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MÚSICA NA GRÉCIA ANTIGA AULA 1 Contextualização da música no mundo grego Musa (deusas das artes) > Música (forma adjetivada de Musa) – em sentido amplo, para os gregos a música não era necessariamente uma linguagem de expressão artística, mas algo presente e todas as atividades que buscassem a beleza e a verdade das coisas.

A cultura grega, como toda cultura humana, também é resultante de trocas e influências

entre povos. O território europeu que hoje pertence à Grécia, foi inúmeras vezes invadido, conquistado e reconquistado. Os eventos mais recentes e relevantes para que a

cultura grega fosse formatada como a conhecemos iniciam com o séc. XX a.c. com sucessivas invasões de povos indo-europeus da planície asiática, sendo os Aqueus, fundadores da cidade de Micenas, um dos primeiros desses povos (civilização micênica). No período que durou até o séc. XIV a.c., também floresceu outro importante

povo para a constituição da Grécia na ilha Creta (civilização cretense). Em meados do séc. XIV a.c., Creta foi invadida pelos Aqueus, povo da Grécia continental (civilização creto-micênica). Esse domínio durou até o séc. XII a.c., quando os conquistadores gregos chamados Dórios invadiram a região. Os Dórios tinham um perfil militarista e provocaram a primeira grande diáspora. Outros povos, em menor escala também chegaram à região, entre eles: Jônios, Eólios e Arcádios. Período anterior ao séc. XII a.c. = Período Pré-Homérico. Período do séc. XII a.c. ao séc. VII a.c. = Período Homérico.

> Mito de origem da Grécia: Minotauro (morto por Teseu, filho de Egeu, libertador de Atenas).

Alguns exemplos do legado do conhecimento grego para a cultura ocidental para contextualização:

A noção de democracia para a política (Atenas);

A matemática com base científica (Pitágoras);

A filosofia (os amigos da sabedoria), sobretudo ateniense, como método estruturado de conhecimento;

As linguagens de expressões artísticas, sobretudo a poesia, o teatro (comédia/cotidiano e tragédia/mitos) e a música. Obs.: a função dos coros no teatro grego era muito significativa.

Pitágoras

O número como essência das coisas. A partir dos quatro elementos: terra, água, ar e

fogo e do número, poderiam ser explicadas as relações sobre todas as coisas. Pitágoras também descobriu relações dos números com a música e as explicou através do monocórdio. Com o manuseio das cordas demonstrou os primeiros intervalos da série harmônica, e sobrepondo-os, classificou as resultantes em sons agradáveis e sons desagradáveis. Vale lembrar que a escola pitagórica é regida por um conceito mais amplo e metafísico, a harmonia. As coisas na vida real, em certa medida, acabariam dificultando o a transparência da universalidade dos números. ******** Após a escola pitagórica, predominou a escola sofista, que negava a existência de uma verdade absoluta, e procurava na retórica e no uso da palavra, explicações úteis para a vida. É o período da democracia ateniense. Destaca-se Protágoras (O homem é a medida de todas as coisas).

Como oposição à escola sofista, surgiu a escola socrática, com o filósofo Sócrates, mais interessado na ética. Para Sócrates a reflexão e a virtude eram fundamentais (Conhece-

te a ti mesmo). Após ser condenado à morte, Platão e Aristóteles, seus discípulos deram

prosseguimento à escola socrática.

Platão (428 a.c. – 348 a.c) Platão, além de socrático, é muito simpático a alguns aspectos da teoria pitagórica, e isso explica em parte suas preferências pela arte que privilegiava a proporcionalidade, e sua resistência às inovações no campo artístico. Para Platão, a verdade pertence ao mundo ideal e está relacionada à virtude, o bem. Com alguma semelhança em Pitágoras, para Platão, o mundo real não é mais do que um simulacro do mundo ideal, onde as boas representações ilustram a ideias perfeitas, aproximando o homem do bem.

Considerando que o conhecimento deveria proporcionar o encontro do bem e da verdade, as artes para Platão teriam uma função educativa. Já a natureza matemática sugerida por Pitágoras, servia para Platão como exemplo de equilíbrio e harmonia (num sentido amplo, não musical). E dessa relação também que surge a ideia de “música das esferas”. Música adequada + Ginástica = Boa educação para a alma e para o corpo. Modos admitidos: Dórico (coragem) e Frígio (temperança). Apolo > Lira > Temperança. Dioniso > Aulo > Excitação e entusiasmo.

A doutrina do Ethos – as qualidades e efeitos morais da música e sua influência no universo (Pitágoras / explicação para as antigas funções mágicas da música) e sobre a vontade dos homens (Aristóteles)

Aristóteles (384 a.c. – 322 a.c.) Já para Aristóteles, o mundo real existia independente do mundo ideal, e poderia ser conhecido através da lógica. Aristóteles era mais permissivo que Platão quanto ao uso da música em sociedade, admitindo seu uso como divertimento e prazer intelectual, e não apenas no contexto educativo/pedagógico. ******** Nesse contexto as artes (incluindo a música) na Grécia refletiam valores como nacionalismo, equilíbrio, harmonia e humanismo. ******** Essas ideias que ligam as artes à educação e ao equilíbrio foram inicialmente aproveitadas pela igreja na idade média.

Reflexão: houve outros momentos na história da música em que algum tipo de controle sobre o seu uso ocorreu, como Platão sugeriu?

AULA 2 Aspectos da música antiga grega e seu legado para a música ocidental (parte 1) Música no cotidiano grego

Uma das dificuldades no estudo da música antiga grega está no fato de que, ao contrário das outras artes (literatura, arquitetura, escultura), quase nada ficou registrado da música. Em parte, isso se explica pelo fato de as práticas que estavam associadas à musica no mundo antigo eram vistas pela igreja medieval como indesejadas. Na mitologia grega, a música tinha origem divina, tendo sido inventada e tendo intérpretes entre os deuses e semideuses (Apolo e Orfeu). Também tinha poderes mágicos (cura, purificação, operar milagres). Em alguns cultos religiosos eram usados os instrumentos presentes na mitologia. Por exemplo, para Apolo eram usadas as Liras (5 e 7 cordas - Cítara), e nos cultos para Dioniso, o Aulo (palheta simples ou dupla e muitas vezes com dois tubos). Eram usados

de maneira solo ou para acompanhamento.

A partir do séc. V a.c. ficaram mais frequentes concursos de músicos, isso proporcionou

certo desenvolvimento tanto para os músicos quanto para a música. Esse desenvolvimento foi mal visto por Platão e Aristóteles. Essa reação causou uma simplificação da teoria e provavelmente da prática musical, e é nesse estado já simplificado que influencia a música da igreja no início da idade média. Os exemplos que nos restaram dessa música são também desse período tardio da Grécia antiga. Em geral, a música antiga grega era improvisada, monofônica (quando heterofônica – variações de uma só voz – não chegava a caracterizar-se como polifonia). Seus melhores exemplos são aqueles em que aparece associada à palavra ou à dança, tanto pelas funções que ocupava nos eventos sociais grego, quanto pelo esmero na composição em relacionar-se com os ritmos da poesia e dos movimentos.

O sistema musical grego Aspectos abordados pela teoria musical grega (também nomeada de harmonia): notas, intervalos, gêneros, sistemas de escalas, tons, modulação e composição melódica. Aristóxeno > Elementos de harmonia (330 a.c.) Cleónides > Compêndio da teoria aristoxeniana (séc. II d.c.)

O conceito de intervalo era dado pelo movimento diastemático da voz, ao sustentar

duas alturas distintas, que caracterizavam o intervalo. A sobreposição de intervalos

caracterizava uma escala ou sistema. >Alguns intervalos: tom, meio tom, dítono (terça). Havia intervalos menores que meio tom.

Uma escala era construída sobre um bloco fundamental de notas (tetracorde) com o intervalo máximo de uma quarta (diatessarão).

> Sistema perfeito

> Os modos

Exemplo musical: intervalos menores que meio tom. Fragmento de um coro do Orestes de Eurípedes Instrumental Gregorio Paniagua -- cymbala, chant Beatrice Amo -- magadis, chant, bell Eduardo Paniagua -- plagiaulos, chant, cymbalion Pablo Cano -- aulos, chant, cymbala Luis Paniagua -- psaltinx, chant Maximo Pradera -- kithara, chant Carlos Paniagua -- epigoneion, chant, discos

Eurípedes (poeta grego séc. V a.c.) Sobre Orestes Na mitologia grega, Orestes era filho do rei Agamemnon de Micenas e da rainha Clitemnestra, e irmão mais novo de Ifigênia. Clitemnestra e seu amante, Egisto, mataram Agamemnon quando este voltava da guerra de Troia. Único que poderia vingar o crime, Orestes foi à Fócida, porque suspeitava que o amante de sua mãe pretendia matá-lo também. Ali cresceu em segurança na corte de Estrófio e ficou amigo do filho deste,seu primo, Pílades. Ao tornar-se adulto, em obediência às ordens de Apolo, Orestes matou a mãe e Egisto. Perseguido pelas Erínias, refugiou-se no santuário de Apolo em Delfos. Julgado por seu crime em Atenas, o voto da deusa Atena desempatou o resultado a seu favor. Novamente por ordem de Apolo, Orestes partiu para a Táurida a fim de roubar a estátua de Ártemis e devolvê-la à cidade de Atenas. Preso com Pílades, foi condenado a ser sacrificado à deusa, mas sua irmã Ifigênia, sacerdotisa de Artemis, reconheceu-o e fugiu com ele e com Pílades, levando a estátua da deusa. Salvo, herdou o reino de Agamemnon, a que anexou Esparta e Épiro, depois do casamento com Hermíone, filha de Menelau e de Helena. Morreu aos noventa anos picado por uma serpente.