se considera isso o mínimo do número de anos de estudos exigido pelo mercado de trabalho. Na faixa seguinte estão os empregados com o ensino médio (completo ou incompleto) onde se encontram 45% dos trabalhadores. Somente 13,5% dos empregados possuem até o nível superior e o número daqueles que têm pós-graduação é irrisório (305 empregados). Em termos de cada uma das regiões estudadas salta aos olhos o melhor perfil de qualificação dos

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trabalhadores de Realengo. Comparando-se o grau de qualificação dos empregados da região com o dos empregados do MRJ, nota-se que as duas maiores diferenças apresentam-se nos extremos. Enquanto que o percentual de trabalhadores com apenas ensino fundamental é de 34% (7 pontos percentuais abaixo da região estudada), o percentual de trabalhadores com nível superior sobe para 26% (diferença de 12 pontos percentuais). (ver Tabela 5). Tabela 5 – Número de empregos segundo grau de instrução do empregado, para os bairros selecionados, 2006
Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Santa Cruz Paciencia Santa Cruz Sepetiba Total (1) Total (%) Total MRJ (2) Total MRJ (%) Participação % - (1) / (2) Fundamental 12.079 9.764 1519 796 18.291 14.345 1280 537 1.592 537 7.623 203 245 865 230 5.999 81 8.475 1.288 6.779 408 46.468 40,9 668.093 34,1 7,0 Médio 12.350 10.281 1.270 799 21.225 18.147 1.320 494 633 631 7.536 733 296 894 175 5.347 91 10.345 1.190 8.963 192 51.456 45,3 776.307 39,6 6,6 Superior Pós-grad. 4.188 16 3.115 12 656 4 417 0 6.081 33 4.935 30 695 1 85 0 227 1 139 1 2.066 230 106 0 148 0 107 0 34 0 1.612 229 59 1 2.997 26 227 3 2.717 21 53 2 15.332 305 13,5 0,3 512.709 4.905 26,1 0,2 3,0 6,2 Total 28.633 23.172 3.449 2.012 45.630 37.457 3.296 1.116 2.453 1.308 17.455 1.042 689 1.866 439 13.187 232 21.843 2.708 18.480 655 113.561 100,0 1.962.014 100,0 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006

A partir da Tabela 6 podemos ter um perfil da faixa etária dos trabalhadores da região e de sua comparação com o MRJ. Os trabalhadores da região são mais jovens do que os do MRJ: 18,4% dos empregados na faixa de idade até 24 anos, enquanto que o MRJ apresenta apenas 13,5% dos empregados nesta faixa; na faixa entre 25 e 39 anos encontram-se 48,8% dos trabalhadores; apenas 32% dos empregados na faixa entre 40 a 64 anos e um percentual irrisório na faixa acima de 65 anos (0,5%), contra 44% no MRJ para a faixa entre 25 e 39 anos, 41% no MRJ na faixa entre 40 e 64 anos e 1,3% dos trabalhadores com mais de 65 anos.

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Tabela 6 – Número de empregos segundo faixa etária do empregado nos bairros selecionados, 2006
até 24 anos 5.259 4.326 588 345 9.690 8.410 467 232 341 240 2.407 67 102 399 88 1.722 29 3.550 443 2.982 125 20.906 18,4 265.400 13,5 7,9 25 a 39 anos 14.042 11.511 1.532 999 22.745 18.504 1.735 552 1.301 653 8.480 429 309 882 206 6.558 96 10.104 1.318 8.472 314 55.371 48,8 868.004 44,2 6,4 40 a 64 anos 9.139 7.194 1.297 648 12.991 10.379 1.080 326 800 406 6.421 538 270 572 141 4.795 105 8.121 941 6.967 213 36.672 32,3 802.582 40,9 4,6 65 ou mais ignorado 191 2 140 1 31 1 20 0 204 0 164 0 14 0 6 0 11 0 9 0 147 0 8 0 8 0 13 0 4 0 112 0 2 0 68 0 6 0 59 0 3 0 610 2 0,5 0,0 25.966 62 1,3 0,0 2,3 3,2 Total 28.633 23.172 3.449 2.012 45.630 37.457 3.296 1.116 2.453 1.308 17.455 1.042 689 1.866 439 13.187 232 21.843 2.708 18.480 655 113.561 100,0 1.962.014 100,0 5,8

Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Santa Cruz Paciencia Santa Cruz Sepetiba Total (1) Total (%) Total MRJ (2) Total MRJ (%) Participação % - (1) / (2)

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006

Finalmente, a Tabela 7 apresenta o perfil de remuneração dos trabalhadores formais em termos de número de salários mínimos. A esmagadora maioria dos trabalhadores da região de estudo ganha entre um e três salários mínimos (72%). Apenas 3% ganham mais de dez salários mínimos. Comparando-se este perfil com o do MRJ, percebe-se que ele é bem pior para a região estudada. No MRJ 57% dos trabalhadores está na faixa de um a três salários mínimos, enquanto que 9% dos trabalhadores ganham mais do que dez salários mínimos.

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Tabela 7 – Número de empregos segundo faixa de remuneração do empregado nos bairros selecionados, 2006
de 3 a 5 de 5 a 10 Até 1s.m. até 3 s.m. s.m. s.m. 920 21.354 3.666 1.746 665 17.011 3.249 1.544 211 2.802 244 95 44 1.541 173 107 1.442 35.776 4.929 2.280 1.227 29.965 3.243 1.948 46 1.856 1.079 249 62 926 76 23 59 1.943 416 27 48 1.086 115 33 501 13.099 1.646 1.348 6 221 123 439 11 520 59 62 92 1.553 125 62 19 376 32 9 344 10.272 1.285 756 29 157 22 20 700 11.945 3.576 3.527 81 2.058 413 98 599 9.289 3.139 3.426 20 598 24 3 3.563 82.174 13.817 8.901 3,1 72,4 12,2 7,8 40.084 1.118.103 330.031 271.505 2,0 57,0 16,8 13,8 8,9 7,3 4,2 3,3 mais de 10 s.m. ignorado total 543 404 28.633 414 289 23.172 23 74 3.449 106 41 2.012 726 477 45.630 642 432 37.457 56 10 3.296 19 10 1.116 3 5 2.453 6 20 1.308 518 343 17.455 241 12 1.042 30 7 689 9 25 1.866 1 2 439 234 296 13.187 3 1 232 1.715 380 21.843 18 40 2.708 1.697 330 18.480 0 10 655 3.502 1.604 113.561 3,1 1,4 100,0 182.998 19.293 1.962.014 9,3 1,0 100,0 1,9 8,3 5,8

Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Santa Cruz Paciencia Santa Cruz Sepetiba Total (1) Total (%) Total MRJ (2) Total MRJ (%) Participação % - (1) / (2)

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006

Em resumo, em relação qualificação, faixa etária e remuneração dos empregados a região estudada apresenta um perfil mais jovem da população empregada formalmente do que a do MRJ e perfis de remuneração e qualificação inferiores aos do MRJ. 3.1. Retrospectiva das atividades econômicas locais na ótica dos estabelecimentos e empregos: 1998, 2003 e 2006 A predominância das atividades comerciais e de serviços era ainda mais relevante em 1998 e a especialização relativa da indústria, quando comparada com o MRJ, um pouco menos importante do que em 2006. Nesta subseção apresenta-se uma análise dos mesmos dados apresentados na seção anterior retroativamente para os anos 1998 e 2003. As Tabelas 8 a 11 5 resumem esta análise. Conforme constatado anteriormente para o ano de 2006, o número de estabelecimentos da região por atividade econômica é também liderado, no período 1998-2006, pelo setor de comércio com 49,1% dos estabelecimentos da região em 2006. Em 1998, essa situação era
O mesmo procedimento de abertura das informações da RAIS por bairros adotado na seção anterior foi utilizado.
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praticamente a mesma: 48,9%. O setor de serviços tinha a mesma segunda posição em 1998 entre os setores mais relevantes, mas em 2006 aumentou dois pontos percentuais na participação relativa. A indústria ocupou, no período, a terceira posição, apresentando uma evolução negativa entre 1998 e 2006, quando sua participação relativa decaiu de 8,9 para 7,5%. Os demais setores de atividade econômica (serviços industriais, construção civil e agricultura e sivicultura) apresentaram uma participação estável e irrelevante (ver Tabela 9). De uma forma geral, observa-se que os pontos de inflexão localizam-se em 1998 e 2006. O ano de 2003 representou um ponto de desempenho muito ruim para a Região estudada, assim como para o MRJ e para o estado do Rio de Janeiro. As observações a seguir compararam o ano de 1998 e 2006, procurando focalizar se houve uma melhora ou uma piora entre estes dois anos para a Região estudada quando comparada com o MRJ. O principal setor da indústria extrativa e de transformação em 1998, em número de estabelecimentos, era a indústria de alimentos e bebidas, com 2,1% dos estabelecimentos. Apesar de ainda ocupar a liderança em participação em 2006, o setor perdeu 0,1% de posição em relação a 1998. Na seqüência de colocação em participação relativa, em 1998, estavam a indústria metalúrgica e de produtos farmacêuticos, em segundo e terceiros lugares respectivamente. Em 2006, a indústria farmacêutica cedeu o lugar para a indústria têxtil e de vestuário. Apesar da manutenção da posição na participação relativa da indústria, a indústria metalúrgica teve queda de 0,4 pontos percentuais na sua participação. Em relação à indústria extrativa e de transformação cabe ainda destacar que no período 19982003, 7 dos 13 setores tiveram redução do número de estabelecimentos, sendo que apenas um teve aumento na participação relativa (indústria mecânica) e quatro mantiveram os mesmo níveis de participação relativa (extrativa mineral, borracha, transporte e têxtil e vestuário). No geral a indústria extrativa e de transformação nesse período teve uma redução de cerca de 80 estabelecimentos, só recuperando-se no período seguinte (2003-2006). Tal desempenho pode ser explicado por 2003 ser o pior ano de taxa de crescimento no estado do Rio de Janeiro entre 1998 e 2006, segundo o IBGE, quando a taxa de crescimento foi negativa em 1,2% e a taxa média de crescimento do período foi de 2,5 %. (Hasenclever e Lopes, 2009) Conforme seção anterior, os setores com maiores participações relativas, em comparação com o MRJ (ver última coluna, da Tabela 8), são diferentes daqueles com o maior número absoluto de estabelecimentos no ano de 2006. O que mostra uma especialização relativa da Região em estudo na atividade industrial. Em 1998, os setores com maior participação relativa foram: minerais não metálicos (16,5%), alimentos e bebidas (14,1%), metalurgia (11,8%) e calçados (10,9%), ou seja, com exceção deste último todos os demais se encontravam entre os quatro primeiros no ano de 2006. Cabe destacar que a participação da Zona Oeste nos estabelecimentos do MRJ vem crescendo entre 1998 e 2006, passando de 6,5% para 7,2%, principalmente impulsionada pelos aumentos de participação relativa dos setores de comércio (1,2 pontos percentuais) e indústria (0,9 pontos percentuais). Aqui se observa um fenômeno interessante: ainda que a indústria da Zona Oeste tenha perdido participação relativa no período entre as demais atividades econômicas da Região, sua importância em relação aos estabelecimentos do MRJ ampliou-se. O que demonstra que a perda relativa da indústria da Zona Oeste no período foi menos relevante do que a perda do Município. Analisando a distribuição dos estabelecimentos por região administrativa e atividade econômica, observa-se que o comércio varejista também é a atividade que ocupa a primeira posição em todas as quatro regiões administrativas pesquisadas. Em segundo lugar aparece a atividade de serviços de alojamento, alimentação e reparação. Posições que não se alteraram

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entre 1998 e 2006. A partir daí, aparecem algumas diferenças; a principal delas é a presença do setor de ensino em terceiro lugar na região de Santa Cruz (com 7,8% dos estabelecimentos da região) demonstrando uma evolução em relação a 1998 quando ocupava apenas a quinta posição. Nas demais regiões administrativas o setor ocupava em 2006 a quarta ou quinta posição com participações variando entre 5,3%, em Campo Grande, e 6,8%, em Realengo. (ver Tabela 9).

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Tabela 8 – Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia no MRJ, 1998, 2003 e 2006
Bangu 1998 2003 Indústria Extrativa e de Transformação Extrativa mineral Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria da madeira e do mobiliário Indústria de calçados Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria do material de transporte Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Indústria mecânica Indústria metalúrgica Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio atacadista Comércio varejista Serviços Administraçao pública direta e autárquica Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Ensino Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Serviços médicos, odontológicos e veterinários Transportes e comunicaçoes Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total 156 2 5 22 11 4 56 6 0 1 16 2 19 12 1 47 841 79 762 725 1 160 85 17 245 174 43 2 117 1 5 14 9 1 25 5 0 1 15 8 13 20 2 44 86 831 1 209 110 18 286 173 54 2 2006 164 3 11 16 8 1 42 10 0 3 19 8 26 17 3 50 102 954 0 244 133 26 357 184 78 3 Campo Grande 1998 2003 2006 231 6 7 27 11 1 42 24 1 7 20 14 40 31 7 79 94 210 2 8 25 10 0 42 26 3 3 18 7 33 33 4 99 110 230 5 7 22 14 2 56 22 3 3 19 10 30 37 6 82 131 Realengo 1998 2003 2006 144 0 11 9 11 1 29 12 1 6 11 1 35 17 1 42 613 65 548 453 4 90 74 13 207 47 18 0 121 0 8 6 7 0 18 6 1 3 15 4 33 20 1 38 657 63 594 556 4 118 95 16 235 61 27 0 121 0 10 8 5 0 30 1 4 3 8 7 23 22 1 19 572 58 514 465 2 99 80 18 202 46 18 1 Santa Cruz 1998 2003 2006 86 2 6 16 5 0 18 4 4 3 7 2 7 12 4 29 475 33 442 355 1 52 50 12 139 70 31 14 92 1 3 17 8 0 13 12 5 1 9 3 10 10 4 28 621 24 597 440 1 84 73 11 170 69 32 17 112 1 5 17 7 0 35 11 4 0 9 5 10 8 5 50 617 19 598 464 1 78 98 15 149 80 43 15 Total (1) 1998 2003 2006 617 10 29 74 38 6 145 46 6 17 54 19 101 72 13 197 540 4 24 62 34 1 98 49 9 8 57 22 89 83 11 209 627 9 33 63 34 3 163 44 11 9 55 30 89 84 15 201 Total MRJ (2) 1998 2003 2006 7.333 107 666 859 390 55 1.030 278 195 240 1.154 278 854 1.227 146 3.049 34.462 4.908 29.554 60.731 273 28.062 2.517 2.876 16.438 7.452 3.113 319 6.147 86 510 724 284 36 841 260 138 176 1.068 278 715 1.031 143 2.919 36.641 4.842 31.799 66.677 283 31.926 2.868 2.541 17.150 8.433 3.476 315 6.744 106 599 754 254 33 1.097 236 133 176 1.129 409 708 1.110 168 2.745 37.173 4.906 32.267 68.567 303 32.230 3.110 2.605 17.556 8.675 4.088 333 Participação % (1) / (2) 1998 2003 2006 8,4 9,3 4,4 8,6 9,7 10,9 14,1 16,5 3,1 7,1 4,7 6,8 11,8 5,9 8,9 6,5 9,8 5,5 10,5 4,4 2,9 1,9 13,7 2,9 6,2 7,5 4,4 11,3 6,5 8,8 4,7 4,7 8,6 9,3 8,5 5,5

8,4 12,0 13,4 2,8 9,1 11,7 14,9 18,8 18,6 6,5 4,5 5,3 7,9 8,3 5,1 4,9

7,3 12,4 12,6 8,1 7,6 7,7 7,2 8,9 7,3

917 1.056

1.452 1.770 1.857 1.358 1.660 1.726 1.130 1.349 1.419 2 218 135 40 424 267 44 20 3 318 172 44 453 296 63 22 1 318 193 52 479 294 82 18

3.381 3.965 4.102 310 271 283 3.110 3.682 3.792 2.663 3.196 3.370 8 520 344 82 9 729 450 89 4 739 504 111

10,8 11,0 5,8 6,3 11,6 11,8 4,8 4,9 3,2 2,3 1,3 2,3

851 1.022

15,7 16,2 3,5 4,3 6,7 7,1 6,8 7,0

1.015 1.144 1.187 604 558 599 136 36 176 41 221 37 6.921 7.962 8.352

1.775 1.933 2.298

2.927 3.454 3.612

1.254 1.373 1.179

965 1.202 1.263

106.229 112.842 115.730

5,1 5,4 13,0 11,1 7,1 7,2

Fonte : Elaboração própria com base na RAIS 1998, 2003 e 2006

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Tabela 9 – Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia nas regiões administrativas selecionadas e no MRJ, 1998, 2003 e 2006 (%)
1998 Indústria Extrativa e de Transformação Extrativa mineral Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria da madeira e do mobiliário Indústria de calçados Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria do material de transporte Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Indústria mecânica Indústria metalúrgica Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio atacadista Comércio varejista Serviços Administraçao pública direta e autárquica Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Ensino Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Serviços médicos, odontológicos e veterinários Transportes e comunicaçoes Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total 8,8 0,1 0,3 1,2 0,6 0,2 3,2 0,3 0,0 0,1 0,9 0,1 1,1 0,7 0,1 2,6 47,4 4,5 42,9 40,8 0,1 9,0 4,8 1,0 13,8 9,8 2,4 0,1 100 Bangu 2003 6,1 0,1 0,3 0,7 0,5 0,1 1,3 0,3 0,0 0,1 0,8 0,4 0,7 1,0 0,1 2,3 47,4 4,4 43,0 44,0 0,1 10,8 5,7 0,9 14,8 8,9 2,8 0,1 100 2006 7,1 0,1 0,5 0,7 0,3 0,0 1,8 0,4 0,0 0,1 0,8 0,3 1,1 0,7 0,1 2,2 46,0 4,4 41,5 44,5 0,0 10,6 5,8 1,1 15,5 8,0 3,4 0,1 100 Campo Grande 1998 2003 2006 7,9 0,2 0,2 0,9 0,4 0,0 1,4 0,8 0,0 0,2 0,7 0,5 1,4 1,1 0,2 2,7 49,6 3,2 46,4 38,6 0,1 7,4 4,6 1,4 14,5 9,1 1,5 0,7 100 6,1 0,1 0,2 0,7 0,3 0,0 1,2 0,8 0,1 0,1 0,5 0,2 1,0 1,0 0,1 2,9 51,2 3,2 48,1 39,1 0,1 9,2 5,0 1,3 13,1 8,6 1,8 0,6 100 6,4 0,1 0,2 0,6 0,4 0,1 1,6 0,6 0,1 0,1 0,5 0,3 0,8 1,0 0,2 2,3 51,4 3,6 47,8 39,3 0,0 8,8 5,3 1,4 13,3 8,1 2,3 0,5 100 Realengo 1998 2003 2006 11,5 0,0 0,9 0,7 0,9 0,1 2,3 1,0 0,1 0,5 0,9 0,1 2,8 1,4 0,1 3,3 48,9 5,2 43,7 36,1 0,3 7,2 5,9 1,0 16,5 3,7 1,4 0,0 100 8,8 0,0 0,6 0,4 0,5 0,0 1,3 0,4 0,1 0,2 1,1 0,3 2,4 1,5 0,1 2,8 47,9 4,6 43,3 40,5 0,3 8,6 6,9 1,2 17,1 4,4 2,0 0,0 100 10,3 0,0 0,8 0,7 0,4 0,0 2,5 0,1 0,3 0,3 0,7 0,6 2,0 1,9 0,1 1,6 48,5 4,9 43,6 39,4 0,2 8,4 6,8 1,5 17,1 3,9 1,5 0,1 100 Santa Cruz 1998 2003 2006 8,9 0,2 0,6 1,7 0,5 0,0 1,9 0,4 0,4 0,3 0,7 0,2 0,7 1,2 0,4 3,0 49,2 3,4 45,8 36,8 0,1 5,4 5,2 1,2 14,4 7,3 3,2 1,5 100 7,7 0,1 0,2 1,4 0,7 0,0 1,1 1,0 0,4 0,1 0,7 0,2 0,8 0,8 0,3 2,3 51,7 2,0 49,7 36,6 0,1 7,0 6,1 0,9 14,1 5,7 2,7 1,4 100 8,9 0,1 0,4 1,3 0,6 0,0 2,8 0,9 0,3 0,0 0,7 0,4 0,8 0,6 0,4 4,0 48,9 1,5 47,3 36,7 0,1 6,2 7,8 1,2 11,8 6,3 3,4 1,2 100 Total (1) 1998 2003 2006 8,9 0,1 0,4 1,1 0,5 0,1 2,1 0,7 0,1 0,2 0,8 0,3 1,5 1,0 0,2 2,8 48,9 3,9 44,9 38,5 0,1 7,5 5,0 1,2 14,7 8,1 2,0 0,5 100 6,8 0,1 0,3 0,8 0,4 0,0 1,2 0,6 0,1 0,1 0,7 0,3 1,1 1,0 0,1 2,6 49,8 3,6 46,2 40,1 0,1 9,2 5,7 1,1 14,4 7,5 2,2 0,5 100 7,5 0,1 0,4 0,8 0,4 0,0 2,0 0,5 0,1 0,1 0,7 0,4 1,1 1,0 0,2 2,4 49,1 3,7 45,4 40,3 0,0 8,8 6,0 1,3 14,2 7,2 2,6 0,4 100 Total MRJ (2) 1998 2003 2006 6,9 0,1 0,6 0,8 0,4 0,1 1,0 0,3 0,2 0,2 1,1 0,3 0,8 1,2 0,1 2,9 32,4 4,6 27,8 57,2 0,3 26,4 2,4 2,7 15,5 7,0 2,9 0,3 100 5,4 0,1 0,5 0,6 0,3 0,0 0,7 0,2 0,1 0,2 0,9 0,2 0,6 0,9 0,1 2,6 32,5 4,3 28,2 59,1 0,3 28,3 2,5 2,3 15,2 7,5 3,1 0,3 100 5,8 0,1 0,5 0,7 0,2 0,0 0,9 0,2 0,1 0,2 1,0 0,4 0,6 1,0 0,1 2,4 32,1 4,2 27,9 59,2 0,3 27,8 2,7 2,3 15,2 7,5 3,5 0,3 100

Fonte : Elaboração própria com base na RAIS 1998, 2003 e 2006

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Como já adiantado na seção anterior, em relação à representatividade do número de estabelecimentos das regiões administrativas pesquisadas no Município, em 2006, o setor de produtos minerais não metálicos aparece como o mais representativo em três regiões: Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, sendo responsáveis por respectivamente 4,2%, 9,3% e 4,7% do número de estabelecimentos do setor no Município. Tomando-se o ano de 1998, percebe-se que o cenário de 2006 era outro. Isto demonstra uma mudança em relação a 1998, quando esse setor estava bem longe de ser o mais representativo dessas regiões, salvo na região administrativa de Campo Grande. Entre 1998-2006, a representatividade do setor aumentou nas três regiões. Na região administrativa de Bangu o setor de ensino aparece empatado com o de produtos minerais não metálicos em primeiro lugar, demonstrando a evolução desses dois setores que em 1998 representavam respectivamente 2,2% e 3,4% dos estabelecimentos do setor no MRJ. Em 2006, essa participação havia subido para 4,2% em cada um dos setores. O setor de ensino também aparece bem representado na região de Campo Grande (6,2%) onde aparece em segundo lugar em 2006. Apenas na região administrativa de Realengo aparece a indústria metalúrgica como a mais representativa da região em relação ao Município, com 3,2% dos estabelecimentos do setor, resultado da queda da representatividade da indústria de minerais não-metálicos da região (queda de 4,3% para 0,4% entre 1998-2006). Já na região de Santa Cruz, destaca-se a representatividade do setor agrícola e extrativo vegetal que aparece na segunda posição com 4,5% dos estabelecimentos municipais, perdendo a liderança que detinha em 1998. Em 1998, o setor de produtos minerais não metálicos aparece como o mais representativo em duas regiões: Campo Grande e Realengo, sendo responsável por respectivamente 8,6% e 4,3% dos estabelecimentos do setor no Município. Na região administrativa de Bangu destacava-se ainda a indústria de calçados, responsável por 7,3% dos estabelecimentos do setor no Município. Analisando os empregos da região segundo as atividades econômicas (Tabela 10), tanto no ano de 2006 quanto no ano 1998, destaca-se o setor de comércio varejista com quase 29% dos 113.561 empregos da região em 2006 e 26% dos 87.685 empregos em 1998. Em seguida encontram-se os setores de serviços de alojamento, alimentação, reparação e manutenção com 11,7% dos empregos (9% em 1998), e transporte e comunicação com 11,1% (9,5% em 1998), mostrando-se um pouco menos concentrado que a distribuição dos estabelecimentos. Na variação entre 1998-2006, o setor de atividade econômica que mais avançou no número de empregos foi o comércio (crescimento de 4 pontos percentuais na participação relativa. Em movimento inverso à expansão relativa, destaque para a queda no número de empregos gerados pela administração pública, em 1998 eram 6.489 empregos (7,4% do total) contra 2.426 em 2006 (apenas 2,1% do total). Apesar dessa redução na Zona Oeste, o número de empregos gerados pela administração pública no MRJ como um todo cresceu, reduzindo a participação da Zona Oeste na administração pública no MRJ de 1,6 para 0,6% no período (ver Tabela 11). O principal setor da indústria extrativa e de transformação é ainda a indústria de alimentos e bebidas, que aparece apenas na sétima posição geral com 4,7% dos empregos (reduzindo em 0,2 pontos percentuais a participação observada em 1998), ou seja, sua participação nos empregos é superior a participação no número de estabelecimentos. Entretanto, em termos absolutos a indústria não se destaca nas atividades econômicas da região em relação à geração de empregos, ficando atrás dos setores de serviços e comércio.

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Da mesma forma que no caso das participações relativas dos estabelecimentos, se compararmos a participação relativa do número de empregos da Zona Oeste com o MRJ, os setores com maior participação relativa em relação ao MRJ são diferentes daqueles com maior número absoluto de empregos. Neste caso, em 2006, os seis principais setores encontram-se na indústria de transformação, em ordem decrescente de participação relativa: metalurgia; minerais não metálicos; madeira e mobiliário; alimentos e bebidas; borracha, fumo, couro e peles; e papelão e gráfica. Esses setores possuem participação relativa, respectivamente, de 27,5, 19,2, 18,7, 15,3, 12,9 e 12,5%, apresentando quase o triplo da participação relativa do número de empregos da região no município (5,8%), ou seja, ainda que a indústria não se destaque por número de empregos gerados na região pesquisada, comparando-a com o MRJ, percebe-se uma especialização relativa da região nas atividades industriais, refletida agora nos dados de emprego.

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Tabela 10 – Número de empregos e participação relativa por setor da economia no MRJ, 1998, 2003 e 2006
Bangu 1998 2003 Indústria Extrativa e de Transformação Extrativa mineral Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria da madeira e do mobiliário Indústria de calçados Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria do material de transporte Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Indústria mecânica Indústria metalúrgica Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio atacadista Comércio varejista Serviços Administraçao pública direta e autárquica Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Ensino Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Serviços médicos, odontológicos e veterinários Transportes e comunicaçoes Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total 1.598 129 28 307 113 28 412 30 0 5 363 31 101 51 80 812 6.040 650 5.390 17 751 1.274 310 1.684 1.723 2.541 35 1.945 37 35 447 40 7 360 35 0 0 525 44 134 281 22 388 7.081 691 6.390 1 1.661 2.034 306 2.467 1.500 2.415 6 2006 4.904 61 40 623 64 0 3.023 157 0 5 344 269 139 179 6 423 8.942 836 8.106 0 1.685 2.208 351 4.087 1.598 4.426 3 Campo Grande 1998 2003 2006 9.001 75 2.378 988 89 4 2.984 353 55 29 209 673 791 373 342 1.637 632 8.442 29 2.110 941 87 0 3.732 231 27 13 76 188 562 446 90 1.405 1.625 5.174 25 367 1.159 152 1 1.531 505 136 30 143 242 433 450 131 1.244 2.340 Realengo 1998 2003 2.550 0 1.264 229 70 1 233 99 2 48 104 17 339 144 6 782 4.994 329 4.665 3.290 868 1.880 229 1.487 552 174 0 1.935 0 936 198 27 0 163 16 13 17 89 114 177 185 3 537 4.256 442 3.814 2.448 802 2.069 271 2.275 1.069 1.371 0 2006 2.399 0 1.001 303 143 0 211 25 112 19 55 53 169 308 6 282 5.491 394 5.097 9.276 888 2.091 1.919 255 2.303 932 888 1 Santa Cruz 1998 2003 2006 4.559 9 36 844 151 0 679 285 227 154 1.686 30 245 213 711 528 2.853 159 2.694 6.687 2.423 278 653 182 1.249 826 1.076 57 6.825 2 17 733 121 0 801 324 383 6 1.755 6 2.553 124 293 622 3.528 172 3.356 7.311 1.793 732 1.318 198 1.763 554 953 50 7.361 2 54 744 153 0 569 223 318 0 1.976 431 2.711 180 171 442 4.560 140 4.420 9.257 1.236 597 1.594 282 1.328 1.090 3.130 52 Total (1) 1998 2003 17.708 213 3.706 2.368 423 33 4.308 767 284 236 2.362 751 1.476 781 1.139 3.759 24.676 1.770 22.906 40.251 6.489 4.311 7.101 1.214 7.885 4.914 8.337 152 19.147 68 3.098 2.319 275 7 5.056 606 423 36 2.445 352 3.426 1.036 408 2.952 29.907 2.930 26.977 49.215 4.860 6.438 9.952 1.460 11.532 4.845 10.128 135 2006 19.838 88 1.462 2.829 512 1 5.334 910 566 54 2.518 995 3.452 1.117 314 2.391 36.507 3.710 32.797 54.404 2.426 6.848 11.520 1.573 13.303 6.119 12.615 107 Total MRJ (2) 1998 2003 169.096 2.058 13.429 32.374 4.214 410 29.226 5.697 3.323 8.142 24.944 8.794 14.308 22.177 35.250 70.325 258.295 45.167 213.128 405.904 232.165 79.315 65.391 217.556 80.192 141.681 1.768 143.963 2.568 10.708 28.771 2.481 503 28.438 5.055 3.765 5.288 18.606 8.215 11.376 18.189 27.504 53.672 289.300 49.391 239.909 391.469 282.233 86.581 64.827 227.243 73.663 126.794 1.909 2006 166.616 13.318 11.346 24.444 2.742 571 34.796 4.744 6.719 4.338 20.121 10.694 12.530 20.253 31.425 72.978 326.497 58.103 268.394 420.553 316.120 97.165 58.652 254.129 80.573 135.545 1.761 p ç (1) / (2) 1998 2003 2006 10,5 10,3 27,6 7,3 10,0 8,0 14,7 13,5 8,5 2,9 9,5 8,5 10,3 3,5 3,2 5,3 9,6 3,9 10,7 3,3 1,6 1,9 9,0 1,9 3,6 6,1 5,9 8,6 5,0 13,3 2,6 11,9 0,7 28,9 12,9 8,1 11,6 11,1 18,7 1,4 0,2 17,8 15,3 12,0 19,2 11,2 0,7 8,4 1,2 13,1 12,5 4,3 9,3 30,1 27,5 5,7 5,5 1,5 5,5 1,0 3,3 10,3 11,2 5,9 6,4 11,2 12,2 3,9 4,0 1,2 2,3 0,6 2,2 11,5 11,9 2,3 2,7 5,1 6,6 8,0 7,1 5,8 5,2 7,6 9,3 6,1 5,8

10.789 15.042 17.514 10.157 13.417 15.174 16.784 21.215 21.516 759 2.414 3.294 493 3.465 1.813 4.546 60 618 3.243 4.531 685 5.027 1.722 5.389 79 302 2.475 5.799 685 5.585 2.499 4.171 51

8.300 10.384 14.355

8.480 10.305

1.222.204 1.252.810 1.362.737

16.865 19.826 28.633

38.613 46.273 45.630

16.812 17.036 17.455

15.395 18.629 21.843

87.685 101.764 113.561

1.757.366 1.769.158 1.962.014

Fonte : Elaboração própria com base na RAIS 1998, 2003 e 2006

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Tabela 11 – Número de empregos e participação relativa por setor da economia nas regiões administrativas selecionadas e no MRJ, 1998, 2003 e 2006 (%)
1998 Indústria Extrativa e de Transformação Extrativa mineral Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria da madeira e do mobiliário Indústria de calçados Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria do material de transporte Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Indústria mecânica Indústria metalúrgica Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio atacadista Comércio varejista Serviços Administraçao pública direta e autárquica Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Ensino Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Serviços médicos, odontológicos e veterinários Transportes e comunicaçoes Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total 9,5 0,8 0,2 1,8 0,7 0,2 2,4 0,2 0,0 0,0 2,2 0,2 0,6 0,3 0,5 4,8 35,8 3,9 32,0 49,2 0,1 4,5 7,6 1,8 10,0 10,2 15,1 0,2 100,0 Bangu 2003 9,8 0,2 0,2 2,3 0,2 0,0 1,8 0,2 0,0 0,0 2,6 0,2 0,7 1,4 0,1 2,0 35,7 3,5 32,2 52,4 0,0 8,4 10,3 1,5 12,4 7,6 12,2 0,0 100,0 2006 17,1 0,2 0,1 2,2 0,2 0,0 10,6 0,5 0,0 0,0 1,2 0,9 0,5 0,6 0,0 1,5 31,2 2,9 28,3 50,1 0,0 5,9 7,7 1,2 14,3 5,6 15,5 0,0 100,0 Campo Grande 1998 2003 2006 23,3 0,2 6,2 2,6 0,2 0,0 7,7 0,9 0,1 0,1 0,5 1,7 2,0 1,0 0,9 4,2 27,9 1,6 26,3 43,5 2,0 6,3 8,5 1,3 9,0 4,7 11,8 0,2 100,0 18,2 0,1 4,6 2,0 0,2 0,0 8,1 0,5 0,1 0,0 0,2 0,4 1,2 1,0 0,2 3,0 32,5 3,5 29,0 45,8 1,3 7,0 9,8 1,5 10,9 3,7 11,6 0,2 100,0 11,3 0,1 0,8 2,5 0,3 0,0 3,4 1,1 0,3 0,1 0,3 0,5 0,9 1,0 0,3 2,7 38,4 5,1 33,3 47,2 0,7 5,4 12,7 1,5 12,2 5,5 9,1 0,1 100,0 Realengo 1998 2003 15,2 0,0 7,5 1,4 0,4 0,0 1,4 0,6 0,0 0,3 0,6 0,1 2,0 0,9 0,0 4,7 29,7 2,0 27,7 50,4 19,6 5,2 11,2 1,4 8,8 3,3 1,0 0,0 100,0 11,4 0,0 5,5 1,2 0,2 0,0 1,0 0,1 0,1 0,1 0,5 0,7 1,0 1,1 0,0 3,2 25,0 2,6 22,4 60,5 14,4 4,7 12,1 1,6 13,4 6,3 8,0 0,0 100,0 2006 13,7 0,0 5,7 1,7 0,8 0,0 1,2 0,1 0,6 0,1 0,3 0,3 1,0 1,8 0,0 1,6 31,5 2,3 29,2 53,1 5,1 12,0 11,0 1,5 13,2 5,3 5,1 0,0 100,0 Santa Cruz 1998 2003 2006 29,6 0,1 0,2 5,5 1,0 0,0 4,4 1,9 1,5 1,0 11,0 0,2 1,6 1,4 4,6 3,4 18,5 1,0 17,5 43,4 15,7 1,8 4,2 1,2 8,1 5,4 7,0 0,4 100,0 36,6 0,0 0,1 3,9 0,6 0,0 4,3 1,7 2,1 0,0 9,4 0,0 13,7 0,7 1,6 3,3 18,9 0,9 18,0 39,2 9,6 3,9 7,1 1,1 9,5 3,0 5,1 0,3 100,0 33,7 0,0 0,2 3,4 0,7 0,0 2,6 1,0 1,5 0,0 9,0 2,0 12,4 0,8 0,8 2,0 20,9 0,6 20,2 42,4 5,7 2,7 7,3 1,3 6,1 5,0 14,3 0,2 100,0 1998 20,2 0,2 4,2 2,7 0,5 0,0 4,9 0,9 0,3 0,3 2,7 0,9 1,7 0,9 1,3 4,3 28,1 2,0 26,1 45,9 7,4 4,9 8,1 1,4 9,0 5,6 9,5 0,2 100,0 Total (1) 2003 18,8 0,1 3,0 2,3 0,3 0,0 5,0 0,6 0,4 0,0 2,4 0,3 3,4 1,0 0,4 2,9 29,4 2,9 26,5 48,4 4,8 6,3 9,8 1,4 11,3 4,8 10,0 0,1 100,0 2006 17,5 0,1 1,3 2,5 0,5 0,0 4,7 0,8 0,5 0,0 2,2 0,9 3,0 1,0 0,3 2,1 32,1 3,3 28,9 47,9 2,1 6,0 10,1 1,4 11,7 5,4 11,1 0,1 100,0 Total MRJ (2) 1998 2003 9,6 0,1 0,8 1,8 0,2 0,0 1,7 0,3 0,2 0,5 1,4 0,5 0,8 1,3 2,0 4,0 14,7 2,6 12,1 69,5 23,1 13,2 4,5 3,7 12,4 4,6 8,1 0,1 100,0 8,1 0,1 0,6 1,6 0,1 0,0 1,6 0,3 0,2 0,3 1,1 0,5 0,6 1,0 1,6 3,0 16,4 2,8 13,6 70,8 22,1 16,0 4,9 3,7 12,8 4,2 7,2 0,1 100,0 2006 8,5 1,8 0,6 1,2 1,0 0,6 1,0 0,5 0,2 0,3 0,1 0,7 0,2 0,0 1,6 3,7 16,6 13,7 3,0 69,5 13,0 6,9 5,0 16,1 4,1 21,4 3,0 0,1 100,0

Fonte : Elaboração própria com base na RAIS 1998, 2003 e 2006

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Em 2006, o primeiro setor não industrial em ordem de participação relativa do número de empregos no MRJ, para o ano de 2006, era o setor de comércio que aparece em sétimo lugar com 11,2% dos empregos municipais do setor. Além dos setores já citados, também aparecem acima da média de participação relativa (5,8%) os setores de: mecânica; material de transporte; transporte e comunicação; serviços médicos; ensino; e agricultura e extrativismo vegetal. Estes e as demais atividades, citadas no parágrafo anterior, comprovam claramente uma concentração de empregos industriais desta região no Município. Em 1998, cinco dos seis principais setores encontravam–se na indústria de transformação, havendo destaque também para o comércio varejista que se encontrava na quarta posição. Em ordem decrescente de participação relativa: borracha, fumo, couro e peles (27,6%), alimentos e bebidas (14,7%), minerais não metálicos (13,5%), comércio varejista (10,7%), e por fim extrativismo mineral empatado com metalurgia (10,3% cada). Se compararmos com 2006, observa-se uma completa mudança na ordenação dos setores industriais em ordem de importância, com a indústria metalúrgica assumindo a liderança (27,5%), acompanhada pelos setores de minerais não-metálicos (19,2%) e madeira e mobiliário (18,7%). Entre 1998 e 2006 a participação da Zona Oeste nos empregos do MRJ passou de 5,0% para 5,8% com destaque para o aumento da indústria e do comércio que foram superiores aos observados no MRJ permitindo o aumento na participação relativa. Analisando a distribuição dos empregos por atividade econômica e por região administrativa, observa-se que no período 1998-2006, o setor de comércio varejista é também o principal, variando sua participação relativa entre 17,5% e 32%, em 1998, e entre 20% e 33% em 2006, dependendo da região estudada. As demais posições ocupadas pelos setores de atividade econômica variam conforme a região administrativa. Em 1998, o setor de transporte e comunicação aparece em segundo lugar nas regiões de Bangu e Campo Grande (15,1% e 11,8%, respectivamente). Já nas regiões de Realengo e Santa Cruz, o segundo lugar era ocupado pela administração pública com 19,6% e 15,7%, respectivamente, dos empregos gerados (em 2006 com a queda observada passaram a representar apenas 5,1% e 5,7% respectivamente). Já em 2006, o setor de transporte e comunicação manteve o segundo lugar nas regiões de Bangu com 15,5% dos empregos, mas perdeu espaço para outros setores em Campo Grande, tendo sido alcançado pelo setor de ensino (12,7%). Já em Realengo, o setor de serviços de alojamento, alimentação e reparação assumiu a segunda posição após responder por 13,2% dos empregos. Por último, em Santa Cruz, o setor de transporte e comunicação alcançou a segunda posição com 14,3%, frente a queda na participação da administração pública. Destaca-se ainda em Santa Cruz a indústria metalúrgica e de papel, editorial e gráfica, como o terceiro e o quarto maiores empregadores, com 12,4% e 9% dos empregos dessa região, respectivamente. Em relação à representatividade da indústria nas regiões administrativas pesquisadas no Município, não se repete a ordem setorial observada na região como um todo. No ano de 2006, apenas na região de Santa Cruz, a indústria metalúrgica possui a maior representatividade setorial no município, sendo responsável por 21,6% dos empregos do setor no município, em segundo lugar está o setor de papel, editorial e gráfica com 9,8%. Em Bangu, a maior representatividade está no setor de alimentos e bebidas, com 8,7% dos empregos municipais do setor, seguida pelo setor de serviços de transporte e comunicação e a indústria de produtos de minerais não-metálicos, com 3,3% de participação relativa para cada um deles. Em Campo Grande, o setor mais representativo é o de produtos de minerais não-

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metálicos com 10,6%, seguido do setor de ensino com 6% dos empregos municipais. Em Realengo, a maior representatividade está na indústria de borracha, couro e peles, com 8,8%, seguido de madeira e mobiliário, com 5,2%. Em 1998, o setor de borracha, fumo, couro e peles possuía a maior representatividade nas regiões de Campo Grande (17,7%) e Realengo (9,4%). Em Campo Grande, o segundo lugar era ocupado pelo setor de alimentos e bebidas (10,2%) e, em Realengo pelos setores de ensino e metalurgia (2,4% cada). Em Bangu, a maior representatividade estava no setor de calçados (6,8%), seguido pela indústria extrativa mineral (6,3%). Em Santa Cruz, os setores mais representativos eram o de material de transporte e a indústria do papel, papelão, editorial e gráfica (ambos com 6,8% dos empregos municipais do setor).
Representatividade econômica da Região de estudo e tamanho dos estabelecimentos
Situação, em 1998, semelhante à de 2006 no que diz respeito aos estabelecimentos e empregos formais, mas ligeiramente inferior a de 2006. Campo Grande e Bangu eram já os líderes e Realengo e Santa Cruz disputavam a última posição. Os micros e pequenos estabelecimentos eram ainda mais importantes em 1998

A região de estudo tem uma pequena expressão econômica na atividade formal quando comparada com o conjunto das atividades econômicas do MRJ por números de estabelecimento e de emprego, apesar de ter crescido entre 1998-2006, e aumentado a sua participação, conforme Tabelas 12 e 13. De fato, em 1998, a Zona Oeste representava em termos de estabelecimentos 6,5% passando para 7,2%, em 2006. Em termos de empregos representava 5% do MRJ em 1998, passando para 5,8% em 2006. Os bairros-sede (que dão nome a cada região administrativa) são exatamente aqueles que apresentam o maior número de estabelecimento e de emprego e são os primeiros entre os 17 pesquisados, conforme detalhado abaixo. Em termos de distribuição de estabelecimentos (ver Tabela 12), a região administrativa que aparece com maior concentração, tanto em 1998 quanto em 2006, é Campo Grande com 42,3%, em 1998, e 43,2%, em 2006, dos estabelecimentos da região estudada. Ela é seguida pelas regiões de Bangu com 25,6%, em 1998, e 27,5%, em 2006. Em 1998, o 3º lugar era ocupado por Realengo, com 18,1% dos estabelecimentos, enquanto Santa Cruz possuía 13,9%. Em 2006, Santa Cruz passou a frente sendo responsável por 15% dos estabelecimentos da região estudada e Realengo por 14,1%. Em relação ao MRJ, em 1998, o lugar ocupado pelas participações relativas dos estabelecimentos era igual para Campo Grande (2,8%) e Bangu (1,7%), mas se inverteu para Realengo (1,2%) e Santa Cruz (0,9%), somando os 7,2% (ver Tabela 12, última coluna). Comparando-se 2006 com 1998, Campo Grande, Bangu e Santa Cruz ganharam participação relativa e Realengo perdeu. Como já afirmado anteriormente, o número de empregos (ver Tabela 13) é mais bem distribuído entre os bairros sede do que o número de estabelecimentos, apesar de a ordem dos bairros não se alterar. Em 2006, Campo Grande aparecia em primeiro lugar com 40,2% dos empregos formais, seguido por Bangu, Santa Cruz e Realengo que apresentam participação de 25%, 19,2% e 15,4%, respectivamente. Em relação ao MRJ, os percentuais eram, respectivamente, 2,3%, 1,5%, 1,1% e 0,9% dos empregos formais, somando 5,8% (ver Tabela 13, última coluna) em 2006. Em 1998, Campo Grande também aparecia em primeiro lugar com 44% do número de emprego formal, seguido por Bangu, Realengo e Santa Cruz que apresentam participação de 19,2%, 19,2% e 17,6%, respectivamente. Houve um ganho de participação relativa nos

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empregos em 2006 apenas para Bangu e Santa Cruz, tendo as duas outras regiões perdido participação. Em relação ao MRJ, os percentuais eram, em 1998, de 2,2%, 1%, 1% e 0,9% respectivamente para as regiões de Campo Grande, Bangu, Realengo e Santa Cruz dos empregos formais, somando 5% do total, uma participação inferior à apresentada em 2006. Em relação ao tamanho dos estabelecimentos, o predomínio dos estabelecimentos de micro e pequeno porte já era observado nas 4 regiões administrativas em 1998 (80,5% dos 6.921 estabelecimentos), e manteve-se em 2006, porém com um pequena queda na participação (77% dos 8.352 estabelecimentos). Analisando o porte segundo as regiões administrativas, o mesmo movimento é observado em todas elas entre os anos de 1998 e 2006. Comparando com o MRJ, observa-se que a participação dos grandes estabelecimentos é menor do que a participação dos estabelecimentos em geral, apesar de ter aumentado no período, saindo de 5,7% em 1998, para 6,3% em 2006. Isto demonstra que a região apresenta proporcionalmente menos estabelecimentos de maior porte que o restante do Município, apesar de estar reduzindo essa diferença. Os principais geradores de empregos na região estudada são os estabelecimentos de médio e grande porte, apesar de representarem apenas 3,5%, em 1998, e 4%, em 2006, do número de estabelecimentos, eles eram responsáveis, em 1998, por 58,3% dos 87.709 empregos da região (respectivamente 23,3% e 35%). Em 2006, apesar de uma pequena queda ainda respondiam por mais de 55% (25% e 30,4%, respectivamente) dos 113.561 empregos formais da região. A distribuição dos empregos segundo o porte dos estabelecimentos apresenta-se de maneira semelhante, independente da região administrativa, com exceção da região de Campo Grande onde os pequenos estabelecimentos detinham em 2006, 30% da força de trabalho formal, frente a 27% dos médios e 24% dos estabelecimentos grandes. Nas demais regiões os médios e grandes estabelecimentos são os principais responsáveis pela geração de empregos, mantendo mais ou menos o mesmo cenário observado em 1998.

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Tabela 12 – Número e distribuição dos estabelecimentos por tamanho para os bairros selecionados, 1998, 2003 e 2006
Micro (0 a 9) Pequeno (10 a 49) 1998 2003 2006 262 330 420 191 252 333 47 46 60 24 32 27 469 572 689 404 476 586 18 27 21 9 17 28 14 13 25 24 39 29 223 241 228 11 4 7 19 22 15 25 38 35 5 11 14 161 159 153 2 7 4 146 205 243 20 38 44 116 155 185 10 12 14 1.100 1.348 1.580 16.698 18.800 20.553 6,6 7,2 7,7 Médio (50 a 249) 1998 2003 2006 49 61 77 32 43 62 7 9 10 10 9 5 82 112 131 80 107 116 1 1 3 0 0 4 1 3 4 0 1 4 29 30 36 3 3 2 2 3 1 2 5 4 1 0 0 20 18 28 1 1 1 41 41 40 6 10 6 31 26 32 4 5 2 201 244 284 3.234 3.148 3.608 6,2 7,8 7,9 Grande (> 250) 1998 2003 2006 6 9 15 5 7 12 1 1 2 0 1 1 23 25 19 17 20 16 0 1 2 1 1 0 2 2 1 3 1 0 9 11 9 4 4 1 0 0 0 0 0 1 0 0 0 5 7 7 0 0 0 6 7 9 2 1 1 3 6 8 1 0 0 44 52 52 770 759 824 5,7 6,9 6,3 Total 1998 2003 2006 1.775 1.933 2.298 1.224 1.411 1.750 380 331 359 171 191 189 2.927 3.454 3.612 2557 2957 3.107 83 110 99 65 77 122 84 117 124 138 193 160 1.254 1.373 1.179 73 61 35 62 68 46 184 246 191 55 57 72 859 916 812 21 25 23 965 1.202 1.263 165 204 224 714 906 945 86 92 94 6.921 7.962 8.352 106.229 112.842 115.730 6,5 7,1 7,2 Total (%) 1998 2003 2006 25,6 24,3 27,5 17,7 17,7 21,0 5,5 4,2 4,3 2,5 2,4 2,3 42,3 43,4 43,2 36,9 37,1 37,2 1,2 1,4 1,2 0,9 1,0 1,5 1,2 1,5 1,5 2,0 2,4 1,9 18,1 17,2 14,1 1,1 0,8 0,4 0,9 0,9 0,6 2,7 3,1 2,3 0,8 0,7 0,9 12,4 11,5 9,7 0,3 0,3 0,3 13,9 15,1 15,1 2,4 2,6 2,7 10,3 11,4 11,3 1,2 1,2 1,1 100,0 100,0 100,0 MRJ (%) 1998 2003 2006 1,7 1,7 2,0 1,2 1,3 1,5 0,4 0,3 0,3 0,2 0,2 0,2 2,8 3,1 3,1 2,4 2,6 2,7 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,2 0,1 1,2 1,2 1,0 0,1 0,1 0,0 0,1 0,1 0,0 0,2 0,2 0,2 0,1 0,1 0,1 0,8 0,8 0,7 0,0 0,0 0,0 0,9 1,1 1,1 0,2 0,2 0,2 0,7 0,8 0,8 0,1 0,1 0,1 6,5 7,1 7,2 100 100 100,0 -

Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Santa Cruz Paciencia Santa Cruz Sepetiba Total Zona Oeste (1) Total MRJ (2) Participação % - (1) / (2)

1998 2003 2006 1.458 1.533 1.786 996 1.109 1.343 325 275 287 137 149 156 2.353 2.745 2.773 2.056 2.354 2.389 64 81 73 55 59 90 67 99 94 111 152 127 993 1.091 906 55 50 25 41 43 30 157 203 151 49 46 58 673 732 624 18 17 18 772 949 971 137 155 173 564 719 720 71 75 78 5.576 6.318 6.436 85.527 90.135 90.745 6,5 7,0 7,1

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 1998, 2003 e 2006

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Tabela 13 – Número e distribuição dos empregos segundo tamanho dos estabelecimentos para os bairros selecionados, 1998, 2003 e 2006
Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Santa Cruz Paciencia Santa Cruz Sepetiba Total Zona Oeste (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2) Micro (0 a 9) 1998 2003 3.984 4.588 2.749 3.324 824 798 411 466 6.509 8.166 5.682 7.004 188 246 151 160 174 338 314 418 2.691 3.027 151 163 117 140 447 547 156 123 1.779 2.009 41 45 2.176 2.821 402 1768 1.565 2.128 209 263 15.360 18.602 238.194 254.675 6,4 7,3 2006 5.431 4.153 777 501 8.600 7.437 221 287 281 374 2.800 48 118 479 168 1.922 65 3.052 521 2.279 252 19.883 264.104 7,5 Pequeno (10 a 49) 1998 2003 2006 4.972 6.237 8.095 3.735 4.848 6.421 861 822 1191 376 567 483 9.111 11.178 13.534 7.911 9.325 11.669 335 491 370 181 335 507 280 230 497 404 797 491 4.345 4.679 4.405 227 48 95 424 517 405 445 632 629 95 240 271 3.112 3.099 2.907 42 143 98 2.780 4.039 4.683 373 679 288 2.237 3.079 878 170 281 3517 21.208 26.133 30.717 326.978 365.713 405.826 6,5 7,1 7,6 Médio (50 a 249) 1998 2003 2006 5.040 5.689 7.021 3.362 4.082 5.423 701 617 834 977 990 764 8.197 10.684 12.490 7.965 10.139 11.162 72 58 197 0 0 322 160 368 366 0 119 443 2.708 3.018 4.086 444 419 133 220 209 166 155 491 459 154 0 0 1.636 1.824 3.259 99 75 69 4.486 4.822 4.793 743 1248 115 3.273 2.966 781 470 608 3897 20.431 24.213 28.390 331.316 316.414 356.440 6,2 7,7 8,0 Grande (> 250) 1998 2003 2.877 3.312 2.424 2.777 453 268 0 267 14.807 16.245 10.549 12.549 0 592 686 844 1.440 1110 2132 1150 7.068 6.312 3561 2655 0 0 0 0 0 0 3.507 3.657 0 0 5.958 6.947 1255 562 4.425 6.385 278 0 30.710 32.816 860.878 832.356 3,6 3,9 2006 8.086 7.175 647 264 11.006 7.189 2.508 0 1.309 0 6.164 766 0 299 0 5.099 0 9.315 0 528 8787 34.571 935.644 3,7 1998 16.873 12.270 2839 1764 38.624 32.107 595 1018 2.054 2850 16.812 4383 761 1047 405 10.034 182 15.400 2773 11.500 1127 87.709 1.757.366 5,0 Total 2003 19.826 15.031 2505 2290 46.273 39.017 1.387 1339 2.046 2484 17.036 3285 866 1670 363 10.589 263 18.629 4257 14.558 1152 101.764 1.769.158 5,8 2006 28.633 23.172 3.449 2.012 45.630 37.457 3.296 1.116 2.453 1.308 17.455 1.042 689 1.866 439 13.187 232 21.843 924 4.466 16453 113.561 1.962.014 5,8 1998 19,2 14,0 3,2 2,0 44,0 36,6 0,7 1,2 2,3 3,2 19,2 5,0 0,9 1,2 0,5 11,4 0,2 17,6 3,2 13,1 1,3 100,0 Total (%) 2003 19,5 14,8 2,5 2,3 45,5 38,3 1,4 1,3 2,0 2,4 16,7 3,2 0,9 1,6 0,4 10,4 0,3 19,6 4,2 14,3 1,1 100,0 2006 25,2 20,4 3,0 1,8 40,2 33,0 2,9 1,0 2,2 1,2 15,4 0,9 0,6 1,6 0,4 11,6 0,2 19,2 0,8 3,9 14,5 100,0 1998 1,0 0,7 0,2 0,1 2,2 1,8 0,0 0,1 0,1 0,2 1,0 0,2 0,0 0,1 0,0 0,6 0,0 0,9 0,2 0,7 0,1 5,0 100,0 MRJ (%) 2003 1,1 0,8 0,1 0,1 2,6 2,2 0,1 0,1 0,1 0,1 1,0 0,2 0,0 0,1 0,0 0,6 0,0 1,1 0,2 0,8 0,1 5,8 100,0 2006 1,5 1,2 0,2 0,1 2,3 1,9 0,2 0,1 0,1 0,1 0,9 0,1 0,0 0,1 0,0 0,7 0,0 1,1 0,0 0,2 0,8 5,8 100,0 -

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 1998, 2003 e 2006

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Comparando os dados com os do MRJ, observa-se que a participação relativa dos empregos gerados nos micros, pequenos e médios estabelecimentos da região pesquisada têm mais ou menos a mesma participação sobre o total do município que os estabelecimentos do mesmo porte sobre o total de estabelecimentos. Isto mostra que os estabelecimentos micro, pequenos e médios da região estudada e do MRJ possuem uma capacidade de geração de empregos semelhantes. Porém, os empregos gerados nos estabelecimentos de grande porte da região pesquisada, ao contrário dos estabelecimentos dos demais portes, apresentam uma participação muito menor, apesar de praticamente estável no período (3,6%, em 1998, e 3,7%, em 2006). Isso significa que os grandes estabelecimentos da região estudada geram, em média, menos empregos que os grandes estabelecimentos do Município. Uma hipótese para explicar esta constatação seria de que as principais atividades econômicas da região são pouco intensivas em mão-de-obra e mais intensivas em capital. Qualificação, faixa etária e remuneração da Região de estudo A qualificação, faixa etária e remuneração dos empregos eram piores em 1998; registrou-se uma melhora em 2006, mas ainda aquém da necessária para alcançar o padrão do MRJ A qualificação dos empregados da região apresenta um quadro bastante grave, porém melhorando bastante entre 1998 e 2006. Em 1998, 60,7% dos empregados possuíam apenas até o nível fundamental de ensino (oito anos de estudo). Em 2006, esse percentual como visto era bem menor (41%), o que demonstra a melhora no nível de qualificação da mão-de-obra. Na faixa seguinte estão os empregados com o ensino médio (completo ou incompleto) onde, corroborando com o dado anterior, houve um aumento expressivo passando de 28%, em 1998, para 45%, em 2006. Já a expansão dos trabalhadores com pelo menos o nível superior foi bem menor, passando apenas de 10,7%, para 13,8% entre 1998 e 2006. Comparando-se o grau de qualificação dos empregados da região com o dos empregados do MRJ, em 2006, nota-se que as duas maiores diferenças apresentam-se nos extremos. Enquanto que o percentual de trabalhadores do MRJ com apenas ensino fundamental é de 34% (7 pontos percentuais abaixo da região estudada), o percentual de trabalhadores com nível superior é de 26% (12 pontos percentuais acima da Zona Oeste). Esse movimento pode ser observado na Tabela 14. Entre 1998-2006, observa-se uma redução da diferença entre a Zona Oeste e o MRJ em relação aos empregados com ensino fundamental, porém em relação aos empregos de ensino superior houve um pequeno aumento da diferença.

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Tabela 14 – Número de empregos segundo grau de instrução do empregado, para os bairros selecionados, 1998, 2003 e 2006
Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Santa Cruz Paciencia Santa Cruz Sepetiba Total Zona Oeste (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2) Fundamental 1998 2003 2006 10.962 10.550 12.079 7.967 8.182 9.764 1869 1195 1519 1126 1173 796 22.546 20.098 18.291 17.948 16.188 14.345 396 515 1280 766 880 537 1.450 1.189 1.592 1986 1326 537 10.547 8.690 7.623 2434 1445 203 479 411 245 802 1052 865 255 173 230 6.522 5.484 5.999 55 125 81 9.166 8.660 8.475 2028 1788 1288 6.374 6.138 6.779 764 734 408 53.221 47.998 46.468 857.155 695.765 668.093 6,2 6,9 7,0 Médio 1998 2003 2006 4.574 7.156 12.350 3.378 5.489 10.281 753 906 1.270 443 761 799 11.764 19.944 21.225 10.277 17.440 18.147 130 486 1.320 220 411 494 404 667 633 733 940 631 4.026 5.719 7.536 1397 1516 733 199 226 296 193 482 894 129 147 175 2.065 3.277 5.347 43 71 91 4.574 7.574 10.345 576 925 1190 3.707 6.294 8.963 291 355 192 24.938 40.393 51.456 513.950 600.640 776.307 4,9 6,7 6,6 Superior 1998 2003 2006 1.272 2.120 4.204 888 1.360 3.127 197 404 660 187 356 417 4.258 6.231 6.114 3.829 5.389 4.965 68 386 696 31 48 85 200 190 228 130 218 140 2.164 2.627 2.296 537 324 106 82 229 148 48 136 107 21 43 34 1.392 1.828 1.841 84 67 60 1.648 2.395 3.023 166 206 230 1.411 2.126 2.738 71 63 55 9.342 13.373 15.637 386.261 472.753 516.085 2,4 2,8 3,0 Total 1998 2003 2006 16.873 19.826 28.633 12270 15031 23.172 2839 2505 3.449 1764 2290 2.012 38.624 46.273 45.630 32107 39017 37.457 595 1387 3.296 1018 1339 1.116 2054 2046 2.453 2850 2484 1.308 16.812 17.036 17.455 4383 3285 1.042 761 866 689 1047 1670 1.866 405 363 439 10034 10589 13.187 182 263 232 15.400 18.629 21.843 2773 2919 2.708 11500 14558 18.480 1127 1152 655 87.709 101.764 113.561 1.757.366 1.769.158 1.962.014 5,0 5,8 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 1998, 2003 e 2006

A partir da Tabela 15 podemos ter um perfil da faixa etária dos trabalhadores da região e de sua comparação com o MRJ. Os trabalhadores da região são mais jovens do que os do MRJ: 21,6%, em 1998, e 18,4%, em 2006, do número de empregados na faixa de idade até 24 anos, enquanto que o MRJ apresentava apenas 15%, em 1998, e 13,5%, em 2006, do número de empregados nesta faixa. O número de empregados na faixa entre 25 e 39 anos permaneceu praticamente estável entre 1998 e 2006, apresentando 49% dos empregados, em 1998, e 48,8%, em 2006. Na categoria seguinte (entre 40 e 64 anos), observou-se um aumento de 28,5%, para 32%, entre 1998 e 2006. Por fim, o percentual na faixa acima de 65 anos permaneceu irrisório (0,6%, em 1998, e 0,5%, em 2006). Em comparação com o MRJ pode-se observar que a Zona Oeste teve o mesmo movimento entre 1998 e 2006 com o envelhecimento da mão de obra, porém os empregados do MRJ ainda mantiveram um perfil mais velho porque registrou a menor participação percentual de empregos nas faixas até 39 anos (respondiam por cerca de 61%, em 1998, e 57% em 2006, no MRJ, enquanto na Zona Oeste respondiam por 71% e 67%, respectivamente). Observa-se ainda que em ambos a redução da participação dos empregados na faixa etária mais jovem (até 24 anos) e expansão das faixas mais altas (de 40 a 64 nos). Por fim, a participação dos empregados com mais de 65 anos, apesar de ser uma pequena parcela, é superior no MRJ à da Zona Oeste. Em ambos ela permaneceu estabilizada no período.

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Tabela 15 – Número de empregos segundo faixa etária do empregado nos bairros selecionados, 1998, 2003 e 2006
Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Santa Cruz Paciencia Santa Cruz Sepetiba Total Zona Oeste (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2) até 24 anos 1998 2003 2006 3.658 4.126 5.259 2.759 3.199 4.326 554 521 588 345 406 345 8.143 10.020 9.690 7.157 8.858 8.410 150 368 467 113 147 232 270 291 341 453 356 240 3.658 3.155 2.407 1.202 896 67 126 154 102 254 349 399 66 90 88 1.989 1.623 1.722 21 43 29 3.511 3.680 3.550 522 480 443 2.751 3.040 2.982 238 160 125 18.970 20.981 20.906 264.423 258.392 265.400 7,2 8,1 7,9 25 a 39 anos 1998 2003 2006 8.012 9.353 14.042 5.811 7.053 11.511 1.353 1.153 1.532 848 1.147 999 19.791 23.419 22.745 16.441 19.719 18.504 283 696 1.735 433 614 552 960 950 1.301 1.674 1.440 653 7.937 7.736 8.480 2.020 1.237 429 372 382 309 499 810 882 197 153 206 4.761 5.058 6.558 88 96 96 7.383 8.539 10.104 1.435 1.437 1.318 5.406 6.576 8.472 542 526 314 43.123 49.047 55.371 805.489 787.813 868.004 5,4 6,2 6,4 40 a 64 anos 1998 2003 2006 5.063 6.189 9.139 3.605 4.664 7.194 910 809 1.297 548 716 648 10.420 12.610 12.991 8.281 10.258 10.379 153 317 1.080 465 572 326 811 784 800 710 679 406 5.062 5.970 6.421 1.134 1.138 538 255 316 270 282 493 572 138 118 141 3.184 3.786 4.795 69 119 105 4.408 6.342 8.121 798 988 941 3.270 4.895 6.967 340 459 213 24.953 31.111 36.672 664.837 699.892 802.582 3,8 4,4 4,6 65 ou mais 1998 2003 2006 123 155 191 84 112 140 20 22 31 19 21 20 229 224 204 197 182 164 6 6 14 5 6 6 13 21 11 8 9 9 137 175 147 26 14 8 8 14 8 11 18 13 4 2 4 85 122 112 3 5 2 66 68 68 13 14 6 46 47 59 7 7 3 555 622 610 21.253 22.758 25.966 2,6 2,7 2,3 ignorado 1998 2003 2006 17 3 2 11 3 1 2 0 1 4 0 0 41 0 0 31 0 0 3 0 0 2 0 0 0 0 0 5 0 0 18 0 0 1 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 15 0 0 1 0 0 32 0 0 5 0 0 27 0 0 0 0 0 108 3 2 1.364 303 62 7,9 1,0 3,2 Total 1998 2003 2006 16.873 19.826 28.633 12.270 15.031 23.172 2.839 2.505 3.449 1.764 2.290 2.012 38.624 46.273 45.630 32.107 39.017 37.457 595 1.387 3.296 1.018 1.339 1.116 2.054 2.046 2.453 2.850 2.484 1.308 16.812 17.036 17.455 4.383 3.285 1.042 761 866 689 1.047 1.670 1.866 405 363 439 10.034 10.589 13.187 182 263 232 15.400 18.629 21.843 2.773 2.919 2.708 11.500 14.558 18.480 1.127 1.152 655 87.709 101.764 113.561 1.757.366 1.769.158 1.962.014 5,0 5,8 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 1998, 2003 e 2006

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Finalmente, a Tabela 16 apresenta o perfil de remuneração dos trabalhadores formais em termos de número de salários mínimos. A esmagadora maioria dos trabalhadores da região de estudo ganha até três salários mínimos (53,5%, em 1998, e 75%, em 2006), sendo essa a única categoria que apresentou expansão entre 1998-2006. Apenas 8,9%, em 1998 e 3%, em 2006, ganhavam mais de dez salários mínimos. Parte dessa queda na participação das faixas mais elevadas pode ser creditada ao aumento real que o salário-mínimo recebeu no período analisado 6, elevando o seu valor. Comparando-se este perfil com o do MRJ, percebe-se que ele é bem pior para a região estudada e piorou entre 1998 e 2006. Somente a faixa até 3 salários mínimos aumentou a sua participação em relação ao Município. Todas as demais apresentaram queda. Além disso, esta faixa é a única que está acima da participação média da região. No MRJ, 39%, em 1998, e 59%, em 2006, dos trabalhadores estavam na faixa até três salários mínimos, enquanto que 16,1%,em 1998, e 9%, em 2006, dos trabalhadores ganhavam mais do que dez salários mínimos, apesar de também ser sentida a redução na participação das faixas mais abastadas, a redução foi proporcionalmente menor do que a observada no MRJ. Em resumo, a retrosperspectiva realizada mostra que a predominância das atividades comerciais e de serviços era ainda mais relevante em 1998 e a especialização relativa da indústria, quando comparada com o MRJ, um pouco menos importante do que em 2006. A representatividade econômica da Região, em 1998, apresentava situação inferior à de 2006 no que diz respeito aos estabelecimentos e empregos formais. Campo Grande e Bangu eram já os líderes, enquanto Realengo e Santa Cruz disputavam a última posição. Os micros e pequenos estabelecimentos eram ainda mais importantes em 1998. A Região estudada apresentava, em 1998, um perfil mais jovem da população empregada formalmente do que à do MRJ e perfis de remuneração e qualificação inferiores. Apesar de este último indicador ter melhorado, em 2006, a remuneração apresentou queda maior do que a observada no Município. Em outras palavras, identifica-se uma especialização industrial em evolução na Região estudada. Entretanto, muito pode ser feito ainda na direção de transformar a aglomeração e a especialização industriais existentes em um desenvolvimento high road, aquele desenvolvimento local que está associado a uma especialização industrial densa em encadeamentos produtivos e a trabalhadores qualificados, especializados e bem remunerados.

6

Em 1998 o salário mínimo correspondia a R$120,00 (ou R$264,00 em valores de 2008, atualizado pelo INPC segundo o IPEADATA), passando, em 2003, para R$200,00 (ou R$308,00 se atualizado) e, em 2005, para R$350,00 (ou R$392,00).

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Tabela 16 – Número de empregos segundo faixa de remuneração do empregado nos bairros selecionados, 1998, 2003 e 2006
Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Santa Cruz Paciencia Santa Cruz Sepetiba Total Zona Oeste (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2) até 3 s.m. 1998 2003 2006 10.990 15.917 22.274 7.944 12.039 17.676 1.785 2.095 3.013 1.261 1.783 1.585 20.158 32.564 37.218 17.774 27.600 31.192 483 897 1.902 370 800 988 549 1.302 2.002 982 1.965 1.134 8.622 11.743 13.600 787 1.116 227 534 631 531 783 1.433 1.645 280 307 395 6.159 8.060 10.616 79 196 186 7.164 10.207 12.645 1.461 1.959 2.139 4.722 7.202 9.888 981 1.046 618 46.934 70.431 85.737 686.567 930.300 1.158.187 6,8 7,6 7,4 de 3 a 5 s.m. 1998 2003 2006 3.358 3.666 2.420 2.329 1.934 3.249 700 218 244 329 268 173 8.475 6.687 4.929 5.851 5.104 3.243 84 226 1.079 284 446 76 831 501 416 1.425 410 115 3.565 2.274 1.646 879 413 123 114 107 59 205 143 125 108 39 32 2.185 1.538 1.285 74 34 22 2.588 3.576 2.709 807 713 413 1.686 1.914 3.139 95 82 24 17.986 14.090 13.817 411.775 311.572 330.031 4,4 4,5 4,2 de 5 a 10 s.m. 1998 2003 2006 1.915 1.746 1.070 1.489 806 1.544 293 141 95 133 123 107 6.806 5.116 2.280 5.412 4.509 1.948 21 247 249 345 72 23 599 195 27 429 93 33 2.805 1.631 1.348 1.460 837 439 46 85 62 54 72 62 12 17 9 1.213 591 756 20 29 20 3.218 3.527 4.360 450 211 98 2.722 3.365 3.426 46 21 3 14.744 12.177 8.901 369.238 313.413 271.505 4,0 3,9 3,3 mais de 10 s.m. 1998 2003 2006 582 543 384 501 237 414 44 44 23 37 103 106 3.081 1781 726 2.974 1.694 642 6 14 56 17 14 19 72 46 3 12 13 6 1.775 1354 518 1.243 918 241 65 41 30 2 21 9 5 0 1 451 371 234 9 3 3 2.369 1.715 2044 47 25 18 2.318 2.016 1.697 4 3 0 7.807 5.563 3.502 282.983 210.944 182.998 2,8 2,6 1,9 ignorado 1998 2003 2006 28 35 404 7 15 289 17 7 74 4 13 41 104 125 477 96 110 432 1 3 10 2 7 10 3 2 5 2 3 20 45 34 343 14 1 12 2 2 7 3 1 25 0 0 2 26 29 296 0 1 1 61 72 380 8 11 40 52 61 330 1 0 10 238 266 1.604 6.803 2.929 19.293 3,5 9,1 8,3 Total 1998 2003 2006 16.873 19.826 28.633 12.270 15.031 23.172 2.839 2.505 3.449 1.764 2.290 2.012 38.624 46.273 45.630 32.107 39.017 37.457 595 1.387 3.296 1.018 1.339 1.116 2.054 2.046 2.453 2.850 2.484 1.308 16.812 17.036 17.455 4.383 3.285 1.042 761 866 689 1.047 1.670 1.866 405 363 439 10.034 10.589 13.187 182 263 232 15.400 18.629 21.843 2.773 2.919 2.708 11.500 14.558 18.480 1.127 1.152 655 87.709 101.764 113.561 1.757.366 1.769.158 1.962.014 5,0 5,8 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 1998, 2003 e 2006

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3.2. A atividade industrial e seus principais desafios: uma visão pela ótica fiscal A maior relevância relativa da atividade industrial, entre as demais atividades econômicas, da Zona Oeste em relação ao MRJ pode ser constatada tanto em termos de número de estabelecimentos, quanto em termos do número de empregos: respectivamente 9,2% e 11,2% dos estabelecimentos e dos empregos do MRJ. Esta relevância é confirmada pela expressiva participação da região de estudo em termos de Valor Adicionado Fiscal 7 (VAF). De fato, a região selecionada é responsável por 23,3% do VAF gerado no MRJ (ver Tabela 17). Isto parece confirmar certa especialização da região nas atividades industriais, reforçando a hipótese avançada anteriormente. Tabela 17 – Principais atividades industriais por região administrativa selecionados segundo VAF, estabelecimentos e empregos
Bangu Campo Grande Santa Cruz Realengo Total dos bairros selec.(1) Total do Rio de Janeiro (2) Participação (1) em (2) (%)

Indústria/Bairro¹ Borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Papel, papelao, editorial e gráfica Material elétrico e de comunicaçoes Produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Produtos minerais nao metálicos Mecânica Metalúrgica Química, farmacêutica, veterinários, perfumaria, ... Têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Total Geral

VAF 2004 (R$ mil) 10.745 25.949 6.377 0 0 10.353 0 0 0 53.424

Estab. 2006 11 19 3 42 10 8 26 16 17 152

Empr. 2006 40 344 5 3.023 157 269 139 623 179 4.779

VAF 2004 (R$ mil) 19.212 8.854 0 1.340.824 0 112.970 16.271 91.404 0 1.589.535

Estab. 2006 7 19 3 56 22 10 30 22 37 206

Empr. 2006 367 143 30 1.531 505 242 433 1.159 450 4.860

VAF 2004 (R$ mil) 83.483 254.863 0 6.904 38.599 12.499 1.300.949 338.700 7.067 2.043.065

Estab. 2006 5 9 0 35 11 5 10 17 8 100

Empr. 2006 54 1.976 0 569 223 431 2.711 744 180 6.888

VAF 2004 (R$ mil) 0 0 0 4.633 0 0 0 24.386 0 29.019

Estab. 2006 10 8 3 30 1 7 23 8 22 112

Empr. 2006 1.001 55 19 211 25 53 169 303 308 2.144

VAF 2004 (R$ mil) 113.440 289.665 6.377 1.352.361 38.599 135.823 1.317.220 454.490 7.067 3.715.044

Estab. 2006 33 55 9 163 44 30 89 63 84 570

Empr. 2006 1.462 2.518 54 5.334 910 995 3.452 2.829 1.117 18.671

VAF 2004 (R$ mil) 1.008.460 1.558.288 421.862 2.668.327 312.642 540.918 1.487.019 3.303.815 26.484 15.975.530

Estab. 2006 599 1.129 176 1.097 236 409 708 754 1.110 6.218

Empr. 2006 11.346 20.121 4.338 34.796 4.744 10.694 12.530 24.444 20.253 166.616

VAF 2004 11,2 18,6 1,5 50,7 12,3 25,1 88,6 13,8 26,7 23,3

Estab. Empr. 2006 2006 5,5 12,9 4,9 12,5 5,1 1,2 14,9 15,3 18,6 19,2 7,3 9,3 12,6 27,5 8,4 11,6 7,6 5,5 9,2 11,2

Fonte: Elaboração própria com base em www.armazemdedados.rj.gov.br e RAIS 2006 1- Ficaram de fora as indústrias: de imagem e do som, informática, aparelhos, equipamentos e produtos eletrônicos, calçados, joalheira e ourivesaria, material de transporte, cosméticos, fumo, vestuário, moveleira e de produtos diversos porque apresentam VAF igual a zero nos bairros selecionados

Em algumas atividades industriais o percentual de participação do VAF da região está acima de 23,3% e em outras abaixo (ver Tabela 18 8). Entre as atividades que estão acima deste percentual e, portanto, mostram uma certa especialização, destacam-se: a atividade de couros, peles e assemelhados, pois a região é responsável por 100% do VAF no MRJ; a atividade de metalurgia, sendo a região responsável por 88,6% do VAF do Município; a atividade de bebidas, onde a região é responsável por 78,2%; a atividade de velas, de sabões e de produtos para limpeza, sendo a região responsável por 73,7%; a atividade têxtil que representa 26,7%; e finalmente a atividade mecânica que representa 25,1%.

7

O Valor Adicionado Fiscal corresponde à diferença entre as entradas e saídas de mercadorias e serviços realizadas pelos contribuintes do ICMS dos municípios. 8 A Tabela 18 contém os dados do VAF por indústrias mais desagregadas do que a CNAE. Na Tabela 17 fizemos a agregação das indústrias para podermos comparar com os dados de estabelecimentos e empregos da RAIS. A metodologia utilizada encontra-se na Tabela 19.

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Tabela 18 – Principais atividades industriais por região administrativa selecionada segundo VAF, 2004
Indústria/Bairro¹ borracha celulose, papel, papelão e seus artefatos bebidas couros, peles e assemelhados material elétrico, eletrônico produtos alimentícios produtos de material plástico produtos minerais nao-metálicos velas, de sabões e de produtos para limpeza, editorial e gráfica mecânica metalúrgica petrolífera e petroquímica química têxtil total geral

Bangu VAF

%

Campo Grande VAF %
5.712.340 0,4 8.853.944 0,6 1.340.824.005 84,4 0 0,0 0 0,0 0 0,0 13.499.612 0,8 0 0,0 0 0,0 0 0,0 112.970.425 7,1 16.271.183 1,0 83.074.748 5,2 8.329.040 0,5 0 0,0 1.589.535.296 100,0

Santa Cruz VAF %
0 0,0 0 0,0 0 0,0 12.503.872 0,6 0 0,0 6.904.018 0,3 70.979.097 3,5 38.599.310 1,9 55.226.520 2,7 254.862.650 12,5 12.499.359 0,6 1.300.948.877 63,7 0 0,0 283.473.675 13,9 7.067.458 0,3 2.043.064.836 100,0

Realengo VAF %
0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 4.632.815 16,0 0 0,0 0 0,0 24.386.472 84,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 29.019.287 100,0

Total dos bairros selec.(1)

Total do Rio de Janeiro (2)

Participação (1) em (2) (%) 0,7 12,8 78,2 100,0 1,5 1,2 38,2 12,3 73,7 18,9 25,1 88,6 5,3 18,0 26,7 23,3

VAF

%

VAF

%

0 0,0 0 0,0 0 0,0 10.745.156 20,1 6.377.245 11,9 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 25.948.798 48,6 10.352.929 19,4 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 53.424.128 100,0

5.712.340 0,2 8.853.944 0,2 1.340.824.005 36,1 23.249.028 0,6 6.377.245 0,2 11.536.833 0,3 84.478.708 2,3 38.599.310 1,0 79.612.992 2,1 280.811.447 7,6 135.822.713 3,7 1.317.220.060 35,5 83.074.748 2,2 291.802.715 7,9 7.067.458 0,2 3.715.043.546 100,0

764.135.039 4,8 68.940.412 0,4 1.713.562.161 10,7 23.249.028 0,1 421.862.107 2,6 954.764.903 6,0 221.076.196 1,4 312.641.535 2,0 107.955.834 0,7 1.489.347.179 9,3 540.917.955 3,4 1.487.018.960 9,3 1.578.881.972 9,9 1.616.976.913 10,1 26.483.612 0,2 15.975.529.536 100,0

Fonte: Elaboração própria com base em www.armazemdedados.rj.gov.br 1- Ficaram de fora as indústrias: de imagem e do som, informática, aparelhos, equipamentos e produtos eletrônicos, calçados, joalheira e ourivesaria, material de transporte, cosméticos, fumo, vestuário, moveleira e de produtos diversos porque apresentam VAF igual a zero nos bairros selecionados

Algumas regiões apresentam-se menos diversificadas por atividades econômicas industriais (ver Tabela 18). Este é o caso de Realengo e de Bangu. A segunda possui apenas quatro indústrias em ordem decrescente de valor adicionado fiscal: editorial e gráfica; couros, peles e assemelhados; mecânica; e material elétrico e eletrônico. A primeira possui apenas duas atividades industriais: velas, de sabões e de produtos de limpeza; produtos alimentícios. Campo Grande e Santa Cruz são bem mais diversificadas industrialmente. As dez atividades econômicas de Santa Cruz são em ordem decrescente de valor adicionado fiscal: metalúrgica; química; editorial e gráfica; produtos de material plástico; velas, de sabões e de produtos para limpeza; produtos minerais não metálicos; couros, peles e assemelhados; têxtil; produtos alimentícios. As oito atividades econômicas industriais de Campo Grande são em ordem decrescente de valor adicionado fiscal: bebidas; mecânica; petrolífera e petroquímica; metalúrgica; produtos de material plástico; celulose, papel, papelão e seus artefatos; química; borracha. A correspondência entre a desagregação dos setores segundo o VAF e da CNAE encontramse na Tabela 19 abaixo.

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Tabela 19 – Correspondência entre os setores do VAF e da CNAE
Setores industriais - VAF borracha couros, peles e assemelhados produtos de material plastico celulose, papel, papelao e seus artefatos editorial e grafica material eletrico, eletrônico bebidas produtos alimenticios produtos minerais nao-metalicos mecanica metalúrgica petrolifera e petroquimica química velas, de sabões e de produtos para limpeza, têxtil Setores industriais CNAE Ind. da borracha e plástico, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria mecânica Indústria metalúrgica Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ...

Indústria têxtil, vestuário e artefatos de tecidos

Fonte: Elaboração própria As indústrias grafadas em negrito possuem VAF igual a zero nos bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro, porém os dados da RAIS só estão disponíveis agregados às demais indústrias conforme apresentado na tabela As seguintes indústrias são encontradas na RAIS, mas possuem VAF igual à zero na Zona Oeste do Rio de Janeiro: madeira e mobiliário, material de transporte e calçados

3.2.1.Cadastro de empresas O cadastro de empresas foi elaborado a partir da relação de empresas da Federação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN, 2008). O objetivo do cadastro é servir de base para a seleção de empresas que comporão uma lista de empresas da região a serem entrevistadas numa futura pesquisa de campo a ser realizada numa próxima etapa da pesquisa. Além da base para a seleção de empresas, o cadastro servirá também como guia de informações, facilitando o contato com as empresas selecionadas. Os critérios para a inclusão das empresas no cadastro foram: primeiro empresas constantes no cadastro FIRJAN (2008) com endereço nas regiões administrativas selecionadas; em seguida a listagem foi completada com as empresas que possuem investimentos ou estabelecimentos nas regiões estudadas, mas cuja sede está registrada em outro bairro do MRJ. No primeiro critério foram encontradas 180 empresas e no segundo 7. No cadastro constam 180 empresas com endereço de sua sede nos bairros selecionados mais 7 empresas que não possuem endereços de suas sedes na região pesquisada, mas possuem estabelecimentos industriais no local. As informações contidas no cadastro são: razão social, endereço completo, bairro, telefone, fax, e-mail, CNPJ, nome do diretor, número de empregados, principais produtos, classificação CNAE 2.0, endereço eletrônico (site) e se é ou não exportadora. O cadastro encontra-se no Anexo 2. O Anexo 3 apresenta o resultado de alguns filtros realizados a partir do cadastro. Um terço das empresas é proveniente das indústrias de alimentos e bebidas, confecção e comércio varejista. As maiores empregadoras do cadastro são as empresas de alimentos e bebidas, seguidas das empresas produtoras de produtos químicos. Poucas empresas exportam sua produção, somente 12% das cadastradas.

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As duas regiões que concentram a maior parte das empresas do cadastro são Campo Grande e Bangu. Na primeira região o maior número de empresas pertence aos setores de confecções e de alimentos e bebidas, na segunda ao setor de alimentos e bebidas. A maior parte das empresas possui e-mail e aparelho de fax e apresenta porte micro e pequeno (cerca de 70%), mensurando-se o tamanho pelo número de empregados. Existem 44 empresas de porte médio (24%) e apenas 11 empresas são grandes (6%). Em resumo, vimos nesta seção 3.1 que a atividade industrial revelou-se realmente uma especialização na região de estudo. Entre as atividades com maior expressão econômica encontram-se as indústrias de alimentos e bebidas; metalúrgica; química; papel, papelão, editorial e gráfica. A atividade comercial desponta como campeã do número de estabelecimentos e contribui significativamente para o número de empregos gerados. Os principais desafios são ampliar o grau de qualificação dos trabalhadores e ampliar a faixa de remuneração, atividades intrinsicamente relacionadas. Entretanto, somente o aumento da qualificação dos trabalhadores não é suficiente para ampliar as faixas de remuneração. Este movimento precisa estar relacionado a um aumento de valor agregado da indústria e das demais atividades econômicas que, em última instância, são as demandantes de mão-de-obra. A maior diversificação e agregação de valor é uma condição necessária para que haja demanda de novas e maiores qualificações. 3.3. A atividade comercial e os seus principais desafios O Instituto Fecomércio-RJ (Ifec) realizou, entre outubro de 2001 e outubro de 2003, um mapeamento das atividades comerciais nos centros de diversos bairros do Rio de Janeiro 9. Esse mapeamento consistiu na identificação das atividades comerciais e em pesquisas de opinião com empresários e usuários do comércio dos bairros. O objetivo era conhecer as atividades existentes no centro comercial de cada bairro pesquisado, visando obter uma fotografia da situação existente, além de tentar estabelecer um perfil das empresas de comércio de bens e serviços e dos hábitos e desejos dos consumidores em cada bairro pesquisado. O presente trabalho irá se apoiar nesta pesquisa para uma análise da atividade comercial da Zona Oeste. Cabe destacar dois pontos de limitação aos dados levantados no Mapeamento Fecomércio em relação ao presente trabalho. O primeiro é que a unidade geográfica de investigação foi o bairro, ao invés da região administrativa como foi desenvolvida a maior parte da análise feita neste texto. A segunda é que apenas seis bairros pertencentes a Zona Oeste foram mapeados (Bangu, Campo Grande, Padre Miguel, Realengo, Santa Cruz e Santíssimo), ou seja, o escopo da investigação diz respeito a apenas uma parte da região selecionada para o presente trabalho. Comparado com os dados apresentados na Tabela 3 e 4, constata-se que Padre Miguel é o quinto bairro em número de estabelecimentos e empregos, ficando atrás apenas dos quatro bairros sedes. Já Santíssimo, ocupa a sétima posição em relação ao número de empregos (ficando atrás das quatro sedes, de Padre Miguel e de Paciência), em relação ao número de estabelecimento não ocupa nenhuma posição de destaque.

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O Ifec pesquisou 56 bairros do município do Rio de Janeiro divididos em 11 regiões conforme divisão estabelecida pelo próprio Fecomércio. As regiões são: Barra da Tijuca, Centro, Ilha do Governador, Irajá, Jacarepaguá, Leopoldina, Madureira, Méier, Tijuca, Zona Oeste e Zona Sul.

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Das questões levantadas nos questionários aplicados pelo Ifec foram tabuladas as referentes à representatividade das amostras e dos perfis das empresas (número de unidades encontradas, unidades que desenvolvem atividade comercial, número de empresários e populares entrevistados, postos de trabalhos na região e número de empresas com menos de 5 empregados), os principais problemas e soluções apontados pelos empresários e os principais problemas e soluções apontados pelos usuários do comércio local. Destas, foram tabuladas os três problemas e as três soluções mais citadas pelos empresários e pelos populares (ver Tabelas 20, 21 e 22). Esta seção está subdividida em quatro partes, além dessa introdução. Na primeira é realizada uma caracterização da amostra pesquisada e a apresentação das questões tabuladas e que foram analisadas. Na segunda parte, foram tratadas as opiniões dos empresários e dos usuários do comércio local (populares) sobre os principais problemas e soluções para o seu bairro, apresentando primeiro os problemas apontados pelos empresários e pela opinião popular e depois as soluções, mantendo a mesma ordem. Na terceira parte foi elaborada uma análise da região da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro com base nos mapeamentos dos bairros de Bangu, Campo Grande, Padre Miguel, Realengo, Santa Cruz e Santíssimo, segundo os principais problemas e soluções apontados pelos empresários e pelos populares para os bairros, mantendo a seguinte ordem por região: um pequeno apanhado da amostra pesquisada, análise dos problemas na opinião dos empresários, análise dos problemas na opinião popular, análise das soluções na opinião dos empresários e análise das soluções na opinião popular. Por fim, na quarta parte foi elaborada uma conclusão com um pequeno resumo do panorama encontrado nas onze regiões pesquisadas. 3.3.1. Características da Amostra No total foram identificadas, nos 6 bairros tabulados, 10.318 unidades das quais 3.263 foram consideradas pertinentes ao objetivo do estudo, ou seja, apenas 31,6% das unidades identificadas desenvolviam alguma atividade comercial. Entre as unidades que foram descartadas, as principais ocorrências foram de estabelecimentos usados como moradia, estabelecimentos fechados e sem identificação. No total dos mapeamentos foram entrevistados 780 empresários (24% das unidades comerciais consideradas) e 1.983 populares, conforme Tabela 20. 0Tabela 20 – Representatividade das amostras, perfil das empresas e parceiros de pesquisa
Representatividade das amostras Unidades não pertinentes Perfil das empresas Empresas <5 Postos de empregos trabalho na (%) região 51,9 56,1 91,4 76,3 57,8 79,3 6.552 18.165 268 1.346 1.469 494

Bairros Zona Oeste Bangu Campo Grande Padre Miguel Realengo Santa Cruz Santíssimo

Unidades 1.006 3.867 1.618 3.229 396 202

% do Saldo Empresários saldo 160 369 35 97 90 29 25,6 20,2 37,6 24,7 33,2 53,7

Opiniões populares 392 401 268 366 450 106

Parceiros na pesquisa Ifec Ifec Ifec Ifec Ifec Ifec

382 624 2.038 1.829 1.525 93 2.837 392 125 271 148 54

Fonte : Elaboração própria com base no Mapeamento Fecomércio.

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Analisando os dados da Zona Oeste de representatividade da amostra, constata-se que os bairros estudados apresentavam entre 202 (Santíssimo) e 3.867 (Campo Grande) unidades identificadas, sendo que as unidades comerciais por bairro variaram entre 54 e 1.829 (Santíssimo e Campo Grande, respectivamente). Na relação unidades comerciais em atividade sobre unidades identificadas destacam-se em termos proporcionais os bairros de: Santa Cruz, Bangu e Campo Grande, com 68%, 62% e 47% respectivamente, indicando uma maior especialização na atividade comercial. A principal característica das unidades comerciais pesquisadas foi o predomínio das microempresas, e principalmente, das micro-empresas com menos de cinco empregados, 59% das unidades pesquisadas, ou seja, 1.934 unidades se encontravam nesse perfil. Três bairros apresentaram-se acima da média: Padre Miguel, Santíssimo e Realengo com percentuais de 91%, 79% e 76%, respectivamente. Esse resultado indica que o comércio desses bairros é realizado por empresas de menor porte. Em situação oposta, os bairros de Bangu (52%), Campo Grande (56%) e Santa Cruz (58%) possuem uma participação menor dos estabelecimentos com menos de 5 empregados, indicando estabelecimentos comerciais de maior porte. As regiões comerciais dos 6 bairros da Zona Oeste tabulados eram responsáveis pela geração estimada de 28.294 postos de trabalhos, o que dá uma média de 8,7 empregos por unidade comercial. Se compararmos esta média com o dado do parágrafo anterior observa-se que as grandes unidades comerciais instaladas nesses bairros provocam um viés na média, impulsionando-a para cima. Os bairros que apresentaram as maiores médias de postos de trabalho por empresa foram: Bangu (10,5), Campo Grande (9,9) e Santíssimo (9,1). Tanto a média por bairro quanto a média por região corroboram com a característica de que há o predomínio dos micros estabelecimentos comerciais nos bairros pesquisados. Os principais bairros, em número de empregos gerados, foram: Campo Grande (18.165 ou 64%), e Bangu (6.552 ou 23%) que juntos totalizam 87% dos empregos comerciais estimados da Zona Oeste (28.294). A pesquisa junto aos comerciantes totalizou 780 entrevistas, representando 24% do total de unidades comerciais pesquisadas, porém essa representatividade variou entre 20% (Campo Grande) a 54% (Santíssimo) 10, conforme o bairro pesquisado. Já a pesquisa junto aos usuários do comércio dos bairros pesquisados reuniu 1.983 entrevistas. O número de pessoas entrevistadas variou conforme o bairro e a região pesquisada, ficando entre 106 (Santíssimo) e 450 (Santa Cruz). 3.3.2. Problemas e Soluções O principal problema apontado pelos empresários dessa região foi a estrutura comercial, com índices variando de 5,8% (Padre Miguel) a 41,4% (Santíssimo). Esse problema lidera a lista de problemas em todos os bairros pesquisados da região, com exceção de Bangu e Padre Miguel, onde aparece na segunda posição. Em Bangu, o principal problema é a falta de urbanização (59,4%) e em Padre Miguel é a falta de agências bancárias (20%). Em segundo lugar entre os problemas da região aparecem segurança (Santa Cruz, Realengo e Bangu) e transporte/trânsito (Campo Grande, Padre Miguel e Santa Cruz). Outros problemas apontados
Essa diferença pode ser creditada a diferença no número de unidades total identificadas, bairros com um número maior de unidades tendem a ficar com menor representatividade, enquanto bairros com menor número de unidades tendem a ter uma representatividade maior dos empresários porque é mais fácil de cobrir uma maior parcela do universo pesquisado.
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na região foram falta de políticas públicas (Campo Grande), saneamento (Realengo), falta de serviços públicos (Santa Cruz e Santíssimo). Na opinião popular, o principal problema é a segurança, seguida por transporte/trânsito e falta de serviços públicos. O problema da segurança foi apontado em todos os bairros pesquisados da região, sendo que lidera em três (Bangu, Padre Miguel e Santa Cruz), fica em segundo lugar em um (Campo Grande) e em terceiro em dois (Realengo e Santíssimo). Os índices variam entre 15,2% e 31,3%. Em segundo lugar, transporte/trânsito está presente em cinco dos seis bairros (só não é apontado em Realengo) com índices variando de 12,9% a 22,4%. Em terceiro, falta de serviços públicos também presente em quatro bairros (está fora de Bangu e Santa Cruz), mas lidera em Realengo (26,8%) e Santíssimo (21,7%). Outros problemas apontados foram: estrutura comercial (Realengo) e urbanização (Bangu). Comparando as opiniões dos empresários com os populares nota-se que eles compartilham a opiniões sobre os problemas com segurança e transporte/trânsito, porém atribuem graus de importância diferentes. Tabela 21 – Principais problemas identificados nos bairros selecionados (%)
Opinião empresarial (n. de respostas) Estacionamento Estrutura Comercial (5) Falta de agências bancárias (1) Políticas públicas (1) Saneamento (1) Segurança (3) Serviços públicos (2) Transporte (3) Urbanização (2) Opinião popular (n. de respostas) Estrutura Comercial (1) Falta de serviços públicos (4) Lazer Saneamento Segurança (6) Serviços públicos (1) Transporte (5) Urbanização (1) Campo Grande 13,0 3,0 11,9 6,0 59,4 Campo Grande 13,2 Zona Oeste Padre Miguel Realengo 22,9 9,0 26,8 Santa Cruz 5,7 6,2 4,1 26,7 12,2 12,2 Zona Oeste Padre Miguel Realengo 5,8 20,0 28,9 Santa Cruz 31,1

Bangu 15,6

Santíssimo 41,4

6,9 6,9

Bangu

Santíssimo 21,7

25,2 18,1 15,3

15,2 22,2

27,1 12,9

21,9

31,3 21,1 22,4

19,8 20,7

Fonte: Elaboração própria com base no Mapeamento Fecomércio

As soluções apontadas pelos empresários da região dispersam-se por 7 das 17 soluções listadas no total, sendo a segurança a solução mais apontada, indicada em 4 bairros, com percentuais entre 1,4% e 21,1%. Em segundo lugar, aparecem o combate à informalidade e o incentivo a atividade econômica indicados em três bairros cada um. Também foram citadas como soluções: incentivos a estrutura comercial, principal solução em Padre Miguel e Santa Cruz, transporte/trânsito (Campo Grande e Padre Miguel), melhoria nos serviços públicos (Padre Miguel e Santíssimo) e urbanização (Bangu e Santíssimo). Destacam-se Campo Grande e Realengo pelos altos percentuais de “não respondentes”, respectivamente, 89% e 94%.

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Tabela 22 – Principais soluções identificadas nos municípios pesquisados (%)
Opinião empresarial (n. de respostas) Combate a informalidade (2) Estacionamentos Estrutura comercial (2) Fiscalização (1) Incentivos a ativ. Econômica (3) Saneamento (1) Segurança (4) Serviços públicos (2) Trânsito Transporte (2) Urbanização (2) Não apresentaram solução (2) Opinião popular (n. de respostas) Estrutura comercial (1) Lazer (1) Saneamento Saúde Segurança (5) Serviços públicos (5) Trânsito Transporte (4) Urbanização (2) Não apresentaram solução Campo Grande Zona Oeste Padre Miguel Realengo 1,0 20,0 3,8 10,6 1,4 2,9 2,7 49,4 88,9 Campo Grande 93,8 Zona Oeste Padre Miguel Realengo 1,4 4,4 Santa Cruz 5,7 6,9 2,9 3,1 21,1 10,3 6,9 Santa Cruz

Bangu 3,8

Santíssimo

16,7 10,0

Bangu

Santíssimo

19,9 11,7 15,3

6,7 5,2 4,7

17,3 3,9 8,0 6,8

25,8 17,8 22,2

18,9 14,2

16,0

Fonte: Elaboração própria com base no Mapeamento Fecomércio

Comparando os principais problemas com as principais soluções apontadas pelos empresários nota-se que apesar de não serem iguais elas possuem ligações, já que o problema com a estrutura comercial pode ser relacionado com as soluções “incentivo a atividade econômica” e “combate a informalidade”. Já segurança, apesar de estarem em ordem de importância diferente aparece em ambos os casos. A opinião popular na Zona Oeste indicou as seguintes soluções: segurança, melhoria no transporte/trânsito e melhorias nos serviços públicos. Dos seis bairros pesquisados pelo Ifec na Zona Oeste, cinco deles apontaram as mesmas soluções, variando apenas a ordem de importância. Segurança aparece cinco bairros, sendo o líder em todos. Seus percentuais variaram de 6,7% a 25,8%. Melhoria no transporte/trânsito, indicado em 4 bairros, fica em segunda em três, apenas em Campo Grande foi ficou com a terceira colocação. Seus percentuais variaram de 4,7% a 22,2%. Por fim, melhorias nos serviços públicos tem a situação inversa a solução anterior em relação a ordem de importância nos bairros, com percentuais variando de 3,9% a 17,8%. Apenas Realengo fugiu desse padrão, o que é uma situação vista tanto nos problemas apontados e quanto na solução dos empresários. As soluções apontadas em Realengo foram: urbanização (6,8%), lazer (4,4%) e incentivos a estrutura comercial (1,4%).

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Comparando os problemas apontados pela opinião popular com as soluções, verifica-se que elas são exatamente correspondentes, mantendo inclusive a mesma ordem de importância.

4. Indicadores sócio-econômicos e as instituições de formação profissional Os indicadores sócio-econômicos são um pouco defasados em relação às informações sobre as atividades econômicas e estão baseados nos dados do censo do IBGE de 2000. A Tabela 23 resume alguns indicadores de renda, educação, população e saúde por regiões administrativas estudadas, comparando-os, quando disponível, com o MRJ e com o ERJ. Tabela 23 – Indicadores de desenvolvimento social das regiões administrativas selecionadas, do MRJ e do ERJ, 2000
Regiões Administrativas Campo Bangu Grande Realengo 0,49 0,72 60,24 45,24 36,24 46,76 67,48 1,89 1.040,91 46,75 287,03 17,86 95,03 83,79 33,16 0,91 30,14 18,75 2,55 0,75 0,79 8,66 10,06 33,92 69,81 23,84 24,19 92,23 0,51 0,73 64,19 45,76 38,28 44,67 68,3 1,99 1.156,15 45,04 304,24 17,54 95,49 85,51 36,88 0,92 32,08 17,52 2,3 0,73 0,79 7,06 9,95 34,77 68,71 26,76 27,15 91,34 0,49 0,75 61,54 45,59 36,1 46,55 66,94 1,43 1.225,03 56,7 339,73 19,99 96,23 88,64 28,11 0,94 32,12 16,38 2,04 0,76 0,81 6,92 10,93 33,97 70,39 22,38 22,72 92,68 Santa Cruz 0,5 0,67 65,34 48,83 36,92 46,13 65,39 1,97 773,35 28,77 212,21 17,24 93,56 80,13 30,75 0,89 23,18 21,42 3,55 0,68 0,75 10,5 13,49 38,64 65,99 34,8 35,31 88,94

Indicadores Renda Índice de GINI Índice de Desenvolvimento Humano Municipal_Renda Intensidade da pobreza: linha de R$ 37,50 (%) Intensidade da pobreza: linha de R$ 75,50 (%) % da renda domiciliar apropriada pelos 10% mais ricos da população % da renda domiciliar apropriada pelos 80% mais ricos da população % da renda proveniente de rendimento do trabalho % de crianças de 10 a 14 anos que trabalham Renda domiciliar per capita média do décimo mais rico (R$) Renda domiciliar per capita média do primeiro quinto mais pobre (R$) Renda per Capita (R$) % da renda proveniente de rendimento de transferências governamentais Educação Taxa de Alfabetização (%) Taxa bruta de freqüência à escola (%) % de crianças de 4 a 5 anos fora da escola Índice de Desenvolvimento Humano Municipal_Educação % de professores do fundamental, residentes com curso superior % de crianças de 7 a 14 anos com mais de um ano de atraso escolar % de crianças de 10 a 14 anos fora da escola População Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - Longevidade Índice de Desenvolvimento Humano Municipal % de adolescentes do sexo feminino entre 15 e 17 anos com filhos % de pessoas com 65 anos ou mais de idade morando sozinhas % de pessoas que vivem em familias com razão de dependência > 75% Saúde Esperança de vida ao nascer (anos) Mortalidade até um ano de idade (por 100 mil habitantes) Mortalidade até cinco anos de idade (por 100 mil habitantes) Probabilidade de sobrevivência até 40 anos (%)

MRJ 0,616 0,84 13,32 48,2 63,7 2.875,58 58,56 596,65 18,46 95,6 88,6 30,00 0,93 42,44 17,4 3,12 0,75 0,84 7,56 17,30 31,57 70,26 21,83 22,21 92,14

ERJ 0,614 0,779 19,28 49,5 64,7 2.049,57 43,8 413,94 17,67 94,9 83,78 33,70 0,902 30,19 22,4 3,79 0,74 0,807 8,11 16,32 34,36 71,26 18,73 23,07 91,87

Fonte: Elaboração própria com base nos dados disponíveis no IPP. Para MRJ e ERJ foram utilizados os dados do ipeadata

Inicialmente tomando-se o IDH, aberto nas dimensões renda, educação e longevidade, percebe-se que o MRJ é melhor do que o ERJ em todas as dimensões. A Zona Oeste apresenta índices inferiores aos dos apresentados pelo ERJ e pelo MRJ no que diz respeito à dimensão renda, resultado estatístico já sinalizado, para o período mais recente, pelas faixas de remunerações mais baixas observadas na região de estudo em comparação com o MRJ, ainda que neste resultado só estivessem computadas as rendas do trabalho assalariado, e não as demais rendas do trabalho sem carteira, autônomo, etc, como é considerado no levantamento

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de renda para o indicador do IDH. Segundo a metodologia do IDH, um país só é classificado como desenvolvido quando obtém um índice acima de 0,8, observa-se que na dimensão renda a Zona Oeste encontra-se no mesmo grau de desenvolvimento do ERJ, regiões em desenvolvimento, diferente do MRJ que já atingiu o índice de desenvolvimento. No que diz respeito à dimensão educação, a Zona Oeste fica mais bem posicionada que o ERJ, mas está abaixo do índice obtido pelo MRJ, exceto para o bairro de Realengo, aspecto também já observado nos resultados estatísticos da RAIS. Finalmente, a dimensão longevidade dá destaque para os bairros de Bangu e Realengo que apresentam índices, respectivamente, igual e superior aos do MRJ. Em termos de educação, todos os bairros podem ser classificados como regiões desenvolvidas, seguindo o padrão observado no ERJ e no MRJ. Este já não é o caso da dimensão longevidade que está em um grau de desenvolvimento inferior (em desenvolvimento) seguindo o mesmo padrão do ERJ e do MRJ. O indicador renda per capita ajuda a corroborar o observado pelo IDH-renda. De fato a renda per capita dos bairros da Zona Oeste é bem inferior à do MRJ. No caso de Bangu e Santa Cruz estas rendas equivalem a menos da metade da renda apresentada pelo MRJ. A taxa de alfabetização e a taxa de freqüência à escola ratificam as observações realizadas pelos IDHeducação, mostrando que apenas Santa Cruz não apresenta uma taxa de alfabetização maior do que a do ERJ e que Realengo apresenta taxas superiores à do MRJ em ambos os casos. Em resumo, a região estudada apresenta um grau de desenvolvimento inferior ao do MRJ, ainda que superior em várias dimensões ao do ERJ. Encontram-se polarizados na melhor e na pior situação de indicadores sócio-econômicos as regiões administrativas de Realengo e Santa Cruz. A primeira apresentando um mais alto grau de desenvolvimento da Zona Oeste, o que a aproxima do MRJ, exceto pela dimensão renda; e a segunda o pior grau de desenvolvimento, abaixo inclusive do ERJ. Instituições de formação profissional Entre as atividades econômicas pela ótica da geração de emprego, destaca-se como importante a atividade de ensino, conforme indicado na seção três. Ainda segundo o registro do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Texeira (INEP) foram registradas 13 instituições de ensino superior e 12 de ensino técnico-profissionalizante. Entre as instituições de ensino superior na Zona Oeste incluíram-se universidades, faculdades e escolas de engenharia militares. Foram encontrados dezesseis campi, sendo: três na RA de Bangu, seis na RA de Campo Grande, três na RA de Realengo e quatro na RA de Santa Cruz. Já entre as instituições de ensino técnico-profissionalizantes foram incluídas tanto instituições públicas quanto privadas, sendo: três na RA de Bangu, quatro na RA de Campo Grande, duas na RA de Realengo e três na RA de Santa Cruz. O cadastro mais detalhados destas instituições encontra-se no Anexo 4. Além disso, a Zona Oeste possui uma população adulta com excelente nível de escolaridade, com uma taxa de alfabetização de 95%, e conta com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, que oferece consultoria especializada, assistência técnica e tecnológica, pesquisa, treinamento e desenvolvimento de recursos humanos, conforme a demanda de cada setor. A poucos quilômetros da Zona Oeste encontra-se uma grande concentração de universidades, centros tecnológicos e instituições de pesquisa, com mais de 200 mil estudantes universitários e quase 20 mil pesquisadores em atividade, além dos principais centros de pós-graduação em engenharia de metalurgia, bem como o principal centro de pesquisa federal voltado para mineração e metalurgia, o CETEM.

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Entretanto, como visto, a qualificação da mão-de-obra empregada tem se mostrado inferior àquela apresentada pelos trabalhadores do MRJ, indicando a necessidade de verificar-se em que medida e porque a disponibilidade das instituições de ensino não está servindo para a qualificação da mão-de-obra local.

5. Iniciativas de governança e principais investimentos atuais Além da iniciativa do presente projeto de pensar uma iniciativa de governança para incrementar as atividades econômicas da Zona Oeste, foram identificadas outras iniciativas coletivas já iniciadas que deverão ser levadas em conta na construção do projeto para o local. Não são iniciativas de governança, propriamente ditas, mas são iniciativas importantes de: (i) cooperação das empresas locais, (ii) ordenamento jurídico do Município, através do Plano Diretor, e (iii) diagnóstico do Instituto de Planejamento Econômico e Social (IPEA), visando à identificação de especializações. Cooperação de empresas locais A primeira delas é o Núcleo Inox, criado em 1992, o Núcleoinox (Núcleo de Desenvolvimento Técnico Mercadológico do Aço Inoxidável) é uma associação sem fins lucrativos que reúne fornecedores de insumos, produtores, reprocessadores, distribuidores, fabricantes e entidades de classe, todos ligados ao aço inoxidável. Congrega tanto empregados como empregadores, não se configurando como um sindicato. O interesse essencial é o desenvolvimento do produto como matéria prima de tecnologia de ponta. A presidência cabe, atualmente, a Sérgio Augusto Cardoso Mendes, da Acesita (ArcelorMittal). Nos conselhos deliberativo e fiscal da associação também estão representados: Villares Metais (Celso Antônio Barbosa, vice-presidente), Tramontina (Darci Galafassi), Jatil Serviços (Ramón Rosso Garcia Filho), Votorantim Metais (Francisco de Jesús Martins), Cosinox (Milton Jorge Minello), Zomprogna (Nei Ferreira Bello) e Perc Engenharia (Jorge Durão). O diretor executivo é Arturo Chão Maceiras. O objetivo da associação é promover e divulgar a correta utilização do aço inoxidável, bem como as novas aplicações, visando a incrementar o consumo. Para isso, congrega pessoas físicas e jurídicas no Brasil que se dediquem à pesquisa, fabricação, comercialização e transformação do aço inox. O conselho deliberativo é o órgão máximo, a ele está subordinado o comitê diretor. Por sua vez, ao comitê diretor estão subordinados os comitês de comunicação, tecnologia, desenvolvimento de mercado e relações internacionais. As seguintes iniciativas são adotadas pelos diversos comitês: Marketing Institucional, Programas de Educação, Programas de Treinamento, Ações nas áreas de Legislação e Tributária, Eventos de interesse do inox, Publicações, Publicidade, Assessoria de Imprensa, Feiras, Análise e Segmentação de Mercado, Diagnóstico das Cadeias do Inox, Estruturação das Cadeias do Inox, Estudos e Pesquisa, Normalização, Eventos de Cunho Tecnológico, Atualização Tecnológica da Cadeia, e Elaboração de Matérias Técnicas. O Núcleo Inox publica a cada dois anos o “Guia Brasileiro do Aço Inox”, com 948 empresas cadastradas e “todo tipo de informações que, cruzadas, podem agilizar os contatos necessários à atuação industrial e comercial.” Oferecem aos novos associados o recebimento das versões

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antigas do guia, além da inscrição para receber o guia normalmente. A última tiragem foi de 7.000 exemplares. O site disponibiliza ainda estatísticas anuais de consumo e produção tanto no Brasil como no mundo; uma biblioteca on-line dedicada ao aço inox; a revista bimestral do aço inox e um clipping de notícias. A segunda iniciativa de cooperação entre empresas locais é a Aedin (Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz e Adjacências). Suas primeiras iniciativas datam de 1980 em conjunto com a Coordenação dos Distritos Industriais do Rio de Janeiro, num modelo baseado nos distritos industriais italianos. Atualmente a Aedin conta com 16 empresas associadas (ver Anexo 5). Através do Projeto Condomínio a Aedin visa favorecer/estimular as relações com os fornecedores de bens e serviços, incentivando-os a virem se instalar no Distrito. Entre as ações previstas no Projeto estão oportunidades de capacitação, certificação e de uso da estrutura de saúde ocupacional do Distrito, além de oferecer demanda para os bens e serviços a serem instalados e custos competitivos. Ordenamento jurídico do território A terceira iniciativa foi tomada pelo Município e está relacionada com o Plano Diretor do MRJ. Ele ainda está transitando e terá efeitos sobre a organização territorial da Zona Oeste. Em particualr a criação das Zonas de uso predominantemente industrial (ZOPIs) e as Zonas de uso estritamente industrial (ZEIs). A criação de um pólo metalúrgico na Zona Oeste deverá ser incluída nas discussões do Plano Diretor, que serão travadas somente na próxima legislatura (2009). O projeto final do diagnóstico da Zona Oeste deverá, portanto, delinear os impactos ambientais, urbanos e outros que irão influenciar o Plano Diretor para que ele contemple a criação das Zonas e do pólo. Identificação das especializações locais Uma quarta iniciativa foi a realizada pelo IPEA identificando, através de metodologia proposta pelo Professor Suzigan, todas as aglomerações com um grau de especialização significativo para o Brasil, inclusive Rio de Janeiro. A partir desta identificação, verificou-se que entre as especializações selecionadas como aglomerações, arranjos produtivos locais na metodologia do IPEA, alguns eram bastante importantes na Zona Oeste, em termos de VAF, em ordem decrescente de importância: artefatos de couro, refrigerantes, artefatos de plástico, têxtil, equipamentos médicos hospitalares, artigos de vidro (ver Tabela 24).

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Tabela 24 – Comparativo dos APLs identificados na microrregião do Rio de Janeiro e que envolvem a região selecionada e sua participação no VAF industrial
Zona Oeste APL identificado na micro região do Rio de Janeiro - refrigerantes - cervejas - artefatos têxteis e de confecção Setor bebidas artigos de tecido têxtil vestuário artigos de couro calçados química VAF¹ (%) 78,2 0,0 26,7 0,0 100,0 0,0 18,0

- artefatos de couro - produtos farmoquímicos - produtos farmacoquímicos - medicamentos para uso humano - artigos de perfumaria e cosméticos - equipamentos médico-hospitalares - válvulas, torneiras e registros - máquinas, equipamentos e aparelhos de transporte - máquinas e equipamentos de uso geral - artefatos de plástico - artigos de vidro - minerais não metálicos - esquadrias de metal - software
Fonte: Elaboração própria com base em Suzigan (2006) e dados IPP

perfumaria, etc. mecânica

0,0 25,1

plástico minerais não metálicos metalúrgica não incluído no VAF²

38,2 12,3

1 - Participação da região estudada no VAF do setor no município do Rio de Janeiro 2 - O VAF só está disponível por bairro para os setores industriais

Vale ainda observar que a publicação Suzigan (2006) sobre identificação, caracterização e georeferenciamento de APLs no Brasil aponta que a cidade do Rio de Janeiro conta com 186 estabelecimentos industriais que operam com esquadrias de metalurgia, 12 estabelecimentos que operam com válvulas e registros, e 78 que operam com equipamento e serviços hospitalares. Além disso, só processando produtos de aço inox, segundo o Guia Inox, há mais 11 empresas. Esses dados secundários mostram e indicam a possibilidade de se potencializar esses segmentos industriais, magnificando os “APLs embrionários’’ já existentes. Na região encontram-se já localizados os Distritos Industriais de Campo Grande, Palmares, Paciência e Santa Cruz, implantados pelo Estado e administrados pela Companhia de desenvolvimento Industrial (CODIN) em áreas estritamente industrial do ponto de vista do Zoneamento Ambiental, onde 130 empresas de médio e grande porte estão operando, destacando-se a Companhia Siderúrgica Gerdau, a Fabrica Carioca de Catalisadores, a Casa da Moeda do Brasil e a Panamericana, dentre outras. Investimentos atuais No momento, novos investimentos de porte estão sendo implementados na região em áreas adjacentes por empresas nacionais e multinacionais, como a CSA, voltadas para a exportação, sendo motivadas a se instalarem pela existência, no município vizinho de Itaguaí, do Porto de Itaguaí, e pelo programa de incentivos fiscais criados pelo Governo do Estado.

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Outros investimentos programados para o período 2004-2009 podem ser visualizados na Tabela 25, com respectivos valores do investimento, e empregos diretos e indiretos a serem gerados. Tabela 25 - Investimentos realizados na Zona Oeste do MRJ, 2004-2009
Valor investido Empregos Estimativa de empregos Diretos (US$ Localização do Indiretos Gerados milhões) Ano Investimento 2006-2009 Santa Cruz 4.500 ¹ ¹ 2004 - 2007 Santa Cruz 825 750² 5 mil 2008 Campo Grande 320 200 até 2 mil 2008 - 2009 Jacarepaguá 200 2.000³ 2008 Campo Grande 160 300 1500 2006 Campo Grande 3 de 40 a 100 entre 400 e 500

Empresa (setor) ThyssenKrupp e Vale Gerdau Michelin Rio de Janeiro Refrescos Ambev ICEC

Empreendimento Construção da CSA Duplicação da Cosigua Nova fábrica da Michelin Nova fábrica da Coca-Cola Fabrica de garrafas Nova fábrica da ICEC

Fonte: Elaboração própria com base na Secretaria de Comunicação do Governo do Estado do Rio de Janeiro 1- 18 mil empregos durante a implantação e 20 mil empregos (diretos e indiretos) em funcionamento 2- Gerará 3 mil empregos durante a implantação 3- Total de funcionários da Rio de Janeiro Refrescos

6. Considerações Finais A Zona Oeste do MRJ reveste-se de grande potencial para o desenvolvimento industrial e tecnológico, ainda que as atividades comerciais sejam bastante relevantes pela ótica do número de estabelecimentos e empregos locais. O espaço geográfico, formado pelas regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e de Santa Cruz, destaca-se visivelmente em termos de relevância econômica dos demais bairros da Zona Oeste. Vale lembrar que a Zona Oeste do MRJ é a região de maior densidade industrial do Município, ainda que a mesma ao longo dos últimos decênios venha cada vez mais agregando serviços à sua estrutura produtiva. Em resumo, a atividade industrial revelou-se realmente uma especialização na região de estudo. Entre as atividades com maior expressão econômica encontram-se as indústrias de alimentos e bebidas; metalúrgica; química; papel, papelão, editorial e gráfica. A atividade comercial desponta como campeã do número de estabelecimentos e contribui significativamente para o número de empregos gerados. Os principais desafios são ampliar o grau de qualificação dos trabalhadores e ampliar os níveis de remuneração, atividades intrinsicamente relacionadas. Entretanto, somente o aumento da qualificação dos trabalhadores não é suficiente para ampliar o nível das faixas de remuneração. Este movimento precisa estar relacionado a um aumento de valor agregado da indústria e das demais atividades econômicas que, em última instância, são as demandantes de mão-de-obra. A maior diversificação e agregação de valor é uma condição necessária para que haja demanda de novas e maiores qualificações. A região estudada, em termos de indicadores de desenvolvimento social, apresenta um grau de desenvolvimento inferior ao do MRJ, ainda que superior em várias dimensões ao do ERJ. Encontram-se polarizadas na melhor e na pior situação de indicadores as regiões administrativas de Realengo e Santa Cruz. A primeira apresentando o mais alto grau de desenvolvimento da Zona Oeste, o que a aproxima do MRJ, exceto pela dimensão renda; e a segunda o pior grau de desenvolvimento, abaixo inclusive do ERJ.

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Apesar de se ter identificado uma vasta disponibilidade de instituições de ensino formais e também de ensino profissional na região estudada e em seu entorno, a qualificação da mãode-obra empregada tem se mostrado inferior àquela apresentada pelos trabalhadores do MRJ, indicando a necessidade de se verificar em que medida e porque a disponibilidade das instituições de ensino não está servindo para a qualificação da mão-de-obra local. A pesquisa realizada pelo Ifec mostrou a opinião de empresários e de usuários do comércio de seis bairros da Zona Oeste, permitindo ter uma idéia dos principais problemas e soluções segundo as opiniões dos empresários e a dos populares, assim como das principais questões sobre o seu bairro e sua região. Pode-se extrair a título de conclusão três pontos importantes sobre os problemas e soluções apontados. O primeiro é que se comparando os problemas com as soluções apontadas, na maioria das regiões, há uma concordância entre eles apesar da ordem de importância dada aos problemas nem sempre corresponder a ordem dada às soluções. Isso se repete tanto para os empresários quanto para a opinião popular. O segundo ponto que se conclui é que há diferenças entre as opiniões dos empresários e dos populares tanto no que diz respeito aos problemas quanto às soluções e na hierarquização dos mesmos. Para os empresários problemas e soluções mais voltados para a área econômica e comercial, tais como problemas ligados a atividade econômica, estrutura comercial e estacionamento, tiveram uma importância maior do que questões sociais que estiveram mais presentes nas opiniões populares, como transporte/trânsito, saneamento/limpeza e mobiliário urbano. Uma exceção é a opinião compartilhada entre ambos quanto à segurança, ainda que essa apresente um grau de importância muito maior para os populares do que para os empresários. Por fim, o terceiro ponto é que as opiniões, tanto dos empresários quanto dos populares, variam conforme a região do Município. Essa diferença observada parece ser fruto das diferenças sócio-econômicas que tem grande influência nos problemas apontados e consequentemente nas soluções, apesar destas últimas na maioria das vezes não possuirem a mesma ordem de importância dos problemas. Assim, os problemas dos bairros são bastante semelhantes, variando apenas o grau de importância dado a eles pelos entrevistados. O único problema e a única solução comum na ampla maioria dos bairros é a segurança, também variando em maior ou menor grau de importância conforme a região. Interessante observar que esse levantamento foi feito entre 2001 e 2003 e de lá para cá ainda não se registrou resultados satisfatórios das ações públicas do Município ou do Estado do Rio de Janeiro para combater o problema. Não é, portanto, de se admirar que o problema da segurança, ainda que tenho tido importante ações de política estadual, continue sendo o principal problema da municipalidade. Além disso, foram identificadas algumas iniciativas coletivas já iniciadas que deverão ser levadas em conta na construção do projeto final de governança para o local. Não são iniciativas de governança, propriamente ditas, mas são iniciativas importantes de: (i) cooperação das empresas locais, (ii) ordenamento jurídico do Município, através do Plano Diretor, e (iii) diagnóstico do Instituto de Planejamento Econômico e Social (IPEA), visando à identificação de especializações. Resta saber se a iniciativa do Núcleo Inox está contribuindo para que empresas sejam atraídas pela especialização da mão-de-obra local; se a região possui vantagens comparativas e de localização frente às demais regiões do Estado e do País; ou se seria necessário aumentar o grau de diversificação local.

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Estes são dilemas ainda não resolvidos e que deverão ser objeto de aprofundamentos nos demais diagnósticos, bem como discussões entre a equipe de pesquisadores e os agentes econômicos locais no Seminário programado para 2009.

Referências Bibliográficas DINIZ, C. “Impactos territoriais da reestruturação produtiva”, in: Ribeiro L. C. de Queiroz (org.), O Futuro das metrópoles: Desigualdades e Governabilidade, Rio de Janeiro, Revan, pp. 21-61. 2000. CIDE. IQM. Índice de Qualidade dos Municípios, Rio de Janeiro. 1998. CIDE Anuário Estatístico do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Anual. CIDE. Boletim de Economia Fluminense, Rio de Janeiro. Revista trimestral. CIDE. Índice de Qualidade dos Municípios. Carências, Rio de Janeiro. 2001a. CIDE. Índice de Qualidade dos Municípios. Necessidades habitacionais, Rio de Janeiro. 2001b. CIDE., IQM. Sustentabilidade Fiscal, Rio de Janeiro. 2002. FAURÉ Y.-A., HASENCLEVER L. (orgs.) O Desenvolvimento Local no Estado do Rio de Janeiro. Estudos Avançados nas Realidades Municipais, Rio de Janeiro, Editora E-Papers. 2005. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Industrial Anual 2005. Rio de Janeiro: IBGE. 2007. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Anual do Comércio 2005. Rio de Janeiro: IBGE. 2007. IFEC – Instituto Fecomércio. Mapeamentos Fecomércio, Rio de Janeiro: Fecomércio. 2001. FIRJAN – Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Cadastro Industrial do Estado do Rio de Janeiro 2007/2008. Rio de Janeiro: Firjan. 2008. FROES, José N. S.; GELABERT, Odaléa R. E. Rumo ao Campo Grande por Trilhas e Caminhos. Rio de Janeiro: s.n. 2004. HASENCLEVER, L., LOPES, R. Análise dos dados da PIM-PF, 1996-2008. O município do Rio de Janeiro ainda mergulhado em resultados medíocres. Relatório de Pesquisa. Rio de Janeiro: IE/UFRJ e IUPERJ. 2009. MACIEL, V. F. Abertura Comercial e Desconcentração das Metrópoles e Capitais Brasileiras. Revista de Economia Mackenzie, São Paulo, n.1, pp.37-64. 2003. MTE – Ministério do Trabalho e Emprego. Relação Anual de Informações Sociais. Brasília: MTE, 2006.

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PACHECO, C.A. Novos Padrões de Localização Industrial? Tendências Recentes dos Indicadores da Produção e do Investimento Industrial, Brasília, IPEA, Texto para discussão n. 633, 38 p. 1999. SABOIA, J.L.M. Emprego Industrial no Brasil: situação atual e perspectivas para o futuro. Revista de Economia Contemporânea, Rio de Janeiro, Instituto de Economia. 2001. SUZIGAN, Wilson (coord.) Identificação, Mapeamento e Caracterização Estrutural de Arranjos Produtivos Locais no Brasil. Brasília: IPEA. 2006. TCE-RJ. Estudos Socioeconômicos 1997-2001, Rio de Janeiro, Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (um volume por município). 2003.

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Anexo 1 - Localização da região estudada e regiões administrativas do MRJ

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Quadro 1 – Regiões administrativas do município do Rio de Janeiro
I Região Administrativa Portuária Bairros Caju Gamboa Santo Cristo Saúde Centro Catumbi Cidade Nova Estácio Rio Comprido Botafogo Catete Cosme Velho Flamengo Glória Humaitá Laranjeiras Urca Copacabana Leme Gávea Ipanema Jardim Botânico Lagoa Leblon São Conrado Vidigal Benfica Mangueira São Cristóvão Alto da Boa Vista Praça da Bandeira Tijuca Andaraí Grajaú Maracanã Vila Isabel Bonsucesso Manguinhos Olaria Ramos Brás de Pina Cordovil Jardim América Parada de Lucas Penha Penha Circular Del Castilho Engenho da Rainha Higienópolis Inhaúma Maria da Graça Tomás Coelho Abolição Água Santa Cachambi Encantado

II III

Centro Rio Comprido

IV

Botafogo

V VI

Copacabana Lagoa

VII

São Cristóvão

VIII

Tijuca

IX

Vila Isabel

X

Ramos

XI

Penha

XII

Inhaúma

XIII

Méier

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XIV

Irajá

XV

Madureira

XVI

Jacarepaguá

XVII

Bangu

XVIII

Campo Grande

XIX

Santa Cruz

XX

Ilha do Governador

Engenho de Dentro Engenho Novo Jacaré Lins de Vasconcelos Méier Piedade Pilares Riachuelo Rocha Sampaio São Francisco Xavier Todos os Santos Colégio Irajá Vicente de Carvalho Vila da Penha Vila Kosmos Vista Alegre Bento Ribeiro Campinho Cascadura Cavalcanti Engenheiro Leal Honório Gurgel Madureira Marechal Hermes Oswaldo Cruz Quintino Bocaiúva Rocha Miranda Turiaçu Vaz Lobo Anil Curicica Freguesia Gardênia Azul Jacarepaguá Pechincha Praça Seca Tanque Taquara Vila Valqueire Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Cosmos Inhoaíba Santíssimo Senador Vasconcelos Paciência Santa Cruz Sepetiba Bancários Cacuia Cidade Universitária Cocotá Freguesia Galeão Jardim Carioca

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XXI XXII

Paquetá Anchieta

Jardim Guanabara Moneró Pitangueiras Portuguesa Praia da Bandeira Ribeira Tauá Zumbi Paquetá Anchieta Guadalupe Parque Anchieta Ricardo de Albuquerque Santa Teresa Barra da Tijuca Camorim Grumari Itanhangá Joá Recreio dos Bandeirantes Vargem Grande Vargem Pequena Acari Barros Filho Coelho Neto Costa Barros Parque Colúmbia Pavuna Barra de Guaratiba Guaratiba Pedra de Guaratiba Rocinha Jacarezinho Complexo do Alemão Maré Vigário Geral Colônia Juliano Moreira Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhães Bastos Realengo Vila Militar Cidade de Deus

XXIII XXIV

Santa Teresa Barra da Tijuca

XXV

Pavuna

XXVI

Guaratiba

XXVII XXVIII XIX XXX XXXI XXXII XXXIII

Rocinha Jacarezinho Complexo do Alemão Maré Vigário Geral Colônia Juliano Moreira¹ Realengo

XXXIV

Cidade de Deus

¹ Sua criação foi aprovada em 1996 pelo Projeto de Lei 446/96, mas não chegou a ir para votação, as regiões criadas depois saltaram o número 32. Fonte : instituto Pereira Passos Obs.: Grifado estão as regiões administrativas e os bairros abordados no trabalho. Em negrito estão os bairros sedes.

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Mapa 1 – Regiões administrativas do Município do Rio de Janeiro

Fonte: Instituto Pereira Passos. Disponível em www.rio.rj.gov.br/ipp

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Anexo 2 – Cadastro FIRJAN de Empresas da Zona Oeste do MRJ – 2007/2008

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Anexo 3 – Análise do Cadastro de Empresas

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Tabela 1 – Análise do cadastro de empresas, segundo indústrias
Empresas CNAE 2.0 10 e 11 14 47 20 25 22 23 45 18 28 46 Indústria Alimentos e bebidas Confecção Comércio varejista Produtos químicos Produtos de metal Borracha e plástico Minerais não-metálicos Com. e rep. de automotores Impressão e reprodução Máquinas e equipamentos Obras de infra-estrutura Outros Total N. 26 18 16 14 13 11 10 10 8 5 5 51 187 % 13,9 9,6 8,6 7,5 7,0 5,9 5,3 5,3 4,3 2,7 2,7 27,3 100 Empregos N. 2.185 327 477 943 649 551 418 76 50 588 85 8.754 15.103 % 14,5 2,2 3,2 6,2 4,3 3,6 2,8 0,5 0,3 3,9 0,6 58,0 100 X 1 0 0 3 2 0 1 0 0 2 0 6 15

Fonte: Elaboração própria X = exportação

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Tabela 2 – Análise do cadastro de empresas, segundo indústrias por bairro
CNAE 10 e 11 8 3 3 2 9 9 14 4 2 2 9 9 47 7 4 2 1 2 2 20 3 3 25 1 1 22 2 1 1 6 6 23 1 1 5 4 2 2 1 4 4 4 2 2 2 1 5 1 1 3 6 3 1 1 1 2 45 3 3 18 2 1 28 1 1 46 Outros 0 8 5 0 3 3 23 3 21 2 0 0 2 5 0 0 1 2 4 14 5 9 2 0 1 0 1 0 5 52 Total 40 24 7 9 82 77 2 2 1 27 1 1 4 21 31 9 22 7 1 2 1 2 1 187

Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Santíssimo Senador Vasconcelos Realengo Deodoro Jardim Sulacap Magalhães Bastos Realengo Santa Cruz Paciência Santa Cruz Fora da região pesquisada Barros Filho Centro Honório Gurgel Jacarepaguá Vigário Geral Total
Fonte: Elaboração própria CNAE 10 e 11 = alimentos e bebidas 14 = confecção 47 = com. varejista 20 = produtos químicos 25 = produtos de metal 22 = borracha e plástico 23 = minerais não-metálicos 45 = com. e rep. de automotores 18 = impressão e reprodução 28 = máquinas e equipamentos 46 = obras de infra--estrutura

7 7

8 8

1 6 2 4 1

2 4 3 1 2 1

3

1 2 1 1

1 2 2 1 1

2 3 3

1 1

1 1

1

1 1 26 18 16 1 14 13 11 10 10 7 5

88

Tabela 3 – Análise do cadastro de empresas, dados gerais
Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Santíssimo Senador Vasconcelos Realengo Deodoro Jardim Sulacap Magalhães Bastos Realengo Santa Cruz Paciência Santa Cruz Fora da região pesquisada Barros Filho Centro Honório Gurgel Jacarepaguá Vigário Geral Total
Fonte: Elaboração própria X = exportação

Empresas Empregos 40 1.220 24 961 7 106 9 153 82 5.696 77 5.233 2 75 2 383 1 5 27 1.153 1 4 1 3 4 106 21 1.040 31 4.551 9 573 22 3.978 7 2.483 1 90 2 357 1 250 2 1.736 1 50 187 15.103

X 0 0 0 0 10 9 0 1 0 0 0 0 0 0 5 1 4 0 0 0 0 0 0 15

c/e-mail c/fax 27 31 18 18 2 4 7 9 70 77 66 72 2 2 2 2 0 1 20 23 0 0 0 1 4 4 16 18 28 31 7 9 21 22 7 7 1 1 2 2 1 1 2 2 1 1 152 169

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Tabela 4 – Análise do cadastro de empresas, segundo tamanho das empresas por emprego
Tamanho (n. de empregos) Micro Pequena (0 a 9) (10 a 49) 10 23 4 14 3 4 3 5 22 34 20 32 0 2 1 0 1 0 12 13 1 0 1 0 1 2 9 11 10 7 3 3 7 4 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 54 77 Média (50 a 249) 6 6 0 0 22 22 0 0 0 1 0 0 1 0 11 2 9 4 1 2 0 0 1 44 Grande (> 250) 0 0 0 0 4 3 0 1 0 1 0 0 0 1 3 1 2 3 0 0 1 2 0 11 Total 39 24 7 8 82 77 2 2 1 27 1 1 4 21 31 9 22 7 1 2 1 2 1 186

Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Campo Grande Campo Grande Cosmos Santíssimo Senador Vasconcelos Realengo Deodoro Jardim Sulacap Magalhães Bastos Realengo Santa Cruz Paciência Santa Cruz Fora da região pesquisada Barros Filho Centro Honório Gurgel Jacarepaguá Vigário Geral Total¹

Fonte: Elaboração própria 1- Uma empresa não informou o número de empregados

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Anexo 4 – Instituições de Ensino nas Regiões Administrativas Pesquisadas

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Quadro – Instituições de ensino superior, técnico e profissionalizante na região estudada
Instituição 1 - Batalhão-Escola de Engenharia Vilagran Cabrita 2 - Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos Bairro Cursos Nível Superior Santa Cruz Cursos não listados

Campo Grande

3 - Faculdade Bezerra Araújo

Campo Grande

- Graduação: Administração (Administração de Empresas), Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Ciência da Computação (Informática), Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade), Direito, Educação Física, Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Geografia, História, Letras (Literaturas de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Inglesa), Matemática, Pedagogia, Sistemas de Informação. - Graduação: Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição - Graduação semi-presenciais: Administração, Ciências Contábeis e Letras – Inglês - Graduação presenciais: Administração e Ciências Contábeis - Pós-graduação: Área de Administração - Extensão: Empreendedorismo, inovação e estratégia; Photoshop; Matemática Básica; Idiomas; História de Santa Cruz; Cerimonial e Protocolo e Inclusão Digital. - Graduação: Matemática; Ciências Sociais; Computação; Geografia; História; Letras (Espanhol, Francês, Inglês, Literaturas de Língua Portuguesa); Pedagogia (Administração Escolar, Orientação Educacional, Pedagogia, Supervisão Escolar); Sistemas de Informação

4 - Faculdade Machado de Assis

Santa Cruz

5 - Faculdades Integradas CampoGrandenses

Campo Grande

6 - Faculdades Integradas Simonsen

Padre Miguel

7 - Faculdades São José

Realengo

8 - Instituto Infnet

Senador Camará

9 - UniverCidade

Campo Grande

10 - Universidade Cândido Mendes

Padre Miguel

- Graduação: Administração de Empresas; Ciências Contábeis, Tecnologia em Processamento de Dados; Geografia; História; Letras (Inglês, Literaturas de Língua Portuguesa); Pedagogia (Administração Escolar, Orientação Educacional, Supervisão Escolar, Pedagogia) - Graduação: Administração, Ciências Biológicas, Ciências Contábeis, Tecnologia em Sistemas de Informação, Direito, Odontologia, Pedagogia, Turismo - Pós-graduação lato sensu: Odontologia (Endodontia, Prótese Dentária, Implantodontia, Saúde Coletiva); Educação (Docência do Ensino Superior, Psicopedagogia clínica e Institucional) - Graduação: Tecnologia em Design Gráfico (Artes, Comunicação e Design); Tecnologia em Gestão da Tecnologia da Informação; Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas - Graduação: Administração; Direito; Marketing; - Cursos superiores de Tecnologia: Gestão Financeira; Gestão Comercial; Tecnologia em informática. - Graduação: Direito

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11 - Universidade Castelo Branco

Santa Cruz e Realengo

- Graduação: - Ciências Exatas e Tecnológicas: Matemática, Sistemas de Informação - Ciências Humanas: Geografia, História, Letras (Espanhol e Inglês), Pedagogia - Ciências Sociais: Administração, Ciências Contábeis, Comunicação Social (Jornalismo, Publicidade e Propaganda), Direito, Serviço Social. - Ciências Biológicas: Biomedicina, Ciências Biológicas, Educação Física, Enfermagem, Medicina Veterinária, Nutrição, Terapia Ocupacional. - Pós-graduação: Engenharia de segurança do Trabalho. - MBAs: Gestão estratégica de Pessoas, Gestão Ambiental na industria do petróleo, Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde on e off shore. - Petróleo e Gás: Engenharia de construção e montagem de tubulações on e off shore, Engenharia de equipamentos na industria do Petróleo, Engenharia de Petróleo e Gás, Engenharia Submarina. - Gestão: Aministração e marketing esportivo, Comunicação para a Pequena Empresa, Engenharia de Iluminação, Gestão Empresarial de Negócios, Gestão Social, Marketing estratégico. - Informática: Gestão em sistemas de informação, Informática na educação. - Área de Fisioterapia e Educação Física - Área de Educação e Pedagogia - Área de Direito - Área de Ciências da Saúde - Graduação: Administração, Direito, Enfermagem Engenharia de Produção e Psicologia - Politécnico: Gestão de Segurança no Trabalho, Manutenção Industrial, Petróleo e Gás. - Graduação: Administração, Ciências Contábeis, Direito, Educação Física, Enfermagem, Fisioterapia - Pós-graduação: Administração Estratégica; Análise, Projeto e Gerência de Sistemas; Desenvolvimento Java; Gestão de Petróleo e Gás; Enfermagem Neonatal e Pediátrica; Educação Física Escolar com Ênfase em Aventura e Ludicidade. - Politécnico: Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Automação Industrial, Gestão comercial, Gestão de Recursos Humanos, Gestão de Segurança do Trabalho, Petróleo e gás, Radiologia, Sistemas Biomédicos. - Graduação: Administração, Ciências Contábeis, Direito, História, Letras Pedagogia e Sistemas de Informação - Politécnico: Tecnologia e Gestão para Indústria de Petróleo e Gás; Tecnologia em Logística Empresarial; Recursos Humanos; Redes de Computadores - Graduação: Biotecnologia, Tecnologia e Gestão em Construção Naval e Offshore, Tecnologia em

12 - Universidade Estácio de Sá

Santa Cruz

Bangu

Campo Grade

13 - Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO) (Assoc. a Faetec)

Campo Grande

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1 - Escola Técnica Estatual (ETE – Santa Cruz)

2 - Cima Escola Técnica 3 - Centro de Formação Profissional Bezerra de Araújo 4 - Escola Técnica Electra 5 - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC Campo Grande) 6 - Escola de Instrução Especializada 7 - Organização Brasileira de EnsinoORBRE 8 - Centro de Formação Profissional Santa Cruz Ltda 9 - Escola Técnica de Comercio Santa Cruz 10 - Idéias e Ideais Ltda 11 - Araci da Silva Neta 12 - Colégio Rio da Prata

Produção de Fármacos, Tecnologia em Produção de Polímeros, Tecnologia em Produção Siderúrgica, Tecnologia em Sistemas da Informação; Formação de professores (Educação Infantil e Ensino Fundamental) e Normal Superior Nível Técnico Santa Cruz - Cursos técnicos concomitantes com o ensino médio em: eletromecânica, enfermagem, informática e segurança do trabalho. - Centro de Esportes: Ballet, Basquetebol, Capoeira, Capoeira Adaptada, Dança, Futebol de Campo, Futsal, Ginástica, Handebol, Hidroginástica, Jazz, Jiu-jitsu, Natação, TaeKwon-Do, Vôlei. - Centro de Informática: Acess (Banco de Dados), Informática I (Windows e Word), Informática II (Excel e Power Point), Montagem e manutenção de micro - Escola de Ensino Industrial (ESEI): Eletrônica Básica, Instalações Elétricais Prediais, Mecânica de autos, Mecânica Industrial Básica, Refrigeração, Solda Eletrodo Revestido. - Centro Cultural: Canto Coral, Coral, Corte e Costura, Oficina de Bijuteria em Crochê, Oficina de Ponto Cruz. - Oficina de Idiomas: Espanhol, Inglês, Inglês Instrumental - Centro de Ensino: Matemática Financeira I e II, Português, Produção de Textos, Técnicas de Redação. Campo Grande Cursos não listados Campo Grande Cursos não listados Campo Grande Realengo Realengo Santa Cruz Santa Cruz Campo Grande Bangu Bangu Bangú Cursos não listados Cursos não listados Cursos não listados Cursos não listados Cursos não listados Cursos não listados Cursos não listados Cursos não listados Cursos não listados

Fonte: Elaboração própria com base na telelista.net, da Faetec, do INEP e no site das próprias instituições

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Anexo 5 – Empresas Associadas à AEDIN (Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz)

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Tabela 1 – Relação de empresas associadas à AEDIN Nome Gerdau Aços Longos Furnas Centrais Elétricas S.A. Morganite Brasil Ltda Linde Gases Ltda Sicpa Brasil Ind. de Tintas e Sistemas Ltda Michelin Indústria e Comércio Ltda Valesul Alumínio Casa da Moeda do Brasil Fabrica Carioca de Catalisadores Pan-Americana Indústrias Químicas Rexam Beverage Can América S.A. South Emanuelle Locadora de Veículos Ltda Transcor Indústria de Pigmentos e Corantes Eka Chemicals do Brasil S.A Thikssen Krupp CSA Siderúrgica do Atlântico Haztec Tecnologia e Planejamento
Fonte: Elaboração própria com base em dados da AEDIN

Grupo Gerdau Eletrobrás Morgan AGA Sicpa - Suíça Michelin Valesul Estatal Petrobrás – Akzo - Oxiteno Pan-Americana Bradesco e Alcoa Transcor Eka Thyssen Krupp Haztec

Ano de instalação Siderurgia 1961 Energia elétrica 1963 Isolantes térmicos, fibras e cerâmicas 1973 Gases industriais 1974 Tintas e vernizes 1977 Pneus 1981 Alumínio 1982 Cédulas, moedas, selos, certificados, passaportes, etc. 1983 Catalisadores para indústria 1985 Resinas 1990 Embalagens de alumínio 1995 Locadora de Veículos 2004 Tintas e corantes 2004 Sílica Coloidal 2006 Siderurgia 2006 Tratamento de efluentes e resíduos sólidos 2008 Atividade/Produto

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Anexo 6 – Análise dos Dados da RAIS por Região Administrativa Pesquisada - Bangu

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Análise dos dados de estabelecimento e emprego segundo as regiões administrativas (RA) e bairros da Zona Oeste - Bangu
Lia Hasenclever 11 Rodrigo Lopes¹¹ A XVII Região Administrativa de Bangu é uma das 34 existentes no Município do Rio de Janeiro (MRJ) e uma das 10 localizadas na Zona Oeste do MRJ. É formada pelos bairros de Bangu, Padre Miguel e Senador Camará. Qual é o número de estabelecimentos formais, quais os setores com maior número de estabelecimentos, e qual a representatividade da RA de Bangu na Zona Oeste e no MRJ? Que setores são mais especializados na RA de Bangu do que na Zona Oeste e no MRJ em número de estabelecimentos? Tabela 1- Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia, 2006
Indústria Extrativa e de Transformação Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria da madeira e do mobiliário Indústria metalúrgica Indústria de calçados Extrativa mineral Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria do material de transporte Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Indústria mecânica Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Ensino Serviços médicos, odontológicos e veterinários Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Transportes e comunicaçoes Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Administraçao pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total Bangu Estab. (1) % 164 7,1 10 0,4 42 1,8 8 0,3 26 1,1 1 0,0 3 0,1 16 0,7 0 0,0 17 0,7 8 0,3 11 0,5 3 0,1 19 0,8 3 0,1 50 2,2 1.056 46,0 954 41,5 102 4,4 1.022 44,5 133 5,8 184 8,0 357 15,5 78 3,4 26 1,1 244 10,6 0 0,0 3 0,1 2.298 100,0 Zona Oeste¹ Estab. (2) % 627 7,5 44 0,5 163 2,0 34 0,4 89 1,1 3 0,0 9 0,1 63 0,8 11 0,1 84 1,0 30 0,4 33 0,4 9 0,1 55 0,7 15 0,2 201 2,4 4.102 49,1 3.792 45,4 310 3,7 3.370 40,3 504 6,0 604 7,2 1.187 14,2 221 2,6 111 1,3 739 8,8 4 0,0 37 0,4 8.352 100,0 MRJ Estab. (3) % 6.744 5,8 236 0,2 1.097 0,9 254 0,2 708 0,6 33 0,0 106 0,1 754 0,7 133 0,1 1.110 1,0 409 0,4 599 0,5 176 0,2 1.129 1,0 168 0,1 2.745 2,4 37.173 32,1 32.267 27,9 4.906 4,2 68.567 59,2 3.110 2,7 8.675 7,5 17.556 15,2 4.088 3,5 2.605 2,3 32.230 27,8 303 0,3 333 0,3 115.730 100,0 Participação (%) (1)/(2) 26,2 22,7 25,8 23,5 29,2 33,3 33,3 25,4 0,0 20,2 26,7 33,3 33,3 34,5 20,0 24,9 25,7 25,2 32,9 30,3 26,4 30,5 30,1 35,3 23,4 33,0 0,0 8,1 27,5 (1)/(3) 2,4 4,2 3,8 3,1 3,7 3,0 2,8 2,1 0,0 1,5 2,0 1,8 1,7 1,7 1,8 1,8 2,8 3,0 2,1 1,5 4,3 2,1 2,0 1,9 1,0 0,8 0,0 0,9 2,0

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 1- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Observando a Tabela 1, a região administrativa (RA) de Bangu possuía em 2006, segundo a RAIS, 2.298 estabelecimentos formais, o que representavam 27,5% dos estabelecimentos da Zona Oeste e 2% do total do MRJ. Analisando a distribuição dos estabelecimentos por atividade econômica, observa-se que, acompanhando a região da Zona Oeste, o comércio
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Respectivamente, professora e mestrando do Instituto de Economia da UFRJ.

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varejista é a atividade que ocupa a primeira posição com 41,5% dos estabelecimentos da RA de Bangu. Em segundo lugar aparece a atividade de serviços de alojamento, alimentação e reparação com 15,5% e em terceiro lugar comércio e administração de imóveis com 10,6% dos estabelecimentos. Esse ordenamento dos principais setores por número de estabelecimento na RA de Bangu se assemelha ao observado na Zona Oeste como um todo, mas difere do MRJ. Em relação à indústria, o principal setor em termos de estabelecimentos é alimentos e bebidas com 1,8% dos estabelecimentos, o que também segue o padrão da Zona Oeste. (ver Tabela 1) Analisando a representatividade dos setores da RA de Bangu em relação à Zona Oeste, observa-se que variam entre 8,1% (setor agrícola e extrativista vegetal) e 35,3% (transporte e comunicação). Na indústria o destaque é para o setor de papel e gráfica, com 34,5% dos estabelecimentos da Zona Oeste, de calçados e extrativo mineral com 33,3% cada. Em relação à representatividade dos setores no MRJ, segundo o número de estabelecimentos, o mais representativo é ensino, onde se encontram 4,3% dos estabelecimentos do município. Seguem a ele, minerais não-metálicos (4,2%), alimentos e bebidas (3,8%), metalurgia (3,7%) e madeira e mobiliário (3,1%). O setor de comércio varejista, primeiro no número absoluto de estabelecimentos aparece apenas na sétima posição com 3% dos estabelecimentos do município. Os únicos setores não encontrados na RA de Bangu são: material de transporte e administração pública direta. Qual é o número de empregos formais, quais os setores que mais geram empregos e qual a representatividade da RA de Bangu na Zona Oeste e no MRJ? Que setores são mais especializados na RA de Bangu do que na Zona Oeste e no MRJ na geração de empregos? Observando a Tabela 2, a região administrativa (RA) de Bangu possuía em 2006, segundo a RAIS, 28.633 empregos formais, o que representavam 25,2% dos empregos da Zona Oeste e 1,5% do total do MRJ. Analisando a distribuição dos empregos por atividade econômica, observa-se que o principal empregador na RA de Bangu é o setor de comércio com 28,3% dos empregos da RA, seguido por transporte e comunicações, com 15,5%, e serviços de alojamento, alimentação e reparação com 14,3%. Em relação à indústria, o principal empregador (quarto no geral) é o setor de alimentos e bebidas responsável por 10,6% dos empregos da RA. Comparando com a Zona Oeste observa quase a mesma ordem dos setores principais em termos de empregos, a diferença fica por conta da inversão entre as posições do

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setor de ensino e alimentos e bebidas e pela distribuição mais equilibrada dos empregos pelos setores na Zona Oeste. Tabela 2- Número de empregos e participação relativa por setor da economia, 2006
Bangu Empr. (1) 4.904 139 157 64 3.023 40 344 623 269 0 179 5 61 0 6 423 8.942 8.106 836 14.355 2.208 4.426 1.598 4.087 351 1.685 0 3 28.633 % 17,1 0,5 0,5 0,2 10,6 0,1 1,2 2,2 0,9 0,0 0,6 0,0 0,2 0,0 0,0 1,5 31,2 28,3 2,9 50,1 7,7 15,5 5,6 14,3 1,2 5,9 0,0 0,0 100,0 Zona Oeste¹ Empr. (2) 19.838 3.452 910 512 5.334 1.462 2.518 2.829 995 566 1.117 54 88 1 314 2.391 36.507 32.797 3.710 54.404 11.520 12.615 6.119 13.303 1.573 6.848 2.426 107 113.561 % 17,5 3,0 0,8 0,5 4,7 1,3 2,2 2,5 0,9 0,5 1,0 0,0 0,1 0,0 0,3 2,1 32,1 28,9 3,3 47,9 10,1 11,1 5,4 11,7 1,4 6,0 2,1 0,1 100,0 MRJ Empr. (3) 166.616 12.530 4.744 2.742 34.796 11.346 20.121 24.444 10.694 6.719 20.253 4.338 13.318 571 31.425 72.978 326.497 268.394 58.103 1.362.737 97.165 135.545 80.573 254.129 58.652 316.120 420.553 1.761 1.962.014 % 8,5 0,6 0,2 0,1 1,8 0,6 1,0 1,2 0,5 0,3 1,0 0,2 0,7 0,0 1,6 3,7 16,6 13,7 3,0 69,5 5,0 6,9 4,1 13,0 3,0 16,1 21,4 0,1 100,0 Participação (%) (1)/(2) 24,7 4,0 17,3 12,5 56,7 2,7 13,7 22,0 27,0 0,0 16,0 9,3 69,3 0,0 1,9 17,7 24,5 24,7 22,5 26,4 19,2 35,1 26,1 30,7 22,3 24,6 0,0 2,8 25,2 (1)/(3) 2,9 1,1 3,3 2,3 8,7 0,4 1,7 2,5 2,5 0,0 0,9 0,1 0,5 0,0 0,0 0,6 2,7 3,0 1,4 1,1 2,3 3,3 2,0 1,6 0,6 0,5 0,0 0,2 1,5 Indústria Extrativa e de Transformação Indústria metalúrgica Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria da madeira e do mobiliário Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria mecânica Indústria do material de transporte Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Extrativa mineral Indústria de calçados Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Ensino Transportes e comunicaçoes Serviços médicos, odontológicos e veterinários Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Administraçao pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 1- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Analisando a representatividade dos setores da RA de Bangu em relação a Zona Oeste, no tocante ao empregos, observa-se que variam entre 2,7% (indústria de borracha, fumo, couro e indústria diversas) e 69,3% (indústria extrativa mineral). Ainda merecem destaque os setores: alimentos e bebidas (56,7%), transporte e comunicações (35,1%), serviços de alojamento, alimentação e reparação (30,7%), indústria mecânica (27,0%) e serviços médicos, odontológicos e veterinários (26,1%). Em relação à representatividade dos setores no MRJ, segundo o número de empregos, o destaque é para o setor de alimentos e bebidas que detém 8,7% dos empregos do município no setor (o que representa quase 6 vezes a participação geral de Bangu nos empregos municipais – 8,7% contra 1,5%). Na seqüência os setores mais representativos são: minerais nãometálicos (3,3%), transporte e comunicações (3,3%), comércio varejista (3,0%), indústria química (2,5%) e mecânica (2,5%). Além dos setores inexistentes na RA, os setores de calçados e de material elétrico e de comunicações praticamente não geram empregos na região por se tratarem de estabelecimentos de micro porte.

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Qual é o tamanho típico dos estabelecimentos predominante na RA de Bangu? Qual o tipo de estabelecimento que gera mais empregos? Que semelhanças e diferenças a RA de Bangu apresentam em relação à Zona Oeste e ao MRJ? Tabela 3 - Número e distribuição de estabelecimentos e empregos por tamanho* para os bairros selecionados, 2006
ESTABELECIMENTOS Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Total Zona Oeste** (1) Total MRJ (2) Participação % - (1) / (2) Micro Pequeno (0 a 9) (10 a 49) 1.786 420 1.343 333 287 60 156 27 6.436 1.580 90.745 20.553 7,1 7,7 Micro Pequeno (0 a 9) (10 a 49) 5.431 8.095 4.153 6.421 777 1191 501 483 19.883 30.717 264.104 405.826 7,5 7,6 Médio (50 a 249) 77 62 10 5 284 3.608 7,9 Médio (50 a 249) 7.021 5.423 834 764 28.390 356.440 8,0 Grande (> 250) 15 12 2 1 52 824 6,3 Total 2.298 1.750 359 189 8.352 115.730 7,2 Participação Zona Oeste (%) MRJ (%) 27,5 2,0 21,0 1,5 4,3 0,3 2,3 0,2 100,0 7,2 100,0 Participação Zona Oeste (%) MRJ (%) 25,2 1,5 20,4 1,2 3,0 0,2 1,8 0,1 100,0 5,8 100,0 -

EMPREGOS Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Total Zona Oeste** (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2)

Grande (> 250) Total 8.086 28.633 7.175 23.172 647 3.449 264 2.012 34.571 113.561 935.644 1.962.014 3,7 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 * Utilizou-se a variável emprego para tamanho, conforme intervalos indicados na Tabela ** Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Na Tabela 3 acima, podemos observar que, em relação ao tamanho dos estabelecimentos, a maior parcela dos estabelecimentos da RA de Bangu tem entre 0 e 9 empregos e está classificada como de micro porte, com 1.786 estabelecimentos (78% do total). Os estabelecimentos de pequeno, médio e grande porte respondem, respectivamente, por 18,3%, 3,4% e 0,6% dos 2.298 estabelecimentos da RA. O principal bairro da RA é Bangu com 1.750 estabelecimentos, ou seja, responde por 21% dos estabelecimentos da Zona Oeste e 1,5% dos estabelecimentos do MRJ. Comparando a RA de Bangu com a Zona Oeste e com o MRJ notase que os três seguem o mesmo padrão de distribuição dos estabelecimentos segundo tamanho, onde os de micro porte são a principal parcela. Já analisando os empregos na RA de Bangu, encontra-se que os estabelecimentos de pequeno e grande porte dividem a liderança na geração de empregos com 28,3% dos 28.633 empregos da RA, cada um. Os estabelecimentos de micro e médio porte são responsáveis respectivamente por 18,9% e 24,5% dos empregos, respectivamente. O principal bairro da RA é Bangu com 23.172 empregos, ou seja, responde por 20% dos empregos da Zona Oeste e

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1,2% dos empregos do MRJ. Analisando o perfil dos bairros nota-se que pequenas diferenças entre eles na geração de empregos. Em Bangu, onde se localiza o maior número de empregos, o principal gerador de empregos são os estabelecimentos de grande porte seguidos de perto pelos de pequeno porte, em Padre Miguel são os de pequeno porte e em Senador Camará os de médio porte. Comparando a RA de Bangu com a Zona Oeste e com o MRJ nota-se uma diferença no grau de importância dos pequenos estabelecimentos na geração de empregos, enquanto esse tipo de estabelecimento divide a liderança com os grandes na RA de Bangu, na Zona Oeste e no MRJ ele fica em segundo lugar com uma participação relativamente menor. Qual o nível de escolaridade predominante exigido pelos empregos formais na RA de Bangu? Quais as semelhanças e diferenças com a Zona Oeste e com o MRJ? Tabela 4 - Número de empregos segundo grau de instrução do empregado, para os bairros selecionados, 2006
Bangu Bangu Padre Miguel Senador Câmara Total Zona Oeste* (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2) Fundamental 12.079 9.764 1519 796 46.468 668.093 7,0 Médio 12.350 10.281 1.270 799 51.456 776.307 6,6 Superior 4.188 3.115 656 417 15.332 512.709 3,0 Pós-grad. Total 16 28.633 12 23.172 4 3.449 0 2.012 305 113.561 4.905 1.962.014 6,2 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 * Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Na Tabela 4, observa-se a distribuição dos empregos por grau de escolaridade dos empregados. Os empregados com ensino fundamental e médio dividem a liderança na RA de Bangu, (42,2% e 43,1% dos 28.633 empregos) com uma pequena vantagem para os empregos de nível médio. Os empregados com nível superior respondem pelos 14,7% restantes e o número de pós-graduados é irrisório. Analisando a qualificação da mão-de-obra conforme o bairro da RA, temos que em Bangu o maior número de empregados possui o nível médio, já em Padre Miguel essa liderança pertence aos empregados com até o nível fundamental e em Senador Camará o quadro assemelha-se ao encontrado na RA. Qual a faixa etária predominante entre os trabalhadores da RA de Bangu? Quais as diferenças e semelhanças com a Zona Oeste e com o MRJ? Analisando a Tabela 5 verifica-se que 49% dos 28.633 empregos da RA de Bangu encontramse na faixa entre 25 e 39 anos, sendo esta a principal faixa etária. Em segundo lugar está a faixa de empregados entre 40 e 64 anos com 32%, seguida por menos de 24 anos (18,4%) e

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com mais de 65 anos (0,7%). Essa distribuição segundo a faixa etária repete-se em todos os bairros da RA. O mesmo ocorre quando comparamos a RA de Bangu com a Zona Oeste e o MRJ. Tabela 5 - Número de empregos segundo faixa etária do empregado, nos bairros selecionados, 2006
até 24 anos Bangu 5.259 Bangu 4.326 Padre Miguel 588 Senador Camará 345 Total Zona Oeste* (1) 20.906 Total Rio de Janeiro (2) 265.400 Participação % - (1) / (2) 7,9 25 a 39 40 a 64 anos anos 14.042 9.139 11.511 7.194 1.532 1.297 999 648 55.371 36.672 868.004 802.582 6,4 4,6 65 ou mais 191 140 31 20 610 25.966 2,3 ignorado Total 2 28.633 1 23.172 1 3.449 0 2.012 2 113.561 62 1.962.014 3,2 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 *- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Qual a faixa de remuneração mensal predominante na RA de Bangu? Quais as diferenças e semelhanças com a Zona Oeste e o MRJ? Tabela 6 - Número de empregos por faixa de remuneração nos bairros selecionados, 2006
de 3 a 5 de 5 a 10 até 3 s.m. s.m. s.m. 22.274 3.666 1.746 17.676 3.249 1.544 3.013 244 95 1.585 173 107 85.737 13.817 8.901 1.158.187 330.031 271.505 7,4 4,2 3,3 mais de total 10 s.m. ignorado 543 404 28.633 414 289 23.172 23 74 3.449 106 41 2.012 3.502 1.604 113.561 182.998 19.293 1.962.014 1,9 8,3 5,8

Bangu Bangu Padre Miguel Senador Camará Total Zona Oeste* (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2)

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 *- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Por fim analisando a Tabela 6, nota-se que a principal faixa de remuneração salarial mensal na RA de Bangu em 2006 foi até 3 salários-mínimos (s.m.) com 22.274 empregos (77,8%). Na seqüência temos as faixa de 3 a 5 s.m. (12,8%), de 5 a 10 s.m. (6,1%) e acima de 10 s.m. (1,9%). Esse perfil salarial é compartilhado por todos os bairros pertencentes a RA. Destaque apenas para Padre Miguel onde a participação dos empregos de até 3 s.m. alcança 87,5% dos empregos. Comparando com a Zona Oeste, a RA de Bangu possui um perfil salarial semelhante, entretanto se comparar a RA com o MRJ a participação dos empregos com remuneração de até 3 s.m é muito menor no MRJ, 59% contra 77,8%. A participação elevada do número de empregos de remuneração mais baixa corrobora com a participação mais elevada de empregos com menor grau de instrução.

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Anexo 7 – Análise dos Dados da RAIS por Região Administrativa Pesquisada – Campo Grande

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Análise dos dados de estabelecimento e emprego segundo as regiões administrativas (RA) e bairros da Zona Oeste - Campo Grande
Lia Hasenclever Rodrigo Lopes A XVIII Região Administrativa de Campo Grande é uma das 34 existentes no Município do Rio de Janeiro (MRJ) e uma das 10 localizadas na Zona Oeste do MRJ. É formada pelos bairros de Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba, Santíssimo e Senador Vasconcelos. Qual é o número de estabelecimentos formais, quais os setores com maior número de estabelecimentos, e qual a representatividade da RA de Campo Grande na Zona Oeste e no MRJ? Que setores são mais especializados na RA de Campo Grande do que na Zona Oeste e no MRJ em número de estabelecimentos? Tabela 1- Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia, 2006
Campo Grande Estab. (1) % Indústria Extrativa e de Transformação 230 6,4 Indústria de produtos minerais nao metálicos 22 0,6 Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico 56 1,6 Indústria da madeira e do mobiliário 14 0,4 Indústria metalúrgica 30 0,8 Indústria de calçados 2 0,1 Extrativa mineral 5 0,1 Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... 22 0,6 Indústria do material de transporte 3 0,1 Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos 37 1,0 Indústria mecânica 10 0,3 Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas 7 0,2 Indústria do material elétrico e de comunicaçoes 3 0,1 Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica 19 0,5 Serviços industriais de utilidade pública 6 0,2 Construçao civil 82 2,3 Comércio 1.857 51,4 Comércio varejista 1.726 47,8 Comércio atacadista 131 3,6 Serviços 1.419 39,3 Ensino 193 5,3 Serviços médicos, odontológicos e veterinários 294 8,1 Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... 479 13,3 Transportes e comunicaçoes 82 2,3 Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao 52 1,4 Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... 318 8,8 Administraçao pública direta e autárquica 1 0,0 Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... 18 0,5 Total 3.612 100,0 Zona Oeste¹ Estab. (2) 627 44 163 34 89 3 9 63 11 84 30 33 9 55 15 201 4.102 3.792 310 3.370 504 604 1.187 221 111 739 4 37 8.352 % 7,5 0,5 2,0 0,4 1,1 0,0 0,1 0,8 0,1 1,0 0,4 0,4 0,1 0,7 0,2 2,4 49,1 45,4 3,7 40,3 6,0 7,2 14,2 2,6 1,3 8,8 0,0 0,4 100,0 MRJ Estab. (3) 6.744 236 1.097 254 708 33 106 754 133 1.110 409 599 176 1.129 168 2.745 37.173 32.267 4.906 68.567 3.110 8.675 17.556 4.088 2.605 32.230 303 333 115.730 % 5,8 0,2 0,9 0,2 0,6 0,0 0,1 0,7 0,1 1,0 0,4 0,5 0,2 1,0 0,1 2,4 32,1 27,9 4,2 59,2 2,7 7,5 15,2 3,5 2,3 27,8 0,3 0,3 100,0 Participação (%) (1)/(2) 36,7 50,0 34,4 41,2 33,7 66,7 55,6 34,9 27,3 44,0 33,3 21,2 33,3 34,5 40,0 40,8 45,3 45,5 42,3 42,1 38,3 48,7 40,4 37,1 46,8 43,0 25,0 48,6 43,2 (1)/(3) 3,4 9,3 5,1 5,5 4,2 6,1 4,7 2,9 2,3 3,3 2,4 1,2 1,7 1,7 3,6 3,0 5,0 5,3 2,7 2,1 6,2 3,4 2,7 2,0 2,0 1,0 0,3 5,4 3,1

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 1- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Observando a Tabela 1, a RA de Campo Grande possuía em 2006, segundo a RAIS, 3.612 estabelecimentos formais, o que representavam 43,2% dos estabelecimentos da Zona Oeste e 3,1% do total do MRJ. Analisando a distribuição dos estabelecimentos por atividade econômica, observa-se que, acompanhando a região da Zona Oeste, o comércio varejista é a atividade que ocupa a primeira posição com 47,8% dos estabelecimentos da RA. Em segundo

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lugar aparece a atividade de serviços de alojamento, alimentação e reparação com 13,3% e em terceiro lugar comércio e administração de imóveis com 8,8% dos estabelecimentos. Esse ordenamento dos principais setores por número de estabelecimento na RA de Campo Grande se assemelha ao observado na Zona Oeste como um todo, mas difere do MRJ onde o setor de comércio e administração de imóveis é muito mais importante que o setor de serviços de alojamento, alimentação e reparação. Em relação à indústria, o principal setor em termos de estabelecimentos é alimentos e bebidas com 1,6% dos estabelecimentos, o que também segue o padrão da Zona Oeste. (ver Tabela 1) Analisando a representatividade dos setores da RA de Campo Grande em relação a Zona Oeste, observa-se que variam entre 21,2% (indústria de borracha, couro, fumo e indústrias diversas) e 66,7% (indústria de calçados). Ainda merecem destaque os setores: extrativo mineral (55,6%), minerais não metálicos (50,0%), serviços médicos, odontológicos e veterinários (48,7%), agricultura, pecuária e extrativa vegetal (48,6%), instituições financeiras (46,8%), comércio varejista (45,5%) e têxtil e vestuário (44,0%). Em relação à representatividade dos setores no MRJ, segundo o número de estabelecimentos, o destaque é para os setores industriais, dos seis setores mais representativos na RA de Campo Grande, quatro são da indústria, com destaque para os setores de minerais não-metálicos (9,3%), calçados (6,1%), madeira e mobiliário (5,5%) e alimentos e bebidas (5,1%). Os dois setores não industriais de maior representatividade são ensino (segundo lugar com 6,2%) e comércio varejista (quinto mais representativo com 5,3%). Na RA de Campo Grande todos os setores da economia estão presentes. Qual é o número de empregos formais, quais os setores que mais geram empregos e qual a representatividade da RA de Campo Grande na Zona Oeste e no MRJ? Que setores são mais especializados na RA de Campo Grande do que na Zona Oeste e no MRJ na geração de empregos? Observando a Tabela 2, RA de Campo Grande possuía em 2006, segundo a RAIS, 45.630 empregos formais, o que representavam 40,2% dos empregos da Zona Oeste e 2,3% do total do MRJ. Analisando a distribuição dos empregos por atividade econômica, observa-se que o principal empregador na RA de Campo Grande é o setor de comércio varejista com 33,3% dos empregos da RA, seguido por ensino, com 12,7%, e serviços de alojamento, alimentação e reparação com 12,2%. Em relação à indústria, o principal empregador (oitavo no geral) é o setor de alimentos e bebidas responsável por 3,4% dos empregos da RA, seguido de perto

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pela indústria química-farmacêutica com 2,5% dos empregos. Comparando com a Zona Oeste observa-se o mesmo setor liderando (comércio varejista), porém a ordem dos setores seguintes diverge, com destaque para a maior importação do setor de ensino na geração de empregos e a menor importância da indústria. Tabela 2- Número de empregos e participação relativa por setor da economia, 2006
Campo Grande Empr. (1) 5.174 433 505 152 1.531 367 143 1.159 242 136 450 30 25 1 131 1.244 17.514 15.174 2.340 21.516 5.799 4.171 2.499 5.585 685 2.475 302 51 45.630 % 11,3 0,9 1,1 0,3 3,4 0,8 0,3 2,5 0,5 0,3 1,0 0,1 0,1 0,0 0,3 2,7 38,4 33,3 5,1 47,2 12,7 9,1 5,5 12,2 1,5 5,4 0,7 0,1 100,0 Zona Oeste¹ Empr. (2) 19.838 3452 910 512 5334 1462 2518 2829 995 566 1117 54 88 1 314 2391 36.507 32.797 3710 54.404 11.520 12.615 6.119 13.303 1.573 6.848 2.426 107 113.561 % 17,5 3,0 0,8 0,5 4,7 1,3 2,2 2,5 0,9 0,5 1,0 0,0 0,1 0,0 0,3 2,1 32,1 28,9 3,3 47,9 10,1 11,1 5,4 11,7 1,4 6,0 2,1 0,1 100,0 MRJ Empr. (3) 166.616 12.530 4.744 2.742 34.796 11.346 20.121 24.444 10.694 6.719 20.253 4.338 13.318 571 31.425 72.978 326.497 268.394 58.103 1.362.737 97.165 135.545 80.573 254.129 58.652 316.120 420.553 1.761 1.962.014 % 8,5 0,6 0,2 0,1 1,8 0,6 1,0 1,2 0,5 0,3 1,0 0,2 0,7 0,0 1,6 3,7 16,6 13,7 3,0 69,5 5,0 6,9 4,1 13,0 3,0 16,1 21,4 0,1 100,0 Participação (%) (1)/(2) 26,1 12,5 55,5 29,7 28,7 25,1 5,7 41,0 24,3 24,0 40,3 55,6 28,4 100,0 41,7 52,0 48,0 46,3 63,1 39,5 50,3 33,1 40,8 42,0 43,5 36,1 12,4 47,7 40,2 (1)/(3) 3,1 3,5 10,6 5,5 4,4 3,2 0,7 4,7 2,3 2,0 2,2 0,7 0,2 0,2 0,4 1,7 5,4 5,7 4,0 1,6 6,0 3,1 3,1 2,2 1,2 0,8 0,1 2,9 2,3 Indústria Extrativa e de Transformação Indústria metalúrgica Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria da madeira e do mobiliário Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria mecânica Indústria do material de transporte Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Extrativa mineral Indústria de calçados Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Ensino Transportes e comunicaçoes Serviços médicos, odontológicos e veterinários Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Administraçao pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 1- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Analisando a representatividade dos setores da RA de Campo Grande em relação a Zona Oeste, no tocante ao empregos, observa-se que variam entre 5,7% (indústria papel e gráfica) e 100% (indústria de calçados). Ainda merecem destaque os setores: comércio atacadista (63,1%), material elétrico e de comunicações (55,6%), minerais não-metálicos (55,5%), construção civil (52,0%) e ensino (50,3%). Todos com representatividade superior a 50% nos empregos do setor na Zona Oeste. Em relação à representatividade dos setores no MRJ, segundo o número de empregos, o destaque é para o setor de minerais não metálicos que detém 10,6% dos empregos do município no setor (o que representa quase 5 vezes a participação geral de Campo Grande nos empregos municipais – 10,6% contra 2,3%). Na seqüência os setores mais representativos são: ensino (6,0%), comércio varejista (5,7%), madeira e mobiliário (5,5%), indústria química-farmacêutica (4,7%) e alimentos e bebidas (4,4%). O único setor que apresenta números inexpressivos de empregos é o de calçados por ser composto essencialmente de estabelecimentos de micro porte.

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Qual é o tamanho típico dos estabelecimentos predominante na RA de Campo Grande? Qual o tipo de estabelecimento que gera mais empregos? Que semelhanças e diferenças a RA de Campo Grande apresentam em relação à Zona Oeste e ao MRJ? Tabela 3 - Número e distribuição de estabelecimentos e empregos por tamanho* para os bairros selecionados, 2006
Participação Micro Pequeno Médio (0 a 9) (10 a 49) (50 a 249) 2.389 586 116 73 21 3 90 28 4 94 25 4 127 29 4 6.436 1.580 284 90.745 20.553 3.608 7,1 7,7 7,9 Grande (> 250) 16 2 0 1 0 52 824 6,3 Zona Oeste MRJ (%) (%) 37,2 2,7 1,2 0,1 1,5 0,1 1,5 0,1 1,9 0,1 100,0 7,2 - 100,0 Participação Zona Micro Pequeno Médio Grande Oeste MRJ (0 a 9) (10 a 49) (50 a 249) (> 250) Total (%) (%) 7.437 11.669 11.162 7.189 37.457 33,0 1,9 221 370 197 2.508 3.296 2,9 0,2 287 507 322 0 1.116 1,0 0,1 281 497 366 1.309 2.453 2,2 0,1 374 491 443 0 1.308 1,2 0,1 19.883 30.717 28.390 34.571 113.561 100,0 5,8 264.104 405.826 356.440 935.644 1.962.014 - 100,0 7,5 7,6 8,0 3,7 5,8 -

ESTABELECIMENTOS Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Total Zona Oeste (1) Total MRJ (2) Participação % - (1) / (2)

Total 3.107 99 122 124 160 8.352 115.730 7,2

EMPREGOS Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Total Zona Oeste (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2)

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 * Utilizou-se a variável emprego para tamanho, conforme intervalos indicados na Tabela ** Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Na Tabela 3 acima, podemos observar que, em relação ao tamanho dos estabelecimentos, a maior parcela dos estabelecimentos da RA de Campo Grande tem entre 0 e 9 empregos e está classificada como de micro porte, com 2.773 estabelecimentos (76,8% do total). Os estabelecimentos de pequeno, médio e grande porte respondem, respectivamente, por 19,1%, 3,6% e 0,5% dos 3.612 estabelecimentos da RA. O principal bairro da RA é Campo Grande com 3.107 estabelecimentos, ou seja, responde por 37,2% dos estabelecimentos da Zona Oeste e 2,7% dos estabelecimentos do MRJ. Comparando a RA de Campo Grande com a Zona Oeste e com o MRJ nota-se que os três seguem o mesmo padrão de distribuição dos estabelecimentos segundo tamanho, onde os de micro porte são a principal parcela. Já analisando os empregos na RA de Campo Grande, encontra-se que os estabelecimentos de pequeno, médio e grande porte são os principais geradores de empregos com 29,7%, 27,4% e

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24,1% dos 45.630 empregos da RA, respectivamente. O principal bairro da RA é Campo Grande com 37.457 empregos, ou seja, responde por 33% dos empregos da Zona Oeste e 1,9% dos empregos do MRJ. Analisando o perfil dos bairros nota-se grandes diferenças entre eles. Em Campo Grande se tem uma forte participação dos pequenos e médios estabelecimentos na geração de empregos. Já em Cosmos e Santíssimos devido a presença de grandes estabelecimentos esses são os maiores responsáveis pela geração dos empregos. Já em Inhoaíba e em Senador Vasconcelos destaca-se a ausência de grandes estabelecimentos e a distribuição dos empregos de forma mais eqüitativa entre os demais portes de estabelecimentos, com leve vantagem para os de pequeno porte em Inhoaíba. Qual o nível de escolaridade predominante exigido pelos empregos formais na RA de Campo Grande? Quais as semelhanças e diferenças com a Zona Oeste e com o MRJ? Tabela 4 - Número de empregos segundo grau de instrução do empregado, para os bairros selecionados, 2006
Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Total Zona Oeste* (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2) Fundamental 18.291 14.345 1280 537 1.592 537 46.468 668.093 7,0 Médio 21.225 18.147 1.320 494 633 631 51.456 776.307 6,6 Superior 6.081 4.935 695 85 227 139 15.332 512.709 3,0 Pós-grad. Total 33 45.630 30 37.457 1 3.296 0 1.116 1 2.453 1 1.308 305 113.561 4.905 1.962.014 6,2 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 * Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Na Tabela 4, observa-se a distribuição dos empregos por grau de escolaridade dos empregados. Os empregados com ensino fundamental e médio dividem a liderança na RA de Campo Grande, (40,0% e 46,5% dos 45.633 empregos) com uma vantagem para os empregos de nível médio. Os empregados com nível superior respondem pelos 13,3% restantes e o número de pós-graduados apesar de pequeno representa 10,8% dos empregados pósgraduados da Zona Oeste. Analisando a qualificação da mão-de-obra conforme o bairro da RA, temos que em Campo Grande, Cosmos e Senador Vasconcelos apresentam maior concentração de empregados com o nível médio, seguido de perto daqueles com nível fundamental. Já em Inhoaíba e Santíssimo prevalecem os empregados com ensino fundamental, principalmente neste segundo. Outro destaque é para Campo Grande que concentra praticamente todos os empregados com pós-graduação da RA.

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Qual a faixa etária predominante entre os trabalhadores da RA de Campo Grande? Quais as diferenças e semelhanças com a Zona Oeste e com o MRJ? Tabela 5 - Número de empregos segundo faixa etária do empregado, nos bairros selecionados, 2006
até 24 anos Campo Grande 9.690 Campo Grande 8.410 Cosmos 467 Inhoaiba 232 Santissimo 341 Senador Vasconcelos 240 Total Zona Oeste* (1) 20.906 Total Rio de Janeiro (2) 265.400 Participação % - (1) / (2) 7,9 25 a 39 40 a 64 anos anos 22.745 12.991 18.504 10.379 1.735 1.080 552 326 1.301 800 653 406 55.371 36.672 868.004 802.582 6,4 4,6 65 ou mais 204 164 14 6 11 9 610 25.966 2,3 ignorado Total 0 45.630 0 37.457 0 3.296 0 1.116 0 2.453 0 1.308 2 113.561 62 1.962.014 3,2 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 *- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Analisando a Tabela 5 verifica-se que 49,8% dos empregos da RA de Campo Grande encontram-se na faixa entre 25 e 39 anos, sendo esta a principal faixa etária. Em segundo lugar está a faixa de empregados entre 40 e 64 anos com 28,5%, seguida por menos de 24 anos (21,2%) e com mais de 65 anos (0,5%). Essa distribuição segundo a faixa etária repetese em todos os bairros da RA. O mesmo ocorre quando compara-se a RA de Campo Grande com a Zona Oeste e o MRJ. Qual a faixa de remuneração mensal predominante na RA de Campo Grande? Quais as diferenças e semelhanças com a Zona Oeste e o MRJ? Tabela 6 - Número de empregos por faixa de remuneração nos bairros selecionados, 2006
de 3 a 5 de 5 a 10 até 3 s.m. s.m. s.m. 37.218 4.929 2.280 31.192 3.243 1.948 1.902 1.079 249 988 76 23 2.002 416 27 1.134 115 33 85.737 13.817 8.901 1.158.187 330.031 271.505 7,4 4,2 3,3 mais de total 10 s.m. ignorado 726 477 45.630 642 432 37.457 56 10 3.296 19 10 1.116 3 5 2.453 6 20 1.308 3.502 1.604 113.561 182.998 19.293 1.962.014 1,9 8,3 5,8

Campo Grande Campo Grande Cosmos Inhoaiba Santissimo Senador Vasconcelos Total Zona Oeste* (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2)

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 *- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Por fim analisando a Tabela 6, nota-se que a principal faixa de remuneração salarial mensal na RA de Campo Grande em 2006 foi até 3 salários-mínimos (s.m.) com 37.218 empregos

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(81,6%). Na seqüência temos as faixa de 3 a 5 s.m. (10,8%), de 5 a 10 s.m. (5,0%) e acima de 10 s.m. (1,6%). Esse perfil salarial é compartilhado por todos os bairros pertencentes a RA. Destaque para Inhoaíba e Senador Vasconcelos onde a participação dos empregos de até 3 s.m. alcança respectivamente 88,5% e 86,7% dos empregos, ou seja, superior a média da RA. Comparando com a Zona Oeste e o MRJ, a RA de Campo Grande possui um perfil salarial semelhante com a Zona Oeste, entretanto na comparação com o MRJ, a participação dos empregos com remuneração de até 3 s.m é muito menor no MRJ, 59% contra 81,6%.

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Anexo 8 – Análise dos Dados da RAIS por Região Administrativa Pesquisada – Realengo

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Análise dos dados de estabelecimento e emprego segundo as regiões administrativas (RA) e bairros da Zona Oeste - Realengo
Lia Hasenclever Rodrigo Lopes A XXXIII Região Administrativa de Realengo é uma das 34 existentes no Município do Rio de Janeiro (MRJ) e uma das 10 localizadas na Zona Oeste do MRJ. É formada pelos bairros de Campo dos Afonsos, Deodoro, Jardim Sulacap, Magalhães Bastos, Realengo e Vila Militar. Qual é o número de estabelecimentos formais, quais os setores com maior número de estabelecimentos, e qual a representatividade da RA de Realengo na Zona Oeste e no MRJ? Que setores são mais especializados na RA de Realengo do que na Zona Oeste e no MRJ em número de estabelecimentos? Tabela 1- Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia, 2006
Indústria Extrativa e de Transformação Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria da madeira e do mobiliário Indústria metalúrgica Indústria de calçados Extrativa mineral Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria do material de transporte Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Indústria mecânica Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Ensino Serviços médicos, odontológicos e veterinários Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Transportes e comunicaçoes Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Administraçao pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total Realengo Estab. (1) % 121 10,3 1 0,1 30 2,5 5 0,4 23 2,0 0 0,0 0 0,0 8 0,7 4 0,3 22 1,9 7 0,6 10 0,8 3 0,3 8 0,7 1 0,1 19 1,6 572 48,5 514 43,6 58 4,9 465 39,4 80 6,8 46 3,9 202 17,1 18 1,5 18 1,5 99 8,4 2 0,2 1 0,1 1.179 100,0 Zona Oeste¹ Estab. (2) 627 44 163 34 89 3 9 63 11 84 30 33 9 55 15 201 4.102 3.792 310 3.370 504 604 1.187 221 111 739 4 37 8.352 % 7,5 0,5 2,0 0,4 1,1 0,0 0,1 0,8 0,1 1,0 0,4 0,4 0,1 0,7 0,2 2,4 49,1 45,4 3,7 40,3 6,0 7,2 14,2 2,6 1,3 8,8 0,0 0,4 100,0 MRJ Estab. (3) 6.744 236 1.097 254 708 33 106 754 133 1.110 409 599 176 1.129 168 2.745 37.173 32.267 4.906 68.567 3.110 8.675 17.556 4.088 2.605 32.230 303 333 115.730 % 5,8 0,2 0,9 0,2 0,6 0,0 0,1 0,7 0,1 1,0 0,4 0,5 0,2 1,0 0,1 2,4 32,1 27,9 4,2 59,2 2,7 7,5 15,2 3,5 2,3 27,8 0,3 0,3 100,0 Participação (%) (1)/(2) 19,3 2,3 18,4 14,7 25,8 0,0 0,0 12,7 36,4 26,2 23,3 30,3 33,3 14,5 6,7 9,5 13,9 13,6 18,7 13,8 15,9 7,6 17,0 8,1 16,2 13,4 50,0 2,7 14,1 (1)/(3) 1,8 0,4 2,7 2,0 3,2 0,0 0,0 1,1 3,0 2,0 1,7 1,7 1,7 0,7 0,6 0,7 1,5 1,6 1,2 0,7 2,6 0,5 1,2 0,4 0,7 0,3 0,7 0,3 1,0

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 1- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Observando a Tabela 1, a região administrativa (RA) de Realengo possuía em 2006, segundo a RAIS, 1.179 estabelecimentos formais, o que representavam 14,1% dos estabelecimentos da Zona Oeste e 1% do total do MRJ. Analisando a distribuição dos estabelecimentos por atividade econômica, observa-se que, acompanhando a região da Zona Oeste, o comércio varejista é a atividade que ocupa a primeira posição com 43,6% dos estabelecimentos da RA.

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Em segundo lugar aparece a atividade de serviços de alojamento, alimentação e reparação com 17,1%, em terceiro lugar comércio e administração de imóveis com 8,4%, seguido pelo setor de ensino com 6,8% dos estabelecimentos. Esse ordenamento dos principais setores por número de estabelecimento na RA de Realengo se assemelha ao observado na Zona Oeste como um todo, mas difere do MRJ. Em relação à indústria, o principal setor em termos de estabelecimentos é alimentos e bebidas com 2,5% dos estabelecimentos, seguida por metalurgia com 2,0%, o que também segue o padrão da Zona Oeste. (ver Tabela 1) Analisando a representatividade dos setores da RA de Realengo em relação à Zona Oeste, observa-se que variam entre 2,7% (agricultura, pecuária e extrativa vegetal) e 50,0% (administração pública). Na indústria, o destaque é para o setor de material de transporte, com 36,4% dos estabelecimentos da Zona Oeste, e de material elétrico e de comunicações com 33,3%. A RA de Realengo aparece, portanto, como uma região especializada em administração pública na Zona Oeste. Em relação à representatividade dos setores no MRJ, segundo o número de estabelecimentos, o destaque é para os setores industriais, dos seis setores mais representativos na RA de Realengo, cinco são da indústria, com destaque para os setores de metalurgia (3,2%), material de transporte (3,0%), alimentos e bebidas (2,7%), madeira e mobiliário (2,0%) e têxtil e confecção (2,0%). O setor não industrial de maior representatividade é ensino (quarto lugar com 2,6%). Na RA de Realengo somente os setores da indústria de calçados e extrativa mineral não estão presentes. As especializações mais relevantes em relação ao MRJ são metalurgia e material de transporte. Qual é o número de empregos formais, quais os setores que mais geram empregos e qual a representatividade da RA de Realengo na Zona Oeste e no MRJ? Que setores são mais especializados na RA de Realengo do que na Zona Oeste e no MRJ na geração de empregos? Observando a Tabela 2, a região administrativa (RA) de Realengo possuía em 2006, segundo a RAIS, 17.455 empregos formais, o que representavam 15,4% dos empregos da Zona Oeste e 0,9% do total do MRJ. Analisando a distribuição dos empregos por atividade econômica, observa-se que o principal empregador na RA de Realengo é o setor de comércio varejista com 29,2% dos empregos da RA, seguido por serviços de alojamento, alimentação e reparação com 13,2% e comércio e administração de imóveis com 12,0%. Em relação à indústria, o principal empregador (quinto no geral) é o setor de borracha, fumo, couro e indústrias diversas responsável por 5,7% dos empregos da RA. Comparando com a Zona

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Oeste observam-se algumas diferenças: o setor de transporte e comunicação apresenta-se com maior importância para a Zona Oeste do que para Realengo e o setor de comércio e administração de imóveis é mais importante em Realengo do que para a Zona Oeste na geração de empregos. Em relação a indústria extrativa e de transformação também observam algumas diferenças: alimentos e bebidas e metalurgia são mais importantes para a Zona Oeste do que para Realengo, enquanto para a indústria de borracha, couro, fumo e indústrias diversas ocorre situação inversa. Tabela 2- Número de empregos e participação relativa por setor da economia, 2006
Realengo Empr. (1) 2.399 169 25 143 211 1.001 55 303 53 112 308 19 0 0 6 282 5.491 5.097 394 9.276 1.919 888 932 2.303 255 2.091 888 1 17.455 % 13,7 1,0 0,1 0,8 1,2 5,7 0,3 1,7 0,3 0,6 1,8 0,1 0,0 0,0 0,0 1,6 31,5 29,2 2,3 53,1 11,0 5,1 5,3 13,2 1,5 12,0 5,1 0,0 100,0 Zona Oeste¹ Empr. (2) 19.838 3452 910 512 5334 1462 2518 2829 995 566 1117 54 88 1 314 2391 36.507 32.797 3710 54.404 11520 12615 6.119 13303 1573 6848 2426 107 113.561 % 17,5 3,0 0,8 0,5 4,7 1,3 2,2 2,5 0,9 0,5 1,0 0,0 0,1 0,0 0,3 2,1 32,1 28,9 3,3 47,9 10,1 11,1 5,4 11,7 1,4 6,0 2,1 0,1 100,0 MRJ Empr. (3) 166.616 12.530 4.744 2.742 34.796 11.346 20.121 24.444 10.694 6.719 20.253 4.338 13.318 571 31.425 72.978 326.497 268.394 58.103 1.362.737 97.165 135.545 80.573 254.129 58.652 316.120 420.553 1.761 1.962.014 % 8,5 0,6 0,2 0,1 1,8 0,6 1,0 1,2 0,5 0,3 1,0 0,2 0,7 0,0 1,6 3,7 16,6 13,7 3,0 69,5 5,0 6,9 4,1 13,0 3,0 16,1 21,4 0,1 100,0 Participação (%) (1)/(2) 12,1 4,9 2,7 27,9 4,0 68,5 2,2 10,7 5,3 19,8 27,6 35,2 0,0 0,0 1,9 11,8 15,0 15,5 10,6 17,1 16,7 7,0 15,2 17,3 16,2 30,5 36,6 0,9 15,4 (1)/(3) 1,4 1,3 0,5 5,2 0,6 8,8 0,3 1,2 0,5 1,7 1,5 0,4 0,0 0,0 0,0 0,4 1,7 1,9 0,7 0,7 2,0 0,7 1,2 0,9 0,4 0,7 0,2 0,1 0,9 Indústria Extrativa e de Transformação Indústria metalúrgica Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria da madeira e do mobiliário Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria mecânica Indústria do material de transporte Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Extrativa mineral Indústria de calçados Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Ensino Transportes e comunicaçoes Serviços médicos, odontológicos e veterinários Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Administraçao pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 1- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Analisando a representatividade dos setores da RA de Realengo em relação a Zona Oeste, no tocante ao empregos, observa-se que variam entre 0,9% (agropecuária e extrativismo vegetal) e 68,5% (indústria de borracha, couro, fumo e indústrias diversas). A especialização mais importante da RA de Realengo em relação à Zona Oeste é a indústria de borracha, couro, fumo e indústrias diversas. Ainda merecem destaque os setores: administração pública (36,6%), material elétrico e de comunicações (35,2%), comércio e administração de imóveis (30,5%), madeira e mobiliário (27,9%) e têxtil e vestuário (27,6%). Todos com participação acima de ¼ dos empregos nos respectivos setores. Em relação à representatividade dos setores da RA no MRJ, segundo o número de empregos, o destaque ainda é para o setor de borracha, couro, fumo e indústrias diversas que detém 8,8% dos empregos do setor no município (o que representa quase 10 vezes a participação geral de

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Realengo nos empregos municipais – 8,8% contra 0,9%). Na seqüência os setores mais representativos são: madeira e mobiliário (5,2%), ensino (2,0%), comércio varejista (1,9%), material de transporte (1,7%) e têxtil e vestuário (1,5%). Qual é o tamanho típico dos estabelecimentos predominante na RA de Realengo? Qual o tipo de estabelecimento que gera mais empregos? Que semelhanças e diferenças a RA de Realengo apresentam em relação à Zona Oeste e ao MRJ? Na Tabela 3 abaixo, podemos observar que, em relação ao tamanho dos estabelecimentos, a maior parcela dos estabelecimentos da RA de Realengo tem entre 0 e 9 empregos e está classificada como de micro porte, com 906 estabelecimentos (76,8% do total). Os estabelecimentos de pequeno, médio e grande porte respondem, respectivamente, por 19,3%, 3,0% e 0,8% dos 1.179 estabelecimentos da RA. O principal bairro da RA é Realengo com 812 estabelecimentos, ou seja, responde por 9,7% dos estabelecimentos da Zona Oeste e 0,7% dos estabelecimentos do MRJ. Comparando a RA de Realengo com a Zona Oeste e com o MRJ nota-se que os três seguem o mesmo padrão de distribuição dos estabelecimentos segundo tamanho, onde os de micro porte são a principal parcela. Já analisando os empregos na RA de Realengo, encontra-se que os estabelecimentos de grande porte são responsáveis por 35,3% dos 17.455 empregos da RA. Os estabelecimentos de micro, pequeno e médio porte são responsáveis respectivamente por 16,0%, 25,2% e 23,4% dos empregos, respectivamente. O principal bairro da RA é Realengo com 13.187 empregos, ou seja, responde por 11,6% dos empregos da Zona Oeste e 0,7% dos empregos do MRJ, respectivamente. Analisando o perfil dos bairros, nota-se diferenças entre eles na geração de empregos. Em Campos dos Afonsos e Realengo, onde se localiza o maior número de empregos, os principais geradores de empregos são os estabelecimentos de grande porte, seguindo o padrão da RA. Destaca-se nesses bairros a presença de instituições militares que podem influenciar estes números. Nos demais bairros, onde nota-se a ausência de estabelecimentos de grande porte, o principal responsável pela geração de empregos são os estabelecimentos de pequeno porte. Em Magalhães Bastos também não há estabelecimentos de médio porte.

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Tabela 3 - Número e distribuição de estabelecimentos e empregos por tamanho* para os bairros selecionados, 2006
Participação Micro Pequeno Médio (0 a 9) (10 a 49) (50 a 249) 25 7 2 30 15 1 151 35 4 58 14 0 624 153 28 18 4 1 6.436 1.580 284 90.745 20.553 3.608 7,1 7,7 7,9 Grande (> 250) 1 0 1 0 7 0 52 824 6,3 Zona Oeste MRJ (%) (%) 0,4 0,0 0,6 0,0 2,3 0,2 0,9 0,1 9,7 0,7 0,3 0,0 100,0 7,2 - 100,0 Participação Zona Micro Pequeno Médio Grande Oeste MRJ (0 a 9) (10 a 49) (50 a 249) (> 250) Total (%) (%) 48 95 133 766 1.042 0,9 0,1 118 405 166 0 689 0,6 0,0 479 629 459 299 1.866 1,6 0,1 168 271 0 0 439 0,4 0,0 1.922 2.907 3.259 5.099 13.187 11,6 0,7 65 98 69 0 232 0,2 0,0 19.883 30.717 28.390 34.571 113.561 100,0 5,8 264.104 405.826 356.440 935.644 1.962.014 - 100,0 7,5 7,6 8,0 3,7 5,8 -

ESTABELECIMENTOS Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Total Zona Oeste (1) Total MRJ (2) Participação % - (1) / (2)

Total 35 46 191 72 812 23 8.352 115.730 7,2

EMPREGOS Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Total Zona Oeste (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2)

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 * Utilizou-se a variável emprego para tamanho, conforme intervalos indicados na Tabela ** Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Qual o nível de escolaridade predominante exigido pelos empregos formais na RA de Bangu? Quais as semelhanças e diferenças com a Zona Oeste e com o MRJ? Na Tabela 4, observa-se a distribuição dos empregos por grau de escolaridade dos empregados. Os empregados com ensino fundamental e médio dividem a liderança de freqüência de empregos na RA de Realengo, (43,7% e 43,2% do total de empregos). Os empregados com nível superior respondem por 11,8% e os pós-graduados por 1,2%. Analisando a qualificação da mão-de-obra conforme o bairro da RA, verifica-se que no Campo dos Afonsos, Deodoro, Jardim Sulacap e Vila Militar os empregados com nível médio são a principal parcela, sendo que no Campo dos Afonsos a sua participação é bem superior a dos demais. Já em Realengo e Magalhães Bastos a maior parcela dos empregados possui até o ensino fundamental. Destaque-se em Realengo a grande presença de empregados com nível superior e pós-graduados, o que pode ser resultado da presença de instituições militares e estabelecimentos de ensino no bairro.

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Tabela 4 - Número de empregos segundo grau de instrução do empregado, para os bairros selecionados, 2006
Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Total Zona Oeste* (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2) Fundamental 7.623 203 245 865 230 5.999 81 46.468 668.093 7,0 Médio 7.536 733 296 894 175 5.347 91 51.456 776.307 6,6 Superior 2.066 106 148 107 34 1.612 59 15.332 512.709 3,0 Pós-grad. Total 230 17.455 0 1.042 0 689 0 1.866 0 439 229 13.187 1 232 305 113.561 4.905 1.962.014 6,2 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 * Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Qual a faixa etária predominante entre os trabalhadores da RA de Realengo? Quais as diferenças e semelhanças com a Zona Oeste e com o MRJ? Analisando a Tabela 5, verifica-se que 48,6% dos 17.455 empregos da RA de Realengo encontram-se na faixa entre 25 e 39 anos, sendo esta a principal faixa etária. Em segundo lugar está a faixa de empregados entre 40 e 64 anos com 36,8%, seguida por menos de 24 anos (13,8%) e com mais de 65 anos (0,8%). Essa distribuição segundo a faixa etária repetese em todos os bairros da RA. O mesmo ocorre quando comparamos a RA de Bangu com a Zona Oeste e o MRJ. Tabela 5 - Número de empregos segundo faixa etária do empregado, nos bairros selecionados, 2006
até 24 anos Realengo 2.407 Campo dos Afonsos 67 Deodoro 102 Jardim Sulacap 399 Magalhaes Bastos 88 Realengo 1.722 Vila Militar 29 Total Zona Oeste* (1) 20.906 Total Rio de Janeiro (2) 265.400 Participação % - (1) / (2) 7,9 25 a 39 40 a 64 anos anos 8.480 6.421 429 538 309 270 882 572 206 141 6.558 4.795 96 105 55.371 36.672 868.004 802.582 6,4 4,6 65 ou mais 147 8 8 13 4 112 2 610 25.966 2,3 ignorado Total 0 17.455 0 1.042 0 689 0 1.866 0 439 0 13.187 0 232 2 113.561 62 1.962.014 3,2 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 *- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Qual a faixa de remuneração mensal predominante na RA de Realengo? Quais as diferenças e semelhanças com a Zona Oeste e o MRJ? Por fim analisando a Tabela 6, nota-se que a principal faixa de remuneração salarial mensal na RA de Realengo em 2006 foi até 3 salários-mínimos (s.m.) com 13.600 empregos (77,9%).

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Na seqüência temos as faixa de 3 a 5 s.m. (9,4%), de 5 a 10 s.m. (7,7%) e acima de 10 s.m. (3,0%). Esse perfil salarial é compartilhado por todos os bairros pertencentes a RA, com exceção do Campo dos Afonsos onde a principal faixa é de 5 a 10 s.m.. Em Jardim Sulacap e Magalhães Bastos a participação dos empregos de até 3 s.m. alcança 88,1% e 90% dos empregos, muito acima da média da RA. Já Realengo e Campo dos Afonso destacam-se pela forte presença das remunerações acima de 10 s.m., corroborando com os dados de tamanho dos estabelecimentos e grau de instrução. Comparando com a Zona Oeste, a RA de Realengo possui um perfil salarial semelhante, entretanto comparando com o MRJ a participação dos empregos com remuneração de até 3 s.m é muito menor no MRJ, 59% contra 77,9%. Tabela 6 - Número de empregos por faixa de remuneração nos bairros selecionados, 2006
de 3 a 5 de 5 a 10 até 3 s.m. s.m. s.m. 13.600 1.646 1.348 227 123 439 531 59 62 1.645 125 62 395 32 9 10.616 1.285 756 186 22 20 85.737 13.817 8.901 1.158.187 330.031 271.505 7,4 4,2 3,3 mais de total 10 s.m. ignorado 518 343 17.455 241 12 1.042 30 7 689 9 25 1.866 1 2 439 234 296 13.187 3 1 232 3.502 1.604 113.561 182.998 19.293 1.962.014 1,9 8,3 5,8

Realengo Campo dos Afonsos Deodoro Jardim Sulacap Magalhaes Bastos Realengo Vila Militar Total Zona Oeste* (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2)

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 *- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

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Anexo 9 – Análise dos Dados da RAIS por Região Administrativa Pesquisada – Santa Cruz

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Análise dos dados de estabelecimento e emprego segundo as regiões administrativas (RA) e bairros da Zona Oeste - Santa Cruz
Lia Hasenclever Rodrigo Lopes A XIX Região Administrativa de Santa Cruz é uma das 34 existentes no Município do Rio de Janeiro (MRJ) e uma das 10 localizadas na Zona Oeste do MRJ. É formada pelos bairros de Paciência, Santa Cruz e Sepetiba. Qual é o número de estabelecimentos formais, quais os setores com maior número de estabelecimentos, e qual a representatividade da RA de Santa Cruz na Zona Oeste e no MRJ? Que setores são mais especializados na RA de Santa Cruz do que na Zona Oeste e no MRJ em número de estabelecimentos? Tabela 1- Número de estabelecimentos e participação relativa por setor da economia, 2006
Indústria Extrativa e de Transformação Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Indústria da madeira e do mobiliário Indústria metalúrgica Indústria de calçados Extrativa mineral Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria do material de transporte Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Indústria mecânica Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Ensino Serviços médicos, odontológicos e veterinários Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Transportes e comunicaçoes Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Administraçao pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total Santa Cruz Estab. (1) % 112 8,9 11 0,9 35 2,8 7 0,6 10 0,8 0 0,0 1 0,1 17 1,3 4 0,3 8 0,6 5 0,4 5 0,4 0 0,0 9 0,7 5 0,4 50 4,0 617 48,9 598 47,3 19 1,5 464 36,7 98 7,8 80 6,3 149 11,8 43 3,4 15 1,2 78 6,2 1 0,1 15 1,2 1.263 100,0 Zona Oeste¹ Estab. (2) 627 44 163 34 89 3 9 63 11 84 30 33 9 55 15 201 4.102 3.792 310 3.370 504 604 1.187 221 111 739 4 37 8.352 % 7,5 0,5 2,0 0,4 1,1 0,0 0,1 0,8 0,1 1,0 0,4 0,4 0,1 0,7 0,2 2,4 49,1 45,4 3,7 40,3 6,0 7,2 14,2 2,6 1,3 8,8 0,0 0,4 100,0 MRJ Estab. (3) 6.744 236 1.097 254 708 33 106 754 133 1.110 409 599 176 1.129 168 2.745 37.173 32.267 4.906 68.567 3.110 8.675 17.556 4.088 2.605 32.230 303 333 115.730 % 5,8 0,2 0,9 0,2 0,6 0,0 0,1 0,7 0,1 1,0 0,4 0,5 0,2 1,0 0,1 2,4 32,1 27,9 4,2 59,2 2,7 7,5 15,2 3,5 2,3 27,8 0,3 0,3 100,0 Participação (%) (1)/(2) 17,9 25,0 21,5 20,6 11,2 0,0 11,1 27,0 36,4 9,5 16,7 15,2 0,0 16,4 33,3 24,9 15,0 15,8 6,1 13,8 19,4 13,2 12,6 19,5 13,5 10,6 25,0 40,5 15,1 (1)/(3) 1,7 4,7 3,2 2,8 1,4 0,0 0,9 2,3 3,0 0,7 1,2 0,8 0,0 0,8 3,0 1,8 1,7 1,9 0,4 0,7 3,2 0,9 0,8 1,1 0,6 0,2 0,3 4,5 1,1

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 1- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Observando a Tabela 1, a RA de Santa Cruz possuía em 2006, segundo a RAIS, 1.263 estabelecimentos formais, o que representavam 15,1% dos estabelecimentos da Zona Oeste e 1,1% do total do MRJ. Analisando a distribuição dos estabelecimentos por atividade econômica, observa-se que, acompanhando a região da Zona Oeste, o comércio varejista é a atividade que ocupa a primeira posição com 47,3% dos estabelecimentos da RA. Em segundo

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lugar aparece a atividade de serviços de alojamento, alimentação e reparação com 11,8% e em terceiro lugar ensino com 7,8% dos estabelecimentos. Esse ordenamento dos principais setores por número de estabelecimento na RA de Santa Cruz se assemelha ao observado na Zona Oeste como um todo, com exceção da maior participação do setor de ensino na RA, mas difere do MRJ. Em relação à indústria, o principal setor em termos de estabelecimentos é alimentos e bebidas com 2,5% dos estabelecimentos (ver Tabela 1). Analisando a representatividade dos setores da RA de Santa Cruz em relação a Zona Oeste, observa-se que esta varia entre 6,1% (comércio atacadista) e 40,5% (agricultura, pecuária e extrativa vegetal). A RA de Santa Cruz é especializada principalmente em atividades de agricultura, pecuária e extrativa vegetal quando comparada com a Zona Oeste. Na indústria o destaque é para o setor de material de transporte, com 36,4% dos estabelecimentos da Zona Oeste, serviços industriais de utilidade pública, com 33,3%, e indústria química – farmacêutica, com 27,0%. Em relação à representatividade dos setores no MRJ, segundo o número de estabelecimentos, além da agricultura, pesca e extrativa vegetal que representa 4,5% dos estabelecimentos do município, o destaque é para os setores industriais: minerais não-metálicos (4,7%), alimentos e bebidas (3,2%), material de transporte (3,0%), serviços industriais de utilidade pública (3,0%) e madeira e mobiliário (2,8%). Um outro setor de maior representatividade é ensino (terceiro lugar com 3,2%). Na RA de Santa Cruz não estão presentes os setores de indústria calçadista, material elétrico e de comunicações. Qual é o número de empregos formais, quais os setores que mais geram empregos e qual a representatividade da RA de Santa Cruz na Zona Oeste e no MRJ? Que setores são mais especializados na RA de Santa Cruz do que na Zona Oeste e no MRJ na geração de empregos? Observando a Tabela 2, a RA de Santa Cruz possuía em 2006, segundo a RAIS, 21.843 empregos formais, o que representavam 19,2% dos empregos da Zona Oeste e 1,1% do total do MRJ. Analisando a distribuição dos empregos por atividade econômica, observa-se que o principal empregador na RA de Santa Cruz é o setor de comércio varejista com 20,2% dos empregos da RA, seguido por transporte e comunicações, com 14,3%, e indústria metalúrgica com 12,4%. Em relação à indústria, além da indústria metalúrgica, destacam-se papel e gráfica com 9,0% dos empregos e química-farmacêutica com 3,4%. Comparando com a Zona Oeste observa-se o mesmo setor liderando (comércio varejista), porém a ordem dos setores

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seguintes diverge completamente, com destaque para a maior importancia dos setores industriais. Tabela 2- Número de empregos e participação relativa por setor da economia, 2006
Santa Cruz Empr. (1) 7.361 2.711 223 153 569 54 1.976 744 431 318 180 0 2 0 171 442 4.560 4.420 140 9.257 1.594 3.130 1.090 1.328 282 597 1.236 52 21.843 % 33,7 12,4 1,0 0,7 2,6 0,2 9,0 3,4 2,0 1,5 0,8 0,0 0,0 0,0 0,8 2,0 20,9 20,2 0,6 42,4 7,3 14,3 5,0 6,1 1,3 2,7 5,7 0,2 100,0 Zona Oeste¹ Empr. (2) 19.838 3452 910 512 5334 1462 2518 2829 995 566 1117 54 88 1 314 2391 36.507 32.797 3710 54.404 11520 12615 6.119 13303 1573 6848 2426 107 113.561 % 17,5 3,0 0,8 0,5 4,7 1,3 2,2 2,5 0,9 0,5 1,0 0,0 0,1 0,0 0,3 2,1 32,1 28,9 3,3 47,9 10,1 11,1 5,4 11,7 1,4 6,0 2,1 0,1 100,0 MRJ Empr. (3) 166.616 12.530 4.744 2.742 34.796 11.346 20.121 24.444 10.694 6.719 20.253 4.338 13.318 571 31.425 72.978 326.497 268.394 58.103 1.362.737 97.165 135.545 80.573 254.129 58.652 316.120 420.553 1.761 1.962.014 % 8,5 0,6 0,2 0,1 1,8 0,6 1,0 1,2 0,5 0,3 1,0 0,2 0,7 0,0 1,6 3,7 16,6 13,7 3,0 69,5 5,0 6,9 4,1 13,0 3,0 16,1 21,4 0,1 100,0 Participação (%) (1)/(2) 37,1 78,5 24,5 29,9 10,7 3,7 78,5 26,3 43,3 56,2 16,1 0,0 2,3 0,0 54,5 18,5 12,5 13,5 3,8 17,0 13,8 24,8 17,8 10,0 17,9 8,7 50,9 48,6 19,2 (1)/(3) 4,4 21,6 4,7 5,6 1,6 0,5 9,8 3,0 4,0 4,7 0,9 0,0 0,0 0,0 0,5 0,6 1,4 1,6 0,2 0,7 1,6 2,3 1,4 0,5 0,5 0,2 0,3 3,0 1,1

Indústria Extrativa e de Transformação Indústria metalúrgica Indústria de produtos minerais nao metálicos Indústria da madeira e do mobiliário Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... Indústria mecânica Indústria do material de transporte Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos Indústria do material elétrico e de comunicaçoes Extrativa mineral Indústria de calçados Serviços industriais de utilidade pública Construçao civil Comércio Comércio varejista Comércio atacadista Serviços Ensino Transportes e comunicaçoes Serviços médicos, odontológicos e veterinários Serv. de alojamento, alimentaçao, reparaçao, manutençao, redaçao, r... Instituiçoes de crédito, seguros e capitalizaçao Com. e administraçao de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... Administraçao pública direta e autárquica Agricultura, silvicultura, criaçao de animais, extrat. vegetal... Total

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 1- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Analisando a representatividade dos setores da RA de Santa Cruz em relação a Zona Oeste, no tocante aos empregos, observa-se que variam entre 2,3% (indústria extrativa mineral) e 78,5% (indústria metalúrgica e na indústria de papel e gráfica). Ainda merecem destaque os setores: material de transporte (56,2%), serviços industriais de utilidade pública (54,5%) e administração pública (50,9%). Todos com participação acima de 50% dos empregos nos respectivos setores. Em relação à representatividade dos setores no MRJ, segundo o número de empregos, o destaque é para o setor de indústria metalúrgica que detém 21,6% dos empregos do setor no município (o que representa vinte vezes a participação geral de Santa Cruz nos empregos municipais – 21,6% contra 1,1%). Na seqüência os setores mais representativos são: papel e gráfica (9,8%), madeira e mobiliário (5,6%), minerais não-metálicos (4,7%), material de transporte (4,7%) e mecânica (4,0%). O primeiro setor fora da indústria, em termos de representatividade, é o setor agrícola com 3%.

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Qual é o tamanho típico dos estabelecimentos predominante na RA de Santa Cruz? Qual o tipo de estabelecimento que gera mais empregos? Que semelhanças e diferenças a RA de Santa Cruz apresenta em relação à Zona Oeste e ao MRJ? Tabela 3 - Número e distribuição de estabelecimentos e empregos por tamanho* para os bairros selecionados, 2006
Participação Micro Pequeno Médio (0 a 9) (10 a 49) (50 a 249) 173 44 6 720 185 32 78 14 2 6.436 1.580 284 90.745 20.553 3.608 7,1 7,7 7,9 Grande (> 250) 1 8 0 52 824 6,3 Zona Oeste MRJ (%) (%) 2,7 0,2 11,3 0,8 1,1 0,1 100,0 7,2 - 100,0 Participação Zona Micro Pequeno Médio Grande Oeste MRJ (0 a 9) (10 a 49) (50 a 249) (> 250) Total (%) (%) 252 288 115 0 655 0,6 0,0 521 878 781 528 2.708 2,4 0,1 2.279 3.517 3.897 8.787 18.480 16,3 0,9 19.883 30.717 28.390 34.571 113.561 100,0 5,8 264.104 405.826 356.440 935.644 1.962.014 - 100,0 7,5 7,6 8,0 3,7 5,8 -

ESTABELECIMENTOS Paciencia Santa Cruz Sepetiba Total Zona Oeste (1) Total MRJ (2) Participação % - (1) / (2)

Total 224 945 94 8.352 115.730 7,2

EMPREGOS Sepetiba Paciencia Santa Cruz Total Zona Oeste (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2)

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 * Utilizou-se a variável emprego para tamanho, conforme intervalos indicados na Tabela ** Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Na Tabela 3 acima, podemos observar que, em relação ao tamanho dos estabelecimentos, a maior parcela dos estabelecimentos da RA de Santa Cruz tem entre 0 e 9 empregos e está classificada como de micro porte, com 971 estabelecimentos (76,9% do total). Os estabelecimentos de pequeno, médio e grande porte respondem, respectivamente, por 19,2%, 3,2% e 0,7% dos 1.263 estabelecimentos da RA. O principal bairro da RA é Santa Cruz com 945 estabelecimentos, ou seja, responde por 11,3% dos estabelecimentos da Zona Oeste e 0,8% e 0,9% dos empregos do MRJ, respectivamente. Comparando a RA de Santa Cruz com a Zona Oeste e com o MRJ, nota-se que os três seguem o mesmo padrão de distribuição dos estabelecimentos segundo tamanho, onde os de micro porte são a principal parcela. Já analisando os empregos na RA de Santa Cruz, encontra-se que os estabelecimentos de grande porte são responsáveis por 42,6% dos 21.843 empregos da RA. Os estabelecimentos de micro, pequeno e médio porte são responsáveis respectivamente por 14,0%, 21,4% e 21,9% dos empregos, respectivamente. O principal bairro da RA é Santa Cruz com 18.480 empregos, ou seja, responde por 16,3% dos empregos da Zona Oeste e 0,9% dos empregos do

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MRJ. Analisando o perfil dos bairros nota-se diferenças entre eles na geração de empregos. Em Santa Cruz, onde se localiza o maior número de empregos, os principais geradores de empregos são os estabelecimentos de grande porte, seguindo o padrão da RA. Já em Paciência e Sepetiba, o principal responsável pela geração de emprego é o conjunto de estabelecimentos de pequeno porte, sendo que neste segundo a distribuição dos empregos pelo porte das empresas é mais equilibrada. Qual o nível de escolaridade predominante exigido pelos empregos formais na RA de Santa Cruz? Quais as semelhanças e diferenças com a Zona Oeste e com o MRJ? Tabela 4 - Número de empregos segundo grau de instrução do empregado, para os bairros selecionados, 2006
Santa Cruz Paciência Santa Cruz Sepetiba Total Zona Oeste* (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2) Fundamental 8.475 1288 6.779 408 46.468 668.093 7,0 Médio 10.345 1190 8.963 192 51.456 776.307 6,6 Superior 2.997 227 2.717 53 15.332 512.709 3,0 Pós-grad. Total 26 21.843 3 2.708 21 18.480 2 655 305 113.561 4.905 1.962.014 6,2 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 * Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz

Na Tabela 4, observa-se a distribuição dos empregos por grau de escolaridade dos empregados. Os empregados com ensino médio dividem a liderança na RA de Santa Cruz com 47,4% do total de empregos. Os empregados com nível médio respondem por 38,8% e os com nível superior respondem pelos 13,7% restantes. O número de pós-graduados, apesar de pequeno, representa quase 10% dos empregados pós-graduados da Zona Oeste. Analisando a qualificação da mão-de-obra conforme o bairro da RA, temos que em Santa Cruz há uma maior concentração de empregados com o nível médio, seguidos daqueles com nível fundamental, refletindo o panorama observado na RA como um todo. Já em Paciência e Sepetiba prevalecem os empregados com ensino fundamental, principalmente neste segundo bairro. Outro destaque é para Santa Cruz que concentra praticamente todos os empregados com pós-graduação da RA.

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Qual a faixa etária predominante entre os trabalhadores da RA de Santa Cruz? Quais as diferenças e semelhanças com a Zona Oeste e com o MRJ? Tabela 5 - Número de empregos segundo faixa etária do empregado, nos bairros selecionados, 2006
até 24 anos Santa Cruz 3.550 Paciência 443 Santa Cruz 2.982 Sepetiba 125 Total Zona Oeste* (1) 20.906 Total Rio de Janeiro (2) 265.400 Participação % - (1) / (2) 7,9 25 a 39 40 a 64 anos anos 10.104 8.121 1.318 941 8.472 6.967 314 213 55.371 36.672 868.004 802.582 6,4 4,6 65 ou mais 68 6 59 3 610 25.966 2,3 ignorado Total 0 21.843 0 2.708 0 18.480 0 655 2 113.561 62 1.962.014 3,2 5,8

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 *- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Analisando a Tabela 5, verifica-se que 46,3% dos empregos da RA de Santa Cruz encontramse na faixa entre 25 e 39 anos, sendo esta a principal faixa etária. Em segundo lugar está a faixa de empregados entre 40 e 64 anos com 37,2%, seguida por menos de 24 anos (16,2%) e com mais de 65 anos (0,3%). Essa distribuição segundo a faixa etária repete-se em todos os bairros da RA. O mesmo ocorre quando se compara a RA de Campo Grande com a Zona Oeste e o MRJ. Qual a faixa de remuneração mensal predominante na RA de Santa Cruz? Quais as diferenças e semelhanças com a Zona Oeste e o MRJ? Tabela 6 - Número de empregos por faixa de remuneração nos bairros selecionados, 2006
de 3 a 5 de 5 a 10 até 3 s.m. s.m. s.m. 12.645 3.576 3.527 2.139 413 98 9.888 3.139 3.426 618 24 3 85.737 13.817 8.901 1.158.187 330.031 271.505 7,4 4,2 3,3 mais de total 10 s.m. ignorado 1.715 380 21.843 18 40 2.708 1.697 330 18.480 0 10 655 3.502 1.604 113.561 182.998 19.293 1.962.014 1,9 8,3 5,8

Santa Cruz Paciência Santa Cruz Sepetiba Total Zona Oeste* (1) Total Rio de Janeiro (2) Participação % - (1) / (2)

Fonte: Elaboração própria com base na RAIS 2006 *- Inclui as regiões administrativas de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz.

Por fim analisando a Tabela 6, nota-se que a principal faixa de remuneração salarial mensal na RA de Santa Cruz em 2006 foi até 3 salários-mínimos (s.m.) com 12.645 empregos (57,8%). Na seqüência temos as faixa de 3 a 5 s.m. (16,4%), de 5 a 10 s.m. (16,1%) e acima de 10 s.m. (7,8%). Apesar de todos os bairros pertencentes a RA terem a sua principal parcela de empregos na faixa de até 3 s.m., a participação desse faixa varia muito dependendo do

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bairro. Enquanto em Paciência e Sepetiba ela é de 79,0% e 94,3%, respectivamente, em Santa Cruz é de apenas 53,5%. O inverso acontece nas faixas superiores, onde em Sepetiba se quer há empregos na faixa de remuneração superior a 10 s.m. Comparando com a Zona Oeste e o MRJ, a RA de Santa Cruz possui um perfil salarial semelhante ao MRJ, porém se comparado ao da Zona Oeste, observamos uma menor importância da faixa salarial mais baixa (até 3 s.m.): 57,8% contra 77,9%.

   

 

 

 

 

Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno

Contribuições da Educação Profissional para o Desenvolvimento da Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro: Subsídios para Fundamentar Novas Propostas em Consonância com o Contexto Econômico da Região (Versão Final) Projeto FAPERJ no E-26/110.644/2007

Márcia Pimentel Machado (FAETEC) Márcia Cristina Pinheiro Farinazo (FAETEC) Risomar Ferreira do Nascimento Guedes (FAETEC)

Junho/2009 

 

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ÍNDICE
1. Introdução............................................................................................................................. 3 2. Breve Histórico da Educação Profissional e seus Reflexos sobre o Desenvolvimento Social e Econômico ................................................................................................................... 5 2.1 A Educação Profissional no Contexto Legislacional ....................................................... 5 2.2. Articulação da Educação Profissional com a Educação Básica ...................................... 6 2.3. Integrar a Educação Profissional e Tecnológica ao Mundo do Trabalho........................ 7 3. Principais Considerações sobre o Estudo de Desenvolvimento Econômico da Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro ................................................................................... 8 4. Estudo Preliminar sobre os Cursos Técnicos de Nível Médio e os Cursos de Nível Superior Oferecidos na Região Oeste do Município do Rio de Janeiro e sua Relação com Contexto Econômico Local.................................................................................................... 10 4.1. Cursos Técnicos de Nível Médio................................................................................... 10 4.2. Cursos de Nível Superior............................................................................................... 17 5. Contribuição da Educação Profissional á Expansão do Desenvolvimento Industrial e ao Desenvolvimento do Pólo Metalmecânico na Região Oeste do Município do Rio de Janeiro ..................................................................................................................................... 23 6. Considerações Finais.......................................................................................................... 25 Referências Bibliográficas ..................................................................................................... 26

ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1 – Cursos Técnicos oferecidos na Região Administrativa de Realengo..................... 11 Tabela 2 - Cursos Técnicos Oferecidos na Região Administrativa de Bangu ......................... 12 Tabela 3 - Cursos Técnicos Oferecidos na Região Administrativa de Campo Grande ........... 13 Tabela 4 - Cursos Técnicos Oferecidos na Região Administrativa de Santa Cruz .................. 14 Tabela 5 - Relação dos Eixos Tecnológicos e Porcentagem de Oferta dos Cursos Técnicos na Região Oeste do Município do Rio de Janeiro......................................................................... 15 Tabela 6 – Diferença Percentual entre o Total de Cursos Técnicos Oferecidos por Instituições Públicas e Instituições Privadas, Considerando as Quatro Regiões Administrativas .............. 17 Tabela 7 - Cursos de Nível Superior Oferecidos na Região Administrativa de Realengo....... 18 Tabela 8 - Cursos de Nível Superior Oferecidos na Região Administrativa de Bangu ........... 19 Tabela 9 - Cursos de Nível Superior Oferecidos na Região Administrativa de Santa Cruz .... 19 Tabela 10 - Cursos de Nível Superior Oferecidos na Região Administrativa de Campo Grande .................................................................................................................................................. 20 Tabela 11 - Porcentagem de Oferta dos Cursos Superiores na Região Oeste do Município do Rio de Janeiro........................................................................................................................... 22 Tabela 12 - Diferença Percentual entre o Total de Cursos de Nível Superior Oferecidos por Instituições Públicas e Instituições Privadas, Considerando as Quatro Regiões Administrativas .................................................................................................................................................. 23

  1. Introdução 

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A educação é fator de emancipação do indivíduo. O trabalho é elemento constituinte da humanidade deste indivíduo. A Educação Profissional se sustenta a partir da relação entre educação e trabalho, sendo este o princípio educativo. A educação da população e dos trabalhadores em especial passou a ser um requisito de inserção na modernidade competitiva do capital. Deter tecnologia e a capacidade de produzila é um dos maiores bens que um país pode ter atualmente. Nesse sentido, a Educação Profissional e Tecnológica que, no momento atual tem sido delineada por novos paradigmas, em função de novas formas de organização do trabalho e das mudanças tecnológicas que ocorreram nas últimas décadas, deve estar coadunada com a transformação do conhecimento determinada pelos novos processos produtivos e tecnológicos. Como alavancadora do desenvolvimento social, econômico e cultural, através se da geração de novas oportunidades de inclusão social e de novas perspectivas de vida, torna-se decisiva para atender às demandas do mundo do trabalho, contribuir para o desenvolvimento social e econômico dos indivíduos e garantir o exercício da cidadania. Investir na formação profissional como parte do desenvolvimento da relação do indivíduo com o mundo do trabalho deve ser um projeto amplo, que não se confine, apenas, à formação de mão-de-obra qualificada, em consonância com as necessidades do mercado, mas, que leve em conta uma formação integral do indivíduo. Com esta perspectiva, deve se fundamentar toda e qualquer prática educacional estratégica, visando à adaptação às transformações do setor produtivo e ao cenário da formação profissional. Este requer, cada vez mais, a concepção do exercício profissional enquanto relação social e produtiva, superando a visão tecnicista, mecânica e funcional das relações de trabalho, de modo a evitar o mero adestramento e garantir o caráter dinâmico e flexível, bem como reflexivo, de uma formação sintonizada com as transformações sociais e tecnológicas. Orientando-se para as mudanças no mundo do trabalho, as ações pedagógicas devem ser pautadas para o desenvolvimento das características profissionais necessárias ao homem atual, tais como polivalência, flexibilidade e capacidade de intervir no processo produtivo de forma crítica e criativa. Neste contexto, a formação profissional deve contribuir para o exercício uma prática eficiente e para a formação integral, através da aquisição de conhecimentos básicos da qualificação e do desenvolvimento de competências. O processo de formação deve obrigatoriamente incluir, atitudes, valores éticos e segurança no trabalho, além das habilidades específicas do desempenho da função. Importante, também, é a compreensão da formação profissional no campo da educação permanente, pela via do “aprender a aprender”, estimulando o indivíduo a buscar e aprofundar os seus conhecimentos e a aperfeiçoar as suas práticas profissionais. O compromisso da educação, visando à construção da cidadania por meio da produção do conhecimento, do fomento das idéias, da formulação de soluções sociais inovadoras e da formação de quadros profissionais de qualidade, colocados a serviço da sociedade, contribuirá decisivamente para o avanço social e econômico da Região. Com esses pressupostos, a educação profissional deve estar alicerçada em pilares de sustentação de qualidade como: financiamento; avaliação e responsabilização; formação de

 

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professores; gestão e mobilização, de forma a atender aos seguintes requisitos: • • • • • • • • Ser um referencial de excelência na formação profissional; Formar com eficiência e eficácia; Orientar para o mundo do trabalho; Aumentar a oferta formativa; Atender à diversidade da demanda; Desenvolver o potencial empreendedor; Adequar capacitação técnica e tecnológica às demandas atuais e futuras; Consolidar uma política de recursos humanos voltada para a flexibilidade, competitividade e qualidade técnica e de gestão;

Orientada por esses pressupostos, a Educação Profissional, consequentemente, contribuirá para: • A formação integral dos indivíduos, proporcionando-lhes preparação adequada para um exercício profissional qualificado, além de uma sólida formação geral, científica e tecnológica; Promover a aproximação entre a educação, os setores empresariais e as associações profissionais; Promover contato com o mundo do trabalho e a experiência profissional, de modo a possibilitar uma adequada inserção socioprofissional; Promover, por si ou conjuntamente com outros agentes e instituições, a concretização de projetos de formação de recursos humanos qualificados que respondam às necessidades do desenvolvimento das regiões onde é ofertada; A criação de postos de trabalho, tendo em vista as finalidades da política de emprego, através do apoio técnico-pedagógico nos domínios da organização e gestão da formação profissional; Promover o aumento da qualidade da formação, possibilitando respostas em termos de sistemas formativos que contemplem a formação inicial e a formação contínua;

• • •

O presente estudo pretende ser um guia que visará contribuir com subsídios para o planejamento de ações, principalmente no que se refere ao desenvolvimento de novas propostas educacionais relacionadas com a qualificação e a requalificação da mão-de-obra, para atender ao pólo metalmecânico e às demais indústrias que integram os distritos industriais da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro. As ações a serem planejadas deverão, ainda, considerar a elevação do padrão de vida da população local e redução das discrepâncias sociais e econômicas em relação às demais regiões do município, para contribuir, decisivamente, de modo a elevar os índices de desenvolvimento social da região. A natureza e a efetividade das ações educacionais propostas dependerão dos princípios norteadores, das estratégias empregadas, incluindo propostas de aumento da escolaridade dos trabalhadores e do desenvolvimento de itinerários que aproveitem continuamente os estudos

 

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já realizados.

2. Breve Histórico da Educação Profissional e seus Reflexos sobre o Desenvolvimento Social e Econômico 2.1 A Educação Profissional no Contexto Legislacional A implantação da reforma da Educação Profissional, em sua concepção teórica, apresenta como referência a Andragogia 1 de Competências, reflexo do novo perfil que o trabalho (laborabilidade ou trabalhabilidade) vem assumindo, e que redireciona ou transfere o foco dos conteúdos do ensino tradicional para o desenvolvimento de competências. Dessa forma, trabalhar por competências exige da educação em curso mudanças na sua prática pedagógica, de modo a ajustar o processo ensino/aprendizagem à realidade de um mundo sem fronteiras, de economia globalizada, onde o conhecimento torna-se cada vez mais complexo e há necessidade de ferramentas tecnológicas avançadas que possibilitem acesso mais rápido. Essas questões tiveram origem na implantação da Reforma da Educação Profissional, a partir de 1996. Essa solidez se materializa na possibilidade da preparação para o trabalho, dando condições aos alunos para seguirem diferentes percursos: prosseguir os estudos e a participação qualificada para o mundo do trabalho. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei nº 9.394/96, destaca no Art. 1º, § 2º, do Título I, que a “educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”. Mais adiante, na seção IV, do Ensino Médio o inciso IV do Art. 35 define uma de suas finalidades, a compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos dos processos produtivos, relacionando teoria e prática no ensino de cada disciplina. Essa finalidade é reforçada no Art. 36, § 2º dessa Lei, ao explicitar que “o ensino médio, atendida a formação geral do educando poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas.” Esses artigos encontram ressonância no Capítulo III, que trata da Educação Profissional, na medida em que define a articulação dessa modalidade com o ensino regular. Entretanto, essa articulação não se materializou na forma integrada, uma vez que o Decreto nº 2.208/97 estabelecia uma organização curricular da Educação Profissional de nível técnico independente do ensino médio. O Decreto Federal nº 2.208/97, em seu 1º Artigo, ressalta: “Promover a transição entre a escola e o mundo do trabalho, capacitando jovens e adultos com conhecimentos e habilidades gerais específicas para o exercício de atividades produtivas.” O Decreto 2208/97 definiu a Educação Profissional como o ponto de articulação entre a escola e o mundo do trabalho, atrelando-a as seguintes funções: (i) qualificar, requalificar e reprofissionalizar trabalhadores em geral, independente do nível de escolaridade; (ii) habilitar jovens e adultos para o exercício de profissões de nível médio e de nível superior; (iii) atualizar e aprofundar conhecimentos tecnológicos voltados para o mundo do trabalho. Tais funções seriam desenvolvidas, respectivamente, nos seguintes níveis: Básico, Técnico e Tecnológico da Educação Profissional. O referido decreto contemplava, ainda, cursos de
                                                            
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Arte e Ciência de orientar os adultos a aprender (Gil, 2008).  

 

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atualização, aperfeiçoamento e especialização técnica (Souza, Ramos & Deluiz, 2007). Segundo Souza, Ramos & Deluiz (2007), as diretrizes da Educação Profissional, determinadas pela LDBEN/96 e pelo Decreto 2208/97, promoveram seu assentamento sobre três medidas: (i) estabelecimento de um nível de formação desvinculado do pré-requisito de escolaridade (o nível básico); (ii) desvinculação formal e curricular entre os ensinos médio e técnico, ratificando a conclusão do primeiro como pré-requisito para a diplomação no segundo; (iii) concepção da formação profissional em itinerários ou trajetórias flexíveis. Tais medidas conferiram à Educação Profissional uma identidade própria, formalmente separada do sistema educacional formal, podendo ser realizada por diferentes estratégias, que não exclusivamente a via escolarizada. Revogado o Decreto nº 2.208/97, outro documento entra em vigor, o Decreto nº 5.154/04, que elimina as amarras estabelecidas pelos Decretos 5.224 e 5.225/04 que se traduziam numa série de restrições na organização curricular e pedagógica, bem como na oferta dos cursos técnicos. O Decreto 5.154/04 possibilita a articulação da Educação Profissional com o Ensino Médio, podendo acorrer de forma integrada, concomitante ou subseqüente. O Decreto estabelece, ainda, como premissas para a Educação Profissional, a organização, por áreas profissionais, em função da estrutura sócio-ocupacional e tecnológica e a articulação de esforços das áreas da educação, do trabalho e emprego, e da ciência e tecnologia. Recentemente a Lei 11.741/08 alterou a LDBEN de forma a redimensionar, institucionalizar e integrar ações da educação profissional técnica de nível médio, da educação de jovens e adultos e da educação profissional e tecnológica. Alterações trazidas pela Lei 11.741/08: • • • • A articulação da educação de jovens e adultos com a educação profissional; A educação profissional e tecnológica integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia; Os cursos de educação profissional e tecnológica serão organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos; Acréscimo da Seção IV-A que trata especificamente da educação profissional técnica de nível médio.

A Lei 11741/08 possibilita que o conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica, inclusive no trabalho, seja objeto de avaliação, reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos; e que as instituições de educação profissional e tecnológica, além dos seus cursos regulares, ofereceram cursos especiais, abertos à comunidade, condicionando a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade.

2.2. Articulação da Educação Profissional com a Educação Básica A articulação da educação profissional e tecnológica com a educação básica deve adquirir características humanísticas e científico-tecnológicas condizentes com os requisitos da formação integral do ser humano. A história da educação brasileira registra uma sucessão de

 

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ações restritivas à universalização da educação básica e, como contraponto, a destinação das atividades manuais aos “filhos dos desfavorecidos da fortuna” (BRASIL, 1906), às “classes menos favorecidas” (BRASIL, 1937, p.129). Nas últimas décadas, a demanda por níveis mais altos de escolaridade engendrou mecanismos restritivos de acesso ao ensino e a destinação induzida às carreiras técnicas e profissionais. Nesse contexto, o Ministério da Educação tem defendido um posicionamento que convencionou chamar de visão sistêmica da educação, que não prioriza determinadas etapas ou níveis educacionais isoladamente, mas pensa no conjunto da educação e o trata como etapas de modalidades e níveis que se reforçam mutuamente, conforme texto abaixo: “O modelo sistêmico é um esquema conceitual que permite analisar de maneira ampla e direta os objetivos, a estrutura, o funcionamento e as interrelações dos organismos complexos. Ele permite a análise dos sistemas sociais não apenas pelos seus componentes ou pela sua dinamicidade interna, mas também pela identificação e possibilidade de intervenção no comportamento dos atores que dele participam e influenciam o alcance de seus resultados.” (FONSECA & PEREIRA, 1997). Propõe-se nesse sentido, uma escola que contribua para a superação da estrutura social desigual, mediante a reorganização do sistema educacional, particularmente da educação profissional. Assim, torna-se necessário superar definitivamente a concepção que separa a educação geral e propedêutica da específica e profissionalizante. Logo, a vinculação da educação profissional e tecnológica à educação básica possibilitará modalidades de construção do processo educativo como um todo, no qual a formação será essencial como elemento indispensável para o exercício pleno da cidadania.

2.3. Integrar a Educação Profissional e Tecnológica ao Mundo do Trabalho A educação profissional e tecnológica, em termos universais, e no Brasil em particular, reveste-se cada vez mais de elementos importantes como estratégias para a construção de cidadania e para uma melhor inserção de jovens e trabalhadores na sociedade contemporânea, como “espaço de mutações” tecnológicas. Sua dimensão quer em termos conceituais quer em suas práticas, é diversa e complexa, não se restringindo, a uma compreensão linear, que restrinja simplesmente preparar pessoas para executar tarefas instrumentais. Assim, a educação apresenta-se como processo mediador que relaciona a base cognitiva com a estrutura social, evitando falso juízo de se transformar em mercadorias e de considerar a educação profissional e tecnológica em simples adestramento. Nessa perspectiva, a educação profissional e tecnológica deverá ser concebida como processo de construção social que ao mesmo tempo qualifique o cidadão e o projete em bases científicas, bem como ético - políticas, de modo a compreender a tecnologia como produção social. Do ponto de vista da oferta dos níveis e modalidades de educação, cujas demandas se vêm fazendo notar em âmbito local verifica-se que as dificuldades para o seu atendimento são muitas. No caso específico, da formação de professores, no tocante à realidade da Educação Profissional, cabe destacar que estes níveis e modalidades se apresentam ainda mais

 

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desafiadores para os municípios, uma vez que não se encontram amparados por políticas públicas específicas de financiamento, de abrangência nacional, estando fortemente dependentes de programas e projetos pontuais, indefinições quanto a regularidade, qualidade e volume de recursos destinados à sua oferta (SOUZA & FARIA, 2003 apud SOUZA, RAMOS e DELUIZ, 2007).

3. Principais Considerações sobre o Estudo de Desenvolvimento Econômico da Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro A análise do documento, auxiliada pelo levantamento de dados realizados, permitiu a conclusão de informações relevantes, que serviram de subsídios para a avaliação das ações educacionais que estão sendo desenvolvidas no presente momento e para aquelas que se pretende desenvolver na região em estudo. Em relação às ações em desenvolvimento, torna-se fundamental verificar se os resultados que hoje se apresentam atendem às demandas e necessidades da zona oeste do RJ, relacionadas no estudo a que o título se refere. O estudo realizado aponta a expansão industrial na Zona Oeste da cidade, com a instalação de importantes indústrias, fato que propiciou considerável crescimento imobiliário na região. Dentre os fatores facilitadores dessa expansão industrial foram citados a infra-estrutura e a disponibilidade de terrenos adequados à instalação de complexos industriais. Dados estratégicos, do ponto de vista econômico e social e que merecem destaque são: • as atividades econômicas com atuação mais expressiva na região, em termos de estabelecimentos e oferta de empregos formais, como: comércio varejista, ocupando o primeiro lugar nas quatro regiões administrativas estudadas (Bangu, Realengo, Campo Grande e Santa Cruz); serviços de alojamento, alimentação, reparação e manutenção; comércio e administração de imóveis; indústria de transformação (alimentos e bebidas); as atividades industriais com maior expressão econômica são as representadas pelos seguintes setores: alimentos e bebidas; metalurgia; química; papel, papelão, editorial e gráfica; os setores da indústria de transformação com maior participação na economia da região são: minerais não-metálicos; alimentos e bebidas; madeira, mobiliário e metalurgia; quando se compara a região estudada com todo o município do Rio de Janeiro, verifica-se a pequena expressão econômica, tanto em relação ao percentual de estabelecimentos quanto ao percentual de empregos formais; na região estudada predominam os estabelecimentos de micro e pequeno porte; em relação aos estabelecimentos de maior porte, sua representatividade é menor do que no restante do município; os grandes estabelecimentos da região geram, em média, menos emprego que os grandes estabelecimentos do município; o aspecto de qualificação dos empregados está bem distante do ideal, pois a maioria encontra-se na faixa de ensino fundamental completo e ensino médio incompleto; a porcentagem de empregados com nível superior é baixa, sendo quase inexpressiva a

• •

 

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parcela com curso de pós-graduação; • no que tange ao aspecto salarial, os dados indicam 72% de trabalhadores com ganhos entre 1 e 3 salários mínimos, e apenas 3% ganham mais de 10 salários mínimos. Esses percentuais ficam bem abaixo do restante do município; a região estudada apresenta uma população mais jovem empregada formalmente, em relação ao município do Rio de Janeiro, mas os perfis de qualificação e remuneração são mais baixos; em relação às atividades industriais, destacam-se: couros, peles e assemelhados; metalurgia; bebidas; velas, sabões e produtos para limpeza; atividade têxtil e atividade mecânica, que se apresentam com distribuição diferenciada nas quatro regiões administrativas; os indicadores de desenvolvimento social indicam situação pior do que o restante do município do Rio de Janeiro, sendo a melhor situação a da região de Realengo e a mais crítica a da região de Santa Cruz; a qualificação da mão-de-obra empregada mostra-se inferior à do município do Rio de Janeiro, apesar da existência de muitas instituições de ensino formais e de ensino profissional; dentre os problemas mais freqüentes na região, apontados por empresários e pela população em geral, destaca-se o problema da segurança. Para a população, os problemas mais citados relacionam-se com transporte/trânsito, saneamento/limpeza e mobiliário urbano. Para os empresários foram mais importantes os problemas ligados à atividade econômica, estrutura comercial e estacionamento; outro problema, também destacado pela população é a precariedade dos serviços públicos, especialmente na área de saúde.

Cabe ressaltar a necessidade de considerar os Arranjos Produtivos Locais como canal para alavancar o desenvolvimento econômico da região, inserindo ações educacionais pertinentes com vistas à eficácia e eficiência na formação do cidadão, como sujeito integrante do mundo do trabalho. O conceito de Arranjos Produtivos Locais (APL), que tem recebido grande destaque nos dias atuais, é antigo em termos de atividade produtiva. Corresponde a aglomerações de empresas, localizadas em um mesmo território, que apresentam especialização produtiva e mantêm vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais, tais como governo, associações empresariais, instituições de crédito e ensino e pesquisa. A promoção de APLs requer o comprometimento das empresas e de entidades locais e regionais, de modo que os diversos segmentos relacionados a uma mesma atividade possam participar das estratégias que visam ao atendimento a esses arranjos e possibilitem o desenvolvimento da região com base no atendimento à economia local.

 

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4. Estudo Preliminar sobre os Cursos Técnicos de Nível Médio e os Cursos de Nível Superior Oferecidos na Região Oeste do Município do Rio de Janeiro e sua Relação com Contexto Econômico Local O levantamento das unidades de ensino na região da zona Oeste do Rio de Janeiro foi realizado, relacionando-se as escolas técnicas, públicas e particulares, e as instituições de ensino superior, por região administrativa. O objetivo foi investigar os cursos oferecidos por essas unidades e sua relação com as atividades econômicas, apontadas na pesquisa sobre o desenvolvimento econômico da região, bem como sua vinculação com o setor industrial. Os dados colhidos e apresentados correspondem a um universo de 90% a 95 % das instituições de ensino técnico e ensino superior presentes na região. A metodologia empregada, para levantamento dos cursos ofertados foi informal, através do acesso a internet e por meio de entrevistas telefônicas. Como o propósito do trabalho é apenas investigar os cursos técnicos de nível médio e os cursos de nível superior oferecidos nas quatro regiões administrativas o nome das instituições não foi divulgado.

4.1. Cursos Técnicos de Nível Médio As tabelas1, 2, 3 e 4 apresentam a relação dos cursos técnicos ofertados, por região administrativa, e a natureza da instituição de ensino (pública ou privada).

 

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Tabela 1 – Cursos Técnicos oferecidos na Região Administrativa de Realengo

Curso Técnico

Natureza da Instituição

Contabilidade Gerência em Saúde Análises Clínicas Eletrônica Eletrotécnica Eletromecânica Mecânica Informática Comércio Administração Enfermagem Radiologia Enfermagem Logística (com ênfase em transportes) Transporte Rodoviário Total de Cursos - 15 Privada Pública

 

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Tabela 2 - Cursos Técnicos Oferecidos na Região Administrativa de Bangu
 

Curso Técnico

Natureza da Instituição

Radiologia Informática Informática para Internet Enfermagem Mecânica Eletrônica Eletrotécnica Administração Contabilidade Análises Clínicas Total de cursos - 10 Pública Privada

 

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Tabela 3 - Cursos Técnicos Oferecidos na Região Administrativa de Campo Grande

Curso Técnico

Natureza da Instituição

Enfermagem Nutrição Fisioterapia Radiologia Análises Clínicas Segurança do Trabalho Eletrônica Eletrotécnica Informática Telecomunicações Montagem e Manutenção de Microcomputadores Administração Contabilidade Edificações Total de cursos - 14 Pública Privada

 

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Tabela 4 - Cursos Técnicos Oferecidos na Região Administrativa de Santa Cruz

Curso Técnico

Natureza da Instituição

Enfermagem Informática Eletromecânica Segurança do Trabalho Mecânica Eletrotécnica Total de cursos - 6 Privada Pública

Os cursos técnicos oferecidos, conforme Resolução CNE 03/08, devem ter sua nomenclatura em acordo com o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos do Ministério da Educação (MEC), que congrega os cursos técnicos por eixos tecnológicos, considerando seu perfil de formação. A tabela 5, que apresenta os cursos técnicos por Eixo Tecnológico, mostra os percentuais de freqüência de cada curso, na região, em relação ao total de cursos relacionados.

 

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Tabela 5 - Relação dos Eixos Tecnológicos e Porcentagem de Oferta dos Cursos Técnicos na Região Oeste do Município do Rio de Janeiro Percentual de Curso Técnico Administração Contabilidade Comércio Logística Análises Clínicas Enfermagem Nutrição Gerência em Saúde Fisioterapia (*) Radiologia Segurança do Trabalho Eletrônica Eletrotécnica Eletromecânica Mecânica Informática Informática Internet Telecomunicações Manutenção e Suporte em Informática Edificações Transporte Rodoviário Infra-estrutura (9,4%) 4,7 4,7 4,7 para Informação e Comunicação (33,1%) Controle e Processos Industriais (52,1%) Ambiente, Saúde e Segurança (99,5%) Gestão e Negócios (42,6%) Eixo Tecnológico Frequência (%) 14,2 19,0 4,7 4,7 14,2 38,0 4,7 4,7 4,7 19,0 14,2 14,2 19,0 4,7 14,2 19,0

4,7 4,7

(*) O nome Técnico em Fisioterapia não está contemplado no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos. Quando se avalia os cursos oferecidos, verifica-se uma forte predominância de cursos de saúde. No entanto, quando se analisa a relação de problemas indicados pela população da região estudada, verifica-se que um dos itens mencionados é a questão da baixa oferta de serviços públicos na área de saúde, que não atendem à demanda da população. Pode-se

 

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inferir, portanto, que, no que tange aos cargos ocupados por profissionais técnicos de nível médio, os cursos oferecidos poderiam contribuir para minorar o problema em termos de ampliação de qualificação dos profissionais, ainda que a questão demande políticas públicas de ampliação e otimização da rede de atendimento (hospitais e postos de saúde). Em relação aos cursos de saúde, nota-se a ausência de Curso Técnico em Farmácia, que contribuiria para a formação de mão de obra qualificada para atuação nas indústrias farmacêuticas da região, bem como nas indústrias de cosméticos. A oferta de cursos vinculados ao setor industrial é inferior à verificada para a área de saúde, inclusive com menor variedade de cursos, verificando-se os mesmos cursos em diferentes regiões administrativas. Tais cursos não contemplam todas as áreas industriais, principalmente o setor da indústria de transformação. De acordo com o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, outros cursos, tais como: Técnico em Química, Técnico em Plásticos, Técnico em Mecânica, Técnico em Metalurgia e Técnico em Siderurgia, poderiam ser oferecidos, de modo a atender as expectativas do setor industrial. O eixo tecnológico Informação e Comunicação está contemplado através da oferta de cursos técnicos de Informática e de Telecomunicações, com predomínio de cursos da primeira área. Em relação aos cursos que poderiam atender à questão do transporte/trânsito na região, registram-se Técnico em Transporte Rodoviário e Técnico em Logística (com ênfase em transporte), cuja oferta poderia ser ampliada. Considerando a construção do Arco Rodoviário, outros cursos poderiam ser oferecidos e atender às novas demandas que surgirão, além de colaborar para o problema do transporte/trânsito levantado pela população. Dentre os cursos, definidos pelo Catálogo Nacional, podem ser citados o Técnico em Trânsito e o Técnico em Transporte Ferroviário. Considerando, ainda, a construção do Arco Rodoviário, pode ser discutida a ausência de cursos técnicos vinculados ao setor da construção civil. Na região apenas observa-se um curso, o Técnico em Edificações, o qual poderia ter sua oferta bastante aumentada. Outros cursos possíveis são Técnico em Desenho de Construção Civil, Técnico em Estradas e Técnico em Geoprocessamento. Quando se confronta os cursos oferecidos com os dados obtidos pela pesquisa sobre o desenvolvimento econômico da zona oeste, verifica-se que, em sua imensa maioria, não correspondem às atividades mais expressivas e pouco contribuem para ampliar a mão de obra a ser inserida nas indústrias e em outros setores com carência de pessoal. Uma importante exceção é o curso Técnico em Segurança do Trabalho, com relativa freqüência na região, que se apresenta importante para o atendimento às demandas apresentadas, pois o profissional formado pode atuar em todos os tipos de atividades, tanto na indústria como na área de serviços. O setor de serviços, como comércio, comércio varejista e administração de imóveis, bem como os serviços de alojamento não estão contemplados, pois há pouca ou nenhuma oferta de cursos técnicos vinculados a essas atividades, tais como: Técnico em Comércio, Técnico em Vendas, Técnico em Logística e Técnico em Hospedagem. Os cursos técnicos em Administração e Contabilidade, que estão presentes em três das quatro regiões administrativas, devem ser avaliados quanto à eficácia em atender à demanda de atividades na área. Além de atender a essas demandas, os cursos em questão contribuiriam para elevar o

 

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nível de qualificação dos profissionais inseridos no mercado. Uma análise puramente técnica dos cursos oferecidos sugere que não houve uma preocupação inicial com o atendimento aos Arranjos Produtivos Locais, e nem uma relação mais direta com o parque industrial já instalado. No entanto, essas conclusões devem ser sustentadas por um trabalho de pesquisa mais profundo, com a preocupação de investigar a época de criação dos cursos e os fatores que nortearam suas escolhas. No momento atual há uma forte tendência em selecionar cursos de educação profissional de qualificação ou de habilitação técnica que atendam aos Arranjos Produtivos Locais. Portanto, as novas ofertas de cursos técnicos visam contemplar o atendimento às economias regionais. Outro dado importante a ser considerado, é a diferença no número de instituições públicas e particulares que oferecem ensino profissional técnico de nível médio, nas quatro regiões administrativas. Assim, na região de Realengo, onde há maior variedade de cursos, o predomínio é de instituições públicas. Em Bangu e Campo Grande, há maior quantidade de instituições privadas. Na região de Santa Cruz, onde a quantidade e variedade de cursos técnicos são inferiores às demais, não há diferença significativa entre os dois tipos de instituição de ensino. Quando analisado o quantitativo total de cursos técnicos e o número de instituições públicas e privadas que oferecem os cursos relacionados, considerando as quatro regiões administrativas, verifica-se uma diferença percentual, com predomínio das instituições privadas. A tabela 6 registra essa diferença percentual.

Tabela 6 – Diferença Percentual entre o Total de Cursos Técnicos Oferecidos por Instituições Públicas e Instituições Privadas, Considerando as Quatro Regiões Administrativas Instituições Públicas (% de Oferta) 42,0 Instituições Privadas (% de Oferta) 57,0

Na opinião de Souza, Ramos e Deluiz (2007), uma condição que colabora para a expansão do setor privado, no que concerne ao atendimento à educação profissional nos municípios, é a tímida cooperação entre a União e os Estados, através de um Regime de Colaboração. Os autores postulam, ainda, que a produção científica neste campo se mostra incipiente, fato que dificulta a compreensão da identidade da Educação Profissional no âmbito dos sistemas educacionais, particularmente municipal. É fato que, no caso particular dos cursos técnicos de nível médio, as instituições públicas ofertantes são estaduais ou federais.

4.2. Cursos de Nível Superior O panorama da Educação Profissional de Nível Superior mostra-se diferenciado, com um elenco maior e mais diversificado de cursos. Todavia, também, neste caso, não se verifica uma relação direta com as atividades econômicas locais.

 

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As tabelas 7, 8, 9 e 10 apresentam os cursos de nível superior oferecidos em cada região administrativa e a natureza da instituição ofertante, se pública ou privada. Tabela 7 - Cursos de Nível Superior Oferecidos na Região Administrativa de Realengo
 

Natureza Curso Direito Informática Pedagogia Odontologia Fisioterapia Turismo Administração Ciências Biológicas Ciências Contábeis Biomedicina Educação Física Enfermagem Veterinária Nutrição Terapia Ocupacional Matemática Sistemas de Informação Geografia História Letras – Português/Espanhol Letras – Português/Inglês Comunicação Social (Jornalismo) Comunicação Social (Propaganda e Publicidade) Serviço Social Total de cursos - 24 Privada Instituição

da

 

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Tabela 8 - Cursos de Nível Superior Oferecidos na Região Administrativa de Bangu
 

Natureza Curso Direito Tecnologia e Processamento de Dados Pedagogia Administração Ciências Contábeis Geografia História Letras Total de cursos – 8 Privada Instituição

da

Tabela 9 - Cursos de Nível Superior Oferecidos na Região Administrativa de Santa Cruz Natureza Curso Matemática Turismo Administração Ciências Contábeis Letras Total de cursos – 5 Privada Instituição da

 

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Tabela 10 - Cursos de Nível Superior Oferecidos na Região Administrativa de Campo Grande Natureza Instituição da

Curso Direito Fonaudiologia Pedagogia . Logística Fisioterapia Serviço Social Administração Ciências Biológicas Ciências Contábeis Estética Educação Física Enfermagem Farmácia Nutrição Ciências Sociais Matemática Sistemas de Informação Geografia História Letras – Português/Inglês Letras – Português/Literatura Comunicação Social (Jornalismo) Comunicação Social (Propaganda e Publicidade) Serviço Social

Privada

Ciências Biológicas Ciências da Computação Engenharia de Produção Farmácia Biotecnologia Gestão em Tecnologia da Informação Gestão em Construção Naval e Offshore Produção de Fármacos Produção de Polímeros Produção Siderúrgica Total de cursos - 35

Pública

 

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A análise das tabelas acima permite a inferência de dados importantes, que podem corroborar com as informações presentes no estudo sobre desenvolvimento da zona Oeste. Realengo e Campo Grande concentram a maior quantidade de instituições de nível superior, havendo predominância de cursos de saúde e os vinculados às carreiras do magistério. Em contrapartida, como verificado em relação aos cursos técnicos, Santa Cruz é a região com menor oferta de cursos superiores. Em relação aos cursos de saúde, a mesma discussão para os cursos técnicos vale para os cursos superiores. Há instituições de ensino formando profissionais da área de saúde que poderiam atender à demanda da região, mas há necessidade de políticas públicas para a promoção de ações, que permitam a inserção local da mão de obra egressa de tais cursos. Os cursos superiores que atendem ao setor de serviços - Administração e Ciências Contábeis – estão presentes em todas as 4 regiões, com percentual de oferecimento em torno de 10%. Nesse caso, também é pertinente a oferta de outros cursos, mais recentes em termos de oferta, que atendam ao setor de serviços, tais como Logística, Finanças, Comércio Exterior, Vendas, dentre outros. Os cursos vinculados ao setor de transportes, um dos problemas relacionados pela população local, não estão contemplados na oferta analisada. O desenvolvimento do setor de transportes é essencial ao desenvolvimento de qualquer região, principalmente, quando há necessidade de atendimento a um parque industrial já instalado. O investimento nessa área pode ter forte contribuição das instituições de ensino. No caso específico dos cursos superiores verifica-se que a oferta vinculada ao setor industrial é reduzida e pouco variada, não atendendo a todas as demandas, principalmente no que tange à indústria de transformação. Apenas uma instituição, criada mais recentemente, oferece cursos que têm maior relação com o contexto econômico industrial, tais como Produção em Siderurgia, Polímeros, Gestão da Construção Naval e Offshore, Produção de Fármacos, Biotecnologia e Sistemas de Informação. Para contribuir com a expansão do Parque Industrial da Zona Oeste é fundamental que as instituições de ensino repensem seus cursos e contemplem as áreas de plásticos, siderurgia, metalurgia, automação e instrumentação.

 

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Tabela 11 - Porcentagem de Oferta dos Cursos Superiores na Região Oeste do Município do Rio de Janeiro Curso Administração Ciências Contábeis Logística Gestão Portuária Comunicação Social (Jornalismo) Comunicação Social (Propaganda e Publicidade) Direito Serviço Social Ciências Sociais Sistemas de Informação Tecnologia e Processamento de Dados Gestão em Tecnologia da Informação Pedagogia Educação Física Matemática Geografia História Letras Fonoaudiologia Fisioterapia Ciências Biológicas Nutrição Enfermagem Farmácia Estética Terapia Ocupacional Biomedicina Biotecnologia Veterinária Odontologia Turismo Gestão e Produção Naval e Offshore Produção de Fármacos Produção de Polímeros Produção Siderúrgica Área/Setor/Eixo Serviços/Gestão e Negócios % de Oferta 10,2 10,2 2,5 2,5 5,1 5,1 7,6 5,1 2,5 5,1 2,5 2,5 7,6 5,1 7,6 7,6 7,6 10,2 2,5 5,1 5,1 5,1 5,1 5,1 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5 5,1 2,5 2,5 2,5 2,5

Comunicação e Informação

Humanas

Informática

Ensino (magistério)

Saúde

Hospitalidade e Lazer

Indústria

 

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Outro dado que chama atenção é a grande prevalência de instituições de ensino privadas oferecendo cursos superiores, e a baixíssima presença das instituições públicas. Esse dado poderia contribuir para explicar, em parte, o pequeno percentual de trabalhadores com ensino superior, como apontado no estudo. A tabela 12 registra essa diferença percentual.

Tabela 12 - Diferença Percentual entre o Total de Cursos de Nível Superior Oferecidos por Instituições Públicas e Instituições Privadas, Considerando as Quatro Regiões Administrativas Instituições Públicas (% de Oferta) 25 % Instituições Privadas (% de Oferta) 75%

5. Contribuição da Educação Profissional á Expansão do Desenvolvimento Industrial e ao Desenvolvimento do Pólo Metalmecânico na Região Oeste do Município do Rio de Janeiro Na opinião do Vice Governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, em entrevista descrita na Publicação do Núcleo Inox 2 (no 28, 2008), são condições favoráveis à instalação de um pólo metalmecânico, com ênfase em aço inoxidável, na região Oeste do Município do Rio de Janeiro, o fato de ser importante produtor de minério de ferro, a disponibilidade de espaço de infra-estrutura e a proximidade com os produtores. Outro fator que contribuirá decisivamente para o desenvolvimento da zona Oeste é a construção do Arco Metropolitano, cujos objetivos principais são: dar vazão ao grande fluxo de cargas pesadas dessas regiões, desafogar as principais vias da região metropolitana, como a Avenida Brasil e a Ponte Rio Niterói, além de facilitar o escoamento de produtos do Porto de Itaguaí, do Complexo Petroquímico de Itaboraí, e do Pólo Metalmecânico da Zona Oeste, dentre outros. Pesquisa realizada pela FIRJAN, em parceria com o SEBRAE-RJ e a FGV, revela perspectivas otimistas e refletem a percepção de que o país pode entrar em um novo ciclo de desenvolvimento sustentado, com índice de aumento das oportunidades de mercado de trabalho de 80% em áreas profissionais da indústria. O segmento representado pelas profissões de técnico de nível médio está em crescimento, com boas perspectivas de aumento das oportunidades de trabalho nas empresas industriais brasileiras. Dentre estas profissões, as que se destacam em possibilidades de crescimento são: os técnicos de produção, conservação e de qualidade de alimentos (Técnico em Alimentos); técnicos para a produção em indústrias químicas (Técnico em Química, Técnico em Análises Químicas, Técnico em Automação), petroquímicas, refino de petróleo, gás e afins (Técnico em Petróleo e Gás, Técnico em Biocombustíveis); técnicos em fabricação de produtos
                                                            
2

Publicação do Núcleo de Desenvolvimento Técnico Mercadológico do Aço Inoxidável (Núcleo Inox). 

 

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plásticos e de borracha (Técnico em Plásticos), técnicos florestais (Técnico em Florestas), técnicos em manipulação farmacêutica (Técnico em Farmácia). É pertinente ressaltar que muitas profissões acima descritas estão em pleno desenvolvimento na Zona Oeste, como as indústrias de bebidas, alimentos, química, farmacêutica e metalurgia. Em função das boas perspectivas e da grande demanda por mão- de- obra qualificada, a Educação Profissional, tem recebido grande atenção nos últimos anos. O governo federal, através de programas que vinculam o desenvolvimento social e econômico das diferentes regiões do país com cursos de ensino profissional, busca incentivar a sua expansão principalmente através do aumento da oferta de cursos técnicos de nível médio, que atendam aos Arranjos Produtivos Locais e Regionais. O Programa Federal, que visa à expansão da Educação Profissional Técnica de Nível Médio, denominado Brasil Profissionalizado, tem como metas a assistência financeira e técnica para a criação de novas unidades educacionais, bem como a reforma ou expansão das Escolas Técnicas que já existem. O programa, que tem como um dos objetivos o fortalecimento da base científica do Ensino Médio, contempla a existência e a funcionalidade de laboratórios tecnológicos recomendados no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos e laboratórios de base científica, específicos para os seguintes componentes curriculares: Física, Química, Biologia, Matemática e Informática. No Rio de Janeiro, a expansão do ensino profissional tem sido realizada pela Secretaria de Ciência e Tecnologia, através de cursos de qualificação e de cursos técnicos, por meio da criação dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT), Escolas Técnicas com foco direcionado para o atendimento às vocações econômicas locais e regionais. Dentre os CVT já implantados, destacam-se aqueles que oferecem cursos que atendem à demanda da construção civil, situados na Baixada Fluminense (Caxias e São João de Meriti), regiões onde há grande carência desses profissionais. O município de Resende também foi contemplado com um CVT em construção civil, que formará mão-de-obra para atender às demandas da Votorantim e de outras empresas que estão investindo e realizando obras na região. O setor automotivo foi atendido com a implantação de dois Centros Vocacionais Tecnológicos, em Quintino e Santa Cruz. que oferecem cursos de Formação Inicial e Continuada, em Mecânica Automotiva, Mecânica Diesel, Injeção Eletrônica e GNV e outros. O Município de Bom Jardim, na região Serrana do Estado Rio de Janeiro, que se destaca como importante pólo de confecções de moda íntima será atendido com uma unidade de CVT que oferecerá cursos para atender a essa vocação. Outro Centro Vocacional, vinculado ao setor de confecções e moda, foi recentemente inaugurado no Município de Caxias. A Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC) apresenta, na região de Santa Cruz, além do CVT Santa Cruz (acima referido), uma Escola Técnica oferecendo cursos técnicos de nível médio em Segurança do Trabalho, Eletromecânica, Enfermagem e Informática. No mesmo espaço, existe um Centro de Educação Tecnológica e Profissionalizante (CETEP) oferecendo cursos de Formação Inicial e Continuada em diversas áreas. Com a implantação e desenvolvimento do Pólo Metalmecânico e do Parque Industrial, instalado e em expansão, o objetivo é ampliar a oferta de cursos técnicos e de qualificação, que atendam a essas novas demanda profissionais. O CVT Santa Cruz, com instalações e equipamentos que atendem ao setor automotivo, uma vez atendida essa demanda, pode orientar-se para o atendimento a outras propostas vocacionais. Na verdade, essa é a filosofia dos Centros Vocacionais Tecnológicos.

 

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Diante do desafio das transformações na organização do trabalho, num cenário de mudanças nas formas de produção, em busca de incrementos de produtividade e de qualidade, as instituições de formação profissional vivem profundas incertezas que, em inúmeros casos, restringem o seu potencial de previsão e reação. Na melhor das hipóteses, tais instituições limitam-se à formação de profissionais qualificados para postos de trabalho em função das necessidades detectadas no mercado. Entretanto, o momento atual requer que se considere com mais profundidade as bases que sustentam as ações de formação profissional propriamente dita, numa reflexão atenta à complexidade das relações entre formação e trabalho, considerando as constantes transformações e a flexibilidade exigida pelo mundo do trabalho. As principais características referentes às qualificações deste novo tipo de trabalhador podem ser resumidas através dos seguintes pontos: • • • • Propensão à aprendizagem e à constante atualização (ou requalificação); Capacidade de leitura, escrita e interpretação; Capacidade de julgamento, diagnóstico, dedução e tomada de decisões; Adaptabilidade a mudanças periódicas tanto das funções como do local de trabalho.

O novo perfil exigido do trabalhador requer, sobretudo, que a formação profissional extrapole os conhecimentos específicos de uma determinada ocupação, adaptando suas ações educativas às mudanças ocorridas no mundo do trabalho. A formação polivalente é, neste sentido, a proposta mais adequada à capacitação de recursos humanos num contexto de transformação da organização do trabalho. Além de atentar para as competências técnico-operacionais, ela privilegia o desenvolvimento das competências cognitivas e sócio-comunicativas. Numa visão mais restrita, o conceito de polivalência pode ser entendido como a formação que capacita para diferentes postos de trabalho, permitindo ao trabalhador uma mobilidade ocupacional. Tal formação não forneceria o conhecimento-base que norteia a sua prática, mas apenas capacitaria o trabalhador para utilizar diferentes e complexos instrumentos.

6. Considerações Finais Qualquer projeto que tenha como tarefa a formação profissional não deve perder de vista os novos paradigmas, e deve assumir uma visão prospectiva, com base na constatação de uma tendência que é mundial: a incorporação das tecnologias inovadoras, o estímulo à flexibilização da produção e das relações laborais e a interação entre os setores. O perfil profissional que se define e se difunde no novo contexto econômico atrela-se aos requisitos de produtividade, qualidade e competitividade das cadeias produtivas. Em uma visão mais objetiva, com o foco vinculado ao setor industrial da zona Oeste do município do Rio de Janeiro, particularmente, em relação à formação de mão–de–obra qualificada para a inserção nas indústrias de transformação e do pólo metalmecânico, as ações propostas podem orientar-se para as seguintes estratégias: • • Estabelecimento de parcerias com as indústrias locais com o objetivo de fundamentar projetos educacionais que considerem as necessidades definidas por tais parcerias; Abertura de campo de estágio nas referidas indústrias para a prática profissional dos estudantes dos cursos técnicos de nível médio e dos cursos superiores, que já são

 

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oferecidos e para novos cursos a serem implementados; • Aumento da oferta de trabalho, através da inserção dos egressos nas indústrias locais após o término dos seus cursos.

Urge, portanto, investir no que aparece como promissor nas novas relações de trabalho, formando profissionais mais qualificados a enfrentar as contradições do próprio paradigma. O compromisso da educação, visando à construção da cidadania por meio da produção do conhecimento, do fomento das idéias, da formulação de soluções sociais inovadoras e da formação de quadros profissionais de qualidade, colocados ao serviço da sociedade, contribuirá decisivamente para o avanço social e econômico da Região.

Referências Bibliográficas BRASIL, MEC. Lei 9394 de Diretrizes e Bases da Educação. Brasília: 1996. BRASIL, MEC. Políticas Públicas para a Educação Profissional e Tecnológica. Brasília: 2004. BRASIL, Governo do Estado do Rio de Janeiro. Subsídios para uma Política de Educação Profissional e Tecnológica para o Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2006. BRASIL, MEC. Ensino Médio Integrado à Educação Profissional: Integrar para quê? Brasília: Secretaria de Educação Básica, 2006. BRASIL, MEC. Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. Conferência Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, Brasília 2007. CUNHA, A.M. de O.; FIRMO, C.A.B. A Educação Profissional no Contexto da Reforma Educacional dos anos 90. B.Téc. SENAC, Rio de Janeiro, v.32, no 1, jan./abr. 2006. GIL, A. C. Didática do Ensino Superior. Ed. Atlas: São Paulo, 2006. INOX. Publicação do Núcleo de Desenvolvimento Técnico Mercadológico do Aço Inoxidável (Nucleo Inox), no 28, jan./mar. 2008. SOUZA, D.B., RAMOS, M.N., DELUIZ, N. Cobertura Municipal da Educação Profissional via regime de colaboração: uma prática possível? Ensaio: avaliação em Políticas Públicas e Educação. Rio de Janeiro, v. 15, no 54, p.p 29-52, jan./mar. 2007. Legislação Consultada: Lei no 9394 de 20 de Dezembro de 1996. Decreto no 2208 de 17 de Abril de 1997. Decreto no 5154 de 23 de Julho de 2004. Lei no 11.741 de 16 julho 2008.

Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno

Questões de Governança: Alternativas para Criar uma Câmara de Desenvolvimento da Zona Oeste do Rio de Janeiro

(Versão Final)

Projeto FAPERJ no E-26/110.644/2007

Gerardo Silva (LABTeC/UFRJ) Giuseppe Cocco (LABTec/UFRJ)

Junho/2009

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ÍNDICE

1. Introdução............................................................................................................................. 3 2. Porque não considerar a alternativa de constituir uma Câmara de Desenvolvimento da Zona Oeste do Rio de Janeiro? ........................................................................................ 13 Referências Bibliográficas ..................................................................................................... 20

ÍNDICE DE MAPAS E TABELAS Tabela 1 – População da Zona Oeste do Rio de Janeiro por região administrativa (RA), anos 2000 e 2008, e densidade populacional em 2008....................................................................... 3 Mapa 1 – Projeto do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro ..................................................... 6 Mapa 2 – Disponibilidade de terras para ocupação industrial vinculadas ao projeto Arco Metropolitano do Rio de Janeiro................................................................................................ 7 Mapa 3 – Plano de acessibilidade e mobilidade urbana – Santa Cruz ....................................... 1

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1. Introdução Como ficou demonstrado na recente contenda eleitoral pela prefeitura municipal de Rio de Janeiro, a Zona Oeste (incluindo Barra da Tijuca e Jacarepaguá), com 1,5 milhões de eleitores, que representam 34,45% do total, foi decisiva. Nessa região, Fernando Gabeira conseguiu, no final, pouco mais de 500 mil votos, enquanto Eduardo Paes obteve 673 mil. Essa diferença acabou definindo a eleição em favor deste último. Essa força eleitoral não se traduz, entretanto, em desenvolvimento e qualidade de vida para seus moradores, em particular nas regiões administrativas de Santa Cruz, Campo Grande, Bangu e Realengo – que identificamos, para os fins desse trabalho, como a Zona Oeste do Rio de Janeiro (ZORJ). Como veremos a seguir, é extremamente importante encontrar alguma forma de organização institucional local que possa ajudar a reverter esse quadro. De acordo com a Tabela 1, no ano de 2008 estimava-se a população da ZORJ em 1.615.801 habitantes, a maior parte concentrada nos distritos de Campo Grande e Bangu. Já quando considerada a densidade populacional, os índices maiores correspondem às RAs de Bangu e Realengo, e os menores a Campo Grande e Santa Cruz. Considerando a densidade média estimada da cidade em 5.212,4 hab/km2, podemos auferir uma baixa ocupação da ZORJ em geral (com exceção de Bangu) e a existência de reserva de terras em Campo Grande e Santa Cruz. De fato, a região é considerada a principal fronteira de expansão da cidade do Rio de Janeiro. Tabela 1 – População da Zona Oeste do Rio de Janeiro por região administrativa (RA), anos 2000 e 2008, e densidade populacional em 2008
RA População 2000 População 2008 (i) 349.293 562.111 440.564 263.833 1.615.801 Crescimento 2000-2008 (%) 12,20 16,05 4,77 10,32 11,02 Densidade (hab./km2) 2008 (i) 2.128,5 3.664,3 6.497,9 4.832,1 3.673,1

Santa Cruz Campo Grande Bangu Realengo TOTAL

311.289 484.362 420.503 239.146 1.455.300

(i) Estimada. Fonte: IPP/RJ, SEBRAE.

No que diz respeito às atividades econômicas, o relatório Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno: diagnóstico sócio-econômico do local (IE/UFRJ, 2008), destaca: • • • uma predominância das atividades comerciais e de serviços com uma especialização relativa na indústria, quando comparada com o município do Rio de Janeiro; analisando o número de estabelecimentos, destaca-se o setor de comércio varejista com 45% dos 8.352 estabelecimentos localizados na região; o principal setor da indústria de transformação, em número de estabelecimentos, é a indústria de alimentos e bebidas;

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• • •

predomínio dos estabelecimentos de micro e pequeno porte, 96% dos estabelecimentos da região; os principais geradores de emprego são os estabelecimentos de médio e grande porte, apesar de representarem apenas 4% do número total de estabelecimentos; os setores mais representativos na geração de empregos, considerando sua participação relativa no conjunto de atividades econômicas da metrópole do Rio de Janeiro, pertencem à indústria de transformação: metalurgia (27,5%); minerais não-metálicos (19,2%); madeira e mobiliário (18,7%); alimentos e bebidas (15,3%); fumos, couro e pele (12,9%); e papelão e gráfica (12,5%); trata-se, em geral, de empregados mais jovens do que os do município do Rio de Janeiro, com menor grau de qualificação e remuneração inferior; o número total de empregos formais na região em 2006 era de 113.561 (que corresponde, aproximadamente, a apenas 15% da população em idade economicamente ativa da ZORJ em 2000).

• •

Uma das principais características da ZORJ, com efeito, além da escassa representação do emprego formal na região e da sua precariedade, deriva do fato de a maioria da população trabalhadora se deslocar diariamente para outras regiões da cidade, principalmente para o Centro e a Zona Sul. Existe também uma importante presença de trabalho informal nas áreas comerciais de cada uma das RAs. Quando considerados os indicadores de desenvolvimento social, o referido relatório do Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno destaca: • • • • em todas e cada uma das RAs, a renda per capita é inferior à média do município; em todas e cada uma das RAs, a distribuição de renda – medida pelo índice de Gini – é pior do que no município; em todas e cada uma das RAs, a renda domiciliar per capita média do décimo mais rico é inferior à média do município; em todas e cada uma das RAs, a renda domiciliar per capita média do primeiro quinto mais pobre é inferior à média do município.

Observa-se, entretanto, que alguns indicadores (taxa de alfabetização, longevidade, esperança de vida ao nascer) apresentam bons desempenhos quando comparados com os do município, dependendo da RA. Santa Cruz é a exceção, posto que todos esses indicadores permanecem inferiores – com destaque para a probabilidade de sobrevivência até os 40 anos, que é de 88,94%, contra a média de aproximadamente 92% para o restante das RAs e o município. O caso de Santa Cruz é, no mínimo, bastante paradoxal. Considerado um dos piores IDH do Rio de Janeiro (27º nas 33 RAs), concentra, no seu distrito industrial e áreas adjacentes, um conjunto de médias e grandes empresas de alta produtividade e geração de riqueza: GerdauCosigua, Michelin, NUCLEP S/A, ECOLAB, Casa da Moeda do Brasil, Vale Sul Alumínio, Sicpa, Transcor, entre outras. O professor Sinvaldo do Nascimento Souza, em ocasião do lançamento da pedra fundamental da futura CSA, em setembro de 2006, descreve o processo da seguinte forma:

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“Na época colonial, Santa Cruz era conhecida como a ‘Jóia da Capitania’. Na década de 1930 e durante os quinze anos do governo Getúlio Vargas, Santa Cruz passou a ser referenciada como ‘Celeiro do Distrito Federal’. No primeiro caso, em pleno século XVIII, no governo do vice-rei Marquês do Lavradio, ‘a jóia’, que correspondia às terras e propriedades da extensa Fazenda Real de Santa Cruz, quase foi privatizada. ‘O Celeiro do Distrito Federal’ é uma referência à política agrícola empreendida pelo ministro Fernando Costa, titular da pasta da Agricultura no governo Getúlio Vargas, de tornar Santa Cruz um dos grandes celeiros do Rio de Janeiro. A partir de meados da década de 1960, os campos outrora ocupados pela lavoura e pecuária, passam a receber as primeiras instalações industriais, como a Usina Termoelétrica de Furnas, a Companhia Siderúrgica Nacional, do Grupo Gerdau e, mais tarde, a Valesul, a Casa da Moeda, Latasa, Glassurit, Ecolab, entre outras. Em todos os casos citados, a população de Santa Cruz permaneceu à margem do processo. Não desfrutou de grandes vantagens. Os empregos prometidos, sobretudo os que exigiam qualificação profissional, foram ocupados por moradores de outros bairros e até de outros municípios. Basta ver os ônibus que ainda hoje, ocupam os pátios de algumas das indústrias instaladas em Santa Cruz” (www.portalitaguai.com.br/article1269.html, entrada 12/01/2009, 21:00, destaque nosso). O artigo do professor Sinvaldo, entretanto, tinha como objetivo colocar em relevo o empreendimento da CSA, que transformará, de acordo com seu registro das palavras do Secretário Estadual de Desenvolvimento Econômico Maurício Chacur, o Estado de Rio de Janeiro no segundo maior pólo de produção de aço do país, e gerará “18 mil vagas de emprego na fase da implantação, e outras 20 mil vagas diretas e indiretas, que surgirão a partir da produtividade”. Desta forma, “a Companhia Siderúrgica do Atlântico estará contribuindo para fomentar o desenvolvimento dos municípios vizinhos, como Itaguaí e Seropédica, além de prometer empregos para a população da Zona Oeste”. E continua: “Ao contrário de outras iniciativas do gênero, de empresas que se instalaram em Santa Cruz nas décadas de 1960 e 1970, sem qualquer preocupação com a qualificação da sua mão-de-obra a partir de moradores da região, a Companhia Siderúrgica do Atlântico e o próprio governo do Estado do Rio de Janeiro, estão prometendo o futuro também na formação profissional”. A desconfiança de que isso venha de fato acontecer não se justifica apenas pela trajetória das iniciativas do gênero nas décadas de 60 e 70. Em épocas mais recentes, a ampliação e modernização do porto de Itaguaí foi justificada – em função dos investimentos públicos previstos – em discursos e parâmetros similares: a) transformar o porto de Itaguaí no principal porto concentrador da América Latina; b) colocar o Brasil no circuito dos navios gigantes das rotas marítimas internacionais; c) promover o desenvolvimento do município de Itaguaí e adjacências; e d) gerar emprego e renda para a população da zona oeste do Rio de Janeiro. Uma década depois, nada disso aconteceu nem está prestes a acontecer. Pelo contrário, o porto de Itaguaí foi integrado à cadeia logística de importação e exportação de commodities da CSN, cuja lógica de operação territorial segue o mesmo padrão descrito anteriormente. Como sabemos, o empreendimento da CSA na ZORJ é acompanhado de outros projetos igualmente importantes, a saber: duplicação da COSIGUA (GERDAU), nova fábrica da Michelin (MICHELIN), Fábrica de Garrafas (AmBev), Nova fábrica da ICEC (ICEC). Simultaneamente, o governo do Estado, com apoio do governo federal, inicia o processo de

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implementação do projeto Arco Metropolitano do Rio de Janeiro (Arco Metropolitano), uma grande via de circulação – de 145 km de extensão – vinculando os municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro (ver mapa 1). O projeto também inclui uma obra de ampliação de 22 km de conexão específica entre a Avenida Brasil em Santa Cruz, o porto de Itaguaí e a BR-101 Sul Rio-Santos (segmento B). Ao todo, serão investidos U$ 380 milhões ao longo de cinco anos (a previsão inicial era de que a obra estivesse concluída em 2012). A obra foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e começou oficialmente em 2008. Mapa 1 – Projeto do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Os investimentos previstos para o Arco Metropolitano, entretanto, representam apenas 2,3% do total, se forem contabilizados os investimentos privados vinculados ao projeto, que poderão chegar a U$ 16 bilhões. Dentre esses últimos, destacam-se os correspondentes a: PLANGAS, COMPERJ, Complexo Petroquímico Duque de Caxias, Porto de Itaguaí, CSA e Gerdau-COSIGUA. Em conjunto, esses empreendimentos de grande porte oferecem amplo sustento e justificativa para o projeto, independentemente da escolha do caminho a ser trilhado para promover o desenvolvimento do Rio de Janeiro. Trata-se, ao nosso ver, da escolha de uma agenda claramente desenvolvimentista em um contexto (ecológico, econômico e cultural) que, apesar de seus problemas evidentes, possui comprovadas qualificações (e vocações!) para a produção imaterial ou pós-fordista (cf. Cocco, 2000; Lazzarato & Negri, 2001; Gorz, 2003). O desenho do Arco Metropolitano leva em conta ainda duas questões estratégicas: a) a solução de gargalos logísticos; b) a indução do crescimento industrial da região metropolitana do Rio de Janeiro. No que se refere ao item a), trata-se de descongestionar uma parte importante do sistema de transporte de cargas na cidade, hoje concentrado principalmente na Avenida Brasil. Isto inclui um debate sobre a questão portuária, posto que boa parte do congestionamento se deve à movimentação de cargas do porto do Rio – ainda o melhor posicionado comercialmente para movimentação de cargas gerais de alto valor agregado. No que diz respeito ao item b), como mostra o mapa 2, procura-se induzir a ocupação de glebas disponíveis em torno do Arco Metropolitano, seja através das atividades industriais

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vinculadas aos grandes empreendimentos (cadeia do plástico, cadeia do aço, cadeia da química fina, etc.); seja por meio das vantagens logísticas geradas territorialmente – fala-se, de fato, pela sua localização estratégica, dos municípios de Caxias e Nova Iguaçu, como possíveis pólos logísticos da região sudeste do Brasil. Mapa 2 – Disponibilidade de terras para ocupação industrial vinculadas ao projeto Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Do conjunto de fatores indicados anteriormente, surge a necessidade de se realizar esforços no sentido de posicionar os territórios nessa nova geometria espacial da região metropolitana. Há vantagens evidentes em cada um dos municípios afetados, porém há também riscos. Quais são as estratégias de sustentabilidade (ambiental, social, institucional) associadas a essas oportunidades de desenvolvimento? Que tipo de atividades econômicas podem favorecer a distribuição efetiva da riqueza gerada industrialmente, problema endêmico do país? Que tipo de arranjos sociais, técnicos e institucionais podem fortalecer as aspirações democráticas desses municípios? Qual a governança desses territórios metropolitanos, agora estreitamente vinculados entre si por causa desses empreendimentos estruturantes? Essas e outras perguntas do gênero, que ainda precisam ser debatidas amplamente, estão longe de constituir uma preocupação central dos formuladores dos projetos. A ZORJ é um dos territórios que deverá se posicionar. Nesse sentido, a Secretaria Municipal de Urbanismo da Prefeitura de Rio de Janeiro (SMU), foi encarregada de elaborar uma proposta tendo como premissas: a) os investimentos públicos e privados previstos para a região; b) a (provável) realização das olimpíadas em 2016. Com relação aos impactos dos investimentos públicos previstos para a região, a proposta considera: -Revisão da ZR 6 em Santa Cruz, Sepetiba e Paciência. Trata-se de uma extensa área de uso residencial que poderá absorver parte dos impactos de adensamento urbano no local. Propõese, portanto, alterar os índices de ocupação e uso do solo (dessa área) para atender à nova demanda induzida pelos novos empreendimentos. -Plano de acessibilidade e mobilidade urbana – Santa Cruz. Foi desenvolvido um plano estratégico bastante detalhado de acessibilidade e mobilidade urbana (mapa 3), de acordo com os seguintes parâmetros: “A partir da área central de Santa Cruz, aplicou-se o conceito de

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anéis concêntricos (coletores e arteriais) ordenadores da circulação viária e espacialmente estruturantes, que juntamente ao trecho 6 do ‘Anel Viário Estrutural da Cidade do Rio de Janeiro’ conduzirão o tráfego de passagem no contorno à área central, descongestionando a malha viária nas áreas internas a esses anéis; liberando espaço viário para a mobilidade e acessibilidade não motorizada (ciclovias e pedestres); interligando essas áreas à Área Central de Santa Cruz e principais equipamentos e serviços urbanos, preservando dessa maneira, as áreas ambientais residenciais do tráfego motorizado de passagem, para as quais deverão ser avaliadas complementarmente, medidas de moderação de tráfego, compondo um sistema sustentável de acessibilidade e mobilidade pautado nos conceitos e estratégias de Gerenciamento da Mobilidade. [O Plano inclui a construção de um terminal rodoferroviário]”. Mapa 3 – Plano de acessibilidade e mobilidade urbana – Santa Cruz

-Projeto de Estruturação Urbana (PEU) Guaratiba. A região de Guaratiba é composta de um conjunto de áreas de proteção ambiental submetidas a intensa pressão imobiliária. Acredita-se que essa pressão deverá aumentar significativamente com a instalação dos novos empreendimentos em Santa Cruz. Nesse sentido, outorga-se prioridade à elaboração do PEU de Guaratiba, na tentativa de estabelecer parâmetros de ocupação ordenada e consistentes com suas restrições ambientais. -Revisão da ZE 7 Realengo. A Zona Especial 7 Realengo refere-se a áreas de uso militar que estão sendo disponibilizadas, e inclusive comercializadas, para uso urbano. Por outra parte, a autoridade militar da região já sinalizou que as unidades instaladas em Realengo serão desativadas e transladadas para outros locais. Assim, será preciso revisar a condição de Zona Especial que a legislação vigente estabelece para essas áreas.

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No que diz respeito à (provável) realização das olimpíadas em 2016, a proposta considera o “cluster Deodoro”, em Realengo, onde já foram realizados investimentos esportivos por ocasião dos Jogos Panamericanos de 2007. O Círculo Militar Deodoro, com efeito, localizado na Vila Militar, é uma área do Exército Brasileiro no Rio de Janeiro onde foram construídas instalações permanentes relativas à prática de hipismo, tiro esportivo, tiro com arco e prática de hóquei sobre grama. No curto prazo, essas instalações serão aproveitadas para a realização das Olimpíadas Militares de 2011, já confirmadas 1 . Também chamados “Jogos da Paz”, a última edição foi realizada nas cidades indianas de Hyderabad e Bombain em 2007, mobilizando 4.571 atletas de 71 países (em 2003, em Catânia, Itália, foram 6.000 atletas de 87 países). O investimento estimado para o evento no Rio de Janeiro é de R$ 1,27 bilhões, a serem distribuídos na adequação das infra-estruturas e dos equipamentos esportivos, na construção de uma (nova) vila olímpica e no desenvolvimento de softwares de comando e interligação de sistemas esportivos, de arbitragem, mídia, divulgação e homologação dos resultados. Parte da justificativa do Governo para apoiar a realização dos jogos militares foi o quanto isto posicionaria melhor o Rio de Janeiro de cara à candidatura para os jogos olímpicos 2016 2 . Em termos institucionais, um dos elementos extremamente positivos da proposta da SMU é o fato dela ter sido elaborada por um Grupo de Trabalho ad-hoc, com participação não apenas das diferentes secretarias da Prefeitura, como também do governo do Estado, um tipo de colaboração pouco freqüente entre diferentes departamentos e órgãos de governo: “A primeira reunião específica do GT ocorreu em 16/05/2007. Foi estabelecido um cronograma de reuniões semanais, na Coordenadoria Geral de Planejamento Urbano da Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU/CGPU), com a participação constante de representantes dos órgãos participantes e o estabelecimento de tarefas a serem desenvolvidas para as reuniões seguintes (…). Complementarmente às reuniões semanais e aos eventos iniciais, foram realizadas ainda outras atividades: • Reuniões específicas sobre o Trecho 6 do Anel Viário na sede da Secretaria Municipal de Transportes. • Vistoria conjunta aos locais de intervenção em 05/07/2007 e de participantes do GT, setorialmente, em outras datas. • Reunião sobre a reativação do Ramal Ferroviário de Passageiros entre Santa Cruz e Itaguaí com o Diretor de Engenharia da Central, Sr. Bento Lima, em 10/07/2007.

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O Rio de Janeiro ganhou da cidade de Istambul, que realizou pesados investimentos para sustentar sua candidatura. O Rio, porém, tinha a vantagem dos equipamenos já construidos para o PAN 2007. 2 O custo estimado do evento está sendo questionado pois, segundo informações divulgadas pela imprensa, custará mais do que a conclusão do programa nuclear da Marinha (R$ 1,04 bilhão), considerado estratégico para colocar o país no seleto grupo dos que dominam o ciclo do combustível nuclear. Ainda para efeitos de comparação, o valor da olimpíada militar corresponde a três vezes o que o Brasil já pôs na missão de paz no Haiti em quatro anos (R$ 431 milhões) e a um quarto do pacote de reaparelhamento da Força Aérea, o FX2, estimado em R$ 4,5 bi. Contudo, o compromisso do Governo para facilitar esse montante investimentos se mantém. Em 2008 foi autorizado crédito extraordinário de R$ 275 milhões para início da construção da Vila Olímpica.

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• Reunião para apresentação dos trabalhos do GT ao Sr. Secretário de Urbanismo e a representantes das empresas Central, Gerdau/Cosigua e CSA em 17/07/2007. • Reunião sobre os acessos às siderúrgicas CSA e Gerdau entre os representantes do GT e das companhias, para exposição da necessidade das empresas CSA e Gerdau elaborarem propostas de acessibilidade para avaliação dos técnicos setorialmente. • Reunião sobre os impactos dos projetos viários na Base Aérea de Santa Cruz e no Distrito Industrial de Santa Cruz, entre os representantes do GT, da Base Aérea e da Codin. • Reunião sobre os impactos do projeto de esgotamento sanitário na AP5, entre representantes da SMU/CGPU/GPL-5 e o Gerente de Projetos de Esgotamento Sanitário da SMO/Rio-Águas. • Apresentação dos resultados preliminares do GT ao Compur (Conselho Municipal de Política Urbana) em reunião de 08/11/2007. Ao longo do período de reuniões e trabalho, os integrantes do GT consolidaram os estudos sobre o cenário atual da região, com a apresentação de propostas mais bem detalhadas para o bairro de Santa Cruz (...)” (Grupo de Trabalho Santa Cruz, Relatório Final, março de 2008, p. 6). Contudo, as limitações do estudo da SMU/RJ relativos ao posicionamento da ZORJ são evidentes. Trata-se, em primeiro lugar, de uma proposta de ordenamento urbano funcional e preventivo alinhada com as possíveis demandas dos empreendimentos industriais associados ao Arco Metropolitano apenas para a RA Santa Cruz. Falta, sobretudo, uma visão de conjunto mais abrangente, que poderia ter sido feita, por exemplo, através de um amplo debate sobre os destinos da Avenida Brasil, principal eixo articulador da ZORJ a ser afetada pela construção do Arco Metropolitano. Em segundo lugar, a perspectiva parece corresponder melhor à de um território que deve ser posicionado, do que à de um território que deve posicionar-se. Não se depreende das conclusões do relatório a necessidade de ampliar o debate com os atores locais (com exceção das grandes empresas sediadas nos distritos industriais). Dessa maneira, mantêm-se o círculo vicioso de grandes investimentos que geram grandes investimentos e escasso desenvolvimento local. Vale destacar, entretanto, as iniciativas do SEBRAE/RJ e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro (SEDEIS) que, em conjunto com a Caixa Econômica Federal e a NUCLEP, organizaram e realizaram, no dia 18 de outubro de 2007, o "Seminário Grandes Negócios para Pequenas Empresas na Região do Porto de Itaguaí", que também contou com o apoio da FIRJAN e FECOMÉRCIO. O Seminário ofereceu às diversas empresas fluminenses, micro e pequenas, a oportunidade de obter informações necessárias de como proceder para fechar negócios com grandes empresas participantes, dentre outras, PETROBRAS, ELETRONUCLEAR, MICHELIN, LIGHT, THYSSENKRUPP CSA e NUCLEP, que montaram estandes próprios para atender as dúvidas dos prováveis futuros fornecedores 3 .
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Segundo informações de imprensa, cerca de 400 fornecedores – de micro e pequeno porte – participaram do seminário. Em termos gerais, os fornecedores eram dos setores de serviços e indústria e comércio. Além de Itaguaí, eram provenientes de Volta Redonda, Niterói, Macaé e Baixada Fluminense.

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Nessa mesma linha de ação, o SEBRAE/RJ encontra-se realizando estudos sobre a demanda setorial de bens e serviços das grandes empresas da zona oeste, com a finalidade de tornar mais eficiente a aproximação com os fornecedores da região. Tratar-se-ia, enfim, de trabalhar o adensamento do território a partir das cadeias de suprimentos locais, isto é, das MPEs em condições de integrar-se produtivamente à rede de fornecedores dessas grandes empresas 4 . Com o intuito de democratizar o acesso às informações sociais, políticas e econômicas de cada localidade, o SEBRAE/RJ também lançou, em 2008, a coleção de Informações SócioEconômicas referentes a cada uma das regiões administrativas da cidade, dentre as quais as RAs Santa Cruz, Campo Grande, Bangu e Realengo 5 . O SENAI/RJ também pretende desenvolver cursos de qualificação em áreas vinculadas aos processos metalúrgicos. De fato, em 2007 já aconteceu o curso de Fundamentos de Processos Metalúrgicos, contrato assinado entre o Sistema Firjan e a ThyssenKrupp CSA. Por sua vez, este curso foi considerado pré-requisito para os cursos de qualificação e especialização oferecidos pelo SENAI nas áreas de Eletricidade, Mecânica, Processos Metalúrgicos e Operação. Em uma primeira etapa, a previsão é de qualificar cerca de 1.500 trabalhadores, com prioridade para moradores de Santa Cruz, Itaguaí, Paciência, Campo Grande, Seropédica e Mangaratiba, áreas vizinhas ao pólo siderúrgico. Em termos gerais, há sinais de que a rede de ensino da região tem interesse em participar desse processo de qualificação, porém aguardam que a demanda se torne mais efetiva 6 . Sem demérito destas e de outras iniciativas do gênero, seja do Sistema S ou da rede de educação superior da ZORJ, é preciso lembrar que essas instituições operam com um foco bem definido de atuação, seja na mobilização empresarial das MPEs, seja na capacitação da mão-de-obra e na qualificação profissional. Considerando a gravidade dos problemas que atravessam a ZORJ, entretanto, essas iniciativas podem ser consideradas sem dúvida necessárias, porém nunca suficientes. Nesse sentido, é preciso lembrar que hoje a ZORJ é não apenas a principal fronteira de expansão das atividades industriais na cidade do Rio de Janeiro, como também é a principal fronteira de expansão das favelas. De acordo com Sergio Besserman Viana (2008), os dez bairros com maior crescimento absoluto em área de favela entre 1999 e 2004 são, pela ordem, Guaratiba (com uma ampliação de 0,3 km2, o que corresponde a 22,7% da sua área de favela em 1991), Senador Câmara, Santa Cruz, Acari, Jacarepaguá, Paciência, Campo Grande, Recreio dos Bandeirantes, Pavuna e Bangu. Na mesma apresentação, o presidente do IPP/RJ observa: “Os grandes empreendimentos implantados ou previstos para a Zona Oeste – Michelin em Guaratiba / Campo Grande e o pólo siderúrgico em Santa Cruz – possivelmente implicarão taxas altas de crescimento populacional para a AP5 nos próximos anos, seja em favela, seja nas áreas formais” (p. 6). Voltamos, portanto, à reflexão inicial apresentada no início deste relatório.

Outras preocupações manifestadas pelo SEBRAE/RJ com relação à ZORJ referem-se às políticas de responsabilidade social e ambiental das grandes empresas, à melhoria do comércio local (a partir de um conhecimento más pormenorizado do mercado de consumo), e a identificação de alternativas de governança para o desenvolvimento sustentável da região. 5 Informações que, aliás, estão sendo aproveitadas neste relatório. 6 A universidade Estadual da Zona Oeste (UEZO), entretanto, oferece cursos tecnológicos desde 2005, dentre os quais: produção em siderurgia, polímeros, construção naval, fármacos, biotecnologia e tecnologia da informação. As carreiras foram escolhidas para suprir a demanda que deve surgir com a instalação dos pólos Gás-químico na Baixada, Siderúrgico em Itaguaí e com o aumento das atividades no porto de Sepetiba.

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Em termos de segurança, embora a ZORJ seja considerada menos insegura que a zona norte da cidade, apresenta indicadores alarmantes. De acordo com informações do Centro de Estudos de Cidadania e Segurança (Cesec) da Universidade Candido Mendes, enquanto a zona sul do Rio de Janeiro apresentou uma taxa de homicídios de 5,3 para cada 100 mil habitantes no período de janeiro a setembro de 2008, na zona oeste a mesma foi de 23,74. Em agosto de 2007, a Polícia Militar do Rio de Janeiro mobilizou 500 homens em uma grande operação contra o tráfico de drogas na zona oeste, nas favelas Vila Aliança, Taquaral, Coréia e Rebu. Em outubro do mesmo ano, uma nova ação policial – desta vez focada na favela da Coréia, em Senador Camará – deixou 12 mortos (dentre os quais uma criança de 4 anos e um policial), 4 feridos e 11 pessoas presas. Na operação, segundo a imprensa, foram mobilizados 300 efetivos, incluindo carros blindados e apoio aéreo de helicópteros. Nos últimos anos, entretanto, a ZORJ tem se caracterizado pela presença marcante das milícias, isto é, de grupos armados de policias, ex-policiais, agentes penitenciários, militares e bombeiros que nasceram e proliferaram no clima de insegurança provocado pela presença do narcotráfico nas favelas. Aos poucos, desde sua origem na Favela Rio das Pedras nas décadas de 70 e 80, em Jacarepaguá, as milícias foram consolidando sua presença territorial até controlar mais de 200 favelas, a maioria da capital e, em particular, da ZORJ (segundo depoimento do deputado estadual Marcelo Freixo, presidente da CPI das milícias na ALERJ). Por sua vez, essa expansão territorial foi acompanhada pelo desenvolvimento dos “negócios” dos grupos que, da segurança clandestina nas comunidades, passaram também a lucrar com a segurança fora das favelas, com o transporte alternativo, a distribuição de gás, TV a cabo ou “gatonet” e, em alguns casos, com o aluguel de equipamentos públicos para recreação e prática esportiva. A questão mais delicada do fenômeno das milícias, porém, é o fato delas se tornarem parte das instituições e/ou do sistema de representação governamental. O relatório final da CPI das Milícias, aprovado oficialmente na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro em 16/12/2008, indiciou 225 pessoas – entre elas políticos e vereadores – por envolvimento em delitos tais como cobrança de dinheiro de moradores em troca de segurança e taxas para o funcionamento do comércio e circulação de transporte alternativo, entre outros. Nas últimas eleições municipais, que, como dissemos, foram decididas na ZORJ, vários candidatos a vereador estavam vinculados à milícia – e alguns foram efetivamente eleitos, como veremos mais adiante. Há, evidentemente, responsabilidades compartilhadas por essa situação. Tal como assinala o relatório: “Não resta dúvida de que foram a omissão do Estado de promover políticas públicas de inclusão social e econômica e a conivência das autoridades encarregadas de garantir a segurança pública os grandes fermentos para o crescimento das milícias tais como se apresentam hoje – representantes do Estado formal utilizando de maneira ilegal os instrumentos do próprio Estado para extorquir, intimidar e subjugar milhares de cidadãos de comunidades populares”. Porém, também:

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“O bombardeio ideológico secular das classes dominantes, pregando a ordem e a repressão aos desvios, obviamente contaminou segmentos da população que, em diversos momentos, admitiu e até apoiou tais práticas”. E, pior ainda: “Foi o próprio prefeito César Maia que, instado a se pronunciar sobre a proliferação de milícias nas comunidades populares, deu a elas o status de grupos comunitários de autodefesa” (destacado no original). Ora, chegados a este ponto parece mais do que legítimo se perguntar: em que medida os milhares de empregos que serão criados através desses empreendimentos e seus efeitos multiplicadores traduzir-se-ão em melhoria da qualidade de vida da população da ZORJ, isto é, em trabalho, renda, educação, saúde e segurança? Qual seria a melhor estratégia de posicionamento do território com relação aos empreendimentos que estão sendo propostos? Quais são as oportunidades que se abrem para o desenvolvimento local da ZORJ? Como colocar em relevo os problemas específicos da região para que eles possam ser integrados à nova configuração da dinâmica metropolitana sob uma ótica menos tecnocrática? Trata-se, evidentemente, de uma alternativa de mobilização da sociedade local que vai além de uma consulta mais ou menos institucional das soluções propostas. A seguir exploramos uma saída possível.

2. Porque não considerar a alternativa de constituir uma Câmara de Desenvolvimento da Zona Oeste do Rio de Janeiro? Pensar em constituir uma Câmara de Desenvolvimento da ZORJ, mesmo que como projeto preliminar, exige a consideração de alguns aspectos que demonstrem sua viabilidade. Se até agora se privilegiou a perspectiva de um questionamento da racionalidade (econômica, setorial e verticalizada institucionalmente) que acompanha os grandes projetos previstos para a região, é preciso colocar também em relevo as potencialidades que a ZORJ oferece para estabelecer um dispositivo de governança dessas características. Nesse sentido, parece extremamente auspicioso o interesse em debater questões locais (e estruturais!) em cada um dos encontros mantidos com empresários e lideranças da zona oeste, assim como a disposição de cada um dos entrevistados para o desenvolvimento desta pesquisa (vide lista em anexo). Engana-se quem acredita que a ZORJ seja uma região sem história, sem identidade e sem laços sociais fortes por parte das suas comunidades. Pelo contrário, trata-se de um vasto território que cresceu e se desenvolveu bastante isoladamente do restante da cidade, e a um ritmo certamente mais cadenciado do que a zona norte. Isso não foi impedimento, entretanto, para que a sociedade local se organizasse em diversos tipos de instituições: associações de moradores, associações comerciais e industriais, clubes, Igrejas, bibliotecas populares, centros culturais, universidades, etc., muitas delas de longa data, como mostra o quadro 1. Fala-se, inclusive, de um movimento difuso de autonomia da ZORJ – favorecido tanto pelo seu isolamento geográfico relativo quanto pela escassa atenção prestada aos seus problemas específicos por parte da Prefeitura 7 .
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A estrutura da administração municipal em território carioca foi criada na década de 1960 pelo primeiro Governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda. Inicialmente foram criadas três administrações regionais -

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Instituição

Ano de fundação 1903

Obs. Um ano depois teve a fundação do grupo carnavalesco rival Flor da União, formado por pessoas da raça negra. Um grupo de operários ingleses e brasileiros fundaram o “The Bangu Athletic Club”, em 17 de abril. 1908. O Cassino Bangu adquire um cinematógrafo Pathé e faz exibições de cinema para os seus associados.

Grupo Carnavalesco Flor da Lira

Bangu Atlético Club

1904

Cassino Bangu

1907

Escola Militar de Realengo Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) Grêmio Literário Rui Barbosa Campo Grande Atlético Club Luso Brasileiro Tênis Club Escola Mocidade Independente de Padre Miguel

1913 1924

1925 1940 1950 1955 A escola foi fundada em 1955 a partir de um time de futebol chamado Independente Futebol Clube, do qual adotou as cores verde e branca. Muitos jogadores tornaram-se membros da bateria e o técnico do time, Mestre

Lagoa, São Cristóvão e Campo Grande - por decreto de janeiro de 1961. Mais tarde foram criadas outras 18, compondo um total de 21 regiões administrativas. Desde então essa estrutura vem sendo utilizada e modificada pelos sucessivos governantes e prefeitos. Em 1988, foi criada a 30ª Região Administrativa, abarcando a área da Maré, a primeira RA da cidade a se instalar numa favela. Durante o governo de Cesar Maia foram criadas as subprefeituras, como uma proposta de coordenação e descentralização da administração municipal com base na RAs. Segundo o próprio prefeito: “Com elas não buscávamos eficiência administrativa, mas ‘vertebração’, dentro do mesmo método do plano estratégico de Madri. Buscávamos aproximar a população das decisões de governo, liberando o tempo da burocracia central, muitas vezes insensível, para as tarefas de formulação, planejamento e controle” (apud. Magalhães, 2002). O fracasso dessa inovação institucional – que também afeta a ZORJ – fica expresso nas palavras do atual prefeito Eduardo Paes, ele mesmo subprefeito do governo Cesar Maia: “Ainda não temos opinião formada sobre o número exato de subprefeituras. Sabemos, no entanto, que as subprefeituras perderam sua força política com o passar dos anos, porque foram usadas como um instrumento político. Queremos resgatar o papel original das subprefeituras” (cf. www.acija.org.br, entrada 28/01/2009, 19:11).

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André, foi o primeiro mestresala. A estréia oficial foi no carnaval de 1957, ainda nas "divisões de base" da hierarquia carnavalesca. Lions Club Campo Grande Instituto Campograndense de Cultura (ICC) Associação Comercial e Empresarial da Região de Bangu (ACERB) Lions Club Bangu Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos (UNIMSB) Sociedade Universitária Campograndense (SUC) 1964 1967 1968

1969 1969 Tem sua origem no ano de 1936, com a criação do Colégio Afonso Celso.

1969

Em O Velho Oeste Carioca (2008), André Luiz Mansur assinala alguns elementos importantes na configuração do perfil econômico e social da ZORJ antes da construção da Avenida Brasil: o translado do matadouro municipal para Santa Cruz (1881); a instalação da fábrica de tecidos Bangu (1893); a construção da fábrica de cartuchos em Realengo (1898); a construção do hangar do Zeppelin em Santa Cruz (1936). Isso no âmbito de uma cultura rural (da zona oeste) que ainda mantinha uma significativa presença na comunidade local. De fato, o autor reconhece no ciclo do cultivo da laranja, quando a região, junto com a Baixada Fluminense, transformou-se na maior produtora de laranjas do país, um momento de riqueza e prestigio, cuja decadência, que começou com a Segunda Guerra Mundial, determinou a transformação das propriedades rurais em loteamentos suburbanos – que no decênio 19401950 colocaram a ZORJ entre os maiores incrementos populacionais da cidade (apud. O Rio de Janeiro em seus 400 anos, 1965). A construção da Avenida Brasil (1939-1946), foi o vetor que transformou as formas de ocupação da ZORJ. Embora a ferrovia já vinculasse a região à cidade desde o fim do século XIX, a Avenida Brasil determinou uma urbanização industrial tipicamente fordista, com a instalação de fábricas, complexos habitacionais, bairros operários e favelas (cf. Abreu, 1997; Lessa, 2001; Urani, 2008). Entretanto, como corretamente destaca o relatório Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno (IE/UFRJ, 2008), a nova via não teve o resultado esperado: “A criação da rodovia presidente Dutra [1951], ligando o Rio a São Paulo, desviou o fluxo e mercadorias para outra direção e a região ficou estagnada, em termos de adensamento e desenvolvimento industrial” (p. 13). Todavia é preciso observar que, em termos de desenvolvimento industrial, a estagnação

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passou a ser estrutural a partir da década de 1980, afetando a metrópole do Rio de Janeiro como um todo 8 . O desenvolvimento dos distritos industriais de Campo Grande 9 e Santa Cruz 10 , a partir da década de 1960, representou uma tentativa de dinamizar a ZORJ através da criação de incentivos para a localização industrial de empresas de grande porte. Como observado anteriormente, a tentativa foi relativamente bem sucedida quanto ao segundo aspecto, mas não quanto ao primeiro. Pelo menos três fatores podem ter tido incidência nessa trajetória: a) o fato de os distritos industriais serem administrados pelo governo do Estado, e não do município; b) as características “auto-suficientes” das grandes empresas; e c) a própria concepção de distrito industrial, que cria um dispositivo fechado com relação ao tecido urbano da cidade e/ou da região. Desse modo, criou-se na ZORJ um dualismo institucional e econômico que não conseguiu reverter o quadro de estagnação territorial iniciado com a construção da rodovia presidente Dutra. Voltando para a dimensão institucional, que será determinante na consideração da alternativa de constituir uma Câmara de Desenvolvimento da Zona Oeste do Rio de Janeiro, podemos abrir um parêntese sobre um outro aspecto bastante problemático – embora estratégico – no processamento político da ZORJ: o clientelismo. Segundo a dissertação de mestrado de Nelson Ricardo Mendes Lopes, Coronelismo e chaguismo na zona oeste do Rio de Janeiro: clientelismo ou o caso das bicas d’água no Mendanha (2007), a prática clientelística é de longa data na região, alcançando significativa expressão nos governos estaduais (da Guanabara, entre 1971 e 1975, e do Rio de Janeiro, entre 1979 e 1983) de Antônio de Pádua Chagas Freitas, que foi reconhecido (sobretudo pelos seus adversários políticos) pela sua capacidade de mobilizar uma ampla rede de cabos eleitorais através da administração pública e vice-versa 11 : “Como o Grupo Triângulo da República Velha, o ‘chaguismo’ criará o grupo do ODIA, [que no Mendanha contará com a] figura do antigo vereador e deputado estadual Arthur Miécimo da Silva e suas bicas d’água, que irão impulsionar sua política e que virão se tornar parte do folclore da zona oeste, marcando o imaginário coletivo da região, que o transformou no principal provedor de equipamentos urbanos: água, luz e transportes, e que trarão o progresso para a região” (p. 7).
Segundo Urani (2008), o valor real da produção industrial do Rio de Janeiro foi praticamente multiplicado por quatro entre 1959 e 1975. A crise só veio na segunda metade da década de 80, “E veio para ficar: de lá para cá, a indústria da região metropolitana só fez andar para trás: hoje, ela corresponde a cerca da metade do que era em 1980!” (p. 40). 9 Entre as indústrias que se encontram instaladas em Campo Grande estão: AmBev, Refrigerantes Convenção, Guaracamp, Cogumelo (estruturas metálicas), Fredvic (confecção), Novartis (farmacêutica), Michelin, EBSE (soldas elétricas), Superpesa (estruturas metálicas), Dancor (bombas) e Ranbaxy (farmacêutica). 10 Entre as indústrias que se encontram instaladas em Santa Cruz estão: Aciquimica industrial Ltda., AGA S/A, Casa da Moeda do Brasil, CEGELEC Ltda., Ecolab Química Ltda., Furnas Centrais Elétricas, Gerdau Cosigua, Michelin, Morgante Brasil Ltda., Novartis Bio Ciências Ltda., NUCLEP S/A, Pan-Americana S/A (Indústrias Químicas), Rexam Beverage Can América S/A South, SICPA Brasil Ltda., Transcor Ltda. (Indústria de pigmentos e corantes), Valesul Alumínio S/A. 11 “O Grupo Triângulo e a ‘máquina chaguista’, em diferentes épocas, usaram técnicas clientelistas para cativar grande número de eleitores, e para fazer valer o funcionamento dos princípios da reciprocidade e lealdade que alicerçaram o jogo político em suas diferentes épocas. O ‘chaguismo’ contará ainda com a mídia escrita, elemento de fundamental importância para fazer sua propaganda, voltando a atenção da população para os feitos dos líderes nas suas localidades, transformando-os em futuros agentes políticos que irão perpetuar o funcionamento da máquina” (Nelson Ricardo Mendes Lopes, 2007: p. 7, destaque nosso).
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Apesar de o trabalho supracitado centrar-se especificamente no Mendanha, sub-bairro de Campo Grande, podemos considerar as conclusões como válidas para a ZORJ em geral. Hoje, o panorama não parece muito mais promissor. Segundo O Globo 12 , “o relatório final da CPI que investiga as milícias na Câmara dos Vereadores do Rio deve trazer o pedido de indiciamento de três vereadores: Nadinho de Rio das Pedras, Jerominho e Luiz André Deco. Também serão indiciados pela CPI os eleitos Carminha Jerominho e Cristiano Girão. Apesar do indiciamento, a probabilidade de que algum vereador perca o mandato é pequena, uma vez que a Câmara dos Vereadores não tem Código nem Comissão de Ética. Além disso, não há uma Corregedoria para avaliar eventuais processos de cassação”. Ora, nem o clientelismo “chaguista” nem os vereadores da milícia podem ser atribuídos aos anseios da população da zona oeste, muito menos ser considerados como um defeito endêmico da região. De algum modo a ZORJ é refém dos dispositivos que produzem esses fenômenos que precisam ser entendidos e enfrentados politicamente – não apenas como um problema de segurança pública. Para isso é necessário mais democracia, mais transparência na gestão pública e mais participação cidadã, sobretudo nas decisões que dizem respeito ao território que as pessoas habitam. Acreditamos que um passo nessa direção seria a criação de uma Câmara de Desenvolvimento da Zona Oeste do Rio de Janeiro, entendida como um espaço amplo e aberto de discussão e debate sobre os problemas específicos da ZORJ com relação ao restante da cidade e, é claro, com relação aos grandes investimentos previstos para a região. Entre os atores estratégicos da ZORJ que podem ser mobilizados para constituir a rede de suporte da Câmara de Desenvolvimento, além das Associações Comerciais e Industriais de Realengo, Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, temos uma unidade do SEBRAE em Bangu, uma unidade do SENAC em Campo Grande, uma unidade do CEFET em Realengo, um conjunto de unidades “descentralizadas” da prefeitura, um Centro Universitário Estadual da Zona Oeste do Rio de Janeiro (UEZO) e 7 universidades privadas oriundas da zona oeste (atualmente nucleadas no CIEZO), entre outras. O mapa das instituições completa-se com as redes de organizações não-governamentais atuantes na região, e com as redes sociais vinculadas às igrejas. Trata-se de um universo bastante heterogêneo, porém atuante, de atores locais que, através de uma estratégia de governança adequada, poderão ser postos a colaborar sem perder de vista seus interesses particulares e específicos 13 . Vale a pena destacar também, em prol da governança local, algumas iniciativas que revelam capacidade de articulação e mobilização da ZORJ em diferentes âmbitos: -Oeste Export – Encontro Internacional de Desenvolvimento e Comércio Exterior do Estado do Rio de Janeiro. Nasceu em meados do ano 2000, quando um grupo de empreendedores da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro entendeu ser necessário discutir o desenvolvimento estadual, a partir da ótica, das necessidades e oportunidades da região e seu entorno. A 8ª edição da Oeste Export aconteceu entre os dias 11 e 14 de junho de 2008, e contou com o patrocínio da Petrobrás e do Governo Federal, além do apoio de
<www.oglobo.globo.com/rio/mat/2008/12/15> É importante ponderar corretamente essa noção. Contrariamente à perspectiva que assume a instância de cooperação institucional como instância de governo, na qual os interesses particulares devem ser colocados de lado em prol de objetivos gerais, acreditamos que as estratégias de governança se afirmam na valorização das singularidades produtivas de cada um dos atores da cena local e na sua capacidade de pactuar uma agenda de questões de interesse comum.
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empresas como a Michelin, Gerdau, Furnas, Casa da Moeda do Brasil, SEBRAE e a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, entre outras. -Conselho das Instituições de Ensino Superior da Zona Oeste – CIEZO. É uma sociedade civil sem fins econômicos que se propõe a atuar no terceiro setor, buscando continuamente a melhoria das condições de vida no exercício pleno de cidadania. Formado pela união das sete instituições de Ensino Superior originárias da Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro, a saber, Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos, Faculdade Bezerra de Araújo, Faculdade Machado de Assis, Faculdades São José, Faculdades Integradas Simonsen e Universidade Castelo Branco, tem como missão atuar em todo território nacional, com foco na Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro, disponibilizando, sob a forma de projetos em parceria, todo o conhecimento técnico-científico e cultural e a força de trabalho acumulada nas sete Instituições de ensino que o compõem. -Grupo de Usuários Linux da Zona Oeste – GULZO. O foco principal desta iniciativa é tentar agregar usuários de software livre Linux que estejam dispersos na zona oeste do Rio de Janeiro através da realização de micro eventos, bem como atrair interessados em conhecer, em tempo de execução, o software livre de código aberto. -Anime Point Festival. Fãs dos desenhos japoneses chamados Anime reúnem-se no Anime Point Festival de Campo Grande desde 2004. (A palavra Anime tem significados diferentes para os japoneses e para os ocidentais. Para os japoneses, anime é tudo o que seja desenho animado, seja ele estrangeiro ou nacional. Para os ocidentais, anime é todo o desenho animado que venha do Japão). -Grêmio Recreativo Escola de Samba Delírio da Zona Oeste – GRES Delírio da Zona Oeste. A Delírio da Zona Oeste foi fundada em 9 de março de 1998 por Francisco Cezar Mariano. O sonho de criar uma escola ganhou força e a sede foi construída em 1999, na Avenida Dom Sebastião I, na Vila São João. Os moradores de Campo Grande ficaram em festa desde que a escola passou em primeiro lugar na avaliação da AESCRJ no carnaval de 1998. Hoje, o GRES Delírio da Zona Oeste tem um perfil diferente daquele apresentado na época de sua fundação. Com efeito, a Agremiação é atualmente comandada por um grupo de Gestores de Carnaval, que são profissionais formados pelo Instituto do Carnaval da Universidade Estácio de Sá. -FULLMETAL ROCK FESTIVAL 6ª EDIÇÃO, Campo Grande, RJ (16/3/2008). A Zona Oeste do Rio de Janeiro sempre teve destaque na cena carioca do rock. Eventos memoráveis como o Arena do Heavy (Campo Grande) e o Rato no Rio (Bangu), bandas como Gangrena Gasosa, Cactus Peyotes, Sex Noise, Ataque Periférico..., rádios comunitárias (ou a fase rock da Costa Verde FM), fanzines, o pessoal da Brigada Metálica de Realengo nos anos 80 ou da UHB (União Headbanger) nos anos 90, entre outros, fizeram a história da cena local. A 6ª edição do FullMetal aconteceu no Espaço Século XXI que é um dos melhores, se não o melhor ambiente, para shows de rock no Rio. É espaçoso, conta com um bom palco, camarim, fácil localização, condução para todos os pontos do Rio. Enfim, tem tudo para abrigar shows de pequeno e médio porte (nacionais e internacionais). Para finalizar, podemos indicar também duas iniciativas vigentes (e de algum modo emblemáticas) que tem como protagonistas grandes empresas da zona oeste:

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-Banco de Alimentos no Rio de Janeiro (Gerdau Cosigua). Trata-se de um programa de captação e distribuição de alimentos em instituições beneficentes da ZORJ, doados por supermercados, restaurantes e outras empresas. O programa faz parte do Projeto Bancos Sociais, uma iniciativa sem fins lucrativos criada há mais de 8 anos pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS). Impulsionado pelo Instituto Gerdau, responsável pelas políticas e diretrizes da empresa na área de responsabilidade social, o programa foi inaugurado em 28/11/2008 em Campo Grande (RJ), local da sede. Na primeira entrega de alimentos, foram beneficiadas a Fundação Aurélio Massaloba Kajixima, em Itaguaí, a Casa de Nossa Senhora do Desterro e de Santo Antônio, e o abrigo A Minha Casa, ambas em Campo Grande. A ação é realizada em parceria com a Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz (AEDIN), Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), Associação Comercial e Empresarial de Bangu (ACERB), jornal Atual, Camelo Comunicação, Lions Club de Campo Grande, Macplanus Planejamento e Marketing, Oeste Export, Pires Advogados Associados e Rotary Club de Campo Grande, empresas e instituições não-governamentais. O programa conta também com o apoio da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Rio de Janeiro (FETRANSCARGA), a Puras (fornecedora industrial de alimentos), o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Rio de Janeiro (SINDICARGA), a Agência Elo e o Portal de Campo Grande. Essas empresas atuam como prestadoras de serviços ou promovem doações de recursos necessários ao projeto. -Atitude Cidadã (Casa da Moeda do Brasil, CMB). Na sua segunda edição em 2008, o programa Atitude Cidadã patrocina, através de edital público, instituições sem fins lucrativos, sediadas na Zona Oeste e na Baixada Fluminense, que possuam projetos esportivos e culturais com viés educativo e que estejam claramente direcionados para a inclusão social e a democratização do acesso nessas regiões. Segundo o edital, a CMB investirá o montante de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) previstos em seu orçamento no segmento de patrocínio. Cada projeto poderá receber até R$ 25.000,00 como valor global, ao longo de 12 meses. Os recursos destinados ao patrocínio poderão ser redistribuídos a critério da CMB, em caso de número reduzido de projetos selecionados e de acordo com o alcance social destes. Em 2008, os projetos selecionados foram: • • • • • • • • • • • “Redescobrindo a História e a Cultura do Rio de Janeiro”, apresentado pela ABM – Conselho de Entidades Populares; “Adereço”, apresentado Pelo Centro Cultural Hardy Alves Virgens; “Artesanato de Queimados”, apresentado pela Central de Assessoria Social; “Livro de Rua”, apresentado pela Companhia Encena; “PRIESC – Programa de Iniciação ao Esporte, Saúde e Cidadania”, apresentado pela organização Esporte, Saúde e Cidadania; “BAC – Ritmo Negro”, apresentado pela Casa da Cultura da Baixada Fluminense; “A História que eu Conto em Graffiti”, apresentado pelo Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social; “Balaio Cultural”, apresentado pelo Pólo de Educação Geral e Ações Solidárias da Zona Oeste;

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• • • • • • •

“Esporte no Batam”, apresentado pelo Instituto Novos Talentos; “Ser Cidadão”, apresentado pela Associação Phoenix/Auto-Estima - APA; “Capoeira na Comunidade”, apresentado pelo Centro Comunitário Projeto Pé-DeMoleque; “Escolinha de Árbitros”, apresentado pelo Instituto Dom Pixote; “I Feira de Talentos e Arte Popular de Belford Roxo”, apresentado pelo Instituto Semear; “Cultura e Meio Ambiente”, apresentado pelo Centro Social do Conjunto Habitacional Bandeirantes.

As iniciativas elencadas acima, que não podem ser consideradas exaustivas, mas representativas ou emblemáticas, possuem o mérito de revelar condições materiais objetivas de mobilização social e/ou cultural que contrastam com a imagem e o estigma de “faroeste” que se atribui à ZORJ. Mesmo carregadas de ambigüidades, indicam caminhos e possibilidades alternativas de desenvolvimento econômico e social, para além do disciplinamento fabril do território (através dos grandes empreendimentos) e das mazelas que o assombram. Indicam também o desejo de uma vida melhor. Uma Câmara de Desenvolvimento não apenas teria o mérito de multiplicar essas iniciativas, na medida em que angariasse legitimidade política e força institucional, como também mostraria para o restante da cidade (em particular para a Zona Sul!) que seu longo “esquecimento” não foi em vão.

Referências Bibliográficas ABREU, Mauricio de. Evolução Histórica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, IPLAN/RIO, 1997. COCCO, Giuseppe. Trabalho e Cidadania. Produção e direitos na era da globalização. São Paulo: Cortez, 2000. HASENCLEVER, Lia et al. Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno: diagnóstico sócio-econômico do local. Rio de Janeiro: IE/UFRJ, 2008 (Relatório de Pesquisa, versão preliminar). GORZ, André. O Imaterial. Conhecimento, Valor e Capital. São Paulo: AnnaBlume, 2003. GRUPO DE TRABALHO SANTA CRUZ. Relatório Final. Rio de Janeiro: SMU/RJ, março de 2008. LAZZARATO, M. & NEGRI, A.; Trabalho Imaterial. Rio de Janeiro: DP&A, 2001. LOPES, Nelson Ricardo Mendes. Coronelismo e chaguismo na zona oeste do Rio de Janeiro: clientelismo ou o caso das bicas d’água no Mendanha. Rio de Janeiro: UERJ/ Faculdade de Educação, 2007 (dissertação de mestrado).

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LESSA, Carlos. O Rio de todos os Brassis. [Uma reflexão em busca de auto-estima]. Rio de Janeiro: Record, 2001. MAGALHÃES, Roberto Anderson M. Preservação e Requalificação do Centro do Rio nas Décadas de 1980 e 1991. A construção de um objetivo difuso. Rio de Janeiro: Light, maio/ 2002 (www.light.com.br/foster/web/aplicacoes/documentos). MANSUR, André Luiz. O Velho Oeste Carioca. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2008. URANI, André. Trilhas para o Rio. Do reconhecimento da queda à reinvenção do futuro. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus, 2008. VIANA, Sergio Besserman. Favelas Cariocas. Rio de Janeiro: Conselho Estratégico de Informações da Cidade, 2008.

Lista de entrevistados • • • • • • • • • • • Jesse Cardoso de Paiva, Associação Comercial e Industrial de Realengo (ACIRA). Teresa Nunes, Sub-prefeitura de Campo Grande. Fabio Quadros de Souza, Associação Comercial e Empresarial da Região de Bangu (ACERB). Tânia Módolo Custodio, SEBRAE/RJ Bangu. Antônio Batista Ribeiro Neto, SEBRAE/RJ. Marcelo Guimarães, MACPLANUS. Moacyr Bastos, Universidade Moacyr Bastos (UNIMB). Marisa Valente dos Santos Pimenta, Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU/RJ). José Barreto Ferreira, Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU/RJ). José Joaquim De O. Jacques, Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz e Adjacências (AEDIN). Vicente Loureiro, Subsecretário Estadual de Projetos de Urbanismo Regional e Metropolitano ( ∗ )

Reuniões com empresários FALMEC, Bangu, 06/08/08 ACICG, Campo Grande, 01/10/08 ACERB, Bangu, 09/10/08 AEDIN, Santa Cruz, 16/12/08

Palestra sobre o Projeto Arco Metropolitano proferida no Instituto de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IGEO/UFRJ), em 09/10/08.

Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno

Trabalho sobre Logística, Políticas Industriais e de Apoio (Versão Final)

Projeto FAPERJ no E-26/110.644/2007

Luiz Martins de Melo (professor, IE/UFRJ) Vinicius Dominato (estagiário, IE/UFRJ)

Junho/2009

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ÍNDICE

1. Introdução............................................................................................................................. 3 2. Programas de Apoio Direcionados para a Zona Oeste..................................................... 4 3. Logística e Desenvolvimento ............................................................................................... 5 4. Infra-Estrutura de Transporte para a Zona Oeste ........................................................... 7 5. O Porto de Itaguaí .............................................................................................................. 10 6. Logística Específica: Alternativas Viárias e Estruturais para Campo Grande ........... 15 7. Conclusões........................................................................................................................... 18 Referências Bibliográficas ..................................................................................................... 20 Anexo ....................................................................................................................................... 21

ÍNDICE DE MAPAS, FIGURAS, TABELAS E GRÁFICOS Tabela 1 ...................................................................................................................................... 8 Tabela 2 - Viagens totais por dia por Área de Planejamento-AP no Município do Rio de Janeiro ........................................................................................................................................ 9 Mapa 1 - Arco Metropolitano do Rio de Janeiro ..................................................................... 13 Mapa 2 - Anel Rodoviário da Cidade do Rio de Janeiro ......................................................... 18

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1. Introdução A infra-estrutura tem se tornado uma variável decisiva nas modernas abordagens de desenvolvimento local e regional. A maior velocidade e capacidade dos computadores em processar a informação e a sua integração com a rede de telecomunicações reduziram bastante os custos de transação. A conectividade das redes de processamento da informação também atua sobre as redes clássicas de logística como os modais de transporte (rodoviário, ferroviário, portuário e aeroviário) de forma a pressionar pela sua operação integrada e especializada por cada tipo de carga (quantidade ou valor unitário). As políticas públicas de desenvolvimento econômico em cada região devem estar apoiadas nessas redes de logística para que possam ter uma maior eficiência e eficácia e evitar o desperdício de recursos públicos. Para que essas redes de logística atendam aos critérios da política pública, elas devem ser construídas integradas a um plano urbanístico capaz de induzir a ocupação do solo. Essa á base para racionalizar o uso do sistema de transporte em geral e, em especial, sobre trilhos. Também devem contemplar um plano econômico que mantenha as reduções de custos operacionais e tempo de viagem dos usuários em todos os modais da rede de transporte durante todo o período da concessão. O impacto do valor da tarifa deve ser compatível com a capacidade de pagamento e ampliação do impacto distributivo para o grupo de baixa renda nas regiões servidas pela rede. Esta é a condição para o atendimento do critério social. O critério ambiental será atendido pela redução dos índices de acidente, de poluentes, emissão de ruído, de redução do estresse e de obediência aos limites fisiológicos da saúde humana. Todos esses critérios - urbanístico, econômico, social e ambiental – estarão implícitos nas análises e recomendações que constam deste relatório. Alguns desses critérios serão objetos de outro relatório específico, como o urbanístico e de uso do solo, dentro do escopo geral do projeto. Este relatório vai analisar as políticas de fomento econômico direcionadas para a Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro e a infra-estrutura de transporte que pode viabilizar uma proposta de desenvolvimento para a região. A primeira parte do trabalho constituirá no levantamento das políticas de desenvolvimento voltadas para essa região. Serão analisados os programas dos órgãos públicos de fomento municipais, estaduais e federais que tenham programas voltados para o desenvolvimento econômico abrangendo, incentivos fiscais, financiamento e subsídios. A segunda parte, relacionada com a logística e a localização geográfica da região, consiste em avaliar o impacto da implantação e operação do Porto de Itaguaí (antigo Sepetiba). Sabe-se que vários investimentos de grande porte estão planejados para entorno dessa região tendo em vista a integração dos modais rodoviário, ferroviário e portuário que convergem para o Proto de Itaguaí. Existe alguma política pública voltada para a integração desses investimentos e da logística da região? É relevante para a região a integração com o principal corredor logístico do país, que se desenvolve até a Região Centro-Oeste? Quais as políticas importantes para a atração de atividades produtivas na região e em seu entorno com base nas características descritas acima.

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Na terceira parte, será feita a compatibilização do levantamento das condições da infraestrutura e da logística com as políticas públicas em operação tendo em vista o desenvolvimento local. Finalmente, com base na análise desenvolvida nas partes iniciais serão apresentadas algumas recomendações e conclusões para subsidiar a formulação de uma estratégia para as políticas públicas e a logística de transporte da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno.

2. Programas de Apoio Direcionados para a Zona Oeste O objetivo dessa primeira parte da pesquisa é o levantamento das políticas de desenvolvimento econômico (incentivos fiscais, financiamentos e subsídios) voltadas para a região, em órgãos públicos de fomento municipais, estaduais e federais mostrando ao final os seus respectivos programas. Porém, como já fora dito no diagnóstico e confirmado pelas recentes pesquisas, não há nenhum projeto de desenvolvimento específico para a região. Mesmo assim conseguimos constatar a existência de programas que possam servir para o desenvolvimento da região, por serem de caráter geral. Um exemplo desses programas de escopo geral são as políticas de distrito industrial localizados na região. Os distritos industriais como instrumento de política de desenvolvimento têm uma longa história. No antigo estado da Guanabara, na administração Carlos Lacerda eles tiveram uma enorme importância. O impacto, positivo ou negativo, dessas iniciativas, porém têm sido objeto de amplo debate (Osório, 2005). No diagnóstico, problemas como saneamento básico e urbanização foram citados por moradores e empresários de Realengo e Bangu, respectivamente. Na pesquisa foi possível constatar que a Prefeitura tem uma atuação nessas áreas através de programas como o Programa Municipal de Saneamento da Zona Oeste que tem por objetivos desde a universalização do acesso até a utilização de tecnologia adequada; URB-Cidade com as melhorias urbanísticas e o Rio-Comunidade com o objetivo de prover infra-estrutura e saneamento básico para as comunidades desprovidas. Sabe-se que esses tipos de medidas não são suficientes para gerar um desenvolvimento da região, porém podemos classificá-las como estimulantes, pois requalificam e motivam as atividades comerciais em seu entorno. Também foi verificado que há uma diferença entre as áreas de atuação da Prefeitura que fica incumbida da parte de obras e do Governo do Estado que tem um caráter mais fomentador. A atuação do governo do Estado do Rio de Janeiro se dá através do FUNDES (Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social) que é um programa de incentivo financeiro para os setores da economia considerados prioritários, orientado para financiar o capital de giro das novas empresas ou a expansão de empreendimentos já instalados no território fluminense. A Investe Rio que é o agente financeiro do FUNDES e vinculada a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro (SEDEIS) financia projetos de todos os portes, de instalação ou expansão através de repasses de linhas de crédito do BNDES, recursos próprios ou fundos de fomentos do Estado. A Investe Rio oferece condições de financiamento bastante razoáveis, taxa de juros de 2% ao ano. Para o ano de 2009 ele tem um orçamento para empréstimos de R$ 1,0 bilhão de reais. Além disso, ela atua como agente financeiro de várias linhas de financiamento do BNDES.

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Outra agência de fomento do Governo do Rio de Janeiro é a CODIN (Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro), também vinculada a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro (SEDEIS). A CODIN coloca à disposição dos investidores, diversos produtos e serviços em todas as fases do projeto, almejando a promoção do desenvolvimento sustentado da indústria fluminense. A CODIN tem uma lista em seu site de incentivos fiscais disponíveis por setores e por regiões, cabendo apenas aos interessados responder aos pré-requisitos. Na lista de incentivos regionais, tem um referente à área de influência do Porto de Sepetiba (Itaguaí), onde há incentivos aos projetos de implantação ou expansão de empresas localizadas em alguns municípios limítrofes e nos distritos industriais de Campo Grande e Santa Cruz. Esse “programa”, se é que se pode chamá-lo assim, foi o mais especificamente direcionado para o desenvolvimento da região que se pôde encontrar na pesquisa para esse relatório. Outras agências e bancos de desenvolvimento como o BNDES, FINEP e SEBRAE possuem programas e linhas de financiamento que podem ser utilizados pelas empresas da região. Mas nada que seja específico. Da mesma forma os incentivos fiscais também são gerais. Isso indica que não existe um conjunto articulado de programas de fomento e de incentivos fiscais voltados para o desenvolvimento específico da Zona Oeste do Rio de Janeiro. É importante salientar que um programa de desenvolvimento econômico para a Zona Oeste precisa aproveitar os espaços urbanos abandonados, em especial na Avenida Brasil. Existem vários galpões industriais que estão sem utilização e que poderiam abrigar atividades de design, informática, software, artesanato, metalurgia, mecânica e outras. Esses galpões poderiam ser os locais para a aglomeração de micro e pequenas empresas e projetos de empreendedorismo. As políticas para apoio a essas aglomerações indústrias e serviços, arranjos ou sistemas locais de produção, teriam que ser articuladas pelas associações empresariais locais em parceria coma prefeitura e o governo do Estado do Rio de Janeiro. Essas aglomerações de pequenos empreendimentos seriam um importante fator para o aproveitamento da mão-de-obra da Zona Oeste e para sua fixação local. Um esquema de incentivos fiscais poderia ser elaborado para a atração desses investimentos.

3. Logística e Desenvolvimento O objetivo desta seção do relatório é apresentar alguns conceitos que vão guiar a análise da infra-estrutura de logística da Zona Oeste. O primeiro é procurar detectar quais os entraves se tornaram permanentes, dada a localização geográfica e a inserção político-econômica, para o desenvolvimento da região. Segundo, por infra-estrutura de logística entende-se a coleta, manipulação, estocagem, transporte, rodo, ferro e hidroviário, de cabotagem e oceânico de longo curso, terminais, portos e aeroportos e sistemas de distribuição. Dado o escopo mais restrito deste trabalho, o foco estará direcionado para a integração dos sistemas de transporte que atendem a região. Os sistemas de energia, telecomunicações e de logística representam cerca de 90% de todo o estoque de infra-estrutura dos países desenvolvidos. Esse estoque é fundamental para a transformação da distância geográfica em distância econômica, isto é, medir a distância entre mercados em termos de custo (tempo, volume de carga e valor).

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Terceiro a competitividade de uma região é sistêmica. Isso significa que o desempenho empresarial depende, e é o resultado de fatores situados fora do âmbito das empresas e da estrutura industrial da qual fazem parte, como a ordenação macroeconômica, as infraestruturas, o sistema político-institucional e as características sócio-econômicas dos mercados nacionais. Todos estes fatores são específicos a cada contexto nacional e regional. Eles devem ser explicitamente considerados nas ações públicas ou privadas de indução de competitividade. Neste relatório, como já observado, apenas a infra-estrutura de transporte será considerada. As outras dimensões da competitividade serão analisadas nos outros relatórios que compõem o estudo. O Brasil investe pouco em infra-estrutura, tanto em termos absolutos como comparado com a experiência internacional. As principais carências estão nas áreas de saneamento básico, transporte de massa urbano (metroviário e ferroviário), e transporte de carga não rodoviário. Essas áreas são aquelas cuja natureza de bem público é mais definida, e que causam um forte impacto no bem-estar atual e futuro da sociedade. O Brasil está parado à beira do caminho: estradas intransitáveis, malha aérea deteriorada e portos entupidos. O país empacou pelos anos de baixo investimento em infra-estrutura e pelo salto do comércio exterior brasileiro. A combinação de aumento do comércio exterior com baixos investimentos vem resultando em congestionamentos crescentes nos portos 1 . Os portos brasileiros têm problemas de dragagem, de se chegar ao porto com a mercadoria e de demora do navio a atracar no porto. Há portos mal utilizados e outros altamente congestionados. Esse gargalo é mais penoso para o exportador que o câmbio, pois um entrave estrutural só pode ser resolvido por investimento de longo prazo, enquanto que a perda com o câmbio valorizado pode ser amenizada e compensada por políticas fiscais e de crédito pelo governo, como aliás tem sido feito. Os dados mostram uma catástrofe. O volume de comércio exterior mais que dobrou em quatro anos, aumentando a pressão sobre uma infra-estrutura que já vem se deteriorando há muito tempo. Nos últimos dois anos, o tempo de espera de navios para atracar nos portos brasileiros aumentou 77,8%. Em Itajaí, já é de 350 horas. O tempo de espera para navios de contêineres aumentou 77,8% entre 2005 e 2006. Para granéis líquidos, 53,8%. No Porto de Santos, o tempo de espera para embarcar granéis líquidos subiu 117%, de 18 horas para 39 horas, em média. Apesar do salto do comércio exterior entre 2003 e 2005, o volume movimentado pelo Porto de Paranaguá caiu de 32,5 milhões para 29,3 milhões de toneladas. Isso ainda que, nos portos como um todo, tenha aumentado, no mesmo período, de 571 milhões de toneladas para 649 milhões. No caso de Santos, a carga aumentou 20% no período. O caso mais impressionante aconteceu no Porto de Itajaí, especializado em contêineres, onde o tempo de espera saltou de 200 para 350 horas. É bom lembrar que o custo de espera de um navio é de cerca de US$40 mil a cada 24 horas.

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O Globo, 06/07/2007.

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Pois mais do que nunca, num mundo altamente competitivo, o que importa na logística - uma noção de custo - é o "door to door logistic" isto, é, o preço de deslocamento de um produto de um ponto inicial a outro ponto terminal, como se tudo integrasse uma única operação. A importância da logística door-to-door é decisiva para a competitividade das empresas e das regiões. Este, porém, não é um conceito novo. Na década de vinte do século passado, Keynes já observava: A importância da logística pode ser avaliada pela citação abaixo que descreve como um morador de Londres, em 1914, antes da Primeira Guerra Mundial, podia usufruir dos benefícios do progresso. “Mas qualquer homem de capacidade ou caráter acima da média podia escapar para as classes médias ou superior, às quais a vida oferecia, a baixo custo e com pouco esforço, conveniências, confortos e amenidades que ultrapassavam as possibilidades dos monarcas mais ricos e poderosos de outras épocas. Bebericando o chá da manhã, antes de deixar o leito, o habitante de Londres podia encomendar pelo telefone vários produtos de todo o mundo, na quantidade desejada, e era razoável esperar que todos lhe fossem entregues em casa. No mesmo momento e pelos mesmos meios podia aplicar a sua riqueza nos recursos naturais e em novos empreendimentos em qualquer parte da terra, participando assim, sem esforço ou trabalho, dos frutos em perspectiva (Keynes, 2002, p. 6).” Percebe-se que, ao menos nos países mais avançados da época, a integração dos modais marítimo, ferroviário e rodoviário com as telecomunicações já acontecia. O chá vinha da índia ou da China, o papel para o jornal matinal provavelmente do Canadá ou dos Estados Unidos e os diversos produtos que era possível encomendar de qualquer parte do mundo. Primeiro de navio até a Inglaterra, do porto inglês para o interior de trem e, finalmente, do atacadista interno para o varejo por caminhão. A integração entre produção, distribuição e venda final (comércio varejista) só é possível de ser feita com eficiência se houver a operação integrada dos diversos modais de transporte e, destes, com os de telecomunicações.

4. Infra-Estrutura de Transporte para a Zona Oeste As principais vias acesso para a Zona Oeste são a Avenida Brasil e a ferrovia que liga a Estação Dom Pedro II (Central do Brasil) à Estação de Santa Cruz. Ambas cruzam toda a região e operam com sérias necessidades de modernização e de condições de segurança. A Avenida Brasil apresenta permanentes problemas de engarrafamentos, excesso de tráfico, péssimas condições de manutenção, constantes alagamentos em dias de chuva mais forte, ausência de áreas de escape e sinalização deficiente. Além dessas falhas poderiam ser listadas muitas outras como a ociosidade da faixa seletiva. As reclamações sobre a operação da ferrovia também são constantes, principalmente, com relação à segurança e o conforto. A circulação de carga pela Avenida Brasil em direção ao Porto do Rio de Janeiro tem sido um forte gargalo para a competitividade das empresas. Não é razoável que a produção industrial

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do município do Rio de Janeiro tenha que atravessar toda a cidade, em suas partes de maior densidade demográfica, para chegar ao seu local de escoamento. A tabela 1 abaixo compara as distâncias entre os bairros da Zona Oeste e os Portos do Rio de Janeiro e de Itaguaí. É importante observar que a distância tem que ser ponderada com o fluxo de transporte, vide Tabela 2, como já assinalado anteriormente, para que o custo econômico (tempo) possa ser avaliado.

Tabela 1 Destino Porto de Itaguaí/Santa Cruz Porto de Itaguaí/Campo Grande Porto de Itaguaí/Bangu Porto do RJ/Santa Cruz Porto do RJ/Campo Grande Porto do RJ/Bangu Fonte: CET/Rio. Elaboração própria. Os dados da Tabela 2 complementam a análise desenvolvida no parágrafo anterior. A participação relativa do transporte coletivo no município do Rio de Janeiro é de 72% do individual 28%. Na AP-5 é, respectivamente, 87,1% e 12,9%. Isso significa que a AP-5 é dependente de transporte coletivo o que é uma das suas grandes carências e tem que atravessar a região mais densa de transito, a AP-3, e parte da AP1- para chegar ao Porto do Rio de Janeiro. E ao centro da cidade. No Anexo 1 está à composição de cada Área de Planejamento- AP. Note-se que a AP-5 é mais ampla do que a região que está sendo avaliada neste trabalho ( vide anexo 1). Inverter o sentido do fluxo de transporte, especialmente do transporte pesado, vai melhorar a relação custo/benefício pela enorme redução do tempo. Evita atravessar toda a Zona Norte da cidade a mais populosa, de maior volume de trânsito e, como a Zona Oeste, extremamente dependente da Avenida Brasil apara o escoamento do seu fluxo de transporte de passageiro e de carga. Distância/kms 15,4 28,6 38,5 49,7 36,0 26,3

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Tabela 2 - Viagens totais por dia por Área de Planejamento-AP no Município do Rio de Janeiro Viagens por Dia no Município do RJ Rio de Janeiro % do Total Participação Relativa por Transporte AP1 % do Total Participação Relativa por Transporte AP2 % do Total Participação Relativa por Transporte AP3 % do Total Participação Relativa por Transporte AP4 % do Total Participação Relativa por Transporte AP5 % do Total Participação Relativa por Transporte Fonte: CET/RJ. Elaboração própria. Transporte Coletivo Transporte Individual 5.400.000 100,0% 72,0% 148.575 2,8% 32,9% 1.846.861 12,5% 79,7% 2.734.686 50,6% 80,2% 987.749 18,3% 77,8% 1.627.489 30,1% 87,1% Total

2.100.000 7.500.000 100,0% 28,0% 303.216 14,4% 67,1% 100,0% 100,0% 451.791 6,0% 100,0%

470.222 2.317.083 32,2% 20,3% 30,9% 100,0%

676.517 3.411.203 32,2% 19,8% 45,5% 100,0%

282.418 1.270.167 13,4% 22,2% 16,9% 100,0%

240.268 1.867.757 11,4% 12,9% 24,9% 100,0%

Isso ocorre tanto com o transporte rodoviário, quanto com o ferroviário. O acesso rodoviário e ferroviário ao Porto do Rio de Janeiro ficou com as suas operações muito restringidas pelo crescimento desordenado da cidade, que nunca respeitou as definições e regras sobre o uso do solo de seus planos diretores com o beneplácito das autoridades municipais na maioria das vezes. As invasões de áreas no entorno dos leitos ferroviários são constantes, o que faz com 9

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que os trens tenham que circular em baixíssima velocidade, sendo inclusive, algumas vezes, sujeitos a assaltos. Dadas essas condições estruturais do sistema de transporte do município do Rio de Janeiro e, em especial, da Zona Oeste, a solução lógica é que se procure redirecionar o fluxo de transporte de carga para o lado oposto da cidade. Trocar a direção oeste/leste para oeste/oeste. Mudar do Porto do Rio de Janeiro pára o Porto de Itaguaí. Isso já obedece à lógica da localização dos principais investimentos industriais dos últimos anos. Todos procurando sinergia entre o local e a infra-estrutura de transporte. Sabe-se que no Brasil o custo da má logística de transporte – estradas esburacadas, gargalos portuários, ferrovias antiquadas e a não integração dos diferentes modais de transporte – eleva o custo entre 20% e 30% entre o local da produção e o do embarque. Se somarmos a isso a estimativa de 10% de custo para o desembaraço alfandegário, constata-se facilmente como se perde valor nas cadeias de logística da produção no Brasil.

5. O Porto de Itaguaí O Estado do Rio de Janeiro tem dois grandes portos: o do município do Rio de Janeiro e o de Itaguaí. O primeiro deveria ser dedicado a produtos de menor volume e maior valor agregado e para as atividades de turismo. Não deveria ser um porto concentrador e distribuidor de cargas dado o impacto dessas atividades na infra-estrutura urbana de transporte e meioambiente. O segundo deveria ser dedicado para produtos como minério, grãos e outras commodities, ou seja maior volume e carga geral (contêineres). Funcionar como um centro concentrador e distribuidor de cargas. Um hub-port. Desde a sua concepção inicial o Porto de Itaguaí foi planejado para transformar-se em Complexo Portuário e Industrial de Itaguaí voltado, para ser o escoadouro das exportações e o receptor das importações do Pólo Industrial ou Distrito Industrial da Zona Oeste. Ele é estratégico para o desenvolvimento econômico da Zona Oeste do Rio do Janeiro pela sua localização geográfica e pelo fluxo de transporte interno ao município do Rio de Janeiro. Além disso, representa uma recuperação histórica do papel de centro de logística da economia brasileira que a cidade do Rio de Janeiro desempenhou até os anos trinta do século passado. Ele pode ser um fator importante para a modificação estrutural na pauta de exportação brasileira, dominada por commodities, suscetíveis, como mostra a história passada e recente, a variações abruptas em preço e quantidade, introduzindo um alto grau de incerteza no desempenho de nossas contas externas. As condições geográficas da área em que o complexo portuário de Itaguaí está situado são muito boas. Apresenta uma retro área de 10 milhões de metros quadrados de área plana, um canal de acesso com até 20m de profundidade e cais de acostagem em águas abrigadas, com infra-estrutura logística industrial e tecnologia em telecomunicações e suprimento, acessos multimodais e facilidades de transportes. Mesmo com uma parte dessa área já ocupada, ainda existe uma grande área 9 (a maior parte) em condições de ser aproveitada. Isso permite uma redução de custo para o usuário em condições internacionais de produtividade. Estrategicamente localizado no mais importante entorno geoeconômico da América do Sul, onde em um raio de pouco mais de 500 km estão situados os agentes produtivos responsáveis pela formação de cerca de 70% do PIB brasileiro. É um porto

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singular entre os portos brasileiros e latino-americanos. Com características físicas competitivas, tem acesso marítimo para receber navios de grande porte e de última geração acima de 6.000 TEUs. O gargalo portuário está diminuindo a capacidade de competir da economia brasileira. È o único terminal de contêineres em condições de operar os navios modernos que estão saindo do estaleiro e reduzem, por sua densidade de carga e sua velocidade, os fretes dos produtos industrializados. Estes navios exigem condições especiais no berço de atracação: calado mínimo de 14,5 metros, retro-área livre, eficiência operacional na movimentação da carga, além de uma razoável logística de terra, representada por acesso ferroviário, rodoviário e marítimo. Isso quer dizer operação integrada dos diferentes modais de transporte que formam a logística, sem os entraves de um centro urbano congestionado. O Porto de Itaguaí mesmo operando com severas restrições logísticas e de falta de apoio político vem se desenvolvendo. Tem movimentado mais de 200 mil TEUs a partir de 2006. Destes, metade é carga de exportação, metade é carga de importação. Porém, o dado que mais atesta a sua competitividade é que 40% do total manipulado é carga do transbordo, isto é, destinada a outro terminal portuário. Isso quer dizer que Itaguaí está se convertendo em um porto concentrador de carga, servindo, inclusive, em porto de apoio para os demais países do MERCOSUL, Argentina e Uruguai. O não reconhecimento do Porto de Itaguaí como um elemento estratégico para a competitividade externa da economia brasileira tem sido um entrave para que a sua operação plena pudesse difundir um impacto positivo sobre uma ampla região do Brasil e, em especial, do Rio de Janeiro. Estudos realizados por especialistas 2 da área de logística mostram que a sua zona de influência atinge até Mato Grosso do Sul. Envolve uma área que é responsável por 70% do PIB brasileiro. Os problemas que o Porto de Itaguaí tem enfrentado para ser operacionalmente mais efetivo são variados. O terminal foi licitado, em 1998, como se fosse um terminal qualquer. Evitouse, sempre, definir uma política portuária nacional, que articulasse, sistematicamente, a operação dos diversos portos. A indefinição funcional afetou o desempenho do terminal. E o país continuaria sem serviços portuários adequados para facilitar uma inserção mais competitiva no comércio internacional de produtos industrializados, uma vez que não estava na rota dos grandes navios transoceânicos. A operação do terminal arrastava-se. Os acessos rodoviários não eram construídos. As licitações abertas para sanar o problema eram interrompidas. Os recursos destinados às obras eram, sempre, contingenciados. O terminal vegetava: não tinha carga porque não tinha navios, e não tinha navio porque não tinha carga. A partir de 2004, com o crescimento explosivo do comércio internacional brasileiro, o terminal ganhou impulso efetivo. Os armadores de navios de contêineres de nova geração que deslocam, no mínimo, 5.000 TEUs (medida de contêiner), com muito maior velocidade de cruzeiro, descobriram o terminal de contêineres de Itaguaí. A partir daí a movimentação de carga vem crescendo juntamente com o número de navios transoceânicos de grande porte que buscam os seus serviços. Em 2007, o porto ficou em terceiro lugar no ranking de movimentação de granel sólido, com 17,5% do total ou 77,3 milhões de toneladas, segundo o
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Silva (1997).

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Panorama Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários - Antaq, publicado em janeiro de 2008. Movimentou 230 mil toneladas de TEUs e 48 milhões de toneladas de cargas em geral. Embora servido por acesso ferroviário (os trilhos da MRS, em bitola larga, alcançam, sem obstáculos, a beira do cais de atracação) é fundamental para o desenvolvimento adequado do terminal que o atual acesso rodoviário seja ampliado para dar conta da carga de embarque e desembarque no porto em processo de rápida expansão. A carga de contêiner provém, em grande parte, da BR-116 (antiga rodovia Dutra) e da BR-40 (antiga Rio-Belo Horizonte), cujo acesso ao porto se faz seja por uma passagem obrigatória pela cidade do Rio de Janeiro (caso da antiga Rio-Belo Horizonte) ou por uma travessia insatisfatória pelo centro dos municípios de Itaguaí e Seropédica, (no caso a antiga Dutra). É possível também chegar a Itaguaí através da BR-101 que as obriga não só a entrar no tráfego urbano da cidade do Rio de Janeiro, como a penetrar, em precárias condições, pela BR-101. Estes gargalos no acesso das rodovias federais ao porto Itaguaí, responsáveis pela maior parte das cargas de contêiner que demandam o terminal portuário se deve ao fato de que, no momento das respectivas privatizações, a existência de um terminal de contêiner em Itaguaí sequer fora considerada no Plano Diretor do porto. Na ocasião, Itaguaí estava destinado, exclusivamente, a ser um terminal para a operação de granéis – minério e carvão – produtos que, evidentemente, acessam o porto, mais adequadamente, por via ferroviária do que por via rodoviária. Ao se incorporar, depois, no Plano Diretor de Itaguaí, a existência de um terminal de contêiner a questão do acesso rodoviário ao porto, não previsto por ocasião das privatizações, tornou-se crítica, uma vez que, num raio de até 400 quilômetros, o transporte rodoviário de contêiner é muito mais econômico que o seu transporte por ferrovia. Se, no momento da privatização, já houvesse definição de que Itaguaí teria terminais de contêiner, certamente, no edital de concorrência, teria sido prevista explicitamente, a obrigatoriedade da construção do acesso das duas BRs, ao porto de Itaguaí O crescimento da carga de contêiner em Itaguaí, sem via de acesso rodoviário adequado, além de ameaçar a desejada expansão do porto, ameaça congestionar, ainda mais, a circulação urbana na cidade do Rio de Janeiro. Além disso transforma Seropédica e Itaguaí em municípios de passagem de tráfego pesado de carga, agravando o problema de fluidez do tráfego na BR-101, no trecho entre Itaguaí e a Avenida Brasil. O grave dessa inadequação da malha rodoviária é converter uma rodovia com clara vocação turística em uma rodovia de carga pesada e afetando todo o fluxo de transporte para a Zona Oeste do município do Rio de Janeiro. As cargas que vêm de trem do Centro-Oeste do país não têm ligação direta com o Rio. Isso é uma dificuldade. A logística é sempre uma questão de custo e menos de distância, assim, se as obras forem feitas, a diferença de custo entre Itaguaí e Santos será bem pequena e poderá diminuir a pressão sobre Santos. O Porto de Itaguaí poderá receber cargas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A malha rodoviária para acesso ao porto é constituída por uma rede de rodovias estaduais e federais. As principais são rodovias federais BR-101(Rio- Santos), BR-116 (Presidente Dutra), BR-040 (Rio- Juiz de Fora) e BR-465 (antiga Rio-São Paulo). As estaduais mais

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importantes são RJ-099 e RJ-105. A BR-101 é o principal acesso ao Porto de Itaguaí. A partir dela, na direção sul, acessam-se as regiões de Angra dos Reis e a Baixada Santista e, na direção norte, a Avenida Brasil. Na Avenida Brasil, através da BR-465,antiga Rio-São Paulo chega-se à rodovia Presidente Dutra (BR-116), principal ligação entre as regiões Sul, Sudeste e Nordeste, e através da BR-040 (Rio-Juiz de Fora), faz-se a ligação com os estados de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, permitindo-se atingir as regiões Centro-Oeste e Norte. Essa malha está sendo sensivelmente melhorada com as Obras do Programa de Aceleração do Crescimento- PAC: a duplicação da BR-101 trecho Santa Cruz-Mangaratiba e a construção da rodovia BR-493, um arco viário metropolitano do Rio de Janeiro, ligando o porto às rodovias Rio -Teresópolis, BR-040 (Rio-Juiz de Fora, MG) e BR-116 (Presidente Dutra- Rio SP), desafogando o trânsito da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Mapa 1 - Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

O acesso ferroviário direto ao Porto de Itaguaí é feito a partir do pátio de Brisamar, próximo à cidade de Itaguaí, numa extensão de 1,5 km em linha tripla. A partir dessa estação, as linhas férreas em bitola larga (1,6m) interligam-se com a Malha Sudeste da MRS- Logística S/A, atendendo em particular ao triângulo São Paulo- Rio de Janeiro- Belo Horizonte, e a Malha Centro–Leste, de bitola estreita ( 1,00m), arrendada a FCA- Ferrovia Centro –Atlântica S/A, que atende ao restante dos Estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás e Distrito Federal. Conexões interferroviárias são realizadas através da FEPASA, a partir de São Paulo e Jundiaí, atendendo a todo o interior do Estado de São Paulo, e de duas outras empresas que operam na região Centro – Oeste. Dentro da Malha Sudeste, o ramal Japeri – Brisamar com 32,9 Km de extensão é de especial importância para o atendimento ao Porto de Itaguaí. A partir de Japeri a linha tronco Rio–São Paulo, interliga as regiões metropolitanas dessas cidades e atravessa todo o vale do Paraíba. Para que a operação do Porto de Itaguaí seja completa é fundamental a construção do Ferroanel Norte, de São Paulo, a fim de garantir acesso ferroviário em bitola larga direto da região industrial de São Paulo, aos terminais de contêineres de Santos ou de

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Itaguaí, em condições técnicas que permita aos produtos da indústria brasileira ser competitiva no mercado internacional; O programa de aceleração do Crescimento - PAC também contempla a obra de dragagem para aprofundamento do canal de acesso do Porto, com aprofundamento de 17m para 20m (fase 1) e da bacia de evolução e sua extensão até o terminal da CSA de 14,5m para 17,5m (fase 2). A garantia de recursos à Companhia Docas do Rio de Janeiro para duplicação do canal, de 20 km para acesso ao porto de Sepetiba, é fundamental para a movimentação, conjunta, de navios graneleiros, de minério e de contêineres, sobretudo para não sacrificar a entrada e saída dos navios de contêineres, em número muito maior que os navios operadores de grãos e minérios; Está na hora dos governos, estadual como federal, assumirem o terminal de contêiner de Itaguaí como um projeto estratégico nacional, sem se deixarem intimidar por eventuais pressões dos interesses que serão afetados pelo crescimento do terminal. Essa articulação também é decisiva para a definição de uma política de ocupação do espaço urbano e rural que não degrade a área e permita o seu desenvolvimento sustentado. A expansão do Porto de Itaguaí terá grande impacto para a economia nacional e estadual, com efeitos positivos sobre as contas externas do país, para o sucesso de uma política industrial voltada à exportação de bens de maior valor agregado, para a recuperação da economia fluminense e, em especial, para o desenvolvimento da Zona Oeste, centro industrial do município do Rio de Janeiro. Mesmo sem estar em condições operacionais ideais o impacto positivo da presença do Porto de Itaguaí já se faz sentir. A instalação da siderúrgica CSA Thyssen Krupp em Santa Cruz, já está empregando 22.000 trabalhadores. A construção do arco viário metropolitano do Rio de Janeiro, principal projeto de infra-estrutura viária em andamento no Estado, que interligará as principais rodovias que acessam o município do Rio de Janeiro, já está atraindo investimentos novos para a sua área de influência direta, inclusive imobiliários (O Globo, 01/09/2008). Existem vários projetos de investimento previstos para se instalarem no Porto de Itaguaí retro área. A Secretaria de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro está em processo de escolha de até três terminais de minério de ferro dentre os doze propostos pelo setor privado para instalação nessa área. O critério básico para decisão será qual dos projetos agrega mais valor pela pelotização e/ou pela siderurgia. Três estaleiros estão com investimentos previstos para instalação em Itaguaí. Um já está decidido: o estaleiro e a base da Marinha onde serão construídos quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear, em parceria entre Brasil e França, vão ficar em uma área entre o Porto de Itaguaí e a fábrica da Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), no Rio de Janeiro. O investimento previsto é de R$ 4,5 bilhões. Ficará localizado entre a Nuclep e o Porto de Itaguaí. O terreno, de 70 mil metros quadrados, pertence hoje à Companhia Docas do Rio de Janeiro. Ele será transferido à Marinha pela Secretaria do Patrimônio da União. A previsão é que o complexo comece a ser construído no 2º semestre de 2009 e fique pronto em até cinco anos. “A área escolhida é estratégica, pois a Nuclep deve fabricar muitas das peças do submarino”, diz o diretor-geral de material da Marinha, almirante Marcus Vinícius dos Santos. O estaleiro vai gerar 500 empregos diretos (90% para civis). Na base de apoio, trabalharão 250 oficiais (O Globo, 20/12/2008).

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Os projetos de investimento acima citados são apenas alguns exemplos do poder de atração que um porto bem localizado e com razoáveis condições operacionais exerce sobre os investimentos. A Zona Oeste do Rio de Janeiro está em condições excepcionais para aproveitar as sinergias geradas por essa instalação. Para isso é necessário que defina uma política racional integrada para suprir a área sob influência do porto de Itaguaí da infraestrutura de serviços necessários à plena realização do seu potencial.

6. Logística Específica: Alternativas Viárias e Estruturais para Campo Grande Um dos entraves mais nítidos para o desenvolvimento do potencial econômico da a Zona Oeste é a deterioração da rede de transportes que a serve. Essa situação vai ficar pior quando todos os investimentos previstos para a melhoria do acesso logístico ao Porto de Itaguaí se completarem. Tendo em vista essa situação e na tentativa de construir um modelo que sirva para a integração da infra-estrutura de transporte interna de cada bairro da região, com a externa, foi elaborada uma alternativa viária e estrutural para Campo Grande. Essa alternativa foi discutida em reuniões realizadas na Associação Comercial e Industrial de Campo Grande - ACICG. A liderança exercida pela presidência da ACICG. foi um fator decisivo para a forma final da proposta elaborada pela CET-RIO (Companhia de Engenharia de Tráfego) através da CRT 5.2 (Coordenadoria Regional de tráfego da Área de Planejamento de Campo Grande e Adjacências). O objetivo da proposta é mudar a infra-estrutura de transporte de Campo Grande para que ela que atenda a necessidade do aumento do fluxo do tráfego em direção ao Porto de Itaguaí, desviando a carga pesada do centro da cidade e melhorando a ligação com as principais vias externas que acessam Campo Grande. A seguir segue a proposta: A CET-RIO (Companhia de Engenharia de Tráfego) através da CRT 5.2 (Coordenadoria Regional de tráfego da Área de Planejamento de Campo Grande e Adjacências) vem monitorando o crescimento acelerado da Zona Oeste sob o ponto de vista econômico/industrial e imobiliário. O foco desse monitoramento é o impacto na mobilidade viária reduzindo os níveis de serviços das suas vias de acessos e vias coletoras, responsáveis pelo escoramento da produção/abastecimento das indústrias e do comércio, bem como o deslocamento interno de toda população. Podemos apontar alguns fatores determinantes que induziram a este desequilíbrio, tais como: 1º) Transporte de massa ineficiente; 2º) Integração ineficaz (ônibus X trem); 3º) Falta de alternativas no escoramento de tráfego (Ex: Estrada da Caroba e Estrada do Lameirão);

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4º) Vias existentes com reduzida capacidade de escoamento e segurança de tráfego (Ex: Estrada Rio-São Paulo, Estrada do Pré e Rua Olinda Ellis); 5º) Falta de conexão eficiente desses principais corredores: Av. Brasil X Estrada do Lameirão, Estrada do Posse X Estrada do Lameirão, passagem em nível da Estrada do Lameirão etc. O crescimento incontestável da Zona Oeste, sob todos os aspectos, irá demandar investimentos públicos que garantirão o equilíbrio e a mobilidade como forma sustentável da sua expansão com respeito ao meio ambiente e a qualidade de vida da população. A avaliação do custo orçamentário nos investimentos apontados depende de estudos técnicos mais aprofundados (projeto executivo), levando-se em consideração os seguintes aspectos: drenagem, iluminação, sinalização, número de viagens (volume), obras de artes, desapropriações etc., para cada intervenção. Contudo para nortear como estimativa (ordem de grandeza), apontamos os custos individualizados por trecho, que serão considerados apenas como um indicador do volume de investimentos necessários à reestruturação da malha viária de Campo Grande, objetivando no aumento da mobilidade e proporcionando alternativas viárias com capacidade compatível ao crescimento da região; que irão distribuir, de forma qualitativa, todo o volume de tráfego nas suas diversas vias que compõe a nossa malha viária. Os investimentos previstos são os seguintes: Projetos de Infra-Estrutura de Transportes em Campo Grande Valor (R$ Rota 1 Estrada do Lameirão extensão 2982 (metros) Pista simples com mão dupla = 8 m; acostamentos = 5 m; passeio = 4 m; total = 17 m Estrada do Pré (extensão 2285 metros) Pista simples com mão dupla = 8 m; acostamentos = 5 m; passeio = 4 m; total = 17 m Rua Olinda Ellis (745 metros) Pista simples com mão dupla = 8 m; acostamentos = 5 m; passeio = 4 m; total = 17 m 7,0 12,0 milhões) 42,0

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Rota 2 Estrada Rio-São Paulo (1765 metros) Trecho A: da Estrada Rio do A do até Estrada do Tinguí Pista dupla = 16 m; canteiro central =1 m; passeio = 4 m; total = 21 m Estrada Rio-São Paulo (3538 metros) Trecho B: da Estrada do Tinguí até Viaduto Oscar Brito Pista simples com mão dupla = 8 m; acostamentos = 5 m; passeio = 4 m; total = 17 m Duplicação Estrada da Caroba Consultar projeto L7.DE.PG.09_11 a 11_11 Total
Fonte: CET-Rio

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Outra intervenção importante para melhorar o fluxo de tráfego para a Zona oeste é a complementação do Arco rodoviário do Município do Rio de Janeiro. Em especial a construção de vias transversais ligando a Zona oeste com as outras áreas da cidade sem a necessidade atravessar toda a Avenida Brasil. Essas vias, em vermelho no mapa, podem ser vistas na figura 2.

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Mapa 2 - Anel Rodoviário da Cidade do Rio de Janeiro

7. Conclusões As principais recomendações que podem ser tiradas do trabalho de pesquisa realizado são as seguintes: • evitar o conflito entre o tráfego rodoviário de longa distância e o tráfego local dos Municípios fluminenses localizados em torno do Porto de Itaguaí sobretudo no Município do Rio de Janeiro e na sua Zona Oeste; reduzir o custo operacional das rodovias locais com melhoria na qualidade das rodovias federais, na fluidez do tráfego de passageiros como de carga, na segurança dos veículos e nos atendimentos dos usuários, com consideráveis ganhos econômicos e sociais para a União Federal, o Estado do Rio de Janeiro e os Municípios atingidos; garantir acesso de carga, com fluidez, economicidade e volume, ao terminal de contêineres do Porto de Itaguaí, de maneira a que ele possa exercer sua efetiva função de “hub-port” do Atlântico-Sul; articulação entre os governos federal, estadual e municipal para a elaboração de um plano diretor básico que: a) defina uma política racional integrada para suprir a área sob influência do porto de Itaguaí da infra-estrutura de serviços necessários à plena realização do seu potencial; b) um plano urbanístico para utilização do uso do solo na Zona Oeste.

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Essas recomendações têm que estar inseridas em um quadro mais geral de política pública urbana que baseada nos seguintes pontos: 1. REVISÃO URGENTE DO PLANO DIRETOR DECENAL DA CIDADE - resolver os entraves técnicos e político-administrativos que impedem a construção de um cenário seguro para o desenvolvimento da região. 2. PEU's (PROJETOS DE ESTRUTURAÇÃO URBANA) EM TODA A REGIÃO – que estimulem a indústria da construção civil, mas que, principalmente, estabeleçam uma vocação econômica para a região com estímulo aos setores de turismo, serviços, cultura e tecnologia orientada aos cenários de desenvolvimento da região de Sepetiba (portos e siderurgia) preservando radicalmente os aspectos ambientais, a paisagem natural e recursos naturais. Projetar um novo futuro para a região com desenvolvimento harmonioso e com participação comunitária. 3. EQUIPAMENTOS PÚBLICOS EM REDE - recuperação e construção de novos equipamentos públicos - postos de saúde, escolas, bibliotecas, tele centros, praças e espaço público - articulados e estruturados sinergicamente criando presença do Estado e ofertando serviço público de qualidade a população - há muito tempo abandonada. 5. ÁREAS INFORMAIS E FAVELAS - absorção dos loteamentos irregulares pela cidade formal. Urbanizar o entorno destas áreas, com adoção de equipamentos públicos e ligação viárias e espaciais destas áreas com o território formal. Combater o avanço da favelização, remover vetores de crescimento, remover comunidades pequenas ou de baixa densidade com contrapartida de oferta de habitação e/ou aluguel social. 6. ECO-CIDADE - criar um novo futuro para a zona oeste, orientado por um novo modelo de desenvolvimento, sustentável, com forte conteúdo econômico e social, criando um novo paradigma de cidade que possa representar o rio das novas gerações. Finalmente, teria que ser elaborado um estudo de viabilidade econômica das novas vias de ligação com a Zona Oeste (Mapa 2). Os estudos existentes das linhas coloridas, que datam dos anos sessenta e do início dos anos setenta estão desatualizados. Com base nesses estudos seriam elaborados os planos para a sua execução.

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Referências Bibliográficas O GLOBO, Coluna Panorama Econômico, 06/07/2007. O GLOBO, Negócios & cia, 01/09/2008. O GLOBO, Negócios & cia, 20/12/2008. KEYNES, J. M. As Conseqüências Econômicas da Paz. Editora Universidade de Brasília : São Paulo, 2002. OSÓRIO, M. Rio Nacional, Rio Local: mitos e visões da crise carioca e fluminense, Editora Senac Rio de Janeiro, 2005. SILVA, E. B. Infra-Estrutura de Longo Alcance para o Desenvolvimento Sustentado. FIRJAN: Rio de Janeiro, 1997.

Sítios pesquisados e consultados: www.antaq.gov.br www.bndes.gov.br www.cet.rj.gov.br www.codin.rj.gov.br/Apoio/Fiscais.htm www.finep.gov.br www.investrio.com.br www.itaguai.rj.gov.br/porto.asp ) www.itaguai.rj.gov.br www.portosrio.gov.br/Sepetiba/index.htm www.sebrae.com.br/uf/rio-de-janeiro/sebrae-rj/areas-de-atuacao/ http://www.transportes.gov.br/bit/terminais_mar/Nuclepe/nuclepe.htm

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Anexo

Áreas de Planejamento AP - 1(Portuária), II(Centro), III(Rio Comprido), VII(São Cristóvão), XXI(Paquetá), XXIII(Santa Tereza) AP- 2 (Botafogo), V (Copacabana), V I(Lagoa), VIII(Tijuca), IX (Vila Isabel), XXVII(Rocinha) AP-3 (Ramos), XI (Penha), XII (Inhaúma), XIII(Méier), XIV(Irajá), XV(Madureira), XX (Ilha), XXII (Anchieta), XXV(Pavuna), XXVIII(Jacarezinho), XXIX(Comp. Alemão), XXX(Maré) AP-4XVI (Jacarepaguá), XXIV (Barra da Tijuca) AP- 5 VII (Bangu), XVIII (Campo Grande), XIX (Santa Cruz), XXVI (Guaratiba)

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Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno

Segurança pública na Zona Oeste do Rio de Janeiro: diagnóstico e propostas (Versão Final) Projeto FAPERJ no E-26/110.644/2007

Leonarda Musumeci (professora, IE/UFRJ e pesquisadora, CESeC/Ucam) Gabriel Fonseca da Silva (estatístico, CESeC/Ucam) Leonardo Leão de Paris (estatístico, CESeC/Ucam)

Junho/2009

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ÍNDICE Introdução................................................................................................................................. 4 1. “Terra Sem Lei”: Um Panorama Da Violência Na Zona Oeste ....................................... 5 2. Detalhamento Dos Indicadores De Criminalidade E Violência ....................................... 9 2.1. Violência Letal ................................................................................................................ 9 2.2. Pessoas Desaparecidas .................................................................................................. 16 2.3. Crimes Contra O Patrimônio......................................................................................... 19 2.3.1. Roubos.................................................................................................................... 20 2.3.1.1. Roubo De Veículo........................................................................................... 21 2.3.1.2. Roubo A Transeunte........................................................................................ 24 2.3.2. Furto De Veículos .................................................................................................. 27 2.4. Presença De Milícias ..................................................................................................... 31 3. Proposta De Agenda Para A Segurança Pública Da Região .......................................... 33 Referências Bibliográficas ..................................................................................................... 36 Anexo: Vozes Da Zona Oeste ................................................................................................ 38

ÍNDICE DE FIGURAS, GRÁFICOS E TABELAS Figura 1 - Homicídios dolosos por circunscrições de delegacias policiais......................... 10 Figura 2 - Pessoas desaparecidas, por circunscrições de delegacias policiais................... 17 Figura 3 - Total de roubos registrados, por circunscrições de delegacias policiais ......... 20 Figura 4 - Roubos a transeunte registrados, por circunscrições de delegacias policiais . 25 Figura 5 -Furtos de veículos registrados, por circunscrições de delegacias policiais ...... 29 Figura 6 - Número de áreas com milícias, por bairro......................................................... 32 Gráfico 1 - Evolução das mortes violentas intencionais registradasnas delegacias da Zona Oeste ............................................................................................................................... 11 Gráfico 2 - Homicídios dolosos registrados na Zona Oeste, por dias da semana.............. 14 Gráfico 3 - Homicídios dolosos registrados na Zona Oeste, por horários ......................... 15 Gráfico 4 - Evolução do número de desaparecimentos registrados nas delegacias da Zona Oeste ............................................................................................................................... 17 Gráfico 5 - Perfil de gênero e etário das vítimas de homicídio doloso e das pessoas desaparecidas na Zona Oeste................................................................................................. 19 Gráfico 6 - Evolução do total de roubos registrados nas delegacias da Zona Oeste,........ 21 Gráfico 7 - Evolução dos roubos de veículos registrados nas delegacias da Zona Oeste, 21 Gráfico 8 - Roubos de veículos registrados na Zona Oeste, por dias da semana.............. 23 Gráfico 9- Roubos de veículos registrados na Zona Oeste, por horários .......................... 24

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Gráfico 10 - Evolução dos roubos a transeunte registrados nas delegacias da Zona Oeste .................................................................................................................................................. 25 Gráfico 11 - Roubos a transeunte registrados na Zona Oeste, por dias da semana ......... 27 Gráfico 12 -Roubos a transeunte registrados na Zona Oeste, por horários...................... 27 Gráfico 13 - Evolução dos furtos de veículos registrados nas delegacias da Zona Oeste. 28 Gráfico 14 - Furtos de veículos registrados na Zona Oeste, por dias da semana ............. 30 Gráfico 15 - Furtos de veículos registrados na Zona Oeste, por horários ......................... 31 Tabela 1 - Mortes violentas intencionais registradas nas delegacias da Zona Oeste, ...... 10 Tabela 2 - Taxas de homicídios dolosos e de mortes violentas intencionais registradas nas delegacias da Zona Oeste,................................................................................................ 11 Tabela 3 - Evolução das mortes violentas intencionais registradas nas delegacias.......... 12 Tabela 4 - Homicídios dolosos registrados na Zona Oeste, por bairros............................ 13 Tabela 5 - Os 15 logradouros da Zona Oeste com mais homicídios dolosos ..................... 14 Tabela 6 - Indicadores de letalidade da ação policial nas delegacias ................................ 16 Tabela 7 - Desaparecimentos registrados nas delegacias ................................................... 16 Tabela 8 - Desaparecimentos registrados na Zona Oeste, por bairros .............................. 18 Tabela 9 - Roubos registrados nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ, por tipos .................................................................................................................................................. 20 Tabela 10 - Roubos de veículos registrados na Zona Oeste, por bairros........................... 22 Tabela 11 - Os 15 logradouros da Zona Oeste com mais registros de roubo de veículo .. 23 Tabela 12 - Roubos a transeunte registrados na Zona Oeste, por bairros ........................ 26 Tabela 13 - Os 15 logradouros da Zona Oeste com mais registros de roubo a transeunte .................................................................................................................................................. 26 Tabela 14 - Relação roubos/furtos de veículos na Zona Oeste............................................ 28 Tabela 15 - Furtos de veículo registrados na Zona Oeste, por bairros.............................. 29 Tabela 16 - Os 15 logradouros da Zona Oeste com mais registros de furto de veículo.... 30 Tabela 17 - Número de áreas com milícias, por bairro....................................................... 32 Tabela 18 - Denúncias contra milícias feitas ao Disque-Denúncia, por bairro ................ 33

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Segurança pública na Zona Oeste do Rio de Janeiro: diagnóstico e propostas
Leonarda Musumeci *

Introdução A necessidade de um diagnóstico específico da segurança pública no âmbito do Projeto “Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno” impôs-se a partir da análise de levantamento anterior junto a empresários e usuários do setor comercial, que apontava esse problema como um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento sócio-ecoômico e à melhoria da qualidade de vida na região. 1 Posteriormente, o questionário distribuído pelo próprio Projeto a empresas de diversos setores confirmou a importância do tema e reforçou a demanda por um estudo mais detalhado a respeito da criminalidade e da violência nas quatro regiões administrativas selecionadas. 2 A pesquisa cujos resultados se apresentam aqui combinou o levantamento de dados quantitativos e informações qualitativas. Utilizou, no primeiro caso, estatísticas gerais do Instituto de Segurança Pública, baseadas nos registros de ocorrência da Polícia Civil e divulgadas mensalmente pela internet, bem como microdados relativos às quatro delegacias da Zona Oeste, cedidos pelo mesmo Instituto especialmente para a realização do projeto. A fim de dimensionar, mesmo que de forma aproximativa, a presença de milícias nos bairros da região, recorreu ainda a dados apresentados nas conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembléia Legislativa estadual que investigou a atuação desses grupos no Rio de Janeiro, e também a um estudo realizado pela ONG Justiça Global em 2008. Por sua vez, as informações qualitativas sobre percepções e experiências referentes à segurança pública na Zona Oeste foram obtidas em entrevistas e grupos de discussão com lideranças locais, realizados nas sedes das associações comerciais de Realengo, Bangu e Campo Grande, e nos distritos industriais de Campo Grande e Santa Cruz. A primeira seção a seguir apresenta uma síntese dos principais resultados da pesquisa, com destaque para alguns indicadores quantitativos que evidenciam a gravidade do quadro de criminalidade e violência na Zona Oeste, e para as causas ou elementos favorecedores dessa situação que foram apontados de forma recorrente nas entrevistas qualitativas.
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Professora do Instituto de Economia da UFRJ e pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes (CESeC/Ucam). Este trabalho teve a participação dos dois estatísticos do CESeC, Gabriel Fonseca da Silva e Leonardo Leão de Paris.

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Mapeamento das atividades comerciais realizado pelo Instituto Fecomércio-RJ (Ifec) entre outubro de 2001 e outubro de 2003. Ver análise em Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno: diagnóstico sócio econômico do local (versão final). Rio de Janeiro, Instituto de Economia da UFRJ, março de 2009.

Seguindo a definição adotada no diagnóstico socioeconômico geral e nos demais estudos setoriais do projeto, considerou-se aqui como Zona Oeste apenas a área das regiões administrativas e delegacias policiais de Realengo, Bangu, Campo Grande e Santa Cruz. Para diferenciá-la do traçado oficial da Zona Oeste do Rio de Janeiro, que inclui também as regiões de Guaratiba, Jacarepaguá e Barra da Tijuca, seu nome, doravante, será sempre grafado em itálico.

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A segunda analisa de forma mais detalhada as estatísticas de segurança pública da região nos últimos anos, relativas a mortes violentas intencionais, desaparecimento de pessoas, letalidade policial, total de roubos, roubos e furtos de veículos, roubos a transeunte e presença de milícias. Na terceira parte é apresentada uma proposta de agenda para o enfrentamento dos problemas de segurança na Zona Oeste. Em anexo, encontra-se um resumo das entrevistas e grupos de discussão, seguido de uma seleção de frases e trechos de entrevistas que ilustram de forma eloquente as percepções locais sobre violência e outros problemas da região.

1. “Terra sem lei”: um panorama da violência na Zona Oeste Nas entrevistas qualitativas feitas na Zona Oeste, a falta de segurança apareceu como um dos principais problemas da região, junto ou logo atrás de logística, transporte público e educação/capacitação. As lideranças ouvidas nas quatro RAs enfatizaram quase sempre os assassinatos e os assaltos a pedestres e a motoristas como indicadores mais evidentes da insegurança na área, o que é confirmado pelas estatísticas do ISP. Forte presença de milícias, interferindo na atividade econômica; ausência de policiamento ostensivo; corrupção policial; falta de regulação pública do uso do solo e das atividades de comércio e serviços; informalidade generalizada; proliferação de favelas e carência de serviços urbanos como pavimentação das ruas e iluminação pública foram os elementos mais enfatizados nas entrevistas para definir o ambiente favorecedor da violência na região. De forma mais detalhada, apontaram-se como causas ou elementos que contribuem para a situação de insegurança: • • • multiplicação de favelas, sem infraestrutura, sem presença do poder público, que se tornam presas fáceis de grupos criminosos armados; o próprio crescimento econômico da região, que atrai muitas pessoas sem recursos e com baixa qualificação, não absorvidas pelo mercado de trabalho local; falta absoluta de policiamento ostensivo, por grave insuficiência de efetivo nos batalhões da PM da região (foi lembrado que o de Campo Grande também presta serviços de policiamento montado a outras partes da cidade); altos níveis de corrupção policial; promiscuidade entre polícia e milícias, entre polícia e crime; carência aguda de transporte coletivo público, abrindo espaço para a proliferação do alternativo (ônibus piratas, kombis, vans, mototaxis), inicialmente como atividade informal, hoje como principal fonte de lucro de grupos criminosos armados; ampla informalidade no setor de pequenas e microempresas de comércio e serviços, favorecendo a captura de várias atividades por traficantes e milicianos, como no caso da venda de botijões de gás e da segurança privada;

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conivência social com a ilegalidade e a informalidade, manifesta, por exemplo, no uso de “gatonet” pela classe média, que poderia pagar o serviço legalizado, e no amplo emprego de vigilantes privados informais por condomínios e estabelecimentos comerciais. degradação das instituições locais pela generalização da informalidade e das ilegalidades; falta de regulação da ocupação e do uso do solo, possibilitando não só a multiplicação de comunidades residenciais irregulares, desassistidas, exploradas por grupos criminosos, como o surgimento de inúmeras fontes de conflitos oriundas, por exemplo, da presença de oficinas mecânicas em áreas de moradia, ou de grandes casas de show nos centros comerciais; atuação de políticos no incentivo às invasões e grilagens, com o propósito de criar currais eleitorais; graves deficiências de iluminação pública e calçamento/asfaltamento das ruas, que facilitam a prática de assaltos; prisão dos bicheiros no início dos anos 1990, que teria aberto espaço para a ascensão dos traficantes de drogas e das milícias na região; acirramento dos conflitos entre milícias após a prisão de importantes chefes de uma das facções, em meados de 2008; impossibilidade de combate às milícias com os policiais que trabalham na Zona Oeste, na maioria moradores da região; política de confronto e de projetos pontuais de policiamento comunitário do atual governo, que estaria gerando “vazamento” de bandidos para outras áreas e deslocamento das atividades criminosas do tráfico de drogas para os assaltos.

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Os indicadores de criminalidade e violência construídos a partir dos dados do ISP também traçam um mapa dramático da situação de insegurança vivida na região. Segue, abaixo, uma síntese dos principais resultados quantitativos da pesquisa, cuja análise será desenvolvida mais minuciosamente na próxima seção. Homicídios • Em 2008, a taxa de homicídios dolosos da Zona Oeste foi de 44,5 vítimas por cem mil habitantes, 28% mais alta que a do conjunto do MRJ; na RA de Santa Cruz a taxa foi de 62,2 por cem mil, 79% maior que a média municipal. Considerando-se o conjunto de mortes violentas intencionais (homicídio doloso, roubo seguido de morte, lesão corporal seguida de morte e civis mortos em confronto com a polícia), no mesmo ano de 2008, a taxa da Zona Oeste sobe para 52,5, contra 48,4 no município como um todo, sendo que em Santa Cruz, chega a 70,7 vítimas por cem mil habitantes e em Realengo, a 67,8. Desde 2006 tem havido decréscimo do número absoluto de homicídios dolosos na região, especialmente em Campo Grande, e no município como um todo. Entretanto, notícia do jornal O Globo publicada em 1/5/2009, com base em dados do ISP ainda não divulgados na internet, dá conta de um aumento de 22% dos assassinatos em

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Campo Grande no primeiro trimestre de 2009, em comparação com o mesmo período de 2008, aumento atribuído ao recente acirramento dos conflitos entre facções de milícias na região. • Oito dos 17 bairros da Zona Oeste concentraram 85% dos homicídios dolosos registrados de janeiro de 2004 a julho de 2008 (período coberto pelos microdados do ISP cedidos para o presente projeto), sendo que os 4 bairros principais concentraram 68%, seguidos de Paciência, Padre Miguel, Santíssimo e Senador Camará. Nesse período, registraram-se homicídios dolosos em 885 diferentes ruas ou logradouros da Zona Oeste. As maiores frequências foram na Avenida Brasil e na Avenida Cesário de Melo. 92% das vítimas de homicídios dolosos, no mesmo período, eram do sexo masculino e 80% tinham de 15 a 39 anos de idade.

Letalidade policial Segundo dados do ISP, 704 civis morreram em confronto com a polícia na região entre 2003 e 2008 – uma média de 88 por ano ou mais de 7 por mês. A Zona Oeste registra uma relação de 50 civis mortos para cada policial morto em serviço, o dobro da verificada no conjunto do município e 63% a mais que no estado como um todo durante o mesmo período. Pessoas desaparecidas De 2004 a 2008, as circunscrições (ou RAs) de Campo Grande e Santa Cruz foram as que registraram maiores números de desaparecimentos de pessoas em todo o município: acima de 600 casos, mais de 120, em média, por ano, ou mais de 10, em média, por mês. Não se conhece a proporção, mas infere-se que uma parte desses desaparecimentos corresponde a homicídios em que não há localização do corpo (o ISP está desenvolvendo uma pesquisa para conhecer melhor o fenômeno, que é crescente no estado nos últimos anos). Roubos O total de roubos (assaltos) registrados aumentou entre 2000 e 2008 na região, acompanhando o crescimento havido no município e no estado como um todo. Na RA de Bangu, porém, o aumento dos assaltos foi bem superior à média. As modalidades mais numerosas de registros na Zona Oeste foram roubo de veículos e roubo a transeunte. Roubo de veículo • Durante o período de 55 meses, ou 1.674 dias, abrangido pelos microdados do ISP (1º de janeiro de 2004 a 31 de julho de 2008), houve uma média de 278 roubos de veículos por mês, ou nove por dia, na região. Cerca de 68% desses roubos ocorreram nos bairros de Bangu, Realengo e Campo Grande e 90% em oito dos 17 bairros da Zona Oeste, praticamente os mesmos que concentraram a maior proporção de homicídios dolosos: além dos três já mencionados, Padre Miguel, Santa Cruz, Senador Camará, Deodoro e Santíssimo. Nesse mesmo período, houve roubos de veículos em 1.383 logradouros da região, mas ¾ deles ocorreram em apenas 172 ruas, sendo a Avenida Brasil, a Avenida de Santa Cruz, a Estrada de Água Branca e a Avenida Cesário de Melo as que registraram maiores incidências desse tipo de crime.

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Cerca de 56% dos roubos de veículo se concentram no período de 19 às 24 horas, sendo o pico das ocorrências entre 20 e 21 horas. Pode-se dizer que, todos os dias, entre as 19 e as 24 horas, ocorrem em média cinco roubos de veículos na Zona Oeste; mais dois entre uma hora da manhã e meio-dia, e outros dois das 13 às 18 hs. O número de casos é alto em todos os dias da semana, mas um pouco mais numeroso às sextas-feiras e um pouco menos numeroso aos domingos e segundas-feiras. As vítimas notificadas desse tipo de roubo eram majoritariamente (71%) do sexo masculino; metade do total estava na faixa etária entre 30 e 49 anos, 28% na faixa até 29 anos e 22% tinham 50 anos ou mais de idade.

Roubo a transeunte • Essa modalidade de crimes contra o patrimônio foi a que mais cresceu na região, no estado e no município entre 2000 e 2008, especialmente a partir de 2004, chegando a 2008 com números de registros 225 a 300% maiores que em 2000. Na RA de Bangu, o aumento dos roubos a transeunte de 2000 a 2008 foi de aproximadamente 450%. Os quatro bairros principais e mais populosos da região foram os que registraram maiores números de roubos a transeunte no período abrangido pelos microdados do ISP, seguidos de Padre Miguel, Senador Camará, Jardim Sulacap e Magalhães Bastos. No total, esses oito bairros responderam por mais de 90% dos casos registrados na Zona Oeste ao longo do referido período. O padrão de distribuição dos roubos a transeunte pelas ruas da Zona Oeste é um pouco mais concentrado que o de roubo de veículos: embora se tenha registrado pelo menos um roubo a transeunte em 1.245 ruas da região, 3/4 dos registros se referem a 117 ruas (9,4% do total). Novamente, as grandes vias encabeçam o ranking, mas desta vez com a Avenida de Santa Cruz em primeiro lugar, seguida das Avenidas Brasil e Cesário de Melo. Segunda-feira foi o dia da semana com maior número de ocorrências e domingo, o dia de menor número. Dentro das 239 semanas abrangidas pelos microdados do ISP, a média diária girou em torno de 13 ocorrências às segundas-feiras, em torno de 9 aos sábados e domingos, e em torno de 11 nos outros dias da semana. Tal como a de roubos de veículos, a frequência mais alta de roubos a transeunte (cerca de 42%) ocorre no período de 19 às 24 horas, com pico no intervalo 20-21 horas. Neste caso, as vítimas notificadas são majoritariamente jovens: no período abrangido pelos microdados do ISP, 54% tinham até 29 anos de idade; 36% estavam na faixa etária de 30 a 49 anos e 10%, na de 50 anos ou mais.

Presença de milícias A CPI da Alerj que investigou a ação das milícias, concluída em novembro de 2008, identificou no Município do Rio de Janeiro 128 áreas dominadas por esses grupos criminosos, em 48 bairros. De acordo com a CPI, os bairros da cidade com maiores números de locais nessa condição ficam na Zona Oeste: Campo Grande (16 áreas), Santa Cruz (15) e Realengo (10). Embora com quantidades menores, três outros bairros da região também figuram na lista: Bangu (3 áreas dominadas), Inhoaíba (2) e Sepetiba (1). (Cf. Alerj, 2008).

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Em levantamento feito junto ao Disque-Denúncia, referente ao período de janeiro de 2006 a abril de 2008, foi identificado um total de 2.219 denúncias contra milicianos na cidade do Rio, sendo mais de ¼ (28%) delas provenientes de bairros da Zona Oeste: Campo Grande (campeão municipal de denúncias, com 258), Santa Cruz (169), Realengo (113), Paciência (107), Sepetiba (63), Inhoaíba (57) e Cosmos (45). Tais denúncias referiam-se, majoritariamente, a extorsões, desvio de conduta (presume-se que de policiais), posse ilícita de armas de fogo, homicídio consumado, ameaças, tráfico de drogas, e rádio, tevê ou telefonia clandestina (Cf. Cano, 2008). Nas entrevistas com lideranças da Zona Oeste ficou claro que, embora as milícias possam ter sido de início percebidas como fator positivo para a segurança, ou como “mal menor”, face à ausência do poder público nas áreas carentes, hoje prevalece o entendimento de que se trata de grupos criminosos, cujo principal objetivo não é a “autodefesa comunitária”, mas o lucro, por meio da exploração ilegal do comércio e dos serviços destinados às camadas populares. Também há a percepção de que tais grupos possuem projeto político, empenhando-se na criação e manutenção de “currais” eleitorais, e na eleição de chefes ou aliados para cargos legislativos do estado e do município. Em suma, tudo indica que as milícias não são mais pensadas como possível solução, mas sim como obstáculo – e dos mais sérios – à melhoria da segurança pública e ao desenvolvimento sócio-econômico da Zona Oeste.

2. Detalhamento dos indicadores de criminalidade e violência 2.1 – Violência letal Entre 2000 e 2008, cerca de 7.600 pessoas morreram assassinadas anualmente, em média, no estado do Rio de Janeiro (tabela 1) – se considerarmos como assassinatos (ou mortes violentas intencionais) a soma de homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte, latrocínios (roubos seguidos de morte) e autos de resistência (civis mortos em confronto com a polícia). No município, a média foi de mais de 3.200 vítimas por ano e na Zona Oeste, 3 de 962.

Como já dito, a Zona Oeste, grafada em itálicos, abrange somente as regiões administrativas e delegacias policiais de Realengo, Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, de acordo com a definição adotada para o diagnóstico geral e os estudos setoriais do “Projeto Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno”.

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Tabela 1 - Mortes violentas intencionais registradas nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ – 2000 a 2008
Homicídios dolosos 33ª DP – Realengo 34ª DP – Bangu 35ª DP - Campo Grande 36ª DP - Santa Cruz Zona Oeste MRJ ERJ 1.094 1.939 2.548 1.958 7.539 22.395 57.190 Lesões seguidas de morte 5 23 23 11 62 274 525 Latrocínios 33 47 59 21 160 908 1.847 Autos de resistência 128 409 131 227 895 5.718 8.725 Mortes violentas intencionais 1.260 2.418 2.761 2.217 8.656 29.295 68.287 % MRJ % ERJ

4,3 1,8 8,3 3,5 9,4 4,0 7,6 3,2 29,5 12,7 100,0 42,9 - 100,0

Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

Junto com a parte da Zona Norte que vai do Complexo do Alemão à Pavuna, a Zona Oeste tem figurado sistematicamente como área de maior ocorrência de homicídios dolosos na cidade, conforme se visualiza no mapa abaixo, referente aos últimos cinco anos.4

Figura 1 - Homicídios dolosos por circunscrições de delegacias policiais Município do Rio de Janeiro – 2004 a 2008 (números absolutos)

Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ

Na Zona Oeste, as taxas por cem mil habitantes, tanto de homicídios dolosos quanto do total de mortes violentas intencionais, são significativamente superiores à estadual e à municipal, como mostra a tabela 2, referente ao ano de 2008. Note-se, em particular, o caso da DP de Santa Cruz, cuja taxa de homicídio naquele ano foi quase 80% maior que a registrada na média do município.

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No Relatório de Desenvolvimento Humano Local do Município do Rio de Janeiro, publicado em 2001 com dados até 1999, a Zona Oeste (lato sensu) já aparecia como a região da cidade com maiores taxas de homicídio por cem mil habitantes (cf. Musumeci, 2001).

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Tabela 2 - Taxas de homicídios dolosos e de mortes violentas intencionais registradas nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ, por 100 mil habitantes – 2008
Homicídios dolosos 48,7 35,5 38,9 62,2 44,5 34,8 36,0 Mortes violentas intencionais 67,8 44,3 41,2 70,7 52,5 48,4 44,9

33ª DP – Realengo 34ª DP – Bangu 35ª DP - Campo Grande 36ª DP - Santa Cruz Zona Oeste MRJ ERJ

Fontes: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil; IPP e IBGE (estimativas populacionais para 2008) Elaboração: IE/UFRJ.

Tal como no ERJ e no MRJ, houve uma tendência de queda das mortes violentas intencionais nas circunscrições da Zona Oeste desde 2006, exceção feita à área de Realengo, onde o número de vítimas cresceu nesse período. Campo Grande e Bangu chegaram a apresentar evolução bem mais favorável que a média estadual e municipal até o fim de 2008 (gráfico 1 e tabela 3), mas é possível que esse diferencial esteja sendo revertido em 2009 com o acirramento das disputas entre facções do tráfico e de milícias na região. 5 Gráfico 1 - Evolução das mortes violentas intencionais* registradas nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ 2000 a 2008 – Número-índice: 2000=100
140 120 100 80 60 40 20 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008

33ª DP - Realengo 36ª DP - Santa Cruz

34ª DP - Bangu MRJ

35ª DP - Campo Grande ERJ

(*) Homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e auto de resistência Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil Elaboração: IE/UFRJ

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Segundo noticiou o jornal O Globo (1/5/2009), os homicídios dolosos na 39ª Área Integrada de Segurança Pública, que inclui as delegacias de Campo Grande e Guaratiba, cresceram 22% no primeiro trimestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008. A afirmativa se baseia em dados do ISP ainda não divulgados no Diário Oficial.

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Tabela 3 - Evolução das mortes violentas intencionais registradas nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ – 2000 a 2008 (números absolutos)
33ª DP – Realengo 34ª DP – Bangu 35ª DP - Campo Grande 36ª DP - Santa Cruz Zona Oeste MRJ ERJ 2000 126 371 346 224 1.067 3.147 6.993 2001 126 262 344 216 948 2.984 7.083 2002 124 280 349 247 1000 3.465 8.043 2003 125 238 324 251 938 3.495 8.054 2004 143 276 302 274 995 3.456 7.645 2005 145 255 274 224 898 3.231 7.987 2006 148 293 296 265 1002 3.286 7.649 2007 163 247 291 266 967 3.354 7.699 2008 160 196 235 250 841 2.877 7.134

Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

De janeiro de 2004 a julho de 2008 – período para o qual o Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro disponibilizou microdados criminais sobre a Zona Oeste – 92% das vítimas de homicídios dolosos ocorridos na região eram do sexo masculino e quase 80% tinham de 15 a 39 anos de idade (ver gráfico 5, adiante). Tal como em outras áreas, aqui também, portanto, a vitimização letal atinge sobretudo homens jovens. Sabe-se, além disso, que as vítimas de homicídio no Brasil são majoritariamente pobres, negras e de baixa escolaridade, 6 e é muito provável que esse perfil também predomine na Zona Oeste. Todavia, não há como confirmá-lo estatisticamente com as informações do banco de dados do ISP, em função das lacunas nos campos relativos a raça/cor, escolaridade e profissão. 7 Tampouco se pode esboçar o perfil dos autores de homicídios, devido à baixíssima taxa de esclarecimento dos crimes pela polícia e à consequente ausência de dados sobre autoria na maior parte dos casos. Examinando a distribuição espacial dos homicídios dolosos no interior da Zona Oeste, no mesmo período, verifica-se uma significativa concentração desse tipo de crime nos quatro bairros principais da região, responsáveis por 68% do total de vítimas naquele período (tabela 4). Embora com participações individuais bem menores, os bairros de Paciência, Padre Miguel, Santíssimo e Senador Camará responderam, juntos, por outra parcela expressiva (16,4%). No total, portanto, oito dos 17 bairros da Zona Oeste concentraram quase 85% dos homicídios dolosos registrados pela polícia nessa região durante o período considerado.

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Cf., por exemplo, Cano e Santos (2001); Pnud (2005).

Análises mais detalhadas do perfil das vítimas de homicídios são feitas geralmente a partir das informações do Datasus; no caso dos bairros da região aqui em foco, seriam necessários microdados da Secretaria Municipal de Saúde.

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Tabela 4 - Homicídios dolosos registrados na Zona Oeste, por bairros Janeiro de 2004 a julho de 2008
Bairro Campo Grande Santa Cruz Bangu Realengo Paciência Padre Miguel Santíssimo Senador Camará Sepetiba Inhoaíba Magalhães Bastos Cosmos Jardim Sulacap Deodoro Senador Vasconcelos Vila Militar Não informado Zona Oeste Nº 820 651 558 417 208 137 123 122 90 72 63 69 56 41 28 1 131 3.587 % 22,9 18,1 15,6 11,5 5,8 3,8 3,4 3,4 2,5 2,0 2,0 1,9 1,6 1,0 0,8 0,0 3,7 100,0

Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

Quando se focaliza a distribuição por ruas ou logradouros, observa-se também uma concentração bastante elevada: de janeiro de 2004 a julho de 2008, 1/3 dos homicídios dolosos foi registrado em 48 ruas, as quais representavam apenas 5,3% do total de 885 logradouros da região com pelo menos um registro de homicídio naquele período; metade dos homicídios dolosos foi registrada em 113 ruas (13% do total) e 3/4 deles, em 328 ruas (37,3% do total). A tabela 5 mostra as 15 vias da Zona Oeste onde ocorreram mais homicídios, lideradas pela Avenida Brasil e pela Avenida Cesário de Melo.

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Tabela 5 - Os 15 logradouros da Zona Oeste com mais homicídios dolosos
Janeiro de 2004 a julho de 2008
Logradouro Avenida Brasil Avenida Cesário de Melo Estrada do Furado Estrada Urucânia Avenida de Santa Cruz Avenida Manuel Caldeira de Alvarenga Estrada do Viegas Estrada Sete Riachos Rua do Prado Avenida Carlos Pontes Estrada Emílio Maurell Filho Rua Coronel Tamarindo Estrada da Paciência Estrada Aterrado do Leme Estrada do Campinho Total dos 15 logradouros Total com informação de logradouro Sem informação Total Nº 83 76 46 31 30 30 29 26 23 22 21 21 20 17 16 491 2.694 893 3.587 % 3,0 2,8 1,7 1,1 1,1 1,1 1,1 1,0 0,8 0,8 0,8 0,8 0,7 0,6 0,6 18,0 100,0 -

Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

No período focalizado, o maior número de homicídios dolosos ocorreu aos sábados, mas a incidência também foi alta nos outros dias da semana (gráfico 2). Considerando que esse período teve 239 semanas, chega-se a uma média diária de quase três casos nos sábados e em torno de dois casos nos outros dias. Gráfico 2 - Homicídios dolosos registrados na Zona Oeste, por dias da semana Janeiro de 2004 a julho de 2008 (números absolutos)
800 651 600 445 400 200 0 Segundafeira Terçafeira Quartafeira Quintafeira Sextafeira Sábado Domingo 461 436 527 560 551

Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

No mesmo período, os homicídios ocorreram com mais frequência em dois momentos do dia: entre 7 e 11 horas da manhã, e entre 19 horas e meia-noite. Mesmo nos horários “menos violentos”, porém, registraram-se números consideráveis de casos, como mostra o gráfico 3.

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Gráfico 3 - Homicídios dolosos registrados na Zona Oeste, por horários Janeiro de 2004 a julho de 2008 (números absolutos)
300 250 Nº de vítimas 200 150 100 50 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas

Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

Outra característica alarmante da violência na Zona Oeste são os elevadíssimos indicadores de letalidade da ação policial, mesmo se comparados aos índices notoriamente altos do conjunto do município e do estado (tabela 6). Além de contabilizar 704 mortes de civis em confronto com a polícia entre 2003 e 2008 – uma média de 88 por ano ou mais de 7 por mês – a Zona Oeste registra uma razão de 50 civis mortos para cada policial morto em serviço, o dobro da verificada no município e 63% a mais que no estado como um todo durante o mesmo período. 8 Evidentemente, não se pode menosprezar o fato de que o número de policiais assassinados no Rio de Janeiro também é altíssimo, mas a grande maioria, como se sabe, é vitimada nos períodos de folga. 9 As proporções entre autos de resistência e policiais mortos em serviço questionam, assim, a imagem de “confronto” ou de “guerra” propalada pela retórica oficial, pois, em situação efetiva de guerra, dever-se-ia esperar uma proporção menos desequilibrada de baixas de ambas as partes. O que os indicadores da Zona Oeste parecem refletir, na verdade, é o extremo de um descontrolado excesso de uso de força letal pela polícia do Rio de Janeiro, favorecido pelas políticas de segurança em vigor nos últimos anos, e que se exerce preferencialmente nas favelas e áreas periféricas da região metropolitana. 10

8 9

O número de policiais e civis mortos em serviço só passou a ser divulgado no Diário Oficial em 2003.

Segundo dados do ISP, dos 1.034 policiais militares mortos entre 2000 e 2006, 79% faleceram no período de folga e, dos 116 policiais civis mortos entre 1998 e 2004, 73% morreram na folga (cf. http://www.ucamcesec.com.br/est_seg_evol.php). Para anos mais recentes, o ISP só tem divulgado no Diário Oficial informações sobre mortes em serviço.
10

Ver, a esse respeito, os trabalhos de Ignacio Cano (1997; 2004)

16

Tabela 6 - Indicadores de letalidade da ação policial nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ – 2003 a 2008
Civis mortos pela polícia 34ª DP – Bangu 35ª DP - Campo Grande 33ª DP – Realengo 36ª DP - Santa Cruz Zona Oeste MRJ ERJ 316 96 104 188 704 4.444 6.806 Policiais mortos em serviço
Militares Civis Total

3 4 1 1 9 153 189

4 0 1 0 5 24 31

7 4 2 1 14 177 220

Relação civis/ policiais mortos 45 24 52 188 50 25 31

Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

2.2 – Pessoas desaparecidas Ao lado do alto número de mortes violentas intencionais, registraram-se entre 2003 e 2008, na Zona Oeste, 2.880 casos de pessoas desaparecidas, cerca de 1/4 do total verificado no MRJ durante o mesmo período (tabela 7). 11

Tabela 7 - Desaparecimentos registrados nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ – 2003 a 2008
Nº de pessoas desaparecidas 419 605 1.030 826 2.880 11.365 28.046 % MRJ % ERJ 3,7 5,3 9,1 7,3 25,3 100,0 1,5 2,2 3,7 2,9 10,3 40,5 100,0

33ª DP – Realengo 34ª DP – Bangu 35ª DP - Campo Grande 36ª DP - Santa Cruz Zona Oeste MRJ ERJ

Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

A evolução desse tipo de registro na região em foco, no município e no estado como um todo, mostra, de modo geral, um crescimento a partir de 2006, após alguns anos de estabilização ou queda, e, nas delegacias da Zona Oeste, uma subida especialmente acentuada entre 2007 e 2008 (gráfico 4).

11

A informação só passou a ser divulgada no Diário Oficial em 2003.

17

Gráfico 4 - Evolução do número de desaparecimentos registrados nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ 2003 a 2008 – Número-índice: 2003=100
160 140 120 100 80 60 40 20 0 2003 2004 2005 34ª DP - Bangu MRJ 2006 2007 2008

33ª DP - Realengo 36ª DP - Santa Cruz

35ª DP - Campo Grande ERJ

Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ

Nos últimos 5 anos, as DPs de Campo Grande e Santa Cruz foram as que notificaram maiores números de desaparecimentos em toda a cidade (figura 2): acima de 600 casos, mais de 120, em média, por ano, ou mais de 10, em média, por mês. Vale lembrar que esses dados abrangem somente os desaparecimentos comunicados à polícia, provavelmente uma parcela, apenas, do total de casos que ocorrem no dia-a-dia.

Figura 2 - Pessoas desaparecidas, por circunscrições de delegacias policiais Município do Rio de Janeiro 2004 a 2008 (números absolutos)

Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

Embora não se conheça a proporção exata, infere-se que uma parte expressiva desses desaparecimentos corresponde a “assassinatos sem corpo”, isto é, a execuções praticadas por traficantes, milicianos ou policiais, em que os corpos das vítimas são enterrados em cemitérios clandestinos ou destruídos para eliminar evidências. A grande quantidade de

18

registros de pessoas desaparecidas nas delegacias da Zona Oeste, em especial nas de Campo Grande e Santa Cruz, poderia estar relacionada, assim, às mesmas dinâmicas geradoras dos altos números de homicídios, como as disputas pelo “poder paralelo” na região, seja entre tráfico e milícias, seja entre fações de cada um desses grupos. Hipótese que é reforçada pela significativa convergência entre as distribuições de homicídios dolosos (tabela 4, acima) e de desaparecidos (tabela 8 a seguir) nos bairros mais violentos da Zona Oeste. Tabela 8 - Desaparecimentos registrados na Zona Oeste, por bairros Janeiro de 2004 a julho de 2008
Bairro Campo Grande Santa Cruz Bangu Realengo Paciência Senador Camará Sepetiba Cosmos Padre Miguel Nº 428 333 221 213 126 88 85 63 57 % 22,2 17,3 11,5 11,0 6,5 4,6 4,4 3,3 3,0 Bairro Santíssimo Inhoaíba Senador Vasconcelos Magalhães Bastos Deodoro Jardim Sulacap Vila Militar Campo dos Afonsos Não identificado Total Nº % 53 2,7 50 2,6 25 1,3 20 1,0 18 0,9 10 0,5 2 0,1 1 0,1 136 7,1 1.929 100,0

Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

Por outro lado, há algumas divergências entre os perfis das pessoas desaparecidas e das vítimas de homicídios que sugerem a necessidade de explicações adicionais para o número elevado e crescente do primeiro tipo de registro. Como se pode observar no gráfico 5, os perfis de gênero e etários diferem: apesar de também predominarem pessoas do sexo masculino e com idades de 15 a 39 anos, é bem maior entre os desaparecidos do que entre as vítimas de homicídio a participação de mulheres, assim como de crianças e adolescentes até 14 anos, e de adultos com idades iguais ou superiores a 40 anos. Conclusões mais consistentes sobre esse tema ainda dependem, portanto, dos resultados de pesquisas que vêm sendo desenvolvidas para tentar entender o crescimento do número desaparecidos não só na Zona Oeste mas também em outras partes do município e do estado ao longo das últimas duas décadas.

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Gráfico 5 - Perfil de gênero e etário das vítimas de homicídio doloso e das pessoas desaparecidas na Zona Oeste Janeiro de 2004 a julho de 2008
100% 80% 63,7 60% 40% 20% 0% 7,5 Homicídios dolosos Pessoas desaparecidas 36,3 92,5 Masculino Feminino

100%
19,2

80%
23,1

24,9 13,5 8,6 16,9 16,0 1,0 20,0

40 anos ou mais 30 a 39 anos 25 a 29 anos 18 a 24 anos 15 a 17 anos 0 a 14 anos

60% 40% 20% 0%
21,1 30,2 5,4

Homicídios dolosos

Pessoas desaparecidas

Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

2.3 – Crimes contra o patrimônio Esta seção focaliza essencialmente os roubos, com detalhamento específico dos roubos de veículos e a transeunte, por constituírem duas modalidades muito numerosas de crimes contra o patrimônio, que têm forte impacto no sentimento de segurança da população e que foram as mais citadas nas entrevistas com lideranças da Zona Oeste. Complementarmente, analisa também as ocorrências de furtos de veículos, que vêm aumentando expressivamente na região, em contraste com a tendência geral do MRJ e do ERJ. É sempre fundamental lembrar que os dados aqui utilizados abrangem apenas as ocorrências notificadas à polícia e que, excetuando-se roubos e furtos de veículos, as estatísticas policiais costumam representar uma pequena parcela do total de ocorrências. Como mostram pesquisas de vitimização já feitas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, as taxas de notificação para roubos e furtos de veículos podem chegar a mais de 90%, enquanto para outros tipos de roubos variam de 24 a pouco mais de 40%. No primeiro caso, as taxas elevadas se devem à obrigatoriedade do registro para recebimento de seguro e ao risco de responsabilização do proprietário se o veículo for utilizado em outros crimes. 12 Nos demais casos, sobretudo quando não envolvem seguro, a proporção de casos notificados depende não só da gravidade do crime como da confiança que a população deposita na polícia e das expectativas sobre a qualidade do atendimento nas delegacias. Segundo o que se ouviu em entrevistas com lideranças locais, não há motivo para supor que as expectativas em relação à polícia sejam mais positivas na Zona Oeste do que no restante do município; é possível, ao contrário, que as taxas gerais de comunicação de delitos contra o patrimônio, e até de crimes contra a pessoa, sejam mais baixas aí do que em outras partes da cidade, devido ao clima de desconfiança e de medo instaurado na região.

Levantamento realizado na cidade do Rio de Janeiro em 2002 estimou que somente 24% do total de roubos e 12% dos furtos eram notificados à polícia; no caso específico dos roubos e furtos de veículos, porém, a taxa de notificação chegaria a 99% (Ilanud, 2002). Pesquisa mais recente, feita pelo ISP em 2006-2007, abrangendo toda a Região Metropolitana, calculou em 78% e 91% as taxas de notificação, respectivamente, de roubos e furtos de veículos, ao passo que as de outras modalidades de crimes contra o patrimônio, mesmo envolvendo violência, seriam bem mais baixas: por exemplo, 32,6% no caso de roubo a residência e 41,4% em outros tipos de roubos (ISP, 2008).

12

20

2.3.1 – Roubos Ainda assim, embora não figurem entre as delegacias cariocas com maiores volumes absolutos de registros nos últimos cinco anos (figura 3), três das quatro DPs da Zona Oeste apresentaram números elevados de roubos, especialmente de roubos de veículos e a transeunte no período de 2000 a 2008 (tabela 9). Tabela 9 - Roubos registrados nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ, por tipos 2000 a 2008
33ª DP Realengo Roubo de veículo* Roubo a transeunte Roubo de aparelho celular Roubo em coletivo Roubo a estabelecimento comercial Roubo de carga Roubo a residência Roubo com condução da vítima para saque em i.f. Roubo a banco (roubo a instituição financeira) Outros roubos Total de roubos 7.391 5.484 1.542 1.006 780 393 137 50 11 4.047 20.841 34ª DP Bangu 10.416 9.180 1.864 1.125 918 543 220 29 8 5.023 29.326 35ª DP Campo Grande 8.056 8.669 2.331 1.585 1.448 543 464 54 10 5.807 28.967 36ª DP Santa Cruz 2.371 3.117 853 952 536 283 237 18 4 2.555 10.926 Zona Oeste MRJ Zona Oeste/ MRJ (%) 284.921 14,2 ERJ 302.858 86.449 60.778 52.009 22.817 14.805 1.964 686 217.106 13,6 10,8 13,5 13,0 13,6 18,2 11,7 7,0 11,4 13,1

28.234 199.226 26.450 194.073 6.590 4.668 3.682 1.762 1.058 151 33 60.859 34.503 28.261 12.994 5.817 1.288 471

17.432 152.311

90.060 689.803 1.044.393

(*) Incluindo moto. Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ

Figura 3 - Total de roubos registrados, por circunscrições de delegacias policiais Município do Rio de Janeiro 2004 a 2008 (números absolutos)

Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ

No município e no estado, o total de assaltos registrados aumentou expressivamente desde 2000 e as DPs da Zona Oeste acompanharam essa tendência geral, com destaque para a circunscrição de Bangu, cuja curva de crescimento se situa bem acima da média a partir de 2006 (gráfico 6).

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Gráfico 6 - Evolução do total de roubos registrados nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ 2000 a 2008 – Número-índice: 2000=100
250 200 150 100 50 0 2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

33ª DP - Realengo 36ª DP - Santa Cruz

34ª DP - Bangu MRJ

35ª DP - Campo Grande ERJ

Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ

2.3.1.1 – Roubo de veículo Dentro desse cenário de aumento quase contínuo dos registros de assaltos, os roubos de veículo no estado e no município têm apresentado uma trajetória relativamente favorável: estabilização entre 2002 e 2006, seguida de decréscimo em 2007 e 2008. Grosso modo, a Zona Oeste também acompanhou a tendência geral, porém com oscilações muito mais bruscas, sobretudo nas DPs de Bangu e de Santa Cruz (gráfico 7). Gráfico 7 - Evolução dos roubos de veículos* registrados nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ 2000 a 2008 – Número-índice: 2000=100
250 200 150 100 50 0 2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

33ª DP - Realengo 36ª DP - Santa Cruz

34ª DP - Bangu MRJ

35ª DP - Campo Gran ERJ

(*) Incluindo motos Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ

Durante o período de 55 meses, ou 1.674 dias, abrangido pelos microdados do ISP (1º de janeiro de 2004 a 31 de julho de 2008), houve uma média de 278 roubos de veículos por mês,

22

ou nove por dia, na região. A distribuição por bairros (tabela 10) mostra Bangu, Realengo e Campo Grande no topo do ranking, concentrando quase 68% do total de registros, seguidos por Padre Miguel, Santa Cruz e Senador Camará. Tal como no caso dos homicídios dolosos, 90% desses assaltos ocorreram em oito bairros, que são os mesmos nas duas listas, salvo pela presença de Deodoro entre os oito com maior número de roubos de veículo e de Paciência entre aqueles com mais homicídios (ver tabela 4, acima). Tabela 10 - Roubos de veículos* registrados na Zona Oeste, por bairros Janeiro de 2004 a julho de 2008*
Bairro Bangu Realengo Campo Grande Padre Miguel Santa Cruz Senador Camará Deodoro Santíssimo Jardim Sulacap Nº 4.030 3.142 3.080 1.109 819 631 485 436 384 % 26,6 20,7 20,3 7,3 5,4 4,2 3,2 2,9 2,5 Bairro Magalhães Bastos Paciência Senador Vasconcelos Sepetiba Inhoaíba Cosmos Vila Militar Não informado Total Nº % 268 1,8 225 1,5 99 0,7 76 0,5 70 0,5 63 0,4 40 0,3 195 1,3 15.152 100,0

(*) Incluindo moto. Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

Ao todo, 1.383 logradouros da Zona Oeste foram palco de pelo menos um roubo de veículo no período considerado, o que aponta para um padrão bastante disperso de ocorrência do crime. Por outro lado, mais de um terço dos roubos foi registrado em apenas 15 ruas (1,1% do total), metade foi registrada em 41 ruas (3,0%) e três quartos, em 172 ruas (12,4% do total) – evidenciando uma concentração significativamente maior do que no caso dos homicídios dolosos. Mais uma vez, a Avenida Brasil e outras grandes vias de tráfego da região aparecem no alto do ranking, como se vê na tabela 11, que mostra os 15 logradouros com mais incidência de roubos de veículos.

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Tabela 11 - Os 15 logradouros da Zona Oeste com mais registros de roubo de veículo* Janeiro de 2004 a julho de 2008*
Avenida Brasil Avenida de Santa Cruz Estrada da Água Branca Avenida Cesário de Melo Estrada do Engenho Estrada Rio São Paulo Estrada da Posse Rua Marechal Marciano Estrada do Mendanha Avenida Marechal Fontineli Rua Barão de Capanema Avenida Ministro Ari Franco Rua Santa Cruz Estrada do Realengo Rua Bernardo de Vasconcelos Total dos 15 logradouros Total com informação de logradouro Sem informação Total Nº 789 717 382 327 236 224 221 216 205 191 188 172 159 158 153 4.338 13.121 2.031 15.152 % 6,0 5,5 2,9 2,5 1,8 1,7 1,7 1,6 1,6 1,5 1,4 1,3 1,2 1,2 1,2 33,1 100,0 -

(*) Incluindo motos. Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

Esse tipo de delito cresce ao longo da semana, atinge o ápice na sexta-feira e decresce nos finais de semana (gráfico 8). Note-se, porém, que, mesmo aos sábados e domingos, quando se reduz o volume de tráfego nas grandes vias, a quantidade de casos continua muito elevada. Considerando as 239 semanas abrangidas pelos microdados do ISP, chega-se a uma média diária em torno de 10 casos de quinta a sábado, e de oito a nove casos, aproximadamente, nos outros dias da semana. Gráfico 8 - Roubos de veículos* registrados na Zona Oeste, por dias da semana Janeiro de 2004 a julho de 2008* (números absolutos)
3.000 2.498 2.500 1.988 2.000 1.500 1.000 500 0 Segundafeira Terçafeira Quartafeira Quintafeira Sexta-feira Sábado Domingo 2.187 2.250 2.270 2.285 1.839

(*) Incluindo motos. Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

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Cerca de 56% dos roubos de veículo se concentram no período de 19 às 24 horas. A incidência é mais baixa na madrugada, aumenta a partir das 5 horas e mantém-se relativamente constante entre 7 e 16 horas. Daí para frente, cresce muito, até alcançar o pico no intervalo 20-21 horas (gráfico 9). Gráfico 9 - Roubos de veículos* registrados na Zona Oeste, por horários Janeiro de 2004 a julho de 2008* (números absolutos)
2.500 Número de ocorrências 2.000 1.500 1.000 500 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas

(*) Incluindo motos Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

A noite é, portanto, o período em que se está mais sujeito(a) a esse tipo de assalto, embora também seja elevada a incidência no horário diurno. Tomando como referência os 1.674 dias abrangidos pelos microdados do ISP, pode-se dizer que, todos os dias, entre as 19 e as 24 horas, ocorrem em média cinco roubos de veículos na Zona Oeste; mais dois entre uma hora da manhã e meio-dia, e outros dois entre as 13 e as 18 hs. 2.3.1.2 – Roubo a transeunte Bem menos notificados, em geral, que os roubos de veículos e talvez menos notificados na Zona Oeste que em outras partes da cidade, ainda assim os registros de roubo a transeunte são muito numerosos na região, em especial nas circunscrições de Campo Grande e Bangu (figura 4).

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Figura 4 - Roubos a transeunte registrados, por circunscrições de delegacias policiais Município do Rio de Janeiro 2004 a 2008 (números absolutos)

Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ

Houve um fortíssimo aumento dessa modalidade de ocorrências no município a partir de 2004 – trajetória que três das quatro delegacias da Zona Oeste acompanharam de perto e que a de Bangu superou amplamente, como se pode visualizar no gráfico 10. Gráfico 10 - Evolução dos roubos a transeunte registrados nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ 2000 a 2008 – Número-índice: 2000=100
600 500 400 300 200 100 0 2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

33ª DP - Realengo 36ª DP - Santa Cruz

34ª DP - Bangu MRJ

35ª DP - Campo Grande ERJ

Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ

Os quatro bairros principais e mais populosos da região foram os que registraram maiores números de assaltos a transeunte no período abrangido pelos microdados do ISP, seguidos de Padre Miguel, Senador Camará, Jardim Sulacap e Magalhães Bastos (tabela 12). No total, esses oito bairros responderam por mais de 90% dos casos registrados ao longo do referido período.

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Tabela 12 - Roubos a transeunte registrados na Zona Oeste, por bairros Janeiro de 2004 a julho de 2008
Bairro Campo Grande Bangu Realengo Santa Cruz Padre Miguel Senador Camará Jardim Sulacap Magalhães Bastos Paciência Nº 4.966 4.863 2.701 1.697 831 552 469 270 263 % 27,6 27,1 15,0 9,4 4,6 3,1 2,6 1,5 1,5 Bairro Santíssimo Senador Vasconcelos Deodoro Sepetiba Inhoaíba Cosmos Vila Militar Campo dos Afonsos Não informado Total Nº % 252 1,4 227 1,3 189 1,1 99 0,6 95 0,5 93 0,5 29 0,2 1 0,0 378 2,1 17.975 100,0

Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

O padrão de distribuição desse crime (ou, pelo menos, da parcela que chega ao conhecimento da políca) nas ruas da Zona Oeste é ainda mais concentrado que o de roubo de veículos: embora se tenha registrado pelo menos um roubo a transeunte em 1.245 ruas da região, mais de um terço dos registros se refere a 12 ruas (1% do total), metade, a 32 ruas (2,6%) e três quartos, a 117 ruas (9,4% do total). Novamente, as grandes vias encabeçam o ranking, mas desta vez com a Avenida de Santa Cruz em primeiro lugar, seguida das Avenidas Brasil e Cesário de Melo (tabela 13). Tabela 13 - Os 15 logradouros da Zona Oeste com mais registros de roubo a transeunte Janeiro de 2004 a julho de 2008
Avenida de Santa Cruz Avenida Brasil Avenida Cesário de Melo Rua Campo Grande Rua Felipe Cardoso Rua Coronel Tamarindo Avenida Cônego Vasconcelos Avenida Marechal Fontineli Avenida Ministro Ari Franco Estrada do Mendanha Estrada da Água Branca Rua Coronel Agostinho Estrada do Campinho Rua Bernardo de Vasconcelos Rua Francisco Real Total dos 15 logradouros Total com informação de logradouro Sem informação Total Nº 940 555 551 501 478 364 335 295 293 264 255 208 200 200 178 5.617 15.107 2.868 17.975 % 6,2 3,7 3,6 3,3 3,2 2,4 2,2 2,0 1,9 1,7 1,7 1,4 1,3 1,3 1,2 37,2 100,0 -

Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

Segunda-feira foi o dia da semana com maior número de registros de roubos a transeunte no período considerado e domingo, o dia de menor número (gráfico 11). Dentro das 239 semanas

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abrangidas pelos microdados do ISP, a média diária girou em torno de 13 ocorrências às segundas-feiras, em torno de 9 aos sábados e domingos, e em torno de 11 nos outros dias da semana. Gráfico 11 - Roubos a transeunte registrados na Zona Oeste, por dias da semana Janeiro de 2004 a julho de 2008 (números absolutos)
4.000 3.024 3.000 2.000 1.000 0 Segundafeira Terçafeira Quartafeira Quintafeira Sextafeira Sábado Domingo 2.671 2.677 2.713 2.751 2.212 2.075

Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

Tal como a de roubos de veículos, porém numa proporção menor (cerca de 43%), a frequência mais alta de assaltos a transeunte ocorre no período de 19 às 24 horas, com pico no intervalo 20-21 horas. Gráfico 12 -Roubos a transeunte registrados na Zona Oeste, por horários Janeiro de 2004 a julho de 2008 (números absolutos)
2.000 Número de ocorrências 1.600 1.200 800 400 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas
Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

2.3.2 – Furto de veículos Como já foi dito e como mostra o gráfico 13, a evolução dos furtos de veículos na Zona Oeste é ascendente entre 2000 e 2008, em particular de 2004 em diante, contrariando a tendência de estabilização com ligeira baixa verificada no conjunto do município.

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Gráfico 13 - Evolução dos furtos de veículos* registrados nas delegacias da Zona Oeste, no MRJ e no ERJ 2000 a 2008 – Número-índice: 2000=100
250 200 150 100 50 0 2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

33ª DP - Realengo 36ª DP - Santa Cruz

34ª DP - Bangu MRJ

35ª DP - Campo Grande ERJ

(*) Incluindo motos Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ

Vale observar que nas circunscrições de Realengo e Bangu, a relação roubos/furtos de veículos é mais alta que as médias do estado e do município, enquanto em Campo Grande e Santa Cruz essa relação fica abaixo da média (tabela 14). Trata-se de um indicador do “grau” de violência empregado para a subtração criminosa de veículos: quanto mais elevado num local, mais a subtração violenta prevalece sobre a não-violenta, ou seja, mais os veículos são obtidos mediante coação das vítimas, quase invariavelmente exercida com armas de fogo. 13 No trecho da Avenida Brasil que atravessa a Zona Oeste, por exemplo, ocorrem cerca de 12 roubos de veículos para cada furto, enquanto na Avenida Cesário de Melo, a relação é de 3 para 1, de acordo com os microdados do ISP para o período de 2004 a julho de 2008. Tabela 14 - Relação roubos/furtos de veículos* na Zona Oeste 2000 a 2008
Roubos/ furtos de veículos 2,2 2,5 1,2 1,4 1,8 1,9 1,6

33ª DP - Realengo 34ª DP – Bangu 35ª DP - Campo Grande 36ª DP - Santa Cruz Zona Oeste MRJ ERJ

(*) Incluindo motos Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ

Análise dos relatos sobre roubos de veículos feitos ao Disque-Denúncia indica ser bastante rara a prática desse crime com armas brancas ou com outros meios de coação que não armas de fogo (cf. Musumeci e Conceição, 2007).

13

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Nos últimos cinco anos, a delegacia de Campo Grande foi a única da região a figurar entre as de maior incidência de furto de veículo no município (figura 5). Figura 5 - Furtos de veículos* registrados, por circunscrições de delegacias policiais Município do Rio de Janeiro 2004 a 2008 (números absolutos)

(*) Incluindo motos Fonte: ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ

Oito bairros concentraram 93% dos furtos registrados na Zona Oeste entre janeiro de 2004 e julho de 2008, liderados, mais uma vez, pelos quatro mais populosos, sendo que Campo Grande, sozinho, respondeu por mais de 1/3 dos registros feitos nas delegacias da região (tabela 15). Tabela 15 - Furtos de veículo registrados na Zona Oeste, por bairros
Janeiro de 2004 a julho de 2008
Bairro Campo Grande Realengo Bangu Santa Cruz Padre Miguel Jardim Sulacap Sepetiba Senador Vasconcelos Magalhães Bastos Senador Camará Paciência Santíssimo Cosmos Vila Militar Deodoro Inhoaíba Campo dos Afonsos Não identificado Total Nº 3.025 1.493 1.360 787 633 186 158 121 99 98 80 80 72 69 63 36 0 185 8.545 % 35,4 17,5 15,9 9,2 7,4 2,2 1,8 1,4 1,2 1,1 0,9 0,9 0,8 0,8 0,7 0,4 0,0 2,2 100,0

Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

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No total, 1.132 ruas tiveram pelo menos um registro de furto de veículo no período considerado, sendo que 1/3 dos casos ocorreu em 22 logradouros (1,9%), metade em 52 (4,6) e 3/4 em 189 ruas (16,7%). Tabela 16 - Os 15 logradouros da Zona Oeste com mais registros de furto de veículo* Janeiro de 2004 a julho de 2008*
Logradouro Rua Oliveira Braga Avenida de Santa Cruz Avenida Cesário de Melo Rua Campo Grande Rua Ibitiuva Rua Santa Cecília Avenida Cônego Vasconcelos Estrada do Mendanha Rua Artur Rios Rua Olinda Ellis Rua Santa Cruz Estrada do Campinho Estrada do Realengo Avenida Brasil Rua Nilópolis Total dos 15 logradouros Total com informação de logradouro Sem informação Total Nº 421 198 159 151 136 99 95 94 92 80 76 74 71 70 68 1.884 7.014 1.531 8.545 % 6,0 2,8 2,3 2,2 1,9 1,4 1,4 1,3 1,3 1,1 1,1 1,1 1,0 1,0 1,0 26,9 100,0 -

(*) Incluindo motos. Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

Ao contrário dos roubos, que, como se viu, tendem a diminuir nos finais de semana, os furtos de veículos crescem ligeiramente aos domingos; de resto, porém, a distribuição das ocorrências ao longo da semana é bastante uniforme (gráfico 14). A média diária ficou em torno de 6 casos nos domingos e de 5 nos demais dias. Gráfico 14 - Furtos de veículos* registrados na Zona Oeste, por dias da semana Janeiro de 2004 a julho de 2008 (números absolutos)
1600 1200 800 400 0 Segunda- Terça-feira feira Quartafeira Quintafeira Sexta-feira Sábado Domingo 1.133 1.206 1.239 1.192 1.217 1.233 1.399

(*) Incluindo motos. Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

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Cabe lembrar que, no caso de furto, a comunicação à delegacia geralmente não se refere ao horário em que o delito ocorreu (informação desconhecida, salvo se houver testemunhas e se estas notificarem o fato), mas àquele em que a vítima percebeu que o veículo havia sido subtraído ou então ao momento em que o deixara no local onde foi furtado. Não admira, portanto, que o padrão de incidência desse tipo de crime por horários (gráfico 15) seja bem menos nítido do que no caso dos roubos (ver gráfico 9, acima). Gráfico 15 - Furtos de veículos* registrados na Zona Oeste, por horários Janeiro de 2004 a julho de 2008* (números absolutos)
700 Número de ocorrências 600 500 400 300 200 100 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas
(*) Incluindo motos. Fonte: Microdados do ISP-RJ, com base em registros de ocorrência da Polícia Civil. Elaboração: IE/UFRJ.

2.4. Presença de milícias A CPI da Alerj que investigou a ação das milícias, concluída em novembro de 2008, identificou no Município do Rio de Janeiro 128 áreas dominadas por esses grupos criminosos armados, em 48 bairros (tabela 17 e figura 6). De acordo com a CPI, os bairros da cidade com maiores números de locais nessa condição ficam na Zona Oeste: Campo Grande (16 áreas), Santa Cruz (15) e Realengo (10). Embora com quantidades menores, três outros bairros da região também figuram na lista: Bangu (3 áreas dominadas), Inhoaíba (2) e Sepetiba (1).

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Tabela 17 - Número de áreas com milícias, por bairro Relatório final da CPI da Alerj – Novembro de 2008
Bairro Campo Grande Santa Cruz Realengo Praça Seca Taquara Paciência Ilha do Governador Rocha Miranda Curicica Bangu Guadalupe Barros Filho Quintino Irajá Campinho Cavalcante Nº 16 15 10 9 7 6 4 3 3 3 3 3 3 2 2 2 Bairro Jacarepaguá Inhoaíba Ricardo de Albuquerque Pedra de Guaratiba Guaratiba São Cristóvão Praça da Bandeira Manguinhos Ramos RA Penha Del Castilho Inhaúma Higienópolis Engenho de Dentro Pilares Vicente de Carvalho Osvaldo Cruz Nº 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Bairro Honório Gurgel Vaz Lobo Anil Freguesia Gardênia Azul Tanque Sepetiba Anchieta Recreio dos Bandeirantes Vargem Grande Vargem Pequena Coelho Neto Pavuna Maré Cidade de Deus Total Nº 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 128

Fonte: Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - Relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar a ação de milícias no Estado do Rio de Janeiro. (Resolução nº 433/2008). Elaboração: IE/UFRJ

Figura 6 - Número de áreas com milícias, por bairro Relatório final da CPI da Alerj – Novembro de 2008

Fonte: Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - Relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar a ação de milícias no Estado do Rio de Janeiro. (Resolução nº 433/2008). Elaboração: IE/UFRJ

Em levantamento feito junto ao Disque-Denúncia, referente ao período de janeiro de 2006 a abril de 2008, foi identificado um total de 2.219 denúncias contra milicianos na cidade do Rio, sendo mais de ¼ (28%) delas provenientes de bairros da Zona Oeste: Campo Grande (campeão municipal de denúncias, com 258), Santa Cruz (169), Realengo (113), Paciência (107), Sepetiba (63), Inhoaíba (57) e Cosmos (45). Tais denúncias referiam-se, majoritariamente, a extorsões, desvio de conduta (presume-se que de policiais), posse ilícita de armas de fogo, homicídio consumado, ameaças, tráfico de drogas, e rádio, tevê ou telefonia clandestina (Cano, 2008).

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Tabela 18 - Denúncias contra milícias feitas ao Disque-Denúncia, por bairro Janeiro de 2006 a abril de 2008
Bairro Campo Grande Jacarepaguá Santa Cruz Anchieta Guadalupe Realengo Paciência Quintino Bocaiuva Brás de Pina Praça Seca Taquara Sepetiba Denúncias Nº % 258 8,8 199 6,8 169 5,8 167 5,7 131 4,5 113 3,9 107 3,7 99 3,4 92 3,2 67 2,3 64 2,2 63 2,2 Bairro Inhoaíba Ramos Penha R. dos Bandeirantes Guaratiba Cascadura Ilha do Governador Cosmos Piedade Inhaúma Outros/NI Total Denúncias Nº % 57 2 57 2 50 1,7 50 1,7 48 1,6 47 1,6 47 1,6 45 1,5 44 1,5 40 1,4 905 31 2.919 100

Fonte: Cano, Ignacio (2008). Elaboração: IE/UFRJ

3. Proposta de agenda para a segurança pública da região A partir da análise dos dados quantitativos, feita na seção anterior, e das sugestões colhidas nas entrevistas e grupos de discussão, apresentam-se aqui algumas propostas para uma agenda de ações e reivindicações visando à melhoria da segurança pública na Zona Oeste. Tais propostas foram incorporadas ao documento-síntese do Projeto e discutidas com lideranças locais e representantes do poder público no seminário de 15 de maio de 2009, no grupo de trabalho sobre Segurança Pública e Uso do Solo. Dada a convergência, em certos casos, com propostas que emergiram de outros estudos setoriais, assinalaram-se abaixo, em itálicos, os temas pertinentes, também, a essas outras áreas – notadamente educação, uso/ocupação do solo e governança. • Educação: Políticas de qualificação educacional e profissional, direcionadas especialmente aos jovens de comunidades carentes da região, mais vulneráveis ao recrutamento por grupos criminosos e à vitimização pela violência letal. Uso e ocupação do solo: Estabelecimento efetivo de política habitacional para os segmentos de baixa renda e regularização dos espaços e construções já habitados em comunidades populares da região, reduzindo a ampla margem de ilegalidade que favorece o controle territorial armado dessas áreas seja pelo tráfico ou pelas milicias. Maior controle, pelos governos municipal e estadual, da ocupação urbana na região, para evitar a continuidade das ocupações irregulares, do loteamento e da venda ilegais de terrenos, bem como a cobrança de taxas “informais” sobre essas transações. Efetivação do combate às milícias na Zona Oeste e em todo o estado, de acordo com as conclusões e recomendações da Comissão Parlamentar de Inquérito da Alerj que investigou a ação desses grupos no Rio de Janeiro (Relatório Final da CPI, novembro de 2008). Prioridade à fiscalização e aos investimentos nos setores mais explorados por grupos criminosos armados na Zona Oeste, de modo a restaurar a legalidade dos serviços à

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população e estrangular as fontes financeiras desses grupos, sejam eles ligados ao tráfico de drogas, às milícias ou a setores corruptos das polícias: o Gestão junto às operadoras de tevê por assinatura, especialmente àquelas que utilizam transmissão por satélite, para que tomem as medidas técnicas e gerenciais necessárias ao bloqueio do sinal, coibindo a exploração ilegal do serviço, impropriamente apelidada de “gatonet”. o Cobrança pelo Estado de contrapartida das tevês por assinatura (que pagam somente 10% de ICMS, contra 30% dos demais serviços de telecomunicações), na forma de ampla oferta de pacotes populares, incluindo internet banda larga, a exemplo da iniciativa que está sendo implantada na comunidade do Batan, em Realengo. o Em parceria com as associações empresariais e outras entidades da sociedade civil da Zona Oeste, realização de campanhas públicas de esclarecimento sobre os riscos e as consequências do recurso a serviços informais de segurança privada tanto nas áreas comerciais quando nas residenciais. o Ampliação e racionalização dos serviços regulares de transporte coletivo na área; fiscalização rigorosa do transporte dito “alternativo” (ônibus piratas, mototaxis, kombis e vans não-legalizadas), usualmente explorado por grupos criminosos, seja de forma direta ou mediante extorsão. o Gestões junto à ANP (Agência Nacional de Petróleo) e ao Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo), sugerindo a mudança do sistema de distribuição de gás, com cadastramento efetivo dos revendedores, fiscalização rigorosa dos pontos de venda ao consumidor e criação de um sistema de identificação dos botijões (código de barras). o Combate efetivo à exploração da prostituição infanto-juvenil na região. • Implantação de projetos de policiamento comunitário e ocupação social de favelas da Zona Oeste, quer estejam sob o domínio do tráfico de drogas ou de milícias, nos moldes do que vem sendo realizado em outras partes da cidade. O planejamento de tais ações deve considerar, porém, os seus prováveis efeitos de transbordamento, como a migração dos criminosos para outras comunidades da região ou de outrás áreas, assim como o recrudescimento dos crimes violentos de rua (sobretudo roubos e sequestros-relâmpago). Ampliação dos efetivos das Polícias e da Guarda Municipal atuantes na Zona Oeste, levando-se em conta o acentuado crescimento demográfico e os altos índices de criminalidade registrados na área, além do fato de que o batalhão de Campo Grande presta serviço de policiamento montado a outras regiões da cidade. Com a participação das lideranças empresariais e comunitárias da região, formulação de plano integrado de policiamento ostensivo nas áreas mais vulneráveis à criminalidade de rua (assaltos, furtos e sequestros-relâmpago), que contemple tanto a racionalização do uso dos efetivos da PM e da Guarda Municipal quanto a atuação da Prefeitura e do setor privado na redução dos fatores que favorecem a prática desses tipos de crimes: por exemplo, melhora da iluminação pública e do calçamento das ruas; instalação de câmeras de monitoramento; construção e manutenção de postos de policiamento em locais estratégicos; adoção de mecanismos sistemáticos de comunicação entre policiais, guardas municipais e vigilantes particulares legalizados.

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• •

Redução do tempo de atendimento para registro de ocorrência nas delegacias policiais da região e realização de campanha de estímulo ao registro de delitos. Planejamento de ações sustentáveis para coibir roubo de veículos, roubo em coletivo e roubo de carga nas principais vias da Zona Oeste, seja com ampliação e racionalização do policiamento ostensivo, seja com investigação e desmonte das redes que dão suporte a esses tipos de crime (ferros-velhos, oficinas mecânicas, receptadores e revendedores de produtos roubados). Governança: Integração efetiva da discussão sobre segurança pública ao debate sobre o desenvolvimento sócio-econômico da região. o Avaliação da possibilidade de se criar um fórum permanente de segurança pública para a Zona Oeste. o Ampliação da participação de lideranças empresariais e comunitárias nos Conselhos Comunitários de Segurança das respectivas AISPs, assim como em outros espaços de interlocução entre sociedade civil e instituições de segurança pública; articulação desses espaços aos mecanismos mais amplos de governança que venham a ser criados na região. o Mapeamento dos projetos sociais e culturais desenvolvidos por empresas, órgãos públicos e organizações da sociedade civil em áreas carentes da região, visando a identificar e replicar as contribuições relevantes para a redução de vulnerabilidades e prevenção da violência. o Avaliação das consequências e prevenção dos problemas (para a ocupação do solo, a segurança etc.) decorrentes da desmobilização de trabalhadores da construção civil ao término de cada novo empreendimento de grande porte (só no caso da CSA serão cerca de 25 mil).

• •

Realização de pesquisa de vitimização para a Zona Oeste, com aplicação de questionários a amostras representativas de domicílios, empresas e escolas. Estabelecimento de convênio entre a Secretaria de Segurança Pública do Estado e centros de ensino e pesquisa para o monitoramento contínuo dos indicadores de criminalidade e violência da Zona Oeste.

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Referências Bibliográficas Fontes primárias ISP-RJ. Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Resumo das Principais Incidências Criminais do Estado do Rio de Janeiro, publicadas mensalmente pelo Diário Oficial. Período de abril de 2002 a dezembro de 2008 [http://www.isp.rj.gov.br/ Conteudo.asp?ident=150], complementado com dados da Asplan da Polícia Civil para o perído de janeiro de 2000 a fevereiro de 2002. ISP-RJ. Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Microdados cedidos para a realização do presente trabalho, relativos às delegacias policiais da Zona Oeste e ao período de janeiro de 2004 a julho de 2008. ALERJ. Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar a ação de milícias no estado do Rio de Janeiro. (Resolução nº 433/2008). Rio de Janeiro, 2008. Entrevistas com empresários e lideranças da Zona Oeste, realizadas nas sedes da ACERB (Bangu), da ACICG e da ADEDI (Campo Grande), da ACIRA (Realengo) e da AEDIN (Santa Cruz).

Bibliografia CANO, Ignacio. Letalidade da ação policial no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: ISER, 1997. CANO, Ignacio. O perfil racial dos mortos pela polícia no Rio de Janeiro. Texto para o Relatório de Desenvolvimento Humano 2005 – Capítulo Sistema de Justiça Criminal. Rio de Janeiro: CESeC e Pnud, 2005. CANO, Ignacio. Seis por meia dúzia? Um estudo exploratório do fenômeno das chamadas “milícias” no Rio de Janeiro. In: Justiça Global. Segurança, Tráfico e Milícias no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Fundação Heinrich Böell, 2008. CANO, Ignacio e SANTOS, Nilton. Violência letal, renda e desigualdade social no Brasil. Rio de Janeiro: Sete Letras, 2001. ILANUD. Instituto Latino-Americano para Prevenção da Violência e Tratamento do Delinqüente. Pesquisa de Vitimização 2002 e Avaliação do Plano de Prevenção da Violência Urbana – PIAPS. São Paulo, Ilanud, FIA/USP e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, 2002. ISP-RJ. Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisa de condições de vida e vitimização – 2007. Rio de Janeiro, ISP, 2008. [Disponível em http://www.isp.rj.gov.br/Conteudo.asp?ident=79]. MUSUMECI, Leonarda. Violência, criminalidade e segurança. Relatório de Desenvolvimento Humano Sustentável Local do Município do Rio de Janeiro (RDH-Rio), Capítulo 5. Rio de

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Janeiro: Pnud, Ipea e Prefeitura Municipal, 2001. [Disponível http://www.ucamcesec.com.br/arquivos/publicacoes/RDHRio-Cap5.pdf].

em

MUSUMECI, Leonarda e CONCEIÇÃO, Greice. Geografia dos roubos de veículo na cidade do Rio de Janeiro. Análise das ocorrências registradas pela Polícia Civil e das denúncias feitas ao Disque-Denúncia no período 2002-2005. Rio de Janeiro, IE-UFRJ, agosto de 2007. [Disponível em http://www.ucamcesec.com.br/arquivos/publicacoes/ Prisma_geografia_roubos_veiculos.pdf] PNUD. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Relatório do Desenvolvimento Humano Brasil 2005 – Racismo, pobreza e violência. Brasília, Pnud, 2005. RAMOS, Silvia. Meninos do Rio: Jovens, violência armada e polícia nas favelas cariocas. Notas sobre cenários e perspectivas no final da década de 2000. Relatório do projeto Juventude, Violência e Polícia. Rio de Janeiro, CESeC/Unicef, março de 2009.

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Anexo: Vozes da Zona Oeste 1. Resumo das entrevistas qualitativas, por área

Realengo • Principal problema da Zona Oeste: falta de policiamento ostensivo. Não há polícia na rua, nem mesmo nas grandes vias. A sensação de insegurança é muito grande. População tem medo de tudo, vive acuada. Zona Oeste é periferia, desassistida em tudo, e o batalhão de cavalaria atua preferencialmente nas “áreas prioritárias” da cidade, deixando a região a descoberto. As áreas cobertas pelas unidades policiais da Zona Oeste são gigantescas e o efetivo disponível não dá conta. Ninguém está satisfeito com a segurança. Todos estão vivendo menos. Por medo, por absoluta falta de segurança. • O pouco que há de polícia está na rua para fazer negócio, ganhar dinheiro. Enquanto policiais ganharem pouco, haverá negociação, “arrego”, e enquanto houver isso, a polícia não dará segurança. • Falta de segurança faz com que empresários – na maioria pequenos e micro – se escondam, não queiram participar de projetos, nem de eventos, não falem sobre o que fazem, nem sobre os problemas que enfrentam, por medo da violência. Não se consegue nem saber quais são as questões de segurança mais importantes, porque eles talvez registrem os crimes, mas não comentam com ninguém. • Violência cresce porque não encontra resistência: falta do poder público favorece: (a) conflitos sociais de toda sorte (brigas familiares, de vizinhos etc.), decorrentes do grande volume de população desassistida, da ausência de regulação do uso do espaço (estabelecimentos informais em locais inapropriados, por exemplo), e (b) prática de crimes e vandalismo, em plena luz do dia, que não são coibidos nem punidos. • Violência cresce também com o desenvolvimento: crime vem junto com aumento da população e da riqueza, como aconteceu no interior de São Paulo, no Espírito Santo e em outras áreas, e está acontecendo na Zona Oeste. • Casas de show se instalam nos centros comerciais, atraem público, sobretudo jovens pobres, com música, entrada gratuita para mulheres e cerveja barata. No seu entorno ficam pessoas ainda mais pobres, que não têm dinheiro para entrar, e criam uma série de problemas, inclusive roubos, brigas e tiros.

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• Há bailes funk e provavelmente brigas e mortes dentro das comunidades, mas isso não afeta os centros comerciais, só quando há circulação de pessoas entre um baile e outro, entre favelas, o que é raro. Em Campo Grande, só há duas grandes favelas, Carobinha e Barbante, e o que acontece lá não influencia a urbanidade, o problema fica dentro, o que vem para fora é o que acontece em toda a cidade, inclusive na Zona Sul: roubos e outros crimes. • Algumas favelas criam pânico na região porque ficam perto das principais vias: Batan hoje tem projeto social, parece que está calma, mas tem o Fumacê, também na via principal, no centro, ninguém passa por lá. Fumacê e Vila Kennedy ainda não têm milícia, embora se possam ver carros circulando dentro dessas favelas com logomarca da milícia. Ninguém passa por ali à noite, porque corre muito risco. Não há policiamento, se eles quiserem vir para a pista ninguém vai impedir. • Polícia e milícia estão uma dentro da outra, ninguém sabe quem é quem. Inicialmente pensou-se que as milícias seriam uma solução (o raciocínio era: melhor ter um policial do meu lado, mesmo se agindo ilegalmente, do que um bandido), mas logo se viu que elas têm projeto político. No começo era a forma que os policiais encontraram de se defender, pois estavam acuados pelo tráfico. Começaram dando uma de justiceiros, mas aí apareceu a visão política, o projeto de poder. Cresceram rapidamente, dominaram todas as atividades comerciais populares, acham que podem tudo, não são combatidas, praticam crimes em plena luz do dia e ninguém é preso. Hoje não se aceita mais isso como uma solução. • CSA está usando milicianos na segurança da obra, contratou seguranças da região sem querer saber se são de milícias ou não. Eles estão ameaçando, perseguindo e matando pescadores, já houve denúncia na ALERJ. • Empresários, quando vão abrir um negócio, se preocupam em saber se as milícias irão incomodá-los ou não. • Combate às milícias no governo Sergio Cabral, com confronto entre policiais e milicianos, aumentou as mortes, mas sobretudo dentro das comunidades, não há mais tantos assassinatos nas vias urbanas como antes. Mas há muitos roubos de automóvel perto das comunidades, vandalismo generalizado, adolescentes das comunidades fazem o que querem porque não há policiamento. Quando há, é omisso ou corrupto. • Se se bloqueia o problema num lugar, ele derrama para outro, porque o viciado não está sendo combatido. E se se acabar com o uso e o tráfico de drogas, voltam a crescer os assaltos a banco, a empresas, a residências.

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• A solução não é discurso, não é projeto, é botar policial na rua para dar segurança, como manda a Constituição. Prevenir os delitos e prender quem os comete. • Mas com os atuais salários, é impossível imaginar que os policiais, munidos de carteiras e armas poderosas, irão para a rua sem negociar. Enquanto houver “arrego”, corrupção, não haverá solução para o problema. Policial já vai para a rua com o objetivo de achacar, de fazer negócio, de ganhar dinheiro, não de dar segurança. Confiança na polícia: zero. Melhor dizer que não existe polícia na região. • Empresários, comerciantes, não contam com ninguém para se proteger da violência. Têm de torcer para que o crime fique em paz, ou seja, negociado; que os acertos dentro do crime e entre crime e polícia funcionem, porque aí as coisas ficam mais calmas. Quando a situação está conflagrada, o crime vem para a rua. A única estratégia adotada pelos comerciantes é aproximar-se pessoalmente do delegado, do comandante do Batalhão, na esperança de obter alguma proteção ou resposta para o seu problema individual. • Poder público pede apoio do setor privado, mas muitas vezes pede a empresários que têm atividades suspeitas, envolvimento com milícias, com dinheiro sem origem. • Violência é um problema nacional. Maior problema específico da região é a logística, o arco rodoviário, que há 40 anos não deslancha. E o transporte de passageiros, a falta absoluta de condução. Por isso o transporte alternativo dominou, inicialmente sem milícias, eram pessoas desempregadas que viram oportunidade de ganhar dinheiro transportando gente informalmente (como existe no interior, o transporte em carroças ou caminhões, a única diferença é que aqui era em kombis). Depois as milícias enxergaram ali um filão lucrativo e tomaram as linhas, passando a dominar a atividade, sob coação. Exploração da venda de gás também cresceu apoiada pela existência de inúmeros microempresários irregulares, que começaram fazendo concorrência aos grandes depósitos, que antigamente distribuíam o gás em caminhões – Ultragás, Gasbrás, concessionárias da Petrobras. • Presença militar não inibe o crime, até porque os militares (Exército e Marinha) fazem questão de não se envolver. Imediações do 14º BPM são tranquilas, mas os quartéis das Forças Armadas pouco influem na segurança da região. • Não parece estar havendo redução da presença militar, nem de funcionários públicos em geral. No primeiro caso, podem estar saindo alguns até por temor de assaltos, como os empresários fazem, quando deixam de morar na região para se proteger, só vêm trabalhar. Mas no caso dos funcionários civis, ao contrário, tudo indica que o número está aumentando: mais escolas foram construídas, mais tribunais especiais funcionam na região.

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• Há várias associações civis na região – mas não se envolvem muito na solução dos problemas, falta-lhes ousadia, planejamento, ação. Deveriam orientar seus membros, prepará-los para cobrar, reivindicar.

Bangu • Muitas comunidades carentes na área, sem presença do poder público. Favelas foram surgindo com apoio de políticos que, desejosos de angariar votos, incentivam grilagem e invasões. São currais eleitorais para populistas. • Tudo teria começado com as remoções de favelas da Zona Sul (Vila Aliança, Vila Kennedy), na época de Carlos Lacerda e Sandra Cavalcanti, os maiores culpados pelo problema. Tudo de ruim é “despejado” na Zona Oeste, enquanto a classe média daqui, desde os anos 1980, vai para Barra e Recreio. A região “recebe o que não presta e exporta o que presta”. A área é maravilhosa, o povo é bom, as pessoas ruins vêm de fora. • Problemas sociais identificados como favorecedores da violência: o Gravidez adolescente, falta de planejamento familiar o Educação deficiente o Juventude ociosa nas favelas • Outros grandes problemas seriam o desprezo do poder público pela Zona Oeste, a falta de cultura e de formação de inteligência na região, a fragilização das instituições pela informalidade e a baixa autoestima (salvo para quem ganha muito dinheiro). • Há uma carência seríssima de transporte coletivo. Kombis e vans clandestinas tomaram conta. A segurança informal, clandestina, também dominou a área. • Avenida Santa Cruz, entre Campo Grande e Bangu, trecho crítico, cercado de comunidades: roubo de carros, balas perdidas em ônibus. • Sinal de Padre Miguel e pardais na Av. Santa Cruz favorecem assaltos. Colocam-se pardais na boca das favelas, para arrecadar dinheiro, sem preocupação com a segurança. A necessidade de reduzir muito a velocidade expõe os motoristas, que podem ser assaltados ou confundidos com policiais e baleados. Engenheiros que decidem colocação de pardais não conhecem a região. • Problema de efetivo: o 14º BPM, nos anos 80, tinha 1.800 homens, sendo 600 destinados aos presídios. Sobravam 1.200 para o patrulhamento da região. População era menor, joaninhas (fuscas) davam conta do recado, por serem mais fortes e porque as ruas eram

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menos esburacadas. Hoje o BPM tem 688 homens, no total, e a população mais que dobrou. • Terceirização da frota resolveu problema das viaturas, mas o de efetivo e de outros equipamentos policiais continua. • Câmeras no centro do bairro ajudam, embora nem sempre funcionem. • Há esperança de que o “choque de ordem” da atual Prefeitura chegue à região, melhore as condições das ruas, extremamente esburacadas, e urbanize as invasões. • A violência provoca desvalorização imobiliária nas áreas próximas de favelas • Há pouca milícia em Bangu, a maioria das comunidades ainda é dominada pelo tráfico. Mas houve tentativas de tomar a Vila Aliança. • Vila Aliança seria a favela mais forte, a que mais influencia a criminalidade da área: roubo de automóveis e de motos, tráfico de drogas, violência, troca de tiros. Operação policial nessa favela demandaria helicóptero, vários veículos blindados e causaria muitas mortes. Até os anos 80, andava-se na Vila Aliança à noite, sem problemas; hoje isso é muito mais difícil. • O complexo de Senador Camará é outra grande fonte de problemas. Maior complexo de favelas do Brasil, área sem controle, quando a polícia entra, morrem 10 a 20 pessoas. Tiroteios e assaltos param trens. Mas a região ainda tem infraestrutura boa, poderia ser recuperada com “choque de ordem”. • Com a expulsão do tráfico da Cidade de Deus, os traficantes vieram para Camará e Vila Aliança. • De Bangu a Campo Grande, praticamente só há Terceiro Comando. Traficantes expulsos da Cidade de Deus vieram para áreas de Comando Vermelho. Quando sufoca o tráfico de uma comunidade, o Estado deveria criar anteparos nas outras favelas próximas, do mesmo comando, para impedir a migração. O problema é que as intervenções têm sido pontuais, sem preocupação com as consequências para outras áreas. • Mesmo com tráfico, há Favelas como Vila Vintém e Taquaral que são menos problemáticas. Embora também ocorram roubos de carros e motos no entorno delas, isso acontece sobretudo para “missões”, quando há confrontos entre grupos rivais. Quando a situação está estabilizada, os assaltos diminuem. Em Vila Vintém, o chefe do tráfico está preso, mas continua comandando. Faz o seu negócio e não cria problema para a comunidade. É melhor que permaneça vivo, porque pode vir outro pior, como o Thor de Vila Aliança, pessoa ruim, que faz barbaridades.

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• Há até casos de ex-traficantes que se tornam úteis, como o Samuca, que ficou preso 11 anos, virou crente, hoje faz trabalho de recuperação pela cultura: projeto “a história que eu conto”. • Complexo de Camará deveria ser alvo da mesma política que está sendo aplicada na Cidade de Deus. Há rumores e expectativas de que isso acontecerá e de revalorização dos imóveis no entorno. Mas também há preocupação de que o “aperto” do tráfico nessas áreas acabe complicando a situação das outras favelas que hoje são mais “tranquilas”. • Apesar de tudo, há muitos projetos bons sendo desenvolvidos em comunidades da região. Mas não há nenhum trabalho específico para reciclar os jovens que passam pela prisão e que, sem recursos, voltam para o crime. Bangu tem o maior complexo penitenciário do Rio e a maioria dos presos é da região. Governo deveria fazer trabalho com esses jovens. • Problema de assaltos é o mais grave e o mais comentado no Conseg da região. Blitzes constantes poderiam reduzir assaltos, sobretudo roubos de veículos. Há duas portas de entrada e saída: os viadutos de Bangu e de Realengo. Assalta-se num bairro e passa-se para o outro. Mas, como as blitzes captam também muitas irregularidades dos motoristas, há pressão para que não aconteçam. • A maioria dos assaltos ocorre na rua: roubo de veículo e a transeunte. Os assaltantes são ousados, agem mesmo onde há câmeras e nas proximidades da delegacia. Operações contra o tráfico nas favelas têm aumentado roubos no asfalto. • Há relações entre asfalto e favelas, os moradores se conhecem. Isso favorece estratégias de comunicação direta quando há roubo de carro ou moto, mesmo se a ocorrência também é registrada na polícia. É comum pagar-se resgate a traficantes para recuperar o veículo roubado. Valor varia de mil a dois mil reais, de acordo com a marca e o modelo. • A maioria das pessoas não registra crimes. Apesar de a delegacia ser Legal, o atendimento é demoradíssimo (o problema, segundo um participante, é da Telemar [Oi], que não aumenta a velocidade da rede). Leva-se de 2 a 4 horas para registrar um assalto, enquanto em outras áreas, como Jacarepaguá, o atendimento seria bem mais rápido. • Um grande problema da região seria a corrupção policial. Segundo um entrevistado, o 9º e o 14º Batalhões da PM (respectivamente, Rocha Miranda e Bangu) seriam campeões de corrupção na cidade. Haveria inclusive pontos de desova de carros na Vila Kennedy, onde policiais depenariam automóveis.

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• Outro entrevistado ressalta excesso de rigidez e falta de apoio como fatores que prejudicariam os policiais: estes sempre tiveram de recorrer ao bico para sobreviver, mas hoje toda segurança privada feita por policiais é tachada de “milícia” e punida.

Campo Grande • A população vem crescendo muito nos últimos 20 anos e os empreendimentos e favelas também. Há preocupação em relação às pessoas que vêm, inclusive de outros estados, para trabalhar na construção civil, em empregos braçais temporários, e depois permanecem aqui, criando comunidades sem infraestrutura, fazendo biscates etc. A maioria não é da região. Movimento da criminalidade acompanha desenvolvimento econômico. • Ruas com iluminação precária, totalmente esburacadas, facilitam assaltos. Teme-se circular à noite no centro de Campo Grande, por isso as reuniões de empresários têm de terminar cedo. • Além do impacto na segurança, é dramático em si mesmo o problema do trânsito, da locomoção, do calçamento, da estrutura logística. Esse seria o principal obstáculo ao desenvolvimento da região de Campo Grande e está sendo discutido com a prefeitura. O segundo seria a segurança, especialmente a questão das milícias. O fato de os líderes Jerominho e Natalino estarem presos gera mais insegurança, porque não se sabe quem vai controlar a área, o que vai acontecer daqui para a frente. • A pressão sobre tráfico nas favelas tem aumentado os roubos no asfalto e também a segurança privada clandestina, mediante extorsão. De repente aparecem pessoas cobrando 15 ou 30 reais para prover segurança; quem se nega a pagar sofre assalto ou “terror” e passa a aceitar o serviço. A pressão desses “seguranças” se exerce tanto sobre áreas residenciais como sobre o comércio. • Operações contra o tráfico também produzem migração de bandidos: aqueles acuados no Vidigal, na Rocinha, no Antares etc. vão para as áreas “desprevenidas”. Apesar disso, as operações do atual governo nas favelas merecem apoio, mas com a ressalva de que deveria haver ações impedindo que o estrangulamento do crime num local causasse aumento de roubos e sequestros em outros. • Ressalta-se ainda o problema do acesso a Campo Grande pela Grota Funda, que fica totalmente deserta à noite: muitos empresários que se mudaram para a Barra estão voltando a morar na Zona Oeste, seja para evitar o trânsito e trajeto “sinistro” pela Grota Funda,

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onde estão sujeitos a assaltos e sequestros, seja porque se sentem mais seguros aqui, onde são conhecidos, personalizados. Esse retorno pode melhorar a segurança da área, com a construção de condomínios e empreendimentos de alto nível, voltados para a classe média. • Falta absoluta de policiamento ostensivo. Comércio não tem segurança e quem sai à noite não cruza com nenhuma viatura policial. • Falta de efetivo: uma lei de 1975 previa 974 policiais para o Batalhão local (RCECS). Hoje há 670. Com 270 afastados por motivo de saúde, férias e licença, sobram 400 policiais para revezar em turnos de 12 horas; isso dá uma média de 80 policiais por turno de 12 horas para atender Campo Grande, Santíssimo, Barra, Pedra, Ilha – uma população de mais de 700 mil habitantes. • Garotinho e Rosinha criaram novas unidades para responder a pressões, mas não aumentaram o efetivo, simplesmente deslocaram policiais de outros batalhões. O contingente que entra mal repõe as saídas. Há no estado quase 4 mil policiais em atividades não-policiais e outros 4 mil afastados por motivos de saúde. No atual governo, projetos de ocupação como os do Batan, Santa Marta e Cidade de Deus absorvem número muito alto de homens, sem necessidade técnica. Tudo é para responder à mídia, nas áreas onde estão os holofotes, sem consideração pelas consequências para o resto da cidade. • Batalhão de CG (cavalaria) dá apoio ao policiamento de eventos em outras áreas: Aterro do Flamengo, Maracanã, árvore de Natal da Lagoa, reveillon em Copacabana, Lapa nos fins de semana, ensaio na Marquês de Sapucaí. • Milícia da Zona Oeste está no poder há 10 anos; 90% dos homicídios são a mando de milícias, pela disputa de poder. É pior e mais difícil de combater do que o tráfico e o crime comum, porque está institucionalizado, enraizado nos órgãos públicos. Ganham-se 500 mil reais por semana só com transporte alternativo. Policial arrisca perder a carteira e a arma, mas não sai da milícia, porque nela ganha dinheiro e se impõe pelo terror. • A maioria da população não percebe os milicianos como bandidos. Cumplicidade é favorecida pela cultura do malandro, pelo imediatismo, a exemplo da adesão ao “gatonet”. O povo em geral ainda não se deu conta de que essa “malandragem” carioca, que antes era positiva, hoje acabou. Não falta muito para as milícias entrarem no mercado da droga, o que as transformaria em organizações do tipo FARC. Por enquanto, ainda há alguma possibilidade de pensar, de agir, mas se não forem tomadas providências drásticas agora, a mudança no futuro pode ficar inviável.

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• A maior parte (90%) dos policiais do BPM mora na área, o que é um problema para o combate às milícias. Seria necessário trazer policiais de outras regiões, como se fez na Itália para combater a Máfia e como às vezes a Polícia Federal faz em algumas regiões do Brasil. • Afora as milícias, prevalecem crimes de rua (street crimes), que têm de ser prevenidos com policiamento a pé, de tipo comunitário, mas não há efetivo para isso. • Câmeras de segurança nas ruas, na Avenida Brasil, ajudam a coibir crimes. • A terceirização da frota de viaturas policiais resolveu o problema da manutenção, que era dramático, mas o do efetivo continua. • Medo impera na região. De 10 anos para cá sempre houve violência em CG, mas nunca como agora. Inúmeros casos de assaltos e saídas de banco. O que assusta é a “qualificação” da bandidagem. Mencionou-se o caso de um funcionário “plantado” por bandidos numa empresa da região, com documentos falsos, para realizar sequestro. • O lado bom, o diferencial de Campo Grande, é a integração do setor privado com as entidades públicas de segurança (polícias, Ministério Público, Jecrim). O fato de ser visto ainda como cidade do interior favorece essa integração. Está-se tentando montar um banco de currículos com trabalhadores das comunidades, em parceria com as associações de moradores [e com a DP?], para dar emprego e proteger as empresas. • Poder privado (empresários organizados) deve atuar no vácuo do poder público, como um “poder paralelo” bom. Exemplo: problema da iluminação na Av. Cesário de Melo, que foi resolvido pela Associação Comercial, com rateio entre as empresas para comprar as lâmpadas. A prefeitura teria de fazer licitação e demoraria um tempo enorme. Outra contribuição poderia ser o monitoramento por câmeras, assumido pelos empresários. • Há 10 ou 15 anos, havia muitíssimos furtos e assaltos, no centro comercial e nos ônibus, mas geralmente sem arma de fogo ou com arma de brinquedo. Hoje isso diminuiu, em quase todo lugar tem milícia [todas as casas são marcadas]. • Base de toda a violência está na educação, enquanto não se investir na escola, as estatísticas de violência não vão mudar. • Comunidades têm medo de participar do Conseg. Grande maioria das demandas que chegam ao Conselho não é de segurança, e sim de trânsito, de problemas domésticos, solo urbano, iluminação pública. • A grande mídia só vende os pontos negativos, é preciso ressaltar também os positivos, levantar a autoestima: porto de Sepetiba, crescimento econômico, pólos industriais.

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• Falta formação técnica: a Zona Oeste tem mais cursos universitários que técnicos. O que existe, do Senac, é muito caro, não acessível à população de baixa renda. Gerdau traz empregados de fora, em transporte próprio, não emprega os da região. Problema de trânsito, devido à falta de qualificação da mdo local. As empresas não geram estímulo econômico para a região, deixam legado de desemprego.

Campo Grande – Distrito Industrial • Posto policial instalado em 2002 trouxe tranquilidade para o Distrito. Antes havia desova de cadáveres e assaltos. Hoje fica sempre pelo menos um policial no posto 24 horas por dia, mesmo quando a viatura com 3 homens se desloca para atender a outras áreas. A Associação (ADEDI) é que bancou a construção do posto e mantém Nextel para comunicação das empresas com a polícia. Policiais têm também o rádio geral para acionar as viaturas. • • • A parede do posto tem 1 cm de concreto. Numa ocasião, o posto foi metralhado e as balas de fuzil não penetraram. Um policial foi ferido na perna, mas estava fora do posto. Terceirização da manutenção resolveu o problema das viaturas, mas o resto é bancado pela Associação. O estado só gasta com a farda e o salário dos policiais. A área está muito sossegada, embora tenha havido recentemente roubo de um caminhão dentro do Distrito. Seguiram o caminhão, entraram no Distrito junto com o motorista, sairam, deixaram o motorista num matagal em Palmares e sumiram com o caminhão. Problema imprevisível, que pode acontecer em qualquer lugar. • Em 2002, Garotinho assentou 250 famílias num terreno dentro do Distrito. Ninguém acreditava que seriam retiradas, mas foram removidas para o conjunto habitacional de Sepetiba. • Presença do posto tem estimulado a vinda de empresas da Zona Norte (Bonsucesso, Inhaúma, Pilares), que sofriam problemas de segurança. Quatro ou cinco empresas vieram para o DI especificamente por esse motivo, não aguentavam mais sofrer assaltos. • Presença da Marinha (fuzileiros navais) na vizinhança também dá sensação de segurança. Eles percorrem a área e à noite, quando há qualquer coisa “errada” (por exemplo, um casal namorando no carro), eles “chegam em cima”, “dão uma presença” e não deixam ficar ali.

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Única segurança coletiva é o posto. Empresas individualmente têm vigilantes privados, armados ou não, e algumas têm câmeras, para vigiar os próprios funcionários e também o entorno. A [AS] tem câmeras possantíssimas, que vigiam até a Avenida Brasil.

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O que preocupa não é a segurança dentro do DI, mas a violência ao redor, sobretudo assaltos. Campo Grande estava bastante tranquilo, mas com a pressão do atual governo sobre o tráfico de drogas, os bandidos estão indo para o asfalto roubar. Empresários, quando fazem sucesso, deixam de morar na região e vão para outros bairros: primeiro foi Tijuca, depois Copacabana, hoje Barra. Marcelo Alencar, quando prefeito, foi o grande responsável pela situação criminosa que a região passou a vivenciar. Facilitou a invasão que criou as favelas da Carobinha e do Barbante, curral eleitoral de um deputado ligado a ele.

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Mas, apesar da violência nessas duas favelas e também na Vilar Carioca, Campo Grande é um bairro tranquilo, onde se pode sair à noite e aos domingos sem problema. Milícias exploram gás, transporte, gatonet: Natalino, Jerominho e Batman são os líderes. Diz-se que o delegado Marcos Neves, que combateu esse grupo, é aliado do Chico Bala, chefe de outra milícia. A maioria das pessoas, mesmo de classe média, tem gatonet.

Se não tivessem ficado tão ávidas de ganhos, as milícias seriam ótimas: expulsam a “bandidagem”, o tráfico de drogas, e dão segurança. O problema foi terem “crescido o olho” em muitas atividades lucrativas ilegais. Aí pressionam os moradores a pagar e os moradores saem assaltando. Expulsam os bandidos, impedem que eles vendam seu “pozinho” na favela, e eles vêm roubar no asfalto. Num primeiro momento, são úteis, mas depois começam os problemas.

A grande responsável pela disseminação de tudo isso foi a Denise Frossard,

que

perseguiu o jogo do bicho. Apesar dos problemas, os bicheiros patrocinavam os clubes de futebol e as escolas de samba da região, não deixavam que o tráfico entrasse, consideravam-se figuras importantes da sociedade e por isso evitavam se envolver em atividades “inadequadas”. Matavam mas não deixavam essas coisas acontecerem. Com a prisão dos bicheiros, abriu-se a porta para o pessoal “de baixo”, a bandidagem do tráfico, ascender e ocupar esse espaço. Além disso, os clubes de futebol (Bangu, Campo Grande) foram rebaixados e a escola de Padre Miguel há 18 anos não chega aos cinco primeiros lugares.

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Outro problema é a corrupção policial, o envolvimento da polícia com o crime e a prostituição infantil. Também falta efetivo: o Batalhão já teve 1.200 homens, hoje não chegam a 800, sendo cerca de 500 ativos, para uma área gigantesca. Nos órgãos públicos, sobretudo na Polícia Civil, o problema são as pessoas que vêm de fora para ocupar os cargos, e não conhecem, não entendem nada da região. Às vezes se associam a quem não serve e subestimam quem poderia ajudar. Na polícia civil isso acontece muito.

Santa Cruz – Distrito Industrial • A Associação (AEDIN) reune 16 empresas, 14 estão dentro do Distrito e duas fora (Valesul e Michelin). Cerca de 7 mil empregados, sem contar os que estão trabalhando na obra da Thyssen (25 mil crachás). Quando acabar a obra, devem empregar 3.500 pessoas. A maioria das empresas do DI é antiga. • Maior preocupação é com o que vai acontecer quando acabar a obra da CSA: para onde vão os mais de 20 mil operários. Possibilidade de surgirem novas favelas, mais violência. Na frente da Thyssen, na reta, na João XXIII, já se criou um aglomerado novo de casas, perto dos trilhos. Invasão na frente da Valesul cresceu num ritmo vertiginoso. • A maioria dos trabalhadores (70%) mora na Zona Oeste, mas o pessoal administrativo geralmente mora na Zona Sul ou Barra. Maior problema é transporte. Não há transporte nem para quem mora na Zona Oeste, as empresas têm de bancar. Há muito tempo fala-se em reativar a linha de trem que margeia do DI, mas nada acontece. Há invasões ao longo da linha. • Região está no “contrafluxo”: quem mora aqui vai trabalhar no centro e quem trabalha aqui vem de outras áreas. Problema maior é de transporte. Quem ganha mais quer morar na Zona Sul e na Barra ou Recreio, porque lá existe uma estrutura para a classe média que não há aqui. Teria de haver um movimento forte para as pessoas de renda mais alta virem morar aqui, não só trabalhar. Mas imagem da área como muito violenta desestimula isso. • As empresas gastam muito com transporte. A Cosigua tem 35 ônibus, com mais de 70 linhas, que rodam 24 horas. A Casa da Moeda tem 100, a Thyssen vai ter mais uns 70. Hoje, para a obra, os empreiteiros também têm de trazer os operários em ônibus (de

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qualidade duvidosa), senão eles não chegam. Os ônibus que há passam pela João XXIII, não vêm até o Distrito. • Salários para pessoal administrativo, engenheiros etc. têm de ser mais altos também por causa da distância, do tempo de deslocamento, outro fator de elevação do custo das empresas, além de bancarem o transporte. Problemas da região reduzem oferta desse tipo de profissionais. • Cosigua estimula funcionários mais qualificados a virem de ônibus, não de carro, para minimizar risco de assaltos. Mas na sexta-feira o estacionamento fica cheio, porque todos querem vir de carro para dar suas “esticadas” depois do trabalho. • • Problema também dos caminhões e das blitzes policiais para extorquir dinheiro ou falsas blitzes. Baixa credibilidade e confiabilidade da polícia. Milícias: Cosigua implantou prato popular nas proximidades: projeto gaúcho de oferta de refeição a um real para empregados cadastrados com renda familiar per capita até ½ salário mínimo. Foi firmado convênio com a prefeitura, que forneceu a área para o restaurante; o cadastramento foi feito pelo SESI. A Gerdau implantou isso em todo o país sem problemas, mas, em Santa Cruz, houve assédio das milícias, que queriam cobrar pedágio. Obra foi paralisada por 6 meses, até que Associação de Moradores local interveio junto aos milicianos para que a obra prosseguisse. [o restaurante foi inaugurado em 10/11/2005 na Escola Municipal Ciep Papa João XXIII (Avenida João XXIII, 38), em Santa Cruz]. • Esta é uma área de milícias. A Thyssen também está tendo problemas e o SESI, no caminho para Paciência sofreu invasão. Muitos trabalhadores da área moram em comunidades com milícias, têm gatonet. • Não há mecanismos coletivos de segurança para o DI. Cada empresa tem o seu e a Casa da Moeda mantém um verdadeiro “exército” de vigilantes. Os responsáveis, os chefes de segurança das empresas, se comunicam informalmente entre eles, quando há necessidade. • A Aedin criou um grupo de trabalho para reunir representantes de cada empresa do Distrito e representantes da PM e dos Bombeiros. Quer trazer também a secretaria municipal ou estadual de segurança. Chama-se PAM – Programa de Apoio Mútuo, e atualmente se ocupa mais com problemas de incêndios e acidentes do que com a criminalidade. • A iniciativa não está avançando muito por diversas dificuldades, mas a idéia é levantar os problemas, as vulnerabilidades da região (por exemplo, o que pode acontecer quando

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terminar a obra da Thyssen), e a partir disso fazer propostas para o governo. Entre os empresários do Distrito, não há participação no Conselho de Segurança da AISP, nem conhecimento sobre o que seja. • Empresas também buscam minimizar problemas com a implantação de muitos projetos sociais nas comunidades ao redor, onde mora parte dos seus funcionários. Isso dá visibilidade e protege as empresas. • Nunca houve assaltos com arma no interior do Distrito. O que há são pequenos furtos, pessoal das comunidades em volta que invade e leva bicicletas, rolamentos etc., mas sem agressão. A área é muito grande, acontece de invadirem e jogarem o objeto furtado por cima do muro. É o que mais se ouve em relação à criminalidade. Seguranças quando pegam os ladrões, levam para a delegacia. Quem trabalha não tem muito risco porque entra e sai de ônibus. Mas houve caso de assalto a ônibus fora do Distrito, na subida da Grota Funda. • Há uma ronda do 27º BPM no Distrito, mas é precária, não percorre todas as empresas com a frequência que seria desejável. Há um posto policial próximo, mas não só para o Distrito. Policiais agem quando solicitados e pressionados; do contrário, fazem corpo mole, alegando precariedades. • Investimentos em educação e saúde seriam fundamentais para melhorar a situação da segurança. Quando alguém da empresa tem algum problema de saúde, é levado para a Clínica São Vicente, na Gávea.

2. Frases em destaque - Quem é que mora longe? Eu em Campo Grande ou o meu amigo lá em Copacabana? Qual é o ponto de referência? Não necessariamente a Zona Sul, não é? - Bangu sofre esse estigma dos presídios. Eu muitas vezes vou a reunião, o pessoal pergunta como vai Bangu I, Bangu II, o cara que não conhece pensa que a gente mora ao lado do presídio. Então nós sofremos a mesma coisa que os habitantes de Cingapura... A gente não gosta disso não. - As milícias começaram a surgir, dependiam primeiro do poder público. Agora, viram que a criatura que eles criaram é infernal. - A questão milícia/polícia está muito uma dentro da outra, você não sabe quem é quem. - Combater a milícia é mais difícil do que combater o crime comum, porque o crime comum, ele não está socializado, digamos assim. O miliciano, ele está institucionalizado, ele está dentro dos órgãos púbicos.

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- O informal dominou. Aí o informal é o amigo do amigo e tal, e que, vamos dizer assim, felizmente, ou infelizmente, o cara que está ali no informal, fazendo a segurança aqui em Bangu, conhece todo mundo dentro da favela e já avisa: “Ó, não vem pra cá, porque senão vai ter problema”. - Se [o estado] conseguir fazer no Complexo de Camará o que fez ali na Cidade de Deus, isso aqui vira uma terra abençoada. - Como é que nasceu a Vila Kennedy, essas favelas todas? Tiraram o pessoal lá debaixo e trouxeram tudo pra cá. Por isso chama “a la Bangu”, que a gente odeia aqui, mas talvez venha daí, né? Eu não sei, mas vem lá do passado, né? Por que “a la Bangu”? Porque tudo eles jogam pra cá.... - A Polícia Militar, primeiro ela prende para depois investigar, primeiro ela prende o policial, depois ela vai saber se o policial está certo ou está errado. A Polícia Civil já é diferente: primeiro investiga, depois prende - Daquele viaduto ali, da Rodrigues Alves pra cá, da boca do Túnel Rebouças pra cá, do Santa Bárbara pra cá, eles só vêm aqui pra prometer, ganhar os votos. - O Sérgio Cabral e o Eduardo Paes trabalham com os efeitos, certo? Tornam o morro de Santa Marta uma ilha de paz. E o resto da cidade? - As universidades não formam inteligências para trabalhar a favor da região. Quando o menino se forma e se destaca, sabe o que é que ele faz? Ele pula lá pra área da Zona Sul, ele não fica aqui. Então, eu acho que é um outro fator: a formação de inteligência da região. (...) A inteligência da cidade, que transparece, que reverbera, é a inteligência da República de Ipanema, Leblon, Gávea. - É a falta do poder público na Zona Oeste, é a falta da cultura, a falta da autoestima da Zona Oeste. Por que autoestima? Porque é necessária a autoestima. Um menino nosso aqui, se ele quiser se empregar bem, sabe o que é que faz? Ele vai lá, na Zona Sul, tomar emprestado um endereço, porque se ele der o endereço daqui, ele não é aceito. “Não, ele mora na Zona Oeste, sei lá com quem ele tem contato lá, com os marginais”. “Ah, ele vai ser mais caro porque tem que pegar duas ou três conduções”. - Chegou a um ponto, aqui em Campo Grande, que nós estamos vivendo como se fosse uma Chicago dos anos 30: gangsters, tiros de metralhadora... - Nos últimos 10 anos, a taxa de homicídio que a senhora tem aí pode atribuir à milícia porque, realmente, essas mortes violentas, 90% delas são a pedido da milícia por disputa de poder. - Quando as milícias entrarem no mercado da droga, vão se transformar nas FARC. Por enquanto, eles têm fontes de renda menos perigosas, digamos assim, do que o tráfico, que é muito mais... tem menor esforço, seria a palavra. Para aumentar o ganho, potencializar o lucro, o próximo passo seria vender drogas. - De repente, aparecem pessoas querendo oferecer segurança particular. Então esse “segurança” – entre aspas – certamente, vai ameaçá-lo, vai provocar um assalto na casa dele, pra tocar o terror, e a partir daí ele começa a colaborar com a taxa que ele bem definir.

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Ele começa, pede aqui, pede ali, aquele que não colaborar, vão jogar uma bomba ali, vão arrebentar, vão cortar fio. - A única coisa que funciona neste país é o poder privado (...) Eu enxergo que a única maneira de atenuar, de algum modo, essa crise - que seguramente não é só aqui, são problemas de toda a cidade, talvez seja um problema mundial até, mas talvez um pouco mais grave aqui, uma vez que o número de homicídios é maior do que muitos países em conflito no Oriente Médio – então, eu entendo que a única maneira é realmente um poder paralelo, mas um poder paralelo bom, a sociedade civil organizada por meio de empresários. (...) Infelizmente, se ficarmos esperando o poder público fazer alguma coisa, nós sabemos que isso não vai acontecer. Então, é isso que eu falo de um poder paralelo bom, é se organizar pra fazer coisas para o bem comum. Não é pra ter controle de nada, não é pra ter benefícios exclusivos com nada. É realmente se organizar para apoiar o poder público, que realmente encontra-se neste momento de cadeiras de rodas, pra não dizer paralítico, no chão, sem a cadeira de rodas. - O empresário saiu daqui pra Barra, mas, por uma questão de raízes, de amigos..., porque eu acho que o ser humano, principalmente o brasileiro, ele gosta de ser personalizado. Eu adoro Campo Grande porque, como na minha cidade do interior, tem muito: “Ô, Zé, como é que é? Como é que está?”; isso aí me dá uma satisfação tão grande, que é diferente, em Copacabana não conheço meu vizinho. Então, isso prende. E os empresários voltam com essa somatória da personalização, e também porque a Barra ficou muito violenta, o caminho pra Barra, por Grota Funda, sinistro... - Boa parte dos nossos empresários, quando começam a se tornar vitoriosos, descobrem que o grande bairro é Tijuca. Foi assim na geração dos meus avós. Depois, na geração dos meus pais, foi Copacabana. E na geração atual é a Barra. Mas todos eles na hora de enterrar querem vir pra cá. Melhor teria sido que daqui não saíssem. Até porque a gente percebe que, quando retornam pra ser enterrados, às vezes falta gente até pra segurar a alça do caixão. - Eu sou muito favorável a uma doutrina Monroe para uma região como a nossa. Porque se você coloca na direção de qualquer posto uma pessoa que não seja da área, até que ela se acostume a saber o que está se passando, o tempo já passou. E esse é o fenômeno que se dá em quase todos os setores. Quando o governo do estado interfere, traz alguém do lado de fora. É um ilustre desconhecido. Às vezes associa-se a quem não serve e subestima quem poderia auxiliar. Percebe-se muito isso na polícia. Porque tem aqueles caras que gostam, em qualquer circunstância, pra tirar vantagem. E eles, coitados, até por inocência ou falta de experiência acabam por aceitar, isso acontece muito para prejuízo das próprias instituições. A polícia tem esse problema, a civil principalmente. - Tem uma preocupação com isso: o que vai acontecer? Vai criar algum tipo de problema quando a Thyssen começar a operar, porque são 25 mil crachás. Nem todo mundo vai embora, nem todo mundo consegue ocupação. Aqui na frente da Thyssen, na reta, na João XXIII, ali se criou um absurdo, o que tem de moradia nova ali perto dos trilhos é muito complicado... Gente, março do ano que vem saem 20 mil pessoas desse troço aqui! É isso. Pra onde esses caras vão? Alguém vai ficar aqui. Vão ficar onde? Uns vão ficar trabalhando... e os outros? - O pessoal que ganha mais, normalmente é assim. Onde o cara quer morar? Barra, Ipanema, no Recreio. Por quê? Porque lá tem toda uma estrutura já para a classe média, coisa que aqui

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não tem, a verdade é essa. Então, esse movimento teria que ser forte nesse sentido, para as pessoas virem morar aqui, e não somente trabalhar aqui. - Eu prefiro dizer que nós não temos polícia. Quando é para pegar um trabalhador, ih, eles são ativos, competentíssimos, mas falou que é para combater o crime, eles estão fora. - O que falta é ação, o Estado cumprir a Constituição e oferecer segurança à população. Colocar a polícia na rua para evitar os crimes e punir os criminosos quando eles agirem. - Eu já ouvi os comandantes, vários, em suas épocas, dizerem: nós não temos condição de fazer esse policiamento, porque nossos cavalos estão prestando serviço no Parque do Flamengo, no Maracanã, na Quinta da Boa Vista, quer dizer, eles estão atendendo às prioridades da cidade, às prioridades sociais, e a gente aqui fica sem policiamento. - Nossa realidade é o micro e o pequeno [empresário], e eles são muitos. A gente deveria ter acesso a eles. Eles se escondem, a gente procura, eles não querem falar de nada, não querem fazer projeto, se aumentam um plano empresarial não falam para ninguém, se fecham a empresa também não. Eles não falam nada porque eles têm medo de violência. - O tempo é solução para tudo, dizem, né? Porque se você não resolver os teus problemas, você morreu e o tempo foi que resolveu. Ou não.

Desenvolvimento Econômico Local da Zona Oeste do Rio de Janeiro e de seu Entorno

Diagnóstico sobre o Uso e a Ocupação do Solo (Versão Final)

Projeto FAPERJ no E-26/110.644/2007

Nelson Chalfun (professor, IE/UFRJ)

Junho/2009

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ÍNDICE Apresentação .............................................................................................................................. 3 PARTE 1 .................................................................................................................................... 4 1.1. Introdução............................................................................................................................ 4 1.2. Padrões de Ocupação Industrial .......................................................................................... 8 1.3. A Definição da Conformação Industrial Apropriada à Área de Estudo.............................. 9 PARTE 2 .................................................................................................................................. 13 2.1. A Escolha do Modo de Ocupação da AE.......................................................................... 13 2.2. O Perfil de Ocupação da Área