Você está na página 1de 34

Teoria HG II

ESCOAMENTOS SOB PRESSÃO

1.2 Tipos de Escoamento

No regime permanente, a velocidade num ponto é função das coordenadas do ponto mas é
independente do instante considerado ou seja pode variar de ponto para ponto, mantendo-se
Constante, em cada ponto, ao longo do tempo.
No regime variável, a velocidade num ponto é função das coordenadas do ponto e do
instante considerado, ou seja em cada ponto a velocidade das partículas que por ele passam
varia de instante para instante. Como exemplos podem citar-se a onda de cheia num rio e o
escoamento consecutivo à manobra de uma comporta num canal.

No regime permanente temos a considerar:


Regime uniforme - se a velocidade é constante em todos os pontos
Regime gradualmente variado - as trajectórias das partículas são aproximadamente
rectilíneas e paralelas e a secção recta do escoamento é sensivelmente plana, podendo
considerar-se que nela é válida a lei hidrostática das pressões (regolfo).
Regime rapidamente variado - a curvatura das trajectórias das partículas não é
desprezável e a secção líquida varia bruscamente com o percurso. A distribuição de
pressões numa secção recta não pode tomar-se como hidrostática.

1.3 Resistência dos escoamentos uniformes


1.3.1 Generalidades
O escoamento uniforme, como referido anteriormente é um escoamento permanente com
velocidade constante ao longo de uma mesma trajectória (o que implica trajectórias
rectilíneas).
Nestas condições, e como o caudal líquido é igual em qualquer secção de um tubo de fluxo
de um escoamento permanente, as trajectórias no escoamento uniforme além de rectilíneas
são paralelas.
O escoamento uniforme só pode, assim, ocorrer se o invólucro coincidente com o tubo de
fluxo exterior for cilíndrico ou prismático, com geratrizes paralelas à direcção do
movimento. O escoamento que se efectua no interior de um invólucro sólido, ocupando-o
inteiramente, isto é, sem superfície livre, diz-se sob pressão ou em carga, ou ainda no
interior de um tubo.

1.3.2 Fórmulas de resistência


Designam-se por fórmulas de resistência as equações que permitem determinar as perdas
de carga ou de energia em função das características do escoamento, que se pressupõe
uniforme.
A perda de carga, ou de energia, é, pois, função da tensão tangencial junto da parede, do
peso volúmico do líquido e do raio hidráulico, ou, o que é equivalente, da velocidade de
atrito e do raio hidráulico.

Um escoamento sob pressão ou com superfície livre será condicionado pelos seguintes
parâmetros:

a) um parâmetro geométrico característico da secção transversal do escoamento que será,


como resulta das expressões anteriores, o raio hidráulico, R, ou uma grandeza linear que lhe
seja proporcional;
b) a velocidade média do escoamento, U;
c) propriedades do fluido, como a massa volúmica, ρ , o peso volúmico, γ e o coeficiente
de
viscosidade, µ , ou ν ;
d) as tensões tangenciais junto da parede, τ o;
e) parâmetros k1, k2,….kn, que podem sempre ser considerados comprimentos, e que
caracterizam a geometria e a distribuição das irregularidades das faces internas das, paredes
em contacto com o fluido (parâmetros de rugosidade).

Nos escoamentos sob pressão verifica-se ser, em geral, desprezável a influência do número
de FROUDE.

O coeficiente de resistência é apenas função do número de REYNOLDS e dos parâmetros


que traduzem a rugosidade.

Nos escoamentos com superfície livre há a considerar frequentemente a influência do


número de FROUDE, sobretudo quando aquela superfície se apresenta instável e se
formam trens de ondas superficiais.

1.5 Rugosidade das paredes dos tubos


1.5.1 Características gerais da rugosidade

a superfície rugosa constituída por um conjunto de saliências individualizadas, de forma


geométrica simples. O primeiro parâmetro característico da rugosidade da parede é a altura,
k, das referidas saliências.

O parâmetro k recebe a designação de rugosidade absoluta e o seu quociente, pelo diâmetro


do tubo, (k/D) a de rugosidade relativa.

rugosidade de ondulação, permite, em geral, como que uma modelação da subcamada


viscosa ao perfil da
parede, enquanto que, nos restantes casos, a um tipo de rugosidade, dita de aspereza (da
qual se apresenta na Figura 1.5 um perfil típico relativo a materiais correntemente
utilizados) essa modelação não é de esperar. É legítimo, então, admitir-se que a rugosidade
de ondulação característica das estruturas vítreas, como o vidro, matérias plásticas,
produtos betuminosos,

1.5.2 Rugosidades artificiais

Conclui-se, assim, a partir das experiências de NIKURADSE, que existem três tipos
fundamentais
de regime nos escoamentos sob pressão - o regime laminar, o regime turbulento liso e o
regime turbulento rugoso - separados por regimes de transição. As características essenciais
daqueles regimes são as seguintes:
i) No regime laminar, qualquer que seja a rugosidade das paredes, o coeficiente de
resistência é função exclusivamente do número de REYNOLDS
ii) No regime turbulento hidraulicamente liso, o coeficiente de perda de carga é também
exclusivamente função do número de REYNOLDS.é sensivelmente linear e de coeficiente
angular que se aproxima de -0,25.
iii) No regime turbulento hidraulicamente rugoso, o coeficiente de perda de carga é
exclusivamente função da rugosidade relativa,

1.6.3 Perdas de carga em regime turbulento rugoso (rugosidade de


NIKURADSE)
Considera-se uma rugosidade normalizada do tipo grão de areia (NIKURADSE) que pode
ser traduzida exclusivamente por um parâmetro, ε /D (rugosidade relativa), resultante de
dividir a rugosidade absoluta, ε , pelo diâmetro do tubo.

1.6.4 Limites de aplicação das equações dos regimes liso e rugoso - regime
de transição

O regime de transição entre as duas situações de escoamento hidraulicamente liso e rugoso


tem uma importância considerável, pois corresponde a uma gama de números de
REYNOLDS de rugosidade relativamente ampla.

1.6.5 Perdas de carga em condutas comerciais


1.6.5.1 Generalidades. Rugosidade equivalente

Entende-se por rugosidade equivalente de uma conduta o parâmetro k que, substituindo ε


nas equações estabelecidas para a rugosidade tipo grão de areia de NIKURADSE, conduza
aos coeficientes de perda de carga determinados para essa conduta em regime turbulento
hidraulicamente rugoso. Com esta rugosidade equivalente - que é um parâmetro
determinado experimentalmente por via indirecta (a partir de medições de perdas de carga)
e a que não corresponde, portanto, qualquer dimensão característica obtida a partir da
geometria das asperezas ou ondulações da parede - torna-se possível representar por um só
parâmetro a rugosidade do tubo.
No regime de transição, a lei de resistência afasta-se, no entanto, da que se verifica para os
tubos de rugosidade uniforme, pelo que em seguida se fará referência com mais pormenor a
este tipo de regime.
1.6.5.2 Fórmula de COLEBROOK-WHITE

Esta equação é conhecida pela designação de fórmula de COLEBROOK-WHITE, e onde


representa a rugosidade equivalente da conduta.

1.6.5.3 Validade da fórmula de COLEBROOK-WHITE

a fórmula de COLEBROOK-WHITE apresenta-se ainda, no estado actual dos


conhecimentos, como a que conduz a resultados mais aproximados dos valores reais das
perdas de carga correspondentes ao regime turbulento em condutas comerciais.

1.6.5.4 Utilização da fórmula de COLEBROOK-WHITE


Questões a resolver
Os parâmetros que figuram na fórmula de COLEBROOK-WHITE são:
a) O diâmetro, D, da conduta, presente na rugosidade relativa e no número de
REYNOLDS;
b) A velocidade média do escoamento, U, englobada no número de REYNOLDS e que
pode relacionar-se com o caudal, Q, através da equação da continuidade, U D Q
c) A rugosidade equivalente, k;
d) O coeficiente de resistência, ou de perda de carga, que se relaciona com a perda de carga
por unidade de comprimento, J, através da fórmula de DARCY -WEISBACH

Ábaco (ou diagrama) de MOODY


O diagrama de MOODY (1944) é um ábaco universal no qual figuram em abcissas e
ordenadas os logaritmos, respectivamente, do número de REYNOLDS e do coeficiente de
resistência (diagrama de STANTON). Apresenta várias curvas correspondentes a diferentes
rugosidades relativas.
Permite determinar directamente o coeficiente de resistência ou a rugosidade equivalente
quando, em cada caso, são conhecidos os restantes parâmetros, mas obriga a tentativas para
a determinação da velocidade média do escoamento ou do diâmetro da conduta.

1.6.7.3 Fórmulas do tipo λ = f (D)

Fórmula de DARCY (1856)

Fórmula de BAZlN(1897)

Corresponde a caracterizar o coeficiente C da fórmula de CHÉZY em função do raio


hidráulico
R, e de um coeficiente CB, função da natureza das paredes, resultando:

Fórmula de MANNING-STRICKLER (ou de GAUCKLER-MANNING-STR1CKLER)


(1923):

K é um coeficiente que depende da rugosidade das paredes e que toma valores tanto mais
elevados quanto mais lisas se apresentarem essas paredes; por vezes, surge, em vez de K, o
seu inverso n=1/K

A fórmula de GAUCKLER-MANNING-STRICKLER pode ser aplicada a escoamentos


com superfície livre, mantendo-se para o mesmo tipo de paredes os valores do coeficiente
K (quadro1.6).
O campo de aplicação das fórmulas empíricas do tipo λ = f (D) deve procurar-se no âmbito
do regime turbulento hidraulicamente rugoso, única situação em que λ não depende do
número de
REYNOLDS.

1.6.7.4 Fórmulas do tipo λ= f (Re)

A fórmula de FLAMANT teve larga utilização na determinação de perdas de carga em


condutas de pequeno diâmetro (inferior a 100 mm),

Fórmula de SCIMEMI (1955) (Fórmulas Monómias):


a, b e c são parâmetros cujos valores podem ser extraídos do Quadro 1.8 para unidades
métricas.

As fórmulas do tipo λ = f (Re) são essencialmente válidas para o regime hidraulicamente


liso.

1.6.7.5 Fórmulas do tipo λ = f (U, D)

Fórmula de HAZEN - WlLLIAMS (1902):

1.6.8 Análise comparativa das fórmulas «antigas» e «modernas»

1 -As fórmulas «modernas» são de aplicação «universal» a todas as situações de regime


turbulento, enquanto que as fórmulas «antigas» só podem considerar-se válidas para
determinadas condições de diâmetro, rugosidade e velocidade de escoamento. Assim, a
escolha de uma fórmula «antiga» para utilização numa dada questão concreta levanta
problemas de condições de validade que não existem no caso de recurso às fórmulas
«modernas»;
2. As fórmulas «modernas» são homogéneas e os respectivos parâmetros são
adimensionais, enquanto que as fórmulas antigas não são, em geral, homogéneas, tornando-
se necessário indicar qual o sistema de unidades em que se encontram escritas e a que
correspondem os valores dos seus parâmetros.
Deste modo, nas considerações subsequentes, as perdas de carga serão sempre avaliadas
por aplicação de fórmulas «modernas».

1.7 Perdas de carga localizadas nos escoamentos sob pressão


1.7.1 Generalidades( localizadas, acidentais ou sigulares)
Para além das perdas de carga contínuas anteriormente referidas, relativas ao movimento
uniforme, existem perdas de carga correspondentes aos regimes variados que se
estabelecem em trechos de curta extensão e que são devidos a alterações bruscas das
condições do movimento: alargamentos e estreitamentos, curvas, cotovelos, válvulas,
bifurcações, etc.
Os acidentes nos tubos vão traduzir-se por um acréscimo de turbulência, se o escoamento
for turbulento ou pelo desenvolvimento de turbulência se for laminar.

A perda de carga na zona de turbulência excede a perda de carga correspondente ao


escoamento uniforme.

Como tais alterações têm lugar em pequenos comprimentos de conduta e como nessas
zonas as perdas de carga devidas ao movimento variado prevalecem relativamente à perda
de carga contínua, considera-se legítimo assimilá-las a uma descontinuidade da linha de
energia, a montante e a jusante da qual se continuará a verificar a dissipação de energia
correspondente ao regime uniforme.

1.7.2 Perda de carga num alargamento brusco

A linha de energia desce sempre, quando existe uma perda de carga localizada, mas num
alargamento a linha piezométrica pode subir, desde que se verifique a desigualdade:
(caso exepcional)

Na passagem em aresta viva de uma conduta cilíndrica para um reservatório de


grandes dimensões, como a velocidade é nula no trecho de maior secção, perde-se toda a
altura cinética, vindo K igual à unidade.

1.7.3 Perda de carga num alargamento gradual


Se o alargamento é gradual (Figura 1.16), o coeficiente de perda de carga, K, obtido para o
caso anterior, terá de ser multiplicado por um factor ξ dependente da relação dos diâmetros
a jusante e montante e do ângulo de divergência,

1.7.4 Perda de carga num estreitamento brusco

A montante do estreitamento brusco verifica-se o fenómeno da separação, criando-se um


escoamento principal convergente até uma secção, Sc - secção contraída -, situada a jusante
do estreitamento, a partir da qual diverge até ocupar a totalidade da área. Sejam S1 e S2 as
secções onde se verificam, respectivamente, a separação e a ocupação de todo o interior do
tubo pelo escoamento principal.

Ora, quando num dado escoamento turbulento se tem um escoamento acelerado em


presença de um retardado, a perda de carga correspondente ao primeiro é desprezável
quando comparada com a relativa ao segundo. Assim, a dissipação de energia verificada
entre Sc e S2 é preponderante e corresponde a uma situação idêntica à do alargamento
brusco, pelo que se pode utilizar a expressão:

1.7.5 Perdas de carga em mudanças de direcção


A existência de uma mudança de direcção numa conduta, seja brusca - «cotovelo»
seja gradual - «curva», - dá origem a uma perda de carga localizada.

Com efeito, as forças centrífugas que se produzem determinam um acréscimo de pressões


na vizinhança da parede exterior e um decréscimo na interior, tomando-se a velocidade
menor junto da parede exterior e mais elevada junto da parede interior.

As perdas de carga resultam, em particular, da dissipação turbulenta na zona de escoamento


separado junto da parede interior e na zona do escoamento principal em que este se
apresenta retardado. A sua grandeza é função do número de REYNOLDS, da rugosidade
relativa das paredes e da forma da conduta (ângulo ao centro, α , raio de curvatura, R,
forma da secção transversal e relação entre as secções de entrada e de saída).

1.7.7 Perdas de carga em válvulas


As válvulas dão origem a importantes perdas de carga localizadas que dependem
essencialmente do tipo de válvulas e do respectivo grau de abertura.
A expressão geral das perdas de carga localizadas é ainda:

1.7.7.1 Válvulas adufas, de cunha ou de corrediça


São constituídas essencialmente por um disco, com um diâmetro superior ao da tubagem,
ou placa, o qual, por intermédio de um parafuso sem fim comandado por um volante, se
pode deslocar, guiado por uma ranhura, no sentido transversal, obturando mais ou menos a
secção da conduta.

1.7.7.2 Válvulas de borboleta


As válvulas de borboleta são constituídas por um disco (ou «lentilha») com diâmetro igual
ao diâmetro interior da conduta e que gira em torno de um veio diametral comandado do
exterior por um volante, obturando mais ou menos a secção de escoamento.

1.7.7.3 Válvulas esféricas


Nestas válvulas, o órgão de obturação é esférico, com um vazado cilíndrico de diâmetro
igual ao do tubo que se pretende obturar, podendo rodar em torno de um eixo diametral.

1.7.7.4 Válvulas de retenção de batente


As válvulas de retenção têm por finalidade evitar o retorno do líquido em escoamento,
fechando rapidamente quando se inverte o sentido do movimento. Um modelo corrente é o
que se representa na Figura 1.35, em que a obturação se verifica pelo fechamento de uma
tampa que roda em tomo de um eixo, podendo a parte móvel estar equilibrada
relativamente a esse eixo por acção de um contrapeso no exterior.

1.7.9 Comprimento equivalente a uma perda de carga localizada

Comprimento equivalente a uma perda de carga localizada é o comprimento da conduta, le


em que se verificaria uma perda de carga uniforme igual à perda de carga localizada.
No regime turbulento rugoso, λ é apenas função da rugosidade relativa e, portanto, o
comprimento equivalente depende apenas das características da singularidade e da natureza
das paredes do tubo, sendo possível estabelecer uma tabela de comprimentos equivalentes
em função daqueles parâmetros.
Se se tratar de um escoamento hidraulicamente liso, o coeficiente de perda de carga
depende do número de REYNOLDS e, consequentemente, da velocidade, não sendo
possível definir os comprimentos equivalentes exclusivamente em função da natureza das
paredes do tubo e do tipo de singularidade.

1.7.10 Ordens de grandeza das perdas de carga localizadas relativamente


às perdas de carga contínuas
Uma análise dos valores indicados para os coeficientes, K, das perdas de carga localizadas
permite verificar que raramente excedem a unidade, o que é equivalente a afirmar que estas
perdas, em geral, são inferiores à altura cinética.

Com efeito, para os tipos de singularidades mais correntes em condutas, ter-se-á:


a) Os alargamentos e estreitamentos são habitualmente realizados com recurso a cones, ou
seja, tais variações de secção são graduais; nos estreitamentos, as perdas de carga são muito
pequenas, enquanto que, nos alargamentos, o coeficiente de perda de carga toma valores
que vão, nas situações mais correntes, de 0,1 a 0,5, com um máximo de 0,7.
b) Na passagem de uma conduta para um reservatório ou de um reservatório para uma
conduta, os coeficientes de perda de carga não ultrapassam, respectivamente, 1,0 e 0,5.
c) Nas curvas habitualmente utilizadas, que, em geral, não excedem o ângulo de 90° e cujo
valor de R/D é frequentemente da ordem de 1,0 a 1,5, tem-se para A1 e B1 as ordens de
grandeza de, respectivamente, 1,0 e 0,2, resultando para K (igual a A1 x B1) cerca de 0,2.
d) Nas válvulas é que o coeficiente de perda de carga pode tomar valores muito mais
elevados (Quadros 1.12 a 1.15); no entanto, em circunstâncias normais, as válvulas são
mantidas abertas e, então, as perdas de carga localizadas que lhes correspondem têm
valores relativamente reduzidos.
No que diz respeito às perdas de carga contínuas, a observação do ábaco de MOODY, por
exemplo, permite concluir que o coeficiente de resistência, λ , terá, nas situações correntes,
um valor médio da ordem de 0,02, o que equivale a afirmar que a perda de carga contínua é
da ordem de:

Atingindo um valor próximo do da altura cinética para um comprimento de conduta, L,


Aproximadamente igual a 50 vezes o respectivo diâmetro.

Conclui-se, assim, o seguinte:


I - Se o comprimento da conduta é grande quando comparado com o respectivo diâmetro,
as perdas de carga localizadas são, em geral, desprezáveis em presença da perda de carga
contínua.
II - Se a conduta é relativamente pouco extensa, as perdas de carga localizadas são da
ordem de grandeza da perda de carga principal e não podem, em geral, ser desprezadas.
Um outro aspecto a referir é o que diz respeito à ordem de grandeza da altura cinética,
directamente relacionada com a ordem de grandeza das perdas de carga.
A velocidade de escoamento no interior dos tubos terá de ser limitada não só para reduzir
os efeitos da abrasão que os materiais sólidos carreados pelo líquido como é o caso, por
exemplo, das areias nas condutas de água - podem provocar nas paredes, mas também para
controlar os efeitos de fenómenos transitórios, como o choque hidráulico, e mesmo as
acções a que ficam sujeitas as paredes nas singularidades. Como se compreende, o risco de
abrasão é tanto maior quanto menor for o diâmetro do tubo, razão por que é usual
admitirem-se velocidades de escoamento mais elevadas nas condutas de maior dimensão do
que nas de menor dimensão.
Assim, em tubos de pequeno diâmetro não se excede, em geral, a velocidade de 1 m/s, ou
mesmo uma velocidade inferior, enquanto que em tubos de grande diâmetro se admitem
velocidades de
3m/s, 5 m/s e, por vezes, superiores.

1.8.4 Aprisionamento do ar
O ar, quando aprisionado em condutas, tem um efeito análogo ao do aumento das perdas de
carga. Ao ser expulso, pode provocar elevadas sobrepressões e dar origem à formação de
água branca (emulsão de ar e água).
O aprisionamento de ar junto dos pontos altos, onde não existam ventosas para a sua
expulsão, pode dever-se à acumulação, nessa zona, do ar atmosférico que preenchia a
conduta antes do seu enchimento por água ou à libertação de gases dissolvidos na água, por
ser menor a pressão nesses pontos.

Pequenas bolhas de ar podem ser arrastadas da bolsa para o interior da corrente líquida,
quando gotículas do líquido são projectadas através da superfície livre por efeito de
turbulência. Essas bolhas são difundidas na massa líquida em movimento turbulento e são
transportadas para o escoamento sob pressão a jusante, se entretanto não se libertarem,
regressando à bolsa de ar. A capacidade da corrente líquida para arrastar o ar, segundo este
mecanismo, pode ser praticamente nula e depende de vários factores, particularmente da
velocidade. Já o ressalto, com grande agitação à superfície, emulsiona o ar na água e
transporta-o rapidamente para jusante.

Se há arrastamento de ar para jusante, a bolsa de ar vai diminuindo, a menos que haja


chegada de ar, devida, por exemplo, à libertação de ar dissolvido. Pode assim haver uma
situação de equilíbrio, com a geometria da bolsa de ar invariável ao longo do tempo.
No caso de o ponto alto estar inserido numa conduta elevatória, a bolsa de ar aumenta a
altura total de elevação exigida, como mostra a Figura 1.44, em que é considerado o caso
de se voltar a atingir o escoamento sob pressão sem ressalto. O traçado apresentado na
Figura 1.44, das linhas
de energia sem e com bolsas de ar, admite igual caudal nas duas situações, partindo as duas
linhas de um ponto comum a jusante.
Em determinadas condições, a bolsa pode provocar a interrupção do escoamento pelo facto
de a bomba não produzir uma altura total de elevação capaz de igualar a exigida na conduta
elevatória, mesmo para caudais muito pequenos.
Para obviar os inconvenientes da formação da bolsa de ar em pontos altos, torna-se
necessário instalar dispositivos que permitam a expulsão do ar impedindo, porém, a saída
da água (ventosas).
1.8.5 Cavitação
A cavitação consiste na formação e subsequente colapso, no seio de um líquido em
movimento, de bolhas ou cavidades preenchidas, em grande parte por vapor do líquido e,
também, por gases previamente dissolvidos.
As bolhas ou cavidades formam-se em regiões em que a pressão do líquido baixa, atingindo
atensão de saturação do vapor.

A cavitação pode originar fenómenos ou condições indesejáveis: ruído, vibração, erosão,


alteração de características de turbo-máquinas e diminuição de caudal em escoamentos sob
pressão.
Como exemplo das muitas singularidades originando abaixamentos locais de pressão
capazes de provocar cavitação, citam-se os tubos Venturi, diafragmas, curvas e
irregularidades das superfícies de fronteira como saliências e rebaixos.

A velocidade do movimento das paredes da bolha no momento do colapso atinge valores da


ordem das centenas de metros por segundo, pelo que a grande desaceleração posteriormente
sofrida pelo líquido circundante provoca pressões muito elevadas, do tipo golpe de ariete.
As pressões elevadas confinam-se à vizinhança do ponto de colapso, decrescendo
rapidamente com a distância; segundo alguns estudos baseados em fotografia ultra-rápida,
as pressões resultantes do colapso poderão corresponder a alturas piezométricas da ordem
de 10 000 m.
O colapso é acompanhado de ondas acústicas, podendo o ruído ser audível e parecer-se,
consoante as dimensões das cavidades e o teor dos gases contidos no líquido, com um sopro
ou com o ruído produzido pelo transporte hidráulico de gravilha numa conduta metálica.

Quando nas fronteiras sólidas, móveis ou fixas, nascem vórtices que dão origem a
cavidades contendo vapor e cujos limites se situam sempre no interior do líquido (sem
contacto com as fronteiras), diz-se que se está em presença de supercavitação. Não há,
neste caso, lugar à erosão por cavitação, pois o colapso não ocorre junto às fronteiras.
Cavitação bloqueante ocorre numa conduta sob pressão quando, nalguma extensão, toda a
secção transversal é ocupada por vapor do líquido. Deixa então de ser válida a expressão
usual da perda de carga e a diminuição da pressão a jusante da singularidade, que provoca a
cavitação, não se traduz por aumento do caudal escoado.

Um estádio de cavitação de interesse muito particular é a cavitação incipiente, em que a


cavitação aparece intermitentemente numa área restrita. Não produz, em geral, ruído nem
erosão.
Os valores dos parâmetros de cavitação correspondentes à cavitação incipiente designam-se
por críticos.

1.8.8.1 Condutas em série

Este problema, quando envolve três condutas provenientes de três reservatórios constitui
uma abordagem conhecida por problema de Bélanger, que pode ser formulado de diferentes
maneiras, visando a:

·I - Determinação dos caudais que circulam nas três condutas;


·II - Determinação dos diâmetros das três tubagens;
·III - Determinação mista de caudais e diâmetros;
·IV - Determinação mista de caudais e alturas da superfície livre nos reservatórios.
Na 1ª situação, é necessário determinar se são dois reservatórios a abastecer o outro ou se é
apenas um a abastecer os outros dois. Para esclarecer esse funcionamento, podemos
considerar Q= 0.0 l/s na conduta associada ao reservatório de cota intermédia, comparando,
então, a cota piezométrica no nó X com a cota desse reservatório.
A resolução deste problema passa, geralmente, por arbitrar (processo iterativo)
criteriosamente para a energia total no nó X (convergência das 3 tubagens) um valor único,
sendo necessário que se verifique a lei da continuidade nesse nó, face aos caudais que
circulam nas condutas (Eq. 1.160), para terminar o processo iterativo.
Note-se que este processo iterativo, pode incluir outros processos iterativos
correspondentes à determinação dos caudais em cada conduta, caso se verifiquem
problemas do tipo II ou III.

2 ESCOAMENTOS VARIÁVEIS SOB PRESSÃO


2.1 Generalidades

escoamentos transitórios e os escoamentos quase permanentes. Os primeiros ocorrem na


transição de um regime permanente para outro regime permanente. Os segundos ocorrem
para acelerações do escoamento muito pequenas.
Os escoamentos quase permanentes processam-se sem influência da compressibilidade do
líquido nem da deformabilidade da conduta, e não dão lugar a oscilação de nível.
Os escoamentos transitórios podem ser de dois tipos: choque hidráulico (golpe de ariete) e
oscilação em massa, consoante a compressibilidade do líquido e a deformação das paredes
das condutas exerçam ou não influência fundamental nos processos em jogo.

2.3 Choque hidráulico


2.3.1 Descrição do fenómeno
O choque hidráulico (golpe de ariete) constitui um dos fenómenos mais complexos de
quantificar.
É necessário tê-lo em conta num dimensionamento duma conduta, a fim de evitar a sua
danificação, nos seguintes casos:
- Fechamento total e instantâneo de um obturador;
- Paragem instantânea por corte de energia.

2.3.1.1 Fechamento total e instantâneo do obturador


Sendo L o comprimento da conduta e, admitindo que a celeridade a é constante, o tempo T
necessário para a perturbação (onda de choque) vir do obturador ao reservatório e regressar
ao obturador, denomina-se fase, ou seja:

2.3.1.2 Golpe de ariete a jusante de bombas


Quando ao motor eléctrico que acciona uma bomba é cortada a alimentação (quer por
manobra comandada por operador humano ou por automatismo, quer por avaria na rede
eléctrica), a velocidade de rotação da bomba vai reduzindo, o que provoca a diminuição do
caudal impulsionado.
A bomba pode ainda continuar a rodar no sentido do seu funcionamento normal quando o
caudal impulsionado atinge um valor nulo. Na maioria dos casos, as condutas são munidas
de dispositivos que impedem a inversão do caudal através da bomba (válvulas de retenção
ou válvulas anti-retorno).

2.3.2 Dimensionamento
No dimensionamento há a considerar dois casos diferentes que se designam por:
- Manobra rápida - t • T
- Manobra lenta - t > T
onde:

Na anulação instantânea do caudal a jusante de uma bomba ou junto do obturador numa


manobra rápida, a sobrepressão máxima não se verifica ao longo de toda a conduta. A
sobrepressão pode ser igual à máxima para as secções da conduta em que haja sobreposição
unicamente das sobrepressões provocadas pelas sucessivas manobras elementares.

2.3.3 Rotura da veia líquida


Em toda a análise anterior, foi considerado que a depressão máxima (em valor absoluto)
atingida durante o regime variável não faria a correspondente pressão mínima baixar até à
tensão de saturação do vapor de água. Se isto acontecer, a veia líquida poderá romper-se,
formando-se uma cavidade ocupada por vapor de líquido e por gases do ar atmosférico que
anteriormente estavam dissolvidos (e que passaram a libertar-se logo que foi atingida a
respectiva tensão de saturação).
A rotura da veia líquida pode ter como consequência o colapso da conduta, devido a
pressões interiores altas, que surgem quando a veia líquida volta a reconstituir-se, ou ao
excesso da pressão exterior sobre a pressão interior, verificado durante a rotura.

2.3.5 Protecção contra o golpe de ariete


As protecções de condutas elevatórias contra os efeitos do golpe de ariete podem ter um
dos seguintes objectivos:
- Reduzir a sobrepressão máxima;
- Evitar a rotura da veia líquida e reduzir consequentemente a sobrepressão máxima;
- Não evitar a rotura da veia líquida, mas reduzir a sobrepressão máxima.

As protecções que visam os dois primeiros objectivos são:


Volantes de inércia, que fazem aumentar o tempo de paragem das bombas, mas só
constituem solução para condutas elevatórias curtas. O volante, graças à energia que
acumula durante a marcha normal, tem a possibilidade de a transmitir ao escoamento
quando se verifica uma paragem. Prolonga-se assim o tempo de paragem das bombas e
diminui o choque hidráulico;
Chaminés de equilíbrio, cujo efeito é o de reduzir o comprimento interessado no
fenómeno do golpe de ariete, mas que exigem construções de grande altura, não sendo
muito frequente a sua utilização em condutas elevatórias;
Reservatórios hidropneumáticos, ou reservatórios de ar comprimido (RAC) com água e
ar (ou gás) sob pressão, com funções análogas às das chaminés de equilíbrio (exigindo,
no caso de utilização de ar, compressores ou membranas de separação entre o ar e a
água, para atender à dissolução do ar na água);
Reservatórios unidireccionais, que alimentam as condutas elevatórias quando as cotas
piezométricas atingem naquelas valores inferiores aos níveis de água nesses reservatórios
(sendo as ligações dos reservatórios unidireccionais às condutas elevatórias dotadas de
válvulas de retenção que impedem o escoamento para os reservatórios); são por vezes
utilizados para evitar a rotura da veia líquida em pontos altos;
Condutas de curto-circuito (ou de by-pass) ligadas ao reservatório de alimentação da
bomba e munidas de válvulas de retenção, que alimentam a conduta elevatória quando a
cota piezométrica nesta atinge valores inferiores ao nível do reservatório de alimentação.
Como protecções que visam o terceiro objectivo têm-se:
Válvulas de descarga automática que abrem, ao iniciar-se o aumento da pressão,
deixando escoar a água para a atmosfera, com o que obstam à continuação daquele
aumento, fechando-se depois lentamente. As válvulas de escape são instaladas junto dos
órgãos que provocam o golpe de ariete. Só são económicas em condutas de pequenas;
Válvulas cuja abertura é comandada pela paragem das bombas, deixando passar água na
fase de sobrepressão e fechando depois lentamente;
Válvulas de entrada de ar, que devem permitir a saída controlada do ar, para evitar
sobrepressões elevadas, no choque das veias líquidas, ao terminar a expulsão do ar.
Os reservatórios de ar comprimido e as chaminés de equilíbrio são, sem dúvida, os
dispositivos mais utilizados, tanto contra as sobrepressões como contra as depressões. Os
reservatórios de ar comprimido localizam-se a jusante das válvulas de retenção dos grupos
de bombagem. As chaminés de equilíbrio localizam-se em pontos altos da conduta.
Para proteger as turbinas contra as sobrepressões máximas que ocorrem a montante
devido ao choque hidráulico:
Intercalam-se chaminés de equilíbrio de forma a reduzir o comprimento L;
Aumenta-se o tempo t em que fecham os distribuidores (órgãos de admissão de água para
as turbinas), solução que é condicionada pela velocidade de rotação máxima atingida pelas
turbinas durante o fechamento;
Instalam-se válvulas de descarga automática (também designadas por válvulas de alívio
ou descargas síncronas) na entrada para as turbinas, as quais abrem após o início do
fecho dos distribuidores, para depois fechar lentamente sem provocar elevadas
sobrepressões.

3 ESCOAMENTOS COM SUPERFÍCIE LIVRE


3.1 Generalidades
Diz-se que o escoamento de um líquido se dá com superfície livre ou em canal quando uma
parte do seu contorno se apresenta em contacto com a atmosfera ou com outro meio gasoso.

Talvegue ou linha de fundo de um canal é o lugar geométrico dos pontos mais baixos das
secções e a sua planificação constitui o perfil longitudinal do leito.
Declive de um canal é o declive do perfil longitudinal do seu leito, sendo medido pela
tangente trigonométrica do ângulo θ que aquele forma com a horizontal. Geralmente
representa-se por i, sendo, portanto:
Consoante o perfil longitudinal é descendente ou ascendente no sentido do escoamento, o
declive é positivo ou negativo.

No regime uniforme, a secção líquida, o caudal e a velocidade média são constantes ao


longo do percurso. O perfil da superfície livre (que coincide com a linha piezométrica) é
paralelo ao perfil do leito e à linha de energia,

No regime permanente gradualmente variado, as trajectórias são aproximadamente


rectilíneas e paralelas, e a secção recta do escoamento é sensivelmente plana,
Um escoamento permanente gradualmente variado é designado por regolfo e o seu perfil
superficial por curva de regolfo.
Nos escoamentos permanentes rapidamente variados, a curvatura das trajectórias não é
desprezável e a secção líquida varia bruscamente com o percurso. A distribuição de
pressões numa secção recta não pode tomar-se como hidrostática.

3.2.2 Distribuição de velocidades na secção transversal


A observação das velocidades nos escoamentos turbulentos com superfície livre permite
concluir:
- A velocidade máxima numa vertical não ocorre à superfície, mas um pouco abaixo desta;
- A máxima velocidade superficial verifica-se na zona central, que se denomina filão, onde
a superfície se apresenta um pouco mais baixa que nas zonas junto das margens;
- Corpos flutuantes colocados junto das margens movem-se para a zona central.

3.2.3 Secções fechadas


a máxima capacidade de transporte e, consequentemente o máximo caudal transportado em
regime uniforme não correspondem à máxima altura líquida na secção.
Isto deve-se ao facto de que, próximo do fecho da abóbada, o aumento da área da secção
com a altura não compensa a redução do raio hidráulico, que é consequência do acréscimo
do perímetro molhado.

Para o escoamento uniforme num canal de secção circular, verifica-se que:


- O caudal máximo ocorre para h/D = 0,94;
- O caudal escoado para h/D = 0,82 iguala o caudal para a secção cheia (h/D = 1,00)
quando coincidem a linha piezométrica e a linha de fecho da abóbada, portanto, no limite
em que o escoamento entra sob pressão;
- O caudal escoado nesta última situação (h/D = 1,00) é 0,93 vezes o caudal máximo (para
h/D = 0,94).
No dimensionamento de um canal de secção circular aceita-se como máximo da relação
h/D o valor de 0,80.

3.2.4 Secções mistas


Designa-se por secção mista uma secção de um canal com rugosidade não uniforme ao
longo do perímetro molhado. É o caso, por exemplo, de uma secção trapezoidal com o
fundo revestido e com taludes em terra.
3.2.5 Secções compostas
O cálculo do escoamento uniforme é feito neste caso dividindo a secção (total) em secções
parciais, por meio de verticais passando pelas arestas de separação dos leitos. Para cada
secção parcial calcula-se a capacidade de transporte por / 1 3 / 2 i KAR

3.3 Regime permanente gradualmente variado - regolfo com caudal


constante
3.3.2 Energia específica. Função E = E (h) para Q = Q0.
3.3.2.1 Regimes crítico, rápido e lento.

Consoante a altura do escoamento é superior ou inferior à altura crítica, o escoamento diz-


se lento ou rápido. Empregam-se ainda as designações equivalentes de fluvial ou
torrencial, respectivamente.

3.3.4 Controlo do escoamento


Relativamente à propagação de pequenas perturbações na direcção longitudinal dos canais,
a análise matemática teórica permite concluir, e a observação confirma, os factos seguintes:
1 - Regime crítico - As pequenas perturbações propagam-se com velocidade igual à do
escoamento. Para montante o deslocamento é nulo e para jusante a velocidade é dupla da
velocidade do escoamento.
2 - Regime rápido - A velocidade para montante é inferior à do escoamento, por tal as
pequenas perturbações propagam-se para jusante.
3 - Regime lento - As pequenas perturbações propagam-se para montante e jusante.
Assim, podemos concluir que o regime lento é controlado por jusante e o regime rápido é
controlado por montante (ignora o que se passa a jusante).

3.3.5 Tipos de curvas de regolfo em canais prismáticos com caudal constante


O estudo das curvas de regolfo com caudal constante num canal prismático, exige a prévia
classificação do declive do canal em positivo, negativo ou nulo. O declive positivo
subclassifica-se em:
Crítico → escoamento uniforme crítico
Fraco → escoamento uniforme lento
Forte → escoamento uniforme rápido
A subclassificação do declive positivo, de um canal não depende somente das
características desse canal, pois o próprio caudal intervém na definição de declive crítico.
Com efeito, conhecidos os caudal Q, a secção transversal de um canal e o seu declive i, a
subclassificação deste pode obter-se por duas vias equivalentes.
Uma delas consiste em determinar as alturas uniforme e crítica, resultando imediatamente a
classificação:
Declive crítico para hu = hc
Declive fraco para hu > hc
Declive forte para hu < hc
E outra em determinar o declive crítico ic e compará-lo com i sendo:
i = ic (crítico)
i < ic (fraco)
i > ic (forte)
O declive crítico determina-se com base na definição de declive apresentada e na aplicação
de uma fórmula de resistência, como por exemplo, a fórmula de Manning-Strickler:
(trampolim de saída colocar folha anexa)

3.4 Ressalto hidráulico


O ressalto hidráulico, ou simplesmente ressalto, é o fenómeno de escoamento rapidamente
variado por meio do qual o regime rápido a montante passa bruscamente para o regime
lento a jusante.
O ressalto ordinário forma-se quando o nº de Froude correspondente ao regime rápido a
montante do ressalto ( 1 1 1 Fr U gh = ) excede 2.5.
O ressalto ondulado, caracterizado por uma série de ondulações de amplitude decrescente
para jusante, dá-se quando o número de Froude a montante for inferior a 2

As alturas hl e h2 (com a mesma quantidade de movimento total, uma em regime rápido e


outra em regime lento) dizem-se conjugadas. Quando aumentam as alturas no regime lento
as respectivas alturas conjugadas no regime rápido diminuem, como se conclui pela
analogia das funções M (h) e E = E (h), ambas para caudal constante.

Como se verifica recorrendo ao traçado da linha conjugada de hu, o ressalto desloca-se para
jusante ou para montante consoante a comporta fecha ou abre; localiza-se imediatamente a
jusante da comporta, para uma altura na secção contraída igual à conjugada de hu - Figura

Para aberturas maiores, tenderia a deslocar-se para montante da comporta, no que é


impedido por esta, ocorrendo então o ressalto afogado ou submerso.

O ressalto afogado ocorre, assim, quando a altura da secção contraída é superior à altura
conjugada da altura em regime lento na mesma secção. Quando ocorre o ressalto afogado, a
veia líquida procedente da comporta é coberta por uma zona com movimento turbilhonar
dirigido para a comporta, na parte superior, e, em sentido contrário, na parte inferior
Quando existe ressalto livre, a influência de jusante não se faz sentir para montante do
ressalto, onde o regime é rápido, e, como tal, é comandado por montante.
O ressalto afogado permite a influência de jusante sobre montante pois a camada que cobre
a veia líquida à saída da comporta faz elevar o nível a montante desta.

4 MEDIÇÕES HIDRÁULICAS
4.1 Medição de caudal
Dentro dos métodos de medição de caudal são de referir:
— Métodos volumétricos
— Orifícios e descarregadores
— Integração da velocidade
— Aparelhos deprimogéneos ou de pressão diferencial
— Caleiras Venturi e Parshall
— Medidores electromagnéticos
— Medidores por ultra-sons
— Rotâmetro
— Medidores por tomadas de pressão em curvas
métodos volumétricos só é viável para pequenos caudais.
Nestes métodos a medição do tempo de enchimento de um reservatório de volume
conhecido permite determinar o volume escoado na unidade de tempo, ou seja o caudal.
Para utilização de orifícios e descarregadores na medição de caudal é necessário conhecer
as respectivas leis de vazão.

integração da velocidade usa-se frequentemente na determinação do caudal em rios e em


condutas sob pressão de aproveitamentos hidroeléctricos. É possível medir a velocidade em
pontos convenientemente situados numa secção de uma conduta ou de um canal para obter
o caudal por integração. Nos rios é comum estabelecer uma curva de vazão que relaciona
caudais e alturas de água numa secção.

Os aparelhos deprimogéneos ou de pressão diferencial permitem a medição do caudal


em condutas sob pressão por meio da medição da diferença da cota piezométrica entre duas
secções
Tal diferença de cotas é provocada por um estreitamento introduzido na conduta, o qual
origina uma depressão, daí a designação por que são conhecidos. Usam-se aparelhos
deprimogéneos dos seguintes tipos:
diafragma
bocal
tubo Venturi
Usualmente o caudal calcula-se pela expressão:

As caleiras Venturi são medidores do caudal nos escoamentos com superfície livre, que
utilizam o ressalto para eliminar a influência de jusante sobre montante. Por meio do
estreitamento da secção ou da sobreelevação do fundo ou ainda pela conjugação destes dois
efeitos, é provocada a passagem do escoamento em regime crítico, pelo que o caudal é
função unicamente da carga medida a montante

A caleira Parshall constitui uma variante da caleira Venturi. A principal diferença consiste
no facto de, na caleira Parshall, tanto a directriz das paredes (verticais) como o perfil do
fundo compreenderem mudanças bruscas de alinhamento – Figura 4.2.
A caleira Parshall é por vezes utilizada para medir caudais em condições de afogamento,
tornando-se então necessário medir as alturas de água a montante, Hm e a jusante, Hj
(referidas ao fundo do trecho horizontal). Enquanto o grau de submersão Hm/Hj for inferior
a 0,60 não há alteração da vazão em relação ao escoamento livre, para caleiras com largura
w de 15,2 e 22,9 cm. O grau de afogamento limite é de 0,70, para caleiras com largura w
entre 30,5 e 243,8 cm.

Os medidores electromagnéticos de caudal baseiam-se na lei da indução


electromagnética, de Faraday: o movimento de um condutor (neste caso, o líquido),
perpendicularmente a um campo magnético, produz uma diferença de tensão no condutor.
A diferença de tensão é proporcional à velocidade média do líquido e, portanto, ao caudal.
A Figura 4.3 representa o esquema de um medidor electromagnético de caudal numa
conduta sob pressão.

Os resultados da medição por meio destes aparelhos não são afectados pela temperatura,
viscosidade e densidade do líquido, nem pelo tipo de regime de escoamento, laminar ou
turbulento, mas são-no pela presença de partículas que provoquem heterogeneidade das
propriedades magnéticas do líquido.

Os medidores electromagnéticos de caudal também podem utilizar-se nos escoamentos em


canais.
Na medição, por ultra-sons, do caudal que circula numa conduta sob pressão (Figura 4.4)
dispõem-se duas sondas simetricamente em relação ao eixo da conduta e fazendo um
ângulo θ com este.

A aquisição de resultados fiáveis está dependente da ocorrência de escoamento uniforme


em secção cheia, no troço onde está instalado o instrumento e da inexistência de obstáculos
à transmissão do sinal. Assim, o medidor de caudal deve estar instalado a jusante de curvas,
tês, válvulas, bombas ou obstruções similares a uma distância mínima equivalente a 20
diâmetros e a montante deste tipo de singularidades, a uma distância não inferior ao
correspondente a 10 diâmetros.

Os rotâmetros utilizam-se para a medição de caudais muito pequenos num trecho vertical
de um tubo sob pressão. Este medidor de caudal consiste num tubo vertical tronco-cónico
de material transparente, dentro do qual o fluido em movimento ascendente impulsiona um
elemento móvel

Sendo a secção disponível para o escoamento variável em altura, a posição de equilíbrio do


elemento móvel é função do caudal.
O elemento móvel tem entalhes na superfície lateral que lhe imprimem um movimento
giratório, obrigando o elemento a manter-se no eixo do tubo.
Nos medidores por tomadas de pressão em curvas a diferença de cotas piezométricas,
∆ h, em tubos ligados a duas tomadas de pressão inseridas em pontos diametralmente
opostos de uma curva e contidos na bissectriz do respectivo ângulo - Figura 4.7 - é uma
função do caudal, do tipo:

A escolha dos medidores depende do custo, da precisão garantida na gama de caudais a


medir, dos condicionamentos da instalação e das condições de exploração e conservação.

4.2 Medição de nível


A medição da cota da superfície livre de um líquido pode fazer-se directamente ou
indirectamente. Em instalações laboratoriais a medição directa faz-se através de uma régua
graduada em mm, ligada a uma ponta afilada e dispondo eventualmente de um nónio.
Desce-se lentamente a ponta da régua até que toque a superfície do líquido, procedendo-se
então à leitura. A medição indirecta pode fazer-se por vários processos:
- Por sondas de fio com peso na extremidade (o contacto do peso com o líquido é
assinalado electricamente);
- Por sistema de flutuador e contrapeso;
- Por medição da pressão (deformação de uma membrana fazendo parte de uma caixa
imersa no líquido);
- Por medição do nível por detecção eléctrica ou de radiação, utilizável em laboratório e em
obras hidráulicas.

4.3 Medição de pressão


Para medir a pressão de um líquido na vizinhança de uma parede sólida estabelece-se uma
tomada de pressão, a qual consiste num pequeno tubo cilíndrico com o eixo normal à
superfície da parede e com um dos extremos à face da mesma. O tubo deve ser de pequeno
diâmetro para não alterar as linhas de corrente, não convindo porém adoptar um diâmetro
inferior a 1 mm para evitar a obstrução; o comprimento do tubo deve ser igual a pelo menos
duas vezes o diâmetro.

Para medir a pressão usa-se um manómetro ligado à tomada de pressão por meio de um
tubo. Os manómetros podem ser simples, em U, metálicos do tipo Bourdon, etc.
A medida da pressão num ponto afastado da parede faz-se com um tubo piezométrico.
Este método de medição aplica-se a qualquer tipo de escoamento, mesmo em escoamentos
rapidamente variáveis.

4.4 Medição da velocidade


A medição pontual da velocidade pode fazer-se utilizando:
— Tubos de Pitot ;
— Molinetes;
— Traçadores sólidos (flutuadores) líquidos ou radioactivos;
— Anemómetros de fio quente e anemómetros laser.

O tubo de Pitot (estudado em Hidráulica Geral I) consiste em dois tubos: um para a


medição da carga total ligado a um orifício no extremo do perfil arredondado do ramo
inferior, e outro para a medição da cota piezométrica, e que se liga a tomadas de pressão na
superfície lateral do ramo inferior. A diferença de cotas da superfície do líquido atingidas
nos dois tubos é a altura cinética

Os molinetes são constituídos por uma roda e um detector mecânico ou electrónico, que
mede o nº de rotações da roda, o qual se pode transformar em velocidade de escoamento.
Ao detector em geral está associado um registador.
A utilização de traçadores na determinação da velocidade baseia-se na determinação do
tempo que um traçador demora a percorrer um determinado espaço.
Os anemómetros de fio quente e anemómetros laser são em geral reservados à
experimentação laboratorial.

4.5 Orifícios
4.5.1 - Orifícios em parede delgada

C é o coeficiente de vazão e é determinado experimentalmente. Considera-se o valor de


0.60 quando se verifique contracção completa, ou seja quando a forma da veia líquida não
seja influenciada pela proximidade das outras paredes do reservatório.
4.5.2 - Orifícios em paredes espessas. Tubos adicionais
Nos orifícios de secção constante abertos em paredes espessas em que a secção contraída
ocorre dentro da parede e a veia líquida volta a contactá-la, o coeficiente de vazão é
superior a 0.60.
A colocação de tubos no prolongamento de orifícios modifica o coeficiente de vazão.
dizem-se internos ou externos.

Com um tubo adicional interno a contracção aumenta. Para um comprimento igual a pelo
menos cerca de 2.5 vezes o diâmetro do orifício e o coeficiente de vazão é de cerca de 0.51,
se a veia líquida não voltar aderir à parede,

4.5.3 - Orifícios submersos


Quando se podem desprezar as velocidades V1 e V2 em secções a montante e a jusante de
um orifício submerso

4.5.4 - Orifícios de grandes dimensões em paredes verticais


Para o cálculo do caudal escoado por um orifício de grandes dimensões numa parede
vertical, decompõe-se o orifício em faixas rectangulares horizontais,

4.5.5 - Orifícios regulados por comportas

4.6 Descarregadores
4.6.1 Generalidades
Um descarregador é um orifício a que se suprimiu a parte superior.
Os descarregadores podem ser de parede ou soleira delgada, se o contacto da veia líquida
descarregada com a parede se limita a uma aresta cortada em bisel, e de parede ou soleira
espessa, se existe um comprimento apreciável no contacto da lâmina com a parede.

4.6.2 Descarregadores de parede delgada


O descarregador que a seguir se apresenta é de parede delgada.
Descarregador BAZIN - é um descarregador com as seguintes características:
- Secção rectangular;
- Soleira horizontal em bisel;
- Ocupa toda a largura de um canal rectangular;
- O espaço sob a lâmina líquida está preenchido por ar à pressão atmosférica.

4.6.3 – Descarregadores de soleira normal


Uma soleira de um descarregador diz-se normal em relação a um determinado caudal
Resumindo um descarregador em soleira normal é um descarregador com soleira espessa e
paramento de jusante adaptado à face inferior da veia líquida.
Estas soleiras têm paramento de montante vertical ou inclinado a 1/3, 2/3, 3/3 e o
paramento de jusante dado por:
4.6.4 Outros tipos de descarregadores
Há outros tipos de descarregadores de parede delgada frequentemente utilizados para a
medição de caudais.
O descarregador Cipolletti (Figura 4.15) é um descarregador de secção trapezoidal com
lados a 4/1. Utiliza-se quando não se pode evitar a contracção lateral, cujo efeito é então
compensado pela abertura dos lados a 4/1.

Num descarregador triangular, o caudal calcula-se por:

O descarregador de soleira espessa horizontal tem o perfil arredondado a montante para


evitar a contracção inferior da veia líquida

Este descarregador é também designado por descarregador de Bélanger, autor que estudou
a lei de vazão em função do nível a jusante, para carga a montante constante. Não há,
evidentemente, escoamento quando o nível de jusante se torna igual ao de montante. À
medida que diminui o nível de jusante, o caudal aumenta e a espessura da lâmina líquida
sobre o descarregador reduz-se.

5 TURBOMÁQUINAS HIDRÁULICAS
5.1 Generalidades
As máquinas hidráulicas promovem a troca de energia mecânica entre a água (ou outro
líquido) e um dos seus órgãos. Existem máquinas hidráulicas de vários tipos:
- Turbomáquinas;
- Rodas de água (em que a água actua pelo peso);
- Bombas de êmbolo;
- Carneiros hidráulicos;
- Ejectores.
As turbomáquinas têm como elemento fundamental a roda ou rotor (no caso das bombas,
também denominado impulsor). A sua designação provém do latim, onde turbo significa
movimento circular.

As turbomáquinas podem subdividir-se nos seguintes tipos:

• Turbomáquinas motoras, turbinas, que recebem energia mecânica do líquido, tornando-a


disponível no veio (mediante um binário e uma velocidade angular);
• Turbomáquinas receptoras, bombas, que transferem para o líquido energia mecânica
recebida do exterior;
• Turbomáquinas transmissoras, transmissões hidráulicas, que transmitem energia mecânica
de um veio para outro (e são normalmente constituídas pela associação de uma
turbomáquina receptora e de uma turbomáquina motora).

5.2 Tipos de turbinas e de bombas


As turbinas classificam-se em dois grandes grupos, consoante a roda é actuada pela água à
pressão atmosférica (turbinas de acção também designadas por turbinas de impulsão) ou é
atravessada pelo escoamento sob pressão (turbinas de reacção).
As turbinas de acção que se encontram mais frequentemente são do tipo Pelton
(engenheiro norte-americano que as concebeu cerca de 1880) - Figura 5.1 a). Existem
outros tipos de turbinas de acção, sendo, porém, pouco numerosas e reservadas a pequenas
unidades. As turbinas de acção não têm, como é evidente, o correspondente tipo nas
bombas rotodinâmicas.

As turbinas de reacção, as bombas e as turbinas-bombas classificam-se quanto à direcção


do movimento do líquido relativamente à respectiva roda: radial, axial ou mista.

Nas turbinas e nas bombas axiais ou hélice o escoamento à entrada e à saída da roda é axial
aproximando-se a trajectória de uma partícula, ao longo do percurso da roda, de uma hélice
cilíndrica. As turbinas e bombas deste tipo podem ter as rodas com pás fixas ou orientáveis,
sendo as de pás orientáveis designadas pelo nome do engenheiro que concebeu a sua
realização na década de 1920-1930:

As turbinas e as bombas em que o escoamento não é predominantemente radial nem axial


denominam-se mistas ou diagonais. As bombas deste tipo designam-se ainda por
hélicocentrífugas. São relativamente pouco numerosas as realizações de turbinas diagonais,
que, quando dotadas de pás orientáveis, se designam por turbinas Dériaz – Figura 5.1 c).
As turbinas-bombas (reversíveis) rodam em sentidos contrários consoante funcionam como
turbinas ou como bombas, invertendo-se também o sentido do escoamento através da roda.
Existem os tipos de turbina-bomba radial-axial, axial e mista (ou diagonal), podendo os
dois últimos tipos, tal como as máquinas simples (turbinas ou bombas), apresentar pás quer
fixas, quer orientáveis.

5.3 Descrição geral e condições de instalação de turbinas

5.3.1. Turbinas Pelton


As turbinas de acção compreendem, essencialmente, a roda e um ou mais órgãos,
designados por injectores, cuja função é transformar a energia de pressão do escoamento
em energia cinética e dar saída a jactos convenientemente orientados para a roda.
As turbinas Pelton - principal tipo de turbinas de acção - usam-se para quedas altas. As
rodas destas turbinas têm, na periferia, pás com a forma de colher dupla - Figura 5.3. Cada
injector tem no interior uma agulha, cuja deslocação faz variar a área de saída do injector e,
portanto, o caudal do jacto. O jacto proveniente do injector incide quase tangencialmente
sobre a roda, abandonando-a com velocidade relativamente baixa e caindo para o canal de
restituição, situado inferiormente, o que implica que a parte inferior da roda de uma turbina
Pelton se situe acima do nível da água a jusante, designado por nível da restituição.
O movimento da agulha do injector é comandado pelo regulador automático da velocidade
de rotação do grupo turbina-alternador, ou simplesmente regulador de velocidade.
O injector é dotado de um deflector que, em caso de anulação brusca da potência pedida à
turbina, desvia o jacto da roda, tornando, assim, possível que o injector feche lentamente,
sem originar altas sobrepressões devidas ao golpe de ariete, nem sobrevelocidades
indesejáveis de rotação do grupo.
As turbinas Pelton podem ser de eixo horizontal ou de eixo vertical e ter um ou mais
injectores.
O número máximo de injectores é de dois ou de seis, consoante o eixo é horizontal ou
vertical
Duas rodas de turbinas Pelton podem estar acopladas ao mesmo alternador, designando-se
o conjunto por grupo com turbina Pelton de duas rodas.
A queda útil nas turbinas Pelton é igual à carga a montante do injector.

5.3.2. Turbinas de reacção


Uma turbina de reacção compreende, essencialmente, além da roda:
• distribuidor, cuja função é transformar parte da energia de pressão do escoamento em
energia cinética, orientar a entrada da água para a roda, distribuindo-a uniformemente em
toda a periferia, e regular o caudal absorvido pela turbina;

• a evoluta ou espiral, a montante do distribuidor, que ao longo do seu desenvolvimento


alimenta de água aquele órgão, pelo que a respectiva secção decresce progressivamente
para jusante;

• difusor constituído por uma conduta de secção progressivamente crescente, com a


finalidade de promover a recuperação parcial da energia cinética à saída da roda.
Não existe evoluta nas turbinas dos grupos bolbo e dos grupos Straflo, nem em
miniturbinas tubulares ou em miniturbinas instaladas em câmara aberta.
Muitas vezes usa-se a designação de tubo de aspiração, em vez da de difusor, sendo a
primeira menos rigorosa, pois nem sempre se realiza a transformação de energia potencial
de posição (além da transformação de energia cinética) em energia de pressão, caso em que
propriamente se poderia dizer ter lugar um efeito de aspiração. Com efeito, nem sempre é
possível, como se verá, instalar a roda da turbina acima do nível da água na restituição.

O distribuidor das turbinas de reacção é constituído por lâminas de secção pisciforme


directrizes -articuladas em torno de eixos, as quais são, em geral, actuadas simultaneamente
pelo anel de regulação. As directrizes formam, no seu conjunto, uma espécie de cortina de
persianas dispostas circularmente. Consoante a abertura entre directrizes, o caudal admitido
na turbina é maior, ou menor; na posição de fecho, as directrizes encostam-se duas a duas a
abertura do distribuidor é medida pelo diâmetro de um disco situado num plano normal ao
eixo das directrizes e que passa à justa entre aquelas.

O accionamento do anel de regulação e, portanto, a posição das directrizes - é comandado


pelo regulador de velocidade. A evoluta é provida, do lado interior, de lâminas fixas, pré-
directrizes, dispostas circularmente, as quais orientam as trajectórias na passagem para o
distribuidor e constituem o pré-distribuidor.
A roda de uma turbina Francis é constituída por pás encurvadas que modificam a direcção
das trajectórias, do que resulta a actuação de um binário sobre a roda. As pás estão
solidarizadas por meio de duas coroas, uma, interior, ligada ao eixo, e outra exterior.
As turbinas Francis são usadas no domínio de quedas que se situam, frequentemente,
entre cerca de 500 e 20 m.
A forma e as dimensões das rodas variam com a queda. Para altas quedas, o diâmetro de
entrada da roda D1 é muito superior ao diâmetro de saída D2 .Com a diminuição da queda,
a componente axial vai aumentando, diminuindo o diâmetro de entrada em relação ao de
saída, e tornando-se, para quedas relativamente baixas, o primeiro inferior ao segundo.
O eixo das turbinas Francis pode ser horizontal ou vertical e, ainda, inclinado nas
unidades pequenas. A primeira disposição tem, em relação à segunda, a vantagem de
facilitar a manutenção, o acesso às diferentes partes da turbina e o inconveniente de exigir
maior área, sendo reservada, em geral para unidades pequenas e médias. Há, porém,
exemplos de turbinas Francis de eixo horizontal de grande potência, como as turbinas de
Vianden (104 000 kW sob a queda útilde 288 m).
As turbinas Francis de roda dupla (Figura 5.9) têm a vantagem de absorver o dobro do
caudal de uma turbina de roda simples, do mesmo diâmetro e funcionando sob igual queda
e com a mesma velocidade de rotação. A alimentação da roda geminada, é feita por uma
única evoluta e um único distribuidor. As turbinas diagonais ou mistas, aplicáveis a quedas
médias, são de emprego menos frequente. As pás são em menor número do que nas
turbinas Francis e inserem-se obliquamente em relação ao eixo.

As turbinas axiais (hélice e Kaplan), aplicáveis a quedas baixas, têm rodas com a forma
de hélice, dotadas de pás curtas e em pequeno número.

As turbinas Kaplan têm as rodas com pás orientáveis pela actuação de mecanismos
comandados pelo regulador de velocidade e alojados no interior dos veios. Pode admitir-se
que a cada posição da pá corresponde uma turbina hélice, pelo que uma turbina Kaplan
mantém bons rendimentos para regimes de funcionamento muito diferentes.
Nos grupos bolbo, a turbina é do tipo Kaplan e o alternador está alojado no interior de
um invólucro com a forma de um bolbo, na periferia do qual se dá o escoamento
Os grupos bolbo têm, em relação aos grupos convencionais como as turbinas Kaplan, a
vantagem de exigir menor largura para a central, menor profundidade e menores volumes
de escavação e de betão; permitem, portanto, uma redução apreciável do custo da
construção civil.

5.4 Características das turbinas


As turbinas caracterizam-se por:
P - potência da turbina correspondente;
H - queda útil dos melhores rendimentos;
Q - caudal máximo absorvido pela turbina para H;
n - número de rotações por minuto;
ns - número específico de rotações (para a totalidade de rodas e de injectores e para a queda
útil);
np - número de pás da roda;
D, Dl ou D2, -diâmetros da roda, segundo a definição da Figura 5.1;
Ha – Altura de aspiração.
A potência (P) de uma turbina calcula-se por:

γ – peso específico da água;


Q – caudal absorvido pela turbina;
H – queda útil;
η – rendimento.
Duas turbinas geometricamente semelhantes funcionam em condições de semelhança
dinâmica e,portanto, com o mesmo rendimento (a menos do efeito de escala), se as
velocidades de rotação, n
e n', as quedas úteis, H e H’, e as potências, P e P', estão relacionadas por:
O número específico de rotações de uma dada turbina define-se por:

e representa, de acordo com a teoria da semelhança, a velocidade de rotação de uma turbina


geometricamente semelhante à primeira que, funcionando com igual rendimento, fornece
uma potência unitária sob queda útil unitária. É um parâmetro de grande utilidade no estudo
de turbinas e, tal como n, exprime-se em rotações por minuto; o seu valor depende das
unidades utilizadas para a queda e para a potência.

A experiência mostra que as turbinas do tipo Pelton, para apresentarem bons rendimentos,
devem ter um baixo número específico de rotações, ns, seguindo-se, por ordem crescente de
valores de ns as turbinas Francis e as turbinas axiais.
No domínio das turbinas de reacção, ns cresce com a velocidade periférica específica e
permite, tal como aquela velocidade, classificar as turbinas em lentas e rápidas.

Define-se altura de aspiração de uma turbina (de reacção) como a diferença entre a cota
de uma secção característica da roda (ou de um ponto característico para o caso de o eixo
não ser vertical) e o nível da água a jusante. Diz-se que a turbina funciona em contrapressão
quando a altura de aspiração é negativa.
O valor máximo que pode tomar a altura de aspiração de uma turbina é limitado pelo
fenómeno de cavitação.

5.5 Funcionamento de turbinas em regime permanente


5.5.1 Pontos de funcionamento

A cada par de valores do caudal e da queda útil com que uma dada turbina funciona em
regime permanente (n = constante) corresponde um determinado valor do rendimento. O
mais elevado dos rendimentos para os possíveis pontos de funcionamento, com n constante,
designa-se por rendimento óptimo, dizendo-se que lhe correspondem as condições óptimas
(ou o ponto óptimo) de funcionamento.

5.5.2. Diagramas em colina de turbinas. Funcionamento em vazio e em embalamento

O rendimento mais alto de uma turbina, rendimento óptimo, corresponde ao cume da colina
de rendimentos e tem lugar para uma abertura parcial do distribuidor e não para a plena
abertura. A queda útil para a qual se obtém o rendimento óptimo denomina-se queda dos
melhores rendimentos, ou queda de projecto, H0.

Dois pontos de funcionamento de turbinas em regime permanente (não representados no


diagrama em colina) apresentam grande interesse: pontos de funcionamento em vazio e em
embalamento.
Uma turbina funciona em vazio quando gira à sua velocidade de regime e não fornece
potência ao exterior, ou seja, apresenta potência e rendimento nulos. O caudal absorvido
por uma turbina em vazio, tomado em relação ao caudal máximo para a mesma queda,
varia com o tipo de turbina, ou melhor com ns. Para turbinas Pelton e Kaplan, é da ordem
de 7 % e, para turbinas Francis muito rápidas (ns = 350 r.p.m.) da ordem de 30 %.
Uma turbina funciona em embalamento quando, a plena abertura do distribuidor e estando
o alternador desligado da rede, atinge o regime permanente. Sendo a potência praticamente
nula e existindo caudal absorvido pela turbina, o rendimento, em condições de
embalamento, tem de tornar-se aproximadamente nulo.
A velocidade de embalamento varia consoante o tipo e as características da turbina e do
alternador. É de cerca de 1.8 a 1.9 vezes a velocidade de regime para turbinas Pelton e de
1.85 a 2.25 para turbinas Francis. Para turbinas Kaplan, a velocidade de embalamento
depende da posição das pás,

5.6 Selecção das turbinas adequadas a uma dada instalação


O intervalo de variação da queda útil fornece a primeira orientação para a escolha do tipo
de turbina a instalar.
Assim, a favor da turbina Pelton em relação à Francis, tem-se a possibilidade de fazer face
a grande variação da potência, sem baixar sensivelmente o rendimento; maior facilidade de
evitar altas sobrepressões; maior simplicidade de manutenção e menores problemas postos
pela abrasão provocada por partículas transportadas pela água (não obstante a maior
velocidade à entrada da roda).
A turbina Francis, por seu turno, apresenta as vantagens seguintes: menor espaço exigido;
maior velocidade de rotação; rendimentos mais altos para as potências elevadas e
utilização, em épocas normais, do desnível da água na restituição abaixo do nível de
máxima cheia.
As turbinas Kaplan apresentam, em relação às turbinas Francis rápidas, a vantagem de fazer
face com bons rendimentos a uma ampla variação da potência e da queda e a de ter maior
velocidade de rotação; têm a desvantagem do maior custo da turbina (e em geral do grupo,
não obstante a redução do custo do alternador) e a de exigir a colocação da roda e da soleira
do difusor a cotas inferiores, o que encarece as obras de construção civil.
O número específico de rotações, ns, permite definir a velocidade de rotação, n, que o grupo
turbina-alternador terá, em princípio, e avaliar as dimensões gerais aproximadas da turbina
(dimensionamento prévio que se torna necessário para o estudo da disposição do
equipamento na central). As dimensões gerais exactas e as dimensões mais pormenorizadas
da turbina só serãoestabelecidas no projecto a efectuar pelo fabricante. A velocidade de
rotação pode ser fixada pelo projectista, com base no número específico de rotações, ou ser
proposta pelo fabricante da turbina.
A partir do valor ns do número específico de rotações, dado na Figura 5.14 em função da
queda útil, calcula-se uma primeira aproximação, n, da velocidade de rotação, através da
expressão:

5.7 Miniturbinas

Designam-se por miniturbinas as unidades com potência inferior a um limite ainda não
consagrado, o qual se situa entre 1000 e 5000 kW, consoante os autores e os fabricantes. Às
unidades de potência inferior a 100 kW (ou a 50 kW) reserva-se a designação de
microturbinas.
As miniturbinas mais frequentemente oferecidas em séries normalizadas são do tipo axial,
podendo ser instaladas em câmara aberta ou no interior de condutas - turbinas tubulares.
Nas turbinas tubulares o alternador é montado no exterior da conduta.
As turbinas axiais destas séries podem ter rodas de pás orientáveis ou fixas e directrizes (do
distribuidor) móveis ou fixas. Uma turbina com roda de pás fixas e com directrizes fixas
tem um ponto de funcionamento, para uma dada queda. Uma turbina de directrizes fixas e
pás da roda orientáveis permite variar o caudal, mantendo bons rendimentos.
5.8 Bombas centrífugas
5.8.1 Generalidades
As máquinas elevatórias mais utilizadas nas estações de bombagem são as bombas
centrífugas.
Embora existam outros tipos como sejam:
Impulsor recuado (próprias para águas residuais);
Parafuso (injecção de produtos químicos),
Êmbolo - injecção de reagentes viscosos;
Membrana (águas residuais com materiais de aves).

Em linguagem corrente chamam-se bombas de tipo centrífugo, aquelas que possuem uma
roda de palhetas, denominado impulsor, propulsor ou rotor, que rodando em torno de um
eixo (veio), impele a água para a carcaça cujo feitio a encaminha para o orifício de saída.
Conforme o feitio do impulsor e inclinação das suas palhetas assim as bombas tipo
centrífugo sepoderá classificar:
de impulsor fechado;
de impulsor aberto;
de impulsor em hélice;

Há outros tipos de classificação também usados, mais ou menos paralelos a este. Por
exemplo:
de impulsor radial ou escoamento radial;
de impulsor semi-axial ou escoamento misto;
de impulsor axial ou escoamento axial.
conforme o líquido sai do impulsor perpendicularmente, obliquamente ou paralelamente ao
veio.

Quanto à sua posição de trabalho, as bombas tipo centrífugo poderão ser:


de eixo horizontal;
de eixo vertical.

As bombas de eixo vertical podem ainda ter:


• motor acoplado em monobloco;
• motor à superfície e bomba submersa, para furos e poços profundos;
• motor e bomba, ambos submersos.

Quanto à disposição dos orifícios de entrada do líquido as bombas podem ser:


de aspiração axial, quando o orifício fica em frente do eixo da bomba;
de aspiração lateral, quando esse orifício fica em posição perpendicular ao eixo.

5.8.2 Características das bombas centrífugas


As bombas centrífugas são caracterizadas por.
- Q - Caudal;
- H - Altura manométrica;
- NPSH - Carga absoluta na aspiração acima da tensão do vapor;
- P - Potência
- η - rendimento;
- n - Velocidade de rotação;
- ns - Velocidade específica.

Quando a pressão P atingir o valor tv verifica-se uma 2ª fase: o líquido entra em ebulição e
aparecem cavidades no seu seio formadas por bolhas de vapor - é o fenómeno de cavitação.
Este fenómeno é em geral prejudicial: as bolhas de vapor têm uma acção físico-química
intensa.
A aplicação do teorema de Bernoulli entre o reservatório de aspiração e a secção de entrada
da bomba numa situação de regime permanente permite escrever:

Define-se NPSH - "net positive suction head" - da bomba como sendo a diferença entre a
altura piezométrica absoluta no eixo da secção de entrada da bomba e altura piezométrica
no ponto de pressão absoluta mínimo possível, isto é:
Os valores do NPSH exigidos por uma dada bomba são definidos, em função do caudal e
da velocidade de rotação com base em ensaios normalizados.

Já anteriormente definimos potência e falamos em rendimento que é a razão entre a


potência útil e a potência absorvida, sendo, a primeira, a potência correspondente ao
trabalho realizado pela bomba e a segunda a potência fornecida ao eixo da bomba. De
modo análogo se definirá potência útil do motor, potência absorvida do motor e rendimento
do motor.
A velocidade de rotação, n, é o nº de rotações dado pela bomba na unidade de tempo.

1 - Os caudais Q são proporcionais à velocidade de rotação, n;

2 - As alturas H variam proporcionalmente com o quadrado de velocidade de rotação;

3 - A potência absorvida varia proporcionalmente com o cubo da velocidade de rotação;

4 - O rendimento é independente da velocidade de rotação.

A velocidade específica ns é o número de rotações dado na unidade de tempo por uma


bomba geometricamente semelhante que, com a carga total igual a uma unidade eleva uma
unidade de caudal, como se referiu anteriormente relativamente a turbinas.
Verifica-se que, para as mesmas condições de altura e de caudal as bombas de maior
velocidade específica são mais rápidas e consequentemente mais pequenas.
Também para a mesma velocidade de rotação e para o mesmo caudal as bombas de
velocidade específica maior funcionam com uma altura de elevação mais pequena, ou então
para a mesma velocidade e a mesma altura funcionarão com caudais mais elevados.
Uma bomba de baixa velocidade específica, operará em melhores condições em grandes
elevações do que outra de velocidade mais alta.
Se a altura de aspiração é muito grande por vezes é necessário usar bombas mais lentas e
maiores; pelo contrário, com alturas baixas de aspiração ou com cargas positivas na
aspiração, a velocidade deve ser aumentada.

As características atrás enunciadas podem ser expressas através das seguintes curvas:
- Curva caudal/altura de elevação, que estabelece as variações da altura manométrica em
função do caudal - H = f (Q);
- Curva de rendimento da bomba em função do caudal - η = f (Q);
- Curva de potência absorvida pela bomba em função dos caudais elevados P=f(Q).
Fazem-se, além disso, as seguintes observações de carácter geral:
1 - O ponto correspondente a Q = 0 da curva H = f(Q) deve ser superior ao ponto
correspondente a Q = 0 da curva característica da instalação.
2 - A área a tracejado deve ser o maior possível, compatível com um bom rendimento.
3 - A estabilidade de regime da bomba é tanto maior quanto maior for o raio de curvatura
das curvas H = f(Q) e da curva característica da instalação.
4 - O ponto de funcionamento deve localizar-se ligeiramente para lá do ponto
correspondente ao ponto de rendimento máximo para ter em conta uma eventual
diminuição de caudal devido ao envelhecimento da instalação.

5.8.3 - Escolha das bombas adequadas a uma dada instalação.

Assim de um modo geral, para altura manométrica <15 m e caudal>100 l/s utilizam--se
bombas centrífugas, de impulsor em hélice; para altura manométrica> 15 m e qualquer
caudal utilizam-se outras quaisquer bombas centrífugas.
A selecção de bombas de grandes potências é realizada mediante o recurso ao nº específico
de rotações (velocidade específica).
Assim:

4200 s n< ⇒Bombas centrífugas de impulsor radical de entrada simples;


4200 6000 s n < < ⇒ Bombas centrífugas de impulsor radial de entrada dupla;
6000 9000 s n < < ⇒ Bombas centrífugas de impulsor semi-axial;
9000 s n> ⇒Bombas de impulsor axial.
As condições particulares de utilização como sejam: águas subterrâneas ou águas de
superfície, dimensões de estação elevatória ou obras de engenharia civil condicionam a
escolha da solução adoptada - bomba submersível ou ao ar livre, bomba de eixo vertical ou
horizontal, bomba monocelular ou multicelular.
Relativamente às bombas centrífugas monocelulares e multicelulares há ainda a referir a
importância da velocidade de rotação, n, que como referimos varia proporcionalmente com
o quadrado da altura de elevação

Assim, se:
1450 n rpm = ⇒ a altura de elevação deverá ser inferior a cerca de 60 m;
2900 n rpm = ⇒ a altura de elevação deverá ser inferior a cerca de 100 m.

Em conclusão:
• Para alturas de elevação inferiores a 60 m utilizar bombas monocelulares.
• Para alturas de elevação compreendidas entre 60 e 90 m: se os motores são eléctricos faz-
se um estudo económico entre a bomba monocelular de velocidade de rotação elevada
(2900 rpm) e a bomba multicelular de pequena velocidade de rotação (1450 rpm); se os
motores são térmicos deve-se preferir, à priori, a bomba multicelular de pequena
velocidade.
• Para alturas de elevação superiores a 90 m utilizar bombas multicelulares.
• Relativamente às bombas centrífugas de eixo horizontal ou vertical, as primeiras
utilizarse-ão quando a bomba estiver em carga ou com altura de aspiração inferior a 6 ou 7
m; as segundas utilizar-se-ão em poços profundos ou furos. Não deve, no entanto,
dispensar-se a execução dum estudo económico.

Para cada par de valores Q, H determina-se um ponto que se situa no interior duma das
áreas a ponteado. O dimensionamento das bombas de uma instalação de bombagem não se
apresenta duma forma simplista como a referida anteriormente, principalmente, se se trata
de uma instalação de certas dimensões que acarreta, em geral, a existência de mais de um
grupo electro-bomba em funcionamento, caso que não se verifica numa instalação de
pequenas dimensões, em que é vulgar funcionar um só grupo de bombagem. Consoante o
objectivo que se pretenda atingir, podem ser utilizados dois tipos de associação dos grupos
de bombagem: em série e em paralelo. No primeiro caso, pouco utilizado em sistemas de
abastecimento de água, onde as alturas de elevação são praticamente constantes, para um
dado caudal a altura total de elevação é igual à soma das alturas
de elevação de cada bomba.

Na associação em paralelo (mais vulgarmente utilizado por uma dada altura de elevação), o
caudal elevado é a soma dos caudais correspondentes a cada grupo de bombagem. No
entanto quando se associam várias bombas em paralelo, o caudal total que é possível elevar
é sempre inferior à soma dos caudais que cada grupo pode elevar se funcionar isoladamente

Altura de shut-off é a altura de funcionamento em vazio (H).


O mínimo de grupos de reserva a instalar depende fundamentalmente do número de
bombas que funcionam simultaneamente. Assim:
• para uma só bomba - deve ser considerada uma bomba de reserva de iguais
características;
• para duas bombas idênticas - uma bomba de reserva com capacidade e características
iguais
às instaladas;

Este procedimento garante a possibilidade de revisão periódica de todos os grupos


instalados. No caso de não ser tolerável a interrupção de bombagem, é corrente instalar um
grupo gerador diesel de emergência que garanta o fornecimento de corrente eléctrica
necessária ao funcionamento da estação de bombagem.

A escolha do período de duração de bombagem é também muito importante. Está


interligada com a dimensão da instalação. Em grandes sistemas, as bombas funcionam
durante as 24 horas do dia.
Em sistemas de abastecimento de pequenos e médios aglomerados, é habitual reduzir o
período de bombagem e não utilizar a energia em horas de ponta, o que permite reduzir os
gastos de exploração (é vulgar considerar períodos de 8 ou 10 em 24 horas ou até de 16 em
24 horas).
Quando se trata de uma captação por furos, a bombagem contínua tem preferência sobre a
bombagem descontínua, uma vez que naquelas condições se mantém um certo equilíbrio no
escoamento subterrâneo, do que resulta uma qualidade praticamente constante da água
captada.
Acerca do material da tubagem no interior da Estação Elevatória (E.E.) deve ser de
preferência metálico - ferro galvanizado, ferro fundido ou aço. Para pressões bastante
baixas utiliza-se o aço com costura e para pressões muito altas o aço sem costura.
Deverá procurar-se que as aspirações das bombas sejam sempre independentes, com o
menor número de acessórios (válvulas e derivações) e curtas.
A inclinação da tubagem de aspiração não deve ser inferior a 2%. Se for possível, seguir a
mesma norma na tubagem do lado da compressão; se não for possível, instalar torneiras de
purga.
As uniões da tubagem deverão ser de flange para facilitar a montagem e desmontagem.
As válvulas de passagem são geralmente do tipo de corrediça ou de borboleta. As válvulas
de retenção serão do tipo de charneira. Todas as válvulas devem ser ligadas por flanges.
A união da tubagem do lado da compressão deve ser feita por um Tê de ramal curvo.
Nas ligações das tubagens às bombas e à conduta de compressão é, normalmente,
necessário utilizar cones. Quando é preciso interpor curvas, então utilizam-se curvas
cónicas. À saída da E.E. existe geralmente uma caixa que contém: o cone de ligação à
conduta elevatória, a válvula de descarga de fundo e o respectivo Tê de derivação.

5.8.4 - Escorvamento
Diz-se que uma bomba instalada acima da superfície livre do líquido no reservatório de
alimentação está escorvada (ou ferrada) quando o seu interior está cheio de líquido, que
assim pode ser bombeado. A operação de substituir, por líquido, o ar contido na bomba e na
conduta de aspiração designa-se por escorvamento ou ferragem e pode ser realizada
manual ou automaticamente.
Para o escorvamento manual usa-se uma válvula de pé no tubo de aspiração e para o
escorvamento automático usam-se dispositivos capazes de produzir a depressão.
As válvulas de pé são válvulas de retenção que se colocam na base das condutas de
aspiração.
Quando a bomba pára, a válvula fecha e a conduta de aspiração mantém-se cheia de
líquido, a menos das fugas através da válvula, normalmente pequenas.

Para produzir a depressão necessária para o escorvamento automático usam-se, entre


outros dispositivos os reservatórios auto-escorvadores, os ejectores e as bombas de vazio.
Um reservatório auto-escorvador é colocado ao nível da bomba, ligado, inferiormente, à
flange de aspiração da bomba e, superiormente, pela conduta de aspiração, ao reservatório
de origem.

Um ejector funciona como uma trompa que mediante um jacto remove o ar do corpo da
bomba e da conduta de aspiração.

As bombas de vazio podem ser de vários tipos, estando muito difundido o sistema do anel
de água, em que existe uma câmara cilíndrica no interior da qual gira urna roda em estrela,
montada excentricamente.

6 ESCOAMENTO EM MEIOS POROSOS


6.1 Generalidades

A percentagem de água infiltrada é muito variável. Depende das características geológicas


e topográficas do terreno.
A circulação da água através dos terrenos permeáveis faz-se através dos interstícios
existentes entre os grãos que formam o solo (poros) ou através de fissuras e diaclases.

Um meio poroso com os vazios totalmente preenchidos por líquido diz-se que está
saturado.
Uma formação geológica ou um conjunto de formações geológicas que contêm água e que
permitem que em condições naturais a água se desloque através delas, pela acção da força
de gravidade chama-se aquífero. Uma formação impermeável que não contém nem conduz
água em quaisquer circunstâncias designa-se aquífugo. Uma formação geológica que pode
conter ou não água, não permitindo a sua circulação, pelo menos em quantidades
intermédias e em condições naturais designa-se aquiclude. Uma formação geológica,
semipermeável, que permite a condução de água em condições intermédias entre o aquífero
e o aquiclude, designa-se aquitardo.
Um aquífero sujeito apenas à pressão atmosférica e no qual o nível da água coincide com o
nível freático ou piezométrico, diz-se um aquífero freático. Quando um aquífero se
encontra limitado superior e inferiormente por formações impermeáveis e no caso de se
abrir um furo de observação a água subir neste furo acima do nível de separação entre o
aquífero e o estrato impermeável superior, o aquífero diz-se confinado ou cativo. O nível a
que a água sobe no furo é o nível piezométrico naquele ponto. O escoamento neste aquífero
dá-se sob pressão. No caso especial de o nível piezométrico ser superior ao nível do solo,
caso em que a água jorrará do furo, o aquífero confinado diz-se repuxante ou artesiano.
Este nome deriva da região francesa de Artois onde era frequente a existência de furos
deste tipo.

A fórmula de Darcy dá o caudal escoado em função do coeficiente de permeabilidade, da


secção e da perda de carga unitária. Aplica-se apenas a escoamentos que se efectuam com
velocidade muito fraca (entre 0.3 e 0.4 cm/s).

6.3 O coeficiente de permeabilidade


O coeficiente de permeabilidade (K) depende:

a) Da porosidade do solo e da forma e tamanho dos vazios;


b) Da densidade e viscosidade dos fluidos, que atravessam o solo.
A permeabilidade de um meio em relação à água é designada por condutividade hidráulica
e caracteriza a facilidade de circulação da água através do solo. É definido como a relação
do escoamento por unidade de área sob o gradiente hidráulico unitário.

Num mesmo terreno a permeabilidade pode variar quer segundo a vertical (infiltração de
águas meteóricas), quer segundo a horizontal (circulação de água nas toalhas aquíferas).

6.4 Porosidade

Um método prático e laboratorial de se obter a porosidade é comparar o peso de volume de


solo seco com o peso do mesmo volume completamente embebido em água, obtendo-se,
por diferença, o volume de vazios.
Embora esta medição se faça em laboratório com amostras colhidas no terreno, é evidente
que existe um certo erro, especialmente devido às modificações de estrutura sofridas pela
amostra na altura da colheita.
Verifica-se que um solo homogéneo de grãos sensivelmente iguais é mais poroso que outro
de grãos heterogéneos, vistas as partículas de menores dimensões irem ocupar parte do
espaço existente entre as partículas maiores. Neste caso, o volume de vazios é menor do
que nos solos homogéneos.

6.5 Equação da linha freática


Dupuit determinou a forma da superfície livre da toalha em função do caudal Q.

Considerou, para isso, as seguintes hipóteses simplificativas:

a) Admitiu que, numa secção vertical, as velocidades de escoamento apresentavam sempre


a mesma componente horizontal;
b) Supôs que os filetes líquidos tinham uma inclinação muito pequena em relação à
horizontal e que podia, portanto, desprezar a componente vertical da velocidade.
Partindo destas hipóteses, Dupuit estabeleceu que a velocidade dos filetes líquidos era
proporcional à inclinação da linha freática.

6.6 Maciço filtrante de base horizontal


Igualando a equação 6.9 à equação 6.10 obtém-se:

o que mostra que a curva de depressão da superfície freática provocada pela existência de
uma trincheira é independente da permeabilidade, a qual, porém, influi no caudal escoado.

6.7 Poço filtrante


Seja um poço cilíndrico, de eixo Oy e raio r, aberto num maciço permeável impregnado
por uma toalha de água de altura H .Suponhamos que este maciço assenta sobre uma
camada impermeável horizontal.
Extraindo-se do poço, com uma bomba, um caudal constante Q, a superfície livre da toalha
deprime-se. A massa de água interessada na captação encontra-se, por razões de simetria,
no interior de uma superfície cilíndrica, de eixo Oy, e de raio R>r.
Ao fim de certo tempo estabelece-se o regime permanente; a água desce no poço para um
nível h< H e a superfície livre da toalha toma a forma de uma superfície de revolução

6.8 Poços em aquíferos confinados

expressão dos poços, 6.36, aplica-se então aos poços artesianos sob a condição de se
substituira altura média

da água na camada filtrante pela espessura e da camada cativa.


A equação da curva de depressão obtém-se através das expressões 6.34 (com x = R e y = H)

Para que não haja interferência mútua entre poços é indispensável que se localizem a
distâncias tais que não se permita a interferência das superfícies de depressão dos diversos
poços.
Em geral, a água nos terrenos permeáveis naturais possui um certo movimento ao longo das
camadas que a contêm. Por meio de poços testemunhas, convenientemente localizados,
podem determinar-se as cotas representativas da superfície livre, no caso de aquíferos
freáticos ou da superfície piezométrica de aquíferos confinados. Com estas cotas, podem
traçar-se numa carta, por meio de curvas de nível, estas superfícies freáticas ou
piezométricas obtendo-se as chamadas cartas freatimétricas