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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, SOCIAIS E AGRÁRIAS


CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS
DEPARTAMENTO DE AGROPECUÁRIA
UFPB VIRTUAL
DISCIPLINA: ANATOMIA E ECO-FISIOLOGIA VEGETAL

CÉLULA VEGETAL

Maria José Araújo Wanderley

Bananeiras, PB
2009
UNIDADE I – CÉLULA VEGETAL

A célula vegetal e a célula animal são muito parecidas entre si, diferindo-se da
segunda apenas por possuir algumas organelas a mais como, por exemplo, a parede
celular e os cloroplastos.

1. Organização geral da célula vegetal

Externamente à membrana plasmática a célula vegetal é revestida pela parede celular,


espessa e resistente, constituída basicamente por celulose. Essa parede dá sustentação e proteção
mecânica à célula vegetal. Além disso, permite a livre passagem de água, mas oferece
resistência a um aumento excessivo do volume da célula, impedindo que ela absorva quantidade
de água capaz de provocar sua ruptura.
Na fotossíntese as células dos vegetais captam energia luminosa por meio de um
pigmento verde chamado clorofila, encontrado nos cloroplastos. A energia luminosa é
transformada em energia química, transferida para a glicose, que pode ser armazenada como
amido.
Grande parte do volume da célula vegetal madura pode ser ocupada por um vacúolo
central, revestido por uma membrana semelhante à membrana plasmática. Além de participar
do controle das trocas de água entre a célula e o meio extracelular, o vacúolo atua como
depósito de substâncias.

Fonte: Favaretto e Mercadante, 2003


Célula vegetal
Funções das estruturas celulares (organelas)
Estrutura Funções
Parede celular Manutenção da forma e proteção da célula
Membrana plasmática Manutenção das condições do meio
intracelular; controle das trocas entre a célula
e o meio extracelular
Carioteca (envoltório nuclear) Controle do fluxo de substâncias entre o
núcleo e o citoplasma
Cromossomo(s) Controle da estrutura e do funcionamento
celular
Nucléolo(s) Formação de ribossomos
Centríolo(s) Formação de cílios e de flagelos; participação
na divisão celular
Ribossomos Produção de proteínas
Retículo endoplasmático granuloso Produção de proteínas
Retículo endoplasmático não-granuloso Produção de lipídeos; armazenamento e
inativação de substâncias
Complexo golgiense Secreção celular
Lisossomo Digestão intracelular
Vacúolo central Equilíbrio osmótico e armazenamento
Mitocôndria Respiração celular aeróbica
Cloroplastos Fotossíntese

2. Osmose em células vegetais

O movimento de um solvente, tal como a água, através de uma membrana é


chamado de osmose. A parede celular impede que a célula vegetal se rompa, quando
está em solução hipotônica [uma célula numa solução hipotônica ganha água do meio
(túrgida) e uma hipertônica perde água para o meio (crenação)]. A pressão osmótica da
solução que ocupa o vacúolo da célula vegetal é chamada sucção interna. À medida que a água
entra na célula a parede celular passa a opor resistência crescente a essa entrada. A força
contrária ao aumento do volume chama-se resistência da membrana (ou pressão de
turgescência). Quanto mais água entra na célula tanto mais se distende a parede celular, cuja
resistência aumenta progressivamente.
A diferença entre essas duas forças – uma que favorece a entrada de água e outra que se
opõe à expansão da célula - é a sucção celular que determina a capacidade com que a célula
pode absorver água.
Na célula flácida (com escassez de água) a membrana plasmática apenas toca na parede
celular que não exerce pressão que dificulte a entrada de água. Em solução hipotônica a célula
vegetal absorve água por osmose e se expande, ficando túrgida. Em solução hipertônica a célula
vegetal perde água e se retrai. A célula está plasmolisada (murcha ou com pouca água) e sua
parede celular deixa de exercer resistência à entrada de água. Quando a célula plasmolisada é
mergulhada em solução hipotônica absorve água por osmose e recupera o estado de
turgescência, fenômeno chamado deplasmólise.
Exposta ao ar a célula perde água por evaporação. Se não houver água em quantidade
suficiente para repor a que evaporou a célula encolhe e torna-se murcha. Aderida à membrana
plasmática a parede celular se retrai, acompanhando a retração da própria célula. Por ser elástica
a parede celular tende a se expandir e a retornar ao estado inicial, contribuindo para a entrada de
água.

3. Parede celular

A parede celular é uma estrutura que ocorre tipicamente nas células das plantas.
Limitando externamente à célula a parede tem função importante na proteção e no crescimento
do vegetal, no intercâmbio de material entre as células, no processo de condução de substâncias
na planta e na absorção e eliminação de água e outras substâncias.

3.1. Composição química da parede celular

Vários componentes químicos formam a parede celular. Dentre esses componentes se


destacam:
Celulose: presente comumente nas paredes celulares das Pterodophyta, Gimnospermae
e Angiospermae, mas não ocorre na cutícula, nas camadas de suberina e na lamela média (a ser
estudada posteriormente). É um polímero composto de moléculas de glicose.
Hemicelulose: nome coletivo que se dá a uma mistura de polissacarídeos que ocorrem
na parede celular. A lamela média e a parede primária apresentam maior quantidade de
hemicelulose do que a parede secundária.
Poliuronídeos: polímeros que consistem de ácido urônico. Ocorrem sob a forma de
substâncias pépticas e de ácido algínico. As substâncias pépticas subdividem-se em três
grupos: protopectina, pectina e ácido péctico. Esse último ocorre na natureza como pectato de
Ca e Mg.
Lignina: ocorre em maior quantidade na lamela média (60 a 90% no lenho),
decrescendo gradativamente na parede primária e nas camadas da parede secundária.
Substâncias de caráter lipídico: cutina, cera, suberina e esporopolenina: a cutina
ocorre na epiderme, formando a cutícula, provavelmente misturada com cera. A suberina é
comum na periderme, na exoderme, na endoderme e também nas camadas de abscisão de
folhas, nas sementes e na epiderme do tegumento seminal. A cera que pode ocorrer na cutícula,
na parede celular e na camada de suberina pode conter ésteres de ácidos alifáticos, alcoóis,
hidrocarbonetos de parafina, cetonas e vários outros compostos cíclicos. A esporopolenina
ocorre na parede do grão de pólen.
Proteínas: encontradas principalmente na parede primária.
Fitomelano: considerada a substância mais resistente encontrada nas plantas. De
coloração preta ocorre na lamela média e, intercelularmente, em certas camadas de células do
pericarpo da família Asteraceae (Compositae).

3.2. Estrutura da parede celular

A parede é constituída por parede primária (primeira parede formada), parede


secundária (parede celular que se forma após cessar o desenvolvimento da parede primária) e
lamela média (região de união de paredes primárias de células vizinhas) que ocorre entre as
paredes primárias das células e é utilizada como um cimento, unindo as células entre si, sendo
constituída de cálcio e magnésio.
A parede celular apresenta fundamentalmente celulose, hemicelulose e substâncias
pécticas (que funcionam como um cimento). Nela é possível distinguir regiões delgadas ou
depressões denominadas campos primários de pontoações ou pontoações primordiais, ou
seja, locais onde se acumulam filamentos citoplasmáticos ou plasmodesmas (filamento
citoplasmático que se estende através de pequenas aberturas nas paredes celulares e une
protoplastos de células vivas adjacentes).
A parede secundária, que é depositada na superfície interna da parede primária, se
forma geralmente quando a célula encerrou o seu crescimento, e ela se desenvolve nas células
condutoras do xilema, nas fibras e em algumas células parenquimáticas, as quais serão
estudadas mais adiante. Possui como componente essencial a celulose e pode apresentar uma
camada externa, uma média e outra interna, além de interrupções (orifícios microscópicos)
denominados pontoações, que podem ser simples (quando a cavidade de pontoação tem quase
o mesmo diâmetro em toda sua extensão) e areoladas (quando a parede secundária arqueia-se
sobre a cavidade da pontoação, reduzindo-a em direção ao lume celular e formando uma aréola
ao redor de sua abertura).

4. Substâncias ergástricas

São substâncias orgânicas ou inorgânicas resultantes do metabolismo celular que não


fazem parte da estrutura da célula. Podem ser substâncias de reserva ou produtos de excreção ou
que têm função importante na defesa da planta contra predadores fitófagos. Neste caso é
importante registrar a presença dos cristais nos vacúolos, impedindo ou inibindo a ação de
insetos herbívoros. As substâncias ergástricas ocorrem como parte do suco celular em vacúolos,
nos plastídeos ou dispersas no citoplasma. São várias as substâncias dentre as quais se
destacam:
Amido: polissacarídeo muito comum em plantas, ocorrendo em milho Zea mays,
banana-nanica Musa cavendishii, mandioca Manihot esculenta e batatinha Solanum tuberosum.
Muito comum na alimentação humana o amido é também utilizado em várias preparações
farmacêuticas e cosméticas.
Lipídios: são óleos e gorduras que ocorrem nos elaioplastídeos e cloroplastídios, no
citoplasma das células de frutos, como no abacate, em sementes e em outros órgãos ou tecidos
vegetais.
Inulina: trata-se de um polissacarídeo comum em órgãos de reserva de espécies da
família Asteracea, como por exemplo a dália Dahlia variabilis.
Tanino: grupo de substâncias derivadas do fenol que ocorrem em caules, folhas frutos e
demais órgãos vegetais. De natureza amorfa o tanino é comum nos vacúolos e no citoplasma;
evita a decomposição do vegetal e também predadores como insetos. Ocorre em frutos verdes,
como em banana-nanica.
Proteína: pode ser amorfa, como no endosperma da semente de milho, ou cristalizada,
como nos grãos de aleurona de mamona Ricinus communis.
Cristais: de natureza inorgânica ou orgânica, os mais comuns na natureza são os de
oxalato de cálcio, carbanato de cálcio e sílica.

BIBLIOGRAFIAS E SITES CONSULTADOS E SUGERIDOS PARA TODO O


SEMESTRE

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