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SÁBIO INSENSATO

1º Rs 11:3

“E tinha setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas; e suas


mulheres lhe perverteram o coração.”

A festa já estava muito animada. Vacas, bestas cevadas e ovelhas


em abundância. Muitos convidados ilustres: “viva o rei Adonias! Viva o rei
Adonias! Viva o rei...”

Foram apenas alguns momentos de muita afoiteza e euforia. Nada


mais. Adonias não fora aprovado pelo Deus de Israel. Portanto, enquanto a
farra prosseguia na presença do pretenso rei, o Eterno adotava providência,
usando mais uma vez o seu profeta Natã.

Conforme um prévio entendimento, “entrou Bate-Seba ao rei na


recâmara; e o rei era mui velho; e Abisague, a sunamita, servia ao rei”.

Bate-Seba ainda estava nos aposentos reais, onde Davi contava


seus últimos dias de vida, período em que era aquecido pela citada jovem
de Sunen. Quando ali também entrou Natã, o profeta, com o propósito de
acabar com os passageiros momentos de alegria do afoito Adonias; filho
oportunista, que conseguiu angariar a simpatia de Joabe, o general valente
que matara Absalão e a do Sumo-Sacerdote Abiatar, para falar apenas de
alguns notáveis.

Natã, que tinha prestígio perante o rei Davi, pois era um dos fiéis ao
rei, ao lado de Zadoque (Sumo-Sacerdote) e de Benaia (Comandante da
guarda pessoal do rei), fez o relato de tudo que se passava fora do
conhecimento do velho guerreiro. Davi estava doente. Sentia um frio
misterioso. Não dormia sem a sunamita, mas ainda estava vivo e adotou
providências, com sabedoria e com a urgência necessária. O rei decretou:
“vive o Senhor, o que remiu a minha alma de toda a angústia, que,
conforme jurei pelo Senhor, Deus de Israel, dizendo: ”certamente teu filho
Salomão reinará depois de mim e ele se assentará no meu trono, em meu
lugar, assim o farei no dia de hoje”. Oportuno lembrar o texto de 1º Cr 22:9:
“Salomão será o seu nome, e paz e descanso darei a Israel nos seus dias”.
Assim, demonstrando que era um grande estrategista, Davi fez subir
Salomão montado em sua mula velha, pois numa carruagem ensejaria uma
possível reação fora de tempo. “Viva o rei Salomão!” Agora quem proclama
é o grande guerreiro, ainda nos “bastidores do poder”. (1º Rs 1:25).

Feito rei, o terceiro de Israel e o primeiro nascido em palácio,


Salomão recorreu ao Senhor, em Gibeão, e foi atendido. Salomão foi
transformado por Deus em um verdadeiro manancial de tradição sapiencial
em Israel. No entanto, o Senhor exigiu do novo rei duas coisinhas básicas:
andar nos seus caminhos e guardar os seus estatutos (1º Rs 3:14).

Salomão escreveu lindos poemas; mais de mil cânticos e cerca de


três mil provérbios. A sua sabedoria foi soprada para todo o mundo até
então conhecido e civilizado. Salomão assombrou o mundo com sua
sabedoria, mas lamentavelmente não conseguiu ser sábio até o fim, pois
não foi fiel a Deus em todos os seus dias.

Em suas relações internacionais, a aliança com Hirão, Rei de Tiro, e


sua amizade com a rainha de Sabá foram práticas ofensivas a Deus, pois
eram governantes pagãos. Ele ainda ofendeu ao senhor quando usou a
força de trabalho escravo na construção do templo. Salomão não passou no
teste com o remanescente dos cananeus. Deixou de obedecer aos estatutos
do Senhor nesse particular também.

Está escrito: “Ai dos que descem ao Egito a buscar socorro e se


estribam em cavalos! Tem confiança em carros, porque são muitos, e nos
cavaleiros, porque são poderosíssimos; e não atentam para o Santo de
Israel e não buscam ao Senhor” (Is 31:1).

Salomão começou, pouco a pouco, a perder o temor de Deus e foi


fazendo o que mais e mais desagradava ao Senhor; ao Santo de Israel.
Desceu ao Egito. Quem desce ao Egito, saindo de Israel, passa
necessariamente pelo meio do deserto. Deserto é lugar árido, seco, sem
conforto. Deserto fala de incredulidade. Salomão esqueceu o salmo 20:7 do
seu próprio pai e desceu ao lugar da longa escravidão. Israel é de Deus.

O filho de Davi adquiriu carros e cavalos e casou-se com a filha de


Faraó.
O sábio se comportou como um insensato notadamente no campo
religioso ou espiritual. Casou-se com muitas princesas estrangeiras e, “no
tempo da sua velhice(...), suas mulheres lhe perverteram o coração para
seguir outros deuses, e o seu coração não era perfeito para com o Senhor,
seu Deus, como o coração de Davi, seu pai, porque Salomão andou em
seguimento de Astarote, deusa dos sidônios, e em seguimento de Milcom, a
abominação dos Amonitas” (1º Rs 11:4-5).

O sábio insensato fez o “que era mau aos olhos do Senhor e não
perseverou em seguir ao Senhor, como Davi, seu pai”. O coração entendido
tornou-se em um coração dividido, o que Deus não aceita. “Ninguém pode
servir a dois senhores” (Mt 6:24).

O julgamento veio ao rei Salomão cuja sentença foi lida pelo próprio
Senhor, em sua terceira aparição ao monarca insensato: “visto que houve
isso em ti, que não guardaste o meu concerto e os meus estatutos que te
mandei, certamente rasgarei de ti este reino e o darei a teu servo. Todavia,
nos teus dias não o farei, por amor de Davi, teu pai, da mão do teu filho o
rasgarei; porém todo o reino não rasgarei. Uma tribo darei a teu filho, por
amor de meu servo Davi e por amor de Jerusalém, que tenho elegido” (1º Rs
11:11-13).

Salomão não foi bem sucedido no item mais essencial até hoje; ouvir
e obedecer à vontade de Deus. Um coração voltado para Deus não pode ser
substituído por nada, absolutamente nada.

Sábio deve proceder até o fim como sábio e não como insensato.
Amém!