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[A Muralha]

Construmos muralhas por todos os lados


para que o olhar no sofresse de imensido
Tiago Fabris Rendelli

Ergueram uma muralha no horizonte


de nosso corao enraizado.
Por todos os lados
as pedras tapam
a imensido furtada
de tuas razes sonferas.
Onde estar a vastido do mundo
j que tu s to pequeno?
Tu s tu mesmo quando repousas
o peso da misria na piedade de terceiros?
Tu s tu mesmo quando
persegues o crepsculo de tua hora
numa nsia nem do dia nem da noite?
Quando rodeias em dana
a cabea do Batista
festejando o esquartejamento
dos santos no sculo?
Quando te vingas dos pssaros
que escrevem no cu
teu nome conjugado
com a morte?
Quando vais ao mercado
ofertar teu sexo de mquina por
bananas nanicas?
Quando beijas algum no por paixo
mas para povoar, num desespero,
teu atiado desejo miservel?

Tu s tu mesmo quando o sono


quebra teu dente
e numa fome de sonmbulo
te empanturras das fatias lazarentas
de teu esprito moderno?
Tu s tu mesmo
quando te omites de ti?
Quando te afugentas da febre
que amanhece tua alma trancafiada?

[Fresta]
(Que paixes cantam os pssaros
para alm desses muros?
De que brincam as crianas
que correm por essa vastido?
Quais as novas cores
desse cu de aquarela?
Que desenhos rabiscam
as nuvens de l?)

Ide! Eu sou a Dinamite


A dilacerar teus estreitos limites
A predar a pedra
que edifica tua ninharia
A lanar veredas
que te lavem os olhos.

Se Creres, hs de despertar
e levantar quando ouvires:
Lzaro, vem para fora.

Pedro Spigolon
(18/5/13 Campinas)