Você está na página 1de 1

O sistema de prestaes totais adotado pelos australianos e pelos ndios

norte americanos baseiam-se no voluntariado e, concomitantemente, na


obrigatoriedade. um sistema de coeso e coero. Aparentemente
voluntario, o que, a princpio mostra a autonomia do individuo, aps um
estudo mais aprofundado revela-se coercitivo, pois pressupe a obrigao
em dar, receber e retribuir. O sistema de trocas, de ddivas que assume o
nome de kula, potlatch e outras variveis dependendo do crculo social ao
qual se refira, revela por um lado, a liberdade, a vontade, o voluntariado em
dar presentes, filhos, mulheres, talisms mas por outro revela a
obrigatoriedade em receber e retribuir as ddivas. Esta uma regra social
que, em algum momento e tempo especfico foi criada por um coletivo de
indivduos com o propsito de manter a coeso entre os grupos, mas ao
pressupor a obrigatoriedade, o kula torna-se um sistema coercitivo. No caso
da ddiva, esta obrigao no do individuo, mas da coletividade tribos,
aldeias, famlias. A recusa em aderir ao sistema de prestaes totais pode
culminar at em guerra. Existe uma obrigatoriedade absoluta de retribuir as
ddivas, sob pena de perder o man, esse talism, fonte de riqueza que a
prpria autoridade. O sistema de ddivas ou sistema de prestaes totais
trazem em si os elementos da honra e do crdito. uma honra dar. Ao dar
se honra o outro se honrado, pois no ato de dar revelada a riqueza de
quem deu. Ao mesmo tempo, o dar pode ser um meio de humilhar o outro
grupo, de mostrar o quanto se mais rico. Concomitantemente, este
sistema traz consigo o elemento crdito. Ao dar, adquire-se a certeza de
que tambm ir receber ddivas ainda maiores e mais valiosas, pois o kula
pressupe a contrapartida com juros. Quem d sempre receber mais do
que deu. Em algumas aldeias, a ddiva a doao de um filho (bem
uterino) famlia da me. Como retribuio, o filho adotivo torna-se
herdeiros dos pais adotivos. Nos dias atuais e nas sociedades ocidentais, a
previdncia social pode ser interpretada como uma ddiva. O individuo doa
sua fora de trabalho ao patro e a coletividade. Estes, na forma do estado
retribuem garantindo a subsistncia deste individuo durante a velhice e
casos de doena ou desemprego.