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Estrutura e Funcionamento da Educação - volume 1_2_3e4

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Estrutura e Funcionamento da Educação
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Estrutura e Funcionamento da Educação

Ivanda Martins, Maria Lúcia Soares, Roseane Nascimento

Recife, 2009

Universidade Federal Rural de Pernambuco Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos Produção Gráfica e Editorial Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim e Gláucia Micaele Silva Revisão Ortográfica: Marcelo Melo Ilustrações: Glaydson da Silva Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos

Sumário
Plano da Disciplina ...............................................................................4 Apresentação ........................................................................................9 Conhecendo o Volume 1 ....................................................................10 Capítulo 1 - A Educação no Período do Brasil-Colônia até a primeira República..............................................................................12 Capítulo 2 - A Educação no Brasil a partir da Primeira República (1889-1930) até a década de 1980......................................................25 Capítulo 3 - As Constituições Brasileiras: Panorama Históricosocial e Concepções de Educação ...................................................35 Capítulo 4 - A Educação na Constituição de 1988 ...........................52 Considerações Finais .........................................................................64 Conheça as Autoras ...........................................................................66

Plano da Disciplina
Carga horária: 60h Ementa da Disciplina: Realizar a análise histórica de como ocorreu a estruturação do Sistema Escolar Brasileiro, frente aos fundamentos filosóficos, históricos e socioeconômicos e políticos, de forma a refletir conhecimentos e valores éticos aos graduandos, futuros profissionais da educação, nos diferentes níveis de ensino. Destaque para os termos da LDB 9394/96 no processo de mudanças da educação brasileira e o papel dos profissionais de educação enquanto agentes de transformação da educação. Objetivos Objetivo Geral 1 Contextualizar a evolução do processo de organização e funcionamento da educação brasileira, focalizando o Ensino Fundamental e Médio e o momento histórico atual, de modo a possibilitar ao graduando analisar criticamente e posicionar-se como agente desse processo, tendo como referencial básico a legislação educacional. Objetivos Específicos

1 Conhecer a base teórico-legal e as condições materiais para a organização e o funcionamento da educação, no Brasil, como parte do processo histórico-social. 2 Caracterizar as relações entre educação e sociedade no Brasil, considerando o desenvolvimento da economia, a evolução da cultura e a estruturação do poder político. Bem como perceber a dependência das leis em relação ao jogo de influências e interesses que atuam na sociedade. 3 Refletir sobre fatores condicionantes da alta seletividade que marcam o sistema educacional brasileiro, situando-os dentro e fora da escola; 4 Reconhecer as principais instituições e movimentos educacionais e o papel que tiveram no quadro geral da educação brasileira; 5 Refletir sobre a delimitação da Constituição Federal de 1988 e dos limites e possibilidades da nova LDB (lei no. 9394/96) face ao panorama atual das políticas neoliberais quanto ao quadro de formação dos professores.

Conteúdo Programático
Módulo 1 – Breve Histórico da Organização Educacional no Brasil: Da Colônia até a Década de 1980 Carga horária do Módulo 1: 15h 1 A Educação no Período do Brasil-Colônia até a Primeira República. 2 A Educação no Brasil a partir da Primeira República (1889-1930) até a década de 1980. 3 As Constituições Brasileiras 4 A Educação na Constituição de 1988. Módulo 2 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394/96 Carga horária do Módulo 2: 15h 1 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº. 9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais. 2 Níveis e modalidade de ensino e sua estrutura organizacional conforme a legislação vigente. 3 Educação Básica e Superior na LDB 3.1 3.2 3.3 3.4 Educação Infantil Educação Fundamental Ensino Médio Educação Superior

4 Modalidades da Educação na LDB 4.1 4.2 4.3 4.4 Educação de Jovens e Adultos Educação Especial Educação Profissional Educação a Distância

Módulo 3 - Os Profissionais da Educação e os Recursos Financeiros destinados à Educação Carga horária do Módulo 3: 15h

1 Profissionais da Educação 2 Recursos Financeiros para Educação 3 Plano de Desenvolvimento Nacional da Educação Módulo 4 - Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os Parâmetros curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +) Carga horária do Módulo 4: 15h 1 Análise crítica das Diretrizes Curriculares Nacionais 2 Abordagem crítica dos Parâmetros Curriculares Nacionais Avaliação Será avaliada a participação dos alunos através das atividades propostas em cada módulo, mediante os seguintes critérios: fundamentação teórica, autonomia das ideias, coesão e coerência textual. A avaliação será construída ao longo do processo de ensino-aprendizagem, privilegiando-se uma abordagem formativa. Serão considerados os seguintes instrumentos para os processos avaliativos: 1 Participação em fóruns orientados de discussões 2 Participações em chats orientados 3 Pesquisas orientadas 4 Socialização de pesquisas e leituras 5 Auto-avaliação 6 Resolução de atividades propostas no material didático impresso 7 Resolução de webquests 8 Provas presenciais Metodologia A metodologia a ser empregada irá priorizar os seguintes instrumentos didáticopedagógicos: 1 Pesquisa bibliográfica. 2 Estudo dirigido 3 Participação nos debates (chat e fórum)

4 Socialização de leituras e experiências didático-pedagógicas 5 Produção de texto individual . 6 Leitura do material didático impresso de acordo com o cronograma proposto. 7 Fóruns de discussão (participação quantitativa e participação qualitativa nos fóruns temáticos propostos). 8 Chats temáticos (participação quantitativa e participação qualitativa nos chats temáticos propostos). 9 Quiz (os alunos serão estimulados à participação em exercícios propostos no Quiz como forma de contribuir para o seu processo de auto-avaliação). 10 Vídeos-aula: apresentação de vídeos-aula com temas do conteúdo proposto no material didático impresso. 11 Propostas de pesquisas e leituras dirigidas com base nas temáticas propostas. 12 Exercícios de revisão. Referências Bibliografia Básica: ARANHA, M. L. A. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989 BRASIL/MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº. 9394/96. BRZEZINSKI, I. (org.) LDB Interpretada: diversos olhares se entrecruzam. São Paulo: Cortez, 2001. COSTA, M. A educação nas Constituições do Brasil: dados e direções. Rio de Janeiro: DP & A, 2002. FAVERO, O. A educação nas Constituições brasileiras: 1823-1988: Campinas, SP: Autores Associados, 1996 GUIRALDELLI Jr., P. História da educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000. HAGUETTE, A. Educação: bico, vocação ou profissão? In: Educação & Sociedade, n. 38, abril/91. LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006. POLETTI, R. Constituições brasileiras: 1934. Brasília: Senado Federal, 2001 (Coleção Constituições Brasileiras, V.3) ROMANELLI, O. História da educação brasileira (1930/1973). 25. ed. Petrópolis:

Vozes, 2001. SILVA, R. Educação e trabalho: o planejamento de ensino como uma das expressões da organização do trabalho pedagógico para uma escola pública e de qualidade. Conferência Internacional: Educação, Globalização e Cidadania. CE/ UFPB – João Pessoa/ PB, Fev. 2008. Bibliografia Complementar FREITAG, B. Escola, estado e sociedade. São Paulo: Cortez e Moraes, 1986. RIBEIRO, M.L.S. História da educação brasileira: a organização escolar. 15ª. Ed. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 1998. SAVIANI, D. Política e educação no Brasil. São Paulo, Autores associados, 1996. Disponível em: www.http://portal.mec.gov.br/

Apresentação
Caros(as) Cursistas, Sejam bem-vindos à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Esta disciplina tem o objetivo de familiarizar os licenciandos com a estrutura da organização educacional e com a legislação pertinente a cada nível de ensino. Para tanto, faremos uma breve retrospectiva histórica, seguida de uma análise das leis que regem a educação brasileira. Neste primeiro módulo, vamos conhecer um pouco do breve histórico da organização educacional no Brasil, considerando o período do Brasil-Colônia até década de 1980. É importante que vocês percebam que a educação está ancorada em processos históricos, políticos e sociais, os quais precisam ser discutidos e compreendidos pelos educadores, no sentido de construirmos uma visão crítica dos modelos educacionais brasileiros. Convidamos todos vocês para embarcarem nesta viagem rumo ao universo mágico da educação, tendo em vista as transformações históricas e sociais que nortearam o panorama da educação no cenário brasileiro. Prontos(as) para embarcar nesta viagem? Então, vamos lá? Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento Professoras Autoras

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Conhecendo o Volume 1
Neste primeiro volume, você irá encontrar o módulo 01 da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Para facilitar seus estudos, veja a organização deste primeiro módulo. Módulo 1 – Breve Histórico da Organização Educacional no Brasil: Da Colônia até a Década de 1980. Carga Horária do Módulo 1: 15 h/aula Objetivo do Módulo 1: Construir um panorama crítico da educação brasileira, considerando um breve histórico da organização educacional apresentada no Brasil-Colônia até a década de 1980, fornecendo subsídios para uma visão crítica dos aspectos históricos, sociais e políticos subjacentes aos processos educacionais. Conteúdo Programático do Módulo 1: • A Educação no Período do Brasil-colônia até a Primeira República • A Educação no Brasil a partir da Primeira República (18891930) até a década de 1980 • As Constituições Brasileiras • A Educação na Constituição de 1988.

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Capítulo 1

A Educação no Período do Brasil-Colônia até a primeira República O que vamos estudar neste capítulo? • A Educação no Período do Brasil-Colônia • O papel dos jesuítas na educação brasileira

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Capítulo 1 - A Educação no Período do Brasil-Colônia até a primeira República
Vamos conversar sobre o assunto? Você já parou para pensar como está estruturada a Educação no Brasil? Quais são as leis que regem nossa educação? Ainda não? Então, é hora de começarmos a discutir a organização dos processos educacionais no Brasil, considerando a contextualização histórico-social que fundamenta os principais episódios e a legislação educacional no cenário brasileiro. Para iniciarmos a nossa conversa, vamos lançar alguns questionamentos para você. Vamos lá? Você conhece a Constituição de 1988? Já analisou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) no Brasil, Lei nº 9394/96? Já parou para pensar na importância de conhecer criticamente os documentos que norteiam as diretrizes da educação brasileira? Nos cursos de licenciatura, para a formação de futuros professores, é fundamental ampliarmos as discussões sobre os temas que orientam a regulamentação da legislação educacional, bem como os estudos sobre os processos de contextualização histórico-social da educação. Assim, é fundamental que você perceba a importância de conhecer criticamente a organização do ensino, reconhecendo os papéis dos educadores neste processo. Para que os educadores atuem como agentes de transformação social, é essencial que percebam que as concepções de ensino-aprendizagem, currículo, avaliação, prática pedagógica estão diretamente relacionadas a aspectos políticos, históricos e sociais que estão subjacentes aos processos educacionais.

A educação no Brasil-Colônia
Alguma vez você já parou para refletir sobre o início dos processos educacionais em território brasileiro? Em outros termos, você seria capaz de dizer exatamente quando começou a educação brasileira? Refletiu? Chegou a alguma conclusão? Podemos observar que as ações no âmbito da educação são 12

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anteriores à chegada dos Portugueses em solo brasileiro, pois já existia a educação informal com os nossos primeiros habitantes, os “índios”. Os nativos já tinham suas estratégias relacionadas aos processos de ensino-aprendizagem, transmitindo conhecimentos e perpetuando os ensinamentos, as histórias, as tradições, as lendas ao longo dos anos. De geração em geração, os índios já vivenciam a educação de forma intuitiva, percebendo as conexões entre ensinar e aprender como processos estreitamente ligados. Em 1500, com a chegada dos portugueses no Brasil, inicia-se o processo de colonização e o confronto entre culturas e línguas diferentes. Sabemos que o processo de colonização, no Brasil, se realizou de forma exploratória, ou seja, o processo de colonização foi bastante devastador, cujo objetivo principal era o de exploração da terra e de todas as riquezas do solo brasileiro. Nesse processo de colonização, inicia-se também a aculturação do povo nativo, por meio da imposição da cultura lusitana, dos princípios religiosos, das convenções da língua portuguesa, além de diversos valores que eram impostos aos índios, primeiros habitantes do solo brasileiro. Nesse período de colonização, os jesuítas1 iniciaram o processo de catequese e começaram a desenvolver experiências educacionais. Com o intuito de catequizar os índios, a educação iniciada pelos jesuítas estava fundamentada nos ensinamentos da cultura do colonizador, valorizando elementos característicos da língua e da religião dos portugueses. Nesse contexto, houve um jesuíta que se destacou pelo seu trabalho de catequese: o Padre José de Anchieta. Vamos conhecer um pouco sobre a vida e a obra de Padre José de Anchieta?

Atenção
1 Os jesuítas eram representantes religiosos da Igreja Católica que tinham como missão difundir os preceitos do catolicismo.

Figura 1 - Padre José de Anchieta catequizando os índios brasileiros

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Mini-biografia
Padre José de Anchieta O grande piahy (“supremo pajé branco”), como era conhecido pelos índios, nasceu na ilha de Tenerife, uma das ilhas Canárias, em 1534. Chegou no Brasil em 1553, fundando no ano seguinte um colégio em pleno planalto paulista, na cidade de São Paulo. Faleceu em 1579, no litoral do Espírito Santo. José de Anchieta organizou a primeira gramática do tupi-guarani, espécie de cartilha para o ensino da língua dos nativos (Arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil) e publicou vários poemas e peças teatrais. Anchieta destacou-se por pesquisar a cultura do nativo e utilizar as crenças e as lendas do povo indígena para realizar o processo de catequese. O padre José de Anchieta destacou-se pela sua produção literária, didática e religiosa. Escreveu poemas, gramáticas, peças teatrais e outras obras que se destacaram neste período. Sua peça mais admirada é Na Festa de São Lourenço, representada pela primeira vez em Niterói, em 1583. A maior parte dos versos foi redigida em tupi; o restante, em espanhol e português.

Veja as principais obras de Anchieta: Obras de Anchieta 1. Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil (1595) 2. Informações (1933) 3. Cartas (1933) 4. Fragmentos Históricos e Sermões (1933) 5. Na Festa de São Lourenço (teatro) 6. Na Visitação de Santa Isabel (teatro) Poemas famosos de Anchieta 1. A Santa Inês 2. Do Santíssimo Sacramento 3. Em Deus, Meu Criador 4. Poema à Virgem

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Filmoteca: Cinema em Ação Você já assistiu ao filme A Missão? Ainda não? Veja a sinopse do filme e depois tente assisti-lo para ampliar sua compreensão sobre o papel de alguns jesuítas no período da colonização.

No final do século XVIII Mendoza (Robert De Niro), um mercador de escravos, fica com crise de consciência por ter matado Felipe (Aidan Quinn), seu irmão, num duelo, pois Felipe se envolveu com Carlotta (Cherie Lunghi). Ela havia se apaixonado por Felipe e Mendoza não aceitou isto, pois ela tinha um relacionamento com ele. Para tentar se penitenciar Mendoza se torna um padre e se une a Gabriel (Jeremy Irons), um jesuíta bem intencionado que luta para defender os índios, mas se depara com interesses econômicos.
Fonte: http://www.cinemenu.com.br/filmes/a-missao-1986/sobre-o-filme

Após assistir ao filme, discuta com seus colegas a temática apresentada em um fórum de discussão que poderá ser orientado pelos professores/tutores, os quais irão auxiliar você no desenvolvimento das atividades virtuais. De volta ao assunto No contexto do Brasil-Colônia, a educação escolarizada era interessante e conveniente para a camada dominante (portugueses). A camada dominada (índios) deveria ser catequizada e instruída. Naquela época, existiam dois Planos de Estudo que divergiam: o Plano de Estudo do Pe. Manoel da Nóbrega que era materializado na prática e o Ratio que era o plano do Rei. Veja o esquema a seguir e observe as características dos dois planos.

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Planos de Estudo
DE NÓBREGA Aprendizado do Português DE RATIO Curso de Humanidades

Doutrina cristã

Curso de Filosofia

Escola de ler e escrever Canto orfeônico Música instrumental Estrutura latina

Curso de Teologia

Viagem à Europa

Aprendizado profissional geral e agrícola

Viagem à Europa

Conhecendo um pouco mais sobre o Plano de Estudo de Nóbrega e de Ratio O plano de estudo de Nóbrega começava pelo aprendizado do português e o ensino da doutrina cristã (ambos auxiliando no processo de aculturação) que eram obrigatórios. Em caráter opcional eram oferecidos canto orfeônico e música instrumental. Dentro da escola de ler e escrever, que também era obrigatória, havia uma subdivisão − o aprendizado profissional e agrícola e, do outro lado, gramática e viagem de estudos à Europa. Inicialmente, Nóbrega recrutava às vocações sacerdotais os indígenas, mas, logo percebeu a adequação destes à formação sacerdotal católica e como havia o interesse em prepará-los para as funções essenciais à vida da colônia, exerceu influência na proposição de um ensino profissional e agrícola. Este plano sofreu sérias resistências a partir de 1556 até 1570, com a morte de Nóbrega. Após sua morte, a Companhia de Jesus reformula o processo educacional através do Plano de Estudo de Ratio, publicado em 1599, que concentrava sua programação nos elementos da cultura europeia, demonstrando seu desinteresse em “instruir” também o índio. 16

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“O plano legal (catequizar e instruir os índios) e o plano real se distanciavam. Os instruídos serão descendentes dos colonizadores. Os indígenas serão apenas catequizados”.
(RIBEIRO, 2001, p. 23).

Um novo período para a Educação
Em 1759, você sabe o que aconteceu? Os jesuítas foram expulsos do Brasil e seus bens que equivaliam a 10% do PIB brasileiro foram confiscados, ou seja, o 1º grande desvio de verbas da educação. Começa uma fase negra na educação, poucos recursos, aulas esporádicas e professores mal preparados e mal remunerados. Esse período se estendeu até a chegada da corte portuguesa no Brasil, em 1808, após Portugal ter sido invadido pelas tropas francesas. A instalação imediata do governo português em território colonial obrigou a uma reorganização administrativa. A partir desta nova realidade (o Brasil como sede da Coroa Portuguesa) se fez necessária uma série de medidas atinentes ao campo intelectual geral, como: a criação da Imprensa régia (1808), Biblioteca Pública (1810), o 1º jornal “A Gazeta do Rio” (1812), a 1ª revista “As variações ou Ensaios de Literatura (1813). Você acha que essas medidas interessaram a quem? Será que a camada popular tinha acesso a elas? Não, claro que não. Só quem teve acesso a todos esses investimentos foi a corte. Quando a corte portuguesa volta à Portugal e o Brasil passa pela fase imperial com Dom Pedro I, em 1879, é decretada a reforma Leôncio Carvalho. Entre as medidas necessárias estavam:
a) Liberdade de Ensino b) O exercício do magistério era incompatível com o de cargos públicos e administrativos. c) Liberdade de frequência.

Desde o período agrário-comercial exportador dependente (1894 a 1920) já trazia a composição educacional:
1 – Ensino Primário (atualmente denominado Ensino Fundamental) 2 – Ensino Médio 3 – Ensino Superior

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Aos poucos, devido o crescente processo de industrialização e urbanização do país, novas demandas são postas à formação de mãode-obra para o trabalho. Nesse contexto, abrem-se oportunidades para que a camada social popular, historicamente desfavorecida, tenha acesso à educação escolar, a níveis cada vez maiores de escolarização. Será que isso foi de uma hora para outra? Você provavelmente respondeu que não, pois a educação só é disponibilizada para as camadas populares quando há interesses políticos e econômicos das classes dominantes.

Conheça Mais Continue lendo e pesquisando sobre a temática abordada neste capítulo. Pesquise mais e continue estudando. Lembre-se: em um curso a distância, é fundamental que você desenvolva uma metodologia de estudo, a fim de conquistar autonomia. Então, vamos continuar estudando, lendo e pesquisando? Veja as indicações a seguir: www.histedbr.fae.unicamp.br www.brasilescola.com/historiab/brasil-colonia.htm www.portalbrasil.net.educacao.htm

Você Sabia?

Você sabia que a Carta de Pero Vaz de Caminha é um documento que descreve as terras encontradas no Brasil e os nativos? Caminha, escrivão português, tinha como missão relatar tudo o que encontrasse em terras brasileiras. Iniciada em 26 de abril e concluída no dia 1º de maio de 1500, a carta de Pero Vaz de Caminha foi enviada para o rei de Portugal por intermédio de Gaspar de Lemos, anunciando a “descoberta” de terras. É interessante observar como Caminha descreve os nativos.

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Observe um trecho da carta:
“Andam nus sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa de cobrir nem mostrar suas vergonhas e estão acerca disso com tanta inocência como têm de mostrar no rosto. Eles porém contudo andam muito bem curados e muito limpos e naquilo me parece ainda mais que são como as aves ou alimárias monteses que lhes faz o ar melhor pena e melhor cabelo que as mansas, porque os corpos seus são tão limpos e tão gordos e tão fremosos que não pode mais ser”.
Fonte: A carta de Pero Vaz Caminha, escrita em 1500.

Atenção
Escritor do período Modernista Brasileiro. Destacou-se com as publicações frequentes: “A Poesia em Pânico” (1937); “O Visionário” (1941); “As Metamorfoses” (1944); “Mundo Enigma” e “O Discípulo de Emaús” (1945); “Poesia Liberdade” (1947); “Janela do Caos” (1949), na França, numa edição especial com litografias de Francis Picabia; “Contemplação de Ouro Preto” (1954); além de outras obras.
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No período do Modernismo Brasileiro, vários autores revisitaram a carta de Pero Vaz de Caminha e elaboraram vários textos que mantêm relações dialógicas (intertextuais) com o documento escrito pelo escrivão Português. Veja a seguir, o poema de Murilo Mendes que revista a carta de Caminha com tom irônico.
A CARTA DE PERO VAZ Murilo Mendes2 A terra é mui graciosa, Tão fértil eu nunca vi. A gente vai passear, No chão espeta um caniço, No dia seguinte nasce Bengala de castão de oiro. Tem goiabas, melancias, Bananas que nem chuchu. Quanto aos bichos, têm-nos muitos, De plumagens mui vistosas. Tem macaco até demais Diamantes tem à vontade Esmeraldas é para os trouxas.

Atenção
Segundo Bernie Doge, WebQuest é “uma investigação orientada na qual algumas ou todas as informações com as quais os aprendizes interagem são originadas de recursos da Internet”. Acesse: WWW.webquest. futuro.usp. br∕artigos∕textos_ bernie.html
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Webquest: pesquisa em ação Vamos desenvolver uma WebQuest3 sobre o assunto apresentado neste capítulo? Título da WebQuest: O papel dos jesuítas na educação do Brasil-Colônia Introdução Os jesuítas tiveram papel importante na formação dos princípios da educação no período do Brasil-Colônia. Há muitas discussões sobre 19

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a função da catequese como estratégia para disseminar a cultura do colonizador. Muitos jesuítas apropriaram-se da cultura do nativo, a fim de desenvolver estratégias de ensino direcionadas aos valores e crenças dos próprios índios. A Tarefa Sua missão é atuar como um repórter, a fim de realizar um documentário sobre o papel dos jesuítas na educação do período Brasil-Colônia. Para realizar este documentário, você precisa entrevistar pessoas sobre o tema, pesquisar sobre o assunto e depois tentar desenvolver um roteiro para um breve documentário que será transmitido por uma mega emissora de TV.
Atenção
O Movie Maker é uma ferramenta para você criar filmes no computador. Tente montar seu storyboard, coloque imagens, clipes, fotos, músicas e você terá seu filme pronto para ser assistido. Para saber mais sobre movie maker, acesse: http://www. microsoft.com/ brasil/windowsxp/ moviemaker/ videos/create. mspx
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O Processo Realize pesquisas em sites, livros, revistas, a fim de coletar informações sobre o tema. Assista a filmes sobre o período colonial, investigando o papel da educação neste contexto histórico-social. O seu documentário poderá ser realizado no formato movie maker4, ferramenta para produção de pequenos vídeos. Você poderá incluir fotos, imagens, pinturas, poemas, entrevistas, legendas, músicas, enfim, o documentário poderá ser elaborado com base em uma diversidade de textos, linguagens e recursos, a fim de chamar a atenção dos espectadores. Essa atividade poderá ser realizada em grupos de trabalho, os quais deverão ser orientados pelos professores/tutores que estarão acompanhando os percursos de aprendizagem dos cursistas nesta disciplina. Após elaborar o seu documentário, tente publicá-lo na plataforma do ambiente moodle, a fim de que os demais colegas consigam visualizar a sua produção. Apenas lembramos que os vídeos para o moodle devem ser curtos. A Avaliação

Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes critérios: 20

Estrutura e Funcionamento da Educação

A criatividade dos cursistas na elaboração do documentário

• As referências e todo o trabalho de pesquisa realizado para subsidiar a produção do documentário. • Clareza, coerência e coesão na organização da produção textual apresentada no documentário. • Integração de outras linguagens, quando da produção do vídeo (música, pintura, textos escritos, charges, imagens, fotografias, etc.). Conclusão Caro(a) Cursista, Por meio dessa atividade, você percebeu a importância de realizar pesquisas e continuar estudando sobre a influência dos jesuítas na educação do Brasil-Colônia. Também pode experienciar a produção de pequenos vídeos, tendo em vista o gênero textual do documentário como forma de divulgar as pesquisas realizadas. Certamente, a criatividade e a criticidade foram premissas fundamentais para a elaboração desta atividade. Compartilhe suas experiências com outros colegas, publicando sua produção na plataforma do ambiente. Se precisar de ajuda, poderá contar com o apoio dos professores que estarão disponíveis para ajudar você na realização desta atividade. Boa sorte e bons estudos! Referências Pesquise nos sites indicados para que você consiga desenvolver a atividade proposta de forma eficaz. www. webquest.futuro.usp.br∕artigos∕textos_bernie.html www.scielo.br/pdf/ensaio/v12.n45/v12n45a03.pdf www.uefs.br/sitientibus/pdf/29/a_educacao_no_brasil_no_ periodo_colonial.pdf http://webquest.org/search/index.php http://webquest.sp.senac.br/textos/ref http://bestwebquests.com/default.asp http://www.clubedoprofessor.com.br/webquest/

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Atividades e Orientações de estudo

Vamos fazer uma reflexão? Tente refletir sobre os seguintes tópicos. Você poderá utilizar os fóruns de discussão para colocar suas ideias. Lembre-se! É importante trocar experiências com seus(suas) colegas, a fim de construir aprendizagens significativas. Se precisar de ajuda, você poderá interagir com os(as) professores(as) que irão acompanhar os seus percursos de aprendizagem. Boa sorte e bons estudos! Agora, é hora de refletir. Vamos lá? 1– O contexto histórico (político-econômico-social) vem influenciando a estrutura e o funcionamento de ensino? Por quê? 2– Por que é importante conhecer a estrutura e o funcionamento de ensino? 3– A legislação é importante para regulamentar essa estrutura? Por quê? Vamos participar de um chat? Agora que você já estudou o assunto deste capítulo, é hora de continuar conversando e discutindo sobre a temática abordada, a fim de ampliar as discussões sobre a educação no período colonial. Que tal participar de um chat temático sobre o tema? Lembre-se! Você está sendo continuamente avaliado(a) com base na participação das atividades virtuais que estão sendo realizadas no ambiente. Não perca esta oportunidade! Mantenha a interação com seus colegas e com os professores que estão mediando a sua participação no ambiente virtual de aprendizagem.

Vamos revisar? Vamos continuar estudando um pouco mais sobre o assunto abordado neste capítulo? É hora de você aprofundar os seus estudos 22

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e continuar aprendendo. Lembre-se! Aprender a aprender é um pilar da educação muito importante quando pensamos em cursos na modalidade a distância. O sucesso no curso e nesta disciplina depende muito do seu esforço, no sentido de ampliar a motivação para “aprender a aprender”, descobrindo o prazer da aprendizagem significativa nos ambientes virtuais de aprendizagem. Então, vamos aprender juntos? Leia com atenção o resumo a seguir e bons estudos!. Resumo
Neste capítulo, você estudou a educação no período do Brasil-Colônia, percebendo a importância de fatores históricos e sociais que influenciam os processos educacionais. Você percebeu a influência dos jesuítas no período de colonização, quando desenvolveram estratégias e estudos sobre a catequese do povo nativo. É bom lembrar que o Plano de Estudo de Nóbrega começava pela aprendizagem da língua portuguesa, enfatizando também a doutrina cristã, ou seja, enfocando o processo de aculturação. Esse plano, como já foi dito, sofreu muitas resistências e só se manteve até a morte de Nóbrega. Após sua morte, a companhia de Jesus reformula o processo educacional através do Plano de Estudo de Ratio que enfatizava os elementos da cultura europeia, demonstrando desinteresse em instruir os índios.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Capítulo 2

A Educação no Brasil a partir da Primeira República (18891930) até a década de 1980 O que vamos estudar neste capítulo? • A Educação no Brasil a partir da Primeira República • A Educação no Brasil a partir da década de 1930 • Reformas educacionais

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Capítulo 2 - A Educação no Brasil a partir da Primeira República (1889-1930) até a década de 1980
Vamos conversar sobre o assunto? No capítulo anterior, você estudou a influência dos jesuítas na educação do Brasil-Colônia. Neste capítulo, daremos continuidade à forma como se desenvolveu a educação no Brasil, percorrendo o período a partir da Primeira República. Antes, porém, vamos fazer uma retomada na linha do tempo. Você sabe o que aconteceu no Brasil quando se tornou “independente” de Portugal? Passamos um período de transição em que o imperador D. Pedro I governou o Brasil. Nesse contexto, aconteceram as pressões sociais das camadas dominantes em prol da autonomia política do país. Em que sentido? No sentido de que apesar do nosso país gozar da condição de independente de Portugal, quem ainda regia o Brasil era o imperador D. Pedro I. Este, mesmo desvencilhado da corte portuguesa, mantinha resquícios da lógica monárquica. Mas, o que será que aconteceu quando houve a queda da monarquia? Com a queda da monarquia em 1889 se inicia o que se denomina de Primeira República (também conhecida como República Oligárquica, República do café, República dos coronéis). É partir da constituição de 1891 que se instaura o governo representativo (federal e presidencial), os estados ganham autonomia a partir do federalismo e os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são favorecidos, gerando-se, assim, o crescimento desigual entre os estados no Brasil.

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Figura 2 e 3 - A Primeira República tem início em 1889, com a declaração da República pelo Marechal Deodoro da Fonseca (rosto em destaque), e finaliza no ano de 1930, quando o presidente Washington Luís é deposto pelos militares, e Getúlio Vargas assume a presidência.

Nesse contexto, a passagem de um modelo exclusivamente agrário-exportador para um modelo parcialmente urbano industrial, impulsiona o surgimento de novas demandas emergentes de recursos humanos. Desse modo, a estreita oferta de ensino começou a chocarse com a demanda social de educação. Frente ao crescente processo de urbanização e industrialização pelo qual passa o Brasil já no início do século XX, cresce, então, a defasagem existente entre educação e desenvolvimento no Brasil. A demanda pelas escolas cresce e não há um quantitativo de vagas suficientes para atendê-la. Desse modo, gera um desequilíbrio entre a demanda social por vagas nas escolas e as vagas efetivamente ofertadas à sociedade.

Figura 4 - Visita de autoridades à escola Visconde de Ouro Preto. Diretor de Instrução Pública Fernando de Azevedo, com o Presidente Washington Luís e o Prefeito Antonio Prado Jr. Fotografia de Augusto Malta. 24 set. 1927 (IEB/USP).

Desse modo, é no contexto do final do século XIX e primeiras décadas do século XX que vemos acontecer movimentos em prol da institucionalização e expansão da escola pública. Tais movimentos, identificados enquanto de entusiasmo e otimismo pedagógico, 26

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se tornaram um marco na história da educação do Brasil. Suas reivindicações a favor de uma escola pública, gratuita, obrigatória e leiga para todos culminaram com a publicação de um documento em 1932, elaborado por Fernando de Azevedo5 e assinado por vinte e seis educadores, foi denominado de O manifesto dos pioneiros da escola nova7

Atenção
Funcionário público, sociólogo e educador brasileiro nascido em Minas Gerais, foi um dos responsáveis pela reforma do ensino no país, a partir de experiências feitas no Ceará (1923) e Rio de Janeiro (1926). Inicialmente um seminarista formou-se em direito e abraçou o magistério.
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Figura 5 - Fernando de Azevedo: o elaborador do documento Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova.

Atenção
6 O Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova foi um documento assinado por 26 educadores renomados. Destacamos ainda que o termo ensino Leigo, neste contexto, significa em oposição ao ensino eclesiástico (da igreja).

Figura 6 - Anísio Teixeira6: um dos principais expoentes do movimento dos pioneiros da escola nova

8 Anísio Teixeira fez seus primeiros estudos em colégios jesuítas em Salvador. Ingressou na faculdade de direito no Rio de Janeiro, formando-se em 1922. De volta à Bahia, assumiu o cargo de Inspetor Geral de Ensino, iniciando sua carreira de pedagogo e administrador público. Em 1928, ingressou na Universidade de Columbia, em Nova York, onde obteve o título de mestre e conheceu o educador John Dewey. Tornou-se Secretário da Educação do Rio de Janeiro em 1931 e realizou uma ampla reforma na rede de ensino, integrando o ensino da escola primária à universidade. Anísio Teixeira viveu até 1945.

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A Educação no Brasil a partir da década de 1930
Atenção
7 A Reforma Francisco Campos, em 1931, representou de fato uma ação objetiva do Estado em relação à educação, ou seja, uma organização da estrutura do ensino à base de um sistema nacional. Regulamentou uma estrutura orgânica ao ensino secundário, comercial e superior da época. Teoricamente foi uma grande reforma, na prática, entretanto volveu-se preferencialmente para organização do sistema educacional das elites. (ROMANELLI, 2001).

A partir do que já foi exposto, pode-se afirmar que, para o entendimento de como a educação brasileira foi se constituindo ao longo de sua trajetória, é necessário retomar a história da organização social brasileira, ou seja, é fundamental considerar as relações econômicas, políticas, sociais, de cada período histórico. Nesse sentido, Romanelli (2001), em seu livro História da Educação no Brasil, ao analisar a relação entre educação e desenvolvimento no Brasil a partir de 1930 até a década de 60, expõe três fases da evolução do sistema educacional brasileiro: de 1930 até 1937; de 1937 até 1946 e de 1946 até 1961. A seguir destacamos alguns elementos relacionados a cada fase:
A) De 1930 a 1937 No campo político vemos a atuação do governo provisório com Getúlio Vargas. No campo educacional, destacamos, nesse período, a Reforma Francisco Campos7 ocorrida em 1931 e a luta dos Pioneiros da Escola Nova contra as forças conservadoras da época, culminando com a carta de manifesto de 1932. B) De 1937 a 1946 Verifica-se outra fase do governo Vargas que faz a trajetória entre os anos de 1937 até os anos de 1945. Um período de regime político totalitário (ditadura), denominado de período do Estado Novo. No campo educacional, representou um intervalo nas lutas ideológicas em torno dos problemas educacionais. Destacamos, também, as Leis Orgânicas do Ensino10, as quais começaram a ser promulgadas a partir de 1942, e estruturaram o ensino técnico-profissional durante o período. C) De 1946-1961 Em 1946 é votada a constituição que restabelece o regime democrático no Brasil. Assim sendo, reinicia-se às lutas ideológicas em torno do Projeto de Lei para a construção das Diretrizes e Bases da Educação do Brasil. Em 1961, após treze anos de discussões, é promulgada a primeira Lei que regulamenta as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a Lei11 nº. 4.024/61.

Já a partir de 1964, constata-se uma crise na educação marcada pelo Golpe Militar e os Acordos Internacionais. Esse período de regime militar no Brasil caracterizou-se basicamente por práticas autoritárias9 nas ações do Estado, pela supressão dos direitos constitucionais, pela intimidação aos oposicionistas e pela imposição de censura prévia a todos os meios de comunicação.

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Atenção
8 Reforma relativa ao ensino secundário, também conhecida como a reforma CAPANEMA, em virtude do ministro Gustavo Capanema que por iniciativa própria iniciou as reformas em 1942, ainda de forma parcial.

No que se refere especificamente à educação, vários acordos são firmados entre o Ministério da Educação e Cultura (MEC) do Brasil com a Agência Norte-americana de Desenvolvimento Internacional (USAID). O objetivo principal desses era a implantação no Brasil de Programas americanos. Nesse período histórico, a educação no Brasil foi marcada por uma ênfase no tecnicismo e por duas reformas, uma no ensino primário, outra no ensino superior. A reforma do ensino superior, a partir da Lei nº. 5.540 de 1968, foi implantada de forma altamente autoritária, sem nenhuma discussão com a sociedade civil ou com as universidades. Tal reforma institui a departamentalização nas universidades, a matrícula por disciplina, o regime de créditos e o vestibular classificatório. Já na década de 1970, com a Lei 5692/71, há uma reforma no ensino do 1º e 2º. Graus, tornando o 2º. grau profissionalizante.

Filmoteca: Cinema em Ação Você sabia que o cinema brasileiro tem várias produções que reportam à época da ditadura militar? Para ampliar seus conhecimentos sobre o que representou esse período tenebroso para o Brasil, indicamos o filme “Que é isso, companheiro”. Seguem a sinopse e informações técnicas dessa produção cinematográfica. Pronto(a) para pegar a pipoca? Bom filme!!
Sinopse do Filme Em 1964, um golpe militar derruba o governo democrático brasileiro e, após alguns anos de manifestações políticas, é promulgado, em dezembro de 1968, o Ato Constitucional nº 5, que nada mais era que o golpe dentro do golpe, pois acabava com a liberdade de imprensa e os direitos civis. Neste período, vários estudantes abraçam a luta armada, entrando na clandestinidade. Em 1969, militantes do MR-8 elaboram um plano para sequestrar o embaixador dos Estados Unidos (Alan Arkin) para trocá-lo por prisioneiros políticos, que eram torturados nos porões da ditadura. Atenção
9 Você já leu o livro “Brasil: Nunca Mais “ ? Esta obra foi organizada por Dom Paulo Evaristo Arns. O livro apresenta vários exemplos de torturas que foram realizadas no período da Didatura Militar. É uma obra que revela o lado cruel de nossa história no período do regime militar.

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Informações Técnicas Título no Brasil: O que é isso, Companheiro? Título Original: O que é isso, Companheiro? País de Origem: Brasil Gênero: Drama Tempo de Duração: 105 minutos Ano de Lançamento: 1997 Direção: Bruno Barreto

Atenção
Com o acirramento da ditadura militar estabelecida em 1964, a produção artística de Chico Buarque sofreu grande impacto. Em 1967, ele estreou o espetáculo “Roda-Viva”, que acabou censurado. Em 1968, dada a repressão política, Chico Buarque preferiu o exílio na Itália.
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Você Sabia? No período da ditadura militar, vários pensadores, políticos e artistas foram exilados do Brasil, em virtude de perseguições políticas. Chico Buarque de Holanda foi um dos artistas que sofreu as consequências do exílio. Suas canções retratavam, de forma metafórica, o período da ditadura militar, denunciando a fala de liberdade de expressão como um dos grandes entraves neste cenário político-histórico-social. Veja a letra da música a seguir. Trata-se da canção “Cálice”, de autoria de Chico Buarque10 e Gilberto Gil. A letra da música denuncia a falta da liberdade de expressão do período. O próprio título (“Cálice”) é uma figura de linguagem que, do ponto de vista sonoro, apresenta duplo sentido. Podemos interpretar a expressão como o objeto (cálice de vinho tinto de sangue) e também podemos analisar como a expressão “Cale-se”!, a qual apresenta a mesma sonoridade. Assim, em um sentido figurado, a letra a seguir pode ser interpretada como um manifesto contra a falta da liberdade de expressão que mantinha as pessoas caladas, sem voz, diante das atrocidades da ditadura militar.

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CÁLICE (Gilberto Gil - Chico Buarque) Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue Como beber dessa bebida amarga Tragar a dor, engolir a labuta Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta De que me vale ser filho da santa Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta Como é difícil acordar calado Se na calada da noite eu me dano Quero lançar um grito desumano Que é uma maneira de ser escutado Esse silêncio todo me atordoa Atordoado, eu permaneço atento Na arquibancada pra a qualquer momento Ver emergir o monstro da lagoa De muito gorda a porca já não anda De muito usada a faca já não corta Como é difícil, pai, abrir a porta Esse pileque homérico no mundo De que adianta ter boa vontade Mesmo calado o peito, resta a cuca Dos bêbados do centro da cidade Talvez o mundo não seja pequeno Nem seja a vida um fato consumado Quero inventar o meu próprio pecado Quero morrer do meu próprio veneno Quero perder de vez tua cabeça Minha cabeça perder teu juízo Quero cheirar fumaça de óleo diesel Me embriagar até que alguém me esqueça.

Pós-ditadura militar: o processo de democratização do Brasil
Após vinte anos de ditadura militar, o Brasil reiniciou seu processo de democratização e, em 1988, é aprovada a Constituição Democrática de 1988. A partir desta carta magna, novos direitos são assegurados aos cidadãos brasileiros. Direito do cidadão de eleger os prefeitos dos municípios, os governadores dos Estados e o presidente da República, o reconhecimento e ampliação dos direitos dos trabalhadores, dentre outros. No que se refere especificamente à educação, a constituição 31

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de 1988 garante o ensino público e gratuito. Desse modo, objetiva universalizar o Ensino Fundamental, obriga o Estado a oferecer a todos o Ensino Fundamental e propõe erradicar o analfabetismo em dez anos.

A educação no contexto atual
Atenção
Você já conhece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação? Ainda não? Então, acesse: http://www. planalto.gov.br/ ccivil_03/LEIS/ L9394.htm Acesso em: 05 abr. 2009.
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Atualmente, no Brasil, a educação escolar é regulamentada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)11 Lei no. 9394/96. Assim sendo, a educação escolar pode ser oferecida em escolas da rede pública e da rede particular de ensino. As escolas públicas, cuja oferta é gratuita, são mantidas e administradas pelos governos Federal, Estadual e Municipal. As escolas privadas, mantidas por pessoas ou empresas, podem ser com fins lucrativos ou sem fins lucrativos. As escolas caracterizadas enquanto sem fins lucrativos podem ser denominadas de: comunitária; confessionais (religiosas e filantrópicas).

Conheça Mais Amplie e aprofunde os seus conhecimentos a partir de pesquisas em outras fontes. Abaixo seguem algumas indicações: http://www.pedagogia.com.br/historia.php http://.sbhe.org.br http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/ ARANHA, M. L. A. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989. 32

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Atividades e Orientações de Estudo Explore ao máximo o uso dos fóruns de discussão para colocar suas ideias e interagir com seus(suas) colegas, a fim de construir aprendizagens significativas. Quando necessário, você poderá interagir também com os(as) professores(as)/tutores(as) que irão acompanhar seu processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora, é hora de refletir. Vamos lá? 1– Qual a relação que se estabelece entre a educação e o contexto econômico, político, social, de cada período histórico no Brasil? 2– Na atualidade, o Brasil ainda vive resquício do período de ditadura militar?

Vamos revisar? Lembre-se! É muito importante, para o seu sucesso no curso e nesta disciplina, esforço e dedicação constantes. A leitura e a pesquisa para aprofundamento das temáticas aqui discutidas devem fazer parte de sua prática cotidiana. Reserve um tempo de estudo para você aprofundar suas leituras e pesquisas. Vamos revisar juntos? Leia com atenção e bons estudos!. Resumo
Você estudou, neste capítulo, aspectos sociais, econômicos e políticos que influenciaram e/ou determinaram a forma como a educação no Brasil se organizou, desde a Primeira República (1889-1930) até o processo de democratização na década de 1980. No início do século XX, vemos a demanda pelas escolas crescer e a não existência de quantitativo de vagas suficientes para atendêla, fruto do desenvolvimento econômico e urbano do período. Esse momento histórico de crise acentuada na educação impulsionou movimentos educacionais que culminou na assinatura da Carta do Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, em 1932 (movimento que defendeu a escola pública, obrigatória, gratuita e laica). Estudamos, também, várias reformas educacionais ocorridas nos diversos períodos aqui refletidos, bem como a promulgação da 1ª. Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) nº. 4.024/61 e a segunda LDB, a qual está em vigor, a LDB nº. 9394/96.

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Capítulo 3

As Constituições Brasileiras O que vamos estudar neste capítulo? • Constituição Brasileira de 1824 • Constituição Brasileira de 1891 • Constituição Brasileira de 1934 • Constituição Brasileira de 1937 • Constituição Brasileira de 1946 • Constituição Brasileira de 1967 • Constituição Brasileira de 1988 • Concepções brasileiras de educação nas diferentes constituições

• Contextos históricos e sociais que influenciaram a elaboração das constituições brasileiras

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Capítulo 3 - As Constituições Brasileiras: Panorama Histórico-social e Concepções de Educação
Vamos conversar sobre o assunto? Você já parou para pensar como as discussões sobre educação estão presentes nas constituições brasileiras? Ainda não? Então, é hora de começarmos a refletir sobre esse assunto, analisando o papel da educação nas diferentes constituições brasileiras. Certamente, você sabe que a linguagem jurídica utiliza uma terminologia própria. Algumas vezes, para pessoas que ainda não conhecem essa linguagem, pode parecer que é algo complicado e até chato. Mas, quando entendemos a linguagem que é utilizada, esta se torna muito mais fácil. Por exemplo, normalmente uma lei está em uma determinada categoria e recebe uma numeração, que é seguida do ano da promulgação12. Normalmente a lei é subdividida em partes. Observe:
• Título: com a numeração romana → indica o assunto que está tratando. Ex: Título II Dos Direitos e Garantias Fundamentais • Capítulo: é uma divisão da temática maior (Título) → especifica sobre que parte está falando. Ex: Capítulo 1 Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos • Seção → sub-parte do Capítulo Ex: Seção I Disposições Gerais • Artigos → é a normatização propriamente dita. Escreve-se em numeração indoarábico, Ex: Art. 1º • Incisos → subdivisão dos artigos Atenção
Você sabe o que é promulgação? É quando a lei é aprovada e deve entrar em vigor.
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Na área educacional, algumas leis são extremamente importantes, dentre elas: 35

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• A Constituição Federal (Constituição da República Federativa do Brasil) • A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB) Vamos, então, começar a discutir cada uma delas?

Conhecendo um pouco sobre a Constituição Brasileira
As constituições recebem a denominação de Carta Magna. Por que será que as Constituições recebem o nome de Carta Magna? O que é uma Constituição? Para que serve? Por quem é elaborada? Que tal refletirmos juntos(as) sobre esses questionamentos?

Figura 7 – Constituição de 1988

A Constituição é chamada Carta Magna porque é o documento inicial que traz a base legal para as diversas áreas da sociedade. Nela, está contida a legislação de um modo geral, desde a organização política, econômica e social do país, bem como seus segmentos. Sua utilidade é nortear os regulamentos da sociedade. Por isso mesmo é elaborada conjuntamente por diversos segmentos da sociedade. Até o presente momento já tivemos sete (07) constituições. No entanto, alguns autores consideram as reformulações que houve, em 1969, como características de uma outra constituição. Optamos por classificarmos em 07 (sete), uma vez que oficialmente só tivemos 07 constituições e não 08 (oito). 36

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É bom lembrar que nem todas tiveram caráter democrático. Em alguns momentos, tivemos avanços e em outros retrocessos. Vejamos um exemplo: a gratuidade do ensino. A gratuidade surge como uma inovação na Carta Imperial de 1824; desaparece na 1ª Constituição republicana em 1891. A partir de 1934 passa a ser reconhecida como um direito social atribuído ao cidadão. A Constituição de 1946 atribui à União a competência de legislar sobre fundamentos e políticas sociais de educação. Este é o começo do ciclo das Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ou seja, as disposições constitucionais vão ajustando a educação à estrutura política do país. No Brasil, houve sete (07) constituições, como foi comentado anteriormente, desde a Independência em 1822 até os dias atuais. É importante ressaltar que cada uma delas foi recebendo emendas. As Constituições de 1967 e 1988 foram abundantemente emendadas, fazendo com que a redação atual se distancie muito da redação original. As Constituições geralmente são promulgadas de dois a três anos após sua formulação (tempo utilizado para convocação de uma Assembleia Constituinte e para elaboração e aprovação do texto constitucional). Vamos conhecer um pouquinho sobre nossas constituições? Vamos lá?

A Constituição de 1824

Figura 8 – Imperador Dom Pedro II

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Nossa 1ª Constituição foi resultante da Declaração de Independência do país, que ocorreu em 1822. Após a Independência houve uma séria crise política entre o imperador e os deputados, então D. Pedro II dissolve a Assembleia Constituinte de 1823, nomeia um Conselho de Estado com 10 membros e em poucos dias elabora e outorga o texto constitucional. Por que ela é outorgada e não promulgada? Porque não foi uma lei debatida e aprovada democraticamente, como também não foi aprovada por uma Assembleia Constituinte. Mas apesar do caráter ditatorial, os estudiosos sobre o assunto afirmam que ela era “adiantada” para a época. Essa Constituição dispunha sobre a formação do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e do Poder Moderador. Criou um Estado Unitário, representado pelo monarca. A 1ª Constituição ficou em vigência durante 65 anos. Em 1834, sofreu modificação com o Ato Adicional. Dentre as inovações estão: a criação de Assembleias Legislativas nas províncias (legislavam sobre vários assuntos, inclusive instrução), criação do Município Neutro (a Corte) e extinção do Conselho do Estado. Ter uma Constituição brasileira já foi um passo importante para o país. Observe que só aconteceu em 1824, ou seja, já havia passado quantos anos da colonização e submissão a Portugal? Relembrando os Avanços e Retrocessos da Constituição de 1824 Que avanços tivemos em nossa primeira Constituição? Apesar de ter sido uma constituição outorgada e não promulgada trouxe avanços significativos, como, por exemplo, no Art. 1º do Título 1º, quando é anunciado que o Império do Brasil é a associação política de todos os cidadãos brasileiros formando uma Nação livre e independente. Outro avanço é ter permitido legalmente outras religiões que não seja a Católica Apostólica Romana, mesmo que sendo apenas um culto doméstico ou particular. Em relação à área educacional, tem-se a gratuidade a todos os cidadãos da instrução primária. Como retrocesso, nós temos o fato de ter sido arbitrária e autoritária a dissolução da Assembleia Constituinte de 1823 e ao engavetamento do projeto de constituição que estava sendo debatido. Sendo nomeado 38

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um Conselho de Estado que elaborou outro texto constitucional que foi outorgado pelo Imperador?

A Constituição de 1891

Figura 9 – Proclamação da República (Rio de Janeiro)

A nossa 2ª Constituição foi resultante do advento da República, proclamada em 15 de novembro de 1889. O Congresso Constituinte foi instalado no 1º aniversário da Proclamação da República; era tida como presidencialista, democrática e liberal. Como inovações trouxe: a separação entre a igreja e o Estado; a regulamentação do casamento, do registro civil e secularização dos cemitérios. Dispunha muito pouco sobre educação. Durou 43 anos, tendo a primeira modificação em 1926, que pouco alterou a “Lei Maior”. Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição de 1891 E a nossa 2ª constituição foi democrática? Ela foi promulgada ou outorgada13? Pelas discussões que fizemos anteriormente, você deve ter observado que ela foi promulgada14, o que foi um grande avanço político. Define as atribuições dos poderes e os direitos dos cidadãos. Prescreve o ensino leigo em estabelecimentos públicos e afirma que nenhum culto ou igreja gozará de subvenção oficial. O simples fato de o ensino não ser vinculado à igreja católica rompe a tradição do período colonial, uma vez que o mesmo foi marcado pelo ensino jesuítico e depois pelos resquícios deste. 39
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Atenção
Outorgado [Part. de outorgar.] Adjetivo. 1.Que se outorgou; que teve concessão; aprovado, permitido, concedido. Substantivo masculino. 2.Aquele a quem se outorga (mandato, poderes, etc.); beneficiário de outorga. Fonte: Dicionário Aurélio.

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No Art. 70 são eleitores os cidadãos maiores de 21 anos, que se alistarem na forma da Lei.
Atenção
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Observe o fragmento a seguir:
§ 1º Não podem alistar-se eleitores para as eleições federais ou estaduais: 1° Os mendigos; 2° Os analfabetos; 3° As praças de pret, excetuados os alunos das escolas militares de ensino superior; 4° Os religiosos de ordem monásticas, companhias, congregações ou comunidades de qualquer denominação, sujeitas a voto de obediência, regra ou estatuto, que importe a renúncia da liberdade individual. [...]

Do lat. [Promulgare] Verbo transitivo direto. Ordenar a publicação de(lei).

Fonte: Dicionário Aurélio.

Já era um avanço a possibilidade de votação, é claro que essa eleição ainda era muito restrita às camadas dominantes, pois estes detinham não só o poder econômico como também o político e o social. É bom lembrar que esta Constituição surgiu após a Proclamação da República, que foi um avanço político após a transição entre uma monarquia colonizadora, passando por um período imperial até enfim chegar num regime político próprio do povo brasileiro.

A Constituição de 1934
A Constituição de 1934 surgiu quatro anos após a Revolução de 1930, tendo como maior representante Getúlio Vargas. Nesse período, a situação econômica do país não era boa (reflexo direto do colapso na Bolsa de Nova Iorque ocorrido em 1929). As eleições eram fraudulentas e manipuladas por chefes políticos (coronéis), levando insatisfação popular, inclusive entre os oficiais mais jovens (dando origem ao movimento “Tenentismo”). O clima do Governo Vargas continuava difícil do ponto de vista econômico e político. A Constituição de 1934 foi considerada liberal e avançada, pois trouxe inovações como: direito de voto por parte das mulheres e eleição de “deputados classistas”. No entanto, teve uma curta duração, sendo vários dos seus direitos anulados com o “Estado de Sítio” (1935). 40

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Segundo Poletti (2001, p. 48):
“Seu pequeno tempo de vigência não afasta ou elimina a sua importância histórica. Ela, embora durasse pouco, projetou e ainda o faz, sua influência sobre o tempo futuro”.

A educação ocupou lugar de destaque na Constituição, sendo tratada no Capítulo II e em outros artigos, no corpo do texto legal, apontando e incorporando varias discussões e propostas dos educadores e intelectuais da época. Propunha: plano nacional de educação, obrigatoriedade e gratuidade do ensino primário, organização dos sistemas educacionais, liberdade de cátedra, vinculação de recursos de impostos pra manutenção e desenvolvimento dos sistemas de ensino, entre outros. Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição de 1934 A Constituição de 1934 atribui à União a competência de traçar as diretrizes da educação nacional, não excluindo a legislação estadual supletiva ou complementar sobre a educação.
Art. 10 compete concorrentemente a União e aos Estados: VI. difundir a instrução pública em todos os seus graus.

Nesta Constituição, há algumas alterações em relação a quem pode ser um eleitor brasileiro. Por exemplo, a abertura para serem eleitores as pessoas de ambos os sexos acima de 18 anos. No entanto, algumas restrições continuam.
Art 18 ... Parágrafo Único: Não se podem alistar eleitores: a) os que não saibam ler e escrever; b) as praças de pret, salvo os sargentos do Exército e da Armada, e das forças auxiliares do Exército, bem como os alunos da escolas militares de ensino superior e os aspirantes a oficial; c) os mendigos; d) os que estiverem, temporária ou definitivamente, privados dos direitos políticos.

Nesta Constituição, um Capítulo inteiro é destinado à Educação e à Cultura. O Capítulo II do Título V contém 10 artigos. 41

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Nesse capítulo específico, para a Educação, no Art. 149, coloca-se que:
“A educação é direito de todos e deve ser ministrada pela família e pelos poderes públicos, cumprindo a estes proporcioná-la a brasileiros e estrangeiros domiciliados no País, de modo que possibilite eficientes fatores da vida moral e econômica da Nação, e desenvolva num espírito brasileiro a consciência da solidariedade humana.”
Fonte: Constituição Brasileira de 1934.

O que significa tudo isso? Por que essa constituição se preocupou tanto com a educação? Esta Constituição foi um avanço para Educação. Ela foi influenciada pelo movimento da Escola Nova e suas propostas revelavam-se avançadas para a época, um período que se investiu na produção industrial, precisando-se, desta forma, de mão de obra qualificada. Outro aspecto importante foi a prescrição da necessidade da construção de um Plano Nacional para a Educação que fosse periodicamente reformulado. Outro avanço, também significativo, foi o estabelecimento da cota, nunca menos, de dez por cento, para a União e Municípios, e nunca menos de vinte por cento para os Estados e o Distrito Federal, investirem na Educação. Isto significou dar a devida importância que a Educação tem e disponibilizar oficialmente recursos públicos para mantê-la.

A Constituição de 1937

Figura 11 – Presidente Getúlio Vargas

Em 10 de novembro de 1937 foi dado o “Golpe de Estado”, instituindo-se a nova constituição, com Getúlio Vargas tornando42

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se a autoridade suprema do Estado, tendo o poder de dissolver o Congresso, indicar candidatos à chefia do governo e expedir decretosleis. Nesta constituição, havia toda uma seção dedicada à educação e à cultura. Apesar de ser um avanço dedicar uma seção à educação trazia traços ditatoriais, como, por exemplo, a exigência de uma contribuição módica mensal para a “caixa escolar”, para que os alunos não alegassem escassez de recursos financeiros, além de omitir vinculação de recursos para a manutenção e desenvolvimento do ensino. Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição de 1937 A Constituição anterior, apesar de ter sido uma das mais inovadoras em termos educacionais, teve curta duração. Em 1937, dentro do novo contexto político e econômico que foi sendo assumido construiu-se uma nova constituição. Dentre as diferenças em relação à Constituição de 1934 estão: • Estabelecer uma cota (caixa escolar) para os alunos que não provarem ser pobres; • Preocupação maior com o ensino profissional; • Não estabeleceu a cota mínima de contribuição com os impostos para educação das diversas esferas. O que isso significou? Houve um retrocesso em relação à importância atribuída para a educação na sociedade. Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição de 1967 A Constituição de 1967 foi promulgada durante o período da Ditadura Militar. Será que esse contexto influenciou a formulação da Lei? Claro que sim! Por exemplo, em relação aos direitos políticos estabelece:

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Art. 142. São eleitores os brasileiros maiores de 18 anos, alistados na forma da lei. § 1º. O alistamento e o voto são obrigatórios para os brasileiros de ambos os sexos, salvo as exceções previstas em lei. (Nas constituições anteriores não era obrigatório) § 2º. Os militares são alistáveis desde que oficiais, aspirantes a oficiais, guarda-marinha, subtenentes ou suboficiais, sargentos ou alunos das escolas militares de ensino superior para formação de oficiais.

Em constituições anteriores, não é cogitada, de forma escrita (legal), a candidatura dos militares. Observe o inciso a seguir:
§ 3º Não podem alistar-se eleitores: os analfabetos; os que não saibam exprimir-se na língua nacional; os que estejam privados, temporária ou definitivamente, dos direitos políticos. Em constituições anteriores não podiam votar os praças e vários outros cargos militares que agora não só podem votar como também ser eleitos.

Nesta Constituição, um Título é destinado à Educação. Vamos observar o trecho a seguir?
Título IV. Da Família, da Educação e da Cultura. No Art. 168. A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola; assegurada a igualdade de oportunidade, deve inspirar-se no princípio da unidade nacional e nos ideais de liberdade e solidariedade humana.

Acrescentou-se à lei a importância do lar para formação do indivíduo e o princípio da Unidade Nacional, característica do regime militar. Outro ponto a destacar está a questão da determinação da faixa etária obrigatória para o ensino primário e a gratuidade caso haja comprovação da falta ou insuficiência de recursos para o ensino oficial ulterior ao primário.

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§ 3º (...) II. O ensino dos sete aos quatorze anos é obrigatório para todos e gratuito nos estabelecimentos primários oficiais. III. O ensino oficial ulterior ao primário será, igualmente, gratuito para quantos, demonstrando efetivo aproveitamento, provarem falta ou insuficiência de recursos. Sempre que possível, o Poder Público substituirá o regime de gratuidade pelo de concessão de bolsas de estudo, exigido o posterior reembolso no caso do ensino de grau superior.

A questão do reembolso também é caracterizada como uma novidade. Vamos agora observar a Constituição de 1946. Vamos lá?

A Constituição de 1946

Atenção
Você já assistiu ao filme Pearl Harbor? Veja a dica de filma a seguir: “O diretor Michael Bay (Armageddon) apresenta o bombardeio japonês a Pearl Harbor e o envolvimento de dois amigos na batalha que fez com que os Estados Unidos entrassem na 2ª Guerra Mundial. Com Ben Affleck, Cuba Gooding Jr., Jon Voight e Alec Baldwin. Vencedor do Oscar de Melhores Efeitos Sonoros”. Fonte: http://www. adorocinema. com/filmes/pearlharbor/pearlharbor.asp
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Figura 12 – Ataque dos Japoneses a Pearl Harbor (USA)15 – 2ª Guerra Mundial

Em 02 de dezembro de 1945, foram eleitos deputados e senadores para formar a Assembleia Constituinte, incumbida de elaborar a Constituição. Na época, o Brasil estava em um processo de redemocratização, passando por uma ampla anistia política e a criação de novos partidos políticos. Essa Constituição foi considerada adiantada e liberal, concedia grande autonomia aos Estados e como forma de governo uma República federativa e democrática. Dedicou o Capítulo II do Título VI à educação e à cultura, estabelecendo o ensino primário obrigatório e gratuito, determinando que a União, os Estados e os Municípios deveriam aplicar um determinado percentual de seus impostos par manutenção e desenvolvimento do ensino. Estabeleceu, também, que à União cabia legislar sobre “diretrizes e bases” da educação nacional (art. 5º, XV, “d”) 45

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que deu origem às discussões sobre a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação nacional. Esta constituição recebeu 21 emendas e depois do Golpe de 1964, quatro Atos Institucionais. Relembrando os Avanços e os Retrocessos da Constituição de 1946 Você está lembrado em que contexto esta Constituição foi promulgada? Será que o fato de ter sido promulgada após a 2ª Guerra Mundial altera alguma coisa? Você já tem subsídios para responder a estas e outras questões. Em relação, por exemplo, à questão da nacionalidade e à cidadania continuam não podendo alistar-se:
Art. 132 ... os analfabetos. os que não saibam exprimir-se na língua nacional. os que estejam privados, temporária ou definitivamente, dos direitos políticos. Parágrafo Único – Também não podem alistar-se eleitores as praças de pré, salvo os aspirantes a oficial, os suboficiais, os subtenentes, os sargentos e os alunos das escolas militares de ensino superior.

Quanto à Educação, foi destinado a essa, juntamente com a Cultura, o Capítulo II, com 10 artigos. A questão da educação como direito de todos permanece, acrescenta a informação de que esta deve inspirar-se nos princípios da liberdade e nos ideais de solidariedade humana. Provavelmente, a questão de ter vivenciado uma Guerra fundamentou tais princípios. Entre as inovações, nesta lei, está a obrigatoriedade de manter o ensino primário gratuito para os seus servidores e os filhos destes das empresas industriais, comerciais e agrícolas em que trabalham mais de cem pessoas.

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No Art. 168...
V. o ensino religioso constitui disciplina dos horários das escolas oficiais, é de matricula facultativa e será ministrado de acordo com a confissão religiosa do aluno, manifestada por ele, se for capaz, ou pelo seu representante legal ou responsável.

A inovação está no poder de escolha. Volta-se a estabelecer uma cota de contribuição para educação.
Art. 169. Anualmente, a União aplicará nunca menos de dez por cento, e os Estados, o distrito Federal e os Municípios nunca menos de vinte por cento da renda resultante dos impostos na manutenção e desenvolvimento do ensino.

Em relação à organização do ensino, observe.
Art. 171. Os Estados e Distrito Federal organizarão os seus sistemas de ensino. Parágrafo Único – Para o desenvolvimento desses sistemas a União cooperará com auxílio pecuniário, o qual, em relação ao ensino primário, proverá do respectivo Fundo Nacional.

É hora de analisarmos a Constituição de 1967. Então, pronto(a) para conhecer um pouco mais sobre essa Constituição? Vamos lá!

A Constituição de 1967

O período que sucedeu o Golpe Militar foi marcado pelo autoritarismo, supressão de direitos, perseguição policial e militar, tortura e censura prévia dos meios de comunicação. Nesse contexto, foi aprovada a Constituição de 1967, a 6ª do país; em relação à educação, tratada em maior parte no Título “Da Família, da Educação e da Cultura”. Este título ampliava a obrigatoriedade 47

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do ensino primário, dos sete aos quatorze anos; omitia a fixação de percentuais de impostos para a manutenção e o desenvolvimento do ensino; previa a concessão de bolsas de estudos, mediante restituição, substituindo o regime de gratuidade do ensino médio e superior.

Emenda Constitucional 1, de 17/10/1969 chamada de Constituição de 1969
Em relação à educação, manteve-se o texto original da Constituição de 1967, mas introduziu-se a vinculação de 20%, pelo menos, da receita tributária municipal para o ensino primário. A Emenda Constitucional 24/1983 (Emenda João Calmon) determinava que a União aplicaria “nunca menos de treze por cento, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, na manutenção e no desenvolvimento do ensino”. Trataremos, no próximo capítulo, sobre a Constituição de 1988.

Conheça Mais Continue pesquisando sobre o assunto. Veja as indicações de referências para você continuar lendo e estudando mais sobre a temática abordada. • COSTA, Messias. A educação nas constituições do Brasil: dados e direções. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. • POLETTI, Ronaldo. Constituições brasileiras: 1934. Brasília: Senado Federal, 2001 (Coleção Constituições Brasileiras, v. 3). • ROMANELLI, Otaíza de O. História da educação no Brasil. 13. ed. Petrópolis: Vozes, 1991.

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Atividades e Orientações de estudo

Atividade 1 Vamos tentar refletir um pouco sobre o que estudamos? Responda às questões e formule um pequeno texto-síntese. Após a construção desse pequeno texto, tente adaptá-lo para uma linguagem musical, um rap, paródia ou outro gênero musical. 1– Qual a importância das Constituições no contexto político, econômico e social do país? 2– A partir da retrospectiva histórica, que foi traçada, defina os avanços e retrocessos que tivemos em relação à educação. 3– Analise criticamente as contribuições das Constituições. E então, conseguiu elaborar o texto-síntese? Agora socialize suas produções no fórum de discussão que será organizado pelos professores/tutores da disciplina. Lembre-se! Em um curso a distância, você precisa compartilhar suas experiências de leitura e suas produções textuais. É muito importante manter a interatividade e estabelecer a comunicação com os professores/tutores e com os colegas também. Vamos ampliar a nossa interatividade? Atividade 2 Nesta segunda proposta de atividade, lançaremos um desafio para você. Que tal elaborar notícias para um jornal sobre a educação, considerando o panorama histórico das diversas constituições apresentadas até o momento. Essa atividade deverá ser elaborada em pequenos grupos que serão organizados pelos professores/tutores. A ideia é elaborar um jornal com notícias e artigos sobre educação, considerando todo o panorama histórico-social comentado até o momento e as diversas concepções de educação apresentadas nas Constituições analisadas. Cada grupo poderá criar um nome bem interessante para o jornalzinho que estará produzindo. Neste jornal, vocês poderão colocar poemas, canções representativas das épocas, indicações de filmes, apresentar curiosidades, receitas culinárias, horóscopo, 49

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enfim, o que vocês desejaram publicar. O importante é que o jornal apresente notícias e artigos de opinião sobre a educação no Brasil, retomando o panorama histórico-social apresentado a partir das diferentes constituições brasileiras.

Lembrete
Após a elaboração do pequeno jornal, publique suas produções textuais no ambiente para socializar com todos(as). É importante que você organize um portfólio com todas as suas produções de textos, pesquisas e leituras realizadas. Lembre-se! Na Educação a Distância, é preciso investir na autoaprendizagem. A elaboração de portfólios para armazenar suas atividades, pesquisas e produções é uma estratégia importante para contribuir para sua autonomia.

Vamos revisar? É hora de reler o capítulo e tirar todas as suas dúvidas com os professores/tutores. Vamos revisar os principais tópicos apresentados neste capítulo? Resumo
Neste capítulo, você estudou as constituições brasileiras. Nós tivemos 07(sete) Constituições Brasileiras, a primeira foi em 1824 sendo outorgada pelo então imperador D.Pedro I. Foi um grande marco no sentido de ser o primeiro registro legal em todas as áreas da sociedade. Nossa segunda Constituição foi promulgada em 1891, a terceira em 1934, a quarta em 1937, a quinta em 1946, a sexta em 1967 e sétima e última em 1988. Cada uma delas foi influenciada pelo contexto em que foi formulada, tendo obviamente alguns avanços e alguns retrocessos de acordo com o momento político-econômico e social que estava sendo vivenciado pela sociedade.

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Capítulo 4

A Educação na Constituição de 1988 O que vamos estudar neste capítulo? • Constituição Brasileira de 1888 • Concepções brasileiras de educação nas diferentes constituições

• Contextos históricos e sociais que influenciaram a elaboração das constituições brasileiras • Princípios que regem o ensino nacional na Constituição de 1988 • A organização do sistema de ensino no Brasil na constituição de 1988

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Capítulo 4 - A Educação na Constituição de 1988
Atenção
Em algumas fontes de pesquisa encontra-se a indicação de que houve uma constituição em 1969. Neste trabalho, considera-se o fato de que, em 1969, o que de fato houve foi uma reforma no texto da constituição de 1967. É no texto constitucional a partir de 1969 que se escreve que a educação é dever do Estado.
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Vamos conversar sobre o assunto? Estudamos, no capítulo anterior, que já foram adotadas,no Brasil, um total de sete constituições. Assim, destacamos a educação nas constituições de: 1824; 1891; 1934; 1937; 1946;196716. Nesse capítulo, veremos como a educação é tratada na constituição brasileira atual. Você sabe qual é a constituição que está em vigor? Se você respondeu a constituição de 1988, acertou! A constituição de 1988 é a sétima constituição adotada no país. É a lei fundamental e suprema do Brasil, servindo de parâmetro de validade a todas as demais espécies normativas, ou seja, ela é a carta magna do Brasil. Quem era o presidente da república quando ocorreu a promulgação da constituição de 1988? A Constituição Federal em vigor foi promulgada no dia 5 de outubro de 198817), durante o governo do então presidente José Sarney (1985-1990). A promulgação veio três anos após a eleição de Tancredo Neves, primeiro presidente civil depois do golpe de 1964, por problemas de saúde não tomou posse, tendo assumido o governo o seu companheiro de chapa José Sarney.

Atenção
No dia 1º de fevereiro de 1987, 559 parlamentares já tinham iniciado os trabalhos para aprovar a nova lei suprema brasileira
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Figuras 13 e 14 - Tancredo Neves e José Sarney (1985-1990)

Até a carta magna de 1988 ser promulgada, foram necessários 18 meses de discussões. A constituição de 198818 substitui a de 1967, imposta pelo regime militar. 52

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Você alguma vez já leu a constituição brasileira de 1988? Quais os principais direitos adquiridos pela sociedade brasileira, a partir da promulgação da constituição de 1988? De um modo geral, podemos afirmar que a constituição de 1988 ampliou e fortaleceu os direitos individuais e as liberdades públicas, portanto, democrática19. No que tange especificamente à educação, você já observou quais são as normas específicas que a regem? Como estão postas as garantias constitucionais para a Educação? Pois bem, ao considerarmos tais questionamentos, refletiremos neste capítulo como a educação é contemplada na constituição de 1988. Você já comparou o que a constituição de 1988 traz de novo para a educação do país em relação às constituições anteriores? Refletiremos, inicialmente, destacando que é no artigo 6º. da Constituição de 1988 que se declara o direito à Educação. Observe o Art. 6º
Art. 6o São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 26, de 2000) Atenção
A Constituição 1988 assegurou garantias sociais, entretanto, completou duas décadas de existência, em outubro de 2008, com reformulações apresentadas através de várias emendas. A ampliação é resultado das mudanças promovidas no texto pelos parlamentares. A Constituição guarda em si a possibilidade de ser modificada, para melhor ou para pior. Existe a possibilidade de ela ser modificada com três quintos dos votos de todos os deputados e senadores do congresso nacional.
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É pela primeira vez na história das constituições que se explicita a declaração dos Direitos Sociais, e o direito à educação é destacado com primazia. Assim, a declaração do direito à educação na constituição de 1988 representa um salto de qualidade com relação à legislação anterior.

Atenção
Estendeu o direito de voto facultativo para os analfabetos e jovens de 16 e 17 anos, bem como reforça a necessidade de defesa do meio ambiente.
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Entretanto, ao mesmo tempo em que a constituição se apresenta enquanto avançada em muitos aspectos, ela nos remete ao fato de, no Brasil, parece que se fazem leis na certeza de que muitas delas não serão cumpridas. De qualquer modo, é sem dúvida a constituição mais democrática que nós já tivemos.

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Qual o artigo que trata especificamente sobre a educação enquanto direito de todos? É no artigo 205 que a educação é declarada enquanto direito de todos e dever do Estado e da família. Vamos observar?
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Sabemos que a educação do nosso País está longe de ser satisfatória. Embora os dados dos últimos anos apontem índices mais positivos, ainda há muito a ser feito. Mais do que o direito à escola, o direito de aprender deve ser estendido a todos os educandos.

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No que se refere aos princípios que regem o ensino nacional, você sabe quais são? Sobre os princípios que regem o ensino, podemos constatá-los no artigo 206, que aborda igualdade, liberdade, pluralismo, gratuidade, valorização dos profissionais, gestão democrática, garantia de padrão de qualidade, piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública. Observe:
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

A partir do que se declara no inciso VI, reflita e pesquise: Podemos afirmar, de maneira generalizada, que o ensino público do Brasil assume a gestão democrática enquanto princípio? Quais são os elementos característicos de um ensino pautado no princípio da democracia?

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Já no inciso IV, o mesmo assegura “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais”, sem excluir nenhum dos níveis e nenhuma das etapas da educação. Fato até então inédito, pois o ensino médio nas constituições anteriores era abordado como exceção e, no caso do ensino superior, nível nunca antes contemplado. Desse modo, a formulação do inciso IV do artigo 206 torna-se inovadora. Entretanto, é bom lembrarmos que, no artigo 208, o qual detalha o Direito à Educação, inciso II, não está afirmada a obrigatoriedade por parte do Estado na oferta do ensino médio, e sim a “progressiva universalização do ensino médio gratuito”. Redação esta que passou a vigorar a partir da Emenda Constitucional no. 14 de 1996. Originalmente o texto estava expresso como “progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade do ensino médio”. Assim sendo, a mudança na lei foi substancial, ficou o Estado desobrigado de ofertar o ensino médio. Quanto ao piso salarial do professor, é no inciso VIII, do artigo 206, que trata do piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. O piso salarial foi incluído pela Emenda Constitucional nº. 53, de 2006.

Quando, então, começou a vigorar esse piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública? Esse piso salarial do professor começou a vigorar no dia 1º de janeiro de 2009. O aumento, concedido pela União através da Lei 11.738/2008, no entanto, será concedido parcialmente. Os professores do magistério e do ensino básico da rede pública poderão contar com o novo piso salarial de R$ 950,00, por 40 horas/aula semanais. Em seu ponto de vista, você acredita que esse é um valor justo para um piso salarial de professor, para um trabalho de 40 horas/aula semanais?

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Sabemos que ainda há quem defenda que este valor é justo, ou até mesmo alto. Mas, em um país em que a educação ainda não é tratada com o devido valor e seriedade, quem então se importa com a valorização da categoria profissional dos professores?

Você sabia que é no artigo 208 que se detalha o direito à educação? Pois bem, é no artigo 208 que se declara o dever do Estado com a educação, a ser efetivado mediante garantia de:
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola.

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No artigo 2008, destacamos enquanto uma das novidades na constituição o inciso I, ao precisar que o dever do Estado para com o ensino estende-se mesmo aos que “a ele não tiveram acesso na idade própria”. Esse, sem dúvida, é um grande avanço na constituição em vigor.

Atenção
A educação básica no Brasil é composta de três etapas: educação infantil; ensino fundamental e ensino médio.
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No que se refere ao inciso IV, do mesmo artigo, a educação infantil ofertada para crianças até os cinco anos de idade, é importante lembrarmos que é obrigatória a matrícula do aluno a partir dos seis anos de idade no Ensino Fundamental. A educação infantil no Brasil é a primeira etapa da educação básica20, ou seja, é incorporada ao sistema regular de ensino, o que não ocorria na vigência da constituição anterior, pois esse nível de ensino era livre. Assim, “ensino livre” opõe-se ao ensino oficial, ensino não regulamentado pela legislação educacional.

No que se refere ao inciso II, “progressiva universalização do ensino médio gratuito”, lembramos que este texto veio com a alteração dada a partir da Emenda Constitucional no. 14, de setembro de 2006.
Atenção
A ideia era ampliar o período de gratuidade e obrigatoriedade, tornando o ensino médio parte do Direito à Educação.
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Originalmente, o texto declarava “progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade do ensino médio”. Desse modo, havia sido retomado um aspecto importante do texto de 1934, que aponta a perspectiva21 de “progressiva extensão da gratuidade e obrigatoriedade do ensino médio”. Assim, atualmente, a Emenda no. 14, de setembro de 2006, não só desobriga o Estado de ofertar o ensino médio, como torna menos efetivo o compromisso do Estado na incorporação futura 58

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deste nível de ensino à educação compulsória. O inciso VI, do artigo 2008, sobre a “oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando”, é um dispositivo de relevância significativa, uma vez que expressa o reconhecimento do dever do Estado para com a garantia ao cidadão trabalhador, a possibilidade de frequentar o ensino regular, além de especificar a necessidade de adequação às condições do educando.

Ainda em relação ao artigo 2008, vemos no § 2º um outro elemento inovador que é a possibilidade de responsabilizar não apenas o Poder Público em geral, mas também responsabilizar, de forma pessoal e direta, a autoridade incumbida da oferta a educação. Sobre a organização do sistema de ensino no Brasil, vemos que a normatização dada é o regime de colaboração entre os sistemas. Fica assim declarado:
Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996) § 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

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No que se refere especificamente ao financiamento da educação, vemos, no artigo 212, que anualmente a União aplicará nunca menos que 18% e os Estados, Distrito Federal e os Municípios 25%, no mínimo, “da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino”.

Em relação ao Plano Nacional de Educação, só após doze anos depois de promulgada a Constituição Federal de 1988, é que surge à norma legislativa posta no seu artigo 214 e requerida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB no. 9394/96). A Lei que aprova o PNE é a de número nº 10.172/2001, e o mesmo se encerra em 2010 e deve entrar em vigor o PNE correspondente à década seguinte. Assim está posto na constituição de 1988. Observe!
Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração plurianual, visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do Poder Público que conduzam à:

I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho; V - promoção humanística, científica e tecnológica do País. O Plano Nacional de Educação (PNE) foi criado pelo MEC, o documento traça as diretrizes e metas para a Educação brasileira, que devem ser cumpridas até o final desta década (2.010). O MEC 60

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contou com a participação de mais de 60 entidades, entre sindicatos, associações, conselhos e secretarias de Educação. O plano foi enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional no final de 1997. Parlamentares apresentaram um projeto substitutivo e, após muitos debates e emendas, o plano foi sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 9 de janeiro de 2001.

Atividades e Orientações de estudo Vamos sistematizar o que estudamos? Formule um texto-síntese, contemplando os seguintes tópicos: 1– Qual a importância da Constituição de 1988 no contexto político, econômico e social do país? 2– A partir das análises que foram esboçadas, elenque os avanços que tivemos na educação a partir da constituição de 1988. Após elaborar o seu texto-síntese, arquive sua produção em seu portfólio de atividades. Registre todas as atividades que você está realizando. Lembre-se! Você também será avaliado continuamente pelas atividades virtuais que está realizando. Refletindo um pouco mais... Para refletir um pouco mais e pesquisar: O Estado brasileiro está acima das leis que regem o nosso país? O Estado brasileiro tem obrigações para com o cidadão?

Você Sabia? Você sabia que existem dispositivos estabelecidos pela Constituição de 1988 para defender o cidadão quando seus direitos são negados? Você já ouviu falar em alguns desses dispositivos estabelecidos pela constituição de 1988 e o que eles significam? a) Habeas-corpus.

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b) Habeas-data. c) Mandado de Segurança. d) Mandado de injunção. e) Ação popular. Que tal pesquisar um pouco sobre esses termos? Entreviste um profissional da área de direito e vá ao dicionário para pesquisar sobre esses termos. É importante reconhecer que a construção da cidadania efetiva-se quando conhecemos os nossos direitos e deveres.

Vamos revisar? Após as informações apresentadas neste capítulo, procure refletir um pouco mais. Reserve um tempo para organizar seus estudos e revise os conteúdos apresentados. É hora de reler o capítulo e verificar se não restam dúvidas. Lembre-se! Em um curso a distância, você, caro(a) aluno(a), precisa desenvolver um metodologia de estudo baseada na auto-aprendizagem. Portanto, leia muito e continue pesquisando sobre os conteúdos abordados. Vamos revisar os pontos principais deste capítulo? Resumo
A Constituição de 1988 foi um marco importante na história de nossa legislação. Foi formulada e promulgada na efervescência do processo de redemocratização. Vários grupos de interesses distintos estavam fazendo parte da Assembleia Constituinte, deixando por isso algumas “brechas” na lei, já que a mesma tentava contemplar os interesses distintos. No momento, já se passaram mais de 20 anos de sua promulgação e apesar das emendas que sofreu e de algumas discussões sobre a necessidade de uma nova Constituição, a nossa continua sendo considerada inovadora. Desse modo, o que parece de fato ser necessário a ser realizado é um esforço maior por parte de toda a sociedade para que essa lei, em sua totalidade, possa ser efetivada.

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Conheça Mais Continue ampliando as suas leituras e vá pesquisando sobre os conteúdos propostos. Lembre-se! A pesquisa faz parte de todo o percurso de aprendizagem, culminando, na Educação a Distância, com o processo de autoconhecimento e com o desenvolvimento da autonomia do aluno. Então, mãos à obra. Vamos pesquisar? BRASIL. Constituição Federal do Brasil de 1988. COSTA, Messias. A educação nas constituições do Brasil. Rio de Janeiro: DP&A , 2002. FAVERO, Osmar (org.). A educação nas constituições brasileiras:1823-1988. Campinas, SP: Autores Associados, 1996. h t t p : / / c d i j . p g r. m p f . g o v. b r / n o t i c i a s / c f - 2 0 - a n o s / particularidades-1988 Acesso em: 05 abr. 2009. http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/clipping/novembro-2008/aconstituicao-de-1988-nos-seus-20-anos-iv/ Acesso em: 05 abr. 2009. http://magrs.net/?p=333 Acesso em: 05 abr. 2009.

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Considerações Finais
Olá, Cursista! Esperamos que você tenha aproveitado este primeiro módulo da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. No próximo módulo, estudaremos a LDB e suas especificidades. Você vai perceber a importância da LDB como instrumento regulamentar para as diversas áreas da educação brasileira. Nesse sentido, o final deste módulo já é uma motivação para que você fique curioso(a) para as próximas reflexões sobre nossa legislação. Aguardamos sua participação no próximo módulo. Até lá e bons estudos! Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento Professoras Autoras

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Referências

Bibliografia Básica ARANHA, M. L. A. História da educação. São Paulo: Moderna, 1989. BRASIL. Constituição Federal do Brasil de 1988. BRASIL/MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº. 9394/96. BRZEZINSKI, I. (org.) LDB Interpretada: diversos olhares se entrecruzam. São Paulo: Cortez, 1997. COSTA, Messias. A educação nas constituições do Brasil: dados e direções. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. FAVERO, Osmar (org.). A educação nas constituições brasileiras: 1823-1988. Campinas, SP: Autores Associados, 1996. GUIRALDELLI Jr., P. História da educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000. LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006. POLETTI, Ronaldo. Constituições brasileiras: 1934. Brasília: Senado Federal, 2001 (Coleção Constituições Brasileiras, v. 3). ROMANELLI, O. História da educação brasileira (1930/1973). 25. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. Bibliografia Complementar FREITAG, B. Escola, estado e sociedade. São Paulo: Cortez e Moraes, 1986. LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006. RIBEIRO, M.L.S. História da educação brasileira: a organização escolar. 15ª.Ed. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 1998. 65

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SAVIANI, D. Política e educação no Brasil. São Paulo, Autores associados, 1996. Disponível em: www.http://portal.mec.gov.br/

Conheça as Autoras
Ivanda Maria Martins Silva Olá, Pessoal! Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a distância, ofertados pela UFRPE e pela UPE, produzindo materiais didáticos para disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e Produção Textual e Português Instrumental. Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual: múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão: múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações editadas pela Baraúna/Recife. Maria Lúcia Soares Olá, Pessoal! Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdade Integrada de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas 66

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Pedagógicas e Projetos Educacionais. Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares. Roseane Nascimento Olá, Cursistas!! Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de pós-graduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento e Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela UFPE, na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo pesquisa em políticas públicas de qualificação profissional. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA). Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão a disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração, execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental.

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Ivanda Martins, Maria Lúcia Soares, Roseane Nascimento

Recife, 2009

Universidade Federal Rural de Pernambuco Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos Produção Gráfica e Editorial Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim e Gláucia Micaele Silva Revisão Ortográfica: Marcelo Melo Ilustrações: Pablo Martins e Glaydson da Silva Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos

Sumário
Apresentação ........................................................................................4 Conhecendo o Volume 2 ......................................................................5 Capítulo 1 - A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394/96 – Trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais...............................................7 Capítulo 2 - A Educação Básica e Superior na LDB ........................21 Capítulo 3 - Modalidades da Educação na LDB ...............................34 Conheça as Autoras ...........................................................................50

Apresentação
Caros(as) Cursistas, Sejam bem-vindos à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Vimos desde o primeiro módulo que esta disciplina tem o objetivo de familiarizar os licenciandos com a estrutura da organização educacional e com a legislação que regulamenta a mesma. Desse modo, iniciamos a nossa caminhada com uma breve retrospectiva histórica. Neste segundo módulo, vamos conhecer um pouco da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que está em vigor, Lei nº. 9394/96. Seguiremos a mesma lógica de entendimento percorrida por nós no primeiro módulo, ou seja, ampliar e aprofundar o entendimento de que a educação está ancorada em processos históricos, políticos e sociais, os quais precisam ser discutidos e compreendidos pelos educadores, no sentido de construirmos uma visão crítica dos modelos educacionais brasileiros. Convidamos, mais uma vez, você para embarcar nesta viagem rumo ao interessante universo da educação, a partir da legislação específica vigente que regulamenta a educação no nosso país. Prontos(as) para embarcar nesta viagem? Então, vamos lá? Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento As autoras

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Conhecendo o Volume 2
Neste segundo volume, você irá encontrar o segundo módulo da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Para facilitar seus estudos, veja a organização deste segundo módulo. Módulo 2 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394/96 Carga horária do Módulo 2: 15 h/aula Objetivo do Módulo 2: Analisar a organização da educação brasileira a partir da legislação específica vigente, Lei nº. 9394/96. Conteúdo Programático do Módulo 2: 1. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no. 9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais. Níveis e modalidades de ensino e sua estrutura organizacional conforme a legislação vigente. 2. Educação Básica e Superior na LDB • Educação Infantil • Educação Fundamental • Ensino Médio • Educação Superior 3. Modalidades da Educação na LDB • Educação de Jovens e Adultos • Educação Especial • Educação Profissional • Educação a Distância

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Capítulo 1

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº. 9394/96 – Trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais O que vamos estudar neste capítulo? • A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no. 9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais. • Níveis e modalidade de ensino e sua estrutura organizacional conforme a legislação vigente.

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Capítulo 1 - A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394/96 – Trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais
Vamos conversar sobre o assunto? Você já parou para pensar quais os caminhos e processos percorridos até a aprovação de uma Lei? Quanto tempo levou a discussão até a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases que rege a educação no nosso país, Lei nº. 9394/96?

Pois bem, esta é a hora de iniciarmos a discussão sobre a legislação específica que regulamenta os níveis e modalidades da educação no Brasil. Para iniciarmos a nossa conversa, vamos lançar mais alguns questionamentos para você refletir um pouco mais. Vamos lá? Você conhece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº. 9394/96? Já parou para analisar como ficou estruturada a Educação no Brasil a partir dessa lei? Você acredita que para um cidadão comum, e mais ainda para um profissional da educação, é fundamental o conhecimento da legislação que regulamenta o sistema de ensino no Brasil? Ao considerarmos tais questionamentos, iniciamos nosso percurso de estudos afirmando que um dos pressupostos que orientam o presente módulo é o da importância de nós, enquanto profissionais, conhecermos a legislação educacional, bem como refletirmos 7

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criticamente sobre essas leis e, a partir delas, atuarmos enquanto agentes de transformação social, com vistas a uma educação efetivamente democrática, inclusiva e de qualidade para todos. Vamos agora conhecer um pouco sobre a Lei específica que rege o nosso sistema de ensino? Vamos lá?

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no. 9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais
Você já parou para pensar que a legislação educacional no Brasil sempre esteve em consonância com o modelo político de sociedade em cada período histórico? E você sabe qual é o atual modelo político de sociedade que rege o nosso país? Refletiu? A qual conclusão você chegou? É importante frisarmos que a Lei vigente foi fruto de intensas lutas ideológicas entre interesses de grupos sociais divergentes.

Basicamente, podemos caracterizar esse momento de embate em torno da aprovação dessa Lei maior da Educação Brasileira a partir de dois projetos que se confrontaram: àquele que representava, de certa forma, interesses mais ligados às bandeiras de movimentos e entidades organizadas da sociedade civil ligados à defesa do setor público, e, em contrapartida, o projeto do Senado, que traduzia interesses mais ligados à burocracia estatal.

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De início, os grupos de educadores defendiam um anteprojeto de lei que tinha como princípios àqueles propostos durante a IV Conferência Brasileira da Educação – CBE, de 1986. O intuito era subsidiar a Constituinte Nacional, com relação às políticas educacionais. Posteriormente, outros princípios foram dando corpo à proposta inicial e resultou na elaboração do anteprojeto de LDB no. 1.258-C/88 defendido pelo movimento social denominado Fórum em Defesa da Escola Pública. Oito anos de debate intenso, de trama legislativa e atuação do executivo conseguiram descaracterizar o primeiro anteprojeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e seus substitutivos apresentados à Câmara Federal e defendidos pelos educadores. Ou seja, o projeto desejado pelos educadores não vingou, pois em contraposição a este foi aprovado um outro que teve como ponto de partida o anteprojeto do Senador Darcy Ribeiro, elaborado de forma pouco democrática, em conciliação com o executivo, com suporte decisivo do governo federal. Assim, Darcy Ribeiro foi o relator da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sancionada em 20 de dezembro de 1996 e que leva o seu nome.

A literatura educacional crítica aponta que a LDB nº 9394/96 é de cunho essencialmente neoliberal. Ou seja, em muitos aspectos 9

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Atenção
1 O Neoliberalismo se configurou em países da América Latina, a exemplo do Brasil, enquanto um projeto de sociedade que tem se materializado, efetivamente, nas ações políticas com a desregulamentação do papel do estado enquanto provedor das questões sociais. A doutrina neoliberal caracteriza-se por pregar que o Estado intervenha o mínimo na economia, mantenha a regulamentação das atividades econômicas privadas num mínimo e deixe agir livremente os mecanismos do mercado. O neoliberalismo nasceu logo após a II Guerra Mundial, na Europa e na América do norte onde imperava o capitalismo. Nas últimas décadas esse movimento passou a ser em escala mundial.

o Estado apresenta-se enquanto mínimo e/ou inexistente no que se refere a promover a efetivação de direitos educacionais aos cidadãos, restando a estes buscarem por “forças próprias” o alcance de tais objetivos.

Pois bem, ao reconhecermos que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº. 9394/96 é essencialmente de cunho neoliberal1 não significa desconhecer o importante papel que lhe cabe na formulação e no gerenciamento de uma política educacional para a nossa sociedade.

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Mini-biografia
Quem foi Darcy Ribeiro? Vamos conhecer um pouco sobre a vida e a obra de Darcy Ribeiro? Darcy Ribeiro nasceu em 26 de outubro de 1922, em Montes Claros, no Norte de Minas. Etnólogo, antropólogo, professor, educador, ensaísta e romancista, notabilizou-se como um dos maiores educadores brasileiros. Dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios da Amazônia (19461956), período em que fundou o Museu Nacional do Índio, no Rio de Janeiro. Foi ministro da Educação e da Casa Civil no governo João Goulart. Fundou a Universidade de Brasília (UnB). Depois da Revolução de 1964, foi exilado, morando em vários países da América Latina. Em 1972, no Chile, trabalhou com Salvador Allende. Retornou ao Brasil em 1976. Foi eleito vice-governador do Rio (1982), onde implantou 500 Cieps e 200 salas de aula no sambódromo. Foi eleito senador em 1990 e relator da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sancionada em 20 de dezembro de 1996 e que leva o seu nome. Darcy, eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1992, teve mais de 35 livros publicados. Depois de sua morte, em fevereiro de 1997, teve publicado o livro Confissões, no qual conta suas memórias2. Atenção
2 Você encontrará esta biografia e outras informações sobre o educador Darcy Ribeiro em: http://www.uai. com.br/UAI/htlm/ sessão_2/2009/02/ 15/em_noticia_ internaid_ sessao=2&id_ noticia=99257/ em_noticia _interna.shtml Acesso em: 19 abr 2009.

Cinema em Ação Para uma melhor compreensão de uma das formas de como o fenômeno do neoliberalismo pode se manifestar socialmente com aparência de “naturalidade”, sugerimos que você assista ao filme “À procura da felicidade”. 11

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Também, sugerimos que você realize a leitura de uma análise crítica sobre o filme contida no endereço eletrônico a seguir: http:// www.pstu.org.br/autor_materia.asp?id=6085&ida=59 Acesso em: 19 abr 2009.

Veja a sinopse do filme!
Sinopse Em À Procura da Felicidade, Chris Gardner (Will Smith) é um homem de família lutando para sobreviver. Apesar de todas as tentativas para manter a família unida, a mãe (Thandie Newton) de seu filho de cinco anos Christopher (Jaden Christopher Syre Smith) está constantemente sobre uma forte pressão financeira. Sem condições de suportar a situação, ela relutantemente decide partir. Chris, agora um pai solteiro, continua a perseguir desesperadamente um emprego com melhor remuneração, usando toda sua habilidade de vendedor. Ele ingressa como estagiário numa grande importante corretora de ações, e apesar de não haver salário, ele aceita, na esperança de no final do programa conseguir um emprego e um futuro promissor. Sem apoio financeiro, Chris e seu filho são despejados de seu apartamento e logo são forçados a dormir em abrigos, estações de ônibus, banheiros e onde quer que possam achar refúgio durante a noite. Apesar dos problemas, Chris continua a honrar seu compromisso como um pai amoroso e afetuoso, usando a afeição e a confiança que seu filho depositou nele para superar os obstáculos que encontra. Já Viu o Filme? Informações Técnicas Título no Brasil: À Procura da Felicidade Título Original: The Pursuit of Happyness País de Origem: EUA Gênero: Drama Classificação etária: Livre Tempo de Duração: 117 minutos Ano de Lançamento: 2006 Estréia no Brasil: 02/02/2007 Site Oficial: http://www.aprocuradafelicidade.com .br Estúdio/Distrib.: Columbia Pictures Direção: Gabriele Muccino
http://www.adorocinema.com/filmes/a-procura-da-felicidade/a-procura-da-felicidade.asp Acesso em: 10 mai 2009.

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Discuta com seus colegas a temática apresentada pelo filme em um fórum de discussão que poderá ser orientado pelos professores/ tutores, os quais irão auxiliar você no desenvolvimento das atividades virtuais. Participe! De volta ao assunto A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em discussão desde 1988, finalmente foi aprovada como lei ordinária no Congresso Nacional (Lei no. 9394/96). Na LDB/96, são regulamentados pontos do capítulo sobre educação da Constituição Federal, ocupando-se da educação escolar, embora apresente uma visão ampliada de educação. Como já estudamos no módulo anterior, a educação brasileira, tal como estabelece os artigos 205 e 206 da Constituição Federal de 1988, visa ao pleno desenvolvimento da pessoa, a seu preparo para o exercício da cidadania e a sua qualificação para o trabalho.

Assim sendo, a LDB/96 suscitou e tem suscitado muitos debates, boa medida em função das expectativas geradas junto às pessoas que constituem a comunidade à qual a legislação se dirige, como seus destinatários específicos. Veremos essas especificidades no segundo e terceiro capítulo desse módulo. Assim sendo, no tópico a seguir, vamos analisar quais são os níveis e modalidades de ensino e a estrutura organizacional da educação escolar no Brasil, conforme regulamenta a legislação vigente.

Níveis e modalidades de ensino e sua estrutura organizacional conforme a legislação vigente
Você sabia que, na LDB nº 9394/96, a educação escolar está organizada em níveis e modalidades? 13

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Em qual(is) dessa(s) categoria(s) está situado o curso de graduação que agora você está fazendo? Já refletiu? Então, vamos lá! De acordo com a LDB 9394/96 a educação escolar compõemse de dois níveis: educação básica e educação superior. De acordo com o artigo 21, a educação básica é formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Assim sendo, se você respondeu que o seu curso faz parte do nível superior, acertou!!!! No que se refere às modalidades de ensino, temos: educação profissional; educação de jovens e adultos e educação especial. A educação profissional é abordada do capítulo 39 até o capítulo 42, os quais afirmam que esta modalidade de ensino deve estar integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia e visa ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. Os artigos 37 e 38 da LDB/96 regulamentam que a educação de Jovens e Adultos destina-se aos que não tiveram acesso ao ensino fundamental e médio na idade própria, bem como àqueles que desejam dar continuidade de estudos nesses níveis de ensino. São os artigos 58, 59 e 60 da LDB 9394/96 que regulamentam a modalidade de educação especial. Segundo a lei, tal modalidade deve ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais.

Conheça Mais Lembre-se: em um curso a distância, é fundamental que você desenvolva uma sistemática de estudo, a fim de construir o seu conhecimento sobre o tema abordado e sua autonomia enquanto sujeito do processo. Continue lendo e pesquisando cada vez mais sobre os vários pontos abordados neste capítulo. Então, vamos continuar estudando, lendo e pesquisando? Veja as indicações a seguir: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view= article&id=12907:legislacoes&catid=70:legislacoes Acesso em: 14

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19 abr 2009 Portal.mec.gov.br/conae/imagens/stories/pdf/conae_ completo22pdf Acesso em: 19 abr 2009 http://www.uai.com.br/UAI/html/sessão_2/2009/02/15/em_ noticia_inteerna,id_sessão=2&id_noticia=99257/em_noticia_ interna.shtml Acesso em: 19 abr 2009
Atenção
Segundo Bernie Doge, WebQuest é “uma investigação orientada na qual algumas ou todas as informações com as quais os aprendizes interagem são originadas de recursos da Internet”. Acesse: WWW.webquest. futuro.usp. br∕artigos∕textos_ bernie.html
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Webquest: pesquisa em ação Vamos desenvolver uma WebQuest3 sobre o assunto apresentado neste capítulo? Título da WebQuest: Educação e processos de globalização e neoliberalismo no Brasil:um olhar crítico sobre a LDB 9394/96

A Tarefa Sua missão é atuar como um pesquisador, a fim de elencar e analisar pontos contidos na LDB 9394/96 que podem ser caracterizados enquanto expressão de uma política educacional neoliberal no Brasil. Produza um texto dissertativo de, no mínimo, duas laudas. Lembrese! O texto dissertativo precisar apresentar início (introdução), meio (desenvolvimento) e fim (conclusão). Trata-se de um texto de caráter argumentativo, em que você deve deixar claro o seu ponto de vista sobre o assunto abordado.

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O Processo Realize pesquisas em livros, revistas, sites, a fim de coletar informações sobre o tema. Essa atividade poderá ser realizada em grupos de trabalho, os quais deverão ser orientados pelos professores que estarão acompanhando os percursos de aprendizagem dos cursistas nesta disciplina. Após elaborar o seu documento, tente publicá-lo na plataforma do ambiente moodle, a fim de que os demais colegas consigam visualizar a sua produção. A Avaliação

Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes critérios: • Clareza, coerência e coesão na organização da produção textual. • As referências utilizadas para subsidiar a produção do documento. Conclusão Caro(a) Cursista, Por meio dessa atividade, você percebeu a importância de realizar pesquisas e continuar estudando sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB 9394/96. Compartilhe suas experiências com outros colegas, publicando sua produção na plataforma do ambiente. Se precisar de ajuda, poderá contar com o apoio dos professores que estarão disponíveis para ajudar você na realização desta atividade. Boa sorte e bons estudos! Referências Pesquise a partir dos sites indicados para que você consiga desenvolver a atividade proposta. 16

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www.webquest.futuro.usp.br∕artigos∕textos_bernie.html h t t p : / / w w w. s c i e l o . b r / s c i e l o . p h p ? p i d = S 0 1 0 1 73302003000100005&scrpt=sci_arttext&ing=es Acesso em: 20 abr 2009. Política educacional emprego e exclusão social in: http://scholar. google.com.br/scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C 3%A3o+neoliberalismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar &lr= Acesso em: 20 abr 2009 Política educacional em tempos neoliberais – o econômico definindo o pedagógico in: http://scholar.google.com.br/ scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C3%A3o+neoli beralismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar&lr=Acesso em: 20 abr 2009

Atividades e Orientações de Estudo

Vamos fazer uma reflexão? Esse momento é especialmente para refletirmos sobre alguns aspectos relacionados com a temática em tela. Lembre-se! É importante trocar experiências com seus(suas) colegas, você poderá utilizar os fóruns de discussão para colocar suas ideias. Se precisar de ajuda, você poderá interagir com os(as) professores(as) que estão à sua disposição para esclarecer, tirar dúvidas, acompanhar o seu processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora é hora de refletir. Vamos lá? 1– Por qual(is) motivo(s) formular uma Lei de Diretrizes e Bases para a educação nacional suscita tantos debates e lutas ideológicas entre diferentes grupos sociais? 2– Por que é importante conhecermos a legislação que regulamenta o sistema de ensino de nosso país? 3– É coerente atribuirmos a uma lei educacional força ou mesmo potencialidade para provocar uma revolução da educação do país?

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Vamos participar de um chat?

Agora é hora de continuar conversando e discutindo sobre a temática que você estudou neste capítulo, a fim de ampliar e aprofundar as discussões sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB 9394/96. Que tal participar de um chat temático? Lembre-se! Você está sendo continuamente avaliado(a) com base na participação das atividades virtuais que estão sendo realizadas no ambiente. Não perca esta oportunidade de interagir virtualmente com seus colegas e professores/tutores!

Vamos revisar? É hora de você aprofundar os seus estudos e continuar aprendendo. Lembre-se! Aprender a conhecer é um pilar da educação muito importante quando pensamos em cursos na modalidade a distância. O sucesso nesta disciplina de Estrutura e Funcionamento da Educação depende muito do seu esforço, no sentido de ampliar a motivação para “aprender a conhecer”, descobrindo o prazer da aprendizagem significativa nos ambientes virtuais de aprendizagem. Então, vamos aprender juntos(as)? Leia com atenção o resumo a seguir e bons estudos!.

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Resumo
Neste capítulo, você estudou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº. 9394/96 – trajetória e perspectivas dentro do panorama atual da globalização, das políticas neoliberais. Também, você conheceu quais são os níveis e modalidades de ensino no Brasil, a estrutura organizacional conforme a legislação vigente. Ou seja, o nível básico e superior de ensino. As modalidades de educação profissional, educação de jovens e adultos e educação especial. Refletiu sobre a importância não só de conhecermos sobre a lei específica da educação, como também, e necessariamente, o papel social que a categoria de professores tem que assumir, enquanto sujeitos críticos e interventores frente às problemáticas significativas postas à educação, ao social.

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Capítulo 2

A Educação Básica e Superior na LDB O que vamos estudar neste capítulo? • A educação básica: • Educação Infantil • Ensino Fundamental • Ensino Médio • Educação Superior

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Capítulo 2 - A Educação Básica e Superior na LDB
Vamos conversar sobre o assunto? Você lembra que, no capítulo anterior, aprendemos que a educação, no Brasil, a partir da LDB nº 9394/96, ficou composta de dois níveis? Lembra? Nível básico e nível superior. Neste capítulo, vamos estudar como estão estruturadas as etapas da educação básica, bem como a organização da educação superior. Vamos refletir sobre o assunto?

Educação Básica
No Brasil, a educação básica, a partir da LDB nº 9394/96, é composta de três etapas: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Tem por finalidade desenvolver o educando, assegurando-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecendo-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.

Que tal iniciarmos com a organização dos níveis escolares proposta pela LDB? Leia o texto a seguir e observe como a LDB/Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 define a educação básica no Brasil.

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Da Composição dos Níveis Escolares Art. 21. A educação escolar compõe-se de: I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II - educação superior. Capítulo II Da Educação Básica Seção I Das Disposições Gerais Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.
Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009.

Você percebeu que a Educação Básica é formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio? Então, é hora de começarmos a entender melhor cada uma dessas modalidades de ensino. Vamos lá? Vamos iniciar nossa discussão apresentando a educação infantil como primeira modalidade a ser comentada nesta trajetória. Você já parou para pensar sobre a organização da educação infantil? Ainda não? Então, é hora de refletirmos sobre o assunto.

A Educação Infantil
A educação infantil é entendida na Lei nº 9394/96 enquanto primeira etapa da educação básica. O artigo 29 da lei expressa que essa etapa de ensino tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até 6 anos de idade em seus aspectos físico, psicológico, social e intelectual, complementando a ação da família e da comunidade. Nesse sentido, tal forma de entendimento da educação infantil passa a ser apontada como um dos avanços da lei.

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A partir da Lei no. 11.274/2006 que institui o ensino fundamental de 9 anos de duração e a inclusão das crianças de seis anos de idade, a educação infantil, que antes era dos 0 aos 6 anos passa a ser atualmente dos 0 até os 5 anos. Antes da Lei 9394/96, a educação infantil inexistia enquanto espaço de uma das etapas da formação escolar. Era uma perspectiva apenas assistencialista e sem preocupação pedagógica, nem mesmo exigia o envolvimento de profissionais da área educacional.

Veja como a Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 define a educação infantil.
Da Educação Infantil Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Art. 30. A educação infantil será oferecida em: I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade; II - pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade. Art. 31. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.
Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009.

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Como dever do Estado, a educação infantil é uma novidade na Constituição Federal de 1988. Na LDB/96, aparece como incumbência dos municípios e deve estar integrada ao respectivo sistema de ensino. De acordo com o artigo 30, a educação infantil deve ser oferecida em creches, ou entidades equivalentes e em pré-escolas.
Atenção
4 O ensino Fundamental, constitucionalmente, se configura como direito público subjetivo.Ou seja, equivale a reconhecer que é de aplicabilidade imediata, não exige regulamentação. Além disso, se não for ofertado pelo Estado pode ser exigido judicialmente.

O Ensino Fundamental

O ensino fundamental4 é dever do Estado e etapa obrigatória da educação básica. Segundo o artigo 32, da LDB n° 9394/96, o ensino fundamental é obrigatório e gratuito na escola pública, tem como objetivo a formação básica do cidadão. A LDB sinalizou para o ensino obrigatório de nove anos de duração, ao iniciar-se aos seis anos de idade, fato este só regulamentado a partir da Lei n°. 11.274/2006 de seis de fevereiro de 2006, ou seja, uma década após. O ensino fundamental compreende o acompanhamento da aprendizagem dos alunos do 1º ao 9º ano. Esse período corresponde à fase da alfabetização (1º ano) ao 9º ano (antiga 8ª série). Durante o ensino fundamental, os alunos vão aprofundando suas competências por meio de ciclos de aprendizagem estreitamente associados. Assim, a aprendizagem vai sendo construída de forma contínua, tendo em vista os conteúdos propostos e as articulações entre os conhecimentos escolarizados e as experiências prévias dos alunos. Veja como a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 define o Ensino Fundamental.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Seção III Do Ensino Fundamental Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009.

Atenção

O Ensino Médio
O Ensino Médio é a última etapa da educação básica. É regulamentado no artigo 35 da LDB/96, com duração mínima de três anos. Dentre outros, tem como finalidades consolidar e aprofundar os conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando a continuidade de estudos. Também, comporta diferentes concepções: ora compreendido enquanto destinado a preparar os alunos para a continuidade dos estudos no curso superior; ora entendido enquanto preparação de mão-de-obra para o trabalho; ora entendido no sentido mais amplo, enquanto integração das duas concepções acima citadas, que se constroem e reconstroem pela ação humana, pela produção cultural do cidadão5.

A Emenda Constitucional no. 14, de 12 de setembro de 1996. Modifica os artigos 34, 208,211 e 212 da Constituição Federal. Na emenda 14, inciso II, regulamenta a progressiva universalização do ensino médio gratuito
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Estrutura e Funcionamento da Educação

O Ensino Médio constitui-se na etapa final da educação básica, tendo em vista o aprofundamento das competências construídas desde o ensino fundamental. O Ensino Médio tem como eixos norteadores os princípios da contextualização e da interdisciplinaridade. A contextualização visa à articulação entre os conhecimentos teóricos e as experiências cotidianas vivenciadas pelos alunos. Não basta aprender, é preciso aprender dentro de uma situação didática concreta, articulando-se os conhecimentos construídos no ambiente escolar e as demandas sociais apresentadas na diversidade de contextos e experiências cotidianas. Veja como a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 define o Ensino Médio.
Seção IV Do Ensino Médio Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades: I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.
Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Acesso em: 08 mai 2009.

Você sabia? Na LDB 9394/96, no artigo 26, ao tratar das propostas curriculares do ensino fundamental e médio, ficou definido que elas devem ter uma base nacional comum, e uma parte diversificada? Por que a necessidade de existência de uma parte diversificada no currículo? 26

Estrutura e Funcionamento da Educação

A parte diversificada deve ser complementada pelos sistemas de ensino escolar para cobrir as características regionais e locais, da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. Posteriormente, nos pareceres delimitadores das Diretrizes Curriculares Nacionais, o Conselho Nacional de Educação explicitou que a parte diversificada poderia ter até 25% da carga horária anual ou total, de cada período letivo, 200 horas anuais ou 600 horas pelo curso ou grau.

A Educação Superior

São nos artigos 43 a 57 da LDB 9394/96 que se expressa sobre a educação superior. A mesma tem por finalidade formar profissionais nas diferentes áreas de saber, promovendo a divulgação dos conhecimentos culturais, científicos e técnicos e comunicando-os por meio do ensino. Visa divulgar à população a criação cultural e a pesquisa científica e tecnológica geradas nas instituições que oferecem a formação em nível superior e produzem conhecimento. Objetiva estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo, incentivando o trabalho de pesquisa e a investigação científica e promovendo a extensão. No artigo 44, se expressa que a educação superior abrange os seguintes cursos e programas: I - cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino; II - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo;

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Estrutura e Funcionamento da Educação

III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino; IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. O Decreto 2.306/97 que regulamenta a LDB, no que diz respeito ao sistema de ensino federal, prevê a organização da educação superior sob a forma de universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades e institutos superiores ou escolas superiores.

Cinema em Ação Você já parou para pensar que dentro de uma sociedade desigual, a exemplo do próprio Brasil, muitas crianças e jovens não têm acesso à educação? Ou a maioria tem acesso a uma educação escolar que deixa muito a desejar, frente às demandas postas pelo social? Você já assistiu ao filme Pro dia nascer feliz? É um documentário que, dentre várias questões abordadas, relacionadas à educação, traz à tona questões, como, por exemplo, a desigualdade social.

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Sinopse “Pro Dia Nascer Feliz” é o segundo longa-metragem do diretor João Jardim, diretor do cultuado documentário “Janela da Alma” que, em 2002, bateu recordes de público no gênero. Através de uma investigação do relacionamento do adolescente com a escola - ambiente fundamental em sua formação - o diretor traz à tona, além de questões comuns a qualquer adolescente dentro do ambiente escolar, questões como a desigualdade social e o impacto da banalização da violência no desenvolvimento de muitos desses jovens. Título original Pro Dia Nascer Feliz Lançamento 2007-02-02 Direção João Jardim Co-produção Globo Filmes, Tambellini Filmes, Fogo Azul Filmes Distribuição Copacabana Filmes Ficha técnica Roteiro: João Jardim Montagem: João Jardim Produção: Flávio R. Tambellini Diretor de Fotografia: Gustavo Hadba Música: Dado Villa-Lobos Som: Heron Alencar, Aluisio Compasso Edição de Som: Waldir Xavier Mixagem: Tom Paul Direção de Produção: Gabriela Weeks
Disponível em: http://www.interfilmes.com/filme_16779_Pro.Dia.Nascer.Feliz-(Pro.Dia. Nascer.Feliz).html Acesso em: 08 mai 2009.

Conheça Mais Você já conhece quais são os pilares da educação?
Aprender a ser Aprender a conhecer Aprender a fazer Aprender a conviver

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Você sabe o que significa cada um desses conceitos? Então, vamos lá! Os quatro pilares da Educação são conceitos de fundamentos da educação baseados no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors. Com base nesses pilares, constatou-se que o cidadão é um ser que vive em sociedade e, portanto, deve aprender a se autoconhecer, sabendo respeitar as suas dificuldades e potencialidades, aprendendo, assim, a ser um individuo singular que vive no meio social. Deve aprender a conhecer o novo, buscar sempre aprender em todas as circunstâncias, com todas as pessoas e em todos os lugares. Precisa estar consciente que pode utilizar todos os conhecimentos aprendidos para modificar o mundo à sua volta, podendo, assim, utilizar os conhecimentos teóricos para modificar na prática o meio à sua volta. Mas, para que utilize todos esses conhecimentos, equilibradamente, precisa saber conviver com o outro com suas limitações e potencialidades.
Atenção
No que se refere à educação infantil, veja o Parecer CNE 22/98. Para o ensino fundamental – Consultar o Parecer do CNE 04/98. Para o ensino médio – Parecer CNE 15/98.
6

Quanto ao pilar aprender a ser, existe um conjunto de princípios obrigatórios que regem a Educação básica, contidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN)6. De acordo com as DCN da educação infantil, os projetos desenvolvidos na escola devem observar os princípios estéticos da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e das diversidades artísticas e culturais. Conforme as DCN do ensino fundamental, os projetos devem conduzir ao reconhecimento da identidade pessoal dos alunos, dos professores, da escola e do seu contexto. Segundo as DCN do ensino médio, os projetos devem valorizar aspectos relativos à estética da sensibilidade.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Atividades e Orientações de Estudo É hora de colocar em prática o que você estudou neste capítulo. Vamos lá? Tente refletir sobre os questionamentos a seguir.
1 – Quais os motivos que justificaram a ampliação do ensino fundamental de 8 para 9 anos? 2 – A quem compete a oferta da educação infantil? 3 – A quem compete a oferta do ensino fundamental? 4 – A quem compete a oferta do ensino médio?

Lembre-se! Você poderá utilizar os fóruns de discussão para colocar suas ideias. Você poderá interagir com os(as) professores(as)/ tutores(as) que estão à sua disposição para esclarecer, tirar dúvidas, acompanhar o seu processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora é hora de refletir. Vamos lá? Consulte a Emenda Constitucional no. 14, de 12 de setembro de 1996.
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12907:l egislacoes&catid=70:legislacoes Acesso em: 19 abr 2009

Vamos participar de um chat?

Vamos continuar conversando e discutindo sobre a temática educação básica e educação superior? Que tal participar de um chat temático? Não perca mais esta oportunidade de interagir virtualmente com seus colegas e professor! Lembre-se! Você está sendo continuamente avaliado(a) com base na participação das atividades virtuais que estão sendo realizadas no ambiente. Os professores/ tutores estarão agendando previamente o chat para que todos participem. Será uma oportunidade para você trocar ideias, leituras e experiências com outros colegas. Vamos interagir? 31

Estrutura e Funcionamento da Educação

Vamos revisar? Chegamos ao final do capítulo. É hora de reler os assuntos abordados e tirar suas dúvidas. Revise os pontos principais discutidos e leia com atenção o resumo a seguir. Resumo
Neste capítulo, estudamos como estão estruturadas as etapas da educação básica, bem como a organização da educação superior. Vimos que a educação básica no Brasil, a partir da LDB 9394/96, é composta de três etapas: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurando-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecendo-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Quanto ao ensino superior, estudamos que este nível de ensino tem por finalidade formar profissionais nas diferentes áreas de saber, promovendo a divulgação do conhecimentos culturais,científicos e técnicos e comunicando-os por meio do ensino.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Capítulo 3

Modalidades da Educação na LDB
O que vamos estudar neste capítulo? • Educação de Jovens e Adultos • Educação Especial • Educação Profissional • Educação a distância

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Capítulo 3 - Modalidades da Educação na LDB
Vamos conversar sobre o assunto?

No primeiro capítulo, já estudamos que são três as modalidades da Educação na LDB 9394/96, (educação de jovens e adultos, educação especial e educação profissional). Está lembrado(a)? Nesse momento, nós vamos estudar mais especificidades de cada uma dessas modalidades, bem como estudaremos sobre a Educação a Distância (EAD), modalidade em que seu curso está inserido.

Vamos iniciar discutindo um pouco sobre a Educação de Jovens e Adultos. Vamos lá?

Educação de Jovens e Adultos

Você lembra que, no primeiro módulo, abordarmos sobre a constituição de 1988? Nela está estabelecida que a “educação é direito de todos e dever do Estado e da família”... e ainda, ensino fundamental obrigatório e gratuito, inclusive sua oferta garantia para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. 34

Estrutura e Funcionamento da Educação

São os artigos 37 e 38 da LDB 9394/96 que abordam sobre a educação de jovens e adultos (EJA). Pois bem, o termo Educação de Jovens e Adultos na LDB 9394/ destina-se àqueles que não tiveram, na idade própria, acesso e/ou continuidade dos estudos no ensino fundamental e médio. A Educação de Jovens e Adultos prevê cursos e exames supletivos a serem realizados no nível de conclusão do ensino fundamental, para maiores de 15 anos, e no nível de conclusão do ensino médio, para maiores de 18 anos.

Você sabia? Você sabia que existe uma ciência ou arte de orientar adultos a aprender? Então responda: qual o nome dessa ciência ou arte?
Atenção
6 Nos anos 60, um Yugoslavo, educador de adultos, participando de um seminário de verão na Boston University, expôs o termo “andragogia”, como um conceito mais organizado a respeito da educação de adultos. Andragogia foi apresentada como a arte e a ciência de ajudar o adulto a aprender e era ostensivamente a antítese do modelo pedagógico que significa, literalmente, a arte e ciência de ensinar crianças ( Chotguis, 2009).

Se você respondeu Andragogia6, acertou!!!!!!! Muito bem!!! O termo remete a um conceito de educação voltada para adultos, em contraposição à pedagogia, termo que se refere à educação de crianças (do grego paidós, criança).

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Estrutura e Funcionamento da Educação

O modelo andragógico é baseado em vários pressupostos que são diferentes daqueles do modelo pedagógico: 1. A Necessidade de Saber. Os adultos têm necessidade de saber por que eles precisam aprender algo, antes de se disporem a aprender. 2. Autoconceito do Aprendiz. Os adultos tendem ao autoconceito de serem responsáveis por suas decisões, por suas próprias vidas. 3. O Papel das Experiências dos Aprendizes. Os adultos se envolvem em uma atividade educacional com grande número de experiências, mas diferentes em qualidade daquelas da juventude. 4. Prontos para Aprender. Adultos estão prontos para aprender aquelas coisas que precisam saber e capacitar-se para fazer, com o objetivo de resolver efetivamente as situações da vida real. 5. Orientação para Aprendizagem. Em contraste com a orientação centrada no conteúdo própria da aprendizagem das crianças e jovens (pelo menos na escola), os adultos são centrados na vida, nos problemas, nas tarefas, na sua orientação para aprendizagem. 6. Motivação. Enquanto os adultos atendem alguns motivadores externos (melhor emprego, promoção, maior salário, etc.), o motivador mais potente são pressões internas (o desejo de crescente satisfação no trabalho, auto-estima, qualidade de vida, etc.). Pesquisas de comportamento mostram que todos adultos normais são motivados a continuar crescendo e se desenvolvendo.
Fonte: CHOTGUIS (2009).

Viu como é importante a Educação de Jovens e Adultos? Que tal entrevistar alguém que esteja participando desta modalidade de ensino? Faça uma pesquisa em seu município e liste as escolas que trabalham com educação de jovens e adultos. Depois converse com seus colegas sobre a entrevista realizada. Agora, vamos continuar conversando um pouco sobre a Educação Especial.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Educação Especial
São os artigos 58, 59 e 60 da LDB/96 que tratam da educação7 especial. Esta modalidade de ensino deve situar-se preferencialmente na rede regular de ensino, esse processo tem sido chamado de inclusão. Para tanto, a lei requer capacitação dos professores e especialização para atendimento especializado. Prevê, se necessário, a existência de serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. Propõe o recurso de classes, escolas ou serviços especializados quando não for possível a integração em classes comuns. Esta oferta de ensino se dará a partir da educação infantil. A Constituição Federal de 1988, nos artigos 205 e 208, e na LDB/96, artigo 58 no parágrafo terceiro, prevê que a oferta de educação especial é dever do Estado. O processo de inclusão de alunos especiais teve início antes mesmo da capacitação dos professores. Estes se sentem desconfortáveis com situações complexas que não sabem como lidar, muitas vezes gerando, dentro do suposto processo de “inclusão”, outras dimensões da exclusão.
Atenção
Da mesma maneira que o cão guia ajuda o dono cego a se situar num espaço que ele não pode ver, o cão para surdos faz com que o dono tome consciência do universo sonoro a sua volta. A ideia básica do treinamento do cão para surdos é que ele reaja a certos sons familiares no lugar do dono. Ensina-se o animal a registrar prioritariamente quatro sons: a campanhia da porta de entrada; a do telefone; a do despertador e o choro de um bebê. O cão identifica e determina a origem do som, é treinado para chamar a atenção do dono e levá-lo até a origem do som percebido. http://www. dogtimes.com. br/surdos.htm Acesso em: 16 mai 2009.
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Atenção
7 O Conceito de necessidades especiais amplia o conceito de deficiência.

Você sabia? 1– Você sabia que existem cães para surdos? 2– Você sabia que existe uma rede social parecida com o ORKUT, só que somente para surdos9 e ouvintes que conhecem surdos, e vice-versa? 3– Você sabia que cerca de 75% de todas as crianças autistas10 são do sexo masculino? 4– Você sabia que pelo menos metade dos 40 milhões de cegos existentes no mundo poderiam ter salvo sua visão, se conhecessem as doenças, sintomas e situações que podem levar à cegueira? 37

Estrutura e Funcionamento da Educação

http://www.cbv.med.br/jornal/saibamais.asp?cod=38 em: 16 mai 2009.

Acesso

5– Na gravidez, doenças como rubéola e toxoplasmose, durante a gravidez, podem causar cegueira e problemas neurológicos na criança10? http://www.cbv.med.br/jornal/saibamais.asp?cod=38 em: 16 mai 2009. Acesso

Vamos fazer uma reflexão? Você acredita que ser portador de alguma necessidade especial impossibilita o sujeito de ter uma participação efetiva no social? Você conhece a história de Hellen Keller? Leia abaixo uma minibiografia de Hellen Keller e reflita novamente sobre a questão acima.

Atenção
Acesse o seguinte endereço: http:// www.rede. surdosol.com. br/home.php Acesso em: 16 mai 2009
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Estrutura e Funcionamento da Educação

Mini-biografia
Helen Keller Nascida Helen Adams Keller, em 27 de junho de 1880 em Tuscumbia, Alabama, EUA, a criança desenvolveu uma febre aos 18 meses de idade. Em seguida, Helen ficou cega, surda e muda. Quando tinha seis anos, a professora Anne Mansfield Sullivan, da Perkins School for the Blind (Escola para cegos Perkins), foi contratada como professora de Helen. A moça, de 20 anos, ensinou a Helen a linguagem de sinais e o braile. A história da professora e sua aluna foi recontada na peça e no filme de William Gibson, “The Miracle Worker (O milagre de Anne Sullivan)”. Aos dez anos, Helen Keller aprendeu a falar. Em 1898, Helen entrou para a Cambridge School for Young Ladies (Escola para moças Cambridge). No outono de 1900, Helen matriculou-se no Radcliffe College. Conseguiu o bacharelado cum laude (com louvor) em Letras em 1904. Através dos anos, Anne Sullivan permaneceu ao lado de sua aluna. Ela formava letras na mão de Helen para compreensão de livros de texto, palestras da faculdade e conversação. A cruzada pessoal de Helen Keller Em 1915, Helen juntou-se à primeira diretoria do Permanent Blind Relief War Fund (Fundo permanente de ajuda aos cegos de guerra), mais tarde conhecido como American Braille Press (Imprensa braile americana). Em 1924, a jovem fundou a Helen Keller Endowment Fund (Fundo de dedicação Hellen Keller). No mesmo ano, Helen ligou-se à American Foundation for the Blind (Fundação americana para portadores de deficiência visual) como conselheira para relações nacionais e internacionais. Em 1946, Helen Keller tornou-se conselheira para relações internacionais da American Foundation for Overseas Blind (Fundação americana para os deficientes visuais estrangeiros). Visitou 35 países. Sua vida virou filme. “Helen Keller in Her Story” (Helen Keller e sua História) recebeu o “Oscar” de melhor documentário da Academia de artes e ciências cinematográficas em 1955. Helen Keller fez sua última aparição pública em Washington, D.C., EUA, em 1961. Recebeu o Prêmio Humanitário Lions por uma vida inteira de dedicação. Em 1971, a Directoria do Lions Clubs International declarou que o dia 1º de Junho seria lembrado como o “Dia de Helen Keller”. Helen morreu em 1º de Junho de 1968, aos 87 anos. Num dos seus escritos, ela diz: “Várias vezes pensei que seria uma bênção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas fariam-o apreciar mais a visão e o silêncio ensinar-lhe-ia as alegrias do som”.
http://www.lionsclubs.org/PO/content/vision_services_keller.shtml Acesso em: 16 mai 2009
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Atenção
AUTISMO é um distúrbio mental raro e grave que afeta crianças. Entre os sintomas que ocasiona, destaca-se um olhar estranho e distante. O verdadeiro autismo que é chamado de autismo infantil prematuro, ocorre aproximadamente em um caso a cada 30 mil crianças, mas o termo autismo também é usado para designar outras formas graves de doença mental que se assemelham ao autismo verdadeiro. Cerca de 75% de todas as crianças autistas são do sexo masculino. http://www. guia.heu.nom. br/autismo.htm Acesso em: 10 mai 2009.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Educação Profissional

Os artigos 39, 40,41 e 42 da LDB/96 abordam sobre a educação profissional. Há uma previsão da interação profissional com as diferentes formas de educação, o trabalho, a ciência e a tecnologia. Também, a articulação com o ensino regular ou outras estratégias de educação continuada. Prevê o aproveitamento do conhecimento obtido através da educação profissional para fins de prosseguimento ou conclusão de estudos, além da oferta de cursos especiais abertos à comunidade pelas escolas técnicas e profissionais. Entretanto, a lei não define instâncias, competências e finalidades de cada um dos níveis de governo para com esse ramo do ensino. Na verdade, alguns autores afirmam que, no que se refere a essa modalidade de ensino, a LDB/96 nada mais é do que uma carta de intenções. O ensino profissional só toma uma configuração nítida de fato só a partir de uma série de Decretos e Portarias posteriores à LDB, documentos que vêm a regulamentar essa modalidade de ensino.

Educação a Distância

As bases legais para a Educação a Distância, no Brasil, só foram estabelecidas em 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (também conhecida como LDB - Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996), que foi primeiramente revista em 1998, pelo decreto nº 2.494 e, posteriormente, regulamentada pelo Decreto 40

Estrutura e Funcionamento da Educação

n.º 5.622, publicado em dezembro de 2005. Veja como o Decreto nº 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, define a Educação a Distância:
“Art. 1º- Educação a distância é uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação”.

A seguir vamos discutir alguns pontos mais importantes da Lei e dos decretos subsequentes. Observe atentamente os pontos colocados a partir da regulamentação da EAD no Brasil.
1- Cursos na modalidade a distância só serão oferecidos por instituições especificamente credenciadas pela União, ou seja, para que o seu curso seja válido, é preciso procurar instituições credenciadas pelo MEC. É preciso ter cuidado, porque nem todo mundo é idôneo. Fazer um curso a distância em uma instituição não credenciada implica que o certificado que você obterá ao final do curso não tem valor

2- Cabe à União (isto é, ao governo federal) regulamentar os requisitos de avaliação e de emissão dos diplomas. Então, para que o curso seja válido, é preciso que as avaliações das disciplinas obedeçam às regras estabelecidas pelo governo federal. 3- A Educação a distância deverá ser utilizada para promover oportunidades educacionais apropriadas (isto é, o governo incentiva a criação de cursos de EAD desde o nível básico, técnico e superior) para o alunado com características diversas e diferentes interesses, condições de vida e de trabalho. A ideia é mesmo proporcionar a todos acesso à educação de qualidade, independente de sua localização e situação de vida e trabalho

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Atenção
A EAD só é regulamentada para o ensino fundamental no âmbito da Educação de Jovens e Adultos. O ensino fundamental regular não está contemplado para ofertas na modalidade a distância.
11

4- É possível oferecer cursos nos diversos níveis: de ensino fundamental11 (para jovens e adultos); de ensino médio; de educação profissional; de graduação e pós. Cada nível tem sua legislação específica. 5- .A avaliação12 do aluno deve ser feita obrigatoriamente por meios presenciais, cabendo à instituição que oferta o curso realizá-la

Atenção
Conforme Art. 7º do Decreto 2494, a avaliação do rendimento do aluno para fins de promoção, certificação ou diplomação deverá ser realizada: - durante o processo das atividades do curso a distância; - por meio de exames presenciais que “deverão avaliar competências descritas nas diretrizes curriculares nacionais, quando for o caso, bem como conteúdos e habilidades que cada curso se propõe a desenvolver”. (Art. 7º, Parág. Único”.
12

Em síntese, é importante que você perceba que a Educação a Distância tem sua regulamentação própria e está se destacando cada vez mais no cenário da educação brasileira como “uma estratégia de ampliação democrática do acesso à educação de qualidade, direito do cidadão e dever do Estado e da sociedade, que os textos legais e as normas oficiais passam a tratar”. (LOBO, 2000, p.09). O artigo 80 da LDB/96 afirma que “O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada”. É importante frisarmos que a educação a distância reconhece a escola como espaço privilegiado da atividade educacional, podendo ampliar seu potencial didático-pedagógico, através de um sistema tecnológico. 42

Estrutura e Funcionamento da Educação

A secretaria de Educação a Distância do MEC foi criada em 1995 e se articula com os demais órgãos do ministério, a fim de institucionalizar a EAD no país. Entre as principais ações desta secretaria estão a TV escola13 e o Programa Nacional de Informática na escola (Proinfo)14.

Atenção
A TV Escola é um canal do Ministério da Educação, sobre educação e para a educação. No ar 24 horas por dia, o canal exibe os melhores documentários e séries nacionais e internacionais. Para professores é uma ferramenta de formação continuada, pois, além dos vídeos, exibe comentários e dicas pedagógicas. Para os alunos, uma fonte de conhecimento e aprendizagem sobre História, Ciências, Matemática, Geografia, Língua Portuguesa e todas as outras áreas curriculares da Educação Básica
13

14

Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo) é uma iniciativa do Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação a Distância – SEED, criado pela Portaria nº 522, de 09 de abril de 1997, sendo desenvolvido em parceria com os governos estaduais e alguns municipais. As diretrizes do Programa são estabelecidas pelo MEC e pelo CONSED (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação). Em cada unidade da federação, há uma Comissão Estadual de Informática na Educação cujo papel principal é o de introduzir as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação nas escolas públicas de ensino médio e fundamental. O objetivo do PROINFO é o de promover o desenvolvimento e o uso da telemática como ferramenta de enriquecimento pedagógico, http://br.geocities.com/nteposse/proinfo.htm Acesso em: 10 mai de 2009

Você sabia? Você sabia que a EAD, em sua forma empírica, é conhecida desde o século XIX? Entretanto, apenas recentemente, nas últimas décadas, passou a fazer parte das atenções pedagógicas. Seus referenciais atuais são fundamentados nos quatro pilares da Educação do século XXI publicados pela UNESCO, e que você já conhece. Lembra quais são? Aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.

Conheça Mais Na modalidade de ensino a distância, como você bem já experencia, estudantes e professores não necessitam estar presentes num local específico durante o período de formação. As funções pedagógicas são garantidas na construção da ambiência de aprendizagem e à 43

Estrutura e Funcionamento da Educação

utilização das tecnologias da informação e comunicação.
Atenção
No Brasil, as bases legais para a modalidade de EAD foram estabelecidas pela LDB 9.394/96 , que foi regulamentada pelo Decreto no. 5.622 de 20/12/05 (que revogou o Decreto no. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, e o Decreto no. 2.561, de 27 de abril de 1998) com normatização definida na Portaria Ministerial no. 4.361, de 2004 (que revogou a Portaria Ministerial no. 301, de 07 de abril de 1998). E em 03 de abril de 2001, a Resolução no. 1, do Conselho Nacional de Educação estabeleceu as normas para a pós graduação lato e stricto sensu.
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Ao longo dos tempos, várias foram as sistemáticas utilizadas para se efetivar o ensino a distância, ou seja, correspondência postal, seja na forma escrita, fitas cassetes, áudio, CD-ROMs, vídeos, Internet. Com o advento de recursos tecnológicos mais avançados, Internet, email, World wide web, ampliou-se o campo de atuação da Educação a Distância. Assim, no Brasil, a EAD é aplicada na educação básica, educação superior, educação profissional, pós-graduação, para diplomas e certificados de cursos a distância emitidos por instituições estrangeiras15.

Cinema em Ação O filme que indicamos para que você assista está ligado à temática da Educação Especial. Assista ao filme, tente elaborar questões e comentários vinculados aos pontos explorados em nossos estudos e compartilhe suas ideias e questionamentos em nossos espaços virtuais.
Meu Pé Esquerdo (My Left Foot: The Story of Christy Brown) Sinopse: Christy Brown (Daniel Day-Lewis) é o filho de uma pobre família irlandesa. Ele nasce com paralisia cerebral, trazendo sérias conseqüencias para os movimentos do seu corpo. Com o único movimento que tem, do seu pé esquerdo, Christy consegue se revelar como ótimo escritor e pintor. Oscar de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis e Atriz Coadjuvante para Brenda Fricker. Ficha técnica (My Left Foot, 1989) • Direção: Jim Sheridan • Roteiro: Christy Brown (livro), Shane Connaughton, Jim Sheridan • Gênero: Biografia/Drama • Origem: Inglaterra/Irlanda • Duração: 103 minutos • Tipo: Longa
Disponível em: www.interfilmes.com/filme_13903_Meu.Pe.Esquerdo-(My.Left.Foot.The. Story.of.Christy.Brown).html Acesso em: 08 mai 2009.

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Atividades e Orientações de Estudo

Vamos fazer uma reflexão?

A sabedoria começa na reflexão.

Sócrates

Esse momento é especialmente para refletirmos sobre alguns aspectos relacionados com a temática em tela. Lembre-se! É importante trocar experiências com seus(suas) colegas, você poderá utilizar os fóruns de discussão para colocar suas ideias. Se precisar de ajuda, você poderá interagir com os(as) professores(as)/tutores(as) que estão à sua disposição para esclarecer, tirar dúvidas, acompanhar o seu processo de aprendizagem. Bons estudos! Agora é hora de refletir. Vamos lá? 1– A LDB 9394/96, em suas propostas, dá ênfase à garantia da qualidade da educação. Isso se concretiza na prática? 2– Qual a concepção de educação expressa na LDB?

Conheça Mais Para facilitar seus estudos, continue pesquisando sobre as temáticas abordadas neste capítulo. Lembre-se de realizar sistematizações de suas leituras, ou seja, tente elaborar fichamentos e resumos dos textos lidos e das pesquisas realizadas. Vá registrando suas produções em seu portfólio. Isso irá facilitar os seus percursos de aprendizagem. 45

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Veja as indicações de leitura a seguir. BRASIL. Constituição Federal do Brasil de 1988. BRASIL/MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº. 9394/96. LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006. SILVA, R. Relação ‘escola’ e empresa no CEFET-PE. 2001. 183 p. Dissertação de Mestrado – Mestrado em Educação, Centro Educação/UFPE. Recife, PE. Vamos participar de um chat? Agora é hora de continuar conversando e discutindo sobre a temática que você estudou neste capítulo, a fim de ampliar e aprofundar as discussões sobre as modalidades de ensino e a educação a distancia na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB 9394/96. Não perca mais esta oportunidade de interagir virtualmente com seus colegas e professores/tutores! Lembre-se! Você está sendo continuamente avaliado(a) com base na participação das atividades virtuais que estão sendo realizadas no ambiente.

Vamos revisar? É hora de você aprofundar os seus estudos e continuar aprendendo. Lembre-se! O sucesso nesta disciplina de Estrutura e Funcionamento da Educação depende muito do seu esforço, no sentido de ampliar a motivação para “aprender a conhecer”, descobrindo o prazer da aprendizagem significativa nos ambientes virtuais de aprendizagem. Leia, com atenção, o resumo a seguir e bons estudos!

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Resumo
Neste capítulo, estudamos mais detalhadamente as três modalidades de ensino contidas na LDB 9394/96, bem como a educação a distância. Em relação à modalidade de educação infantil, vimos que a concepção expressa na lei se constitui enquanto avanço, bem como no que se refere ao ensino fundamental, destacamos que o compromisso do Estado de ofertar esse nível de ensino a todos, até mesmo para aqueles que estão fora da faixa de escolarização devida, se constitui um grande avanço da lei, se comparada com as leis anteriores. Quanto ao ensino médio, vimos que se constitui enquanto uma etapa da educação básica que gera ainda bastante polêmica entre os estudiosos da área. Já em relação à Educação a Distância, a mesma se constitui cada vez mais em expansão, podendo ser vivenciada nos vários níveis da educação no Brasil.

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Considerações Finais
Caro(a) Cursista, Por meio das atividades propostas, você percebeu a relevância de proceder a leituras e sistematizações constantes sobre as temáticas em tela, bem como da necessidade de exercitar continuamente a pesquisa, para ampliar e aprofundar aspectos aqui pontuados ou a eles relacionados. Em breve estaremos mais uma vez juntos, no terceiro módulo e cada vez mais atribuindo sentido e significado aos conteúdos até então estudados. Será que você já está curioso(a) para saber o que vamos estudar no próximo módulo? Acreditamos que sim. No próximo módulo, continuaremos com a nossa caminhada e discutiremos sobre o debate atual no Brasil sobre os profissionais da educação, sobre os recursos financeiros destinados à educação e o Plano de Desenvolvimento Nacional da Educação. O que você acha? Bem, podemos adiantar que são temas de suma importância para a área educacional. Contamos com você, até breve! Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento As autoras

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Referências BRASIL, Congresso Nacional. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988. _______. MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº. 9394/96. ______. Emenda Constitucional nº 14, de 13.09.1996. Brasília, 1996. ______. Lei nº 9394, de 23.12.1996: Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996. ______. Lei nº 10712, de 9.1.2001: Plano Nacional de Educação. Brasília, 2001. ______. Ministério da Educação. Plano de Desenvolvimento da Educação: razões e programas. Brasília, 2007. CHOTGUIS. José. Andragogia: arte e ciência na aprendizagem do adulto. Disponível em: http://www.nead.ufpr. br Acesso em: 08 mai 2009 LIBÂNEO, J. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2006. Política educacional emprego e exclusão social in: http://scholar. google.com.br/scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C 3%A3o+neoliberalismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar &lr= Acesso em: 20 abr 2009. Política educacional em tempos neoliberais – o econômico definindo o pedagógico in: http://scholar.google.com.br/ scholar?hl=pt-BR&lr=&q=globaliza%C3%A7%C3%A3o+neoli beralismo+e+a+lei+9394%2F96&btnG=Pesquisar&lr= Acesso em: 20 abr 2009 Portal.mec.gov.br/conae/imagens/stories/pdf/conae_ completo22pdf Acesso em: 19 abr 2009. SILVA, R. Relação ‘escola’ e empresa no CEFET-PE. 2001. 183 p. Dissertação de Mestrado – Mestrado em Educação, Centro Educação/UFPE. Recife, PE.

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Conheça as Autoras
Ivanda Maria Martins Silva Olá, Pessoal! Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a distância, ofertados pela UFRPE e pela UPE, produzindo materiais didáticos para disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e Produção Textual e Português Instrumental. Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual: múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão: múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações editadas pela Baraúna/Recife. Maria Lúcia Soares Olá, Pessoal! Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdade Integrada de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas Pedagógicas e Projetos Educacionais. Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas 50

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sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares. Roseane Nascimento Olá, Cursistas!! Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de pósgraduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento e Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela UFPE, na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo pesquisa em políticas públicas de qualificação profissional. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA). Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração, execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental.

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Ivanda Martins, Maria Lúcia Soares, Roseane Nascimento

Recife, 2009

Universidade Federal Rural de Pernambuco Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos Produção Gráfica e Editorial Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim, Glaucia Micaele e Everton Felix Revisão Ortográfica: Marcelo Melo Ilustrações: Diego Almeida Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos

Sumário
Apresentação ........................................................................................4 Conhecendo o Volume 3 ......................................................................5 Capítulo 1 - Profissionais da Educação..............................................7 Uma reflexão sobre nosso contexto atual ..........................................7 Os profissionais da educação no texto Constitucional e na LDB .......8 Mas o que é o Plano Nacional de Educação? ..................................12 Capítulo 2 - O Financiamento da Educação Brasileira desde a Colonização até os Dias Atuais .........................................................22 Vamos tentar entender melhor como tudo começou... .....................22 Primeira Municipalização ..................................................................23 Período Republicano ........................................................................23 O Financiamento da Educação na Constituição de 1988 e na LDB nº 9394/96 .............................................................................................26 Vinculação de Recursos na Constituição de 1988 ...........................29 Capítulo 3 - Plano de Desenvolvimento da Educação ....................34 A relação entre o PDE e as Políticas Públicas para Educação ........37 O Plano de Desenvolvimento da Escola ..........................................39 Considerações Finais .........................................................................43 Conheça as Autoras ...........................................................................46

Apresentação
Caros(as) Cursistas, Já vivemos a aventura histórica de percorrer o período da colonização aos dias atuais. Depois estudamos as Constituições Brasileiras, enfatizando a Constituição (denominada de Constituição-Cidadã) de 1988. Vimos tudo isto no Módulo 1. No Módulo 2, estudamos a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) atual e suas nuances nos diversos ambientes educacionais. E agora, neste Módulo 3, abordaremos os seguintes assuntos: 1 – Profissionais da Educação. 2 – Recursos Financeiros para Educação. 3 – Plano de Desenvolvimento Nacional da Educação. Contamos mais uma vez com a sua valiosa participação. Abraços Virtuais, Ivanda Martins Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento As autoras

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Conhecendo o Volume 3
Este volume tratará de três assuntos de extrema importância para a Educação. No primeiro capítulo, trataremos a questão da valorização do profissional da Educação, enfatizando os documentos legais que a regulamentam. O segundo capítulo refere-se à questão do financiamento da Educação. Sobre esta temática, faremos uma breve retrospectiva histórica de como vem sendo realizado o financiamento do setor educacional brasileiro, da época da Colonização até os dias atuais. Em seguida, analisaremos a Constituição Federal de 1988 e a LDB nº 9394/96. Por fim, detalharemos as fontes de financiamento atuais. No terceiro capítulo, estudaremos o plano de desenvolvimento da educação nos âmbitos nacional e local (escolas).

Módulo 3 – Os Profissionais da Educação e os Recursos Financeiros destinados à Educação Carga Horária do Módulo 3: 15h/a Objetivo do Módulo 3: Refletir sobre questões polêmicas e atuais na Educação que envolvem desde as fontes de financiamento, o processo de valorização do magistério e o plano nacional de Educação. Conteúdo Programático do Módulo 3 1– Valorização do Profissional da Educação: formação, piso salarial. 2– Financiamento da educação brasileira: histórico, base legal e fontes. 3– Plano de desenvolvimento da educação.

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Capítulo 1

Profissionais da Educação O que vamos estudar neste capítulo? • Os profissionais da Educação

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Capítulo 1 - Profissionais da Educação
Vamos conversar sobre o assunto? É inegável a importância dos profissionais de Educação para o processo de ensino-aprendizagem.
Você tem alguma dúvida sobre a veracidade dessa afirmação?

Ao longo da trajetória histórica o Brasil vem tratando este profissional de acordo com o contexto de cada época. Em alguns momentos, este profissional foi tratado com um certo prestígio e em outros momentos até com descaso.

Em alguns momentos, preocupou-se com a formação e a qualificação desses profissionais e, em outros, se investiu pouco neste aspecto.

Uma reflexão sobre nosso contexto atual
O nosso cenário mundial que leva a competitividade internacional ditada pela globalização inclui exigências como: adoção de novas tecnologias, atitudes mais flexíveis em relação à refuncionalização do capitalismo e às novas relações de trabalho, aumento da produtividade da economia e a aplicação de mecanismos de ajustes financeiros. Além desses fatores, a modernização produtiva, a inserção competitiva nos mercados crescentemente globalizados e o esfacelamento do aparato protecionista do Estado revelam mudanças. Esses fatores advindos da modernidade implicam altos custos sociais para muitos segmentos da população brasileira. Desde o final da década passada, segundo Brzezinski (1997), os índices 7

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de concentração de renda no país chegaram a: 10% da população detinham 60% das riquezas, enquanto 40% viviam em total miséria. Isso revela que os indicadores de qualidade de vida dos brasileiros em relação à educação, saúde e emprego tornaram-se alarmantes.

Quanto à educação, apesar do discurso oficial, inclusive no texto da LDB nº 9394/96 revelar a importância da educação básica, na prática, a educação escolar ainda sofre consequências do descaso das ações sucessivas de desvalorização social e econômica dos profissionais da educação.

Os profissionais da educação no texto Constitucional e na LDB
O texto que passou a integrar a LDB/96 é o resultado de inúmeras pressões sociais. No entanto, apenas parcialmente contemplou as demandas dos educadores em relação à formação de professores para as séries iniciais, mantendo-se o nível médio por mais de 10 anos. Criou-se uma nova instituição denominada Instituto Superior de Educação (ISE), cujo modelo já vinha sendo muito questionado nos países que tinham apoiado esse tipo de Instituto (Argentina, Portugal, Espanha, são exemplos desses questionamentos). Esses Institutos não desenvolverão pesquisa, apenas se dedicarão ao ensino, comprometendo seu processo de formação. Entre o espaço temporal da aprovação da Constituição de 1988 e a LDB de 1996, o Ministério da Educação e Cultura – MEC, com o apoio de várias entidades e fóruns de educadores, realizou a Conferência Nacional de Educação para Todos (1993) que culminou com a aprovação do Plano Decenal de Educação para todos com vigência de 1993 a 2003. 8

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Desse Plano, consta um fato inédito, o acordo negociado e assumido entre os sindicatos de professores e os governos estaduais e municipais, para a elevação salarial dos professores do território brasileiro, sendo definido um piso salarial mínimo. Desta forma, passou a ser pauta das discussões em âmbito governamental a “indissociabilidade entre qualidade de formação e condições de trabalho e de exercício profissional, especialmente salários” (PIMENTA, 2002, p. 33). Foram colocadas em pauta questões sobre profissionalização e desenvolvimento profissional dos professores, pela intensa movimentação dos sindicatos de professores (década de 1980) e por intelectuais das universidades.

Porém, a valorização profissional, melhoria salarial e de condições de trabalho foram abolidas dos discursos, das propostas e das políticas do governo que se propôs apenas a normatizar a formação inicial de professores e financiar amplos programas de formação continuada. Vamos analisar um pouco o texto da LDB nº 9394/96? A LDB disponibiliza o capítulo VI para tratar dos profissionais da educação. Os Arts. 61, 62, 63, 64, 65 e 66 tratam da formação inicial e formação em serviço desses profissionais.

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Entre os aspectos descritos em relação à formação dos profissionais da educação está a associação entre teorias e práticas como um dos fundamentos da formação.
Art. 61 ... “a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço e aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades.”
Fonte: BRASIL, 1996

Ao mesmo tempo que traz um avanço educacional ao colocar em um texto legal a necessidade da associação entre teoria e prática, faz um retrocesso ao prescrever que a capacitação em serviço possa garantir a formação necessária à docência. E mais grave ainda é a questão do aproveitamento de formação e experiências anteriores em outras atividades realizadas em outras áreas profissionais que podem ser capaz de habilitar o profissional a ensinar.

O Art. 62 estabelece a exigência de formação de todos os docentes da educação básica em nível superior, em curso de licenciatura de graduação plena. No entanto, admite, em caráter temporário, o preparo dos profissionais para atuarem na educação infantil e nas primeiras séries do Ensino Fundamental, profissionais com o nível médio na modalidade Normal e que haja uma preparação emergencial para cada etapa da educação básica. Neste aspecto, a lei considera as disparidades de desenvolvimento social, econômico e cultural das regiões brasileiras. Esse foi um aspecto positivo da Lei. Todavia, um cuidado que se deve tomar é permitir que o caráter de transitoriedade torne-se permanente. No Art. 63 regulamentam-se os Institutos Superiores. Este artigo vem sofrendo uma serie de críticas por parte dos autores que questionam as condições dos ISEs para complementar com a necessária qualidade a formação desses profissionais. 10

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O Art. 64 institui a base comum nacional que é um aspecto positivo uma vez que ultrapassa a ideia hermética de currículos mínimos que já vinham desde a época da ditadura militar. Contudo, torna-se um retrocesso quando preceitua essa base comum nacional apenas para a formação em Pedagogia, descartando, segundo Brzezinski (1997), as demais Licenciaturas. Outro aspecto que, segundo essa autora, causa estranheza é a formação do pedagogo em administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional em nível de graduação ou pós-graduação “a critério da instituição de ensino”. Nesse aspecto, constitui um avanço ao resguardar a autonomia institucional em relação à formação. No entanto, desconsidera a experiência exitosa das universidades ao formarem pedagogos sob uma abordagem multidisciplinar para atuarem na totalidade das atividades do trabalho pedagógico da organização escolar. Outro aspecto relevante da LDB está no Art. 67 que trata sobre a carreira dos profissionais da educação, principalmente ao estabelecer o suporte legal para o exercício da profissão “O Plano de Carreira” ou “Estatuto dos Profissionais da Educação”. Dentre os aspectos mais relevantes estão: O ingresso na carreira é exclusivamente por concurso público de provas e títulos Este aspecto traz a garantia de que só exercerão a docência as pessoas que tiverem a formação necessária e tiverem as condições mínimas exigidas para a aprovação em um concurso público. O aperfeiçoamento profissional continuado Este dispositivo garante o direito e o dever do profissional de educação em continuar aprendendo e se aperfeiçoar para ter melhores condições de ensinar com qualidade.

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A progressão funcional baseada na titulação e na avaliação de desempenho Este aspecto estimula o profissional a continuar aperfeiçoando sua formação e buscando melhorar a cada dia sua atuação profissional. Já analisamos o tratamento que é dado à temática da formação e valorização dos Profissionais de Educação na Constituição e na LDB. Por fim, a discussão sobre os Profissionais de Educação na Lei nº 10172/2001 - Plano Nacional de Educação.

Mas o que é o Plano Nacional de Educação?
A LDB nº 9394/96 estabeleceu que “A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei encaminhará ao Congresso Nacional o Plano Nacional de Educação, com diretrizes e metas para os dez anos seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos” (artigo 87, § 1º). Isto significa que deveria ter sido elaborado até 1997. Contudo, só em 10/12/1998 deu entrada, na Câmara dos Deputados, o projeto do PNE elaborado pelas entidades educacionais. Houve uma longa tramitação permeada por muitas discussões e controvérsias entre grupos de interesses distintos, até que em janeiro de 2001 é promulgada a Lei nº 10172. PNE: Plano Nacional de Educação Você sabia que o PNE está estruturado em seis partes?

1ª parte: consiste numa introdução (histórico, objetivos e prioridades); 2ª parte: aborda os níveis de ensino distinguindo a educação 12

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básica (educação infantil, ensino fundamental e médio) e educação superior. 3ª parte: aborda as modalidades de ensino abrangendo a educação de jovens e adultos, educação a distância e tecnologias educacionais, educação tecnológica e formação profissional, educação especial e a educação indígena. 4ª parte: trata do magistério da educação básica, em um único tópico intitulado “formação dos professores e valorização do magistério”. 5ª parte: versa sobre o financiamento e gestão. 6ª parte: aborda em forma de conclusão, a forma de acompanhamento e avaliação do Plano. Neste capítulo, nos deteremos a analisar apenas a 4ª parte por se tratar da valorização do magistério. No PNE, a formação inicial e continuada é tratada como uma condição para a melhoria da qualidade do ensino e da valorização do profissional em educação. Além desses, deve fazer parte da valorização a garantia das condições adequadas de trabalho (por exemplo, tempo reservado para estudo e preparação das aulas), a relação adequada entre número de alunos por classe, um piso salarial e um plano de carreira de magistério. Todos esses pontos são registrados no PNE. Alguns autores chegam a fazer uma crítica, dizendo que em alguns momentos o Plano se aproxima mais a uma carta de intenções que a um Plano propriamente dito. Porém, apesar de sua tramitação ter demorado mais do que havia sido previsto e a sua implementação não ter de fato sido realizada, já foi um grande passo ser aprovado.
Vamos analisar um pouco a situação?

Segundo Brandão (2006), em cumprimento à Lei 9424/96, estão sendo elaborados ou reformulados os planos de carreira do magistério, muitos Estados e Municípios já reformularam e implementaram os respectivos planos de carreira do magistério. No entanto, existe um número significativo de Municípios sem plano de carreira especifico para o magistério. 13

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Outra questão importante é a discrepância salarial, por exemplo, em 2005 por 40 horas semanais um professor com nível superior no Rio de Janeiro recebia R$ 1.351,62, enquanto em Pernambuco o mesmo perfil de professor recebia R$ 460,69 (um pouco mais de um terço do valor). Um outro ponto relevante tratado no Plano, mas que, na prática, não se efetivou de fato, é o trabalho em tempo integral, quando conveniente ao professor em único estabelecimento, sendo destinado entre 20 a 25% da carga horária dos professores para preparação de aulas, avaliações e reuniões pedagógicas. O que seria muito interessante para muitos professores que se cansariam muito menos por não terem que perder tempo com deslocamento e teriam garantido dentro do seu horário de trabalho tempo para planejamento e correções; tempo esse que até o momento é desviado do seu “horário livre” para essas funções profissionais.

Outro fator fundamental do PNE é o estabelecimento de diretrizes para a formação dos profissionais da educação, baseados nos seguintes princípios: a) Sólida formação teórica nos conteúdos específicos a serem ensinados na educação básica, bem como nos conteúdos especificamente pedagógicos b) Ampla formação cultural c) Atividade docente como foco formativo d) Contato com a realidade escolar desde o início até o final do curso, integrando a teoria à prática pedagógica e) Pesquisa como princípio formativo f) Domínio das novas tecnologias de comunicação e da informação 14

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e capacidade para integrá-las à prática do magistério g) Análise dos temas atuais da sociedade, da cultura e da economia h) Inclusão das questões relativas à educação dos alunos com necessidades especiais e das questões de gênero e de etnia nos programas de formação i) Trabalho coletivo interdisciplinar j) Vivência, durante o curso, de formas de gestão democrática do ensino k) Desenvolvimento do compromisso social e político do magistério; l) Conhecimento e aplicação das diretrizes curriculares nacional dos níveis das modalidades da educação básica)” (BRANDÃO, 2006, p. 183-4). Estes foram apenas alguns dos avanços desse PNE, é claro que sua regulamentação não foi executada integralmente em todos os Municípios e Estados. Em alguns até nenhuma das metas foi atingida.

Atividades e Orientações de Estudo Você gosta de música? Veja a letra de música a seguir e depois tente criar uma frase sobre a importância do papel do professor. Depois, poste sua mensagem no fórum de discussão, a fim de socializar suas idéias e experiências.

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O PROFESSOR Tânia Maya Quem com pó de giz Um lápis e apagador Deu o verbo a Vinícius Machado de Assis, Drummond? Quem ensinou piano ao Tom? Quem pôs um lápis de cor Nos dedos de Portinari, Picasso e Van Gogh? Quem foi que deu asas a Santos Dumont? Crianças têm tantos dons Só que, às vezes, não sabem Quantos só se descobrem Porque o mestre enxergou e incentivou... É, só se faz um país com professor Um romance, um croquis, com professor Um poema de amor, dim dim Um país pra ensinar seus jovens eh É, só se faz... Um romance, um croquis, com professor Um poema de amor, dim dim... Quem com pó de giz...

Filmoteca: Cinema em Ação Muitos são os filmes que retratam o papel do docente e a importância e a ressignificação que os discentes fazem dessa atuação. Você já assistiu ao filme “Ao mestre com carinho”? Este é um filme que retrata a realidade de um outro país, em outra época histórica e em outro contexto. Assista a esse filme, pois faremos uma comparação posterior.

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SINOPSE – Ao mestre com carinho Um jovem professor enfrenta alunos indisciplinados, neste filme Clássico que refletiu alguns dos problemas e medos dos adolescentes dos anos 60. Sidney Poitier tem uma de suas melhores atuações como Mark Thackeray, um engenheiro desempregado que resolve dar aulas em Londres, no bairro operário de East End. A classe, liderada por Denham (Christian Roberts) Pamela (Judy Geeson) e Barbara (Lulu, que também canta a canção título) estão determinados a destruir Thackeray como fizeram com seu predecessor, ao quebrar-lhe o espírito. Mas Thackeray acostumado à hostilidade enfrenta o desafio tratando os alunos como jovens adultos que breve estarão se sustentando por conta própria. Quando recebe um convite para voltar a engenharia, Thackeray deve decidir se pretende continuar. Ficha Técnica Título no Brasil: Ao Mestre, Com Carinho Título Original: To Sir, with Love País de Origem: Inglaterra Gênero: Drama Tempo de Duração: 105 minutos Ano de Lançamento: 1967 Estúdio/Distrib.: Sony Pictures Direção: James Clavell

Fonte: www.65anosdecinema.pro.br/Ao_mestre_com_carinho.htm

Gostou do filme? Agora, assista também ao filme brasileiro “Verônica” e compare as duas realidades apresentadas.
SINOPSE – Verônica. Verônica é professora da rede municipal de ensino há vinte anos e agora, na iminência de se aposentar e passando por sérios problemas pessoais, está exausta e sem a paciência de sempre. Um dia, na escola em que trabalha, ela percebe que ninguém veio buscar Leandro, um aluno de oito anos. Já é tarde da noite quando a professora decide levá-lo em casa. Ao chegar no alto do morro, encontram a polícia e muito tumulto. Traficantes mataram os pais de Leandro e querem matá-lo também. Verônica foge com o menino. Ela procura ajuda e descobre que a policia também está ligada ao assassinato dos pais do menino. Sem poder confiar em ninguém, ela decide esconder o garoto. Assim, Verônica é obrigada a enfrentar policiais e traficantes para sobreviver. E enquanto procura uma maneira de escapar com o menino, redescobre sentimentos que estavam adormecidos na sua vida.

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Ficha Técnica Título no Brasil: Verônica Título Original: Verônica País de Origem: Brasil Gênero: Ação Classificação etária: 12 anos Tempo de Duração: 87 minutos Ano de Lançamento: 2008 Estréia no Brasil: 06/02/2009 Site Oficial: http://www veronicaofilme.com.br Estúdio/Distrib.: Europa Filmes Direção: Maurício Farias
Fonte: www.cinepop.com.br/filmes/veronica.htm

Agora vamos fazer uma análise? • Quais as semelhanças e diferenças encontradas nas duas realidades analisadas? • Os professores dessas duas realidades são valorizados? Se sim, em que sentido e por quem? Se não, por que não? • Existem políticas públicas que viabilizem a formação, a quantificação e a valorização desses profissionais? Após essas reflexões, construa um pequeno texto-síntese comparando as histórias apresentadas nos dois filmes. Depois, entre no Fórum de discussão para colocar suas observações e comentar um pouco mais sobre o assunto. Vamos refletir um pouco sobre a valorização do professor no exercício da docência?

Conheça Mais Continue lendo e pesquisando sobre a temática abordada neste capítulo. Pesquise mais e continue estudando. Lembre-se: em um curso a distância, é fundamental que você desenvolva uma metodologia de estudo, a fim de conquistar autonomia. Aprofunde seus conhecimentos pesquisando mais sobre o assunto. Veja as dicas de leitura. BRANDÃO, Carlos da Fonseca. PNE passo a passo! Lei nº 10.172/2001: discussão dos objetivos e metas do plano nacional de educação. São Paulo: Avercamp, 2006. BRZEZINSKI, Iria (org.) LDB interpretada: diversos olhares se entrecruzam. São Paulo: Cortez, 1997.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

SAVIANI, Dermeval. Da nova LDB ao FUNDEB: por outra política educacional. Campinas: Autores Associados, 2007. (coleção Educação Contemporânea). Acesse também o portal do MEC. Lá você irá encontrar várias informações sobre o PNE e a LDB. www.mec.gov.br

Você Sabia? Até a independência do Brasil não existia educação popular, mas depois dela o ensino, pelo menos nos termos da lei, se tornou gratuito e público, inclusive para mulheres. Isso aconteceu a partir da primeira lei do ensino (datada de 1827) que deu direito à mulher de se instruir (porém com conteúdos diferenciados dos ministrados aos homens) e que admitiu o ingresso de meninas na escola Primária. A partir daí a formação de professoras do sexo feminino se fez necessária, pois os tutores deveriam ser do mesmo sexo que seus alunos. O primeiro curso de ensino normal das Américas surgiu, então, na cidade de Niterói (RJ), em 1835, e tinha no seu estatuto alguns pré-requisitos para quem quisesse cursá-lo: a boa morigeração [idoneidade moral] e ter idade superior a 18 anos. Nessa época, o currículo do estudo feminino era diferenciado do masculino: as moças se dedicavam à costura, ao bordado e à cozinha, enquanto os homens estudavam geometria. As mulheres professoras eram isentas de ensinar geometria, mas essa matéria era critério para estabelecer níveis de salário, portanto, reforçava-se com isso a diferença salarial.
Fonte: Rabelo; Martins, 2009

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Vamos revisar? Vamos continuar estudando um pouco mais sobre o assunto abordado neste capítulo? É hora de você aprofundar os seus estudos e continuar aprendendo. O sucesso no curso e nesta disciplina depende muito do seu esforço, no sentido de ampliar suas leituras e pesquisas. Então, vamos aprender juntos? Leia com atenção o resumo a seguir e bons estudos!
Resumo Neste capítulo, você estudou a questão da formação e valorização do profissional da educação. Para tanto, realizou-se uma análise da LDB e do PNE. Observouse que ambos trouxeram avanços em relação a discussão e a legalização da profissionalização do magistério. Entretanto, evidências mostram que, na prática, tanto o processo de formação quanto a valorização salarial estão aquém do que prescreve a lei.

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Capítulo 2

O Financiamento da Educação Brasileira desde a Colonização até os Dias Atuais O que vamos estudar neste capítulo? • Breve retrospectiva histórica sobre o financiamento da educação: da Colônia aos dias atuais • Constituição Federal de 1988 e a LDB nº 9394/96 • Financiamentos para a Educação

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Capítulo 2 - O Financiamento da Educação Brasileira desde a Colonização até os Dias Atuais
Vamos conversar sobre o assunto? Todos nós já ouvimos comentários como: - Existe pouca verba para Educação! - Investe-se pouco no ensino brasileiro!

Vamos tentar entender melhor como tudo começou...
Período Jesuítico

Figura 2.1 – Chegada dos Jesuítas ao Brasil-Colônia

Como você já observou no primeiro volume do material didático da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação, de 1549 a 1758, o ensino brasileiro foi confiado à Companhia de Jesus. Teoricamente o ensino público era oferecido aos índios e os filhos de portugueses, sendo financiado por uma dotação real. No entanto, além do dinheiro chegar atrasado era insuficiente para manter um ensino de qualidade. Os jesuítas optaram por um sistema de autofinanciamento e como resultado disso tivemos um ensino elitista e discriminatório. Desse excessivo zelo jesuíta nasceu o descompromisso do governo pela educação. Em meados do século XVIII, a riqueza dos jesuítas era 25% do PIB (Produto Interno Bruto) e para pagar a dívida externa da Coroa, em 1758, os jesuítas foram expulsos e seu dinheiro confiscado. Esse 22

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foi o primeiro desvio de verbas da Educação brasileira.

Atenção
As aulas régias compreendiam o estudo das humanidades, sendo pertencentes ao Estado e não mais restritas à Igreja - foi a primeira forma do sistema de ensino público no Brasil. Ao rei cabia a criação dessas aulas isoladas e a nomeação dos professores, que levavam quase um ano para a percepção de seus ordenados, arcando eles próprios com a sua manutenção. Treze anos após a expulsão dos jesuítas foram introduzidas as aulas régias, sistema no qual os professores eram nomeados pelo rei, para um cargo vitalício. Elitizou-se mais a clientela, uma vez que perderam acesso à educação as populações indígenas ou das regiões suburbanas que estudavam nas missões.
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Figura 2.2 – Desvio de verbas

Primeira Municipalização
Então, o que aconteceu com a educação?

Para substituir as escolas secundárias jesuítas, o Marques de Pombal criou as aulas régias1. O financiamento da educação passou a depender da cobrança de um imposto sobre o abate de gado e da alambicagem da cachaça. Na prática, na sociedade rural e escravocrata dos séculos XVIII e XIX, a pressão pela escola pública secundária era bem menor do que a vontade de sonegar impostos.

Período Republicano
Com o fim da escravidão em 1888 e o desenvolvimento das forças produtivas, passa a se urbanizar e a exigir a escola pública universal. A incipiente industrialização e crescente circulação comercial levam ao incremento de impostos indiretos que serviram como uma nova fonte de financiamento do ensino primário e secundário estadual e municipal. Após 1930 consolida-se este modelo, passando os impostos federais e estaduais a serem cada vez mais abundantes e sustentadores que visam atender às demandas reprimidas. No entanto, como a demanda era grande e o recurso nem tanto, ocorreu o barateamento do ensino e com esse a deteriorização da educação. Ao governo federal cabia o financiamento do 3º grau e as escolas agrícolas e industriais de 2º grau, sobrecarregando, assim, os estados, que seriam responsáveis pelo ensino desde a alfabetização até o 2º grau regular. 23

Fonte: Fonseca, 2009; Monlevade, 2001 (www. histedbr.fae. unicamp.br/ navegando/ periodo_ pombalino_intro. html)

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No final da ditadura militar, consolida-se uma reação intelectual sindical e popular, pedindo mais verbas para educação. Em resposta a essas solicitações, teve origem a Emenda Calmon2 que foi regulamentada posteriormente à vinculação de recursos para educação como a Constituição de 1988. Com a constituição de 1988 ficaram garantidos 18% dos impostos recolhidos pelo governo federal para educação. Dentre esses estão: imposto de renda, imposto sobre produtos industrializados, imposto territorial rural, imposto sobre importação e exportação, imposto sobre operações financeiras e sobre grandes fortunas. No âmbito estadual, ficam garantidos para o ensino, no mínimo, 25% dos impostos cobrados pelo Estado: o imposto predial e territorial urbano, o imposto sobre serviços, o imposto sobre a transmissão de bens imóveis e o imposto sobre a venda de combustível no varejo, além de 25% sobre as transferências federais e estaduais.

Em 11 de agosto de 1983 o senador João Calmon consegue fazer aprovar sua emenda que eleva os mínimos: 13% no caso da União e 25% em se tratando dos estados, Distrito Federal e municípios. A Emenda Calmon não logrou ser cumprida no governo Figueiredo – o que chegou, inclusive, a gerar um pedido de impeachment. Com a campanha presidencial que se seguiu, o candidato Tancredo Neves comprometeu-se com o cumprimento da Emenda. A regulamentação veio com a “Nova República”, através da Lei nº 7.348/85.
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Assim, a Emenda Calmon foi aprovada em 1983, mas aplicada somente em 1986, a partir do orçamento votado em 1985. Com a eleição do Congresso Constituinte, ressurgiram os debates em torno do tema. O senador Calmon apresentou proposta de elevação do patamar fixado para a União, de 13% para 18%, sobre a mesma base de cálculo (receita líquida dos impostos). Para os estados e municípios mantinham-se os 25%, mas sobre um montante de recursos maior, em face das alterações da estrutura tributária. Assim, enfrentando algumas resistências iniciais, o atual art. 212 da Constituição Federal foi aprovado em 20/05/88, com 433 votos a favor, 3 abstenções e 2 votos contra. A partir daí, alguns estados ampliaram, nas Constituições Estaduais, as alíquotas mínimas de aplicação na manutenção e desenvolvimento do ensino.
Fonte: Martins, 2004.

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Você Sabia? Conversando um pouco sobre impostos, taxa e contribuição de melhoria.

Segundo o Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5172, de 1966 – “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Os tributos podem assumir três formas: impostos, taxa e contribuição de melhoria. Taxa – tributo cobrado sobre um bom ou serviço econômico. Ex: serviço de energia elétrica. Imposto – é uma contribuição compulsória destinada às necessidades gerais da administração pública. Ex: imposto predial. Contribuição de Melhoria – é um tributo exigido como contribuição no custeio de uma obra pública, quando esta valoriza o imóvel de propriedade do contribuinte. Ex: contribuição para asfaltamento da rua.
Fonte: OLIVEIRA (2001)

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Um pouco de música para descontrair Veja que interessante a letra de música “Imposto”.
Imposto (Djavan, 2007) IPVA, IPTU CPMF forever É tanto imposto Que eu já nem sei!... ISS, ICMS PIS e COFINS, pra nada... Integração Social, aonde? Só se for no carnaval Eles nem tchum Mas tu paga tudo São eles os senhores da vez Tu é comum, eles têm fundo Pra acumular, com o respaldo da lei Essa gente não quer nada É praga sem precedente Gente que só sabe fazer Por si, por si Tudo até parece claro À luz do dia Mas claro que é escuso Não pense que é só isso Ainda tem a farra do I.R. Dinheiro demais! Imposto a mais, desvio a mais E o benefício é um horror Estradas, hospitais, escolas Tsunami a céu aberto, Não está certo. Pra quem vai tanto dinheiro? Vai pro homem que recolhe O imposto Pois o homem que recolhe O imposto É o impostor

Que tal agora fazer um comentário sobre a música “Imposto” do álbum “Matizes” (Djavan, 2007)? Coloque seu comentário no fórum de discussão que será indicado pelos professores e tutores que estarão acompanhando os seus percursos de aprendizagem.

O Financiamento da Educação na Constituição de 1988 e na LDB nº 9394/96
Nesta última Constituição o financiamento é tratado nos Arts. 212, 213 e no Art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). • O Art. 212 prevê a vinculação de recursos. • O Art. 213 oferece a possibilidade de transferência de recursos para as escolas privadas. • No Art. 60 (ADCT) prevê o comprometimento financeiro das diferentes esferas da administração pública com a universalização do ensino fundamental e a erradicação do analfabetismo.

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O Financiamento da Educação Na LDB nº 9394/96, o financiamento da educação é tratado no Título VII “Dos Recursos Financeiros”, mais precisamente os Arts. 68 a 77 que têm o conteúdo dividido em quatro temas: 1. Fontes de recursos (Art. 68); 2. Vinculação de recursos (Arts. 69, 70, 71, 72 e 73); 3. Padrão de qualidade (Arts. 74, 75 e 76); 4. Transferência de recursos públicos para a escola privada (Art. 77). Fontes de Recursos O Art. 68 especifica as fontes de recursos para a educação. São recursos públicos destinados à educação os originários de: I) receita de impostos próprios da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II) receita de transferências transferências; constitucionais e outras

III) receita de salário-educação e de outras contribuições sociais; IV) receita de incentivos fiscais; V) outros recursos previstos em lei.
Vamos tentar entender melhor que recursos são esses?

1. Em relação aos impostos próprios das diversas esferas fica mais fácil entender, pois certamente você já ouviu falar do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Prestação de Serviços), entre outros. 2. Transferências de recursos são realizadas de uma esfera da administração para outra, tendo como objetivo equalizar a capacidade arrecadadora e as responsabilidades na prestação de serviços das diferentes esferas da Administração Pública.

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Fundos de participação • Os fundos de participação são formas de repasse de recursos do Governo Federal para Estados e Distrito Federal (FPE) e para Municípios (FPM).
E como é a composição desses fundos de participação?

Da União aos Estados e Distrito Federal: 21,5% do arrecadado com o Imposto de Renda (IR) e com o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI); do IR de autarquias e fundações estaduais; de 10% do IPI aos Estados e Distrito Federal, proporcionalmente as suas exportações de produtos industrializados; de 20% dos impostos residuais. Além destes, são transferidos 3% do IR e do IPI para financiamento do setor produtivo nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste (deste último 50% destina-se ao Semi-Árido). Das transferências da União e dos Estados aos Municípios, 22,5% vem do IR e do IPI; 50% do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural (ITR) dos imóveis; 50% do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) dos veículos licenciados; 25% do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Prestação de Serviços (ICMS) e Imposto de Renda (IR) devido por autarquias e fundações municipais.

Observação: Os Estados, Distrito Federal e Municípios acabam por receber uma parcela significativa de transferência federal (Oliveira, 28

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2001). A maioria dos municípios brasileiros arrecada, através de impostos próprios, menos de 10% de sua receita total, mais de 90% de suas receitas provêm das transferências de outras esferas. Salário Educação
Que recurso é este?

Trata-se da operacionalização prática da responsabilização das empresas para com a educação. Sua origem remonta do Art. 139 da Constituição de 1934. Em 1964 a Lei n. 4440 instituiu o salário-educação com a aplicação vinculada ao Ensino Fundamental (na época chamado de ensino Primário). O salário-educação teve sua primeira regulamentação definida pelo Decreto-Lei nº 55.551, de 1965, e sofreu sucessivas modificações iniciando com alíquota de 2% até chegar a atual de 2,5% da folha de pagamentos das empresas. Tem como base a folha de contribuição da empresa para a Previdência Social e é recolhido ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), daí remetido ao Ministério da Previdência Social que o repassa para o Ministério da Educação, que remete uma verba correspondente a 2/3 para o Estado Arrecadador e 1/3 restante é a cota federal que constitui o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) o qual é aplicado nos Estados e Municípios com maior defasagem educacional.

Vinculação de Recursos na Constituição de 1988
O que é isso?

É a previsão, no texto constitucional, de uma alíquota mínima da receita de impostos a ser aplicada em Educação. A vinculação está disciplinada no Art. 212 da CF 88 e de maneira mais detalhada, no Art. 69 da LDB.
Como começou esta vinculação de recursos para educação?

Desde o Império surge a proposta de estabelecer em lei um mínimo 29

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das receitas a ser aplicado em educação, por meio de proposta do senador João Alfredo. A vinculação é prevista pela primeira vez em nível nacional na Constituição de 1934, quando se vinculou 10% da receita de impostos da União e dos Municípios e 20% dos Estados e Distrito Federal. Depois da Constituição de 1934, a vinculação aparece e desaparece sistematicamente sucessivamente nos textos constitucionais e na legislação educacional decorrente. Na Constituição de 1937, foi suprimida, sendo reintroduzida nos anos de 1940, como consequência da Conferência Interestadual de Educação (1941). A Constituição de 1946 restabelece, em seu Art. 169, a vinculação com alíquotas de 10% para a União e 20% para os Estados, Distrito Federal e Municípios. A Lei 4024 amplia para 12% o percentual mínimo da União, mantendo-se os demais. A Emenda Constitucional nº 24 (Art. 176 § 4º), de 1983, também conhecida como Emenda João Calmon reintroduz a vinculação constitucional de recursos, com alíquotas de 13% para União e de 25% para Estados, Distrito Federal e Municípios. A Constituição Federal de 1988 altera a alíquota da União de 13% para 18%, mantendo-se os demais percentuais. A Regulamentação da Vinculação na LDB nº 9394/96 A vinculação de recursos para a Educação consta nos parágrafos do Art. 69 e nos Arts. 70, 71, 72 e 73.

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Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB Instituído pela Emenda Constitucional nº 53, de 19 de dezembro de 2006, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb é um fundo de natureza contábil, regulamentado pela Medida Provisória nº 339, posteriormente convertida na Lei nº 11.494/2007. Sua implantação foi iniciada em 1º de janeiro de 2007, de forma gradual, com previsão de ser concluída em 2009, quando estará funcionando com todo o universo de alunos da educação básica pública presencial e os percentuais de receitas que o compõem terão alcançado o patamar de 20% de contribuição. O Fundeb substituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - Fundef, que só previa recursos para o ensino fundamental. Os recursos do Fundo destinam-se a financiar a educação básica (creche, préescola, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos). Sua vigência é até 2020, atendendo, a partir do terceiro ano de funcionamento, 47 milhões de alunos. Para que isto ocorra, o aporte do governo federal ao Fundo, de R$ 2 bilhões em 2007, aumentará para R$ 3 bilhões em 2008, R$ 5 bilhões em 2009 e 10% do montante resultante da contribuição de estados e municípios a partir de 2010.
Fonte: www.mec.gov.br

Conheça Mais Para aprofundarmos um pouco mais seus conhecimentos sobre o assunto que é mais complexo do que parece, pois trata-se de oferecer recursos para que se viabilize o oferecimento de um ensino de qualidade, leia um pouco mais sobre o assunto em: BRZEZINSKI, Iria (org.). LDB interpretada: diversos olhares se entrecruzam. São Paulo: Cortez, 1997. OLIVEIRA, Romualdo Portela; ADRIÃO, Theres (orgs.) Gestão, financiamento e direito à educação: análise da LDB e da constituição federal. São Paulo: Xamã, 2002.

Atividades e Orientações de Estudo Caro(a) Cursista, Vamos ver se você compreendeu o assunto que tratamos neste 31

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capítulo? Pesquise em alguma obra artística (pinturas, esculturas ou músicas) algo que simbolize o financiamento da educação brasileira e disponibilize em um fórum de discussão com um comentário sobre sua escolha.

Vamos Revisar? É importante rever os assuntos abordados neste capítulo. Se você ainda tiver dúvidas, pode entrar em contato com os professores/tutores para esclarecer os pontos que você ainda não compreendeu muito bem. Lembre-se que, em um curso a distância, é fundamental que você consiga organizar bem seus estudos. Dedique um bom tempo para realizar a leitura do material didático e realize as atividades propostas. Vamos lá?
Resumo Neste capítulo, fizemos uma breve retrospectiva histórica sobre o financiamento da educação brasileira, desde a época dos jesuítas aos dias atuais. Este é um assunto muito polêmico, pois ao senso comum se refere sempre ao mesmo falando da escassez dos recursos e dos desvios que podem acontecer. Por isso, enfatizamos a questão da vinculação legal desses recursos e quais são as fontes destinadas a este fim.

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Capítulo 3

Plano de Desenvolvimento Nacional da Educação O que vamos estudar neste capítulo? Já estudamos a questão do financiamento para educação, a formação e a valorização dos profissionais da educação. Agora, no terceiro capítulo, vamos estudar o Plano de Desenvolvimento da Educação. Para tanto, iremos fazer uma breve abordagem, considerando: • Plano de Desenvolvimento da Educação; • Plano de Desenvolvimento da Escola.

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Capítulo 3 - Plano de Desenvolvimento da Educação
Vamos conversar sobre o assunto? No primeiro capítulo, abordamos sobre o Plano Nacional de Educação (2002) e o processo de formação e valorização dos profissionais de educação. Vamos refletir sobre os seguintes questionamentos:
O que é o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)? E o que é o Plano de Desenvolvimento da Escola? Esses planos têm relação com o Plano Nacional?

Vamos aprofundar um pouco nossas reflexões sobre o assunto? O Plano de Desenvolvimento da Educação e o Plano de Desenvolvimento da Escola Vamos tentar entender melhor?

Investir na educação básica significa investir na educação profissional e na educação superior porque elas estão ligadas, direta ou indiretamente. Significa também envolver todos - pais, alunos, professores e gestores, em iniciativas que busquem o sucesso e a permanência do aluno na escola. Uma educação básica de qualidade que vai dar bons frutos no futuro - Essa é a prioridade do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Com o PDE, o Ministério da Educação pretende mostrar à sociedade tudo o que acontece dentro e fora da escola e realizar uma grande prestação de contas. Só com as iniciativas do MEC chegando à sala de aula para beneficiar a criança, que se conseguirá atingir a qualidade desejável para a educação brasileira. Por esse motivo, é importante a participação de toda a sociedade no processo. Porém, o PDE não pode ser apenas um projeto do governo federal. Para que todos esses objetivos sejam alcançados, é necessário muito mais. Ex-ministros da Educação, professores e pesquisadores já foram convidados a contribuir na elaboração do plano. E a sua participação também é muito importante. Para que o Plano de Desenvolvimento da Educação tenha sucesso, vai precisar da colaboração de todos os brasileiros.
Fonte: www.portal.mec.gov.br/pde/index.php

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Pela definição acima, observa-se que o PDE é a forma operacional de se tentar colocar em prática o Plano Nacional da Educação. Agora, vamos para o PDE da Escola.

O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE-Escola) auxilia a escola pública, pois trata-se de planejamento estratégico em que a escola investe em sua qualificação para oferecer mais qualidade de ensino ao estudante, aumentando a aprendizagem escolar. O PDE-Escola auxilia as equipes a trabalhar com os mesmos objetivos e em busca de resultados comuns, reconhecendo que os ambientes sociais estão em constante mudança.
Fonte: www.portal.mec.gov.br/pde/index.php

E então? Observou que, como forma de se descentralizarem as funções, o Plano de Desenvolvimento que existe no âmbito Nacional, também se materializa em nível local (escolas)? Na tentativa de atender às necessidades específicas da unidade escolar, será que esse PDE tem relação com o Projeto Políticopedagógico (PPP) da escola? Claro que sim! Vamos tentar deixar isso mais claro. Alguns aspectos importantes para análise: 1– Segundo Saviani (2007), o PDE pode ser visto como uma tentativa do governo de responder às reivindicações da sociedade em relação aos graves problemas de qualidade da escola básica pública. E para tentar garantir esta qualidade foram construídos instrumentos de aferição do nível de eficácia do ensino ministrado. (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB). 35

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2– Apesar dos avanços, o PDE apresenta deficiência grave nas questões centrais de financiamento e do magistério, pois a base de sustentação financeira do PDE é o FUNDEB. Entretanto, isso não significou aumento real de recursos. Quanto ao Magistério, é consenso, segundo Saviani (2007), o reconhecimento de dois requisitos fundamentais: condições de trabalho e salário / formação. Em relação às condições de trabalho, a questão principal não contemplada no PDE diz respeito à carreira profissional dos professores. Como foi visto, no Plano Nacional da Educação, dever-se-ia propor a jornada integral em um único estabelecimento de ensino, para fixar os professores nas escolas com sua presença diária, em tempo integral proporcionando maior possibilidade de identidade com elas.

De preferência, é preciso garantir que 50% da jornada seja destinada para aulas e o restante para a participação desse professor em atividades de gestão da escola, na elaboração do projeto pedagógico, nas reuniões de colegiado, no atendimento à comunidade, e principalmente, na orientação dos estudos e atividades de reforço escolar aos alunos com mais dificuldades. E quanto à questão salarial, criou-se o piso salarial de R$ 850,00, porém prevê-se a implantação gradativa até 2010, o que já implica em perdas salariais significativas, pois o salário mínimo já foi ajustado várias vezes. 3– É importante lembrar que o PDE foi proposto em sintonia com o grupo empresarial que, em 2006, lançou a proposta do “Compromisso de Todos pela Educação”, ou seja, é um plano que está em consonância também com os interesses do mercado de trabalho.

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A relação entre o PDE e as Políticas Públicas para Educação
O PDE trouxe novamente, para o foco das discussões, a educação escolar como um direito social básico que deve ser assegurado pelo Estado.

Para que isto aconteça deve haver a articulação e o respeito aos diferentes momentos e etapas do desenvolvimento, promovendo a autonomia individual e das instituições. Ele é fundamentado na Constituição de 1988, na Emenda nº 14, na Lei do FUNDEF (hoje, FUNDEB), na LDB e no Plano Nacional da Educação. A necessidade de sua existência se deu pelo fato que os mecanismos que promoveram um reordenamento político em prol da municipalização do Ensino Fundamental, ocasionaram também a queda da qualidade do ensino e o desmantelamento de alguns serviços públicos educacionais. É claro que essa municipalização também trouxe avaliações positivas, como a possibilidade do desenvolvimento de experiências alternativas. Outro avanço em relação à municipalização é a participação social no campo educacional nos diversos níveis. O principal desafio do PDE é materializar a cooperação entre esferas governamentais e movimentos sociais. Quais são as formas de regulação previstas? Como você pode observar, as formas de regulação previstas para educação perpassam por: 1º A existência de parâmetros para a avaliação de um sistema Nacional de Educação; 37

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2º A perspectiva que norteia o PDE salvaguarda a multiplicidade e evita a uniformidade, mas enfrenta as desigualdades de oportunidades educacionais à medida que considera as necessidades econômicas. Quanto à avaliação, esta contempla o desempenho do aluno e das unidades escolares. Uma vez que a construção da qualidade constitui processo multifacetado que envolve as condições escolares adequadas para o desenvolvimento, atividades pedagógicas; profissionalização docente; incentivo à formação continuada e à atualização constante, no intercambio entre pares, na disposição didático-pedagógico e na remuneração compatível com a relevância social do trabalho docente; gestão democrática da escola (vivenciada pelos conselhos, colegiados, articulação entre a comunidade e com entidades da sociedade civil).
Segundo Weber (2008) é possível afirmar que o PDE: • Sistematiza e aprofunda debate e prática histórica de Estados e Municípios. • Sinaliza a educação básica como política do Estado. • Enfatiza a articulação e os acordos em detrimento de modelo único, associações e classificações. • Reconhece parceiros na implementação das políticas de Estado e apresentase como solidária na efetivação de intervenções educacionais locais. • Amplia o sentido de regime de colaboração pelo estabelecimento de metas fundadas em diagnóstico. • Aposta em mecanismos de acompanhamento e de controle como forma de ajustes e intervenções preventivas. • Suscita o apoio da instância produtora de conhecimentos, a universidade, na formação docente e na fundação, execução, monitoramento e avaliação de políticas educacionais. • Terá repercussão positiva sobre a dinâmica do trabalho escolar e reconhecimento do professorado como profissional, com direito à remuneração condigna e com trabalho compatível. • Devolve à sociedade a sistematização de demandas históricas, a reconhecêla como parceira indispensável e a convoca a monitorar a materialização da qualidade da educação como projeto nacional.
Fonte: Weber, 2008.

O PDE é uma Avaliação de Campo, um instrumento voltado à análise de quatro dimensões: gestão educacional, formação de professores, de profissionais de apoio escolar e infra-estrutura. 38

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No PDE, é proposta uma articulação entre os entes federados, no sentido de se efetivar a oferta de uma educação básica de qualidade como direito social básico. Em longo prazo, o PDE impulsionará a constituição do Sistema Nacional de Educação.

O Plano de Desenvolvimento da Escola
O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) é o projeto principal do FundEscolA3 que visa à modernização e ao fortalecimento da autonomia da escola, mediante a adoção do modelo de Plano estratégico, apoiando a racionalização e a eficiência administrativa. Por meio do PDE, a escola faz um diagnóstico de sua situação, define seus valores, missão, elabora objetivos, estratégias, metas e planos de Ação.
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Atenção
FundEscolA – é um programa de gestão escolar, em desenvolvimento nos Estados das regiões norte, nordeste e centro-oeste. sua missão é propor um conjunto de ações para autonomia e melhoria da qualidade do ensino fundamental, garantia de permanência das crianças nas escolas públicas. sua estratégia principal é incrementar o desempenho dos sistemas de ensino público, fortalecendo a capacidade das secretarias de educação, a gestão das escolas e a participação da comunidade escolar (FonsEcA, 2003, p. 2).

Quem recebe recursos financeiros e apoio técnico para elaborar o PDE? As escolas que possuem mais de 200 alunos organizem-se em unidades executoras, disponham de condições para funcionamento e possuam liderança forte. Qual a base teórico-metodológica do PDE? Esse Plano provém da visão sistemática, segundo a qual são orientados racionalmente para resultados ou produtos. O PDE condiz com essa base teórica uma vez que privilegia a estrutura do sistema educativo, tendo como alvo para a racionalização de gastos, a eficiência operacional e a busca de resultados. E, na prática, o PDE tem auxiliado com técnicas de planejamento importantes para a escola. 39

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Filmoteca: Cinema em Ação Até o momento estudamos bastante a teoria. Que tal um filme para tentar visualizar, na prática alguns aspectos importantes. Você já assistiu ao filme “Meu mestre, minha vida”?
SINOPSE  Meu mestre, minha vida Em Nova Jersey, uma escola com sérios problemas de violência e tráfico de drogas. Usando métodos pouco ortodoxos, algumas vezes violentos, ele transforma os alunos, inclusive conseguindo que sejam aprovados no exame do final do ano realizado pelo governo estadual. Arrogante e autoritário, o professor Joe Clark (Morgan Freeman) é convidado por seu amigo Frank Napier (Robert Guiullaume) a assumir o cargo de diretor na problemática escola em Paterson, New Jersey, de onde ele havia sido demitido. Com seus métodos nada ortodoxos, Joe se propõe a fazer uma verdadeira revolução no colégio marcado pelo consumo de drogas, disputas entre gangues e considerado o pior da região. Com isso, ele ao mesmo tempo coleciona admiradores e também muitos inimigos. Ficha Técnica Título no Brasil: Meu Mestre, Minha Vida Título Original: Lean on Me País de Origem: EUA Gênero: Drama

Tempo de Duração: 104 minutos Ano de Lançamento: 1989 Direção: John G. Avildsen

Fonte: www.interfilmes.com/filme_19910_Meu.Mestre.Minha.Vida-(Lean.on.Me).html

Reflita um pouco sobre as condições de funcionamento da escola exibidas no filme. Como algumas estratégias foram importantes para a melhoria da qualidade dessa escola? E agora vamos para uma Webquest.

Webquest: pesquisa em ação Título: A Importância de um Plano de Desenvolvimento em uma Escola. 40

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A Tarefa Sua missão é atuar como um pesquisador que irá aprofundar sua base teórica e depois comparar o filme “Meu mestre, minha vida” – que é uma realidade de um outro país – com a realidade demonstrada no documentário “Para o dia nascer feliz”, que você assistiu no módulo anterior. O Processo Inicialmente realize mais pesquisas sobre o PDE educacional (nacional) e o Plano de Desenvolvimento da Escola e depois analise a realidade encontrada nas escolas demonstradas nos dois filmes. Nesta análise, reflita sobre a importância de um Plano de Desenvolvimento da Escola nas duas realidades buscando imaginar que avanços reais o Plano de Desenvolvimento poderia trazer para essas escolas. Em seguida, escreva um texto que sistematize suas reflexões e disponibilize sua produção textual no Fórum de discussão. A Avaliação Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes critérios: • Clareza, coerência e coesão ao longo do texto construído. • Embasamento teórico pertinente às referências bibliográficas utilizadas.

Vamos Revisar? Releia o capítulo, tire suas dúvidas com os tutores e professores que estarão acompanhando os seus percursos de aprendizagem. Organize seus estudos e pesquisas, a fim de aprofundar seus conhecimentos sobre educação. É hora da revisão. Vamos parar um pouco para revisar os conteúdos propostos neste capítulo?

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Resumo Neste capítulo, estudamos um pouco sobre o Plano de Desenvolvimento da Educação e o Plano de Desenvolvimento da Escola. Constatou-se que ambos fazem parte dos encaminhamentos direcionados pelas políticas públicas para educação no sentido de tentar materializar uma educação de qualidade. Eles são baseados na legislação atual e na prática, auxiliam no planejamento e avaliação do processo educativo.

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Considerações Finais
Caro(a) Cursista, Chegamos ao final de mais um módulo. Neste módulo, você observou a formação e valorização do profissional da educação, o financiamento da mesma e o Plano de Desenvolvimento da Educação. Agora que estamos finalizando esse módulo esperamos que tenha ficado mais claro, como a legislação referente a formação e valorização docente, as fontes de financiamento destinadas à educação e o plano de desenvolvimento da educação são aspectos relevantes para entendermos que direcionamento nossas políticas públicas vem tomando para tentar melhorar a qualidade da educação oferecida nos diversos níveis no Brasil. É evidente que são aspectos polêmicos que geram muitas discussões e até mesmo críticas e que por isso mesmo precisam ser analisadas, buscando-se sempre aprofundar um pouco mais o entendimento sobre o assunto. Fizemos aqui uma discussão inicial e esperamos que vocês continuem pesquisando um pouco mais. No próximo módulo, vamos estudar as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os Parâmetros curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +). Bons Estudos e Até o Próximo Módulo. Abraços Virtuais, Ivanda Martins Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento Professoras Autoras

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Referências AMARAL SOBRINHO, J. O PDE e a gestão escolar no Brasil. Brasília: MEC / FUNDESCOLA, 2001. BRASIL, Congresso Nacional. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988. ______. Emenda Constitucional nº 14, de 13.09.1996. Brasília, 1996. ______. Leis e decretos. Lei nº 9394, de 23.12.1996: Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996. ______. Lei nº 9424, de 24.12.1996: Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. Brasília, 1996. ______. Lei nº 10712, de 9.1.2001: Plano Nacional de Educação. Brasília, 2001. ______. Ministério da Educação. Plano de Desenvolvimento da Educação: razões e programas. Brasília, 2007. FONSECA, M. Projeto político pedagógico e o plano de desenvolvimento da escola – duas concepções antagônicas de gestão escolar. Caderno CEDES, vol. 23, n. 61, Campinas, 2003. ______; OLIVEIRA, J.F. O plano de desenvolvimento da escola (PDE): modernização, diretividade e controle da gestão e do trabalho escolar. Trabalho apresentado na ANPED, v. 26, Poços de Caldas, 2003. FONSECA, S.M. Aulas régias. Disponível em: h t t p : / / w w w . histedbr.fae.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_aulas_ regias.htm Acesso em: 05 maio 2009 MARRA, F.; BOF, A; AMARAL SOBRINHO, J. Plano de desenvolvimento da escola: conceito, estrutura e prática. Brasília: MEC/BIRD/FUNDESCOLA, 1999. MARTINS, P.S. O financiamento da educação. Disponível em: http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/feb/tetxt2. 44

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htm Acesso em 25 maio 2009. MONLEVADE, João. Educação Pública no Brasil: Contos & Descontos. 2ª edição, 2001. RABELO, A.O.; MARTINS, A.M. A mulher no magistério brasileiro: um histórico sobre a feminização do magistério. p. 6167-6175. Disponível em: www.faced.ufu.br/colubhe06/ anais/arquivos/556.pdf Acesso em: 20 maio 2009 SAVIANI, Dermeval. Entrevista – Professor Dermeval Saviani analisa o PDE. Disponível em: http://www.contee.org.br/ secretarias/educacionais/materia_116.htm Acesso em: 22 abr. 2009. WEBER, Silke. Relações entre esferas governamentais na educação e PDE: o que muda? Cadernos de Pesquisa, vol. 38, nº 134. São Paulo, maio/agosto, 2008.

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Conheça as Autoras
Ivanda Maria Martins Silva Olá, Pessoal! Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a distância, ofertados pela UFRPE e pela UPE, produzindo materiais didáticos para disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e Produção Textual e Português Instrumental. Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual: múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão: múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações editadas pela Baraúna/Recife. Maria Lúcia Soares Olá, Pessoal! Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdades Integradas de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas Pedagógicas e Projetos Educacionais. Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em 46

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diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares. Roseane Nascimento Olá, Cursistas!! Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de pós-graduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento e Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela UFPE, na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo pesquisa em políticas públicas de qualificação profissional. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA). Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração, execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental.

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Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento

Recife, 2009

Universidade Federal Rural de Pernambuco Reitor: Prof. Valmar Corrêa de Andrade Vice-Reitor: Prof. Reginaldo Barros Pró-Reitor de Administração: Prof. Francisco Fernando Ramos Carvalho Pró-Reitor de Extensão: Prof. Paulo Donizeti Siepierski Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Fernando José Freire Pró-Reitor de Planejamento: Prof. Rinaldo Luiz Caraciolo Ferreira Pró-Reitora de Ensino de Graduação: Profª. Maria José de Sena Coordenação Geral de Ensino a Distância: Profª Marizete Silva Santos Produção Gráfica e Editorial Capa e Editoração: Allyson Vila Nova, Rafael Lira, Italo Amorim, Everton Félix e Gláucia Micaele Revisão Ortográfica: Marcelo Melo Ilustrações: Glaydson da Silva e Juliana da Silva Coordenação de Produção: Marizete Silva Santos

Sumário
Apresentação ........................................................................................4 Conhecendo o Volume 4 ......................................................................5 Capítulo 1 - Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) ................................................................................................7 Conhecendo a organização do Ensino Médio: “novos” desafios........8 Conhecendo as três áreas do Ensino Médio ......................................9 O que significa a dualidade estrutural do Ensino Médio?.................14 Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) ...15 Princípios das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) ..........................................................................................16 O princípio da contextualização........................................................21 Capítulo 2 – Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +) ..........................................................................29 Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCN) ...........29 Rumo à Interdisciplinaridade ............................................................31 Interdisciplinaridade, Transversalidade e Contextualização: Múltiplas Conexões no Contexto do Ensino Médio .........................................33 Transversalidade: Abordagem de Questões Sociais na Escola .......34 Contextualização: teoria na prática ..................................................37 Considerações Finais .........................................................................43 Conheça as Autoras ...........................................................................44

Apresentação
Caros(as) Cursistas, Sejam bem-vindos(as) ao quarto e último módulo da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Neste quarto módulo, vamos abordar as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNEM) e os Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio (PCN). Você irá perceber como se organiza o Ensino Médio, considerando os princípios orientadores, tais como: contextualização, interdisciplinaridade, autonomia, igualdade e diversidade. Também será uma oportunidade para você compreender melhor os objetivos do Ensino Médio, compreendendo esse nível como etapa final da Educação Básica. Esperamos que você se sinta motivado(a) a continuar nesta fascinante viagem ao mundo da Educação Brasileira. Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento As autoras

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Conhecendo o Volume 4
Neste quarto volume, você irá encontrar o quarto módulo da disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Para facilitar seus estudos, veja a organização deste quarto e último módulo. Módulo 4 – Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os Parâmetros curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN+). Carga horária do Módulo 4: 15 h/aula Objetivo do Módulo 4: Analisar criticamente as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), tendo em vista os princípios norteadores do Ensino Médio (contextualização, interdisciplinaridade, igualdade, diversidade, autonomia). Conteúdo Programático do Módulo 4: 1. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) • Ensino Médio: “novos” desafios. • Áreas do Ensino Médio: Códigos, linguagens e suas tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias, Ciências Humanas e suas tecnologias. • Princípios contidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. 2. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN+)

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Capítulo 1

Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) O que vamos estudar neste capítulo? • Ensino Médio: “novos” desafios • Áreas do Ensino Médio: Códigos, linguagens e suas tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias, Ciências Humanas e suas tecnologias. • Princípios contidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM).

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Capítulo 1 – Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM)
Vamos conversar sobre o assunto? Você lembra que, no segundo volume, dentre vários temas abordados, estudamos sobre a educação básica? Lembra? Está lembrado(a) também que o Ensino Médio se constitui enquanto a última etapa da educação básica? Além disso, vimos que a educação básica envolve a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Você já ouviu falar em Diretrizes Curriculares Nacionais? Já leu algo sobre a importância dessas Diretrizes para a organização da educação escolar do país? Sabia que existem as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para todas as etapas da educação básica? Vamos conhecer um pouco mais sobre o assunto?

Lembrete
1 Para saber mais, consulte:

DCN para a Educação Infantil, DCN para o Ensino Fundamental e DCN para o Ensino Médio: tais diretrizes se constituem enquanto um conjunto obrigatório de princípios que regem a educação básica, são diretrizes gerais, de caráter abrangente.1 É basicamente sobre isso que vamos estudar neste capítulo, focando o nosso olhar especificamente para o Ensino Médio. Antes de aprofundarmos nossos olhares sobre as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio (DCNEM), vamos conversar um pouco sobre o quadro histórico do Ensino Médio no contexto da organização da educação no Brasil? 7

1 - Parecer CNE 22/98 - DCN para a Educação Infantil. 2 -Parecer CNE 04/98 - DCN para o Ensino Fundamental. 3 - Parecer CNE 15/98 DCN para o Ensino Médio. http://portal.mec. gov.br

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Na sequência, situaremos a discussão sobre a organização do Ensino Médio, as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio (DCNEM) e os princípios orientadores do Ensino Médio. Vamos lá?
Lembrete
Segundo Lévy (1999, p.17), “Cibercultura: conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço.”
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Conhecendo a organização do Ensino Médio: “novos” desafios
O debate sobre o Ensino Médio no Brasil está amplamente atrelado ao contexto dinâmico de revoluções tecnológicas e mudanças de paradigmas no campo da educação. Os novos desafios no competitivo mercado de trabalho e as mudanças na era da cibercultura2 vêm proporcionando mudanças significativas nas formas de compreender o Ensino Médio como etapa final da Educação Básica, conforme propôs a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96)3.

Lembrete
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional explicita que o Ensino Médio é “a etapa final da educação básica”. (Art.36).
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Como você já estudou anteriormente, a Educação Básica é constituída pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Nesse sentido, o Ensino Médio passa a assumir a característica de terminalidade, assegurando a todos os cidadãos a oportunidade de aprofundar conhecimentos e competências já desenvolvidas desde o Ensino Fundamental4. Conforme propõem os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCN)5:
“O Ensino Médio, portanto, é a etapa final de uma educação de caráter geral, afinada com a contemporaneidade, com a construção de competências básicas, que situem o educando como sujeito produtor de conhecimento e participante do mundo do trabalho, e com o desenvolvimento da pessoa, como “sujeito em situação” ― cidadão”.

Atenção
4 Você está lembrado(a) que o Ensino Fundamental envolve a etapa da educação escolar do 1º ao 9º anos (1º, 2º, 3º e 4º ciclos de aprendizagem do Ensino Fundamental)?

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Lembrete
5 Vamos estudar mais detalhadamente os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio no próximo capítulo.

Conforme a LDB nº 9.394/96, o Ensino Médio “deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”6. Veja como a LDB nº 9.394/9 apresenta os objetivos gerais do Ensino Médio:
Art.35 “O Ensino Médio, etapa final da Educação Básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidade: I - A consolidação e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; II - A preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; III - A compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina”.

Atenção
6 Veja Art.1º § 2º da Lei nº 9.394/96 para visualizar melhor a proposta acerca do Ensino Médio.

Você sabia que o Ensino Médio está estruturado em três grandes áreas? Que tal conhecer um pouco mais sobre esse assunto?
Lembrete

Conhecendo as três áreas do Ensino Médio
Com a reforma curricular do Ensino Médio, o princípio da interdisciplinaridade7 foi amplamente discutido. Percebeu-se a importância de agregar as disciplinas por áreas, visando consolidar uma abordagem interdisciplinar da educação no contexto do Ensino Médio. Nesse sentido, os Parâmetros Curriculares do Ensino Médio (PCN) apresentam três grandes áreas:

7 A interdisciplinaridade envolve a interação entre diversas áreas do conhecimento, percebendo-se uma visão holística e integrada da educação. Vamos aprofundar a discussão sobre a interdisciplinaridade no próximo capítulo.

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1. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; 2. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias 3. Ciências Humanas e suas Tecnologias.

Lembrete
8 “A linguagem, pela sua natureza, é transdisciplinar, não menos quando é enfocada como objeto de estudo e exige dos professores essa perspectiva em situação didática. A linguagem é considerada aqui como a capacidade humana de articular significados coletivos e compartilhá-los, em sistemas arbitrários de representação, que variam de acordo com as necessidades e experiências da vida em sociedade. A principal razão de qualquer ato de linguagem é a produção de sentido”.

Observe que a tecnologia é um eixo norteador presente nas três áreas do Ensino Médio. Viu como a tecnologia assume posição de destaque? Já parou para pensar na importância de seu curso, Licenciatura em Computação, nessa etapa da educação básica? Para muitos alunos do Ensino Médio, a inserção no mundo globalizado e tecnológico é um grande desafio, fruto do competitivo mercado de trabalho. Preparar os alunos do Ensino Médio para a profissionalização ou para a continuidade dos estudos na Educação Superior revelase como premissa fundamental, considerando as contribuições da tecnologia nesse processo de formação dos educandos. Mas, voltemos às áreas do Ensino Médio. Vamos conhecer um pouco melhor essas áreas?

Linguagens, códigos e suas tecnologias
Nessa área, a concepção de linguagem é transdisciplinar8, congregando linguagens icônicas, verbais, corporais, sonoras, dentre outras, que se estruturam nos conhecimentos de Língua Portuguesa, Línguas Estrangeiras, Educação Física, Artes e Informática. As disciplinas dialogam sob perspectivas de códigos diversos que se 10

(PCN do Ensino Médio). (grifo nosso)

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estruturam a partir das demandas do mundo tecnológico e dinâmico, no qual estamos inseridos. Ressalta-se a compreensão de que as linguagens e os códigos são dinâmicos e ancorados nos processos históricos, sociais e culturais. É preciso que o aluno do Ensino Médio tenha essa compreensão mais ampla das práticas de linguagem, percebendo as articulações entre diferentes linguagens e suas conexões com a tecnologia. Na área Linguagem, Códigos e suas Tecnologias, estão destacadas competências relacionadas à constituição de significados imprescindíveis para a constituição da identidade e o exercício da cidadania do aluno. Conforme Guiomar de Mello (1998), no parecer nº 15/98 sobre as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio:
“As escolas certamente identificarão nesta área as disciplinas, atividade e conteúdos relacionados às diferentes formas de expressão das quais a Língua Portuguesa é imprescindível. Mas é importante destacar que o agrupamento das linguagens busca estabelecer correspondência não apenas entre as formas de comunicação - das quais as artes, as atividades físicas e a informática fazem parte inseparável - como evidenciar a importância de todas as linguagens enquanto constituintes dos conhecimentos e das identidades dos alunos, de modo a contemplar as possibilidades artísticas, lúdicas e motoras de conhecer o mundo”. (MELLO, 1998)

Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias
Na área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, a aprendizagem das concepções científicas torna-se o ponto principal desta área, a qual busca integrar conhecimentos de Matemática, Física, Química, Biologia e disciplinas afins, tendo em vista as articulações entre teoria e prática com o víeis tecnológico.

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Quando abordam a área Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN) comentam:
“A aprendizagem das Ciências da Natureza, qualitativamente distinta daquela realizada no Ensino Fundamental, deve contemplar formas de apropriação e construção de sistemas de pensamento mais abstratos e ressignificados, que as trate como processo cumulativo de saber e de ruptura de consensos e pressupostos metodológicos” Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), Ensino Médio, 1999, p.33.

Ciências Humanas e suas tecnologias
A área de Ciências Humanas e suas Tecnologias engloba conhecimentos específicos de História, Geografia, Filosofia, Sociologia e outras disciplinas afins. O objetivo principal desta área é promover reflexões críticas e criativas, capazes de gerar respostas adequadas aos desafios atuais da sociedade. Destaca-se a concepção de cidadania, por meio do conhecimento dos direitos e deveres do cidadão, além do desenvolvimento da consciência cívica e social. Nesta área, a aprendizagem deve considerar as competências e habilidades para que o aluno entenda a sociedade em que vive, ampliando as reflexões acerca de seu entorno sociocultural.

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É interessante observar que “as três áreas – Ciências da Natureza e Matemática, Ciências Humanas, Linguagens e Códigos – organizam e interligam disciplinas, mas não as diluem nem as eliminam”. (PCN+ Ensino Médio, 2002, p. 08).

Você Sabia? Você sabia que, no debate educacional brasileiro, o Ensino Médio é alvo de grandes polêmicas? Sabe o porquê? Na história do Ensino Médio, no Brasil, tem-se constatado a produção de baixos índices de oferta e a baixa qualidade, gerando, para esse nível de ensino, vários obstáculos a enfrentar. Na atualidade, tais desafios têm se agravado em decorrência das crises e mudanças ocorridas no mundo do trabalho a partir do final do século XX. Pelo próprio contexto da crise do capitalismo no mundo e suas demandas por maior nível de formação dos sujeitos, no panorama da Organização Internacional do Trabalho.

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Nesse contexto, a essência do debate sobre o Ensino Médio, centra-se em boa medida na questão de qual seria sua real identidade, uma vez que ora é entendido enquanto nível preparatório do educando para o mundo do trabalho, ora preparatório do educando para a continuidade de seus estudos no nível superior. Revela-se, assim, uma ambiguidade de finalidades para esse nível de ensino. Esse debate também expressa diferentes concepções sobre formação, educação, sociedade e os interesses diversos em torno da questão. Na verdade, a história do Ensino Médio, no Brasil, é marcada por uma dualidade estrutural, que se configura como a grande categoria explicativa de constituição do Ensino Médio.

O que significa a dualidade estrutural do Ensino Médio?
A dualidade estrutural do Ensino Médio está fundamentada em um histórico de constituição de caminhos educacionais divergentes para os percursos dos educandos, de acordo com sua classe social. Essa dualidade envolve, por um lado, a discussão sobre um sistema de escolas destinadas à preparação de um grupo social, para o alcance do ensino superior, através da formação de cunho mais generalizante, formação propedêutica. Por outro lado, contempla, também, o debate sobre um sistema de escolas destinadas à profissionalização daqueles pertencentes à classe social menos favorecida, ou seja, formação para o trabalho.

Nesse contexto, o que representam as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM)?

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Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM)
De acordo com a LDB nº 9394/96, foram estabelecidas as novas Diretrizes Curriculares do Ensino Médio (DCNEM) através da Resolução nº 03/98, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE). As diretrizes revelam um conjunto de princípios, fundamentos e procedimentos que devem ser observados na organização pedagógica e na formação curricular das escolas. Diante das revoluções que a educação enfrenta na era da globalização, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio (DCNEM) estão direcionadas à proposta de vincular a educação ao mundo do trabalho e à prática social, propiciando a construção e o desenvolvimento da cidadania dos alunos. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) expressam a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB 9394/96. A LDB, no artigo 35, define, com clareza, as finalidades do Ensino Médio, de superar a dualidade socialmente definida, entre educação geral e educação específica para formação profissional.

Atenção Resolução de conformidade com o disposto no art. 9º § 1º, alínea “c”, da Lei 9.131, de 25 de novembro de 1995, nos artigos 26, 35 e 36 da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e tendo em vista o Parecer CEB/CNE 15/98, homologado pelo Ministro da Educação e do Desporto em 25 de junho de 1998, e que a esta se integra. http://portal.mec. gov.br
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O preceito da não dualidade do ensino, contido na LDB, está posto na Resolução da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) - Resolução9 CEB nº 3, de 26 de junho de 1998. Em seu primeiro artigo regulamenta:

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Art. 1º. As Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio – DCNEM –, estabelecidas nesta Resolução, se constituem num conjunto de definições doutrinárias sobre princípios, fundamentos e procedimentos a serem observados na organização pedagógica e curricular de cada unidade escolar integrante dos diversos sistemas de ensino, em atendimento ao que manda a lei, tendo em vista vincular a educação com o mundo do trabalho e a prática social, consolidando a preparação para o exercício da cidadania e propiciando preparação básica para o trabalho.

Entretanto, destacamos que as finalidades postas para o Ensino Médio pela LDB e regulamentadas pela Resolução CEB nº. 03/98 só são possíveis de concretização quando essa etapa de ensino estiver plenamente democratizada, e com as devidas condições materiais para a sua efetivação. Questionamos, então: no contexto atual de debates e lutas ideológicas históricas, qual é o grande desafio que permanece para o Ensino Médio até os dias de hoje?

Atenção
Você sabe o que é propedêutica? Veja o verbete abaixo e observe o segundo sentido da palavra que estamos utilizando nesse contexto. Propedêutica [F. subst. de propedêutico.] Substantivo feminino. 1.Introdução, prolegômenos, de uma ciência; ciência preliminar. 2.Conjunto de estudos que antecedem, como um estágio preparatório, os cursos superiores. 3.Med. Conjunto de indagações orais e de técnicas de exame físico que serve como base a partir da qual o médico se orienta para, por investigações mais extensas, se necessário, chegar a diagnóstico1 (2).
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Certamente o grande desafio posto para a organização desse nível de ensino é o alcance de uma proposta que revele, em sua concepção, a articulação competente das dimensões de formação do educando para o trabalho e formação para continuidade dos estudos em nível superior (formação propedêutica)10. Assim exposto, veremos, na seção a seguir, os princípios fundamentais contidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM). Vamos lá?

Princípios das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM)
Vamos analisar quais são os princípios norteadores expressos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM)? Está pronto(a)? Vamos lá? 16

Fonte: Dicionário Aurélio

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Pensar as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio implica revisitar as orientações para uma Pedagogia de Qualidade, como bem afirma o Parecer nº 15/98, do Conselho Nacional de Educação. Essas diretrizes seguem os princípios estéticos, políticos e éticos da LDB. Como o Brasil possui diferentes modalidades ou formas organizacionais das instituições do Ensino Médio, é bom ressaltar que cursar o Ensino Médio ainda é privilegio de poucos, por uma série de fatores de ordem política, econômica e social. Dentre estes poucos que têm acesso, uma quantidade ainda menor tem acesso a um Ensino Médio de qualidade. É necessário que as escolas do Ensino Médio tenham identidade diversificada em função das características do meio social e da clientela. A diversidade11 da escola média é necessária para contemplar as desigualdades nos pontos de partida de seu alunado. Conforme a Resolução CEB/CNE nº 15/98 de 03 de junho de 1998, três princípios básicos norteiam a proposta de organização das DCNEM. Assim, a Estética da Sensibilidade, a Política da Igualdade e a Ética da Identidade revelam-se como princípios interrelacionados, os quais priorizam respectivamente, a criatividade e o espírito inventivo do aluno, como também o reconhecimento dos direitos humanos e dos deveres dos cidadãos atrelados ao exercício da cidadania, além de promoverem a superação de dicotomias, visando à constituição de identidades igualitárias.

Atenção
“A diversificação deverá ser acompanhada de sistemas de avaliação que permitam o acompanhamento permanente dos resultados, tomando como referência as competências básicas a serem alcançadas por todos os alunos, de acordo com a LDB, as presentes diretrizes e as propostas pedagógicas das escolas”.
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BRASIL, PCN, 1999, p.82. Parecer CEB nº 15/98.

“Os sistemas e os estabelecimentos de ensino médio deverão criar e desenvolver, com a participação da equipe docente e da comunidade, alternativas institucionais com identidade própria, baseadas na missão de educação do jovem, usando ampla e destemidamente as várias possibilidades de organização pedagógica, espacial e temporal, e de articulações e parcerias com instituições públicas ou privadas, abertas pela LDB, para formular políticas de ensino focalizadas nessa faixa etária, que contemplem a formação básica e a preparação geral para o trabalho, inclusive, se necessário e oportuno, integrando as séries finais do ensino fundamental com o ensino médio, em virtude da proximidade de faixa etária do alunado e das características comuns de especialização disciplinar que esses segmentos do sistema de ensino guardam entre si”. BRASIL, PCN, 1999, p.82. Parecer CEB nº 15/98.

Além disso, os princípios pedagógicos da identidade, diversidade 17

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e autonomia, bem como a discussão sobre a interdisciplinaridade e a contextualização são estruturadores do currículo do novo Ensino Médio.

Atenção
Você sabia que diversas instituições de ensino superior já utilizam os resultados do ENEM para o ingresso nas universidades? Pois é, o ENEM está assumindo a função dos vestibulares, funcionando como um importante instrumento de avaliação no ensino superior.
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Para que se garanta a qualidade da educação, no Ensino Médio, é preciso que existam mecanismos de avaliação dos resultados para aferir se os pontos de chegada sejam os mesmos. O Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM12 organizado pelo MEC juntamente com os sistemas de avaliação dos estados, os sistemas de estatísticas e indicadores educacionais constituem mecanismos importantes na promoção dessa eficiência e igualdade.

A eficácia dessas diretrizes pressupõe a existência de autonomia13 dos sistemas de ensino público. É importante lembrar que a LDB vincula autonomia e proposta pedagógica. No entanto, a autonomia escolar não deve implicar na omissão do Estado; pelo contrário, os órgãos centrais devem exercer funções de formulação das diretrizes de política educacional e assessoramento na implementação dessas políticas públicas para educação. Uma outra preocupação é evitar que a autonomia venha reforçar privilégios e exclusões. Após discutirmos sobre os princípios: da identidade, diversidade e da autonomia, é importante ressaltar que o currículo deve ser voltado para as Competências Básicas. Neste sentido, a Lei nº 5692/71 prevê que o ensino médio deve preparar para a continuidade de estudos e habilitar para o exercício de uma profissão. 18

Estrutura e Funcionamento da Educação

Para a LDB, nº 9394/96, o Ensino Médio atual não deve priorizar o ensino enciclopedista e academicista dos currículos tradicionais que tornava a educação refém dos vestibulares. Deve sim buscar o aprimoramento do educando como pessoa humana. Enfatiza uma identidade autônoma quando destaca a ética, a autonomia intelectual e o pensamento crítico.

Atenção
“O exercício pleno da autonomia se manifesta na formulação de uma proposta pedagógica própria, direito de toda instituição escolar. Essa vinculação deve ser permanentemente reforçada, buscando evitar que as instâncias centrais do sistema educacional burocratizem e ritualizem aquilo que no espírito da lei deve ser, antes de mais nada, expressão de liberdade e iniciativa, e que por essa razão não pode prescindir do protagonismo de todos os elementos da escola, em especial dos professores.
13

Segundo o Parecer CNE nº 15/98, a organização curricular do Ensino Médio deve ser orientada por alguns pressupostos indicados a seguir:
• Visão orgânica do conhecimento, afinada com as mutações surpreendentes que o acesso à informação está causando no modo de abordar, analisar, explicar e prever a realidade, tão bem ilustradas no hipertexto que cada vez mais entremeia o texto dos discursos, das falas e das construções conceituais. • Disposição para perseguir essa visão organizando e tratando os conteúdos do ensino e as situações de aprendizagem, de modo a destacar as múltiplas interações entre as disciplinas do currículo. • Abertura e sensibilidade para identificar as relações que existem entre os conteúdos do ensino e das situações de aprendizagem e os muitos contextos de vida social e pessoal, de modo a estabelecer uma relação ativa entre o aluno e o objeto do conhecimento e a desenvolver a capacidade de relacionar o aprendido com o observado, a teoria com suas consequências e aplicações práticas. • Reconhecimento das linguagens como formas de constituição dos conhecimentos e das identidades, portanto como o elemento-chave para constituir os significados, conceitos, relações, condutas e valores que a escola deseja transmitir. • Reconhecimento e aceitação de que o conhecimento é uma construção coletiva, forjada socio-interativamente na sala de aula, no trabalho, na família e em todas as demais formas de convivência. • Reconhecimento de que a aprendizagem mobiliza afetos, emoções e relações com seus pares, além das cognições e habilidades intelectuais. Fonte: www.portal.mec.gov.br

BRASIL, PCN, 1999, p.82. Parecer CEB nº 15/98.

A filosofia educacional prevista por essa organização curricular 19

Estrutura e Funcionamento da Educação

Atenção
Jean Piaget (1896-1980) foi um famoso psicólogo e filósofo suíço, conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da educação infantil. Piaget analisava as fases de desenvolvimento das crianças, estudando os processos de aprendizagem. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia.
14

corresponde ao pensamento piagetiano14 do aprender a aprender e a pensar, tendo também fortes influências da pedagogia das competências. Ainda segundo o Parecer CNE nº 15/98: “uma organização curricular que responda a esses desafios requer”:
• desbastar o currículo enciclopédico, congestionado de informações, priorizando conhecimentos e competências de tipo geral, que são pré-requisito tanto para a inserção profissional mais precoce quanto para a continuidade de estudos, entre as quais se destaca a capacidade de continuar aprendendo; • (re)significar os conteúdos curriculares como meios para constituição de competências e valores, e não como objetivos do ensino em si mesmos; • trabalhar as linguagens não apenas como formas de expressão e comunicação mas como constituidoras de significados, conhecimentos e valores; • adotar estratégias de ensino diversificadas, que mobilizem menos a memória e mais o raciocínio e outras competências cognitivas superiores, bem como potencializem a interação entre aluno-professor e aluno-aluno para a permanente negociação dos significados dos conteúdos curriculares, de forma a propiciar formas coletivas de construção do conhecimento; • estimular todos os procedimentos e atividades que permitam ao aluno reconstruir ou “reinventar” o conhecimento didaticamente transposto para a sala de aula, entre eles a experimentação, a execução de projetos, o protagonismo em situações sociais; • organizar os conteúdos de ensino em estudos ou áreas interdisciplinares e projetos que melhor abriguem a visão orgânica do conhecimento e o diálogo permanente entre as diferentes áreas do saber; • tratar os conteúdos de ensino de modo contextualizado, aproveitando sempre as relações entre conteúdos e contexto para dar significado ao aprendido, estimular o protagonismo do aluno e estimulá-lo a ter autonomia intelectual; • lidar com os sentimentos associados às situações de aprendizagem para facilitar a relação do aluno com o conhecimento. Fonte: www.portal.mec.gov.br

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Um outro princípio das diretrizes curriculares para o Ensino Médio é a interdisciplinaridade. Essa interdisciplinaridade deve ir além da mera justaposição de disciplinas, além de evitar a diluição dessas. Agrega a si a possibilidade de relacionar as disciplinas em atividades ou projetos de estudo, pesquisa e ação.

O princípio da contextualização
Dentre os contextos relevantes indicados pela LDB está o exercício da cidadania. Para isso é indispensável lembrar que o jovem ao cursar o Ensino Médio não parte do “zero”, já traz consigo uma bagagem formada por conceitos adquiridos espontaneamente carregados de afetos e valores resultantes de suas experiências pessoais. Essas experiências anteriores devem ser levadas em consideração e devem ser o ponto inicial para as próximas aprendizagens.

Você Sabia? Você sabia que a reformulação do sistema de ensino é uma tendência mundial? Em quase todos os países, o ensino obrigatório foi estendido até os 16 anos. Quando chega ao Ensino Médio, o aluno tem várias opções, tanto para a preparação adequada ao ensino superior, quanto para o exercício imediato das atividades profissionais. Em cada país, a política que estrutura o Ensino Médio apresenta suas peculiaridades, de acordo com as convenções culturais e locais. Como exemplo, no modelo americano, a educação nos Estados Unidos é totalmente descentralizada. Veja o texto a seguir:

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“Os estados, comunidades e escolas têm grande autonomia e proveem quase a totalidade dos recursos para as instituições públicas de Ensino Básico e Médio. Dos US$ 350 bilhões destinados anualmente ao sistema educacional, apenas 6% são do governo federal e esse dinheiro é aplicado na escola primária de áreas carentes. Sem vínculo algum com o governo federal, o Ensino Médio é responsabilidade das comunidades locais, que decidem sobre tudo: currículo, carga horária, educação vocacional, aplicação de provas, salário de professores, etc. O único ponto em comum é a duração do curso- quatro anos”.

Fonte: BRASIL. O novo Ensino Médio. 2000.

Filmoteca: Cinema em Ação Você já assistiu ao filme “O Sorriso de Monalisa”? Assista-o e faça a relação entre o filme assistido e a discussão que tivemos ao longo do capítulo. Pegue a pipoca e um bom filme! Luzes, câmera, ação!
O Sorriso de Mona Lisa Uma professora serve de inspiração para suas alunas, após decidir lutar contra normas conservadoras do colégio em que trabalha. Dirigido por Mike Newell (Donnie Brasco) e com Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles e Marcia Gay Harden no elenco. Sinopse Katharine Watson (Julia Roberts) é uma recém-graduada professora que consegue emprego no conceituado colégio Wellesley, para lecionar aulas de História da Arte. Incomodada com o conservadorismo da sociedade e do próprio colégio em que trabalha, Katharine decide lutar contra estas normas e acaba inspirando suas alunas a enfrentarem os desafios da vida.
Fonte:http://www.adorocinema.com/filmes/sorriso-de-mona-lisa/sorriso-de-mona-lisa.asp

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Atividades e Orientações de Estudo

Atividade 1

É hora de praticar o que você estudou neste capítulo. Que tal realizar entrevistas sobre os novos desafios do Ensino Médio. Realize uma entrevista com um aluno do Ensino Médio, focalizando os possíveis questionamentos: 1. Em que escola você está cursando o Ensino Médio? 2. Qual a sua série? 3. Você gosta mais de qual disciplina no currículo do Ensino Médio? 4. Ao terminar o Ensino Médio, você pretende ingressar em algum curso superior? Qual curso superior? 5. Ao terminar o Ensino Médio, você pretende realizar algum curso pós-médio profissionalizante? Qual? 6. Você acredita que a aprovação no ENEM é uma estratégia interessante para o ingresso no ensino superior? O que você acha de o ENEM substituir os exames dos vestibulares para o ingresso nas universidades? Atividade 2 Agora é a vez de você entrevistar um professor que trabalha no Ensino Médio. Que tal considerar os seguintes questionamentos? 23

Estrutura e Funcionamento da Educação

1. Há quanto tempo você leciona? Há quanto tempo você atua no Ensino Médio? 2. Qual a disciplina que você leciona? 3. Qual a maior dificuldade que você vivencia em seu trabalho no Ensino Médio? 4. Sua escola realiza alguma atividade de orientação vocacional com os alunos do Ensino Médio? 5. Você acredita que a aprovação no ENEM é uma estratégia interessante para o ingresso no ensino superior? O que você acha de o ENEM substituir os exames dos vestibulares para o ingresso nas universidades? Após as entrevistas realizadas, publique sua produção no ambiente e socialize suas experiências com outros colegas. Continue lendo e pesquisando mais sobre o assunto. Veja a Webquest a seguir e continue pesquisando sobre o tema.

Atenção
Segundo Bernie Doge, WebQuest é “uma investigação orientada na qual algumas ou todas as informações com as quais os aprendizes interagem são originadas de recursos da Internet”. Acesse: WWW.webquest. futuro.usp. br∕artigos∕textos_ bernie.html
15

Webquest: pesquisa em ação Vamos desenvolver uma WebQuest15 sobre o assunto apresentado neste capítulo? Título da WebQuest: O ensino da tecnologia no nível Médio

Introdução Em geral, o Ensino Médio é abordado sob duas perspectivas, como você observou ao longo do capítulo. Seja como ensino 24

Estrutura e Funcionamento da Educação

profissionalizante, atrelado ao mercado profissional, seja no âmbito de uma formação pré-universitária, o fato é que o Ensino Médio é muito importante na etapa final da Educação Básica, já que direciona os educandos para a vida profissional ou acadêmica, de acordo com as demandas sociais. Nesse sentido, o planejamento de aulas e atividades para o Ensino Médio é muito importante para garantir uma educação de qualidade, comprometida com a autonomia dos alunos nessa etapa da formação escolar. A Tarefa Você assumiu a posição de um professor de informática que irá atuar no Ensino Médio. Sua tarefa é planejar uma aula para o Ensino Médio, tendo em vista os princípios norteadores do currículo do Ensino Médio (contextualização e interdisciplinaridade).

O Processo Para auxiliar a realização desta atividade, você poderá retomar as entrevistas realizadas com professores e alunos do Ensino Médio, a fim de ter maiores subsídios para planejar a sua aula. Considere as articulações entre teoria e prática, privilegiando uma abordagem contextualizada dos conteúdos propostos. Tente estabelecer alguma conexão com outras áreas do conhecimento (Tecnologia e Artes, Tecnologia e História, Tecnologia e Matemática, etc.). Para realizar essa tarefa, você precisa selecionar um conteúdo a ser trabalhado com os alunos do Ensino Médio. Tente refletir sobre conteúdos interessantes para os alunos, envolvendo, por exemplo, questões, como comunidades virtuais de aprendizagem, inclusão digital, TV digital, TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), Jogos Digitais, entre outros. Para tanto, reflita sobre: 25

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a) Qual o público-alvo para a aula (alunos do 1º, 2º ou 3º anos do Ensino Médio)? b) Em que local a aula será realizada? (Sala de aula, laboratório, aula-passeio em outro local, etc.?) c) O que você irá abordar? Qual será o conteúdo proposto? d) Qual o objetivo geral da aula? e) Como a aula será realizada? Descreva todas as etapas nas quais a aula será desenvolvida. f) Quais os recursos que você irá utilizar para a realização da aula? g) Como você irá avaliar o aluno em relação aos conteúdos propostos na aula?

Essa atividade poderá ser realizada em grupos de trabalho, os quais deverão ser orientados pelos professores/tutores que estarão acompanhando os percursos de aprendizagem dos cursistas nesta disciplina. Após elaborar a sua atividade, tente publicá-la na plataforma do ambiente virtual, a fim de que os demais colegas consigam visualizar a sua produção. A Avaliação Na avaliação da atividade, serão observados os seguintes critérios: • A criatividade dos cursistas na elaboração do documentário • As referências e todo o trabalho de pesquisa realizado para subsidiar a produção da atividade. • Clareza, coerência e coesão na organização da produção textual apresentada. Conclusão Caro(a) Cursista, Por meio dessa atividade, você percebeu a importância de planejar atividades para o Ensino Médio, tendo em vista os desafios enfrentados pelos alunos. Se precisar de ajuda para a realização da atividade, você poderá contar com o apoio dos professores/tutores que estarão disponíveis 26

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para ajudar você na realização desta atividade. Boa sorte e bons estudos! Referências Pesquise nos sites indicados para que você consiga desenvolver a atividade proposta de forma eficaz. http://webquest.org/search/index.php http://webquest.sp.senac.br/textos/ref, http://bestwebquests.com/default.asp http://www.clubedoprofessor.com.br/webquest/

Vamos participar de um fórum de discussão?

Vamos continuar refletindo sobre o assunto em um fórum temático de discussão. Tente refletir sobre as questões abaixo e depois poste seus comentários no fórum de discussão. Lembre-se: sua participação é fundamental para o sucesso na disciplina. Participe!
• Reflita sobre o contexto atual e as novas exigências para o Ensino Médio. • A LDB e as DCNEM conseguem nortear adequadamente esse nível de ensino? • O Ensino Médio tem servido mais para preparar para o mercado de trabalho ou para o ensino superior?

Com base em tais questionamentos, reflita, pesquise sobre o assunto, elabore um texto-síntese e envie sua produção textual para o fórum de discussão. 27

Estrutura e Funcionamento da Educação

Vamos Revisar? É hora de continuar aprendendo. Releia o capítulo, revise os conteúdos propostos e se ainda tiver dúvidas procure ajuda dos professores/tutores que estarão acompanhando seus percursos de aprendizagem. É hora da revisão. Vamos lá?
Resumo Neste capítulo, contextualizamos a demanda atual para o Ensino Médio. A dualidade que existe entre o ensino propedêutico que prepara para o nível superior e o ensino profissionalizante que prepara apenas para o mercado de trabalho. Realizou-se uma discussão sobre os princípios que norteiam esse nível de ensino, através de um estudo sobre o DCNEM. Você observou, também, alguns dos princípios que norteiam as Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio como: identidade, diversidade, autonomia, interdisciplinaridade e contextualização.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Capítulo 2 – Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +)
Vamos conversar sobre o assunto? Você sabia que os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN) foram publicados no final da década de 90, visando à reformulação curricular do Ensino Médio? Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio tiveram o papel de difundir a reforma curricular do Ensino Médio, fornecendo subsídios e orientações para o professor reavaliar posturas e práticas metodológicas. Após a publicação dos PCN, outros documentos foram divulgados, como, por exemplo, os PCN+, ou melhor, as orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Além disso, em 2006, foram publicadas as Orientações Curriculares para o Ensino Médio, em três volumes, contemplando as três grandes áreas do Ensino Médio. Vamos discutir um pouco sobre os PCN do Ensino Médio?

Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCN)
Como forma de superar a fragmentação curricular e o ensino descontextualizado, os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio foram publicados em 1999, visando revisitar orientações didático-pedagógicas para diferentes áreas do conhecimento. Você lembra as áreas do Ensino Médio que vimos no capítulo anterior? Quais são? Acertou quem disse: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e sua Tecnologias. Os PCN do Ensino Médio abordam conjuntos de competências e habilidades, considerando os seguintes eixos:

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1. Representação e Comunicação 2. Investigação e Compreensão 3. Contextualização Sociocultural Atenção
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• Habilidades: mobilizam apenas saberes limitados, em geral do tipo procedimental. • Competências: exploram saberes vastos e explícitos, incluem possibilidades de abstração, de generalização, permitem construir uma resposta adaptada sem extraí-la de um repertório de respostas préprogramadas. • “Competência é a capacidade de mobilizar conhecimentos, valores e decisões para agir de modo pertinente numa determinada situação”. (Guiomar Namo de Mello).

Para cada um desses eixos, são descritas competências e habilidades16, considerando as três grandes áreas do Ensino Médio. (Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Ciências da Natureza, Matemática e sua Tecnologias).

A proposta do Ensino Médio está voltada para alguns princípios estruturadores, como, por exemplo, a contextualização e a interdisciplinaridade, os quais aprofundaremos a seguir.

O que é Interdisciplinaridade?
Você já deve ter ouvido falar muito a respeito da importância de se ampliar a discussão sobre a interdisciplinaridade na escola. De fato, muitas discussões teóricas existem sobre esse tema, mas será que, na prática escolar, a interdisciplinaridade é vivenciada de modo eficaz? Antes de tentarmos encontrar respostas para tal questionamento, vamos refletir sobre a noção de interdisciplinaridade. Pense um pouco sobre o tema. Pensou? Então, tente responder:
O que é interdisciplinaridade?

Não é tão fácil chegar a uma única resposta diante de um tema tão amplo, não é verdade? Então, vamos ajudar você nessas reflexões iniciais. Vamos lá? 30

Estrutura e Funcionamento da Educação

Rumo à Interdisciplinaridade

No contexto atual da educação, a interdisciplinaridade é frequentemente debatida e muitos estudiosos tentam uma sistematização sobre esse conceito, visando facilitar a prática pedagógica do professor. Muitas vezes confundida como adoção de um único método de trabalho por várias disciplinas, ou ainda como justaposição de conteúdos, a interdisciplinaridade precisa ser melhor compreendida, tendo-se em vista não apenas uma reflexão de cunho puramente teórico, mas também visando à aplicação pragmática17 no espaço da sala de aula. Só a partir disso é que a prática interdisciplinar será efetivamente realizada, podendo funcionar como subsídio ao trabalho pedagógico dos professores sensíveis à importância da articulação do conhecimento no atual mundo globalizado. Assim, torna-se importante refletir sobre o que seja interdisciplinaridade no atual contexto das discussões teóricas. Veja a citação de Luck18 (1994, p. 64):
“Interdisciplinaridade é o processo que envolve a integração e engajamento de educadores, num trabalho conjunto, de interação das disciplinas do currículo escolar entre si e com a realidade, de modo a superar a fragmentação do ensino, objetivando a formação dos alunos, a fim de que possam exercer criticamente a cidadania, mediante uma visão global de mundo e serem capazes de enfrentar os problemas complexos, amplos e globais da realidade atual”. Atenção
Quando usamos essa expressão, estamos pensando na articulação teoria e prática.
17

a
18

Atenção
Heloísa Luck escreveu o livro Pedagogia Interdisciplinar, uma publicação da editora Vozes. Este livro é bem interessante e apresenta uma visão geral sobre conceitos referentes à pedagogia interdisciplinar. Trata-se de um convite à reflexão sobre nossa prática pedagógica em sintonia com uma abordagem interdisciplinar.

Mesmo com os avanços que a educação sofre atualmente, podese dizer que o conhecimento trabalhado por certas escolas ainda é estanque, fragmentado e, muitas vezes, não mantém uma relação direta com a realidade social dos alunos. Então, surge a interdisciplinaridade como uma alternativa para superar a fragmentação do ensino.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Nesse sentido, a interdisciplinaridade apresenta-se como estratégia para a superação dessa fragmentação, pois visa à articulação de conteúdos de diversas áreas na busca de uma sistematização global do ensino. A prática da interdisciplinaridade no contexto da escola:
“Implica na vivência do espírito de parceria, de integração entre teoria e prática, conteúdo e realidade, objetividade e subjetividade, ensino e avaliação, meios e fim, tempo e espaço, professora e aluno, reflexão e ação, dentre múltiplos fatores integrantes do processo pedagógico”. (LUCK, 1994, p. 34)

Uma prática docente interdisciplinar é, antes de tudo, um movimento dialético que revê o velho para torná-lo novo, ou seja, dialoga com as nossas próprias produções e experiências para extrair novos pontos que ainda não se revelaram. O professor que se envolve com a interdisciplinaridade é aquele que está inquieto com sua prática e por isso tenta revê-la, questionála e reavaliá-la, levantando suas inquietações a outros professores, procurando parceiros para dividir suas dúvidas. Nesse sentido, o professor engajado busca sempre algo novo e sua postura é diferenciada, já que tem coragem de ousar novas técnicas e procedimentos de ensino, analisando-os e adequando-os convenientemente. Essa postura do professor exige o rompimento com a acomodação e a superação de vários entraves, de ordem social, econômica, política, institucional, entre outros. Ainda retomando as palavras de Luck (1994: 60):
“O objetivo da interdisciplinaridade é, portanto, o de promover a superação da visão restrita de mundo e a compreensão da complexidade da realidade, ao mesmo tempo resgatando a centralidade do homem na realidade e na produção do conhecimento, de modo a permitir ao mesmo tempo uma melhor compreensão da realidade e do homem como o ser determinante e determinado”.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Você já deve ter percebido que a noção de interdisciplinaridade articula-se ao contexto de globalização em que estamos inseridos, momento marcado pelas revoluções tecnológicas e pela necessidade de construção de conhecimentos cada vez mais articulados. Nesse cenário, torna-se fundamental a articulação do conhecimento que não pode ser construído de forma isolada, uma vez que as fronteiras entre diferentes áreas estão cada vez mais tênues.

É preciso que a interdisciplinaridade seja trabalhada nesse processo de construção global do conhecimento, pois os alunos devem desenvolver competências interligadas ao fenômeno da globalização, o qual repercute social, política, economicamente, como também na área educacional. No cenário do mundo globalizado e tecnológico, os conceitos de interdisciplinaridade, transversalidade e contextualização tornam-se recorrentes no debate sobre a educação. Iremos analisar as conexões entre esses conceitos na próxima seção.

Interdisciplinaridade, Transversalidade e Contextualização: Múltiplas Conexões no Contexto do Ensino Médio
A interdisciplinaridade e a contextualização devem ser compreendidas como dois eixos fundamentais nessa nova proposta do Ensino Médio, partindo do pressuposto segundo o qual a construção do conhecimento deve ser articulada de modo global, permitindo um diálogo constante com outros tipos de conhecimentos. Você já parou para pensar no currículo do Ensino Médio, considerando a realidade educacional da escola brasileira? Ainda não? Então, é bom começar a entrar nesse debate, tentando refletir sobre as orientações curriculares para o Ensino Médio. Vamos então iniciar o debate? 33

Estrutura e Funcionamento da Educação

O currículo do Ensino Médio deve estar centrado em alguns eixos norteadores, tais como: a interdisciplinaridade, a transversalidade e a contextualização. Vamos refletir um pouco sobre tais conceitos? Devemos compreender a interdisciplinaridade não apenas como mera justaposição de conhecimentos de diversas áreas do saber, mas sim como processo dinâmico em que há interação efetiva das diversas disciplinas orientadas sob um objetivo comum. Nessa perspectiva, a prática pedagógica interdisciplinar é capaz de promover a integração entre o conhecimento teórico instituído pela escola e a experiência cotidiana do aluno. Em outros termos, o aluno pode, assim, compreender a teoria numa situação pragmática, percebendo que a escola não está isolada de sua realidade histórico-social. O princípio da contextualização, diretamente ligado ao da interdisciplinaridade, prega que o conhecimento precisa ser contextualizado, a fim de que o aluno não assuma o papel de mero espectador no espaço escolar, mas sim compreenda a aplicabilidade da teoria no contexto prático do dia-a-dia. Essa relação entre teoria e prática requer a concretização dos conteúdos curriculares em situações didáticas mais próximas da realidade do aluno. Você já conheceu o conceito de interdisciplinaridade na seção anterior, agora vamos enfatizar as relações entre tal conceito e as noções de transversalidade e contextualização. Vamos aprender a aprender?

Transversalidade: Abordagem de Questões Sociais na Escola
Para as orientações curriculares do Ensino Fundamental, os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) sugerem o tratamento transversal de temáticas sociais na escola, como forma de contemplá-las na sua complexidade, sem restringi-las à abordagem de uma única área. Esse debate sobre a transversalidade também pode ser levado ao contexto do Ensino Médio, visando à motivação do aluno em relação às reflexões sobre temas da atualidade que podem ser trabalhados de modo transversal. É importante ressaltar que os temas transversais não se constituem em novas áreas do conhecimento, mas num conjunto de temas que aparecem transversalizados, permeando a concepção das diferentes 34

Estrutura e Funcionamento da Educação

áreas, seus objetivos, conteúdos e orientações didáticas. Os PCN19 sugerem os seguintes temas transversais que poderiam ser abordados na escola:
19

Lembrete
Estamos retomando a proposta dos PCN para o ensino fundamental (3º e 4º ciclos), considerando o volume sobre os temas transversais, publicado em 1998 pelo MEC.

Ética A proposta dos PCN é que a ética ― expressa na construção dos princípios de respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade ― seja uma reflexão sobre as diversas atuações humanas e que a escola considere o convívio escolar como base para sua aprendizagem. No convívio escolar, o aluno pode aprender a resolver conflitos em situações de diálogo, pode aprender a ser solidário ao ajudar e ser ajudado, pode aprender a ser democrático quando tem oportunidade de dizer o que pensa, submeter suas idéias ao juízo dos demais e saber ouvir as ideias dos outros.

Saúde A formação do aluno para o exercício da cidadania compreende a motivação e a capacitação para ao autocuidado, assim como a compreensão da saúde como direito e responsabilidade pessoal e social.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Orientação sexual A proposta dos PCN é que a escola trate a sexualidade como algo fundamental na vida das pessoas, questão ampla e polêmica, marcada pela história, pela cultura e pela evolução social. A escola deve ter por objetivo transmitir informações e problematizar questões relacionadas à sexualidade, incluindo posturas, crenças, tabus e valores a ela associados, sem invadir a intimidade nem direcionar o comportamento dos alunos.

Meio ambiente É função da escola contribuir para a formação do aluno-cidadão consciente, apto a decidir e a atuar na realidade socioambiental de modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global. Para isso, a escola deve não apenas transmitir informação sobre o meio ambiente, mas desenvolver atitudes e projetos de conscientização sobre a necessidade de preservação das riquezas naturais que ainda existem no planeta.

Trabalho e consumo Esse tema considera questões centrais que envolvem direitos já formulados em lei e que são objetos de mobilização social para se concretizarem: a erradicação do trabalho infantil, a mobilização contra discriminações de gênero, de raça e idade nas relações de trabalho, a defesa dos direitos especiais dos portadores de deficiências e a defesa dos direitos dos consumidores.

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Estrutura e Funcionamento da Educação

Pluralidade cultural Para viver democraticamente em uma sociedade plural é preciso respeitar e valorizar a diversidade étnica e cultural que a constitui. Essa diversidade é alvo de preconceitos e discriminação, atingindo a escola e reproduzindo-se em seu interior. A escola deve ser local da aprendizagem, garantindo a igualdade, do ponto de vista da cidadania, e ao mesmo tempo a diversidade, como direito.

Como você pode observar, a transversalidade diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real (aprender na realidade). A transversalidade promove uma compreensão abrangente dos diferentes objetos de conhecimento, bem como a percepção da implicação do sujeito na sua própria construção do conhecimento, superando a dicotomia entre ambos. Assim, a transversalidade abre espaço para a inclusão dos saberes extra-escolares, possibilitando a referência a sistemas de significado construídos com base na realidade dos alunos.

Contextualização: teoria na prática
O princípio da contextualização integra-se ao aprender a fazer, ou seja, não basta apenas ensinar o aluno, transmitindo-lhe conhecimento e restringindo a sua participação a uma atitude de mero espectador passivo. Assim, o conhecimento precisa ser contextualizado, porque essa é a alternativa para a escola tirar o aluno da condição de espectador passivo. Por exemplo, se o aluno derruba um objeto, ascende uma lâmpada, cai dentro do ônibus em função de uma freada brusca, enfim, se o aluno vivencia situações corriqueiras, certamente ele deverá perceber que existe uma integração entre os conteúdos propostos pela escola e as experiências vividas nas mais diversas situações. 37

Estrutura e Funcionamento da Educação

A contextualização é importante para tornar as aprendizagens mais significativas, despertando a curiosidade dos alunos e o interesse pelas questões apresentadas no âmbito da escola.

Atividades e Orientações de Estudo Leia o texto a seguir:
A teoria na prática O conhecimento precisa ser contextualizado, porque esse é o recurso que a escola tem para tirar o aluno da condição de espectador passivo. Não basta ao aluno conhecer o funcionamento dos aparelhos do organismo humano. Ele precisa entender como funciona seu próprio corpo e que consequências têm atitudes práticas que adota em seu dia-a-dia, como fazer dieta, fumar ou exercer sua sexualidade. A conselheira Guiomar Namo de Mello cita exemplos da contextualização pretendida: o jovem do novo ensino médio que surfa nas ondas deverá saber relacionar seu equilíbrio e seus movimentos às leis da física. Ou entender como funciona um telefone celular, ou ainda saber estabelecer a relação entre o tamanho de um ambiente e a potência em BTUs do aparelho de ar condicionado que deve comprar. Enfim, saber exercer a cidadania a partir do seu currículo de convivência cotidiana. Outro eixo norteador ― a interdisciplinaridade― pretende fazer o aluno entender que conhecimento não é algo estanque e só o estabelecimento de padrões torna possível a convivência social. Como explica Ruy Berger: “Podemos começar na área de ciências sociais, com os conceitos de grupo social, de blocos regionais e outros, até bater na matemática, com suas medidas padronizadas, e na língua portuguesa, com as regras de ortografia. Fica mais fácil para o aluno estudar se ele entender que a relação social precisa de um código de normas convencionadas.” A partir desses dois princípios estruturadores do currículo ― interdisciplinaridade e contextualização ― será possível vincular a educação ao mundo do trabalho e à prática social, de maneira que o aluno seja capaz de continuar aprendendo, de ter autonomia intelectual e pensamento crítico e de compreender os fundamentos científicos e tecnológicos dos processos produtivos. Para que o aluno aprenda a pensar e a relacionar o conhecimento com dados da experiência cotidiana, o currículo precisa, em primeiro lugar, perder ser caráter enciclopédico e congestionado de informações. Os conteúdos devem ser entendidos como meios para a constituição de competências e valores e não como objetivos do ensino em si mesmos. A memória deve ser menos trabalhada do que o raciocínio. O conhecimento deve ser “experimentado” pelo aluno, e não apenas recebido por ele. Durante o curso, o aluno deve adquirir abertura e sensibilidade para identificar as relações que existem entre os conteúdos do ensino e das situações de aprendizagem com os contextos de vida social e pessoal, de modo a estabelecer uma relação ativa entre o aluno e o objeto do conhecimento. Em resumo: o ensino médio deverá ser capaz de constituir competências, habilidades e disposições de condutas e não simplesmente “entupir”o aluno de informação.
Fonte: BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. O novo Ensino Médio. Brasília: MEC, 1999.

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Vamos participar de um fórum de discussão?
Após a leitura do texto, vamos refletir sobre a interdisciplinaridade a contextualização como dois eixos norteadores do Ensino Médio. Participe de um fórum temático de discussão, abordando a importância de a escola trabalhar os conteúdos de forma contextualizada. Reflita sobre o ensino da informática no nível Médio. De que forma o ensino da informática, por exemplo, poderia ser realizado de forma contextualizada e interdisciplinar? Você poderia pensar em uma estratégia para o ensino da informática no nível médio, considerando os princípios da contextualização e da interdisciplinaridade? Que tal colocar suas ideias no fórum temático de discussão? De precisar de ajuda, consulte os tutores e os professores que estarão acompanhando seus percursos de aprendizagem. Vamos lá! Vamos ampliar nossas reflexões sobre o tema.

Vamos Revisar? Vamos resumir o assunto deste capítulo por meio de esquemas sobre os conceitos de interdisciplinaridade, transversalidade e contextualização. Agora, é hora de rever o assunto e verificar se ainda existe alguma dúvida. Bons estudos!

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Interdisciplinaridade • Processo de integração e engajamento dos educadores num trabalho conjunto • Integração das disciplinas do currículo escolar entre si e com a realidade • Superação da fragmentação do ensino • Visão global: construção do conhecimento crítico • Processo dialógico e dialético Transversalidade • Possibilidade de estabelecer na prática educativa uma relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida cotidiana (aprender na realidade). • Os temas transversais (ética, pluralidade cultural, meio ambiente, orientação sexual, saúde) não devem ser trabalhados como novas áreas ou novas disciplinas. Eles pressupõem uma prática pedagógica integrada, promovendo o diálogo interdisciplinar entre as diferentes áreas. • A transversalidade traz a necessidade de a escola atuar de forma crítica na educação de valores e atitudes em todas as áreas, influenciando a construção da concepção de cidadania dos alunos. Interdisciplinaridade e Transversalidade • Fundamentam-se na crítica de uma concepção de conhecimento que toma a realidade como um conjunto de dados estáveis. • Ambas apontam para a complexidade do real e a necessidade de se considerar a teia de relações entre os seus diferentes e contraditórios aspectos. • A transversalidade só faz sentido dentro de uma concepção interdisciplinar do conhecimento (BUSQUETS, 1998.)

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Referências BRASIL. MEC. Lei de diretrizes e bases da educação nº. 9394/96. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. O novo Ensino Médio. Brasília: MEC, 1999. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental: introdução. Brasília: MEC/SEF, 1998. p.65-69. BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental: apresentação dos temas transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998. BRASIL. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. PCN+ Ensino Médio: Orientações Educacionais e Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais, Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, Brasília: MEC /SEMTEC, 2002. BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Orientações Curriculares para o Ensino Médio, Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, v. 02. Brasília: MEC, 2006. FAZENDA, Ivani C. Arantes. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. São Paulo: Papirus, 1994. KLEIMAN, A.; MORAES, S. Leitura e interdisciplinaridade: tecendo redes nos projetos da escola. Campinas, São Paulo: Mercado de Letras, 1999. KUENZER. Acácia Z. Ensino Médio: construindo uma proposta para os que vivem do trabalho. São Paulo: Cortez, 2000. LÜCK, Heloísa. Pedagogia interdisciplinar. Rio de janeiro: Vozes, 1994. ZABALA. Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998. http://portal.mec.gov.br 41

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http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/res0398.pdf http://www.crmariocovas.sp.gov.br/enm_a.php http://www2.funedi.edu.br/revista/revista-eletronica1/Artigo1. htm Resolução CEB nº 3, de 26 de junho de 1998 http://www.cefetce.br/Ensino/Cursos/Medio/resolucaoCEB3. htm Acesso: 03 jun 2009 PARECER CEB 15/98 aprovado em 1/6/98 http://www.cefetce.br/Ensino/Cursos/Medio/parecerCEB15.htm Acesso: 03 jun 2009

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Considerações Finais
Olá, Cursista! Esperamos que você tenha aproveitado bem os assuntos abordados na disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação. Ao longo desta disciplina, você percebeu a importância de ampliar as reflexões sobre a educação, reconhecendo a legislação educacional como ferramenta primordial no debate para as reformulações curriculares acerca das diferentes modalidades de ensino (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior). Estudamos um breve histórico da organização educacional no Brasil, considerando as diferentes fases históricas da educação e suas respectivas representações nas diversas constituições brasileiras. Além disso, vimos a importância da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9394/96 no cenário da educação brasileira, percebendo os diferentes níveis e modalidades de ensino, bem como sua estrutura organizacional conforme a legislação vigente. Outro aspecto abordado considerou os profissionais da educação e os recursos financeiros destinados à educação, focalizando o Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação. Por fim, como você observou, neste quarto e último módulo, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e os Parâmetros curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCN e PCN +), considerando os princípios orientadores do Ensino Médio, tais como: a interdisciplinaridade e a contextualização. Sentimos imenso prazer ao acompanhar seus percursos ao longo das atividades e experiências propostas nesta disciplina. Esperamos ter contribuído para a ampliação de seus conhecimentos acerca da educação brasileira. Aguardamos sua participação em novas experiências virtuais de aprendizagem. Até lá e bons estudos! Abraços Virtuais, Ivanda Martins Silva Maria Lúcia Soares Roseane Nascimento As autoras 43

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Conheça as Autoras
Ivanda Maria Martins Silva Olá, Pessoal! Sou Ivanda Martins, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração de materiais didáticos para cursos na modalidade a distância, ofertados pela UFRPE, produzindo materiais didáticos para disciplinas, tais como: Didática, Prática de Leitura e Produção Textual e Português Instrumental. Tenho Doutorado na área de Letras (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre letramento digital, formação de professores e Educação a Distância. Adoro desenvolver pesquisas e escrever textos nas áreas de letras/linguística e educação. Já escrevi e organizei alguns livros, tais como: Literatura em sala de aula: da teoria literária à prática escolar (2005), publicação de minha tese de Doutorado pelo Programa de Pós-graduação em Letras/UFPE; Produção textual: múltiplos olhares (2006), Literatura: alinhavando idéias, tecendo frases, construindo textos (2008), Ensino, Pesquisa e Extensão: múltiplas conexões (2007), Laços Multiculturais (2006), publicações editadas pela Baraúna/Recife. Maria Lúcia Soares Olá, Pessoal! Sou Maria Lúcia Soares, professora da FAINTVISA (Faculdade Integrada de Vitória de Santo Antão), da Escola de Gestores na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pedagoga da Assistência Social da Prefeitura da Cidade do Recife. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Tenho experiência na elaboração e execução de Propostas Pedagógicas e Projetos Educacionais. Tenho Mestrado em Educação (UFPE) e desenvolvo pesquisas sobre Projetos e Programas Educacionais, Prática Educativa em diversos ambientes educacionais escolares e extra-escolares. 44

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Roseane Nascimento Olá, Cursistas! Sou Roseane Nascimento da Silva, doutoranda do programa de pós-graduação da UFPE, núcleo de Política Educacional, Planejamento e Gestão da Educação. Tenho título de Mestre em Educação pela UFPE, na área de Trabalho e Educação. Atualmente desenvolvo pesquisa em políticas públicas de qualificação profissional. Estou atuando na equipe de Educação a Distância da UFRPE, no Departamento de Estatística e Informática (DEINFO), como professora conteudista. Sou professora da graduação e pós-graduação das Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA). Dentre as várias disciplinas pedagógicas por mim lecionadas estão à disciplina Estrutura e Funcionamento da Educação no Brasil, Didática Geral, Metodologias para o Ensino Fundamental e Metodologia Cientifica. Atuo enquanto consultora pedagógica na elaboração, execução e avaliação de projetos educacionais. Minha produção acadêmica é voltada para temáticas relacionadas a Trabalho e Educação, Planejamento do Trabalho Pedagógico escolar, Projetos didáticos e Metodologias específicas para o Ensino Fundamental.

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