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ccouscho PENSANENTO HUMANO aes uber ST CONFSRDES Sam Asti {2 SER TEAPO fae = Mart edge { SERE TEMPO ae Ih - Mart Heer {0 SONETOS A ORFEUE ELEGIAS De DUNO - Ra ie {GA CIDADE DE DEUS Pare Lares a= Sans Agri {ie A IDADE De EUS Pare I: Loe a Soo gsi 19-0 LVRD DR DMNA CONSOLAGRO (eutos txts ee) Mee Eat ‘iO CONCEIT DE ROMA = SA Reseda 19-0 PENSADORESORICINARIOS "Aandi. Famine Heo NeABSSENCIA OA RADE HUMANA "FW Seeing T-FENOMENOLOGIA DO ESPIRTO Pate) CA es! 1 FENOMENOLOGIA DO ESPIRTO Pate] GW Het FE MIPAION OO RESTA NA CRECIA ie Hern HDA REVIRAVOLTA DOS VALORES Na Scher I IVESTLeagbEs PLOSOMIAS~ Lad Wages Te NBROADEE METODO ~ Hanser Caamer rman Gc lo itn fot ies Gone arc Dads lotro de Catala m Pace (IP) {Ciara Bree do Liv, S, Beh adam, HansGeort 1900- Verde e todo / Hans Georg Gadamer alco de Fivio Paulo Meu ~ Peps RU: Vues, 1987 ‘Til rial Wat und Methode Bibogata ISBN 8532617875, 1. lesa To rage cp.193 Indices par eatiogo sistem: 1. lost lems 185 Hans-Georg Gadamer VERDADE E METODO Tragos fundamentais de uma hermenéutica filos6fica ‘Traducao de Flavio Paulo Meurer Revisio da tradugao de Enio Paulo Giachini 3 Eaigto y EDITORA VOZzES Petropotis 1999) couecho UCONPIGDES = Sato Agetnko 2 SERE TENDO Parte) arn Medeser (een TenPo Pate h- Mart Heeger Dc SONETS A ORFEUE ELECINS De DUNO — RM ie { ACIOADE De DPUS Pre Laas 4X) Sit A (7.0 LIVRO DADIVINACONSOLAGRO ects te Sen - Mee Bada (6 0CUNCEITD DERONIA SA Keteaurd (8 0¢PENSADORES ORICINARIOS~Anaimand, Paes Heo {0-AESSENCA DA LIDERDADE HUMANA FE Sebing [U-FENOMENOLOGIA DD SPIT Pate i) CW Heat {D-FENOMENOLOGIA DO ESIRITD fare fC Hep TB-MIPemon ol 0 amet NA GIA - Ped erin WDA REVIAVOLTA DOS VALORES - Aa Sber IS INVEsTCAgDeS FILOSOMEAS ~ Ltd Watgesen I-YERDADE E METOOO = HaneGer ade ona Erol neo Lede Hemoge Hara cite rest iets omar ac Sec Coes Dados lateracionas de Caalogacio na Pulao (CIP) (Cémara Brass do Lio, SP, Bras) Cada HansGeoe. 1900- Verdadee metodo / Hans Georg Gadame :walucio de Fivio Paulo Meurer ~Petsdpols RD: Yous, 1857 ‘il ria Waste und Metbde ogra. ISBN 85326.1875, 1. lef Thu cop. nics par catilogo sistem: 1. Flocfa lems 180 Hans-Georg Gadamer VERDADE E METODO ‘Tragos fundamentais de uma hermenéutica filos6fica Tradugio de Flavio Paulo Meurer Revisdo da tradugao de Enio Paulo Giachini Edisto y EDITORA VOZES Petropolis 1999 © LGB. Mohr (Paul Siebeck), Tabingen 1986 ‘Titulo do original alemio: Wahrheit und Methode Direitos de publicagdo em lingua portuguesa no Brasil Eaitora Vores Ltda Rua Frei Luis, 100, 25689:900 Petrépolis, RI Internet: hitp,//www.vozes.com br Brasil “Todos os direitos reservados, Nenhuma parte desta obra poderé ser reprodsida ou transitida por qualquer frma e/ou quasquer mcios (letrnico ou mecinico, incuindo ftocépa egraagdo) ou arquivada em qualque sistema ou baneo de dadas sem permissio, cscrita da Bator soroesclo tsp Pe ‘oma hore seen pense Mee rs ISBN 3:16 2450896 (edicdo alema) ISBN 85.326.17875 (edigdo brasileira) Estero fol eompst imprest pea Etora Vous Lh ————— SUMARIO Nota, 11 Prelicio 82 ei, 13 Precio 83 edigso, 29 Preticio 85 ego, 30 Introdugio, 31 PRIMEIRA PARTE A LIBERAGRO DA QUESTAO DA VERDADE DESDE A EXPERIENCIA DA ARTE 1.0 ato de transcender da dmensio esc, 39 1LLA sgifiago da radio humanistic para as lenis do esto, 39 1.11.0 problema do método, 38 1112.08 conetouia humanistins, 47 )Aformagéo, 47 B) O sensus communis, 61 y) 0 juizo, 76 5) 0 gosto, 82 12.8 subitiagio da estta pl ria fantian, 92 1.21. A doutrin Kantian do gosto edo gia, 82 4) A cracteragi transcendental do gosto, 92 8) Adoutina da beleza ee dependente 96 SEGUNDA PARTE A doutrina do ideal da beleza, 99 ‘A EXTENSAO DA QUESTAO DA VERDADE A COM 85) 0 interesse plo belo na natureza ena ate, 102 £) Arelagio entre 0 gosto © o génio, 107 PREENSAO NAS CIENCIAS DO ESPIRITO 1.22, Acestétia d no eo conccito de vivnda, 111 1. Prelminareshistvicas, 273 ‘¢) 0 imporse do concito do gnio, 111 1.1.A questonabilidade da hermenéutica romantica € 6) Sobre ahistéra da palavra“vvenci’, 117 sua aplicagh & historiografia, 273 1) 0 conceta de vvénia, 123, 1.1.1. Atransformagio da esséncia da hermenéutica 1.23.05 limites da arte vivencal- Reabiltagéo da nite 0 Aufkirung ¢ 0 Romantisme, 273 aesoria, 132 ‘) Préhistéria da hermenéutica romantica, 273, 13. Aretomada da questio pela verdade da arte, 147 10 grok de eeleracher de uma 13.1 A questionabilidade da formacioestética, 147 oe ee na hhermenéutica romantica, 306, 6) 0 dilema face 20 ideal da histria universal, 306 8) A concepeto histérca do mundo de Ranke, 315 1.3.2. Citica da abstragio da conscinciaesttica, 157 2, Aontologia da obra de ate e seu significado hhermenéutico, 174 21.0 jo como fo candor epeacso onlin 1 Are ee strate emea 2.1.1. 0 conceito do joxo, 174 12.0 sr vie bith 2:12 tasformaco do jog em conferaio 2.0 eraanento de Dithey nas prin do (Gebild) e a intermediagao total, 187 . ee 121.Dopobema epitenligo ita funda heer ds ena Go 2.13. A temporaidade da esttica, 201 2.14.0 exemplo do trigieo, 212 2.2. Dedugbes estéticas e hermenéutica, 220 esprit, 335 1.22. Adiscrepancia entre a cignciae a filosofia da vida na anlise da consciénca histérica de 22.1. Avalancia ontogiea do quatro, 220 2.22. 0 fundamento ontoligico do ocasional e Dilthey, 353 . do decorative, 233 13.A superagio do questionamento epistemoléico 2.23. A posigiorimite da literatura, 256 pela investiga fenomenoligica, 368 2.24, Ateconstrucio ea intesraglo como tarefas 13.1.0 conceito da vida em Husserl e no Conde Trermeneuticas, 262 Yorck, 368 132.0 projeto de Heidegger de uma fenomenologia hhermenéutica, 385, 2, 0s tragos fundamentais de uma teoria da experiéncia hhermenéutica, 400 2.1. A elevagio da historicidade da compreensio a ‘um principio hermeneutic, 400 2.1.1.0 circulo hermenéutico e o problema dos preconceitos, 400 ) A descoberta de Heidegger da préestrutura da compreensio, 400 £) 0 descrédito que sofreu o preconceito através do Aufklirung, 408 2.12, Os preconeeitos como condigao da compreensio, 416 4a) A eabiltagdo de autoridadee tradigao, 416 B) 0 exemplo do cléssco, 428, 2.13.0 significado hermenéutico da distincia temporal, 436 2.14.0 principio da histéra efeitual, 449 2.2. A retomada do problema hermenéutico fundamental, 459 22.1.0 problema hermenéutico da aplicagio, 459 2.22. Atualidade hermentutica de Arstoteles, 465, 22.3.0 significado paradigmatico da hermenéutica juridica, 482, 23, A andlse da consciéncia histérica efeital, 23.1.0 limite da flosofia da reflexso, 505 23.2. 0 conceito da experiencia e a esséncia da experiéncia hermenéutica, 512 233. primazia hermenéutica da pergunta, 533 4) 0 modelo da dialtica platonica, 533 B) A logica de pergunta e resposta, 544 05, ‘TERCEIRA PARTE, ‘A VIRADA ONTOLOGICA DA HERMENEUTICA NO FIO ‘CONDUTOR DA LINGUAGEM 1. Alinguagem como medium da experiéncia hhermenéutica, 559 1.1. lingisticidade como determinagio do objeto hhermenéutico, 567 112, A lingdisticidade como determinacdo da ‘execucio hermenéutica, 576 2. A cumhagem do conceito de “linuagem” ao longo da histéria do pensamento do mundo o¢idental, 590 2.1. Linguagem ¢ logos, $90 2.2, Linguagem e verbum, 608 23, Linguagem e formagao de conceito, 621 3. Alinguagem como horizonte de uma ontologia hermenéutica, 636 3.1 A linguagem como experiéncia de mundo, 636 3.2. 0 centro (Mitte) da linguagem e sua estrutura especulativa, 662 33. 0 aspecto universal da hermentutica, 686 Indice analitico, 711 Indice onoméstico, 725 Apanhar o que tu mesmo jogaste ao ar Nada mais é que habilidade e tolerdvel ganko: Somente quando, de sibito, ens de apankar a bola Que uma eterna comparsa de jogo Arremessa a ti, ao feu cerne, num exato E destro impulso, num daqueles arcos ‘Do grande edificio da ponde de Deus: Somente entéo é que saber apankar & uma grande riqueza, Nao tua, de um mundo. RM. Rilke — Nota A presente traducdo segue a 5* edigio alema, mantendo os Prefiios da 2, 3" e 5*edigbes, Os excursos, o artigo "Herme: uticae historicismo",o epilogo e um indice remissivo mais completo serio publicados no volume Il de Verdade e Método 0 indice analitico © onoméstico mantém as indicagdes das péginas da 5? edigio do original, as quais sio indicadas na_ tradugdo, entre colehetes, ao lado do inicio da respectva ph na, AS indicagées de piginas e remissbes encontradas nas no tas de rodapé também mantém as indicagbes da paginacao do original —_ Preficio & 2* edicao presente livro aparece nessa sua 2* edicdo, no essencial, inalterado. Encontrou tanto seus leitores como 0s seus ert- os, €a alengdo que ele recebeu devera, certamente, obrigar autor a aproveltar todas as cordatascontribuigdes da critica, para o melhoramento do todo da obra. Entrementes, a acio do pensamento amadurecido por longos anos tem sua prdpria so- lidez. Por mais que se procure ver com os olhos do critic, a perspectiva prépria, desenvolvida tao plurifacetariamente, (quer sempre de novo se impor. Os trés anos que se passaram, desde o aparecimento da primeira edo, nio foram suficientes, para voltar a movimen tar o todo da obra, e torar frutuoso 0 que nese meio tempo foi aprendido, através da critic’ e através do trabalho' que eu proprio continuel a desenvolver. 1 Para tebe pret eto ees pki, 0 ls Derma ainda dare ep a THO. pd Aegon el 2 Don 15 9. 1430 40 Betr, "De Prager ameter der htc Dine Sie der Manson ina apart eVrdade «Me PL Ruan 1, [SE Bet ie Hermenet atalpemeine Method Cttecenchtn 4 Went “eZ Arck Rec Seip 18,18 50.78 ‘SH Kat “he ond exh Vest ee Zac a 180% 2961 pt, Nae bigs Tao Qurahy 8/196, ASAT PW Parenter hemeneth nd rvs eich Teo 0 Poste Pilon Lito. 1, 6,616 5.8 de Wace, "Sur une hrmenerge de heeds Reso. 10-F Wiehe, Nazen zr echhitorchen Harmen’ schon era Gating pst 863.122 20 1 bg bade Miri Heuer A orig ov deat Sat, 190; 2 Hep ond eae Die Hep San 186) 175398" B Deste modo, vamos resumir brevemente, mais uma vez, a intengio e as pretensées do todo da obra 0 fato de eu terme servido da expressio “hermenéutica”, pesandothe as costas uma velha tradiio, conduziu certamente a malentendidos. ao foi minha intengao desenvolver uma “doutrina da arte” do compreender, como pretendia ser a hermenutica mais antiga, [Nao pretendia desenvolver um sistema de regras atificiis, que conseguissem descrever o procedimento metodolégico das ciéncias do esprit, ou até guile. Minha intencio também Ao foi investigar os fundamentos teoréticos do trabalho das clncias do espitit, a fim de transformar o conhecimento| usual em conhecimento pratico. Se se dé uma conseqdéncia pratica das investigagdes apresentadas aqui, isso no ocorte, em todo caso, para um ‘engajamento”nio cientifico, mas para 1 probidade “cientfica” de reconhecer, em todo compreender, uum engajamento real eefetivo, Minha intengio verdade +ém, foie & uma intengéo filoséfica: O que esté em questio néo € 0 que nds fazemos, 0 que nds deveriamos fazer, mas 0 que, ultrapassando nosso querer e fazer, nos sobrevém, ou nos acontece Nessa medida, aqui nio se estéfalando, em absoluto, de smétodo das ciéncas do espirito Eu parto, antes, do fto de que fo 62 9. 1a {Dehn tnd Dee J & Deh Ak Sab ian. 186». 1321 {Die minomenlgsbe Beene Pa Rand 11163. 1L-tenrde Sobe und Sprch der Dig’ Palo der Orne Kenge (6 nue 660, Ser, {Chr ate gic cine pilophche thik Sin nd to, Weber: eset Icky 11a Merch und Sache FSD Teac Mai, 96 i. Mona Heeger nd dic Martuger Tele, PS , Blan. Tbinge, 1s esha wndHermencath Vora ae dem atts Anstedan 3.00 Beto oF Wa oot 4 as cigncias histéricas do esptit, nos modes como elas proce pagaopiatini ot. eos mite ogo da meme ma protein nur (Compr Uomo Sinitumo ed Csi ston de Ron cman ‘image tata emai ace dt Rineciments © Yosh ‘mani ein ei on tere meme dl Bre). st (22) (23) plesmente um dispositivo natural, é com razio que falamos da conscincia estética ou histricae nao propriamente do sent do. E claro, porém, que uma tal consciéncia comportase com a imediaticidade do sentido, isto &, sabe separare avaliar com seuranga em cada caso espectico, mesmo sem poder precisar seus motives. E assim que quem possui sentido estético sabe separar o belo € o feo, a boa ea ma qualidade, e quem possui sentido histérico sabe o que & possivele 0 que néo & possivel para uma época e tem sentido quanto a dversidade do passe do em face do presente, Se a formagio pressupde tudo isso, entio iso significa que rio se trata de uma questio de processo ou de comportamen- to, mas do ser que deveio. Considerar com maior exatidio, estudar com maior profundidade nio € tudo, caso nao esta preparada uma receptividade para 0 que hé de diferente numa obra de arte ou no passado, ot justamente a isso que, seu do Hegel, salientamos como uma caracterstea universal da formagéo, o manterse aberto para o diferente, para outros pon tos de vista mais universais. Nela existe um sentido universal paraa medida e paraa distancia com relaghoa si mesmo, e, por fsso, uma elevagio por sobee si mesmo, para a universalidade Ver a si mesmo e seus fins privados significa: velos como os ‘outros os véem. Essa universaldade nao &, certamente, uma “universalidade do conceito ou da compreensio, Nao se deter mina algo particular a partir de algo universal, ndo se pode ‘comprovar nada por coagao, Os pontos de vista universas, ‘que se mantém aberto o formado, nao sio para ele um padrio fixo, que tena validade, mas se fazem presentes ante ele ape- nas como os pontos de vista de passives outros. € assim que, de ato, a consciéncia formada tem mais o carter de um sent do. Pois todo sentido, p. ex, 0 sentido da visio, 6, como tal, jt ‘universal pois abrange sua esfra,abrese para um campo e, 0 Ambito daquilo que Ihe esté aberto, percebe as diferencas. A ‘onsciéneia formada suplanta cada um dos sentidos naturals, somente na medida em que cada qual esteja restrito a uma {ern un ai tn, a ane Say, ein « tenor ona em “reo pecan Oanger econ ae Ab a gros ones comport ae adn emo fas 1251 Sean ‘ain suing conten soe qu secant scne dee et th Kowa pps metas no peri adatecnrmar ee juz de Oe nae Fie eva cna forma do mor eomencu ogee no {aso queer come enter a ae cont oe ‘dnc Aura mena apne eile ae ‘mura ar mora a do epi eau ei com sien rmatemticodemonstrativo falha ele exige um outro método, 0 “método generativo", ou seja, “a conferencia semeadora das Escrituras, a fim de que ajustica possa se plantada como uma muda’ Oetinger fez do conceito do sensus communis também o ‘objeto de uma pesquisa completa e erudita, que também esti voltada contra 0 racionalismo"Nesse conceto ele vé a origem de todas as verdades, a genuina ars inveviendi, em contraste com Leibniz, que fundamenta tudo em um mero calculus me- ‘taphysicus (excluso omni gusto intern). A verdadeira base de fundamento do sensus communis, para Oetinger, encontrase ho conceito da vita da vida (sensus communis vitae gaudens) Diante da violenta retaliagéo da natureza através do experi mento do cilculo, ele entende o desenvolvimento natural éo. simples a0 complexo como a lei universal do crescimento da criagao divina e, com isso, também do esprito humano. Para justificar que a origem de todo o saber esté no sensus commu: nis, ele reportase a Wolf, Bernoulli e Pascal, & pesquisa de Maupertius sobre a origem da linguagem, a Bacon e Fénelon, entre outros define o sensus communis como “vive et pene trans perceptio objectorum toti humanitati obviorum,ex im ‘mediato tactu et intuitu eorum, quae sunt simplicssima..”| 4 dessa segunda frase inferese que Ostinger associa de anteméo 0 significado humanistapoltico da palavra, com 0 conceito peripatético do sensus communis, Em parte, a defini- ‘slo acima soa (immediato tactu et intuitu) & maneira da dow trina aristotélica do nous; a questio aristotdlica da dynamis ‘comum, que reine ver, owir etc, époreleassumidae servethe para a confirmagdo do verdadero segredo divino da vida. O segredo divino da vida € sua simplicdade. Caso o homem a tenha perdido através do pecado original, poderd ainda reen- {8.2 Otte, ngs sensu commune tone oboe, 179, "empresa ad Cnt 19 Cnr Pap Ane ‘Shiny. 800 fot Vas Ons Cnet n (a contrara unidade ea simplicidade através do designio da raga «de Deus operatio ‘Togou”s. praesentia Det simplificatdiversa in unum (162). A presenga de Deus manifestase simplesmente ‘a prdpria vida, nesse “sentido comum’, que diferencia tudo 0 ‘que € vivo do que é morto ~ (0 pélipo ea estrela do mar que, apesar de toda retaliagio,votam a se regenerar em um novo individuo, nio sio citados por Oetinger casualmente). No ho- ‘mem atua a mesma forca de Deus como instinto e excitacio interna, afim de perceberindicios de Deus, e para reconhecer| aguilo que tem 0 maior parentesco com a felicidade e a vida ‘humana, Octinger diferencia expressamente a suscetbilidade para as verdades comuns, que sio itis aos homens em todos 19s tempos e em todos os lugares, enguanto verdades “dos sem tidos”, das racionis. 0 sentido comum € um eomplexo de ins- Lintos, isto €, um impulso natural sobre 0 qual repousa a verdadeitafelicidade da vida, sendo, desse ponto de vist, um feito da presenca de Deus. De acordo com Leibniz, os insti tos no devem ser compreendidos como afetos, isto é, como confusae repraesentationes. Isso porque nko sio efémetos, sas tendéncias enraizadas e possuem um poder ditatorial, vino e ireesistve. O sensus communis, que se aia neles, & de especial significacao para o nosso conhecimento®, Justa ‘mente porque sio uma didiva de Deus. Oetinger escreve: ratio regese por leis, muitas veaes até mesmo sem Deus, 0 sentido sempre se rege com Deus. Tal como a natureza se dife rencia da arte, assim também se diferencia o sentido da ratio Deus atua através da natureza num progresso de crescimento concomitante, ue se expande regularmente pelo todo ~a arte, a0 contrrio, iniciase com uma parte determinada qualquer. O sentido imita a natureza,a ratio imita a arte (247) E interessante ver que esta frase se encontra num contesto hermengutico, como aliés,nesse escrito erudito, a sapientia |. Raden nde Hahet sm dtr nam, reser 15 Ie vig ies cum haben en ” Salomonis representa 0 ikimo objeto ea mais elevada insti cia do conhecimento. Trata-se do capitulo sobre a utiizagéo (usus) do sensus communis. Aqui Oetinger voltase contra 8 teoria hermenéutica dos wolfianos. Mais importante do que todas as regras hermenéuticas, & que seja um sensu plenus Uma tal tese 6, naturalmente, um extremo espiitualista, pos sui, no entanto, seu fundamento légico no conceit da vita, on sea, do sensus communis, Seu sentido hermenéutico pode ser ilustrado através da frase: “As idéias que se encontram nas Eserituras Sagradas e nas obras de Deus sio tanto mais fru tuosos e pures quanto o individual se reconhece no todo e todo no individual. 0 que se gostava de denominar de intui tion, nos séculos XIX e XX, € aqui reconduzido ao seu funda mento metafsico, isto é &estrutura do ser viv eorginico, que em cada individuo quer sero todo: cyelus vitae centrum suum in conde habet, quod infinita simul peripit per sensum com: ‘munem (praet). (0 que toda a sabedoria das regras da hermenéutica enco- bre €a apliacio a si propria: applicentur regulae ad se ipsum ‘ante omnia et tum habebitur clavis ad inteligentiam prover: ‘biorum Satomonis (Cf. p. 41 linha 27)". partir disso, Oetn ger sabe realizar a concordincia com 0 pensamento de Shaftesbury que, como ele diz, & 0 nico que, sob esse title, escreveu sobre o sensus communis, Mas el se reporta também outros que perceberam a unilateralidade do método racial, como Pascal, com sua diferenciagio do esprit geametrigue esprit de finesse. Entrementes, 0 que se critaizou com resp toa0 conceito do sensus communis é no caso do pietista sus bio, mais um intresse teoligico do que politico ou social $6. Sin sess! cron maps inlining inom ‘one tla ‘Shull coon ea conse do poten: de sa 15 [35] (36) ‘Notase claramente que também outros telogos pitistas, em face do dominante racionalismo, e no mesmo sentido de Oetinger,colocaram a applicatio em primeiro plano, como o demonstra o exemplo de Rambach, cuja hermenéutica, entdo ‘muito influente, trata também da aplicagdo. Entretanto, 0 re freamento das tendéncias petstasno final do século XVII fez {que a fungio hermenéutica do sensus communis se eduzsse um mero corretivo: no pode ser correto o que contradiz 0 Consensus quanto a sentimentos,julgamentos e conclusdes, ou sa, © que contradiz o sensus communis". Em comparagéo com o significado que Shaftesbury atribui ao sensus commu nis para a sociedade e o Estado, mostrase, nessa fungio neg tiva do sensus communis, oesvaziamento ea intelectualizagio do contedido, por que passou oconceito através do Aufkldrung aleméo. 10 juizo Esse desenvolvimento do conceito no século XVIIL, na Ale- ‘mana, pode ser devido ao fato de que o conceito sensus com munis se velaciona estreitamente com 0 conceito do juizo. A "sd compreensio humana’, de vez em quando também deno- minada “compreensio comum’, 6, de fato, cracterizada dec: sivamente pelo juizo. & isso que diferencia um tolo de uma pessoa inteligent:o fato de aquele no possuir nenhum juizo, Isto 6 o fato de ele nio poder subsumir corrtamente e, por isso, de ndo ser capaz de aplcar corrtamente o que aprendeu sabe. A introducio da palara“juizo",no século XVII, quer, portant reproduzir adequadamente o conceito de udicium, ‘que deveria valer como uma virtude esirtual fundamental, No ‘mesmo sentido acentuavam 05 filésofos moralstas ingleses ‘que 0 julgamento moral e estético no obedece & reason pos- suindo, porém, o caréter do sentiment (ou seja, do tate), € semelhantemente a isso vé Teens, um dos representantes do 4, frome Morus Herma, 1 XA 16 Aufitarang alemao, ou sea, que hii no sensus communis um “iudicium sem reflexio™. De fato, a atividade do juzo, de subsumir o particular no universal, de reconhecer algo como ‘ caso de una regra, nio pode ser demonstrada logicamente, (0 juizo encontrase fundamentalmente deslocado, por causa de um principio que poderiaguiar sua aplicacio. Para seguir esse principio seria necessiio langar mio de outro juizo, como ab setva Kant, argutamente™. Nao pode pois ser pregado gener- camente, mas apenas exercitado de caso a caso e & como tal, mais uma capacidade tal como © sio os sentidos. Tratase de algo simplesmente impossivel de ser aprendido, porque nenhu- ‘ma demonstragdo a partir dos conceitos consegue conduzir & aplicagio de regras. CConseatientemente,e por isso mesmo, é que a filosofia do Aufklérung alemio no contou o juizo como a mais elevada faculdade do espirito, mas, sim, a mais baixafaculdade do co- thecimento, Com isso, ele tomou um rumo que se afasta bas tante do sentido romano oriinério do sensus communts e que 4 continuidade & tradigho escolistica. Isso vria a dar &estéti- ‘ca um significado especial. No caso de Baumgarten, p. ex, esté fora de divida: 0 que o juizo reconhece é o sensorialindivi ddl, a coisa singular, eo que ee julga na coisa singular é sua perfeio ou imperteigao". Agora, no entanto, devese observar nessa determinagzo do julgamento, que aqui néo & simples ‘mente aplicado um conceito préexistente da coisa, mas que 0 sensoriabindividual em si acaba chegando 2 apreensio, na me- dida em que se percebe nele a concordancia do muito no uno. 0 decisivo, aqui, portanto, nio &a apicacio de um universal, ‘mas a concordéncia interna, Como sev, tratasejé daquilo que Kant mais tarde viia a denominar de “juizo reflexivo" e que 49 Tens. PhiopiceYesuce er die merece Natur unde toc 50. Fam, Kt de Urb, 370% NL 51 Baumgarten, Metaphysie,§ 608, "Peretinemingereonmgse re es evi Sade 171 entende como ojulgamento segundo uma finalidade real e fr. mal. Nao se dé nenum conceto, mas o individual € julgado “imanente”. Kant chama a isso um julgamento estétic,e, tal como Baumgarten denomina iudicium sensiteum como gus- tus, assim repete Kant: "Um julgamento sensorial da perfeigao chama-se gosto™. Veremos mais tarde como a versio estética do conceito iudicium, que fo forjada no século XVI, prncipalmente por Gottsched, alcanga para Kant um significado sistemstico, ¢ com isso se patentearé que a diferencia kantiana de um juizo determinante e de um juizoreflexivo traz em si algo pro- blemético”. Também, difclmente se pode limitar 0 contesido significante de sensus communis 20 juizo (Urteil) estético. Pois que, do uso que Vico e Shaftesbury fazem desse conceto, surge o seguinte: sensus communis nda é, em primeira linha, ‘uma capacidade formal, uma faculdade espritual que se tem de exercitar, mas jéabrange sempre a sintese do julgar ¢ dos padrées de juzo, que o determinam quanto a0 contetdo, A. razio, o common sense, se apresenta principalmente nos julgamentos sobre justo e iusto factvel einfativel, que cla vem a baixar. Quem possui um juizo sio no esté apto, como tal, a julgar o particular a partir de pontos de vista uni ‘ersais, mas sabe o que é que realmente importa, ito & vé as coisas com base em pontos de vista corretos, justficados e sadios. Um chantagista, que calcula corretamente as fraquezas das pessoas e que, para suas fraudes, sempre age correto nio possui, mesmo assim (no sentido eminente da palavra) um “ju 20 sio”. A unversalidade, que € atribuida & capacidade de jul samento, ndo é tio “comum" como Kant a ve. Juizo é enfim, ‘io tanto uma faculdade mas uma exigéncia a ser apresentada «todos, Todos possuem suficiente “Senso comum’, isto & ca pacidade de julgamento, tanto que se pode exigir deles a prova 52 Bine Vrs Kents oe tit Mee, 1824, 3, '58.CL mas adap. do ga de “senso comum’, de genuina solidariedade éticociil, isto significa, porém: ulgamento sobre justia einjustca, epreocu- pagdo pela “utilidade comum. isso que torna tio importante ape de Vico & tradigdo humanistia, a ponto de ele manter, em face da logizagio do conceito de senso comumn, toda a abun: dancia de seu contesdo, o que estava vivo na tradigio romana dessa palavra (e que até os nossos dias caracterza a raca lat na). Da mesma forma, a apreensio desseconceito por parte de Shaftesbury, como vims, foi ao mesmo tempo uma vinculagio 4 traditio politicoscial do humanismo. 0 sensus communis € um momento do ser burgués-tico. Também onde esse com: lica da vida, a caminho da qual ja se enconta igualmente toda a vivéncia.£ por isso que ela mesma € caracterizada como ‘objeto da vivenciaestética, Para aesttica, isso tem como com segiincia que a chamada arte vivencial aparece como a verds deira arte a 176) w7 1.23. 0s limites da arte vivencial ~ ReablitacSo da alegoria estética. E evidente que ambas se interrelacionam. 0 que tem (0 conceito da *arte vivencial", como quase sempre se dé nesses casos, foi cunhado a partir da experiencia do limite, que ‘se coloca a sua pretensio. 0 conceito da arte vivencial somente Se toma consciente na sua circunserigio, quando deixa de ser autoevidente que uma obra de arte represente uma transpost fo de vivendias, ¢ quando jd nio € autoevidente que essa transposigio se deve & vivncia de uma inspiragio genial que, com a seguranga de um sonimbulo, cra a obra de arte que, por sua vez, convertersed numa vivencia para aquele que a fecebe. Para nés, 0 século caracterizado pela auto-vidéncia esses prescupostos & 0 de Goethe, um século que é toda uma tera, uma época. Somente porque para nds jéesté encerrado, € porque isso nos permite ver além de seus limites, podemos ‘elo nos seus limites e para isso temos un conceto. os poucos nos trans consents de que es ea n0 todo da stra do ree poe € apenas un eis. Ccrsrdrnpesutas sore esthia eri da Made Nella sttafo por ine Robert Curtis, domes una Mabaso Quando se comes nar um ola pra tlm os Imes date ven se dem wr outs padre ajenae nove eas eggs no ambi da ate Pete ue desde a angde ates eado Banoo, 125,28 Curt, Eerie Ltr wd inches Mle, Be. 1988 12 plenamente dominada por padroes de valor totalmente diver- S03 dos da experimentacio, e,igualmente,oolhar se tora livre Para mundos da arte totalmente estranhos. Certamente, tudo isso poders transformarse numa “vivén cia” pata nds. Essa autocompreensio estéticaestd sempre dis- Ponivel. Masa gente nao pode deixar seiludie pelo fato de que 4 propria obra de arte que, desse modo, torase para nés uma ivéncia, no foi destinada para uma tal concepeio. Nossos conceitos de valor sobre o gnio e a vivencalidade no séo, aqui, adequados. Podemos nos lembrar também de padroes totalmente diversos e, por exemplo, dizer Nao €a autentcidar de da vivéncia ou a intensidade de sua expresso, masa dispor sigd atistica de formas e maneirasfxas de dizer, que faz com que a obra de arte seja uma obra de arte. Essa contradicéo quanto aos padrées vale para todos os géneros de arte, mas possui nas artes lingisticas sua especial legitimagdo™. Ainda no século XVIII, de uma forma surpreendente para a consc- {ncia modema, a poesia e a retbrca encontravamse lado Jado. Kant vé em amas “um jogo livre da imaginagdo e um negécio do entendimento”™. Tanto a poesia como a retéica so, para ele, elas artes, e valem como “Ibres", na medida em {que a harmonia das duas capacidades do conhecimento,a se sibilidadee o entendimento, €alcangada em ambas de maneira ‘io deliberada, © padréo da vivencalidade e da inspiragio ge- nial teria de contrapor a esta tradigio tm conceito muito dife- rente de arte “livre a que somente responderia a poesia, na ‘medida em que nela se tivesse suprimido todo o ocasional, ¢ da qual atetrica deveria ser excluidainteiamente, A desvalorizapio da retérca no séeulo XIX 6 assim a con- seqigncia necesséria da aplicagio da doutrina da produgio in 196, cLtamhin cps cate gue primers onathas ea ingsgen ‘sere at ul iron one cme be ans Fnac er 1 der rete, $5, 133 (78) SSIS elo da ha dos const do sino aoe conprtament nena se descou no Ueaso dos tempos made es peusdoes nteresadot na ist dbs pl vr tas sees nao prea sfcetemete ano 0 Wie de ura col artnet aleve snl, tae pose autre € pesto ead do ee shaman sco dow mos do eased xo ino {elmo cme. fae cego necesiade dtm Civ eatatonsmo Nose pode dear asar dese id oe Winetany cus nba sobre 9st e2 fide de nto fo dternane na 90 Ec, tiny Tia cones como sno, 0 al val aa ofl Stern ttn dso XI Anos esas da ght te elmet, deve sun orien, ap eam: Em mapa eons alg arte, ue ot Sr uence no se aspect, som da pala, mean aigfcda sadn pra i dso. Que alo est Team epeseniand ale difrente€o qu fa So de ante Ese wont giao ats aval quedo tom sete gata seni, encotase tesco da pose ds ates plats como tnbén no Ente do wigvosacramenta Deve fe eservad par ma sgh ma pormeno sia coma pnts © wo ls nol € inane icin poster ana a etn tnd. 36 podem Tae, igus nis loca Breet que deni, bor ar concto ma ah aera eA sree arte oarannte exer do curso, do ae as au emcees En cee ese quer eames der clase io deren Sidbmas's ma Ge mane qu, pes dso, ese ea i e faz entender aquele outro!™.0 simbolo, ao contrrio, nao se ‘encontralimitado& esfera do ogo. Pos 0 simbolo nao possui arelagdo com um outro significado, através de seu significado, Ji que 0 seu ser proprio e manifesto, tem “significado”. Ent quanto o que esti exibio € aquilo em que se reconhece algo diferente. Tal € a tessera hospitals e similares. E claro que se ddenomina *sfmbolo”aquilo que vale no somente pelo se com: tetido, mas pela sua exibicionalidade, ou sea, € um documen- to™,no qual sereconhecem os membros de una comunidade: ‘quer seja um simbolo religioso, ou se apresente com um sent do profano, como uma insfgnia ou uma senha ou um lema ~ seja qual foro caso, o significado do symbolon repousa na sua presenga e obtém, apenas através da presenga do seu serexii do ou sermanifest, sua fungio representativa Embora ambos os conceitos, simbolo ¢ alegoria, perten am a esferas diferentes, esto um préximo do outro, nfo s0- mente através de sua estrutura comum da representagdo de algo através de um outro, mas também pelo fato de que ambos encontram sua aplicagio preferencial no ambito religioso. A alegoria sunt da necessidade teolgica de eliminar o escinda Jona tradicdoreligiosa ~ como se fer originariamente em Ho- mero, ¢, ademais, econhecer por tris disso verdades vidas. ‘Uma fundo correspondente ganha a alegoria no uso retérico, ou seja, por onde quer que a crcunlocugio e o enunciado in direto possam parecer mais convenientes. Nas proximidades desse concelto da alegoria,retdricohermencutico, comeca a surgir também o coneeito de simbolo (que, a0 que parece, foi ddocumentado pela primeira vez por Chrysipp, mas com o sig nficado de alegoia), rincpalmente através da transformasao ctisti do neoplatonismo. Pseudodioniso fundamenta, ogo na abertura de sua obra principal, a necessidade de se proceder 136. AXiyope pen ad real unovoe Ptarn De epet. 18 159. ensigns ssid d sido con taeda sb ta dsc, ss. 179) simbolicamente (symbotikos), a partir da inconveniéncia (Gnangemessenheil) da existéncia suprasensorial de Deus para nosso espirito acostumado ao sensorial. por iss0 ate, ‘ui, symbolon tecebe uma fungio anagégica™, conduzindo nos para alto, para o conhecimento do divno ~ tal qual o Aiscurso aleg6rico conduz a um significado “mais elevado". O procedimento alegérico da interpretagio ¢ 0 procedimento imbélico do conhecimento tem o mesmo fundamento quanto A necessidade:ndo € possivelreconhecer a dvindade a nao ser através do sensorial. [No conceto do simbolo ressoa, porém, um pano de fundo metafsic, que se afasta totalmente do uso retico da alego- ria. E possfvel ser conduzido, a partir do sensorial, ao divin, Pois sensorial ndo é mera nadidade etreva, mas emanacio € reflexo do verdadero. 0 conceito moderna de simbolo € des provido dessa sua fungio gnéstca, e néo é o seu bastidor me- fafisico compreenstvel. A palavra “simbolo” sé pode ser elevada da sua aplicagdo originéria, enquanto documento, sinal de re- conhecimento, senha, conceito filoséfico de um misterioso si pal indo parar, com isto, na proximidade do hierélifo, cula Gecifragdo s6 alangam 0s iniciados, porque o simbolo nao & adogdo qualquer de um signo ou a criagio de um signo, mas pressupde uma correlagio metafisica do visivel com oinvisivel, tessa “eoincidencia” de duas esferas, encontrase na base de todas as formas do culto religioso. Da mesma forma, a versio ‘encontra-se nas proximidades da estética. 0 simbdlico,seum do Solger”, caractriaa uma “existéncia em que, de alguma forma, a idéia € reconhecida’, portanto, a intima wnidade do ideal € do fendmeno, que é especfica para a obra de arte, O alegérico, a0 contréro, s6 deixa surgi essa unidade signifi cante através da indicagao a um outro fora de si, 141. yfohnero ovate de Coe 1.2 12. oisnge ier data ed Ho. 828,517, 16 con aR ‘Mesmo assim, o conceito da alegoriapassou, de sua parte, por ua ampliago significative, na medida em que aalegoria rio designa apenas uma figura do discurso, e o sentido da interpretagio (sensus allegoricus), mas também, repre- sentagOes imagéticas correspondentes, de conceitos abstratos na arte. Torna-se dbvio que, aqui, os cancetos da retricae da Poética servem também de modelo para a formacio de concei- tos estticos no Ambito da arte plistca"®. A relagioretéica do conceito alegoria permanece atuante nesse desenvolvimento do significado na medida em que, como alegoria, no pressupoe, na verdade, um parentesco original metafisico, como 0 exge © simbolo, mas antes, apenas como uma agregagio proporcionada por uma convengio dogmstica, o que permite aplicar repre sentages imagéticas para coisas destituidas de imagens, __ Mais ou menos deste modo podem ser resumidas as ten: déncias de significado lingistico que, nos primérdios do sécu lo XVIIL, fazem que o simbolo e o simbélico se oponham como interna e essencialmente significatives 8s significagses exter- nas e artificias da alegoria. Simbolo & a coincidéncia do senst- vel do noses sleor uma referénca sittin do ___ Sobalinfluénia do conceto de ioe da subetvagao da expressio", esta diferenca de signifcados se converte numa "usr doting ip St oes clo Sa(EC Pena, Sybolie ct Humoe Oneness Sale, ft Castel 561 No sea UI or ot ade unde a sega Desi sempre em rime ga mare pata ea de Levan ‘Reopen cl er dinner do mea arte tc Por oa as» site pont de Wician com ego ‘Sls duet tne cme Be Ng Peeve sae Stel Wine an ec 6 Soe Spat comb sl ase Ol 8 {te mos gue poucs Winans rea ean oem el ot bes sores sega ro sto hem cms satan am ue opis a 180), su) ‘oposicéo de valores. 0 simbolo aparece como aguilo que, devi ddo A sua indeterminagio, pode ser interpretado inesgotavel mente, em oposigio excludente ao que se encontra numa referencia de significado mais precisa, e ao que se esgotanela, ‘send isso préprio da alegoria; como a contradicio de arte © ndoarte, A indeterminagio do seu significado é justamente 0 ‘que permite e favorece a ascensio triunfal da palavra e do Conceito do simbélico, no momento em que a estticaracione lista da época do Aufkldrung sucumbe & filsotia critica © & cestética do gnio, Valea pena atualizar este contexto pormeno- rizadamente. 0 decisivo foi que Kant, no § 59 da Critica do juizo, of receu uma analise lgica do conceto do simbolo, que coloca justamente esse ponto sob a mais clara luz Ele dstingue a ‘tepresentagéo simblica da esquemtica, Ela & representagéo {eno mera denominagio, como se encontra no assim chama do “simbolismo” logo), s6 que a representagio simbélica nao representa imediatamente um conceito (como acontece na filo sofia do esquematizo transcendental de Kant), mas indireta mente, “através do que a expressio nao contém o genuino esquema para o conceito, mas apenas um simbolo para a rele ‘xdo". Esse conceito da representagio simbélica € um dos mais brilhantes resultados do pensamento de Kant. Com isso, Kant faz jus & verdade teolpic, que recebeu sua configuragio e- colistca no pensamento da analogia entis, e mantém distan- tiados de Deus os conceitos humanos. Pata além disso, Aescobre ele ~ uma alusio expressa de que esse “nesiécio" me- rece uma “pesquisa mais profunda" ~ a maneira simblca de trabalhar da linguagem (sua permanente metifora)¢ finalmen te, aplia o conceto de analogaprincipalmente para descrever a relagio do belo com o bemtico, que ndo pode ser nem de subordinagio nem de equiparagdo, "0 belo & 0 simbolo do et: camente bom": nessa f6rmula, ao mesmo tempo precavida como marcante, Kant unifica a exigéncia de uma intera liber dade de reflexao do juzo esttico com seu significado humano um pensamento que causou 0 maior efeito istorico. Schiller 138 presse foi, nese particular, seu sucessor™. Ao fundamenta aida de uma educagio estétia da espécie humane sobre analogia da belezae da etica, que tinha sido formulada por Kant, ele pode ‘seguir uma indicacdo expressa de Kant: "0 gosto torn possivel ‘a0 mesmo tempo, a passagem da excitagio dos sentidos para habituais interesses morais, sem necessidade de um salto vio- lento”. ‘Mas aqui surge a indagagio: como € que 0 conceto do simbolo assim entendid, nessa forma anés familiar, se tornow tum contraconceto da alegoria. Sobre isso, e assim de inicio, nada se encontra em Schiller, mesmo que ele compartihe da critica da alegovia ria e artificial, que fizeram Klopstock, Les sing, 0 jovem Goethe, KatkPhilipp Moritz e outros, que outrora se voltaram contra Winckelmann"®. Apenas no intercimbio en tre Schiller e Goethe comeca ase delinear uma nova eunhagem da conceito do simbolo, Na conhecida carta de 17.08.97, Goethe descreve o estado de animo sentimental, a que o levaram as impressbes que tivera de Frankfurt, e fala dos objetos que evo. 144. Anat und ud pr engl fear bits el se ei ‘Sma Woke ner Wk aos Pre 93, Ascension eins pe og aera bo ene al Soa anbl or rte Se ace (Mlle Die gestae ender Sombotegrif ix Cortes Rartnschewuny. 199) mots 30 res cna com a sen ‘bw de ht ssn coos morta qo vn samen (ard ane de Cove, Na sai agian, Faw 219) Mer ‘Fa es in cmo Jsesabn ooerza ein Saber mo Cate seer i form ero a pce ds isin escent cane rete {Span ar Slg 8) (Son hea gr sucanenda ecto omseanete toma pepo Se Goh pte oo tne ower nets lea Semin ao mew sine ge go fmportsjno beed pr Miler 201 [Umrco mtr enone ements a eokeoade W Have (Sere nd Foc rr nn Wa 139 (82) cam um tal efit, dizendo: “Na verdade, eles sio simbicos, isto € como eu quase nio preciso dizéo, sao casos eminentes, ‘que numa variedade caracterstca se apresentam como repre sentantes de muitos outros e englobam uma cert totaldade..” Ele dé importancia a essa experiéncia porque deve ajudilo a cescapar “at hidra de mil formas do empirismo”. Schiller apdiao nisso e acha que essa forma de percepcio sentimental esti inteiramente em concordancia com o que “ja fixamos entre rnés". No entanto, para Goethe nao se trata, tanto, “de uma experiéncia estética, como de uma experiencia da realdade’, para a qual ele atrai ao que parece, segundo o uso lingistico do antigo protestantismo, o conceto do simblico. Contra uma tal concepcio do simbolismo da realidade, Schiller faz suas objecdes idealistas e desloca assim o signi ‘ado do simbolo na diregio do estétic. Da mesma maneira, “Meyer, amigo artista de Goethe, segue esta apicarao estética do conceito do simbolo, para delimitar a verdadeir arte contra a alegoria Para o préprio Goethe, porém, a oposigio artistico- teorética entre simboloe alegoria permanece apenas um fend- ‘meno particular da diego geral rumo ao signifcativo, que ele procura em todos os fendmenos. E assim que aplica 0 conceito do simbolo, por exemplo, is cores, porque também a ‘a verdat deirarelacio manifesta ao mesmo tempo o significado”, deixan do transparecer nitidamente que se estriba no tradicional tesquema hermenéutico da allegorice, symbolice, mystice"” ~ até que ele finalmente pode escrever as palavras que tanto 0 caracterizam: “Tudo o que acontece & simbolo, e a0 repre- sentar a si mesmo, inteiramente, cena para o rest™. Na estétcafilosica, sobretudo a caminho da “religiio artstica”greqa, esse uso linifstico jd devia encontrarse at 14. rela rie ome prime pati, 96, 148 cara de0304 18a Scart Algo smite ove rr Se! "seu pissphehe Shion or Ron, 183,p. 125k “Tot see 140 matado. fo que demonstra ntidamente o desenvolvimento da filosofia da arte de Schelling, a partir da mitologia. KarlPhi- lipp Moritz, a quem Schelling se report, ja tinha, &verdade, rejetado, na sua Doutrina dos deuses, a “dissolugso numa mera alegoria” do que dssesse espeito is poesias mitolégicas, ‘mas ainda no empregava a expressio simbolo para ess ln ‘tuagem da fantasia". Em contraposigdo Schelling escreve: "A nitologia em si, eem especial toda composigio da mesma, nio