Entendendo o trabalho colaborativo em

educação e revelando seus benefícios1
Understanding collaborative work in
education and revealling its benefits
Magda Floriana Damiani*
RESUMO

Este trabalho tem como objetivo discutir e afirmar a importância do
desenvolvimento de atividades colaborativas nas escolas. O texto está
baseado em ampla revisão de literatura voltada para: a teorização acerca
dos processos psicológicos envolvidos nesse tipo de atividades, com base,
principalmente, na psicologia sócio-histórica; e a análise dos resultados de
diferentes investigações que enfocaram as atividades colaborativas entre
professores e estudantes, de maneira a retirar delas algumas conclusões
úteis para o trabalho em Educação. A revisão foi realizada com base em
pesquisas publicadas em livros, artigos de periódicos, teses, dissertações
e anais de eventos tradicionais da área, no Brasil e em outros países. Ela
inclui, também, pesquisas desenvolvidas no âmbito do projeto “Trabalho
colaborativo em Educação: desenvolvimento e benefícios”, coordenado pela
autora deste texto, que vem se dedicando, nos últimos cinco anos, a estudar
a temática. O texto não tem a pretensão de constituir-se em um “estado
da arte” sobre o trabalho colaborativo, sendo possível, inclusive, que não
inclua resultados de investigações consideradas fundamentais por outros
pesquisadores. Devido à extensão da produção relacionada ao assunto, sua
revisão exaustiva seria tarefa infindável. Assim, apresenta dados de estudos
considerados metodologicamente sólidos e teoricamente relevantes que
foram reunidos com o objetivo de resumir e divulgar, pelo menos em parte,
o conhecimento já produzido sobre a importância do trabalho colaborativo
na Educação.
Palavras-chave: trabalho colaborativo, trabalho docente, aprendizagem,
psicologia sócio-histórica.
1 O trabalho recebeu auxílio por parte do CNPq (financiamento, bolsa de produtividade e
bolsas de iniciação científica) e da FAPERGS (bolsa de iniciação científica).
* Doutora em Educação pelo Institute of Education, University of London. Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal de Pelotas
(RS) E-mail: magda@ufpel.tche.br.

Educar, Curitiba, n. 31, p. 213-230, 2008. Editora UFPR

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ABSTRACT

The paper has the aim of discussing and asserting the importance of
collaborative activities in schools. It has been based on a wide range
literature reviews directed to: a) theorizing about the psychological
processes involved in these activities, guided mainly by Socio-historic
psychology; and b) analyzing the results of different investigations that
focused on collaborative activities among teachers and students, in order to
draw some useful conclusions about the area of education. The review was
carried out with the help of research reports published in books, journals,
theses, dissertations and annals of traditional events in Brazil and other
countries. It also includes the results of investigations taken place within
the research project “Collaborative work in Education: development and
benefits”, coordinated by the author, who has been dedicated to this study
of collaborative work for the last five years. The text is not intended
to constitute to be “state of the art” about the subject. It might even
fail to include findings of investigations considered important by other
researchers. Due to the extent of the production related to this topic, its
complete revision would be never-ending. Therefore, the paper presents
pieces of works considered to be methodologically sound and theoretically
relevant and have been collected with the aim of summarizing and
publicizing, at least in part, the knowledge produced about the importance
of collaborative work in Education.
Key words: collaborative work, teacher work, learning, Socio-historic
psychology.

O que se entende por trabalho colaborativo
Segundo Parrilla (1996, apud ARNAIZ, HERRERO, GARRIDO e DE
HARO, 1999), grupos colaborativos são aqueles em que todos os componentes
compartilham as decisões tomadas e são responsáveis pela qualidade do que é
produzido em conjunto, conforme suas possibilidades e interesses.
Os estudos voltados para o trabalho em grupo adotam, alternadamente ou
como sinônimos, os termos colaboração e cooperação para designá-lo. Costa
(2005) argumenta que, embora tenham o mesmo prefixo (co), que significa
ação conjunta, os termos se diferenciam porque o verbo cooperar é derivado
da palavra operare – que, em latin, quer dizer operar, executar, fazer funcionar
de acordo com o sistema – enquanto o verbo colaborar é derivado de laborare
– trabalhar, produzir, desenvolver atividades tendo em vista determinado fim.
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Assim, para esse autor, na cooperação, há ajuda mútua na execução de tarefas,
embora suas finalidades geralmente não sejam fruto de negociação conjunta do
grupo, podendo existir relações desiguais e hierárquicas entre os seus membros.
Na colaboração, por outro lado, ao trabalharem juntos, os membros de um grupo
se apóiam, visando atingir objetivos comuns negociados pelo coletivo, estabelecendo relações que tendem à não-hierarquização, liderança compartilhada,
confiança mútua e co-responsabilidade pela condução das ações.
Fullan e Hargreaves (2000), ao estudarem as características que as culturas de trabalho conjunto podem adquirir nas escolas, apontam que “a simples
existência de colaboração não dever ser confundida com a consumação de uma
cultura de colaboração” (p.71, no original). Eles descrevem formas alternativas
de colaboração que, apesar de envolverem trabalho conjunto, não constituem
culturas colaborativas por apresentarem subgrupos em disputa, ações conjuntas apenas ocasionais ou ações reguladas de maneira diretiva pela direção das
instituições.
Torres, Alcântara e Irala (2004) salientam que, apesar de suas diferenças
teóricas e práticas, ambos os termos (cooperação e colaboração) derivam de dois
postulados principais: rejeição ao autoritarismo e promoção da socialização, não
só pela aprendizagem, mas, principalmente, na aprendizagem. Eles argumentam
que a colaboração pode ser entendida como uma filosofia de vida, enquanto que
a cooperação seria vista como uma interação projetada para facilitar a realização
de um objetivo ou produto final.

Contribuições da Psicologia para o entendimento
dos processos envolvidos no trabalho colaborativo
Vygotsky (1989) é um dos autores que vem embasando um grande número
de estudos voltados para o trabalho colaborativo na escola. Ele argumenta que as
atividades realizadas em grupo, de forma conjunta, oferecem enormes vantagens,
que não estão disponíveis em ambientes de aprendizagem individualizada. O
autor explica que a constituição dos sujeitos, assim como seu aprendizado e seus
processos de pensamento (intrapsicológicos), ocorrem mediados pela relação
com outras pessoas (processos interpsicológicos). Elas produzem modelos
referenciais que servem de base para nossos comportamentos e raciocínios,
assim como para os significados que damos às coisas e pessoas. Nesse sentido,
Álvares e Del Rio (1996) consideram que quem aprende “toma emprestado”,
paulatinamente, tais modelos de seus interlocutores mais capacitados, podendo
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assim chegar a ultrapassar seus limites. Segundo Vygotsky (1998), a imitação
constitui-se em uma atividade essencial na aprendizagem. Ela promove o que
denominou internalização – processo que se distingue da cópia porque implica
em uma reconstrução interna de operações externas, na qual o sujeito desempenha um papel ativo e tem possibilidade de desenvolver algo novo. Em seu livro
A formação social da mente (1998), ele pergunta: “por acaso é de se duvidar que
[...], através da imitação dos adultos e através da instrução recebida de como
agir, a criança desenvolve um repositório completo de habilidades?” (p. 110)
A idéia a respeito do caráter eminentemente social da consciência humana,
como afirmam inúmeros pesquisadores pós-vygotskianos, pode ser também encontrada nos trabalhos de um outro russo, contemporâneo de Vygotsky: Bakhtin
(1986). Freitas (1997) explica que ambos os autores concebiam a vida mental
(consciência) como mediada principalmente pela linguagem (entre outros sistemas de signos, considerados como ferramentas mentais), que é o que diferencia
os seres humanos dos animais. Para os dois teóricos, todo signo é um fenômeno
exterior, criado em terreno interindividual, no curso de interações sociais. O
signo tem função geradora e organizadora dos processos psicológicos, já que a
experiência alheia somente pode ser assimilada por meio da comunicação. Para
detalhar melhor essa idéia, Freitas (1997, p.320) explica que:

O outro é, portanto, imprescindível tanto para Bakhtin como para Vygotsky.
Sem ele o homem não mergulha no mundo sígnico, não penetra na corrente
da linguagem, não se desenvolve, não realiza aprendizagens, não ascende
às funções psíquicas superiores, não forma a sua consciência, enfim não
se constitui como sujeito. O outro é peça importante e indispensável de
todo o processo dialógico que permeia ambas as teorias. (FREITAS,
1997, p. 320)

Bakhtin (1986) explicava que as palavras que se usam não provêm de
um dicionário, mas sim de outras pessoas. Ele acreditava que as pessoas desenvolvem, inicialmente, um processo de “ventriloquismo”, isto é, “falam pela
boca dos outros”, para depois apossar-se das palavras utilizadas e imprimir-lhes
seu próprio “sotaque”, adaptando-as a seus sentidos e intenções expressivas
particulares.
A importância da imitação para a aprendizagem também fica clara na
discussão do conceito de “Zona de Desenvolvimento Proximal” (ZDP), criado
por Vygotsky (1998). O autor escreveu que aquilo que uma criança pode realizar

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hoje somente com ajuda, ou em colaboração, amanhã poderá realizar sozinha,
de maneira independente e eficiente. A ZDP seria, então, a área onde estão esses
conhecimentos/essas habilidades que têm potencial para ser internalizados/
desenvolvidos por meio da mediação de outros seres humanos ou de artefatos
culturais. Embora Vygotsky estivesse teorizando acerca do desenvolvimento
da mente infantil quando escreveu sobre a ZDP, acredita-se que tal conceito se
aplique a todos os seres humanos, de qualquer idade.
Engeström (1994) argumenta que o ato de pensar está aninhado em atividades socialmente organizadas e historicamente formadas, apresentando, assim,
um caráter interativo, dialógico e argumentativo. Lave e Wenger (1991), que
estudam os processos de aprendizagem em situações não-formais, descrevem o
que ocorre no que denominam comunidades de prática – grupos que formam uma
entidade social e estão envolvidos em empreendimentos conjuntos. Os autores
(2002) afirmam que é pelo engajamento em atividades cotidianas, desenvolvidas
em seu grupo de trabalho, que ocorre a produção, transformação e mudança na
identidade das pessoas, em seu conhecimento e em suas habilidades práticas.
Desenvolvendo mais essa idéia, Schaffer (2004) explica que, pela participação
em comunidades de prática, os indivíduos internalizam as normas, os hábitos,
as expectativas, as habilidades e os entendimentos dessas comunidades (como,
por exemplo, as comunidades profissionais), que apresentam maneiras singulares
de conhecer, decidir o que é importante saber e entender a realidade.
Na revisão que realizaram sobre os mecanismos que atuam para potencializar as aprendizagens em ambientes de colaboração, Jeong e Chi (1997)
relatam que pesquisas realizadas nas áreas da Antropologia, Lingüística e
Ciência Organizacional sugerem que as pessoas passam a compartilhar memórias, conhecimentos, ou modelos mentais como resultado do trabalho em conjunto. Dessa forma, atingem significados e representações comuns, possivelmente
mais complexos e ricos do que aqueles elaborados individualmente. A respeito
desse aspecto, também Salomon e Perkins (1998) salientam a possibilidade de
“objetivação” (p.4) dos pensamentos, das idéias ainda em formação, que ocorre
no trabalho colaborativo. Tais pensamentos e idéias, quando comunicados e
compartilhados, podem ser discutidos, examinados e aperfeiçoados como se
fossem objetos externos.
Wells (2001), outro pesquisador que segue as idéias de Vygotsky, descreve
o que ocorre entre pessoas que tentam resolver um problema significativo para
todos e estabelecem um diálogo no qual soluções são propostas, ampliadas, modificadas ou contrapostas. A isso ele chama de co-construção do conhecimento,
considerando-a como parte essencial do processo de aprendizagem.

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A importância do trabalho colaborativo entre professores
As tentativas de minimizar os índices de reprovação e manter todos os jovens
nas escolas, juntamente com as políticas relacionadas à inclusão de alunos com
necessidades especiais nas redes regulares, têm criado uma série de dificuldades
às instituições e aos docentes. Esse tipo de situação pode criar, nos professores, estados de ansiedade e esgotamento profissional (CODO, 1999; ARAÚJO, 2003).
Ao tratar dos problemas engendrados pelas dificuldades do trabalho escolar, Parrilla e Daniels (2004, p.10-11) comentam que elas levam os docentes
a se sentirem carentes de apoio, o que pode resultar na falta de iniciativa para
encontrar soluções novas para os problemas, com a conseqüente adoção de práticas corriqueiras, sem esperanças de que funcionem. Essa descrição, embora se
refira ao sistema de educação espanhol, parece adequada também à realidade das
escolas brasileiras.
Norwich e Daniels (1997) propõem que se analise a forma de enfrentar as
dificuldades do trabalho docente a partir de dois parâmetros principais complementares e inter-relacionados: engajamento ativo, que se refere à maneira pela
qual os professores tentam proporcionar, a todos, oportunidades de aprendizagem
de boa qualidade; e nível de tolerância, que diz respeito aos limites dos desafios
que os professores conseguem enfrentar. Daniels (2000) argumenta que as culturas
de trabalho colaborativo são importantes ambientes para a promoção de trocas
de experiência e, conseqüentemente, de aprendizagens, promovendo incremento
nesses parâmetros. Segundo Araújo (2004), quando o que denomina “cultura de
coletividade” é instaurada, as pessoas nela envolvidas passam a reconhecer o que
sabem, o que os outros sabem e o que todos não sabem - atitudes que resultam na
busca de superação dos limites do grupo. Nono e Mizukami (2001) salientam a
importância do compartilhamento de experiências entre professores, explicando
que pode favorecer o desenvolvimento da destreza na análise crítica, na resolução
de problemas e na tomada de decisões.
A partir do que foi exposto, pode-se pensar que o trabalho colaborativo
entre professores apresenta potencial para enriquecer sua maneira de pensar,
agir e resolver problemas, criando possibilidades de sucesso à difícil tarefa pedagógica. Esse tipo de trabalho vem sendo considerado importante a ponto de
Hargreaves, citado por Engeström (1994, p.45), afirmar que ele pode “modificar
radicalmente a natureza do pensamento do professor”. Entretanto, ao longo da

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história, os professores vêm trabalhando individualmente e essa tendência parece
não ter mudado.
Engeström (1994) – da Finlândia – Hargreaves (1998) e Fullan e Hargreaves (2000) – do Canadá – e Thurler (2001) – da Suíça descrevem a profissão
docente como solitária. Fullan e Hargreaves (2000) sugerem que o isolamento
docente tem raízes em fatores como a arquitetura das escolas, a estrutura dos
seus horários, a sobrecarga de trabalho e a própria história da profissão docente.
Essa idéia é também corroborada por Engeström (1994) e por Pimenta (2005)
– esta se referindo ao nosso país.
Os professores das escolas brasileiras, como comenta Martins (2002),
estão, na maior parte do tempo, dispersos. Há momentos de organização, como
nos encontros nas salas de professores, nos conselhos de classe, nos grupos que
trabalham com as mesmas disciplinas ou nos horários de trabalho pedagógico
coletivo. Esses momentos, entretanto, acabam sendo utilizados muito mais para
a realização de atividades burocráticas e resolução de problemas emergenciais
do que para criar “um espaço para reflexão, planejamento e transformação de
sua prática educacional em atividades humanizadoras para si mesmo e para
seus alunos” (p.233).
Em meio a essas argumentações acerca das potencialidades positivas do
trabalho colaborativo, no entanto, vale considerar as idéias de Góes (1997,
p.27), que adverte:

o jogo dialógico entre sujeitos não tende a uma só direção; ao contrário,
envolve circunscrição, ampliação, dispersão e estabilização de sentidos.
Um determinado conhecimento (pretendido, na intencionalidade do outro;
ou previsto, na perspectiva de um observador) pode ou não ser construído
pelo indivíduo.(GÓES, 1997, p. 27)

Pensando nisso, é importante observar que, ao valorizar o trabalho colaborativo, não se nega a importância da atividade individual na docência. Como
Fullan e Hargreaves (2000, p. xi), defende-se a reconciliação dos dois tipos de
atividades – grupais e individuais – entendendo que qualquer delas, sem a outra,
limita o potencial de trabalho dos professores.

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O que dizem as pesquisas sobre os efeitos do trabalho
colaborativo entre professores
Creese, Norwich e Daniels (1998), baseados em amplo estudo realizado na
Inglaterra, apresentam evidências de que escolas em que predominam culturas
colaborativas são mais inclusivas, isto é, apresentam menores taxas de evasão
e formas mais efetivas de resolução de problemas dos estudantes. Ilustrando
também os benefícios de uma cultura escolar colaborativa, a investigação de
Damiani (2004; 2006) aponta para o bom desempenho de uma escola pública
municipal, que investe nesse tipo de cultura há alguns anos. Essa escola apresenta
baixos índices de repetência e evasão entre seus estudantes (quando comparada
com as médias das escolas da cidade) e alto grau de satisfação e investimento
em formação continuada de seus docentes. Os trabalhos de Zanata (2004) e
Loiola (2005) são outros exemplos de investigações cujos achados indicam
que o trabalho colaborativo entre docentes constitui-se em excelente espaço de
aprendizagem, permitindo a identificação de suas forças, fraquezas, dúvidas e
necessidades de reconstrução, a socialização de conhecimentos, a formação de
identidade grupal e a transformação de suas práticas pedagógicas. Em relação
à formação continuada, Lacerda (2002) ressalta a diferença entre a organizada
pelos próprios professores, em conjunto, e a disponibilizada por meio de cursos
organizados por órgãos administrativos que, usualmente, não consideram os
professores como produtores de conhecimento e são estruturados apenas como
fontes de transmissão de informações. A pesquisadora, que escreve sobre os
ganhos resultantes de um grupo de estudos organizado por professoras alfabetizadoras, acredita que todos os profissionais da educação, não obstante suas
concepções, trajetórias pessoais e conhecimentos, podem se organizar e gerir
seu próprio processo de formação continuada. Essa idéia é confirmada pelo
trabalho de Rausch e Schlindwein, que também investigaram os efeitos das
discussões grupais por professoras que visavam refletir sobre suas práticas. As
autoras explicam que:

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Para que os professores ressignifiquem a sua prática é preciso que a
teorizem. E este movimento de teorizar a prática não se efetiva somente
com treinamentos, palestras, seminários, aulas expositivas, mas muito
mais, quando há uma relação dinâmica com a prática deste professor
a partir de uma reflexão coletiva, auto-reflexão, pensamento crítico e
criativo, via educação continuada. É preciso desencadear estratégias de
formação processuais, coletivas, dinâmicas e contínuas. Refletir com os
demais professores e compartilhar erros e acertos, negociar significados
e confrontar pontos de vista surge como algo estimulador para uma
prática pedagógica comprometida. (RAUSCH e SCHLINDWEIN, 2001,
p. 121).

A esses resultados, podem-se acrescentar os obtidos por Santos (2006),
que avalia os efeitos do trabalho de uma coordenadora pedagógica que realiza
sua prática de maneira participativa, incentivando o trabalho colaborativo com
e entre os professores de uma escola particular de idioma estrangeiro. Os dados
dessa pesquisa revelam que os professores da instituição valorizam o trabalho
conjunto, que, segundo informam, leva-os a se sentirem respeitados e valorizados, assim como a desenvolver sua autonomia.
Com o objetivo de iniciar professores em relação à utilização de novas
tecnologias de informação e comunicação (TICs) na Educação Especial, a
pesquisa de Beck (2004) também presta testemunho à importância do trabalho
desenvolvido por meio de discussões e atividades grupais. A autora argumenta
que não basta ter computadores ligados à internet, por exemplo, para garantir que
eles serão efetivamente utilizados e incorporados na prática escolar. É necessário
um trabalho de reflexão coletiva para que essa mídia traga novos elementos à,
já bastante atribulada, vida do professor.
Os benefícios dos grupos de discussão e do trabalho colaborativo entre
professores brasileiros, para a melhoria de sua autoconfiança e maior efetividade de seu trabalho, também são evidenciados em trabalhos como os de Passos
(1999), Magalhães e Celani (2000), Dickel, Colussi, Bragagnolo e Andreolla
(2002), Detsch e Gonçalves (2002) e Silva (2002).

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O trabalho colaborativo entre os estudantes
Os benefícios das atividades colaborativas entre estudantes têm sido ressaltados, da mesma forma que entre docentes, por diversos autores. Os trabalhos
de Coll Salvador (1994) e Colaço (2004) são exemplos dos que realizam uma
análise ampla dos efeitos desse tipo de atividade entre estudantes. Esses autores
apontam ganhos em termos de: 1) socialização (o que inclui aprendizagem de
modalidades comunicacionais e de convivência), controle dos impulsos agressivos, adaptação às normas estabelecidas (incluindo a aprendizagem relativa
ao desempenho de papéis sociais) e superação do egocentrismo (por meio da
relativização progressiva do ponto de vista próprio); 2) aquisição de aptidões e
habilidades (incluindo melhoras no rendimento escolar); e 3) aumento do nível
de aspiração escolar.
Nos Estados Unidos da América, o North Central Region Education Laboratory vem desenvolvendo estudos sobre a sala de aula colaborativa. O trabalho
de Tinzman, Jones, Fennimore et al. (1990), que participam de tal instituição,
salienta as vantagens das atividades compartilhadas, afirmando que tanto a comunicação quanto a colaboração são aspectos essenciais para que uma pessoa se
torne um aprendiz bem-sucedido. Segundo Forman e McPhail (1993), a escola
não oportuniza às crianças ocasiões nas quais possam exercitar suas habilidades comunicativas: os estudantes, usualmente, na sala de aula, ficam restritos a
responder as perguntas feitas pelos professores. As autoras observam que trabalho colaborativo entre estudantes, quando envolvem a solução de problemas,
possibilita-lhes fazer uso efetivo desses registros, pois necessitam se engajar em
argumentações lógicas, expor idéias para trabalhar conjuntamente.
Colaço (2004) observa que as crianças, ao trabalharem juntas, “orientam,
apoiam, dão respostas e inclusive avaliam e corrigem a atividade do colega, com
o qual dividem a parceria do trabalho, assumindo posturas e gêneros discursivos
semelhantes aos do professor” (2004, p.339). Isso leva a perceber a importância de o professor tanto estimular seus estudantes a trabalhar em grupo quanto
fornecer-lhes um modelo interativo que leve ao compartilhamento de idéias e
não à intervenção autoritária e diretiva, que ocorre quando um estudante apenas
corrige o trabalho do colega, como observa Moysés (1997). Assim, parece que
o professor desempenha papel importante na promoção de benefícios do trabalho em grupo entre seus estudantes, tanto servindo como modelo de interação
quanto organizando grupos de estudantes que possam tornar o trabalho frutífero
(MARTINS, 2002). A preocupação com a composição dos grupos justifica-se
porque nem sempre uma interação entre pares com diferentes graus de adian-

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tamento provocará o desenvolvimento do membro menos avançado, como
adverte Tudge (1996). Pode haver, também, uma regressão do mais adiantado,
se este não tiver suficiente autoconfiança para valorizar e fazer predominar seus
conhecimentos.

O que dizem as pesquisas sobre os efeitos do trabalho
colaborativo entre estudantes
A investigação de Jeong e Chi (1997) sugere que pares de estudantes
universitários, após estudo conjunto sobre conceitos de Biologia, passaram a
compartilhar modelos mentais e conhecimentos, avançando em sua compreensão do assunto tratado em aula. O favorecimento de aprendizagens em uma
disciplina do Curso de Pedagogia, assim como no desenvolvimento do estágio
curricular, realizado em duplas, também foi verificado por Damiani (2006). Essa
investigação aponta o valor das constantes interações entre pares para a criação
de questionamentos sobre as estruturas de conhecimentos já adquiridos, assim
como para a exposição a diferentes raciocínios e comportamentos que podem
ser apropriados por meio da imitação criativa e não-reprodutiva, enriquecendo
o repertório de pensamento e a ação dos estudantes. Da mesma forma, Barros,
Remold, da Silva e Tagliati (2004) reportam ganhos significativos, em termos
de compreensão conceitual e entusiasmo em relação à aprendizagem, obtidos
por meio de discussões grupais de alunos de um curso de graduação em Física.
Segundo os autores, um número significativo de alunos expressou o desejo de que
essas atividades fossem estendidas para outras disciplinas e passou a utilizá-las
também fora do contexto de aula, o que raramente ocorria em semestres anteriores. Resultados semelhantes encontram-se na dissertação de Garcia (2006),
que avaliou o trabalho desenvolvido por pares de estudantes de curso técnico
em eletrônica, ao desenvolver projeto conjunto de construção de equipamentos.
A pesquisa evidenciou aumento de motivação e de aprendizagens significativas
que se ampliaram para além dos conteúdos escolares. Professores e estudantes
enfatizaram a importância das atividades colaborativas desenvolvidas tanto
para essas aprendizagens como para o desenvolvimento de autonomia na a
resolução de problemas.
Em relação às atividades de aprendizagem colaborativa entre crianças,
encontramos, nos trabalhos de Leal e Luz (2001) e Pessoa (2002), evidências
relevantes acerca dos benefícios por elas proporcionados. O primeiro trabalho
está voltado para a atividade de composição de textos por pares de estudantes
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do ensino fundamental, constatando que esse tipo de trabalho favorece a tomada
de consciência de decisões sobre a escrita, desautomatizando-a e melhorando
sua qualidade. O segundo trabalho, ao analisar o papel da atividade em duplas
para a superação de dificuldades relativas à resolução de problemas em aulas
de Matemática, sugere um decréscimo no percentual de erros entre o pré e o
pós-teste, tendo as crianças passado a criar diferentes estratégias para superar
as dificuldades, a partir das discussões com os companheiros (estratégias essas
que, mais tarde, passaram a ser utilizadas nos trabalhos individuais). A pesquisa
de Carvalho (2006), por seu turno, mostra a possibilidade da construção de
aulas de Educação Física colaborativas, indo de encontro ao clima competitivo
geralmente existente nessa disciplina. A pesquisadora/professora desenvolveu,
com os alunos, atividades desportivas modificadas, em que a inclusão de todos
era o objetivo principal. Para isso, as regras dos desportos foram adaptadas,
criando uma cultura de solidariedade e participação entre os estudantes de 5ª
série do ensino fundamental. Os dados mostram que os alunos passaram a perceber a importância dos jogos colaborativos para a inclusão de todos os colegas,
tendo uma atitude crítica em relação a atividades competitivas desenvolvidas
em outras disciplinas.
Benefícios das interações entre estudantes, em seus processos de aprendizagem, são igualmente ilustrados nos trabalho de Candela (2000) e López de
Lara (2000), do México, e de Ambrosetti (1999), do Brasil.

Comentários conclusivos
Neste estudo, pretendeu-se argumentar a favor do desenvolvimento de
atividades colaborativas entre professores e entre estudantes sem, no entanto,
propor – da mesma forma que Martins, em seu texto sobre a temática – “a mistificação das atividades grupais na sala de aula e nos espaços escolares” (2002, p.
234), considerando-as como a panacéia para os problemas da Educação. Visou-se
agregar e dar visibilidade a um conjunto de evidências, que se vêm acumulando
na literatura, sobre a importante contribuição do trabalho colaborativo para essa
área de atividade humana. A revisão das investigações acerca do trabalho colaborativo – em suas diferentes formas – assim como o entendimento do processo que
o sustenta sugerem que esse tipo de atividade apresenta potencial para auxiliar
no enfrentamento dos sérios desafios propostos pela escola atual em nosso país.
A literatura indica que o desenvolvimento de atividades de maneira colegiada
pode criar um ambiente rico em aprendizagens acadêmicas e sociais tanto para
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estudantes como para professores, assim como proporcionar a estes um maior de
grau de satisfação profissional. O trabalho colaborativo possibilita, além disso,
o resgate de valores como o compartilhamento e a solidariedade – que se foram
perdendo ao longo do caminho trilhado por nossa sociedade, extremamente competitiva e individualista. Como argumenta Naura Ferreira (2003, p.134), “juntamos
trabalhos” ao invés de trabalharmos juntos, e isso se aplica, de maneira intensa,
às instituições escolares, nas quais tanto as atividades pedagógicas quanto as
administrativas são, usualmente, realizadas de maneira individual.
Embora o espaço aqui disponível não permitisse que toda a riqueza de possibilidades oferecidas pelo trabalho colaborativo fosse revelada, acredita-se que
as evidências apresentadas são suficientes para afirmar que esse tipo de trabalho é
importante e deve, portanto, ser entendido e discutido tanto nos cursos de formação
inicial quanto nos programas de formação continuada de docentes.

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Texto recebido em 18 set. 2006
Texto aprovado em 14 abr. 2007

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