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Sobre a Carta a Felicidade de Epicuro.

Por: Juliano Gustavo Ozga.

Primeiramente será necessário expor a observação de jamais privar/impedir a


busca por um corpo e espírito salutar, e que tarefa tão sublime é digna por direito, tanto
ao jovem quanto ao demasiado velho.
A questão é não temer/antecipar situações hipotéticas oriundas da falta de
instrução por parte do jovem, e também o não desdenhar das experiências passadas,
posse do demasiado velho.
Uma das formas de buscar este objetivo, que o final é a busca pela felicidade,
seria a constatação de não haver por parte dos deuses, alguma forma de impedimento
perante o destino e trajeto do homem, como também o esclarecimento referente ao erro
de atribuir uma falsa imagem aos deuses; o fato não é negar a existência dos deuses, e
sim a errônea ideia de que o vulgo possui em atribuir imagens aos deuses, muitas vezes
atribuindo-lhes a faculdade de punir os “maus” e beneficiar os “bons”.
Sobre a morte, entendida como privação das sensações corpóreas, pode-se
atribuir que o medo da morte é uma questão vazia, sendo a própria morte o nada.
Referente ao sábio, seu viver não é um fardo e seu não-viver não é um mal. A
questão é aceitar o fato da existência e jamais negar sua necessidade para o
aperfeiçoamento humano. Negar a probabilidade de nascimento é negar a possibilidade
real de aperfeiçoamento.
Sobre a questão do futuro é saber como adquirir a sorte perante o destino, este
último como situação a ser superada pelo homem.
A vontade e o desejo, ambos podem ser naturais ou inúteis; a questão é possuir o
conhecimento das causas de nossos desejos e vontades, conseguindo posteriormente
recusar ou escolher o que lhe for de direito por vontade própria. O objetivo do recusar e
escolher é o estado corporal e espiritual salutar.
O prazer como base inata do início e fim de uma vida feliz, deve ser
projetado/entendido como o prazer decorrente do cessar os sofrimentos e danos
pessoais, ao passo que a busca orienta-se para o aumento de benefícios, estes últimos
auto-suficientes e necessários, nada em abundância.
O princípio da prudência, como o supremo bem, adicionado à beleza e à justiça
(Prudência: Natureza; Beleza: Arte; Justiça: Liberdade [se for possível esta
interpretação]), resulta na felicidade.
O sábio ao esclarecer estes tópicos anteriores, não depende do destino ou do
acaso; através de sua vontade própria (que é livre) ele almeja e pode alcançar a sorte, e
através da sorte adquirir sua fortuna, pelo fato de que, ao possuir virtudes, pode-se
adquirir fortunas; o que no contrário, possuir fortuna não é condição necessária para
adquirir virtudes.