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1º momento do Modernismo

Em princípio, o movimento pode ser descrito genericamente como uma


rejeição da tradição e uma tendência a encarar problemas sob uma nova
perspectiva baseada em idéias e técnicas atuais. Daí Gustav Mahler
considerar a si próprio um compositor "moderno" e Gustave Flaubert ter
proferido sua famosa frase "É essencial ser absolutamente moderno nos
seus gostos". A aversão à tradição pelos impressionistas faz destes um dos
primeiros movimentos artísticos a serem vistos, em retrospectiva, como
"moderno". Na literatura, o movimento simbolista teria uma grande
influência no desenvolvimento do Modernismo, devido ao seu foco na
sensação. Filosoficamente, a quebra com a tradição por Nietzsche e Freud
provê um embasamento chave do movimento que estaria por vir: começar
de novo de princípios primários, abandonando as definições e sistemas
prévios. Esta tendência do movimento em geral conviveu com as normas de
representação do fim do século XIX; frequentemente seus praticantes
consideravam-se mais reformadores do que revolucionários. Começando na
década de 1890 e com força bastante grande daí em diante, uma linha de
pensamento passou a defender que era necessário deixar completamente de
lado as normas prévias, e ao invés de meramente revisitar o conhecimento
passado à luz das técnicas atuais, seria preciso implantar mudanças mais
drásticas. Cada vez mais presente integração entre a combustão interna e a
industrialização; e o advento das ciências sociais na política pública. Nos
primeiros quinze anos do século XX, uma série de escritores, pensadores e
artistas fizeram a ruptura com os meios tradicionais de se organizar a
literatura, a pintura, a música - novamente, em paralelo às mudanças nos
métodos organizacionais de outros campos. O argumento era o de que se a
natureza da realidade mesma estava em questão, e as suas restrições,
sentia-se que, já que as atividades humanas até então comuns estavam
mudando, então a arte também deveria mudar radicalmente.

Características do 1º momento

- Nessa década, a economia mundial caminha para um colapso, que se concretizaria


com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929.
- O Brasil vive os últimos anos da chamada República Velha, ou seja, o período de
domínio político das oligarquias ligadas aos grandes proprietários rurais.
- Não por mera coincidência, a partir de 1922, com a revolta militar do Forte de
Copacabana. - O Brasil passa por um momento realmente revolucionário, que
culminaria com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas.
2º momento do Modernismo
Estendendo-se de 1930 a 1945, a segunda fase foi rica na produção poética e,
também, na prosa. O universo temático amplia-se com a preocupação dos artistas
com o destino do Homem e no estar-no-mundo. Ao contrário da sua antecessora, foi
construtiva.
Não sendo uma sucessão brusca, a poesia da geração de 22 e 30 foram
contemporâneas. A maioria dos poetas de 30 absorveram experiências de 22, como
a liberdade temática, o gosto da expressão atualizada ou inventiva, o verso livre e o
antiacademicismo. Portanto, ela não precisou ser tão combativa quanto a de 22,
devido ao encontramento de uma linguagem poética modernista já estruturada.
Passara, então, a aprimorá-la, prosseguindo a tarefa de purificação de meios e
formas direcionando e ampliando a temática da inquietação filosófica e religiosa,
com Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Murilo Mendes,
Carlos Drummond de Andrade.
A prosa, por sua vez, alargava a sua área de interesse ao incluir preocupações
novas de ordem política, social, econômica, humana e espiritual. A piada foi
sucedida pela gravidade de espírito, a seriedade da alma, propósitos e meios. Essa
geração foi grave, assumindo uma postura séria em relação ao mundo, cujas dores,
considerava-se responsável. Também caraterizou o romance dessa época, o
encontro do autor com seu povo, havendo uma busca do homem brasileiro em
diversas regiões, tornando o regionalismo importante. A Bagaceira, de José Américo
de Almeida, foi o primeiro romance nordestino.
O humor quase piadístico de Drummond receberia influências de Mário e Oswald de
Andrade. Vinícius, Cecília, Jorge de Lima e Murilo Mendes apresentaram certo
espiritualismo que vinha do livro de Mário Há uma gota de Sangue em cada Poema
(1917).

Características do 2º momento
- Diminuição dos exageros e radicalismos;
- Ampliação da temática, deixando de usar apenas o particular e tendendo para o
universal;
-Regionalismo (preferência pelo romance);
-Equilíbrio quanto ao uso do material lingüìstico.
Principais Autores do 1º e 2º momento
Na poesia
Augusto Frederico Schmidt (1906-1965)
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Cecília Meireles (1901-1964)
Jorge de Lima (1895-1953)
Murilo Mendes (1901-1975)
Vinícius de Moraes (1913-1980)

Na prosa
Álvaro Lins (1912-1970)
Cornélio Pena (1896-1958)
Cyro dos Anjos (1906-1994)
Érico Veríssimo (1905-1975)
Graciliano Ramos (1892-1953)
Herberto Sales (1917-1999)
Jorge Amado (1912-2001)
José Américo de Almeida (1887-1957)
José Geraldo Vieira (1897-1977)
José Lins do Rego (1901-1957)
Lúcio Cardoso (1913-1968)
Marques Rebelo (1907-1973)
Octávio de Faria (1908-1980)
Patrícia Galvão (1910-1962)
Rachel de Queiroz (1910-2003)

FRAGMENTOS dos AUTORES


1ª FASE Manoel Bandeira - ARTE DE AMAR

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.


A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

2ª FASE Vinícius de Moraes - Dialética

É claro que a vida é boa


E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...