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Verdes são Os Campos Da Cor Do

Verdes são Os Campos Da Cor Do

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Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração.

Análise de composições poéticas - A influência tradicional - A medida velha

Se Helena apartar Do campo seus olhos, Nascerão abrolhos

Aquela cativa que me tem cativo, Porque nela vivo Já não quer que viva

Mote: Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d ervas vos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração.

Gado que paceis, co contentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração.

Está já presente a devoção amorosa e os elementos da Natureza. Destaca-se já a banalidade e trivialidade da inspiração poética. Os elementos bucólicos estão presentes, reforçando essa simplicidade e trivialidade.

Mote alheio Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração.

O sujeito poético começa por apresentar o ponto de partida para a criação poética: A semelhança entre a cor dos olhos da amada e a cor dos campos/ da Natureza. Estabelece uma comparação entre ambos. Os olhos representam a amada no seu todo (a parte pelo todo sinédoque)

É apresentado o destinatário ou destinatários deste lamento: Campo, Ovelhas e Gado. O sujeito poético dirige-se a estes elementos. Primeiro começa por invocar o campo verde que se estende de forma bela, mas passa logo de seguida para as ovelhas que estão tão próximas dessa beleza verde. O sujeito poético deixa-lhes um recado, ao lembrar-lhes que, por um lado, elas se alimentam/ elas se mantêm vivas por causa dessa verdura que o verão torna possível, por outro lado o sujeito poético alimenta-se vive por causa das lembranças/ das memórias que tem da amada. Pressupomos, portanto uma relação dominada pela saudade, pela tristeza e pela nostalgia.

Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d¶ervas vos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração.

Dirige-se agora ao Gado, no geral, que não tem consciência da realidade do seu sofrimento. O sujeito poético de uma forma exagerada (hipérbole) assume a projecção da amada na Natureza, assumindo que, sem se dar conta, o gado come a graciosidade dos olhos da amada. Ao longo da cantiga temos uma comparação entre os olhos da amada e os campos que se vai tornando cada vez mais evidente aos olhos do sujeito poético. A repetição do advérbio de negação não transmite um tom de oralidade ao poema, e temos a certeza de que o sujeito poético está convencido desta projecção da amada na Natureza. No final da composição poética os campos não são como os campos (comparação) São os próprios campos verdes (metáfora).

Gado que paceis, co contentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração

(10pts) 1 Que relação o sujeito poético estabelece entre os campos e a amada.
Mote: Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d ervas vos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração.

Os campos 

ponto de partida para a recordação da amada  semelhança entre a cor dos campos e os olhos da natureza  os campos alimentam/ dão vida e a amada também mantém o sujeito vivo através das recordações.  projecção e posterior união entre a amada e a Natureza.

Gado que paceis, co contentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração.

(10pts) 2 A presença da cor é importante na construção desta cantiga. Demonstra a sua importância simbólica.
Mote: Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d ervas vos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração.

Verde símbolo da Natureza, que é o elemento de comparação com a amada; - Símbolo da esperança, uma vez que a separação causa sofrimento, há o desejo de reencontrar a amada.

Gado que paceis, co contentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração.

(10pts) 3 Quais os sentimentos que dominam o sujeito poético ao longo da cantiga.
Mote: Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d ervas vos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração.

Apaixonado porque a natureza o faz recordar as características da amada

Nostálgico/ Saudoso vive de recordações de passado e não de presente

Gado que paceis, co contentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração.

Triste/Incompreendido/Apaixonado porque os outros, a natureza não o compreende; porque as saudades são muitas e tudo o que tem são recordações

(10pts) 4 Observa as palavras Campo com o tema da composição poética.
Mote: Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes tendes: d ervas vos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração.

ovelhas

Gado . Relaciona a sua utilização

É apresentado o destinatário ou destinatários deste lamento: Campo, Ovelhas e Gado. O sujeito poético dirige-se a estes elementos. Primeiro começa por invocar o campo verde que se estende de forma bela, mas passa logo de seguida para as ovelhas que estão tão próximas dessa beleza verde. O sujeito poético deixa-lhes um recado, ao lembrar-lhes que por um lado elas se alimentam, elas se mantêm vivas por causa dessa verdura que o verão torna possível, por outro lado o sujeito poético alimenta-se/vive por causa das lembranças/ das memórias que tem da amada.

Gado que paceis, paceis, co contentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração.

(15pts) 5 Este poema retoma aspectos característicos da poesia tradicional. Identifica-os.
Mote: Ver//des// são// os //cam//pos cam//pos Da// cor// do// li//mão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d ervas vos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração.

Formal : ‡ Cantiga / redondilha menor (5 sílabas métricas) ‡ mote: quatro versos ‡ voltas com oito versos ‡ repetição do último verso do mote no final de cada volta Conteúdo:

Gado que pacei paceis, co contentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração.

‡ Saudade ‡ elogio à beleza da amada ‡ as características da mulher : os olhos claros a graciosidade ‡ 0 bucolismo: a natureza, os campos, as ervas, as ovelhas, o gado, o pasto ‡ a simplicidade, trivialidade e banalidade dos elementos que estão na base da inspiração poética: os campos verdes

(15pts) 6 Apresenta a Paráfrase da última volta. Identificando e clarificando a intenção do recurso expressivo presente nos últimos quatro versos.
Mote:
Verdes são os campos da cor do limão assim são os olhos do meu coração. Voltas: Campo que te estendes com verdura bela; ovelhas que nela vosso pasto tendes: d ervas vos mantendes que traz o Verão, e eu das lembranças do meu coração.

Dirige-se agora ao Gado, no geral, que não tem consciência da realidade do seu sofrimento. O sujeito poético de uma forma exagerada (hipérbole) assume a projecção da amada na Natureza, assumindo que, sem se dar conta, o gado come a graciosidade dos olhos da amada. Ao longo da cantiga temos uma comparação entre os olhos da amada e os campo que se vai tornando cada vez mais evidente aos olhos do sujeito poético. A repetição do advérbio de negação não transmite um tom de oralidade ao poema, e temos a certeza de que o sujeito poético está convencido desta projecção da amada na Natureza. No final da composição poética os campos não são como os campos (comparação) São os próprios campos verdes (metáfora).

Gado que paceis, paceis, co contentamento vosso mantimento não o entendeis; isso que comeis não são ervas , não: São graças dos olhos Do meu coração.

Aquela cativa que me tem cativo, Porque nela vivo Já não quer que viva. Eu nunca vi rosa Em suaves molhos, Que pera meus olhos Fosse mais fermosa. Nem no campo flores, Nem no céu estrelas Me parecem belas Como os meus amores. Rosto singular Olhos sossegados Pretos e cansados, Mas não de matar. ua graça viva, Que neles lhe mora, Pera ser senhora de quem é cativa. Pretos os cabelos, Onde o povo vão Perde a opinião Que os louros são belos

Pretidão de amor, Tão doce a figura, Que a neve lhe jura Que trocara a cor. Leda mansidão Que o siso acompanha; Bem parece estranha Mas bárbara não. Presença serena Que a tormenta amansa; Nela, enfim descansa Toda a minha pena. Esta é a cativa Que me tem cativo, E, pois nela vivo, É força que viva.

Aquela cativa que me tem cativo Porque nela vivo Já não quer que viva. Eu nunca vi rosa Em suaves molhos, Que pera meus olhos Fosse mais fermosa.

O sujeito poético começa com um jogo de palavras: cativo/cativa que é sugestivo da escravidão amorosa do sujeito poético. Se por um lado Bárbara é escrava/cativa (socialmente), o sujeito poético também o é. É escravo do seu amor. O sujeito poético faz um elogio à beleza da amada, construindo já a tradicional hipérbole, onde superioriza a amada.

Os elementos da Natureza são os escolhidos para ajudar a descrever a beleza da amada

Nem no campo flores flores, Nem no céu estrelas Me parecem belas Como os meus amores. Rosto singular Olhos sossegados Pretos e cansados, Mas não de matar.

Comparativamente com as flores e/ou as estrelas, a sua amada é muito mais bela. Note-se que todo o elogio é pessoal, ou seja, parece ao sujeito poético que a sua amada tem uma beleza incomparável à beleza da grandiosidade da Natureza. Está presente uma comparação. O rosto da amada não é um rosto banal, é singular/diferente/único, ou seja não corresponde aos padrões habituais.

Mais uma vez o sujeito poético joga com as palavras e diz que ela está cansada, mas não de matar de amor, não de seduzir e de inspirar paixões.

Mais uma vez, os olhos são apresentados como um espelho da alma, neste caso estão sossegados, o que mais uma vez reforça a ideia da calma e serenidade que caracterizava as mulheres da lírica camoniana. Mas logo de seguida, apresenta características que se opõem ao modelo de mulher: olhos pretos e cansados , ou seja, olhos escuros e doridos do trabalho duro.

Antecedente

olhos O reforço da graciosidade da mulher é contínuo e assemelha-se ao modelo de mulher.

ua graça viva, Que neles lhe mora, Pera ser senhora de quem é cativa. Pretos os cabelos, Onde o povo vão Perde a opinião Que os louros são belos.

Mais uma vez se joga com as palavras senhora e cativa , reforçando a ideia de que apesar de ser cativa/escrava, domina, é senhora dos corações apaixonados.

O povo vão , ou seja, a opinião geral e pouco acertada é de que os cabelos louros é que são belos. O sujeito poético põe em causa o modelo da época e substitui-o por outro.

Pretidão de amor, Tão doce a figura, Que a neve lhe jura Que trocara a cor. Leda mansidão Que o siso acompanha; Bem parece estranha Mas bárbara não.

Inicia esta oitava com uma apóstrofe à mulher amada, pondo em destaque precisamente as características que se opõem ao modelo de mulher da época, Mas logo se sucedem características psicológicas que se adequam ao modelo: Doçura, leda mansidão, siso. Toda esta descrição pode parecer diferente, mas não agressiva, ofensiva ( bárbara ).

Presença serena Que a tormenta amansa; Nela, enfim descansa Toda a minha pena. Esta é a cativa Que me tem cativo. E, pois nela vivo, É força que viva.

Novamente o reforço da serenidade. E também a presença da antítese, que põe em destaque as contradições amorosas e os conflitos de opinião. O sujeito poético encaminha para uma conclusão todo este elogio, dizendo que nela se concentra a sua inspiração poética e sofrimento poético ( pena ).

Aquela cativa que me tem cativo, Porque nela vivo Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa Em suaves molhos, Que pera meus olhos Fosse mais fermosa. Em no campo flores, Nem no céu estrelas Me parecem belas Como os meus amores. Rosto singular Olhos sossegados Pretos e cansados, Mas não de matar. ua graça viva, Que neles lhe mora, Pera ser senhora de quem é cativa. Pretos os cabelos, Onde o povo vão Perde a opinião Que os louros são belos

Aquela implica um distanciamento, pois o sujeito poético ainda não apresentou a personagem. Esta implica proximidade, pois agora as características desta personagem são conhecidas.

Pretidão de amor, Tão doce a figura, Que a neve lhe jura Que trocara a cor. Leda mansidão Que o siso acompanha; Bem parece estranha Mas bárbara não. Presença serena Que a tormenta amansa; Ela, enfim descansa Toda a minha pena.

Esta é a cativa Que me tem cativo. E, pois nela vivo, É força que viva.

A escrava contraria o modelo de mulher renascentista pelas suas características físicas que fogem ao pré-estabelecido: loiro, olhos claros, pele branca.

A sua serenidade, sensatez, calma e forma distante já se inscrevem nesse modelo.

Se Helena apartar Do campo seus olhos, Nascerão abrolhos Voltas: A verdura amena Gados que pasceis Sabei que a deveis Aos olhos de Helena. Os ventos serena, Faz flores de abrolhos O ar de seus olhos. Faz serras floridas, Faz claras as fontes; Se isto faz nos montes, Que fará nas vidas? Trá-las suspendidas Como ervas em molhos, na luz de seus olhos. Os corações prende Com graça inumana De cada pestana Ua alma lhe pende Amor se lhe rende E, posto em giolhos, Pasma nos seus olhos.

Se Helena apartar Do campo seus olhos, Nascerão abrolhos.

No mote, o sujeito poético deixa evidente que os olhos de Helena irradiam uma luz especial, de origem divina , inumana capaz de transfigurar a Natureza, transformando-a de forma bela.

Está presente o universo bucólico, onde a Natureza é o cenário da acção da mulher e do seu elogio.

Voltas: A verdura amena Gados que pasceis Sabei que a deveis Aos olhos de Helena. Os ventos serena serena, Faz flores de abrolhos O ar de seus olhos. Faz serras floridas, Faz claras as fontes;

Continuam a estar presentes os elementos da Natureza e são o destinatário da mensagem do sujeito poético. Está presente uma anástrofe, que reforça a acção dos olhos de Helena. ( Gado que pasceis, sabei que deveis a verdura amena aos olhos de Helena ). (Outro caso de inversão da ordem natural: o ar de seus olhos faz flores de abrolhos ) O sujeito poético parece querer tornar claro ao gado que tudo devem à capacidade que os olhos de Helena têm de transmutar a Natureza. Esta acção está reforçada quer pela utilização de verbos quer pela utilização de verbos, adjectivação e adjectivo anteposto,

Anáfora Faz Reforça o sentido transformador. Sem o seu olhar nada existiria.

------------------------------------------------------Se isto faz nos montes, Que fará nas vidas? Trá-las suspendidas Como ervas em molhos, na luz de seus olhos.

Os dois primeiros versos desta volta completam a primeira parte do vilancete: ‡ A acção dos olhos de Helena na Natureza Agora inicia-se a segunda parte: ‡ A acção dos olhos de Helena nas vidas humanas.

Começa esta segunda parte com uma questão retórica que nos leva a reflectir sobre os efeitos que esta mulher terá nos humanos. Logo de seguida, o sujeito poético responde a esta questão, com uma comparação. Conclui que também as almas humanas estão dependentes dela

Os corações prende Com graça inumana De cada pestana Ua alma lhe pende. pende Amor se lhe rende E, posto em giolhos, Pasma nos seus olhos.

Helena é uma figura graciosa, inatingível, espiritualizada, pertencente a um outro mundo, onde a matéria se suspende e de si depende. O amor que inspira é um amor espiritualizado, inalcançável.

Até o amor lhe presta vassalagem.

Fim

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