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INTRODUÇÃO

Este estudo objetivou-se em fazer uma análise a cerca do tema: O português da internet na visão dos adolescentes. Um dos maiores desafios da sociedade moderna é assistir ao jovem, ao adolescente e até as crianças no uso da linguagem da Internet e o seu reflexo no estudo da Língua Portuguesa. As ameaças que o uso da Internet por crianças e jovens apresenta preocupam pais, professores e educadores em geral. Não é a primeira vez que o mundo passa por transformações radicais que questionam, abalam e modificam as estruturas sociais tradicionais. No que toca às crianças e jovens, a revolução tecnológica trouxe, no entanto um desvio de papéis nunca antes verificado, que lhes atribuiu mais poder e individualidade, conferindo-lhes uma independência comparável à autonomia dos adultos (POSTMAN, 1994). É assim que a Internet se apresenta aos jovens: um mundo “sem segredos” (BARRA, 2004) ou barreiras, no qual praticamente nasceram e onde aprenderam a mover-se sozinhos, sem o auxílio ou a imposição de caminhos determinados pelos pais. A língua é um instrumento vivo e em constante mutação, mas também é um bem valioso e a simplificação pode empobrecê-la, na medida em que afeta a sua diversidade. Falar da linguagem da Internet do ponto de vista dos especialistas, educadores e pais é sinônimo de polêmica. Este tema aborda a preocupação de familiares e educadores daqueles adolescentes que costumam utilizar a Internet, como meio de comunicação entre si, focalizando especificamente o chamado "bate-papo" no MSN Messenger ou "Chat".

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Nesse tipo de interação, adolescentes estão em contato por um canal eletrônico, o computador, cuja ferramenta utilizada está disponível na web. Eles sentem-se falando, mas, pelas especificidades do meio que os põe em contato, são obrigados a escrever suas mensagens, ou seja, interagem, construindo um texto "falado" por escrito. Por ser esta a natureza do tipo de texto objeto de nossa observação, explicase a inclusão deste trabalho num livro cujos artigos todos analisam, sob algum prisma, a relação entre a língua falada e a língua escrita, ou seja, compreender as transformações da linguagem, contribuindo para a construção de novas formas de pensar as ações pedagógicas na relação intrínseca com a leitura-escrita enquanto processos diferenciados pelo uso das novas tecnologias de informações. Exige, antes de tudo, que entendamos o que são: linguagem, língua e suas variações, conceitos à luz de doutrinadores, e também compreendermos a capacidade e necessidade de adaptação do homem a elas. Para Infante (2001p. 22), “Língua é um conjunto de sons e ruídos, combinados, com os quais um ser humano, o falante, transmite a outros seres humanos, o ouvinte ou os ouvintes, o que está na sua mente-emoções, sentimentos, vontades, ordens, apelos, idéias, raciocínios, argumentos e combinações de tudo isso.” A língua é o principal código desenvolvido e utilizado pelos homens para as necessidades comunicativas de sua vida social. Para Cereja (1998, p. 4), “a Linguagem é a representação do pensamento por meio de sinais que permitem a comunicação e a interação entre as pessoas”. O ser humano utiliza diferentes tipos de linguagem, que podem ser organizadas em dois grupos: a verbal e a não verbal. A verbal é a mais eficaz, porque

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transmite a informação de forma mais objetiva e completa. A visual, entretanto, é mais rápida. No conceito de Castilho (2000 p.42), “língua é um sistema de representação constituído por palavras e por regras que as combinam, permitindo que expressemos uma idéia, uma emoção, uma ordem, um apelo, enfim, um enunciado de sentido completo que estabelece comunicação.” É importante salientar que essas palavras e essas regras são comuns a todos os membros de uma comunidade, onde há fatores que acarretam o surgimento de variantes da mesma língua, sua expressão oral e escrita, de acordo com fatores geográficos, sociais, profissionais ou técnicas e situacionais, mas todos devem estar contidos no conjunto mais amplo que é a língua portuguesa. Portanto, é um processo contínuo, aprimorar essa capacidade é uma forma de ampliar o relacionamento com o mundo, e a língua portuguesa, falada ou escrita, é sempre um elemento fundamental deste intercâmbio de experiências. Assim, a escrita era tida como estável, sem variação, "estruturalmente elaborada, complexa, formal e abstrata", e a fala, ao contrário, "como concreta, contextual e estruturalmente simples", marcada pela variação (Cf. Marcuschi, 1997). Essa caracterização é evidentemente idealizada, pois, além de não contemplar a correlação das duas modalidades entre si, considera cada uma um fenômeno monobloco, estático e homogêneo. Finalmente, voltando-nos ao propósito central deste trabalho, que é discutir as estratégias de construção do texto da conversação na Internet, com a colaboração de cinco adolescentes que forneceram algumas transcrições de palavras usadas no “diálogo escrito”, e a discussão da aprendizagem escolar e a língua cifrada, a comunicação na internet e o prazer/sentimentos envolvidos, implicações da utilização

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dessa linguagem no dia-a-dia (sala de aula, trabalho escolares) e atitudes de pais e professores quanta à linguagem cifrada. Inicialmente conceituamos língua, linguagem e variações lingüísticas à luz de doutrinadores. Analisamos também uma amostra da linguagem adolescente,

observando possíveis implicações das diferentes produções. Nossas observações dão conta de que desde a superfície desta comunicação em tempo real, se evidenciam diversos envolvimentos típicos do comportamento humano em comunidade. Essa linguagem adolescente é mais do que uma forma alternativa de escrita em processo de amadurecimento, tornando-se um espaço de troca escolhido pelos pares. Escolha que a constitui como espaço-tempo de pertencimento cultural, da sociedade e dos afetos necessários aos processos de subjetivação. A análise mostra ainda diferentes ligações de pais e educadores com a linguagem adolescente e as novas tecnologias de informação, onde a escrita atípica assume o status de ação rebelde atraindo a sua atenção. Um Acordo Ortográfico, por mais imaginativo que fosse dificilmente conseguiria acompanhar o uso que os adolescentes fazem do Português, pois transformam-no até ficar irreconhecível, podendo, na opinião de alguns docentes, comprometer o futuro da Língua. "Esta nova linguagem não tem regras, pois os adolescentes tanto usam o 'x' para substituir 'ss', 'ch' e 'os' como no lugar do 'ç', havendo palavras que ficam bastante diferentes das originais, como 'tamx' (estamos) ou 'kuraxao' (coração).” É preciso compreender que a sucessão da oralidade, da escrita e da informática, como modos fundamentais de gestão social do conhecimento, não se dá por simples substituição, mas, antes, por complexificação e deslocamentos de centros

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de gravidade. O saber oral e os gêneros de conhecimento fundados sobre a escrita ainda existem e irão continuar existindo sempre

JUSTIFICATIVA

Um dos maiores desafios da sociedade moderna é assistir ao jovem, ao adolescente e até as crianças no uso da linguagem da Internet e o seu reflexo no estudo da Língua Portuguesa. Este estudo justifica-se, pois trataremos de algumas questões que revelam preocupações de pais e educadores em relação à linguagem dos adolescentes que utilizam a internet com meio de comunicação. Inicialmente conceituamos língua, linguagem e variações lingüísticas à luz de doutrinadores. Analisaremos também uma amostra da linguagem adolescente, observando possíveis implicações das diferentes produções. Nossas observações dão conta de que desde a superfície desta comunicação em tempo real, se evidenciam diversos envolvimentos típicos do comportamento humano em comunidade. Essa linguagem adolescente é mais do que uma forma alternativa de escrita em processo de amadurecimento, tornando-se um espaço de troca escolhido pelos pares. Escolha que a constitui como espaço-tempo de pertencimento cultural, da sociedade e dos afetos necessários aos processos de subjetivação. A análise mostra ainda diferentes legações de pais e educadores com a linguagem adolescente a as novas tecnologias de informação, onde a escrita atípica assume o status de ação rebelde atraindo a sua atenção. A escrita impulsionou mudanças na época da sua criação que permanecem até os dias atuais. Hoje, grandes avanços em várias esferas da sociedade se dão principalmente devido às tecnologias de informação e comunicação. A internet é visa como incentivadora de alterações na forma de escrita, tendo inclusive uma abordagem própria: a linguagem virtual, utilizada principalmente pelos adolescentes.

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Nesse contexto, encontram-se os adolescentes que são uma parte da sociedade que está mais familiarizada com essa realidade, já que nascem inseridos nessa conjuntura, diferentes de seus pais e professores que sentem certo receio, e muitas vezes, dificuldades em adaptar-se ao novo. A dúvida é como os adolescentes comportam-se diante dessa realidade, pois estão em fase de amadurecimento, conflitos, decisões, e não estão maduros o suficiente para ter um olhar crítico diante de determinadas situações e percebemos que eles pertencem a uma espécie de “tribo”, ao ponto de terem sua linguagem própria, pois “a linguagem adotada no mundo virtual requer habilidades de escrita rápida para esta geração net, o que cria uma solução intermediária de comunicação, provocando muita preocupação aos

estudiosos”(AMARAL, 2003, p. 31). Uma das preocupações que surge é quando todas essas tecnologias passam a influenciar algumas das atitudes desses adolescentes, já que, segundo Fasciani (1998, p.119), “nenhum instrumento ou tecnologia inventada pelo homem pode ser intrinsecamente positivo ou negativo, certo ou errado, útil ou perigoso. É só a utilização que disso se faz que pode ser julgada com regras éticas.” Acreditamos que esse público, ao utilizar cada vez mais a internet para se comunicar, principalmente os chats, aos poucos vai ficando com seu raciocínio limitado, já que o discurso utilizado nas salas de bate-papo caracteriza-se por frases curtas e abreviações, sendo que a utilização freqüente dessa linguagem pode interferir nas produções realizadas pelos adolescentes na sala de aula. Nesse momento nos deparamos com questionamentos que nos fazem pensar sobre até que ponto a influência é saudável e não surge como um empecilho no processo de alfabetização.

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OBJETIVOS Objetivo Geral

Analisar o português da internet na visão dos adolescentes

Objetivos Específicos

• Conceituar: linguagem, língua e suas variações. • Compreender o que está escrito naquelas frases iniciais trocadas entre

dois adolescentes em uma sala de bate-papo da internet. • Analisar origem e evolução da escrita virtual.

METODOLOGIA

Para o desenvolvimento desta pesquisa, optou-se pela pesquisa bibliográfica. A pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas, buscando conhecer e analisar as contribuições culturais ou científicas do passado existentes sobre um determinado assunto, tema ou problema. O presente estudo será dividido em cinco etapas, a saber: (a) levantamento do referencial teórico; (b) seleção do referencial teórico apropriado a presente investigação; (c) leitura crítico-analítica do referencial selecionado; (d) organização dos dados levantados e (e) elaboração do relatório final.

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CAPÍTULO 1: HISTÓRIA DA LÍNGUA PORTUGUESA

A Língua Portuguesa tem sua origem ligada ao Latim, língua inicialmente falada na região do Lácio, parte da Itália, onde vivia um povo chamado latino, fundador da cidade de Roma. A miscigenação com povos vizinhos e, por volta do século VII a.c, a anexação da região ao Império Etrusco, tornaram Roma a cidade mais importante do Lácio. A cidade expandiu seus domínios, levando sua cultura às regiões dominadas militarmente. Na Grécia, no entanto, os romanos encontraram uma cultura de bases sólidas, que exerceu forte influência sobre a cultura latina. Os romanos assimilaram esta cultura, formando nossa herança intelectual greco-latina. No fim do século III a.C, os exércitos de Roma chegaram à Península Ibérica e iniciaram o processo de Romanização, isto é, de imposição de sua cultura aos diversos povos (principalmente celtas e iberos) que nela habitavam: sua organização política, sua organização jurídica, sua religião, sua língua. As chamadas culturas autóctones influenciaram de alguma forma as poderosas culturas greco-romanas, deixando resquícios concretos de sua existência em algum topônimo da Língua portuguesa, pois, o latim era a língua oficial das regiões conquistadas, mas este Latim não é mais o mesmo do início de Roma, primeiro, porque a modalidade do Latim que se expandiu junto com o Império era notadamente falada, mais simples e popular (LATIM VULGAR), em oposição à modalidade escrita, complexa e elitizada (LATIM CLÁSSICO). Segundo, porque o aprendizado de uma segunda língua deixa nela, em qualquer situação, o acento da língua materna. Terceiro, porque a expansão da língua ocorreu de modo imposto, pela força militar, o que gera nos povos dominados certa "má vontade" para aprender. (PRETI, 2000.) A partir do século V d.C., os povos de origem germânica, vindos da Europa setentrional, invadiram as terras européias do Império. Eram só bárbaros, forma como

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só romanos nomeavam todos aqueles que, vivendo fora dos limites de seu império, não participavam da cultura latina. Estes povos tinham o acervo cultural muito simples se comparados à complexidade da cultura grego-latina. Assim, vencidos pela força, acabaram subjugados pelo poder cultural dos povos românicos e optaram por preservar as instituições romanas para que pudessem se manter no poder. Aprenderam sua língua, adotaram sua religião, assimilaram seus costumes, mas deixaram sua marca no Latim, que nesta época já se encontrava bastante fragmentado. No português contemporâneo encontramos palavras de origem germânica, geralmente ligada à guerra ou agricultura. Em toda a Europa falava-se neste momento o Romano, nome dado a um conjunto de dialetos que formaram a fase transitória entre o Latim e suas línguas neolatinas. O galego-português era um dialeto falado na região do condado, mas à medida que suas fronteiras avançaram para o Sul, este dialeto modificou-se em contato com os falares do Sul, que acabaram por prevalecer. Desta forma, o Galego se constituiu como variante de Espanhol e o Português se desenvolveu como língua da nova nação. O latim vulgar começou, então, a se misturar com a primitiva língua dos celtiberos, que se tornou um substrato em relação ao idioma dos romanos. (BAGNO,1999.) A partir do século V d.c, novos elementos, representados pela língua de vários povos bárbaros que invadiram a Península – vândalos, suecos e visigodos- vêm juntar-se àquele latim já dialetado. Os vândalos acabaram por se estabelecer na África, e os suecos foram absolvidos pelos visigodos no século VI. Esses povos, culturalmente inferiores, adotaram a língua da Península, isto é, o latim dialetado. Entretanto, a exemplo do que havia acontecido antes, novas alterações, novos "sotaques" foram introduzidos na língua. Com as grandes navegações, a partir do século XV d.c, os domínios de Portugal foram expandidos e levaram a Língua Portuguesa às novas terras da América (Brasil), África (Guiné-Bissau, Cabo verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe), Ásia (Macau, Goa, Damão, Diu), Oceania (Timor) e Ilhas do Atlântico (Açores e Madeiras). Em contato com outra língua, o Português também se modificou,

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mantendo sua unidade com a língua falada em Portugal e em muitas das regiões acima citadas. (BECHARA, 2000.) Com a chegada dos portugueses ao Brasil, o Tupi foi usado como língua geral na colônia, junto com o português, devido aos padres jesuítas, que estudaram e difundiram a língua. Na segunda metade do século XVIII, uma provisão real impediu o uso da língua Tupi no Brasil, pois o Português herdou muitas palavras do Tupi, como por exemplo: mandioca, caju e tatu. Também houve influência africana, herdando palavras tais como: caçula, moleque, samba e palavras da cozinha afro-brasileira (BAGNO, 1999.)

1.1 A língua falada no Brasil não evoluiu com o português falado em Portugal

Após a independência, em 1822, os imigrantes europeus que se instalaram no centro-sul do País influenciaram no Português aqui falado. No século XX, as diferenças entre o Português aqui falado e o de Portugal, eram muitas, devido à distância entre os dois países. A literatura brasileira defendia a necessidade de romper com os modelos tradicionais portugueses e privilegiar as características do falar brasileiro. .(BECHARA, 2000.)

1.2 A Formação da Língua Portuguesa

A língua é um organismo vivo que se modifica ao longo do tempo. Palavras novas surgem para expressar conceitos igualmente novos; outras deixam de ser utilizadas, sendo substituídas. Há, por exemplo, muitas diferenças entre o português que falamos hoje no Brasil e o que se fala em Portugal. Tais diferenças não se limitam apenas à pronúncia das palavras, facilmente percebida na linguagem oral. Existem, também, diferenças de vocabulário (só para citar um exemplo, no Brasil dizemos “trem”,

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em Portugal se diz “comboio”) e de construção gramatical (enquanto no Brasil se utiliza uma construção como “estou estudando” em Portugal prefere-se a forma “estou a estudar”). Desde o século XVI, época da formação do português moderno, o português falado em Portugal manteve-se mais impermeável às contribuições lingüísticas externas. Já o Brasil, em decorrência do processo de formação de sua nacionalidade, esteve mais aberto ás contribuições lingüísticas de outros povos. (BAGNO, 1999.)

1.3 Do português arcaico ao contemporâneo

O idioma que hoje falamos é o resultado de transformações e acréscimo desde o galego-portuguesa (do século VIII até o século XIII), separando-se posteriormente do galego e dando início ao português arcaico (século XIV ao século XVI), passando pelo português clássico (a língua de Camões), pelo moderno (com nossos autores românticos que procuram retratar uma língua mais próxima da realidade brasileira) e ao português contemporâneo, com o movimento de renovação da língua dos modernista de 1922 e os militares de acréscimo de neologismo e estrangeirismo de origem francesa, inglesa e americana. (BECHARA, 2000.

1.4 A contribuição grega

Desde o início de sua expansão, a partir do século IX a.C, os gregos exerceram grande influência na formação literária de Roma. Ocuparam uma vasta extensão da Europa ocidental, deixando como legado milhares de vocábulos, além do modelo da gramática que serviu de base aos latinos. (BAGNO, 1999.)

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1.5 Contribuições de outras línguas

A língua portuguesa recebeu inúmeras contribuições de outros povos. Vejamos alguns;
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dos germânicos (elmo, norte, sul, esgrimir, marchar) dos árabes (álgebra, alecrim. Algarismo, arroz, califa) dos indígenas (Iracema, carioca, jibóia, pajé, cuia) dos africanos (maxixe, zabumba, acarajé, carimbo, canjica) do francês (intendência, bale, abajur, toalete, corveta) do espanhol (pepita, caudilho, cavalheiro, castanholas) do japonês (jiu-jitsu, quinomo, gueixa, saturai, haraquiri) do italiano (lasanha, soneta, piano, macarrão, maestro) do russo (czar, mujique, soviete, vodca, rublo) Atualmente os estrangeirismos mais usados entre nós são os de origem

inglesa (lanche, bar, recorde, futebol, voleibol, uísque, hambúrguer, etc). E a todo momento surgem neologismos (palavras novas), originados de raízes greco-latinas, ora do anglicismo, ora do galicismo.

1.6 Expansão da língua portuguesa

O período compreendido entre os séculos XII e XVI corresponde à frase arcaica do português histórico. Nesse período encontra-se numerosa produção em língua portuguesa representada pelos primeiros documentos, pela prosa das novelas de cavalarias, das crônicas de Fernão Lopes e pôr toda a poesia trovadoresca. (ROCHA, 2001.) A partir do século XV, Portugal apresenta uma total unidade lingüística e o português se sobrepõe como representante de uma nação e de um povo, completamente livre de quaisquer resquícios galegos. Essa época corresponde também

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à notável expansão da língua portuguesa, graças à intrepidez dos grandes navegadores lusos (Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral), que junto às conquistas portuguesas, levaram suas línguas às mais longínquas partes do mundo. (BAGNO, 1999.) Espalhada por vários lugares, a língua portuguesa se impôs completamente em alguns, como no Brasil, e em outros, concorre com dialetos originados nos locais, por isso linguagem como os do tipo crioulo, que nada mais são que um tipo de linguagem criado para a mútua compreensão no estabelecimento de relações comerciais. (ROCHA, 2001.)

1.7 A História da Gíria na Língua Portuguesa

A língua portuguesa, no Brasil, é provida de alguns tipos de linguagem praticados pelas diversas classes sociais que compõem a sociedade brasileira. Entre estes tipos, para a composição deste estudo, tomamos como destaque as gírias, que se traduzem como linguagem usual participante do cotidiano das pessoas, e também como modismos lingüísticos e linguagem das ruas. Esta forma de comunicação abriga termos que nascem de solecismos, vícios de linguagem, neologismos, bordões, palavrões e calões. (BAGNO, 1999.) Por apresentar uma grande praticidade na comunicação informal, a gíria tem crescido no “falar brasileiro”, chegando ao ponto, segundo pesquisas, de ser a segunda língua do país. Esta grande propagação se deve, principalmente, à prática constante desta linguagem por diversas “tribos urbanas”, que a utilizam como sendo uma das armas da comunidade a que pertencem. Muitas gírias são comuns a todas as sociedades, outras, porém são mais específicas de cada grupo. Procuraremos, ao longo deste trabalho, estabelecer uma

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separação entre estas e aquelas para que se torne mais compreensível qual a importância de cada uma para o “falar brasileiro”. (BAGNO, 1999.) A gíria, no Brasil, tem um acervo de mais de 50 mil palavras, e a cada dia este acervo aumenta, devido às diversas criações feitas pelas “tribos” que a difundem. Vários escritores se preocuparam em criar dicionários específicos deste tipo de linguagem. Entre eles, destacam-se Manuel Viotti (1957), Amadeu Amaral (1922) e Elysio de Carvalho (1912). As referências sobre gírias percorrem os anos. Em Portugal, temos, no século XVI, Gil Vicente e Jorge Ferreira de Vasconcelos que se preocuparam com elas. Depois, no século XVII, Dom Francisco Manuel de Melo; no século XVIII Pe. Rafael Bluteau e Manoel Joseph Paiva. (ROCHA, 2001.) O primeiro Dicionário de Gíria publicado no Brasil foi o Dicionário Moderno, em 1903, com 1.700 verbetes, de José Ângelo Vieira de Brito, o Bock, que entre tantas atividades exercidas foi Senador da República. Permaneceu desconhecido do grande público e dos estudiosos até 1984, quando foi resgatado pelo prof. Dino Pretti, da USP, que o incluiu no seu livro. Não tem o nome de Dicionário de Gíria, mas serve de referência por conter a gíria falada no Rio de Janeiro, então Capital da República. Há quem, afirme, entretanto, que o primeiro Dicionário de Gíria publicado no Brasil foi o de Romanguera, sob o título Vocabulário Sul Riograndense, de 1898, que tende mais a ser um Dicionário de Regionalismos. (ROCHA, 2001)

1.7.1 A gíria e seus estudos

A gíria, considerada como um conjunto de unidades lingüísticas (itens lexicais simples ou complexos, frases, interjeições...) que caracterizam um determinado grupo social, nem sempre mereceu um estudo específico, visto que faz parte,

predominantemente, da modalidade oral da língua e num registro informal. Como, por tradição, valorizou-se sempre o estudo da língua escrita padrão, não havia lugar para

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esse tipo de vocabulário. Isso é o que se pode ver, consultando gramáticas da língua portuguesa de épocas diversas. (BAGNO, 1999.)

1.7.2. A gíria na perspectiva gramatical

De forma breve, faz-se uma consulta a algumas gramáticas tradicionais de português, para observar-se o tratamento que é dado à gíria, vocábulo com empregos e valores afetivos diversos, que contribui para o enriquecimento da língua portuguesa. (BAGNO, 1999.) Foram consultadas oito gramáticas, das décadas de 70, 80 e 90, das quais apenas três mencionam a gíria, dois com um caráter prescritivo e um, descritivo: 1) Cegalla, em sua Novíssima Gramática da Língua Portuguesa (1985:535), se refere a sete modalidades da língua portuguesa, dentre elas, a popular, em que a gíria está incluída. Na definição de língua popular, esse autor afirma: “é a fala espontânea e fluente do povo”. Mostra-se quase sempre rebelde à disciplina gramatical e está eivada de “plebeísmos”, isto é, de palavras vulgares e expressões da gíria. É tanto mais incorreta quanto mais incultas as camadas sociais que a falam. Rocha Lima, em sua Gramática Normativa da Língua Portuguesa (1972:05), ao falar da língua-comum (“instrumento de comunicação geral, aceita por todos os componentes de uma coletividade para assegurar a compreensão da fala)”. (p, 04) e suas diferenciações, se referem a aspectos que influenciam a língua – o regional e o grupal – este, subdividido em três modalidades – o calão, a gíria e a língua profissional. Ao definir gíria, este gramático, preconceituosamente, fala em” língua especial (...) de um grupo socialmente organizado” com uma “educação idiomática deficiente”;

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Bechara, na edição revista e ampliada da sua Moderna Gramática Portuguesa, (1999, p. 351), cita a gíria apenas como mais uma forma de renovação lexical, através de um empréstimo feito por uma comunidade lingüística à outra comunidade lingüística dentro da mesma língua histórica. Do ponto de vista dos dicionários de língua, não é outra a postura dos especialistas. O Dicionário de Filologia e Gramática de Mattoso Câmara Jr. (s/d:197) conceitua gíria como sendo um vocábulo parasita de um grupo com preocupação de distinguir-se da grande comunidade falante. Este estudioso inclui a linguagem profissional dentro da gíria, mas, como aquela é usada por uma classe “culta”, ela não tem “qualquer intenção de chiste ou petulância”, que caracteriza a gíria de classes populares. (BAGNO, 1999.) O dicionário Michaellis (1998) trata a gíria como uma linguagem especial de um grupo pertencente a uma classe ou a uma profissão, ou como uma linguagem de grupos marginalizados. O dicionário Aurélio (1999:989) complementa a definição acima com a expressão “linguagem de malfeitores, malandros etc”, usada para não ser entendido pelas outras pessoas e fala ainda em “calão” e “geringonça”, que segundo o próprio Aurélio é “coisa malfeita e de duração ou estrutura precária (op. cit.: 984)”. Os gramáticos não chegam sequer a mencionar o que seja gíria, onde encontrá-la ou usá-la e aqueles que a mencionam, tratam-na de forma preconceituosa, devendo ser eliminada. (BAGNO, 1999.)

1.7.3 A gíria na perspectiva lingüística

O papel da língua é fundamental nas relações humanas. Essa importância é acentuada, se considerar que qualquer sociedade depende da língua para divulgar

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suas informações – através dos meios de comunicação de massa – para construir um sistema literário e cultural, para desenvolver tecnologias, enfim, para perpetuar-se. Ao associar-se língua e sociedade, pode-se recorrer à área de estudos denominada Sociolingüística, que trata da relação entre as variações da estrutura social e as variações da estrutura lingüística, para observar-se como a gíria é abordada: é o termo genérico usado para designar o fenômeno sociolingüístico no qual grupos sociais formam um vocábulo próprio que posteriormente pode sair dos limites desse conglomerado de pessoas. Muito comumente ela é confundida com o jargão, porém aquela abrange este, que é o vocabulário técnico de uma profissão, da mesma forma a gíria abrange o calão, que é a expressão lingüística grosseira ou obscena. O Dicionário de Lingüística de Dubois et alii (1999, p. 308) a define como um “dialeto social reduzido ao léxico, de caráter parasita”. É vista como um vocabulário marginal, mas também de grupos sociais aceitos ou até mesmo da sociedade em geral. Com a introdução dos estudos lingüísticos no Brasil, a gíria passou a ser analisada, aqui, a partir da década de 70, em uma perspectiva descritiva e não normativamente como faziam os poucos gramáticos que se dispunham a tratá-la. Quem mais se destaca, nesse estudo, é o professor Dino Preti, que, com sua equipe de estudo, contribuiu sobremaneira para quebrar a aura pejorativa que cercava o vocabulário gíria, até a poucos anos. Os estudos sociolingüísticos detectam que a maior aceitação da gíria e a “permissão” concedida a todos os falantes a fazerem uso dela, provêm do dinamismo por que passa a sociedade moderna, da velocidade das mudanças e do abandono das tradições. Esses três conceitos são definidores das características da gíria: dinamismo, mudança, renovação (PRETI, 1999.) A gíria, como era relacionada a classes pouco cultas e a grupos marginalizados, sempre foi cercado por preconceitos lingüísticos, decorrentes de um

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problema mais amplo, o preconceito social (BAGNO, 1999), advindo do pouco prestígio social que gozam os supostos falantes de gíria (marginais, travestis, toxicômanos, pessoas iletradas, entre outros). É verdade que o vocábulo gírio surge dentro de um grupo social restrito antes de vulgarizar-se na linguagem falada por toda a comunidade, mas esta comunidade cada vez mais fala gíria, em todos os seus níveis sociais, etários, econômicos e culturais. Para Preti (1984), o vocabulário gírio está dividido em duas grandes categorias: a gíria de grupo e a comum. A primeira categoria é específica de grupos determinados e na maioria dos casos só é acessível aos iniciados naquele grupo. Já a gíria comum faz parte da linguagem usada por todas as comunidades lingüísticas. Ela surge como um signo de grupo (Preti, 1984), mas ao incorporar-se à linguagem corrente perde seu caráter restrito e torna-se uma gíria comum, utilizada por todos os falantes da língua popular social. O próximo passo neste processo é a migração do registro informal para o formal, como o usado pelos meios de comunicação. Como a língua reflete as transformações sociais de uma comunidade e a parte da língua mais sensível a esse dinamismo é o léxico, o fato de uma grande quantidade de gírias de grupo migrar para a linguagem comum reflete certa flexibilização dos costumes sociais, e uma maior integração entre os interlocutores é cada vez mais usada na comunicação, principalmente se o caráter da interlocução é descontraído.

1.7.4 A gíria na perspectiva didática

A gíria está presente no cotidiano da vida dos membros de uma sociedade, em seus diversos setores (escola, família, trabalho, lazer, igreja, dentre outros), embora usá-la adequadamente implique o domínio das diversas variedades lingüísticas, de modo que para cada situação use-se um registro pertinente (BAGNO, 2000.)

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Devido à presença da linguagem gíria no dia-a-dia e a uma nova concepção de língua que envolve variações, os livros didáticos de língua portuguesa começam a tratar a gíria, não mais como algo errado, de forma preconceituosa, mas como uma outra maneira de se expressar, adequada a situações especiais. O gramático Roberto Melo Mesquita (1997. p. 28) divide a linguagem em níveis e inclui a gíria no que ele chama nível relaxado da linguagem, no qual há desvios da linguagem-padrão. Sua abordagem é de cunho prescritivo. Já Isabel Cabral (1995), no seu livro didático Palavra Aberta, trata a gíria de uma perspectiva descritiva. (BAGNO, 2000.)

1.7.5 Gíria um veículo fantástico para a manifestação cultural de um povo

A linguagem é o veículo mais fantástico para expressão, comunicação e manifestação cultural de um povo. Por isso, diz-se ser a linguagem o espelho mais fiel da realidade social. E tanto isso é verdade que se deseja estudar uma sociedade, uma cultura, grupo social, estude-se a sua linguagem, pois esta apontará todos os matizes da vida. Curioso a observar, no campo da linguagem atual, é o uso de gírias e expressões populares, nascidas em meio aos jovens, que estão sempre a imprimir dinamicidade, velocidade, criatividade e animação à língua. A essas palavras, dá-se o nome de gírias. Elas exercem fascínio sobre muitas pessoas e a repulsa a tantas outras. Mas qualquer que seja o sentimento, elas continuam a surgir no dia a dia, numa demonstração da dinamicidade cultural da língua portuguesa. Indaga-se, então, o que vem ser a gíria? Evanildo Bechara, na edição revista e ampliada da sua Moderna Gramática Portuguesa, (1999:351), cita a gíria como 'uma forma de renovação lexical, através de um empréstimo feito por uma comunidade

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lingüística a outra comunidade, dentro da mesma língua histórica'. Dino Preti (1999) diz que 'a gíria provêm do dinamismo por que passa a sociedade moderna, da velocidade das mudanças e do abandono das tradições'. Para ele há três fatores definidores das características da gíria: dinamismo, mudança, renovação. Para Bechara (1999), entende-se a gíria como uma palavra que surge no uso diário, na escola, família, trabalho, lazer, igreja. Ela poderá ou não vir a se incorporar ao léxico da língua. Pois esse léxico ou vocabulário é o componente que mais facilmente retrata as mudanças e variações lingüísticas, visto possuir como função nomear e designar fatos, processos, objetos, pessoas transformações sociais. Há, em relação às gírias, pessoas que se sentem incomodadas com o uso delas. Por isso muita gente indaga, nos encontros, seminários, palestras, como nascem as gírias e se elas são manifestações aceitáveis na língua. As formas são muitas, aqui se descrevem umas poucas: etc, reflete necessariamente as

PORRADÃO, PORRADA, BALA – Gírias correspondentes, segundo a juventude noventista, à idéia de "certeiro", de algo que dá certo. As gírias tiveram origem no imaginário heavy metal brasileiro dos anos setenta, mas hoje foram assimiladas pelo circuito dance music farofa e até mesmo pela axé-music do carnaval baiano. GALERA – Expressão sem qualquer vínculo original com o segmento rock. A expressão "galera" tem como sentido original a idéia de tripulação de navio. Provavelmente, sua origem no Brasil remete aos anos cinqüenta, através dos bares localizados em cais e portos, onde o grupo de amigos ou talvez até gangues rivais era considerado "galeras". Depois, a expressão, já no final dos anos 60, passou a ser falada pelos hippies, mas, nos anos 80, se tornou uma gíria popularesca. RAPAZ E VÉIO COMO VOCATIVOS PARA MULHERES – Nos últimos tempos, rapazes e até moças falam com as amigas usando o vocativo "rapaz"

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(incluindo as corruptelas "rapá" ou "rapais"). Tal hábito vem dos EUA, onde as pessoas conversam com as moças usando o vocativo "man" ("homem", em inglês). Se aqui se vê o uso "mas rapaz" e "é véio", lá se tem "hey man". O grande equívoco dessa gíria é o fato de ela expressar a tendência do machismo numa juventude que se diz arrojada e moderna, mas é ainda muito conservadora e antiquada. FUNK – No Brasil tornou-se hábito classificar de funk aquele som tosco, com letras quase faladas ou gritadas, por pessoas sem talento vocal, e um teclado que programa um som marcado praticamente por batidas eletrônicas e alguns acordes melódicos. A rotulação é antiga, década de 80, e veio das equipes de som cariocas que estavam lançando arremedos que imitam o som eletrônico de Afrika Bambataa, que fundiu as influências do fundador do funk, James Brown, com a eletrônica do Kraftwerk. Esse gênero bastardo ganhou o nome de miami bass, pouco difundido. Seria melhor denominá-lo "batidão". Diz-se, finalmente, que a língua é rica por apresentar variedades lingüísticas, por dar aos falantes o poder de criação, liberdade. Essa é a beleza de uma língua que não precisa ficar estanque, presa às regras, pois o seu papel é vital às relações humanas. Toda sociedade depende da língua para divulgar suas informações, para construir um sistema literário e cultural, para desenvolver tecnologias, enfim, para perpetuar-se. A gíria é um recurso a apontar as variações da estrutura social e as variações da estrutura lingüística, tão necessária ao processo comunicativo e, portanto, aceitáveis desde que empregada adequadamente. (BECHARA, 1999.)

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CAPÍTULO II: ORIGEM E EVOLUÇÃO DA ESCRITA VIRTUAL

Saindo do início da era da escrita e nos transportando até o século XXI, deparamo-nos com uma realidade aparentemente diferente da encontrada na época dos sumérios, mas como naquele tempo, atualmente nossa sociedade está vivendo uma grande revolução, a revolução tecnológica, que acaba exercendo grande influência em nosso comportamento. A proliferação da Internet no mundo tem mudado - e muito - os costumes da população, inclusive as formas e recursos utilizados para nos comunicarmos. Atualmente, as formas de ler e escrever já não são mais as mesmas. Costa (2005) destaca que:
Quanto ao processo interativo de produção discursiva na conversação face a face e nas salas de bate-papo (chats) na Internet, com implicações no uso do código escrito e nas escolhas lingüísticas mais próprias da linguagem espontânea e informal oral cotidiana, há algumas semelhanças entre ambas as conversações: tempo real, correção on-line, comunicação síncrona, linguagem truncada e reduzida, etc. Mas há também algumas diferenças que, contudo, confirmam o processo simultâneo de construção da linguagem e do discurso. Podemos resumi-las na realidade “real” da conversação cotidiana e na realidade “virtual” da conversação internáutica: interação face a face X interação virtual; espaço real X espaço virtual; comunicação real X comunicação virtual e língua falada X língua falada-escrita. (COSTA, 2005, p. 25)

Diante dessa realidade, é necessário atentarmos não só para as ferramentas tecnológicas que surgem a cada instante, mas também para as influências que as mesmas têm apresentado com seu surgimento, especialmente em um país como o nosso, já que 75% da população brasileira na faixa etária dos 15 aos 64 anos não sabe ler e escrever plenamente, ou seja, identifica letras e palavras, mas não consegue usar a leitura no seu cotidiano. São os chamados analfabetos funcionais, a maioria da população do país. Na outra ponta, apenas 25% da população nessa mesma faixa etária é alfabetizada, tem domínio pleno da leitura. (CORREIO DO POVO, Set 2005).

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A questão relacionada ao analfabetismo, principalmente em um país como o Brasil, deve ser considerada quando falamos no uso de tecnologias, Ferreiro (2002, p. 63) fala que,
“O verdadeiro desafio é o da crescente desigualdade: o abismo que já separava os não-alfabetizados vem se alargando cada vez mais. Alguns não chegaram nem sequer aos jornais, os livros e as bibliotecas, enquanto há quem corra atrás de hipertextos, correio eletrônico e páginas virtuais de livros inexistentes”.

Com isso, pensamos que, a comunicação através dos ambientes virtuais pode ser uma vilã para um aumento do analfabetismo, já que nos diálogos utilizados nos ambientes virtuais, deparamo-nos com uma realidade até pouco tempo desconhecida. Othero (2004) enfatiza que:
Uma nova forma de escrita característica dos tempos digitais foi criada. Frases curtas e expressivas, palavras abreviadas ou modificadas para que sejam escritas no menor tempo possível – afinal, é preciso ser rápido na Internet. Como a conversa é em tempo real e pode se dar com mais de um usuário ao mesmo tempo, é preciso escrever rapidamente. (OTHERO, 2004, p. 23)

A revolução na escrita veio para ficar, pois é ágil, acontece de forma instantânea e surpreende tanto os que a idolatram, quanto aqueles que a vêem como um perigo, pois para esses, esta escrita pode ser prejudicial aos alunos em fase de alfabetização.Conforme comentado anteriormente, a internet está transformando os hábitos da população mundial. Assim ocorre igualmente com nossas formas de comunicação, que agora passa a ser também virtual. Lévy (1996, p.15) destaca que:
A palavra virtual vem do latim medieval virtualis, derivado por sua vez de virtus, força, potência. Na filosofia escolástica, é virtual o que existe em potência e não em ato. O virtual tende a atualizar-se, sem ter passado no entanto à concretização efetiva ou formal. A árvore está virtualmente presente na semente. (LÉVY, 1996, p.15).

Essa potência existente na virtualidade está presente no nosso dia-a-dia, pois nos comunicamos com caixas eletrônicos de bancos, trocamos correspondências através do correio eletrônico, lemos textos na tela do computador e, com isso, a escrita

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também está se transformando, pois agora utilizamos um novo suporte, que é o computador. Assim como seria estranho imaginar escritas cursivas em peças de barro, os que utilizam a comunicação virtual consideram estranho que as frases sejam escritas como em um texto de um livro, pois além da ferramenta necessitar da agilidade de quem escreve, a comunicação precisa agregar símbolos para que o receptor compreenda o emissor, pois na maioria das salas de bate-papo não existem outros recursos como som e imagem.

2.1 O Chat e Sua Linguagem Virtual

O significado da palavra chat vem do inglês e quer dizer “conversa”. Essa conversa acontece em tempo real, e, para isso, é necessário que duas ou mais pessoas estejam conectadas ao mesmo tempo, o que chamamos de comunicação síncrona. São muitos os sites que oferecem a opção de bate-papo na internet, basta escolher a sala que deseja “entrar”, se identificar e iniciar a conversa. Geralmente, as salas são dividas por assuntos, como educação, cinema, esporte, música, sexo, entre outros. Para entrar, é necessário escolher um nick, uma espécie de apelido que identificará o participante durante a conversa. Algumas salas restringem a idade, mas não existe nenhum controle para verificar se a idade informada é realmente a idade de quem está acessando, facilitando que crianças e adolescentes acessem salas com conteúdos inadequados para sua faixa-etária. No virtual encontramos comumente os emoticons, que, segundo Freire (2003, p. 27) “surgiram por volta de 1980 para expressar os sentimentos daquele que escreve: alegria, raiva, dúvida, etc. Há páginas na internet com verdadeiros glossários desses símbolos, indicando que essa terminologia está em franca evolução”. Os emotiocons são figuras coloridas e comuns nas conversas em salas de bate-papo,

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assim como em mensagens enviadas por correio eletrônico. Porém, alguns sites não disponibilizam esses símbolos em forma de figura, mas para quem participa dessa “conversa” virtual, isso não é empecilho, já que contam também com as “caracteretas”, que são símbolos criados pelos emissores para formar expressões que representam sentimentos, como destacam Pereira e Moura (2005, p. 76), os internautas utilizam também as teclas, como: os parênteses, os dois pontos, o ponto e vírgula, os colchetes, o zero, os sinais de ‘maior’ e ‘menor’ etc, que, conjugados (formam expressões de alegria, tristeza, abraços, beijos, sono, entre outras) são utilizados, pelos interlocutores, com o objetivo de representar, durante a dinâmica do diálogo que se trava, as manifestações discursivas que ocorrem normalmente numa situação de conversa oral face-aface. É importante admitir que a escrita virtual, ou o “internetês” como também é conhecida, conta com uma criatividade extraordinária de seus usuários, prova disso são as inúmeras “caracteretas” que, podem expressar os mais variados sentimentos. Na conversa virtual, o uso da linguagem abreviada, dos “emoticons”, das “caracteretas” é freqüente, já que não existe a expressão facial, e, diferente da conversa telefônica, que também é à distância, não é possível sentir a entonação da voz que quem fala, nesse caso de quem escreve. Então, para evitar os mal-entendidos, os internautas utilizam os mais diversos recursos para fazer da língua falada-escrita, uma conversa informal e irreverente.

2.2 Ser Adolescente No Século Xxi

As famílias do século XXI se diferem das famílias de outras eras, pois conforme Tiba (2005, p. 36) “as famílias, além de ficarem menores, se isolaram. Convivem mais com amigos que com os familiares”. Isso se deve ao fato dos pais

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estarem cada vez mais ocupados, trabalharem (e muito), e nos momentos de folga, querem se isolar. Outra diferença nas famílias da sociedade atual, é a contribuição da mulher no mercado de trabalho, com isso, passa a exercer uma contribuição ativa na renda familiar. As famílias de hoje, realmente estão a cada dia, diferentes das famílias dos nossos pais e avós, a estrutura familiar também já não é mais a mesma, pois não segue mais aquele padrão que tinha a figura do pai, da mãe e dos filhos. Atualmente, são muitos os casos em que uma família constituída conta com a mãe, os avós, o novo marido (ou a nova esposa), os filhos do novo casamento, mais os filhos do antigo casamento, e assim por diante. Dentro da realidade apresentada, como ficam os filhos, principalmente os adolescentes? Como acrescenta Tiba (2005);
Os adolescentes de hoje começaram a ir para a escola praticamente com 2 anos de idade. Com suas mães trabalhando fora de casa, e os pais trabalhando mais ainda, eles passaram sua infância na escola, com pessoas cuidando deles, num mundo informatizado. As ruas foram trocadas pelos shoppings, a vida passou a ser condominial, e as esquinas das padarias transformaram-se em esquinas virtuais e lojas de conveniência. (TIBIA, 2005, p. 36)

Sendo assim, os adolescentes passam a maior parte do tempo livres, sem a presença da família, podendo tomar suas decisões sozinhos, fazer suas escolhas, já que seus pais ou responsáveis se sentem na obrigação de dar a eles o conforto que não tiveram, esquecendo, as vezes, de que o que os filhos precisam de carinho, atenção, momentos livres para que seus pais ouçam seus anseios e aflições, assim como, precisam de limites, regras, disciplina, entre outras necessidades. Os adolescentes não têm idade suficiente para tomarem grandes decisões e, também são considerados grandes demais para decidir as pequenas coisas. O fato é que a adolescência, apesar de ter uma idade pré-estabelecida para o seu surgimento, muitas vezes tem se manifestado antes do tempo, e em alguns casos pode prolongarse por mais tempo.

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Segundo Outeiral (2003):
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a adolescência como constituída em duas fases: a primeira dos 10 aos 16 anos, e, a segunda, dos 16 aos 20 anos. O Estatuto da Criança e do Adolescente situa essa etapa entre 12 e 18 anos. (OUTEIRAL, 2003, p. 5).

Com a indisciplina típica dessa fase surgem os conflitos no lar, pois os pais não compreendem algumas atitudes agressivas de seus filhos, já que, embora façam um grande esforço para lhes dar o que necessitam, sentem-nos cada vez mais distantes, enquanto que os filhos sentem-se incompreendidos e sós. Esta é uma fase temida pelos pais, pois desejam defender seus filhos, mas não sabem como agir. Apesar da geração ser de pais mais liberais, os mesmos não se sentem à vontade para conversar e dialogar com seus filhos, muitas vezes preferindo fechar os olhos para muitas de suas atitudes. Fernandes (1999) comentam que:
(...) nessa fase de desenvolvimento psicossexual do indivíduo, ele atravessa um momento de grande confusão, de crise religiosa e dos valores, de crise de identidade. A palavra crise se adapta bem ao período da adolescência já que significa mutação e é índice de crescimento. (Fernandes, 1999, p. 137).

Com isso, o adolescente sente uma necessidade de enfrentamento, sem saber exatamente o que está enfrentando, sai em busca de identificação com grupos ou atividades, e conforme os autores, Tudo isso impele o adolescente a se refugiar em uma determinada realidade, a realidade dos alucinógenos, da fantasia e da virtualidade, aparentemente menos perigosa, esta, do que a tóxico-dependência, se ela mesma não se transforma em fuga fácil das frustrações da realidade social. (Fernandes, 1999, p. 138). Diferente dos adolescentes de gerações passadas, os de hoje contam com mais um “aliado” para suas fugas, que é o computador, surgindo como uma fuga aparentemente menos perigosa. Os pais acreditam que seus filhos estão seguros, por passarem várias horas em frente à máquina, desfrutando de jogos ou navegando na

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internet, porém os adultos desconhecem, muitas vezes, os perigos que a virtualidade pode proporcionar no desenvolvimento do indivíduo, ainda que este não seja o foco principal deste trabalho, podemos afirmar que, na geração passada, fechar-se no quarto era um castigo dos mais comuns que os pais aplicavam quando seus filhos faziam o qu não deviam, mas Tiba (2005, p. 84) coloca que, fechar-se no quarto hoje é estar longe da família, mas conectado ao mundo via Internet, telefone, televisão... assim, há muitos jovens que não precisam sair de casa para ir para as esquinas e padarias, pois do quarto entram nas esquinas e padarias virtuais. Nestas, assim como nas presenciais, existem boas e más companhias e bons e maus artigos a serem comprados. Existe a segurança física de estar dentro do quarto em casa, mas a insegurança virtual ronda a sua vida. Sendo assim, é necessário que a família participe dessa “realidade virtual”, procurando saber quais os sites preferidos pelos filhos e, caso os assuntos não sejam saudáveis, é importante o diálogo entre os pais e os filhos, para que eles compreendam que assim como nas ruas, a internet oferece inúmeros perigos aparentemente inofensivos.

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CAPÍTULO III: CONCEITOS À LUZ DE DOUTRINADORES

Exige, antes de tudo, que entendamos o que são: linguagem, língua e suas variações, conceitos à luz de doutrinadores, e também compreendermos a capacidade e necessidade de adaptação do homem a elas. Para Infante (2001,22), “Língua é um conjunto de sons e ruídos, combinados, com os quais um ser humano, o falante, transmite a outros seres humanos, o ouvinte ou os ouvintes, o que está na sua mente-emoções, sentimentos, vontades, ordens, apelos, idéias, raciocínios, argumentos e combinações de tudo isso.” A língua é o principal código desenvolvido e utilizado pelos homens para as necessidades comunicativas de sua vida social. Para Cereja (1998, p. 4), “a Linguagem é a representação do pensamento por meio de sinais que permitem a comunicação e a interação entre as pessoas”. O ser humano utiliza diferentes tipos de linguagem, que podem ser organizadas em dois grupos: a verbal e a não verbal. A verbal é a mais eficaz, porque transmite a informação de forma mais objetiva e completa. A visual entretanto, é mais rápida. No conceito de Castilho (2000)
“língua é um sistema de representação constituído por palavras e por regras que as combinam, permitindo que expressemos uma idéia, uma emoção, uma ordem, um apelo, enfim, um enunciado de sentido completo que estabelece comunicação.” (CASTILHO, 2000, p. 120)

É importante salientar que essas palavras e essas regras são comuns a todos os membros de uma comunidade, onde há fatores que acarretam o surgimento de variantes da mesma língua, sua expressão oral e escrita, de acordo com fatores geográficos, sociais, profissionais ou técnicas e situacionais, mas todos devem estar contidos no conjunto mais amplo que é a língua portuguesa.

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Portanto, é um processo contínuo, aprimorar essa capacidade é uma forma de ampliar o relacionamento com o mundo, e a língua portuguesa, falada ou escrita, é sempre um elemento fundamental deste intercâmbio de experiências. Assim, a escrita era tida como estável, sem variação, "estruturalmente elaborada, complexa, formal e abstrata", e a fala, ao contrário, "como concreta, contextual e estruturalmente simples", marcada pela variação (Cf. Marcuschi, 1997). Essa caracterização é evidentemente idealizada, pois, além de não contemplar a correlação das duas modalidades entre si, considera cada uma um fenômeno monobloco, estático e homogêneo. Finalmente, voltando-nos ao propósito central deste trabalho, que é discutir as estratégias de construção do texto da conversação na Internet, com a colaboração de cinco adolescentes que forneceram algumas transcrições de palavras usadas no “diálogo escrito”, e a discussão da aprendizagem escolar e a língua cifrada, a comunicação na internet e o prazer/sentimentos envolvidos, implicações da utilização dessa linguagem no dia-a-dia (sala de aula, trabalho escolares) e atitudes de pais e professores quanta à linguagem cifrada.

3.1 Polêmica ou Importância da Linguagem 3.1.2 Compreensões da linguagem adolescente A expressão “linguagem adolescente” procura traduzir, de uma maneira poética, a criatividade e a rebeldia das escritas produzidas, sobretudo, por pessoas desta faixa etária quando se comunicam entre si através do uso das novas tecnologias. Para se ter uma idéia mais aproximada destas transformações que operam na linguagem escrita, vale observar o seguinte glossário:

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“dps: depois; cv: conversa; vc: você; cntg: contigo; cmg: comigo; naum: não; fmz: firmeza; blz: beleza; eh: é; nunk: nunca; loka: louca; flo: falou; flw: falou (despedida); fla: fala; akilo: aquilo; pq: porque; pls ou plx: please (por favor, em inglês); pd: pode; td: tudo; baum: bom; tbm: também; qndo: quando; qnto: quanto; ql: qual; msm: mesmo; axo: acho; tm: tem; algm: alguém; qlqr:qualquer; msg: mensagem; intaum: então; vlw: valeu; fds: fim de semana; bjo: beijo; xau: tchau; ngm: ninguém; pikena: pequena; kd: cadê; hj: hoje; tmpo: tempo; kbça: cabeça; bok: boca; ksa: casa; q: que; fikr: ficar; poko: pouco; kda: cada; aki: aqui...”

A primeira questão que se coloca vem do âmbito da leitura: compreender o que está escrito naquelas frases iniciais trocadas entre dois adolescentes em uma sala de bate-papo da internet. A ação de leitura aqui possui características semelhantes àquela da leitura de um texto em língua estrangeira. Produz-se uma espécie de tradução dessa escrita para a forma gramatical padrão, e daí seguimos à decodificação e à produção de sentidos. Ainda que estas ações possam acontecer todas ao mesmo tempo, elas implicam uma nova forma de leitura da língua materna que vai sendo desenvolvida pelos diferentes sujeitos que a transformam. Este fato pode parecer banal a princípio, mas guarda, na verdade, uma relação direta com a concepção que as pessoas tendem a desenvolver a respeito daquela forma específica de escrita: potencializa sentimentos de aceitação-rejeição com relação a ela. Percebemos a emergência dessas reações em dois momentos que se sucedem. Entrar em contato com esse tipo de texto nos leva, inicialmente, a um sentimento de estranheza, como sentimos quando nos deparamos com uma mensagem escrita em um código estrangeiro. Mas, quando, num segundo momento, nos damos conta de que se trata de uma escrita que toma a língua materna como base, nossa tendência é desenvolver uma reação de rejeição, um julgamento, em virtude de percebermos as transformações do código ali operadas como uma agressão àquele que é nosso patrimônio cultural: a Língua Portuguesa.1

1

Segundo dados de pesquisa realizada pela Microsoft, parcialmente publicados pela revista Isto É (n.1877 de 05 de outubro de 2005), os brasileiros somam um total de 13 milhões de usuários do msn. Destes, 21% são pré-adolescentes e adolescentes com idades entre 12 e 17 anos, e 22% são jovens com idades entre 18 e 21 anos. FERNANDEZ, Alícia. Pichações: escritos adolescentes fora da escola.

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3.2 Estratégias de Construção do Texto 3.2.1 Contexto, Identidade e Subjetividade.

Pressupondo que qualquer texto resulta da relação entre interlocutores, um texto conceitualmente falado prototípico, ao contrário do conceitualmente escrito, se caracterizaria do ponto de vista das condições de comunicação, por um alto grau de privacidade, de intimidade, de envolvimento emocional, de mútua referencialidade, de cooperação, de dialogicidade, de espontaneidade entre os interlocutores e, também, por um destacado grau de dependência situacional e interacional das atividades de comunicação. Do ponto de vista das estratégias de formulação, esse mesmo texto falado seria fortemente marcado por fatores não lingüísticos; teria pouco ou nenhum planejamento prévio, fato que lhe daria um caráter de essencialmente "processual e provisório"; apresentaria uma estruturação sintática "extensiva, linear e agregativa" e uma densidade informacional diluída. Segundo essas considerações, o conjunto de frases e as questões colocadas, mostram diferentes envolvimentos de pais e educadores com os jovens e também um vínculo afetivo entre a/o adolescente e o/a parceiro/a para quem foi enviada a respectiva mensagem inicial do texto. Como dispomos de apenas uma das mensagens trocadas entre os adolescentes, verificamos na superfície do texto um sentido de vínculo afetivo evidente, especialmente da parte daquele ou daquela adolescente que enviou a mensagem. Mas, podemos deduzir uma reciprocidade neste vínculo a partir das marcas que caracteriza a sua linguagem e seu enunciado. Para Dubois (1988, p. 387), “linguagem é a capacidade específica à espécie humana de comunicar por meio de um sistema de signos vocais, que coloca em jogo uma técnica corporal complexa e supõe a existência de uma função simbólica”.

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Os

adolescentes

apresentam

esta

capacidade

muito

aguçada,

acrescentando-a sentimentos. Bakhtin, (2003, p.297) preocupado em nos alertar acerca das reciprocidades e implicações internas ao campo lingüístico e do discurso, afirma que: “os enunciados não são indiferentes entre si nem se bastam cada um a si mesmos; uns conhecem os outros e se refletem mutuamente uns aos outros.” Ou seja, o fato de a mensagem estar escrita com este tipo de formatação lingüística e ortográfica revela reciprocidade e cumplicidade entre os pares, especialmente no campo dos valores culturais em permuta. Desde a superfície da escrita on-line, da escrita de comunicação em tempo real, esses envolvimentos se evidenciam e apontam dimensões de uma intersubjetividade. A linguagem escrita, neste caso, é o espaço de pertencimento cultural que se tornou afetivo, o espaço da sociabilidade e do afeto possíveis para adolescentes que já não dependem da proximidade residencial ou comunitária no sentido “tradicional” para a construção de vínculos. A comunidade, hoje, é planetária. Quanto aos questionamentos apresentados por pais e educadores, constatamos a evidência de sua preocupação em relação à linguagem praticada por estes jovens nas suas interações. No entanto, é importante observar que uma mesma preocupação revela atitudes diferentes. A novidade, portanto, não está na existência desta preocupação, mas na sua razão de ser e no conteúdo que se apresenta a essas pessoas como tema a ser compreendido para que se resolvam as suas angústias. Ao tomarmos contato com essa modalidade de escrita sincopada e estilizada dos adolescentes nos chats, e-mails, torpedos e outros operadores conversacionais da web, entendemos que alguns pais e educadores, tende a revelar-se preocupado em evitar que estas práticas prejudiquem a “boa educação” de seus filhos e educandos. Podemos dizer que estas pessoas se preocupam em fazer o melhor para eles, sobretudo em compreendê-los, entendendo e aceitando suas práticas.

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Outros pais e educadores, por sua vez, tendem a formular críticas diretas e a impor limites para estas ações de comunicação de escrita entre os jovens, uma vez que antevêem “prejuízos” na aprendizagem “correta” da Língua Portuguesa. Revelam uma preocupação com a qualidade da aprendizagem dos jovens e “admitem” serem eles que devem decidir o que é bom e o que é ruim para seus filhos e educandos no que se refere aos usos da língua materna. Pensamos que seja importante nos questionarmos a respeito do caráter destas preocupações, que parecem justas e importantes para o processo de formação dos jovens, e, sobretudo, das atitudes reveladas por eles. Revelam atitudes de envolvimento, participação, acompanhamento, vínculo, etc. Já algumas das atitudes pautadas pela curiosidade interventiva ultrapassam, o caráter da participação e do vínculo. Oscilam de um terreno que é próprio das práticas pedagógicas construtivas para o campo da dominação cultural. No contexto pedagógico esta prática de ensino tende a invisibilizar os sujeitos e anular sua participação. Sua ação fica mais limitada aos valores predominantes e, portanto, mais distante das possibilidades de questiona-los/ transformá-los. Nesse sentido, nos perguntamos em que medida as atitudes de imposição da visão adulta de mundo sobre os mais jovens ajudam ou atrapalham a sua educação, e se potencializam a construção de relações familiares e escolares pedagógicas significativas, e a criação da autonomia ou mesmo de projetos de vida transformadores desses processos de imposição/submissão. Este questionamento que levantamos não está desvinculado das abordagens teóricas que apresentam e defendem o tema da “inclusão dos jovens” associado ao uso das novas tecnologias de informação e comunicação que eles tão bem dominam.

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E aos pais e educadores que vivenciam as dúvidas reveladas, nos parece importante recomendar bom-humor, um pouco de paciência e muito diálogo com os adolescentes. Gostemos, ou não, estes jovens se enquadram como produtores de textos, ainda que sejam atípicos, mas são produções deles, sendo assim, podemos afirmar que é um dos elementos que tem contribuído para levar as pessoas a se interessarem mais pelas diferentes formas de comunicação, apreendendo-as em seus diversos aspectos. Quanto à escola, não se trata de “ensinar a fala”, mas de mostrar aos alunos a grande variedade de usos da fala, dando-lhes a consciência de que a língua não é homogênea, monolítica, trabalhando com eles os diferentes níveis (do mais coloquial ao mais formal) das duas modalidades – escrita e falada –, isto é, procurando torná-los “poliglotas dentro de sua própria língua” (Bechara, 1985). Segundo Castilho (2000),
“[...] não se acredita mais que a função da escola deve concentrar-se apenas no ensino da língua escrita, a pretexto de que o aluno já aprendeu a língua falada em casa. Ora, se essa disciplina se concentrasse mais na reflexão sobre a língua que falamos, deixando de lado a reprodução de esquemas classificatórios, logo se descobriria a importância da língua falada, mesmo para a aquisição da língua escrita”.(CASTILHO, 2000, p.30)

Na internet, embora seja um texto escrito, traduz uma linguagem da oralidade, que na atualidade, tem um papel no ensino de língua, e nesse sentido, os Parâmetros Curriculares Nacionais afirmam que:
“a questão não é falar certo ou errado e sim saber que forma de fala utilizar, considerando as características do contexto de comunicação, ou seja, saber adequar o registro às diferentes situações comunicativas. É saber coordenar satisfatoriamente o que falar e como fazê-lo, considerando a quem e por que se diz determinada coisa”

Estamos diante de um dos mais fabulosos fenômenos da tecnologia humana de informação e de comunicação, que se chama internet, e isto por si só requer uma reformulação de nossas posturas em relação à linguagem.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

O jovem renunciou a seu potencial expressivo para adotar a linguagem estereotipada da internet, e com a necessidade de compreender o que se passa na vida deles, pais e educadores se aproximam cada vez mais rápido das telas de

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computador. Mesmo sem acessar a internet e sem participar de um Chat, os pais “logam” por estes fios de interesse que nascem de suas preocupações com a “linguagem adolescente”. Daí o que chamamos de “logação”, isto é, o despertar de um interesse de não usuários de computadores pelas configurações e pelos sentidos típicos do texto da tela de computador. Logar-se vem de login, uma derivação do verbo to log, da língua inglesa, que significa acender, ligar-se. Essas “logações” que são perigosas no sentido poético do encantamento que o computador e o mundo virtual exercem sobre as pessoas, fazem com que o tema da aprendizagem da língua materna se imponha na pauta das conversas familiares e educacionais. Neste contexto, sem dúvida, se fazem presentes os sentimentos de afeto – afetar-se com e pelo outro – dos adultos em relação àqueles adolescentes que julgam ter de cuidar, no melhor sentido, significa “educar”. Um outro aspecto desta sedução é a contradição em que se vêem as pessoas que tentam desqualificar a linguagem escrita na internet e acabam se descobrindo cativas do computador e do mundo informatizado. Para Rocha (2000), por exemplo,
“O poder absorvente do computador é um fenômeno freqüentemente descrito com recurso a termos associados à tóxicodependência. Não deixa de ser notável que a palavra “utilizador” esteja associada principalmente aos computadores e às drogas. O problema desta analogia, porém é que coloca a tônica no que é externo. Eu prefiro a metáfora da sedução, uma vez que realça a relação que se estabelece entre a pessoa e a máquina. Amor, paixão, paixoneta, o que sentimos por outra pessoa instrui-nos acerca de nós próprios. Se explorarmos esses sentimentos, descobriremos aquilo que nos atrai, aquilo de que sentimos a falta, e aquilo de que precisamos.” (ROCHA, 2000, p. 42)

Os tipos de linguagem, e a produção discursiva, em rede com o mundo todo, em tempo real nos levaram, a criar, só poderiam ser avreviados, sincopados, fluidos, etc. em função exatamente de sua imediata multiplicidade. Tudo o que quer ser múltiplo não pode ser demorado, extenso ou rígido. Em se tratando de linguagem, não podemos esquecer o fato de que é através dela que se torna possível para o homem estruturar o mundo em que vive e representa-lo como espaço-tempo da existência.

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O Internetês como um Enriquecimento para adolescentes

Logações: a comunicação em evolução

A linguagem é, em outras palavras, o modus operandi do conhecimento e do reconhecimento da sociedade pelas pessoas. Se a sociedade aparece com espaço cibernético, como virtualidade para os adolescentes contemporâneos, é natural que esperemos deles a criação de uma linguagem espacial, virtual, fluida, em que a noção de tempo real se reconfigura em espaço virtual e vice-versa; assim como o sentido do ser real se virtualiza. Tendemos a compreender que estamos sob o domínio da comunicação em função da evolução tecnológica, como já preconizava Deleuze (1996, p.92-93). Mesmo diante dos computadores operados pelos adolescentes, pais e educadores são capturados pelos processos de virtualização presentes na sua linguagem e entranhados nos seus corpos como marcas textuais constituidoras das posições de sujeitos sociais que têm como matriz o discurso e seus sentidos. Associada às novas tecnologias a língua adquire características outras de poder que não se faziam ver com tanta nitidez na história. Para buscar uma outra compreensão desse fenômeno vale lembrar que, conforme uma abordagem bakhtiniana da enunciação, a língua precisa ser vista como processo em constante evolução, através da qual o ser humano além de ser conhecido, também se constrói como objeto de estudos.
[...] a criatividade da língua não pode ser compreendida independentemente conteúdos e valores ideológicos que a ela se ligam. A evolução da língua, como toda evolução histórica, pode ser percebida como uma necessidade cega de tipo mecanicista, mas também pode tornar-se “uma necessidade de funcionamento livre, uma vez que alcançou a posição de uma necessidade consciente e desejada”. (BAKHTIN, 1997, p.127).

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Por falar em valores e culturas, quando tentamos analisar produções discursivas, damos conta de que entre adolescentes é comum, desde tempos mais antigos, a criação de formas alternativas de linguagem. Hoje, sendo uma forma de linguagem vinculada ao computador e à Internet como veículos modernos de comunicação acelerada e em tempo real, suas condições de produção têm as características da pressa de “logar-se” de maneira econômica, tanto no sentido de tempo quanto no financeiro. O econômico aqui carrega a idéia de brevidade, afinal, paga-se para se estar “logado” e normalmente nunca estamos, nos chats, conversando com apenas uma pessoa o que amplia a nossa pressa, ainda que alguns exemplos mostrem outras direções.

Outras Considerações e análises possíveis

Em relação à questão dos possíveis prejuízos que esta prática de escrita adolescente pode(ria) trazer à aprendizagem da Língua Portuguesa preferimos inseri-la numa análise mais complexa. Acreditamos que o prejuízo na aprendizagem vai depender da posição de quem olha para este fenômeno. Podemos pensar, por exemplo, que esta é uma forma de linguagem que vai desafiar as pessoas a ampliarem a sua produção discursiva, seja nos debates orais, na escrita ou na leitura, e, a partir deste olhar, não há prejuízo e sim benefício à aprendizagem da língua. Outra análise em que estamos trabalhando parte da comparação entre essas atuais produções escritas com algumas produções localizadas na amplitude do campo da comunicação humana ao longo da história. Fartos são os exemplos de que algo que parecia ser um grande problema e que traria prejuízo aos seres humanos veio a se tornar uma boa nova:
“Polêmicas assim ocorreram em outros momentos da história. A mais marcante foi com a impressão da primeira Bíblia, em 1450. Ouve quem dissesse que os

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milhares de exemplares do livro evitariam que muita gente fosse à igreja para ouvir a pregação religiosa.” (ISTO É, 2005, p.57).

De modo geral, podemos dizer que não há somente prejuízo de aprendizagem nas formas de comunicação, isto é, se há prejuízo certamente haverá benefício, uma vez que as transformações sociais e os processos comunicativos sempre estiveram e estarão profundamente imbricados. Eles decorrem de prática subjetiva e por isso mesmo carregam uma certa capacidade intrínseca de nos surpreender, nos perturbar, na medida em que construímos um posicionamento crítico acerca desse fenômeno. É inegável que cabe aos professores e à escola, bem como aos pais como educadores, a função de construir com seus alunos um conhecimento (alfabetização) e um domínio (letramento) da língua mãe que sejam, senão idênticos, ao menos o mais próximo possível do padrão socialmente aceito pela maioria dos sujeitos. Fazer isso, entretanto, não implica negar as outras práticas de comunicação existentes nas comunidades em que esta mesma escola está inserida. A educação, todos sabemos, tem como base o diálogo e os acordos. Se concordamos em compreender a linguagem dos adolescentes, seus modos de expressão, é natural que eles concordem em discutir, aprender a linguagem e os modos de expressão da escola e da família. Trata-se, de compreender as novas formas de escrita da língua como uma amostra do “enriquecimento” havido, ao longo da história, no conjunto das expressividades humanas. Enfrentamos com dificuldade o fato de que os alunos e filhos estão escrevendo de uma maneira diferente daquela a que estávamos acostumados. Tendemos a ver nesse fato uma atitude agressiva, quando se trata simplesmente de uma adequação do código às características dos suportes lingüísticos: as novas tecnologias de informação e comunicação. É certo que há exageros por parte de muitos sujeitos que partilham dessa “linguagem adolescente”. Mas, na maioria dos casos, as transformações que operam na estrutura ortográfica da língua são justificadas em

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função da economia, da adequação às ferramentas e aos suportes. Exemplos desse “acoplamento sujeito-máquina”, conforme Maturana (1997), bem como de outras adequações do homem ao meio em função das suas práticas, podem ser vistos desde as “ranhuras” iniciais nas paredes das cavernas até a escrita atual em questão. A aprendizagem da língua materna, assim como de outras línguas e formas de linguagem alternativas, pressupõe o exercício, a prática da mesma. Isto é assim como a língua é um fato social, mutante, vivo e carregado de surpresas e novidades. O gosto de se aprender a ler e a escrever qualquer língua está exatamente na possibilidade de criação que é inerente a esse processo. Quanto às implicações da utilização desta forma de linguagem no dia-a-dia e na sala de aula devemos educadores e educadoras, alunos e alunas, pais e mães, nos preocupar em exercitar o uso da linguagem padrão. É para isso que existem as

escolas e as salas de aula e as famílias: para produzir e reproduzir práticas de comunicação que estejam próximas dos padrões dominantes em uma dada sociedade. Mas, precisamos valorizar todas as formas de comunicação e linguagem que aparecerem. Depois disso se torna mais fácil perceber também a importância daquela que a escola e a comunidade desejam como padrão. É preciso aplaudir a criação do novo para poder valorizar, ainda mais, o que é antigo. Na escola, por exemplo, podemos usar esta forma de linguagem para sugerir a criação de outras, valorizando e reforçando a compreensão das línguas já existentes como modelos de organização e representação simbólica dos conhecimentos construídos pela humanidade. Saber se este tipo de linguagem veio para ficar ou se é apenas um modismo pressupõe uma espécie de adivinhação. Acreditamos que na verdade não existem modismos: todas as criações humanas permanecem de certa forma vivas, devido a sua funcionalidade e importância em cada época, uma vez que sempre nos utilizamos de

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informações antigas na produção de novos inventos. No campo da Análise do Discurso trabalhamos com o conceito de pré-construídos: são os saberes e sentidos préexistentes a uma enunciação e que se inscrevem como perturbadores iniciais do silêncio e do sentido a ele inerente (ORLANDI, 1992). Assim como a música se faz de silêncios e sons, a linguagem carece de “perturbações” para se constituir e poder significar cada vez melhor os sentidos que desejamos. Com uns e com outros todos nós certamente, nos “logaremos” muitas vezes. Para reforçar este pensamento, lembramos mais uma vez Bakhtin (2003):
[...] todo falante é por sim mesmo um respondente em maior ou menor grau: porque ele não é o primeiro falante, o primeiro a ter violado o eterno silêncio do universo, e pressupõe não só a existência do sistema da língua que usa mas também de alguns enunciados antecedentes – dos seus e alheios – com os quais o seu enunciado entra nessas ou naquelas relações (baseia-se neles, polemiza com eles, simplesmente os pressupõe já conhecidos do ouvinte). Cada enunciado é um elo na corrente complexamente organizada de outros enunciados (BAKHTIN, 2003, p. 272).

Nossos estudos sobre o tema aqui abordado estão, como se pode ver pelas idéias apresentadas, ainda em fase inicial, é necessário estimular atividades diversificadas, ajudar aos alunos/filhos a diferenciar o mundo real do virtual e ainda mostrar o lado bom da INTERNET: que pensamos ser um estímulo à escrita e leitura; uma crescente valoração na elaboração do texto; um favorecimento da interação social e um grande estímulo à agilidade mental. Mas, julgamos importante também contribuir, juntamente com pais e educadores, para o debate e a necessária tomada de consciência da sociedade como um todo acerca dos atuais estágios de evolução das novas tecnologias de informação e comunicação e das respectivas implicações no mundo das linguagens e dos sentidos.

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