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Respiração celular é o processo de conversão das ligações químicas de moléculas ricas em energia que poderão ser usada nos

processos vitais. Ela pode ser de dois tipos, Respiração Anaeróbia (sem utilização de oxigênio também chamada de
fermentação) e Respiração Aeróbia (com utilização de oxigênio). A respiração celular é o processo de obtenção de energia mais
utilizado pelos seres vivos. Na respiração, ocorre a libertação de dióxido de carbono e energia e o consumo de oxigénio e
glicose, ou outra substância orgânica. A organela responsável por essa respiração é a mitocondria.
Do ponto de vista da fisiologia, o processo pelo qual um organismo vivo troca oxigênio e dióxido de carbono com o seu meio
ambiente é chamado de ventilação, respiração ocorre apenas na célula, operação executada pela mitocondria.
Do ponto de vista da bioquímica, respiração celular é o processo de conversão das ligações químicas de moléculas ricas em
energia que possa ser usada nos processos vitais. A respiração celular processa-se nas seguintes etapas: Glicólise
Ciclo de Krebs
Cadeia respiratória
Fosforilação oxidativa
O processo básico da respiração celular é a quebra da glicose ou Glicólise, que se pode expressar pela seguinte equação
química:
C6H12O6 + 6O2 → 6CO2 + 6H2O + energia

Nutrientes (energia química) + O2 → CO2 + H2O + Energia(alguma que se perde sob a forma de calor e outra parte armazena-se
sob a forma de ATP)
Este artigo centra-se nos fenómenos da respiração celular, que se processa segundo duas sequências básicas:
Glicose e Oxidação do piruvato através de um de dois processos: Respiração aeróbia ou Respiração anaeróbia

Índice
[esconder]
• 1 Oxidação do piruvato
○ 1.1 Respiração aeróbia
○ 1.2 Respiração anaeróbia
• 2 Artigos relacionados

[editar] Oxidação do piruvato


De acordo com o tipo de metabolismo, existem duas sequências possíveis para a oxidação do piruvato proveniente da glicólise:
1. Neste primeiro processo, a oxidação do píruvato ocorre em uma respiração aeróbia, produzindo em seguida Acetilcoenzima
A, iniciando assim o Ciclo de Krebs, como é demonstrado a baixo: Piruvato --> Acetil-Coa
Nesta etapa ocorre a entrada de NAD e CoA-SH.
O piruvato gerado na glicólise sofre desidrogenação e descarboxilação catalizado pelo complexo piruvato-desidrogenase,
durante essas reações é adicionada a coenzima A, desta forma a partir de cada piruvato produz-se um acetil-CoA, iniciando logo
em seguida o Ciclo de Krebs
Durante a glicólise pode ocorrer a falta de O2 gerando outras reações:
2.Nesta etapa a oxidação do piruvato ocorre em uma reação anaeróbia Oxidação Incompleta da Glicose: Glicose --> Piruvato -->
Ácido láctico
Na ausência de O2 ou em situação de hipóxia, a cadeia respiratória fica bloqueada ou parcialmente bloqueada, por isso os
NADH e FADH2 gerados nas reações de oxiredução não podem ser oxidados. Assim fica faltando NAD e FAD para as reações
de desidrogenação. Com isso, o ciclo de Krebs não pode ocorrer ficando totalmente bloqueado, na falta de O2. Se houvesse uma
forma de repor NAD e FAD sem o envolvimento da cadeia respiratória o ciclo poderia continuar ocorrendo. Na oxidação da
glicose na ausência de O2, o NADH produzido não irá para a cadeia respiratória; da mesma forma, o piruvato não dara origem
ao acetil-CoA. Assim fica acumulado NADH e piruvato. Para que a glicólise mantenha-se, o NADH acumulado transfere seus
elétrons e P+ para o piruvato, originando ácido láctico e renegerando o NAD. Isto representa uma via alternativa de oxidação do
NADH. Na oxidação incompleta o rendimento de ATP cai para apenas dois.
[editar] Respiração aeróbia
A respiração aeróbia requer oxigênio. Na glicólise, é formado o piruvato (também chamado de ácido pirúvico) bem como 2
ATP. Cada piruvato que entra na mitocôndria e é oxidado a um composto com 2 carbonos (acetato) que depois é combinado
com a Coenzima-A, com a produção de NADH e libertação de CO2. De seguida, inicia-se o Ciclo de Krebs. Neste processo, o
grupo acetil é combinado com compostos com 4 carbonos formando o citrato (6C). Por cada ciclo que ocorre liberta-se 2CO2,
NADH e FADH2. No ciclo de Krebs obtém-se 2 ATPs. Numa última fase - cadeia transportadora de elétrons (ou fosforilação
oxidativa) os elétrons removidos da glicose são transportados ao longo de uma cadeia transportadora, criando um gradiente
protónico que permite a fosforilação do ADP. O aceptor final de elétrons é o O2, que, depois de se combinar com os elétrons e o
hidrogênio, forma água. Nesta fase da respiração aeróbia a célula ganha 32 moléculas de ATP. Isso faz um total ganho de 30
ATP durante a respiração celular em que intervém o oxigênio.
[editar] Respiração anaeróbia
A respiração anaeróbia envolve um receptor de eléctrons diferente do oxigênio e existem vários tipos de bactérias capazes de
usar uma grande variedade de compostos como receptores de eléctrons na respiração: compostos nitrogenados, tais como
nitratos e nitritos, compostos de enxofre, tais como sulfatos, sulfitos, dióxido de enxofre e mesmo enxofre elementar, dióxido de
carbono, compostos de ferro, de manganês, de cobalto e até de urânio.
No entanto, para todos estes , a respiração anaeróbia só ocorre em ambientes onde o oxigénio é escasso, como nos sedimentos
marinhos e lacustres ou próximo de nascentes hidrotermais submarinas.
Uma das sequências alternativas à respiração anaeróbia é a fermentação, um processo em que o piruvato é apenas parcialmente
oxidado, não se segue o ciclo de Krebs e não há produção de ATP numa cadeia de transporte de eléctrons. No entanto, a
fermentação é útil para a célula porque regenera o dinucleótido de nicotinamida e adenina (NAD), que é consumido durante a
glicólise.
Os diferentes tipos da fermentação produzem vários compostos diferentes, como o etanol (o álcool das bebidas alcoólicas,
produzido por vários tipos de leveduras e bactérias) ou o ácido láctico do iogurte.
Outras moléculas, como NO2, SO2 são os aceptores finais na cadeia de transporte de elétrons

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► Respiração Celular

A respiração celular é um fenômeno que consiste basicamente no processo de extração de energia química acumulada nas
moléculas de substâncias orgânicas diversas, tais como carboidratos e lipídios. Nesse processo, verifica-se a oxidação ou "
queima " de compostos orgânicos de alto teor energético, como gás carbônico e água, além da liberação de energia, que é
utilizada para que possam ocorrer as diversas formas de trabalho celular.
Importância da respiração celular
Nos organismos aeróbicos, a equação é simplificada da respiração celular pode ser assim representada:
C6H12O6 + O2 -> 6 CO2 + 6 H2O + energia
A respiração é um fenômeno de fundamental importância para o trabalho celular e, portanto, para manutenção de vida num
organismo. Na fotossíntese depende da presença de luz solar para que possa ocorrer. Já na respiração celular, inclusive nas
plantas, é processada tanto no claro como no escuro, ocorre em todos os momentos da vida de organismo e é realizada por todas
as células vivas que o constituem. Se o mecanismo respiratório for paralisado num indivíduo, suas células deixam de dispor de
energia necessária para o desempenho de suas funções vitais; inicia-se, então, um processo de desorganização da matéria viva, o
que acarreta a morte do indivíduo.
Na respiração, grande parte da energia química liberada durante oxidação do material orgânico se transforma em calor. Essa
produção de calor contribui para a manutenção de uma temperatura corpórea em níveis compatíveis com a vida, compensando o
calor que normalmente um organismo cede para o ambiente, sobretudo nos dias de frio. Isso e verifica principalmente em aves e
mamíferos; em outros grupos, como os anfíbios e os repteis, o organismo é aquecido basicamente através de fontes externas de
calor, quando, por exemplo, o animal se põe ao sol.
Tipos de respiração
Já vimos que nos seres vivos a energia química dos alimentos pode ou não ser extraída com a utilização do gás oxigênio. No
primeiro caso, a respiração é chamada aeróbica. No segundo, anaeróbica.
Respiração Aeróbica
A respiração aeróbica se desenvolve sobretudo nas mitocôndrias, organelas citoplasmáticas que atuam como verdadeiras "
usinas " de energia.
C6H12O6 + O2 -> 6 CO2 + 6 H2O + energia
Nessa equação, verifica-se que a molécula de glicose (C6H12O6) é " desmontada " de maneira a originar substâncias
relativamente mais simples (CO2 e H2O). A " desmontagem " da glicose, entretanto, não pode ser efetuada de forma repentina,
uma vez que a energia liberada seria muito intensa e comprometeria a vida da célula. É preciso, portanto, que a glicose seja "
desmontada " gradativamente. Assim, a respiração aeróbica compreende, basicamente, três fases: glicólise, ciclo de Krebs e
cadeia respiratória.
Glicólise
Glicólise significa " quebra " da glicose. Nesse processo, a glicose converte-se em duas moléculas de um ácido orgânico dotado
de 3 carbonos, denominado ácido pirúvico (C3H4O3). Para a ser ativada e tornar-se reativa a célula consome 2 ATP (armazena
energia química extraída dos alimentos distribuindo de acordo com a necessidade da célula). No entanto, a energia química
liberada no rompimento das ligações químicas da glicose permite a síntese de 4 ATP. Portanto, a glicólise apresenta um saldo
energético positivo de 2 ATP.
Na conversão da glicose em ácido pivúrico, verifica-se a ação de enzimas denominadas desidrogenases, responsáveis, como o
próprio nome diz, pela retirada de hidrogênios. Nesse processo, os hidrogênios são retirados da glicose e transferidos a dois
receptores denominados NAD (nicotinamida adenina dinucleotídio). Cada NAD captura 2 hidrogênios. Logo, formam-se 2
NADH2.
Obs: A glicólise é um fenômeno que ocorre no hialoplasma, sem a participação do O2.
Ciclo de Krebs
O ácido pivúrico, formado no hialoplasma durante a glicose, penetra na mitocôndria, onde perde CO2, através da ação de
enzimas denominadas descarboxilases. O ácido pivúrico então converte-se em aldeído acético.
O aldeído acético, pouco reativo, combina-se com uma substância chamada coenzima A (COA), originando a acetil-coenzima A
(acetil-COA), que é reativa. Esta, por sua vez combina com um composto. Nesse momento inicia-se o ciclo de Krebs, fenômeno
biológico ocorrido na matriz mitocondrial.
Da reação da acetil-CoA, ocorrem series de desidrogênações e descarboxilações até originar uma nova molécula de ácido
oxalacético, definido um ciclo de reações, que constitui o ciclo de Krebs.
Cadeia respiratória
Essa fase ocorre nas cristas mitocondriais. Os hidrogênios retirados da glicose e presentes nas moléculas de FADH2 e NADH2
são transportados até o oxigênio, formando água. Dessa maneira, na cadeia respiratória o NAD e o FAD funcionam como
transportadores de hidrogênios.
Na cadeia respiratória, verifica-se também a participação de citocromos, que tem papel de transportar elétrons dos hidrogênios.
À medida que os elétrons passam pela cadeia de citocromos, liberam energia gradativamente. Essa energia é empregada na
síntese de ATP.
Depois de muitos cálculos..., podemos dizer que o processo respiratório aeróbico pode, então, ser equacionado assim:
C6H12O6 + 6 O2 -> CO2 + 6 H2O + 38 ATP
Respiração anaeróbica
O processo de extração de energia de compostos sem utilização de oxigênio (O2) é denominado respiração anaeróbica. Alguns
organismos, como o bacilo de tétano, por exemplo, têm na respiração anaeróbica o único método de obtenção de energia – são
os chamados anaeróbicos estritos ou obrigatórios. Outros como os levedos de cerveja, podem realizar respiração aeróbica ou
anaeróbica, de acordo com a presença ou não de oxigênio – são por isso chamados de anaeróbicos facultativos.
Na respiração aeróbica, o O2 funciona como aceptor final de hidrogênios. Na respiração anaeróbica, também fica evidente a
necessidade de algum aceptor de hidrogênios. Certas bactérias anaeróbicas utilizam nitratos, sulfatos ou carbonatos como
aceptores finais de hidrogênios. Os casos em que os aceptores de hidrogênios são compostos orgânicos que se originam da
glicólise. Esses tipos de respiração anaeróbica são chamados de fermentações.
Fermentação – rendimento energético inferior
Nos processos fermentativos, a glicose não é totalmente " desmontada ". Na verdade, a maior parte da energia química
armazenada na glicose permanece nos compostos orgânicos que constituem os produtos finais da fermentação.
Há 2 tipos principais de fermentação: a alcoólica e a láctica. Ambas produzem 2 ATP no final do processo. Portanto, o processo
fermentativo apresenta um rendimento energético bem inferior ao da respiração aeróbica, que produz 38 ATP.
A fermentação alcoólica
Na fermentação alcoólica, a glicose inicialmente sofre a glicólise, originando 2 moléculas de ácido pivúrico, 2 NADH2 E um
saldo energético positivo de 2 ATP, em seguida o ácido pivúrico é descarboxilado, originando aldeído acético e CO2, sob a ação
de enzimas denominadas descarboxilases. O aldeído acético, então, atua como receptor de hidrogênios do NADH2 e se converte
em álcool etílico.
A fermentação láctica
Na fermentação láctica, a glicose sofre glicólise exatamente como na fermentação alcoólica. Porém enquanto na fermentação
alcoólica o aceptor de hidrogênios é o próprio aldeído acético, na fermentação láctica o aceptor de hidrogênios é o próprio ácido
pirúvico, que se converte em ácido láctico. Portanto não havendo descarboxilação do ácido píruvico, não ocorre formação de
CO2.
Veja abaixo a equação simplificada da fermentação láctica:
C6H12O6 -> 2C3H6O3 + 2ATP
A fermentação láctica é realizada por microorganismos (certas bactérias, fungos e protozoários) e por certos animais.
As bactérias do gênero Lactobacillus são muito empregadas na fabricação de coalhadas, iogurtes e queijos. Elas promovem o
desdobramento do açúcar do leite (lactose) em ácido láctico. O acúmulo de ácido láctico no leite torna-o " azedo ", indicando
uma redução do pH. Esse fato provoca a precipitação das proteínas do leite, formado o coalho.
Perguntas e respostas
Quais são os tipos de respiração celular ? R. Respiração aeróbica e respiração anaeróbica.
O que significa glicólise? E onde ocorre este fenômeno? R. Glicólise significa quebra da glicose, e é ocorrida no hialoplasma.
Defina respiração celular. R. A respiração celular é o fenômeno que consiste basicamente no processo de extração de energia
química acumulada nas moléculas de substâncias orgânicas diversas, tais como carboidratos e lipídios.
Em quantas fases a respiração aeróbica é dividida? Quais são elas? R. É dividida em 3 partes, Glicólise, Ciclo de Krebs e Cadeia
respiratória.
Metabolismo (do grego metabolismos, μεταβολισμός, que significa "mudança", troca[1]) é o conjunto de transformações que as
substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. O termo "metabolismo celular" é usado em referência ao
conjunto de todas as reacções químicas que ocorrem nas células. Estas reacções são responsáveis pelos processos de síntese e
degradação dos nutrientes na célula e constituem a base da vida, permitindo o crescimento e reprodução das células, mantendo
as suas estruturas e adequando respostas aos seus ambientes.
As reacções químicas do metabolismo estão organizadas em vias metabólicas, que são sequências de reacções em que o produto
de uma reacção é utilizado como reagente na reacção seguinte. Diferentes enzimas catalisam diferentes passos de vias
metabólicas, agindo de forma concentrada de modo a não interromper o fluxo nessas vias. As enzimas são vitais para o
metabolismo porque permitem a realização de reacções desejáveis mas termodinamicamente desfavoráveis, ao acoplá-las a
reacções mais favoráveis. As enzimas regulam as vias metabólicas em resposta a mudanças no ambiente celular ou a sinais de
outras células.
O metabolismo é normalmente dividido em dois grupos: anabolismo e catabolismo. Reacções anabólicas, ou reacções de
síntese, são reacções químicas que produzem nova matéria orgânica nos seres vivos. Sintetizam-se novos compostos (moléculas
mais complexas) a partir de moléculas simples (com consumo de ATP). Reacções catabólicas, ou reacções de
decomposição/degradação, são reacções químicas que produzem grandes quantidades de energia livre (sob a forma de ATP) a
partir da decomposição ou degradação de moléculas mais complexas (matéria orgânica). Quando o catabolismo supera em
atividade o anabolismo, o organismo perde peso, o que acontece em períodos de jejum ou doença; mas se o anabolismo superar
o catabolismo, o organismo cresce ou ganha peso. Se ambos os processos estão em equilíbrio, o organismo encontra-se em
equilíbrio dinâmico ou homeostase.
O metabolismo é fundamentalmente estudado pela Bioquímica, usando muitas vezes também técnicas ligadas à Biologia
Molecular e à Genética.

[editar] Características gerais


O metabolismo de um organismo determina quais substâncias são nutricionais e quais são tóxicas. Por exemplo, alguns
procariontes utilizam ácido sulfídrico como nutriente; este gás é no entanto venenoso para animais.[2] A velocidade a que se
processa o metabolismo, determinada pela taxa metabólica, também influencia a quantidade de alimento requerida por um
organismo.
Uma característica do metabolismo é a semelhança de vias metabólicas básicas entre espécies muito diferentes. Por exemplo, o
conjunto de intermediários reacionais encontrados no ciclo dos ácidos tricarboxílicos é encontrado de forma universal, em
células tão diferentes como a bactéria Escherichia coli ou o elefante.[3] Esta estrutura metabólica semelhante está provavelmente
associada à grande eficiência dessas vias e na sua antiguidade na história da evolução.[4][5]
[editar] História

Santorio Santorio sentado na sua cadeira-balança. De Ars de statica medecina, publicado pela primeira vez em 1614.
A história do estudo científico do metabolismo estende-se por quatro séculos, tendo evoluído da observação de organismos
animais inteiros até ao estudo de reacções metabólicas individuais na Bioquímica moderna. As primeiras experiências
conduzidas de forma controlada foram publicadas por Santorio Santorio em 1614 no seu livro Ars de statica medecina..[6] Neste,
Santorio descreveu como determinou o seu próprio peso antes e depois de comer, beber, dormir, trabalhar, ter relações sexuais,
jejuar e excretar. Ele descobriu que a maior parte da comida ingerida era perdida no que ele denominou de "perspiração
insensível".
Nestes estudos precoces, os mecanismos destes processos metabólicos não eram conhecidos; pensava-se que o tecido vivo era
animado por uma "força vital".[7]
No século XIX, enquanto estudava a fermentação do açúcar a álcool por leveduras, Louis Pasteur concluiu que a fermentação
era catalisada por substâncias dentro das células de levedura, a que ele chamou de "fermentos". Pasteur escreveu que "a
fermentação alcoólica é um acto correlacionado com a vida e organização das células de levedura, não com a morte ou
putrefacção das células." [8] Esta descoberta, a par com a publicação da síntese química da ureia por Friedrich Wöhler em 1828,
[9]
provou que os compostos orgânicos e as reacções químicas existentes nas células partilham o mesmo princípio que qualquer
outra área da Química.
A descoberta das enzimas no início do século XX, por Eduard Buchner, separou o estudo das reacções químicas do metabolismo
do estudo biológico das células, marcando o início da Bioquímica como ciência independente.[10] A quantidade de conhecimento
bioquímico cresceu rapidamente durante o início do século XX. Um dos bioquímicos mais prolíficos dessa época foi Hans
Krebs, que fez diversas contribuições no estudo do metabolismo.[11] Ele descobriu o ciclo da ureia e, mais tarde, junto com Hans
Kornberg, o ciclo dos ácidos tricarboxílicos (também conhecido por esta razão como ciclo de Krebs) e o ciclo do glioxilato.[12][13]
A investigação bioquímica moderna tem sido ajudada com a invenção e desenvolvimento de diversas técnicas, como a
cromatografia, a difracção de raios X, a espectroscopia de ressonância magnética nuclear, a marcação isotópica, a microscopia
electrónica e simulações de dinâmica molecular. Estas técnicas permitiram a descoberta e análise detalhada de diversas
moléculas e vias metabólicas nas células.
[editar] Substâncias bioquímicas relevantes
Ver artigos principais: proteína, glícido, lípido, ácido nucleico, enzima.
Estrutura de um triacilglicerol.
A maioria das estruturas que compõem os seres vivos é fabricada a partir de três classes básicas de moléculas: aminoácidos,
glícidos e lípidos. Como estas moléculas são vitais, o metabolismo concentra-se no fabrico destas, na construção de células e
tecidos ou na sua degradação para uso como fonte de energia. Muitos compostos bioquímicos podem ser condensados formando
polímeros, como o ADN e as proteínas. Estas macromoléculas são parte essencial de todos os organismos vivos.
Alguns dos polímeros mais comuns estão listados abaixo:

Nome da forma Nome da forma


Tipo de molécula Exemplos de formas poliméricas
monomérica polimérica

Proteínas fibrilares e proteínas


Aminoácidos Aminoácidos Proteínas (ou polipéptidos)
globulares

Glícidos Monossacarídeos Polissacarídeos Amido, glicogénio e celulose

Ácidos nucleicos Nucleótidos Polinucleótidos ADN e ARN

[editar] Aminoácidos e proteínas


As proteínas são compostas por aminoácidos dispostos numa cadeia linear e ligados entre si por ligações peptídicas. Muitas
proteínas são as enzimas que catalisam as reacções químicas no metabolismo. Outras proteínas têm funções estruturais ou
mecânicas, como o sistema de armação celular usado para manter a forma da célula, o citoesqueleto.[14]
As proteínas desempenham também papéis importantes na sinalização celular, resposta imunitária, adesão celular, transporte
activo através de membranas e no ciclo celular.[15]
[editar] Lípidos
Os lípidos são o grupo mais diversificado de compostos bioquímicos. Constituem grande parte das membranas biológicas, tais
como a membrana celular; além desta função estrutural, também servem como fonte de energia.[15] Os lípidos são normalmente
definidos como moléculas biológicas hidrofóbicas ou anfipáticas solúveis em solventes orgânicos como o benzeno ou o
clorofórmio.[16]
As gorduras são um grupo alargado de compostos que inclui os ácidos gordos e o glicerol; uma molécula de glicerol ligada a
três ácidos gordos por uma ligação éster é um triacilglicerol.[17] Existem diversas variações desta estrutura básica, incluindo a
presença de esfingosina em esfingolípidos e grupos hidrofílicos como o fosfato nos fosfolípidos.
Os esteróides, como o colesterol, são outro grupo significativo de lípidos sintetizados em células.[18]
[editar] Glícidos
Os glícidos são aldeídos ou cetonas contendo diversos grupos funcionais hidroxilo. Os glícidos simples podem existir numa
forma linear ou numa forma cíclica. São as moléculas biológicas mais abundantes e possuem funções muito diversificadas,
como o armazenamento e transporte de energia (sob a forma de amido e glicogénio) e construção de elementos estruturais
(como a celulose em plantas e a quitina em animais).[15]
Estrutura da glicose convertida da projecção de Fisher (linear) para a de Haworth (cíclica).
Os glícidos mais simples são os monossacarídeos, que incluem a galactose, a frutose e a glicose. Os monossacarídeos podem
formar polímeros designados polissacarídeos de formas muito diversas.[19]
[editar] Ácidos nucleicos
Os polímeros ADN e ARN são longas cadeias de nucleótidos. Estas macromoléculas são essenciais no armazenamento e uso da
informação genética, através dos processos de transcrição e síntese proteica.[15] Esta informação é protegida por mecanismos de
reparação do ADN e propagada através da replicação do ADN. Alguns vírus têm um genoma constituído por ARN (por
exemplo, o HIV), que usam transcrição reversa para sintetizar ADN a partir desse ARN.[20]
O ARN de ribozimas (como o spliceossoma) apresenta actividade enzimática tal como as enzimas proteicas, pois pode catalisar
reacções químicas.
Os nucleósidos são sintetizados a partir da ligação de uma base azotada a uma ribose. Estas bases são anéis heterocíclicos
contendo azoto, classificados como purinas ou pirimidinas. Os nucleótidos também actuam como coenzimas em reacções de
transferência de grupos químicos.[21]
[editar] Coenzimas
Estrutura da coenzima acetil-CoA. O grupo acetilo encontra-se ligado ao átomo de enxofre, na extremidade esquerda.
O metabolismo envolve um vasto conjunto de reacções químicas, mas a maioria cai dentro de alguns tipos básicos de
transferências de grupos funcionais.[22] Esta química comum permite às células usarem um conjunto relativamente pequeno de
intermediários metabólicos no transporte de grupos químicos de uma reacção para a seguinte.[21] Estes intermediários de
transferência de grupos são as coenzimas. Cada classe de reacção de transferência de grupos corresponde a uma determinada
coenzima, servindo de substrato para um conjunto de enzimas que a produz e que a consome. Assim, as coenzimas são
continuamente produzidas, consumidas e então recicladas.[23]
A coenzima mais central é o trifosfato de adenosina (ATP), a moeda de troca energética universal das células. Este nucleótido é
utilizado para transferir energia química entre diferentes reacções químicas. Existe uma pequena quantidade de ATP
permanentemente presente nas células, mas como é constantemente regenerado, o corpo humano é capaz de utilizar o seu peso
em ATP por dia.[23] O ATP actua como uma ponte entre catabolismo e anabolismo, tendo a s reacções catabólicas como
produtoras de ATP e as anabólicas como consumidoras. Também serve como um transportador de grupos fosfato em reacções
de fosforilação.
As vitaminas são compostos orgânicos necessários em pequenas quantidades e que não podem ser sintetizados pelas células. Na
nutrição humana, a maioria das vitaminas funciona como coenzimas após sofrerem uma modificação química; por exemplo,
todas as vitaminas hidrossolúveis são fosforiladas ou acopladas a nucleótidos aquando da sua utilização intracelular.[24] O
dinucleótido de nicotinamida-adenina (NADH), um derivado da vitamina B3 (niacina), é uma coenzima importante que actua
como aceitador de hidrogénio. Centenas de diferentes tipos de desidrogenases retiram electrões dos seus substratos e reduzem
NAD+ a NADH. Esta forma reduzida da coenzima é então substrato para redutases celulares que necessitem de reduzir os seus
substratos respectivos.[25] O dinucleótido de nicotinamida-adenina existe também sob uma forma fosfatada, NADPH. O par
redox NAD+/NADH é mais importante em reacções catabólicas, enquanto que o par NADP+/NADPH é usado em reacções
anabólicas.
[editar] Minerais e cofactores
Estrutura da hemoglobina (PDB 1GZX). As subunidades da proteínas encontram-se coloridas a vermelho e azul, encontrando-se
os grupos hemo a verde.
Cerca de 99% da massa de mamíferos é constituída pelos elementos carbono, azoto, hidrogénio, oxigénio, cálcio, magnésio,
sódio, potássio, cloro e enxofre.[26] Destes, são considerados "inorgânicos" os metais, o enxofre e o cloro. Enquanto que alguns
dos elementos inorgânicos são abundantes em sistemas vivos (como o sódio e o potássio), outros encontram-se em quantidades
vestigiais. Os compostos orgânicos (proteínas, lípidos, glícidos) contêm a maioria do carbono e azoto; a maioria do oxigénio e
hidrogénio encontra-se sob a forma de água.[26]
Os elementos inorgânicos mais abundantes actuam como electrólitos. Os iões mais importantes são o sódio, potássio, cálcio,
magnésio, cloreto, fosfato e o ião orgânico bicarbonato. A existência de gradientes iónicos através de membranas celulares
mantém a pressão osmótica e o pH.[27] Os iões são também vitais para nervos e músculos, pois os potenciais de acção usados
nestes tecidos são produzidos através da troca de electrólitos entre o fluido extracelular e o citoplasma.[28] Os electrólitos entram
e saem das células através de proteínas transmembranares denominadas canais iónicos. Por exemplo, a contracção muscular
depende do movimento de cálcio, sódio e potássio através de canais iónicos na membrana celular e túbulos-T.[29]
Os metais de transição são normalmente elementos vestigiais em organismos, sendo o zinco e o ferro os mais abundantes.[30][31]
Estes metais são usados por algumas proteínas como cofactores e são essenciais para a actividade de metaloenzimas como a
catalase e proteínas de transporte de dioxigénio como a hemoglobina.[32] Tais metais actuam como cofactores quer estando
ligados directamente à cadeia polipeptídica, quer estejam integrados em moléculas orgânicas complexas que por sua vez se
encontram ligadas à cadeia polipeptídica. Os cofactores sofrem modificações durante a catálise enzimática mas voltam sempre
ao seu estado inicial no fim de um ciclo catalítico. Os metais de transição são absorvidos pelos organismos usando
transportadores específicos e ligam-se a proteínas de armazenamento como a ferritina e a metalotioneína quando não é
necessária a sua disponibilidade para intervir no metabolismo.[33][34]
[editar] Catabolismo
Ver artigos principais: catabolismo, digestão, fosforilação oxidativa.
O catabolismo é o conjunto das reacções metabólicas que libertam energia. Tais reacções incluem a degradação e oxidação de
moléculas encontradas em alimentos, assim como reacções que captam a energia luminosa da luz solar. As reacções catabólicas
providenciam energia e componentes necessários às reacções anabólicas. A natureza exacta destas reacções catabólicas difere de
organismo para organismo: organismos organotróficos usam moléculas orgânicas como fonte de energia, enquanto litotróficos
usam substratos inorgânicos e fototróficos captam energia solar, transformando-a em energia química.
Todas estas diferentes formas de metabolismo dependem de reacções redox que envolvem a transferência de electrões de
moléculas doadoras reduzidas, como moléculas orgânicas, água, amoníaco, ácido sulfídrico ous iões ferrosos (Fe2+), para
moléculas aceitadoras, como o dioxigénio (O2), o nitrato (NO3−) ou o sulfato (SO42-).[35] Em animais, estas reacções envolvem a
degradação de moléculas orgânicas complexas a moléculas mais simples, como dióxido de carbono (CO2) e água (H2O). Em
organismos fotossintéticos, como as plantas e cianobactérias, estas reacções de transferência electrónica não libertam energia,
sendo antes utilizadas como forma de armazenar energia absorvida da luz solar.[36]
O conjunto de reacções catabólicas mais comum em animais pode ser separado em três etapas diferentes. Na primeira etapa,
moléculas orgânicas complexas como as proteínas, polissacarídeos ou lípidos são degradados nos seus componentes fora das
células. Na etapa seguinte, estas moléculas de menor tamanho são importadas pelas células e convertidas a moléculas menores,
normalmente o acetil-CoA, num processo que liberta energia. Na última etapa, o grupo acetilo do acetil-CoA é oxidado a água e
dióxido de carbono, libertando energia que é armazenada através da redução da coenzima dinucleótido de nicotinamida-adenina,
NAD+, a NADH.
Um esquema simplificado do catabolismo de proteínas, polissacarídeos e lípidos.
[editar] Digestão
Macromoléculas como o amido ou as proteínas não podem ser rapidamente assimilados pelas células, tendo de ser degradados
nos seus componentes de menor tamanho antes de poderem ser utilizados no metabolismo celular. A digestão destes polímeros é
feita por diversas classes de enzimas. Estas enzimas digestivas incluem as proteases, que digerem proteínas a aminoácidos, e
glicosídeo hidrolases, que digerem polissacarídeos a monossacarídeos.
Os microorganismos excretam enzimas digestivas para o ambiente ao seu redor,[37][38] enquanto que os animais segregam estas
enzimas em células especializadas do sistema digestivo.[39] Os aminoácidos ou açúcares libertados por estas enzimas
extracelulares são então assimiladas pelas células através de proteínas específicas usando transporte activo.[40][41]
[editar] Energia de compostos orgânicos
O catabolismo de glícidos consiste na degradação de glícidos complexos em unidades de menor tamanho. Os glícidos são
normalmente assimilados pelas células após a sua digestão a monossacarídeos.[42] Após entrada na célula, a principal via de
degradação é a glicólise, em que açúcares como a glucose e a frutose são convertidos a piruvato, com a concominante formação
de ATP.[43] O piruvato é um intermediáro de diversas vias metabólicas, mas a maioria é convertida a acetil-CoA, que entra no
ciclo dos ácidos tricarboxílicos (ciclo de Krebs). Embora haja mais alguma formação de ATP neste ciclo, o produto principal
deste é o NADH, resultante da redução do NAD+ quando o acetil-CoA é oxidado. Esta oxidação liberta dióxido de carbono.
Uma via alternativa de degradação da glicose é a Via das pentoses-fosfato, que reduz a coenzima NADPH e produz pentoses
como a ribose, o açúcar componente dos ácidos nucleicos.
As gorduras são catabolizadas por hidrólise a ácidos gordos livres e glicerol. O glicerol entra na glicólise e os ácidos gordos são
degradados por beta-oxidação a acetil-CoA, que entra então no ciclo dos ácidos tricarboxílicos. Devido à sua grande proporção
de grupos metileno e pelo facto de os glícidos possuirem mais oxigénio nas suas estruturas químicas, os ácidos gordos libertam
mais energia que os glícidos quando oxidados.
Os aminoácidos são utilizados na síntese de proteínas e outras biomoléculas, ou oxidados a ureia e dióxido de carbono para
obtenção de energia.[44] A via de oxidação começa com a remoção do grupo amina por uma transaminase, deixando um
esqueleto de carbono sob a forma de um cetoácido; o grupo amina é então metabolizado no ciclo da ureia. Vários cetoácidos
obtidos através da desaminação de aminoácidos são também intermediários no ciclo dos ácidos tricarboxílicos: por exemplo, a
desaminação do glutamato forma α-cetoglutarato.[45] Os aminoácidos glucogénicos também podem ser convertidos a glicose,
através da gluconeogénese.[46]
[editar] Fosforilação oxidativa
Estrutura da ATP sintase. O canal de protões encontra-se a azul e a subunidade com actividade de sintase a vermelho.
Na fosforilação oxidativa, os electrões obtidos na oxidação de moléculas em vias metabólicas como o ciclo dos ácidos
tricarboxílicos são transferidos para o dioxigénio, e a energia libertada é usada na síntese de ATP. Em eucariontes, este processo
é levado a cabo por uma série de proteínas, a cadeia de transporte electrónico, nas membranas mitocondriais. Em procariontes,
estas proteínas encontram-se na membrana celular interna.[47] Estas proteínas utilizam a energia obtida da oxidação de NADH
para bombear protões através da membrana.[48]
O transporte de protões para o exterior da mitocôndria cria uma diferença de concentração de protões entre os dois
compartimentos, gerando um gradiente electroquímico.[49] A presença deste gradiente força os protões a regressarem ao interior
da mitocôndria através da ATP sintase. O fluxo de protões provoca a rotação da subunidade inferior, causando a fosforilação de
difosfato de adenosina (ADP) a trifosfato de adenosina (ATP).[23]
[editar] Energia de compostos inorgânicos
A quimiolitotrofia é um tipo de metabolismo encontrado em procariontes, em que a energia é obtida a partir da oxidação de
compostos inorgânicos. Estes organismos podem usar hidrogénio,[50] compostos reduzidos de enxofre (como sulfuretos, ácido
sulfídrico e tiossulfato),[2] óxidos de ferro (II),[51] ou amoníaco[52] como fontes de agentes redutores, ganhando energia a partir da
oxidação destes compostos com aceitadores de electrões como o oxigénio ou o nitrito.[53] Estes processos microbiológicos são
importantes em ciclos biogeoquímicos como a acetogénese, a nitrificação e a desnitrificação e são de importância crítica para a
fertilidade do solo.[54][55]
[editar] Energia luminosa
A energia da luz solar é captada por plantas, cianobactérias, alguns tipos de bactérias e de protistas. Este processo está
frequentemente acoplado à fixação de dióxido de carbono em compostos orgânicos, um processo integrante da fotossíntese. Os
sistemas de captura de energia e de fixação de carbono podem trabalhar separadamente em procariontes, como acontece com as
bactérias púrpura e as bactérias verdes sulfurosas, que usam a luz solar como fonte de energia mas alternam o seu metabolismo
entre a fixação de carbono e a fermentação de compostos orgânicos.[56][57]
A captação de energia solar é um processo semelhante à fosforilação oxidativa no ponto em que ambos os processos envolvem o
armazenamento de energia sob a forma de um gradiente de protões e esta força motriz protónica leva à síntese de ATP.[23] No
caso da fotossíntese, os electrões necessários para o funcionamento da cadeia de transporte electrónico provêm de proteínas
colectoras de luz denominadas centros reaccionais fotossintéticos. Estas estruturas dividem-se em dois tipos dependendo do
pigmento fotossintético presente; a maioria das bactéria fotossintéticas possui apenas um tipo de centro, enquanto as plantas e as
cianobactérias possuem dois.[58]
Em plantas, o fotossistema II usa energia luminosa para remover electrões da água, libertando oxigénio no processo. os electrões
fluem então para o complexo do citocromo b6f, que usa a sua energia para bombear protões através das membranas dos
tilacóides nos cloroplastos.[15] Estes protões regressam ao interior dos tilacóides através da ATP sintase, num processo
semelhante ao descrito nas mitocôndrias. Estes electrões podem então fluir para o fotossistema I e podem ser utilizados na
redução de NADP+, no ciclo de Calvin ou reciclados para gerar ainda mais ATP.[59]
[editar] Anabolismo
Ver artigos principais: anabolismo, fotossíntese, gluconeogénese.
O anabolismo é o conjunto de reacções metabólicas de síntese em que a energia libertada pelo catabolismo é utilizada para
construir moléculas complexas. Em geral, as moléculas complexas que constituem estruturas celulares são construídas passo a
passo a partir de precursores mais simples. O anabolismo divide-se em três etapas fundamentais: primeiro, a síntese de
precursores como aminoácidos, monossacarídeos, isoprenóides e nucleótidos, depois a sua activação a formas reactivas usando
energia provinda do ATP e finalmente a construção de moléculas complexas, tais como proteínas, polissacarídeos, lípidos e
ácidos nucleicos, a partir destes precursores activados.
Os organismos diferem entre si na quantidade de diferentes moléculas que conseguem sintetizar. Os seres autotróficos, como as
plantas, podem construir moléculas complexas (polissacarídeos e proteínas) a partir de moléculas muito simples como o dióxido
de carbono e a água. Os seres heterotróficos necessitam de fontes alimentares para providenciar monossacarídeos e
aminoácidos, para produzir macromoléculas. Os organismos podem ainda ser classificados segundo a fonte primária da sua
energia: fotoautotróficos e foto-heterotróficos obtém energia a partir da luz solar, enquanto que organismos quimioautotróficos e
quimio-heterotróficos obtêm energia a partir de reacções de oxidação.
[editar] Fixação de carbono
Células vegetais apresentando cloroplastos (a verde), que são os organelos em que ocorre a fotossíntese.
A fotossíntese é o processo em que ocorre síntese de glicose a partir da luz solar, dióxido de carbono e água, havendo produção
concomitante de oxigénio. Este processo utiliza ATP e NADPH produzido pelos centros reaccionais fotossintéticos para
converter CO2 em glicerol-3-fosfato, que pode ser então convertido a glicose. Esta reacção de fixação de carbono é catalisada
pela enzima RuBisCO e é parte integrante do ciclo de Calvin.[60] Ocorrem três tipos de fotossíntese em plantas: fixação de
carbono em plantas C3, fixação de carbono em plantas C4 e fotossíntese CAM. Estes tipos de fotossíntese diferem na via que o
CO2 toma até ao ciclo de Calvin: as plantas C3 fixam o CO2 directamente, enquanto que as C4 e CAM incorporam-no noutros
compostos de forma a adaptar a condições de alta luminosidade e dessecação.[61] Algas e plantas aquáticas usam organelas
chamadas pirenóides.
Os mecanismos de fixação de carbono em procariontes fotossintéticos são mais diversificados. O CO2 pode ser fixado através do
ciclo de Calvin, de um ciclo dos ácidos tricarboxílicos inverso[62] ou através da carboxilação do acetil-CoA.[63][64] Procariontes
quimioautotróficos também utilizam o ciclo de Calvin para a fixação de carbono mas a energia usada nas reacções provém de
compostos inorgânicos.[65]
[editar] Glícidos
No anabolismo de glícidos, ácidos orgânicos simples podem ser convertidos a monossacarídeos como a glicose, sendo então
usados para sintetizar polissacarídeos como o amido. A produção de glicose a partir de compostos como o piruvato, o lactato, o
glicerol, o glicerol-3-fosfato e aminoácidos é designada gluconeogénese. Na gluconeogénese, o piruvato é convertido a glicose-
6-fosfato usando diversos intermediários, muitos deles comuns à glicólise.[43] No entanto, esta via não se resume a uma inversão
da glicólise, pois diversos passos são catalisados por enzimas não-glicolíticas. Este é um aspecto importante pois permite a
regulação separada da formação e da degradação da glicose, evitando que ambas as vias funcionem em simultâneo num ciclo
fútil.[66][67]
Embora a gordura seja um modo comum de armazenamento de energia, em vertebrados, como os humanos, os ácidos gordos
não podem ser convertidos a glicose através da gluconeogénese, pois estes organismos são incapazes de transformar acetil-CoA
em piruvato.[68] Por essa razão, após um longo jejum os vertebrados necessitam de produzir corpos cetónicos a partir de ácidos
gordos para substituir a glicose em falta em tecidos e órgãos que não conseguem metabolizar ácidos gordos, como o cérebro.[69]
Noutros organismos, como plantas e bactérias, este problema metabólico é ultrapassado utilizando o ciclo do glioxilato, que
evita o passo de descarboxilação no ciclo dos ácidos tricarboxílicos e permite a transformação de acetil-CoA a oxaloacetato, que
pode ser então utilizado na produção de glicose.[13][68]
Os polissacarídeos e os glicanos são sintetizados através da adição sequencial de monossacarídeos, catalisada por
glicosiltransferases, de um doador de açúcar fosforilado como o difosfato de uridina-glicose (UDP-glicose) para um grupo
hidroxilo aceitador no polissacarídeo nascente. Como qualquer um dos grupos hidroxilo da estrutura do substrato podem ser
aceitadores, os polissacarídeos podem ter estruturas lineares ou ramificadas.[70]
Os polissacarídeos podem desempenhar funções estruturais ou metabólicas, podendo também ser transferidos para lípidos e
proteínas pelas enzimas oligossacariltransferases.[71][72]
[editar] Ácidos gordos, isoprenóides e esteróides
Esquema simplificado da via de síntese de esteróides, mostrando os intermediários metabólicos pirofosfato de isopentenilo
(IPP), pirofosfato de dimetilalilo (DMAPP), pirofosfato de geranilo (GPP) e esqualeno. Outros intermediários foram omitidos
para maior claridade.
Os ácidos gordos são sintetizados pelas sintases de ácido gordo, que polimerizam e reduzem unidades de acetil-CoA. As cadeias
acilo dos ácidos gordos são aumentadas através de um ciclo de reacções que adicionam o grupo acilo, reduzem-no à forma
álcool, desidratam este a um grupo alceno, sendo este finalmente reduzido a um grupo alcano. As enzimas envolvidas na
biossíntese de ácidos gordos encontram-se divididas em dois grupos: em animais e fungos todas estas reacções são catalisadas
por uma proteína multifuncional (tipo I),[73] enquanto que em plantas e bactérias diferentes enzimas catalisam as diversas
reacções (tipo II).[74][75]
Os terpenos e os isoprenóides são uma classe de lípidos, incluindo os carotenóides, sendo a maior classe de produtos naturais
vegetais.[76] Estes compostos são sintetizados através da montagem e modificação de unidades de isopreno doadas pelas
moléculas precursoras pirofosfato de isopentenilo e pirofosfato de dimetilalilo.[77] Estes precursores podem ser obtidos de
diferentes formas. Em animais e arqueas, a via do mevalonato produz estes compostos a partir do acetil-CoA,[78] enquanto que
plantas e bactérias existe uma via alternativa ( do não-mevalonato) que utiliza piruvato e 3-fosfato de gliceraldeído como
substratos.[77][79]
Uma reacção importante que utiliza estes doadores de isopreno é a síntese de esteróides. Nesta, as unidades de isopreno são
unidas formando esqualeno; este é então convertido a lanosterol.[80] O lanosterol pode ser então convertido a outros esteróides,
como o colesterol e o ergosterol.[80][81]
[editar] Proteínas
Diferentes organismos possuem diferentes capacidades de sintetizar os vinte aminoácidos mais comuns. A maioria das bactérias
e plantas conseguem sintetizar todos os vinte aminoácidos; os mamíferos conseguem sintetizar apenas dez, denominados não-
essenciais por esta razão.[15] Assim, os aminoácidos essenciais têm de ser obtidos através da alimentação. Todos os aminoácidos
são sintetizados a partir de intermediários da glicólise, do ciclo dos ácidos tricarboxílicos ou da via das pentoses-fosfato; o azoto
não existente nestes intermediários é fornecido pelo glutamato ou pela glutamina. A síntese dos aminoácidos depende da
formação do alfa-cetoácido apropriado, que sofre então transaminação para formar um aminoácido.[82]
Os aminoácidos são utilizados na síntese de proteínas, ao serem ligados entre si por ligações peptídicas numa cadeia linear. Os
aminoácidos podem ser ligados num número de combinações quase infinito, fazendo com que cada proteína tenha uma
sequência única de aminoácidos, denominada estrutura primária. As proteínas são sintetizadas a partir de aminoácidos activados
através de uma ligação éster a uma molécula de ARN de transferência (ARNt ou tRNA). Estes aminoácidos activados, os
aminoacil-tRNA, são sintetizados pela aminoacil-tRNA sintetase, numa reacção dependente da presença de ATP.[83] Os
ribossomas actuam então no aminoacil-tRNA, agregando-o à cadeia polipeptídica nascente, segundo a informação dada pelo
ARN mensageiro.[84]
[editar] Síntese de nucleótidos
Os nucleótidos são sintetizados a partir de aminoácidos, dióxido de carbono e ácido fórmico em vias metabólicas que requerem
grandes quantidades de energia.[85] As purinas são sintetizadas a partir de nucleósidos (bases ligadas à ribose). Tanto a adenina
como a guanina são sintetizadas a partir do precursor monofosfato de inosina, que por sua vez é sintetizado usando átomos
provenientes dos aminoácidos glicina, glutamina e aspartato, assim como de formato transferido pela coenzima tetra-
hidrofolato. As pirimidinas são sintetizadas a partir da base orotato, formada a partir da glutamina e do aspartato.[86]
[editar] Metabolismo redox e de xenobióticos
Todos os organismos são constantemente expostos a compostos que não podem ser utilizados no metabolismo normal e que são
potencialmente tóxicos se se acumularem nas células. Tais compostos são designados xenobióticos.[87] Os xenobióticos,
incluindo substâncias como drogas sintéticas, venenos e antibióticos, são desintoxicados usando um conjunto de enzimas
específicas. Em humanos, estas enzimas incluem as citocromo P450 oxidases,[88] as UDP-glucuronosiltransferases[89] e as
glutationo-S-transferases.[90]
Este sistema de enzimas actua em três fases. Na fase I, o xenobiótico é oxidado; na fase II, existe conjugação de grupos
hidrofílicos no xenobiótico oxidado, de modo a torná-lo mais hidrossolúvel; na fase III, o xenobiótico modificado é expulso das
células, podendo sofrer mais algum metabolismo em organismos multicelulares antes da sua excreção. Estas reacções são
bastante importantes em termos ecológicos, nomeadamente na biodegradação microbiana de agentes poluentes e biorremediação
de terras contaminadas e derrames de combustíveis.[91]
Muitas destas reacções microbianas são idênticas às existentes em organismos multicelulares. No entanto, e graças à sua enorme
diversidade, os microorganismos conseguem desintoxicar uma variedade superior de xenobióticos que os organismos
multicelulares, conseguindo inclusivamente degradar agentes poluentes orgânicos persistentes, como compostos
organoclorados.[92]
Um problema relacionado com o dos xenobióticos prende-se com a existência de stress oxidativo em organismos aeróbios.[93] Os
processos associados à vida em aerobiose, como a fosforilação oxidativa e a formação de ligações dissulfureto em proteínas,
produzem espécies reactivas de oxigénio, como o peróxido de hidrogénio.[94] Estas espécies danosas são removidas por
antioxidantes, como a glutationa, e enzimas, como a catalase e outras peroxidases.[95][96]
[editar] Termodinâmica de sistemas vivos
Os sistemas vivos têm de obedecer às leis da termodinâmica. A grande complexidade dos organismos aparentemente contradiz a
segunda lei da termodinâmica, que enuncia que a entropia de um sistema fechado tende a aumentar; no entanto, os sistemas
vivos são sistemas abertos que trocam energia e massa com o seu exterior. Assim, os organismos não se encontram em
equilíbrio termodinâmico, sendo antes sistemas dissipativos, pois mantêm a sua ordem ao aumentar a entropia do seu ambiente.
[97]
O metabolismo celular faz o acoplamento entre o processo espontâneo de catabolismo e o processo não espontâneo de
anabolismo para obter este efeito. Em termos termodinâmicos, o metabolismo mantém a ordem ao criar desordem.[98]
[editar] Regulação e controlo
Ver artigo principal: homeostase
O ambiente da maioria dos organismos encontra-se em constante mudança, sendo necessária uma apertada regulação das
reacções metabólicas de modo a manter um conjunto de condições mais ou menos constante nas células, chamado homeostase.
[99][100]
A regulação metabólica permite aos organismos dar resposta a estímulos do exterior, permitindo a interacção com o seu
ambiente.[101] Existem dois conceitos relacionados que são importantes para a compreensão da forma como são reguladas vias
metabólicas: em primeiro lugar, a regulação de uma enzima numa via refere-se ao aumento ou diminuição da sua actividade
enzimática em resposta a estímulos; o segundo conceito é o controlo exercido por esta enzima na velocidade total da via por
sofrer variações na sua actividade enzimática, ou seja, o controlo do fluxo da via metabólica.[102] Por exemplo, uma enzima pode
sofrer grandes alterações na sua actividade (ou seja, ser muito regulada) mas se estas mudanças não tiverem um efeito
significativo no fluxo da via metabólica, então esta enzima não está envolvida no controlo da via.[103]
Efeito da insulina na absorção e metabolismo da glicose. A insulina liga-se ao seu receptor (1) que por sua vez inicia diversas
cascatas de sinalização (2) tais como a translocação do transportador Glut-4 para a membrana plasmática e entrada de glicose
(3), síntese de glicogénio (4), glicólise (5) e síntese de ácidos gordos (6).
Existem diversos níveis de regulação metabólica. Na regulação intrínseca, a via metabólica regula-se a si própria em resposta a
mudanças nos níveis de substratos ou produtos; por exemplo, uma diminuição na quantidade de produto pode aumentar o fluxo
da via para compensar essa diminuição.[102][104] Este tipo de regulação envolve frequentemente o uso de regulação alostérica das
diversas enzimas que participam na via metabólica. O controlo extrínseco corresponde à mudança do metabolismo de uma
célula num organismo multicelular em resposta a sinais de outras células. Estes sinais são normalmente moléculas mensageiras
solúveis, como hormonas e factores de crescimento, e são detectados por receptores específicos na superfície das células.[105]
Tais sinais são então transmitidos para o interior da célula por sistemas de mensageiros secundários que envolvem
frequentemente a fosforilação de proteínas.[106]
A regulação do metabolismo da glicose pela insulina é um exemplo bem conhecido de controlo extrínseco.[107] A insulina é
produzida em resposta a um aumento da glicemia. A ligação da hormona a receptores de insulina na superfície de células activa
uma cascata de cinases que provoca a absorção de glicose pelas células e a sua conversão a moléculas de armazenamento, como
o glicogénio e os ácidos gordos.[108] O metabolismo do glicogénio é controlado pela actividade da glicogénio fosforilase, a
enzima que hidrolisa o glicogénio, e pela glicogénio sintase, a enzima que o sintetiza. Estas enzimas são reguladas de forma
recíproca, em que a fosforilação activa a fosforilase e inibe a sintase. A insulina provoca a síntese de glicogénio ao activar
fosfatases, produzindo um decréscimo na fosforilação destas enzimas.[109]
[editar] Evolução
Ver artigos principais: evolução, filogenia.
A árvore filogenética, mostrando as relações entre organismos decorrentes da evolução das espécies. A azul: bactérias; a verde:
arqueas; a vermelho: eucariotas. São também mostradas as posições relativas de alguns filos.
As vias metabólicas descritas acima são comuns aos três domínios da vida (Eukarya, Archaea e Bacteria), considerando-se por
isso que estavam também presentes no mais recente antecessor comum aos três domínios.[3][110] Este antecessor era procariótico e
provavelmente metanogénico, possuindo um extenso metabolismo de lípidos, aminoácidos, nucleótidos e glícidos.[111] A
preservação destas vias durante a evolução que se seguiu poderá ter resultado do facto de terem sido uma solução optimizada
para os seus problemas metabólicos específicos, ocorrendo a produção de metabolitos de forma eficiente e com um número
mínimo de passos reaccionais.[4][5]
Diversos são os modelos propostos para a descrição da evolução de novas vias metabólicas, incluindo a adição sequencial de
enzimas a curtas vias ancestrais, a duplicação e posterior divergência evolutiva de vias metabólicas inteiras e a inclusão de
enzimas pré-existentes numa nova via reaccional.[112] Não é clara a importância relativa destes mecanismos, mas diversos
estudos genómicos sugerem que as enzimas de uma dada via metabólica possuem um antecessor comum. Esta ancestralidade
comum implica que diversas vias terão evoluído passo a passo, com a criação de novas funções a partir de passos reaccionais
pré-existentes.[113] Existe também a possibilidade de que partes do metabolismo existam como "módulos" que podem ser
reutilizados em diferentes vias e que desempenham funções semelhantes em diferentes moléculas.[114]
A evolução de organismos pode levar também à perda de vias metabólicas. Por exemplo, em alguns parasitas, processos
metabólicos que não são essenciais à sua sobrevivência são perdidos; o parasita absorve então aminoácidos, nucleótidos e
glícidos do seu hospedeiro.[115] Organismos endossimbióticos apresentam também capacidades metabólicas similarmente
reduzidas.[116]
[editar] Métodos de estudo
Rede metabólica do ciclo dos ácidos tricarboxílicos de Arabidopsis thaliana. As enzimas e os metabolitos encontram-se
representados com quadrados vermelhos e as suas interacções com traços pretos.
O metabolismo é classicamente estudado usando uma aproximação reducionista, focando uma via metabólica isoladamente. A
marcação isotópica de precursores é de grande utilidade em estudos envolvendo organismos inteiros, tecidos ou células, pois
permite rastrear o percurso dessas moléculas até serem transformadas no produto final, analisando intermediários e productos
marcados radioactivamente.[117] As enzimas que catalisam estas reacções podem ser purificadas e analisadas do ponto de vista da
sua actividade enzimática, medindo parâmetros cinéticos e respostas a inibidores. Outro tipo de investigação consiste na
identificação de metabolitos numa célula ou tecido; o conjunto de metabolitos é por vezes designado metaboloma. De uma
forma geral, este tipo de estudos é adequado para se adquirir uma visão geral de uma via metabólica simples, mas são limitados
quando aplicados a sistemas mais complexos, como o metabolismo de uma célula inteira.[118]
É possível ter uma ideia da complexidade da rede metabólica existente nas células, que possuem tipicamente milhares de
enzimas, analisando a figura ao lado, que representa apenas 43 proteínas e 40 metabolitos. A sequenciação de genomas mostra
que poderão existir até 45000 genes (que corresponderão a tantos outros polipéptidos).[119] É, no entanto, possível na actualidade
usar esta informação genómica para reconstruir redes completas de reacções bioquímicas e produzir modelos matemáticos
holísticos que expliquem e prevejam o seu comportamento.[120] Tais modelos são particularmente úteis quando usados na
integração de dados obtidos através de métodos laboratoriais de análise de expressão genética, como o uso de proteómica e
microarrays.[121]
Uma relevante aplicação tecnológica desta informação é a engenharia metabólica, em que organismos como leveduras, plantas
ou bactérias são geneticamente modificados de modo a serem úteis em aplicações biotecnológicas, como a produção de
medicamentos (por exemplo, antibióticos) ou reagentes químicos (como o propan-1,3-diol ou o ácido xiquímico).[

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