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isolam em suas posicées deixando toda faculdade ao po- der de fazer 0 que quiser? 0 votar, convictos de que ndo devem dar Ou, ao contrério, que muitos daqueles que vi um cheque em branco, juntem-se ds estruturas autoges tiondrias? Em suma, estamos convencidos de que a ativi munalista deve manter-se afastada das légicas e debates que a dade co eleitorais e abstencionistas, nada ¢ a comune. Assim, é somente por meio de sua propria ati vidade social quanto aos problemas coletivos e territoriais, {feita de proposigées ¢ iniciativas de fato alternativas & demagogia do ritual da delegacdo que ela poderd contri buir de maneira coerente @ construcao de uma prética {federalista libertéria, Enfim, segundo nosso ponto de lista deve recusar simultaneamente vista, « préxis comun a légica do revoluctonarismo milenarista e as légicas que no coti possam conduzir ao reformismo. Deve projetar: diano para quebrar 0 poder e a trucdo gradual do federalismo libertério, aqui e agora”. Para concluir este livro, Marianne Enckell em Agi wploragao para a cons- tagito comunal ou municipalismo libertario? esboca-nos um breve quadro histérico da coeréncia libertaria relativo a essa problemética. Agradecemos a Murray Bookchin, a Paul Boino, aos muni ipalistas de base italianos e a Marianne Enckell por esse debate formador que se inscreve na esteira desse anarquismo social que clabora novas pistas de interven ¢40 em relacao direta com o real J.-M. Raynaud, Editions du Monde Libertaire Roger Noél, Editions Alternative Libertaire O MUNICIPALISMO LIBERTARIO Murray Bookchin Os dois sentidos da palavra “politica” Existem duas maneiras de compreender a palavré politica. A primeira ¢ a mais disseminada define a po Iitica como um sistema de relagdes de poder gerido de modo mais ou menos profissional por pessoas que se especializaram nisso, os por assim dizer, “homens po Iiticos”. Eles se encarregam de tomar decisdes qu Concernem direta ou indiretamente a vida de cada um dentre nés e administram essas decisées por meio das estruturas governamentais e burocraticas, Esses “homens politicos” e sua “politica” sao habi tualmente considerados com um certo desprezo pela: Pessoas comuns. Eles ascendem ao poder, na maioria as entidades denominadas . isto €, burocracias fortemente estruturadas das vezes, por intermédio “partido: ue aficmam “representa as pessoas, como se uma tinica pessoa pudesse “representar” muitas outras, Consideradas como simples “eleitores’. Traduzindo uma velha nogao religiosa na linguagem da politica, cles sau denominades evetios formaun, nesve sentido, uma verdadeira elite hierarquica. Quem quer que ten- cione falar em nome das pessoas nao € as pessoas. _ Quando cles afirmam que sao seus representantes eles préprios se colocam fora daqueles. Com freqiién cia, sdo especuladores, representantes das grandes empresas, das classes patronais ¢ de lobbies de toda sorte. Amitide, so personagens muito perigosos, porque sta, Uti lizando a midia e disseminando favores € recursos © piblico em se conduzem de modo imoral, desonesto ¢ elit financeiros para estabelecer um const torno de decisdes as vezes repuignantes e traindo hal tualmente seus engajamentos programaticos a “ser vigo” das pessoas. Em cont mente grandes servicos as camadas financeiramente mais ricas, gracas as quais eles esperam melhorar sua partida, prestam comu- carreira e seu bem-estar material Essa forma de sistema profissionalizado, elitista e instrumentalizado chamado ordinariamente potitica €, com efeito, um conceito relativamente novo. Surgiu com 0 Estado-nagao, ha alguns séculos, quando mo- olutos como Henrique Vill, na Inglaterra, ¢ ram a concentrar em suas narcas ab Luis XIV, na Franca, come méos um enorme poder Antes da formac&o do Estado-nacao, a politica ti nha um sentido diferente deste de hoje. Ela significava a gestdo dos negécios piblicos pela populacao em ni io; negécios puiblicos que, em seguida, minio exclusivo dos politicos ¢ dos vel comunité tornaram-se o di burocratas. A populacdo geria a coisa piiblica em ass a con. bléias cidadas diretas, no cara a cara, ¢ ¢! selhos que executavam as decisées politicas formula das nessas assembléias. Estas controlavam de perto c funcionamento desses conselhos, revogando os dele gados cuja agdo era objeto da desaprovagao piblica Mas limitando a vida politica unicamente as assem. @ 0 risco de ignorar a impor bléias cidadas, corria tancia de seu enraizamento numa cultura politica fér til feita de discussées ptiblicas cotidianas, nas pracas, nos parques, nas esquinas das ruas, nas escolas, nos albergues, nos citculos etc. Discutia-se politica em toda parte, tal exerci preparando-se para as assembléias cidadas, cio cotidiano era profundamente vita meio deste processo de autoformaco, o corpo cidadac Pol nde senso de suz zia ndo apenas amadurecer um g coesdo e de sua finalidade, mas favorecia igualment © desenvolvimento de fortes personalidades indivi duais, indispensaveis para promover 0 habito e a ca pacidade de autogerir-se. Essa cultura politica enrai Zava-se em festas junto partilhado de emogdes, alegrias ¢ dores comuns que davam a cada localid Cidade) um sentimento de especificidade e comun: dade, e que favorecia mais a singularidade do indiv duo que sua subordinacdo a dimensdo coletiva. ivicas, comemorai num con: ¢ (vilarejo, burgo, bairro ov Um ecossistema politico Uma politica desse tipo é organica e ecolégica, « mal ou fortemente estrucurada (na acepcac 140 BAIRRO, A COMUNA, A CIDADE... ESPACOS LIBERTARIOS vertical do termo) como ela se tornaré posteriormente. Tratava-se le um proceso constante e ndo de um epi sédio ocasional como as c cidadao amadurecia individualmente por meio de seu proprio engajamento politico e gragas A riqueza das discussées e das intera tinha 0 sentimento de controlar seu ampanhas eleitorais. Cada es com os outros. O cidadéo tino e poder determind-lo, em vez de ser determinado por pessoas e forcas sobre as quais ele nao exercia nenhum con trole. Essa sensagao era simbidtica: a esfera politic reforgava a individualidade dando-the um sentimento de posse e, ao contrario, a esfera individual reforcava a politica fornecendo-Ihe um sentimento de lealdade, responsabilidade e obrigacao. Num tal processo de reciprocidade, o ew individual ¢ o nds coletivo nao estavam subordinados um ao ou- tro, mas se apoiavam mutuamente. A esfera ptiblica fornecia a base coletiva, o solo para o desenvolvimento de fortes personalidades, e estas, por sua vez, reu niam-se numa esfera publica criativa, democratica, institucionalizada de modo transparente, Eram cida daos em pleno sentido do termo, quer dizer, atores agentes da decisdo e da autogestio politica da vida co: munitaria, inclusive a economia, e nao beneficiarios passivos de bens ¢ servicos fornecidos por entidades e impostos e taxas. A comunidade constituia uma tinica ética de livres cidadaas @ nia uma empresa municipal instituida por “contrato so: cial”. locais em troca d Acomuna: uma aposta moderna Hd muitos problemas que se colocam aqueles que busc em nivel comunal, mas, ao mesmo tempo, so conside- uacar as caracteristicas de uma intervengao faveis as possibilidades de imaginar novas formas de ago politica, que recuperariam o conceito classico de Cidadania e seus valores participativos. Numa época em que 0 poder dos Estados-nagées aumenta, em que a administragéo, a propriedade, a pro- dugéo, as burocracias e os fluxos de poder e capitais tendem a centralizacao, é po: vel aspirar a uma soci lade fundada em opgées locais, em base municipal, Sem ter aparéncia de utopistas incuraveis? E: flescentralizada e participativa nao é absolutamente cao da esfera Piiblica? A nogéo de comunidade em escala humana No ¢ uma sugestao atavica de inspiragao reacionaria Gue se refere ao mundo pré-moderno (do tipo da co- ‘munidade do povo do nazismo alemaoy? E aqueles que 4 sustentam, nao entendem, assim, rejeitar todas as Conguistas tecnolégicas realizadas no transcurso das diferentes revolugées industriais dos dois «ltimos S€Culos? Ou ainda, pode uma “sociedade moderna” set Sovernada em bases locais numa época em que 0 po- der centralizado parece Acessac questies de carter tedrica, camam-se mui fas ou ssa Visio Incompattvel com a tendéncia & massific er uma opcao irreversivel? tras de cardter prdtico, Como € possivel coorde- Nat assembléias locais de cidadaos para tratar de ques tes como 0 transporte ferrovidrio, a m nutencao das estradas, 0 fornecimento de bens ¢ rec 508 provenien. tes de zonas distantes? Como € possivel passar de uma economia embasada na ética do business (0 que inclu! sua contrapartida plebéia: a ética do trabalho a uma economia guiada por uma ética baseada na realiza: de si no seio da atividade produtiva? Como poderia mos mudar os instrumentos de governo atuais, nota- damente as constituigdes nacionais e os estatutos co munais, para adapté-los a um sistema de autogoverno baseado na autonomia municipal? Como poderiamos de mercado orientada para © lucro ¢ tendo por base uma tecnologia centralizada, reestru turar uma econom transformando-a numa economia moral orientada para © hom centralizada? E, além do mais, como todas essas con cepc6es podem confluir no seio de uma sociedade eco- logica que busca estabelecer uma relacdo equilibrada com o mundo natural e que quer liberar-se da hierar , e baseada numa tecnologia alternativa des: quia social, da dominagao de classe ¢ sexista ¢ da ho mogeneizagao cultural? A concepcao segundo a qual as comunidades des: centralizadas sao um tipo de atavismo pré-moderno, ou melhor, antimoderno, reflete uma incapacidade para ‘onhecer que uma comunidade organica nao deve organismo, no qual os com necessariamente ser w partamentos individuais esto snhordinados ao todo. Isso concerne a uma concepgao do individualismo que confunde individualidade e egofsmo. Nada ha de nos © MUNICIPALISMO LiBERTAR«G 1 tdlgico ou de inovador na tentativa da humanidade de harmonizar o coletivo ¢ 0 individual. 0 impulso para realizar esses objetivos complementares (sobretudo num tempo como o nosso, em que ambos correm o risco de uma rapida dissolugdo) representa uma busca humana constante que se exprimiu tanto no dominio teligioso quanto no radicalismo laico, em experiéncias utopistas como na vida cidada de bairto, em grupos 6tnicos fechados como em conglomeradas urbanas cas: mopolitas. Foi gracas a um conhecimento, que se sedi- mentou no transcurso dos séculos, que se pdde impe- dira nocao de comunidade de cair no gregarismo ¢ no chauvinismo e a nogdo de individualidade de cair no atomismo. Uma politica fora do Estado e dos partidos Qualquer programa que tente restabelecer e am Pliar a significagao classica da politica e da cidadania deve claramente indicar o que estas ndo sao, ainda que fosse por causa da confusao envolvendo essas du Palavras, A politica nao é a arte de gerir o Estado, ¢ os cida aos nao sao eleitores ou contribuintes. A arte de gerit © Estado consiste em operagées que engajam 0 Estado: © exercicio de seu monopélio da violéncia, 0 controle dos aparetnos de regulacao da sociedad por melo da fabricacao de leis e regras, a governanca da sociedade Por intermédio de magistrados profissionais, do exér- _ - cito, das forcas de policia e da burocracia. A arte de gerir o Estado adquire um verniz politico quando os por assim dizer “partidos politicos” esforcam-se, por meio de diversos jogos de poder, para ocupar os postos nos quais a acdo do Estado é concebida e executada Uma “politica” desse género ¢ a tal pont € quase importunadora. Um “partido politico" tualmente uma hierarquia estruturada, alimentada Uipificada que habit por aderentes e que funciona de modo vertical. £ um Estado em miniatura, e em cettos paises, como a ex- Unido Soviética ea Alemanha nazista, o partido cons titui realmente o préprio Estado. mplos soviético ¢ nazista do Partido/Estado representaram a extensao légica do partido funcio- fato, todo partido tem suas taizes no Estado e nao na cidadania. Ose nando no interior do Estado. E, por este partido tradicional esté pendurado no Estado como uma veste num maneguim, Por mais variados que pos- sam ser a veste € seu estilo, esta nao faz parte do corpo politico, ela se contenta em vesti-lo. Nada ha de auten: ticamente politico nesse fendmeno: visa precisamente a envolver 0 corpo politico, controla-lo e manipuld-o, endo a exprimir sua vontade — nem mesmo permitir Ihe desenvolver uma vontade. Em nenhum sentido um partido “politico” tradicional deriva do corpo politico ou € constituido por ele. Toda metafora a parte, os pat tdos “politicos” so réplicas do Estado quando eles nao estdo no poder e sao amitide sinénimos do Estado quando esto no poder. Sao formados para mobilizat, © suwictPauismo LiBERTAR«C » para comandar, para adquirir poder e para dirigir. Eles so, pois, tao inorganicos quanto o préprio Estado uma excrescéncia da sociedade que nao tem reais raf 7es no seio desta, nem responsabilidade para com ela poder e mobi para além das necessidades de faccio, lizagao, Um novo corpo politico A politica, ao contrério, € um fendmeno organico. Ela ¢ organica no verdadeiro sentido em que repre tividade de um corpo piiblico — uma comu- ¢ preferir—, assim como o processo de flo- nica da planta enraizada Ro solo. A politica, concebida como uma atividade, senta a hidade, Taco é uma atividade ors implica um discurso racional, 0 engajamento piiblico, © exercicio da razdo pratica e sua realizagio numa atividade ao mesmo tempo partilhada e participativa. A redescoberta e 0 desenvolvimento da politica deve tomar por ponto de partida o cidadao e s eu meio Ambiente imediato para além da familia e da esfera de Sua vida privada, Nao pode haver politica sem comuni- dade. &, por comunidade, entendo uma associacado mu- Nicipal de pessoas reforcada por seu proprio poder eco NOmico, sua prépria institucionalizacdo dos grupos de base © 0 apoio confederal de comunidades simi °lganizadas no seio de uma rede territorial em escala local e regional. Os partidos que nao estao implicados Ressas formas de organizacio popular de base nao so ye lares poli ‘icos no sentido classico do termo. SAo, ao contra- tio, partidos burocrdticos e opostos ao desenvolvimento de uma politica participativa e de cidados participa tivos. A célula auténtica da vida politica é, com efeito, a comuna, seja em seu conjunto, se ela é em escala hu mana, seja através de suas diferentes subdivisées, no- tadamente os bairros Um novo programa politico nao pode ser um pro grama municipal sendo se levamos a sétio nossas obri gagoes em relagdo & democracia. Em outros termes, estaremos atad por uma outra variante de gestéo estatista, por uma estrutura burocratica que é clara mente hostil a toda vida ptiblica animada, A comuna €a célula viva que forma a unidade de base da vida Politica e da qual tudo provém: a cidadania, a interde pendéncia, a confederagao ¢ a liberdad de reconstruir a politica 0 tinico meio comecar por suas formas elementares: as aldeias, as vilas, os bairros, as cidades onde a da interdepen m Pessoas vivem no nivel mais intimo éncia politica para além da vida pri vada. E a esse nivel que elas podem comecar a familia rizat-se com 0 processo politico, um processo que vai bem além do voto e da informagao. £ também a esse nivel que elas podem ultrapassar a insularidade pri vada da vida familial — uma vida que amitide 6 cele- brada em nome do valor da interioridade e do isola ment — e lnventar instituicoes publicas que tornam Possivel a participacdo e a co-gestdo de uma comuni- dade ampliada Em resumo, é por meio da comuna que as pessoas podem transformar-se, elas proprias, de ménadas iso e criar uma vida Litico inovado ladas, num corpo p i civica existencialmente vital por ser protoplésmica Inscrita na continuidade e dotada tanto de uma forma institucional quanto de um contetido cidadao, Refiro organizagdes de blocos de habitagdes, as as confe me aqui & assembléias de bairro, as reunides de cidade, deracies civias e a um espago péiblico para uma pala- vra que va além de manifestagdes ou campanhas mo- otematicas, tao valida quanto possam ser para corri gir as injusticas sociais. Mas nao basta protestar. A Protestagio determina-se em funcdo daquilo a que ela Se opde ¢ ndo pelas mudancas sociais que os protesta dores podem desejar implementar. Ignorar a unidade Civica elementar da politica e da democracia é como jogar xadrez sem 0 tabuleiro, pois é no plano cidadao que os objetivos a longo termo de renovagio social devem de inicio se dar. A favor da descentralizacao Afastando todas as objegdes de inspiracdo esta do restabelecimento das assembléias Usta, o probe! Municipais parece, contudo, dificilmente realizavel se Se permanece no ambito das formas administrativas ¢ tetritoriais atuais. Nova York ou Londres nao teriam os se unir se elas quisessem imitar a Atenas a, com seu corpo relativamente pouco numeroso de cidadaos. Essas duas cidades nao so mais, de fato, cidades no sentido classico do termo, nem m nicipalidades se século XIX. V croscé smo mu. gundo os modelos urbanisticos do as sob um Angulo estreitamente ma pico, sao selva ns proliferagdes urbanas que absorvem todos os dias milhdes de pessoas a uma ande dist Mas Nova York e Londres so formadas por bairros, isto é, comu cia dos centros comerciais. nidades menores que possuem até um certo ponte ut ria, defi. nga cultural partilhada, interesses econémicos, uma comunida cardter organico ¢ uma certa identidade pr nida por uma he: de de visdes sociais e, a vezes, também, uma tradicao artistica como no caso de Greenwich Village, em Nova York, ou Camden Town em Londres. Por mais elevado que seja o grau neces sirio de coordenagao de sua gestio logistica, sanitaria ercial por expertos ¢ seus assistentes, elas so potencialmente abertas a uma descentralizacao poli tica e até mesmo, com o tempo, fisica. Sem nenhum: duivida, sera preciso tempo para descentralizar real mente uma metrépole como Nova York em va nicipalidades verdadeiras, e, enim ias mu- em comunas, mas nao ha razdo para que uma metrépole desse tamanho nao possa descentralizat-se progressivamente em nivel institucional. £ preciso distingt i pre entre descen tralizacao territorial e descentralizagaa institucional Anteciparam excelentes proposigdes para implantar em nivel local a democ cia em tais entidades metro politana restituindo o poder as pessoas, mas clas foram bloqueadas pelos centralizadores que, com seu cinismo habitual, evocaram todo tipo de impedimen os materiais para realizar tal empresa. Tenciona-se refurar os argumentos dos partidarios da descentrali zac institucional e a desagregacdo territorial ef 10 langando a confusao entre a descentralizacao tiva des sas metrépoles. f preciso, ao contrario, fazer sempre a distingdo entre descentralizacao institucional e des: ventralizagao territorial, compreendendo claramente cor que a primeira é perfeitamente realizavel enquando seria preciso alguns anos para realizar a segunda. Ao mesmo tempo, eu gostaria de ressaliar que as Concepedes municipalistas (ou, e € a mesma coisa, co Munalistas) libertdrias que proponho aqui se inscre vem nut 1a perspectiva transformadora e formadora Um conceito da politica e da cidadania que busca trans- formar, enfim, as cidades e as megalépoles ética ¢ es- Pacialmente, politica e economicamente Assembléias populares ou mesmo de bairros po dem ser constituidas independentemente do tamanho a cidade lesde que se identifiquem os componentes Culturais e que se faca sobressair sua especificidade Os debates sobre sua dimensao otimizada sao politi Camente irrelevantes, é 0 objeto de discussia preferido de sociétogos muitissimo loucos por estatistica Possivel coordenar as assembléia med s providos de um mandato impera populares por inter io de delegs UWvo, submetido a rotatividade, revogaveis e, sobretudo, Munidos de instrugdes escritas rigorosas para aprovat | = ou eitar na ordem do dia dos conselhos lo: pont rados compostos de delegados das diferer cais confed tes assembléias de bairros. Nao ha nenhum mistério nessa forma de organtzacao. A demonstrag de sua eficdcia foi feita por meio de sua reaparigao Jo historica Constante nas épocas de transformagao social acele sienses de 1793, a despeito do tamanho de Paris (entre 500.000 e 600.000 habitan rada. As segées p tes) e das dificuldades logisticas 6paca (em que 0 cavalo era o que havia de mais rapido) trabalharam com muito sucesso sendo coordenadas por delegados de segées no seio da Comuna de Paris. Elas cram repu tadas nao apenas por sua eficdcia no tratamento dos problemas politicos, baseando-se em métodos de demo- também desempenharam um impor tante papel no abastecimento da cidade, na segurz alimentar, na eliminacao da especulac: cracia direta, mas nga no controle do Tespeito ao preco maximo e em muitas outras tarefas administrativas complexas. Nenhuma cidade €, por conseqiiéncia, demasiado grande para nao poder ser preenchida de assembléias Populares com objetivos politicos. A verdadeira dif culdade 6, em larga medida, de ordem administrativa como fornecer os recursos materiais da vida da ci dade? Como enfrentar os enormes custos logistic e todo o peso da distribuigdo? Como preservar um meio ambiente salubie? Esses problemas sao amitide misti ficados por meio de uma confusao perig: formulagao de uma sa entre a litica e sua gestao. 0 fato para uma comunidade decidir de maneira participativa que tuestéo nao implica que s devam saber coma se concebe e como se constr6i orientacao seguir numa d t uma estr a. £0 trabalho dos engenheiros, que podem apresentar projetos alternativos, e os especialistas de itica im sempenham, entéo, por isso, uma funga portante, mas é a assembiéia dos cida para decidir. A elaboragao do projeto ea constru de estritamente adminis. po os que é livre estrada sao de responsabili quanto a discusséo ea decisdo quanto a ne trativa, e cessidade dess calizacdo e a apre Processo politico. Se entendermos com clareza a dis- tingdo entre a formulagdo de uma politica e sua exe- Cucdo, entie a funcao das assembléias populares ¢ 1 estrada, inclusive a escolha de sua lo ‘a¢do do projeto, concernem a um guram a gestao das deci aquela das pessoas que Sbes tomadas, é entio facil de distinguir os problemas logisticos dos problemas politicos, dois niveis habi tualmente entremesclados 0 verdadeiro cidadao A primeira vista, pode parecer que o sistema das Ssembléias é proximo da formula do referendo, ba: e decisdo entre toda a Seado na partilha da tomada d Populacdo e na regra majoritdria, Por que, desde entao, tessaltar a importancia da forma da assembléia par © autogoverno? Nao bastaria adotar o referendo, como ®hoje o caso na Suica, e resolver a questéo por um ec a ee procedimento democratico aparentemente muito me ‘nos complicado? Ou entao, por que nao tomar as deci soes politicas pela via eletrénica — como o sugerem onde cada individuo autGnomo”, apés se ter informado a partic dos deba astas da internet alguns entu les, votaria na intimidade de seu lar? Para responder a ¢: sas questes, & preciso levar em consideragéo uma série de temas vitais que tangem a pes mo”, que, segundo a teoria liberal, representa, enquanto a natureza da cidadania. 0 individuo “autono itor", a unidade element. do processo referen datio, é ape pessoal em nome da “autonomia” e da cia", esse individuo torna-se um ser isolado cuja liber- nas uma ficcao. Abandonado a seu destino independén- dade verdadeira € despojada dos aspectos politicos ¢ sociais sem os quais a individualidade é privada de carne e de sangue... A nocio de independéncia, que é ito inde: pendente e de liberdade, foi de tal forma impregna do puro ¢ simples egofsmo burgués amitide confundida com aquelas de pensam temos tendén cia a esquecer que nossa individualidade depende am- da co: nidade, Nao 6 subordinando-nos de mado infantil plamente dos s iemas de apoio e solidariedad m & comunidade, nem nos afastando dela que nés nos tornamos sere manos responsdveis. O que nos dis: tingue como seres sociais, de preferéncia em institul desprovidos de toda goes racionais, de seres solitario ‘Ao nossas capacidades de exercer uma afiliagio séria, solidariedade, uns em relagio aos outros, encorajar autodesenvolvimento ¢ a criatividade reciprocos, 1 a liberdade no seio de uma coletividade social mente criadora ¢ institucionalmente enriquec Uma “cidadania” separada da comunidade pode ser to debilitante para no cangal dora sa personalidade politica quanto 0 é a “cidadania” num Estado ou numa comu nidade totalitéria. Em ambos os cas duzidos a um estado de dependénc primeira infancia, que nos toma p raveis dial 0s, somos recon a caracteristica da osamente vulae te da manipulagao, seja por parte de fortes Personalidades na vida privada, seja por parte do Es tado ou das grandes firmas na vida publica, Nos dois lidade e a comunidade fazem-nos falta. Ambas se encontram dissolvidas pela supressao do solo comunitério que nutce a auténtica individua: lidade, E, ao contrario, a interdependéncia no seio de casos, a individu: Uma comunidade sélida que pode enriquecer o indivi duo dessa racionalidade, desse sentido da solidarie lade ¢ da justiga, dessa liberdade efetiva que fazem dele um cidadao criativo ¢ responsdvel. Conquanto isso pareca paradoxal, os elementos @utnticos de uma sociedade livre e racional so co- Munitarios e ndo individuais. Para dizé-lo em cermos Mais institucionais, a comuna nao ¢ apenas a base de wna sociedade livre, mas igualmente o terreno irredu vel de uma auténtica individualidade. A enorme im Portancia da comuna se deve ao fato de que ela cons- Uitui o lugar de comunicagao no seio do qual as pes S0as podem intelectual e emocionalmente confrontar-se ; & umas com as outras, conhecer-se reciprocamente através do didlogo, da linguagem do corpo, da intimidade pes: soal e das modalidades diretas, nao midiatizadas, do processo de tomada de decisao coletiva. Refiro-me aqui aos processes fundamentais de sociali acdo, de inte ragio continua entre os miltiplos aspectos da existér cia que tornam a solidariedade — ¢ ndo apenas a “con vivialidade” — de tal forma indispensavel para rela- (Ges interpessoais realmente organivas. O referendo, realizado na intimidade da cabine, ou, como gostariam que fosse os partidarios entusiastas da internet, na solidao eletranic« de sua prépria casa privatiza a democracia e, assim, a mina. 0 voto, do mesmo modo que as pesquisas de opiniao concernindo as preferéncias em matéria de sabao e detergente da cidadania, da politica, da individualidade e uma caricatura da representa uma quantifica¢ao absolu formagao verdadeira das idéias no decorrer de um pro: ce tado puro o de informacao reciproca. O voto em exprime uma “percentagem” pré-formulada de nossas percepgdes ¢ de nossos valores, ¢ ndo sua expressio inteira, E uma reducao técnica das opinides em sim ples preferéncias, dos ideais em simples gostos, cacao, de modo a es dos ho- compreensao geral em pura quanti poder reduzir as aspiracées e as convic mens a unidades numéricas. A verdadeira formacéo para a cidadania Em fim de contas, “o individuo autonome”, pri vado de todo contexte comunitario, de relagdes de soli dariedade e de relacdes organicas, encontra-se desen. gajado do proceso de formagao de si—paiddeia — que os atenienses da antiguidade atribuiam a polt uma ica como suas mais importantes fungdes pedagégicas. verdadeita cidadania © a vecdadeia politica impll cam a formagao perman nte da personalidade, a edu cagdo e um sentido crescente da responsabilidade e do engajamento ptiblico no seio da comunidade, os que em contrapartida, s4o os tinicos a dar uma real subs: tancia a esta. Nao € no local fechado da escola, e ainda s, menos na cabine eleitoral que qualidades pessoais e Politicas podem formar-se. Para adquiri-las, é preciso uma presenca pablica, encarnada por individuos fa lantes e pensantes, num es paco ptiblico responsavel ¢ Animado pela palavra. O a etimo atriotismo”, como o indic gia da palavra (pat Pater, 0 pai), a vem da palavra lati é um conceito tipico do Estado-nacio, nde. o:cidadao € considerado como uma crianga e €, “Ssim, a criatura obediente do Estado-nacao concebido ©omo pai familias, ou como um pai severo que impée @crenca eo devotamento a ordem, Quanto mais somos 85 “fith owas “filhas” de uma “patria”, mais nés nos uma relacdo infantil com o Estado. A solidariedade ou philia, ao contra Sentido d; sitiamo, implica 0 ia responsabilidade. Bla é criada pelo conheci mento, a formacdo, a experiéncia e o exercicio de uma certa sensibilidade — em resumo, por uma educagao politica que se desenvolve por intermédio da partici pacéo politica. Na auséncia de uma municipalidade em escala humana, compreensfvel e acessivel do ponte de vista institucional, € simplesmente impossivel asse gurar essa funcao fundamental da politica e encarné-la na cidadania, Na auséncia de phitia, nés apreciamos ‘o engajamento politi tes” que “participam mento das palavras que desnatura totalmente sua sig: nificagdo auténtica e as despoja de seu contetido ético. ‘0” pela percentagem dos “votan do pracesso “politico”: um avilta Que elas sejam grandes ou pequenas, as assem bléias iniciais ¢ 0 movimento que busca amplid-las permanecem a tinica escola efetiva de cidadania que possutimos, Nao hd outro curriculum civico s: nao um -ampo politico vivo e criativo para fazer surgit pessoas Jue levam a gestdo dos negécios piiblicos a sério, Nu na €poca de mercantilizagao, concorrén cia, anom jae iscientemente uma es goismo, isso significa criar cc era piiblica que inculcara valores de humanismo. ‘ooperacdo, comunidade e servico piblico na pratica otidiana da vida civica A polis lefeitos, oferece-nos exemplos significativos de como teniense, a despeito de seus inumerdveis sentido clevado da cidadania que a impregnava en: entrou-sc reforyaulu nau apenas por uma educagao istematica, mas pelo desenvolvimento de uma ética lo comportamento civico ¢ por uma cultura artistica que ilustrava ideais de servigo civico pelos fatos da Prética cfvica. O respeito aos oponentes no decorrer dos debates, o recurso palavra para obter um con Senso, as interminaveis discussées ptiblicas sobre a agora, durante as quais as personalidades mais em Vista da polis eram obrigadas a discutir questées de nhecidos Utilizagdo da riqueza ndo apenas para fins pessoais interesse ptiblico, mesmo com os menos fomo também para embelczar a polis (atribuindo assim Um valor maior a redistribuigdo do que a acumulacao de riqueza), um grande ntimero de festividades publi m grande parte cen tradas em temas civicos e na necessidade de encorajar fas, de tragédias e de comédias 4 solidariedade... tudo isso ¢ muitos outros aspectos finda da cultura politica de Atenas formavam os ele Mentos que conteibuiram para criar um sentido de res Ponsabilidade ¢ solidariedade civicas que produziu idadaos ativamente engajados ¢ profundamente cons Hlentes de sua missdo civic: De nosso lado, nao podemos fazer menos —e, de- Sejemo-lo, men torn hum certo prazo, faremos consideravel- mais. 0 desenvolvimento da cidadania deve !ar-se uma arte ¢ ndo simplesmente uma forma de Pducacdo Me faca apelo ao desejo profundamente humano de *Xtessao de si no seio de uma comunidade politica HPlcia de sentido. Deve ser uma arte pessoal gracas & Wal cag e uma arte criadora no sentido estético la cidadao é plenamente consciente do fato de Ae sua comunidade confia s stino & sua probi \de moral ¢ a sua racionalidade, Se a autoridade ideo: Jo estatismo repousa sobre a conviccao de que cidaddo” é um ser incompetente, algumas vezes antil e geralmente pouco digno de confianga, a con .p¢4o municipalista da cidadania repousa sobre a snviccéo exatamente contraria, Cada cidadao deveria considerado como competente para participar di mente dos “negécios do Estado” e sobretudo, o que é Suzé-lo. Seria preciso fornecer todos os meios destinados a \ais importante, ele deveria ser encorgjaco avorecer uma participacéo completa, compreendida lagdgico ¢ ético que transforma omo um processo pe capacidade latente dos cidadaos numa realidade efe: iva. A vida politica e social deveria ser orquestrada de naneira a promover un idade real para aceitar as diferencas, sem subtrair-se, rosas disputas. a sensibilidade difusa, a capa juando € necessario, & conducao de vig 0 servico civico deveria ser considerado como um tri “doagio” que idadao oferece & comunidade ou uma tarefa onerosa jue € obrigado a cumprir, A cooperacao e a responsa vilidade civica deveriam ser vistas como expresses da nto humano essencial e ndo um omo obrigagdes das sociabilidade e da phitia, ¢ yuais o cidadao tenta escapar assim que o pode A municipalidade seria, entio, vista como uma cena de teatro onde acontece a vida publica sob sua forma mais repleta de sentidos, um drama politico cuja grandeza estende-se aos cidadaos que sao seus ades protagonistas. Bem ao contrario, nossas ci dernas tomaram-se, em larga medida, aglomeragoes s nos quais os homens de apartamentos-dormitéri as mulheres acalmam-se espiritualmente e trivializam vertimento, no consumo e suas personalidades no no bate-papo mesquinhos. A economia municipal 0 diltimo e um dos mais intrataveis problemas que omia. Hoje, as questdes eco encontramos € 0 da econ némicas tendem a centrar-se sobre quem possui o que quem tem mais do que quem e, sobretudo, sobre como as dis; conciliar-se com um sentimento de comunidade civica. Quase toda aridades de riqueza poder ns mu. icipalidades tinkam sido, no passado, fragmentadas $ po Por diferencas de estatuto econdmico, com cl bres, médias e ricas posicionadas umas contra as ou tras até o ponto de atruinar as liberdades muntcipais, Como o mostra claramente a historia sangrenta das Comunas da Idade Média ¢ da Renascenga na Italia Esses problemas nao desapareceram na época atual Na maioria das vezes eles sao inclusive tao graves Quanto no passado, Mas o que € especifico em nossa €oca (e que hd pouco foi compreendido por muitas Pessoas de esquerda e¢ de extrema-esquerda na Amé tiea e na Europa), € 0 fato de que comegaram a apare Mer questécs transclascistas totalmente novas que SOncernem ao meio ambiente, ao crescimento, aos tansportes, A desarticulagao cultural e qualidade da vida urbana em geral. Sao problemas ascitados pe utbanizacao e nao pela constituigdo da cidade. Outras ques veresses conflituais de classe, como os perigos de guerra es atravessam também transvers mente os in termonuclear, 0 au ap gico do planeta, Numa escala sem precedentes na his uupos de cidaddos reuniu pessoas de toda origem de classe em projetos comuns em torno de problemas amitide de ca rater local mas que concernem ao destino e ao bem oritarismo estatista crescente € enf sssibilidade de um desmantelamento ecolé: (éria americana, uma enorme variedade de g estar do conjunto da comunidade. A emergéncia de um interesse social geral, para além dos velhos inte! esses particularistas, demonstra gue uma nova politica pode facilmente tomar corpo € que visard nao apenas a reconstruir a paisagem polt tica em nivel municipal mas igualmente a paisager econdmica. Os velhos debates entre a pro priedade pri: vada e a propriedade nacionalizada tornaram-se puta Jogomaqui Nao que esses diferentes tipos de pro- priedade e as formas de exploracao que elas implicam tenham desaparecido, mas foram progressivamente rejeitadas sombra por rcalidades e preocupagoes no vas. A propriedade privada, no sentido tradicional do rermo, perpetuad economicamente auto-suficiente e politicamente inde pelo cidadéo enquanto individu? pendente, Bla nd 4 desaparecendo. © decaparece porque o “socialismo ra devorow a “livre em pre: pante a, mas porque a ande firma rampante” devo fou tudo O ideal grego de um cidadao ronicamente em nome da “livre empresa”. liticamente soberano que podia avaliar racional blicos nente os negdcios p porque ele estava liberado da necessidade material e do clientelismo nao € mais que gozacao. O carter oli Bérquico da vida econdmica ameaca a democracia en quanto tal, nao apenas em nivel nacional, mas igual Mente municipal, 14 onde ela ainda conservava um férto grau de intimidade e leveza. Chegamos, assim, repentinamente, a idéia de uma Economia municipal que se prop: tia inova e a dissolver de ma. jora a aura mistica que envolve a proprie- ade das firmas a propriedade nacionalizada. Refiro- Te a municipalizacdo da propriedade, como oposta & stia privatizacdo ou a sua nacionalizacao. O municipa ela lismo libertario propde redefinir a politica paca Melir uma democracia comunal direta que se am Pliaré gradualmente sob formas confedera Iualmente uma abordage Municipalismo libertdrio propde que Piésas sejam postas de modo crescente a disposi: prevendo diferente da economia. terra e as em- oda “OmMtinidade, ou mais precisamente, a disposigao dos Hidadaos em suas livres assembléias € de seus deputa: os nos conselhos confederais. Como planificar 0 tra- 3 Que tecnologias empregar? Que bens distri Sao todas questées 4 s que nao podem ser resol Milas conic na tica, A maxima de aude unt segundo suas Capacidades, a cada um segundo suas necessi lades, &5sa célebre exigéncia dos diferentes socialis: os do século XIX, encontrar-se-ia institucionalizada omo uma dimensao da esfera piiblica. Visando a asse uirar as pessoas 0 acesso aos meios de viver indepen atho que elas séo capazes de rea jentemente do tra izar, ela cessaria de exprimir um creda precario: ela se 4 maneira de funcionar poli ornaria uma pratica, wm icamente Nenhuma comunidade pode esperar adquirir uma sutarcia econdmica, nem deveria tentar fazé-lo. Boo nomicamente, a ampla gama de recursos necessAri e uso corrente exclui a ‘os bens d a produgao de 1 insularidade encerrada em si mesma € © chauvinismo. Longe de ser uma coacéo, a interdependéncia entre deve ser considerada — cult comunidades ¢ regid ral ¢ politicamente — como um beneficio, A interde pendéncia entre as comunidades ndo € menos impor erdependéncia entre os individuos. S& tante que a in ela & privada do enriquecimento cultural muituo que amnitide foi o produto da troca econdmica, a municip® J lidade tende a fechar-se sobre si mesma e afundando civico. Necessidades & se numa forma de privatis hados implicam a existéncia de um® recursos patti partilha e, com a partilha, de uma comunicacao, de un rejuvenescimento gracas a idéias novas ¢ a um hott zonte social ampliado que facilita uma sensibilidadé sumentada para as novas experiéncias. Uma questdo de sobrevivéncia ecolégica A luz de uma nova cultura politica com um novo renascimento sas coordenadas, é possivel vislumbrar da cidadania, de instituigées civicas populares, um novo tipo de economia, ¢ um contra-poder paralelo, ‘uma rede confederal, capaz de parar e, esperemo-lo inv rier a tendéncia a uma centralizacao aumentada do Estado e das grand p s firmase empresas. Além disso €igualmente possivel vislumbrar um ponto de partida eminentemente pratico para superar a cidade tal como @ conhecemos até hoje e para desenvolver novas for as, capazes de Tealizar uma nova harmonizagao entre as pessoas ¢ entre a humanidade € 0 Mas de habitacao realmente co! unit 9 natural, Ressaltei a uw Palavra “pratica” porque é evidente que qualquer ten- tativa para adaptar uma comunidade humana a um €tossistema natural choca-se de frente com a trama do Poder ceniralizado, seja o do Estado ou das grandes fitmas 7 0 poder centralizado reproduz-se inexoravelmente &M todos os nivei s da vida social, econémica e pol Nao i a e trata apenas de ser grande: ele pensa “como Stance Mas a 4 condicéo de seu crescimento mas de sua propria Sobrey me Assim, esse modo de ser e pensar é nao ape- euttvivéncia, Ja vivemos num mundo onde @ econe € cxvessivamente globalizada, centralizaua © bu Tocrat i izada. Muito do que poderia ser feito em nivel Beal ¢ € regional, o é em escala mundial — em grande parte por razdes de lucros, estratégia militar ¢ apetites imperiais — com uma complexidade aparente que po: deria, de fato, ilmente simplificada Se odas essas idéias podem parecer demasiado sa época, entao também podemos considerar como uldpicas as exigéncias urger S$ po energéticas, uma redugdo drastica da poluigio da atmosfera e dos mares, ea aplicacao de programas en nivel mundial para deter 0 aquecimento do planeta ¢ utépicas" para no es da queles que pedem uma mudanca radical d liticas a destruicao da camada de ozSnio. £ realmente ilusé rio perseguir mudangas institucionais e econémicas nao menos drdsticas mas que se baseiam de fato em. tradigées det oeraticas profundamente enraizadas? Murray Bookchin Fragmentos de From Urbanization to Cities (Londres, Cassell, 1995) MUNICIPALISMO E COMUNALISMO Paul Boino Contra ou a favor, o municipalismo agora nao deixa indiferente. Perigoso desvio reformista para uns, re-formulagao pertinente e necessaria da praxis antiautoritaria para outros, a proposigéo formulada ha pouco mais de vinte anos por Murray Bookchin provocou reacées extrema- Mente contrastantes no seio do movimento libertario. As tomadas de posigao radicais, realizadas a grandes Bolpes de argu Para convencer on debater do que para denegrir ou altar, glorific €gitam, de tempos em tempos, o mundo anar Ao ver confrontarem-s Municipalismo, um cAndido poderia crer que se trata de algo de primeirfssima importancia para 0 movi- Mento libertario. Diante de tanta viruléncia, como nao ntos peremptérios, concebidos menos 1 ou estigmatizar, sucederam-se e ainda uista. partidadrios e adversérios do Supor, com efcito, que temos af uma ruptura, ou ao Menos, uma proposicao de ruptura fundamental com tudo o que péde ser pensada e posto em obra anterior Mente na ¢ pela corrente antiautoritéria? Poderia tra fa ar oc je central em de alyy diferente de uma que forno da qual se dk Anarquismo? cide e se esboca o proprio futuro do