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A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica Primeira versio* “avr en pen Ifo ee ge et” Madan Dras Introducaio Quando marx emoreende «ankise do modo de po- dugto Sita, exe modo Se produc snds estar emt Str primbrdn, Mant ori ses invertases dorms Akriheswelor de proms. Remortov hi rises unde sentas Se prodapio capt a0 deseo, pov © fete do caps. Concise = poi esporer dsse ‘items no lomente uma exploseio escent Go poe ‘aso, mas amber, om ima anise, scrgue ce condites, bara Sua propia suprsso. ends emt vsta gue supeestrture se modiie mais lenamete que x base csndmin, as mudanea atid nat Sndlser de producto pesearan mai esi sul part fekticse om fos o scores da cultura, S6 hoje podemos Tica de que forma iano sv dew. Tas india dover por Sua ves somportar alguns prognoses exes promi Cor nics retro ater sre at de procaiade dopels (0 wal puna tn Dr Ose wae om a tert in aw pen oma tne deh ‘Sis raga. pene esetoOs Peder ceson ‘woes gu Dann aps ooo pnd a tomads do poder, © ito menor. na fas ciedade sm See acs bre a fenncasevltas ae, Sins pout halen esas e085 De ttre ne mperstroture que na economia, Seria Tao e mero sbestinas oval dss tees part 0 combate aor seers de inde numero cones tadionas Pee cntidades sti, vlcae eter eet, frma¢ Tees ae elena inonvlad,« no moment dit SFmete conte sndor ember i ado nam i los ons pla cvematinca de no serem de serie eproprivels plo fscomo, Em compensa rie der pore formula de exgencis reo Crores na pole arc Reprodutbilidade téenie ‘Em sunesénsa, brad are sempre fl reproduvel,O quccs Humes fem sempre pod se mitado por ost38 h- 362 Bsn imitaco cr prtcnds por displ, em seusexe- wr plac meaes, pare adifran das obs finamest por i bls mente ntrssadorn loro. Ein conan aF- uo nie da oa dears rprseata im precss0 NYO, ren develvendo ne istra intermitentmente, a {00% tt acpuradon por longs tral, asco ite Ta Elsen. Com sslograara,odevenbotormou-se ple WamsTncuclcameneroprododel, mo antes que 8 Pras prsiase ome serio para palace esr, C= Pete argue ansormactesprovacaGes ple reo crepromrte cicada, Mas impreass rent apes ca epetal, mors de importa Pre deur proceso hitirco mais mpl, A Blgravr, ne Sine S{RMSPemncn soa cstampe em chapa de cob © 8 ‘sires aun como opal ao ino do stclo XIX. one Sitogata, a eon de reproduco singe 8 capa cenealmonte nove, Base precedent mito Tas Seo, gu disungne © ans do esenbo numa pedre Pecado sobre um loco de madetr o uma pranch de ‘Soe, permlin sates rcs pea pcr vr enoear m0 seerida sua producer mo soreateem, mass, como 8 ei mes tas ibe so forme de rages sempre novas. Desss forma, a ates grificas adquiiram os meios de liusra vida cotiiana, Grapas i litogralis, elas comecaram a situarse no mesmo nivel que a imprensa. Mas a ltografia ‘inde estava em seus primérdios, quando fol ultrapassada ‘ela fotografia. Pela primeira vex no processa de eproduglo ‘a imagem, a mo ft liberada des rexponsabilidadee arti ‘as mais importantes, que agora cabiam unicamente 0 ob, Como ofho apreende mais depressa do que a mio desenha, 6 processo de reprodupio das imagens experimentou tl acele raglo que comorou « stuarse no mesmo nivel que ¢ playa oral. Seo jornaliustrado estava conto virtualmente na ito. brafia,o cinema falado esava contido virtulmente na foto. [rafs. A reprodueho téenice do som: iniciou-se mo fim do #6 alo passedo. Com ela, a reprodugdo tenice angi tal pa ttrao de qualidade gue ela ndo somente podia transformer ert seus objetas a totaldede das obras de arte tradicional, sib ‘etendoras @ transformagdes prafundas, como conguistar ‘Dare si um lugar proprio entre os procedimentos arttios Para estudar esse padrdo, aada ¢ mais instrutvo que exami ‘ar com suas duas fungSes — a reprodugio da obra de arte € Aart cinematogrifica — repercutem ume sobre outs. ‘Autenticidade Mesmo ns reproducto mais perfeita, um elemento esti savsente: o aqui e agora da obra de arte, sus exsténca dacs, ‘no higar em que la se enconta, E neste exiténcia tinea, ¢ Somente nela, que se desdabra s histria da obra. Ess hist ‘in compreende alo apenas as transformagies que ela sofreu, com a passagem do tempo, em sua etrutura fica, como as relastes de propiedad em que ela ingresiou, Os vertigioe das Drimeirass6 podem ser investiadat por andises quimicas ov isis, ivealizveis na reproducdo; os vestigos das segunda’ So o objeto de uma tradiao, cuja reconstituiete precisa par- tir do lugar em ue se achava o orginal. © aqui e agora do original constitu o contesdo da sua autenticidade, enela se enraiza uma tradigho que identifica tse objeto, até os nossor das, como reado aguele objeto, Sempre igual idEntico asi mesmo, A efora do autenicdade. ‘como um todo, escapa &reprodutiblidadetéenea,e naturel: mente ndo apenes d éenica. Mas, enquanto 0 mutintco pre us “WALTER BENIAMIN serva.tods a sua autoridade com relaplo 2 reprodugdo ma- ‘nual, em geral consigerada uma falsiicacto, o mesmo nfo foarte no ave dz respelto& reprodueto téenies, © iso por ‘doasrezdex, Em primelrologu, relativamente ao original 8 reprodugho séenies tem mais autonomia que a reproducto ‘manual, Ela pode, pr exemplo, pela fotografie, aceatuar cet {os aspoctos do original, aessres & objetiva — ajustivel ea. ‘a de selecionar arbitariamenteo Seu Angulo de observacio POF mas no acerivels ao alhar humo. Ela pode, também, irieasa procedimentos como a ampliacto ou a cimara lent, fixarimagens que logem intiramente& étea natural. Em se: tzundo ugar, 2 reprogugtotéenics pode clocar a ebpia door final em situagbes impossiveis para o proprio orignal. Ela pode, principalmente, proximar do individu a obra, sea sob ‘forma da fotografi, sea do disco, A eatedral abandons seu ugar paraintalarse no estio de wm amador; 0 ore, execu {ado numa sala ou ao ar lire, pode ser euvido num quart. ‘Mesmo que estas novascireonstincias deizem intato © conteddo da cbra de are elas desvalorizam, de qualquer ‘modo, 0 sen agol ¢ agora. Embora esse fendmeno no seje ‘exclusiva da obra de arte, podendo ccorrer, por exemplo, ‘nome paisagem, que aparece num filme aos olhos do expec: {ador, ele afew a obra de arte em um nicl especialmente Sensivel que no existe nim objeto da natureza: sua autenti- fidede, A autentciade de uma coisa € a quintesséncia de {do o que fo trensmitido pela tradinto, « partir de sua ori fem, desde sua duracho material até o sou testemunho hist Fico, Como este depende da mateialidade a obre, quando tla se esquiva do homem através da reproduto, também 0 festemonho seperds. Sem divida,s6 ese testemunno desapa- rece, mas 0 que desaparece com ele € autoridade da cass, 0 peso tradicional ‘O conceto de aura permite resumiressascarscterstcas ‘oquese atrofia as ors da reprodutlidade tenia da obra de frte sua aura, Esse processo¢ sintométicn sa signficacto ‘ai muito além da esfera da arte. Generlizando, podemos dizer que a téeniea da reprodugao destaca do dominio da te ‘igao 0 objeto repredusido, Ne medida em que ela multiplies ‘reprodogio, subetitai a existéncia ‘nica da obra por'uma txisténci serial. F, na medida em que esse téenice permite Feorodugto vir ao encono do espectador, em todas as situs MAGIA E TEOMA, ARTE POLITICA ro fis, ela atualize © objoto reproduside. Eases dais processos resultam num violeto abalo da tradilo, que constitul o re verso da crise atual e a renovapio da humunidade. Eles felacionam invimamente com os movimentos de massa, em nossos dias. Seu agente mals poderaso€o cinema, Sua fungdo social no concebvel, mesmo em ses tragos mals positivos, © Drecisemente neles, som seu lado destritivo ¢catértico! ie ‘quidagdo do valor tradicional do patriménio da cultura. Esse fendmeno ¢ especialmente tanglvel nos grandes filmes histé= ‘eos, de Clespatra e Ben Hur até Prederice,o Grande © Ne poleto. E quando Abel Ganee, em 1927, prosiamou com en ‘usiasmo: “Shakespeare, Rembrandt, Beethoven, farlo c= nema... Todas as lends, todas as mitalogias ¢ todos os its, ‘todos os fundadores de novas religibes, sim, todas as rel sides... aguardam soa resureigie luminosa, ¢ os hebis fco(ovelam as nossas portas", ele nos convida, sem 0 saber talvez, para essa grande iqudacte, Destruiglo da aura [No interior de grandes periodos hstrics, a forma de ‘percepeto des coletividades humanas se raniorma wo meso fempo que seu modo de existéncia. O modo pelo Qual te org. naa a percep humans, o meioem que ease di, nko & ape- ‘as condicionado naturalmente, mas tamibém historieamente, ‘A época das invasGes dos barbaros, durante qual suryiram & indistria arstica do Baixo Império Romano © a Génsee de ‘Viena, nao tinha apenas uma arte diferente 6a gue carter 2zava o period clissico, mas também uma out forma de pe expgto. Os grandes estudiosos di escola vienense, Riegl © ‘Wiekhoff, que se revoltaram contra o peso de tradigho cassie, esta, sob 0. qual aquela arte fine sido sowerrads, foram of primeios a tentarextrair dessa arte algumas cancisber sobre A organizacdo da percepcdo nas épocas em que ia estevs em ‘igor. Por mais penetrantes que fosem, eases conclastes es ‘avam limitadas elo fato de que esses pesqulcadores te con ‘entaram em deserever as caracteristicas formals do estilo de percepeio caracerstice do Baiso Impéri. Nlo tentaram, sane SS i te time hn Caen tabvez nfo tressem a esperanga de conseguilo, mostrar as convulies sciais qu se exprimiram nessas metamorfse: da ‘ercepeio. Em nossos dias, as perspectivas de empreender ‘com fxito emelhante pesquisa sto mais favorives, ese fosse Dossiel compreender as translormagbes contemporaneas de {aculdade perceptiva segundo a ética do declnio da tra, a= ‘causassocaisdessastransformagdes Se tornariam inteliiveis, Em suma, o que ¢a aura? £ uma figura singular, com: ‘posta de elementos espaciaise temporais: & aparicho Gia de ‘mia coisa dstante, por mais perto que ela esteja. Observar, em repouso, numa tarde de vero, uma eadeia de montanhas ‘no horizonte, ou um galho, que projeta sua sombra sobre né, significa respirar a aura dessas montanas, dessegalho. Gra: ‘cs ess deiniclo, € fic identiicar os fatore socials espe tifeos que condcionam o declino atval da aura. Ele deriva, fe duas cicunstincias, estreltamente ligadas & cresente di fst eintensidade dos movimentas de massas, Fazer as cok. ss “ficatem mais proximas" € uma preocupagio to apaixo- ‘nada das massas moderaas como sua tendéncia a superar 6 caritertnico de todos os fatos através da sua reprodutbit ‘dade. Cada dia ica mais vessel a necessidade de postr 6 objeto, de operto quanto possiel, na imagem, ou antes, a Sua cbpia, na sua reprodugio. Cada dia fice mais ntide « Aiferenca entre a reprodugao, como ela nos ¢ oferecidapelas revistas ustradase pelas atualidades cinematograticas © inagem. Nesta, « unidade e a durabilidade se associam {80 Insimamente como, na reprodugto, a transiteriedade ea repe- tiblidade. Revirar objeto do seu invélucr, destrur sua gure, a caracerstice de uma forme de percepeo ews capacidad: ‘de captar“o semelhante no mundo” 0 aguda, ue gragas & reprodigio ela consegue eapidlo até no fenémen ini, ‘Assim se manifesta na esfera sensorial a tendéncia que na es fera teica explica a importincia crescente da estatisic Orientar realidade em fungie das massas e as massa em fango da realidade ¢ um proceste de inmenso aleance, {ante pars o pensamento como para a intulglo. Ritual ¢ politica ‘A unicidade da obra de arte €idéntia & sua insergdo no contexto da tradigio. Sem divida, essa tradigio € algo de MAGIA E TEOMA, ARTE POLITICA m muito vio, de extrordinariamentevarivel. Uma antiga eté- tua de Vénus, por exemplo, estavainscrita numa cert fe digo entre os gregos, que faziam dela um objeto de cult, © fem outra tradigao na Idade Média, quando of doutores da Treja viam nela um Idolo malfazefo. O que era comum is ‘duas trades, contudo, era a unicidade da obra ou, em os. ‘ras palavras, sua aura. A forma mais primitiva de insert da ‘obra de are no contexto da tradi se exprimia no culto. At mais antigs obras de arte, como taberos, surgiram a servo de um ritual, inicialmente migico, e depois eligioso. O que & fe importincie decsia& que este mode de ser aurdtico da ‘obra de arte nunca se destaca completamente de sua fungo ritual, Em outras palavra: o valor Unice a obra de arte “auttatica” tem sempre um fundamente teldgico, por mais emoto que se: el pode ser reconbecido, come ritual seule: rizado, mesmo nas formas mais profenas do eulto do Belo, -Essas formas profanas do eulto do Belo, surgidas na Renes ‘engaevigentes durante ts sulos,deizaram manifeeto esse fundamento quando sofreram seu primeir abalo grave. Com cieite, quando o advento da primeira ttenica de reproduce verdadeiramente evolucionirla —~ a fotografia, contemport nea do inicio do scialismo — levou w arte a pressentr prt- imidade de uma crise, que s6 fer aprofundsr-e nos ce anos Sequins, ela reagiu to perigo iminente com a doutrine da arte pela arte, que € no fundo uma telogie ete. Delete sultov uma teologia negativa da art, soba forma de ume arte ‘Pura, que ndo resin apenas toda funedo soa, mas tame ‘qualquer determinagdo objetiva. (Na teratura, foi Mallarmé © primeizo a alcancar ese estigi.) E indispenséve Ivar em conta essasrelagdes em um estuda que se propoe estar & arte na era de sua reprodutibilidade tdenien, Porque elas pre- param o caminho para e decoberta decisive: com reprodu- Fibilidade técnica, « obra de arte se emancipe, pela prime’ va vez na histéria, de sue esisténcia paresitrie, dstacan dose do ritual. A obra de arte reprodozida & cade ver mais ‘8 reproduslo de uma obra de are erada part set reprodu Bids. A chapa fotogrifica, por exemplo, permite uma gra e vatiedadé de cOpins; a questto da autenticdade das ob pies lo fem nenhum sentide. Mas, no momente em que © critério ds autenticidade deixa de aplisar-se & produgho 4. tistica, toda « funglo social da arte se transforma. Em vez de funda no tala pass «funda em outa pris tpeltice Ns obras cnematogréias, a reprodatiidade tenia do prose nto camo no ceo de Herta ov ds PD, ine snd extern paras festa mac. A repodu Dilided nce do ne tom seu fendamento media mo tice de sua produto, Esra mia apenas permite, da forme ‘a fntaar 2 dlusioem masa da obra cemetoarea Tomo ator brig. A dus se tre obra for Stee preduetode ume tance qu on connor. ue rederin por expo, paper quo, no pode mai ‘agar am me. © tne Coma cack x cold, Em {SE calelose que om filme de lone metragen, pare ser rene, precisa singir am pablo de nove milhies. peso, coro qoe © ciema faladorepeeno, inci ents um roca Sev pico restngse ao limitade ule fons tinglstias, eee endmeno foi concomitant fom 1 tafe dada pein faci aor interes nacomis. Sat lnportant, condo, gos reine ee reocesso Ut de gutgoct mode er em free Smpensade pea incon Selo, Canales sua reiagao somo facsmo. A simula ‘de de dns feabmense se esse ne erie sonimica. AS {enna rnrbuléniae que de mova geal evra & tenaira Ar estaba a lah de propledae iene pela volo i aera, to ep formas fasta levaram o capital {mre indGntin nemaogrfes, mead, 4 preparaé camiah part cinema alsa Aiivucts do ems fe {ado alos temporatamentes cise E so ao omen fo {hecom ce ar tases votram © eqierar as sls de c- Sema como pore ton vnculos devoid ete 0° ovr canfaa do ndunaceties eorepisndos ne produto [omatngfica, Asin, se atme perspec externa, © €> Stu lnladeestinulo interests nactnas, vito ce extzo {einterasonalizns »produgiocnematogrfic numa eee Samar Valor de culto e valor de exposicto Seria posivelreconstituir a histria da arte « partie do confronto de dois pos, no interior da propria obra de arte, € (ero conteddo dessa hist na variaglo do peso conferide MAGIA E TECNICA, ARTE E POLITICA ™ Sea a um polo, sea a outro, Os dois pos sto o valor deeulto da obra’ seu valor de expespfo. A producto artstiea comers ‘com imagens & servigo ds magia. O que importa, nessa ima- fens, € que elas enstem, e nao que Sejam vistas. O alee, co- biado pelo homem paleo nas paredes de sua eaverna, 6 lum instrumento de magi, x6 ocasionalmente exposto aos hos dos outros homens: no maximo, ele deve ser visto pelos tspiritos. O valor de eulto, como tal, quase obriga « manter Secretas as obras do arte: certasestuas divinss somente $80 scessives an simo sacerdot, nacella, certs madonas perma rnecem coberts quaseoano inteiro, certasesclturas em cate ‘ais da Idade Média sho invisives, do solo, para o bservs- ‘dor. A medida gue as obras de arte se emancipam do sew uso ritual, aumentam as ocasides para que elas sejam exposias. A texponiblidade de um bust, ave pode ser desocad de um Iugar para outro, & maior que a de uma estitua divina, que tem sve sede fixa no interior de um templo. A exponibiidade ‘deum quao é maior que a de um mossico ou de um afresco, ‘gue o precederam E se a exponibilidade de uma misse, por ‘ia propria natureza,nlo ea talvez menor que a de uma Sin fon, esa surgiu nuin momento em que sua exponiblidade prombtia ser maior que a da misss. A exponibilidade de uma obra de are resceu em tl escala, com os virios métodos de sus reprodutbiidade teniea, que # mudanca de €ofase de lum péle para outro correspoade a uma medanca qualtaiva comparivel 4 que ocorreu na pré-istria. Com efeito, assim como na pré-historia« preponderanciaabsohuts do valor de talto coaferido & obra leou-a a ser coneebide em primi Jugar come instrumento magico, es mais tarde como obra de arte, do mesmo modo « preponderincia absoluta conferida hoje seu valor de exposicho atribui-tne fuses interamente novas, entre as quais a “artistes”, «Unica de que ters cons ‘Gdaca, tlver se revel mais tarde como secundiria, Uma ‘cols ¢ cera: o cinema not fornece a base mais til pare exe ‘minar essa questo. E certo, também, que oaleance hist6rico essa refuncionalisagto de arte, especialmente viivel a0 ‘nema, permite um confronto com a pré-hstéria da arte, no 6 do pont de vista metodolégico como material. Esse arte rgstrava certas imagens, 2 serio da magia, com funcées Draticas: sea como execusto de atividades magicas, saa ti tu de ensinamento dessas priticas mégicas, seja como obje- deine aio min Die eis ul ines sts pice Srecetansce cheney inp, crite en stn eased oh ng nn armenia Bes ese tacit ae Cee ee seconde concn et oon a ipa dupe aed mater, teem Se ae eat sear crete sas a ea eras Sooke saunas eee a mt See Se comet, nt to irc ce Oe eee epee pombe cate copa han oe seteoie Gopentcmemcut mune See Fg spe ar ese Se Fotografia Com a fotografia, 0 vbr de culo cots recuse os as res dante da valor de expo, Mat ova Se hao eeu sen eerecr resto, So in i hats 6o onto mano, Nao por asso qu veo cra. © Sinha wma das prima fotoraiay.Orefigideraere ovals dco fol cll du sata, contagraa sor amo. sss dn urs in ve {xpretto ficn de um rove nas antiga os, que is az bers melanctsaeiconpareel Por. qo © orem serene fotografi, ova de expo sere Jets primera veo vl de cults © mt meredn de ise tr rdalvao se proces ao ftograar a ras o aS. deserts de bomens por mal de 1900 Com nie, tccroves dle qr fotografie as como oe feral loca dc um cine. Tanem ene oe € dase & fare: fads or couse ds incon ie le nm Cot Att fetes bandlocam em ats no prose a sti” Nit Site tpacate plies ltr: Ex fotoronena ‘eeepeto num sense prodcterminao. A cotempuse re hoes adequade Bus ngustam 0 ohervador, abe re MAoIAE TBs ate POLITICA ms ‘sente que deve sequr um caminho defini para se eproximar elas. Ao mesmo tempo, as revistaslustradas comecam ‘mostrar-the indicadores de eaminho — verdadeiros ov aloe, Duco importa. Nas revstas, as legendas expictiva se tor: ‘nam pela primeira vex obrigatiras. &evidente que eases ox. tos tim um cariter completamente distint dos titulo de um ‘quadro, As insirugies que o observadar recebe dos jornals Austrados através das legendas se tormarto, em sega, tinda ‘ais precisa ¢imperioses no cinema, em que a compreeasto de cada imagem € condicionads pela seqhéncia de todas as smagens anteriores, ‘Valor de eternidade Os sregos s6 conhsciam dois processor téenicos para & Feprodiut de obras de ate: 0 molde ea eunhagem. As mec: as eterracotas eram as Unicas obras de arte por ees fabrics das em massa. Todas as demaiseram Gnicase tecnicamente lnreprodutiveis.Por iss, preisavam ser dniease constuldas Dara acternidade. Os gegos foram obrigados, elo estégio de ‘de de marcar, com sev préprio ponto de vits, toda s se Jugdo artstiea posterior. Nao ha dvida de que esse ponte Ge vistas encontra no plo oposto do nosso. Nunce as obras de are foram reprodutives ‘eenicamente, etn tal ecale¢ ampli ‘de, como em nossos dias. O filme € uma forma eujo carer trtistico é em grande parte determinado por sua reproduti lidade, Seria ocoso conirontar esta forma, et todas S483 Dartculeridades, com a arte grega. Mas num ponto preciso ‘ss confront €possivel. Com onema, aabra de arte agu ‘iv um atributo desis, que os gregor ou nao acetarany Ov onsiderariam o menos essenclal de todos: a periectoilidade © filme acabado nto ¢ produzido de um 36 Jato, e sim mon: {do a partir de inmeras imagens isoladas ede soquéncias de lmagens entre as quais 0 montadorexerse seu direlto de eso: Jha — imagens, lis, que podeiam, desde c inicio da ims em, ter sido corigidas, sem qualquer restrido, Para prod Bir A opinido pablica, ‘com uma dursrio de 3000 ‘metros, Chaplin fimow 125000 metros. O filme €, pols, a mais per fective! das obras de arte, O fate de que esse pefecibilidade se relaciona com & reninca radical aos valores eternos pode fer demonstzado por uma contraprora. Para os groges, cula frteviseva a produgdo de valores eters, a mais alta dat artes fra.a menos perfectivel, a escultura, culaseragSes se fazem literalmente« pari de un 36 Dioco. Dal odecnio inevitavel 6 eseltur, na era da obra de arte monte! Fotografia ¢ cinema como arte ‘A controvérsia tavads no séoulo XTX entre a pintura © « fotografia quanto ao valor aristio de suas respectvas produ- hes parece nos hoje ielevante ¢confusa. Mas, Longe dere Susie aleance deste controversi, fal ato serve, a coatriio, para sublinhar sua sigificarto. Na realdade, ess polmica ‘ie expressto de uma transformaeio istrict, que como tal ‘nlosetommov conseiete para neal dos antagonisas. Ac se fmancipar dos evs fundamentasno clto, na era da reprodu- ‘olidade técnica, a arte perdew qualquer aparéncia de auto- ‘omia. Porém a époea nfo se deu conta da refuncionalizaso ‘nate, decorrente dessa crcunstincia, Ela nfo fol pereebida, durante muito tempo, nem sequer ‘no steulo XX, quando cineme se desenvolved Muito se e ‘reveu, no passado, de modo tio sutil como extril, sobre @ ‘testo de saber se a fotografia era ou nao uma art, sem que Se colocassefequer a questao prévia de saber sea invensao de Fotografia nao havia alteredo e propria naturesa da arte Hoje, oe teéricos do cinema refomam a questio na mesma perspective superficial. Mas as difleuldades com que a fl0- tralia confront a estéica wadicional eram brincadeiras in {eats em comparagao com as suscitadas pelo cinema. Dai violénci cega que caracteriza os prim6rdios da tori cinema: {ogrifica, Asim, Abel Gance compara o filme com os hier’ alos. "Nous void, par un prodigieux retour en arr, ree ‘nussur le plan expression des Egyptiens... Le langage des Images n'est pas encore au point parce que nos yeux ne sont pesencore fats pour elles. n'y apas encore assez de respect Ge cute, pour ce qu'elles expriment.” Ou, como eserere SE ‘erin Mars: "Quel art eut un re... plus potique la fis et plus rée. Considéré ain, le cinématographe deviendrat ox acta Teoma aeTE E POLITICA ” moyen dexpresson tout & fait exceptionnel, et dans son a mosphre ne devraient se mouvoir que des pesonnages de ‘pense la plus supérieure, aux moments le plus parfats et es plus mysiéricux de leur course”.”E revelador como o eslorgo 4p confers ao cinoma a dignidade da “are” obriga esses te ‘eos, com uma inexcedvel brutalidade, a inroduair na obre ‘lemento vneulades anculto. E, no entanto na época em que foram poblicadas esas especulagSes, jt existiam obras como A opinito piblca ox Em busce do ouro, 0 que nto imped, ‘Abel Gance de falar de uma ecrtasagradae Sévrin-Mars de falar do cinema como quer fala das figuras de Fra Angelic. E tipico que ainda hoje autores especialmente reacionrios ‘busquem na mesma direpdo 0 significado do filme e o veiam, ‘endo ns esfera do sagrado, pelo menos na do sobrenatual CComentando a transposiglo cinematogrética, por Reinhardt, do Sono de uma noize de verdo, Werle! observa que & a ten- enciaexteril de eopiar 0 mundo exterier, com suas ruas,in- teriores, estas, restaurantes, aulomOveis epragas, que tm Impedido o cinema de incorporar-se ao dominio da arte. “O cinema ainda nio eompreendeu seu verdadciro sentido, suas ‘erdadeiras posiblldades... Seu sentido esti ne sua facl- {ade caracterstice de exprimir, por meios naturase com uma Incomparivl frga de persuasto, a dimensto do fantstco, Cinema e teste Fotografar um quadro é um modo de reprodueto: foto srafar num estidie um acontecimentofiticie€ outro. No pic Ineio caso, 0 objeto reprodinido € uma obra de are, ¢ tte produgao nioo€, Poiso desempenho do fotdgrafo mancjando Sus objetva tem to pouco a ver com a arte como o de um maestro regende uma orquestrasinfnia: na melhor das hi- poteses, &um desempenho artistico. mesmo no ocorre no ‘aso de um estidio cinomatogrifco. O objeto reproduzido io € mais uma obra de arte, © a reproducto alo o € tam (2 Lamanbmnoaptige Pa 10 ‘eset Neves Wine bara usp edesose pouco, como no caso anterior. Na melhor das hipSteses, « ‘bra de arte surge através da montagers, na qual cada frag: ‘mento €a reprodugto de um acontecimente que neth constitu ‘em situa obra de arte, nem engendra uma obra ée arte, a0, ser filmado. Quais sto esses acontecimentor nio-artisticos re. Produzidos no fle? ‘A resposta esi na fsa sui generis com que ator cine- ‘matogrificn representa 0 seu papel. Ae contrario do ator de teatro, ointéprete de um filme alo representa diante de um Diiblico qualaueracena a ser reproduzida,e sim diante de um timo de especialistas — produtor, diretor, operador, enge- heire do som ou da iuminasto, et. — que a todo momento tem o direto de intervir. Do posto de vist social, € uma ca ‘acterstca muito importante. A interveneo de um grémio de ‘anieos € com efeite tipiea do desempenho exportiv e, em ‘eral, da execucte de um teste. E uma intervengho desse po ‘que determina, em grande parte, o processo de produeio €- ‘ematogritiea, Como se sabe, muitos techos s4o lmads em sltiplas variants. Um grito de socorro, par exemple, pode ser repstrado em vas ersbes. O montador prosede entao tscolhendo uma delas como quem proclama tm re conde. Um acontecimento filmado no esthcio distingve-se as. sim de um sconiseimento real como um disco langado Tm ‘stidio, numa competisio esportva, se distingue do mesmo isco, no mesmo local, com a mesin trajetiria¢ co lange ‘mento tivese come efsito « morte de um homem, © primero atoseria a execusto de um teste, mas ndo o segundo. orém a execugio desse teste, por parte do stor de ci ‘ema, tem uma catactristica muito especial. Ela consate em fe vestinge us Geb tale sot Soca! dos testes. Este limite nto se aplica 8 ‘compétgto esportia,e sim aos testes mecenizados. O espor tist 86 conhece, num corto sentido, of testes naturas. Ele fexecutatarefas impostas pela natureza,e ndo por um apare the, salvo casos excepcionais, come o do atleta Nurmi, de ‘quem se dizi que “corra contra 0 relégio". Ao contriro, 0 ‘rocesso do trabalho submete o operdrio a inimeras provas mecinicas,prncipalmente depois de introdugdo da cadela de ‘montagem. Essas provas ocorrem implictamente: quem no ss pasta com tito, €excluide do processo do trabalho, Eas ‘dem também ser explicias, como nos institutes de orients rs MAI ETECNCA, ARTE E POLITICA » Ho profssonal. Num e nouto cago, aparece o limite acime ‘eferido. Ele consist no seguimte: estas provas nfo podem set ‘mostradas, como seria desejivel, como acontece com Prt vas esportias. E esta 1 especfiidade do cinema: ele forme ‘mosirivel a execucto do teste, na medida em: gue transforma ‘num teste ess0 “"mostrabilidade”.O interprete do fme nic representa diante de um pSblico, mas de um aparelho. Od "tor ocupso lugar exato que o controlador ocupa num exame de hablitacdo profisional. Representar a hus dos refletores e 0 mesmo tempo atender 2s evigtncias do microfone € uma prove extremamente rgorosa. Ser aprovado nels significa pera ator conservar sua dignidade humana diante do epare- Mo, O interessedessedeserpenho &imenso. Porque € diante ‘de um aparciho que a esmagadora maloria dos citadinos pre ‘tsa alionar-se de sua humanidade, nos bales enasfabreas, durante dia de trabalho. A soit, e+ mesmas massas ences) os cinemas pare asistrem vingenga que o interpre exe ‘cuts em nome delas, na medida em que o ator no somente firma diante do apareho sue humanidade (oto que aparece ‘como tal aos altos dos espectadores}, como coloca esse ape relho a serio do seu proprio tunto, 0 intérprete cinematogrfico Para o cinema € menos importante o ator representar

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