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Material para Estudos Análise de Riscos – IRCP

ANTES DE MAIS NADA....

1. Apresentação

Prof.: Antônio Inácio da Costa Júnior


Disciplinas: Análise de Riscos I e II
Carga horária: 60 horas
Curso: Saúde e Segurança do Trabalho

Descubra-se...
Descubra seus talentos...
E use-os para o bem do seu próximo!
2. Introdução

CLT – Artigo 160 e Normas Regulamentadoras 02 e 03.

Trabalhe...
Trabalhe muito...
Trabalhe com a mente e o coração...
Feliz é o homem que ama o seu trabalho!
3. Análise de Riscos – Conceitos Básicos

Risco – uma ou mais condições de uma variável com potencial


necessário para causar danos (lesões a pessoas, danos a
equipamentos ou perda de materiais).
Perigo – expressa exposição relativa a um risco e favorece sua
materialização em danos.
Dano – severidade da lesão ou perda física, funcionais ou
econômicas, resultantes da perda de controle sobre um risco.
Causa – origem de caráter humana ou material, relacionada com o
acidente, pela materialização de um risco que resulte em danos.

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Segurança – antônimo de perigo, isenção de riscos. Sendo


praticamente impossível a eliminação total dos riscos, pode-se definir
a segurança como um compromisso com a proteção contra a
exposição a riscos.
Perda – prejuízo sofrido por uma organização, sem garantia de
ressarcimento por seguro ou outros meios.
Sinistro – prejuízo sofrido por uma organização, com garantia de
ressarcimento por seguro ou outros meios.
Incidente – qualquer evento ou fato negativo com potencial de
provocar danos. É também chamado de quase-acidente, situação esta
em que não há danos visíveis.
Acidente – toda ocorrência não-programada que altera o curso
normal de uma atividade e modifica ou põe fim à realização de um
trabalho.

ESQUEMA

Incidente

Risco → Exposição (perigo)



Causa → Fato → Efeito →
Danos
(acidente ou falha) (humanos,
materiais,
financeiros).

Origem
(humana, material).

Ê São João bão!

4. Natureza dos Riscos

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Genericamente classificamos:
- Riscos Especulativos
- Riscos Puros

Riscos Especulativos – são provenientes de atos administrativos,


políticos e de inovação.
Riscos de mercado, financeiros ou de produção – riscos
administrativos.
Riscos devido a leis, decretos e portarias – riscos políticos.
Riscos devido à introdução de novos produtos no mercado e sua
conseqüente aceitação pelos consumidores – riscos de inovação.

Riscos Puros – assim considerados aqueles em que há somente a


possibilidade de perda, ou seja, nenhuma possibilidade de ganho ou
lucro. Perda essa decorrente de:
a) Morte ou invalidez de funcionários;
b) Danos à propriedade e a bens em geral;
c) Fraudes ou atos criminosos;
d) Danos causados a terceiros (poluição do meio ambiente, qualidade
e segurança do produto fabricado ou serviço prestado).

Está evidente que o objeto da Segurança do Trabalho são os riscos


puros.

Ooooooops!

5. Técnicas de Análise de Riscos

i) Série de Riscos (SR) – consiste na relação de todos os riscos


capazes de todos os riscos capazes de contribuir para o aparecimento
de danos.
Risco inicial – originário, figura no início da série.

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Risco principal – pode causar sinistros ou perdas, a saber: morte,


lesão, degradação da capacidade funcional dos trabalhadores, danos
a equipamentos, veículos, estruturas, perda de materiais, etc.
Riscos contribuintes – todos os outros riscos que compões a série.

Observação 1: uma vez obtida a série, cada risco é analisado no


sentido de se tentar inibi-lo ou eliminá-lo (ver anexo 12).

Observação 2: entenda-se sistema como tudo aquilo que compõe o


ambiente de trabalho, com exceção das pessoas (recursos humanos).

ii) Análise Preliminar de Riscos (APR) – consiste no estudo realizado


na fase de concepção ou desenvolvimento (projeto) de um novo
sistema, com o objetivo de se revelar os riscos que poderão estar
presentes na fase de funcionamento do sistema.

No sentido de se priorizar as ações destinadas à prevenção e


estando implícita na APR, temos a categorização dos riscos,
sintetizada pela ordem crescente de priorização, através do quadro a
seguir.

Categoria Nome Características


Não degrada o sistema nem o
I desprezível seu funcionamento. Não ameaça
os recursos humanos.
Degradação moderada do
sistema com danos menores. Não
II Marginal/limítrofe causa lesões nos recursos
humanos. É compensável
(financeiramente) ou controlável.
Degradação crítica do sistema.
Causa lesões nos recursos
III Crítica
humanos. Necessita de ações
preventivas/corretivas imediatas.
Grave degradação do sistema
IV Catastrófica com perda deste, morte e lesões
nos recursos humanos.

Exemplos:
Categoria do Medidas
Risco Causa Efeito
Risco Preventivas
- Treinamento
- Contato com - Choque elétrico - Supervisão
Alta Voltagem equipamentos - Queimadura IV - Uso de EPI
- Raios - Morte - Aterramento
adequado
- Treinamento
- Falta de - Lesão
- Supervisão do
Queda pela escada amarração - Mal-estar IV
Serviço
- Não uso de EPI - Morte
- Uso de EPI
- Treinamento
- Manutenção
- Sinalização - Lesão
- Incentivos para
Atropelamento ineficiente - Fratura IV
se reduzir os
- Falta de atenção - Morte
acidentes com
veículos
- Má condição de
- Queimaduras
manutenção - Treinamento
Maçarico nas mãos ou no II
- Falta de atenção - Manutenção
corpo
- Inabilidade

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iii) Análise e Revisão de Critérios (ARC) – trata-se da revisão de todos


os documentos com informações de segurança, envolvidas em um
processo ou produto, tais como: especificações, normas, códigos,
regulamentos de segurança, a partir dos quais podem ser elaborados
checklists.

Como procedimento de revisão dos riscos inerentes aos


processos, temos o checklist, que se destina a produzir:
a) Obtenção de uma quantidade abrangente de riscos;
b) Consenso entre as áreas de atuação, a saber: produção, processo
e segurança;
c) Relatório de fácil entendimento que também deve servir como
material de treinamento.

Exemplo de checklist simplificado:


Unidade Processo
Assuntos a serem
Categoria Responsável Completado
investigados

iv) Análise da Missão (AM) – trata-se da análise de todas as


atividades de um sistema já em operação, levando em conta os
fatores com potencial de causar danos.

v) Diagramas de Análise de Fluxo (DAF) – essas análises por


diagramas são úteis, principalmente para eventos seqüenciais.
Exemplo: fiação em mal estado de conservação (ressecada) levando
a curto-circuito, que leva a um princípio de incêndio, que pode levar a
um incêndio de graves proporções.

vi) Mapeamento (M) – técnica útil na delimitação de áreas perigosas.


Exemplo: mapa de risco biológico, físico, etc.

vii) Análise do Ambiente (AA) – trata-se da análise completa do


ambiente, de maneira geral, abarcando higiene industrial,
climatologia, etc.

viii) Análise de Modo de Falha e Efeito (Amfe) – permite verificar


como podem falhar os componentes de um equipamento ou sistema,
determinar os efeitos provenientes e estabelecer as mudanças a
serem efetuadas para diminuir a probabilidade de falha (que poderá
levar ao acidente) do sistema.

Exemplo de aplicação sobre um reservatório de água:


Componente Flutuador (bóia) Válvula de Entrada Recipiente (caixa)
Modo de falha Falha em flutuar Emperra aberta –
quando o nível de água Rachadura, colapso.
sobe.

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Válvula de entrada Bóia submersa –


Efeitos sobre outros
aberta – recipiente pode recipiente pode ir ao Nenhum
componentes
ir ao nível máximo nível máximo
Risco II II IV
Umidade, infiltração,
Observar saída do ladrão choque nos registros
Métodos de detecção Idem
e consumo excessivo (disparo) e consumo
excessivo.
Excesso de água pelo
Reparar ou substituir
ladrão, reparar ou Cortar suprimento,
Ações corretivas válvula, cortar
substituir bóia, cortar reparar ou substituir.
suprimento.
suprimento.

ix) Análise de Componentes Críticos (ACC) – analisa atentamente


certos componentes e subsistemas de importância crítica para
determinada operação ou processo.

x) Técnica de Incidentes Críticos (TIC) – método que serve para


identificar erros e condições inseguras que contribuem para os
acidentes com lesão, através de uma amostra de observadores-
participantes. Tais observadores-participantes são selecionados dos
principais departamentos da empresa, de maneira que se possa obter
uma amostra representativa das operações existentes dentro das
diferentes categorias de risco.

Resultados esperados a partir dessa técnica:


• Revelação, com confiança, dos fatores causais de acidentes
industriais;
• Identificação de fatores causais associados aos acidentes (com
ou sem lesão);
• Revelação de uma quantidade maior de informações sobre as
causas dos acidentes;
• Uso das causas dos acidentes sem lesão para identificar as
potenciais origens dos acidentes que podem ocasionar lesões;
• Análise antecipada dos acidentes (anterior à ocorrência dos
mesmos) em função de conseqüências como danos à
propriedade e produção de lesões;
• Obtenção de conhecimento necessário para aumentar a nossa
capacidade de identificação e controle dos problemas de
acidentes.

xi) Análise de Procedimentos (AP) – revisão das ações a serem


praticadas em uma tarefa.

xii) Análise das Contingências (AC) – através desta técnica são


analisadas as situações potenciais de emergência, derivadas de
eventos não-programados – erro humano ou causa natural inevitável.

xiii) Análise de Árvore de Falhas (AAF) – técnica desenvolvida pelos


laboratórios Bell Telephone em 1962, a pedido da Força Aérea

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Americana, para uso no sistema de mísseis balísticos


intercontinentais. Em rápidas pinceladas:
Trata-se de uma técnica dedutiva para a determinação tanto de
possíveis causas de acidentes como de falhas de sistemas, além de
cálculos de probabilidades de falhas. É uma técnica de análise de
riscos já bem difundida no estudo de acidentes graves. Procura
estabelecer o mecanismo de encadeamento (ligação) das várias
causas que poderão dar origem a um evento.
No ápice da “árvore” está o evento indesejável (evento-topo), nos
vários “ramos”, o mecanismo lógico de sua produção. Cada “ramo” é
introduzido por uma “entrada”, podendo ser representada por “and”
(e), ou por “or” (ou). Usa-se “and” quando são necessários dois
fatores, atuando em conjunto para a produção do evento indesejável.
Usa-se “or” quando o evento indesejável pode ser produzido por um
ou outro fator (em outras palavras, não é necessário que os fatores
estejam presentes ao mesmo tempo, bastando um deles para que o
evento se realize).

“and”e “or”são representados pelos seguintes símbolos gráficos:

“and” “or”

Matematicamente, quando se deseja quantificar os riscos


correspondentes a cada evento, “and” corresponderá a um produto
(multiplicação de duas probabilidades estatísticas) e “or”a uma soma
de duas probabilidades.
Seguem alguns símbolos gráficos utilizados na representação da AF e
seus significados:

Evento provável.

Evento básico, não depende dos outros.

Ligação ou conexão entre uma parte e outra da


árvore.

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Evento dependente de outros (por impossibilidade


ou falta de necessidade) não será desenvolvido.

Evento final.

Identificação de um evento particular.

Módulo de inibição (inibição de eventos


indesejáveis, ou seja, que poderão levar a danos ou lesões).

Seqüência de passos para o desenvolvimento do método:

• Seleciona-se o evento ou falha indesejável, cuja


probabilidade de ocorrer deve ser determinada.

• Revisam-se todos os fatores contribuintes, tais como:


ambiente, dados de projeto, exigências do sistema, etc.,
determinando-se as condições, eventos ou falhas que poderão
contribuir para a ocorrência do evento indesejado.

• Prepara-se uma “árvore”, fazendo-se um diagrama com os


eventos e falhas contribuintes de modo sistemático, mostrando
a relação deles com o evento-topo (evento indesejável). O
processo inicia-se com os eventos que diretamente poderiam
causar tal evento, formando o “primeiro nível” da árvore. À
medida que se retrocede passo a passo, as combinações de
eventos e falhas contribuintes vão sendo adicionadas. Os
diagramas assim preparados são chamados de “árvores de
falha”. O relacionamento entre os eventos é feito através de
comportas lógicas.

• Desenvolve-se as expressões matemáticas adequadas,


expressões estas que simplificam-se em operações de adição e
multiplicação contidas nas comportas lógicas.

• Determina-se a probabilidade de falha de cada


componente, ou a probabilidade de ocorrência de cada
evento, presentes na equação simplificada. Estes dados podem
ser obtidos de tabelas específicas dos fabricantes, da

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experiência anterior, comparação com equipamentos e


situações similares, etc.

• Aplicam-se as probabilidades à expressão simplificada,


calculando-se a probabilidade de ocorrência do evento
indesejável investigado. A AAF traz ao analista um grande
número de informações e conhecimento muito mais completo
do sistema ou situação em estudo, propiciando uma visão
bastante clara da questão e possibilidades imediatas de atuação
no sentido da correção das condições indesejadas.

Estrutura básica de uma árvore de falhas.

Falha do sistema ou acidente (evento-topo).


A AF consiste em seqüências de eventos que levam o sistema à falha ou acidente.


As seqüências de eventos são construídas com o auxílio de comportas lógicas: and (e), or
(ou), etc.


Os eventos de saída (intermediários) são representados por retângulos, com o evento
descrito dentro deles.


As seqüências levam finalmente a falhas primárias (básicas) que permitem calcular a
probabilidade de ocorrência do evento-topo (evento indesejável, acidente, falha, etc).


As falhas básicas são indicadas por círculos e representam o limite de resolução da AF.

Exemplos de árvores de falha nos anexos 13, 14 e 15.

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Situação de Risco Categoria 3-4!

6. Elementos Básicos para um Programa de Segurança

Abordamos a seguir os seis elementos básicos a serem


considerados na elaboração de um programa de segurança: direção,
responsabilidade, técnicas de segurança, inspeções de segurança,
sistema de registro de acidentes e investigação de acidentes.

6.1 Direção

Nestes tempos de globalização e conseqüentemente, competição


cada vez mais acirrada entre as empresas, as gerências e direções
das mesmas (competitivas e conscientes deste fato) estão cada vez
mais valorizando o quesito qualidade. Qualidade de produto, serviço,
melhoria das condições de trabalho, além de redução de custos, etc.,
estas são expressões que se resumem a numa só, que é a qualidade
de vida no trabalho, contexto no qual se insere a higiene e a
segurança do trabalho.
Assim sendo a direção da empresa deve assumir, a segurança do
trabalho de forma filosófica, implantando as normas básicas de
segurança, contando com pessoal especializado para este fim e
realizando a avaliação de riscos.

6.2 Responsabilidade

A empresa deve orientar, de forma clara, os limites da


responsabilidade de cada um no que tange à Segurança do Trabalho,
que deve ser assumida por todos, e para que haja êxito, é
imprescindível a aceitação de responsabilidades pelos trabalhadores.

6.3 Técnicas de Segurança

Podem ser classificadas em analíticas e operativas. As analíticas


são aplicadas anterior ou posterior ao acidente, dependendo de sua
finalidade. Já as operativas são permanentes, sendo aplicadas sobre
o fator técnico de concepção (projeto), sobre o fator humano ou para
correção.

Analíticas – anteriores ao acidente


Inspeções;
Análise do trabalho;
Análise estatística;
Análise das pressões no trabalho.

Analíticas – posteriores ao acidente


Comunicação e registro;
Investigação.
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Operativas – sobre o fator técnico de concepção


Projeto;
Equipamentos;
Métodos de trabalho.

Operativas – sobre o fator humano


Seleção de pessoal (teste de seleção);
Exame médico;
Mudanças de comportamento (treinamento, disciplina e incentivos).

Operativas – de correção
Sistemas de segurança;
Proteções;
Equipamento de proteção individual (EPI);
Normas, sinalizações e manutenção preventiva.

6.4 Inspeções de Segurança

As inspeções de segurança têm por objetivo localizar e identificar


os riscos e, a partir daí, estudar e propor medidas corretivas,
segundo o esquema a seguir.
TRABALHO

AMBIENTE

RISCO → INSPEÇÃO (identificação e proposta de solução)
↓ ↓
ACIDENTE MEDIDA CORRETIVA
↓ ↓
LESÃO RISCO ELIMINADO OU MINIMIZADO

Tipos de Inspeção

Os tipos de inspeção variam quanto à origem, objetivos, métodos


e agentes, também em seus aspectos específicos, como
discriminados a seguir.
• Quanto à origem
Interna (SESMT, gerência, CIPA, manutenção);
Externa (órgãos oficiais, seguradoras, serviços públicos).

• Quanto aos objetivos


Periódicas;
Extraordinárias.

• Quanto aos métodos


Formais;
Informais.

• Quanto aos agentes

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SESMT;
CIPA;
Instituições alheias

Passos Gerais

Uma inspeção de segurança implica necessariamente em quatro


passos.
1. preparação
2. realização;
3. classificação dos riscos;
4. estudo de soluções.

A fase de preparação requer consulta às estatísticas e normas,


conhecimento dos métodos de trabalho e materiais utilizados, assim
como dos resultados de inspeções anteriores.

Lista de Inspeção

De maneira geral, divide-se em grupos amplos, nos quais são


listados os itens específicos de cada um. Especificamente,
compreende: instalações gerais, condições ambientais, instalações de
prevenção e combate a incêndios, e manutenção.

Instalações Gerais
• Locais, pisos, escadas, passagens, aberturas em paredes, etc.
(arquitetonicamente);
• Intervalos entre máquinas;
• Ordem e limpeza;
• Sinalização, iluminação, ventilação, etc.

Condições Ambientais
• Vapores, fumaças, gases e poeiras;
• Ruídos;
• Tempo de exposição;
• Vibrações, etc.

Instalações de Prevenção e Combate a Incêndios


• Extintores;
• Hidrantes;
• Saídas de emergência;
• Alarmes, etc.

Manutenção
• Transportes: manual e automático;
• Maquinário: tempo de uso, proteções, comandos, periodicidade,
sistema de segurança, etc.;
• EPI;
• Recipientes sob pressão;
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• Trabalhos com riscos especiais: em lugares altos, com solda,


com radiações, etc.

Como Fazer a Inspeção

A inspeção de segurança tem por objetivos implícitos, entre


outros: a manutenção dos maquinários, a colocação dos
equipamentos em locais que evitem o congestionamento de tráfego;
a verificação de espaço para manter e reparar máquinas; a avaliação
das condições de iluminação e da eventual necessidade de sinalização
de riscos. Para tanto, o trabalho deve ser feito sem pressa, seguindo
procedimentos definidos, tais como:

• Anotar em planta: identificação, características e técnicas de


segurança, métodos de trabalho, tempo de exposição, etc.;
• Se necessário, recolher amostras, filmar, fotografar, para
estudo mais detalhado;
• Discutir com as chefias os problemas encontrados;
• Fazer um relatório minuncioso;
• Observar, caso seja percebido um risco, o agente material
razão do risco, ou parte dele, além do tipo de acidente
provável;
• Avaliar o risco: características técnicas, método de utilização
dos equipamentos, ferramentas ou materiais, EPIs utilizados,
tempo de exposição e gravidade;
• Propor soluções que sejam aplicáveis e econômicas e
correspondentes aos riscos encontrados.

Projetos e Especificações

• Partes móveis perigosas;


• Potência adequada;
• Partes salientes;
• Placas indicando capacidade, velocidade, etc.;
• Interruptores de emergência;
• Posição do operador;
• Ruído;
• Pintura;
• EPI;
• Ferramentas.

Métodos de Melhoramento
• Análise do método atual – Informe o trabalhador de seu
propósito, realize a análise no local, anote distâncias, passos,
demoras, dificuldades, etc.
• Questione cada detalhe – Por quê? É necessário? Onde é o
melhor lugar? Quando é o melhor momento? Quem é o mais
indicado? Como melhorar? Anote as idéias de melhoramento
obtidas.
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• Elabore o novo método – Elimine, combine, reordene ou


simplifique detalhes, escreva e ilustre o novo método, saliente
os pontos positivos e o que é necessário por em prática.
• Aprovação do novo método – No momento oportuno
convença e treine quem deve praticá-lo, e comprove os
resultados.

6.5 Sistema de Registro de Acidentes

Tem por finalidade criar interesse geral na prevenção de


acidentes, determinar as principais fontes destes, prestar
informações sobre atos e condições inseguros, e julgar a eficiência
dos programas de segurança.
Com este sistema em mãos, gerência e supervisores mantêm-se
informados dos acidentes ocorridos, suas causas e efeitos, serve
como apoio nas reuniões de segurança, para justificar o investimento
nos programas de segurança, para ser encaminhado aos órgãos
públicos, além de ser afixado nos quadros informativos da empresa.

6.6 Investigação de Acidentes

Situa-se na própria raiz do controle de perdas, tanto humana


quanto materialmente, e suas conclusões devem levar às causas das
ocorrências, isoladas ou partes de uma sucessão.
Para tanto são selecionados tipos e causas das ocorrências,
estabelecem os esquemas e formas de realização. Durante o
processo, é feita uma entrevista com as testemunhas e chefia sobre o
ocorrido e finalmente, é conduzido o processo dedutivo e feito o
relatório final.

Critérios de Seleção
• Todos os acidentes fatais;
• Todos os acidentes graves;
• Acidentes leves de causas desconhecidas, que se repetem
freqüentemente, com risco potencial de provocar lesões graves.

Formas de Investigação
• Simples entrevista;
• Contratação de empresas especializadas.

Requisitos do Investigador
• Capacidade lógica dedutiva;
• Conhecimento do processo de produção;
• Conhecimento de Segurança do Trabalho.

Requisitos da Investigação
• Evitar a busca de responsáveis pelo acidente;
• Oferecer soluções;
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• Aceitar declarações comprovadas;


• Diferenciar dados comprovados dos deduzidos;
• Analisar dois fatores presentes: o humano e o técnico;
• Agir rápido (para evitar o esfriamento do caso);
• Interrogar as testemunhas individualmente;
• Reconstituir o acidente.

Esquema de Investigação
• Coleta de dados (sumário do acidente);
• Levantar dados das pessoas envolvidas e das conseqüências do
acidente;
• Descrição clara do ocorrido;
• Local e hora;
• Condições reais do local;
• Método utilizado na investigação;
• Como ocorreu.

Análise do Local
• O que deveria ter sido feito para evitar;
• Condições que deveriam existir;
• Método de trabalho que deveria ser seguido;
• Dados complementares;
• Estudo de pontos duvidosos;

Início do Processo Dedutivo


• Integração dos dados;
• Avaliação da veracidade das informações;
• Análise (de árvore de falhas, por exemplo);
• Dedução das causas;

Tipos de causas
• Técnicas e humanas
• Origem do acidente e o que ocasionou a lesão.

Relatório
• Deve conter os elementos importantes;
• Deve descrever o acidente;
• Deve distinguir entre dados obtidos por declaração e os
deduzidos;
• Deve ordenar os fatos;
• Deve sugerir medidas preventivas e corretivas.

Ver anexos 7 e 8, para exemplos.

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Vamu trocá o óilo!

7. Controle de identificação das causas dos acidentes

Identificar as causas dos acidentes consiste em localizar os pontos


de risco responsáveis por eles, os quais ocorrem, principalmente
devido às causas ambientais (situações de risco) e ao comportamento
humano (ato inseguro).
No controle de identificação das causas dos acidentes, podemos
considerar os seguintes elementos:
• Inspeções programadas de segurança (IPS – com o SESMT,
exemplo no anexo 1);
• Estudo de doenças ocupacionais (EDO – com o SESMT);
• Observação de segurança (OS – anexo 3);
• Análise de segurança do trabalho (AST – anexo 2);
• Permissão de trabalho (PT – com o SESMT, anexo 4);
• Delimitação de área restrita (AR – anexos 5 e 6);
• Relatório de incidente/acidente (baseia-se na NB 18 da ABNT,
anexo 7);
• Investigação de incidente/acidente (baseia-se na NB 18 da
ABNT, anexo 8).

Objetivos...
Tenha objetivos...
Tenha grandes objetivos...
Tenha sempre objetivos positivos...
Grandes pessoas têm sempre grandes
objetivos!

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8. Controle das Causas dos Acidentes

Está relacionado ao emprego de medidas que visam reduzir a


freqüência ou a gravidade dos acidentes. Para tanto, são
necessários dois tipos bem conhecidos de controle: o ambiental e o
comportamental.
• Controle ambiental – seu objetivo é o de estruturar e manter
o local de trabalho de tal forma que este propicie o mínimo de
riscos, considerando desde os acidentes com lesões até aqueles
que produzem apenas danos à propriedade.
• Controle comportamental – seu objetivo é o de influir no
comportamento do trabalhador, modificando-o de tal maneira a
evitar que eles provoquem acidentes.

Elementos de controle das causas dos acidentes do programa


de prevenção de perdas

Deve-se observar os elementos de controle, que envolvem


soluções de problemas a serem dados por departamentos da
empresa, tais como: manutenção, operação, projeto, recursos
humanos, serviços gerais, suprimentos, etc.
Esses elementos são:
• Projeto, arranjos físicos e proteção pessoal;
• Prevenção de incêndio;
• Controle de compras;
• Proteção pessoal;
• Ordem e limpeza;
• Manutenção;
• Treinamento do empregado;
• Normas e procedimentos;
• Reunião de prevenção de acidentes;
• Promoção de prevenção de acidentes;
• Informação de prevenção de acidentes;
• Desenvolvimento do orgulho pelo trabalho.

Dentre os mais importantes acima citados, temos:

Projeto, arranjos físicos e proteção pessoal;


Os aspectos de segurança operacional são colocados em
primeira linha de execução de quaisquer novos projetos, após o
SESMT dar o seu parecer. E nos casos em que as condições
ambientais não podem ser adequadamente controladas, então é
instituído o uso obrigatório de EPIs.

Prevenção de incêndio
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As inspeções devem ser programadas e diárias, com especial


atenção em armazenamento de inflamáveis, testes dos sistemas fixos
e portáteis de combate a incêndio, brigada de incêndio, treinamento
de combate ao fogo (para empregados de todos os níveis e setores),
além de sinalização adequada – ver NR 26.

Manutenção
Dentro do período de vida útil estimado do equipamento,
máquina ou sistema, a manutenção pode ser definida como um
conjunto de atividades destinadas a assegurar a conservação destes
bens materiais. Na realidade, analisando as causas dos acidentes,
constataremos que, na grande maioria dos casos, os meios de
inibição delas baseiam-se num competente programa de
manutenção, conduzido pela gerência de manutenção.

Normas e procedimentos de segurança


Os manuais de segurança da empresa devem estar à disposição
dos empregados, em qualquer setor, de modo que todos tenham
acesso aos mesmos. Mediante aprovação do SESMT, é facultado a
qualquer empregado à emissão de normas e procedimentos de
segurança internos e a CIPA poderá manter em funcionamento um
subcomitê com a finalidade de opinar sobre as novas normas e
procedimentos emitidos além de programar as revisões periódicas
das normas em vigor.

Ordem e limpeza
Estes elementos devem ser abordados mediante as inspeções
programadas. Os trabalhadores devem ser constantemente
conscientizados da importância de se manter a ordem e a limpeza no
local de trabalho, promovendo-as, removendo lixo, resíduos, sujeiras
e refugos acumulados.
Da mesma forma para sucatas, materiais recuperáveis, e as
peças ou equipamentos não usados ou quebrados, transportando-as
para locais adequados, com o objetivo de melhorar as condições
ambientais de trabalho.

Treinamento
Todo empregado deve ser treinado no sentido de compreender
que a responsabilidade pela segurança é, principalmente uma
atribuição individual. Assim cada empregado deverá preocupar-se no
desenvolvimento de atividades seguras e corretas, minimizando a
ocorrência de incidentes e acidentes.
Os empregados recém-contratados deverão ser sempre submetidos a
treinamento, no qual está inserida a segurança do trabalho, assim
familiarizando-se com a filosofia em vigor na empresa, além destes
não devemos esquecer dos treinamentos específicos periódicos, tais
como o uso de EPI, segurança em eletricidade, primeiros socorros,
segurança em caldeiras, segurança em laboratórios de análises clicas,
etc.
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Promoções e informações de prevenção de acidentes


Através de cartazes, exposições, boletins de segurança, filmes,
caixas de sugestões, revistas especializadas, etc., a conscientização
do trabalhador é, assim complementada, quanto à segurança do
trabalho.
Como parte de programas de incentivo, poderá haver prêmios e
competições em todas as áreas e setores, objetivando sempre levar
os empregados a atingir seu desempenho máximo em programas de
prevenção e atividades normais, o que de forma até indireta levará
ao desenvolvimento do orgulho pelo trabalho.

Elementos de redução de perdas por acidentes do programa


de prevenção de perdas

Todos os acidentes podem ser evitados, no entanto como eles


persistem, devem ser adotados procedimentos que reduzam ou
minimizem as lesões ou danos. Assim, logo depois da ocorrência do
acidente, medidas de prevenção devem ser determinadas com o fim
de evitar um dano ou prejuízo maior.
Uma lesão ou dano à propriedade pode agravar-se depois da
ocorrência de um acidente.
Exemplos: uma pessoa morrer de hemorragia em menos de 2
minutos; ou ainda, o fogo em um recipiente de resíduos (lixeira),
pode converter-se em um incêndio de graves proporções em questão
de minutos.

Para se reduzir as perdas por acidentes, podem ser considerados os


seguintes elementos:

• Primeiros socorros;
• Reabilitação de acidentados;
• Plano de controle de emergência.

Primeiros socorros
Nos casos de acidentes com danos humanos, os primeiros
socorros são fundamentais e, de acordo com o caso, poderão se
aplicados no próprio local.

Reabilitação
Através de assistência médica, os acidentados podem ser
reabilitados em convênios com entidades especializadas, estes
trabalhos de reabilitação são acompanhados pelo órgão especializado
em medicina do trabalho.

Plano de controle de emergência


Em casos de incêndios com danos parciais ou totais em
sistemas críticos de processos (exemplo: usinas nucleares), deve ser
acionado um Plano de Controle de Emergência, que tem como
19
20

principal objetivo somar todos os mecanismos de controle possíveis,


reduzindo-se, assim as perdas.

Estruturação final do programa de prevenção de perdas

O esquema mostrado no anexo 9 resume o controle das


causas dos acidentes, além do controle de identificação das causa dos
acidentes, constituindo-se na estruturação final de um programa de
prevenção e controle de perdas.

Avaliação do programa de prevenção de perdas


A importância da medição da eficiência do programa de
prevenção de perdas é de se poderem inibir as falhas apresentadas e
manter e/ou melhorar os índices de segurança alcançados.

Recomendações

O programa de prevenção de perdas deve ser estabelecido após


terem sido implantadas as seguintes fases:

• Estabelecimento de uma nova filosofia de segurança aprovada


pela gerência;
• Conscientização de todos os empregados quanto à segurança;
• Controle de acidentes com afastamento;
• Sistema de verificação de atos e condições inseguras;
• Prevenção de acidentes sem afastamento.

A empresa deve ter estabelecido, de antemão, uma política de


prevenção de perdas, além de um sistema de informação e
comunicação. O programa deve ser introduzido gradualmente e com
a participação de todos os empregados.

Vende no quilo?

20
21

9. Custos dos Acidentes

A redução dos acidentes, bem como a diminuição dos custos são


tarefas que se impõem nos dias de hoje, tanto às empresas como aos
especialistas em prevenção e controle de perdas. É bastante comum
o pessoal do SESMT enfatizar os custos dos acidentes para justificar
os investimentos em prevenção, porém sem ter condições de
demonstrá-los com exatidão, ou quanto eles incidem no custo do
produto.
As principais razões para esta ineficácia são:
• Dificuldade de as pessoas-chave dentro das empresas
assimilarem tais conceitos;
• Dificuldade de se obterem informações para a determinação do
custo indireto ou não-segurado;
• Não aceitação ou aceitação destes conceitos com desconfiança;
• Fragmentação das informações e das responsabilidades pelas
conseqüências dos acidentes;
• Aplicação prática discutível (não muito adequada) da maioria
dos métodos para controle destes custos;

Pesquisas realizadas pela Fundacentro revelaram a necessidade de


se modificar os tradicionais conceitos de custos de acidentes por meio
de uma nova sistemática, de enfoque prático, denominada custo
efetivo, equacionada conforme se segue:

Sendo:
Ce= C – i
Onde:
Ce= custo efetivo do acidente;
C= custo do acidente;
i= indenizações e ressarcimentos recebidos por meio de seguro ou de
terceiros (valor líquido).

e:
C = c1 + c2 + c3
Onde:

c1 = custo correspondente ao tempo de afastamento (até os 15


primeiro dias) em conseqüência de acidentes com lesão;

c2 = custo referente aos reparos e reposições de máquinas,


equipamentos e materiais danificados (acidentes com danos à
propriedade);

c3 = custos complementares relativos às lesões (assistência médica e


primeiros socorros) e aos danos à propriedade (outros custos
operacionais resultantes de paralisações, manutenção e lucros
cessantes).

21
22

A prática tem demonstrado que:

c1 → fácil de calcular;
c2 e c3 → depende da organização interna da empresa para seu
levantamento.

Para facilitar o controle e o levantamento destes custos, propô-se a


adoção de duas fichas sintetizadas: uma para a comunicação do
acidente e outra para o cálculo do respectivo custo.

Os anexos 10 e 11 apresentam modelos para essas fichas.

Acredite...
Acredite em você mesmo...
Acredite em seus sonhos...
Acredite que você vai conseguir...
O que você acreditar você consegue
alcançar!
10. Fundamentos da Prevenção e Controle de Perdas

No início dos anos 30, o engenheiro H.W. Heinrich, em sua


intitulada Industrial Accident Prevention, divulgou pela primeira
vez a filosofia do acidente com danos à propriedade. Suas análises
trouxeram como resultado a proporção 1:29:300, isto é, uma lesão
incapacitante para 29 lesões leves e 300 acidentes sem lesões. Essa
proporção originou a pirâmide de Heinrich.
Mais tarde, durante o período de 1959 a 1966, analisando mais
de 90 mil acidentes e em seu trabalho Damage Control, o
engenheiro Frank Bird Jr., atualizou a relação de Heinrich,
desenvolvendo a proporção de 1:100:500, ou seja, uma lesão
incapacitante para 100 lesões leves e 500 acidentes apenas com
danos à propriedade. A figura a seguir mostra os resultados das
análises de Heinrich e Bird.
Parte deste estudo compreendeu 4 mil horas de entrevistas
com supervisores de linha abordando eventos, que sob certas
circunstâncias viessem a converter-se em lesões ou danos à
propriedade, tais eventos são também conhecidos como quase-
acidentes, tratados por Heinrich, ou modernamente denominados de
incidentes, na técnica de controle de perdas.
Bird analisou acidentes ocorridos em 297 empresas, de 21
grupos industriais diferentes, perfazendo um total de 1 milhão 750
mil operários que trabalharam um total de mais de 3 bilhões de horas
durante o período de exposição, resultando numa proporção de
1:10:30:600, ou seja: 1 acidente com lesões graves ou
incapacitantes, 10 com lesões leves, 30 com danos à propriedade e
22
23

600 incidentes. A figura a seguir mostra os resultados dos estudos de


Heinrich e Bird.

Fundamentos do Controle de Perdas

O processo pelo qual ocorre uma perda por acidente é


composto de três fases distintas: condição potencial de perdas,
acidente, e perda real ou perda potencial.

CAUSA → → → FATO → → → EFEITO


↓ ↓ ↓
CONDIÇÃO PERDA
REAL
POTENCIAL ACIDENTE
OU
DE PERDA POTENCIAL

Condição Potencial de Perda – condição ou grupo delas, que sob


circunstâncias não-planejadas é capaz de causar perdas, em
momento não previsível e sob circunstâncias favoráveis pode
provocar o acidente.

Acidente – acontecimento inesperado e indesejado (não-


programado) que produz ou pode produzir perdas, sendo este
conceito não exatamente igual ao legal, aproximando-se mais do
prevencionista.

Perda Real ou Perda Potencial – é o produto do acidente e pode


manifestar-se como lesão ou morte de pessoas, danos a materiais,
equipamentos, instalações ou edificações, ou descontinuação do
processo normal de trabalho. A perda potencial, ou quase-perda, é

23
24

aquela em que sob circunstâncias um pouco diferentes poderia


transformar-se em perda real.
Para melhor entendermos a idéia moderna do controle de
perdas, nos anteciparmos ao que acontece antes de um incidente e
seguindo o exemplo de Heinrich no estudo dos princípios da
prevenção de lesões, vejamos a figura a seguir:

Falta de Controle – falha administrativa relacionada a o


planejamento, organização, falta de tato gerencial, e até mesmo a
falta de padrões de qualidade.

Causas Básicas – descontrole técnico-administrativo, devem ser


consideradas as origens das causas reais e indiretas dos acidentes e,
assim aquelas que devem ser realmente analisadas.

24
25

Causas Imediatas – resultam da existência de atos e condições


que transgridem algo pré-estabelecido e já aceito (normas), que
resultarão em perdas na operação industrial.

Os incidentes só ocorrem quando uma série de fatores se


combina sob certas circunstâncias, sendo raríssimos os casos em que
apenas um fator contribui para a ocorrência de um evento que
resulte em perda.
Recordemos então os quatro elementos relacionados às
circunstâncias que dão origem às causas dos acidentes e que estão
inter-relacionados.

Pessoas – o trabalhador é o que está mais diretamente envolvido na


maioria dos acidentes, pois aquilo que faz ou deixa de fazer é
considerado fator causal imediato.

Equipamento – desde os primórdios da prevenção de acidentes, é o


elemento considerado, a fonte principal de incidentes, originando a
“proteção de máquinas”, além da necessidade de se treinar os
trabalhadores para operá-los.

Material – elemento que as pessoas usam, transformam e se


beneficiam, é, também a fonte principal de causas de incidentes.

Ambiente – composto por tudo aquilo que rodeia o trabalhador


durante o trabalho, incluindo aí o próprio ar e as edificações. É
conveniente atentar para o fato de que grande parte das empresas
brasileiras tem construções antigas que fogem aos modernos padrões
de segurança inclusos nas Normas Regulamentadoras da Portaria
3214. Suas características causam problemas que afligem as
empresas, tais como: reclamações trabalhistas, absenteísmo,
doenças ocupacionais, baixa qualidade de trabalho, etc.

Isso é galho fraco!!

25
26

11. Controle de Acidentes (apenas) com Danos à


Propriedade

Contribui, não somente para a melhoria da produtividade e


rentabilidade da empresa, pela redução de perdas como também pela
melhoria das condições gerais de trabalho.

Estrutura do Programa – implica nas seguintes etapas: Detecção e


comunicação de acidentes; Comunicação à seguradora e controle dos
acidentes envolvendo bens segurados; Liberação, para reparo, dos
bens segurados; Investigação e análise dos acidentes;
Implementação e controle de execução das medidas corretivas;
Controle do custo dos acidentes.

Detecção e Comunicação – quando de sua ocorrência o acidente


pode ser detectado, através do pessoal de manutenção ou qualquer
funcionário, tão logo tenha ocorrido, comunicando ao seu superior
imediato para que ele efetue a comunicação do mesmo ao SESMT
que tomará as providências necessárias.
Comunicação à Seguradora – ao receber a comunicação do
acidente, o SESMT, em caso positivo, verifica se os bens danificados
estão ou não segurados e então solicita uma estimativa de custos,
informando à diretoria financeira que comunica à seguradora que
então decide sobre a liberação ou não dos bens para reparo.

Liberação para Reparos – tem dois objetivos: atender às normas


da seguradora (quando os bens estão segurados) e prevenir outros
acidentes derivados da situação gerada pelo acidente ocorrido.
Cabendo também ao SESMT a recomendação de cuidados especiais
quanto à segurança.

Investigação e Análise – tem por objetivos: a determinação das


causas, a recomendação de medidas corretivas e registro de
acidentes para a análise estatística. É feita inicialmente pelo Técnico
de Segurança, com a participação especial dos encarregados e
técnicos das áreas envolvidas. Elabora-se um relatório, o qual é
encaminhado a essas áreas, com recomendações e medidas
corretivas, com cópias para a alta gerência administrativa.

Implementação e Controle – a responsabilidade pela


implementação das medidas corretivas é da chefia de setor que tem
ação sobre as causas dos acidentes, ou seja: o SESMT, que discute
os relatórios de acidentes nas reuniões de segurança, recomenda
medidas que são registradas em ata como pendências, que devem
ser retiradas apenas depois de executadas.

Benefícios do Programa – entre eles destacamos:


26
27

• Determinação das causas dos acidentes e adoção de medidas


corretivas;
• Indicação de áreas, equipamentos e procedimentos críticos
para a segurança;
• Controle das causas que são comuns a acidentes com apenas
danos à propriedade e lesões físicas às pessoas;
• Melhoria da política de segurança da empresa;
• Conscientização da grande importância das atividades de
prevenção como: função social, aumento da produtividade,
rentabilidade e redução de perdas;
• Mudança de atitude: da gerência, técnicos, trabalhadores, etc.,
focando-os mais na prevenção dos acidentes do que na cura
dos seus efeitos negativos. Desenvolvimento de mentalidade
prevencionista;
• Avanços técnicos na metodologia e tecnológicos nos meios,
aplicados à prevenção de acidentes.

Controle administrativo das perdas

Consiste em adotar planos de ação de prevenção e controle


das perdas, prevendo os vários aspectos ligados ao acidente do
trabalho, tais como: prevenção de lesões em acidentes com danos à
propriedade, prevenção e combate à incêndios, higiene do trabalho,
segurança patrimonial, segurança do produto, redução de perdas por
absenteísmo e a redução de perdas por paradas de equipamentos.

Risco no trânsito!

12. Noções de Responsabilidade Civil e Criminal

O Direito do Trabalho vem passando por um processo evolutivo


que aumenta o papel do empregador nos acontecimentos derivados
de uma ordem de serviço, quando tal ordem for responsável por
acidentes com perdas.

27
28

Tal evolução tem implicações nas esferas civis e criminais do


Direito, cujas implicações independem da vontade da vítima, ou seja,
os processos de acidentes do trabalho passam pela intervenção do
Ministério Público.
As implicações, pela legislação vigente, dizem respeito à
conscientização dos prepostos (empregados) que exercem cargos de
chefia para o desenvolvimento da mentalidade prevencionista.
Legalmente, acidente do trabalho é aquele decorrente do exercício
do trabalho à serviço da empresa, provocando lesão corporal ou
perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução,
permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.
Sempre que constatado, o acidente deve ser informado à
previdência no prazo máximo de 1 (um) dia útil seguinte à ocorrência
do mesmo, e de imediato, em caso de morte. A comunicação é
obrigatória, e cópia fiel (autenticada) do documento será fornecida ao
empregado ou sua família e sindicato.

Noções gerais de direito ligadas ao tema (Segurança do


Trabalho)

Responsabilidade Acidentária – Lei no 8.212, de 24 de julho de


1991
O montante das empresas decorrentes de acidente do trabalho
é pago pelo empregador por meio do recolhimento de uma taxa ao
INSS cuja variação percentual obedece à graduação de risco da
empresa.
Uma vez enquadrada a empresa, caberá ao Ministério do
Trabalho e à Previdência Social proceder, se necessário, ao
reenquadramento, caso as estatísticas de acidentes o justifiquem,
visando sempre estimular os investimentos na prevenção de
acidentes.

Cuidados do empregador/preposto/chefe
Ao determinar certa atividade estes deverão observar 3
princípios básicos:
• Viabilidade da execução (se vale a pena fazer com as condições
existentes);
• Habilitação do empregado (se o empregado foi treinado para
tal);
• Condições de segurança (se o ambiente permite meios seguros
suficientes).

Exemplo: TROCA DE UMA LÂMPADA


Muito embora esta não seja uma tarefa de risco, poderá ser se
houver tensão (energia), que é o caso de o interruptor estar ligado.
Caso não o esteja, ainda assim há uma possibilidade de risco pois o
interruptor desliga apenas um dos pólos (neutro ou fase), logo para
sermos cautelosos devemos desligar a força pelo disjuntor mais
próximo.
28
29

Esta tarefa aparentemente simples, se realizada por pessoa


inabilitada, que desconheça os princípios básicos da eletricidade,
poderá causar acidentes, tais como choque, queimadura e queda os
quais poderão ocasionar lesões ou mesmo a morte, pois para trocar
uma lâmpada, deve-se subir em uma escada.
Caso a pessoa tenha todos os conhecimentos necessários e
tome todas as precauções para a troca da lâmpada e o piso estiver
molhado ou sujo de graxa ou óleo, quando a pessoa abrir a escada e
subir para efetuar a troca da lâmpada, escorregará e cairá, sofrendo
lesões ou mesmo a morte.

No exemplo acima temos uma situação extremamente fácil,


para que haja sensibilização dos chefes/empregadores, pois, por mais
simples e corriqueira que pareça a situação, todas elas requerem
cuidados.

Direitos e deveres do trabalhador


De acordo com o par. 2o do art. 229 da Constituição Estadual
(São Paulo), fica garantido ao empregado o direito de parar ou se
negar a fazer determinada tarefa em seu trabalho até a eliminação
completa de risco grave presente ou eminente.
O empregado também tem obrigações a cumprir, conforme
prescreve o art. 158 da CLT: observar as Normas de Segurança e
Medicina do Trabalho, colaborar na aplicação das ordens de serviços
quanto às precauções a tomar para evitar danos com lesões e/ou
perdas, sendo ato faltoso a recusa injustificada.

Responsabilidade Penal

O Código Penal brasileiro, em seu artigo 121, trata do


homicídio culposo. O par. 3o do mesmo artigo engloba a hipótese
de a morte ser provocada por acidente do trabalho cuja culpa pode
ser imputada à chefia, a qualquer preposto envolvido na atividade ou
mesmo a um colega de trabalho, bastando a constatação da
imprudência, imperícia ou negligência.
Na presença da imprudência, imperícia ou negligência, fica
caracterizado o homicídio culposo (onde não há a real intenção de
praticar), e a culpa pode ser:

Pela escolha do empregado – o empregado que provocou o


acidente não tinha a qualificação necessária para executar o serviço.

Pela ausência de fiscalização – o responsável pela fiscalização


(interno) deixou de fazê-la (exemplo: não testou o equipamento e
uma falha neste resultou em acidente com lesões corporais nos
envolvidos).

Pela ação – o indivíduo praticou o ato imprudente ou imperito que


resultou em dano (exemplo: movimentou ou alterou o sentido de
29
30

uma escada rolante sem observar a presença de um colega ou


usuário sobre a mesma).

Pela omissão – o agente negligenciou os cuidados recomendados,


deixando de praticar os atos impeditivos da ocorrência do ato danoso
(exemplo: deixou de limpar substância escorregadia derramada na
área de circulação, o que resultou em queda com lesões).

Por custódia – o indivíduo faltou com o cuidado e a atenção


necessários à guarda de um bem

Responsabilidade Civil

Trata-se da obrigação de reparo do dano causado, mediante


indenização de ordem pecuniária. As causas que originam a
responsabilidade civil são o dolo e a culpa.

Caracterização da responsabilidade civil


Os elementos essenciais para a caracterização da
responsabilidade civil do empregador, preposto ou chefe são:
• Dolo ou culpa (em se tratando de responsabilidade subjetiva);
• Existência do dano;
• Nexo causal entre a conduta do agente e o dano;
• Prova do dano e da culpa do empregador, preposto ou chefe.

Intervenção do Ministério Público

Nos processos de acidente do trabalho há a intervenção


compulsória do MP, independentemente da vontade da vítima. Ou
seja: mesmo que haja a inércia e acomodação do interessado,
compete ao Estado, por meio da Promotoria Pública, instaurar a
demanda judicial cabível.
Trata-se, assim de um trabalho de competência da ordem
pública, ou seja: alimentar com o direito indisponível, irrenunciável e
inalienável, a parte, normalmente mais fraca na relação jurídica
processual, ou seja: o trabalhador.

Instauração do processo penal e suas implicações no processo


cível

O processo penal poderá ser deflagrado após o encerramento do


inquérito policial, que para ser iniciado basta existir um fato
aparentemente criminoso, sendo várias as possibilidades de sua
instauração, ou seja, exame de corpo de delito, flagrante,
comunicação por indivíduo comum, solicitação do MP, etc.

Esquematicamente, temos:

30
31

Quer uma mãozinha?

13. Controle de Perdas e Perícias Trabalhistas

Este tópico faz uma breve explanação do sejam as perícias


trabalhistas, através da legislação pertinente (Leis nos 6.514, de 22-
12-1977, e 5.584, de 26-6-1970).

Perícias trabalhistas

31
32

Entende-se como sendo as avaliações destinadas ao


levantamento de agentes físicos, mecânicos, químicos e ergonômicos,
para determinar as condições ambientais e de trabalho, as perícias
trabalhistas podem ser realizadas por técnicos do Ministério do
Trabalho, engenheiros ou médicos do trabalho, em resposta a
denúncias, quando da instalação novas fábricas ou instalações, ou
ainda por solicitação da empresa, e como parte de vistorias de rotina.
Podem ser solicitadas pela Justiça do Trabalho através de ações
movidas por empregados, ex-empregados, sindicatos, representações
de classe ou grupo de associados.

Legislação

Lei no 6.514, de 22 de dezembro de 1977


Normas Regulamentadoras (NRs) aprovadas pela Portaria no
3.214/78
[...]

seção XIII – Das atividades insalubridade ou perigosas


Artigo 189
Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas
que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho,
exponha,m os empregados a agentes nocivos à saúde, acima
dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da
intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus
efeitos.

[...]
Artigo 191
A neutralização ou eliminação da insalubridade ocorrerá:

I – com a adoção de medidas que conservem o ambiente de


trabalho dentro dos limites de tolerância;

II – com a utilização de equipamentos de proteção individual ao


trabalhador que diminuam a intensidade do agente agressivo a
limites de tolerância.

Artigo 192
O exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos
limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho,
assegura percepção de adicional, respectivamente de 40%, 20%
e 10% do salário mínimo da região, segundo se classifiquem
nos graus máximo, médio e mínimo.

[...]

32
33

Artigo 195
A caracterização e classificação da insalubridade e da
periculosidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho,
far-se-ão por meio de perícia a cargo do médico do trabalho ou
engenheiro do trabalho, registrados no Ministério do Trabalho.

Par. 2o – Argüida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja


por empregado, seja por Sindicato em favor de grupo de
associados, o juiz designará perito habilitado na forma deste
artigo, e, onde não houver, requisitará perícia ao órgão
competente do Ministério do Trabalho.

Lei no 5.584, de 26 de junho de 1970

[...]

Artigo 3o
os exames periciais serão realizados por perito único designado pelo
juiz, que fixará o prazo para entrega do laudo.

Parágrafo único
Permitir-se-á a cada parte a indicação de um assistente, cujo laudo
terá de ser apresentado no mesmo prazo assinado para o perito, sob
pena de ser desentranhado dos autos.

Brincadeiras à parte (figuras e legendas).


Reflita um pouco.

Ore...
Ore por inspiração antes do trabalho...
Converse com Deus todos os dias de sua
vida...
Sempre comece seu dia com uma oração
e deixe Deus ajudar você!
Bibliografia:

• Noções de Prevenção e Controle de Perdas em Segurança


do Trabalho – José da Cunha Tavares – Editora SENAC,
1996;
• Manual Prático de Mapa de Riscos – Gilberto Ponzetto –
Editora LTR, 2002;
33
34

• Artigos e Fotos da Grande Rede;


• Vídeo: A Segurança do Trabalho – Editora SENAC/Abril
Vídeo;

34