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POPULAÇÃO MICROBIANA DOS LODOS ATIVADOS

Os lodos ativados consistem de agregados floculentos de microrganismos e materiais


orgânicos e inorgânicos. Os microorganismos considerados incluem bactérias,
fungos, algas, protozoários como rotífero, larvas de insetos e certos vermes. Todos
eles se relacionam através de uma cadeia alimentar: bactérias e fungos decompõem
o material orgânico complexo e através dessa atividade se multiplicam servindo
como alimento aos protozoários, os quais, por sua vez, são consumidos pelos
metozoários que também podem se alimentar diretamente das bactérias, fungos e
mesmo fragmentos maiores dos flocos de lodos ativados.

BACTÉRIAS

As bactérias podem ser consideradas como a base do lodo ativado, tanto estrutural
como funcionalmente, e são universalmente presentes no processo de lodos
ativados. As bactérias ocorrem principalmente como bactérias saprófitas, isto é,
elas obtém nutrientes e energia para o seu crescimento pela progressiva
estabilização e eventual mineralização dos compostos orgânicos dos despejos.

Alguns gêneros, especialmente as bactérias nitrificadoras (as quais são presentes


apenas quando condições ambientais adequadas são verificadas no tanque de
aeração) são autótrofas, quimiossintetizantes, sendo aptas a sintetizar seu próprio
material celular, a partir do carbono inorgânico, pela utilização de energia obtida da
oxidação de minerais (amônia pra as Nitrosomas e nitritos pra Nitrobactér). Uma vez
que a comunidade do lodo ativado é especializada, a composição desta comunidade
será dependente da qualidade do substrato e das condições ambientais do tanque de
aeração.

Embora a flora bacteriana do lodo ativada seja diversificada, para um sistema


operando adequadamente, a comunidade é normalmente dominada por bastonetes
gram-negativos dos gêneros Pseudomonas, Achromabacter e Flavobacterium-
Cytophaga, os quais são referidos como formadores de flocos.

BACTÉRIAS FILAMENTOSAS

As bactérias filamentosas estão presentes no processo de lodos ativados no interior


dos flocos formando a macroestrutura. Sua presença contribui para uma boa
eficiência do processo, já que possuem alta capacidade de consumir a matéria
orgânica e, conseqüentemente produzir um efluente final de boa qualidade.

Quando o número de bactérias filamentosas permanecer constante sem prejudicar a


sedimentação do lodo, normalmente não haverá problema. No entanto, se o número
de filamentos começar a aumentar e esses filamentos se estenderem dos flocos,
haverá problemas na sedimentação. Esse fenômeno é conhecido como
"intumescimento filamentoso do lodo".

Os microorganismos filamentosos mais freqüentes em lodos ativados são:


Sphaerolilus natans, Thiothris, Beggiatod. Mcrothix parvícella, Nocardia.

NUTRIÇÃO E CRESCIMENTO

As bactérias são as principais responsáveis pela estabilização aeróbia da matéria


orgânica. O aumento do número é obtido através da divisão binária da célula (mãe),
gerando duas novas células idênticas (células filhas). Para que ocorra o processo de
crescimento e reprodução da população de microorganismos é necessário que os
nutrientes estejam disponíveis para síntese de proteínas, polissacarídeos, lipídeos e
ácidos nucléicos, constituintes celulares. Os nutrientes essenciais básicos para as
bactérias estão divididos de acordo com seu papel no metabolismo celular.

FONTES DE CARBONO

O carbono é um elemento indispensável à síntese dos compostos celulares, e deve


ser fornecido à bactéria seja na forma de composto orgânico, por exemplo os
açúcares, ou inorgânico, no caso o CO2 como única fonte de carbono são chamadas
de autótrofas enquanto as que requerem, além de CO2 , uma fonte de carbono, são
chamadas de heterotróficas.

Em muitos casos um mesmo composto pode funcionar como fonte de carbono,


doador de hidrogênio e fonte de energia.

• FONTE DE NITROGÊNIO

O Nitrogênio também é necessário para a síntese de compostos indispensáveis a


célula.

Algumas bactérias necessitam de fontes orgânicas de nitrogênio como aminoácidos


ou sais orgânicos de amônio, enquanto outras são capazes de utilizar fontes
inorgânicas de nitrogênio como nitratos, amônia ou o próprio nitrogênio atmosférico.

• FUNGOS

Os fungos não estão presentes em grandes quantidades nos sistemas de lodos


ativados operados adequadamente.

Os gêneros de fungos mais observados nos lodos ativados são: Fusarium,


Geotrichoides, Oos pora, Pullularia e Sporotrichum e vários gêneros carnívoros, tais
como Zoophagus Arthrobotrys e outros. Esses microorganismos ocorrem
especialmente em condições não usualmente verificadas no processo de lodos
ativados, tais como, baixo pH e despejo líquido deficiente em nitrogênio. Sob estas
condições, os fungos podem dominar a comunidade e serem os maiores
responsáveis pelo tratamento. Para a estabilização da matéria orgânica, os fungos
são tão eficientes quanto as bactérias, mas a sua presença como organismos
predominantes no lodo cria dificuldades na separação do lodo do líquido no
decantador secundário.

Uma vez que os fungos requerem menos nitrogênio por unidade de massa de
protoplasma do que as bactérias, um despejo deficiente em nitrogênio favorecerá o
crescimento de fungos, particularmente abaixo dos valores de pH. Neste caso,
fungos poderão se tornar os microorganismos predominantes no sistema de lodos
ativados.

• ALGAS

Embora não seja o ambiente propício para o seu crescimento devido à ausência de
luz provocada pela turbidez do meio, algumas algas podem estar presentes em
sistemas de lodos ativados. Apesar de desempenharem um papel significante em
lagoas de estabilização, pouco se sabe da sua contribuição em processos de lodos
ativados.
Muitas vezes sua presença está associada a uma diminuição na quantidade de
sólidos no meio ou a existência de um pré-tratamento do qual se desprendeu. As
algas presentes em esgotos são as mesmas que comumente habitam águas
poluídas. Os principais grupos encontrados em sistemas de tratamentos são:

ALGAS AZUIS: este grupo não possui organelas internas e por essa razão
muitas vezes é confundido com as bactérias. Possuem coloração verde-
azulada característica e alguns representantes deste grupo se movimentar
através de rastejamento Oscillatoria, Phormidium, Anabaena, byngbya.

ALGAS VERDES (CLOTOFÍCEAS): São as mais comuns em estações de


tratamento sendo representadas por formas unicelulares ou formas
filamentosas: Cholorellas, Coelastrum, Volvox, Strigeoclonium.

• PROTOZOÁRIOS

São organismos unicelulares, microscópicos, com tamanho variando de 5 a 500 mm,


embora a maioria das espécies apresente de 30 a 300 mm de comprimento. Algumas
espécies formam colônias sendo suas células fundamentalmente independentes e
similares na estrutura e função.

A forma das células é bastante variável sendo as mais comuns: esférica, oval,
alongada ou achatada. São tipicamente translúcidos (transparentes) mas algumas
espécies podem apresentar coloração devido a ingestão de alimento, material de
reserva ou pigmentos (clorofila).

Alimentam-se de bactérias, outros protozoários e de matéria orgânica dissolvida e


particulada.

Os protozoários podem ser subdivididos em grupos de acordo com o tipo de organela


utilizada para a locomoção e captura de alimentos:

Ciliados: livre nadantes (Paramecium), Pedunculados (Voticella, Opercularia,


Predadores do floco (Aspedisca).

Flagelados: Euglema, Monas, Bodo.

Rizópodes: Arcella.

Rotíferos: Rotaria.

Nematóides: Metazoário, verme semelhante aos intestinais.

ALDEIA OU MEGALÓPOLE?

• Polinucleação: problema ou solução

Durante muito tempo os urbanistas, mesmo os mais bem intencionados, cultivaram


a ilusão de que seriam capazes de criar uma nova versão terrena do paraíso. Uma
cidade perfeita, ideal, em que a técnica aplicada ao desenho urbano teria condições
de produzir milagres. Mas, como tudo que é sólido desmancha no ar, tal ilusão não
resistiu ao ataque corrosivo da realidade cotidiana e hoje em dia se sabe que não
existe uma cidade ideal ou que, o que dá no mesmo, existem milhares de possíveis
cidades ideais de acordo com os sonhos, as aspirações, a visão de mundo de cada
um.
Para passar da teoria à prática, apresenta-se o esboço da cidade auto-sustentada.
Nesta cidade se prevê o desenvolvimento de ações e a aplicação de programas que
contemplem as dimensões sociais e econômicas do desenvolvimento sustentável:

Aplicação da Eco-arquitetura. Objetiva-se a eficiência energética dos


edifícios, a correta especificação dos materiais, a proteção da paisagem
natural, o reaproveitamento do patrimônio histórico existente e a atenuação
da urbanização; a integração com as condições climáticas locais e regionais.

Promoção da Saúde e o Saneamento. O objetivo básico é garantir a


qualidade da água para prevenção de doenças, tratamento adequado do lixo
evitando contaminação do solo e das águas e estabelecendo um tratamento
de esgoto com a utilização prioritária de lagoas de oxidação.

Uso de transportes coletivos e não poluentes. Implica em substituição


dos transportes individuais a base de combustível fóssil, a priorização ao
transporte coletivo, priorizando o ferroviário, a navegação e a criação de
ciclovias.

Proteger e Conservar Mananciais e as Águas. A proteção dos mananciais


tem como objetivo preservar os cursos de água, proteger a mata ciliar e
garantir o uso múltiplo das possíveis represas.

Utilizar Fontes Renováveis e alternativas de energia. As fontes


renováveis e alternativas de energia merecem um tratamento à parte. Na
cidade Auto-sustentável pretende-se aproveitar a energia solar, a captação
eólica, a biomassa e a energia hidrelétrica de forma sustentável.

Ampla conservação de Energia. Este esforço de ampla conservação de


energia implica na redução de desperdícios nas atividades econômicas e nas
residências, na geração de produtos menos intensivos em energia mais
duráveis, na redução, reutilização e reciclagem de rejeitos e no aumento da
eficiência energética.

Desenvolver a Agricultura Ecológica. Para a sustentabilidade da cidade


deve-se implantar a agricultura ecológica, a piscicultura e o desenvolvimento
do ecoturismo, esses como alternativas viáveis economicamente.

Aplicar a Sustentabilidade as Produtos e seus Rejeitos. Deve considerar


o ciclo de vida dos produtos, desde as fontes de matéria prima, produção,
distribuição, utilização e rejeitos, bem como os impactos ambientais que o
acompanha: resíduos, contaminação de solos, água e ar, consumo de
energia, barulho e habitat natural, e ainda a reciclagem e descarte final do
produto.

Promover a educação Ambiental. Deve-se promover um intenso esforço


de educação ambiental de forma abrangente e integrada as diversas
disciplinas, incentivando-se a criação de um Fórum Ambiental Escolar e a
Agenda 21 Escolar.

Respeito à Biodiversidade. Implica em conservar e recuperar o habitat


natural de fauna e flora, florestas e matas: combater o desmatamento e
repovoar os rios com espécies nativas. E ainda, a aplicação sustentável da
biotecnologia e o combate à visão antropocêntrica.