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PATOLOGIA GERAL

PARTE 2

ALTERAÇÕES REVERSÍVEIS E IRREVERSÍVEIS

As lesões celulares podem ser Reversíveis, com restituição da morfostase e da


homeostase e, portanto, da normalidade, e Irreversíveis, cujo processo
caminha para a morte celular. Ambos os termos constituem o grupo das
Alterações Regressivas, ou seja, das lesões relacionadas com as alterações
metabólicas celulares.
Como se trata de alterações metabólicas, os processos regressivos afetam,
originalmente, os sistemas celulares vitais: respiração aeróbica, manutenção
da integridade das membranas, síntese protéica e preservação do aparelho
genético.
Inúmeras são as causas ou os agentes responsáveis pelas alterações
regressivas, sendo divididos em grupos conforme a natureza do agente. Assim,
têm-se os agentes químicos, para designar o grupo das substâncias químicas,
endógenas ou exógenas, que causam injúrias às células (ex.: tetracloreto de
carbono, álcool); os agentes físicos, que agrupam as causas de natureza
mecânica, elétrica, radioativa, de mudanças na temperatura etc.; e os agentes
biológicos, englobando todos os seres vivos capazes de alterar a morfofunção
celular (ex.: vírus, bactérias, fungos). A desnutrição e as anomalias genéticas
também são causas de lesões celulares, constituindo grupos especiais de
agentes agressores, por vezes associados com os grupos anteriores.
Quando o agente agressor entra em contato com a célula, uma intrincada
cascata de reações bioquímicas se inicia em cada sistema celular atingido. A
complexidade dessas reações é tal que é difícil precisar a relação da causa
com o sistema celular lesado. Em muitos casos, mais de um desses sistemas é
vulnerável à causa; em outras ocasiões, a própria célula atingida tem uma
variação no seu grau de adaptação quanto à agressão; a própria duração e a
intensidade desta, por sua vez, determinam diferentes reações nas células.
A hipóxia pode servir como ilustração das complicadas relações envolvidas
nesses mecanismos de lesão, caracterizados, principalmente, por alteração
metabólica na célula, por diminuir, invariavelmente, seus níveis energéticos,
mantidos pelos sistemas vitais.
Significando carência de oxigenação, a hipoxia interfere diretamente na
respiração aeróbica celular, levando, no início, a uma diminuição da
fosforilação oxidativa e dos níveis de ATP. O pouco ATP disponível à célula
induz a uma redução do seu metabolismo. Assim, os processos de síntese de
proteínas estruturais e enzimáticas ficam comprometidos, o que leva a
consequências nocivas à integridade das membranas e à preservação do
aparelho genético.
O exemplo ilustra bem o fato essencial envolvido com as alterações
regressivas: nestas sempre existirá, como causa primária, uma redução
energética celular, cuja origem dispõe de uma quantidade infinita de
possibilidades. Na verdade, o mecanismo de instalação de um processo
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regressivo na célula não segue seqüências lógicas e simplistas como as


dissertadas no exemplo. O reconhecimento de uma alteração regressiva é
baseado na diminuição geral das funções celulares, principalmente de
produção de proteínas, com conseqüências diretas nas membranas e no
núcleo. As degenerações e infiltrações, categorias de alterações regressivas,
são, portanto, manifestações celulares que caracterizam a complexa
desrregulação bioquímica que acomete a célula. Já as lesões irreversíveis são
manifestas pelos processos de necrose (morte celular).

ALTERAÇÕES DE CRESCIMENTO

As alterações de crescimento envolvem variantes morfológicas em que se


notam modificações quantitativas, ou seja, alterações no volume ou no peso de
um órgão ou tecido. Recebem as seguintes nomenclaturas:

ATROFIA: diminuição do volume de uma região ou de um órgão, quando estes


já atingiram a idade adulta (já estão formados). A quantidade de células diminui
devido a carência nutricional, a isquemia da região, a fatores fisiológicos (por
exemplo, na senilidade os tecidos diminuem de volume) ou por desuso do
órgão (por exemplo, a atrofia muscular em indivíduos imobilizados por muito
tempo). Em algumas situações não há diminuição do volume do órgão, mas
suas células são substituídas por fibrose ou células gordurosas, constituindo
também uma espécie de atrofia por haver menos células específicas.

HIPERPLASIA (hiper = excesso; plasia= formação): aumento do número de


células parenquimatosas, que mantêm seu tamanho e função normais. Porém,
o tecido ou órgão hiperplásico tem seu volume aumentado, bem como sua
função. Comum em células lábeis ou estáveis. Ex.: aumento de volume do
tecido conjuntivo fibroso em pacientes portadores de próteses totais
desajustadas. À essa lesão dá-se o nome de hiperplasia fibrosa inflamatória.

HIPERTROFIA (hiper = excesso; trofia = nutrição): aumento do volume celular


provocado pelo aumento individual do tamanho da célula, sem alteração do seu
número. Comum em células permanentes ou estáveis (células musculares,
principalmente). Ex.: atleta halterofilista apresenta suas células musculares
aumentadas.

Tanto a hiperplasia quanto a hipertrofia podem ser de origem hormonal, em


que atuação de hormônios para o aumento da quantidade ou de volume
celular; pode ainda ser compensadora, ou seja, para compensar algum
estímulo; e, por fim, nutricional, em que há aumento da quantidade ou do
volume celular em função do aumento da vascularização no local.

ALTERAÇÕES DE DIFERENCIAÇÃO

As alterações de diferenciação envolvem modificações qualitativas das células,


ou seja, há alterações em seu comportamento. São distinguidas as seguintes
nomenclaturas:
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METAPLASIA (meta = mudança; plasia= formação): uma célula adulta passa a


adquirir características de outro tipo de célula adulta. Pode se desenvolver em
tecidos expostos a prolongados traumatismos ou a irritações crônicas. Ex.: a
célula cilíndrica dos epitélios respiratórios pode adquirir características de
célula escamosa (semelhante a do epitélio cutâneo). Esse processo é
denominado de metaplasia escamosa.

DISPLASIA (dis = diferente; plasia = formação): proliferação celular excessiva,


acompanhada de ausência ou escassez de diferenciação. Precedido por uma
irritação ou inflamação crônica, o processo displásico pode regredir se retirada
a causa irritante. Constitui uma forma reduzida de anaplasia.

ANAPLASIA: desdiferenciação celular, ou seja, as células adultas adquirem


características mais primitivas (embrionárias). Indica desvios da normalidade
mais acentuados do que na displasia, além de ser irreversível. Representa o
melhor critério para o diagnóstico de malignidade dos tumores (neoplasias).

NECROSE

"Morte de uma célula ou de parte de um tecido em um organismo vivo".

A necrose é a manifestação final de uma célula que sofreu lesões irreversíveis.


Segundo Guidugli-Neto (1997), o conceito de morte somática envolve a
"parada definitiva das funções orgânicas e dos processos reversíveis do
metabolismo". A necrose é a morte celular ou tecidual acidental em um
organismo ainda vivo, ou seja, que ainda conserva suas funções orgânicas.
Vale dizer que é natural que a célula morra, para a manutenção do equilíbrio
tecidual. Nesse caso, o mecanismo de morte é denominado de "apoptose" ou
"morte programada".

A etiologia da necrose envolve todos os fatores relacionados às agressões,


podendo ser agrupadas em agentes físicos, agentes químicos e agentes
biológicos:

1) Agentes físicos: Ex.: ação mecânica, temperatura, radiação, efeitos


magnéticos;

2) Agentes químicos: compreendem substâncias tóxicas e não-tóxicas. Ex.:


tetracloreto de carbono, álcool, medicamentos, detergentes, fenóis etc.

3) Agentes biológicos: Ex.: infecções viróticas, bacterianas ou micóticas,


parasitas etc.

Esses agentes provocam o comprometimento dos níveis celulares de


respiração aeróbica, de síntese protéica, de manutenção da integridade das
membranas celulares e de manutenção da capacidade de multiplicação celular
(RNA e DNA). A ação das causas sobre esses sistemas provoca a perda da
homeostase e da morfostase celular de tal forma que a célula perde a sua
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vitalidade. A necrose, assim, abrange alterações regressivas reversíveis que,


em algum ponto e por algum estímulo desconhecido, passam a ser
irreversíveis; instalada a irreversibilidade e a necrose propriamente dita, inicia-
se o processo de desintegração celular (autólise).

As mudanças na morfostase se dão, principalmente, nos núcleos, os quais


apresentam alteração de volume e de coloração à microscopia óptica. Essas
alterações são denominadas de:

1) Picnose: o núcleo apresenta um volume reduzido e torna-se hipercorado,


tendo sua cromatina condensada; característico na apoptose;

2) Cariorrexe: a cromatina adquire uma distribuição irregular, podendo se


acumular em grumos na membrana nuclear; há perda dos limites nucleares;

3) Cariólise ou cromatólise: há dissolução da cromatina e perda da coloração


do núcleo, o qual desaparece completamente.

Já as modificações citoplasmáticas observadas ao microscópio óptico (essas


modificações são secundárias às nucleares, sendo visíveis mais tardiamente)
consistem na presença de granulações e espaços irregulares no citoplasma.
Este torna-se opaco, grosseiro, podendo estar rompida a membrana
citoplasmática. Intensa eosinofilia é característica, decorrente de alterações
lisossomais e mitocondriais.

As mudanças na homeostase ainda constituem capítulo obscuro na patologia


segundo Guidugli-Neto (1997). Estudos moleculares têm mostrado que o
primeiro evento observado é a alteração na bomba de sódio e potássio,
provocando edema intracelular. O metabolismo celular é mantido graças à
glicólise; acabando-se a reserva de glicogênio, ácidos são acumulados no
interior da célula (principalmente ácido lático), o que leva à diminuição do pH. A
acidez provoca a liberação de enzimas lisossomais, o que gera a hidrólise de
proteínas essenciais para a célula (processo denominado de autólise)
(Guidugli-Neto, 1997).Observa-se que a perda da homeostase envolve o
sistema respiratório celular (as mitocôndrias), o sistema enzimático (os
lisossomas) e o sistema de membranas, o qual parece ter um papel crucial
para o estabelecimento de lesões irreversíveis na célula.

TIPOS DE NECROSE

Diante das diversas formas de manifestação da necrose, existem inúmeras


classificações para os seus diferentes tipos. Segundo Guidugli-Neto (1997), as
necroses podem ser:

1) Necrose por coagulação (= isquêmica): causada por isquemia do local. É


freqüentemente observada nos infartos isquêmicos. Há perda da nitidez dos
elementos nucleares e manutenção do contorno celular devido à permanência
de proteínas coaguladas no citoplasma, sem haver rompimento da membrana
celular.
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2) Necrose por liquefação: o tecido necrótico fica limitado a uma região,


geralmente cavitária, havendo a presença de grande quantidade de neutrófilos
e outras células inflamatórias (os quais originam o pus). É comum em infecções
bacterianas. Pode ser observada nos abscessos e no sistema nervoso central,
bem como em algumas neoplasias malignas.

3) Necrose caseosa: tecido esbranquiçado, granuloso, amolecido, com


aspecto de "queijo friável". Microscopicamente, o tecido exibe uma massa
amorfa composta predominantemente por proteínas. É comum de ser
observada na tuberculose, em neoplasias malignas e em alguns tipos de
infarto. Na sífilis, por ter consistência borrachóide, é denominada de necrose
gomosa.

4) Necrose fibrinóide: o tecido necrótico adquire uma aspecto hialino,


acidofílico, semelhante a fibrina. Pode aparecer na ateroesclerose, na úlcera
péptica etc.

5) Necrose gangrenosa: provocada por isquemia ou por ação de


microrganismo. Pode ser úmida ou seca, dependendo da quantidade de água
presente. A úmida freqüentemente envolve a participação de bactérias
anaeróbias, as quais promovem uma acentuada destruição protéica e
putrefação. Comum em membros inferiores e em órgãos internos que entraram
em contato com o exterior, como pulmões e intestino.

6) Necrose enzimática: ocorre quando há liberação de enzimas nos tecidos; a


forma mais observada é a do tipo gordurosa, principalmente no pâncreas,
quando pode ocorrer liberação de lipases, as quais desintegram a gordura
neutra dos adipócitos desse órgão.

7) Necrose hemorrágica: quando há presença de hemorragia no tecido


necrosado; essa hemorragia às vezes pode complicar a eliminação do tecido
necrótico pelo organismo.

O tecido necrótico pode evoluir para calcificação distrófica, cicatrização ou


mesmo regeneração.

DEGENERAÇÃO

“A DEGENERAÇÃO é um processo regressivo reversível, resultante de


lesões não-letais, em que são manifestadas alterações morfológicas e
funcionais da célula”.

“A INFILTRAÇÃO também é um processo regressivo reversível, cujas


alterações morfológicas e funcionais estão localizadas
no interstício”.
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A característica básica desse grupo de lesões é o seu caráter de


reversibilidade, ou seja, de recuperação da homeostase e da morfostase.
Pertencem ao grupo das degenerações as alterações hídricas, lipídicas e
protéicas, estas últimas também compondo o grupo das infiltrações, levando a
alterações hialinas.
Para cada tipo de alteração regressiva reversível serão descritos os principais
processos patológicos envolvidos, salientando principalmente a sua
etiopatogenia.

ALTERAÇÕES HÍDRICAS INTRACELULARES


INCHAÇÃO TURVA (ou EDEMA CELULAR)

“Rápida entrada de água para o interior da célula”.

A inchação turva é, geralmente, a primeira manifestação de um processo


regressivo apresentado pela célula agredida. Considerando a premissa básica
de que as alterações regressivas são fruto de diminuições energéticas
celulares, um dos primeiros mecanismos que seria afetado seria o do
transporte de água e de íons entre os meios interno e externo à célula; essa
hipótese explicaria esse pioneirismo da inchação turva sob os demais tipos de
alterações regressivas, dado que sua patogenia está diretamente ligada aos
distúrbios hidroeletrolíticos celulares.
A expressão “rápida entrada de água” constitui o núcleo do conceito de
inchação turva para caracterizar o aspecto de anormalidade envolvido com
esse processo. A inchação turva, nesse caso, representa o aumento da
intensidade dessa função celular, levando a quebra da homeostase celular
(heterometria).
A teoria para explicar o distúrbio hidroeletrolítico presente na inchação turva
refere-se ao mau funcionamento da bomba de sódio e potássio. Acredita-se
que essa bomba esteja localizada na membrana plasmática e que sofreria as
conseqüências oriundas das alterações dessa membrana provocadas por uma
agressão -- seja ela química, mecânica ou biológica -- na célula. O equilíbrio da
relação água/íons no interior celular estariam, pois, diretamente relacionados à
manutenção dos níveis energéticos celulares e à integridade das membranas.
A patogenia envolvida com essa alteração regressiva refere-se a um
desequilíbrio iônico entre o Na e o K. O Na fica retido intracelularmente, o que
provoca a rápida entrada de água na célula e a retenção de K
extracelularmente. A ausência do potássio no meio intracelular contribui para
uma diminuição da atividade mitocondrial, uma vez que esse íon é essencial
para o funcionamento da mitocôndria. Resultado disso é uma queda ainda
maior dos níveis de ATP, devido ao comprometimento do sistema aeróbico
celular, o que contribui para o agravamento do quadro de edema celular.

DEGENERAÇÃO VACUOLAR (ou ALTERAÇÃO HIDRÓPICA)

Diante da persistência dessa etiopatogenia, pode evoluir para a , que se


caracteriza por ser um...
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“...estado mais avançado de edema celular em que se observam maior


quantidade de água nas organelas, presença de formas granulares e
grande número de vacúolos citoplasmáticos”.

ALTERAÇÕES LIPÍDICAS (Esteatose)

“Acúmulo de gordura neutra no citoplasma


da célula agredida”.

Conforme o conceito citado, a esteatose refere-se a um acúmulo intracelular


lipídico. Esse acúmulo envolve alterações nos processos celulares de
armazenagem de gorduras.
A armazenagem normal de gordura neutra nas células é feita por intermédio da
ligação físico-química dessa substância com fosfolípides (lipídeos combinados
com fósforo). Essa ligação promove a formação de uma estrutura cilíndrica na
qual há o “mascaramento” da gordura neutra, ou seja, esta não fica visível
microscopicamente. A estabilidade dessa estrutura depende, entre outros
fatores, da manutenção da proporção entre fosfolipídios e gordura. A não-
visualização de elementos gordurosos nas células durante o exame
microscópico é, portanto, indicativo de homeostase e morfostase.
A esteatose se origina da alteração dessa proporção devido ao
comprometimento da síntese de fosfolípideos. Há uma diminuição da produção
de fosfolipídeos devido a quedas metabólicas das células, o que indica que
houve uma agressão e perda da homeostase. Com a redução de fosfolípides,
há uma mudança no arranjo físico-químico entre essa substância e a gordura
neutra, que fica “desmascarada”, ou seja, torna-se microscopicamente visível e
corável. O acúmulo de gordura neutra é, então, produto da mudança da relação
fosfolipídios/gordura neutra intracelular.
As causas mais comuns de mudança metabólica na célula que originam a
esteatose podem ser:
• Tóxica: substância tóxica que provoque diminuição do metabolismo
celular. Ex.: álcool, tetracloreto de carbono.
• Anóxica: falta de oxigênio leva à queda de ATP, diminuindo, assim, a
síntese de fosfolipídios pela redução metabólica.
Nutricional: carência nutricional induz uma diminuição na quantidade de
moléculas fosfolipídicas, alterando a sua relação com a gordura neutra,
tornando o componente lipídico visível na célula. Uma dieta rica em gorduras
também pode originar a esteatose. A absorção direta desses lipídios pela
célula provoca o acúmulo gorduroso no citoplasma. Nesse caso, entretanto,
não existe redução metabólica celular, mas a absorção de gorduras pelas
células encontra-se desequilibrada devido à concentração lipídica extracelular,
o que estimula a absorção celular.
O fígado é um dos orgão mais afetados pela esteatose, além do coração e dos
rins, por participar diretamente no mecanismo de metabolização das gorduras.
Resumidamente, as gorduras são absorvidas pelo intestino, passam para o
sangue e chegam ao fígado, orgão responsável pela oxidação dos ácidos
graxos e pela mobilização de mais gordura dos depósitos adiposos quando
esta é necessária. As células hepáticas são, pois, mais sensíveis a solventes
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de gorduras, como o tetracloreto de carbono, o clorofórmio e o álcool. Esses


agentes podem atuar diretamente na estrutura da gordura ou agir sobre a
mitocôndria da célula, comprometendo a sua função. A falta de oxigênio
(anóxia) e de alimentos ricos em triglicerídeos ou o excesso destes (nutrição),
por exemplo, podem, respectivamente, modificar o funcionamento da célula
hepática e a mobilização de gorduras feita por ela.

ALTERAÇÕES LIPÍDICAS (Ateroesclerose)

“Degeneração associada à presença de gorduras, específica da


túnica íntima das artérias elásticas de grande calibre”.

A ateroesclerose é um processo patológico reversível (ainda que difícil) em que


se observa alteração da estrutura da camada íntima das grandes artérias
decorrente da presença heterotópica de gorduras.
A parede das artérias elásticas de grande calibre é composta por 3 camadas
denominadas de camada adventícia ou externa, camada média ou muscular e
camada íntima. A camada íntima, de interesse na ateroesclerose, é formada
por células endoteliais, fibras elásticas delicadas, alguns fibroblastos e alguns
macrófagos. Essa camada é a que mantém contato direto com o fluxo
sanguíneo.
A patogenia da ateroesclerose envolve estímulos agressores que, atuando na
parede endotelial, provocam o aparecimento de fendas na camada íntima.
Estas, durante o fluxo sangüíneo, recebem o plasma composto por substâncias
de baixo peso molecular — em especial os lipídios —, que passam a se
armazenar nas células dessa camada. A presença heterotópica das gorduras
inicia a mudança estrutural da parede endotelial das grandes artérias.
As alterações na estrutura das paredes vasculares sofrem evoluções que
contribuem para o agravamento da ateroesclerose. Pode-se dividir essas
alterações em duas fases:
• Fase de estrias lipoídicas: as células com gordura armazenada ficam
dispostas em sentido longitudinal, formando verdadeiras estrias de
gordura.
Fase de placas de ateroma: as células passam a se agrupar em vários
sentidos, originando placas gordurosas. Os elementos celulares localizados
mais profundamente nessa estrutura morrem devido à carência nutricional. A
placa, inicialmente amarelada pela predominância de gordura, assume
coloração esbranquiçada devido à presença de uma cápsula fibrosa
envolvendo os restos celulares.
A instalação do processo de ateroesclerose pode originar complicações. Uma
mudança na estrutura da parede endotelial pode induzir ao aparecimento de
ulcerações, embolia, calcificação, obstrução ou dilatação do vaso e
hemorragias. Esses itens serão estudados mais adiante.

ALTERAÇÕES PROTÉICAS (do tipo hialina)

"Alterações regressivas celulares que provocam o


aparecimento de material nos tecidos cujo aspecto é róseo e
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vítreo nos preparos histológicos corados por hematoxilina e


eosina".

O material citado no conceito acima é denominado de hialino. Descrito


histologicamente, a presença desse material intra ou extracelularmente é
indicativo da ocorrência de agressões celulares.
O material hialino é constituído predominantemente por proteínas - mais
comumente representadas por fibras, como a colágena - e uma pequena
quantidade de carbohidratos. Envolvendo, pois, proteínas, o aparecimento do
material hialino intra ou extracelularmente pode ser atribuído a alterações
celulares no mecanismo de metabolização protéica, que é mantido
normalmente por um equilíbrio entre a síntese e a degradação dessas
substâncias.
As alterações hialinas intracelulares podem representar, além de lesão celular,
também acúmulo de substâncias estranhas no interior do citoplasma. O
corpúsculo de Russell constitui um exemplo, em que há acúmulo de
imunoglobulinas (do tipo IgG) no interior de plasmócitos. A célula fica com uma
coloração intensamente eosinofílica devido a esse acúmulo protéico.
Os hialinos extracelulares estão localizados nos processos de
arterioloesclerose, de hialinização com fibras colágenas e de amiloidose.

ALTERAÇÕES PROTÉICAS (do tipo hialinas)

ARTERIOLOESCLEROSE

"Alteração da túnica média das paredes das arteríolas, que


passam a apresentar material hialino como substituto do tecido
muscular liso presente nessa camada".

A arterioloesclerose constitui um mecanismo patológico comum em indíviduos


senis, diabéticos e/ou hipertensos. O estresse metabólico presente nesse
indíviduos contribui para a alteração estrutural das arteríolas, fato decorrente
do mecanismo patogênico da arterioloesclerose.
As arteríolas de maior diâmetro possuem três camadas (ou túnicas) em sua
parede: camada íntima, camada média e camada externa. A túnica média
normal, de particular interesse na arterioloesclerose, é composta basicamente
por células musculares lisas dispostas circularmente. Essas células diminuem
de tamanho à medida que o vaso reduz o seu calibre (Cotran et al., 1996).
O mecanismo de formação da arterioloesclerose pode ser explicado pela
deposição excessiva de matriz fibrinóide pelas células musculares lisas da
túnica média do vaso. O material hialino citado no conceito inicial é composto
por essa matriz fibrinóide heterométrica.
A presença de material hialino nas arteríolas traz como conseqüência uma
diminuição da luz vascular, o que prejudica a irrigação sanguínea do local
afetado.
O termo arterioloesclerose, na verdade, é indicativo, clinicamente, de
espessamento arteriolar, cujas causas podem ser, como já foi dito, pela
deposição de material hialino ou pelo aumento da quantidade de células
musculares lisas.
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Observações da sua presença podem ser feitas já em indivíduos de idade


precoce, figurando como manifestação do processo gradativo de
envelhecimento dos vasos. A evolução dessas manifestações pode caminhar
para o acometimento de vasos maiores, sendo indicativa como um sinal inicial
da ateroesclerose. Entretanto, essa evolução é dependente dos mesmos
fatores anteriormente citados para a ateroesclerose, como hipertensão,
diabetes, stress etc.

ALTERAÇÕES PROTÉICAS (do tipo hialinas)

Hialinização por fibras colágenas

O processo de hialinização por fibras colágenas se desenvolve nos casos em


que ocorrem reações heterólogas nos mecanismos de cicatrização. Pode
constituir os quelóides e as cicatrizes de ferimentos extensos. Há perda de
elasticidade dos tecidos de cicatrização, que se tornam mais brilhantes e mais
rígidos clinicamente.
As fibras colágenas, constituinte básico dos tecidos de cicatrização, são
formadas, em suma, por cadeias protéicas interligadas por pontes de enxofre.
A hipótese mais aceita para a hialinização com fibras colágenas em processos
cicatriciais envolve o aumento das pontes de enxofre entre essas cadeias
protéicas, conferindo às fibras colágenas uma perda de sua elasticidade normal
e um certo encurtamento. Conseqüência disso é a característica hialina
adquirida pelos tecidos cicatriciais, ou seja, estes "se tornam mais brilhantes e
mais rígidos".
A intensa produção de colágeno em processos degenerativos pode originar o
aparecimento de material hialino. Quando há intensa reação inflamatória, por
exemplo, a deposição colagênica pode originar grandes massas acidofílicas. É
comum observar esse aparecimento em cavidades serosas ou císticas.

AMILOIDOSE

“Deposição de material hialínico de natureza protéica no


interstício, de maneira localizada ou generalizada”.

O aparecimento da amiloidose envolve mecanismos relacionados à síntese


protéica e às atividades dos macrófagos. Uma provável degeneração
macrofágica, com redução metabólica nessa célula e uma conseqüente
diminuição de sua atividade lisossômica, constitui umas das hipóteses para
explicar a patogenia da amiloidose. Como resultado desse comprometimento
da função lisossômica macrofágica, ocorre um acúmulo de substâncias
protéicas não digeridas em seu citoplasma. A secreção das mesmas no
interstício origina o que é denominado, microscopicamente, de substância
amilóide. Esta é, portanto, conforme o conceito enfatiza, de natureza protéica,
encontrada localmente ou de forma generalizada.
A amiloidose, além de poder ser localizada ou generalizada, possui outras
classificações.
1. Amiloidose primária: não existe uma causa evidente para o
aparecimento da amiloidose;
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2. Amiloidose secundária: o aparecimento da amiloidose se correlaciona


com causas primárias, como uma inflamação crônica;
3. Amiloidose em cânceres;
4. Amiloidose em forma de tumores isolados;
5. Amiloidose com padrões hereditários;
6. Amiloidose associada à senilidade.
De modo geral, a substância amilóide pode ser observada em praticamente
todos os tecidos, principalmente em aqueles com grandes destruições, como
as inflamações crônicas, cujos produtos de degradação poderiam desencadear
processos imunológicos e levar a deficiências macrofágicas. Daí se ter o
envolvimento dos macrófagos na etiopatogenia deste processo, dado que essa
célula tem função tipicamente pertencente ao sistema de defesa do organismo.
O mesmo se daria com tecidos neoplásicos, onde se observam reações
imunitárias exacerbadas.
A substância amilóide assume uma coloração róseo-avermelhada quando
corada com o vermelho-congo. Essa característica é que a diferencia dos
outros tipos de substâncias hialinas (como fibrina, colágeno) ao exame
microscópio. As moléculas desse corante ligam-se às fibrilas protéicas que
compõem a substância amilóide. Essa composição protéica é responsável por
95% da constituição do amilóide; os 5% restantes constituem glicoproteínas.
Existem 15 composições protéicas diferentes já estabelecidas para essa
substância (Cotran et al., 1996). A mais comumente encontrada é composta
por imunoglobulinas, originárias de plasmócitos.
As conseqüências da amiloidose variam de acordo com o grau de
comprometimento do órgão. Este, com volume aumentado, tem sua função
diminuída devido à presença física da substância amilóide sobre a parede
vascular ou à compressão do parênquima do órgão.

CALCIFICAÇÃO

“Calcificação heterotópica sobre matriz orgânica não previamente


preparada”.

A calcificação patológica constitui um processo mórbido de origem nas


alterações metabólicas celulares. Essas alterações induzem a uma deposição
anormal de sais de cálcio e outros sais minerais heterotopicamente, ou seja,
em locais onde não é comum a sua deposição. Em outras palavras, a
calcificação patológica é assim definida por se localizar fora do tecido ósseo ou
dental, em situações de alteração da homeostase e da morfostase.
O mecanismo das calcificações patológicas segue o mesmo princípio das
calcificações normais, ou seja, sempre deve se formar um núcleo inicial,
principalmente de hidroxiapatita, que no caso é heterotópico. Esse núcleo
pode, por exemplo, iniciar-se nas mitocôndrias, sede celular dos depósitos
normais de cálcio na célula, quando esta entra em contato com grandes
concentrações desse íon no citosol ou no líquido extracelular.
Dependendo da situação envolvida em cada alteração funcional ou morfológica
do tecido, podem-se distinguir três tipos de calcificação heterotópica: distrófica,
metastática e por calculose (ou litíase).
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CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA

“Incrustração de sais em tecidos previamente lesados, com processos


regressivos ou necrose”.

Como o próprio conceito enfatiza, a calcificação distrófica se relaciona com


áreas que sofreram agressões e que apresentam estágios avançados de
lesões celulares irreversíveis ou já necrosadas. Nesse último caso, por
exemplo, é comum observar calcificações distróficas nas paredes vasculares
de indivíduos senis com ateroesclerose, cujo processo se caracteriza por
presença de necrose no endotélio vascular devido à deposição de placas de
ateroma.
A patogenia da calcificação distrófica ainda não está bem estabelecida;
algumas teorias foram criadas em função dos fatores que regulam as
calcificações normais, como a teoria dos sabões, aplicável para a
ateroesclerose.
Esses fatores geralmente implicam a formação exagerada ou a secreção
aumentada de fostato de cálcio e carbonato de cálcio, os quais são
responsáveis pela formação inicial dos núcleo de calcificação. Os mais bem
estudados são:
1. Fosfatase alcalina: Comumente observada nos processos normais de
calcificação. Nos tecidos lesados é aumentada a sua liberação, o que
facilita a formação de fosfato de cálcio.
2. Alcalinidade: nos tecidos necrosados, a alcalinidade está aumentada,
provocando uma diminuição da solubilidade do carbonato de cálcio.
Este, agora menos solúvel, precipita-se mais facilmente.
3. Presença de proteínas extracelulares: acredita-se que algumas
proteínas, como o colágeno, possuem afinidade pelos íons cálcio,
principalmente nos processos normais de calcificação. Em tecidos
necrosados, essas proteínas podem estar "descobertas", mais livres
para associação com o cálcio, estimulando a deposição destes sobre
essa matriz protéica.
Sendo comum em áreas necrosadas, portanto sem função, a calcificação
distrófica não traz maiores conseqüências para o local. É, antes de tudo, um
sinal da existência de uma lesão prévia. Se, porém, ocorrer em locais com
funções com mobilidade (por exemplo, as articulações sinoviais), pode
comprometer essa atividade. Além disso, sua presença nos casos de
ateroesclerose provoca deformações nos vasos, induzindo à trombose.
A calcificação distrófica pode estar presente no tecido pulpar com alterações
regressivas. Essa situação é observada em casos de dentes com cáries, mal
restaurados ou com doença periodontal. A calcificação nesses casos pode ser
nodular ou difusa; em algumas situações, pode haver a formação de cálculos
pulpares a partir desse núcleo inicial de calcificação distrófica. Clinicamente, a
presença dessas calcificações no tecido pulpar podem levar a complicações
irreversíveis, levando à extirpação total deste, como é o caso da figura ao lado.

CALCIFICAÇÃO METASTÁTICA
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“Calcificação heterotópica provocada pelo aumento da calcemia em


tecidos onde não exista necessariamente lesão prévia”.

A calcificação metastática não tem sua causa primária fundamentada nas


alterações regressivas teciduais, mas sim em distúrbios dos níveis sanguíneos
de cálcio, ou seja, da calcemia.
A calcificação metastática é originada de uma hipercalcemia. Essa situação
pode ser devida à remoção de cálcio dos ossos (comum em situações de
cânceres e inflamações ósseas, imobilidade, hiperparatireoidismo) ou à dieta
excessivamente rica desse íon. Aumentando os níveis de cálcio,
imediatamente a relação desse íon e o fosfato é desequilibrada, o que contribui
para a combinação de ambos e para a sua posterior precipitação nos tecidos
que entram em contato com essas altas concentrações calcêmicas.
Os tecidos calcificados metastaticamente — como pulmão, vasos sanguíneos,
fígado e mucosa gástrica — podem ter sua função comprometida. Entretanto, a
situação de hipercalcemia é mais preocupante clinicamente do que a
calcificação em si.

CALCULOSE OU LITÍASE

“Calcificação em estruturas tubulares diferentes


de vasos sangüíneos”.

A calculose ou litíase não difere muito dos padrões de formação da


calcificação distrófica. Sua particularidade reside no fato de se localizar em
estruturas tubulares diferentes dos vasos sanguíneos, mantendo, ainda, a
característica de heterotopia inerente às calcificações patológicas.
A patogenia de formação dos cálculos se resume, iniciamente, na formação de
um núcleo calcificado de forma distrófica; esse núcleo se desloca para a luz do
ducto, onde cresce devido a sucessivas incrustrações ao redor de sua
estrutura. Todo o mecanismo é facilitado pelos fatores já citados anteriormente,
isto é, principalmente pela presença de pH alcalino e pela concentração de
carbonato de cálcio e de fosfato de cálcio no local.
A calculose pode levar à obstrução, à lesão ou à infecção de ductos,
principalmente do pâncreas, da glândula salivar, da próstata e dos tratos
urinário e biliar.

PIGMENTAÇÃO

"Alteração no grau de pigmentação do interior das células."

O acúmulo anormal de pigmentos ou a sua diminuição também são indicativos


de que a célula sofreu agressões. Uma pigmentação anormal é mais um sinal
de perda da homeostase e da morfostase celular, portanto, é patológica.
A pigmentação patológica pode ser exógena, cujos pigmentos são de origem
externa ao organismo, ou endógena, formada a partir de pigmentos naturais do
corpo.
14

PIGMENTAÇÃO EXÓGENA

"Pigmentação por pigmentos de origem


externa ao corpo."

A pigmentação exógena pode ser dividida nos seguintes tipos:

ANTRACOSE: pigmentação por sais de carbono. Comum sua passagem pelas


vias aéreas, chegando aos alvéolos pulmonares e ao linfonodos regionais por
intermédio da fagocitose do pigmento. A antracose em si não gera grandes
problemas, mas sua evolução pode originar disfunções pulmonares graves,
principalmente em profissionais que constantemente entram em contato com a
poeira de carvão. Cor: varia do amarelo-escuro ao negro.

SIDEROSE: pigmentação por óxido de ferro. Cor: ferrugem.

ARGIRIA: pigmentação por sais de prata. Geralmente é oriunda por


contaminação sistêmica por medicação, manifestando-se principalmente na
pele e na mucosa bucal. Cor: acinzentada a azul-escuro e enegrecida se a
prata sofrer redução.

BISMUTO: Atualmente é rara de ser vista, sendo comum na terapia para sífilis.
Cor: enegrecida.

É importante ressaltar que a patologia das pigmentações centra-se no fato de


que estão presentes não somente cores diferentes no local, mas também, e
principalmente, substâncias estranhas aos tecidos, provocando as chamadas
reações inflamatórias. Os agentes pigmentadores exógenos, assim,
constituem, antes de mais nada, fatores de agressão, ao contrário dos agentes
pigmentadores endógenos, naturais no organismo, cuja presença indica que o
tecido está sofrendo algum tipo de agressão não necessariamente provocado
pelo pigmento.

PIGMENTAÇÃO ENDÓGENA

"Pigmentação por pigmentos produzidos dentro do corpo".

A pigmentação endógena pode ser dividida em dois grupos: grupo dos


pigmentos hemáticos ou hemoglobinógenos, oriundos da lise da hemoglobina,
e grupo dos pigmentos melânicos, originados da melanina.

PIGMENTOS HEMÁTICOS OU HEMOGLOBINÓGENOS


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Esses pigmentos se originam da hemoglobina, proteína composta por quatro


cadeias polipeptídicas e quatro grupos heme com ferro no estado ferroso (Fe+
+). Sua porção protéica é chamada de globina, consistindo de duas cadeias
alfa e duas beta (as cadeias alfa têm forma helicoidal). A lise dessa estrutura
origina os pigmentos denominados de hemossiderina e bilirrubina.
Hemossiderina: resultado da polimerização do grupo heme da hemoglobina, a
hemossiderina é uma espécie de armazenagem do íon ferro cristalizado. Este
se acumula nas células, principalmente do retículo endotelial. É originada da
lise de hemácias, de dieta rica em ferro ou da hemocromatose idiopática
(alteração da concentração da hemoglobina nos eritrócitos).Sua cor é amarelo-
acastanhado.
Porfirinas: pigmento originado semelhantemente à hemossiderina, sendo
encontrado mais na urina em pequena quantidade. Quando há grande
produção deste, pode ocasionar doenças denominadas de "porfirias".
Bilirrubina: é o produto da lise do anel pirrólico, sem a presença de ferro.
Conjugada ao ácido glucurônico pelo hepatócito, a bilirrubina torna-se mais
difusível, não se concentrando nas células que fagocitam hemáceas, o que
provoca um aumento generalizado desse pigmento, denominado de icterícia.
Tem sua origem nos casos de lise hemática, de doença hepatocítica ou de
obstrução das vias biliares. Acredita-se, hoje, que a bilirrubina seja originada da
hematoidina, pigmento que se cristaliza próximo às hemácias rompidas.
Hematoidina: pigmento de coloração mais amarelada que a hemossiderina,
apresentando granulação sob a forma de cristais bem nítidos. Também não
possui ferro, semelhantemente à bilirrubina. Forma-se em locais com pouco
oxigênio.
Esses pigmentos são naturalmente encontrados no organismo. Heterotopias ou
heterometrias envolvidas com a produção deles, entretanto, indicam que há
alguma alteração no metabolismo das hemácias ou dos hepatócitos,
respectivamente para a hemossiderina e bilirrubina.

PIGMENTOS MELÂNICOS

Produzida por melanoblastos, a melanina tem cor castanho-enegrecida, sendo


responsável pela coloração das mucosas, pele, globo ocular, retina, neurônios
etc. O processo de síntese da melanina é controlado por hormônios,
principalmente da hipófise e da supra-renal, e pelos hormônios sexuais. Casos
de alterações nessas glândulas podem acarretar em aumentos generalizados
da melanina. Exposições aos raios ultra-violeta também provocam esses
efeitos.
Os aumentos localizados da melanina podem se manifestar sob as seguintes
formas:
Nevus celulares: localização heterotópica dos melanoblastos (camada basal
da epiderme).Os nevus podem ser planos (ditos juncionais) ou elevados
(dérmicos ou intradérmicos).
Melanomas: manchas escuras, de natureza cancerosa. Há o aumento da
quantidade de melanócitos, os quais encontram-se totalmente alterados,
originando esse tumor maligno. Em geral, os melanomas são destituídos de
pigmentação melânica devido à natureza pouco diferenciada do melanócito.
Efélides ou Sardas: hiperpigmentação na membrana basal causada por
melanoblastos.
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Mancha mongólica: mancha clara, principalmente na região do dorso e sacral.


Como diminuição localizada da pigmentação melânica tem-se:
Vitiligo: comum nas mãos; causada pela diminuição da quantidade de
melanócitos produtores de pigmento na epiderme, manifestando-se
clinicamente como manchas apigmentadas.
Albinismo: forma recessiva e autossômica; localizada principalmente na
região do crânio; os melanócitos encontram-se em número normal, mas não
produzem pigmento.

NEOPLASIAS

As neoplasias podem ser conceituadas como:

"Proliferações locais de clones celulares cuja reprodução foge ao controle


normal, e que tendem para um tipo de crescimento autônomo e progressivo, e
para a perda de diferenciação."

O conceito indica bem a origem da palavra "neoplasia": "neo"= novo; "plasia" =


formação. O crescimento autônomo de uma população celular, bem como a
liberdade de diferenciação (a perda da diferenciação pode ser entendida como
uma ação que a célula adquire de se especializar segundo novas regras,
interpretada por nós como sendo uma perda da diferenciação normal) indicam
que há um novo tecido se formando no local.

Alguns autores chamam as neoplasia de "tumor", a despeito de esse termo se


referir a qualquer aumento de volume (lembre-se do sinal cardinal "tumor" nas
inflamações) não necessariamente neoplásico. Trata-se de um convenção cuja
adoção e proposta devem ser sempre esclarecidos pelo grupo que a adota.

Um ponto importante desse novo tecido no local, com características próprias,


é que as células que o compõem estão alteradas geneticamente (a teoria de
que a origem das neoplasias, bem como dos demais grupos de patologias está
no código genético está cada vez mais forte hoje, haja visto o projeto genoma,
de âmbito mundial...). Isso indica que a célula-mãe, estando alterada
geneticamente, passará essa alteração para as células-filhas. Esse fato, aliado
ao desconhecimento do mecanismo completo de formação das neoplasias e de
sua etiologia, fazem destas um grupo de patologias de cura difícil e de
inúmeros investimentos em pesquisa no mundo inteiro.

ETIOLOGIA

Os agentes causadores das neoplasias ainda constituem um mistério. Devido à


complexidade de alterações celulares presentes, ainda não se conseguiu isolar
o agente agressor. De qualquer forma, estes foram agrupados como se segue,
tendo uma participação no mecanismo neoplásico ainda não muito bem
definido.
17

As pesquisas envolvendo a etiologias das neoplasias abordam uma possível


origem a partir da alteração direta do DNA. Isso implica que o agente agressor
foi de tal ordem que suplantou os mecanismos de reparação do DNA
naturalmente disponíveis. Acredita-se hoje que, para uma célula se tornar
neoplásica, são necessárias inúmeras mutações, ou seja, várias modificações
no código genético em intervalos de tempo distintos para que a célula adquira
fenótipo neoplásico. Vale dizer que uma célula normalmente sofre mutações no
decorrer do seu ciclo (segundo Guidugli-Neto (1997), cerca de 1000000
mutações ocorrem no ciclo normal celular, devido à imperfeição do nosso
sistema de reparo do DNA).

Em termos genéticos, os genes alterados e ditos promotores das neoplasias


são denominados de oncogenes. Esses oncogenes podem ter sua alelo ativo
ou inativo (nesse último caso, conhecido como "proto-oncogene); produzem
grande quantidade de proteínas, as quais já bem conhecidas e pesquisadas.
Essas proteínas podem servir futuramente como fonte de diagnóstico precoce
neoplasia, por intermédio de sua detecção (utilizando sistemas de marcação
protéica de de rastreamento genético) já nos primeiros momentos da formação
da célula neoplásica.

Um outro mecanismo de origem das neoplasias envolveria os agentes


epigenéticos, ou seja, que causariam alterações na expressão do DNA mas
não diretamente em sua estrutura. Um exemplo são alguns agentes químicos
que promovem a carcinogênese (origem do câncer) não por lesão direta da
estrutura do DNA, mas provavelmente por selecionarem e facilitarem a
viabilidade de alguns elementos celulares já mutados.

Didaticamente, os agentes neoplásicos podem ser divididos em:

AGENTES FÍSICOS

a) energia radiante: representadas pela radiação ultra-violeta e pelo raio X.


Provocaram danos diretos à estrutura do DNA.

b) energia térmica: principalmente exposições constantes ao calor ou


queimaduras, envolvendo principalmente lesões em pele. A constante
exposição ao calor implica um alto grau de renovação celular, principalmente
do epitélio cutâneo, o que faz com que a célula se multiplique constantemente,
aumentando a probabilidade de mutações. Carcinoma epidermóide (neoplasia
maligna epitelial) em lábio inferior é muito comum em países tropicais, acredita-
se devido à grande exposição sol e à fragilidade do revestimento cutâneo e
mucoso dessa região labial.

AGENTES QUÍMICOS

a) corantes: as anilinas, por exemplo, têm sido relacionadas ao


desenvolvimento de cânceres no trato urinário.

b) fumo: a queima do tabaco também pode ser um agente promotor de


transformação maligna.
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AGENTES BIOLÓGICOS

a) virais: o DNA-vírus incorpora-se ao genoma humano ou participa


diretamente dos mecanismos de multiplicação celular, incluindo suas proteínas
nesse processo. Os RNA-vírus, ao contrário, copiam seqüências genéticas
humanas e passam a interferir diretamente nos mecanismos celulares.
Acredita-se hoje que muitos vírus participem dos processos neoplásicos haja
visto sua interferência no genoma humano. Os mais estudados são o HPV
(papilomavírus humano), como possível causador de carcinomas de colo
uterino, e o citomegalovírus, como causador de linfomas.

b) bacterianos: ainda não se conhece bem a participação de bactérias no


mecanismo de formação neoplásica (alguns autores nem acreditam que tenha
participação); contudo, têm sido fonte também de pesquisas

NOMENCLATURA

A nomenclatura das neoplasias benignas segue a regra de se acrescentar o


sufixo oma ao nome do tecido de origem. Ex.: papiloma (origem do epitélio
escamoso), adenoma (origem do epitélio glandular), fibroma (do tecido
conjuntivo), lipoma ( do tecido adiposo) etc.

Para os tumores malignos, utiliza-se a expressão carcinoma para os de origem


epitelial e sarcoma para os de origem mesenquimal. Ex.: carcinoma
epidermóide (origem do epitélio escamoso), adenocarcinoma (epitélio
glandular); fibrossarcoma (tecido conjuntivo), osteossarcoma (origem do tecido
ósseo) etc. Para algumas neoplasias malignas, porém, utiliza-se a regra de
nomenclatura das benignas. Ex.: linfomas (origem mesenquimal
hematopoiética), melanoma (origem epitelial).

Vale dizer que a nomenclatura desse grupo de lesões está em constante


modificação e comporta certa incoerências de padronização (como é caso das
lesões ditas exceções, como os linfomas, por exemplo, reconhecidamente
malignos mas com nomenclatura de benignos). Às vezes, uma lesão já
sabidamente não-neoplásica ainda comporta uma nomenclatura com o sufixo
"oma"; é o caso de "granuloma" (processo inflamatório crônico).

CLASSIFICAÇÃO

CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS MACROSCÓPICAS


Neoplasias
Critérios Neoplasias malignas
benignas
velocidade de crescimento lenta rápida
forma de crescimento expansiva expansiva e infiltrativa
crescimento a distância
ausente presente
(metastáses)
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Os tumores benignos apresentam suas células semelhantes às do tecido de


origem. Seus núcleos não estão alterados, ou seja, a célula neoplásica é
indistinguível da normal. Porém, há formação de um arranjo tecidual diferente
que segue os padrões de formação citados anteriormente.

As neoplasias malignas apresentam células com núcleos alterados: há


irregularidades na forma, tamanho e número; podem surgir mitoses atípicas,
hipercromasia nuclear (=grande quantidade de cromatina), pleomorfismo
(variados tamanhos e formas de núcleo e da célula como um todo) etc. O
citoplasma dessas células pode ter a relação núcleo/citoplasma alterada. Essas
características microscópicas são consideradas índices de atipia.

Além da classificação prognóstica, existe a CLASSIFICAÇÃO


HISTOGENÉTICA das neoplasias, que tem como critério o tecido de origem.
Comentamos alguma coisa na nomenclatura das neoplasias. Basicamente, as
neoplasias dentro dessa classificação podem ser:

EPITELIAIS

a) do epitélio de revestimento: as benignas são denominadas "papilomas" e as


malignas, "carcinomas";

b) do epitélio glandular: as benignas são denominadas "adenomas" e as


malignas, "adenocarcinomas".

MESENQUIMAIS

a) não-hematopoiéticas: incluem todas as células mesenquimais não derivadas


do tecido hematopoiético (sangüíneo). As benignas recebem o nome segundo
o tecido de origem seguido do sufixo "oma"; as malignas recebem a terminação
"sarcoma".

b) hematopoiéticas: incluem as células que são exportadas para o sangue


(principalmente com relação aos glóbulos brancos). A grande maioria tem
comportamento maligno; quando há formação de massas distinguíveis,
chamamos de "linfoma", "plasmocitoma" etc.; quando há exportação de células
tumorais da medula diretamente para o sangue, dizemos "leucemia".

Observe que a classificação prognóstica aparece sempre acompanhada da


histogenética. Às vezes, não é possível estabelecer a origem da célula, tal é o
grau de desdiferenciação que ela apresenta. Em outros casos, ainda, o
estabelecimento da classificação prognóstica também é dificultoso, dada a
complexidade de critérios de benignidade e malignidade, os quais variam de
tecido para tecido.

ANATOMIA

A anatomia das neoplasias pode ser estudada tanto em nível macroscópico


quanto microscópico. Já falamos alguma coisa a respeito em classificação das
20

neoplasias, pois o critério morfológico é um dos indicadores para a


classificação prognóstica.

As seguintes características podem ser analisadas para o diagnóstico dos


processos neoplásicos:

MACROSCOPIA

a) volume: pode ser microscópico ou ocupar o órgão inteiro; o volume da


neoplasia não é indicativo de prognóstico (se benigno ou maligno), pois
depende do tipo de tecido e de sua localização. Os carcinomas ditos in situ, por
exemplo, geralmente são microscópicos e restritos dentro do epitélio e já são
considerados malignos.

b) forma: os benignos tendem a ser esféricos e com limites bem definidos; os


malignos, por sua vez, têm limites indefinidos e formato bem irregular.

c) superfície: as neoplasias podem ter superfície lisa, ulcerada, necrótica,


granulosa ou papilar, dependendo do tecido e da forma de crescimento. As
neoplasias malignas, por exemplo, principalmente as epiteliais de revestimento,
aparecem muitas vezes ulceradas.

d) cor: variações de cor podem ser vistas, por exemplo, em decorrência de


hemorragias ou de necrose no tecido neoplásico. No caso de crescimento
secundário (metástases), o tecido neoplásico pode ter cor do seu tecido de
origem.

e) consistência: em geral, os tecidos neoplásicos têm consistência mais firme


do que o tecido no qual está localizado.

MICROSCOPIA

a) parênquima: as células neoplásicas benignas, como já dissemos na


classificação prognóstica, é indistinguível da célula normal, com exceção do
padrão tecidual que gera, o qual difere do normal. Já a célula neoplásica
maligna apresenta modificações significativas com relação à célula normal, as
quais também já foram ditas na classificação prognóstica.

b) estroma: o tecido de sustentação da neoplasia em geral não está alterado


(não apresenta graus de anaplasia, ou seja, de desdiferenciação). Pode ser
escasso ou exuberante, dependendo do tipo de tecido neoplásico.

Pela análise da anatomia das neoplasias, juntamente com outros exames


complementares, é possível se chegar ao seu diagnóstico.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico das neoplasias é feito, inicialmente, por intermédio da


observação do tumor (de suas características clínicas). Exames
complementares para o diagnóstico das neoplasias incluem, dentre outros,
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exames imagenológicos (radiografias, tomografias etc.), bioquímicos e


histopatológicos. Para estes últimos, é necessária a retirada de fragmento do
tecido em questão, o qual é processado para análise microscópica.

Os métodos de retirada do fragmento tecidual incluem:

BIÓPSIA

Retirada e exame histopatológico (macroscópico e microscópico) do tecido


lesado, obtendo-se a natureza da doença e seu estágio. Pode ser excisional,
ou seja, toda a lesão é retirada, ou incisional, na qual somente se corta um
fragmento de tecido para ser examinado. A biópsia pode ser, ainda, realizada
mediante o procedimento de punção - aspiração do material com agulhas finas
ou grossas - ou curetagem - fragmentos teciduais obtidos por raspagem.

A biópsia está indicada para lesões que provoquem alterações morfológicas


significativas (não necessariamente neoplásicas), para o diagnóstico diferencial
com outras entidades patológicas, para avaliação do grau de malignidade ou
do resultado do tratamento instituído (se as células neoplásicas ainda estão
presentes ou não).

CITOPATOLOGIA ONCÓTICA

Pesquisa individual dos elementos neoplásicos, com material obtido por


intermédio de raspagem do local (e não de incisão como na biópsia). Não há
uma organização tecidual neste estudo, o que dificulta um diagnóstico preciso.
Pela análise desse exame, são atribuídas classes (classes de Papanicolaou),
as quais dizem respeito ao grau de diferenciação das células presentes. A
descrição a seguir das classes aplica-se mais para as biópsias em boca; os
critérios de classificação nessas classes são bastante variáveis e, por vezes,
subjetivos.

grau I: as células encontram-se bem diferenciadas e não há presença de


células inflamatórias concomitantes;

grau II: as células encontram-se bem diferenciadas e existem algumas células


inflamatórias;

grau III: as células apresentam um certo grau de desdiferenciação ou de


indiferenciação; elementos inflamatórios podem estar presentes;

grau IV: as células apresentam médio grau de desdiferenciação ou de


indiferenciação; elementos inflamatórios estão comumente presentes;

grau V: alto índice de indiferenciação ou de desdiferenciação (já um estado


neoplásico maligno); geralmente há grande quantidade de células inflamatórias
associadas.
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A citopatologia oncótica está indicada para a detecção precoce de neoplasia


malignas. Ela é utilizada também em Odontologia para detecção de infecções,
principalmente por Candida (Candidíases), a semelhança da ginecologia.

CRESCIMENTO SECUNDÁRIO

As neoplasias podem se desenvolver no seu local de origem, com crescimento


dito primário ou in situ. Porém, diante de um desenvolvimento neoplásico
maligno, podem-se observar crescimentos secundários, ou seja, há um
desenvolvimento neoplásico distante do seu local de origem.

Os crescimentos secundários podem se desenvolver de duas maneiras:

a) por invasão: as células neoplásicas penetram os tecidos vizinhos, estas


mantendo continuidade anatômica com a massa neoplásica de origem. Fatores
como proliferação celular, movimento amebóide das células, pouca
adesividade etc. contribuem para esse tipo de crescimento. Para haver
invasão, as células neoplásicas devem se fixar à matriz intersticial, para terem
uma base concreta para seus movimentos de migração, e devem ter pouca
adesividade entre si (já está comprovado que células neoplásicas malignas
possuem baixa adesividade entre si, talvez devido a deficiências estruturais
das junções intercelulares, a pontes de hidrogênio fracas etc.).

As vias de disseminação do crescimento por invasão estão baseadas na


resistência dos tecidos. Os planos de menor resistência tecidual, como tecidos
moles ou frouxos, constituem uma dessas vias; outras seriam as vias
canaliculares vasculares, com infiltração neoplásica em vasos linfáticos,
capilares e vênulas e cavidades de órgãos. As células tumorais, atingindo a
circulação pelos vasos sangüíneos ou linfáficos, podem originar as metástases.

b) por metástase: constitui um crescimento à distância, sem continuidade


anatômica com a massa neoplásica de origem. Para tal, é necessário que haja
invasão e desgarro das células neoplásicas, circulação destas (embolia) e
implantação em um novo local que contenha condições de proliferação celular.
A dificuldade de estabelecimento da metástase se resume nesta última
condição uma vez que as condições de implante são muito difíceis.

As vias de disseminação das metástases são principalmente a rede linfática


(devido a presença marcante em tecido conjuntivos e sua estrutura sensível). A
via hematogênica também pode ser responsável por este tipo de crescimento
neoplásico devido a permeação de células em capilares e vênulas. Os
carcinomas, em geral, se disseminam por via linfática; já os sarcomas, via
hematogênica. Outras vias seriam a linfo-hematogênica, a canalicular (de
ductos envolvidos por epitélio) e a transcelômica (passagem de células
neoplásicas através das cavidades serosas atingindo um local distante do
primário).
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